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edição

87 Jul

Sinal de

alerta O economista Eduardo Giannetti da Fonseca diz que o atual cenário nos encaminha para uma deterioração e crise financeira

Reforma do Judiciário

Acrefi apoia o lançamento da Estratégia Nacional de Não Judicialização

Responsabilidade socioambiental deve gerar ganhos no setor financeiro


conteúdofinanceiro

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16 8 Páginas azuis

Eduardo Giannetti da Fonseca diz que o atual modelo econômico pode nos colocar em crise

16 Reforma do Judiciário Governo lança estratégia para diminuir número de processos

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18 Seminário Acrefi

Evento discute lei anticorrupção e atuação do COAF

22 Responsabilidade social Ação socioambiental no sistema financeiro

26 Perfil Grupo Stefanini 34 Painel Cetip 36 Audi do Brasil 40 MIS 44 Livros 46 Graacc 51 Broa Golf Resort 54 Casa Mathilde 56 INEPAD Artigos 24 Rosi Vuolo (Itaú Unibanco) 29 Caetano de

Vasconcellos Neto (FGC)

30 Danyelle da Silva

46

Galvão (USP) 32 Juan Perez (Boa Vista Serviços) 33 Aquiles Leonardo Diniz (Acrefi) 66 Nicola Tingas (Acrefi)

Capa: foto Mário Bock julho 2014 financeiro

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expediente ISSN 1809-8843 Publicação da Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Líbero Badaró, 425 – 28°andar – São Paulo – SP Tel: (11) 3107-7177 fax: (11) 3106-6082 – www.acrefi.org.br Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-presidentes Aquiles Leonardo Diniz, Décio Carbonari de Almeida, Élcio Antonio Azevedo, Felicitas Renner, José Luiz Acar Pedro, Leonardo Marcondes Dadalto, Luís Fernando Staub, Mauro Roberto Vasconcellos Gouvêa e Rubens Buttion Diretor Tesoureiro José Garcia Neto Diretor Secretário Renato Oliva Diretores regionais Carlos Alberto Samogim, Edmar Casalatina, Eliseu Colman, Leonardo Bortolini, Luis Eduardo da Costa Carvalho, Marcos Rosa, Paulo Dalla Nora, Paulo Henrique Pentagna Guimarães e Sebastião Cunha Diretores executivos Alexandre Teixeira, Claudio Messias Ferro, Deo Rozindo Filho, Gabriel José Gama Ferreira, Hilgo Gonçalves, João dos Santos Caritá Júnior e Ronaldo Rondinelli Montadoras Edson Froes, Edson Ueda, Eduardo Varella, Gunnar Murilo, Joelcyr Carmello e Nelson Aguiar Diretores conselheiros José Carlos Alves, Ricardo Janini e Roberto Jabali Conselho consultivo Alkindar de Toledo Ramos, Manoel de Oliveira Franco e Ricardo Malcon (membros natos); Décio Carbonari de Almeida, Flávio Antonio Meneghetti, Gilson Finkelsztain, Ilídio Gonçalves dos Santos, Luiz Tavares, Miguel José Ribeiro de Oliveira e Rogério Pinto Coelho Amato (membros) Conselho fiscal Domingos Spina e Sérgio Darcy (efetivos), Geraldo Lima Wandalsen e Marcus André de Oliveira (suplentes) Diretor-superintendente Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Controller Carlos Alberto Marcondes Machado Consultora Jurídica Lívia Esteves Economista-chefe Nicola Tingas Assessoria contábil AG Silveira Contabilidade Assessoria de imprensa Tamer Comunicação Empresarial

Av. Brigadeiro Faria Lima, 1912, cj. 12b - Jardim Paulistano - São Paulo - SP Tel.: (55.11) 3031.2388 - CEP: 01451-000 – www.tamer.com.br Publisher Sergio Tamer Redação/Editores Theo Carnier e Gilberto de Almeida Editor assistente Gustavo Girotto Repórteres Débora Dias, Evandro Ribeiro, Geyse Alencar e Liliana Liberato Fotografia Gabriel Kosman, Mario Bock e Sonia Tamer Arte Moacyr Mw e Rafael Pascoal Revisor Vicente dos Anjos Impressão Eskenazi Gráfica

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editorial

A hora do compliance social

N

ão é mais possível ignorar o compliance.

torná-lo ainda pior. Não é raro ser “cortado” por um outro motorista, ver carros

A palavra está cada vez mais presente

estacionados em locais proibidos, dificultando o tráfego, vagas destinadas a

no dia a dia das empresas, principal-

deficientes indevidamente ocupadas nos estacionamentos, o uso do acostamento

Foto: Flávio Roberto Guarnieri

mente no mercado financeiro, mas ainda requer

como pista de alta velocidade em rodovias.

explicações na maioria das vezes em que se fala

Também é comum ver motoristas parados em fila dupla, os que avan-

do assunto. O conceito é tão simples quanto impor-

çam o sinal e “fecham” o cruzamento, aqueles que consideram que o uso da

tante para toda a sociedade. Compliance, como se

seta do veículo é supérfluo... São atitudes que explicitam uma injustificável

sabe, é uma palavra da língua inglesa que deriva do

falta de respeito aos direitos dos outros cidadãos e que transformam o que

verbo “to comply”, traduzido como cumprir, execu-

já é irritante em algo insuportável.

tar – ou seja, compliance é estar em conformidade

Os idosos são outras vítimas da falta de compliance social. O desres-

e fazer cumprir normas e leis. Surgiu no mercado

peito e até a violência com que são tratados não só nas ruas mas principal-

financeiro, como um programa que estabelecia o

mente em suas casas expõe as pessoas com mais idade a situações vexa-

cumprimento de leis referentes a práticas ban-

minosas todos os dias. Sem contar que em locais que lhes são reservados

cárias, e se espalhou pelo mundo corporativo.Por

em ônibus, metrôs, e em vagas para estacionar, são ignorados como se

sua importância e abrangência, é importante que o

esse flagrante desrespeito fosse algo sem importância.

compliance se estenda para toda a sociedade, che-

Até a cidadania é vítima da falta de compliance social. Não é raro ver pesso-

gando à vida dos cidadãos. Seria o que poderíamos

as que usam de uma criatividade perniciosa para inventar desculpas para não

chamar de compliance social, ou seja, o respeito às

votar – isso depois de o Brasil ter lutado por anos para ter de volta esse direito

normas escritas e principalmente às não escritas,

básico da democracia. Outros recorrem aos despachantes para, de maneira indi-

que poderiam tornar nossa vida melhor.

reta, “furar” filas, sem pensar nos direitos dos outros cidadãos. E os cambistas

Se o conceito ganhar força, os brasileiros

proliferam na porta de estádios de futebol e em casas de shows para fornecer

passarão a respeitar o direito do próximo. Pode

ingressos a preços extorsivos para aqueles que não estão preocupados em res-

parecer corriqueiro, mas trata-se de um passo

peitar quem comprou os tíquetes regularmente.

muito importante para todos nós que vivemos no

Como se pode notar por esses exemplos, a adoção do compliance social

Brasil. Os exemplos do que essa postura significa

vai requerer tempo, porque envolve uma mudança cultural abrangente. Essa

incluem pequenas coisas do dia a dia que, soma-

realidade, no entanto, não pode induzir à postergação. Todos nós precisa-

das, significariam uma convivência mais em linha

mos (e merecemos) viver em uma sociedade melhor, em que não só nossos

com os padrões de civilidade.

direitos sejam respeitados mas também na qual respeitemos os direitos dos

Quem não se irrita, por exemplo, quando

outros. Agindo dessa forma todos sairão ganhando. O conceito de compliance

alguém “fura” uma fila, seja em um cartório, em

já demonstrou, na vida empresarial, sua importância e seu poder de provocar

uma repartição pública ou no check-in de um

guinadas em pouco tempo, que tornaram muito melhor o ambiente de negócios.

aeroporto? Não há o que justifique uma atitude

Por que não reproduzi-lo e torná-lo abrangente para toda a sociedade? f

dessas, mas infelizmente ela continua sendo mais frequente do que se deseja. É um desrespeito ao direito do próximo, algo que contraria frontalmente o compliance social. Há mais, muito mais. O trânsito talvez seja a face mais visível dessa necessidade de mudança de atitude. Como sabemos por experiência própria, o trânsito já é suficientemente difícil, mas muitos agem para

Érico Sodré Quirino Ferreira, Presidente da Acrefi julho 2014 financeiro

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nossasassociadas ACFI - Aymoré Crédito, Financiamento e Investimento S.A. Agiplan Financeira S.A. CFI Banco A.J. Renner S.A. Banco Bonsucesso S.A. Banco Bradesco Financiamentos S.A. Banco Cacique S.A. Banco Carrefour S.A. Banco Cifra S.A. Banco Citibank S.A.

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Sul Financeira S.A. - Crédito, Financiamento e Investimento

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6 financeiro julho 2014


entrevistadomês

Por Theo Carnier e Gustavo Girotto Fotos: Mário Bock

Dois pesos, uma medida Em entrevista à Financeiro, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca afirma que a repetição do atual modelo econômico pode nos colocar em crise

E

m um apartamento na Vila Madalena, bairro boêmio de São Paulo, habita Eduardo Giannetti da Fonseca, formado pela USP, com doutorado em Cambridge. Responsável pela orientação econômica do presidenciável Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva, Giannetti prevê futuros problemas, caso seja mantido o atual modelo econômico. “Estamos caminhando para uma deterioração e crise futura. Essa matriz fracassou”, asseverou. O arsenal de críticas de Giannetti vai além: “O governo Dilma deve terminar seu mandato com crescimento em torno de 2% ao ano, em média, que é um dos mais baixos da era republicana. Apenas dois governos, Floriano Peixoto e Collor de Mello, tiveram médias de crescimento inferiores”. Calmo e analítico, Giannetti é preciso em suas respostas sobre o cenário brasileiro e alerta: “Uma vez reeleita, Dilma pode dobrar o tamanho da aposta que fizeram no seu primeiro mandato. Esse segundo cenário nos encaminha rapidamente para uma crise financeira, com fuga de capital, o que vai impor outra solução e outra mudança de rota. Eu espero que o Brasil não precise chegar a isso”. Confira a entrevista: RF – Olhando em perspectiva a economia, a impressão é que os

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indicadores não andam como se gostaria: inflação alta, arrefecimento do consumo, crescimento tímido. O que o senhor acredita que precisa ser feito? Giannetti – A economia brasileira apresenta hoje um quadro muito preocupante, que é uma combinação pouco usual de baixo crescimento crônico com inflação em alta. O governo Dilma deve terminar seu mandato com crescimento em torno de 2% ao ano, em média, que é um dos mais baixos da era republicana. Apenas dois governos, Floriano Peixoto e Collor de Mello, tiveram médias de crescimento inferiores. E olha que o nosso sistema de metas já estabelece um centro muito elevado, de 4,5%, com grande tolerância, e mesmo assim a inflação persistentemente está tocando no teto – e às vezes até ultrapassando como deve ocorrer este ano – e pior, com preços represados que estão artificialmente rebaixando a taxa de inflação. Confesso que não esperava ver isso em minha vida profissional como economista brasileiro, mas infelizmente nós recaímos nesse vício de controle de preço com finalidade de política anti-inflacionária. Coisa que sabidamente não dá certo! RF – Os relatórios econômicos apontam que o País crescerá no


máximo 2% até 2015. O senhor concorda? Giannetti – Este ano vai ser menos e estou dizendo que a taxa média do mandato será em torno de 2%, talvez até um pouco menos porque em 2014 deverá ficar em torno de 1,2% ou, no máximo, 1,5%. O terceiro elemento ou componente, desse quadro preocupante, é o déficit em conta-corrente brasileiro. Nós estamos hoje com esse déficit próximo de 3,5% do PIB, o que significa que o Brasil precisa anualmente de mais de US$ 80 bilhões para fechar suas contas externas. Voltamos a ter uma posição de vulnerabilidade por que, se mudar o humor do mundo em relação ao Brasil, ou acontecer alguma outra coisa importante e os capitais não afluírem para cá, nós vamos ter um constrangimento de déficit em conta-corrente que deverá ser financiado com as reservas.

RF – O que isso significa, na prática? Giannetti – O curioso é que essas três

acompanha mais os temas econômicos. A percepção é que essa reversão, com fundamentos reais, já está cristalizada.Mas para o conjunto do eleitorado brasileiro, no entanto, eu acho que ainda não chegaram a extensão e a gravidade dessa situação. Entendo que o desemprego é uma questão de tempo para começar a subir porque, com esse quadro, especialmente de recessão na indústria, as demissões são inevitáveis.

RF – Isso caso não ocorra uma mudança de modelo?

Giannetti – Sim, mas este ano já deve ter algum efeito, porque a situação na indústria brasileira está muito séria.

“Dilma deve terminar seu mandato com crescimento em torno de 2% ao ano, em média, que é um dos mais baixos da era republicana”

coisas não costumam andar juntas. Se você está com crescimento tão baixo, a inflação deveria estar comportada. Se você tem déficit em conta-corrente tão elevado – deveria estar crescendo bastante – isso é um investimento a mais que o Brasil poderia fazer. É uma poupança externa que o Brasil está recebendo do resto do mundo, e que deveria se somar ao esforço interno de mobilização de poupança e investimento. Então, mesmo com esse aporte adicional de 3,5% do PIB, que é o déficit em conta-corrente, a economia não cresce e o nível de investimento continua muito reduzido. O Brasil realmente apresenta um quadro de macroeconomia ruim.

RF – Essa economia ruim tem impacto na próxima eleição? Giannetti – Eu acho que, provavelmente, o tempo não permitirá que essa realidade seja filtrada para um conjunto da sociedade.

RF – Ainda há manutenção do emprego, certo? Giannetti – O desemprego, por várias razões, ainda está se mantendo baixo. O nível de renda real continua se sustentando, parou de crescer, mas também não caiu. E ainda há um sentimento favorável junto a boa parte da população do período anterior de crescimento com inclusão social. Agora o Brasil está vivendo uma forte reversão de expectativas, para quem é mais informado e

RF – O Brasil tem um dos maiores juros do mundo. O que precisamos fazer para sair desse patamar? Giannetti – Essa chamada nova matriz macroeconômica fez uma aposta na ideia de que uma redução forçada de juros, um câmbio administrado e de incentivos ao setor privado, feitos caso a caso, com estímulos na demanda, seriam os componentes necessários para o Brasil manter aquele movimento de crescimento que vinha se desenhando ainda durante os governos Lula. Um dos componentes dessa nova matriz foi uma tentativa artificial de baixar juros no grito, e que se mostrou completamente equivocado. Aliás, o governo Dilma é pautado por paradoxos.

RF – Em que sentido? Giannetti – É um governo de perfil estatizante que conseguiu arrebentar as duas principais estatais brasileiras: a Petrobras e a Eletrobras, com intervenções de mãos muito pesadas. Ele é um governo que tinha na redução dos juros a sua principal bandeira, sua principal conquista. Ele vai ser o primeiro governo, desde a mudança do regime cambial, a entregar com juros maiores do que recebeu. E um governo que se propôs, ao ser eleito, acelerar o crescimento, vai entregar a menor taxa de crescimento da era republicana, em um mandato completo.

RF – Seja lá qual for o próximo governo, pelo que está apontando, sofrerá grandes dificuldades já no começo?

Giannetti – Não vai ser uma herança tranquila. Agora, é preciso julho 2014 financeiro

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entrevistadomês lembrar que o Brasil, em passado recente, já fez ajustamentos macroeconômicos não muito diferentes do que precisará ser feito agora. O Fernando Henrique, quando houve a mudança do regime cambial, precisou fazer um ajuste de razoável proporção fiscal, monetário e de mudança sistemática de política econômica. E o governo Lula, quando eleito pela primeira vez, herdou também uma situação de enorme turbulência e incerteza. Interessante notar é que, nos dois casos, depois de um período de ajustamento de dois trimestres, três trimestres, a economia já estava novamente em movimento ascendente. Então a capacidade de reação e de recuperação brasileira também é algo que não se pode subestimar. O que pode atenuar bastante o custo dessas medidas corretivas que terão que ser tomadas, se o Brasil quiser recuperar uma boa perspectiva. É o choque de confiança que a mudança instantaneamente provocará e que, provavelmente, levará a uma valorização dos ativos brasileiros. É um quadro muito inusitado em que a ameaça não é a oposição, mas a situação.

RF – A bolsa sobe quando a presidente Dilma piora nas pesquisas eleitorais.

Giannetti – Basta o rumor de que a pesquisa virá para que os ativos brasileiros melhorem. Tem um ‘upside’, para usar o jargão do mercado financeiro, de uma perspectiva de vitória da oposição, que é esse choque de confiança que atenua um pouco o custo inevitável dessa mudança de regime, mudança corretiva. Agora não pode deixar de ser dito que o custo de fazer a correção é muito menor do que o custo de não fazer, a única diferença é como se distribui no tempo: os custos e os benefícios.

RF – É possível, ao mesmo tempo, melhorar a situação da Petrobras e jogar a inflação para a meta? Giannetti – Acho que a questão dos preços administrados tem que ser tratada com muita firmeza e de maneira transparente, a partir do início. O que não pode é o Brasil voltar a controlar a inflação represando os preços. Tenho defendido que isso tem que ser feito instantaneamente e de forma plena.

RF – Quer dizer, reajustaria todos os preços de uma vez? Giannetti – Imediatamente. Por que se você não fizer isso, continua realimentando as expectativas de inflação mais alta no futuro e isso complica muito a volta do Brasil ao centro da meta.

RF – Enfraquecemos institucionalmente no mercando internacional devido às nossas opções? Giannetti – Tem uma questão de equívoco estratégico em política comercial e tem a questão do custo Brasil. É muito caro produzir no Brasil. Estamos deixando muito a desejar no quesito competitividade, o custo de produção em dólar no Brasil é extremamente elevado. Vamos ter que trabalhar muito, tanto na política comercial quanto no estabelecimento de condições mais competitivas,

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tornando o Brasil mais atraente para o investimento direto estrangeiro voltado para integração das cadeias mundiais de produção.

