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financeiro

financeiro arevistadocrédito edição

77 out nov

Chave para

o crescimento

outubro/novembro 2012 edição 77

EM ENTREVISTA EXCLUSIVA, JORGE FONTES HEREDA, PRESIDENTE DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, APONTA QUE O PATAMAR BAIXO DOS JUROS ALIADO AO USO CONSCIENTE DO CRÉDITO CONSTITUEM O CAMINHO PARA O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA

PERSPECTIVA PAÍS SERÁ DESTAQUE NO CENÁRIO ECONÔMICO GLOBAL


conteúdofinanceiro

8

8

Capa

24 52

44

Páginas Azuis

36

Ouvidorias

Na entrevista do mês, Jorge Hereda,

Clientes ganham voz nas

presidente da Caixa Econômica Federal,

estratégias das instituições

fala sobre o cenário de juros 40

14

Entrevista

Cadastro Positivo

Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave, faz

Especialistas apontam banco de dados como aliado

uma análise sobre a indústria automobilística

da oferta de crédito de baixo risco 44

20

24

28

30

Happy Hour

Crédito Regional

Restaurante Due Couchi Cucina,

Nos últimos anos, crédito ofertado no Nordeste

gerido com amor por Ida Maria Frank,

cresceu acima da média nacional

é atração em São Paulo

Perspectivas econômicas

52

Cultura

Em evento da Acrefi, Patrícia Bentes

Reinaldo Domingos, fundador do DSOP,

mostra que País será competidor

mostra como priorizar os sonhos e não ter

de peso no cenário global

problemas financeiros

Educação Financeira Santander ensina universitários a utilizarem os

artigos

serviços bancários de maneira consciente

34 Marcello de Francesco Basileia III

Mercado Para reduzir inadimplência,

39 Pierpaolo Bottini Questão Jurídica 56 Alberto Borges Matias Análise e Perspectivas 66 Helder Siqueira Consumidor 2.0

produtos e serviços são adequados ao perfil do cliente pelos bancos outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 3


expediente financeiro ISSN 1809-8843

Publicação da Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Líbero Badaró, 425 – 28o andar – São Paulo – SP Tel: (11) 3107–7177 Fax: (11) 3106–6082 – www.acrefi.org.br Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Aquiles Diniz, Bartholomeu Ribeiro, Carlos Alberto Samogin, Claudio Ferro, Décio Carbonari de Almeida, Élcio Azevedo, Elias de Souza, Felicitas Renner, Luis Félix Cardamoni Neto e Luis Otávio Matias Secretários Sérgio Cipovicci Tesoureiros Alexandre Teixeira Diretores Regionais Ciro Pitangueira de Avelino, José Agnelo Seger, Leonardo Dadauto, Luiz Carlos do Nascimento, Paulo Dalla Nora, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Pedro da Costa Carvalho e Sebastião Cunha Diretores-Executivos João Carlos de Souza Caritá, Mara Lygia Prado e Rubens Bution Montadoras Edson Froes, Edson Ueda, Eduardo Varella, Felipe César Rodrigues Ferreira, Gunnar Murilo, Joelcyr Carmello e Nelson Aguiar Diretores Conselheiros José Carlos Alves, Leonel Andrade e Wanderlei Vettore Conselho Consultivo Alkindar de Toledo Ramos, Manoel de Oliveira Franco e Ricardo Malcon (membros natos) Décio Carbonari de Almeida, Flávio Antonio Meneghetti, Ilídio Gonçalves dos Santos, Júlio Avelar, Miguel José Ribeiro de Oliveira, Ricardo Loureiro e Rogério Pinto Coelho Amato (membros) Conselho Fiscal Domingos Spina e Sérgio Darcy (efetivos) Geraldo Lima Vandalsen e Marcus André de Oliveira (suplentes) Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Controller Carlos Alberto Marcondes Machado Economista-Chefe Nicola Tingas Auditoria Pricewaterhousecoopers Assessoria Contábil Silveira & Lavorini Contabilidade Assessoria de imprensa Tamer Comunicação Empresarial

Rua Novo Horizonte, 311 – Pacaembu – São Paulo – SP Tel.: (11) 3125–2244 – CEP 01244-020 – www.gpadrao.com.br Publisher Roberto Meir REDAÇÃO Editora-executiva Sílvia Verônica Santos Editora-assistente Juliana Jadon Reportagem Flávia Corbó, Thiago Fernandes e Patrícia Basilio Colaboração Patrícia Lucena, Paulo Gratão e Raquel Sena Fotografia Douglas Luccena Arte Projeto e designer gráfico Artma Design Gráfico designer Érika Bernal Revisora Dora Wild Publicidade Diretora Comercial – Fabiana Zuanon – fzuanon@gpadrao.com.br Gerente Comercial – Marco Góes – mgoes@gpadrao.com.br Gerente de Negócios – Adriana Próspero – aprospero@gpadrao.com.br Impressão IBEP Gráfica Ltda.

4 FINANCEIRO outubro/novembro 2012


editorial

O

mercado de crédito vive momentos menos nebulosos, a julgar por recentes dados sobre o setor. A inadimplência, fantasma que tanto assustava no início do ano, tem registrado menor aceleração e chega a níveis menos preocupantes quando comparada ao padrão de outros países. Além disso, o volume de empréstimos começa a crescer, levando o Banco Central a aumentar a previsão de crescimento total de 15% para 16% este ano, em comparação a 2011. São sinais animadores, depois de vivermos um período de incertezas em que prevaleceram as previsões pessimistas – e às vezes catastróficas – em relação do crédito. Embora o ambiente ainda não autorize estimativas otimistas e muito menos a euforia, há indicações de que o pior já passou, ou seja, dificilmente teremos uma explosão da inadimplência, nem mesmo um encolhimento significativo na demanda ou na oferta de crédito.

Menos obstáculos à frente

Foto: Flávio Roberto Guarnieri

O final de ano, portanto, deve ser melhor do que se previa no primeiro semestre no nosso setor. E as perspectivas são moderadamente otimistas também para 2013. O consumidor volta a se mostrar otimista, como demonstra o Índice de Confiança, calculado pela Fundação Getúlio Vargas. É preciso, no entanto, ser realista na análise desse cenário. O Banco Central aponta em recente relatório que o nível de comprometimento de renda no País está em 22%, elevado para os parâmetros mundiais. Também ainda não se sabe os múltiplos impactos que a queda dos juros terá nos próximos meses em relação ao consumo. O mercado tem mecanismos para tratar dessa situação com eficiência e em linha com as necessidades do usuário de crédito. Em seu contato diário com a ponta final da cadeia, sente o pulso do consumidor, conhece sua situação e está em condições de oferecer alternativas que mantenham o setor em ritmo de crescimento. A interferência nesse mercado, como tem acontecido com mais frequência nos últimos tempos, nem sempre traz benefícios, na medida em que a imposição de regras costuma ter como consequência indesejáveis distorções. O momento é de aproveitar a melhora para ampliar e aperfeiçoar a oferta de empréstimos. Todos os elos da cadeia de crédito estão trabalhando nessa direção. Com cautela, com os pés no chão, mas cientes de que há oportunidades para tornar os empréstimos ainda mais acessíveis em um ambiente sustentável, em que não haja ameaça de superendividamento. O mercado tem tudo para alcançar esse objetivo, trabalhando com responsabilidade para ajudar a economia brasileira a crescer – o que, mais que uma meta, é uma necessidade para todos nós.

Érico Sodré Quirino Ferreira Presidente da Acrefi outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 5


nossasassociadas

ACFI – Aymoré Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

Banco Volkswagen S.A.

Agiplan Financeira S.A. CFI

Banco Yamaha Motor do Brasil S.A.

Banco A.J. Renner S.A.

Banif Banco Internacional do Funchal (Brasil) S.A.

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BV Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

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Caixa Econômica Federal

Banco do Brasil S.A.

Caruana S.A. – Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Cacique S.A.

Cetelem Brasil S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

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Credifibra S.A. CFI

Banco Cifra S.A.

Dacasa Financeira S.A. – Socied. de Crédito, Financiamento e Investimento

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Finamax S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Citicard S.A.

Financeira Alfa S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos

Banco Daycoval S.A.

Financeira BRB

Banco De Lage Landen Financial Services Brasil S.A.

Herval Financeira S.A. CFI

Banco Ficsa S.A.

HSBC Bank Brasil S.A. Banco Múltiplo

Banco Fidis S.A.

Kredilig S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Gerador S.A.

Lecca – Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

Banco GMAC S.A.

Mercantil do Brasil Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos

Banco Honda S.A.

Midway S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Intermedium S.A.

Múltipla CFI S.A.

Banco Itaú S.A.

Negresco S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos

Banco Itaucard S.A

Omni S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Mercedes-Benz do Brasil S.A.

Pernambucanas Financiadora S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Panamericano S.A.

Portocred S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco PSA Finance Brasil S.A.

Portoseg S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Rodobens S.A.

Santana S.A – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Rural S.A.

Sax S.A. Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Safra S.A.

Socinal S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Santander Brasil S.A.

Sorocred – Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

Banco Semear S.A.

Sul Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Toyota do Brasil S.A.

Todescredi S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

6 FINANCEIRO outubro/novembro 2012


entrevistadomês

Por Patricia Lucena

Panorama confia Em entrevista exclusiva, Jorge Fontes Hereda, presidente da Caixa Econômica Federal, diz que a redução das taxas de juros aliada a um uso mais consciente do crédito podem fazer com que a economia brasileira continue em pleno desenvolvimento 8 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

Natural de Salvador, Jorge Fontes Hereda, presidente da Caixa Econômica Federal, é bastante otimista em relação à economia brasileira e às mudanças que vêm acontecendo nos últimos meses. No governo federal desde 2003, o executivo já foi secretário de Habitação do Ministério das Cidades e, em 2005, assumiu a vice-presidência de governo da Caixa, cargo que ocupou até março de 2011, quando se tornou presidente da instituição. Para ele, educação financeira e uso consciente dos produtos e serviços financeiros são as palavras-chaves para que a maior oferta de crédito aos consumidores não seja prejudicial. Diminuir as taxas de juros, segundo o executivo, não significa apenas liberar uma margem maior para que os clientes possam tomar mais empréstimos. “Queremos oferecer informações de cunho educativo para que os nossos clientes organizem melhor suas finanças pessoais”, ressalta.


Fotos: Divulgação

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Revista Financeiro A Caixa Econômica Federal iniciou a queda nas taxas de juros, seguindo orientações do governo. Como o senhor vê a decisão do governo de pedir aos bancos para reduzirem suas taxas? Jorge Fontes Hereda Inicialmente, é preciso entender que a redução das taxas de juros só se tornou possível porque o Brasil passou, e está passando, por mudanças estruturais nas áreas econômica e social. Isso nos garante um potencial de crescimento baseado na demanda interna e com menor exposição às turbulências do cenário externo. A adoção de uma política fiscal comprometida com a geração de superávits primários condizentes com a relação dívida–PIB e de uma política monetária adequada mostrouse eficiente no controle da inflação que há oito anos não foge às metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. Claro que isso possibilitou tanto às pessoas físicas quanto às empresas planejarem suas ações no longo prazo. E, como decorrência, o mercado de crédito conseguiu se desenvolver, impulsionando o crescimento econômico, com geração de empregos e aumento de renda. Somando-se as políticas governamentais de valorização do salário mínimo e de transferências sociais, temos garantido um círculo virtuoso para a economia brasileira. Financeiro O corte de juros foi uma consequência desse bom cenário? Hereda O corte histórico de juros ocorreu em um momento em que as condições econômicas eram adequadas. Com isso, foi possível para a Caixa Econômica manter suas taxas entre as menores do mercado. Não entendemos como plausível que, com a economia caminhando nessa direção, nossos clientes não se

beneficiem da redução dos juros básicos. Foi uma oportunidade à qual a Caixa se antecipou para conquistar novos clientes, permitindo gerar melhores resultados para a empresa e para toda a sociedade brasileira. Financeiro Qual a estratégia da Caixa para se tornar mais atrativa perante o mercado? Hereda Entendemos que, com melhores taxas de juros, atrairemos os clientes que desejam trocar seus empréstimos mais caros de outras instituições por outros mais atrativos na Caixa. Além disso, também aproximamos aqueles que ainda não viam no crédito uma vantagem, devido aos juros altos. A ideia não é apenas liberar

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É preciso lembrar que o termo ‘endividamento’ está relacionado apenas à presença de crédito na economia e não à incapacidade de pagamento

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Em entrevista exclusiva à revista Financeiro, Hereda opinou sobre as constantes reduções das taxas de juros promovidas pelos bancos e pelo governo, traçou um panorama para o mercado de crédito brasileiro e mostrou que confia no potencial econômico do País. Confira:

para os clientes uma margem para que possam tomar mais empréstimos, mas oferecer informações de cunho educativo para que organizem melhor suas finanças pessoais. Isso representa para nós não só um novo cliente, mas um cliente que tenderá a manter seus pagamentos em dia e que continuará utilizando os produtos e serviços bancários oferecidos por nós. Financeiro Quais as suas perspectivas para a inadimplência do correntista da Caixa? Hereda Com juros mais baixos e clientes melhor orientados, a tendência para a inadimplência é de redução. Temos um perfil de endividamento inferior ao do mercado. Isso é resultado, dentre outros fatores, da adoção de modelos de avaliação e controle de riscos aprimorados, aliados a processos de gestão eficiente de carteiras, que são hoje considerados referência para o setor financeiro. O “Programa Caixa Melhor Crédito” começou em abril deste ano e já está contribuindo para a redução do spread bancário no Brasil. outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 9


entrevistadomês Financeiro Contribui também para o crescimento da economia? Hereda Sem dúvida, a expansão do crédito ocorrida nos últimos anos tem contribuído para o crescimento da economia interna. Dessa forma, a queda nas taxas de juros tende a promover uma continuidade nesse desenvolvimento, desempenhando um papel relevante no estímulo à atividade econômica no País. A atuação da Caixa na expansão do crédito auxilia a resgatar o papel primário do sistema financeiro: prover crédito para a produção e o consumo e, assim, intensificar o fortalecimento econômico. Financeiro Como isso se reflete nas relações internacionais? Hereda Aos olhos dos investidores internacionais, esta estabilidade da economia é sinônimo de redução de riscos. O País passou a integrar o seleto grupo de países com grau de investimento, título concedido pelas principais agências internacionais de classificação de risco. O Brasil passou a ter fortes inO ano de gressos não apenas de capitais para investimento em carteira, de caráter 2012 está se mais volátil, mas também para investimentos diretos. Isso é sinal de que consolidando para os estrangeiros o País é garantia de bons negócios no longo prazo. O como um efeito é o aumento da oferta de poupança externa, bem como a redução marco para das taxas de captação, o que contribui com as fontes domésticas para o o sistema financiamento dos investimentos. Esses fatores evidenciam que o Brasil financeiro nacional e encontra-se hoje numa situação muito melhor do que há cerca de uma para a própria década e que essa melhoria é permanente e deve continuar ocorrendo. economia brasileira. Financeiro Com menores taxas, o consumidor tem agora uma Daqui para frente, vemos maior oferta de crédito em mãos. Isso, por outro lado, não está ajudando a inadimplência a diminuir. Como equilibrar o superendividaum cenário no qual a mento e uma maior oferta de crédito? população Hereda Na Caixa, o crédito esteve sempre à disposição do cliente, não verá cada sendo a oferta maior em função das taxas de juros. O que ocorreu foi um vez mais o crédito como aumento da demanda pelo crédito, decorrente da elevação do volume um aliado na disponível ao tomador sem comprometer sua capacidade de pagamento. administração É preciso lembrar que o termo “endividamento” está relacionado apenas de sua vida à presença de crédito na economia e não à incapacidade de pagamento. financeira Nesse sentido, diversos fatores contribuem para o aumento do volume de crédito, como o cenário macroeconômico benigno, alongamento dos prazos, mobilidade social e incentivo ao crédito habitacional. A redução das taxas de juros permite o aumento do volume de crédito a ser tomado sem, entretanto, interferir na capacidade de pagamento das famílias. Pode contribuir, também, para a redução da inadimplência na medida em que permite a famílias e empresas adequarem seu endividamento à renda e ao faturamento.

