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carta aos leitores

N

esta edição de lançamento, gostaria de agradecer a todos que contribuíram para que o projeto da revista AGRO em Foco evoluísse e se tornasse realidade. Agradecimentos especiais aos grandes profissionais que participam da equipe técnica, aos anunciantes e autores dos artigos desta primeira edição, que acreditaram e apostaram neste projeto. Com a revista AGRO em Foco, a Editora pretende ressaltar a importância da Gestão do Agronegócio. Em um país que está sendo considerado “a bola da vez” no Agronegócio mundial, a gestão de toda a complexidade que envolve o tema ainda deixa a desejar. Sim, temos excelentes gestores do agronegócio, mas não na quantidade que necessitamos. É neste ponto que a revista AGRO em Foco pretende auxiliar. Publicando artigos sobre temas variados e necessários a um gestor do agronegócio, pretendemos auxiliar estes profissionais a se capacitarem e desta forma estarem mais preparados para a grande oportunidade que está sendo anunciada ao nosso país. Esperamos cumprir nossa missão! Em nossa edição de lançamento, e não poderia ser diferente, o tema de capa é “Gestão da Empresa Rural”, no qual o autor discorre sobre a necessidade da profissionalização da Empresa Rural para enfrentar os novos rumos e desafios, e a nova visão empresarial necessária às organizações rurais. Também tratamos de um tema fundamental para o Agronegócio: Logística. Nesta edição, dois artigos tratam deste tema. No primeiro, “Desafios de Infraestrutura e Logística para o Crescimento Sustentável do Agronegócio”, o autor fornece o cenário atual e futuro do que temos e precisamos para escoar nossas produções – e as informações não são nada animadoras, como todos já imaginam. No segundo, “A logística da soja no Brasil”, os autores discorrem sobre a logística na cadeia produtiva da soja, seus gargalos e possíveis medidas atenuantes. A edição ainda conta com excelentes artigos sobre marketing, crise de gestão, cadeia de carne bovina, canais de distribuição de insumos, financiamento, gestão de risco, planejamento estratégico, gerenciamento de projetos, seguro rural e sustentabilidade. Boa leitura!

Marco Antonio Guapo Editor guapo@agroemfoco.com.br

Editor E dirEtor-ExEcutivo/ Marco antonio Guapo EquipE técnica/ carlos Eduardo dE araújo, Ernani carvalho da costa nEto, EvErton Molina caMpos, josé alExandrE FaGundEs loyola, Marco conEjEro, Maria Flávia tavarEs, priscilla BiancarElli colaboradorEs dEsta Edição/ adriano vEcchiatti lupinacci, alicia callE, aMaury cézar MacEdo, carlos araújo, célio GoMEs Floriani, ElizEu vicEntE dos santos, Ernani carvalho da costa nEto, FrEdErico doMinGuEs, jorGE duartE, josé alExandrE FaGundEs loyola, josé luiz tEjon , luiz FErnando aBussaMra, MarcElo duartE MontEiro, paulo E F lourEiro, roGério Martins Maurício, vandErlEi daniEl sEBBEn Filho projEto E dEsEnvolvimEnto Gráfico/ adoro dEsiGn www.adorodesign.com.br jornalista rEsponsávEl/ déBora a. r. dias – drt 3793

artiGos/ sE dEsEja EscrEvEr para a rEvista aGro EM Foco, EnviE sua suGEstão para artiGos@aGroEMFoco.coM.Br contato/ rEvista aGro EM Foco rua FErnando siMas 705 /72 curitiba - PR CEP: 80430-190 tEl.: 41 3029.9353 puBlicidadE@aGroEMFoco.coM.Br coMErcial@aGroEMFoco.coM.Br distribuição Exclusiva no brasil/ FErnando chinaGlia distriBuidora s.a.

a REvista aGRO Em FOCO é uma PubliCaçãO bimEstRal da EditORa muNdO issN: 2238-0523 O CONtEúdO dOs aRtiGOs é dE REsPONsabilidadE dOs autOREs. Os sOFtwaREs distRibuídOs via Cd-ROm E ENCaRtEs COm a REvista sãO dE PROPRiEdadE E REsPONsabilidadE dE sEus FabRiCaNtEs, assim COmO O suPORtE E Os diREitOs autORais.

AGRO em foco

www.agroemfoco.com.br No 01 | fevereiro & março 2012

44.

a completa profissionalização da empresa rural no campo gerencial será um dos requisitos para a sobrevivência dessa organização frente aos novos rumos e desafios da humanidade.

da empresa rural

Por: Adriano Vecchiatti Lupinacci

06. o próximo desafio para a cadeia da

carne bovina do brasil A Pecuária de Corte chama a atenção, e ainda pode crescer muito com a gestão de nossas empresas rurais. Por:

Paulo E. F. Loureiro

14. financiamento do agronegócio Saiba mais sobre as fontes de financiamento e principais tendências. Por: Ernani Carvalho da Costa Neto

20. estratégia e planejamento de canais de

distribuição Estratégia e planejamento da rede de distribuição de empresas fabricantes de insumos agrícolas. Por: José Alexandre Fagundes Loyola

24. desafios de infraestrutura e logística

para o crescimento sustentável do agronegócio O pujante agronegócio brasileiro pode atingir a produção de 2,86 bilhões de tonelada em 2021 se não for impedido pelo apagão de infraestrutura e logística de transportes e portos. Por: Célio Gomes Floriani

33. a crise de gestão: a volta às origens A

crise atual é consequência de uma crise de gestão que teve início principalmente em função dos erros estratégicos e operacionais. Por: Carlos Araújo

36.

desafios da produção agropecuária sustentável A agricultura climaticamente inteligente poderia ser uma ponte entre os

ambientalistas e agropecuaristas brasileiros. Por: Amaury Cézar Macedo, Rogério Martins Maurício e Alicia Calle

42. marketing e agronegócio, o verdadeiro

negócio A quem pertence o maior de todos os desafios de marketing das corporações e das suas cadeias produtivas no agronegócio? Por: José Luiz Tejon

50. seguro rural no brasil De polêmico a

desejado.Conheça mais sobre o assunto. Por: Frederico Domingues

56. produtor rural ou gerente de projetos? A aplicabilidade da metodologia de gerenciamento de projetos no setor agrícola brasileiro. Por: Elizeu Vicente dos Santos

66. planejamento estratégico em fazendas:

um alicerce para o futuro As propriedades agropecuárias brasileiras precisam ser administradas de forma efetivamente empresarial. Por: Jorge Duarte

