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CAPÍTULO 6

Finanças

O tempo é nosso bem mais precioso. Ao nascermos, sem sequer perceber, abrimos uma conta no banco do tempo. Ao contrário dos bancos a que estamos acostumados, em que basta pedir um extrato para ver quanto temos disponível, o banco do tempo complica as coisas ao não dizer quanto temos de saldo em nossas contas. Não sabemos nem como fazer para aumentar esse saldo. Se comermos muito bacon e fumarmos como loucos, sabemos que nosso saldo irá diminuir, mas não sabemos em quanto nem em que proporção. Ao optarmos por uma comida e hábitos mais saudáveis, temos a vaga noção de que nossa conta do tempo renderá dividendos e aumentará, mas não possuímos os meios de medir quantitativamente esse valor. A única informação precisa que temos de nossa conta é a parte que já consumimos dela. Cada segundo que passa é deduzido dessa conta, para nunca mais voltar. O tempo é o bem de troca essencial de todo ser humano. Se não possuímos mais nada além da roupa do corpo e estamos com fome, podemos trocar nosso tempo, realizando alguma tarefa básica braçal, por um pagamento básico, como um prato de comida. 123


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Apesar de nunca termos aprendido isso diretamente, somos treinados desde cedo a ceder nosso tempo em troca de algo que queremos. Qualquer criança de pré-escola sabe que somente após empregar seu tempo na aula terá permissão para brincar com os amigos durante o intervalo. A punição básica nessa fase da vida também se dá pelo tempo – seja por ter que ficar na escola até mais tarde, após o término do período normal, seja na forma de tarefa extra só dos indisciplinados. Sem contar a já clássica frase: “Com notas baixas, nada de videogame novo!” Ou seja, gaste seu tempo da forma esperada, e será recompensado. Guarde seu tempo para você, e não receberá nada em troca. Na fase da infância, o tempo é uma commodity – possui o mesmo valor para todos. À medida que nos desenvolvemos e adquirimos um leque maior de comportamentos, habilidades e conhecimentos, passamos a perceber que nosso tempo pode possuir um valor diferenciado do tempo de outras pessoas. O Joãozinho só “apronta”, mas sempre dá um jeito de escapar usando a lábia em situações muito mais graves do que aquela que enviou você à sala do diretor. O Marquinhos percebe que tem facilidade em matemática e recebe pagamentos em “lanches” para passar as tarefas para os colegas. Em troca de um sorriso, o Juquinha pode trocar seu tempo livre para ajudar a Mariazinha a estudar para a prova, e assim por diante... Nenhum exemplo pode ser melhor do que a famosa “troca de trabalhos” que ocorre na época da universidade. Como diz a sabedoria estudantil, uma mão lava a outra; ou seja, você faz o meu trabalho dessa matéria, eu coloco seu nome no da outra. Foi na época da universidade, por exemplo, na metade de um curso de computação, que eu percebi que não possuía 124


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a menor vocação para programar computadores, mas possuía uma habilidade acima da média da minha turma para escrever. Como a maioria dos trabalhos que exigiam programar computadores também exigia um trabalho teórico ou um relatório, passei a trocar meu tempo escrevendo pelo de meus colegas programando, pelo menos nos trabalhos mais difíceis. Não fosse pela minha percepção de que podia negociar meu tempo com os colegas, provavelmente não teria chegado ao final do curso sem perder nenhum ano. E assim nos especializamos, todos nos voltamos para áreas de que gostamos e para as quais possuímos algum talento, sempre buscando fazer nosso tempo valer um pouco mais. Está em dúvida? Quanto valia seu tempo quando você entrou na universidade e só podia trocar seu tempo por tarefas generalistas, como trabalhar em lojas ou atender telefones? Quanto valia ao final do curso? Quanto vale com uma pós-graduação? Como o valor de seu tempo mudou ao longo de sua vida? Quando falo em valor, não digo apenas financeiramente. Afinal, um profissional procurado pode cobrar o mesmo valor por hora de serviço que seus colegas, mas viver com a agenda lotada e ter que negar clientes. Isso é muito comum na área de saúde, em que os Conselhos estabelecem uma faixa de valor mínimo e máximo para os serviços de seus afiliados. Muitas vezes, podemos esperar mais de um mês para uma consulta com um profissional renomado, que não será necessariamente mais cara que a consulta do pobre-diabo da sala ao lado, que vive com o consultório vazio. Quem vai dizer que o tempo dessa pessoa não vale mais que o do concorrente? Outro exemplo ocorre quando profissionais lotam auditórios para, em grupo, partilhar do tempo de algum profissional famoso. 125


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Se você é um profissional que se importa com o que faz, não há dúvidas de que o preço de seu tempo vem subindo. Você trabalha, se atualiza, estuda, discute com colegas, sempre em busca de valorizar seu tempo. Você pode fazer tudo isso para simples satisfação pessoal, mas o fato é que, ao fazer isso, tudo que você está fazendo é tornar seu tempo mais escasso e valioso do que o dos outros. Para organizar um pouco a forma como comercializamos nosso tempo, no entanto, a sociedade humana criou uma medida. Essa medida chama-se dinheiro. Ao aumentar o valor de seu tempo, é bastante provável que lhe seja permitido cobrar uma quantia financeira mais alta por ele, afinal é um fato aceito que profissionais de sucesso têm o direito de cobrar um valor mais alto por seus serviços. De fato, quando encontramos um profissional com um valor acima da média do mercado e que ainda assim continua sendo bastante requisitado, tendemos automaticamente a atribuir uma maior competência a ele. Apesar de nunca ter visto suas atividades nesse prisma, a maioria das pessoas conhece o “mercado do tempo” intuitivamente. E, ao buscar um nível de conforto financeiro que nos permita realizar nossas ambições, procuramos valorizar nosso tempo. Mesmo se não nos damos conta disso, todos nós somos mercadores do tempo. Trabalhe mais e ganhe mais. Estude e ganhe mais. Desenvolva-se como profissional e ganhe mais. Todos nos concentramos em aumentar o valor do nosso tempo futuro. A face oculta do “mercado do tempo”, que muitos falham em compreender, é o valor do tempo passado. Isso acontece porque fomos treinados a viver no presente e pensar no futuro. Planejamento, estratégia e outras pala126


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vras geralmente se aplicam ao que queremos que aconteça. O passado é passado. A grande falha nessa linha de raciocínio é que o passado possui um efeito cumulativo. Para os ganhos futuros, podemos planejar ou prever um valor x; atualmente recebemos y; mas no passado, tudo o que ganhamos foi somado e multiplicado. O que guardamos hoje se junta ao que guardamos ontem, e assim por diante até chegarmos à soma de todos os nossos bens, acumulados durante nossa existência. É muito importante buscar formas de adicionar cada vez mais a esse bolo, mas igualmente importante é administrar esse histórico, buscando tirar dele o melhor proveito possível. É esse efeito “bola de neve” das finanças que a maioria das pessoas erra em não aproveitar. De fato, é impressionante notar que passamos boa parte de nosso tempo trabalhando por dinheiro, e quando ele chega, não temos idéia de como lidar com ele... Considere este capítulo como uma apresentação ao seu dinheiro. Desvendaremos alguns conceitos básicos da área de finanças, que servirão para ajudá-lo a administrar melhor tanto o dinheiro que entrará em sua conta quanto o que já está nela. Você já está pronto para os dois primeiros.

