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financeiro

financeiro nova

arevistadocrédito edição

Pista cheia adiante

62 fev mar

NUNCA NESTE MERCADO FOI TÃO FÁCIL COMPRAR UM CARRO. MONTADORAS E BANCOS FINANCIAM A CLASSE C E AGUARDAM NOVOS CONSUMIDORES COM INOVAÇÕES NO CRÉDITO

fevereiro/março 2010 edição 62

ENTREVISTA NO SANTANDER, FÁBIO BARBOSA REDEFINE A PALAVRA DESAFIO


conteúdofinanceiro

6

6

14

32 22

entrevista do mês

40

Fabio Barbosa, presidente do Grupo Santander,

Com abertura de capital, pequenas e médias

conta como dirigiu a instituição em 2009

empresas financiam crescimento

crédito

44

pequeno empreendedor

educação Escolas atualizam cursos de MBA em varejo

22

28

raio X Lupo reforça sua atuação no mercado varejista

Cartão BNDES financia o sonho de

16

capital

44

52

personalidade Ricardo Loureiro, novo presidente da Serasa Experian, trabalha pelo Cadastro Positivo

capa

seções

Mercado de veículos Após a crise, tudo indica que o

10 Rápidas Tudo o que acontece no mercado

crescimento continua

12 Livros Obras que não podem faltar

especial Rio de Janeiro

artigos

Concessionárias de crédito e financeiras cariocas

20 Claudia Amira Desafio

estão otimistas quanto aos resultados para 2010

36 Alberto Borges Matias Análise e Perspectivas 38 Marcelo Giufrida Mercado

32

associado

48 Antonio Glup Gestão

BMW Serviços Financeiros Mudança de estratégia

50 Carlos Maccariello Universo Financeiro

com foco no cliente favore resultados positivos

66 Leonel Andrade Última palavra

ERRAtA Na edição anterior (nº 61), erramos na página 66 ao publicar novamente a foto de Gilberto Caldart, presidente da MasterCard Brasil. Ela saiu no lugar da foto de Francisco Valim, atual CEO da Experian para Europa, Oriente Médio, África e América Latina. fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 3


expediente financeiro ISSN 1809-8843

Rua Líbero Badaró, 425 – 28o andar – São Paulo – SP Tel: (11) 3107–7177 Fax: (11) 3106–6082 – www.acrefi.org.br Presidente Adalberto Savioli Vice-Presidentes Álvaro Augusto Vidigal, Aquiles Leonardo Diniz, Arnaldo Alves Vieira , Érico Sodré Quirino Ferreira, Luis Felix Cardamone Neto, Marco Ambrógio Crespi Bonomi, Odílio Figueiredo Neto e Wilson Masao Kuzuhara. Secretários Cláudio Messias Ferro e Edson Ueda Tesoureiro Sérgio Marra Pereira Capella Diretores Regionais Antônio Roberto Beldi (SP), Carlos Alberto Samogim (SP – Interior), Elcio Antônio de Azevedo (MG), Felicitas Renner (RS), Pedro Costa Carvalho (RJ), Laécio Barros Junior (DF) e Leonardo Marcondes Dadauto Diretores-Executivos Gunnar Murilo, José Renato Simão Borges, Morris Dayan, Sandro Alexandre de Almeida, Sérgio Antônio Cipovicci e Sérgio Barbanti Diretores Conselheiros Leonel Dias de Andrade Neto, Marcelo Torresi, Marcio Ronconi de Oliveira, Marcus André Oliveira, Paulo Roberto Tabaquim, Paulo Sérgio Borsato, Roberto Bronzere e Rubens Bution Conselho Consultivo Membros Natos: Alkindar de Toledo Ramos, Manoel de Oliveira Franco e Ricardo Malcon. Membros: Alencar Burti (ACSP), Francisco Valim (Serasa), Jackson Schneider (Anfavea), João Elísio Ferraz de Campos (Fenaseg), Luiz Horácio da Silva Montenegro (ANEF), Miguel José Ribeiro de Oliveira (Anefac) e Sergio Antonio Reze (Fenabrave) Conselho Fiscal Domingos Spina e Istvan Karoly Kasznar Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Controller Carlos Alberto Marcondes Machado Economista-Chefe Istvan Karoly Kasznar Consultor Jurídico Cassio M.C. Penteado Jr. Assessoria de imprensa Tamer Comunicação Empresarial

Rua Novo Horizonte, 311 – Higienópolis – São Paulo – SP Tel: (11) 3125–2244 – CEP 01244-020 – www.gpadrao.com.br Publisher Roberto Meir REDAÇAO Editor-executivo Rogério Godinho Editora-assistente Júlia Zillig Repórteres Carol Castro, Juliana Jadon e Obede Júnior Fotografia Douglas Luccena Colaboradores Denise Sandanelli (texto) Arte Editora de Arte Marina Martins Diagramadores Alexandre Braga e Érika Bernal Pré-Impressão Alexandre Lima Revisora Dora Wild Publicidade Gerente Comercial – Marco Góes – mgoes@gpadrao.com.br Gerentes de Negócios Adriana Próspero e Fabiana Zuanon Facilitadoras Ana Chiesi, Fabiana Martins e Patrícia Pinheiro Impressão IBEP Gráica Ltda. 4 FINANCEIRO fevereiro/março 2010


editorial

S

Sonhos às vezes viram realidade. Pelo menos para uma parte da população brasileira de baixa renda que finalmente conseguiu comprar uma geladeira ou um carro. Falo da classe C, e até D, que ganhou renda nos últimos anos e aproveitou a redução do IPI durante a crise. Tudo deu certo, mas o governo agora sinaliza o fim da festa. A economia brasileira vive um bom momento (renda crescente e Selic estável), ampliando a capacidade de consumo de produtos e serviços, dentre eles o crédito. Para que ajudar mais? No final de janeiro, o governo anunciou o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca. Terminou em um domingo, no qual os consumidores mais uma vez correram às lojas. Mas, poucos anos antes do IPI completar meio século, há uma oportunidade única de o governo realmente fazer história. Não se trata de acabar com o imposto. Alguns produtos podem até manter a tarifa alta, por política social ou de saúde, como é o caso do cigarro (330% e ainda pode aumentar). Mas bens duráveis fundamentais para as famílias brasileiras e essenciais para a indústria certamente deveriam receber uma redução permanente. E o governo pode ganhar com isso, não só politicamente. A propaganda oficial fala em R$ 336 milhões de perda com a queda do imposto. Improvável. O governo projeta quanto