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Financeiro E como evitar o superendividamento? Hereda Por meio do uso consciente do crédito, educação financeira, direcionamento correto de recursos e bons modelos de risco de crédito. A Caixa desenvolveu e colocou à disposição de seus clientes ferramentas que permitem o gerenciamento financeiro. Também realizamos treinamento constante com 10 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

nossos gerentes para que possam orientar e adequar a linha de crédito ofertada à necessidade do cliente, além de possuir modelos robustos de análise de crédito do tomador. Financeiro Qual foi a estratégia da Caixa ao reduzir os juros pouco a pouco? Por que não houve uma única redução significativa? Hereda Uma das premissas da estratégia de redução de taxas é que a diminuição de receitas seja compensada por economias de escala, otimização e queda de custos. A Caixa Econômica Federal, nos últimos anos, passa por um processo de aumento em sua eficiência operacional, com a implementação de processos mais eficientes de gestão de carteira e de análise de crédito. Esses fatores, aliados a um cenário de diminuição na taxa básica da economia, criaram as condições para a redução gradual e consistente das taxas de juros das operações praticadas pela instituição, preservando ao mesmo tempo a viabilidade econômico-financeira da companhia. Financeiro Haverá ainda mais cortes nas taxas de juros por parte da Caixa? Hereda Há uma lógica de mercado com a qual estamos trabalhando que, aliada às necessidades sociais, permite que vejamos nosso País como um país de oportunidades. Isso irá definir qual a taxa necessária para o nosso desenvolvimento. Financeiro Como o senhor avalia o cenário atual do mercado de crédito? Hereda Apesar de a atual evolução do mercado de crédito ser


considerada moderada, quando comparada aos resultados anteriores, percebemos que o crescimento, tanto para recursos livres quanto para direcionados, tem ocorrido a taxas mais ajustadas para o setor. Além disso, dados positivos têm surgido em segmentos cruciais para o negócio bancário. A correlação entre inadimplência e indicadores do mercado de trabalho aponta para uma tendência de queda dos atrasos já para este segundo semestre de 2012. Somados a esse fato, a alta dos salários, com consequente avanço da renda real das famílias, abre espaço para melhoras no nível do comprometimento de renda. Financeiro Como o comprometimento de renda influencia nesse cenário? Hereda Alguns pontos importantes merecem ser destacados. Primeiro, o cenário de alta dos salários tem levado o brasileiro a trocar o aluguel pelo financiamento imobiliário. Como a parcela paga de aluguel não entra no cálculo do comprometimento de renda, a troca pode levar a uma interpretação equivocada do aumento do comprometimento, uma vez que os gastos (aluguel contra parcela do financiamento) podem ser equiparados. Entretanto a aquisição do imóvel aumenta o patrimônio familiar. Em seguida, deve-se levar em conta que a atual redução dos juros, promovida principalmente pelos bancos públicos, tem melhorado o perfil da dívida dos brasileiros, reduzindo o porcentual pago referente aos juros. Além disso, o perfil de endividamento das famílias relaciona-se em grande parte às dívidas de curta duração, em média,

com 20 meses de prazo. Ou seja, em um pequeno intervalo de tempo haverá espaço para a redução do comprometimento de renda e, consequentemente, para novas contratações, já em um cenário de juros mais baixos. Financeiro Os bancos ampliam a oferta de crédito e, por outro lado, sugerem aos clientes um consumo mais consciente e sustentável. Como observa essa atuação? Hereda O crédito é um dos fatores mais importantes para a promoção do desenvolvimento, pois fornece recursos para a produção e o consumo, elevando os níveis de emprego e de crescimento econômico. Mas é importante que este crédito seja de boa qualidade, caso contrário teremos uma elevação na taxa de inadimplência, aumentando os custos dos empréstimos para o sistema bancário e o consequente encarecimento ou até a restrição do crédito para o tomador final. Por isso, é importante que os agentes financeiros tomem crédito de forma consciente, evitando ciclos indesejáveis na oferta. Financeiro A crise da Europa tem gerado incertezas no Brasil. Como o setor bancário está sendo afetado? Hereda As incertezas em relação ao cenário externo são mais sentidas pelo setor industrial, que sofre mais com a queda na demanda externa e pela maior volatilidade cambial, que pesa na decisão de investimento por parte dos empresários. Ainda assim, o mercado de trabalho não sofreu abalos e mostra fundamentos positivos, o que garante um nível elevado de consumo por parte das famílias, fator que representa mais de 60% do PIB brasileiro. Como os bancos de varejo possuem resultados mais condicionados ao desempenho dessa parcela da economia, sua performance não tende a ser afetada pelos efeitos da crise europeia. O próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou, recentemente, o sistema bancário brasileiro como sendo sólido e bem capitalizado, capaz de resistir a cenários adversos. Tal solidez ficou evidente na crise de 2008 e se manteve no atual contexto. O grande desafio agora está mais relacionado a fatores domésticos, como a maior competitividade entre as instituições em um ambiente de juros mais baixos, o que acaba por favorecer os próprios clientes. Financeiro O que podemos esperar ainda para este ano? Hereda Já para os bancos cria-se a oportunidade de expansão das suas bases, atraindo clientes que antes viam nas elevadas taxas um fator restritivo, e agora passam a ter acesso a um grande portfólio de produtos e serviços bancários. Acreditamos que a redução dos juros está diretamente relacionada às mudanças fundamentais na economia brasileira, sendo, portanto, de caráter permanente. O ano de 2012 está se consolidando como um marco para o sistema financeiro nacional e para a própria economia brasileira. Daqui para frente, vemos um cenário no qual a população verá cada vez mais o crédito como um aliado na administração de sua vida financeira. Não apenas para suprir necessidades mais imediatas, mas também servindo a um planejamento de longo prazo, como ocorre nas economias desenvolvidas. f outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 11


cenáriointernacional

Mundo em perspectiva

O risco de ruptura na Zona do Euro foi contido, mas ainda não está totalmente afastado, na visão de Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do Banco Central. Ele falou sobre o assunto durante palestra “A era da desalavancagem e seus efeitos para o Brasil”, realizada na Associação

Economia global  Arrefecimento da atividade econômica global no segundo semestre de 2012  A austeridade fiscal, imprescindível aos países desenvolvidos, vai agravar a recessão econômica da Europa e impedir uma recuperação mais forte nos EUA  A insustentabilidade do endividamento deve continuar exercendo pressões sobre o mercado  O crescimento da China nos próximos anos estará condicionando a sua capacidade de fortalecer o mercado interno. Nesse contexto, a Alemanha também é uma economia com forte participação nas exportações

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Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). O economista prevê uma redução do crescimento da atividade econômica global e a insustentabilidade do endividamento. Segundo ele, o crescimento da China nos próximos anos estará condicionado à sua capacidade de fortalecer seus mercados, enquanto a Alemanha se mantém como forte economia com participação das exportações. Já as projeções para o Brasil são otimistas. Enquanto o crédito cai, as vendas no varejo continuam subindo, sustentadas pela renda das famílias. O economista acredita que a queda dos juros reais por aqui vai permanecer estacionada, pois já foi muito elevada no acumulado do ano. O real tende a ficar mais valorizado e impulsiona

Fotos: Divulgação

Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio e ex-diretor do Banco Central, desvenda o panorama econômico global


Carlos Thadeu de Freitas Gomes, da CNC “A transferência de renda que veio para ficar vai sustentar a economia do Brasil. No entanto o custo do mercado de trabalho para as empresas leva a nação para baixo”

Dilemas do sistema financeiro europeu  Fuga de recursos dos países periféricos para os centrais  Ausência de um sistema bancário unido  Falta de um mecanismo de resgate bem definido das instituições financeiras  Ausência de seguro de depósito homogêneo  No início do euro, a dívida era privada e financiada por investimento externo. Com o estouro das bolhas de crédito, a dívida foi transferida ao setor público e passou a ser financiada domesticamente  Bancos precisam ser resgatados pelo governo, que, por sua vez, necessita dos bancos para se financiar

o aumento da demanda por serviços. Ele, no entanto, faz um alerta: “Se o governo não investir no câmbio, isso será um problema para o ano que vem”. Apesar da crise internacional, a economia da nação não possui grandes dificuldades na visão de Gomes. “O Brasil não tem problemas no curto prazo, já que continua recebendo investimentos externos e o Banco Central (BC) tem atuado na direção correta. O Bacen está aplicando os fundamentos possíveis para manter aquecida a economia interna do País. Isso tem contribuído com o cenário”, aponta. Fatores estruturais esbarram no crescimento econômico do País. “Dentre os entraves que limitam a recuperação do crescimento econômico estão ciclo de crédito e endividamento com a inadimplência estabilizada – só que em patamares elevados, menos crescimento global e demanda externa fraca”, ressalta. f outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 13


cadastropositivo

Por Patrícia Basilio

Mais transparência Cadastro Positivo torna-se aliado das instituições para oferecer um crédito mais seguro e consciente aos consumidores

Panorama de pagamento O cenário econômico já demonstra boas perspectivas. Segundo o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor, o índice de dívida dos brasileiros registrou queda de 0,2% em agosto em relação ao mês anterior. Essa foi a terceira queda mensal consecutiva do indicador – em julho a redução foi de 1,5%. No entanto, de janeiro a julho deste ano, houve um aumento de 10,5% na comparação com 2011.

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das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), em parceria com a Serasa Experian. Em processo de regulamentação pelo governo, o Cadastro Positivo reúne o histórico financeiro dos últimos 24 meses do consumidor e, assim, possibilita que ele tenha argumentos concretos para barganhar taxas de juros e prazos mais atrativos junto aos bancos. “Antes, era necessário juntar todos os carnês pagos. Hoje, o sistema reúne todas as informações em um só lugar”, afirma Érico Ferreira, presidente da Acrefi. Mas os pontos positivos de utilizar o Cadastro Positivo vão muito além, segundo Fábio Wendling, consultor sênior para o Cadastro Positivo da Serasa Experian. Com um panorama completo do comportamento financeiro dos clientes, as empresas e os bancos têm seu índice de inadimplência reduzido entre 20% e 35%. “Conseguimos traçar uma pontuação de risco e avaliar se a dívida está de acordo com a capacidade financeira do tomador de crédito”, destaca. Com a adesão ao sistema, o índice de aprovação de crédito chega perto dos 90%. Assim, os bancos e as empresas têm a possibilidade de aumentar sua cartela de clientes e maximizar o lucro. “O Cadastro Positivo é uma revolução na maneira como as pessoas trabalham o crédito e como as empresas lidam com seus clientes”, destaca Wendling. Análise criteriosa

Para que a decisão de oferta ou não do crédito seja certeira, o banco de dados da Serasa acompanha de perto o histórico do consumidor e, no caso de mudanças bruscas em sua trajetória financeira, como dívidas inesperadas, o sistema emite um alerta aos consultores e à empresa. “Isso permite que nossos clientes tenham acesso a todas as informações do mercado e saibam o risco de cada operação”, complementa Wendling.

Fotos: Douglas Luccena

Já se foi a época em que atrasar as contas era sinônimo de restrição de crédito e portas fechadas no mercado. Com a criação da Lei do Cadastro Positivo – banco de dados que traça os hábitos financeiros dos consumidores –, em junho do ano passado, quem tem um bom histórico de pagamentos, mas entrou no vermelho após imprevistos financeiros, ganha um voto de confiança e mais chances para obter empréstimos e financiamentos. E para aqueles que mantêm as contas em dia, o benefício é poder tomar crédito a taxas de juros reduzidas e personalizadas. O papel desse banco de dados para o setor empresarial e para os consumidores foi o ponto central debatido no seminário “Cadastro Positivo: Rentabilizando seus Negócios”, realizado pela Associação Nacional


E não é só isso. Conhecendo melhor seu público-alvo, as instituições podem traçar estratégias para fidelizá-lo à marca, sugere Alexandre Gazzani, diretor de segmentos da Serasa Experian. “O diferencial está em entender como o consumidor busca o crédito para, assim, desenvolver uma carteira personalizada.” Incipiente no Brasil, o Cadastro Positivo já não é mais novidade em outros países. Segundo Wendling, há três décadas, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Colômbia mudaram a forma de avaliar a concessão de crédito ao consumidor, considerando também o histórico financeiro. No Brasil, os primeiros passos já foram dados. A tendência, afirma Wendling, é que após a regulamentação pelo governo, o Cadastro Positivo torne-se a principal ferramenta de análise financeira do País. “Se já deu certo em outros lugares, é sinal de que haverá sucesso no Brasil também. O setor empresarial precisa apenas se adaptar à cultura do pensamento positivo”, reforça. Gazzani concorda: “Há uma adaptação natural das companhias, porque elas tendem a visualizar apenas os dados ruins. Com o Cadastro Positivo, todas as políticas internas devem mudar. O consumidor não deverá ser visto como alguém negativo no mercado, mas, sim, como um potencial pagador que teve de lidar com imprevistos financeiros”. Além disso, segundo Gazzani, os bancos terão de ser mais flexíveis às exigências dos consumidores e adaptar as taxas de juros dos empréstimos e financiamentos, uma vez que, com o Cadastro Positivo, é possível distinguir os bons pagadores dos maus. “Estamos na

Érico Ferreira, da Acrefi “Antes, era necessário juntar todos os carnês pagos. Hoje, o sistema reúne todas as informações em um só lugar”

Alexandre Gazzani, da Serasa Experian “Estamos na era da taxa de juros personalizada em que os adimplentes serão finalmente beneficiados”

era da taxa de juros personalizada em que os adimplentes serão finalmente beneficiados”, considera ele. Na avaliação de Ferreira, da Acrefi, a aprovação do Cadastro Positivo e as políticas governamentais de redução dos outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 15


cadastropositivo

juros criam um ambiente favorável ao crédito. Contudo, não há riscos de um novo “boom” financeiro após a popularização do banco de dados. “Isso já aconteceu uma vez durante o segundo governo Lula e não deve ocorrer novamente”, assegura. Vanessa Butalla, da Serasa Experian “Não é permitido separar as pessoas por raça ou qualidade de saúde”

Regras do sistema

Resguardar as informações pessoais dos consumidores é fundamental para a eficiência do Cadastro Positivo. Para os dados serem divulgados ao mercado, por exemplo, é exigida uma autorização manuscrita ou virtual dos tomadores de crédito, já que os dados são pessoais e, muitas vezes, sigilosos. Além disso, uma vez inscrito, não é preciso atualizar as informações – o próprio sistema identifica a alteração

Benefícios Conheça os principais fatores do Cadastro Positivo que podem gerar melhorias no mercado financeiro:  Agilidade nos processos de cobrança  Melhor avaliação da capacidade de pagamento do cliente  Maior controle do risco de fraude  Análise detalhada do nível de endividamento dos brasileiros  Definição personalizada do limite de crédito do consumidor  Flexibilidade nas condições do crédito ofertado de acordo com o perfil dos clientes

Direitos dos consumidores  Solicitar a retirada de informações erradas  Acessar as informações de graça e em qualquer tempo  Conhecer os elementos e critérios utilizados para análise do risco  Ter os dados cadastrais utilizados apenas para a finalidade informada

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Fábio Wendling, da Serasa Experian “O Cadastro Positivo é uma revolução na maneira como as pessoas trabalham o crédito e como as empresas lidam com seus clientes”

e a modifica. E no caso de insatisfação, o cadastrado tem o direito de revogar sua participação a qualquer momento. Vanessa Butalla, advogada especialista em Cadastro Positivo da Serasa Experian, destaca que os dados cadastrais são objetivos e claros para facilitar a análise financeira. Entre as informações divulgadas no sistema estão o valor das dívidas do consumidor, a data dos vencimentos, a modalidade de crédito obtido, entre outros detalhes. “Não é permitido separar as pessoas por raça ou qualidade de saúde”, exemplifica. O Cadastro Positivo tornou-se um forte aliado do mercado na tarefa de avaliação financeira dos consumidores. Contudo, seu sucesso está atrelado ao amadurecimento dos bancos e das empresas. Ambos precisam usar o recurso com bastante critério e mudar a forma de enxergar o consumidor, analisando as chances que ele tem de pagar em dia, não de entrar no vermelho. Mais precisão na avaliação do crédito não é sinônimo de “dinheiro à vontade”. Pelo contrário. Com o histórico financeiro completo dos cadastrados em mãos, diferenciar os bons pagadores dos maus finalmente deixou de ser um grande pesadelo para o mundo empresarial. f


evento

7º Seminário Internacional Acrefi Acompanhe na próxima edição da revista Financeiro a cobertura completa do 7º Seminário Internacional Acrefi (SIAC), que ocorre em outubro, no Renaissance São Paulo Hotel. O tema central do evento será “Qual o futuro do crédito do Brasil e no mundo?” e é imperdível para os executivos que atuam nesse mercado. Você poderá conferir a abertura do seminário será realizada pelo presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Érico Ferreira, seguida pela apresentação da “Pesquisa Acrefi sobre consumo e crédito no Brasil”, feita por Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi. O evento também conta com palestrantes internacionais como Marc Gaudart, consultor Global da Experian – que falará sobre as “Principais tendências globais em crédito ao consumidor”, Bill Rayburn, CEO do FNC – que abordará o tema “Gestão de garantias e bolhas de crédito”, e Darrell Bricker, CEO Global da Ipsos Public Affairs – que falará sobre consumo e crédito. Milton Luiz de Melo Santos, presidente da Desenvolve SP, vai corroborar “O crédito de longo prazo e sua importância para o desenvolvimento econômico”, e o diretor-executivo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), Antonio Carlos Bueno de Camargo Silva, vai abordar “Funding para operações de crédito e o papel do FGC”. O encerramento foi marcado por uma palestra sobre o cenário macroeconômico brasileiro, ministrada por Octávio de Barros, diretor do departamento econômico do Bradesco, seguida por um debate com os principais palestrantes. Não perca!

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notasmercado

notasmercado

1,6% MERCADO DE CAPITAIS

é quanto a economia brasileira deverá crescer, de acordo com relatório do Banco Central

Brasil é o segundo país mais atrativo para investidores Globalmente, o Brasil é a segunda economia mais confiável (3,56) para a realização de investimentos, seguido da China (3,46) e de Israel (3,37). Os Estados Unidos lideram com 3,64. O dado é da pesquisa “Tendências Globais em Venture Capital”, desenvolvida pela Deloitte com a National Venture Capital Association. No Brasil, a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap) foi parceira do estudo. A atratividade de investimentos foi medida em uma escala de um a cinco (sendo um o mais baixo nível de confiança e cinco o mais alto).

CARTÕES

Estudo detalha impactos do uso dos meios eletrônicos de pagamento na economia Os meios eletrônicos de pagamento ajudam a formalizar a economia, aumentam as vendas do comércio e, com isso, geram maior arrecadação de impostos. Segundo levantamento efetuado pela bandeira Visa, se 35% das vendas do comércio fossem pagas com cartões, a arrecadação de ICMS e PIS/Cofins aumentaria quase 14%, o que representa um incremento de R$ 5,2 bilhões na economia. O estudo revelou que os cartões exercem ainda uma influência positiva no faturamento da atividade comercial. Isso ocorre porque a adoção de meios eletrônicos de pagamento faz com que as transações fluam mais facilmente, gerando eficiência.

INADIMPLÊNCIA

Cai o número de famílias endividadas

74,6 pontos foi o índice de Confiança do Empresário de Pequenos e Médios Negócios no Brasil (IC-PMN), apurado pelo Insper no quarto trimestre. Dentro de uma escala que varia de zero a cem, a pontuação representa um aumento de 0,67% em relação ao trimestre anterior (74,1 pontos)

41% dos brasileiros já tiveram “nome sujo”, segundo pesquisa encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil)

275%

é o crescimento da venda de tablets no Brasil no segundo trimestre do ano, de acordo com a consultoria IDC. No período foram comercializadas 606 mil unidades desses aparelhos

Em setembro, as famílias paulistanas ficaram dois pontos porcentuais (p.p.) menos endividadas, conforme mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio–SP). Do total das famílias, 51,5% possuem algum tipo de dívida, diante dos 53,5% apurados em agosto. Apesar da queda, há três meses que mais da metade das famílias paulistanas está endividada. Com relação ao mesmo mês do ano passado, quando o nível de endividamento era de 42,5%, houve aumento de nove p.p.

