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e eDITORIAL

FICHA TÉCNICA DIRETOR Luís Costa Pereira TEXTOS Ana Teresa Correia | Andreia Silva | Daniela Fernandes | Mafalda Oliveira Martins | Vera Sobral | Mariana Freitas | Rita Martins FOTOGRAFIA Andreia Silva | Daniela Fernandes | Madalena Aranha | Luís Costa Pereira CONCEPÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO Andreia Silva | Daniela Fernandes | Mariana Freitas | Rita Martins CAPA Helena Almeida | CONCEPÇÃO GRÁFICA Daniela Fernandes | Mariana Freitas | Rita Martins Propriedade OSJ | artlab | Curso de Artes Visuais DISTRIBUIÇÃO Gratuita PERIODICIDADE Anual FORMATO Digital

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Sou fã do silêncio. Gosto do poema não escrito. Da cor negada. Da forma ausente. Da palavra dispensada. Sou fã da saudade. Das asas dos pássaros. Das portas difíceis. Das janelas abertas. Sou fã do deserto. Do novo-velho. Das mãos dadas. Do extremamente doce. Da luz depois da sombra. Porque não é artista quem quer. Porque estou cansada de não acreditar em nada. Porque não há paciência para o bonito. Para o feio. Para o fim. Se bem me lembro é principalmente por esta última palavra pequenina - fim - que prefiro a arte como uma certeza, que pode não ser nem única, nem melhor, nem eterna. Porque um artista também é um bailarino. E é neste lúcido rubor dos tempos, que ousar pensar a arte enquanto lugar previligiado de reflexão contínua, ganha fôlego e uma renovada postura-hino, que nos é escudo e testemunha. Que nos é felicidade enquanto finita. Porque um artista também é um escultor. Nenhum homem é uma ilha. Porque nos agrada a luta. Constante. Porque nos agrada o lugar do sonho onde não é provável que este exista. Não será apenas este o motor mas contribui delicadamente para a composição também cénica - da realização pela arte. Porque um artista também é um músico. E ainda que ninguém nos tenha ensinado, por fórmulas irrefutáveis a amar e ser em arte, somos nosso próprio horizonte enquanto alimento de entrega, de constância em forma de ritmo, que também é um modo de vida: ganhar a liberdade do que é nosso. Porque um artista também é actor. A arte tem a razão de muitos livros, muitas definições, tem a razão de grandes conquistas, maiores batalhas, imensuráveis palcos. A arte tem a marca do que é triste, do que é pleno, do que é sorriso imenso enquanto algodão. Mas tem a arte esse gesto-tudo que nos ensina a sonhar para ficar. Porque um artista também é um pintor. Por referência, de berço, aquele que agarra, aquele que cuida, aquele que primeiramente vibra - hoje e sempre com a sua criação. Porque não se contracena com a vida a ser espectador. Nem mesmo por palavras-asas. Porque um artista também é um poeta. E com ele, ainda que selvagem seja o juiz, nenhum verso é só silêncio, ou pássaro ou porta difícil. Continuar a tentar inventar é a intensa mensagem. Pelos sonhos esquecidos, pelo longe demais, pelo dobro da descoberta e pelo salto que também é voo. Explicar à sensibilidade o que é a arte, é fazer-nos entender, explicar à ausência desta, é nunca chegar a ser. Porque um artista também podes ser tu. Por isso a arte é tão magnífica. Porque não existe. Só não é artista quem não viveu.

Andrea Fernandes 2

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NDIC

ARTE VISTA DE FORA pg.13

L’HOTEL GULBENKIAN pg.16,17

OPOSTOS/11º pg.12 COM LAÇOS CRIA NÓS pg.8,9

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JOSÉ CARLOS DIAS pg.14,15 DANIELA FERNANDES pg.18

UM POUCO DE MIM pg.20,21 UM POUCO DE MIM/CATÁLOGO12º pg.37-43

URBAN SKETCHERS pg.24-27

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O OLHAR DE UM ANTIGO ALUNO pg.36 MARIANA FREITAS pg.6,7,10,11,32,33

ANDREIA SILVA pg.22,23,28,30,31 RITA MARTINS pg.29,34,35

MAFALDA OLIVEIRA MARTINS pg.19

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AARTEFEITAPORFORA Mariana Freitas Artista artLAB 6

