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VALORIZAÇÃO DO

PATRIMÓNIO NATURAL DAS

TERRAS DO SOUSA

Relatório final - Ano I Porto, 2008


ÍNDICE Pág. 1. Introdução.......................................................................................................... 1 2. Objectivos........................................................................................................... 2 3. Área de estudo.................................................................................................... 5 4. Amostragem ..................................................................................................... 12 4.1. Geologia..................................................................................................... 12 4.2. Flora .......................................................................................................... 12 4.3. Fauna ........................................................................................................ 14 5. Resultados ........................................................................................................ 16 5.1. Geologia..................................................................................................... 16 5.2. Flora .......................................................................................................... 22 5.2.1. A rede hidrográfica e vegetação associada ............................................. 22 5.2.2. A vegetação das áreas serranas ............................................................ 23 5.2.3. Carvalhais e outras formações florestais ................................................ 24 5.2.4. Escarpas e afloramentos rochosos ......................................................... 25 5.3. Fauna ........................................................................................................ 27 5.3.1. Peixes.................................................................................................. 27 5.3.2. Mamíferos............................................................................................ 28 5.3.3. Répteis e anfíbios ................................................................................. 31 5.3.4. Aves .................................................................................................... 32 6. Descrição dos locais seleccionados ..................................................................... 35 6.1. Concelho 1 – Felgueiras .............................................................................. 37 6.1.1. - Forno ................................................................................................ 41 6.1.2 - Pomar Covo ........................................................................................ 45 6.1.3 - Espadanal........................................................................................... 49 6.1.4 - Várzea................................................................................................ 51 6.1.5 - Maceira .............................................................................................. 53 6.1.6 - Vinha ................................................................................................. 57 6.1.7 – Sernande ........................................................................................... 61 6.1.8 - Carvalhal ............................................................................................ 65 6.1.9 - Pedreira/Fraga .................................................................................... 67 6.1.10 - Subcarreira ....................................................................................... 71 6.1.11 - Sorte ................................................................................................ 73


6.1.12 - Santão.............................................................................................. 75 6.2. Concelho 2 – Lousada ................................................................................. 79 6.2.1 – Lustosa .............................................................................................. 81 6.2.2 – Alto do Pedroso .................................................................................. 87 6.2.3 - Santa Margarida.................................................................................. 89 6.2.4 - Sousela .............................................................................................. 93 6.2.5 - Parque de Lazer de Sousela ................................................................. 97 6.2.6 - Sovinheira .........................................................................................101 6.2.7 - Figueiras............................................................................................105 6.2.8 - Courela..............................................................................................107 6.2.9 - Pias...................................................................................................109 6.2.10 - Cales/Romariz ..................................................................................113 6.2.11 - Sanguinha .......................................................................................117 6.2.12 - Quintãs............................................................................................119 6.3. Concelho 3 - Paços de Ferreira ...................................................................121 6.3.1 - Senhora do Socorro............................................................................125 6.3.2 - Circuito de Manutenção de S. João......................................................129 6.3.3 - Citânia de Sanfins ..............................................................................133 6.3.4 - Dólmen do Lamoso ............................................................................137 6.3.5 - Cacães ..............................................................................................139 6.3.6 - Aldeia Nova .......................................................................................141 6.3.7 - Real/Sanguinhães ..............................................................................143 6.3.8 - Parque de Lazer de Meixomil ..............................................................147 6.3.9 - Meixomil............................................................................................151 6.3.10 - Parque de Lazer de Freamunde.........................................................155 6.3.11 - Moinhos/Pessoa ...............................................................................157 6.3.12 - Parque Urbano de Paços de Ferreira..................................................161 6.3.13 - Moinho de Água e Parque de Lazer de Frazão ....................................163 6.3.14 - Ferreiro ...........................................................................................165 6.3.15 - Fundo de Vila...................................................................................169 6.4. Concelho 4 - Paredes .................................................................................171 6.4.1 - Boavista ............................................................................................183 6.4.2 - Moinhos ............................................................................................185


6.4.3 - Parque de Lazer de Soutelo ................................................................187 6.4.4 - Bousinde ...........................................................................................189 6.4.5 - Circuito do Rio Ferreira.......................................................................191 6.4.6 - Cête ..................................................................................................197 6.4.7 - Verdial...............................................................................................201 6.4.8 - Codeçoso...........................................................................................203 6.4.9 - Recarei..............................................................................................205 6.4.10 - Sobreira/Castromil............................................................................207 6.4.11 - Serra de Santo Antoninho/Sobreira....................................................211 6.4.12 - Ribeira de Bustelo ............................................................................213 6.4.13 - Serra da Sra. das Mercês ..................................................................217 6.4.14 - Senhora do Salto..............................................................................219 6.4.15 - Minas das Banjas .............................................................................225 6.5. Concelho 5 – Penafiel.................................................................................231 6.5.1 - Alto da Barra .....................................................................................233 6.5.2 - Moinho de Novelas .............................................................................235 6.5.3 - Santa Marta .......................................................................................239 6.5.4 - Anta de Santa Marta e Sepulturas Antropomórficas ..............................243 6.5.5 - Milhundos ..........................................................................................245 6.5.6 - Rande ...............................................................................................249 6.5.7 - Parque da Cidade de Penafiel..............................................................251 6.5.8 - Guedixe.............................................................................................253 6.5.9 - Marecos.............................................................................................255 6.5.10 - Irivo ................................................................................................257 6.5.11 - Pedreira...........................................................................................261 6.5.12 - Senhora do Vale...............................................................................265 6.5.13 - Vau .................................................................................................267 6.5.14 - Preisal .............................................................................................271 6.5.15 - Castro do Monte Mozinho .................................................................275 7. Considerações finais .........................................................................................277 8. Ficha técnica ....................................................................................................279 9. Bibliografia.......................................................................................................281 10. Anexos ..........................................................................................................285


Valorização do património natural das Terras do Sousa

1. Introdução A bacia hidrográfica do rio Sousa, no Noroeste de Portugal Continental, apresenta uma ocupação humana bastante densa, traduzida numa exploração agro-florestal intensa do território, com consequências significativas ao nível da paisagem e da ecologia. De facto, grande parte da sua vegetação potencial (florestas de carvalho-alvarinho e sobreiro) foi, ao longo do tempo, substituída por áreas agrícolas e urbanas, por explorações silvícolas de eucalipto ou pinheiro bravo e por extensas áreas de matos rasteiros dominados por tojos ( Ulex

latebracteatus em granitos ou Ulex micranthus sobre xistos) que colonizam as áreas serranas após os incêndios ou os cortes dos povoamentos florestais. Assim, os principais valores ecológicos da bacia encontram-se associados à rede hidrográfica e em particular às galerias ripícolas de amieiros e salgueiros, particularmente significativas ao longo dos rios Sousa e Ferreira. Nas zonas de topografia menos acidentada, estes ambientes ribeirinhos são ladeados por áreas agrícolas que, salvo raras excepções, são exploradas intensivamente e possuem baixo valor ecológico. Também significativos no contexto regional, e até nacional, são os ambientes rochosos (afloramentos e escarpas), particularmente ricos em endemismos e relíquias ibéricas. Apesar dos inúmeros locais de interesse quer a nível ecológico, quer a nível geológico, a falta de conhecimento e preservação dos valores naturais e culturais desta bacia não permitem que deles se usufrua da melhor forma. Neste sentido, afigura-se essencial proceder a uma inventariação exaustiva dos valores naturais em causa, que permita, entre outros aspectos, definir estratégias de gestão sustentáveis para a área e lançar as bases para a elaboração, num futuro próximo, de um documento estratégico que vise o correcto ordenamento da bacia e a potenciação dos seus valores naturais, culturais e económicos. Foi no sentido de colmatar essa lacuna que surgiu o projecto de Valorização do Património Natural das Terras do Sousa.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

2. Objectivos Este é um projecto plurianual que pretende aumentar o conhecimento sobre os valores naturais da área, que sirva de base para a criação de um modelo de gestão dos ecossistemas ribeirinhos e florestais, bem como do património geológico na região da bacia do rio Sousa abrangida pela ADER-SOUSA (Associação de Desenvolvimento Rural das Terras do Sousa). É ainda seu objectivo divulgar este património junto à população, particularmente à população local. No primeiro ano, foram estudados alguns aspectos da biologia das espécies mais relevantes, bem como aspectos da geologia da bacia (estratigrafia, paleontologia, ocorrências minerais e sua exploração) que levassem à identificação dos factores ecológicos condicionantes, tais como a poluição, a destruição do habitat ou a presença humana. Os dados obtidos permitirão elaborar uma carta de risco ambiental e estabelecer directrizes para o correcto ordenamento e gestão da bacia que promova a protecção da natureza e as suas potencialidades turísticas, recreativas e/ou pedagógicas. Os objectivos para o primeiro ano foram: 1. Inventariar os aspectos naturais relevantes da bacia: a) Geologia (estratigrafia, paleontologia, tectónica, geomorfologia e exploração de recursos minerais). b) Flora vascular, vegetação e habitats naturais (catálogos, peças cartográficas e respectivas memórias descritivas). c) Fauna aquática e terrestre (mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes). 2. Caracterizar os habitats aquáticos, ribeirinhos e florestais mais importantes a nível: a) Geológico:

Cartografia

geológica

de

pormenor

com

vista

à

caracterização do substrato geológico do ponto de vista litoestratigráfico e estrutural; caracterização geomorfológica da área. b) Florístico: Caracterização ecológica e cartografia das espécies da flora

com

valor

para

conservação

e

dos

habitats

naturais

2


Valorização do património natural das Terras do Sousa

classificados como prioritários ou considerados mais relevantes do ponto de vista ecológico, identificação dos factores que condicionam negativamente a distribuição e conservação dos valores botânicos mais relevantes. c) Faunístico: Inventariação das espécies presentes e caracterização ecológica e cartografica das espécies com valor para a conservação. Identificação dos factores condicionantes para a distribuição e conservação das espécies faunisticas mais relevantes. 3. Elaborar uma carta ecológica e geológica provisória. a) Identificação das potencialidades naturais da bacia. b) Identificação de áreas com especiais potencialidades para o desenvolvimento de actividades pedagógicas e/ou recreativas. 4. Divulgar o Património Natural existente na bacia do Sousa. a) Edição de brochuras. b) Palestras nas escolas e outros locais culturais da região. No final da primeira fase será apresentada a continuidade deste projecto, estando previstas, entre outras, as seguintes acções: 1. Continuação da inventariação dos aspectos naturais relevantes da bacia. 2. Continuação da caracterização dos habitats aquáticos, ribeirinhos e florestais de maior relevo. 3. Compilação de dados de qualidade de água coligidos pelas autoridades públicas e identificação das principais fontes poluidoras. 4. Elaboração de um plano de intervenção ambiental nas zonas de maior interesse natural. a) Elaboração de uma carta ecológica e geológica de síntese com identificação e zonamento das potencialidades da bacia:

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

i. Áreas com património natural (biológico e/ou geológico) de grande relevância que justifiquem protecção total. ii. Áreas com património natural (biológico e/ou geológico) particularmente relevante que justifiquem protecção parcial. De entre estas áreas serão ainda identificadas zonas com especiais potencialidades

para

o

desenvolvimento

de

actividades

pedagógicas e/ou recreativas, como por exemplo a identificação de trilhos de descoberta da natureza e áreas de lazer. iii. Áreas de menor valor ecológico que se encontram adjacentes aos locais seleccionados com valores naturais de relevância significativa, que funcionem como áreas tampão. b) Definição de trilhos de descoberta da natureza i. Traçado do percurso ii. Proposta de sinalética iii. Identificação de locais de especial interesse natural e/ou cultural. c) Divulgação do Património Natural existente na bacia do Sousa. d) Edição de materiais pedagógicos, nomeadamente cartazes, mapas, guias de campo, entre outros. e) Realização de palestras e acções de educação ambiental nas escolas e outros locais culturais da região. f) Realização de visitas guiadas a locais que ofereçam condições de visita. São objectivos de uma terceira fase: 1. Elaborar projectos sectoriais que se afigurem importantes para a região. 2. Implementar e acompanhar projectos. 3. Pesquisar

e

identificar

possíveis

fontes

de

financiamento

para

a

implementação de projectos, nomeadamente entidades públicas, privadas e fundos comunitários. A primeira fase de execução deste projecto passou pela análise da informação cartográfica e histórica disponível, através da recolha de informação sobre trabalhos já

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

realizados e/ou futuros projectos a desenvolver por cada município. Com esta informação pretendeu-se não só adequar a selecção dos principais locais para este levantamento como integrar a informação adquirida com a já existente. Numa segunda fase, iniciou-se o trabalho de campo intensivo em cada ponto de amostragem seguindo a metodologia à frente descrita. Finalizada esta fase, os locais previamente escolhidos foram classificados de acordo com a diversidade florística, faunística e geológica e os locais com melhor classificação foram alvo de novas prospecções no sentido de propor alterações que se julguem necessárias, assim como percursos que valorizem os locais em termos naturais e eco-turísticos.

3. Área de estudo Este trabalho desenvolveu-se na bacia do rio Sousa, estendendo-se pelos concelhos que constituem a ADER-SOUSA, concretamente Paredes, Penafiel, Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras (fig. 1). Em termos faunísticos e florísticos foram pré-seleccionados, nestes concelhos, locais de amostragem (até 50 metros de cada margem dos cursos de água, podendo ser alargados sempre que se julgue necessário), tendo como principais factores de selecção a existência de vegetação autóctone e a reduzida pressão humana. Numa primeira fase foi feita uma pré-selecção com base na análise das manchas florestais ao longo do rio Sousa e seus afluentes dentro da área de estudo em imagens obtidas com o software Google Earth (http://earth.google.com/intl/pt_pt/). Seguiu-se uma primeira visita aos locais para confirmar o seu interesse natural, tendo-se excluído alguns pontos. Durante o decorrer das saídas de campo outros pontos foram sendo acrescentados, em função do potencial de novas áreas de encontradas na área de estudo. No que diz respeito à caracterização geológica, dado o facto de os afloramentos de rochas serem escassos nas margens dos cursos de água, a área de estudo e intervenção terá que ser necessariamente alargada em relação à área seleccionada para a caracterização dos ecossistemas. Este facto prende-se com a dinâmica dos cursos de água que depositam os sedimentos ao longo das suas margens (aluviões), tapando as rochas que constituem o substrato rochoso onde está instalado o rio.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

N FELGUEIRAS

PAÇOS DE FERREIRA

Ri o

GONDOMAR

PENAFIEL

So us a

VALONGO

Rio Fer reir a

PAREDES

LOUSADA

Rio Douro

Figura 1 - Localização geográfica dos concelhos que compõem a ADERSOUSA.

Os locais seleccionados por concelho estão assinalados nas figuras 2 a 6.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

N

Forno Pomar Côvo

Espadanal

Sernande

Maceira

Várzea

Vinha

Carvalhal Subcarreira

Pedreira/Fraga

Sorte Santão

Figura 2 - Locais de amostragem seleccionados no concelho de Felgueiras (mapas.sapo.pt).

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

N

Lustosa

Santa Margarida

Sousela

Alto do Pedroso

Parque de Lazer de Sousela

Sovinheira Figueiras

Courela Pias

Cales/Romariz

Sanguinha Quintas

Figura 3 - Locais de amostragem seleccionados no concelho de Lousada (mapas.sapo.pt).

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Senhora do Socorro

N

Citânia de Sanfins Circuito de Manutenção de S. João Dólmen do Lamoso

Cacães Aldeia Nova

Parque de Lazer de Meixomil

Real/Sanguinhães Parque de Lazer de Freamunde

Meixomil

Moinho de água e Parque de Lazer de Frazão

Parque Urbano de Paços de Ferreira Moinhos/Pessoa Ferreiro

Fundo de Vila

Figura 4 - Locais de amostragem seleccionados no concelho de Paços de Ferreira (mapas.sapo.pt).

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

N Boavista

Bousinde

Moinhos

Parque de Lazer de Soutelo

Circuito do Rio Ferreira

Cete

Verdial Minas de Castromil Codeçoso Parque de Merendas de Sobreira Sobreira

Recarei

Serra de Sto Antoninho Rib. De Bustelo Serra Senhora das Merces Senhora do Salto

Minas das Banjas

Figura 5 - Locais de amostragem seleccionados no concelho de Paredes (mapas.sapo.pt).

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

N

Alto da Barra Moinho de Novelas

Santa Marta Anta de Santa Marta e Sepulturas antropomorficas Milhundos Rande Parque da Cidade de Penafiel Guedixe

Pedreira

Marecos

Irivo Senhora do Vale

Rio So us a

P

Vau

Preisal

Rio Tam eg a

Castro do Monte Mozinho

Figura 6 - Locais de amostragem seleccionados no concelho de Penafiel (mapas.sapo.pt). O traço a vermelho marca o limite aproximado da Bacia do rio Sousa.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

4. Amostragem Durante a primeira fase, pretendeu-se efectuar uma avaliação preliminar dos ecossistemas através de inventários de espécies e principais habitats que ocorrem nas bacias hidrográficas dos rios Sousa e Ferreira, assim como caracterizar e avaliar o património geológico das mesmas. Desta forma, a amostragem abrangeu três áreas fundamentais: geologia, flora e fauna.

4.1. Geologia A avaliação da extensão dos afloramentos geológicos foi, numa primeira etapa, efectuada

por

foto-interpretação

geológica

de

fotografia

aérea

da

região

complementada com a observação de imagens de satélite e modelos do relevo obtidas no Google Earth. Os lugares pré-seleccionados foram depois visitados e geo-referenciados. Foram colhidas amostras dos principais litótipos e foi feita uma inventariação sumária dos principais elementos de geodiversidade (fig. 7).

4.2. Flora No que se refere à flora e à vegetação, os estudos em desenvolvimento têm como objectivo geral a caracterização e valoração botânicas dos locais com elevado valor ecológico identificados no contexto da bacia do rio Sousa, em particular no que se refere à rede hidrográfica e vales associados. A abordagem metodológica global incluiu as seguintes etapas: 1. Reconhecimento geral e caracterização botânica global; 2. Identificação

preliminar

dos

locais

com

maior

valor

ecológico

potencial; 3. Inventariação e cartografia dos valores botânicos mais significativos; 4. Selecção dos locais com maior valor botânico para fins de conservação e eco-turismo; 5. Síntese

da

informação

e

produção

dos

conteúdos

escritos

e

cartográficos.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 7 - Metodologia utilizada na avaliação preliminar da geologia da região. A: Estereoscópio para análise de foto-interpretação; B: Modelização do terreno no Google Earth; C: Levantamento da atitude de estruturas geológicas com bússola; D: Georreferenciação dos locais; E: Amostragem dos principais litótipos.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

4.3. Fauna Para avaliação da fauna terrestre foram utilizados os seguintes métodos: observação e identificação directa de espécies em transectos ou pontos de observação pré-definidos, com recurso a binóculos (10X50) e telescópio (65ED), identificação e análise de indícios de presença de espécies, nomeadamente, excrementos, pegadas e egagropilas, entre outros (fig. 8).

Figura 8 - Identificação de mamíferos através de diferentes métodos. A: Estruturas ósseas encontradas em egagropilas de rapinas nocturnas; B: excrementos de coelho bravo; C: pegadas de lontra.

No que respeita à caracterização da comunidade aquática recorreu-se a dois métodos de amostragem: captura dos indivíduos recorrendo à pesca com electricidade (em que todos os indivíduos capturados foram sujeitos a uma operação de rotina que incluiu a sua identificação e o registo dos dados biométricos – fig. 9) e utilização da dieta da lontra, Lutra lutra (predador piscívoro que, dado o seu carácter oportunista, pensa-se que a sua dieta poderá reflectir a composição da comunidade piscícola – fig. 10).

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 9 – Algumas etapas do método de amostragem por pesca eléctrica. A e B: amostragem. C: recolha de dados biométricos.

Figura 10 - Excremento de lontra.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

5. Resultados 5.1. Geologia A deposição de sedimentos ao longo das margens que encobrem o substrato rochoso do rio, formando aluviões (fig.11), e as actividades humanas, nomeadamente com a utilização destes aluviões para agricultura ou mesmo

pelo

emparedar das

margens

(fig.

12), levam à

escassez

de

afloramentos de rochas nas margens dos cursos de água. Assim, no que diz respeito à caracterização geológica do vale do Sousa (Anexo I) a área seleccionada teve que ser alargada.

Figura 11 - Aluviões nas margens do rio Sousa no Concelho de Paredes.

Figura 12 - Aluviões do rio Cavalum cultivados e margem emparedada.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

O rio Sousa, o principal curso de água da área em estudo, encontra-se instalado

quer

em

metassedimentos

do

Paleozóico

ou

mais

antigos

(abrangendo na área idades entre pelo menos 542 até cerca de 390 milhões de anos - M.a.) quer em granitóides (300 até cerca de 290 M.a.). O rio Ferreira, afluente do rio Sousa, encontra-se, dentro da área em estudo, encaixado em granitóides (300 até cerca de 290 milhões de anos) e em metassedimentos pertencentes ao Devónico Inferior (entre 416 e 397 M.a.) no seu troço mais a jusante. Ao longo das margens dos rios são igualmente encontrados depósitos do Quaternário, nomeadamente aluviões (12 mil anos à actualidade) e depósitos de terraços fluviais depositados pelos rios ao longo da sua evolução (cerca 2 M.a. a 12 mil anos). A maioria dos maciços de granitóides no NW peninsular pertence a dois grandes grupos: - Granitos de duas micas; - Granitos biotíticos com plagioclase cálcica. Estes granitos têm uma idade compreendida entre os 310 e os 290 M.a., estando a sua implantação associada a uma convergência e colisão posterior de continentes, Laurentia e Báltica a noroeste e Gondwana a sudeste (fig. 13). Desta colisão resultou o fecho dos oceanos que os separavam. Este episódio da evolução do planeta Terra, denominado Orogenia Varisca na Península Ibérica, teve uma expressão a nível mundial, com a formação de cadeias montanhosas que se estenderam desde a Península Ibérica até à região da Boémia (República Checa/Polónia) na Europa. Estas cadeias montanhosas encontram-se igualmente no continente americano (Apalaches) e no Norte de África. A colisão provocou um espessamento da crusta continental, o qual induziu uma fusão de parte da mesma, gerando-se um magma de natureza granítica que deu origem aos granitos de duas micas, entre os quais o granito que aflora no centro da cidade do Porto. Estes granitos instalaram-se quer no núcleo de grandes dobras que se formaram neste período quer em zonas de maior fragilidade da crusta (zonas de cisalhamento). Os granitos biotíticos têm uma origem mais profunda, resultando da mistura de magmas gerados na crusta e no manto superior, ascendendo e instalando-se em zonas de fraqueza profundas da crusta terrestre, de orientação geral NW-SE, dos quais os cisalhamentos de Vigo-Régua e o Sulco Carbonífero Dúrico-Beirão constituem

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

exemplos marcantes.

Figura 13 - Reconstituição paleogeográfica da Península Ibérica no Paleozóico Superior (270 Ma), durante a colisão dos continentes Gondwana e Laurentia-Báltica.

Os granitóides que integram a região do vale do Sousa pertencem ao segundo tipo de granitóides – biotíticos –, encontrando-se instalados ao longo do cisalhamento dúctil Vigo-Régua. A Orogenia Varisca associada ao choque de continentes está dividida em 3 períodos principais de deformação - D1, D2, D3 -, estando a maior parte dos granitos relacionados com esta última. Os granitóides que afloram na região do Vale do Sousa têm idades diferentes mas todos foram condicionados pela D3 da Orogenia Varisca (Tabela I). As rochas metassedimentares que afloram na região, de idade Paleozóica ou mais antiga, sofreram um metamorfismo - aumento da temperatura e pressão - essencialmente de baixo grau, assim como várias fases de dobramento. Estas rochas tiveram origem na deposição de sedimentos essencialmente

marinhos

variando

desde

depósitos

de

zona

da

praia

(conglomerados e quartzitos) até depósitos de mar mais profundo (xistos). No

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

seu conjunto estas rochas encontram-se dobradas numa grande estrutura tectónica, o Anticlinal de Valongo (fig. 14), associado à primeira fase de deformação Varisca. Trata-se de uma antiforma anticlinal assimétrica, com direcção NW-SE, cujo eixo mergulha entre 5 a 15º para NW, com um plano axial inclinando 60º para NE. O flanco oriental, em posição normal e com uma inclinação média de 35º para NE, estende-se desde Valongo até próximo de Castelo de Paiva onde é cortado por granitos variscos, enquanto que o flanco ocidental, invertido e bastante mais verticalizado (inclinação média de cerca de 75o para NE), se prolonga por cerca de 50 km até Castro Daire onde é igualmente intersectado por granitos variscos.

Tabela 1 - Relação dos granitóides do Vale do Sousa com a Orogenia Varisca.

Granitóide Granodiorito de Felgueiras Granito de Guimarães

Sin-tectónicos relat. a

Tardi a pós tectónicos

D3

relat. a D3

Série

Série

precoce

intermédia

Série tardia

-----

Granodiorito de Paços de Sousa

---

Granito de Penafiel

---

Granodiorito de Paços de Ferreira

---

O Carbonífero, de fácies continental, representativo de grandes florestas equatoriais (nesta altura a Península Ibérica encontrava-se perto do equador), aflora a oeste da referida estrutura, ocorrendo no concelho de Castelo de Paiva onde o carvão associado a estas formações foi amplamente explorado (Minas do Pejão). Dada a extensão desta mega-estrutura - estende-se desde a Póvoa de Varzim até próximo de Castro Daire - só é possível visualizá-la por fotografia aérea (fig. 15).

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 14 - Perfil transversal (E-W) do Anticlinal de Valongo.

Figura 15 - Modelo de terreno do sector onde o Anticlinal de Valongo é interceptado pelos rios Sousa e Ferreira (gerado pelo Google Earth).

Em particular nos xistos do Ordovícico está contido um valioso património paleontológico representativo da paleobiodiversidade dos mares que cobriam a região há cerca de 470 a 460 M.a. atrás em que são abundantes

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

trilobites, graptólitos, braquiópodes, gastrópodes, cefalópodes entre outros. Este importante património foi alvo de proposta de preservação, por parte da PROGEO juntamente com outros locais de interesse geológico português (Anexo 2). No que se refere às potencialidades económicas da região destacam-se a presença de ouro, antimónio, chumbo, zinco, prata, estanho e volfrâmio assim como de lousa (as maiores explorações desta rocha encontram-se na região de Valongo e Arouca) e granitos ornamentais, entre os quais o granito de Penafiel e o granodiorito de Paços de Ferreira. As mineralizações que ocorrem na região fazem parte do distrito mineiro Dúrico-Beirão. Este distrito mineiro estende-se por uma faixa de cerca de 90 km, com orientação NW-SE, que se inicia em Lagoa Negra (próximo de Esposende) e se prolonga até próximo de Castro Daire. É constituído por mais de uma dezena de jazigos, alguns deles localizados no Concelho de Paredes, que foram explorados pelo menos desde a época de ocupação romana até ao início do século XX. Couto & Soeiro, em 2006 (Anexo 3) publicaram uma proposta de preservação das serras das Banjas e Flores, onde se encontra não só um importante património natural como também um valioso património mineiro.

Esporadicamente

algumas

minas

estiveram

activas

mais

recentemente. As mineralizações de ouro continuam a despertar o interesse por parte de organismos estatais e de algumas empresas mineiras. Estudos mineralógicos

e

paragenéticos

permitiram

distinguir

quatro

associações

paragenéticas presentes nestas mineralizações, nomeadamente os tipos Sn-W (estanho-tungsténio), Sb-Au (antimónio-ouro), Au-As (ouro-arsénio) e Pb-Zn (Ag) (chumbo, zinco e prata).

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

5.2. Flora A sub-bacia do rio Sousa, apesar de se encontrar menos bem explorada do ponto de vista botânico do que a sub-bacia do rio Ferreira (em particular o troço incluído no Sítio da Rede Natura 2000 “Valongo”), inclui alguns locais de assinalável valor botânico e com um considerável potencial para fins de conservação e promoção eco-turística. 5.2.1. A rede hidrográfica e vegetação associada Grande parte do rio Sousa e dos seus principais afluentes possui ainda galerias ripícolas arbóreas (habitat 91E0* do Anexo I da Directiva “Habitats”, considerado

prioritário

no

contexto

Comunitário)

relativamente

bem

estruturadas, se bem que ruralizadas por diversos processos de humanização da paisagem (agricultura, silvicultura, expansão urbana). Estas galerias ripícolas (fig. 16) são tipicamente dominadas pelo amieiro ( Alnus glutinosa ), pelo salgueiro negro ( Salix atrocinerea ) e pelo freixo ( Fraxinus angustifolia ). O narciso endémico Narcissus cyclamineus (espécie listada no Anexo II da Directiva “Habitats”), ainda não confirmado até ao momento na sub-bacia do rio Sousa, mas conhecido no seu afluente rio Ferreira, constituirá o elemento florístico de maior valor neste ambiente, que se caracteriza, em geral, por possuir uma elevada diversidade de espécies de plantas com floração particularmente vistosa. Além dos rios Sousa e Ferreira, também os rios Cavalum e Mezio e a ribeira de Santa Comba possuem, em alguns troços, galerias ripícolas de valor considerável. Além dos rios principais, assumem também importância em termos de conservação as pequenas linhas de água tributárias. Aí podemos encontrar vegetação de ambientes húmidos de carácter oligotrófico (habitat 7150 do Anexo I da Directiva “Habitats”), cada vez mais rara em zonas de baixa altitude, como as comunidades com esfagnos ( Sphagnum sp. pl.) e plantas insectívoras ( Pinguicula lusitanica , Drosera sp. pl.).

22


Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 16 - Vegetação ripícola no vale do rio Sousa (Senhora do Salto).

5.2.2. A vegetação das áreas serranas As formações vegetais naturais mais comuns na sub-bacia do rio Sousa são os matos rasteiros (habitat 4030 do Anexo I da Directiva “Habitats”) (fig. 17), particularmente nas áreas serranas acima identificadas. Normalmente, a composição destas comunidades é muito estável e formada por um pequeno número de espécies. Sobre xistos são dominados por carqueja ( Pterospartum tridentatum subsp. cantabricum ), torga ( Erica

umbellata ) e um tojo endémico ( Ulex micranthus ). Sobre granitos, os matos são dominados por outras espécies de tojo, o tojo arnal ( Ulex europaeus subsp. latebracteatus ) e o tojo molar ( Ulex minor ). Nas

clareiras

destes

matos

rasteiros,

ocorre

um

endemismo

de

distribuição muito restrita ( Succisa pinnatifida ) e são comuns os tomilhais de

Thymus caespititius (habitat 8230 do Anexo I da Directiva “Habitats”), que na Primavera apresentam uma floração violácea extremamente chamativa.

23


Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 17 - Vegetação rasteira nas áreas serranas na sub-bacia do rio Sousa (Paredes).

Em alguns locais, os matos evoluem para matagais dominados pela giesta negral ( Cytisus striatus ) ou pelo medronheiro ( Arbutus unedo ) e pela urze vermelha ( Erica australis ). Quando se instalam em zonas húmidas nas proximidades das linhas de água, os matos são dominados pela urze carapaça ( Erica ciliaris ), tojo molar ( Ulex minor ) e um arbusto espinhoso endémico do Noroeste

da

Península

Ibérica,

o

arranha

lobos

( Genista

berberidea ),

constituindo um habitat prioritário do Anexo I da Directiva “Habitats” (4020*). 5.2.3. Carvalhais e outras formações florestais Os carvalhais (habitat 9230 do Anexo I da Directiva “Habitats”) (fig. 18), que outrora teriam dominado a paisagem vegetal do território, encontram-se actualmente limitados aos fundos de vale e ocorrem, de forma dispersa e muito fragmentada, um pouco por toda a bacia, geralmente em contacto com as galerias ripícolas. Estas

formações,

apesar

de

escassas,

são,

no

entanto,

muito

interessantes do ponto de vista biogeográfico porque se encontram repletas de elementos característicos das florestas mediterrânicas. Para além do sobreiro ( Quercus suber ), que acompanha o carvalho alvarinho ( Quercus

robur ) no estrato arbóreo, podemos encontrar no estrato arbustivo o aderno

24


Valorização do património natural das Terras do Sousa

( Philyrea latifolia ), a murta ( Myrtus communis ), o folhado ( Viburnum tinus ) e a recama ( Smilax aspera ).

Figura 18 - Carvalhal nas áreas serranas na sub-bacia do rio Sousa.

Na parte terminal do rio Sousa, estes carvalhais são orlados por bosquetes de loureiro ( Laurus nobilis ), típicos de zonas declivosas e com alguma

humidade.

Estes

loureirais

possuem

um

elevado

valor

para

conservação, pelo seu carácter relíquia e pelo seu estatuto de habitat prioritário do Anexo I da Directiva “Habitats” (5230*). 5.2.4. Escarpas e afloramentos rochosos Grande parte dos dados disponíveis relativos à flora com maior valor para conservação reporta-se à zona da Senhora do Salto, uma das mais espectaculares de toda a bacia, onde estão registadas algumas plantas importantes como o feto relíquia Davallia canariensis (fig. 19), com ocorrência muito pontual no país, e o endemismo do Noroeste Ibérico Silene marizii , ambos associados às impressionantes escarpas e afloramentos rochosos (habitat 8220 do Anexo I da Directiva “Habitats”) que caracterizam este local. No contexto deste habitat, é também altamente provável a ocorrência, na sub-bacia do rio Sousa, de outros endemismos ibéricos da flora rupestre portuguesa, como é o caso de Silene acutifolia , Anarrhinum duriminium ,

Leucanthemopsis flaveola e Dianthus laricifolius .

25


Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 19 – Feto Davallia canariensis que se encontra representado na sub-bacia do rio Sousa, concretamente no concelho de Paredes - Sra. do Salto.

Em síntese, pode afirmar-se que a sub-bacia do rio Sousa apresenta, em alguns troços, importantes representações de habitats naturais, sendo as galerias

ripícolas

dos

principais

rios,

as

restantes

florestas

naturais

(carvalhais, sobreirais, loureirais), as comunidades de ambientes rochosos, os matos rasteiros e as zonas húmidas associadas aos pequenos cursos de água os elementos mais significativos no que se refere à flora e à vegetação. Estes ambientes foram, assim, alvo de particular atenção durante os levantamentos efectuados ao longo do projecto. O mesmo aconteceu com os mais originais mosaicos agro-florestais da bacia, pela sua relevância numa área densamente urbanizada em constante processo de mudança.

26


Valorização do património natural das Terras do Sousa

5.3. Fauna 5.3.1. Peixes Tanto na bacia do rio Sousa como na bacia do rio Ferreira, ambas as metodologias apontam para uma fracção importante da comunidade piscícola constituída por várias espécies de ciprinídeos, sendo menos frequente a presença de outras famílias. Dentro daquela família, destaca-se a importância da boga do Norte (Chondrostoma duriensis) e do góbio (Gobio gobio) (fig.20 F), espécies mais frequentemente encontradas em ambas as sub-bacias. Embora em frequências bastante menores, é possível encontrar ainda espécies como o ruivaco (Chondrostoma

oligolepis) (fig.20 C), o escalo do norte (Squalius carolitertii), o bordalo (complexo de Squalius alburnoides) (fig.20 D), a carpa (Cyprinus carpio), o pimpão (Carassius auratus) e a enguia (Anguilla anguilla). A truta de rio (Salmo trutta) (fig.20 A) e a verdemã do norte (cobitis calderoni) (fig.20 B) foram encontradas apenas ocasionalmente sendo a sua ocorrência muito localizada. A perca sol (Lepomis

gibbosus) (fig. 20 E), espécie introduzida em Portugal foi também detectada nesta bacia, sendo mais abundante no troço inferior do rio Sousa. A

B

C

D

E

Figura 20 - Peixes existentes nos rios Sousa e Ferreira. A: Truta de rio; B: verdemã do norte; C: Ruivaco; D: Bordalo; E: Perca sol; F: Gobio.

27

F


Valorização do património natural das Terras do Sousa

5.3.2. Mamíferos A lontra (Lutra lutra) (fig. 21), uma das espécies mais emblemáticas da mamofauna nacional, apresenta em Portugal uma distribuição generalizada de Norte a Sul do país, estando ausente apenas pontualmente (Trindade et al. 1998). Esta é uma espécie ameaçada ao longo da sua área de distribuição sendo que Portugal é dos poucos países europeus onde ocorrem populações viáveis estando o seu estatuto de conservação nacional definido como pouco preocupante (Cabral et al., 2005).

Figura 21 - Lontra.

Os principais factores de ameaça da espécie são: a destruição da vegetação ripícola, a poluição da água, a regularização dos sistemas hídricos, a mortalidade acidental por atropelamento, a perseguição directa (furtivismo), a sobre-exploração dos recursos hídricos, o impacto das barragens e a presença humana (ICNB, 2006). Para além da lontra, foi também detectada a presença dos seguintes mamíferos: raposa (Vulpes vulpes) (fig. 22 A), esquilo (Sciurus vulgaris) (fig. 22 B), coelho (Oryctolagus cuniculus) (fig. 22 C), fuinha (Martes foina), doninha (Mustela nivalis), texugo (Meles meles) (fig. 22 D), geneta (Genetta genetta) e javali (Sus scrofa). A presença de toirão (Mustela putorius) apesar de não detectado neste trabalho é muito provavél nesta área (Gomes, com. pes.). Foram ainda observados morcegos e, dadas as inúmeras minas existentes, é provável a presença de alguma diversidade de espécies. Contudo, a sua difícil amostragem não permitiu a inventariação, devendo ser alvo de prospecções futuras. Com presença confirmada na área de estudo encontram-

28


Valorização do património natural das Terras do Sousa

se apenas o morcego de ferradura grande grande (Rinolophus ferrumequinum) (Santos & Silva, 1998), com estatuto de conservação vulnerável (Cabral et al., 2005), e o morcego anão (Pispistrelus pipistrelus), que é a espécie mais abundante dos quirópteros portugueses. A

C

B

D

Figura 22 - Algumas espécies de mamíferos existentes na bacia dos rios Sousa e Ferreira. A: Raposa; B: Esquilo; C: Coelho; D: Texugo.

A recolha e análise de egagrópilas de aves de rapina nocturnas permitiu ainda a identificação de vários micromamíferos, nomeadamente roedores e insectívoros. Esta análise apenas foi realizada em alguns pontos da bacia hidrográfica do rio Ferreira. Aqui evidenciou-se a abundância de dois géneros: Microtus (Microtus lusitanicus (rato lusitânico), Microtus duodecimcostatus (rato dos prados mediterrânico) e rato do campo (Microtus agrestis) (fig. 23 A)), e Crocidura (musaranho de dentes brancos (Crocidura russula) (fig. 23 B)). As restantes espécies encontradas foram: rato das hortas (Mus spretus), rato caseiro (Mus musculus), rato dos bosques (Apodemus

sylvaticus), ratazana (Rattus sp.), o musaranho anão de dentes vermelhos (Sorex minutus) e o musaranho de água (Neomys anomalus). O ouriço cacheiro (Erinaceus europaeus) (fig. 23 C) e a toupeira (Talpa occidentalis) são dois insectívoros que não foram encontrados nas regurgitações das rapinas tendo a sido detectadas através de visualização directa e pela detecção dos seus indícios característicos. Apesar de não detectada, é ainda referida a presença, nos rios Mezio (Queiroz et al., 1998) e Ferreira

29


Valorização do património natural das Terras do Sousa

(Quaresma, com. pes.), de uma espécie muito importante para a conservação: a toupeira de água (Galemys pyrenaicus) (fig. 23 D). Esta espécie, cuja distribuição global se restringe ao norte da península ibérica e pirinéus, encontra-se actualmente sob forte ameaça estando classificada em Portugal com o estatuto de conservação Vulnerável (Cabral et al., 2005).

Figura

23

-

Algumas

espécies de micromamíferos existentes na bacia do rio Ferreira. A: Rato do campo; B:

Musaranho

de

dentes

brancos; C: Ouriço cacheiro; D: Toupeira de água.

30


Valorização do património natural das Terras do Sousa

5.3.3. Répteis e anfíbios A presença destes dois grupos (Herpetofauna) foi detectada nas duas bacias, Sousa e Ferreira, tendo sido observados: rã verde (Rana perezi) (fig. 24 A), rã ibérica (Rana iberica) (fig. 24 B), sapo comum (Bufo bufo), sapo parteiro comum (Alytes

obstetricans), tritão marmorado (Triturus marmoratus), tritão de ventre laranja (Triturus boscai) (fig. 24 C), salamandra lusitânica (Chioglossa lusitanica), lagartixa ibérica (Podarcis hispanica), lagartixa de Bocage (Podarcis bocagei), lagartixa do mato comum (Psammodromus algirus), sardão (Lacerta lépida), cobra de pernas tridáctila (Chalcides striatus), licranço (Anguis fragilis), cobra de água de colar (Natrix natrix) (fig. 24 E), cobra de água viperina (Natrix maura) (fig. 24 F), cobra rateira (Malpolon

monspessulanus), cobra de escada (Elaphe scalaris) e lagarto de água (Lacerta schreiberi) (fig. 24 D). Na bibliografia existem ainda referências à ocorrência de outras espécies na área de estudo. A rã de focinho pontiagudo (Discoglossus galganoi), sapo corredor (Bufo

calamita) a salamandra de pintas amarelas (Salamandra salamandra) e o tritão palmado (Triturus helveticus) são os restantes anfibios referidos para a área (Godinho et al., 1999), sendo as duas últimas espécies consideradas vulneráveis enquanto que a primeira se encontra classificada como quase ameaçada na recente revisão do livro vermelho dos vertebrados terrestres de Portugal (Cabral et al., 2005). Quanto aos répteis, a víbora cornuda (Vipera latastei), e cobra lisa meridional (Coronella girondica) (Godinho et al., 1999; Almeida et al., 2001) deverão estar presentes, sendo a primeira uma espécie considerada vulnerável.