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créditoregional

Nordeste de oportunidades

Nenhuma outra região do País representa tão bem as mudanças econômicas e sociais observadas no Brasil nos últimos anos como o Nordeste. A região apresenta consistentes índices de crescimento acima da média nacional, mantendo uma média de 4% de expansão desde o ano 2000, de acordo com dados do Banco Central (BC). Para este ano, a previsão é de manutenção dessa tendência, com uma expectativa de crescimento entre 3,5% a 4% contra uma média brasileira que deve ficar entre 1,5% e 2%. Os números positivos da economia se repetem no mercado de crédito, que apresenta uma expansão de 27,5% entre 2006 e 2011, acima da média nacional de 22,4% no mesmo período, segundo estudo do Banco do Nordeste. O mais recente boletim de análise regional do BC, divulgado em julho, aponta que o saldo das operações de crédito superiores a R$ 1 mil na região atingiu R$ 262 bilhões em maio, uma elevação de 7,5% no trimestre e de 28,6% nos período de 12 meses, maior porcentual entre as regiões do País. “O Nordeste se constituiu como um mundo de oportunidades. Vemos investimentos desde a área de energia até logística por meio dos portos, passando pela indústria automobilística. Ao redor disso, há um desenvolvimento social que traz necessidade de investimentos, serviços e construção de moradias. O conjunto da economia se beneficia da melhoria do nível de renda”, analisa o vice-presidente do banco Gerador, Ademir Cossiello. Ele é responsável por conduzir no banco as operações de middle market, varejo e toda área operacional e planejamento da expansão. O banco Gerador é o único privado sediado no Nordeste, mais especificamente em Pernambuco, onde concentra a maior parte das operações. No Estado, mantém cem lojas com a marca Banorte Matriz, que atua como correspondente bancário. Outras cinco funcionam na Paraíba, com previsão de abertura de mais cinco em Alagoas ainda este ano. A expectativa é chegar também ao 20 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

Por Thiago Fernandes

Rio Grande do Norte em 2013. Em três anos, o Gerador pretende contar com 500 correspondentes em todos os Estados da região. O ritmo de expansão física se reflete em suas operações. Atualmente, o banco conta com R$ 600 milhões em operações de crédito, possui cem mil clientes e recebe cerca de um milhão de contas por mês. A previsão é que até o fim do ano esse volume atinja o crescimento de 70% com relação ao volume de crédito emprestado em 2011. Apesar de aparentemente ambicioso, Cossiello ressalta que o plano de expansão segue um ritmo natural para o dinamismo da região e é pautado principalmente pela criteriosa análise de risco para a concessão de crédito. “Ganhamos volume para ter escalar e viabilizar a operação, mas mantemos o acompanhamento de perto para controlar a inadimplência, e é uma questão controlada logo na concessão do crédito. Se você tem um bom cadastro, uma boa base de

Fotos: Divulgação

Por meio da atuação de correspondentes, bancos e financeiras conquistam público informal na região. O mercado é propício. O crédito ofertado no Nordeste cresceu 27,5% entre 2006 e 2011. O aumento está acima da média nacional de 22,4% verificada no mesmo período


clientes, seu nível de inadimplência será menor. Alem disso, temos o foco das operações da pessoa física calcado no crédito consignado, o que permite ter uma administração de risco e de inadimplência muito confortável”, diz. Mercado informal

Apesar do crescimento dos últimos anos, a região ainda possui parte da população sem conta corrente. Por isso, o banco Gerador aposta na atuação por meio de correspondentes bancários, que oferecem serviços, como pagamento de contas, também a não clientes. “São mais de 20 milhões de pessoas não bancarizadas. É a vez da região, que reserva oportunidades fantásticas para os próximos anos”, destaca Cossiello. Para ele, o fato de estar sediado na região é um grande diferencial do banco para aproveitar esse momento do Nordeste. “O próprio entendimento do nosso negócio é facilitado. O relacionamento com os clientes se estende além do banco para os O banco Gerador ambientes sociais em que os negócios, de conta com fato, acontecem. Aqui, enxergamos R$ 600 milhões em oportunidades que os grandes operações de crédito, bancos, por estarem a três possui 100 mil clientes mil quilômetros de e recebe cerca distância, não veem.” de 1 milhão de A vantagem geográcontas por mês fica é apontada também pelo CEO da Múltipla Financeira, Sebastião Cunha, como um diferencial para os negócios. “Associado à equipe pequena, rápida e estruturada, esse fator nos dá capacidade de responder rapidamente às demandas dos clientes. Em geral, somos capazes de dar uma resposta positiva ou negativa ao cliente em menos de 48 horas”, conta. Com sede em Fortaleza e escritórios em Recife e João Pessoa, a Múltipla atua no Ceará, na Paraíba, no Rio Grande do Norte e em Pernambuco. Em 2011, chegou ao Sudeste depois que o grupo a que pertence, o Marquise, venceu a licitação para reforma do aeroporto de Confins, que atende a Belo Horizonte. O empreendimento é tocado pelo consórcio formado entre a construtora do grupo e a também cearense Construtora Normatel, obra orçada em R$ 222 milhões. “Apesar de sermos uma empresa recente, o fato de pertencermos ao Grupo Marquise nos dá muita outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 21


créditoregional

Sebastião Cunha, da Múltipla Financeira “Somos capazes de dar uma resposta positiva ou negativa ao cliente em menos de 48 horas”

sustentabilidade e credibilidade no tratamento com os clientes”, avalia Cunha. A Construtora Marquise foi fundada em 1974 e, atualmente, o grupo a que ela deu origem conta com mais de três mil colaboradores e atuação nas áreas de construção civil, meio ambiente, hotelaria, administração de shopping centers, comunicação e finanças, essa última centralizada na Múltipla. A financeira foi criada em 2006 como uma extensão da antiga Capitalize Fomento, então braço financeiro do Grupo Marquise, e chegou a ser a maior empresa de factoring do Nordeste e a quarta maior do País. Na ocasião, mantinha como foco a concessão de crédito pessoal voltado para assalariados, profissionais liberais, autônomos, aposentados e servidores públicos. Em 2009, no entanto, mudou seu posicionamento, incorporando a Capitalize e passando a focar no middle marketing, oferecendo produtos bancários, e crédito rápido e versátil para pequenas e médias empresas, nicho com alto potencial de

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crescimento no Nordeste. “Observe que quando começamos a atuar no middle marketing, já foi depois da crise [de 2008], então já entramos com uma outra perspectiva de relacionamento e tratamento do crédito e atuação”, explica Cunha. Com isso, ele define a Múltipla como “uma instituição muito agressiva e dinâmica, mas, ao mesmo tempo, conservada na análise de crédito dentro do novo cenário trazido pela crise”. Cunha explica que a financeira consegue manter esse paradigma devido ao fato de não ser pressionada para um crescimento rápido “para pagar conta”. “Estamos crescendo à medida que conquistamos novos clientes”, conta. Semelhanças

Além de ambas estarem sediadas no Nordeste, a juventude é outra característica em comum entre a Múltipla e o Gerador. Fundado em 2009, o banco também nasceu nesse novo ambiente de novos parâmetros de negócios e de perspectiva de redução da taxa de juros no Brasil, conforme explica Cossiello. “Não trazemos a lembrança da época em que os bancos ganhavam dinheiro com tarifas e spreads mais elevados. O Brasil vive uma nova realidade, um novo momento em que os agentes precisam estar mais atentos para aproveitar oportunidades. O resto é passado. Temos de ser competentes e competitivos dentro desse mundo e isso que estamos fazendo”, assegura. f


tendênciaseconômicas

Visão de

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futuro O Brasil de dez anos atrás e seu arcabouço econômico eram muito divergentes do atual. Ao longo desse período, o País conquistou uma macroeconomia consolidada, mais consumidores no mercado, a ampliação da oferta de crédito, além de um espaço na competitividade global. Este ano esteve, pela primeira vez, posicionado entre os 50 países mais competitivos do mundo – saindo da 53ª para 48ª posição – na pesquisa anual feita pelo Fórum Econômico Global. O tema “As megatendências para o Brasil” foi desenvolvido por Patrícia Bentes, administradora de empresas e mestre em finanças, durante evento da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), patrocinado pela Boa Vista Serviços. Ela é mestre em economia e especialista em captações estruturadas nos mercados brasileiro e americano. Ao olhar no túnel do tempo, Patrícia Bentes lembra que em 2001 retornava ao Brasil após cinco anos operando no mercado financeiro americano. Em solo verde e amarelo encontrou uma popu-

País passará a ser um competidor de peso no cenário econômico global dos próximos anos. Contudo essa conquista depende de diversos pilares. Evento da Acrefi aborda ‘As megatendências para o Brasil’

Por Juliana Jadon Colaborou Patrícia Lucena

lação que ainda enfrentava o racionamento de energia e um mercado com dificuldades para atrair investidores. O pensamento que pairava era que a crise na Argentina poderia afetar a nossa economia. A inflação estava por volta de 12,5%. Retrospectiva da economia

“Olhando para esses últimos dez anos do Brasil, vislumbramos que temos, de fato, um sistema financeiro sólido, mesmo com todos os obstáculos que encontramos no período. O Brasil também possui uma forte democracia, um Judiciário independente e uma sociedade intolerante à inflação”, aponta Patrícia mostrando a evolução. Ao longo da década, houve também uma melhoria na distribuição de renda, mas ainda está muito aquém do esperado; afinal, o Brasil é a quarta nação em desigualdade financeira na America Latina e a 17ª classe média mais rica do mundo. Mais de 50% da população é atualmente considerada classe média. O País avança também em outros aspectos. Em pesquisa efetuada pelo World Economic outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 25


tendênciaseconômicas

Fórum sobre competitividade com 139 países, foram consultados 168 executivos de empresas brasileiras entre cem e 20 mil funcionários. De uma forma equilibrada, o Brasil se destaca no quesito “tamanho do mercado” e deixa a desejar em “ambiente macroeconômico e eficiência de mercado,” cujo ponto que pesa é a elevada carga tributária. Previsões em conflito

De acordo com Patrícia, com o decorrer dos anos o País criou estruturas para o crescimento da economia. No entanto hoje há uma imensidão de informações divulgadas sobre o mercado financeiro que, muitas vezes, são conflitantes. “Quando passamos a olhar o cenário econômico de longo prazo,

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normalmente conseguimos ter uma visão mais clara”, considera. Cada especialista, diz, vai formar a projeção que melhor agrada a ele. Patrícia apresentou a visão que a mídia passa do País e classificou os rumos que o mercado brasileiro deve tomar nos próximos anos de acordo com as notícias, baseadas em consultorias e projeções de diferentes especialistas (ver quadro). Segundo ela, existem diversas variáveis a serem avaliadas para comprovar uma tese. “Existem cisnes negros para o bem e para o mal no nosso horizonte”, ressalta. Por isso, segundo ela, não importa o nível de informação ou a metodologia técnica e a sofisticação utilizada para fazer projeções econômicas, sempre existe o viés da experiência pessoal de cada especialista. “Por mais

Patrícia Bentes, especialista em mercado financeiro “Olhando para esses últimos 10 anos do Brasil, vislumbramos que temos, de fato, um sistema financeiro sólido” Fotos: Douglas Luccena

Dorival Dourado, da Boa Vista Serviços “Vemos matérias sobre inadimplência e endividamento, jogando o mercado para baixo. Mas a mídia precisa trabalhar também a outra parte da história”


que um método científico seja utilizado, a conclusão recebe a influência da experiência e da percepção que cada um possui sobre o que é importante avaliar”, diz. “Vemos muitas matérias sobre inadimplência e endividamento, sempre jogando o mercado para baixo. Mas a mídia precisa trabalhar também a outra parte da história”, aponta Dorival Dourado, presidente da Boa Vista Serviços, lembrando do papel do crédito de fomentar e girar economia do País. Na crise de 2009, recorda Patrícia, o ex-presidente Lula disse que o tsunami financeiro seria uma marolinha para o Brasil e a mídia tratou o tema como piada. No mesmo ano, a matéria de capa de uma das publicações mais influentes do mundo, a “The Economist”, mostrava que o Brasil iria decolar e ser uma grande potência global. Segundo Patrícia,

Este ano o Brasil esteve, pela primeira vez, posicionado entre os 50 países mais competitivos, saindo da 53ª para 48ª posição, de acordo com o Fórum Econômico Global

demorou mais para o empresariado brasileiro acreditar no investimento de longo prazo e no potencial de crescimento do Brasil do que a comunidade internacional. “Da mesma forma que a comunidade internacional se empolga, ela também se desanima. Todavia, as conquistas nos últimos dez anos são a base sólida para a construção dos próximos dez anos”, considera. f

As megatendências Confira as perspectivas positivas para a economia do País que estão em evidência na mídia, segundo a especialista Patrícia Bentes: O mercado consumidor vai ganhar 20 milhões de pessoas e passar a ser o quinto em tamanho no mundo, atrás da Índia O O Brasil deve conquistar 2% das exportações globais em duas décadas. Hoje, temos 1,41% O O País pode dobrar o tamanho do PIB, superando a Alemanha O Com o pré-sal, o Brasil estará alçado ao ranking das cinco grandes reservas do planeta, o que pode atrair mais de R$ 350 bilhões em investimentos estrangeiros O O pré-sal vai prover recursos financeiros para a sustentabilidade, com investimentos pesados em ciência e tecnologia e em fontes de baixo carbono, como energia eólica O Com os recursos do pré-sal, o País estará entre a quinta e a sexta economia do mundo O A matriz eólica deve ser a terceira mais usada no Brasil, com mais de 6% do parque de geração de energia O A inovação vai criar um novo cenário do conhecimento no País. O Brasil estará na fronteira do conhecimento em petróleo e gás O

O Brasil é a 4a nação em desigualdade de renda na América Latina e tem 17ª classe média mais rica do mundo outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 27


educaçãofinanceira

Por Juliana Jadon e Raquel Sena

Lições de economia

A época de entrar na faculdade é também, em alguns casos, o momento de dar os primeiros passos no sistema financeiro. Mas abrir a primeira conta bancária, ter acesso ao crédito e pensar em poupar para o futuro necessita de orientação adequada. O Brasil dobrou o número de universitários em dez anos, de acordo com o Ministério da Educação (MEC) e fez a quantidade de novos clientes po28 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

tenciais ao mercado bancário inflar na mesma proporção. O país tinha três milhões de estudantes matriculados nas faculdades em 2001, quantidade que passou para 6,37 milhões no ano passado – um ganho de 110%. O Santander está de olho nesse mercado, mas quer que esses clientes tenham cautela e estejam conscientes, principalmente quando se trata do uso do crédito. Por isso, criou um programa abrangente que oferece orientação financeira para esse público. Funciona em uma rede de 350 agências e faz parte do “Santander Universidades”. O banco é o primeiro grupo

Fotos: Shutterstock/Douglas Luccena

Santander dá orientação financeira a mais de 3 mil universitários para que o crédito ofertado a essa fatia de mercado tenha um ciclo sustentável


De acordo com o MEC, o País tinha 3 milhões de estudantes matriculados nas faculdades em 2001, quantidade que passou para 6,37 milhões no ano passado – salto de 110% espanhol do segmento e no Brasil tem 425 convênios com instituições de ensino superior, que representam 80% dos seis milhões de universitários da nação. “Conversamos com as lideranças acadêmicas do País e identificamos uma oportunidade de apoiá-los na orientação financeira dos alunos, funcionários e professores”, ressalta Daniel Mitraud, superintendente do Santander Universidades. Foi em 2011 que os executivos da filial brasileira do grupo bancário espanhol começaram a estudar com profundidade como espalhar a educação financeira. Assim, eles definiram e planejaram um novo projeto para a instituição. Um ano antes, em 2010, o Comitê de Sustentabilidade, liderado pelo Santander Universidades aprovou a iniciativa. Para disseminar a educação financeira aos jovens, foram treinados 25 executivos e realizadas 17 palestras em universidades pelo Brasil afora. O banco estima que os cursos já impactaram positivamente cerca de três mil pessoas. As palestras têm caráter provocativo e buscam a participação do ouvinte. “A ideia não é vender os produtos do banco, mas, de fato, apresentar para essas pessoas a importância da orientação financeira”, conta Mitraud. Os alunos não perdem aulas, pois as ações contam como ativida-

de complementar nas faculdades. Além disso, o Santander emite um certificado que comprova a participação do estudante. “Hoje temos 426 convênios com universidades e a agenda de palestras surge de acordo com as demandas”, coloca o superintendente. Ensino necessário

Segundo Mitraud, com o aumento da classe média brasileira e o consequente maior acesso ao crédito esse tema precisa de orientação financeira, que deve ser a base para as pessoas que adentram ao mercado. “Em 2004, 70% dos universitários pertenciam às classes A e B e atualmente 73% dos alunos pertencem as classes C, D e E. Isso demanda educação financeira”, diz. As iniciativas da instituição ultrapassam a porta da sala de aula. No portal do Santander voltado para orientação financeira, o cliente pode aprender o assunto de maneira lúdica por meio de jogos. No jogo de cartas da “vida financeira”, por exemplo, o correntista estudante vivencia, de forma prática e em grupo, os dilemas econômicos do orçamento doméstico, a poupança e os investimentos. Com todas as ações, as expectativas são boas. Para o MEC,

o País poderá atingir em 2020 a meta de 33% da população de 18 a 24 anos cursando ou com curso superior concluído e mais clientes universitários para os bancos e instituições financeiras poderão surgir. A educação dessa fatia de mercado ministrada pelo Santander também só tende a aumentar. “Entendemos isso como parte do processo de se envolver com a sociedade e da missão em apoiar o País na iniciativa de progredir com consistência e qualidade”, conclui o executivo da instituição. f

Daniel Mitraud, do Santander Universidades No Brasil, são 425 convênios com instituições de ensino superior, que representam 80% dos mais de 6 milhões de universitários

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mercadodecrédito

Por Paulo Gratão

Para combater a inadimplência, bancos adéquam produtos e serviços ao perfil do consumidor e investem em educação financeira

Reinventar

para precaver

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Diante do cenário de superendividamento que a sociedade enfrenta, Morishita aconselha que os bancos pensem nas propostas apresentadas aos consumidores. “As instituições se preocupam em oferecer algo que caiba no bolso do cliente no final do mês, quando, na verdade, precisam se adequar à vida econômica do consumidor.” Uso consciente do crédito

As empresas financeiras não devem se esquecer de que o foco dessa oferta também deve ser a educação do consumidor no momento de utilizar o crédito. “Educação não é papel do jornal e, sim,

Fotos: Douglas Luccena /Divulgação

Nos últimos anos as mudanças econômicas na sociedade brasileira transformaram a tradicional pirâmide de classes sociais em um losango. A metade dessa forma geométrica é a mais larga, ocupada pela classe C, que hoje corresponde a 105 milhões de pessoas, mais da metade da população. Por essa razão, todos os setores da economia tiveram de se preparar para receber a nova demanda, seja com a oferta de novos produtos e serviços ou na simplificação das informações e formas de acesso, e com os bancos (e o crédito) isso não seria diferente. Em 2011, os SACs dos seis maiores bancos brasileiros receberam mensalmente 92 milhões de ligações e as ouvidorias 191 mil, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o que demonstra que as instituições melhoram cada vez mais seus canais de comunicação e ferramentas de concessão de crédito, como o suitability. O conceito consiste na adequação do produto e do serviço ao perfil do consumidor. “Tem de haver correlação entre perfil do cliente, a sua necessidade e o que é ofertado pela instituição. Segundo o Código de Defesa do Consumidor (CDC), o serviço é adequado quando cumpre razoavelmente o que se espera”, avalia Ricardo Morishita, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Rio de Janeiro e especialista em direito do consumidor.


