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Foto: Kéke Barcellos

EDITORIAL Graças ao trabalho incansável de obstinados produtores rurais, que há mais de três décadas deram os primeiros passos no sentido de organizar os pecuaristas com vistas a melhorar sua produção, Lavras do Sul encontrou sua vocação: produzir terneiros de alto padrão, a partir do cruzamento com as raças britânicas Hereford e Angus, e de seus sintéticos Braford e Brangus. Nascia ali o embrião das feiras de terneiros de corte do município, realizadas no outono e na primavera e consideradas hoje as melhores do Estado, tanto em volume como em qualidade genética. Foi nessa mesma época que os produtores locais sentiram a necessidade de trocar experiências entre si, visando corrigir possíveis erros no direcionamento de suas propriedades, dando vida ao Cite 27, que oportuniza ainda hoje fortes laços de união e amizade, além do contato com tecnologias avançadas e novas formas de manejo, ferramentas essenciais para o desenvolvimento de uma pecuária moderna e produtiva. Através do engajamento coletivo e dos investimentos constantes de todas as diretorias do Sindicato Rural em infra-estrutura, o parque de exposições do município abriga hoje o melhor recinto de leilões de todo o Rio Grande do Sul, onde todos os sábados, sem exceção, ocorrem remates de gado geral que firmam dia após dia o nome de Lavras do Sul como o pólo mais competitivo do Estado quando o assunto é pecuária de corte. A agricultura também vem fazendo uso de inovações e experimentações científicas, desmistificando uma ideia conturbada de que as terras locais não são propícias às lavouras de trigo e soja, cujos resultados mais aparentes são o incremento dos índices produtivos, que superam inclusive as médias registradas no Estado. Outra ótima constatação é o bom estado de conservação do Bioma Pampa, que estende-se pelos campos do município, fato comprovado pela observação de pássaros como o Veste-amarela, espécie que corre risco de extinção e é indicador de um ambiente campestre conservado. Conheça nas páginas a seguir um pouco mais sobre o agronegócio de Lavras do Sul e, se um dia tiver a oportunidade, não deixe de visitar a terra do ouro e dos terneiros de alto quilate.

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Foto: Kéke Barcellos

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Foto: Kéke Barcellos

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SINDICATO ATUANTE, AGRONEGÓCIO FORTALECIDO ............................................ 6 TROCA DE EXPERIÊNCIAS MELHORA PRODUÇÃO............................................... 14 VOCAÇÃO PARA PRODUZIR TERNEIROS .......................................................... 21 HOMENAGEM AO HOMEM RURAL ................................................................ 29 GENÉTICA DE PONTA .................................................................................. 32 NEGÓCIO GARANTIDO................................................................................. 36 NO CAMINHO CERTO .................................................................................. 40 ACIMA DA MÉDIA ...................................................................................... 44 PRODUZINDO MAIS, E MELHOR .................................................................... 48 AGENDA 2010 ........................................................................................... 58

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Foto: Mauro Ferreira

ENTREVISTA COM O PREFEITO ....................................................................... 54

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Foto: Kéke Barcellos

Revista Oficial do Sindicato Rural de Lavras do Sul Novembro de 2009

Foto: Adriano Becker

www.srlavrasdosul.com.br srural@farrapo.com.br Fone: (55) 3282.1256

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EXPEDIENTE Diretor Executivo Henrique Borges Edição e Reportagem Jairo Nether redacao@futurars.com.br

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Projeto Gráfico Adelino Bilhalva Fotografia Kéke Barcellos Produção Cunha Borges Comunicação e Marketing CNPJ: 03.988.158/0001-00 Porto Alegre/RS - (51) 3342 4717

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SINDICATO ATUANTE, AGRONEGÓCIO FORTALECIDO

Foto: Kéke Barcellos

Trabalho sério dos produtores rurais, aliado a investimentos constantes na infra-estrutura do parque de exposições e recinto de leilões, tornou Lavras do Sul referência dentro da pecuária de corte gaúcha

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Com um dos melhores parques de exposições e, sem dúvidas, o melhor recinto de leilões do interior gaúcho, Lavras do Sul é sinônimo de bons negócios há longa data, atraindo investidores de diversas regiões do Estado em busca de bovinos, ovinos e equinos de qualidade diferenciada. “Graças ao trabalho de diretorias anteriores e de dois escritórios de remates sob qualquer suspeita, que sempre trabalharam agregando muitos clientes, temos orgulho de ser o único município gaúcho a realizar remates todos os sábados do ano. Desta forma, preocupamo-nos sempre em melhorar nossa estrutura, pois isso traz mais público, que nos deixa recursos para continuar investindo cada vez mais em novas instalações, proporcionando conforto aos associados e visitantes”, explica o presidente do Sindicato Rural, Francisco Abascal, ressaltando que a parte mais significativa da arrecadação da entidade provém das comissões sobre a venda dos animais.

Dos investimentos mais recentes, ele cita o trabalho de ajardinamento que vem sendo feito e a construção de duas cisternas com capacidade para armazenar até 140 mil litros de água da chuva, captada através de calhas instaladas nos telhados dos galpões. “Toda essa água vai retornar para as plantas, o que vai trazer um embelezamento muito grande ao nosso parque e propiciar que os produtores tragam também seus familiares aos eventos”, prossegue Abascal, mencionando ainda os brinquedos disponíveis para as crianças. Além disso, todos os dejetos dos animais são recolhidos e reaproveitados através de processos de compostagem, servindo de adubo para a produção de mudas de árvores ornamentais para serem usadas no reflorestamento do local, bem como nos gramados e jardins. Ele lembra ainda que no ano passado foi inaugurada uma sala para ser usada em reuniões e receber pessoas em dias de

eventos, proporcionando maior comodidade, principalmente, às senhoras que frequentam o parque, uma vez que é dotada de banheiros e fraldários. Outras melhorias foram a cobertura do restaurante localizado junto à pista de remates, de onde é possível acompanhar o leilão, e dar lances inclusive, e a reforma das mangueiras e pista de provas de equinos. “Tudo que estamos fazendo é para que as pessoas cheguem aqui, sintam-se como se estivessem em casa e retornem sempre”, prossegue Abascal, que assumiu a diretoria do Sindicato em 2008 e já ocupou o cargo de vice-presidente por duas vezes.

Francisco Abascal

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PRODUçãO DESTACADA Uma das maiores preocupações das últimas diretorias do Sindicato Rural de Lavras do Sul foi proporcionar o acesso à tecnologias modernas a fim de alavancar a produção pecuária do município, reconhecida hoje como uma das melhores do Estado.

Todo mundo queria produzir bons terneiros, pois havia um reconhecimento não só da comunidade lavrense, mas de todos os municípios vizinhos, que vinham comprar, pois reconheciam a qualidade dos animais produzidos aqui de produtividade”, destaca. “Me atrevo a dizer que no Rio Grande do Sul não existe nenhuma cidade que esteja mais perto da

tecnologia do que nós, e estamos tirando proveito disso”, emenda Abascal. Para Etchichurry, outro ponto fundamental para a evolução da atividade pecuária de Lavras foi a criação do Núcleo de Produtores de Terneiros de Corte, que, através do trabalho incansável de Jacques Fabrício de Souza, com apoio dos produtores e lideranças da época, transformou as feiras de terneiros locais nas melhores do Estado, tanto em volume de animais como em qualidade. “Existiam regras a serem observadas e elas eram cumpridas, e isso sempre se manteve. Todo mundo queria produzir bons terneiros, pois havia um reconhecimento não só da comunidade lavrense, mas de todos os municípios vizinhos, que vinham comprar, pois reconheciam a qualidade dos animais produzidos aqui”, acrescenta.

Reprodução

Jozé Ângelo Etchichurry, atual vice-presidente do Sindicato, que por duas vezes presidiu a entidade - tendo nas duas oportunidades Francisco Abascal como seu vice -, lembra que sua segunda gestão (2005/2008) iniciou logo após a divulgação do Diagnóstico de Sistemas Produtivos da Pecuária de Corte do Estado, que retratava uma situação terrível da pecuária gaúcha, motivo pelo qual buscaram direcionar metas no sentido de levar informações e novas técnicas aos produtores lavrenses, através

de palestras, cursos e seminários. “Com isso, conseguimos trazer para cá o grupo Juntos para Competir, que nos propiciou ter em Lavras uma Unidade de Referência, onde temos tido acesso à práticas que vem contribuindo para melhorar nossos índices

Jorge Afonso Fabrício de Souza, Jacques Fabrício de Souza, Cláudio Bulcão, Geraldo Marcantonio, Hélio José Saraiva de Souza e Fernando Adauto Loureiro de Souza durante a 1ª Jornada do Terneiro, em 1986

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HISTÓRICO TRAbALHO COLETIvO

Etchichurry salienta ainda o engajamento das mulheres lavrenses na organização de eventos, como a Feira de Ovinos, que acontece em dezembro, e dos filhos dos produtores rurais, que envolvem-se nas ações do Núcleo de Produtores de Terneiros de Corte, Juntos para Competir, Cite 27 e também das atividades relacionadas ao cavalo

Crioulo. “Nossa grande preocupação é mostrar para os mais jovens a importância da união e de trabalhar todo mundo no mesmo sentido, que não pode haver nada maior que a entidade. O Sindicato está acima de qualquer coisa, e é por isso que funciona, não tem ninguém contra, todos trabalham integrados”, completa Abascal.

