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Boletim Comemorativo 2009 Propriedade do Regimento de Artilharia N.º 4

´ SUMARIO

Direcção, Redacção e Administração Rua D. José Alves Correia da Silva Cruz D’Areia 2410-120 Leiria Telefone: 244822026/434400 ra4@mail.exercito.pt Director COR ART José da Silva Rodrigues

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HERÁLDICA DO BRASÃO DO RA4

Coordenação 1SAR ART Anjos Das Neves

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EDITORIAL

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IMPLEMENTAÇÃO DO SACC

Articulistas TCOR ART Luís Henriques TCOR ART Norberto Serra MAJ ART Pedro Almeida MAJ ART Marto Silva CAP ART Simão Sousa TEN ART Samantha Mateus ALF RC Pedro Alves SCH SGE Luís Martins SOLD RC Hélcio Gomes

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INTEGRAÇÃO DO P/PRC-525 NO SACC

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BATERIA DE ARTILHARIA DE CAMPANHA/NRF14

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OPERATIONAL MENTOR AND LIAISON TEAM

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PASSAGEM PELAS FILEIRAS DO EXÉRCITO PORTUGUÊS

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A PROTECÇÃO AMBIENTAL

Projecto Gráfico e Paginação Carlos Neves, IDEA Vitor Castanheira, Jornal de Leiria 1SAR ART Anjos Das Neves, RA4

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DESPORTO E LASER

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TREINO FÍSICO E NUTRIÇÃO

Fotografia Ricardo Graça SOIS, RA4

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RETROSPECTIVA ANUAL DE ACTIVIDADES

Revisão de Texto MAJ Marques Fernando DR.a Alda Mourão

Impressão e Acabamento MX3 - Artes Gráficas, Lda Edição Jorlis, Edições e Publicações, Lda Depósito Legal 278676/08 Tiragem 500 Exemplares

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Armas

- Escudo de ouro, um leão de negro, animado, lampassado e armado de vermelho; franco-cantão de vermelho com uma flor-de-lis de prata; - Elmo militar, de preta, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra; - Correia de vermelho perfilada de ouro; - Timbre: dois canhões passados em aspa, sustendo um castelo, tudo de prata; - Condecorações: circundando o escudo, o Colar de Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito; - Divisa: num listel de branco, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir "FORTES E LEAIS".

Simbologia e Alusãodas Peças

Os Esmaltes significam

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REGIMENTO DE ARTILHARIA Nº 4

- O LEÃO evoca os campos de batalha de Flandres onde, durante a 1ª Guerra Mundial, as Batarias do ROC praticaram brilhantes feitos de armas e evidenciaram excepcional valor e a coragem e decisão que o 1º GBA demonstrou por ocasião da Batalha de 9 de Abril, opondo com o seu fogo, tenaz resistência ao avanço do inimigo, até ao total esgotamento das suas munições; - A FLOR-DE-LIS alude à cidade de Leiria onde, em 1926, o ROC e o 2º Grupo do RA 2 originaram o Regimento de Artilharia nº 4, que, no ano seguinte, se transformou em Regimento de Artilharia Ligeira nº4 e, em 1975, passou a designar-se Regimento de Artilharia de Leiria; - O TIMBRE recorda o Regimento de Obuses de Campanha de Castelo Branco, origem do Regimento de Artilharia de Leiria e cujo comportamento em combate acresceu lustre e glória ao historial do Exército Português; - A DIVISA "FORTES E LEAIS" exprime a intenção de cultivar em permanência a força de ânimo como factor essencial para poder cumprir com lealdade. - OURO: a força de ânimo demonstrada nos feitos de armas praticados; - PRATA: a riqueza do historial do seu comportamento em combate; - NEGRO: a constância demonstrada nas horas amargas da adversidade.


Editorial

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omemora-se este ano o 82º aniversário do Regimento de Artilharia Nº4 e, à semelhança do ano anterior, em associação ao evento, publica-se por esta ocasião o Boletim 2009, o qual reflecte, através de um conjunto de artigos, a motivação e empenho com que todos servem neste Regimento e caracterizam algumas etapas da sua actividade recente. A publicação do Boletim 2009 integra um conjunto de artigos que, só por si, constituem motivos fortes e únicos, por retratarem experiências e factos que, na sua variedade, transmitem as áreas de intervenção do próprio Regimento. Tal é possível através dos seus militares que, em boa hora, aceitaram o desafio de as anotarem e reproduzirem, e cujo valor se potencia, naturalmente, pelo espírito de partilha. A área operacional e o aprontamento do Grupo de Artilharia de Campanha (GAC) constituem, claramente, o Core Business do Regimento, em proveito da FOPE que, em cada momento, se materializa na sua prontidão operacional, quer através da moderna tecnologia, no âmbito do Sistema Automático de Comando e Controlo (SACC), quer na sua operação e exploração, com a nova série de rádios da família P/PRC-525, de que já dispõe e opera, abrindo assim novos caminhos. Pela primeira vez, foi atribuída à Artilharia e ao Regimento a preparação de uma força para uma missão NATO. Para tanto, foi necessário o aprontamento de uma Bateria de Artilharia de Campanha, equipada com o Obus M119 105mm Light Gun/30/m98, que integra a NRF14, com base na sua quase totalidade de recursos do GAC e do Regimento, cujo desafio reflecte a dedicação extrema, o espírito de missão dos militares que a integram e de todos aqueles que servem sob o mesmo lema: “Fortes e Leais”. Fica também aqui ressalvado o testemunho e a experiência em missões além fronteiras, que enobrece a participação de militares do Regimento e cujo conhecimento transmitido é, indubitavelmente, uma mais-valia. Pelo meio, passam sem dúvida outras missões de enriquecimento profissional e intelectual, que o Regimento promove de forma permanente, estando certo do contributo que dá no sentido da melhoria contínua do potencial humano de que dispõe. Uma última referência aos militares e civis que servem no Regimento. Ao brio, à forma prestimosa, dedicada e reconhecida que colocam no cumprimento da grande diversidade de tarefas que lhe estão adstritas, nomeadamente nas diversas missões de interesse público. A sua determinação, perseverança e sentido de missão permitem encarar o futuro com grande optimismo, pese embora as condicionantes globais que caracterizam a sociedade e em que, naturalmente, o Regimento e o Exército se inserem.

O COMANDANTE

José da Silva Rodrigues COR ART BOLETIM 2009

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IMPLEMENTAÇÃO DO SACC

A IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA AUTOMÁTICO DE COMANDO E CONTROLO NO GRUPO DE ARTILHARIA DE CAMPANHA DA BRIGADA DE REACÇÃO RÁPIDA

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ambiente operacional em que actualmente decorrem as operações militares caracteriza-se pela utilização do Sistema de Apoio de Fogos de forma integrada e articulada com os restantes sistemas do Campo de Batalha. O Comando, Controlo e Coordenação constitui a essência do Sistema de Apoio de Fogos que permite ao Comandante da Força aceder e trocar informação relativa ao Apoio de Fogos disponível. O recurso a Sistemas de Comando e Controlo e Coordenação Automáticos constitui uma realidade crescente, em qualquer força moderna. No âmbito do processo de reequipamento da artilharia, o Grupo de Artilharia de Campanha (GAC) da Brigada de Reacção Rápida (BrigRR) foi dotado do Sistema Automático de Comando e Controlo (SACC).

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O Sistema Automático de Comando e Controlo, que equipa o GAC, da BrigRR, permite comandar, coordenar e controlar os meios de apoio de fogos, automatizando as tarefas inerentes ao apoio de fogos, nomeadamente o planeamento de apoio de fogos, o processo de targeting, o apoio à missão, a direcção táctica e técnica do tiro, assim como o conhecimento e acompanhamento permanente da situação. É constituído pelos seguintes subsistemas: Advanced Field Artillery Tactical Data System (AFATDS) 1 - Destinado a auxiliar o comandante no planeamento de apoio de fogos, permite a integração de todos os meios, execução de fogos, o controlo de movimentos, o apoio logístico, nomea-


damente, a elaboração do relatório de consumo e os pedidos de recompletamento de munições, combustíveis, e ainda, a direcção táctica e técnica do tiro. - Cada terminal Compact Computer Unit (CCU) 2 é dotado do sistema operativo SOLARIS, versão CDE 3.1, desenvolvido pela empresa SUN Microsystems sobre o qual funciona a aplicação AFATDS. - Equipa o EAF 3 de Brigada (2 CCU), 3 EAF de Batalhão (3 CCU), PCT do Grupo (1CCU), Secção de Operações (1 CCU) e Secção de Informações (1 CCU). Battery Computer System (BCS) 4 - Destinado a ser utilizado pelo PCT 5 da Bateria de Bocas-de-fogo é um sistema concebido para operar como parte do AFATDS e completar as capacidades deste, na direcção táctica e técnica, nomeadamente no cálculo automático dos elementos de tiro. Forward Observer System (FOS) 6 - Sistema utilizado pelos observadores avançados permite executar missões de tiro. Tem ainda a capacidade de processar, armazenar, receber e transmitir informações sobre objectivos, medidas de coordenação, ordem de operações, lista de objectivos e conduzir missões de apoio aéreo próximo. Gun Display Unit - Replacement (GDU-R) 8 - É um terminal, de dimensões reduzidas, que permite às seccções de bocas-de-fogo receber Comandos de Tiro calculados pelo Battery Computer System. Permite igualmente manter informado o PCT sobre o estado da Secção. - Existem 18 terminais portáteis que se destinam às Secções de Bocas-de-Fogo. O SACC do GAC BrigRR dispõe de 29 Rádios Tácticos de Comunicações 525. A transmissão de dados entre os sistemas AFATDS e BCS é efectuada com base no sistema de comunicações táctico móvel GRC525, instalado nas viaturas IVECO, com a seguinte distribuição: Viatura PCT GAC OAF Brig OAF Bat (x3) Operações Informações PCT Btr (x3)

Nº rádios 4 2 6 1 1 6

. Compact Computer Unit .

. Battery Computer System .

. Ruggedized Handheld Computer 7 .

. Gun Display Unit - Replacement .

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. Sistema de Comunicações Táctico Móvel GRC525 .

A transmissão de dados efectuada a partir do FOS é feita pelo rádio táctico comunicações 525, na versão man pack, existindo em número de 9 unidades. A transmissão de dados entre BCS e GDU é efectuada apenas por modo filar. O SACC dispõe de 10 viaturas Auto TG IVECO D 4x4 40.13 WM C/G com contentor, onde se encontram instalados os sistemas AFATDS e BCS. As equipas de observadores avançados operam o FOS a partir da viatura Auto TG ¼ Toyota 4x4 Land Cruiser, que constitui o meio através do qual integram as unidades de manobra. A cronologia de implementação Ano 2005 O processo de implementação do SACC no GAC, da BrigRR, iniciou-se a 18 de Fevereiro de 2005, com o levantamento dos equipamentos do sistema AFATDS, BCS e FOS no Depósito Geral de Material do Exército (DGME). A 21de Fevereiro de 2005, decorreram os testes com os equipamentos no CMSM, por parte de técnicos americanos, tendo sido detectadas anomalias em alguns equipamentos que foram evacuados. No período de 04 a 22 Abril 2005, decorreu na Escola Prática de Artilharia (EPA) o Curso Inicial de Formação de Formadores do Battery Computer System, ministrado por instrutores dos EUA, com a participação de um Oficial do RA4. No período de 26 de Abril a 23 de Junho 2005, decorreu na EPA o Curso Inicial de Formação de Formadores do sistema Advanced Field Artillery Tactical Data System, ministrado por instrutores dos EUA, com a participação de um Oficial do RA4. No período de 27 de Junho a 01 de Julho 2005, decorreu na EPA o Curso Inicial de Formação de Formadores do sistema Foward Observer System, 8

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ministrado por instrutores dos EUA, com a participação de um Oficial do RA4. No período de 06 a 08 de Julho 2005, decorreu na EPA o Curso Inicial de Formação de Formadores do sistema Gun Display Unit, ministrado por instrutores dos EUA, com a participação de 01 Oficial do RA4. No período de 11 a 15 de Julho 2005, decorreu na EPA o Curso Manutenção do Battery Computer System, ministrado por instrutores dos EUA, do sistema BCS com a participação de um Oficial do RA4. Ano 2006 Efectuada a montagem dos equipamentos do SACC em bancadas e a realização de testes preliminares. Cedência temporária de equipamentos à Escola Prática de Artilharia com vista apoiar formação de operadores do sistema. Ano 2007 Decorreu no CMSM, no período de 12 a 23 de Março de 2007, a verificação final dos equipamentos SACC (Sell-off), em fase de aquisição aos Estados Unidos, dos quais se destacam as seguintes actividades: - Correcção de anomalias detectadas nos vários equipamentos AFATDS, BCS e FOS durante a fase de testes em Fevereiro de 2005; - Execução de demonstrações de planeamento e coordenação de Apoio de Fogos com o sistema AFATDS; - Realização de testes de comunicações entre os vários sistemas, com sistema filar e rádio táctico de comunicações 525; - Realização de sessão de Fogos reais, com o sistema automático e Obus M119 105mm Light Gun;


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Entrega de 18 Gun Display Units com vista a equipar as secções de Bocas-de-Fogo; - Entrega de versões de software actualizadas. Em Abril de 2007, o Regimento de Artilharia nº 4 elegeu como “Área de Excelência” a implementação do sistema Automático de Comando e Controlo no Grupo Artilharia de Campanha. No período de 24 a 26 de Setembro de 2007, decorreu no RA4 o Curso de Formação do sistema Gun Display Unit com a participação dos comandantes e serventes apontadores das secções de bocas-de-fogo do GAC. No período de 01 de Outubro a 16 de Novembro de 2007, decorreu no RA4 o Curso de Formação do sistema AFATDS com a participação de nove formandos do GAC. No período de 15 a 24 de Outubro 2007, decorreu no RA4 o Curso de Formação do sistema FOS com a participação de seis formandos do GAC. No período de 10 a 14 de Dezembro de 2007, efectuou-se no CMSM o Exercício “TANGO 07”, com o objectivo realizar a 1ª sessão de fogos reais com o SACC, montado em bancada. A transmissão de dados foi filar (WD1TT) e com configuração baseada no protocolo TACFIRE. O dispositivo adoptado foi concentrado, materializando no terreno todos os elementos essenciais ao processamento de uma missão de tiro. Apesar de ter existido alguma lentidão na transmissão de dados, as missões de tiro decorreram com sucesso. Foram testadas missões de tiro área, fumos e fumos imediatos.

