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MOVIMENTOS E SUCESSÕES: ESCOLA DE MÚSICA DA APAC

ADALBERTO C. DINIZ FILHO


MOVIMENTOS E SUCESSÕES ESCOLA DE MÚSICA DA APAC

Adalberto C. Diniz Filho Sob orientação da professora mestre Celina Manso

Trabalho nal de graduação 1 apresentado no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Goiás, orientado pela professora mestre Celina Manso Anápolis, 2018


AGRADECIMENTOS

Sem a ajuda que tive, este trabalho teria tomado um caminho totalmente diverso do que tomou, e talvez não tivesse sido tão agradável de ser feito quanto este foi. Agradeço primeiramente à atual presidente da Associação dos Parceiros da Arte Cultural de Barro Alto (APAC), Alveny Leão, pelos documentos e importantes relatos levantados. À minha orientadora Celina Manso, cujo conhecimento e didática têm me guiado durante e ao m da minha graduação. E mais importante à Edilene Inês, pelo suporte, auxílio, acompanhamento e comunicação. E claro, por ser minha mãe.


Sentir o espaço é diferente de sentir o toque. A temperatura de um ambiente ou de uma brisa é diferente da textura e da temperatura do toque físico de uma maçaneta. Falar do tato em si não seria capaz de abranger totalmente as suas perceptividades. Sentir a arquitetura como uma atmosfera física e espacial, com corpo, sons e efeitos diversos, nos desfaz da necessidade primária de agradar apenas a visão. Juliana Duarte Neves, 2017


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

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2. CULTURA E EDUCAÇÃO

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3. A APAC

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4. SOBRE O LUGAR

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5. REFERÊNCIAS PROJETUAIS

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6. PROPOSTA PROJETUAL

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REFERÊNCIAS

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1. Introdução

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A decisão pelo tema Escola de Música não se deu sem antes passar por uma trajetória de elementos denidores para a preparação deste trabalho. A primeira pergunta feita por mim foi “onde?”. Essa foi fácil de responder: na minha cidade natal, Barro Alto. Desde o início da minha graduação em Arquitetura e Urbanismo faço reexões sobre como aplicar o conteúdo aprendido em sala numa análise mais minuciosa de como as cidades funcionam, como esse fenômeno de organização espacial resulta em um elemento orgânico com diferentes paisagens e densidades, e como cada um desses sub elementos inuencia na vida dos seus habitantes. Fiz análises de grandes cidades como Brasília, Barcelona e Paris, com seus planos de expansão, modelagem de ocupações, reestruturação do espaço, etc., até chegar a me perguntar como esse mesmo fenômeno acontecia com as pequenas cidades. Há algo nas pequenas cidades que se perde nas metrópoles. Seria isso a vizinhança, o conhecer, a escala? Ao estudar mais, percebo que quanto maior uma cidade, mais centralidades ela possui, mais “microcidades” são percebidas entre a união de bairros e setores de acordo com a sua oferta de atividades. Nas pequenas cidades isso também ocorre, mas de forma a não perder a sua união municipal. Em cidades com menos de 15 mil habitantes, ainda permeia-se a sensação da cidade como uma entidade populacional, uma identicação cultural que une os moradores e que pode servir de ferramenta para o incentivo de boas práticas sociais e culturais. O uso do espaço público na cidade em questão obtém um grande caráter modulador das atividades urbanas ao ser palco xo de diferentes eventos festivos, esportivos e comerciais. Ora, se esses espaços de uso público fortalecem a interação social, sua otimização também seria capaz de otimizar relações interpessoais entre os cidadãos? Ao estudar o espaço público, percebo uma


precariedade não só na sua manutenção como também em seu planejamento. Em parte, são espaços entremeios de edicações de cunho religioso ou político, em outros casos apenas sobras de parcelamentos urbanos. Barro Alto teve seu crescimento fragmentado, onde sua ocupação ainda tem grande presença de áreas abertas sem urbanização, e isso resulta no distanciamento entre os setores da cidade. Tal conguração não é vista por mim como um problema. Ao estudar urbanismo, perde-se a ideia de que a ocupação é a melhor solução, algumas áreas precisam se manter em preservação para o bom respiro da cidade. Como esse pensamento, chego à conclusão de que melhor do que criar novas conexões entre uma cidade que não as demandam, uma melhor solução seria otimizar os espaços conectores já existentes. Continuo no “onde?”, porém em uma escala menor. Barro Alto pode ser divido em 4 grandes áreas: Central, Bairro Extrema, Bairro Alfredo e Vilas. Em sua ocupação territorial, a conexão entre três dessas grandes áreas se dá exatamente sobre as duas maiores áreas públicas urbanas da cidade: o Lago Serra do Níquel e a Praça dos Amigos. A união desses espaços se torna a melhor implantação para a proposta projetual, pois além de já ser uma conexão existente dentro da cidade, serve de palco para diferentes atividades, tanto de lazer quando de práticas esportivas e festivas, o que abrange o número de usuários em potencial. Unido esse espaço, me pergunto “o que?”, o que colocar? Que tipo de atividade quero aprimorar nesse espaço, além da sua paisagem? Desde pequeno z participação em diferentes eventos de incentivo à cultura. Em um estudo acerca do ensino complementar à educação das escolas, relembrei a importância de diferentes atividades no desenvolvimento das crianças. Tendo isso em mente, busquei contato com a instituição de maior oferta dessas

atividades, a Associação dos Parceiros da Arte Cultural de Barro Alto, e diagnostiquei seu funcionamento, suas práticas e suas necessidades. Suas sedes sempre foram edifícios residenciais ou comerciais alugados e adaptados às necessidades educativas, e essa persistência me incentivou a decidir a implantação de um edifício que servisse de sede para suas atividades, aprimorando seu ensino e promovendo a disseminação das atividades culturais propostas. O maior objetivo da APAC sempre foi o incentivo à cultura musical, por este lado tive uma decisão mais pessoal por ter participado de atividades semelhantes durante 7 anos. Meus estudos sobre teoria musical ainda ecoam no meu gosto cultural e em parte incentivaram a escolha do meu curso pela sede de práticas prossionais que ao mesmo tempo tivessem uma forte vertente artística. Uma escola de música é um programa que me desperta curiosidade desde o início da graduação, e é com satisfação que na conclusão do curso eu possa contribuir com meu conhecimento utilizando tema e lugar que sempre foram importantes para mim. O Projeto da Escola de Música da APAC procura se tornar então um elemento integrador do espaço público, incentivando seu uso pela população enquanto oferece ensino de teoria e prática musical e espaços de exibições culturais.

