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ISSN 1679-0189

o jornal batista – domingo, 04/05/14

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Órgão Oficial da Convenção Batista Brasileira

Fundado em 1901

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Ano CXIV Edição 18 Domingo, 04.05.2014 R$ 3,20


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EDITORIAL O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901 INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Luiz Roberto Silvado DIRETOR GERAL Sócrates Oliveira de Souza CONSELHO EDITORIAL Celso Aloisio Santos Barbosa Francisco Bonato Pereira Guilherme Gimenez Othon Avila Sandra Natividade EMAILs Anúncios: jornalbatista@batistas.com Colaborações: editor@batistas.com Assinaturas: assinaturaojb@batistas.com REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA Caixa Postal 13334 CEP 20270-972 Rio de Janeiro - RJ Tel/Fax: (21) 2157-5557 Fax: (21) 2157-5560 Site: www.ojornalbatista.com.br A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal. DIRETORES HISTÓRICOS W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919); A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940); Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas IMPRESSÃO: Jornal do Commércio

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primeiro domingo de maio é o Dia Batista de Ação Social. Muitos de nós somente lembramos do programa de ação social quando esta data é celebrada ou lembrada nas igrejas batistas, mas celebrar é muito mais do que apenas lembrar, comemorar e informar. Celebrar, segundo os dicionários de nossa língua, é fazer valer, é identificar como relevante, significante - é dar valor. Deve existir algumas razões para a pouca relevância para esta área de atuação da igreja. Imagino que o termo ação social pode não parecer muito com nossa linguagem eclesiástica do dia a dia. Uma outra constatação é que em anos passados havia uma certa desconfiança política em relação aos crentes que se envolviam com os programas de ação social. O Jornal Batista, no final dos anos sessenta e meados

dos anos setenta, foi espaço de amplo debate de dois articulistas sobre “evangelho social”, parecendo que ainda hoje há alguma desconfiança, se não com o programa, mas com as ações que devemos como igreja de Jesus Cristo desenvolver nesta área. Possivelmente, a expressão “responsabilidade social” seria melhor compreendida nos dias atuais. Não tenho dúvida de que em todos os ensinamentos de Jesus aos seus discípulos ele incluía a ideia da responsabilidade social. Por exemplo, quando Jesus disse aos discípulos “dai-lhe vos de comer”, como registrado por Mateus, ali estava a ordem para uma ação de responsabilidade social. Aquelas pessoas tinham casas, tinham recursos para talvez adquirir comida, mas havia uma questão de responsabilidade com aquela multidão que ia além do sermão de Jesus. De acordo com a filosofia de ação social da Convenção

Batista Brasileira, nossa responsabilidade vai muito além de prover comida. É fundamental que toda sociedade onde estamos inserido seja abençoada por nossa atitude cristã de responsabilidade para com todas as criaturas do Senhor. Creio que seria importante fazermos uma releitura desta filosofia a partir do entendimento do que é a filosofia sócio-política dos batistas brasileiros. Para tanto, transcrevo a seguir trechos desta filosofia que deve ser sempre motivo de nossa reflexão e ação: “Nossa ação como batistas brasileiros expressa e busca cumprir os propósitos do reino de Deus na sociedade, com o objetivo de propiciar condições para a plena realização da pessoa humana em relação a si mesma, ao próximo, à natureza e a Deus. Neste sentido constituem fundamentos: a) O entendimento de que as Escrituras apoiam a posição de que

o dever do crente de amar inclui as dimensões sociais bem como as espirituais; b) A convicção de que as Escrituras ensinam a responsabilidade social de proteger vidas inocentes e carentes, mas também exorta a que o bem seja feito a todos, principalmente aos domésticos da fé; c) A crença de que nossa ação desafia os crentes e igrejas batistas a assumirem e viverem sua responsabilidade social, a fim de serem modelos para a sociedade e uma alternativa para o mundo; d) A compreensão de que a nossa atuação social é individual, no sentido da responsabilidade do crente como pessoa, e comunitária, no sentido da responsabilidade da igreja e, em decorrência, da própria Convenção”. Neste domingo de celebração do Dia Batista de Ação Social, é tempo de refletir sobre este nosso importante papel de um viver cristão também socialmente responsável (SOS).


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MÚSICA Rolando de Nassau

(Dedicado à leitora Eneida Soares Ribeiro, do Rio de Janeiro, RJ) “For you and I are past our dancing days” (Shakespeare) “Um erro não se torna verdade por muitos o aceitarem, e nem uma verdade se torna erro por poucos a seguirem” (Gandhi)

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lgumas passagens da Bíblia referem-se à dança. São comentadas a seguir: 1. Êxodo 15.20 – Se Miriã, irmã de Arão, seguida de mulheres, dançou (dependendo da tradução), deu o exemplo, pois, alguns dias depois, o povo dançou diante do bezerro de ouro feito por Arão. Indignado, Moisés, vendo o bezerro de ouro e as danças, arremessou as tábuas da lei, queimou o ídolo e ordenou aos levitas a matança dos idólatras (Êxodo 32.1-35). 2. Juízes 11.34 – Tendo Jefté vencido os amonitas, sua filha saiu-he ao encontro com danças. Se ela dançou

(dependendo da tradução), não foi no culto. 3. I Samuel 18.6, 7 – As mulheres cantaram e dançaram (dependendo da tradução) diante do rei Saul, por ocasião do retorno triunfal de Davi, mas não foi durante um culto. 4. II Samuel 6.14, 15 – O rei Davi levou a Arca para uma tenda em Jerusalém, e dançou acrobaticamente, dando enormes saltos, mas não foi no culto. Entrando a Arca em Jerusalém, Mical, filha de Saul, vendo as cambalhotas do rei Davi, o desprezou, por ter se portado como um simples acrobata (II Samuel 6.16 e I Crônicas 15.29). 5. Salmos 149.3 e 150.4 – O salmista ordena que o povo louve o nome de Deus “com danças”, mas não no templo e durante o culto. A tradução mais adequada ao contexto musical (louvor com canto e música instrumental) seria “com flauta” (Ver Tradução de Almeida - Revista e Corrigida).

6. Lucas 15.25 – Numa parábola, Jesus, contando a estória do filho pródigo, notou que o filho mais velho, ao voltar para casa, ouviu a música de dança, mas não no templo e durante o culto. Diferentemente da arte musical, cultivada desde os primórdios (Gn 4.21), as artes plásticas (desenho, pintura, escultura) são taxativamente condenadas no Decálogo (Êx 20.4), quanto ao seu uso religioso. A igreja primitiva colocou os cristãos em guarda contra os prazeres mundanos, mas houve quem animasse suas festas com danças, alegando que era “para honrar a Deus”. Durante a Idade Média, houve a dança ritual no templo. No século 17, começou a desenvolver-se a coreografia. Jean Boiseul, em 1606, confessou-se assustado ante o fato de que se pretendia“introduzir a dança nas igrejas”. A dança volta a rondar as portas dos templos evangélicos. Como se não bastasse,

a profanidade da música instrumental, a sensualidade da dança conspurca a reverência do culto. A coreografia distrai a atenção da congregação. Vendo as evoluções dos que dançam, diminui o interesse da congregação em ouvir a mensagem pastoral. Se o culto se transforma num “show”, torna-se secundária a pregação. Por que o canto coral e a pregação estão perdendo sua antiga importância? Vivemos na era do espetáculo e do entretenimento. Até a década de 90, as denominações evangélicas no Brasil conseguiram manter afastadas de seus filiados as artes mundanas. Alguns crentes, não suportando a sã doutrina denominacional, procuraram introduzir a dança em suas igrejas (II Tm 4.3, 4). Recentemente, lemos reportagem sobre projeto coreográfico que vem sendo desenvolvido desde 2008, com a participação de milhares de pessoas, representando dezenas de igrejas evangélicas.O propósito

declarado dos promotores dos eventos é apresentar diferentes modalidades de técnicas coreográficas: balé (forma de dança teatral com uma técnica codificada desde o século 17), dança moderna(dança de concerto), dança contemporânea (praticada depois de 1950),“street dance” (“jazz” dos EUA no princípio do século 20; “hip hop” de New York, em meados desse século; “krumping” de Los Angeles na década de 80). Nada impede que os dançarinos evangélicos sejam influenciados pela “free dance” de Ruth St. Denis (1879-1968), que propôs um estilo de dança religiosa a ser adotado por cristãos e não cristãos. O que seriamente nos preocupa é que esses aficionados da dança pretendem apresentá-la nos templos, durante cultos de adoração. A princípio, em salas de espetáculo; depois, nos templos evangélicos! (Ezequiel 8. 6). Querem que a arte da adoração fique a serviço da arte da dança!


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GOTAS BÍBLICAS NA ATUALIDADE

OLAVO FEIJÓ Pastor, professor de Psicologia

Confia ao Senhor Tuas Obras ”Confia ao SENHOR as da. Precisando falar, sem tuas obras, e teus pensamen- querer ouvir. Marta e Maria, irmãs de tos serão estabelecidos” ProLázaro, descobriram que vérbios 16.3 podiam confidenciar sua B í b l i a s a b e q u e mágoas a Jesus. Enquanto precisamos de um Lázaro se encontra graveconfidente, porque mente enfermo, as duas somos seres sociais. imploraram pela ação curaÉ neste contexto que ela re- tiva do Senhor. Apesar das comenda: “Confia ao Senhor orações insistentes, Jesus as tuas obras e teus pensa- não apareceu “a tempo”... mentos serão estabelecidos.” e Lázaro morreu! Por isso, assim que se encontraram (Provérbios 16.3). Vivemos num mundo de com o Mestre, rasgaram o pessoas carentes. Porque coração e disseram tudo o tantos sentem necessidade que sentiam e que as made ajuda, dificilmente en- chucava. Quando “Jesus contramos pessoas dispos- chorou”, ficou evidente que tas a ajudar. O raciocínio, Ele aceitou com respeito as parece, é o seguinte: “Eu já tristes confidências de amestou que não me aguento bas. E aí, na intensidade das meus próprios problemas emoções do diálogo, Cristo – como é que ainda vou reorientou aquela história. ter forças para carregar as É o que Provérbios chama dificuldades dos outros?” de “teus pensamentos seApesar de a Bíblia dizer rão estabelecidos”. Porque, que “ninguém vive para si”, após a agonia e as lágrimas temos a impressão de que da confidência, uma nova não temos energia suficien- vida começou para a família te para dar conta de nós e, toda. Apesar das lágrimas, além disso, dos problemas das revoltas e do cansaço, dos outros. A maioria se é preciso confiar ao Senhor encontra nesta encruzilha- as nossas obras.