RF – A impressão é que o Brasil, nos últimos anos, só piorou no mercado internacional. Em que ponto estamos errando? Giannetti – Política comercial é um capítulo muito importante, um enredo desse declínio brasileiro no mundo. RF – O senhor acha que piorou? Giannetti – A política comercial está equivocada há muito tempo, mas o Lula no primeiro mandato, pelo menos na macroeconomia e na microeconomia, estava no caminho correto. Eu considero de boa qualidade o primeiro mandato do Lula. As coisas começaram a piorar na política no segundo mandato e, de forma mais acentuada, no governo Dilma, que optou na macroeconomia pela chamada nova matriz e, na microeconomia, pelo microgerenciamento, que é um retrocesso ao modelo do regime militar. Esse microgerenciamento criou uma enorme incerteza quanto às regras do jogo para o funcionamento de diferentes mercados no Brasil. Esse é um dos fatores que levaram a uma retração do investimento. O quadro mais preocupante hoje no Brasil é que, em pleno dividendo demográfico, como nós estamos ainda, o Brasil está investindo 18% do PIB, sendo que 3,5% do PIB é o déficit em conta-corrente. É realmente muito sério para uma nação que está em pleno dividendo demográfico.

RF – Diante de tantos gargalos na economia, que pontos o próximo governo deve atacar inicialmente? Giannetti – A primeira tarefa, na minha visão, vai ser corrigir os desequilíbrios e distorções que vieram se acumulando nos últimos anos. Restaurar a política macroeconômica com credibilidade para que a inflação convirja para o centro da meta, redefinir os termos da macroeconomia, ou seja, austeridade fiscal com superávit primário transparente e no nível adequado para manter a dívida pública em trajetória declinante, compromisso da política

“Dou minhas opiniões quando sou chamado a fazê-lo. Não tenho nenhuma pretensão e não vou ter cargo executivo”


monetária com cumprimento do centro da meta e com realismo tarifário, e o modelo de câmbio flutuante com intervenções apenas para evitar excessiva volatilidade e não para dar qualquer garantia de que há um câmbio com o qual o Brasil vai ter que conviver independentemente do mercado. Na microeconomia, será preciso desmontar esse microgerenciamento adotado pelo governo Dilma, quando passou a usar muito agressivamente o BNDES, a atender pleitos empresariais para proteção tarifária e a fazer mudanças no regime tributário para atender caso a caso.

RF – Isso não é uma tarefa simples, correto? Giannetti – Não vai ser uma tarefa simples desmontar os grupos de interesse que se formaram em torno dessas medidas. É importante restabelecer, o que eu chamo em filosofia de horizontalidade, que é o papel do governo em melhorar o ambiente de negócios e adotar medidas que permitam os mercados funcionarem de forma melhor para que o próprio mercado possa eleger com base em critérios de eficiência, inovação e produtividade as empresas que vão crescer. E não o governo tomar essa decisão elegendo campeões nacionais ou coisas do gênero.

RF – O senhor é um dos formuladores do plano econômico dos candidatos do PSB, Eduardo Campos e Marina Silva, isso está no escopo? Giannetti – Sou uma voz em um time de pessoas que colaboram e expresso minha opinião, quando digo realmente o que penso. Não estou aqui fazendo nenhum tipo de calibragem do meu pensamento para atender expectativas ou exigências eleitorais. RF – Mas o senhor faz parte desse time? Giannetti – Dou minhas opiniões quando sou chamado a fazê-lo. Não tenho nenhuma pretensão e não vou ter cargo executivo.

RF – E se for convidado? Giannetti – Isso está fora. Não tenho perfil, não tenho vontade

e não me preparei para ter cargos executivos. Não tenho nem o know-how executivo, eu passei minha vida toda pesquisando, estudando, escrevendo.

RF – Supondo que Eduardo Campos vença as eleições e lhe convide para ser o presidente do Banco Central ou Ministro da Fazenda, o senhor não aceitaria? Giannetti – Não, eu não me vejo nisso e não tenho esse tipo de ambição. Eu tenho outras ambições na vida, mas essa não é parte do meu sistema motivacional. Creio que posso colaborar com ideias e, eventualmente, até na seleção de pessoas que possam ocupar cargos com competência maior do que a minha.

RF – A Marina, nos últimos dias, tem manifestado posição contrária ao apoio de Eduardo Campos em prol do candidato ao governo do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Até que ponto isso dificulta, em caso de vitória, a implementação de programas idealizados pela candidata. Há grupos paralelos? Giannetti – Não há na área econômica essas divergências que se manifestam em termos de alianças estaduais, são campos bem separados. O que a Marina defende é que o Brasil precisa, ou que o governo brasileiro e os políticos brasileiros precisam alterar a maneira de governar o País, não com acordos circunstanciais e casuísticos visando a benefícios eleitorais e, sim, com base em alianças calcadas em ideias, programas e propostas de governo. É uma nova lógica, uma nova governabilidade que ela está propondo e, muitas vezes, as pressões políticas em Estados encaminham a aliança para acordos eleitorais que não são coerentes para essa nova governabilidade, em nome da qual a aliança nacionalmente se apresenta. Aí é que está o conflito!

RF – Não há conflito em relação aos planos práticos, ou seja, o alinhamento do pensamento econômico é uniforme. O Eduardo Campos também lhe consulta, como a Marina? Giannetti – Você nunca vai encontrar em economia total unanimidade. Fizemos oficinas de discussão de política econômica, os dois participaram, e estamos caminhando para construir uma visão integrada do que é nossa proposta.

RF – É que nas últimas eleições sua figura esteve presente ao lado da Marina, inclusive nos debates eleitorais. Ficará da mesma forma ou ele (Eduardo Campos) tem alguém próximo? Giannetti – Não sei, estamos com uma equipe boa, temos pessoas competentes contribuindo em diferentes áreas e é um movimento em construção, não uma coisa acabada. Agora é difícil você encontrar unanimidade em economia.

RF – O senhor acha que o impacto da atual crise política terá influência na capacidade futura de julgamento eleitoral?

Giannetti – O movimento de insatisfação na sociedade brasijulho 2014 financeiro

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entrevistadomês leira ficou explicitado de maneira muito eloquente nas manifestações de junho. Há um desencanto com política no Brasil, o que é uma coisa muito grave. A juventude, principalmente, está muito desapontada com a falta de representatividade dos quadros de governantes do Brasil.

condições iniciais, na partida, nas dotações iniciais. O Brasil tem que corrigir muitas distorções herdadas de séculos de deformação que condenam o indivíduo a um padrão de vida pelo simples fato de ter nascido em uma determinada condição social, e isso é o que acho absolutamente intolerável.

RF – Em caso de uma reeleição, o senhor acredita em mudança

RF – O que seria um novo modelo ideal? Giannetti – A economia de mercado é compatível com qualquer

de plano econômico pela presidente Dilma Rousseff? Giannetti – Tenho dois cenários claros na minha cabeça sobre uma eventual vitória do status quo. Um cenário eu chamo de curva de aprendizado, um reconhecimento de que equívocos foram cometidos no primeiro mandato, mas já há um esboço de correção de rotas em algumas áreas da política econômica dos últimos meses. O segundo cenário que vislumbro é de aposta redobrada, ou seja, se essas medidas envergonhadamente corretivas tomadas agora foram apenas para evitar maior turbulência no período pré-eleitoral. Uma vez reeleita, ela pode dobrar o tamanho da aposta que fez no primeiro mandato. Esse segundo cenário nos encaminha rapidamente para uma crise financeira, com fuga de capital, o que vai impor outra solução e outra mudança de rota.

RF – O senhor acha que teremos mesmo uma crise econômica? E de que dimensão?

Giannetti – Depende do cenário. Se vier

RF – Essa não é bandeira empunhada pelo atual governo, que se sobressai pela distribuição de renda?

Giannetti – Esse movimento é muito bom para o Brasil, a redu-

“O momento mais belo que eu considero da democracia recente foi a transição do segundo FHC para o primeiro Lula“

a aposta redobrada – e muito do discurso da candidata Dilma e do Lula está indicando pelo menos na campanha que é esse o cenário mais provável –, acredito que vamos caminhar para uma crise financeira. É uma argentinização seguida de uma crise financeira. Teríamos uma forte desvalorização da moeda, uma saída de capitais – o Brasil tem déficit em conta-corrente e está vulnerável –, então o ajuste vai se impor.

RF – Há sobre a sua mesa o livro “O Capital no Século 21”, do economista francês Thomas Piketty, em que se retrata que a desigualdade põe a democracia em cheque. O senhor concorda com essa análise? Giannetti – Eu defendo a igualdade de oportunidades. Eu acho que a dimensão relevante da igualdade são condições minimamente igualitárias para que os indivíduos possam desenvolver seu potencial plenamente. Não acho que a igualdade de resultados seja sequer desejável, porque as pessoas são diferentes, têm valores diferentes, e nem todas elas estão interessadas em medir sua vida com base em uma métrica econômico-financeira, ainda bem. O que é injustificável e intolerável são as desigualdades nas 12 financeiro julho 2014

distribuição de renda, desde que você altere as dotações iniciais.

ção da desigualdade social. Nós estamos apenas começando e ainda somos um dos países mais desiguais do mundo. E a dimensão que mais me preocupa na desigualdade é que as pessoas nascem com oportunidades muito desequilibradas no Brasil, e é aí que tem que avançar. É falta de saneamento básico, de saúde, de educação, de condições de transporte. Tem uma questão muita séria também que é a falta de estrutura familiar para quem vem ao mundo e não encontra suporte da família. Isso perpetua a desigualdade.

RF – O senhor acredita que o Brasil melhorou nos últimos 12 anos?

Giannetti – Eu acho que o Brasil teve um

momento de extraordinária maturidade. O momento mais belo que eu considero da democracia recente foi a transição do segundo Fernando Henrique para o primeiro Lula. Nós conseguimos fazer isso como ninguém jamais imaginaria.

RF – Ou seja, o primeiro mandato de Lula foi bom? Giannetti – A primeira gestão do Lula e o ministério que ele montou foram de excelente qualidade. Infelizmente, a partir do mensalão, isso começou a se perder. A queda do ministro Antônio Palocci e sua equipe também foi um episódio que deteriorou a qualidade técnica da gestão econômica no Brasil. E o governo Dilma, lamentavelmente, foi um aprofundamento do pior da gestão Lula. Nós vamos ter que voltar ao bom momento que estava sendo construído no segundo mandato Fernando Henrique e no primeiro período do Lula, não com medidas iguais, mas com espírito daquilo que vinha sendo construído e era bom para o Brasil.

RF – A ruptura de diálogo com o empresariado da presidente Dilma também prejudica, não é?


Giannetti – Há uma centralização muito forte, uma postura um pouco, eu diria, impositiva. A maneira como foi feita a mudança no setor elétrico, por exemplo, foi de mão muito pesada. Isso num setor crítico para o futuro do Brasil. Em uma medida apenas, eles destruíram dezenas de bilhões de reais de patrimônio, num setor carente de investimentos. Gerou uma enorme incerteza regulatória e o Brasil está agora com essa crise preocupante, de possível racionamento no ano que vem. A disjuntiva hoje é racionalizar agora ou racionar depois, com a probabilidade alta de racionar depois.

RF – O que está ligado também ao investimento em infraestrutura, olhar a matriz energética. Giannetti – O governo Dilma demorou muito para começar a se mexer na direção correta nas concessões, primeiro por um bloqueio, não tem outro nome, ideológico, depois por uma falta de tino, de qualidade mesmo, no desenho das regras, do marco regulatório. E agora, é parte daquele cenário de curva de aprendizado, parece que estão entendendo como é que as coisas precisam acontecer para que o investimento venha. Mas no caso de portos e no caso de ferrovias ainda não foi feito. RF – O senhor falou de credibilidade e a gente vê muita preocupação do mercado financeiro e principalmente do agronegócio em relação à Marina Silva. Giannetti – Acho que existe muito ruído em relação à posição da Marina diante do agronegócio. Ninguém pode ser contra o agronegócio e a Marina certamente não é. O que ela enfatiza é que há o bom agronegócio e que há também o agronegócio que precisa ser disciplinado, porque adota práticas ruins de gestão do patrimônio ambiental brasileiro. Agora, o Brasil tem vocação global de fornecedor, com méritos competitivos, de alimentos, de commodities agrícolas em geral e temos que aumentar a nossa produtividade e ir fundo nesse caminho. Mas tendo a responsabilidade ambiental. RF – O Brasil tem também soja, que a China tanto consome. Giannetti – A nova classe média asiática vai demandar alimentos que o Brasil pode fornecer. E o Brasil tem que estar preparado para fazer isso de uma forma sustentável. Não existirá agronegócio no Meio Oeste brasileiro se não tiver a floresta amazônica, porque o regime pluviométrico que permite ao agronegócio existir está ligado ao serviço ambiental prestado pelo bioma amazônico.

RF – Mas, como seria essa gestão? Giannetti – Tenho insistido em separar

duas questões. Uma é o teor da legislação, que vai estabelecer o nível de exigência requerido na administração dos recursos ambientais no século 21. Aí é o Código Florestal, as medidas ligadas ao impacto ambiental de diferentes projetos de investimento, mas são questões ligadas ao teor da legislação ambiental. Eu chamo isso de altura da régua. Outra coisa, muito diferente, é: uma vez estabelecida a altura da régua, quais vão ser os procedimentos para a autorização e o licenciamento dos diferentes projetos de investimento. E aí o Brasil tem muito a avançar, pode ser muito mais rápido, muito mais confiável, estabelecendo muito maior confiança jurídica. A ideia é que para o empresário é importante saber rapidamente o que pode e o que não pode.

RF – Esse discurso vai na direção correta. Mas a Marina, ainda assusta o empresário, principalmente o do agronegócio. Giannetti – Acho que há muito ruído. Você tem razão ao falar sobre essa resistência. Estive outro dia falando para empresários da cadeia da soja e senti uma animosidade até desses empresários em relação à Marina. Não consigo entender a origem disso. Tenho certeza de que há muito ruído também. É um mal-entendido, até certo ponto é um mal-entendido. Acho que tem de conversar, tem de abrir um canal de comunicação. Dizer que a Marina é contra o agronegócio não se sustenta porque ela não é contra o agronegócio. Assim como não é contra a hidroeletricidade. Ninguém pode ser contra a hidroeletricidade num país como o Brasil.

RF – Quais as novidades da proposta de Eduardo/Marina? Giannetti – A proposta da aliança Eduardo/Marina vai trazer para um primeiro plano das políticas brasileiras dois valores que não foram até hoje devidamente contemplados, que são a educação e o meio ambiente. É nisso que se traduz nossa ideia de sustentabilidade. Não há futuro generoso para a nação brasileira se não dermos para a educação e para o meio ambiente uma centralidade nas pautas de política pública muito maior do que foi dada até hoje. E nisso nos diferenciamos do outro candidato de oposição.

RF – O próximo governo terá que enfrentar a questão dos acordos com partidos no Congresso e isso pode ser um entrave. Giannetti – Aí entra o tema da governabilidade. Eduardo e Marina estão propondo sair do governo de coalizão para um presidencialismo de programa. Política é negociação. A questão é negociação com base em quê? Como tem sido praticado no Brasil hoje, é negociação com base em loteamento do Estado, para obter apoio circunstancial no Congresso. Isso foi levado ao limite e é a razão maior, talvez, do descrédito da política no Brasil. julho 2014 financeiro 13


entrevistadomês RF – Como essa mudança seria colocada em prática? Giannetti – Seria chamar, por exemplo, Lula e Fernando Henrique para discutir e chegar a um termo de ação comum em torno de propostas de inclusão social, de equilíbrio macroeconômico. E deixar de governar com as velhas forças da política brasileira.

RF – O senhor acha que é possível adotar essa estratégia? Giannetti – Acho que tem de ser tentado, tem que ser construído. Mas é para isso que a democracia existe. A nossa democracia, lamentavelmente, está completamente desfigurada pelo abuso dessa prática de negociação espúria.

RF – Há, por exemplo, um excesso de ministérios. Giannetti – São 39 ministérios, inoperantes. Mas esse problema não é só no Executivo, não. É nas agências reguladoras, é na gestão dos fundos de pensão das estatais, é nas estatais. O Estado brasileiro está loteado. E isso prejudica muito a eficiência, a eficácia, das políticas públicas e o direcionamento das ações dentro do governo. Tem que romper com isso. Essa é uma grande novidade da aliança Eduardo/Marina. É virar uma página de um modelo que fracassou. As forças da velha política serão jogadas para a oposição e as forças da nova política, ligadas ao Fernando Henrique e ao Lula, serão chamadas a compartilhar ações em torno de propostas que interessam de fato a todos.

RF – É uma guinada e tanto, não? Giannetti – É, mas a democracia existe para que isso possa acontecer. Se acontece em outras democracias maduras, não vejo nenhuma razão intransponível para que não possa ocorrer também no Brasil. Possivelmente uma reforma política possa ajudar

a construir esse modelo de governabilidade. O que está claro e me parece inquestionável é que não dá para continuar nesse caminho que estamos, porque ele se esgotou.

RF – Como o senhor se identificou com Marina Silva? Giannetti – Já trabalhamos na eleição de 2010. Quem nos aproximou foi o Guilherme Leal (empresário e copresidente do Conselho de Administração da Natura). E fiquei muito impressionado com o compromisso ético da Marina. Acho que é um tipo de liderança raro em qualquer lugar do mundo. Um líder que se afirma não com base em grupos de interesse, ou sindicato, ou estrutura partidária ou financiamento. Mas que se afirma, sim, pela sua postura e pela sua firmeza em defender princípios ligados a uma visão ética da vida. Achei e sempre vou achar muito importante a presença de uma figura de liderança pública, como a Marina, no cenário brasileiro.

RF – A aliança com Eduardo Campos não enfraquece Marina? Giannetti – Ela foi impedida de criar um partido político, de uma forma truculenta. E ela se aliou ao Eduardo Campos em uma tentativa de oferecer ao Brasil algo que ultrapasse essa polarização PT-PSDB, da qual o eleitorado está cansado.

RF – Marina poderia ser a segunda presidente do Brasil? Giannetti – Acho que ela é a candidata natural. RF – A Marina não apoiou nem a Dilma nem o Serra no segundo turno da eleição passada. Giannetti – Apesar de uma enorme a pressão.

RF – A Marina se posicionou como uma terceira via, o que conquistou uma grande parte do eleitorado, que representa os 21% que ela tem nas pesquisas. Quando ela fez a aliança com Eduardo levou a pensar até que ponto essa aliança não a enfraquece. Giannetti – Enfraqueceria muito mais se ela saísse completamente do cenário político. Foi a posição que a opção que ela fez e é um trabalho que está em construção.