72. a logística da soja no brasil O papel

da logística no desenvolvimento da cadeia produtiva da soja no Brasil. Por: Marcelo Duarte

Monteiro e Vanderlei Daniel Sebben Filho

80. gestão de risco no agronegócio Uma

boa gestão dos riscos pode ajudar a eliminar a alternância de períodos de prosperidade e de fracasso, como também aumentar o resultado dos investimentos no agronegócio. Por: Luiz Fernando Abussamra

pecuária

O próximo desafio para a

P

Cadeia da Carne Bovina do Brasil

rovavelmente se você for comprar carne bovina para o seu churrasco de final de semana vai notar que os preços estão altos, mesmo assim vai pensar “mas eu mereço” e vai comprar do mesmo jeito. O cenário é igual para quem decide ir a uma boa churrascaria do tipo rodízio,

paulo E. f. loureiro | plvet@hotmail.com

chamado no exterior de Brazilian Barbecue ou a um restaurante especializado em carnes e cortes especiais. Haverá fila, pois o brasileiro tem um tropismo por carne bovina por um motivo muito simples: porque é gostoso. Não há um fator motivador para o consumidor comprar um alimento mais forte do que este e pouco o aproveitamos em nossas esparsas e raras peças publicitárias sobre o tema. O fato é que carne bovina é nutritiva, é boa para a saúde, mas principalmente é muito gostosa. Nos últimos anos, tem sido assim: os preços da carne bovina em alta, especialmente para cortes mais conhecidos, como picanha e contrafilé, e com a melhora da nossa economia, o churrasco está consolidado como sendo o prato preferido do brasileiro. Há uma grande demanda por carne, com tendência forte para produtos de qualidade superior. O detalhe é que pessoas do mundo todo também querem ter acesso a esta iguaria, mas nem todos poderão, pois carne bovina vai se tornar cada vez mais um produto de oferta limitada, pois produzir carne bovina não é simples. É fundamental informar que por trás daquela picanha especial que você pagou por volta de R$ 60,00 o quilo, há um negócio gigantesco que movimenta bllhões e é responsável, junto com a produção de grãos e de etanol, pela boa saúde da economia

Especialista em Agronegócio. Cresceu em uma fazenda de gado e de café no interior de São Paulo e está envolvido com Agronegócio desde então, tendo adquirido uma sólida formação técnica que inclui uma graduação em Medicina Veterinária, mestrado em Zootecnia e MBA em Gestão Empresarial. Começou sua carreira em 1996 como chefe do Departamento de Pecuária do Grupo Rio Vermelho − pertencente à Família Quagliato, no Estado do Pará. Um dos maiores projetos de gado de corte do Brasil com mais de 150 mil animais, incluindo 40 mil vacas em reprodução.Tornou-se consultor em 1998, nas áreas de Estratégia, Mercado Agropecuário, Manejo de Rebanhos e Gestão. Com vasta experiência profissional e vivência internacional, supervisiona e aconselha vários projetos agropecuários em todo o Brasil, tendo como clientes grandes grupos de investimento, bancos, empresários individuais e algumas das grandes companhias no setor, como Nutron, Bayer, Merial, Intervet Schering e Brasil Foods, entre outras. 6

nos dias de hoje, é comum lermos ou assistirmos a boas notícias sobre o desempenho do agronegócio Brasileiro. Quase todo mundo sabe que o Brasil é referência mundial no setor e que isso tem gerado empregos, divisas e progressos para todos. Esta situação favorável se deve a conquistas acumuladas ao longo das últimas décadas devido ao alto investimento continuamente realizado por parte dos produtores. o segmento mostra saúde invejável e a cada ano consolida sua importância para o país. pode-se detectar progresso técnico em áreas fundamentais como agronomia, zootecnia e Medicina veterinária, somos vanguarda em todas elas. dentro dos vários ramos do agronegócio, a pecuária de corte chama a atenção, pois é a única atividade que é tradicional em todo o Brasil e teve papel fundamental na ocupação e no desenvolvimento econômico de todas as regiões. temos uma cabeça de gado para cada brasileiro, somos o país da carne bovina, somos o país do churrasco. podemos crescer ainda mais se olharmos com atenção para a gestão de nossas fazendas e empresas rurais. é disso que vamos tratar neste artigo. brasileira. O agronegócio tem sustentado o superávit e encarecem nossos produtos? Poucos devem ser os da nossa balança comercial, que segue em bom ritmo. céticos nesse momento. Agronegócio gera empregos, leva progresso para todo Vejamos o panorama mundial, segundo a ONU, até o País e é o nosso ponto forte. 2050 teremos mais 2,5 bilhões de pessoas, é o mesmo O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Co- que incorporar ao mundo de hoje a população de mais mércio Exterior (MDIC) apresentou dados que cor- uma China e uma Índia inteiras. Seremos mais de 9 roboram este fato, a balança comercial do agronegócio bilhões.Tudo indica que ou mudamos as regras de promostrou-se positiva em US$ 49,4 bilhões entre agosto dução de alimentos adicionando maior quantidade de e janeiro de 2011, com um saldo 22,8% superior ao mesmo períoNúmero de pessoas famintas no mundo do de 2010. Este dado é altamente segundo a FAO relevante, pois a balança comercial developed countries | 19 do Brasil ficou positiva em US$ near east and north africa | 37 20 bilhões, significando que se latin america and the caribbean | 53 não contássemos com o bom desempenho do agronegócio o País apresentaria um déficit de US$ sub-saharan africa | 239 29,4 bilhões no período. Será que alguém ainda duvida da força desse setor que cresce TOTAL: ano após ano, mesmo sendo dia925 million riamente prejudicado pelos nossos crônicos problemas de infraestruasia and the pacific | 578 tura que tanto emperram nosso crescimento a taxas mais robustas 7

