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financeiro

financeiro arevistadocrédito edição

76 ago set

agosto/setembro 2012 edição 76

Em evidência

DIANTE DA CRISE ECONÔMICA QUE ASSOLA O MUNDO, BRASIL TEM UM CENÁRIO DE OPORTUNIDADES PARA VAREJISTAS E INVESTIDORES. PORÉM É PRECISO TER CAUTELA PARA ADENTRAR NESSE MERCADO

ENTREVISTA PRESIDENTE DA FENAUTO FAZ RETRATO DO SETOR AUTOMOTIVO

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conteúdofinanceiro

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Entrevista do Mês

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Tendências

Ilídio Santos, presidente da Fenauto, fala sobre os

Startups somam mais de seis mil empresas.

percalços do setor automotivo

Expectativa é de crescimento contínuo

Panorama financeiro

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Cenário Macroeconômico

Economista fala sobre a situação brasileira em meio

Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados,

às turbulências

aponta as expectativas para este ano

Pagamento On-Line

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Cadastro Positivo

Ferramentas na internet trazem segurança para o

Dorival Dourado, presidente da Boa Vista

comércio, mas ainda despertam a desconfiança

Serviços, aborda os benefícios do banco de dados

Capa Acrefi debate as atrativos econômicos

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Happy Hour

no Brasil e enfatiza que é preciso cautela

Restaurante A Bela Sintra traz as lembranças e

na oferta de crédito

as vivências de um chef português

Tecnologia

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Mercado

Instrumentos criam um novo conceito aos bancos,

Crivo TransUnion apresenta novas propostas

proporcionando mais agilidade e conforto

para o setor de crédito de dados

Crédito Regional

artigos

Financeiras do Estado do Rio Grande

66 Alberto Borges Matias Análise e Perspectivas

do Sul são responsáveis por 16% do volume

54 Cássio Penteado Questão Jurídica

de crédito do Brasil

66 Carlos Thadeu de Freitas Última Palavra agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 3

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expediente financeiro ISSN 1809-8843

Publicação da Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Líbero Badaró, 425 – 28o andar – São Paulo – SP Tel: (11) 3107–7177 Fax: (11) 3106–6082 – www.acrefi.org.br Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Aquiles Diniz, Bartholomeu Ribeiro, Carlos Alberto Samogin, Claudio Ferro, Décio Carbonari de Almeida, Élcio Azevedo, Elias de Souza, Felicitas Renner, Luis Félix Cardamone Neto e Luis Otávio Matias Secretário Sérgio Cipovicci Tesoureiro Alexandre Teixeira Diretores Regionais Ciro Pitangueira de Avelino, José Agnelo Seger, Leonardo Dadauto, Luiz Carlos do Nascimento, Paulo Dalla Nora, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Pedro da Costa Carvalho e Sebastião Cunha Diretores-Executivos João Carlos de Souza Caritá, Mara Lygia Prado e Rubens Bution Montadoras Edson Froes, Edson Ueda, Eduardo Varella, Felipe César Rodrigues Ferreira, Gunnar Murilo, Joelcyr Carmello e Nelson Aguiar Diretores Conselheiros José Carlos Alves, Leonel Andrade e Wanderley Vettore Conselho Consultivo Alkindar de Toledo Ramos, Manoel de Oliveira Franco, Ricardo Malcon, Décio Carbonari de Almeida, Flávio Antonio Meneghetti, Ilídio Gonçalves dos Santos, Júlio Avelar, Miguel José Ribeiro de Oliveira, Ricardo Loureiro e Rogério Pinto Coelho Amato Conselho Fiscal Domingos Spina, Sérgio Darcy Geraldo Lima Wandalsen e Marcus André de Oliveira Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Controller Carlos Alberto Marcondes Machado Economista-Chefe Nicola Tingas Consultor-Jurídico André Luiz Lopes dos Santos Auditoria Pricewaterhousecoopers Assessoria Contábil Silveira & Lavorini Contabilidade Assessoria de imprensa Tamer Comunicação Empresarial

Rua Novo Horizonte, 311 – Pacaembu – São Paulo – SP Tel.: (11) 3125–2244 – CEP 01244-020 – www.gpadrao.com.br Publisher Roberto Meir REDAÇÃO Editora-executiva Patrícia Lucena Editora-assistente Juliana Jadon Reportagem Flávia Corbó, Paulo Gratão e Raquel Sena Fotografia Douglas Luccena Arte Projeto e designer gráfico Artma Design Gráfico designer Érika Bernal Revisora Dora Wild Publicidade Diretora Comercial – Fabiana Zuanon – fzuanon@gpadrao.com.br Gerente Comercial – Marco Góes – mgoes@gpadrao.com.br Gerente de Negócios – Adriana Próspero – aprospero@gpadrao.com.br Impressão IBEP Gráfica Ltda.

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editorial

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Código de Defesa do Consumidor, que completa em setembro 22 anos, foi sem dúvida uma das grandes conquistas da sociedade brasileira. Desde então o consumidor passou a ter seus direitos reconhecidos, o que resultou em benefícios para toda a economia. Chama a atenção, no entanto, que depois de tanto tempo ainda não se tenha atentado devidamente para a educação dos consumidores. Governo e órgãos de defesa do consumidor têm atuado mais na linha da superproteção do que na abordagem educacional, que seria muito mais efetiva. Definir os direitos é uma etapa de grande importância, mas não se pode negligenciar a orientação para evitar que se perpetuem situações como a atual, em que não se trata o consumidor como um cidadão consciente e, sim, como alguém que deve ter uma postura passiva, apenas esperando que seus direitos, mesmo que questionáveis, sejam plenamente atendidos. Não é uma situação sustentável no longo prazo e nem traz benefícios efetivos para nenhuma das partes envolvidas.

Foto: Flávio Roberto Guarnieri/ Artigo enviado em agosto

A verdadeira defesa do consumidor Situações como essa são contraproducentes, principalmente para os cidadãos. A conquista de direitos sem dúvida é importante, mas não se pode esquecer que em uma relação comercial, qualquer que seja ela, existem duas partes envolvidas. E ambas têm direitos, que devem ser rigidamente seguidos para evitar um desbalanceamento prejudicial a todos. Consumidor consciente é o que tem seus direitos respeitados e também sabe que na outra ponta existem cidadãos e empresas com direitos e obrigações. Se ele não tem informação sobre isso, fica à mercê dos que supostamente o defendem – mesmo que essa “ajuda” não seja solicitada e nem tenha como base a realidade do dia a dia da economia. O tema é delicado e falar sobre ele significa correr riscos. É mais fácil assumir a postura de “avestruz”, fingindo que não se enxerga a realidade. Mas os que realmente trabalham a favor do verdadeiro aperfeiçoamento da economia não podem se omitir. Se o quadro atual se prolongar, o consumidor continuará a se sentir supostamente protegido, quando na realidade ficará nas mãos de quem fala em nome dele sem conhecer a fundo o que está se passando. Assim como acontece na educação de nossos filhos, excesso de proteção a qualquer segmento da economia pode até ser bem intencionada, mas não produz resultados eficientes. Por isso, é preciso ter respeito ao consumidor e tratá-lo como ele é: cada vez mais informado e ciente de seus direitos e deveres. Só assim será possível prepará-lo para se tornar um verdadeiro consumidor. Os exemplos de outros países mostram que essa é a postura a ser adotada quando a meta é ter uma economia madura e um país melhor para os cidadãos.

Érico Sodré Quirino Ferreira Presidente da Acrefi agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 5

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nossasassociadas

ACFI – Aymoré Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

Banco Toyota do Brasil S.A.

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Caixa Econômica Federal

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HSBC Bank Brasil S.A. Banco Múltiplo

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Omni S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

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Portoseg S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

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Santana S.A – Crédito, Financiamento e Investimento

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Fotos: Edvaldo Luccena

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Há 41 anos atuando no mercado de automóveis seminovos e usados, Ilídio dos Santos, presidente da Fenauto, conta um pouco sua história e os principais desafios do setor, principalmente em relação à alta inadimplência do País

Ideal em servir Por Patrícia Lucena O primeiro carro ninguém esquece. E com Ilídio dos Santos, presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), não foi diferente. O seu contato com o setor de automóveis nasceu no dia em que decidiu comprar seu primeiro carro zero quilômetro. Santos conta que só foi bem atendido na quinta concessionária que entrou e, a partir disso, percebeu que deveria montar uma loja de automóveis e ganhar no atendimento. “Não podemos passar pela vida apenas por passar. Temos de fazer alguma coisa sempre”, acredita ele. Pensando assim, o executivo diz que levanta todos os dias com o objetivo de compartilhar um pouco de sua experiência para ajudar as pessoas. E assim está há 41 anos no mercado automotivo – área que é considerada o motor da economia.

No dia 21 de abril, o governo anunciou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para incentivar a economia, aumentando as vendas de automóveis. Quando o governo reduz a porcentagem de imposto, abre-se espaço para que eles custem menos. Os carros ficam mais baratos, as vendas crescem e aumenta a produção das montadoras, aquecendo a economia. No entanto, tal medida, segundo Santos, pode não beneficiar o setor de seminovos e usados. E aquele atendimento, que lá no início o motivou a entrar de cabeça na área, está bem melhor. Mas o que ele busca mesmo é um maior profissionalismo. Acompanhe a seguir a entrevista exclusiva de Santos concedida à revista Financeiro: Revista Financeiro Quais os principais desafios no mercado automotivo de seminovos e usados? Ilídio dos Santos Em 41 anos que estou nesse ramo, entre tantos planos que já se passaram, nunca senti um mercado tão difícil como o que estamos enfrentando nos últimos seis meses. Hoje, o maior problema está no aperto da aprovação de crédito. A inadimplência estava alta e esse é um dos motivos pelos quais os bancos estão procurando por financiamentos mais seguros. Sou totalmente a favor disso. Mas acho que não podemos manter o mercado sempre igual, para não ter os altos e baixos que tivemos no passado. Antes, existia o financiamento de 60 meses, sem entrada. Acho que não foi muito bom, porque estamos pagando caro por isso até hoje. agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 9

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Quem comprou um carro sem entrada nesse período, e sem saber o que estava fazendo, hoje não consegue mais pagar. E quem arca com as consequências somos nós. Com esse aumento na inadimplência, os bancos limitaram a aprovação de crédito, o que faz com que os negócios diminuam muito.

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Financeiro A redução das taxas de juros beneficia o mercado de alguma forma? Santos Sim, mas o que vai ajudar mais o mercado é se a inadimplência cair e os bancos forem mais maleáveis na aprovação de crédito. As instituições financeiras tomaram essas medidas uma vez que aumentou a inadimplência. Então, para o cenário melhorar é preciso que a inadimplência diminua e os bancos sejam mais flexíveis.

Os revendedores não aguentaram a redução do IPI. Compraram na alta, mas precisam vender na baixa Financeiro O crescimento do mercado automotivo tem relação com a facilidade das vendas a prazo e concessão de crédito? Santos Sem dúvida. O nosso ramo tem muito a crescer, só depende das normas do crédito. No Brasil, estamos muito abaixo dos Estados Unidos e da China, em termos de proporção de habitante por carro. Ainda temos muito a crescer, mas precisamos de regras mais claras, firmes e que perdurem por mais tempo, porque do jeito que estamos, com esses altos e baixos do setor, fica difícil. Por exemplo, fomos surpreendidos com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Somos favoráveis à redução de impostos, mas não para beneficiar apenas as montadoras, como é o caso que estamos vivendo. O governo esqueceu que há toda uma cadeia que também deveria ser olhada, como as concessionárias e os revendedores independentes. Mas, infelizmente, ele vê apenas a produção.

Financeiro Como a redução do IPI atingiu o setor de seminovos e usados? Santos Nós estávamos com um problema de aprovação de crédito e, por isso, as lojas estavam com os carros estocados a um preço alto. Com a queda do IPI, automaticamente os automóveis seminovos e usados também caíram de preço. Com isso, os revendedores ficaram no prejuízo, porque tiveram de vender mais barato do que compraram para não ficar com o carro parado no estoque. Esse também é o motivo pelo qual muitas lojas estão fechando as portas. Os revendedores não aguentaram a redução do IPI. Compraram na alta, mas precisam vender na baixa. E a difícil aprovação de crédito piora ainda mais esse cenário. Financeiro E o que precisa mudar na concessão do financiamento? Santos As instituições financeiras precisam ser mais flexíveis na aprovação do crédito. Essa ainda é a nossa principal modalidade de compra, mas com essa limitação toda fica muito mais difícil. Financeiro Os financiamentos correspondem a que parcela das vendas? Santos Aproximadamente 70% das nossas vendas são financiados. Então, se os bancos apertam o crédito, nós sofremos as consequências. Os bancos lançaram os juros mais acessíveis, mas quem consegue o financiamento no Banco do Brasil e na Caixa Econômica, por exemplo, são apenas os clientes e aqueles que têm um bom relacionamento com o banco. Se o cliente tiver apenas uma conta salário, por exemplo, ele não vai conseguir aqueles juros que estão sendo anunciados. Os juros variam de 0,77% até 2,05%. E as taxas funcionam de acordo com o relacionamento do cliente. Já no caso das financeiras é diferente. Não precisa ser cliente do banco, as operações acontecem normalmente. Existe uma taxa de juros prefixada de acordo com os anos dos carros. Financeiro Com a chegada da nova classe média e o aumento do poder de compra, o mercado de seminovos e usados sai ganhando?

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Santos Com certeza saímos ganhando. Nos últimos quatro anos, adentraram cerca de 40 milhões de consumidores na classe média. Isso é excelente. Mas o problema foi que alguns, infelizmente, não souberam administrar o crédito. Essa inadimplência é fruto das classes C e D que estão entrando agora. Com a liberdade que eles tiveram de crédito, acho que muitos não souberam dosar bem e se endividaram de uma maneira que aumentou a inadimplência. Mas é claro que essas classes são bem-vindas. Elas são compradoras de seminovos e usados, e não de carros zero quilômetro.

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Financeiro Falando um pouco sobre a sua carreira. Qual a principal característica pessoal que ajudou a progredir profissionalmente? Santos Primeiro foi fazer aquilo que eu gosto. Segundo foi o relacionamento. Na minha loja, eu tive sucesso devido ao meu bom atendimento. Isso é uma coisa que eu sempre fiz questão: atender bem todos os clientes, do mais simples até o mais alto graduado. Hoje, estou me dedicando à classe dos revendedores com muito prazer e muita vontade de servir. Eu divulguei em todo Brasil os autoshoppings, por exemplo, porque acredito que esse é o futuro do setor. Hoje, já são 70 autoshoppings em todo o País, onde no mesmo local você encontra 30 lojas bem conceituadas do segmento. O meu segredo é estar há 41 anos fazendo o que eu gosto.

Em 41 anos que estou nesse ramo, entre tantos planos que já se passaram, nunca senti um mercado tão difícil como o que estamos enfrentando

Financeiro E como você avalia o atendimento que lá no início foi a motivação para entrar nessa área? Santos Hoje as concessionárias melhoraram muito o atendimento. Mas uma das coisas que mais busco no meu setor é o profissionalismo, e podemos englobar tudo: atendimento, carros de boas procedências, pós-venda. Ou seja, dentro do profissionalismo, você consegue colocar tudo o que um bom comerciante precisa. Financeiro Em setembro acontecerá o Congresso Nacional da Fenauto. O que o sr. pode nos adiantar? Santos Esse será o primeiro Congresso Nacional da Fenauto, que acontecerá de 12 a 14 de setembro, em Foz do Iguaçu. Estamos levando diversos temas para serem discutidos, todos voltados para o segmento de seminovos e usados. Esse evento será um marco no nosso setor. f

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cenáriofinanceiro panoramafinanceiro

Montanha russa

econômica

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, fala sobre o cenário mundial em meio aos problemas financeiros e a postura brasileira diante dos obstáculos Por Patrícia Lucena

Há pelo menos quatro anos, o mundo vive um sobe e desce econômico sem descanso. Em 2008, eclodiu a crise do subprime nos Estados Unidos, que se alastrou por todos os países. Felizmente, no Brasil, a turbulência foi apenas uma “marolinha”, e em 2009 a economia do País mostrou uma forte recuperação. Mas essa bonança não durou muito, porque em 2011 a crise de dívida da Europa desaqueceu o mundo inteiro mais uma vez. Não é novidade que o cenário global é de baixo crescimento, com algumas chances de presenciarmos uma crise ainda maior. Nesse contexto, qual a posição do Brasil? “O primeiro ano de governo Dilma foi de arrumação da casa, para depois a economia deslanchar. Ou seja, neste segundo ano, deveria aparecer um fortalecimento do País, mas isso não está acontecendo. Esse é o principal motivo pelo qual o governo está começando a adotar medidas que estimulem a economia”, avaliou Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, durante sua palestra sobre as expectativas econômicas para o Brasil no Congresso Internacional de Automação Bancária (CIAB), promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Contudo as iniciativas – queda dos juros, redução de impostos, políticas fiscais mais fortes – parecem não estar adiantando. Goldfajn acredita que, provavelmente, veremos uma recuperação no segundo semestre. “Apesar desse cenário, ainda temos um mercado de trabalho apertado. Isso significa que a probabilidade de desemprego, hoje, está bem baixa.” Se a economia voltar a ficar aquecida, destaca ele, os postos de trabalho serão mantidos, mesmo se o crescimento da economia for lento. Mas se essa elevação

não acontecer, a situação pode ficar ainda pior, já que as empresas estarão produzindo pouco e, por isso, não precisarão de tantos empregados. “A produção está fraca, mas o consumidor está forte. Isso não costuma andar junto por muito tempo. Ou a economia se recupera, ou o consumidor acabará enfraquecido”, ressalta Goldfajn. Segundo ele, quando o consumo e a demanda estão bons, a população está gastando e, com isso, a economia tem mais chances de recuperar. “Mas isso só irá acontecer se as pessoas se mantiverem empregadas.” Pelo mundo

Para este ano, o economista acredita que o mundo deve crescer 1% a menos do que em 2011. Isso porque a zona do euro, que no ano passado avançou 1,5%, deve apresentar um Produto Interno Bruto (PIB) negativo em 2012. A China, que aumentou 12%, deve crescer abaixo de 8%. Apesar disso, a América Latina parece estar em uma posição mais consolidada. “Por ser um continente que não está tão perto da Europa, onde está o problema maior, não nos afetamos tanto”, avalia Goldfajn. A Colômbia, por exemplo, deve crescer 4,7% neste ano, o Peru avançará 6%, o Chile deve registrar um aumento de 4,8%, e até o México irá crescer 3,6%. “Esses são crescimentos absolutamente razoáveis em um mundo com problemas.” Mas há exceções: a Argentina deve crescer apenas 1% e o Brasil, que está em um período ruim, só deve se recuperar no ano que vem, apresentando um PIB de 4,5%.