Jozé Ângelo Etchichurry

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Por iniciativa de um grupo de ruralistas, foi fundada em 1936 a Associação Rural de Lavras do Sul, segundo consta na ata de fundação, datada de 27 de novembro daquele ano, sendo aprovados seus estatutos sociais em maio do ano seguinte. Em 25 de julho de 1944 a entidade foi reconhecida e legalizada junto à Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), realizando em novembro do ano seguinte, no Prado Rural, a 1ª Exposição Pastoril. Em 09 de novembro de 1947 foi inaugurada a Casa Rural, sede atual, que recebeu o nome de Balbino Mascarenhas. As tratativas para aquisição de um imóvel para construção do Parque de Exposições foram iniciadas em janeiro de 1952, com o esboço de como ele seria finalizado apenas em 1959. No ano de 1962 foi instalada uma balança para pesar o gado e, por proposição de Aldo Abascal, foi dado o nome de Olavo de Almeida Macedo ao parque. As discussões acerca da sindicalização rural iniciaram em 1964, com algumas resistências, pois o pensamento da maioria era de que a entidade continuasse como associação e não como sindicato. Em 05 de novembro de 1966 foi realizada assembléia geral para votação, passando a partir de então a associação a funcionar como Sindicato Rural de Lavras do Sul, investindo nas funções e prerrogativas de sindicato dos empregadores rurais. Na gestão de Fernando Adauto Loureiro de Souza, em 2000, a Exposição-Feira passou a chamar-se Expolavras, reunindo agropecuária, comércio, indústria e entretenimento. Fonte: www.srlavrasdosul.com.br

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ExPOLAvRAS 2009 Realizada pela primeira vez em 1945, a exposição agropecuária do município passou a ser denominada Expolavras em 2000, quando mudou seu formato, deixando de realizar o julgamento dos animais, direcionando seu foco para a comercialização, através da realização de leilões de equinos crioulos, além de ventres e reprodutores de raças bovinas. “A principal mudança é que deixou de ser um evento para os produtores, hoje envolvemos toda a comunidade, preparamos uma festa para todo o município”, ressalta o presidente do Sindicato Rural, adiantando que a feira deste ano reserva mais atrações, o que foi possível devido ao incremento nos patrocínios obtidos.

A grande novidade é a realização da primeira edição do Seminário o Pampa e o Gado, onde especialistas aborda-

A principal mudança é que deixou de ser um evento para os produtores, hoje envolvemos toda a comunidade, preparamos uma festa para todo o município rão temas importantes como manejo e melhoramento de campos, lotação

animal e políticas públicas para o Pampa, entre outros. “Escolhemos as pessoas mais qualificadas dentro do segmento do agronegócio”, afirma Abascal, citando nomes como Aino Jacques, Carlos Nabinger, David Teixeira, José Fernando Piva Lobato, Alcides Pilau e Fernando Adauto, além do Secretário Estadual do Meio Ambiente e representantes do Ibama e Ministério do Meio Ambiente. Durante a Expolavras 2009 também ocorre a exibição de um documentário produzido a pedido do Sindicato Rural para homenagear o homem do campo, com depoimentos de capatazes de algumas das estâncias do município.

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O INÍCIO DE TUDO Segundo ele, a planta da obra custava Cr$ 3.000,00 (três mil cruzeiros), mas o Sindicato só possuía Cr$ 1.500,00 em caixa, razão pela qual convocou uma assembleia, onde expôs a situação aos cerca de 70 associados que se fizeram presentes. “Quando terminou a reunião, saí de lá com Cr$ 7.500,00”, prossegue, lembrando que então começou a pedir doações para dar início à obra. “Vinha de tudo, vaquilhona, porco, galinha, ovelha. Fiquei muito admirado, pois produtores de oito municípios que não tinham nada a ver com Lavras fizeram doações”, conta, emocionado, mencionando um

caminhão carregado com 30 bois de três anos enviado por pecuaristas de Guaíba. Assim, em 1985, foi inaugurada a nova pista, com capacidade para mil pessoas, idealizada por ele já naquela época para ser o melhor local de leilões do Estado, o que realmente acabou se comprovando com o passar dos anos. “Como sou colorado doente, fiz uma miniatura do gigantinho”, diverte-se Souza, revelando que a diretoria do Sindicato Rural pretende lhe homenagear com uma grande festa em seu aniversário de 80 anos, em 2010. Reprodução

Foi na gestão de Nilton José de Souza, que permaneceu por 12 anos consecutivos à frente do Sindicato Rural de Lavras do Sul, que foi construído o recinto de leilões do parque de exposições do município, reformado e ampliado em 2008. “A pista antiga, toda de madeira, estava com 80% de sua estrutura comprometida, por isso, certo dia mandei por tudo abaixo e solicitei que improvisassem uma arquibancada e uma mangueira, pois não podia parar com os remates”, recorda o proprietário da Fazenda Reponte, que atualmente reside em Bagé.

Nilton José de Souza

Parque de Exposições antes e depois da inauguração do novo recinto de leilões em 1985

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Carta Capital: A Empresa Mais Admirada do Agronegócio no Brasil e Mais Admirada em Nutrição e Saúde Animal • Melhores & Maiores: As 1000 Maiores Empresas do Brasil e 400 Maiores Empresas do Agronegócio • As Melhores da Dinheiro: As 500 Melhores Empresas do Brasil • Guia Você S/A | Exame: 150 Melhores Empresas para Você Trabalhar • Valor Carreira: As Melhores na Gestão de Pessoas • Revista Rural: Top of Mind • Valor 1000: 1000 Maiores Empresas • A Granja: O Destaque do Ano • Globo Rural: Melhores do Agronegócio • O Popular: Pop List Rural

Em 2009, o que não faltou para a Tortuga foi trabalho e reconhecimento. E sabe por quê? Porque ela oferece a seus clientes o que há de melhor em produtos para nutrição e saúde animal, resultado de muito investimento em pesquisas, matérias-primas, instalações e profissionais especializados. E todo esse esforço só poderia gerar esse grande reconhecimento.

Tortuga. Admirada pelo pessoal da cidade. Desejada pela turma do campo.


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TROCA DE ExPERIÊNCIAS mELHORA PRODUçãO Além de permitir o acesso à novas tecnologias, reuniões do Cite 27 promovem uma aproximação maior entre os produtores e seus familiares Com mais de 30 anos de atuação, o Clube de Integração e Troca de Experiências de Lavras do Sul, um dos primeiros a ser fundado no Estado, tem uma importância muito grande no agronegócio do município e da própria região. Com um grupo bastante homogêneo e atuante, o Cite 27 vem cumprindo regularmente as reuniões previstas em

José Antônio Fabrício de Souza

seu estatuto, que contempla um encontro anual na propriedade de cada um de seus 12 integrantes. “Temos conseguido algumas inovações importantes, da qual ressaltamos a aproximação e a integração com o programa Juntos para Competir, uma solicitação dos próprios citeanos, que tem nos trazido tecnologias novas e atuais, através de profissionais qualificados, o que tem sido do agrado de todos”, destaca o presidente da entidade José Antônio Fabrício de Souza, lembrando que existem produtores qualificados na fila para fazerem parte do grupo. O médico veterinário, que neste ano iniciou seu segundo mandato, explica que

uma das metas da entidade é conseguir uma renovação em seus componentes, inclusive na faixa etária, buscando gente nova e trazendo os familiares dos citeanos, para que o grupo possa ter continuidade em seus trabalhos. “Um aspecto que considero importante no Cite é o espírito de amizade e de alto astral, que faz muito bem a seus componentes, pois toda vez que existe uma crise no agronegócio a tendência natural é as pessoas isolarem-se, e o Cite faz exatamente o oposto: promove uma aproximação entre os produtores e, com isso, surgem ideias, atitudes e negociações que acabam beneficiando e trazendo soluções”, acrescenta José Antônio.

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Fotos: Kéke Barcellos

Ele ressalta ainda que o grupo trabalha totalmente integrado com a Federacite, Secretaria da Agricultura, Sindicato Rural, Emater, escritórios rurais e produtores de terneiros. Titular da Estância Camila, onde faz terminação de novilhos e cria ovinos Corriedale e cavalos Crioulos, José Antônio lembra ainda que o Cite 27 é um dos únicos que possui um remate de produção anual, sempre no mês de maio (cuja 20ª edição ocorre em 2010), com financiamentos oficiais de até 100% garantidos pelas agências bancárias do município: Banco do Brasil, Sicredi e Banrisul.

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PIONEIRISmO “O que o Cite tem de bom é que a gente troca experiências sobre os erros cometidos e procura corrigi-los, através da troca de ideias, além do círculo de amizades que se forma, isso aproxima os produtores e seus familiares”, resume Nilton José de Souza, 79 anos, sócio-fundador do Cite. Proprietário da Fazenda Reponte, hoje sob o comando dos filhos, ele explica que as reuniões nas propriedades dos citeanos costuma seguir uma programação que inclui trabalho de campo pela manhã, onde são observadas questões como alimentação e saúde do gado, seguido de discussão sobre pontos que podem ser corrigidos ou melhorados, sendo que após o almoço são discutidos outros temas de interesse do grupo e escolhido o local da próxima reunião. Esposa de Jacques Fabrício de Souza, falecido em 2005 e que junto com Nilton iniciou o trabalho de organização dos produtores para a formação do Cite de Lavras do Sul, Berenice Brasil de Souza

recorda que a primeira reunião do grupo ocorreu em 31 de novembro de 1977, na propriedade da família, a Estância do Sobrado, onde reside até hoje numa bela e imponente constru-

Foi um marco, pois através da troca de experiências os produtores passaram a dar mais importância ao cuidado das estâncias e ao manejo correto de seus animais ção datada de1852. “O Cite 27 nunca deixou de se reunir, às vezes com número inferior aos 12 produtores previsto no estatuto, mas sempre manteve as reuniões”, acrescenta Berenice, citando ainda que o Sobrado também recebeu o 1º Encontro Estadual dos Cites, em de abril de 1986.

Para ela, dá para situar a pecuária de Lavras do Sul em dois momentos: antes e depois do Cite 27. “Foi um marco, pois através da troca de experiências os produtores passaram a dar mais importância ao cuidado das estâncias e ao manejo correto de seus animais. Aqueles que não estavam tão bem viam a melhora dos outros e buscavam melhorar também. Assim, a cada reunião eles iam evoluindo e com isso começou a melhorar também a produção de terneiros, fato que se reflete até hoje em nossa feira, considerada a melhor do Estado”, explica Berenice, informando que em 1993 o Cite 27 foi escolhido o Cite do Ano, recebendo um prêmio da Federacite durante a Expointer, em Esteio. Berenice conta ainda que, em 2002, a Estância do Sobrado foi convidada a contar sua história na Expointer, através da palestra Propriedade Citeana de Ponta, proferida pelo filho Jacques Brasil de Souza, responsável pelo trabalho de campo. Junto com as filhas Dilce e

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Ana Medora, ela administra a casa e as finanças, além de produzir artesanalmente doces, geléias e licores que levam a marca da estância.

retorno também para Lavras, aí começou a fazer a feira do município, com apoio da Secretaria da Agricultura, tudo oficializado”, ressalta Berenice.