devido à redução na idade média de muito boa, pois temos uma conQuando analisamos abate e com o aumento na taxa de dição climática excepcional para desfrute do rebanho. São caminhos dados internacionais de a bovinocultura em todo o nosso óbvios para que o Brasil aumente território, possuímos mais de 200 produção bovina e de a produção sem ter que aumentar milhões de cabeças de gado, temos estoques de rebanho muito as áreas de pastagem e, princidiversidade em raças bovinas o que constatamos que a palmente, sem ter que desmatar. nos dá diversidade genética e a capacidade de produzir diferentes ti- tendência é que os preços Vale saber como estão nossos conpos de carne atendendo a qualquer da carne bovina tenham correntes, qual a tendência de proaumento durante os mercado mundial. Outros fatores dução nos demais países. não menos importantes ajudam a próximos anos. Quando analisamos dados internafortalecer nossa posição como a alta cionais de produção bovina e de esprodutividade de nossas pastagens e toques de rebanho constatamos que a crescente expertise de nossos profissionais de nutri- a tendência é que os preços da carne bovina tenham ção animal. Não se pode deixar de mencionar nosso aumento durante os próximos anos. Há evidentemenmaior ativo que é constituído pelo volume enorme de te um limite para isso, mas se continuar a melhoria gente que gosta de trabalhar com gado. Isso tem sido de renda no Brasil e na China, para citar apenas dois fundamental. países, esta parece ser a situação mais lógica. Em conjunto, temos ativos tangíveis e intangíveis que Vejamos os estoques mundiais de gado começando nos colocam à frente ou muito à frente no competitivo pelo maior produtor em tonelagem de carne bovina mercado mundial. do mundo que são os Estados Unidos (tabela 1). Nosso pool de produção é bastante forte e compleNos Estados Unidos, o número de cabeças de gado mentar e por isso será muito difícil que percamos im- encolheu mais de três milhões em três anos, o Canadá portância nesse segmento, pelo contrário, ganharemos perdeu 1,5 milhões de cabeças de gado desde 2007, destaque com a melhoria na qualidade de nossa carne sendo 580 mil nos últimos três anos e o México dimi-

Estoques mundiais de gado de corte: rebanho bovino

2009

2010

2011

2012

Índia

309.900

316.400

320.800

324.300

Brasil

179.540

185.159

190.925

197.280

China

105.722

105.430

104.814

103.944

UE - 27

88.837

88.300

86.993

85.750

Argentina

54.260

49.057

48.156

48.856

Austrália

27.321

27.907

26.733

27.500

América do Norte

130.382

128.798

126.495

124.140

Demais países

127.804

100.180

107.169

105.949

1.023.766

1.001.231

1.012.085

1.017.719

*Mundo *em 1.000 cabeças **Produção mundial

(-0,6%) 58.148

**(em milhões de toneladas métricas)

57.043

56.848

56.798 (-0,1%)

Fonte: USDA-FAS, abril de 2011. 9

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financiamento

Financiamento do Agronegócio I FINANCIAMENTO ANTES DA PORTEIRA para produzir, o agricultor ou pecuarista necessita de insumos. para adquirir os insumos, o produtor necessita de dinheiro. Quais fontes de financiamento o produtor tem tomado e com quais motivações? o que tem de mais atual no financiamento do agronegócio antes da porteira e quais as principais tendências? Este artigo quer dar uma perspectiva atual e de mercado para poder ajudar o produtor e investidores a entenderem melhor a dinâmica financeira do seu negócio e assim tomar melhores decisões.

O

desenvolvimento da atividade agropecuária notadamente depende de recursos para custear os investimentos e os insumos necessários à produção. Ano após ano um novo plano agrícola é anunciado e tem seus desembolsos acompanhados pelo Ministério da Agricultura com a presente cobertura dos veículos de comunicação. No campo, vemos a aplicação dos recursos oficiais e uma gama de fontes alternativas ocupando espaço. Este artigo pretende analisar o momento atual deste tópico que é determinante no sucesso e sustentabilidade dos empreendimentos ao longo da cadeia do agronegócio. A análise conduz o leitor a entender as principais tendências e melhores práticas na obtenção de capital de giro dentro deste setor. Inicialmente, o autor aborda as principais fontes e aplicações de recursos e avalia como é atendida a necessidade de capital de giro além de destacar peculiaridades do setor. Para aprofundar o entendimento, é analisada a propensão e atitude dos produtores quanto ao financiamento e sua relação com os bancos. Fi14

nalmente, as modalidades de financiamento são visitadas, notadamente, crédito rural, títulos do agronegócio e operações estruturadas (barter e trade finance), para concluir como uma avaliação das tendências do financiamento de agronegócios.

crédito rural e produção Ao longo da cadeia de valor do agronegócio existe uma vasta gama de operações que atendem aos empreendimentos e que são oportunidades de investimento para quem fizer com os atores certos. Entretanto, para a atividade de produção agropecuária no Brasil, nenhuma outra modalidade tem o histórico e a onipresença do crédito rural. Definido pelo Portal Brasil do Governo Federal: O crédito rural é um financiamento destinado a produtores rurais e cooperativas ou associações de produtores rurais. Seu objetivo é estimular os investimentos e ajudar no custeio da produção e comercialização de produtos agropecuários. Para conseguir o crédito, o tomador deve ser idô-

Custos. Para muitos, números. Para nós, facilitadores do seu sucesso. Gestão de Custos Implantação de custo-padrão. O custo-padrão é o custo predeterminado, fundamentado nos dados técnicos operacionais e é a base do Planejamento Orçamentário.

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distribuição

Estratégia e planejamento de canais de distribuição DESAFIO EM FAZER AS ESCOLHAS CERTAS

considerando-se que o agronegócio brasileiro vem se tornando cada vez mais fortalecido e reconhecido mundo afora, apresentando bons índices em todos os setores (produtivo, financeiro, mercadológico e social) a demanda por insumos agrícolas nesta última safra 2011/2012 também acompanhou este crescimento do setor. no entanto, para que esta oportunidade de maior demanda seja atendida, as empresas fabricantes de insumos agrícolas precisam se conscientizar do desafio que têm pela frente, quando falamos em fazer as escolhas certas com relação à estratégia e planejamento de sua rede de distribuição. Este artigo traz alguns conceitos e reflexões sobre este tema a fim de que qualquer fabricante possa, ao longo do tempo, construir seu próprio dna, quando falamos em canais de distribuição.