Ano 2008 No período de 26 a 28 de Março de 2008, decorreu no CMSM o Exercício “TROVÃO 081”, tendo como objectivo conduzir a 2ª sessão de fogos reais em moldes semelhantes ao exercício “TANGO 07”, alterando apenas o dispositivo. Para o efeito, a Equipa de Observação avançada foi colocada a 12 Km das restantes componentes do sistema. Verificou-se que a transmissão de dados, em modo filar (WD1TT), se tornou bastante lenta, impossibilitando pontualmente o processamento de missões de tiro. No período de 11 a 15 de Maio 2008, o GAC participou no exercício DRAGÃO 08, na serra da Padrela, integrado no exercício nível Brigada. Apesar de não terem sido realizados fogos reais, foi materializado no terreno o EAF Brigada, EAF Batalhão e PCT GAC, distanciados entre si de cerca de 20Km. Na presença de duas cabines de feixes, junto ao EAF da Brigada e EAF Batalhão, respectivamente, foram efectuadas ligações LAN (Local Area Network)9 entre AFATDS e as cabines de feixes. Verificou-se que a transmissão de dados foi conseguida com sucesso e, por sua vez, efectuada a retransmissão de dados por modo filar ao PCT GAC que não tinha acesso à cabine de Feixes. Foi testado o envio e recepção de mensagens de texto. A 09 de Dezembro de 2008, foi efectuada a entrega pelo DGME de 10 Viaturas Auto TG IVECO D 4x4 40.13 WM C/G com

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contentor e montagem veicular Rádio Táctico Comunicações 525, destinadas ao EAF Brigada (1), EAF Batalhão (3), PCT GAC (1), Operações (1), Informações (1) e PCT das Baterias (3). Também a 09 de Dezembro 2008, foi efectuada a entrega pelo DGME de 9 Rádios Tácticos de Comunicações 525, versão man pack, com vista a prover as equipas de observação avançada do Grupo de Artilharia de Campanha. Ano 2009 Decorreu nos períodos 02 a 06 de Março de 2009 e de 30 de Março a 03 de Abril de 2009, no RA4, em coordenação com a EPT e a Companhia de Transmissões da BrigRR, o Curso de Operadores do Sistema P/PRC 525, com a participação de vinte e quatro formandos do GAC. Por seu turno, também decorreu no período de 09 a 13 de Março de 2009, no RA4, em coordenação com a EPT e a Companhia de Transmissões da Brig RR, o Curso de Gestão e Configuração do Sistema P/PRC 525 com a participação de cinco formandos do GAC. No período de 25 a 27 de Março 2009, decorreu no CMSM o Exercício “TROVÃO 091”, tendo como objectivo conduzir a 1ª sessão de fogos reais com SACC, instalado na viatura IVECO e utilizando o rádio táctico de comunicações 525 para transmissão de dados. Inicialmente, foi adoptado um dispositivo concentrado, de forma a monitorizar o processamento de dados, tendo sido posteriormente efectuada a dispersão dos elementos do SACC, de acordo com o cenário e tema táctico criado. A configuração do sistema de comunicações entre AFATDS foi digital e entre AFATDS-BCS e AFATDS-FOS analógica. A rede de transmissão de dados digital foi efectuada com rapidez e segurança. A rede analógica de FOS para AFATDS funcionou com limitações na transmissão de dados. O terminal AFATDS da Secção de operações neste exercício efectuou, pela primeira vez, a actualização das unidades no sistema e a emissão e recepção de relatórios, constituindo uma evolução relativamente aos exercícios anteriores. No período de 20 a 30 de Abril 2009, decorreu no CMSM o Exercício “EFICÁCIA ROSA BRAVA09”. O GAC BrigRR realizou a 2ª Sessão de fogos reais com o SACC, instalado na viatura IVECO e utilizando rádio táctico comunicações 525 para transmissão de dados. Foi adoptado um dispositivo semelhante ao

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do exercício “TROVÃO 091”, embora, ao nível da configuração, a ligação FOS - AFATDS tenha sido em modo digital. Verificou-se que a transmissão de dados foi mais eficaz do FOS para o AFATDS e que as correcções subsequentes do BCS para o FOS, apesar da configuração BCS ser analógica, foram mais fiáveis. Considerações Finais - A implementação do SACC no GAC BrigRR constituiu um avanço tecnológico sem precedentes que obrigou a reformular conceitos e procedimentos adoptados na artilharia. A avaliação das alterações


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operacionalizado de modo a garantir treino individualizado e integrado dos diferentes subsistemas. O conceito de treino do sistema deve ser pensado de modo a permitir aos operadores o contacto diário com os equipamentos. A operacionalidade do sistema depende directamente da continuidade e permanência e dos operadores nas funções desempenhadas. Os equipamentos com a especificidade técnica do SACC caracterizam-se por actualizações periódicas. Manter actualizados os equipamentos e a formação dos operadores deve constituir uma preocupação. A digitalização da artilharia constituiu uma nova fase no conhecimento artilheiro e não deve ser considerada como um ponto de chegada, mas sim como um ponto de partida.

Sistema Táctico Avançado de Dados da Artilharia de Campanha. Terminal do Sistema Táctico Avançado de Dados da Artilharia de Campanha Elemento de Apoio de Fogos. Terminal de Cálculo Automático de Tiro da Bateria de Tiro. Posto Central de Tiro. Sistema de Observação Avançada. Terminal da Equipa de Observação Avançada. Terminal de Dados do Obus. Redes de Área Local.

Referências Bibliográficas: DIAS, Pedro M. Russo Carvalho Ten – “A evolução do Domínio do Comando e Controlo”, Boletim informação e Divulgação Ano IX, II Série EPA

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produzidas nos procedimentos carece de ser consolidada à medida que se aprofundam todas as capacidades do sistema. A utilização do SACC não pode excluir ou descurar o conhecimento adquirido de procedimentos no sistema manual que constituem a base do emprego da artilharia de campanha. A sua implementação exigiu a formação inicial de operadores nos subsistemas do SACC, criando a sua especialização. O planeamento do treino operacional do GAC terá que ter em consideração a forma de funcionamento do sistema e deve ser

AFATDS Operator´s Notebook for AFATDS 6.3.1 Plano Treino Operacional para 2008 do Grupo Artilharia Campanha Brig RR. Plano Treino Operacional para 2009 do Grupo Artilharia Campanha Brig RR.

MAJ ART Pedro Almeida 2º Comandante do GAC

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INTEGRAÇÃO DO P/PRC-525 NO SACC A INTEGRAÇÃO DO SISTEMA P/PRC-525 NO SISTEMA AUTOMÁTICO DE COMANDO E CONTROLO (SACC)

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om a chegada do SACC à Artilharia Portuguesa, tornou-se necessária a aquisição de um novo equipamento de comunicações, com características específicas e funcionais que os anteriores equipamentos ao serviço do Exército não possuíam. O SACC requer grandes exigências ao nível da transmissão de dados, determinando uma elevada largura de banda, a atribuição de um IP (Protocolo de Internet), bem como a necessidade de interoperabilidade com os outros equipamentos rádio. Foi neste sentido que foi adquirido o P/PRC-525; no caso do GAC/BrigRR, a versão 5.2. Sendo o SACC constituído por vários equipamentos, cada um deles com diferentes características de transmissão de dados, tal facto foi decisivo para que a EID (Empresa de Investigação e Desenvolvimento de

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Electrónica, S.A) desenvolvesse diversas soluções de transmissão de dados, em conformidade com as características específicas de cada equipamento. São exemplos disso a transmissão de dados de modo analógico e digital. Características do P/PRC-525 Ao P/PRC-525 foi atribuída a designação “M3TR”, que significa Rádio Táctico Multibanda, Multimodo e Multifunção. Este equipamento torna-se multibanda uma vez que possibilita a utilização de três bandas do espectro electromagnético: HF, VHF e UHF. Assim, podemos encontrar o P/PRC-525 em duas versões. Em transmissão a versão HF/VHF possibilita a gama de frequências de 1,5 a 108 MHz e a versão VHF/UHF vai dos 25 aos 512MHz. Ambas as versões


possibilitam a recepção entre os 1,5 aos 512 MHz, o que permite que estes equipamentos tenham capacidade de cobertura completa em HF/VHF/UHF. É um equipamento multimodo, pois permite uma diversidade de modulações de acordo com o tipo de informação envolvida no processo de transmissão, podendo apresentar de forma diferenciada três Modelações de Amplitude, três tipos de Banda Larga Única, duas Modelações de Frequência, modo FSK e modo AFSK. Este equipamento apresenta uma elevada diversidade de funcionalidades, tais como redes rádiovoz e redes rádio-dados, bem como a interoperabilidade em Redes de Área Locais (LANs) ou Redes de Área Alargadas (WANs). Possui ainda diversas funções essenciais às actuais características do campo de batalha, tais como os diferentes modos de funcionamento: Frequência Fixa (FF), Frequência Fixa Digital (DFF) e Salto de Frequência (FH), sendo este último essencial para a Segurança da Transmissão e da Comunicação (SECOM), variando de frequência a cada 2 milissegundos e possibilitando a encriptação dos dados, dificultando a intercepção do sinal, bem como o seu empastelamento. O uso do FH é muito útil para a boa gestão do espectro electromagnético, numa era em que

este se encontra cada vez mais saturado, pois utiliza uma faixa de frequências para a comunicação, não impedindo a coexistência de outras redes rádio nessas frequências, devido à diminuta ocupação temporal em cada uma dessas frequências no FH. No Exército Português, a transmissão de dados com este equipamento é o requisito fundamental para a interoperabilidade com os diversos ambientes de trabalho, tais como o SACC e o SICCE (Sistema de Informação para o Comando e Controlo do Exército). Nas diversas possibilidades de envio de dados pelo equipamento obtemos também variadas possibilidades de velocidade de transmissão, a saber: FSK (75 bps a 16 Kbps), STANAG 4285 (3600 bps), OFDM (64 Kbps) e Internet/Intranet via IP Interface, tendo sempre em atenção que a velocidade de transmissão introduzida no rádio terá sempre de ser igual ou superior à capacidade do interface do sistema em utilização, o que na prática poderá transformar a capacidade de comunicações efectivas menor do que a capacidade real. A integração das Comunicações do P/PRC-525 com o SACC Desde a recepção do SACC, em 2006, pelo Exército Português, nomeadamente pelo Grupo de Artilharia de

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Campanha do Regimento de Artilharia N.º 4 (GAC/RA4), como unidade de apoio de fogos, que a utilização do sistema não estava a ser efectuada na sua máxima potencialidade, face à necessidade de um sistema de comunicações com capacidade de transmissão de dados. Em alternativa, e sempre com a preocupação de evolução na utilização dos diversos módulos do SACC, comunicava-se então através do meio filar, mesmo perdendo a rapidez de respostas aos pedidos de tiro, mas sempre garantindo o Apoio de Fogos oportuno às unidades de manobra. Em Dezembro de 2008 o GAC recebeu nove man packs 525 V/U para a integração do Forward Observer System (FOS)1 no SACC e também dez viaturas com um total de vinte montagens veiculares 525. Sete viaturas são portadoras de duas consolas 525 V/U, uma viatura dispõe de quatro consolas (três 525 V/U e uma 525 H/V) e as duas restantes viaturas possuem uma consola 525 H/V e uma consola 525 V/U, respectivamente. As características e potencialidades deste equipamento tornaram necessária e imperiosa a realização do Curso de Operação do Sistema 525, bem como do Curso de Configuração do Sistema. Estes dois cursos foram leccionados no Regimento de Artilharia Nº4, por uma equipa devidamente credenciada para o efeito. Face à necessidade emergente de melhoramento das competências de operação sobre os referidos equipamentos, foi leccionado mais um Curso de Operador do Sistema 525 por elementos da unidade. Estas acções de formação foram decisivas para melhorar as competências de operação, bem como para 14

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optimização das funcionalidades estudadas. Após estas acções de formação, todos os utilizadores do SACC, e consequentemente do P/PRC525, ficaram despertos para algumas especificidades da comunicação deste equipamento, bem como para a utilização de SECOM, em particular na transmissão digital. De uma forma genérica, e para melhor compreensão do funcionamento do SACC e consequente transmissão dos dados no 525, apresentada na figura. Os P/PRC-525 são programados através de um computador com um software específico designado por “Mission Plan”. Cada programação toma a designação de missão quando contempla os rádios, as frequências atribuídas, bem como redes em uso para o exercício. Inicialmente, os testes foram feitos utilizando a missão criada pela EID aquando da integração do P/PRC-525 com o SACC. Nesta missão o FOS e o BCS (Battery Computer System)2 utilizavam uma frequência fixa para a transmissão analógica de dados. O BCS tem capacidade de transmissão digital de dados com os sistemas de comunicações americanos, contudo, com o P/PRC-525, essa capacidade não é atingida, tendo por isso que se efectuar a comunicação analógica de dados para e deste sistema na missão de tiro. No AFATDS a transmissão de dados é digital, por ser o meio mais seguro e mais rápido, tornando-se necessária a existência no PCT/GAC de dois rádios para a rede de dados, um digital e outro analógico. Ou seja, o PCT/GAC recebe a missão do OAF/Brigada por transmissão digital de dados de um AFATDS e envia a


Ordem de Tiro para o BCS por transmissão analógica de dados. No decorrer do Exercício “Trovão 091”, realizado no período de 22 a 27 de Março de 2009, constatou-se a necessidade de colocar o FOS a comunicar digitalmente, uma vez que os cabos analógicos estavam a introduzir erros no P/PRC-525 e a transmissão analógica se mostrava bastante mais lenta. Foi desta forma que se iniciaram os testes para a transmissão digital de dados do FOS para o AFATDS e consequentemente a utilização deste sistema para a transmissão das correcções de tiro do FOS para o BCS. Devido a pormenores de carácter técnico do sistema, ainda não foi conseguido colocar o BCS a transmitir digitalmente. De uma forma simples e inequívoca, podemos afirmar que com a recepção do P/PRC-525 conseguiu-se potencializar as comunicações do SACC, que se repercutiram numa maior rapidez de procedimentos da execução do pedido de tiro e das consequentes correcções, incrementando a eficiência no Apoio de Fogos às Unidades de manobra.

Simultaneamente, através das SECOM, e do FH em particular, conseguiu-se uma maior segurança nas transmissões e comunicações, bem como uma menor ocupação do espectro electromagnético. Este equipamento torna-se, assim, decisivamente, uma mais-valia para o cumprimento da missão do GAC/BrigRR, no apoio de fogos à Brigada de Reacção Rápida.

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Sistema Avançado de Observação. Sistema Computorizado da Bateria.

TEN ART Samantha Mateus Comandante do Pel/Tms da BCS/GAC

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BATERIA DE ARTILHARIA DE CAMPANHA/NRF14 A BATERIA DE ARTILHARIA DE CAMPANHA DA NATO RESPONSE FORCE 14

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esde o dia 1 de Janeiro de 2009 que o Regimento de Artilharia N.º 4, integrado na cadeia de comando, tem por missão aprontar uma Bateria de Artilharia de Campanha (BArtCamp) para a NATO Response Force (NRF) 14. O conceito NRF surgiu com o intuito de criar uma Força tecnologicamente avançada, flexível, projectável, interoperável e com capacidade de sustentação, capaz de actuar em todo o espectro das operações militares dentro de uma Combined Joint Task Force (CJTF). Inclui um Deployable Joint Task Force HQ (DJTF HQ) pronto para ser projectado em 5 dias e as Componentes de Operações Especiais (SOCC), Terrestre (LCC), Naval (MCC) e Aérea (ACC). As NRF baseiam-se num sistema de rotação de

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seis meses, precedidos de seis meses de treino multinacional e certificação. O Comando Operacional destas forças é rotativo pelos dois Joint Force Command HQ (JFC Nápoles e Brunssum) e pelo Joint HQ Lisbon. Para cada operação será gerada uma Força a partir do conjunto das unidades constituintes da NRF. As unidades seleccionadas efectuarão a Transferência de Autoridade (TOA) para os Comandos NATO antes de serem projectadas para o Teatro de Operações (TO). As probabilidades de emprego das forças que integram a NRF são, entre outras, as seguintes: - Força Isolada (Stand Alone Force); - Força de Entrada Inicial (Initial Entry Force); - Operações de Demonstração da Força;