O carro-chefe da propriedade, que também produz carvão, é a produção de terneiros a partir do cruzamento com raças britânicas, estes comercializados na feira do município, onde participam desde a primeira edição, além da venda de vacas gordas para frigoríficos. “Nós fomos um dos primeiros produtores de terneiros do Estado. No início, comercializávamos em Bagé e, como éramos o maior vendedor, o Jacques preocupou-se em trazer algum

Nilton Souza lembra, emocionado, de uma homenagem prestada a ele e a Jacques Fabrício de Souza pelo presidente da Federacite, Getúlio Marcantonio, durante a Expointer 2005, em função da dedicação deles para o sucesso do trabalho realizado pelo Cite 27. “Infelizmente tive que ir sozinho, pois o Jacques havia falecido poucos meses antes. Fiquei muito emocionado, até me correu um lágrima dos olhos”, recorda.

Berenice Brasil de Souza

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âNImO RENOvADO

No grupo desde 2008, ele conta que ainda não pôde colocar em prática nenhuma das novidades que conheceu através do Cite, pois está fazendo ajustes na Estância Volta Grande, onde trabalha com cria, recria e engorda de bovinos. “Mas vi entre os citeanos coisas muito boas, o que for interessante para mim, eu vou implantar”, adianta Teixeira. Em fevereiro deste ano, foi realizada a primeira reunião do Cite 27 na Estância Volta Grande, que contou com a presença de aproximadamente 25 pessoas. “Tenho a impressão que pessoal gostou, creio que surpreendi a todos, pois acho acho que eles não esperavam

que uma área pequena pudesse estar bem organizada. Eles gostaram muito dos meus campos, do meu gado e do trabalho que estamos fazendo”, acrescenta o produtor, reforçando que o ingresso no Cite renovou suas energias e a motivação para seguir com a atividade pecuária. “Individualmente cada um faz sua parte, mesmo com atividades diferentes, mas com um único fim: manter-se na terra”, define Teixeira.

Achei muito interessante essa experiência porque eu fiquei mais antenado, inserido no contexto O produtor conta que já conhecia o trabalhos dos Cites, idealizados por Geraldo Marcantonio à época em que este era Secretário de Agricultura do RS, inspirado em experiências semelhantes realizadas na França. “Como eu era funcionário da Secretaria acompanhei de perto esse processo e acabei me empenhando muito na implantação dos grupos de Santa Maria e São Pedro do Sul, mesmo não participando deles”, completa.

Foto: Kéke Barcellos

Com o falecimento do pai, com quem já trabalhava na pecuária, o médico veterinário Valdo Marcelo Luchsinger Teixeira resolveu assumir sua parte na propriedade, mas sem a motivação necessária para tocar o empreendimento. “Já estava me sentindo aposentado, bem tranquilo, aí me convidaram para integrar o Cite. Achei muito interessante essa experiência porque eu fiquei mais antenado, inserido no contexto”, revela, ressaltando os laços de amizade que se formam a partir das reuniões, bem como o contato com tecnologias avançadas e novas formas de manejo, essenciais para o desenvolvimento de uma pecuária de ponta.

Valdo Marcelo Luchsinger Teixeira

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ASSOCIADOS CITE 27 Pecuária Bulcão – Gilberto Dutra Bulcão Estância Salamanca – Blau Fabrício de Souza Estância São Crispim – Fernando Adauto Loureiro de Souza Cabanha São Crispim – Bóris Soares Delabary Estância Reponte – Nilton José de Souza Fazenda São Jorge - Jorge Henrique Bulcão de Souza

Foto: Kéke Barcellos

Estância Camila – José Antônio Fabrício de Souza Estância Invernada da Caneleira – Jozé Ângelo Etchichury Estância Ibicuí - Jorge Afonso Fabrício de Souza Fazenda Sossego – Francisco de Assis Abascal e filhos Estância Volta Grande – Valdo Marcelo Luchsinger Teixeira Estância Cerro Branco – Suc. Arlindo Ferreira de Souza Estância do Sobrado – Berenice Brasil de Souza e filhos

O caminho mais curto entre o investimento e o resultado

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Sede: Estrada da Serrilhada, km 54 Escritório: Caetano Gonçalves,1041 - 5º andar - Bagé - RS CEP: 96400 - 040 gapsantamaria@hotmail.com

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vOCAçãO PARA PRODUzIR TERNEIROS Com grande volume e qualidade diferenciada, feiras de terneiros de Lavras do Sul são reconhecidas como as melhores do Estado A Feira de Outono de Terneiros de Corte de Lavras do Sul, que completa 30 anos em maio de 2010, é hoje referência em todo o Rio Grande do Sul pelo volume de animais e pela qualidade dos produtos ofertados, razões estas que atraem compradores de vários municípios da região. Este reconhecimento é fruto do trabalho iniciado por Jacques Fabrício de Souza, que por mais de 15 anos coordenou o Núcleo de Produtores de Terneiros de Corte local, e pelos constantes investimentos dos pecuaristas no melhoramento genético de seus rebanhos. Isso, é claro, aliado ao trabalho coletivo que

vem sendo realizado pelo próprio Núcleo, Sindicato Rural, Emater, Inspetoria Veterinária e escritórios de remates. Segundo Jacques Brasil de Souza, que preside o NPTC desde 2006, no início eram poucos os produtores que participavam da feira, cenário que mudou muito nos últimos anos e que pôde ser comprovado pelo sucesso da edição deste ano, quando 70 vendedores ofertaram 3.114 animais, com média geral de 195,5 Kg e um faturamento que chegou a R$ 1.745.320,00. “Cerca de 64% dos produtores ofereceram lotes com até

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30 animais, sendo que apenas 10% deles participaram com o lote mínimo, que é de 10 animais”, destaca Souza, ressaltando a presença de 53 compradores de outros municípios da região. “Para muitas propriedades, principalmente para aquelas que não trabalham com gado gordo para abate, a feira de outono representa uma das principais fontes de renda”, emenda o dirigente, reforçando que 70% dos animais são comercializados para investidores do próprio município.

Jacques Brasil de Souza

Outra boa opção é a Feira de Primavera de Terneiros de Corte, realizada há 25 anos, sempre no mês de novembro, quando entram em pista animais que não puderam participar da feira de maio, por não terem atingido o peso mínimo de 160 Kg, por exemplo. “Este evento oportunizou o surgimento de um outro tipo de produtor, aquele que compra no outono, faz a recria rápida usando sobras das lavouras e traz para vender na primavera”, revela Souza, informando que na edição do ano passado foram comercializados 2.124 terneiros, com média de 230 Kg. “O diferencial das nossas feiras de terneiros em relação às que são realizadas em outros municípios gaúchos é a oferta composta 100% por machos castrados, todos com mais de 160 Kg, que é o peso oficial”, prossegue o presidente do NPTC, lembrando que logo após os dois eventos oficiais ocorrem ainda as feiras alternativas de outono e

de primavera, com oferta de terneiros, terneiras e vaquilhonas. Ele também destaca a liquidez e a agilidade em pista, com média de dois minutos para a venda de cada lote, cujos lances podem ser acompanhados através de um placar eletrônico instalado no pavilhão de remates. “Temos vários compradores que, em virtude da confiança e dos bons negócios realizados, nos prestigiam ao longo destas três décadas, por isso nos preocupamos muito em tratá-los da melhor forma possível, oferecendo-lhes inclusive um churrasco ao meio-dia. Devido a esse tratamento especial e a nossa oferta diferenciada, eles saem muito satisfeitos e acabam voltando para comprar todos os anos”, acrescenta. Souza cita ainda as premiações distribuídas durante as feiras, num total de sete, entre elas a de Melhor Lote Estreante, instituída para incentivar aqueles que participam como vendedores pela primeira vez.

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OFERTA PADRONIzADA Vice-presidente do Núcleo de Produtores de Terneiros de Corte de Lavras do Sul, José Carlos Paiva Severo ressalta que em 2008 a entidade instituiu um Conselho Técnico com o objetivo de estabelecer um controle de qualidade, visando uma padronização maior dos animais ofertados nas feiras do município. “O Conselho faz a vistoria dos terneiros na entrada para o parque, tendo inclusive o poder de vetar aqueles que não se encaixam nos padrões recomendados”, informa, ressaltando que este trabalho contribui para aumentar a consciência dos produtores em oferecer cada vez mais produtos melhores. Para a feira de primavera deste ano, que ocorre junto a Expolavras 2009, ele adianta que estão inscritos 2500 terneiros. Responsável pela atividade pecuária da Fazenda Querência da Pedreira

ao lado dos irmãos, ele lembra que a propriedade vendeu terneiros na feira do outono pela primeira vez em 1983, e desde então participa todos os anos, sempre com uma oferta entre 150 e 200 animais, o que representa algo em torno de 90% de sua produção. “No começo eram apenas exemplares Polled Hereford, depois passamos a produzir animais cruzados com zebuínos e hoje também oferecemos um número bastante expressivo de terneiros Braford”, detalha o produtor, para quem a feira já está consolidada como uma das melhores do Estado, servindo de referência para outros municípios que produzem terneiros de corte. Pelo fato de sua fazenda ser especializada na produção de terneiros, Severo tem deixado os melhores exemplares para serem vendidos como reprodutores, o que já vem fazendo há três anos.

José Carlos Paiva Severo

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Bovinos

PECUARISTA POR OPçãO Nascido em Lavras do Sul, aos 15 anos Gilberto Dutra Bulcão mudou-se para São Paulo, onde trabalhou por 36 anos na indústria médico-hospitalar e acabou chegando à presidência de uma multinacional. Os investimentos em pecuária iniciaram-se há cerca de 12 anos como projeto de aposentadoria e retorno às origens, uma vez que sempre manteve o gosto pelo campo. “A Pecuária Bulcão tem uma história diferente, não foi uma herança que recebi, estou na atividade por opção. As coisas foram evoluindo naturalmente, e aquele projeto que iniciou com um sítio de lazer, visando uma melhor qualidade de vida, transformou-se num negócio. Assim, cheguei ao ponto de ter o maior volume de terneiros na feira de outono nos últimos três anos, onde comercializo cerca de 500 ter-

neiros”, revela o produtor, que atualmente é vice-presidente da Associação Brasileira de Hereford e Braford.

