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DIRETOR GERAL: Mário Moreira DIRETOR OPERACIONAL: Sálvio Freire DIRETOR ADM. E FINANCEIRO: Odenir Margalho DIRETOR TÉCNICO: Ivaldo Santana ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO CHRISTINA HAYNE Jornalista (DRT:1759/PA) Gerente de Comunicação CLAUDIANE SANTIAGO Jornalista (DRT:2190/PA) ANDRÉA FERREIRA Jornalista PUBLICIDADE E DESIGN NETH VILHENA Publicitária / Projeto Gráfico LILIO GERMANNO Design Assistente ESTAGIÁRIOS ASCOM: Karoline Martins Tiago Leão RAIMUNDO SIMÃO Disk Denúncia / Redes Sociais FOTOGRAFIA NETH VILHENA/ CHRISTINO MARTINS/ ASCOM ADEPARÁ

Colaboraram com esta edição: Jornalistas: Elielton Amador, Iolanda Lopes, Rubens Pacheco, Dedé Mesquita, Rosa Borges, Elck Oliveira, Ascom Canal Rural e Cohab.

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VAZIO DA SOJA

ENTREVISTA FRANCISCO VICTER 27 BRUCELOSE 28 CARAVANA DA PRODUÇÃO 32 CULTIVO DO CACAU 34 ENTREVISTA IVALDO SANTANA 36 PRODUTOS ARTESANAIS 38 PRAGAS DO ABACAXI 44 SERVIDOR NOTA 10

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Palavra do Diretor Geral

“Um período de boas notícias para a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará). Um órgão público que se tornou referência nacional”.

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Muito trabalho, muito esforço dos servidores, muita vontade política, e muitos resultados. Esse, sem dúvida, é o cenário que se apresenta seja nos bastidores ou no “front”, da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), tida como uma das boas referências no grupo de agências de Defesa dos estados brasileiros. Não tenho dúvida que temos inúmeras ações, soluções, resultados, certicados e reconhecimentos para pautar o currículo e a capacidade daqueles prossionais que hoje atuam na defesa agropecuária do estado do Pará. No segundo semestre de 2012, por exemplo, o trabalho da Adepará resultou no reconhecimento por parte do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de um Pará livre do foco da Mosca da Carambola e, em menos de um ano depois, recebemos a certicação quanto ao status sanitário de um Estado livre de Febre Aftosa com vacinação. Para economia do Estado, a Adepará tem um papel da maior importância. Posso falar com toda certeza que não é mais possível referendar o crescimento e o desenvolvimento do agronegócio paraense sem destacar as ações e o trabalho sério realizado pelos servidores da Adepará. Hoje a principal barreira que existe para venda de qualquer animal ou vegetal é a barreira sanitária. As nossas exportações de carne, de queijo de grãos, tudo depende da questão sanitária, tudo depende do certicado de inspeção. Por isso a Adepará é fundamental para o caminho do produção. Atuamos em uma região adversa, de grandes extensões territoriais que possuem juntas uma rica biodiversidade. É nessa extensa região que reside o maior rebanho bovino do Brasil; que tem a maior produção de abacaxi e que hoje possui um signicativo percentual na produção de grãos no sul do Pará. É com muito prazer que certicamos a força da economia paraense e a contribuição positiva que o Pará dá a balança comercial do país. Então a Adepará está aí, tentando oferecer melhores serviços e viabilizando novas e melhores ferramentas, ou seja, sempre pronta para apoiar ao produtor. Entre as conquistas, aquela que teve a mais alta importância e cujo trabalho teve uma duração de mais de dez anos, e que se intensicou nos últimos dois anos. Conseguimos, enm, unicar o status sanitário do Pará e no dia 18 de agosto de 2013, recebemos o reconhecimento nacional de 100% livre de Febre Aftosa com vacinação por parte do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Com a assinatura da Instrução Normativa nº 33, que ocorreu com a vinda do Ministro da Agricultura ao Estado, que destaca o reconhecimento da mudança de status sanitário para as regiões do nordeste paraense, Baixo Amazonas e arquipélago do Marajó, cumpre-se uma etapa necessária para buscar, agora, o reconhecimento internacional por parte da Organização Internacional de Saúde Animal para todo o estado do Pará. Quero agradecer a todos os servidores da Adepará e a todos os produtores rurais. Nós conseguimos essa certicação com base em muito


trabalho. Estivemos várias vezes em Brasília, no Mapa. Foram muitas as conversas, debates, reuniões; mostramos as viabilidades e cumprimos todas as exigências do Mapa, uma a uma. Não tenho medo de errar. Armo que estamos no caminho da independência do produtor rural. Logo virão os efeitos positivos. A arrouba do boi, por exemplo, deverá valorizar e em breve o preço vai subir. Lembro-me quando não tínhamos essa condição a arrouba do boi era 30% a menos na região sul do Pará. Depois que conseguimos essa condição o preço do boi se equiparou a de outros estados da federação brasileira. Agora temos que continuar a fazer nossa parte, todos nós produtores. Sim, estamos livre da febre aftosa com vacinação. No Pará, atingimos índices de vacinação que variam entre 95% e 98%. Isso fez a diferença. Para não retroceder, é preciso que todos os produtores continuem atentos quanto à vacinação do gado, pelo bem do patrimônio. O controle do trânsito animal é a exigência máxima no Brasil e na Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e esse trabalho será intensicado pela Adepará. Por isso quero pedir que o produtor não transite sem a Guia de Trânsito, pois esse documento é fundamental para o Ministério da Agricultura e para todos nós. Faremos uma scalização rígida e cada vez mais ecaz. Caso aconteça de identicarmos irregularidades quanto a transporte de animais, mesmo com as orientações e a scalização da Adepará, teremos que recorrer às sanções impostas, a exemplo de multas, interdições de propriedades. Temos ainda opção de aviso a frigorícos e açougues a m de que o abate e a comercialização da carne irregular sejam impedidos. Por esse motivo, a GTA é um documento de grande importância. São mais de 110 mil produtores no Estado que hoje estão no sistema de cadastro da Adepará, cujas propriedades estão identicadas assim como toda a produtividade da área de cada um. Antes, todo esse banco de informação era realizado manualmente. Nos últimos dois anos, a Agência de Defesa investiu na informatização dos sistemas de identicação a m de organizar e controlar a defesa animal e vegetal do estado do Pará. Agora o cadastro está informatizado. A Guia de Trânsito Animal também era emitida no papel, agora a GTA é emitida via internet, eletronicamente. O Pará já é o Estado que mais emite GTA eletrônica. Estamos mais a frente ainda. Já disponibilizamos a GTA eletrônica via web, ou seja, o produtor rural pode tirar o documento de trânsito de sua própria casa, basta ter conectividade com a internet. Estamos lançando a GTA em muitos municípios paraenses já que conseguimos colocar internet na maioria dos municípios a partir de uma parceria Adepará, Prodepa e OI, um investimento na ordem de R$ 1,8 milhão. A Guia de Trânsito Animal via web foi lançada nos municípios da PA 279, que já está asfaltada e de alguns da BR 150, a exemplo de Tucumã, Ourilândia, Agua Azul do Norte, São Felix do Xingu, Rio Maria, Xinguara, Sapucaia, Eldorado, Marabá, por ocasião da Caravana da Produção, que aconteceu no mês de setembro de 2013. Municípios do extremo sul do Pará, como Redenção, Conceição do Araguaia e Santana do Araguaia, também já possuem a emissão de GTA via web. Esse novo serviço disponibilizado pela Adepará, que aos poucos chega aos municípios paraenses, foi fruto de um intenso trabalho de técnicos especializados da equipe de Tecnologia da Informação por um período de mais de um ano e este é mais um avanço para atividade produtiva do Estado. Há dois anos a Adepará apresentava muitos problemas. O Governo do Estado investiu na estrutura e logística para garantir eciência quanto a defesa animal e a defesa vegetal, a exemplo da aquisição de 250 novos veículos. Realizou-se a mudança para um novo prédio, com melhores acomodações; muitos cursos de qualicação foram ofertados e o Plano de Cargos e Carreiras (PCCR) está a caminho da aprovação. Adepará mudou e mudou pra melhor. Foi e é uma honra estar à frente da Adepará nesse processo de construção de uma defesa agropecuária cada vez mais forte. Obrigado a todos da equipe de servidores, a todos os produtores rurais e a todos do setor produtivo do Pará. Juntos e reunidos seremos cada vez mais fortes em prol da produção, da economia e da população paraense.

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Por Christina Hayne

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inte e dois (22) estados brasileiros estiveram representados na IV Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária, um evento que reuniu profissionais que atuam na defesa animal e vegetal em todo o país. Com o tema “Defesa Agropecuária e Sustentabilidade”, o evento despontou como um divisor de águas no setor produtivo, um momento que marcou posição nacional no setor agropecuário, pois, pautou temas da Amazônia e suas especificidades. Para o diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), este foi um grande momento para o Estado que se credencia cada vez mais entre os grandes produtores do Brasil. “Esse evento coroou um trabalho repleto de êxitos junto ao segmento de defesa agropecuária de todo o Brasil”, enfatizou o diretor geral da Adepará, Mário Moreira. No dia 1º, as palestras de abertura, ministradas pelo secretário de Agricultura, Hildegardo Nunes e pelo secretario da Câmara Temática de Infraestrutura e

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Logística do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Carlos Alberto Batista, apresentando temas respectivamente sobre “Erradicação da Mosca-daCarambola e reconhecimento como área livre de Febre Aftosa com vacinação – impacto da melhoria de status sanitário para o agronegócio do Pará e do Brasil” e “ A política de defesa agropecuária versus a logística brasileira no século XXI”, reuniram mais de 1000 participantes no auditório do Hangar Centro de Convenções da Amazônia entre as 15h e 18h do primeiro dia de evento. A programação da IV CNDA totalizou 70 palestras, quatro eventos paralelos, entre os quais, a reunião do Fórum Nacional de Executores de Sanidade Agropecuária (Fonesa) que abriu o período da IV Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária em Belém, às 8h do dia 1º de outubro e o I Seminário Estadual sobre a Cadeia Produtiva do Açaí, o II Encontro de Mestrados Profissionais em Defesa Agropecuária e a Assembléia da Sociedade Brasileira de Defesa

Agropecuária (SBDA). Os temas das palestras e mesas redondas contextualizaram informações e experiências sobre “Produção de alimentos e sustentabilidade”, “ O serviço brasileiro de defesa agropecuária”, “Inovação Tecnológico e Defesa Agropecuária”, “Evolução do PNEFA frente ao PHEFA e os impactos internos e externos”, “Os desafios do controle biológico na Defesa Agropecuária”, “Panorama da pecuária de corte e seu potencial para exportação de carne versus exportação de gado vivo”, “As pragas introduzidas e seu impacto na fruticultura brasileira”, “A Lei de Acesso à Informação e suas implicações para a Defesa Agropecuária”, “Tecnologias inovadoras para diagnose de pragas e doenças”, “Situação da s barreiras interestaduais e fiscalização de trânsito agropecuário”, “A questão do bem estar animal no Brasil”, “Produtos artesanais, uma alternativa de geração de renda para a pequena propriedades” e “Os desafios da União, estados e municípios para garantir a oferta de alimentos de origem animal


seguros”. A programação seguiu até o dia 04 de outubro, data em que os temas abordados, trouxeram a discussão “O exercício da sustentabilidade no desenvolvimento das atividades agropecuária e florestal”, “ Implementação e fortalecimento da carreira de fiscal agropecuário”, “Fauna de interesse zootécnico na Amazônia como alternativa à pecuária tradicional”, “Sanidade avícola” e “Desafios fitossanitários no âmbito do programa nacional de palma de óleo”. Entre os momentos de relevância da IV CNDA, destacaramse os 62 trabalhos apresentados e os melhores foram premiados no encerramento da conferência, que aconteceu às 12 h, no auditório do Hangar. Outro momento de destaque foi a assembleia da SBDA, que ocorreu durante a IV CNDA, que elegeu seu novo presidente, o atual diretor da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), Paulo Emílio Torres. Um dos representantes da Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA), José Waquil, disse que eventos desta magnitude incentiva à união do setor e a troca de informações e ainda ajuda a mostrar perante a sociedade, por meio da mídia, a importância em proteger à agropecuária. “Demos mostra acerca da grande contribuição do setor produtivo na balança comercial. A IV CNDA ajudou a mostrar a força do Brasil no cenário agrícola”, declarou.

Segundo o diretor operacional da Adepará, Sálvio Freire, o evento apresentou-se como de grande envergadura, uma vez que o debate em questão norteou diretrizes para

o crescimento econômico com foco na produção com sustentabilidade voltada para a área da defesa agropecuária. Mário Moreira enfatizou que para trazer a conferência para a região Norte foi preciso disputar com outros cinco estados brasileiros. Ele disse que o investimento na ordem de R$ 1 milhão compensou em função da magnitude, da organização e da validade dos trabalhos apresentados durante a IV CNDA. “Não tenho dúvida, que esta conferência veio contribuir muito com a defesa agropecuária e com o conceito da Adepará junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)”, declarou o diretor, que encerrou o evento informando que a V Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária acontecerá no estado de Santa Catarina, em 2014.

