Issuu on Google+

‘10

Boletim

Regimento de Artilharia N. Âş 4


Boletim Comemorativo 2010 Propriedade do Regimento de Artilharia N.º 4 Direcção, Redacção e Administração Rua D. José Alves Correia da Silva Cruz D’Areia 2410-120 Leiria Telefone: 244822026/434400 ra4@mail.exercito.pt

SUMÁRIO

Director COR ART José da Silva Rodrigues Coordenação 1SAR ART Anjos Das Neves Articulistas TCOR ART Norberto Serra TCOR ART Octávio Avelar CAP ART Sandro Geraldes CAP ART Álvaro Santos 1SAR ART Rui Fernandes 1SAR ADMIL Robert Branco SOLD RC Filipe Brilhante Revisão de Texto DR.a Sara Sofia Gonçalves Projecto Gráfico e Paginação Carlos Neves, IDEA Marta Silvério, Jornal de Leiria 1SAR ART Anjos Das Neves, RA4 Fotografia Ricardo Graça SOIS, RA4 Impressão e Acabamento MX3 - Artes Gráficas, Lda

4

MENSAGEM DO COMANDANTE DA BRIGRR

5

EDITORIAL

6

LEIRIA E O REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

8

UMA VISÃO

14

AFEGANISTÃO - A PRIMEIRA MISSÃO

19

MISSÃO NO LÍBANO

23

M119 105MM LIGHT GUN/30/M98

30

LIÇÕES APRENDIDAS

36

INVESTIR

43

RETROSPECTIVA ANUAL DE ACTIVIDADES

Edição Jorlis, Edições e Publicações, Lda Depósito Legal 278676/08 Tiragem 400 Exemplares

BOLETIM 2010

3


MENSAGEM DO COMANDANTE DA BRIGADA DE REACÇÃO RÁPIDA Brigada de Reacção Rápida (BrigRR) é uma das mais recentes Grandes Unidades do Exército Português e teve como sua antecessora a Brigada Aerotransportada Independente (BAI), a qual por sua vez tinha sido criada em 01 de Janeiro de 1994, resultante da extinção do Corpo de Tropas Pára-Quedistas, então na Força Aérea, e do Regimento de Comandos, no Exército. Desde logo, aquando da sua génese, foi equacionado dotar a BAI com uma valência de apoio de fogos condizente com o carácter expedicionário da Brigada e assim, em simultâneo, surgiu o Grupo de Artilharia de Campanha (GAC), equipado com o Obus M119 105mm Light Gun/30/m98. A presença da Artilharia na BrigRR foi todavia interrompida, tendo esta valência sido transferida para a Brigada Intervenção. Entretanto, o Exército iniciou um processo de análise das implicações operacionais de tal decisão e, em boa hora, reverteu novamente para a BrigRR esta capacidade, essencial para o seu possível empenhamento. A missão do Regimento de Artilharia N.º 4 (RA4) não se esgota. Porém, com a tarefa de garantir a prontidão do GAC, missão que cumpre de forma exemplar conforme foi testemunhado quando do aprontamento da NATO Response Force 14 (NRF14), em que o Regimento participou activamente, com a dinâmica adequada de uma Unidade da Estrutura Base, através de um calendário operacional exigente e conferindo àquela sub-unidade um carácter assumidamente expedicionário. A forma expedita, séria e rigorosa como se empenha, quando lhe são cometidas missões, constitui para mim um indicador de excelência, consubstanciado recentemente em público reconhecimento através da condecoração do seu Estandarte Nacional com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos e pela atribuição da Medalha de Ouro da Cidade de Leiria. Contudo, os desafios são constantes e, neste momento, o RA4 constitui-se como uma unidade de vanguarda ao introduzir no seu planeamento anual a gestão por objectivos. É a primeira unidade do Exército Português a utilizar no seu encargo operacional o sistema AFATDS (Advanced Field Artillery Tactical Data System), que constitui uma ferramenta de comando e controlo relevante para uma resposta eficaz aos desafios do moderno Campo de Batalha. Importa, por fim, identificar os objectivos a alcançar no futuro. Estes passam por acompanhar e contribuir afincadamente para os estudos em curso no Exército e que avisadamente apontam no sentido de dotar uma das Baterias do GAC com uma dupla valência de armas Obus/Morteiros Pesados, permitindo, assim, uma maior flexibilidade de utilização do apoio de fogos, consoante as características da missão. Passarão, ainda, por qualificar em pára-quedismo todo o efectivo dessa Bateria, em consonância com a já corrente e idêntica qualificação dos Observadores Avançados do Grupo. Termino, evocando a divisa Fortes e Leais deste insigne Regimento, que traduz na perfeição tudo o que anteriormente referi. O COMANDANTE DA BRIGRR

Raul Luís de Morais Lima Ferreira da Cunha MGEN

4

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4


E D I TO R I A L

este ano de 2010 e no âmbito das comemorações do 83º aniversário do Regimento de Artilharia N.º 4, dá-se continuidade à publicação do seu Boletim, o qual constitui, naturalmente, um reportório das diversas actividades, motivações e experiências que caracterizam, em termos globais, a actividade de todos aqueles que servem este Regimento ao longo deste último ano. De forma a dar corpo a esta publicação, a mesma integra num espírito de partilha, de transmissão do conhecimento e de experiências vividas, um conjunto de artigos. Por um lado, transmitem a actividade, as preocupações e a procura de soluções por parte do Regimento e, por outro, permitem, com base no enriquecimento intelectual, a disseminação do conhecimento como elemento decisivo do engrandecimento humano e a transmissão de experiências vividas em missões exteriores ao território nacional. Estas referências constituem só por si motivos fortes, de realce e dignos de publicação. A continuidade da exploração e rentabilização do Sistema Automático de Comando e Controlo, como “Área de Excelência” e como elemento potenciador da capacidade operacional do Grupo de Artilharia de Campanha, continua a merecer um cuidado especial e particular por parte do Regimento. Acompanhando de forma persistente a sua integração com os modernos sistemas de comunicações, através de acções de continuidade na formação dos quadros, numa perspectiva de sustentabilidade e fiabilidade do sistema global, sedimenta-se a referência que continua a ser neste domínio. No âmbito das outras missões, muitas foram as actividades desenvolvidas, quer no contexto da sua missão primária às actividades militares, quer no apoio à comunidade civil, onde o Regimento, não obstante as dificuldades e limitações existentes, sempre assinou o nome da “Artilharia 4” com letra maiúscula. Para além do referido, e objecto do reiterado sentido de missão que ao longo dos anos caracterizaram os que por aqui têm passado, foi com elevado e sentido orgulho que o Regimento foi distinguido com duas condecorações: A Medalha de Serviços Distintos – Grau Ouro e a Medalha de Ouro da Cidade de Leiria. Assim, ao comemorar-se mais um aniversário do Regimento, é com particular satisfação e regozijo que manifesto o apreço e o reconhecimento público pela dedicação, entusiasmo e elevado sentido de missão de todos os militares e civis que nele servem. Neste ano de grande e significativa actividade souberam dar resposta adequada às diversas solicitações, estando certo que, com a determinação, espírito de bem servir e a competência que os caracteriza, continuaremos a afirmar o Regimento e saberemos enfrentar as dificuldades e encarar os novos desafios, com elevado sentido de responsabilidade, optimismo e confiança no futuro. O COMANDANTE

José da Silva Rodrigues COR ART BOLETIM 2010

5


LEIRIA E O REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4 onge vão os tempos em que o comum cidadão olhava, por vezes com desconfiança, para aquelas enormes instalações na Cruz d’Areia, que serviam de aquartelamento a várias centenas de homens que se refugiavam no seu interior e cujas populações limítrofes aprenderam, pelos horários a que os ouviam, a destrinçar o toque da alvorada do toque para formar, para comer e até para dormir, através de um clarim que fazia ecoar com estridência tais sons. Os contactos com as gentes do quartel eram praticamente inexistentes. No longínquo ano de 1926, altura em que foi criado o quartel, ninguém ousava enfrentar a sisudez daqueles militares, cuja obrigação era agir em missão de defesa, alheando-se da chamada sociedade civil. Ainda que sentissem alguma animosidade em relação aos homens que dirigiam os quartéis, tinham a convicção de que eram seres autoritários, cuja preocupação era apenas a guerra. E, durante anos e anos, décadas atrás de décadas, os militares do Regimento de Artilharia de Leiria viveram de costas voltadas para as populações, pois, repete-se, era assim que lhes era ordenado pela hierarquia. Que ninguém se abeirasse da “Porta de Armas”, mesmo sem malévolas intenções, bastando a mera curiosidade de espreitar para o interior para tentar perceber como seria por dentro aquele casarão. Surge então a “Revolução dos Cravos”, levada a cabo por militares com uma visão que era antagónica da dos seus antepassados, acabando com um poder ditatorial que estava enraizado na sociedade portuguesa, o que originou injustiças, perseguições e até mortes. E foi a partir do glorioso dia 25 de Abril de 1974, que entra uma lufada pelas portas dos quartéis, varrendo o bafiento odor que até ali estava “armazenado”, nas instalações de aspecto sinistro e lúgubre. O Regimento de Artilharia N.º 4 (RA4) de Leiria não foi excepção à regra, mas foi inequivocamente um dos que mais sobressaiu, abraçando a modernidade, envolvendo-se em constantes acções com as populações, franqueando as suas portas para as mais díspares actividades, tendo sempre como lema a aproximação da sociedade civil. Hoje, graças a quem o tem gerido nos últimos anos, é um exemplo com uma panóplia de missões que lhe estão adstritas e que são sempre desenvolvidas em espírito de comunhão com um objectivo: servir as populações integradas na sua área geográfica com desvelo, lealdade e prontidão. E os exemplos são muitos, destacando-se a sua intervenção em missões de interesse público, participando nos planos de protecção civil. De realçar o “Plano Vulcano”, que consiste em manter operacional uma equipa de sapadores para a defesa florestal contra incêndios na Mata Nacional do Urso, contribuindo para a melhoria das acessibilidades para o combate aos incêndios florestais e para o reforço do sistema de aceiros que evitem a propagação/aumento do número e da dimensão dos incêndios florestais, ao realizar a vigilância móvel e o combate em primeira intervenção. Os outros dois exemplos são o “Plano Lira” e o “Plano Aluvião”, que disponibilizam meios humanos, materiais e instalações, para apoio das populações em caso de calamidades. Não fica por aqui a actividade do Regimento de Artilharia de Leiria em prol da sociedade civil. O Regimento participa, também, em diversas comissões ao nível da administração local, numa conjugação

6

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4


de esforços com o Governo Civil, integrando o Gabinete Coordenador de Segurança Distrital, a Comissão Distrital de Fogos Florestais e mantendo, também, um oficial de ligação no Centro Distrital de Operações e Socorro. O Regimento de Artilharia N.º 4 de Leiria integra as comissões municipais de defesa da floresta contra incêndios do distrito de Leiria, abrangendo os concelhos de Leiria, Marinha Grande, Pombal e Porto de Mós e, do distrito de Coimbra, os concelhos de Miranda do Corvo, Figueira da Foz e Lousã. São inúmeros os protocolos de colaboração que o RA4 tem estabelecido com diversas instituições. São merecedores de distinção: o que vigora com o Centro de Emprego e Formação Profissional, com a cedência de instalações que integram seis salas de aulas para ministrar diversos cursos de formação; o que foi estabelecido com a União Desportiva de Leiria, facultando a utilização das infra-estruturas desportivas para treinos do escalão juvenil; e, ainda, o levado a cabo com o Clube de Orientação do Centro (COC), uma vez que é nas suas instalações que a sede social deste clube está implantada, apoiando também todas as manifestações de índole desportiva por si organizadas. O Regimento de Artilharia N.º 4 de Leiria tem a constante preocupação em manter e desenvolver laços de cooperação e aproximação com a sociedade civil que o envolve, tendo materializado diversas acções e apoios, de que são exemplo a cedência de tendas, alojamento com fornecimento de refeições a peregrinos, a jovens das cidades com as quais Leiria está geminada e a estudantes, cedência de diverso material, designadamente, colchões, camas, cobertores, almofadas, redes de camuflagem, tribunas, etc., contemplando tais cedências um número invulgar de beneficiários. Reconhece-se que, actualmente, os quartéis têm uma missão diferente da que tinham há algumas décadas, sendo usual este tipo de práticas noutras cidades onde se mantêm forças militares. Mas Leiria pode orgulhar-se, até à saciedade, de que o “seu” Regimento de Artilharia N.º 4 é um caso invulgar de entrosamento com a sociedade civil que o envolve e, por isso, um exemplo a ser seguido. Face ao entrosamento existente entre o Regimento de Artilharia N.º 4 de Leiria e a sociedade civil que atrás se alude, a Câmara Municipal de Leiria na sua reunião de 11 de Maio de 2010 deliberou, por unanimidade fundamentada no regulamento da “Medalha da Cidade”, atribuir ao RA4 a “Medalha da Cidade de Leiria”, insígnia de 1ª. Classe (Ouro), em cerimónia realizada no dia 22 de Maio, “Dia da Cidade”.