Figura 24 - Herptofauna existente nas bacias dos rios Ferreira e Sousa. A: Rã verde; B: Rã ibérica; C: Tritão de ventre laranja, D: Lagarto de água; E: Cobra de água de colar, F: Cobra de água viperina.

31


Valorização do património natural das Terras do Sousa

5.3.4. Aves As aves estão bem representadas nesta região, tendo sido observadas 68 espécies. As zonas de bosque misto, associadas a campos agrícolas tradicionais ou matos rasteiros são os habitats com maior diversidade. Nessas zonas, relativamente abundantes na área de estudo, podem ser observadas espécies como o chapim real (Parus major), o chapim preto (Parus ater), o chapim de poupa (Parus cristatus) (fig. 25 H), a carriça (Troglodytes troglodytes), o gaio comum (Garrulus glandarius) (fig. 25 I), a toutinegra de cabeça-preta (Sylvia melanocephala), o cartaxo comum (Saxicola

torquata) (fig. 25 B), a trepadeira comum (Certhia brachydactyla) e o tentilhão (Fringilla coelebs), a rola brava (Streptopelia turtur), o pombo torcaz (Columba

palumbus), a gralha preta (Corvus corone corone), o corvo (Corvus corax), o estorninho preto (Sturnus unicolor), o estorninho malhado (Sturnius vulgaris) e a perdiz (Alectoris rufa). Estas espécies podem também aparecer em outros tipos de habitat, sendo ainda assim mais frequentes nestes ecótonos. Várias outras espécies não aparecem associadas a habitats específicos, podendo ser observadas em áreas com diferentes caracteristicas. A poupa (Upupa epops), a toutinegra de barrete preto (Sylvia atricapilla), o pisco de peito ruivo (Erithacus rubecula), o cuco (Cuculus

canorus), a andorinha dos beirais (Delichon urbica), a andorinha das chaminés (Hirundo rustica), o verdilhão comum (Carduelis chloris) (fig. 25 C), o chamariz (Serinus serinus) a rola turca (Streptopelia decaoto), o pardal comum (Passer

domesticus), o melro preto (Turdus merula), a andorinha das barreiras (Riparia riparia), o trigueirão (Miliaria calandra) e o introduzido bico de lacre (Estrilda astrild) são alguns exemplos das espécies que se podem observar. As zonas rochosas e escarpas constituem os habitats preferenciais de espécies como a andorinha das rochas (Ptyonoprogne rupestris) e o rabirruivo preto (Phoenicurus ochruros). No caso das aves de rapina, foi detectada a presença espécies nocturnas como a coruja das torres (Tyto alba) (fig. 25 G) sendo também provável a ocorrência da coruja do mato (Strix aluco) ou do mocho galego (Athene noctua). Das espécies diurnas, são frequentes o peneireiro comum (Falcus tinnunculus) e a águia d’asa redonda (Buteo buteo) (fig. 25 D), sendo ainda possível observar nas zonas de bosque o gavião (Accipiter nisus) e o açor (Accipiter gentilis) e nas zonas abertas de campos e matos a águia cobreira (Circaetus gallicus) e o milhafre preto (Milvus migrans). Devido

32


Valorização do património natural das Terras do Sousa

à sua importância em termos de conservação, é de referir a presença de falcão peregrino (Falco peregrinus) nas escarpas da Senhora do Salto, provavelmente um casal nidificante. Algumas

espécies

podem

ser

identificadas

por

apresentarem

um

comportamento característico, como a trepadeira comum (Certhia brachydactyla) (fig. 25 F), o peto verde (Picus viridis), o pica pau malhado grande (Dendrocopus major) (fig. 25 E) e o pica pau malhado pequeno (Dendrocopus minor), que se deslocam verticalmente ao longo dos troncos das árvores na procura de insectos que furam a madeira e respectivas larvas.

Figura 25 - Avifauna existente nas bacias dos rios Ferreira e Sousa. A: Guarda rios; B: Cartaxo comum; C: Verdilhão comum; D: Águia d`asa redonda; E: Pica pau malhado grande; F: Trepadeira comum; G: Coruja das torres; H: Chapim de poupa; I: Gaio comum.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Algumas das aves identificadas aparecem sobretudo em zonas ripícolas alimentando-se no rio, mergulhando na água à procura de pequenos peixes, ou junto às margens. Espécies como o chapim rabilongo (Aegithalos caudatus), a alvéola cinzenta (Motacilla cinerea), a alvéola amarela (Motacilla flava), a alvéola branca (Motacilla alba), a garça real (Ardea cinerea) e o guarda rios (Alcedo atthis) (fig. 25 A) são encontradas frequentemente nestes locais.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6. Descrição dos locais seleccionados Os locais visitados são a seguir descritos, com informação relativa ao seu valor natural, problemas associados e sugestões de base para o seu ordenamento. Estão ordenados por concelho e de Norte para Sul. Como foi dito anteriormente, ao nível geológico, dado o facto de os afloramentos de rochas serem escassos nas margens dos cursos de água, a área de estudo e intervenção foi alargada. Assim, por vezes acontece que os locais seleccionados a este nível não se sobrepõem com os escolhidos ao nível de flora e fauna. Desta forma a análise geológica será apresentada separadamente das restantes análises. São classificadas como Excelente áreas de elevada riqueza natural e/ou paisagística, com uma dimensão considerável que permita a manutenção de ecossistemas saudáveis. Estes locais necessitam de instrumentos de gestão que permitam a sua valorização e a correcção dos aspectos que poderão interferir com essa diversidade, podendo vir a ser integrados na rede nacional de áreas protegidas ou ter estatuto local de protecção. As áreas classificadas com Bom, são aquelas que possuem igualmente elevado interesse ecológico, mas cuja dimensão e isolamento não permite a sua classificação como excelente. São em geral áreas de menor diversidade e que não permitem uma interligação com áreas circundantes, de modo a formar corredores ecológicos contínuos. Áreas com interesse natural ou paisagístico, contudo com uma dimensão muito pequena, que poderão ser ordenadas sobretudo como parques urbanos, dependendo do seu enquadramento geográfico, necessidades locais e dos planos directores municipais, são classificadas como Interessante. Existem ainda pontos que foram seleccionados e visitados que não apresentam as características pretendidas, sendo classificados como Sem interesse. Genericamente, todas as áreas assinaladas apresentam necessidade de intervenção que deverá ser efectuada através de planos específicos de ordenamento de território, de modo a torná-las mais interessantes, tanto em termos da manutenção/incremento da biodiversidade como do seu usufruto pelas populações locais. Exemplos dessas intervenções são: eliminação de plantas exóticas infestantes, replantações com espécies autóctones, eliminação de lixeiras, ordenamento de

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

actividades com elevado impacto (ex. pedreiras, extracção de inertes) e o correcto ordenamento do seu usufruto, através de parques de lazer, percursos pedestres, entre outros. A legenda dos mapas segue o seguinte padrão:

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.1. Concelho 1 – Felgueiras Geologia O rio Sousa nasce em formações metassedimentares essencialmente constituídas

por

alternâncias

milimétricas

a

centimétricas

de

xistos

e

quartzitos, de idade silúrica (444-416M.a.) pertencentes à unidade de Vila Nune, visíveis, entre outros locais, em Forno (Anexo I). Estas rochas, que constituem testemunhos de um oceano que fechou devido ao choque dos continentes, foram deslocadas desde uma zona próxima do Porto até à sua actual

localização

(deslocaram-se

assim

cerca

de

200

Km).

Os

xistos

apresentam-se bastante deformados, podendo observar-se belas dobras (fig. 26). Dada a proximidade dos granitos estas formações apresentam um intenso metamorfismo térmico, o qual é responsável pelo aspecto mosqueado de algumas destas rochas (fig. 27). Encaixados nestes xistos encontra-se um sistema de filões aplito-pegmatíticos com direcções principais de NE-SW e NWSE, onde foi explorada principalmente cassiterite (columbite e tantalite secundariamente) em Macieira da Lixa, Estradinha, Salgada e Seixoso. Em Moure o rio Sousa corta o maciço granodiorítico de Felgueiras. O maciço tem uma forma alongada, com uma orientação geral de NW-SE, coincidente com a orientação geral da zona de cisalhamento Vigo-Régua (Anexo I). O granodiorito (fig. 28 A) apresenta uma cor cinzenta escura, devido essencialmente à presença abundante de biotite, onde se destacam megacristais de feldspato potássico (fig. 28 B e C), de cor clara. Por vezes observam-se encraves microgranulares máficos. O granodiorito apresenta uma orientação interna, visível à vista desarmada, conferida pela orientação dos megacristais de feldspato potássico e da biotite, orientados segundo uma direcção preferencial NW-SE. Esta orientação foi originada aquando da cristalização do magma, não havendo indícios que indiquem que esta orientação está associada a movimentações tectónicas da zona de cisalhamento VigoRégua na qual o granitóide está instalado. Este granito está associado ao período precoce da terceira fase de deformação da Orogenia Varisca.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 26 - Xistos silúricos dobrados em Friande, concelho de Felgueiras.

Figura 27 - Xistos silúricos em Moure, concelho de Felgueiras, com evidências de metamorfismo térmico.

Embora esta rocha não esteja integrada no "Catálogo de Rochas Ornamentais Portuguesas", da responsabilidade do INETI (2000) (on-line em http://egeo.ineti.pt/bds/ornabase/default.aspx), é amplamente utilizada na região de Felgueiras como rocha ornamental, nomeadamente na construção de casas (fig. 29), na alvenaria, na cantaria e em esteios para a vinha. Segundo os dados

do

INETI

actualmente

existem

3

pedreiras

onde

se

explora

o

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

granodiorito no concelho de Felgueiras.

Figura 28 - Maciço de granodiorito de Felgueiras. A: Vista geral do afloramento; B: Pormenor da rocha; C: Amostra da rocha cortada.

Figura 29 - Aplicações do granodiorito de Felgueiras.

A região apresenta-se afectada por uma intensa rede de falhas e fracturas principalmente de direcções NE-SW, NW-SE e N-S. Estas duas últimas

39 b


Valorização do património natural das Terras do Sousa

são as que condicionam a orientação geral do curso do rio Sousa. O troço do rio entre Torrados e Torno (que já pertence ao concelho de Lousada) apresenta um vale de fractura, apresentando-se bastante encaixado (fig. 30).

Figura 30 - Modelo de terreno do sector entre Torrados e Torno gerado pelo Google Earth, onde se observa o rio Sousa encaixado num vale de fractura (o relevo está sobrelevado 2x).

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.1.1. - Forno

Concelho: Felgueiras Bacia: Sousa – Ribeira da Longra Coordenada inicial: 66.40/80.20 Área: 119.700 m2

N

Classificação: Bom

Figura 31 - Imagem da área seleccionada em Forno (imagem satélite http://earth.google.com).

* Na imagem está representado o plano de construção de uma via rodoviária que atravessa o ponto seleccionado. Neste caso, tal como em todos os locais onde se verifiquem significativas alterações ao património natural classificado como relevante, deverão ser avaliados e mitigados os prejuízos provocados pela construção desta via. Ainda assim, dado o âmbito e prazos do presente estudo, essa avaliação não será abordada neste relatório.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Área constituída por um bosque colonizado por diferentes espécies de árvores e arbustos, localizado junto a algumas casas e campos de cultivo. Pode ver-se a existência de duas fábricas que não parecem perturbar a área envolvente. É uma zona calma apesar de se localizar muito perto do centro de Felgueiras.

Figura 32 - Pontos de passagem no local. A: Plataformas utilizadas para motocross; B: Trilho; C: Zona impenetrável.

Esta área possui alguns trilhos que parecem ser utilizados para motocross (fig. 32 A), sendo necessária a limpeza/abertura de trilhos complementares de modo a fechar o

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

percurso aproveitando os trilhos estreitos já presentes (fig. 32 B). Certas zonas podem também ser limpas de vegetação mais rasteira (fig. 32 C) e outras, invadidas por fetos, podem ser reflorestadas.

Flora Nas proximidades de Forno, uma linha d’água passa tranquila. O salgueiro negro (fig. 33 A), o amieiro, o castanheiro e o plátano crescem nas suas margens, onde plantas apreciadoras de humidade como o embude e o junco também surgem. Mais em terra firme, pode-se observar a hera terrestre (fig. 33 B), planta medicinal muito eficaz no tratamento de afecções respiratórias. Existem ainda carvalhos, pinheiros e alguns eucaliptos. A

B

Figura 33 – Pormenores de algumas espécies que podem ser observadas no local. A: Amentilhos de salgueiro negro; B: Hera terrestre.

Fauna Ao nível de aves é frequente a observação de passeriformes, destacando-se a carriça e a toutinegra de cabeça preta, o chamariz, a gralha preta, o pisco de peito ruivo, o verdilhão e o melro preto. Quanto a mamíferos destaca-se a existência do coelho bravo, quer por observação de uma grande quantidade de excrementos quer por avistamento de um espécime.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Não são detectados com facilidade anfíbios ou répteis, tendo sido observada apenas a rã verde. Património construído no local/próximo −

Casas antigas

Santuário de Santa Quitéria

Villa Romana de Sendim

Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 84.300 m2. Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestres (valores de referência): Placas de estrada: 4 Sinalização de percurso: 10 caminho correcto + 5 caminho errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 544 m Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Bancos: 2 Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.1.2 - Pomar Covo Concelho: Felgueiras Bacia: Sousa Coordenada inicial: 64.32/79.72 Área: 26.400 m2

N

Classificação: Bom

Figura 34 - Imagem da área seleccionada em Pomar Covo (imagem satélite http://earth.google.com).

Área com poucas habitações e algumas manchas verdes com espécies autóctones mas também com bastante mato e algumas culturas (vinha, pomares). É possível percorrer alguns dos trilhos existentes mas a maior parte necessitam ser limpos (fig. 35 A). Estes trilhos terminam numa estrada alcatroada (utilizada como depósito de lixo) que limita outro bosque de autóctones, principalmente carvalhos, mas

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

intransitável. Para sudoeste encontra-se uma estrada principal e para o lado oposto uma aldeia com algumas casas e campos de cultivo. Junto à estrada, do lado direito, existe uma casa abandonada envolta por vegetação, e outra semi-construída no centro da área de interesse (fig. 35 B); junto à qual foi construído um lago. Um percurso possível poderia ter início junto à primeira casa abandonada e na zona imediatamente envolvente, posteriormente seguir-se-ia em frente para a zona arborizada, sendo necessário definir um trilho circular nesta zona de forma a regressar à estrada e entrar pelo caminho de terra que começa um pouco mais atrás e que deve ser melhorado. De seguida poder-se-ia continuar em frente passando junto às casas e voltar para trás após encontrar a ponte.

Figura 35 - Pontos de passagem no local. A: início do percurso; B: Casa com construção incompleta.

Flora Em Pomar Côvo a paisagem compõe-se num mosaico agrícola e florestal (fig. 36 C), em cujas fronteiras serpenteiam sebes de silvas e bosquetes esparsos de choupos negros recobertos de hera (fig. 36 A e B). Arbustos como o codesso e plantas herbáceas como a pervinca, o feto pente e a violeta brava compõem o coberto subarbóreo.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

B

A

C

Figura 36 – Algumas espécies que podem ser observadas no local. A: Choupos negros com hera; B: Hera; C: Mosaico vegetal.

Fauna Observam-se principalmente passeriformes, como o cartaxo, o chamariz, o melro preto ou o chapim real, detectando-se o coelho entre os mamíferos, a rã verde entre os anfíbios e a lagartixa de Bocage entre os répteis. Património construído no local/próximo - Tanque - Ponte Romana do Arco em Vila Fria e Mosteiro de Pombeiro Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 42.306 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 3

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Sinalização de percurso: 7 caminho correcto + 5 caminho errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 387 m Recuperação de moinhos: casas velhas junto à estrada Construção de pontes: não Bancos: 3 Centros Interpretativos: não

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6.1.3 - Espadanal Concelho: Felgueiras Bacia: Sousa Coordenada inicial: 64.75/78.40 Área: 42.000 m2 Classificação: Sem interesse

Figura 37 - Imagem da área seleccionada em Espadanal (imagem satélite http://earth.google.com).

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N


Valorização do património natural das Terras do Sousa

Área que se resume a um núcleo campos de cultivo, com plátanos e vinhas do lado direito da linha de água, e um lago privado para criação de patos e cabras do lado oposto. Flora No lugar de Espadanal, linhas de água ondulam suavemente atravessando campos agrícolas. Nas suas margens observa-se uma galeria intermitente de amieiros e salgueiros negros, cujos troncos e ramos estão recobertos de hera e líquenes como

Pamotrema chinense. Na base, sebes de silva e pés de codesso surgem juntamente com plantas como o jarro dos campos e as rosas da Páscoa. De referir a presença de duas espécies exóticas, de comportamento infestante: a sanguinária do japão e Artemisia verlotiorum. Fauna Esta zona não apresenta grande diversidade de espécies animais, destacandose, pela elevada densidade, algumas espécies de aves como cartaxo comum, melro preto e pardal comum. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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6.1.4 - Várzea Concelho: Felgueiras Bacia: Sousa Coordenada inicial: 68.26/78.14 Área: 3.600 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 38 - Imagem da área seleccionada em Várzea (imagem satélite http://earth.google.com).

* Na imagem encontra-se assinalado o plano de construção de uma via rodoviária que cruza o ponto seleccionado. Neste caso, apesar do ponto ser classificado como “interessante”, a sua reduzida dimensão traduz-se numa importância pouco significativa no contexto da bacia. Assim, os impactos e redução dos valores naturais neste ponto não deverão justificar a aplicação de medidas de mitigação dos impactos significativas. De qualquer forma, os valores naturais aqui encontrados justificam a manutenção deste ponto no presente relatório.

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Rio ladeado por plátanos e amieiros numa zona maioritariamente agrícola. A área de interesse consiste numa pequena mancha de carvalhos, amieiros e salgueiros num terreno muito alagadiço e com tufos de ervas. Importante como refúgio de fauna. Flora A paisagem desdobra-se num mosaico de pinhal de pinheiro bravo, campos agrícolas e uma linha de água com galeria ripícola. No pinhal crescem espécies heliófilas, que apreciam uma considerável incidência solar, como o tojo gatenho, o tojo arnal e o sargaço. Surgem ainda a urze carapaça e a mongoriça. Os campos de cultivo encontram-se rodeados de plátanos e videira em ramada. A galeria ripícola é constituída essencialmente por salgueiros negros, silvas e Carex lusitanica, aparecendo também plátanos nas margens da linha de água. Fauna Foram detectadas em grande número espécies bastante comuns: entre as aves o cartaxo comum, o melro preto e o pardal comum; entre os anfíbios a rã verde e entre os répteis o licranço; entre os mamíferos a toupeira. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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6.1.5 - Maceira

Concelho: Felgueiras Bacia: Sousa Coordenada inicial: 67.42/77.84 Área: 65.700 m2

N

Classificação: Bom

Figura 39 - Imagem da área seleccionada em Maceira (imagem satélite http://earth.google.com). A: Bosque; B: Centro da freguesia.

* Na imagem está representado o plano de construção de uma via rodoviária que atravessa o ponto seleccionado. Neste caso, tal como no ponto “Forno”, deverão ser avaliados e mitigados os prejuízos provocados pela construção desta via. Ainda assim, dado o âmbito e prazos do presente estudo, essa avaliação não será abordada neste relatório.

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A área delimitada incorpora duas zonas: A - Bosque pequeno e fechado. As margens do rio encontram-se inacessíveis e toda a área tem muita vegetação rasteira; existem alguns trilhos que devem ser melhorados, preservando ao máximo a vegetação. Numa das extremidades deste ponto, junto à estrada, existe um depósito de entulho. B - Localiza-se no centro da freguesia, na continuação do bosque anterior mas interrompida pela construção de uma estrada larga. Existem algumas casas abandonadas a recuperar (fig. 40) sugerindo-se a transformação deste local num parque de merendas/convívio mantendo as árvores existentes (carvalhos, tílias, freixos, eucaliptos).

Figura 40 - Parque e casas em ruínas no centro da freguesia.

Flora Em Maceira existe um tranquilo salgueiral palustre de salgueiro negro (fig. 41 A), ladeado de sebes naturais de silva. A fronteira com o exterior é bordejada por plantas heliófilas. Gramíneas como o famanco e a erva feno surgem lado a lado com o tojo arnal, a mongoriça (fig. 41 B) e a urze. A B

Figura 41 – Algumas espécies que podem ser observadas no local. A: Salgueiral palustre; B: Mongoriça.

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Fauna O pequeno bosque junto ao campo de jogos alberga várias espécies de aves, algumas identificáveis apenas pelo seu canto, uma vez que este bosque é muito fechado. Na área junto à Igreja, mais ampla, consegue-se observar com facilidade algumas espécies: alvéola branca, chamariz, chapim real, chasco cinzento, melro preto, pisco de peito ruivo, rabirruivo preto, toutinegra de barrete preto, entre outras. Entre os répteis, detectou-se a lagartixa ibérica e os anfíbios a rã verde. Património construído no local/próximo - Igreja - Construções em ruínas - Quinta de Simães. Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 61.214 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 6 Sinalização de percurso: 4 caminho correcto Placares informativos: 1 + 1 pequeno no parque junto à igreja Abertura/limpeza de trilhos: 620 m Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Bancos: não Centros Interpretativos: recuperação de uma das “casas” no jardim em frente à igreja (+/- 25 m2)

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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6.1.6 - Vinha Concelho: Felgueiras Bacia: Sousa Coordenada inicial: 63.02/77.20 Área: 127.588 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 42 - Imagem da área seleccionada em Vinha (imagem satélite http://earth.google.com).

Esta área encontra-se próxima da Igreja de São Vicente de Sousa (fig. 43 B), classificada como Monumento Nacional e integrada na Rota do Românico do Vale do Sousa. Descendo a estrada, do lado esquerdo encontram-se campos de cultivo e casas abandonadas. O rio vai sendo acompanhado, na sua margem direita, por um corredor largo com amieiros e castanheiros, entre outras espécies, e termina num campo privado com plantação de carvalhos, plátanos e árvores de fruto. Do lado esquerdo, existe uma zona com canas, seguindo-se videiras e campos de cultivo. Do lado direito da estrada também se encontram campos de cultivo com a zona a ladear o rio constituída por vegetação muito densa, dificultando o acesso ao mesmo.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

No campo de cultivo verifica-se a presença de um charco e do outro lado do rio (margem direita) observa-se um bosque de carvalhos e um pequeno monte com eucaliptos no cimo. Junto ao rio existe ainda um tanque de pedra (fig. 43 A). O rio é de pequena dimensão e a água límpida. B

A

Figura 43 - Pontos de passagem no local. A: Tanque; B: Mosteiro de S. Vicente de Sousa.

Flora A linha de água encontra-se ladeada por silvas e salgueiros negros, cujos troncos e ramos estão recobertos de hera e líquenes como Parmotrema chinense (fig. 44 B). Observam-se plantas exóticas como os plátanos e o bambu negro, planta de uso milenar na China. O bambu negro é muito utilizado na medicina tradicional chinesa como febrífugo. No estrato herbáceo surgem plantas como o jarro dos campos e as rosas da Páscoa (fig. 44 A).

Figura 44 - Algumas espécies que podem ser observadas no local. A: Rosas da Páscoa; B: Líquen Pamotrema chinense.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Fauna Foi detectada a existência de uma grande quantidade de espécies de passeriformes como alvéola branca, chamariz, chapim real, chasco cinzento, melro preto, pardal comum, pisco de peito ruivo e toutinegra de barrete preto. O mesmo não foi observado para os outros grupos. Património construído no local/próximo - Mosteiro de S. Vicente de Sousa - Casas velhas - Tanque - Eira Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.1.7 – Sernande

Concelho: Felgueiras Bacia: Sousa – Ribeira da Longra Coordenada inicial: 64.60/77.50 Área: 46.228 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 45 - Imagem da área seleccionada em Sernande (imagem satélite http://earth.google.com).

Área maioritariamente agrícola com exploração vinícola (fig. 46), incluindo um pequeno bosque com algum interesse florístico.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 46 - Vinhas e bosque em Sernande.

Flora Em Sernande, em matriz agrícola de campos de cultivo e junto ao um choupal de choupos negros, está um magnífico exemplo do poder de recuperação da vegetação natural. Numa encosta, um jovem carvalhal de carvalho alvarinho demonstra regeneração e expansão dos seus estratos. No arbóreo, observam-se além dos carvalhos alvarinhos, salgueiros negros e a acácia de flores brancas (fig. 47 A), espécie exótica de carácter infestante e grande beleza ornamental. No estrato arbustivo, as silvas abundam, assim como o codesso, que surge nas zonas de transição florística. De destacar no estrato herbáceo o lâmio maculado (fig. 47 B), planta anual com características folhas listradas de branco e graciosas flores cor-de-rosa. A

B

Figura 47 – Pormenores de algumas espécies que podem ser observadas. A: Vagens de acácia de flores brancas; B: Folhas de lâmio maculado.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

De onde a onde irrompem afloramentos rochosos graníticos, recobertos de briófitas e líquenes como Cladonia. Fauna Não foi detectada grande variedade de espécies. Aves: alvéola branca, chamariz, chapim real, gaio comum, melro preto e pisco de peito ruivo. Mamíferos: toupeira.

Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.1.8 - Carvalhal Concelho: Felgueiras Bacia: Sousa – Ribeira da Longra Coordenada inicial: 64.38/77.01 Área: 25.632 m2 Classificação: Interessante

Figura 48 - Imagem da área seleccionada em Carvalhal (imagem satélite http://earth.google.com).

Área pequena localizada junto a um edifício da junta de freguesia.

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N


Valorização do património natural das Terras do Sousa

É acessível por um caminho em terra de declive acentuado e constituída maioritariamente por carvalhos (fig. 49). Esta zona, pode ser um refúgio da fauna, devendo ser protegida, impedindo o abate de árvores e a construção.

Figura 49 - Carvalhal.

Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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6.1.9 - Pedreira/Fraga Concelho: Felgueiras Bacia: Sousa Coordenada inicial: 65.95/75.99 Área: 134.892 m2

N

Classificação: Bom

Figura 50 - Imagem da área seleccionada em Pedreira/Fraga (imagem satélite http://earth.google.com).

A área seleccionada inclui uma zona integrada no Futuro Arranjo urbanístico do moinho e Parque de merendas a cargo do Município de Felgueiras (fig. 51 A) e a mancha florestal adjacente (fig. 51 B), que possui alguns pontos de interesse como um grande tanque que se encontra envolto por vegetação e pequenos maciços rochosos graníticos. No limite deste bosque existem terrenos vedados ocupados por espécies autóctones e bem mantidos. É indispensável a melhoria das

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

condições nesta área, nomeadamente a abertura de trilhos, limpeza de vegetação invasora e recuperação do tanque. É possível continuar ao longo do rio, sendo necessário definir um trilho pelos campos de cultivo, e chegar a uma zona onde se podem observar muitos açudes e rápidos, além de vários moinhos em ruínas. As duas margens possuem um corredor ripícola contínuo. Surgem vários moinhos que devem ser recuperados pois encontramse em ruínas e completamente envoltos por vegetação, principalmente heras, que também se enrolam nos grandes plátanos que limitam a margem. A área de interesse continua se atravessarmos uma ponte rodoviária e prosseguirmos até um carvalhal mais aberto. Esta área está bem perto de um núcleo habitacional.

Figura 51 - Pontos de passagem no local. A: Moinho localizado na área do Futuro Arranjo urbanístico do moinho e Parque de merendas; B: Zona florestal.

Flora O rio Sousa, ao passar pela freguesia de Pedreira, apresenta nas suas margens uma galeria ripícola muito rica, com árvores como o amieiro, o choupo negro e o plátano. Plantas com necessidade de água no solo como Euphorbia amygdaloides, a palha de armar vinha (fig. 52) e Carex lusitanica compõem o estrato herbáceo, além de fetos como a fentanha. Na matriz agrícola, há vestígios da vegetação florestal original, como é o caso de fragmentos de carvalhal de carvalho alvarinho. O lugar de Fraga é um espaço humanizado, em que campos agrícolas ladeados de vinha em latada são sulcados por uma malha de linhas de água. A galeria ripícola é constituída por amieiros, salgueiros negros e plátanos que são acompanhados de

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

sebes de silva. De onde a onde exemplares de árvores autóctones como o carvalho alvarinho pontilham as fronteiras dos campos.

Figura 52 – Palha de armar vinha.

Fauna Devido à grande diversidade de habitats, são muitas as espécies de aves que se podem observar, entre as quais alvéola branca, alvéola cinzenta, chamariz, chapim azul, chapim preto, chapim rabilongo, carriça, chapim real, cuco, felosa comum, gaio comum, melro preto, pica pau malhado grande, pintassilgo, pisco de peito ruivo, rabirruivo preto, tentilhão comum, tordo comum, tordo ruivo comum, toutinegra de barrete preto. Foram ainda detectados algumas espécies de mamíferos, entre os quais o esquilo, a lontra e a toupeira. Património construído no local/próximo - Moinhos - Tanque - Açudes Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 46.710 m2

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 1 Sinalização de percurso: 8 de caminho correcto + 5 caminho errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 1.410 m Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Bancos: 2 Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.1.10 - Subcarreira Concelho: Felgueiras Bacia: Sousa – Ribeira da Longra Coordenada inicial: 42.70/54.00 Área: 15.768 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 53 - Imagem da área seleccionada em Subcarreira (imagem satélite http://earth.google.com).

Área pequena localizada muito próxima de um acesso à auto-estrada, recentemente construído (não visível na figura). Zona maioritariamente constituída por carvalhos, não muito extensa mas o suficiente para fazer um percurso. Possivelmente sofreu um incêndio no último ano, estando com pouca vegetação rasteira e muitos troncos caídos. Foi construída uma auto-estrada muito próximo. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.1.11 - Sorte Concelho: Felgueiras Bacia: Sousa Coordenada inicial: 65.30/74.85 Área: 12.775 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 54 - Imagem da área seleccionada em Sorte (imagem satélite http://earth.google.com).

A área de interesse resume-se a um pequeno carvalhal, sendo necessário atravessar alguns campos de cultivo junto ao rio ou seguir por um caminho entre casas. Este carvalhal deve ser preservado como refúgio da fauna e pelo seu valor florístico.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Flora Junto a uma matriz agrícola de campos de cultivo e choupal de choupo negro, surge uma linha de água ladeada de amieiros e plátanos. No estrato herbáceo surgem plantas exóticas como a avoadinha marfim e plantas autóctones como a erva leiteira, planta

de

grande

toxicidade

(cujo

manuseio

requer

grande

cuidado)

mas

paradoxalmente com usos medicinais muito importantes, como o tratamento do cancro. Fauna Foi observada alguma variedade de passeriformes, tais como: alvéola branca, chamariz, chapim real, gaio comum, melro preto e pisco de peito ruivo. Foi ainda observada a toupeira cega, entre os mamíferos. Sem património construído de interesse. Sem percursos definidos.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.1.12 - Santão Concelho: Felgueiras Bacia: Sousa Coordenada inicial: 68.18/74.31 Área: 278.371 m2

N

Classificação: Bom

Figura 55 - Imagem da área seleccionada em Santão (imagem satélite http://earth.google.com).

Santão localiza-se na freguesia de Lixa. A área de interesse tem início na entrada de uma propriedade de cultivo de vinha, de onde parte um caminho de terra

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

havendo logo de seguida uma ponte sobre uma linha de água. A propriedade continua ao longo do rio e no final é limitada por campos de cultivo (fig. 56 A). Um pouco à frente, vê-se uma lixeira que surge na sequência de despejos efectuados a partir da estrada principal, que passa a uma altitude mais elevada. Perto desta zona existe uma vedação que limita uma quinta. Esta área tem poucas habitações e é maioritariamente agrícola. Pode ser feito um percurso seguindo o caminho de terra inicial, que passa por um bosque, logo seguido de algumas casas, e continua por entre campos de cultivo até um moinho (fig. 56 B).

Figura 56 - Pontos de passagem no local. A: Campo de cultivo de milho e área ribeirinha adjacente; B: Moinho.

Flora O fragmento de vegetação original que encontramos em Santão é talvez uma das jóias naturais mais preciosas do Vale do Sousa. Efectivamente, o catálogo florístico de espécies autóctones espontâneas é espantosamente fiel a espécies florestais de interior de bosque e espécies próprias de bosques com solo rico em nutrientes. Conjuntos florísticos desta natureza raramente se encontram no Noroeste de Portugal fora de Áreas Protegidas. Neste percurso, vale a pena caminhar calmamente entre as altas e antigas árvores e, na Primavera, apreciar as belas e preciosas flores que surgem ao longo do caminho.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Logo no início do caminho, as orlas floridas junto aos muros mostram a celidónia, os olhos de gato, a fumaria das paredes, a soagem e o pampilho de micão. Entre as árvores temos o carvalho alvarinho, o padreiro, o amieiro negro e o castanheiro, por entre os quais cresce o feto dos montes, a dedaleira, o cerefólio bravo e Euphorbia amygdaloides. Surgem bonitas flores como a erva benta, os assobios, o bico de cegonha e Stellaria holostea. Crescem trepadeiras como a vinha do Norte. Surgem ainda imponentes árvores alóctones, provavelmente de origem plantada, como o pinheiro manso, o choupo negro, o plátano e a acácia dealbada. Em taludes terrosos crescem a fentanha, a hera, a urtiga, a erva belida e ainda pequenos pés multi-caule de loureiro. Saindo do bosque, encontramos campos lavrados e caminhos cobertos de vinha em ramada. A nossos pés, o aroma fresco do mentrasto eleva-se acima das ervas, no conjunto das quais surgem ainda a tanchagem e a erva lanar. Nos campos, observa-se uma pequena represa onde crescem plantas como a branca ursina. Ao longe, avistam-se mais fragmentos de carvalhal. De regresso ao ponto de partida, é de referir a presença, em taludes terrosos junto ao caminho, de fetos como a fentilha e de especíes como a planta florestal nemoral (de interior de bosque) Omphalodes nitida e uma espécie de solos ricos em nutrientes, o selo de Salomão. Fauna Neste local podem ser observadas, na época certa, algumas espécies de aves com importância cinegética, como o tordo ruivo, o tordo comum e a perdiz comum. Podem ainda ser observados o bico de lacre, o chapim preto, o gaio comum e o peto verde. Outras espécies animais são difíceis de observar. Património construído no local/próximo - moinhos - Igreja de Santão Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 43.166 m2

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 4 Sinalização de percurso: 5 de caminho correcto + 5 caminho errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 400 m Recuperação de moinhos: sim, 1 Construção de pontes: não Bancos: 2 Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.2. Concelho 2 – Lousada Geologia No concelho de Lousada o rio Sousa corre, a partir de Torno, num substrato de granito biotítico (fig. 58), de grão grosseiro e porfiróide (os megacristais são de feldspato – microclina). Este granito é bastante abundante na região de Guimarães, facto pelo qual é conhecido por Granito de Guimarães (Anexo I). O maciço apresenta uma forma alongada com uma orientação geral de NW-SE, coincidente com a orientação geral da zona de cisalhamento VigoRégua, pois como já foi referido, a sua instalação foi condicionada pela presença desta mega-estrutura. Este granito é mais recente do que o granodiorito de Felgueiras, tendo-se instalado contemporaneamente à terceira fase de deformação da Orogenia Varisca. A alteração meteórica deste tipo de granito, ou seja, a sua alteração à superfície da terra, origina bolas deste granito, por vezes com alguns metros de diâmetro (fig. 57).

Figura 57 - Bolas do granito de Guimarães, em Lousada.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

A

B

C

Figura 58 - Maciço de granito de Guimarães, em Lousada. A: Vista geral do afloramento; B: Pormenor da rocha; C: Amostra cortada.

O rio Mezio encontra-se encaixado essencialmente num maciço granítico de grão médio, de duas micas, embora a biotite seja mais abundante, porfiróide, de cor cinzento-azulada. Este maciço encontra-se essencialmente nos concelhos de Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel (Anexo I), sendo conhecido pelo granito de Penafiel. Este granito é mais recente do que o granito de Guimarães, tendo-se instalado tardiamente em relação à terceira fase de deformação da Orogenia Varisca. A montante, em Souzela, este granito contacta com o granito de Guimarães. A ribeira de Sá, pertencente à bacia do Rio Vizela, corre no Granito de Guimarães, constituindo a zona envolvente de Lustosa um excelente local onde este granito poderá ser observado. O

concelho

apresenta

uma

intensa

rede

de

falhas

e

fracturas

principalmente de direcção NE-SW. Estas descontinuidades controlam a orientação geral do curso dos rios Sousa e Mezio.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.2.1 – Lustosa Concelho: Lousada Bacia: Ave – Rio Vizela – Ribeira de Sá (extremo) Coordenada inicial: Ponto de água - 59.63/74.03; Lagoa - 59.92 / 75.39 Área: 86.872 m2

N

Classificação: Excelente

Figura 59 - Imagem da área seleccionada em Lustosa (imagem satélite http://earth.google.com).

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

O local denominado Ponto de Água de Lustosa marca o início de um corredor de vegetação ripícola. Acima das margens, nos dois lados, apenas existem eucaliptos em monocultura intensiva. Existe um caminho ao longo do rio, fácil de percorrer (fig. 60 A). As margens têm bastante vegetação (fig.60 B), não sendo fácil ver a linha de água. Ao longo do troço inicial observam-se algumas casas (fig. 60 C). A cerca de 1 quilómetro de distância existe uma lagoa (fig. 60 D), com potencial mas sem grande diversidade. Perto da lagoa existe uma zona desarborizada que poderá ser replantada. A partir da lagoa segue um corredor ripícola com vegetação típica que continua até uma zona cultivada onde existem plátanos. Nesta zona é possível observar alguma variedade de passeriformes, incluindo algumas espécies menos comuns.

A

Figura 60 - Pontos de passagem no local; A: Caminho que acompanha a Ribeira; B: Corredor ripícola; C: Habitações junto à ribeira; D: Lagoa e zona envolvente.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Flora Começando o percurso no fundo do pequeno vale na extremidade oposta à lagoa, atravessamos um eucaliptal antigo cujas árvores, eucaliptos e alguns pinheiros mansos, têm já vários anos de vida. Por baixo da copa das árvores, desenvolve-se um vasto giestal de giesta das serras, mongoriça e tojo arnal. Chegando à base do vale, onde estão ancorados campos agrícolas, as orlas começam a mostrar árvores como o carvalho alvarinho, o pilriteiro, sebes de silva, plantas herbáceas como a labaça de folhas largas e fetos como o feto pente. Segue-se uma zona muito interessante, com taludes onde goteja a água vinda das encostas. Aqui, o feto pente abunda, juntamente com as briófitas dos géneros

Polytrichum e Sphagnum. Uma das espécies deste género, o Sphagnum cymbilifolium, tem propriedades medicinais muito interessantes, sendo que manifesta: no estado fresco, propriedades anti-sépticas; no estado seco, óptimas capacidades absorventes. Pode ser assim utilizada com muito sucesso no tratamento de feridas. Diz-se que exemplares de Sphagnum cymbilifolium terão salvo a vida de milhares de soldados na Primeira Guerra Mundial, ao serem utilizados como ligadura. As folhas do feto pente são acentuadamente dimórficas: as folhas estéreis são numerosas e radicalmente diferentes em forma das folhas férteis, que são geralmente pouco numerosas e dispostas interiormente no tufo foliar. Este é um feto tipicamente ripícola, muito frequente em lugares húmidos e sombrios, encontrando-se de uma forma geral em carvalhais. Exsitem também taludes mais secos, onde se encontram os umbigos de Vénus, líquenes e a reseda de fruto estrelado. Na beira do caminho observam-se gramíneas do género Agrostis, como o famanco e Agrostis x foulladei. Vai assim surgindo uma galeria ripícola original, muito bem preservada, no meio de um eucaliptal plantado. No troço inicial da linha de água observam-se plantas higrófilas como o junco e o dáctilo dos lameiros. Há registos do uso do dáctilo dos lameiros no tratamento de tumores. Surgem ainda Brachypodium rupestre, a dedaleira, planta de grande toxicidade, mas que possui notável acção cardio-tónica e que é utilizada com benefício no tratamento da hidropisia. No Ponto de Água de Lustosa, uma série de plantas muito interessantes circunda a represa. Surgem arbustos como as silvas, a giesta das serras e o tojo arnal. Além do junco, salgueiros negros e tabúas largas adornam o lençol de água. A tabúa larga manifesta, entre outras, propriedades diuréticas, sendo utilizada no tratamento de cálculos renais.