Sonho e realidade seria a arrecadação com o imposto total, mas usa o volume de vendas maior, que só foi obtido com a redução. Melhor levar em conta que fogões, geladeiras e máquinas de lavar venderam 24% a mais em 2009, quando deveria ter sido muito menos com a crise (algo que já acontecia no primeiro trimestre de 2009, com uma queda de 4%). Portanto mais imposto foi pago, a indústria produziu mais e o consumidor ficou feliz. O espetáculo da redução de impostos traduzido em aumento da arrecadação não é novo, é só lembrar de como a MP do Bem deu impulso à venda de computadores e à arrecadação. Aquela experiência poderia ser ampliada. É hora de ousadia, de levar a sério os projetos de lei apresentados por deputados federais e senadores que ampliam (ao invés de reduzir) estímulos. Não se trata de fazer nada impensado, mas um bom planejamento e uma estratégia gradual e regressiva poderiam ampliar os benefícios. Afinal, talvez enfrentar a carga tributária não seja um pesadelo para o governo.

Adalberto Savioli Presidente da Acrefi fevereiro /março 2010 FINANCEIRO 5


entrevistadomês

Por Denise Sandanelli

Fabio Barbosa, presidente do Grupo Santander, sabe como poucos comandar o barco em épocas de tempestade

A crise ensina Conhecido entre seus pares pelo otimismo e pela serenidade, Fabio Barbosa conirma a fama quando escolhe, para deinir 2009, os termos “especial” e “desaiador”. Quem está de fora pode imaginar que o ano foi especialmente turbulento para esse paulistano: enquanto conduzia um dos maiores processos de fusão já vistos no Brasil, ele ainda enfrentou a mais grave crise econômica internacional em oito décadas, a qual nasceu justamente no setor inanceiro. “O fato de que situações tão relevantes tenham ocorrido concomitantemente não representou essencialmente um problema, mas uma oportunidade”, diz o executivo, mais uma vez deixando claras as suas principais qualidades. Com essa mesma postura, Barbosa olha o futuro. É verdade que o cenário é muito mais alentador para bancos que atuam no Brasil do que em qualquer outra nação. Aqui, as leis rígidas protegeram o sistema da quebradeira que teve lugar, por exemplo, nos Estados Unidos. No entanto, as instituições precisam apertar o passo para acompanhar o forte ritmo de crescimento que se espera do País daqui para a frente. E o presidente do Grupo Santander Brasil sabe exatamente como fazê-lo. Leia, a seguir, a entrevista concedida com exclusividade para a Financeiro. 6 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

Financeiro Em 2009, o senhor se viu em meio a duas grandes tarefas: conduzir a fusão do Banco Real com o Santander e administrar as operações da instituição em meio à crise internacional. O que foi mais difícil? Fabio Barbosa Esse cenário tornou 2009 um ano tão especial quanto desaiador. É difícil eleger uma das demandas como a mais difícil de conduzir, porque as duas foram administradas de forma integrada. O fato de que situações tão relevantes tenham ocorrido concomitantemente não representou essencialmente um problema, mas uma oportunidade. A sinergia inanceira e cultural advinda da integração nos ajudou a atravessar o período crítico nas inanças globais sem grandes sobressaltos. Foi um momento difícil, mas muito enriquecedor. O balanço inal é muito positivo. Financeiro Quais são os principais desaios para os bancos no Brasil nos próximos anos? Barbosa Acho que o nosso principal desaio será ampliar a oferta de crédito de longo prazo para inanciar os investimentos que o País precisa fazer para seguir crescendo. O ciclo de crescimento dos últimos anos foi baseado principalmente no consumo, que, por sua vez, foi impulsionado pelo crescimento da renda e do crédito. Agora,


para seguirmos crescendo, temos urgência em ampliar nossos níveis de poupança e investimento. Só para citar alguns desaios, o Brasil precisará levar adiante os investimentos na camada do pré-sal, na geração de energia e ampliar a infraestrutura do País. E ainda teremos a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas em 2016. Tudo isso vai requerer inanciamento e acho que a participação de capitais privados será imprescindível, já que não haverá poupança pública suiciente. Os bancos e o setor inanceiro têm aqui um tremendo desaio, mas também uma grande oportunidade. Os pontos-chave serão a criação e o aperfeiçoamento de instrumentos que permitam um alongamento maior dos passivos do setor bancário, principalmente do setor privado, e assim viabilizar os inanciamentos de longo prazo. Os investimentos normalmente demandam um tempo maior para a sua maturação e precisamos ter uma estrutura de passivos que seja compatível com isso. O desaio é grande, pois, apesar de todo esse período de estabilidade, o investidor brasileiro ainda dá preferência a operações de prazo mais curto quando investe sua poupança. Financeiro Como o mercado brasileiro de crédito pode avançar mais? Barbosa O saldo das operações de crédito no Brasil passou de 21,8% do PIB em janeiro de 2003 para 45% em dezembro de 2009. Em reais, o saldo passou de R$ 384 bilhões para R$ 1,4 trilhões, ou seja, temos R$ 1 trilhão a mais de crédito na economia, o que ajuda a explicar o crescimento do PIB nesse período. Trata-se de um desempenho notável do qual devemos nos orgulhar. A

próxima fronteira está sem dúvida no longo prazo, particularmente nos financiamentos aos setores habitacional e de infraestrutura. Faço ainda uma menção especial ao setor de commodities, no qual o Brasil é muito forte e que certamente crescerá de forma significativa nos próximos anos. Assim que a economia mundial retomar o seu crescimento, a demanda por commodities (agrícolas e de energia) voltará a crescer, e nossas empresas terão de investir muito para manter e ampliar sua posição nesses mercados. Devemos estar preparados para financiar esta expansão. Financeiro O que as instituições financeiras podem e devem fazer para que o crescimento do crédito no Brasil – uma condição essencial para o desenvolvimento do País nos próximos anos – seja saudável e não se torne um problema, como aconteceu nos EUA? Barbosa De certo modo, continuar a fazer o que já estão fazendo: manter-se fortemente capitalizadas e com níveis prudentes de alavancagem. Aperfeiçoar constantemente os sistemas de avaliação de risco e fortalecer as áreas de crédito. E tudo isso com muita transparência, incluindo todas as operações e números relevantes em seus respectivos balanços. Uma diferença notável do Brasil em comparação aos EUA é que, lá, operações enormes estavam fora dos balanços das instituições financeiras e não sujeitas a qualquer tipo de supervisão bancária. Isso não teria como acontecer por aqui. fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 7


entrevistadomês Aliás, nas discussões que sucederam à crise, o Brasil foi muitas vezes citado como referência nessa questão. Financeiro Qual é o papel do governo nesse processo? Barbosa Numa economia de mercado, cabe ao governo deinir as regras do jogo, assegurar a competição e garantir a rigidez do sistema bancário e inanceiro. Nesse quesito, posso dizer com orgulho que somos referência no mundo todo, incluindo os países desenvolvidos. Temos uma legislação rigorosa e cuidadosa e uma supervisão bancária também rigorosa e muito competente.