RF – A proposta de chamar antigos presidentes e equipes para conversar é muito complicada. O Fernando Henrique não seria problema, já que ele aceitaria sem problemas sentar para conversar. O Lula até poderia dizer que sim, mas compor com o PT é muito complicado, até pelo projeto de poder. Mas vocês, caso ganhem as eleições, vão chamá-los ao diálogo, não é? Giannetti – É, seria chamá-los com base no que eles representam, e seria baseado em propostas. Seria perguntar a eles assim: “PT, vocês têm interesse em avançar na inclusão social? Temos uma agenda de políticas sociais que consideramos interessantes e que podem, inclusive, ser aprimoradas. Por que não juntar forças para que essa agenda seja efetivamente implementada?” RF – E com o PSDB, como seria? 14 financeiro julho 2014


Giannetti – Da mesma forma. Seria chegar para o PSDB e dizer, em relação ao equilíbrio macroeconômico, que é um valor central: “PSDB, nós temos interesse em estabelecer um equilíbrio permanente, em bases duradouras, inclusive com aprimoramento institucional. Vamos conversar sobre uma ação conjunta com base nessas propostas?”

“O Bolsa Família deve ser alavanca, e não muleta”

RF – A base seria o famoso tripé de política econômica? Giannetti – Na macroeconomia, sem dúvida: austeridade fiscal, Banco Central independente para cumprir o centro da meta e câmbio flutuante. É o que vinha funcionando bem no Brasil e que se perdeu no governo Dilma. As três pernas do tripé estão muito fragilizadas.

RF – E os outros partidos? Giannetti – A tentativa será chamar os bons quadros dos partidos onde quer que eles estejam. Bons quadros no sentido de pessoas compromissadas com a melhoria da vida brasileira.

RF – Quais são, na sua avaliação, as chances de essa estratégia ter sucesso? Giannetti – Ninguém vai dizer que tem certeza de que dá para fazer dessa forma. Não dá para dizer isso. Mas acho também que ninguém pode dizer que não se deve tentar. A democracia existe para que isso possa ser buscado e possa ser feito. RF – O Armínio Fraga, presidente do BC no governo FHC, foi muito atacado por ter se posicionado em relação ao salário mínimo. Giannetti – O Flávio Giambiaggi (economista), em recente artigo publicado na imprensa, matou a charada em relação ao salário mínimo: dos benefícios previdenciários vinculados ao salário mínimo, só 1% vai para os 10% mais pobres da população. Estamos fazendo uma péssima política social atrelando os benefícios previdenciários ao reajuste do salário mínimo. Por que não focar os ganhos de renda real nos 10% mais pobres da população? Está cheio de gente no Brasil com o benefício previdenciário de um salário mínimo que não é pobre e que não vive disso.

RF – Qual é a sua avaliação sobre o salário mínimo? Giannetti – O salário mínimo tem três coisas importantes: é um piso salarial para o setor privado, é um indexador de benefícios previdenciários e – coisa que é menos falada – também reajusta salários de funcionários públicos, especialmente em âmbito municipal. O aumento do salário mínimo quebrou os municípios. Então esse assunto de salário mínimo precisa ser discutido com muito mais detalhe na sua particularidade do que dizer “sou a favor ou contra”.

RF – E o Bolsa Família? Giannetti – O Bolsa Família deve ser alavanca, e não muleta. RF – Qual é a sua avaliação sobre a carga tributária?

Giannetti – A carga tributária é totalmente desproporcional. É um problema gravíssimo. Estamos com uma carga tributária de 36% do PIB e um déficit nominal de 3% do PIB. Ou seja, 40% da renda brasileira transita pelo setor público. Tem duas coisas nesse assunto: uma coisa é o desenho da carga tributária, outra coisa é seu tamanho. São dois problemas de primeiríssima ordem. Mas só para completar o raciocínio, 40% da renda nacional transita pelo setor público. E pergunto: qual é o investimento em formação bruta de capital fixo do Estado brasileiro? É 2,5% do PIB. Tem algo de profundamente errado nas finanças públicas brasileiras.

RF – E há ainda outros problemas sérios... Giannetti – O capital humano, a qualidade dos programas de formação de recursos humanos e de saúde pública é deplorável. E 40% da renda brasileira está sendo intermediada pelo Estado brasileiro. Só o subsídio implícito no crédito subsidiado do BNDES supera o volume do Bolsa Família.

RF – Uma situação grave, da qual pouco se fala. Giannetti – E os empréstimos subsidiados do BNDES estão concentrados em um grupo restrito de empresários. Ou seja, o Estado brasileiro transfere mais recursos da sociedade para um grupo seleto de parceiros empresariais, o “Bolsa BNDES”, do que transfere para 40 milhões de pessoas no Bolsa Família. Essa comparação é feita por um próprio técnico do governo, que é o Mansueto Almeida. O Bolsa Família representa 0,5% do PIB e o subsídio do BNDES é 0,6% do PIB. E esse governo posa de “amigo do pobre”. E cria um clima de medo, de “nós contra eles”.

RF – Qual seria, na sua avaliação, a probabilidade de a aliança Eduardo/Marina apoiar a presidente Dilma no segundo turno? Giannetti – O governo prefere concorrer com o PSDB, que é considerado como o “freguês” deles. Mas o apoio da aliança para a Dilma é impossível. Não acredito nisso. O Eduardo Campos saiu do governo, “queimou a ponte”, não tem como. f julho 2014 financeiro 15


reformadojudiciário

Soluções mais rápidas Ministério da Justiça lança estratégia para diminuir número de processos judiciais Érico Ferreira, presidente da Acrefi; José Eduardo Martins Cardozo, ministro da Justiça, e Flávio Crocce Caetano, secretário de Reforma do Judiciário

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Ministério da Justiça lançou no dia 2 de julho a Estratégia Nacional de Não Judicialização (Enajud). Na primeira etapa da cerimônia de lançamento, uma portaria interministerial foi assinada pelos ministros José Eduardo Martins Cardozo, da Justiça, Garibaldi Alves Filho, da Previdência Social, e Luís Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União (AGU). Na segunda parte

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da solenidade, um acordo de cooperação técnica foi assinado entre o Ministério da Justiça, entidades de representação e empresas. Por parte das empresas, elas se comprometeram a adotar métodos alternativos para solução de conflitos com os contribuintes, consumidores e clientes, em uma tentativa de reduzir os 92 milhões de processos que atualmente tramitam na Justiça.


Fotos: Isaac Amorim/AG:MJ

Da esq. para a dir.: Murilo Portugal, presidente da FEBRABAN; Luis Carlos Trabuco, presidente da CNF; Érico Ferreira, presidente da Acrefi; Alexandre Gluher, diretor vice-presidente do Bradesco, e Marco Antonio Rossi, presidente da CNSeg

A Enajud foi instituída pelo Ministério da Justiça, pela Advocacia-Geral da União e pelo Ministério da Previdência Social, com a colaboração do Conselho Nacional do Ministério Público. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Defensoria Pública da União (DPU) firmaram o termo de cooperação. A Enajud tem como objetivo evitar que cheguem ao judiciário conflitos que podem ser solucionados por meios alternativos. De acordo com o Secretário de Reforma do Judiciário, Flávio Crocce Caetano, cerca de 95% das demandas judiciais envolvem o setor público, os bancos e as empresas de telecomunicações. Das instituições financeiras, que representam 38% das ações na Justiça, Acrefi, CNF, FEBRABAN, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Unibanco e Bradesco assinaram o acordo. Vivo, TIM, Claro e Brasil Telecom são as empresas de telefonia que aderiram à nova solução. As teles são responsáveis por 6% das ações. “A Enajud é um grande reconhecimento não só das empresas, mas também do governo, de que o trabalho

conjunto dos parceiros da atividade econômica pode ajudar a melhorar o País. Eu diria que a Enajud representa uma conquista”, afirma Vitor Moraes de Andrade, presidente da ABRAREC – Associação Brasileira das Relações Empresa-Cliente. Os termos de cooperação visam o desenvolvimento de estratégias conjuntas. “Cada um desses segmentos vai fixar metas e ações anuais, que vão ser avaliadas por meio de um plano bienal. A cada três meses faremos um monitoramento com a participação de todos para analisar se as metas estão sendo atingidas ou não. É um compromisso público e ético assumido pelas empresas. Esse acordo melhora a imagem institucional e o consumidor passa a ter mais confiança A Lei – O artigo 4° do Código de Defesa do Consumidor tem por objetivo atender a alguns princípios, entre eles a “harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de de-

na empresa”, explica Caetano. A prática da mediação é utilizada com sucesso em países como Argentina e Itália, que obtêm alto índice de êxito. A Enajud tem como meta promover soluções mais rápidas aos cidadãos, evitar gastos elevados por parte das empresas e diminuir as despesas públicas. “O nosso trabalho é voltado a garantir o acesso à justiça e aprimorar a proteção aos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal”, diz Flávio Caetano. f Como funciona – A mediação, a conciliação e a negociação são algumas das alternativas propostas pela Enajud. A mediação é o método pelo qual duas ou mais pessoas, envolvidas em um conflito potencial ou real, recorrem a um terceiro, que irá facilitar o diálogo entre elas, para que se chegue a um acordo. Na conciliação, as partes submetem seu conflito à administração de um terceiro imparcial, o conciliador, que aproxima as partes, formula propostas de acordo e aponta as vantagens de cada ponto sugerido pelas partes. Na negociação, não se recorre a um terceiro. As próprias partes solucionam, conjuntamente, os problemas. Sem formalidades, as partes fazem concessões recíprocas, barganham e compõem seus interesses, buscando a solução que melhor lhes convenha.

senvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores”. julho 2014 financeiro 17


eventoDF

De olho na realidade Seminário da Acrefi, em Brasília, discute a Lei Anticorrupção, a reforma do Judiciário, o trabalho do CNJ e a atuação do COAF

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Lei Anticorrupção, o trabalho do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a reforma do Judiciário e a atuação do COAF (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) foram os temas abordados durante o 6º Seminário Jurídico Acrefi, realizado no dia 22 de maio em Brasília. Palestras de especialistas e de autoridades mostraram aos executivos presentes ao encontro detalhes desses assuntos de grande importância para o sistema financeiro. Ao falar no seminário sobre a Lei Anticorrupção, a especialista Danyelle da Silva Galvão, mestra em Direito Processual Penal pela Faculdade de Direito da USP, lembrou que a legislação tem apenas nove páginas, mas trata de temas importantes: “A Lei 12.846 é positiva e foi adotada no Brasil também em consequência de pressões de países desenvolvidos. Estabelece a responsabilização objetiva para pessoas jurídicas que estiverem envolvidas em atos de corrupção, independentemente da consumação desses atos. Também define que a empresa pode ter responsabilidade diminuída se tiver implantado uma política de compliance.” Outros pontos da lei lembrados por Danyelle Galvão foram a possibilidade de responsabilizar também as pessoas físicas – desde que comprovado dolo ou culpa – e o acordo de leniência. Este ponto, no entanto, gerou incerteza: “Existe um movimento do Ministério Público para saber como será feito esse acordo”. A responsabilização também tem provocado questionamentos, segundo a especialista: “É pre-

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ciso saber como será a prova da responsabilização e como será apurada. E a lei não prevê a possibilidade de recurso”. Danyelle Galvão disse ainda que existe a necessidade de regulamentar o processo administrativo. Nesse ponto, segundo ela, o município de São Paulo tomou a iniciativa e no dia 14 de maio explicitou como será o acordo de leniência, em pontos não detalhados pela Lei 12.846, como detalhes sobre as provas, ouvir testemunhas, e se cabe recurso no caso de multa: “A cidade de São Paulo ficou, com essa iniciativa, muito à frente do Poder Executivo federal, ao ser explícita em relação a esses pontos”. Ela considera fundamental que se estabeleçam os efeitos da lei no âmbito criminal e garante que a regulamentação é imprescindível para que os limites da investigação sejam estabelecidos. A palestrante informou também que fez um levantamento e constatou: aconteceram 200 operações policiais de porte desde 2013 e grande parte delas foi de combate à corrupção. Houve também um crescimento de 132% em prisões relacionadas à corrupção. Em seguida, Carl Olav Smith, juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça, falou no 6º Seminário Jurídico Acrefi sobre a atuação do CNJ: “Muitos consideram que somos apenas um órgão fiscalizador, mas vamos além – tratamos também da administração pública e do planejamento do Judiciário, entre outras atribuições. Temos que ser o órgão centralizador do Poder Judiciário como um todo, o que depende de um trabalho de articulação com outras entidades”. Para cumprir suas tarefas, informou Carl Olav Smith, o CNJ busca utilizar a tecnologia. É o caso dos mandados de prisão: “Antigamente era necessário consultar os 27 Estados da Federação para saber se podia ser feita a liberação. Para mudar essa situação foi desenvolvido um aplicativo que informa se existe algum mandado contra a pessoa, ou seja, a informação tornou-se bem mais rápida”.


jurídica Carl Smith informou também que o CNJ tem atuado para agilizar os processos judiciais e citou como exemplo o Renajud, ferramenta eletrônica que interliga o Judiciário e o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), possibilitando a efetivação em tempo real de ordens judiciais de restrição de veículos. Ele lembrou que o CNJ desenvolveu o PJe (Processo Judicial Eletrônico), para permitir a prática de atos processuais e o acompanhamento do processo, independentemente da tramitação na Justiça dos Estados, na Justiça Militar dos Estados ou na Justiça do Trabalho. A adoção do PJe – afirmou Carl Smith – é vantajosa também porque o sistema utiliza somente componentes públicos, “o que reduz o custo com equipamentos de armazenamento e com o sistema, além de ser uma aplicação de internet que, como tal, pode ser acessada em qualquer local do Brasil”. Por sua vez, Flávio Crocce Caetano, secretário nacional de Reforma do Judiciário, falou durante o 6º Seminário Jurídico Acrefi sobre as medidas a serem tomadas para tornar o Judiciário mais acessível Danyelle da Silva Galvão, mestra em Direito Processual Penal pela Faculdade de Direito da USP

à população, mais rápido e com menos processos a julgar. De acordo com o palestrante, é preciso tornar os processos judiciais mais rápidos, valorizando a primeira e a segunda instâncias, além de inovar na gestão com a adoção do processo eletrônico, que já reduz os prazos em cerca de 60%.

Carl Olav Smith, juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça Quanto à gestão, Flávio Crocce Caetano recordou que há mais de 92 milhões de processos no Brasil, o que significa que cada juiz julga 1.400 processos por ano. Para reduzir esse problema, ele propõe a criação de carreiras de apoio aos juízes, que possam, entre outras funções, administrar as audiências. O palestrante considera fundamental também mudar a cultura jurídica do País, adotando-se o consenso em vez do conflito: “Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas mostrou que 89% dos entrevistados preferem fazer acordo e que 43% são a favor da conciliação. Está claro que é possível optar pela conciliação.” O especialista lembrou que a Secretaria de Reforma do Judiciário existe há dez anos e que entre as ações adotadas pelo órgão estão: a Lei da Mediação; julho 2014 financeiro 19


eventoDF Enajud (Estratégia Nacional de Não Judicialização), que tem a Acrefi entre suas parceiras; Casa de Direitos; Justiça Comunitária; Atlas da Justiça; e Escola Nacional de Mediação e Conciliação. O secretário nacional de Reforma do Judiciário destacou os pontos positivos da Lei da Mediação para as partes do processo, incluindo: a inexistência de custas judiciais quando houver acordo durante o processo; soluções mais satisfatórias para as partes; possibilidade de discussão de vários aspectos relacionados ao conflito; e participação ativa das partes. Para a sociedade, de acordo com o palestrante, os benefícios da Lei de Mediação incluem: o efeito pedagógico, com o incentivo ao diálogo; o andamento mais rápido dos processos; e a diminuição de casos no Poder Judiciário. Flávio Crocce Caetano informou também em sua palestra que a Lei de Mediação estabelece que podem atuar como mediadores pessoas que tenham se graduado há dois anos ou mais; tenham nível superior completo em qualquer curso; façam o curso de mediador; e tenham cadastro obrigatório para serem mediadores judiciais, sob controle dos tribunais. Ele lembrou que a mediação faz sucesso em países vizinhos, como a Argentina, em que o índice de êxito das mediações é de 43%, e que a implantação do sistema no Brasil tem tudo para ser um sucesso. “Estamos com o vento a favor no País. Todos querem a mediação”, concluiu Caetano. Já Antonio Gustavo Rodrigues, presidente do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), disse em sua palestra no evento da Acrefi que a prevenção à lavagem de dinheiro abrange muitas Antonio Gustavo Rodrigues, presidente do COAF

20 financeiro julho 2014

Flávio Crocce Caetano, secretário de Reforma do Judiciário vezes situações que não são ilegais, mas sim suspeitas: “Tratamos muitas vezes de fatos que causam estranheza, embora sejam legais. Pagar um imóvel em dinheiro vivo, por exemplo, não é ilegal, mas chama a atenção”. Rodrigues disse que o COAF recebeu 1,286 milhão de comunicações sobre suspeitas de irregularidades em 2013 e que até maio de 2014 esse número chegou a 413 mil: “Esse crescimento foi incentivado e é positivo, embora persista o problema relacionado à qualidade dessas comunicações”. O presidente do COAF explicou que a entidade criou um sistema de avaliação das comunicações, e que 92,4% dos casos receberam nota 3 ou inferior (o que significa que a qualidade das comunicações não é satisfatória): “Prevalece a tese de que, na dúvida, comunica-se o COAF. Essa não é uma postura condenável, mas ao mesmo tempo é preciso aprimorar a qualidade das informações que nos são enviadas, em busca do aprimoramento do sistema”. Entre as iniciativas do COAF para melhorar esse quadro, Antonio Gustavo Rodrigues citou os Relatórios de Inteligência Financeira, que somaram 2.450 no ano passado. Além disso, o órgão tem ampliado sua ação em segmentos como cartórios, juntas comerciais, sorteios e loterias e até um grupo formado por profissionais e empresas de intermediação de atletas e artistas. Esse trabalho, segundo ele, não pode ser confundido com fiscalização: “É importante lembrar que o COAF é parceiro do sistema financeiro e não tem entre suas atribuições a fiscalização. Essa é uma responsabilidade do Banco Central”. f


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Atenção redobrada Evento realizado pela Acrefi sobre responsabilidade socioambiental no sistema financeiro deve gerar ganhos importantes para evolução do setor

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m amplo processo de disseminação do conceito de sustentabilidade e melhores práticas de gestão socioambiental nas instituições financeiras trazem ganhos importantes para a evolução do setor. Essa foi a proposta apresentada pela Acrefi no evento “Resolução 4.327 – Responsabilidade Socioambiental no Sistema Financeiro”, realizado dia 26 de junho no Hotel Renaissance, em São Paulo. Antonio Marcos Fonte Guimarães, assessor pleno do Banco Central do Brasil, enfatizou que o compromisso permanente das organizações em adotar um comportamento ético contribui para o desenvolvimento econômico, melhorando a qualidade de vida dos empregados e da sociedade. “Essa é uma discussão em âmbito nacional e internacional de longa data e a política de responsabilidade socioambiental, na qual publicamos uma norma qualitativa, transfere a responsabilidade para que cada instituição conheça seu negócio. O aspecto de sua adoção traz ganhos para o sistema”, pontuou. Para ele, é preciso mudar o paradigma não somente na forma como as instituições investem na Responsabilidade Socioambiental, mas como ganham pelos recursos investidos. “É importante in-