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Operações de Resposta a Crises (CRO); Operações de Apoio ao Contra-Terrorismo; Operações de Interdição Marítima, Terrestre e Aérea. Com o objectivo de testar a capacidade militar real das forças disponibilizadas pelas nações para integrar as NRF, de acordo com parâmetros específicos definidos pela Aliança e após a certificação nacional, as forças são avaliadas pelo Comando de Componente, através de inspecções conduzidas nos respectivos países, num exercício do tipo CPX/CAX/LIVEX a realizar durante os seis meses que antecedem o período de emprego. A directiva em N.º 202/CEME/08, de 23 de Outubro de 2008, determina que o Exército Português participa na NRF 14, com uma BArtCamp destinada a integrar o GAC da LCC (LCC Capability Module 22 – Field Arty Bn) e uma Movement Control Team (MCT) para o Joint Logistic Support Group (JLSG Capability Module 3 – RSOM and I). As forças disponibilizadas pelo Exército Português deverão obedecer, entre outros, aos seguintes requisitos: - Prontidão de 5 dias (categoria 2); - Pessoal e equipamento a 95%; - Auto-sustentável por um período inicial de 30 dias; - Projectável e interoperável; - Uma vez atribuída, durante os períodos de treino multinacional e de Stand-by, não deverá integrar nenhum outro compromisso (dupla atribuição); - Operar em operações conjuntas e combinadas de cariz expedicionário, emprego táctico em ambientes caracterizados por temperaturas extremamente quentes ou frias e em qualquer tipo de terreno em condições austeras. Assim, o aprontamento da BArtCamp tem vindo a ser efectuado, constituindo Dezembro de 2009 a

data limite para o estabelecimento da Capacidade Operacional Completa disponibilizada para a NRF 14 – Full Operational Capability (FOC). Como enquadramento temporal, de 1 de Janeiro de 2009 a 30 de Junho de 2009 decorre o período de treino nacional, de 1 de Julho de 2009 a 4 de Janeiro de 2010 decorrerá o período de treino multinacional e finalmente, de 5 de Janeiro de 2010 a 30 de Junho de 2010 a força encontrar-se-á no período de emprego ou de Stand-by. Durante o período de Stand-by, o Comando Operacional para a NRF 14 será atribuído ao Joint Command Lisbon (JCL), o Comando da Land Command Component (LCC) a uma Divisão Dinamarquesa e o Grupo de Artilharia de Campanha será liderado pela Grécia. A TOA da Força portuguesa para o comando NATO respectivo apenas terá lugar após a atribuição da missão ao LCC e a elaboração do respectivo Plano de Operações (OPLAN). Desta forma, a missão de aprontar a BArtCamp é de extrema importância e constitui um enorme desafio. Refira-se, que, é a primeira vez que é dada a uma unidade de artilharia a responsabilidade de aprontar uma força para o cumprimento dos compromissos internacionais de Portugal. Treino Operacional O treino operacional foi planeado da seguinte forma: - Fase I (01JAN09 a 30JUN09). Fase correspondente ao período de treino nacional, em que as actividades de treino operacional têm sido conduzidas com a finalidade de garantir a certificação nacional da Força. - Fase II (01JUL09 a 04JAN10). Fase correspondente ao período de treino multinacional, em que as actividades de treino operacional devem ser conduzidas com a finalidade de

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garantir a certificação da Força, de acordo com os critérios permanentes de avaliação das unidades da NRF. - Fase III (05JAN10 a 30JUN10). Fase correspondente ao período de emprego ou Stand-by, em que as actividades de treino operacional devem ser conduzidas com a finalidade de manter, em permanência, um estado de prontidão que lhe permita corresponder às exigências inerentes à categorização 2 (Notice To Move de 5 dias). Em todas as fases do treino são consideradas fundamentais a condução das seguintes tarefas chave: - Apuramento da técnica individual combate e desenvolvimento da destreza individual; - Melhoramento da capacidade física individual vocacionada para a capacidade de sustentar operações de combate de alta intensidade, conjugando o aumento da força explosiva com o aumento da resistência a esforços prolongados; - Melhoramento da proficiência individual e

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colectiva na execução de tiro de combate com o armamento orgânico; - Apuramento das técnicas de combate de secção e de pelotão, com o desenvolvimento da rapidez e agressividade destes escalões na execução das acções de fogo e das capacidades de Comando e Controlo; - Melhoramento da capacidade técnica e táctica para o apoio de operações ofensivas, defensivas e de contra-insurreição em ambientes específicos de áreas edificadas. Assim, os objectivos de treino a atingir nas diferentes fases são: - Objectivo A: Aumentar a proficiência e agressividade individual e colectiva em acções de fogo; - Objectivo B: Aumentar a capacidade técnica e táctica para o apoio a operações ofensivas, defensivas e de contra-insurreição; - Objectivo C: Aumentar a capacidade técnica e táctica para o apoio a operações de resposta a crises; - Objectivo D: Aumentar a proficiência de


todas as tarefas inerentes à projecção de pessoal, equipamentos e abastecimentos; - Objectivo E: Aquisição de capacidade técnica e táctica para a condução de operações em ambientes urbanos; - Objectivo F: Aquisição de capacidade técnica e táctica para a condução de operações aerotransportadas e aeromóveis. No que concerne aos Objectivos A, B, C e D, estes devem ser atingidos no final da Fase I e consolidados durante a Fase II, enquanto que os Objectivos E e F devem ser atingidos apenas na Fase II do treino.

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Principais Actividades Para cumprir os objectivos da primeira fase, o treino tem incidido nas seguintes actividades: - INPROCESSING, em que os dados dos militares que ingressaram na NRF14 desde o momento inicial, foram transferidos de Bateria e os seus dados pessoais registados na base de dados da BArtCamp; - Provas topográficas, realizadas na área do pinhal de Leiria; - Nivelamento da Técnica Individual de Combate (TIC) e da Técnica de Combate de Secção (TCS), em que foram estabelecidos

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procedimentos comuns de combate individual e em que se adoptaram TCS ajustadas à orgânica da BArtCamp. Esta actividade incluiu um exercício de campo na área do Pinhal de Leiria e culminou com uma prova de avaliação de desempenho; Exercícios INFRONT, em que as Secções de Observação Avançada se deslocaram ao Quartel de Artilharia no Campo Militar de Santa Margarida para treinar os procedimentos de observação avançada no sistema de simulação INFRONT; Cursos de P/PRC 525, em que os militares da BArtCamp, que organicamente operam este rádio, receberam a respectiva formação; Formação de Forward Observer System (FOS) e de Battery Computer System (BCS), componentes do Sistema Automático de Comando e Controlo; Exercícios da série “CANIFA”, no interior do aquartelamento, para treino dos procedimentos técnicos do tiro; Tiro Instintivo e Tiro de Combate, em que todos os militares receberam formação e executaram as tabelas de iniciação; Exercício “Trovão 09”, no Campo Militar de BOLETIM 2009

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Santa Margarida, em que a BArtCamp efectuou tiro de artilharia pela primeira vez; Formação em Crise Response Operations (CRO), que decorreu no Regimento de Artilharia N.º 4, em que a BArtCamp se reorganizou para fazer face a este tipo de missão. A formação culminou com a realização de um exercício na região de Leiria; Exercício “EFICÁCIA 09”, bem conhecido pelos artilheiros e que se destinou a treinar a componente técnica do tiro; Exercício “ROSA BRAVA 09”, onde foi treinado o conceito do “Three Block War” e que exigiu que a BArtCamp se reorganizasse para fazer face ao desenrolar das operações. Tendo iniciado com uma missão típica de artilharia, evolui até terminar na execução de uma CRO. Destaca-se o reconhecido sucesso das operações de patrulhas, escolta, protecção

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de itinerário e cerco e busca, em que a flexibilidade da Bateria foi testada ao máximo. Lições aprendidas Marcando a CREVAL, realizada em 16 e 17 de Junho, o final da Fase I do treino operacional, será importante efectuar uma reflexão, com vista à melhoria do procedimento, no caso de futuramente voltarem a ser cometidas, a uma unidade de artilharia, responsabilidades semelhantes. Desta forma, surgem naturalmente aspectos, que pela experiência adquirida e pelas dificuldades sentidas, deverão ser tidos em linha de conta e que se enunciam de seguida. Assim: - A unidade deve ser completada, em pessoal e material, o mais cedo possível no ciclo de treino, pois o facto de parte do pessoal que


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constitui a Bateria não se encontrar presente, desde o início, traduziu-se numa enorme diferença no desempenho individual dos militares; O treino deve iniciar-se com a organização táctica normal de uma Bateria de artilharia, as primeiras missões devem ser tipicamente artilheiras e, de preferência, começar com a regimagem dos obuses, pois ao iniciar-se o treino com tarefas típicas das unidades de manobra, a adaptação da unidade a estas tarefas evoluiu com maior dificuldade; Embora nem todas as áreas constituam preocupação, à semelhança das outras missões NRF, têm surgido algumas dificuldades no aprontamento da BArtCamp. O processo de recompletamento de pessoal, as dificuldades sentidas nomeadamente ao nível da falta de condutores, o elevado número de exercícios, apoios e outras actividades da Brigada de Reacção Rápida, o facto de não ter sido colocado na Bateria, desde o início da preparação, todo o material da Estrutura Operacional de Material (EOM) e a frequente necessidade de apoiar outras actividades de cariz não operacional, têm alterado inúmeras vezes o programa de treino e criado sucessivas barreiras ao normal desenvolvimento da actividade operacional. Porém, o facto de a grande maioria das praças da BArtCamp desempenhar apenas, como serviço diário, o reforço à Guarda de Polícia, tem permitido cumprir o programa de treino com maior rigor, minimizando o impacto negativo a que este é sujeito, face às diferentes nomeações para o serviço diário do Regimento.

Conclusões Considerando que, desde a sua criação, a nossa unidade tem estado sempre na vanguarda da artilharia portuguesa, julgamos de inteira justiça a atribuição desta missão ao nosso Regimento. Lembramos, que, em Leiria foi criado o GAC da Brigada Mista Independente (precursor do actual GAC/BrigMec), foi neste quartel criado o GAC/BAI e recebido o Obus M119 LG e que o nosso GAC é o único que actualmente utiliza de forma definitiva e sistemática o Sistema Automático de Comando e Controlo. Consideramos também, que, as dificuldades sentidas e referidas se devem ao facto de pela primeira vez se exigir tão elevado padrão de prontidão a uma unidade de artilharia. De igual forma, é também inédito o aprontamento, por parte de um Regimento de Artilharia, de uma força desta Arma para ser projectada. Todavia, comprovando que os militares do GAC/BrigRR, particularmente os da BArtCamp, estão à altura do desafio destaca-se, reconhecidamente, o desempenho de grande qualidade obtido nos exercícios da série TROVÃO e EFICÁCIA / ROSA BRAVA.

CAP ART Simão Sousa Comandante da BArtCamp/NRF14

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OMLT/FND/ISAF


OPERATIONAL MENTOR AND LIAISON TEAM OMLT/FND/ISAF

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á séculos que esta área do globo está sujeita a vários conflitos, iniciados no período de Alexandre, O Grande (330150 AC) e sendo sucessivamente atacado por outros invasores. Em 1747, Ahmad Shah Durrani unificou as tribos Pashtun e fundou o Afeganistão que tinha por capital a cidade de Kandahar, mais tarde transferida para Cabul. O país serviu de tampão entre os Impérios britânico e russo até que ganhou a independência do controlo britânico em 1919. Uma breve experiência de democracia terminou com um golpe de estado em 1973, que levou ao fim da monarquia. Em 1979, o país foi invadido pela União Soviética para apoiar o regime comunista afegão vigente, iniciando-se mais uma longa e destrutiva guerra. A URSS retirou as suas tropas em 1989 sobre grande pressão dos rebeldes mujahedin, anti-comunistas, que tinham apoio internacional. Subsequentemente a “luta pelo poder” originou uma brutal guerra civil e Cabul caiu em 1996 nas “mãos” de um regime talibã, sendo este um movimento radical apoiado pelo Paquistão e visto pela comunidade internacional como um dos maiores apoiantes do terrorismo. Geografia O Afeganistão faz fronteira com seis países, Turquemenistão, Uzbequistão, Tajiquistão e China, a Norte, Paquistão, a Este e Sul e, a Oeste, com o Irão. Na sua maior extensão, mede cerca de mil e quinhentos por seiscentos e cinquenta quilómetros (1500 km x 650 km), tendo como principais cidades Cabul, a capital, Mazar-e-Sharif a Norte, Herat, a Oeste e Kandahar, a Sul. O país é atravessado pela cadeia montanhosa do Hindu Kush com altitudes acima dos seis mil e quatrocentos metros (6400m) sendo, o seu ponto 24

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mais alto Noshaq, com sete mil quatrocentos e noventa e dois metros (7492m). As únicas planícies encontram-se a Norte e a Sul sendo esta a parte mais árida do território (deserto). De salientar o facto de que quarenta e nove por cento se situa acima dos dois mil metros de altitude. Os quatros rios principais são o Amu Darya a Norte, Harirud a Oeste e o Cabul que liga com o Helmand e que cruza o país de Este para Sul. O seu clima caracteriza-se por verões extremamente secos e quentes e invernos frios e com pouca chuva. População e Distribuição A população do Afeganistão é de cerca de trinta um milhões, existindo maioritariamente nos extremos do país, devido às montanhas no centro e à zona árida no Sul, sendo, no entanto, a sua maior concentração nas principais cidades. A esperança de vida é muito baixa, quarenta e três anos, que faz com que apenas dois por cento da população tenha mais de sessenta e cinco anos de idade. Em contrapartida, a taxa de fertilidade é elevada, de aproximadamente sete filhos por mulher, fruto da cultura islâmica, assim como a taxa de mortalidade infantil (16%) resultado da falta de condições sociais e de higiene.


Grupos Étnicos e Religião Será a razão multiétnica um dos motivos da guerra no Afeganistão? Os quatro maiores grupos étnicos são os Pashtuns, os Tajiks, os Hazaras e os Uzbeks e apesar de haver mais Pashtuns, cinquenta por cento da população fala Dari que é a língua oficial do Afeganistão. No que diz respeito à religião, a maioria dos Afegãos são muçulmanos (99%), sendo a maioria Sunitas (86%), que seguem a escola Hanafi, com 14% a seguir o Islão Shiita seguindo a doutrina Imami. Um por cento da população é não muçulmano. Economia O Afeganistão é um país extremamente pobre, centrando a sua economia no cultivo da papoila, matéria-prima do ópio e na criação de gado. Apesar do continuado alvoroço político e militar, aliado a grandes períodos de seca, o cultivo da papoila continua a ser tradição e a sua maior fonte de receita, abastecendo setenta a oitenta por cento do mercado europeu. De salientar que setenta por cento da população sobrevive com menos de um dólar por dia, vinte por cento das crianças morrem antes de atingirem os cinco anos de idade, setenta e sete por cento da população não tem acesso a água potável, noventa e quatro por cento não tem energia eléctrica e a taxa de literacia é das mais baixas do mundo. Insurgência O objectivo é alterar o nome do país para Emirado

Islâmico do Afeganistão como no tempo em que imperavam os Talibã. A intenção é afastar o Governo da República Islâmico do Afeganistão do povo através da demonstração da sua incapacidade de governação, segurança e desenvolvimento. Os três principais grupos insurgentes são os Talibã, os Haqqani e os Gulbuddin. Os Talibã são um grupo religioso, militar e político (talib significa estudante religioso), sendo o seu líder Mullah Omar e que têm como objectivo, além do já mencionado, restabelecer o governo islamita e reimplantar a lei da Sharia1. Os Haqqani foram fundados por Jalaluddin Haqqani que era um antigo líder mujahedin, que se supõe morto, sendo agora liderado pelos seus dois filhos. Têm como objectivo reconquistar o poder no P2K2. Por fim, os Gulbuddin, liderado por Gulbuddin Hekmatyr que prefere “… uma guerra civil afegã que a ocupação estrangeira ou por tropas estrangeiras…” e que declarou a Jihad contra os Estados Unidos da América em 2002. Como os talibã, também têm como objectivo principal reimplantar o governo islamita no Afeganistão. Governo O nome oficial do país é República Islâmica do Afeganistão e tem como chefe do governo o Presidente Hamid Karzai, que encabeçou a administração provisória quando os Talibãs foram retirados do poder, ganhando as primeiras eleições presidenciais do Afeganistão em Outubro de 2004. As próximas estão BOLETIM 2009

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planeadas para Agosto de 2009 com a supervisão da comunidade internacional. O território está dividido em trinta e quatro províncias administrativas e um sistema legal baseado no princípio de que “ Nenhuma lei deve ser contrária ao Islão”. A Assembleia Nacional do Afeganistão é o seu órgão legislativo e é bi-camaral, a Casa do Povo (Wolesi Jirga), câmara baixa com duzentos e cinquenta membros e a Casa dos Anciãos (Meshrano Jirga), câmara alta, com 102 assentos. INTERNATIONAL SECUTITY ASSISTANCE FORCE (ISAF) Após os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, houve uma acção militar por parte dos Estados Unidos e dos anti -Talibã contra os Talibã por acolherem Osama Bin Laden. Esta acção militar foi mandatada pela resolução 1386 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, levando à criação da International Secutity Assistance Force (ISAF). Tem como missão principal a de conduzir operações militares em coordenação com as forças da coligação (Combined Forces Command for Afhganistan – CFC-A) e em coordenação e cooperação com as forças de segurança do Afeganistão (Exército e Polícia) para ajudar o Governo da República Islâmica do Afeganistão a manter a segurança. O intuito é aumentar a autoridade do governo e facilitar a sua reconstrução e o desenvolvimento. Em 2003 dá-se a entrada das forças da NATO no território. A ISAF tomou Cabul e iniciou o controlo do território do Afeganistão em quatro fases, conquistando a zona de Mazar-e-Sharif em Outubro de 2004, criando a Região do Norte (RC-N), contornou para Oeste para Herat em Maio de 2005, criando a Região Oeste (RC-W), desceu para Sul em Kandahar em Julho de 2006, criando a Região Sul (RC-S) e subiu para Este em Ghazni em Setembro de 2006, criando a Região Este (RC-E). Com a “reconstrução” do Exército Nacional Afegão (ANA) houve a necessidade de o apoiar e assessorar e