Financeiro Como a legislação bancária no Brasil ainda pode ser aprimorada? Barbosa Sempre há o que ser aperfeiçoado, obviamente. Do ponto de vista geral, acho que o grande desaio é criar mecanismos que impeçam que os bancos assumam riscos excessivos nos períodos de bonança. Todos nós sabemos que a atividade de concessão de crédito, especialmente nos bancos privados, tem uma forte tendência pró-cíclica; essa tendência pode levar a exageros nas fases de alta, os quais costumam custar caro quando a expansão se esgota e entramos num período de baixa. Aqui, o grande desaio é criar mecanismos que evitem que os bancos assumam riscos excessivos nas fases de alta, mas ao mesmo tempo assegurem que não falte crédito para inanciar o crescimento econômico. Não é algo trivial de ser feito. Sei que o nosso Banco Central está trabalhando nisso em conjunto com autoridades monetárias de outros países, e temos todo interesse em contribuir para esse debate. Em termos mais especíicos, eu mencionaria a necessidade de aperfeiçoamento na legislação de crédito, em especial a aprovação do cadastro positivo. Financeiro As classes C e D são mesmo o principal alvo da estratégia dos bancos daqui para a frente? Como se pode atingir esse público? O que está sendo feito para compreendê-lo melhor? Barbosa Estudos recentes indicam que se a educação é, de longe, o principal fator de inclusão social em um país, o crédito é o segundo mais importante. Isso está sendo veriicado na prática no Brasil. O crédito está crescendo, chegando às pequenas empresas e às pessoas de baixa renda. E os benefícios se apresentam como mais um elemento que leva à melhoria crescente dos indicadores econômicos e sociais do País. Os bancos têm o papel de estimular o desenvolvimento da economia. Com o fortalecimento do poder de compra das classes C e D, a tendência é a de aumentar a bancarização, que já vem se mostrando consistente. Ao inal de 2008, chegamos a 126 milhões de contas em versus 77 milhões em 2002, um crescimento médio de 8,5% ao ano. As estimativas eram de que estávamos com cerca de 135 milhões de contas correntes ao inal de 2009.


Financeiro Como a inadimplência deve se comportar nos próximos anos? De que forma pode ser reduzida? Barbosa Do ponto de vista conjuntural, posso dizer que o pior da inadimplência já icou para trás. A taxa de inadimplência saiu de 4% em setembro de 2009 e bateu em 5,9% em julho/agosto do ano passado, que deve ter sido o pico. Agora está em recuo e deve seguir nesse ritmo ao longo de 2010, principalmente em função da melhora do quadro econômico. Do ponto de vista estrutural e pensando numa perspectiva de longo prazo, acho que a redução do nível de inadimplência no Brasil depende de diversos fatores, mas eu destacaria três: a manutenção da trajetória de crescimento da economia e dos níveis de renda da população; o aperfeiçoamento por parte dos bancos dos sistemas de informação e de concessão de crédito; e o investimento na educação inanceira da nossa população. Essa é uma tarefa nossa e de toda a sociedade. A combinação de uma economia saudável e em crescimento, com uma concessão de crédito responsável por parte dos bancos e uma população educada inanceiramente, certamente levará a uma redução dos níveis de inadimplência em nosso país. Vale citar ainda o Cadastro Positivo, que ajuda a identiicar os bons pagadores, melhorando assim a qualidade do crédito e diminuindo a inadimplência. Financeiro Com a consolidação da Selic em patamares mais baixos, como as instituições podem garantir resultados interessantes para os seus acionistas no médio e longo prazo? Barbosa Faz um bom tempo que os nossos bancos não dependem do nível da taxa Selic para garantir os seus lucros. A participação dos depósitos não remunerados em nossos passivos hoje é muito pequena, o que signiica que hoje não há como um banco assegurar uma boa rentabilidade apenas com a aplicação em títulos públicos. Portanto o que vamos ter de fazer no futuro é mais do já temos feito ao longo dos últimos anos: ampliar a oferta de produtos e serviços bancários; investir maciçamente em tecnologia para melhorar o atendimento aos nossos clientes e reduzir custos; seguir expandindo a oferta de crédito, agora incluindo as operações de longo prazo, por exemplo no setor habitacional; ampliar o inanciamento às empresas, tanto em suas atividades de produção como

de investimento. E, inalmente, dar sequência ao processo de bancarização de nossa população. Repito que o período da ciranda inanceira felizmente já icou para trás em nosso país. Quem acha que ainda dependemos da taxa Selic para ter lucro está como a Carolina naquela música do Chico Buarque: “... o tempo passou na janela e só Carolina não viu...”. Financeiro Que lições os bancos tiraram da crise, na sua opinião? Barbosa As crises têm o lado positivo do aprendizado. Mais uma vez aprendemos muito. Reforçamos a crença de que é necessário estar sempre preparado e não relaxar nunca. Vale lembrar ainda um ensinamento de um dos maiores investidores do mundo, Warren Bufet. Ele disse: ique fora de negócios excessivamente complicados e/ou que você não consegue entender – ingredientes que, se pensarmos bem, estão na origem do subprime. E, ainda como lição, também voltamos a valorizar itens básicos, como preservar a liquidez. Em momentos de crise, a liquidez é quase tão importante quanto a sua base de capital. Em resumo, a crise nos ensinou mais uma vez que um banqueiro deve ser prudente, manter o foco no seu negócio, estar sempre capitalizado e com liquidez. Dito assim até parece óbvio, mas vimos que na vida real não é tão simples. Financeiro Quais são os seus planos e expectativas para 2010 à frente do banco? O que o Santander deseja realizar no Brasil neste ano? Barbosa Demos passos importantes em 2009, como o avanço da integração entre o Real e o Santander e a realização da abertura de capital na Bolsa de Valores. Para 2010, temos novas metas alinhadas a um objetivo maior, que é ser o melhor prestador de serviços inanceiros no País. A primeira grande ação do ano foi entrar no mercado de captura e processamento de transações via cartão de crédito e débito. Nos próximos meses, ainda vamos completar o processo de integração e pretendemos consolidar os resultados inanceiros, seguindo a agenda positiva da economia brasileira. Continuaremos, também, avançando com o tema sustentabilidade nos negócios, que, diga-se de passagem, tem sido um importante fator na integração dos dois bancos. f fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 9


