Page 1

financeiro

financeiro arevistadocrédito edição

82 set

LUIZ MOAN, PRESIDENTE DA ANFAVEA, ABORDA EM ENTREVISTA EXCLUSIVA A IMPORTÂNCIA DO INOVAR-AUTO, A NECESSIDADE DE MAIOR COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA E DO AUMENTO DAS EXPORTAÇÕES

setembro 2013 edição 82

Mercado veloz

ESPECIALISTAS DEBATEM O FUTURO DA ATIVIDADE BANCÁRIA

Finan82 Capa_01.indd 6

9/2/13 10:28 PM


1.indd 5

8/30/13 1:31 PM


conteúdofinanceiro

42

48 14

8

Páginas Azuis

52 42

Com cardápio franco-italiano, restaurante

Anfavea, fala sobre a importância do programa

Kaá atrai 12 mil executivos por mês

Inovar-Auto e da necessidade de aumentar a competitividade do setor automotivo no Brasil

14

48

Evento Futuro da atividade bancária

Educação Financeira

Cultura Museu leva projeto Estação da Língua para outras cidades do Estado

Acrefi e Serasa Experian abordam as premissas

22

Happy Hour

Na entrevista do mês, Luiz Moan, presidente da

52

Vida Pessoal Gestor de fundos de investimentos sai da rotina e mergulha nos esportes radicais

Itaú Unibanco ensina como administrar o orçamento

26

36

Especial Cadastro Positivo

artigos

Em vigor desde 1º de agosto, banco de dados deve privilegiar bom pagador

20 Julia Spinassé Socioambiental 34 Erik Mazzei Tecnologia

Negócios & Lazer

40 Marcel Domingos Solimeo Crédito 46 Décio Farah Correspondentes

Com toque brasileiro, Hotel Grand Hyatt se prepara para atender o público da Copa

56 Alberto Borges Matias Análise e Perspectivas 66 Nicola Tingas Palavra Final setembro 2013 FINANCEIRO 3

Finan82_Sumario.indd 3

9/2/13 10:38 PM


expediente

financeiro ISSN 1809-8843

Publicação da Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Líbero Badaró, 425 – 28o andar – São Paulo – SP Tel: (11) 3107–7177 Fax: (11) 3106–6082 – www.acrefi.org.br Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Aquiles Diniz Carlos Alberto Samogin, Cláudio Messias Ferro, Décio Carbonari de Almeida, Élcio Azevedo, Elias de Souza, Felicitas Renner e Luis Félix Cardamone Secretário Sérgio Cipovicci Tesoureiro Alexandre Teixeira Diretores Regionais José Agnelo Seger, Leonardo Dadauto, Luiz Carlos do Nascimento, Paulo Dalla Nora, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Pedro da Costa Carvalho e Sebastião Cunha Diretores-Executivos João dos Santos Caritá Júnior e Rubens Bution Montadoras Edson Froes, Edson Ueda, Eduardo Varella, Felipe César Rodrigues Ferreira, Gunnar Murilo, Joelcyr Carmello e Nelson Aguiar Diretores Conselheiros José Carlos Alves e Victor Loyola Conselho Consultivo Alkindar de Toledo Ramos, Manoel de Oliveira Franco e Ricardo Malcon (membros natos); Décio Carbonari de Almeida, Flávio Antonio Meneghetti, Ilídio Gonçalves dos Santos, Miguel José Ribeiro de Oliveira, Ricardo Loureiro e Rogério Pinto Coelho Amato (membros) Conselho Fiscal Domingos Spina e Sérgio Darcy (efetivos) Geraldo Lima Wandalsen e Marcus André de Oliveira (suplentes) Diretor Superintendente Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Controller Carlos Alberto Marcondes Machado Economista-Chefe Nicola Tingas Auditoria Deloitte Touche Tohmatsu Assessoria Contábil AG Silveira Contabilidade Assessoria de imprensa Tamer Comunicação Empresarial

Rua Novo Horizonte, 311 – Pacaembu – São Paulo – SP Tel.: (11) 3125–2244 – CEP 01244-020 – www.gpadrao.com.br Publisher Roberto Meir REDAÇÃO Editora Gisele Donato Editora assistente Juliana Jadon Repórteres Érica Martin, Isabella Villalba e Melissa Lulio Fotografia Douglas Luccena Arte Projeto Artma Design Gráfico designers Érika Bernal e Flávio Pavan Revisor João Hélio de Moraes Publicidade Diretora Comercial – Fabiana Zuanon – fzuanon@gpadrao.com.br Gerente de Negócios – Adriana Próspero – aprospero@gpadrao.com.br Impressão IBEP Gráfica Ltda.

4 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_Expediente.indd 4

9/3/13 11:17 AM


editorial

H

á seis anos, a euforia com que foi anunciada a descoberta de uma reserva de petróleo no litoral sudeste (o chamado pré-sal) fez com que muitos acreditassem que o sonho de “Brasil Grande” finalmente estivesse se tornando realidade. As reservas seriam gigantescas (de 5 a 8 bilhões de barris só no campo de Tupi), e o Brasil não só passaria a ser autossuficiente em petróleo, mas também se tornaria exportador do produto. Houve até quem cogitasse a entrada do País na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que reúne os maiores produtores mundiais do setor. Alguns garantiam que a Petrobras passaria a figurar lado a lado no ranking dos tradicionais gigantes mundiais desse mercado, como Exxon e Shell. As comemorações pela descoberta faziam crer que viveríamos um período de abundância econômica graças ao petróleo, tornando o País um importante fornecedor de energia para o mundo. Parecia mesmo que dávamos um passo histórico em direção ao desenvolvimento sustentável do Brasil. Mas assistimos a mais um triste episódio em que o excesso de burocracia e a falta de visão colocam no chão o que poderia ser um ponto de alavancagem para a economia.

Foto: Flávio Roberto Guarnieri

Morrendo na praia, outra vez Como infelizmente acontece no Brasil, a demora em tomar decisões importantes, o viés ideológico e a falta de discernimento fazem com que, pela enésima vez, desperdicemos uma oportunidade de ouro. Como outros países preferem ser mais práticos e diretos, a postergação de decisões em relação ao pré-sal nos faz perder “o bonde da história”. Como se vê nos Estados Unidos, o gás de xisto ganha força como combustível do futuro, colocando dúvidas sobre se o mundo precisará “correr atrás” de petróleo para suprir as necessidades energéticas. A racionalidade foi colocada de lado. Discutiu-se o que fazer com os recursos que seriam originados a partir do petróleo do pré-sal antes que se materializassem. A disputa por esse “dinheiro virtual” levou a uma competição em relação aos royalties que viriam da extração do petróleo naquela área. Houve a suspensão dos leilões de áreas que poderiam interessar às companhias de petróleo – um claro desestímulo ao investimento e um retardamento em um processo que teria de ser tocado com rapidez. Além disso, as leis que abrangem o setor foram reformuladas. Com a burocracia morosa, o processo se estendeu por anos até ser aprovado pelo Congresso. A Petrobras passou de “grande heroína” a uma das “vítimas” desse processo. A empresa assumiu enorme dívida para a aquisição de equipamentos destinados à exploração e, por força da nova legislação, vai operar exclusivamente os blocos de exploração com direito à participação de, no mínimo, 30% em cada bloco (mesmo que não tenha recursos para cumprir essa meta). A estatal vai gerenciar praticamente todas as plataformas do pré-sal. Isso representa fortes perdas para a empresa e demora no projeto. O fato é que o projeto do pré-sal não só está atrasado, como corre sério risco de perder seu peso específico. Como o mundo não parou enquanto o Brasil discute quem vai ficar com os “ovos de ouro”, o gás de xisto é uma realidade que se desenha como principal fator de mudança da matriz energética global. O pré-sal ameaça tornar-se obsoleto. E o Brasil perde, por conta de uma visão distorcida e injustificável, mais uma grande chance para crescer de verdade.

Érico Sodré Quirino Ferreira Presidente da Acrefi setembro 2013 FINANCEIRO 5

Finan82 editorial.indd 5

8/30/13 1:08 PM


nossasassociadas

ACFI – Aymoré Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

BMW Financeira S.A. CFI

Agiplan Financeira S.A. CFI

BV Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco A.J. Renner S.A.

Caixa Econômica Federal

Banco Bonsucesso S.A.

Caruana S.A. – Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Bradesco Financiamentos S.A.

Cetelem Brasil S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco do Brasil S.A.

Credi Capixaba S.A . – Soc. Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Cacique S.A.

Credifibra S.A. CFI

Banco Carrefour S.A.

Dacasa Financeira S.A. – Socied. de Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Cifra S.A.

Finamax S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Citibank S.A.

Financeira Alfa S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos

Banco Citicard S.A.

Financeira BRB

Banco Daycoval S.A.

Herval Financeira S.A. CFI

Banco De Lage Landen Financial Services Brasil S.A.

HSBC Bank Brasil S.A. Banco Múltiplo

Banco Ficsa S.A.

Kredilig S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Fidis S.A.

Lecca – Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

Banco Gerador S.A.

Mercantil do Brasil Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos

Banco GMAC S.A.

Midway S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Honda S.A.

Múltipla CFI S.A.

Banco Intermedium S.A.

Negresco S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos

Banco Itaú S.A.

Omni S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Itaucard S.A.

Parati Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

Banco Panamericano S.A.

Pernambucanas Financiadora S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco PSA Finance Brasil S.A.

Portocred S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Rodobens S.A.

Portoseg S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Safra S.A.

Santana S.A – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Santander Brasil S.A.

Sax S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Semear S.A.

Socinal S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Toyota do Brasil S.A.

Sorocred – Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

Banco Volkswagen S.A.

Sul Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Yamaha Motor do Brasil S.A.

Todescredi S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banif Banco Internacional do Funchal (Brasil) S.A.

6 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_associados.indd 6

8/30/13 1:08 PM


1.indd 11

8/30/13 1:31 PM


entrevistadomês

Caminho aberto para o mercado de veículos Em entrevista exclusiva, Luiz Moan, presidente da Anfavea, fala sobre competitividade, exportação e a importância do programa Inovar-Auto Por Gisele Donato Entidade que reúne um conjunto de empresas responsável por mais de 20% do PIB industrial e por enorme volume de arrecadação de impostos, além da geração de empregos e desenvolvimento de tecnologia, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) tem como presidente Luiz Moan, que ocupa o cargo desde abril desse ano. Para o executivo, o grande desafio de sua gestão é aumentar a competitividade no mercado de veículos do Brasil e o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto), desenvolvido em conjunto com o governo federal, tem sido fundamental para a ampliação da indústria local, já que incentiva a produção nacional e atrai investimentos no setor. Foram anunciados R$ 72 bilhões até 2017 para o desenvolvimento de novos produtos e instalação de fábricas no País. Economista e diretor de assuntos institucionais da General Motors, Luiz Moan Yabiku Junior ocupará o cargo de presidente da Anfavea até

abril de 2016. Ele atua no setor automotivo há mais de 30 anos, com passagens pela Volkswagen do Brasil e a própria Anfavea, da qual foi diretor executivo. Na gestão 2010-2013, foi o primeiro vice-presidente da Anfavea/Sinfavea. Confira a seguir entrevista exclusiva com o presidente da associação. Revista Financeiro – Quais são os maiores desafios de ser presidente da Anfavea? Luiz Moan – Ser presidente de uma associação que reúne 28 empresas representa um grande desafio. Afinal, temos produtores de automóveis, caminhões, ônibus e máquinas agrícolas. Somos responsáveis por mais de 20% do PIB industrial e por um enorme volume de arrecadação de impostos, além de geradores de empregos e desenvolvedores de tecnologia. Somos uma entidade na qual coexistem concorrentes nos diferentes setores e cujas reuniões semanais são a melhor maneira de encontrar consenso sobre uma variedade enorme de assuntos. Ideias conflitantes tornam-se, pelo

8 FINANCEIRO setembro 8 2013 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_ paginas_azuis.indd 8

8/30/13 1:09 PM


Fotos: João Luiz Oliveira (Tecnifoto)

Luiz Moan, presidente da Anfavea – “O crédito é fundamental para estimular a economia, dando a possibilidade de o consumidor financiar a compra de um veículo novo”

setembro 2013 FINANCEIRO 9

Finan82_ paginas_azuis.indd 9

8/30/13 1:09 PM


entrevistadomês

Financeiro – Analise o mercado de veículos atualmente no Brasil. Quais os maiores entraves desse setor? Luiz Moan – O mercado de autoveículos no País caminha para um bom resultado. Com base nisso, revisamos as projeções de exportações do setor para o fim do ano e esperamos um crescimento de 20% nas exportações. Também aumentamos as nossas expectativas para o mercado de máquinas agrícolas. Neste mês, será divulgada a revisão dos números para o mercado interno e a produção de veículos. As maiores dificuldades para o setor, atualmente, são as altas cargas tributárias nos produtos locais

com relação a outros países, o que prejudica a competitividade da indústria. Para se ter uma ideia, a participação dos tributos sobre automóveis de 1.0 a 2.0 flex no País é de 26,8%, enquanto que nos Estados Unidos é de 5,7% e, na Itália, 17,3%. Precisamos buscar mecanismos para reduzir essa carga e aumentar nossa produtividade para nos tornarmos mais competitivos. Financeiro – Qual a importância do Inovar-Auto para o desenvolvimento da indústria automobilística no Brasil? Luiz Moan – O programa Inovar-Auto tem sido fundamental para o desenvolvimento da indústria local, uma vez que incentiva a produção nacional e atrai investimentos para o setor. Prova disso são os R$ 72 bilhões anunciados até 2017 para o desenvolvimento de novos produtos e instalação de fábricas no País. Além disso, o programa contribui para a criação de novos postos de trabalho em toda a cadeia produtiva e ainda se reflete na redução do preço dos veículos. O que é importante para o consumidor é que ele tem acesso a carros cada vez mais eficientes, seguros e com alto índice de tecnologia embarcada. Financeiro – Já podemos mensurar quais os impactos desse regime no mercado? Quantas empresas já abriram fábrica no Brasil com esse incentivo?

‘‘

exercício da argumentação, mais próximas umas da outras. Até que, democraticamente, surge a solução negociada – aceita por todos, mesmo que com algumas ressalvas. O grande desafio desta gestão é aumentar a competitividade do Brasil e, para isso, desenvolvemos em conjunto com o governo federal o programa Inovar-Auto. Ele incentiva a produção local e tem atraído investimentos em inovação e engenharia, além de criar mais empregos. Também estamos estruturando um programa de exportação, o Exportar-Auto. Quando alcançarmos a meta de 1 milhão de veículos exportados, em 2017, estaremos com um grau de competitividade mais elevado.