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para tal foi criado o conceito geral das Operational Mentor and Liaison Team (OMLT) em que toda a sua actividade é mandatada pela ISAF. Através do Plano de Operações do Suprime Alied Commander Europe (SACEUR OPLAN) 10302 é definido o conceito geral de todas as OMLTs: “… mentor, support and aid the training and operational employment of ANA units.” “… will operate in support of Kandak activities in barracks on collective training and closely mentor Kandak operational deployments where such activities are consistent with ISAF mandate.” Através da deliberação do Conselho de Segurança de Defesa Nacional (CSDN) de 26 de Julho de 2007, Portugal decidiu contribuir com uma OMLT de Guarnição, que foi projectada em Maio de 2008 e a qual nós substituímos em Outubro do mesmo ano. Seguem-se as quatro directivas nacionais que definem todas as especificidades da nossa OMLT de Guarnição: Directiva Operacional Nº 30/CEMGFA de 24JUN08; Directiva Nº 148/CEME de 10JUL08; Directiva Nº 19/Cmd Op de 11JUL08; Directiva Nº 14/BrigInt de 12AGO08. Este dispositivo ilustra o paralelismo das duas estruturas com responsabilidade de assessoria ao Exército Nacional Afegão (ANA) e onde elas se ligam. As Operational Mentor and Liaison Team (OMLTs) e as Embedded Training Team (ETT) assessoram unidades afegãs. Resumidamente, são as Forças da Coligação que “injectam” recursos financeiros e materiais no Exército Afegão, logo a coordenação para este efeito das OMLT’s é feita através das Logistic Support Team (LST). A OMLT de Guarnição portuguesa, Força Nacional Destacada (FND), está sob o Comando de SEXA o General Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), que cede em Comando Operacional (OPCOM) à ISAF e por sua vez dá em Comando Táctico (TACOM) ao Regional Command Capital (RC-C).


A dependência do Regional Command Capital (RC-C) é apenas funcional e executa a monitorização dos nossos movimentos dentro da sua área, a segurança de Campo Warehouse, apoio administrativo ou logístico, evacuação médica (MEDEVAC), forças de combate (Quick Reaction Force - QRF), apoio sanitário especializado (ROLE 2) e Ligação NATO Secreto (CRONOS). 2ª OPERATIONAL MENTOR AND LIAISON TEAM (OMLT) DE GUARNIÇÃO Missão: “A 2ª OMLT, no período de 07NOV08 a 27ABR09, treina, ensina e serve de mentor ao Estado-Maior da Unidade de Guarnição nº 3 do Corpo 201, em Pol-eCharki, de forma a facilitar o desenvolvimento de um ANA competente, profissional e auto suficiente”. Os objectivos da 2ª OMLT de Guarnição são os seguintes: garantir a protecção permanente da Força; conduzir a assessoria contribuindo para a reconstrução do Afeganistão através de um Exército mais capaz e profissional; apoiar todos os militares portugueses no Teatro de Operações; e assegurar todas as áreas de vida interna e de ligação com o Território Nacional. No dia 20 de Outubro de 2008 partiu do Aeródromo de Trânsito nº 1 (AT-1), em Figo Maduro, Lisboa, rumo a Cabul, Afeganistão, a 2ª OMLT de Guarnição que foi substituir a 1ª OMLT e integrar o Regional Command Capital (RC-C) da International Security Assistance Force (ISAF). Esta Força Nacional Destacada é composta por militares dos três Ramos das Forças Armadas (Força

Conjunta), sendo vinte do Exército, seis da Armada e três da Força Aérea Portuguesa. Destes, oito são mentores e os restantes vinte e um fazem parte do Módulo de Apoio, que se divide em Force Protection, Equipa de Manutenção e Transportes, Equipa de Transmissões e Equipa Sanitária. Após a chegada a Cabul, a Força ficou alojada em Campo Warehouse que fica distanciada doze Quilómetros (12Kms) do centro da cidade. A 7 de Novembro de 2008 foi efectuada a Transferência de Autoridade (TOA) para a 2ª OMLT e o consequente início do cumprimento da missão superiormente atribuída. O Comandante da FND, que é o Sénior Mentor, o Executive Officer, o Personnel Mentor, o Plans and Operational Mentor, o Logistics Mentor, o Communication Mentor, o Engineer Mentor e o Sergeant Major executam assessoria ao Estado-Maior da Guarnição nº 3 do Corpo 201 do Exército Nacional Afegão (ANA). Também é prestada assessoria à enfermaria da Guarnição (Troops Medical Center -TMC) pela Secção Sanitária do Módulo de Apoio que, sendo esta uma área crítica, é de primordial importância para o processo de validação da Guarnição. As assessorias são efectuadas seis dias por semana num aquartelamento situado em Poli-E-Charki, a cerca de sete quilómetros do Campo Warehouse. Na 2ª OMLT estão quatro militares provenientes do Regimento de Artilharia nº 4, o Comandante da 2ª OMLT e Sénior Mentor, Tenente-Coronel Dias Henriques, o Sargento-Ajudante Castelão, que desempenha as funções de Chefe da Secção de Manutenção e Transportes e, em BOLETIM 2009

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acumulação, Sargento de Logística, o Sargento-Ajudante Cajadão, Sergeant Major Mentor e, em acumulação, Sargento de Pessoal, Chefe da Secretaria e responsável do Serviço Postal Militar da 2ª OMLT e o Soldado Brilhante, Socorrista da enfermaria portuguesa que presta serviço em acumulação no hospital francês Role 2, no Campo Warehouse. A 2ª OMLT de Guarnição pretende ser uma FND de referência dentro das suas congéneres da NATO/ISAF relativamente à unidade do Exército Nacional Afegão que assessora, no sentido de transmitir as melhores práticas em uso e valorizando em última instância a imagem de Portugal, quer perante os nossos Aliados da NATO, quer perante os restantes contingentes e o Estado Afegão. No cumprimento da sua missão, a 2ª OMLT de Guarnição procurou apresentar soluções para os problemas e obstáculos que se levantaram diariamente nas diversas áreas, propondo constantes melhorias que em muito contribuíram para a validação da Guarnição em “Capability Milestone one – CM13”, reforçando a imagem de profissionalismo e competência amplamente reconhecida ao militar português no seio da International Security and Assistance Force, tornando-se numa referência para as unidades do Afeghan National Army. Concluindo, o Afeganistão, principalmente devido aos longos séculos de conflitos, é um país estruturalmente destruído, com uma economia pobre, uma segurança precária e grandes desigualdades sociais. Um dos principais suportes para a estabilidade e segurança do Afeganistão é um Exército Nacional eficiente. A International Secutity Assistance Force (ISAF), através da sua missão, que contempla vários projectos de apoio e desenvolvimento, tem tido um papel preponderante para aumentar a credibilidade do Governo, o que facilita a reconstrução do país. Para a 2ª Operational Mentor and Liaison Team (OMLT), a missão foi uma experiência enriquecedora, tanto do ponto de vista profissional, como pessoal. Ensinar é sempre gratificante, pois sentimos que os

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nossos contributos de assessoria foram uma colaboração para o progresso deste país. Saímos do Afeganistão com o sentimento de satisfação do dever cumprido e com a certeza que deixámos amigos e que elevámos o nome de Portugal, como todos os que nos antecederam. 1

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A Sharia é o corpo da lei religiosa islâmica. Em várias sociedades islâmicas, ao contrário da maioria das sociedades ocidentais dos nossos tempos, não há separação entre a religião e o direito, todas as leis sendo religiosas e baseadas ou nas escrituras sagradas, ou nas opiniões de líderes religiosos. A Sharia lida com diversos aspectos da vida quotidiana, bem como a política, economia, bancos, negócios, contratos, família, sexualidade, higiene e questões sociais. P2K - Províncias de PAKTIA, PAKTIKA e KHOWST, que se localizam junto à fronteira com o Paquistão Capability Milestone one / CM1 - unit is fully capable of planning, executing, and sustaining independent counterinsurgency operations at Battalion Level.

Referências: Afghanistan Handbook, edition 4, June 2007. PALKA, E. (2003): Afganistan Geographic perspectives. Mc Graw - Hill Duskin. http://www.nato.int/issues/afeganistan/omlt. http://www.temeanddate.com. http://en.wikipedia.org/wiki/afghani. http://hqweb.hq.nato.int/operations/dasgcmo/sitan/geo. http://afsc.org/pwork. http://reference.allrefer.com/country-guide-study. http://www.afghan-web.com/geography/provinces.html. http://encarta.msn.com/encyclopedia/Afghanistan.html. http://www.afghan-web.com. Este artigo teve a colaboração do SAJ Castelão, do SAJ Cajadão e do SOLD Brilhante, militares que também integraram esta missão.

TCOR ART Luís Henriques 2º Comandante do RA4


PASSAGEM PELAS FILEIRAS DO EXÉRCITO PORTUGUÊS NO REGIMENTO DE ARTILHARIA 4

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pesar de ser oriundo da cidade de Benguela, em Angola, sou um cidadão português e, aos 24 anos, encontro-me a prestar serviço no Exército Português, colocado no Regimento de Artilharia 4 (RA4), cuja localização é próxima da minha actual residência. Desde a chegada a Portugal, a minha vida sofreu uma pluralidade de reviravoltas. Durante a vivência académica tive sempre uma paixão pelas ciências da comunicação e das tecnologias da informação, traçando, como objectivo a seguir, uma carreira nessa área. Esses objectivos não foram alcançados, devido a algum desleixo, repetindo alguns anos, do percurso escolar, no ensino secundário. Até que, seguindo os pressupostos do dever cívico, fui chamado a ingressar nas fileiras das Forças Armadas, para cumprir o Serviço Efectivo Normal (SEN), no Exército, que ainda tinha, naquela época, um carácter obrigatório. No início fiquei um pouco receoso, porque tudo era novo para mim. Aquela disciplina, as regras e os deveres ainda não faziam parte do meu modo de vida. Mas, rapidamente, tive de me habituar a este novo regime, onde me encontro. Uma das primeiras coisas que me foram ditas, quando ingressei nas fileiras, foi que, estando a prestar o serviço militar, poderia continuar ou desenvolver os meus conhecimentos académicos. Esta oportunidade deu-me uma enorme motivação, porque muitas são as áreas profissionais que se podem abrir, ao ser-me possibilitado compatibilizar as actividades lectivas e as militares. Por seu turno, a conciliação entre a conjuntura que dá azo a poder estudar, com o objectivo de aumentar as valências pessoais, e o facto de todas se unirem em torno das minhas ambições pessoais, não só mostrou ser uma oportunidade de aumentar o meu grau académico, como também perspectivou a possibilidade de seguir uma carreira no quadro permanente do Exército. Este ramo das Forças Armadas abriu-me uma panóplia de oportunidades e de possibilidades, nomeadamente de poder utilizar várias armas de fogo, BOLETIM 2009

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adquirindo o saber e a experiência sobre a dinâmica e utilização deste tipo de materiais; o poder participar nas diversas séries de exercícios, onde foram postos à prova os meus instintos de sobrevivência e a mútua coordenação com os demais camaradas, até à própria assistência na doença dos militares. Um dos melhores ensinamentos que o Exército me proporcionou foi a aquisição do «Espírito de Camaradagem», fazendo grandes amizades que, por certo, irão perdurar no tempo. A nível psicológico desenvolvi a minha maturidade, sentindo que, depois de ter iniciado a vida militar, cresci como ser humano. Tenho a noção de que, pelos conhecimentos adquiridos, me tornei mais sensível aos pormenores mundanos, aumentando o meu auto-controlo e vendo o mundo de uma forma diferente. Ao nível do conhecimento geográfico, a vida militar mostrou-me locais que nunca pensaria poder vir a conhecer, do Norte ao Sul do país, convivendo com novas subculturas, hábitos, costumes e expressões, num mesmo território. Permitiu que, prestando honras aos vários emblemas que caracterizam a nossa História, tal como o desempenho do serviço de Guarda de Honra ao Túmulo do Soldado Desconhecido, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, participasse na dignificação da força e

FERRAGENS FERRAMENTAS TORNEIRAS SANITÁRIOS AZULEJOS PAVIMENTOS MÓVEIS E ESPELHOS PARA W.C. Loja 1: Rua da Maligueira - GÂNDARA DOS OLIVAIS (Com Exposição de Salas de banho) - Tel. 244 827 067 Loja 2: Rua da Maligueira - GÂNDARA DOS OLIVAIS (Com Exposição de Ferragens e Ferramentas) Tel. 244 825 807 - Fax. 244 836 183

da determinação do povo português, sinto-me incluído neste tímido pedaço de terra que, em tempos áureos, já mostrou novos mundos ao Mundo e, actualmente, é o berço de uma das principais línguas faladas à escala mundial. Por outro lado, havendo a possibilidade de poder integrar uma missão de paz, através da inclusão nas Forças Nacionais Destacadas (FND), poderei vir a conhecer outras realidades que, pela conjuntura sociopolítica, careçam do auxílio da nossa componente militar. Todas as missões acometidas à instituição militar têm de ser desempenhadas por indivíduos capazes, sejam missões da componente orgânica administrativa, sejam da componente operacional, exigindo que estes estejam aptos aos mais diversos níveis, desde a vertente psicológica, ao vigor físico. Deste modo, é-me também exigido que esteja pronto para desempenhar as tarefas que me dizem respeito e, como tal, que pratique exercício físico específico desta instituição castrense. Assim, junto o útil ao agradável, praticando, sempre que possível, exercício físico e mantendo uma mente sã em corpo são, exercendo mais uma actividade que nem sempre é compatível com as profissões de âmbito civil. Ultimamente tenho beneficiado de mais um incentivo da vida militar – a concessão do estatuto que possibilita estudar no ensino superior e continuar a desempenhar, com a mesma dedicação, esforço e perseverança, as funções que me estão atribuídas, no quartel em que estou domiciliado. Encontrando-me a frequentar o 1ºano do Curso Superior de Comunicação Social e Educação Multimédia (CSEM) na Escola Superior de Ciências Sociais de Leiria (ESECS), foi-me disponibilizada pela hierarquia do Regimento e do Exército a abertura, o apoio e o tempo vital para, num contexto de responsabilização, conseguir cumprir com sucesso esta missão adicional na minha formação académica e também pessoal. Estes incentivos concedidos pela instituição militar fazem com que eu, como militar e estudante, tenha uma motivação elevada para desempenhar o meu papel, tanto a nível militar, como a nível académico, vislumbrando um futuro mais promissor, quer nas competências, quer nas ambições.