notasmercado

INADIMPLÊNCIA

CONSUMO

Sem fundos é recorde

Clientes satisfeitos

A inadimplência de cheques bateu recorde no ano passado, mesmo com a retomada do crescimento econômico no segundo semestre. Em 12 meses, 2,15% dos cheques compensados no Brasil voltaram (considerando somente a segunda devolução por falta de fundos, de acordo com o “Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos”). Foi o maior porcentual desde 1991, ano em que teve início o levantamento. O recorde é desenhado desde o primeiro semestre do ano passado, quando a inadimplência do segmento foi de 2,3%. Por outro lado, para os próximos meses, a expectativa dos especialistas da Serasa Experian é de que a inadimplência com cheques recue, em virtude do crescimento econômico.

COMÉRCIO

Mais vendas O comércio varejista do País registrou, em novembro de 2009, resultados positivos quando comparado ao mês anterior. As vendas cresceram 1,1% e a receita aumentou 1,3%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sete das dez atividades avaliadas pelo instituto obtiveram variações positivas. Com maior volume de vendas estão veículos e motos, partes e peças (37,1%), seguido por equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (19,2%) e móveis e eletrodomésticos (13,9%).

SALÁRIO

Renda média aumenta 14% A renda média do trabalhador brasileiro aumentou 14,3% entre 2003 e 2007 nas seis principais regiões metropolitanas do País. O dado foi apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o levantamento, todas as regiões pesquisadas tiveram alta, com destaque para Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador. Nessas capitais, o avanço da renda média do trabalhador ficou em torno de 19%. De acordo com o levantamento divulgado pelo IBGE, em 2009 o rendimento médio do trabalhador foi de R$ 1.350,33, atingindo o maior patamar da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME). A região metropolitana de São Paulo registrou o rendimento médio mais alto: R$ 1.502,06. Já a região metropolitana de Recife apresentou o mais baixo: R$ 895,90.

10 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

Os consumidores estão mais confiantes. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), elevou-se em 0,6% entre dezembro e janeiro deste ano, e passou de 112,3 para 113 pontos. O resultado reflete dois movimentos distintos: a melhora da situação atual e a diminuição do otimismo com os próximos meses. O indicador que mede a satisfação do consumidor com a situação financeira da família foi o quesito que mais contribuiu para a evolução em janeiro de 2010. Entre dezembro e janeiro, a proporção dos que avaliam a situação atual como boa aumentou de 17,5% para 20,4%; a dos que a julgam ruim diminuiu de 13,2% para 12,2%. DDA

Adeus papel As instituições começaram a parar de emitir boletos em papel. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), já são 2,6 milhões os clientes cadastrados no Débito Direto Autorizado (DDA) que recebem os boletos digitais. Entretanto os consumidores continuarão a receber os documentos em papel das firmas que ainda não registram suas cobranças. Pelo novo sistema, que completou três meses em 19 de janeiro, já foram produzidos 34,2 milhões de boletos eletrônicos. E a natureza agradece.


INVESTIMENTO PÚBLICO

TECNOLOGIA

Bilhões e mais bilhões

Bolsa veloz

O investimento público atingiu o volume recorde de R$ 119 bilhões em 2009, sendo R$ 71,5 bilhões das empresas estatais e R$ 47,4 bilhões do Orçamento Geral da União. O valor significativo representa quase 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2010, a previsão de investimentos das empresas estatais é de R$ 94,4 bilhões e de R$ 59,2 bilhões no Orçamento Fiscal, conforme previsto na Lei Orçamentária deste ano.

Vai ficar mais fácil negociar na BM&FBovespa a partir de 20 de abril. É quando a comunicação com o Mega Bolsa será centralizada na nova plataforma MegaDirect. Hoje, as corretoras já podem enviar suas ordens de compra ou venda diretamente pelos terminais eletrônicos, mas o novo sistema aumenta a capacidade de processamento e vai tornar possível negociações a uma velocidade média dez vezes maior que a anterior. As corretoras poderão usar telas de negociação fornecidas por empresas do mercado, mas elas terão de ser certificadas pela BM&FBovespa.

BRASIL

Entre os maiores do globo O Brasil será a quinta maior economia mundial em 2025, segundo pesquisa da consultoria PricewaterhouseCoopers. A estimativa é de que o País tenha ocupado a 8ª posição no ranking já em 2009. Segundo o estudo, o Brasil ultrapassaria o Reino Unido e a França em 2013 e a Alemanha em 2025. A China deve ocupar a primeira posição, seguida pelos Estados Unidos, Índia e Japão. É esperar para ver. PRODUÇÃO INDUSTRIAL

Motores engrenados A produção industrial brasileira fechou 2009 com a maior queda dos últimos 19 anos, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Brasil, o ano passado apresentou redução de 7,9% em relação ao resultado de 2008. Em 1990, a queda havia sido de 8,9%. Segundo o IBGE, no entanto, as perdas foram mais acentuadas no primeiro semestre (-13,9%), mas, no último trimestre do ano, houve uma recuperação de 5,8%. Dos 27 segmentos pesquisados, 23 apresentaram redução na comparação de 2009 com o ano anterior. As quedas mais significativas foram registradas nos setores de material eletrônico e equipamentos de comunicações (-25,5%), máquinas e equipamentos (-18,5%), metalurgia básica (-17,5%), e veículos automotores (-12,4%).