‘‘

‘‘

‘‘

A meta é exportar 1 milhão de veículos em 2017, o que representará 20% da produção daquele ano

Acreditamos que a integração dos vários modais é fundamental para criar um sistema de transporte inteligente e com melhor grau de eficiência

10 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_ paginas_azuis.indd 10

8/30/13 1:09 PM


Luiz Moan – Com certeza já sentimos os impactos do novo regime automotivo. Primeiramente pela redução das taxas de IPI, que tem sido importante para o consumidor, e também pelo anúncio de investimentos no setor até 2017. Muitas empresas já anunciaram novas fábricas no Brasil, como Nissan, JAC Motors, BMW, Chery, Mitsubishi Motors, Honda, Caoa e, no grupo de caminhões pesados, DAF Caminhões, Metro-Shacman e Foton. Financeiro – Para alavancar a cadeia produtiva, uma de suas metas é criar o Inovar-Peças. Quais são as expectativas com esse projeto? Luiz Moan – Temos grandes expectativas, afinal, não há indústria produtora de automóveis sem uma base sólida de fornecedores. Estamos em contato com o Sindipeças para criar um programa eficiente e promover a indústria local, contribuindo para o aumento da competitividade. Financeiro – Em outros países, a presença de veículos híbridos e elétricos é significativa. Como está o mercado brasileiro nesse sentido? Luiz Moan – Apresentamos no mês passado para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior uma proposta de consenso da indústria automobilística para introdução de novas tecnologias de propulsão para automóveis e comerciais leves. Na Europa e nos Estados Unidos, a presença de veículos elétricos e híbridos é sensível. Já temos a tecnologia nos produtos, mas precisamos de iniciativas que contribuam para a penetração dos veículos no mercado interno. Financeiro – Uma de suas prioridades é alavancar as exportações. Como espera alcançar esse objetivo? Luiz Moan – Para alavancar as exportações, estamos estruturando o Exportar-Auto, programa que tornará o Brasil, novamente, uma plataforma de exportação de veículos. Nossa meta é exportar setembro 2013 FINANCEIRO 11

Finan82_ paginas_azuis.indd 11

8/30/13 1:09 PM


entrevistadomês

Financeiro – Qual a probabilidade de as operações de leasing voltarem a ser representativas na venda de automóveis? Luiz Moan – Há uma possibilidade de voltarem as operações com leasing. Inclusive estamos em contato com o governo para analisar o retorno delas. Essa prática foi marginalizada nos últimos anos por questões legislativas, uma vez que o concedente se tornava responsável por encargos, como as multas. Financeiro – Quanto à produtividade e competitividade das empresas do setor, quais as metas da Anfavea para que os mercados interno e externo sejam aquecidos nos próximos anos? Luiz Moan – Projetamos um crescimento das exportações em 20% até o fim do ano. O desempenho das exportações é fruto do aquecimento dos mercados importadores e não reflete melhoria de nossa competitividade. Ainda para o próximo mês, vamos rever os resultados para o mercado interno e para produção de autoveículos. Para o segmento de máquinas agrícolas, as projeções foram revisadas para cima. As expectativas para vendas

‘‘

internas saltaram de 4% a 5% para 18,4% e as de produção de 3% para 13,5%. As razões para os novos números envolvem o ótimo desempenho da safra agrícola e as condições de financiamento do Finame PSI. Financeiro – Alvo de muitas críticas, o automóvel vem sendo apontado como vilão do trânsito caótico dos grandes centros urbanos. Como o senhor pretende defender o uso do veículo particular em tempos em que o transporte coletivo é incentivado ao máximo? Luiz Moan – A Anfavea promove e participa de discussões para melhorias do transporte público. Representamos a indústria automobilística – automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e máquinas agrícolas – e acreditamos que a integração dos vários modais é fundamental para criar um sistema de transporte inteligente e com melhor grau de eficiência. Criar mecanismos para melhorar o transporte público não exclui os automóveis do desejo de compra das famílias. Pelo contrário. Se analisarmos os países desenvolvidos, vamos perceber que, mesmo com um transporte eficiente, a relação habitante/veículo é extremamente favorável. Ou seja, mobilidade inteligente não significa queda nas vendas de automóveis. f

Para este ano, as vendas internas do segmento de máquinas agrícolas deverão saltar de 4% a 5% para 18,4%, e a produção deve aumentar de 3% para 13,5%

‘‘

1 milhão de veículos em 2017, o que representará 20% da produção daquele ano.

‘‘

‘‘

A projeção é que o crescimento das exportações no setor até o fim deste ano seja de 20%

12 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_ paginas_azuis.indd 12

8/30/13 1:09 PM


1.indd 2

8/30/13 1:31 PM


eventofuturodaatividadebancรกria

14 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_evento_futuro atividade bancaria.indd 14

8/30/13 1:11 PM


Evolução do mercado

Economia global, o papel das agências bancárias e a análise de perfis de clientes são abordados em evento da Acrefi em parceria com a Serasa Experian

Por Juliana Jadon

Fotos: Shutterstock / Douglas Luccena

Ao jogar dois dados para o alto, nos segundos em que estão no ar, pouco se sabe sobre a posição em que irão ficar e o resultado. Existe, nesse instante, a expectativa do jogador e a probabilidade de acertar o número estimado. Da mesma maneira, o futuro do mercado, de um país ou de uma economia é uma incógnita. Diversos fatores inesperados podem surgir durante o percurso e pôr em xeque determinada previsão. Por isso, economistas, consultorias e grandes

empresas de análise procuram trabalhar com dados cada vez mais confiáveis para diminuir o risco – seja o da inadimplência, o de uma crise, o de administrar o negócio erroneamente – e tentam prever o tempo que ainda está por vir. O futuro da atividade bancária foi tema de evento da Acrefi em parceria com a Serasa Experian. “Se o futuro do mercado financeiro vai ser mais róseo do que o atual ou não, ninguém sabe. Mas uma coisa é muito clara: o banco ou uma atividade semelhante desempenham um importante papel há séculos; portanto, irá existir por mais um bom tempo”, diz o presidente da Acrefi, Érico Sodré Quirino Ferreira. “Não devemos perder de vista a principal missão do sistema financeiro com o crédito, que é a de gerar economia, capturar os excedentes e colocar à disposição do desenvolvimento do País”, reforça Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian. Érico Sodré Quirino Ferreira, presidente da Acrefi “Se o futuro do mercado financeiro vai ser mais róseo do que o atual ou não, ninguém sabe. Mas uma coisa é muito clara: o banco ou uma atividade semelhante desempenham um importante papel há séculos; portanto, irá existir por mais um bom tempo”

setembro 2013 FINANCEIRO 15

Finan82_evento_futuro atividade bancaria.indd 15

8/30/13 1:11 PM


eventofuturodaatividadebancária

Mundo em perspectiva

Diferentemente das possibilidades dos dados e de contar com a sorte, números baixos de crescimento econômico são esperados mundo afora para este ano. “O chamado New Normal (Novo Normal) faz com que os mercados cresçam, porém menos”, conclui David Beker, chefe de economia e estratégia do Bank of America Merrill Lynch, em sua análise sobre o cenário econômico global. O PIB potencial do Brasil, por exemplo, que era estimado em 3% ou 4% para 2013, teve a expectativa reduzida para 2,5%. Segundo ele, a China também está em desaceleração e a Europa permanece em situação complicada, com previsão de crescimento de 0,5%. Apenas os Estados Unidos começam a reagir, prevendo crescer entre 2,5% e 3%. Segundo o especialista, dois fatores que ajudaram o Brasil a ter um boom de crescimento em anos anteriores atualmente estão mais fracos. Primeiramente a China, que ajudava o setor de

Ricardo Loureiro, da Serasa Experian “Não devemos perder de vista a principal missão do sistema financeiro com o crédito, que é a de gerar economia, capturar os excedentes e colocar à disposição do desenvolvimento do País”

David Beker, do Bank of America Merrill Lynch “O chamado New Normal faz com que os mercados cresçam, porém menos”

commodities a ter força e que não vai crescer tanto quanto nos últimos anos. Em segundo lugar, o crédito ofertado no País será menos amplo e mais restrito. Para o executivo, uma taxa sustentável de crescimento do crédito seria abaixo de 10% neste ano. A mudança da classificação de risco do Brasil para negativa por parte da Standard & Poor’s (S&P) deu um susto no governo. A boa notícia é que as outras agências, como Fitch e Moody’s, não diminuíram o rating do País. “A mudança do grau de investimento do Brasil por outras agências de classificação deve ocorrer, mas não no curto prazo”, aponta ele. Algo preocupante na visão de Beker é que o governo tenta atingir muitos objetivos ao mesmo tempo. Sem foco, as ações não são consistentes para gerar amplos resultados na economia. Mesmo assim, a inflação surpreende para melhor. O índice desacelerou 0,03% em julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que faz com que se mantenha dentro do centro da meta do Banco Central, de 6,5%. Todavia, a inflação de serviços no Brasil roda entre 8% e 9%.

16 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_evento_futuro atividade bancaria.indd 16

8/30/13 1:11 PM


Quanto à taxa Selic, a estimativa de Beker é que se mantenha em um dígito. Já o dólar, que ganha valor perante outras moedas, deve ter equilíbrio no câmbio em torno de R$ 2,40. O varejo, segundo o economista, perdeu força e deve ter um crescimento de no máximo 4%. Entre os principais pontos que constroem esse cenário estão o custo da mão de obra no Brasil, que só não subiu mais do que na Argentina, e a queda da atividade industrial neste ano. Mesmo assim, o mercado de trabalho está estável, com um nível de desemprego na faixa de 5,5%. Gestão fortalecida

Conhecer o mercado, a carteira de clientes e os possíveis cenários econômicos que a instituição financeira poderá enfrentar faz parte de uma estratégia para ajustar processos, produtos e serviços e se precaver de possíveis contratempos. Durante a palestra “Gestão de portfólios de crédito em cenários de incerteza”, Luciano Scalise, diretor de consultoria global da Serasa Experian, mostrou como ferramentas e metodologias podem ajudar as empresas a prever períodos de turbulência.

Modelos de análise A escolha de um modelo depende de uma série de fatores. Na prática, cenários híbridos são comuns, utilizando movimentos históricos de mercado como inputs, porém não necessariamente vinculados a uma crise específica. Confira os dois modelos: Cenários históricos • Baseado em eventos significativos do passado • Tende a estar completamente articulado e envolve menos juízos de valor • Pode não estar de acordo com o perfil de risco atual da instituição • Pode não refletir adequadamente as melhorias na concessão de crédito • Baseado em dados reais Cenários hipotéticos • Baseado em eventos de mercado significativos que ainda não ocorreram • Potencialmente mais relevante para o perfil de risco atual da instituição • Intensivo em mão de obra e requer muito juízo de valor • Pode precisar de apoio da gerência • A informação histórica pode ser utilizada para identificar correlações Fonte: Serasa Experian

O executivo explica que cada segmento de clientes dentro de uma instituição é afetado de forma distinta, de acordo com o cenário econômico. É fundamental, então, entender quem são os clientes e em que classificação estão inseridos. A partir dessa análise é possível ajustar a estratégia de uma companhia, de acordo com o panorama. Outra metodologia apresentada por Scalise trata de quais seriam os drivers e os parâmetros de risco em determinado portfólio de clientes. Ela também prevê os eventos que podem gerar uma variação na carteira. O aumento do desemprego, por exemplo, pode ocasionar alta no nível de endividamento para uma fatia de clientes. “Os modelos de gestão devem ajudar a quantificar a incerteza e as estimativas de riscos dentro de um banco”, aponta.

Luciano Scalise, da Serasa Experian “Os modelos de gestão devem ajudar a quantificar a incerteza e as estimativas de riscos dentro de um banco”

Na palma da mão

Foi-se o tempo em que era preciso ir até uma agência bancária para pagar contas ou fazer alguma outra movimentação financeira. Atualmente, os clientes dos bancos podem acessar a conta-corrente de qualquer lugar em que estiverem por meio de seus setembro 2013 FINANCEIRO 17

Finan82_evento_futuro atividade bancaria.indd 17

8/30/13 1:12 PM


eventofuturodaatividadebancária

Luca Cavalcanti, do Bradesco Mais de 90% das transações financeiras dos clientes da instituição passam por canais digitais

dispositivos móveis. São mais de 6,4 bilhões de celulares no mundo com a possibilidade desse feito. Não somente as gerações Y ou Z navegam e fazem uso do internet banking, mas todos os perfis de clientes, de diferentes nichos de mercado. No Brasil, um dos pioneiros no uso da tecnologia para conveniência bancária é o Bradesco. Os clientes do banco podem pagar uma conta por meio de dispositivos móveis, por exemplo, em 17 segundos. E ainda, a cada piscar de olhos, 7 mil pessoas utilizam um aplicativo de mobilidade no Bradesco. Os números demonstram o crescimento da aceitação

dos clientes para o uso desses canais. Em 2010, o banco processava 1 milhão de transações por mês nos canais virtuais. Em junho deste ano, foram quase 80 milhões. A área de canais digitais do Bradesco Dia e Noite, dirigida por Luca Cavalcanti, é responsável por processar mais de 90% das transações da instituição. A premissa é que a inovação crie valor para clientes, acionistas e a própria organização. Isso, na prática, significa ganhos para todos, pois gera eficiência, custos menores e maior capacidade de fazer negócios. “No Bradesco temos a cultura de criar produtos e serviços nesses canais focados em agências. Para isso, o banco tem uma série de aplicabilidades. São 20 aplicativos na loja da Apple que nos dão 5 milhões de downloads”, conta Cavalcanti.

55% dos clientes bancários não sabem que sua instituição tem um aplicativo para mobilidade

18 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_evento_futuro atividade bancaria.indd 18

8/30/13 1:12 PM


O Bradesco Fone Fácil, canal telefônico do banco, recebe mais de 1 milhão de ligações por dia

O cliente do Bradesco opta cada vez mais pela conveniência. O universo da mobilidade, seja por meio do celular, do terminal de autoatendimento (ATM) ou de outros canais, permite ao banco aperfeiçoar cada vez mais o relacionamento. O atendimento telefônico, existente há quase 16 anos, foi ultrapassado pela mobilidade nos últimos três meses. Além disso, 32% dos meios de pagamentos utilizados no comércio eletrônico no Brasil passam pelos canais da instituição. Na área de crédito, o banco realizou nos últimos seis meses 600 mil ofertas e 250 mil ativações somente pela Unidade de Resposta Audível (URA), sem contato humano. “Temos 320 tipos de serviços para ativação de produtos e de crédito”, ressalta o diretor. Para Cavalcanti, a palavra de ordem da atualidade é informação. É ter a capacidade de saber por meio de quais canais o cliente vai se relacionar com o banco, integrando a comunicação da oferta por meio dos canais de forma estruturada. “Acreditamos que tecnologia não substitui pessoas. Todavia, a cada hora que passa o cliente escolhe esse tipo de relacionamento, que preza pela conveniência”, diz ele. Mobilidade no Bradesco não é só para a elite ou para pessoas com acesso à internet por celular. A instituição também permite que os clientes paguem contas por meio de SMS, sem precisar de senha. Basta aprovar o pagamento. Para Cavalcanti, nesse cenário de evolução tecnológica, um dos principais desafios é fazer com que os clientes não acostumados a utilizar o internet banking façam uso do canal com segurança. Esses meios são amplamente seguros, mas a barreira cultural ainda é grande – e o Bradesco, como pode ser observado pelos números, consegue rompê-la em ritmo acelerado. f

Segurança Um simples terminal de autoatendimento do Bradesco conta com 320 tipos de serviços disponíveis. Para manter a segurança desse canal, o banco colocou nesses aparelhos um dispositivo de biometria que faz a leitura das veias das mãos e dispensa a senha para acessar a conta. A meta é que, até o final de 2013, 20 milhões de correntistas utilizem essa autenticação.

A cada piscar de olhos, 7 mil pessoas utilizam um aplicativo de mobilidade no Bradesco

Clientes podem pagar uma conta em qualquer lugar e a qualquer hora em 17 segundos

setembro 2013 FINANCEIRO 19

Finan82_evento_futuro atividade bancaria.indd 19

8/30/13 1:12 PM


artigosocioambiental

Por Julia Spinassé A. Marques

Entendendo que o sistema financeiro desempenha um papel importante como canalizador de recursos e indutor de boas práticas socioambientais na economia, o Banco Central do Brasil divulgou, em junho de 2012, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), o edital de consulta pública nº 41, com minutas de atos normativos, dispondo sobre a responsabilidade socioambiental das instituições financeiras por ele reguladas. Essas resoluções – que carregam consigo o objetivo de promover o aprimoramento de aspectos concorrenciais e a integração de políticas públicas na direção do desenvolvimento sustentável – ainda não foram publicadas; no entanto, têm sido amplamente discutidas porque reforçam um novo modelo de exigência do regulador em relação à observância de aspectos socioambientais pelas instituições financeiras. O estabelecimento de normas que versam sobre a matéria pelo regulador do Sistema Financeiro Nacional teve início em 2008, com a Resolução 3.545, que passou a exigir que as instituições financeiras observassem o cumprimento de normas ambientais em financiamentos agropecuários direcionados a propriedades localizadas no bioma Amazônia. Entretanto, a partir de 2011, com a publicação da Circular 3.547 – a qual demanda que a exposição ao risco socioambiental seja contemplada no processo de avaliação da necessidade de capital (Icaap), as obrigações deixaram de ter caráter procedimental e passaram a demandar a incorporação desses aspectos na estratégia de gestão de riscos dessas instituições. Esse enfoque é reforçado pela proposta de resolução sobre política de responsabilidade socioambiental apresentada no Edital 41 – que define e institui

diretrizes mínimas para que as instituições financeiras gerenciem o seu risco socioambiental – e vai ao encontro de uma teoria que vem ganhando força no mercado de que aspectos socioambientais expõem essas instituições a riscos financeiros, tendo reflexos inclusive sobre os riscos tradicionais (Pilar 1). Sob a perspectiva da concessão de crédito, por exemplo, recursos financeiros são entregues a tomadores eventualmente expostos a circunstâncias de natureza socioambiental que podem ter impactos sobre sua habilidade de honrar seus compromissos junto ao credor, impactando o risco de crédito ao qual este está suscetível. A publicação de normativos que estabelecem diretrizes de gerenciamento do risco socioambiental por instituições financeiras convergem com os objetivos do Banco Central de garantir a solidez e a eficiência do sistema financeiro, ao mesmo tempo em que contribuem com o processo de reflexão sobre a sustentabilidade do modelo de negócio adotado por essas instituições. No entanto, para que seja convergente com os esforços de eficiência preconizados pelo setor, é importante que essa iniciativa seja compatibilizada com as demais esferas governamentais para que promova convergência, e não transferências de responsabilidade às instituições financeiras. Isso porque cabe a estas ter diligência na condução dos seus negócios e ao Estado a implementar os dispositivos de gestão ambiental previstos na legislação brasileira, bem como disponibilizar informações à sociedade. f Julia Spinassé A. Marques é analista e coordenadora da área de gestão e monitoramento socioambiental de projetos do Bradesco

Foto: Divulgação/Shutterstock/Artigo enviado em agosto de 2013

Indutor de boas práticas

20 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_artigo Julia Spinasse.indd 20

9/3/13 11:16 AM


1.indd 6

8/30/13 1:31 PM


educaçãofinanceira

Bolso consciente Por Melissa Lulio

Itaú Unibanco opta pela interatividade para ensinar ao cliente que dinheiro bem administrado traz felicidade

O bolso é a parte mais sensível do ser humano. Hoje, há informações suficientes para provar que gastos desenfreados não combinam com qualidade de vida e desenvolvimento social. O conceito de sustentabilidade, tão presente na atualidade, inclui-se na área econômica e expõe a necessidade da organização financeira e do planejamento de longo prazo. A partir dos bancos, é evidente a necessidade de programas que levem educação financeira para os clientes. O Itaú Unibanco sabe disso, e já começou a trabalhar para cuidar dos clientes – e das delicadas decisões econômicas de suas vidas.