Feliz a cidade que encontra sua vocação, e Lavras encontrou a sua na área da pecuária, através da produção de terneiros de corte de altíssima qualidade Bulcão destaca ainda que consegue alcançar o peso mínimo exigido pela feira em 100% de seus terneiros somente em campo nativo e que, devido aos altos investimentos que tem feito em genética

ao longo dos últimos anos, os demais produtores tem solicitado que deixe um grupo de animais para que possam ser vendidos como reprodutores, o que deve iniciar-se dentro de dois anos. “Feliz a cidade que encontra sua vocação, e Lavras encontrou a sua na área da pecuária, através da produção de terneiros de corte de altíssima qualidade. São 30 anos de evolução, pois é um município que não conta com grande volume de terminadores e, no entanto, apresenta em sua feira o maior volume de terneiros, sendo reconhecida em todo o Estado pela qualidade de seus produtos”, define Bulcão, ressaltando os investimentos dos pecuaristas lavrenses em raças européias e suas cruzas com o objetivo de produzir animais de acabamento mais rápido.

Gilberto Dutra Bulcão

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QUALIDADE DIFERENCIADA Titular da Estância Santa Maria, de Bagé, Gedeão Silveira Pereira é um dos mais assíduos investidores da feira de terneiros de outono, onde nos últimos anos tem sido sempre o maior comprador. “São dois os motivos principais que me levam a buscar terneiros em Lavras. Primeiro, o fato dos produtores estarem evoluindo muito e investindo em melhoria genética, e, claro, a qualidade dos animais”, revela o pecuarista, que também faz suas compras em feiras de outros municípios, como Bagé, Dom Pedrito, Caçapava do Sul, Herval e Pinheiro Machado, porém em menor quantidade. “Em 2007, comprei mais de 1000 terneiros em Lavras e no

ano passado levei outros 300”, acrescenta Pereira, que adquire os animais com cerca de seis a oito meses e os envia para o abate com um ano e meio aproximadamente. Ressaltando a boa genética e a grande oferta de animais castrados, ele deixa uma recado aos pecuaristas lavrenses. “Continuem investindo cada vez mais na britanização dos rebanhos, através do Hereford e do Angus, e seus sintéticos, pois essa é a preferência dos terminadores e dos frigoríficos, uma vez que estas raças geram produtos com acabamento mais rápido e bom marmoreio”, recomenda Pereira.

Gedeão Silveira Pereira

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Bovinos

DE CAPATAz A PRODUTOR Nascido nos campos da Estância do Sobrado, Ari Lopes da Silva começou a trabalhar na propriedade quando ainda era menino, tendo prestado serviços à família Souza por mais 50 anos em atividades que iniciaram com trabalhos de peão até chegar a capataz da estância. Foi lá que teve início sua atividade pecuária, por volta de 1965, quando ganhou uma terneira guaxa, que em 19 anos lhe rendeu 16 crias.

“No começo, levava meus terneiros junto com os animais do Sobrado”, recorda Silva, que há mais de 20 anos participa da feira de outono. “Em 2008, vendi 19 terneiros, mas já cheguei a colocar até 40 numa mesma edição”, emenda, ressaltando que não há negócio melhor do que este. “Além de me dar muito prazer, proporciona um giro rápido de capital”, completa o ex-capataz que virou vendedor de terneiros.

Ari Lopes da Silva

AçÕES DO NPTC O NPTC de Lavras do Sul, fundado oficialmente em 21 de dezembro de 1987, integra a Associação dos Núcleos de Produtores de Terneiros (ANPTC), que congrega ainda os núcleos dos municípios de Caçapava do Sul, Pinheiro Machado, Cachoeira do Sul, Santana da Boa Vista e São Sepé, que, juntos, ofertam de 15 a 20 mil terneiros todos os anos em suas feiras.

Entre as principais ações já desenvolvidas no município, Jacques Brasil de Souza destaca os programas de inseminações e entoures coletivos, ambos subsidiados pelo Sindicato Rural, com os produtores tento a opção de quitar seus débitos com a entidade através da renda obtida com a venda dos terneiros na feira de outono e com os produtos nascidos, respectivamente, além de

simpósios, jornadas e palestras técnicas sobre campos nativos e produção de terneiros. “Estamos sempre buscando repassar novas informações aos nossos produtores”, completa.

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Foto: KĂŠke Barcellos LAVRAS_DO_SUL.indd 27

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Foto: Kéke Barcellos

HOMENAGEM AO Para falarmos do homem rural, do campeiro, principalmente, é muito difícil não entrarmos pelos caminhos das lembranças de tempos passados. Não quero dizer com isto que este homem tenha desaparecido, porém, na verdade, os tempos hoje são outros e a evolução vem sepultando muito do conhecimento, da história e do legado destes valentes. Eles se identificavam e interagiam com o ambiente. Atualmente, quando tanto se fala em sustentabilidade, temos aí um exemplo ímpar, de uma atividade pastoril, produzindo a mais de dois séculos, preservando o Bioma Pampa, tão singular e importante para esta região da América do Sul. E a sua companheira, a mulher rural, da mesma forma, desenvolveu uma experiência que se harmonizava com o estilo

de vida do seu companheiro. Consciente dos seus afazeres, transformava a carne e a pouca variedade de alimentos disponíveis em saborosos pratos, cujas receitas vinham acompanhando uma geração após a outra. Da mesma forma, os doces, de tacho na maioria das vezes, aproveitavam frutas e produtos mais comuns, sendo produzidas marmeladas, figadas, doces de laranja, abóbora, batata doce, ambrosia, o doce, a rapadurinha, o arroz de leite e o arroz com pêssego. Confeccionava muitas das roupas que usavam, e na sanga mais próxima as trouxas de roupas eram lavadas e quaradas ao sol, sobre a grama da restinga. Tanto cuidava da própria casa como muitas vezes era chamada a servir estâncias, onde o trabalho se multiplicava, servindo patrões e empregados, ajudando na criação e educação dos filhos destes.

Cabe destacar, entre outros predicados, a forma de conduta desta gente, nos relacionamentos e nos compromissos, onde a palavra empenhada valia mais do que qualquer documento e a cobrança se dava na própria relação interpessoal. O galpão foi escola para muitas gerações, onde estas relações, estes conhecimentos e esta forma de vida foi passada, chegando até nossos dias. Para a própria sobrevivência, quando só dispunha dos meios oferecidos pela natureza, era preciso ter habilidades e conhecimentos, os quais conceituavam e valorizavam o trabalho de cada um. Era preciso saber de tudo um pouco. Não havia à disposição uma indústria e um comércio como os de hoje, ao nosso dispor. Para a construção da própria

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HOMEM RURAL

Engº Agrº Jorge A. F. de Souza Emater/RS - Lavras do Sul

moradia, buscava ao seu redor a leiva, a madeira e o santa-fé, que se transformava em ranchos acolhedores. Era um misto de campeiro, domador e guasqueiro, pois precisava confeccionar seus próprios aperos, domar seus cavalos, seus bois de serviço e suas vacas de leite. Sabia de aramados, carneadas, tropeadas e de esquila. Nas caseriadas, desdobrava um machado, manejava uma vassoura de guanxuma e cuidava das casas e da criação. Fiéis aos patrões, formavam com eles piquetes para lutar por razões e ideais que muitas vezes nem bem conheciam.

novos insumos e as novas tecnologias, aos poucos, estão dispensando a criatividade, o improviso e o saber acumulado ao longo de anos de observação, convivência e de interação com o ambiente. Não quero

Com o passar dos anos, a modernidade foi aos poucos tornando a vida mais fácil no campo. Já não se faz necessário produzir a maioria dos bens de consumo utilizados no dia a dia das atividades. Os

com isto dizer que este modelo de homem rural não mais existe, nem tampouco deixou de ter importância. Muito pelo contrário: os produtores de sucesso, os peões, capatazes e trabalhadores rurais

Fiéis aos patrões, formavam com eles piquetes para lutar por razões e ideais que muitas vezes nem bem conheciam

em geral, melhor sucedidos, trazem ainda no seu perfil um pouco desta sabedoria herdada destes precursores. É necessário respeitar, valorizar e transmitir o conhecimento e a vivência desta gente, para que nossa região progrida, seguindo o exemplo daqueles que souberam usufruir do seu potencial sem no entanto descuidar da sua preservação, como um ecossistema estável e equilibrado. Por tudo isto, o Sindicato Rural de Lavras do Sul resolveu homenagear estes trabalhadores, através de um documentário com cenas e depoimentos, onde mostram um pouco do seu cotidiano. Desta forma, está sendo feito o resgate e a valorização desta classe, sustentáculo da atividade primária, do município e da região.

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Foto: Mauro Ferreira

Equinos

GENÉTICA DE PONTA Com exemplares premiados nas pistas da Expointer, tanto em morfologia como em função, raça Crioula vem destacando-se em Lavras do Sul Ao lado da bovinocultura e da ovinocultura, o cavalo Crioulo tem especial destaque na pecuária lavrense. Novos criadores juntaram-se a cabanhas tradicionais, e resultados expressivos têm sido conquistados pelos criatórios locais nas mais diversas pistas brasileiras. Pastam nos campos do município campeões do Freio de Ouro e da Morfologia da Expointer, bem como animais importados

que vieram somar sua genética aos já premiados sangues existentes. Todo este complexo gera desenvolvimento, cria empregos e promove o nome de Lavras como berço de animais de qualidade diferenciada. Na encosta da imponente cordilheira de pedras do Rincão do Inferno encontrase a Cabanha Macanudo, da família

Antonio Augusto Ferreira. É ali que padreia o zaino Pergaminho AA, um dos mais importantes pais da atualidade. Pergaminho foi Grande Campeão e Melhor Exemplar da Expointer, em 2003, Bocal de Ouro e Freio de Bronze, em 2006, e desde sua primeira geração já comprovou sua condição de reprodutor diferenciado. Prova disso é o fato dele ser o mais jovem cavalo da história a in-

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Foto: JG Martini Foto: Mauro Ferreira

Pergaminho AA

Mauro e Telmo Ferreira, que conduzem o criatório, destacam ainda os outros dois reprodutores usados nas 50 éguas da manada: Santiago do Macanudo, tordilho consanguíneo em Hornero e BT Fuzarca, e o chileno Santa Loretto Costalazzo, único filho do campeão de rodeios e selo de raça La Capilla Rival a padrear no Brasil.