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Foto: Rafael Rezende/Assunto Digital

“O Brasil estava crescendo 5%. Houve uma época que avançou 7%. Foi quando tivemos a crise e a economia desacelerou muito. Mas, em 2009, voltamos rápido. Acho que ficamos mal acostumados com essa retomada. Nossas projeções foram muito otimistas e agora somos surpreendidos com uma recuperação mais lenta”, analisa o economista. A desaceleração mais forte do Brasil em relação aos outros países da América Latina, na opinião de Goldfajn, tem a ver com o fato de o País ter exagerado em seu otimismo. “Levamos a nossa inflação a 7,5% e depois tivemos de apertá-la. Isso fez com que subíssemos os juros para 12,5%. Precisamos implantar diversas medidas macroprudenciais para restringir o fiscal. Exageramos na retomada da crise de 2008 e, agora, nosso enfraquecimento veio mais forte.” Enquanto isso, segundo o economista, os outros países adotaram uma postura mais moderada, com políticas mais limitadoras, o que permitiu que o crescimento se tornasse mais sustentável. Mas Goldfajn dá um conselho: “não conheço nenhum país que tenha se desenvolvido de forma consistente e, ao mesmo tempo, não tenha melhorado de uma maneira substancial a sua educação. E no caso do Brasil isso é ainda mais relevante, porque não faltam apenas pessoas qualificadas para se formarem, mas já estamos com escassez de profissionais agora”. Expectativas

O Brasil avançou, distribuiu melhor sua renda e, consequentemente, criou uma nova classe média. Para isso

acontecer, as reformas realizadas no passado foram fundamentais. Um país com desemprego baixo e um alto índice de confiança do consumidor é a avaliação que Goldfajn faz do Brasil. “O PIB desacelerou, mas o mundo é outro para o consumidor. Há dois países aqui: um que precisa se recuperar, já que houve uma queda na produção, e outro do consumo, que está relativamente bem”, completa. O mundo, segundo o economista, está vivendo um cenário de pouco “A produção crescimento. O reflexo disso no Brasil está fraca, é um maior atraso na recuperação mas o econômica. “Mas esperamos uma consumidor retomada neste ano. A inflação está está forte. Ou menor, mas ainda acima da meta. Os a economia se juros devem cair para 7,5%, no mínimo. E o câmbio, em um cenário norrecupera, ou mal, deve fechar o ano em R$ 1,90.” o consumidor Sobre a crise na Europa, Goldfaacabará jn não acredita que termine logo. “Se enfraquecido” acabar nas próximas semanas é porIlan Goldfajn que teve crise. E se não tiver um fim é porque estamos ‘levando com a barriga’. Não teremos uma solução definitiva no curto prazo.” Em sua opinião, o que faz os investimentos subirem são três pontos: estabilidade, manutenção das regras do jogo e garantir certa rentabilidade. Um futuro cheio de previsões e incertezas. Esse é o cenário mundial e doméstico. Não podemos afirmar o que vai acontecer, apenas acompanhar, esperar e tentar aprender algo com cada erro. f agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 15

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pagamentoon-line

Por Paulo Gratão

Segurança (sem prejuízos) nas compras on-line

Fim do expediente. Depois de um longo dia, o consumidor passa em um supermercado para uma pequena compra. Nada de importante, apenas alguns doces para espairecer. Ainda na fila, percebe que não há máquina de cartão disponível no caixa. Atenta-se ao fato de que o balconista orienta o cliente a atravessar a rua para passar o cartão em outra loja da mesma rede, mas tem apenas uma máquina. Intuitivamente, o consumidor nem espera sua vez. Deixa as compras perto do caixa e sai do mercado. Uma venda perdida para o

estabelecimento, entre tantas outras que devem seguir o mesmo caminho. Poucas são as pessoas que não se identificam com o relato acima. A comodidade e os meios digitais fizeram com que tudo se torne cada vez mais prático. Qualquer empecilho já é motivo para desistência do cliente e perda de vendas para o varejista. Se isso pesa no mundo real, imagine o estrago que é capaz de fazer no virtual, em que o planeta gira ainda mais rápido? Em 2011, o varejo virtual faturou R$ 18,7 bilhões, segundo o relatório

Fotos: Douglas Luccena

Ferramentas que intermediam pagamentos pela internet podem trazer confiança para o e-commerce, mas afugentam os consumidores. Como reverter isso?

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A necessidade de deixar o site da loja para efetuar um cadastro em outro endereço virtual faz com 25% dos consumidores desistam da compra Webshoppers elaborado pela E-bit, ou seja, um valor expressivo para colocar em risco. E a tendência é só aumentar, já que o número de internautas no Brasil chegou a 82,4 milhões de usuários em 2012, segundo o instituto IBOPE Nielsen. A complexidade e desconforto no momento de realizar pagamentos on-line podem ser percebidos por meio de ferramentas que intermediam as transações entre o cliente e o e-commerce. A necessidade em deixar o site da loja para efetuar um cadastro em outro endereço virtual faz com 25% dos consumidores desistam da compra, segundo Igor Senra Magalhães, presidente da Moip, empresa que desenvolve solução para intermediação de pagamentos para lojas virtuais. “O objetivo de remeter o cliente para outro site é aumentar a credibilidade, mas passou a ter uma conotação negativa. Por isso, investimos em uma ferramenta que utiliza a mesma estrutura do e-commerce para melhorar a experiência”, comenta. Gestão de risco

Mas a comodidade do cliente não é o único objetivo que uma ferramenta dessas deve ter. A segurança, tanto para o varejista quanto para quem compra, é essencial. Magalhães explica que isso faz diferença.

Ricardo Grandinette, da LikeStore “Antes, o Brasil tinha 3 anos de atraso em relação ao social commerce global, hoje esse período caiu para 1 ano”

Criando negócios no Facebook As redes sociais se tornaram muito mais do que um mero canal de comunicação entre usuários independentes. Para muitas empresas, as ferramentas são agora ambientes de negócios com resultados significativos, assim como a LikeStore. O crescimento intenso no uso de redes sociais no País e a pouca exploração comercial chamaram a atenção dos empresários que trouxeram o conceito para cá. “Há um ano o mercado brasileiro queria entrar no Facebook, mas não sabia por quê. De uns tempos para cá ficou mais claro como deveria ser essa atuação, em termos de estratégia comercial. Para cada perfil de cliente temos uma finalidade específica”, explica Grandinette, da LikeSrore. O executivo destaca que a intenção do social commerce, ou f-commerce, não é acabar com o e-commerce. Reinventar, agregar ou complementar seriam as atribuições mais justas no seu ponto de vista. “Um grande varejista on-line não vai ter uma loja no Facebook, ele pode usar sua fan page para divulgar seus produtos, pois à medida que alguém curte um produto, ela recomenda para outras pessoas. E é provado que 92% dos consumidores têm mais confiança em indicações de amigos do que em propaganda. Por outro lado, o nosso cliente que mais fatura não tem site, mas apenas uma página da loja na rede social. Tem um grande espaço para crescimento no Brasil, mas o e-commerce já está estabelecido”, diz o gerente da LikeStore.

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pagamentoon-line

compra, o ímpeto de realizar o pagamento”, diz. O custo para adesão das empresas é zero, tendo como vínculo apenas o valor cobrado por transação, de acordo com o volume. Apesar de manter a máscara do site, os dados do consumidor são protegidos e não são registrados pelo e-commerce. Confiança no social commerce

Igor Senra Magalhães, do Moip “O objetivo de remeter o cliente para outro site é aumentar a credibilidade, mas passou a ter uma conotação negativa”

“O Moip avalia a qualidade do vendedor: se a transação não for concluída, o valor pago é devolvido ao cliente. Por outro lado, temos 420 variáveis que analisam o perfil do consumidor e identificam fraudadores”, garante o executivo. Mais do que pagamento, o Moip auxilia a empresa com sua gestão de risco. Ao fazer o cadastro pela primeira vez em uma loja, o cliente não será obrigado a repetir o processo nas outras visitas, pois terá deixado seu “rastro”. Já quando visitar outros e-commerces, o sistema conseguirá mapear o perfil de compras do cliente e identificar possíveis fraudes. Magalhães afirma que manter o cliente na mesma interface do e-commerce de origem para o preenchimento do cadastro rende um aumento de 30% nas vendas. “Quando sai do site, o consumidor perde o impulso da

Em 2011, o varejo virtual faturou R$ 18,7 bilhões e a tendência é só aumentar, já que o número de internautas no Brasil chegou a 82,4 milhões de usuários em 2012

Faz apenas um ano que a LikeStore está em operação efetivamente, mas já tem história pra contar. A empresa possibilita a criação de lojas no Facebook, proporcionando o chamado social commerce. Atualmente, a rede social conta com 46 milhões de usuários no Brasil, segundo relatório do site SocialBakers. “Antes, o Brasil tinha três anos de atraso em relação ao mercado global, hoje esse período caiu para um ano. Temos mais de sete mil lojas montadas no Facebook. A maior delas tem faturamento de mais de R$ 60 mil”, explica Ricardo Grandinette, gerente de produtos da LikeStore. E é nesse ambiente de curtir, compartilhar, comentar, adicionar, excluir e vigiar que a parceria da LikeStore com o Moip existe. Como a ferramenta de pagamento tem como propósito utilizar a mesma interface do varejo de origem, a página que serve de base para a coleta de dados e triagem de segurança é o próprio Facebook. “Isso ajudou muito a aumentar nossos níveis de conversão. O Moip melhorou nossas políticas de risco. Conseguimos desenhar o checkout da melhor forma para aperfeiçoar a experiência do consumidor.” Dessa forma, o consumidor tem a impressão de permanecer na rede social enquanto insere seus dados, mas na verdade a rede de Zuckerberg não tem acesso a nenhum dado dele, atuando apenas como máscara. Em um ambiente atrativo, e ao mesmo tempo hostil como a internet e as redes sociais, investir em segurança no recebimento por serviços e produtos é mais do que comodidade para o varejo ou para as empresas que queiram iniciar sua jornada no social commerce é fundamental. f

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Holofotes no Brasil A classe média brasileira atrai investidores e empreendedores de diversas partes do globo. No entanto é preciso ter cautela no momento de ofertar crédito para essa fatia do mercado

Por Juliana Jadon Um novo ano de ouro para a economia brasileira, com o mesmo crescimento vigoroso do Produto Interno Bruto (PIB) apresentado em 2010 em comparação com o ano anterior, de 7,5%, passa distante das atuais previsões de economistas e especialistas. De acordo com o relatório “Focus”, divulgado em junho pelo Banco Central (BC), a previsão de crescimento desse indicador para 2012 caiu de 2,53% para 2,3%. Outro alarde para o nosso atual cenário econômico é o nível de inadimplência do consumidor e a elevada carga tributária que recai sobre as empresas. Mesmo assim, o mundo olha para a classe média tupiniquim como um mercado oportuno. Somente em 2011 cerca de 2,7 milhões de pessoas emergiram para essa fatia, que passou a ser representada por 103,54 milhões de brasileiros, de acordo com a pesquisa “O Observador”, encomendada pelo banco Cetelem BGN e feita pela Ipsos. Com tantas mudanças, é preciso que varejistas e investidores trabalhem com cautela o mercado consumidor brasileiro. O tema foi desenvolvido

durante o evento “Varejo e as oportunidades de investimentos no Brasil”, promovido pela Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimentos) em parceria com a Serasa Experian. Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa Experian, lembra que o crescimento da classe média nos últimos anos é resultado da política de benefícios para a população, além do aumento real da renda do brasileiro e do emprego formal, com carteira assinada. O cenário é positivo, mas essa mobilidade social, diz ele, fez com que o risco da oferta de crédito aumentasse. “Acreditamos na economia brasileira, mas temos alguns desafios, como o de ampliar a educação financeira, principalmente quando se trata de classes que ainda não tinham acesso ao crédito”, ressalta. O executivo notou que a relação crédito–PIB do País é crescente e está atualmente em 49,6%. No entanto, diante do panorama global e da experiência de outros países, esse montante ainda é baixo. “Antes de nos preocuparmos com o crescimento do crédito, precisamos pensar na qualidade ofertada, sem deixar subir a inadimplência do País”, aponta.

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capavarejoeinvestimentos Apesar de a classe média brasileira ser mais pobre em relação aos outros países ao redor do mundo, esses consumidores são considerados um mercado potencial, tanto por investidores quanto para empresas prestadoras de serviços e varejistas

Érico Ferreira, da Acrefi “A educação financeira é algo importante devido à entrada de novos consumidores e clientes bancários no mercado”

Ele sabe do que fala. De acordo com a Serasa Experian, 22% da renda mensal do consumidor está comprometida com o pagamento de dívidas. Essa relação do salário com o endividamento é preocupante e está acima de outros países avaliados – nos Estados Unidos, por exemplo, esse patamar é de 16%. Mas nem tudo está perdido. Uma iniciativa de educação financeira da Serasa Experian na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, deixou os executivos da empresa surpresos. “Há uns cinco

anos o consumidor da baixa renda culpava o banco pela sua situação financeira. Isso já não ocorre mais. Há uma mudança na atitude dessa parte da população em relação ao dinheiro. Hoje, ela reconhece que está com o nome no cadastro negativo porque usou o crédito de maneira errônea”, conta. Para Almeida, chama a atenção a baixa renda procurar mais crédito do que as demais classes sociais em algumas regiões do País. As classes E e A são as que mais utilizam esse produto financeiro. Todavia na A

isso ocorre com o intuito de investir e ampliar o patrimônio, enquanto na classe mais baixa o uso desse serviço financeiro é feito por motivos de consumo. Por isso o Cadastro Positivo se torna tão importante para o mercado de crédito, na avaliação do executivo da Serasa. “Esse banco de dados será uma grande solução para a economia brasileira e para a qualidade do crédito ofertado. O cliente que pagar as contas em dia terá o crédito com as menores taxas, pois representará um risco mais baixo para as instituições”, coloca Almeida. “Vivemos um momento de ajuste da alavancagem econômica. Essa segunda onda de oferta de crédito direto ao consumidor no Brasil será, felizmente, mais focada nos bons pagadores”, observa Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi. A vez de quem?

Apesar de a classe média brasileira ser mais pobre em relação aos outros países ao redor do mundo, esses consumidores são considerados um mercado potencial, tanto por investidores quanto para empresas prestadoras de serviços e varejistas. Mas até que ponto o governo vai conseguir sustentar uma economia baseada em incentivos ao consumo? O questionamento foi feito, durante o encontro, por Samantha Pearson, correspondente em São Paulo do jornal britânico “Financial Times”. Para Samantha, quando o investidor estrangeiro olha para o Brasil, ele avalia o aumento da classe média e do consumo da população.