Ricardo Morishita, da FGV “As instituições se preocupam em oferecer algo que caiba no bolso do cliente no final do mês, quando, na verdade, tem que caber na vida econômica do consumidor”

da escola, da base. Essa orientação desde o início vai permitir a consolidação do diálogo e de uma customização mais adequada à real necessidade”. Morishita acredita que os modelos atuais de educação financeira não são falhos, mas erram quando tentam promover algo, perdendo a essência. Eduardo Diniz, professor da FGV–São Paulo, acredita que a educação financeira deve ser um esforço de toda a sociedade. “Os bancos precisam melhorar a informação dos produtos que oferecem. Nesse trabalho, todos precisam se engajar”, afirma. Levar os bancos a regiões afastadas é estratégia certeira de angariar crédito, mas nem tudo são flores. “O correspondente bancário é um dos maiores provedores de crédito no País. Isso é bom, pois movimenta a economia local. No entanto o impacto negativo é o acesso ao crédito sem educação financeira”, avalia Diniz, da FGV.

A educação financeira vai além de ensinar o indivíduo a adquirir crédito com consciência, na opinião de Carlos Cezar Barbosa, coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) do Consumidor do Ministério Público – SP. “Inclusão financeira é elemento inquestionável para a dignidade humana. À medida que o cidadão mergulha no superendividamento, ele perde um pouco disso.” O especialista sugere que as instituições financeiras criem grupos de pesquisas para ajudar de verdade o consumidor, avaliando riscos.

Diante do cenário de superendividamento que a sociedade vem enfrentando, é aconselhável que os bancos pensem nas propostas apresentadas aos consumidores outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 31


mercadodecrédito

O INSS já firmou 61 milhões de contratos de crédito consignado desde 2005. Somente em julho, foram mais de 700 mil Cadastro Positivo e a inclusão

Para bancos e especialistas, uma das soluções mais eficazes para conter o crescimento do endividamento no Brasil é a implantação do Cadastro Positivo. Segundo Dorival Dourado, presidente da Boa Vista Serviços, a inadimplência evoluiu de 2,5% para 6,2% de 2010 até agora. “Não é mais possível fazer oferta customizada sem conhecer melhor o consumidor, educá-lo financeiramente e operando apenas com base no cadastro negativo”, afirma o executivo. Com a ferramenta, Dourado aponta que muitos consumidores que estão fora da carteira das instituições financeiras por não terem um registro formal, ou forma de comprovar renda, passariam a consumir crédito. “O Brasil é o único país do G20 que não tem Cadastro Positivo. Com a implantação da ferramenta, a concessão de crédito se tornará mais justa e equilibrada.” O consumidor estará com seus dados assegurados, pois precisa

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aprovar a inserção de suas informações no banco de dados. “Vai ser necessário que se cumpram muitos critérios para ter acesso aos dados”, aponta. O risco do crédito consignado

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é o maior provedor de contratos de crédito consignado. Desde o início, em 2005, já foram 61 milhões de contratos firmados. Benedito Adalberto Brunca, diretor de benefícios do órgão, afirma, no entanto, que um dos problemas é que algumas vezes os bancos não se atentam à margem de risco dos beneficiários e ofertam outras modalidades de empréstimo, além do consignado, causando o superendividamento. Somente no último mês de julho, mais de 700 mil contratos foram firmados pelo INSS, sendo 57% por mulheres e 42% por homens. A maior parte (58,6%) está concentrada na faixa entre 60 e 69 anos, e com renda até um salário mínimo (54,37%). Para discutir as novas tendências e os desafios que a nova massa consumidora trouxe ao setor bancário, a Febraban promoveu no fim de agosto o Seminário de Relacionamento com o Cliente (Semarc) em São Paulo, durante o qual executivos e especialistas disseminaram seus pontos de vista. O tema central foi “Inclusão, educação e consumo consciente – O que muda no dia a dia do consumidor”. “O crédito se moveu muito nos anos 1970, mas só voltou a crescer nos anos 2000. Saiu de 20% para 50%, mais do que dobrou! Não será sempre assim, mas o Brasil está longe de uma crise de crédito”, encerra o jornalista Carlos Alberto Sardemberg. f

“Inclusão financeira é elemento inquestionável para a dignidade humana. À medida que o cidadão mergulha no superendividamento, ele perde um pouco disso” Carlos Cezar Barbosa, coordenador do CAO – Consumidor


artigobasileia III

Desafio ou oportunidade?

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mercados e produtos em que atua devem ser avaliados não somente com base na rentabilidade, mas também incorporar medidas que mensurem o capital consumido. Em outras palavras, os resultados devem pagar o custo de capital. Tal análise, muitas vezes consolidada, deve ser mais granular, permitindo a seleção de operações com melhor relação de retorno ajustado ao risco. Em resumo, Basileia III representa um desafio, pois ser banqueiro fica mais complexo e caro. Por outro lado, pode ser uma ótima oportunidade para investimentos em governança, processos e suporte à tomada de decisões. Planejamento e preparação podem ser as chaves para assegurar que o sucesso do passado seja mantido no futuro. f

Marcello De Francesco é sócio da Consultoria de Gestão de Riscos da Deloitte, dedicada a projetos de auxílio à instituições financeiras no atendimento à Basileia

Foto: Divulgação

Por Marcello De Francesco

A Basileia III é complementar às suas versões anteriores, com foco na qualidade dos instrumentos que podem ser considerados como recursos próprios. O objetivo é adotar ajustes prudenciais em itens patrimoniais que possam ser depreciados justamente em momentos de crise. Além disso, os porcentuais mínimos de capital de qualidade são mais elevados, priorizando-se capital social e lucros retidos. Outras mudanças dessa regulação determinam a adequação a índices de liquidez e de alavancagem, além de regras específicas para calcular o risco de crédito de contraparte. Também é determinada a adoção de colchões de capital, que funcionariam como reservas adicionais. Estudos estimam que os principais bancos do mundo precisariam de € 400 bilhões adicionais caso todas as regras valessem a partir de agora. O Brasil adotará as medidas a partir de 2013. O cenário brasileiro, com redução de taxas de juros, inadimplência em alta e investimentos para atender a requerimentos regulatórios apresenta o seguinte desafio: como assegurar o retorno esperado pelo acionista? Parte da resposta justifica os esforços dos bancos em melhorar os índices de eficiência, com adequação de custos. Mas isso tem limite físico, a partir do qual não é possível manter a qualidade e o crescimento. Em paralelo, os investimentos em tecnologia, já substanciais, são intensificados, gerando processos mais ágeis e aumento de escala. Outra parte da resposta deve transitar pela revisão da estratégia de negócios. Os


atendimentoouvidorias

ouvidoria serve como uma mediação entre o consumidor e o banco, que procura chegar a um acordo benéfico para ambas as partes”, aponta Lopes. O mesmo papel de Lopes e sua equipe também são desempenhados com afinco por outros ouvidores das maiores instituições financeiras do País. Eles fazem com que a voz do cliente ganhe peso importante nas estratégias e tomadas de decisões. Graças a eles, que levam a opinião e as reclamações dos correntistas aos diversos departamentos o consumidor, muitas vezes diretrizes são ditadas. Essa atitude cria um ciclo virtuoso para as instituições, que

Por meio do trabalho dos ouvidores, correntistas ganham voz dentro das instituições

Miguel Lopes, ouvidor do Santander, possui uma nobre missão. Além de defender o consumidor e a sua visão em processos internos, em propagandas e na criação de produtos e serviços, ele busca melhorar a imagem da instituição e diminuir o número de reclamações referentes ao banco nos órgãos de defesa do consumidor. 36 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

Cerca de 120 pessoas trabalham na ouvidoria do banco, dividida entre quatro gerências que cuidam de demandas específicas. Uma delas atende, por exemplo, as demandas provenientes do Banco Central do Brasil e dos órgãos de defesa do consumidor. Outra acolhe diretamente ao consumidor. “A

assim fidelizam clientes. De acordo com o Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec), as demandas referentes a bancos comerciais no primeiro semestre deste ano ocupam o terceiro lugar, com mais de 73 mil registros – 8,57% do total. O setor está atrás somente de cartão de

Fotos: Douglas Luccena

Clientes no centro das decisões


crédito, que possui 8,7% da totalidade e de telefonia celular, que lidera a classificação, com 9,13%. Boas práticas

Lançamentos não reconhecidos na fatura, cobrança indevida, descumprimento de contrato, problemas com crédito consignado, filas, e assim por diante. As reclamações sobre os bancos são as mais diferenciadas e podem ter origem desde em uma falha no atendimento até a falta do entendimento do cliente do que diz o contrato do produto ou serviço adquiro. Por isso, o trabalho dos ouvidores é importante também no que tange a busca da transparência e da redução da assimetria de informações. Em vista desse cenário, as ouvidorias passam as informações para as diversas áreas das instituições com o intuito de que conhecem o ponto de vista do cliente. Com dez anos de atuação, a ouvidoria da Caixa passou por inúmeras transformações, que atendiam à legislação e às necessidades da empresa. Todos os cidadãos são clientes da instituição. A companhia recebe as mais diversas demandas (produtos como cartão de crédito, consignação, financiamento habitacional, investimentos, ou serviços bancários como débito em conta, cesta de serviços etc.). Como agente das políticas públicas do governo federal atende ainda solicitações do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), do Programa de

Integração Social (PIS), jogos de loterias, programa Bolsa Família, repasse de fundos, entre outros. Naira Tatsu, ouvidora da instituição, encaminha mensalmente boletins aos conselhos de gestão no qual aponta os motivos mais reclamados de todos esses segmentos na central de atendimento e na ouvidoria. Além disso, semestralmente são feitas reuniões com os conselhos, nas quais são apresentados os relatórios de atuação e proposições de melhoria, para deliberação gestores da empresa. “Os dados gerados pela ouvidoria compõem o plano estratégico da empresa”, conta ela. Já no Bradesco, instituição com mais de 66,5 milhões de clientes, esse trabalho também é levado a sério. Sua ouvidoria é composta atualmente por mais de 130 pessoas e dirigida por Julio Alves Marques. O executivo passa semanalmente as informações da ouvidoria para os diretores dos departamentos relacionados, solicitando que seja examinado o que está acontecendo. Ele também define os processos que precisam ser melhorados para evitar novas reclamações.

Julio Marques, do Bradesco “Temos mais 104 mil funcionários e conseguimos apontar para eles a importância de dar atenção a quem reclama”

De acordo com o Sindec, as demandas referentes a bancos comerciais no primeiro semestre deste ano ocupam o 3º lugar, com mais de 73 mil registros – 8,57% do total. O setor está atrás somente de cartão de crédito, que possui 8,7% da totalidade e de telefonia celular, que lidera a classificação, com 9,13% outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 37


atendimentoouvidorias

Naira Tatsu, da Caixa Econômica Federal “Os dados gerados pela ouvidoria compõem o plano estratégico da empresa”

Bimestralmente, Marques leva os resultados da ouvidoria e o trabalho em parceria com as áreas para os diretores executivos. “Eles avaliam e cobram ali resultados diante das nossas solicitações. O objetivo é incentivar a conquista das soluções”, aponta. No Bradesco, para disseminar a importância da ouvidoria e da qualidade do atendimento dentro

da instituição são realizados treinamentos com as diversas áreas. “Temos mais de 104 mil funcionários e conseguimos apontar para eles a importância de dar atenção a quem reclama”, conta Marques. Resultados

A importância das ouvidorias é percebida e mensurada cada vez

Funções das ouvidorias O papel dessas instâncias nos bancos ultrapassa o simples atendimento e resolução das demandas que não foram acolhidas da maneira correta em outros canais. Confira:  Tratar as reclamações e respondê-las as que não foram solucionadas em diversos outros canais  Fazer proposições de melhoria nos processos, produtos e serviços  Promover o relacionamento entre a empresa e os órgãos de defesa do consumidor  Diminuir o número de demandas nos órgãos de defesa do consumidor  Melhorar a imagem da empresa  Fidelizar os clientes  Esclarecer o correntista quando a reclamação dele não possui fundamento  Promover e buscar a transparência em todos os produtos e serviços da instituição  Levar a voz do cliente para o centro dos negócios e para as tomadas de decisões

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mais dentro das instituições financeiras. Com a aquisição do banco Real há alguns anos, o Santander incorporou os clientes da instituição, após realizar a integração da arquitetura tecnológica, do quadro de funcionários e das agências bancárias. Com essa união, o banco recebeu alguns clientes que possuíam dívidas no Real. Para resolver a situação, o banco realizava o débito das parcelas diretamente da conta corrente do cliente. Essa iniciativa gerou diversas reclamações para a ouvidoria, que, por meio de conversas com os departamentos envolvidos, conseguiu que esse tipo de débito fosse efetuado somente quando se referisse a mesma bandeira e não mais ao antigo banco adquirido. O caso ilustra uma de muitas conquistas dos ouvidores, que traçam um caminho na busca da harmonia entre bancos e clientes. f


questãojurídica

A melhor política de combate ao crime organizado não é endurecer as penas, mas bloquear o capital que o financia e sustenta. Mais do que a prisão, a pedra de toque para o enfrentamento da moderna criminalidade é o combate à lavagem de dinheiro. Lavar dinheiro é o ato de ocultar bens, valores e direitos provenientes de infrações penais para sua posterior reinserção na economia formal com apaPor Pierpaolo Bottini rência licita. O termo “money laundering” foi usado pela primeira vez por autoridades policiais norteamericanas nos anos 30 do século 20 para descrever o uso, pela máfia, do serviço de máquinas de lavar roupa automáticas para justificar seus recursos ilícitos. A expressão foi usada pela primeira vez em um processo judicial nos EUA, em 1982, e a partir de então ingressou na literatura jurídica e em textos normativos nacionais e internacionais. A partir do final dos anos 80, tratados e convenções sobre lavagem de dinheiro foram assinados, e diversos países aprovaram leis especificas para enfrentar essa prática. No Brasil, a primeira lei sobre o tema data de 1998. Previa a punição do ato de ocultar valores provenientes de alguns crimes graves, como o tráfico de drogas, de armas e a extorsão mediante sequestro, com pena de três a dez anos de prisão. A mesma lei criou o Coaf, órgão responsável pela sistematização de informações sobre operações suspeitas, atividade fundamental para o conhecimento dos métodos de lavagem de dinheiro e o desenvolvimento de políticas de prevenção e repressão. Em decorrência da lei, foram instituídas varas judiciais especializadas para o julgamento, encabeçadas por juízes com capacitação e treinamento específico. Em junho, foi aprovada uma nova lei sobre lavagem de dinheiro, que traz mudanças. Algumas oportunas, como a ampliação do controle de movimen-

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tações financeiras suspeitas e regras que facilitam a identificação de bens sujos. Agora, juntas comerciais, registros públicos e agências de negociação de direitos de transferência de atletas e artistas deverão comunicar às autoridades públicas qualquer operação suspeita, dificultando as atividades criminosas. Outras alterações, no entanto, preocupam, como a ampliação do conjunto das condutas puníveis. Antes, apenas bens provenientes de alguns crimes graves – como tráfico de drogas e contrabando de aras – eram laváveis. Agora, a ocultação do produto de qualquer delito ou contravenção penal – por menor que seja – constitui lavagem de dinheiro. Ainda que bem intencionada, a norma é desproporcional, pois punirá com a mesma pena mínima de três anos o traficante de drogas que dissimula seu capital ilícito. A ampliação pode inviabilizar as varas judiciais especializadas no tema. Se a maioria dos crimes ou contravenções pode gerar lavagem de dinheiro, haverá ampliação vertiginosa do número de processos remetidos a tais órgãos para julgamento. O que era exceção passa a ser regra. Assim, ou bem se aumenta a estrutura e o numero de juízes nesses setores, ou a falta de quadros resultará na morosidade e na consequente impunidade pela prescrição. Enfim, a nova lei – como todas em geral – tem aspectos positivos e negativos. Esperemos que os exageros sejam compensados com a aplicação cautelosa, pautada pela percepção de que o combate à lavagem de dinheiro tem por objeto o crime organizado, e que sua banalização e desvio de foco podem comprometer todos os avanços alcançados nos últimos anos. f Pierpaolo Bottini é advogado, professor-doutor de direito penal da USP e foi secretário de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça (2005–2007)

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Foto: Divulgação

Primeiras impressões sobre a nova lei de lavagem de dinheiro


entrevistaindústriaautomobilística

Corrida do crédito Por Juliana Jadon

Muitas pessoas da nova classe média adquiriram nos últimos anos seu primeiro veículo novo, conquistado junto ao acesso ao crédito. Esse produto financeiro fomentou a economia e fez o mercado automotivo inflar. Mas nem tudo é perfeito. O mesmo motivo do boom bené40 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

fico para o setor, também gerou aumento da inadimplência e, hoje, faz com que o mercado atue com mais cautela na oferta de financiamentos. Flávio Meneghetti, de 63 anos, empresário e presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), faz uma análise sobre esse segmento em entrevista exclusiva à Financeiro. Ele é formado e pós-graduado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas–SP, atuou no First National Bank of Chicago, em São Paulo, Nova York e Chicago.