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Pr Carlos Henrique Falcão Igreja Batista da Liberdade, Rio de Janeiro ão fiz nenhuma pesquisa, mas tenho a impressão que os noticiários estão conseguindo mostrar maior número de fatos violentos do que tempos atrás. As pessoas que foram prejudicadas ou que tiveram seus parentes mortos clamam por justiça. Esta semana, depois de a polícia prender a mulher que supostamente matou a esposa do seu amante, os parentes exclamaram: “A justiça começou a ser feita”. Parece que a aplicação da penalidade prevista na lei é a única justiça que conhecemos. Quando a pessoa que julgamos culpada não é presa ou não é penalizada, dizemos que não houve justiça. A justiça que conhecemos é a aplicação de uma pena sobre o culpado. Conheço uma justiça diferente. Ela não tem o propósito de penalizar, mas de perdoar o pecador. Esta justiça não tem o propósito de prender, mas de libertar. Ela não aplica a pena de morte, mas concede vida abundante. Esta

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é a justiça de Jesus que foi demonstrada pelo sangue derramado na cruz. Não levou em conta os pecados cometidos anteriormente e tornou justo todo aquele que crê nele (Rm 3.25,26). “Tendo sido justificados pela fé em Jesus, temos paz com Deus (Rm 5.1). Não nos tornamos justos por atos próprios que tenhamos feito. Não nos tornamos justos pela penalidade aplicada pelo sofrimento que vivemos para, segundo alguns, purificar a alma. Nos tornamos justos porque Jesus nos torna justos. Para desfrutar desta justiça é preciso confessar o pecado a Jesus porque somente ele é realmente justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça (1 Jo 1.9). Isso ele fez quando “foi transpassado por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa de nossas iniquidades. Por causa do seu castigo encontramos paz no coração e por causa das suas feridas fomos curados dos nossos pecados. “Foi da vontade de Deus esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor tenha feito da vida dele uma oferta pela culpa, que era nossa, ele verá sua prole e prolongará seus dias,

e a vontade do Senhor prosperará em sua mão. Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos e levará iniquidade deles” (Is 53.5,10,11). Enquanto muitos procuram a justiça através da aplicação de uma penalidade, a grande maioria das pessoas não deseja viver a justiça na qual a penalidade já foi aplicada em Jesus Cristo, e agora estamos livres. Após confessar a Jesus o seu pecado, é preciso crer que Jesus já perdoou o seu pecado quando morreu na cruz. Enquanto muitas pessoas passam grande parte da sua vida pagando sua pena, não percebem que poderiam passar o resto de sua vidas livres de qualquer culpa porque o perdão já foi dado por Jesus. Que justiça é essa que fez com que Jesus pagasse a minha pena e me desse liberdade e me tornasse justo? É a justiça de Deus. Para Deus, é justo que você receba o perdão do seu pecado e possa ser declarado inocente. Esse perdão já está disponível a você. É só confessá-lo e crer em Jesus. Você já está livre. Desfrute.


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sofreu a mesma leitura. Em Manoel de Jesus The Pastor e colaborador de OJB outro ministério, encontramos uma escolinha infantil, endo num jornal se- que depois veio a ser uma cular uma reportagem escola de ensino fundamensobre as estratégias tal, que funciona até hoje. No evangelísticas pratica- ministério seguinte, tentamos das por alguns grupos evan- uma escola de ensino infangélicos, fiquei perguntando til. Que tragédia! Reclamase não nos falta uma estra- vam de coisas deixadas pelos tégia mais coerente, mais outros professores, tinham compatível com o IDE que ciúmes dos recintos usados por classes da igreja, e de alJesus nos deixou. Ao chamar Abrão (em Gê- gumas despesas que a igreja nesis 12 ele ainda não era precisava cobrir. Ao final de Abraão), Deus lhe disse: “E cinco anos fechamos. Duas por meio de você todos os escolas municipais nos manpovos da terra serão abenço- daram congratulações, pois ados”. A seguir, mais adiante, duas de nossas alunas foram Deus promete a Abrão: “À sua consideradas aptas para a descendência darei esta ter- segunda série do ensino funra”. Vejam! Primeiro a bênção damental. Foi um consolo espiritual, depois a bênção para o nosso coração! Além desse apego às nossas material, pois Canaã seria dos descendentes de Abrão, não instalações, segue-se o medo de sairmos ao de encontro de todos os povos da terra. Agora uma pergunta: Será dos candidatos da bênção que os batistas já entenderam prometida a Abrão. Que esisso? Vejamos alguns episó- tratégia estamos usando para dios, por nós vivenciados, levar-lhes a bênção? Temos em alguns ministérios pas- chorado (que bênção é a sados. Depois de dois anos segunda bem-aventurança!), em que a primeira Ong em como Jesus chorou sobre favor dos autistas funcionava Jerusalém? As conversões a nas dependências do templo, Cristo é o consolo prometido! A igreja que rejeitou o ensialguns começaram a julgá-los intrusos. Por motivos estra- no fundamental, depois viveu tégicos, mudaram para um dias consoladores. Em cada sobrado na Vila Mariana, mas carnaval íamos a uma cidade, ninguém da igreja sugeriu e com um coral semelhante uma festa de despedida, um ao Grupo EME da Palavra da evento evangelístico (reco- Vida, íamos a uma cidade do nheço que faço parte desses interior paulista, sendo iniciaculpados). Tempos depois, das 12 igrejas, uma para cada fundamos um maternal, que IDE. Essa igreja é Ebenézer,

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que continua a realizar o IDE. Agora vamos a um arrazoado final. Os muros a que tanto nos apegamos têm sido proteção do contágio que existe fora desses muros? Absolutamente não. O Diabo e o pecado não temem muros. O que fazemos no intramuros tem nos protegido? Também não, pois o que dá sentido às nossas celebrações são as bênçãos espirituais que Deus nos concede, durante a semana, exatamente fora desses muros. Ah! Que culto maravilhoso quando um colega de trabalho, um colega de classe, aceita o convite para assistir a um culto em nossa igreja! Recentemente olhei para o Centro Esportivo do Colégio Batista, de São Paulo, fechado a semana inteira. Pensei: uma centena de drogados, de um estágio mais avançado de recuperação, poderia aprender a profissão de pintores de parede, de encanadores, de eletricistas, e de outras profissões, mas, lá está consumindo despesas. Assim também com nossos templos, acampamentos, e outros patrimônios. A estratégia vitoriosa dos outros nada nos ensina, pois nós, só nós, temos a doutrina verdadeira, mas, só isso vale? Esse pensar mais parece um desabafo, que os irmãos nos perdoem essa impressão. Ora! Vem Senhor Jesus! Mas, antes nos dê a chance de nos redimirmos!

arta Maria era uma jovem cristã bonita e inteligente. Filha de pais que não podiam pagar seu curso na faculdade de enfermagem, sustentava seus estudos vendendo cosméticos, aplicando injeções e até fazendo faxinas. Do terceiro período em diante, conseguiu uma bolsa de estudos. Foi trabalhar em um grande hospital como estagiária e rapidamente conquistou a amizade de colegas, médicos e pacientes. Não que ela gostasse desse trabalho, mas foi designada para o setor de queimados. Tirar os curativos colados à pele dos pacientes, limpar as feridas, aplicar os cremes terapêuticos e colocar novos gazes e esparadrapos, tudo ela fazia com extrema paciência e delicadeza. Acostumou-se a ouvir uma expressão que não a envaidecia, mas que a tornava mais humilde: “Graças a Deus, hoje é você que vai fazer meus curativos”. Bem que ela tentava explicar para as outras enfermeiras, ainda que sem muito êxito, o modo de fazer os procedimentos sem causar maior dor ou dano à pele já sofrida dos enfermos. Quem já teve um curativo puxado com um gesto violento sabe do que estou falando. Certa vez, foi internado com 80 por cento do corpo queimado um senhor, funcionário de um posto de gasolina, vítima de um acidente no trabalho, com um “diagnóstico reservado”, ou seja, sem chances de sobrevivência aos olhos dos médicos. Martinha, como era chamada, começou a fazer os curativos nesse paciente conforme as prescrições médicas, mas com muito carinho, sempre lhe dirigindo palavras de ânimo e esperança. Toda vez que podia, mesmo fora do seu horário de trabalho, ia até o leito daquele senhor para ajudá-lo. Verificava o nível do soro, quando necessário trocava as ampolas, limpava os locais onde havia sangramentos, sempre dizendo ao doente: “Tenha confiança em Deus; se for preciso um milagre, Deus o fará em nome de Jesus”. Nenhum dos outros enfermeiros tinha a mesma paciência e brandura para com o Lourival, o nome do paciente. Marta, que era também

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Maria, diariamente se colocava aos pés de Jesus para orar em favor do queimado. Enquanto Marta, era solícita e dedicada em cuidar do homem. Enquanto Maria, intercedia por ele o tempo todo. Para grande surpresa dos médicos que inicialmente deram o caso como perdido, as feridas do Lourival começaram a cicatrizar, seus rins voltaram aos poucos a funcionar e muito antes do que todos imaginavam, ele já podia mover os braços e as pernas, podia ser virado no leito e parou de gemer. Ficou com algumas marcas no rosto devido à perda de matéria na face esquerda, mas os médicos fizeram uma cirurgia plástica engenhosa e restou apenas uma pequena cicatriz. Finalmente, Marta Maria pode ajudar Lourival a levantar-se do leito e dar alguns passos. Entendendo, por intuição feminina, que o homem precisava de uma alimentação mais consistente e saborosa, ela levava sua própria refeição trazida de casa para o Lourival e ficava com a comida do hospital. Na sua marmita havia arroz bem temperado, feijão, legumes e uma porção de carne, peixe ou frango, que ele comia com prazer, sem nunca ter sabido de onde vinha. O milagre aconteceu! Milagre de amor, de dedicação e encorajamento. Milagre de oração. Quando Lourival já podia andar pelo hospital, ainda com muitos curativos pelo corpo, um dia ele não se conteve e perguntou a Martinha: “Por que você me tratou assim de um modo tão diferente dos outros? Por que salvou minha vida?” Marta, agora dando lugar à Maria que havia em seu coração, respondeu com simplicidade: “Jesus disse que quando cuidamos de uma pessoa com amor, é dele que estamos cuidando. ‘A mim o fizestes’, Jesus falou. Eu olhava para você e não via um queimado, eu via Jesus. Cuidei de você como cuidaria de Jesus se em vez de você fosse Jesus que estivesse naquele leito. Não fiz nada demais. Jesus fez muito mais por mim”. Não é de estranhar que Lourival e quase todos os seus parentes tenham se tornado crentes em Jesus.