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Junto à lagoa, o eucaliptal é de novo enriquecido com a flora original. À volta da Lagoa, árvores como o salgueiro negro e o carvalho alvarinho constroem uma abóboda verde sob a qual se abrigam sebes de silva, a mongoriça, o codesso e plantas higrófilas como o junco, que aparece em tufos irradiantes, Ranunculus omiophyllus,

Myosotis secunda e o cardo palustre. Dentro de água, cresce Eleogiton fluitans. Na periferia, surgem de novo plantas amantes do Sol, como o tojo molar, a urze carapaça, o sargaço e a carqueja. Continuando a jornada, surge um fragmento de carvalhal que desemboca depois num vasto urzal, onde crescem plantas apreciadoras de radiação solar em quantidade como o tojo arnal. Árvores como o amieiro, o salgueiro negro e o carvalho alvarinho compõem o estrato arbóreo do que resta de outrora, e, além do feto pente, surgem fetos como a fentanha e a fentilha. Os troncos das árvores estão recobertos de briófitas e líquenes como Parmotrema chinense. Observam-se também hepáticas. Surgem flores como as rosas da Páscoa, Omphalodes nitida, a sete em rama, planta extremamente adstringente, que alivia dores de dentes e tem poderosa acção antibiótica, e a búgula, com uma longa história de uso na cura de feridas, tendo substâncias semelhantes à digitalina, pensando-se que tenha propriedades cardio-tónicas. Fauna Uma vez que uma vasta área envolvente é constituída unicamente por eucaliptos, a linha de água e a vegetação associada serve de refúgio para a fauna, podendo observar-se uma grande variedade de exemplares com alguma facilidade. Observam-se aves como: águia d`asa redonda, chapim preto, chapim rabilongo, chapim real, estrelinha de cabeça listada e melro preto. Entre os mamíferos foram detectados indícios de presença de ouriço cacheiro e raposa. Quanto a anfíbios e répteis foram observados: cobra de água viperina, rã ibérica, rã verde e sapo comum. Património construído no local/próximo - Civilização Megalítica da Serra de Campelos - Igreja e cemitério de Lustosa

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Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 50.225 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 5 Sinalização de percurso: 6 caminho correcto + 4 caminho errado Placares informativos: 2 Abertura/limpeza de trilhos: 739 m (no percurso que termina na lagoa) Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Bancos: 4 Centros Interpretativos: não

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6.2.2 – Alto do Pedroso Concelho: Lousada Bacia: Sousa – Ribeira do Fontão (Rio Mezio) Coordenada inicial: 60.40/72.75 Área: Não definida

N

Classificação: Sem interesse

Figura 61 - Imagem da área seleccionada em Alto do Pedroso (imagem satélite http://earth.google.com).

Área maioritariamente constituída por eucaliptal em monocultura intensiva, com caminhos agradáveis mas sem interesse do ponto de vista de biodiversidade. Existem também áreas agrícolas. Sem património construído de interesse.

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Sem percurso definido.

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6.2.3 - Santa Margarida Concelho: Lousada Bacia: Sousa – Ribeira de Barrosas Coordenada inicial: 62.15/73.04 Área: 184.500 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 62 - Imagem da área seleccionada em Santa Margarida (imagem satélite http://earth.google.com); NOTA: a cor-de-laranja corresponde actualmente um acesso à auto-estrada.

Área limitada pela estrada nacional e por um acesso à auto-estrada.

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Actualmente encontra-se em mau estado, com trilhos mal definidos (fig. 63) e com algumas espécies vegetais exóticas. É possível fazer um pequeno percurso circular que terá mais interesse se for permitido criar um parque de lazer na zona central, onde existe uma área dominada por matagal. Este percurso poderá ser feito ao longo da linha de água que passa pelo local (pode ser a par da conduta que existe e prolongar pelo centro).

Figura 63 - Trilho ladeado por vegetação.

Flora Em termos de vegetação natural, esta área está muito afastada do que terá sido originalmente. Trata-se de um conjunto de campos, de provável uso agrícola, em que muita vegetação está queimada e roçada. Observam-se agora sebes de silvas e matos heliófilos com codesso, tojo arnal e alguns pés de carvalho alvarinho. Também se observa o feto dos montes e fetos interessantes como o avencão. Embora a maioria da rede hidrográfica se encontre entubada, uma porção da linha de água ainda intacta suporta amieiros e salgueiros negros.

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Fauna Esta área encontra-se muito abandonada e com vegetação cerrada, o que impede a sua penetração para um estudo mais aprofundado. Ainda assim foi possível observar algumas espécies. Entre as aves observou-se: chamariz, chapim real, gaio comum, melro preto, pardal comum, pisco de peito ruivo e verdilhão comum. Foram também observadas a rã verde e a toupeira cega. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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6.2.4 - Sousela Concelho: Lousada Bacia: Sousa – Rio Mezio Coordenada inicial: 57.46/72.23 Área: 68.210 m2 Classificação: Bom

Figura 64 - Imagem da área seleccionada em Sousela (imagem satélite http://earth.google.com).

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N


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Área constituída por campos de cultivo, bosques e um parque de lazer. Na zona de cultivo existe uma quinta antiga onde é praticada cultura de árvores de fruto. O bosque encontra-se em muito mau estado, sendo inacessível quase na sua totalidade (fig. 65 A). Esta é, contudo, uma zona com bastante potencial que pode ser facilmente revelado pela abertura de trilhos e limpeza da vegetação rasteira. Vê-se uma grande quantidade de loureiros pequenos (fig. 65 B) que, em conjunto com os carvalhos que também se observam, irão facilitar a alteração da flora.

Figura 65 - Pontos de passagem no local; A: Bosque; B: Exemplares de loureiro.

Flora Junto a um imponente maciço granítico, em matriz de pinhal de pinheiro bravo e eucaliptal ergue-se um giestal de giesta das serras, onde se encontram ervas como a dedaleira, arbustos como a esteva, o codesso e as silvas, e árvores como o salgueiro negro e o sobreiro. Do outro lado da estrada, encontra-se um magnífico carvalhal, em exposição extremamente declivosa pelo que só se recomenda uma observação com cuidado a partir do passeio. O carvalho alvarinho é o anfitrião de uma pequena comunidade florestal, onde vivem outras espécies arbóreas como o sobreiro, o amieiro e o loureiro; muitas trepadeiras como a madressilva das boticas, a baganha e a briónia; gramíneas como o dáctilo dos lameiros e outras ervas como a urtiga, a fumaria das paredes, a dedaleira, Silene alba, a ervilhaca brava e a erva das muralhas.

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Fauna Esta área encontra-se muito abandonada e com vegetação cerrada, o que impede a sua penetração para um estudo mais aprofundado. Ainda assim foi possível observar algumas espécies: chamariz, gaio comum, melro preto, pardal comum, peto verde, pisco de peito ruivo, verdilhão comum, rã verde e toupeira cega. Património construído no local/próximo - Parque de Lazer - Igreja Paroquial de Sousela - Aqueduto Românico de Nevogilde Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 48.794 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 6 Sinalização de percurso: 6 caminho correcto + 4 caminho errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 541 m Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Bancos: 2 Centros Interpretativos: não

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6.2.5 - Parque de Lazer de Sousela Concelho: Lousada Bacia: Sousa – Rio Mezio Coordenada inicial: 57.80/72.30 Área: 1.850 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 66 - Imagem da área do Parque de Lazer de Sousela (imagem satélite http://earth.google.com).

Espaço recuperado atravessado pelo Rio Mezio, junto a um moinho (fig. 67) e com espaço para merendas.

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Figura 67 – Ponte e moinho no Parque de Lazer.

Flora Junto ao bonito casario de Sousela, o Parque de Lazer é atravessado pelo rio Mezio. Este serpenteia tranquilamente através do relvado e apresenta nas suas margens, junto ao Parque, belos tremoçais de tremoceiro, floridos de amarelo vivo na Primavera. Nas imediações do Parque, estão plantadas árvores como o lódão. Da entrada do Parque, observa-se a paisagem envolvente, que consiste numa matriz agrícola de campos, vinha, hortas e giestais. Ao longe e na fronteira do Parque, avistam-se fragmentos de carvalhal. Entrando, caminhamos pelo relvado que apresenta o trevo branco e a erva belida. O Parque tem bonitas árvores plantadas como o ácer negundo e a ameixeira de jardim, árvore deslumbrante na sua floração. A ameixeira de jardim é oriunda do Japão, país onde é muito popular como ornamental. É um dos ingredientes dos Florais de Bach, co-adjuvantes naturais de tratamentos médicos para estados de desequilíbrio nervoso. Muito populares hoje em dia, os Florais de Bach não apresentam efeitos secundários, sendo feitos à base de flores de arbustos, árvores silvestres e água pura. Caminhando pelo Parque, podemos seguir ao longo das margens do rio Mezio e observar aí flores como a dedaleira ou a fumaria das paredes. Mesmo junto à água, vêm-se espreitar as pequeninas flores de Myosotis secunda e outras plantas como o embude. Surgem ainda a giesta das serras, tabuas largas, amieiros e o feto real, com

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as suas características folhas férteis de tom dourado. O feto real é eficaz no tratamento da icterícia e do reumatismo. No centro do relvado, está instalado um “jardim de pedras” (rock garden), designação que se utiliza para pequenos jardins instalados em montes cobertos de pedras, e que têm normalmente na sua composição plantas de ambientes rochosos ou alpinos, como o caso do zimbro, género do qual se podem encontrar, aqui no rock garden do Parque de Sousela, exemplares plantados. No jardim de pedras do Parque encontramos ainda flores anuais como o amor perfeito, planta de acção purificadora que é utilizada para o tratamento de problemas de pele. Estão também plantadas espécies suculentas como Furcraea bedinghausii, oriunda do Sul do México. Fauna Apesar de reunir condições para a existência de uma grande diversidade de animais, tal não se consegue detectar. Destaca-se a observação da alvéola cinzenta por baixo da ponte junto ao moinho, de várias andorinhas das chaminés e de um elevado número de góbios na linha d´água. Sem percurso definido.

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6.2.6 - Sovinheira Concelho: Lousada Bacia: Sousa – Ribeira de Pontarrinhas Coordenada inicial: 59.63/70.76 Área: 117.467 m2

N

Classificação: Bom

Figura 68 - Imagem da área seleccionada em Sovinheira (imagem satélite http://earth.google.com).

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

A área de interesse tem início junto ao estádio de hóquei em campo de Lousada, havendo caminhos em terra batida por entre os eucaliptos. Segue uma área de plantação de árvores. O caminho continua até uma pequena ponte completamente rodeada de acácias jovens e com vista para campos de cultivo. Existe outro caminho a partir da ponte que termina num bosque com bastantes espécies exóticas mas com uma extensa faixa de carvalhos (fig. 69 A); deve-se intervir a este nível permitindo uma substituição gradual das acácias por autóctones que já existem no local. Existe ainda um pormenor de destruição do património natural por parte dos proprietários ao aplicarem bancos de pedra no tronco de um carvalho centenário (fig. 69 B).

Figura 69 - Pontos de passagem no local; A: Carvalhal; B: Carvalho com bancos em cimento.

Flora Nas proximidades do Estádio de Hóquei em Campo, esconde-se, dentro de um eucaliptal, um belíssimo carvalhal de carvalho alvarinho com sobreiros. Nas orlas, são de destacar as manchas rosa de dedaleiras. Seguindo pelo caminho, vemos surgir pés altos de lavaterra silvestre. Mais junto ao chão, flores como a arenária e a tuberária mosqueada alegram o percurso. Avançando e adentrando no carvalhal, vemos no estrato arbustivo orlas espinhosas de codesso, pilriteiro e tojo molar acompanhadas por escorodónia e dedaleira. No final do percurso, junto ao caminho, surgem sebes de silva onde desponta o feto dos montes, o codesso, o embude e a camareira. Junto a um carvalho centenário (fig. 69 B) surgem alguns pés de azevinho.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Fauna Apesar de reunir condições para a existência de uma grande diversidade de animais, tal não se consegue detectar. Foi possível observar o chamariz, o chapim real, o melro preto, o gaio comum, o peto verde, a toutinegra de barrete preto e excrementos de coelho. Património construído no local/próximo - Castro de S. Domingos - Pelourinho de Lousada Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 94.600 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 2 Sinalização de percurso: 5 em madeira de percurso correcto; 5 em madeira de percurso errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 919 m Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Bancos: 2 Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.2.7 - Figueiras Concelho: Lousada Bacia: Sousa – Rio Mezio Coordenada inicial: 57.52/70.65

N

Área: 135.400 m2 Classificação: Interessante

Figura 70 - Imagem da área seleccionada em Figueiras (imagem satélite http://earth.google.com).

A área seleccionada engloba duas zonas de maior interesse e alguns campos de cultivo. O ponto no Lugar de Senhora tem início na estrada e pode ser percorrido por uma conduta de água (fig. 71 A) que leva a uma zona mais larga

105 B


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onde se divide em dois pequenos ribeiros; a partir daqui o caminho é intransitável, sendo necessário proceder a uma limpeza do mato para confirmar o potencial da zona. O ponto no Lugar de Vêças (fig. 71 B) localiza-se na extremidade de uma propriedade, sendo um pouco pequena mas com grande variedade florística que poderá servir de abrigo a muitas espécies de animais.

Figura 71 - Pontos de passagem no local. A: Senhora; B: Canal de água em Vêças.

Flora A paisagem dos montes de Senhora apresenta um mosaico agro-florestal, onde surge um castinçal de castanheiros, um carvalhal de carvalho alvarinho em recuperação, um mato heliófilo com codesso, silva, tojo arnal e tojo molar, mongoriça e a queiroga. O castanheiro, além do poder nutritivo do seu fruto, que é muito aconselhado para mães em amamentação, revela também inúmeras propriedades terapêuticas, principalmente nas folhas e raízes; a infusão das suas folhas acalma tosse severa. Fauna É facilmente detectado um grande número de espécies de aves, o mesmo não acontecendo para as outras classes: chamariz, chapim real, cartaxo comum, melro preto, pisco de peito ruivo e verdilhão comum Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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6.2.8 - Courela Concelho: Lousada Bacia: Sousa – Rio Mezio Coordenada inicial: 58.03/69.93 Área: 55.269 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 72 - Imagem da área seleccionada em Courela (imagem satélite http://earth.google.com).

Área atravessada pelo rio Mezio, envolvente a uma fábrica abandonada (fig. 73) cujo espaço pode ser aproveitado para centro de interpretação, parque de lazer ou

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

algo do género. É necessário proceder à limpeza da área assim como à abertura de trilhos. A montante da ponte e até chegar à ponte da estrada principal, o rio tem as suas margens cimentadas e muita vegetação nos campos envolventes. Após esta ponte as margens são naturais e existem campos de cultivo. O mesmo acontece a jusante do início do ponto. A água é límpida, permitindo ver muitos peixes.

Figura 73 - Fábrica abandonada.

Flora Junto a uma gigantesca fábrica abandonada, ergue-se um salgueiral palustre de salgueiros negros, junto ao qual ocorrem sebes de silvas. Observa-se alguma Flora nativa na fronteira do salgueiral, tal como o saramago, a labaça de folhas largas, e o mentrasto. O mentrasto, erva de uso doméstico que pertence à Família das Labiadas, tem um aroma muito característico, propriedades anti-sépticas e acção benéfica sobre a digestão. Surgem ainda a erva rapa, planta Norte-Americana naturalizada na Europa, e a morganheira. Fauna Foram observadas várias espécies de aves: chamariz, chapim real, carriça, cartaxo comum, melro preto, pisco de peito ruivo, toutinegra de barrete preto e verdilhão comum. Quanto a mamíferos foram apenas detectados excrementos de lontra. Ao nível de anfíbios e répteis observou-se o lagarto de água e a rã ibérica. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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6.2.9 - Pias Concelho: Lousada Bacia: Sousa – Ribeira de Pontarrinhas Coordenada inicial: 61.78/68.95

N

Área: 234.116 m2 Classificação: Bom

B

A

C

Figura

74

-

Imagem

da

área

seleccionada

em

Pontarrinhas

http://earth.google.com). A: Carvalhal; B: Bosque; C: Campos de cultivo.

109

(imagem

satélite


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Área atravessada pela ribeira de Pontarrinhas e constituída por diferentes tipos de vegetação: um carvalhal sobre maciço rochoso (fig. 74 A e fig. 75 A), contudo impenetrável e limitado por uma vala de água onde se observa com facilidade pegadas de mamíferos (fig. 75 B); um bosque com eucaliptos, carvalhos e pinheiros, com caminhos que podem ser facilmente percorridos (fig.74 B); e campos de cultivo, envolvendo um moinho em ruínas (fig. 74 C). Esta área é limitada, a Sudoeste, pela Estrada Nacional. Existem algumas alterações a fazer nesta área, nomeadamente controlar o crescimento de exóticas no carvalhal. A

B

Figura 75 - Pontos de passagem no local. A: Carvalhal; B: Canal de água que limita o carvalhal.

Flora No interior de uma exploração silvícola de pinheiro bravo e eucalipto, surge um belo carvalhal de carvalho alvarinho, em recuperação. O sub-coberto arbustivo toma contornos na presença de sargaço, codesso, tojo arnal, tojo molar, giesta das serras e silvas. A avifauna escuta-se entre a folhagem. Surgem tufos de dáctilo dos lameiros. Provavelmente os jovens carvalhos alvarinhos que se vêm terão sido originados a

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

partir de sementes vindas de pés antigos que estão nas imediações. Observa-se na envolvente a dominância de zona agrícola tradicional de lameiros e vinha (videira), adornada de pequenos bosquetes de carvalho alvarinho. Fauna Este é um local com grande variedade de espécies devido às diferentes ocupações do solo, que permitem abrigo e alimento a estas espécies. Apenas ao nível de anfíbios e répteis foi detectada pouca diversidade. A nível de aves observou-se: águia d`asa redonda, alvéola branca, alvéola cinzenta, bico de lacre, cartaxo comum, chamariz, chapim azul, chapim real, cuco canoro, gaio comum, pega rabuda, perdiz comum, peto verde, pica pau malhado grande, pisco de peito ruivo, pombo torcaz, tentilhão comum, toutinegra de barrete preto e verdilhão comum. Como mamíferos foram observados: o coelho, o esquilo, a geneta, a raposa e a toupeira cega. Foram apenas detectadas a lagartixa de Bocage e a rã verde a representar as classes dos anfíbios e répteis. Património construído no local/próximo - Açude - Vala - Moinho - Igreja Matriz de Pias - Igreja de S. Salvador e Ponte de Vilela, em Aveleda - Parque de Merendas do Ameal Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 89.597 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 2 Sinalização de percurso: 18 caminho correcto + 5 caminho errado

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Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 1.168 m Recuperação de moinhos: 1 Construção de pontes: 1 (+/- 2 m) Centros Interpretativos: não

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6.2.10 - Cales/Romariz Concelho: Lousada Bacia: Sousa Coordenada inicial: 62.64/67.65 Área: 274.167 m2

N

Classificação: Bom

Figura 76 - Imagem da área seleccionada em Cales-Romariz (imagem satélite http://earth.google.com).

Área constituída essencialmente por campos de cultivo em regime de monocultura mas com algum interesse devido à composição do corredor ripícola (fig. 77 A), que consiste maioritariamente em plátanos de grande porte, e mosaicos entre

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os campos. Na zona Norte da área seleccionada existe ainda um pequeno bosque a conservar. Existem dois moinhos em ruínas (fig. 77 B), completamente escondidos pela vegetação envolvente, que deverá ser controlada. O acesso aos moinhos é possível por umas escadas próximas dos mesmos mas que se encontram quase completamente ocultas pela vegetação. É também importante limpar o rio e linhas de água pois existem muitos ramos resultantes da poda de plátanos caídos das margens.

B

A

Figura 77 - Início do percurso. A: Corredor ripícola; B: Moinho.

Flora É de destacar a ocorrência da tradicional poda da vinha (videira). No coberto herbáceo temos: alho bravo (fig. 78), celidónia, jarro dos campos, embude, urtiga, ficária, labaça de folhas largas, lâmio roxo. O rio Sousa apresenta uma galeria ripícola composta por árvores locais, de origem natural, como amieiros, salgueiros negros e ainda árvores plantadas como o choupo híbrido, o salgueiro chorão e o plátano. No estrato herbáceo, temos a sanguinária do Japão (planta exótica de uso ornamental e de comportamento infestante), e como plantas nativas: o azevém, a urtiga, a labaça de folhas largas, o embude, o saramago, os botões de ouro, o trevo coroa de rei e o cassamelo.

Figura 78 – Alho bravo.

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Fauna É uma área boa para a observação de passeriformes, podendo por vezes avistar-se aves de rapina como a águia d`asa redonda. As restantes aves observadas são: alvéola branca, chamariz, chapim real, cuco canoro, escrevedeira, felosa comum, gaio comum, melro preto, milhafre preto, pardal comum, pega rabuda, pisco de peito ruivo, rola turca e toutinegra de barrete preto. Ao nível de anfíbios e répteis foram observados: cobra de água de colar, lagarto de água e rã ibérica. Quanto a mamíferos apenas foram detectadas a lontra, a ratazana e a toupeira cega. Património construído no local/próximo - Moinhos - Igreja de Santa Maria de Meinedo - Ponte de Espindo Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 21.105 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 2 Sinalização de percurso: 9 caminho correcto+ 5 caminho errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 1.325 m Recuperação de moinhos: 2 Construção de pontes: não Bancos: 2 Centros Interpretativos: não

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6.2.11 - Sanguinha Concelho: Lousada Bacia: Sousa Coordenada inicial: 61.12/66.57 Área: 1.020 m2

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Classificação: Sem interesse

Figura 79 - Imagem da área seleccionada em Sanguinha (imagem satélite http://earth.google.com).

Área muito pequena dominada por explorações agrícolas e eucaliptal (fig. 80), mostrando uma tentativa de recuperação da flora autóctone mas em muito pequeno grau.

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Figura 80 - Linha de água e vegetação associada.

Flora Em Sanguinha o rio Sousa corre acompanhado de salgueiros negros, amieiros e sebes de silvas. Muito perto, eleva-se um monte com um giestal de giesta das serras, pontuado de sobreiros, eucaliptos, e pinheiros bravos. Surgem pés de carvalho alvarinho, e no estrato herbáceo, a urtiga, a dedaleira, os assobios e a reseda de fruto estrelado. Fauna Não foi possível observar grande diversidade de espécies, tendo sido detectadas: carriça, cuco canoro, gaio comum, melro preto, poupa, rã verde e lontra. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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6.2.12 - Quintãs Concelho: Lousada Bacia: Sousa – Rio Mezio Coordenada inicial: 58.10/65.72 Área: 57.311 m2 Classificação: Interessante

Figura 81 - Imagem da área seleccionada em Quintãs (imagem satélite http://earth.google.com).

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N


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Área maioritariamente agrícola, interrompida por um corredor ripícola com vários amieiros e um pequeno bosque que deve ser conservado e limpo. É uma área onde facilmente se observam passeriformes. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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6.3. Concelho 3 - Paços de Ferreira Geologia O rio Ferreira nasce em formações graníticas e só no concelho de Paredes, quase junto ao concelho de Valongo, é que estava o seu leito em formações metassedimentares do Devónico Inferior. A nascente deste rio, em Raimonda, situa-se no contacto entre o sector oriental do maciço granítico de Guimarães, constituído por um granito biotítico, de grão grosseiro e porfiróide (os megacristais são de feldspato - microclina), a montante e o granito de Penafiel (fig. 82), granito de duas micas, com grão médio e cor cinzentaazulada, apresentando megacristais de feldspato dispersos, a jusante. A jusante de Paços de Ferreira o rio abandona este granito, passando a escavar o seu leito no sector ocidental do maciço de Guimarães (fig. 83).

Figura 82 - Maciço granítico de Penafiel, perto de Meixomil.

A NW do rio Ferreira, um dos seus afluentes, o rio Eiriz, escava, em Sanfins de Ferreira, um granodiorito, de grão medo a fino, de cor cinzenta, dominantemente biotítico, por vezes com megacristais de feldspato (fig. 84).

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Figura 83 - Rio Ferreira escavando o seu leito no maciço granítico de Guimarães.

Figura 84 - Granodiorito de Paços de Ferreira.

Esta rocha é explorada como rocha ornamental, encontra-se integrada no "Catálogo de Rochas Ornamentais Portuguesas" (2000), da responsabilidade do INETI, sendo denominada de granodiorito de Paços de Ferreira. Este granodiorito corresponde a um batólito de pequenas dimensões, intrusivo no

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

granito de Penafiel, com uma composição mais básica do que este (Anexo I). No topo deste maciço, onde se encontra situada a Citânia de Sanfins (fig. 85 A) aflora um granito biotítico, porfiróide, semelhante ao granito de Guimarães (fig. 85 B). B

A

Figura 85 - Citânia de Sanfins. A: Fortificação; B: Afloramento de granito em que destacam os cristais de feldspatos, devido a um fenómeno de erosão diferencial.

Neste concelho encontram-se activas, segundo dados fornecidos pelo INETI, 15 pedreiras activas, a maioria das quais onde é explorado o granodiorito de Paços de Ferreira (fig. 86 A). O impacto destas explorações na paisagem é visível por fotografia aérea (fig. 86 B). B

A

Figura 86 - Granodiorito de Paços de Ferreira em pedreira junto à Citânia de Sanfins. A: Paralelos; B: Vista aérea de pedreiras onde é explorado.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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6.3.1 - Senhora do Socorro Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira Coordenada inicial: 54.08/76.10

N

Área: 285.684 m2 Classificação: Interessante

Figura

87

-

Imagem

da

área

seleccionada

em

Senhora

do

Socorro

(imagem

satélite

http://earth.google.com).

Pequeno monte com bom acesso que culmina com a presença de uma capela. Durante a subida ao monte só é possível observar eucaliptos, contudo na zona envolvente à capela conseguimos encontrar carvalhos, principalmente na vertente do lado de Santo Tirso (fig. 88 A), que, desta forma, se torna mais interessante.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Pode ser criado um percurso pelo lado mais apelativo (virado para Santo Tirso), com postos de observação para aves, uma vez que é possível observar e ouvir rapinas. O “miradouro” junto à capela encontra-se obstruído por árvores que deverão ser podadas. B A

Figura 88 - Área junto à capela. A: Vertente com vista para Santo Tirso; B: Zona de merendas.

Flora O Monte da Sr.ª do Socorro revela o seu carácter de santuário no facto de ter um verdadeiro tesouro natural. À volta do templo Cristão, distribui-se um pequeno carvalhal de carvalho alvarinho com sobreiros. O carvalho alvarinho era uma árvore sagrada em muitas correntes da Mitologia Europeia Antiga. Na Grécia Antiga o carvalho alvarinho estava associado com Zeus, pai dos Deuses, devido à sua força como árvore, que revela resistência e porte, e também pelo facto de atrair os relâmpagos. Para as antigas tribos Germânicas, o deus Thor era venerado em carvalhos. Hoje em dia restam ainda por toda a Europa carvalhais considerados sagrados. Observam-se pés dispersos de abrótea, planta referida na tradição popular portuguesa como eficaz para tratamento dermatológico. De assinalar a interessante vegetação rupícola, onde se observa o fentelho, a uva de gato e líquenes foliáceos como Parmotrema chinense. O fentelho surge também, juntamente com briófitas e líquenes foliáceos, como parte da vegetação epifítica. A palavra epifítica vem do Grego epi = em cima e phyton = planta. Designa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

plantas que vivem sobre outras plantas e que as utilizam como suporte, levando uma existência independente. Fauna Apenas foi possível observar alguns exemplares de aves: águia d`asa redonda, gaio comum e melro preto. Património construído no local/próximo - Capela - Zona de merendas Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.2 - Circuito de Manutenção de S. João Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira - Ribeira da Carvalhosa Coordenada inicial: 55.11/75.66 Área: 540.243 m2

N

Classificação: Bom

Figura 89 - Imagem da área seleccionada no Circuito de Manutenção de São João, em Codessos (imagem satélite http://earth.google.com).

A área seleccionada engloba o Circuito de Manutenção de S. João e a zona florestal adjacente. É uma área bastante extensa que atinge o limite com o concelho

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

de Lousada. A parte inicial (fig. 90 A) encontra-se em bom estado, com mesas para merendas e parque infantil. Depois desta área é possível observar várias espécies de árvores distribuídas por zonas mais abertas e zonas mais selvagens com mato (fig. 90 B) mas com bons caminhos, apesar de alguns terem depósitos de lixo. É essencial a limpeza das lixeiras e melhoramento de alguns trilhos (fig. 91), assim como a colocação de indicações de percurso. Na parte inicial podem ser colocadas placas com o nome das árvores e com algumas espécies de fauna que podem ser observadas.

Figura 90 - Pontos de passagem no local. A: Zona inicial do circuito; B: Vegetação na área adjacente ao circuito.

Figura 91 - Trilho.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Flora Por todo o parque se desenrola uma paisagem verde, que compreende um bonito arvoredo. Na entrada, sobressaem os magníficos sobreiros. Alguns, entre os mais antigos, revelam ainda vestígios de exploração da sua casca para cortiça. Observam-se ainda carvalhos alvarinhos, e alguns pinheiros bravos e eucaliptos. No chão, vêem-se um pouco por toda a parte bonitas flores primaveris, como as belas noites e o saramago. Na envolvente, observam-se giestais de giesta das serras e algumas sebes de silvas. Adentrando no Parque encontra-se um sobreiral, que deverá ter sido originado pelo Homem a partir de um carvalhal de carvalho alvarinho com sobreiros, vegetação florestal natural típica desta zona. É muito interessante a vegetação rupícola, que apresenta plantas como a uva de gato, os umbigos de vénus e brio-liquénica. Nos troncos e ramos das árvores, abriga-se ainda vegetação epifítica, de carácter brio-liquénico. Fauna Neste ponto observam-se maioritariamente passeriformes embora existam condições para a existência de várias espécies tanto de mamíferos como de anfíbios e répteis. As aves observadas foram: águia d`asa redonda, chapim azul, chapim preto, chapim real, gaio comum, gralha preta, melro preto, pega rabuda, pica pau malhado grande, tentilhão comum, trepadeira comum e verdilhão comum. Património construído no local/próximo - Entrada do circuito - Represa - Capela de Nossa Sra. do Socorro Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 60.884 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 4 (a indicar o percurso ou o Circuito – destas já existem algumas) Sinalização de percurso: 12 caminho correcto + 10 caminho errado

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 323 m de limpeza intensiva (recuperação do trilho e limpeza de lixeiras) Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Bancos: não Centros Interpretativos: 1 novo

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.3 - Citânia de Sanfins Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira - Rio de Eiriz Coordenada inicial: 51.45/75.23 Área: 786.210 m2

N

Classificação: Bom

Monte de Bustelo

Figura 92 - Imagem da área seleccionada na Citânia de Sanfins (imagem satélite http://earth.google.com).

A Citânia de Sanfins (fig. 93 A) surgiu por volta do século I a. c. e estende-se por cerca de 15 hectares. Está classificada como monumento nacional desde 1946.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Localiza-se num planalto completamente envolto por eucaliptos, que deveriam ser substituídos gradualmente por espécies autóctones, pelo menos na área mais próxima da citânia. Podem ser colocados placares com informação sobre as espécies que se podem encontrar. Considera-se indispensável o enquadramento do edifício do snack-bar (fig. 93 B) e sugere-se o seu alargamento de modo a incorporar um Centro Interpretativo onde se faria a distribuição de desdobráveis com informação sobre outros percursos e locais a visitar com interesse natural em Paços de Ferreira e possivelmente seria um espaço para albergar exposições relacionadas com o património natural.

Figura 93 - Pontos de passagem no local. A: Parte final da Citânia, com vista da vegetação envolvente; B: Edifício de apoio à Citânia.

Flora A Citânia de Sanfins encontra-se inserida numa zona que revela, em termos paisagísticos, uma dominância de exploração silvícola com eucaliptos e pinheiros mansos, em cujo interior se podem ainda encontrar fragmentos da vegetação original ainda intacta. No Monte de Bustelo, por exemplo, encontra-se escondida uma mancha vestigial de giestal de giesta das serras em recuperação, que poderá originar mais tarde um fragmento de floresta natural. Aqui observa-se também tojo arnal, a Erica

umbellata e um tapete de briófitas pontilhado de fungos da classe dos basidiomicetes como Laccaria, fungo pertencente à ordem Agaricales, classe dos Basidiomicetes. A

Laccaria é um fungo que forma ectomicorrizas com árvores como o carvalho alvarinho, numa associação simbiótica. A árvore protege o fungo, dando-lhe produtos de carbono para a sua alimentação. Por seu lado, o fungo expande a capacidade absortiva das

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

raízes da árvore, ao formar com as hifas uma rede que parte das raízes e através da qual transloca água e nutrientes do solo para a árvore, com uma eficiência que ultrapassa em larga escala a da raíz trabalhando sozinha. Fauna É uma zona bastante aberta, com pouca vegetação, da qual algumas árvores autóctones, o que faz com que seja propícia para observação de passeriformes. Entre as aves foram observadas: águia d`asa redonda, cia, cartaxo comum, cotovia de poupa, felosa do mato, rabirruivo preto, peto verde, pica pau malhado grande, pisco de peito ruivo e toutinegra de barrete preto. Foram detectados excrementos de coelho, fuinha, ouriço cacheiro e raposa. Os répteis foram representados por um grande número de sardões. Património construído no local/próximo - Museu Arqueológico da Citânia - Dólmen do Lamoso Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 990.000 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: não Sinalização de percurso: não Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: não Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Bancos: não Centros Interpretativos: sim, 532 m2 (recuperação do edifício do bar)

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.4 - Dólmen do Lamoso Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira - Ribeira da Carvalhosa Coordenada inicial: 54.50/74.29 Área: 8.030 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 94 - Imagem da área seleccionada em redor do Dólmen do Lamoso (imagem satélite http://earth.google.com).

Pequena mancha de carvalhos com mesas e bancos, numa zona rural entre o rio de Eiriz e a Ribeira da Carvalhosa. O Dólmen do Lamoso, localizado no Lugar de Condominhas, é também conhecido como Dólmen da Leira Longa, sendo um monumento megalítico e pré-histórico, erigido entre os milénios IV e III a.C. e considerado monumento nacional desde 1967, com uma estrutura funerária bem conservada. Está rodeado por um interessante carvalhal (fig. 95 A). Actualmente encontra-se completamente envolvido por vegetação que dificulta o seu acesso e visualização (fig. 95 B). Este local deverá ser limpo.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Devem ser colocadas mais indicações de direcção nas estradas pois o acesso é confuso. A

B

Figura 95 – Dólmen do Lamoso. A: Paisagem envolvente; B: parte superior.

Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.5 - Cacães Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira – Rio de Eiriz Coordenada inicial: 51.50/72.20 Área: 10.892 m2

N

Classificação: Sem interesse

Figura 96 - Imagem da área seleccionada em Cacães (imagem satélite http://earth.google.com).

Área pequena caracterizada pela existência de um corredor ripícola de salgueiros e amieiros, seguindo-se um pouco acima da margem esquerda uma plantação de choupos e um pequeno bosque de carvalhos atravessado pela estrada de terra batida que dá acesso ao ponto. O carvalhal começa a ser invadido por eucaliptos. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.6 - Aldeia Nova Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira – Rio da Carvalhosa Coordenada inicial: 52.9/72.5 Área: 103.000 m2 Classificação: Sem interesse

Figura 97 - Imagem da área seleccionada em Aldeia Nova (imagem satélite http://earth.google.com).

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N


Valorização do património natural das Terras do Sousa

Área com grande crescimento habitacional. A maior parte da zona verde é constituída por uma plantação recente de plátanos, estando a zona natural reduzida a uma área pequena ao longo do rio e rodeada por eucaliptos. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.7 - Real/Sanguinhães Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira - Rio da Carvalhosa Coordenada inicial: 52.81/71.59

N

Área: 86.000 m2 Classificação: Bom

Figura

98

-

Imagem

da

área

seleccionada

em

Real

e

Sanguinhães

(imagem

satélite

http://earth.google.com).

Área que agrupa duas zonas principais, ligadas por uma mancha de vegetação que por vezes se resume às margens do rio. Necessita de protecção urgente devido à grande expansão de habitações e fábricas, bem como devido às descargas feitas a montante, fazendo com que esta Ribeira se encontre bastante poluída, apresentando uma água cor de tijolo devido a descargas de uma fábrica nas proximidades. Na maior parte do troço do rio incluído nesta área é impossível aceder ao mesmo pelas margens, quer devido à vegetação, quer devido a vedações que delimitam propriedades.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

O ponto Real é acessível apenas pela margem direita, uma vez que a margem oposta está vedada (fig. 99 A). A partir da estrada principal surge um caminho que dá acesso a uma quinta de criação de animais, a algumas casas e a um terreno abandonado com muita vegetação rasteira a impedir o acesso ao rio, seguindo-se uma grande área alagada com tabúas (fig. 99 B), salgueiros, amieiros e choupos, com muito interesse e que necessita ser recuperada e mantida. Consegue aceder-se ao ponto Sanguinhães a partir de campos de cultivo do lado esquerdo, com boa visibilidade para o rio, que terminam com o aparecimento de um bosque húmido (fig. 99 C) de salgueiros, amieiros e alguns carvalhos mas com bastante matagal. Esta zona prolonga-se mas é impenetrável (fig. 99 D). Do lado direito existe uma fábrica que impede o acesso ao rio a partir da estrada e que plantou salgueiros chorões ao longo do troço do rio que a acompanha. Quando termina a fábrica a vegetação torna-se muito densa.

Figura 99 - Pontos de passagem no local. A: Margem vedada em Real; B: Área alagada com tabúas em Real; C: Bosque alagado em Sanguinhães; D: Zona impenetrável em Sanguinhães.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Flora Em Real avista-se um salgueiral palustre de salgueiros negros, onde os troncos das árvores estão recobertos de hera e líquenes. No solo, surgem algumas plantas herbáceas como o dente de leão (fig. 100 A). O dente de leão é uma planta de uso corrente para fins medicinais, utilizando-se, por exemplo, para tratar desordens dos rins. Ao lado do salgueiral surge um tabual de foguetes e caniço malhado, e um prado encharcado com juncos, o bruco, e megafórbias como a angélica silvestre, a erva carapau e a erva das escaldadelas (fig. 100 B). Esta erva apresenta notável acção antiinflamatória, comprovada recentemente. Através do salgueiral passa uma linha de água com amieiros, o junco de folhas variadas, e ainda plantas exóticas como Salix x

sepulcralis. Em Sanguinhães, junto a uma antiga levada de água, ergue-se um salgueiral de salgueiros negros. No coberto herbáceo, observa-se o lâmio maculado, Omphalodes

nitida, a margarida e a urtiga. A urtiga aplica-se em numerosos usos, como o tratamento da anemia, pois é rica em vitaminas. Avista-se um choupal de choupos híbridos. B

A

Figura 100 - Pormenores de algumas espécies que podem ser observadas no local. A: Flor de dente de leão; B: Cápsulas de erva das escaldadelas.

Fauna Devido à vegetação rasteira excessiva, é difícil detectar indícios de presença de mamíferos ou observar anfíbios e répteis. Pelo contrário, consegue-se visualizar com frequência várias espécies de aves: chamariz, chapim real, cartaxo comum, melro preto, pisco de peito ruivo e verdilhão comum. Observou-se ainda a rã verde.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Património construído no local/próximo - Igreja Matriz da Carvalhosa Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 32.210 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 4 Sinalização de percurso: 4 caminho correcto Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 943 m Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Bancos: 2 Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.8 - Parque de Lazer de Meixomil Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira – Rio de Eiriz Coordenada inicial: 51.30/71.50 Área: 80.142 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 101 - Imagem da área do Parque de Lazer de Meixomil (imagem satélite http://earth.google.com).

O Parque de Lazer de Meixomil (fig. 102 A) foi o primeiro do concelho a ser inaugurado. Enquadra-se nas margens do Rio Eiriz (fig. 102 B) e integra um espaço para desporto livre, um anfiteatro, parque infantil, mata, lago, parque de merendas instalado numa pequena ilha, esplanada e bar e espaço para estacionamento.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Localiza-se muito próximo do ponto Meixomil, a seguir descrito.

A

B

Figura 102 - Parque de Lazer de Meixomil. A: Vista geral; B: Zona ribeirinha.