a

incessante procura por fontes de vantagem competitiva sustentável tem levado as empresas do Agronegócio a pensar em conceitos inovadores na hora de se fazer negócio, utilizando-se de novas ferramentas de venda, do inesgotável arsenal de produtos de alta tecnologia disponível a custos cada vez mais acessíveis e de métodos de gestão mais eficazes para lidar com os recursos da empresa e torná-los mais produtivos. Dentre todas as descobertas oriundas dessa busca, uma tem se provado como de importância ímpar, não somente pela capacidade de gerar vantagem competitiva em si mesma, como também para que as outras descobertas possam se tornar concretas para o cliente final: a capacidade de acessar o mercado com os produtos e serviços, rapidamente e eficiente-

mente, despertando o desejo de compra do cliente e permitindo que ele seja atendido com qualidade, onde mais lhe convém. Em última análise, ter uma estratégia de canais de distribuição capaz de gerar vantagem competitiva. Dada a quantidade de casos conhecidos de marcas e empresas que sucumbiram, apesar da excelência de seus produtos, por problemas mercadológicos, é de se supor que a importância do tema de canais já seja uma lição aprendida pela maioria das organizações. Como, então, poderia haver espaço para vantagem competitiva nesse campo? Acreditamos que a resposta a essa pergunta deriva do seguinte pensamento: quando por um lado existem várias e atraentes oportunidades para se fazer algu-

josé alexandre fagundes loyola | jose.loyola@primeaction.com Formado em Agronomia, com 15 anos de experiência em gestão, vendas e marketing em Agronegócio. Possui MBA em Agronegócios pela FGV e em Marketing pela FIA/USP. Atuou como gestor em propriedades rurais e em cargos de liderança em empresas como Alkagro do Brasil, Monsanto, BASF e Timac Agro, ministrando cursos e palestras sobre vendas e precificação. Atualmente é diretor de Negócios na Prime Action Consulting (www. primeaction.com ), sendo responsável pela Divisão de Agronegócios. 20

ma coisa, como meios de distribuir ter um produto ou serviço a essência do papel do os produtos, por exemplo, do outro excelente é condição canal lado existe uma limitação de recurnecessária, porém não Para auxiliar na compreensão dos sos a serem empregados, então hafatores que afetam a estratégia de suficiente, para o sucesso. verá a necessidade de fazer escolhas. canais e no desafio em fazer as esAs escolhas feitas nesse campo defi- tão importante quanto ter colhas certas, é importante observar nem quem terá sucesso, quem ficará o que vender é dominar a essência do papel do canal de coaquém das aspirações e até quem fraos processos de como mercialização dentro de um sistecassará totalmente. esse produto chegará ao ma formado pelo fabricante, canal A estratégia a cerca de canais de (dealer) e consumidor (figura 1). mercado. distribuição precisa, antes de qualDe modo geral, o fabricante deve quer coisa, atender os anseios mais profundos das preocupar-se com as atividades de disponibilização de demandas por serviços de seus clientes e, ao mesmo um portfólio de produtos e serviços atraentes ao mertempo, estar alinhada com a sua cultura organizacio- cado, com a definição, construção e manutenção de nal, com os produtos a serem escoados e com a for- uma rede de canais eficiente e eficaz, capaz de entregar ma com que a empresa assimila o seu macroambiente uma correta experiência de compra ao consumidor, de negócios. Por exemplo: a empresa pode pensar em preocupando-se com a gestão ampla da comunicação estruturar uma força de vendas própria contratando da marca e com a definição e gestão de políticas de Representantes Técnicos de Vendas (RTVs) para aten- relacionamento para retenção e fidelização de clientes, der, de forma direta, um determinado perfil de clientes considerando as particularidades de cada região (cosfinais (clientes de alto potencial, agroindústrias etc.), tumes, preferências e hábitos de compra) de sua área com a expectativa de possuir máximo controle sobre de atuação. a experiência de compra do cliente, sendo ideal para Ao canal cabe fundamentalmente a missão de colocar produtos de alto valor agregado e venda mais compleem prática as políticas de distribuição e de relacionaxa. Em contrapartida, estaria aceitando um alto custo mento, acordadas com o fabricante e voltadas a garanoperacional com essa decisão, o qual poderia impactir a consistência da mensagem, proposta de valor da tar na capacidade de investimento em outras áreas e marca e da experiência de compra a ser entregue ao comprometer o crescimento como um todo ao longo consumidor. Devem cuidar também da manutenção do tempo. Poderia pensar em aumentar e fortalecer as de uma força de vendas e serviços bem recrutada, treivendas com os distribuidores potenciais mais prepanada e alinhada com os preceitos da marca (ou marcas) rados para acessar o mercado, através da implementaque representa, e responsabilizar-se pela implantação ção de uma política comercial confiável e transparente de ações comerciais eficazes nos planos operacionais que proporcione ganhos para ambos lados. Podemos e táticos no campo, junto aos agricultores. Para tanpensar em diversificar e considerar a venda realizada to, o canal necessita de competências gerenciais e, no pela internet, dispondo de um canal barato e ágil para atender às demandas de alguns clientes que, ao comprar certos tipos de produtos/serviços, não necessitam da pronta entrega e do contato visual, durante a negociação. Será que o tamanho desta parcela justificaria economicamente o investimento e a substituição de outros canais? E quanto aos demais canais (parceiros de negócio), haveria insatisfação e prejuízo do relacionamento com essa decisão? Se sim, o quanto isso poderia afetar os clientes e as vendas totais? Com efeito, não seria exagero dizer que as decisões tomadas nesse campo afetam profundamente toda a estratégia mercadológica e de negócios de qualquer empresa. 21

logística

Desafios de Infraestrutura e Logística para o Crescimento Sustentável do Agronegócio

o pujante agronegócio brasileiro produziu 1,55 bilhões de toneladas/ ano, em 2011, gerando a maior quantidade de cargas no país, podendo atingir a produção de 2,86 bilhões de tonelada em 2021 se não for impedido pelo apagão de infraestrutura e logística de transportes (rodoviário, ferroviário, hidroviário) e portos. a esperança é o pac 2, novo marco regulatório de ferrovias, portarias de licenciamento ambiental e porto sem papel, se saírem do papel, podem ser a solução para o grande dilema da infraestrutura e logística.