6 vida em família

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Gilson Bifano

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ual é a criancinha, criada em um lar cristão e educada, religiosamente, numa igreja evangélica, que não tenha ouvido a historia de Samuel, o menininho que ouviu a voz de Deus quando se encontrava no templo, na época em que Eli era o sacerdote? (I Sm 3). Lembro-me, ainda bem pequeno, ouvir estas e outras histórias, contadas por minha mãe e pelas professoras da classe “Jóias de Cristo” (sou deste tempo) na Primeira Igreja Batista de Pádua. Lembro-me também de ouvir mensagem sobre a chamada de Samuel, no tempo que era Embaixador do Rei, nos acampamentos no Sítio do Sossêgo. De Samuel ouvimos outras mensagens edificantes, como por exemplo, quando disse a célebre frase “Ebenezer, até aqui nos ajudou o Senhor” ao contemplar a vitória sobre os filisteus (I Sm 7.12). Mas, este é o lado bonito na história de Samuel. Depois ele se casou e teve filhos. O que a Bíblia fala de seus filhos não é nada bom e nem agradável de se ouvir. Esses rapazes, filhos de Samuel, Joel e Abia, foram juízes em Berseba (I Sm 8.2). As Escrituras afirmam que eles não andaram nos caminhos do Senhor (I Sm 8.3). Quando, um dia, estava lendo a Bíblia este versículo chamou a minha atenção. Que coisa triste para um pai cristão, que ama e serve a Deus, ter filhos que não andam nos caminhos do Senhor! A maior alegria de um pai e chegar no fim da vida e ver seus filhos tementes e andando nos caminhos do Senhor. Vale mais do que ter filhos formados nas melhores universidades do mundo. Parei e fiquei a meditar. O que levou aqueles rapazes tomarem caminhos da avareza, da desonestidade e das distorções da lei? Sim, eles fizeram essas coisas conforme está registrado (I Sm 8.3). Não tenho respostas prontas. Acho difícil chegar a uma conclusão definitiva.

Pr. Alonso S. Gonçalves Igreja Batista Central em Pariquera-Açu - SP Teria sido as muitas viagens empreendidas pelo pai e dai não ter tempo para educar os filhos? Diz a Bíblia que todos os anos Samuel fazia viagens a Betel, Gilgal e a Mizpá para julgar Israel (I Sm 7.16,17). Pode ser uma pista, mas não é totalmente prudente chegar a esta conclusão. Muitos pais, no afã de serem bons profissionais abrem mão da vida familiar e quando chegam em casa estão tão cansados que não tem tempo para conversar com os filhos sobre Deus, ética, justiça e moralidade. Vamos pensar que Samuel tenha feito a sua parte e criado seus filhos de maneira certa. Mesmo viajando, não se descuidou da adoração em sua família. A Bíblia diz que Samuel tinha construído um altar ao Senhor na sua cidade (I Sm 7.17). Qual seria outra hipótese para os desvios dos filhos de Samuel? Uma outra alternativa seria as decisões pessoais de Joel e Abia em não seguirem, deliberadamente, os caminhos do Senhor ensinados pelo pai. Quantos pais cristãos criaram seus filhos com amor, sendo exemplos de vida, levando-os à igreja e hoje esses filhos estão afastados de Deus e da igreja de Cristo? Em nossas igrejas existem muitos exemplos deste tipo. Ser um bom pai, exemplar em suas condutas e zeloso em ensinar a Bíblia não é garantia plena para ver os seus filhos, no futuro, andando nos caminhos do Senhor. Deus, o Pai perfeito, teve dois filhos que se desviaram do caminho! (Gn 3). Mas, e agora? O que podemos fazer para não ter nossos filhos distantes de Deus e experimentar a mesma tristeza de Samuel? Mais uma vez não quero dar a receita de bolo, mas creio que devemos fazer a nossa parte, não se descuidando da responsabilidade no lar, saber equilibrar vida profissional e familiar, ensinar aos filhos o que é correto, justo e verdadeiro, ser exemplo em todas as áreas, mostrar o valor da igreja de Cristo e... orar, orar, orar.

A Reforma Protestante colocou na Bíblia a responsabilidade de dirigir a vida da igreja e das pessoas. Sendo ela importante para a comunidade de fé, era preciso ler a Bíblia, mas para ler era preciso ser alfabetizado. Ocorre que na Europa de então, séculos 16 e 17, boa parte da população era analfabeta. Diante disso, a ênfase dos reformadores, principalmente Lutero e Calvino, se deu na educação formal. Calvino, por exemplo, fundou, em 1559, a Universidade de Genebra, Suíça. Pensando sobre a Escola Bíblica Dominical (EBD), é preciso entender de onde ela surgiu e porque, a fim de que, depois, pudéssemos sugerir algumas propostas para uma EBD que vá além dos domingos. Por que temos uma EBD? Aspectos históricos A princípio, a EBD começa com Robert Raikes, um inglês redator e produtor do Gloucester Journal. Incomodado com a situação de delinquência infantil que assolava a Inglaterra, sobretudo sua vizinhança, decidiu em 1780 sair às ruas e convidar crianças pobres para que aos domingos fossem à sua casa aprender aritmética, princípios morais e cívicos, gramática e leitura utilizando a Bíblia. A origem da EBD, como seria chamada posteriormente, se dá em função dos menos favorecidos, sobretudo crianças pobres e iletradas, e que a utilização da Bíblia no ensino se deu não com o intuito de ensinar a Bíblia em seu caráter doutrinário ou como um fim em si mesmo. Ao contrário, a EBD de Raikes fazia do ensino através da Bíblia um meio de libertação da condição indigna, de fortalecimento da cidadania e da humanização das crianças carentes de Gloucester e, consequentemente, de toda aquela comunidade. William Fox, rico diácono batista, negociante por ofício, mesmo desconhecendo o projeto de Raikes, iniciou também em outra parte da Inglaterra o ensino essencialmente bíblico a crianças durante a semana. Juntamente com o

apoio de leigos batistas, Fox fundou em 1785 a Sociedade de Escolas Dominicais com o propósito de divulgar a ideia em todo o território inglês. O movimento repercutiu de tal forma que John Wesley logo adotou a Escola Dominical na igreja que viria a ser a Igreja Metodista, além de a própria rainha da Inglaterra ter convidado Raikes para conhecer e apoiar o desenvolvimento da “nova cruzada”, como ela entendia. Mais tarde, as desconfianças foram dissipadas, os resultados positivos surgiram e o governo inglês assumiu a responsabilidade de educar as crianças. A escola pública inglesa, portanto, surgiu da Escola Dominical de Raikes. Nos EUA ocorreram resistências à nova ideia de ensino, principalmente por ser entendida como profanação ao domingo. Entretanto, a Escola Dominical se instalou em território norte-americano, mais de um século depois da Inglaterra. Em 1891, foi organizada a Junta de Escolas Dominicais dos Batistas do Sul dos EUA, que por muitos anos foi a maior agência de divulgação e publicação de literatura religiosa do mundo. A escola dominical brasileira (há disputas quanto a isso) começou em 19 de Agosto de 1855, em Petrópolis (RJ), sob a direção dos missionários escoceses, pastor Robert Kalley e sua esposa Sara (Igreja Evangélica Fluminense, Rio de Janeiro). Naquele domingo, cinco crianças foram à aula e, com o crescimento das atividades, as classes passaram a ser em português, alemão e inglês. A EBD que os missionários norte-americanos implantaram no Brasil, diferentemente da Inglaterra, exceção do casal Kalley, onde o foco foi as crianças, se tornou um instrumento de evangelização e doutrinamento. Além disso, o sistema de ensino e organização da EBD copiou o sistema educacional secular norte-americano. Deste modo, a EBD que se configurou aqui teve como marcas: a burocracia, a ênfase no professor e no conteúdo e uma estrutura dividida em cargos e funções (diretor, secretário). Essa EBD apregoou o cálculo como meio para medir a eficiência,

daí os relatórios no final da EBD para saber quantas bíblias, quem leu a lição assim por diante. Isso para medir o número de faltosos e assim poder calcular o “aprendizado” sobre Deus. Perspectivas: uma EBD propositiva “Ouço, e esqueço; vejo, e guardo na memória; faço, e compreendo”. Esse provérbio chinês continua sendo atual em nosso contexto cultural. Em uma sociedade carente de exemplos, as ações ainda ensinam de maneira mais eficaz. Uma EBD para além dos domingos de manhã precisa ter um conteúdo contextualizado, ou seja, um conteúdo que leve a sério as novas tecnologias na formulação do discurso; um conteúdo que saiba ler os “sinais dos tempos”, que tenha percepção do que está acontecendo e de como a igreja, comunidade de fé, pode refletir, questionar e sugerir. Um conteúdo, em sínteses, que enxergue as situações do cotidiano de cada localidade, ou seja, que seja acessível, que fale a língua de quem está ouvindo. Em uma EBD que não fique apenas nos domingos, o professor seria um facilitador. Ele não teria a primazia no processo de reflexão. Não haveria um monólogo, mas sim um diálogo. E, por fim, uma EBD mais humana que olhasse a integralidade do ser humano, ou seja, a sua condição física, biológica, psicológica e social. Não é apenas uma questão doutrinária, mas um conjunto de fatores que fazem parte do ser humano. Uma EBD holística viabilize temáticas que insiram a igreja na sociedade, para que a prática do que foi refletido seja uma possibilidade. Em uma EBD integral, a estrutura física será menos importante do que as pessoas. Para que essas propostas sejam uma possibilidade, a escolha da literatura é importante. Essa literatura precisa acompanhar esses desafios e se, por algum motivo, ela não consegue contemplar essas iniciativas, deve se buscar outras que assim o façam. Isso, somado à didática do amor, tornará possível pensar uma EBD para além dos domingos de manhã.


7 Transformado por Cristo o jornal batista – domingo, 04/05/14

missões nacionais

25 almas se rendem a Cristo Ex-traficante é batizado no Rio Grande do Norte no sertão da Bahia Redação de Missões Nacionais

Redação de Missões Nacionais

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m sua passagem pelo interior da Bahia, o pastor Samuel Moutta, gerente executivo de Missões, pregou para um grupo de 25 pessoas. Após a mensagem, baseada no plano de salvação de João 3.16, todas elas aceitaram a Cristo como Salvador. O objetivo da viagem foi conhecer a cidade de Bom Jesus da Lapa (BA), para onde estão sendo transferidos os missionários Dorivan e Elma Ramos. A comunidade onde o missionário alcançou 25 pessoas é uma área rural totalmente isolada, antes sem nenhum contato com o evangelho. Essas conversões não apenas emocionaram os representantes de Missões Nacionais, mas também comprovam a importância da realização de um trabalho missionário em um local sedento não apenas de água, mas da Palavra de Deus. “As portas e os corações estão abertos”, afirma o pastor Moutta. A presença do casal de missionários em Bom Jesus da Lapa é estratégica

porque além desta cidade eles alcançarão os vilarejos ao redor. O início da obra missionária na cidade também marca o lançamento do projeto Água Viva, que é a estratégia de Missões Nacionais para alcançar os sertanejos. “Queremos implantar polos, onde evangelistas locais serão treinados e mentoriados para visitar as casas dos sertanejos, estabelecendo a evangelização por meio de relacionamentos discipuladores com foco na plantação de igrejas no contexto rural e na formação de líderes autóctones”, explica o pastor Samuel Moutta. Ainda de acordo com ele, além de Bom Jesus da Lapa, outros polos já foram iniciados não apenas no sertão da Bahia, mas também em Pernambuco. Há um novo tempo de evangelização no sertão nordestino. Precisamos das orações e do engajamento do povo de Deus para esta grande oportunidade missionária. Ore por recursos financeiros, por missionários e evangelistas dispostos a ir ao sertão ganhar almas e plantar igrejas.