CUSTO DE OPORTUNIDADE

Digamos que você possua um valor x em dinheiro, e pode colocá-lo em uma poupança, que rende 8% ao ano ou escondê-lo embaixo do colchão. Digamos que o risco de um ladrão entrar na sua casa e encontrar o dinheiro é o mesmo de um futuro governo resolver de repente confiscar sem mais nem 127


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menos todas as poupanças; ou seja, é um risco muito próximo de zero. Ao colocar o dinheiro no colchão, o custo de oportunidade é quanto você perdeu em rendimentos se colocasse o dinheiro na poupança, ou seja, 8%. Infelizmente, seu dinheiro não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, e ao deixá-lo no colchão você abriu mão de todos os outros destinos que poderia dar a ele. Por isso, diz-se que toda oportunidade de investimento possui um custo natural que ocorre simplesmente ao comprometer seu dinheiro com ela. Quando se fala em custo de oportunidade estamos falando na taxa de retorno da melhor opção alternativa de mesmo risco.

VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO

Digamos que um belo dia você está andando na rua e é surpreendido por um estranho, que lhe diz a seguinte frase: “Parabéns, você acaba de ser o ganhador da promoção ABC da rádio XYZ! Você tem direito a receber R$100. O que você prefere: receber esse dinheiro hoje ou daqui a um ano?” Só de ouvir a pergunta, você sente que tem alguma coisa estranha. É claro que você quer o dinheiro hoje! Por que você esperaria um ano para ter os mesmos R$100 que pode ter hoje mesmo? Você pega o seu dinheiro e segue seu caminho, R$100 mais rico. Essa historinha serve para elucidar um dos fatos mais importantes da área de finanças: o dinheiro tem valor no tempo. Cem reais hoje valem mais do que R$100 amanhã, que valem mais do que cem reais semana que vem. Com a noção 128


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de custo de oportunidade fica fácil compreender o porquê. Se você não tem nenhum ganho em adiar o recebimento do dinheiro, podia estar fazendo coisa melhor com ele, e portanto, já está perdendo se não o receber hoje. Nesse momento, a maioria dos livros de finanças pessoais começa a enumerar as vantagens de ser pão-duro e levar uma vida de privações. Não faltam cálculos sobre os gastos que as pessoas têm com automóveis, ou comprando em lojas de grife. Projeções são feitas no estilo: “X é quanto você gasta com seu carro. Y é quanto esse dinheiro renderia por ano. Depois de 20 anos, Y facilmente se transformaria em um milhão. Seja pão-duro, acumule bastante dinheiro e no final da vida você será um milionário!” O observador atento, ao passar por esses textos, não consegue tirar uma dúvida da cabeça: se é tão fácil assim ficar rico, por que não existem mais milionários? Por dois fatores: 1. A maioria dos livros de finanças pessoais realiza cálculos excessivamente otimistas sobre remuneração financeira. Em seu livro intitulado Iludido pelo Acaso, Nassim Nicholas Taleb demonstra como somos levados a só prestar atenção nos casos de sucesso, ignorando o papel do acaso nos resultados. É comum vermos pessoas inteligentes indo à falência, e é comum encontrarmos pessoas cheias de dinheiro que não nos parecem sequer ter uma inteligência medíocre. O mercado e o modo como compreendemos o mundo são enganadores a esse respeito. Um louco sortudo pode nos parecer um grande vencedor, se comparado com alguém inteligente que adote uma estratégia conservadora. O louco, apesar de rico, continua sendo louco. Muitos textos sobre finanças limitam-se a 129


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analisar estratégias de vencedores sem dar o devido peso às suas alternativas, ou seja, todos os casos que deram ou podiam dar errado. Afinal, assim como se jogarmos uma moeda para cima mil vezes, pelos cálculos de probabilidade podemos esperar uma seqüência de cinqüenta caras seguidas, também podemos esperar que, entre as milhares de pessoas envolvidas no mercado financeiro, alguém eventualmente dê sorte. Separar o que é sorte do que é habilidade é tarefa quase impossível. O leitor fica com a falsa impressão de que é fácil virar milionário. À primeira vista essa falsa impressão é boa, pois motiva a pessoa a começar a poupar. Mas ela é terrível quando, na vida real, a pessoa confronta as informações aprendidas com os resultados da vida real. Isso acaba desmotivando qualquer um. Por essa razão, optei por não incluir os famosos estudos de caso que rondam essa área. Em vez de ficar lendo sobre o caso hipotético do taxista que conseguiu ficar rico investindo tudo o que ganhava na bolsa (o que contribui para que você se sinta um inepto por não ter ganho nada), vamos nos concentrar na sua situação e ver como você pode fazer para dar um melhor uso ao seu dinheiro. 2. A grande maioria de nós prefere andar de carro e não depender de transporte público, prefere usar a roupa que quiser, ir ao cinema ou a um bom restaurante no fim de semana. Grande parte das receitas para ficar rico erra na hora em que pregam que se abra mão de nosso lazer e bem-estar em troca de uma melhor saúde financeira. Claro, sempre é bom evitar os excessos, e abrir mão de uma ou outra coisa por um ganho futuro faz parte da vida. O problema está no exagero. Eu poderia muito bem convencê-lo de que, se levasse uma vida completamente espartana, chegaria à velhice com uma saúde financeira 130


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muito superior à que teria se continuasse levando o nível de vida que tem hoje. Você poderia até tentar, e quem sabe conseguir por uns dias, mas é bastante provável que já no primeiro mês você se canse da vida nova que está levando, jogue tudo para o alto e volte a viver como fazia antes de ler essas palavras. Ou, como diz Nicholas Nassim Taleb, se para se transformar em alguém rico, temos que abrir mão de nossos prazeres, hábitos intelectuais e padrões pessoais, qual a vantagem de se tornar rico? O grande segredo está no equilíbrio. Afinal, uma vida de pão-durismo significa uma vida de privações. A maioria das previsões feita pelos profissionais de finanças pessoais peca em se esquecer que fatores como criatividade, uma rede de relacionamentos eficaz, além do marketing pessoal, atingem sua plenitude em alguém com uma vida particular tão movimentada quanto a profissional. Quem você acha que é o melhor profissional: aquele que vai do trabalho para casa, da casa para o trabalho e só assiste à TV aberta para passar o tempo? Ou aquele que do trabalho sai com os amigos, viaja e vai às estréias de cinema e teatro? Quem tem as melhores idéias? Quem conhece novas pessoas? Quem está em posição de perceber novas oportunidades? Quem tem o potencial de ganhar mais? Perceba que uma coisa leva à outra. Tempo livre, cursos e atividades de lazer demandam dinheiro. Quanto mais dinheiro você possui, mais recursos pode aplicar em sua vida e em seu desenvolvimento profissional, e mais pode ousar. Se você está trabalhando como um louco somente para pagar dívidas, dificilmente vai ter tempo ou coragem de se lançar a iniciativas que poderiam lhe trazer um grande ganho a longo prazo. Sua atividade profissional, sua vida pessoal e seu dinheiro andam juntos. Nunca é demais repetir isso. 131