Depois da fusão feita entre Itaú e Unibanco, em 2008, foram executados diversos esforços para melhorar a comunicação entre a instituição e o cliente. O Itaú passou a investir mais em transparência, quantidade e qualidade de informação. O banco criou uma comunicação mais simples, clara e transparente. Fez alterações em extratos bancários, por exemplo, para facilitar a compreensão de termos técnicos que, em muitos casos, confundiam o leitor. Antes disso, não obstante, foi criado o programa de educação financeira. Segundo Denise Hills, superintendente de sustentabilidade do Itaú Unibanco, a

22 FINANCEIRO setembro 2013

Finan81_educacao_financeira.indd 22

8/30/13 1:14 PM


proposta de um trabalho voltado para o uso consciente do dinheiro surgiu “com a consolidação das mudanças no cenário econômico do País, que deixava para trás um período de hiperinflação e instabilidade”, em 2004. “As necessidades das pessoas mudaram diante do novo cenário econômico, e foi necessário aprender a conviver com maiores opções de produtos e serviços financeiros que antes não faziam parte da realidade do brasileiro”, comenta. O material de educação financeira do Itaú Unibanco foi elaborado sob a perspectiva de que o banco precisa colaborar com o desenvolvimento de cada cliente e da sociedade. De maneira acessível e didática, foi produzido um conteúdo que propõe transformação. Comunica, calcula e educa, com diversas informações que atendem um público cuja idade e classe social podem variar.

Fotos: Shutterstock/Divulgação

Comunicação inovadora e interativa

As ações do programa de educação financeira do Itaú Unibanco dividem-se em duas frentes. Uma delas é o chamado foco externo, disponibilizado no portal Uso Consciente do Dinheiro. Temas como consumo e poupança dão informações que são simples, mas, se não explicadas, podem confundir o cliente que ainda não está acostumado com determinadas questões da vida bancária. O programa faz uma introdução à vida financeira a partir de conceitos básicos que ensinam a lidar com o dinheiro – seja ele muito ou pouco. Há espaço, no portal, para grupos com propósitos diversos. Desde o cliente que precisa sair do vermelho, economizar, poupar e organizar o orçamento até aquele que tem mais recursos do que necessita para cobrir seus gastos e quer investir. São disponibilizados vídeos, áudios, artigos e cartilhas com dicas. Os simuladores disponíveis no site permitem que o cliente faça planos com mais segurança e tome decisões de maneira mais consciente, com maior conhecimento das consequências. “Além disso, também realizamos palestras, eventos, chats, ações voltadas para as áreas de negócio, iniciativas com a Fundação Itaú Social e com o Instituto Unibanco, e também projetos internacionais”, afirma Denise

Hills. Outro destaque é o glossário disponibilizado no portal. Por meio dele, é possível compreender termos técnicos que geram dúvidas; afinal não fazem parte do cotidiano do cliente. A outra frente do programa é o foco interno. Voltado para colaboradores, disponibiliza cursos de e-learning, chats, palestras, cases e jogos, por exemplo. Além disso, trabalha na formação de multiplicadores do tema. A comunicação de um banco, não apenas em educação financeira, precisa ser simples, interativa e próxima. Foi o que o Itaú percebeu durante a elaboração do programa. “Fizemos uma série de pesquisas qualitativas e quantitativas para entender o que estava disponível no mercado e para compreender a melhor forma de entregar esse material”, afirma a superinten-

Denise Hills, do Itaú Unibanco “O papel de um banco não é apenas oferecer produtos e serviços, mas também fornecer conhecimento para que as pessoas façam melhores escolhas”

setembro 2013 FINANCEIRO 23

Finan81_educacao_financeira.indd 23

8/30/13 1:14 PM


educaçãofinanceira

O portal Uso Consciente do Dinheiro registra entre 3 e 4 milhões de acessos anuais dente de sustentabilidade do banco. Optou-se, então, por reformular o portal de uso consciente do dinheiro. O site, em seu primeiro mês on-line, recebeu mais de 1 milhão de visitas. Para todos os públicos

O programa de educação financeira do Itaú Unibanco é direcionado para diversos públicos. Como ressalta Denise Hills, é necessário que os pais ensinem aos filhos, desde a primeira infância, a importância da administração consciente do dinheiro. A superintendente afirma, também, que os conceitos presentes no material elaborado pelo banco serão aplicados por diferentes clientes em diversas situações e variados níveis de profundidade, de acordo com a necessidade. “Quando falamos de educação financeira, estamos falando de escolhas no curto, médio e longo prazo. Ou seja, é fundamental que todos tenham consciência, na sua tomada de decisões, dos impactos para sua vida financeira”, afirma. O recebimento de informações permite ao cliente compreender o funcionamento do

banco e de suas ferramentas. Assim, pode optar pelo serviço que quer receber, consciente das consequências de suas decisões. Como falar sobre dinheiro com as crianças? Essa é a questão abordada em um novo guia do Itaú Unibanco, que acompanha o livro infantil lançado em 2012 chamado “A Árvore dos Sonhos”. Neste ano, o banco trabalhará ações voltadas para a família e a maneira como utiliza o dinheiro. A opinião do público sobre o programa parece positiva. Houve um grande número de pessoas que aderiram aos meios de comunicação do banco. Entre 2011 e 2012, os sites das campanhas sobre crédito consciente receberam aproximadamente 13 milhões de acessos. O site interno do Itaú recebeu 23 mil acessos. Na área de foco interno, 40 mil colaboradores foram capacitados em treinamentos – entre eles, 185 gerentes de Postos de Atendimento Bancário (PABs), que receberam capacitação intensiva para se tornarem multiplicadores. Mais de 1 milhão de guias com dicas como as disponibilizadas no portal Uso Consciente foram distribuídos. Por meio deles, também didáticos e informativos, o cliente pode aprender como sair do vermelho, ou compreender qual a melhor forma de consumir ou poupar. Denise Hills afirma que, como consequência, o banco teve bons resultados nos índices de previdência e poupança. Esta saltou de 42,2% para 66% entre 2010 e 2012, aquela aumentou de 44,4% para 61%. O trabalho em educação financeira colabora com o desenvolvimento da sociedade. A superintendente de sustentabilidade da instituição acredita nisso e defende a importância de entender as necessidades das pessoas para oferecer conhecimento e soluções financeiras adequadas. Assim, o banco contribui para que indivíduos e empresas tenham uma relação saudável com o dinheiro. “O papel de um banco não é apenas o de oferecer produtos e serviços, mas também fornecer conhecimento para que as pessoas possam fazer melhores escolhas financeiras”, afirma Denise. f

24 FINANCEIRO setembro 2013

Finan81_educacao_financeira.indd 24

8/30/13 1:14 PM


1.indd 8

8/30/13 1:31 PM


especialcadastropositivo especialcadastropositivo

Nas mãos do c Quando o assunto é Cadastro Positivo, mesmo depois de mais de dez anos de discussão, muitos ainda têm dúvida se realmente essa nova ferramenta vai facilitar a tomada de crédito de quem paga suas contas em dia. A partir de 1º de agosto deste ano, o cadastro entrou em vigor, embora a lei que criou as regras para o banco de dados

tenha sido sancionada em junho de 2011. Os bancos, a partir de agora, passam a alimentar o sistema de informações que vai permitir às instituições financeiras acesso aos dados do consumidor para análise de crédito. De acordo com Tharcisio Souza Ramos, diretor do MBA executivo da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), o Cadastro Positivo é uma etapa importante para tornar o sistema financeiro mais seguro e equilibrado. “Com o cadastro, o banco tem o histórico dos clientes

26 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_cadastro positivo.indd 26

9/2/13 10:35 PM


Inclusivo, o Cadastro Positivo vai facilitar o acesso ao crédito e dar ao bom pagador a possibilidade de ter juros mais baixos Por Gisele Donato

Fotos: Shutterstock/Arquivo

o consumidor que nunca deixaram uma instituição financeira na mão; e, em contrapartida, esses clientes deverão ter juro baixo em suas operações de crédito. Quanto mais longo o histórico de bons pagamentos, maior a chance de a pessoa ter crédito mais barato”, enfatiza. E os efeitos positivos dessa ferramenta atingem a todos os envolvidos na concessão de crédito. “É o tipo de solução ganha-ganha: boa para o governo, para o consumidor e para os birôs de crédito. Por isso, os pro-

tagonistas devem realmente se unir para tornar isso uma realidade”, afirma Laércio de Oliveira, diretor de cadastro positivo da Serasa Experian. Mas nesse jogo a principal peça é o consumidor, que é quem vai autorizar sua entrada no cadastro e a partir daí especificar as fontes de informação que devem ser consultadas. “O segundo ponto é que existe a autoconsulta, que permite a ele fazer esse gerenciamento e também fazer a desistência, além de excluir setembro 2013 FINANCEIRO 27

Finan82_cadastro positivo.indd 27

9/2/13 10:35 PM


especialcadastropositivo Laércio de Oliveira, da Serasa Experian “Em um cenário de Cadastro Positivo, o maior ativo do consumidor é a sua história de crédito. Quanto melhor for a sua história, menor o risco. Quanto menor o risco, o score será mais favorável e as taxas de juros menores”

fontes de dados ou empresas que não são pesquisadas”, diz Dorival Dourado, presidente e CEO da Boa Vista Serviços. Segundo Oliveira, as expectativas são as melhores possíveis, já que o cadastro é um indutor das boas práticas de pagamento. Com relação ao consumidor, esse instrumento tem um papel educativo e ao mesmo tempo evita o superendividamento. Para os birôs de crédito, ele traz a oportunidade de levar ao mercado as boas práticas de gestão, fazendo uso dessas informações e transformando dados a serviço do negócio do cliente. E o concedente poderá emprestar mais com taxas ajustadas ao nível individual de cada consumidor. Último país do G20 a adotar a ferramenta de crédito, o Brasil, sem dúvida, terá de passar por um aprendizado coletivo, uma mudança de cultura. “O País vem de uma indústria de informação negativa, de cadastro negativo, de mais de 40 anos. Então, as empresas vão ter que se ajustar a esse novo contexto. E o consumidor é um polo extremamente importante nessa conversa, porque parte dele a iniciativa de aderir ao cadastro”, enfatiza Dourado. A estimativa da Serasa é que isso ocorra em até 24 meses, até que essa base possa ter relevância. Já para Dourado, esse período pode ser um pouco maior. Segundo ele, o cadastro deve atingir um estágio de maturidade em três ou quatro anos, porque são claros os benefícios para quem concede e para quem recebe crédito. Quem concede vai poder emprestar com mais segurança e agir de forma a não socializar o risco, porque hoje todos pagam por ele. “As empresas vão segmentar melhor as faixas de risco e fazer ofertas diferenciadas para o bom pagador. Ao longo do tempo, elas vão querer capturar cada vez mais o bom pagador – até com programas de fidelização”, ressalta o presidente da Boa Vista. Falta de conhecimento gera desconfiança

Como toda nova ferramenta que entra em vigor, a falta de conhecimento pode gerar desconfiança em sua eficácia. É o que acontece com o Cadastro Positivo. Desde a entrada em vigor, no início de agosto, a dúvida ainda assombra alguns consumidores, que até usam as redes 28 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_cadastro positivo.indd 28

9/2/13 10:35 PM


sociais para externar sua insegurança. Por O Brasil tem hoje 45 milhões outro lado, representantes dos principais de pessoas que entraram no birôs de crédito do País creditam a desmercado de consumo sem confiança à falta de conhecimento. estarem preparadas do ponto De acordo com Oliveira, a divulgação deve ser intensificada e a mobide vista de educação financeira lização deve ser de toda a sociedade. “Acredito que essa desconfiança inicial existe porque o consumidor não sabe o benefício que terá. É preciso que ele construa sua historia de crédito para que possa ter acesso a taxas mais baratas. À medida que cia, que é o grande mal da história do crédito. Para Douisso evolui e o mercado for praticando, o consumidor rado, a falta de confiança do brasileiro nesse início de imse conscientizará dos benefícios da ferramenta. Só plantação é uma questão muito ligada à desinformação. assim os bancos poderão fazer mais negócios, menos “Nós já fizemos duas pesquisas nacionais com relação a arriscados, mais sustentáveis e que permitam um cres- isso, e realmente o nível de entendimento da população cimento de crédito sem sobressaltos”, explica. que mais vai se beneficiar disso ainda é muito baixo. De Onde foi implantado no mundo, o Cadastro Posi- 2011 para 2012, o índice de autorização de inclusão no tivo trouxe resultados muito relevantes, elevando a taxa Cadastro Positivo passou de 20% para 24%.” Ainda sede aprovação, dando maior condição para que quem gundo a pesquisa da Boa Vista, quando o consumidor concede e quem toma crédito possa tomar uma decisão recebe a informação de como pode utilizar o Cadastro mais equilibrada, como também reduziu a inadimplên- Positivo e quais são seus benefícios a longo prazo, esse

Dorival Dourado, da Boa Vista Serviços “De acordo com o Banco Mundial, quando se traz a informação de fora do segmento financeiro, de empresas de serviços continuados como energia elétrica, água, gás e telecomunicações, melhora o perfil de informação sobre esse consumidor”

setembro 2013 FINANCEIRO 29

Finan82_cadastro positivo.indd 29

9/2/13 10:35 PM


especialcadastropositivo

nível de aprovação passa para 80%, principalmente na população de baixa renda e não bancarizada. Educação financeira é fundamental

“Não existe Cadastro Positivo sem educação financeira. Ou seja, o consumidor vai precisar cada vez mais entender e fazer a gestão da sua vida creditícia”, afirma Dourado. Um dos problemas decorrentes da falta de educação é o comprometimento da renda. Portanto, de acordo com Dourado, tudo passa por um processo educativo. É uma mudança de paradigma grande, um processo de adaptação de cultura. “Criamos, em 2010, o conceito do ‘consumidor positivo’, que justamente tenta trazer essa percepção que o consumidor tem que ter com sua vida creditícia e como ele pode vir a ser um consumidor positivo. Mas deve ser um trabalho coletivo das empresas, dos birôs de crédito, da própria mídia, levar essa informação e trabalhar bastante a cabeça do consumidor para esse novo momento”, afirma. Regime opt in

O fato de o Cadastro Positivo no Brasil funcionar a partir do regime de opt in, ou seja, o consumidor só participa do cadastro mediante sua própria autorização, pode ser um dos fatores que atrasem mais a construção dessa base de dados, de acordo com Oliveira. “O regime praticado no exterior é o do opt out. A informação é enviada para o birô, todo mundo que tem relacionamento com o consu-