Flora Com um colorido parque infantil, o Parque de Lazer de Meixomil apresenta, à semelhança do Parque da Cidade de Penafiel, uma harmonioso co-existência de plantas autóctones e exóticas ornamentais. Inserido numa envolvente de eucaliptal, o Parque possui um relvado que apresenta espécies autóctones como a grama das boticas, a leituga, o trevo branco, a tanchagem e a erva lanar. Curiosamente, algumas destas inconspícuas ervas têm propriedades medicinais. A grama das boticas apresenta inúmeros usos medicinais do conhecimento popular, dos quais se destaca a sua acção terapêutica no tratamento de feridas. A leituga é útil no tratamento de afecções respiratórias. A tanchagem é um eficaz hemeostático. O Parque mostra um belo arvoredo. Mesmo junto ao parque de estacionamento de automóveis, surge plantado o padreiro. No interior do Parque, surgem plantadas, ao longo do relvado, árvores de grande beleza como a faia, o liquidambar, o choupo branco, o cipreste de Itália, o cipreste de Leyland, o vidoeiro e o choupo negro. O choupo branco apresenta inúmeras propriedades medicinais, sendo de destacar o uso de salicilatos da sua casca para o fabrico da aspirina. O cipreste de Itália apresenta inúmeras propriedades terapêuticas, entre as quais tratamento de afecções respiratórias. O nome do cipreste de Leyland vem de C. J. Leyland, Capitão Britânico, que fez crescer alguns dos primeiros exemplares desta espécie, um híbrido entre duas espécies de cipreste nativas das montanhas da costa Norte-Americana.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Observam-se arbustos ornamentais de fruto comestível como a sarça ardente, e bérberis, que é muito utilizado na culinária da Europa de Leste e Médio Oriente. Atravessando e delimitando o relvado, o rio Eiriz corre tranquilo entre amieiros e freixos. Nas margens, crescem as belas flores de lírio amarelo. No centro do fluxo da corrente, surge o agrião, que comemos quando as folhas ainda estão tenras. Fauna Observam-se principalmente aves como chamariz, chapim real, cartaxo comum, melro preto, pisco de peito ruivo e verdilhão comum. Quanto a anfíbios foi observada a rã verde. Sem alterações propostas.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.9 - Meixomil Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira – Rio de Eiriz Coordenada inicial: 50.75/70.37 Área: 27.000 m2 Classificação: Bom

Figura 103 - Imagem da área seleccionada em Meixomil (imagem satélite http://earth.google.com).

151

N


Valorização do património natural das Terras do Sousa

Meixomil consiste num ponto pequeno constituído por um troço de rio com vários açudes, muita vegetação e baixa profundidade, avistando-se muitos peixes pequenos (fig. 104 A). Localiza-se nas traseiras de algumas casas, estando o rio separado destas por um muro alto de tijolo. Mais a jusante, as margens encontram-se muradas a cimento até a uma pequena ponte também ela de cimento, local a partir do qual a margem esquerda passa a ser ladeada por um muro alto em pedra com via pedonal cimentada (fig. 104 B e 105), terminando na ponte da estrada principal. B

A

Figura 104 - Leito do rio em Meixomil. A: Zona a seguir ao açude; B: Zona visível do passadiço.

Figura 105 - Muro de cimento ao longo do rio.

Flora Em Meixomil, o rio Eiriz reveste-se de salgueiros negros e amieiros. Arbustos como o sabugueiro e as silvas acompanham estas espécies. No solo, a urtiga, o feto fêmea e o lírio amarelo fazem um tapete. A tabúa larga adorna ainda as margens. A margem esquerda é acompanhada por sabugueiros e amieiros. Do lado direito, na zona mais próxima da margem, verifica-se a existência de alguns amieiros mas também bastante matagal (a recuperar) numa zona mais afastada começa a observar-

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

se a presença de eucaliptos. Ainda nesta margem, à medida que nos aproximamos da ponte da estrada principal começam a aparecer alguns campos de cultivo. Fauna Observou-se uma grande variedade de espécies. Dentro das aves foram avistadas: chamariz, chapim real, cartaxo comum, melro preto, pisco de peito ruivo e verdilhão comum. Foram detectados indícios de presença da lontra e da toupeira cega. Quanto a répteis e anfíbios foram identificados a rã verde, a lagartixa de Bocage e a lagartixa ibérica. Património construído no local/próximo - Parque de lazer de Meixomil - Parque Urbano de Paços de Ferreira - Moinho de água e Parque de Lazer de Frazão Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 13.668 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 4 Sinalização de percurso: 3 de caminho correcto em madeira + 2 caminho correcto pintadas + 2 caminho errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 496 m Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Bancos: não Centros Interpretativos: adaptação do bar no Parque de Lazer

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.10 - Parque de Lazer de Freamunde Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira Coordenada inicial: 55.47/70.70

N

Área: 65.236 m2 Classificação: Interessante

Figura

106

-

Imagem

da

área

do

Parque

de

Lazer

de

Freamunde

(imagem

satélite

http://earth.google.com).

Zona extensa com aproveitamento do rio, constituindo o actual Parque de Lazer de Freamunde, ainda com alterações em vista. A maior parte da vegetação é autóctone. Podem colocar-se placas a identificar as árvores e em locais de fácil observação da fauna.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Sem alterações propostas.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.11 - Moinhos/Pessoa Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira Coordenada inicial: 54.86/69.74 Área: 558.090 m2

N

Classificação: Bom

Figura 107 - Imagem da área seleccionada em Moinhos-Pessoa (imagem satélite http://earth.google.com).

Área que envolve dois pontos, de características semelhantes mas divididos por uma estrada local. Nesta área é possível encontrar diferentes espécies de árvores, tanto autóctones como exóticas, o que facilitará o melhoramento da área. No lado Norte da estrada existe um carvalhal relativamente bem conservado (fig. 108 A). Encontram-se também campos de cultivo, principalmente de milho (fig. 108 B). Existem poucas habitações. Os dois pontos estão em ligação com linhas de água e o leito do próprio rio Ferreira é neste local muito estreito.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 108 - Pontos de passagem no local. A: Trilho no carvalhal; B: Campo de cultivo.

Flora Entre os lugares de Pessoa e Praina, o rio Ferreira desliza harmoniosamente entre a companhia de amieiros que o guardam, junto a um prado onde aparece o tojo arnal. Abundam as plantas arbustivas e herbáceas que apreciam solo encharcado de água, como o junco. O Ferreira continua tranquilamente o seu percurso na companhia de amieiros. Surge um amial palustre de amieiros muito bem conservado. Ao longe avista-se um carvalhal de carvalho alvarinho onde surgem alguns pinheiros bravos e acácias, bem como outro fragmento de amial. Em direcção a Moinhos, a galeria enriquece-se com salgueiros negros, que surgem lado a lado aos amieiros. Para Nordeste, observa-se inclusivamente um salgueiral ripícola. Submersa na água surge a morrugem de água. Um pitoresco moinho acentua o carácter bucólico deste local tranquilo, onde a água corre entre tufos de Carex lusitanica. A Sudoeste surge um amial. Adentrando num caminho de pesquisa nas margens encontra-se uma galeria de loureiros, onde surge o feto fêmea e o lâmio maculado. Fauna A nível de aves podem ser observadas várias espécies: águia d`asa redonda, bico de lacre, carriça, cartaxo comum, chapim preto, chapim real, cia, chapim rabilongo, felosa comum, gaio comum, gralha preta, melro preto, pisco de peito ruivo, rabirruivo preto, tentilhão comum, toutinegra de barrete preto e verdilhão comum.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Quanto a mamíferos é possível observar directamente ou identificar indícios de presença de espécies como o coelho, a raposa, a doninha, o esquilo, a toupeira cega e o rato de água. Répteis e anfíbios não são fáceis de detectar neste local, sendo as linhas de água o local mais indicado para procurar o último grupo. Património construído no local/próximo - Mosteiro de Ferreira - Parque de Lazer de Freamunde Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 137.262 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 6 Sinalização de percurso: 12 caminho correcto + 10 caminho errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 200 m Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Bancos: 4 Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

160


Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.12 - Parque Urbano de Paços de Ferreira Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira Coordenada inicial: 52.27/69.70 Área: 123.942 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 109 - Imagem da área do Parque Urbano de Paços de Ferreira (imagem satélite http://earth.google.com).

Esta área integra-se na antiga Escola Agrária da Universidade do Porto e é maioritariamente constituída por campos de cultivo (fig. 110 A). Está limitado, num extremo, pelo rio Ferreira, que apresenta um pequeno açude (fig. 110 B). Sugere-se a criação de um Centro de Interpretação direccionado essencialmente à área agrícola, podendo funcionar como quinta biológica. A criação de um trilho ao longo do rio

161


Valorização do património natural das Terras do Sousa

serviria para limitar o parque e observar diversas espécies com interesse natural (aves, anfíbios, etc.). Seria também útil colocar placas para identificar as árvores, uma vez que existem várias espécies.

Figura 110 - Parque urbano. A: Zona de cultivo; B: Açude no rio Ferreira.

Percurso definido no local.

162


Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.13 - Moinho de Água e Parque de Lazer de Frazão Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira Coordenada inicial: 51.20/69.10 Área: Não definida

N

Classificação: Interessante

Figura 111 -

Imagem da área do moinho e Parque de Lazer de Frazão (imagem satélite

http://earth.google.com).

Localizados junto a um edifício com fins recreativos (fig. 112 A), podem-se observar um moinho e respectivo açude (112 B). O moinho e a zona mais próxima encontram-se bem recuperados mas a área envolvente é demasiado urbana.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

A

B A

Figura 112 – Frazão. A: Edifício anexo ao moinho; B: Açude e moinho.

Sem alterações propostas.

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6.3.14 - Ferreiro Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira Coordenada inicial: 53.35/69.12 Área: 197.400 m2

N

Classificação: Bom

Figura 113 - Imagem da área seleccionada em Ferreiro (imagem satélite http://earth.google.com).

Esta área pode ser dividida em três partes: - Primeira parte: zona junto à ponte da estrada principal. Bem recuperada, com escadas de acesso ao rio mas com um moinho em ruínas (a recuperar). - Segunda parte: constituída por vegetação muito densa, com acesso a mais moinhos, também estes a recuperar. Observam-se duas quedas de água (fig. 114 B), uma por

165


Valorização do património natural das Terras do Sousa

trás de um dos moinhos e outra mais alta a jusante. Junto a esta última e ao nível da estrada, existe uma conduta de descarga de águas pluviais. - Terceira parte: Tem início com o desvio de parte do caudal do rio para uma conduta de pedra junto ao muro, do lado direito, separada do rio por uma língua de terra. Neste ponto o rio é estreito e com vários rápidos (fig. 114 A). Do lado esquerdo existe um moinho a recuperar (fig. 115). Sugerimos manter as árvores caídas sobre o rio limpando apenas a vegetação rasteira das margens. Pode ter ligação ao Mosteiro de Ferreira e ao Monte de S. Tiago, ambos apenas com interesse cultural, visto que o último mostra pouco interesse paisagístico pois é constituído essencialmente por eucaliptos e acácias. B

A

Figura 114 - Pontos de passagem no local. A: Margens do rio na zona da conduta; B: Queda de água.

Figura 115 - Moinho em ruínas.

166


Valorização do património natural das Terras do Sousa

Flora Estreito corredor de vegetação ripícola, constituído, entre outras espécies, por plátanos, salgueiros e choupos, junto a campo agrícolas e vinhas. Vê-se ainda o feto real. Fauna A nível de aves podem ser observadas várias espécies: cartaxo comum, chapim real, felosa comum, gaio comum, melro preto, pisco de peito ruivo, tentilhão comum, toutinegra de barrete preto e verdilhão comum. Quanto a mamíferos é possível identificar indícios de presença do coelho e da toupeira cega. Património construído no local/próximo - Moinhos Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.3.15 - Fundo de Vila Concelho: Paços de Ferreira Bacia: Ferreira Coordenada inicial: 50.9/67.7 Área: Não definida

N

Classificação: Sem interesse

Figura 116 - Imagem da área seleccionada em Fundo de Vila (imagem satélite http://earth.google.com).

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

A vegetação desta área é maioritariamente constituída por eucaliptos e encontra-se muito próxima da auto-estrada. Observam-se alguns moinhos contudo perdem o seu interesse pois encontram-se quase por baixo da auto-estrada A restante área é constituída por campos de cultivo. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

170


Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4. Concelho 4 - Paredes Geologia O rio Sousa de Novenas até perto de Sobreira define a fronteira entre o concelho de Paredes a NW e o concelho de Penafiel a SE. Este facto implica que as formações geológicas que ocorrem neste troço do rio, que constituem a totalidade do concelho de Penafiel sejam iguais. O rio Sousa corre, no troço inicial deste concelho, sobre um substrato constituído pelo granito de Penafiel, cujo maciço tem uma forma alongada, com uma orientação geral de NW-SE. Nas proximidades de Paços de Sousa, na bordadura SW deste maciço granítico, o rio corta um granito, com pouca extensão de afloramento, com características um pouco diferentes, denominado granodiorito de Paços de Sousa, local onde esta rocha aflora em maior extensão. Trata-se de um granodiorito de cor cinzenta escura, de grão fino, dominantemente biotítico, com raros megacristais de feldspato potássico. Este granito corresponde a uma diferenciação do magma que deu origem ao granito de Penafiel, com uma composição mais básica. É precoce em relação ao granito de Penafiel. De Cadeade às proximidades de Sobreira o rio Sousa corre sobre o granito de Guimarães, com características idênticas ao que ocorre na zona mais. Este maciço granítico é igual ao que ocorre a montante do rio Sousa, com maior expressão no concelho de Lousada. A razão pela qual existem dois afloramentos independentes deste granito prende-se com o facto de a intrusão do granito de Penafiel no seio do granito de Guimarães ter separado este último em dois afloramentos, um situado na zona mais ocidental da região de estudo e outro na zona mais oriental (Anexo I). A partir daqui, na zona das minas de Castromil o rio corta o contacto entre os granitos e os metassedimentos de idade Paleozóica, contacto esse controlado

falhas.

Ao

entrar

nos

metassedimentos

de

idade

silúrica,

representados essencialmente por xistos negros fossilíferos e quartzitos, o rio que até aqui tem um percurso relativamente linear, com meandros pouco pronunciados, começa a descrever meandros mais amplos e pronunciados (fig. 117). Em Sobreira (Outeiro) encontra-se um extenso depósito de terraço fluvial

171


Valorização do património natural das Terras do Sousa

do Quaternário. Este terraço é formado por calhaus rolados de quartzo, granito, quartzito entre outros com matriz argilo-arenosa acastanhada. Os

xistos

negros

do

Silúrico

(fig.

118)

apresentam

uma

fauna

particularmente rica em graptólitos que permitem admitir para estas rochas uma idade compreendida entre os 440 e os 420 M.a.. A jusante o rio escava o seu percurso em rochas de idade ordovícica (488 a 444M.a.), constituídas por três formações: Formação de Sta. Justa (a mais antiga), Formação de Valongo e Formação de Sobrido (a mais recente). No seu trajecto para o Douro o rio Sousa corta estas formações da mais recente para a mais antiga. Em Portela, o rio entra na Formação de Sobrido (460 a 444 M.a.) que apresenta no topo quartzitos que sobrepõem uma sequência glacio-marinha constituída por vaques e pelitos com clastos dispersos de dimensões variadas, designada por "pelitos com fragmentos" (fig. 119). Estas rochas evidenciam uma grande glaciação, à qual não é alheia a localização da Península Ibérica nas proximidades do Pólo Sul. Estas rochas resultaram da deposição de sedimentos a partir da fusão de icebergs que flutuavam nos mares do final do Ordovícico.

N Granito de Guimarães

Rio Douro

Formação Sobrido Formação Valongo Formação Sta. Justa

Silúrico

Devónico Rio Sousa

Figura 117 - Modelo de terreno do sector entre Paços e Sousa e Aguiar de Sousa gerado pelo Google Earth, onde o rio Sousa atravessa o contacto entre o granito e os metassedimentos (o relevo está sobrelevado 2x).

172


Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 118 - Xistos negros do Silúrico

com

fósseis

de

Pelitos

com

graptólitos.

Figura

119

-

fragmentos,

em

representativos

Sobreira,

da

grande

glaciação do final do Ordovícico. No

seio

da

matriz

pelítica

observa-se um elemento rolado de quartzito, com cerca de 4 cm de comprimento.

Na Formação de Valongo (470 a 460 M.a.), o rio Sousa escava o seu leito predominantemente em xistos de cor cinza, por vezes ardosíferos (fig. 120). Estes xistos são muito ricos em fósseis evidenciando uma grande paleobiodiversidade. No decurso de vários trabalhos efectuados por diferentes autores

foram

braquiópodes, briozoários,

assinalados cistóides,

ostracodos,

fósseis

de

crinóides, cnidários

trilobites

(fig.

gasterópodes, e

121),

graptólitos,

cefalópodes,

equinodermes

além

de

bivalves, icnofósseis

(vestígios das actividades vitais de organismos).

Figura 120 - Xistos com fósseis marinhos, nas proximidades de Recarei.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

B

A

C

Figura 121 - Trilobite da Formação de Valongo. A: Placoparia (exemplar com 2,5 cm); B: Tórax e pigídio de Eodalmanitina (exemplar com 3 cm); C: Ninho de Placoparia (amostra com 10 cm).

Quando o rio passa da Formação de Valongo, essencialmente xistenta, para a Formação de Santa Justa (490 a 470 M.a.), dominantemente quartzítica (fig. 122), depois da confluência da ribeira de Santa Comba, o vale do rio Sousa torna-se bastante apertado, com vertentes verticalizadas constituindo o canhão da Senhora do Salto (fig. 123). Nesta zona o leito do rio é condicionado quer pela presença dos quartzitos, quer pela existência de falhas que originam rápidos. No leito fortemente escavado observam-se marmitas de gigante (fig. 124), originadas por erosão provocada por movimentos circulatórios de blocos ou seixos transportados pelo rio.

174


Valorização do património natural das Terras do Sousa

F. de Valongo

F. Sta. Justa

Figura 122 - Rio Sousa correndo perpendicularmente ao contacto (representado por um vale com orientação aproximada N160) da Formação de Santa Justa com a Formação de Valongo, junto à Senhora do Salto.

Figura

123

-

Vale

encaixado

com

vertentes verticalizadas no rio Sousa quando este corta as cristas quartzíticas do Ordovícico, na do Salto.

175


Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 124 - Marmitas de gigante observadas na

Senhora do

Salto.

Esta Formação da base do Ordovícico é constituída por um conglomerado de base

bastante

descontínuo,

com

elementos

essencialmente

quartzosos,

de

granulometria variável, com possança bastante irregular, que marca o início de uma transgressão (avanço do mar). Seguem-se quartzitos maciços, ricos em estruturas sedimentares (fig. 125) e orgânicas, como Cruziana, Vexillum, Skolithos e Planolites. A ocorrência

destas

estruturas

indica

deposição

em

ambiente

marinho

litoral.

Sobrepondo-se-lhes segue-se uma sequência finamente bandada constituída por alternâncias de sedimentos gresosos claros e sedimentos pelíticos escuros (fig. 126), em que foram identificados níveis associados a vulcanismo submarino, níveis negros com matéria orgânica contendo fósseis de algas e briozoários, assim como um nível fosfatado, relacionado com a ocorrência de um período de grande instabilidade na terra, com geração de tsunamis e/ou violentas tempestades.

Figura 125 - Estruturas sedimentares em bancadas de quartzitos com finas intercalações pelíticas, na Senhora do Salto.

176


Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 126 - Pormenor de estruturas sedimentares em bancadas de quartzitos com finas intercalações pelíticas, na Senhora do Salto.

Depois de atravessar os quartzitos da base do Ordovícico, o rio abandona o canhão e abre-se num vale largo escavado nos xistos do Precâmbrico e/ou Câmbrico (542 a 488 M.a.). Faz uma curva de 180º e volta a entrar nos quartzitos do Ordovícico, em vale apertado, completando um S ao sair de novo para as formações mais antigas. Estas são as rochas mais antigas da região sendo antigamente denominadas pelo termo genérico de Complexo Xisto-Grauváquico. Actualmente nesta região consideram-se que estas rochas pertencem a duas unidades estratigráficas distintas: Unidade de Terramonte (mais antiga) e Unidade de Montalto. A Unidade de Terramonte é constituída por duas associações litológicas distintas. A associação litológica inferior é formada por xistos negros carbonosos intensamente deformados com alternâncias arenosas para o topo, passando gradualmente à associação litológica superior de cor esverdeada, constituída por uma alternância de metassedimentos gresosos mais claros e metassedimentos pelíticos mais escuros de origem turbidítica. Na Unidade de Montalto, de características mais superficiais que a primeira, foi possível individualizar três associações litológicas. A associação, litológica inferior é constituída por xistos cinzentos a violáceos, grauvaques finos e rochas vulcânicas, a associação litológica intermédia é constituída por alternâncias de xistos de cor bege acinzentada e arenitos e a associação

177


Valorização do património natural das Terras do Sousa

litológica superior é constituída por conglomerados poligénicos, com elementos dominantemente quartzosos, com níveis de pelitos e arenitos. Nas

proximidades

do

rio

Sousa

mais

para

norte

observam-se

afloramentos de idade devónica essencialmente constituídos por pelitos, quartzitos e grauvaques por vezes de cor avermelhada contendo fósseis de trilobites, braquiópodes e crinóides entre outros. O rio Ferreira, principal afluente do Rio Sousa, passa do substrato granítico (granito de Guimarães) para um substrato metassedimentar perto de Cortegada,

controlado

por

uma

falha

de

direccção

NE-SE.

Estes

metassedimentos de idade devónica (Formação de Sobrado) afloram numa pequena área no Concelho de Paredes sendo essencialmente constituídos por pelitos, quartzitos, conglomerados (fig. 127) e grauvaques por vezes de cor avermelhada.

Figura 127 - Quartzitos e conglomerados com granoselecção da Formação de Sobrado.

O

concelho

apresenta

uma

intensa

rede

de

falhas

e

fracturas

principalmente de direcções NE-SW (principal) e N-S. A primeira família de descontinuidades controla a orientação geral do curso do rio Sousa. No que se refere à exploração dos granitos o concelho tem, segundo os dados do INETI, duas pedreiras activas, uma em Paredes onde é explorado o

178


Valorização do património natural das Terras do Sousa

granito de Penafiel e outra em Vila Cova de Carros onde é explorado o granito de Guimarães. As mineralizações mais importantes no Concelho de Paredes, que correspondem

ao

tipo

Au-As,

foram

também

as

mineralizações

preferencialmente exploradas pelos romanos. O ouro da região despertou o interesse do homem, pelo menos, na época de ocupação romana da Península Ibérica. São numerosas as evidências da actividade mineira, nomeadamente nas Serras de Santa Iria (Senhora do Salto) (fig. 128 A), Banjas (fig. 128 B) e em Covas de Castromil. Há vestígios de castros, nomeadamente em Outeiro da Mó, junto à Mina das Banjas, onde foram encontradas mós e moinhos de moagem de minério, em granito, além de escórias de fundição. Entre os trabalhos mineiros conhecidos na região, que podem atingir algumas centenas de metros de profundidade, é possível observar a ocorrência de poços de secção quadrangular ou circular, cortas, assim como galerias que chegam a atingir algumas centenas de metros de extensão (fig. 128 C). Os vazios correspondentes ao desmonte dos filões são vulgarmente designados nesta região por banjas (mais a norte são designados por fojos). No exterior, por vezes observam-se amontoados de rochas que eram retiradas dos trabalhos subterrâneos e que correspondem às escombreiras (fig. 128 D). Os jazigos são uma sobreposição do tipo filoniano (filões de quartzo), dominante, e do tipo estratiforme (associados aos estratos) bem evidente na Mina das Banjas. As mineralizações auríferas apresentam uma mineralogia bastante diversificada, sendo a ganga geralmente quartzosa. Os minerais mais frequentes são a pirite (Fe S2), arsenopirite (FeAsS), galena (PbS), blenda (ZnS) e sulfuretos mais complexos de chumbo, antimónio e prata. O ouro (fig. 129) apresenta-se puro ou mais frequentemente em liga com a prata sendo designado neste caso por electrum.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

A

B

C D

Figura 128 – Evidências da actividade mineira. A: Trabalho mineiro (poço) na Senhora do Salto; B: Entrada da galeria de acesso à Mina das Banjas, no ano de 1991; C: Escombreiras (Mina das Banjas); D: Galeria de acesso da Mina das Banjas.

Figura 129 - Ouro em cavidade de quartzo, na Mina das Banjas.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

A mina das Banjas foi uma das mais importantes do distrito mineiro Dúrico-Beirão. Num relatório da New Douro Gold Mines, Ltd, sem data, é referido que as pirites auríferas chegaram a dar teores de 100g/t, tendo-se extraído em média 35g/t. O Consórcio do Baixo-Douro, que concessionou a área em finais do século XX detectou teores importantes de ouro, atingindo 500g/t na análise dos níveis negros ferruginosos com matéria orgânica. A exploração nesta mina seguiu quatro tipos de estruturas mineralizadas: filões de quartzo N20 geralmente pouco espessos ( que

na

realidade

são

estruturas

1m); massas de quartzo N20-40

filonianas

mais

espessas

com

vários

preenchimentos correspondentes a vários episódios de mineralização; falhas N170 (fracturas de tracção rejogadas por vezes com espesso preenchimento filoniano)

e

níveis

negros

interestratificados

(com

veios

de

quartzo

concordantes). As minas de Covas de Castromil e Serra da Quinta apresentam também mineralizações do tipo Au-As mas num contexto geológico diferente do da Mina das Banjas. Localizam-se na zona de contacto entre xistos de idade silúrica e granitos

estando

a

mineralização

associada

a

filões

de

quartzo

preferencialmente associados a cisalhamentos, com direcções diversas (N40, N100 e N150). Do ponto de vista mineralógico a ganga é quartzosa e os minerais mais frequentes são a arsenopirite (FeAsS), pirite (Fe S2), bismuto nativo (Bi), blenda (ZnS), calcopirite (CuFeS2), galena (PbS) e ouro (Au). A composição da arsenopirite indica temperaturas de deposição da ordem dos 380 ºC. A presença de Bi indica que estas mineralizações se formaram a temperaturas relativamente altas, provavelmente relacionada granitóides, alguns não aflorantes na região.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.1 - Boavista Concelho: Paredes Bacia: Sousa Coordenada inicial: 54.70/66.80 Área: 16.082 m2

N

Classificação: Sem interesse

Figura 130 - Imagem da área seleccionada em Boavista (imagem satélite http://earth.google.com).

Esta área consiste num souto pequeno seguido de um corredor ripícola largo mas impenetrável, rodeados por campos de cultivo e algumas habitações. Sem intervenções a propor. Sem património construído de interesse. Sem percursos definidos.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.2 - Moinhos Concelho: Paredes Bacia: Sousa – Rio Mezio Coordenada inicial: 57.84/66.49 Área: 6.240 m2

N

Classificação: Bom

Figura 131 - Imagem da área seleccionada em Moinhos (imagem satélite http://earth.google.com).

Conjunto de moinhos recuperados e em funcionamento (fig. 132), localizado no rio Mezio. Podem ser utilizados para a realização de turismo educativo, após acordo com o explorador.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Os moinhos dividem o rio em 2 braços, que se voltam a unir aproximadamente 250 m à frente. Observam-se muitos peixes, pequenos e grandes, tanto a jusante como a montante dos moinhos, e também muitos girinos. Estão rodeados por campos de cultivo, não se observando nenhum bosque perto.

Figura 132 - Moinho.

Flora O extracto arbóreo é maioritariamente constituído por grandes plátanos ao longo do rio. Fauna Este local apresenta uma diversidade elevada para a pequena área de interesse. Ao nível de aves foram observadas: carriça, chamariz, gaio comum, melro preto, pisco de peito ruivo, rabirruivo preto, toutinegra de barrete preto e verdilhão comum. Quanto a mamíferos formam identificados excrementos de lontra. Foram observados poucos anfíbios e répteis: lagarto de água, lagartixa ibérica e rã verde. Património construído no local/próximo - Moinhos Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.3 - Parque de Lazer de Soutelo Concelho: Paredes Bacia: Sousa Coordenada inicial: 49.59/65.64 Área: 20.496 m2

N

Classificação: Bom

Figura 133 - Imagem da área do Parque de Lazer de Soutelo (imagem satélite http://earth.google.com).

Apesar de muito próximo do centro da cidade de Paredes, é uma área tranquila atravessada pelo rio Ferreira. Está na continuidade de outros pontos estudados ao longo do rio Ferreira fazendo parte do ponto à frente denominado Circuito do rio Ferreira.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.4 - Bousinde Concelho: Paredes Bacia: Sousa Coordenada inicial: 54.63/65.09 Área: 36.050 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 134 - Imagem da área seleccionada em Bousinde (imagem satélite http://earth.google.com). A: Zona de interesse; B: Quinta privada.

A zona florestal encontra-se num estado impenetrável. É assim indispensável a abertura de caminhos que permitam uma nova visita. A flora na zona mais externa é constituída por loureiros, castanheiros, salgueiros, carvalhos e acácias pequenas, o que

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

demonstra algum potencial, pelo que se sugere que esta área seja protegida e a vegetação controlada. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.5 - Circuito do Rio Ferreira Concelho: Paredes Bacia: Ferreira Coordenada inicial: 47.54/63.67 Área: 120.971 m2

N

Classificação: Excelente

Figura 135 - Imagem da área seleccionada ao longo do Rio Ferreira em Paredes (imagem satélite http://earth.google.com).

Área que se estende ao longo do rio Ferreira. Esta zona é bastante interessante em termos naturais e culturais, apresentando uma grande quantidade de moinhos em ruínas, destacando-se um núcleo de moinhos em série na zona de Soutelo (fig. 136 A),

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

que deverão ser preservados. No entanto, é necessária uma intervenção urgente nesta área pois sobram poucos espaços verdes, que deverão ser igualmente preservados. Existem já alguns caminhos ao longo do rio mas precisam ser limpos de vegetação. Deverão ainda ser construídos caminhos a ligar os já existentes de modo a criar um percurso contínuo e que passe pelas infra-estruturas já existentes nomeadamente o Parque de Lazer em Soutelo. Na zona de Penhas Altas, em Lordelo, existe também um núcleo de moinhos em série mas estes encontram-se já recuperados e explorados por privados (fig. 136 B). Seria interessante, a nível cultural, permitir a visita do público em geral aos moinhos, de forma a conhecerem o modo de funcionamento dos mesmos. Deverão ser enquadrados na paisagem todos os elementos artificiais (fig. 137), observáveis numa grande extensão do rio e alguns caminhos. No extremo oeste da área limitada existe um parque de recreio construído provavelmente por habitantes vizinhos. Pode ser melhorado e definido como fim de percurso naquele sentido.

Figura 136 – Moinhos junto ao rio Ferreira. A: Moinhos em série a recuperar; B: Moinhos em série reconstruídos e em funcionamento.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 137 - Exemplos de elementos não enquadrados.

Flora Este percurso inicia-se numa zona dominada por plantações florestais e com algumas zonas agrícolas junto ao rio, pequenas zonas férteis onde os sedimentos transportados pelo rio se acumularam. Nestas pequenas zonas de veiga o solo é profundo, contrastando com as zonas de encosta onde o xisto aflora, revestidas por tojais. É nos solos profundos e húmidos que se encontra o amieiro, a árvore típica das galerias ripícolas bem conservadas e que forma pequenos corredores especialmente nas áreas em que contacta com zonas de matagais naturais ou plantações florestais de eucalipto. Em oposição, nos solos incipientes das encostas dominam os matos de tojo gatenho e torga. Junto à estrada nacional estão plantados exemplares de cedro do Buçaco e háquea folhas de salgueiro, esta última encontrando-se muitas vezes ao longo da estrada. Na zona de Costeiras, a paisagem continua a ser dominada pelas plantações florestais, surgindo pequenas áreas agrícolas junto ao rio, nos solos aluvionares. O amieiro continua a ser a espécie dominante da galeria embora pontualmente se encontrem exemplares plantados de uma espécie exótica de choupo, o choupo híbrido. Ao longo da galeria ripícola podemos encontrar vários exemplares de fetos e grandes junças.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

À medida que nos aproximamos de Lordelo, a paisagem começa a mudar, passando a dominar a paisagem agrícola em detrimento da florestal. O vale do rio abre-se, tornando a zona de veiga muito maior. Os amieiros são acompanhados por espécies arbustivas tais como o sabugueiro, o salgueiro negro e o vimeiro. Alguns exemplares isolados de loureiro pontuam junto ao rio, acompanhado algumas herbáceas aromáticas como a erva cidreira e a nêveda. Ao entrarmos em Lordelo, a matriz urbana passa a dominar a paisagem, estando as áreas naturais presentes principalmente junto ao rio. Junto à ponte da Corujeira ocorrem pequenos bosquetes de carvalho alvarinho e sobreiro. Ao longo da margem podemos encontrar alguns exemplares de choupo híbrido com um porte realmente notável, junto de espécies autóctones como os salgueiros e amieiros. Continuando o nosso trajecto, a densidade urbana começa a decrescer, voltando a estar em evidência as plantações florestais. A vegetação natural mais comum na parte terminal do percurso encontra-se junto ao rio, em contacto com plantações de eucalipto e campos cultivados. A galeria ripícola encontra-se bem estruturada, ladeada por matagais de codesso, giesta negral e silva, formações arbustivas que fazem a transição para a matriz agro-florestal. Fauna A nível da fauna, podem ser definidos alguns pontos de observação, especialmente de passeriformes. Estes pontos localizam-se preferencialmente em áreas de cultivo, que constituem fontes de alimento. Foram observadas várias espécies de aves: alvéola cinzenta, carriça, chapim rabilongo, chapim real, cotovia de poupa, felosa do mato, garça real, guarda rios, pica pau malhado pequeno, pisco de peito ruivo e trepadeira comum. Quanto a mamíferos foram vistos indícios de presença da lontra e da toupeira cega. Património construído no local/próximo - Moinhos em ruínas - Moinhos em série - Parque de Lazer de Soutelo - Torre dos Mouros

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: numa primeira fase - 85.838 m2 (a par do percurso possível actualmente); numa segunda fase - 120.971 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 4 Sinalização de percurso: 7 caminho correcto + 7 caminho errado (Costeiras) + 5 caminho correcto + 5 caminho errado (Lordelo) Placares informativos: 2 Abertura/limpeza de trilhos: Costeiras: 1,8 km limpeza + 1,8 km na margem oposta (limpeza mais intensiva nesta margem); 225 m em Lordelo Recuperação de moinhos: 7 moinhos ao longo de todo o percurso; 6 moinhos em série em Lordelo Construção de pontes: 1 de 10 m Bancos: não Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

196


Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.6 - Cête Concelho: Paredes Bacia: Sousa Coordenada inicial: 53.23/59.27 Área: 1.123.200 m2

N

Classificação: Bom

Figura 138 - Imagem da área seleccionada em Cête (imagem satélite http://earth.google.com).

Área envolvente ao Mosteiro de Cête (fig. 139 A), constituída essencialmente por terrenos pertencentes à Quinta de Cête (fig. 139 B), é privada embora o proprietário não coloque restrições à sua visita. Assim, reconhece-se a importância da sua classificação como Património de Interesse Municipal, uma vez que possui vários elementos de interesse. Contudo, existem áreas não intervencionadas e/ou pouco cuidadas que necessitam de especial atenção, nomeadamente remoção de exóticas.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 139 - Pontos de passagem no local. A: Mosteiro de Cête; B: Quinta de Cête.

Flora Junto ao Mosteiro vê-se uma eira tradicional, com lajes e espigueiro de granito. Antigamente as eiras eram usadas para secar o milho depois de colhido. Poder-se-á, na Primavera, observar tradicionais medas de palha (erva a secar, possivelmente azevém) dispostas em torno de um eixo. Ao lado, surge um magnífico salgueiral palustre de salgueiro negro acompanhado de tufos de junco, planta com uso de longa data para o tratamento das afecções da voz. Nos muros circundantes é interessante focar o olhar no minutus

mundi da vegetação rupícola. Líquenes como Parmotrema chinense, musgos e pequenas plantas como os umbigos de vénus (fig. 140) preenchem as fendas que surgem entre as pedras dos muros recobertos de hera. Plantas como a urtiga, o jarro dos campos, o embude, a celidónia e a pervinca, usada para tratar doenças de garganta e até certos tipos de cancro, aparecem na beira dos campos adjacentes, rodeados de videira (vulgo vinha).

Figura 140 – Umbigos de vénus.

Algumas infestantes marcam presença, como é o caso da acácia negra e da erva da fortuna.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

De destacar os imponentes lodãos que surgem junto à estrada. Fauna São observadas várias espécies de aves: carriça, chamariz, melro preto, pardal comum, pisco de peito ruivo e rabirruivo preto. Foram ainda detectados indícios de presença da raposa e do esquilo. Património construído no local/próximo - Mosteiro - Quinta de Cête Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: não contabilizado Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 0 (basta seguir as placas de indicação do Mosteiro) Sinalização de percurso: 8 de caminho correcto; 8 de caminho errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: não Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Bancos: não Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

200


Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.7 - Verdial Concelho: Paredes Bacia: Sousa – Ribeira de Baltar Coordenada inicial: 53.20/58.70 Área: 122.400 m2

N

Classificação: Sem interesse

Figura 141 - Imagem da área seleccionada em Verdial (imagem satélite http://earth.google.com).

A margem direita da ribeira consiste numa área maioritariamente dedicada à agricultura e indústria, restando uma pequena mancha de floresta. A água encontra-se límpida mas com muito lixo e vegetação que tendem a entupir o leito do rio e a permitir a acumulação de ainda mais lixo (fig. 142). Na maior parte da área, o acesso ao rio é muito complicado, uma vez que predominam mato e silvas. O rio encontra-se vedado junto à segunda ponte, devido ao pastoreio. Perto desta zona existe ainda uma lixeira muito perto do rio e um plano para construção de um lar de idosos.

201


Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 142 - Margens da ribeira.

Flora É possível observar árvores de grande tamanho como: amieiros, carvalhos, eucaliptos e pinheiros. Fauna Neste local existe uma grande variedade de aves e répteis: andorinha dos beirais, bico de lacre, carriça, cartaxo comum, chapim real, falcão peneireiro, gaio comum, melro preto, pardal comum, pisco de peito ruivo, verdilhão comum, cobra de água de colar, lagartixa de Bocage, lagartixa ibérica, lagarto de água e a rã verde a representar os anfíbios. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.8 - Codeçoso Concelho: Paredes Bacia: Sousa Coordenada inicial: 52.00/55.90 Área: 27.900 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 143 - Imagem da área seleccionada em Codeçoso (imagem satélite http://earth.google.com).

Área essencialmente agrícola, com algumas habitações e um pequeno núcleo florestal. Localiza-se muito próxima do Parque de Merendas de Sobreira e Minas de Castromil, estando já incluída na área de intervenção desse ponto. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.9 - Recarei Concelho: Paredes Bacia: Sousa Coordenada inicial: 49.27/56.03 Área: Não definida

N

Classificação: Interessante

Figura 144 - Imagem da área seleccionada em Recarei (imagem satélite http://earth.google.com).

Moinho em estado de abandono (fig. 145), precedido de um grande açude, numa zona maioritariamente agrícola, com estrada principal e habitações próximas. Sugere-se a recuperação do moinho e zona envolvente. Existe uma ribeira que desagua neste local que parece funcionar como maternidade para os peixes devido às condições que apresenta a nível de limpidez da água, corrente fraca e um grande número de juvenis. Contudo, encontra-se bastante

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

descuidada dado observar-se uma grande quantidade de lixo e vegetação solta que devem ser removidos.

Figura 145 – Moinho em Recarei.

Flora Em Recarei o rio Sousa passa entre amieiros, salgueiros negros, choupos negros. Acompanham arbustos como o codesso e as silvas em sebe. No estrato herbáceo, temos a branca ursina, a urtiga, a labaça de folhas largas, a hera, a celidónia, o amor de hortelão, o dáctilo dos lameiros, o embude, a tanchagem, o trevo comum, o jarro dos campos, a erva médica, o lúpulo, o mentrasto (fig. 146), o hipericão ondeado e a margacinha.

Figura 146 – Mentrasto.

Fauna Ao nível de aves foram observadas: andorinha dos beirais, chamariz, rola turca e verdilhão. Quanto a mamíferos apenas foram detectados excrementos de lontra. Os anfíbios e répteis detectados foram: lagartixa de Bocage, lagartixa ibérica, lagarto de água e rã verde. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.10 - Sobreira/Castromil Concelho: Paredes Bacia: Sousa Coordenada inicial: 51.75/55.52

N

Área: 28.964 m2 Classificação: Bom

Figura

147

-

Imagem

da

área

seleccionada

em

Sobreira-Castromil

(imagem

satélite

http://earth.google.com).