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Este é o nome do projeto concebido pelo curso de Artes-Visuais para a disciplina de Formação Cívica. O conceito surgiu da necessidade do curso de fazer algo que se “soltasse” da teoria. Enquanto artistas é mais do que nossa responsabilidade, é nosso dever materializar um conceito, tornando-o acessível a todos. Por isso decidimos concretizar este conceito. Pegámos na ideia de uma INSTALAÇÃO e moldámo-la ao nosso desejo: CRIAR ESPAÇOS na escola, espaços interativos, que impelissem as pessoas a juntarem-se e criar laços. Não foi uma tarefa fácil, a ideia era boa, o potencial gigantesco, mas a implementação tinha de fazer jus à teoria. Por isso, durante um mês inteiro, o curso fez o possível e o impossível para juntar todos, alunos, colegas e funcionários. Apareceram ideias sem fim, lutámos para encontrar formas de “obrigar” toda a gente a conviver. E começaram a surgir bancos de jardim cor-de-rosa, mensagens em espelhos, sonhos divulgados e sapatilhas nas árvores. Isoladamente, as instalações parecem não fazer sentido. Mas o objectivo foi alcançado. Ainda não estavam todas colocadas e as instalações já atraiam pessoas.

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Os bancos <rosa choque> impeliam as pessoas a sentarem-se imediatamente, assim como a mesa e as cadeiras. As mensagens nos espelhos faziam as pessoas sorrir. Os sonhos de todos nós chamaram a atenção das crianças. O curso foi dividido em vários grupos, cada um incutido de um espaço dentro da escola. O 11º ano ficou com a zona do pátio e o Secundário. O 12º encarregou-se da zona da cantina, a entrada do bar e a entrada do sr. Fernando. Entretanto, juntamente com o 11º ano, os alunos do 10º ano do curso de Artes-Visuais da escola encarregaram-se de cobrir outros espaços da escola que não foram tidos em conta, como o pátio do 1º ciclo ou as casas de banho. Apesar da divisão de tarefas, e salvo raras excepções em momentos em que os grupos tinham de dar atenção exclusiva ao espaço que lhes fora concedido, o curso de Artes-Visuais trabalhou como um só, com os vários grupos auxiliando-se constantemente. Essa unidade no grupo, que tanto alunos como professores designam como “A Família de Artes”, verificou-se no culminar do projecto quando as horas de Formação Cívica das três turmas se complementaram e culminaram no bom-dia do 12º ano que se revelou um bom dia feito pelas 3 turmas, denunciando o trabalho feito por todos os membros. ‘Não é possível estar dentro da civilização e fora da arte.’ Ao longo destes três anos no curso de artes, fomos todos, sem exceção, desenvolvendo não só o nosso sentido critico face à arte mas também fomos reparando que tudo à nossa volta é arte ou tem de certa forma uma ligação forte. Seria impossível viver numa civilização sem arte e criatividade pois é isso que faz o ser o humano um ser tão único, a sua arte. ‘Na arte só uma coisa importa aquilo que não se pode explicar ‘ .

COM LAÇOS CRIÁMOS NÓS.

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FULLPARADOX Mariana Freitas Artista artLAB 10

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Vídeo

InêsZenha

A Arte vista de fora

Fátima Cruz

Professora de Biologia

Eram-me pedidos dois opostos e a explicação do espaço que existia entre ambos. Elaborei um trabalho à volta de dois espaços opostos. O espaço do silêncio e o espaço do não-silêncio. O que existe entre os dois seria o ruído, por ser exactamente a perturbação do equilíbrio dos dois mas também a ligação mais forte que eles os dois poderiam estabelecer. Dentro do espaço do silêncio habita o eu, “silêncio é estar numa casa sem porta”. No espaço do não-silêncio habita o tu, “lá fora tu existes, porque se não existisses quem seria eu?”. Posteriormente desenvolvo o meu trabalho à volta “ do espaço que existia entre os dois e o espaço que existe em nós” onde o tu e eu se libertam para o único ruído onde podem ser um nós. “Era o ruído que perturbava o equilíbrio dos nossos espaços. Agora é o ruído que nos dá o equilíbrio”...

BeneditaLeitão

Vídeo

Neste trabalho foi me pedido que eu arranjasse dois extremos opostos e que descobrisse o que para mim estava “por detrás” desses extremos. Esses extremos são o Mel e o Fel, sendo o Mel o sentimento mais feliz e o Fel o sentimento mais triste. Para mim estes dois sentimentos são falsos, como duas mentiras, dois sentimentos forçados que as pessoas mostram para não revelarem a verdade que está para além disso. Logo, o que na minha opinião está por detrás do Mel e do Fel, é uma Depressão. Durante este vídeo eu retrato através da fotografia, vários momentos de Fel, depois de Mel e no final momentos de Depressão. Para retratar a Depressão de uma forma mais abrangente, formei na minha cabeça quatro reacções diferentes a uma Depressão. Após a passagem das fotografias da Depressão deparamo-nos com um enorme branco, um enorme vazio, ou seja, a luz. E por fim aparecem-nos duas fotografias, uma de olhos fechados que parece uma pessoa normal, e outra de olhos abertos que nos dá a entender que está a chorar. Ora, quando uma pessoa está numa Depressão, esconde dos outros aquilo que está a sentir, e só vê que essa pessoa precisa de ajuda quem quer ver, quem realmente quer ver e ajudar.