O PRESIDENTE DA CÂMARA DE LEIRIA

Raúl Miguel de Castro

BOLETIM 2010

7


UMA VISÃO

EXPERIÊNCIAS E FUNÇÕES DE UM SOLDADO

TEATROS COM PRESENÇA PORTUGUESA Bósnia e Herzegovina partir do século VII, várias partes da região que hoje correspondem à Bósnia e Herzegovina foram tomadas pelos sérvios, croatas, húngaros, venezianos e bizantinos. No século XII, o Reino da Hungria passou a governar o território, delegando o poder a vice-reis distritais de

8

REGIMENTO DE ARTILHARIA Nº N.º 44

origem bósnia, croata e húngara. Anos depois, a região foi invadida pelo Império Otomano e, após várias batalhas, tornou-se uma província turca. Depois da Guerra Russo-Turca, entre 1877 e 1878, a Bósnia e Herzegovina fez parte do Império Austro-Húngaro, tendo sido anexada em 1908. A nova Constituição dividiu o eleitorado em ortodoxo, católico e muçulmano, o que não contribuiu para travar o crescente nacionalismo sérvio. Em 1914, o arquiduque austríaco Francisco


Fernando foi assassinado em Sarajevo por um nacionalista sérvio. Esse acontecimento despoletou a Primeira Guerra Mundial. Em 1918, a Bósnia e Herzegovina foi anexada à Sérvia como parte do Reino dos sérvios, croatas e eslovenos. Em 1946, os dois territórios formaram a República Socialista Federativa da Jugoslávia, regime comunista sob o comando de Josip Broz (Tito). Com o colapso do comunismo, em 1989-1990, a Jugoslávia mergulhou numa onda de nacionalismo extremo. Depois da Croácia abandonar a federação, os croatas bósnios e os muçulmanos aprovaram um referendo a favor da criação de uma república multinacional e independente. Mas os sérvios bósnios recusaram separar-se da Jugoslávia que, nessa altura, se encontrava sob o domínio da Sérvia. A morte de Tito e a queda dos "Regimes de Leste" (comunistas) precipitaram a crise. Os problemas por resolver e os velhos ódios vieram ao de cima. Na década de 1990, com as limpezas étnicas, a Bósnia e Herzegovina foi arrastada para uma guerra civil sangrenta e devastadora, em que as populações acabaram por ser saneadas das regiões tomadas por cada uma das nações. Ao mesmo tempo que os sérvios avançavam, iniciaram um autêntico e chocante processo de limpeza étnica, recordando os horrores nazis. Vivia-se o período dos snipers, atiradores furtivos emboscados nas montanhas circundantes de Sarajevo e que indiscriminadamente atiravam sobre alvos civis não sérvios, provocando uma mortandade atroz e constante. Em 1995 foi assinado o Acordo de Dayton e, desde essa altura, as forças da Organização das Nações Unidas (ONU) encontram-se no território para garantir o cumprimento dos acordos de paz. Quanto às condições meteorológicas, deve referir-se que o clima desta região é continental, caracterizado por uma forte amplitude térmica anual. Os verões são quentes e húmidos e os invernos rigorosos, com queda de neve e chuvas regulares. Kosovo Em 1912, apesar de ser uma zona de maioria albanesa, o Kosovo foi integrado na Sérvia e não no principado da Albânia, criado apenas naquele ano. Em 1991 declarou a independência, mas não foi reconhecida pela comunidade internacional. A tensão entre separatistas de origem albanesa e o governo central da Jugoslávia, liderado pelo presidente nacionalista Slobodan Milosevic, BOLETIM 2010

9


aumentou no decorrer de 1998. No ano seguinte, um grupo de líderes jugoslavos, da comunidade albanesa do Kosovo, e representantes das principais potências mundiais reuniram-se para negociar um acordo de paz que colocasse fim aos conflitos entre os guerrilheiros do Exército de Libertação do Kosovo (ELK) e as forças jugoslavas de Slobodan Milosevic. A reunião, em Fevereiro de 1999 em França, fracassou. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) atacou a Jugoslávia em 24 de Março de 1999, dando início à Guerra do Kosovo. Seguiram-se os conflitos entre a guerrilha albanesa e as forças sérvias. A 3 de Junho de 1999, líderes ocidentais e jugoslavos chegaram a acordo para o fim à guerra. A 10 de Junho, foi assinado o acordo para encerrar o conflito. O Parlamento sérvio a 27 de Dezembro de 2007 votou, por ampla maioria, a moção de condenação contra qualquer tentativa de independência do Kosovo. A província tem sido administrada pelas Nações Unidas, através da Missão de Administração Interina, e pela NATO, desde a guerra de 1999 entre os sérvios e albaneses étnicos separatistas. Após a falha das negociações internacionais para atingir um consenso sobre o estado constitucional aceitável, o governo provisório 10

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

do Kosovo seria declarado definitivamente independente pela ONU a 17 de Fevereiro de 2008, sendo reconhecido no dia seguinte pelos Estados Unidos e por alguns países europeus como França e Alemanha. Porém, o território ainda é reivindicado pela Sérvia. A maior parte do terreno kosovar é montanhoso e o pico mais alto do país é Deravica, com 2.656 metros. O clima é continental, com verões quentes e invernos frios, com neve. Afeganistão Desde a Antiguidade que a guerra é uma constante nesta região onde se situa, actualmente, o Afeganistão. Este local está ocupado desde o século VI a.C. pela civilização bactriana, formada por um povo que incorporava elementos das culturas hindu, grega e persa. Depois disso, o território foi atacado por sucessivos invasores. O Afeganistão foi invadido e ocupado pela União Soviética em 1979. Mas, apesar da destruição maciça provocada pela sustentação logística, lutas subsequentes entre as várias facções dos Mujahidin permitiram que os fundamentalistas Talibã se


apropriassem da maior parte do país. Em 1997, as forças talibã mudaram o nome do país de Estado Islâmico do Afeganistão para Emirado Islâmico do Afeganistão. Há dois anos que o país sofre com a seca, circunstâncias que conduziram três a quatro milhões de afegãos a sofrerem de inanição. Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 às Torres Gémeas (World Trade Center) em Nova Iorque e no Pentágono, cuja autoria foi reivindicada por Osama Bin Laden no dia 7 de Outubro de 2001, os Talibã reconheceram o líder da Al Qaeda como herói. Os Estados Unidos e as forças aliadas lançaram uma campanha militar como parte da sua política antiterrorismo, capturando e prendendo suspeitos de actividades terroristas no Afeganistão É um país montanhoso, com 85 por cento do seu território formado por montanhas, embora haja planícies no norte e no sudoeste e poucas depressões. O ponto mais alto do Afeganistão, o Nowshak, tem uma altitude de 7.485 metros. Grandes extensões do país são secas e o fornecimento de água doce é limitado. O Afeganistão tem um clima continental, com verões quentes e invernos frios.

cado, em Junho de 2004, no Regimento de Artilharia N.º 4, em diligência, a fim de prestar serviço de guarda de honra ao Túmulo do Soldado Desconhecido, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Em Dezembro de 2005 passo a exercer as funções de socorrista da unidade. Em Dezembro de 2007 e por infelicidade de um camarada, fui chamado para o render no Kosovo, onde desempenhei as funções da minha especialidade. Em Junho de 2008, integrei, a convite, a Second Operational Menthor and Leasion Team (2nd OMLT), tendo sido projectado no TO do Afeganistão em Outubro de 2008, onde permaneci seis meses. Foi a missão mais exigente e, ao mesmo tempo, a mais gratificante, porque além de cumprir as funções de socorrista do módulo sanitário, colaborei com o Hospital Francês em Camp Warehouse, nas áreas de urgência e internamento. Durante o período em apreço participei na Acção de

MILITAR - UMA EXPERIÊNCIA DE VIDA Funções e experiências A 3 de Abril de 2000 assentei praça no Batalhão de Serviço de Saúde (BSS) em Coimbra, para cumprir o serviço militar obrigatório, onde fiz a recruta e a especialidade de Socorrista. Posteriormente, fui colocado no Regimento de Infantaria N.º 14 em Viseu, tendo como missão ser socorrista dessa unidade até Fevereiro de 2002, data em que iniciei a preparação para integrar as Forças Nacionais Destacadas, no 2º Batalhão de Infantaria/Brigada Ligeira de Intervenção/Stabilisation Force in Bósnia Herzegovina (2ºBI/BLI/ SFOR). Em Julho de 2002 parti para o Teatro de Operações (TO) da Bósnia, onde fui socorrista e condutor do módulo sanitário, regressando em Janeiro de 2003. Fui, coloBOLETIM 2010

11


Assessoria no Centro de Treino Médico (Training Medical Center) na Guarnição de Pol-e-Charky, na área da Saúde, inserida no âmbito da Formação e Mentoria ao Exército Nacional do Afeganistão (ANA). De regresso a território nacional, volto à minha anterior função na enfermaria regimental até 25 de Abril de 2010, data em que passei à disponibilidade. Militar e Enfermeiro: uma profissão de género A profissão militar, tradicional bastião masculino, vai sendo progressivamente conquistada pelas mulheres. O princípio da igualdade é um princípio fundamental da Constituição da República Portuguesa consagrado no seu Artigo 13º, ponto 2: “Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo (…)”. Área, por excelência, masculina. Tradicional e secularmente, um universo masculino, as Forças

Armadas experimentam uma adaptação às exigências dos novos paradigmas introduzidos pelas profundas transformações sociais ocorridas ao longo do séc. XX, no quadro dos valores de uma cidadania plena. A História portuguesa da presença feminina nas Forças Armadas inicia-se em 1961, em Tancos, com as pioneiras “seis Marias”, o primeiro grupo de pára-quedistas mulheres. Todas as enfermeiras desenvolveram inúmeras missões de acompanhamento de feridos e doentes evacuados do Ultramar para Lisboa. Foi num cenário de combate que estas mulheres socorriam os militares feridos; estava-se, então, na chamada Guerra Colonial. A enfermagem, nos seus primórdios tinha uma estreita relação com a maternidade e era exclusivamente feita por mulheres. Hoje em dia o sexo feminino também predomina, sendo o masculino minoritário na prática de cuidados. Perante estas duas profissões, temos a certeza que muito existe ainda por fazer na igualdade de género e de oportunidades. Apesar das mudanças que foram ocorrendo ao longo do tempo, a enfermagem foi uma profissão ligada às mulheres durante séculos, enquanto ser militar era uma profissão do sexo masculino. Só lentamente se conseguirão mudar as mentalidades, de forma a criar igualdade entre homens e mulheres. E agora… De socorrista a futuro enfermeiro O Socorrista é toda e qualquer pessoa com habilitação para prestar socorro. Um médico, um enfermeiro, um bombeiro ou um paramédico, não deixam de ser socorristas pelo facto de possuírem outro título profissional. No momento em que prestam socorro são socorristas, independentemente da sua categoria profissional ou título académico. Como socorrista, ao longo destes anos em que estive nas Forças Armadas, tive como missão fundamental assegurar a manutenção do mais elevado estado sanitário dos militares, para que estes se mantivessem em operacionalidade plena, ao melhor nível de bem-estar físico e psicológico. A prestação de primeiros socorros, de cuidados imediatos e de suporte de vida, promoção e vigilância da saúde, organização da enfermaria, esclarecimentos de dúvidas relativas às ocorrências de saúde mais frequentes, formação contínua no âmbito da “Educação para a Saúde” (importância das regras básicas de assepsia e de higiene recomendadas para todas as Unidades de Prestação de Cuidados de

12

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4


Saúde), foram algumas das actividades que, ao longo destes anos, fui desenvolvendo como socorrista, visando o bem-estar físico e psíquico. A Enfermagem, arte de cuidar, é também uma ciência, cuja essência e especificidade é o cuidado do ser humano, individualmente, na família ou em comunidade, de modo integral e holístico (num todo indivisível), desenvolvendo de forma autónoma ou em equipa, actividades de promoção, protecção, prevenção e recuperação da saúde. Muito mais haveria a dizer sobre uma profissão tão ligada ao sofrimento humano, em que todos os dias se têm de gerir os próprios sentimentos, colocar de parte preconceitos, religião, credos e ideologias. Os enfermeiros são também seres humanos e devem cuidar de todos aqueles que apresentam alterações do estado de saúde, mesmo quando os próprios não o sabem. A enfermagem moderna, com as suas bases de rigor técnico e científico, começou a desenvolver-se no século XIX, através de Florence Nightingale, que estruturou o seu modelo de assistência, depois de ter trabalhado no cuidado de soldados durante a Guerra da Criméia.

abrirão. Ao fim de quase uma década nas Forças Armadas parto com a satisfação de dever cumprido, por ter servido o país que me viu nascer. Pelo trabalho que desempenhei, ao longo destes anos, mas sobretudo pelos camaradas e amigos que ganhei para o resto da vida, de certeza que estes anos vão ficar para sempre na minha memória. Quero agradecer a todos, porque com todos aprendi alguma coisa e todos me ajudaram a crescer como militar e como pessoa. Muito mais havia a dizer a respeito das missões que desempenhei, mas as linhas já se tornam muitas e extensas. Em suma, foi uma experiência profissional e pessoal muito enriquecedora. Fortes e Leais… Até Sempre. Referências Bibliográficas:

http://pt.wikipedia.org/wiki/afghani http://pt.wikipedia.org/wiki/bosnia http://pt.wikipedia.org/wiki/Kosovo http://www.mdn.gov.pt

Do exército rumo à vida civil Cumprido o tempo máximo em Regime de Contrato no Exército Português, é com pena que deixo a vida de militar, não podendo dar continuidade ao trabalho até aqui desenvolvido. Mas nós, os “contratados”, sabemos que se não conseguirmos entrar no Quadro Permanente do Exército, esta passagem é curta e rápida. É uma porta que se fecha, com a certeza que muitas outras se

SOLD RC Filipe Brilhante Socorrista da BCS/RA4

BOLETIM 2010

13


AFEGANISTÃO A PRIMEIRA MISSÃO UMA EXPERIÊNCIA ÚNICA E INESQUECÍVEL

A OMLT KCD Operational, Menthor and Leasion Team/ Kabul Capital Division 01/02 (OMLT/KCD 01/02)1 integra a estrutura operacional da Força Internacional de Apoio à Segurança (International Security Assistance Force ISAF), para treinar, orientar e ensinar os procedimentos de Estado-Maior (EM), com vista ao emprego operacional da KCD do Exército Nacional Afegão (Afghan National Army - ANA). À ordem, acompanha a KCD em operações. Relativamente à função desempenhada, numa primeira fase, definiram-se objectivos que passaram por alargar áreas de mentoria,2 tais como o Departamento Religioso e Cultural, as Relações Públicas, o Treino e, dentro da área da Artilharia, apoiou-se o Oficial de Apoio de Fogos da Divisão. Concretamente, podemos especificar os conhecimentos sobre o funcionamento da Artilharia Afegã, bem como do seu armamento: os famosos Obuses D-30 122mm que equipam o Exército Nacional Afegão. Na Divisão, sentiu-se uma enorme necessidade de partilhar e coordenar informações, privilegiar as relações, apostar na responsabilização e investir nas capacidades. 14

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

No âmbito das actividades desenvolvidas salientam-se as prioridades estabelecidas em prol da assessoria: – fazer do Centro de Operações Táctico (Tactical Operations Center - TOC) o Centro de Gravidade da Kabul Capital Division; – desenvolver as Normas de Execução Permanente (NEP) e Descrições de Cargos; – implementar Ritmo de Batalha (Battle Rhythm) e rotinas de coordenação de EM; – garantir o planeamento paralelo com as unidades subordinadas; – efectuar a ligação entre a ISAF e a KCD: conceito One Team, entre os vários “actores” presentes na KCD.


Nesta área realço a importância do diálogo entre todas as partes envolvidas, sendo esta a chave do sucesso para que todos os objectivos tenham sido atingidos por parte da nossa Força. PRINCIPAIS OPERAÇÕES REALIZADAS Em diversas operações realizadas pela OMLT KCD 01/02 destacam-se a tomada de posse do Presidente Karzai, o planeamento e a coordenação de patrulhas conjuntas de forças Afegãs e Turcas, o apoio em operações de Cerco e Busca, no qual a Divisão esteve envolvida, os reconhecimentos terrestres/aéreos e, principalmente, a área Civil-Military Co-operation (CIMIC), uma das funções que me foram atribuídas. Perante tanta miséria, poder ajudar em algo fazia-me sentir útil por ver pessoas necessitadas a sorrir com tão pouco, mas que para eles significava tanto… É nestes momentos que valorizamos outro tipo de realidades e principalmente o nosso querido Portugal. Ao estar nestes locais, ver com os próprios olhos e sentir estes problemas, tudo se torna diferente, pois não conseguimos ficar indiferentes a tanto drama, desgraças e dor, e sentir algumas limitações em ajudar este povo.

