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financeiro arevistadocrédito edição

83 nov

RENOMADOS ECONOMISTAS E ESPECIALISTAS INTERNACIONAIS DISCUTEM A ECONOMIA GLOBAL E O RUMO QUE O CENÁRIO ECONÔMICO BRASILEIRO IRÁ TOMAR NOS PRÓXIMOS ANOS


conteúdofinanceiro

10

44 ça bran e Co ação rm dito Cré Transfo em

10

22

Capa 8º Siac

32 48

Happy Hour

48

Renomados economistas e especialistas

Sob o comando do chef Alex Atala, o

internacionais abordam crise, crédito e crescimento

restaurante Dalva e Dito encanta clientes com

econômico no principal evento da Acrefi

drinques, comida brasileira e estilo de interior

Evento Cadastro Positivo no Mundo Acrefi e Serasa Experian debatem os principais benefícios que o banco de dados pode gerar para o País

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Evento Crédito e Cobrança Expectativas e modelos de análise são discutidos por especialistas do setor

38

44

Evento Compliance Basileia III e as premissas para a adesão de bancos

artigos

e financeiras no Brasil

20 Flávio Crocce Caetano Questão Jurídica

Negócios & Lazer Hotel Slaviero Conceptual Rockefeller, em

30 José Renato Simão Borges Meio de Pagamento 54 Adryelle Pedrosa e Roberta Jacarandá Mercado Automotivo

Curitiba (PR), espera receber o dobro de turistas

56 Alberto Borges Matias Análise e Perspectivas

durante a Copa

66 Nicola Tingas Palavra Final novembro 2013 FINANCEIRO 3


expediente

financeiro ISSN 1809-8843

Publicação da Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Líbero Badaró, 425 – 28o andar – São Paulo – SP Tel: (11) 3107–7177 Fax: (11) 3106–6082 – www.acrefi.org.br Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Aquiles Diniz Carlos Alberto Samogin, Cláudio Messias Ferro, Décio Carbonari de Almeida, Élcio Azevedo, Elias de Souza e Felicitas Renner Secretário Sérgio Cipovicci Tesoureiro Alexandre Teixeira Diretores Regionais José Agnelo Seger, Leonardo Dadauto, Luiz Carlos do Nascimento, Paulo Dalla Nora, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Pedro da Costa Carvalho e Sebastião Cunha Diretores Executivos João dos Santos Caritá Júnior e Rubens Bution Montadoras Edson Froes, Edson Ueda, Eduardo Varella, Felipe César Rodrigues Ferreira, Gunnar Murilo, Joelcyr Carmello e Nelson Aguiar Diretores Conselheiros José Carlos Alves e Victor Loyola Conselho Consultivo Alkindar de Toledo Ramos, Manoel de Oliveira Franco e Ricardo Malcon (membros natos); Décio Carbonari de Almeida, Flávio Antonio Meneghetti, Ilídio Gonçalves dos Santos, Miguel José Ribeiro de Oliveira, Ricardo Loureiro e Rogério Pinto Coelho Amato (membros) Conselho Fiscal Domingos Spina e Sérgio Darcy (efetivos) Geraldo Lima Wandalsen e Marcus André de Oliveira (suplentes) Diretor-Superintendente Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Controller Carlos Alberto Marcondes Machado Economista-Chefe Nicola Tingas Auditoria Deloitte Touche Tohmatsu Assessoria Contábil AG Silveira Contabilidade Assessoria de imprensa Tamer Comunicação Empresarial

Rua Novo Horizonte, 311 – Pacaembu – São Paulo – SP Tel.: (11) 3125–2244 – CEP 01244-020 – www.gpadrao.com.br Publisher Roberto Meir REDAÇÃO Editora Gisele Donato Editora assistente Juliana Jadon Repórteres Erica Martin, Isabella Villalba e Melissa Lulio Fotografia Douglas Luccena Arte Projeto Artma Design Gráfico designers Érika Bernal e Flávio Pavan Revisor João Hélio de Moraes Publicidade Diretora Comercial – Fabiana Zuanon – fzuanon@gpadrao.com.br Gerente de Negócios – Adriana Próspero – aprospero@gpadrao.com.br Impressão Editora Graficos Burti Ltda

4 FINANCEIRO novembro 2013


editorial

D

epois de um primeiro semestre repleto de incertezas, que culminou em junho com as gigantescas manifestações de rua, o Brasil teve em 2013 uma segunda metade de ano em que sinais positivos deram algum alento à economia. A “voz das ruas”, como ficou conhecido o amplo movimento de protesto da população em junho, deixou pelo menos um recado explícito: o País não aceita mais conviver com inflação alta. Felizmente, veio a reação a esse clamor: a política monetária tomou o rumo adequado em um cenário em que a disparada dos preços ameaçava fugir de controle. Os juros mais altos passaram a ser utilizados como instrumento na dura luta contra a inflação e aparentemente foi deixada de lado a política de fixar uma taxa básica de um dígito. Parece que foi compreendido que a taxa Selic deve ficar no nível adequado para que funcione também como uma espécie de escudo contra a inflação, sem amarras inúteis que a prendam a um patamar “mágico”. Outro ponto positivo foi a volta do processo de privatização que, em que pese seus vários defeitos, foi outro importante sinal de que, acima dos dogmas, o governo buscava as políticas mais adequadas para que o Brasil retomasse a trilha do crescimento.

Foto: Flávio Roberto Guarnieri

De olho no Ano Novo Foram pontos positivos que deixaram suas marcas em 2013 e que, embora mereçam elogios, não colocaram de lado a necessidade urgente de outras medidas para que o País possa conviver, a partir de 2014, com um período de melhorias efetivas da nossa economia. A questão fiscal é o exemplo mais claro dessa necessidade. Não há como postergar ainda mais a adoção de medidas para combater esse mal, causa de tantos outros males para o País. Trata-se de um trabalho árduo e de longo prazo que, no entanto, exige iniciativas de imediato para evitar o travamento de nossa economia. Há ainda uma série de outros problemas que exigem medidas imediatas. É certo que 2014 se desenha como um ano de incertezas com as eleições presidenciais e, no front externo, com a provável mudança da política monetária dos Estados Unidos e as mudanças na China. Mas esse quadro, embora tenha que ser levado em conta, não pode servir de pretexto para um adiamento de decisões cruciais para nossa economia. Certamente, há muito que fazer e é preciso começar de imediato, por mais difíceis que sejam os obstáculos a ultrapassar. Não seria razoável, assim, prever um 2014 com céu de brigadeiro. O cenário se desenha cinzento e exige ousadia e competência para que se navegue da melhor maneira possível. A boa notícia é que, como ficou demonstrado mais uma vez em 2013, o Brasil tem condições de se aprumar, por maiores que sejam os desafios.

Érico Sodré Quirino Ferreira Presidente da Acrefi novembro 2013 FINANCEIRO 5


nossasassociadas

ACFI – Aymoré Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

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HSBC Bank Brasil S.A. Banco Múltiplo

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Kredilig S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

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Lecca – Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

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Múltipla CFI S.A.

Banco Intermedium S.A.

Negresco S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos

Banco Itaú S.A.

Omni S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Itaucard S.A.

Parati Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

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Pernambucanas Financiadora S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

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Portocred S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Rodobens S.A.

Portoseg S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

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Santana S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Santander Brasil S.A.

Sax S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Semear S.A.

Socinal S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Toyota do Brasil S.A.

Sorocred – Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

Banco Volkswagen S.A.

Sul Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Yamaha Motor do Brasil S.A.

Todescredi S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banif Banco Internacional do Funchal (Brasil) S.A.

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notasmercado

INADIMPLÊNCIA

Cai o número de cheques sem fundo

2,8%

De acordo com o Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos, 1,81% dos cheques compensados no mês de setembro foram devolvidos pela segunda vez por falta de fundos. Esse número foi o menor alcançado desde fevereiro de 2011, quando se observou o percentual de 1,83%. Também houve queda na comparação dos acumulados deste ano e de 2012. De janeiro a setembro de 2013, as devoluções marcaram 2,02%. No meio período do ano passado, esse número alcançou 2,03%.

representa a queda da inadimplência do consumidor em setembro, de acordo com a Serasa Experian

PROSPERIDADE

43%

dos empresários devem contratar funcionários temporários para suprir o aumento da demanda do comércio no fim do ano, segundo o SPC Brasil

0,5%

é o crescimento do varejo no nono mês do ano, de acordo com a Boa Vista Serviços

Diminuem pedidos de falência Dados disponibilizados pela Boa Vista Serviços, que administra o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), mostram que, em setembro, houve queda de 2,1% dos pedidos de falência, em comparação com agosto. Essa é a segunda queda mensal consecutiva. No acumulado deste ano, frente a 2012, houve diminuição de 4,8%.

AUTOMÓVEIS

Mais da metade dos domicílios do País são motorizados

2,7%

representa o aumento da confiança do empresário brasileiro em setembro, segundo dados da Fecomercio-SP

8 FINANCEIRO novembro 2013

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 54% dos lares brasileiros abrigam pelo menos um veículo ou motocicleta. Em 2012, esse número foi de 45%. O levantamento feito por Estados mostra que, em Santa Catarina, há um carro ou moto em 75% das casas. No Paraná, esse número alcança 68%. Em terceiro lugar está o Distrito Federal, com 64%.


CONSUMIDOR

Brasileiro está mais otimista O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) aumentou 0,5% em outubro na comparação com setembro e alcançou 107,7 pontos. Mesmo assim, o indicador está abaixo da média de 113,7 pontos registrada nos primeiros cinco meses de 2013, informa a Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a pesquisa, os brasileiros estão mais otimistas com a evolução dos preços e do emprego nos próximos seis meses. O índice de expectativa de inflação aumentou 5,5% e o indicador de desemprego cresceu 1,8% em outubro frente a setembro.

535 mil

veículos foram financiados em setembro no Brasil, o que representa um aumento de 10% em comparação ao mesmo período de 2012, informa a Cetip

BALANÇA COMERCIAL

Saldo positivo é registrado em outubro Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) garantem que o acumulado da balança comercial de outubro apresenta um superávit de US$ 1,003 bilhão. Apesar disso, devido ao resultado negativo de US$ 1,569 bilhão apresentado na terceira semana de outubro, a balança comercial do Brasil voltou a apresentar déficit de US$ 605 milhões em 2013. Essa situação pode ser explicada pelas importações de US$ 5,571 bilhões e exportações de US$ 4,002 bilhões.

1 milhão

de empregos com carteira assinada foram gerados no comércio varejista em agosto, segundo a Fecomercio-SP

5,4%

da população esteve desempregada em setembro de 2013, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) EXTERIOR

Consumo fora do Brasil atinge recorde Só em setembro, US$ 2,1 bilhões foram gastos por brasileiros no exterior. No acumulado deste ano, foram consumidos US$ 18,9 bilhões fora do Brasil. Esse valor representa, para o nono mês do ano, um recorde. Em 2012, foram gastos US$ 16,3 bilhões no período de janeiro até setembro deste ano.

33%

dos consumidores que se envolveram em uma dívida o fizeram por um problema inesperado, de acordo com o Instituto Geoc

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Capa 8ยบ 8ยบSiac Siac

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Aspectos globais Grandes economistas e especialistas abordam crise, crédito e crescimento durante a oitava edição do Seminário Internacional Acrefi Por Juliana Jadon

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Capa 8º 8ºSiac Siac

O

Brasil precisa de forte impulso para dar a largada em uma corrida intensa rumo ao desenvolvimento econômico vigoroso e a uma posição de destaque na competição global. Diversos fatores, no entanto, fazem com que a economia brasileira se encontre no patamar atual de baixo crescimento. De acordo com o boletim Focus, do Banco Central do Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 2,4% para 2,47%. Mesmo com essa projeção, a produção industrial deverá crescer apenas 1,7%. Os níveis de desenvolvimento da economia estão alinhados ao que ocorre no globo, cujos países apresentam taxas de aumento das riquezas em torno de 3,5%, ditando um “novo normal” para o ciclo econômico mundial. “Crise, crédito e crescimento” foi o tema do seminário realizado em outubro pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e patrocinado por Cetip e Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg). O evento contou com a apresentação e mediação da jornalis-

Érico Ferreira, presidente da Acrefi “O Brasil só será um país de Primeiro Mundo quando a educação for a sua verdadeira prioridade”

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ta Christiane Pelajo e com palestras de renomados economistas e especialistas internacionais. Dependendo da condução da política macroeconômica adotada no País, da quantidade e do rumo dos investimentos, das influências do cenário externo e, principalmente, da educação oferecida pelo governo, essa partida poderá ser tímida ou veloz. Ao que parece, a direção que a economia brasileira terá está nas mãos dos governantes – e dos resultados das próximas eleições. Muitos economistas e especialistas, no entanto, acreditam que o crescimento econômico do Brasil poderia ser maior se a condução política e macroeconômica tivesse apresentado outro posicionamento. Já o mercado de crédito deverá crescer neste ano no mesmo ritmo, não ultrapassando os 16,2% de alta de 2012. Na abertura do encontro, Érico Sodré Quirino Ferreira, presidente da Acrefi, comparou a educação ministrada no Brasil com a de outros países, mostrando fotos que ele tirou pessoalmente de escolas e casas de estudantes de três diferentes localidades. A surpresa é que, apesar de as crianças do Camboja e do Vietnã residirem em casas muitas vezes sem encanamento, suas escolas possuem boas estruturas e elas as frequentam de uniforme.


Douglas Duncan, da Fannie Mae

Já em Minas Gerais, Estado que concentra o terceiro maior PIB do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a imagem da escola pública é deplorável, mesmo com as residências em melhores condições. Além disso, as crianças vão para a aula sem qualquer tipo de uniforme. “As fotos falam for si. Vejam a importância que é dada para a educação no nosso País. O Brasil só será um país de Primeiro Mundo quando a educação for a sua verdadeira prioridade”, conclui o presidente da Acrefi, com sua famosa frase. Novo normal?