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corporar isso em sua conduta do dia a dia, pois se trata de uma prática ética”, enfatizou Guimarães. Como exemplos práticos de benefícios, o especialista citou o microcrédito, operações em que instituições especializadas emprestam pequenas quantias de dinheiro para empreendedores, e o Crédito de Carbono, no qual países ou empresas que conseguem reduzir suas emissões abaixo das metas do Protocolo de Kyoto geram créditos por essa redução excedente. “Um problema socioambiental, dependendo da estrutura da instituição, pode comprometer não só em dano de imagem, mas também em risco de operação do negócio”, alertou Guimarães. Rômulo Sampaio, sócio do Escritório Reis & Sampaio e docente na FGV-RJ, relatou que o tema de responsabilidade civil e ambiental, depois de alguns acórdãos do Supremo Tribunal Federal (STJ), ganhou atenção permanente das instituições financeiras. “Ainda há falhas no sistema de prevenção devido ao excesso de agências regulatórias, embora o Brasil esteja avançado na regulação. O marco legal está um pouco atrasado, e o interessante seria ter uma lei que tratasse dessa participação das instituições financeiras para dar


intitulada ‘Edital de Consulta Pública 41/2012’. “Temos um corpo técnico na entidade que entende a importância da regularização de medidas socioambientais em todo o sistema financeiro e, ativamente, trabalha a questão com os nossos membros – sendo composta por 19 instituições que concentram 95% das carteiras de pessoa física”, explicou. Marrone disse que a autorregularão na FEBRABAN é voluntária, ou seja, quem quiser receber um selo de reconhecimento deve aderir ao programa. “Elas passam a ser monitoradas e acompanhadas sobre essas atividades internas, dentro de suas ações de funcionamento. A estratégia é definir um patamar mínimo de procedimentos, evitando disparidade e, com auxílio técnico, evitar prejuízos nas instituições. Políticas de riscos socioambientais também foram criadas para minimizar os riscos em financiamentos a projetos que possam impactar tanto o meio ambiente quanto a sociedade, evitando-se, assim, embates no campo jurídico”, finalizou. f

Fotos: Sonia Tamer

mais robustez a essa regulação recente do Banco Central. Autorregulamentação e compliance voluntária melhorariam essas iniciativas”, analisou. Sampaio citou um exemplo de um caminhoneiro que transportava uma carga irregular de madeira no Estado de Minas Gerais e, quando apreendido, a responsabilidade objetiva inicialmente recaiu sobre uma instituição financeira, uma vez que fez o leasing do veículo. “Quando isso acontece, o que temos é um cenário de caos. Precisamos fazer um trabalho amplo de conscientização sobre o tema. O caso foi rechaçado pelo poder judiciário, uma vez que não se pode imputar esse dever de cuidado a uma financeira, mas é importante um marco regulatório para corrigir esse tipo de distorção”, avaliou o advogado. Segundo Gustavo José Marrone de Castro Sampaio, diretor de Autorregulação da FEBRABAN, a entidade olha com atenção para o tema desde o momento em que o Banco Central (BC) soltou uma regulação

Antonio Marcos Fonte Guimarães, assessor do Banco Central do Brasil

Rômulo Sampaio, sócio do Escritório Reis & Sampaio

Gustavo José Marrone de Castro Sampaio, diretor de Autorregulação da FEBRABAN

julho 2014 financeiro 23


sustentabilidade

Responsabilidade socioambiental das instituições financeiras Por Rosi Vuolo

O

24 financeiro julho 2014

Rosi Vuolo, especialista em Controles Internos e Compliance do Itaú Unibanco

Está previsto prazo para que seja aprovada a PRSA, e iniciada a execução do respectivo plano de ação, conforme o seguinte cronograma: 1) Até 28 de fevereiro de 2015, por parte das instituições obrigadas a implementar o Processo Interno de Avaliação da Adequação de Capital (Icaap), conforme regulamentação em vigor; e 2) Até 31 de julho de 2015, pelas demais instituições. A norma agrega a variável socioambiental à tradicional abordagem econômico-financeira das instituições e inclui o gerenciamento do risco socioambiental em suas atividades, serviços e produtos financeiros. As unidades de gerenciamento de risco das instituições financeiras terão, agora, de se adequar à nova regulamentação, designando diretor responsável pela PRSA, bem como estabelecendo, de forma facultativa, comitê de responsabilidade socioambiental para monitorar e avaliar o seu cumprimento. A resolução traz a incorporação do tema no dia a dia das instituições financeiras e ganha repercussão na medida em que cada vez mais são instados por órgãos de controle, a exemplo do Ministério Público. A não observância dos preceitos ditados pela nova norma poderá trazer consequências que não se restringirão a eventual responsabilidade civil por dano ambiental (lembrando que ela é de natureza objetiva), mas poderão acarretar prejuízo aos maiores patrimônios das instituições, que são sua imagem e sua reputação. f

Artigo enviado em 10/6/2014

Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, em 25/4/14, a resolução 4.327 estabelecendo diretrizes que devem ser observadas na implementação da Política de Responsabilidade Socioambiental (PRSA) pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central. Parte do princípio de que as instituições financeiras devem demonstrar como consideram os riscos socioambientais no processo de gerenciamento das diversas modalidades de risco a que estão expostas. É o resultado de ampla discussão com a sociedade, iniciada em 2011 e depois da divulgação de edital de audiência pública durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Estabelece que, para a implementação da PRSA, as instituições financeiras devem pautar as suas ações de natureza socioambiental de acordo com as seguintes diretrizes e critérios gerais, entre outros: 1) Sistemas, rotinas e procedimentos que possibilitem identificar, classificar, avaliar, monitorar, mitigar e controlar o risco socioambiental presente nas atividades e nas operações da instituição; e 2) Avaliação prévia dos potenciais impactos socioambientais negativos de novas modalidades de produtos e serviços, inclusive em relação ao risco de reputação. Permite-se que tais políticas sejam aplicadas de forma equilibrada e diferenciada pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central, levando-se em conta os diferentes perfis de negócios, estimulando-se a redução de riscos ao sistema financeiro, sem que sejam gerados custos adicionais ao tomador de crédito final. A política deve tratar da governança da PRSA, inclusive para fins do gerenciamento do risco socioambiental.


Foto: Divulgação


Foto: Gabriel Kosman

perfilcorporativo

Exemplo nacional Fundado há 27 anos por Marco Stefanini, o Grupo Stefanini é uma multinacional brasileira, presente em 33 países, e ranqueada entre as 100 maiores empresas de TI do mundo, com faturamento anual de R$ 2,11 bilhões

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arco Stefanini, CEO global do Grupo Stefanini, é uma pessoa que não perde o foco e muito menos o fio da meada. Ao retomar a entrevista que concedeu à Financeiro, depois de interrompê-la para atender à chamada de um ministro, o empresário engatou a conversa exatamente do mesmo ponto que havia parado antes de pedir licença para se ausentar por alguns minutos. Essa sua capacidade de concentração, aliada ao seu perfil empreendedor, certamente contribuiu para o sucesso do Grupo Stefanini, uma multinacional brasileira que está

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entre as 100 maiores empresas de TI do mundo, segundo levantamento da BBC News. “Aqui, como na vida, 80% é transpiração e 20% inspiração”, diz Stefanini, que há 27 anos conduz o grupo que conta com mais de 17 mil funcionários e faturamento anual de R$ 2,11 bilhões, sendo 40% desse valor gerado por negócios no exterior. O grande salto, no entanto, aconteceu a partir de 2010, quando o grupo acelerou sua expansão, aliando ao crescimento orgânico a aquisição de algumas empresas. “Junto com esses investimentos veio um processo de globalização mais intenso.


Há quatro anos, o faturamento das operações internacionais correspondia a 15% do volume total. Hoje, esse valor equivale a 40% dos rendimentos do grupo e já temos mais de 8 mil funcionários que atuam fora do Brasil, conta Stefanini. Entre as aquisições feitas pelo grupo, uma das mais significativas foi a Orbitall, em 2011, empresa de soluções de tecnologia para cartões de crédito, fundada em 2000 pela Credicard. “No setor de tecnologia, a oferta de serviços se transforma rapidamente em commodities. Então, o empresário só tem uma saída: investir e crescer. Caso contrá-

rio, estará morto”, alerta Stefanini. “Há oito anos, o mercado brasileiro era formado por um número maior de empresas e éramos apenas a terceira ou a quarta força do setor. Hoje, ficamos praticamente sozinhos”, lembra o empreendedor. Mesmo estando presente em 33 países, o Grupo Stefanini ainda é visto nas concorrências globais como algo exótico diante dos gigantes norte-americanos e europeus de TI. Segundo Marco Stefanini, o fato de o grupo continuar a ser nacional tem tudo a ver com o sonho de construir. “Para mim, o empreendedor tem que ser uma pessoa realista, de pé no chão, mas, por outro lado, com forte componente de sonho. É preciso misturar realidade e utopia para construir algo diferente”, diz o empresário. “Sempre gostei de desafio, de viajar, conhecer o mundo. Para você tocar um projeto de globalização é preciso ter uma visão de longo prazo. São necessário 10, 15 anos para se ter retorno.” Para auxiliar na administração dos negócios, o grupo está dividido em quatro núcleos: Brasil; América Latina, sem o Brasil; Europa, América do Norte e Ásia; e a Orbitall, sendo cada um deles administrado por um líder. No caso da Orbitall, o cargo de diretor-geral é ocupado por Marcos Monteiro. Os administradores têm um grau de autonomia bastante grande, o que reduz bastante as minhas viagens. Mas eu continuo viajando porque gosto de estar próximo dos clientes, conta Stefanini. Sobre seu investimento voltado para a Orbitall, ele planeja aplicar R$ 150 milhões nos próximos anos para renovação e melhoria do parque tecnológico. Os recursos já foram direcionados para a contratação de um novo data center e a

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perfilcorporativo

Marcos Monteiro, diretor geral da Orbitall

Grupo Stefanini Fundação: 27 anos Faturamento: 2,11 bilhões, 40% gerados no exterior Presença global: 33 países Funcionários: 17 mil, 8 mil fora do Brasil

Responsabilidade social

atualização das plataformas de processamento da empresa. Segundo Marcos Monteiro, a Orbitall pretende tornar-se a maior processadora independente de meios de pagamento do mercado brasileiro. “Isso nos permite oferecer soluções integradas, que agreguem valor e resultados aos negócios dos clientes, melhorando a eficiência e reduzindo os custos” detalha Monteiro. Entre seus serviços estão benefícios relacionados a cartão de crédito, cobrança, mesa de crédito, mecanismo antifraude, atendimento, etc. “Os bancos, que antes olhavam com certa desconfiança os serviços terceirizados, hoje estão se abrindo, buscando maior eficiência, rapidez e menor custo nos processos”, garante Stefanini. No entanto, em tecnologia é sempre importante correr em busca dos avanços. Além disso, não se pode desperdiçar tempo nem raciocínio. Com vários negócios distribuídos em diversas regiões, sempre se tem a sensação de alguma coisa ter ficado para trás. É preciso manter o equilíbrio diário dos pratinhos. Alguns chegam a cair, mas os principais continuam girando, ensina Marco Stefanini, que mesmo já medindo forças com os líderes mundiais, ainda chega a trabalhar 14 horas por dia. f

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Com sua sede no Jardim Adalgiza, zona oeste de São Paulo, o Instituto Stefanini é voltado para a formação educativa e profissional de adolescentes a partir de 16 anos e adultos. Por meio do programa Educar para Crescer, eles recebem aulas de informática, cursos administrativos, oficinas culturais de teatro, canto e violão. Conheça os projetos do instituto: Inclusão Digital – Cursos regulares nas áreas de tecnologia, que permitem ao aluno desenvolver novas habilidades e conhecimentos para sua inclusão ou recolocação no mercado de trabalho. Oficina de Geração de Renda – Iniciativa que visa buscar alternativas para a sustentabilidade do Instituto Stefanini, como também incentivar e desenvolver no aluno práticas de empreendedorismo. A oficina de artesanato é uma das ações que proporcionam uma alternativa de renda aos alunos. Banco de Oportunidades – Iniciativa voltada à captação de vagas em aberto nas empresas do Grupo Stefanini, como também em clientes e fornecedores. As empresas parceiras em busca de profissionais qualificados informam as vagas em aberto e o perfil exigido do candidato. Projeto Escola – Iniciativa que deu origem à entidade. Anualmente, a instituição seleciona projetos oriundos de escolas públicas que apresentem iniciativas inovadoras voltadas à melhoria nos ensinos infantil, fundamental e médio.


redesdeproteção

O FGC e as

garantias aos depositantes Por Caetano de Vasconcellos Neto

Artigo enviado em 14/7/2014

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a trilha do amadurecimento do ambiente econômico, em meados dos anos 90, surgia no Brasil a necessidade de se criar mecanismos que garantissem a confiança no sistema financeiro. Como nos lembra o passado mais remoto, alguns bancos não resistiram à conjuntura sem inflação e quebraram. Naquele contexto, era premente estabelecer uma estrutura que resgatasse a sensação de segurança dos depositantes e, por tabela, consolidasse os ganhos advindos da estabilidade monetária. A materialização dessa preocupação se traduzia na adoção de instrumentos adicionais de acompanhamento e a consequente formação de redes para proteção dos poupadores. Empréstimos de última instância, regulação eficaz, fiscalização eficiente, estrutura legal adequada e proteção direta a depositantes por meio de um mecanismo garantidor sempre foram componentes dessa rede, cujo objetivo é único: a manutenção de um sistema bancário sólido, saudável e, sobretudo, confiável aos olhos do público em geral. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) nasceu, em 1995, com essa missão e dois objetivos claramente definidos: o primeiro, proteger a poupança popular. Hoje, o FGC protege 99,7% dos depositantes do País até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição financeira. O segundo objetivo era assegurar a confiança no sistema bancário pós-Plano Real – vale lembrar a implantação do Proer, também em 1995, voltado ao saneamento dos bancos privados, que garantiu ao Brasil um dos menores custos de crise bancária da história econômica mundial. Em 20 anos de atuação, o FGC fortaleceu consideravelmente suas reservas, cortou para menos da metade o valor das contribuições dos bancos, aumentou por mais de uma vez o limite da garantia prestada, além de ter desempenhado importante

papel na crise financeira que eclodiu em 2008. O FGC deixava, naquele momento, de ser apenas uma “caixa pagadora” aos depositantes de bancos quebrados para exercer também um papel proativo, contribuindo para a liquidez e a solidez do sistema e, com isso, para evitar corridas bancárias e seus graves efeitos sobre a economia. Não obstante sua natureza de direito privado, constituído sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, não se pode ignorar que o FGC exerce função de interesse público. Seria equivocado atribuir ao fundo, por exemplo, a responsabilidade de “instância de socorro” de gestores qualificados e remunerados para orientar os investimentos e aplicações de terceiros. Exemplo disso são alguns fundos de pensão, que confrontam os princípios do direito administrativo ao pleitear que seus associados sejam garantidos individualmente, independentemente do risco tomado e da pertinência do investimento. Pergunto: como fica o risco moral? Afinal, uma das premissas quando da criação do FGC era a proteção dos pequenos depositantes, que não têm essa capacidade de avaliação. Vale notar, ainda, que o FGC, apesar de em certos aspectos se assemelhar a uma sociedade seguradora, não pode ser confundido como tal – assim o fosse, seria mandatório que recebesse contribuições diferentes das diversas instituições em razão direta do conceito de risco de mercado. E, se adotada essa linha, em vez de atuar para a proteção do sistema, estaria o fundo atuando na direção contrária, fomentando o desequilíbrio, a insegurança e a desconfiança no mercado. A capacidade financeira do fundo, combinada com a sensação de higidez econômica infinita, não pode nem deve embasar teses jurídicas e decisões judiciais que visam alcançar o patrimônio do FGC a qualquer custo. É preciso dizer, antes de tudo, que o fundo tem, sim, grande capacidade e patrimônio, mas adequados à sua finalidade. E, dentro de sua abrangência, cabe cuidar para que o investidor pequeno e médio – à semelhança do homo medius e não no sentido do valor investido – esteja protegido no âmbito do mercado financeiro contra eventuais quebras de bancos, dotando o sistema da confiabilidade desejável. f

Caetano de Vasconcellos Neto, diretor jurídico do FGC

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regulamentação Prefeitura de São Paulo regulamenta procedimento para apuração de atos lesivos previstos na Lei Anticorrupção Por Danyelle da Silva Galvão

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m 29 de janeiro de 2014, entrou em vigor a Lei nº 12.846/2013, conhecida como Lei Anticorrupção, que dispõe sobre a responsabilidade administrativa e civil das pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional e estrangeira. Apesar de inovadora no cenário pátrio, a aprovação da lei não é um fenômeno isolado, pois decorreu de compromisso assumido pelo Brasil em convenções internacionais e perante a OCDE, e acompanha movimento mundial contra a corrupção e a lavagem de dinheiro. Os atos lesivos foram previstos no art. 5º da lei e englobam desde a promessa, oferta ou entrega de vantagem indevida a agente público até fraudes em licitação, frustração de caráter competitivo do processo licitatório, manipulação do equilíbrio econômico-financeiro de contrato e intervenção em atividades de investigação ou fiscalização de órgãos públicos. O legislador optou pela responsabilização objetiva das pessoas jurídicas nos âmbitos civil e administrativo (art. 2º), bastando, portanto, que haja a comprovação da ocorrência do ato lesivo e a verificação de um nexo causal entre a empresa e o fato. De qualquer sorte, o legislador não excluiu a possibilidade de as pessoas físicas serem responsabilizadas individualmente, desde que tenham concorrido para a prática do ato lesivo e averiguada a sua culpabilidade (art. 3º). Poderão ser aplicadas duas sanções, isolada ou cumulativamente, a saber: multa, que varia entre 0,1% a 20% do faturamento bruto do último exercício anterior ao processo administrativo de responsabilização, e a publicação de extrato da decisão condenatória em meio de comunicação de grande circulação na área de atuação da pessoa jurídica ou de circulação nacional. Na prática, os atos serão apurados em processo administrativo, instaurado e julgado pela autoridade máxima de cada órgão ou por entidade de cada um dos três Poderes, ou pela Controladoria-Geral da União, quando do âmbito do Poder Executivo federal. Em que pese haver a previsão expressa sobre a forma de constituição da comissão para apurar a