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Carlos Henrique de Almeida, da Serasa Experian “Acreditamos na economia brasileira, mas temos alguns desafios, como o de ampliar a educação financeira”

Samantha Pearson, do ‘Financial Times’ “Ainda que o crescimento do País seja pequeno, há oportunidades para mudar”

Guilherme Athia, da Nike do Brasil “A Copa do Mundo deve ser a largada para incluir o esporte como agenda econômica, social e cultural brasileira. Queremos levar o nosso conhecimento para ajudar políticas de incentivo”

Mas, segundo ela, essa classe média para o resto do mundo é carente, pois ganha menos que em outros países, como nos Estados Unidos, por exemplo. Mesmo com esse cenário, aponta ela, existem sinais do vigor da economia brasileira. Se a classe média tem poucos recursos, há outra fatia da população cheia deles. De acordo com estudo do banco francês BNP Paribas, em 2010 foram criados 22 milionários por dia no Brasil, demonstrando que a população está enriquecendo. Alguns exemplos de como o País está se fortalecendo foram citados por Samantha. No Maranhão, o PIB deve crescer cerca de 7,5% neste ano, o que é um paraíso para o investidor estrangeiro. Já a Pepsico vai ampliar seus investimentos no País em R$ 5 bilhões devido ao crescimento das classes emergentes. O e-commerce faturou R$ 23,4 bilhões no final do ano passado. “Ainda que o crescimento do País seja pequeno, há muitas oportunidades para mudar”, avalia ela. Apesar desse aumento, pondera Samantha, o Brasil cresceu menos do que o Japão no primeiro trimestre deste ano. “O que é curioso é que ainda permanece uma imagem de que há um boom financeiro no País. Alguns especialistas nos dizem que é uma economia de dois gumes. Enquanto cai a produção industrial, as vendas não param de crescer”, ressalta. E, ainda, segundo o Banco Central do Brasil, 45% da renda anual do brasileiro está comprometida com o não pagamento. “Nosso receio é de que o espaço para o agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 23

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crescimento do consumo esteja se esgotando devido ao endividamento”, alerta a correspondente. Cenário positivo

Segundo Paulo Rabello de Castro, economista da RC Consultores, o cenário internacional mostra que estamos diante de uma

A importância do esporte Nos Estados Unidos, o esporte é parte importante da cultura e recebe fortes incentivos do governo. Guilherme Athia, diretor de relações públicas e governamentais da Nike do Brasil, acredita que esse exemplo pode ser seguido pelo Brasil. “A Copa do Mundo deve ser a largada para incluir o esporte como agenda econômica, social e cultural brasileira. Queremos levar o nosso conhecimento para ajudar políticas de incentivo ao esporte. Nesse sentido, vamos investir no Brasil, assim como fizemos na África do Sul”, diz ele. No Brasil, a Nike já patrocina o esporte em algumas comunidades. “Essa é uma relação em que todos ganham. Pais gostam, por exemplo, de ver os filhos praticarem esportes, além da questão da saúde, na qual essa prática tende a diminuir gastos no futuro”, avalia. Com 30 lojas próprias no País, a Nike produz no Brasil praticamente 50% de tudo o que vende em solo verde e amarelo, mas também precisa de produtos importados para atender os clientes com qualidade. Assim, um dos problemas enfrentados pela companhia e por amantes brasileiros da marca é a elevada incidência de impostos sobre o valor dos produtos importados, que impulsiona os preços para cima. No caso dos calçados, por exemplo, a taxa de importação dos que vêm da Ásia para o Brasil é de 35% do valor, além de outros encargos cobrados por aqui que não são praticados ao redor do mundo. “Gostaríamos de ter os nossos produtos acessíveis para a população, sem esse critério econômico de hoje na decisão de compra. Tentaremos trabalhar com as autoridades para diminuir essa incidência de encargos com diferenças gritantes de outros países”, diz Athia. Para driblar a pirataria, com preços bem mais baixos, a Nike só possui dois chutes: a tecnologia e a qualidade dos itens da marca. “Gostaríamos de ter valores mais baixos, mas vemos produtos muito similares aos nossos em aparência, porém com qualidade discutível”, considera.

crise inédita. “Os chamados mercados emergentes, que em 2009 deram um impulso para a economia mundial, estão desacelerando”, analisa. De acordo com Rabello, se o dever de casa não for feito, o Brasil vai perder o bonde. “Continuamos sendo uma área privilegiada, com pequenos impactos da crise, mas estamos jogando fora essa oportunidade”, coloca. Mesmo com os entraves econômicos, o mundo dos próximos anos, segundo o economista, será muito positivo, com mais seriedade financeira por parte das instituições e empresas. “Existem mais classes C e D no Brasil e no mundo para adentrar ao mercado. O varejo não vai entregar a rapadura, mas terá de dar uma parada para arrumar a casa”, compara Rabello. Nesse sentido, destaca Rabello, é preciso de um realinhamento nas políticas públicas brasileiras para haver mais espaço para as empresas crescerem. Ele acredita que o varejo continuará crescendo em muitas áreas, que agora vivenciam um grande boom. “O Brasil é um país que mesmo neste momento de crise econômica possui uma chance de crescimento espetacular. Em minha opinião, 95% do mundo diria que trocaria seus problemas econômicos pelos nossos”, finaliza o economista. f

Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores “O Brasil é um país que mesmo neste momento de crise econômica possui uma chance de crescimento espetacular”

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Novas tecnologias agilizam o atendimento nas agências bancárias e estreitam o relacionamento com clientes

O futuro dos bancos Por Raquel Sena

Filas, burocracia e mau atendimento. A população brasileira enfrenta essas situações quase diariamente ao entrar em uma agência bancária. Porém há esperanças de que esse cenário mude em um futuro próximo, afinal qualidade, eficiência e atendimento personalizado serão os principais diferenciais no banco do futuro. A inserção financeira das classes menos privilegiadas no Brasil cresceu consideravelmente comparada aos outros países: as classes C, D e E já têm acesso a tecnologias como telefonia móvel e internet. Com isso em mente, os bancos brasileiros lutam para acabar com o estigma de ser um setor tradicional e conservador, e buscam atender às expectativas dos clientes. Esse movimento deve-se, em grande parte, à pressão de um novo perfil de cliente, que se torna cada vez mais exigente e sente a necessidade de interatividade virtual.

Na opinião de Viviane Garcia, executiva de soluções financeiras da IBM Brasil, a maior evolução até o momento é a tecnológica, que vem se tornando fator de competitividade entre os bancos, seja para aumentar a capacidade de atendimento ou para reduzir despesas operacionais. “Eles precisam estar preparados para um cenário futurista de relacionamento, que passa por novas plataformas, como smartphones, TVs, blogs e redes colaborativas para atendimento aos clientes e aos parceiros externos. As instituições investem ainda em recursos de realidade aumentada – tecnologia que integra o mundo real com elementos virtuais –, para fornecer informações sobre serviços”, garante. Com relação aos canais físicos, a evolução ainda é necessária. A executiva afirma que a expansão também tem acontecido, mas em menor velocidade e está condicionada

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Inovação O projeto conta com ambiente aconchegante e interativo para que os clientes sejam bem recebidos e tenham um espaço personalizado

à adoção, ou não, de novas tecnologias, como pagamentos móveis por aproximação, que podem reduzir o volume de transações em espécie. “O ambiente atrativo e a transformação do conceito das agências farão a diferença. Líderes da indústria bancária acreditam que as agências serão cada vez mais virtuais e menos presenciais. A ideia é transformá-las em pontos de encontro e de cultura, um espaço com entretenimento conectado com o mundo, sem deixar de lado o contato pessoal com os clientes”, conta Viviane. Soluções inteligentes

Demandas regulatórias mais rígidas, novos canais e produtos, e clientes mais exigentes têm feito com que os bancos procurem por soluções mais avançadas. Levando em consideração esse panorama, a IBM investe US$ 6 bilhões por ano em pesquisas e desenvolvimento de produtos e serviços que auxiliam a inovação tecnológica de seus clientes. agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 27

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tecnologiabancos

Viviane Garcia, da IBM Brasil “Os bancos precisam estar preparados para um cenário futurista de relacionamento”

Com isso, a empresa busca proporcionar aos bancos maior agilidade e flexibilidade, criando plataformas que reduzam os custos dos clientes com tecnologia. “Integramos todas as peças-chave requeridas no data center atual (redes, armazenamento, módulos computacionais, administração), e o resultado é um sistema que pode ser configurado de maneira intuitiva e mantido de forma muito menos dispendiosa, além de escalar automaticamente sistemas como recursos de cálculo, redes e armazenamento, de maneira virtual e instantânea”, conta Viviane. Segundo a executiva, o principal desafio é garantir a execução alinhada àquilo que foi projetado, trazendo não somente os benefícios esperados, mas surpreendendo os acionistas com ganhos acima das expectativas. Conceito que pode virar realidade

Pensando nisso, o arquiteto Daniel Kalil, em parceria com a Cantarino Brasileiro e a Relatório Bancário, criou

uma agência bancária-conceito – apresentada na Casa Cor São Paulo 2012 – com o intuito de tornar a experiência de ir ao banco algo prazeroso, agradável e divertido, agregando conforto, sustentabilidade e tecnologia de ponta. “A flexibilidade dos espaços é um grande diferencial em relação às agências atuais. Pensamos em divisórias móveis de modo que o espaço possa ser local de uma reunião de negócios, bem como um evento de arte para os clientes”, afirma Kalil. Desenvolvido em uma área de 75 metros quadrados, o projeto conta com ambiente aconchegante e interativo para que os clientes sejam bem recebidos e tenham um espaço personalizado. Entre os detalhes estão os caixas eletrônicos maiores com tecnologia touch screen, além de divisórias transparentes que ficam opacas automaticamente, por meio de um sensor de presença – quando o cliente se aproxima – o que garante mais privacidade. Para agilizar o atendimento, o credenciamento dos clientes – realizado na entrada na agência - é feito com tecnologia de reconhecimento facial, o que permite a identificação automática em outros ambientes da agência. Assim, o banco pode apresentar as soluções e os produtos que mais se combinam com aquela pessoa em especial, evitando filas e perda de tempo. A agência traz também um terminal da Tecban, que reconhece o correntista por características únicas das artérias das mãos. Sem deixar de lado a sustentabilidade, o arquiteto criou uma parede verde que conta com sistema de irrigação automático, diminuindo a necessidade de manutenção constante e melhorando a qualidade do ar. O objetivo é que o conceito possa ser aplicado a qualquer agência bancária, de qualquer tamanho, revolucionando assim o futuro do setor bancário. Será que essa moda pega? f

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Por Paulo Gratão

Financeiras que nasceram em cidades do interior do Sul não se limitaram ao Estado de origem e ultrapassaram as fronteiras, chegando a marcar presença em todo o País

Tradicional, rentável e próspero A região que detém as temperaturas mais baixas do País anda bem aquecida no quesito crédito. Segundo o relatório consolidado do Banco Central, as operações de crédito superiores a R$ 1 mil no Sul (Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul) superaram R$ 351 bilhões, o equivalente a 16% de todo o crédito concedido no Brasil, que atingiu R$ 2,167 bilhões em junho. A evolução foi de 21,4% em um ano. O crédito destinado a pessoas físicas respondeu por 47% do total (R$ 167,4 bilhões) e pessoa jurídica a 52% (R$ 184,2 bilhões).

Uma das responsáveis pela concessão de crédito na região nasceu na pequena cidade Dois Irmãos, no interior do Rio Grande do Sul. O município ganhou vida em setembro de 1959 e em menos de um mês depois a madeireira Herval abriu suas portas para os habitantes da região. O empreendimento foi fundado por amigos pertencentes às famílias Seger, Grings, Lauxen e Knorst. Com o tempo, no entanto, se tornou uma empresa familiar. “Hoje os donos são irmãos e primos. É uma empresa de família, mas com foco profissional cada vez

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Fotos: Divulgação

maior, algo que no início não era”, conta Agnelo Seger, presidente do Grupo Herval. Daquela primavera que encerrava a década de 1950 até os dias atuais muitas coisas mudaram na madeireira. Com o passar dos anos, outros braços foram criados a partir da empresa-mãe, chegando a 17 unidades de negócios em dez empresas diferentes no segmento de comércio, indústria e serviços. Esse último recebeu, em 2005, a HS Financeira, que se tornou uma das responsáveis pela concessão de crédito no Sul do País. O Grupo Herval tinha suas próprias prestações de serviço e criou a financeira para ser um complemento disso. “Vimos que era importante ter um instrumento para financiar nossas vendas dentro da empresa. Antes era problemático, pois cada uma tinha sua própria. Então criamos a nossa”, explica Seger. Como o foco maior é atender os clientes do Grupo Herval, a HS Financeira tem produtos direcionados para os consumidores finais, principalmente pessoa física, fornecedores e parceiros. Crédito Direto ao Consumidor (CDC), varejo, cartão de crédito, desconto de títulos, CDC Lojista, crédito pessoal, crédito consignado e capital de giro são os principais produtos. Hoje o grupo tem representações em diversas partes do País por meio da rede de correspondentes bancários, redes internas e correspondentes externos com parceiros comerciais, como as lojas taQi, lojas América, lojas Beden, IF Móveis Pla-

nejados, HP Store, iPlace e MyStore (as duas últimas comercializam produtos Apple). Recentemente, a empresa firmou parceria com o Grupo Sinosserra. Apesar de toda a abrangência, é no Sul que o grupo se sente em casa. “Nossa experiência fora não é tão grande, aqui já temos o histórico de todos nossos clientes, conhecemos um a um”, comenta Seger. Até o fim de junho deste ano, a HS Financeira tinha uma carteira de crédito no valor de R$ 134 milhões, com crescimento de 10% em relação a dezembro de 2012 e de 63% ante o mesmo período de 2010. A financeira conta com 350 mil clientes ativos. Ainda neste ano, a previsão é de um crescimento de 25%, passando a operar com parceiros e clientes fora do Grupo Herval. “Temos a filosofia de dar um passo e consolidá-lo, e na financeira não poderia ser diferente. Queremos oferecer novas formas de financiamento, mas com bastante parcimônia”, afirma o executivo. Crédito apoiado no varejo

Seguindo a mesma linha, a financeira Todescredi foi criada em junho de 2008 com o objetivo de atender os clientes do Grupo Todeschini, que precisavam financiar

móveis planejados em toda a rede no Brasil. “Hoje é umas das únicas instituições financeiras de fábrica do Brasil com a certificação da ISO 9001:2008, adquirida em abril do ano passado”, afirma Emiliano Boaro, gerente-geral da Todescredi. Atualmente, a sede da financeira está em Bento Gonçalves (RS). A Todescredi atua por meio de correspondentes bancários dentro das lojas que compõem a sua marca: nas lojas Todeschini, com o nome de Todescredi, direcionado para os públicos A e AA; dentro das lojas Italinea, como Italineacredi para

Parceria varejista “A principal representação da HS Financeira no Sul está nas lojas taQi”

A concessão de crédito no Sul superou R$ 351 bilhões, o equivalente a 16% de todo o País classes C e B; e nas lojas Criare, como Criarecred direcionado ao nicho AB. “Desde o início, tivemos um forte crescimento com a adesão gradativa das lojas. A Todescredi é mais uma opção de financeira e não uma imposição para os lojistas”, afirma Boaro. A carteira ativa da financeira é de R$ 100 milhões e, desde o seu nascimento, já emprestou mais de R$ 500 milhões por meio de CDC, cessão agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 31

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de crédito e desconto de recebíveis. “Tivemos um crescimento em produção de 35% nesse primeiro semestre, comparando com 2011, e em renda de 14%. Temos como meta para 2012 um crescimento anual de 30%”, diz o gerente. A Todescredi avalia o crédito da mesma forma em todo o País, restringindo-se apenas às características de cada Estado. A meta é crescer e se consolidar dentro das lojas da própria rede. “Hoje, financiamos somente 25% das vendas efetuadas e financiadas pelas lojas. Queremos aumentar esse quadro”, revela Boaro. Tanto a HS Financeira quanto a Todescredi nasceram a partir de negócios já estabelecidos no mercado, mas não se limitaram ao público de origem. Segundo o Banco Central, a inadimplência de crédito no Sul do País atingiu os 3,17% no primeiro

trimestre de 2012. Para Seger, do Grupo Herval, a inadimplência fez com que a procura por crédito aumentasse, pois as pessoas não conseguem pagar o que já estão devendo. Segundo ele, essa é uma possível tendência de alta na demanda das financeiras para os próximos meses. f

Emiliano Boaro, da Todescredi “Desde o início, tivemos um forte crescimento com a adesão gradativa das lojas. A Todescredi é mais uma opção de financeira e não uma imposição para os lojistas”