A OMLT apoiou e coordenou quatro operações humanitárias na cidade de Cabul: - duas de apoio a Campos de Refugiados oriundos do Paquistão e da Província de Helmand, com comida, tendas e cobertores (um “cabaz” com cobertores, 5kg de arroz, 5kg de farinha de milho, 5kg de trigo, 5kg de feijão, 5l de óleo e chá), a mais de 400 famílias, num total de cerca de 2.000 pessoas; - uma operação humanitária numa escola onde foram distribuídas mochilas, cada uma com blocos de notas, canetas de várias cores, lápis, borrachas, uma lanterna que não necessita de pilhas (de longe o bem mais apreciado pois na maioria das casas não há luz), garrafas de água e chocolate; - uma operação humanitária num bairro degradado em Cabul onde foram distribuídas, a cerca de 100 famílias, cobertores, roupas, botas (galochas para os mais pequenos) e termos para manter o chá quente; - uma distribuição de medicamentos e de alimentos; - e um projecto de longo prazo que consiste na construção de uma escola. A escola existente não

BOLETIM 2010

15


tinha janelas, portas, paredes, electricidade, água, casa de banho, chovia lá dentro, havia constantes correntes de ar e só existiam bancos para as turmas dos mais velhos, os mais novos sentavam-se no chão, na terra, ou em cima de uns panos improvisados. Quando fui informado da reconstrução desta escola senti que a nossa missão foi preponderante, pois o nosso trabalho marcou a diferença naquele povo. Conseguimos algo que, para mim, considerava muito difícil de obter, mas que foi conseguido com a credibilidade demonstrada pela nossa equipa. Referência ainda, à Transferência de Autoridade (TOA) que teve lugar no dia 12 de Outubro de 2009, em Camp Warehouse na cidade de Cabul, Afeganistão. Esta cerimónia de TOA foi feita em simultâneo para as três Forças Nacionais Destacadas (FND) no Teatro de Operações (TO) do Afeganistão. UMA VIVÊNCIA PARTICULAR Tudo começou no início de 2009, quando decidi oferecer-me para uma missão no Afeganistão. Surgiu uma oportunidade e lembro-me que quando tomei a decisão, senti um calafrio cá dentro… Falei com a

16

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

minha família e senti o apoio de que precisava, o “sim”. Mas não foi dessa vez que concretizei esse sonho a nível profissional. Assim, fui sempre estando atento ao que se passava no Afeganistão nunca pensando em desistir e, apesar de estar consciente dos riscos que se corriam num cenário tão hostil, a vontade de ir prevaleceu. Depois do convite feito pelo Comandante da 2ª OMLT/KCD 01/02, o Coronel Correia, muita coisa mudou na minha vida. Toda a minha concentração estava focada na ida para o Afeganistão. De imediato, informei a minha família que, finalmente, ia à minha primeira missão. Já em Vila Real, no Regimento de Infantaria N.º 13, após o primeiro contacto com a equipa, senti-me bem e cada vez com mais vontade de partir para esta missão. Nós vamos, acima de tudo, contribuir para o desenvolvimento das capacidades do Exército Afegão. Todavia, sabemos que o cenário pode tornar-se hostil e, por isso, estamos preparados para reagir a um ambiente complexo e imprevisível no (TO). Estas palavras, proferidas pelo Coronel Correia, transmitiam o sentido da nossa missão, bem como a perfeita noção do que nos poderia esperar em situações anómalas. O dia 21 de Setembro de 2009 aproximava-se rapidamente. A partida foi adiada uma semana. Fiquei


ansioso. Estava em casa à espera e tudo me fazia esquecer os perigos daquele território, sempre na expectativa de viver e sentir todos aqueles sentimentos, pela primeira vez. Por um lado, houve um aspecto muito positivo: vi o meu filho Guilherme a andar, acto que não ia presenciar se o avião fosse no dia previsto. Por outro lado, senti algum receio e muita ansiedade. Levava a família ou não? Como iria reagir o meu filho mais velho? Tentei junto de alguns camaradas, com essa experiência, resolver esta indecisão. As opiniões divergiam. Fiz então o que o coração mandou, estar junto deles na hora do adeus. O dia finalmente chegou. Na manhã de 28 de Setembro partimos com destino ao Afeganistão. Uma longa viagem de três dias em avião militar. Apesar de já ter viajado várias vezes de avião comercial, era a minha primeira vez dentro de um C-130. No primeiro dia rumámos com destino à Grécia. Após seis horas a bordo do C-130 foi muito bom poder saborear a comida grega, passear pelo centro de Tessalónica e repousar um pouco. No segundo dia voámos para Baku, Azerbaijão. Já não estávamos definitivamente na Europa. Três horas para sair do aeroporto, uma língua estranha, uma cidade com enormes edifícios e auto-estradas

rodeadas de velhos edifícios, ao estilo soviético. Ao terceiro dia chegámos a Cabul. Se tivéssemos dúvidas sobre o local para onde íamos, as últimas duas horas em “voo táctico” davam-nos as boas-vindas ao Afeganistão. Em território Afegão, ainda dentro do aeroporto, sentia-se um cheiro desagradável e uma poeira, que anda sempre pelo ar a estas altitudes. Blocos de cimento, arame farpado, paredes de betão e muita protecção ao nosso redor. Comecei a sentir o ambiente que iria viver nos seis meses seguintes. Os nossos camaradas estavam à nossa espera, ansiosos pela nossa chegada, pois daí a alguns dias iriam eles fazer a viagem de regresso à Pátria, para poderem reencontrarem as suas famílias. Estando a transferência de autoridade feita e com a missão da OMLT bem assimilada, era hora de começar a trabalhar. Foram dias intensos, as horas passavam a correr e chegava-se ao fim do dia com a sensação que os dias eram curtos. No dia 14 de Abril de 2010 estava finalmente de regresso a Portugal. Sensação agradável. Um dia muito esperado pois, se antes o tempo voava, na última semana com a ansiedade de regressar, os dias pareciam anos.

BOLETIM 2010

17


Conhecendo o que seria a viagem de regresso, longa e muito cansativa, tentei mentalmente preparar-me para permanecer tantas horas a bordo do C-130. Sem dúvida que tudo se tornava mais fácil a cada quilómetro que passava, por nos aproximarmos de Portugal. Em Baku, de novo três horas para sair do aeroporto. Na Grécia, sentia-se a crise pois, ao passearmos nas avenidas de Tessalónica, deparámo-nos com uma manifestação de rua, muita polícia de choque e muita confusão. O melhor era sair dali, pois com cabelo curto ainda nos podiam confundir. Da Grécia a Portugal seria a parte mais longa, mais de seis horas de voo. Mas mais nada importava. Já nada mais doía. O importante era chegar. Antes de terminar esta aventura fui premiado na aterragem do avião e convidado a ver Lisboa junto do piloto. São imagens inesquecíveis. Sem dúvida a melhor forma de encerrar este capítulo da minha vida. Sabia quem me esperava. Era o que mais eu queria. Poder ver e abraçar a minha mulher e os meus filhos. Aconteceu o que já temia. O Guilherme, de um ano de idade, ficou muito tempo a olhar para mim, apesar de me ver todos os dias através de um monitor do computador. E naquele momento, estar à sua frente, deve ter sido confuso para uma mente tão jovem. Foi, sem dúvida, uma experiência única com histórias para mais tarde recordar. Longas conversas irão surgir e, bem longe de lá, relembrarei algumas das que se passaram, porque são estas histórias que me fazem evoluir como homem e como militar, uma vez que irei olhar para o futuro de uma forma diferente. Deixo uma mensagem de esperança aos amigos que lá deixei, desejando que tudo lhes corra pelo melhor, esperando, quem sabe, um dia lá voltar e ver um novo Afeganistão. À OMLT KCD 01/02 o meu obrigado por tudo e, como o Coronel Correia disse: Vamos 17 e iremos regressar os mesmos 17, mas… Amigos! Um agradecimento especial ao Regimento de Artilharia N.º 4, por todo o apoio demonstrado pelo seu Comandante, o Coronel Rodrigues. Não posso deixar de agradecer à minha mulher que, durante quase sete meses, também teve a sua «missão», a de estar sozinha com duas crianças. E ao resto dos amigos que, apesar de longe, sempre torceram para que tudo corresse bem.

18

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

1

2

Não havendo tradução directa, poder-se-á designar como Equipa Operacional de Ligação e Assessoria Militar, da Divisão em Cabul. Adaptação do estrangeirismo correspondente, sinónimo de assessoria.

1SAR ART Rui Fernandes Sargento de Apoio de Fogos/GAC


MISSÃO NO LÍBANO

UMA PARTICIPAÇÃO NA UNITED NATIONS INTERIM FORCE IN LEBANON

United Nations Interim Force In Lebanon (UNIFIL) é uma missão de manutenção de paz (PeaceKeeping), constituindo-se numa força militar das Nações Unidas, que foi criada em 1978, através da resolução 425 do Conselho de Segurança das Nações Unidas (UNSCR 425), com o objectivo de monitorizar e confirmar a retirada das Forças Israelitas do Sul do Líbano. Em Julho de 2006, após um confronto armado de 48 dias que opôs as Forças Israelitas à Milícia Armada Hezbollah (Partido de Deus), é prorrogado o mandato da UNSCR 425 através da UNSCR 1701, com tarefas adicionais e um aumento considerável de forças participantes. É neste contexto que Portugal é levado a participar nesta missão da Organização das Nações Unidas (ONU), desde Dezembro 2006, com uma Unidade de Engenharia Militar e com cinco oficiais para o Comando da UNIFIL, no qual fui integrado. Há muito para dizer acerca da riquíssima e conturbada história do Líbano, com a elevada quantidade de religiões ali existentes e as suas diferenças, sobre a organização e missão da UNIFIL e os diversos actores presentes no Teatro de Operações (TO), tais como as Forças Armadas

Libanesas (Lebanese Armed Forces - LAF), as Forças de Defesa Israelita (Israeli Defense Forces - IDF), o Hezbollah e, ainda, as diversas organizações Palestinianas. Assim, opta-se por restringir este tema, única e exclusivamente, a uma experiência pessoal no âmbito das funções que foram desempenhadas ao longo de um ano de missão na UNIFIL. A minha nomeação, em Novembro de 2008, por despacho do General Chefe do Estado-Maior do Exército, para desempenhar funções de Gestão dos Requisitos de Informação (Request for Information RFI Manager), na UNIFIL, trouxe, por um lado, alguma apreensão e por outro, a serenidade e importância da participação, e a oportunidade de integrar um contingente português que, durante um ano, permitiria dar o meu contributo na reconstrução e manutenção da paz neste local do Médio Oriente. A chegada ao TO efectivou-se a 16 Janeiro de 2009 e, à chegada a Beirute e ao Aeroporto Internacional Rafik Hariri (Rafik Hariri International Aerport - RHIA), deparavam-se as primeiras e grandes diferenças: forma de vida; cultura; sensações diversas que iriam caracterizar a missão, para as quais haveria que criar um processo

BOLETIM 2010

19


de habituação e, ao mesmo tempo, de integração a esta realidade; forças militares, não só libanesas como da UNIFIL, entre a população civil; as mulheres trajando as típicas burkas (véu que é utilizado pelas mulheres que cobre o cabelo); o intenso cheiro a fumo das narguilas (típico cachimbo do médio Oriente); o som vindo dos altifalantes, colocados nos altos minaretes das mesquitas, entoando passagens do Al-Corão. Tudo isto confirmava que estava num país completamente diferente, no Médio Oriente e no Mundo Islâmico, num território que, desde a sua independência, já tinha sido assolado por diversos conflitos internos e externos, e onde, com o sentido de missão bem presente, pretendia dar o meu contributo para o desenvolvimento e manutenção da paz, numa perspectiva de projectar a política externa de Portugal. A função a desempenhar foi a de Oficial de Estado-Maior/Gestão dos Requisitos de Informação (Staff Officer RFI Manager) e de Adjunto do Chefe da Secção de Pesquisa, Coordenação e Documentação das Informações (Collection, Coordination, Intelligence Requirements Management [CCIRM] Deputy). Apesar de alguma investigação prévia sobre a função, a mesma continuava a apresentar contornos de desconhecimento acentuado, concretamente, no respeitante aos deveres e tarefas inerentes ao cargo, pelo que estava bastante apreensivo e ansioso para a iniciar e me familiarizar com a mesma. Após todas as tarefas administrativas e de processamento (inprocessing), apresentei-me na minha secção (branch), a Secção de Informação Militar J2 (J2 Military Intelligence Branch), chefiado por um Coronel Espanhol e onde prestavam serviço militares de diversos países (Espanha, França, Itália, Croácia, Bélgica, Índia, Coreia do Sul, Alemanha, China, Polónia e Indonésia). Destinado a prestar serviço na Secção CCIRM, chefiada por um Tenente-Coronel Sul Coreano, cedo me apercebi de quanto iria ser interessante e enriquecedor o ano que se avizinhava, tanto a nível cultural como profissional. Esta função estava inserida numa área que, em Portugal, poucos têm oportunidade de trabalhar, as Informações Militares (Military Intelligence) e que, certamente, representava uma mais-valia profissional. A função primária e essencial da J2 é fornecer estudos e avaliações (estudo, análise e avaliação da ameaça e de todos os actores presentes na Área de Operações [AO]) ao Comandante da Força (Force Commander - FC) e a toda a estrutura militar da UNIFIL, de forma a garantir um conveniente e adequado planeamento de todas as operações a desenvolver e, essencialmente, garantir a devida Protecção da Força (Force Protection) a todas as unidades pertencentes à UNIFIL. A J2 é constituída por quatro secções distintas: a Secção 20

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4


CCIRM, a Secção de Planos (Plans), a Secção de Análise (Analysis) e a Secção de Avaliação (Assessment). A CCIRM faz toda a pesquisa, atribui as tarefas de pesquisa, e constitui, assim, a “porta de entrada e de saída” de toda a Informação dentro da J2. A Secção de Planos é responsável pela elaboração de todos os planos essenciais ao funcionamento da J2 e, principalmente, a elaboração e actualização do Plano de Arquivo de Informação (Intelligence Collection Plan ICP). A Secção de Análise é dividida consoante os actores presentes na AO, por analistas do Hezbollah, da IDF, dos Palestinianos, das LAF e da população. Cada especialista, no desempenho da sua actividade, é responsável por estudar ao pormenor e analisar convenientemente a sua área, de forma a poder fornecer análises fundamentadas da mesma. A Secção de Avaliação (Assessment) é responsável por receber as análises e informação das outras secções e elaborar as diversas avaliações (assessments) para cada situação específica. No entanto, apesar de cada oficial ter uma função específica, devidamente descriminada no seu desempenho de função (Job description), desde o primeiro momento o Coronel, chefe da J2, incentivou todos os militares pertencentes a esta secção a serem

analistas de informações e a contribuírem sempre com a sua própria avaliação para todas as situações. Este facto levava a que todos, os que pertenciam à J2, tivessem um árduo mas interessante trabalho e, sem dúvida, a um conhecimento mais profundo das situações. Devido à complexidade da situação vivida no Líbano, à quantidade de actores presentes na AO (UNIFIL, LAF, IDF, Hezbollah, Palestinianos e uma população com enormes diferenças religiosas: Cristãos Maronitas, Protestantes e Romanos, Muçulmanos Xiitas e Sunitas, e ainda Druzes, referindo as mais significativas, visto que, no Líbano, se encontram mais de 18 credos diferentes), ao sistema político único no Mundo (Acordo de TAIF, que estabelece a divisão de poderes e cargos políticos pelas diversas religiões) e, ainda, aliando a história, extremamente conturbada, deste país, os primeiros tempos exigiam a necessidade de conhecer a situação e os actores. Por seu turno, é previdente ter em consideração alguns elementos históricos associados, de forma a constituir um background de conhecimento que permitisse analisar, comparar, relacionar e prever as situações que, futuramente, iriam surgir. Quanto mais informação recebia, mais tempo passava e o conhecimento era cada vez maior. Fundamentava a certeza que a situação na região era extremamente complexa, tendo, por vezes, alguma dificuldade em entender o rumo e a razão dos acontecimentos. Constituía preocupação e actividade diária a análise de todas as fontes de informação livres (Open Sources - jornais, televisão, Internet, população), a participação em reuniões com a Secção de Informação da LAF (LAF Intelligence), participação e planeamento em patrulhas aéreas e terrestres, atribuição de tarefas de pesquisa de informação às unidades subordinadas e a preparação de todas as