Fotos: Douglas Luccena

Em entrevista exclusiva, Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave, analisa o setor automotivo e aponta que o financiamento foi fundamental para a indústria de veículos crescer


Flávio Meneghetti, da Fenabrave “Os 35 milhões de brasileiros que tiveram aumento de renda e constituíram a nova classe média conquistaram o acesso ao crédito. Esse cenário possibilitou que muitas pessoas adquirissem seu primeiro automóvel”

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entrevista

Sua carreira associativa foi iniciada na vice-presidência da Associação Brasileira dos Concessionários de Automóveis Fiat (Abracaf), em 1977, tornando-se presidente em 1989. Na mesma entidade, também ocupou a presidência das comissões de comercialização, pós-vendas e de todas as convenções. Em 1997, foi vice-presidente da Fenabrave e no final do ano passado assumiu a presidência. Confira. Revista Financeiro Como o senhor avalia o cenário atual do mercado de veículos? Flávio Meneghetti A aprovação de crédito de motocicletas está restrita. As redes e marcas sofrem porque essa liberação está em torno de 17% apenas, o que barra o aumento das vendas. O setor de caminhões também teve uma queda elevada, com a redução do crescimento do PIB – que deve A prática da encerrar o ano em torno de 1,5% – e com o empenho oferta em 60 da indústria de transformação caindo. O PIB industrial caminha para menos de 2% e, assim, o volume de carga vezes sem transportada teve uma queda considerável. Apesar de ter entrada para crédito barato e abundante para caminhões, o problema automóveis é a antecipação dessa compra e a falta de cargas. Já no novos e usados caso de automóveis, vínhamos de uma situação difícil até foi um dos maio deste ano, quando o governo se sensibilizou junto fatores do boom aos bancos e fizemos um esforço conjunto da indústria e automobilístico, da distribuição. A partir daí o mercado começou a rodar. mas também foi De um numero negativo de 0,5% que tínhamos no acuresponsável pela mulado do ano saltamos para 7% positivo.

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alavancagem da inadimplência que os bancos enfrentam

Financeiro Fale sobre os impactos da redução do IPI para o setor automotivo. Meneghetti A redução do IPI foi parte de um pacote de incentivos. A diminuição desse imposto reduziu o valor dos carros entre 8% e 10%. Houve também redução de margens da indústria, do imposto sobre operação financeira, dos spreads bancários e a liberação de crédito compulsório do Banco Central destinado a veículos, o que reduziu o custo do funding para os bancos e a taxa de câmbio. Com isso, as parcelas de um mesmo veículo caíram 14%. Assim, diversas famílias puderam encaixar novamente essa parcela no orçamento doméstico. Quando o mercado desonera, o brasileiro compra.

Financeiro Quais as tendências desse segmento para 2013? Meneghetti O problema é que a nossa indústria, assim como as de-

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mais, está amarrada ao PIB. Com uma expectativa de um PIB em torno de 3,5% para o próximo ano, a economia volta a girar e o mercado consequentemente se aquece. Assim, esperamos que a economia funcione sem a necessidade de estímulos como foi feito neste ano. Financeiro Diante desse cenário, quais os principais desafios de concessionários e revendedores no Brasil? Meneghetti O desafio, de forma geral, é a qualidade da gestão. É mercado muito competitivo, com muitos players e é preciso ganhar eficiência para sobreviver em um cenário que está amadurecendo. Financeiro A falta de mão de obra qualificada é algo que afeta as diversas economias no País. Como isso impacta o setor automotivo e quais as ações para qualificar profissionais? Meneghetti O déficit de mão de obra no Brasil é uma constante em todo o segmento. O nosso setor investe razoavelmente no desenvolvimento das pessoas, mas existe uma grande rotatividade de funcionários. Somente no ano passado, a Universidade Fenabrave certificou cerca de 35 mil profissionais. Ela é voltada para formar, informar e desenvolver esse mercado, que no Brasil está em torno de 390 mil pessoas. Foram realizadas parcerias com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), com a


Financeiro Lidar com os elevados custos do País, como o de impostos e da matéria-prima, é algo que impacta diretamente no preço do produto e na consequente satisfação do cliente com a marca. Avalie essa situação. Meneghetti O mercado poderia ser muito maior se a carga tributária que incide sobre ele fosse menor. A prova maior disso é que com a redução do IPI o mercado andou. Quando temos preços que tornam mais fácil o acesso ao bem, o brasileiro compra. São 145 dias para pagar impostos e sobra pouco dinheiro para investir, poupar e consumir. O que o governo precisa entender é que é necessário reduzir a carga tributária e deixar mais dinheiro na mão do brasileiro. Em agosto, quando ia acabar a desoneração, muita gente correu para as concessionárias para comprar. Isso deveria ser uma política permanente. A taxação do carro no Brasil é maior que o dobro da praticada na Europa e nos Estados Unidos. Financeiro O aumento da classe C é um fenômeno que possibilitou a inclusão de um novo perfil de clientes em diversos mercados. Fale sobre a importância do financiamento de automóveis para esse segmento.

Meneghetti Os 35 milhões de brasileiros que tiveram aumento de renda e constituíram a nova classe média conquistaram o acesso ao crédito. O financiamento em até 60 meses para a compra de veículos possibilitou que muitas pessoas adquirissem seu primeiro automóvel. Isso criou um ciclo virtuoso importante, que fez com que o mercado mudasse de tamanho. O Brasil produzia 1,5 milhão de carros ao ano e hoje produz quatro milhões. Foi fundamental e isso permitiu que indústria, com o aumento da produção, tivesse ganhos em economia de escala e conseguisse manter os preços dos carros. Nos últimos dois anos, os preços dos veículos subiram somente 3%. Financeiro Quais as medidas necessárias para aquecer o mercado de motocicletas? Meneghetti A dificuldade desse segmento é que ele é muito sensível a crédito e a níveis de inflação. Antigamente se vendia moto sem entrada. Com o aumento da inadimplência, hoje os bancos exigem um valor inicial para realizar o financiamento. As instituições trabalham neste momento para que se reduza o custo do dinheiro e o valor da parcela. A prática da oferta em 60 vezes sem entrada no segmento de automóveis novos e usados foi um dos fatores do boom automobilístico, mas também foi responsável pela alavancagem da altíssima inadimplência que os bancos estão enfrentando.

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A redução do IPI foi parte de um pacote de incentivos. A diminuição desse imposto reduziu o valor dos carros entre 8% e 10%. Houve também redução de margens da indústria

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Fundação Dom Cabral e diversas outras faculdades, visando à formação de gerentes e da diretoria das distribuidoras.

Financeiro Analise o nível de inadimplência do mercado de automóveis. Meneghetti A inadimplência está dando sinais de refluir. O nível que temos atualmente ainda é reflexo das vendas de 2009 e de 2010. Já nas vendas realizadas do ano passado para cá, a inadimplência está em padrões absolutamente normais. No ano que vem a tendência é melhorar.

Financeiro Quais as estratégias para conquistar o mercado diante desse cenário? Meneghetti O mercado depende, além das condições econômicas do País e da massa salarial, de produtos, tecnologia, inovação, novos modelos. Faz parte desse mercado a inovação constante. f outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 43


happyhourrestaurante

Por Flávia Corbó

Com amor pela culinária e tino para os negócios, Ida Maria Frank transformou o restaurante italiano Due Cuochi Cucina em ponto disputado pelos paulistanos

A dama A paixão da restauratrice Ida Maria Frank pela gastronomia a acompanha desde a infância. Mas foram os 12 anos em que morou em Paris, durante a década de 1980, que fizeram com que a relação de amor com a culinária virasse caso sério. Trazendo na bagagem um curso de gastronomia realizado em uma tradicional escola francesa, Ida Maria desembarcou no Brasil em 2000, disposta a se tornar uma empresária do ramo gastronômico. A empreitada teve início com a abertura de um pequeno bistrô chamado Maria’s. Logo a tarefa de comandar as panelas e também as contas e planilhas 44 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

mostrou-se estafante. “Eu cuidava da administração e atuava também na cozinha, junto com outros profissionais. Mas eu não tinha mais 20 anos, então procurei uma parceria para dividir o trabalho.” E em 2005, já com 60 anos, Ida Maria provou que é possível ser um

Fotos: Divulgação

das panelas


empreendedor de sucesso a qualquer idade. Passou da cozinha francesa para a italiana e fundou o Due Cuochi Cucina, no Itaim, bairro conhecido por ser reduto de bons restaurantes em São Paulo, junto com o empresário Paulo Barros. “Ele topou assumir a cozinha, mas disse que o que sabia fazer era a culinária italiana. Então por isso mudamos. E também notamos nestes anos todos que o paulistano tem uma preferência pela cozinha italiana”, opina Ida. A aposta logo se tornou sucesso de crítica e de público e três anos depois uma segunda unidade foi inaugurada no Shopping Cidade Jardim. “Essa foi uma decisão minha, porque as pessoas tinham medo de abrir um negócio no shopping e virar um restaurante de praça de alimentação. Mas eu sempre apostei no local, porque o considero muito especial. É muito mais uma pequena cidade, com comércio e lazer, do que um shopping. Você tem a impressão de andar em um bairro suspenso”, define. Sabor concorrido

Nos dois endereços, é comum ter que enfrentar algum tempo na fila espera para sentar-se à mesa. As unidades recebem cerca de 300 clientes por dia, mas aos fins de semana esse número pode chegar próximo aos 400 comensais. Ida

arrisca descrever a receita do sucesso: “Acho que é uma junção da qualidade da massa, a generosidade dos pratos e preço justo. É uma comida gostosa”. Muitas das ideias traduzidas no cardápio são obtidas das visitas que Ida Maria realiza à Europa, cerca de três vezes ao ano. As viagens são descritas pela restauratrice como momentos de inspiração e de releitura. De uma experiência gastronômica no restaurante do renomado chef Gualtiero Marchesi, na Itália, surgiu a ideia de criar um ravióli aberto de frutos do mar. “Quando eu voltei, discuti com os chefes e fizemos uma releitura do prato, acrescentando o capim-limão” relata.

Chefs e Ida Aos 67 anos, Ida Maria Frank comanda três restaurantes e se prepara para inaugurar novo empreendimento

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happyhourrestaurante

Ravióli aberto de frutos do mar A inspiração para criar o ravióli aberto de frutos do mar veio de uma das viagens da restauratrice à Europa

A maioria dos ingredientes que compõe as receitas do Due Cuochi Cucina é comprada em São Paulo, já que a cidade oferece uma extensa gama de ingredientes. Mas algumas iguarias Ida Maria faz questão de trazer na bagagem de volta das viagens internacionais. “Faço pesquisas de restaurantes e trago muitos produtos e utensílios, sobretudo de origem artesanal. O largo di Colonata, espécie de barriga de porco defumada, eu trago da Itália. Também trago muito açafrão, pois lá encontro um de qualidade mais especial”, revela. Apesar do paulistano em geral ser muito aberto a novas experiências de sabores, os pratos tradicionais são os que configuram entre os preferidos da clientela. Entre os mais pedidos está o fusilli à calabresa. “A massa é feita artesanalmente, da maneira como uma nonna italiana faz em sua cozinha”, brinca Ida. O maialino sardo (leitão à moda da Sardenha) ao molho de sálvia, acompanhado de risoto de pera e nozes, criado pelo chef Giampiero 46 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

Giuliani, caminha para tornar-se um clássico da casa, apesar de ter sido incluído recentemente ao menu. As mudanças no cardápio costumam ocorrer duas vezes ao ano. “Apenas tiramos alguns pratos e acrescentamos outros, porque aqui no Brasil não temos mudanças de estação acentuadas. Os produtos sazonais também não sofrem tanto quanto em países de climas frios. Encontramos produtos de primavera e de verão durante quase todo o ano”, explica. E para o clima quente que se aproxima, o chef Giuliani já preparou novidades. O destaque fica para o ravióli recheado de ricota de búfala e fonduta de parmesão, ao molho de tomate confite, pecorino sardo, pinoli e manjericão fresco italiano. Novidade fresca

Enquanto a maioria das pessoas na faixa dos 60 anos quer apenas aproveitar a tranquilidade da aposentadoria, Ida Maria se mostra incansável aos 67 anos. A restauratrice se prepara para

inaugurar mais um empreendimento no Shopping Cidade Jardim, o restaurante franco italiano Rive Gauche, que significa “margem esquerda” em francês. O nome faz referência a Paris, banhada pelo Rio Sena, e também à localização do próprio restaurante, à margem do Rio Pinheiros. “Queremos oferecer uma alternativa para nossos clientes, pelo fato de termos uma espera muito grande. Às vezes os clientes reclamam e por isso resolvemos abrir esse restaurante”, conta. E engana-se quem pensa que Ida Maria deve parar por aí. “Considero São Paulo um dos maiores centros gastronômicos do mundo. Mas por que não levar o Due Cuochi para Nova York? É uma ideia”, diz, enigmática. f Serviço Due Cuochi Cucina – Itaim Rua Manuel Guedes, 93 (11) 3078–8092 Due Cuochi Cucina – Shopping Cidade Jardim Av. Magalhães de Castro, 12.000 – 3º piso (11) 3758–2731


tecnologiabancos

Inovação Robô Link 237 conversa com os clientes, passeia pelo ambiente e muda a expressão facial 48 FINANCEIRO outubro/novembro 2012


Agência bancária do futuro Bradesco inaugura em São Paulo o espaço Next, referência em inovação para o setor financeiro Por Juliana Jadon Adentrar uma agência bancária e ser recepcionado por um robô, vislumbrar atendentes virtuais que apresentam como utilizar os diferentes aplicativos para realizar operações bancárias e ainda pedir água, ver revistas, conhecer ofertas culturais, por meio de um toque em uma tela já é possível. Com mais de 53,8 mil pontos em todo o Brasil, o Bradesco avançou um passo em inovação. Para a instituição o futuro é hoje. O banco inaugurou no Shopping Iguatemi, em São Paulo (SP), o espaço Next, onde a tecnologia está presente em todos os detalhes, produtos e serviços. A instituição investiu cerca de R$ 10 milhões no projeto que demorou 18 meses para ser concluído. Todos os departamentos do banco de certa forma se envolveram nessa ação. O trabalho demandou muita pesquisa e de-

senvolvimento de tecnologias e de tudo que existe de mais moderno em agências-conceito no mundo. A iniciativa foi encabeçada pela área Dia e Noite, que trata do atendimento bancário no Bradesco. O espaço Next oferece a experiência de uso de inovações futurísticas. Uma linha do tempo com a trajetória do Bradesco, além de conteúdos ligados as atividades sociais do banco, podem ser visualizados por meio de telas interativas. Além disso, os terminais de autoatendimento (ATMs) possuem tela touch screen, de fácil navegação, e os comprovantes de transações de transferência são enviados por e-mail, dispensando o uso de papel. As transações podem ser realizadas com os cartões com dispositivo “contactless”, por aproximação. outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 49


tecnologiabancos

Além disso, os ATMs também estão ligados a um dispositivo PDA, ferramenta que identifica o cliente após ele realizar uma operação. Com essa funcionalidade é possível ofertar produtos e serviços de acordo com o do usuário. “A proposta é apresentar as inovações e também testá-las com o público. O espaço funciona como um laboratório. Uma vez aprovadas pelos clientes, essas soluções serão multiplicadas para a rede de agências”, conta Honorato. Segundo ele, cinco soluções que fazem parte da Next deverão compor as unidades de varejo e prime da instituição em 2013. Leitura das mãos

acessar informações sobre a biometria e seus benefícios, além de realizar o seu cadastramento. A novidade é que essa interação é feita por meio de uma tela com acesso touch screen em poucos segundos. Presença necessária

Mesmo com toda a inovação disponível, a agência não perde o atendimento presencial. Ser atendido por uma alguém experiente, principalmente quando se trata de consultoria financeira, ainda é um aspecto cultuCom mais de 53,8 mil pontos em ral importante para muitos correntodo o Brasil, o Bradesco avançou tistas. Assim, em uma sala localizada mais um passo. Para a instituição, o no mezanino do espaço, o cliente é futuro é hoje. No espaço-conceito a atendido por um consultor, rodeado tecnologia está presente em todos por uma parede de vidro transparente os detalhes, serviços e produtos que fica automaticamente fosco para 50 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

Fotos: Divulgação

Já não é mais novidade para os clientes do Bradesco acessar a conta bancária por meio da biometria, onde a mão é a senha. Um equipamento que funciona como um scanner captura a imagem do padrão vascular e serve como autenticação toda vez o usuário utilizar a máquina de autoatendimento. Adotada de forma pioneira pelo Bradesco em 2006, a identificação biométrica já conta com dez milhões de clientes cadastrados. No espaçoconceito, no entanto, o cliente pode


O Bradesco investiu R$ 10 milhões em pesquisa e desenvolvimento e na criação do espaço-conceito. Agora, o banco pretende estender as tecnologias testadas no local para a rede de agências

criar privacidade. A inovação desse ambiente é que todas as informações prestadas são visualizadas em uma mesa digital de última geração. No local, é possível participar ainda de videoconferência com um especialista da área de investimentos. Tecnologia versus pessoas

Exemplo de que, mesmo com o avanço da tecnologia e da mobilidade, os bancos no futuro deverão continuar com agências e com o atendimento presencial é que as unidades de bancos de varejo do Bradesco só crescem. “Somente no segundo semestre do ano passado, abrimos mais de mil agências. Dentro de uma visão de futuro, tecnologia não substitui o capital humano. Acreditamos que as agências amanhã serão compostas por uma união entre profissionais capacitados e tecnologia”, conclui Honorato. f

Inovações Conheça mais detalhes tecnológicos da agência: Painel Multi Apps Uma parede interativa multitouch reage ao calor gerado pelo movimento do corpo. Na tela, com resolução máxima 4x full HD, atendentes virtuais ensinam como utilizar os diferentes aplicativos para realizar operações bancárias. Ciclo de vida Por meio do toque dos dedos em uma mesa interativa com tela touch, o cliente define seus projetos de vida nos próximos anos, informa sua situação financeira e é orientado. Lounge Trata-se de uma mesa de apoio com tela embutida que se transforma numa superfície tátil. Com um toque o cliente pode pedir uma água, ver revistas, conhecer ofertas culturais, desenhar entre outros.