“O consumidor é um polo extremamente importante nessa questão. Não vamos conseguir criar um ciclo de crédito sustentável que atenda às demandas da economia brasileira se o consumidor não tiver cada vez mais um papel efetivamente ativo” Dorival Dourado, da Boa Vista Serviços

midor manda para o birô, e aqueles consumidores que não desejarem pedem para retirar. Assim a base é formada em uma velocidade maior. Mas no Brasil temos que unir forças para fazer o projeto acontecer como ele foi concebido.” Expectativas em relação a outros países

Por conta dessa prévia autorização para aderir ao Cadastro Positivo, acredita-se que a construção da base de dados no Brasil será mais lenta que em outros países – com isso, certamente, os benefícios de redução de spread bancário e inadimplência tendem a ser mais lentos. Mas as perspectivas são positivas, sem trocadilho. “Estudos feitos pelo Banco Mundial mostram que, em vários países em que houve a implantação do cadastro, ocorreu redução de 45% dos spreads bancários. Parte desse spread advém da perda de crédito. À medida que se reduz a perda de crédito, há um impacto na inadimplência. Agora, vai demandar um tempo para a formação dessa base, por conta da necessidade de prévia autorização”, comenta Oliveira. O Brasil tem hoje 45 milhões de pessoas que entraram no mercado de consumo sem estarem preparadas do ponto de vista de educação financeira, e a relação crédito/PIB sobe de forma acelerada. De acordo com Dourado, o mercado americano, que é o mais avançado em relação à informação positiva, já nasceu positivo, mas o inglês, o mexicano e o argentino enfrentaram processos de adaptação, em maior ou menor complexidade. A diferença é que nesses mercados, quando a informação positiva foi implantada, os níveis de complexidade do mercado, de envolvimento do consumidor e da relação de crédito com PIB e com consumo não estavam em níveis tão avançados como no Brasil de hoje, por isso a adaptação brasileira deve ser mais lenta. “Continuo achando que o lado em que deveríamos investir mais é realmente na educação financeira e no nível de conscientização do consumidor, porque ele, pela legislação brasileira, tem o botão na mão. É ele que inicia o processo”, conclui o CEO da Boa Vista Serviços. f

30 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_cadastro positivo.indd 30

9/2/13 10:35 PM


Financeirização por Região Norte

Nordeste

Centro-Oeste

Sudeste

Sul

2011

66

68

73

69

72

2012

67

59

64

60

70

Conhecimento Algumas pessoas receiam a inclusão do nome no Cadastro Positivo porque não sabem o suficiente sobre seu funcionamento. Confira o percentual de pessoas que concordam (totalmente ou em parte) que a falta de informações sobre o tema é um dos entraves para a aceitação do nome nesse banco de dados:

Pretendem autorizar a inclusão do nome no Cadastro Positivo... ... 81% dos bancarizados ... 72% dos não bancarizados

85% bancarizados

86% com restrição

Fonte: Boa Vista Serviços – 2012

Produtos Bancários por Região Norte

Nordeste

Centro-Oeste

Sudeste

Sul

Conta-corrente

77

70

83

81

87

Cartão de débito

84

59

77

74

72

Cartão de crédito

70

63

73

75

69

Talão de cheques

28

30

41

38

41

37

34

34

32

40

Financiamento/ Empréstimo

Consequências O Cadastro Positivo deve trazer vantagens tanto para os bancos quanto para o próprio consumidor. Veja como vai funcionar na prática:

Posteriormente, ele autoriza a inclusão do nome e do histórico de pagamentos nesse banco de dados

Consumidor pesquisa e vê vantagem no Cadastro Positivo

Como consequência, bom pagador tem menores taxas nas operações de crédito e financiamentos

Bancos utilizam informações do Cadastro Positivo, que possibilita conhecer o perfil de pagamento dos consumidores e melhora a oferta de crédito. A expectativa é que gere também queda do spread, menor risco nas operações de crédito e maior inclusão bancária

setembro 2013 FINANCEIRO 31

Finan82_cadastro positivo.indd 31

9/2/13 10:36 PM


Untitled-1 2

8/30/13 1:32 PM


Untitled-1 3

8/30/13 1:32 PM


artigotecnologia

Atendimento eficaz

Por Erik Mazzei

Pesquisa encomendada recentemente pela G4 Solutions com consumidores concluiu que o telefone é a plataforma de comunicação mais utilizada pelos brasileiros. Entre as pessoas que utilizaram esse meio de comunicação, 42% afirmam que a frequência de contato com as empresas cresceu quando comparada com três anos atrás. Dados do setor também corroboram essa estatística: o mercado brasileiro de call center, considerando operações terceirizadas e internalizadas, deve crescer 14% neste ano. Essa situação também se faz presente no mercado financeiro, um dos setores que mais utilizam centrais telefônicas como meio de atendimento aos clientes. Nessa área, muito se faz para ganhar tempo e produtividade no processo. Um bom exemplo é a utilização da tecnologia de pré-atendimento, conhecida como Unidade de Resposta Audível (URA). A solução economiza tempo em operações como consulta de saldo e extrato, entre outras. No entanto, a “pedra no sapato” aparece quando o cliente precisa utilizar a opção 9, ou seja, “falar com um de nossos operadores”. Para potencializar o atendimento humano, o investimento em melhores práticas no ambiente de trabalho é essencial. Metas realistas de desempenho, bem como estratégias de motivação e remuneração, são vitais para estimular ainda mais o engajamento dos operadores. Estratégias para o consumidor final também contribuem para alavancar as estatísticas positivas de lucratividade, sobretudo porque são instrumentos de fidelização eficientes. Afinal, quem não gostaria de receber um contato de seu banco para apresentar uma vantagem ou benefício na cesta de serviços?

No entanto, todos os planos de ação e estratégia de gestão de pessoas podem ir por água abaixo caso os processos das operações do contact center não estejam estruturados com tecnologia de atendimento capaz de trazer agilidade para o operador. Atualmente, alguns bancos ainda utilizam sistemas ultrapassados (mainframe) que, embora robustos e confiáveis, são pouco amigáveis em sua operação. Só para se ter uma ideia, muitos deles utilizam apenas o teclado como forma de navegação, além de inúmeras telas de atendimento – tudo isso enquanto o cliente espera uma infinidade de tempo do outro lado da linha. A otimização sistêmica nas centrais de atendimento é uma providência que pode alavancar muito o mercado financeiro. Isso significa, na prática, utilizar tecnologias específicas de automação, aliadas a um know-how especializado, para reduzir o tempo de atendimento, promover a resolução de problemas na primeira chamada e minimizar erros operacionais, gerando assim mais rentabilidade nos contact centers. Atender bem expressa o respeito que uma empresa tem com o cliente, mas um atendimento realmente eficiente contribui para fidelizar a carteira, aumentar a satisfação do consumidor e fortalecer a imagem da marca perante a sociedade. E a solução? Está mais próxima do que se pensa. f

Erik Mazzei é diretor comercial e de marketing da G4 Solutions

Foto Shutterstock / Divulgação / Artigo enviado em agosto de 2013

gera lucro ao mercado financeiro

34 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_artigo_erik.indd 34

8/30/13 1:17 PM


1.indd 9

8/30/13 1:31 PM


negócios&lazer

A bandeira Hyatt, que está há 11 anos no Brasil, foca em peculiaridades brasileiras para recepcionar o público durante os Jogos Mundiais Por Erica Martin

À brasileirinha De dentro dos quartos nos andares mais altos do hotel Grand Hyatt em São Paulo, a paisagem vista pelas janelas resume bem a rotina da cidade. A famosa Ponte Estaiada, os prédios espelhados e a linha férrea completam a visão dos hóspedes do empreendimento localizado na região da Berrini. As peculiaridades locais são mantidas pela bandeira Hyatt, que está presente em 45 países, com 380 unidades. Na suíte presidencial, que já acolheu de Madonna ao ex-presidente Lula, há potes com doce de leite e saquinhos de amendoim para mimar os visitantes. É com o ritmo à brasileirinha que o hotel se prepara para atender quem vai prestigiar a Copa do Mundo de 2014 e, claro, se hospedar em seus quartos. Enquadrado na categoria cinco estrelas, o Grand Hyatt foi selecionado pela Fifa como acomodação oficial para o período dos jogos (veja mais informações em http://hotels.fifa.com/?language=pt). O investimento em fibra ótica para evitar a queda na transmissão dos jogos pela televisão a cabo; a repaginação do restaurante principal encabeçada por um designer brasileiro; a ampliação da antena wi-fi para agilizar o acesso à internet e a participação de funcionários no programa “Bem receber na Copa”, organizado pelo Ministério do Turismo, são alguns dos preparativos para junho de 2014. 36 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_negocios&lazer.indd 36

8/30/13 1:19 PM


Fotos: Douglas Luccena

Toque verde-amarelo

A bandeira Hyatt, com presença em 45 países e sede em Chicago, nos Estados Unidos, está há apenas 11 anos no Brasil. A única filial verde-amarela fica em São Paulo, onde 60% dos hóspedes são estrangeiros – a proporção deverá se manter durante os Jogos Mundiais. “Aqui não existe medo de receber gente de fora. Temos o hábito de trabalhar com clientes internacionais”, comenta Thierry Guillot, diretor-geral do Grand Hyatt

São Paulo. Mesmo com a freguesia estrangeira predominante, a cultura brasileira é preservada: a arte pendurada nas paredes de alguns quartos é de autoria de artistas nacionais. Conforto com aconchego

Em todo o empreendimento há 470 apartamentos que contemplam diferentes estruturas e cujo custo das diárias varia entre R$ 525 e R$ 15.300. Os hóspedes das acomodações mais

sofisticadas (suíte presidencial, club room e grand room) podem usufruir o Grand Club, projetado para facilitar a vida dos clientes. Não é preciso, por exemplo, ir à recepção para fazer o check-in ou o check out – é tudo feito ali. No local também são servidos o café da manhã e, no fim da tarde, coquetéis. Quem escolhe a suíte presidencial, localizada no último andar, tem 107 metros quadrados de conforto e diversão. No quarto, há duas camas king size e, para setembro setembro2013 013 FINANCEIRO 37

Finan82_negocios&lazer.indd 37

8/30/13 1:19 PM


negócios&lazer

Sem aumento? Durante a Copa, o custo da estada no Grand Hyatt não deverá subir. “O hotel assinou com a Fifa um contrato para manter em 2014 os preços de 2012, apenas com a inflação corrigida. É uma maneira justa para garantir que os custos não subam muito”, esclarece Thierry Guillot, diretorgeral do Grand Hyatt São Paulo

deixar tudo mais prático, as cortinas são automáticas. Na sala, a mesa de jantar comporta até oito pessoas e, no banheiro, o ambiente moderno e charmoso predomina: o chuveiro ao centro é rodeado por um vidro arredondado e transparente. Também há uma variedade de sabonetes para usar durante o banho. É claro, para dormir uma noite nessa acomodação (e desfrutar a boa vida), é preciso desembolsar R$ 15.300. Gastronomia e sossego

O Grand Caffè, localizado próximo à entrada principal do hotel – onde são servidos o café da manhã, almoço e jantar no modelo self-service –, receberá novo layout até fevereiro de 2014. A decoração ficará sob responsabilidade do designer brasileiro Arthur Casas – que deverá focar em detalhes e móveis trabalhados em madeira. “É uma rede internacional,

mas as ações são locais. Será uma decoração inspirada no Brasil, como o barroco”, esclarece o executivo. Mas o Caffè não é o único espaço para quem quer curtir a gastronomia. A culinária do Grand Hyatt contempla sabores de diversos países. Hóspedes e clientes externos podem aproveitar as especialidades da cozinha japonesa, italiana e francesa em três restaurantes diferentes mas que ficam no mesmo complexo, onde há uma adega com mais de mil garrafas. Equipe aquecida

A equipe do Grand Hyatt São Paulo é formada por 600 profissionais e não há previsão para contratar mais gente. Em 2012, 60 funcionários que trabalham em diversas áreas do hotel, como recepção, concierge, cozinha, lavanderia, housekeeping, reservas e banquetes, participaram do programa “Bem receber na Copa”, organizado

38 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_negocios&lazer.indd 38

8/30/13 1:19 PM


R$ 25 bilhões É quanto os turistas brasileiros devem gastar entre hospedagem, alimentação, transporte e compras durante a Copa do Mundo Fonte: Embratur

pelo Ministério do Turismo. “O curso veio para agregar e preparar nossa equipe para receber o evento”, explica Guillot. Além disso, no ano passado cada funcionário passou por 200 horas de treinamento com foco no atendimento ao cliente. A unidade brasileira também se prepara para a chegada de clientes asiáticos durante os eventos esportivos. Três recepcionistas brasileiras – duas de descendência chinesa e a outra coreana – foram contratadas. O objetivo não é apenas estreitar a comunicação com esse público, como também adaptar cardápios e quartos de acordo com os hábitos e a cultura do cliente. Tecnologia para facilitar

Há 12 meses, a rede wi-fi (internet por rede) foi renovada e ampliada em todo o hotel: cada uma das acomodações tem sua própria antena. O cliente poderá acessar a internet de até oito

aparelhos (smartphones e tablets, por exemplo) simultaneamente. Além disso, os elevadores vão ganhar novos cabos de fibra ótica para evitar a queda na transmissão dos jogos pela televisão e manter o acesso estável à web – o investimento é de R$ 600 mil. “A tecnologia vai permitir ao cliente sair do quarto e ir ao restaurante sem queda na conexão”, esclarece o executivo. Outra novidade para os Jogos Mundiais é a personalização do atendimento. O hotel identificará as necessidades de cada turista que fizer a reserva, assim poderá montar um cronograma de atividades e lazer relacionado ao perfil do cliente. Também haverá mimos especiais para simbolizar a participação na Copa verde-amarela. Hoje, o hotel presenteia clientes fiéis com kits especiais, como a camiseta da seleção brasileira e a biografia de Pelé. Há uma cachaça da terrinha. As lembrancinhas para 2014 ainda não estão definidas. f

INFORMAÇÕES ÚTEIS Localização Avenida das Nações Unidas, 13.301 Preços R$ 525 a R$ 15.300 Contato (11) 2838-1234 Para se localizar 7 km é a distância até o Aeroporto Internacional de Congonhas 37 km é a distância até o Aeroporto Internacional de Guarulhos

setembro2013 013 FINANCEIRO 39 setembro

Finan82_negocios&lazer.indd 39

8/30/13 1:19 PM


artigocrédito

O forte crescimento das vendas do varejo nos últimos anos pode ser explicado, basicamente, pela combinação da expansão e facilidade do crédito, prazos mais longos e juros mais baixos, de um lado, e o aumento do emprego e da renda, de outro, o que propiciou o ingresso de mais de 30 milhões de novos consumidores no mercado, praticamente sem endividamento. A queda do preço da alimentação, graças às boas safras, e de muitos Por Marcel Domingos Solimeo produtos industrializados – seja em função do câmbio, como no caso de confecções e dos eletrônicos, estes ainda ajudados pela evolução tecnológica – também contribuiu para esse cenário, ao qual se deve acrescentar a redução de impostos para linha branca, móveis e automóveis.