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Isso dito, devemos aprender como desenvolver meios de chegar a uma situação financeira superior à que estamos hoje. Para isso, devemos aprender um pouco sobre como o ser humano lida com o dinheiro. Gery Belsky e o já citado Thomas Gilovitch, autores de um livro introdutório sobre economia comportamental, contam uma anedota reveladora da relação do homem com o dinheiro. A história começa com um casal em viagem a Las Vegas. Eles gastam todo o dinheiro que tinham reservado para jogar, guardando apenas uma ficha de US$5 como lembrança da viagem. Porém, no meio da última noite da estadia, o marido acorda com um número em sua cabeça: “17”. Pega a última ficha que restou, e sai do quarto em direção à roleta. Confiante, coloca sua ficha sobre o “17”, a bolinha é lançada, e bingo! Cai sobre o número escolhido. A roleta paga US$35 para cada dólar, e agora ele possui US$175. Confiante novamente em seu destino, ele segue apostando todo seu dinheiro no número 17. E assim chega a US$6.125, 214.375 e finalmente US$7,5 milhões e alguns quebrados. O gerente do cassino intervém e o impede de apostar mais, pois ele chegara ao máximo que o cassino pode pagar. Não satisfeito, ele pega seus ganhos e parte para um estabelecimento maior. Joga de novo no “17”, ganha novamente e fica possuidor de um pouco mais que US$262 milhões. “Só mais uma vez”, ele pensa ao colocar sua fortuna novamente em jogo. A bolinha pinga, pinga, e vai para o número 18! De cabeça baixa, quebrado, ele retorna ao quarto. A esposa, ao vê-lo chegar, pergunta onde ele estava: – Jogando na roleta... – E como foi? – Nada mal... Perdi só US$5 dólares. 132


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O exemplo de Belsky e Gilovitch é a forma mais fácil de compreender e lembrar de uma teoria que causou grande impacto na área de finanças. Richard Thaler, um dos grandes nomes da área de finanças comportamentais, desenvolveu o termo “contabilidade mental”, que refere-se à tendência do ser humano de categorizar e tratar “pedaços” de dinheiro diferentemente, de acordo com sua precedência ou seu fim. Desse modo, o dinheiro da herança da vovó é tido como sagrado, e a maioria das pessoas evita arriscar com ele. Do mesmo modo, uma quantia ganha num prêmio (ou, no caso brasileiro, até mesmo no 13o salário) parece ter menos “valor” que aquela ganha com o suor do trabalho, e somos propensos a gastá-lo mais rapidamente e nos importar menos com seu destino (como a historinha de Las Vegas nos mostra). Entretanto, racionalmente falando, dinheiro é dinheiro, e deveríamos fazer cálculos racionais, de forma igual e equilibrada, sobre como o aplicamos. Felizmente, somos apenas humanos, e não é assim que o nosso cérebro opera. Ao raciocinar sobre nosso dinheiro, parece haver diversos compartimentos mentais onde ele está guardado. Um estudante, por exemplo, pode ter um compartimento para pagar o aluguel, outro para as despesas básicas de sobrevivência do dia-a-dia, como alimentos, vestuário e transporte, e outro com o restante desse dinheiro, que é gasto no seu lazer. O dinheiro do aluguel adquire um status quase “sagrado”, pois seu comprometimento equivale a se colocar numa posição de grande perigo (não ter onde morar). Mas o dinheiro que sobra tende a ser gasto mais livremente, enquanto o “meio-termo” pode ser sacrificado por um desejo maior (o estudante pode passar a andar a pé para tentar comprar uma prancha de surfe). Todo mês, ele recebe um valor em di133


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nheiro, que em teoria é um montante único e inseparável. Reduzi-lo em partes parece ser uma estratégia bastante eficiente para garantir que seu bem-estar seja garantido e seus objetivos sejam atingidos. Essa estratégia, muito útil para ajudar-nos a ter disciplina (falaremos mais sobre isso adiante), traz o perigo de fazer os gastos menores parecerem insignificantes, o que pode gerar um grande problema. A contabilidade mental ajuda a explicar vários fenômenos conhecidos do dia-a-dia da nossa relação com o dinheiro. Veja se o exemplo lhe é familiar: após um ano de trabalho duro, você resolve tirar férias, e refugia-se em algum hotel paradisíaco. Ao calcular a possibilidade da viagem, você calcula o custo de deslocamento até o local, hospedagem, alimentação, atividades de lazer, e um “extra” para algumas comprinhas. Você decide então que é possível realizar as férias, e parte para o merecido descanso. Ao retornar, com os bolsos quase vazios e antecipando as despesas do cartão de crédito, você percebe que gastou muito mais do que o esperado. Apesar de seus gastos não terem se desviado de suas projeções, você gastou mais do que calculara. O que aconteceu? A contabilidade mental explica que você separou seu dinheiro em vários compartimentos de grande valor. Um para o hotel, outro para as passagens aéreas, e assim por diante. Essa compartimentalização mental faz com que as pessoas sejam rigorosas com os grandes valores, mas acabem “relaxando” com despesas menores, que não fazem parte dessa contabilidade e parecem não exercer grande influência sobre o resultado final. Os presentes, lembrancinhas e um lanchinho extra aqui ou ali, na hora da compra parecem insignificantes quando comparados com os grandes valores de 134


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nossos compartimentos mentais. Mas acontece que os pequenos gastos se acumulam, e acabamos por perder o controle sobre eles.

RISCO

Risco é a possibilidade de algo dar errado. Essa definição bastante simples pode dar a impressão de que o conceito de risco seja uma coisa simples e fácil de entender. Não é. O conceito de risco é bem mais enganador do que parece. A maior parte do tempo, simplesmente ignoramos o risco. Ao ouvir falar de uma tragédia, pensamos que isso nunca acontecerá com a gente. Achamos que nunca vamos pegar uma doença como AIDS ou câncer, apesar de conhecermos a probabilidade de uma pessoa qualquer na população desenvolvê-las, e, mais importante aqui, julgamos que nossas decisões de investimento são mais inteligentes que as dos outros, e falhamos em ver o risco em nossas próprias ações. Thomas Gilovitch relata uma pesquisa envolvendo um milhão de estudantes do último ano do segundo grau nos Estados Unidos, 70% julgavam possuir habilidades de liderança superior à média, enquanto somente 2% julgavam suas habilidades de liderança inferiores à média. Em outra pesquisa, 94% dos professores universitários que participaram julgavam-se melhores que a média em seus trabalhos. Da mesma forma, quando conseguimos algo, tendemos a atribuir nosso sucesso a nossa capacidade pessoal, mas quando algo sai errado, culpa-se um fator externo. Ao fazer a análise do risco de algo que lhe pareça uma idéia muito boa, mantenha em mente que você pode estar jul135


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gando demasiado positivamente a situação. Gilovitch diz que quando buscamos evidência para algo em que acreditamos, tendemos a buscar fontes que validem nossas crenças e criticamos sistematicamente as evidências que vão contra nossas opiniões. Ao comprar um imóvel, e ser informado que um colega achou o preço muito caro, você pode responder: “é verdade, mas soube que essa área vai valorizar ainda mais” ou “você acha que entende de imóvel mais do que eu?”. Quando se flagrar num pensamento desse tipo, é bom examinar o risco mais cuidadosamente.