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Palestra sobre Mosca da Carambola e Febre Aftosa abriu a IV CNDA Por Andréa Ferreira

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a IV Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária, que ocorreu no Centro de Convenções e Feiras da Amazônia – Hangar de 1º a 04 de outubro , teve em sua programação de abertura sessões magnas, entre elas, a palestra sobre ‘Erradicação da Mosca-da-Carambola e reconhecimento como área livre de Febre Aftosa com vacinação – impacto da melhoria de status sanitário para o agronegócio do Pará e do Brasil’. Como moderador da palestra, o diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará

(Adepará), Mário Moreira e como palestrante, o secretário de Estado da Agricultura, Hildegardo Nunes. Para o diretor geral da Adepará, são assuntos que geram grandes prejuízos econômicos, pois se tratam de praga e doença, em que atingem, respectivamente, às áreas vegetal e animal. “No caso da Mosca da Carambola, cuja praga atinge vários frutos, o Pará trabalha para impedir que essa praga dissemine no Brasil. Com relação à aftosa, foi um debate mais amplo, pois o estado do Pará agora está 100% livre de febre aftosa com

vacinação, mas tem estados que dividem fronteiras, como o Amapá e Amazonas, que são regiões de alto risco. Dessa forma, investimentos que estão sendo feitos, em vigilância, manutenção e implantação de postos de fiscalização, apesar do governo federal ter suspendido o convênio plurianual de quatro anos”, concluiu Mário Moreira.

Pará avança na exportação de açaí nos mercados nacional e internacional

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ruto da flora nativa da Amazônia e alimento geralmente presente na mesa dos paraenses, o açaí começa a despontar para os mercados nacional e internacional. Das 700 mil toneladas do fruto produzidas por ano no Estado, 30% já são voltadas para exportação nacional e 10% para internacional, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido para profissionalizar a cadeia produtiva

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do açaí, que hoje envolve cerca de 300 mil pessoas e movimenta quase R$ 2 bilhões ao ano. “O açaí está em fase de expansão, hoje nós produzimos 700 mil toneladas, sendo que 40% ficam no Estado, 20% na comunidade local, e agora 30% já chega ao mercado nacional e 10% abastece o internacional. Mais do que nunca temos de intensificar os trabalhos para evitar os contaminantes (protozoários,

etc.) na cadeira produtiva, que podem denegrir a imagem do nosso produto, refletido na segurança alimentar. Trabalhar a contenção”, afirmou Severino Silva, gerente de inspeção vegetal da Adepará. Com objetivo de viabilizar politicas públicas para aproveitamento do potencial econômico deste fruto, que vai além da polpa saborosa já conhecida pelos paraenses, foi realizado no último dia 3 de outubro o “I Seminário Estadual sobre a Cadeia Produtiva do Açaí: entraves, avanços e perspectivas”, durante a IV Conferência Nacional de Defesa Agropecuária, que reuniu todos os segmentos do setor produtivo, promovida pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará). Na ocasião, foi apresentado o atual cenário do produto no mercado e as ações já realizadas para intensificar a qualificação do processo da cadeia, desde a o sistema de cultivo até a destinação dos resíduos, com destaque para o Programa Alimentos Seguros (PASAçaí), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/PA), que atualmente atende 58


produtores da Cooperativa Agroextrativista da Veneza do Marajó (Copavem), localizada no município de São Sebastião da Boa Vista, na Ilha do Marajó, que são responsáveis por abastecer semanalmente Belém com mais de 900 quilos de açaí. A metodologia adotada trata de questões relacionadas à segurança e qualidade do produto voltadas para o produtor, transportador e batedor, para orientá-los a identificar e controlar os perigos em todos os elos da cadeia produtiva do açaí, desde a escolha dos cachos para colheita, no transporte e no comércio dos frutos e, posteriormente, no preparo pela batedeira artesanal e no processamento do açaí pelas agroindústrias. Mas o ápice do seminário foi a palestra “Pesquisa, inovação e tecnologia na área de produção, processamento e aproveitamento do açaí”, pela troca de informações e experiências sobre as novas práticas utilizadas no aproveitamento do fruto a partir de inovações tecnológicas, os caminhos do aproveitamento, como a pesquisa apresentada pela profª Drª Carmem Tavares, da Universidade Federal do Pará (UFPA), sobre a transformação da semente do açaí numa matéria prima para produção de Poliuretano (PU), um material que possui excelentes características para a in-

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s produtores da Copavem devem receber até o final do ano a certificação orgânica, emitida pelo Instituto Biodinâmica (IBD). A certificação atesta o produto como saudável, incorporado às boas práticas sustentáveis de qualidade, abrindo um nicho de mercado promissor. É garantia de um produto diferenciado, que sobe em 20%

dústria, como flexibilidade, leveza, resistência à abrasão (riscos) e possibilidade de design diferenciado. De acordo com a pesquisa, o mercado de PU está em expansão, pois é voltado principalmente para área automobilística. Cada vez mais aumenta o número de componentes utilizados nos automóveis a partir de poliuretano. Assim, há uma previsão de crescimento na demanda pelo produto no Brasil, mas não há matéria prima suficiente na produção deste material, e a semente do açaí seria essa alternativa. “Nos próximos anos há uma previsão de um aumento muito grande no mercado pelo PU. E a matéria prima para preparar esse material a gente ainda não tem a quantidade suficiente no Brasil para atender a necessidade do Brasil. E toda essa quantidade de semente de açaí pode ser transformada em uma matéria prima para produção

de PU, pois já tem um pré polímero. Toda quantidade de açaí tem mercado para absorver e compra esse material”, explicou. Para Heloisa Figueiredo, coordenadora do evento, a primeira edição serviu para instigar novos desafios com objetivo de consolidar o potencial da cadeia produtiva. “O seminário foi muito produtivo, aquém das nossas perspectivas, com informações novas, que vão muito além do que imaginávamos. Além daquele suco gostoso que todo paraense conhece, é uma fonte de riqueza que nós, definitivamente, precisamos aproveitar. Fica o desafio para o poder público e a iniciativa privada estabelecer politicas públicas que possam estar buscando o aproveitamento que com certeza terá resultado positivo para todos os elos que estão na cadeia produtiva do açaí”, finalizou.

o valor de mercado em relação aos outros disponíveis, enfatizou Mauro Pereira, coordenador do PAS-Açaí, durante o seminário. “O cliente do orgânico paga mais, pois a certificação é a garantia de um produto saudável e de qualidade, a partir de metodologia que prima pela sustentabilidade, controle no registro, entre outras práticas. Tem um nicho de mercado e cliente”, disse. Além de cumprir a legislação vigente, a prática correta resulta em lucro certo e aumenta a credibilidade, reforçou o produtor José Moraes de Silva, “O Zeca”, da Copavem. “Com o programa, a gente teve outra visão da produção. Entendemos que produtor tem de manter a qualidade do produto, que esse é o segredo do sucesso. Além

do que hoje eu sei que eu sei que eu produzo 2.500 latas no período de seis meses (a safra), antes eu não fazia ideia. Eu até me planejo, por exemplo, no fim do ano vou comprar uma televisão tela plana com o dinheiro da venda”, disse emocionado. O registro vem contemplar o trabalho desenvolvido pelo Sebrae instituição em parceria com a Adepará e os outros órgãos do setor. “Com isso, o fruto vai ganhar muito mais espaço, pois o mercado tende a valorizar as práticas de manipulação, está aprendendo a consumir produto de qualidade. E o melhor é resultado da parceria entre os órgãos de vigilância em prol da qualidade do produto” reiterou.

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conteceu em Belém, por ocasião da IV Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária, no dia 1º de outubro de 2013, a reunião do Fórum Nacional de Executores da Sanidade Agropecuária (Fonesa), evento, este, que reuniu representantes da defesa animal e vegetal de vinte estados brasileiros. O fórum, que é um dos braços executores das ações de defesa em favor da sanidade animal e vegetal, se reúne a cada dois meses e nele se discute as demandas do setor de defesa nos estados. O evento permite a troca de informações e conhecimento sobre a realidade nacional acerca das ações realizadas, dos sucessos e dificuldades encontrados nos estados. Segundo Antenor Nogueira, presi-

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dente do Fonesa, nessa reunião coloca-se em evidência os anseios do setor para serem levados ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os encontros do Fonesa pauta, entre as várias discussões de interesse, a que aborda conteúdos de normas e instruções normativas a fim de que possam estar sendo estudadas e apresentadas legalmente junto ao Mapa, com o objetivo de ajudar na construção e transformação do setor. “Somos o braço executor dessas ações junto ao Ministério. Temos a obrigação de estudar as muitas possibilidades ou não do emprego das regras a serem ditadas”, declarou o presidente do Fonesa. Ele disse ainda que o encontro do Fonesa é o momento para discutir

os caminhos dos recursos financeiros oriundos do Mapa para ações efetivamente implantadas. A defesa sanitária animal e vegetal de qualidade fortalece a economia dos estados e do Brasil. Atualmente o nível de exigência do consumidor final faz com que regras tenham que ser cumpridas e fiscalizadas para garantir qualidade e segurança do alimento; a prevenção das doenças; o uso adequado do agrotóxico; a identificação dos possíveis resíduos deixados por medicamentos e entre outras ações implantadas a serem acompanhadas, a verificação de leis e regras. Para o diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária, Mário Moreira, o fortalecimento da agropecuária passa pelas reuniões do Fonesa e por eventos da envergadura da IV Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária. “O Fonesa é um momento natural de troca de informações. É um evento que agrega a defesa de todo o país”, declarou Mário, que está como diretor da Regional Norte do Fonesa. De acordo com ele, é fundamental a reunião do Fonesa para fortalecer a união entre os estados da região Norte em busca dos recursos para ações de defesa sanitária animal e vegetal junto ao Mapa. Mário Moreira ressaltou ainda que o trabalho executado pelo setor produtivo com a contribuição da defesa agropecuária é o caminho mais adequado para promover a ampliação de mercado. Antenor Nogueira destacou du-


rante o Fonesa que a atual realidade do Pará com relação ao sucesso adquirido sobre o status sanitário e comentou acerca do momento que vivencia a defesa animal e vegetal no Estado. Para ele, inserir o encontro no evento nacional de Defesa Agropecuária foi importante. Segundo Nogueira, foi possível saber, por exemplo, como o Pará irá garantir a manutenção do status de livre de febre aftosa com vacinação. Eventos como a Conferência Nacional de Defesa Agropecuária e os encontros do Fórum Nacional de Executores da Sanidade Animal (Fonesa) ajudam ao Brasil a se posicionar na vanguarda das discussões da defesa sanitária, uma vez que garantem visibilidade e transparência à realidade e às ações do setor produtivo, assim como o código ambiental do Brasil, que também possui uma posição de destaque, e que está entre os mais avançados. Dessa forma, a defesa da sanidade animal e vegetal vem obtendo papel de relevância junto aos fóruns internacionais , a exemplo da FAO e da Organização Internacional de Defesa Agropecuária (OIE). Atualmente, a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), é referência nacional. O trabalho executado no último ano garantiu

duas importantes certificações, a de livre de febre aftosa com vacinação em agosto de 2013 e na área vegetal, a erradicação do foco da mosca da carambola no fim do ano de 2012. Garantir essas duas certificações uma na área vegetal e outra na área animal favorecerá a ampliação de mercado e a implantação de novas indústrias no Pará. Antenor Nogueira ressaltou que com os recentes êxitos ocorridos no Estado, em breve o Pará

terá a certificação internacional de livre de aftosa, o que resultará em menos controle. “Esse cenário sem dúvida vai melhorar as condições de concorrências dos produtores e vai aumentar a disponibilidade de indústrias”, finalizou o presidente do Fonesa. O Fonesa teve início às 8h da manhã se estendeu até às 14 h. Ao término ficou definido que em 2014, o Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Animal acontecerá no estado de Santa Catarina.