Loja 3: Avenida Heróis de Angola, nº 72 (Com Exposição de Sanitários) - Tel. 244 828 323

Apartado 3006 - 2401-903 LEIRIA E-mail: ferragensavenida@vodafone.pt

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REGIMENTO DE ARTILHARIA Nº 4

SOLD RC Hélcio Gomes Militar da BCS/RA4


A PROTECÇÃO AMBIENTAL NO REGIMENTO DE ARTILHARIA 4

Ambiente “Conjunto dos sistemas físicos, químicos, biológicos e suas relações e dos factores económicos, sociais e culturais com efeito directo ou indirecto, mediato ou imediato, sobre os seres vivos e a qualidade de vida do homem” (Artº 5º da Lei de Bases do Ambiente, Lei 11/1987 de 7 de Abril)

A

protecção ambiental no Exército encontra-se enquadrada pela Lei de Bases do Ambiente, Lei 11/1987 de 7 de Abril, Lei da Água, Lei 58/2005 de 29 de Dezembro, Lei Quadro das Contra-ordenações Ambientais, Lei 50/2006 de 29 de Agosto, Resíduos, Dec. Lei 178/2006 de 05 de Setembro e ainda pelo Sistema de Gestão Ambiental do Exército, Directiva nº 202/CEME/2007 de 14 de Agosto, Decreto Regulamentar nº 74/2007 de 02 de Julho, Normas de Execução da Autoridade Técnica dos OCAD (Órgãos Centrais de Administração e Direcção), aprovadas por Despacho de 17NOV06, do GEN CEME, Directiva 13/QMG/08, de 30JAN08, que foi distribuída apenas no Cmd Log e Regulamento para Implementação de Sistemas de Gestão Ambiental nas U/E/O do Exército (RISGAE), aprovado por Despacho de 31MAR08 do GEN CEME. No Regimento de Artilharia nº 4, o Núcleo de Protecção Ambiental (NPA) encontra-se devidamente constituído, fazendo parte do mesmo por inerência de funções e de acordo com o Quadro Orgânico aprovado para o RA4, o 2º Comandante, o Oficial de Logística e o Sargento de Logística. Este NPA é responsável pela implementação de medidas tendentes a minorar impactos negativos no ambiente, fruto do desenvolvimento normal do trabalho diário da Unidade. Deve também aconselhar e prever como acorrer a situações anormais, decorrentes dos potenciais focos geradores de poluição existentes na Unidade, pelo que submete para aprovação e implementa um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), com vista ao cumprimento da norma NP EN ISO 14001 de 2004. BOLETIM 2009

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Na unidade já foi feito o levantamento da situação em termos de desempenho ambiental, foram feitas acções de sensibilização de medidas amigas do ambiente, no entanto nem tudo está perfeito, uma vez que se caminha a passos largos para a melhoria geral das condições ambientais. Além do binómio Homem/Vivência, que é personalizado pelas Baterias, sendo estas as principais fontes de consumo de recursos, os principais focos de poluição estão resumidamente em três locais que são as Bombas de Reabastecimento de Combustível, toda a área oficinal e a Secção de Alimentação, vulgo Rancho Geral. É feita a recolha e separação de resíduos sólidos (vidro, embalagens, pilhas e papel e cartão, através de pequenos ecopontos a nível de Baterias e Bares, sendo depois canalizados para o Ecoponto principal, situado nas traseiras do Aquartelamento, que é posteriormente recolhido pela VALORLIS, (Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos) para as suas instalações. O Regimento, adicionalmente, também promove a recolha e separação de filtros, trapos e outros resíduos com óleo, massas e combustíveis e líquidos de lavagem, com posterior recolha por empresas do sector. Igualmente no sector da alimentação, é feita a recolha, separação e encaminhamento de óleos alimentares. Da mesma forma é efectuada a recolha e eliminação de resíduos hospitalares e respectivo encaminhamento. A unidade efectua diariamente o inventário e registo dos consumos de água, energia eléctrica e combustíveis, tendo uma atenção particular e parcimoniosa em relação à sua utilização. No entanto, em relação ao consumo de água, existem perdas significativas e não detectadas na canalização, que já é antiga, a necessitar de renovação, implicando investimentos significativos que, contudo, se julgam amortizáveis num prazo de três anos. Com vista à utilização mais económica e menos onerosa de água, foi efectuado um furo hertziano, cuja água depois de analisada se verificou imprópria para consumo. Não obstante, foi construída, paralelamente à rede existente, uma rede secundária de distribuição de água, para rega das zonas verdes e para lavagens, estando os pontos de água perfeitamente identificados e etiquetados, com a indicação de água imprópria para consumo. Foi também implementado um conjunto de painéis solares com o objectivo de aquecimento de águas sanitárias e, consequentemente, de aproveitamento de

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energia alternativa e poupança de combustíveis fósseis, traduzindo-se directamente numa melhoria da gestão ambiental e poupança de recursos financeiros que são sempre escassos. Recentemente, o Regimento foi sujeito a uma inspecção por parte do MDN, sendo, na altura, apontadas algumas falhas que já eram do seu conhecimento e constituíam preocupação do Regimento: a não existência de um tanque de separação de hidrocarbonetos, a falta de uma bacia de retenção nas bombas de abastecimento de combustíveis e a falta de tabuleiros de retenção para os óleos alimentares e de lubrificação recolhidos, assim como para os detergentes. No entanto, a resolução desses problemas envolve o investimento de verbas significativas face ao orçamento disponível. Porque o problema em termos de impacto ambiental é importante, está a Unidade a envidar todos os esforços para a sua resolução, tendo já promovido o levantamento dos custos orçamentais, dispondo-se contudo já de um projecto para o efeito e que se acredita que durante o corrente ano de 2009 ainda venha a ser implementado, e dando, assim, um passo extremamente importante na resolução dos problemas encontrados. Numa outra vertente, a Unidade continua a desenvolver esforços para efectuar o aproveitamento das matérias orgânicas resultantes da vida diária, com recurso a compostores. Embora a tarefa seja simples, a localização dos mesmos, bem como a disponibilização de compostores de maior capacidade, aguarda melhor oportunidade para a sua implementação, acreditandose que será uma experiência que a curto prazo será continuada. Depois dos problemas mais graves resolvidos, com a implementação de medidas e acções de sensibilização para o ambiente, o Regimento estará certamente em condições de se candidatar à Certificação em Gestão Ambiental, horizonte esse que se julga já não estar longe.

SCH SGE Luís Martins Sargento de Matrícula do RA4

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DESPORTO E LASER A ORIENTAÇÃO - UM DESAFIO PERMANENTE

“Conjunto dos sistemas físicos, químicos, biológicos e suas relações e dos factores económicos, sociais e culturais com efeito directo ou indirecto, mediato ou imediato, sobre os seres vivos e a qualidade de vida do homem” (Artº 5º da Lei de Bases do Ambiente, Lei 11/1987 de 7 de Abril)

A

Orientação é a modalidade desportiva com capacidade para conciliar no mesmo espaço físico, e em simultâneo, atletas em competição e em actividade física de lazer, proporcionando um permanente contacto com a Natureza. Cada um escolhe o seu ritmo, em função dos desafios que determinou e, ao mesmo tempo, poder desfrutar das emoções que cada mapa proporciona. As características dos seus atletas distinguem-se por serem precisos e rigorosos na abordagem de todos os pontos de controlo, pela sua destreza na transposição dos obstáculos e por uma capacidade de visualização do relevo a três dimensões. Escolher o itinerário que simplifique a leitura, que economize energia e que seja o mais seguro no ataque ao ponto são factores de análise para uma boa tomada de decisão. Atrás de toda esta componente atlética existe um incansável trabalho na escolha do terreno, na planificação de todas as tarefas técnicas, administrativas e logísticas, capazes de proporcionar o controlo de várias centenas de atletas em prova (ou até mesmo milhares), o que impõe à organização níveis elevados de exigência. O Clube de Orientação do Centro, com dez anos de existência, dá testemunhos do que é a alta competição, exigência e inovação na Orientação. A Orientação, como actividade de competição, exige do praticante altos níveis de resistência, comparáveis aos atletas de atletismo de meio fundo, capacidade de raciocínio em esforço, rápidas tomadas de decisão e estabilidade psico-emocional. 34

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O sucesso destes atletas de Orientação advém do equilíbrio entre os factores cognitivos e físicos. A Orientação é uma modalidade desportiva autónoma e única, porque: - Exige a todo o momento tomadas de decisão, que assentam em qualidades de percepção visual, análise e concentração (vertente táctica). - Exige uma boa componente física, pela natureza do terreno onde se desenvolvem actividades, bastante mais variado e acidentado que as outras modalidades desportivas (colinas, desníveis acentuados, escarpas, linhas de água, terreno pedregoso, floresta, vegetação rasteira, etc.). - Tem dificuldade técnica na corrida, requer consulta do mapa, utilização da bússola, tomadas de decisão, relocalização no terreno (vertente técnica)

-

Elimina outras situações de stress (contrariedades), tais como a correcção de erros de navegação, distracção causada por outros atletas, auto-controlo (vertente psíquica). É o conjunto destes quatro factores (Táctico, Físico, Técnico e Psíquico) que influenciam o rendimento dos atletas de alta competição de Orientação. Aqui assenta o plano de treino desportivo que tem de ser feito para melhorar esse rendimento. Então, os factores do treino desportivo podem ser divididos em: FÍSICO – capacidades motoras e capacidades fisiológicas; TÉCNICO – técnica de corrida e técnica de transposição de obstáculos; TÁCTICO – competências específicas, técnicas de orientação e tácticas de orientação. De seguida, apresenta-se o trabalho que é feito no COC, relativamente aos atletas: FÍSICO - O grupo do COC, de acordo com o calendário desportivo, é dividido em 3 macrociclos, culminando o último com os campeonatos absolutos ou, no caso de atletas de selecção nacional portuguesa, termina nas provas internacionais, e que se procura nesta fase a melhor forma possível. Por sua vez, cada macrociclo é dividido em três ciclos, em que no primeiro se aumenta o volume treino; melhora a força, a resistência e a potência máxima. No segundo, melhora-se o limiar anaeróbico e a força de resistência. No terceiro, diminui o volume de treino e estimula-se o VO2max. TÉCNICO – Em sintonia com a preparação física, são programadas sessões de técnicas de corrida (exercícios de aprendizagem e aperfeiçoamento dos elementos técnicos fundamentais da corrida), com base em Skiping, movimento dos braços, saltitar, corrida saltada, steps, hops, corrida em velocidade progressiva e junção das várias vertentes. São, ainda, programadas sessões de corrida contínua em floresta e em terreno variado, de modo a melhorar a técnica de transposição de obstáculos, nomeadamente progressão em vegetação rasteira, progressão em terreno rochoso, progressão em floresta com troncos ou ramos de árvores caídos. TÁCTICO – Este factor é desenvolvido e aperfeiçoado em sessões de terreno (utilização de mapas), devidamente planeadas com as várias actividades do clube, e respectivos objectivos individuais ou colectivos, materializados em treinos à semana, treinos ao fim de semana ou estágios. No desenvolvimento das competências específicas, BOLETIM 2009

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aperfeiçoa-se a leitura e interpretação do mapa, utilização da bússola, capacidade de memorização e rapidez na consciência do erro. Na vertente técnica, treinam-se as técnicas de orientação pelas referências lineares, pelas referências pontuais, pelo relevo, pelo azimute, pela abordagem/saída do posto de controlo e pela técnica do polegar. Em termos tácticos, desenvolve-se a capacidade de idealizar o melhor itinerário (tomada de decisão), tendo atenção em maximizar o efeito e minimizar o dispêndio físico e/ou técnico. Vamos organizar uma prova de orientação pedestre Poucos são aqueles que ao agarrarem no mapa para iniciarem o seu percurso, têm a noção de quantas pessoas se envolveram naquela organização e das horas investidas na planificação, preparação e montagem da prova que estão prestes a iniciar. A actual conjuntura económica em que vivemos obriga-nos a sermos extremamente cuidadosos no dispêndio de todos os recursos, sejam eles humanos, logísticos ou financeiros. 36

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Devemos perceber bem quais os objectivos a atingir, os recursos disponíveis, que retorno pretendemos obter do nosso trabalho e, só depois, iniciar o processo organizativo para uma prova de Orientação Pedestre. Numa óptica de testemunho pessoal, elencam-se de seguida algumas questões que habitualmente, em equipa, se debatem durante o processo de decisão: Vamos organizar uma prova de Orientação Pedestre! Que área cartografar? Depois de algumas experiências menos positivas, deve-se procurar sempre evitar zonas particulares, evitando, assim, constantes desactualizações do mapa (cortes de floresta) e facilitando a obtenção da autorização do seu proprietário para a realização da prova. A qualidade técnica do terreno tem que ser comprovadamente boa, pois só com um bom mapa se conseguirá organizar uma boa prova, possibilitando que, tempos mais tarde, se possa reutilizar o mapa em nova organização, seja ela uma competição ou um treino. Onde procurar? Procura-se sempre que a acessibilidade seja pouco


complexa e que, desejavelmente, tenha a possibilidade de a estrada de acesso não ser a mesma de saída. A proximidade de uma infra-estrutura desportiva que sirva de apoio, a proximidade de uma localidade ou de um parque de merendas, são alguns aspectos que devem ser tomados em linha de conta. A existência de 1 ou 2 locais onde seja possível a Arena e a existência de espaço para estacionamentos, relativamente perto, são pontos que fazem parte do check list. Quando começar? Nunca a menos de 12 meses da prova, pois é um “defeito” recorrente, pelo que se deve começar bem cedo. O que fazer? Escolhido o local e calendarizada a prova, o próximo passo é definir quem serão os responsáveis pela prova. Criar o logótipo da prova, preparar a informação que vai ser utilizada nos folhetos e site, colocar o site no ar, solicitar autorização junto do (s) proprietário (s), promover o seu licenciamento no Município, são tarefas que vão sendo asseguradas, muitas delas só possíveis de iniciar quando outras estiverem concluídas. Habitualmente, e por essa altura, a execução do mapa é entregue ao cartografo que, com o seu rigor e

brio profissional, vai criando a sua obra-prima, com a vantagem de ficando a conhecer o mapa como ninguém, vai idealizando locais para colocação de pontos de controlo e delineando pernadas para os diversos escalões. O Director de Prova vai preparando o organigrama, dialogando com o cartógrafo, com o Supervisor e com os Team Leaders de cada equipa, identificando-os com o Evento. Os diversos apoios, cada vez mais difíceis de conseguir e sem os quais dificilmente se consegue montar uma prova, têm que ser assegurados e, para que tal aconteça, há que promover uma série de reuniões e outros contactos fundamentais. Quando vamos ao terreno? Terminada a fase anterior, surge a necessidade de visitar o terreno e efectuar as marcações e colocação das fitas. Colocar 200 ou 300 fitas no terreno, para depois se aproveitarem 60 a 75, é um procedimento normal, pelo cuidado que se coloca nessa marcação da prova. Assim, permite que se escolham locais para os pontos, que se vejam, revejam e ajustem pernadas e que o trabalho de cartografia seja todo ele visto, revisto e corrigido. Quando o Supervisor vem homologar o mapa, BOLETIM 2009

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internamente já essa homologação foi feita. Analisa-se a Arena, pré-definida o seu esboço, define-se o local do finish, do ponto 200, do ponto de espectadores, dos pontos de rádio e da partida, para que o traçador de percursos comece, então, a planificar os percursos, devidamente enquadrado com o tipo de prova e condicionantes logísticas e técnicas que pretendemos implementar. Os 3 meses que antecedem a prova… Concluídos os percursos, ainda que não aprovados pelo Supervisor, a cerca de 3 meses da prova vai-se com os Team Leaders ao terreno, apresentando todo o esboço da prova, localização de cada equipa e discussão geral das tarefas que se pedem e o que se espera de cada equipa de trabalho. A Bíblia da prova, o documento “Lista das Tarefas por Equipa”, entra em fase final de preparação e em início de divulgação por cada equipa de trabalho. Entra-se, de facto, numa das fases finais: testar percursos, colocar no terreno as fitas com a numeração final e o seu habitual “recibo”, medir os estacionamentos, rever a sinalização, rever e ajustar a localização do bar, do secretariado, do babysitting, dos abastecimentos, das partidas, do finish, da informática, dos resultados, das casas de banho, do gerador, da passagem de cabos, da aparelhagem de som, etc. etc. No site, colocam-se os avisos e alertas que se pretendem passar aos participantes, as curiosidades que vão aparecendo e as informações técnicas com distâncias, desníveis, número de pontos de controlo e escala do mapa em cada escalão, assim que o Supervisor aprove os percursos. As reuniões para assegurar os apoios, para calendarizar a implementação desses apoios, a visita

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ao solo duro, aos banhos e os contactos com as forças de segurança sucedem-se. Os últimos 30 dias! Há que promover a preparação dos ficheiros para impressão de mapas e sinaléticas, com impressão de 2 mapas de cada percurso e de cada dia. Depois há que passar esses testes, para que se possam detectar erros. As inscrições vão chegando, os prémios estão preparados, o organigrama definido e todos os trabalhadores da organização já confirmaram a sua presença no sítio e à hora indicados pelo Director de Prova. Nesta fase, é efectuada a reunião final com todos os elementos que irão estar a enquadrar as várias


equipas de trabalho. A Arena é o ponto de encontro e, em conjunto, visitam-se todos os locais da prova. São debatidas ideias, esclarecidas as dúvidas, passada a mensagem da importância do evento e feito o apelo ao brio que todos devem colocar na organização da prova. Os comunicados de imprensa vão sendo enviados ao longo de todo este processo e em fases de especial interesse. No fim-de-semana que antecede a prova é marcada uma sessão de trabalho com cerca de 10 pessoas que, devidamente enquadrados e como se de uma linha de produção se tratasse, procedem à conferência dos mapas, sua contagem e plastificação. Também a sinalética suplementar é verificada e tudo fica acondicionado em sacos de plástico, devidamente separados por etapas/dias e inventariado numa folha de cálculo que é passada a quem processa as inscrições e ao secretariado, que passa a ter a responsabilidade de, atempadamente, alertar de eventuais rupturas de mapas. Estamos na véspera. A sinalização vai ser colocada para que na manhã seguinte os atletas cheguem, calma e serenamente, ao estacionamento e dali à Arena, sendo importante que isso aconteça. Desta forma, transmite-se naturalmente calma aos participantes e, implicitamente, que a prova foi extraordinariamente cuidada no seu planeamento e montagem, para que seja um sucesso.