O

grande desafio do Brasil é adequar a sua infraestrutura e logística à competitividade internacional e, para isso, tem que reduzir custos. O agronegócio brasileiro tem demonstrado seu dinamismo e sua competência da porteira da fazenda para dentro. A produção dos produtos agrícolas e silvícolas no Brasil cresceu de 673 milhões de toneladas na safra 1999/00, para 1,24 bilhões de toneladas em 2010/11 e previsão de atingir 2,30 bilhões de toneladas em 2020/21. A produção de carnes cresceu de 15,2 milhões de toneladas em 2000, para 27 milhões de toneladas em 2011 e estimativa de 47 milhões de toneladas em 2021. A produção de leite passou de 19,8 bilhões de litros em 2000, para 30,7 bilhões de litros em 2010 e projeção de 43,0 bilhões de litros em 2021. Quando se considera os produtos agrícolas, silvícolas, célio Gomes floriani

pecuários e seus derivados, o agronegócio brasileiro atinge a produção de 1,55 bilhões de toneladas por ano, gerando a maior quantidade de cargas no Brasil, podendo atingir produção de 2,86 bilhões toneladas, em 2021. As exportações do agronegócio cresceram de 44,6 milhões de toneladas em 2000, para 114 milhões de toneladas em 2010 e projeções que podem atingir 250 milhões de toneladas em 2020, também destacada geradora de cargas. As regiões brasileiras de maior dinamismo do agronegócio estão localizadas em distâncias médias superiores a 1.000 km dos melhores mercados e portos. Em razão deste cenário, cresce o risco de apagão em modais de transportes e portos para atender a evolução do agronegócio brasileiro. O Brasil precisa investir e avançar em todos os setores de infraestrutura e logística, porém, este material sob

Engenheiro Agrônomo. Analista Técnico – Secretaria de Estado de Ciência,Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais – SECTES. Já atuou como chefe de Gabinete da Secretaria Executiva do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, diretor-presidente da Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais – CASEMG, diretor geral do Instituto Mineiro de Agropecuária – IMA – Belo Horizonte-MG, diretor do Departamento de Infraestrutura e coordenador da Assessoria Especial do Ministro da Agricultura Senador Arlindo Porto – Brasília-DF, diretor-técnico comercial da Ribeiral Sementes – Patos de Minas-MG. Chefe de Gabinete da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais – Belo Horizonte-MG 24

o título: “Desafios de infraestrutura e logística para o crescimento sustentável do agronegócio” aborda apenas os seguintes temas: » Evolução da produção e exportação do agronegócio brasileiro. » Infraestrutura e logística: rodovias, ferrovias, hidrovias e portos. » Esperança que representam: PAC 2, Novo Marco Regulatório de ferrovias, Portarias de Licenciamento Ambiental e Porto sem Papel. » Conclusões.

evolução da produção e exportação do agronegócio brasileiro EvoluçõEs da Produção dE Produtos agrícolas E silvícolas no Brasil A produção de produtos agrícolas e silvícolas no Brasil cresceu 84,3% no período de 1999/00 a 2010/11, passando de 0,67 para 1,24 bilhões de toneladas e projeção de atingir 2,30 bilhões de toneladas em 2021,

mantendo praticamente o mesmo índice de crescimento dos últimos 11 anos, conforme evidenciado no quadro 1. Verificamos neste quadro um incremento de 567 milhões de toneladas em 11 safras – 1999/00 a 2010/11– média de 51,6 milhões de toneladas por ano. A previsão é de continuar crescendo, atingindo a produção de 2,30 bilhões de toneladas de produtos agrícolas e silvícolas em 2021, representando incremento médio de 106 milhões de toneladas por ano. O que significa o incremento de 51,6 milhões de toneladas, em transporte rodoviário/ano? Considerando um caminhão com capacidade de 30 toneladas e 20 metros de comprimento, representa 1,72 milhões de cargas e uma fila de 34,4 mil km. Fila maior que toda a malha de São Paulo primeiro Estado no ranking de rodovias asfaltadas (33,45 mil km) no Brasil. Esse é um exemplo hipotético dos pujantes desafios de infraestrutura e logística apenas para o agronegócio Agrícola e Silvícola, sem considerar sua produção de produtos derivados. 25

gestão

A Crise de Gestão a volta às origens

OS IMPACTOS DA CRISE DE GESTÃO NO AGRONEGÓCIO a crise atual, não somente no agronegócio, mas generalizada é consequência de uma crise de gestão que teve início principalmente em função dos erros estratégicos e operacionais. para tanto, nossa proposta é o investimento em um modelo de excelência de gestão, voltado para essência da origem do básico da gestão: o planejamento e controle das operações.

N

a ultima década, empresas, como HP, Xerox, GM e Lehman Brothers, entre outras, atravessaram ou sucumbiram em função de profundas crises essencialmente por erros de gestão, quer no direcionamento de seu planejamento estratégico, como o caso da HP ou Xerox, ou na operacionalização

mais básica lei de finanças como a Lehnman Brothers colocando todos “os ovos na mesma cesta” como o “subprime” (títulos hipotecários com elevado risco de crédito e taxas de retorno acima da média de mercado). No governo, o ex-presidente espanhol José Luís Ro-

carlos araujo | carlos.araujo@proxima.agr.br Economista com experiência em gestão em empresas nacionais e multinacionais nas áreas: Gestão Empresarial, Finanças e Controladoria. MBA − Finanças − IBMEC − São Paulo, pós-graduado em Economia de Empresas e cursos de especialização na New York University e Harvard Business School. Atua no setor bioenergético na gestão de custos, planejamento e custo padrão. Consultor de Planejamento e Custos da Próxima e CFO da Mackensie Agribusiness. 33

Modelo de gestão indicadores de performance

custo padrão

modelo de gestão

planejamento

programa de redução de custos

Figura 1.

proposta: os caminhos para obtenção do lucro A gestão empresarial é a espinha dorsal de uma empresa forte. Investidores avaliam não somente os ativos das empresas, seu market-share, Ebitda; mas principalmente sua equipe de gestão. Assim sendo é necessário determinar uma gestão com foco principalmente no processo de tomada de decisão e nas ferramentas necessárias para uma efetiva gestão que é o Planejamento, Execução e Controle das operações. No caso do setor agrícola, em função dos produtos serem commotidies, ou seja, produtos comercializados em grande escala, homogêneos, de baixo valor agregado inseridos em um mercado de competição perfeita no qual o lucro tende a zero. O lucro se dá em função de uma redução de custos e aumento de produtividade. O foco da gestão deve ser direcionada conforme figura 1. Entende-se como modelo de gestão um conjunto de princípios e metas de como a empresa deve ser administrada, assegurando que os objetivos serão alcançados e os riscos minimizados; tendo em vista sua eficácia (fazer a tarefa certa) e eficiência (fazer certo a tarefa). A partir do modelo de gestão, o direcionamento é: Planejamento agrícola e industrial: o planejamento da produção agrícola tem como meta garantir o abastecimento de matéria-prima de boa qualidade e custos viáveis para a produção de açúcar, etanol e energia elé-