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Arte. Quantas ideias sobre o tema!?.... Arte segundo o dicionário é:habilidade,utilidade,t écnica,estética,valor… Eu por mim dividiria a arte em Natural e Artificial (é que eu sou de Ciências e nós nas nossas áreas gostamos de sistematizar ou se quiserem arrumar). Mas explico esta minha classificação. Natural porque é na Natureza que encontramos as melhores origens e exemplos de arte. Artificial porque o Homem copiando e modificando o que a Natureza lhe mostra faz desta o ponto de partida para adaptar tudo a seu gosto, conveniência, necessidade, prazer, luxo etc. Reparemos em alguns exemplos característicos no mundo natural: É com habilidade que as moléculas de água se organizam para formar os cristais de gelo. É com habilidade que o grilo canta ao esfregar as suas asas uma contra a outra. É com estética que as borboletas possuem nas suas asas desenhos que lembram olhos enormes para parecerem mais corpulentas. É com estética que as aves macho exibem as suas penas e plumagens coloridas para atraírem as fêmeas. É com utilidade que os cogumelos e animais venenosos se pintam de cores fortes para avisar os inimigos da sua toxicidade. É com utilidade que a planta do maracujá transforma algumas das suas folhas em “supostos ovos de borboletas ”que conseguem afastar as verdadeiras. É com técnica que os pássaros tecelões constroem os seus ninhos com filamentos vegetais ou que as andorinhas moldam o barro nos beirais dos telhados para albergar os seus filhotes.

É com técnica que o pinguim corteja a sua dama oferecendo-lhe um calhau bem redondinho. É com valor que os cristais de quartzo se pintam dando origem a milhares de “pedras preciosas” coloridas. O Homem tem olhado milhões de vezes para toda esta Arte e tem-na passado para o papel, para a madeira, para a pedra para o betão para… sobre a forma de pinturas, esculturas, construções, habitações… Por isso Arte é Tudo o que existe no mundo que conhecemos e mesmo no que não conhecemos. Mas para mim a Maior Arte é mesmo a Vida, escondida num minúsculo ovo, que se transforma rápida e ordeiramente para dar origem a cada um dos seres que preenche o Universo desde uma simples célula ao complexo ser humano. Todos os seres são resultado de uma forma de arte e fazem da vida a arte do seu dia a dia. Não vejo a manifestação Artística como algo a ser classificado entre melhor e pior. Eu vejo a Arte de forma mais abstracta e que chega até nós de diversas maneiras. O que é belo para mim, pode não o ser para si, o que me diz algo, pode nada lhe dizer. Não há, na minha maneira de ver, esse tipo de juízo para uma obra de Arte. O conceito de Arte é extremamente subjectivo e varia de acordo coma cultura, como o período histórico ou até mesmo com a pessoa em questão que tem o seu repertório a sua personalidade e vivências. Não se trata de um conceito simples. Eu por exemplo, gosto de Arte Pop e do Impressionismo. Não sou conhecedora de Arte não tenho a menor noção, só conheço meia dúzia de pintores e escultores mas Arte é uma actividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito.

Maria João Reis ENTRE

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FULLPARADOX José Carlos Dias Artista artLAB 14

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L’ hotel Gulbenkian

Exposição A fundação Gulbenkian acolheu a exposição ” L´hotel Gulbenkian , 51 Avenue d’Iéna”. Trata-se de nos dar a conhecer um pouco da história da casa de Calouste Gulbenkian. Quando decidiu deixar Londres e instalar-se em Paris adquiriu em 1922, o Hôtel Particulier situado no nº 51, Avenue d’Iéna, para aí viver com a sua família e instalar a sua coleção. Tudo foi decorado com o seu gosto pessoal. Edificou zonas da casa para acolher obras de arte, e desse modo conseguir preservar a sua coleção, com as devidas condições ideais de conservação. Entrou em contacto com inúmeros arquitetos de renome, nomeadamente Emmanuel Pontremoli, Mewès & Davis e Achille Duchêne , e ainda artistas como René. Quando Gulbenkian morreu, criou-se um museu que continha a sua coleção de obras de arte em Lisboa, cidade para onde veio morar em 1942 e cá permaneceu até morrer. Mais tarde, criou-se o Centro Cultural Calouste Gulbenkian, na casa onde residiu o fundador. O Centro, desde então que desenvolveu grandes actividades no âmbito de encontros, concertos, publicações, exposições de arte, conferências e sessões de leitura. Esta exposição tem então como objectivo mostrar a casa de Calouste Gulbenkian, a qual o próprio reconstruiu, na qual viveu com a sua família e que também abrigou grande parte da sua coleção artística.