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entrevistacultura

Reinaldo Domingos, autor de livros de educação financeira, ensina a poupar priorizando sonhos

Finanças em dia Aos 12 anos, Reinaldo Domingos queria ter uma bicicleta. Ele morava na cidade de Casa Branca, interior de São Paulo. O pai ferroviário e a mãe autônoma não podiam lhe dar o presente, que na época custava R$ 100. Para realizar o sonho, ele foi ser ajudante de camelô, ganhava R$ 15 por mês, dos quais guardava R$ 10. Em dez meses comprou um produto à vista e recebeu R$ 10 de desconto. No momento de sua primeira aquisição, Domingos aprendeu com o dono da loja que, toda vez em que tivesse todo o dinheiro da compra, poderia pedir desconto. Foi quando começou a adquirir certa consciência financeira. Hoje, Domingos é presidente do instituto DSOP de educação financeira e autor de diversos livros que disseminam o tema, entre eles, o “Terapia Financeira”, que explica a metodologia DSOP (Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar). Uma das principais premissas desse método é poupar priorizando sonhos, assim 52 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

como ele fez na infância. Para Domingos, por meio dos quatro passos dessa técnica qualquer pessoa pode se educar financeiramente. “Em tudo que se consome nas famílias brasileiras existe um excesso de aproximadamente 20%, até mesmo nas despesas essenciais como energia elétrica, água, telefone e alimentação”, coloca. No total, Domingos possui 25 obras e 15 livros didáticos representados pela “Coleção DSOP de Educação Financeira”, presente em centenas de escolas do ensino básico, públicas e privadas. “A educação financeira lida diretamente com o comportamento (hábitos e costumes). Planilhas, cálculos e matemática são apenas importantes ferramentas”, ressalta. Confira entrevista exclusiva com Domingos à revista Financeiro. Revista Financeiro Como o senhor analisa o cenário de endividamento no Brasil? Reinando Domingos Essa situação é muito preocupante. A população sofre as consequências da ausência de educação junto às famílias e escolas. E isso vem de gerações. Estar endividado não é um problema quando se tem o controle das parcelas, mas quando se perde esse domínio, aí, sim, tudo fica muito complicado, levando à inadimplência. Não podemos culpar o sistema financeiro nem o marketing publicitário. É necessário entender que a redução de juros por parte dos bancos pode ajudar, mas não resolverá o problema do crescimento sucessivo da inadimplência. É preciso combater a causa desse problema e, para isso, só tem um caminho: a educação financeira comportamental. Financeiro E, em sua opinião, o consumidor brasileiro carece de educação financeira? Domingos Sem dúvida. A maioria da população não é educada financeiramente. Não podemos culpar governo, empresas, entidades, escolas, porque se trata de um conhecimento que somente nos últimos anos foi deflagrado como um problema. Essa é uma disciplina que lida diretamente

Fotos: Douglas Luccena

Por Juliana Jadon


com o comportamento, portanto, nós, consumidores, somos vítimas de um sistema. Acredito que esse cenário está mudando. Um exemplo é que o “DSOP Educação Financeira” está presente em praticamente todo Brasil com seus mais de 200 educadores financeiros, que disseminam o tema. Financeiro Com a educação financeira, quais são os principais objetivos? Domingos O segredo para realização de todos os sonhos de uma pessoa ou família é guardar parte do dinheiro que passa por suas mãos. Por isso, uma criança deve estabelecer, junto com o ganho de uma mesada, um valor para os sonhos. Assim, quando ela for para o mercado de trabalho, já terá o hábito e o costume de poupar parte do dinheiro e terá assegurado todos os anseios por toda a vida. Financeiro O atual momento econômico no País é favorável para a criação de uma poupança? Domingos Sempre será um bom momento para poupar. Quem cria esse hábito consegue realizar mais desejos e sonhos. Aliás, esse é o segredo para quem quer se tornar uma pessoa saudável e sustentável financeiramente. Também é importante fazer esse exercício em tempos diferentes (um ano, se for para o médio prazo e dez anos para o longo prazo). É preciso poupar sempre. Com esse hábito, o endividamento para aquisições de bens de valor relativamente elevado, como veículos e casas próprias, seria menor. outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 53


entrevistacultura

Financeiro Quais as principais dicas para gerar uma poupança? Domingos Tudo depende dos sonhos e desejos. Portanto aplicar os quatro pilares da metodologia DSOP, em que se definirá os sonhos de curto, médio e longo prazo, e o quanto se pretende guardar para cada sonho são os caminhos. Desse momento em diante o consumidor poderá determinar um porcentual a ser guardado, o que garantirá que, em caso de um aumento no ganho mensal, a aplicação em poupança possa acompanhar.

“A inadimplência no Brasil não é motivada pelos juros praticados pelos bancos. Trata-se de pura ausência de educação financeira. Nos Estados Unidos os juros anuais não passam de 3% e mesmo assim a maioria dos americanos está endividada” Financeiro Como priorizar sonhos e poupar ao mesmo tempo? Domingos Um dos diferenciais que a metodologia trouxe para a educação financeira é exatamente o de inserir o pilar sonhos. Só podemos realizar nossos desejos quando poupamos para eles. Somente deixamos de gastar em excesso ou supérfluos quando temos motivos. Com essa cultura financeira garantimos a construção de uma nova geração de pessoas e famílias educadas e sustentáveis financeiramente. Estar independente financeiramente é chegar um dia a trabalhar somente por prazer, como faço desde os 37 anos, e não precisar trabalhar por necessidade como acontece com mais de 99% dos aposentados e pensionistas do INSS, que são obrigados a continuar trabalhando até o resto das vidas ou, como opção, dependerão de parentes, amigos e até mesmo de quem não conhecem. Financeiro Como funciona a metodologia DSOP? Domingos Ela é embasada na independência financeira que alcancei aos 37 anos de idade. Portanto não é

54 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

acadêmica e, sim, vivencial. Hoje, com 51 anos, tenho a missão de disseminá-la em escolas, famílias e empresas. A primeira orientação que dou é a de reunir a família e conversar sobre desejos individuais e coletivos. Fazer um diagnóstico financeiro, registrando por 30 dias todas as despesas. Nos pequenos gastos é que geralmente se encontram os problemas. O segundo passo é registrar os desejos e sonhos. A terceira etapa é fazer um orçamento diferente do que aprendeu. O cálculo financeiro pela metodologia DSOP prioriza os sonhos, somando os ganhos, menos os sonhos, menos as despesas e, com isso, se adequar ao verdadeiro padrão de vida. O quarto passo é o poupar. Enfim, essa é a receita do bolo da educação financeira. Financeiro Mas como uma pessoa endividada pode sair dessa situação? Domingos Antes de procurar o credor para um acordo é preciso fazer a lição de casa, com um diagnóstico financeiro e buscar a verdadeira causa do desequilíbrio. Os bancos baixaram os juros e, com isso, milhares de pessoas estão fazendo a portabilidade das dívidas. Acredito que o problema do endividamento e da inadimplência no Brasil não é motivado pelos juros altos praticados até então. Trata-se de pura ausência de educação financeira. Nos Estados Unidos, os juros anuais não passam de 3% e mesmo assim a maioria dos americanos está endividada e perdendo seus bens. Tranquilidade é fundamental para combater a causa do problema. Financeiro Comprar com desconto é uma boa alternativa ou pode ser uma armadilha financeira? Domingos O consumo consciente é um fator imprescindível para a saúde financeira. Uma estratégia de marketing inteligente nos leva a comprar aquilo que não sonhávamos, com o dinheiro que não tínhamos, para impressionar os outros. Comprar com consciência é uma arte. Quem adquire o hábito de poupar para depois comprar, sem dúvida realizará mais sonhos. Você já deve ter ouvido falar: “esse produto tem o preço de R$ 1mil à vista ou em dez parcelas de R$ 100 mensais sem juros!”. Você emprestaria R$ 1 mil para alguém que não conhece


para que esse alguém pague em dez parcelas sem juros? Posso afirmar que sempre existe outro lugar com preços e produtos muito mais em conta, acredite! Financeiro O cartão de crédito pode ser um instrumento de controle financeiro? Domingos Esse produto é uma ferramenta maravilhosa, principalmente na atualidade em que andar com dinheiro é perigoso. Mas é preciso saber utilizar o cartão de crédito a nosso favor. Os benefícios podem garantir as passagens de férias da família, prêmios, assinaturas de revistas, mas como tudo na vida tem seu lado bom e o não tão bom. Hoje, parte do endividamento é derivada dessa ferramenta. Isso porque os limites liberados e aceitos estão acima dos ganhos mensais do cliente. Um limite de cartão deve ser inferior ao salário. Recomendo para quem tem um ganho mensal fixo ter apenas um cartão. Já para quem tem diversos ganhos durante o mês, aconselho ter no máximo três cartões, utilizando sempre com seis dias antes do vencimento de cada um. Com essa prática, o consumidor conseguirá um ótimo prazo no pagamento de aproximadamente 36 dias sem juros. Financeiro Em quais momentos da vida vale a pena obter crédito para a compra de algum bem?

Domingos Comprar a prazo e utilizar linhas de crédito com juros baixos não é o problema, aliás, muitas vezes é preciso. Não aprendemos a poupar primeiro para consumir depois. Todo cuidado é necessário para não fazer de um sonho da casa própria, por exemplo, um pesadelo. Não é diferente do financiamento de um veículo. É preciso ter consciência do custo de manutenção (gasolina, IPVA, seguro, DPVAT, revisão, lavagem, estacionamento, depreciação), que representa, em média, 2,5% sobre o valor do veículo.

Reinaldo Domingos, do DSOP “Estar endividado é uma escolha, mas sem educação financeira é praticamente uma consequência”

Financeiro Quais os tipos de investimentos mais indicados por você? Domingos Quando se trata de sonhos e objetivos de curto prazo o mais adequado é aplicar em caderneta de poupança, mesmo depois da mudança para médio prazo. No caso de aplicações em Tesouro Direto, CDB, fundos de investimentos, ouro, e no de longo prazo com recursos destinados ao Tesouro Direto, previdência privada, LTNs, é preciso saber que se trata de investimentos de risco e, portanto, não recomendo investir mais do que 20% sobre o total a ser aplicado. Nunca invista qualquer que seja o dinheiro sem um destino, objetivo ou sonho. Dinheiro sem destino é dinheiro perdido, acredite! f outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 55


análiseeperspectivas

Setor bancário brasileiro em evidência Os bancos no Brasil voltaram a ganhar destaque na mídia após uma série de medidas adotadas pelo governo federal, em 2011 e 2012, com a finalidade de reduzir os juros praticados pelo mercado ao consumidor final. Dentre essas principais medidas estão os esforços para elevar o nível de concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas e o empenho na redução, por meio do Comitê de Políticas Monetárias (Copom), da meta da taxa básica de juros, a taxa Selic. Por prof. dr. Alberto Borges Matias com colaboração de Gleison Lopes Fonseca As ações suscitaram questões sobre os resultados dessas instituições, assunto presente nos últimos anos devido aos recordes de lucro e rentabilidade. A discussão do governo com os bancos se acirrou de-

pois da reunião entre o Ministro da Fazenda Guido Mantega e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em abril, na qual debateram medidas para reduzir o spread bancário. O governo continua a defender que a lucratividade dos bancos é elevada e que eles possuem margem suficiente para reduzir o spread bancário sem a ajuda do governo. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil é um dos “campeões mundiais” em níveis de spread bancário, com a terceira posição (atrás apenas da República Democrática do Congo e Madagascar). Do outro lado, os bancos julgam necessária uma ação conjunta com o governo para tornar possível a redução dos spreads. As instituições financeiras GRÁFICO 1

Decomposição do spread bancário no Brasil segundo o BC 100%

80%

60%

29,64

29,97

30,95

15,31

15,49

16,04

8,07

6,14

6,45

27,57

30,52

28,42

29,94

34,69

32,73

19,97

21,89

23,2 5,26

4,08

5,23

40%

30,59

26,71

28,74

20%

19,41

17,89

18,15

2005

2006

2007

14,25

10,16

12,56

0%

Margem Líquida, Erros e Omissões (1-2-3-4-5)

Impostos Diretos

2008

2009

Compulsório + Subsídio Cruzado + Encargo. Fisc.+FGC

Inadimplência

2010 Custo Administrativo Fonte: Inepad &BC

GRÁFICO 2

Retorno sobre o patrimônio líquido dos bancos 30%

24,02%

25%

20%

16,86%

17,37%

17,03%

16,24%

17,17%

15%

10,41%

9,85%

10%

4,93% 5%

3,09%

0%

2007 Brasil

EUA

56 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

2008

2009

2010

2011 Fonte: Inepad &YCharts


solicitam aliar medidas governamentais que permitam a queda das taxas ao consumidor. Destaca-se entre elas: reduções dos impostos diretos (IR e CSLL), do compulsório, dos níveis de inadimplência, e outros componentes do spread, conforme mostrado no gráfico 1. Dentre os principais componentes formadores do spread bancário, o Banco Central, percebem-se maior peso da inadimplência e margem líquida dos bancos, ambos variando em torno de 30% no período analisado. Isso justifica o discurso de ambas as partes: governo – ao culpar os bancos pelos spreads altos – e Febraban – ao justificar as elevadas taxas com fatores não ligados ao lucro. Resta saber se a rentabilidade dos bancos está acima das instituições do exterior. Dentre os dez maiores bancos americanos, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido foi de 9,85% em 2011, praticamente a metade da encontrada nos cinco maiores bancos brasileiros, de 17,17% no mesmo ano.

A superioridade das maiores instituições financeiras brasileiras no quesito não foi registrada apenas no ano passado, conforme gráfico 2. Todavia, quando comparado o retorno sobre o ativo total, nos últimos dois anos a diferença entre os bancos brasileiros e americanos converge para o mesmo patamar. O governo sinalizou por meio da redução do compulsório dos depósitos à vista, em setembro, que reconhece sua parcela de contribuição. Resta saber agora até que ponto os bancos estariam dispostos a mudarem operações em busca da redução dos spreads e das margens ou via aumento nas concessões de crédito. f ELABORAÇÃO: Alberto Borges Matias – professor titular do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo no Campus de Ribeirão Preto, e diretor do INEPAD GRÁFICO 3

Retorno sobre o ativo dos bancos 2,0%

1,85%

1,5%

1,33% 1,14%

1,08%

1,00%

0,96%

1,0%

0,5%

1,07%

1,06%

0,45%

0,37%

0%

2007

2008

2009

2010

2011 Fonte: Inepad &YCharts

GRÁFICO 4

Margem líquida bancária Brasil x EUA 20%

18,57% 16,34% 14,42%

15%

13,03%

10%

10,23%

12,36%

8,47%

11,28%

12,49%

10,04%

9,29% 5%

2,91% 0%

2006 EUA

Brasil

2007

2008

2009

2010

2011 Fonte: Inepad &YCharts

outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 57


bancodedadosinepad Taxas médias: geral Data

Var. p.p.

Captações

Spread

Var. p.p.

ago/11

39,67

0,0

11,85

-0,5

27,82

0,5

set/11

38,96

-0,7

10,90

-0,9

28,06

0,2

out/11

39,53

0,6

10,64

-0,3

28,89

0,8

nov/11

38,47

-1,1

10,32

-0,3

28,15

-0,7

dez/11

37,05

-1,4

10,18

-0,1

26,87

-1,3

jan/12

38,00

1,0

10,20

0,0

27,80

0,9

fev/12

38,10

0,1

9,70

-0,5

28,40

0,6

mar/12

37,30

-0,8

9,30

-0,4

28,00

-0,4

abr/12

35,30

-2

8,80

-0,5

26,50

-1,5

mai/12

32,86

-2,4

8,22

-0,6

24,64

-1,9

jun/12

31,06

-1,80

7,94

-0,3

23,12

-1,5

jul/12

30,70

-0,4

7,70

-0,2

24,64

1,5

ago/12

30,10

-0,6

7,60

-0,1

23,12

-1,5

Variação ago/ago

Aplicações

Var. p.p.