Junto com Costalazo, a Macanudo importou do Chile oito ventres, onde destacam-se as gateadas Perjura, Grande Campeã em Júlio de Castilhos e Lavras e 4ª Melhor Fêmea em Dom Pedrito, e Piguchén Insólita, excelente mãe, filha do consagrado Rotoso, bem como a preta Morocha, Grande Campeã da exposição morfológica chilena de Osorno. Já consagrada nas pistas de morfologia, tendo produzido animais como Urtiga, Urca, Xerife, Viramundo e Brahma Extra, todos com expressiva premiação, a

Macanudo acaba de construir sua pista de treinamento funcional, para seguir apresentando animais como Zambito do Macanudo, 2º lugar na Credenciadora da São Rafael, no Paraná, e o mais jovem finalista do Freio de Ouro 2009. Divulgação

gressar no Registro de Mérito da ABCCC. Pergaminho é o pai da atual Grande Campeã e Melhor Exemplar da Expointer 2009, Confiança do Passo Fundo.

Mauro e Telmo Ferreira

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Equinos

FREIO DE OURO E PAI COmPROvADO Utilizados inicialmente apenas para o serviço de campo, os cavalos Crioulos da Cabanha São Crispim foram apresentados pela primeira vez na Exposição de Bagé, em 1979, garantindo logo na estreia os grandes campeonatos de machos e de fêmeas. O médico veterinário Gustavo Delabary, hoje com a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho de seleção iniciado por seu pai e seus tios, explica que sobre as 25 éguas em cria são usados basicamente três garanhões: LS Nazareno, LS Flor e Truco e LS Balaqueiro, este, sem sombra de dúvidas, o principal exemplar produzido pelo criatório. “Ele está com 16 anos, possui mais de 60 filhos e está muito próximo de integrar o Registro de Mérito da ABCCC, o que deve acontecer

até o final deste ano”, revela o ginete, que sob o lombo do animal foi Freio de Ouro em 2004, em Esteio, e Freio de Prata FICCC, em 2003, no Uruguai. O garanhão, que também foi Reservado Grande Campeão da Expointer 2005, garantiu ainda outro Freio de Prata à São Crispim, em 2001, desta vez conduzido pelo experiente Vilson Souza, com quem Gustavo aprendeu boa parte do que sabe hoje sobre cavalos, uma vez que trabalhou no centro de treinamento do mestre, em Bagé, de 1997 a 2006. Delabary revela que a cabanha está começando a usar um outro cavalo na reprodução, Noitero da Marca Antiga, um filho do Butiá Leopardo, visando incrementar ainda mais função à ma-

nada da São Crispim, criada toda em campo nativo. “Todas as éguas, antes de irem para a cria, são testadas no trabalho de campo”, acrescenta o veterinário, lembrando que procuram usar sempre animais com origens rio-grandenses ou descendentes do destacado Nobre Tupambaé. Segundo ele, o número de cavalos Crioulos no município vem apresentando crescimento, com novas cabanhas sendo formadas. Além disso, a qualidade dos exemplares produzidos vem colocando o nome de Lavras de Sul em evidência no cenário de provas da raça. “Um bom exemplo disso é a presença de cinco animais criados em Lavras entre os 96 finalistas do Freio de Ouro 2009”, destaca Delabary.

Foto: Kéke Barcellos

Gustavo Delabary

LS Balaqueiro

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POTENCIAL FANTáSTICO Baronesa, La Amanecida Bandido, importado do Chile, e BT Era Uma Vez, filho de Hornero e BT Amapola. “Procuramos sempre fazer os acasalamentos a partir de duas linhas mestras, usando uma base de animais produzida por dois selecionadores com os quais aprendi muito sobre cavalos: Flavio Bastos Tellechea e Manoel Luís Germano Sá”, revela Silva.

Estabelecida inicialmente em Taquara, a cabanha mudou-se para Lavras do Sul em setembro de 2006, quando o criador comprou um campo na vila do Ibaré, no segundo distrito. “Mudei para lá porque encontrei um lugar diferente de tudo que conhecia, com uma paisagem muito linda. Me encantou o astral do lugar, lá estamos no paraíso”, conta Silva, explicando que a palavra Ibaré, em tupi-guarani, quer dizer lugar abençoado ou fruto que caiu do céu.

Entre os principais feitos obtidos pela cabanha, Silva cita o Freio de Bronze 1998, com PO Formoso, e o Freio de Ouro 2003, com Entrosada do Junco, além do Campeonato Nacional de Rédeas 2004/2005, vencido pela fêmea PO Ocasion. Na Morfologia, ela destaca a 4ª Melhor Fêmea da Expointer 2000, PO Luz del Fuego, e a Campeã Potranca Maior da FICCC 2000, PO Mas me Gusta. “Nos últimos anos sempre temos animais correndo o Freio de Ouro, e neste ano fizemos dois finalistas”, emenda, explicando que o afixo PO tem uma simbologia muito grande – além de homenagear o avô materno de Gonçalo, de sobrenome Porto, também significa puro de origem e potro de

Em 2008, a empresa de Marcelo Silva, um dos principais leiloeiros rurais do Brasil, foi convidada para conduzir, pela primeira vez, o leilão de cavalos Crioulos que integra todos os anos a programação da Expolavras. “Apesar de haver uma quantidade pequena de cavalos Crioulos no município, a qualidade dos animais é muito boa. As médias foram muito boas e tivemos 100% de liquidez”, recorda, lembrando que Lavras tem um potencial fantástico. “Basta olhar a performance das cabanhas Macanudo e São Crispim”, completa.

Marcelo Silva

Foto: Kéke Barcellos

Hoje, nos campos da Don Marcelino são 80 éguas em cria, sobre as quais são utilizados os garanhões Lutador do Purunã, filho de Santa Elba Comediante e BT

ouro, nome da prova que a cabanha promove todos os anos, cujo vencedor recebe como prêmio um quilo de ouro.

Foto: Felipe Ulbrich

A seleção de cavalo Crioulos da cabanha Don Marcelino teve início em 1º de setembro de 1981. “Foi a data em que meu filho Gonçalo nasceu. Na ocasião, comprei uma égua para presenteá-lo, a Estrela D’Alva Pedregulho, que deu início a nossa criação”, recorda Marcelo Silva, que até então possuía exemplares da raça Brasileiro de Hipismo.

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Fotos: Kéke Barcellos

Mercado

NEGÓCIO GARANTIDO Com a tradição de produzir bons terneiros, Lavras é o único município gaúcho a realizar remates de gado geral todos os sábados do ano Reconhecida por organizar as melhores feiras de terneiros do Estado, Lavras do Sul orgulha-se também de ser o único município gaúcho onde, religiosamente, faça chuva ou faça sol, ocorrem remates de gado geral todos os sábados do ano. Há cada final de semana os dois escritórios de remate locais se revezam na condução dos pregões, atuando de forma conjunta na

Martim Afonso de Souza

Expolavras, nas feiras feiras oficiais e alternativas de terneiros de corte e em leilões especializados. Juntas, as duas empresas venderam mais de 31.459 bovinos em 2008, numa média superior a 600 animais comercializados há cada sábado - este ano, computados os dados de janeiro a setembro, a duas empresas já venderam outros 20.381 bovinos. Martim Afonso de Souza, sócio da Clínica Veterinária, junto com Luiz Alberto Pires de Souza e João Alberto Silveira de Souza, conta que a empresa foi criada em 1982, funcionando inicialmente como clínica, passando a realizar remates depois que um parente resolveu arrendar suas terras e vender o gado que possuía. “Ele chamou a

Pampeiro Remates, de Bagé, e acabou nos convidando para ajudar, assim começou nossa atuação como leiloeira”, recorda Souza, explicando que por pelo menos dois anos trabalharam em parceria com o escritório bageense. Ele conta ainda que o primeiro remate foi conduzido por Ênio Dias, passando logo em seguida o comando do martelo para Aluizio Azevedo, que atualmente divide a responsabilidade de conduzir os pregões com Savio Barbosa e, mais recentemente, Renan Delabary. “Temos uma filosofia voltada para atender bem os pequenos e médios investidores, pois são eles que nos mantém, são clientes fiéis, que todos os sábados estão lá”, prossegue Souza, ressaltando que um

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dos diferenciais é a garantia do negócio oferecida aos vendedores. “Até hoje ninguém deixou de receber”, destaca. No ano passado, a Clínica Veterinária promoveu 32 remates, com 20.264 bovinos vendidos, enquanto que de janeiro a setembro deste ano outros 13.037 animais foram comercializados em 22 leilões. “Há pouco mais de três meses, mudamos nossa sistemática de venda nos remates de gado geral, aceitando desde então apenas o pagamento à vista”, acrescenta Souza.