BOLETIM 2010

21


reuniões desta comunidade de informações (Intel Community). Quanto mais o tempo passava, maior a motivação no interessante trabalho que me estava adstrito e que, por razão da função, levava ao conhecimento de toda a AO, quase todo o Líbano e ainda a algumas zonas de Israel e da Síria. Para além do anteriormente referido, a convivência e o excelente ambiente de trabalho na J2, com militares de 12 países diferentes, constituiu um enriquecimento profissional e pessoal relevantes, levando a adquirir experiências fantásticas, quer a nível de cultura, hábitos, costumes e religião, quer a nível linguístico. Esta missão foi, sem dúvida, uma experiência única, que em muito contribuiu para a minha formação militar e cívica, permitindo uma troca de experiências invulgares e uma mais-valia profissional inquestionável, particularmente na área das Informações Militares. Para além deste apontamento e da vivência nesta missão, refiro com particular orgulho e satisfação de militar e de português, que os nossos militares estão

22

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

ao nível dos melhores, quer em termos de formação, quer na sua capacidade de adaptação às mais diversas circunstâncias, desenvolvendo empatia com os demais indivíduos da região e posicionando a nossa bandeira em lugar de destaque.

CAP ART Sandro Geraldes Oficial de Pessoal e Logística/GAC


M119 105MM LIGHT GUN/30/M98 UM OBUS MODERNO E ACTUAL

Introdução Obus M119 105mm Light Gun/30/m98 entrou ao serviço do nosso Exército em 1998, como nos indica a sua nomenclatura. Foi adquirido ao Reino Unido, com a particularidade de ter sido o primeiro obus cuja aquisição resultou de um programa incluído numa Lei de Programação Militar, para completar e reequipar o Grupo de Artilharia de Campanha (GAC) da Brigada Aerotransportada Independente (BAI), que tinha sido criada em Janeiro de 1994. Na altura, concluiu-se que nenhum dos materiais de Artilharia que equipavam o nosso Exército possuía as características ideais para a especificidade daquela Grande Unidade. Foi assim adquirido pela primeira vez um obus, sem que o seu

resultado fosse decorrente de um processo de aquisição baseado na recepção de materiais que já estavam ultrapassados nos países de origem. Os testes para a aquisição do obus decorreram no primeiro trimestre de 1996, apenas aos dois obuses que tinham ultrapassado as fases prévias do concurso público: o nosso M119, da firma inglesa Royal Ordnance e o obus LG1, da fábrica francesa Giat Industries. Após estes rigorosíssimos testes, a escolha recaiu no M119 inglês. Este obus, originalmente com a designação de L118, começou a ser produzido para o Exército Britânico na década de 70 do século passado, mais precisamente em 1975, para substituir o obus Oto Melara, de origem italiana, pois a sua falta de alcance (10,5Km) tornava-o potencialmente vulnerável aos fogos de contra-bateria e BOLETIM 2010

23


a sua pouca robustez não lhe granjeava popularidade. O L118 foi largamente exportado, inclusive para os EUA, onde foi modificado para a conhecida versão M119A1 e depois A2. Foram, portanto, muitos os países que adquiriram este material, cerca de vinte espalhados pelos cinco continentes e, curiosamente, o mesmo também aconteceu com o LG1 francês. Podemos afirmar que, no nosso Exército, o M119 já serviu em três Brigadas, ou melhor, o mesmo Grupo já pertenceu à BAI, à Brigada de Intervenção e, actualmente, é orgânico da Brigada de Reacção Rápida (BrigRR). Onze anos ao serviço do nosso Exército Muitos foram e continuam a ser os exercícios efectuados com este material, mostrando sempre, a

24

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

nível artilheiro, ser uma arma bastante precisa. No entanto, foram surgindo alguns problemas no âmbito da sua manutenção, cuja análise cuidada, que aqui se pretende efectuar, permite optimizar alguns aspectos, para futuras aquisições da mesma natureza. Chegado o material ao nosso País no início de 1999, decorreu na Escola Prática de Artilharia durante duas semanas, um estágio ministrado por militares ingleses para os utilizadores do M119, ou seja, para o pessoal responsável pela Manutenção de Unidade (o correspondente à manutenção de 1º e 2º escalão). Este estágio envolveu cerca de dez militares, entre os quais, curiosamente, apenas se encontravam três primeiros-sargentos mecânicos de armamento pesado, sendo frequentado também por sargentos mecânicos de armamento ligeiro, entre outros, que nunca viriam a estar ligados a este material. Duas semanas depois,


decorreu na ex-Escola Prática do Serviço de Material, agora Regimento de Manutenção, um Curso de Manutenção Intermédia (correspondente ao 3º escalão), ministrado por civis da Royal Ordnance, só para militares do Serviço de Material (SM) e dois civis das Oficinas Gerais de Material de Engenharia (OGME). Depois deste curso foram, ainda, frequentar o curso de Light Gun a Inglaterra, cinco militares do SM (apenas três mecânicos de armamento pesado) e um civil das OGME, que ficaram aptos a realizar a Manutenção de Depósito (correspondente ao 4º escalão). Porém, dos três primeiros-sargentos do SM (mecânicos de armamento pesado), actualmente, apenas um está ligado à manutenção deste obus. Com o M119 ao serviço do Exército desde 1998, só em 2004, seis anos depois, se iniciaram acções de formação para os técnicos do SM, mas que apenas habilitava, até há muito pouco tempo, para a realização da Manutenção de Unidade (1º e 2º escalão) e não para a realização da Manutenção Intermédia, nem de Depósito (3º e 4º escalão). Isto significa que, e o Regimento de Artilharia N.º 4 é exemplo disso, durante seis anos, os mecânicos de armamento pesado não possuíam qualquer formação para efectuarem a devida manutenção aos obuses. Desta forma, não foi por acaso que em 2005 os ingleses da Royal Ordnance, na altura já com o nome de British Aerospace (BAE) Systems, vieram a Portugal porque os obuses apresentavam uma série de

problemas, principalmente ao nível do sistema de travagem e na componente Ligação Elástica. Dos 21 obuses adquiridos estavam inoperacionais cerca de uma terça parte. Após esta inspecção aos obuses, os técnicos da BAE Systems fizeram um relatório onde elencaram os principais problemas e elaboraram uma lista de material que deveria ser substituído. Recomendaram, inclusivamente, que fosse constituída uma Lista de Níveis Orgânicos das peças de maior consumo. Porém, o resultado final foi a não aquisição dos sobressalentes que eram secundárias para a execução do tiro, refira-se: foles de protecção, vedantes, rebites, cavilhas, etc., que, efectivamente, foram sendo adquiridos, mas no mercado civil. Os ingleses da BAE Systems propuseram, também, a aquisição de um compressor próprio, exclusivo deste sistema de armas, que permite atestar com ar comprimido (com um grau de pureza muito específico) o reservatório de ar comprimido, elemento integrante da Ligação Elástica. Este compressor permite ainda encher as botijas de ar comprimido, que fazem parte da palamenta e que se destinam a atestar os níveis de ar comprimido, apenas em situações pontuais (quando em exercícios de campo ou em combate). Ainda assim, é com estas botijas, carregadas em firmas civis, que o Exército tem, normalmente, atestado os reservatórios de ar da Ligação Elástica. Actualmente, alguns reservatórios já não têm no seu interior ar comprimido,

BOLETIM 2010

25


como determina o fabricante, mas sim azoto, por ser considerado que tem o mesmo efeito. Tal significa que alguns dos obuses do GAC/BrigRR têm ar comprimido na ligação elástica e outros têm azoto, com as consequências que esta arbitrariedade pode trazer. Coincidência ou não, os principais problemas deste material estão na componente Ligação Elástica, principalmente, no Cilindro Recuperador, que trabalha com ar e óleo, com a deterioração dos retentores/vedantes que deixam, assim, que o ar se misture com o óleo. Portanto, no que se refere aos sobressalentes, a política adoptada desde que o Light Gun entrou ao serviço no nosso Exército, foi a de não existência de quaisquer stocks no Depósito Geral de Material do Exército, adquirindo-se as peças com base em requisições, depois do levantamento das deficiências, o que resulta numa demora na ordem dos seis a sete meses. Todavia, apesar do referido, salienta-se que o M119 é um excelente material; versátil, preciso no que respeita ao tiro e, em termos mecânicos, muito fiável. Light Gun nos Exércitos Americano e Inglês No Exército Americano, o obus M119 equipa todas as Divisões Ligeiras: 10th Mountain Division (Light Infantry), 25th Infantry Division, 82nd Airborne Division, 101st Airborne Division, 173rd Airborne Brigade Combat Team e alguns GAC da National Guard. Por sua vez, no Exército Inglês, equipa o 7th Parachute Regiment Royal Horse Artillery da 16th Air Assault Brigade, o 29th Commando Regiment Royal Artillery do 3rd Commando Brigade Royal Marines e o 40th Regiment

Royal Artillery da 19th Light Brigade da 3rd Mechanized Division. Nestes exércitos é rotineiramente lançado em operações aerotransportadas e helitransportado em helicópteros Chinook e Blackhawk em operações de assalto aéreo. Tem, continuamente, provado ser, face às restrições próprias do transporte aéreo, o material de Artilharia mais adequado para estas operações, principalmente, devido ao seu baixo peso. Integrado nestas unidades, tem tido bons desempenhos, recentemente, no Iraque e no Afeganistão. O futuro do Obus M119 Light Gun Ao calibre 105mm está associada uma maior mobilidade, atendendo a que as armas são mais leves e compactas, podendo ser facilmente transportadas em meio aéreo ou rebocadas por um simples jipe 4x4 e o peso das suas munições, relativamente baixo, permite o transporte em maior número. Assim, cada vez mais, os exércitos reconhecem o valor dos materiais mais ligeiros, em detrimento das armas mais letais. O Exército Inglês, por exemplo, tenciona manter o L118 até 2033, com as devidas actualizações, claro. Durante a década de 90 já equipou todos os seus L118 com um velocímetro. Em 2002, o aparelho de pontaria dos L118 foi substituído pelo LINAPS Artillery Pointing System (APS), um sistema auto-suficiente que permite navegar, apontar e gerir o sistema de armas, possibilitando uma rápida e precisa entrada em posição, sob quaisquer condições meteorológicas, quer de dia, quer à noite, tendo sido utilizado com bastante sucesso no Iraque, durante a Segunda Guerra do Golfo. Este sistema não necessita de levantamento topográfico


prévio, não requer pontos de referência ou pontos afastados conhecidos, permite uma maior rapidez na entrada em posição e precisão na localização da boca-de-fogo tornando desnecessário o GoniómetroBússola para a pontaria inicial. Tudo isto resulta, em última análise, numa redução dos custos de treino. Também em 2007 foi iniciado um programa visando o incremento de capacidades, no sentido de melhorar alguns componentes e de reduzir o peso, através da substituição de alguns componentes em aço por titânio. Assim, num futuro próximo, quer no Exército Inglês quer no Americano, não se perspectivam alterações no âmbito dos sistemas de armas, mantendo-se, ao serviço, os actualmente existentes, nomeadamente o Obus L118/M119 105mm Light Gun. O desenvolvimento previsto incidirá, por sua vez, nas munições (com o desenvolvimento de dispositivos de precisão, a acoplar às munições 105mm existentes), nos Sistemas Automáticos de Comando e Controlo e na Aquisição de Objectivos. Podemos considerar que o nosso obus M119 é uma arma actual, perfeitamente adequada ao emprego que dela se pretende na BrigRR e que, à semelhança de exércitos mais evoluídos, devemos mantê-la e actualizá-la tendo em vista o incremento do seu desempenho operacional. No caso português, para além das actualizações a efectuar no obus, é fundamental ser equacionada a substituição da viatura que o reboca, uma vez que o Unimog 1100 L, sendo na altura a solução possível, encontra-se actualmente desajustado às exigências de protecção da força.

Conclusão Considerando que a manutenção é fundamental para garantir a prontidão e a longevidade do material, é imperativo que em futuras aquisições seja adquirido todo o completo do material e que, antecipadamente, seja definida uma política de formação e comprometimento dos técnicos do Serviço de Material que ficarão ligados à manutenção de determinado sistema de armas. Quanto aos sobressalentes é fundamental a existência, para disponibilização imediata, das peças de maior consumo pois, sem estas, a prontidão é muito afectada. Finalmente, o obus M119 105mm Light Gun/30/ m98 é um sistema de armas actual com provas dadas em várias campanhas, devidamente adequado às características da BrigRR, não havendo, presentemente, necessidade da sua substituição. Porém, é determinante iniciar o processo da sua modernização, não devendo ser esquecida a questão das viaturas que o rebocam.