Fotos: Shutterstock / Douglas Luccena

“Vamos observar a melhoria gradual da atividade econômica nos Estados Unidos”

Será que a economia americana realmente está se recuperando da maneira como apontam os indicadores? Para Douglas G. Duncan, vice-presidente sênior e economista-chefe da Federal National Mortgage Association – conhecida como Fannie Mae –, a economia dos Estados Unidos vem se recuperando, porém lentamente. A expectativa da instituição em que atua é que o crescimento econômico do PIB americano será de 1,9% neste ano. Já para 2014, a estimativa gira em torno de 2% e 2,2%. “Algumas pessoas dizem que somos pessimistas, mas espero que no fim do ano que vem não nos achem otimistas”, brinca o executivo. Ele explica que a previsão relativamente baixa da Fannie Mae é tirada de estudos efetuados com a própria população do país. Uma pesquisa realizada mensalmente pela associação com cerca de mil consumidores, que representam estatisticamente a população norte-americana, questionou se a economia dos Estados Unidos está no caminho certo ou errado. Como resposta, a maioria dos americanos (55%) acredita que a economia caminha para o lado errôneo. Um dos motivos é que o consumo é um dos principais motores daquela nação. “As pesquisas com consumidores, em geral, tendem a ser mais negativas do que as demais, pois o comprador americano ainda não tem a percepção de que a economia está melhorando”, assinala Duncan. Além disso, a recuperação da renda da população americana após a última crise ocasionada pelos subprimes – que começou em 2006 com a quebra de instituições que operavam no mercado hipotecário e teve seu auge em 2008 – tem sido a mais fraca desde a 2ª Guerra Mundial. Nas últimas quatro recessões, o cenário visto pelos americanos era mais positivo. As pessoas, em geral, esperavam um aumento significativo da renda nos seis meses seguintes. Porém, nas análises recentes, a maioria diz acreditar que a renda vai cair. “O aumento da renda real do americano está abaixo da média. Dessa maneira, não vejo como haver fortalecimento da economia motivado pelo consumo. Temos, assim, dificuldade para prever um crescimento robusto”, aponta Duncan. novembro 2013 FINANCEIRO 13


Capa 8º 8ºSiac Siac Outro mercado que ainda enfrenta solavancos em solo norte-americano é o imobiliário. O país, que se recupera aos poucos nesse segmento, produz em média 1,6 milhão de unidades por ano. Contudo, para o especialista, nesse ritmo esse nicho chegará ao patamar considerado normal somente em 2016. “O mercado de habitação está no caminho correto, mesmo diante de alguns problemas, e continuará a crescer”, afirma o vice-presidente da Fannie Mae. Também houve um declínio na participação da força de trabalho dos estadunidenses. A única faixa etária que teve o nível de empregabilidade aumentado é aquela acima de 55 anos. Duncan explica que a meta dessas pessoas é reconstruir a riqueza perdida durante a crise e se preparar para uma aposentadoria tranquila. Mesmo diante do cenário incerto, o executivo da Fannie Mae encerra sua apresentação com uma pitada, mesmo que pequena, de otimismo. “Observaremos a melhoria gradual da atividade econômica nos Estados Unidos”, resume. Crescimento inconsistente

A nação que teve o maior crescimento econômico dos últimos 25 anos – com uma média de elevação do PIB de 10% ao ano – pode estar prestes a ter um período turbulento. É o que alerta Michael Pettis, professor e especialista em finanças internacionais da Peking University’s Guanghua School e associado sênior da Carnegie Endowment for International Peace, em sua apresentação sobre a China. O especialista, que morou no país por mais de 12 anos, aponta que a China deverá passar por um processo complexo de reajuste econômico. “O pessimista pensa que no próximo ano a economia chinesa terá uma virada negativa. Já o otimista acha que a China ainda poderá ter entre oito e dez anos para chegar a esse período de queda. Minha expectativa pessoal é que o país conseguirá continuar nesse ritmo nos próximos três ou quatro anos”, considera. Para Pettis, principalmente o governo e a elite chinesa, que estão com mais de 50% das riquezas existentes no país, precisam pensar em um novo modelo que possa sustentar a economia nos próximos anos. A questão atual não é se haverá necessidade de adequações no mercado chinês, mas como realizar esse 14 FINANCEIRO novembro 2013

Michael Pettis, da Peking University’s Guanghua School

“Os países que têm sucesso econômico não são aqueles que conseguem administrar períodos de rápido crescimento, mas os que passam muito bem por períodos de ajustes”

processo. “A China passa por um momento único, ocasionado por um crescimento baseado em amplos investimentos, o que fez a dívida do país aumentar. O nível de investimento é tão alto que é preciso tempo para que a economia possa absorvê-lo”, diz. “Em algum momento, com tantos subsídios aos investimentos e empréstimos, esses recursos irão mostrar que estão alocados em segmentos onde não havia necessidade”, complementa.


Capa 8º 8ºSiac Siac Um dos fatores para esse cenário alarmante é que os salários no país crescem, porém menos do que a produtividade da região. Nos últimos 30 anos, a renda familiar chinesa aumentou, em média, 7% ao ano. Todavia, segundo Pettis, desde 2007 a liderança chinesa deixou claro que sabe o que fazer: reduzir as taxas de crescimento e investimento. Para isso, é preciso diminuir o crédito, que está em patamares exorbitantes. “Os países que têm sucesso econômico não são aqueles que conseguem administrar períodos de rápido crescimento, mas os que passam muito bem pelos períodos de ajuste”, reforça. Além disso, a China é o maior polo mundial consumidor de matérias-primas, sendo responsável por 60% do consumo de ferro e 40% do de cobre. Por isso, o executivo alerta para um possível “colapso nas commodities” quando, dentro de aproximadamente cinco anos, o país poderá diminuir o ritmo de compras desses itens, provenientes de diversos países. “Já em exportação, a China tem tido competitividade, mas esse posicionamento não é reflexo da eficiência dos seus negócios”, alerta Pettis. Por isso, segundo o especialista, o país sofrerá uma erosão significativa, sendo que esse patamar está baseado no tripé moeda desvalorizada, crescimento

tímido de salários em relação à produtividade e taxa de juros baixa. O novo reequilíbrio deve reverter esse papel. “O processo de reestruturação da China é absolutamente essencial. Caso não ocorra, porém, veremos uma crise da dívida do país. O foco primário das alterações deve ser político e proveniente da mudança de postura da elite local. Podemos esperar para os próximos anos surpresas negativas a respeito dessa economia”, observa. Questões verde-amarelas

O Brasil não vai se defrontar nos próximos anos com o mesmo vento favorável dos últimos. É provável que haja um período de elevada liquidez para os países emergentes. Em outras palavras, as economias emergentes, entre elas a brasileira, passarão a depender das próprias pernas. A opinião é de Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria Integrada e ex-presidente do Banco Central do Brasil. “Isso não significa que voltaremos a ser um país com as mesmas velhas crises. Porém, temos uma perspectiva de baixo crescimento e de contínua deterioração de elementos essenciais para a economia”, ressalta. Para ele, do lado da política monetária houve “aco-

“Acredito que, se as políticas não mudarem, o Brasil estará condenado a ter um período estagnado e que leve à inflação” Gustavo Loyola, da Tendências Consultoria Integrada e ex-presidente do Banco Central

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modação” do órgão regulador do sistema financeiro ao colocar a meta da inflação como o seu teto de 6,5%. O relatório Focus, elaborado pela instituição, não mostra a inflação dentro do centro da meta nem neste, nem nos próximos anos. “A credibilidade do regime de metas da inflação foi afetada”, considera. “Havia a ideia de que os patamares elevados dos juros no Brasil eram maldade e que poderíamos ter essas tarifas mais baixas sem afetar demasiadamente a demanda ou a inflação. Vimos, assim, a presidente da República, Dilma Rousseff, falar em rede nacional que os juros baixos são uma grande conquista do seu governo”, diz Loyola. Com isso, explica ele, as taxas de juros ficaram abaixo do nível de equilíbrio, o que deu margem para a inflação permanecer em patamares elevados. Outros fatores afligem o economista. De acordo com Loyola, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em patamar adequado à custa da saúde financeira da Petrobras. O economista diz que, por meio dessas iniciativas, o governo atual deixou de lado o tripé da política macroeconômica – fiscal, monetária e cambial – que foi fundamental na remoção das vulnerabilidades nas últimas décadas. Mas nem tudo está perdido, de acordo com o economista. Com a proximidade das eleições, ele estima que um novo governante ou a própria presidente valorizarão esses três vetores econômicos. Isso não significa, nas palavras do

economista, que o governo vai insistir em reformas fundamentais para a nação. Todavia, segundo ele, o governo percebe que não dá mais para ter uma economia baseada em consumo. “Apesar de o governo confiar que é só incentivar a demanda que tudo se resolve, acredito que futuramente adotará uma linha mais prudente de gestão macroeconômica, por exigência dos mercados e da sociedade”, conclui. Crescimento sustentável

Affonso Celso Pastore, da A.C. Pastore & Associados e ex-presidente do Banco Central, fez uma análise sobre os últimos governos no Brasil ao abordar o tema “Como fazer o Brasil crescer de forma ampla e sustentável?”, durante o 8º Siac. Segundo ele, em 2008, o Brasil sofreu uma recessão e era natural que, em 2009, a política fiscal fosse expansionista. Todavia, esse posicionamento se manteve em 2010. Affonso Celso Pastore, da A.C. Pastore & De acordo com Pastore, a forte Associados e ex-presidente do Banco Central recuperação em 2010 deve muito à explosão de preços de commodities (combinação da retomada da China com a injeção de liquidez por parte dos EUA, que levou à valorização do real). Mas a China está convergindo para taxas de crescimento mais baixas, e o movimento do Federal Reserve não é mais de expansão. “A perspectiva é de um quadro de estabilidade, ou mesmo “Teremos que de leve declínio dos preços internaassistir a algo cionais das commodities. Perdemos mais sério para a contribuição desse impulso que no passado ajudou o Brasil”, aponta. que o Brasil Pastore explica que a queda na encontre uma rota taxa de juros no Brasil acompade crescimento nhou um movimento global visto econômico” nos grandes países, com a meta de impulsionar suas economias. Após o avanço desses mercados, é normal, segundo ele, que as tarifas das operações de crédito e financiamento voltem a subir. “A queda na taxa de juros no Brasil foi uma ação transitória em resposta ao que ocorreu no mundo”, diz. Já a Europa, para o especialista, está em recuperação e, embora novembro 2013 FINANCEIRO 17


Capa 8º 8ºSiac Siac tenha uma grande tarefa para recompor a economia e fazer reformas principalmente no mercado de trabalho, saiu da recessão e, com isso, reduziram-se os riscos. Quanto aos Estados Unidos, segundo ele, existem dúvidas referentes à velocidade da recuperação da economia. Todavia, as perspectivas são de crescimento sustentado, com a queda dos riscos. Os EUA voltarão a atrair capitais, por meio do retorno de suas taxas de juros a níveis compatíveis com a estabilidade de preços (entendida como uma inflação em torno de 2% ao ano). Pastore concluiu a apresentação voltando ao tema Brasil. Na ausência de uma política fiscal austera em solo verde-amarelo, assinala, o que se colhe é apenas mais inflação. “A competitividade requer a queda dos salários reais em termos de preços, e esse é o desafio que o governo terá que enfrentar”, finda. Igualdade

O que a sociedade brasileira precisa que está implícito na Constituição de 88? A sociedade possui três vetores importantes. O primeiro é o desejo de uma república, constituição onde todos estão sujeitos às mesmas legislações. O segundo é a construção de uma sociedade democrática. Nesse sentido, o Brasil é um dos poucos países do mundo que apura, por exemplo, 100 milhões de votos em oito horas, sem contestações. E o terceiro é a construção de uma sociedade civilizada, na qual a igualdade de oportunidades seja crescente e onde a posição de um cidadão não dependa de nada além da própria capacidade de realizar, criando condições para uma competição honesta. A análise é de Antonio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda, da Secretaria de Planejamento da Presidência da República e da Agricultura, em sua apresentação “Brasil, o mercado, a política e a urna. Como conciliar interesses e a realidade?”. Para o especialista, no entanto, a modernidade não é compatível com a igualdade descrita na Constituição. “Vivemos um instante em que houve um abuso e o mercado começa a sentir as dificuldades para a mudança que todos nós esperávamos”, avalia. Segundo Delfim Netto, não é à toa que o governo brasileiro possui popularidade, em vista do aumento da distribuição de renda e dos salários dos brasileiros 18 FINANCEIRO novembro 2013

Antonio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda “Quando me formei economista, acreditei em um mercado onde a sociedade toda ganha. O governo está aprendendo, e a minha esperança é que faça isso depressa”

nos últimos anos, principalmente após Luiz Inácio Lula da Silva ter sido eleito, em 2002. A desigualdade no Brasil atingiu em 2010 o menor nível da história, segundo o estudo “Desigualdade e renda na década”, da Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Gini chegou a 0,53 naquele ano, superando o patamar da década de 1960. Quanto mais esse indicador se aproxima de 1, mais desigual é o país. Além disso, a renda per capita por família cresceu 32,6% entre 2001 e 2011, passando de R$ 591 para R$ 783, de acordo com dados da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. “Dessa maneira, houve um aumento do bem-estar. A consequência é que isso tem limite”, contrapõe o economista. Apesar desse cenário, se os investimentos tivessem crescido e sido direcionados para as áreas necessárias, haveria no País uma produção maior. Além disso, diz Delfim Netto, não pode ser distribuído aquilo que não foi produzido, o que gerou US$ 280 bilhões de déficit em conta-corrente. “Para o Brasil avançar, temos que ter um equilíbrio entre a expansão e o consumo”, expõe.


Debate de peso

Ao final do 8º Seminário Internacional Acrefi, os três grandes economistas e os palestrantes internacionais que participaram do encontro compuseram um debate e fizeram uma análise final sobre o governo e a economia brasileira. “Quando me formei economista, acreditei em um mercado onde a sociedade toda ganha. O governo está aprendendo, e a minha esperança é que faça isso depressa”, diz Delfim Netto. Os outros dois economistas brasileiros são menos otimistas. “Teremos que assistir a algo mais sério para que o Brasil encontre uma rota de crescimento econômico”, aponta Pastore. “Acredito que, se as políticas não mudarem, o Brasil estará condenado a ter um período estagnado e que leve à inflação”, diz Loyola. Mesmo diante de tantas incertezas nas economias, o presidente da Acrefi encerrou a ocasião com a frase otimista de que “o Brasil é o país do futuro e Deus é brasileiro”, lembrando que no ano que vem teremos a Copa do Mundo, que poderá trazer novos frutos para a nação. f novembro 2013 FINANCEIRO 19


artigoquestãojurídica

Por Flávio Caetano

O acesso à Justiça é crucial para a consolidação e o fortalecimento do Estado de Direito, um elemento prioritário na vida democrática do País. Mas a realidade é de inúmeros obstáculos de acesso à Justiça no Brasil, exigindo de todos a busca por caminhos alternativos de resolução dos conflitos. O atual modelo de jurisdição traduz a necessidade de soluções imediatas e mudanças sociais. Trata-se de configurar o sistema de direitos na sociedade e transformar conflitos em oportunidades, humanizando a Justiça. Hoje, 51% dos processos que aguardam julgamento têm o Poder Público (municipal, estadual ou federal) como parte. Outros 38% dos processos envolvem instituições financeiras (públicas e privadas), enquanto que 6% têm empresas de telefonia como parte. Ao todo, somam 95% dos processos em curso no País. Esse quadro levou a Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça (SRJ) a traçar uma Estratégia Nacional de Redução e Prevenção de Litígios, com o objetivo de difundir a cultura do consenso, em substituição à cultura do litígio, e também de encontrar soluções para o grande volume de processos concentrados em poucos litigantes.

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Se, de um lado, a SRJ trabalhou para oferecer ao País uma proposta de marco regulatório para a mediação como meio de ampliar a segurança jurídica e estimular a realização de mediações como alternativas de resolução de conflitos, de outro lado criou a Escola Nacional de Mediação e Conciliação (Enam) para difundir e multiplicar as técnicas de mediação, que são fundamentais para democratizar o acesso à Justiça. Ora, é com a aprovação do marco regulatório que poderemos projetar para o País um sistema de justiça mais ágil e que possa, de fato, trabalhar pela harmonia social. Esse eixo de ação se completa com a Estratégia de Redução de Litígios, cujo passo inicial foi dado junto às instituições financeiras. Queremos reafirmar esse valioso esforço de identificação e resolução dos processos com o uso de técnicas de mediação. Contamos com a presença e a participação dos setores nessa trajetória urgente, fundamental e inovadora para a Justiça e a sociedade brasileiras. f

Flávio Crocce Caetano é secretário nacional de reforma do Judiciário

Foto:Shutterstock/Divulgação - Artigo enviado em outubro de 2013

Uma estratégia para reduzir conflitos


montadoras financeiras consignados cartões securitização educação indústria .____________. imobiliário

varejo .____________. .____________. telefonia .____________. .____________.