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2. Cultura e Educação MANIFESTAÇÕES CULTURAIS

Em um país com dimensões continentais como o Brasil, a variedade cultural em meio à globalização e universalidade de certas práticas festivas ainda se expressa determinante e serve de especicação regional de acordo com seu cunho artístico em determinados elementos de inspiração. A cultura goiana, quando pensada ao lado do histórico de ocupação brasileira, nos deixa clara certas heranças culturais que mesclam o rural com o religioso. O ambiente rural tornava necessário o grande deslocamento para obtenção de mercadorias em feiras e comércios, e esses encontros acabaram por se otimizar ao se tornarem eventos de trocas também culturais. As festividades passaram a fazer parte do cotidiano e não perderam importância durante o processo de urbanização dessas áreas. O avanço tecnológico altera a forma como as sociedades se desenvolvem, e algumas práticas artísticas conseguem se adaptar ao passo em que modicam sua aplicabilidade. As expressões culturais que conseguem acompanhar este processo de mesclagem tecnológica nos levam a reetir sobre a arte cultural como uma imagem de futuro. No livro ‘’A Arte Como Investimento’’, Diva Benevides Pinho debate a discussão acerca do que a sociedade dene como arte e como artista: Ao se sobrepor à ideia artistocrática de arte como obra de gênio, que surgiu no renascimento e culminou no século XIX, a arte como bem econômico ou mercadoria sujeita-se às leis de mercado como qualquer outro bem. p.10

Com esse avanço econômico e tecnológico, a metodologia pode se manter, mesmo que o método se perca. A variedade disciplinar para a execução de um mesmo produto passa a ser visto como não-arte. Assim, se tomar em conta que a produção tecnológica e planejada

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com equipe técnica especializada em diferentes áreas retira o caráter artístico de uma produção, então a própria arquitetura não seria arte em si. Assim dizendo, o conceito de criatividade passa a ser desmisticado, mostrando a arte como produto social, que reete uma sociedade tecnológica. Assim, o trabalho artístico não se torna superior aos demais, ao passo em que se torna democrático e acessível, e essa transição histórica da arte para um produto social modica o entendimento da arte e da cultura em si, modicando juntamente suas dimensões estéticas, sociais e econômicas. Diferentes autores trazem diferentes formas de classicação das artes, não de modo hierárquico, mas de modo especicatório. Baseados no artíce, ou seja, no artísta, Diva Pinho os exemplica baseado no signicado social da produção, sendo 1. Artes vulgares et sordidae (populares apenas para produção comercial; 2. Artes ludicae, apenas para exibições. Estas duas voltadas apenas para o lucro; 3. Artes pueriles, que são sujeitas a regras de criação e 4. Artes liberales, que são cultivadas pelo cidadão livre, que visam o conhecimento fomentado pela necessidade humana da arte, subdivida em artes da ciência e do espírito (gramática, retórica, dialética), artes da ciência e da natureza (aritmética, música, tons e ritmos), geometria e astronomia. A melhor classicação presente nos exemplos é a de Max Dessoir, o qual defende que cada uma das artes está mesclada à outra em alguma de suas variedades, onde separa em artes da mobilidade e da coexistência (artes plásticas) e artes dos movimentos e sucessões (música, poesia e dança). É nas festas culturais que os cidadãos de Barro Alto expressam sua cultura local, tanto a hereditária quanto a aprendida e desenvolvida nas escolas fundamentais e de ensino complementar. O incentivo a este ensino complementar se torna potencial à criação de uma identidade local que seja aceita por todos. Fotos acima, em ordem: [1] Encontro de Jipeiros; [2] Apresentação de quadrilha no Arraiá das Escolas Municipais; [3] Apresentação da Camerata de Violões no Festival de Artes da APAC. Fotos disponibilizadas pelos eventos em redes sociais.

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2. Cultura e Educação ENSINO COMPLEMENTAR

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A denição do usuário é elemento fundamental para este estudo. O trabalho dentro da educação infantil potencializa o desenvolvimento da criança em seu meio social. Segundo o IBGE, o índice de ingresso nas escolas barroaltenses de alunos de 5 a 14 anos é de 99%, onde o município apresentava em 2017 o total de 1.383 alunos matriculados no ensino fundamental. A cidade possui ao todo 6 escolas municipais e dois colégios estaduais, sendo dois deles presentes no distrito de Souzalãndia. Os edifícios voltados à educação fundamental são igualmente distribuídos pelos bairros da cidade, atingindo assim um maior raio de moradores. Somente no centro temos a oferta de turmas do ensino médio. O ensino complementar, sendo denido como qualquer tipo de atividade de ensino cultural extraescolar, é ofertado na cidade em programas públicos


como o Projeto Camerata de Violões de Barro Alto e em projetos administrados pela Associação dos Parceiros da Arte Cultural de Barro Alto - Go (APAC), mas percebe-se que mesmo com a procura de ingresso de alunos, há um percentual de desinteresse e falta de incentivo a este tipo de atividade tanto pelos alunos quanto pela população. Segundo Osvaldo Homero Garcia Cordero (2014), nota-se que dentro das aulas cotidianas de educação física escolar há uma preferência pela priorização de atividades esportivas e competitivas. Com a inclusão de atividades que envolvam música e movimento (artes rítmicas), considerando a facilidade e a velocidade em que as crianças podem aprender através de atividades lúdicas, o aprender torna-se divertido e prazeroso. Ele completa: O ritmo é o fenômeno da vida. Por ele nos

tocamos diretamente o centro do problema que nos ocupa: o comportamento psicomotor das crianças, na aprendizagem de um comportamento que deve mostrar-se idêntico ao seguinte. Isso graças à facilidade do ritmo que a criança pode representar essa sucessão de gestos, prevê-los, executá-los com uma precisão cada vez melhor. [...] tudo se desenvolve através de um ritmo particular, ele encontra aplicabilidade na ciência e na arte, toda manifestação humana tem um ritmo próprio, assim entre o corpo e a música há um elemento em comum, que é o movimento. p. 6.