O mais importante é que quem vende em Lavras recebe “Já recebemos convites para leiloar em outros municípios, mas ainda não aceitamos, pois nosso objetivo é fortalecer a praça de Lavras”, completa o sócio da Clínica Veterinária, que, de agosto de 1993 a setembro de 2009, já comercializou 266.869 bovinos em 649 remates, todos no parque do Sindicato Rural. Segundo ele, as vendas do ano passado cresceram muito em relação a 2007, tanto em valores como em número de animais vendidos. Com 15 anos de atuação, a Abascal e Borges Remates foi criada a partir de um leilão familiar que acabou não sendo tão bem sucedido quanto o esperado, em 1993, pois acabaram não recebendo todo o valor da venda. “Então,

decidimos que deveríamos montar um escritório que vendesse e recebesse, assim surgiu nossa empresa, em 1994, inicialmente formada por quatro sócios”, lembra João Rafael Abascal, que hoje divide a responsabilidade de administrar a leiloeira com Erci Labella Junior. Tendo Alfredo Maurício Borges sob o comando do martelo, apenas em 2008 a empresa comercializou 11.195 bovinos, além de outros 7.344 de janeiro a setembro deste ano. De acordo com Abascal, em torno de 20 pessoas trabalham nos remates realizados há cada 15 dias no parque do Sindicato Rural. “Nosso objetivo é tornar cada vez mais Lavras um pólo vendedor”, explica, destacando não só a presença de compradores de outros municípios, como também de vendedores, responsáveis por pelo menos 30% da oferta. “O mais importante é que quem vende em Lavras recebe”, emenda Abascal. De acordo com ele, o mercado tem apresentado evolução, com incremento gradual no número de animais vendidos e investimentos na melhoria genética dos rebanhos. “A qualidade dos animais ofertados cresceu de forma fantástica nos últimos 15 anos, prova disso são os resultados das feiras de terneiros, que vem melhorando ano a ano”, salienta. Abascal destaca ainda a venda de reprodutores durante a Expolavras, onde vem aumentando a procura por touros Angus, Hereford, Brangus e Braford, raças reconhecidamente produtoras de bons novilhos.

João Rafael Abascal

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Mercado

CADASTRO INFORmATIzADO Chefe da Inspetoria Veterinária de Lavras do Sul, Gaspar Itajara Soares da Silveira explica que as exigências sanitárias para que bovinos sejam comercializados nos remates do município consistem em vacinação contra brucelose para terneiras até nove meses, com marca de identificação, testes para tuberculose e brucelose para as vacas, testes de fertilidade e epididimite para os reprodutores e vacinação contra febre aftosa para terneiros, esta obrigatória a todos os exemplares à venda.

“Além da vacina obrigatória contra aftosa em maio para todos os bovinos, em novembro devem ser vacinados novamente os animais até dois anos”, acrescenta Silveira, citando ainda a obrigatoriedade da apresentação da Modelo 15, que é a guia do produtor, e da GTA, a guia de transporte e sanidade animal. “Animais que não possuem dados cadastrados na Inspetoria ou que não foram vacinados são barrados e impedidos de participar dos leilões”, prossegue o médico veterinário.

Silveira revela que recentemente houve um processo de modernização na Inspetoria Veterinária de Lavras do Sul, com a informatização dos cadastros de todos os criadores e atualização permanente das lotações de cada propriedade. De acordo com ele, isso evitará deslocamentos de proprietários que residem em outras regiões, além de contribuir para um controle maior sobre a movimentação dos animais. “Isso fará com que os produtores mantenham sua ficha atualizada, oportunizando um contato maior conosco”, acrescenta o veterinário,

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Por ser o único local com remates todos os sábados o leque de compradores é maior, vem gente de todos os lados, pois temos qualidade e quantidade ressaltando ainda reformas na estrutura física da sede, investimentos em novos veículos e perspectivas de melhorias também em termos de aperfeiçoamento técnico, através de cursos para os funcionários da entidade.

Além dos leilões semanais de gado geral, ele também destaca a importância das feiras de terneiros, pois como o município não possui indústrias, com a realização destes eventos Lavras tornou-se o pólo pecuário mais competitivo do Estado. “Por ser o único local com remates todos os sábados o leque de compradores é maior, vem gente de todos os lados, pois temos qualidade e quantidade, além de uma preocupação constante dos pecuaristas, desde o grande até o pequeno, em melhorar cada vez mais sua produção”, reforça Silveira, informando que o rebanho do município é constituído por 310 mil bovinos, 122 mil ovinos e 12 mil equinos.

Gaspar Itajara Soares da Silveira

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Ovinos

NO CAmINHO CERTO Com uma das maiores ofertas, município tem potencial para tornar-se um dos maiores produtores de carne ovina do Estado Com um rebanho de aproximadamente 122 mil animais, conforme dados da Inspetoria Veterinária, Lavras do Sul transformou-se numa das maiores praças de comercialização de ovinos do Rio Grande do Sul. “O remate realizado todos os anos durante a Feira de Ovinos, em dezembro, vende de três a quatro mil exemplares, com lotes muito bons, por isso sempre registra a presença de muitos investidores de outros municípios da região, pois sabem que vão encontrar bons

animais, tanto de raças de carne como de duplo propósito”, revela o leiloeiro Aluizo Azevedo. Segundo ele, o pregão já está consolidado como um dos três maiores do Estado, com boa oferta de Corriedale e Ideal e predominância de animais cruza Texel. Ele conta que aprendeu a admirar os pecuaristas lavrenses, uma vez que existem áreas de campos variadas, algumas muito boas, outras muito fracas, com os produtores preocupa-

Lavras faz um trabalho sério, com muita dedicação, por isso conseguiu evoluir e crescer, tendo um rebanho de nível muito bom em todas as raças dos constantemente em investir na atividade, visando melhorar cada vez mais a qualidade de seus produtos.

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Fotos: Kéke Barcellos

“Lavras faz um trabalho sério, com muita dedicação, por isso conseguiu evoluir e crescer, tendo um rebanho de nível muito bom em todas as raças”, acrescenta Azevedo. “Ainda precisam melhorar um pouco seus índices, mas estão no caminho certo”, emenda.

aumenta a cada dia, principalmente para os cortes de cordeiro. “Com isso, vejo um potencial muito grande para Lavras, que pode tornar-se um dos maiores produtores de carne ovina do Estado, basta organizar melhor sua cadeia produtiva”, projeta Azevedo, que há mais de três décadas atua como leiloeiro no município.

Aluizio Azevedo

Pelo fato da lã enfrentar grande concorrência dos produtos sintéticos, que apresentam valores muito mais baixos, ele adianta que o futuro da atividade está na produção de carne, cuja procura

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Ovinos

bOm mERCADO PARA O TExEL Quando assumiu a capatazia da Fazenda Santa Jovita, em 1972, Rui Afonso Teixeira encontrou um rebanho regular de ovinos Corriedale formado pelo avô e pelo pai desde os idos da década de 20. O produtor, que teve de abandonar o curso de medicina veterinária para assumir o estabelecimento, lembra que buscou as primeiras matrizes Texel em Santana do Livramento, iniciando os cruzamentos pelo fato de que a lã perdia cada vez mais o seu valor, enquanto crescia o mercado da carne. Assim, aos poucos, acabou migrando para o Texel, raça que vem selecionando há cerca de 20 anos, possuindo hoje um rebanho de 1200 ovinos SO.

Atualmente, ele comercializa boa parte de sua produção na Feira de Ovinos de Lavras, onde vende anualmente cerca de 15 reprodutores e 200 cordeiros, além de atender ainda o mercado paulista, para onde manda outros 150 animais todos os anos. De 2003 a 2007, Teixeira chegou a manter em Bagé uma loja especializada em cortes de ovinos que levavam a marca Santa Jovita, distribuídos na época também em quatro unidades de uma rede de supermercados da capital gaúcha. Hoje, produz apenas linguiça usando porções iguais de carne ovina e suína, encontrada em três estabelecimentos de Lavras do Sul.

Rui Afonso Teixeira

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ExCELENTE RENDImENTO Em meados da década de 90, Teixeira participou de pelo menos cinco edições do Concurso de Carcaças promovido durante a Expointer pela Federação Brasileira dos Criadores de Ovinos Carne (Febrocarne), em Esteio, onde destacou-se logo na estreia. “Percebi que podia obter bons resultados com meus ovinos cruzados Texel x Corriedale, e na primeira vez que participei faturei nove dos 10 prêmio em disputa”, recorda Teixeira. Ele conta que o diretor da Farsul Fernando Adauto, que também gostava de acompanhar estes concursos, sentia muito orgulho da produção de Lavras e acabou sugerindo que se fizesse um evento semelhante no município. Assim surgiu o Concurso de Carcaças realizados todos os anos durante a feira de ovinos local, onde os animais são julgados e suas carcaças

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leiloadas durante o jantar de confraternização de final de ano dos associados do Sindicato Rural, cuja renda é revertida para a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). “Participam, em média, de seis a 10 lotes, com três animais cada, sendo premiados os melhores conjuntos e as melhores carcaças individualmente”, detalha Teixeira, frisando que isso contribui para valorizar os exemplares com a mesma origem à venda no remate de ovinos que ocorre no dia seguinte. “Apesar de um número não muito grande de carcaças em avaliação, os resultados do concurso são excelentes, com um rendimento excepcional. Isso entusiasma o ovinocultor a produzir cada vez melhor”, acrescenta o leiloeiro Aluizio Azevedo.

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Divulgação Granello

Agricultura

ACImA DA mÉDIA Com escolha das melhores variedades, aliada aos bons solos da região, lavouras de soja e de trigo vem obtendo índices produtivos superiores às médias registradas no Estado Antes de casar-se com uma lavrense e estabelecer-se no município, durante a safra 2001-2002, o engenheiro agrô-

Gerson Herter

nomo porto-alegrense Gerson Herter trabalhou por 10 anos com gado, soja e pastagens numa propriedade da família em Soledade, onde conheceu de perto a realidade agrícola da Metade Norte gaúcha, tida como uma das melhores do Estado. “Quando cheguei aqui me deparei com um certo menosprezo ao potencial agrícola e, portanto, agropecuário da região. Sou um incansável defensor da agricultura com a pecuária, pois vejo que não existe como crescer em pecuária

se não melhorarmos a tecnologia de produção de grãos”, defende o engenheiro. Assim, ele passou a adquirir know-how de produção agrícola e de pastagens, observando quais eram as virtudes e quais eram os desafios para poder produzir em Lavras do Sul, descobrindo, entre outras coisas, que o regime de chuvas era adequado para a produção de grãos dentro da realidade gaúcha. “Fui me especializando e descobri, por exemplo,

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que o solo da região tem uma textura maravilhosa para agricultura, propiciando infiltração de água no solo com maior eficiência. Também descobri que se deve proteger a lavoura de soja para se ter uma pastagem boa no inverno, não abusando do pisoteio do gado, pois isso diminui a infiltração da água no solo e aumenta a evaporação ao longo do verão, resultando em plantas mais vulneráveis”, detalha Herter, que produz soja, trigo e forrageiras no município. Outra descoberta foi de que a região possui uma característica de maior produção de matéria seca de forrageiras de inverno, razão pela qual levou genética de outros locais, como o centeio forrageiro, que produz praticamente 100% mais matéria seca por hectare do que outras forrageiras tradicionais, como aveia e azevém. “Além disso, estamos fazendo testes em áreas com pouco pisoteio, antecipando a retirada do gado e a dissecação para medir a quantidade de armazenamento de água no solo e quantificar qual a eficiência que está havendo. Acredito que o segredo da lavoura de verão é o cuidado no inverno, é isso que vai determinar o seu potencial de produtividade”, sustenta, referindo-se à cultura da soja.