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Por Juliana Jadon

Retrato do cliente O Cadastro Positivo, com informações sobre o histórico de pagamentos do consumidor, pode gerar benefícios para a economia brasileira, como queda do spread bancário, diminuição da inadimplência e aumento da oferta de crédito. “O Cadastro Positivo no mundo” foi tema de evento da Acrefi e da Serasa Experian 22 FINANCEIRO novembro 2013


Fotos: Shutterstock / Douglas Luccena

Definir o limite do cartão de crédito, o valor do parcelamento do carro ou da casa com baixo risco e por meio de informações sobre o histórico de pagamentos do cliente é o que toda empresa que trabalha no mercado de crédito deseja. Esse cenário é realidade para o Bank of America Merril Lynch, nos Estados Unidos. Para isso, a instituição financeira utiliza o Cadastro Positivo, banco de dados sobre os bons pagadores. O caso foi narrado por Loriann Pollak, gerente de riscos da instituição, durante o evento “O Cadastro Positivo no mundo”, da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) em parceria com a Serasa Experian. O uso das informações de pagamento da população trouxe benefícios tanto para os americanos quanto para o sistema financeiro. “Antes da implantação desse birô de informações, o crédito nos Estados Unidos estava disponível apenas para 40% da população. Posteriormente, 80% dos americanos passaram a ter acesso a esse produto financeiro”, conta Loriann. Na prática, por meio das informações positivas e negativas o sistema financeiro do país sabe se determinado cliente representa um grande risco ou não. A partir dessa análise, os bancos podem conceder crédito ou mesmo definir qual o limite do cliente em relação a sua capacidade financeira de contratar e pagar. “A ideia do uso do Cadastro Positivo para as financeiras é criar mais oportunidades de conceder crédito. A lógica é a de que aquele consumidor que sempre usou bem esse produto financeiro e pagou as contas em dia também irá arcar com as despesas se o uso desse serviço aumentar na medida que deseja”, explica Loriann. Em suma, com a segmentação da oferta por parte das instituições financeiras devido ao Cadastro Positivo,

os americanos ganharam mais opções de financiamentos, melhores linhas de crédito e preços mais adequados ao seu perfil. “Nos Estados Unidos, conseguimos conceder mais crédito, diversificar a oferta e criar novas linhas para oferecer aos consumidores, de acordo com as necessidades”, conclui a executiva. Relacionamento fortalecido

Para Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi, o birô de crédito não serve somente para fins comerciais, mas também para aperfeiçoar a relação do setor financeiro com os

O crédito nos Estados Unidos estava disponível para 40% da população. Com o uso do Cadastro Positivo, 80% dos americanos passaram a ter acesso a esse produto financeiro* (*)Fonte: Banco Mundial

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No Chile, dois terços dos empréstimos eram feitos a homens. Depois do uso do Cadastro Positivo, o acesso das mulheres ao crédito aumentou*

Steven Wagner, da Serasa Experian “O Cadastro Positivo cria valor aos bancos, aos consumidores e à economia”

No Brasil Há anos o mercado financeiro luta para que o Cadastro Positivo seja regulamentado no Brasil. O País foi o último do Grupo dos 20 (G20) a aderir. Em dezembro de 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a medida provisória para formação e consulta aos bancos de dados sobre pessoas físicas e jurídicas, que foi aprovada no Senado. Foi em junho de 2011 que a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que criou o Cadastro Positivo. A partir dessa medida, os consumidores precisam autorizar a entrada do nome nesse banco de dados, e empresas e instituições financeiras podem ajudar a alimentar o birô e divulgar sua importância.

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clientes, principalmente pela redução da assimetria de informações que irá gerar. Além disso, o Cadastro Positivo pode beneficiar os clientes bancários e usuários de crédito e está em linha com as premissas do Código de Defesa do Consumidor (CDC), na medida em que privilegia aqueles que sempre pagaram suas contas em dia. Pessoas com o nome inserido no Cadastro Positivo poderão, na prática, ter taxas reduzidas e prazos mais extensos nas operações de crédito e financiamento. “Nosso consumidor possui peculiaridades. Dessa maneira, não podemos simplesmente copiar o modelo externo, mas aprender como utilizar o Cadastro Positivo da melhor maneira de acordo com o nosso mercado”, ressalta Tingas. O economista recordou em sua apresentação que, entre os anos de 2003 e 2010, o crédito cresceu de maneira exponencial. Em 2003, a relação crédito/PIB no Brasil era de 24%. Já em 2010, esse indicador encerrou o ano com 46%, praticamente o dobro do visto havia sete anos. “O processo de inserção de 40 milhões de brasileiros no mercado, com o aumento do emprego e dos salários, nos colocou em outro patamar de consumo e de crédito”, analisa. Nos últimos anos, porém, tem havido mais dificuldade para a economia crescer. Com o aumento da inadimplência, os modelos de crédito foram reavaliados e ajustados. Nesse contexto, quanto mais informações o mercado de crédito


Loriann Pollak, do Bank of America Merril Lynch “Com o Cadastro Positivo, conseguimos conceder mais crédito, diversificar a oferta e criar novas linhas para oferecer aos consumidores, de acordo com as suas necessidades”

tiver dos clientes, melhores serão a oferta de crédito e a qualidade das carteiras. “O Cadastro Positivo é uma curva de aprendizado. É preciso construir o conhecimento, a tecnologia e os dados para o desenvolvimento dessa ferramenta. Não há dúvida que a razão do seu uso é também beneficiar o consumidor”, diz. De acordo com o economista-chefe da Acrefi, um processo de crédito saudável alavanca o PIB e a economia. “A Acrefi apoia o Cadastro Positivo. Entendemos que esse instrumento pode expandir o crédito no Brasil e fortalecer a economia, além de possibilitar melhores taxas de juros. Entre dois e cinco anos, esse banco de dados estará funcionando em sua plenitude”, estima.

Na China, a concessão de crédito tinha exigências de garantias maiores do que atualmente, restringindo, assim, o crescimento da economia. Depois do Cadastro Positivo, houve um significativo crescimento econômico e o crédito atingiu mais de 150% do PIB*

Principais desafios Durante o encontro, a Serasa Experian realizou uma pesquisa com os participantes, que responderam quais são os principais desafios da área em que atuam. Veja as colocações: 1º lugar Conquistar e aprovar mais clientes 2º lugar Rentabilizar os clientes atuais 3º lugar Controlar e diminuir a inadimplência Diante desse cenário o Cadastro Positivo pode ajudar a melhorar a aprovação de crédito, à medida que o patamar desse produto evolui. Um dos diagnósticos da pesquisa é que as instituições financeiras estão preparadas para usar o Cadastro Positivo, mas ainda não tiram proveito dele.

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Tendências de consumo

Steven Wagner, presidente da unidade de serviços de crédito da Serasa Experian, pesquisou as experiências de consumo mundo afora durante os últimos cinco anos e o impacto do cadastro nas economias. “O Cadastro Positivo está chegando, é bom e, estejam prontos ou não, estará disponível e terão que usar”, diz o executivo. Wagner conta que por meio desse banco de dados é possível ver atrasos de pagamentos que não vão para o cadastro negativo, como o de 30 ou 60 dias. “Temos que saber tirar vantagem desse birô. O Cadastro Positivo cria valor aos bancos, aos consumidores e à economia. Podemos visualizar classes de comportamentos como clientes que pagam o cartão de crédito em atraso e ter em mãos perspectivas. É possível ampliar o 26 FINANCEIRO novembro 2013

Nicola Tingas, da Acrefi “O consumidor brasileiro possui peculiaridades. Dessa maneira, não podemos simplesmente copiar o modelo externo, mas aprender como utilizar o Cadastro Positivo da melhor maneira de acordo com o mercado”

Antes do Cadastro Positivo, a população de baixa renda mexicana tinha pouco acesso ao crédito. Depois do uso do birô, houve crescimento na concessão de crédito, principalmente para essa fatia da população*


Premissas

Na Alemanha, o crédito era pouco difundido antes do Cadastro Positivo. Após a implantação, os financiamentos e linhas de crédito passaram a ser três vezes superiores à média internacional* horizonte avaliado e segmentar a oferta de crédito”, reforça. Dois consumidores que possuem o mesmo score de pagamentos podem ter comportamentos desiguais e representar níveis de riscos diferentes. Com as informações do Cadastro Positivo é possível diferenciá-los e saber quem seria o melhor cliente e o melhor pagador. “Existem pessoas que antigamente não honravam suas contas, mas nos últimos seis meses foram muito bem”, explica. Na opinião do executivo, as perspectivas para o mercado de crédito brasileiro são propícias. “Quando comparamos o Brasil com outros países na concessão de crédito, vemos que há um amplo mercado a ser desbravado. Acredito que quanto mais informações sobre o comportamento dos consumidores estiverem disponíveis, mais o País terá capacidade de avançar nesse ponto”, pondera. Para que o Cadastro Positivo funcione de maneira efetiva no País, existem ainda alguns desafios pela frente. Um deles é o consumidor entender exatamente quais os propósitos dessa ferramenta. “É preciso fazer muito e focar na educação do consumidor, explicando a ele o que esse Cadastro Positivo significa. Fizemos isso nos Estados Unidos nos últimos anos”, aponta.

Para fechar o encontro realizado pela Acrefi e Serasa Experian, houve um debate entre os palestrantes e outros executivos. Na ocasião, o diretor-superintendente da Acrefi, Antonio Augusto de Almeida Leite, conhecido como Pancho, recordou que a associação, em parceria com a Serasa Experian, montou um banco de dados semelhante a um Cadastro Positivo com a finalidade de ajudar o desenvolvimento do mercado creditício. “Sem ele, não seria possível segmentar o crédito no nosso País”, conta. Uma das conclusões do evento é que o Cadastro Positivo pode ajudar também na educação financeira do consumidor. Danilo Nascimento, diretor de banco e varejo da Serasa Experian, perguntou como o Cadastro Positivo pode impactar o comportamento dos clientes. “Nos Estados Unidos, os clientes passaram a avaliar melhor quais tipos de crédito podem usar, quanto têm de capacidade de adquirir e se efetivamente podem pagar”, ressalta. Como resposta, Wagner disse que o ciclo de crédito nos Estados Unidos é virtuoso. As pessoas aprenderam que existem razões para ter determinado rating (nota que recebem de acordo com o risco que representam para o mercado de crédito). “No Brasil, não existe essa análise. Por isso, o Cadastro Positivo é mais do que uma oportunidade de vender crédito e fidelizar o consumidor, mas também de torná-lo um bom cliente”, completa. Todavia, alguns consumidores ainda estão aprendendo a utilizar os instrumentos financeiros, pois possuem baixa compreensão. Nessa linha, o banco de dados pode fortalecer a relação bilateral, fazendo com que o consumidor dê mais atenção para o seu histórico de pagamentos. “Se o Brasil quiser crescer de fato, terá de pensar em uma economia de médio e longo prazos – e o Cadastro Positivo será uma avenida nesse sentido”, aponta Tingas. Não restam dúvidas de que o Cadastro Positivo, como peça fundamental para que a indústria de crédito se desenvolva, irá gerar um modelo sustentável para esse mercado, mola propulsora do desenvolvimento econômico do País. O momento é de o mercado e os consumidores se movimentarem para que essa ferramenta funcione efetivamente. f novembro 2013 FINANCEIRO 27


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Bom para o mercado Com mais informações sobre os clientes, o mercado financeiro poderá ampliar a oferta de crédito, com menor risco e mais qualidade. É nisso que acredita Hilgo Gonçalves, executivo-chefe da Losango, promotora de vendas do Grupo HSBC no Brasil. A Losango já atua há mais de 40 anos, é parceira de mais de 20 mil lojas e líder em Crédito Direto ao Consumidor (CDC), com cerca de 20% de participação no mercado brasileiro. Confira a entrevista exclusiva com o executivo sobre o tema do evento: Revista Financeiro Quais as expectativas da Losango em relação a esse banco de dados que irá trazer mais informações para o mercado financeiro? Hilgo Gonçalves Acreditamos que o crédito apoia as pessoas a realizar sonhos. Mas como vamos atender bem o consumidor sem ter todas as informações sobre ele? Por enquanto, somente possuímos informações negativas e sabemos quem não pagou alguma dívida. É importante separar aqueles que arcam com suas contas e possuem uma história de consumo responsável. Em nossa opinião, o Cadastro Positivo traz informações sobre o comportamento do consumidor e sua capacidade de pagamento. Dessa maneira, é extremamente importante para o País e irá mudar o patamar e a qualidade do crédito. Esse instrumento financeiro deve ser um aliado, e não um pesadelo. Eu, pessoalmente, já assinei a autorização do meu nome para inclusão desse banco de dados. Financeiro O senhor acredita que a população tem alguma dificuldade de entender os benefícios do Cadastro Positivo? Qual o papel das instituições financeiras nesse sentido? Gonçalves É importante que os bancos, o varejo, as financeiras e os agentes do mercado expliquem ao consumidor os benefícios que a inclusão do nome nesse banco de dados pode gerar. Se não for bem informado ou motivado, o consumidor dificilmente irá entender esse benefício e autorizar a inclusão. O cliente precisa de orientação e da confiança em que esse birô pode lhe trazer benefícios. A empresa que lhe fornecer crédito poderá fazer isso de maneira adequada. Os 40 milhões de novos consumidores da classe C precisam de informações simples e diretas para entender. Financeiro Quanto tempo o senhor acha que vai demorar para a Losango utilizar o Cadastro Positivo de maneira efetiva? Gonçalves Temos 50 milhões de clientes no nosso banco de dados, dos quais 40 milhões contam com informações sobre comportamento. Desses, 20 milhões fizeram negócios conosco nos últimos cinco anos. Participamos de todos os movimentos para ajudar na evolução desse birô. Imaginamos que a construção do database ocorrerá gradativamente, e em dois ou três anos teremos condições de começar a ver benefícios efetivos.