TCOR ART Octávio Avelar Comandate do GAC

BOLETIM 2010

29


LIÇÕES APRENDIDAS

OPERACIONALIZAÇÃO DO SISTEMA AUTOMÁTICO DE COMANDO E CONTROLO

operacionalização do Sistema Automático de Comando e Controlo (SACC) constitui, para o Grupo de Artilharia de Campanha (GAC), para a Brigada de Reacção Rápida (BrigRR) e, em última análise, para a Artilharia, uma evolução tecnológica fundamental na resposta aos requisitos técnicos exigidos às forças que fazem parte da Aliança Atlântica. É um sistema composto por quatro subsistemas: - o Sistema Táctico Avançado de Dados da Artilharia de Campanha (Advanced Field Artillery Tactical Data System - AFATDS), que equipa o Elemento de Apoio de Fogos (EAF) da Brigada e dos Batalhões, o Posto Central de Tiro (PCT) do GAC, a Secção de Operações e a Secção de Informações, que se destina a efectuar a Direcção Táctica do Tiro de Artilharia; - o Sistema Computorizado da Bateria (Battery Computer System - BCS), que equipa o Posto Central de Tiro das Baterias de Bocas de Fogo, tem como missão efectuar a Direcção Técnica do Tiro de Artilharia; - o Sistema Avançado de Observação (Forward Observer System - FOS), que equipa as Equipas de Observação Avançada, faz a condução de Missões de Tiro de Artilharia e o planeamento de Apoio de Fogos nas subunidades de manobra; - o Terminal de Dados do Obus (Gun Display Unit/Replacement - GDU-R), que equipa as Secções de Bocas de Fogo, tem como função a recepção de elementos de tiro (direcção, elevação e graduação de espoleta), para apontar, carregar e disparar os obuses. O SACC foi adquirido aos Estados Unidos da América (EUA) para efectuar a Direcção Táctica 30

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

e Técnica do Tiro de Artilharia e é uma ferramenta com bastantes possibilidades, no que diz respeito ao planeamento e execução do Apoio de Fogos, fundamental para ser utilizado durante o Processo de Tomada de Decisão Militar. O Regimento elegeu em 2007, como “Área de Excelência”, a implementação do SACC. Este tem sido um processo com várias fases, decompostas no tempo, para que os conhecimentos e a experiência adquiridos sirvam de “trave mestra” à operacionalização total deste novo paradigma artilheiro. Outro aspecto fundamental que os militares da Arma de Artilharia não podem ignorar é que, em todos os escalões de comando, existe um artilheiro, cuja função é aconselhar o Comandante para o Apoio de Fogos. É este artilheiro que coordena a aplicação de todos os meios de Apoio de Fogos ao dispor de um comandante. Neste aspecto, o SACC é uma ferramenta de capital importância, desde a fase do planeamento do


Apoio de Fogos à fase de aplicação de todos os meios de Apoio de Fogos de forma racional, para dar resposta às directivas do Comandante na integração do Apoio de Fogos na Manobra da Força. Importa ainda salientar que a principal finalidade deste artigo é dar a conhecer as actividades desencadeadas no último ano no âmbito da operacionalização do sistema, as dificuldades sentidas e, por fim, sensibilizar o Escalão Superior da necessidade de encontrar soluções para os problemas detectados. Antecedentes O SACC, para a Artilharia de Campanha, foi recebido pelo Regimento de Artilharia N.º 4 (RA4) em Fevereiro de 2005 no Depósito Geral de Material do Exército. Ainda em 2005, decorreu na Escola Prática de Artilharia (EPA) o curso dos vários subsistemas que compõem o SACC, ministrado por instrutores vindos dos EUA. Em Março de 2007, decorreu em Santa Margarida a verificação final dos equipamentos (sell-off), com vista à aceitação final dos equipamentos por parte do Exército, que contou com a presença dos representantes das empresas que exportaram os sistemas e, do Exército,

com representantes das Unidades que foram equipadas com o SACC. No sell-off foram feitas demonstrações de Missões de Tiro apenas com o sistema AFATDS, tendo como meio de transmissão de dados o fio WD1-TT, assim como uma sessão de fogos reais com todos os subsistemas, em que os meios de transmissão de dados foram os rádios de origem Americana que equipam a Brigada Mecanizada. Ainda, durante o sell-off, foi testada a comunicação digital através do rádio P/PRC 525, entre os subsistemas SACC, mas apenas se obteve sucesso de transmissão de dados entre sistemas AFATDS. Estes testes contaram com a presença de um representante da Direcção de Comunicações e Sistemas de Informação e da Eng.ª Cidália, pertencente à EID, empresa que fornece os rádios ao Exército. Em Dezembro de 2008, o GAC recebeu as viaturas Iveco, que transportam as coberturas que albergam os equipamentos SACC. Ainda no mesmo mês, o GAC foi equipado com rádios P/PRC 525, com capacidade de efectuar comunicação digital segura no modo SECOM-V (com salto de frequência e texto cifrado associado a uma chave de cifra, antes da transmissão, e uma chave de decifra, após a recepção). Durante o ano 2009, o GAC utilizou o sistema em todos os exercícios em que participou.

BOLETIM 2010

31


Actividades desenvolvidas no último ano No âmbito da implementação/operacionalização do SACC, no GAC/BrigRR, têm vindo a ser conduzidas algumas experiências em sala, no sentido de criar uma rede (Network) que permita interligar todos os subsistemas, tendo como meio principal de transferência de informação/dados o rádio P/PRC 525. Das experiências efectuadas, sob orientação do Chefe do PCT do GAC, foi elaborado um diagrama de comunicações, tendo como principais objectivos permitir a comunicação entre todos os elementos com intervenção no Apoio de Fogos, adequar e rentabilizar os meios de comunicações disponíveis, colocar o maior número de equipamentos SACC a efectuar comunicação digital, tendo em vista a troca de informação com maior celeridade e segurança das comunicações, e ter como meio de alternativa às comunicações digitais uma rede analógica/radiofónica para reactivar as redes de tiro do GAC (T1, T2 e T3) quando necessário. Após as experiências em sala realizadas com sucesso, para criar a Network atrás mencionada, foram desencadeados alguns exercícios de campo com execução de Tiro de Artilharia, onde o SACC foi testado, nomeadamente, na Avaliação de Creditação (CREVAL), efectuada ao desempenho da Bateria de Artilharia de Campanha que foi criada para integrar uma Força de Reacção Rápida do Tratado do Atlântico Norte (BArtCamp/NRF14) em Junho de 2009; no Exercício Trovão 092 realizado em Santa Margarida em Novembro de 2009; no Exercício de Comunicações

Rede de Apoio de Fogos

no interior do RA4 no início de Fevereiro de 2010; e, ainda no mesmo mês, no Exercício Infront 101 em Santa Margarida. No final do mês de Fevereiro de 2010, esteve presente no Regimento a Eng.ª Cidália da empresa EID para verificar todos os rádios, montagens veiculares e colocar a última versão de software do rádio disponível para o Exército. Foram detectados e identificados problemas nas montagens rádio de algumas viaturas, que estão a ser solucionados pela empresa responsável. Foi ainda elaborada uma nova programação dos rádios e posteriormente realizado no Regimento e área adjacente um exercício para testar a transmissão de dados, utilizando a nova versão de software do rádio. O sistema foi utilizado no Exercício Trovão 101 realizado em Santa Margarida em Março de 2010, e nos Exercícios Eficácia 10 e Rosa Brava realizados em Santa Margarida em Abril de 2010.

Justino Monteiro & Filhos, Lda (VELUDO)

TROFEÚS E MEDALHAS DESPORTIVAS REPARAÇÕES EM OURO E PRATA - GRAVAÇÕES

Largo dos Barreiros, 2 - 2410-087 LEIRIA Tel/Fax 244 833 097 - Email: justino.filho@iol.pt 32

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4


No que respeita às actividades no âmbito da formação, no início de Janeiro os elementos que desempenham funções nas Equipas de Observação Avançada (OAV) e no Posto Central de Tiro das Baterias de Bocas de Fogo (BBF) frequentaram, na EPA, o curso de FOS e BCS, respectivamente. Durante os meses de Maio e Junho três sargentos do GAC frequentaram, também na EPA, o curso de AFATDS. Principais problemas Quanto às viaturas Iveco têm surgido alguns problemas mecânicos que as têm tornado inoperacionais com muita frequência. No respeitante à transmissão de dados, durante os exercícios, foram observados vários problemas na comunicação digital, em especial entre o FOS e o AFATDS. Quando é colocada em funcionamento uma Network digital (texto cifrado e salto de frequência no modo SECOM-V), com equipamentos iguais (AFATDS - AFATDS), a Network funciona sem problemas, a transmissão de dados entre equipamentos é feita com celeridade, segurança e sem quebra de comunicação. Porém, quando se pretende conectar sistemas diferentes, em particular o FOS e o AFATDS, a transmissão de dados não se mostra fiável. Na maioria das vezes nem sequer é conseguida, por falha/quebra de comunicação entre os sistemas; O BCS não faz comunicação digital quando se coloca o rádio P/PRC 525 no modo SECOM-V com TRANSEC e COMSEC (texto cifrado e salto de frequência). Só comunica quando se utiliza frequência fixa com transmissão analógica de dados. A comunicação analógica de dados é francamente mais lenta e, do ponto de vista das transmissões, é uma comunicação não segura, logo, compromete o cumprimento da missão. Foram, ainda, detectados alguns problemas de ordem técnica no que respeita à execução de Tiro de Artilharia. Relativamente às Missões de Tiro de Regulação, Percussão e Tempos, seguidas de Eficácia, quando se regula em percussão e se passa à regulação da

BOLETIM 2010

espoleta de tempos, no BCS aparece de imediato um comando para efectuar a Eficácia e não continuar a regulação com a granada HE com espoleta de Tempos, como seria de esperar. Ou seja, o sistema não nos está a permitir regular as granadas de Tempos para execução de uma rajada com todas as bocas-de-fogo de forma proficiente. No que confere às Missões de Tiro de Fumos que são efectuadas com granada HC, quando o OAV acaba de regular a munição HE no ponto inicial de formação de fumos e altera, no seu FOS, de granada HE para HC com espoleta de Tempos, para poder regular a sua altura de rebentamento, no BCS continua a aparecer regulação com munição HE e espoleta de Percussão, como se nada tivesse sido feito, pelo OAV, para desenvolver a regulação e ter todos os dados, de modo a obter a cortina de fumos pretendida.


Análise No que às viaturas Iveco diz respeito, os problemas mecânicos que as tornam inoperacionais estão a demorar muito tempo a ser solucionados, uma vez que a sua reparação excede a capacidade do Regimento. Quanto aos equipamentos do SACC nos EUA, têm como meio de transmissão de dados, os rádios da família SINCGARS, rádios que o Exército Português não adquiriu por estar a desenvolver o projecto P/PRC 525, com capacidade de transmissão de dados. No entanto, a transmissão de dados entre os vários sistemas SACC, utilizando uma Network digital, não tem tido a fiabilidade esperada, pelo que se vislumbra a necessidade, urgente e premente, de um estudo exaustivo desta questão. Desta forma, está a ser dispendido demasiado tempo a tentar solucionar-se os problemas com comunicações digitais, com recurso ao P/PRC 525, tornando manifestamente insuficiente o tempo disponível para o treino dos operadores. Os problemas de Comunicações verificados, utilizando uma Network digital, em especial na ligação FOS - AFATDS, podem ter diversas origens, das quais, após se terem efectuado algumas experiências para eliminar eventuais causas, apontamos como possíveis causas a utilização de diferentes modems de comunicação entre os vários sistemas que pertencem a gerações diferentes, problemas entre o software dos equipamentos FOS e o software do rádio P/PRC 525, ou, ainda, problemas de compatibilidade entre os cabos de ligação digital dos rádios Manpack e as caixas de comutação dos rádios das montagens veiculares. Quanto ao facto do BCS não comunicar utilizando uma rede digital, esta situação ainda não foi totalmente explorada, dado que depois da troca de impressões 34

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

com a Eng.ª Cidália obtivemos informações de que foram feitos vários testes para colocar o AFATDS, o FOS e o BCS a comunicar digitalmente, o que se conseguiu apenas com os dois primeiros subsistemas. Foi-nos ainda referido que posteriormente viriam a ser abandonadas as experiências no sentido de colocar o BCS a comunicar digitalmente, mas que a situação poderia ser novamente estudada, o que traria maior segurança das comunicações e maior celeridade na transmissão de dados. Se os subsistemas SACC não comunicarem numa rede digital segura, com texto cifrado e salto de frequência, a transmissão de dados é bastante mais lenta, aumentando o tempo de resposta aos pedidos de tiro. Acresce, ainda, que empastelar a rede torna-se mais fácil, logo a transmissão de dados pode efectuar-se com erros, ou mesmo não existir, acarretando sérias dificuldades à necessária prontidão do Apoio de Fogos ao dispor do Comandante da Unidade de Manobra Apoiada. A operacionalidade do SACC depende assim, directamente, da fiabilidade do sistema de comunicações através do qual efectua troca de dados/informação. No que concerne aos problemas identificados de ordem técnica na execução do Tiro de Artilharia, ainda não se conseguiu obter qualquer conclusão. No entanto, vão continuar a efectuar-se experiências para que seja encontrada uma solução. Uma possível causa poderá prender-se com a existência de bugs no software do sistema AFATDS. Face ao exposto, urge providenciar os meios adequados para a tentativa de resolução das dificuldades verificadas, passando por um apoio técnico exterior, quer ao nível internacional, pela entidade produtora do sistema, quer ao nível nacional,


pela constituição de uma equipa multidisciplinar de acompanhamento das diversas áreas que, naturalmente, estão interligadas. Paralelamente a estes aspectos apresentados de uma forma resumida, passará certamente, também, pela aquisição de dispositivos e substituição de alguns componentes de transmissão de dados, de forma a potenciar as capacidades do sistema. Síntese conclusiva O paradigma SACC tem que ser encarado de forma global, tendo por princípio o treino integrado entre os operadores dos vários subsistemas de modo a consolidar conhecimentos técnicos da operação de cada subsistema e preparar os operadores para uma nova realidade táctica e técnica que o SACC vem impor. Este trabalho, que se entende ser de equipa, só dará frutos se todos os órgãos que têm intervenção no Apoio de Fogos funcionarem em simultâneo. A evolução táctica e técnica dos operadores dos vários sistemas estão dependentes da resolução dos problemas de comunicações/transmissão de dados que se têm verificado. Dado que o SACC é um sistema com bastantes recursos, para gestão de toda a informação respeitante

ao Apoio de Fogos, é fundamental que os operadores dos vários subsistemas tenham um treino intensivo e permaneçam em funções por um período mínimo de dois anos. A implementação/operacionalização do SACC no GAC/BrigRR constituiu um avanço tecnológico, sem precedentes na Artilharia de Campanha Portuguesa, que está a ser condicionado pelos problemas emergentes nas comunicações entre os vários subsistemas que compõem o SACC. Como tal, é necessário que o Exército, nos seus diversos níveis de decisão e responsabilidade, potencie e auxilie a resolução dos problemas apresentados, pois, caso assim não aconteça, a completa implementação e operacionalização do SACC poderá nunca chegar a ser concretizada, não passando assim de uma realidade virtual.