Centeio forrageiro produz praticamente 100% mais matéria seca por hectare.

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Agricultura

AGRICULTURA, UmA ALIADA DA PECUáRIA Devido à convicção de que é importante defender a agricultura para poder ajudar a pecuária foi fundada a Granello Sementes, empresa formada por três agricultores da região, entre eles o próprio Herter, cujo objetivo é desenvolver tecnologias que tragam melhores resultados à produção, como o posicionamento das variedades de soja mais adequadas para a região. “As escolhas das variedades sempre foram referenciadas por municípios agrícolas da Metade Norte, que tem uma latitude diferente. A latitude Sul é mais apropriada para materiais de grupos de maturação mais precoces, pois induz a um aumento do ciclo, por isso temos que usar materiais mais precoces do que os usados em Passo Fundo, por exemplo”, ensina o engenheiro.

Da mesma forma, a empresa passou a estudar também a triticultura. “O trigo daqui é o melhor do Estado em qualidade, devido a uma relação entre a temperatura média e a radiação solar. Essa relação entre os dois fatores favorece a produtividade da cultura e a qualidade do grão”, prossegue Herter, ressaltando que a Granello também vem monitorando o manejo das lavouras de trigo visando aumentar os índices produtivos. “Escolhemos os materiais e desenvolvemos uma metodologia para conseguir mais produtividade para podermos ter o melhor trigo gaúcho”, emenda. Segundo ele, em convênio com a Emater, são feitos ensaios de cultivares de

trigo e soja com mais de 20 materiais por safra nas lavouras dos parceiros da Granello, com resultados bastante animadores, uma vez que os índices de produtividade tem ficado acima das médias registradas no Rio Grande do Sul. Conforme Herter, as médias gerais do Estado registradas nas lavouras de trigo e soja são de 30 e 33 sacas por hectare, respectivamente, enquanto que a empresa tem obtido médias de 55 sacas de trigo e de 46,5 sacas de soja por hectare em seus experimentos. Ele destaca as parcerias de trabalho que a Granello vem mantendo com duas entidades educacionais, a Escola Técnica Estadual Dr. Rubens da Rosa Guedes,

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de Caçapava do Sul, e a Faculdade de Agronomia da Universidade da Região da Campanha. “Em novembro, vamos realizar em Lavras um curso com o argentino Rodolfo Gil, o maior especialista em água no solo da América Latina, e esse knowhow será repassado à Urcamp, que vai começar a dar cursos em toda a Campanha Meridional para ensinar os produtores a medirem e a quantificarem a quantidade de água no solo”, adianta Herter. Ele conta ainda que em março do ano passado foi realizada em Lavras a 1ª Jornada do Trigo da Metade Sul, onde um dos objetivos

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foi aumentar a auto-estima dos produtores, mostrando que com tecnologia há como desenvolver ainda mais a atividade na região. “Estamos otimistas com o conhecimento que estamos adquirindo para podermos ser mais eficientes, e com isso ajudar mais o pecuarista. Desta forma, vemos que as virtudes da região são muito grandes, com solos maravilhosos, melhores que os da Metade Norte, e temos a convicção de que a agricultura é necessária para o município, por isso acreditamos que ela tem muito a crescer”, completa o sócio da Granello, empresa que faz

beneficiamento de soja e trigo, além de produzir sementes fiscalizadas de trigo e de forrageiras, como aveia, azevém e centeio.

Escolhemos os materiais e desenvolvemos uma metodologia para conseguir mais produtividade para podermos ter o melhor trigo gaúcho

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Extensão Rural

PRODUzINDO mAIS, E mELHOR Unidade de Referência de Lavras do Sul permite difusão de novas tecnologias, gerando maior receita líquida aos produtores rurais, através do aumento dos índices produtivos Tecnologias desenvolvidas especialmente para a utilização em sistemas de produção pecuária, aplicadas em Lavras do Sul nos últimos anos, têm contribuído para melhorar os índices produtivos dos estabelecimentos rurais, garantindo assim um maior retorno econômico. Estes resultados são fruto da implantação no município de uma Unidade de Referência, iniciativa que integra o projeto Redes de Referências, idealizado e desenvolvido logo após a divulgação do Diagnóstico de Sistemas Produtivos da Pecuária de Corte do Estado,

em 2004, que apontou um desempenho muito ruim da pecuária gaúcha e um nível tecnológico insatisfatório. Ação desenvolvida pelo Programa Juntos para Competir, impulsionado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RS), em parceria com a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e com o Serviço Nacional de Aprendizagem (Senar), o projeto tem por objetivo demonstrar, de forma prática, o impacto de diferentes tecnologias sobre

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a eficiência dos sistemas de produção, além de difundir os resultados obtidos há mais de 40 anos pela pesquisa científica. “A instalação desta Unidade tem colaborado na implantação e divulgação de sistemas de produção adaptados à realidade local. A pecuária em Lavras do Sul passa por um momento de modernização e de busca de maior eficiência, onde estas iniciativas são fundamentais”, destaca o engenheiro agrônomo Jorge Afonso Fabrício de Souza, chefe do escritório da Emater e coordenador do Grupo Juntos para Competir no município. Ele também ressalta o apoio incondicional do Sindicato Rural às iniciativas que vem sendo desenvolvidas, bem como o entrosamento com as entidades locais como Emater e Inspetoria Veterinária e com os grupos organizados, como Cite 27 e Núcleo de Produtores de Terneiros de Corte. “Na busca de uma melhor produtividade, os produtores vem utilizando tecnologias como adequação de lotação, diferimento de potreiros e melhoramento de campo nativo, preservando o potencial do Bioma

Pampa, com o foco na sustentabilidade”, acrescenta Souza. “A tecnologia existe há muito tempo nas universidades, mas não chegava ao campo. As Unidades de Referência estão possibilitando isso”, resume Francisco Abascal, responsável, junto com os filhos Rodrigo e Guilherme, pela Fazenda Sossego, onde foi instalada a unidade de Lavras, há cerca de três anos, e que a cada 15 dias recebe a visita de um consultor do Juntos para Competir. “Nunca aceitei trabalhar como meu avô e meu pai trabalhavam, achei que tinha que ser diferente, por isso procurei e consegui trazer para cá estas novas tecnologias que estão ajudando nosso município”, prossegue Abascal, citando seu compromisso de abrir a propriedade sempre que houver alguém interessado em aprender as novas técnicas – o último dia de campo realizado na Fazenda Sossego, no início de outubro, contou com a presença de pelo menos 150 pessoas.

Jorge Afonso Fabrício de Souza

JUNTOS PARA COmPETIR “O Juntos para Competir trabalha na organização dos produtores, com foco na gestão das propriedades e na introdução de tecnologias disponibilizadas pela pesquisa”, conta Jorge Afonso Fabrício de Souza, lembrando que o grupo atua há quatro anos no município, reunindo-se mensalmente e oportunizando palestras,

cursos, viagens, dias de campo e trocas de experiências entre os participantes. De acordo com ele, dez propriedades de integrantes do grupo já foram diagnosticados, sendo que os consultores do Sebrae já possuem informações bastante precisas sobre as potencialidades da pecuária

local. “Podemos dizer que o Juntos Para Competir é um agregador dos produtores interessados no crescimento dentro de suas atividades, e a cada dia amplia o número de participantes, os quais recebem de maneira simples e eficiente as orientações necessárias para melhorar o desempenho de suas atividades”, completa Souza.

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ObJETIvOS ATINGIDOS Responsável por atender a Unidade de Referência implantada na Fazenda Sossego, o zootecnista Alcides Pilau explica que inicialmente foi feito um diagnóstico da propriedade, onde foram levantados os potenciais que ela tinha e os pontos a serem trabalhados. A partir daí, foi elaborado um planejamento buscando aumentar a eficiência do sistema produtivo e, com isso, melhorar seu índice. “Observamos que a produção de terneiros ocorria em duas épocas do ano, assim, nosso primeiro passo foi concentrar os nascimento numa só temporada, para depois buscar um aumento gradativo no número de animais”, revela o mestre e doutor em produção animal. “A produção da fazenda girava em torno de 250 terneiros e já no primeiro ano conseguimos uma alta taxa de prenhez,

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passando a produzir 400 terneiros. Na temporada 2008-2009 já foram 480, e a nossa meta agora é chegar a 500 animais produzidos a partir dos 600 ventres em cria”, revela Pilau. Segundo ele, as principais ações desenvolvidas foram ajustes nas lotações das pastagens, melhoramento genético do rebanho, através de touros superiores, e investimentos para melhorar as condições do campo nativo. O zootecnista, que atende também outras propriedades, conta que tem observado que as técnicas aplicadas na Fazendo Sossego estão sendo transmitidas, com os produtores, cada um no seu jeito, aplicando de uma forma ou de outra aquilo que é sugerido, usando-as conforme suas deficiências ou necessidades. “Os produtores de Lavras vem

acompanhando a evolução deste trabalho desde o começo, pois o Francisco deixou bem claro no início que isto estava sendo feito para o benefício de todo o município. Hoje, observando todas as Unidades da região dá para ver que está dando certo. Isso é gratificante para nós, porque o trabalho está atingindo seu objetivo inicial, de formar uma rede em torno da Unidade”, comemora Pilau.