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Por Flávia Corbó Enquanto cariocas e turistas lotavam as praias do Rio de Janeiro, em março de 2010, três amigos arquitetavam a empresa que seria um fenômeno nacional. Focados em trazer para o Brasil o conceito de compras coletivas, que já começava a estourar no exterior, os jovens fundaram o site Peixe Urbano. O início do negócio foi tímido, mas mostrava ter potencial. Uma equipe de cinco pessoas gerenciava seis mil usuários cadastrados em uma cidade. Hoje, dois anos após o começo das atividades, a empresa conquistou presença em cerca de cem cidades do Brasil, da Argentina, do México e do Chile e conta com mais de 20 milhões de usuários, que economizaram uma quantia superior a R$1,5 bilhão com mais de 40 mil ofertas. O êxito do Peixe Urbano é o sonho de todo empreendedor e pode ser explicado por uma combinação de fatores. Ao apresentar ao brasileiro a ideia de compras coletivas, a empresa criou uma nova necessidade de consumo, até então desconhecida. “O pioneirismo foi essencial para a construção da marca e para que pudéssemos nos estabelecer rapidamente como referência no segmento de compras on-line. Além disso, facilitou a contratação de profissionais e o crescimento exponencial por meio de recomendações dos nossos usuários e parceiros”, avalia Julio Vasconcellos, CEO do Peixe Urbano. Para se justificar, uma startup deve se propor a resolver um problema que as pessoas ainda nem sabem que possuem. “Ideia boa é o que não falta, então buscamos ver na proposta se as pessoas realmente precisam daquilo, se é uma necessidade real. É preciso ter um alinhamento entre o que a empresa entrega e as expectativas do mercado que O cenário econômico e os eventos ela atende”, explica Cezar Souza, diretor de operações da VentureOne, que atualmente oferece suporte a dez esportivos que ocorrerão no Brasil startups brasileiras. criam o momento ideal para o

Tire a ideia do papel surgimento de novos negócios. Mas é preciso estar atento para não deixar entraves, como impostos, burocracia e concorrência acirrada, acabarem com os planos

Mão no bolso

Depois que a ideia da rede de compras on-line se mostrou original e viável, veio o aporte financeiro de investidores para que o negócio decolasse de vez. Em dezembro de 2010, o Peixe Urbano anunciou a entrada do empresário

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Fotos: Douglas Luccena

e apresentador de TV, Luciano Huck, como sócio. Ao final daquele ano, também recebeu investimentos do Monashees Capital e Benchmark Capital, importantes fundos de venture capital do Brasil e do Vale do Silício, nos Estados Unidos, respectivamente. A ajuda de capital externo é fundamental para que as startups possam se estruturar e profissionalizar o serviço oferecido. Para obter o investimento é preciso saber “vender seu peixe” aos investidores em potencial. “Não queremos mais apresentações em Power Point. Buscamos modelos de negócio comprovados, equipes que conseguiram tirar a ideia do papel, que já lançaram alguma hipótese ou um protótipo”, afirma Souza, da VentureOne. Caso o projeto apresentado mostre ter potencial, a investidora entra em ação. A ajuda vem não apenas na parte financeira, mas em todas as frentes. “Se há um plano, colocamos a empresa no caminho. Nós oferecemos acesso a uma rede de mentores da área jurídica, design e financeira. Arrumamos a casa e depois buscamos uma nova rodada de investimento”, relata Souza. Para fazer com que as ideias saiam do plano abstrato, as startups também podem contar com o auxílio de organizações como a Associação Brasileira de Startups (ABS). “Em uma discussão com outros empreendedores, vimos que faltava união e troca de experiência. Veio então a ideia de montar uma associação que unisse e aproximasse as startups e atraísse a atenção de grupos de investimento”, conta Gustavo Caetano, presidente da ABS. A associação funciona como uma empresa de consultoria e orienta empreendedores a montar uma área de RH, a formalizar o departamento de marketing, além de oferecer descontos em serviços como hospedagem de site e assessoria de imprensa. “Também fazemos filtragem para investidores. Quando eles vêm ao Brasil, precisam de um ponto de partida e nos procuram para identificar determinado perfil”, explica Caetano. Obstáculos

Mesmo com uma ideia boa na cabeça e dinheiro no bolso, as empresas iniciantes ainda enfrentam outras bar-

reiras para fazer um novo negócio deslanchar. Não é à toa que o Brasil ficou na 58ª posição no ranking de países mais inovadores divulgado pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual no final do primeiro semestre. “Além de se fazer pouco investimento em inovação, a política tributária é agressiva e a burocracia muito maçante. Isso toma tempo e dinheiro, que poderiam ser repassados para pagar melhores salários”, exemplifica Souza. Para Caetano, da ABS, esses entraves impedem que nasçam no Brasil empresas genuinamente inovadoras como Google ou Twitter. “Somos muito pouco competitivos globalmente. Eles não pagam lá fora o que pagamos de impostos aqui. Com isso, fica difícil criar algo realmente novo. Várias startups brasileiras são cópias fiéis de modelos americanos”, afirma. De acordo com os empreendedores, parte da culpa pela falta de projetos inovadores está dentro das universidades brasileiras. Ainda são poucas que estimulam novas

Julio Vasconcellos, do Peixe Urbano “O mercado tem um enorme potencial, porém nem todas as ideias darão certo. A concorrência é acirrada e existem diversos desafios ao longo do caminho”

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práticas e possuem na grade curricular matérias relacionadas a empreendedorismo. Mas o cenário parece estar começando a mudar. “Existem boas universidades brasileiras, mas falta criar um ecossistema favorável ao empreendedorismo. Durante os últimos dois anos, vi grandes avanços neste sentido. Hoje temos mais eventos, mais fóruns para networking, mais programas de aceleração de crescimento, entre outras iniciativas públicas e privadas”, opina Julio Vasconcellos, do Peixe Urbano, que, assim como muitos

Mesmo com uma boa ideia na cabeça e dinheiro no bolso, as empresas iniciantes ainda enfrentam a burocracia e a pesada carga tributária empreendedores brasileiros, tem formação acadêmica fora do País. Quem chegou lá

Mas mesmo diante de tantos entraves, há aqueles que conquistam o mercado consumidor. Em 2010, Eduardo L’Hotellier e um sócio dedicavam parte de seu tempo ao site experimental Cidade dos Bicos, que propunha a contratação de serviços por meio da plataforma. No ano seguinte apresentaram o protótipo ao fundo de investimentos Monashees Capital e conseguiram um aporte financeiro de R$ 1 milhão. Na época, a empresa passou a chamar-se

GetNinjas. Oito meses depois, receberam uma nova injeção de capital, desta vez da Kaszek Ventures, fundo de investimento liderado por Hernán Kazah e Nicolas Szekasy, ex-executivos do Mercado Livre. “Agora temos um time de 12 pessoas que trabalham tempo integral na empresa. A maior mudança que os investimentos trouxeram foi a possibilidade de atrair talentos que antes não podíamos bancar, pois esse é um tipo de negócio que demora para dar retorno”, explica Eduardo L’Hotellier, CEO da GetNinjas. Para o executivo, o fator inovação foi essencial para que o potencial da

Gustavo Caetano, da ABS “Somos muito pouco competitivos globalmente. Eles não pagam lá fora o que pagamos de impostos aqui. Com isso, fica difícil criar algo realmente novo”

empresa fosse percebido pelos investidores. Há tempos a consulta em listas telefônicas para encontrar determinado prestador de serviços caiu em desuso, mas ainda não havia sido criada uma ferramenta semelhante no mundo virtual. É nesse espaço que entra a GetNinjas, que oferece orçamentos diferentes para cada serviço buscado. E todos os profissionais citados no site passam por uma filtragem, que fornece informações como CPF,

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tendênciastartups

fotos de serviços já realizados e avaliações de clientes. A proposta está sendo tão bem aceita que a GetNinjas foi eleita a startup do ano, na primeira edição do TNW Startup Awards Brasil, premiação que elegeu as melhores iniciativas do País. “Acredito que fomos escolhidos entre outros empreendedores por estarmos em um setor inovador. Plataforma de serviços é um mercado de bilhões de reais, mas que poucas empresas estão atuando. Inclusive nos Estados Unidos não há algo consolidado”, ressalta L’Hotellier. Assim, para aqueles que estão começando e sonham em alavancar seu negócio, L’Hotellier acredita que o primeiro passo é expor sua ideia a outras pessoas e colher o feedback. E caso note que há um verdadeiro interesse pela proposta, seja rápido. “A pessoa não pode esperar que tudo esteja perfeito para começar. É preciso fazer um protótipo simples, que se agradar pode ser aperfeiçoado e conseguir a atenção de investidores. Tem de trocar o pneu com o carro

Cezar Souza, da VentureOne “Ideia boa é o que não falta, mas para se justificar uma startup tem de se propor a resolver um problema que as pessoas ainda nem sabem que têm”

Para quem pretende empreender com sucesso: l l l l l l l

l

Apresente uma ideia que o mercado necessite. Peça feedback a outras pessoas e veja a relevância da ideia. Não demore para tirar a ideia do papel, pois o conceito pode ficar ultrapassado. Tenha uma equipe de trabalho sólida. Faça um protótipo da proposta. Investidores buscam algo palpável. Mantenha o foco e teste a ideia em um mercado pequeno. Escolha os investidores que possam fornecer experiência e contatos, além de aporte financeiro. Reinvente a empresa sempre.

andando. Executar rápido e bem”, afirma o executivo. Expectativas

Há mais de seis mil startups no Brasil, de acordo com dados da ABS. São empresas que possuem amplo potencial de crescimento. A previsão é de que o número cresça devido à visibilidade que o País tem lá fora. “O mercado digital brasileiro está em expansão e os brasileiros estão bastante abertos a novidades. Os fundos de investimento nacionais e estrangeiros estão apostando no País”, avalia Julio Vasconcellos, CEO do Peixe Urbano.

Além do cenário econômico, os eventos esportivos que serão realizados no Brasil ajudam a desenhar um futuro promissor. “Com a vinda de estrangeiros para cá, surgem novas oportunidades e entra mais dinheiro. Alguns estão até fazendo aplicativos voltados para o turismo no Rio de Janeiro”, exemplifica Souza, da VentureOne. Mas mesmo diante de boas perspectivas é preciso ter certa cautela. “Nós somos a bola da vez, mas é fundamental criar empresas que tenham condições de crescer. Muitos dizem que estamos criando uma bolha aqui no Brasil. Há muitas startups levantando grandes quantias de dinheiro, mas precisamos ver resultados. Se isso não acontecer, corremos o risco dos investidores pararem de acreditar no Brasil”, alerta Gustavo Caetano, da ABS. “O mercado é bom e tem enorme potencial, porém nem todas as ideias darão certo. A concorrência é acirrada e existem desafios ao longo do caminho. Portanto não basta ter uma boa ideia, é preciso executá-la bem e rápido, montar um excelente time e reinventar a empresa continuamente”, lembra Vasconcellos. f

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cenáriofinanceiro cenáriomacroeconômico

Por Patrícia Lucena

Farol quase apagado Dados e projeções econômicas fazem com que o mundo esteja rodeado por incertezas. Esperanças por uma economia mais sustentável estão cada vez mais obscuras Não é de hoje que ouvimos dizer que o Brasil é a “bola da vez”, mas, na prática, assistimos a um país em desaceleração e em uma situação muito pior do que seus vizinhos da América Latina. Investidores e especialistas fazem inúmeras projeções, divulgam dados mensalmente e analisam a cada dia a conjuntura econômica mundial. Em meio a tantas turbulências, será que há uma luz no fim do túnel para a economia brasileira? “Vejo nossas dificuldades como um cidadão. E o que eu percebo é que não temos um plano ou um rumo. Duvido que chegaremos a um crescimento de 4,5% do

PIB”, avalia Érico Sodré, presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). Para debater os principais problemas enfrentados e o que podemos esperar para o futuro da economia, a Acrefi promoveu um encontro com o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. “As coisas no Brasil há algum tempo são mal encaminhadas. Se juntarmos isso ao fato de que o mundo está derretendo, percebemos que a economia brasileira está em uma situação bem complicada. ” Atualmente, é praticamente impossível falar do cenário econômico mundial sem passar pela questão europeia, que é o cerne de toda a discussão e de todos os problemas existentes. “Estamos bastante pessimistas. O euro, como foi montado e como existe hoje, não tem a menor capacidade de continuar. Nunca tivemos uma moeda sendo criada sem uma instituição fiscal e política por trás. Essa foi uma experiência”, explica Vale. Mas quando países independentes começam a sofrer uma desaceleração, como Grécia, Espanha e Portugal, problemas de competitividade se agravam e a situação fiscal dos países fica ainda pior, já que essas regiões dependem agora da boa vontade de seus “irmãos” mais ricos. “Temos hoje na Europa países com uma única moeda, mas com uma defasagem cambial enorme. Para resolver isso é preciso um ajuste de custos, que significa diminuir salários ano a ano. Ou seja, essas regiões terão de passar por uma recessão durante muito tempo”, analisa Vale.

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Fim do euro

possivelmente terá uma enorme queda no PIB. Mas, A melhor solução, na opinião do economista, seria ter- depois desse período de crise, Vale pondera que tereminar o euro, aprender com os erros e recomeçar do zero. mos um boom na economia mundial, em que o inves“É fundamental ter uma união política por trás. É preciso timento e o consumo voltarão a alavancar. “Quando começar a pensar na Europa como um país só, com um a zona do euro acabar, teremos países extremamente único presidente e um único parlamento.” Contudo, Vale competitivos devido aos ajustes feitos até agora.” não acredita que isso aconteça nas próximas décadas, o que significa que provavelmente teremos uma Europa que irá E o Brasil? Em 2008, tivemos uma crise internacional em um se desmantelar ao longo dos anos. O maior problema é a incerteza que o mundo de momento em que o País estava relativamente bem. As hoje vive. “Quem vai emprestar dinheiro ou investir políticas macroeconômicas, de crédito e sociais estasem saber o que vai acontecer com a Europa ou com vam estruturadas e, com isso, conseguimos enfrentar os Estados Unidos em desaceleração? Se eu não vejo as turbulências econômicas. Hoje, isso mudou. Alguns fatores com clareza como estará o mundo em estruturais, parte do arcabouço ecocinco ou dez anos, não vou investir nômico, que já não eram bons, estão agora. Vou esperar a situação estabilizar. Então, o mundo está esperando Um processo aflorando com a piora da crise europeia neste momento. “Em 2008, tivemos a o cenário europeu se definir, mas isso de acabar só vai acontecer com a destruição da com a zona crise, a economia desacelerou, houve zona do euro”, afirma Vale. do euro pode uma recessão, mas voltamos a crescer rapidamente. Hoje, temos questões A solução colocada por Vale pode ser a única mais difíceis de lidar, como o endividaser a única saída para a recuperação saída para a mento das famílias e os problemas ineconômica. Doloroso vai ser, sem dúrecuperação dustriais. São obstáculos que não se resolvida. E não só para a Europa, mas para econômica vem da noite para o dia, pois dependem o mundo todo, incluindo o Brasil, que agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 41

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cenáriomacroeconômico

de reformas, que pararam de serem feitas em 2004”, considera Vale. Segundo o especialista, a economia brasileira passou por um boom de crédito nos últimos anos e isso é preocupante para o consumidor, já que uma parte da população

acabou se endividando mais do que poderia. “As pessoas começaram a adquirir muitas coisas ao mesmo tempo e não conseguiram manter tudo na parcela de renda delas”, destaca. É nesse ponto que o Chile, a Colômbia e o Peru se destacam positivamente, contrariando as teorias brasileiras. “Esses três países estão crescendo a um ritmo cinco vezes maior do que o Brasil. Claro que eles também estão sofrendo com o cenário internacional, mas há algum tempo já fazem reformas econômicas, o que ajuda a manter um padrão, diminuir custos para as empresas e torná-las mais competitivas, conseguindo um maior crescimento”, explica Vale. No entanto isso não acontece no Brasil. As reformas brasileiras cessaram em 2004, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que era preciso fazer mais políticas sociais. Nos últimos anos, o governo aumentou o gasto com salário mínimo e com o Bolsa Família, enquanto diminuiu os recursos destinados à educação e saúde. “Subimos os custos com benefícios de curto prazo, mas é impossível esperar um crescimento de longo prazo dessa maneira”, afirma o economista. Mais crédito

O acesso ao crédito aumentou, assim como o poder de compra do consumidor. No entanto, o endividamento continua alto e não para

Fotos: Edvaldo Luccena

Sergio Vale, da MB Associados “Temos questões mais difíceis de lidar, como o endividamento das famílias e os problemas industriais. São obstáculos que não se resolvem da noite para o dia, pois dependem de reformas”

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cenáriomacroeconômico Comprometimento de renda por classe social % de famílias

2008/2009

2012

Classe A

2,6

21,8

25,9

Classe B

6,3

23,6

28,1

Classe C

35,1

21,6

25,7

Classe DE

56,0

22,1

26,3

Fonte: IBGE (POF 2008/2009) e Bacen Elaboração: MB Associados

Alguns fatores estruturais, como o endividamento das famílias e os problemas industriais, estão aflorando com a piora da crise europeia

Projeções para os principais indicadores macroeconômicos 2011

2012

PIB

2,7%

1,5%

Câmbio (R$/US$)

1,87

1,90

Taxa de juros (Selic)

11%

7%

IPCA

6,5%

5,0%

Fonte: FGV, IBGE e Banco Central Projeções: MB Associados

de crescer. Dados do Banco Central mostram que 22% da renda do brasileiro está comprometida com prestações, quaisquer que sejam elas. Ou seja, segundo o BC, o brasileiro ainda compromete menos do que 30%. Mas, de acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2008/2009, 22% da renda do consumidor já estava comprometida. E a projeção para este ano é que esse número aumente para 26%. “Para os economistas, a renda comprometida acima de 30% pode gerar grandes dificuldades. E começamos a ver isso em algumas classes, como na D e E, que separam 80% da renda para despesas básicas, como alimentação e habitação”, ressalta Vale. f

O Brasil, segundo Vale, parecia ser uma grande potência, mas, em meio a tantas dificuldades, está se mostrando uma potência muito frágil, sem capacidade de crescimento. “Não fizemos a lição de casa como os outros países da América Latina. Pelo nosso tamanho e pela entrada da classe média, vamos continuar a ser importantes e relevantes, mas não temos potencial para crescer 5% ou 6%. Se avançarmos será na melhor das hipóteses em torno de 3%.”