CAP ART Álvaro Santos Chefe PCT/GAC

BOLETIM 2010

35


INVESTIR

CONCEITOS E ALTERNATIVAS DE APLICAÇÃO DA POUPANÇA Os investimentos de risco são como o «stress»; Como não se pode evitá-lo, mais vale saber geri-lo. Domitília Santos

prudência, a ponderação e a coragem, para tomar decisões com um risco calculado e controlado, são qualidades presentes e inerentes a qualquer militar, que lhe permitem conseguir alcançar determinadas vantagens e objectivos. Também nas finanças pessoais estas qualidades são necessárias e essenciais para aplicar as poupanças de forma mais adequada aos objectivos pretendidos. Nas finanças pessoais a poupança corresponde à preservação dos recursos para consumo no futuro. Sucede, porém, que a inflação pode retirar valor à poupança se esta não for investida. Se o nosso dinheiro estiver “debaixo do colchão”, num depósito à ordem, ou mesmo num depósito a prazo, com uma taxa de juro inferior à taxa de inflação, então o nosso dinheiro está a perder valor, isto é, estamos a poupar mas, no futuro, vamos consumir menos do que poderíamos consumir hoje, com o mesmo dinheiro. Por seu turno, se o nosso dinheiro estiver aplicado em produtos financeiros, que permitam uma rendibilidade superior à taxa de inflação, podemos então afirmar que estamos a preservar e a aumentar a nossa poupança. Investir é das coisas mais importantes que devemos aprender a fazer. Devemos orientar os nossos investimentos de acordo com os nossos objectivos, sejam estes a curto, a médio, ou longo prazo. Como investidores, devemos ter sempre presente que o grau de risco de um produto financeiro aumenta em função da rendibilidade que ele pode proporcionar e vice-versa. Uma das regras de ouro para minimizar ou atenuar o risco é a diversificação, ou seja, não devemos “colocar todos os ovos no mesmo cesto”. Devemos diversificar, investindo em produtos de risco muito reduzido, em produtos risco de moderado e em produtos de risco elevado. De um modo geral, existem três tipos de perfil de 36

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

investidores: o conservador, o moderado e o agressivo. O investidor conservador tem aversão ao risco, investe em produtos financeiros sem risco, ou de risco muito reduzido, a médio/longo prazo; não tem pressa em obter ganhos e procura minimizar as perdas ou a ausência delas. O investidor moderado ou equilibrado é aquele que tem características de investidores conservadores e agressivos. O investidor agressivo não tem aversão ao risco. Investe em produtos financeiros com risco moderado e risco elevado, com o objectivo de obter rendibilidades proporcionais aos riscos enfrentados.


O perfil do investidor depende das características pessoais e dos objectivos de cada um. Assim, existem algumas questões que devem ser analisadas, antes de definir um perfil de investidor. Quanto podemos investir? Deve planear-se objectivos, de acordo com o que podemos investir. Não adianta investir, actualmente, €20.000,00, se amanhã vamos precisar de o resgatar. É preferível investir uma pequena parte do valor e deixá-lo aplicado por bastante tempo, do que colocar uma grande quantia e precisar dela depois. Qual o prazo de investimento que pretendemos? O investidor deve definir um prazo para o investimento e avaliar o tempo mínimo de aplicação em cada produto financeiro, escolhendo aquele que condiz com os seus objectivos. A melhor aplicação vai depender do prazo que o investidor tiver para investir. Qual a rendibilidade que pretendemos alcançar? O investidor deve determinar uma rendibilidade esperada, tendo sempre em mente que, quanto maior for essa rendibilidade, maior será o risco que terá que correr. A aplicação em produtos financeiros, que possam proporcionar rendibilidades de 10% ou 15%, pode originar perdas, por vezes superiores a 20%. Para saber em que tipo de perfil o investidor se enquadra, existem inúmeras páginas na Internet de instituições financeiras1 que, através de questionários e simuladores on-line, determinam o perfil do investidor. Para podermos aplicar as nossas poupanças, em produtos financeiros e entrarmos no mercado de capitais, necessitamos de um intermediário finan-

ceiro que esteja devidamente autorizado e regulado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), e que esteja sujeito à supervisão do Banco de Portugal e da CMVM. Normalmente, os intermediários financeiros são os bancos ou, então, as chamadas sociedades de corretagem. No nosso país temos bancos como o Banco Best, Banco BIG, Activobank7, BancoInvest e sociedades de corretagem, como a Lisbon Brokers, Dif Brokers, Intervalores e a Orey, que são especializados em investimentos de produtos financeiros. Existem vários produtos financeiros que variam entre si, relativamente à sua complexidade e ao seu grau de risco. Os produtos financeiros mais conhecidos são os Certificados de Aforro, os Depósitos a Prazo, as Obrigações, as Acções, Mercado Cambial (Forex), os Fundos de Investimento, os Exchange-Traded Funds (ETF), e os Derivados (Futuros, Opções, Swap, CFD), sendo, este último, um produto financeiro de risco muito elevado. Para termos uma ideia da rendibilidade e retornos que alguns produtos financeiros podem proporcionar, podemos observar o quadro seguinte:

FERRAGENS FERRAMENTAS TORNEIRAS SANITÁRIOS AZULEJOS PAVIMENTOS MÓVEIS E ESPELHOS PARA W.C. Loja 1: Rua da Maligueira - GÂNDARA DOS OLIVAIS (Com Exposição de Salas de banho) - Tel. 244 827 067 Loja 2: Rua da Maligueira - GÂNDARA DOS OLIVAIS (Com Exposição de Ferragens e Ferramentas) Tel. 244 825 807 - Fax. 244 836 183 Loja 3: Avenida Heróis de Angola, nº 72 (Com Exposição de Sanitários) - Tel. 244 828 323

Apartado 3006 - 2401-903 LEIRIA E-mail: ferragensavenida@vodafone.pt

BOLETIM 2010

37


RENDIBILIDADES MÉDIAS ANUAIS NAS ÚLTIMAS 8 DÉCADAS NOS EUA

Acções

11,82%

Imobiliário

11,11%

Obrigações de Empresas (AAA - nível risco baixo)

8,98%

Títulos do Tesouro/ Obrigações do Estado

5,28%

Inflação

3,1% Fonte: FED, amostra de 75 anos. Activos em USD

Como podemos observar, os produtos de maior risco, como as acções, são os que proporcionam as maiores rendibilidades. Por sua vez, os produtos de risco muito reduzido, como os títulos do tesouro, são aqueles que proporcionam uma rendibilidade menor mas, apesar de uma menor rendibilidade, esta consegue ser superior à inflação.

PRODUTOS FINANCEIROS Títulos do Tesouro/Obrigações do Estado/ Certificados de Aforro Os Certificados de Aforro ou Obrigações do Estado são títulos de dívida emitidos pelo Estado, que podemos subscrever e que são reembolsáveis, a partir de um trimestre, após a data de subscrição. É um meio de financiamento que o Estado utiliza, frequentemente, para fazer face ao défice orçamental, pagando, para isso, uma taxa de juro, acrescida de um prémio de permanência. Os Certificados de Aforro são considerados, em geral, o produto financeiro com menor risco, ou seja, um risco quase nulo, originando, consequentemente, remunerações com uma taxa de juro muito reduzida. Como exemplo, a taxa de juro anual bruta, para subscrições de Certificados de Aforro, em Maio de 2010, foi fixada em 0,797%.

Depósitos a Prazo Os Depósitos a Prazo são uma forma simples e segura de investir o dinheiro, são fáceis de subscrever e não têm custos de abertura. Estes depósitos são remunerados através de juros que são pagos no final do prazo contratado. Em alguns bancos, os clientes podem escolher o prazo que desejarem, mas os prazos mais frequentes são os de um mês, três meses, seis meses e um ano. Os Depósitos a Prazo beneficiam de uma garantia de reembolso até ao montante de €100 000,00, dada pelo Fundo de Garantia de Depósitos do Banco de Portugal, razão pela qual estes produtos têm associado um risco muito reduzido. É um produto normalmente utilizado e preferido pelos investidores com um perfil conservador. Conforme um estudo efectuado pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO), em 04 de Abril de 2010, no quadro seguinte, podemos observar as melhores alternativas para Depósitos a Prazo existentes no mercado. (1) Taxa de juro anual líquida, uma vez retido o imposto. (2) Só para novos clientes. (3) Só para novos capitais. (4) Para aniversariantes do mês. (5) Taxa média.

PAPELARIAS | LIVRARIAS | EQUIPAMENTOS

38

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4


Obrigações As Obrigações são títulos de dívida que representam uma parte de um empréstimo contraído por uma entidade e que confere, ao investidor, o direito de receber um juro fixo ou variável, para além da devolução do capital investido. Tal como os depósitos a prazo, as Obrigações são produtos de risco reduzido, sendo a taxa de juro também reduzida, variando conforme o grau de risco de incumprimento da entidade emitente das Obrigações. Existem Obrigações garantidas e Obrigações não garantidas, sendo sempre preferível subscrever Obrigações garantidas, pois assim, o investidor tem um direito real de hipoteca ou penhora sobre a entidade. Podemos considerar como exemplo, a recente emissão de Obrigações pelo Sport Lisboa e Benfica no montante de €40.000.000,00, à taxa anual bruta de 6%. Acções As Acções são títulos que representam uma parte de uma Sociedade Anónima e que conferem ao seu titular vários direitos, como o direito à repartição dos lucros. Possuir Acções significa ser dono de uma fracção da empresa. Como as empresas, ao longo da sua vida, vão aumentando ou diminuindo o seu valor - havendo algumas até que declaram insolvência - também os seus accionistas vão aumentando ou diminuindo o capital que investiram, o que as torna um produto financeiro de elevado risco. Em caso de insolvência, os accionistas devem saber que são os últimos credores a receber, ou seja, se uma empresa falir, muito dificilmente conseguirão reaver o seu capital.

A História demonstra-nos que as Acções são dos produtos financeiros mais rentáveis a longo prazo. Para termos uma ideia, o S&P 500 (índice composto pelas 500 empresas mais importantes para o mercado industrial, nos Estados Unidos da América) cresceu 5.510%, desde o início de 1960 até 6 de Janeiro de 2009. O que representa um crescimento médio anual de 7%, mesmo tendo em conta que em 2008 perdeu 32%. Para investir em Acções, o investidor deve investir, preferencialmente, no longo prazo (mínimo 5 anos). Uma das regras de ouro, que o investidor deve sempre respeitar, é a regra de não investir no desconhecido. Antes de investir em Acções de uma empresa, o investidor deve obter o máximo de informação sobre a empresa e analisar o seu desempenho. Deve procurar responder a perguntas como: • as vendas da empresa estão a crescer e a gerar lucros? • como é que a empresa está a conseguir financiar as suas operações? • será que vai ser capaz de pagar as dívidas? • a gestão estará a falsificar os números? • a empresa tem crescido, relativamente aos seus concorrentes? O rendimento de uma Acção tem duas componentes: o dividendo (lucro distribuído aos accionistas) e a mais-valia (a eventual diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra). Um investidor que pretenda investir em Acções, na Bolsa, deve respeitar sempre a regra da diversificação (para diminuir o risco) e deve ter em conta os custos de corretagem imputados nas operações de compra e venda, que podem variar entre os €2,00 e os €50,00, dependendo dos mercados accionistas e dos

BOLETIM 2010

39


intermediários financeiros. A cotação do preço de uma Acção é formada consoante a oferta e a procura da mesma. Mercado cambial (Forex) O mercado cambial ou Forex (Foreign Exchange) consiste na compra e venda de moedas/divisas estrangeiras. É considerado, actualmente, o maior mercado do mundo, funcionando 24 horas por dia e tem um volume de transacções diário que ronda os 3,2 triliões de dólares. Os mercados monetários internacionais são dos mais voláteis do mundo, encontram-se sujeitos às mudanças de taxas de juros e à saúde económica dos países. É extremamente difícil prever os movimentos do mercado monetário, uma vez que existem vários factores que determinam a formação dos preços, complexos e difíceis de conhecer. A negociação Forex 40

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

deve-se, em parte, ao comércio internacional, cerca de 5%. Os restantes 95% devem-se à pura especulação. Para o pequeno investidor, o investimento em Forex assume um risco que pode ser considerado excessivo e pode proporcionar ganhos ou perdas elevadíssimos. Antes de investir neste produto financeiro, o investidor deve procurar aconselhamento profissional e, caso decida investir, deve aplicar apenas uma pequena percentagem deste produto (5 a 10%), no total da sua carteira de investimentos. Fundos de Investimento Os Fundos de Investimento são um conjunto de capitais colocados em comum por vários investidores, e são geridos por uma sociedade financeira, a quem são confiados.


A composição de um Fundo é variada e pode ser composta por vários produtos financeiros como Acções, Obrigações e Depósitos, tendo sempre em linha de conta o prospecto do Fundo. O prospecto do Fundo é um documento que faz referência às condições do Fundo, entidade gestora, política de investimentos, autoridade de supervisão, auditores, riscos associados, custos das comissões, regime fiscal e perfil de investidor a que se destina. Antes de subscrever um Fundo de Investimento, o investidor deve sempre ler e analisar a informação contida no prospecto. Os Fundos de Investimentos trazem inúmeras vantagens para os pequenos investidores: • não é necessária uma quantia elevada para subscrever um Fundo; pode-se subscrever um Fundo desde €250,00; • são geralmente bem geridos e diversificados (a remuneração das equipas de gestão varia

consoante o desempenho do Fundo); • são bastante acessíveis (ex: Banco Best disponibiliza cerca de 2.000 Fundos); • têm uma boa liquidez (em regra, o dinheiro fica disponível na conta quatro a cinco dias após o resgate/venda); • permitem reduzir custos e diversificar a carteira com maior facilidade. O risco associado a um Fundo de Investimento varia conforme a composição dos produtos que possui. Um Fundo de Investimento composto, na sua maioria, por acções, tem um risco elevado. Um Fundo composto, na sua maioria, por Obrigações e Títulos do Tesouro, tem um risco muito reduzido. Um investidor deve possuir na sua carteira vários tipos de fundos, de modo a diversificar e a ficar menos exposto ao risco. Podemos observar, na figura seguinte, um exemplo de uma carteira de Fundos de investimentos para um investidor de perfil moderado.

BOLETIM 2010

41


Exchange-Traded Funds (ETF) Os Exchange-Traded Funds (ETF) são Fundos que replicam a evolução de um determinado índice, mas com a particularidade de serem transaccionados como as Acções. Isto significa que um investidor, que decida investir num ETF do S&P 500, terá uma evolução do seu investimento conforme a evolução do índice S&P 500. Como os ETF não são geridos activamente, as comissões de gestão são muito baixas. O facto de os ETF serem transaccionados como as Acções, implica que estes estejam sujeitos a custos com comissões de transacção, na compra e venda, e a comissões de guarda de títulos. Por norma, não se deve investir em ETF se os custos de transacção superarem os 2% do valor investido. É possível encontrar ETF para vários tipos de estratégias de investimento. Existem ETF subjacentes a vários índices bolsistas, índices obrigacionistas, ou índices sectoriais (banca, transportes, energias, tecnologias, etc.). Naturalmente, o risco dos ETF está subjacente ao risco dos índices que representam.

produtos associados a um risco extremamente elevado e, somente os investidores experientes, com um elevado nível de informação, se devem aventurar neste tipo de investimentos. Existem vários tipos de Produtos Derivados, tais como os Futuros, as Opções, os Forwards, os Warrants, os Swaps, os CFD, os Inverse Floaters e os Strutured Notes. Os mais conhecidos e transaccionados são os Futuros e as Opções. Futuros - São contratos padrão que representam o direito de comprar ou vender uma determinada quantidade de produto, ou tipo de produto, numa data específica e a um preço previamente fixado. Quer o comprador, quer o vendedor, têm a obrigação de cumprir o contrato. Opções - São contratos padrão que dão ao comprador um direito, mas não uma obrigação, de comprar ou vender um produto financeiro, numa data e a um preço previamente fixado. Resumindo, é essencial que um investidor tenha em atenção aspectos como o risco que está disposto a correr, rendibilidades que pretende alcançar, prazos de aplicação para os seus investimentos, a diversificação e o seu lugar no mercado. O investidor deve conhecer-se a si próprio, ter consciência do seu perfil de investidor, lembrar-se que o mercado é activo e que pode ser flexível. Citando um dos ensinamentos de Sun Tzu: Se conheces o inimigo e te conheces a ti mesmo, não precisas temer o resultado de cem batalhas. Se te conheces, mas não conheces o inimigo, por cada vitória sofrerás também uma derrota. Se não conheces, nem o inimigo nem a ti mesmo, perderás todas as batalhas.