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prática dos atos atentatórios, sobre o prazo de 180 dias para a conclusão dos relatórios acerca dos fatos, e sobre a necessária observância da ampla defesa e do contraditório, a lei é omissa sobre os procedimentos a serem adotados para a efetiva investigação. Diante dessa lacuna, a Prefeitura de São Paulo, por meio do Decreto 55.107, de 13 de maio de 2014, regulamentou a legislação federal e estabeleceu, de maneira clara e minuciosa, o procedimento para a apuração, dispondo expressamente sobre os prazos de defesa, a produção de provas, recursos cabíveis, e previu mais detalhadamente os critérios para a aplicação das sanções. Tais previsões são necessárias, principalmente para que as pessoas jurídicas ou físicas sejam investigadas de acordo com os parâmetros de ampla defesa e contraditórios, e para que as sanções eventualmente aplicadas sejam razoáveis e proporcionais aos fatos ocorridos. A lei federal também estabelece que a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica e a existência de mecanismos e procedimentos internos de integridade e incentivo a denúncias de irregularidades serão levadas em consideração para a fixação da sanção. No entanto, a lei prevê que os parâmetros de avaliação serão regulamentados pelo Poder Executivo federal. Diante da ausência, a Prefeitura de São Paulo estabeleceu, por meio do art. 24 do mencionado Decreto que, até a publicação, pelo Poder Executivo federal, serão apenas aceitos como mecanismos os sistemas de recebimento e apuração de denúncias que assegurem o anonimato, a adoção de medidas de transparência na relação com o setor público e a realização periódica de treinamentos com o intuito de promover a política interna de integridade. Imprescindível, portanto, regulamentação semelhante em âmbito federal, para conceder às pessoas jurídicas parâmetros sobre as medidas de transparência e integridade a serem adotadas internamente, e para que posteriores questionamentos judiciais quanto ao procedimento adotado e/ou as sanções aplicadas sejam evitados. f


microsepequenas Ampliar o acesso das MPEs ao crédito é determinante para a economia

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Foto: Divulgação

crédito viabiliza o operacional, as estratégias de crescimento e os investimentos das empresas. Daí, a importância dos negócios terem pleno acesso aos mercados de crédito, como fonte de recursos. No entanto, isso não ocorre com boa parte das micro e pequenas empresas (MPEs) do Brasil. De acordo com o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), essas empresas são 98% das exisJuan Perez, tentes no País, geram 57% dos empregos diretor-executivo comercial e contribuem com 20% do PIB (Produto Inda Boa Vista Serviços terno Bruto). São números que expressam a importância das MPEs no Brasil. Na comparação internacional, em economias em que esses negócios são estruturados para a competitividade, eles chegam a representar 50% do PIB. Nessa direção, países como Itália, Espanha, Japão, Taiwan, Coreia do Sul, Tailândia e China, entre outros, são casos de sucesso. No Brasil, nos últimos anos, grandes contribuições às MPEs têm sido adotadas, como a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, a criação da figura do microempresário individual, entre outras iniciativas que objetivam gradualmente formalizar essas empresas. É importante destacar que para essas empresas formalizadas crescerem e serem viáveis há necessidade de crédito. Nesse tocante, há um fator crítico: essas empresas serem conhecidas pelos agentes financeiros. Ainda prevalece um sistema imperfeito de informações sobre elas, o qual abre espaço para a seleção adversa, quando não se distinguem bons de maus pagadores (chamado assimetria de informações). O Banco Mundial mostra que vários países já passaram por esse fenômeno, que não é exclusivo do Brasil. É comum que as MPEs não possuam informações de crédito, não tenham histórico de suas transações financiadas e nem como elas foram pagas. Para quem concede crédito nessa situação fica difícil precificar o risco de uma determinada MPE, o que acaba gerando a necessidade de garantias crescentes para um financiamento ou mesmo a sua não aprovação. Nesse contexto, é muito comum o empreendedor de micro e pequena empresas utilizar suas linhas de crédito ao consumidor para financiar seu negócio. Considerando que esse crédito é mais caro e tem prazos menores do que os de pessoa jurídica, tal prática leva a empresa a um grave desequilíbrio financeiro, pondo em risco sua sobrevivência. O Banco Mundial, em seu relatório Improving SME financing through improved credit reporting (Melhorando o financiamento das MPEs por meio de relatórios aperfeiçoados de crédito), de março de 2014, mostra que nos países emergentes onde não há informações abrangentes de crédito, entre 55% e 68%

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dessas empresas não têm suas necessidades de crédito atendidas. Assim, para contornar essa assimetria de informações no mercado de crédito para MPEs, o organismo internacional destaca que são necessárias informações positivas, além das negativas, já presentes no mundo todo. Como as MPEs operam no limite entre pessoa física e jurídica, em vários países a reputação do empresário no cadastro positivo é utilizada na análise de crédito de sua empresa, quando esta não possui informações suficientes. Em breve, quando o cadastro positivo estiver plenamente funcionando no Brasil, também vai contribuir para uma melhor avaliação de crédito dos micro e pequenos negócios. Como demonstra o Banco Mundial, um bom sistema de informações de crédito é condição fundamental para a evolução e a sustentabilidade na oferta de recursos para esses portes. Complementando, as MPEs têm como alternativa buscar crédito nos programas sociais. Mesmo assim, são poucas as que obtêm os recursos, porque a maioria carece de informações mínimas organizadas. Como recentemente apontou o maior banco de fomento do País, muitas vezes não há nem balancete de verificação. Este é outro ponto crítico das MPEs na procura por crédito, a carência de informações gerenciais. Outra possível fonte de crédito para as MPEs são as cooperativas, que possuem atratividade para essas empresas, por conta do atendimento personalizado, das taxas de juros menores, do melhor conhecimento da comunidade que atua e com soluções customizadas. Como um dos países mais empreendedores no mundo, o Brasil não pode desperdiçar esta vantagem. Deve criar condições para que essas iniciativas se desenvolvam, inovem e sejam competitivas internacionalmente. Cabe compreender as MPEs como um agente promotor do crescimento econômico e um instrumento de redução da desigualdade social, pois estão presentes em todos os rincões do País, gerando emprego e renda. Ampliar a participação desses negócios no PIB passa, obrigatoriamente, pela expansão do acesso ao crédito. f

Artigo enviado em 26/6/2014

Por Juan Perez


legadodacopa

De repente, todo o Brasil deu as mãos Por Aquiles Leonardo Diniz

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Artigo enviado em 10/7/2014

uito tem se falado sobre os problemas econômicos, políticos e sociais do Brasil, principalmente pelo fato de o país ter sediado a Copa do Mundo. Apesar de muitos brasileiros estarem desapontados com a situação do país, há de se pensar no lado positivo que está por trás desse grande evento realizado aqui, pertinho da gente. Devemos nos focar nos benefícios que a Copa trouxe para o Brasil. Foram diversas mobilizações para oferecer mais comodidade aos brasileiros e Aquiles Leonardo Diniz, vice-presidente da Associação para receber o público estrangeiro: Nacional das Instituições de Crédito, organização e investimento nos transFinanciamento e Investimento portes, estruturas nos estádios e no (Acrefi) entorno deles, impulso à economia como um todo, priorização da segurança, investimentos na rede hoteleira, entre outros elementos que foram edificantes para o País. Calcula-se que o PIB brasileiro foi impactado em 2% com a movimentação da Copa do Mundo. Vocês já imaginaram o montão de dinheiro que isso significa? Com a vinda de europeus, africanos, asiáticos, americanos e povos da Oceania, a economia nacional foi impactada positivamente. Quanto aos preços de produtos e tarifas de serviços praticados durante a Copa, isso é reflexo do evento, assim como acontece em todo o mundo. É uma consequência da economia: maior demanda, procura e oferta. Tudo acontece de acordo com a ordem natural das coisas e se ajustam no seu devido tempo.

Outro fato importante que não podemos deixar de ressaltar foram as manifestações durante a Copa das Confederações, pois sem elas, talvez o País e os governantes não estivessem atentos às questões básicas e que foram reivindicadas por meio das passeatas. Ou seja, a aproximação e o estreitamento entre o Estado e o povo foi um legado importante adquirido pelo evento mundial. O fato de a Copa ser realizada aqui no Brasil foi motivo de grande orgulho. Recepcionamos os estrangeiros com toda a alegria, hospitalidade e otimismo que só o brasileiro é capaz de transmitir. Mostramos que, apesar dos problemas enfrentados pelo País, há um lado bonito em nós, brasileiros, que deve ser evidenciado. Receber bem os turistas, nos organizarmos para manter a cidade em ordem e o mais tranquila possível, todos dotados de muito entusiasmo e força para vencer, talvez sejam os primeiros passos para mudarmos a situação crítica que assombra o Brasil e deixa muitos de seus valores escondidos. Devemos sim extravasar os nossos sentimentos bons, mas os ruins, vamos deixar para as urnas, no dia 5 de outubro. Como diria uma música que a maioria dos brasileiros conhece, mas que esqueceu nos últimos meses, “vamos juntos, pra frente, Brasil! Salve a seleção! Todos ligados na mesma emoção, tudo é um só coração!”. E para finalizar, deixo esta frase da música e que tem o mesmo sentido da frase com a qual comecei este texto “De repente é aquela corrente pra frente, parece que todo o Brasil deu as mãos!” f julho 2014 financeiro 33


painelcetip

Nos primeiros cinco meses de 2014 os financiamentos de veículos atingiram 2,5 milhões de unidades

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m maio, foram financiados 532.702 veículos, entre automóveis de passeio e comerciais leves, motocicletas, veículos pesados e outros. O volume representa uma alta de 3% em relação a abril. Segundo Marcus Lavorato, gerente de relações institucionais da Unidade de Financiamentos da Cetip, em comparação com o mesmo período do ano passado, há uma retração de 6%. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o financiamento de veículos atingiu 2,5

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Fonte: Inteligência de Mercado Cetip

milhões de unidade. Os dados são do Sistema Nacional de Gravames (SNG), operado pela Cetip, e incluem informações sobre as restrições financeiras de veículos utilizados como garantia em operações de crédito em todo o Brasil. As concessões de crédito para financiamentos de veículos somaram R$ 14,3 bilhões* em maio, uma alta de 5% sobre o mês anterior, mas uma queda de 4% quando comparadas com maio de 2013. Entre janeiro e maio, as concessões de crédito somaram R$ 64,4 bilhões.

(*) A partir de out/13 a Cetip adotou nova metodologia para calcular os recursos liberados para financiamentos de veículos. São consideradas apenas inclusões de gravames de automóveis leves, com financiamento de até R$ 200 mil, e cujos prazos não sejam superiores a 120 meses; para motocicletas, o montante limite é de R$ 50 mil, com prazo de 90 meses. A metodologia também limita em R$ 500 mil e prazo de até 150 meses as inclusões de gravames de pesados. Dessa forma, a Cetip desconsidera operações com valores e prazos destoantes com as práticas do mercado. f


Fonte: Inteligência de Mercado Cetip

Fonte: Inteligência de Mercado Cetip

Fonte: Inteligência de Mercado Cetip

Fonte: Inteligência de Mercado Cetip

Fonte: Inteligência de Mercado Cetip

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estilo

Audi aposta alto no Brasil Montadora alemã quer produzir 26 mil carros por ano para o mercado premium nacional

Por Evandro Ribeiro

Fotos: Divulgação

Reconhecida como uma marca esportiva e jovial, a Audi volta a concentrar suas atenções no mercado brasileiro. De olho na ascensão do poder aquisitivo da população e na grande procura pelos carros de luxo, a montadora alemã vai começar a fabricar por aqui os modelos A3 Sedan e o Q3. A previsão é que a partir do segundo semestre de 2015 já possamos encontrar nas ruas um Audi fabricado novamente no Brasil, em São José dos Pinhais, no Paraná. Vale lembrar que a montadora já esteve presente por aqui entre 1999 e 2006. A ideia é que o mercado nacional se torne um dos mais importantes para a marca. O CEO da Audi do Brasil, Jörg Hofmann, acredita que em 2020 a frota de carros premium no Brasil deve triplicar. “De janeiro a maio deste ano, o acumulado de emplacamentos totalizou 5.024 veículos, 118% a mais que os primeiros cinco meses de 2013”, afirma o executivo. Já para os consumidores, é a oportunidade de ver com um pouco mais de competitividade os preços dos cobiçados A3 Sedan e Q3, pois com fabricação nacional dos modelos, os valores podem cair um pouco, apesar de a montadora preferir não se manifestar sobre o assunto.

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Fotos: Divulgação

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Como o próprio CEO gosta de enfatizar, os carros da Audi são reconhecidos pelos seus “modelos com DNA esportivo e tecnologia exclusiva e inovadora”. O A3 Sedan é um carro jovem, mas já é sucesso entre os brasileiros. Desde janeiro, quando estreou por aqui, com motor 1.8 de 180 cv e tabela de R$ 113.700, o esportivo é mais vendido que a sua versão hatch. Animada com os resultados, a Audi trouxe, em maio deste ano, a opção com motor 1.4 e preço a partir de R$ 94.800, valor que o coloca na briga pela preferência dos brasileiros que circulam pelas ruas com o Toyota Corolla ou com o Honda Civic. Com o câmbio automatizado de sete marchas e dupla embreagem, que faz trocas no tempo certo e bastante suave, A3 Sedan é um carro gostoso de dirigir, confiável, firme e com alta estabilidade. Evidente que para aqueles que buscam alto desempenho, é melhor pagar mais e optar pela versão 1.8, com seus 180 cv, já que a versão 1.4, apesar de ser um carro rápido para seus 122 cv, não se compara à versão 1.8 em desempenho. Contudo, para aqueles que desejam um carro confiável, confortável e econômico, é uma ótima opção. Na cidade, a média foi de 11,6 km/l, enquanto na estrada o computador de bordo marcou 16,8 km/l. Já o outro carro da marca a ser produzido no Brasil, o Q3, traz algo que parece contraditório, mas sempre sonhado: um SUV com desempenho de esportivo. Para aqueles que gostam de velocidade, prazer ao dirigir, mas já têm filhos e a ‘patroa’ sempre pede um carro espaçoso e alto, o Q3 resolve muito bem a questão. O SUV da Audi, na versão top de linha RS, é capaz de gerar 310 cv e 42,8 mkgf de torque em sua aceleração. É um verdadeiro parque de diversões para os que adoram alta velocidade. Ele vai de 0 a 100 km/h em 5,2 segundos. Ou seja, se você vir um carro desses atrás de você dando farol, vá para a direita! Para aqueles que querem ter o prazer de dirigir esse confortável e rápido SUV da Audi, o utilitário esportivo de alta performance teve preço definido em R$ 273,6 mil pela montadora alemã.

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Jörg Hofmann, CEO da Audi Brasil, recebeu a Financeiro e falou um pouco sobre os projetos e planos da montadora alemã para se consolidar de vez no mercado brasileiro de carros premium.

RF: Quais os motivos que levaram a Audi a voltar a produzir veículos no Brasil? Hofmann: Certamente, a boa perspectiva de crescimento do mercado foi um fator importante na decisão de produzir no Brasil. No entanto, o aporte de um investimento como esse não é baseado apenas em um resultado positivo de vendas. Ele envolve uma série de fatores, que foram levados em consideração pela nossa marca. Esse é um investimento de longo prazo e reflete a importância do Brasil para a Audi e uma aposta na economia brasileira. A Audi está há 20 anos no País e, com os investimentos na produção local, o mercado brasileiro pode se tornar um dos mais relevantes para a Audi no mundo. RF: Por que a Audi escolheu o A3 Sedan e o Q3 como os primeiros modelos a serem produzidos aqui? Qual é a previsão de quantidade por ano? Hofmann: Após uma série de análises e estudos, o A3 Sedan e o Q3 foram escolhidos por serem modelos bem aceitos no mercado brasileiro. A partir de 2020, quando nossa produção estiver na sua máxima capacidade, 26 mil carros por ano serão produzidos nacionalmente. RF: Quanto será investido e qual o cronograma? Hofmann: A Audi está investindo R$ 500 milhões na fábrica e os modelos que serão produzidos são o A3 Sedan, a partir do segundo semestre de 2015 e o Q3, a partir do primeiro semestre de 2016. RF: Em porcentagem, quanto de peças desses carros será produzido aqui e quanto ainda será importado? Hofmann: Esse é um assunto que está em estudo e depende também de questões legais do Inovar Auto. Nesse aspecto, é impor-

tante ressaltar que a Audi entrega carros com o mesmo padrão de qualidade, tecnologia e inovação a partir de todas as suas 11 fábricas no mundo e as exigências de entrega da fábrica brasileira não serão diferentes. RF: Qual é a fatia de mercado atual da Audi no Brasil e no mundo? Hofmann: A Audi ocupa a segunda posição no ranking mundial de vendas no segmento premium. Os números da Audi no Brasil e no mundo têm crescido expressivamente: no País a marca tem anunciado recordes de vendas. Em maio, contou com o maior número de emplacamentos de modelos da montadora alemã nos 20 anos de história da Audi do Brasil e garantiu o maior número de emplacamentos no segmento premium. A marca triplicou o resultado de vendas em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 1.309 emplacamentos de modelos importados, o que representa um acréscimo de 205%. De janeiro a maio, o acumulado de emplacamentos totalizou 5.024 veículos, 118% a mais que os primeiros cinco meses de 2013. Mundialmente, a Audi entregou 152.000 modelos Audi, 10,8% mais do que em maio de 2013. Até 2020, a Audi tem como meta vender 30 mil carros por ano no Brasil. RF: Chegou a hora de o mercado de luxo começar a investir em países emergentes? Hofmann: Nos últimos anos, o Brasil passou por mudanças econômicas, o que causou a ascensão das classes sociais. Com mais poder aquisitivo, existem mais potenciais clientes para as marcas premium. Esse é um mercado que está aquecido no País. Com isso, a Audi encontrou uma oportunidade para investir em uma série de ações, como comentei antes, para obter um crescimento sustentável no País. Com isso, acredito que os países emergentes sejam uma opção de expansão para marcas premium. RF: Para o senhor, quais os principais diferenciais da Audi em relação aos seus concorrentes? Por que comprar um Audi? Hofmann: A Audi entende que o mercado é complexo e que as motivações dos clientes são diversas. O que oferecemos como principal diferencial são modelos com DNA esportivo e tecnologias exclusivas e inovadoras. Um exemplo é o controle de cruzeiro adaptativo, que regula a velocidade e a distância do carro em relação ao veículo da frente, acelerando e freando para garantir a segurança na direção. f julho 2014 financeiro 39


cultura

Novo xodó dos paulistanos Até pouco mais de três anos o MIS era apenas um insosso espaço cultural de São Paulo. Hoje, sob o comando do inquieto André Sturm, o museu atrai milhares de visitantes, com exposições que fazem parte do circuito internacional Por Débora Dias