Alunos matriculados no ensino funtamental

Alunos matriculados em atividades extra-escolares

Figura acima: [4] Relação entre alunos matriculados nas escolas e alunos matriculados em atividades extra-escolares Ao lado: [5] Apresentação dos alunos da Camerata de Violões de Barro Alto no Teatro Veiga Valle em Goiânia, foto do autor

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2. Cultura e Educação MÚSICA E CORPO

Num sentido amplo, o ritmo pode ser denido como a estruturação de durações sonoras. Sua função na música, como na dança ou na poesia, é expressar a energia por meio de acentuações e de alternância de tempos fortes e fracos. Acredita-se que uma criança com uma boa percepção e assimilação do ritmo conseguiria xar de melhor forma uma determinada habilidade, considerando que ele pode ordenar o sistema muscular e a percepção de intensidade. No tocante, à aprendizagem perceptivo-motora, esta correlaciona à percepção espacial e temporal, a criança aumenta o conhecimento em relação ao mundo que o rodeia, assim ela poderá desenvolver sua consciência corporal, temporal e espacial através de atividades que fomentem a sincronia, o ritmo e a sequência de movimentos. Todos esses elementos são encontrados na música, arte do tempo e da contínua recriação. A música e a dança marcam uma expressão física e sonora com movimentos sucessivos no tempo ao mesmo tempo em

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que ocupam um espaço de tangibilidade temporária. A utilização da música pode ser feitora para motivar e também para efetuar atividades de relaxamento, com músicas mais lentas de ritmo regular, sem mudanças bruscas e melodias uentes, tal fato relacionado à organização do cérebro na frequência cardíaca quanto dos hormônios produtores de stress, esta diminuição levaria ao indivíduo mais perto do estado de repouso que certamente facilitaria o relaxamento. Durmeval Triangueiro Mendes (1967) complementa esta discussão quando debate sistemas de ensino complementar onde seu objetivo, desde o início, seja o desejo de abrir questões, e não fechá-las, admitir alternativas, e não reivindicar soluções parecidas, podendo assim ter os esperados efeitos da aprendizagem fertilizada pela experiência sensorial, o contato com a matéria, o uso das mãos e de todo o corpo; uma aprendizagem que desenvolva o sentido do concreto, a subjetividade e a precisão, ao lado de certas capacidades plásticas e estéticas.


Abaixo: [6] Apresentação da Batuqueira, projeto da APAC, no desle de 7 de Setembro na cidade de Goianésia - Go. Foto disponibilizada pela associação em redes sociais.

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3. A APAC

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A Associação dos Parceiros da Arte Cultural de Barro Alto (APAC) surgiu em 2006 como uma iniciativa para um projeto de atividade culturais para crianças e adolescentes, fomentando sua ocupação durante o contra turno escolar. Teve seu nascimento incentivado pelo investimento da Mineradora que estava então chegando a cidade. O projeto visava inicialmente desenvolver o trabalho musical nos seus alunos, e com o tempo seu público cresceu e com ele sua oferta diversicada de práticas como dança, artesanato e atividades esportivas e de inclusão social. Sempre em contato direto com as escolas municipais, a administração da APAC junto a seu departamento de acompanhamento social recebe bimestralmente um relatório sobre o desempenho de cada aluno em relação a notas, comportamento e


interação social, atuando com as famílias de acordo com sua necessidade. Atualmente, oferece cursos gratuitos de artesanato, dança, percussão, violão, viola, balé e desenvolve também o projeto Bola na Rede, com práticas esportivas de futebol, vôlei e basquete (oferecido também para cadeirantes). No quesito de inclusão social de usuários com deciência física ou motora, são oferecidas vagas ilimitadas e acompanhamento necessário. A faixa etária dos alunos varia de 8 a 18 anos, mas a proposta futura é que o ingresso seja feito ainda mais cedo, visando acompanhar o desenvolvimento da criança. Todo ano a APAC promove o Festival de Artes Integradas, apresentado de forma gratuita ao público como forma de retribuição à cidade, onde abre espaço

para grupos e entidades externas, criando conexões culturais entre Barro Alto e outras Cidades.

Abaixo: [7] Registros fotográcos dos Festivais de Artes e apresentações em outras cidades. Fotos disponibilizadas pela associação em redes sociais.

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3. A APAC

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Desde seu surgimento, a APAC faz suas instalações em edicações alugadas, geralmente residências que são adaptadas ao seu programa. Isso faz com que trabalhem em ambientes que não têm suporte suciente para suas práticas, como salas com isolamento acústico, espaço de exercícios e movimentos, depósito de materiais com boa ventilação e salas com plena acessibilidade física. Outro fator que limita sua plena capacidade é a ausência de incentivo nanceiro para manter professores atuantes, o que reduz o número de alunos matriculados. A atual presidente relata que a demanda de alunos é grande, assim como a la de espera. Surge então a necessidade de uma nova sede que seja capaz de suprir as necessidades administrativas e educativas da associação, ao mesmo tempo que oferte mais ensino e atração como retorno à cidade.


À esquerda: [8] Fachada da atual sede da associação. Ao lado, de cima pra baixo: [9] Garagem adaptada para aulas de balé; [10] Materiais de percussão empilhados no salão de aulas, uma sala comercial adaptada; [11] Depósito fechado de instrumentos musicais. Fotos do autor.

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4. Sobre o Lugar LOCALIZAÇÃO E EXPANSÃO

Localizada a norte da microrregião do Vale do São Patrício, Barro Alto surge entre a paisagem serrana como uma cidade interiorana com seus 10.435 habitantes (IBGE - 2017). Fundada em 1958 a partir de um território ainda rural desmembrado da cidade de Pirenópolis, a cidade teve seu desenvolvimento através da exploração econômica da mineração e agricultura, fazendo parte dos eixos de expansão rodoviária que conectaram as pequenas cidades da região. No documentário ‘’Patrimônio Cultural de Barro Alto GO’’, 2011, produzido por moradores locais em parceria com a empresa Anglo American, é relatada a história da cidade por aqueles que presenciaram sua fundação, a relação com as rodovias, culturas rurais e religiosas, que zeram parte da sua consolidação. Sua posição se dá no ponto de encontro entre a

DF

distritos mineradora pavimentada não pavimentada

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2008

1970

1954 Aglomeração inicial. Caráter ainda rural.

Primeiros bairros. Planos de urbanização.