Derivados (Futuros, Opções) 1

Os Produtos derivados são instrumentos financeiros que assentam numa relação contratual, entre duas ou mais partes, onde todas as condições, inerentes ao pagamento ou qualquer outra acção futura, estão previamente estabelecidas. Estes produtos podem ser transaccionados em mercados não organizados e em mercados bolsistas. O valor de um derivado depende do preço do produto financeiro a que está subjacente e de outras variáveis, como as taxas de juro. Os produtos derivados são produtos extremamente complexos e sujeitos a uma elevada especulação. Tal como o Forex, estes produtos podem proporcionar rendibilidades elevadas, mas podem, também, proporcionar perdas dramáticas. São 42

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

Banco BIG; Banco BEST e Activobank7.

1SAR ADMIL Robert Branco Sargento de Vencimentos/RA4


RETROSPECTIVA ANUAL DE ACTIVIDADES SITREP 2009/2010

COMEMORAÇÕES DO 82º ANIVERSÁRIO DO REGIMENTO De acordo com as tradições da Instituição Militar, o Regimento celebra o seu dia festivo em 29 de Junho. O programa das comemorações contemplou actividades de Orientação, na zona da Praia da Vieira, um concerto da Orquestra Ligeira do Exército na Cidade de Leiria e a Cerimónia Militar, a 2 de Julho de 2009, no Quartel do Regimento. CREVAL À BARTCAMP/NRF14 De 16 a 17 de Junho de 2009, a Bateria de Artilharia de Campanha/NATO Response Force 14 (BArtCamp/NRF14 Bateria inclusa na 14ª Força de Reacção Rápida da Organização do Tratado do Atlântico Norte) foi submetida a uma avaliação da prontidão para o combate (CREVAL) com vista à Certificação Nacional. Esta avaliação foi dividida em duas partes: uma, no Regimento de Artilharia N.º 4 (RA4), para avaliação da componente documental e do plano de carregamento da bateria e, outra, no Pinhal de Leiria/Área de Atribuição e Missão, onde foi avaliada a conduta no terreno, face a incidentes criados pela equipa de avaliação. BOLETIM 2010

43


EXERCÍCIO APOLO 09 O actual quadro de conflitualidade em inúmeras regiões do globo e a probabilidade de emprego de Forças Nacionais nesses teatros, determinou que o conceito do Exercício Apolo 09 assentasse na preparação da Brigada de Reacção Rápida (BrigRR) como Força de Reacção Inicial (Initial Entry Force) de uma Força de Tarefa Combinada Conjunta (Combined Joint Task Force). Nesse sentido, o Grupo de Artilharia de Campanha (GAC) participou, de 20 a 27 de Junho de 2009, no exercício APOLO 09, tendo como objectivos: - utilizar o Sistema Táctico Avançado de Dados da Artilharia de Campanha (Advanced Field Artillery Tactical Data System AFATDS) na condução de Fogos Reais, garantindo o C2 ao GAC/BrigRR; - treinar procedimentos técnicos e tácticos de Artilharia de Campanha, no apoio de fogos às Unidades da BrigRR, em Operações Convencionais, Especiais e de Evacuação de Não-Combatentes; - treinar a BArtCamp/NRF 14. 44

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

VISITA DE ESTUDO DOS ALUNOS DO 4º ANO DO CURSO DA ACADEMIA MILITAR, DA ARMA DE ARTILHARIA A 16 de Julho de 2009, Cadetes Alunos do 4º ano de Artilharia da Academia Militar visitaram o Regimento de Artilharia N.º 4, onde tiveram oportunidade de tomar contacto com as mais recentes armas e meios técnicos da Artilharia Portuguesa.

COMEMORAÇÕES DO 624º ANIVERSÁRIO DA BATALHA DE ALJUBARROTA Comemorou-se, a 14 de Agosto de 2009, o 624º Aniversário da Batalha Real ou de Aljubarrota. As comemorações tiveram lugar no Campo Militar de S. Jorge e no Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Para a Cerimónia de Homenagem aos Mortos esteve presente um Terno de Clarins deste Regimento.


PLANO VULCANO O Regimento, de acordo com o protocolo estabelecido entre o Comando Operacional e a Autoridade Florestal Nacional, desenvolveu, de 1 de VISITA AO REGIMENTO DO GOVERNADOR CIVIL DE LEIRIA A 24 de Setembro de 2009, o Governador Civil de Leiria, Professor Doutor José Humberto Paiva de Carvalho, realizou uma visita ao Regimento de Artilharia N.º 4 em Leiria. Foi recebido pelo Comandante da Unidade, Coronel José da Silva Rodrigues. Na Biblioteca da Unidade foi feita a apresentação de cumprimentos e de boas-vindas por

Julho a 30 de Setembro de 2009, acções de vigilância móvel e combate ao fogo, em primeira intervenção, através da actuação de duas Equipas de Sapadores Florestais, na Mata Nacional do Urso, no Concelho de Pombal.

uma delegação de Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis. Seguiu-se uma visita ao Quartel com o intuito de proporcionar ao Governador Civil um conhecimento geral de todas as infra-estruturas do Regimento. O Professor Doutor Paiva de Carvalho não deixou o Regimento sem antes assinalar a sua presença, deixando uma mensagem no Livro de Honra e expressando a sua satisfação pelo que lhe foi dado a apreciar durante a sua visita.

Lizqueima Comércio de Combustíveis e Lubrificantes, Lda

Rua de Alcobaça 32/36 | 2400-086 LEIRIA Tel. /Fax: 244 833 270 | Email: lizqueima@yahoo.com

BOLETIM 2010

45


EXERCÍCIO ORION 09 O Exercício ORION 09 teve como finalidade testar algumas das capacidades da Força Operacional Permanente do Exército (FOPE), designadamente a contenção de acções terroristas e de ajuda em situação da calamidade pública, durante a condução de uma Operação de Resposta a Crises (CRO). O Regimento esteve empenhado no exercício, que decorreu de 6 a 16 de Outubro de 2009. VISITA AO REGIMENTO DO BISPO DE LEIRIA-FÁTIMA S. Ex.ª Reverendíssima, o Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, visitou o Regimento de Artilharia N.º 4, a 14 de Outubro de 2009. D. António Marto foi recebido à Porta de Armas pelo Comandante do Regimento, Coronel de Artilharia José da Silva Rodrigues. De seguida, S. Ex.ª Reverendíssima recebeu na Biblioteca da Unidade a apresentação de DIA DO EXÉRCITO O dia do Exército comemora-se a 24 de Outubro, data que celebra a tomada de Lisboa, em 1147, pelas tropas de D. Afonso Henriques, Patrono do Exército Português. O Regimento participou nas actividades do Dia do Exército que decorreram na cidade de Braga de 20 a 25 de Outubro de 2009, com os seguintes meios: • participação na exposição militar de capacidades e meios, com um Obus 105mm Light Gun, uma viatura média, uma rede de camuflagem para 46

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

cumprimentos de uma representação de Oficiais, Sargentos, Praças e Civis que prestam serviço nesta Unidade. Fez uma visita pelas diversas instalações do Regimento, onde D. António Marto, de uma forma amigável, foi

conversando com os diversos militares. Depois do almoço, servido na Messe de Oficiais, D. António deixou expresso no Livro de Honra da Unidade o seu testemunho pelo que lhe foi dado apreciar durante a sua vista.

o Obus, dois Sargentos e quatro Praças; • estandarte Nacional e Heráldico do RA4, integrando o Bloco de Estandartes Heráldicos; • participação no desfile moto-

rizado com seis Obuses Rebocados 105mm Light Gun, quatro Sistema AFATDS, uma viatura ligeira e uma viatura pronto-socorro M-816; • uma unidade, de escalão companhia, no desfile apeado.


REUNIÃO DA COMISSÃO EXECUTIVA DA REVISTA DE ARTILHARIA NO RA4 Presidida pelo TenenteGeneral Joaquim Formeiro Monteiro, Quartel-Mestre General e Director Honorário da Arma de Artilharia, a Comissão Executiva da

EXERCÍCIO ARCADE FUSION 09 No período de 1 a 12 de Novembro de 2009, realizou-se no Centro de Treino de Sennelager Padderborn, Alemanha, o exercício anual do Corpo de Exército Aliado de Reacção Rápida (Allied Rapid Reaction Corps ARRC) da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) Arcade Fusion 09 - com o objectivo de treinar a estrutura e capacidade operacional do Quartel-General do ARRC, como Comando da compo-

Revista de Artilharia realizou, no dia 29 de Outubro de 2009, uma reunião ordinária no Regimento de Artilharia N.º 4. Após a reunião de trabalho realizou-se um jantar na Messe de Oficiais, com todos os oficiais do Regimento, proporcionando um agradável momento de convívio

Artilheiro entre oficiais de diversas gerações. O Tenente-General Formeiro Monteiro não deixou o Regimento sem antes deixar mensagem no Livro de Honra expressando o seu testemunho pelo que lhe foi dado a apreciar durante a sua permanência no Regimento.

nente terrestre de um Teatro de Operações semelhante ao da ISAF, tendo em vista a futura projecção do Quartel-General (QG) ARRC para o Afeganistão, em 2011. No exercício participaram 1500 militares e civis de diferentes nacionalidades, realçando-se a presença do antigo secretário-geral da NATO (Lord Robertson, no papel de enviado especial das Nações Unidas), representantes das Nações Unidas, representantes de Departamentos Governamentais dos Estados Unidos da América e Reino Unido, Programa Mundial de Ali-

mentação (World Food Programme) e Companhias Militares Privadas (Private Military Companies). O QG do ARRC constituiu a Audiência de Treino Primária, sendo, as quatro Divisões e três Brigadas Independentes envolvidas no exercício, a Audiência de Treino Secundária. A BrigRR participou, no exercício, com elementos do seu Estado-Maior, integrando dois militares do Regimento de Artilharia N.º 4 (2º Comandante do GAC e Sargento de Informações do GAC), ao nível das Informações e do Apoio de Fogos. BOLETIM 2010

47


DIA DE FINADOS O Exército prestou homenagem aos militares falecidos, por ocasião do Dia de Finados, a 2 de Novembro de 2009, através da sua participação nas cerimónias promovidas pela Liga dos Combatentes. O Regimento de Artilharia N.º 4 associou-se a esta homenagem e, em coordenação com a Liga dos Combatentes, executou Honras Militares nas cerimónias que tiveram lugar nos cemitérios de Batalha e de Leiria. Na prestação das Honras Militares participou com o Estandarte do Regimento, uma força de efectivo Secção, o Sargento Clarim e um Terno de Clarins. EXERCÍCIO MULTINATIONAL MOVEMENT & TRANSPORTATION LOGFAS DATABASE BUILDING FOR NRF14 O exercício teve como objectivo a construção de uma Base de Dados NATO para a NRF14 e decorreu no período de 16 a 19 de Novembro de 2009, na Turquia, tendo participado no exercício um oficial do Regimento. COMEMORAÇÕES DO 90º ANIVERSÁRIO DO ARMISTÍCIO DA GRANDE GUERRA A 11 de Novembro de 2009, o Regimento de Artilharia N.º 4 participou nas cerimónias de homenagem aos Combatentes da Grande Guerra, promovidas pelos núcleos da Liga dos Combatentes de Leiria e da Batalha. As Cerimónias tiveram lugar no Mosteiro de Santa Maria da Vitória junto ao Túmulo do Soldado Desconhecido e no Largo 48

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

de Infantaria 7, em Leiria, junto ao Monumento dos Combatentes. Na prestação das Honras Militares o Regimento participou

com o Estandarte Regimental, uma força de efectivo Pelotão, o Sargento Clarim e um Terno de Clarins.


EXERCÍCIO TROVÃO 092 O exercício decorreu no período de 23 a 27 de Novembro de 2009 no Campo Militar de Santa Margarida (CMSM). Este exercício teve como finalidade treinar procedimentos técnicos e tácticos de Artilharia de Campanha da BArtCamp/NRF14, conduzir as sessões de fogos reais com o Sistema Automático de Comando e Controlo, manter as qualificações das guarnições das Secções Bocas-de-Fogo da 2ª BBF, efectuar tiro de LAW e efectuar lançamento de granadas de mão ofensivas, de instrução e reais.

associaram muitos dos Oficiais e Sargentos oriundos da Arma, das guarnições de Leiria e Coimbra. Após a chegada dos convidados, foi celebrada, na Capela do Regimento, uma missa de sufrágio pelos Artilheiros falecidos. Seguiu-se, na parada da Unidade, uma Cerimónia Militar de homenagem aos Artilheiros do Regimento mortos em defesa da Pátria. A encerrar as comemorações

teve lugar o habitual almoço de confraternização, durante o qual os mais jovens tiveram oportunidade de trocar impressões e o privilégio de ouvir os conselhos dos camaradas mais antigos num clima de sã convivência, de marcado espírito de corpo, no mesmo sentido e na procura da preservação constante das tradições e dos valores que caracterizam a cultura artilheira.

DIA DA ARMA DE ARTILHARIA O Regimento de Artilharia N.º 4 comemorou o Dia da Arma de Artilharia a 4 de Dezembro de 2009, associando-se às cerimónias na Escola Prática de Artilharia, onde fez deslocar uma bateria e o Estandarte da Unidade e, realizando uma Cerimónia Militar no Quartel em Leiria, a que se BOLETIM 2010

49


COLHEITA DE SANGUE Decorreu no dia 15 de Dezembro de 2009 uma recolha de sangue, levada a cabo pelo Instituto Português do Sangue, Centro Regional de Coimbra, na Enfermaria do RA4. Esta acção, para além de cívica, generosa e consciente, é importante na melhoria das condições de saúde de uma grande parte da nossa população e a ela se associaram diversos Oficiais, Sargentos e Praças que prestam serviço nesta Unidade. NATAL NO REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4 No dia 18 de Dezembro de 2009, o Regimento festejou o Natal. A Festa de Natal, que é dedicada especialmente aos filhos de todos os que servem neste Regimento, foi conduzida pela nossa “Mãe Natal” e por um grupo de

palhaços que, de uma forma animada, entreteram os presentes. Durante a festa fomos brindados com várias demonstrações de talento, várias crianças e militares que proporcionaram momentos musicais, as danças de Salão do Entroncamento demonstraram a sua classe em diversas músicas e tivemos a oportunidade de assistir a um

espectáculo de fantoches intitulado “A Verdadeira História do Natal”. Quando o “Pai Natal” apareceu todas as crianças vibraram com a entrega dos presentes. Às 12h30 deu-se início ao tradicional almoço-convívio. Para culminar a festa realizou-se um jogo de “Bingo” onde alguns tiveram a sorte de gritar a palavra que dá nome ao referido jogo.