-4,7

-4,3

-9,6

Fonte: BC/Inepad

Taxas médias: pessoa física Data

Aplicações

Var, p,p,

Captações

Spread

Var, p,p,

-1,1

34,41

0,6

-0,2

35,00

1,6

10,48

-0,4

36,62

-2,0

-1,0

10,06

0,0

34,67

-1,0

1,4

10,07

0,1

33,68

1,2

45,10

0,3

10,20

-0,6

34,90

0,9

fev/12

45,40

-1,0

9,60

-0,3

35,80

-0,7

mar/12

44,40

-2,3

9,30

-0,4

35,10

-1,9

abr/12

42,10

-3,3

8,90

-0,6

33,20

-2,6

mai/12

38,84

-3,3

8,27

-0,6

30,57

-2,6

jun/12

36,47

-3,3

8,00

-0,6

28,47

-2,6

jul/12

36,20

-0,3

7,80

-0,2

28,40

-0,1

ago/12

35,60

-0,6

7,90

0,1

27,70

-0,7

Variação ago/ago

-10,6

ago/11

46,18

-0,5

11,77

set/11

45,67

1,4

10,67

out/11

47,10

-2,4

nov/11

44,73

dez/11

43,75

jan/12

Var, p,p,

-6,7

-3,9

Fonte: BC/Inepad

Taxas médias: pessoa jurídica Data

Spread

Var, p,p,

ago/11

30,92

-0,9

11,93

-0,8

18,99

-0,1

set/11

29,99

-0,2

11,12

-0,3

18,87

0,1

out/11

29,76

0,0

10,80

-0,2

18,96

0,3

nov/11

29,79

-1,6

10,57

-0,3

19,22

-1,3

dez/11

28,23

0,5

10,28

-0,1

17,95

0,5

jan/12

28,70

-0,1

10,20

-0,4

18,50

0,3

fev/12

28,60

-0,9

9,80

-0,5

18,80

-0,4

mar/12

27,70

-1,4

9,30

-0,5

18,40

-0,9

abr/12

26,30

-1,4

8,80

-0,6

17,50

-0,7

mai/12

24,95

-1,4

8,18

-0,6

16,77

-0,7

jun/12

23,77

-1,4

7,88

-0,6

15,89

-0,7

jul/12

23,60

-0,2

7,60

-0,3

16,00

0,1

ago/12

23,10

-0,5

7,40

-0,2

15,70

-0,3

Variação ago/ago

Aplicações

-7,8

Fonte: BC/Inepad

58 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

Var, p,p,

Captações

-4,5

Var, p,p,

-3,3


Spread financeiro

Crédito consignado

45%

R$ Milhões 185.000

40%

180.000

35%

175.000

30%

170.000

25%

165.000

26,0%

20%

160.000

25,0%

15%

155.000

10%

150.000

5%

145.000

0

140.000

29,0%

28,0%

27,0%

Aplicações

23,0%

Captações

Consignado

ago/12

jul/12

jun/12

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

set/11

out/11

22,0%

ago/11

ago/12

jul/12

jun/12

mai/12

abr/12

fev/12

mar/12

jan/12

dez/11

nov/11

out/11

set/11

ago/11

24,0%

Taxa de juros % a.a.

Fonte: BC/Inepad

VOLUME PREFIXADOS –

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

RECURSOS LIVRES (R$ MILHÕES)

Mês/Ano

Cheque Especial

Variação em %

Crédito Pessoal

Variação em %

Financiamento Imobiliário

Variação em %

Cartão de Crédito

Variação em %

ago/11

20.795,66

4,7%

232.571,36

1,5%

40,4

1,3%

34.304,29

2,7%

set/11

20.783,69

-0,1%

235.550,20

1,3%

40,3

-0,2%

35.357,14

3,1%

out/11

21.504,53

3,5%

238.200,69

1,1%

41,7

3,5%

36.279,27

2,6%

nov/11

20.972,07

-2,5%

241.596,96

1,4%

43,1

3,4%

36.433,21

0,4%

dez/11

18.882,41

-10,0%

241.653,11

0,0%

44,8

3,8%

35.637,97

-2,2%

jan/12

21.176,51

12,1%

244.757,84

1,3%

45,0

0,4%

36.756,87

2,7%

fev/12

22.012,75

3,9%

248.146,64

1,4%

46,8

4,1%

37.654,62

2,9%

mar/12

21.830,06

-0,8%

250.979,63

1,1%

45,4

-3,1%

37.374,42

-0,7%

abr/12

22.766,31

4,3%

255.260,22

1,7%

47,1

3,8%

37.653,60

0,8%

mai/12

21.891,63

-3,8%

260.152,16

1,9%

46,3

-1,7%

37.024,24

-2,5%

jun/12

21.193,06

-3,2%

265.355,75

2,0%

46,0

-0,7%

37.149,52

0,3%

jul/12

21.311,37

0,6%

267.862,89

0,9%

45,6

-0,9%

183.913,74

1,0%

ago/12

21.054,08

-1,2%

272.027,40

1,6%

44,9

-1,6%

186.132,77

1,2%

Variação em %

Total

Variação em %

Fonte: BC/Inepad

VOLUME

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

PREFIXADOS/CONTINUAÇÃO –

RECURSOS LIVRES (R$ MILHÕES)

AQUISIÇÃO Mês/Ano

Veículos

Variação em %

Outros

Variação em %

Total

Variação em %

Outros

ago/11

163.928,00

1,9%

9.027,16

-0,4%

172.955,16

1,7%

6.986,47

-8,2%

467.653

1,7%

set/11

167.297,40

2,1%

9.203,99

2,0%

176.501,39

2,1%

7.111,17

1,8%

475.344

1,6%

out/11

168.657,89

0,8%

9.012,95

-2,1%

177.670,84

0,7%

7.303,74

2,7%

481.001

1,2%

nov/11

170.554,47

1,1%

9.179,58

1,8%

179.734,04

1,2%

7.386,58

1,1%

486.166

1,1%

dez/11

173.301,89

1,6%

9.348,56

1,8%

182.650,45

1,6%

7.769,86

5,2%

486.639

0,1%

jan/12

174.680,92

0,8%

9.291,31

-0,6%

183.972,22

0,7%

7.800,39

0,4%

494.336

1,6%

fev/12

176.191,48

0,9%

9.442,44

1,6%

185.633,92

0,9%

7.540,76

-3,3%

501.036

1,4%

mar/12

177.546,16

0,8%

9.339,87

-1,1%

186.886,02

0,7%

7.648,83

1,4%

504.764

0,7%

abr/12

178.076,90

0,3%

9.206,31

-1,4%

187.283,21

0,2%

7.823,74

2,3%

510.855

1,2%

mai/12

178.494,29

0,2%

9.326,84

1,3%

187.821,14

0,3%

8.139,16

4,0%

514.794

0,8%

jun/12

182.153,66

2,1%

9.244,58

-0,9%

191.398,24

1,9%

8.250,35

1,4%

523.393

1,7%

jul/12

183.913,74

1,0%

9.142,04

-1,1%

193.055,77

0,9%

8.355,71

1,3%

528.057

0,9%

ago/12

186.132,77

1,2%

9.344,74

2,2%

195.477,51

1,3%

8.469,08

1,4%

534.495

1,2%

Fonte: BC/Inepad

outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 59


bancodedadosinepad VOLUME

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO

CRÉDITO CONSIGNADO (R$

MILHÕES)

CONCENTRAÇÃO DO CONSIGNADO

CONSIGNADO

Mês/Ano

Crédito Pessoal*

Públicos

Privados

ago/11

260.637

131.631

22.083

153.713

110.761

set/11

264.051

133.542

22.248

155.790

112.031

out/11

267.306

134.635

22.366

157.002

nov/11

271.256

135.984

22.595

dez/11

271.810

135.836

jan/12

275.388

fev/12

% CONSIGNADO***

TAXA DE JUROS % A,A,

Estimativa INEPAD

Consignado

Pessoal

Diferença

59,0%

72,1%

28,3%

49,6%

21,3%

59,0%

71,9%

28,0%

49,7%

21,7%

114.143

58,7%

72,7%

27,8%

52,2%

24,4%

158.579

115.559

58,5%

72,9%

27,2%

48,6%

21,4%

22.792

158.628

115.333

58,4%

72,7%

27,0%

48,2%

21,2%

137.849

23.134

160.983

116.174

58,5%

72,2%

27,5%

50,3%

22,8%

278.926

139.863

23.920

163.783

118.299

58,7%

72,2%

27,5%

50,6%

23,1%

mar/12

283.059

141.175

24.448

165.624

119.112

58,5%

71,9%

27,1%

48,8%

21,7%

abr/12

287.859

144.085

25.026

169.111

121.064

58,7%

71,6%

25,9%

44,7%

18,8%

mai/12

293.352

147.045

25.292

172.337

124.079

58,7%

72,0%

24,7%

41,4%

16,7%

jun/12

298.254

149.157

26.092

175.250

125.259

58,8%

71,5%

24,6%

39,6%

15,0%

jul/12

301.035

150.985

26.658

177.643

127.048

59,0%

71,5%

24,6%

39,9%

15,3%

ago/12 Variação ago/ago

306.188

153.523

27.385

180.908

129.302

59,1%

71,5%

24,6%

39,4%

14,8%

17,48%

16,63%

24,01%

17,69%

16,74%

0,18%

-0,81%

-12,98%

-20,56%

-30,62%

Total

Amostra**

Fonte: BC/Inepad * Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito ** Pesquisa com 13 das maiores instituições que operam com crédito pessoal *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal

INADIMPLÊNCIA – Mês/Ano

OPERAÇÕES PREFIXADAS

CRÉDITO PESSOAL (R$

MIL)

Saldo sem atraso

Com atraso

% Sobre

Com atraso

% Sobre

Com atraso

% Sobre

Saldo total

de 30 dias

saldo da carteira

de 31 a 90 dias

saldo da carteira

maior 90 dias

saldo da carteira

carteira-Brasil

ago/11

211.003.397

4.962.857

2,13%

5.197.030

2,23%

11.408.071

4,91%

232.571.355

1,52%

set/11

213.106.404

5.205.099

2,21%

5.497.843

2,33%

11.740.856

4,98%

235.550.202

1,28%

out/11

214.404.363

5.425.153

2,28%

6.085.228

2,55%

12.285.944

5,16%

238.200.688

1,13%

nov/11

217.550.528

5.050.272

2,09%

5.940.290

2,46%

13.055.873

5,40%

241.596.963

1,43%

dez/11

218.121.588

4.742.796

1,96%

5.621.166

2,33%

13.167.555

5,45%

241.653.105

0,02%

jan/12

219.312.227

5.670.345

2,32%

6.000.380

2,45%

13.774.887

5,63%

244.757.839

1,28%

fev/12

221.943.486

5.848.687

2,36%

6.412.577

2,58%

13.941.885

5,62%

248.146.635

1,38%

mar/12

225.408.614

5.913.960

2,36%

6.393.418

2,55%

13.263.639

5,28%

250.979.631

1,14%

abr/12

228.253.823

6.434.358

2,52%

6.657.244

2,61%

13.914.798

5,45%

255.260.224

1,71%

mai/12

232.353.188

6.375.340

2,45%

6.621.515

2,55%

14.802.116

5,69%

260.152.159

1,92%

jun/12

237.782.075

5.805.571

2,19%

6.621.516

2,50%

14.802.117

5,58%

265.355.751

2,00%

jul/12

239.123.083

6.003.783

2,24%

6.994.273

2,61%

15.741.752

5,88%

267.862.891

0,94%

ago/12

243.157.599

5.822.853

2,14%

6.752.405

2,48%

16.294.543

5,99%

272.027.399

1,55%

Variação em %

Fonte: BC/Inepad

INADIMPLÊNCIA – Mês/Ano

OPERAÇÕES PREFIXADAS

AQUISIÇÃO DE BENS

VEÍCULOS (R$

MIL)

Saldo sem atraso

Com atraso

% Sobre

Com atraso

% Sobre

Com atraso

% Sobre

Saldo total

de 15 a30 dias

saldo da carteira

de 31 a 90 dias

saldo da carteira

maior 90 dias

saldo da carteira

carteira-Brasil

ago/11

144.164.834

5.801.994

3,54%

7.095.823

4,33%

6.865.348

4,19%

163.927.999

1,86%

set/11

146.722.258

5.615.941

3,36%

7.577.602

4,53%

7.381.599

4,41%

167.297.400

2,06%

out/11

146.189.732

6.185.698

3,67%

8.370.147

4,96%

7.912.314

4,69%

168.657.891

0,81%

nov/11

147.989.270

5.841.417

3,42%

8.388.009

4,92%

8.335.769

4,89%

170.554.465

1,12%

dez/11

151.409.644

5.470.180

3,16%

7.747.212

4,47%

8.674.858

5,01%

173.301.894

1,61%

jan/12

151.295.533

5.944.994

3,40%

8.258.457

4,73%

9.181.932

5,26%

174.680.916

0,80%

fev/12

151.730.673

5.875.155

3,33%

8.867.484

5,03%

9.718.168

5,52%

176.191.480

0,86%

mar/12

152.189.861

6.349.573

3,58%

8.890.296

5,01%

10.116.427

5,70%

177.546.157

0,77%

abr/12

152.441.130

5.880.893

3,30%

9.321.380

5,23%

10.433.499

5,86%

178.076.901

0,30%

mai/12

152.399.857

6.040.597

3,38%

9.168.149

5,14%

10.885.690

6,10%

178.494.293

0,23%

jun/12

156.624.704

5.740.064

3,15%

8.852.142

4,86%

10.936.746

6,00%

182.153.656

2,05%

jul/12

158.302.956

5.925.590

3,22%

8.673.636

4,72%

11.011.554

5,99%

183.913.736

0,97%

ago/12

160.792.538

6.131.662

3,29%

8.275.364

4,45%

10.933.209

5,87%

186.132.773

1,21%

Fonte: BC/Inepad

60 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

Variação em %


INADIMPLÊNCIA – Mês/Ano

OPERAÇÕES PREFIXADAS

AQUISIÇÃO DE BENS

OUTROS (R$

MIL)

Saldo sem atraso

Com atraso

% Sobre

Com atraso

% Sobre

Com atraso

% Sobre

Saldo total

de 15 a 30 dias

saldo da carteira

de 31 a 90 dias

saldo da carteira

maior 90 dias

saldo da carteira

carteira-Brasil

ago/11

7.068.973

358.438

3,97%

344.559

3,82%

1.255.188

13,90%

9.027.158

set/11

7.229.707

374.867

4,07%

334.512

3,63%

1.264.902

13,74%

9.203.988

1,96%

out/11

7.003.090

359.296

3,99%

389.502

4,32%

1.261.059

13,99%

9.012.947

-2,08%

nov/11

7.166.439

322.619

3,51%

422.377

4,60%

1.268.141

13,81%

9.179.576

1,85%

dez/11

7.398.461

293.299

3,14%

353.421

3,78%

1.303.375

13,94%

9.348.556

1,84%

jan/12

7.281.585

354.078

3,81%

347.253

3,74%

1.308.392

14,08%

9.291.308

-0,61%

fev/12

7.395.159

347.599

3,68%

411.438

4,36%

1.288.245

13,64%

9.442.441

1,63%

mar/12

7.280.027

357.302

3,83%

492.722

5,28%

1.209.814

12,95%

9.339.865

-1,09%

abr/12

7.132.293

348.564

3,79%

486.542

5,28%

1.238.906

13,46%

9.206.306

-1,43%

mai/12

7.235.833

329.259

3,53%

464.977

4,99%

1.296.776

13,90%

9.326.844

1,31%

jun/12

7.176.905

310.846

3,36%

453.064

4,90%

1.303.769

14,10%

9.244.584

-0,88%

jul/12

7.111.907

307.859

3,37%

421.582

4,61%

1.300.690

14,23%

9.142.038

-1,11%

ago/12

7.366.086

292.641

3,13%

401.493

4,30%

1.284.521

13,75%

9.344.741

2,22%

Variação em %

-0,37%

Fonte: BC/Inepad

INADIMPLÊNCIA – Mês/Ano

OPERAÇÕES PREFIXADAS

OUTRAS AQUISIÇÕES (R$

MIL)

Saldo sem atraso

Com atraso

% Sobre

Com atraso

% Sobre

Com atraso

% Sobre

Saldo total

de 15 a 30 dias

saldo da carteira

de 31 a 90 dias

saldo da carteira

maior 90 dias

saldo da carteira

carteira-Brasil

Variação em %

ago/11

4.638.879

303.945

4,35%

549.756

7,87%

1.493.889

21,38%

6.986.469

-8,20%

set/11

4.727.379

310.390

4,36%

544.552

7,66%

1.528.845

21,50%

7.111.166

1,78%

out/11

4.782.825

374.755

5,13%

623.613

8,54%

1.522.548

20,85%

7.303.741

2,71%

nov/11

4.917.007

309.703

4,19%

691.743

9,36%

1.468.126

19,88%

7.386.579

1,13%

dez/11

5.135.116

326.361

4,20%

915.590

11,78%

1.392.790

17,93%

7.769.857

5,19%

jan/12

5.045.000

416.576

5,34%

659.418

8,45%

1.679.400

21,53%

7.800.394

0,39%

fev/12

4.783.320

408.896

5,42%

674.097

8,94%

1.674.445

22,21%

7.540.758

-3,33%

mar/12

4.790.733

398.775

5,21%

723.609

9,46%

1.735.716

22,69%

7.648.833

1,43%

abr/12

4.871.860

410.234

5,24%

735.997

9,41%

1.805.651

23,08%

7.823.743

2,29%

mai/12

5.062.140

386.074

4,74%

662.663

8,14%

2.028.284

24,92%

8.139.161

4,03%

jun/12

5.348.052

390.441

4,73%

719.354

8,72%

1.792.499

21,73%

8.250.346

1,37%

jul/12

5.418.793

438.061

5,24%

681.941

8,16%

1.816.910

21,74%

8.355.705

1,28%

ago/12

5.558.268

416.627

4,92%

652.736

7,71%

1.841.446

21,74%

8.469.076

1,36%

Fonte: BC/Inepad

INADIMPLÊNCIA –

CRÉDITO PESSOAL

Com atraso de mais de 90 dias 16.294.543 Atraso de até 30 dias 5.822.853

24% 51%

Atraso de 31 a 90 dias 6.752.405

INADIMPLÊNCIA –

25%

AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS

Com atraso maior que 90 dias 10.933.209 Com atraso de 15 a 30 dias 6.131.662 Com atraso de 31 a 90 dias 8.275.364