2018

município, fator este que também incentivou o adensamento urbano. Sua expansão geográca, além de denida pelos eixos rodoviários, apresenta um crescimento territorial dirigido, descontínuo e fragmentado, onde o tecido urbano coexiste com zonas de agricultura ou aberturas naturais e rurais. Pólos de crescimento e adensamento são desenvolvidos dentro de cada aglomeração, limitados por barreiras naturais, como a topograa (devido à região serrana do vale, a cidade se limita ao pé de grandes elevações de terra, que criam uma paisagem de fundo natural para um horizonte urbano) ou leitos d’água (córrego Barro Alto e Córrego Extrema), ou por limites de propriedades rurais (Panerai, 2006I). A cidade apresenta uma ocupação territorial de aproximadamente 0,1 % do limite municipal total, com área de 1.093,248 km².

rodovia federal BR 080 e da rodovia estadual GO 080, que conectam a cidade de Barro Alto às regiões metropolitanas de Goiânia, Anápolis, Brasília e norte do estado. Faz fronteira com os municípios de Niquelândia, Goianésia, Santa Rita do Novo Destino e Vila Propício. A cidade possui dois distritos, Santo Antônio da Laguna ao norte e Souzalândia ao sul, que se desenvolveram às margens das rodovias, onde uma delas ainda se encontra sem pavimentação. 60 anos depois de sua emancipação, sua principal economia ainda se baseia em agricultura e mineração, onde a implantação da Mineradora Anglo American em 2008 contribuiu para a cidade com a grande oferta de empregos, investimento na melhoria do espaço público e patrocínio a projetos sociais de inclusão, capacitação e aprendizagem, elevando o PIB e a renda per capita do

Construção do lago. Área de intervenção.

Situação atual. Bairros em expansão.

Figura acima: [12] Crescimento territorial. Ao lado: [13] Localização geográca e [14] relação entre cidade, distritos e mineradora.

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4. Sobre o Lugar ESTRUTURA E OCUPAÇÃO

Exemplo 01.

Exemplo 02.

Exemplo 03.

Exemplo 04.

Figura acima: [15] Exemplos de ocupações urbanas.

Barro Alto é estruturado tanto pelas rodovias quanto pelos seu traçado urbano. Suas principais ruas são a Avenida Goiás e a Avenida Londrina, que são o eixo de conguração principal da malha urbana do centro, onde seu cruzamento marca tanto o ponto mais alto do bairro quanto o pólo de crescimento que surge após a construção da igreja. A posição de tal símbolo religioso marca a herança colonial de ocupação e surgimento das cidades. Dessa malha surgem a Rua Josefa Nunes, a Rua 2 (uma extensão da Londrina) e a Avenida do Níquel, que conectam o centro da cidade aos outros bairros. A cidade apresenta poucas vias com canteiro central, também como a ausência de vias de sentido único. A pequena demanda faz com que possam ser divididas apenas entre vias arteriais e coletoras. Não existe demanda para transporte público, a pequena dimensão da cidade permite transições sem o uso de modais motorizados. Por outro lado, tem-se a presença de mobiliário urbano referentes a transportes coletivos, que utilizam meios públicos ou tercerizados a ns prossionais (funcionários da mineradora) ou educacionais (estudantes matriculados em universidades ou colégios externos). Percebe-se uniformidade no traçado, sempre baseado no tabuleiro em recorrência na época de 40. O centro, sendo o bairro mais antigo e originário da cidade, apresenta malha regular ortogonal, com densidade ocupacional alta, em comparação com as outras três regiões, com traçado retangular mais longitudinal e densidade ocupacional baixa. Grande parte dessas ocupações expressa a preferência dos cidadãos de posicionarem as residências no limite do recuo frontal, permitindo um espaço livre de lazer ao fundo com a presença regular de alpendres e espaços de socialização. Essa conguração resulta em quadras com vazios internos, algo que relembra o plano de Cerdá para Barcelona, em uma escala menor e menos integrativa. Os recortes ao lado mostram que o adensamento da cidade acontece de forma rarefeita em determinados pontos (como exemplo 01), e este dado torna possível a realocação de moradias em caso de necessidade.

22 Ao lado: [16] Mapa de estrutura viária e ocupação urbana, com destaque a área de intervenção.


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Rua Josefa Nunes / GO 080

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4. Sobre o Lugar ESPAÇOS PÚBLICOS E FESTIVIDADES

O espaço público oferecido pela cidade se torna precário ao se manifestar prioritariamente por sobras de parcelamentos urbanos, e não como planejamento do espaço público. Tendo Silvio de Macedo (1995), como base para o estudo do espaço público, percebe-se que na cidade as praças se tornam apenas transições para edifícios importantes, de cunho político ou religioso, e não prezam em sua existência pelo lazer e uso diário dos moradores. É no espaço público da cidade interiorana que se expressam as diferentes manifestações culturais locais, através de eventos que promovem o encontro e a troca de diversidades artísticas. As festas tradicionais produzem uma identidade, constroem sociabilidade, misturam fé e cultura popular. Carmem Lúcia Costa (2008) arma que é possível fazer uma leitura do espaço urbanizado a partir das práticas festivas. Agregar valor a uma prática cultural a torna matéria-prima para a indústria do turismo. As festas culturais, no contexto das representações, assume um papel importante, pois seu caráter tanto material quanto simbólico contribui para

que ela assuma a função de produtora de uma identidade da cidade. Carmem completa: A promoção de uma prática como atração turística de retorno econômico municipal serve de incentivo ao crescimento do número de moradores praticantes. A multidimensionalidade da festa é um elemento responsável para a sua continuidade. p. 3.

O terreno escolhido serve de palco para grande parte das manifestações expressas na cidade em estudo. A importância desse espaço público afeta tanto no cotidiano e lazer dos cidadãos quanto no incentivo a realização de eventos de cunho artístico ou festivo que promovem interação e descontração aos usuários. A área em si é maior que a soma de todas as outras áreas públicas municipais, também por apresentar um caráter ambiental mais rico e diversicado. Se localiza em uma área conectora da cidade, sendo a integração física dos 3 primeiros bairros a serem urbanizadas na cidade.

24 Ao lado: [17] Mapa de espaços públicos, com destaque a àrea de intervenção.


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4. Sobre o Lugar ÁREA DE INTERVENÇÃO

ÁRE ÁRE A 4 ÁRE A 3 ÁRE A 2 A1 Figura acima: [18] Proporção espacial entre as sub-áreas.