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artigomeiodepagamento

Planejamento

Por José Renato Simão Borges*

Seja para parcelar compras, ganhar prêmios com fidelização ou alavancar a renda, o cartão de crédito já superou a marca de 400 milhões de plásticos emitidos no País, sendo mais da metade proveniente de cartões de redes e lojas. O número de brasileiros com cartão em 2012 chegou a 75% nas 11 capitais pesquisadas pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Apesar do aumento, acima de 20% nos últimos anos, o cartão de crédito não dá sinais de que esgotou o potencial de expansão. Estimativas indicam que o mercado deve crescer novamente dois dígitos neste ano. Como meio de pagamento, os cartões já venceram a guerra em relação ao cheque, inclusive o pré-datado, e várias batalhas já foram ganhas em relação ao dinheiro. Segundo a Abecs, a preferência pelo dinheiro caiu de 43% em 2008 para 38% em 2012. Nos supermercados, os cartões respondem por 50,2% das transações, segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados. Já o private label, oferecido em lojas, deve crescer 90% entre 2011 e 2015 no Brasil, segundo estudo da escola de negócios IESE Business School, da Universidade de Navarra (Espanha). O cenário favorável ao plástico ganhou mais força com o aumento da bancarização advinda da grande migração das classes sociais, dos bem-sucedidos programas de estabilização da economia, dos aumentos reais do salário mínimo e dos incentivos sociais – que geraram crescimento de renda e emprego. Como produto de acesso a serviços financeiros, ao crédito e ao consumo, o cartão vem ganhando relevância, em especial depois da quebra da exclusividade das redes de adquirência, em 2010, e das novas regras de tarifação e de pagamento mínimo, em 2011. E, mais recentemente, com a regulamentação do Cadastro Positivo. Foram avanços que criaram um ambiente ainda mais favorável porque se somam ao repo-

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sicionamento das instituições financeiras impulsionado pela alta concentração bancária, pela queda das taxas de juros e pelo processo de amadurecimento do consumidor para utilizar o crédito de maneira mais adequada. Nos próximos anos, a classe C brasileira deve ser o principal agente impulsionador do crescimento dos cartões devido ao forte poder aquisitivo – 47% da renda nacional – e do maior acesso ao crédito. Além do aumento de renda, a nova classe média brasileira já soma 54% da população e tem acesso a mais informação. Por isso, entende melhor os benefícios do cartão, como portabilidade, aceitação, conveniência e segurança. Para essa fatia da população, os cartões de crédito representam uma possibilidade real de concretizar sonhos. Com tanto apelo de consumo, o cenário exige uma mudança no comportamento dos consumidores, e a

Foto: Divulgação - Artigo enviado em setembro de 2013

futuro


Artigo publicado originalmente no DCI

educação financeira ganha papel vital para garantir o crescimento sustentado desse meio de pagamento. Primeiramente, o consumidor precisa entender melhor a função do cartão e compreender que, apesar de ser um alavancador de renda, deve ser utilizado dentro de um limite adequado ao seu padrão de renda. Neste caso, vale a regra “não gastar mais do que se ganha”. É preciso alertar ainda que a maior razão para a inadimplência é o descontrole financeiro. Com isso, a forma como estão sendo contraídas as dívidas deve ser observada pelo consumidor para evitar excessos. Simplesmente incorporar o limite do rotativo como renda não é adequado. Como o recurso é mal utilizado, a inadimplência aumenta, obrigando os emissores a cobrar juros mais altos. Na realidade, o rotativo, tal como o cheque especial, é uma reserva de valor para crédito emergencial e não deveria ser utilizado como financiamento de compras. As parcelas fixas, por outro lado,

são mais fáceis de ser incorporadas ao orçamento mensal e, consequentemente, controladas. Sabendo usar, as vantagens do cartão são notórias para todos os envolvidos no processo. Nesse cenário, o mercado terá condições de explorar o potencial dos cartões de crédito, em especial os de lojas com bandeira, que vêm substituindo os cartões private label puros. Esses cartões têm importantes características para incrementar vendas e fidelizar os clientes das redes varejistas, tornando-se cada vez mais um produto aspiracional e de afinidade com a loja. A qual, por sua vez, o utiliza como uma poderosa ferramenta para conhecer os hábitos e o comportamento dos consumidores e criar melhores estratégias para satisfazer essa nova classe média. f José Renato Simão Borges presidente da Credz

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Crédito e cobrança em transformação

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Mercado farto Acrefi debate os desafios do setor de crédito e as expectativas para o próximo ano

Fotos: Shutterstock / Douglas Luccena

Por Juliana Jadon Mais de 40 milhões de pessoas adentraram o mercado consumidor brasileiro nos últimos dez anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O montante, equivalente à população da Argentina, movimentou o cenário econômico. O crédito acompanhou essa evolução e o setor abriu as torneiras para os novos clientes. Em 2012, o estoque de crédito aumentou 16,2% no País. Já em 2011 e 2010, esse índice cresceu aproximadamente 20% em cada ano, o que demonstra que o setor continua a evoluir, todavia em um patamar mais baixo. O desafio das instituições financeiras e do varejo agora é o de conhecer o consumidor para fazer a ele a oferta adequada. O tema foi abordado em evento da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). Nesse sentido, Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), fez na ocasião uma análise da economia nacional. Segundo ele, nos últimos anos, à medida que a renda subia e o valor das prestações caía, houve maior acesso aos financiamentos. “Prazos de pagamento longos, maior acesso ao crédito e taxas de juros menores foram fatores determinantes para aumentar o ingresso dos consumidores no varejo”, indica. Outros elementos, observa ele, como a oferta de emprego e o aumento da renda e da confiança do consumidor, além do patamar do câmbio (importação), também influenciaram significativamente a construção desse cenário próspero. Foi esse panorama que criou a disposição de o consumidor se endividar por prazos mais longos. novembro 2013 FINANCEIRO 33


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Exceto a de veículos, a inadimplência se estabilizou de 2010 até abril de 2013 em cerca de 5%

Marcel Solimeo, da ACSP “Se observarmos as estatísticas, veremos que o crédito cresce na mesma proporção que a massa salarial, não sendo um fator de agravamento da inadimplência”

Essa foi, segundo o economista, a grande mudança no comportamento do consumidor, atualmente mais confiante tanto em relação ao aumento da renda quanto com a estabilidade do emprego. Assim, o endividamento das famílias – incluindo crédito imobiliário – em relação à renda disponível chegou a 45% em junho deste ano, segundo dados do Banco Central do Brasil e da ACSP. O crescimento dos parcelamentos, porém, não gerou endividamento. Para o economista, os financiamentos se espalharam pela economia nos últimos anos e a inadimplência, exceto a de veículos, se estabilizou do início de 2010 até abril de 2013 em patamar de aproximadamente 5%, com oscilações no decorrer do período. “O consumo, em parte, foi atendido pelo crédito, que continua a crescer, mas em taxas mais moderadas”, considera. “Se observarmos as estatísticas, veremos que o crédito cresce na mesma proporção que a massa salarial, não sendo um fator de agravamento da inadimplência”, completa. Nos últimos anos, verifica-se que o maior nível de endividamento é proveniente do crédito imobiliário, o que compromete a disponibilidade de recursos para a compra de outros bens.

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Além disso, apesar de a massa salarial ter crescido acentuadamente, o aumento real da renda diminuiu. Outro fator é o valor do salário mínimo – atualmente em R$ 678. No ano que vem, a alta será mais modesta do que a última. Irá passar para R$ 719,48. Dessa forma, o impulso na economia será menor do que o visto anteriormente. Solimeo lembra que o governo criou recentemente o Minha Casa Melhor, plano de financiamento para móveis e eletrodomésticos que disponibiliza até R$ 5 mil por família. Uma das condições para ter acesso ao programa é estar com o pagamento em dia no financiamento imobiliário Minha Casa, Minha Vida. A saúde financeira da Caixa Econômica Federal é questionada na medida em que o programa pode instabilizar o bolso das famílias. “Acredito que isso pode gerar problemas. Muitas pessoas que compram uma casa financiada pela Caixa fazem isso com sufoco. Dessa maneira, pode ser difícil arcar com mais um financiamento”, avalia o especialista.


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Consumo tímido

O consumidor que ingressou no mercado recentemente é mais propenso a se endividar. Esse indivíduo, que não está acostumado a controlar as finanças, tem necessidades maiores de comprar bens que ainda não possui, como eletrodomésticos e eletroeletrônicos. No entanto, o número mensal de novos consumidores no mercado tem caído, de acordo com as projeções apresentadas pelo especialista, o que demonstra que o consumo não crescerá na mesma intensidade. Mesmo assim, embasado em dados do IBGE e da ACSP, Solimeo aponta que nos últimos meses houve uma queda na taxa de crescimento nas vendas varejistas. No fim do ano passado, como era de se esperar, o varejo cresceu acima da média, com evolução de quase 10%. Já em maio deste ano, o comércio cresceu apenas 6%, com um ritmo de queda observado desde janeiro. O economista prevê, entretanto, que em 2014 os números tendem a melhorar. Apesar do cenário positivo dos anos anteriores, o otimismo do consumidor em assumir prazos mais longos caiu nos últimos meses. A confiança do consumidor, segundo Solimeo, é influenciada por dois fatores basicamente: inflação e desemprego. Somente no mês de junho, por conta das manifestações que tomaram as ruas do País, o índice caiu 16%, movido principalmente pelas incertezas da população brasileira diante da situação.

Fatores da expansão Nos últimos anos, o setor varejista apresentou aumento nas vendas. Esse cenário foi influenciado por diversos fatores econômicos • Crédito abundante • Taxa de juros baixa • Prazos de financiamento extensos • Aumento da renda • Confiança do consumidor elevada • Câmbio – na importação – em um bom patamar Fonte: Associação Comercial de São Paulo

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Perspectivas nacionais

De acordo com o economista da ACSP, até o fim deste ano o cenário econômico não deverá sofrer grandes alterações. O aumento da taxa Selic, diz ele, provavelmente irá continuar na tentativa de conter a inflação. Além disso, a recuperação dos Estados Unidos terá reflexo no câmbio e a balança comercial cairá gradativamente. Já 2014, segundo ele, não será um ano muito frutífero para a economia nacional. Existe para esse período uma conjuntura de incertezas. Mas ainda haverá oportunidades de crescimento. O crédito se expande mais fortemente no setor imobiliário e menos nas demais áreas. “O ano de 2014 trará um cenário um pouco mais difícil do que o deste. Mesmo assim, acredito que o PIB irá crescer em torno de 2%”, avalia Solimeo. Crédito é confiança

Historicamente, dar crédito é confiar algo a alguém. Ao observar a quantidade de naus que Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama tinham para explorar os mares e encontrar terras, é possível ver quem dos dois homens detinha maior credibilidade. Da mesma forma que as expedições marítimas, o crédito hoje funciona a partir da observação e análise do comportamento de quem o está usando. A diferença é que, na atualidade, as instituições que concedem esse produto financeiro têm como suporte diversos modelos de ferramentas de análise,


Educação necessária

Enilson Sales, especialista “Em 2014, quem for eficiente nas análises de crédito terá a chave do sucesso”

que criam um score do cliente. Dados do Banco Central apontam que em março de 2013 o volume de crédito no Brasil totalizou R$ 42,9 trilhões. A comparação foi feita por Enilson Sales, palestrante do encontro. O executivo já ocupou a cadeira de vice-presidente do ABN Amro Bank e atualmente possui uma consultoria e empresa de treinamento para o setor financeiro. Sales também foi vice-presidente da Acrefi. Ele continua a análise observando que a inadimplência ocorre quando alguém falta com um compromisso. “Em 2014, quem for eficiente nas análises de crédito terá a chave do sucesso”, diz.

Ao final do encontro, Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi mediou um debate com os dois participantes. “Diante do cenário de incertezas, o que pode piorar?”, questionou. Qualquer acidente de percurso no fluxo de caixa, lembra Tingas, pode deixar o consumidor à deriva. “O novo ciclo de crédito deverá ter uma formatação de produtos financeiros que vise aos imprevistos por que o consumidor pode passar. Temos uma das melhores engenharias bancárias do mundo. Por isso, para fazer uma oferta de crédito correta, basta pôr a roupa do cliente e pensar como ele”, aponta. O primeiro contato com produtos e serviços financeiros pode ser um problema tanto para o usuário quanto para os bancos. Diante dessa situação, um dos pontos importantes a ser revisto é o prazo de concessão de crédito. “A atualidade não dá margem para ter financiamentos de carros, por exemplo, em 120 meses, como vi na Europa”, conta Sales. “Qualquer flutuação da renda ou imprevisto no gasto do consumidor inviabiliza o pagamento”, concorda Solimeo. O mercado creditício não deve se esquecer do crédito concedido fora do sistema financeiro e que não é contabilizado em pesquisas. Aos bancos e financeiras, não importa a ferramenta de análise usada, desde que demonstre de maneira eficiente quem é o consumidor e quais os produtos e serviços adequados ao seu perfil. f

Nicola Tingas, da Acrefi “O novo ciclo de crédito deverá ter uma formatação de produtos financeiros que vise aos imprevistos por que o consumidor pode passar”

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Proteção do mercado Especialistas abordam a adesão a Basileia III, regulamentação que visa proteger bancos e financeiras de possíveis crises econômicas

Fotos: Shutterstock / Douglas Luccena

Por Juliana Jadon Após a crise mundial de 2008, que quebrou bancos como o americano Lehman Brothers, o mercado financeiro está mais protegido para enfrentar contratempos econômicos. Basileia III, regulamentação que visa proteger as instituições financeiras de possíveis crises ou contratempos econômicos, traz medidas importantes para as instituições financeiras que aderirem. Na prática, os bancos terão capital próprio para se proteger e resguardar os valores depositados por clientes mesmo em períodos de turbulência na economia. novembro 2013 FINANCEIRO 39


eventocompliance

Novas regras As regras de Basileia III relacionadas à definição de capital e ao requisito de capital regulamentar foram implantadas em março deste ano por meio de quatro resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN). Confira: I - nº 4.192 – Dispõe sobre a metodologia de apuração do capital de instituições financeiras, no Brasil chamado de Patrimônio de Referência (PR); II - nº 4.193 – Trata da apuração dos requisitos mínimos de capital a serem mantidos sob a forma de Patrimônio de Referência (PR), de nível I e de capital principal. Também institui o Adicional de Capital Principal e estabelece as medidas a serem adotadas no caso de este não ser cumprido; III - nº 4.194 – Estabelece a faculdade de as cooperativas de crédito apurarem os requisitos de capital de forma simplificada; IV - nº 4.195 – Trata da nova base de apuração consolidada do PR e dos requisitos mínimos de capital para instituições integrantes de grupos financeiros. Fonte: Banco Central

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No País, a norma é regulamentada pelo Banco Central. O cronograma de adesão dessa fase da norma internacional é gradual – começou em 1º de janeiro deste ano e termina em 1º de janeiro de 2019. O tema foi abordado durante o Seminário de Basileia III, realizado pela Associação das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). Em suma, a norma exige das empresas que compõem o sistema financeiro um capital de melhor qualidade, capaz de suportar perdas não esperadas no decorrer do tempo. Segundo o Banco Central do Brasil, essa regulamentação reforça a qualidade do capital que está sendo determinada por meio da definição de critérios mais rigorosos.

Lucas Mahl, diretor da Integral Trust “Basileia III estabelece a nova estrutura de capital, novos requisitos, a adequação aos outros conceitos e aos ativos ponderados pelo risco”


Circulares publicadas em março deste ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) trazem novos detalhes para a adesão a Basileia III por parte das instituições financeiras do País e estão alinhadas ao que foi dito na reunião do Grupo dos 20 (G20) na Coreia do Sul. “Basileia III estabelece a nova estrutura de capital, novos requisitos, além da adequação a outros conceitos e aos ativos ponderados pelo risco”, conta Lucas Mahl, diretor da Integral Trust, que explicou detalhadamente cada uma das alterações da regulamentação. Ele destaca que foi reduzido de 100% para 75% o valor aplicado

às exposições de empresas em que as operações de crédito forem superiores a R$ 100 milhões se o montante da carteira ativa do cliente for inferior a 10% do Patrimônio de Referência (PR) da instituição. “O que está acima de 10% do patrimônio já é deduzido atualmente. Os valores acima disso entram no cronograma de dedução progressiva”, diz. Além disso, os ativos intangíveis constituídos desde outubro deste ano terão incidência zero até 2018. “O nível de inadimplência e as mudanças econômicas podem afetar a necessidade de alocação de capital das instituições”, alerta o especialista.