Área total composta por duas zonas: a norte da linha-férrea localizam-se as Minas de Castromil, de grande interesse geológico, a sul situa-se o Parque de Merendas de Sobreira.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

As minas de Castromil foram exploradas pelos romanos há cerca de 2000 anos, com vista à extracção de ouro. Em 1941, iniciou-se nova prospecção que foi interrompida em 1966 devido à queda do preço do ouro. No local, podem ser visitadas galerias que correspondem a escavações subterrâneas, ocorrendo galerias de prospecção recentes que intersectam desmontes subterrâneos antigos. É indispensável a renovação dos placares informativos existentes no local, pois encontram-se bastante degradados (fig. 148 A), e acrescentar indicação do percurso a propor no guia. Apoiase a ideia de construção de um parque temático ou acabamento das alterações iniciadas. A vegetação envolvente inclui tanto espécies autóctones como exóticas mas distribuídas ao acaso, de forma natural, sendo indispensáveis alterações a este nível. O Parque de Merendas encontra-se com aspecto bastante degradado, necessitando de várias alterações, tais como: - Eliminar as acácias existentes no parque e permitir o crescimento de autóctones; - Enquadrar o edifício em construção no espaço do parque (fig. 148 B); - Enquadrar a ponte, forrando a madeira, e melhorar o acesso à mesma. Os moradores queixam-se que a Filcor, fábrica adjacente, liberta fumos negros, de odor altamente desagradável e apresenta tanques escavados na terra não isolados. Esta situação deve ser fiscalizada. É indispensável a colocação de indicações de direcção tanto do Parque de Merendas como do aceso às Minas nas estradas.

Figura 148 - Pontos a melhorar. A: Placares informativos nas Minas de Castromil; B: edifício no Parque de Merendas.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Flora Antigos e esguios plátanos e choupos negros abrigam as mesas e cadeiras do Parque de Merendas de Sobreira. Ao lado do parque corre uma linha d’água com uma galeria ripícola. Junto ao caminho que ladeia a linha d’agua vale a pena admirar, durante a época de floração (geralmente de Março a Abril), as belas flores da cerejeira de jardim. Na fronteira do Parque erguem-se pequenas encostas de terra onde cresce vegetação original da área. Aqui surgem exemplares de árvores como o carvalho alvarinho e o sobreiro, arbustos como o tojo arnal, trepadeiras como a hera e ervas como a escorodónia. A vegetação envolvente da entrada das Minas de Castromil é constituída por um pinhal-eucaliptal esparso sobre os montes. Destacam-se, entre os pinheiros bravos e eucaliptos que formam a maioria da canópia, os magníficos exemplares de pinheiro manso. Sob o coberto arbóreo espalham-se elementos típicos da floresta natural, como é o caso de arbustos como a silva, o tojo arnal, a giesta das serras e a urze carapaça (fig. 149), planta muito curiosa pela “penugem” com que é recoberta; trepadeiras como a hera; e ervas como o jarro dos campos e a escorodónia.

Figura 149 – Urze carapaça.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Fauna Não é possível observar grande diversidade de espécies, tendo-se avistado: gaio comum, melro preto, esquilo, raposa, lagartixa do mato comum e lagarto de água. Património construído no local/próximo - Galerias das minas - Parque de lazer Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 94.196 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 3 Sinalização de percurso: 10 de caminho correcto; 5 de caminho errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 120 m Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: adaptação da ponte existente junto ao parque de lazer Bancos: não Centros Interpretativos: sim, recuperação do edifício no parque de lazer

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.11 - Serra de Santo Antoninho/Sobreira Concelho: Paredes Bacia: Sousa Coordenada inicial: 49.36/55.12 Área: 146.356 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 150 - Imagem da área seleccionada na Serra de Santo Antoninho-Sobreira (imagem satélite http://earth.google.com).

Área que acompanha um troço largo do rio Sousa. Os dois pontos são locais isolados, que poderão ser unidos de duas formas: ou atravessando a serra ou seguindo ao longo do rio. Existem em Sobreira algumas habitações mais próximas do rio mas localizam-se num nível mais elevado. A margem direita, em ambos os pontos, é constituída por

211


Valorização do património natural das Terras do Sousa

pequenos campos de cultivo envolvidos por matagal e algumas árvores. A margem esquerda (serra) encontra-se a recuperar de um incêndio (fig. 151 A) e junto a Sobreira esta margem possui também campos de cultivo. Existe ainda um moinho a recuperar (fig. 151 B). É necessário proceder à limpeza do rio, que se encontra com bastante lixo e vegetação. É uma zona que parece ter potencial mas é necessária uma intervenção algo profunda.

Figura 211 - Pontos de passagem no local. A: Açude e Serra de Santo Antoninho; B: Moinho.

Flora Grande parte desta área mostra as consequências de um incêndio recente. Começam a rebentar eucaliptos. Existem bastantes campos de cultivo. Fauna Apesar do aspecto devastador que este local apresenta, é possível detectar grande quantidade de espécies. Aves: alvéola branca, chamariz, chapim azul, chapim preto, cia, cuco canoro, gaio comum, melro preto, perdiz comum, pisco de peito ruivo e toutinegra de barrete preto. Mamíferos: coelho, excrementos de lontra e toupeira cega. Anfíbios: rã ibérica e rã verde. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

212


Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.12 - Ribeira de Bustelo Concelho: Paredes Coordenada inicial: 48.33/54.13 Bacia: Sousa – Ribeira de Bustelo Área: 51.770 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 152 - Imagem da área seleccionada junto à foz da Ribeira do Bustelo (imagem satélite http://earth.google.com).

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Área caracterizada pela existência de campos de cultivo na margem esquerda a montante da ponte formada pela Estrada Nacional e pastoreio a jusante da ponte. A margem direita encontra-se envolvida por mato, que deve ser limpo, permitindo o crescimento de autóctones. Existe um açude que forma uma queda de água com aproximadamente 2 m de altura (fig. 153 A). Além da cascata surge um muro em xisto que limita uma área serrana (fig. 153 B), dominada mais à frente por eucaliptos. A

B

Figura 153 - Pontos de passagem no local; A: Queda de água; B: Área serrana.

Flora Esta é uma galeria ripícola de amieiros e salgueiros negros em matiz silvícola de pinhal e eucaliptal. Alameda bordejada por dáctilo dos lameiros, labaça de folhas largas, tojo arnal, giesta das serras, silvas, esteva e torga. Surge um muro com rica vegetação brio-epifítica com líquenes, briófitas e hepáticas. Observa-se regeneração de pés de carvalho alvarinho e sobreiro. Surgem fetos como o feto fêmea, o fentilho e os umbigos de vénus. No estrato herbáceo, surge a hortelã crespa (a hortelã que se usa para o chá e à qual os Ingleses chamam spearmint), o lâmio maculado e a morugem branca. Na galeria ripícola, mais interiormente, surgem fetos como o feto pente e, de novo, o feto fêmea. Como plantas herbáceas temos a sete em rama, o dáctilo dos lameiros, o Brachypodium rupestre e a Viola palustris.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Fauna Apesar da variedade do local não foi detectada grande variedade de espécies. Ao nível de anfíbios e répteis foram observados: lagartixa do mato comum, rã ibérica, rã verde e tritão de ventre laranja. Quanto a mamíferos foram apenas detectados excrementos de raposa. Sem património construído de interesse. Sem percursos definidos.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.13 - Serra da Sra. das Mercês Concelho: Paredes Bacia: Sousa Coordenada inicial: 44.77/55.07 Área: Não definida

N

Classificação: Interessante

Figura 154 - Imagem da área seleccionada na Serra da Senhora das Mercês (imagem satélite http://earth.google.com).

Área extensa com alguns pontos de água propícios à ocorrência de anfíbios e répteis, contudo, perde interesse natural por ser ocupada quase na sua totalidade por eucaliptos, tornando a paisagem e os habitats monótonos. Seria interessante recuperar o coberto vegetal que rodeia os pontos de água. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.14 - Senhora do Salto Concelho: Paredes Bacia: Sousa Coordenada inicial: 47.70/53.40

N

Área: 730.000 m2 Classificação: Excelente

Figura

155

-

Imagem

da

área

seleccionada

na

Senhora

do

Salto

(imagem

satélite

http://earth.google.com).

A área seleccionada incorpora o actual Parque Natural da Senhora do Salto, incluindo a Ribeira de Santa Comba e o Castelo de Aguiar de Sousa, assim como os valores naturais envolventes. A Torre do Castelo de Aguiar de Sousa, que data do século 11 e ao redor do qual se podem observar exemplares pouco comuns da flora como o feto relíquia Davallia canariensis com ocorrência muito pontual no país, e o endemismo do Noroeste Ibérico Silene marizii, ambos associados às impressionantes

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

escarpas e afloramentos rochosos (habitat 8220 do Anexo I da Directiva “Habitats”) que caracterizam este local. O Parque Natural da Senhora do Salto estende-se pelas margens do rio Sousa e sobe ao longo da ribeira de Santa Comba. Caracteriza-se pela magnitude das escarpas que se estendem ao longo de cerca de 1 quilómetro (fig. 156 A) na base das quais existe um núcleo de moinhos (fig. 156 B). Existem

algumas

alterações

que

podem

ser

efectuadas

no

Parque,

nomeadamente o enquadramento do núcleo habitacional, da mini-hidrica e do posto de observação da garganta; construção de um trilho junto às escarpas ao longo do rio, desde o posto de observação da garganta até à ponte do Castelo. Seria positivo impedir a circulação de viaturas na área do Parque, aconselhando-se a construção de um parque de estacionamento junto à estrada principal. Ainda, deverão ser criados novos placares informativos com as espécies que podem ser observadas, entre as quais se ressaltam o falcão peregrino a nível da fauna, e a Davallia canariensis a nível da flora (fig. 157). A

B

Figura 156 - Vale do Rio Sousa na Senhora do Salto. A: Escarpas; B: Moinhos habitados.

Figura 227 - Feto Davallia canariensis.

220


Valorização do património natural das Terras do Sousa

Flora

Da vegetação envolvente ao Santuário da Senhora do Salto destaca-se

principalmente a galeria ripícola de amieiros inserida em imponentes escarpas de xisto, por cima da qual se elevam em voo rápido e ziguezagueado pequenas aves. Junto ao amieiro surgem plantas comuns junto a cursos de água como o embude e Carex

reuteriana. A mimosa, árvore bela mas infestante, surge um pouco por toda a parte. Florida de amarelo-claro durante a Primavera, a sua floração pode ser já observada a partir de Fevereiro. É também de interesse a vegetação herbácea e arbustiva que cresce nos prados e taludes terrosos adjacentes. Nestes encontra-se principalmente um conjunto de briófitas, líquenes, fetos como a avenca negra e o fentelho, e os umbigos de vénus, facilmente identificáveis pela forma arredondada das suas folhas. A silva, a torga (fig. 158 B), Phyllirea angustifolia e o pilriteiro compõem, em fragmentos espalhados pela área envolvente, um variado estrato arbustivo sob o qual se estendem trepadeiras como a hera e a alegra campo (fig. 158 A), espécie indicadora da influência climática mediterrânica patente no local. Surgem ainda espécies herbáceas florestais como a escorodónia, a labaça de folhas largas e a gilbardeira, outra espécie de apetências termófilas e típica de zonas mediterrânicas. A vegetação rupícola, inserida nos afloramentos xistosos que se erguem ao longo do caminho é um pequeno mundo de grande variedade que inclui, como a vegetação dos taludes terrosos, briófitas e líquenes, mas também pequenas plantas como Silene marisii – planta de considerável raridade-, Saxifraga lepismigena, a bolbosa Narcissus triandus, umbigos de vénus e duas espécies do género Sedum: a uva de gato e Sedum anglicum. Pode-se ainda observar as seguintes espécies: freixo e sobreiro ao longo da ribeira de Santa Comba, loureiro nas escarpas, aderno no miradouro junto à estrada e

Davallia canariensis junto à Torre do Castelo de Aguiar de Sousa.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

A

B

Figura 158 – Algumas espécies que podem ser observadas no local. A: Torga (Phyllirea angustifolia); B: Alegra campo ou salsaparrilha bastarda (Smilax aspera).

Fauna É um local com uma diversidade extrema. Ao nível das aves contam-se: águia d`asa redonda, alvéola amarela, andorinha das rochas, andorinha dos beirais, carriça, chamariz, chapim preto, chapim real, cia, cuco canoro, gaio comum, garça, guarda rios, lugre, peto verde, pica pau malhado grande, pombo torcaz, rabirruivo preto, toutinegra de barrete preto, trepadeira comum e verdilhão comum. Um casal de falcão peregrino nidifica nas escarpas e é o único conhecido em toda a bacia do Sousa. Com alguma atenção no trajecto junto às margens é possível, observar pegadas e excrementos de alguns mamíferos, como a lontra. Foram ainda detectados indícios da presença de: esquilo, fuinha, javali, ouriço cacheiro, raposa, texugo e toupeira cega. Quanto a anfíbios, foi possível observar: cobra de água de colar, cobra de água viperina, lagartixa do mato comum, lagartixa ibérica, rã verde e tritão de ventre laranja. Património construído no local/próximo - Capela - Moinhos

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: numa área de 231.124 m2; numa segunda fase, intervenção em 17.340 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 1 Sinalização de percurso: 5 caminho correcto + 5 caminho errado Placares informativos: 1 (só com o percurso do Alvre e fotos mais específicas) Abertura/limpeza de trilhos: numa segunda fase, abertura de um trilho pelas escarpas numa distância de 1156 m Recuperação de moinhos: 1 Construção de pontes: não Centros Interpretativos: recuperação do edifício junto da igreja da Sra. do Salto (+/50 m2)

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.4.15 - Minas das Banjas

Concelho: Paredes Bacia: Sousa – Ribeira das Banjas / Ribeira de Lagares Coordenada inicial: 51.90/49.87

N

Área: 3.299.088 m2 Classificação: Excelente

C

Figura

159

-

Imagem

da

área

seleccionada

nas

Minas

das

Banjas

(imagem

satélite

http://earth.google.com).

Zona de antiga exploração de minas, caracteriza-se pela grande diversidade faunística, observável principalmente na Primavera. O mesmo não se verifica ao nível

225


Valorização do património natural das Terras do Sousa

da flora, uma vez que esta se encontra completamente descaracterizada e destruída por um fogo recente, facto que pode ser aproveitado para uma replantação com autóctones, na área mais próxima das ribeiras, e assim valorizar ainda mais esta área (fig. 160 A). Na zona A marcada na figura 1 observamos a desembocadura da ribeira de Lagares na ribeira das Banjas, zona favorável à reprodução da espécie rã verde, sendo possível observar várias outras espécies, tanto de anfíbios como de répteis e aves. É possível também observar pequenos núcleos de casas em ruínas de apoio à antiga exploração mineira que devem ser restauradas e valorizadas (fig. 160 B). A zona C da mesma figura representa uma represa (fig. 160 C) onde podem ser encontradas várias espécies de anfíbios, entre as quais se ressalta a salamandra lusitânica (Chioglossa lusitanica). A presença de aberturas para as minas (fig. 160 D) é uma constante ao longo desta área, estando a entrada principal assinalada no ponto D da figura 1, contudo são minas em mau estado de conservação e em risco eminente de desabamento. Recomenda-se portanto alguma intervenção a este nível, para possibilitar a visita às minas. Ao nível dos percursos a intervenção necessária será mínima visto já existirem diversos caminhos abertos pelos madeireiros. É, no entanto, indispensável identificar as entradas das minas e galerias e vedá-las criando condições de segurança para os visitantes. Devem ainda ser colocadas placas de indicação do percurso e de informação dos principais elementos de interesse.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Figura 160 – Pontos de interesse no local. A: Início do percurso; B: Casas em ruínas; C: Represa; D: Entrada para as minas.

Flora As construções abandonadas pertencentes às antigas Minas das Banjas estão envolvidas por plantas que apreciam o calor considerável que é irradiado, em resposta à incidência dos raios solares, pela rocha que forma o substrato de toda esta área, o xisto. O xisto sustenta espécies vegetais únicas deste tipo de geologia como é o caso do tojo gatenho (fig. 161 B), que floresce logo no início da Primavera e surge de onde a onde nas vastas manchas de matos que ocorrem por toda a área. Rasgados por caminhos e acantonados por talhões de eucalipto, onde surgem esporadicamente pés de mimosa, estes notáveis matos são compostos principalmente por arbustos e árvores Mediterrânicas como a esteva, o aromático rosmaninho e o sobreiro, que aparece pontilhado um pouco por toda a parte. Crescem ainda pés esparsos de carvalho alvarinho e arbustos como o codesso, o mato branco, a carqueja e a mongoriça. No estrato herbáceo surgem flores silvestres como Ranunculus bupleuroides, o bonito

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Narcissus portensis, a graciosa erva das sete sangrias e a endémica Pedicularis lusitanica (fig. 161 A). Neste estrato estende-se ainda retalhos de um verdadeiro tapete formado por gramíneas como Molinia caerulea, Agrostis x foulladei e o famanco. Na ponte sobre a linha d’água, encontram-se resquícios de uma galeria ripícola, que outrora deverá ter ocupado todo o correr das margens. Impera o salgueiro negro que é acompanhado por torga (E. arborea) e sebes de silva. Junto a estes arbustos surgem, acompanhando a encosta, giestais de giesta amarela. De destacar uma pequena represa adjacente ao casario onde medra vegetação helofítica composta por uma única espécie vegetal visível a olho nú, Eleogiton fluitans. Esta planta encontra-se submersa e é facilmente identificável pela sua considerável quantidade e aspecto lanígero. Na vizinhança das Minas das Banjas podem-se ainda observar fragmentos da vegetação florestal original, que foi substituída pela matriz agro-silvícola. Antigamente, as encostas seriam cobertas de frondosos carvalhais termófilos, caracterizados por terem um cortejo de espécies mediterrânicas. Exemplares de algumas destas espécies podem ainda ser avistados na bordadura de campos agrícolas, como é o caso do folhado e do medronheiro. A B

Figura 161 – Algumas espécies que podem ser observadas no ponto Minas das Banjas. A:

Pedicularis lusitanica, espécie endémica; B: Tojo gatenho.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Fauna Este ponto apresenta uma enorme variedade de espécies, concentradas maioritariamente junto às linhas de água e entradas para as minas. Ao nível das aves foi possível detectar: águia cobreira, águia d`asa redonda, alvéola branca, alvéola cinzenta, carriça, cartaxo comum, chapim rabilongo, chapim real, cia, coruja das torres, estorninho malhado, gaio comum, guarda rios, perdiz comum, peto verde, pisco de peito ruivo, rabirruivo preto, tentilhão comum, tordo comum, toutinegra de barrete preto, toutinegra de cabeça preta e verdilhão comum. Pela análise de egagrópilas de coruja das torres foram identificados os seguintes micromamíferos: musaranho anão, musaranho de água, musaranho de dentes brancos grande, rato caseiro, rato do campo, rato dos bosques e rato dos prados mediterrânico. Foram detectados excrementos de coelho, lontra e raposa. Quanto a anfíbios e répteis, foram observadas as seguintes espécies: cobra de água viperina, cobra de pernas tridáctila, lagartixa do mato comum, lagartixa ibérica, lagarto de água, salamandra lusitânica, sapo comum, sapo parteiro, rã ibérica, rã verde, tritão de ventre laranja e tritão marmorado. Património construído no local/próximo - Antigas casas dos mineiros - Represa - Entradas das minas e respiradouros Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: alterações profundas na área mais próxima das ribeiras e pelo caminho que leva à segunda entrada da mina; área total de intervenção: 103.892 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 3 Sinalização de percurso: 23 de caminho correcto + 25 de caminho errado Placares informativos: 1

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Abertura/limpeza de trilhos: não Recuperação de moinhos: recuperação de ruínas (espaçadas numa área de 16.650 m2) Construção de pontes: não Centros Interpretativos: sim, recuperar as casas Outros: vedação de aberturas das minas, respiradouros e afins (+/- 10 aberturas)

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5. Concelho 5 – Penafiel Geologia O rio Sousa, de Novenas até perto de Sobreira, corre sob formações de natureza granítica, definindo este trajecto, como já referimos a fronteira entre o concelho de Paredes e o concelho de Penafiel. No troço inicial deste concelho o rio corre sobre um substrato granítico constituído pelo granito de Penafiel, cujo maciço tem uma forma alongada, com uma orientação geral de NW-SE (Anexo I). Trata-se de um granito de duas micas, com grão médio e cor cinzenta-azulada, apresentando megacristais de feldspato dispersos (fig. 162). A

B

Figura 162 - Maciço granítico de Penafiel. A: Vista geral do afloramento; B: Amostra de mão cortada.

Esta

rocha

está

integrada

no

Catálogo

de

Rochas

Ornamentais

Portuguesas (2000), da responsabilidade INETI. Este maciço apresenta, como já foi referido, uma diferenciação nos bordos do maciço, onde é visível, embora não continuamente um granodiorito. Trata-se de um granodiorito de cor cinzenta escura, de grão fino, dominantemente biotítica, com raros megacristais de feldspato potássico. O rio Cavalum, afluente do Sousa corre entre Santa Marta e Milhundos ao longo do granito de Penafiel. Neste último local é possível observar-se o contacto entre o granito de Guimarães (maciço oriental) e o granito de Penafiel, em cujo bordo NE se observa igualmente a presença, embora não significativa, do granodiorito de Paços de Sousa. A jusante de Milhundos o rio

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

corre ao longo do granito de Penafiel, até ser interceptado pelo rio Sousa no bordo SW deste maciço granítico. De Cadeade à Sobreira o rio Sousa corre sobre o granito de Guimarães (maciço ocidental), anteriormente caracterizado. Nas proximidades do Rio Douro, em Poço Negro, próximo da povoação de Estivada, o Rio Mau (afluente da margem direita do Douro) e os seus afluentes instalam-se, em vales profundos, dando à paisagem uma invulgar beleza resultante da heterogeneidade litológica das rochas envolventes e da complexidade tectónica da região. Trata-se de uma área que apresenta um grande interesse do ponto de vista da geodiversidade e para a qual foi já feita uma proposta de preservação (Couto & Lourenço 2005 – Anexo 4). O

concelho

apresenta

uma

intensa

rede

de

falhas

e

fracturas

principalmente de direcções NE-SW (principal) e N-S. A primeira família de descontinuidades controla a orientação geral do curso do rio Sousa. Encontram-se na região inúmeras explorações desta rocha. As pedreiras encontram-se abertas em flanco de encosta. A rocha apresenta-se bastante alterada à superfície e com abundantes diaclases, cuja direcção predominante NE-SW é coincidente com as direcções principais de falhas da região. Segundo os dados do INETI actualmente existem 64 pedreiras onde se explora os granitos da região, com claro destaque para o granito de Penafiel. A exploração deste granito tem bastante impacto na paisagem da região, com particular destaque para a região envolvente a Cabeça Santa, junto ao rio Douro (fig. 163).

Figura 163 - Vista aérea de pedreiras onde se explora o granito de Penafiel, na região envolvente a Cabeça Santa.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.1 - Alto da Barra Concelho: Penafiel Bacia: Sousa Coordenada inicial: 60.10/64.90 Área: Não definida

N

Classificação: Sem interesse

Figura 164 - Imagem da área seleccionada em Alto da Barra (imagem satélite http://earth.google.com).

Área maioritariamente agrícola junto a um eucaliptal. Existe uma pequena mancha de espécies autóctones com muito matagal. O rio possui várias árvores e troncos caídos. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.2 - Moinho de Novelas Concelho: Penafiel Bacia: Sousa Coordenada inicial: 59.5/64.1 Área: 44.240 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 165 - Imagem da área seleccionada junto do Moinho de Novelas (imagem satélite http://earth.google.com).

Área que engloba o Museu Municipal do Moinho da Ponte de Novelas, constituída por um moinho recuperado e uma zona ajardinada. A margem do lado do moinho encontra-se limpa e pode ser percorrida por um trilho com várias plataformas de acesso ao rio e ladeado por marmeleiros (fig. 166 A). Ao lado do caminho existe uma plantação com criação de aves de capoeira e no final do trilho (em frente a uma

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

casa de aspecto tradicional mas recentemente construída) existe uma ponte em madeira (fig. 166 B) que termina num campo de cultivo. No final da ponte poderia ser plantado um pequeno bosque, talvez de castanheiros, mais ou menos denso, para valorizar a área. Falta indicação da possibilidade de percorrer o caminho ao longo do rio. B

A

Figura 166 - Pontos de passagem no local. A: Trilho; B: Ponte de madeira.

Flora Junto à bonita ponte, vemos vegetação ripícola com alguns amieiros. Um verde tapete de azevém alberga ainda a labaça de folhas largas e o embude. Surgem silvas e ervas como o amor de hortelão e a urtiga. Vêem-se bonitas flores primaveris como a

Fumaria bastardii e a celidónia. Adjacente ao moinho, encontra-se um choupal de choupos negros. Observa-se junça (fig. 167) nas águas correntes do Sousa.

Figura 167 – Junça.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Fauna A nível da fauna é possível observar algumas espécies de passeriformes e uma grande quantidade de rãs verdes. As aves que foram observadas são: gaio comum, melro preto, pisco de peito ruivo e rabirruivo preto. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.3 - Santa Marta Concelho: Penafiel Bacia: Sousa – Rio Cavalum Coordenada inicial: 61.82/62.47 Área: 118.098 m2

N

Classificação: Bom

Figura 168 - Imagem da área seleccionada em Santa Marta (imagem satélite http://earth.google.com).

Esta é uma área que, apesar de muito próxima do centro da cidade de Penafiel, mantém ainda uma actividade agrícola e pastorícia significativas. Atravessada pelo rio Cavalum, podemos ainda encontrar vegetação tipicamente ripícola que envolve uma série de moinhos em ruínas. Um pouco acima do rio, em ambas as margens, a vegetação encontra-se bastante alterada, dando lugar a espécies exóticas como eucaliptos e acácias. Existem duas pontes de grande interesse e beleza: uma ponte pedestre no extremo oeste da área seleccionada (fig. 169 A), que dá acesso a uma área vedada, que está a

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

ser reflorestada; a outra ponte está fora de uso, tendo sido substituída por uma ponte nova, e localiza-se no extremo oposto à anterior, sendo esta a Ponte Medieval de Santa Marta. A partir da Ponte Medieval existem caminhos por entre os eucaliptos que levam a duas minas que acumulam água e onde se podem ver algumas espécies de anfíbios. O rio segue com água límpida mas as margens encontram-se bastante invadidas por vegetação (fig. 169 B).

Figura 169 - Pontos de passagem em Santa Marta. A: Ponte em pedra; B: Troço obstruído do rio Cavalum.

Flora Percorrendo a estrada que leva ao fundo do pequeno vale onde se aninha o casario de Bairral, os pés levam-nos às margens do rio Cavalum. Aqui se observa uma galeria ripícola (fig. 170) de grande riqueza, com árvores como o salgueiro negro, o amieiro negro, o freixo e o loureiro. Esta última árvore, de grande beleza e folhas extremamente aromáticas, é muito utilizada na culinária e na medicina, para o tratamento da insónia e auxílio da digestão. Avista-se ainda uma orla de sabugueiro, arbusto que pode crescer até ser uma pequena árvore, consoante o terreno onde cresce, e se sofre ou não poda (se for podado, restando apenas um ramo, transformase numa pequena árvore). É muito utilizado para tratamento de doenças do sistema respiratório e como diurético e purgante. A orla herbácea é igualmente rica e diversa, recoberta de hera e apresenta plantas de ambientes húmidos como o embude, e plantas de sítios frescos e sombrios como a ficária, a fentanha, Euphorbia amygdaloides, o agrião amargo, planta fontinal,

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

que cresce junto a correntes de água com salpicos e o jarro dos campos. Ainda se pode ver a urtiga, planta de extensa distribuição e diversos usos medicinais. De onde a onde surgem afloramentos graníticos, com vegetação rupícola.

Figura 170 - Galeria ripícola onde se vê freixo e loureiro

Fauna Foi detectada uma variedade razoável de espécies. Entre as aves observou-se: alvéola cinzenta, carriça, chapim rabilongo, estrelinha de cabeça listada, gaio comum, melro preto, pisco de peito ruivo, rabirruivo preto, tordo ruivo comum e trepadeira comum. A fuinha, o rato de água e a toupeira cega foram os mamíferos detectados. Quanto a anfíbios e répteis foram detectados: lagartixa de Bocage, rã ibérica e tritão de ventre laranja.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Património construído no local/próximo - Anta de Santa Marta ou Dólmen da Portela - Sepulturas antropomórficas Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 70.000 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 2 Sinalização de percurso: 4 em madeira de percurso correcto; 1 pintada de percurso correcto; 2 em madeira de percurso errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 576m (margem direita) + 359 m (margem esquerda) = 935 m Recuperação de moinhos: sim Construção de pontes: não Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.4 - Anta de Santa Marta e Sepulturas Antropomórficas Concelho: Penafiel Bacia: Sousa – Rio Cavalum Coordenada inicial: 60.99/61.60 Área: Não definida

N

Classificação: Interessante

Figura 171 - Imagem da área envolvente da Anta de Santa Marta e das Sepulturas Antropomórficas (imagem satélite http://earth.google.com).

A Anta de Santa Marta ou Dólmen da Portela é um monumento megalítico português localizado no Lugar da Portela em Santa Marta numa pequena elevação de uma chã, estando representado no brasão da freguesia. Está classificada como Monumento Nacional desde 1910. Os arqueólogos calculam que esta anta, formada por sete esteios tenha sido construída no Terceiro milénio a.C.. Perto desta anta, bastando atravessar a estrada, podemos ainda encontrar várias sepulturas antropomórficas, uma das quais ainda inteira. As sepulturas abertas na rocha destinavam-se a um ritual de inumação de um corpo que, na maior parte dos

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

casos, não se fazia acompanhar de qualquer tipo de espólio. A sua construção situa-se entre o séc. VII e o séc. XI. A zona envolvente a estes monumentos deve ser recuperada de forma a tornar a sua visita mais atractiva e devem ser tomadas medidas urgentes para a sua protecção. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.5 - Milhundos Concelho: Penafiel Bacia: Sousa – Rio Cavalum Coordenada inicial: 60.99/61.60 Área: 582.891 m2

N

Classificação: Bom

Figura 172 - Imagem da área seleccionada em Milhundos (imagem satélite http://earth.google.com).

A área seleccionada engloba uma pequena povoação, áreas agrícolas e áreas florestais, localizadas no vale do rio Cavalum. Ainda antes de chegar à povoação, acessível por uma estrada em paralelo, existem umas escadas em muito mau estado que levam a um moinho em ruínas, a partir do qual se consegue atingir o rio num troço de elevado interesse geológico (fig. 173 A), caracterizado pela grande quantidade de quedas de água e rápidos naturais mas cujo trajecto pelas margens é impossível devido ao crescimento da vegetação.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Entre as áreas florestais, destaca-se uma zona de carvalhal (fig. 173 B), onde as alterações serão apenas de controlo da vegetação. Na maior parte da restante área existem alterações a longo prazo indispensáveis na restante área florestal adjacente, nomeadamente a eliminação das infestantes (acácias, eucaliptos) e replantação com autóctones como carvalhos, castanheiros, sobreiros, entre outras. Existem aqui algumas casas abandonadas. Nesta zona já se encontram alguns caminhos abertos e relativamente fáceis de percorrer, com possibilidade de acesso a partir das estradas principais que delimitam a área, sendo indispensável limpeza de resíduos humanos. Sugere-se que seja limpa e restaurada a escadaria que dá acesso ao moinho a partir da casa abandonada junto à curva da estrada em paralelo e removida a vegetação rasteira invasora (acácias e matagal) nas margens. Propõe-se a criação de uma ligação pedonal das áreas assinaladas com o Parque da Cidade, que deverá ser feita ao longo do rio aproveitando alguns trilhos utilizados pelos agricultores e criando trilhos de ligação. No Parque podem ser acrescentadas placas informativas com referência à fauna que pode ser observada (passeriformes, lontra) e à flora existente.

Figura 173 - Pontos de passagem em Milhundos. A: Rio Cavalum junto ao moinho; B: Carvalhal.

Flora O lugar de Portela alberga uma galeria ripícola de grande tranquilidade. A água corrente é bordejada pelo salgueiro negro (fig. 174 B). Nas margens, sebes de silva rodeiam pés de urtiga, morugem branca e hera. Em afloramentos graníticos cresce o fentelho, umbigos de vénus, variadas briófitas e líquenes, plantas dos géneros Sedum

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

e Geranium e flores como o narciso trombeta (fig. 174 A). Existe ainda um pequeno núcleo de carvalhos. B A

Figura 174 – Algumas espécies que podem ser observadas em Milhundos. A: Narciso trombeta (Narcissus

pseudonarcissus); B: Salgueiro negro fixado entre pedras de granito no leito do rio Cavalum.

Fauna Não se detectam facilmente anfíbios nem répteis. Ao nível das aves observam-se algumas espécies: carriça, chapim preto, chapim rabilongo, chapim real, felosa comum, gaio comum, melro preto e toutinegra de barrete preto. Quanto a mamíferos foram detectados indícios da presença de coelho, lontra e toupeira cega. Património construído no local/próximo - Parque de lazer - Núcleo rural Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 250.000 m2

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 3 Sinalização de percurso: 6 de caminho correcto em madeira; 6 de caminho errado em madeira Placares informativos: 2 (1 no início do percurso, outro no Parque da Cidade) Abertura/limpeza de trilhos: limpar e melhorar o acesso ao moinho (faz-se a partir de uma casa abandonada por escadas em más condições); limpar a lixeira no local onde o percurso vai dar à estrada que faz a ligação entre o Parque da Cidade e o início do ponto. Recuperação de moinhos: 1 Construção de pontes: não Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.6 - Rande Concelho: Penafiel Bacia: Sousa Coordenada inicial: 61.38/61.00 Área: Não definida

N

Classificação: Sem interesse

Figura 175 - Imagem da área seleccionada em Rande (imagem satélite http://earth.google.com).

Área constituída maioritariamente por eucaliptos. Tem vários caminhos em bom estado e proporciona uma vista sobre a cidade. No entanto, não tem interesse natural. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.7 - Parque da Cidade de Penafiel Concelho: Penafiel Bacia: Sousa - Rio Cavalum Coordenada inicial: 59.85/60.80 Área: 20.520 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 176 - Imagem da área do Parque da Cidade de Penafiel (imagem satélite http://earth.google.com).

Zona de lazer e desporto, a pouca distância do centro da cidade. É uma área interessante atravessada pelo rio Cavalum. Possui todas as infraestruturas indicadas para a prática de desporto ao ar livre e merendas.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Flora O Parque da Cidade de Penafiel combina a arte poética da Arquitectura Paisagista, na busca pelo belo, com o rigor científico da Botânica, na busca pelo original. Efectivamente, o Parque combina espécies exóticas, plantadas segundo um critério estético, com espécies autóctones, preservadas segundo um critério naturalista. Arvoredos, canteiros, relvados e sebes naturais alternam num conjunto harmonioso e tranquilo. Na entrada Sul, começamos a caminhar atravessando canteiros de zimbro, urze e roseiras. Na direcção Nordeste-Sudoeste corre o rio Cavalum, que está adornado de uma galeria ripícola de amieiros, plátanos, carvalhos alvarinhos, salgueiros negros, ameixeiras de jardim (fig. 177 A) e sebes de silva. Duas plantas altamente higrófilas, o embude e o feto fêmea, compõem o cortejo herbáceo, juntamente com a urtiga e a labaça de folhas largas. De destacar também um bonito tabual de tábua larga que surge mais adiante nas águas do Cavalum, onde também se podem observar plantas como o azevém baboso, a salsa brava (fig. 177 B) e a espadana de água. B

A

Figura 177 – Algumas espécies que podem ser observadas no Parque da Cidade de Penafiel. A – Ameixeira de jardim; B – Salsa brava.

Fauna Ao nível das aves observam-se algumas espécies: chapim preto, chapim real, gaio comum, melro preto e toutinegra de barrete preto. Quanto a mamíferos foram detectados indícios da presença de lontra. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.8 - Guedixe Concelho: Penafiel Bacia: Sousa Coordenada inicial: 54.75/59.50 Área: Não definida

N

Classificação: Sem interesse

Figura 178 - Imagem da localização de Guedixe (imagem satélite http://earth.google.com).

Área pequena, com espaços verdes bastante alterados ou muito poluídos, junto a áreas agrícolas e industriais. Flora Em Guedixe observa-se um codessal com silvas, tojo arnal e salgueiros negros. Na linha de água, observam-se, ao lado de amieiros e salgueiros negros, alguns pés de carvalho alvarinho e sobreiros. Surge o bambu negro. Dentro de água surge a cana do

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

reino, o embude e a espadana de água. Nas margens, cresce o feto fêmea, o lírio amarelo, a urtiga, o jarro dos campos, a celidónia, e o dente de leão. Fauna Foram observadas algumas espécies de aves como chapim real, gaio comum, melro preto e toutinegra de barrete preto. Quanto a mamíferos foram detectados indícios da presença de toupeira. Foram ainda observadas várias rãs verdes. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.9 - Marecos Concelho: Penafiel Bacia: Sousa Coordenada inicial: 59.80/59.55 Área: Não definida

N

Classificação: Sem interesse

Figura 179 - Imagem da área seleccionada em Marecos (imagem satélite http://earth.google.com).

Área sem interesse do ponto de vista de biodiversidade, consistindo numa pedreira em funcionamento e área envolvente composta por eucaliptal. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.10 - Irivo Concelho: Penafiel Bacia: Sousa – Rio Cavalum Coordenada inicial: 56.04/58.94 Área: 37.510 m2

N

Classificação: Bom

Figura 180 - Imagem da área seleccionada em Irivo (imagem satélite http://earth.google.com).

É uma área ribeirinha e húmida (fig. 181 A), sem aproveitamento humano à excepção da levada. O acesso a este local é feito a partir do caminho que sai do largo da igreja, junto ao cemitério. Este caminho, inicialmente ladeado por acácias, dá acesso a uma ponte de pedra de onde se podem avistar até três moinhos. O segundo

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

moinho encontra-se ao fundo de um campo agrícola enquanto o terceiro, maior, localiza-se a seguir a uma série de pequenos maciços graníticos povoados por vegetação autóctone (fig. 181 B). Contudo, esta zona encontra-se por vezes alagada, estando inserida no leito de cheia da ribeira. Este local será referido no guia de percursos como “ponto de passagem” a caminho do ponto Pedreira, dado o seu interesse natural e paisagístico. Propõe-se que seja criado um trilho ao longo do rio deste local até à foz do rio Cavalum, passando a constituir um percurso independente no futuro.

Figura 181 - Ponto de passagem no local; A: Margem do rio; B: Moinho.

Flora Em Irivo, o rio Cavalum tem, como sentinelas a guardá-lo, salgueiros negros, amieiros e acácias. Surgem ainda alguns pés de loureiro. De onde a onde, surgem codessos e sebes de silvas. Nos muros, a vegetação rupícola revela-se em umbigos de vénus, o fentelho e briófitas. No estrato herbáceo, surgem espécies nativas como o lâmio maculado, os assobios, os gerânios, a labaça de folhas largas, a celidónia, a fumaria das paredes, o dáctilo dos lameiros, o fentelho e espécies exóticas, de grande poder de dispersão, como é o caso da erva da fortuna e o cerefólio bravo. Surgem ainda mais espécies autóctones como a Stellaria media, a urtiga menor, o amor de hortelão. Estas duas últimas espécies têm uma longa história de uso na Medicina: a morugem branca, a urtiga menor permite com as suas folhas fazer um chá que é utilizado como tónico e purificador do sangue; o amor de hortelão, com potente acção diurética, é muito utilizado para resolver problemas de pele. Nos afloramentos rochosos, surge vegetação rupícola: a uva de gato, os umbigos de vénus e briófitas.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Fauna Não é fácil detectar animais. Foram detectados o chapim rabilongo, o pisco de peito ruivo, a lagartixa de Bocage e a cobra de escada.

Património construído no local/próximo - Igreja de Irivo - Memorial da Ermida, classificado como Monumento Nacional, Localiza-se em Irivo, no lugar da Ermida, corte ao km 2 da EN 106-3, numa vinha na plataforma superior do vale do Rio Cavalum. Está actualmente inserida na Rota do Românico do Vale do Sousa.

Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 37.510 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 2 Sinalização de percurso: 2 de percurso correcto em madeira Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: pela margem direita até à foz do rio Recuperação de moinhos: 2 Construção de pontes: não Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.11 - Pedreira Concelho: Penafiel Bacia: Sousa - Rio Cavalum Coordenada inicial: 57.6/58.3 Área: 689.920 m2

N

Classificação: Bom

Figura 182 - Imagem da área seleccionada em Pedreira (imagem satélite http://earth.google.com).