Pr. Samuel no início do apelo

No fim, com todos os alcançados pela mensagem do evangelho

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m Florânia (RN), os missionários Ralison e Gledciele Medeiros estão gratos ao Senhor pelos frutos que o trabalho tem gerado, com vidas salvas e transformadas por Cristo. Uma destas almas alcançadas pelos obreiros na cidade é o irmão Romildo Rodrigues, um ex-traficante que hoje evidencia o poder de Deus em sua vida. O pastor Ralison conta que conheceu Romildo por meio de um Pequeno Grupo Multiplicador (PGM), pois ele é cunhado de um membro da igreja. Após o primeiro contato, o missionário passou a visitar Romildo em sua própria casa e por dois anos o acompanhou, pacientemente, compartilhando o evangelho de Cristo. Na época, as pessoas da cidade advertiam os mis-

Romildo no dia de seu batismo

sionários de que Romildo era um homem perigoso porque vendia drogas. Entretanto, Ralison não desistiu daquela alma que o Senhor colocou em suas mãos. “Ele sempre deixou bem claro que estava naquela vida não porque quisesse, mas porque em sua infância passou por diversas situações difíceis na família e resolveu na sua adolescência sair de casa. Nos encontros, ele sempre se mostrava muito acessível ao evangelho e tinha uma boa participação”, relatou o obreiro.

O pastor testemunha que os anos de evangelismo e estudos valeram a pena. Romildo finalmente conseguiu se firmar com Cristo e passou a se envolver nas atividades da igreja. Foi batizado recentemente e é líder de um PGM. “Depois de 32 anos envolvido no tráfico de drogas, ele serve ao Senhor Jesus Cristo. Isso causou uma grande alegria na cidade e aquelas pessoas que tinham pavor dele agora fazem parte de seu grupo multiplicador”, testemunha o pastor Ralison.


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ação social da cbb ESTUDO

A responsabilidade de todos para defesa da infância Simone Vieira Coordenadora de Ação Social da Convenção Batista Mineira.

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uem são os nossos órfãos hoje? Nossos órfãos hoje são as crianças e adolescentes em situação de risco, que não têm seu direito básico de convivências familiar garantido. Que vivem nos abrigos de nosso Brasil, sem esperança de um lar. É parte do caráter e amor de Deus o cuidado com os órfãos, como vemos quando os israelitas colhiam seus cereais ou suas frutas eles não deviam recolher as sobras no campo, fazendo eles mesmos uma respiga. A respiga devia ficar “para o residente forasteiro, para o menino órfão e para a viúva. (Dt 24-21). A lei de Moisés especificava: “Não deveis atribular nenhuma viúva nem o menino órfão de pai” (Êx 22.22, 23). A forma genuína de adoração a Deus é posta por Tiago como sendo o cuidado e amparo ao órfão (Tg 1.27). A verdadeira religião é considerada em Isaias 58.7, 10-12 como imperativo divino, nos seguintes termos: “Quero que partilhem a vossa comida com os que têm fome e que sejam hospitaleiros para com os que vivem desprotegidos, pobres, desamparados. Que deem roupa aos que têm frio, e que não se escondam daqueles que, sendo até vossos familiares, precisam da vossa ajuda. Deem de comer ao faminto! Ajudem os necessitados e aflitos! Então a vossa luz brilhará nas trevas, e a escuridão à vossa volta será como a brilhante claridade do dia”. No estudo da Bíblia deparamo-nos com diversos casos de crianças e adolescentes que não são diferente dos dias atuais em viver em situação de risco e violência.

Muitos deles perseguidos pela morte.A história de cada um deles nos ensina que Deus não se alegrava, ou muito menos se conformava, com o que estavam sofrendo. Ao contrário, ele vocacionava homens e mulheres para sua proteção e educação. Quando Faraó editou um decreto mandando matar as crianças filhas das hebréias, pôs em grande risco a vida de milhares de crianças, entre elas um dos homens mais conhecidos da Bíblia, o grande líder Moisés. Mulheres ousadas “tiveram coragem de iniciar a resistência contra o sistema do Faraó que tinha decretado o extermínio dos meninos” (FIGUEROA, 2000, p.8). Seus nomes são Sifrá e Puá (Êx 2.15), parteiras que receberam ordens diretas para matar, mas Faraó não contava com a coragem e temor daquelas mulheres a Deus, que se colocaram contra o sistema e conservaram os meninos com vida. Elas triunfaram como instrumento de Deus para proteção do direito à vida dos meninos e na preservação do plano de Deus para o povo de Israel. Além das parteiras, que aqui fazem o papel da sociedade que tem o dever de garantir os direitos de crianças e adolescentes, temos ainda a responsabilidade da família. Na vida do pequeno Moisés não foi diferente. Sua família fez de tudo para protegê-lo, sua mãe Joquebede, ao vê-lo perfeito e saudável, o escondeu durante três meses para que vivesse, pondo em risco a própria vida (Êx2.1-3;8-10). Para que Moisés crescesse saudável, sua mãe o colocou em um cesto muito bem preparado e forte, no rio Nilo, e mandou que sua irmã Mirian o seguisse para ver o que sucederia (Êx 2.3,7, 8). Sua mãe arriscou a vida para que o mesmo não fosse lançado no rio e morto por Faraó. Vemos

então a família cumprindo sua responsabilidade. É também dever do poder público garantir os direitos da infância. Coincidência ou providência divina, o poder público (família do Faraó) daquela época foi quem deu assistência e demais cuidados para Moisés, depois que a comunidade e família já o tinham protegido da morte. A mão divina faz com que a própria filha de Faraó fosse quem acolhesse Moisés, como seu próprio filho (Êx 2.5-10). O princípio de convivência familiar é garantido, pois a filha de Faraó entrega a criança aos cuidados de sua mãe, para ser por esta cuidada e amamentada. Moisés retorna após uma situação de risco para o seio de sua família biológica. Percebe-se na história de Moisés que de uma forma especial ocorreu o que a atual legislação determina (art. 227, Constituição Federal), pois Deus desde o inicio da vida humana na terra já tinha em seu coração este projeto de que todos fossem responsáveis pela vida e desenvolvimento das crianças e adolescentes e, especialmente, que a prevalência do direito à convivência familiar estivesse estabelecida sobre todos os outros direitos. O dever da família (Joquebede e Mirian), da comunidade (Sifrá e Puá) e do poder público (a princesa) asseguraram a vida e crescimento de Moisés. Na história de Moisés vemos ainda que o Faraó, por determinar a matança dos meninos, poderá representar um poder público de hoje, que leva crianças e adolescentes à morte, ou a uma vida sem dignidade e garantia de direitos básicos, pela falta de políticas públicas voltadas para infância e famílias em situação de risco. Em sua omissão, o Faraó do século XXI decreta a morte e o abandono todos os dias de milhares de crianças e adolescentes.

Crianças anônimas desde os tempos bíblicos vêm sofrendo devido à fome e à falta de recursos básicos para seu desenvolvimento saudável. O desespero da família muitas das vezes leva a mesma a tomar atitudes aterrorizantes quando já não sabe mais como conviver com a miséria e acaba agindo com violência e abandono, assim como ocorreu em II Reis 6. 24-32, quando diante da fome em Samaria em tempos de guerra, as mães chegaram a ponto de desespero e combinaram entre si de matarem e comerem seus próprios filhos. Hoje a violência doméstica é também um reflexo da miséria que atormenta os lares e levam as mães à agressividade com seus filhos e em muitos casos até mesmo à morte dos mesmos.Da mesma forma que Jeremias não compreendia o terror que sobrevinha às crianças pelas suas próprias mães, assim deve ser o coração do cristão ao ver a crueldade que ainda ocorre em muitos lares e clamar ao Senhor em favor delas. “Vê, ó Senhor, e considera a quem fizeste assim! Hão de as mulheres comer o fruto de si mesmas, as crianças que trazem nos braços?” (Lm 2.20). Ressaltamos que “tanto nos tempos bíblicos como hoje, uma minoria profética nunca aceitou nem aceita a ideologia dominante e sempre lutará em defesa da vida ameaçada das crianças” (FIGUEROA, 2000, p. 10). Assim como Deus ouviu a voz do menino Ismael e de sua mãe, que choravam no deserto ao se encontrarem sem lar e sem alimento, e lhes garantiu uma promessa de uma grande nação (Gn 21.1419), Deus tem ouvido o choro de crianças e adolescentes desprovidos de seus direitos básicos, e através da igreja quer fazer de cada um deles seu povo. Por meio de Ismael, Deus formou uma nação, uma

grande e forte família, mesmo após passar por um momento familiar de conflito e abandono por parte de seu pai. Este é o desejo de Deus para toda criança e adolescente que passam por um momento de conflito familiar, abandono e violência: que estes sejam novamente mantidos junto a sua família ou a uma família substituta, para que possam crescer e desenvolver-se de forma integral e saudável. A mesma advertência feita ao povo de Israel é feita à igreja de Jesus Cristo nos termos de que “a nenhum órfão afligireis. Se de alguma maneira os afligirdes, e eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor, e a minha ira se acenderá” (Êx 22.22-24). A palavra afligir significa tratar com desprezo, com omissão. Hoje a igreja tem desprezado os órfãos. Órfãos estes não apenas cujos pais faleceram, mas também aqueles que foram abandonados por seus pais ainda vivos. Deus tem ouvido seu clamor e acenderá sua irá ao momento certo contra a igreja que fecha seus olhos e tampa seus ouvidos ao grande clamor. Que os ouvidos da igreja venham a estar abertos e atentos às crianças e adolescentes deste imenso Brasil. Referencias Bibliográficas ALLEN, Clifton J. Comentário Bíblico Broadman. Rio de Janeiro: JUERP, v.8,1983, p.484. ALIANÇA PRÓ-EVANGELIZAÇÃO DE CRIANÇAS. Deixem vir a mim os pequeninos. ULTIMATO, Viçosa, v. XXX, n. 249, p 38. nov. 1997. FIGUEROA, Ana Claudia. Violência sexual contra criança e adolescente: Como a igreja pode enfrentar este mal e responder ao chamado de Deus a prática da paz, da misericórdia e solidariedade. São Paulo: Ed. Igr. Metodista, 2000. 24p.

SERMÃO

A família como acolhedora dos “órfãos” Missionária Terezinha Candieiro Coordenadora do PEPE internacional da Junta de Missões Mundiais da CBB “Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus em sua santa morada. Deus faz com que o solitário more em família” (Salmo 68.5-6)

INTRODUÇÃO: “Família acolhedora” tem sido um termo muito usado atualmente e que está relacionado a um programa do governo – Ministério de Desenvolvimento Social onde uma família cadastrada acolhe uma criança em situação de maus tratos e negligência, temporariamente,

enquanto sua própria família se reorganiza para recebê-la novamente. Faz parte das atribuições da família acolhedora assumir os cuidados rotineiros com o acolhido: educação, atendimento à saúde, etc. É previsto até que seja possível o retorno à família de origem ou, na sua impossibilidade, o encami-

nhamento para a adoção. O serviço seleciona, capacita, cadastra e acompanha as famílias e se organiza de acordo com o ECA – Estatuto da Criança e Adolescente. Olhando para nossa realidade e diante da situação das crianças e adolescentes no Brasil e no mundo, vemos que este é um ótimo

programa para suprir as necessidades de tantos desamparados que, por diversos fatores, não são atendidos por suas famílias de origem. Constatamos que o cuidado e a proteção com crianças e adolescentes são tarefas que devem ser compartilhadas pela família, Estado e sociedade.