As 4 horas que antecedem a 1ª partida: o stress final! Computadores ligados, listas de partida afixadas com avisos de última hora e quadros de informação técnica, equipa de partidas a acertar relógios, som a passar um CD para criar ambiente, secretariado a entrar em intensa actividade, alterações para tratar, abastecimentos no terreno e os homens dos pontos que ainda não chegaram todos. O Director de Prova aguarda que o chefe dos colocadores de pontos lhe confirme que todos os seus homens já chegaram, que após descarregarem os SI’s todas as estações funcionam, os “recibos” das fitas, que 3 meses antes haviam sido colocados no terreno, estão na sua posse (provando que a estação foi colocada junto à fita) e que nenhum obstáculo existe para que possa ser dada a partida. É importante que esta tarefa esteja concluída a 60 minutos da 1ª partida, para que haja tempo de proceder a alguma verificação de última hora ou à substituição de qualquer estação que, teimosamente, não acordou. Nesta fase, o ideal é que apenas o secretariado esteja atarefado com a chegada dos atletas que vêm levantar a sua documentação e fazer a alteração da praxe. Afinal, secretariado que não receba uma alteração de última hora não é secretariado. Mas ainda há mais uma tarefa para assegurar, pois alguém dá o alarme “As casas de banho não têm papel higiénico, já acabaram os 6 rolos que lá estavam”. Tudo a postos, o Director de Prova pede o OK a

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todas as equipas, que lhe confirmam que tudo está pronto e funcional. O último e determinante OK vem do Supervisor que, assim, autoriza o início da prova. Minutos -3 entram os atletas do minuto 0 e, habitualmente, neste momento procura-se estar sempre nas partidas, saboreando aqueles minutos. Mais uma vez vem à mente a frase inicial “Quantos serão aqueles que agora, ao agarrarem no mapa para iniciarem o seu percurso, têm noção de quantas pessoas se envolveram nesta organização e das horas investidas na planificação, preparação e montagem da prova que estão prestes a iniciar?”. A Orientação como modalidade desportiva tem procurado acompanhar o desenvolvimento tecnológico, procurando essencialmente melhorar o rigor dos resultados desportivos. São diferentes as áreas onde é muito evidente o desenvolvimento tecnológico aplicado à modalidade: elaboração dos mapas, controlo dos resultados, equipamentos de apoio ao atleta. Na elaboração dos mapas, a generalização na internet de imagens aéreas tem permitido reduzir custos na elaboração de pequenos mapas de iniciação à modalidade, o aperfeiçoamento e rigor dos equipamentos GPS facilitam na precisão dos trabalhos de campo dos cartógrafos. Também a crescente melhoria na qualidade dos equipamentos de impressão digital veio facilitar e reduzir custos impressão dos mapas, permitindo a impressão “personalizados” a cada escalão (ou mesmo atleta). O controlo dos resultados é, sem dúvida, a área onde o comum dos praticantes de Orientação encontra inúmeros sinais da evolução. Ainda não passaram dez anos da introdução do sistema electrónico de controlo de provas “Sportident” em Portugal. O agora quase desconhecido cartão de controlo e picotador foram durante anos os responsáveis pelo controlo e rigor dos resultados. O cartão de controlo era previamente preenchido com os dados do atleta e seu tempo de partida, o atleta cumpria o seu percurso e accionava um picotador que encontrava em cada ponto de controlo, furando cada quadricula o seu cartão e confirmando assim a correcta execução do seu percurso. Na chegada, a organização registava o tempo de chegada e guardava o cartão para ser analisado e confirmada a correcta sequência de picotagem e calculado o tempo de prova. Posteriormente, os cartões eram expostos “num estendal” e já ordenados por tempo de prova. Este “estendal” era equivalente ao que actualmente chamamos “lista de resultados”. A entrada do computador nos eventos começou por ser, 40

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apenas, para apoio no cálculo dos tempos de prova e organização dos resultados. Na verdade, só este trabalho permitiu agilizar muito o tempo de apuramento de resultados, assim como minimizar os erros de cálculo dos tempos. Permitiu aumentar o número de atletas em prova com menos meios humanos de apoio. Finalmente, surgiu o sistema electrónico que veio tornar os resultados ainda mais fiáveis e instantâneos. Cada praticante leva um pequeno chip que introduz em cada estação electrónica nos seus pontos de controlo. Na chegada, o atleta descarrega para um computador a informação acumulada no seu chip ao longo do percurso e, imediatamente, obtém um recibo com a descrição da sequência de pontos que realizou, assim como dos respectivos tempos de passagem e tempo de prova. Para a organização, é agora possível controlar os resultados desportivos do evento quase sem “mão-de-obra” e instantaneamente. É possível controlar a cada momento quem são os atletas que se mantêm em prova e mesmo analisar se estes ainda têm ou não possibilidade de chegar a um lugar no pódio. Mas o rigor, transparência e velocidade no tratamento dos resultados são apenas uma das muitas vantagens do sistema electrónico. Outra vantagem é a maior flexibilidade na traçagem dos percursos, permitindo que os atletas cruzem diversas vezes a mesma zona sem que tenham a tentação de alterar a sequência de controlo dos pontos. Também em termos mediáticos, o sistema apresenta grandes vantagens ao permitir o envio instantâneo dos tempos de passagem


dos atletas, possibilitando o acompanhamento da prestação de cada participante, em determinados (ou mesmo todos os) pontos de controlo. Outros sistemas estão a ser desenvolvidos e testados, nomeadamente no sentido de eliminar as paragens dos atletas no controlo de cada ponto e de transmissão da localização no terreno de cada participante, de forma instantânea. Sobrepondo a informação da localização dos participantes ao mapa de competição, não tardará que na zona de chegada (ou mesmo na TV em casa) possamos acompanhar o desenrolar de uma competição, torcendo para que os nossos atletas consigam cumprir o seu percurso rapidamente e sem erros e para que os adversários se “espalhem”. Enfim, uma palavra para os equipamentos de apoio à navegação dos atletas, apesar de haver quem entenda interessante a introdução do GPS, não parece que o caminho da modalidade seja esse. Afinal o grande desafio da Orientação está, e parece continuar a estar, no aperfeiçoamento da capacidade de navegação num

terreno desconhecido, apenas com ajuda do mapa e de uma bússola. Verifica-se, sim, algumas melhorias na qualidade, velocidade, estabilidade e precisão das bússolas, do recurso a lupas para melhorar a leitura dos pormenores do mapa. Em Portugal, a Orientação tem registado um crescente desenvolvimento nos últimos anos, sendo reconhecidas virtudes em cada uma das vertentes referenciadas anteriormente (física, organizativa e tecnológica). Por tudo aquilo que se acaba de explanar, fica bem patente a importância destes três vectores para o pleno e harmonioso desenvolvimento desta modalidade desportiva. Praticar orientação é, pois, uma actividade física que pode ser realizada em qualquer idade, trazendo um conjunto de benefícios, não só a nível físico, como psíquico e social. A nível físico, é sabido que a orientação potencia as capacidades motoras, sobretudo a resistência devido ao seu esforço predominantemente aeróbio, ajuda no fortalecimento muscular e a estrutura óssea. A nível psíquico, eleva a auto-estima dos praticantes, desenvolvendo as capacidades do domínio cognitivo como a tomada de decisão, a autoconfiança, a concentração, a memorização e a precisão. A nível social, assume um lugar privilegiado na forma como estabelece laços sociais de amizade, permitindo a partilha de sentimentos e dando aos seus atletas a consciencialização da preservação e respeito pela natureza. Em suma, uma das características de mais-valia da Orientação, enquanto modalidade desportiva, é que, sendo evidentemente um evento devidamente organizado e com a introdução das novas tecnologias, permite, facilmente e de forma efectiva, colocar lado a lado indivíduos com diferentes performances físicas, atletas de elite, indivíduos apenas para manter a forma física, jovens, veteranos, e mesmo indivíduos com deficiência motora. No fundo, uma partilha espacial e temporal que possibilita a comunhão de experiências e enriquecimento humano e, certamente, o enriquecimento e sucesso da modalidade.

MAJ ART Marto Silva Oficial de Logítica do RA4

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TREINO FÍSICO E NUTRIÇÃO PRINCIPAIS CUIDADOS ALIMENTARES QUE OS ATLETAS DEVEM TER

A

limentação dos desportistas é, cada vez mais, vista pelos agentes desportivos com atenção e preocupação. De facto, a nutrição deve ser inserida no plano de treinos com base científica no sentido de optimizar o sucesso dos atletas. Devemos considerar o atleta como um indivíduo sujeito a gastos energéticos muito superiores aos da população geral, do que resultam exigências nutricionais específicas. O controlo de peso e a avaliação corporal são essenciais na prática de actividade física. O excesso de peso ou proporções inadequadas de massa gorda podem ter consequências negativas na performance desportiva. Os atletas devem ainda considerar que estão propensos a um maior stress fisiológico e oxidativo durante o exercício, sendo, a sua recuperação e preparação, um dos principais objectivos da nutrição desportiva. Para o atleta, não só o tipo e quantidade de alimentos que ingere deve ser tido em conta, como também o momento em que são ingeridos. A educação é assim fundamental. Uma incorrecta escolha alimentar pode impedir que o atleta atinja o seu máximo potencial e até mesmo ter implicações no seu estado de saúde. Contudo, é necessário frisar que a nutrição não faz por si só vencedores, mas pode eventualmente fazer a diferença em determinados momentos competitivos. A nutrição no desporto deve também orientar o atleta para uma alimentação saudável, prevenindo diversas patologias relacionadas com hábitos alimentares desadequados, como doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e vários tipos de cancro. Embora o rigor científico defina as características de um bom acompanhamento nutricional, a intervenção alimentar não deve esquecer a cultura, os gostos e o bem-estar de cada um. Só desta forma a nutrição pode contribuir para o melhor sucesso dos atletas. 42

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No presente artigo, através de uma linguagem simples e objectiva, serão abordados vários aspectos da nutrição, desde a importância de cada nutriente para o atleta às melhores escolhas alimentares no momento competitivo. Procura-se assim sensibilizar os atletas para uma alimentação mais consciente, com base científica e que o encaminhe para um ainda maior sucesso no desporto. Aspectos gerais da Nutrição no Desporto Necessidades calóricas diárias - Um atleta com treino bidiário necessita de cerca de 4000 kcal por dia, variando este valor com a actividade desportiva praticada. O atleta deverá repartir as suas calorias ingeridas diariamente da seguinte forma: pelo menos 60% em glúcidos; menos de 30% em lípidos; entre 10% a 15% em proteínas. Glúcidos Os glúcidos encontram-se, principalmente, no pão, batata, massa, arroz e outros cereais. Outros alimentos confeccionados a partir dos cereais e adicionados de açúcar são também ricos em glúcidos: cereais de pequeno-almoço, bolachas e diversos produtos de confeitaria. A fruta e as leguminosas secas, como o feijão, também fornecem quantidades razoáveis de glúcidos. Os substratos energéticos dependem fundamentalmente da intensidade do exercício. Quanto mais intenso, maior é a contribuição dos glúcidos. É também o único substrato metabolizado anacronicamente, ou seja, que é absorvido de forma diferenciada, caracterizando as actividades de elevada intensidade, pela ausência de oxigénio. Assim, os glúcidos têm um papel central no metabolismo energético. As reservas de glicogénio muscular e no fígado estão limitadas a cerca de 500g. Por isso é importante que o atleta tenha cuidados especiais com a ingestão antes, durante e após o exercício, especialmente se tem


uma duração superior a 1 hora e de intensidade média/elevada. A quantidade, qualidade e momento em que são ingeridos também pode determinar uma boa ou má reposição de glicogénio muscular, sendo estes factores ainda mais preponderantes quando os intervalos entre os treinos e competições são curtos. Os alimentos ricos em glúcidos podem ser classificados tendo em conta a velocidade com que são absorvidos no sangue, ou seja, a glicose chega ao sangue do seguinte modo: Elevado índice glicémico – Os glúcidos entram rapidamente no sangue, provocando um pico de insulina. Estes alimentos, como o pão de trigo, a batata assada, o puré de batata, a geleia, o mel e a marmelada, são indicados para a reposição rápida de energia, por exemplo durante ou imediatamente após o treino; Baixo índice glicémico – Os glúcidos nestes alimentos demoram mais tempo a entrar na circulação sanguínea. São mais indicados antes de um treino para que não ocorra elevado aumento de insulina. Os alimentos com baixo IG, ao contrário dos com elevado índice glicémico, diminuem a fome, promovem a saciedade e melhoram o controlo do peso. É o caso da massa, do arroz, da maçã, da ameixa, da laranja e da pêra. Uma boa reposição de glúcidos, na hora seguinte após o treino, é fundamental. Permite uma recuperação mais rápida e em maior quantidade do glicogénio muscular e hepático, o que significa uma melhor preparação para o treino seguinte. Desta forma, influencia a performance do atleta. Os atletas devem consumir habitualmente alimentos ricos em glúcidos (5-10g/kg/dia), contribuindo para cerca de 60% do valor calórico total diário da sua alimentação. Proteínas As proteínas desempenham diferentes funções no organismo humano. De interesse para o atleta, destacase a sua importância na construção de massa muscular, na recuperação de microlesões celulares e a sua ligeiramente maior contribuição como substrato energético durante o exercício de endurance. São nutrientes que existem especialmente na carne, peixe, leite, iogurte, queijo, leguminosas secas e ovos. O atleta deve preferir as opções magras destes alimentos. BOLETIM 2009

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Contrariamente ao que muitos atletas possam pensar, a maior ingestão de proteínas não leva por si só a um aumento de massa muscular. O excesso de proteínas no organismo é oxidado e eliminado pela urina. Embora as necessidades de um atleta sejam ligeiramente superiores às de um indivíduo sedentário, uma alimentação inserida no nosso padrão cultural e fornece as adequadas quantidades de proteínas. Para um atleta recomenda-se 1,21,5g/kg/dia. A suplementação com proteínas não é recomendada. O excesso de ingestão proteíca pode levar à desidratação, perda urinária de cálcio, ganho de peso e stress para os rins e fígado, a longo prazo. Lípidos Embora os glúcidos sejam a principal fonte de energia em exercícios de intensidade elevada, os lípidos são o mais importante combustível em actividades de intensidade ligeira a moderada. Os atletas devem consumir entre 20-30% de energia provenientes dos lípidos. Uma alimentação pobre em lípidos e alta em glúcidos é também importante por razões de saúde, porque diminui o risco de doença cardiovascular, obesidade, diabetes e alguns tipos de cancro. Estas doenças estão relacionadas com o consumo exagerado de gordura, principalmente saturada (proveniente de carnes vermelhas, enchidos, fumados, fritos e de produtos de pastelaria e confeitaria) e com o consumo deficiente de gordura insaturada, proveniente do azeite, da soja, de frutos gordos (noz, amêndoa, …) e peixes, como o salmão, a sardinha e o atum. Alguns conselhos práticos, para diminuir consumo de lípidos • Aumentar a ingestão de alimentos pobres em gorduras (cereais, legumes e frutos); • Diminuir a ingestão de carne de bovinos e suínos, substituindo-a por carnes magras (frango e coelho) e por peixe. Retirar a pele do frango e evitar o consumo das suas asas; • Aumentar o consumo de sardinha, cavala, atum, salmão, truta e enguia; • Consumir leite, queijo e iogurtes magros ou meio gordos; • Não abusar da manteiga e excluir a banha de porco; • Evitar produtos de charcutaria – chouriços, salsichas e presunto; • Preferir o azeite para cozinhar, temperar e fritar; • Evitar alimentos fritos, preferindo alimentos 44