trica. O planejamento industrial visa maximizar o uso da matéria-prima, estabelecendo um fluxo constante de produção e a busca elevada de produtividade. É fundamental a gestão de cada fase do processo (extração do caldo, fermentação, destilação etc.), principalmente a busca de elevados índices de produtividade por processo. Indicadores de performance: são índices de produtividade visando a maximização dos fatores de produção – terra, capital, tecnologia, mão-de-obra, máquinas e equipamentos e insumos. No setor bioenergético é uma questão de sobrevivência a busca do desenvolvimento contínuo e aumento significativo da produtividade agrícola e industrial. Custo padrão: a determinação do custo de produção tem importância especial para a tomada de decisão otimizada em função que este determina o resultado empresarial. O custo padrão é um custo predeterminado que é calculado a partir de processos padronizados e deve focar o ambiente de produção da operação agrícola. Também é uma técnica utilizada para controle e análise de performance. Programa de redução de custos: um projeto de redução de custos tem como objetivo um aumento da rentabilidade da empresa. No setor sucroalcooleiro, são raras as empresas que têm um acompanhamento detalhado de seus custos operacionais. Para realmente fazer uma gestão eficiente de custos e uma efetiva redução de custos é necessário conhecer profundamente sua estrutura de custos, seus processos e atividades agrícolas que utilizam os recursos para obtenção dos produtos e serviços.

considerações finais A crise de gestão pode ser revertida através da formação de um time gerencial com novas pessoas trazendo novos modelos gerencias, integrando novos conhecimentos juntos aos funcionários mais experientes. Na busca de novas tecnologias e treinamento direcionado ao modelo acima proposto, as empresas poderiam no médio prazo reduzir seus custos e aumentar sua produtividade. As crescentes exigências do mercado reunidas às pressões exercidas dentro da cadeia sucroenergético exigirão a tomada de decisão com maior confiabilidade, aumento da eficiência gerencial e uma verdadeira sincronia entre o planejamento e controle. 35

capa

da empresa rural

OPORtuNidadEs PaRa maximiZaR O REtORNO ECONÔmiCO

a completa profissionalização da empresa rural no campo gerencial será um dos requisitos para a sobrevivência dessa organização frente aos novos rumos e desafios da humanidade. a empresa deverá passar por uma revisão completa dos conceitos técnico-econômico-financeiros em que está alicerçada, visando a sobrevivência no longo prazo, de forma sustentável no tocante à questão ambiental e social e, em perfeita sintonia com as demandas, cada vez mais exigentes, dos mercados consumidores.

adriano vecchiatti lupinacci | adriano.lupinacci@profissional.agr.br Engenheiro agrônomo e mestre em Produção Animal pela USP/ESALQ. Pós-graduando em Estratégia Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Consultor em Sistemas de Produção Animal há 8 anos. Consultor em Gestão Empresarial Rural há 2 anos. 44

contextualização da empresa rural no mundo contemporâneo

(espécies encontradas somente nos biomas cerrado e amazônico), ímpares em todo o mundo, que em breve ocuparão o lugar do petróleo na lista de interesses dos processo de globalização, entre outros fatores, líderes políticos e econômicos mundiais. vem redirecionando significativamente e de No âmbito macroeconômico, pode-se considerar forma irreversível nos últimos anos o cenário ainda que as pressões dos países emergentes contra os político-econômico mundial, de tal sorte que, nitidamente, os países ditos “subdesenvolvidos”, de “terceiro mecanismos de protecionismo e subsídios para a promundo” ou mais recentemente “emergentes” vêm dução agropecuária adotados pelos países desenvolganhando destaque neste contexto geopolítico. Com vidos vêm ganhando força, praticamente na mesma a crise econômica das grandes potências mundiais no proporção em que cresce a produção agrícola e a pofinal de 2008, a perspectiva de mudanças no contexto pulação destes países. Ao mesmo tempo em que esta nova conjuntura mageopolítico e macroeconômico ganhou ainda mais croeconômica vai se estruturando, o estabelecimento força, mesmo que os rumos das finanças mundiais esde um cenário bastante competitejam completamente incertos neste tivo a partir da abertura de mercamomento. a completa dos globais, tem criado uma forte A escassez de terras agricultáveis, profissionalização da pressão sobre as empresas, inclusive de água doce para uso na agricultuempresa rural será um as rurais, no tocante à busca pela ra, o aumento do preço dos fatores de eficiência sobre as etapas e proprodução e insumos são uma realidados requisitos para a de. Segundo diversos especialistas, a sobrevivência frente aos cessos empresariais (planejamento, produção, comercialização etc.), exploração dos recursos naturais, innovos rumos e desafios de modo que a capacidade de se clusive para a produção de alimentos, da humanidade. adaptar a estas mudanças e as noestá começando a beirar o limite. Por vas pressões externas por parte dos outro lado, a sinalização de aumento do poder aquisitivo (renda) de populações até recente- empresários rurais passará a determinar a viabilidade, a mente tidas como miseráveis (China e Índia, principal- competitividade e a longevidade dos negócios. mente), associada ao emprego gradual de tecnologias Sob esta ótica, a completa profissionalização da emnas áreas já exploradas com atividades agropecuárias presa rural será um dos requisitos para a sobrevivência em países emergentes e o aumento na eficiência dos frente aos novos rumos e desafios da humanidade. Ou processos agrícolas, poderá acabar compensando a es- seja, enfim, chegou o momento da empresa passar por cassez de fronteiras agrícolas para a produção de ali- uma revisão completa dos conceitos técnico-econômentos. O futuro, anteriormente tão longínquo, pare- mico-financeiros em que está alicerçada. É hora de se ce que finalmente chegou. fazer um diagnóstico do ambiente interno visando-se Neste contexto, o Brasil – gigante pela própria na- detectar pontos de estrangulamento e entraves à protureza e, infelizmente, ainda deitado em berço esplên- dutividade e eficiência da empresa rural nos âmbitos dido – ratificaria sua aptidão natural e desempenharia técnico, mercadológico, econômico, social, legal e amum papel chave na produção e exportação de alimen- biental. tos ainda se depara com problemas estruturais graves (infraestrutura, logística, falta de políticas públicas co- a empresa rural erentes e ajustadas ao potencial do País). Destaca-se que ainda assim, a soja e a carne bovina brasileiras de- caractErísticas E ParticularidadEs da verão atender no futuro cerca de 40% da população EMPrEsa rural mundial. A cana-de-açúcar e outras fontes de energia Conceitua-se como empresa rural o complexo famíverde (plantas forrageiras tropicais) também desem- lia-fazenda, cujos recursos são dedicados à produção penhariam papel fundamental na produção de com- agropecuária, sem necessariamente assumir personalibustíveis renováveis e ecologicamente corretos. E, por dade jurídica. Ou ainda, empreendimento de pessoa fim, não se poderia deixar de mencionar a relevância física ou jurídica, pública ou privada, que explore ecodo Brasil no tocante as suas reservas naturais de água nômica e racionalmente imóvel rural, dentro de con(15% da água doce disponível no planeta), fauna e flora dições de rendimento econômico da região em que se