INFLAÇÃO

Preços elevados A inflação na cidade de São Paulo voltou a subir e encerrou janeiro em 1,34%, segundo dados divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O resultado para o mês é o maior desde fevereiro de 2003, quando ficou em 1,61%. Os principais culpados para essa elevação foram os custos de alimentos, transportes e educação. A taxa do primeiro atingiu 1,52%, na maior variação mensal desde julho de 2008, depois de fechar dezembro com queda de 0,24%. No sentido contrário, apenas os gastos com vestuário tiveram deflação, com queda de 0,68%. POUPANÇA

Lucro pequeno A poupança teve o menor rendimento anual da história em 2009, segundo levantamento da consultoria Economática. Seu lucro nominal (sem o desconto da inflação) encerrou o ano em 7,05%. Os dados da caderneta são analisados desde 1966. Um poupador, por exemplo, que tenha colocado R$ 1 mil na caderneta em janeiro de 2009, chegou ao final do período com R$ 1.070,50. É preciso mais do que poupar.

fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 11


livros

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Economia do sentimento De repente, os clientes passam a ignorar os seus produtos. Na empresa, os próprios funcionários desanimam. Essas mudanças já foram estudadas e explicadas por cientistas e, mesmo que a racionalidade seja importante na tomada de decisões, está provado que as pessoas agem constantemente por impulso. A recomendação é usar elementos que provoquem emoção em seus clientes – seja no design de produto, nas campanhas publicitárias ou no ato da venda. O autor aponta que incorporar esse conhecimento aos projetos, no mercado e no local de trabalho, é a melhor forma de atingir os objetivos numa economia regida pelo sentimento.. Livro “Emotionomics” Autor Dan Hill Editora Campus-Elsevier Páginas 360 Preço R$ 69,90

Decisões racionais ocorrem em situações menos esperadas – desde uma aposta em um cassino em Las Vegas a um encontro num salão da rede Soho. Com base em conceitos da economia, o autor desta obra aponta que tanto um pedido de divórcio quanto uma discussão entre chefe e subordinado têm sua lógica própria. Livro “A Lógica da Vida” Autor Tim Harford Editora Record Páginas 350 Preço R$ 49,90

12 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

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Dinheiro em tudo

>> Chave para o triunfo O que os grandes líderes sabem que nós não sabemos? Neste livro, os autores mostram como os cabeças de grandes corporações pensam, trabalham, tropeçam, e atingem o sucesso. Dos hábitos cotidianos de Bill Gates aos insigths do guru Peter Drucker, a obra ilustra o que os autores chamam de “a verdadeira liderança”. Livro “Segredos do Sucesso dos Grandes Homens de Negócios” Autores Editores da Fortune Editora Nobel Páginas 255 Preço R$ 49


créditoBNDES

Em forma de

crédito! A Nossa Caixa aumenta foco no pequeno empresário e adere aos cartões de crédito do BNDES. Em 2009, os financiamentos cedidos pelo banco de fomento cresceram 200%

Durante 2009, no Brasil, sete mil metros de lajes por mês saíram da paulistana Lajes Mateos. Se um cliente novo batesse na porta do empresário Válter Mascarenha, ele teria de pagar hora extra e fazer turnos dobrados na produção. A única alternativa era comprar mais fôrmas e aumentar a capacidade da fábrica. Mas faltava dinheiro. Em setembro, Válter foi até a uma agência da Nossa Caixa pedir um inanciamento de R$ 65 mil. O programa de crédito era o Finame, criado pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) para quem precisa investir em máquinas e equipamentos. As taxas de juros eram baixas, 0,57% ao mês mais spread bancário. Mas ao receber a aprovação do crédito, uma surpresa: Válter teria de pagar à vista 20% do valor total. Retirar R$ 13 mil da empresa de uma só vez estava fora de cogitação. Nada de aumentar a produção. Pelo menos 60% dos clientes da Nossa Caixa são pequenos empresários como Válter. Ainda assim, o foco do banco estava em dois pilares: atendimento ao 14 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

funcionário público e rentabilidade do dinheiro em caixa. Demian Fiocca, presidente da Nossa Caixa naquela época, decidiu que era hora de reajustar a estratégia. Uma das ações foi aderir aos cartões de crédito do BNDES. Fiocca conhecia bem o banco porque fora o presidente mais novo da instituição de fomento antes de presidir a Nossa Caixa. No dia 15 de julho, antes de o empresário das lajes pedir o inanciamento, a diretoria dos dois bancos se reuniu pa ra iniciar as negociações. Toda a parte contratual e os acertos de TI entraram em pauta. Uma facilidade era que o Banco do Brasil trabalha desde 2003 com os cartões e a tecnologia poderia ser transferida. No im do mês de agosto, 45 dias e R$ 327 mil (valor do investimento feito pelo banco) depois, começaram as emissões dos cartões. Quando Válter pediu o crédito, não icou sabendo da novidade. Levou 30 dias para conseguir a aprovação do Finame e descobrir que não poderia pagar os 20% do valor total. Foi quando a atendente da agência fez uma contraproposta.

Fotos: Douglas Luccena

Por Carol Castro


Eram meados de outubro, quando Válter solicitou o cartão do BNDES. Como já estava com o crédito aprovado pelo outro programa, não precisou esperar muito. Optou por inanciar R$ 18 mil, parcelados em 15 vezes, com taxa de juros de 0,97% ao mês. Um mês depois, em 16 de novembro, 48 fôrmas comuns de 12 metros e outras 96 fôrmas de seis metros cada uma chegaram à fábrica em São Mateus, zona leste da capital paulista. Além daquele que Válter carrega, outros dois mil cartões do BNDES foram emitidos pela Nossa Caixa até o im de 2009. De agosto a setembro, os empresários receberam R$ 85 milhões em crédito. Para a Lajes Mateos, o dinheiro se traduziu em aumento da capacidade de produção, que agora alcança dez mil metros de lajes por mês. Válter ainda gostaria de comprar caminhões, outro investimento importante. “Se eu pudesse comprava uns quatro ou cinco.” Pelo menos crédito para isso o empresário terá. f

Novas adesões

Válter Mascarenha, da Lajes Mateos Cartão de crédito abriu portas para o crescimento da empresa