Área essencialmente florestal localizada num pequeno vale, sendo por isso considerada de grande potencial. Contudo, uma parte da vegetação encontra-se queimada (fig. 183 A). Existe um moinho (fig. 183 C) numa área privada e habitada, junto à qual se encontram pequenos campos de cultivo. Na margem oposta ao moinho existe um

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

muro de pedra que parte da ponte e parece acompanhar o rio para montante, podendo ser aproveitado para limitar um futuro trilho. Próximo existe um núcleo de habitações degradadas (fig. 183 B). Apesar de alguma degradação da área existe ainda um pequeno núcleo de árvores autóctones que será importante proteger pelo seu porte. Observa-se uma pedreira abandonada (fig. 183 D). É necessário intervir em toda a área no que respeita à limpeza de vegetação invasora e resíduos humanos e abertura de caminhos de ligação entre os já existentes. Aproveitando o facto de uma extensão da área delimitada ter ardido recentemente, deve proceder-se ao controle urgente da vegetação que está a crescer de modo a criar condições para um melhor desenvolvimento das espécies autóctones que lá existem. Na restante área florestal podem encontrar-se pequenos núcleos de vegetação relativamente bem preservados nomeadamente de carvalhos e pinheiros, onde a intervenção será principalmente a nível de limpeza das lixeiras. A

B

C

D

Figura 183 - Pontos de passagem no local. A: Zona ardida; B: Núcleo de habitações degradadas; C: Moinho; D: Pedreira.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Flora O percurso proposto leva-nos desde uma bonita azenha desactivada, sobre o rio Cavalum, até a um pinhal e eucaliptal. Nas margens do rio erguem-se salgueiros, amieiros e sebes de silva e nas águas correntes crescem o embude e Carex reuteriana. Surge ainda a hera e a celidónia. Continuando o percurso atravessamos um pinhal e eucaliptal que alberga pés de carvalho alvarinho e todo um estrato de mato autóctone, em recuperação, de codesso, giesta das serras e tojo arnal. No fim do caminho pode observar-se, na sua época, um conjunto belíssimo de flores silvestres como a fumaria das paredes (fig. 184 A), o margação (excelente febrífugo), o saramago (anti-reumático) e a belas noites (fig. 184 B) (erva de grande versatilidade medicinal, com usos como tratamento de picadas). A

B

Figura 184 - Algumas espécies que se podem observar em Pedreira. A: Fumaria das paredes; B: Belas noites.

Fauna A nível de fauna destaca-se a observação do chapim de poupa, além das observações de: cartaxo comum, chamariz, chapim de poupa, chapim preto, chapim rabilongo, cuco canoro, gaio comum, melro preto, petinha das árvores, pisco de peito ruivo, poupa, rabirruivo preto, toutinegra de cabeça preta e toutinegra de barrete preto. Quanto a mamíferos apenas se detectaram excrementos de fuinha. Não foram detectados anfíbios nem répteis.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Património construído no local/próximo −

Pedreira

Moinho

Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 689.920 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 1 Sinalização de percurso: 6 de caminho correcto em madeira; 5 de caminho errado em madeira Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: limpeza de 317 m Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.12 - Senhora do Vale Concelho: Penafiel Bacia: Sousa Coordenada inicial: 54.93/58.41 Área: Não definida

N

Classificação: Sem interesse

Figura 185 - Imagem da área seleccionada (imagem satélite http://earth.google.com).

Área pequena, maioritariamente agrícola, com uma pequena mancha arbórea Flora No caminho para este ponto, vemos nos jardins das casas a laranjeira doce, o limoeiro e a oliveira. Estas árvores, por apreciarem algum calor e se mostrarem viçosas e sadias, indicam que o clima típico desta zona, o temperado, apresenta aqui uma

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nuance submediterrânica (com temperaturas mais amenas e menos chuva na Primavera e Verão). Aproximando-nos do nosso destino, atravessamos campos, onde se observa na sua época a labaça de folhas largas, e pomares com árvores de fruto como a cerejeira. Chegando ao rio Sousa, junto a sobreiros provavelmente plantados, vemos uma galeria ripícola de salgueiro negro, amieiro negro e plátanos. A margem é adornada com um tapete colorido de flores silvestres como a ficária, os olhos de gato e a violeta brava. De destacar ainda a presença do alho das vinhas, planta medicinal de acção anti-asmática e purificante do sangue. Fauna Foram apenas detectadas algumas aves: cartaxo comum, chamariz, gaio comum, melro preto e pisco de peito ruivo. Sem património construído de interesse. Sem percurso definido.

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6.5.13 - Vau Concelho: Penafiel Bacia: Sousa Coordenada inicial: 54.12/57.90 Área: 99.820 m2

N

Classificação: Bom

Figura 186 - Imagem da área seleccionada em Vau (imagem satélite http://earth.google.com).

Área constituída por um carvalhal e campos de cultivo na zona ribeirinha (fig. 187 A). A zona arborizada possui trilhos utilizados por motocross que podem ser aproveitados e melhorados, devendo ser feita a limpeza da vegetação invasora. Existe um interessante caminho de acesso ao rio (fig. 187 B), no entanto, a parte terminal necessita ser limpo até ao edifício do moinho.

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Sugerimos a criação de uma ligação entre a entrada deste moinho e o caminho ao longo do muro da propriedade anexa ao mesmo, de forma a criar um percurso circular que será identificado no guia; esta ligação pode ser simplesmente uma escadaria e prolongamento do trilho que existe no nível superior.

Figura 187 - Pontos de passagem no local; A: Zona ribeirinha; B: Caminho de acesso ao rio por entre o carvalhal.

Flora As imediações de Vau revelam-se um mosaico de lameiros e vinha. Encontramse laranjeiras, indicadoras de temperaturas mais amenas. Sobre um tapete de

Brachypodium rupestre e Agrostis x foulladei, surge nas margens do rio um carvalhal de carvalho alvarinho, que revela ainda a presença de loureiros, sobreiros, codessos e giesta das serras. No coberto herbáceo, vemos ainda a búgula, a dedaleira, o junco dos prados, a morugem branca, o lâmio roxo, as azedas, o jarro dos campos, o taliestro, a tanchagem, a margarida, a escorodónia, a serradela e Ceratocapnos claviculata. Como arbustos, temos sebes de silvas, o tojo arnal e ainda fetos como o feto dos montes. Erguem-se taludes com briófitas. Junto ao rio, encontramos ervas como a urtiga e a celidónia. O mato é composto de tojo arnal, codesso, silvas, giesta das serras, tufos de dáctilo dos lameiros, sargaço e branca ursina. Nas margens do Sousa ergue-se uma galeria ripícola de amieiros, loureiros, plátanos e a acácia, planta exótica de grande poder infestante. Surge ainda Carex reuteriana.

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Fauna Nas margens deste troço podemos encontrar amieiros que servem de refúgio a uma significativa população de lagartos de água, encontrando-se ainda outras lagartixas como a lagartixa de Bocage e a lagartixa ibérica. Nas margens observa-se a rã verde. Por aqui passam várias espécies de aves: alvéola cinzenta, cartaxo comum, chamariz, chapim preto, chapim real, gaio comum, garça real, pardal comum, melro preto, pisco de peito ruivo, trepadeira comum e verdilhão comum. Quanto a mamíferos apenas foram observados excrementos de coelho. Património construído no local/próximo - Moinho - Ponte do Vau Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 43.680 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 3 Sinalização de percurso: 6 de percurso correcto em madeira; 6 de percurso errado em madeira Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 747 m (junto ao rio, a seguir ao campo de cultivo) Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Centros Interpretativos: não Outras: construção de escadas a unir os dois caminhos

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6.5.14 - Preisal Concelho: Penafiel Bacia: Sousa Coordenada inicial: 52.03/56.60 Área: 558.900 m2

N

Classificação: Excelente

Figura 188 - Imagem da área seleccionada em Preisal (imagem satélite http://earth.google.com).

A área seleccionada é uma área de ocupação maioritariamente agrícola, com muitos campos de diferentes plantações que se estendem ao longo do rio Sousa, que beneficiam da acumulação de água em alguns tanques e minas (fig. 189 A). Existem também zonas florestais com alguns caminhos de acesso às habitações junto ao rio. Estes caminhos são em terra batida e largos excepto o caminho que atravessa a mancha de vegetação autóctone que é estreito. Um dos caminhos largos termina numa ponte pedonal em pedra (fig. 189 B) de onde se tem uma vista fantástica sobre o rio.

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O Parque de Lazer de Paço de Sousa tem uma organização interessante, sendo limitado por árvores de grande porte e constituído por espécies autóctones. Localiza-se junto a uma linha de água. Sugere-se o aumento do limite do parque de forma a incorporar a zona rochosa que está localizada num nível superior para proteger a vegetação (criação de uma zona-tampão). Sugere-se também alterar a vegetação que está a crescer junto à linha de água de forma a que esta se torne mais visível. A

A

Figura 189 - Pontos de passagem no local; A: Mina; B: Ponte pedestre.

Flora A paisagem conforma um mosaico de campos e matriz florestal. No sopé de uma encosta, ao longo do percurso proposto, observam-se, na orla da formação florestal mista de pinheiro bravo e eucalipto, pequenos fragmentos da vegetação original. Nestas orlas, surgem pés de carvalho alvarinho, arbustos como a queiroga, o tojo arnal, o sargaço, a mongoriça, sebes de silvas, fetos como o feto dos montes e ervas floridas como o ranúnculo bulboso. Surge o dáctilo dos lameiros. Junto ao rio, desenrola-se um caminho com taludes terrosos onde se desenvolve vegetação brioliquénica, sendo possível observar-se com clareza apotécios de Cladonia. Surgem arbustos como o tojo arnal e a giesta das serras e flores bolbosas de grande beleza como as campainhas amarelas (fig. 190 A). Na beira do caminho, surgem ainda azedas e plantas floridas de grande beleza como a violeta brava (fig. 190 B), o lâmio maculado, as belas noites e a fumaria das paredes. À entrada do Parque de lazer de Paço de Sousa, observa-se do lado direito uma galeria ripícola, por ora seca, de salgueiros negros. Acompanham fetos como o feto fêmea, e ervas floridas como os olhos de gato. Encontram-se várias espécies

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plantadas: árvores como o carvalho alvarinho e arbustos como o folhado e o bambu negro. A

B

Figura 190 - Algumas espécies existentes no local. A: Campainha amarela; B: Violeta brava.

Fauna A nível de fauna, observa-se uma grande diversidade a nível de aves, principalmente passeriformes, fáceis de observar junto aos campos agrícolas, e a nível de répteis e anfíbios, estes últimos devido à existência de tanques de armazenamento de água para rega e de minas que podem acumular água. Foram assim observadas as seguintes espécies de aves: alvéola branca, andorinhão preto, cartaxo comum, cia, chamariz, chapim preto, chapim real, cuco canoro, gaio comum, melro preto, pardal comum, pica pau malhado grande, pombo torcaz, toutinegra de barrete preto e toutinegra de cabeça preta. A cobra de água viperina, a lagartixa ibérica, o lagarto de água, a rã ibérica, a rã verde e o tritão de ventre laranja foram os anfíbios e répteis detectados. Quanto a mamíferos apenas foram detectados excrementos de raposa e toupeira cega. Património construído no local/próximo - Minas - Tanque - Ponte de pedra

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

Acções a desenvolver Recuperação de caminhos, limpeza de matos, eliminação de exóticas, definição de percursos pedestres. Área florestal sujeita a intervenção: 100.000 m2 Equipamentos e acções necessárias para implementação de percurso pedestre (números aproximados): Placas de estrada: 2 Sinalização de percurso: 7 de percurso correcto; 7 de percurso errado Placares informativos: 1 Abertura/limpeza de trilhos: 370 m (entre a população de Barco e a estrada principal) Recuperação de moinhos: não Construção de pontes: não Centros Interpretativos: não

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

6.5.15 - Castro do Monte Mozinho Concelho: Penafiel Bacia: Sousa – Rio Cavalum Coordenada inicial: 57.92/55.79 Área: 16.236 m2

N

Classificação: Interessante

Figura 191 - Imagem da área do Castro de Monte Mozinho (imagem satélite http://earth.google.com).

Vestígios de uma antiga civilização, de acesso bem sinalizado, localizam-se escondidos num eucaliptal. Acessível por um caminho em terra batida acompanhado por uma vala de água. Flora Existe uma grande quantidade e variedade de cogumelos ao longo do caminho de acesso ao castro. Este é rodeado maioritariamente por eucaliptos.

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Fauna A estrada para chegar ao castro está rodeada por vinhas, onde se podem ver várias espécies de aves: águia d`asa redonda, alvéola branca, andorinhão preto, cartaxo comum, chamariz, estorninho preto, melro preto, pardal comum, tordo ruivo comum e tordo comum. Quanto a mamíferos foram detectados excrementos de ouriço cacheiro e coelho. Sem percurso definido.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

7. Considerações finais A área abrangida pela Ader-Sousa constitui um mosaico complexo em termos paisagísticos, onde a componente rural, agroflorestal e urbana são marcantes e responsáveis pela fragmentação das zonas naturais, que se encontram na sua maioria reduzidas a pequenas áreas. Foram identificados 56 sítios com interesse natural, muitas vezes isolados por áreas urbanas ou campos agrícolas mas que têm como elo de ligação as linhas de água que constituem a bacia do Sousa e que constituem corredores ecológicos naturais. Alguns locais também estão interligados por zonas florestais mais ou menos degradadas ou campos agrícolas abandonados que poderão numa fase posterior ao ordenamento desses sítios virem a ser integrados, de modo a formar áreas mais vastas e diversificadas. Apesar do estado de abandono e degradação a que muitos dos locais seleccionados foram votados, é notória a biodiversidade aí existente, que não difere muito de outras zonas melhor conservadas em Portugal. A grande diferença prende-se com a integridade dos ecossistemas e o estado de degradação existente. A importante população da região abrangida pela Ader-Sousa (317.199 habitantes) torna esta área prioritária em termos de usufruto pelas populações, podendo constituir, com os municípios vizinhos de Valongo e Gondomar uma importante área de lazer e contacto com a Natureza para toda essa população. É desejável a constituição de uma rede de áreas naturais em todo o vale do Sousa e a sua articulação com outros programas, como os sítios arqueológicos classificados (ex. Citânia de Sanfins), a Rota do Românico ou o Parque Paleozóico de Valongo, só para referir alguns. Apesar do seu interesse natural e das suas potencialidades turísticas, está quase tudo por fazer em termos de ordenamento, de modo a tornar essas áreas atractivas e promover a biodiversidade. O presente trabalho é um primeiro levantamento dos valores naturais, devendo ser continuado de modo a permitir efectuar intervenções adequadas nas áreas naturais identificadas. São muitas as intervenções necessárias e deve ser elaborado um plano de ordenamento para estes locais, tendo como prioridade a recuperação dos habitats e do património construído, bem como a dotação de infraestruturas que promovam a atracção de visitantes, sempre com boas práticas ambientais. Este plano deverá incluir

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

os intervenientes locais, nomeadamente, autarquias, juntas de freguesia, associações culturais e outras associações, proprietários e exploradores agro-florestais, entre outros, sem os quais não haverá sucesso possível. Dado que quase toda a área sujeita a intervenção é privada ou explorada por privados, é necessário, em primeiro lugar, fazer o levantamento cadastral das propriedades, de modo a poder estabelecer-se um plano adequado de ordenamento de território, pois muitas das intervenções preconizadas necessitam da aprovação dos proprietários ou não serão eficazes. Por outro lado, é necessário identificar claramente as acções a efectuar, calendarizá-las e orçamenta-las, tendo em vista a sua articulação com os planos directores municipais e os programas culturais existentes (ex. Rota do Românico), de modo a potenciar o seu sucesso. A região abrangida pela Ader-Sousa tem uma importante componente florestal de produção, sobretudo de eucalipto, sendo necessário articular este programa com os proprietários florestais das áreas abrangidas e/ou contíguas, de modo a promover a exploração sustentável da floresta e apresentar soluções concretas para diminuir o flagelo dos incêndios, frequentes nesta região e que promovem a degradação dos habitats, bem como importantes perdas económicas associadas à exploração florestal, não esquecendo os aspectos relacionados com a protecção civil. Por fim, é de realçar o valor geológico desta região, cujo património mineiro e pedreiras abandonadas e actuais devem ser valorizados, de modo a dar um todo coerente ao património natural das Terras do Sousa. Estamos certos que o correcto ordenamento desta região trará benefícios evidentes para as populações locais, tanto pela valorização do seu território, como pela mais valia económica que os visitantes trarão para a região, pela promoção de todas as actividades ligadas ao turismo, desde a restauração até ao artesanato ou gastronomia locais. Por todo o mundo (e Portugal não é excepção), a aposta futura é num turismo sustentável, que deverá incluir também o usufruto do melhor que cada região tem para oferecer. No caso das Terras do Sousa, aliado ao seu património cultural, é importante dinamizar uma agricultura sustentável, dita biológica, e promover um turismo não massificado, em comunhão com os valores naturais. Esperamos que este tenha sido um modesto contributo para esta nova visão do uso sustentado da Natureza, devendo ser postas em prática as medidas preconizadas.

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Valorização do património natural das Terras do Sousa

8. Ficha técnica Gestão técnica e financeira: Dr. Nuno Gomes Planeta Vivo - Centro de Investigação Ambiental, Lda.

Equipa de investigação: Dra. Ana Rita Polónia (PV) Dra. Ana Sofia Tavares (PV) Dr. Duarte Mendes (PV) Dr. Henrique Nepomuceno Alves (E) Dr. José Alves Moreira (E) Dr. João Honrado (FCUP) Dr. Paulo Alves (FCUP) Dra. Isabel da Rocha (E) Dr. F. Barretto Caldas (FCUP) Prof. Dra. Helena Couto (FCUP) Doutor Alexandre Lourenço (FCUP)

Entidades co-participantes: - Planeta Vivo – Centro de Investigação Ambiental, Lda. - Ecosfera, Consultoria Ambiental, Lda. - Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

Estudo financiado por:

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9. Bibliografia

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10. Anexos

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Anexo 1 Enquadramento geolรณgico regional da regiรฃo do Vale do Sousa Excerto da Carta Geolรณgica 1:500 000 dos Serviรงos Geolรณgicos de Portugal (1992)


METASSEDIMENTOS Devónico Formação de Sobrado Silúrico

Ordovício Formação de Sobrido Formação de Valongo Formação de Sta. Justa Precrâmbico e/ou Câmbrico Unidade de Montalto / Unidade de Terramonte GRANITÓIDES Granodiorito de Paços de Ferreira Granito de Penafiel Granodiorito de Paço de Sousa Granito de Guimarães Granodiorito de Felgueiras


Anexo 2

Definition of the Portuguese frameworks with international relevance as an input for the European geological heritage characterisation.

Brilha J., Andrade C., Azerêdo A., Barriga F.J.A.S., Cachão M., Couto H., Cunha P.P., Crispim J.A., Dantas P., Duarte L.V., Freitas M.C., Granja M.H., Henriques M.H., Henriques P., Lopes L., Madeira J., Matos J.M.X., Noronha F., Pais J., Piçarra J., Ramalho M.M., Relvas J.M.R.S., Ribeiro A., Santos A., Santos V., Terrinha P. 2005. Episodes. Vol. 28, No 3, 177-186.


Articles

1

by J. Brilha1, C. Andrade2, A. AzerÍdo2, F.J.A.S. Barriga2,3, M. Cachão2, H. Couto4, P.P. Cunha5, J.A. Crispim2,6, P. Dantas3, L.V. Duarte5, M.C. Freitas2, M.H. Granja1, M.H. Henriques5, P. Henriques7, L. Lopes8, J. Madeira2, J.M.X. Matos7, F. Noronha4, J. Pais9, J. Piçarra7, M.M. Ramalho10, J.M.R.S. Relvas2, A. Ribeiro2, A. Santos11, V. Santos3, and P. Terrinha2

Definition of the Portuguese frameworks with international relevance as an input for the European geological heritage characterisation 1) University of Minho; 2) University of Lisbon; 3) National Natural History Museum; 4) University of Porto; 5) University of Coimbra; 6) Portuguese Speleological Society; 7) INETInovação; 8) University of Êvora; 9) New University of Lisbon; 10) League for Nature Protection; 11) University of Algarve. Corresponding author: José Brilha, Earth Sciences Department, University of Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga, Portugal (jbrilha@dct.uminho.pt)

This work constitutes the first contribution for the systematisation of geological heritage knowledge in Portugal, following the international recommendations for the characterisation of geological heritage (IUGS, ProGEO). The application of the ProGEO methodology has resulted in the creation of fourteen frameworks with international relevance, established by consensus among the Portuguese geological community. The description of each category in this paper is not exhaustive and only the most relevant scientific settings are presented. The following are the three key outcomes of this work: i) At a national level, the most important geosites are identified, indicating where geoconservation efforts should be prioritised based on scientific justification; ii) At a regional level, conditions have been developed to foster dialogue with Spanish colleagues in order to create Iberian frameworks; iii) At an international level, it is now possible to integrate Portuguese geosites in to the global inventories promoted by IUGS, UNESCO, and ProGEO.

Introduction (by J. Brilha) The identification, characterisation, conservation, and grading of geological heritage are gaining interest among the geological community. During the 32nd International Congress, held in Italy on August 2004, three thematic sessions were organised with about 160 oral and poster presentations. During the last decade, many countries have developed several initiatives to increase knowledge of geological heritage. This individual effort brought different approaches to this task making the establishment of a constructive dialogue between specialists difficult. In spite of national initiatives, the first step towards the organisation of inventory strategies was given by ProGEO (The European Association for the Conservation of the Geological Heritage) following the GILGES work (of IUGS and UNESCO) and by the International Union of Geological Sciences (IUGS) (Wimbledon, 1996a). In 1996, this international institution created Geosites: a project Episodes, Vol. 28, no. 3

engaged in the promotion of a factual basis to support national and international geoconservation initiatives. Until 2004 the IUGS’s Global Geosites Working Group, together with UNESCO and ProGEO, supported the establishment of national inventories and promoted links between neighbour countries (ProGEO, 1998). Recently, IUGS changed the focus and direction of its efforts towards geotourism and geoparks and GEOSEE was created in 2004. ProGEO continues with the construction of national and regional comparative inventories in Europe, furthering the original Geosites aims. The methodology proposed by the IUGS for national inventories was defined during the First Workshop on Geosites at the 2nd International Symposium ProGEO on the Conservation of the Geological Heritage held in Rome in 1996, based on ProGEO experience (Wimbledon et al., 1999). The inventory is founded on the identification of geological thematic categories in each country rather than on the recognition of isolated sites. The definition of national frameworks systematises local inventories and allows the establishment of trans-national comparisons (Wimbledon, 1996b). This comparison and correlation task has already been initiated in Scandinavian countries (FredÈn et al., 2004), Baltic states (Satkunas et al., 2004) and southeastern European countries (TheodossiouDrandaki et al., 2004), mainly promoted by ProGEO. In Portugal, the inventory, characterisation and valuation of geological heritage has been done in an unsystematic manner. A list of outstanding geosites and places at risk has been collected with contributions from the former Geological Survey, National Natural History Museum, University Geology Departments and League for Nature Protection. Unfortunately, the state institutions responsible for Nature Conservation policies have never adopted geoconservation approaches as a priority. The few conserved geosites have resulted from occasional and local circumstances with no continuity. The Portuguese ProGEO group, created in 2000, congregates geologists from a majority of the geological institutions. This group decided to implement in Portugal the methodologies suggested by IUGS and ProGEO and started the work of defining national frameworks of international relevance. This priority was established in

order to provide a Portuguese entry for the Geosites list and to promote a dialogue with Spanish colleagues (Garcia-Cortés et al., 2001). The process was opened to all national geological institutions and publicised by circulars and on the ProGEO-Portugal web site. In May 2004, during an open meeting held in the former Geological Survey headquarters, fourteen frameworks with international relevance were established: – A geotraverse through the Variscan Fold Belt in Portugal; September 2005


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Geology and metallogenesis of the Iberian Pyrite Belt; The Iberian W-Sn Metallogenic Province; The Silurian of the Portuguese Ossa Morena Zone; Meso-Cenozoic of the Algarve; Low coasts of Portugal; River network, rañas and Appalachian-type landscapes of the Hesperic massif; – Tertiary basins of the western Iberian margin; – Jurassic record in the Lusitanian Basin; – Dinosaurs of western Iberia; – Ordovician fossils from Valongo Anticline; – Karst systems of Portugal; – South Portuguese Palaeozoic Marbles; – The Azores Archipelago in the America-Eurasia-Africa triple junction; This paper is therefore the result of all contributions and suggestions. New well-justified proposals will be considered in a future revision of this work. The next immediate step will be the nomination of the most relevant geosites representative of each framework, based on an accurate identification, characterisation and quantification. These geosites will constitute the most remarkable elements of geological heritage in Portuguese territory. Therefore, they must be given a high priority in any implementation of geoconservation strategies. The fourteen frameworks are presented according to their geographical relevance illustrating the high geodiversity level in Portugal (Figure 1). The description of each category is not exhaustive and just the most relevant scientific settings are presented.

A geotraverse through the Variscan Fold Belt in Portugal (by A. Ribeiro) The backbone of the Iberian Peninsula is formed by basement rocks that are part of the Variscan Fold Belt. This Belt extends from Central Europe to Western Europe and Morocco delineating a series of arcuate mountains. This belt was generated by the opening and closure of oceans of variable size between the upper Proterozoic (~540 Ma) and the upper Paleozoic (~250 Ma). The best traverse across this Variscan Fold Belt is in the Iberian Peninsula because: i) the transverse is the most complete, foreland (Cantabrian Zone around Oviedo in NE Spain) to foreland (South Portuguese Zone in SW Portugal), and ii) the basement is exposed continuously if we avoid the mesocenozoic basins in its borders and the discontinuous Cenozoic basins in the center of Iberia. Therefore, its pristine geological features are preserved from more recent events related to the opening of the Atlantic and closure of Tethys (Ribeiro et al., 1991). Finally, the climatic conditions and vertical movements provide beautiful exposures of rocks and structures in coastal cliffs, deep rivers and elevated mountains. In fact, some of the most significant exposures of the Belt are located at different spots in Iberia. They contribute to a deeper understanding of the processes that shaped the belt and its extension downwards to deeper crustal levels.

Geology and metallogenesis of Iberian Pyrite Belt (by F. Barriga, J. Relvas, J. Matos)

Figure 1 Geological map of Portugal. Episodes, Vol. 28, no. 3

The Iberian Pyrite Belt (IPB) contains a colossal amount of volcanic-hosted massive sulphides, with a pre-mining total of more than 1750 Mt containing 22 Mt Cu, 34 Mt Zn and 12 Mt Pb, respectively. This is comparable only, on a worldwide basis, to the Urals Belt of Russia. However, while the Urals Belt extends for nearly 2500 km, the IPB is only about 250 km long. Thus, the concentration of sulphide ores is an order of magnitude greater in the IPB. The IPB has been mined continuously since the Chalcolithic era. The Rio Tinto deposits of Spain, the first to gain world fame, are considered the largest of their class ever to form, with over 500 Mt of sulphide ores. The Aljustrel and Neves Corvo deposits (Portugal) are among the world’s richest deposits of their class in Zn and Cu (>8Mt and >4Mt, respectively). Additionally, Neves Corvo’s copper and tin ores depict the highest grades recorded for deposits of their class (e.g. Carvalho et al., 1999; Relvas et al., 2002). The deposits are hosted by a well-preserved volcanic-sedimentary complex, in a tectonic setting interpreted to represent continental fragments that collided obliquely during the Variscan orogeny, following subduction of an oceanic realm. The tectonic evolution produced thrusting and formation of pull-apart basins, which host the deposits (see Tornos et al., 2002). The post-depositional history of the deposits is well recorded. All geological and metallogenetic aspects of the IPB are well studied and many constitute classic studies in the literature. Detrital and chemical sedimentation, volcaniclastic deposition, hydrothermal activity and mineralization, syn-sedimentary and transpressive deformation are all clearly visible. Additionally, the IPB is studied also through detailed comparisons with presentday submarine hydrothermal sites, including examples not only in the Atlantic but also in the Pacific (e.g. Pacmanus in Papua New Guinea). The IPB is still an actively studied geological object. Among the main aspects being researched, we can mention sedimentation and its role with respect to mineralization, submarine physical volcanology, the position of mineralization

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with respect to the coeval sea floor, and the origin of metals from different crustal reservoirs. It should be noted that the erosion level deepens markedly from West to East in the IPB. Thus, most mines in Portugal are underground, whereas in Spain open pits abound. This generates different types of exposures and different degrees of weathering, adding to the variety of situations to visit. The trans-national Iberian Pyrite Belt has already been proposed for inclusion in the Geosites list of geological frameworks, from a Spanish national point of view (Garcia-Cortez et al., 2001). The present contribution is intended for fusion with the latter.

The Iberian W-Sn Metallogenic Province (by F. Noronha) The W/Sn province contains many spectacular exposures, in both the field and underground. The Panasqueira mine specifically is a world famous field trip destination. Many other occurrences and ancient mines are easily accessible, including exposures with abundant scheelite, prone to nocturnal investigation with a mineralight. In general, field relationships are easily seen and interpretable. The W and/or Sn deposits are distributed through an area from Galicia to Castilla (Spain) through Northern and Central Portugal. The Sn deposits are mainly of pegmatitic type. The W deposits can be considered of two types: quartz vein type, the most important, and skarn type. Where the W and/or Sn mineralization occurs we can see the presence of granite intrusions in marine sedimentary series dated from Upper Precambrian to Silurian (Neiva, 1944; Thadeu, 1973; Schermerhorn, 1981). The Variscan granitic magmatism (orogenic) can be subdivided in two groups: peraluminous granites or two-mica granites (muscovite is the dominant mica); monzonitic granites and granodiorites (Ferreira et al., 1987). The peraluminous granites (320 Ma – 300 Ma) are of mesocrustal origin; the second group (300 – 290 Ma) originated deep in the crust and corresponds to hotter dry magmas. Although Sn pegmatites occur mainly associated to the granites of the first group, the W quartz veins are dominantly related with the second group of granites. The granites spatially associated with mineralization can be considered as “specialized” granites, where the “specialization” is related with the mechanisms of concentration like magmatic differentiation and/or late to post-magmatic events responsible for deuteric alteration. The W content in granites associated with mineralization is low (<7 ppm) whereas the granites associated with Sn pegmatite mineralization are high (>30 ppm) (Derré et al., 1982). This means that magmatic differentiation and/or late to post magmatic events cannot be solely responsible for the W deposits, a contribution of geofluids is necessary for ore genesis. The fluid inclusions in minerals of the main deposits, like Panasqueira and Borralha, do not register the presence of magmatic fluids. The main fluids present in these W/Sn Variscan geothermal systems were meteoric fluids re-equilibrated after deep circulation in thecrust and then responsible for the mobilization of stock metal from therocks. The orebodies were deposited mainly in structural traps (Kelly & Rye, 1979, Bussink et al., 1984; Polya, 1989; Noronha et al., 1999).

The Silurian of the Portuguese Ossa Morena Zone (by J.M. Piçarra) The Barrancos area, within the southeastern Portuguese part of the Ossa Morena Zone, contains the well-documented Silurian succession from Portugal (see Robardet et al., 1998, for references; PiÁarra, 2000), which is now being used globally as a reference in biochronostratigraphy and paleogeography. Episodes, Vol. 28, no. 3

The Graptolites (19 biozones recognized) are the most common fossils, but other biological groups occur, such as orthoceratids, bivalves, crinoids and hexactinellid sponges, like Protospongia iberica (Rigby et al., 1997). The lowermost part of the Silurian succession assigned to the basal Rhuddanian Parakidograptus acuminatus Biozone (Piçarra et al., 1995) corresponds to the boundary beds of the Colorada and “Xistos com Nódulos” formations. Graptolite-bearing rocks consist of quartzitic beds and lydites alternating with black shales. It is followed by strongly weathered black shales, 20-25 m thick, with rare lydite layers, that constitute the dominant lithofacies of the “Xistos com NÛdulos” Formation. This formation extends from the Rhuddanian Cystograptus vesiculosus Biozone (lower Llandovery) up to the Gorstian Lobograptus scanicus Biozones (lower Ludlow). The graptolite biozones identified in this interval are: the Rhuddanian Coronograptus cyphus Biozone, the Aeronian Demirastrites triangulatus, D. convolutus and Stimulograptus sedgwickii biozones, the Telychian Spirograptus guerichi, S. turriculatus-Streptograptus crispus, Monoclimacis griestoniensis and Oktavites spiralis biozones, the Sheinwoodian Cyrtograptus murchisoni and C. rigidus biozones, the Homerian C. lundgreni, Pristiograptus parvusGothograptus nassa and Colonograptus? ludensis biozones, and the Gorstian Neodiversograptus nilssoni Biozone. This part of sucession includes a 12 cm thick yellow band that marks the Lundgreni Event of graptolite extinction (Gutiérrez-Marco et al., 1996). The uppermost Silurian strata are represented by the lower part of the “Xistos Raiados” Formation, about 20-30 m thick. It consists of dark siltstones alternating with shales yielding graptolites of the Pridoli Neocolonograptus parultimus and Monograptus bouceki biozones (Piçarra et al., 1998). The Silurian-Devonian boundary is placed in the first occurrence of graptolites of the basal Lochkovian Monograptus uniformis Biozone (Piçarra, 1998), within those dark siltstones. The Silurian succession of the Barrancos area is lithologically and faunistically similar to that of the Peri-Gondwan Europe and North Africa areas (i.e. Spanish Ossa Morena Zone, Catalunia, Sardinia, Saxothuringia, Barrandian and Morocco).

Meso-Cenozoic of the Algarve (by M. Cachão, P. Terrinha, A. Santos) By its geographical position, ENE-WSW orientation and lithological diversity the Algarve geological province stands out as unique from stratigraphic (from Late Triassic to Quaternary with major hiatus from Cenomanian to Lower Miocene) and morpho-tectonic points of view. The Variscan most external Carboniferous unit constitutes the basement of the Mesozoic and Cenozoic sedimentary packages, deposited on two totally distinct superposed basins (Terrinha, 1998) From Middle-Upper Triassic (Rhaetian) to Hetangian sediments evolved from continental (fluviatile red sandstones), to shallow marine, deposited over the entire Algarve region, including evaporites and syn-sedimentary tholeiite fissural magmatism (Hettangian-Sinemurian Basaltic lava flows, volcanic ashes and pyroclasts) (Martins, 1991). To the south of the Tavira-Algoz-Sagres tectonic line, the Hettangian Silves pelites are richer in evaporite facies. One of its salt walls, the Loulé diapir (Central Algarve), is currently being explored in an underground mine. Subsidence and carbonate platform conditions were established until the end of Jurassic. Lower to Middle Jurassic reef barrier to open external platform facies outcrops at Sagres. Here Aalenian-Bajocian karstified reefs are covered by Upper Bajocian-Lower Bathonian Zoophycus rich pelagic grey marls (Praia da Mareta and Forte de Belixe) followed by Middle Oxfordian condensed ammonite rich limestones indicating that the Algarve Basin remained a Mediterranean sub-domain province of the Tethyan domain (Rocha, 1976). The most important tectonic inversion of the basin pre-dated the Miocene (Terrinha, 1998), and includes the peralkaline (nepheline September 2005


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syenite) Late Cretaceous intrusion of Monchique, (Rock, 1979, 1982a, b). The Middle Miocene Lagos-Portim„o formation is correlative of the global positive eustatic trend evidencing coastal marine sedimentation over a relatively stable and syn-betic remarkably minor deformed cold limestone shelf platform, (Cachão, 1995; Cachão & Silva, 2000; Brachert et al, 2003). An intra-Miocene stratigraphic hiatus of 2.5 Ma led to generalized exposure and development of a karst that magnificently influences present day coast line. Subsequent Cacela Formation indicates the Algarve margin become part of the distal western boundary of the Guadalquivir foreland basin (Cachão, 1995). Study on the classical mollusc fossil-site of Ribeira de Cacela (Ria Formosa Natural Park), goes back to the mid-nineteenth century, with works by Pereira da Costa and Cotter and many others (e.g. Antunes et al., 1981; Antunes & Pais, 1992; Cachão, 1995, González-Delgado et al., 1995; Santos, 2000).

Low coasts of Portugal (by M.C. Freitas, C. Andrade, P.P. Cunha, M.H. Granja) The Portuguese littoral contains numerous sections of low coast, usually corresponding to wetlands, which are natural archives of changes in coastal dynamics with great scientific value to reconstruct and understand palaeogeographical, palaeoclimatic and palaeoenvironmental processes and effects since the Late Glacial. Along the southern coast of Algarve, the complex system of Ria Formosa is a well preserved unique non-coastal plain barrier island – lagoonal structure. It connects with the magnificent marshes of the Guadiana estuary through the beach-ridge and dune plains of Manta Rota and forms the western border of the Gulf of Cadiz (Andrade & Freitas, 2004). The Boca do Rio lowland, an infilled estuary, preserves the most complete and didactic geological record of tsunami flooding (associated with the Lisbon event of 1755) known in the European literature (Dawson et al., 1995). The coastal lagoons of Santo André and Albufeira, together with the estuaries of Mira, Sado and Tagus rivers, in the SW coast, contain the most complete and continuous morphological and sedimentary records of sea level, vegetation and climate since the Late Glacial (Freitas et al., 2002; 2003). These sites are key elements to the understanding of past environmental changes along this coast and to help predict responses in the context of expected global change by climatic forcing. Further north the barrier-lagoon systems of Óbidos, S. Martinho do Porto, Aveiro and the Mondego estuary represent functional equivalents, yet located along a high-energy wave-dominated coast (Cunha et al., 1997). Northward in the Mondego estuary a unique residual lagoon is located (Apúlia), that is a geoindicator of a wider lagoon system present along the coast during the Holocene. Between Aveiro and NazarÈ a vast and well-preserved dune field documents several generations of aeolian activity and dune encroachment that deserve conservation for their scientific and scenic values (Almeida, 1997; André et al., 2001). Between Esmoriz and Furadouro there are hidden remains of a buried paleoforest of Pinus sylvestris that represents the Last Glacial Maximum (LGM) along this coast (Granja, 1999; Groot & Granja, 1998). The examples quoted are represented by complex associations of active, barred or semi-enclosed lagoons or estuaries, spits, barrierislands, tidal-flats, marshes, mobile to vegetated dunes and salt- to brackish-water swamps. Beyond their intrinsic value as records of past environmental changes, the present-day state of preservation of these features is sufficient to allow their important function as selfreorganizing physical barriers against flooding and efficient water purifiers.

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River network, rañas and Appalachiantype landscapes of the Hesperic massif (by P.P. Cunha) The diverse and rich geomorphological heritage that can be observed in the NW of Iberia provides evidence of a geological history of international interest and importance. Erosion of the Hesperic Massif has resulted in a region of low relief called the Iberian Meseta, surrounded by sedimentary basins. However, the denudation was not continuous and involved a succession of cycles of erosion and weathering that never resulted in perfect planation. Due to the different resistance to weathering of the basement, the narrow NW-SE trending Palaeozoic synclines produced quartzitic ridges, whereas the large anticlines, that consist of slates and metagreywakes, developed flat valleys (Appalachian-type relief; Martín-Serrano, 1988). In west central Portugal, Albian sedimentary rocks onlapping these quartzitic inselbergs suggest that the long period of general chemical weathering occurred in Early to Middle Jurassic and Early Cretaceous times (Cunha & Pena dos Reis, 1995). Sedimentary and geomorphological evidence of extensive Palaeogene to middle Miocene alluvial plain drainage systems contrasts with evidence of geographically restricted later Miocene-Zanclean alluvial fan sedimentation. This change happened correlative with uplift events of the Portuguese Central Range and other higher relief areas (Cunha, 1992a). Alluvial fan sedimentation culminates with poorly-sorted ochre conglomerates, containing large quartzitic boulders in proximal areas fed by quartzitic relief areas, called rañas in the Portuguese and Spanish Central Range piedmonts. Locally, fan sedimentation passes laterally into fluvial deposits that document the first evolutionary stage of the present river networks draining to the Atlantic, considered to be of Piacenzian age, predating the progressive fluvial incision that produced the staircases of river terraces (Cunha et al., 2005). In working out this framework the geological diversity of Portugal has several advantages: 1) Sedimentary evidence of the progressive lateral and longitudinal facies evolution, from the interior areas of the Massif to the near Atlantic ocean, a major external forcing (Cunha et al., 1993); 2) The best dating of the sedimentary episode (allostratigraphic unit USB13-Piacenzian; Cunha, 1992b) that contains the rañas, but also fluvial and estuarine/coastal marine deposits with fossils providing precise biostratigraphy (Cachão & Silva, 1990); 3) Evidence of late Cenozoic tectonic events that have controlled the morphodynamic episodes (Cabral, 1995). The allostratigraphic unit UBS13 display characteristics typical of kaolinization and hydromorphism, reflecting a more humid and hot climate and important Atlantic fluvial drainage (Cunha, 2000a). Because of their geomorphological and sedimentary records, rivers provide important archives of Earth history, particularly as indicators of tectonic, climatic or eustatic events. The analysis of long fluvial sequences, like the ones in which the rañas represent the first stage of fluvial evolution, provides stratigraphic keys for understanding other Cenozoic sequences on land.