Participação das despesas básicas na renda total por classe social Despesas básicas Classe A

34%

Classe B

50%

Classe C

65%

Classe DE

88%

Fonte: IBGE (POF, 2008/2009) Elaboração: MB Associados

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entrevistacadastropositivo

Bom para

todos

Dorival Dourado, presidente da Boa Vista Serviços, fala sobre os benefícios do Cadastro Positivo para bancos, financeiras e consumidores Por Juliana Jadon

Queda do spread bancário, ampliação da oferta de crédito com a inserção de novos consumidores no setor bancário, diminuição dos juros cobrados para os bons pagadores e a possibilidade de produtos e serviços mais específicos. O Cadastro Positivo está prestes a funcionar no Brasil e o mercado financeiro a utilizar as informações desse banco de dados para melhorar a sua carteira de crédito. Desde a criação da Boa Vista Serviços, há mais de um ano e meio, Dorival Dourado está no comando da empresa. Ele levou sua experiência na área de tecnologia para a companhia e nos 18 meses de atuação foram criados 45 produtos. Dourado é um dos que aguardam ansiosamente a publicação do decreto complementar da Lei nº 12.414, que regulamenta o Cadastro Positivo no 46 FINANCEIRO agosto/setembro 2012

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Brasil. O documento deverá ser divulgado no final do mês de agosto. A animação de Dourado não é para menos. O executivo, que adentra ao escritório às 7 horas da manhã e visita os clientes corporativos pessoalmente, revelou que cinco grandes companhias do setor financeiro e varejista no País já estão prontas para operar o Cadastro Positivo. O detalhe é que isso será feito com todo o suporte e ferramentas tecnológicas e de análise desenvolvidas pela Boa Vista Serviços. Acompanhe entrevista exclusive com Dourado à revista Financeiro. Revista Financeiro Como o senhor analisa o atual cenário econômico no Brasil e a importância do Cadastro Positivo? Dorival Dourado O País vive um momento especial. Conseguimos atravessar bem a crise internacional em função da vitalidade do mercado interno. Além disso, a própria relação do crédito–PIB, que nos últimos oito anos saiu de 25% para os 50% atuais, dá uma clareza desse vigor econômico. É nesse contexto que defendo a introdução do Cadastro Positivo como mais um mecanismo para o ciclo sustentável da tomada de decisão de crédito. Suportado pela Lei nº 12.414 e em fase final de revisão do decreto, ele vai municiar o mercado com mais informações. Financeiro Como o Cadastro Positivo pode gerar maior segurança para o mercado? Dourado Atualmente, as taxas de inadimplência e o nível de comprometimento de renda das famílias são uma clara demonstração de que o Cadastro Positivo é uma ferramenta imprescindível para gerar um ciclo sustentável de crédito. Financeiro O Brasil é o único país do G20 que ainda não tem um Cadastro Positivo funcionando em sua plenitude. Nesse contexto, quais os benefícios que esse banco de dados trouxe para os outros países e podem ser implementados aqui com sucesso? Dourado Não são todos os países que realizaram uma abordagem consistente do Cadastro Positivo e o ponto principal dela é o nível de educação financeira que a população possui. Quando adotada dessa maneira, há mais segurança na tomada de decisão, na gestão da concessão de crédito e no acompanhamento do nível de exposição ao risco que cada um dos consumidores possui. Consequentemente, você tem a melhoria e a diversificação na

oferta de produtos financeiros. Em segundo lugar, esse banco de dados gera uma competição muito maior na busca do bom cliente. Mundo afora houve redução na inadimplência e queda nos índices de fraude, mas o grande fator que passa a valer para o Brasil está relacionado à ampliação da base de oferta. Ou seja, mais consumidores, que hoje estão excluídos desse ciclo, poderão adentrar o mercado. Financeiro Em que etapa está a implantação do Cadastro Positivo no Brasil? Dourado Esperamos que até o final de agosto ocorra a publicação do decreto complementar que o regulamenta. A Boa Vista Serviços já tem uma linha de produtos disponíveis com informações coletadas dos bons pagadores e testada por clientes do segmento financeiro e do varejo. Temos alguns milhões de autorizações já dadas pelos consumidores. Financeiro Como essas autorizações dos bons pagadores foram coletadas? Dourado As assinaturas são coletadas por meio do nosso portal Consumidor Positivo e dos nossos

Segundo pesquisa da Boa Vista Serviços, em torno de 80% da população bancarizada e 72% dos que não possuem acesso aos bancos estão propensos a participar do Cadastro Positivo agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 47

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entrevistacadastropositivo

centros de atendimento. Os clientes da companhia também passam informações sobre esse processo para os consumidores. Financeiro Como a base de clientes do setor financeiro será ampliada com a ajuda dessa ferramenta? Dourado O mercado tem atualmente o paradigma da informação negativa. Então, se uma pessoa tem o nome no cadastro negativo, provavelmente não vai conseguir ter acesso ao crédito. Uma diarista, por exemplo, muitas vezes não consegue comprovar a renda ou o endereço, mas tem o hábito de pagamento pontual e é uma consumidora que chamamos de “consumidor positivo”. Provavelmente, hoje ela está excluída do processo de concessão. Esse é um exemplo de como esse histórico de pagamentos pode trabalhar a favor desse consumidor, dando a eles melhores condições de acesso ao crédito. Informações de outras procedências, como pagamentos de água, luz, telefonia e televisão a cabo são agregados. Financeiro Que outros benefícios esse banco de informações pode gerar para o consumidor? Dourado A taxa de juros reduzida será uma consequência do risco sistêmico mais baixo. Com o Cadastro Positivo há mais informações sobre os consumidores para ter a decisão certa e, principalmente, incluir aqueles que têm dificuldade de acesso ao crédito. Financeiro Como a população brasileira vê o Cadastro Positivo? Dourado O nível de desconhecimento ainda é muito grande. Isso fortalece a tese de que é preciso trabalhar intensamente a questão da divulgação e da conscientização. Esse é um fator determinante para o Cadastro Positivo caminhar no Brasil. Os meios de comunicação ainda não deram um tratamento apropriado para essa informação. Financeiro Como melhorar essa situação? Dourado Com mais informações disponíveis. Segundo uma pesquisa da Boa Vista Serviços, em torno de 80% da população bancarizada e 72% dos que não possuem acesso aos bancos estão propensos a participar do Cadas-

tro Positivo. Quando o consumidor é exposto ao tema, aos benefícios e a como ele pode fazer o uso consciente do crédito, o índice de adesão é altíssimo. Outro item relevante, na comparação da pesquisa de 2011 com a de 2012, é que a faixa de pessoas que não autorizaria a entrada do nome no Cadastro Positivo caiu de 30% para 24%. O consumidor que entende a finalidade desse instrumento, com certeza, fará o seu uso efetivo e isso é bom para todo mundo. Financeiro Como a Boa Vista Serviços trabalha o Cadastro Positivo? Dourado Os bancos de dados estão prontos. Toda a parte de comunicação com os clientes também está finalizada, testada e de posse das atualizações nós podemos requerer os dados às empresas que buscam informações dos clientes. A partir disso, essas novas ferramentas de concessão de crédito, de avaliação, de modelagem estatística, começam a operar para prover a melhor decisão de crédito para o consumidor e para as empresas.

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“Mundo afora houve redução na inadimplência e nos índices de fraude, mas o grande fator que passa a valer para o Brasil está relacionado à ampliação da base de oferta. Ou seja, mais consumidores, que hoje estão excluídos desse ciclo, poderão adentrar o mercado” nosso grande desafio é passar nossa mensagem de maneira assertiva para o mercado. Não como foi feita no ano passado por algumas empresas que colocaram o Cadastro Positivo como uma coisa mágica. A equação não é tão simples assim e não pode ser levada para o lado popularesco. Deve ser um processo consistente de esclarecimentos e de treinamento.

Financeiro Em sua opinião, para esse recurso funcionar em sua plenitude, quanto tempo vai demorar? Dourado O processo do Cadastro Positivo é gradual. Está muito envolvido com a educação do consumidor e com um novo paradigma que se estabelece no mercado. Um ponto fundamental é a necessidade de todas as empresas passarem essa informação para o consumidor. E, na medida em que isso acontecer, estimamos que o Brasil leve de três a cinco anos para ter esse banco de dados operando com vigor. Financeiro Como bancos e financeiras podem fazer o uso dessas informações?

Dourado Os bancos têm um especial interesse na aplicação do Cadastro Positivo, pois trará um nível de informação maior e novas ferramentas tecnológicas que permitem que a tomada de decisão seja muito mais assertiva. Isso porque ele considera o histórico de pagamento, outras fontes de informação, o nível de exposição daquele consumidor no mercado. As ofertas de produtos e serviços poderão ser mais agressivas, diferenciadas e dirigidas para grupos e perfis de clientes. Financeiro Quais são os desafios que ainda temos pela frente? Dourado A principal barreira nesse momento é o desconhecimento do consumidor. Por isso, acho que o

Financeiro Por que no Brasil esse processo demora tanto? Dourado Pagamos o preço natural por termos um setor muito sólido e bem desenvolvido no que diz respeito às informações negativas. E temos muito para crescer ainda, já que nos países desenvolvidos a relação crédito–PIB é em torno de 90% a 100%, sem contar o crédito imobiliário. O Brasil vem de uma história consistente de cadastro negativo. Quando você tem uma indústria dessas tão bem estabelecida e com o uso de ferramentas sofisticadas como a que temos, é claro que qualquer inovação demora um pouco mais para ser aceita. O segundo ponto está relacionado à própria morosidade para mudar aspectos regulatórios. O Brasil tem essa característica que não acompanha a velocidade exigida pelo mundo moderno. f agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 49

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happyhour

Por Flávia Corbó

Um dos mais premiados restaurantes portugueses de São Paulo, A Bela Sintra, traz na culinária as lembranças e vivências do restaurateur lusitano Carlos Bettencourt

Paixão traduzida em gastronomia

Foi ainda durante a infância, vivida na pequena cidade de Sousel, no Alentejo, em Portugal, que o restaurateur Carlos Bettencourt descobriu a paixão pelo ramo da gastronomia. O passatempo do menino era ouvir as histórias dos clientes que passavam pela pequena tasca de propriedade da família, onde eram servidos petiscos e bebidas. Bettencourt iniciou sua vida profissional como comerciante, mas quando veio ao Brasil conseguiu um trabalho em um hotel, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Ao tirar as primeiras férias decidiu conhecer o Rio de Janeiro. E foi na cidade maravilhosa, que ele retomou o contato com o universo da cozinha. “Fui contratado como sommelier em um restaurante português,

Cerca de 6 mil pessoas por mês lotam as mesas do restaurante para provar uma culinária tradicional, com toques contemporâneos

passando por maître, até ser transferido para São Paulo como gerente”, lembra. Na megalópole sedenta por gastronomia de qualidade, o menino de Alentejo realizou seu grande sonho. Em 2004, inaugurou o restaurante A Bela Sintra, especializado na culinária portuguesa. Desde então, o local tornou-se referência na gastronomia lusitana e constantemente figura entre os mais premiados por publicações especializadas. Na cozinha, quem chefia as caçarolas há dois anos é a também alentejana Ilda Vinagre e o chef operacional Valderi Gomes. A gastronomia privilegia receitas tradicionais portuguesas, mas com toques contemporâneos. A maioria dos ingredientes é comprada em São Paulo, em locais como o Mercado Municipal, com a exceção de certos mimos trazidos por Bettencourt direto da terrinha. ”Em Portugal, eu compro o queijinho da Serra e o chouriço português, iguarias de lá”, revela o restaurateur.

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Após empreitadas bem-sucedidas dentro da culinária portuguesa, Carlos Bettencourt prepara-se para se arriscar na gastronomia ibérica

A estrela da casa é o bacalhau, que aparece em 15 preparações diferentes no cardápio

Fotos: Divulgação

Prata da casa

Apesar de o cardápio contar com boas opções de carnes e frutos do mar, a exemplo da perna de cordeiro com feijão branco e do camarão à “A Bela Sintra”, o bacalhau é a grande estrela do menu. O tradicional peixe aparece em aproximadamente 15 pratos diferentes, que variam de receitas clássicas até criações mais surpreendentes, como o prato herdade do esporão, em que o bacalhau é empanado. Anualmente, a chef elabora novos pratos e renova a apresentação dos que já constam no menu. Uma das últimas receitas lançadas, o mil folhas de bacalhau, já aparece como um sucesso entre os mais de 200 comensais diários que frequentam a casa. Em datas comemorativas, como Dia das Mães e Natal, outras criações são acrescentadas no cardápio. Para proporcionar uma harmonização compatível com a qualidade dos pratos servidos em A Bela Sintra, a carta de vinhos conta com 200 rótulos, sendo 80% de

origem europeia. As garrafas são guardadas em uma adega refrigerada e acomodadas pelo gargalo, garantindo melhor circulação do ar. O ambiente também não fica atrás em termos de sofisticação. A casa tem decoração assinada pelos arquitetos Miguel Vigil e Toninho Noronha, que utilizaram elementos lusitanos como o cobre, madeira e pedras nos detalhes. Espelhos instalados em pontos estratégicos dão maior amplitude ao salão. Novos planos

O sucesso de A Bela Sintra inspirou Bettencourt a alçar novos voos. Em 2007, inaugurou o Trindade, que traz a culinária portuguesa em um ambiente mais informal e com decoração mais moderna. A última empreitada do restaurateur foi a inauguração de uma filial de A Bela Sintra, em Brasília. Por enquanto, a expansão deve parar por aí. “Não iremos abrir outras unidades, a menos que surjam oportunidades, como aconteceu na capital brasileira”, afirma Bettencourt, revelando que as novidades devem chegar com outro sabor. “A princípio investi na gastronomia portuguesa devido às minhas raízes. Hoje penso em outras culinárias e já devo abrir no fim do ano um empreendimento de culinária ibérica.” f A BELA SINTRA Unidade São Paulo Endereço Rua Bela Cintra, 2325 – Cerqueira César Telefone (11) 3891–0740/1090 Unidade Brasília Endereço SCLS 105, Bloco D – Loja 01 – Asa Sul Telefone (61) 3242–4001 e (61) 3242–400 www.abelasintra.com.br

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empresasmercado

Com proposta diferenciada de análise de concessão de crédito, a multinacional TransUnion chega ao País após adquirir 80% da desenvolvedora de software brasileira Crivo

Novidade que promete Por Flávia Corbó O mercado de serviços de proteção ao crédito, que há anos operava com o destaque de duas grandes empresas, foi agitado com o desembarque da americana TransUnion em solo brasileiro. Ao adquirir 80% da Crivo, desenvolvedora de software de aprovação de crédito, a empresa deu início as suas operações no País. Presente na América Latina desde 1985, quando começou a atuar no mercado porto-riquenho e, posteriormente, se espalhou para outros nove países da região, a chegada da TransUnion no Brasil parece tardia. No entanto, Maria Olga Rehbein, presidente da América Latina e Caribe da TransUnion Internacional, discorda: “Estávamos esperando que chegasse o momento mais apropriado. Faz anos que acompanhamos o crescimento do Brasil, mas não é fácil entrar em um país. Sempre pensamos muito, vemos onde podemos agregar valor e agora que encontramos a Crivo, acreditamos ser a parceria ideal”, explica. Outras variáveis como o aumento do poder de consumo da classe média e a larga possibilidade de exploração do crédito, que ainda representa apenas metade do Produto Interno Brasileiro (PIB), colaboraram para que a TransUnion apostasse suas fichas no País. “Foi uma negociação muito curta. Durou seis meses”, revela Maria Olga. “Queremos trazer novidades. Não podemos fazer mais do

mesmo, por isso temos equipes trabalhando separadamente na análise de cada setor em potencial”, avisa Maria Olga. Diferencial