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trabalho da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) continua em busca do avanço do status sanitário. A instituição teve o esforço reconhecido quando, no mês de agosto, o estado do Pará recebeu a certificação livre de febre aftosa com vacinação, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, conforme a Instrução Normativa nº 33. Agora, a expectativa está em torno do avanço quanto ao reconhecimento na instância internacional, em todo território paraense, por meio da Organização Mundial da Saúde Animal, também conhecida pela sigla OIE, situada em Paris. O cenário atual apresenta um Pará em duas situações: a primeira refere-se às regiões nordeste, Baixo Amazonas e Marajó, que possuem status livre de febre aftosa com vacinação e a região centro sul do Estado, que encontra-se com reconhecimento internacional. No momento, a área certificada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está liberado o abate para o consumo imediato da carne em estados brasileiros. “Essa etapa que garantiu o reconhecimento nacional pelo Mapa foi um avanço necessário, agora vamos finalizar apresentando o pleito, que vai ficar em avaliação na OIE”, disse o diretor operacional da Adepará, Sálvio Freire. Ele ressaltou que a expectativa atual gira em torno da certificação internacional, em maio de 2014. Em fevereiro de 2014, a Agência de Defesa do Pará vai passar por auditoria internacional, em que o sistema de defesa e atenção à sanidade agropecuária, especificamente na área animal vai ser avaliado na

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instância mundial. Apenas após a certificação internacional, o Estado passará a ter um único status sanitário. “Esse trabalho é um encadeamento de ações. Portanto, estamos intensificando ainda mais a estrutura dos postos de fiscalização; a melhoria dos serviços de atenção, como a vigilância em propriedade de risco; a fiscalização de trânsito; a parte da busca ativa e passiva em casos de suspeita de doenças e o controle da vacinação e da vacina”, afirmou o diretor geral da Adepará, Mário Moreira. O órgão estadual trabalha para manter a zona de proteção funcionando com referência aos estados do Amapá e Amazonas, que são de alto risco de febre aftosa. Disse o diretor que o produtor rural tem um papel importante, que é apoiar e auxiliar essa caminhada a fim de concluir a próxima etapa. “Tenho certeza que teremos êxito mais uma vez”, destacou Moreira. A Gerência de Sistemas Georreferênciais (GSGEO) da Adepará, que controla a emissão de Guia de Trânsito Animal online (e-GTA), estará sob supervisão e auditoria rígidas. “Diariamente estaremos acompanhando os procedimentos e fazendo ajustes sempre que necessário”, disse o gerente da GSGEO, Rogério Lourenço. Ainda de acordo com ele, vai acontecer supervisão presencial nas gerências regionais até novembro de 2013, antes da segunda etapa de vacinação contra a febre aftosa. O diretor Mário Moreira explica que as oportunidades de negócios com a carne paraense aumentam. A União Nacional da Indústria e Empresas da Carne (Uniec) comemora o status, que beneficia o Pará


e o Brasil. “As exportações já têm crescido. Logo após o anúncio feito pelo governo federal, recebemos a habilitação de dois frigoríficos paraenses do centro-sul para exportação à Rússia”, diz o presidente da Uniec, Francisco Victer, lembrando ainda que a perspectiva estrangeira atribui esse passo ao avanço do Pará 100% livre de febre aftosa com vacinação. Em 2007 o estado do Pará conseguiu a primeira certificação internacional (centro-sul). “Foi feita sorologia, foram mais de 50 mil animais examinados, em 43 municípios, na metade do sul paraense”, relembrou o presidente da Uniec, Francisco Vcter, que foi o segundo diretor geral da Adepará, em 2005. Com a certificação internacional, o Pará agora vai ser todo livre de febre aftosa com vacinação, o que possibilita a liberação nos portos para o trânsito desses animais em países que também têm o mesmo status sanitário.

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om essa decisão, tenho certeza de que, em breve, teremos o maior rebanho bovino brasileiro”, afirmou Carlos Xavier, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), ao avaliar o reconhecimento, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), como zona livre de febre aftosa com vacinação a porção norte do Estado, que abrange as áreas do Arquipélago do Marajó, Baixo Amazonas e nordeste. Para ele, o anúncio, feito pessoalmente pelo ministro da Agricultura, Antônio Andrade, marca o início de uma nova fase para a bovinocultura paraense, que hoje detém o quarto

Em fevereiro de 2014, a Agência de Defesa do Pará vai passar por auditoria internaacional

maior rebanho do país, com cerca de 20 milhões de cabeças, segundo dados do próprio Ministério. De acordo com Carlos Xavier, o Pará tem na bovinocultura de corte uma das suas mais importantes atividades econômicas, geradora de quase 500 mil empregos diretos e possui vantagens comparativas como para a produção, como luz e temperatura, que permitem trabalhar o ano inteiro, e uma das maiores reservas de água doce do mundo. “Com tais condições, certamente produziremos o boi mais barato do Brasil, o que vai trazer muito mais investidores para o nosso Estado”, reiterou. Para Francisco Victer, presidente da União Nacional da Indústria da Carne (Uniec), o aval do Ministério da Agricultura mostra que o Pará está livre não apenas da febre aftosa, mas de diversas outras doenças que atingem o gado. “Este status sanitário atesta que o Pará é, hoje, um local em que o serviço de defesa veterinário é capaz de não deixar

que a doença entre no animal. A febre aftosa é emblemática, porque é uma das doenças que mais recebem atenção por parte do serviço veterinário. Mas uma certificação como essa significa dizer que aquela região tem serviços veterinários públicos e comportamento do setor privado tal, que também se pode afirmar que está livre de todas as demais doenças”, ressaltou. Segundo Victer, agora caberá ao Mapa enviar solicitação à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para que esses Estados também sejam reconhecidos internacionalmente como livres da doença. “A partir do reconhecimento internacional, todas as limitações em torno do trânsito de animais e de produtos feitos nessas áreas cessam. Isso representará não apenas abertura de mercado, como também um grande impacto na melhoria do produto, que é o boi, e maiores investimentos na atividade, com melhor remuneração para o produtor”, destacou.

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exportação de gado vivo no Pará cresceu em 2013 e, hoje, representa 98% das vendas do país, com um rebanho de 20 milhões de animais. Os produtores apostam na possibilidade de aumentar o número de embarques para países como a Venezuela, Líbano e Egito, principais compradores. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg), Daniel Freire, o número de embarques mostra uma nova configuração do mercado pecuário do Brasil. Os embarques estão cerca de 11% maiores que em 2012, graças aos investimentos no setor. “O Estado do Pará tem um rebanho na ordem de 20 milhões de cabeças. Ele tem um desfrute na ordem de 4,200 milhões. Por enquanto, tem um abate certificado de 2,5 milhões. Então, você tem um ‘gap’ que é assimilado pelo abate clandestino e pela exportação de gado vivo. O Pará também supre outros Estados com os animais. É exportado gado vivo daqui via caminhão para outros Estados. A gente acredita que Pará é uma fronteira boa”, disse Freire. Os números apontam que a Venezuela continua sendo o maior importador, mesmo com um leve recuo. O país sul-americano deixou de importar oito mil animais este ano, em relação ao mesmo período do ano passado. O Egito também reduziu a importação, por causa dos problemas políticos do país, passou de 16 mil cabeças, para apenas 6 mil em 2013. A diferença não foi sentida porque o Líbano, segundo maior importador do boi vivo brasileiro, mais que dobrou a compra. Pulou de 34 mil em 2012, para 87 mil cabeças este ano. A Venezuela tem um problema de aquisição de divisas. O país está comprando muito. Então, os importadores tiveram um pouco de problema para performar os con-

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tratos. A Venezuela caiu um pouco em 2013 e o Líbano, graças a deus, se recuperou e importou este ano o dobro do que vinha importando no ano de 2012 – destaca Freire. De acordo com o supervisor administrador da companhia de Docas do Pará, Silvio Portugal, a estrutura dos portos paraenses permitiu o crescimento do setor. Segundo Portugal, por semana, são embarcados cerca de quatro mil animais. Alguns navios que atracam na companhia, por exemplo, têm capacidade de transportar até 20 mil animais. “Nós temos uma movimentação bem considerável. Uma média de 500 mil toneladas de boi embarcado. É um mercado que cresceu bastante, evoluiu, foi regulamentado. É feito toda uma programação pra isso. Tem uma cadeia logística muito grande para que não tenha perda de animais, para que o animal não tenha sofrimento também”, destacou Portugal. A meta dos criadores é alcançar um crescimento de 20% até o fim deste ano. Para isso, eles estão apostando em novos mercados e num aumento de embarques para o Líbano, já que o país está recebendo os civis sírios, que estão fugindo da guerra. “O Líbano deve manter, pois tem a abertura de novos mercados, como o Egito, que já tinha importado, mas retomou agora uma quantidade pequena. Tem a Jordânia, que nós já exportamos alguma coisa; a Turquia a gente não acredita, porque o protocolo sanitário retornou do país e é ‘incumprível’, muito restrito e o Brasil não está podendo exportar”, disse Freire.

A bovinocultura é um dos principais destaques do agronegócio brasileiro no cenário mundial. O Brasil é detentor do segundo maior rebanho efetivo do mundo, com cerca de 200 milhões de cabeças. Desde 2004, o país assumiu a liderança nas exportações, com um quinto da carne comercializada in-

ternacionalmente e vendas em mais de 180 países. O estado do Pará é proprietário do 4º maior rebanho de corte; o maior exportador de boi em pé maior produtor de búfalo. O rebanho bovino proporciona o desenvolvimento de dois segmentos lucrativos, as cadeias produtivas da carne e do leite. O valor bruto da produção desses dois segmentos, está estimado em R$ 67 bilhões, aliado a presença da atividade em todos os estados brasileiros, confirmam a importância social e econômica da bovinocultura para o Brasil. O clima tropical, a extensão territorial do Brasil contribuem para esse resultado, uma vez que permitem a criação da maioria do gado em pastagens. Além disso, o investimento em tecnologia e capacitação profissional; o desenvolvimento de políticas públicas, que permitem o rastreamento do animal, do seu nascimento até o abate; o controle da sanidade animal e segurança alimentar são fatores que contribuíram para que o país atendesse às exigências dos mercados rigorosos e conquistasse espaço no cenário mundial. Embora ainda mais tímida, a bubalinocultura está se desenvolvendo no país como uma alternativa rentável saudável, pois o búfalo se adapta facilmente a qualquer ambiente. A produção e o consumo do leite de búfala vem crescendo em função da demanda por alimentos como queijos e manteiga. Os elevados teores de gordura e sólidos totais no leite de búfala aumentam o rendimento na fabricação dos derivados em relação ao leite da vaca. A carne desses animais também é apreciada, contém menores índices de gordura, colesterol, calorias e contém mais proteínas e minerais que a dos bovinos. O rebanho brasileiro está estimado em torno de 1,15 milhão de bubalinos, sendo a região Norte, com 720 mil animais, a maior produtora do país, com destaque para o Pará, que segundo o Ministério da Agricultura, responde por 39% do rebanho nacional, em seguida aparecem às regiões nordeste e sudeste, respectivamente com 135 e 104 mil cabeças.


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pós a mudança de status sanitário que resultou na certificação concedida, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), ao Pará como estado 100% livre de febre aftosa com vacinação, os esforços para garantir a manutenção desse status já são percebidos a partir dos resultados das etapas de vacinação do primeiro semestre de 2013, que ultrapassou os 98%. “O índice de vacinação superou a expectativa”, disse Mário Moreira, diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará. Com base na meta estabelecida, o Brasil vacinou na 1ª etapa de vacinação contra a febre aftosa cerca de 166 milhões de cabeças. No Pará, os índices vacinais atingiram na área I, 99,07%; na área II, o nordeste paraense, 98,24%; na área III, o Baixo Amazonas, 97,88% e na zona de proteção (área de fronteira), 100% e, ainda na área III, referente a vacinação da Ilha do Marajó, o índice vacinal atingiu 92,19%. O Estado confirmou uma média total de vacinação na ordem de 98,68%, segundo os dados da diretoria Técnica Agropecuária e Florestal, e das gerências da Adepará de Defesa Animal e do Programa Estadual de Erradicação de Febre Aftosa. O ministro da Agricultura, por ocasião da cerimônia de entrega da certificação do Pará livre de febre aftosa, com vacinação, em Paragominas, no mês de agosto de 2013, confirmou que o Pará possui a maior cobertura vacinal

A 1ª etapa de vacinação da Aftosa no Pará confirmou um investimento na ordem de R$ 250 mil

do país, dado que, segundo ele, certamente é fruto da consciência de produtores, governo do Estado e governo federal. A 1ª etapa de vacinação da Aftosa no Pará realizada no primeiro semestre de 2013, confirmou um investimento na ordem de R$ 250 mil, sem considerar o arquipélago do Marajó e os municípios de Faro e Terra Santa, no oeste paraense, que tem calendário diferenciado dos demais municípios das regiões II e III. A Adepará acompanhou todo o trabalho a fim de garantir que o processo de vacinação atendesse a meta estabelecida. Para tanto cerca de 520 servidores da Adepará estiveram mobilizados. Os índices atingidos já acenam positivamente para a busca da certificação internacional,

reconhecimento este, que o Pará deve receber, segundo Sálvio Freire, diretor operacional da Agência de Defesa, até maio de 2014. Em breve o Pará volta a passar por auditorias do Ministério da Agricultura (Mapa) e da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE). “Garantindo um novo aval positivo, a totalidade do rebanho paraense poderá ser comercializada em qualquer outro país”, disse Mário Moreira. “Os trabalhos e ações da Adepará agora estão voltados a certificação internacional das áreas 2 e 3 do Estado, que integram juntas 100 municípios paraenses. Os 44 municípios que integram as regiões sul e sudeste do Pará já possuem essa certificação desde 2007. A meta agora é unir esforços