Alcides Pilau

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mULTIPLICAçãO DE TECNOLOGIA

Fabrício Barreto/ Divulgação Farsul

Ao comentar os resultados obtidos pelas Unidades de Referência do Estado, num total de oito atualmente, o diretor da Farsul Fernando Adauto Loureiro de Souza ressalta que nestes três anos de

Fernando Adauto

atividade todas elas melhoraram seu perfil e aumentaram sua produtividade. “Temos casos de propriedades que dobraram o desfrute e a renda líquida, e todos os produtores, sem exceção, estão satisfeitos. Assim, naturalmente estão multiplicando essas tecnologias em suas regiões de atuação, como é o caso específico de Lavras do Sul”, frisa. Adauto cita ainda atuação do Conselho Técnico do Projeto Redes de Referências, composto por representantes da Farsul, Emater, Embrapa,

Fepagro, Sebrae, Senar, Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Universidade Federal de Santa Maria, que há cada dois meses reúne-se com os dois consultores que atuam diretamente nas Unidades para discutir os problemas individuais de cada uma delas. “Isso, além de dar maior segurança aos técnicos em nível de campo, disponibiliza aos produtores, senão a melhor solução, a mais adequada ao momento que a propriedade está vivendo”, reforça.

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bIOmA PRESERvADO Segundo ele, nos municípios da região já foram observados vários pássaros que são indicadores de ambiente conservado, entre eles o Veste-amarela, que corre risco de extinção, identificado em duas propriedades de Lavras do Sul, entre elas a sua, a Estância São Crispim, onde foi fotografado um bando com cerca de 100 indivíduos. “A partir da identificação destes pássaros será feito um trabalho mais intenso, uma vez que existem vários projetos internacionais de apoio à conservação de campos nativos, inclusive com recursos internacionais”, completa, afirmando que a conservação é fundamental para a pecuária do Pampa. O engenheiro agrônomo Rogerio Jaworski dos Santos, coordenador do Projeto Pampa/SAVE Brasil - Alianza del Pastizal, explica que em 2007 foi feito um levantamento sobre as espécies de

pássaros do Bioma Pampa nas estâncias São Crispim e São Norberto, de Lavras, e na Estância Santa Maria, de Bagé, onde foram encontradas 144 espécies, cinco delas ameaçadas de extinção. De acordo com ele, tanto o Vesteamarela (Xanthopsar flavus) como a Noivinha-do-rabo-preto (Xolmis dominicanus), ambas encontradas em Lavras, são espécies que estão na categoria de ameaça de extinção como vulnerável, tanto em nível regional quanto global. “O Veste-amarela é indicador de um ambiente campestre conservado. Ele mora e se reproduz nos banhados e cursos de água onde tem caraguatás e se alimenta nas áreas de pastagem nativa e pastagem nativa melhorada. Assim como outras espécies, ele está presente onde a produção respeita o meio ambiente”, confirma Santos.

Foto: Adriano Becker

Conforme Fernando Adauto, o Conselho Técnico do projeto preocupa-se muito com a conservação das pastagens naturais do Bioma Pampa, por isso, gradativamente estão sendo repassadas aos produtores tecnologias para o diferimento de áreas de campo nativo. “Esse trabalho despertou a atenção de entidades como a Alianza del Pastizal, uma Organização Não-Governamental criada pela Bird Life International, com atuação nos quatro países onde o Pampa se faz presente: Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. Uma das metas das ONG é estimular a pecuária de corte como forma de conservação do Bioma, através de uma pecuária sustentável, com lotações adequadas”, explica, revelando que a partir de agora as propriedades que integram a rede deverão ser monitoradas para ver o efeito que a conservação dessas áreas tem a ver também com a fauna avícola.

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Entrevista

“ACREDITEm NESTA TERRA, POIS LAvRAS DO SUL TEm FUTURO”

Médico veterinário, oriundo de família com origens na agropecuária e na exploração aurífera, Paulo Alcides Vidal de Souza já exerceu o cargo de vereador em Lavras por dois mandatos, foi vice-prefeito, acumulando as secretarias de Saúde e Educação, e prefeito de 2005 a 2008, cargo para o qual foi reeleito no ano passado e que ocupará até 2012, sempre pelo Partido Progressista. Acompanhe nesta entrevista suas considerações sobre as principais atividades do agronegócio lavrense e sobre os projetos que devem, em breve, alavancar ainda mais a produção local.

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Qual a importância da atividade pecuária do município dentro do contexto do agronegócio gaúcho? A atividade pecuária já representou 80% da riqueza do município na última década do século passado. Atualmente, diminuiu um pouco em termos percentuais, com o aumento da agricultura (soja, milho, trigo e arroz) e dos ramos de comércio e serviços, mas continua sendo o carro-chefe da economia do município. A qualidade do rebanho e a organização dos produtores, através do Sindicato Rural, do Núcleo de Produtores de Terneiros de Corte e dos Escritórios de Remates, tornaram Lavras do Sul referência no Estado na produção e comercialização de terneiros de corte, como a melhor feira de machos, que acontece duas vezes por ano.

No caso do trigo, além da alta produtividade, deve-se destacar a qualidade do grão colhido, muito superior a maioria das outras regiões. Para esse resultado contribuem o clima, o solo e a alta tecnologia aplicada à lavoura. Quanto à soja, a produtividade vem aumentando ano a ano pelo aumento dos investimentos em tecnologia, escolha das variedades e troca de experiência entre produtores. Tem havido também aumento da área plantada a cada safra. Se não houver frustração da safra, por problemas do clima ou preço, a expectativa é otimista.

Fotos: Kéke Barcellos

Lavouras de soja e trigo implantadas em Lavras do Sul vem obtendo índices produtivos superiores às médias gerais do Estado. A que fatores credita estes resultados e quais suas expectativas em relação à expansão destas culturas?

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Entrevista

E a orizicultura como está, vem apresentando crescimento também? Onde estão concentradas as áreas de plantio? Na orizicultura o crescimento se dá mais pelo aumento de produtividade do que de área plantada, devido ao aumento da tecnologia e de variedades mais produtivas. Não obstante, nota-se pequeno aumento de área a ser plantada já na próxima safra e se espera um grande incremento para os próximos anos com o aumento da oferta de água. As áreas de plantio estão concentradas no segundo distrito, na bacia do Rio Santa Maria, que tem como tributários os arroios Jaguari, Taquarembó, Santo Antônio e Ivaró, além de expressivo número de barragens particulares que servem para irrigação, Além das atividades acima relacionadas, que outras culturas vem se destacando no município? Além dessas culturas podemos destacar o esforço que a administração vem fazendo em prol do desenvolvimento da fruticultura e da apicultura. Em 1999, foram investidos mais de R$ 250 mil nas culturas de frutas, principalmente figo

e pêssego; foram plantadas mais de 39 mil mudas de frutíferas. Com relação à apicultura, foi construída a Casa do Mel, que é administrada pela ALAPI (Associação dos Apicultores), onde 25 associados produzem 20 toneladas de mel por ano. Atualmente, está em fase final o estudo de financiamento por parte do Banco do Brasil, através do Projeto DRS (Desenvolvimento Regional Sustentável) para que a ALAPI eleve sua produçãop ara9 0t oneladasd emel /ano. A vitivinicultura pode tornar-se uma alternativa para o incremento da renda dos produtores rurais? A vitivinicultura pode se tornar uma grande alternativa de renda, pois as condições de clima e solo são propícias para a produção de uvas de qualidade, haja visto que no Tabuleiro, no 1º distrito do município, embora em pequena escala, os produtores estão plantando a uva e comercializando o vinho já engarrafado. *Como vê a atuação da agroindústria local? A primeira agroindústrias a ser implantada no município está prestes a ser inaugurada. Trata-se de uma agroindústria

de doces, construída no Bairro Cerrito, com recursos do Pronaf, totalmente equipada com caldeira à lenha, tacho à vapor, despolpadeira e todos os demais equipamentos necessários ao seu funcionamento. A sua implantação foi visando dar amplitude ao Projeto de Fruticultura e a utilização dos hortigranjeiros. A silvicultura começou a desenvolver-se com a plantação de eucalipto e acácia, e está tendo boa aceitação pelos produtores rurais. Existem projetos para a construção de novas barragens no município, em que locais? De que forma essas obras irão beneficiar os produtores? Estão em início de construção duas grandes barragens que pertencem ao Estado, por empreiteiras que venceram as licitações a saber: Jaguari, a 52 Km do Rio Santa Maria, no arroio do mesmo nome, com área inundada de 1350 hectares, capacidade de reservatório de 155.000.000 m³, comprimento de 330m e altura de 31m. Essa obra proporcionará o desenvolvimento da agricultura, através da irrigação de lavouras de arroz, fruticultura, olericultura e lavouras de sequeiro, proporcionando ainda a exploração do turismo, através de esportes náuticos, pesca e turismo de aventura.

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Divulgação Prefeitura Municipal de Lavras do Sul

Qual a sua mensagem final aos produtores lavrenses? Minha mensagem aos produtores é de agradecimento a todos que acreditam que trabalhando unidos são fortes, pois foi com este espírito que construíram hoje um dos melhores Sindicatos e um dos melhores rebanhos bovinos do Estado - é o único município que man-

tém remates todos os sábados, e talvez o único em que os maiores produtores de terneiros proporcionam touros e inseminação aos pequenos para que eles também melhorem seus rebanhos. Agradeço também aos agricultores, que, mesmo não tendo um preço mínimo de mercado na hora da colheita, pesquisam por conta as melhores sementes a serem introduzidas na

região, tendo alta produção no soja e produzindo na lavoura de trigo uma qualidade semelhante ao trigo argentino. Estamos num paralelo propício as melhores fruticulturas e temos as melhores terras. Nascemos da mineração e nunca ela esteve tão próxima de ser retomada como agora, com o trabalho da Amarillo. Acreditem nesta terra, pois Lavras do Sul tem futuro.

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AGENDA 2010 24/04 – 8º Remate de Novilhos 1º/05 – 30ª Feira de Outono de Terneiros de Corte 15/05 - 14º Remate Macanudo 22/05 - 20º Remate de Produção do Cite 27 29/05 – Feira Alternativa de Terneiros, Terneiras e Vaquilhonas 05 a 09/11 – 66ª Expolavras 09/11 - 27ª Feira de Primavera de Terneiros de Corte 20/11 - Feira Alternativa de Terneiros, Terneiras e Vaquilhonas 11/12 - 10ª Feira de Ovinos

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