A partir da segunda metade de 2012, no entanto, o aumento da inadimplência levou as instituições financeiras privadas a ter maior cautela na concessão de crédito, desacelerando o ritmo de crescimento dos financiamentos não garantidos, concentrando-se no consignado e no imobiliário. Do lado do emprego e da renda, o baixo crescimento da economia, especialmente do setor industrial, reduziu o ritmo de aumento do emprego e da renda, desacelerando o ingresso de novos contingentes de trabalhadores ao mercado, enquanto a inflação de alimentos corroeu os aumentos de salários, que estavam aumentando mais lentamente. Embora a inadimplência apresente sinais de reversão, o nível de endividamento dos consumidores ainda é elevado. Com a mudança do cenário externo, o câmbio passou a pressionar os preços dos produtos importados, e o governo vem desativando sua política de incentivo fiscal ao consumo. A combinação desses fatores tem provocado desaceleração da taxa de crescimento das vendas nos últimos meses e, embora sazonalmente o desempenho do comércio deva melhorar, o ritmo de expansão deve se manter decrescente. Em 2014, apesar de ser um ano eleitoral, parece não haver muito espaço nas contas públicas para que o governo possa dar novos estímulos ao consumo, pelo que se pode esperar um desempenho medíocre da economia e também do varejo, embora com crescimento superior ao do PIB. f

Marcel Domingos Solimeo economista e superintendente do instituto de economia gastão vidigal, da associação comercial de são paulo (acsp)

Foto Shutterstock / Divulgação / Artigo enviado em agosto de 2013

Desaceleração à vista (e a prazo)

40 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_artigo_credito_marcel.indd 40

8/30/13 1:19 PM


1.indd 7

8/30/13 1:31 PM


happyhour

Refúgio saboroso Ambiente luxuoso e cardápio de inspiração franco-italiana, renovado recentemente pelo chef João Vergueiro Leme, atraem cerca de 12 mil executivos por mês ao premiado restaurante Kaá Por Isabella Villalba Ao passar pela discreta entrada do restaurante Kaá, na Vila Olímpia, a suntuosidade impressiona: são 700 metros quadrados de área e 8 metros de pé-direito, exibindo em uma das paredes um jardim suspenso com cerca de 7 mil plantas da flora da Mata Atlântica. Não à toa, o nome do espaço significa “mato, folha” em tupi-guarani. Um espelho d’água deslumbrante reflete 42 FINANCEIRO setembro 2013

Finan81_Happy_hour.indd 42

8/30/13 1:20 PM


Eventos especiais

Fotos: Douglas Luccena

O Kaá reserva espaço no piso superior para eventos, como reuniões de negócios, festas de aniversário e de fim de ano de empresas, que podem incluir pratos do menu do restaurante e outras opções, de acordo com a ocasião, para até 36 pessoas. Também é possível fechar o restaurante para casamentos e comemorações de grande porte, mediante negociação.

o paisagismo e a luz natural vinda do teto retrátil, aberto nos dias quentes. Um bar central completa o projeto arquitetônico caprichado, assinado pelo Studio Arthur Casas. Ali, além de tomar drinques, também é possível aproveitar a refeição. Inaugurado em 2008, o espaço tem capacidade para até 400 pessoas e recebe cerca de 12 mil clientes a cada mês, para almoço e jantar, principalmente executivos e estrangeiros, que aproveitam o ambiente convidativo e descontraído para reuniões de negócios. O cardápio do restaurante, bastante disputado em horário de almoço, reinventou-se recentemente pelas mãos do chef João Vergueiro Leme, que assumiu o posto do francês Pascal Valero, em outubro de 2012, a convite de um dos proprietários do estabelecimento, o chef Paulo Barroso de Barros.

Indicação do chef O chef João Vergueiro Leme indica uma opção acrescentada ao menu recentemente: o cappellacci, massa recheada com galinhad’angola confitada, regada ao caldo de vitelo e acompanhada por creme de mussarela de búfala. “A galinha-d’angola é um ingrediente pouco usado e muito saboroso. Esse prato brinca com a questão do alimento quente e frio, inverno e verão.” Enquanto se saboreia o prato principal, uma opção de vinho é o Prado Rey Rose 2011, combinação das uvas tempranillo e merlot. Em seguida, a musse de chocolate meio amargo sobre biscuit de cacau quebra o doce com uma acidez muito leve da ganache de framboesa e frutas vermelhas. Para finalizar, vinho do porto Tawny ou LBV é a companhia ideal para a sobremesa.

setembro 2013 FINANCEIRO 43

Finan81_Happy_hour.indd 43

8/30/13 1:20 PM


happyhour

Grupo de restaurantes Criado pelo restaurateur Paulo Kress e pelo chef Paulo Barroso de Barros, o Kaá faz parte do Grupo Egeu. Além do restaurante, a dupla gere a premiada hamburgueria General Prime Burguer, a também reconhecida confeitaria JellyBread e os italianos Italy e Girarrosto. Todos com unidades em São Paulo.

João Leme, chef do Kaá “Trouxe ao restaurante um frescor inerente à cozinha brasileira, com toques agridoces, alimentos crus e peixes de paladar mais leve”

Ação social O restaurante faz parte do projeto “Satisfeito”, um programa global de combate à fome e ao desperdício de alimentos por meio de uma ação conjunta entre o cliente, os restaurantes e as organizações que alimentam crianças pelo mundo. No cardápio, há dois tipos de porção de alguns pratos: a original ou a indicada pelo selo “Satisfeito”. Ao pedir o prato nessa versão, o dinheiro economizado com a porção reduzida é doado integralmente para instituições que alimentam crianças.

“Estava havia cinco anos em Santa Catarina e tinha vontade de voltar a São Paulo”, conta Leme, conhecido pelo extinto restaurante Rôti, em Pinheiros. Com o novo integrante da equipe, a cozinha do Kaá manteve a linha variada, com forte influência da culinária franco-italiana. O chef recém-chegado acrescentou pratos contemporâneos ao menu: “Trouxe ao restaurante um frescor inerente à cozinha brasileira, com toques agridoces, alimentos crus e peixes de paladar mais leve. Nossa cozinha é moderna e confortável. Agrada a todos. Temos uma preocupação muito grande em atender bem”, explica.

Dentre as opções de pratos, há massas de fabricação própria – como lasagnetta, ravióli, pancciotti, tortelli, tagliatelle e gnocchi –, risotos, aves, peixes, carnes e sobremesas próprias. A carta de vinhos soma cerca de 200 rótulos, nacionais e importados, provenientes de 14 países, incluindo também espumantes e champanhes. A luxuosa casa já foi reconhecida com prêmios no Brasil e no mundo, como o Restaurant Design Award, pelo Instituto Americano de Arquitetos; Melhor Ambiente, pela revista “Época São Paulo”; e Melhor Projeto na categoria de restaurantes da revista “Arquitetura e Construção”, em 2009. No ano seguinte, a revista londrina “Wallpaper” apontou o Kaá como o Melhor Novo Restaurante em 2010. f SERVIÇO ALMOÇO E JANTAR DE SEGUNDA-FEIRA A SÁBADO; DOMINGO, SOMENTE ALMOÇO. O VALOR DOS PRATOS, ATÉ O FECHAMENTO DESTA MATÉRIA, VARIAVA ENTRE R$ 31 E R$ 89.

Restaurante Kaá Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 279 Vila Olímpia – São Paulo (SP) Contato: (11) 3045–0043

44 FINANCEIRO setembro 2013

Finan81_Happy_hour.indd 44

8/30/13 1:20 PM


1.indd 10

8/30/13 1:31 PM


artigocorrespondentes

Mercado automotivo:

o que vem por aí

Por Décio Farah

Para falar do mercado automotivo no Brasil, temos que ver os dois lados da mesma moeda. De um lado, estão os pessimistas de plantão. De outro, a confiança da indústria. Pode parecer um paradoxo, mas falar em perspectivas atualmente exige cautela. Até porque o pessimismo vem de uma economia instável com alta do dólar, juros crescentes e inflação acima do esperado, o que nos exige uma dose de imparcialidade nas análises. E o otimismo das montadoras, conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), se baseia na

expectativa de investimentos de R$ 71 bilhões nos próximos quatro anos, o que deverá elevar a capacidade de produção para 5,7 milhões de unidades por ano, com um mercado interno possível de 4,6 milhões de veículos. Então, não podemos desprezar nenhum dos lados, já que o setor representa 5,7% do PIB nacional e ainda conta com mais de 7 mil concessionárias no País, as quais empregam 390 mil pessoas e faturaram em 2012 na ordem de R$ 237 bilhões, conforme dados da Federação Nacional de Veículos Automotores (Fenabrave).

46 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_artigo_correspondente_Decio.indd 46

8/30/13 1:21 PM


Foto: Divulgação/Artigo enviado em agosto de 2013

Os dados atuais comprovam a importância do setor, onde a produção de veículos cresceu 5,2%, atingindo 3,68 milhões de unidades; os licenciamentos avançaram 5,2%, em 3,86 milhões de veículos, na comparação dos últimos 12 meses, até julho, com os 12 meses anteriores. O crescimento do setor foi superior ao crescimento do crédito, que subiu 2,7% em 12 meses até junho. O nosso mercado conta atualmente com mais de 50 marcas diferentes, e é esperado um total de 40 modelos novos só em 2013. Isso significa uma concorrência sem precedentes em nossa história. Quem vai vencer? Qual marca será a melhor? Essa resposta sempre será dada pelo consumidor. De antemão, podemos afirmar que a qualidade do atendimento é a palavra-chave. Qualidade não é apenas tratar bem o cliente, conhecer o produto, mas também oferecer condições de financiamento compatíveis com a renda. Os financiamentos têm um papel fundamental no mercado, considerando que leasing, consórcio e CDC já representam cerca de 70% do total das vendas. E não podemos esquecer que o perfil do consumidor está mudando, com a entrada no cenário econômico de uma nova classe média, que depende do financiamento para conquistar novos bens, inclusive o carro. O Banco Central do Brasil, no relatório de inclusão financeira, aborda a importância do papel de as empresas levarem acesso bancário às classes menos favorecidas da população e a localidades em que, muitas vezes, os bancos não veem viabilidade econômica para instalar uma agência. Desta forma, essa atividade foi normatizada por meio da Resolução 3.954 do Banco Central, o que

obriga as revendas de veículos do Brasil que oferecem financiamento a terem, a partir de 24 de fevereiro do ano que vem, pelo menos um profissional certificado. Esse profissional ficará responsável por enviar a proposta de crédito, sanar dúvidas dos clientes e realizar a formalização do contrato de financiamento. As revendas não certificadas não poderão mais oferecer financiamento de automóveis aos seus clientes. Diante dessa obrigatoriedade, a Associação Brasileira de Concessionárias Chevrolet (Abrac) fechou parceria com a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) para a realização da prova de certificação de correspondentes no País. A escolha da entidade se deve a sua credibilidade – fará toda a diferença para os correspondentes bancários da Rede Chevrolet serem certificados sob a chancela da Acrefi. Conforme a própria entidade, o exame CertiCrefi propõe examinar rigorosamente os conhecimentos adquiridos pela força de vendas, podendo atestar o grau de aproveitamento das pessoas em cursos de capacitação oferecidos pelo mercado. Isso dará ao consumidor maior transparência em transações financeiras. Além disso, ele estará efetuando a compra com um profissional capacitado e certificado por uma entidade com 55 anos de atuação no mercado. f

Décio Farah é superintendente executivo da Abrac

setembro 2013 FINANCEIRO 47

Finan82_artigo_correspondente_Decio.indd 47

8/30/13 1:21 PM


cultura lazercultura

Próxima estação: Língua Portuguesa O museu totalmente dedicado ao idioma acaba de se projetar para fora da cidade de São Paulo com a Estação da Língua, que promete levar o melhor do encantamento e da interatividade expostos na Estação da Luz para Santos, Registro, Sorocaba e Campinas em 2013 e mais destinos em 2014 Por Isabella Villalba

48 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_Cultura.indd 48

9/3/13 11:19 AM


São Paulo é a capital do português no Brasil – dos 243 milhões de falantes pelo mundo, 20 milhões se concentram na cidade. Não à toa, desde 2006, a histórica Estação da Luz abriga uma das atrações paulistanas mais interativas e encantadoras, inteiramente dedicada ao idioma: o Museu da Língua Portuguesa. Elemento fundamental e base da cultura brasileira, a linguagem transmite muito mais do que se pode imaginar a respeito da origem e da história do País. Oficial em mais nove países – Portugal, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Timor Leste, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Macau –, a língua é destrinchada pelo Museu de modo a incitar o visitante a interagir com o conteúdo de exposições dedicadas à literatura e à música. Lá, é possível ouvir os diversos sotaques e conhecer a riqueza de detalhes em expressões do repertório linguístico ao longo de uma linha do tempo que mostra as raízes e alterações a que o idioma sobreviveu, desde antes de chegar ao País, em 1500. Depois de mais de 3 milhões de visitas – “Terra à vista!”, a ideia de contar essa história acaba de desembarcar em novas paradas.

Exposição itinerante

O projeto Estação da Língua já é uma ideia antiga dos idealizadores do Museu. Estreou em Santos no mês de agosto e vai passar por mais três localidades do Estado de São Paulo em 2013: Registro, Sorocaba e Campinas. São Bernardo do Campo, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto ficaram agendadas para 2014. Ao lado do linguista brasileiro Ataliba Teixeira de Castilho, o diretor do Museu, Antonio Carlos Sartini, fez a curadoria da mostra, que ocupa cerca de 300 metros quadrados. “O objetivo da Estação é levar o conteúdo do Museu da

Língua Portuguesa a outras cidades. Um dos nossos grandes desafios foi transportar toda a linguagem e os recursos interativos de áudio e vídeo, muito explorados no Museu, para fora”, comenta. “Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma”, escreveu o poeta lusitano Fernando Pessoa. “Penetra surdamente no reino das palavras”, pousou sobre o papel o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade. “Como é que chama o nome disso”, compôs o músico, também brasileiro, Arnaldo Antunes. São essas frases projetadas em painéis de LED vermelho, interpretadas pelos atores Paulo Betti, Julia Lemmertz e Deborah Evelyn, que recebem o visitante ao adentrar a exposição. Dois contêineres – também responsáveis por transportar todos os aparatos tecnológicos e as peças expostas em si – são parte do corredor de imersão no universo do idioma Entre os atrativos da mostra, dividida em seis alas, há uma seção com um extenso painel gráfico que reconstrói as origens da língua e um vídeo que apresenta as conquistas e a expansão ultramarina de Portugal até o descobrimento do Brasil. A seção inclui um terminal multimídia que permite ao visitante escutar os vários sotaques pelo setembro 2013 FINANCEIRO 49

Finan82_Cultura.indd 49

9/3/13 11:19 AM


cultura lazercultura

Próximas paradas da Estação da Língua

Sorocaba Espaço São Bento ENDEREÇO: Largo de São Bento, 144, Centro PERÍODO: de 15 de outubro a 10 de novembro Campinas MACC – Museu de Arte Contemporânea de Campinas ENDEREÇO: Rua Benjamin Constant, 1.633 PERÍODO: de 19 de novembro a 15 de dezembro DIAS E HORÁRIOS: de segundas a sextas das 9 às 18 horas; aos sábados das 11 às 20 horas Entrada: grátis

no mundo. Há ainda uma linha do tempo com a evolução do idioma no País até a atualidade. O visitante pode interagir com telas touch screen que apresentam a relação do português com outros idiomas, como as línguas indígenas e africanas, e também com as influências dos imigrantes europeus. Além das semelhanças com o Museu, foi preparado exclusivamente para a Estação um Mapa dos Falares Paulista, com vídeos de diversos sotaques e destaque para os diferentes empregos de palavras nas cinco regiões do Estado, com base em estudos feitos pela Universidade Federal do Paraná. A parada final ressalta em projeções a presença diversificada da língua portuguesa no dia a dia do brasileiro, até mesmo em sonhos, com a apresentação de dois vídeos, “Culinária” e “Danças”. A estrutura pode ser desmontada e novamente aberta ao público em outra cidade em até sete dias. A ideia é que o projeto siga para outros Estados no futuro.

Visitas monitoradas

Em sete anos de funcionamento, cerca de 3 milhões de pessoas já passaram pelo Museu da Língua Portuguesa. “Temos uma preocupação de atender e interessar a todos os públicos, mas é inegável que temos um apelo muito grande entre os jovens e estudantes, famílias e terceira idade”, comenta o diretor. Tanto o Museu da Língua Portuguesa quanto o espaço itinerante Estação da Língua realizam passeios agendados com guias capacitados para explicar histórias e curiosidades sobre o idioma trazido pelos portugueses ao Brasil e influenciado principalmente pelas culturas indígena e africana. As visitas guiadas são gratuitas, duram cerca de 50 minutos e têm feito tanto sucesso na Estação que novos horários foram abertos para atender à demanda. Cerca de 10 mil pessoas já passaram pela primeira cidade, Santos, que abrigou a mostra até o fim de agosto – e que se estenderá aos próximos destinos.