INVESTIMENTOS: VANTAGENS DE UM MUNDO EXPONENCIAL

O mesmo Richard Thaler começou a estudar, juntamente com Hersh Shefrin, a razão pela qual grande parte das pessoas que teriam condições de poupar dinheiro durante a vida, chegam à aposentadoria em condições financeiras precárias. Os dois sugeriram que um dos fatores mais determinantes é a falta de autocontrole. A questão, então, é a seguinte: o que faz as pessoas não possuírem autocontrole? A razão é que as necessidades e desejos do dia-a-dia fazem-se presentes pelas emoções, algumas podendo ser bastante fortes. Como a mente humana não lida bem com a exponencialidade, o estímulo para postergar um gasto é enfraquecido em face dos acontecimentos do dia-a-dia. A necessidade de satisfazer-se no presente é sentida visceralmente, enquanto que poupar para uma satisfação futura requer um grande autoconvencimento com base somente no próprio pensamento. 136


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Shefrin, num livro recente sobre finanças comportamentais, diz que é extremamente difícil abrir mão das gratificações do dia-a-dia em face de uma idéia futura. E diz que isso é exatamente o que as pessoas não devem tentar fazer. A solução seria, então, separar o dinheiro da poupança diretamente do topo, ou seja, desconta-se do salário ou dos ganhos mensais uma quantia a priori, e trata-se o resto como os ganhos do trabalho diário. Essa estratégia de poupança tem um forte apelo psicológico, pois trabalha criando uma conta mental para o dinheiro a ser usado no futuro. Em vez de receber uma quantia e ao final do mês tentar espremer o que for possível na poupança, é mais eficaz, e com certeza traz menos sofrimento mental, contabilizar esse dinheiro como um gasto inevitável a ser debitado no início do mês. Outra vantagem de ver as suas economias dessa forma é que, assim, pode-se criar o hábito de investir em renda variável, principalmente em ações. A longo prazo, historicamente, a renda variável tende a render um resultado acima da renda fixa. O problema, para a maioria das pessoas que se inicia nessa modalidade de investimento, é que o mercado de ações funciona aos “solavancos”. É preciso muito estômago para acompanhar diariamente os resultados dos investimentos, e para aqueles que os acompanham, a tendência de se arrepender e ficar mudando rapidamente de investimento pode ser devastadora. Ao criar uma conta mental, você pode separar, por exemplo, R$200 para seu fundo atual, e R$100 para uma nova conta de ações. Se você investisse R$5.000 de uma só vez no mercado de ações, por exemplo, se sentiria muito ansioso com todo esse dinheiro. Digamos que no dia seguinte ao depósito suas novas ações perdessem 1% do valor, no outro, 137


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mais 2%, e ao final da semana, seus R$5.000 tivessem virado R$ 4.000. O que você faria? A área de finanças comportamentais nos diz que a maioria das pessoas se sentiria de um modo terrível e tenderia a retirar ou modificar sua posição de investimento. O problema é que, a curto prazo, o mercado de ações é bastante imprevisível, mas ao longo do tempo, o risco e volatilidade do investimento tende a cair (veremos mais sobre isso à frente). Do mesmo modo que em uma semana seu investimento diminuiu R$1.000, ele poderia rápida e imprevisivelmente recuperar e até ultrapassar o valor investido. Como você se sentiria, se, um mês depois de tirar os R$4.000, as mesmas ações valessem R$6.500? A prática de colocar R$100 todos os meses, pelo contrário, potencialmente deixaria você muito mais satisfeito e seguro. Se adotar esse modo de investir, provavelmente você conseguirá poupar muito mais, sem nem metade da dor de cabeça. Isso acontece porque, se o mercado está em baixa num mês, apesar de sua conta total valer menos, você compra mais papéis relativos à sua posição. Quando o mercado estiver em alta, você compra menos, mas fica satisfeito porque o total de seu investimento está dando bons resultados. Essa prática pode ser considerada ingênua, e vários acadêmicos a criticaram por não oferecer o “melhor” retorno possível sobre os investimentos. Shefrin, no entanto, recomenda o seu uso, por ela basear-se em princípios da psicologia, por ser útil para incentivar o início e a manutenção de um hábito saudável de investimentos, enquanto nos ajuda a desligar os mecanismos de pânico mental que fazem tanta gente se manter afastada dos investimentos financeiros mais lucrativos, ou mesmo perder dinheiro com eles. 138


FINANÇAS   RENDA FIXA × VARIÁVEL

Ok! Espero já o ter convencido de como é importante começar a investir, e já lhe ter explicado suficientemente como fazer para criar o hábito de investir. Agora devemos conversar um pouco sobre os tipos de investimento, e como fazer para escolher entre eles. Primeiro, vamos discutir a chamada Renda Fixa. Os fundos de renda fixa mais comuns são os fundos DI e os que trabalham com papéis da dívida brasileira. Uma das promessas da renda fixa é não dar muitas surpresas aos seus investidores. Você não sabe exatamente quanto vai ganhar, mas sabe que não terá grandes emoções. O primeiro ponto da renda fixa é que o seu rendimento está diretamente ligado aos juros praticados no país. À primeira vista, com os juros cobrados no Brasil, a renda fixa pode parecer um bom investimento. O problema é que há quase um consenso entre os especialistas que as taxas de juros altos são impraticáveis a longo prazo. A tendência então, é que a renda fixa renda cada vez menos. Lembra do conceito do custo de oportunidade? O maior risco de imóveis e investimentos em renda fixa é você não conseguir um retorno adequado pelo seu dinheiro. Muitas vezes a inflação, as taxas cobradas pelas instituições financeiras e os impostos são suficientes para comer sua rentabilidade, ou para deixá-lo com uma sobra muito pequena. No caso de imóveis, a depreciação (gastos com manutenção e reformas), as despesas de condomínio e de impostos quando ele estiver vazio, podem comer seu lucro (apesar de sempre existir a chance de valorização, caso você saiba escolher e tenha um pouco de sorte).