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ação social da cbb Porém, este não é um programa inteiramente novo. A Bíblia nos orienta desde há muito tempo, tendo como referência as atitudes e o exemplo do próprio Deus, a que construamos famílias acolhedoras para aqueles que estão desamparados. Em sua essência, o que é uma família acolhedora de órfãos? Qual é o seu propósito, de acordo com os preceitos bíblicos? Qual a relação da família como acolhedora com a atuação de Deus? Tendo como base o texto bíblico do Salmo 68.5-6, podemos aprender os requisitos para ser uma família acolhedora dos órfãos. A família como acolhedora: É A REVELAÇÃO DO AMOR DE DEUS Um dos ensinamentos que vemos no Salmo 68 é a intervenção de Deus e sua presença na vida do povo de Israel. Este é um hino processional e foi escrito para celebrar a transferência da arca do Senhor, que representava a presença do Senhor, de seu abrigo temporário para seu lugar permanente. O movimento da arca representa o movimento de Deus, ou seja sua intervenção no mundo. Segundo estudiosos da Bíblia, “Deus está entronizado em seu lugar santo, mas ao mesmo tempo intimamente consciente das necessidades humanas. Ele serve de pai para órfãos e protetor para viúvas” (Salmo 68.5-6). A família foi criada por Deus para que todos nós viéssemos a conhecer o que é o amor de pais, irmãos e filhos. Mas se este canal falhou por causa do pecado, temos a igreja do Deus vivo para mostrar este amor aos que não têm família. É nossa responsabilidade, como igreja do Senhor, amarmos a todos como nossa própria família, pais, filhos e irmãos, assim como Jesus fazia. Ao compreendermos isso, compreendemos que as famílias devem ser cooperadoras de Deus em seu propósito de revelar seu amor ao mundo. ENTENDE O PROPÓSITO DE DEUS EM SUA EXISTÊNCIA Temos ouvido que a família é o ideal de Deus para o ser humano. Ela tem uma importante função na vida de qualquer ser humano e na sociedade em geral. Segundo os dicionários, a família é o conjunto de pessoas que possuem grau de parentesco entre si e vivem na mesma casa formando um lar. Uma família tradicional normalmente é formada por pai, mãe e filhos. Chamamos a esta de família nuclear.

Para o Estado, a família é considerada uma instituição responsável por promover a educação dos filhos e influenciar os mesmos no meio social. É na família que são transmitidos os valores morais e sociais que servirão de base para o processo de socialização da criança, bem como as tradições e costumes que serão passados de geração a geração. Devido às transformações sociais, atualmente existem diferentes estruturas familiares. Seja qual for, elas precisam preservar os princípios da Palavra em sua formação, função e existência. A família é uma instituição divina(Gn 1.26-28). Deus criou o ser humano, instituiu a família e criou as bases para a formação da sociedade. Havia a necessidade de companheirismo matrimonial, íntimo. A família se originou na união do homem e da mulher. Cada membro tem sua função e todas as funções contribuem harmonicamente para o cumprimento do propósito de Deus para o homem e a sociedade. De maneira genérica, a função materna é do acolhimento, do cuidado, da contenção das angústias do filho. Quem exerce a função materna pode atender às necessidades da criança e promover uma situação de conforto e bem estar. A função paterna envolve tanto a função de acolhimento quanto a imposição de limites e regras claras. A criança precisa saber conter seus impulsos, voracidade, desejos e ansiedades, para sua própria segurança. No texto bíblico em que nos baseamos, Deus se revela por meio da função materna, porque acolhe , recebe, cuida, protege. Mas ao mesmo tempo, se apresenta como Pai dos órfãos. Ou seja também coloca limites e mostra a regras. O bom desempenho da família nestas funções contribui para o bom desenvolvimento dos seus filhos e fortalecimento dos relacionamentos. Desta forma, estará cumprindo o propósito de Deus para sua existência no mundo, sendo um lugar de proteção, sustento, relacionamentos e bênção, que glorifica o criador. DISPÕE-SE A SUPRIR AS NECESSIDADES DOS ÕRFÃOS, COMO EXPRESSÃO DA ADORAÇÃO A DEUS Neste versículo, encontramos que Deus é pai de órfãos. Destacando esta expressão podemos pensar em quem são estes órfãos e qual a tarefa da família acolhedora para com eles.

As Escrituras se referem muito a três classes de pessoas: os órfãos, as viúvas e o estrangeiro. Deus se compadece de forma especial e sempre cita a necessidade do cuidado para com aqueles que estão nessas categorias. De maneira simples, o órfão é aquele que perdeu seus pais ou um deles. Ou seja, foi privado de um mentor, de um líder, de alguém que cuidasse dele. Todos, de alguma forma, já viveram circunstâncias como a de um órfão. Entretanto, Deus é Pai, é o provedor. Do que um órfão precisa? Do que uma viúva precisa? Do que um estrangeiro precisa? De alguém para guardar, cuidar e governar, como Deus Pai faz. Deus veio para

prover tudo isso em nossas vidas. Ele é o grande supridor de toda nossa carência interna e externa. Tiago 1.27 ensina que órfãos, viúvas e pobres são pessoas que mais necessitam da bondade dos servos de Deus e cada discípulo deve estar pronto e disposto a ajudá-los. Esta era a forma de adoração pura, imaculada e aceita por Deus. Cuidar das necessidades físicas e espirituais dos órfãos e das viúvas sempre foi uma parte integrante da adoração à Deus(Dt 24.29-21). Portanto, a família, como acolhedora de órfãos é aquela que é acolhedora dos desamparados, buscando suprir suas necessidades materiais, físicas e a necessidade que eles têm de conhecer o próprio Deus e estabelecer um

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relacionamento íntimo com ele. Esta é uma forma de adoração. CONCLUSÃO: Ser família acolhedora é um ato de amor, obediência e adoração a Deus. A Bíblia nos encoraja a sermos acolhedores: “Portanto, acolhei-vos uns aos outros como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus” Acolher uma pessoa necessitada é garantir a ela a oportunidade de conhecer o amor de Deus e se desenvolver com dignidade. É também obedecer a Deus em seus propósitos quando criou a família. E é uma forma de adoração a Deus. Que nossas famílias sejam famílias acolhedoras dos necessitados no mundo.

ORDEM DE CULTO

Culto para Dia Batista de Ação Social 2014 Que sejamos famílias acolhedoras Abertura de culto – leitura responsiva (Salmo 68.4-6a – Almeida RA) Dirigente: Cantem em louvor a Deus, cantem hinos em sua honra. Preparem o caminho daquele que vem montado nas nuvens. O seu nome é SENHOR; alegrem-se na sua presença. Mulheres: Deus, que vive no seu santo templo, cuida dos órfãos e protege as viúvas. Homens: Ele dá aos abandonados um lar onde eles podem viver Oração de abertura Cânticos que focam a família, o acolhimento, o amor cristão e o doar de se. – “Recebi um novo coração do Pai” – “Família” (Aline Barros) Leitura responsiva: (Deuteronômio 26.11-15 - Almeida RA e NTLH): Dirigente: Alegrar-te-ás por todo o bem que o SENHOR, teu Deus, te tem dado a ti e a tua casa, tu, e o levita, e o estrangeiro que está no meio de ti. Mulheres: De três em três anos junte os dízimos daquele ano e dê aos levitas, aos estrangeiros, aos órfãos e às viúvas para que comam dentro da sua cidade e tenham toda a comida que precisarem. Dirigente: Depois, na presença do SENHOR, nosso Deus, você dirá o seguinte: Homens: Tirei de minha casa o que é consagrado e dei também ao levita, e ao estrangeiro, e ao órfão, e à viúva, segundo todos os teus mandamentos que me tens ordenado; nada transgredi dos teus mandamentos, nem deles me esqueci. Jovens: Não comi nenhuma porção do dízimo quando estava de luto, não levei nenhuma parte para fora da cidade quando estava impuro, nem dei nenhuma parte como oferta pelos mortos. Fiz tudo o que mandaste, ó SENHOR, meu Deus, e obedeci à tua ordem. Todos: Olha desde a tua santa habitação, desde o céu, e abençoa o teu povo, a Israel, e a terra que nos deste, como juraste a nossos pais, terra que mana leite e mel. Entrega dos dízimos e de ofertas – Sugerimos que todas as ofertas entregues neste dia, e, se for possível, os dízimos também, sejam encaminhadas à obra social da igreja ou a uma instituição social evangélica. Oracão de dedicação dos dízimos e das ofertas Hino: HCC 596 (Se Houver Amor) ou 593 (Nestes tempos de incerteza) Leitura responsiva: (Tiago 1.27; I Timóteo 5.8; Lucas 10.27 - Almeida RA e NTLH): Homens: Para Deus, o Pai, a religião pura e verdadeira é esta: ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo. Mulheres: Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, têm negado a fé, e é pior do que o descrente. Todos: Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e com toda a mente. E ame o seu próximo como você ama a você mesmo. Oração: Em favor a pessoas desamparadas da sociedade, e para que famílias cristãos possam estender a mão e acolher os que necessitam, como parte integral do seu relacionamento com Deus. Sermão: Sugerimos que o pregador utilize um dos esboços que se encontram na página www. batistas.com/acaosocial. Hino: HCC 429 / Cantor Cristão 296 (Consagração) Oração de dedicação de vidas e famílias, seguida pela benção final


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notícias do brasil batista

1 Simpósio de Conhecimento Denominacional o

(Uma iniciativa que poderia ser imitada)