Ao longo da exposição podemos observar as várias obras que foram feitas, de modo a adaptar o espaço às suas coleções e ao seu estilo de vida de tal modo que ampliou o edifício construindo uma cave, um jardim de cobertura e um piso recuado. Essas obras estão representadas em projectos arquitectónicos que mostram os desenhos das alterações que seriam feitas, plantas dos vários andares, desenhos de pavimentos, objectos de colecção de decoração que Calouste utilizou na sua casa assim como fotografias e alguns vídeos de memórias do aspeto da casa, de objectos decorativos como estátuas, vídeos de como as modificações foram feitas e de artistas, exposições e conferências que lá se fizeram. Esta casa fica bem presente na memória de quem a vê, seja por fotografias ou por já lá ter estado. Até mesmo porque Calouste Gulbenkian deixou ali as suas marcas através do que mandou fazer e refazer para ali habitar. O seu gosto ficou ali marcado e por isso, apesar de ter morrido, deixou naquela casa a sua maneira de ser e viver, o seu gosto, o que viu e visitou e ainda onde se inspirou. A casa é de facto um retrato de quem lá morou, tal como, em regra, todas as outras casas o são. É uma exposição a não perder pelo seu conteúdo riquíssimo, por abrigar obras de arte muito cobiçadas, por lá terem passado grandes artistas e se terem feito grandes exposições, eventos e até mesmo conferências. Foi e ainda é uma casa de arte e cultura.

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PARADOXO

FULLPARADOX Daniela Fernandes|Mafalda Oliveira Martins Artistas artLAB 18

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Um Pouco de Mim.

Um Pouco de Mim foi um projeto realizado no âmbito da disciplina de Desenho do Curso de Artes Visuais das Oficinas de S. José. Tendo como base a obra plástica da conceituada artista portuguesa Helena Almeida os alunos procederam à realização de um projeto final que consistisse na materialização do termo “pintura habitada”, tão vastamente explorado pela artista. Deu-se início a um processo de pesquisa, recolha de dados e principalmente, exploração das nossas capacidades enquanto artistas através de um caderno de campo que nos acompanhou sempre, de modo a que pudéssemos registar todas as nossas ideias, sem discriminação de qualidade, tendo apenas em vista o desenvolvimento do nosso trabalho. Ao longo deste tempo o professor António Martins foi-nos acompanhando e aconselhando, assim como promovendo algumas reuniões de turma onde tivemos oportunidade de aconselhar e sermos aconselhados à cerca do nosso trabalho. Tal ajudou-nos bastante uma vez que nos possibilitou ter acesso a uma visão exterior do nosso percurso.

“(...) a tela converte-se numa figura antropomórfica. Comecei mesmo a colocar uma tela sobre mim, a vestir-me com ela. Eu era o meu trabalho.”

“Não são auto-retratos, pois não encontro neles a minha ‘subjetividade’ mas sim o meu ‘plural’ que faço comparecer numa espécie de cena. Helena Almeida

Usufruindo das instalações da escola e dos seus recursos, tendo em conta um espaço físico e temporal limitado, executámos uma série de registos fotográficos com um fundo experimental sem nunca esquecer o rumo que desejaríamos que o nosso trabalho tomasse. Após semanas de análises gráficas e componentes plásticas foi possível a todos os alunos chegar a uma obra final que cumpriu todos os objectivos propostos, tendo por fim que realizar uma apresentação final aos alunos dos restantes anos do curso, bem como a alguns professores convidados.