C André Sturm, diretor-executivo do MIS

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om mais de quatro décadas de existência, o Museu da Imagem e do Som, mais conhecido apenas como MIS, vive um momento único em sua história. Sob a direção de André Sturm desde junho 2011, a receita com as vendas cresceu quase 500% e atraiu no ano passado mais de R$ 4 milhões em investimentos na forma de patrocínio. Para se ter uma ideia, em 2010 o museu recebeu 50 mil visitantes, e em 2013 passaram por suas catracas mais 250 mil pessoas. Com números que surpreendem o mercado, o MIS deixa de ser destino apenas dos já experimentados admiradores de arte e se transforma


Fotos: Divulgação

em um roteiro atraente até mesmo para os que não possuem tanta familiaridade com o cenário cultural. Nos últimos meses, ganhou destaque internacional ao trazer para o Brasil duas mostras que provocaram recordes em visitações, gerando filas gigantescas na bilheteria. Uma delas sobre o cineasta norte-americano Stanley Kubrick e a outra relacionada ao cantor inglês David Bowie, que atraíram mais de 80 mil pessoas cada – público jamais registrado pelo MIS. De acordo com Sturm, o sucesso dessas exposições não se deve apenas aos personagens mais populares. “A questão não é apenas o tema,

mas também a forma. Nós construímos uma exposição que permitia uma experiência sensorial, o que contribuiu muito. Jovens que ainda não conheciam o trabalho de Kubrick, por exemplo, se interessaram em adquirir DVDs de seus filmes”, conta o diretor do MIS. Quando questionado sobre os principais objetivos de sua gestão, Sturm não se mostra interessado apenas em continuar viabilizando a vinda de exposições internacionais para o Brasil. Como legado, ele pretende transformar o museu em um ponto de encontro da população paulistana e fomentar a pluralidade da programação cultural. “Queremos fazer do MIS um espaço cultural dinâmico e vivo. Um lugar que esteja no roteiro das pessoas e que permita não apenas que elas vejam uma exposição, mas que tenham ainda a opção de fazer cursos e participar das diversas atividades que promovemos”, afirma Sturm. Para tanto, a ideia é ampliar o leque de iniciativas organizadas pelo MIS, valorizar seu acervo, investir em educação e em variedade de conteúdos. Sturm ressalta que, em um mesmo dia, o MIS oferece, por exemplo, uma mostra de filmes, uma exposição fotográfica e um espetáculo de dança. Com isso, um visitante que vem para assistir um filme e aproveita para ver um espetáculo de dança ou uma

Mostra Stanley Kubrick: sucesso entre os jovens

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cultura

Fonte: OSESP

Mostra David Bowie: mais de 80 mil visitantes

das nossas exposições regulares. Outra iniciativa que tem gerado bons frutos é o projeto MIS fora do MIS, sistema de parceria que leva algumas exposições para espaços culturais no interior paulista. Quem banca o MIS O MIS tem suas atividades garantidas por uma parceria público-privada, gerenciada pela Associação do Paço das Artes Francisco Matarazzo Sobrinho, entidade sem fins lucrativos ligada à Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Desse modo, a receita mensal do museu é uma combinação de valores vindos do governo estadual, dos patrocínios privados e das verbas operacionais (bilheteria, aluguel do espaço para eventos, vendas da loja de suvenires, etc.). A verba pública garantida pelo Estado estava estagnada há pelos menos quatro anos em R$ 9,5 milhões. Porém, após a renovação do contrato de convênio em 2014, o MIS obteve um reajuste que elevou esse valor para R$ 10,5 milhões. Além disso, os investimentos oriundos de patrocínio privado já ultrapassam os R$ 4 milhões. Segundo Sturm, “o sucesso das últimas exposições fez com que aumentasse o número de empresas que procuram o MIS interessadas em apoiar financeiramente suas atividades.

42 financeiro julho 2014

Sucesso não acontece por acaso Para trazer exposições internacionais para São Paulo, o MIS tem investido em uma série de detalhes, que inclui, entre outros fatores, a definição de um preço atraente para o dono dos direitos de exibição da mostra, seguros, contratação de equipe especializada em embalagem e transporte das peças. Sturm conta que existe um acordo internacional que determina que o país que recebe a exposição deve arcar com todas as despesas de entrada das obras. Ele ressalta também que outro passo importante é a adequação do acervo ao Brasil e às propostas do museu: “A exposição do Kubrick, por


Fotos: Divulgação

exemplo, foi construída por nós. Tratava-se de um conjunto composto por 800 objetos, que incluíam desde folhas de roteiro até bonecos, e nós criamos toda a expografia, que proporcionava aos visitantes a sensação de entrar em um de seus filmes”. Já para a exibição da mostra sobre David Bowie, Sturm conta que demonstrou interesse em trazê-la já há bastante tempo, antes mesmo de sua montagem no Victoria and Albert Museum, em Londres. Com isso, garantiu que 90% do acervo viesse para o Brasil, saindo à frente de outros países da Europa e até mesmo dos Estados Unidos.

Planos para o futuro Para André Sturm, o Brasil tem se desenvolvido culturalmente de uma maneira satisfatória, ao passo que trata o assunto com mais seriedade e tem apresentado melhora na economia. Por participar do circuito internacional, o diretor consegue avaliar também que o País tem sido visto com bons olhos pelos grandes polos culturais, o que, segundo ele, pode ser comprovado pela prioridade na vinda da exposição de David Bowie. Longe do olhar do grande público, o MIS tem em seu acervo mais de 200 mil itens, que começam a ser digitalizados. Entre outras relíquias, estão centenas de depoimentos de artistas, políticos e pessoas ligadas à história do País. Para os próximos anos de sua gestão, o plano de Sturm é dar continuidade ao processo de tradição e ruptura, que sempre fez parte da trajetória e da atitude do MIS, porém o transformando em um espaço cada vez mais rico, promovendo a experimentação e o aprendizado. O próximo sucesso de público do MIS certamente será a exposição sobre os 20 anos do Castelo Rá-Tim-Bum, que foi inaugurada em julho. Além disso, o diretor afirma que tem uma série de mostras fechadas para os próximos anos, mas, sobre esse assunto, André Sturm prefere guardar segredo. f julho 2014 financeiro 43


livros Complacência Entenda por que o Brasil cresce menos do que pode

O

objetivo da obra é atualizar de forma organizada, para o final de 2014, a crítica que os autores têm feito, em suas respectivas atuações profissionais, à ausência de medidas mais incisivas por parte do governo em relação aos determinantes de crescimento da economia brasileira, em um contexto em que o espaço para crescimento a partir de estímulos à deman-

da tende a se esgotar. A crítica direciona-se à falta de medidas mais profundas nos últimos anos, relacionadas com a necessidade de melhorar a educação, estimular os investimentos em infraestrutura, elevar a poupança doméstica e melhorar os indicadores de produtividade. Há um elemento de continuidade em relação ao “Além da euforia”, com

Autores: Alexandre Schwartsman e Fabio Giambiagi Editora: Campus Elsevier diferenças de estilo, diferenças de coautor e principalmente de atualização do diagnóstico, uma vez que o “Além da euforia” acabou de ser escrito no final de 2011 e o livro em questão seria divulgado no final de 2014, três anos depois. f

O Banqueiro do Mundo Lições de Liderança do Diplomata das Finanças Globais

P

rincipal renegociador da dívida externa brasileira em 1982 e um dos primeiros a vislumbrar a crise de 2008, William Rhodes explica neste livro como o exemplo do nosso país pode servir de referência para outros mercados. Ele também auxiliou na crise que afetou a Argentina e outros países latino-americanos nas décadas de 1980 e 1990. O autor compartilha também detalhes de sua vivência no Citigroup, englobando a negociação de uma ação estratégica em um dos

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principais bancos na China e a liderança da comunidade bancária internacional na abertura de escritórios na África do Sul, na China, em Israel, na Europa Oriental e na Europa Central. Para Rhodes, o tempo é sempre desfavorável em uma crise, pois os riscos de ela se espalhar estão inevitavelmente presentes. A solução para gerenciá-la está em uma negociação paciente, persistente, que compreenda a cultura e as pressões sobre cada negociante de maneira a aproveitar

Os Imigrantes Alemães Na Construção da Sociedade Brasileira

Autor: William R. Rhodes Editora: Globo Livros

momentos estratégicos e saber exatamente o momento de fechar um acordo. Não é à toa que conquistou até a simpatia de Fidel Castro. Com prefácio assinado por Armínio Fraga, ex-presidente do BC, a obra de Rhodes provoca uma série de reflexões relevantes sobre os novos tempos. f

Autor: Eloy Câmara Ventura

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obra resgata as origens dos alemães que vieram para São Paulo a partir de 1827 e como eles contribuíram para a formação da nacionalidade brasileira para o desenvolvimento da cidade, especialmente a região central. O livro traz ainda fotografias e ilustrações que retratam a cidade daquela época e atualmente, como o prédio da Catedral da Sé, a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, a Rua do Comércio e o Mosteiro de São Bento. Além de documentos históricos sobre a chegada dos alemães ao Brasil. É um trabalho para quem deseja aprofundar seus conhecimentos sobre as principais colônias de imigrantes que contribuíram com o desenvolvimento do País. f


terceirosetor Dr. Sérgio Petrilli, superintendente do Graacc

Dr.

Graacc Longe dos holofotes da mídia e despojado de qualquer vaidade pessoal, Dr. Sérgio Petrilli conduz, há 23 anos, uma das instituições que é referência no tratamento do câncer infantil na América Latina Por Gilberto de Almeida

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aça um teste. Pergunte em um parque ou em um shopping center, em São Paulo, se as pessoas conhecem o Graacc. Pode ser que a maioria não saiba o significado de cada letra da sigla, mas certamente eles dirão que se trata de uma instituição que é referência no tratamento do câncer infantil. Aproveite a abordagem e questione se já ouviram falar no Dr. Sérgio Petrilli. É bem provável que poucos o conheçam, pois é um médico que coloca o seu trabalho à frente do Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer) acima de qualquer notoriedade ou vaidade pessoal. Desde que fundou a entidade, há 23 anos, junto com o engenheiro Jacinto Antonio Guidolin e a voluntária Léa Della Casa Mingione, o Dr. Petrilli corre diariamente atrás de recursos e de parcerias para que mais crianças tenham oportunidade de cura, assim como fazia antes de assumir a superintendência da entidade, já como chefe do setor de Oncologia do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina, que até hoje dá suporte ao Graacc.

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No entanto, a existência e o êxito do Graacc só são possíveis graças à sinergia entre três parceiros: o empresariado, que contribui com doações regulares; a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), responsável pela assistência médica, ensino e pesquisa; e a sociedade. Junto, esse trio mantém, orienta e capacita a instituição a ir cada vez mais longe. É por meio desse esforço conjunto que as crianças e os adolescentes tratados pelo Graacc têm, em média, 70% de possibilidade de cura, índice não muito distante dos 80% alcançados em países da Europa e dos Estados Unidos e bem superior aos 35% ou 40% obtidos no restante do Brasil. “Aqui, nós tentamos diminuir essa desigualdade”, diz Petrilli. Pois, 90% dos pacientes do Graacc são encaminhados pelo SUS (Sistema Único de Saúde), sendo que 40% vêm de outros Estados, e 10% são mantidos pelos convênios particulares. Mesmo quando os pacientes atingem a idade adulta, acima dos 20 anos, eles continuam a contar com a retaguarda do Graacc. Tanto é assim que

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Fotos: Divulgação

terceirosetor

Em 1998, entidade inaugurou seu primeiro hospital na Vila Clementino, São Paulo

Petrilli interrompeu a entrevista que concedia à Financeiro para atender a um retorno de ligação do Dr. José Osmar Medina Pestana, especialista em transplantes e diretor do Hospital do Rim, também da Unifesp, a quem Petrilli pedia apoio para procedimentos de diálise em alguns casos agudos de adultos internados na UTI. Esse tipo de iniciativa e de parceria é que permite ao Graacc se manter com um orçamento anual de R$ 80 milhões, sendo que 50% desse valor são doações vindas da sociedade e de projetos de incentivos fiscais à saúde, possibilita realizar mais de 26 mil consultas, 1,6 mil cirurgias, 37 transplantes de medula e mais de 11,4 mil sessões de quimioterapia. Tudo isso é feito por cer-

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ca de 673 funcionários e 485 voluntários, além de outros colaboradores externos, estudantes da Unifesp e de mão de obra terceirizada. Foi também por meio do apoio das empresas e de doadores individuais que a instituição conseguiu investir R$ 36 milhões na construção do anexo 1 do Hospital Graacc, inaugurado em 2013, em um terreno cedido pela Prefeitura de São Paulo. Com seis andares e um subsolo, o projeto da nova área construída, de 8,4 mil m², aumentou em 30% a capacidade de atendimento dos pacientes, que agora são acolhidos em espaços mais amplos e com as paredes pintadas em cores vibrantes. A expansão permitiu realocar o serviço de radioterapia, estender o pronto atendimento, criar salas


de triagem e de coleta de exames, abrir quartos de isolamento, novos consultórios, etc. Segundo o Dr. Sérgio Petrilli, com o novo prédio, o Graacc passou a atender 310 novos casos por ano. “Essa ampliação permite que a gente invista ainda mais em pesquisa para aumentar as chances de cura dos pacientes. Além disso, traz a oportunidade de disseminar estudos sobre a doença e de formar novos profissionais voltados à área de oncologia pediátrica”, afirma o superintendente. Como é até hoje, o Graacc nesses seus 23 anos de fundação foi construído tijolo a tijolo. Em 1991, o primeiro passo foi transferir o Setor de Oncologia Pediátrica do Hospital São Paulo para uma casa, que ficou conhecida como a “casinha”. Os pequenos pacientes eram acolhidos nesse espaço, dentro do conceito de hospital/dia, em que recebiam atendimento médico e assistencial e voltavam para as suas residências. Sete anos depois, com a ajuda das empresas e de instituições, foi inaugurado um hospital, na Vila Clementino, em São Paulo, com 4,2 m², distribuídos em oito andares e dois subsolos, hoje interligado ao anexo 1. Além do atendimento no hospital, como muitos pacientes vêm de outras regiões do País, o Graacc conta com o apoio da Casa Ronald McDonald São Paulo, que tem capacidade para acolher 30 pacientes e seus familiares, em 30 suítes, sendo seis delas exclusivas para os pacientes que realizaram transplantes de medula óssea. Os custos são mantidos por doações de pessoas físicas e jurídicas e do apoio do Instituto Ronald McDonald, que realiza campanhas, como o McDia Feliz. Para manter tudo isso, 12 funcionários e 60 voluntários se revezam em turnos durante os sete dias da semana. No Graacc não há descanso na busca de novos benefícios para os pacientes. Terminadas as obras e equipado o anexo 1, a diretoria já se prepara para levantar o anexo 2, com 18 mil m² de área construída e investimento de mais R$ 60 milhões, no restante do terreno doado pela Prefeitura de São Paulo, que tornará o Graacc o maior centro de atendimento a crian-

Em abril de 2013, o Graacc lançou a campanha Movimento Carequinhas, que depois foi premiada no festival internacional Cannes Lions

ças com câncer da América Latina. O novo espaço contará com uma brainsuite no centro cirúrgico – sala especialmente preparada para cirurgias de tumores cerebrais –, com aparelho de ressonância magnética que rastreia vestígios de tumor para a sua retirada, enquanto a cirurgia é feita. O prédio abrigará ainda uma área de reabilitação lúdica, laboratórios de pesquisa genética, biológica, cirúrgica, patológica e clínica, além da ampliação do número de leitos, do centro cirúrgico e do centro de transplante de medula óssea. Como é possível perceber, trabalho não falta no Graacc, mas não é a tarefa de gestor aquela que dá maior prazer ao Dr. Sérgio Petrilli. Sua maior satisfação ainda é poder atender aos pacientes no ambulatório ou falar com uma mãe que busca orientação para o filho que está com febre. Esse é o momento em que os olhos do Dr. Graacc brilham com mais intensidade. f MÉDIA DE TAXA DE CURA NO GRAACC

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negócios&lazer

Campo dos

sonhos

O

interior do Estado de São Paulo revela o potencial turístico que vem conquistando cada vez mais os paulistanos como uma alternativa à agitação do litoral, principalmente durante o inverno. Uma opção que agrada àqueles que buscam o ar puro, a natureza e o sossego é o Broa Golf Resort. Localizado no município de Itirapina, próximo a Brotas, a 210 km da capital paulista, o resort ocupa uma área de 1.200 hectares às margens da Represa do Broa, formada pelas águas do Ribeirão do Lobo, do Rio Itaqueri e de córregos menores. Esses atrativos naturais encantam os amantes dos esportes náuticos e de aventura, como caiaque, rafting, boia cross, tirolesa, parede de escalada, stand up paddle, paintball, arco e flecha, entre outras modalidades. Cercado por paisagens paradisíacas, o Broa Golf Resort possui 75 apartamentos, para acolher os hóspedes que curtem o golfe e mais de 15 atividades dedicadas ao ecoturismo. Além disso, segundo Paulo Eduardo Marques, gerente geral do hotel, o local ainda conta com spa, espaço zen para massagem, ofurô ao ar livre, piscinas, minizoo, sete quadras de tênis e recreação com monitores para as crianças. Como o golfe é um esporte que tem tudo a ver com o universo dos negócios, o Broa Golf Resort atrai presiden-

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Localizado a 210 km de São Paulo, o Broa Golf Resort é o refúgio de executivos que buscam a tranquilidade do interior, sem abrir mão do conforto e da comodidade para fazer novos negócios e, ainda, descansar

Fotos: Divulgação

Por Geyse Alencar

tes de empresas e executivos que buscam aliar o lazer a transações comerciais e networking. Segundo Marcelo Giumelli, gerente responsável pelas atividades ligadas ao golfe, o campo do hotel – 300 mil m², nove buracos com quatro tees de saída (par 72 para duas voltas) e greens (área final) de qualidade – está ranqueado entre os melhores do País. “O nosso padrão de excelência nos levou a ser selecionados para abrigar o Centro de Treinamento de Golfe dos Jogos Olímpicos Rio 2016”, conta Giumelli. Para os hóspedes pouco familiarizados ao swing do esporte de Tiger Woods (movimento feito para a batida na bola), o hotel promove uma clínica (orientação) com as noções básicas da modalidade. A infraestrutura do resort tem atraído também a atenção de empresas, como TAM, Alpargatas, Cartier e Timberland, que escolheram o refúgio da Represa do Broa para realizar eventos, encontros corporativos e divulgação de campanhas publicitárias. “Uma companhia, por exemplo, trouxe recentemente seus funcionários para um treinamento e, no meio da madrugada, foi simulado um sequestro de dois colaboradores. Eles desceram de helicóptero em uma produção quase que cinematográfica”, relembra Marques. julho 2014 financeiro 51


negócios&lazer Curiosidade Por que Represa do Broa? Uma senhora vendia broas de milho na única porteira que permitia acesso à saída da represa na década de 30. Ao passo que aumentava o número de frequentadores, a tradição da broa foi ganhando espaço na região e a fazer parte da vida dos moradores.