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Não estou dizendo que você nunca deve investir em imóveis ou em renda fixa, só estou dizendo que a fama que esses investimentos têm de serem “seguros” é desmerecida e mais enganadora do que parece. Renda variável é aquele investimento mais propenso aos tropeços da vida. Ele pode nos deixar muito tristes ou muito felizes de um dia para outro. Como as variações de humor do nosso dinheiro são muito maiores nessa modalidade, muitas pessoas fogem dela, com a impressão de ela ser altamente arriscada e imprevisível. O modo mais comum de renda variável são os investimentos na Bolsa de Valores, e a operação mais simples e comum é a compra e venda de ações. Por esse motivo, vamos nos concentrar nesse tipo de operação. O próprio modo como a maioria das pessoas se refere a investir na bolsa, “jogar na bolsa” reflete esse mal-entendido de que é tudo um jogo de sorte ou azar. Imagine que você tem uma pizza para dividir com os seus amigos. A primeira coisa que você faz é cortá-la em pedaços para cada um ficar com uma parte. Podemos fazer o mesmo com uma empresa. Uma ação de uma empresa é uma fatia dela. Imagine que em vez de dar para cada amigo um pedaço de pizza, para organizar melhor você dá um papel para cada um valendo um pedaço, em troca do pagamento proporcional por ele, e cada qual poderá trocar seu papel por comida de verdade assim que a pizza chegar. O mesmo ocorre com uma ação: você tem um papel que representa um pedaço de uma empresa. Assim como cada portador de um papel valendo um pedaço de pizza tem direito a um pedaço de pizza para saciar sua fome, uma ação de uma empresa lhe dá direito a partilhar dos resultados dela. Você tem um pedacinho de uma empresa, e quan140


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do ela tem lucros, você recebe dividendos para cada ação que possui. Se uma empresa tem boas perspectivas, mais pessoas vão querer comprar os papéis dela, e seu preço sobe. Se uma empresa vai mal, menos pessoas vão querer continuar sendo donas dela, e o preço cai. Mauro Halfeld, um professor brasileiro, analisou o Ibovespa de 1968 a 2000. O índice caiu abaixo do dólar em 48% dos dias úteis, e subiu em 52% deles, ou seja, podemos dizer que ele caiu metade dos dias, e subiu outra metade. Ele então analisou a variação semana a semana, e os valores foram 53% para cima, e 47% para baixo. Sob um nível de análise mensal, o Ibovespa subiu 54% dos meses, e 56% dos trimestres. O Ibovespa também subiu em 64% dos anos, 72% de períodos de três anos, 85% dos períodos de 5 anos e 97% dos períodos de 10 anos. Veja como o risco de investir na bolsa cai ao mudarmos o intervalo de tempo. Ou seja, se você investe no curto prazo, realmente estará sujeito às variações de humor da deusa da fortuna. Se você aprende a pensar a longo prazo, a conversa é outra. O grande problema é lidar com os altos e baixos do curto prazo. Daniel Kahneman e Amos Tversky são freqüentemente citados como os precursores da invasão da psicologia na área financeira. Antes de suas pesquisas iniciais, e do turbilhão de pesquisas que se desenvolveram na seqüência, considerava-se que ganhar ou perder R$100, por exemplo, tinha sempre o mesmo impacto, pois ganhar ou perder R$100 tecnicamente significa ganhar ou perder sempre o mesmo poder de compra, independendo da situação. Kahneman e Tversky provaram que o modelo mental das pessoas impactava nas posições que tomavam perante o 141


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risco. Basicamente, eles descobriram que a maioria das pessoas odeia perder. Assim, eles calcularam que a perda possui um impacto duas vezes e meia maior do que o impacto de ganhos da mesma magnitude. Ou seja, é como se o modelo mental multiplicasse o valor das perdas enquanto mantém o valor dos ganhos. Como lidar, então com aqueles dias que certamente virão, em que seu investimento vai cair? Não adianta nada dizer para você mesmo: “Vai subir, vai subir...” Você somente aumentará sua ansiedade. A melhor solução é simplesmente ignorar cada dia que passa e olhar para o futuro. Imagine a seguinte situação: um belo dia você compra um imóvel. No dia seguinte, chama um corretor e pede uma avaliação para saber quanto seu imóvel está valendo. No dia seguinte, torna a chamar um corretor e pede uma nova avaliação. E assim você segue, dia após dia, requisitando avaliações sobre o valor de seu investimento. Você passa anos fazendo isso, até o dia em que finalmente resolve se desfazer desse bem e partir para o próximo. Parece estranho? Bem, isso é o que a maioria das pessoas faz quando começa a investir. A diferença do mercado financeiro para o imobiliário é que é mais fácil conseguir uma avaliação dos investimentos. Todo dia, seja pelo jornal ou pela Internet, instituições financeiras colocam os resultados de seus fundos. Com ações isso é ainda mais exagerado. É possível checar o valor das ações na Bolsa várias vezes no mesmo dia. Claro, todas essas informações são bastante úteis quando você ainda está decidindo o que fazer com seu dinheiro. Mas, se após comprar um imóvel, você não fica a todo instante se perguntando quanto é que ele está valendo agora, por que faz isso com seus investimentos? 142


FINANÇAS  

No mercado financeiro os valores estão ali, à sua frente, todos os dias, mas isso não significa que isso seja tão bom assim para você, nem que você deva prestar tanta atenção a essa informação. Uma experiência de Paul Andreassen, psicólogo de Harvard, pode ser esclarecedora: utilizando preços de ações de empresas reais e notícias reais sobre essas empresas, ele estudou quatro grupos de pessoas simulando investimentos. Dois grupos tomaram decisões de investimentos sobre uma ação estável, ou seja, em que o preço não variava muito ao longo da experiência. Os outros dois grupos tomaram decisões sobre uma empresa cujas ações tinham uma maior variação de preço. Nos dois casos, um grupo recebia diversas informações sobre a empresa, enquanto o outro não recebia nada. Os resultados mostraram que os grupos que ficaram no escuro tiveram resultados superiores aos grupos que receberam informações. Certa vez eu estava parado numa estrada com trânsito engarrafado devido a um acidente em uma ponte à minha frente. Após um bom tempo parado, o carro à minha frente virou à direita pegando uma estrada de terra que dava em uma cidadezinha ali perto. Como a cidade continuava do outro lado da ponte, imaginei que o motorista sabia o que estava fazendo e resolvi segui-lo. Um após o outro, diversos carros retiraram-se da estrada e logo formamos uma grande fila na estrada de terra. Comecei a imaginar a reação das pessoas se meu colega de engarrafamento do carro da frente não chegasse a lugar algum... Desconfio que ele teve sorte, pois acabamos todos passando por um morrinho que não tinha muito jeito de ser uma passagem para automóveis, mas enfim, conseguimos todos voltar à estrada adiante da ponte interrompida. 143