Tertiary basins of the western Iberian margin (by P.P. Cunha and J. Pais) A wide range of Cenozoic geological features occur in Portugal, such as the Central Portuguese Cordillera (CPC) and Estremenho Massif, with its intervening craton, and other significant topographic features (e.g. the Western Mountains and the Arrábida chain), offshore margin-bounding structures, and sedimentary basins providing evidence for the regional evolution. These basins vary considerably in size and have formed under compressional and transpressional tectonic regimes (Ribeiro et al., 1990; Alves et al., 2003), generated September 2005


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during the phases of compression between Iberia, Europe and Africa. The main Portuguese Tertiary basins (Mondego and Lower Tagus) are located in the western border of the Iberian Massif and separated by the CPC, a southwest-trending cordillera uplifted in the late Cenozoic. Further inland, smaller Tertiary basins occur, both to the north and south of the CPC. The Portuguese Tertiary basins have marked tectonic, morphological and lithological differences. Their depositional records include continental units grading westwards into marine sediments that document the post-Mesozoic palaeogeographic, tectonic, climatic and eustatic events that occurred in western Iberia. Additionally, the limited vegetation, weathering and the considerable fluvial incision observed onshore have produced good exposures, the majority of which are located along the coast in regions of present-day temperate climate. Unconformity-bounded units have been recognised in the western Iberian margin (Cunha, 1992a, 1992b, 2000b; Pena dos Reis et al., 1992) and high-resolution sequence stratigraphy is currently being applied to the estuarine Miocene units of the Lower Tagus Basin (Antunes et al., 2000; Legoinha, 2001). The distribution of depositional facies, particularly alluvial deposits interfingering with marginal marine siliciclastics, and the abundance of macro- and microfaunas recorded in this basin demonstrate the exceptional importance of the Lisbon-Set·bal Peninsula sediments for the study of the Neogene evolution of Iberia. Correlations are based on several taxonomic groups — foraminifera, ostracoda, dinoflagellates, pollen, spores and mammals — coupled with isotopic dating and palaeomagnetostratigraphy. Inland, continental successions clearly reflect the influence of tectonics and climate on the stratigraphic evolution of the basin. The geological importance of the Tertiary basins of western Iberia is underlined by its specific location on the Atlantic coast, which allows the use of detailed biostratigraphic and sedimentary information in the study of the major tectonic, climatic and eustatic events affecting the North Atlantic margin.

Jurassic record in the Lusitanian Basin (by M.H. Henriques, A.C. Azeredo, L.V. Duarte, M.M. Ramalho) The Jurassic System in Portugal crops out in two basins, related with the genesis of the Atlantic Ocean: Lusitanian (West Portugal) and Algarve (South Portugal). The Jurassic record of the Lusitanian Basin ranges in age from the Hettangian to the Tithonian, providing a unique opportunity for onshore study of pre-, syn- and post-rifting deposits. These are particularly well represented in several reference sections, the most relevant of them located on the western Atlantic coastline. At Cabo Mondego, the Lower-Upper Jurassic section includes the Bajocian GSSP, the first stage boundary established for the Jurassic System by the IUGS (Pavia & Enay, 1997; Fig.1). The “golden spike” has been defined within a thick series of marine and coastal sediments, cropping out in continuity along the coast. At Peniche, the Lower Jurassic section includes the presently proposed candidate for the Toracian GSSP (Elmi et al., 1996; Fig. 2). Again, the lower boundary of the Toarcian is located within a wide outcrop showing continuous coastal exposure of outer marine sediments (including turbidites), ranging in age from the Sinemurian to Aalenian. The Peniche and Cabo Mondego sections complement each other, representing a complete stratigraphic succession for the Lower and Middle Jurassic distal facies of the basin, and probably are the best record worldwide of the history of the Proto-Atlantic during those periods. In addition, other excellent sections on LowerMiddle Jurassic open marine series are displayed at more inner locations in the basin. Their rich palaeontological, stratigraphical and sedimentological information justifies the huge amount of scientific work that has been published worldwide from the 19th century Episodes, Vol. 28, no. 3

onwards (references in Duarte, 1995, 2004; Henriques et al., 1994; Henriques, 2004). The Middle Jurassic is also largely composed of inner marine carbonate facies, in particular towards the east (Maciço Calcário Estremenho, Serra de Sicó), where excellent exposures exhibit litho- and biofacies. These provide detailed sedimentary, palaeogeographical, stratigraphical and micropalaeontological data (Azerêdo, 1993; Soares et al., 1993; and references therein). The Middle-Upper Jurassic transition records a major disconformity, as in other Atlantic basins but with a few uncommon features (Azerêdo et al., 2002). The Upper Jurassic is represented by all of its stages, exhibiting a wide range of facies types in excellent outcrops (e.g. Cabo Espichel, Sintra-Cascais, Torres Vedras-Montejunto, Cabo Mondego). These comprise alluvial, fluvial and deltaic deposits; lignites; calcretes; lacustrine, restricted to hypersaline lagoonal sediments; reefal to outer marine limestones; and mass-flow deposits (e.g. Ramalho, 1971; Leinfelder & Wilson, 1998; and references therein).

Dinosaurs of western Iberia (by P. Dantas, V. Santos, M. Cachão) The Lusitanian basin (Western Iberia) contains exceptionally wellpreserved body fossils and ichnites of dinosaurs in its Mesozoic units. Osteological remains were mainly recovered from Upper Jurassic to Lower Cretaceous formations (Pombal, Leiria, Alcobaça and Batalha in the north and Alenquer and Torres Vedras at the south). At Pombal remains of Theropoda and Sauropoda have been recovered (Sauvage, 1897-98; Pérez-Moreno et al., 1999) in particular Allosaurus fragilis, an inter-continental species present in the Upper Kimeridgian-Lower Tithonian Alcobaça Formation (Pérez-Moreno et al., 1999, Dantas et al., 1999). Further South, at Leiria, the Late Oxfordian-to Early Kimmeridgian Guimarota fossiliferous lignite mine (Mohr, 1989; Krebs, 1991; Helmdach, 1971, 1973–74), provided Ornithischia (Hypsilophodontidae, Phyllodon; Thulborn, 1973); Sauropoda Brachiosauridae; Theropoda (Allosauridae, Compsognathus, Tyrannosauridae, Troodontidae, cf. Archaeopterix; Rauhut, 2000) and a remarkable diversity of microvertebrates in particular four orders of Mesozoic mammals: Docodonta, Multituberculata, Dryolestida and Zatheria (Martin & Krebs, 2000), together with plant groups (Charophyta, Pteridophyta, Cycadales, Bennetitales, Aruacariaceae, Cheirolepidiaceae and Cupressaceae) (Helmdach, 1971, 1973-74; Kühne, 1968; Krusat, 1980; Thulborn, 1973; Weigert, 1995; Martin & Krebs, 2000). The rich delta facies of the Lourinh„ formation (Wilson et al., 1989) are particularly rich in Theropoda, Sauropoda, stegossaurs, ankylosaurs and Ornithopoda together with dinosaur eggs, gastroliths and footprints, as well as other groups such as Charophyta, Mollusca, Ostracoda, fishes, Quelonia, and Crocodyliformes (Lapparent & Zbyszewski, 1951, 1957; Werner, 1986; Mohr, 1989, Galton, 1991, 1994; Manuppella et al., 1999; Dantas in Sanz, 2000). Recent discoveries include eggs with theropod embryos (Mateus et al., 1998), and the sauropod Lourinhasaurus alenquerensis (Dantas et al., 1998). Ichnological remains are found in several locations around Lisbon. At Pedra da Mua (Espichel formation; Upper Jurassic) dozens of trackway preserved both manus and pes morphology, together with aspects of sauropod paleobiology such as gregarious behavior among youth and limped movement (Lockley et al., 1994). Pego Longo-Carenque (Belasian formation; Middle Cenomanian), displays a long trackway of sub-circular footprints of Europe (Santos et al., 1992) while at the Galinha quarry (Torres Novas), marly-limestone units of the Dogger (Upper Bajocian Lower Bathonian) revealed long sauropod trackway known, with new autopod morphotypes for this group (Santos et al., 1994).

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Ordovician fossils from Valongo Anticline (by H. Couto) The Ordovician rocks of the Valongo Anticline present important and widely known fossil-rich layers. The fossil record shows a great paleobiodiversity, evident by the presence of different forms of animal life, trace fossils and by the presence of seaweeds. The Valongo Formation, one of the most fossiliferous lithostratigraphic units of the Ordovician of Portugal, has become, for about a hundred years, an object of particular interest to several palaeontologists. Delgado (1908) was the first author to identify the fossils in this formation, having classified more than a hundred and a half invertebrate taxa (arthropods, molluscs, brachiopods, echinoderm, graptolites and several groups of uncertain affinity). Throughout the 20th century, apart from some references to graptolites, brachiopods, cephalopods and echinoderms, the papers about trilobites must be stressed, mainy because some species of these marine arthropods were identified in Valongo for the very first time (Delgado 1892, Curtis, 1961; Romano, 1980, 1982; Romano & Henry, 1982, among others). Recent studies of rarer specimens include those on nautiloids of the Trocholites genus (Babin et al., 1996; Couto & Gutiérrez-Marco, 2000), cystoids (Couto & Gutiérrez-Marco, 1999), machaerids, a group of a very rare Palaeozoic marine invertebrates, represented by the genus Plumulites already identified by Delgado (Gutiérrez-Marco et al., 2000), ctenostomate bryozoans in brachiopods's "Orthis" noctilio valves and rostroconch molluscs (Couto & Gutiérrez-Marco, 2000). In relation to echinoderms, specimens of Homalozoa were identified (Gutiérrez-Marco & Meléndez, 1987; Couto & Gutiérrez-Marco, 2000) and the presence of an Asterozoa was pointed out for the first time (Couto & GutiérrezMarco, 2000). Finally the occurrence of phosphate levels with lingulid brachiopods in the Santa Justa Formation (Arenigian-Lanvirnian transition) (Couto, 1993, Couto et al., 1999) must be emphasized. This occurrence allows correlation with similar levels in other parts of the Iberian Peninsula, France, Morocco, Yugoslavia and northwest of Argentina and also permits the reconstruction of the coastline at the end of lower Ordovician. This extremely important palaeontological heritage has been preserved ever since the creation of the Palaeozoic Park of Valongo in 1998, a cooperative venture between the Geology Department of the Faculty of Sciences of the University of Oporto and the Municipality of Valongo (Couto & Dias, 1998, Couto et al., 2003).

Karst systems of Portugal (by J.A. Crispim) Portuguese carbonate rocks support important karstlands, which include ten protected areas of different status. In the Hercynian chain, marbles and dolomitc limestone yielded residual hills of Estremoz and Adiça (Alentejo), which are remnants of past morphoclimatic settings. Palaeokarst is represented by multiphase breccias and mineralizations at the contact with carbonate rock. Three caves are famous: Santo Adriço (Vimioso), with thick calcite deposit mined for alabaster; Escoural (Montemor), with rock paintings and engravings; and Algar de Santo António a rare karst window that supplies water to Alandroal. Tectonic inversion of Mesozoic basins yielded massifs where karst processes developed karren fields, sinkholes and poljes (Martins, 1949; Feio, 1951; Cunha, 1990) like Pedra Furada (Sintra) and Cerro da Cabeça megalapies (Olhão), and Minde (Alcanena) and Nave do Barão (Loulé) poljes. Fórnea de Alvados is a splendid reculée originated by headward erosion (Rodrigues, 1991). Spectacular relict wave cut platforms and sea cliffs testify to the advance of the sea during the late Pliocene transgression (Cape Espichel surface, Arràbida; Aljubarrota platform, Candeeiros) (Teixeira & Berthois, 1952; Pereira, 1989). Entrenched valleys formed after sea retreat, provide insight into studies of prehistoric Episodes, Vol. 28, no. 3

Man (Mogo, Alcobaça; Nabão, Tomar; Lapedo, Leiria) (Natividade, 1901; Zilhão, 1987). Coastal karst is well developed on Miocene outcropping in Algarve where current sea erosion opens circular pits and caves filled up by Pleistocene sands (Algar Seco, Praia da Rocha). Caves, both coastal (Furninha, Peniche; Lapa de Santa Margarida, Arràbida) and inland (Almonda cave, Torres Novas) are important archaeological and palaeontological sites (Ferreira, 1982). The most extensive caves are in Estremenho massif (Almonda and Moinhos Velhos are each about ten kilometres long) but Arràbida contains perhaps the most richly decorated cave, with delicate crystals (Frade cave, Sesimbra) (Neca, 2000). Diapiric, transtensive and transpressive tectonics associated with uplift of limestone massifs gave rise to peculiar relief and structures, the most outstanding of which are Caldas da Rainha diapir, Serra de Montejunto, Alvados tectonic block and Vale de Todos composite fault structure (Zbyszewski, 1959; Crispim, 1993; Curtis, 1999). Estremenho massif is the most extensive carbonate aquifer system in Portugal (Almeida et al., 2000) and Alviela spring (Fleury, 1940) is the most important as its flood discharge reaches about 30 m3/s and it has been exploited as the water supply fan for Lisbon since the end of the 19th century. Alcabideque spring (Condeixa) has been exploited since Roman times and is associated with Pleistocene tufa deposits.

South Portuguese Palaeozoic marbles (by P. Henriques and L. Lopes) The Estremoz Anticline, located within the Ossa Morena Zone (Estremoz–Barrancos sector), is a NW-SE structure measuring 42 x 8 km in which Cambrian (Carvalho et al., 1971) to (Upper?) Silurian–Devonian (Sarmiento et al., 2000) (although age determination is complicated by the lack of biostratigraphic and geochronological data) marbles with ornamental quality outcrop over 27km2 (Moreira & Vintém, 1997). It is the main centre for national marble exploitation and has international relevance. A large number of quarries in the area provide unique geological windows that can reach 140 m in depth. The marbles preserve the effects of the Variscan Orogeny and this can be observed in the quarries. Other Palaeozoic marbles also outcrop in the Montemor–Ficalho (Ficalho–Moura, Serpa, Trigaches, Viana-Alvito and Escoural) sector, which are less relevant. In both sectors, the marbles occur in Volcano-Sedimentary Complexes (Estremoz and Ficalho–Moura). Although local variations occur, a similar lithostratigraphic sequence essentially made up of marbles, marble-schist, and intercalations of felsic and basic volcanic rocks is shown (Lopes, 2003). The high quality, fine- to medium-grained, “Estremoz marbles” show excellent mechanical-physical properties as well as aesthetic beauty, as indicated by the prices they fetch and also by the large volumes of rock quarried, around 370 kt in 2000, and places Portugal at the forefront of world marble production. Colours vary from white to cream, pink, grey or black and streaks with any combination of these colours are possible. The types of pink marble are internationally coveted because of their quality and beauty. Locally, highquality, white or cream-coloured blocks are also used in statue manufacture. In recent decades, several exploration studies have been undertaken to evaluate this resource (Reynaud & Vintém, 1994; IGM et al., 2000). Considering the interaction between mining and environment, the application of methodologies that permit the proficient land use planning of this area have been studied, which will lead to an efficient global land management (Falé et al., 2004). These marbles have been quarried since the Romans through the middle ages. From the 15th Century they were transported by Portuguese explorers to Africa, India and Brazil. They have, since then, been sought after for ornamental purposes and appear inlaid with varSeptember 2005


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ious polychromatic associations in several national and international monuments, some of which have been classified as World Heritage Sites by UNESCO (Milheiro, 2003). Today the marble industry has leapt forward and these are now exported worldwide.

The Azores Archipelago in the AmericaEurasia-Africa triple junction (by J.

ii) At a regional level, conditions have been developed to foster dialogue with Spanish colleagues in order to create Iberian frameworks; iii) At an international level, it is now possible to integrate Portuguese geosites in the global inventories promoted by IUGS, UNESCO, and ProGEO. To achieve these results, future work should focus on: i) Identification, characterisation and quantification of geosites representative of each framework; ii) Proposal of management plans for selected geosites ensuring their conservation.

Madeira) The Azores archipelago (a Portuguese Autonomous Region) is located on the triple junction between the American, Eurasian and African plates (Laughton & Whitmarsh, 1974). The intervening plate boundaries are the Mid-Atlantic Rift (MAR), separating the American plate from the Eurasian and African plates, and the Azores-Gibraltar Fault Zone (AGFZ), bounding the latter two plates. In the Azores area, the MAR trends N-S to N20E and is divided by transform faults into seven short segments (Luis et al., 1994). The western AGFZ segment, in the Azores region, is oblique to the spreading direction allowing magmatic intrusion along faults, feeding the volcanism that built the islands (Lourenço et al., 1998). Tectonic and volcanic activities are well displayed in the geomorphology of the islands. Several active volcanoes, some of which emerge as islands, are responsible for 27 eruptions since early 15th century (Zbyszewski, 1963; Weston, 1963/64, Queiroz et al., 1995, Madeira & Brum da Silveira, 2003). Earthquakes reaching magnitude 7 that caused >6,000 deaths and well-developed fault scarps represent neotectonic activity (Madeira & Ribeiro, 1990; Madeira & Brum da Silveira, 2003). Many features in the Azores may be considered candidates to geosite classification. These include volcanic structures (historical eruption centres and products, hydrothermal fields, calderas, maars, hawaiian/strombolian, surtseyan and plinian cones, trachyte domes and coulées, pillow lava outcrops, volcanic caves, prismatic jointed outcrops, pyroclastic deposit exposures), tectonic structures (fault scarps, sag ponds), sedimentary deposits (fossiliferous marine deposits of Miocene to Quaternary age, flood deposits, lahars), and littoral features (e.g. littoral platforms of volcanic or landslide origin — fajãs). As an example, in the island of Santa Maria one site has recently been classified as a Natural Monument; it comprises fossiliferous limestones dating from the Miocene/Pliocene boundary, overlain by pillow lavas, associated with an ancient limestone quarry and lime-kiln (Cachão et al., 2003). Some offshore sites are also worth mentioning, such as the Lucky Strike and Menez Gwen submarine hydrothermal fields classified as Deep Sea Marine Protected Areas by the Regional Government, and the D. João de Castro submarine volcano that erupted in 1720 and is presently at a depth of 10 m. Thus, the Azores may be considered a natural laboratory of international relevance with regard to plate tectonics, active volcanism and neotectonics. The archipelago displays varied and abundant geological features of scientific, educational and socio-cultural interest, both on the islands and at sea.

Final considerations The present attempt to define a framework with international relevance constitutes the first contribution for the systematisation of the geological heritage knowledge in Portugal. The application of the ProGEO methodology has resulted in the creation of fourteen frameworks, established by consensus among the Portuguese geological community. Following are the three key outcomes of this work: i) At a national level, the most important geosites are identified, indicating where geoconservation efforts should be prioritised through scientific justification; Episodes, Vol. 28, no. 3

Acknowledgements The authors are grateful to Dr William Wimbledon for his contribution to the manuscript.

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Anexo 3 O ouro na região do Baixo-Douro (Portugal): da serra das Banjas à serra das Flores - um património natural e histórico a preservar. Couto, H & Soeiro, T., 2006. 3º Simpósio sobre Mineração e Metalurgia Históricas no Sudoeste Europeu. Sociedad Española para la defensa del patrimonio Geológico y Minero, Instituto Português do Património Arquitectónico e Fundação para a Ciência e Tecnologia. pp. 465-476.


O ouro na região do Baixo-Douro (Portugal): da serra das Banjas à serra das Flores - um património natural e histórico a preservar. ...

*Couto, H. e **Soeiro, T.

RESUMO Os jazigos de ouro e/ou antimónio da região do Baixo-Douro fazem parte do distrito mineiro Dúrico-Beirão que foi alvo de exploração aurífera sistemática desde a época de ocupação romana da Península Ibérica. Estudos mineralógicos e paragenéticos permitiram distinguir quatro associações paragenéticas: Sn-W, Sb-Au, Au-As e Pb-Zn(Ag), correspondendo o tipo Au-As às mineralizações preferencialmente exploradas pelos romanos. Na serra das Banjas as mineralizações são dominantemente do tipo Au-As e na serra das Flores domina o tipo Sb-Au. Na maioria dos casos as mineralizações são filonianas, mas existem também mineralizações estratiformes. Estudos de índole estratigráfica e geoquímica evidenciaram a existência de pré-concentrações de ouro em alternâncias de xistos, vaques e quartzitos com níveis vulcano-sedimentares e estratos com matéria orgânica de idade ordovícica, onde ocorrem preferencialmente as mineralizações auríferas (Au-As). Pré-concentrações de ouro e antimónio foram assinaladas em rochas encaixantes das mineralizações auri-antimoníferas (Sb-Au), nomeadamente em formações do Precâmbrico(?) e/ou Câmbrico constituídas por alternâncias de xistos, quartzitos, conglomerados e rochas vulcânicas ácidas e na brecha de base do Carbonífero. Explorados em diferentes momentos históricos, pretendemos recordar a necessidade de identificar para cada um deles as tecnologias empregues para a extracção e recuperação do ouro e antimónio, bem como enquadrar estas actividades económicas na respectiva conjuntura histórica, com especial atenção aos impactos sociais e na paisagem, estes devidos tanto às próprias lavras como à necessária presença de estruturas construídas para tratamento da matéria-prima e para residência/acolhimento dos intervenientes. Pretende-se preservar este valioso e diversificado património geológico e arqueológico que constitui um recurso não renovável. É nosso objectivo prioritário, com base em estudos científicos, seleccionar locais com interesse geológico e arqueológico que possam ser valorizados e preservados. ABSTRACT The gold-antimony deposits in Baixo-Douro region are part of the Dúrico-Beirão mining district that was a target of auriferous systematic exploration from the time of Roman occupation of the Iberian Peninsula Mineralogical and paragenetic studies allowed us to define four paragenetic associations: Sb-Au, Au-As, Pb-Zn(Ag) and Sn-W. The Au-As and Sb-Au types correspond to the mineralization preferentially exploited by Romans. In Banjas mountain the dominant mineralizations are of the Au367

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* Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Rua do Campo Alegre 687, 4169-007 Porto hcouto@fc.up.pt ** Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Via Panorâmica 4150-564 Porto nop34657@mail.telepac.pt


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As type and in Flores mountain the type Sb-Au is dominant. Mostly the mineralizations are in veins but there are also stratiform mineralizations. Stratigraphic and geochemical studies showed the existence of enhanced concentrations of gold in some rock layers, mainly in volcano-sedimentary sequences and in the black layers interbedded in the alternate formations of the lower Ordovician (Arenigian) were gold mineralizations (Au-As) preferentially occur. Enhanced concentrations of gold and/or antimony were found in the country rocks of gold-antimony mineralizations (Sb-Au) namely in and in the Precambrian (?) and/or Cambrian consisting of alternating pelite, quartzite, conglomerate, and volcanic acid rocks layers and in the breccia of the lower Carboniferous. Exploited at different historical moments, we intend to remember the necessity of identifying for each one of them the technologies employed for the extraction and recuperation of gold and antimony, as well as to fit these economical activities in the respective historical state of affairs, with special attention to the social and landscape impacts , these related both to the mining work itself and to the necessary presence of built structures for ore treatment and for residence / welcome of the intervenient. We intend to preserve this valuable and diversified geological and archaeological heritage that constitutes a not renewable resource. It is our main objective, on basis of scientific studies, to select places with geological and archaeological interest that could be valued and preserved.

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O distrito auri-antimonífero do Baixo-Douro localiza-se a NE do Porto, estendendo-se ao longo de uma faixa de cerca de 90km com orientação NW-SE que se inicia em Lagoa Negra (próximo de Esposende) e se prolonga até Gafanhão (a oeste de Castro Daire). É constituído por mais de uma dezena de jazigos, que foram explorados pelo menos desde a época de ocupação romana até ao início do século XX. Esporadicamente algumas minas estiveram activas mais recentemente. O interesse geológico e arqueológico da área é particularmente relevante, assim como o biológico. Estudos geológicos revelam uma grande geodiversidade e têm vindo a demonstrar a particularidade de alguns aspectos geológicos e geomineiros que será de todo o interesse preservar enquanto é tempo. Os arqueológicos, ainda que embrionários, deixam antever a possibilidade de estudar sítios ímpares no contexto do Entre-Douro-e-Minho, integrados num conjunto indispensável para o entendimento da história regional e com relevância no quadro global da exploração mineira do império romano. A urbanização crescente da área assim como a plantação de eucaliptos põe em risco a conservação do património natural e histórico sendo necessários adoptar medidas preventivas adequadas. A norte do distrito mineiro, o trabalho de colaboração entre a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e a Câmara Municipal de Valongo, que resultou na criação do Parque Paleozóico de Valongo, tem vindo a divulgar e valorizar o valioso Património Geológico e Mineiro assim como a elaborar propostas e pareceres científicos que permitam classificar a área do Parque (Couto 2005). Enquadramento geológico

Na área ocorre uma importante dobra com direcção NW-SE, cujo eixo mergulha entre 5 a 15o para NW, com um plano axial inclinando 60º para NE (Ribeiro et al. 1987) conhecida por Anticlinal de Valongo e constituída por rochas com idades que variam entre o Precâmbrico? e/ou Câmbrico e o Devónico. A oeste desta estrutura ocorrem rochas de idade carbonífera. Drenada pelo rio Douro e seus afluentes, a paisagem é dominada por dois alinhamentos de serras, originadas por erosão diferencial do Anticlinal de Valongo. A Serra de Santa Justa prolonga-se no flanco oriental pelas Serras de Pias, Santa Iria, Banjas e Boneca e no flanco ocidental pelas Serras do Castiçal, Flores e S. Domingos (Figura 1). O sector abordado no presente trabalho, situa-se na margem direita do rio Douro

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Introdução


abrangendo as explorações mineiras que se desenvolvem da Serra das Banjas (flanco inverso do Anticlinal de Valongo) à serra das Flores (flanco normal do Anticlinal de Valongo), sendo coberto pela folha 13-B (Castelo de Paiva) da Carta Geológica de Portugal dos Serviços Geológicos de Portugal na escala de 1/50.000 e pela folha 134 (Foz do Sousa) da Carta Militar de Portugal, do Serviço Cartográfico do Exército à escala 1/25.000.

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Controlos das mineralizações

No distrito mineiro do Baixo-Douro, além das mineralizações de antimónio e ouro (Sb-Au) ocorrem também mineralizações de chumbo, zinco e prata (Pb-Zn-Ag) e mineralizações de estanho e tungsténio (W-Sn)

Figura 1 – Localização geográfica e enquadramento geológico da área em estudo. 1-Quaternário; 2-Carbonífero; 3-Ordovícico-Devónico; 4-Precâmbrico? e/ou Câmbrico; 5-granitóides sin- a tardi F3; 6- granitóides sin-orogénicos biotíticos tardi F3 e tardi a pós F3 ;7-granitóides tardi a pós-orogénicos; 8-metamorfismo de contacto; 9-cisalhamento; 10-falha; 11-falha suposta (Couto 2001).

Estudos mineralógicos e paragenéticos (Couto et al. 1990, Couto 1993). permi-

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tiram distinguir quatro associações paragenéticas: Sn-W, Sb-Au, Au-As e Pb-Zn(Ag), resultantes de dois processos mineralizantes, um tardi-hercínico, outro provavelmente alpino relacionado com a abertura do Atlântico, correspondendo o tipo Au-As às mineralizações preferencialmente exploradas pelos romanos. Na Serra das Banjas as mineralizações são dominantemente do tipo Au-As (ex. da mina das Banjas) e na Serra das Flores domina o tipo Sb-Au (ex. da mina de Alto do Sobrido). Na maioria dos casos as mineralizações são filonianas, mas existem também mineralizações estratiformes (Couto & Borges 2005) ocorrendo o ouro e/ou antimónio associados a determinados estratos. As estruturas filononianas podem ser enquadradas em quatro grupos, controlados pela tectónica (Couto 1993) que são, por ordem decrescente de importância: (E)NE-(W)SW, E-W, N-S e NNW-SSE. Os fojos ou banjas (cavidades correspondentes ao desmonte de filões auríferos pelos romanos), termo usado respectivamente a norte e a sul do distrito mineiro, seguem preferencialmente a direcção E-W e NESW. Os filões quartzosos apresentam geralmente espessuras inferiores a um metro e são geralmente pouco extensos. A mineralogia é bastante diversificada (Couto 1993). Os minerais mais frequentes são a pirite, arsenopirite, estibina, berthierite e sulfuretos mais complexos de chumbo, antimónio e prata. O ouro apresenta-se quer puro quer em liga com a prata ou antimónio ou na rede da pirite e arsenopirite. Estudos de índole estratigráfica e geoquímica (Couto 1993, Couto et al. 2003) evidenciaram a existência de pré-concentrações de ouro em alternâncias de xistos e quartzitos com níveis vulcano-sedimentares e estratos com matéria orgânica do Ordovícico inferior (Arenigiano), onde ocorrem preferencialmente as mineralizações auríferas (Au-As). Pré-concentrações de ouro e antimónio foram assinaladas em rochas encaixantes das mineralizações auri-antimoníferas (Sb-Au), nomeadamente em formações do Precâmbrico (?) e/ou Câmbrico constituídas por alternâncias de xistos, quartzitos, conglomerados e rochas vulcânicas ácidas e em formações do Carbonífero particularmente na brecha de base e em vaques cinzentos que a sobrepõem. Os trabalhos mineiros romanos desenvolveram-se preferencialmente no flanco normal do Anticlinal de Valongo onde as alternâncias do Arenigiano atingem maiores espessuras e onde ocorrem estratos com matéria orgânica, como acontece na Mina das Banjas (Figura 2). Nesta mina em que os trabalhos subterrâneos atingem cerca de 120m de profundidade verifica-se que os trabalhos mineiros romanos se desenvolveram nas estruturas filonianas enquanto que nos trabalhos realizados em finais do séc XIX e inícios do séc. XX por uma companhia inglesa, foi explorado o ouro associado a níveis negros com matéria orgânica (jazigos estratiformes) (Combes et al. 1992, Couto et al. 2003) (Figura 2). Será que os romanos exploraram também


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os jazigos estratiformes? Tudo leva a crer que sim no que diz respeito a explorações a céu aberto que podem ser observadas na área. Será um dos aspectos interessantes a confirmar. No flanco inverso, embora menos frequentes, foram observados trabalhos mineiros romanos, entre outros locais, na Serra das Flores (Figura 3).

Figura 2 - Trabalhos mineiros no flanco normal do Anticlinal de Valongo ( Mina das Banjas). A - Galeria romana de acesso aos filões auríferos. B - Desmonte de estratos das alternâncias do Arenigiano para exploração de ouro, do início do séc XX.

Figura 3 - Trabalho mineiro romano no flanco inverso do Anticlinal de Valongo (Serra das Flores). Desmonte de filão N40/80SE em alternâncias de xistos, quartzitos, conglomerados e rochas vulcânicas ácidas do Precâmbrico(?) e/ou Câmbrico.

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O distrito Mineiro do Baixo-Douro é, como vimos, propício à mineração de ouro, intensa na época romana, e também do antimónio, a que só o século XIX deu relevância. Cronologicamente, temos de balizar a presença romana em momento posterior à conquista de Augusto, formalmente terminada em 19 a.C. Não quer isto dizer que os exércitos romanos não tenham antes feito algumas incursões nestas terras, de punição pelo apoio prestado aos Lusitanos e de pilhagem do ouro indígena, como foram, por exemplo, as campanhas de Décimo Junio Bruto (em 138-133 a.C.) ou de César (61-60 a.C.). Conquistado, o solo passa a ser propriedade dos romanos. Mais ainda, todo o Noroeste Peninsular, a Gallaecia, será integrado na nova grande província imperial, que ia do atlântico ao mediterrâneo, muito mais de metade da hispânica, com capital em Tarraco, directamente governada e explorada pelo imperador, terra de muitas minas de ouro. E é no largo espectro da economia do império que devemos integrar os modos e ritmos de exploração de cada pequena região, como a que agora nos interessa. As evidências materiais destes trabalhos mineiros romanos nas Serras das Flores e Banjas podem ser datadas de pelo menos meados do século I d.C. e concretizam-se em cortas, aqui ditas fojos ou banjas, galerias, sejam de busca de minério, de acesso, de extracção ou de esgoto, e poços, para acesso, extracção, esgoto, ventilação, etc., com as características antes apontadas e de que a Vargem da Raposa, em Melres, é magnífico exemplo, até porque pôde ser por nós vista antes da florestação industrial (Soeiro 1984). Mais fugazes, mas ainda bem reconhecíveis nesse momento, eram as escombreiras de estéreis junto dos locais de extracção, resultado de uma primeira escolha feita à boca da mina, e os sítios de processamento, onde se lavaria o minério moído, como o que existia próximo do ribeiro das Banjas. Muito, quase tudo, falta por prospectar e datar nesta matéria, para entendermos o necessário sistema de represamento e condução de águas, de que pode ser exemplo o longo canal que do rio Mau conduz as águas até Branzelo.

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História Mineira


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Figura 4 – Fojo da Vargem da Raposa. A- Fojo integrado numa paisagem de vegetação de mato rasteiro. As setas indicam a localização do fojo. B - Pormenor do Fojo evidenciando a vegetação exuberante própria destes locais húmidos. A seta indica entrada de galeria.

O Outeiro da Mó, nas Banjas, é, dentro deste quadro de sítios técnicos, um caso excepcional. Trata-se de um esporão próximo das cortas onde a primeira passagem das máquinas pesadas que revolveram o monte para a florestação, no início dos anos 80, pôs a descoberto centenas de mós graníticas e muitos apisoadores, sobretudo de quartzito. Estamos certamente perante um espaço técnico, em que se concentrava o processamento do minério, particularmente a moagem, e em que também reconhecemos tégulas e ímbrices que atestam a existência de edifícios. Pelo espólio cerâmico recolhido no revolvimento e por nós publicado há vinte anos, estaria habitado na segunda metade do século I d.C. Promissora como poucas pela sua complexidade e originalidade aparente, esta estação ímpar e ainda por investigar continua a ver os seus níveis arqueológicos profundamente revolvidos cada vez que se procede ao corte e replantação dos eucaliptos. A destruição das áreas envolventes das cortas permitiu-nos ainda registar um outro elemento, então pouco conhecido: a existência de povoados, aparentemente abertos e pouco extensos, localizados mesmo nas bordas das explorações, como, por exemplo, o da Banja do Gato. Faltam-nos ainda os cemitérios, porque aqui também se morreria, assim como as vias que até aqui conduziam e tantos outros elementos. Enquanto sítios como estes não forem devidamente estudados, não compreenderemos não só a que meios técnicos se recorria em cada momento, qual o planeamento, como se faziam e renovavam as ferramentas, etc., como não poderemos avaliar com fundamento qual o volume e características da mão de obra aqui empregue e a forma como era enquadrada. E esta ignorância não nos bloqueia apenas a informação sobre os directamente implicados na exploração mineira. Ela é também um travão ao nosso entendimento dos impactos que a permanência num local em que a presença 374


romana só poderia ser forte teria na transformação da mundividência das gentes de toda a região, de onde os envolvidos proviriam e para onde regressariam.

Escrevemos já que a prístina adesão à romanidade pós-conquista e uma substancial disponibilidade de recursos para comprar bens provenientes do comércio mediterrânico que documentamos em castros desta área, com níveis da primeira metade do século I d.C., como os de Monte Mozinho, Penafiel (Soeiro 1998), pode estar por alguma forma relacionada com a participação de indígenas nestes trabalhos, a activação de circuitos locais de abastecimento, uma maior incidência de rotas de venda, etc. Os primeiros a beneficiar e a alterar significativamente estas explorações romanas foram os industriais mineiros de inícios do século XIX. A nova atenção prestada à existência de riquezas no subsolo, muito sobreavaliadas, e a presença de especialistas estrangeiros, nomeadamente os que dirigiam as minas de carvão de S. Pedro da Cova, facilitaram a redescoberta destas jazidas, tão fisicamente marcadas na paisagem pela multiplicidade das cortas e a dimensão das escombreiras. Mas agora o minério prioritário seria o antimónio, de que os mercados nacional e internacional estavam deficitários. Vale de Achas teria sido identificada em 1807/8, por Christian Hartys, técnico de S. Pedro da Cova. A uma outra mina de Valongo está ligado Jacob Gunther, que a declara em 1812, reconhecimentos que continuaram com o patrocínio do primeiro Intendente Geral das Minas José Bonifácio de Andrade da Silva. A proibição de importar metais determinada pelas primeiras Cortes Liberais ajudaria o despontar da exploração do antimónio, reclamado, por exemplo, pelo director da Real Fábrica de Fundição de Tipos para Imprensa, para quem esta matéria prima era essencial. A Intendência das Minas controlou pelo menos uma destas explorações até ao

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Figura 5 – Povoado romano do Outeiro da Mó. A- Povoado depois de plantação de eucaliptos. B - Exemplares de mós colhidos à superfície.


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início da década de trinta, subsidiada com os lucros obtidos com o carvão. O mercado inglês absorvia toda a produção não necessária no país, exportando-se o minério por purificar. A mina, bem como as infra-estruturas construídas, com engenho de pisoar e armazém, passariam depois para companhias privadas. Mas o auge da exploração mineira do antimónio seria atingido nas décadas de setenta e oitenta do século XIX, momento de maior expansão das lavras e construção da logística de apoio, com a presença também de grandes companhias estrangeiras, situação plasmada no Catálogo Descritivo da Secção de Minas da Exposição Nacional das Industrias Fabris, publicado em 1889 (Monteiro & Barata 1889), e em outros relatórios técnicos da época. Nos anos noventa, o desinteresse do mercado inglês provocaria uma quebra abrupta da produção, que jamais voltaria a atingir estes níveis, apesar de fugazes picos durante a II Guerra Mundial e na década de sessenta do século XX.

Conclusões

Curiosamente, se sobre as minas romanas não sabemos muito mas se mantém vivo o interesse, esta experiência oitocentista parece menos relevante na memória colectiva, ainda que tenha envolvido mão de obra local, quadros técnicos nacionais e estrangeiros e motivado, simultaneamente, o apoio das populações, pelo sonho de emprego e progresso, e o repúdio, por verem disputada ou desrespeitada a posse e usufruição dos montes, tão necessários ao equilíbrio da pequena economia rural. Todo este património industrial sofreu ainda um maior esquecimento e destruição do que o anterior, sendo significativo que o último equipamento completo que ainda vimos montado, o de Montalto, tenha sido vendido para a sucata exactamente quando, no monte, a florestação industrial causava os estragos denunciados. Embora exista, pelo menos desde 1975, um plano de salvaguarda para toda esta mancha de interesse natural e cultural que vai de Valongo até ao Douro, reforçado com projectos parciais de Reserva Nacional (1981), decreto regulamentar (1984), projectos de estudo das especialidades (1984 entre outros) e um projecto de Parque Regional por três vezes apresentado na Assembleia da República desde 2000, o património que resta do Couto Mineiro do Baixo-Douro, na sua completa extensão e longa diacronia, parece continuar sem um rumo definido, com excepção do abrangido pela área do Parque Paleozóico de Valongo onde o trabalho de parceria entre a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e a Câmara Municipal de Valongo, foi recentemente reconhecido pelo Grupo português da ProGEO, uma associação international que se dedica à Protecção do Património Geológico. O Prémio Geoconservação 2005 foi atribuído por esta associação à Câmara Municipal de Valongo pelo facto do Parque Paleozóico de Valongo corresponder a uma acção concreta já implementada e com provas dadas, constituindo um exemplo de Geoconservação que deve ser seguido e adaptado pelos outros municípios que com ela partilham estas serras. 376


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Bibliografia


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Anexo 4 Poço Negro – Proposal of a geo-trail along river Mau. Couto, H & Lourenço, A., 2005. Abstracts, IV International Symposium ProGEO on the Conservation of Geological Heritage (Braga, Portugal). University of Minho, Braga, 84.


Anexo 5 Lista de espécies de flora observadas

Anexo II da Directiva Habitats 92/43: referente a espécies animais e vegetais de interesse comunitário cuja conservação exige a designação de zonas especiais de conservação. Anexo V da Directiva Habitats 92/43: referente às espécies animais e vegetais de interesse comunitário cuja captura ou colheita na Natureza e exploração podem ser objecto de medidas de gestão.


Nome Comum

Nome cientifico

Estatuto de conservação

Locais de observação

Agrostis x foulladei P. Fourn.

6.2.1; 6.4.15; 6.5.13

Artemisia verlotiorum Lamotte

6.1.3

Brachypodium rupestre (Host) Roemer & Schultes Carex elata All. subsp. reuteriana (Boiss.) Luceño & Aedo

6.2.1; 6.4.12; 6.5.13 6.4.14; 6.5.11; 6.5.13

Cladonia L.

6.1.7; 6.5.14

Davallia canariensis

6.4.14

Eleogiton fluitans (L.) Link

6.2.1; 6.4.15

Euphorbia amygdaloides L.

6.1.9; 6.5.3

Fumaria bastardii Boreau

6.5.2

Laccaria sp.

6.3.3

Myosotis secunda Al. Murray

6.2.1;6.2.4; 6.2.5

Omphalodes nitida Hoffmanns. et Link Parmotrema chinense (Osbeck) Hale & Ahti 1986 Pedicularis sylvatica L. subsp lusitanica (Hoffmans. & Link) Cout.

6.2.1; 6.3.7; 6.1.6; 6.2.1; 6.3.1 6.4.15

Ranunculus omiophyllus Ten.

6.2.1

Salix x sepulcralis Simonk.

Silene marizii

Sphagnum sp. Stellaria holostea L.