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FULLPARADOX Andreia Silva Artista artLAB 22

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Urban Sketchers ArtLAB|Setembro 2011 No passado dia 4 de outubro, o 10º, 11º e 12º anos de Artes realizaram o primeiro Urban Sketchers deste ano lectivo, no âmbito da disciplina de Desenho A. Este projeto enquadra-se num movimento internacional com o mesmo nome que pretende reunir vários artistas de diferentes culturas, diferentes estilos, estudantes ou profissionais de modo a promover a actividade espontânea de desenhar. Nesta edição decidimos percorrer Sintra e registar tudo o que víamos em papel. Iniciámos a jornada no centro da vila para podermos desfrutar de um pequeno-almoço constituído pelos deliciosos travessões da “Piriquita”. Depois disso começámos logo o percurso! Ainda era cedo, mas o calor já se fazia sentir quando começámos o primeiro exercício no largo do Palácio da vila. Foram-nos pedidos 2 breves registos e logo iniciámos o percurso de Sta. Maria. Posteriormente chegámos ao primeiro destino, o Castelo dos Mouros. Interditos de entrar no mesmo, contemplámos a beleza natural da serra, capturando-a num segundo exercício e seguindo depois para o Palácio da Pena. Contemplámos a estética peculiar da arquitectura do espaço, o qual foi mandado construir no séc. XIX pelo rei-consorte, D. Fernando II sobre as ruínas do convento de Nossa Srª da Pena que o fascinavam. Observámos as várias divisões do espaço e procedemos à realização de um terceiro registo gráfico no pátio do Palácio. Aproveitámos o facto de já estarmos todos reunidos no pátio do palácio que nos dava uma vista deslumbrante para o resto da serra, para dar as boas-vindas aos novos artistas do 10º ano. Posteriormente, voltámos à vila para almoçar. Depois do almoço, voltámos ao Palácio Nacional de Sintra, o ultimo ponto de visita, onde aproveitámos o tempo de espera para adiantar o trabalho que nos tinha sido exigido, visitando-o de seguida. Assim decorreu a 4ª edição do Urban Sketchers Art Lab.

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AARTEFEITAPORFORA Andreia Silva|Rita Martins Artistas artLAB 28

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AARTEFEITAPORFORA Andreia Silva Artistas artLAB 30

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AARTEFEITAPORFORA Mariana Freitas Artistas artLAB 32

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AARTEFEITAPORFORA Rita Martins Artista artLAB 34

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Filipe Dumas

Coleção Salesianos de Lisboa Catálogo - Helena Almeida

O olhar de um antigo aluno Demorei algum tempo para começar este texto, não por não saber o que dizer, mas por ter demasiados sítios por onde começar. Pode-se dizer que enquanto produto de uma associação católica, a minha experiência foi bastante cristã — ajudou-me a encontrar a minha vocação. Estou actualmente a estudar design gráfico em Londres, na prestigiada University of the Arts London — London College of Communication, e sinto que o curso de artes visuais nas Oficinas de S. José me preparou adequadamente. Ao contrário da maior parte dos cursos de artes que são apresentados pelo país, este estimula-nos o pensamento e a criatividade. Através dos projectos propostos pela equipa de professores que dirige o curso, somos levados a pensar para além daquilo que conhecemos e sabemos ser capazes de fazer: crescemos não só no nosso registo técnico, mas também culturalmente e como pessoas, chegamos a linguagens superiores para interpretar a geometria do mundo. Foi nesta medida que o curso me ajudou mais: a encontrar quem sou, a nunca me cingir ao que sei e a tentar sempre metamorfosear e elevar-me. Ensinaram-me a fuga aos lugares comuns, não só os exteriores, mas principalmente os que se manifestaram dentro de mim. Fui pressionado mas nunca desmotivado. Ao iniciar o meu curso em Londres comecei a reparar que este, em termos estruturais, tem muitas semelhanças em relação ao modo como o curso de artes visuais d’As Oficinas de S. José aborda a forma ensina. Por exemplo, os projectos com duração de cerca de três semanas em que nos é dada grande liberdade criativa; a auto-iniciativa e auto-disciplina que nos é sugerida. Há também, devido à qualidade e ecletismo das instalações do colégio, uma variedade de recursos de que nos podemos servir com quase total liberdade: o espaço e localização, materiais e instrumentos, auditórios e pessoas. Não há uma restrição quanto à linguagem que podemos usar: seja pintura, desenho, tipografia, montagem, vídeo, performance, som ou outra qualquer plataforma. O que fazemos neste curso não é meramente um trabalho que entregamos em troca de percentagens. É poesia. Olho para trás com grandes recordações deste curso, mas não apenas a nível artístico e académico: a amizade que fiz com professores e alunos ensinou-me tanto quanto o curso em si. Tenho saudades. Guardo recordações de tudo o que fiz e de tudo o que me aconteceu — e nem sempre foi tudo bom, mas isso só serviu para acentuar a minha evolução enquanto poeta. 26 de Janeiro de 2012

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Coleção Salesianos de Lisboa Catálogo - Helena Almeida

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Coleção Salesianos de Lisboa Catálogo - Helena Almeida

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Coleção Salesianos de Lisboa Catálogo - Helena Almeida

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