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para alcançar a certificação da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), com sede na França”, ressaltou o diretor da Adepará, segundo ele, as ações não se resumem a execução dos procedimentos necessários. “Agora mais do que nunca precisamos manter as ações e o status livre de aftosa para conquistar novos mercados, o que resultará em crescimento da economia aos municípios paraenses”, declarou Moreira. No momento, o reconhecimento nacional já garante aumento do potencial econômico no Estado, uma vez que a carne é o 2º produto na pauta da exportação brasileira, entretanto, a comunidade econômica internacional ainda impõe barreiras comerciais à carne oriunda de regiões sem a confirmação de que os critérios de exigência são cumpridos,

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s produtores de soja das microrregiões de Santarém, Itaituba, que inclui municípios de Rurópolis e Trairão, Altamira com exceção do distrito de Castelo dos Sonhos e Paragominas, zona Bragantina e Guamá, situado no nordeste paraense, devem ficar atentos com a segunda etapa do vazio sanitário de soja que iniciou em 1 de outubro e se estende até 30 de novembro. Esse período, conforme Portaria 8.211 de 2011, proíbe produtores rurais cultivar a soja. Todas as microrregiões precisam passar pelo período do vazio da soja. Este ano, já esteve proibido o plantio da soja assim como manter viva a soja em beiras de estrada nos períodos de 15 de julho a 15 de setembro nos municípios de Conceição do Araguaia, Redenção, Marabá e Itaituba. A praga ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo

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estabelecendo-se assim, prejuízo econômico e social a países produtores como o Brasil. Hildegardo Nunes, secretário de Agricultura ressaltou que o importante agora é manter os resultados alcançados, para tanto, faz-se necessário a intensificação das campanhas de educação sanitária e mobilização e conscientização permanente dos produtores. “Nós não podemos diminuir os esforços e os produtores não devem em nenhum momento descumprir as determinações, sob o risco de perdermos o andamento desse processo, o que ocasionaria uma lamentável perda financeira”, declarou o secretário. Ele afirmou que o Pará está com o sistema de vigilância e monitoramento de barreira ativo e, portanto, o estado está apto a impedir a entrada de animais das áreas de alto risco. “O cuidado maior está voltado para as

Phakopsora pachyrhizi é capaz de causar prejuízo de até 70% de perda na produção. A fim de minimizar a possibilidade de proliferação da praga para a próxima safra, implantou-se o vazio da soja, dessa forma, como não tem planta em campo, o fungo presente não tem como se alimentar. Caso seja detectada a praga, que tem na soja seu hospedeiro preferencial, o controle se faz necessário com uso do agrotóxico, mas deve ser utilizado com conhecimento e consciência, pois pode provocar prejuízos ao meio ambiente e ao bolso do produtor. O Pará tem uma característica favorável com relação ao clima, o que reforça a segurança com relação aos efeitos do vazio da soja. Como existem as diferenças climáticas, ficou estabelecido por meio do programa estadual duas etapas de vazio sanitário: a primeira

fronteiras do Amazonas e Amapá, estados de alto risco”, declarou. Resultados e investimentos mostram que o Pará aperfeiçoou as atividades de controle de trânsito, epidemiologia, controle de revendas, funcionamento dos escritórios da defesa sanitária e garantiu o aumento da capilaridade da rede de atendimento da Adepará. Para erradicar a febre aftosa do território paraense, somente em 2012 foram investidos cerca de 20 milhões na melhoria da saúde animal com base em convênio firmado entre o Governo do Estado, por meio da Adepará, e o Ministério da Agricultura. O convênio com o Mapa com vigência até 2015, totalizará investimentos na ordem de quase 60 milhões, com a contrapartida de 10% do governo estadual.


no período de julho a setembro e a segunda de outubro a novembro. O cumprimento do vazio da soja é uma obrigatoriedade, Caso

o produtor não cumpra a lei, ele poderá ser multado em até R$ 20 mil com base no decreto estadual. Atualmente a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) possui 337 propriedades que plantam soja cadastradas em 16 municípios do Estado. Destas, a totalidade foi inspecionada, 219 fiscalizadas, 103 supervisionadas, 16 advertidas e sete multadas. Também é obrigatório o cadastro anual do trabalhador junto a unidade da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará). Em caso de não cadastramento o prejuízo pode variar entre R$ 163,00 a R$ 1.623,00, dependendo da área. O cadastro do produtor é fundamental para que a Adepará tenha o controle das atividades de origem vegetal e animal. É o que orienta os trabalhos dos técnicos com relação à inspeção fitossanitária e as fiscalizações necessárias.

“Alguns produtores ainda temem em fazer o cadastro, mas é importante para fortalecer o trabalho de defesa. A cada ano aumenta o número de produtores no Estado e aumenta também as áreas de plantio de soja”, disse a coordenadora do Programa Estadual Fitossanitário da Cultura da Soja da Adepará, Alice Thomas. Entretanto, a maioria segue o que determina o vazio sanitário. Em cinco anos ocorreram apenas 8 multas. Para o diretor geral da Adepará, Mário Moreira, é importante a Agência trabalhar o controle e manejo das pragas e das doenças, pois quebram o ciclo das pestes de cada vegetal. “Existe todo um trabalho técnico e de orientação através de cursos realizados pelos servidores da Adepará”, informou o diretor. Para Moreira, é gratificante estar fazendo esse trabalho que vem de encontro com a melhoria e com o aumento da produção no Estado do Pará.

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Pará confirmou-se, em 2011, como o 14º produtor de soja no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística /IBGE. O Estado foi o 12º a instituir o vazio sanitário, em 2008. O estado está dividido em três pólos de soja, nos municípios de Paragominas, Santarém e Redenção e suas respectivas microrregiões. Juntas, foram responsáveis pela produção de 317.093 mil toneladas de soja em grãos, em uma lavoura cultivada de aproximadamente 106.018 hectares.

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Em 2014 o cultivo da soja terá sua área ainda mais ampliada. A expectativa, segundo a fiscal agropecuária, Alice Alves Thomaz, coordenadora do Programa Estadual da Cultura da Soja, é que os municípios de Cachoeira do Arari e de Salvaterra, na Ilha do Marajó também comecem a trabalhar essa cultura. Por conta da ampliação do cultivo da soja no Pará, houve uma republicação da Portaria 821/2011, que especifica e informa acerca do vazio da soja e sua respectiva área de cumprimento a partir das identificações das microrregiões que recebem o plantio. As microrregiões de Santarém; Itaituba, que inclui municípios de Rurópolis e Trairão; Altamira com exceção do distrito de Castelo dos Sonhos e Paragominas, zona Bragantina e Guamá, situado no nordeste paraense possuem em parte de suas terras a economia voltada para o semeio da soja. A fronteira sul do Pará, que tem como destaque os municípios de Redenção, Santana e Conceição do Araguaia no plantio da soja, já é a fronteira mais promissora do Estado e, na safra de 2013, novas regiões estão tendo o foco para o plantio da soja a partir de microrregiões nos municípios de Tailândia e de Abaetetuba.

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O cultivo da soja no Pará destaca a microrregiões de Paragominas e Santarém como primeira e segunda maiores produtoras com, respectivamente, 62% e 25% da produção do Estado, entretanto, Paragominas é o

maior produtor de soja no Estado, seguido de Santarém. O pólo de Redenção inclui as microrregiões de Conceição do Araguaia, Santana do Araguaia, Floresta do Araguaia, Santa Maria das Barreiras e Rondon do Pará. A microrregião de Santana do Araguaia destaca-se com uma área plantada de 7 mil hectares e uma produção de 23,1 mil toneladas de soja plantada; a microrregião de Santa Maria das Barreiras em 3,3 mil hectares confirmou uma produção superior a 9 mil toneladas em 2011 e Conceição do Araguaia, em 7 mil hectares de área plantada e atingiu uma produção superior a 23 mil toneladas de soja produzida. O sul do Pará hoje possui uma produção superior e é tida como a nova fronteira da soja no Brasil. Tabela 1. Dados oficiais da safra 2010/2011 da área plantada e produção de soja em 16 municípios, de sete microrregiões do Estado do Pará.


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slogans “Terra sem homens para homens sem terra” e “Integrar para não entregar” o governo federal incentivou o processo migratório. Veio à construção da Belém Brasília, a Transamazônica, os grandes projetos, a exemplo da construção da hidrelétrica de Tucuruí, o projeto Carajás, que, entre outros possuidores de incentivos e benefícios fiscais, por meio da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, Sudam, compunha uma política nacional para fortalecer a soberania das fronteiras e dos estados do norte do país, nas décadas de 70 e 80. A consequência dessa política nacional refletiu nas várias atividades econômicas que se estabeleceram e que chamaram atenção de grupos populacionais que se transferiram para região norte. Os projetos voltados para pecuária e extração de madeira, por exemplo, exigiam ocupação incentivando o desmatamento na ordem de 50% da propriedade. A partir dessas determinações e contando com a facilidade de adaptação à abertura de novas fronteiras, sem grandes exigências, a pecuária eWstabeleceuse.

O que o fez adotar o Pará como local de moradia e trabalho? A escolha pelo Pará se deu através da identificação de oportunidades. Vim ao Estado para desenvolver um trabalho técnico, desenvolver idéias, estudos e projetos e contribuir na formação de pessoal, na tecnificação e modernização da agricultura e encontrei um cenário que clamava por desenvolvimento. Isso me estimulou. O cenário encontrado era propício para o desenvolvimento da pecuária extensiva? Encontrei no sul do Pará uma realidade voltada para o ouro e de declínio das atividades madeireiras.

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Havia muita terra inexplorada e mão de obra farta e originária, também, em função do declínio do garimpo. Por outro lado, uma terra boa para a pecuária extensiva, cuja atividade carecia de aporte técnico para se desenvolver, então, foi natural o aproveitamento da mão de obra para a pecuária. Quais os caminhos trilhados nas últimas décadas para instalação e desenvolvimento da pecuária como uma das fortes atividades econômicas do Estado? A atividade da pecuária foi consequência de um processo de ocupação desordenada da Amazônia e da expansão de fronteiras. Sob os

O Mato Grosso já tem o maior rebanho do Brasil e no norte do país, além do Pará que hoje está com um cadastro de cerca de 20 milhões de cabeças, o estado de Rondonia também é destaque na atividade pecuária com 12 mihões de cabeças. Como se chegou a esses números em pouco mais de três décadas? Na década de 80 a pecuária estabeleceu-se e ampliou fronteiras. Produtores buscaram a qualificação da produção e investiram na genética do rebanho, que alcançou padrões bem desenvolvidos. Na década de 90 a etapa a ser cumprida esteve voltada para a qualidade e pela busca por investimentos em infra estrutura agroindustrial para absolver a produção. Com área e clima favoráveis e com uma genética de qualidade, o rebanho paraense aumentou e consequentemente começou a ser foco de atenção no Brasil. A meta passou a ser a abertura de mercado


e a comercialização do o rebanho. Quais os benefícios da inclusão do Pará no Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA)? A partir desse momento o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) passou a contribuir com o Pará através de convênios e os recursos passaram a atender prioridades como cadastramento, infra- estrutura e controle de doenças. Na verdade desde meados da década de 90 que se buscou a inclusão do Pará no Programa da Febre Aftosa do Mapa. De 95 a 98 essa luta não teve êxito, pelo contrário, as frustrações foram grandes, entre elas, as fronteiras fechadas entre os estados do Pará e Tocantins no que tange a comercialização e trânsito de animais. Diante dos fatos, ainda no governo de Almir Gabriel, a partir de um forte envolvimento político da bancada federal, de senadores e prefeitos, principalmente da região sul do Pará, que o Estado finalmente conseguiu ser incluído no Plano Nacional contra a Febre Aftosa. A necessidade de abrir mercado para comercializar o rebanho impulsionou a defesa agropecuária? Para ter competitividade, garantir qualidade, preço e credibilidade foi preciso estabelecer condições sanitárias adequadas e pressionar autoridades dos governos estadual e federal quanto à criação da uma Agência de Defesa do estado do Pará No final da década de 90, qual a relação do cadastro animal, controle e defesa agropecuária? A defesa animal no Pará estava se fortalecendo e avançando ainda sem a existência de uma Agência de Defesa, porém em consequência do desenvolvimento da pecuária e da necessidade de comercialização. Em defesa agropecuária a primeira ação é o cadastramento, temos que identificar qual o número do gado ou da produção animal; sua origem, ou seja, onde estão, de onde vem e para onde vão. Com o

cadastro, confirmou-se, por exemplo, que naquela época o rebanho no Pará já atingia cerca de 15 milhões de cabeças e não apenas 5 milhões como se estimava. Diante dos números confirma-se a importância da Guia de Trânsito Animal (GTA). Com este documento identificamos a origem e o destino do animal. Temos o controle da qualidade do rebanho, pois no documento consta além dos dados de movimentação, as vacinas e se há incidência de doença ou não no animal.

meio da Organização Internacional de Sanidade Animal (OIE). Na época, foi realizada uma gigantesca sorologia em mais de 53 mil animais; avançou-se na adequação das unidades e garantiu-se a confiança, motivação e credibilidade junto ao Ministério de Agricultura. Saímos enfim da crise e reduzimos os conflitos. Foi um período difícil, mas conseguimos colocar o Pará no mercado nacional eW internacional, a partir da produção da região sul, onde as propriedades reúnem cerca de 75% do rebanho paraense.

