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Engº. Miguel Anacoreta Correia

estrada e a navegação costeira (de

fisicamente passou a estar disperso e o

paisagem da economia europeia, o

cabotagem ou “short sea”) tiveram

transporte a ter de assegurar

caminho-de-ferro transporta hoje a

sensivelmente o mesmo “percurso” de

movimentos sincronizados no quadro

carga à velocidade de caracol (18KM/h

crescimento.

dos novos processos produtivos.

em média e 20 a 30 KM nos principais

Em 1970, cada um destes dois modos era

A logística passou a ser determinante,

corredores internacionais). Se os

responsável por cerca de 500.000 Milhões

porque grande parte da actividade

transportes ferroviários fossem feitos a

de Ton.x Km. Em 2000, atingiam valores em

económica passa a depender deste

40Km/h seriam perfeitamente

redor dos 1300;

novo quadro de organização do

concorrenciais com a camionagem, e a

O transporte em águas interiores, bem como

Transporte.

60Km/h imbatíveis!

o transporte em pipe-line mantiveram-se,

É obvio que os valores em “toneladas x

5. Como não vai ser possível continuar a

com algum acréscimo, em redor dos 100.000

Km” continuaram a ser valores de

construir estradas ao ritmo a que se

milhões.

referência. Passaram a ser também

construíram nas últimas décadas, por

O transporte ferroviário continuou o diminuir

importantes o número de “toques”, e a

razões de custo (recordemos o elevado

em valores absolutos e relativos.

velocidade (mesmo sem estarmos a falar

custo das operações de manutenção

do “just in time”…) As roturas de cargas

que asfixia o pacote financeiro destinado

ou transbordos, mal resolvidos

às vias rodoviárias) e por outras razões,

tecnicamente, são de evitar.

predominantemente ambientais e

4. Estes são os “grandes números” do Transporte de Mercadorias no espaço europeu, que traduzem esquecê-lo

é bom não

um aumento de mais de

30% em 10 anos. Durante muitos anos, acreditou-se que o crescimento económico tinha um reflexo em pequena escala no tráfego de mercadorias. A deslocação do sector

Além do baixo custo para o “cliente” (porque não estão internalizados muitos dos custos), a facilidade do controlo das operações e a comodidade do “porta a porta” estão na base do sucesso da camionagem.

industrial para o de serviços reforçou

Esta “agilidade”, e a plena consideração

essa convicção.

do valor tempo levaram a uma

Os estudos que foram feitos nos últimos anos revelaram que entre o crescimento do Produto e o tráfego de mercadorias a relação era, porém, intensa. Por exemplo, no ano de 1996 a um aumento de riqueza de 2.8% correspondeu um aumento do frete de 5.3%! A globalização leva à procura de custos finais mais baratos. Frequentemente as empresas decidem substituir factores de produção de mais elevado custo, como o terreno e a mão-de-obra, por factores mais económicos como o transporte. Esta tendência foi particularmente sentida na Europa com o Mercado Único

segmentação do valor da mercadoria por modo de transporte. Os valores mais elevados de tonelada transportada estão na camionagem, seguem-se as da

sofrendo sucessivas transformações. O que antes se encontrava concentrado

procurar aproveitar capacidades existentes, mas sub-aproveitadas. A congestão já é sentida hoje em 10% das estradas europeias e é seriamente encarada pelos governos dos países que a suportam mais directamente. Neste particular, os Alpes e os Pirinéus constituem duas situações verdadeiramente graves.

de Transportes se expanda através do

Todavia, alterações nas regras de jogo da economia e nos processos produtivos não chegam para explicar o declínio do

melhor aproveitamento da navegação costeira e fluvial e dos Caminhos-de-ferro, onde existem capacidades adormecidas.

Caminho-de-Ferro. Existe, é claro, um

Os novos tráfegos existirão pelo crescimento

grande potencial de crescimento para a

da economia, embora seja minha esperança

via férrea, mas que devemos, todavia,

que a Estratégia de Desenvolvimento,

analisar com prudência:

baseada fundamentalmente na economia do

Os caminhos-de-ferro terão de alterar-se profundamente!

conhecimento, onde a Europa pode, de facto, ser competitiva e mesmo líder, a chamada “Estratégia de Lisboa”, comece a

também de uma ausência de políticas

As mercadorias “passaram” a circular

que procurar novas alternativas ou

e finalmente, as da navegação interior.

perfeitamente claros!

vindo a tornar-se mais baratos.

perturbando as operações logísticas), há

A Comissão Europeia propõe que o Sistema

a partir de 1992. Os números são

medida à custa dos transportes que têm

de transportes (fragilizando-o e

navegação costeira e, o modo ferroviário

Fruto

A competitividade ganhou-se em larga

porque a congestão ameaça o sistema

duma má imagem, resultado

comerciais, o utente tem do Caminhode-ferro uma imagem que está longe de ser falsa de um modo lento e irregular. O contrário daquilo que hoje se precisa: serviços rápidos e de qualidade. Após um século em que se impôs na

dar os seus frutos. O próximo alargamento vai trazer novos fluxos e novas operações transfronteiriças, em especial com a Rússia. Nos países do Leste Europeu, o tráfego ferroviário de mercadorias, tem vindo a diminuir mas, mesmo assim, ainda se situa em redor dos 30 a 40%. 51% em 1995. Nos países da CEI

35 5º Congresso Nacional: O Transporte de Mercadorias Liberalízação e Logistica

Revista FERXXI - 5º Congresso Nacional - Teses  

Publicação relacionada com sistemas de transporte. Realizada pela ADFER - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Ferroviário. Speciali...

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Publicação relacionada com sistemas de transporte. Realizada pela ADFER - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Ferroviário. Speciali...

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