Fotos: Shutterstock/Divulgação

Registro Complexo Educacional e Cultural K.K.K.K. ENDEREÇO: Rua Miguel Aby-Azar, 153, Centro PERÍODO: de 10 de setembro a 5 de outubro

50 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_Cultura.indd 50

9/3/13 11:19 AM


Mais informações sobre agendamento e atividades paralelas nas páginas oficiais: http://www.museulinguaportuguesa.org.br/ http://www.facebook.com/estacaodalingua https://www.facebook.com/museudalinguaportuguesa Cazuza no Museu

As novidades não param por aí. Enquanto uma parte do Museu passeia pelo Estado de São Paulo, o endereço da Estação da Luz está a todo vapor. Depois de ter dedicado mostras a grandes figuras da literatura nos últimos anos, como os escritores Clarice Lispector, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Jorge Amado e mais recentemente o cronista, poeta e jornalista Rubem Braga, o Museu da Língua Portuguesa prepara para outubro uma exposição totalmente dedicada ao cantor, compositor e poeta brasileiro Cazuza. Traçando paralelos entre a literatura e a obra irreverente do artista famoso pela música e personalidade questionadora nos anos 1980, a exposição terá um forte diálogo com o público jovem, como comenta o diretor Antonio Carlos Sartini: “Queremos trazer para eles um sentimento mais forte de crítica e autocrítica. Uma maneira de olhar o mundo com um olhar desconfiado, muito importante nos dias de hoje, quando vivemos um processo avassalador de globalização, em que as informações nos chegam como verdades absolutas”. Além das exposições temporárias, um destaque

Inspiração Antonio Carlos Sartini: “Um dos papéis do Museu, além de transmitir conhecimento, é exercitar o senso crítico dos frequentadores. É mais importante sair do Museu com mais dúvidas e menos respostas, instigado a pesquisar”

do Museu é a Praça da Língua, espécie de “planetário” que, em vez de estrelas, é composto por projeções de poesias, frases marcantes da literatura e áudio. Uma verdadeira antologia da literatura criada em língua portuguesa, com curadoria de José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski. f SERVIÇO Museu da Língua Portuguesa

PRAÇA DA LUZ, S/Nº, CENTRO SÃO PAULO – SP TELEFONE: (11) 3322-0080 E-MAIL: MUSEU@MUSEULP.ORG.BR DIAS E HORÁRIOS: TERÇAS DAS 10 ÀS 22 HORAS; DE QUARTA A DOMINGO DAS 10 ÀS 18 HORAS ENTRADA: GRÁTIS AOS SÁBADOS; NOS DEMAIS DIAS, DE R$ 3 A R$ 6

setembro 2013 FINANCEIRO 51

Finan82_Cultura.indd 51

9/3/13 11:19 AM


vidapessoal

Descanso radical Por Juliana Jadon

A rotina de Diogo Rehder, gestor do fundo de investimentos Jaime Pinheiro Participações, é corrida. São aproximadamente R$ 650 milhões sob gestão, que devem ser cuidados com cautela. Para isso, ao chegar ao escritório em que trabalha há sete anos, ele lê as notícias referentes ao mercado financeiro e observa com atenção as performances das bolsas de valores internacionais. Pouco tempo depois, já está em uma reunião para decidir as estratégias do dia e discutir as posições do fundo multimercado, onde opera taxa de câmbio, dólar e ações. Quem o vê no trabalho, de terno e ligado no mercado de capitais, não imagina que no fim de semana a vida do executivo muda radicalmente. Há sete anos ele também faz corrida de aventura, prática que contempla um misto de esportes como trekking (caminhada no meio da mata), mountain bike (ciclismo em irregularidades e obstáculos) e natação na natureza.

Fotos: Divulgação/Ale Socci

Para relaxar, Diogo Rehder, gestor do fundo de investimentos Jaime Pinheiro Participações, pratica corridas de aventura na natureza

52 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_vida pessoal.indd 52

8/30/13 1:23 PM


Rehder integra uma equipe de quatro pessoas chamada Enigma Selva Aventura. A prova mais recente de que participou foi realizada na Costa do Dendê (BA) e é uma das etapas do mundial de corrida de aventura Os cenários das corridas são os mais diversificados possíveis, passando por montanhas, mata fechada e rios, entre outros acidentes geográficos. Canoagem, rafting (descida em corredeiras utilizando botes infláveis e equipamentos de segurança) e rapel (escalada) também fazem parte de algumas competições. Trilha da aventura

Foi em 2006 que Rehder teve o primeiro contato com a natureza e a variedade de esportes que a

corrida de aventura proporciona. Um grupo de amigos que já praticava a modalidade o convidou para participar de um evento em Águas de Lindoia (SP) e, desde então, nunca mais abandonou esse desafio. “O esporte é uma forma de se distrair e recarregar a energia para os dias de trabalho”, descreve. As corridas de aventura geram no executivo uma sensação de tranquilidade diante da rotina. São diversos circuitos dessa junção de esportes radicais rodeados por verde, o que faz com que ele possa participar semanalmente. O que mais o atrai nessa prática é conhecer lugares diferentes e aos quais provavelmente não iria, mesmo com a ajuda de guias turísticos. O Jalapão (TO), por exemplo, foi um dos locais mais bonitos e quase não habitados em que esteve presente, graças a esse exercício. Por lá, a prova de 500 quilômetros exigiu um grande esforço do atleta, que fez rafting, passou por dunas e por mata fechada até alcançar o destino. setembro 2013 FINANCEIRO 53

Finan82_vida pessoal.indd 53

9/2/13 10:23 PM


vidapessoal

Corridas de aventura

Desconhecido O que mais atrai o executivo na prática da corrida de aventuras é conhecer lugares diferentes e aos quais provavelmente não iria, mesmo com a ajuda de guias turísticos

São competições que envolvem várias modalidades de esportes na natureza. É grande a quantidade de equipamentos utilizados pelos atletas, e a maioria é requerida pela coordenação da prova. Não há um formato obrigatório para a prática, mas o mais utilizado é com equipes de dois a quatro atletas, que precisam percorrer um caminho indicado em mapas providos pela organização dos eventos.

Tempo corrido

Os treinos também ocupam parte do seu tempo. Realiza exercícios diários às 5h30 e após o trabalho na cidade onde mora, São Paulo (SP). Treina corrida, bicicleta e remo na raia olímpica da Universidade de São Paulo (USP). Nos fins de semana, ainda viaja para treinar diretamente na terra, montanha, mar e rio. Rehder tem uma equipe de quatro pessoas chamada Enigma Selva Aventura. A última prova que fez antes da publicação desta matéria foi de 600 quilômetros, realizada na Costa do Dendê (BA), em uma das etapas do mundial de corrida de aventura. Ele gosta de lidar com o risco. Cada passo e cada decisão, tanto no trabalho quanto na vida pessoal, têm uma dose, mesmo que moderada, de adrenalina. Qual o próximo destino dele? Certamente será radical. f Diogo Rehder, gestor de fundo de investimentos “O esporte é uma forma de se distrair e recarregar a energia para os dias de trabalho”

54 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_vida pessoal.indd 54

8/30/13 1:23 PM


1.indd 4

8/30/13 1:31 PM


análiseeperspectivas

Cheque especial, crédito pessoal e créditos para aquisição de veículos. Essas são algumas das modalidades para pessoa física com taxas prefixadas mais utilizadas pelos brasileiros. Com uma análise dos dados disponibilizados pelo Banco Central do Brasil (BCB), percebe-se qual o comportamento das taxas de juros que são exigidas pelas instituições financeiras. Considerando-se o último período de um ano com dados disponíveis (junho de 2012 a junho de 2013), existe uma tendência Por prof. dr. Alberto Borges Matias, de estabilidade nas taxas de com colaboração de juros aplicadas às operações Carlos Vinícius Romeiro Fonseca de cheque especial e crédito pessoal (Gráficos 1 e 2), sendo que a diferença entre o ponto inicial, junho de 2012, e o final, junho de 2013, não ultrapassa uma variação de 0,3% ao mês (a.m.), seja para mais ou para menos. Observa-se também que as taxas cobradas pelas instituições públicas são menos onerosas ao tomador de crédito, assim significando menores gastos dentro do período indicado. A única modalidade de crédito que apresenta uma variação pouco superior é a dos créditos tomados para aquisição de veículos (Gráfico 3), que mostra uma leve alta nos juros cobrados pelas instituições públicas, de 0,53%, e uma baixa nas taxas das instituições privadas, chegando a 0,69% de queda nas estrangeiras. Apesar da variação, as instituições públicas tiveram elevação das taxas, em sentido contrário às quedas mostradas pelas instituições privadas. Os tributos praticados pelos bancos públicos seguem mais vantajosos em relação aos demais. Nos demonstrativos emitidos pelo BCB, é observada a evolução das taxas de juros mensais nos últimos cinco anos, o que mostra que os juros atuais são, em parte, inferiores aos praticados em junho de 2009.

Na modalidade de cheque especial, observa-se que a maior queda aconteceu nas taxas praticadas pelas instituições públicas, e a redução ocorreu entre os anos de 2011 e 2012, estando nos demais períodos com uma tendência de estabilidade. A única alta observada é a das taxas praticadas pelas instituições privadas internacionais, que no período de cinco anos mostram uma elevação de 0,8% em taxas de juros; enquanto isso, as instituições privadas nacionais tenderam a acompanhar os bancos públicos, com redução no período entre 2011 e 2012. Já ao analisar a evolução das taxas de juros de crédito pessoal durante os últimos cinco anos, vemos que em 2009 as taxas de juros das instituições públicas eram mais vantajosas do que as cobradas pelos bancos privados. Entre 2011 e 2012, foi observada uma queda nos juros praticados por todas as instituições, porém, tal resultado foi mais acentuado nas instituições privadas, especialmente nas nacionais, fazendo com que as taxas de juros ficassem bem próximas. Assim, nos dados de junho deste ano, a diferença vista entre as taxas de juros cobradas ao mês não passa de 0,53% e coloca as instituições privadas em situação de maior competitividade no mercado de crédito. Para aquisição de veículos, apesar de as taxas de junho de 2013 se apresentarem com números inferiores às de 2009, observa-se maior movimentação para cima e para baixo, com exceção dos bancos públicos, que tiveram altas tanto entre 2009 e 2010 como de 2010 para 2011. Destaca-se então o nível de queda observado entre os anos de 2011 e 2012, que foi o maior para todas as instituições e foi essencial para que as taxas de 2013 ficassem abaixo das de cinco anos atrás. Outro ponto é a aproximação das taxas praticadas pelos bancos privados das que são cobradas nos bancos públi-

Foto: Divulgação/Artigo enviado em agosto de 2013

Cenário de juros à pessoa física

56 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82 artigo INEPAD.indd 56

8/30/13 1:24 PM


TAXA DE JUROS

A.M - CHEQUE

ESPECIAL

9,88%

9,77%

8,21%

7,92%

4,75%

4,57%

Fonte: Inepad & BCB

TAXA

DE JUROS

A.M -

CRÉDITO PESSOAL

2,55%

2,25% 2,02%

2,47%

2,14% 1,94%

Fonte: Inepad & BCB

ATRASO ACIMA DE 90 DIAS – CRÉDITO PESSOAL

19,02% 18,33% 18,54%

18,14% 16,78%

16,25%

Fonte: Inepad & BCB

cos, o que, assim como na modalidade de crédito pessoal, dá maior poder de concorrência no mercado de crédito aos bancos privados. Constata-se então que as taxas tenderam a se manter estáveis, não apresentando variação maior que 1% a.m. Porém, em cinco anos, houve baixa nos juros – especialmente entre 2011 e 2012, quando os juros tiveram maiores quedas – e as taxas das instituições privadas se aproximaram das públicas, até então mais vantajosas. Esse cenário deu ao cliente de crédito maior comodidade para escolher entre as instituições, com valores de juros cobrados próximos. A influência de fatores como o serviço prestado, o valor de crédito concedido, dentre outros, fica mais evidente, diminuindo a influência das taxas de juros na escolha do consumidor. f ELABORAÇÃO: Alberto Borges Matias – Diretor-presidente do Inepad. Professor titular do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo no campus de Ribeirão Preto. Livre-docente em finanças, atuando nos programas de graduação, pós-graduação e MBAs da universidade APOIO: Carlos Vinícius Romeiro Fonseca – Pesquisador do Centro de Pesquisas do Inepad – Núcleo Cepefin. Graduando em administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo no campus de Ribeirão Preto

setembro 2013 FINANCEIRO 57

Finan82 artigo INEPAD.indd 57

8/30/13 1:24 PM


bancodedadosinepad Taxas médias: geral Data

Var. p.p.

Captações

jun/12

Aplicações 20,1

-1,0

7,3

-0,1

12,8

jul/12

19,9

-0,2

6,9

-0,4

13,0

0,2

ago/12

19,6

-0,3

6,9

0,0

12,7

-0,3

set/12

19,4

-0,2

6,8

-0,1

12,6

-0,1

out/12

19,0

-0,4

6,6

-0,2

12,4

-0,2

nov/12

18,9

-0,1

6,6

0,0

12,3

-0,1

dez/12

18,0

-0,9

6,5

-0,1

11,5

-0,8

jan/13

18,6

0,6

6,4

-0,1

12,2

0,7

fev/13

18,7

0,1

6,6

0,2

12,1

-0,1

mar/13

18,5

-0,2

6,8

0,2

11,7

-0,4

abr/13

18,5

0,0

6,8

0,0

11,7

0,0

mai/13

18,1

-0,4

6,8

0,0

11,3

-0,4

jun/13

18,5

0,4

7,6

0,8

Spread

10,9

-0,4

Var. p.p. -0,9

-1,9

0,3

-1,6

Variação jun/jun

Var. p.p.

Fonte: BC/Inepad

Taxas médias: pessoa física Data

Aplicações

jun/12

26,3

jul/12

26,2

ago/12

25,7

set/12 out/12

Var. p.p.

Captações

Var. p.p.

Spread

Var. p.p. -1,1

-1,3

7,6

-0,2

18,7

-0,1

7,3

-0,3

18,9

0,2

-0,5

7,2

-0,1

18,5

-0,4

25,7

0,0

7,2

0,0

18,5

0,0

25,5

-0,2

6,8

-0,4

18,7

0,2

nov/12

25,1

-0,4

6,8

0,0

18,3

-0,4

dez/12

24,3

-0,8

6,6

-0,2

17,7

-0,6

jan/13

24,7

0,4

6,7

0,1

18,0

0,3

fev/13

24,9

0,2

7,0

0,3

17,9

-0,1

mar/13

24,4

-0,5

7,1

0,1

17,3

-0,6

abr/13

24,3

-0,1

7,0

-0,1

17,3

0,0

mai/13

24,0

-0,3

7,1

0,1

16,9

-0,4

jun/13

24,3

0,0

8,0

0,9

16,3

-0,6 -2,4

0,4

-2,0

Variação jun-jun Fonte: BC/Inepad

Taxas médias: pessoa jurídica Data

Aplicações

Var. p.p.

Captações

Var. p.p.

Spread

Var. p.p. -0,8

jun/12

15,4

-0,8

7,1

0,0

8,3

jul/12

15,1

-0,3

6,7

-0,4

8,4

0,1

ago/12

14,9

-0,2

6,6

-0,1

8,3

-0,1

set/12

14,5

-0,4

6,6

0,0

7,9

-0,4

out/12

14,0

-0,5

6,5

-0,1

7,5

-0,4

nov/12

14,2

0,2

6,4

-0,1

7,8

0,3

dez/12

13,3

-0,9

6,3

-0,1

7,0

-0,8

jan/13

14,0

0,7

6,2

-0,1

7,8

0,8

fev/13

14,0

0,0

6,3

0,1

7,7

-0,1

mar/13

14,0

0,0

6,5

0,2

7,5

-0,2

abr/13

14,0

0,0

6,6

0,1

7,4

-0,1

mai/13

13,5

-0,5

6,7

0,1

6,8

-0,6

jun/13

14,0

0,5

7,3

0,6

6,7

Variação jun-jun

-1,4

0,2

-0,1 -1,6

Fonte: BC/Inepad

58 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82 INEPAD tabelas.indd 58

8/30/13 1:24 PM


CrŽ dito Consignado

Spread Financeiro  

26,0

Consignado (R$ milh› es)

n/ 13 ju

ab

m ai

ja

de

no

t/1 2

se

l/1

Captações

ou

ag

n/ 12 ju

fe v/ 13 m ar /13   ab r/1 3   m ai /13   ju n/ 13  

ja n/ 13  

de z/ 12

ou t/1 2 no v/ 12  

o/ 12 se t/1 2  

ju l/1 2

ag

ju n/ 12

Aplicações

/1 3

23,0 r/1 3

23,5

160.000

5,0   0,0    

fe v/ 13 m ar /1 3

24,0

170.000

z/ 12

180.000

n/ 13

24,5

10,0  

v/ 12

190.000

t/1 2

25,0

15,0  

2

25,5

200.000

o/ 12

210.000

20,0  

ju

Taxas Médias  %  

25,0  

% a.a.  

INEPAD & BC

220.000

INEPAD &  BC  

Consignado - taxa de juros % a.a.