Adequação

Os bancos no Brasil estão parcialmente preparados para aderir ao cronograma gradual da implantação de Basileia III, de acordo com Carlos Fagundes, diretor da Integral Trust, empresa especializada em consultoria financeira. O executivo apresentou na ocasião um estudo baseado em informações públicas dos 50 maiores bancos e instituições financeiras que atuam no País, de acordo com dados do órgão regulador do sistema financeiro. “De maneira geral, as instituições de grande porte estão com folga razoável no índice de Basileia”, conclui. f

Carlos Fagundes, diretor da Integral Trust “Com Basileia III, a expectativa é que o crescimento e a evolução das instituições financeiras sigam de maneira saudável e com um plano de capital adequado”

novembro 2013 FINANCEIRO 41


eventocompliance compliance Evolução

Principais medidas

A regulamentação Basileia já teve diversas etapas. Conforme o Banco Central do Brasil, trata-se de um movimento contínuo de aprimoramento de acordo com as exigências dos mercados. Confira as diferenças de cada um dos modelos da norma.

Basileia III é bastante abrangente. O Comitê de Basileia propôs, entre outras medidas:

BASILEIA I introduziu a definição do capital regulamentar em dois níveis e estabeleceu o requisito de um valor mínimo de capital a ser alocado. BASILEIA II manteve a definição do capital e introduziu o conceito dos três pilares (requisito de capital, interação com a autoridade supervisora e disciplina de mercado por meio da transparência), além de estender o requisito de capital aos riscos de mercado e operacional. BASILEIA III manteve a definição do capital, aprimorando os requisitos, bem como a estrutura em três pilares e os requisitos de capital para os riscos de crédito, de mercado e operacional. Foram também introduzidos nessa etapa os buffers de capital (conservação e contracíclico, no Brasil denominados adicional de capital principal), exigências quantitativas de liquidez e limites de alavancagem, e ainda a alocação de capital suplementar para instituições sistemicamente importantes. Os indicadores de liquidez, alavancagem e a alocação de capital para as instituições ainda estão sendo ajustados internacionalmente e deverão ser implementados. Fonte: Banco Central

• Uma definição de capital mais rigorosa, visando ampliar a capacidade de absorver perdas. • Harmonização internacional da definição do capital. • A ampliação da transparência quanto à composição do capital. • Criação de duas modalidades de capital suplementar (buffers) que incentivam as instituições financeiras a acumular reservas adicionais de capital em períodos de rápida expansão do ciclo econômico para serem utilizadas em momentos de estresse. • Ampliação do escopo dos riscos assumidos pela estrutura de capital. • Introdução do Índice de Alavancagem, a ser aplicado como medida complementar ao requisito mínimo de capital. • Adoção de requisitos mínimos quantitativos para a liquidez. Fonte: Banco Central

42 FINANCEIRO novembro 2013


negócios&lazer

Nova York

verde-amarela O hotel Slaviero Conceptual Rockefeller, localizado em Curitiba, no Paraná, mantém um pedaço de Nova York no Brasil. O prédio – que lembra o empreendimento norte-americano – pertenceu a uma companhia ferroviária. Há 13 anos, porém, foi adquirido pela bandeira Slaviero, que também está presente em São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina. “Apesar de ser um prédio antigo, recuperamos e mantivemos as características originais que lembram o Rockefeller dos Estados Unidos, umas das principais atrações turísticas da cidade de Nova York”, explica Paulo Brazil, diretor de vendas e marketing da empresa.

44 FINANCEIRO novembro 2013


Por Erica Martin

Fotos: Divulgação

Instalado em Curitiba, cidade que sediará quatro jogos da Copa do Mundo de 2014, o hotel Slaviero Conceptual Rockefeller projeta receber o dobro de turistas estrangeiros. O empreendimento lembra um dos mais belos pontos turísticos de Nova York

O Rockefeller tem características curiosas. Diferentemente da maioria das redes hoteleiras, quando chegam à recepção, os clientes são atendidos por uma mulher, e não por um capitão-porteiro. “As moças são mais delicadas para receber o público”, pondera Brazil. A construção de um novo andar com suítes luxuosas e mimos exclusivos, a redecoração de apartamentos, a reforma do restaurante e a ampliação da academia são algumas das mudanças previstas para impressionar quem vai usufruir do hotel durante os jogos de 2014. Para executar todas as mudanças no Rockefeller, a rede hoteleira está desembolsando cerca de R$ 2 milhões. A unidade já projeta aumentar de 18% para 40% a fatia de turistas internacionais que vão buscar uma vaga no hotel.

novembro novembro2013 013 FINANCEIRO 45


negócios&lazer Cartão verde para a Copa

Em Curitiba, onde quatro jogos serão disputados, a rede Slaviero tem oito hotéis. Todos foram selecionados pela Fifa como acomodações oficiais da Copa do Mundo. A unidade Rockefeller, porém, foi escolhida como “team base camp” pela Match Services – empresa responsável pelas hospedagens dos jogos mundiais. Significa que o hotel tem estrutura capaz de receber times por agregar diversas características. “Uma delas é a proximidade com o estádio”, complementa Brazil. A distância entre o estabelecimento e o Estádio Joaquim Américo Guimarães é inferior a 2 quilômetros. Quartos com requintes

A ampliação do número de quartos é uma das principais novidades do hotel paranaense. Um novo andar, com serviços exclusivos e 12 suítes cinco estrelas, foi inaugurado em agosto deste ano. “O objetivo é que tenhamos o mesmo nível de qualidade da hotelaria internacional. Claro, sem deixar de lado a característica do atendimento brasileiro, que é acolhedor, mas de um jeito natural”, diz Brazil. Os hóspedes do piso Manhattan – como é chamado o espaço recém-lançado – podem, por lá mesmo, fazer o check-in sem ter de passar pela recepção. Além disso, todo fim de tarde são convidados a participar da happy hour. Há ainda chá, água e café à vontade. Quem estiver cansado da viagem pode pedir a um funcionário para desfazer as malas. O maior apartamento instalado no piso tem 70 metros quadrados. Os móveis amadeirados com tons escuros e o carpete deixam o ambiente mais aconchegante. No banheiro, onde o branco predomina, há dois chuveiros, duas cubas e hidromassagem com cromoterapia, um tipo de tratamento que usa cores para ajudar a restaurar o equilíbrio físico e emocional. É possível ainda tomar um banho com produtos da linha francesa L’Occitane. Os outros quartos do hotel têm, em média, 45 metros quadrados. Uma nova cara

Na onda dos preparativos para a Copa do Mundo, os demais quartos do empreendimento também passaram por reformas. Setenta e oito apartamentos ganharam cortinas e colchas de cama novos, decoração mais moderna e um novo sistema de ar condicionado, chamado de split – o cliente não vai se incomodar com 46 FINANCEIRO novembro 2013


o barulho, já que o motor é instalado do lado de fora do apartamento. “O hóspede deve ter a sensação de que está chegando a um lugar novo e atualizado com os conceitos modernos de decoração e conforto”, explica. Internet veloz

O empreendimento também está com uma nova rede de internet. A conexão a cabo foi substituída pela tecnologia wi-fi, que agiliza o acesso ao conteúdo on-line. “As pessoas trazem mais equipamentos eletrônicos, por isso a necessidade de oferecer conexões mais rápidas”, explica o executivo. Momento da diversão

A academia do edifício, chamada de Fitness Center, recebeu novos equipamentos e está maior, mas as mudanças só serão finalizadas em dezembro. O restaurante White e o Lobby Bar também foram repaginados – os dois espaços são inspirados em bares e restaurantes de Nova York. Os lustres avantajados, as paredes em tons pastel e a mobília escura tornam o ambiente clássico. Durante os jogos, os clientes do Rockefeller vão poder degustar pratos típicos paranaenses, mas o cardápio ainda não foi definido. Mais gringos

O público predominante no Rockefeller é o turista brasileiro. Em média, somente 18% dos hóspedes recepcionados no hotel ao longo do ano são estrangeiros. Porém, durante a Copa de 2014, a expectativa é que a fatia alcance 40%. “Entendemos que os deslocamentos serão mais de turistas de fora, principalmente da América do Sul, por conta da proximidade geográfica”, acrescenta

Brazil. Até o momento, 40% dos quartos estão reservados por empresas e turistas, mas a parcela não está definida. Companhias nacionais que estão premiando clientes estrangeiros com viagens ao Brasil durante a Copa do Mundo e operadoras de viagem, além de delegações, estão contatando a bandeira Slaviero para fazer as reservas. Gente preparada

O primeiro grande foco da rede, quando soube que a Fifa havia selecionado a marca Slaviero para recepcionar turistas na Copa do Mundo de 2014, foi o treinamento da mão de obra. Desde 2011, a empresa oferece cursos básicos de inglês aos funcionários da unidade Rockefeller, formada por 45 profissionais. A empresa fez parceria com uma escola de idiomas local. O hotel banca integralmente o curso básico de inglês, mas, caso o profissional tenha interesse em continuar com as aulas, a empresa arca com 50% da mensalidade. Além disso, a equipe recebeu treinamentos, como sobre a postura ideal para recepcionar o cliente dos jogos mundiais. f INFORMAÇÕES ÚTEIS Localização: Rua Rockefeller, 11, Rebouças, Curitiba – PR Preços: De R$ 302 a R$ 1.506 Contato: (41) 3023-2330 O que está por perto? Pontos turísticos próximos ao Slaviero Conceptual Rockefeller, em Curitiba: Jardim Botânico – 38 minutos Shopping Estação – 1 minuto Museu Oscar Niemeyer – 50 minutos (distâncias para quem vai caminhando)

novembro novembro2013 013 FINANCEIRO 47


happyhour

Bar

da estrela-d’alva

e de São Benedito

Por Isabella Villalba

Localizado na bela esquina da Rua Padre João Manuel com a Barão de Capanema, em São Paulo, um banco ao estilo de pracinha de interior recepciona os clientes do Dalva e Dito. O nome de batismo do restaurante é inspirado em um casal fictício de chefs – Dalva, a primeira estrela a surgir no céu ao anoitecer, e São Benedito, o santo padroeiro dos cozinheiros – que habita o imaginário do proprietário, o chef brasileiro internacionalmente reconhecido Alex Atala. Da entrada da casa inaugurada em 2009, é possível ver o teto decorado com samambaias suspensas, o verde contrastando com o piso de azulejos decorados. As janelas de vidro permitem assistir ao movimento do trânsito e dos passantes na rua. Para dar o toque final ao ambiente climatizado, o bar e as mesas de madeira servem de espera para os visi48 FINANCEIRO novembro 2013

Carta de drinques com caipirinhas especiais abastecidas com cachaça orgânica e um ambiente que mistura referências do Brasil colonial e da modernidade dão o tom ao Dalva e Dito


Fotos: Isabella Villalba / Divulgação

tantes antes de adentrarem o salão principal, inspirado na decoração do período colonial brasileiro. Mas não somente de espera vive a sala de boas-vindas do endereço no bairro dos Jardins, em São Paulo. “Temos nossa happy hour em fase de início. Gostaríamos que as pessoas saíssem do trabalho, parassem e tomassem uma cerveja artesanal ou algum drinque aqui com a gente. Quem não gosta de tomar uma caipirinha na sexta-feira?”, pergunta Jean Ponce, chef geral do bar do Dalva e Dito, do D.O.M. e do clássico paulistano de 1949, o Riviera, reinaugurado por Atala em parceria com o empresário Facundo Guerra, em setembro de 2013. Ponce explica que o trabalho de criação dos drinques é constante. Afinal, a carta muda a cada três meses, levando em conta a sazonalidade das

frutas selecionadas. Começa no Mercadão de São Paulo, na hora da pesquisa de referências, e todos os envolvidos do corpo administrativo, da cozinha e, claro, do bar experimentam e votam nos favoritos. Ao todo são 29 opções de drinques, além de cervejas especiais, vodcas, uísques e outras bebidas. Para acompanhá-las, há petiscos como empadinhas de bobó de camarão e carne acebolada com manteiga de garrafa, além de outras alternativas. Drinques de cachaça

Destaque entre as caipirinhas artesanais do menu, a novidade Maria Bonita irá estrear na carta ainda em novembro. Uma combinação de sucos de limão-siciliano e laranja, redução de tangerina e novembro 2013 FINANCEIRO 49


happyhour

Grenadine (R$ 30,00). Faz sucesso a releitura da caipirinha clássica com limões galego, taiti e cravo (R$ 24,00). Ambas são abastecidas com cachaça orgânica. “Temos trabalhado muito com cachaça, com o objetivo de destacar essa bebida típica brasileira. Tomar como aperitivo, uns 15 ou 20 mililitros, abre o apetite. Ao fim da refeição, servimos ainda uma cachaça digestiva”, comenta Ponce. Segundo o chef geral do bar, as mulheres também estão experimentando cada vez mais cachaças diferentes. Cozinha brasileira

A cozinha aparente é um charme, que se destaca ainda mais pelas referências ao Brasil colonial. Enquanto está no salão, o cliente pode observar os 70 funcionários na ativa. Totalmente planejada e criada com base no fluxo funcional (de mercadorias, ingredientes e resíduos), prepara opções de pratos elaborados com base no cozimento tradicional aliado à alta tecnologia e às regras de segurança alimentar. As téc50 FINANCEIRO novembro 2013


Quando sua empresa diz não ao trabalho infantil, muita gente pode dizer sim para sua marca. Invista nas crianças e adolescentes do Brasil e tenha o selo de reconhecimento da Fundação Abrinq. Seja uma Empresa Amiga da Criança. Saiba mais pelo site www.fundabrinq.org.br/peac ou pelo telefone 11 3848 4870

Uma iniciativa:


happyhour

nicas de cozimento em baixa temperatura e a vácuo garantem qualidade e sabor aos ingredientes. Para beliscar, há palitinhos de mandioca frita e minipastéis de vatapá. O almoço executivo, servido de segunda a sexta-feira, tem galeto de televisão, costelinha suína, batatas crocantes e mais. Como prato principal, uma sugestão é o lombo de porco com laranja e feijão tropeiro mineiro. De sobremesa, uma seleção de compotas da fazenda com figo e queijo fresco. Depois da happy hour (ou ainda antes, no almoço), a cozinha do Dalva e Dito reforça a crença do chef Alex Atala no ingrediente e na cultura nacional. A cozinha que ele classifica como “afetiva” é marcante. “É a cozinha das senhoras brasileiras, das nossas referências de mãe, avó, tia e sogra”, comenta. No dia a dia da casa, quem comanda tudo é o subchef Luiz Gustavo Galvão, conhecido como Canadá. Com 16 anos, ele foi morar no país que lhe conferiu o apelido. Ao voltar ao Brasil, seis anos depois, começou a cursar gastronomia e iniciou a carreira no D.O.M., 52 FINANCEIRO novembro 2013

o sexto melhor restaurante do mundo, segundo a revista inglesa Restaurant, também em São Paulo e sob o comando de Atala – e foi crescendo na profissão. f SERVIÇO Rua Padre João Manuel, 1.115, Cerqueira César, São Paulo – SP Telefone: (11) 3068-4444 Site: www.dalvaedito.com.br CAPACIDADE TOTAL: 180 LUGARES (PARA EVENTOS, ATÉ 400 LUGARES). HORÁRIOS DE FUNCIONAMENTO: SEG. A QUI., 12H ÀS 15H E 19H À 0H (SEX. ATÉ 1H); SÁB., 12H ÀS 16H30 E 19H À 0H – GALINHADA, 0H ÀS 3H; E DOM., 12H ÀS 17H. ESTACIONAMENTO COM MANOBRISTA: R$ 17,00

Sábados de galinhada Descendo as escadas do restaurante, a partir da meia-noite de sábado, faz sucesso a galinhada. Um bufê é montado no salão com opções como arroz feito no óleo de pequi, quiabo, farofa e pirão para acompanhar a galinha caipira, inspirada na receita tradicional do interior do País. Ao som de samba ao vivo, os clientes podem se servir por R$ 59,00.