Othon Ávila Amaral

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oi com certa curiosidade que recebi o material do evento cuja promoção foi intitulada “1º Simpósio de Conhecimento Denominacional”. Sob o título transcrito veio o subtítulo “Os Batistas e sua Denominação”. Parece que a expressão “Denominação” vai desaparecendo estrategicamente de nosso linguajar. Nossas igrejas vão assumindo sua autonomia em relação à “Denominação”. Nada que as atrelem ao compromisso de cooperação para o funcionamento da “Denominação”. O dízimo dos dízimos que era o “Plano Cooperativo” acordado para ser enviado para a Convenção Estadual e desta para a Convenção Brasileira foi, com o passar do tempo, substituído por uma oferta arbitrária decidida, às vezes, sem a assembleia da igreja. Daí minha admiração de ver uma igreja promovendo um “1º Simpósio de Conhecimento Denominacional”. Afinal, pensei, ainda existem líderes que não aboliram de seus planejamentos a Denominação. Seria muito bom que voltássemos a cultivar na igreja onde militamos o hábito de ver toda a família envolvida com a Escola Bíblica Dominical. As classes divididas em faixas etárias: juniores, adolescentes, jovens, adultos (homens e mulheres). A Escola de Treinamento com Juniores, Adolescentes, Jovens e Adultos. As organizações masculinas (Homens, Jovens, Embaixadores), as organizações femininas com Rol de Bebês, Mensageiras do Rei, Jovens Cristãs e Sociedade de Senhoras. Tal estrutura não mais existe hoje. E se existe, funciona com precariedade. Também as igrejas usando revistas produzidas por nossas próprias instituições. As igrejas sustentando nossos próprios missionários enviados por nossas Juntas de Missões Mundiais ou de Missões Nacionais. Volto ao 1º Simpósio de Conhecimento Denominacional. Lá estive na companhia de cerca de trinta participantes, que, ao longo de quase sete horas, recordaram ou ficaram conhecendo momentos históricos e relevantes de nossa Denominação. Três pastores, alguns diáconos, um bacharel em

Jornalista Othon Ávila Amaral, palestrante

O palestrante Othon Ávila Amaral, autografa livro de sua autoria

Pastor Cláudio Amorim e o jornalista Othon Ávila

Diácono Carlos Alberto Aleixo de Souza e o jornalista Othon Ávila

Grupo de participantes no Simpósio

teologia, jovens e adultos, motivados e ávidos de conhecer episódios de nossa vivência denominacional. Falamos das quatro primeiras igrejas batistas existentes no mundo, na Holanda, na Inglaterra, na América do Norte, na América do Sul. Falamos das mudanças estruturais da Denominação

desde 1907 até 2010. Falamos da primeira Declaração Doutrinária adotada pela Primeira Igreja Batista da Bahia, em 15 de outubro de 1882, “The New Hampshire”, até que aprovamos a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, em 1985, em Maceió, ratificada em 1986 em Campo Grande.

Enfim, foi um dia que deveria ser repetido em centenas de igrejas batistas brasileiras. Congratulo-me com a Igreja Batista Betel de Queimados, liderada pelo Pastor Cláudio Amorim, com o Ministro de Evangelismo, diácono Carlos Alberto Aleixo de Souza, pela realização desse encontro cujos temas específicos

foram “Os Batistas e sua Denominação”, divididos em A Origem dos Batistas; Os Batistas no Brasil; Os Batistas nos dias atuais e Os Batistas e a Evangelização. O encontro foi muito bem organizado, com café da manhã, almoço muito gostoso, e concluído com entrega de certificados aos participantes.


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missões mundiais

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Missões no Haiti recebe apoio militar Marcia Pinheiro – Redação de Missões Mundiais

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issões Mundiais tem feito amigos por onde passa. São pessoas que vestem a camisa desse time, alcançando vitórias para o Reino de Deus, como Isaías Martins Júnior, Tenente Coronel do Exército Brasileiro. Ele serviu na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH), como subchefe da seção de logística. Filho do Pr. Isaías Martins, um grande incentivador de Missões, o Tenente Coronel sempre esteve envolvido com a Missão de Deus. Isaías acredita que com sua profissão pode contribuir com o trabalho missionário, principalmente quando está em missão no exterior, em lugares onde já existem missionários. Assim aconteceu no Haiti, onde apoiou o trabalho do casal missionário André e Verônica Bahia. “Nós, militares, somos enviados com uma boa infraestrutura que pode ser colocada à disposição dos missionários que atuam na região”, comenta. Essa parceria entre o Tenente Coronel e a JMM começou

Isaías é um grande incentivador da obra missionária no Haiti

quando ele esteve em Angola, participando da UNAVEM III (Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola), em 1996. Na época, ele era Primeiro Tenente e foi com o Batalhão Brasileiro (BRABAT). Foi quando Deus falou fortemente ao seu coração por meio do trabalho evangélico dentro do BRABAT, bem como pelo contato com a nossa missionária Analzira Nascimento. “O melhor de tudo foi perceber que Deus

usa pessoas normais, com imperfeições e dúvidas. O campo missionário não é apenas para os pastores, mas para qualquer um que queira fazer parte dessa obra”, diz o militar. Durante o tempo em que esteve no Haiti, Isaías apoiou nossos missionários criando oportunidades e fazendo alianças para o desenvolvimento do trabalho. Ele busca estreitar o contato do Pr. André Bahia com o batalhão brasileiro e

com órgãos da MINUSTAH, além de oferecer ajuda por meio da estrutura da ONU. O Haiti precisa de você Apesar da grande ajuda humanitária que o Haiti tem recebido desde 2010, quando foi assolado por um forte terremoto, o país ainda vive praticamente no escuro e sem água. Segundo Isaías, faltam hospitais, transporte e serviços em geral. Para ele apenas o envio de dinheiro não resol-

ve, o país precisa de pessoal qualificado e, o mais difícil, mudança na sua cultura. O militar pensa que é de vital importância que os missionários brasileiros tenham livre acesso aos cultos realizados pelos militares. Por isso ele tem feito um grande esforço para que o Comando do Batalhão conheça os projetos missionários em andamento no Haiti para que também possam apoiá-los. Atualmente, o Batalhão tem seu Subcomandante e outros oficiais evangélicos que muito têm apoiado os missionários. “Não é somente formando igrejas que se anuncia o evangelho”, assim pensa Isaías. Para ele as pessoas precisam de amor, cuidado, médicos, roupa limpa, comida, professores, recreadores, esportistas... qualquer outra pessoa que queira participar. “A palavra-chave é ‘disponibilidade’. Quando nos entregamos ao serviço, Deus nos capacita. Depois vem a ‘dependência’. Quanto maior a dependência, maior será a atuação de Deus, mostrando que Ele é capaz de nos usar, apesar de nossas dúvidas e imperfeições”, finaliza.

A liberdade custa caro

Anatoliy Shmilikhovskyy – Missionário Especial da JMM em Lviv, Ucrânia

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emos vivido um clima tenso há mais de quatro meses com o conflito na Ucrânia: muitas mortes nas ruas, muita instabilidade política, insegurança e, ao mesmo tempo, muitas viagens. Confesso que não tive fôlego para escrever. Agora, com a situação mais tranquila, posso relatar os fatos e agradecer a cada um que orou incansavelmente em nosso favor. Tenha certeza – e nós somos testemunhas vivas – que Deus ouve as orações! Ninguém imaginou que, em pleno século XXI, no centro da Europa, em um país pacífico como a Ucrânia, na cidade mais verde da Europa, Kiev, aconteceria um conflito tão forte e sangrento entre o governo e a população. Como resultado, cerca de 110 mortos, 150 desaparecidos até agora (bem provável que estejam mortos) e a tão desejada liberdade! Infelizmente entre os mortos há três crentes batistas – membros regulares do interior da Ucrânia. Esta liberdade custou caro… Perdemos a península da Crimeia, na região sul do país, o lugar preferido de descanso de muitos ucranianos. Com isso, o presidente

Praça da Independência, centro de Kiev

da Rússia, Vladimir Putin, ganhou a Crimeia, mas perdeu a Ucrânia para sempre. Há uma tensão severa nas relações entre os dois povos (ucraniano e russo), principalmente no oeste do país. O preço do gás que a Ucrânia deve pagar à Rússia agora é o mais alto em toda a Europa. A liberdade custa caro. Mas seguir a Cristo não é a questão do preço do gás. No meio da dor e do desespero, o nosso bom Deus trouxe muitas bênçãos. O povo de Deus, dia e noite, nos tem-

plos e nas praças, em grupos pequenos, orava sem parar. Eu nunca vi tanta solidariedade do povo ucraniano, tanta vontade em defender o seu próprio país. Foi uma união entre todas as igrejas, principalmente entre as duas maiores rivais – a Igreja Ortodoxa Russa e a Igreja Ortodoxa Ucraniana. A igreja está ao lado do povo compartilhando o seu sofrimento. O conflito uniu a nação, a igreja e os políticos. Parece que uma nova página da nossa história está virando. Mas a liberdade

custa caro. Ainda vivemos no meio de muita dor, insegurança e instabilidade financeira. Apesar das turbulências no país, o nosso trabalho vai bem. Na nossa igreja, vivemos um bom período. Todos os ministérios estão crescendo. Nos cultos há muitas novas pessoas. Os pequenos grupos vão bem. Juntamente com o missionário Lyubomyr Matveyev e o orientador estratégico da JMM para o Leste Europeu, Joed Venturini, fizemos uma viagem à Moldávia, no Leste

Europeu. Ali visitamos o seminário batista que visa a preparação dos alunos procedentes da Ásia Central. É a única instituição teológica no mundo que tem como foco principal trazer os alunos nativos desta região, dar a eles o preparo teológico para depois enviá-los de volta aos seus países. Tudo indica que Missões Mundiais e este seminário iniciarão uma parceria. Infelizmente, tivemos que cancelar um encontro que seria realizado em maio, no qual pretendíamos unir juntos os obreiros da Ucrânia, Bielo-Rússia e Rússia devido a questões de segurança. Iremos fazê-lo num formato bem menor e mais simples. Com minha esposa, Iryna, vamos bem. Percebemos como é bom viver na graça de Deus. É impossível programá-la. Ela é incalculável e imprevisível. Ela vem quando menos esperamos e quando não a merecemos. Mas a graça dada não significa a graça barata – ela custou caro a Deus. Justamente neste momento tão tumultuado é tão bom entender que a graça de Cristo nos alcançou. E é tão bom saber que somente pela graça de Cristo podemos trilhar o caminho que nos leva ao encontro pessoal com Deus.