O

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seguro

Seguro Rural no Brasil A situação atual deste importante mecanismo de transferência de risco do setor agropecuário brasileiro

é

uma obviedade comentar sobre a importância do agronegócio para a economia do nosso país. Todos os textos desta publicação certamente darão ênfase a este fato e aos números que mostram que mais de um terço do nosso PIB advém destas atividades; que o País se coloca sempre entre os primeiros no mundo em volumes de produção vegetal e animal; que o crescimento de nossa produção agropecuária bate recordes, ano a ano, de quantidade e eficiência. De todas as atividades econômicas no mundo, poucas têm demonstrado tal potencial como nosso agronegócio e, com isso, atraindo cada vez mais investidores para todos os ramos correlatos. Qualquer investidor, entretanto, ao pensar em apostar em um negócio, irá se perguntar: “Quais são os riscos?” “Existem mecanismos de proteção?” A produção agropecuária envolve um grande núme-

ro de riscos, diretos e indiretos, desde a aquisição de insumos até sua comercialização final (figura 1). Há também o risco para o governo, de queda de arrecadação e a necessidade de rolagem de dívidas dos recursos destinados à agricultura, quando o produtor tem sua safra frustrada. Dessa lista de riscos, um se destaca: a perda efetiva de produção, a expectativa não cumprida de obter um volume previsto de produto devido a fatores que diminuíram a produtividade final da cultura, ocasionando uma perda de receita. Eventos que podem causar essas perdas são, essencialmente, climáticos, e é claro para todos os profissionais envolvidos no mercado agrícola os graves impactos causados por secas prolongadas em períodos específicos do desenvolvimento da planta (floração, enchimento de grãos), chuvas intensas e excessivas (floração, colheita), geadas e tempestades de granizo.

frederico domingues | frederico@opusconsultoria.com Diretor da Opus Consultoria, MBA em Gestão de Finanças e Risco pela FEA-USP, engenheiro agrônomo pela ESALQ-USP, atuando no mercado de seguro e resseguro rural desde 1998. 50

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planejamento

Planejamento estratégico em fazendas: um alicerce para o futuro jorge duarte | jorge.duarte@altagenetics.com Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM-RS); MBA Executivo Internacional pelo Centro de Desenvolvimento Gerencial da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEAD/UFRGS); mestrado em Administração pela UFRGS. Realizou cursos focados em Business na HEC/Paris e na EADA/Barcelona.Atuou como coordenador técnico na URCAMP – Universidade Região de Campanha, por 5 anos; na Fundação Bradesco, por 7 anos e meio e no NUPEEC – Núcleo de Pesquisa, Ensino e Extensão em Pecuária (UFPel/ RS), por um ano. Atualmente ocupa o cargo de coordenador de Planejamento Estratégico da Alta Genetics, em Uberaba-MG. 66

as propriedades agropecuárias brasileiras precisam ser administradas de forma efetivamente empresarial com estabelecimento de estratégias que, interligadas com os diferentes sistemas operacionais dos setores agrícola e/ou pecuário, favoreçam as mensurações mais eficazes dos resultados, organizando as ações gerenciais para que ocorra uma melhor comunicação interna, favorecendo o aumento da produção, da produtividade e da lucratividade. um estudo de caso em fazendas mostrou resultados do uso do Balanced scorecard como ferramenta de suporte para viabilizar essa forma de gerenciamento.

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m tempos de instabilidade econômica mundial como a que atualmente vivemos, vem à tona o planejamento estratégico como elemento-chave na consistência e no processo de tomada de decisões em empresas de diferentes setores da economia. Os estudiosos da administração desenvolveram nas últimas décadas diversas ferramentas gerenciais, teorias e pesquisas nesse sentido. Embora essa ampla gama de metodologias ou ferramentas de gestão tenham sido concebidas para auxiliar as empresas no desenvolvimento e no gerenciamento de suas estratégias e operações, o que se observa em termos gerais é a carência de um conceito ou de um modelo para orientar sua efetiva integração. Os gestores de hoje se defrontam com a questão de como conseguir que esses vários recursos de planejamento estratégico e de melhorias operacionais trabalhem juntos como um sistema coerente. A implementação de tais ferramentas é conduzida de forma isolada e com pouca integração e coordenação entre elas (KAPLAN; NORTON, 2008). A incapacidade de equilibrar a tensão entre as estratégias e as operações é generalizada no meio empresarial. Diversos estudos realizados nos últimos 25 anos indicam que 60 a 80% das empresas não atingem o sucesso previsto por suas novas estratégias (HBR, 2008). Nesse contexto, as propriedades agropecuárias brasileiras também precisam ser administradas de forma efetivamente empresarial com estabelecimento de estratégias que, interligadas com os diferentes sistemas operacionais dos setores agrícola e/ou pecuário, fa-

voreçam as mensurações mais eficazes dos resultados, organizando as ações gerenciais para que ocorra uma melhor comunicação interna, favorecendo o aumento da produção, da produtividade e da lucratividade.

o bsc O Balanced Scorecard (BSC) foi indicado em 1997 pela Harvard Business Review (HBR) como uma das ferramentas de administração mais importantes criadas nos últimos 75 anos. Seus principais conceitos estão orientados pela necessidade de as empresas terem suas ações focadas nas estratégias do negócio e seus objetivos estratégicos balanceados entre as dimensões financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento. Como o foco da ferramenta está relacionado com estratégia e sua execução, é esperado que uma boa utilização tenha impactos significativos nos resultados das empresas. Pesquisas realizadas pela consultoria Brain & Company (HSB, 2008) colocam o Balanced Scorecard (BSC) entre as 25 ferramentas mais populares nas empresas contemporâneas. O BSC, na verdade, revolucionou o meio empresarial nos últimos anos, sendo adotado por empresas ligadas às áreas industrial e de serviços. Muitas empresas no mundo adotaram o BSC, dentre elas destacam-se a Pioneer Petroleum, Metrobank, FMC, North WesternMutual,Volvofinans. No Brasil, seu uso ainda é restrito a um grupo seleto de empresas dos setores metal-mecânico e industrial (Grupo Gerdau, Suzano, Oxiteno, Aracruz, Petrobras), evoluindo rapidamente para empresas de serviços (Vi67

risco

Gestão de risco no agronegócio Agregando valor ao agronegócio através da gestão dos riscos

o agronegócio é um mundo de riscos grandes e pequenos. uma boa gestão dos riscos pode ajudar a eliminar a alternância de períodos de prosperidade e de fracasso, como também aumentar o resultado dos investimentos no agronegócio ao melhorar a gestão dos possíveis impactos negativos no seu fluxo de caixa esperado e na redução do seu custo de capital.