Fonte: BC/Inepad

SALDO RECURSOS Mês/Ano

DA CARTEIRA DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

LIVRES (R$ MILHÕES)

Cheque Variação especial em %

Cartão de Variação em % crédito

Crédito pessoal Variação não consignado em % vinculado à dívida

CRÉDITO PESSOAL Crédito Variação Crédito Var. pessoal não em % pessoal em % consignado consig. total

Total

Variação em %

jun/12

20.272

-3,3

114.023

-0,3

18.514

4,2

86.541

1,1

177.161

1,8

263.702

1,6

jul/12

20.470

1,0

115.640

1,4

19.170

3,5

86.620

0,1

179.884

1,5

266.503

1,1

ago/12

20.235

-1,1

115.847

0,2

20.009

4,4

87.498

1,0

183.040

1,8

270.538

1,5

set/12

19.877

-1,8

114.827

-0,9

20.221

1,1

89.121

1,9

182.506

-0,3

271.628

0,4

out/12

20.516

3,2

117.185

2,1

20.670

2,2

90.131

1,1

185.434

1,6

275.565

1,4

nov/12

19.969

-2,7

119.442

1,9

20.972

1,5

91.064

1,0

187.712

1,2

278.776

1,2

dez/12

18.288

-8,4

126.614

6,0

21.480

2,4

90.225

-0,9

188.879

0,6

279.104

0,1

jan/13

20.046

9,6

126.273

-0,3

21.551

0,3

91.079

0,9

192.166

1,7

283.245

1,5

fev/13

20.800

3,8

122.107

-3,3

21.562

0,1

91.627

0,6

195.434

1,7

287.061

1,3

mar/13

20.244

-2,7

122.141

0,0

21.609

0,2

92.916

1,4

198.825

1,7

291.741

1,6

abr/13

21.220

4,8

123.598

1,2

21.662

0,2

93.944

1,1

202.469

1,8

296.412

1,6

mai/13

21.118

-0,5

126.433

2,3

21.773

0,5

94.945

1,1

206.309

1,9

301.254

1,6

jun/13

20.478

-3,0

125.372

0,8

21.764

0,0

95.663

0,8

209.304

1,5

304.967

1,2

Fonte: BC/Inepad

SALDO

DA CARTEIRA DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

CONTINUAÇÃO –

RECURSOS LIVRES (R$ MILHÕES)

AQUISIÇÃO Mês/Ano

Veículos

Variação em %

Outros

Variação em %

Total

Variação em %

Arrecadamento Variação mercantil em %

Desconto Variação de cheques em %

Outros créditos Variação em % livres

jun/12

186.884

1,3

9.440

0,7

196.324

1,2

25.632

-5,2

1.660

5,3

22.879

4,0

jul/12

187.913

0,6

9.510

0,7

197.423

0,6

24.177

-5,7

1.611

-3,0

24.095

5,3

ago/12

190.876

1,6

9.654

1,5

200.530

1,6

22.816

-5,6

1.657

2,9

24.405

1,3

set/12

190.167

-0,4

9.794

1,5

199.961

-0,3

21.598

-5,3

1.674

1,0

23.648

-3,1

out/12

190.419

0,1

9.982

1,9

200.401

0,2

20.276

-6,1

1.655

-1,1

23.391

-1,1

nov/12

190.778

0,2

10.162

1,8

200.940

0,3

19.073

-5,9

1.684

1,8

23.723

1,4

dez/12

193.215

1,3

10.450

2,8

203.665

1,4

17.913

-6,1

1.673

-0,7

23.870

0,6

jan/13

193.474

0,1

10.494

0,4

203.968

0,1

16.762

-6,4

1.637

-2,2

24.053

0,8

fev/13

192.763

-0,4

10.422

-0,7

203.185

-0,4

15.738

-6,1

1.650

0,8

24.635

2,4

mar/13

192.795

0,0

10.430

0,1

203.225

0,0

14.746

-6,3

1.633

-1,0

25.032

1,6

abr/13

192.490

-0,2

10.498

0,7

202.988

-0,1

13.732

-6,9

1.608

-1,5

25.941

3,6

mai/13

192.060

-0,2

10.657

1,5

202.717

-0,1

12.809

-6,7

1.579

-1,8

25.923

-0,1

jun/13

191.979

0,0

10.804

1,4

202.783

0,0

12.040

-6,0

1.609

1,9

26.250

1,3

Fonte: BC/Inepad

setembro 2013 FINANCEIRO 59

Finan82 INEPAD tabelas.indd 59

8/30/13 1:24 PM


bancodedadosinepad SALDO

DA CARTEIRA DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

RECURSOS DIRECIONADOS - (R$

MILHÕES)

Mês/Ano

Crédito rural total

jun/12

78.213

1,6

220.305

2,8

25.980

0,0

2.947

3,6

3.631

6,2

jul/12

76.169

-2,6

226.124

2,6

26.163

0,7

2.970

0,8

3.677

1,3

ago/12

79.240

4,0

233.154

3,1

27.284

4,3

3.061

3,1

3.696

0,5

set/12

81.538

2,9

236.413

1,4

27.247

-0,1

3.089

0,9

3.852

4,2

out/12

83.806

2,8

242.760

2,7

27.606

1,3

3.350

8,4

3.949

2,5

nov/12

86.393

3,1

248.714

2,5

28.472

3,1

3.570

6,6

3.975

0,7

dez/12

90.655

4,9

255.367

2,7

29.172

2,5

3.798

6,4

4.174

5,0

jan/13

90.480

-0,2

261.344

2,3

30.221

3,6

3.823

0,7

3.937

-5,7

fev/13

90.964

0,5

266.577

2,0

31.156

3,1

3.824

0,0

4.039

2,6

mar/13

92.705

1,9

273.917

2,8

32.146

3,2

3.879

1,4

4.454

10,3

abr/13

94.192

1,6

281.343

2,7

32.991

2,6

3.936

1,5

4.573

2,7

mai/13

97.014

3,0

289.652

3,0

32.839

-0,5

4.027

2,3

4.573

1,8

jun/13

101.736

4,9

298.396

3,0

33.119

0,9

4.170

3,6

4.755

4,0

Variação em %

Financ. imobiliário tot.

Variação em %

Financ. Variação recursos BNDES em %

Microcrédito total

Variação em %

Outros créditos direcionados

Variação em %

Fonte: BC/Inepad

SALDO

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO

CRÉDITO CONSIGNADO (R$

MILHÕES)

TAXA DE JUROS % a.a.

CONSIGNADO

Não Mês/Ano consignado

Servidores públicos

Trabalhadores do setor privado

Beneficiários do INSS

Total

Total

Consignado

Pessoal

Diferença

jun/12

86.541

108.504

14.838

53.819

177.161

263.702

25,7

38,2

12,5

jul/12

86.620

110.179

15.047

54.658

179.884

266.504

25,4

38,6

13,2

ago/12

87.498

112.316

15.278

55.446

183.040

270.538

24,9

38,0

13,1

set/12

89.121

111.614

15.896

54.996

182.506

271.627

25,2

37,7

12,5

out/12

90.131

113.644

16.101

55.689

185.434

275.565

24,8

37,8

13,0

nov/12

91.064

115.157

16.253

56.302

187.712

278.776

24,6

37,1

12,5

dez/12

90.225

116.039

16.244

56.595

188.878

279.103

24,5

36,9

12,4

jan/13

91.079

117.713

16.391

58.062

192.166

283.245

24,5

37,3

12,8

fev/13

91.627

119.680

16.535

59.219

195.434

287.061

24,7

37,9

13,2

mar/13

92.916

121.669

16.806

60.351

198.826

291.742

24,6

37,2

12,6

abr/13

93.944

124.092

16.966

61.410

202.468

296.412

24,3

36,8

12,5

mai/13

94 945

126 427

17 199

62 683

206 309

301 254

24,2

36,7

12,5

jun/13

95 663

128 576

17 373

63 354

209 303

304 966

24,2

38,1

13,9

Fonte: BC/Inepad

PREVISÕES

ECONÔMICAS

Ano de 2013

PIB Total % a.a.

PIB Agropecuário % a.a.

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

2,20

7,73

1,31

2,39

2,02

1 semana antes 31/07

2,23

7,60

1,43

2,44

2,03

1 mês antes 09/07/2013

2,32

7,60

1,42

2,42

2,21

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

Previsão 09/08/2013 (2013/2013)

Ano de 2013

Selic Taxa anual

Previsão 09/08/2013

IGP–DI % a.a.

IPCA % a.a.

9,33

4,95

5,82

2,21

247,88

1 semana antes 31/07

9,36

4,85

5,76

2,25

247,71

1 mês antes 09/07/2013

9,37

4,59

5,75

2,27

245,15

(2013/2013)

Fonte: BC-Focus/Inepad

60 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82 INEPAD tabelas.indd 60

8/30/13 1:24 PM


SALDO

(R$

MILHÕES)

E PORCENTUAL (%)

RECURSOS LIVRES PF

DA CARTEIRA DE CRÉDITO COM

TOTAL E COM ATRASO ENTRE

CRÉDITO PESSOAL

15

E

90

AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS

DIAS AQUISIÇÃO DE OUTROS BENS

Mês/Ano

Saldo total

Com atraso de 15 a 90 dias

% sobre saldo da carteira

Saldo total

Com atraso de 15 a 90 dias

% sobre saldo da carteira

Saldo total

Com atraso de 15 a 90 dias

% sobre saldo da carteira

jun/12

250.527

10.447

4,17%

182.757

17.161

9,39%

9.299

778

8,37%

jul/12

254.431

10.941

4,30%

183.480

17.229

9,39%

9.289

756

8,14%

ago/12

259.656

10.646

4,10%

184.576

16.187

8,77%

9.374

719

7,67%

set/12

263.702

11.128

4,22%

186.884

16.745

8,96%

9.440

718

7,61%

out/12

266.503

11.300

4,24%

187.913

16.668

8,87%

9.510

709

7,46%

nov/12

270.538

11.038

4,08%

190.876

16.434

8,61%

9.654

728

7,54%

dez/12

271.628

10.811

3,98%

190.167

16.012

8,42%

9.794

672

6,86%

jan/13

275.565

12.097

4,39%

190.419

15.843

8,32%

9.982

732

7,33%

fev/13

278.776

12.155

4,36%

190.778

16.064

8,42%

10.162

802

7,89%

mar/13

279.104

12.141

4,35%

193.215

17.351

8,98%

10.450

874

8,36%

abr/13

283.245

12.774

4,51%

193.474

16.736

8,65%

10.494

855

8,15%

mai/13

287.061

11.655

4,06%

192.763

16.539

8,58%

10.422

810

7,77%

jun/13

291.741

11.465

3,93%

192.795

15.925

8,26%

10.430

787

7,55%

Fonte: BC/Inepad

CRÉDITO PESSOAL Saldo

Taxa de juros

Data

jun/07

59.085,00

51,06

dez/08

82.853,00 60,44

jun/10

121.546,00 41,97

dez/11

159349

42,4

jul/07

61.639,00

50,61

jan/09

83.203,00 56,51

jul/10

123.631,00 42,21

jan/12

161858

44,8

ago/07

63.483,00

49,89

fev/09

81.393,00 54,49

ago/10

126.750,00 41,96

fev/12

164769

45,2

set/07

64.990,00

49,43

mar/09

83.665,00 50,84

set/10

128.691,00 41,63

mar/12

167349

43,9

out/07

66.842,00

48,88

abr/09

87.384,00 48,78

out/10

131.057,00 43,55

abr/12

170256

41,4

nov/07

67.089,00

46,75

mai/09

89.592,00 46,62

nov/10

133.419,00 41,99

mai/12

174031

39,3

dez/07

68.259,00

45,80

jun/09

91.998,00 45,64

dez/10

136.312,00 44,11

jun/12

177161

38,2

jan/08

69.758,00

53,08

jul/09

94.475,00 44,78

jan/11

139.246,00 48,32

jul/12

179884

38,6

fev/08

71.083,00

52,59

ago/09

97.297,00 44,29

fev/11

141.840,00 47,96

ago/12

183040

38

mar/08

72.900,00

50,48

set/09

99.518,00 44,71

mar/11

142150 43,01

set/12

182506

37,7

abr/08

74.510,00

50,60

out/09

101.735,00 45,74

abr/11

143935 44,34

out/12

185434

37,8

mai/08

75.967,00

48,39

nov/09

103.450,00 43,64

mai/11

145738 44,56

nov/12

187712

37,1

jun/08

76.744,00

51,39

dez/09

107.283,00 44,35

jun/11

147892 44,52

dez/12

188879

36,9

jul/08

77.987,00

53,59

jan/10

109.248,00 44,83

jul/11

150587 45,01

jan/13

192166

37,3

ago/08

79.161,00

54,49

fev/10

111.396,00 43,81

ago/11

154027 44,52

fev/13

195434

37,9

set/08

80.137,00

56,31

mar/10

115.128,00 42,69

set/11

155626 44,64

mar/13

198825

37,2

out/08

81.916,00

57,42

abr/10

117.580,00 42,87

out/11

157277 45,34

abr/13

202469

36,8

nov/08

81.761,00

59,88

mai/10

119.875,00 43,04

nov/11

159117 43,64

mai/13

206.309

36,7

jun/13

209.304

38,1

Data

Saldo

Taxa de juros

Data

Saldo

Taxa de juros

Data

Saldo

Taxa de juros

setembro 2013 FINANCEIRO 61

Finan82 INEPAD tabelas.indd 61

8/30/13 1:25 PM


bancodedadosinepad TAXA

DE DESEMPREGO

Data

Brasil

Var. % – Brasil

SP

Var. %

5,4% jul/12 Taxa de  Desemprego        -0,005                                                                5,7%                                          -0,008                                      Inepad  &   10%   9%   8%   7%   6%   5%   4%   3%   2%   1%   0%  

IBGE  

5,8%

0,001

ago/12

5,3%

-0,001

set/12

5,4%

0,001

6,5%

0,007

0,010

out/12

5,3%

-0,001

5,90%

-0,006

0,008

nov/12

4,9%

-0,004

5,50%

-0,004

0,006

dez/12

4,6%

-0,003

5,20%

-0,003

Taxa de  Desemprego                                                                                                                                                        IInepad   nepad  & &    

0,004

IBGE   IBGE

Brasil

10% 10%   São  Paulo   0,002   9%   9%   Var.  p.p.   0,012 6,40% 0,008 5,4% jan/13 8%   8%  0,000   7%   7%  -­‐0,002   0,001 6,50% 0,002 5,6% fev/13 6%   6%   -­‐0,004   5%   5%   -0,002 6,30% 0,001 5,7% mar/13 4%   4%  -­‐0,006   0,004 6,70% 0,001 5,8%set/12   out/12   abr/13 mai/12   jun/12   jul/12   ago/12   nov/12   dez/12   jan/13   fev/13   mar/13   abr/13   mai/13  3%   3%   2%   2%   -0,004 6,30% 0,000 5,8% mai/13 1%   1%   0%   0%   0,003 6,60% 0,002 6,00% jun/13 jul/12   ago/12   set/12   out/12   dez/12   dez/12   jan/13   fev/13   abr/13   mai/13   jun/13   jun/13   jul/13   jun/12   jul/12   ago/12   set/12   nov/12   out/12   nov/12   jan/13   mar/13   fev/13   mar/13   abr/13   mai/13  

jul/13

5,60%

-0,40%

5,80%

0,010 0,010   0,008   0,008   0,006   0,006   0,004   0,004   0,002   0,002   0,000   0,000  

Brasil Brasil   São  PPaulo   aulo   São   Var.  pp.p.   .p.   Var.  