O BNDES começou a emitir cartões de crédito em 2003. Naquele ano apenas o Bradesco e o Banco do Brasil firmaram parceria, totalizando juntos um valor de R$ 1,2 milhão em financiamento. Em 2005 a Caixa Econômica Federal também começou a operar com os cartões. Mas foi em 2009 o ano de maior sucesso. Superando as expectativas, o ano de crise econômica registrou um aumento de 200% na concessão de créditos, um total de R$ 2,5 bilhões. “Hoje a gente faz por dia útil o que o cartão fez durante todo o ano de 2003”, comemora Rodrigo Bacellar, chefe do departamento de internet do BNDES. Para o próximo ano, a previsão é que esse número aumente em 50%, atingindo a faixa de R$ 3,8 bilhões. A quantidade de fornecedores também aumentou. A cada mês cerca de 300 de nossas empresas se candidatam no site. Hoje são cerca de 17 mil fornecedores e 130 mil itens cadastrados. E não foi apenas a Nossa Caixa que adotou os cartões de crédito em 2009. Em dezembro o Banrisul também passou a oferecer os serviços para seus clientes. Há dois anos o banco trabalha no processo de implementação de tecnologia e adaptação ao sistema do BNDES. Segundo Bacellar, a expectativa é que em dois meses sejam emitidos cerca de 15 mil cartões. fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 15


valoreducação

Mais do que especialistas Escolas de negócios investem cada vez mais na atualização do curso de MBA em varejo. Exigem profissionais com vivência no mercado, inglês fluente e disponibilidade para a troca de conhecimentos até mesmo em nível internacional. A grande preocupação é aproximá-los da prática cotidiana do setor. A segmentação pode ser um caminho? 16 FINANCEIRO fevereiro/março 2010


Por Júlia Zillig O Provar, vinculado a FIA–USP, encerra este ano a 23ª. turma do curso MBA especializado em varejo. E colhe frutos. Desde 1999 em atividade, a instituição já habilitou cerca de 500 alunos que hoje ocupam posições estratégicas em várias empresas do mercado. O feito descrito acima é apenas uma pequena radiograia do fortalecimento dos cursos de MBA voltados para o varejo presentes nas principais escolas de negócio do Brasil. Apesar de existir há vários anos no mercado, esses cursos têm demandado atualização e mais atualização, por conta do próprio dinamismo do varejo, bombardeado constantemente por novas tendências, sejam elas de consumo, ponto de venda, gestão, marketing, entre outros. A grande preocupação é aproximar cada vez mais o aluno da realidade do mercado. Para Mauricio Morgado, professor da FGV–SP, que nos últimos anos formou 150 executivos no MBA de varejo, o setor correu atrás em termos de conhecimento educacional, pois antes isso era realidade somente para a indústria. Os proissionais dessa área eram mais bem preparados. “Nos últimos dez anos, o varejo começou a se soisticar, as informações pediam muito mais análise”, diz. “Com isso, aumentou a procura por proissionais muito mais especializados.” O peril dos alunos de MBA voltado para o setor varejista mudou signiicativamente ao longo dos anos, movido justamente pelas mudanças do mercado. No Provar, 40% deles trabalham em grandes redes, como Riachuelo, Pernambucanas e Carrefour. Mas a indústria de bens e serviços invade cada vez mais a sala de aula. Ao todo, cerca de 60% dos alunos são dessa área. A procura é sempre grande. “Não é preciso nem testar um curso desses. Há demanda para isso”, diz Marcos Luppe, professor do Provar. Outro aspecto diz respeito às exigências para ingressar no MBA. As escolas de ponta, como no caso da FGV–SP e Provar, não aceitam alunos sem experiência no mercado. Muitos recém-formados querem ingressar no curso, mas acabam sendo aconselhados a

cursar primeiramente uma especialização em varejo, oferecida também pelas instituições. A partir daí começam a se preparar para encarar o MBA na área. “Se o aluno não tem uma vivência razoável no mercado varejista, ele não consegue aproveitar a troca de experiências e de conhecimento prático, o que é a alma do MBA”, enfatiza Luppe. Com foco exclusivo em proissionais do setor que estão em cargos gerenciais ou almejam chegar lá, os cursos de MBA em varejo estão icando com suas salas cada vez mais jovens. A faixa etária dos alunos, que antes icava entre os 40 e 45 anos, hoje já atinge novos executivos na casa dos 30 anos. Na visão de Marcos Luppe, isso acontece pela própria exigência do mercado aos proissionais para que tenham uma pós-graduação e também por conta do aumento da mobilidade dentro das empresas. “Existem muitos executivos de 30 e poucos anos ocupando cargo de superintendência.” Um curso de MBA em varejo tem uma carga horária em torno de 500 horas, ou seja, de cerca de um ano e meio. A questão da prática é tão importante que os horários das aulas são remanejados para evitar faltas. “Muitos alunos trabalham na área comercial e por isso acabam tendo que se deslocar por conta de viagens, visitas externas, o que às vezes o tira de dentro da sala de aula”, airma Luppe. Conhecimento

Um curso de MBA no varejo tem correlação com a grade de disciplinas de um MBA em gestão. Mantendo a direção voltada para a formação gerencial do aluno, aborda noções de gestão de pessoas, liderança, motivação, ambiente econômico, estratégias. Essa espinha dorsal não foi alterada ao longo dos anos. “Mantemos essa grade, pois muita gente não fez faculdade de administração e por isso não tem noções de gestão inanceira”, explica Mauricio Morgado, da FGV–SP. No entanto, o curso foi ganhando atualização conforme as necessidades do mercado. Hoje o aluno fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 17


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Maurício Morgado, da FGV–SP Varejo hoje pede profissionais mais especializados

tem aulas ligadas ao trade marketing, às tendências de consumo, entre outras. Essa mudança diz respeito ao fato de que esses alunos, proissionais na prática, precisam entender seu cliente, seus hábitos de compra, suas necessidades. “Para isso precisam de ferramentas para saber se comunicar com ele e fazer a preciicação correta”, enfatiza Morgado. No MBA em varejo da FGV–SP, temas como responsabilidade social, aspectos jurídicos, comércio eletrônico e tecnologia também foram incorporados às disciplinas do curso. O aumento do crédito no País virou realidade, as redes varejistas querem ter cada vez mais seus próprios produtos inanceiros, o mercado de cartões cresce a passos largos. Tudo isso leva os proissionais que trabalham no setor a entender a

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ponta da cadeia, saber com quem eles vão negociar, o que oferecer para seu público. “Muitos bancos já chamam suas agências de pdv”, destaca Marcos Luppe, do Provar. Vivências

Cursar um MBA em varejo ainda é algo que dói no bolso. Para cada aluno, esse valor não ica menos do que R$ 25 mil, aproximadamente. Alguns executivos contam com subsídios inanceiros provenientes da própria empresa na qual trabalham, outros sacam o valor da própria carteira para bancar a formação. Esse é um dos fatores que mantêm as salas de MBA com pessoas que já ocupam cargos de gestão, que consequentemente possuem salários mais altos.