Para se destacar diante das empresas de proteção ao crédito que já têm posição consolidada no mercado brasileiro, a TransUnion chega com uma proposta diferente de avaliação do perfil consumidor, que vai na contramão do Cadastro Único. “Não temos lista negra, branca, amarela ou verde. Temos um cadastro, que contém a verdade de como cada pessoa, mês a mês, paga suas contas. É uma radiografia de como aquele consumidor se comporta em todos os setores”, explica Maria Olga. A visão da empresa pode ser percebida em um dos produtos de maior destaque, o birô de veículos. A análise não leva somente em conta o nome “limpo” do consumidor. O histórico de multas, acidentes de trânsito e trajeto percorrido até o trabalho são dados fundamentais para definir o valor do seguro de um automóvel, por exemplo. “O método de avaliar somente se é bom pagador ou não já não se usa faz muitos anos. Isso influi apenas 1% em uma decisão de crédito. Analisamos onde a pessoa mora, qual seu perfil de consumo. São mais de 350 mil variáveis que podem ser estudadas”, aponta Rodrigo Del Claro, diretor

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Rodrigo Del Claro, da Crivo “A partir do momento em que o consumidor conhece o seu perfil, ele se torna mais cauteloso e sabe o seu valor no mercado”

comercial da Crivo. Outro diferencial que a TransUnion afirma que trará ao País são produtos voltados ao consumidor final. “Temos muitas parcerias, por exemplo, com a Hope Organization, que oferece cursos de educação financeira. Disponibilizamos produtos na internet que dão recomendações de como cuidar de seu crédito, simular taxas e ajudar o consumidor a entender como pedir crédito”, conta Maria Olga. “Além disso, também mostramos ao consumidor o perfil de crédito dele, que é o mesmo ao que as empresas têm acesso. A partir do momento que ele tem esse conhecimento, ele se torna mais cauteloso e sabe o seu valor no mercado. Com isso, o acesso à informação passa a se equilibrar e deixa de ser tão assimétrico”, complementa Del Claro. Plano de negócios

A princípio, o trabalho deve ficar nas áreas em que a Crivo já tem forte atuação, como va-

rejo, seguros, financeiro e telecomunicações. “Essa aquisição tem dois principais focos: fazer com que a gente cresça dentro dos mercados que já atuamos e aproveitar o conhecimento da TransUnion para aumentar nosso portfólio de produtos”, resume Del Claro. Essa estratégia costuma ser adotada em todos os países em que a TransUnion inicia operações, segundo Maria Olga. “Quando compramos negócios, mantemos os profissionais locais. Procuramos entender a cultura e o que podemos fazer para ajudar as empresas a crescerem dentro de seu País”, afirma a executiva. E, apesar de recente, a aquisição da empresa brasileira já está rendendo frutos. De acordo com informações contidas no relatório de resultados do primeiro trimestre de 2012, a TransUnion faturou US$ 280 milhões, um aumento de 14% em comparação ao mesmo período do ano passado. Nos mercados emergentes, esse crescimento chegou a 15%, em boa parte devido à compra da Crivo. f

Maria Olga Rehbein, da TransUnion “Não temos lista negra, branca, amarela ou verde. Temos um cadastro, que contém a verdade de como cada pessoa, mês a mês, paga suas contas”

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artigojurídico

Por Cassio M. C. Penteado Jr.

A legislação brasileira sobre a lavagem de dinheiro, abrangendo o conceito do delito, o seu apenamento, e o papel a ser desempenhado por agentes privados e públicos, está compreendida pela Lei n° 9.613 de março de 1998 e normas complementares. O diploma central de 1998, como observa a maioria dos intérpretes, adotou um modelo de prevenção, controle e repressão à lavagem, designado como “segunda geração”, o qual estabelece uma série de delitos antecedentes e/ou conexos que podem dar origem ao delito consectário do “money laudering”. Logo, é possível adotar-se – em síntese – o conceito de lavagem que resulta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF: “(...) a lavagem de dinheiro constitui um conjunto de operações comerciais e financeiras que buscam a incorporação na economia de cada país dos recursos, bens e serviços que se originam ou estão ligados a atos ilícitos”. Nosso tema se reportará, principalmente, com a determinação da Lei n° 9.613 sobre as comunicações de suspeita da ocorrência de lavagem, no que toca às instituições financeiras, com foco na questão do sigilo bancário. A teor da regência normativa do controle sobre a lavagem de dinheiro merece atenção o aspecto do compartilhamento de informações entre os agentes públicos e, mais especialmente, entre os agentes privados e os agentes de instituições públicas, considerado como pedra de toque desses procedimentos de conhecimento, prevenção e repressão aos esquemas para “legalização” de recursos de origem ilícita. Logo, esse conceito central presume que haja colaboração entre os entes públicos e privados na obtenção de informações que permitam ao esta-

do exercer a prevenção e a repressão aos delitos que envolvam a “legalização” de dinheiro com origem ilícita. O considerado Arnold Wald, contudo, observa que, na verdade, a Lei n° 9.613 engendra com isso uma “transferência” da função estatal de fiscalização, impondo às instituições financeiras o dever de identificar e comunicar transações suspeitas de lavagem. Como pano de fundo dessas anotações sobre o tema da lavagem de dinheiro, enfim vem a questão dos limites, a serem observados, nas comunicações das instituições financeiras em torno de operações suspeitas. É imperioso que as instituições, como responsáveis por fiscalizar e controlar transações e operações que sirvam para lavagem de dinheiro, pautem suas ações com cuidados redobrados, evitando enganos e equívocos que, à sua vez, deem causa às composições indenitárias. Em outras palavras, ainda que a norma vigente exonere a instituição de responsabilidade civil e penal pelas comunicações (e atos em geral) em torno da lavagem de dinheiro, visando a oferecer elementos às autoridades para prevenir e coibir essas atividades ilícitas relevante é notar que a falta de cautela pode ter efeitos danosos. Assim, essas duas condições essenciais, a boa-fé, que revista a comunicação aos órgãos apropriados acerca da suspeitas de lavagem, e o sigilo sobre a própria notificação impõem especial cuidado no trato desse dever imposto, ex vi legis às instituições financeiras. f Cassio M. C. Penteado Jr. é advogado e consultor em Recife – PE

Foto: Divulgação/Artigo enviado em Julho

Os limites da comunicação

54 FINANCEIRO agosto/setembro 2012

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8/10/12 4:10 PM


01 14

8/10/12 8:53 AM


análiseeperspectivas

Ao analisarmos os últimos dados trimestrais divulgados pelo Banco Central sobre os maiores bancos atuantes no Brasil, nota-se uma queda de lucro na maioria das grandes instituições bancárias em relação aos dois primeiros trimestres do ano passado e deste ano. Conforme dados da tabela 1, o resultado médio dos bancos no primeiro trimestre de 2012, ante o mesmo período do ano passado, registrou um decréscimo de Por prof. dr. Alberto Borges Matias 10,37%. Se considerarmos o com colaboração de Renata Karoline Polo segundo trimestre dos dois anos analisados, e também somente os três que divulgaram suas demonstrações contábeis até dia 31 de julho, ocorreu uma variação média de -8,2%. Lucro/prejuízo acumulado médio (mil R$) 2º trimestre de 2012*

Média

3.673.979,67

2º trimestre de 2011

3.099.462,43

1º trimestre de 2012

1.490.767,43

2º trimestre de 2011

1.663.321,71

Fonte: Inepad & Bancos *Alguns bancos não divulgaram suas Demonstrações Contábeis até o fechamento da edição

Além do valor absoluto do lucro ou prejuízo, outros dois indicadores são importantes para sinalizar a situação dos bancos: a lucratividade e a rentabilidade. O primeiro relaciona o lucro líquido com a receita de vendas (ativos sem as intermediações financeiras), enquanto o segundo relaciona o lucro líquido com o patrimônio líquido. A partir dessas análises, expostas na tabela 2, considerando sete dos oito maiores bancos que operam no Brasil, é possível notar uma queda dos índices em quase todas as instituições pesquisadas, considerando o primeiro trimestre de 2011 e o primeiro trimestre de 2012, com algumas exceções que apresentaram uma expansão da carteira de crédito no período. Em relação à média do retorno

sobre o patrimônio líquido – considerando todos os bancos – registrou-se uma queda de 4,95%. Fatores macroeconômicos como a crise econômica europeia, o novo posicionamento dos bancos públicos pela redução da Selic e dos spreads e o aumento de alguns índices de inadimplência e de insolvência acabaramm por influenciar o lucro e a rentabilidade dos bancos. Assim, no caso dos bancos estrangeiros, o momento parece ser de cautela, pois os agentes do mercado continuam incertos sobre o desfecho da crise europeia. As informações de que 15 bancos da Espanha e oito da Itália tiveram suas notas de rating rebaixadas geraram uma queda na confiança do mercado de que esses bancos honrem seus pagamentos. Esse fato eleva a incerteza a respeito de repasses de lucros para as matrizes na Europa. Apesar da queda do índice de rentabilidade bancária, esse ainda é maior que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Esse fato indica o crescimento do crédito ao longo dos períodos – 2005 a 2011. Enquanto em 2010 o crescimento do PIB foi de 7,53%, a rentabilidade teve um aumento de 22,25%. Isso significa que, embora os empréstimos não sejam mais a única atividade dos bancos, a concessão de crédito é um dos principais fatores de crescimento dos lucros deles. No ambiente interno, as constantes reduções na taxa Selic feitas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) – que passou de 12,50%, em junho de 2011 para 8,00%, em julho de 2012 – e incorporadas pelos bancos públicos também forçaram os bancos privados a fazerem o mesmo, porém de forma gradual. Nesse sentido, os bancos sentiram uma redução tanto nos ganhos com operações em títulos públicos como, recentemente, na diminuição de receitas operacionais. Ademais, no caso dos bancos nacionais, a questão da inadimplência é um dos focos de atenção

Foto: Divulgação/Artigo enviado em Julho

Crise, spread e inadimplência

56 FINANCEIRO agosto/setembro 2012

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Rentabilidade e lucratividade bancária – mediana Rentabilidade Lucratividade Sete maiores bancos

1º tri 2012

4,42%

0,31%

4º tri 2011

10,33%

0,75%

1º tri 2011

4,65%

0,36%

4º tri 2010

11,25%

0,81%

2011

29,72%

2,25% Fonte: Inepad & BC

das instituições. Algumas instituições já aumentaram o valor reservado para créditos de liquidação duvidosa e outras mantêm posições conservadoras em suas políticas de crédito e risco. Dependendo do foco das operações em que o banco atua, como no caso de financiamento de automóveis, a sucessão de prejuízos também pode ser explicada pelo aumento do índice da insolvência – 3,75%, em junho de 2011, e 6,00%, em junho deste ano – e despesas com provisões, como já citado. A diminuição da taxa Selic e a dos spreads bancários têm a função de aumentar o crédito concedido pelos bancos e reduzir

a inadimplência. Essa redução dos spreads ainda possui um longo caminho para percorrer, pois o Brasil tem um dos maiores spreads do mundo – atrás somente da República Democrática do Congo e de Madagascar, segundo levantamento do Fundo Monetário Internacional (FMI). Após um pouco mais de três meses da divulgação da 167ª Ata do Copom, a publicação das demonstrações contábeis dos primeiros meses de 2012 comprova a queda dos spreads bancários (gráfico 2). Agora, o governo, junto aos bancos, deve observar atentamente aos movimentos da crise internacional para buscar amenizar seus efeitos sobre a economia brasileira (visto a registrada desaceleração). Desse modo, nota-se a importância de um novo direcionamento estratégico do setor bancário, para permitir aos bancos continuar com o posto de maior rentabilidade e lucratividade – maior que muitos outros setores da economia como a indústria siderúrgica (14,7%) –, porém com menores spreads, entre os focos de investimento no mercado de capitais e das concessões de crédito. f GRÁFICO 1

Crescimento anual do PIB versus rentabilidade bancária 23,96%

22,26%

20,52%

20,41% 18,57%

7,53%

6,09%

5,17%

2,73% -0,33%

2007 PIB

2008

2009

2010

2011 Fonte: Inepad &Ipea

Rendimento

GRÁFICO 2

Spread Financeiro 45%

40%

35%

30%

25%

20%

15%

ELABORAÇÃO: Alberto Borges Matias – Diretor presidente do INEPAD. Professor titular do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo no campus de Ribeirão Preto. Livre docente em finanças, atuando nos programas de graduação, pós-graduação e MBAs da Universidade APOIO: Renata Karoline Polo – Pesquisadora do Centro de Pesquisas do INEPAD–Núcleo CEPEFIN. Graduação em ciências econômicas pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo no Campus de Ribeirão Preto

10%

5%

0%

jun/11

Aplicações

jul/11

Captações

ago/11

set/11

out/11

nov/11

dez/11

jan/12

fev/12

mar/12

abr/12

mai/12

jun/12

Fonte: Inepad & BC

agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 57

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8/10/12 5:38 PM


bancodedadosinepad Taxas médias: geral Data

Aplicações

Var. p.p.

Captações

Var. p.p.

Spread

Var. p.p.

mai/11

39,98

0,1

12,11

0,0

27,87

0,1

jun/11

39,48

-0,5

12,19

0,1

27,29

-0,6

jul/11

39,65

0,2

12,34

0,2

27,31

0,0

ago/11

39,67

0,0

11,85

-0,5

27,82

0,5

set/11

38,96

-0,7

10,90

-0,9

28,06

0,2

out/11

39,53

0,6

10,64

-0,3

28,89

0,8

nov/11

38,47

-1,1

10,32

-0,3

28,15

-0,7

dez/11

37,05

-1,4

10,18

-0,1

26,87

-1,3

jan/12

38,00

1,0

10,20

0,0

27,80

0,9

fev/12

38,10

0,1

9,70

-0,5

28,40

0,6

mar/12

37,30

-0,8

9,30

-0,4

28,00

-0,4

abr/12

35,30

-2

8,80

-0,5

26,50

-1,5

mai/12

32,86

-2,4

8,22

-0,6

24,64

-1,9

jun/12

31,06

-1,80

7,94

-0,3

23,12

-1,5

Variação jun/jun

-4,8

-4,2

-8,9

Fonte: BC/INEPAD

Taxas médias: pessoa física Data

Captações

Var. p.p.

Spread

Var. p.p.

jun/11

46,10

-0,4

12,47

0,2

33,63

-0,6

jul/11

45,70

0,5

12,64

-0,9

33,06

1,3

ago/11

46,18

-0,5

11,77

-1,1

34,41

0,6

set/11

45,67

1,4

10,67

-0,2

35,00

1,6

out/11

47,10

-2,4

10,48

-0,4

36,62

-2,0

nov/11

44,73

-1,0

10,06

0,0

34,67

-1,0

dez/11

43,75

1,4

10,07

0,1

33,68

1,2

jan/12

45,10

0,3

10,20

-0,6

34,90

0,9

fev/12

45,40

-1,0

9,60

-0,3

35,80

-0,7

mar/12

44,40

-2,3

9,30

-0,4

35,10

-1,9

abr/12

42,10

-3,3

8,90

-0,6

33,20

-2,6

mai/12

38,84

-3,3

8,27

-0,6

30,57

-2,6

jun/12

36,47

-3,3

8,00

-0,6

28,47

-2,6

Variação jun/jun

Aplicações

Var. p.p.

-5,2

-4,5

-9,6

Fonte: BC/INEPAD

Taxas médias: pessoa jurídica Data

Var. p.p.

Captações

Var. p.p.

Spread

jun/11

30,75

0,6

11,92

0,1

18,83

0,5

jul/11

31,36

-0,4

12,06

-0,1

19,30

-0,3

ago/11

30,92

-0,9

11,93

-0,8

18,99

-0,1

set/11

29,99

-0,2

11,12

-0,3

18,87

0,1

out/11

29,76

0,0

10,80

-0,2

18,96

0,3

nov/11

29,79

-1,6

10,57

-0,3

19,22

-1,3

dez/11

28,23

0,5

10,28

-0,1

17,95

0,5

jan/12

28,70

-0,1

10,20

-0,4

18,50

0,3

fev/12

28,60

-0,9

9,80

-0,5

18,80

-0,4

mar/12

27,70

-1,4

9,30

-0,5

18,40

-0,9

abr/12

26,30

-1,4

8,80

-0,6

17,50

-0,7

mai/12

24,95

-1,4

8,18

-0,6

16,77

-0,7

jun/12

23,77

-1,4

7,88

-0,6

15,89

-0,7

Variação jun/jun

Aplicações

-7,0

-4,0

Var. p.p.

-2,9

Fonte: BC/INEPAD

58 FINANCEIRO agosto/setembro 2012

Finan76 INEPAD tabelas.indd 58

8/10/12 5:28 PM


Spread financeiro

Crédito consignado

45%

R$ Milhões 180.000

40%

175.000

35%

170.000

30%

165.000

25%

160.000

26,0%

20%

155.000

25,0%

15%

150.000

10%

145.000

5%

140.000

0

135.000

29,0% 28,0% 27,0%

Aplicações

Consignado

jun/12

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

set/11

out/11

ago/11

jul/11

22,0%

Captações

Taxa de juros % a.a.