Liga dos Combatentes 50

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4


VISITA DO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA AO RA4 A 11 de Março de 2010, o Presidente da Câmara Municipal de Leiria, Dr. Raul Miguel de Castro, realizou uma visita ao Regimento de Artilharia N.º 4. Foi recebido à Porta de Armas pelo Comandante da Unidade, Coronel José da Silva Rodrigues. Seguiu-se uma apresentação de cumprimentos e de boas vindas na biblioteca, por uma delegação de Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis. Após um breve briefing sobre as actividades do Regimento, apresentado pelo Comandante, efectuou-se uma visita onde pôde tomar conhecimento das instalações, dos meios materiais existentes, bem como contactar com as tarefas do dia-a-dia de uma unidade militar. O Major-General Raul Cunha, Comandante da Brigada de Reacção Rápida, dignou-se a associar-se a esta visita. Seguiu-se o almoço, que decorreu na Messe de Oficiais. O Dr. Raul de Castro não terminou a sua visita sem, antes, deixar a sua mensagem exarada no Livro de Honra. EXERCÍCIO TROVÃO 101 O exercício Trovão 101 decorreu no período de 15 a 19 de Março de 2010 no CMSM. Foi desenvolvido em duas fases. Este exercício teve como finalidade o treino dos procedimentos técnicos e tácticos do Grupo de Artilharia de Campanha e foram designados três objectivos fundamentais: a condução de fogos reais utilizando o SACC, o treino dos procedimentos de Comando e Controlo por parte do Estado-

Maior do GAC e a manutenção das qualificações das guarnições das Secções das Baterias de Bocas de Fogo (BBF). O exercício foi dividido em duas fases distintas: - uma primeira fase, destinada a treinar os procedimentos tácticos de Artilharia de Campanha, designadamente o reconhecimento, escolha e ocupação de posições (REOP), a execução de fogos reais de diversas posições de Artilharia, com o SACC, o

treino de resposta a emboscadas, a ataques aéreos e a ataques nucleares biológicos e químicos, o treino do fluxo de informação entre as Baterias e o Comando do GAC, bem como a resposta a diversos incidentes no âmbito administrativo-logístico; - uma segunda fase, destinada ao treino dos procedimentos técnicos do tiro de Artilharia de Campanha, com fogo real coordenado e controlado pelo SACC.

BOLETIM 2010

51


DIA DO COMBATENTE 92º ANIVERSÁRIO DA BATALHA DE LA LYS Comemorou-se no dia 10 de Abril de 2010 no Mosteiro de Santa Maria da Vitória na Batalha, o 92º Aniversário da Batalha de La Lys e a 74ª Romagem ao Túmulo do Soldado Desconhecido, promovidos pela Liga dos Combatentes, conjuntamente com a Associação de Combatentes. As cerimónias militares foram presididas pelo Presidente da Republica, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva, tendo, por esta ocasião, agraciado o RA4 com a Medalha de Serviços Distintos – Grau Ouro, pelos importantes serviços que ao longo de várias décadas tem prestado ao País, ao Exército e à Liga dos Combatentes, quer na organização das Honras Militares às Altas Entidades nas cerimónias anuais do Dia do Combatente quer nas Guardas de Honra diárias que efectua ao túmulo do “Soldado Desconhecido”, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha. O RA4 participou activamente na cerimónia militar, com o Comando das Forças em Parada, uma Bateria de Bocas de Fogo, para a Guarda de Honra ao Presidente da República e um Pelotão para a Guarda de Honra ao Túmulo do Soldado Desconhecido, na sala do Capítulo, constituindo-se, naturalmente, por decisão do Comando das Forças Terrestres, como a Unidade de apoio à cerimónia. Após a cerimónia, que decorreu na Batalha, foi servido no RA4 um almoço de confraternização para todas as delegações da Liga e demais convidados. 52

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4

VISITA - ABRIL JUVENIL No âmbito do programa “Abril Juvenil/2010”, organizado pela Câmara Municipal de Leiria, que tem como finalidade proporcionar aos jovens, em idade escolar, actividades diversificadas nos domínios das artes, das tecnologias, do desporto e do conhecimento da região e suas instituições. O Regimento de Artilharia N.º 4 associou-se a esta iniciativa, organizando visitas diárias, de 29 de Março a 1 de Abril de 2010. Durante a visita ao Regimento, os jovens tiveram a oportunidade de seguir um programa previamente preparado para a visita, que constou de uma foto de grupo, uma pequena palestra em sala sobre as Forças Armadas, um lanche no refeitório e uma visita à Unidade, onde tiveram a oportunidade de ver três exposições: uma de armamento; outra de topografia; e outra da ração de combate.


INSPECÇÃO-GERAL ORDINÁRIA (IGO)

EXERCÍCIOS EFICÁCIA 10 E ROSA BRAVA 10 Decorreu no período de 12 a 14 de Abril de 2010 no Campo Militar de Santa Margarida, o Exercício Eficácia 10, com a finalidade de exercitar os Grupos de Artilharia de Campanha do Sistema de Forças do Exército, no planeamento, controlo e conduta de operações terrestres; de exercitar os procedimentos de coordenação de apoio de fogos, incluindo as actividades de Targeting, envolvendo diferentes meios de execução de fogos; e de praticar a integração das diferentes unidades de Apoio de Fogos participantes, no exercício. No período de 20 a 22 de Abril de 2010 participou no Dia de Apresentação às Entidades (Distinguished Visitor’s Day - DVD) do Exercício Rosa Brava 10.

Biblioteca do Regimento uma apresentação formal de cumprimentos, por uma representação de Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis, que prestam serviço neste Regimento. A Celebração da Eucaristia e Crisma decorreu na Capela do Regimento onde foram crismados quinze militares e um civil. Concelebraram a Eucaristia o Padre Amorim, o Frei Teixeira e o Padre Batista. No final da cerimónia realizou-se no Refeitório Geral um almoço-convívio, onde todos tiveram a oportunidade de comungar do afectuoso convívio proporcionado. Antes de deixar o Regimento, Sua Ex.ª Reverendíssima, D. Januário Torgal Ferreira, deixou expresso no Livro de Honra da Unidade o seu testemunho.

Teve lugar, nos dias 5 e 6 de Maio de 2010, uma Inspecção-Geral Ordinária (IGO) ao Regimento. A IGO destinou-se a analisar, globalmente, os factores que afectam ou comprometem o cumprimento da missão atribuída ao Regimento, a fim de identificar as suas causas, para posterior correcção das deficiências detectadas e verificar ainda, se as actividades desenvolvidas estão de acordo com as normas e directivas aplicáveis. O RA4 planeou e organizou as acções necessárias, de forma a proporcionar à equipa de Inspecção um conhecimento actualizado da sua situação geral e dos seus principais problemas e dificuldades.

CELEBRAÇÃO PASCAL NO REGIMENTO No dia 27 de Abril de 2010 realizou-se no Regimento de Artilharia N.º 4, a Celebração Pascal presidida por Sua Ex.ª Reverendíssima, D. Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas e de Segurança. Sua Ex.ª Reverendíssima foi recebida pelo Comandante, Coronel Silva Rodrigues, a que se seguiu na

CERIMÓNIA DE PASSAGEM À RESERVA Decorreu, no dia 17 de Novembro de 2009, pelas 17h00, na Biblioteca da Unidade, a cerimónia de despedida do Sargento-Ajudante de Artilharia, 15651684, José Joaquim Realinho Ricardo, por motivo da sua passagem à situação de Reserva. BOLETIM 2010

53


CERIMÓNIA DE PROMOÇÃO DO SARGENTO- AJUDANTE VÍTOR LOPES Decorreu, no dia 4 de Março de 2010 na Biblioteca da Unidade, a Cerimónia de promoção do Sargento-Ajudante de Artilharia, 05732483, Vítor Mário Pires Lopes. O referido militar foi promovido ao posto de Sargento-Chefe, por despacho de 19 de Janeiro de 2010 do General Chefe do Estado-Maior do Exército. CERIMÓNIA DE PROMOÇÃO DO MAJOR ANTÓNIO LOURENÇO Decorreu, no dia 12 de Janeiro de 2010 na Biblioteca da Unidade, a Cerimónia de promoção do Major de Artilharia, 10078487, António José Ferreira Lourenço. O referido militar foi promovido a Tenente-Coronel por portaria de 31 de Dezembro de 2009. Conta a antiguidade desde 7 de Setembro de 2009. CERIMÓNIA DE PROMOÇÃO DO SARGENTO-CHEFE JOSÉ COSTA Decorreu, no dia 14 de Janeiro de 2010 na Biblioteca da Unidade, a Cerimónia de promoção do Sargento-Chefe Artilharia, 15088078, José Benigno Lopes da Costa. O referido militar foi promovido a Sargento-Mor. Conta a antiguidade desde 12 de Dezembro de 2009. 54

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4


CERIMÓNIA DE PASSAGEM À SITUAÇÃO DE RESERVA DE DISPONIBILIDADE Decorreu, no dia 2 de Fevereiro de 2010 pelas 17h00 na Biblioteca da Unidade, a cerimónia de despedida do 1º Sargento (1SAR) em Regime de Contrato (RC), 01418195, Luís António de Oliveira Carvalho e do 1SAR RC, 08405796, João Miguel Ferreira Simões, por motivo da sua passagem à situação de Reserva de Disponibilidade.

CONDECORAÇÃO DO REGIMENTO COM A MEDALHA DE OURO DA CIDADE DE LEIRIA O Regimento de Artilhara N.º 4 foi agraciado com a Medalha da Cidade Grau Ouro, concedida pela Câmara Municipal de Leiria, aprovada em sessão de 11 de Maio de 2010. A cerimónia de entrega da Medalha decorreu no âmbito da sessão solene do Dia da Cidade de Leiria, que se realizou a 22 de Maio no Teatro José Lúcio da Silva. BOLETIM 2010

55


EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO XI GRANDE PRÉMIO DE ORIENTAÇÃO DO RA4 Integrado nas comemorações do 82º aniversário do RA4, decorreu na região da Praia da Vieira o “XI Grande Prémio de Orientação do RA4”, a 27 de Junho de 2009, em coordenação com o Clube de Orientação do Centro (COC).

DECATLO MILITAR 2009 Com o objectivo de estimular a prática de actividades desportivas, contribuir para o desenvolvimento das capacidades psicomotoras e desenvolver o espírito de corpo entre todos os militares do Regimento, realizou-se, no período de 19 a 22 de Outubro de 2009, um campeonato desportivo interno denominado “Decatlo Militar 2009” nas seguintes modalidades: Tiro, Pista de Obstáculos de 200m, Subida ao Pórtico, Lançamento de Granadas, Lançamento do Peso, Salto em Comprimento, Futebol de 7, Tracção à Viatura, Voleibol e Estafeta. O campeonato foi ganho pela 1ªBBF. 56

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4


CAMPEONATO DESPORTIVO MILITAR DE ORIENTAÇÃO FASE BRIGADA Por decisão do Major-General, Comandante da BrigRR, o RA4 organizou, no período de 2 a 4 de Março de 2010, o Campeonato Desportivo Militar de Orientação - Fase Brigada. Este campeonato decorreu de acordo com o Regulamento Desportivo do Exército, sendo constituído por duas provas individuais e uma prova de estafeta. O Campeonato contou com a participação de seis unidades: Unidade de Aviação Ligeira do Exército, Escola de Tropas Pára-Quedistas, Regimento de Infantaria N.º 10, Regimento de Infantaria N.º 15, Bateria de Artilharia Antiaérea e RA4, num total de 54 atletas, divididos da seguinte forma: 23 no 1º Escalão Masculino, 18 no 2º Escalão Masculino e 13 no Escalão Feminino. CAMPEONATO INTERNO DE FUTSAL 10 Tendo em vista a promoção da prática de actividades físicas e a sã camaradagem entre todos os militares, realizou-se entre 22 e 27 de Março de 2010, o Campeonato Interno de Futsal, com a participação de 11 equipas.

BOLETIM 2010

57


OUTROS EVENTOS VISITA À UNIDADE

VISITA À UNIDADE

A 2 de Outubro de 2009, um grupo de 54 alunos da Escola Básica 1 da Azóia, com idades compreendidas entre os 6 e os 10 anos, visitou a Unidade.

A Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos de José Saraiva - Leiria visitou o Regimento com um grupo de 25 alunos, dos 7º e 8º anos, no dia 18 de Fevereiro de 2010.

DIA MUNDIAL DA PROTECÇÃO CIVIL

COMEMORAÇÕES DO DIA 25 DE ABRIL

A 13 de Março, Dia Mundial da Protecção Civil, o Regimento de Artilharia N.º 4 participou na “Mostra de Meios e Recursos de Protecção Civil” que a Câmara Municipal da Marinha Grande organizou no Parque da Cerca. O Regimento disponibilizou uma ambulância, um pronto-socorro, uma moto-bomba, uma viatura com atrelado de banhos, uma viatura com o atrelado gerador e uma tenda de arcos. Para explicar o funcionamento destes equipamentos estiveram presentes um Sargento e seis Praças.

A convite do Presidente da Câmara Municipal de Leiria, o Regimento prestou as Honras regulamentares, no Içar da Bandeira Nacional, que decorreu na manhã de 25 de Abril, pelas 09h30, na varanda do Município, por ocasião das comemorações oficiais do Dia da Liberdade, na cidade de Leiria. O Regimento participou com um Pelotão e um Terno de Clarins.

TCOR ART Norberto Serra Chefe da SOIS/RA4

58

REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4


Condutor que as nossas peças Vais levar à posição Tem coragem, não esmoreças, Sossega o teu coração. Galopa sob a metralha, Voa a caminho da glória P’ra sairmos da batalha Com os loiros da vitória. O 4 de Artilharia Há-de ter glória imortal Caindo morto ou vencendo Em honra de Portugal. Serventes das guarnições Sorrindo afrontem o p’rigo, Façam rugir os canhões Contra o assalto inimigo. Estoirem com ele à granada, Amachuquem-lhe as fileiras Para que a sua avançada Não passe as nossas fronteiras. O 4 de Artilharia Há-de ter glória imortal Caindo morto ou vencendo Em honra de Portugal. Portugal no pensamento, Nós havemos de marcar Como um bravo Regimento Que ninguém faz recuar. Aos vivas à Pátria querida Nós juramos bem guardá-la Com risco da própria vida De quem tente conquistá-la. O 4 de Artilharia Há-de ter glória imortal Caindo morto ou vencendo Em honra de Portugal.



Boletim Comemorativo 2010