Ser luente na língua inglesa é obrigação para os estudantes de MBA em varejo. Grande parte do material considerado estado da arte em administração foi feita em inglês. Além disso, escolas, como o Provar, oferecem vivências internacionais, algo considerado pelos especialistas como fundamental na troca de informações com mercados varejistas maduros, como é o caso dos Estados Unidos. Antes considerado opcional, passar um período conhecendo varejos de fora virou condição fundamental no curso da instituição. Durante dez dias, os alunos icam nos Estados Unidos e fazem uma verdadeira imersão no mercado varejista local. Visitam mais de 60 empresas de diversos segmentos – desde o CD do Walmart até lojas da Louis Vuiton –, conhecem na prática suas dinâmicas, assistem a palestras com proissionais renomados. “O aluno vai de um jeito e volta de outro. É um curso considerado como novo”, brinca Luppe. Segmentação

Moda, beleza, eletrônicos, material de construção. O varejo brasileiro tem uma ininidade de segmentos em expansão. Apesar disso, as escolas de negócio mais tradicionais descartam a possibilidade de criar MBAs especializados em um determinado nicho de varejo, ou até mesmo um curso no nível de um master business administration com foco em serviços. “Não há demanda para fazer um MBA focado em baixa renda, em serviços. Esse tipo de situação é abordado no próprio curso de varejo, mas não tem ainda a necessidade de ter um direcionamento voltado só para um determinado aspecto”, acredita o professor do Provar. No entanto, já existem alguns movimentos no mercado indo em direção a essa segmentação. A Escola Trevisan de Negócios, que tem um forte DNA em inanças, criou no ano passado um MBA em varejo inanceiro. Em 2010 deve estrear com sua primeira turma. Segundo Olavo Furtado, coordenador de pós-graduação e MBA da instituição, a demanda por esse tipo de conhecimento aumenta à medida que há a necessidade cada vez maior de proissionais bem treinados na área de varejo inanceiro.

Para trazer a prática para dentro da sala de aula, a Trevisan se uniu a uma empresa de consultoria do mercado inanceiro. Enquanto a escola dá a estrutura geral do MBA, a empresa ica com o conhecimento técnico. “Todo o curso que envolve algum setor econômico tem de contar com um parceiro da área”, enfatiza Olavo. O fato é que está cada vez mais difícil acompanhar o dinamismo e o ritmo do varejo no Brasil. Para o mercado de MBA em varejo, há necessidade de um movimento irme para manter a evolução. E segmentar realmente pode ser a única saída. f

Marcos Luppe, do Provar Vivência internacional é fundamental para o aluno de MBA em varejo


artigodesafio

Não dá mais para esperar Entramos em um novo ano e as esperanças de se ter inalmente aprovada a lei que regula o Cadastro Positivo no Brasil se renovam. Chegou-se a acreditar que a lei seria sancionada ainda em 2009 e houve até certa euforia, porém nada conclusivo. É claro que houve avanço nesse processo se compararmos com a situação vigente há um ano: os dois principais projetos de lei que dispõem sobre esse tema, e que estavam “estacionados” na Câmara Por Claudia Amira dos Deputados há um bom tempo, passaram para a apreciação das comissões do Senado. Isso, por si, já foi uma vitória! Por outro lado, acontecimentos no Senado tiraram o foco do governo para a apreciação e a aprovação do Cadastro Positivo, que vinha sendo apoiado até como uma medida que ajudaria o País a passar de forma branda pela crise inanceira internacional. Um dos motivos para que o Cadastro Positivo tenha saído da pauta prioritária do governo pode ter sido o abrandamento da crise. Mas, no entanto não podemos enxergar o advento do Cadastro Positivo como uma medida imediatista que ajudaria o Brasil durante a crise. Muito mais do que isso: é o princípio do crédito sustentável e saudável. O Cadastro Positivo fornecerá ferramentas de gestão de risco mais apuradas do que as disponíveis no mercado, tanto para credores quanto consumidores. Esse mecanismo será viável por meio da publicação de relatórios que reunirão dados cadastrais, hábitos de pagamento, históricos comportamentais (sejam positivos ou negativos, públicos ou privados) e porcentuais de comprometimento de renda do consumidor. Com essas informações consolidadas, a concessão de crédito será muito mais consciente. Sob a perspectiva do consumidor, que terá à disposição um relatório com os seus compromissos inanceiros de forma consolidada, o Cadastro Positivo permitirá a análise de gastos e empréstimos. Contudo, o que o consumidor esquece é que ele já tem outras tantas “parcelinhas” para pagar. Esse processo faz com que o consumidor endivide-se novamente, pois precisará de um empréstimo pessoal, por exemplo, para cobrir a dívida e não perder o bem (geladeira, TV, microcomputador e ains) que inanciou. 20 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

Porém será possível visualizar o vencimento de empréstimos e planejar quando assumir um próximo compromisso. Esse deveria ser um comportamento-padrão. É dessa maneira que se inicia um ciclo sem im pelo qual a pessoa se endivida e salva seus débitos anteriores se endividando mais. Com o Cadastro Positivo esse ciclo pode ser revertido. Voltando à questão da aprovação dos projetos de lei, no que se refere à versão do PL 836/2003 (que está sob a apreciação de algumas comissões do Senado), existem duas cláusulas que valem a pena comentarmos, pois têm interferência direta na questão da saúde inanceira do consumidor inal, principalmente ao pertencente à classe de mais baixa renda. São elas: dívidas menores que R$ 60 e histórico de pagamento das contas de água, luz e telefone. Atualmente, da forma como essas cláusulas estão redigidas, tais informações não poderiam ser divulgadas no relatório consolidado, afetando justamente a classe que mais precisa dessas informações, tanto para provar que é um bom pagador ou pelo simples fato de ter essas informações disponibilizadas no relatório consolidado, facilitando o controle de suas despesas referentes aos serviços públicos e ao controle de dívidas de valores mais baixos. Nem todos se dão conta de quão importante é o papel social do Cadastro Positivo no Brasil, fomentando o crescimento sustentável e o crédito consciente; poucos são os que percebem que são ferramentas nas mãos dos próprios consumidores que darão a eles a oportunidade de se organizarem e priorizarem seus gastos, evitando assim um descontrole caótico. A sociedade brasileira não pode mais esperar pela aprovação do Cadastro Positivo. Postergar sua regulamentação é adiar ainda mais o crescimento sustentável do nosso país. Vamos aguardar que o novo ano, a nova década, traga essa conscientização à tona, para que em breve possamos comemorar a aprovação do Cadastro Positivo no Brasil e usufruir de seus benefícios. f Claudia Amira Fiaschitello é diretora de soluções da Equifax do Brasil