Serviço

Broa Golf Resort Rodovia Municipal Ayrton Senna da Silva, km 8, Itirapina/SP. www.broagolfresort.com.br

Tel.: (55.19) 3575-1136

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Outro atrativo do resort é o Instituto Arruda Botelho, espaço com 2.400 m², que abriga há 17 anos o acervo particular de aeronaves, em condições de voo, de Fernando de Arruda Botelho, empresário falecido em 2012, fundador do Broa Golf Resort e amante da aviação. Entre as raridades expostas à visitação estão aeronaves do início do século 19, como a Taylor Turist, com capacidade para quatro lugares, um dos 14 exemplares fabricados. Outro é o Beechcraft Staggerwing, com trem de pouso retrátil, utilizado na Segunda Guerra Mundial. A aeronave foi idealizada por Walter Beech, em 1932, a partir da necessidade de um transporte executivo capaz de voar maiores distâncias com mais rapidez que qualquer outro avião médio existente na época. “Essa paixão pelo mundo aéreo levou Fernando de Arruda Botelho a organizar o Broa Fly-In 14-Bis, uma das mais importantes feiras de aviação da América Latina, que reúne anualmente cerca de 10 mil pessoas, entre empresários, executivos, colecionadores (amadores e profissionais) fornecedores e consumidores de produtos e serviços”, explica Paulo Eduardo, gerente do Broa Resort. Os negócios gerados pelo evento movimentam cifras superiores a US$ 100 milhões. A próxima edição está confirmada para os dias 5, 6 e 7 de junho de 2015. f

Fotos: Divulgação

Sonho que gera negócios


happyhour

Delícias dos conventos

A Casa Mathilde, no centro de São Paulo, serve os melhores doces criados pela tradição portuguesa

S

e você sonha em voltar a Portugal para, entre outras coisas, matar a saudade dos doces portugueses, saiba que esse prazer está mais perto do que você pode imaginar. Na Praça Antonio Prado, Centro de São Paulo, pertinho da Torre do Banespa, a Casa Mathilde resgata a tradição da doçaria criada nos conventos desde o século 15. Sem precisar atravessar o Atlântico, é possível deliciar-se saboreando um legítimo pastel de nata, idêntico

Serviço

Casa Mathilde Praça Antonio Prado, 76 (Centro) São Paulo – SP Telefone: (11) 3106.9605

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ao que se come no bairro lisboeta de Belém; pastel de São Bento, que traz na receita amêndoas crocantes; tortas de azeitão; rocambole de massa fina e recheio de ovos e açúcar; e travesseiro de Sintra, massa folhada enrolada com creme de amêndoas e canela, coberta com açúcar de confeiteiro. Essas tentações são preparadas por três chefs confeiteiros, trazidos de Portugal, que misturam delicadamente os ingredientes básicos das receitas lusas: ovo caipira, açúcar, leite, manteiga e farinha de trigo. Além do sabor inigualável dos doces, é possível vê-los saírem quentinhos do forno, de meia em meia hora. Para trazer essa pequena porção de Portugal – 1.200 m², divididos em três pavimentos – para o coração de São Paulo, um grupo de empresários portugueses investiu mais de R$ 5 milhões. Os sócios trouxeram a Casa Mathilde para cá porque desejam resgatar uma doçaria tradicional de Portugal, fundada em 1850 em Sintra e que ficou famosa por se tornar a fornecedora oficial de queijadinhas à Casa Real, depois que D. Fernando II apaixonou-se pelo quitute em uma viagem à cidade. A lendária fábrica de doces foi desativada logo depois da Revolução dos Cravos, em 1974. Além da tradição portuguesa, o espaço escolhido pelos sócios, no centro de São Paulo, já estava envolvido em uma aura gastronômica desde a década de 1950, quando acolheu ali o primeiro salão do restaurante Fasano. Se essas poucas linhas e as fotos encheram sua boca d’água, não perca tempo. Faça uma visita ao centro velho paulistano e prove essas tentações que só os portugueses sabem preparar. f


bancodedadosinepad

Endividamento das famílias brasileiras e a inadimplência

Gráfico 1 - Crédito/PIB e Saldo Inepad e BCB

Por Prof. Dr. Alberto Borges Matias, com colaboração de Iago Henrique Rodrigues Monteiro

Foto: Divulgação

O desenvolvimento do sistema financeiro brasileiro é um fato comprovado pelo desenvolvimento da relação crédito/PIB e pelo aumento constante e progressivo do saldo das operações de crédito contratadas. Entretanto, o expressivo aumento do endividamento das famílias brasileiras nos últimos anos, e a inadimplência, tem causado certa preocupação quanto à sustentabilidade desse crescimento. Como está exposto no Gráfico 1, pode-se observar um aumento médio mensal de 0,3 p.p. (pontos percentuais) na relação crédito/PIB do Brasil de abril de 2007 a fevereiro de 2014, chegando a 55,77% ao fim do período. Já o saldo da carteira de crédito aumentou de R$ 780 bilhões em abril de 2007 para R$ 2,73 trilhões ao fim do período apresentado. Isso representa um crescimento médio mensal de 1,48%, como mostra o Gráfico 2. Interessante observar no Gráfico 2 também, uma brusca redução no crescimento do saldo no segundo semestre de 2008 causado pela crise mundial de liquidez, chegando a haver uma leve recessão de 0,03% em fevereiro de 2009.

Elaborado pelo Centro de Pesquisas do INEPAD - Núcleo CEPEFIN. Elaboração:

Nota: Saldo está no eixo secundário.

Gráfico 2 - Variação Mensal do Saldo das Operações de Crédito Inepad e BCB

Iago Henrique Rodrigues Monteiro – Pesquisador do Centro de Pesquisas do INEPAD – Núcleo CEPEFIN. Graduando em Ciências Econômicas pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo no campus de Ribeirão Preto.

Orientador:

Primeiramente, é necessário ressaltar que endividamento não é um termo pejorativo e não significa que haverá inadimplência necessariamente, o termo apenas representa o quanto o crédito e o financiamento estão presentes na economia de um país. Segundo definição usada pelo Banco Central, o endividamento das famílias é “a relação entre o valor atual das dívidas das famílias com o Sistema Financeiro Nacional e a renda das famílias acu-

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Alberto Borges Matias – Fundador do INEPAD e orientador do CEPEFIN. Professor titular do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo no campus de Ribeirão Preto. Livre-docente em Finanças, atuando nos programas de graduação, pós-graduação e MBAs da Universidade


mulada nos últimos doze meses”. Desse modo, Gráfico 3 - Endividamento das Famílias Brasileiras Inepad e BCB observando o Gráfico 3, que mostra a evolução do endividamento e a evolução da renda dos últimos doze meses dos trabalhadores brasileiros, é visível que houve um aumento na renda, contudo, não com a mesma intensidade que houve na expansão de crédito, sendo, portanto, um dos fatores que influenciaram no aumento do endividamento das famílias. O aumento do endividamento no período foi de 15,28 p.p., alcançando 45,73% em março de 2014, já o aumento na renda foi de 21,58% e chegou a R$ 24,7 mil ao fim do período. Nota: Renda Média Anual do Trabalhador no eixo secundário. No Gráfico 4, é feita uma comparação do endividamento das famílias brasileiras com o endiviGráfico 4 - Endividamento das Famílias Brasileiras Inepad e FED damento de famílias de alguns países desenvolvidos. Na curva dos Estados Unidos e da Alemanha é possível perceber um decrescimento no endividamento das famílias a partir de 2009. Essa queda foi causada após a crise de 2008, que foi uma consequência do alto nível de inadimplência nas concessões de crédito subprime. Como medida de prevenção para novas recessões econômicas, os governos de determinados países tomaram atitudes para controlar o endividamento das famílias. No caso dos Estados Unidos e da Alemanha houGráfico 5 - Variação da Inadimplência Inepad e BCB ve uma queda na curva de endividamento para 80,53% e 56,02%, respectivamente, no fim do período. Já Austrália e Canadá mantiveram o nível de endividamento das famílias em cerca de 95% da renda anual. Outro ponto a ser observado é a distância do endividamento das famílias brasileiras, que no fim do período apresentado estava em apenas 45,38%, para o endividamento dos outros países desenvolvidos, que convivem com um endividamento das famílias próximo a 100% e mesmo assim possuem economias saudáveis. No Gráfico 5 é exposta a variação mensal da inadimplência e a evolução da taxa Selic no período. Apesar de as concessões de crédito no Brasil Nota: Taxa Selic está no eixo secundário. serem predominantemente prefixadas, ou seja, não possuem indexação a taxa Selic, é possível observar a influência da Selic na variação da inadimplência, causada, mercado de crédito brasileiro. Além disso, apesar do recente auprovavelmente, pela influência nas concessões de crédito pós-fi- mento, o endividamento das famílias brasileiras está bem abaixo xadas e pelas novas concessões. Outro ponto importante é o cres- em comparação com os países estudados, que ainda assim poscimento da inadimplência durante a recessão mundial de 2008. suem economias saudáveis. Com isso, é possível concluir que o Em abril de 2009, por exemplo, houve um aumento de 10,81% na problema não é a quantidade de concessões de crédito contratainadimplência. Entretanto, no período apresentado, a inadimplên- dos, e sim as condições em que os mesmos são feitos. Portanto, o Brasil continua com um excelente potencial de expansão do cia caiu de 3,7% em maio de 2007 para 3% em janeiro de 2014. A queda da inadimplência no período apresentado é um im- mercado de crédito, e pode continuar essa evolução de maneira portante indicador da sustentabilidade da recente evolução do responsável e sustentável. f julho 2014 financeiro 57


bancodedadosinepad Taxas Médias: geral DATA

Aplicações

Var. p.p.

Captações

Var. p.p.

Spread

Var. p.p.

abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14

18,5 18,1 18,5 19,1 19,3 19,5 19,8 20,0 19,7 20,7 21,0 21,1 21,1

0,0 -0,4 0,4 0,6 0,2 0,2 0,3 0,2 -0,3 1,0 0,3 0,1 0,0

6,8 6,9 7,6 7,7 8,0 8,2 8,2 8,5 8,6 8,9 8,7 8,8 8,6

0,0 0,1 0,7 0,1 0,3 0,2 0,0 0,3 0,1 0,3 -0,2 0,1 -0,2

11,7 11,2 10,9 11,4 11,3 11,3 11,6 11,5 11,1 11,8 12,2 12,3 12,5

0,0 -0,5 -0,3 0,5 -0,1 0,0 0,3 -0,1 -0,4 0,7 0,5 0,0 0,2

Variação abr-abr

2,6

1,8

0,8 Fonte: BC / INEPAD

Taxas Médias: Pessoa física DATA

Aplicações

Var. p.p.

Captações

Var. p.p.

Spread

Var. p.p.

abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14 Variação abr-abr

24,3 24,0 24,2 25,1 25,2 25,6 26,2 26,1 25,6 26,8 27,2 27,7 27,7

-0,2 -0,3 0,2 0,9 0,1 0,4 0,6 -0,1 -0,5 1,2 0,4 0,5 0,0

7,0 7,1 8,0 8,2 8,6 8,8 8,8 9,1 9,2 9,5 9,2 9,4 9,1

-0,1 0,1 0,9 0,2 0,4 0,2 0,0 0,3 0,1 0,3 -0,3 0,2 -0,3

17,3 16,9 16,2 16,9 16,6 16,8 17,4 17,0 16,4 17,3 18,2 18,3 18,6

-0,1 -0,4 -0,7 0,7 -0,3 0,2 0,6 -0,4 -0,6 0,9 0,9 0,1 0,3

3,4

2,1

1,3 Fonte: BC / INEPAD

Taxas Médias: Pessoa física DATA

Aplicações

Var. p.p.

Captações

Var. p.p.

Spread

Var. p.p.

abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14 Variação abr-abr

14,0 13,5 14,1 14,4 14,7 14,7 14,8 15,2 15,1 15,9 16,0 16,0 16,0

-0,4 0,4 0,6 0,2 0,2 0,3 0,2 -0,3 1,0 0,3 0,1 0,0 -21,1

6,6 6,7 7,3 7,3 7,5 7,7 7,8 8,1 8,2 8,3 8,3 8,3 8,2

0,1 0,7 0,1 0,3 0,2 0,0 0,3 0,1 0,3 -0,2 0,1 -0,2 -8,6

7,4 6,8 6,8 7,1 7,2 7,0 7,0 7,1 6,9 7,6 7,7 7,7 7,8

-0,5 -0,3 0,5 -0,1 0,0 0,3 -0,1 -0,4 0,7 0,4 0,1 0,2 -12,5

58 financeiro julho 2014

2,0

2,2

0,1 Fonte: BC / INEPAD


Consignados: saldo de operações de crédito crédito consignado (R$ milhões) Crédito pessoal Mês/Ano abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14

Taxa de Juros %a.a.

Consignado Não consignado Servidores Trab. do setor Beneficiários

Fonte: BC / INEPAD

94.042 94.904 95.634 95.736 96.486 97.579 98.605 99.423 97.767 98.921 99.503 100 269 101 250

públicos

privado

do INSS

124.091 126.450 128.603 130.421 132.123 133.439 134.936 136.391 137.169 138.420 140.063 141 516 143 161

16.964 17.223 17.401 17.504 17.727 17.860 17.950 18.008 17.953 18.050 18.175 18 280 18 473

61.412 62.706 63.386 64.181 65.102 65.536 65.893 66.356 66.755 67.672 69.344 69 795 70 412

Total 202.467 206.379 209.390 212.106 214.952 216.835 218.779 220.628 221.841 224.142 227.582 229 591 232 046

Total 296.509 301.283 305.024 307.842 311.438 314.414 317.384 320.178 319.644 323.063 327.085 329 860 333 296

Consignado 24,3 24,2 24,2 24,4 24,5 24,3 24,6 24,5 24,4 24,9 25,1 25,3 25,3

Crédito Diferença Pessoal 36,8 36,7 38,0 39,8 39,7 40,3 42,2 41,7 41,3 43,0 44,1 43,9 45,1

12,5 12,5 13,8 15,4 15,2 16,0 17,6 17,2 16,9 18,1 19,0 18,6 19,8

julho 2014 financeiro 59


bancodedadosinepad Saldo da carteira de crédito - pessoa física

4,82 -0,48 -3,03 2,36 0,59 4,45 0,15 -3,68 -4,84 7,53 -7,78 6,00 2,15

123.598 126.433 125.372 129.369 130.019 131.437 133.682 135.236 144.589 143.914 139.698 141.616 141.331

1,19 2,29 -0,84 3,19 0,50 1,09 1,71 1,16 6,92 -0,47 -2,93 1,37 -0,20

21.662 21.773 21.764 21.721 21.739 21.558 21.500 21.416 21.195 21.058 20.887 20.719 20.598

0,25 0,51 -0,04 -0,20 0,08 -0,83 -0,27 -0,39 -1,03 -0,65 -0,81 -0,80 -0,58

93.944 94.945 95.663 95.736 96.787 97.579 98.605 99.423 97.767 98.921 99.503 100.269 101.250

1,11 1,07 0,76 0,08 1,10 0,82 1,05 0,83 -1,67 1,18 0,59 0,77 0,98

202.469 206.309 209.304 212.106 214.728 216.835 218.779 220.754 221.878 224.143 227.581 229.591 232.046

VARIAÇÃO EM %

CRÉDITO PESSOAL VARIAÇÃO Crédito Variação Crédito pessoTOTAL EM % pessoal não al consignado Variação em % em % total consignado 1,83 1,90 1,45 1,34 1,24 0,98 0,90 0,90 0,51 1,02 1,53 0,88 1,07

296.412 301.254 304.967 307.842 311.515 314.414 317.384 320.177 319.645 323.063 327.085 329.859 333.296

1,60 1,63 1,23 0,94 1,19 0,93 0,94 0,88 -0,17 1,07 1,24 0,85 1,04

OUTROS CRÉDITOS LIVRES 25.941 25.923 26.250 26.279 26.417 25.700 25.167 25.723 25.930 26.354 28.085 27.272 26.631

3,63 -0,07 1,26 0,93 0,53 -2,71 -2,07 2,21 0,80 1,64 6,57 -2,89 -2,35

Fonte: BC / INEPAD

21.220 21.118 20.478 20.962 21.086 22.025 22.058 21.247 20.219 21.742 20.051 21.254 21.711

CRÉDITO PESSOAL NÃO CONSIGNADO VINCULADO À DÍVIDA

VARIAÇÃO EM %

abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14

CHEQUE VARIAÇÃO CARTÃO DE VARIAÇÃO CRÉDITO EM % EM % ESPECIAL

VARIAÇÃO EM %

MÊS / ANO

recursos livres - (R$ milhões)

Saldo da carteira de crédito - pessoa física

abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

ARRENDAMENTO MERCANTIL

202.988 202.717 202.783 204.825 205.078 204.029 204.133 204.273 204.170 204.466 203.405 201.709 200.956

-0,12 -0,13 0,03 1,01 0,12 -0,51 0,05 0,07 -0,05 0,14 -0,52 -0,83 -0,37

13.732 12.809 12.040 11.167 10.410 9.724 9.064 8.498 7.906 7.368 6.854 6.315 5.883

AQUISIÇÃO Veículos 192.490 192.060 191.979 193.946 194.008 193.106 193.026 193.082 192.797 193.006 191.845 189.952 189.006

Variação em %

Outros bens Variação em %

-0,16 -0,22 -0,04 1,02 0,03 -0,46 -0,04 0,03 -0,15 0,11 -0,60 -0,99 -0,50

10.498 10.657 10.804 10.879 11.070 10.923 11.107 11.191 11.373 11.460 11.560 11.757 11.950