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interesse na gestão de riscos do agronegócio tende a entrar em foco nos momentos de crise do setor e retroceder quando as condições voltam à normalidade. Isto porque o risco é um elemento inerente ao mundo agro e o resultado esperado de um investimento no setor pode ter variações significativas a cada safra, devido ao clima, às condições de mercado, a mudanças no ambiente político-econômico, entre outros fatores, muitos deles exógenos à atividade

luiz fernando abussamra | fernando@agrorisk.com.br Profundo conhecedor da Gestão de Riscos Financeiros, Operacionais e Estratégicos do Agronegócio, professor convidado de Gestão e Análise de Riscos na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e diretor-executivo da AGRORISK. Graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduado em Derivativos pela BMF/USP São Paulo, em Finanças pelo IBMEC/São Paulo e Agricultura pela Universidade de Minnesota, EUA. 80

produtiva. A mensagem retumbante uma boa gestão dos em bolsa, atuando como fomentadoras deste interesse recorrente é que o risco riscos pode ajudar a do uso de derivativos na gestão do risco está sempre conosco, tanto para o bem de mercado. O próprio Estado reconheeliminar a alternância ce como importante o papel de prover como para o mal, e como os acontecide períodos de mentos históricos têm demonstrado, é ao agricultor formas de mitigação de risprosperidade e de um grave erro − e uma oportunidade cos quando subsidia parte dos prêmios perdida − aguardar até que todos perpagos na obtenção do seguro agrícola, fracasso cebam o problema. visando à transferência de alguns riscos No agronegócio brasileiro, até a década de 1970, ha- de produção. via pouquíssimas inovações na agricultura, sendo ela Embora as iniciativas sejam para incentivar a demanbaseada no baixo uso de fertilizantes, de defensivos e da e constituir a oferta de produtos de transferência de na parca mecanização. A partir de 1970, apresentou-se risco, a parcela do mercado atendido não é considerada um cenário de acelerado processo de urbanização e, significativa, explicitando o vasto potencial de ganhos dessa maneira, o agronegócio viu-se obrigado a pro- de eficiência na gestão dos riscos disponíveis no agroduzir mais, desenvolvendo o potencial gerado pela negócio e esclarecendo os ciclos de prosperidade e digrande biodiversidade e pela abundância de água, ma- ficuldades do setor. téria-prima, mão-de-obra, terra e insolação, caracteDiante do fato de que o próprio agronegócio deve rísticas intrínsecas ao Brasil. Foi nesse mesmo período ser responsável pelo entendimento e execução de suas que surgiram as facilidades técnicas ensejadas pela chapolíticas de gestão, contemplando as estratégias de admada Revolução Verde, favorecendo tanto a produção ministração do risco, o mesmo deve buscar a plena e o manejo eficiente, quanto a expansão da fronteira capacidade de entendimento dos três tipos básicos de agrícola nas regiões Norte e Centro-Oeste do País. categorização de risco, substituir práticas arcaicas de Atualmente, o Produto Interno Bruto (PIB) do administração e quebrar paradigmas, como descritos agronegócio brasileiro deve crescer 6,2% e atingir R$ a seguir. 822,9 bilhões, estimativa divulgada pela Confederação (a) Riscos Estratégicos − relacionado às questões esNacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), tratégicas, por exemplo, a alocação de investimentos de proporcionando o status de setor “respeitado e cobiçauma agroindústria em uma nova unidade de produção. do” por investidores do mundo inteiro, atentos a novas Se pensarmos em relação à contribuição da gestão de oportunidades. Assim, desprende-se o fato de que o riscos e suas técnicas para o aprimoramento da decisão agronegócio possibilita aos investidores aumentar as estratégica, é fácil compreender que um futuro incersuas taxas de rentabilidade através de uma gestão mais to, devido a volatilidade de preços das commodities eficiente, ancorada principalmente na gestão de riscos. agrícolas, é melhor expresso por uma distribuição de O espírito do empreendedor do agronegócio brasi- probabilidade do que por um único ponto de previsão. leiro é definido pela disposição em enfrentar os ris- Assim, calcular a probabilidade de distribuição de recos de amplitude significativa, porém a capacidade de sultados para o risco da decisão estratégica do exemplo identificar, quantificar e administrar este universo de anterior contribui de forma mais eficaz para a tomada riscos é pequena e não representa o agronegócio atual, de decisão do que a análise pura e simples de apenas pós-Revolução Verde. Ao mesmo tempo em que são um cenário, geralmente otimista. O risco estratégico abundantes as armadilhas, são escassas as iniciativas para exige adotar uma perspectiva probabilística dos riscosentendê-las e gerenciá-las de forma correta, inúmeras -chave, principalmente quando analisamos investimenvezes por falta de capacidade de execução ou de in- tos de maturação de longo prazo e de grande impacto centivos nesta direção. para o investidor, porém, o único ponto de previsão, o As instituições financeiras no Brasil têm atuado na otimista, ainda é a regra no agronegócio. propagação do conceito, tornando-o requisito obriga(b) Riscos Operacionais − apontado como um dos tório para se obter financiamentos, ter em mãos uma principais responsáveis pelas variações de resultado. O política de gestão contemplando as estratégias de ad- seguro é um dos instrumentos mais adequados para o ministração do risco. Algumas delas, pioneiras no apoio gerenciamento e transferência desse tipo de risco, poao agronegócio brasileiro, disponibilizam linhas de cré- rém nem sempre está disponível e acessível ao agronedito para a cobertura de margens e ajustes de posições 81


Revista Agro em Foco Edição 01