O Rafael ainda nem nasceu e a Claudia já está pegando no pé dele. O Teste do Pezinho é um exame muito importante para a saúde do seu bebê. É rápido e gratuido. Deve ser feito logo após as primeiras 48 horas de vida. O teste ajuda a detectar várias doenças antes mesmo de os sintomas aparecerem, auxiliando no controle e tratamento. Se você também quer o melhor para o seu bebê, comece a pegar no pé

Claudia Leitte cedeu gentilmente seus direitos de imagem para a APAE DE SÃO PAULO. Foto: Danilo Russo.

dele desde o nascimento. Mais que um exame, uma verdadeira prova de amor.

O primeiro passo pela saúde do seu bebê é você quem dá. Teste do Pezinho Um direito de todo recém-nascido. Um dever de todas as mamães.

Não deixe de fazer o Teste do Pezinho. Claudia Leitte, cantora e mãe de Davi e Rafael, apoia a Campanha do Teste do Pezinho.


artigomercadoautomotivo

Por Adryelle Pedrosa

Roberta Jacarandá

Por oferecer segurança na execução da garantia, o contrato de alienação fiduciária tornou-se o principal instrumento usado para aquisição de bens móveis. Proposições em tramitação no Congresso Nacional, no entanto, ameaçam os principais benefícios do instituto ao engessarem em lei mecanismos que burocratizam as operações de financiamento de veículos e impõem custos desnecessários que, de alguma forma, serão suportados pelos próprios consumidores. Entre as principais mudanças que os projetos pretendem operar destacam-se o duplo registro dos contratos e a possibilidade de extinção do contrato quando do perecimento ou desaparecimento do objeto do acordo. As propostas que estabelecem o duplo registro propugnam alteração no Código Civil para obrigar o depósito do contrato no Registro de Títulos e Documentos do domicílio do devedor, e o registro da propriedade fiduciária de veículo na repartição de licenciamento. O principal argumento para a exigência do registro também nos cartórios repousa sobre o fortalecimento da segurança contratual para consumidores e instituições financeiras, devido ao arquivamento do ato e à disponibilização para o consumidor de cópia do contrato de alienação fiduciária. No entanto, o registro na repartição de trânsito competente para o licenciamento (Detrans) atende plenamente aos requisitos de arquivamento, como indica a jurisprudência do

54 FINANCEIRO novembro 2013

Superior Tribunal de Justiça (ver REsp 686932PR). Da mesma forma, a entrega de minuta de contrato antes do fechamento de negócios e de cópia do contrato final após esse fechamento já é prática corriqueira, amplamente disseminada no setor financeiro. Ademais, a segurança dos financiamentos de automóveis foi ampliada com a implementação do Sistema Nacional de Gravames, em 1998, não se verificando desde então nenhuma fraude. Os riscos diminuíram ainda mais desde que os órgãos de trânsito passaram a normatizar os procedimentos a serem cumpridos pelas instituições financeiras, para que fosse expedido o Certificado de Registro do Veículo com anotação da alienação fiduciária. Há ainda no Congresso Nacional projetos de lei que determinam a extinção do contrato de alienação fiduciária quando houver o desaparecimento ou perecimento da coisa objeto do acordo por motivo de força maior ou caso fortuito (como roubo). Com isso, o contrato de alienação fiduciária seria equiparado ao contrato de depósito. Ocorre que o perecimento da coisa alienada já foi devidamente regulado no Código Civil em seu artigo 1.436, no qual se estabelecem os casos de cessação da propriedade fiduciária. Também o Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou posicionamento no sentido de que o perecimento da coisa depositada exclui a obrigação de o depositário restituir o objeto do depósito, eximindo-o da conduta infiel, sem, contudo, excluir sua responsabilidade pelo débito.

Foto Shutterstock.com / Divulgação - Artigo enviado em outubro de 2013

Ameaças à alienação fiduciária


Vale ressaltar que o depósito é um contrato em regra gratuito, voluntário ou decorrente de atividade negocial e não se confunde com a alienação fiduciária. Isso porque o legislador, com a intenção de facilitar as operações de crédito direto ao consumidor, adotou essa modalidade de garantia e, no caso de inadimplemento da dívida, o devedor estará sujeito a restituir o bem ao fiduciário e/ou deverá realizar o pagamento de eventuais débitos. O mercado financeiro equilibra-se pela garantia associada ao cumprimento das obrigações avençadas, em nada contribuindo para o incremento da atividade produtiva uma possível desoneração das obrigações assumidas pelo devedor. O resultado prático das propostas em tramitação é a fragilização do instituto da garantia fiduciária, impondo às instituições financeiras a necessidade de revisar suas políticas de concessão de crédito e até mesmo rever os encargos financeiros cobrados diante das situações de risco em que incorrerão. A Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) atua no Congresso Nacional subsidiando tecnicamente os atores envolvidos nas discussões sobre o aprimoramento do instituto da alienação fiduciária de bens móveis, a fim de esclarecer o potencial lesivo de iniciativas que criem entraves burocráticos desnecessários e que tragam ônus adicionais aos tomadores. f Adryelle Pedrosa e Roberta Jacarandá são assessoras sênior de relações institucionais da CNF


análiseeperspectivas

É tempo de renegociação

CRÉDITO

é o atraso, mais difícil será quitar suas dívidas. Dessa forma, é interessante a procura por renegociações. Quando a pessoa retirou o empréstimo, ela entrou para as estatísticas do BC dentro da carteira de saldo do crédito pessoal não consignado. Já quando optou pela renegociação das dívidas, ela entrou para a carteira de renegociação referente ao crédito pessoal não consignado. Dessa forma, neste artigo serão utilizadas essas duas séries para exemplificar qual o comportamento recente das renegociações dessa carteira. É interessante perceber que a renegociação de dívidas apresenta um crescimento elevado se comparada ao crescimento da carteira de crédito para pessoas físicas, ou ao saldo do crédito pessoal não

PESSOAL NÃO CONSIGNADO

25.000

R$ (Milhões)

20.000

15.000

10.000

5.000

m ar /1 1 m ai /1 1 m ai /1 1 ju l/ 11 se t/ 11 no v/ 11 ja n/ 1 m 2 ar /1 2 m ai /1 2 ju l/ 12 se t/ 12 fe v/ 06 no v/ 12 ja n/ 1 m 3 ar /1 3 m ai /1 3 ju l/ 13

0

Saldo inadimplete

Saldo insolvente

Saldo renegociação Fonte: Inepad & BCB

56 FINANCEIRO novembro 2013

Foto: Divulgação - Artigo enviado em agosto de 2013

Sempre que um tomador de empréstimos atrasa e/ou não paga suas dívidas, ele entra nas estatísticas de inadimplência ou insolvência. O Banco Central (BC) classifica os atrasos em 15 a 90 dias e superiores a 90 dias. Para este artigo, porém, o atraso de 15 a 90 dias será tratado como inadimplência, e a insolvência como atraso superior a 90 dias. Essa pessoa que atrasou seus pagamentos não necessariamente o fez com o intuito de não pagar as dívidas. Muitas vezes, o que Por prof. dr. Alberto Borges Matias, ocorre para um inadimplente com colaboração de João Gabriel Sehn tornar-se um insolvente é a pressão devido aos juros elevados dentro do orçamento pessoal ou familiar desestruturado. Quanto maior


consignado. Os crescimentos reais percebidos entre março de 2011 e agosto de 2013 foram respectivamente de 70%, 29,8% e 23,8%. Além disso, também é interessante comparar o saldo de renegociação com os volumes de inadimplência e insolvência. Nota-se no gráfico 1 que mesmo a soma dos saldos de volume inadimplente não chega ao valor total de renegociações, assim como o crescimento dessas séries também não bate o do saldo renegociado. O volume insolvente se manteve praticamente constante, com crescimento de 6% no período – já o insolvente cresceu

O brasileiro buscou aproveitar as oportunidades de renegociar suas dívidas. Principalmente com as novas facilidades adotadas por bancos para esse tipo de processo cerca de 33%, ainda distante do crescimento de 70% do saldo de renegociações. É importante, porém, que seja feita a análise do comportamento da própria série de renegociações. Ao separar a série em três períodos, como é feito no gráfico 2, nota-se que o período de março de 2011 a março de 2012 foi de crescimento mais acelerado, 38,2%, com a média mensal de 2,7%. Já o período de março de 2012 a

R$ (Milhões)

SALDO DE RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS (CRÉDITO PESSOAL NÃO CONSIGNADO)

mar

abr

mai

Saldo renegociação (mar/11 a mar/12)

jun

jul

ago

set

out

nov

Saldo renegociação (mar/12 a mar/13)

dez

jan

fev

mar

Saldo renegociação (mar/13 a ago/13) Fonte: Inepad & BCB

março de 2013 apresentou desaceleração de 24,5% no período, com média mensal de 2%. Finalmente, o período de março de 2013 a agosto de 2013, que apresentou decréscimo de 1%, mostra uma desaceleração na série. Em suma, nota-se que o brasileiro buscou aproveitar as oportunidades de renegociar suas dívidas, principalmente com as novas facilidades adotadas por bancos para esse tipo de processo. Ao mesmo tempo em que as renegociações vêm em ampla expansão, as porcentagens de inadimplência e insolvência se mantêm estáveis. Porém, o ritmo de renegociações arrefeceu, indicando que é tempo de retomar as ações que possibilitaram o bom desempenho alcançado nos últimos dois anos. f ELABORAÇÃO: Alberto Borges Matias Diretor-Presidente do Inepad. Professor titular do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo no campus de Ribeirão Preto. Livre-docente em finanças, atuando nos programas de graduação, pós-graduação e MBAs da universidade APOIO: João Gabriel Sehn – Pesquisador do Centro de Pesquisas do Inepad – Núcleo Cepefin. Graduando em economia empresarial e controladoria pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo no campus de Ribeirão Preto novembro 2013 FINANCEIRO 57


bancodedadosinepad Taxas médias: geral Data

Var. p.p.

Captações

Var. p.p.

Spread

Var. p.p.

ago/12

Aplicações 19,6

-0,3

6,9

0,0

12,7

-0,3

set/12

19,4

-0,2

6,8

-0,1

12,6

-0,1

out/12

19,0

-0,4

6,6

-0,2

12,4

-0,2

nov/12

18,9

-0,1

6,6

0,0

12,3

-0,1

dez/12

18,0

-0,9

6,5

-0,1

11,5

-0,8

jan/13

18,6

0,6

6,4

-0,1

12,2

0,7

fev/13

18,7

0,1

6,6

0,2

12,1

-0,1

mar/13

18,5

-0,2

6,8

0,2

11,7

-0,4

abr/13

18,5

0,0

6,8

0,0

11,7

0,0

mai/13

18,1

-0,4

6,8

0,0

11,3

-0,4

jun/13

18,5

0,4

7,6

0,8

10,9

-0,4

jul/13

19,1

0,6

7,7

0,1

11,4

0,5

ago/13

19,3

0,2

8,0

0,3

11,3

-0,1 -1,4

1,1

-0,3

Variação Ago/Ago Fonte: BC/Inepad

Taxas médias: pessoa física Data

Aplicações

Var. p.p.

Captações

Var. p.p.

Spread

Var. p.p.

ago/12

25,7

-0,5

7,2

-0,1

18,5

-0,4

set/12

25,7

0,0

7,2

0,0

18,5

0,0

out/12

25,5

-0,2

6,8

-0,4

18,7

0,2

nov/12

25,1

-0,4

6,8

0,0

18,3

-0,4

dez/12

24,3

-0,8

6,6

-0,2

17,7

-0,6

jan/13

24,7

0,4

6,7

0,1

18,0

0,3

fev/13

24,9

0,2

7,0

0,3

17,9

-0,1

mar/13

24,4

-0,5

7,1

0,1

17,3

-0,6

abr/13

24,3

-0,1

7,0

-0,1

17,3

0,0

mai/13

24,0

-0,3

7,1

0,1

16,9

-0,4

jun/13

24,3

0,3

8,0

0,9

16,3

-0,6

jul/13

25,1

0,8

8,2

0,2

16,9

0,6

ago/13

25,2

0,1

8,6

0,4

16,6

-0,3 -1,9

1,4

-0,5

Variação Ago/Ago Fonte: BC/Inepad

Taxas médias: pessoa jurídica Data

Spread

Var. p.p.

ago/12

Aplicações 14,9

-0,2

6,6

-0,1

8,3

-0,1

set/12

14,5

-0,4

6,6

0,0

7,9

-0,4

out/12

14,0

-0,5

6,5

-0,1

7,5

-0,4

nov/12

14,2

0,2

6,4

-0,1

7,8

0,3

dez/12

13,3

-0,9

6,3

-0,1

7,0

-0,8

jan/13

14,0

0,7

6,2

-0,1

7,8

0,8

fev/13

14,0

0,0

6,3

0,1

7,7

-0,1

mar/13

14,0

0,0

6,5

0,2

7,5

-0,2

abr/13

14,0

0,0

6,6

0,1

7,4

-0,1

mai/13

13,5

-0,5

6,7

0,1

6,8

-0,6

jun/13

14,0

0,5

7,3

0,6

6,7

-0,1

jul/13

14,4

0,4

7,3

0,0

7,1

0,4

ago/13

14,7

0,3

7,5

0,2

7,2

Variação Ago/Ago Fonte: BC/Inepad

58 FINANCEIRO novembro 2013

Var. p.p.

-0,2

Captações

Var. p.p.

0,9

0,1 -1,1


Crédito Consignado

Spread Financeiro INEPAD & BC

25,4 25,2

210.000

Aplicações

24,0

Captações

3

3

ju l/ 1

23,6

ag o/ 1

3

3

/1

ai

ju n/ 1

m

3

3

ab r/ 1

3

/1

v/ 1

ar

fe

Consignado (R$ milhões)

m

3

ja n/ 1

12

de

z/

2

23,8

ag o/ 1

3

13

ag o/

3

ju l/ 1

ju n/ 1

3 /1 ai

m

3

13 ab r/

3

/1 ar

fe v/ 1

m

3 ja n/ 1

2

12

de z/

t/ 1

v/ 1

ou

no

ag o/

12

2

0,0

2

160.000

24,2

2

170.000

24,4

v/ 1

5,0

24,6

no

180.000

2

10,0

24,8

ou t/ 1

190.000

2

15,0

25,0

t/ 1

200.000

se

20,0

se t/ 1

Taxas Médias %

25,0

% a.a.