Fonte: BC/INEPAD

Fonte: BC/INEPAD

VOLUME PREFIXADOS –

23,0%

jun/11

jun/12

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

out/11

set/11

ago/11

jul/11

jun/11

24,0%

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

RECURSOS LIVRES (R$ MILHÕES)

Mês/Ano

Cheque Especial

Variação em %

Crédito Pessoal

Variação em %

Financiamento Imobiliário

Variação em %

Cartão de Crédito

Variação em %

jun/11

20.499,88

1,2%

225.067,57

1,9%

40,4

1,1%

33.237,24

0,2%

jul/11

19.863,83

-3,1%

229.084,55

1,8%

39,9

-1,3%

33.408,13

0,5%

ago/11

20.795,66

4,7%

232.571,36

1,5%

40,4

1,3%

34.304,29

2,7%

set/11

20.783,69

-0,1%

235.550,20

1,3%

40,3

-0,2%

35.357,14

3,1%

out/11

21.504,53

3,5%

238.200,69

1,1%

41,7

3,5%

36.279,27

2,6%

nov/11

20.972,07

-2,5%

241.596,96

1,4%

43,1

3,4%

36.433,21

0,4%

dez/11

18.882,41

-10,0%

241.653,11

0,0%

44,8

3,8%

35.637,97

-2,2%

jan/12

21.176,51

12,1%

244.757,84

1,3%

45,0

0,4%

36.756,87

2,7%

fev/12

22.012,75

3,9%

248.146,64

1,4%

46,8

4,1%

37.654,62

2,9%

mar/12

21.830,06

-0,8%

250.979,63

1,1%

45,4

-3,1%

37.374,42

-0,7%

abr/12

22.766,31

4,3%

255.260,22

1,7%

47,1

3,8%

37.653,60

0,8%

mai/12

21.891,63

-3,8%

260.152,16

1,9%

46,3

-1,7%

37.024,24

-2,5%

jun/12

21.193,06

-3,2%

265.355,75

2,0%

46,0

-0,7%

37.149,52

0,3%

Variação em %

Total

Variação em %

Fonte: BC/INEPAD

VOLUME

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

PREFIXADOS/CONTINUAÇÃO –

RECURSOS LIVRES (R$ MILHÕES)

AQUISIÇÃO Mês/Ano

Veículos

Variação em %

Outros

Variação em %

Total

Variação em %

Outros

mai/11

155.135,82

1,9%

9.096,10

-0,8%

164.231,92

1,8%

7.527,44

1,0%

446.046

2,0%

jun/11

158.003,89

1,8%

8.939,65

-1,7%

166.943,54

1,7%

7.721,08

2,6%

453.510

1,7%

jul/11

160.931,82

1,9%

9.060,46

1,4%

169.992,28

1,8%

7.610,59

-1,4%

459.999

1,4%

ago/11

163.928,00

1,9%

9.027,16

-0,4%

172.955,16

1,7%

6.986,47

-8,2%

467.653

1,7%

set/11

167.297,40

2,1%

9.203,99

2,0%

176.501,39

2,1%

7.111,17

1,8%

475.344

1,6%

out/11

168.657,89

0,8%

9.012,95

-2,1%

177.670,84

0,7%

7.303,74

2,7%

481.001

1,2%

nov/11

170.554,47

1,1%

9.179,58

1,8%

179.734,04

1,2%

7.386,58

1,1%

486.166

1,1%

dez/11

173.301,89

1,6%

9.348,56

1,8%

182.650,45

1,6%

7.769,86

5,2%

486.639

0,1%

jan/12

174.680,92

0,8%

9.291,31

-0,6%

183.972,22

0,7%

7.800,39

0,4%

494.336

1,6%

fev/12

176.191,48

0,9%

9.442,44

1,6%

185.633,92

0,9%

7.540,76

-3,3%

501.036

1,4%

mar/12

177.546,16

0,8%

9.339,87

-1,1%

186.886,02

0,7%

7.648,83

1,4%

504.764

0,7%

abr/12

178.076,90

0,3%

9.206,31

-1,4%

187.283,21

0,2%

7.823,74

2,3%

510.855

1,2%

mai/12

178.494,29

0,2%

9.326,84

1,3%

187.821,14

0,3%

8.139,16

4,0%

514.794

0,8%

jun/12

182.153,66

2,1%

9.244,58

-0,9%

191.398,24

1,9%

8.250,35

1,4%

523.393

1,7%

Fonte: BC/INEPAD

agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 59

Finan76 INEPAD tabelas.indd 59

8/10/12 5:28 PM


bancodedadosinepad VOLUME

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO

CRÉDITO CONSIGNADO (R$

CONSIGNADO

Mês/Ano

Crédito Pessoal*

Públicos

Privados

jun/11

252.178

127.591

21.517

149.108

107.826

jul/11

256.659

129.564

21.945

151.509

109.140

ago/11

260.637

131.631

22.083

153.713

set/11

264.051

133.542

22.248

out/11

267.306

134.635

nov/11

271.256

dez/11

% CONSIGNADO***

MILHÕES)

CONCENTRAÇÃO DO CONSIGNADO

TAXA DE JUROS % A.A.

Estimativa INEPAD

Consignado

Pessoal

Diferença

59,1%

72,3%

27,7%

49,0%

21,3%

59,0%

72,0%

28,0%

48,7%

20,7%

110.761

59,0%

72,1%

28,3%

49,6%

21,3%

155.790

112.031

59,0%

71,9%

28,0%

49,7%

21,7%

22.366

157.002

114.143

58,7%

72,7%

27,8%

52,2%

24,4%

135.984

22.595

158.579

115.559

58,5%

72,9%

27,2%

48,6%

21,4%

271.810

135.836

22.792

158.628

115.333

58,4%

72,7%

27,0%

48,2%

21,2%

jan/12

275.388

137.849

23.134

160.983

116.174

58,5%

72,2%

27,5%

50,3%

22,8%

fev/12

278.926

139.863

23.920

163.783

118.299

58,7%

72,2%

27,5%

50,6%

23,1%

mar/12

283.059

141.175

24.448

165.624

119.112

58,5%

71,9%

27,1%

48,8%

21,7%

abr/12

287.859

144.085

25.026

169.111

121.064

58,7%

71,6%

25,9%

44,7%

18,8%

mai/12

293.352

147.045

25.292

172.337

124.079

58,7%

72,0%

24,7%

41,4%

16,7%

jun/12 Variação jun/jun

298.254

149.157

26.092

175.250

125.259

58,8%

71,5%

24,6%

39,6%

15,0%

18,27%

16,90%

21,26%

17,53%

16,17%

-0,63%

-1,16%

-11,22%

-19,18%

-29,54%

Total

Amostra**

Fonte: BC/INEPAD * Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito ** Pesquisa com 13 das maiores instituições que operam com crédito pessoal *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal

INADIMPLÊNCIA – Mês/Ano

OPERAÇÕES PREFIXADAS % Sobre

CRÉDITO PESSOAL (R$ Com atraso

Saldo sem atraso

Com atraso de 30 dias

saldo da carteira

de 31 a 90 dias

saldo da carteira

maior 90 dias

jun/11

204.686.468

4.953.820

2,20%

5.041.159

2,24%

10.386.124

jul/11

208.085.270

5.078.854

2,22%

5.076.052

2,22%

10.844.369

ago/11

211.003.397

4.962.857

2,13%

5.197.030

2,23%

set/11

213.106.404

5.205.099

2,21%

5.497.843

out/11

214.404.363

5.425.153

2,28%

nov/11

217.550.528

5.050.272

dez/11

218.121.588

jan/12

Com atraso

% Sobre

MIL)

% Sobre

Saldo total

Variação em %

4,61%

225.067.571

1,93%

4,73%

229.084.545

1,78%

11.408.071

4,91%

232.571.355

1,52%

2,33%

11.740.856

4,98%

235.550.202

1,28%

6.085.228

2,55%

12.285.944

5,16%

238.200.688

1,13%

2,09%

5.940.290

2,46%

13.055.873

5,40%

241.596.963

1,43%

4.742.796

1,96%

5.621.166

2,33%

13.167.555

5,45%

241.653.105

0,02%

219.312.227

5.670.345

2,32%

6.000.380

2,45%

13.774.887

5,63%

244.757.839

1,28%

fev/12

221.943.486

5.848.687

2,36%

6.412.577

2,58%

13.941.885

5,62%

248.146.635

1,38%

mar/12

225.408.614

5.913.960

2,36%

6.393.418

2,55%

13.263.639

5,28%

250.979.631

1,14%

abr/12

228.253.823

6.434.358

2,52%

6.657.244

2,61%

13.914.798

5,45%

255.260.224

1,71%

mai/12

232.353.188

6.375.340

2,45%

6.621.515

2,55%

14.802.116

5,69%

260.152.159

1,92%

jun/12

237.782.075

5.805.571

2,19%

6.621.516

2,50%

14.802.117

5,58%

265.355.751

2,00%

saldo da carteira

carteira-Brasil

Fonte: BC/INEPAD

INADIMPLÊNCIA – Mês/Ano

OPERAÇÕES PREFIXADAS % Sobre

AQUISIÇÃO DE BENS % Sobre

Com atraso

VEÍCULOS (R$

Variação em %

3,75%

158.003.890

1,85%

3,99%

160.931.824

1,85%

6.865.348

4,19%

163.927.999

1,86%

4,53%

7.381.599

4,41%

167.297.400

2,06%

8.370.147

4,96%

7.912.314

4,69%

168.657.891

0,81%

3,42%

8.388.009

4,92%

8.335.769

4,89%

170.554.465

1,12%

5.470.180

3,16%

7.747.212

4,47%

8.674.858

5,01%

173.301.894

1,61%

151.295.533

5.944.994

3,40%

8.258.457

4,73%

9.181.932

5,26%

174.680.916

0,80%

fev/12

151.730.673

5.875.155

3,33%

8.867.484

5,03%

9.718.168

5,52%

176.191.480

0,86%

mar/12

152.189.861

6.349.573

3,58%

8.890.296

5,01%

10.116.427

5,70%

177.546.157

0,77%

abr/12

152.441.130

5.880.893

3,30%

9.321.380

5,23%

10.433.499

5,86%

178.076.901

0,30%

mai/12

152.399.857

6.040.597

3,38%

9.168.149

5,14%

10.885.690

6,10%

178.494.293

0,23%

jun/12

156.624.704

5.740.064

3,15%

8.852.142

4,86%

10.936.746

6,00%

182.153.656

2,05%

Saldo sem atraso

de 15 a30 dias

saldo da carteira

de 31 a 90 dias

saldo da carteira

maior 90 dias

jun/11

139.762.468

5.610.450

3,55%

6.702.430

4,24%

5.928.542

jul/11

141.588.672

5.920.567

3,68%

6.997.447

4,35%

6.425.138

ago/11

144.164.834

5.801.994

3,54%

7.095.823

4,33%

set/11

146.722.258

5.615.941

3,36%

7.577.602

out/11

146.189.732

6.185.698

3,67%

nov/11

147.989.270

5.841.417

dez/11

151.409.644

jan/12

% Sobre

MIL)

Saldo total

Com atraso

Com atraso

saldo da carteira

carteira-Brasil

Fonte: BC/INEPAD

60 FINANCEIRO agosto/setembro 2012

Finan76 INEPAD tabelas.indd 60

8/10/12 5:28 PM


INADIMPLÊNCIA – Mês/Ano

OPERAÇÕES PREFIXADAS Com atraso

% Sobre

AQUISIÇÃO DE BENS

OUTROS (R$

8.939.645

-1,72%

13,52%

9.060.457

1,35%

1.255.188

13,90%

9.027.158

-0,37%

3,63%

1.264.902

13,74%

9.203.988

1,96%

4,32%

1.261.059

13,99%

9.012.947

-2,08%

422.377

4,60%

1.268.141

13,81%

9.179.576

1,85%

353.421

3,78%

1.303.375

13,94%

9.348.556

1,84%

3,81%

347.253

3,74%

1.308.392

14,08%

9.291.308

-0,61%

347.599

3,68%

411.438

4,36%

1.288.245

13,64%

9.442.441

1,63%

357.302

3,83%

492.722

5,28%

1.209.814

12,95%

9.339.865

-1,09%

7.132.293

348.564

3,79%

486.542

5,28%

1.238.906

13,46%

9.206.306

-1,43%

7.235.833

329.259

3,53%

464.977

4,99%

1.296.776

13,90%

9.326.844

1,31%

7.176.905

310.846

3,36%

453.064

4,90%

1.303.769

14,10%

9.244.584

-0,88%

Saldo total

Variação em %

jun/11

7.004.312

381.212

4,26%

jul/11

7.108.014

368.804

4,07%

ago/11

7.068.973

358.438

set/11

7.229.707

out/11

7.003.090

nov/11 dez/11

% Sobre

MIL)

13,23%

saldo da carteira

% Sobre

Variação em %

de 15 a 30 dias

Com atraso

Com atraso

Saldo total

Saldo sem atraso

saldo da carteira

maior 90 dias

saldo da carteira

371.019

4,15%

1.183.102

358.781

3,96%

1.224.858

3,97%

344.559

3,82%

374.867

4,07%

334.512

359.296

3,99%

389.502

7.166.439

322.619

3,51%

7.398.461

293.299

3,14%

jan/12

7.281.585

354.078

fev/12

7.395.159

mar/12

7.280.027

abr/12 mai/12 jun/12

de 31 a 90 dias

carteira-Brasil

Fonte: BC/INEPAD

INADIMPLÊNCIA – Mês/Ano

OPERAÇÕES PREFIXADAS Com atraso

% Sobre

Saldo sem atraso

de 15 a 30 dias

saldo da carteira

jun/11

4.948.108

395.656

5,12%

jul/11

4.873.751

347.721

4,57%

ago/11

4.638.879

303.945

set/11

4.727.379

310.390

out/11

4.782.825

nov/11

OUTRAS AQUISIÇÕES (R$

Com atraso

% Sobre

Com atraso

MIL)

% Sobre

saldo da carteira

maior 90 dias

saldo da carteira

carteira-Brasil

640.392

8,29%

1.736.925

22,50%

7.721.081

2,57%

691.197

9,08%

1.697.924

22,31%

7.610.593

-1,43%

4,35%

549.756

7,87%

1.493.889

21,38%

6.986.469

-8,20%

4,36%

544.552

7,66%

1.528.845

21,50%

7.111.166

1,78%

374.755

5,13%

623.613

8,54%

1.522.548

20,85%

7.303.741

2,71%

4.917.007

309.703

4,19%

691.743

9,36%

1.468.126

19,88%

7.386.579

1,13%

dez/11

5.135.116

326.361

4,20%

915.590

11,78%

1.392.790

17,93%

7.769.857

5,19%

jan/12

5.045.000

416.576

5,34%

659.418

8,45%

1.679.400

21,53%

7.800.394

0,39%

fev/12

4.783.320

408.896

5,42%

674.097

8,94%

1.674.445

22,21%

7.540.758

-3,33%

mar/12

4.790.733

398.775

5,21%

723.609

9,46%

1.735.716

22,69%

7.648.833

1,43%

abr/12

4.871.860

410.234

5,24%

735.997

9,41%

1.805.651

23,08%

7.823.743

2,29%

mai/12

5.062.140

386.074

4,74%

662.663

8,14%

2.028.284

24,92%

8.139.161

4,03%

jun/12

5.348.052

390.441

4,73%

719.354

8,72%

1.792.499

21,73%

8.250.346

1,37%

de 31 a 90 dias

Fonte: BC/INEPAD

INADIMPLÊNCIA –

CRÉDITO PESSOAL

Com atraso de mais de 90 dias 14.802.117 Atraso de até 30 dias 5.805.571

24% 51%

Atraso de 31 a 90 dias 6.621.516

INADIMPLÊNCIA –

25%

AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS

Com atraso maior que 90 dias 10.936.746 Com atraso de 15 a 30 dias 5.740.064 Com atraso de 31 a 90 dias 8.852.142

Finan76 INEPAD tabelas.indd 61

23% 41% 36%

INADIMPLÊNCIA –

AQUISIÇÃO DE BENS

Com atraso maior que 90 dias 1.303.769 Com atraso de 15 a 30 dias 310.846 Com atraso de 31 a 90 dias 453.064

INADIMPLÊNCIA –

17%

60%

OUTRAS

Com atraso maior que 90 dias 1.792.499 Com atraso de 15 a 30 dias 390.441 Com atraso de 31 a 90 dias 719.354