A área escolhida contempla duas áreas públicas pré-existentes, sendo O Lago Serra do Níquel (1) e a Praça dos Amigos (2), junto a uma quadra subutilizada (3) presente entre os dois espaços, com uma pequena parcela de área ocupada por residências (4) que serão realocadas para uma melhor integração dos terrenos escolhidos, criando assim uma unidade. Essa região ca na parte mais baixa da cidade, sendo a maior parcela de área pública ofertada pelo município, estando entre um ponto de conexão entre os três bairros mais antigos da cidade. Pela sua altimetria em soma à apropriação topográca da cidade, todo seu entorno é marcado pela moldura serrana em segundo plano, com áreas vizinhas alternando em regiões ocupadas e regiões livres, o que permite uma diferenciação de paisagem de acordo com o seu posicionamento. O acesso a essa região se dá de fácil modo tanto em modais de trânsito quanto a pedestres, por estar diretamente conectada tanto a vias arteriais quanto a vias coletoras e locais. O uso do solo do seu entorno imediato mantém seu caráter frequente na cidade de maior incidência de residências coma presença de edicações mistas de residencial e comercial. O Plano Diretor da cidade dene essa área como pertencente à Macrozona de Recuperação e Proteção Ambiental, marcada pelas margens do lago e pelos trechos hídricos que cortam a cidade. Dene também que nas áreas adequadas, como as margens do Lago do Níquel, do Córrego Barro Alto e Ribeirão Extrema, seja viabilizado além da recuperação, áreas destinadas ao lazer, e outras atividades que não agridam o patrimônio ambiental, que podem ocupar até 10%, tendo 90% de área permeável. A área 3 está sob legislação da Macrozona de Centralidade Econômica, com recuo obrigatório frontal de 5 metros, lateral de 2 e posterior de 0 metro, permitindo uma ocupação máxima edicada de até 70% do terreno total. A quadra é loteada e será feito remembramento.

26 Ao lado: [19] Mapa da área de intervenção, com divisão das sub-áreas.


Rua Josefa Nunes / GO 080

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4. Sobre o Lugar ÁREA 1, O LAGO Área total = 84.564 m²

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A maior área sendo o espaço relacionado ao lago oferece uso a diferentes necessidades, sendo a área mais utilizada da cidade para eventos esporádicos que necessitam de montagem de palco, grandes espaços festivos e estacionamento. Essa região foi concebida após a instalação da mineradora e recebe o nome de Lago Serra do Níquel, em homenagem ao material extraído. Em todo o perímetro do lago (930 metros) há uma pista que permite caminhadas e ciclismo, mas que apresenta falhas em sua manutenção, falta de pavimentação e acessibilidade. Foram percebidos usuários diversos nesta área, principalmente ao anoitecer, utilizando as margens como áreas de socialização, alimentação, pesca, usualmente com animais de estimação ou fazendo caminhadas.


Todo o perímetro do lago oferece diferentes perspectivas da paisagem urbana emoldurada pela geograa serrana, que não é bloqueada pelo conjunto de edicações do entorno que tem incidência máxima de 1 a 2 pavimentos. Alguns problemas encontrados são a falta de equipamentos urbanos como lixeiras sucientes por todo o perímetro e iluminação pública precária, que se torna elemento de afastamento de usuários. As duas pontes marcam a entrada e a saída do leito d’água no lago e acabam por se tornar obstáculos, e não continuidades do passeio, onde o bloqueio intencional de veículos ou a elevação para a criação de um pequeno mirante se tornam limites físicos para portadores de necessidades especiais, impedindo assim o total aproveitamento da área por determinados grupos sociais, perdendo o caráter democrático do espaço público em questão.

À esquerda: [20] Lago Serra do Níquel com paisagem serrana ao fundo. À direita, de cima pra baixo: [21] Lixeira de coleta seletiva presente na orla do lago; [22] Ponte sobre o Ribeirão Extrema; [23] Ponte elevada sobre o Córrego Barro Alto. Fotos do autor.

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4. Sobre o Lugar ÁREA 2 E 4, A PRAÇA DOS AMIGOS Área total = 34.320 m²

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Na Praça dos Amigos tem-se a presença do ginásio de esportes José Ribeiro de Brito, no modelo de ginásios estaduais, uma academia ao ar livre, playground, banheiros públicos, campo de futebol e um pequena lagoa. Seu espaço aberto apresenta problemáticas em seu desenho por incentivar apenas a passagem e não sua permanência, tornando assim este espaço apenas transitório em sua maior parte. Uma das vantagens desta área é a presença de vegetação densa em diferentes pontos, onde serve também para delimitar o traçado dos passeios e os usos dos espaços gramados. Os usuários percebidos são em sua maioria, desconsiderando os apenas em transição, pessoas buscando algum tipo de atividade física, tanto as oferecidas no ginásio e no campo quanto na academia e nas pistas de caminhada, utilizados por escolas para


aulas de educação física. Logo se nota a presença escassa de usuários contemplativos e de estar, que utilizam do equipamento do playground e dos grandes espaços gramados. Alguns equipamentos como o banheiro público e pontuais bebedouros não estão em funcionamento devido à sua depredação. Moradores locais relatam o descaso administrativo na manutenção da praça, tanto quanto o desprezo dos usuários quanto ao pertencimento daquele espaço público como seu. Todo o seu entorno é marcado predominantemente por edicações residenciais e de uso misto, onde a praça se torna uma extensão do quintal particular, e isto se torna seu maior potencial por ter esse caráter íntimo de cada residência circundante.

Da esquerda pra direita: [24] Praça dos Amigos mostrando a lagoa e o Ginásio ao fundo; [25] Ginásio de Esporte José Ribeiro de Brito. Fotos do autor.

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4. Sobre o Lugar ÁREA 3, O TERRENO Área total = 6.000 m²

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A quadra subutilizada presente tem 6.000 m² e apresenta potencialidade de receber o edifício proposto sem a perda da vegetação existente nos espaços restantes de toda a área (não há vegetação interna), traçando uma transição entre as paisagens. Utilizada somente como espaço alugado para estacionamento dos ônibus de uma empresa terceirizada, sujeita-se a sua apropriação pelo órgão governamental para integralização da área desejada. O terreno apresenta um grande potencial na relação direta com o lago, com caimento interno de 5 metros. Sua insolação de maior intensidade é recebida a oeste durante o período da tarde, na mesma face voltada para o lago (fachada A), e os ventos dominantes são recebidos pelo mesmo sentido, trazendo o frescor oferecido pelo lago. As fachadas B, C e D são voltadas a edicações de 1 pavimento.


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Figura acima: [26] Corte do terreno de implantação do edifício proposto. Acima à direita: [27] Recorte do terreno, com topograa, ruas do entorno e testada dos lotes frontais.