-­‐0,002 -­‐0,002   -­‐0,004   -­‐0,004   -­‐0,006   -­‐0,006  

-0,005

Fonte: IBGE/Inepad

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)

3,8

-0,03

out/12

2,1

0,05

4,0

0,05

nov/12

2,0

-0,05

3,8

-0,05

dez/12

2,0

0,00

3,6

-0,05

jan/13

1,9

-0,05

3,5

-0,03

fev/13

1,9

0,00

3,3

-0,06

mar/13

2,0

0,05

3,7

0,12

abr/13

2,0

0,00

3,7

0,00

mai/13

2,0

0,00

3,6

-0,03

jun/13

1,9

-0,10

3,5

-0,10

jul/13

1,7

-0,11

3,20

0,09

Rendimento ecebido  -­‐-­‐    BBrasil   rasil  ee  S  SP  P    -­‐    -­‐         Rendimento  M Médio   édio  RReal   eal  H Habitualmente   abitualmente  Recebido   (mil  RR$)   $)                                                                                                                                                                        IInepad   nepad  &&  I  BGE   IBGE                                                                           (mil   4,5   4,5   4,0   4,0   3,5   3,5   3,0   3,0   2,5   2,5   2,0   2,0   1,5   1,5   1,0   1,0   0,5   0,5   0,0   0,0  

SP SP  

Brasil Brasil  

m jun ai -­‐1 -­‐1 3 3   j ju ul-­‐ n-­‐ 13 13    

0,00

m ab ar r-­‐ -­‐1 13 3   abmai r-­‐1 -­‐13 3    

2,0

fema v-­‐ r-­‐1 13 3  

0,08

set/12

ja fe n-­‐ v-­‐ 1313  

3,9

seo tu-­‐1t 2-­‐1 2   oun o t-­‐1v-­‐ 21   2   nod ve-­‐ z-­‐ 1212     de ja z-­‐ n-­‐ 1213    

0,05

2,0

os-­‐e 1t2-­‐1 2  

-0,03

ago/12

ag

Var. %

3,6

2

SP

-0,05

jua lg-­‐o1 2-­‐1 2

Var. % - Brasil

1,9

ju nj-­‐ u1l2 -­‐1

Brasil

jul/12

Data

Fonte: IBGE/Inepad

62 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82 INEPAD tabelas.indd 62

8/30/13 1:25 PM


ATIVIDADE

ECONÔMICA Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

Var. p.p.

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Var. %

jun/12

81,8

-0,10

jul/12

82,1

0,30

jun/12

124,32

-0,36%

jul/12

124,36

ago/12

82,0

0,03%

-0,10

ago/12

125,4

set/12

0,84%

82,2

0,20

set/12

126,0

0,48%

out/12

82,5

0,30

out/12

126,74

0,59%

nov/12

82,7

0,20

nov/12

126,23

-0,40%

dez/12

82,9

0,20

dez/12

126,04

-0,15%

jan/13

81,7

-1,20

jan/13

126,63

0,47%

fev/13

81,1

-0,60

fev/13

126,74

0,09%

mar/13

82,6

1,50

mar/13

127,17

0,34%

abr/13

83,3

0,70

abr/13

127,25

0,06%

mai/13

82,2

-1,1

mai/13

127,71

0,46

jun/13

82,2

0

jun/13

128,5

0,79

Data

Data

0,4

Variação - jun-jun

4,18

Variação - jun-jun

Fonte: CNI/Inepad

Fonte: IBGE/Inepad

Capacidade Capacidade (%) (%)

Atividade Atividade Economica: Produ• ‹ o x Capacidade

Produ• Produ• ‹ ‹ oo (ê (êndice) ndice)

INEPAD & CNI & IBGE

85,0 85,0

133 133

84,0 84,0 83,0 83,0

129 129

82,0 82,0

125 125

81,0 81,0

121 121

80,0 80,0 79,0 79,0

117 117

78,0 78,0

113 113

77,0 77,0 109 109

76,0 76,0

105 105

Taxa da TaxaUtiliza• da Utiliza• ‹ ‹ o o da CapacidadeInstalada Instalada da Capacidade

ajub nr/1 3

mm aar i/1 3

faeb vr/ 13

mja anr /1 3

dfe zv/ 123

njoa vn/ 123

doe uzt /1 2

nso evt /1 2

aog uot /1 2

sjue lt/1 2

aj g uno /1 2

mju ail /1 2

ajubn r/ 1 2

75,0 75,0

ê ndice Produ• o F’ sica ê ndicede de Produ• ‹ o F’‹ sica diaM— M— vel MŽ MŽdia velTrimestral Trimestral

setembro 2013 FINANCEIRO 63

Finan82 INEPAD tabelas.indd 63

8/30/13 1:25 PM


bancodedadosinepad

PRODUÇÃO – AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS. MISTOS. VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS (EM UNIDADES)

Produção

Média Trim.

Var. Mensal

8,8%

Var. Mensal (%)

jul/12

297.800

284.067

24.200

ago/12

329.300

300.233

31.500

10,6%

set/12

282.540

303.213

-46.760

-14,2%

out/12

318.701

310.180

36.161

12,8% -5,3% -14,0%

nov/12

301.679

300.973

-17.022

dez/12

259.364

293.248

-42.315

jan/13

279.332

280.125

19.968

7,7%

fev/13

229.274

255.990

-50.058

-17,9%

mar/13

340.865

283.157

111.591

48,7%

abr/13

347.122

305.754

6.257

1,8%

mai/13

348.070

345.352

948

0,3%

jun/13

320.823

338.672

-27.247

-7,8

jul/13

312.300

327.064

-8.523

-2,7%

Produção Automóveis   utomóveis  LLeves   eves  ee  P  Pesados   esados   Produção  -­‐-­‐    A Inepad  &&  A  Anfavea nfavea         Inepad   400.000   400.000   350.000   350.000   300.000   300.000   250.000   250.000   200.000   200.000   150.000   150.000   100.000   100.000   50.000   50.000   0  0  

Unidades Unidades  

Data

jul/12 ago/12   set/12   out/12   jun/12   jul/12   ago/12   set/12   nov/12   out/12   dez/12   nov/12   jan/13   dez/12   fev/13   jan/13   mar/13   fev/13   abr/13   mar/13  mai/13   abr/13  jun/13   mai/13  jul/13   jun/13  

-11,55%

Variação jun/jun Fonte: Anfavea/Inepad

EXPORTAÇÃO

UNIDADES)

-17,50%

jul/12

29.700

30.800

-6.300

ago/12

42.900

36.200

13.200

44,44%

set/12

27.194

33.265

-15.706

-36,61%

Exportação de  Autoveículos  Montados      Fonte:  Inepad   &  Anfavea  

60.000 60.000  

out/12

41.797

37.297

14.603

53,70%

nov/12

36.536

35.176

-5.261

-12,59%

50.000 50.000   40.000   40.000  

4.658

37.987

-4.962

-12,05%

fev/13

31.743

36.390

-4.489

-12,39%

mar/13

43.529

37.168

11.786

37,13% 26,55%

abr/13

55.084

43.452

11.555

mai/13

48.623

49.079

-6.461

-11,73%

jun/13

51.233

51.647

2.610

5,37%

jul/13

52.456

50.771

1.223

Variação jun/jun

30.000

30.000

20.000

20.000 10.000  

10.000

Exportações

0

0

2 j

39.842

36.232

ju l/1

41.194

jan/13

ju n/ 12

dez/12

12,75%

Exportação de  Autoveículos  Montados      Fonte:  Inepad  &  Anfavea  

Unidades

Média Trimestral  

2

Var. Mensal (%)

ul /1

Var. Mensal

se ago/ t/1 12 2     ou set t/1 /12 2   no o   u v/ t/1 12 2   de n  o z/ v/1 12 2     ja de n/ z/1 13 2     fe ja v/ n/ 13 13 m     ar fe /13 v/1   3   ab m r/1 ar 3   /13   m ai ab /13 r/   13   ju n/ ma 13 i/1   3   ju l/1 jun 3   /13  

Média Trim.

12

Exportações

o/

Data

ag

DE AUTOVEÍCULOS MONTADOS (EM

Exportações

Média Trimestral  

2,39% 19,89%

Fonte: Anfavea/Inepad

64 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82 INEPAD tabelas.indd 64

8/30/13 1:25 PM


LICENCIAMENTO

DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (EM

UNIDADES)

Total

1000cc

% no total

+1000cc a 2000cc

% no total

+2000cc

% no total

jul/12

281.420

117.366

42,7%

162.179

57,6%

1.875

0,7%

ago/12

326.914

133.660

35,9%

191.167

58,5%

2.087

0,6%

set/12

214.351

90.205

62,4%

122.402

57,1%

1.744

0,8%

out/12

250.598

105.244

36,0%

143.910

57,4%

1.444

0,6%

nov/12

233.279

97.802

45,1%

134.278

57,6%

1.199

0,5%

dez/12

267.302

111.103

36,6%

155.168

58,0%

1.031

0,4%

jan/13

231.343

97.475

48,0%

132.707

57,4%

1.161

0,5%

fev/13

172.080

68.814

56,6%

102.250

59,4%

1.016

0,6%

mar/13

209.797

85.683

32,8%

122.993

58,6%

1.121

0,5%

abr/13

246.379

98.563

34,8%

146.066

59,3%

1.750

0,7%

mai/13

232.974

93.970

42,3%

137.426

59,0%

1.578

0,7%

jun/13

233.277

96.715

40,3%

135.298

58,0%

1.264

0,5%

jul/13

250.685

99.838

38,6%

149.235

59,53%

1.612

0,64%

Data

Fonte: Anfavea/Inepad

Licenciamento por  Categoria  Automóveis    

Licenciamento por  ICnepad   ategoria   Automóveis     Fonte:   &  Anfavea   Fonte:  Inepad  &  Anfavea  

250.000

250.000

1000cc

+1000cc a  2000cc  

+2000cc

200.000

200.000

150.000

150.000

100.000 100.000   50.000   50.000  

12 agju ol//1 122   asg   eot /1 /12 2     osuet t//112 2     noout/ v/12 1   n 2   deov/1 z/ 2   de 12   ja z/12 n/   ja 13   n fe /13 v/   fe 13   m v/13 a   m r/13 ar   ab /13   abr/13 r   m /13   mai/1 ai 3   /1 ju 3   jun/1 n/ 3   13 ju   l/1 3  

0 jjuu nl/

1000cc

TAXA

+1000cc a  2000cc  

+2000cc

MÉDIA DE JUROS DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO COM RECURSOS LIVRES CRÉDITO PESSOAL

AQUISIÇÃO DE BENS – VEÍCULOS

-

PESSOA FÍSICA

AQUISIÇÃO DE BENS – OUTROS TAXA DE JUROS

TAXA DE JUROS

TAXA DE JUROS

% a.a.

Variação p.p.

4,53 -0,08

72,03

-1,55

4,36 -0,17

71,63

-3,27

4,46

0,10

70,08

1,97

9.794

4,50

0,04

66,81

0,78

-0,58

9.982

4,47 -0,03

68,78

-0,54

20,47

-0,04

10.162

4,57

0,10

69,56

1,92

19,75

-0,72

10.450

4,74

0,17

69,02

3,42

0,05

20,53

0,78

10.494

4,55 -0,19

70,94

-3,79

1,56

0,00

20,46

-0,07

10.422

4,48 -0,07

74,36

-1,27

1,51

-0,05

19,73

-0,73

10.430

4,44 -0,04

70,57

-0,67

192.500

1,58

0,07

19,92

0,19

10.503

4,43 -0,01

69,30

-0,38

-0,10

192.060

1,51

-0,07

19,73

-0,19

10.657

4,32 -0,11

68,63

-2,05

1,40

191.979

1,49

-0,02

19,47

-0,26

10.804

4,33

0,01

68,25

0,20

Mês/ ano

Saldo total R$ milhões

% a.m.

Variação p.p.

% a.a.

Variação p.p.

Saldo total R$ milhões

% a.m.

Variação p.p.

% a.a.

Variação p.p.

Saldo total R$ milhões

jun/12

177.161

2,73

-0,07

38,20

-1,10

186.884

1,55

-0,16

20,23

-2,34

9.440

jul/12

179.884

2,76

0,02

38,60

0,40

187.913

1,58

0,03

20,70

0,47

9.510

ago/12

183.040

2,72

-0,04

38,00

-0,60

190.876

1,55

-0,03

20,31

-0,39

9.654

set/12

182.506

2,70

-0,02

37,70

-0,30

190.167

1,61

0,05

21,09

0,78

out/12

185.434

2,71

0,01

37,80

0,10

190.419

1,57

-0,04

20,51

nov/12

187.712

2,66

-0,04

37,10

-0,70

190.778

1,56

0,00

dez/12

188.879

2,65

-0,01

36,90

-0,20

193.215

1,51

-0,05

jan/13

192.166

2,68

0,02

37,30

0,40

193.474

1,57

fev/13

195.434

2,71

0,04

37,90

0,60

192.763

mar/13

198.825

2,66

-0,05

37,10

-0,80

192.795

abr/13

202.469

2,65

0,06

36,80

-0,30

mai/13

206.309

2,64

-0,01

36,70

jun/13

209.304

2,73

0,09

38,10

% a.m.

Variação p.p.

Fonte: BC/Inepad

setembro 2013 FINANCEIRO 65

Finan82 INEPAD tabelas.indd 65

8/30/13 1:25 PM


artigopalavrafinal

Crédito de veículos em fase de transição

Crédito Veículos  –  Concessão  e  Inadimplência     (R$ milh› es)

(%) Valor das concess› es

7,2

Taxa de inadimpl• ncia (>90 dias)

9.000

7,0

6,8

8.000 6,6

6,4

7.000

6,2

abr/13

mai/13

mar/13

jan/13

fev/13

dez/12

nov/12

set/12

out/12

jul/12

jun/12

abr/12

mai/12

ago/12

de volume de financiamentos é consequência da exigência de entrada de 20% a 30% na maioria dos contratos firmados desde 2012, diminuindo o valor a ser financiado. Antes desse aperto dos critérios de “risco de crédito”, o ambiente era de oferta ampla e facilitada , com financiamentos de até 60 meses sem entrada. Essa carteira foi em parte constituída por consumidores que posteriormente tiveram dificuldade de atender a seus compromissos financeiros, em função das oscilações em sua renda líquida ocasionadas pela alta da inflação, forte carga tributária e excesso de endividamento. No curto prazo, temos um mercado em transição devido à fase de baixa do ciclo econômico, menor propensão a consumir, e incerteza e cautela entre os agentes econômicos advindas do ambiente de correção de preços-chave da economia: câmbio, juros e inflação. Mais à frente, com a melhora do ambiente econômico, teremos um mercado mais estabelecido, tanto da parte de oferta quanto de consumo. Isso será possível em função da evolução qualitativa da concessão de crédito e melhora da prática financeira do consumidor, que desenvolve habilidades no manejo e controle de suas finanças pessoais. f Nicola Tingas é economista-chefe da Acrefi

Foto: Divulgação/Artigo enviado em agosto de 2013

Fonte: Banco Central

mar/12

jan/12

6,0 fev/12

6.000 dez/11

Por Nicola Tingas

Nos meses recentes, a concessão de crédito de veículos ocorre em menor volume, conforme mostra o gráfico ao lado. Por sua vez, a carteira de veículos (saldo) tem mantido patamar estável. Esses dois indicadores são informes de que há menor volume de negócios nessa modalidade de crédito. Por outro lado, a inadimplência tem queda constante desde o segundo semestre de 2012, embora ainda esteja em patamar elevado diante das expectativas do mercado de redução expressiva nesse período. A redução do ritmo de financiamentos para compra de veículos resulta de alguns aspectos. Primeiro, devido a questões ligadas ao ciclo econômico. Houve redução no ritmo de ampliação de renda e emprego, endividamento crescente das famílias e dispersão de aumento de preços, todos fatores de restrição orçamentária e de consumo. Nesse ambiente, as famílias com maior restrição de fluxo de caixa passaram a cortar gastos, renegociar dívidas e buscar crédito de maior prazo e menor custo para aliviar a situação financeira. Exemplo disso é a intensa expansão do crédito consignado, utilizado como fonte para saneamento financeiro do orçamento familiar. Em segundo lugar, devido às condições de mercado. Houve grande demanda em anos anteriores de inserção de novos consumidores no mercado, fato que já foi concluído. Atualmente há uma demanda menor e mais cautelosa. Além disso, a oferta de crédito tem se ajustado operando com maior prudência nas concessões, principalmente por causa do alto patamar de inadimplência desde o segundo trimestre de 2012. Mais recentemente, isso também ocorre em função da deterioração do quadro macroeconômico e aumento das incertezas e riscos de descontinuidade no fluxo de renda dos consumidores no futuro próximo. Contudo, há que ser feito um ajuste para melhorar essa percepção. Acontece que parte dessa queda

66 FINANCEIRO setembro 2013

Finan82_artigo nicola tinga.indd 66

8/30/13 1:25 PM


1.indd 3

8/30/13 1:31 PM


1.indd 1

8/30/13 1:30 PM

Profile for Acrefi

Financeiro 82 - Setembro 2013  

Financeiro 82 - Setembro 2013  

Profile for acrefi