23%

14%

61%

25%

8/10/12 5:28 PM


bancodedadosinepad TAXA

DE DESEMPREGO

Data

Brasil

Var. % - Brasil

SP

Var. %

mai/11

6,4%

0,0%

6,7%

0,00

jun/11

6,2%

-0,2%

6,6%

0,00

jul/11

6,0%

-0,2%

6,5%

0,00

ago/11

6,0%

0,0%

6,3%

0,00

set/11

6,0%

0,0%

6,1%

0,00 -0,01

10%

1,0%

9%

0,8%

8%

0,6%

7%

0,4%

6% 0,2% 5%

out/11

5,8%

-0,2%

5,6%

nov/11

5,2%

-0,6%

5,0%

-0,01

dez/11

4,7%

-0,5%

4,7%

0,00

3%

jan/12

5,5%

0,8%

5,5%

0,01

2%

fev/12

5,7%

0,2%

6,1%

0,01

1%

-0,6%

mar/12

6,2%

0,5%

6,5%

0,00

0

-0,8%

abr/12

6,0%

-0,2%

6,5%

0,00

mai/12

5,8%

-0,2%

6,2%

0,80

0,0% 4% -0,2%

Brasil

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

out/11

set/11

ago/11

jul/11

jun/11

mai/11

-0,4%

São Paulo

Var .p.p

Fonte: IBGE/INEPAD

RENDIMENTO

MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$) Data

Brasil

Var. % - Brasil

Var. %

4,50%

mai/11

2,20%

0,05

3,80%

0,03

4,00%

jun/11

2,10%

-0,05

3,90%

0,03

jul/11

2,10%

0,00

3,10%

-0,21

ago/11

2,20%

0,05

3,11%

0,00

set/11

2,00%

-0,09

3,12%

0,00

2,50%

out/11

2,00%

0,00

3,13%

0,00

2,00%

nov/11

1,90%

-0,05

3,14%

0,00

1,50%

dez/11

1,90%

0,00

3,15%

0,00

jan/12

1,90%

0,00

3,16%

0,00

fev/12

2,00%

0,05

3,17%

0,00

0,50%

mar/12

2,10%

0,05

3,18%

0,00

0,00%

abr/12

2,00%

-0,05

3,19%

0,00

mai/12

2,00%

0,00

3,20%

0,00

3,50% 3,00%

SP

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

out/11

set/11

ago/11

jul/11

jun/11

1,00%

mai/11

SP

Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

CRÉDITO PESSOAL Data

Volume

Taxa de juros

Data

Volume

Taxa de juros

Data

Volume

Taxa de juros

jan/09

132.282,85

57%

mar/10

172.371,66

43%

mai/11

220.807,56

50%

fev/09

134.308,50

55%

abr/10

176.505,45

43%

jun/11

225.067,57

49%

mar/09

137.284,08

51%

mai/10

180.849,11

43%

jul/11

229.084,55

49%

abr/09

141.064,96

49%

jun/10

183.608,92

42%

ago/11

232.571,36

50%

mai/09

145.457,84

47%

jul/10

186.715,25

42%

set/11

235.550,20

50%

jun/09

147.804,50

46%

ago/10

191.025,56

42%

out/11

238.200,69

52%

jul/09

150.852,21

45%

set/10

194.474,73

42%

nov/11

241.596,96

49%

ago/09

154.003,98

44%

out/10

197.645,23

44%

dez/11

241.653,11

48%

set/09

156.472,41

45%

nov/10

201.482,21

42%

jan/12

244.757,84

50%

out/09

159.967,04

46%

dez/10

202.377,26

44%

fev/12

248.146,64

51%

nov/09

161.497,41

44%

jan/11

206.767,09

48%

mar/12

250.979,63

49%

dez/09

162.263,33

44%

fev/11

209.078,62

48%

abr/12

255.260,22

45%

jan/10

164.926,16

45%

mar/11

212.600,86

47%

mai/12

260152,159

41%

fev/10

167.772,83

44%

abr/11

216.453,86

50%

jun/12

265355,751

40%

Fonte: IBGE/INEPAD

62 FINANCEIRO agosto/setembro 2012

Finan76 INEPAD tabelas.indd 62

8/10/12 5:28 PM


PREVISÕES

ECONÔMICAS

Ano de 2012

PIB Agropecuário % a.a.

PIB Total % aa

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

Previsão 13/06/2012

2,44

1,19

1,85

3,10

0,81

2 semanas antes 26/06

2,21

0,78

1,67

2,92

0,51

1 semana antes 05/07

2,07

0,37

1,70

2,85

0,17

Previsão13/07/2012

1,98

0,19

1,50

2,76

0,05

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

Ano de 2012

IPCA % a.a.

IGP–DI % a.a.

Selic Taxa anual

Previsão 13/06/2012

7,65

5,45

5,08

2,06

263,36

2 semanas antes 26/06

7,55

5,54

5,02

2,07

262,81

1 semana antes 05/07

7,48

5,78

4,96

2,07

260,12

Previsão13/07/2012

7,42

6,30

4,88

2,04

261,22

Fonte: BC-Focus/INEPAD

ATIVIDADE

ECONÔMICA Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

Data

Data

Var. p.p.

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Var. %

mai/11

83,20

1,20

mai/11

130,71

-0,08%

jun/11

82,60

-0,60

jun/11

129,63

-0,83%

jul/11

82,40

-0,20

jul/11

129,77

0,11%

ago/11

83,50

1,10

ago/11

129,34

-0,33%

set/11

82,80

-0,70

set/11

128,65

-0,53%

out/11

83,30

0,50

out/11

127,60

-0,82%

nov/11

82,70

-0,60

nov/11

126,65

-0,74%

dez/11

79,40

-3,30

dez/11

126,88

0,18%

jan/12

79,60

0,20

jan/12

125,71

-0,92%

fev/12

80,20

0,60

fev/12

126,31

0,48%

mar/12

81,10

0,90

mar/12

125,96

-0,28%

abr/12

80,60

-0,50

abr/12

125,47

-0,39%

mai/12

81,40

0,80

mai/12

124,61

-0,69%

Variação mai/mai

-4,67%

-2,16%

Variação mai/mai Fonte: CNI/INEPAD

PRODUÇÃO X

Fonte: IBGE/INEPAD

CAPACIDADE

Capacidade (%)

Produção (índice)

85

133

84 129

83 82

125

81 121 80 117

79 78

113

77 109 76 105

Fonte: INEPAD/CNI/IBGE

Taxa da utilização da capacidade instalada

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

out/11

set/11

ago/11

jul/11

jun/11

mai/11

75

Índice de produção física média móvel trimestral

agosto/setembro 2012 FINANCEIRO 63

Finan76 INEPAD tabelas.indd 63

8/10/12 5:28 PM


bancodedadosinepad IPCA MENSAL

BALANÇA

0,009

COMERCIAL (US$

MILHÕES)

30.000

0,008 25.000 0,007 20.000

0,006 0,005

15.000 0,004 10.000

0,003 0,002

5.000 0,001

IPCA

M.M 12 meses

Exportações

Fonte: INEPAD/MDIC

jun/12

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

out/11

set/11

ago/11

jun/11

jun/12

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

out/11

set/11

ago/11

jul/11

jun/11

Fonte: INEPAD/IBGE

jul/11

0

0

Importações

PRODUÇÃO – AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS (EM UNIDADES)

Produção

Média Trim.

jun/11

295.600

293.967

-8.600

-2,83%

jul/11

307.200

302.333

11.600

3,92%

ago/11

325.300

309.367

18.100

5,89%

350.000

set/11

261.200

297.900

-64.100

-19,70%

300.000

out/11

265.600

284.033

4.400

1,68%

nov/11

274.500

267.100

8.900

3,35%

dez/11

262.000

267.367

-12.500

-4,55%

jan/12

211.764

249.421

-50.236

-19,17%

150.000

fev/12

217.848

230.537

6.084

2,87%

100.000

mar/12

308.500

246.037

90.652

41,61%

50.000

abr/12

260.800

262.383

-47.700

-15,46%

mai/12

280.800

283.367

20.000

7,67%

jun/12

273.600

271.733

-7.200

Var. Mensal (%)

PRODUÇÃO –

AUTOMÓVEIS LEVES E PESADOS

Unidades

250.000 200.000

mai/12

jun/12

mai/12

jun/12

jan/12 jan/12

abr/12

dez/11 dez/11

abr/12

nov/11 nov/11

mar/12

out/11 out/11

mar/12

set/11 set/11

fev/12

ago/11 ago/11

fev/12

jul/11 jul/11

-2,56%

jun/11

0

jun/11

Var. Mensal

Data

-7,44%

Variação jun/jun Fonte: Anfavea/INEPAD

EXPORTAÇÃO

DE AUTOVEÍCULOS MONTADOS (EM

UNIDADES)

Exportações

Média Trim.

Var. Mensal

Var. Mensal (%)

jun/11

36.555

43.296

-8.103

-18,14%

jul/11

46.502

42.572

9.947

27,21%

ago/11

44.878

42.645

-1.624

-3,49%

set/11

44.646

45.342

-232

-0,52%

out/11

52.249

47.258

7.603

17,03%

nov/11

54.950

50.615

2.701

5,17%

dez/11

48.403

51.867

-6.547

-11,91%

jan/12

33.075

45.476

-15.328

-31,67%

fev/12

36.461

39.313

3.386

10,24%

mar/12

42.225

37.254

5.764

15,81%

abr/12

48.700

42.462

6.475

15,33%

mai/12

26.700

39.208

-22.000

-45,17%

jun/12

36.000

37.133

9.300

34,83%

Data

Variação jun/jun

-1,52%

Unidades 60.000

50.000

40.000

30.000

20.000

10.000

0

Exportações

Média Trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

64 FINANCEIRO agosto/setembro 2012

Finan76 INEPAD tabelas.indd 64

8/10/12 5:28 PM


LICENCIAMENTO

DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (EM

UNIDADES)

Total

1000cc

% no Total

+1000cc a 2000cc

% no total

+2000cc

% no total

jun/11

222.404

106.079

48,3%

112.261

50,5%

4.064

1,8%

jul/11

222.661

102.279

47,6%

116.772

52,4%

3.610

1,6%

ago/11

236.389

105.307

43,3%

127.711

54,0%

3.371

1,4%

set/11

226.158

99.239

46,6%

123.363

54,5%

3.556

1,6%

out/11

203.351

89.590

48,8%

110.731

54,5%

3.030

1,5%

nov/11

233.557

101.597

38,4%

129.034

55,2%

2.926

1,3%

dez/11

251.606

110.860

40,4%

137.344

54,6%

3.402

1,4%

jan/12

196.654

86608

56,4%

107608

54,7%

2.438

1,2%

fev/12

185.483

78953

46,7%

104784

56,5%

1.746

0,9%

mar/12

220.172

88445

35,9%

129404

58,8%

2.323

1,1%

abr/12

189.232

73014

46,7%

114158

60,3%

2.060

1,1%

mai/12

210.216

85432

34,7%

122532

58,3%

2.233

1,1%

jun/12

275.929

120194

31,0%

153905

55,8%

1.830

0,7%

Data

Fonte: Anfavea/INEPAD

LICENCIAMENTO

POR CATEGORIA

AUTOMÓVEIS

Unidades 180.000 160.000 140.000 120.000 100.000 80.000 60.000 40.000 20.000

1000cc

Fonte: Anfavea/INEPAD

TAXA

DE JUROS PREFIXADOS

PESSOA FÍSICA (R$

CRÉDITO PESSOAL

+ 1000cc a 2000cc

jun/12

+ 2000cc

MILHÕES)

AQUISIÇÃO DE BENS – VEÍCULOS

AQUISIÇÃO DE BENS – OUTROS TAXA DE JUROS

TAXA DE JUROS

TAXA DE JUROS

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

out/11

set/11

ago/11

jul/11

jun/11

0

Variação p.p.

Saldo total R$ milhões

% a.m.

Variação p.p.

% a.a.

30,90

1,00

9.165

3,71

0,07

54,80

1,20

30,40

-0,50

9.096

3,87

0,16

57,70

2,90

-0,04

29,80

-0,60

8.940

3,89

0,02

58,00

0,30

2,18

-0,02

29,50

-0,30

9.060

3,57

-0,31

52,40

-5,60

163.928

2,17

-0,01

29,40

-0,10

9.027

3,75

0,17

55,50

3,10

167.297

2,11

-0,06

28,50

-0,90

9.204

3,47

-0,28

50,60

-4,90

2,50

168.658

2,11

-0,01

28,40

-0,10

9.013

3,87

0,40

57,80

7,20

-3,60

170.554

2,03

-0,08

27,20

-1,20

9.180

3,75

-0,13

55,50

-2,30

-0,40

173.302

1,96

-0,07

26,20

-1,00

9.349

4,31

0,56

65,90 10,40

2,10

174.681

2,00

0,04

26,80

0,60

9.291

4,11

-0,20

62,10

-3,80

50,60

0,30

176.191

2,01

0,01

27,00

0,20

9.442

3,90

-0,21

58,30

-3,80

-0,10

48,80

-1,80

177.546

1,98

-0,03

26,50

-0,50

9.340

4,10

0,19

61,90

3,60

3,13

-0,24

44,70

-4,10

178.077

1,94

-0,03

26,00

-0,50

9.206

4,17

0,07

63,30

1,40

260.152

2,93

-0,20

41,41

-3,29

178.494

1,77

-0,17

23,43

-2,57

9.327

3,98

-0,19

59,75

-3,55

265.356

2,82

-0,11

39,60

-1,81

182.154

1,58

-0,19

20,70

-2,73

9.245

4,02

0,04

60,50

0,75

Variação p.p.

% a.a.

2,27

0,07

2,24

-0,03

158.004

2,20

-0,30

160.932

49,60

0,90

49,70

0,10

52,20 48,60

-0,02

48,20

0,12

50,30

3,47

0,02

250.980

3,37

abr/12

255.260

mai/12 jun/12

Mês/ ano

Saldo total R$ milhões

% a.m.

abr/11

216.454

mai/11

220.808

jun/11

Variação p.p.

Saldo total R$ milhões

% a.m.

49,90

2,60

152.198

49,70

-0,20

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49,00

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Fonte: BC/INEPAD

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últimapalavra

Por Carlos Thadeu de Freitas Gomes

Na esteira dos efeitos da crise de dívida mundial sobre a economia brasileira, o Banco Central do Brasil vem alimentando expectativas de quedas na taxa de juros Selic. Resta saber se essa postura homeopática está em congruência com o momento no qual a economia atravessa. É importante lembrar que as taxas dos títulos públicos americanos, os treasuries, estão em patamares historicamente baixos. Se por um lado isso reflete o fato de a economia americana (e também a europeia) estar entrando em uma era deflacionária, por outro pode representar uma deficiência na precificação do risco sobre esses títulos. Se, em algum momento, isso for refletido no preço dos títulos americanos, essas taxas começarão a subir, o que obrigará o Banco Central a subir a taxa Selic repentinamente, ocasionando o chamado “overshooting”. Mas que novidade há nisso? A resposta provavelmente passa pelo boom do crédito, vivenciado no Brasil nos últimos anos. As instituições financeiras brasileiras emprestaram com longos prazos e a baixas taxas (para os patamares brasileiros). Isso só foi possível devido ao custo de captação dessas instituições que caiu com a taxa Selic. A comparação entre o nível das taxas de juros reais no Brasil com os níveis nos países desenvolvidos pode ser um exercício enganoso. Os Estados Unidos e a Europa passam por uma crise de endividamento excessivo, na qual a imposição de taxas reais baixas, ou até mesmo negativas, faz parte de uma estratégia dos bancos centrais para atenuar um grave problema fiscal. Como não há no Brasil um problema similar, a comparação entre taxas domésticas e estrangeiras não faz muito sentido. Outro ponto é o uso da taxa de juros no Brasil com o intuito de perseguir uma taxa de câmbio

real mais depreciada. Do ponto do vista de um país que possui escassez de poupança doméstica, isto é, que depende de poupança externa para realizar investimentos, a política monetária frouxa se torna incongruente com o modelo macroeconômico em vigor. Taxas de juros mais baixas não são compatíveis com gastos públicos em expansão. É preciso tomar cuidado com essa equação. Dessa forma é importante refletir se a estratégia de parcimônia nas decisões da política monetária tem sido adequada às mudanças na composição da carteira de crédito dos bancos brasileiros. Além disso, é preciso questionar se o trinômio de taxas reais baixas, câmbio real depreciado e expansão de gastos é, de fato, compatível com uma economia que depende de capital estrangeiro para investir. Deveria o Banco Central continuar gerando expectativas de queda na taxa de juros Selic, mesmo quando o mercado futuro de já precifica 7,5% ao ano, implicando taxa de juros real de 2% ao ano? As assimetrias cambiais, sancionadas por políticas de controle de capitais, que não foram ainda retificadas em sua totalidade, geram também distorções na taxa de câmbio cujas elevações são provocadas naturalmente pela conjuntura de aversão ao risco. Políticas que visam à valorização artificial do dólar não alcançam seus objetivos de viabilizar mais exportações, mas prejudicam os investimentos e geram incertezas inflacionárias. Logo, apesar dos acertos da atual política monetária, sua trajetória tem de ser constantemente revista para não ocasionar incongruências. f

Carlos Thadeu de Freitas Gomes Economista-chefe da CNC e ex-diretor do Banco Central

Foto: Divulgação/Artigo enviado em Julho

As incongruências da política monetária

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