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5. Referências Projetuais ESCOLA DE MÚSICA TOHOGAKUEN Nikken Sekkei, Chofu, Tóquio, Japão, 2014

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A escolha deste projeto como referência projetual foi decidida pela sua valorização empregada no tratamento e organização dos ambientes internos da escola de música. Este projeto foi feito para uma Escola de Música num entorno suburbano típico de Tóquio. Através da exploração dos espaços internos, criouse um lugar apropriado para aprendizagem da música distante do estilo de uma escola tradicional. Foi valorizada a necessidade de contato visual entre os diferentes usuários do espaço. As salas de aula e a circulação podem ser utilizados como espaços de ensaios musicais, assim como para manter a independência acústica. Além disso, a abertura do edifício, que normalmente tende a isolar do exterior, busca atrair mais


vitalidade para contribuir com a formação dos estudantes. As aberturas nas esquinas das salas de aula contribuem com a criação de uma paisagem contínua unicada com corredores visuais, com a utilização de paredes translúcidas. Volumetricamente, o edifício é formado por blocos de disposição dinâmica, e essa modulação é rebatida também nos seus espaços internos. Da esquerda pra direita: [28] Fachada e entrada da edicação; [29] Exemplo de espaço de conexão. [30] Relação visual entre espaços de ensino e de convívio. Fotos: Archdaily.

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5. Referências Projetuais ESCOLA DE MÚSICA TOHOGAKUEN Nikken Sekkei, Chofu, Tóquio, Japão, 2014

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O edifício utiliza a sua paisagem externa como elemento participante da sua modulação, trazendo para dentro do edifício o seu espaço exterior de forma íntima, onde aberturas internas são utilizadas para a iluminação natural, criando ambientes de descontração, descanso e transição. Essas aberturas podem servir tanto a uma questão funcional quanto estética, e otimizam também a interação entre os espaços internos ao se tornar um espaço de transição opcional entre os ambientes.


Da esquerda pra direita: [31] Exemplo de abertura interna; [32] Corte com indicação de iluminação natural. Acima: [33] Planta do pavimento superior com indicação das aberturas. Fotos e imagens: Archdaily.

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5. Referências Projetuais THERMAL BATHS Peter Zumthor, Vals, Suíça, 1996

38

Este exemplo foi retirado do livro Arquitetura Sensorial, decidido de acordo com a escolha e aplicação de materias, utilizando-os como ato identicatório da construção que remete tanto a história quanto a sensibilidade. Construído sobre as únicas fontes termais do Cantão de Grisões, Suíza, as Termas de Vals é um hotel e spa onde se combina uma completa experiência sensorial. A idéia foi criar uma forma de caverna ou pedreira, como estrutura. Trabalhando com o entorno natural, as saunas situam-se abaixo de um teto verde, metade enterrado na encosta. As Termas de Vals está construída apartir de camadas sobre camadas de quartzito de Vals, encontrados na região. Essa pedra tornou-se a inspiração guia para o projeto e foi usada com dignidade e respeito.


“Montanha, pedra, água -construindo na pedra, construindo com a pedra, dentro da montanha, brotando da montanha, pertencendo à montanha-, como as implicações e a sensualidade das associações entre essas palavras podem ser interpretadas, arquitetonicamente?” Peter Zumthor

. Da esquerda pra direita: [34] Escadaria de acesso a piscina externa; [35] Meandros sensoriais. [36] Relação visual entre espaços de ensino e de convívio. Fotos: Archdaily.

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5. Referências Projetuais THERMAL BATHS Peter Zumthor, Vals, Suíça, 1996

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As combinações de luz e sombra, espaços abertos e fechados, e elementos lineares criam uma experiência integralmente sensitiva e restauradora. A distribuição informal oculta dos espaços internos é um cuidadoso caminho de circulações que levam os visitantes a certos pontos pre-determinados, mas permite a exploração de outras áreas. A perspectiva é sempre controlada, garantindo ou impedindo uma vista.


Acima: [37] Plantas baixas. Da esquerda pra direita: [38] Exemplo de iluminação interna natural com relação a textura de materiais; [39] Corte do terreno mostrando edicação. Fotos e imagens: Archdaily.

41


5. Referências Projetuais REURBANIZAÇÃO DA ORLA DO LAGO PAPROCANY RS+, Tychy, Polônia, 2014

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O lago Propacany é o lugar onde os habitantes de Tychy com frequência passam seu tempo livre. Nos arredores do passeio marítimo há um centro de lazer com várias atrações recreativas e desportivas. A remodelação da zona recreativa no lago é outro projeto que se centrou na exposição dos valores da paisagem e na expansão da oferta recreativa para os residentes da cidade. O conceito baseia-se no passeio de madeira localizado ao longo da margem que é alternadamente sinuoso para o lago e de volta para a terra. Isso permite uma percepção diferente do espaço a partir de vários pontos da via. Neste passeio há uma abertura com uma rede esticada sobre a água e bancos concebidos especialmente para o local, que podem ser usados como arquibancadas para as competições desportivas de água, organizadas no lago. Além disso, há uma nova praia de


areia e academia ao ar livre. O objetivo principal na escolha de materiais era enaltecer o caráter da área mediante o uso de materiais naturais. Parte das construções foram cobertas de forma especial com terra e receberam um gramado. Nas áreas do passeio utilizou-se madeira e as partes que estão sobre o lago foram construídas com vigas de aço sobre pilotis de concreto armado ancorados no fundo do lago. Outras zonas, como bicicletários e lugares sob os equipamentos da academia, foram feitas com superfícies totalmente permeáveis à água. O terreno está iluminado unicamente por luzes LED de baixo consumo. O terreno possui aproximadamente dois hectares e a orla possui um perímetro de aproximadamente 400 m. Antes do investimento era apenas um gramado à beira da estrada, apesar dos valores paisagísticos, estava em

desuso, exceto por pescadores. Nas primeiras semanas após a abertura, apesar do clima desfavorável, o passeio se tornou um local frequentemente visitado. Se converteu rapidamente num espaço público e novo ponto de encontro. Durante o dia, o espaço é um lugar para famílias e à noite é frequentado por casais ou para contemplação.

Abaixo: [40] Diferentes ambientações criadas pela implantação do deck. Fotos: Archdaily.