Como surgiu a decisão em criar e implantar a Agência de Defesa Agropecuária no Pará? Outros estados já tinham seus órgãos de defesa, certificados etc. Nós ainda atuávamos como um setor departamental dentro da Secretaria de Agricultura do Estado. No biênio 1999/2000, a pressão estava grande em torno da criação de uma Agência de Defesa, afinal, de nada adianta se tivermos produção e não tivermos uma defesa estabelecida e forte. Em 2002 a situação ficou insustentável por conta da pressão dos produtores, da necessidade em dar movimentação a produção pecuária do Pará. Lembro-me que houve uma grande pressão e articulação junto ao governo estadual. O projeto de criação da Agência estava pronto e seguiu para aprovação na Assembléia Legislativa do Pará (Alepa). É verdade que tudo começou muito limitado, mas conseguimos, enfim, a criação do órgão no fim do governo de Almir Gabriel. A Agência de Defesa do Pará, Adepará, foi instalada de fato em 1º de janeiro de 2003. Avanço da defesa agropecuária no Estado depois da criação da Adepará. Fale sobre isso. A Adepará nasceu com a busca pelo reconhecimento de um Pará livre da febre aftosa e outras doenças. Apesar do setor produtivo ter feito pressão e da Adepará ter contribuído com parcela significativa das exigências do Ministério, somente em 2006 e apenas a região sul do Estado teve confirmado o reconhecimento de livre de febre aftosa com vacinação e posterior reconhecimento internacional por

Quais as dificuldades enfrentadas no Estado uma vez que a atividade pecuária acontece nas regiões sul, nordeste paraense, Ilha do Marajó e no Baixo Amazonas? Desde 2006, apenas a região sul era considerada livre de febre aftosa com vacinação e já possuía o reconhecimento internacional. No dia 18 do corrente ano, as demais regiões alcançaram o reconhecimento nacional por parte do Mapa, após assinatura da Instrução Normativa nº 33, cujo ato ministerial aconteceu em Paragominas. Para todas as regiões que possuem o certificado, sair de uma área livre para uma área não livre, em tese, existe a possibilidade de contaminação. Como o Pará possui grandes dimensões, as barreiras de controle e os mecanismos de fiscalização tiveram que ser intensificados e em paralelo ocorreu, ao longo desse período, de 2006 até 2013, a busca incessante em torno do cumprimento de metas e exigências do Ministério da Agricultura. Enfim o Pará, agora, possui todas as suas regiões reconhecidas como livre da febre aftosa com vacinação. Agora, nosso dever é continuar o trabalho e manter o compromisso para que tenhamos êxito por ocasião da defesa do relatório, que será entregue na OIE em 2014, a fim de receber o reconhecimento internacional. Entre as dificuldades ultrapassadas destaco a adaptação da produção pecuária às exigências do Ministério Público, a exemplo das questões ambientais impostas. A partir do momento que abrimos mercado, o zelo com a imagem ficou

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cada vez maior, começamos, então, a mostrar qualidade e a provar a não existência de trabalho escravo e a não utilização de trabalho infantil. Outra adaptação foi o respeito aos limites às terras indígenas. É preciso ter cuidado. Certificação não quer dizer que não existam problemas e sim dizer a verdade . O importante é o controle da situação, afinal, nenhuma região é imune a doenças. Apesar do reconhecimento ainda existem limitações quanto à comercialização. O controle e a fiscalização e o trânsito da carne e do boi devem ser intensos. Sob o ponto de vista prático, a carne sem osso pode ser comercializada. Paragominas, por exemplo, pode vender carne desossada à São Paulo, pois o vírus ocupa apenas a medula óssea então não corre o risco de ultrapassar fronteiras por meio de uma carne sem osso. Quant à carne ossada esta apenas pode ser comercializada para área livre de aftosa, apenas depois do reconhecimento internacional. Na verdade cumprimos uma etapa importante, mas ainda é preciso muita disciplina, orientação e conscientização para colocar todas as regiões paraenses com potencial pecuário no circuito internacional, pois, um único foco que apareça de aftosa tem como consequência o fechamento do mercado e largo prejuízo para economia. Qual a missão principalmente

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da UNIEC com o

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reconhecimento de livre de aftosa com vacinação? Em 2007 a hoje denominada União Nacional da Indústria da Carne (UNIEC) originou-se da união dos frigoríficos que juntos buscaram viabilizar a exportação da carne a partir do momento que se conseguiu autorização para isso. Deparei com uma série de desafios na busca pela abertura de mercado para a carne paraense. Fiz várias viagens ao exterior, em especial para a Rússia, 2º país que mais compra a carne brasileira. A Rússia paga bem e compra muito. O Pará entrou no jogo. Hoje a entidade tem reconhecimento nacional, após muitos êxitos. O mercado está aberto. Atualmente, no seu entendimento, qual o próximo desafio? Além das questões sociais, ambientais e sanitárias que já foram grandes avisos, agora o maior desafio é o desenvolvimento tecnológico para que a pecuária não perca sua importância. Aumentar a produtividade é nossa meta para melhorar a rentabilidade do produtor, portanto, precisamos investir na qualidade e, dessa forma, promover a capacidade competitiva do gado e ganhar credibilidade. Hoje não temos que pensar em aumentar a área e sim produzir mais a partir de mecanismos tecnológicos mais eficientes. Esse é o nosso maior desfio.

Como você percebe a defesa agropecuária hoje no estado do Pará? Não há mercado para produtos de origem animal e vegetal sem uma defesa agropecuária eficiente. A defesa é o primeiro fator de importância. Hoje nãow podemos falar em defesa sanitária no Estado sem referenciar a Adepará e sem referenciar também a gestão dos últimos dois anos do órgão sob o comando do diretor geral Mário Moreira. Pra mim a Adepara nunca cresceu tanto em presença, estrutura, informatização, modernização, equipamentos e serviços como nessa atual gestão. A Adepará escreveu sua história ao longo de 11 anos de existência. É seguramente o órgão mais presente no Estado. A defesa agropecuária chega a superar a defesa social, isso tudo em dez anos. Conseguimos chegar a condições importantes já estamos na busca da certificação internacional. A luta foi construída com o trabalho. Muitos contribuíram para isso, os servidores da Adepará, a Federação de Agricultura do Estado do Pará (Faepa), a Uniec , os produtores e outros. Sem dúvida, a defesa agropecuária no Pará é uma referência nacional, o que é fundamental para a economia no Pará. A certificação em torno de um Pará livre de febre aftosa com vacinação é uma conquista de todo o setor produtivo.


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Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), implantado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para combater e garantir a contenção dessas duas doenças junto ao rebanho brasileiro prevê, para o mês de dezembro, a realização de um estudo coordenado, em instância estadual, pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), para exames de diagnóstico com o intuito de saber a prevalência dessas duas doenças. Assim, os órgãos poderão ter o retrato da ocorrência dessas doenças no Estado, informou Susi Barros, gerente do programa. O trabalho da Agência visa evitar danos à saúde pública por se tratar de zoonoses (a brucelose e a tuberculose são transmissíveis ao homem), bem como evitar perdas econômicas em torno de 25% a 30% no segmento da pecuária, geradas pela perda de peso (diminuição na produção de carne), mastites (inflamação das glândulas mamárias) e infertilidade (diminuição na oferta de bezerros). O controle das doenças é feito através dos exames de diagnóstico, que são realizados pelos médicos veterinários habilitados pelo

PNCEBT. Além do mais, duas etapas de vacinação são realizadas durante o ano: 1º de janeiro a 30 de junho e 1º de julho a 31 de dezembro. A notificação da vacina é obrigatória nas respectivas etapas, caso contrário, a propriedade fica bloqueada para emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) até regularizar. A idade correta de vacinar as bezerras bovinas e bubalinas é entre 3 e 8 meses de idade contra a brucelose. A Agência já está buscando convênio com o Sistema Único de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa) para realizar o treinamento dos profissionais especializados. “Estamos adquirindo todo o material específico para a utilização no estudo a ser coordenado pela a Adepará e Universidade de São Paulo, neste ano, por meio do qual os professores virão ao Pará para promover o treinamento dos médicos veterinários oficiais quanto à metodologia que será adotada no inquérito”, explicou Susi Barros. No Brasil inteiro as duas doenças estão na fase de controle e ocorrem em todas as regiões, em maior ou menor grau, diferente da febre aftosa, que está na fase de erradicação. “Quando detectados casos de brucelose

e tuberculose, o proprietário tem 30 dias para providenciar a eliminação do animal, antes que ele possa contaminar o restante do rebanho ou mesmo os seres humanos”, esclareceu a gerente da Adepará. Com a vacinação em dia dos animais, o proprietário evita a disseminação da doença. Caso não cumpra com sua obrigação, ele poderá ser autuado. A gerência central da Adepará controla a distribuição dos antígenos, substâncias utilizadas para realização dos testes de triagem realizados por médicos veterinários habilitados, por laboratórios credenciados ou laboratórios oficiais credenciados. Além da central, 14 gerências regionais da Adepará comercializam os antígenos. A lista de médicos autorizados você encontra no site oficial da Adepará (www.adepara. pa.gov.br). Várias espécies de animais estão sujeitos à infecção, mas o PNCEBT trabalha principalmente com bovinos e bubalinos, por serem espécies que têm maior importância na epidemiologia das doenças e maior impacto econômico.

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e 26 a 31 de agosto, a Caravana da Produção composta por secretários e técnicos do Governo do Pará, e liderada pelo secretário especial de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção, Sidney Rosa, visitou municípios de Tucumã, São Félix do Xingu, Ourilândia do Norte, Água Azul do Norte, Rio Maria, Xinguara, Sapucaia, Eldorado dos Carajás e Marabá. A equipe de gestores e técnicos da área do setor produtivo cumpriu agenda que incluiu a instalação do sistema eletrônico de emissão de Guias de Trânsito Animal (GTA) e divulgação da recente liberação do Estado como área livre de febre aftosa pelo governo fed-

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eral. A comitiva contou com a participação do diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), Mário Moreira; do secretário estadual de Pesca e Aquicultura, André Pontes; o secretário extraordinário e coordenador do Programa Municípios Verdes, Justiniano Neto; o diretor do programa Pará Rural, Antonio Carlos, além de diretores e técnicos da Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). O roteiro incluiu reunião com produtores e sindicatos rurais nos municípios por onde a comitiva passou, lançamento da Guia de

Trânsito Animal (GTA) eletrônica,; visita a frigoríficos, visita a obras de escritórios da Emater, difusão de informações acerca da certificação do “Pará Livre de Aftosa”, entrega de equipamentos e veículos agrícolas (trator e colheitadeira), visitação à estrutura do projeto “Trilha do Leite”, inauguração do escritório da Adepará em Eldorado, visita a unidades da Ceplac e entrega de Cheques Moradia pela Cohab, no município de Sapucaia. O levantamento de demandas que agreguem melhorias para o setor produtivo do estado pautou o objetivo maior da Caravana da Produção. Segundo Sidney Rosa, aquele foi um importante momento que permitiu ouvir os produtores, mas também foi possível identificar necessidades referentes a outros setores como educação, saúde, segurança pública, habitação e regulamentação fundiária. Para Mário Moreira, o setor produtivo vivenciou um momento de destaque, em especial pela certificação emitida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que confirmou que o Pará está 100% livre da febre aftosa. O diretor da Adepará ressaltou que essa comitiva apresentou os programas que estão sendo implantados, como da Guia de Trânsito Animal eletrônica e o 'Trilha do Leite', que contribui para o beneficiamento do leite na própria região onde é produzido.