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33 Assembleia da Convenção Batista Centro América a

os dias 11 a 13 de abril de 2014, os batistas brasileiros no Estado de Mato Grosso reuniram-se para celebrar, adorar e agradecer ao Senhor durante a realização da 33ª Assembleia da Convenção Batista Centro América, que se realizou na Primeira Igreja Batista no Jardim Imperial, em Várzea Grande-MT. A igreja anfitriã, sob a liderança do pastor Volmar Bucco e sua equipe, não mediram esforços para recepcionar, atender e servir a todos os participantes desta assembleia convencional, atuando incansavelmente. Além dos representantes das 7 Associações no estado e do grupo musical liderado pelo Gauchinho de Cristo, esta assembleia contou com a presença da Convenção Batista Brasileira, através do diretor executivo, pastor Sócrates Oliveira de Souza,

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ashington, DC (BWA) - Dia Mundial da Aliança Batista é observada no próxima dia 04 de maio. A ênfase é “Ouça o Espírito - Transformação.“ Batistas de todo o mundo são convidados a adorar juntos e orar uns pelos outros. Os participantes também são incentivados a compartilhar suas ideias e experiências no Twitter @ TheBWA ou no grupo BWA Facebook, para que a família Batista global possa comemorar juntos. Observação do Dia BWA começou na década de 1920 como “Batista Mundial de domingo.“ Anteriormente celebrada em fevereiro, agora ocorre no primeiro domingo de maio.

que falou aos batistas mato-grossenses em nome do presidente e executivos da CBB. Sob o tema: “FORTALECIDOS PELA UNIDADE EM CRISTO” e a divisa em João 17.21 - “para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.”, o orador, pastor Hilquias Paim, da Igreja Batista em Lindóia, da cidade de Curitiba-PR, trouxe a assembleia mensagens edificantes e de enlevo espiritual, que foram marcantes na vida dos convencionais. Por ocasião desta assembleia, foi eleita e empossada a nova diretoria, para a gestão 2014/2016, a qual ficou assim constituída: Presidente - Pr. Deuslirio Ferreira (IB Nova Jerusalém Cuiabá - Associação Centro). Primeiro Vice-Presidente - Pr. Clovis Pereira de Souza

O guia adoração 2014 foi preparado por Thomas Jackson, pastor emérito da Wake Forest Baptist Church, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Ele é autor do hino: “Nós somos chamados a ser povo de Deus. “ Culto recursos estão disponíveis no site da BWA, www. bwanet.org. A Aliança Batista Mundial é uma irmandade de 228 convenções em 121 países e territórios, compreendendo 42 milhões de membros em 177 mil igrejas. As suas prioridades são nutrir a paixão pela missão e evangelização, promovendo a adoração, comunhão e unidade, respondendo às pessoas necessitadas, a defesa dos direitos humanos e da justiça e promover a reflexão teológica relevante. (Tradução de SOS)

Leão (PIB Rondonópolis - Associação Sul). Segundo Vice-Presidente - Pr. Manoel Elecinio das Neves Oliveira (PIB Pontes e Lacerda - Associação Oeste) Primeira Secretária – Edna Senes Pereira de Souza

(IBC Tabaporã - Associação Norte) Segunda Secretária – Claudete Pinheiro da Silva Martins (IB Manancial, Cuiabá - Associação Centro) Terceiro Secretário - Pr. Cleber Lemes de Souza

(PIB Poxoréu - Associação Sul) Que Deus abençoe esta nova diretoria, dando sabedoria, discernimento, força e persistência para realizar esta obra que não nos pertence. A ele toda honra e glória.


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OBITUÁRIO

Simplesmente David Baeta Motta Pastor segundo o coração de Deus Pr. Levi Pereira Silva Presidente em exercício da PIB de Moça Bonita

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ei que o Pastor David Baeta, que chamarei de David, por considerá-lo amigo mais chegado que irmão, companheiro e colega de ministério, combateu o bom combate, acabou a carreira e guardou a fé. Não é contraditório afirmar que ele se encontra nos braços do nosso Pai celestial desfrutando das mais ricas e perenes promessas da eternidade sem dor, tristeza e ansiedade, acreditadas por nós, conforme os relatos incontestáveis da Bíblia Sagrada, nossa regra de fé e conduta. Não pretendo me ater a falar do David me valendo de formalidades e de jargões, mesmo que religiosos e oportunos, simplesmente por conhecê-lo. Embora todo o seu saber, visto que se formou em teologia, história e psicologia, mestre em teologia, professor e diretor acadêmico do Seminário Teológico Batista Mineiro, professor do Seminário Batista Fluminense, professor do Seminário Batista do Sul do Brasil, escritor de artigos em revistas da JUERP, Exposição e Vida Plena, autor do livro Entre a Murmuração e a Glória – reflexões bíblicas e existenciais sobre Moisés, palestrante e conferencista no Brasil e no exterior, professor de teologia em nível de mestrado, pós-graduação e lato sensu nos seminários acima mencionados, além de ter exercido várias funções denominacionais, como: 1º Secretário, 1º Vice-Presidente e orador de vários eventos da Convenção Batista Mineira; 1º Vice-Presidente, Presidente e orador de vários eventos da Convenção Batista Fluminense; 3º Vice-Presidente da Convenção Batista Brasileira; Presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil; Presidente por três mandatos da Junta Administrativa do STBSB; ter pastoreado a Igreja Batista de Mendes Pimentel-MG, Igreja Batista da Vila Oeste - BH, Igreja Batista Jardim América - BH, Segunda Igreja Batista de Itaperuna-RJ e Primeira Igreja Batista de Moça Bonita-RJ – apesar dessa extensa e valiosa contribuição não deixou de ser um pastor simples e humilde que não se

valeu de seu nível intelectual e influência denominacional para vangloriar-se. Quando confidenciou que fora escolhido entre tantos líderes renomados de nosso país que participaram de um dos Seminários de Liderança Avançada do Instituto Haggai no Brasil para ser o orador de todas as turmas por ocasião da formatura, bem como quando convidado pelo pastor Ebenezer Bittencourt, diretor executivo do Instituto Haggai no Brasil, seu amigo, para ser um dos palestrantes de um dos Congressos Haggai, não me lembro dele ter divulgado na igreja esses seus compromissos. David era um pastor simples, de temperamento sereno, um tanto tímido. Por isso, me sinto à vontade de falar sobre ele e dele sem muita formalidade, mas com todo o respeito que lhe é peculiar. Várias vezes em nossa igreja, a PIB de Moça Bonita, que, segundo ele, é uma igreja que reflete a beleza de Cristo e adora a Deus cantando de forma tão linda, ele fazia questão de revelar as suas origens. Filho de pais pobres, mas honestos e trabalhadores, desde cedo trabalhou furando poços. Mais tarde, na juventude, trabalhou na antiga Telerj, até que um dia, convocado por Deus, obedeceu ao seu chamado, estudou teologia e foi consagrado pastor batista, função, ou melhor, ministério que exerceu com esmero, zelo, autenticidade, seriedade e dependência de Deus, até ser convocado às mansões celestiais, para a casa que Jesus preparou para ele.

David amava a família, casou-se com Rosângela Maria Dias Motta, educadora religiosa da PIB de Moça Bonita, a quem demonstrou muito amor e carinho, mulher que em todo tempo lhe deu suporte no ministério pastoral, na condução do lar e, sobretudo, no processo de enfermidade que lhe vitimou no dia 4 de março de 2014. Além da esposa, deixou as filhas Danielle Smith, casada com Brian, e Aline Motta, casada com Felipe, e duas lindas netinhas: Izabel e Beatriz. David gostava de desafios. Lembro-me de que quando cheguei com a minha família à PIB de Moça Bonita, há aproximadamente oito anos, ele estava ensaiando um voo de asa delta e voou, experiência que serviu, inclusive, para escrever outro livro intitulado Viver é Uma Arte. Ele realmente viveu com arte. Suas mensagens eram verdadeiras obras de arte, inspiradas nas Sagradas Escrituras, para embelezar e dar ânimo às nossas vidas. Ele sempre incentivou os seus ministros auxiliares a serem criativos na preparação e execução das atividades da igreja. Não dispensava a introdução da arte, seja através da dança, dos instrumentos musicais ou do teatro com conteúdo nos nossos programas de cultos memoráveis de adoração e louvor a Deus. Durante aproximadamente cinco anos lutou incansavelmente contra o câncer. Durante todo esse tempo não deixou se dominar pela doença. Isso é tão verdadeiro que criou uma frase que se tornou

clássica: “Tenho uma doença, mas não estou doente”. Como esta frase e o seu testemunho tem abençoado vidas por esse Brasil afora e o mundo! Quem ficava atento às suas mensagens e palestras pode registrar algumas de suas citações que são verdadeiras pérolas. Por exemplo: “Uma igreja que reflete a beleza de Cristo não tem a ‘cara’ de seu pastor e sim a face de Cristo”. Ou então: “A igreja de Cristo é formada por ex-escravos”. E ainda: “O ministério de um sempre vem na esteira do ministério de outros. É preciso honrar a todos da mesma forma”. E para finalizar, entre tantas outras: “O relógio que você usa deve funcionar no seu braço e fora dele. Da mesma forma, a igreja precisa funcionar mesmo na sua ausência”. Baseado nesta última frase afirmo que a Primeira Igreja Batista de Moça Bonita foi bem preparada por nosso saudoso pastor para continuar e marchar avante. David (Pastor David Baeta) nesses quase

17 anos que pastoreou a PIB de Moça Bonita a amou e cuidou dela com todo o zelo, porque amou muito a Deus. Ele a deixou em harmonia, os seus membros estão unidos, vivendo em comunhão. Ele não deixou pendências, pois nos ensinou o suprassumo das Sagradas Escrituras. Com o David aprendi que o ministério pastoral não é um fardo. Ao contrário, é uma oportunidade de servir a Deus para o bem do próximo e da humanidade. Aprendi, também, que a igreja é muito mais do que uma instituição - é um organismo vivo que deve servir a Deus, servindo à sua comunidade local nas suas necessidades e realidades, sem preconceito e dentro do seu contexto. Posso afirmar, sem medo de errar, que a PIB de Moça Bonita sente-se honrada por ter tido como seu Pastor Titular nesses quase 17 anos, simplesmente David Baeta Motta, pastor segundo o coração de Deus. A Deus toda honra e toda glória!

James Fonseca Freire

Dilza Leite Freire Miyamoto Jornalista e membro da PIB em Ribeirão Pires

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oi convocado para a glória o irmão James Fonseca Freire, com quase 92 anos. Ele faleceu no último dia 7 de março, deixando a saudade na igreja e dentro da família. Membro fundador da Igreja

Batista de Boa Vista dos Matos, Bocaiúva/MG, o irmão James foi um fiel lutador cristão. Travou grandes batalhas para criar seus 11 filhos dentro do evangelho e se orgulha de tê-los todos trabalhando firmes no seio da igreja batista. Deixa viúva Hilda Ferreira Leite Freire. Dos filhos ganhou genros e noras e mais 23 netos e dois bisnetos.


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PIB de Curitiba - 100 anos celebrando a bondade de Deus

Cleide da Silva Neto Jornalista – PIB de Curitiba “A igreja não pode deixar de ser igreja para construir um templo, caso contrário não seria a verdadeira igreja de Jesus.”