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Se somos turistas numa cidade e vemos um restaurante lotado enquanto o estabelecimento ao lado está vazio, tendemos a entrar no lotado. Tantas pessoas não podem estar erradas. De fato, uma das coisas que fazemos quando não sabemos como agir é procurar pistas nas ações dos outros. Seja em uma festa que não conhecemos ninguém, seja no mercado financeiro. Os acadêmicos de finanças comportamentais chamam isso delicadamente de “comportamento de horda”. Ao vender ações de uma empresa, você faz o preço dela cair. Isso faz com que outros investidores também vendam suas ações, o que faz o preço cair ainda mais. Se você tinha guardado um pouco dessas ações, você vende o resto do lote, o que faz as ações caírem e assim por diante... É assim que mercados quebram, ou que bolhas especulativas são criadas (se ao invés de vender, as pessoas estão comprando). O resultado disso é que o preço de uma ação, de um imóvel ou de qualquer outro investimento não reflete necessariamente, pelo menos a curto prazo, o valor verdadeiro do bem que você está adquirindo. Você pode comprar um imóvel simplesmente por que ouviu falar que é um bom investimento e todo mundo está comprando, e com isso os preços de imóveis na sua cidade sobem. Repare que falei que em valor a curto prazo. Richard Thaler e Werner de Bondt relatam, num artigo de 1985, que a longo prazo tanto ações sobrevalorizadas quanto subvalorizadas tendem a reverter esses exageros ao longo do tempo. Além de o longo prazo ser mais seguro, o maior perigo de se investir a curto prazo também passa despercebido: são os chamados custos de transação. Toda vez que você movimenta seu dinheiro existe um custo, bancos cobram taxas e o governo cobra impostos. Para 144


FINANÇAS  

você manter seu dinheiro num fundo também existe um custo. Em gera;, cada fundo possui uma taxa de administração, exposta em anos mas deduzida mensalmente do total. A maioria das pessoas peca em não manter controle sobre esses custos. 1%, ou até 0,5% aqui e ali podem não parecer muito, mas ignore esses custos e em alguns anos você se pegará se perguntando o que aconteceu com aquele investimento. Lembre-se de que você está investindo a longo prazo. 2% a menos por ano em cinco anos comem cerca de um décimo do seu patrimônio. Dois pesquisadores americanos, Brad Barber e Terrance Odean, em 2000 publicaram um artigo que examinava o histórico de 60 mil investidores num período de seis anos. Eles descobriram que não existia uma diferença significativa entre os ganhos do que realizavam muitas transações e daqueles que realizavam poucas. O problema surgiu ao subtrair dos ganhos de cada investidor os gastos com suas operações. Toda vez que se compra e vende ações, existe uma taxa cobrada pelas corretoras, e isso fez toda a diferença. Enquanto a média de ganho final dos que realizavam transações freqüentemente era de 11,4%, os investidores mais tranqüilos conseguiram um retorno anual de 18,5%. A pesquisa mostrou que ao tentar ir sempre atrás do melhor negócio, muita gente perde dinheiro ao ignorar os custos de transação cobrados toda vez que se muda o dinheiro de lugar. Não se sabe muito bem o que leva as pessoas a agir assim. Como já vimos neste livro, tendemos a achar que nossas decisões são mais inteligentes do que as dos outros, e Barber e Odean acreditam que os investidores acreditam demais em suas habilidades. Carl Weick, que visitamos no capítulo que tratava de decisão já falava na sensação de controle que temos 145


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sobre o mundo à nossa volta. Algumas evidências apontam que isso pode ser uma grande armadilha. O que você deve fazer para evitar essa armadilha? Boa parte dos estudiosos sugere que você deve investir apenas em fundos indexados. Um índice de ações é uma carteira teórica. Esses fundos obedecem apenas a regras fixas. O Ibovespa, por exemplo, é um índice das ações mais negociadas na Bovespa. Quando falamos que o Ibovespa subiu ou caiu é como se uma carteira contendo as ações mais negociadas caísse ou subisse. A idéia é que as ações mais negociadas são as que atraem uma maior atenção dos investidores, uma ação que tem sua participação aumentada no Ibovespa teoricamente é uma ação que promete um bom lucro, já que está sendo mais negociada. Uma ação que sai do índice, teoricamente corresponde a uma empresa que já não é atraente para os investidores, e portanto promete um lucro menor. O Ibovespa é relançado a cada quatro meses, e geralmente os gestores de fundos baseados nele só precisam fazer pequenas modificações, eliminando a necessidade de grandes e numerosas transações. Eu não sou tão radical, e principalmente hoje em dia, quando é possível comprar ações específicas diretamente de corretoras pela Internet, com um custo de transação muito baixo. Vale a pena comprar ações específicas e montar uma carteira própria. Em muitas corretoras, principalmente se você começa a acumular uma boa quantia de capital, o custo pode ficar entre 2 e até menos de 0,5% por transação! Compare isso com um imóvel, em que um corretor pode garfar pelo menos 5% do total. Preste atenção, no entanto, na chamada Taxa de Custódia. Algumas corretoras cobram um valor de seus clientes apenas para manter suas 146


FINANÇAS  

contas funcionando mês a mês. Outras, entretanto, não a cobram; procure bem! Não importa se você possui uma carteira própria ou investe em algum fundo. O maior risco a longo prazo é mudar sua posição freqüentemente. Cuidado, alguns fundos também fazem isso, e é pensando nisso que a maioria dos analistas recomenda que você entre num fundo que obedeça a um índice indexado. Assim, você estará evitando que o administrador de seu dinheiro caia na mesma armadilha que você está querendo evitar. Outra coisa que você deve fazer para começar a investir é se lembrar que, no curto prazo, as pequenas variações do dia-a-dia são imprevisíveis. É como jogar uma moeda, ela pode dar cara ou coroa, e ponto final. Conheço pessoas que literalmente estão há anos me dizendo que estão esperando pelo “momento certo” de comprar ações. Esse momento provavelmente nunca vai chegar. Pior, lembre-se do custo de oportunidade: essas pessoas já poderiam estar cultivando um hábito de investimento faz algum tempo, mas estão esperando por um ganho que, na maioria das vezes, quando se tem sorte, é de 1 ou 2%. Elas já poderiam ter ganho muito mais. Pior que um investimento ruim é nenhum investimento. Separe uma quantia para “tirar do topo”, 5, 10 ou 15%, quanto mais melhor, contanto que você não sofra demais com isso. Escolha bem onde investir, mas, depois de fazer isso, quer o mercado caia suba, mantenha-se na estratégia que você escolheu. Pare de prestar tanta atenção na mídia especializada (vá ver um filme!), e tenha confiança no que você faz. Lembre-se: muitas vezes, seu maior inimigo é você mesmo. 147