Caravana da Produção ouve produtores em Rio Maria

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diversificação da produção no meio rural já é uma realidade no sul do Pará, onde a atividade econômica não se concentra mais só na pecuária ou a agricultura tradicional. Um exemplo disso é a iniciativa do produtor Crássio Belém de Queiroz, 68, que deixou a pecuária em segundo plano e há dois anos passou a investir na piscicultura. Ele tem uma propriedade no municípío de Rio Maria, onde a Caravana da Produção, comitiva de gestores estaduais liderada pelo secretário especial Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção, Sidney Rosa, se reuniu no dia 29 de agosto, com a comunidade local para apresentar os projetos de governo na área. Na sede da Câmara Municipal, o grupo ouviu demandas locais de vários segmentos. Na área de 614 hectares Crássio investiu, com financiamento público e assistência técnica, cerca de R$ 300 mil para implantar três grandes represas onde mantém uma criação de peixes. Na última safra, ele produziu 18 toneladas de pescado. “Nossa meta é atingir 35 toneladas na próxima”, afirmou. A iniciativa, segundo ele, surgiu da

necessidade de se adequar a uma nova realidade ambiental e social. “Se eu fosse continuar na pecuária teria que adquirir novas terras e abrir mais pasto. Aqui, com o peixe, a gente tem maior produtividade e podemos trabalhar com menos de 20 hectares”, explicou. Mas alertou para a necessidade de estradas trafegáveis que garantam o escoamento da produção. E pediu ao secretário que o governo invista mais na malha viária e em logística. Ouviu, em resposta, que o governo deve entregar até o final do ano a PA-279 completamente recapeada. O produtor Crássio também recebeu do secretário de Pesca e Aqüicultura, André Pontes, a informação que a Sepaq vai instalar um núcleo na região para incentivar a produção e oferecer recursos para os piscicultores. “A pesca é uma ótima opção pela produtividade. Para cada quilo de ração o peixe engorda praticamente o mesmo quilo, enquanto o boi tem que comer 20 quilos de pasto para poder engordar um”, explicou. A Caravana da Produção reuniu com os produtores no Parque de Exposição de Rio Maria, onde estiveram também o prefeito Valter

José da Silva e lideranças locais. Além da fazenda de criação de peixe, a comitiva visitou um curtume e uma fazenda de produção de gado confinado. No dia 30, os gestores e técnicos seguiram para Sapucaia, onde 50 famílias receberam o Cheque Moradia, programa habitacional coordenado pela Companhia de Habitação do Pará (Cohab). A cerimônia fez parte das comemorações dos dez anos de criação do programa. A concessão do benefício habitacional, que propicia a compra de material de construção, é resultado da adesão do município ao programa estadual. Para essa entrega foram disponibilizados recursos no valor de R$ 705 mil, que serão aplicados em obras de melhoria, ampliação e construção de moradias.

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Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) reinaugurou no dia 29 de agosto o escritório local no município de Rio Maria, no sul do Pará. A ação integrou a agenda de atividades realizada na região pela Caravana da Produção. Com a reinauguração do escritório em Rio Maria, a Emater completa seis escritórios locais revitalizados no sul do Pará. Outros quatro escritórios serão reinaugurados em outubro. “As obras dos escritórios de Xinguara, Água Azul do Norte, Tucumã e Ourilândia do Norte, assim como nos demais escritórios da região, são executadas com recursos próprios da empresa. O escritório de Ourilândia do Norte está sendo

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urilândia do Norte, localizado na região sul do Pará, é o município do estado que receberá a maior parcela do ICMS Verde no próximo ano. É o que garante Justiniano Netto, coordenador do Programa Municípios Verdes. A afirmação foi constatada durante visita à região da Caravana da Produção, realizada no final de agosto em nove municípios do estado. Dos R$ 35 milhões do ICMS Verde que serão distribuídos em 2014 baseados em critérios ambientais, Ourilândia do Norte receberá cerca de R$ 700 mil. O cálculo do repasse é feito de acordo com três critérios: 50% do montante são divididos de acordo com a porcentagem de propriedades rurais com Cadastro Ambiental Rural (CAR); 25% são para os municípios que cumprem as metas de redução de desmatamento; e 25% para os que possuem Unidades de Conservação (UCs). Ourilândia já possui 83,1% de suas propriedades inseridas no

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CAR; em 2012 apresentou uma redução de 58% do desmatamento em relação à média entre os anos de 2007 a 2011; e possui 85% de áreas protegidas e 88% de cobertura vegetal. “Ourilândia está sendo premiada por possuir uma grande área protegida e pelo avanço do CAR. Já possui cerca de 2 mil km² de áreas inseridas no cadastro. O ICMS Verde, no município, deve ser destinado ao fortalecimento da gestão ambiental, como previsto na lei estadual”, comenta Justiniano Netto. Iniciativa do Governo do Estado lançada em junho deste ano, o ICMS Verde inova usando a distribuição da arrecadação entre os municípios como medida contra o desmatamento ilegal e o fortalecimento da gestão e do ordenamento ambiental. Parte da arrecadação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) será destinada aos municípios com base em critérios ambientais. O decreto do governador Simão Jatene estabeleceu que o ICMS Verde chegará a 8% destes 25% até

construído”, informou Humberto Reale, diretor técnico da Emater, que integra a caravana. Durante a passagem da Caravana da Produção pelo sul do Estado, também foram entregues a agricultores familiares atendidos pela Emater cinco tratores e implementos agrícolas, nos municípios de Tucumã, Xinguara e Água Azul do Norte. Neste último também foi entregue uma caminhonete para o transporte de amêndoas de cacau. As máquinas foram financiadas com recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com projetos técnicos elaborados pela Emater.

2016. “A implantação será gradual. Vamos começar com 2% do total de repasse do ICMS - R$ 35 milhões em 2013. A cada ano, a porcentagem aumentará, até chegar ao teto de 8%, em 2016, distribuindo R$ 140 milhões, conforme critérios ambientais”, explica Justiniano.


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om um investimento de R$ 705 mil, para obras de melhoria, ampliação e construção de residências, o governo do Estado beneficiou 50 famílias no município de Sapucaia, na região sul, em mais uma ação da Caravana do Cheque Moradia, no dia 30 de agosto. A entrega do benefício aconteceu na Câmara Municipal de Sapucaia, com a presença do secretário Especial de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção, Sydney Rosa. A Companhia de Habitação do Pará (Cohab) foi represen-

tada pelo diretor técnico João Barral e pela gerente de Relações Comerciais, Elisabeth Hage. A dona de casa Luziene Gonçalves de Moura Barbosa, 35 anos, desde 2005 mora na Vila Canadá, e agora vai concretizar o sonho da casa própria. Após receber o Cheque Moradia, ela disse que construirá sua residência em um terreno doado pela Prefeitura. Cerca de 40 famílias também foram beneficiadas a doação de lotes pelo Executivo municipal. "Ficou muito feliz de ter recebido o Cheque Moradia. Esse dinheiro vai ajudar muito, porque vamos começar a construir nossa casa do zero, sem nada. E esse é um grande incentivo", afirmou Conceição Moura, que trabalha como caixa em um armazém da cidade. Durante as comemorações pelos 10 anos do Cheque Moradia, a Caravana ainda entregará o benefício a moradores dos municípios de Bragança, Salinópolis, São João de Pirabas, Tucuruí, Eldorado do Carajás, Aveiro, Juruti, Faro, Redenção, Floresta do Araguaia e Muaná, informou a titular da Cohab, Noêmia Jacob. (Com a colaboração da Ascom/Sedip).

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o período de 12 a 15 de setembro deste ano, Belém foi sede do I Festival Internacional do Chocolate e Cacau da Amazônia, uma promoção do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), sendo realizado no Hangar – Convenções e Feiras da Amazônia. O evento teve o objetivo de mostrar o crescente aumento da produção de cacau no Estado, como também discutir sobre essa produção e as formas de melhorála cada vez mais. O Festival teve o co-parceria do Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PA), e o apoio da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), entre outras entidades, com a Paratur, o Instituto de Artes do Pará (IAP) e o Polo São José Liberto. O Pará é o segundo maior produtor de cacau no Brasil, perdendo apenas para o estado da Bahia, onde o Festival do Chocolate, modelo para o evento realizado em Belém, já foi realizado em cinco edições pela empresa MVU Promoções e Eventos. A escolha do Estado foi uma conseqüência natural devido ao grande potencial que apresenta a todos os componentes da cadeia produtiva na cadeia produtiva. O Festival do Chocolate em Belém foi realizado paralelamente ao Flor Pará 2103, também uma promoção da Sagri. Juntos, os dois eventos receberam um público de cerca de 22 mil pessoas, nos quatro dias das feiras, e movimentaram negócios na ordem de R$ 10 milhões. Para quem nunca havia imaginado que flores e chocolate pudessem despertar tanto interesse, a secretária em exercício da Sagri, Eliana Zacca, já havia alertado para o sucesso que os dois produtos, juntos, pudessem ter. “Flores e chocolates são produtos que se complementam, enfeitam e dão sabor à vida das pessoas, daí a iniciativa de reunir, em um único evento, o melhor dessas duas cadeias produtivas”, disse Eliana, no dia do lançamento dos eventos,

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em agosto passado. O consumo de chocolate no Brasil cresce a uma média de 10% ao ano, enquanto o consumo mundial é de 5%. Produção – Atualmente, a Amazônia produz cerca de 90 mil toneladas de cacau e o estado do Pará detém a maior produtividade mundial no município de Medicilândia, com 1,1 toneladas por hectare, em média. Somente o estado do Pará tem potencial de terras férteis para implantar um programa de 300 mil hectares, segundo dados da Ceplac. O Pará vai produzir até o final deste ano 88 mil toneladas de amêndoas de cacau e a meta para 2014 é que essa produção chegue a 100 mil. Eliana Zacca, enfatiza que a produção de cacau tem incentivo do Governo Estadual e que a meta é duplicar a produção em dez anos. “Observamos um crescimento de 13% de área plantada e de 10% na produção da amêndoa de cacau ao ano. Temos um fruto diferenciado para cada uma das cinco regiões produtoras no Estado, o que está tornando o Pará a nova fronteira

agrícola da produção cacaueira no Brasil”, disse a secretária. As cinco regiões do Pará a que se referiu a secretária são Baixo Tocantins, Baixo Amazonas, Transamazônica, nordeste e sudeste do Estado, e os municípios maiores produtores são Medicilândia, Uruará, Brasil Novo, Altamira, Vitória do Xingu, Placas, Tomé-açu, Tucumã, Pacajá e Novo Repartimento. Cada uma dessas cinco regiões produz um tipo de cacau diferenciado e alta pureza, sendo que também o Pará é o único que produz, em grande escala, cacau em região de várzea. Os dados fechados em dezembro de 2012 concluíram com 15.206 propriedades cacaueiras assistidas pela Ceplac, sendo que 80% desses produtores são provenientes da agricultura familiar. Desde 2010, com a regularização e certificação de áreas de produção de cacau orgânico na Transamazônica, tem se mantido exportações de cacau na razão de 55 toneladas anuais para a Áustria. Em 2012 e já em 2013 incluiu-se


a Suíça como fonte demandante desse tipo de produto. Atualmente, com a entrada em funcionamento da fábrica de chocolate “Cacau Way” no município de Medicilândia, o estado do Pará passou a ocupar um importante espaço como fabricante de chocolates na Amazônia. Por enquanto a produção de chocolate é de, aproximadamente, 15 toneladas por ano. Outra fábrica, a Amazônia Cacau, já produz chocolate em pequena escala e

deve ser inaugurada ainda este ano no município de Santa Bárbara, na Região Metropolitana de Belém. O estado pretende produzir o chocolate de melhor qualidade, buscando atender públicos da mais alta exigência. Na visita surpresa que fez no penúltimo dia do Festival do Chocolate e Flor Pará 2103, o governador do Estado Simão Jatene mostrou-se bastante otimista com os rumos do cultivo do cacau no Pará. “O cacau tem uma pluralidade

de ocupação no espaço do Pará, e o povo, na sua maioria, não tem conhecimento do potencial desse fruto em nosso estado, por isso, são importantes feiras como esta, para que possamos mostrar que somos capazes de produzir um bom cacau, mas um cacau diferenciado, que vai nos ajudar a agregar valor à nossa produção, o que é um desejo de todos nós”, disse.

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Como a Adepará desenvolve a agropecuária do Estado? A agência foi criada precisamente para desenvolver essa atividade de defesa agropecuária, de modo que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) cobrava da Secretaria de Estado da Agricultura (Sagri) ao longo do tempo um órgão específico para tratar desse assunto, logo, a instituição foi criada em 2002 e passou a funcionar em 2003 exatamente para suprir essa lacuna do Mapa de executar a defesa agropecuária. A gente se baseia inicialmente nas legislações federais do Ministério e com base nessas legislações, vamos detalhando mais ainda, estabelecendo as legislações estaduais tanto na área animal quanto na vegetal. Vale ressaltar, que temos apoio do Mapa, porque a defesa agropecuária, a maioria dos programas é nacional, portanto, é interesse do Brasil. O Ministério da Agricultura aloca recursos para desenvolver esses programas. Depois do reconhecimento nacional de zona livre de febre aftosa com vacinação pelo Mapa. Qual o próximo objetivo? Já estamos trabalhando. É manter a nossa zona de proteção

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funcionando com referência aos estados do Amapá e Amazonas, que são de alto risco de febre aftosa, deste modo, os animais não podem entrar no Pará. Por isso temos que fazer uma vigilância severa nessa divisa para não correr risco de animais doentes transitarem em nosso Estado. Essa missão é apenas uma parte do trabalho que estamos fazendo, visando reconhecimento internacional, que é o segundo passo. Temos também que estruturar nossas unidades de vigilância agropecuária, chamadas Ulsas, colocando mais médicos veterinários, infraestrutura de veículos, internet e outros meios de comunicação. Uma forma de facilitar o trabalho, pra dar qualidade e mostrar ao Mapa e OIE (Organização Internacional de Saúde Animal) que a nossa parte está sendo feita da melhor forma possível. Pois, a busca pela certificação internacional é o maior objetivo, já que o Pará tem um rebanho de 20 milhões de cabeça de gado. Com a conquista internacional, o Pará ganha mercado do mundo. Hoje só uma parte do Estado (sul e sudeste) é zona livre internacional e agora, estamos buscando o Baixo Amazonas, o nordeste paraense e o arquipélago do Marajó.