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om essa visão, o pastor Paschoal Piragine conduziu por mais de 25 anos a construção do templo da Primeira Igreja Batista de Curitiba. Iniciada em 1977 com a compra do terreno, tem hoje uma área construída de 16.149 m². Durante todo esse tempo, a PIB de Curitiba investiu muito mais em missões, em ação social, educação cristã, porque “a construção de uma igreja é a construção de pessoas, como servos do Reino de Deus”, diz o pastor Paschoal. 13 de maio de 1914 – Esta data marca o inicio da PIB de Curitiba, que foi organizada, na ocasião com nove membros, pela PIB de Paranaguá/ PR. Este ano, chega ao seu centenário com mais de 7000 membros, 36 igrejas já organizadas, sendo uma na Suíça, duas em Portugal, uma delas em parceria com a Junta de Missões Mundiais e Convenção Batista Portuguesa. Hoje, conta com 21 congregações e 84 missionários, realizando projetos de relevância social, interagindo com o poder público em busca de soluções para a construção de uma sociedade pautada nos sadios valores do cristianismo. Áreas ministeriais Para cumprir a missão deixada por Cristo para a igreja, as atividades são desenvolvidas através de diversas áreas ministeriais: oração, aconselhamento, ação social, adoração, a jornada, casais, células, conselho diaconal, comunicação, educação cristã, eficiente – ministério para pessoas com deficiência - esportes, evangelismos e missões, infantil, inglês, integração, ministério pastoral, visitação e capelania, além dos ministérios com mulheres, homens, idosos, adolescentes, jovens e crianças. Todas voltadas para “levar pessoas a um relacionamento intenso com Deus, amar e servir ao próximo e fazer Jesus conhecido de todos os povos, no poder do Espírito Santo”. Essas áreas ministeriais desenvolvem projetos de relevância social e tem se constituído n uma ferramenta eficaz de evangelismo, ocupando um espaço junto

às famílias e criando oportunidades na formação social e espiritual. Projeto Espaço Vida e Música (EVM) - Utiliza a música como ferramenta de inclusão e transformação sociais incentivando crianças e adolescentes a colocarem o coração no lugar certo, desenvolvendo valores que os acompanharão por toda a vida. Atende cerca de 500 crianças em regiões carentes da cidade de Curitiba e região metropolitana. Esse projeto tornou-se um braço missionário da PIB de Curitiba e da JMM e hoje já chegou à cidade de Sevilha, na Espanha. Após um ano e seis meses de atividades nessa cidade, o projeto conta com 80 alunos matriculados, 120 pessoas entre alunos, professores e familiares envolvidos, e, destes, cerca de 25 não crentes, que pelo menos duas vezes por semana tem participado dos cultos. Projeto Ceifar – Cuida em tempo integral de pacientes com transtornos decorrentes da dependência de substâncias psicoativas. Utiliza recursos terapêuticos especializados desenvolvidos através de ações direcionadas para a orientação emocional e espiritual, assistência social, promoção da cidadania, responsabilidade socioambiental, moral, cultural e principalmente combate ao uso de drogas. Este projeto, desenvolvido desde 2003, em parceria com o Instituto Cargolifit, já atendeu mais de 1000 pessoas e hoje suas instalações têm capacidade para abrigar 72 pessoas. Eficiente - Projeto com Especiais – O Brasil é um país com alto índice de deficientes. Por isso, a PIB de Curitiba tem um ministério especial, organizado para atender pessoas com deficiência auditiva, visual, intelectual, muletantes e cadeirantes. Através de diferentes atividades, promove a inclusão social de todos. O trabalho desenvolvido pela PIB de Curitiba serviu de base para a organização de 17 outros ministérios e também para desenvolver ações missionárias em diversos países, e em

Moçambique organizou a primeira catalogação da língua de sinais moçambicana que passou a ser usada nas escolas daquela região. Muitas são as ferramentas disponibilizadas pela igreja para atendimento a esse ministério. Contamos com uma biblioteca com mais de 7000 livros digitalizados para facilitar o acesso da leitura cristã às pessoas com deficiência visual, além de uma impressora em braile e uma estrutura na área de esporte, possibilitando a atuação de nossos paratletas na seleção brasileira. Missões – O coração da igreja bate forte pela ação missionária, atingindo lugares os mais distantes, inclusive países fechados para o evangelho, cujos nomes não podem ser revelados. Constrói escolas e fortalece igrejas, forneceu equipamentos e diversos utensílios para a montagem de uma padaria em Moçambique, instalou poços artesianos em Guiné Bissau, ofereceu manutenção da antena da Rádio Bafatá para que a mensagem alcance aquela região.

Mas a igreja vai, e vai até o Haiti, República Dominicana, Paraguai, Uruguai, Argentina, Índia, Espanha, China, Havaí, Alemanha, Turquia, Espanha, Oriente Médio, sustentando missionários, e também levando a mensagem, oferecendo treinamento e assistência social através de viagens missionárias que são organizadas periodicamente. Não muito longe, os jovens da PIB “adotaram” o litoral paranaense, revitalizando igrejas que, sem pastor, estavam com dificuldade de permanecer com suas portas abertas. Chegou até aos ribeirinhos da Amazônia e construiu uma pequena igreja para abrigar o trabalho missionário que reunia pessoas em baixo de árvores. Através das “ondas” transmite em dez rádios e três redes de televisão o programa “Dia a Dia com Deus”, além de sete rádios web. Mantém 24 horas um atendimento pastoral através da Linha da Vida.

ros passos para da vida cristã até o ensino aprofundado das Escrituras. Investe em vidas concedendo bolsa de estudo e estágio aos seminaristas, em parceria com a Faculdade Teológica Batista do Paraná. Além da Escola Bíblica funcionando aos domingos e quartas-feiras, mantém o Centro de Formação Ministerial – CFM- com 110 alunos (2014), para proporcionar uma capacitação mais adequada para o exercício dos dons e talentos que Deus distribui entre seu povo.

Células Uma igreja com tantos membros e frequentadores precisa de uma ferramenta eficaz e veloz que promova crescimento e integração entre as pessoas. E para que isso aconteça, a PIB de Curitiba conta com 260 células que funcionam nos 40 dos 75 bairros de Curitiba e reúne semanalmente cerca de 2.500 pessoas em residências e instituições. Ao completar 100 anos e concluir a construção do seu templo, espaço que recebe em seu santuário 4051 pessoas sentadas, e um edifício de Educação Cristã com seis andares, a PIB de Curitiba celebra a bondade de Deus e põe à disposição da denominação batista todo esse complexo para servir como agência de Educação Cristã Oferece uma linha de ensi- desenvolvimento do Reino no voltada desde os primei- de Deus.

24/3 – 20h

Jantar - 100 anos com as mãos no arado. Jantar comemorativo com as 36 igrejas filhas.

7/5 – Quarta 18h30

Sessão solene na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná – A PIB recebe homenagem.

Preletor: Pr. Nivaldo Nassif – Pastor da Primeira Igreja Batista de Orlando – EUA.

Abertura Cultos de Celebração Centenário - Ênfase auxílio social prestado pela PIB - Contará com a participação do grande coro (congregações + Ceifar + Sopão Solidário + Creche ABASC) e orquestra EVM

Preletor: Pr. Nivaldo Nassif – Pastor da Primeira Igreja Batista de Orlando – EUA.

Contará com a presença dos fornecedores (operários e empresários) que auxiliaram a construção da igreja e todos os prestadores de serviço.

11/5 – Domingo – Culto Manhã 10h30.

Preletor: Pr. Bruce Oliver – neto do missionário A.B. Deter

Ênfase na história da igreja

11/5 – Domingo – Culto Noite 19h

Preletor: Pr. Marcílio Gomes Teixeira – Pastor-Presidente da PIB Curitiba, antecessor ao Pr. Paschoal Piragine Jr.

Ênfase na história da igreja

12/5 – Segunda – 20h

Preletor: Pr. Roberto L. Silvado. – Presidente da Convenção Batista Brasileira

Ênfase: Celebrando a denominação batista - contará com a presença de representantes da CBB, JMM, JMN, secretários executivos, etc.

13/5 – Terça – 20h

ANIVERSÁRIO 100 ANOS. GRANDE CULTO DE CELEBRAÇÃO! Preletor: Pr. Paschoal Piragine Jr.

Deus é bom. Deus é muito bom

28/5 – Quarta

Câmara Federal (Brasília)

Dois momentos: Culto ecumênico e sessão solene em Brasília.

9/5 – Sexta – Culto 19h30

10/5 – Sábado – Culto 19h30


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Pr José Carlos Gonçalves da Silva

Culto de homenagem ao pastor

Irmã Alcidia (fundadora), Pr. Gonçalves e irmã Maria

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Pr. Gonçalves com Missão Batista de Vera Cruz

Primeira Igreja Batista em Miguel Pereira (PIBMP) - Uma igreja que busca compartilhar o amor de Deus Pr José Carlos Gonçalves da Silva (pastor emérito) Pr Ronaldo Nascimento Melo (posse em 22/3/14) Culto em homenagem e honra ao pastor José Carlos Gonçalves da Silva Em 16 de março de 2014 aconteceu o culto de homenagem e de oficialização do Pastor Emérito, José Carlos Gonçalves da Silva Gonçalves, pelos 21 anos e alguns meses em que esteve presente conosco na Primeira Igreja Batista em Miguel Pereira(PIBMP) vivendo e mostrando o seu carinho com Deus, família e a PIBMP. A PIBMP foi fundada em 21 de dezembro de1951 e esteve presente no culto a irmã Alcídia, memória da igreja, fundadora e irmã Maria (anciã). Foi um  culto a Deus com duração de aproximadamente 3h e participação de cerca de 200 pessoas. Realizamos leituras bíblicas e participações de homenagem além do escrito no boletim, tamanho foi o desejo de eternizar o momento. Todos queriam deixam um grande recado ao ir à frente. A irmã Sueli foi o mais breve possível na direção do culto.  Houve homenagens de todos os departamentos e grupos da igreja, grupos de louvor, congregação de Vera Cruz, diversos visitantes e amigos. O pastor Waldemir Alves da Silva, da IB do Parque São Basílio,

transmitiu a mensagem da noite, baseada em Lucas 2.41-51. Explicitou sobre o pastor na igreja e exaltou que o compromisso com Deus no ministério pastoral está acima de tudo. Afim trazer os presentes à reflexão, enfatizou a pergunta: “Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai”? (Lucas 2.49) Encerrou falando ao pastor Gonçalves e aos presentes: “ O pastor é um homem de Deus para a igreja”. Culto de posse do pastor Ronaldo Nascimento Melo Ocorreu no dia 22 de março de 2014 o culto de posse do pastor Ronaldo Nascimento Melo na PIBMP. Culto de gratidão a Deus por crermos que o referido pastor é um enviado de Deus como respostas às orações da igreja. Durou aproximadamente 3h30 e contou com a presença de cerca de 250 pessoas, sendo 14 pastores. Na direção do irmão seminarista Leonardo, o culto foi iniciado às 19h40, sendo realizados leituras bíblicas, cânticos e participações de homenagem da PIBMP e da IBNJ, igreja que o pastor Ronaldo pastoreou por 10 anos. As homenagens vieram de todos os departamentos e grupos da igreja, grupos de louvor, congregação de Vera Cruz, família Nascimento e diversos visitantes e amigos. Todavia, a mensagem

Pastores a frente para empretarem a bênção

Enfim, temos um novo pasda noite foi ministrada pelo Gênesis 3. Em seguida houve pastor Natanael, pai do pr. as palavras finais e a posse tor terreno - Ronaldo Nascimento Melo. Ronaldo, que usou o texto de materializada.

Pr. Gonçalves e Pr. Ronaldo

Pr. Ronaldo com seu pai Pr. Natanael


Jornal Batista nº 18 - 2014  

Chegou à edição nº 18 do seu Jornal Batista! Com muitas notícias e informações. Este domingo os Batistas celebram o Dia Batista de Ação Soc...

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