INEPAD & BC

220.000

Consignado - taxa de juros % a.a.

Fonte: BC/Inepad

SALDO RECURSOS Mês/Ano

DA CARTEIRA DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

LIVRES (R$ MILHÕES)

Cheque Variação especial em %

Cartão de Variação em % crédito

Crédito pessoal Variação não consignado em % vinculado à dívida

CRÉDITO PESSOAL Crédito Variação Crédito Var. pessoal não em % pessoal em % consignado consig. total

Total

Variação em %

ago/12

20.235

-1,1

115.847

4,4

20.009

4,4

87.498

1,0

183.040

1,8

270.538

1,5

set/12

19.877

-1,8

114.827

1,1

20.221

1,1

89.121

1,9

182.506

-0,3

271.628

0,4

out/12

20.516

3,2

117.185

2,2

20.670

2,2

90.131

1,1

185.434

1,6

275.565

1,4

nov/12

19.969

-2,7

119.442

1,5

20.972

1,5

91.064

1,0

187.712

1,2

278.776

1,2

dez/12

18.288

-8,4

126.614

2,4

21.480

2,4

90.225

-0,9

188.879

0,6

279.104

0,1

jan/13

20.046

9,6

126.273

0,3

21.551

0,3

91.079

0,9

192.166

1,7

283.245

1,5

fev/13

20.800

3,8

122.107

0,1

21.562

0,1

91.627

0,6

195.434

1,7

287.061

1,3

mar/13

20.244

-2,7

122.141

0,2

21.609

0,2

92.916

1,4

198.825

1,7

291.741

1,6

abr/13

21.220

4,8

123.598

0,2

21.662

0,2

93.944

1,1

202.469

1,8

296.412

1,6

mai/13

21.118

-0,5

126.433

0,5

21.773

0,5

94.945

1,1

206.309

1,9

301.254

1,6

jun/13

20.478

-3,0

125.372

0,0

21.764

0,0

95.663

0,8

209.304

1,5

304.967

1,2

jul/13

20.962

2,4

129.369

-0,2

21.721

-0,2

95.736

0,1

212.106

1,3

307.842

0,9

ago/13

21.086

0,6

130.019

0,1

21.739

0,1

96.787

1,1

214.728

1,2

311.515

1,2

Fonte: BC/Inepad

SALDO

DA CARTEIRA DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

CONTINUAÇÃO –

RECURSOS LIVRES (R$ MILHÕES)

AQUISIÇÃO Mês/Ano

Veículos

Variação em %

Outros

Variação em %

Total

Variação em %

Arrecadamento Variação mercantil em %

Desconto Variação de cheques em %

Outros créditos Variação em % livres

ago/12

190.876

1,6

9.654

1,5

200.530

1,6

22.816

-5,6

1.657

2,9

24.405

1,3

set/12

190.167

-0,4

9.794

1,5

199.961

-0,3

21.598

-5,3

1.674

1,0

23.648

-3,1

out/12

190.419

0,1

9.982

1,9

200.401

0,2

20.276

-6,1

1.655

-1,1

23.391

-1,1

nov/12

190.778

0,2

10.162

1,8

200.940

0,3

19.073

-5,9

1.684

1,8

23.723

1,4

dez/12

193.215

1,3

10.450

2,8

203.665

1,4

17.913

-6,1

1.673

-0,7

23.870

0,6

jan/13

193.474

0,1

10.494

0,4

203.968

0,1

16.762

-6,4

1.637

-2,2

24.053

0,8

fev/13

192.763

-0,4

10.422

-0,7

203.185

-0,4

15.738

-6,1

1.650

0,8

24.635

2,4

mar/13

192.795

0,0

10.430

0,1

203.225

0,0

14.746

-6,3

1.633

-1,0

25.032

1,6

abr/13

192.490

-0,2

10.498

0,7

202.988

-0,1

13.732

-6,9

1.608

-2,7

25.941

3,6

mai/13

192.060

-0,2

10.657

1,5

202.717

-0,1

12.809

-6,7

1.579

-0,4

25.923

-0,1

jun/13

191.979

0,0

10.804

1,4

202.783

0,0

12.040

-6,0

1.609

0,3

26.250

1,3

jul/13

193.946

1,0

10.879

0,7

204.825

1,0

11.167

-7,3

11.167

-3,9

26.279

0,9

ago/13

194.008

0,0

11.070

1,8

205.078

0,1

10.410

-6,8

10.410

1,8

26.417

0,5

Fonte: BC/Inepad

novembro 2013 FINANCEIRO 59


bancodedadosinepad SALDO

DA CARTEIRA DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

RECURSOS DIRECIONADOS - (R$

MILHÕES)

Mês/Ano

Crédito rural total

Variação em %

ago/12

79.240

4,0

233.154

3,1

27.284

4,3

3.061

3,1

3.696

0,5

set/12

81.538

2,9

236.413

1,4

27.247

-0,1

3.089

0,9

3.852

4,2

out/12

83.806

2,8

242.760

2,7

27.606

1,3

3.350

8,4

3.949

2,5

nov/12

86.393

3,1

248.714

2,5

28.472

3,1

3.570

6,6

3.975

0,7

dez/12

90.655

4,9

255.367

2,7

29.172

2,5

3.798

6,4

4.174

5,0

jan/13

90.480

-0,2

261.344

2,3

30.221

3,6

3.823

0,7

3.937

-5,7

fev/13

90.964

0,5

266.577

2,0

31.156

3,1

3.824

0,0

4.039

2,6

mar/13

92.705

1,9

273.917

2,8

32.146

3,2

3.879

1,4

4.454

10,3

abr/13

94.192

1,6

281.343

2,7

32.991

2,6

3.936

1,5

4.491

0,8

mai/13

97.014

3,0

289.652

3,0

32.839

-0,5

4.027

2,3

4.573

1,8

jun/13

101.736

4,9

298.396

3,0

33.119

0,9

4.170

3,6

4.755

4,0

jul/13

99.448

-2,2

306.493

2,7

33.527

1,2

4.116

-1,3

5.109

7,4

ago/13

103.181

3,8

314.896

2,7

34.086

1,7

4.158

1,0

5.314

4,0

Financ. imobiliário tot.

Variação em %

Financ. Variação recursos BNDES em %

Microcrédito total

Variação em %

Outros créditos direcionados

Variação em %

Fonte: BC/Inepad

SALDO

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO

CRÉDITO CONSIGNADO (R$

MILHÕES)

TAXA DE JUROS % a.a.

CONSIGNADO

Não consignado

Servidores públicos

Trabalhadores do setor privado

Beneficiários do INSS

ago/12

87.498

112.316

15.278

55.446

183.040

set/12

89.121

111.614

15.896

54.996

182.506

out/12

90.131

113.644

16.101

55.689

185.434

nov/12

91.064

115.157

16.253

56.302

dez/12

90.225

116.039

16.244

jan/13

91.079

117.713

fev/13

91.627

mar/13

Mês/Ano

Total

Consignado

Pessoal

Diferença

270.538

24,9

38,0

13,1

271.627

25,2

37,7

12,5

275.565

24,8

37,8

13,0

187.712

278.776

24,6

37,1

12,5

56.595

188.878

279.103

24,5

36,9

12,4

16.391

58.062

192.166

283.245

24,5

37,3

12,8

119.680

16.535

59.219

195.434

287.061

24,7

37,9

13,2

92.940

121.674

16.806

60.351

198.826

291.742

24,6

37,2

12,6

abr/13

94.042

124.091

16.966

61.410

202.468

296.412

24,3

36,8

12,5

mai/13

94.945

126.427

17.199

62.683

206.309

301.254

24,2

36,7

12,5

jun/13

95.663

128.576

17.373

63.354

209.303

304.966

24,2

38,1

13,9

jul/13

95.736

130.421

17.504

64.181

212.106

307.842

24,4

39,8

15,4

ago/13

96.787

132.202

17.734

64.792

214.728

311.515

24,5

39,7

15,2

Total

Fonte: BC/Inepad

PREVISÕES

ECONÔMICAS

Ano de 2013

PIB Total % a.a.

PIB Agropecuário % a.a.

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

2,45

9,75

1,36

2,32

1,82

1 semana antes 04/10

2,44

9,75

1,43

2,31

1,81

1 mês antes 11/10/2013

2,37

9,21

1,46

2,33

2,08

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

Previsão 11/10/2013 (2013/2013)

Ano de 2013

Selic Taxa anual

Previsão 11/10/2013

IGP–DI % a.a.

IPCA % a.a.

9,81

5,71

5,79

2,29

242,10

1 semana antes 04/10

9,77

5,58

5,80

2,30

242,55

1 mês antes 11/10/2013

9,69

4,98

5,82

2,35

242,8

(2013/2013)

Fonte: BC-Focus/Inepad

60 FINANCEIRO novembro 2013


SALDO

(R$

MILHÕES)

E PORCENTUAL (%)

RECURSOS LIVRES PF

DA CARTEIRA DE CRÉDITO COM

TOTAL E COM ATRASO ENTRE

CRÉDITO PESSOAL

15

E

90

AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS

DIAS AQUISIÇÃO DE OUTROS BENS

Mês/Ano

Saldo total

Com atraso de 15 a 90 dias

% sobre saldo da carteira

Saldo total

Com atraso de 15 a 90 dias

% sobre saldo da carteira

Saldo total

Com atraso de 15 a 90 dias

% sobre saldo da carteira

ago/12

259.656

10.646

4,10%

184.576

16.187

8,77%

9.374

719

7,67%

set/12

263.702

11.128

4,22%

186.884

16.745

8,96%

9.440

718

7,61%

out/12

266.503

11.300

4,24%

187.913

16.668

8,87%

9.510

709

7,46%

nov/12

270.538

11.038

4,08%

190.876

16.434

8,61%

9.654

728

7,54%

dez/12

271.628

10.811

3,98%

190.167

16.012

8,42%

9.794

672

6,86%

jan/13

275.565

12.097

4,39%

190.419

15.843

8,32%

9.982

732

7,33%

fev/13

278.776

12.155

4,36%

190.778

16.064

8,42%

10.162

802

7,89%

mar/13

279.104

12.141

4,35%

193.215

17.351

8,98%

10.450

874

8,36%

abr/13

283.245

12.774

4,51%

193.474

16.736

8,65%

10.494

855

8,15%

mai/13

287.061

11.655

4,06%

192.763

16.539

8,58%

10.422

810

7,77%

jun/13

291.741

11.465

3,93%

192.795

15.925

8,26%

10.430

787

7,55%

jul/13

296.412

11.797

3,98%

192.490

15.707

8,16%

10.498

785

7,48%

ago/13

301.254

11.719

3,89%

192.060

15.000

7,81%

10.657

764

7,17%

Fonte: BC/Inepad

CRÉDITO PESSOAL Data

Saldo

Taxa de juros

Data

jun/07

59.085

51,06

jan/09

83.203 56,51

ago/10

126.750 41,96

mar/12

167.349

43,9

jul/07

61.639

50,61

fev/09

81.393 54,49

set/10

128.691 41,63

abr/12

170.256

41,4

ago/07

63.483

49,89

mar/09

83.665 50,84

out/10

131.057 43,55

mai/12

174.031

39,3

set/07

64.990

49,43

abr/09

87.384 48,78

nov/10

133.419 41,99

jun/12

177.161

38,2

out/07

66.842

48,88

mai/09

89.592 46,62

dez/10

136.312 44,11

jul/12

179.884

38,6

nov/07

67.089

46,75

jun/09

91.998 45,64

jan/11

139.246 48,32

ago/12

183.040

38

dez/07

68.259

45,80

jul/09

94.475 44,78

fev/11

141.840 47,96

set/12

182.506

37,7

jan/08

69.758

53,08

ago/09

97.297 44,29

mar/11

142.150 43,01

out/12

185.434

37,8

fev/08

71.083

52,59

set/09

99.518 44,71

abr/11

143.935 44,34

nov/12

187.712

37,1

mar/08

72.900

50,48

out/09

101.735 45,74

mai/11

145.738 44,56

dez/12

188.879

36,9

abr/08

74.510

50,60

nov/09

103.450 43,64

jun/11

147.892 44,52

jan/13

192.166

37,3

mai/08

75.967

48,39

dez/09

107.283 44,35

jul/11

150.587 45,01

fev/13

195.434

37,9

jun/08

76.744

51,39

jan/10

109.248 44,83

ago/11

154.027 44,52

mar/13

198.825

37,2

jul/08

77.987

53,59

fev/10

111.396 43,81

set/11

155.626 44,64

abr/13

202.469

36,8

ago/08

79.161

54,49

mar/10

115.128 42,69

out/11

157.277 45,34

mai/13

206.309

36,7

set/08

80.137

56,31

abr/10

117.580 42,87

nov/11

159.117 43,64

jun/13

209.304

38,1

out/08

81.916

57,42

mai/10

119.875 43,04

dez/11

159.349

42,4

jul/13

212.106

39,8

nov/08

81.761

59,88

jun/10

121.546 41,97

jan/12

161.858

44,8

ago/13

214.728

39,7

dez/08

82.853

60,44

jul/10

123.631 42,21

fev/12

164.769

45,2

Saldo

Taxa de juros

Data

Saldo

Taxa de juros

Data

Saldo

Taxa de juros

novembro 2013 FINANCEIRO 61


TAXA

DE DESEMPREGO

Taxa de Desemprego Data Brasil Var. % – Brasil Inepad & IBGE

SP

Var. %

5,3% ago/12 Taxa de  Desemprego        -0,001                                                                5,8%                                            0,001                                    Inepad  &  

IBGE  

set/12

5,4%

0,001

6,5%

0,007

out/12

5,3%

-0,001

5,9%

-0,006

nov/12

4,9%

-0,004

5,50%

-0,004

dez/12

4,6%

-0,003

5,20%

-0,003

jan/13

5,4%

0,008

6,40%

0,012

fev/13

5,6%

0,002

6,50%

0,001

mar/13

5,7%

0,001

6,30%

-0,002

abr/13

5,8%

0,001

6,70%

0,004

0,010 0,008

0,010

0,006 0,008

Taxa de Desemprego

0,006 0,004 10%

0,004

Brasil

0,002 9% 0,002

0,010

São Paulo

São Paulo  

0,008

Var. p.p.

8% 0,000 0,000 7%

Inepad & IBGE

Brasil

Var. p.p.  