ADMINISTRAÇÃO PARA PROFISSIONAIS LIBERAIS   COMO INVESTIR EM AÇÕES

Se você ficou com água na boca para montar sua própria carteira de ações, mas nem sabe por onde começar, esta seção é para você. Antes devo falar que existe uma grande discussão sobre a validade de se investir em ações específicas ou não. O que acontece é que alguns acadêmicos acreditam na chamada “hipótese de eficiência do mercado”. Resumindo, essa hipótese diz que o mercado é eficiente, e você só consegue ganhos acima da média se tiver sorte. O melhor que você pode fazer, então, é investir em um fundo indexado que tente acompanhar o rendimento do mercado. Um dos grandes avanços da finanças comportamentais foi justamente colocar em xeque essa hipótese. O mercado é formado por pessoas, e pessoas cometem erros, escolhem errado, confiam demais em suas próprias habilidades e investem com a horda, entre outras coisas. Teoricamente, é possível explorar tudo isso a nosso favor e bater o rendimento médio do mercado. Esse raciocínio também tem uma falha. Lembra que gostamos de achar que somos mais inteligentes que os outros? Se você fizer uma carteira de ações próprias, deve saber das vantagens reais de atuar assim, e não entrar nessa só por achar que pode ser mais esperto que os outros. É claro que um pouco de autoconfiança e um desejo, na medida certa, de ganhar mais que os outros também não faz muito mal. Uma medida popular nessa linha é a taxa de preço por lucro. Ao dividir o preço de uma ação por seu lucro, chega-se a um valor, medido em anos, de em quanto tempo a ação “se paga”. Um valor baixo indica que a ação está barata e você re148


FINANÇAS  

ceberá seu dinheiro de volta em pouco tempo. Um valor alto significa que a ação está cara. O administrador financeiro David Dreman propôs, já em 1978, que ações com um baixo preço por lucro estariam subvalorizadas. Os próprios Werner de Bondt e Richard Thaler estenderam essa idéia. Como você deve estar lembrado, esses dois pesquisadores propuseram que os investidores tendem a ser otimistas demais com ações que venceram no passado e pessimistas demais com recentes perdedoras. Essa linha de raciocínio sugere que se compre ações perdedoras e venda vencedoras. Claro, isso tudo parece mais fácil do que realmente é. Escolher ações, como todas as outras escolhas importantes que fazemos, não é assim tão fácil... Se você tem preocupações demais em sua vida e não tem tempo ou espaço mental disponível para escolher suas próprias ações, deve procurar um fundo indexado, como grande parte dos especialistas recomenda, e relaxar tranqüilo. Preste atenção, no entanto, num pormenor: alguns fundos de ações investem somente em algumas, ou até em uma única ação (como no caso dos fundos de privatização da Petrobras e da Vale do Rio Doce). Muitas vezes, pelas taxas e impostos que incidem sobre esses fundos, você estará melhor investindo diretamente nas ações (ou nas poucas ações) que pertencem a esses fundos. Um fundo de investimento paga 20% de imposto sobre a rentabilidade, independente do valor que você investiu, e soma-se a isso normalmente uma taxa de administração em torno de 2% do total em sua conta. Ao vender ações diretamente, atualmente você é isento dessa taxa para valores abaixo de R$ 4.143 mensais. Se você 149


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tiver prejuízo com algumas ações de sua carteira, pode deduzir essa perda dos lucros com outras ações. Dividendos pagam 15% de Imposto de Renda na fonte. A primeira boa razão para você mesmo montar sua própria carteira de ações é que é divertido! Uma coisa é você receber o extrato de seu investimento, e ficar feliz com isso. Outra é acompanhar a evolução de algo que você mesmo criou. Carl Weick, que encontramos no Capítulo 3, diz que uma das funções das organizações é divertir os adultos. Desconfio que um dos motivos pelo qual o mercado de ações foi inventado é porque seria muito chato passarmos nossos dias jogando jogo da vida e banco imobiliário até a terceira idade... Para a maioria das pessoas que começa, investir em ações torna-se um belo passatempo. Você também começa a aprender mais sobre o mundo empresarial, e ao contrário de outros hobbies, esse faz bem para o seu bolso. De fato, acho impressionante como muitas pessoas gastariam uma bela quantia para aprender a teoria de finanças, mas não colocariam a mesma quantia em uma carteira criada por elas próprias. Se você está prestando atenção nesta exposição, não vá começar nesse mercado jogando tudo de uma vez, mas com uma pequena quantia mensal. Uma das melhores formas de aprender é na prática. Garanto que o passeio pode ser tão divertido quanto o resultado final. O outro motivo para você montar sua carteira é o baixo custo das transações. Comparativamente com imóveis ou até com fundos de investimentos, o custo de se comprar e vender ações é bastante baixo. Isso significa que, mesmo que você faça uma escolha errada e sua carteira renda abaixo da média do mercado, ainda pode estar ganhando dinheiro com a dife150


FINANÇAS  

rença nos custos. Isso também desfaz o mito de que para comprar ações é preciso ter muito dinheiro. Não é. Qual então, a estratégia para começar a comprar ações? Uma é seguir o Ibovespa. Se você não possui muito dinheiro para começar (e isso é o ideal), vai ter que escolher algumas ações. Acredito que uma boa estratégia é começar com o Ibovespa. Sim, provavelmente existem pequenas empresas fora do índice que podem apresentar boas chances de valorização, mas deixe isso para quando você for mais experiente. Você pode encontrar esse e outros índices atualizados no site da Bolsa: www.bovespa.com.br. As ações do Ibovespa são as mais negociadas e, portanto, teoricamente são as ações que os investidores estão preferindo no momento. Para escolher, você pode tomar algumas direções. Já falei do preço/lucro. Você pode procurar as empresas dentro do índice que apresentam a menor taxa e simplesmente investir nelas. O mesmo mecanismo pode ajudá-lo na decisão de vender suas ações, se essa taxa estiver muito alta. BlueChips é um termo usado para as empresas que já estão bem estabelecidas no mercado. Essas empresas já tiveram sua fase de maior crescimento. O termo vem das fichas azuis do pôquer, as mais caras. Essas ações tendem a ser mais seguras, por representarem empresas grandes em suas áreas. CashCows são aquelas empresas que tradicionalmente pagam bons dividendos aos acionistas. No Brasil, 25% do lucro de uma empresa deve por lei ser repassado aos acionistas. Algumas empresas, no entanto, seguem uma política mais agressiva, e distribuem uma parte maior de seus lucros. Você pode escolher ações baseado nas três características acima, escolhendo um tipo de ação ou até uma combina151


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ção das três, ou até com o tempo desenvolver sua própria estratégia. Lembre-se que o maior risco a que você está exposto é realizar transações demais. Após fazer sua escolha, resista à tentação imediata de vender sua carteira e comprar outras ações. Você pode e deve fazer uma reavaliação de ações que possui, mas isso a longo prazo. Começando a investir com apenas uma pequena quantia, você diminui sua ansiedade, e isso pode ajudá-lo a se divertir com as mudanças no mercado em vez de se preocupar e ficar angustiado. É claro que perder dinheiro sempre é ruim, mas pense num valor que não o faria perder o sono. Todos temos uma área de segurança em que nos sentimos confortáveis gastando: a quantia que você gastaria em algo sem sofrer muito Quanto você gasta num passeio, ou com um curso ou hobby novo? É em torno disso que você deve começar depositando mensalmente em sua corretora.