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5. Referências Projetuais REURBANIZAÇÃO DA ORLA DO LAGO PAPROCANY RS+, Tychy, Polônia, 2014

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O terreno possui aproximadamente dois hectares e a orla possui um perímetro de aproximadamente 400 m. Antes do investimento era apenas um gramado à beira da estrada, apesar dos valores paisagísticos, estava em desuso, exceto por pescadores. Nas primeiras semanas após a abertura, apesar do clima desfavorável, o passeio se tornou um local frequentemente visitado. Se converteu rapidamente num espaço público e novo ponto de encontro. Durante o dia, o espaço é um lugar para famílias e à noite é frequentado por casais ou para contemplação. O projeto utiliza de elementos compositivos como denidores do passeio, utilizando a repetição de balizantes que funcionam como bloqueio físico para modais de transporte motorizados, incentivando o percorrer do pedestre.


À esquerda: [41] Corte mostrando relação do deck com o lago. Abaixo: [42] Implantação do projeto na orla; [43] Foto do lago com modelagem em repetição denidora de limites físicos. Fotos: Archdaily.

44


Palco Auditório Camarins Suporte Técnico Sanitários Foyer

Figura acima: [44] Programa de necessidades.

6 8 6 12 20 2 12 2

75 440 75 20 25 120

46 Ao lado: [45] Proposta projetual: Escola de Música da APAC.

Ensino

Administração

Coordenadoria Secretaria Assistência Social Sala dos Professores Sala de Reuniões DML Copa/Cantina Sanitários

Apresentação

PROGAMA, DIRETRIZES E CONCEITO

Sala de Dança Sala de Cordas Sala de Sopro Sala do Piano Sala de Vídeo Depósito de instrumentos Sala de artesanato Biblioteca Acervo Sala bibliotecária Leitura Sanitários

60 32 32 15 30 15 15 30 14 6 20 18 18

Esp. P.

6. Proposta Projetual

Pa r t i n d o d e s t e exe m p l o s e d o s e s p a ç o s demandados pela APAC, têm-se o programa de necessidades básico apresentado abaixo, que divide em três grandes setores: Administração, Ensino e Apresentação, elaborado de forma a aumentar a oferta de atividades oferecidas pela associação, otimizar a funcionalidade dos serviços administrativos e intensicar o retorno cultural destes aprendizados à população barroaltense. A intenção principal para o projeto da nova escola de música da APAC é criar espaços onde ensino e prática sejam intensicados pelo convívio entre os alunos e pela exploração da paisagem em diferentes dimensões. O projeto busca apresentar diferentes perspectivas do seu entorno, e através da sua forma expressa de diferentes maneiras sua conexão com o espaço.

Deck e Circuito Banheiro público

90 40


47


6. Proposta Projetual VOLUMETRIA - ESPAÇOS INTERNOS

48

A volumetria inicial do edifício utiliza do espaço construível permitido pela legislação, fazendo a extrusão desse plano e depois sua duplicação para contemplar toda a área demandada pelo programa. No bloco superior, faz-se a subtração de um terço do seu volume para criar um eixo de ventilação natural e abrir a vista central do edifício tanto para a paisagem das casas do seu entorno quanto para a paisagem ambiental do lago e de sua orla. A abertura para essa ventilação natural traz para dentro do edifício o frescor do lago e de sua vegetação nas margens. Pela subtração, são dispostas duas fendas laterais nos blocos superiores para o aproveitamento da iluminação natural, através de espaços abertos conectores de ambientes, planejados de forma a trazer características visuais naturais para espaços fechados. Os usos são divididos de acordo com a demanda de atividades em relação com a frequência de uso. São colocados nos blocos superiores os usos de administração e ensino, e no bloco inferior será colocado o espaço de apresentação, que estará semi-enterrado propondo a imersão visual durante seu uso, dando foco às atrações exibidas. O acesso se dá pelo nível das atividades de ensino e administração, numa extensão da laje que servirá de elemento visual ao lado da cobertura. A circulação interna entre os blocos se dá pelo pátio central, que se torna um espaço de convivência que possibilita a prática de atividades de interação entre os alunos. A forma permite visuais tanto da cidade quanto do ambiente natural. Há espaços onde a vista é aberta e contemplativa, e espaços onde a paisagem é moldurada pelo edifício, olhando de dentro pra fora e também do nível da cidade ao nível do lago, pois essa abertura central promove ao edifício uma diminuição no seu bloqueio visual, dando valor ao seu entorno em diferentes escalas e percepções, tanto internas quanto externas.


Figuras acima: [46] Diagramas de conceito.

49


6. Proposta Projetual VOLUMETRIA - COBERTURA

A inspiração da cobertura parte da criação de um cata-vento, da mesma forma que a área de intervenção funciona como o centro de um, sendo o eixo principal enquanto as aglomerações urbanas são suas hélices, através de dobraduras e modelações que transformam em uma silhueta formal que soluciona visual e funcionalmente diferentes pontos da edicação. A partir de um eixo central, a dobradura das diagonais cria diferentes coberturas e ambientações, que junto a forma anterior, otimiza a circulação alternada entre espaços cobertos e descobertos, e torna-se moldura para o lago. Pelo lado funcional, a inclinação já se encarrega do escoamento de águas pluviais, onde também há um rebatimento das aberturas laterais destinadas à iluminação natural. A cobertura se torna elemento que faz parte do conceito de diminuição do bloqueio visual da cidade para o lago, onde torna-se moldura da paisagem, denidora de ambientes e elemento plástico protagonista da composição. Figuras acima: [47] Modelagem da cobertura.

50 Ao lado: [48] Relação da cobertura com diretrizes e paisagens.


51


6. Proposta Projetual IMPLANTAÇÃO

52

A implantação do edifício ocorre no lado mais alto do terreno, e seu acesso se localiza ao nível da rua Procópio de Barros, direto no térreo. O volume foi rotacionado a m de direcionar suas aberturas principais a um eixo visual entre a cidade e o Lago, tornando assim seu impacto na paisagem menos agressivo. Essa rotação também soluciona casos de iluminação ao colocar as fendas laterais na direção de uma insolação adequada. O edifício semi-enterrado se torna um elemento da paisagem dentro do espaço público, mantendo o gabarito das edicações vizinhas, respeitando a altura máxima de 6 metros ao nível da rua.


La

gu

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Figura acima: [49] Corte esquemático com implantação, iluminação e ventilação natural. Acima à direita: [50] Implantação.