0,006 0,004

-­‐0,002

6% -0,002

5% -­‐0,004

0,002

4% -0,004 -­‐0,006

0,000

3%

-0,004 6,30% 0,000 5,8%set/12 out/12   mai/13 mai/12   jun/12   jul/12   ago/12   nov/12   dez/12   jan/13   fev/13   mar/13   abr/13   mai/13  

dez/12 jun/13

fev/13 6,0%

abr/13 0,002

jun/13 6,60%

ago/13 0,003

jul/13

5,60%

-0,004

5,80%

-0,008

ago/13

5,30%

-0,30%

5,40%

-0,004

-0,002

2% -0,006

-0,004

1% 0%

ago/12

out/12

dez/12

fev/13

abr/13

jun/13

ago/13

-0,006

Fonte: IBGE/Inepad

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$) Var. %

mai/13

2,0

0,00

3,6

-0,03

jun/13

1,9

-0,05

3,5

-0,03

jul/13

1,7

-0,11

3,2

-0,09

ago/13

1,8

0,06

3,40

0,06

Fonte: IBGE/Inepad

62 FINANCEIRO novembro 2013

1,0 0,5 0,0

SP

Brasil

0,00

3,7

ag o13

0,00

3

2,0

1,5

ju l13

abr/13

2,0

3

0,12

ju n1

3,7

0,05

-1

2,0

ai

mar/13

2,5

m

-0,06

3

3,3

r13

0,00

-1

1,9

3,0

ab

fev/13

3,5

13

-0,03

ar

-0,05

3,5

m

3,6

-0,05

0,00

1,9

v-

2,0

jan/13

4,0

fe

dez/12

Inepad & IBGE

4,5

-0,05

n13

0,05

3,8

z12

4,0

-0,05

ja

0,05

2,0

12

2,1

nov/12

de

out/12

Rendimento Médio Real Habitualmente Recebido - Brasil e SP - (mil R$)

-0,03

v-

0,08

3,8

no

3,9

0,00

0,05

2,0

12

2,0

set/12

t-

ago/12

12

SP

ou

Var. % - Brasil

Brasil

t-

Data

se

10% 9%   8%   7%   6%   5%   4%   3%   2%   1%   0%  

ag o12

/12

bancodedadosinepad

Brasil São Paulo Var. p.p.


ATIVIDADE

ECONÔMICA Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

Var. p.p.

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Var. %

ago/12

82,2

-0,10

set/12

82,5

0,30

jun/12

125,4

0,84%

jul/12

126

out/12

82,7

0,48%

-0,10

ago/12

126,74

nov/12

0,59%

82,9

0,20

set/12

126,2

-0,40%

dez/12

81,7

0,30

out/12

126,04

-0,15%

jan/13

81,1

0,20

nov/12

126,63

0,47%

fev/13

82,6

0,20

dez/12

126,74

0,09%

mar/13

83,3

-1,20

jan/13

127,17

0,34%

abr/13

82,2

-0,60

fev/13

127,25

0,06%

mai/13

82,2

1,50

mar/13

127,71

0,36%

jun/13

82,2

0,70

abr/13

128,5

0,62%

jul/13

82,0

-1,1

mai/13

127,41

-0,85%

ago/13

82,3

jun/13

127,27

-0,11%

Data

Data

0 0,1

Variação - Ago/Ago

1,87

Variação - Ago/Ago

Fonte: CNI/Inepad

Fonte: IBGE/Inepad

Atividade Economica: Produção x Capacidade

Capacidade (%)

Produção (Índice)

INEPAD &  CNI  &  IBGE  

85,0

133

84,0

129

83,0 82,0

125

81,0

121

80,0 79,0

117

78,0

113

77,0

109

76,0 75,0

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

13

13 l/

ag

ju

o/

3

13 n/ ju

/1

ai m

13 r/ ab

/1

3

ar

v/ fe

m

13

13 n/ ja

z/

12

de

12 v/ no

12 t/ ou

12 se t/

ag

o/

12

105

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

% D ívida  L íquida  do  S etor  P úblico  /  P IB INEPAD  &  BC

37 36,5 36 35,5 35 34,5 34 33,5 33 32,5 32 jul/12

set/12

nov/12

jan/13

Dívida L íquida  do  S etor  P úblico  (%  P IB )

mar/13

mai/13

jul/13

M.M 12  meses

novembro 2013 FINANCEIRO 63


bancodedadosinepad

Balança C omercial  (us$  milhões) INEPAD  &  MDIC

25.000 20.000 15.000 10.000 5.000

0 ago/12

out/12

dez/12

fev/13

Exportações

abr/13

jun/13

ago/13

Importações

PRODUÇÃO – AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS. MISTOS. VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS (EM UNIDADES)

Produção

Média Trim.

ago/12

329.300

300.233

31.500

10,6%

set/12

282.540

303.213

-46.760

-14,2%

out/12

318.701

310.180

36.161

12,8%

nov/12

301.679

300.973

-17.022

-5,3%

dez/12

259.364

293.248

-42.315

-14,0%

jan/13

279.332

280.125

19.968

7,7%

fev/13

229.274

255.990

-50.058

-17,9%

mar/13

340.865

283.157

111.591

48,7%

abr/13

347.122

305.754

6.257

1,8%

mai/13

348.070

345.352

948

0,3%

jun/13

320.823

338.672

-27.247

-7,8%

jul/13

312.300

327.064

-8.523

-2,7%

ago/13

340.469

324.531

28.169

Var. Mensal (%)

Produção - Automóveis Leves e Pesados Inepad & Anfavea 400.000 350.000 Unidades

Var. Mensal

Data

300.000 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000

0

ago/12 set/12 out/12 nov/12 dez/12 jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13

9,0% -1,56%

Variação Ago/Ago Fonte: Anfavea/Inepad

EXPORTAÇÃO

Var. Mensal (%)

13.200

44,44%

set/12

27.194

33.265

-15.706

-36,61%

out/12

41.797

37.297

14.603

nov/12

36.536

35.176

-5.261

dez/12

41.194

39.842

4.658

jan/13

36.232

37.987

-4.962

fev/13

31.743

36.390

-4.489

-12,39% 20.000

mar/13

43.529

37.168

11.786

37,13% 10.000

abr/13

55.084

43.452

11.555

26,55% 0

mai/13

48.623

49.079

-6.461

-11,73%

jun/13

51.233

51.647

2.610

5,37%

jul/13

52.456

50.771

1.223

2,39%

ago/13

64.071

55.920

11.615

22,14%

Variação Ago/Ago Fonte: Anfavea/Inepad

64 FINANCEIRO novembro 2013

Exportação de  Autoveículos   Montados      Fonte:  Inepad  M&Montados  Anfavea   Exportação de Autoveículos Exportação   de  A utoveículos   ontados      Fonte:Fonte:  Inepad  &  Anfavea  

53,70% -12,59%

60.000 70.000

12,75%

60.000 50.000

50.000

40.000

50.000

30.000

40.000

40.000 30.000  

30.000

20.000 20.000

13

u1l 3 /1 3

ju nj /

jaui /n1/3 1

ag o/

Média Trimestral  

m

ou t/

Média Trimestral   Exportações  

2 juse dl/e1t/ z2/  12 12   ag oou/ ja1t2 n//1   123   se ntof/e1 vv2//   1123   ou t/1 dm eza2r/   / 13 no 12   va/ 1 ja b2r/  1 n 3 de /13   zm/ 1a2 fe i/  13 ja v/1   nj/ 3 u1n3 m /  13 fe ar/   v/ 13 13   mab ar r/ /1313   am brai /1/31   3

Exportações

12 juago nn/ / o1v212  /1

0

0

3

10.000 10.000

2

ju l/1

ju n/

12

-12,05%

-22,30%

Inepad & Anfavea

Unidades

60.000

2

Var. Mensal

36.200

12

Média Trim.

42.900

se t/1

Exportações

ago/12

o/

Data

UNIDADES)

ag

DE AUTOVEÍCULOS MONTADOS (EM


LICENCIAMENTO

DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (EM

UNIDADES)

Total

1000cc

% no total

+1000cc a 2000cc

% no total

+2000cc

% no total

ago/12

326.914

133.660

35,9%

191.167

58,5%

2.087

0,6%

set/12

214.351

90.205

62,4%

122.402

57,1%

1.744

0,8%

out/12

250.598

105.244

36,0%

143.910

57,4%

1.444

0,6%

nov/12

233.279

97.802

45,1%

134.278

57,6%

1.199

0,5%

dez/12

267.302

111.103

36,6%

155.168

58,0%

1.031

0,4%

jan/13

231.343

97.475

48,0%

132.707

57,4%

1.161

0,5%

fev/13

172.080

68.814

56,6%

102.250

59,4%

1.016

0,6%

mar/13

209.797

85.683

32,8%

122.993

58,6%

1.121

0,5%

abr/13

246.379

98.563

34,8%

146.066

59,3%

1.750

0,7%

mai/13

232.974

93.970

42,3%

137.426

59,0%

1.578

0,7%

jun/13

233.277

96.715

40,3%

135.298

58,0%

1.264

0,5%

jul/13

250.685

99.838

38,6%

149.235

59,5%

1.612

0,6%

ago/13

242.479

94.689

41,2%

146.205

60,30%

1.585

0,65%

Data

Fonte: Anfavea/Inepad

Licenciamento por  Categoria   Automóveis     Licenciamento por Categoria Automóveis Fonte:  & Inepad   &  Anfavea   Fonte: Inepad Anfavea

250.000

250.000

200.000

200.000

150.000

150.000

+2000cc

50.000

50.000

13

ag o/

t/

12 ju n/

ou

t/

se

12

12 12ju l/1 2   no a v/ go 12 /12   de set z/ /12 1o2   u t /1 2   ja n/ n o 13v/ 12   fe de v/ z/1 13 2   ja n/ m 13 ar   /1 f3e v/1 3   ab m r/ a 13 r/1 3   m abr ai / /1 13   m3 ai /13 ju   n/ j u 13n /13   ju l/ 13

0

ag o/

TAXA

+1000cc a  2000cc  

100.000

100.000

0

1000cc

MÉDIA DE JUROS DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO COM RECURSOS LIVRES CRÉDITO PESSOAL

AQUISIÇÃO DE BENS – VEÍCULOS

-

PESSOA FÍSICA

AQUISIÇÃO DE BENS – OUTROS TAXA DE JUROS

TAXA DE JUROS

TAXA DE JUROS

Variação p.p.

% a.a.

4,46

0,10

68,78

4,50

0,04

69,56

0,78

4,47 -0,03

69,02

-0,54

4,57

0,10

70,94

1,92

4,74

0,17

74,36

3,42

10.494

4,55 -0,19

70,57

-3,79

-0,07

10.422

4,49 -0,07

69,30

-1,27

-0,73

10.430

4,45 -0,03

68,63

-0,67

19,92

0,19

10.503

4,43 -0,02

68,25

-0,38

-0,01

19,73

-0,19

10.657

4,32 -0,11

66,20

-2,05

1,49

-0,02

19,47

-0,26

10.804

4,33

0,01

66,4

0,20

193.946

1,55

0,06

20,28

0,81

10.879

4,39

0,06

67,49

1,09

194.008

1,60

0,04

20,92

0,64

11.070

4,39

0,00

67,55

0,06

Mês/ ano

Saldo total R$ milhões

% a.m.

Variação p.p.

% a.a.

Variação p.p.

Saldo total R$ milhões

% a.m.

Variação p.p.

% a.a.

Variação p.p.

Saldo total R$ milhões

ago/12

183.040

2,72

-0,04

38,00

-0,60

190.876

1,55

-0,03

20,31

-0,39

9.654

set/12

182.506

2,70

-0,02

37,70

-0,30

190.167

1,61

0,05

21,09

0,78

9.794

out/12

185.434

2,71

0,01

37,80

0,10

190.419

1,57

-0,04

20,51

-0,58

9.982

nov/12

187.712

2,66

-0,04

37,10

-0,70

190.778

1,56

0,00

20,47

-0,04

10.162

dez/12

188.879

2,65

-0,01

36,90

-0,20

193.215

1,51

-0,05

19,75

-0,72

10.450

jan/13

192.166

2,68

0,02

37,30

0,40

193.474

1,57

0,05

20,53

0,78

fev/13

195.434

2,71

0,04

37,90

0,60

192.763

1,56

0,00

20,46

mar/13

198.825

2,67

-0,04

37,20

-0,70

192.795

1,51

-0,05

19,73

abr/13

202.469

2,65

-0,02

36,80

-0,40

192.500

1,53

0,01

mai/13

206.309

2,64

-0,01

36,70

-0,10

192.060

1,51

jun/13

209.304

2,73

0,09

38,10

1,40

191.979

jul/13

212.106

2,83

0,10

39,80

1,70

ago/13

214.728

2,83

-0,01

39,70

-0,10

% a.m.

Variação p.p.

1,97

Fonte: BC/Inepad

novembro 2013 FINANCEIRO 65


artigopalavrafinal

Por Nicola Tingas

Em 2014, teremos uma economia crescente e haverá bem mais oportunidades do que neste ano. Esse ambiente de maior movimentação e giro nos negócios será influenciado pela realização de investimentos, incentivos ao consumo e acomodação da inflação, entre outros. Nesse contexto está inserido o calendário de eventos do ano – Copa do Mundo e campanha eleitoral –, que injetará dinheiro, favorecendo o desempenho econômico. Contudo, haverá influência de fatores que resultarão em momentos de transição e risco para a gestão da economia e dos negócios. Embora havendo um ambiente mais dinâmico interna e externamente, o contexto será de oscilações nas expectativas dos agentes econômicos, volatilidade nos preços-chave da economia (câmbio, juros e inflação) e mudança de precificação de mercados internacionais (commodities, prêmio de risco e custos de captação externa). Esse cenário poderá ser negativamente ampliado se o Brasil sofrer redução do rating de risco soberano. Alguns gestores de negócios obterão resultados expressivos mesmo nesse ambiente. O mais provável é que poucos manterão um padrão de gestão de quem arbitra talentosamente as oportunidades de ocasião. Portanto, poucos atuarão com um perfil de trader vencedor. Possivelmente, a maioria terá um ano de transição e busca de gestão cautelosa do negócio, enquanto espera uma sinalização de médio e longo prazo mais consistente. Esse ambiente só será desvendado a partir do programa de governo para o período 20152018, seja quem for eleito. Já o cenário internacional trará parte da volatilidade e incerteza ao longo do ano. O comércio global se enfraqueceu, e as commodities metálicas têm tendência de contração de preços, pela gradual acomodação do ritmo de crescimento da economia chinesa.

66 FINANCEIRO novembro 2013

O financiamento externo será mais caro com o fim do estímulo monetário nos Estados Unidos. A taxa de câmbio terá comportamento volátil com tendência a manter-se em patamares depreciados. Mesmo a taxa de juros interna provavelmente se manterá mais elevada que o desejado, não só pelo combate à inflação, mas também pela necessidade de manter um yield (remuneração ou prêmio de risco) em patamar condizente com a captação de recursos externos, atração de capitais e investimentos diretos. Assim, a economia brasileira enfrentará os efeitos da gradual, mas crescente, vulnerabilidade externa. No cenário interno haverá incerteza, o que pode afetar a decisão de investimento e inovação empresarial, bem como atingir a propensão de consumo das famílias. A reversão do quadro de expectativas é crucial para lastrear o investimento e o consumo, elevando o ritmo de crescimento da economia. Certamente o governo continuará ampliando o investimento e estimulando o consumo. Do lado do consumidor, o ciclo de consumo e crédito proveniente da ampla distribuição de renda e inserção social dos últimos dez anos experimenta limite cíclico efetivo. O crédito ao consumo tem limites de demanda devido ao alto endividamento e baixa liquidez do orçamento familiar, afetado por uma inflação cuja reposição está cada vez mais difícil. Sim, o ano de 2014 será melhor, mas, mesmo assim, haverá um processo de formação de expectativas sobre qual será a conduta da política econômica do próximo mandato presidencial. Portanto, consideradas essas restrições internas e as externas, podemos prognosticar que em dezembro de 2014 diremos que o ano foi melhor. f Nicola Tingas é economista-chefe da Acrefi

Foto: Divulgação - Artigo enviado em novembro de 2013

A travessia de 2014


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Financeiro 83 - Novembro 2013  

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