CUSTO

Existem basicamente dois tipos de custos: o fixo e o variável. Custo fixo é a quantia que você paga independente de quantos clientes possuir ou quantas horas você trabalhar. Aluguel, taxas básicas de serviços públicos e o salário da secretária devem ser pagos independentemente do volume do serviço. Custo variável é aquele que você paga para servir a cada cliente. Por exemplo, se você precisa se locomover até o seu cliente, o tempo gasto e o combustível para chegar até lá são custos variáveis. 152


FINANÇAS  

Os custos variáveis tendem a produzir um impacto menor que os fixos no setor de serviços em relação ao de produtos. Um médico, por exemplo, precisa de qualquer forma arcar com os custos de seu consultório e o salário de sua equipe. O custo adicional de atender um cliente a mais é insignificante perto dessas despesas. Já um restaurante também possui um custo com sua localização física e despesas com funcionários, mas o custo de atender um cliente a mais, proporcionalmente, é maior que o de um médico. Fala-se também em análise do ponto de equilíbrio. Ponto de equilíbrio é o momento em seu trabalho em que você fica no zero a zero. Se você é um médico que possui um custo fixo de R$3.000 por mês, cobrando R$50 por consulta, precisa realizar 60 atendimentos por mês para chegar ao ponto de equilíbrio (3.000/50 = 60). Digamos que você possua um custo variável de R$10 por cliente; pode reduzir esse valor diretamente do valor recebido por cada cliente atendido: 3.000/50 – 10 = 75 atendimentos para o ponto de equilíbrio. Também se pode saber o quanto se gasta com cada cliente, e para isso realiza-se a divisão do total de custos fixos pelo número de clientes atendidos, somando-se o custo variável. O cálculo de custos e do ponto de equilíbrio é um fator importante para uma vida financeira saudável. Esse números podem lhe dar parâmetros para tomar decisões, e podem revelar situações em que se esteja gastando muito. Por exemplo, vale mais a pena comprar ou alugar um imóvel? Fazendo a análise do ponto de equilíbrio você pode saber o quanto precisará trabalhar apenas para pagar as contas. Cuidado: muitas empresas e profissionais calculam os custos de suas operações, adicionam um percentual de lucro que acham satisfatório e chegam ao preço a ser cobrado do 153


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consumidor final. Isso é um erro. Como já vimos em marketing, o preço é uma variável importante demais para ser definida dessa forma simplista. O custo de uma oferta diz respeito somente a quem está realizando a venda. É uma questão interna e deve ser tratada como tal. Para o consumidor, o que importa é o valor que receberá por essa transação. Se você acha que seus custos estão muito altos, cabe a você encontrar saídas para diminuí-los. Outra questão importante com relação ao custo tem muito a ver com o mundo em que vivemos atualmente. Algum tempo atrás, o custo era calculado somente em termos financeiros. Com o ritmo de vida atual, principalmente os profissionais de marketing começaram a incluir o tempo gasto pelo cliente como parte do custo. Lembre-se, você pode até cobrar barato, mas se você deixa seus clientes esperando, ou está em um local que eles gastem muito tempo para alcançar, está gastando gratuitamente um recurso de seus clientes, e pode custar mais caro para eles do que você percebe diretamente.

ENDIVIDAMENTO

J. Fred Weston e Eugene F. Brigham, autores de finanças, lembram que antigamente os vendedores ambulantes americanos lotavam suas carroças e saíam para vender seus artigos. Geralmente, um desses vendedores possuía somente o cavalo e a carroça, e seus lucros vinham do que ele conseguia vender ou fazer “girar”. Como era necessário adquirir os produtos antes de vender, ele pegava “empréstimos de capital de giro” em bancos para fazer as compras. Ele pedia emprestado para comprar o estoque, vendia o estoque, pagava o empréstimo e 154


FINANÇAS  

repetia o ciclo. Grosso modo, o capital de giro é o dinheiro a ser utilizado no curto prazo. Esse conceito, aplicado até hoje, adquiriu uma roupagem bastante complexa, mas a essência continua sendo a mesma. Imagine uma empresa que fabrique somente árvores de Natal e bonecos de Papai Noel. Não preciso nem dizer que os produtos dessa empresa possuem um ciclo. A empresa produz o ano inteiro, mas as pessoas só estão dispostas a comprar produtos de Natal no fim do ano. Veja o problema que se cria: após vender seus produtos, a empresa espera receber um lucro por suas atividades. Mas só pode receber esse lucro se tiver como pagar por matéria-prima e mão-de-obra durante o resto do ano, quando não recebe nada. Em casos como esse, assim como o antigo mascate, o endividamento é a saída para que a empresa continue funcionando ano após ano. Existem muitos outros motivos para uma empresa se endividar em busca de capital de giro. Se uma empresa somente fabrica, mas não vende diretamente seus produtos, por exemplo, ela deve montar seu produto, enviar aos pontos-de-venda, esperar pela compra e pagamento do cliente final, e pelo repasse do dinheiro. Enquanto tudo isso ocorre, ela deve continuar pagando suas contas e funcionários. O endividamento também é comum em empresas e mercados em expansão. Uma empresa pode contrair empréstimos para comprar equipamentos novos a fim de aumentar a produção, esperando lucrar com o investimento um valor acima do de seu empréstimo. No caso do profissional liberal, dificilmente é necessário contrair dívidas para financiar o dia-a-dia. Como o produto é o próprio trabalho do profissional, e a estrutura necessária para oferecê-lo pode ser bastante enxuta, a necessidade de se contrair empréstimos restringe-se a raras situações, como a compra ou 155


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reforma de uma nova sede ou imóvel, ou nos casos em que se necessita de equipamentos caros (como máquinas para medicina). Afora essas situações específicas, na maior parte do tempo as dívidas podem ser evitadas por completo. Se você pode continuar sua prática sem comprometer a qualidade de atendimento e sem contrair dívidas, é bastante desaconselhável que as contraia. Do mesmo modo que os juros podem atuar a seu favor, podem trazer o desastre quando atuam do outro lado, ou seja, quando ao invés de receber é você quem deve pagá-los. Uma prática bastante utilizada no país é o parcelamento de preços. Nesse caso, duas coisas devem ser consideradas: a primeira é se existe o acréscimo de um valor mensal à dívida, que é expresso em juros. Uma prática bastante comum no varejo, atualmente, é a venda a vista sem desconto, ou o parcelamento sem o acréscimo de juros. Lembre-se que da mesma forma que os juros fazem muito bem ao seu dinheiro quando é você que está os recebendo, podem fazer um grande estrago se estão do outro lado da conta. Se os juros são baixos ou, melhor ainda, se eles inexistem, pode valer a pena fazer o parcelamento. Faça a seguinte conta: se o valor que você paga em juros é menor que o valor que você recebe no banco por esse dinheiro, o parcelamento é bem-vindo. Agora, tome cuidado para não cometer o erro de gastar o dinheiro que ainda está para vir. É comum nos autoenganarmos quando realizamos pagamentos parcelados, pois imaginamos as coisas mais baratas do que realmente são. Cuidado para não contrair compromissos demais. Um hábito saudável é procurar só gastar o dinheiro que você já possui. Ou seja, você pode parcelar uma compra de R$200 em duas de R$100, mas o recomendável é que os R$200 já estejam em sua conta. Você pagará R$100 agora, e o resto renderá por um mês até o novo pagamento. 156


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