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grelhados e cozidos; • Não fritar alimentos em fritadeiras eléctricas; • Não abusar do uso dos ovos (3-4 por semana); • Reduzir a quantidade de glúcidos simples (bolos, guloseimas, refrigerantes, compotas); • Aumentar a ingestão de alimentos ricos em fibras (cereais integrais, frutos, leguminosas, tubérculos e outros vegetais). Vitaminas e sais minerais Embora não sejam nutrientes energéticos, as vitaminas são extremamente importantes na capacidade funcional do corpo humano, intervindo em diversas reacções metabólicas que ajudam na defesa e protecção do organismo contra o stress causado pelo exercício. Embora os níveis de toxicidade de vitaminas seja difícil de alcançar com ingestão de alimentos, o atleta deve ser educado e motivado para uma correcta escolha alimentar em vez de ser direccionado para a suplementação, pois aumentará o risco de toxicidade. Uma alimentação saudável e equilibrada pode fornecer as doses recomendadas de minerais para os atletas. Contudo, as mulheres atletas e em especial as que fazem restrição alimentar podem não ingerir suficientes quantidades de cálcio e ferro. Juntamente com o stress fisiológico a que estão submetidas, devido à intensidade dos treinos, estas atletas têm elevados riscos de osteoporose, anemia e distúrbios hormonais e menstruais. As atletas femininas devem ter especiais cuidados com a sua alimentação, procurando os alimentos que forneçam estes minerais. O ferro encontra-se essencialmente na carne, peixe e cereais fortificados. A principal fonte de cálcio é o leite e seus equivalentes. Se necessário, as atletas devem recorrer à suplementação destes minerais. Conselhos práticos para as vitaminas e sais minerais • Melhores fontes vitamínicas são os alimentos; • Os atletas necessitam de maior quantidade diária de vitaminas (A, E, C, Comp. B); • Alimentos ricos em vitaminas (vísceras de animais, cereais integrais, amendoins, avelãs, amêndoas, nozes, passas, pinhões, frutas e vegetais); • Os atletas necessitam de cálcio, magnésio, zinco e ferro; • Sudações intensas necessitam de cloro, sódio,


potássio e zinco; • Dieta pobre em cálcio, aparecimento de fracturas de fadiga e osteoporose; • Falta de ferro, aparecimento de anemias e não rendimento desportivo; • Suplementos farmacológicos devem estar sujeitos a prescrição médica; • Atletas que executem esforços prolongados em locais com níveis de poluição atmosférica necessitam de vitamina A, E, C, zinco, selénio e manganésio. Nutrição para os momentos competitivos A alimentação do atleta deve ter especiais cuidados especialmente antes, durante e após o treino/competição. De seguida, estão descritas as recomendações que o atleta deve seguir, tendo em conta o tipo de treino. A preocupação do atleta com a nutrição deve acompanhá-lo durante toda a época para que daí possa extrair os máximos benefícios antes de um momento competitivo. Dieta de treino diária de um atleta - Leite magro ou meio gordo – (dois copos grandes); - Ovos – 1 ovo (três a quatro ovos por semana); - Um iogurte; - Pão integral – 300 gramas; - Carne ou peixe – 300 gramas (alternando com proteínas vegetais de soja e leguminosas); - Citrinos – 150 gramas (uma laranja); - Outros frutos – 150 gramas (uma a duas peças); - Manteiga – 10 gramas; - Óleo vegetal ou azeite – 20 gramas; - Margarina vegetal – 10 gramas; - Sumos naturais – um copo; - Cereais em flocos ou farinha – 30 gramas; - Legumes verdes ou tubérculos – 500 gramas; - Batatas, arroz e massas alimentícias – 400 gramas; - Açúcar de mesa ou mel – 40 gramas. Possíveis refeições Pequeno-almoço: - Leite com flocos de cereais integrais. Juntar passas de uva, amendoins, amêndoas, avelãs ou nozes. - Pão integral ou croissant com fiambre, queijo ou compota. - Sumo de laranja natural. BOLETIM 2009

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Almoço ou jantar: - Sopa de legumes; - Um ovo; - Carne ou peixe ou leguminosas ou soja; - Batatas ou massas alimentícias ou arroz; - Salada de legumes frescos com azeite e limão; - Pão integral; - Um fruto maduro. Refeição do meio da manha ou merenda - Um copo de leite ou um iogurte; - Pão integral ou croissant com fiambre ou manteiga. Alimentação antes do treino da tarde (>2h) O objectivo é aumentar as reservas energéticas, a boa digestibilidade e evitar problemas gastrointestinais e a fadiga precoce; favorecer a recuperação e adaptação do atleta ao stress e danos causados pelo exercício. 4 horas antes - refeição rica em glúcidos. 1 hora - 1,5 horas antes - exemplo de lanches:

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- Duas tostas integrais com geleia + um iogurte liquido + uma fruta; - Leite achocolatado (200 ml) + oito bolachas integrais + uma fruta; - Sumo néctar/ natural (duas frutas) + um pão integral com marmelada; - Bebida desportiva (500ml) + pão integral com geleia + barra energética; - Prato de cereais (40g) + leite magro (125 ml) + uma fruta. Evitar produtos ricos em gordura, como fritos, produtos de pastelaria, confeitaria e produtos de charcutaria, como o chouriço e o fiambre. Alimentação pós competitiva - Após o treino intenso, nos primeiros 30 a 40 minutos tomar uma bebida composta por água mineral alcalina com frutose, glucose ou sacarose; - A primeira refeição à mesa poderá ter a seguinte composição:


- Sopas de legumes com um pouco mais de sal que o habitual; - Massas alimentícias (esparguete, macarrão, pizza), ou arroz ou batatas; - Salada de vegetais temperada com limão e azeite ou óleo vegetal; - Fruta (bananas, alperces, pêssegos, laranjas ou ananás, ricos em potássio); - Água mineral alcalina ou leite magro ou meio gordo; - Não devemos ingerir produtos proteicos e bebidas alcoólica. Importância da hidratação para os atletas A água é um componente essencial de todos os tecidos corpóreos, sendo fundamental nos processos fisiológicos do organismo, nos mecanismos de termorregulação, entre outros. Hidratação do atleta antes, durante e após o evento Beber deve fazer parte do programa de treinos. As bebidas desportivas são formuladas para que o atleta tenha a melhor hidratação. Apresentam, pois, as proporções recomendadas de glúcidos e electrólitos, trazendo os benefícios que a água não promove. A bebida caseira é também uma possível opção para quem não quer usar bebidas desportivas. Para isso, adiciona-se 60-80g de açúcar (nove pacotes ou quatro a cinco colheres de sopa de açúcar) mais meia colher de chá de sal por cada litro de água. Podem adicionar-se gotas de limão para melhorar o sabor da bebida, devendo ser usada bem fresca. Bebida pré-competitiva -2 horas - 1-2 copos de água/bebida desportiva;

-1 hora - 1-2 copos de água. Bebida competitiva Exercício - A hidratação deve ser realizada através de uma adequada bebida desportiva. - O atleta deve beber entre 150-200 ml em intervalos de cerca de 15-20 minutos; - Sugere-se a monitorização do peso do atleta antes e após o treino para uma avaliação mais correcta e individual. Bebida pós-competitiva +1 hora - Após o treino, o atleta deve repor cerca de 150% do peso perdido. (Peso antes do treino – Peso final do treino) X 1,5 +2 horas - A bebida desportiva não é só um óptimo meio de reposição de energia como também é uma excelente bebida hidratante o que a torna a melhor bebida para durante e após a competição. Contudo, a hidratação também se concretiza através de sumos e água corrente. Controlo do peso dos atletas - principais erros cometidos • Procurar perder muito peso em pouco tempo, o que leva a uma perda acentuada de massa muscular, quando o objectivo é perder massa gorda; • Tentar perder peso à custa de um déficit de hidratação que pode predispor à lesão desportiva; • Restringir demasiadamente a ingestão de glúcidos complexos, ocasionando fadiga, hipoglicemia e dificuldades de recuperação; • Saltar refeições; • Ingerir pequenas refeições ricas em glúcidos simples (refrigerantes e iogurtes açucarados, entre outros);

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• Substituir os alimentos ricos em glúcidos complexos por fibras (vegetais) resultando num excesso de ingestão destas diarreia e deficiente absorção intestinal. Conselhos para perda de peso • Reduza um pouco a quantidade de alimentos que come diariamente; • Coma mais vezes e menos de cada vez, fazendo cinco a seis refeições diárias; • Coma menos proteínas animais, substituindoas por proteínas vegetais; • Escolha carnes brancas e magras, retirando a gordura visível antes de as cozinhar; • Procure comer mais peixe que carne; • Procure ingerir leite e derivados meio gordos; • Prefira alimentos cozidos e grelhados e utilize pouca gordura na sua confecção, preferindo o azeite para este fim; • Evite a ingestão bebidas alcoólicas – nunca mais de um copo de vinho às refeições principais; • Não beba refrigerantes ou qualquer tipo de bebidas açucaradas; • Reduza a ingestão de alimentos ricos em gordura (margarina nos cozinhados, manteiga no pão, molhos sobre os alimentos, toucinho); • Ingira apenas um a dois ovos por semana; 48

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• Evite ao máximo alimentos ricos em glúcidos simples (bolos, açúcar, guloseimas, chocolates, refrigerantes); • Consuma alimentos ricos em fibras (alimentos integrais, fruta e vegetais); • Mantenha um adequado aporte de glúcidos complexos (arroz, massas alimentícias e leguminosas); • Consuma alimentos ricos em vitaminas e sais minerais (fruta e vegetais frescos, alimentos animais, entre outros); • Não ponha açúcar no leite e ponha pouco no galão e no café; • Não coloque açúcar na fruta (laranja, morangos, salada de frutas); • Não coloque açúcar nos iogurtes; • Não coma bolos em excesso. Prefira bolos secos e cremosos. Se os quiser comer, coma-os às refeições; • Não beba refrigerantes (cola, laranjada, gasosa, etc.); • Não exagere no uso de mel, compotas e geleias. Não os ingira fora das refeições; • Não coma doces fora das refeições; • Cuidado com os flocos de cereais muito açucarados; • Não ingira guloseimas. Se a tentação vier, ingira-as às refeições.


Conclusões O gasto energético no desporto depende das características do atleta (sexo, composição corporal e altura, entre outras), do exercício (frequência, intensidade e duração) e do ambiente onde este se efectua (temperatura e demais condições condicionantes). A alimentação deve satisfazer as acrescidas exigências energéticas e, como determina a disponibilidade dos substratos energéticos nos atletas, deve ser planeada de forma a contribuir para maximizar as suas reservas. A deficiente ingestão de glúcidos antes e durante o treino/competição contribui para que as reservas de energia se esgotem mais rapidamente, originando a instalação precoce de estados de fadiga. Nas suas escolhas alimentares, o atleta deve consumir alimentos fornecedores deste nutriente não como acompanhamento, mas como o centro das refeições. É importante que o atleta tenha uma alimentação rica em glúcidos, pois na sua falta as proteínas serão usadas como fonte de energia, em vez de ajudarem a constituir a massa muscular. Atletas em risco de ingestão inadequada de proteínas são os que restringem a ingestão energética ou a variedade alimentar (ex: vegetarianos). O atleta deve ainda ter um cuidado especial com a ingestão excessiva de gorduras antes de um treino ou competição, pois podem provocar problemas

gastrointestinais e privar uma adequada ingestão de glúcidos. Uma alimentação variada e rica em fruta, legumes e hortaliças, fornece as quantidades adequadas de vitaminas, sem que haja consequências negativas para a saúde do atleta.

Referências Bibliográficas: Horta, L. (1996). Nutrição no Desporto. Caminho. Colecção Desporto e Tempos Livres. Matos, M. (1989). Hábitos Alimentares de uma Equipa de Ciclismo durante uma Competição. Cadernos da Equipa Enervit, 1: 35-42. Pereira, J. (1989). A Fadiga Muscular em Treino Desportivo: Delimitação Conceptual e Controlo do Treino. Cadernos da Equipa Enervit, 2: 31-45.

ALF RC Pedro Alves Comandante do PelReabTransp BCS/GAC

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RETROSPECTIVA ANUAL DE ACTIVIDADES SITREP 2008/2009

VISITA DO EXMO MGEN CMDT DA BRIGADA DE REACÇÃO RÁPIDA AO REGIMENTO DE ARTILHARIA Nº4 Exmo. MGen Carlos António Corbal Hernandez Jerónimo, Comandante da Brigada de Reacção Rápida (BrigRR), visitou o Regimento, em 23 de Julho de 2008. O Regimento prestou as Honras Militares com a Guarda de Polícia e apresentação do Oficial de Dia; Foram apresentados cumprimentos de boasvindas na presença de uma delegação de Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis, na Biblioteca do Regimento, ao que se seguiu um briefing efectuado pelo Comandante do RA4. Na parada do Regimento, sob o comando do 2º Comandante do GAC, foram apresentados os principais meios do Grupo de Artilharia de Campanha. Na sequência da visita, o Exmo. Comandante da BrigRR passou revista às instalações do Quartel.

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COMEMORAÇÕES DO 81º ANIVERSÁRIO DO REGIMENTO e acordo com as tradições da Instituição Militar, o Regimento celebrou o seu 81º dia festivo em 29 de Junho. O programa das comemorações contemplou actividades na Cidade de Leiria, na zona de Pedreanes

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(Marinha Grande) e no aquartelamento do Regimento, realizando-se a cerimónia militar a 27 de Junho de 2008. No intuito de dar à efeméride o relevo que lhe é devido, o Regimento organizou, durante o mês de Junho, um conjunto de actividades ilustrativas da sua vocação geral e da sua missão artilheira.

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PLANO VULCANO Regimento, de acordo com o protocolo estabelecido entre o Comando Operacional e a Direcção Geral dos Recursos Florestais, desenvolveu, de 1 de Julho a 30 de Setembro de 2008, acções de vigilância móvel e combate ao fogo em primeira intervenção, através da actuação de uma equipa de sapadores, na Mata da Sr.ª da Conceição, em Tavira, e de uma outra equipa de sapadores, na Mata Nacional do Urso, concelho de Pombal. Cada equipa de sapadores foi constituída por doze elementos (dois Sargentos e dez praças), que actuaram em regime de rotatividade.

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COMEMORAÇÕES DO 623º ANIVERSÁRIO DA BATALHA DE ALJUBARROTA

TOMADA DE POSSE DO CORONEL JOSÉ DA SILVA RODRIGUES

Regimento de Artilharia Nº 4 participou, em 14 de Agosto de 2008, na Comemoração do 623º Aniversário da Batalha Real ou de Aljubarrota no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, com um Terno de Clarins e uma Secção, na Homenagem aos Mortos pela Pátria, com deposição de flores no Túmulo de D. João I, na Capela do Fundador.

o dia 9 de Setembro de 2008, tomou posse como Comandante do Regimento de Artilharia Nº 4, o Coronel de Artilharia José da Silva Rodrigues, por ter sido nomeado por escolha, nos termos do despacho de 16 de Junho de 2008, de Sua Ex.ª o GEN CEME, vindo do Instituto Geográfico do Exército, no qual desempenhava funções de Subdirector.