Os produtos artesanais foram regulamentados de acordo com a legislação da defesa agropecuária. Como está esse trabalho? É um trabalho árduo, porque a gente tem que se deslocar para unidades que produzem esse material artesanal e nossa equipe técnica que trata dessa questão é pequena, mas na medida do possível estamos conseguindo executar esse trabalho da melhor forma. A legislação artesanal veio viabilizar esse comércio que estava travado, um comércio clandestino que vinha ao longo de décadas. Hoje estamos regularizando esse produto, dando credibilidade para que a sociedade possa consumir com tranquilidade, sabendo que o produto é inspecionado pela Agência de Defesa Agropecuária. E os produtores estão se enquadrando nessa nova legislação? Estamos sendo bastante procurados pelos produtores artesanais, eles têm maior interesse em se regularizar. Compreenderam que um produto registrado na Adepará tem trânsito livre dentro do Estado e tem o reconhecimento da sociedade como um produto de qualidade superior.


Quantos estabelecimentos possuem registros da Adepará em produtos artesanais? Seis estabelecimentos possuem registros, sendo três na região do Marajó (Queijaria Mironga- Soure, Queijaria Peua – Soure e Queijaria Prudencinho- Cachoeira do Arari), ambos os registros de queijo do Marajó. Mais um de queijo de diversos tipos, da Queijaria da Fonte, em Peixe-Boi. Além de camarão salgado, em Curuçá (Demare Pescados), assim como em laticínio (leite pasteurizado e iogurte), do estabelecimento CASP, localizado no município de Vigia. Em fase de regularização tem mais seis estabelecimentos com os produtos: água de coco, polpa de açaí, maniva pré-cozida, queijo do Marajó e queijo Minas Frescal Qual a perspectiva de 2013 / 2014? Para 2013, vamos concluir e publicar o protocolo de produção da carne de caranguejo e da maniva pré-cozida. A Adepará participará ainda este ano de um termo de convênio a ser estabelecido com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Sagri, cujo objetivo é o desenvolvimento da cadeia produtiva do queijo do Marajó, visando agregar valor ao produto, por meio de ações de promoção comercial e melhoria dos processos de produção. Em 2014 vamos dar sequência na regularização de estabelecimentos que processam produtos artesanais nos municípios de Soure, Cachoeira do Arari, Salvaterra, Ponta de Pedra, Altamira, Brasil Novo, Almeirim, Paragominas, Capitação Poço e entre outros. Está previsto também para o ano de 2014 a regularização de produtos como doces, compotas e hortaliças minimamente processadas.

dia primeiro de setembro deste ano, no polo citrícola de Capitão Poço. Em 2014 lançaremos a GTV no município de Floresta do Araguaia, segundo maior produtor de abacaxi do Brasil. Qual o cenário do setor produtivo atualmente? É um cenário da melhor expectativa. É um cenário crescente. À medida que o tempo avança, a gente consegue colocar o nosso profissional qualificado para desenvolver seu trabalho. Conseguimos índices de vacinação, por exemplo, na área animal, acima de 98%, um dos maiores índices do Brasil, graças ao reconhecimento do produtor rural. A Adepará faz sua parte, mas o produtor tem que fazer a sua também. Na época da vacinação não precisamos mais fazer aquela campanha massificada, porque o produtor rural está consciente. É bom para o Estado, assim como para o país e, melhor ainda, ao próprio produtor rural, que está vacinando seu gado, cuidando da sua lavoura. Assim, ele consegue dar qualidade

ao seu produto e alcança um bom mercado com preço melhor, enfim, o setor agropecuário do Pará está em amplo crescimento. De que forma a Adepará colabora com a formação profissional dos técnicos do órgão? Temos convênios com o Mapa e nesses convênios colocamos vários treinamentos para os profissionais da Adepará, tanto médicos veterinários como engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas. Eles participam de treinamentos dentro do Estado com profissionais de fora, assim como, profissionais saem do Pará para outros Estados para se capacitarem e exercerem suas funções da melhor forma possível. Essa capacitação não para, sempre tem novas capacitações, novas reciclagens profissionais. Hoje nossa equipe está preparada, obtém conhecimento dos seus trabalhos que devem ser desenvolvidos nas unidades locais.

E a Guia de Trânsito Vegetal (GTV), já foi lançada? A GTV, que serve para realizarmos a rastreabilidade dos produtos e subprodutos de origem vegetal que transitam exclusivamente dentro do estado do Pará, começou a ser emitida no

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epois da regularização do queijo do Marajó, mais produtos artesanais já estão disponíveis nas prateleiras dos supermercados com o certificado da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará). A certificação dos produtos agropecuários é um processo que permite ampliar mercados, expandir as vendas, diferenciar e qualificar os produtos, desenvolver a confiabilidade dos consumidores e gerar riquezas para o agronegócio, bem como se tornou um quesito decisivo na relação com os consumidores atentos aos processos produtivos que atendam às normas sanitárias, ambientais e, sobretudo a origem e qualidade. No total, a Adepará têm seis registros, distribuídos em queijo do Marajó (3), queijo de diversos tipos (1), camarão salgado (1) e em laticínio (1), enumerou o diretor técnico da instituição, Ivaldo Santana. Ainda de acordo com Santana, já estão em fase de regularização outros

estabelecimentos com produtos como a polpa do açaí, água de coco, maniva pré-cozida, queijo do Marajó e queijo Minas Frescal. “Começamos com o queijo do Marajó e já estamos partindo para regularização de outros, como o camarão salgado, além de uma gama de produtos que já podem ser validados e assim comercializados dentro do Estado”, pontou Ivaldo. A valorização dos produtos alimentares típicos também contribui para promover o desenvolvimento local, em especial no meio rural. “Regularizado, o produto pode ser vendido nas prateleiras dos supermercados, contribuindo para qualidade de vida do pequeno produtor, que vai aumentar a sua renda com a venda do produto antes considerado clandestino, que por anos vem sustentando sua família”, Há 17 anos produzindo queijo do Marajó, o produtor Prudêncio Amado da Paixão, do sitio Bom

Jesus, não pensou duas vezes para regularizar o seu produto. Prudêncio disse que investiu cerca de R$ 32 mil para se adequar as normas exigidas e, agora, pode cobrar o preço justoW pelo queijo que já está disponível nas prateleiras do supermercado. Etapas - Certificar um produto regional tem um longo caminho que inicia com a descrição do processo produtivo a ser seguido e estabelece regras para os produtores, conforme a lei N 7.565, de 2011, que dispõe sobre normas para licenciamento de estabelecimentos processadores, registro e comercialização de produtos artesanais comestíveis de origem animal e vegetal no Estado. “Constituída em 2011, a lei estadual de produtos artesanais veio para regularizar os produtos, até então considerados clandestinos, pois não tinham a fiscalização e nenhuma orientação de um órgão do Estado. Um anseio dos produtores rurais, que produziam

Secretário de Agricultura, Hildegardo Nunes e técnicos da Adepará ressaltam a importância do registro para o setor agropecuário

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antes mesmo da existência da Adepará, mas não podiam transitar os produtos, inclusive por Belém”, reiterou Santana. Para isso, a Adepará em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura (Sagri) tem desenvolvido um árduo trabalho ao longo dos últimos anos, com objetivo de regularizar as cadeias produtivas para que os produtores possam comercializar em todo o estado do Pará. “Houve um conjunto de esforços entre Adepará e Sagri, uma

via de mão dupla para que a nossa equipe técnica, apesar de pequena, pudesse se deslocar até as unidades produtoras de material artesanal. É um trabalho árduo, mas na medida do possível estamos caminhando para regularizar tudo”, Ainda em 2013, está prevista a assinatura de um convênio entre Adepará, Sagri e Sebrae com objetivo de desenvolver a cadeia produtiva do queijo do Marajó para agregar valor ao produto, por meio de ações de promoção comercial e melhoria

no processo. Também está na pauta para 2013 a conclusão e publicação do Protocolo de Produção da Carne de Caranguejo e da Maniva Précozida, além de prosseguimento, em 2014, na regularização de estabelecimentos que processam produtos artesanais nos municípios de Soure, Cachoeira do Arari, Salvaterra, Ponta de Pedras, Altamira, Brasil Novo, Almeirim, Paragominas, Capitão Poço entre outros.

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rodutores do abacaxi devem ficar atentos em fazer o cadastro anual na unidade mais próxima do seu município, desta forma, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado tem controle da produção e evita pragas no plantio. Vale ressaltar que o município de Floresta do Araguaia, localizado no sudeste paraense, é o segundo maior produtor de abacaxi do Brasil. Segundo a coordenadora do Programa Fitossanitário da Cultura do Abacaxi, Marluce Bronze, o fruto leva 18 meses para ficar pronto, portanto, a cada plantio é obrigatório o produtor rural se cadastrar, uma das medidas fitossanitárias, e

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não precisa pagar. “Esse cadastro é justamente pra gente ter o mapa, de quantos produtores temos e quais são os mecanismos que devemos utilizar para levarmos informações até eles”, informou. Ano passado no Marajó, em Salvaterra, na comunidade Condeixa, seu Ângelo, um dos produtores da região, teve a produção atacada pela praga Broca no fruto. Ele possuía 80 mil frutos e teve perdas de 42ww mil, com prejuízo de R$ 42 mil. “Por isso a importância econômica do abacaxi”, observou Marluce Bronze. No Pará existem três tipos de pragas: a Broca, quando há o ataque desta, observa-se no fruto a formação de galerias provocadas pela

lagarta, que ocorre na casca e na polpa a liberação de uma resina de coloração marrom-escura, além de dar mau cheiro, e pode causar perdas de 90% na produção; a Fusariose, que é causada por um fungo capaz de contaminar toda a planta, desde a base das folhas até os frutos e principalmente, as mudas. Com o passar do tempo, as partes doentes encolhem-se e os frutos ficam deformados, com perdas estimadas em 30%. E também a praga Cochonilha, associada à murchado-abacaxi, as plantas apresentam a ponta das folhas avermelhadas, com margens amareladas e o centro com tom rosa vivo. Com o passar do tempo, as plantas podem morrer,


provocando perdas de 70%. “A fusariose é a principal doença que ocorre na região de Conceição do Araguaia, necessitando de estratégia de controle por meio de inspeções na lavoura, mudas sadias e erradicação de plantas doentes, devido às formas de disseminação do fungo, que ocorre pelo vento, chuva e por objetos contaminados”, explicou a coordenadora do Programa. Para minimizar incidência de doenças, a Adepará recomenda que o plantio seja abandonado, pois o lugar vira foco de pragas. O Programa trabalha com dezoito municípios, entre eles os principais: Conceição do Araguaia, Floresta do Araguaia e Salvaterra. Adepará tem feito palestras educativas nos interiores do Estado, além de cursos para controle e prevenção da praga. Na última palestra sobre pragas e doenças do abacaxi, administradas por técnicos da Agência de Defesa, Embrapa, Ministério da Agricultura e Secretaria da Agricultura do Estado (Sagri), no município de Salvaterra, teve participação de 71 produtores rurais. Já em Conceição do Araguaia, 26 produtores participaram do treinamento sobre reconhecimento e controle de pestes. Durante a capacitação, profissionais da área apresentaram o Programa, que aborda a legislação vigente; as pragas alvo; monitoramento; controle das pragas e sobre o cadastramento obrigatório dos produtores. “É um trabalho que não conhecia e de agora pra frente vou seguir as normas e assim, acabar com essa doença”, comentou o produtor João Machado sobre o trabalho da Adepará. Por sua vez, o produtor Antônio Alexandre, entendeu que o treinamento “valeu a pena, pois a região é produtora de abacaxi e espero ter um grande proveito”, destacou. Caso de suspeita da ocorrência de uma dessas pragas no plantio, a Adepará orienta que o proprietário comunique-a imediatamente, explicou a coordenadora do Programa.