6.3.7 Endemismo com interesse para a conservação Anexo V da directiva Habitats 92/43

6.4.14

6.2.1 6.5.10

Viola palustris L. subsp. juressi (Link ex Wein) P. Fourn. Asphodelus lusitanicus Cout. var. ovoideus (Merino) Z. Diáz & Valdés Acacia melanoxylon R. Br. in Aiton fil.

6.1.7; 6.2.6; 6.3.11; 6.4.10; 6.5.10; 6.5.13

Acacia dealbata Link

6.4.14; 6.4.15

Acácia-negra

Acacia meanrsii De Wild.

6.4.6

Agrião-amargo

Cardamine flexuosa With.

6.3.8; 6.5.3

Álcar ou erva-dastúberas Alegra-campo, alegação, recama ou salsaparrilhabastarda

Xolantha tuberaria (L.) Gallego, Muñoz Garm. et C. Navarro

6.4.9

Smilax aspera L.

6.4.14;

Alho-bravo

Allium triquetrum L.

6.2.10

Alho-das-vinhas

Aliium vineale L.

6.5.12

Ameixeira-dejardim ou mirobolano

Prunus cerasifera Ehrh. var. atropurpurea

6.2.5

Amieiro ou amieirocomum

Alnus glutinosa L. (Gaertn.)

6.1.1; 6.1.3; 6.1.4; 6.1.6; 6.1.9; 6.1.11; 6.1.12; 6.2.1; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.5; 6.2.10;

Abrótea Acácia ou acáciada-Austrália Acácia-dealbada ou mimosa

6.4.12 6.3.1


6.2.11; 6.2.12; 6.3.5; 6.3.7; 6.3.8; 6.3.9; 6.3.11; 6.4.5; 6.4.7; 6.4.9; 6.5.8; 6.5.10; 6.5.11; 6.5.13 Amieiro-negro

Frangula alnus Mill.

6.5.3; 6.5.12

Amor-de-hortelão ou pegamaço

Gallium aparine L.

6.4.9; 6.5.2

Amor-perfeito

Viola tricolor L. var. arvensis Brot.

6.2.4

Angélica-silvestre ou angélica-dosmontes

Angelica sylvestris L.

6.3.7

Arenária ou arisaro

Arenaria montana L.

6.2.6

Assobios

Silene latifolia Poir.

6.2.11; 6.5.10

Avenca-negra

Asplenium onopteris L.

6.4.14

Avencão

Asplenium trichomanes L. subsp. quadrivalens D. E. Mey

6.2.3

Conyza sumatrensis (Retz.) E. Walker

6.1.11

Rumex acetosa L.

6.5.13; 6.5.14

Azevém

Lollium perenne L.

6.2.10; 6.4.6; 6.5.2

Azevém-baboso

Glyceria declinata Bréb.

6.5.7

Azevém-vivaz, reigrás-dosingleses ou gazão

Lolium perenne L.

6.2.10; 6.4.6; 6.5.2

Bambú-negro

Phyllostachis nigra (Lodd. Ex Lindl.) Munro

6.1.6; 6.5.8; 6.5.14

Calendula arvensis L.

6.5.11; 6.5.14

Erodium cicutarium (L.) L’Hér.

6.1.12

Ranunculus muricatus L.

6.2.10

Heracleum sphondylium L.

6.4.9; 6.5.13

Peucedanum lancifolium Lange

6.3.7

Ajuga reptans L.

6.2.1; 6.5.13

Andryala integrifolia L.

6.2.6

Caniço-malhado

Phalaris arundinacea L.

6.3.7

Carqueja

Pterospartum tridentatum (L.) Willk. subsp. cantabricum (Spach) Talavera & P. E. Gibbs

Avoadinha-marfim ou avoadinhabranca-de-pêloscompridos Azeda ou azedasbravas

Belas-noites ou malmequer-doscampos Bico-de-cegonha ou repimpim Botões-de-ouro ou bugalhó Branca-ursina ou esfondílio Bruco Búgula ou erva-deSão-Lourenço Camareira ou alface-do-monte

6.2.1; 6.4.15 6.1.1; 6.1.2; 6.1.4; 6.1.5; 6.1.6; 6.1.7; 6.1.8; 6.1.9; 6.1.10; 6.1.12; 6.2.1; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.6; 6.2.7; 6.2.9; 6.2.11; 6.3.1; 6.3.2; 6.3.3; 6.3.4; 6.3.5; 6.3.7; 6.3.11; 6.4.4; 6.4.5; 6.4.7; 6.4.10; 6.4.12; 6.4.15; 6.5.5; 6.5.7; 6.5.8; 6.5.11; 6.5.13; 6.5.14

Carvalho-alvarinho

Quercus robur L.

Cassamelo ou corga

Spergula arvensis L.

6.2.10

Castanheiro

Castanea sativa Mill.

6.1.1; 6.1.6; 6.2.7; 6.4.4; 6.4.10; 6.5.2; 6.5.5

Cedro-do-Buçaco

Cupressus lusitanica

6.4.5

Celidónia ou ervadas-verrugas

Chelidonium majus L.

6.2.10; 6.4.6; 6.4.9; 6.5.2; 6.5.8; 6.5.10; 6.5.11; 6.5.13


Cerefólio-bravo ou cerefolho Cerejeira ou ginjeira

Chaerophyllum temulum L.

6.5.10

Prunus cerasus L.

6.4.10; 6.5.12

Choupo-branco

Populus alba L.

6.3.8

Choupo-híbrido, álamo-híbrido ou choupo-americano

Populus x canadensis Moench

6.2.10; 6.3.5; 6.3.7; 6.4.5

Choupo-negro ou álamo-de-Itália

Populus nigra L.

Codesso ou rasteiro

Adenocarpus lainzii (Castrov.) Castrov.

Dáctilo-doslameiros ou dáctilocomum

Dactylis glomerata L. subsp. lusitanica Stebbins & Zohary

Dedaleira ou digital

Digitalis purpurea L.

Dente-de-leão, amor-dos-homens ou taráxaco

Taraxacum officinale Weber ex F. H. Wigg.

6.3.7; 6.5.8

Embude ou rabaça

Oenanthe crocata L.

6.1.1; 6.2.5; 6.2.6; 6.2.10; 6.4.6; 6.4.9; 6.4.14; 6.5.2; 6.5.3; 6.5.7; 6.5.8; 6.5.11

Ranunculus repens L.

6.1.12

Geum urbanum L.

6.1.12

Lythrum salicaria L.

6.3.7

Melissa officinais

6.4.5

Tradescantia fluminensis Vell.

6.4.6; 6.5.10

Erva-belida ou botão-de-oiro Erva-benta ou sanamunda Erva-carapau ou salgueirinha Erva-cidreira Erva-da-fortuna ou tradescância Erva-dasescaldadelas

6.1.7; 6.1.9; 6.1.11; 6.1.12; 6.3.8; 6.3.14; 6.4.9; 6.4.10; 6.5.2 6.1.2; 6.1.3; 6.1.7; 6.2.1; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.6; 6.2.7; 6.2.9; 6.4.5; 6.4.9; 6.4.15; 6.5.10; 6.5.11; 6.5.13 6.2.1; 6.2.4; 6.2.9; 6.4.9; 6.4.12; 6.5.10; 6.5.13; 6.5.14 6.2.1; 6.2.4; 6.2.5; 6.2.6; 6.2.11; 6.5.10; 6.5.13

Scrophularia auriculata L.

6.3.7

Chelidonium majus L.

6.1.2; 6.2.4; 6.2.10; 6.4.6; 6.4.9; 6.5.2; 6.5.13

Lithodora prostrata (Loisel.) Griseb

6.4.15

Agrostis truncatula Parl. subsp. commista Castroviejo et Charpin

6.1.5

Holcus lanatus L.

6.3.8

Erva-leiteira

Euphorbia helioscopia L.

6.1.11

Erva-médica ou luzerna-da-Arábia

Medicago arabica L. (Huds.)

6.4.9

Erva-rapa

Bidens frondosa

6.2.8

Ervilhaca brava

Vicia sativa L.

6.2.5

Pyrus cordata Desv.

6.2.1; 6.2.6

Teucrium scorodonia L.

6.2.6; 6.4.10; 6.4.14; 6.5.13

Espadana-de-água

Sparganium erectum L.

6.5.7; 6.5.8

Espadana-de-água

Sparganium erectum L. subsp. neglectum (Beeby) Schinz et Thell. in Schinz et R. Keller

6.5.7; 6.5.8

Esteva

Cistus psilosepalus Sweet

6.2.4; 6.4.12; 6.4.15

Eucalyptus globulus Labill. subsp. globulus

6.1.1; 6.1.5; 6.1.6; 6.2.1; 6.2.6; 6.2.9; 6.2.11; 6.3.1; 6.3.2; 6.3.3; 6.3.5; 6.3.6; 6.3.9; 6.3.14; 6.3.15; 6.4.5; 6.4.7; 6.4.10; 6.4.11;

Erva-das-muralhas Erva-das-setesangrias, sargacinha Erva-feno, ervafina, barbas-deraposa ou linho-deraposa Erva-lanar ou ervaserôdia

Escalheiro ou escalheiro-manso Escorodónia, salva-brava ou salva-bastarda

Eucalipto


6.4.12; 6.4.13; 6.4.15; 6.5.3; 6.5.5; 6.5.6; 6.5.14; 6.5.15 Famanco

Agrostis curtisii Kerguélen

6.1.5; 6.2.1; 6.4.15

Fentanha

Polystichum setiferum (Forssk.) Woyn.

6.1.9; 6.2.1; 6.4.5; 6.5.3

Fentelho ou polipódio

Polypodium cambricum L.

6.3.1; 6.4.14; 6.5.5; 6.5.10

Fentilha ou falsofeto-macho

Dryopteris affinis (Lowe) FraserJenkins subsp. borreri (Newman) Fraser-jenkins

6.2.1; 6.4.5

Fentilho

Asplenium billotti F. W. Schultz

6.4.12

Feto-dos-montes

Pteridium aquilinum (L.) Kuhn

6.2.3; 6.2.6; 6.5.13; 6.5.14

Feto-fêmea ou feto-fêmea-dositalianos

Athryrium filix-femina (L.) Roth

6.3.9; 6.3.11; 6.4.12; 6.5.7; 6.5.8

Feto-pente

Blechnum spicant (L.) Roth var. homophyllum Merino et Christ

6.1.2; 6.2.1

Feto-real

Osmunda regalis L.

6.2.5; 6.3.14

Ficária ou celidónia-menor

Ranunculus ficaria L.

6.2.10; 6.5.3; 6.5.12

Fiteira Foguetes ou tabuaestreita Folhado ou laurestim

Cordyline australis (G. Forst.) Hook f. Typha dominguensis (Persoon) Steud

6.5.7 6.3.7

Viburnum tinus L.

6.4.15; 6.5.14

Freixos

Fraxinus angustifolia Vahl

6.2.7; 6.3.8; 6.4.14; 6.5.3

Fumária-dasparedes ou saltasebes

Fumaria muralis W. D. J. Koch

6.2.4; 6.2.5; 6.5.10; 6.5.11; 6.5.14

Gerânios

Geranium sp.

6.5.10

Giesta-das-serras, giesta-negral ou giesta-amarela

Cytisus striatus (Hill) Rothm.

6.2.1; 6.2.4; 6.2.5; 6.2.9; 6.2.11; 6.3.2; 6.3.3; 6.4.5; 6.4.10; 6.4.12; 6.4.15; 6.5.11; 6.5.13; 6.5.14

Gilbardeira ou erva-dos-vasculhos

Ruscus aculeatus L.

Háquea-folhas-desalgueiro

Hakea salicifolia

6.4.5

Hera

Hedera hibernica G. Kirchn.

6.1.2; 6.1.3; 6.1.6; 6.1.9; 6.3.7; 6.4.6; 6.4.9; 6.4.10; 6.4.14; 6.5.3; 6.5.5; 6.5.11

Hera-terrestre

Glechoma hederacea L.

6.1.1

Hipericão-ondeado ou hipericão-bravo

Hypericum undulatum L.

6.4.9

Hortelã-crespa

Mentha spicata L.

Anexo V da directiva Habitats 92/43

6.4.14

6.4.12 6.1.3; 6.1.6; 6.2.10; 6.4.6; 6.4.9; 6.4.10; 6.5.3; 6.5.8; 6.5.13 6.1.4; 6.1.9; 6.3.11; 6.4.5; 6.5.2 6.1.1; 6.2.1; 6.3.7; 6.3.11; 6.4.6

Jarro-dos-campos

Arum italicum Mill.

Junca

Carex paniculata L. subsp. lusitanica (Willd.) Maire

Junco

Juncus effusus L.

Junco-de-folhasvariadas

Juncus heterophyllus Duffour

6.3.7

Junco-dos-prados

Luzula campestris (L.) DC.

6.2.4: 6.3.14; 6.5.3

Rumex obtusifolius L.

6.2.1; 6.2.8; 6.2.10; 6.4.9; 6.4.12; 6.4.14; 6.5.2; 6.5.7; 6.5.10; 6.5.12

Lamium maculatum L.

6.1.7; 6.3.7; 6.3.11; 6.4.12; 6.5.10; 6.5.14

Lamium purpureum L.

6.2.10; 6.5.13

Labaça-de-folhaslargas, labaçaobtusa, ou azedade-folhas-largas Lâmio-maculado ou chuchas Lâmio-roxo


Laranjeira-doce

Citrus sinensis (l.) Osbeck

6.5.12; 6.5.13

Lentisco ou aderno-de-folhasestreitas

Philyrea angustifolia L.

6.4.14

Limoeiro

Citrus limon (L.) Burm. f.

6.5.12

lírio-amarelo

Iris pseudacorus L.

6.3.8; 6.3.9; 6.5.8

Celtis australis L.

6.4.6

Laurus nobilis L.

6.2.4; 6.3.11; 6.4.4; 6.4.5; 6.4.14; 6.5.3; 6.5.10; 6.5.13

Humulus lupulusL.

6.4.9

Anthemis arvensis L.

6.5.11

Erigeron karvinskianus DC.

6.4.9

Bellis perenis L.

6.3.7; 6.5.13

Halimium ocymoides

6.4.15

Arbutus unedo L.

6.4.15

Mentha suaveolens Ehrh.

6.2.8; 6.4.9

Lodão ou lodãoeuropeu Loureiro ou sempre-verde Lúpulo ou vinhado-norte Margação Margacinha ou vitadínia-dasfloristas Margarida ou bonina Mato-branco ou sargaço-branco Medronheiro, êrvodo ou ervedeiro Mentrasto ou hortelã-brava Milho

Zea mays L.

6.1.12; 6.3.11

Calluna vulgaris (L.) Hull.

6.1.4; 6.1.5; 6.2.1; 6.2.7; 6.4.15; 6.5.14

Euphorbia lathyris L.

6.2.8

Stellaria media (L.) Vill.

6.4.12; 6.5.5; 6.5.10; 6.5.13

Morugem-de-água

Callitriche stagnalis Scop.

6.3.11

Murta

Myrtus communis L. for. Lusitanica (L.) P. cout.

Narciso-trombeta

Narcissus pseudonarcissus L.

Nêveda

Calamintha baetica

6.4.5

Olhos-de-gato

Pentaglottis sempervirens (L.) Tausch ex L. H. Bailey

6.5.12; 6.5.14

Oliveira

Olea europaea L.

6.5.12

Padreiro ou bordo

Acer pseudoplatanus L.

6.3.8

Carex pendula Huds.

6.1.9

Coleostephus myconis (L.) Rchb. F.

6.1.12

Vinca difformis Pourr.

6.4.6

Vinca major L.

6.3.5

Crataegus monogyna Jacq.

6.2.1; 6.2.6; 6.4.14

Pinheiro-bravo

Pinus pinaster Aiton

6.1.1; 6.1.4; 6.1.12; 6.2.4; 6.2.9; 6.2.11; 6.3.2; 6.3.11; 6.4.7; 6.4.10; 6.5.11; 6.5.14

Pinheiro-manso

Pinus pinea L.

6.2.1; 6.3.3; 6.4.10

Platanus orientalis L. var. acerifolia Dryand.

6.1.1; 6.1.3; 6.1.4; 6.1.6; 6.1.9; 6.1.11; 6.1.12; 6.2.1; 6.2.7; 6.2.10; 6.3.6; 6.3.14;

Mongoriça ou leiva Morganheira ou tartago Morugem-branca, morugem ou orelha-de-toupeira

Palha-de-armarvinha Pampilho-de-micão ou olhos-de-boi Pervinca ou congossa Pervinca-maior ou congossa-maior Pilriteiro, espinheiro-branco, espinheiro-alvar, escalheiro, escrambulheiro ou combroeiro

Plátano

Anexo II da directiva Habitats 92/43

6.5.5


6.4.2; 6.4.10; 6.5.7; 6.5.12; 6.5.13 Reseda-de-frutoestrelado

Sesamoides suffruticosa (Lange) Kuntze

6.2.1; 6.2.11

Roseira

Rosa sp.

6.5.7

Rosas-da-Páscoa ou pão-de-leite

Primula vulgaris Huds.

6.1.3; 6.1.6; 6.2.1

Rosmaninho

Lavandula luisieri (Rozeira) Rivas Mart.

6.4.15

Queiroga ou urzeroxa

Erica cinerea L.

6.2.7; 6.5.14

Sabugueiro

Sambucus nigra

6.3.9; 6.4.5; 6.5.3

Salgueiro-chorão

Salix alba L. subsp. vitellina

6.2.10; 6.3.7

Salix atrocinerea Brot.

6.1.1; 6.1.3; 6.1.4; 6.1.5; 6.1.6; 6.1.7; 6.1.9; 6.1.12; 6.2.1; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.8; 6.2.10; 6.2.11; 6.3.5; 6.3.7; 6.3.9; 6.3.11; 6.3.14; 6.4.4; 6.4.5; 6.4.6; 6.4.9; 6.4.10; 6.4.12; 6.4.15; 6.5.3; 6.5.5; 6.5.7; 6.5.8; 6.5.10; 6.5.11; 6.5.12; 6.5.14

Apium nodiflorum (L.) Lag.

6.5.7

Reynoutria japonica Houtt.

6.1.3; 6.2.10

Raphanus raphanistrum L.

6.2.8; 6.2.10; 6.3.2; 6.5.11

Halimium alyssoides (Lam.) K. Koch Polygonatum odoratum (Mill.) Druce

6.1.4; 6.2.1; 6.2.9; 6.5.13; 6.5.14

Salgueiro-negro

Salsa-brava ou rabaça Sanguinária-doJapão Saramago ou rábano-silvestre Sargaço ou sargaça Selo-de-Salomão Sete-em-rama ou potentilha

6.1.12

Potentilla erecta (L.) Raeusch.

6.2.1; 6.4.12

Silva ou amorassilvestres

Rubus ulmifolius Schott

6.1.2; 6.1.3; 6.1.4; 6.1.5; 6.1.6; 6.1.7; 6.1.9; 6.2.1; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.6; 6.2.7; 6.2.8; 6.2.9; 6.2.11; 6.3.2; 6.3.9; 6.4.5; 6.4.7; 6.4.9; 6.4.10; 6.4.12; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.2; 6.5.5; 6.5.7; 6.5.8; 6.5.10; 6.5.11; 6.5.13; 6.5.14

Soagem ou chupamel

Echium plantagineum L.

6.1.12

Sobreiro, sobro ou chaparro

Quercus suber L.

6.2.4; 6.2.6; 6.2.7; 6.2.11; 6.3.1; 6.3.2; 6.4.5; 6.4.10; 6.4.12; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.5; 6.5.8; 6.5.12; 6.5.13

Typha latifolia L.

6.2.5; 6.5.7

Plantago lanceolata L.

6.3.8; 6.4.9; 6.5.13

Tojo-arnal ou tojoarnal-do-litoral

Ulex europaeus L. subsp. latebracteatus (Mariz) Rothm.

6.1.4; 6.1.5; 6.2.1; 6.2.3; 6.2.7; 6.2.9; 6.3.3; 6.3.11; 6.4.10; 6.4.12; 6.5.8; 6.5.11; 6.5.13; 6.5.14

Tojo-gatenho ou tojo-gatunho

Ulex micranthus Lange

6.1.4; 6.4.5; 6.4.15

Tojo-molar

Ulex minor Roth

6.2.1; 6.2.6; 6.2.7; 6.2.9

Erica arborea L.

6.4.5; 6.4.12; 6.4.14; 6.4.15

Trifolium pratense L.

6.4.9

Trifolium repens L.

6.2.5; 6.2.10; 6.3.8

Xolantha guttata L. (Rafin.)

6.2.6

Umbilicus rupestris (Salisb.) Dandy

6.2.1; 6.3.2; 6.4.6; 6.4.12; 6.4.14; 6.5.5; 6.5.10

Tabua-larga ou foguetes Tanchagem ou tanchagem-dasboticas

Torga, urze-branca ou urze-molar Trevo-comum ou trevo-ribeiro Trevo-coroa-de-rei ou trevo-branco Tuberáriamosqueada Umbigos-de-vénus, conchelos,


coucelos ou sobreirinhos-dostelhados Urtiga, urtiga-maior ou urtigĂŁo

Urtica dioica L.

6.2.4; 6.2.10; 6.2.11; 6.3.7; 6.3.9; 6.4.6; 6.4.9; 6.5.2; 6.5.3; 6.5.5; 6.5.7; 6.5.8; 6.5.13

Urtiga-menor

Urtica urens L.

6.5.10

Urze

Erica carnea L.

6.1.5; 6.5.7

Urze-carapaça ou lameirinha

Erica ciliaris L.

6.1.4; 6.2.1; 6.4.10

Uva-de-gato

Sedum hirsutum All.

6.3.2; 6.4.14; 6.5.10

Videira, videiraeuropeia ou parreira

Vitis vinifera L.

6.1.2; 6.1.3; 6.1.4; 6.1.6; 6.1.9; 6.1.12; 6.2.5; 6.2.9; 6.2.10; 6.3.14; 6.4.6; 6.5.13

Vimeiro

Salix fragilis

6.4.5

Violeta-brava

Viola rivianiana Rchb.

6.1.2; 6.5.12; 6.5.14

Zimbro

Juniperus spp.

6.2.5; 6.5.7


Anexo 6 Lista de espécies de fauna observadas Simbologia Estatuto de Conservação (segundo livro vermelho dos vertebrados de Portugal; Cabral et al., 2005) EX – Extinto EW – Extinto na Natureza CR – Criticamente em perigo EN – Em perigo VU – Vulnerável NT – Quase ameaçado LC – Pouco preocupante DD – Informação insuficiente NE – Não avaliado NA – Não aplicável (introduzido)


Nome Comum

Nome cientifico

Estatuto de conservação

Local de observação

LC

Referência

LC

Referência

VU

Referência

Peixes Barbo-comum Boga do Norte Bordalo

Barbus bocagei (Steindachner, 1864) Chondrostoma duriense (Coelho, 1985) Complexo de Squalius alburnoides (Steindachner, 1866)

Carpa

Cyprinus carpio (Linnaeus, 1758)

NA

Referência

Enguia-europeia

Anguilla anguilla (Linnaeus, 1758)

EN

Referência

Escalo do Norte

Squalius carolitertii (Doadrio, 1987)

LC

Referência

Góbio

Gobio gobio (Linnaeus, 1758)

NA

Referência

NA

Referência

NA

Referência

LC

Referência

Perca-sol Pimpão Ruivaco

Lepomis gibbosus (Linnaeus, 1758) Carassius auratus (Linnaeus, 1758) Chondrostoma oligolepis (Steindachner, 1866)

Truta de rio

Salmo trutta (Linnaeus, 1758)

LC

Referência

Verdemã do Norte

Cobitis calderoni (Bacescu, 1962)

EN

Referência

Rã-de-focinhopontiagudo

Discoglossus galganoi (Capula, Nascetti, Lanza, Bullini & Crespo, 1985)

NT

Referência

Rã-ibérica

Rana iberica (Boulenger, 1879)

LC

Rã-verde

Rana perezi (Seoane, 1885)

LC

Salamandra-depintas-amarelas Salamandralusitânica

Salamandra salamandra (Linnaeus, 1758) Chioglossa lusitanica (Bocage, 1864)

Sapo-comum

Anfíbios

6.2.1; 6.2.8; 6.4.11; 6.4.12; 6.4.15; 6.5.3; 6.5.14 6.1.1; 6.1.2; 6.1.4; 6.1.5; 6.2.1; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.9; 6.2.11; 6.3.7; 6.3.8; 6.3.9; 6.4.2; 6.4.7; 6.4.9; 6.4.11; 6.4.12; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.2; 6.5.8; 6.5.13

LC

Referência

VU

6.4.15

Bufo bufo (Linnaeus, 1758)

LC

6.2.1; 6.4.15

Sapo-corredor

Bufo calamita (Laurenti, 1768)

LC

Referência

Sapo-parteirocomum Tritão-de-ventrelaranja

Alytes obstetricans (Laurenti, 1768)

LC

6.4.15

Triturus boscai (Lataste, 1879)

LC

6.4.12; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.3; 6.5.14

LC

6.4.15

VU

Referência

Natrix natrix (Linnaeus, 1758)

LC

6.4.7; 6.4.14; 6.2.10

Natrix maura (Linnaeus, 1758)

LC

6.2.1; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.14

Cobra-de-escada

Elaphe scalaris (Schinz, 1822)

LC

6.5.10

Cobra-de-pernastridáctila cobra-lisameridional

Chalcides striatus (Cuvier, 1829) Coronella girondica (Daudin, 1803) Malpolon monspessulanus (Hermann, 1804)

LC

6.4.15

LC

Referência

LC

6.4.14

LC

6.1.2; 6.2.9; 6.3.9; 6.4.7;

Tritão-marmorado Tritão-palmado

Triturus marmoratus (Latreille, 1800) Triturus helveticus (Razoumowsky, 1789)

Répteis Cobra-de-água-decolar Cobra-de-águaviperina

Cobra-rateira Lagartixa-de-

Podarcis bocagei (Seoane,


Bocage

1884)

Lagartixa-do-mato

Psammodromus algirus (Linnaeus, 1758)

6.4.9; 6.5.3; 6.5.10; 6.5.13 LC

6.4.10; 6.4.12; 6.4.14; 6.4.15 6.1.5; 6.3.9; 6.4.2; 6.4.7; 6.4.9; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.13; 6.5.14 6.2.8; 6.4.2; 6.4.7; 6.4.9; 6.4.10; 6.4.15; 6.5.3; 6.5.13; 6.5.14

Lagartixa-ibérica

Podarcis hispanica (Steindachner, 1870)

LC

Lagarto-de-água

Lacerta schreiberi (Bedriaga, 1878)

LC

Licranço

Anguis fragilis (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.4

Sardão

Lacerta lepida (Daudin, 1802)

LC

6.3.3

Víbora-cornuda

Vipera latastei (Boscá, 1878)

VU

Referência

VU

Referência

Aves Açor Águia-cobreira

Accipiter gentilis (Linnaeus, 1758) Circaetus gallicus (Gmelin, 1788)

NT

6.4.15

Águia-d`asaredonda

Buteo buteo (Linnaeus, 1758)

LC

6.2.1; 6.2.9; 6.2.10; 6.3.1; 6.3.2; 6.3.11; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.15

Alvéola-amarela

Motacilla flava (Linnaeus, 1758)

LC

6.4.14

Alvéola-branca

Motacilla alba alba (Linnaeus, 1758)

LC

Alvéola-cinzenta

Motacilla cinerea (Tunstall, 1771)

LC

Riparia riparia (Linnaeus, 1758)

LC

Referência

Hirundo rustica Linnaeus, 1758

LC

6.4.14

LC

Referência

LC

6.4.7; 6.4.9; 6.4.14 6.5.14; 6.5.15

Andorinha-dasbarreiras Andorinha-daschaminés Andorinha-dasrochas Andorinha-dosbeirais

Ptyonoprogne rupestris (Scopoli, 1769) Delichon urbicum (Linnaeus, 1758)

Andorinhão-preto

Apus apus (Linnaeus, 1758)

LC

Bico-de-lacre

Estrilda astrild (Linnaeus, 1758)

NA

6.1.5; 6.1.6; 6.1.7; 6.1.9; 6.1.11; 6.2.9; 6.2.10; 6.4.11; 6.4.15; 6.5.14; 6.5.15 6.1.9; 6.2.9; 6.4.5; 6.4.15; 6.5.3; 6.5.13

6.1.12; 6.2.9; 6.3.1; 6.4.7 6.1.1; 6.1.9; 6.2.11; 6.4.2; 6.4.5; 6.4.6; 6.4.7; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.3; 6.5.5 6.1.2; 6.1.3; 6.1.4; 6.2.7; 6.2.8; 6.2.9; 6.3.3; 6.3.7; 6.3.8; 6.3.9; 6.3.11; 6.3.14; 6.4.7; 6.4.15; 6.5.11; 6.5.12; 6.5.13; 6.5.14; 6.5.15

Carriça

Troglodytes troglodytes (Linnaeus, 1758)

LC

Cartaxo-comum

Saxicola torquatus (Linnaeus, 1766)

LC

Cegonha-branca

Ciconia ciconia (Linnaeus, 1758)

LC

Referência

Chamariz

Serinus serinus (Linnaeus, 1766)

LC

6.1.1; 6.1.2; 6.1.5; 6.1.6; 6.1.7; 6.1.9; 6.1.11; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.7; 6.2.8; 6.2.9; 6.5.12; 6.5.13; 6.5.14; 6.5.15

Chapim-azul

Parus caeruleus (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.9; 6.2.9; 6.3.2; 6.4.11

Chapim-de-poupa

Parus cristatus (Linnaeus, 1758)

LC

6.5.11

Chapim-preto

Parus ater (Linnaeus, 1758)

LC

Chapim-rabilongo

Aegithalos caudatus (Linnaeus, 1758)

LC

Chapim-real

Parus major (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.9; 6.1.12; 6.2.1; 6.3.2; 6.3.11; 6.4.11; 6.4.14; 6.5.5; 6.5.7; 6.5.13; 6.5.14 6.1.9; 6.2.1; 6.3.11; 6.4.5; 6.4.15; 6.5.3; 6.5.5; 6.5.10; 6.5.11 6.1.2; 6.1.5; 6.1.6; 6.1.7; 6.1.9; 6.1.11; 6.2.1; 6.2.3; 6.2.7; 6.2.8; 6.2.9; 6.2.10; 6.3.2; 6.3.7; 6.3.9; 6.3.11; 6.3.14; 6.4.5; 6.4.7; 6.4.14; 6.5.5; 6.5.7; 6.5.8; 6.5.13; 6.5.14


Chasco-cinzento

Oenanthe oenanthe (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.5; 6.1.6

Cia

Emberiza cia (Linnaeus, 1766)

LC

6.3.3; 6.3.11; 6.4.11; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.14

Coruja-das-torres

Tyto alba (Scopoli, 1769)

LC

6.4.15

Coruja-do-mato

Strix aluco (Linnaeus, 1758)

LC

Referência

Corvo

Corvus corax (Linnaeus, 1758)

NT

Referência

Cotovia-de-poupa Cuco-canoro

Galerida cristata (Linnaeus, 1758) Cuculus canorus (Linnaeus, 1758)

Escrevedeira

Emberiza sp.

Estorninhomalhado

Sturnus vulgaris (Linnaeus, 1758) Sturnus unicolor (Temminck, 1820) Regulus ignicapilla (Temminck, 1820) Falco peregrinus (Tunstall, 1771) Phylloscopus collybita (Vieillot, 1817)

Estorninho-preto Estrelinha-decabeça-listada Falcão-peregrino Felosa-comum Felosa-do-mato

Sylvia undata (Boddaert, 1783)

LC

6.3.3; 6.4.5

LC

6.1.9; 6.2.9; 6.2.10; 6.2.11; 6.4.11; 6.4.14; 6.5.11; 6.5.14 6.2.10

LC

6.5.15

LC

6.5.15

LC

6.2.1; 6.5.3

VU

6.4.14

LC

6.1.9; 6.2.10; 6.3.11; 6.3.14; 6.5.5

LC

6.3.3; 6.4.5; 6.4.14

Gaio-comum

Garrulus glandarius (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.7; 6.1.9; 6.1.11; 6.1.12; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.9; 6.2.10; 6.2.11; 6.3.1; 6.3.2; 6.3.11; 6.3.14; 6.4.2; 6.4.7; 6.4.10; 6.4.11; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.2; 6.5.3; 6.5.5; 6.5.7; 6.5.8; 6.5.11; 6.5.12; 6.5.13; 6.5.14

Garça-real

Ardea cinerea (Linnaeus, 1758)

LC

6.4.5; 6.4.14; 6.5.13

Gavião

Accipiter nisus (Linnaeus, 1758)

LC

Referência

Gralha-preta

Corvus corone corone (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.6; 6.1.8; 6.3.2; 6.3.11

Guarda-rios

Alcedo atthis (Linnaeus, 1758)

LC

6.4.5; 6.4.14; 6.4.15

Lugre

Carduelis spinus (Linnaeus, 1758)

LC

6.4.14

Melro-preto

Turdus merula (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.1; 6.1.2; 6.1.3; 6.1.4; 6.1.5; 6.1.6; 6.1.7; 6.1.9; 6.1.11; 6.2.1; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.6; 6.2.7; 6.2.8; 6.2.10; 6.2.11; 6.3.1; 6.3.2; 6.3.7; 6.3.8; 6.3.9; 6.3.11; 6.3.14; 6.4.2; 6.4.6; 6.4.7; 6.4.10; 6.4.11; 6.5.2; 6.5.3; 6.5.5; 6.5.7; 6.5.8; 6.5.11; 6.5.12; 6.5.13; 6.5.14; 6.5.15

Milhafre-preto

Milvus migrans (Boddaert, 1783)

LC

6.2.10

Mocho-galego

Athene noctua (Scopoli, 1769)

LC

Referência

Pardal-comum

Passer domesticus (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.3; 6.1.4; 6.1.6; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.10; 6.4.6; 6.4.7; 6.5.13; 6.5.14; 6.5.15

Pega-rabuda

Pica pica (Linnaeus, 1758)

LC

6.2.9; 6.2.10; 6.3.2

Peneireiro-comum

Falco tinunculus (Linnaeus, 1758)

LC

6.4.7

Perdiz-comum

Alectoris rufa (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.12; 6.2.9; 6.4.11; 6.4.15

Petinha-dasárvores

Anthus trivialis (Linnaeus, 1758)

NT

6.5.11

Peto-verde

Picus viridis (Linnaeus, 1758)

LC

Pica-pau-malhadogrande Pica-pau-malhadopequeno

Dendrocopus major (Linnaeus, 1758) Dendrocopus minor (Linnaeus, 1758)

LC LC

6.2.4; 6.2.9; 6.3.3; 6.4.14; 6.4.15 6.1.9; 6.2.9; 6.3.2; 6.3.3; 6.4.14; 6.5.3; 6.5.14 6.4.5


Pintassilgo

Carduelis carduelis (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.9

Pisco-de-peitoruivo

Erithacus rubecula (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.1; 6.1.5; 6.1.6; 6.1.7; 6.1.9; 6.1.11; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.7; 6.2.8; 6.2.9; 6.2.10; 6.3.3; 6.3.7; 6.3.8; 6.3.9; 6.3.11; 6.3.14; 6.4.2; 6.4.5; 6.4.6; 6.4.7; 6.4.11; 6.4.15; 6.5.2; 6.5.3; 6.5.10; 6.5.11; 6.5.12; 6.5.13

Pombo-torcaz

Columba palumbus (Linnaeus, 1758)

LC

6.2.9; 6.4.14; 6.5.14

Poupa

Upupa epops (Linnaeus, 1758)

LC

6.2.11; 6.5.11

Rabirruivo-preto

Phoenicurus ochruros (SG Gmelin, 1774)

LC

6.1.5; 6.1.9; 6.3.3; 6.3.11; 6.4.2; 6.4.6; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.2; 6.5.3; 6.5.11

LC

6.2.10; 6.4.9

LC

Referência

LC

6.1.9; 6.3.2; 6.3.11; 6.3.14; 6.4.15

NT / LC

6.1.9; 6.1.12; 6.4.15; 6.5.15

LC

6.1.12; 6.5.3; 6.5.15

Rola-turca Rola-brava Tentilhão-comum Tordo-comum

Streptopelia decaoto (Frivaldszky, 1838) Streptopelia turtur (Linnaeus, 1758) Fringilla coelebs (Linnaeus, 1758) Turdus philomelos (CL Brehm, 1831)

Tordo-ruivo-comum

Turdus iliacus (Linnaeus, 1766)

Toutinegra-debarrete-preto

Sylvia atricapilla (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.5; 6.1.6; 6.1.9; 6.2.8; 6.2.9; 6.2.10; 6.3.3; 6.3.11; 6.3.14; 6.4.2; 6.4.11; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.5; 6.5.7; 6.5.8; 6.5.11; 6.5.14

Toutinegra-decabeça-preta

Sylvia melanocephala (JF Gmelin, 1789)

LC

6.1.1; 6.4.15; 6.5.11; 6.5.14

Trepadeira-azul

Sitta europaea Linnaeus, 1758

LC

Referência

LC

6.3.2; 6.4.5; 6.4.14; 6.5.3; 6.5.13

LC

Referência

Carduelis chloris (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.1; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.7; 6.2.8; 6.2.9; 6.3.2; 6.3.7; 6.3.8; 6.3.9; 6.3.11; 6.3.14; 6.4.2; 6.4.7; 6.4.9; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.13

Coelho-bravo

Oryctolagus cuniculus (Linnaeus, 1758)

NT

6.1.1; 6.1.2; 6.2.6; 6.2.9; 6.3.3; 6.3.11; 6.3.14; 6.4.11; 6.4.15; 6.5.5; 6.5.13; 6.5.15

Doninha

Mustela nivalis Linnaeus, 1766

LC

6.1.9; 6.3.11

Esquilo

Sciurus vulgaris Linnaeus, 1758

LC

6.1.9; 6.2.9; 6.3.11; 6.4.6; 6.4.10; 6.4.14

Fuinha

Martes foina (Erxleben, 1777)

LC

6.3.3; 6.4.14; 6.5.3; 6.5.11

Geneta

Genetta genetta (Linnaeus, 1758)

LC

6.2.9

Javali

Sus scrofa Linnaeus, 1758

LC

6.4.14

Lontra

Lutra lutra (Linnaeus, 1758)

LC

6.1.9; 6.2.8; 6.2.10; 6.2.11; 6.3.9; 6.4.2; 6.4.5; 6.4.9; 6.4.11; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.5; 6.5.7

Morcego-deferradura-grande

Rhinolophus ferrumequinum (Schreber, 1774) Pipistrellus pipistrellus (Schreber, 1774)

VU

Referência

LC

Referência

Sorex minutus (Linnaeus, 1766)

DD

6.4.15

Neomys anomalus

DD

Referência

Crocidura russula (Hermann, 1780)

LC

6.4.15

Trepadeira-comum Trigueirão

Verdilhão-comum

Certhia brachydactyla (CL Brehm, 1820) Emberiza calandra (Linnaeus, 1758)

Mamíferos

Morcego anão Musaranho-anãode-dentesvermelhos Musaranho-deágua Musaranho-dedentes-brancos


Ouriço-cacheiro

Erinaceus europaeus (Linnaeus, 1758)

LC

6.2.1; 6.3.3; 6.4.14; 6.5.15

Raposa

Vulpes vulpes (Linnaeus, 1758)

LC

6.2.1; 6.2.9; 6.3.3; 6.3.11; 6.4.6; 6.4.10; 6.4.12; 6.4.14; 6.4.15; 6.5.14

NA

6.2.10

LC

6.4.15

Ratazana Rato-caseiro

Rattus norvegicus (Berkenhout, 1796) Mus domesticus (Schwartz & Schwartz,1943)

Rato-das-hortas

Mus spretus (Lataste, 1883)

LC

Rio Ferreira

Rato-de-água

Arvicola sapidus (Miller, 1908)

LC

6.3.11; 6.5.3

Rato-do-campo-derabo-curto

Microtus agrestis (Linnaeus, 1761) Apodemus sylvaticus (Linnaeus, 1758) Microtus duodecimcostatus (de Sélys-Longchamps, 1839) Microtus lusitanicus (Gerbe, 1879)

LC

6.4.15

LC

6.4.15

LC

6.4.15; Rio Ferreira

LC

Rio Ferreira 6.4.14

Rato-dos-bosques Rato-cegomediterrânico Rato-cego Texugo

Meles meles (Linnaeus, 1758)

LC

Toirão

Mustela putorius Linnaeus, 1758

DD

6.4.5

Toupeira

Talpa occidentalis Cabrera, 1907

LC

6.1.4; 6.1.7; 6.1.9; 6.1.11; 6.2.3; 6.2.4; 6.2.9; 6.2.10; 6.3.9; 6.3.11; 6.3.14; 6.4.4; 6.4.11; 6.4.14; 6.5.3; 6.5.5; 6.5.8; 6.5.14

Toupeira-de-água

Galemys pyrenaicus (E. Geoffroy, 1811)

VU

Referência


Valorização do Património Natural das Terras do Sousa