23%

INADIMPLÊNCIA –

36%

17%

Com atraso de 15 a 30 dias 292.641 Com atraso de 31 a 90 dias 401.493

INADIMPLÊNCIA –

60%

Com atraso de 31 a 90 dias 1.841.446

23%

OUTRAS

Com atraso maior que 90 dias 8.469.076 Com atraso de 15 a 30 dias 416.627

41%

AQUISIÇÃO DE BENS

Com atraso maior que 90 dias 1.284.521

14%

61%

25%


bancodedadosinepad TAXA

DE DESEMPREGO

Data

Brasil

Var, % - Brasil

SP

Var, %

ago/11

6,0%

0,0%

6,3%

0,00

set/11

6,0%

0,0%

6,1%

0,00

out/11

5,8%

-0,2%

5,6%

-0,01

nov/11

5,2%

-0,6%

5,0%

-0,01

dez/11

4,7%

-0,5%

4,7%

0,00

jan/12

5,5%

0,8%

5,5%

0,01

fev/12

5,7%

0,2%

6,1%

0,01

mar/12

6,2%

0,5%

6,5%

0,00

3%

abr/12

6,0%

-0,2%

6,5%

0,00

2%

-0,6% -0,8%

10%

1,0%

9%

0,8%

8%

0,6%

7% 0,4% 6% 0,2% 5% 0,0% 4% -0,2%

-0,1%

5,80%

0,00

Brasil

ago/12

5,3%

jul/12

5,4%

ago/12

jun/12

jul/12

-0,01

mai/12

0,00

5,70%

abr/12

6,50%

mar/12

0,1% -0,5%

fev/12

5,9%

jan/12

jun/12

0

dez/11

0,80

nov/11

6,2%

out/11

-0,2%

set/11

5,8%

-0,4%

ago/11

mai/12

1%

São Paulo

Var .p.p

Fonte: IBGE/Inepad

RENDIMENTO

MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)

0,00

3,13%

0,00

1,90%

-0,05

3,14%

0,00

dez/11

1,90%

0,00

3,15%

0,00

jan/12

1,90%

0,00

3,16%

0,00

fev/12

2,00%

0,05

3,17%

0,00

mar/12

2,10%

0,05

3,18%

0,00

abr/12

2,00%

-0,05

3,19%

0,00

mai/12

2,00%

0,00

3,20%

0,00

jun/12

2,00%

0,00

3,70%

0,16

jul/12

1,90%

-0,05

3,60%

-0,03

ago/12

2,00%

0,05

3,20%

-0,11

3,00%

2,50%

2,00%

1,50%

1,00%

0,50%

0,00%

SP

ago/12

2,00%

nov/11

jul/12

out/11

3,50%

jun/12

0,00

mai/12

3,12%

abr/12

-0,09

mar/12

2,00%

fev/12

set/11

4,00%

jan/12

0,00

SP

dez/11

3,11%

nov/11

0,05

out/11

Var, % - Brasil

2,20%

set/11

Brasil

ago/11

ago/11

Var, %

Data

Brasil

Fonte: IBGE/Inepad

CRÉDITO PESSOAL Data

Volume

Taxa de juros

Data

Volume

Taxa de juros

Data

Volume

Taxa de juros

jan/09

132.282,85

57%

abr/10

176.505,45

43%

jul/11

229.084,55

49%

fev/09

134.308,50

55%

mai/10

180.849,11

43%

ago/11

232.571,36

50%

mar/09

137.284,08

51%

jun/10

183.608,92

42%

set/11

235.550,20

50%

abr/09

141.064,96

49%

jul/10

186.715,25

42%

out/11

238.200,69

52%

mai/09

145.457,84

47%

ago/10

191.025,56

42%

nov/11

241.596,96

49%

jun/09

147.804,50

46%

set/10

194.474,73

42%

dez/11

241.653,11

48%

jul/09

150.852,21

45%

out/10

197.645,23

44%

jan/12

244.757,84

50%

ago/09

154.003,98

44%

nov/10

201.482,21

42%

fev/12

248.146,64

51%

set/09

156.472,41

45%

dez/10

202.377,26

44%

mar/12

250.979,63

49%

out/09

159.967,04

46%

jan/11

206.767,09

48%

abr/12

255.260,22

45%

nov/09

161.497,41

44%

fev/11

209.078,62

48%

mai/12

260152,159

41%

dez/09

162.263,33

44%

mar/11

212.600,86

47%

jun/12

265355,751

40%

jan/10

164.926,16

45%

abr/11

216.453,86

50%

jul/12

267862,891

40%

fev/10

167.772,83

44%

mai/11

220.807,56

50%

ago/12

272027,399

39%

mar/10

172.371,66

43%

jun/11

225.067,57

49%

Fonte: IBGE/Inepad

62 FINANCEIRO outubro/novembro 2012


PREVISÕES

ECONÔMICAS

Ano de 2012

PIB Agropecuário % a,a,

PIB Total % aa

PIB Indústria % a,a,

PIB Serviço % a,a,

Produção Industrial % a,a,

Previsão 03/09/2012

1,64

0,13

0,47

2,41

-1,59

2 semanas antes 13/09

1,58

0,11

0,34

2,38

-1,58

1 semana antes 23/09

1,58

0,26

0,43

2,39

-1,51

Previsão 28/09

1,59

0,24

0,41

2,40

-1,61

Ano de 2012

IPCA % a,a,

IGP–DI % a,a,

Selic Taxa anual

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

Previsão 03/09/2012

7,30

8,36

5,24

2,05

255,88

2 semanas antes 13/09

7,34

8,79

5,28

2,06

254,65

1 semana antes 23/09

7,37

8,98

5,27

2,06

253,87

Previsão 28/09

7,39

8,98

5,31

2,06

254,00

Fonte: BC-Focus/Inepad

ATIVIDADE

ECONÔMICA Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

Var, p,p,

jul/11

82,40

-0,20

jul/11

129,77

0,11%

ago/11

83,50

1,10

ago/11

129,34

-0,33%

set/11

82,80

-0,70

set/11

128,65

-0,53%

out/11

83,30

0,50

out/11

127,60

-0,82%

nov/11

82,70

-0,60

nov/11

126,65

-0,74%

dez/11

79,40

-3,30

dez/11

126,88

0,18%

jan/12

79,60

0,20

jan/12

125,71

-0,92%

fev/12

80,20

0,60

fev/12

126,31

0,48%

mar/12

81,10

0,90

mar/12

125,96

-0,28%

abr/12

80,60

-0,50

abr/12

125,47

-0,39%

mai/12

81,40

0,80

mai/12

124,61

-0,69%

jun/12

80,70

-0,70

jun/12

124,19

-0,34%

jul/12

81,60

0,90

jul/12

124,02

-0,14%

Variação jul/jul

-4,43%

Data

-0,97%

Variação jul/jul

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Data

Fonte: CNI/Inepad

Var, %

Fonte: IBGE/Inepad

PRODUÇÃO X

CAPACIDADE

Capacidade (%)

Produção (índice)

85 133 84 129

83 82

125

81 121 80 117

79 78

113

77 109 76 105

Fonte: Inepad/CNI/IBGE

Taxa da utilização da capacidade instalada

jul/12

jun/12

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

out/11

set/11

ago/11

jul/11

75

Índice de produção física média móvel trimestral

outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 63


bancodedadosinepad IPCA MENSAL

BALANÇA

0,009

COMERCIAL (US$

MILHÕES)

30.000

0,008 25.000 0,007

20.000

0,006

0,005 15.000 0,004

10.000

0,003

0,002 5.000 0,001

IPCA

Fonte: Inepad/MDIC

M.M 12 meses

Exportações

ago/12

jun/12

abr/12

fev/12

dez/11

out/11

ago/11

abr/11

ago/12

jun/12

abr/12

fev/12

dez/11

out/11

ago/11

jun/11

abr/11 Fonte: Inepad/IBGE

jun/11

0

0

Importações

PRODUÇÃO – AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS. MISTOS. VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS (EM UNIDADES)

Data

Produção

Média Trim.

Var. Mensal

ago/11

325.300

309.367

18.100

5,89%

set/11

261.200

297.900

-64.100

-19,70%

out/11

265.600

284.033

4.400

1,68%

350.000

nov/11

274.500

267.100

8.900

3,35%

300.000

dez/11

262.000

267.367

-12.500

-4,55%

jan/12

211.764

249.421

-50.236

-19,17%

fev/12

217.848

230.537

6.084

2,87%

mar/12

308.500

246.037

90.652

41,61%

150.000

abr/12

260.800

262.383

-47.700

-15,46%

100.000

mai/12

280.800

283.367

20.000

7,67%

50.000

jun/12

273.600

271.733

-7.200

-2,56%

jul/12

297.800

284.067

24.200

8,8%

ago/12

329.300

300.233

31.500

10,6%

Var. Mensal (%)

PRODUÇÃO –

AUTOMÓVEIS LEVES E PESADOS

Unidades

250.000 200.000

jul/12

ago/12 ago/12

mar/12 mar/12

jul/12

fev/12 fev/12

jun/12

jan/12 jan/12

jun/12

dez/11 dez/11

mai/12

nov/11 nov/11

mai/12

out/11 out/11

abr/12

set/11 set/11

abr/12

ago/11 ago/11

0

1,23%

Variação ago/ago Fonte: Anfavea/Inepad

EXPORTAÇÃO

DE AUTOVEÍCULOS MONTADOS (EM

UNIDADES)

Exportações

Média Trim.

Var. Mensal

Var. Mensal (%)

ago/11

44.878

42.645

-1.624

-3,49%

set/11

44.646

45.342

-232

-0,52%

out/11

52.249

47.258

7.603

17,03%

nov/11

54.950

50.615

2.701

5,17%

dez/11

48.403

51.867

-6.547

-11,91%

jan/12

33.075

45.476

-15.328

-31,67%

fev/12

36.461

39.313

3.386

10,24%

mar/12

42.225

37.254

5.764

15,81%

abr/12

48.700

42.462

6.475

15,33%

mai/12

26.700

39.208

-22.000

-45,17%

jun/12

36.000

37.133

9.300

34,83%

jul/12

29.700

30.800

-6.300

-17,50%

ago/12

42.900

36.200

13.200

44,44%

Data

Variação ago/ago Fonte: Anfavea/Inepad

64 FINANCEIRO outubro/novembro 2012

-4,41%

Unidades 60.000

50.000

40.000

30.000

20.000

10.000

0

Exportações

Média Trimestral


LICENCIAMENTO

DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (EM

UNIDADES)

Total

1000cc

% no Total

+1000cc a 2000cc

% no total

+2000cc

% no total

ago/11

236.389

105.307

43,3%

127.711

54,0%

3.371

1,4%

set/11

226.158

99.239

46,6%

123.363

54,5%

3.556

1,6%

out/11

203.351

89.590

48,8%

110.731

54,5%

3.030

1,5%

nov/11

233.557

101.597

38,4%

129.034

55,2%

2.926

1,3%

dez/11

251.606

110.860

40,4%

137.344

54,6%

3.402

1,4%

jan/12

196.654

86.608

56,4%

107.608

54,7%

2.438

1,2%

fev/12

185.483

78.953

46,7%

104.784

56,5%

1.746

0,9%

mar/12

220.172

88.445

35,9%

129.404

58,8%

2.323

1,1%

abr/12

189.232

73.014

46,7%

114.158

60,3%

2.060

1,1%

mai/12

210.216

85.432

34,7%

122.532

58,3%

2.233

1,1%

jun/12

275.929

120.194

31,0%

153.905

55,8%

1.830

0,7%

jul/12

281.420

117.366

42,7%

162.179

57,6%

1.875

0,7%

ago/12

326.914

133.660

35,9%

191.167

58,5%

2.087

0,6%

Data

Fonte: Anfavea/Inepad

LICENCIAMENTO

POR CATEGORIA

AUTOMÓVEIS

Unidades 250.000

200.000

150.000

100.000

50.000

1000cc

Fonte: Anfavea/INEPAD

TAXA

DE JUROS PREFIXADOS

PESSOA FÍSICA (R$

CRÉDITO PESSOAL

+ 1000cc a 2000cc

TAXA DE JUROS Variação p.p.

% a.a.

3,75

0,17

55,50

3,10

3,47

-0,28

50,60

-4,90

3,87

0,40

57,80

7,20

3,75

-0,13

55,50

-2,30

4,31

0,56

65,90 10,40

4,11

-0,20

62,10

-3,80

9.442

3,90

-0,21

58,30

-3,80

-0,50

9.340

4,10

0,19

61,90

3,60

26,00

-0,50

9.206

4,17

0,07

63,30

1,40

-0,17

23,43

-2,57

9.327

3,98

-0,19

59,75

-3,55

1,58

-0,19

20,70

-2,73

9.245

4,02

0,04

60,50

0,75

1,60

0,02

20,95

0,29

9.142

3,92

-0,11

58,56

-1,94

1,57

-0,03

20,52

-0,43

9.345

3,94

0,03

59,06

0,50

a.a.

Saldo total R$ milhões

% a.m.

Variação p.p.

% a.a.

Variação p.p.

Saldo total R$ milhões

% a.m.

0,05

49,60

0,90

163.928

2,17

-0,01

29,40

-0,10

9.027

0,01

49,70

0,10

167.297

2,11

-0,06

28,50

-0,90

9.204

3,56

0,14

52,20

2,50

168.658

2,11

-0,01

28,40

-0,10

9.013

3,36

-0,21

48,60

-3,60

170.554

2,03

-0,08

27,20

-1,20

9.180

241.653

3,33

-0,02

48,20

-0,40

173.302

1,96

-0,07

26,20

-1,00

9.349

244.758

3,45

0,12

50,30

2,10

174.681

2,00

0,04

26,80

0,60

9.291

fev/12

248.147

3,47

0,02

50,60

0,30

176.191

2,01

0,01

27,00

0,20

mar/12

250.980

3,37

-0,10

48,80

-1,80

177.546

1,98

-0,03

26,50

abr/12

255.260

3,13

-0,24

44,70

-4,10

178.077

1,94

-0,03

mai/12

260.152

2,93

-0,20

41,41

-3,29

178.494

1,77

jun/12

265.356

2,82

-0,11

39,60

-1,81

182.154

jul/12

267.863

2,84

0,02

39,94

0,36

183.914

ago/12

272.027

2,80

-0,03

39,43

-0,51

186.133

Saldo total R$ milhões

% a.m.

Variação p.p.

ago/11

232.571

3,41

set/11

235.550

3,42

out/11

238.201

nov/11

241.597

dez/11 jan/12

%

ago/12

AQUISIÇÃO DE BENS – OUTROS

TAXA DE JUROS Variação p.p.

Mês/ ano

+ 2000cc

MILHÕES)

AQUISIÇÃO DE BENS – VEÍCULOS

TAXA DE JUROS

jul/12

jun/12

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

out/11

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Fonte: BC/Inepad

outubro/novembro 2012 FINANCEIRO 65


palavrafinal

Por Gustavo Loyola

Em diversas declarações nas últimas semanas, autoridades do Ministério da Fazenda desnudaram aspectos da atual política econômica que fazem soar alarmes sobre a manutenção da estabilidade monetária e do crescimento sustentado nos próximos anos. Em particular, o ministro Mantega deixou explícita a migração para um regime administrado de taxas de câmbio, assim como constrangeu o Banco Central com afirmações sobre a trajetória futura das taxas de juros. Na mesma toada, divulgou-se a retomada da maquiagem das contas públicas, por meio do resgate antecipado de títulos públicos em poder dos bancos federais para viabilizar pagamento de dividendos ao Tesouro e consequente geração de resultado primário. Muito embora os riscos inflacionários no curto prazo sejam relativamente baixos por razões conjunturais, a combinação persistente de uma política de câmbio administrado com a ausência de autonomia do Banco Central na execução da política monetária pode conduzir, no médio prazo, a uma situação de risco para a estabilidade, notadamente se confirmada a tendência de redução do superávit primário (não maquiado) nos próximos anos. Se assim ocorrer, o potencial de crescimento da economia ficaria gravemente comprometido nos próximos anos. O que se observa é a obsessiva desconstrução da receita de política macroeconômica que vinha até aqui dando bons resultados em termos de crescimento econômico e de controle inflacionário. Não se negava a necessidade de avançar em vários aspectos da política macroeconômica, como no caso das elevadas taxas reais de juros do Brasil quando comparadas com as vigentes no resto do mundo. Igualmente, a situação difícil da indústria brasileira em termos de competitividade merecia políticas governamentais específicas. Contudo o desmonte gradual do “tripé” macroeconômico – regime de metas para a inflação, câmbio flutuante e responsabilidade

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fiscal – não pode ser caracterizado como avanço, ainda que possa agradar certos grupos de pressão próximos ao governo. Uma particular preocupação, agravada nas últimas semanas, se refere às políticas fiscal e creditícia do governo federal. Como se sabe, no ano passado o governo obteve um bom resultado fiscal primário, acima dos 3% do PIB, revertendo trajetória de deterioração observada no final do governo Lula. Porém, neste ano e em 2013, a perspectiva é de redução do superávit, principalmente tendo em conta a queda no crescimento da arrecadação, pelo menor ritmo da atividade e pelas desonerações que vêm sendo promovidas pelo governo. Mais grave ainda é a volta da maquiagem das contas públicas, por meio do acionamento da “máquina de inchar superávit primário” que é o moto-perpétuo da capitalização dos bancos públicos (notadamente o BNDES) via emissão de dívida pública e da simultânea distribuição de dividendos para o Tesouro. Desse modo, a situação atual traz incertezas nos agentes econômicos sobre o grau de comprometimento do BC com a meta de 4,5%, o que se reflete, aliás, nas expectativas capturadas pela pesquisa Focus, que antecipam uma variação do IPCA acima de 5% em 2012 e também nos próximos dois anos. Por enquanto os prejuízos dessa “nova” política macroeconômica são pouco perceptíveis. Além disso, há certa opacidade nessas mudanças em virtude do próprio ambiente excepcional vivido pelas economias desenvolvidas que, para alguns, perdoa quaisquer pecados cometidos abaixo da linha do Equador. Contudo está semeada a dúvida sobre qual será a reação do governo, caso a inflação volte a se acelerar no futuro. f Gustavo Loyola é doutor em economia pela EPGE/FGV, ex-presidente do Banco Central e atual sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada

Foto: Divulgação/Artigo publicado originalmente no jornal Valor Economico em 1º de outubro

Uma estranha e perigosa política


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Financeiro 77 - Outubro 2012  

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