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ara evitar o comércio clandestino de aves dentro do Estado, a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) está recadastrando os estabelecimentos de distribuição e comercialização desses animais. A medida integra o plano de ação que está sendo construído e formatado pela agência para a execução do Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA). A Adepará detectou que muitas aves entram no Pará com desvio de finalidade e rota. Os animais eram encaminhados para aglomeração, mas estavam sendo abatidos de forma ilegal, fora dos padrões sanitários exigidos, ocasionando risco eminente à população consumidora do produto, informou o diretor operacional da agência, Sálvio Freire. ‘Esclarecemos que em nenhum momento embargamos ou restringimos o comércio de aves vivas. Estamos fazendo o processo de recadastramento, porque a Adepará detectou que muitas aves, independente do Estado, entraram no Pará de forma irregular. É a alternativa para evitar abates em estabelecimentos que não apresentam as mínimas condições sanitárias e higiênicas’, frisou o diretor. Sálvio Informou ainda que os produtores do ramo da avicultura comercializam normalmente com os municípios de Marabá e Tucuruí, por exemplo, porque estão

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em condições de atendimento. A entrada de aves vivas para confinamento e comercialização não está impedida com origem de outros Estados com status sanitário igual ou superior na classificação do PNSA. No caso de comercialização de aves adultas, o destino será para estabelecimentos de abate registrados nos órgãos oficiais de fiscalização e inspeção e para estabelecimentos de distribuição e comercialização recadastrados, autorizados pela Adepará. A atualização e autorização dos pontos de distribuição de

aves vivas estão sendo feitas conforme demanda, por meio do requerimento de cada distribuidor e de acordo com as documentações e estruturações necessárias apresentadas pelas empresas. A ação visa ainda a parceria com o Ministério Público Estadual e os órgãos de Vigilância Sanitária Municipal, para repetir o resultado já obtido no combate ao abate clandestino de bovinos, que nos últimos três anos, a ação já interditou mais de 100 estabelecimentos.


Qual o trabalho do setor de Recursos Humanos na Adepará? Nossa principal missão é a realização de atividades voltadas para valorização e a qualidade de vida do servidor público. O RH está para ajudar, orientar e atender o servidor público baseado nas diretrizes do Programa de Governo. Realizamos atividades operacionais inerentes a folha de pagamento e ações que beneficiem os servidores, com destaque para o programa Cheque Moradia e o Servidor Nota 10, mas não paramos por aí, ainda temos os eventos alusivos as datas comemorativas, como o Dia Internacional da Mulher, Dia da Mães, entre outros. Como funciona o setor? A equipe é composta por 14 servidores, distribuída em duas Gerências de Desenvolvimento de Pessoas e Operações (Folha de Pagamento). Aqui o trabalho é baseado na coletividade, tudo é desenvolvido através da equipe, o meu papel é contribuir com o grupo, que está sempre à disposição. De que forma as ações contribuem com a qualidade de vida e com o desenvolvimento dos servidores? Como é a receptividade dos profissionais? Desde o início do ano realizamos atividades voltadas para valorização do servidor como os cursos de capacitação da Escola de Governo, sendo o carro chefe o cheque moradia. As ação possuem um retorno positivo, é maravilhoso! O servidor nota 10 é reconhecimento da dedicação no exercício das atividades laborais, já o cheque moradia possibilita a realização de

sonhos e a melhoria na qualidade de vida do servidor e da família. Nos últimos três anos cerca de 92 servidores já foram contemplados com o Cheque Moradia, sendo 15 em 2011, com investimento de R$ 92 mil; 32 em 2012, estimado em R$ 416 mil e, agora, 45 beneficiados em 2013, com investimento de R$ 518 mil. Qual o segredo para sucesso no serviço público, especificamente no setor de RH? O segredo é ser humano. É se colocar no lugar do outro para ajudar da melhor forma possível. O sucesso de uma instituição está alicerçado no desempenho e desenvolvimento dos esforços das pessoas. Portanto, a receita é

lidar com muita responsabilidade, dedicação e contínua busca de melhoria nas condições de trabalho e a integridade dos servidores. A equipe é a ferramenta do sucesso. Quais os desafios e os próximos planos? Ainda em 2013 vamos promover a programação alusiva ao Círio de Nazaré e o evento de confraternização no fim de ano. Para 2014, nosso desafio é a realização de um novo concurso público. O desafio é fazer cada vez mais e melhor a qualidade dos serviços prestados aos servidores.

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ou realizar o sonho da minha mãe: reformar a casa dela”, declarou emocionado Túlio Trindade, de 40 anos, um dos 40 servidores da Agência de Defesa Agropecuária do Pará contemplados, em 2013, com o programa Cheque Moradia, do Governo do Estado. O cheque é um reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo servidor público, que utiliza o beneficio na construção ou reforma do imóvel. “Ficamos felizes em ajudar os nossos servidores, pois a instituição pública só vai para frente graças ao trabalho desenvolvido pela classe, que não mede esforços no dia a dia”, ressaltou o diretor geral da Adepará, Mário Moreira. “É uma forma de valorizar o servidor, que muitas vezes não tem casa ou mesmo precisa melhorar uma dependência do imóvel. Ah, é muito gratificante poder contribuir com o nosso colaborador”, reforçou Maria José, coordenadora do programa na Adepará, da Gerência de Recursos Humanos. No mês de agosto, a coordenação do programa foi às gerências de Redenção, Altamira e Santarém entregar o cheque nas mãos dos servidores contemplados naquelas localidades. Além da entrega propriamente dita, a GRH ministrou palestras sobre a utilização do beneficio e visitou as moradias dos contemplados nos anos 2011 e 2012. “É muito gratificante ver a felicidade estampada no rosto dos servidores contemplados”, disse Margareth Soares, titular da GRH.

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Em 2012, o programa beneficiou cerca de 60 servidores, sendo que 15 receberam, em 2013, a segunda parcela do cheque. “Em 2013 já houve a liberação de segunda parcela do cheque moradia de 2012. Nós recebemos 15 cheques, sendo a maioria destinada à construção nova. Eles já tinham terreno e só estavam esperando a oportunidade para construir”, ressaltou Maria José. Entre eles, o agente agropecuário, Joanes Paulo, que utilizou o dinheiro para terminar a construção da casa nova. “Com a segunda parcela está dando para terminar a obra. É o Governo do

Estado pelas mãos da Adepará valorizando o servidor público, realizando os nossos sonhos”, declarou. O programa - No total, em 2013, o Governo do Pará, por meio da Companhia de Habitação (Cohab), entregou 761 cheques para servidores públicos, sendo 155 destinados a pessoas com deficiência física, durante cerimônia realizada no dia 30 de julho, no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, com a presença do governador Simão Jatene. Com um investimento estimado em R$ 7 milhões, o programa contribui ainda para movimentar a economia do Estado com o au-


mento das vendas de materiais de construção, bem como possibilita a criação de novos empregos e ocupações por meio da construção civil. Criado ainda na primeira gestão do atual governador - direcionado inicialmente para os funcionários públicos estaduais, sendo expandido depois para famílias vítimas de sinistros e com renda de até três salários mínimos - o programa completou 10 anos no último dia 23 de setembro, beneficiando mais de 35 mil famílias em quase uma

década, com um investimento que ultrapassa a marca de R$ 188 milhões. O beneficio é uma transferência direta de renda com objetivo de combater a pobreza e as desigualdades sociais no atendimento da parcela excluída da sociedade, que dificilmente teria acesso à moradia. Mais recentemente, o benefício foi estendido a pessoas com deficiências. Para o servidor ser contemplado com o benefício, basta realizar o cadastro e atender os requisitos

do programa. A seleção é realizada com a visitação social para verificar as informações fornecidas no ato da inscrição, desde a quantidade de pessoas que trabalham na casa até o que mais precisa ser reformado para melhorar a qualidade de vida daquele servidor e da família dele.

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assistente administrativo, lotado na sede, André Luíz Bizerra, 33 anos, foi eleito o “Servidor Nota 10” da Adepará. Luiz Bizerra junto com os demais servidores escolhidos de cada órgão estadual participarão da solenidade de premiação da 6ª edição do programa, prevista para o dia 25 de outubro, no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia. Na ocasião, os selecionados serão contemplados com uma medalha do concurso, certificado

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comprovando o desempenho nas atividades desenvolvidas e, por meio de um sorteio será escolhido o grande vencedor, que receberá a quantia de R$ 20 mil. Há mais de 3 anos atuando na Adepará, Bizerra diz que é a segunda vez que concorreu a premiação e ficou feliz de ser escolhido dentre os 21 servidores inscritos na instituição. “Quis participar porque me encaixo nos critérios estabelecidos e, claro, com vontade de ganhar os prêmios”, ressaltou o Servidor Nota 10. A premiação faz parte do Programa de Valorização do Servidor Público realizado pelo Governo do Pará, por meio da Escola de Governo do Estado do Pará (EGPA), com objetivo de valorizar o servidor. “É a maior honra ao mérito que o servidor pode receber.

Como servidor, a gente se sente valorizado. É um reconhecimento profissional, além de uma prestação de contas”, frisou Maria José, da gerência de Desenvolvimento de Pessoa–Recursos Humanos. A indicação dos nomes dos candidatos ao prêmio foi feita por uma comissão avaliadora instituída em cada órgão público do Estado. Os critérios exigidos pelo edital do programa foram assiduidade, disciplina, iniciativa, produtividade e responsabilidade. Concorrem aos prêmios os servidores públicos efetivos (concursados), os servidores estatutários não estáveis e os empregados da Administração Pública do Estado que não exerçam cargo em comissão de Diretoria e de Assessoramento Superior (DAS).


Exposições e feiras movimentam a economia no Estado

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onsolidadas como vitrines do agronegócio, as feiras e exposições agropecuárias vêm movimentando a economia do setor agropecuário no Pará. Até agora já foram realizadas dezenas de eventos de norte a sul do Estado, contribuindo consideravelmente para impulsionar o aumento na balança comercial com a comercialização de animais, insumos, implementos, entre outros produtos. Só a Feira Agropecuária de Xinguara, no sul do Estado, realizada entre os dias 14 e 22 de setembro, movimentou cerca de R$ 25 milhões em negócios e atraiu mais de 125 mil visitantes, segundo o Sindicato Rural de Xinguara. Conhecida como a capital do boi gordo, a cidade chegou a reunir cerca de 3 mil cavaleiros durante a cavalgada, evento realizado no primeiro dia de Feira. O volume de negócios também fechou em cerca de R$ 25 milhões na Exposição Agropecuária de Marabá – Expoama, no sudeste paraense, durante os oito dias de feira (8 a 13 de julho), sendo R$ 10 milhões por meio de financiamentos em bancos. “As exposições agropecuárias são vitrines da produção rural do Estado, representam janelas de oportunidade para debater e tro-

car ideias sobre práticas de desenvolvimento rural sustentável, é um momento de integração entre todos os envolvidos no setor”, disse Mário Moreira, diretor da Agência de Defesa Agropecuária (Adepará). O presidente do sindicato rural de Xingura, Joel Carvalho, fala da importância do evento para o produtor rural. “Nós estávamos no momento da entressafra do boi e a feira aqueceu o setor, ou seja, por mais que tenha menos oferta de boi, você tem um preço melhor, com isso, o produtor rural tem uma capitalização um pouco melhor”, argumentou. Além disso, as feiras trazem grandes inovações tecnológicas e oferecem aos pecuaristas a oportunidade de adquirir animais de alta qualidade genética, bem como oferecem uma programação diversificada, que inclui rodeios, leilões, cavalgadas, competições esportivas e shows de artistas regionais e nacionais, beneficiando todos os segmentos. Educação - A exemplo dos anos anteriores, a Adepará participa com o trabalho de educação sanitária “Educando nos Parques”, da Coordenadoria de Educação Sanitária e Comunicação-Cesco, que consiste em atividades educativas junto à

população para informar e sensibilizar o público presente na feira sobre as formas de prevenção de pragas e doenças em beneficio da saúde pública. O trabalho é realizado por meio de palestras, apresentações de vídeos educativos e de dramatizações, entre outros recursos didáticos. A novidade deste ano ficou por conta do estande móvel, que fez sucesso na Expoconceição, em Conceição do Araguaia; na Expo Polo Carajás, em Redenção; na Exposul, em Rio Maria e Expoxingu, em São Félix do Xingu, entre outras. "O caminhão foi um marco, um diferencial deste ano nas exposições agropecuárias, pois ofereceu ainda mais estrutura para as ações de educação sanitária, com equipamento áudio visual, ar condicionado, material para proferir aulas”, declarou o diretor. Ao participar das atividades educativas no estande, as crianças recebem brindes; informativos e cartilhas a exemplo da revista em quadrinhos do Chico Bento, que aborda o tema ‘Febre Aftosa’; folders e calendários com datas marcadas das vacinas dos bovinos e bubalinos.

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REVISTA OUTUBRO DE 2013