0,65 1,51 1,38 0,69 1,76 -1,33 1,68 0,76 1,63 0,76 0,87 1,70 1,64

VARIAÇÃO EM % -6,88 -6,72 -6,00 -7,25 -6,78 -6,59 -6,79 -6,24 -6,97 -6,80 -6,98 -7,86 -6,84

DESCONTO DE CHEQUES 1.590 1.583 1.587 1.525 1.553 1.538 1.524 1.578 1.564 1.534 1.574 1.528 1.523

-2,69 -0,44 0,25 -3,91 1,84 -0,97 -0,91 3,54 -0,89 -1,92 2,61 -2,92 -0,33

Fonte: BC / INEPAD

MÊS / ANO

recursos livres - (R$ milhões)

recursos direcionados - (R$ milhões) VARIAÇÃO - FINANC. IMOBILIVARIAÇÃO MÊS / CRÉDITO RURECURSOS LIVRES (R$ Milhões) ANO

abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14

RAL TOTAL

EM %

ÁRIO TOTAL

EM %

FINANC. RECURSOS DO BNDES

VARIAÇÃO EM %

MICROCRÉDITO TOTAL

VARIAÇÃO EM %

OUTROS CRÉDITOS DIRECIONADOS

VARIAÇÃO EM %

94.192 97.014 101.736 99.448 103.181 105.950 108.036 110.969 115.287 116.353 117.796 119.944 122.847

1,60 3,00 4,87 -2,25 3,75 2,68 1,97 2,71 3,89 0,92 1,24 1,82 2,42

281.343 289.652 298.396 306.493 314.896 319.441 326.403 333.878 341.465 347.709 354.600 360.784 367.636

2,71 2,95 3,02 2,71 2,74 1,44 2,18 2,29 2,27 1,83 1,98 1,74 1,90

32.991 32.839 33.119 33.527 34.086 34.504 35.026 35.688 37.067 38.608 38.986 39.174 39.639

2,63 -0,46 0,85 1,23 1,67 1,23 1,51 1,89 3,86 4,16 0,98 0,48 1,19

3.936 4.027 4.170 4.116 4.158 4.188 4.423 4.873 5.392 5.450 5.415 5.261 5.171

1,47 2,31 3,55 -1,29 1,02 0,72 5,61 10,17 10,65 1,08 -0,64 -2,84 -1,71

4.491 4.573 4.755 5.109 5.314 6.074 6.169 6.343 6.745 6.865 6.978 6.828 6.998

0,83 1,83 3,98 7,44 4,01 14,30 1,56 2,82 6,34 1,78 1,65 -2,15 2,49

Fonte: BC / INEPAD

60 financeiro julho 2014

Fonte: BC / INEPAD

Saldo da carteira de crédito - pessoa física


Data jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07 jan/08 fev/08 mar/08 abr/08 mai/08 jun/08 jul/08 ago/08 set/08 out/08 nov/08 dez/08 jan/09 fev/09 mar/09 abr/09 mai/09 jun/09 jul/09 ago/09

Saldo 96.426 100.256 102.555 104.222 106.498 107.293 108.041 110.428 112.303 115.578 118.248 120.720 121.211 123.198 125.550 127.281 129.704 130.039 129.741 131.707 130.219 133.330 137.539 139.997 142.569 145.446 148.622

Data set/09 out/09 nov/09 dez/09 jan/10 fev/10 mar/10 abr/10 mai/10 jun/10 jul/10 ago/10 set/10 out/10 nov/10 dez/10 jan/11 fev/11 mar/11 abr/11 mai/11 jun/11 jul/11 ago/11 set/11 out/11 nov/11 dez/11

Taxa de Juros 51,06 50,61 49,89 49,43 48,88 46,75 45,80 53,08 52,59 50,48 50,60 48,39 51,39 53,59 54,49 56,31 57,42 59,88 60,44 56,51 54,49 50,84 48,78 46,62 45,64 44,78 44,29

Saldo 151.359 154.386 156.259 159.692 162.446 165.543 170.393 174.442 178.844 181.458 184.359 188.779 191.969 195.497 198.633 201.611 205.727 209.255 210.445 213.685 216.864 220.666 224.603 229.192 232.172 235.202 238.570 238.854

Taxa de Juros 44,71 45,74 43,64 44,35 44,83 43,81 42,69 42,87 43,04 41,97 42,21 41,96 41,63 43,55 41,99 44,11 48,32 47,96 43,01 44,34 44,56 44,52 45,01 44,52 44,64 45,34 43,64 42,40

Fonte: BC / INEPAD

Gráfico do crédito pessoal Data jan/12 fev/12 mar/12 abr/12 mai/12 jun/12 jul/12 ago/12 set/12 out/12 nov/12 dez/12 jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14

Saldo 242.445 246.608 250.527 254.431 259.656 263.702 266.503 270.538 271.628 275.565 278.776 279.104 283.245 287.061 291.741 296.412 301.254 304.967 307.842 311.515 314.414 317.384 320.177 319.645 323.063 327.085 329.859 333.296

Taxa de Juros 44,80 45,20 43,90 41,40 39,30 38,20 38,60 38,00 37,70 37,80 37,10 36,90 37,30 37,90 37,17 36,83 36,74 38,02 39,75 39,71 40,34 42,23 41,72 41,32 43,00 44,10 43,90 45,10

Fonte: BC / INEPAD

Saldo da carteira de crédito - pessoa física MÊS / ANO

Saldo (R$ milhões) e percentual (%) da carteira de crédito com recursos livres PF Total e com atraso entre 15 e 90 dias CRÉDITO PESSOAL Saldo total

abr/13 296.412 mai/13 301.254 jun/13 304.967 jul/13 307.842 ago/13 311.515 set/13 314.414 out/13 317.384 nov/13 320.177 dez/13 319.645 jan/14 323.063 fev/14 327.085 mar/14 329.859 abr/14 333.296 Fonte: BC / INEPAD

AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS

Com atraso de % sobre saldo da carteira 15 a 90 dias 13.368 12.231 11.985 12.252 12.118 13.048 12.759 12.199 13.265 14.344 14.032 14.745 15.365

4,51% 4,06% 3,93% 3,98% 3,89% 4,15% 4,02% 3,81% 4,15% 4,44% 4,29% 4,47% 4,61%

Saldo total 192.490 192.060 191.979 193.946 194.008 193.106 193.026 193.082 192.797 193.006 191.845 189.952 189.006

AQUISIÇÃO DE OUTROS BENSSOAL

Com atraso de % sobre saldo da carteira 15 a 90 dias 16.650 16.479 15.857 15.826 15.152 15.796 15.693 15.350 14.922 14.939 14.408 16.051 15.820

8,65% 8,58% 8,26% 8,16% 7,81% 8,18% 8,13% 7,95% 7,74% 7,74% 7,51% 8,45% 8,37%

Saldo total 10.498 10.657 10.804 10.879 11.070 10.923 11.107 11.191 11.373 11.460 11.560 11.757 11.950

Com atraso de % sobre saldo da carteira 15 a 90 dias 856 828 816 814 794 765 796 789 753 842 857 970 987

8,15% 7,77% 7,55% 7,48% 7,17% 7,00% 7,17% 7,05% 6,62% 7,35% 7,41% 8,25% 8,26%

julho 2014 financeiro 61


bancodedadosinepad

Fonte: BC / INEPAD

Juros Taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres - Pessoa Física AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS

AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS

MÊS / ANO

CRÉDITO PESSOAL

R$ Milhões

abr/13

296.412

2,65

-0,02

36,83

-0,34

192.490

1,53

0,01

19,92

0,19

10.498

4,43

-0,02

68,25

-0,38

mai/13

301.254

2,64

-0,01

36,74

-0,09

192.060

1,51

-0,01

19,73

-0,19

10.657

4,32

-0,11

66,20

-2,05

jun/13

304.967

2,72

0,08

38,02

1,28

191.979

1,49

-0,02

19,47

-0,26

10.804

4,33

0,01

66,40

0,20

jul/13

307.842

2,83

0,11

39,75

1,73

193.946

1,55

0,06

20,28

0,81

10.879

4,39

0,06

67,49

1,09

ago/13

311.515

2,83

0,00

39,71

-0,04

194.008

1,60

0,04

20,92

0,64

11.070

4,39

0,00

67,55

0,06

set/13

314.414

2,86

0,04

40,34

0,63

193.106

1,64

0,05

21,60

0,68

10.923

4,43

0,03

68,17

0,62

out/13

317.384

2,98

0,11

42,23

1,89

193.026

1,59

-0,05

20,83

-0,77

11.107

4,58

0,16

71,19

3,02

nov/13

320.177

2,95

-0,03

41,72

-0,51

193.082

1,62

0,03

21,28

0,45

11.191

4,65

0,07

72,57

1,38

dez/13

319.645

2,92

-0,02

41,32

-0,40

192.797

1,62

0,00

21,29

0,01

11.373

4,93

0,28

78,13

5,56

jan/14

323.063

3,03

0,10

43,00

1,68

193.006

1,72

0,10

22,74

1,45

11.460

4,73

-0,20

74,16

-3,97

Saldo total

Saldo total

Taxa de juros % am

Varição p.p

Saldo total

Taxa de juros

% aa

Varição p.p

R$ Milhões

% am

Varição p.p

% aa

Varição p.p

R$ Milhões

Taxa de juros % am

Varição p.p

% aa

Varição p.p

fev/14

327.085

3,09

0,07

44,10

1,10

191.845

1,80

0,08

23,85

1,11

11.560

4,79

0,06

75,36

1,20

mar/14

329.859

3,08

-0,01

43,90

-0,20

189.952

1,78

-0,02

23,54

-0,31

11.757

4,75

-0,05

74,44

-0,92

abr/14

333.296

3,15

0,07

45,10

1,20

189.006

1,71

-0,06

22,62

-0,92

11.950

4,79

0,04

75,27

0,83

Fonte: BC / INEPAD

Atividade Econômica DATA

"Taxa da Utilização da Capacidade Instalada"

Var. p.p.

DATA

"Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral"

Var. %

fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14

82,4 82,6 83,2 82,6 82,5 82,4 82,3 82,1 82,3 82,0 81,7 82,3 81,9

-1,20 0,20 0,60 -0,60 -0,10 -0,10 -0,10 -0,20 0,20 -0,30 -0,30 0,60 -0,40

fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14

127,43 127,70 127,12 127,56 128,24 127,36 127,39 126,86 127,43 127,75 126,17 125,92 126,00

0,24% 0,21% -0,45% 0,35% 0,53% -0,69% 0,02% -0,42% 0,45% 0,25% -1,24% -0,20% 0,06%

-0,5

Variação fev-fev

Variação fev-fev

62 financeiro julho 2014

-1,43 Fonte: IBGE / INEPAD


Rendimento Taxa de Desemprego (%) DATA

Brasil

Var. p.p.

SP

Var. p.p.

abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14

5,80% 5,80% 6,00% 5,60% 5,3% 5,40% 5,20% 4,60% 4,30% 4,80% 5,10% 5,00% 4,90%

0,1 0,0 0,2 -0,4 -0,3 0,1 -0,2 -0,6 -0,3 0,5 0,3 -0,1 -0,1

6,7% 6,3% 6,6% 5,80% 5,40% 5,80% 5,60% 4,70% 4,40% 5,00% 5,50% 5,70% 5,20%

0,400 -0,400 0,300 -0,800 -0,400 0,400 -0,200 -0,900 -0,300 0,600 0,500 0,2 -0,5

Rendimento Médio Real Habitualmente Recebido (R$) DATA

Brasil

Var. p.p.

SP

Var. p.p.

abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14

1974,1 1967,5 1964,5 1947,6 1981,3 2001,8 1999,1 2038,3 2023,7 2031,7 2047,0 2040,3 2028

-0,18% -0,34% -0,15% -0,86% 1,73% 1,03% -0,13% 1,96% -0,72% 0,40% 0,75% -0,33% -0,60%

2104,6 2090,7 2078,9 2049,9 2083,3 2105,0 2127,6 2159,9 2136,2 2136,9 2145,2 2144,7 2139,30

-0,49% -0,66% -0,57% -1,39% 1,63% 1,04% 1,07% 1,52% -1,10% 0,03% 0,39% -0,02% -0,25%

Anfavea Produção - Automóveis de Passageiros, Mistos, Veículos Comerciais, Leves e Pesados (em unidades) Data

Produção

Média Trim.

Var. Mensal

Var. Mensal (%)

mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14 mai/14 Variação Mai-mai

344.547 323.880 317.855 342.757 322.350 322.514 293.189 230.892 237.186 281.452 271.217 277.091 282.465

341.998 340.261 328.761 328.164 327.654 329.207 312.684 282.198 253.756 249.843 263.285 276.587 276.924

-7.808 -20.667 -6.025 24.902 -20.407 164 -29.325 -62.297 6.294 44.266 -10.235 5.874 5.374

-2,2% -6,0% -1,9% 7,8% -6,0% 0,1% -9,1% -21,2% 2,7% 18,7% -3,6% 2,2% 1,9% -18,02%

julho 2014 financeiro 63


bancodedadosinepad Exportação de Autoveículos montados (em unidades) Data

Exportações

Média Trim.

Var. Mensal

mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14 mai/14 Variação Mai-mai

48.620 49.444 54.096 64.071 45.441 51.819 45.234 43.298 22.797 28.844 23.408 35.637 35.162

48.307 50.278 50.720 55.870 54.536 53.777 47.498 46.784 37.110 31.646 25.016 29.296 31.402

-4.151 824 4.652 9.975 -18.630 6.378 -6.585 -1.936 -20.501 6.047 -5.436 12.229 -475

Var. Mensal (%) -7,87% 1,69% 9,41% 18,44% -29,08% 14,04% -12,71% -4,28% -47,35% 26,53% -18,85% 52,24% -1,33% -27,68% Fonte: Anfavea / INEPAD

Licenciamento por Categoria Automóveis Fonte: Inepad & Anfavea

Licenciamento de Automóveis Nacionais e180.000 Importados - (em unidades) 160.000 Data

Total

1000cc

% no Total

+1000cc a 2000cc

% no total

mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14 mai/14

232.974 233.277 250.685 242.479 222.155 239.590 223.748 259.211 228.670 183.235 171.359 211.225 207.688

93.970 96.715 99.838 94.689 85.937 89.442 88.745 101.512 86.481 67.317 68.926 85.545 80.139

40,3% 41,5% 39,8% 39,1% 38,7% 37,3% 39,7% 39,2% 37,8% 36,7% 40,2% 40,5% 38,6%

137.426 135.298 149.235 146.205 134.794 148.753 133.291 155.889 140.452 114.515 101.211 123.830 126.019

59,0% 58,0% 59,5% 60,3% 60,7% 62,1% 59,6% 60,1% 61,4% 62,5% 59,1% 58,6% 60,68%

140.000

% no +2000cc 120.000 total

100.000 1.578 1.264 1.612 1.585 1.424 1.395 1.712 1.810 1.737 1.403 1.222 1.850 1.530

0,68% 80.000 0,54%

60.000 0,64% 0,65% 40.000 0,64%

20.000 0,58% 0,77% 0 0,70% 0,76% 0,77% 0,71% 0,88% 0,74%

1000cc

+1000cc a 2000cc

+2000cc

Fonte: Anfavea / INEPAD

Macro

64 financeiro julho 2014


Previsões Econômicas Ano de 2014

"PIB Total % a.a."

"PIB Agropecuário % a.a."

"PIB Indústria % a.a."

"PIB Serviço % a.a."

"Produção Industrial % a.a."

Previsão 06/06/2014 (2014/2014)

1,44

2,25

0,73

1,74

0,53

1 semana antes 30/05

1,53

2,02

0,84

1,73

0,72

1 mês antes 06/05/2014

1,69

2,41

1,42

1,85

1,10

Ano de 2014

"Selic Taxa anual"

"IGP-DI % a.a."

"IPCA % a.a."

"Taxa de Cãmbio R$ / US$"

"Saldo Comercial US$ bilhões"

Previsão 06/06/2014 (2014/2014)

11,17

6,13

6,45

2,41

244,12

1 semana antes 30/05

11,20

6,71

6,45

2,41

244,82

1 mês antes 06/05/2014

11,31

7,19

6,53

2,42

246,77

julho 2014 financeiro 65


palavrafinal

Ciclo virtuoso do consumo e crédito está esgotado

N

o primeiro semestre de 2014 ficou evidente que o ciclo virtuoso de consumo brasileiro está esgotado. O consumo e o crédito tiveram importante desaceleração. No PIB do primeiro trimestre de 2014 houve queda do consumo das famílias; desempenho esse que poderá ser novamente negativo ou ligeiramente positivo no segundo trimestre, conforme antecipam alguns indicadores de desempenho do comércio e pesquisas de intenção de consumo recentes. Há convergência na direção de importante retração na capacidade de consumo da população.

PIB Trimestral - Consumo das Famílias trimestral contra trimestre anterior , variação %

Fonte: IBGE.

Crédito Total do Sistema Financeiro Nacional crescimento em 12 meses, em %

Fonte: Banco Central, Acrefi. 66 financeiro julho 2014

Por Nicola Tingas, Economista-chefe da Acrefi

Também há retração do crédito total na econicolatingas@acrefi.org.br nomia desde 2011. Esse movimento de desaceleração foi em parte contido pela oferta ampliada de recursos financeiros pelos bancos públicos; e também pela crescente utilização de crédito direcionado (de maiores prazos e menores taxas) para, entre outros usos, refinanciar passivos e promover saneamento financeiro dos mais endividados, tanto entre as pessoas físicas quanto entre as pessoas jurídicas. A retração da atividade econômica deixou de ocorrer apenas na indústria de transformação – agravada ainda mais em período recente – para atingir também o setor de serviços e o comércio. Vários fatores já conhecidos causaram essa importante retração econômica: inflação alta e persistente, elevação dos juros, expressivo endividamento das famílias, estancamento do aumento da renda, demissões devido a queda da atividade econômica. Tudo isso acompanhado pela crescente deterioração da confiança sobre o futuro; que reduziu, em muito, a propensão a investir pelo lado da oferta e retraiu a propensão a consumir pelo lado do consumo – caracterizando quadro de estagnação econômica. Nesse ambiente, as projeções para crescimento do produto interno bruto (PIB) em 2014 têm sido cadentes e piores que o esperado há poucos meses atrás. Em seu “Relatório Trimestral de Inflação” o Banco Central reduziu para 1,6% a estimativa para o PIB 2014, enquanto na mesma semana as projeções de mercado divulgadas pelo “FOCUS” indicavam 1,16% de crescimento econômico. Nas condições atuais, a capacidade de crescimento da economia (PIB potencial) está comprometida. O crescimento econômico dificilmente poderá ser revitalizado pelo lado da demanda. A partir da política econômica que será definida para 2015 e anos seguintes, deverá haver consistente formulação e implementação de estímulos capazes de promover significativa ampliação do investimento e aumento da produtividade, para poder, assim, alcançar a retomada do crescimento sustentável da economia brasileira. f

Artigo enviado em 27/6/2014

Por Nicola Tingas


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Financeiro 87 - Julho 2014  

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