53


6. Proposta Projetual MATERIALIDADE

54 Figura acima: [51] Exemplos dos materiais aplicados.

A decisão dos materiais procura expressar um caráter mais regional ao usar matérias-primas extraídas no território da cidade. Em Barro Alto, há a extração de pedras que são utilizadas como revestimento externos de algumas edicações, seus tons variam de creme a branco acinzentado. O uso desse mesmo material em diferentes formas e texturas cria uma noção de unidade ao mesmo tempo que dene uso e caráter de um espaço. Ao utilizar texturas ásperas na vedação externa e lisa nas partes internas, se dá ao material a relação entre dentro e fora, fazendo com que ao utilizar o material liso em áreas descobertas ainda dê ao espaço uma caracterização de pertencente ao edifício. O uso do vidro para a criação de transparência


entre ambientes internos e ambientes de transição permitem tanto o uso da iluminação natural quanto tiram a sensação de connamento, incentivando o pensamento artístico do aluno, permitindo contato visual. Outro material extraído na cidade é o metal latão, que após seu processamento pode ser utilizado na criação de metais de instalações hidro-sanitárias, elétricos, mobiliários, revestimentos, acabamentos e elementos decorativos, e será utilizado na sua cor pura de tons que vão do bronze ao dourado. As caixas onde estão os usos de administração e ensino utilização de revestimentos de madeira. O projeto busca utilizar materiais em tons naturais, diversicando sua aplicação em relação aos ambientes, recursos de contenção sonora e comportamento de interação com a luz natural.

Assim, os materias utilizados não se limitam ao físico imediato. a Luz, o lago, os sons e a temperatura fazem parte da composição de uma atmosfera em si, onde as diferentes percepções dos diferentes ambientes e usos criam diferentes formas de se interagir com o espaço da arquitetura e do seu entorno.

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6. Proposta Projetual PLANTAS ESQUEMÁTICAS 19

2 1

16

3 4

5

19

12 13 14

7

6

18

17 15

8

9

11

10

Térreo. 19

56

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Sala de dança Depósito de instrumentos Sala do piano Sala de artesanato Sala de sopro Sala de cordas Sala de vídeo Biblioteca Acervo Sala bibliotecária

11 12 13 14 15 16 17 18 19

Leitura Secretaria Coordenadoria Sala psicóloga Sala dos professores Apoio Cantina Refeitório Espaços de convivência

N


A decisão pela estrutura metálica prioritariamente periférica consegue reproduzir um rebatimento nos dois pavimentos, onde possibilita a criação do vão necessário para o auditório. O lançamento da estrutura é denido pelos ambientes do pavimento inferior e rebatido no superior, onde procura se manter interna apenas nos blocos laterais, garantindo o vão dos pátios internos do térreo e segurando a cobertura.

1

3

4

5

6

N

2

Subsolo. 1 2 3 4 5 6

Foyer Sanitários Suporte técnico Auditório Palco Camarins

57


6. Proposta Projetual ESPAÇOS PÚBLICOS

58

Os decks serão colocados na margem oposta ao pôr-do-sol. Durante as visitas de campo, sempre se notou a presenta de moradores locais sentados nessas margens. Esse posicionamento oposto também a área principal de estacionamento incentiva a circulação de pedestres em toda área, onde o deck se torna atrativo visual e contemplativo da cidade e de sua paisagem moldurada pela paisagem serrana. As duas pontes presentes serão trocadas para otimizar a acessibilidade desse espaço, sendo substituídas por elementos que se expressem como uma extensão do passeio, e não uma interrupção. No perímetro do lago, será feita a pavimentação de um circuito de caminhada, que faz jogo de interação com o lago revezando sua margem com os deques implantados. Toda a iluminação da orla será feita em integração ao mobiliário implantado, com pontos elevados e balizantes, de acordo com a necessidade de conforto intencionado. Na Praça dos Amigos, propõe-se um novo traçado que se integre ao traçado das outras áreas, conectando todos os edifícios e equipamentos do local. Busca-se também um passeio que implique em inclinações mais suaves, que além de dar mais acessibilidade, permite uma fácil apreciação de toda a paisagem. Propõe-se também a retirada do atual banheiro público para a criação de um anexo ao Ginásio de Esportes, que servirá de banheiros e suporte à praça. Todo o projeto busca a mínima intervenção na vegetação existente. Todos os edifícios serão implantados em áreas que já estão abertas. Assim, todo esse espaço público ofertaria descanso, contemplação, lazer e atividades físicas. A Implantação da escola de música busca deixar clara sua presença como parte do circuito do parque, evitando se isolar através de muros.


N

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Referências

HERTZBERGER, Herman. Lições de Arquitetura. Martins Editora, São Paulo, 1999. MACEDO, Silvio Soares. Espaços Livres. Editora da USP, São Paulo, 1995. NEVES, Juliana Duarte. Arquitetura Sensorial: A Arte de Projetar Para Todos os Sentidos. Mauad X, Rio de Janeiro, 2017. PANERAI, Philippe . Análise Urbana. Tradução de Francisco Leitão. Editora da Universidade de Brasília, 2006. PINHO, Diva Benevides. A Arte Como Investimento: A Dimensão Econômica Da Pintura. Nobel: Editora da Universidade de São Paulo, 1988. Artigos CORDERO, Osvaldo Homero Garcia. A Música, o Ritmo e a Educação Física. Revista Cientíca da Faculdade de Educação e Meio Ambiente 5(2): 173-186, jul.-dez., 2014. COSTA, Carmen Lúcia. As Festas e o Processo de Modernização do Território Goiano. R. RA'E GA, Curitiba, n. 16, p. 65-71, 2008. Editora UFPR. MENDES, Durmeval Trigueiro. Educação Complementar: Análise da Experiência. Trabalho apresentado à III Conferência Nacional de Educação. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, v. 47, n. 106, p. 219225, abr./jun. 1967. Documentários ANGLO AMERICAN + ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DA CULTURA. Camerata de Violões de Barro Alto. Disponível

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em: <https://www.youtube.com/watch?v=LoIXVUKoNJg> Acesso em 25 fev. 2018. ANGLO AMERICAN + AMBIÊNCIA CONSULTORIA. Patrimônio Cultural de Barro Alto - Go. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=xbE438psGI4> Acesso em 4 mai. 2018. Documentos Lei 1.005-11 que dispõe sobre o Código de Obras e Edicações do Municipio de Barro Alto, Estado de Goiás e dá outras Providências. Lei 965/2010 do autógrafo de lei nº. 022/2010 que dispõe sobre o Plano Diretor e o Processo de Planejamento do Município de Barro Alto e dá outras providências.

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Escola de Música da APAC - TCC 1 - Adalberto Diniz  

Trabalho Final de graduação 1 apresentado por Adalberto Diniz no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Goiás, orienta...

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