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INSTRUÇÃO DE SIMULADOR DE TIRO “INFRONT” endo em vista o treino Operacional e na intenção de conjugar o treino das equipas de observação avançada, com a execução de exercícios tácticos e de fogos reais, de escalão Bateria ou Grupo, o GAC participou, com as suas equipas de observação avançada, na actividade em causa, durante os períodos de 16 a 18 de Setembro e de 3 a 5 de Novembro de 2008, na sala de treino desta vertente artilheira, disponibilizada pelo GAC/BrigMec.

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VISITA DE UM GRUPO DE ESCUTEIROS “JAMBOREE 2008” m grupo de 50 elementos, com idades compreendidas entre os 7 e 22 anos, visitou o Regimento, em 5 de Agosto de 2008.

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DIA DO EXÉRCITO dia do Exército comemora-se a 24 de Outubro, data que celebra a tomada de Lisboa, em 1147, pelas tropas de D. Afonso Henriques, primeiro Rei Português e Patrono do Exército. As comemorações do Dia do Exército, em 2008, foram centradas na cidade de Faro, embora englobando um conjunto de actividades, no período de 23 a 26 de Outubro de 2008, em diferentes locais do País, incluindo as Regiões Autónomas dos Açores e Madeira. O Regimento participou na Exposição de Capacidades e Meios, no mesmo período, na cidade de Faro, com alguns materiais que equipam o GAC. No período de 20 a 26 de Outubro de 2008, o Regimentos manteve as portas abertas a todos os cidadãos.

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EXERCÍCIO “ORION 08” Exercício “ORION 08” teve como finalidade testar algumas das capacidades da Força Operacional Permanente do Exército (FOPE), designadamente contenção de acções terroristas e de ajuda em situação da calamidade pública, durante a condução de uma Operação de Resposta a Crises (CRO). O Grupo de Artilharia de Campanha participou no Exercício “ORION 08” de 16 a 17de Outubro de 2008, na região de Beja, com 2 equipas, no EstadoMaior do exercício e uma Bateria de Bocas-de-Fogo, no DVD. O Regimento esteve também empenhado no exercício, onde foram testados alguns planos, no contexto do mesmo.

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COMEMORAÇÕES DO 90º ANIVERSÁRIO DO ARMISTÍCIO DA GRANDE GUERRA m 11 de Novembro de 2008, o Regimento de Artilharia Nº 4 participou nas cerimónias de homenagem aos Combatentes da Grande Guerra, promovidas pelos núcleos da Ligados Combatentes de Leiria e da Batalha. As Cerimónias tiveram lugar, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, junto ao Túmulo do Soldado Desconhecido e no Largo de Infantaria 7, em Leiria, junto ao Monumento dos Combatentes. Na prestação das Honras Militares, o Regimento participou com o Estandarte Regimental, uma força de efectivo Pelotão, o Sargento Clarim e um Terno de Clarins

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CURSO DE FORMAÇÃO PEDAGÓGICA INICIAL DE FORMADORES ecorreu no Regimento, sob tutela da Escola Prática de Infantaria e com formadores do Regimento, o 19º Curso de Formação Pedagógica Inicial de Formadores durante o período de 20 de Outubro a 7 de Novembro de 2008.

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DIA DOS FINADOS

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Regimento, em coordenação com a Liga dos Combatentes, planeou, organizou e executou Honras Militares nas cerimónias, que tiveram lugar nos Cemitérios de Batalha e de Leiria. Na prestação das Honras Militares, participou, com o Estandarte do Regimento, uma força de efectivo Secção, o Sargento Clarim e um Terno de Clarins.

INSPECÇÃO-GERAL DA DEFESA NACIONAL (IGDN) or despacho de S. Ex.ª o Ministro da Defesa Nacional de 7 de Dezembro de 2007 e conforme Oficio nº 80 de 3 de Março de 2008 para o Chefe de Gabinete de Sua Ex.ª o Gen CEME realizou-se, no período de 5 a 14 de Novembro de 2008, uma Inspecção de Defesa Nacional ao Regimento, orientada particularmente para as áreas de Administração de Meios Materiais (Informáticos e Informação).

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EXERCÍCIO “TANGO 08” Grupo de Artilharia de Campanha participou no exercício “TANGO 08”, que decorreu no período de 17 a 21de Novembro de 2008, no Campo Militar de Santa Margarida. Este exercício teve como finalidade treinar procedimentos técnicos e tácticos de Artilharia de Campanha, assim como manter as qualificações das guarnições de bocas-de-fogo.

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DIA DA ARMA DE ARTILHARIA semelhança dos anos anteriores, o Regimento de Artilharia Nº 4 comemorou o Dia da Arma de Artilharia, a 4 de Dezembro de 2008, associando-se às cerimónias na EPA, em Vendas Novas e realizando uma Cerimónia Militar no Quartel do Regimento, em Leiria, extensiva a todos os Oficiais e Sargentos oriundos da Arma de Artilharia das guarnições militares de Leiria, Caldas da Rainha e Coimbra. O dia festivo teve início com a celebração de uma Missa na Capela da Unidade, sufragando a alma dos Artilheiros falecidos, ao que se

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seguiu Cerimónia Militar de Homenagem aos Artilheiros do Regimento Mortos em Defesa da Pátria, com a deposição de uma palma de flores no monumento que perpetua a sua memória. A encerrar as comemorações, teve lugar o habitual almoço de confraternização, num clima de sã convivência e de marcado espírito de corpo. REUNIÃO DE COMANDANTES DA BRIGADA DE REACÇÃO RÁPIDA ecorreu no Regimento, no dia 5 de Dezembro de 2008, a reunião de Comandantes da Brigada de Reacção Rápida. A

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referida reunião foi presidida pelo Exmo. MGen Jerónimo Comandante da BrigRR e contou com a presença do Exmo. 2º Comandante da BrigRR, o Chefe de Estado-Maior da mesma e com os Comandantes das Unidades. Terminados os trabalhos, seguiu-se o almoço e o fim da visita. NATAL NO REGIMENTO DE ARTILHARIA Nº 4 mbebido também do espírito Natalício, o Regimento promoveu algumas actividades para todo o pessoal e respectivas famílias, com o objectivo de proporcionar um

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franco e simbólico convívio, fomentando a sã camaradagem e os valores próprios desta quadra especial. Das actividades desenvolvidas, destacam-se, além da Missa, a Festa de Natal que este ano contou também com um pequeno jogo e com alguns prémios surpresa, terminando com a distribuição de prendas aos mais pequenos.

Comandante, o Alferes de Artilharia Orlando Filipe Fernandes Marques e o 2º Sargento de Artilharia Gonçalo José Leal dos Santos INSPECÇÃO DO COMANDO DE PESSOAL ecorreu, entre 10 e 12 de Fevereiro de 2009, uma Inspecção Técnica de Pessoal ao Regimento, conduzida pela Inspecção do Comando de Pessoal. A equipa de inspecção foi chefiada pelo Coronel de Infantaria João Matos e contou com a colaboração de mais 6 acessores para as diversas áreas.

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EXERCÍCIO “PINHAL 091” ecorreu de 9 a 13 de Fevereiro de 2009 o Exercício “PINHAL 091”, que teve como finalidade avaliar e verificar o grau de prontidão do GAC, de acordo com a sua categoria de prontidão como força constituinte de uma Força Operacional Permanente do Exército.

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COLHEITA DE SANGUE ealizou-se, em 18 de Dezembro de 2008, uma colheita de Sangue na Unidade, efectuada pelo Instituto Português do Sangue.

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JURAMENTO DE FIDELIDADE os termos do Art.º 109º do EMFAR e de acordo com o Art.º 129º da I parte do RGSUE, em 21 de Janeiro de 2009, prestaram Juramento de Fidelidade, no gabinete do Exmo.

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ESCOLA BÁSICA INTEGRADA DE SANTA CATARINA DA SERRA m 11 de Março de 2009, um grupo de alunos da Escola Básica Integrada de Santa Catarina da Serra visitou o Regimento.

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m 6 de Abril de 2009, tomou posse nas funções de Comandante do GAC da BrigRR, por ter sido nomeado por escolha, por Despacho de 13 de Março de 2009, do Exmo. TGEN VCEME, o TenenteCoronel de Artilharia, Octávio João Marques Avelar.

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EXERCÍCIO “TROVÃO 091”

CURSOS DE P/PRC-525

GAC, participou no exercício “TROVÃO 091”, no período de 22 a 27 de Março de 2009, nas regiões de Santa Margarida e de Tancos, para validação operacional das Unidades do SFNCO da BrigRR, no planeamento, coordenação, execução e controlo de Operações de Resposta à Crise, desenvolvendo e aperfeiçoando os procedimentos e a doutrina de emprego de cada uma das referidas Unidades e Subunidades.

ecorreram no Regimento, sob tutela da Escola Prática de Transmissões e com formadores da BrigRR, os seguintes cursos: - 1º Curso de Operadores de Sistema P/PRC-525, de 2 a 10 de Março de 2009; - Curso de Configuração de Sistema P/PRC-525, de 11 a 17 de Março de 2009; - 2º Curso de Operadores de Sistema P/PRC-525,de 30 de Março a 3 de Abril de 2009.

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TOMADA DE POSSE DO COMANDANTE DO GRUPO DE ARTILHARIA DE CAMPANHA

REGIMENTO DE ARTILHARIA Nº 4

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DIA DO COMBATENTE - 91º ANIVERSÁRIO DA BATALHA DE LA LYS Liga dos Combatentes, conjuntamente com a Associação de Combatentes, promoveu no âmbito das Comemorações do “Dia do Combatente” – 91º Aniversário da Batalha de La Lys, a 73ª Romagem ao Tumulo do Soldado Desconhecido. As cerimónias realizaram-se em 18 de Abril de 2009, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, e foram presididas por Sua Ex.ª o Ministro Defesa Nacional, Dr. Nuno Severiano Teixeira, O Regimento colaborou nas cerimónias, apoiando os trabalhos preparatórios das cerimónias, no Mosteiro da Batalha, em18 de Abril de 2009, com uma Secção e serviu o almoço de confraternização na Unidade para cerca de 400 pessoas.

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EXERCÍCIOS “EFICÁCIA 09 E ROSA BRAVA” s exercícios referidos decorreram no período de 20 a 30 de Abril de 2009, na região de Santa Margarida e regiões limítrofes, tendo como objectivos fundamentais os seguintes: Efectuar o treino táctico, envolvendo deslocamentos, reconhecimento, escolha,

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ocupação, organização e segurança de posições; Treinar técnicas de tiro, incluindo os diferentes sistemas de Apoio de Fogos; Testar e treinar a utilização do Sistema Automático de Comando e Controlo (SACC), através da utilização do Advanced Field Artillery Tactical Data System (AFATDS), especificamente para o GAC/BrigRR; Reforçar a coesão e o espírito da camaradagem entre os militares das unidades de Apoio de Fogos participantes; Praticar a integração de Unidades de Apoio de Fogos das Unidades de Manobra, nomeadamente, dos Pelotões de Morteiros Pesados (PelMortPes);

Praticar observação aérea (incluindo regulação) dos fogos de artilharia. PASSAGEM À SITUAÇÃO DE RESERVA m 11 de Março de 2009 e a seu pedido, passou à situação Reserva o TenenteCoronel de Artilharia Mário João Ley Garcia.

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EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO X GRANDE PRÉMIO DE ORIENTAÇÃO DO RA4 ecorreu na zona de Pedreanes, Marinha Grande, em 21 e 22 de Junho de 2008, em coordenação com o Clube de Orientação do Centro (COC), o X Grande Prémio de Orientação do RA4.

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CAMPEONATO DE CORTA MATO ecorreu em 28 e 29 de Outubro de 2008, na Escola de Tropas Pára-quedistas (ETP), em Tancos, a Fase II do Campeonato de Corta-Mato da Brigada de Reacção Rápida, tendo o Regimento participado em 3 escalões, com um total 13 atletas e onde obteve o 3º lugar na classificação geral por equipas. Foram ainda obtidos o 4º, 2º e 4º lugares, no 1º, 2º e 3º escalão, respectivamente.

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DECATLO MILITAR DO REGIMENTO DE ARTILHARIA Nº 4 ealizou-se de 20 a 23 de Outubro de 2008, o Decatlo Militar do Regimento de Artilharia N.º 4, nas seguintes modalidades: Tiro; Pista de Obstáculos de 200m; Subida ao Pórtico; Lançamento de Granadas; Lançamento do Peso; Salto em Comprimento; Futebol de 7; Tracção à Viatura; Voleibol; e

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Estafeta. O Campeonato decorreu com grande entusiasmo e forte empenho na realização das diversas modalidades, aumentando o nível competitivo que durou quase até ao final do campeonato, contribuindo para fortalecer o espirito de camaradagem e incentivando a participação de mais atletas em outros campeonatos internos e externos. A equipa da 2ª BBF sagrou-se vencedora. BOLETIM 2009

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CAMPEONATO DE ORIENTAÇÃO 2009 - FASE II ealizou-se no período de 17 a 19 de Março de 2009, no RA 4, o Campeonato Desportivo Militar de Orientação Fase Brigada, da Brigada de Reacção Rápida, com a participação de 7 Unidades: RI10, RA4, RI 15, ETP, UALE, CTC e RI3. Este Campeonato decorreu de acordo com o Regulamento Desportivo do Exército, sendo

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constituído por duas provas individuais e uma prova de estafetas, tendo ainda participado um total de 61 atletas, masculinos e femininos, divididos pelos vários escalões. 34ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO NACIONAL MILITAR DE ORIENTAÇÃO 2009 e acordo com o despacho de 14 de Janeiro de 2009, de Sua Ex.ª o Gen CEME, e com a nota 1366, de 24 de Março de 2009, do Comando de Instrução e Doutrina, decorreu no Regimento, no período de 25 a 29 de Maio de 2009, a 34ª edição do Campeonato Nacional Militar de Orientação 2009. O campeonato contou com a presença das delegações da Armada, do Exército, da Força Aérea e da GNR, num total de 96 atletas.

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As provas realizaram-se na Mata Nacional, na zona da Vieira de Leiria - Marinha Grande. Realizou-se ainda uma prova no centro histórico da cidade de Leiria, aberta às escolas da cidade. A cerimónia de encerramento foi presidida pelo Exmo. MajorGeneral Aníbal Alves Flambó, em representação de Sua Ex.ª o MDN e contou ainda com a presença de representantes do Comando dos Ramos das Forças Armadas e da GNR.

OUTROS EVENTOS m 10 de Outubro de 2008, realizou-se, no Regimento, uma palestra proferida pelo Major Serafim Ribeiro, que abordou o tema: A Liga dos Combatentes como Instituição Nacional, de Cariz Social e de Ideal Patriótico.

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m 17 de Outubro de 2008, realizou-se no Regimento, uma palestra subordinada ao tema: “O Luto e a Atenção no Luto", ministrada pela Dr.ª Patrícia Lopes.

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o dia 14 de Janeiro 2009 realizou-se no Regimento uma sessão de esclarecimento sobre RV/RC, proferida por representantes da Direcção de Recrutamento do Ministério da Defesa Nacional.

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m 30 de Janeiro de 2009 realizou-se no Regimento, no âmbito da instrução de quadros, uma palestra proferida pelas Dr.ª Raquel Sofia Bernardino Tavares e Dr.ª Carla Sofia Bercial da Piedade, que abordou o tema: “Segurança e Vitimação”.

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ealizou-se no Regimento, em 6 de Janeiro de 2009, uma palestra sobre Segurança e Prevenção de Acidentes, proferida pelo TenenteCoronel Ribeiro, na qualidade de Oficial responsável por esta área no Comando da BrigRR.

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o dia 8 de Janeiro de 2009, decorreu na Unidade a reunião dos Oficiais de Segurança da BrigRR.

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REGIMENTO DE ARTILHARIA Nº 4

TCOR ART Norberto Serra Chefe da SOIS do RA4


Boletim Comemorativo 2009  

Boletim Comemorativo do 82º aniversário do Regimento de Artilharia N.º 4, correspondente ao ano de 2009, sob a direcção do Coronel de Artilh...

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