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Vai

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faltar rua Prepare-se para mais congestionamento no futuro. Montadoras e financeiras cresceram com o aumento da renda da classe C, e a previsão é de que as vendas continuem aumentando

Por Denise Sandanelli

Até o início do último trimestre de 2008, o mercado de inanciamento de automóveis vivia uma euforia inédita. O aumento do emprego e da renda da população, resultado da aceleração do crescimento econômico do País, aqueceu o setor. Instituições inanceiras e montadoras viram as concessionárias serem invadidas por um consumidor diferente. A crise não mudou isso, só provou que a tendência veio para icar. Como em outros setores da economia, o varejo de automóveis de passeio foi descoberto pela classe C, a nova (e verdadeira) classe média brasileira. Essa mudança profunda teve um grande impacto sobre todas as etapas do negócio. Os departamentos de marketing e engenharia das fabricantes passaram a pres-

tar mais atenção a essa parcela de clientes que era desconhecida a eles. E, claro, os bancos e inanceiras também trataram de adequar os produtos de crédito oferecidos, o que se traduziu principalmente em extensão dos prazos para pagamento dos empréstimos. Acompanhando a queda da taxa básica Selic, os juros recuaram. A animação exacerbada acabou se mostrando um problema, no entanto. Como o sistema estava encharcado de liquidez, algumas instituições deram saltos maiores do que deviam ao alongar os prazos de pagamento para 80 meses. Os próprios proissionais do mercado reconhecem que ocorreram exageros e distorções. E prometem que as situações de pouco critério na concessão de crédito não se repetirão. fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 23


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Não que haja limite para o mercado. Talvez, em um futuro mais distante, seja possível ter prazos ainda maiores para o financiamento de veículos, quando as condições do País avançarem ainda mais. Nos próximos meses, o que se observará será um ajuste fino do mercado, natural quando a economia se transforma e evolui. Para 2010 não se espera nenhuma grande guinada. As instituições financeiras ainda estão se recuperando do susto da crise tanto no que tange ao chacoalhão que as suas próprias estruturas levaram por causa da brusca interrupção dos seus próprios fluxos de financiamento, tanto interna quanto externamente, e devido à piora do panorama doméstico, com o aumento da insegurança do consumidor, do desemprego em determinados segmentos e da consequente inadimplência. As linhas mestras do que se desenvolverá a partir de 2011, quando se espera que a maior parte das incertezas tenha se dissipado, já começam a ser traçadas, porém. Uma delas diz respeito à participação dos grandes bancos comerciais nesse setor de financiamento de veículos, ao qual tais instituições nunca deram muita atenção porque as condições de crédito eram áridas,s o que tornava outros nichos mais atraentes. Entre 2008 e 2009, durante o pico da crise, elas voltaram a desanimar, e o espaço que deixaram voltou a ser ocupado pelos bancos de montadoras, tra-

dicionalmente mais ágeis, por estarem transitando em um terreno que conhecem há mais tempo e em mais detalhes. “A retração dos bancos comerciais fez com que a rede de concessionárias Honda, tanto em motocicletas quanto em automóveis, aumentasse suas operações com o banco da marca”, explica Marcos Fermanian, diretor da Honda Serviços Financeiros. “Assim,

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o Banco Honda apresentou signiicativo crescimento em 2009 na sua carteira de crédito, veriicando um aumento de 38% comparando dezembro de 2009 a dezembro de 2008.” O segmento de motocicletas também experimenta a sua própria revolução. Antes, os motoboys eram realmente os maiores clientes. Nesse caso, os modelos preferidos não são os de 250 cilindradas, utilizadas para transportes urbanos, mas os tipo vespa e scooter. E as mulheres são parte notável dessa tendência. Para atender todos, os tipos de fiinanciamento precisam ser personalizados, exigindo um esforço extra das instituições, as quais costumavam ter poucos padrões a aplicar. Esse consumidor de outro peril ajudará na recuperação do setor nos próximos meses – o de motos foi o mais afetado pela crise entre todos os tipos de veículos. Da mesma forma que os demais, recebeu estímulos do governo federal, com redução de Coins, repassada integralmente pela rede de concessionárias. Outro nicho que deve ser mais desenvolvido é o de seminovos e usados. Ficou tão acessível comprar um veículo novo que esse segmento viu a demanda despencar em até 35%. “Entre 65% e 70% das nossas vendas são inanciadas. Então, o que precisamos, para alavancar o desempenho das lojas, é de condições mais flexíveis de crédito”, diz Ilídio Gonçalves dos Santos, presidente da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores). Flexibilidade, para ele, significa uma análise de risco do cliente mais abrangente e detalhada, que não se ate-


nha somente às formalidades do holerite. “O bem, que é o carro, já é uma garantia de que o empréstimo será honrado. Além disso, estamos entrando em um novo tempo de emprego e estabilidade, o que dá mais segurança para os bancos.” Na sua opinião, o prazo de financiamento não precisa ultrapassar os 60 meses, já que em dois ou três anos a depreciação adicional de um automóvel usado é bastante considerável. Inovação constante

Engana-se quem pensa que já não há muito mais o que inventar nesse segmento. Depois de ser despertada, a área de pesquisa das montadoras está mais atenta do que nunca às possibilidades e oportunidades do mercado brasileiro. Ficou no passado longínquo o tempo em que os produtos vendidos no País eram uma versão de qualidade e preço inferior aos que existiam lá fora. Ao contrário. Tanto inovações em design como tecnologia nascem aqui e agora. As operações financeiras que são estruturadas para fazer o sonho do consumidor virar realidade também estão sendo exportadas como modelo. Apesar das grandes diferenças existentes entre os países – muitos são mais maduros do que o do Brasil – as técnicas de análise de risco têm servido de exemplo para outras nações.Todas as inovações são desenvolvidas para atender às mudanças no mercado e na cabeça do consumidor. Um fenômeno que deve ganhar fôlego no Brasil nos próximos anos é o de troca de automóveis. Substituir modelos a cada três ou quatro anos era um hábito de uma parcela pequena da população antes de 2008. A nova massa de trabalhadores que tomou gosto pelo consumo e pelos carros percebeu que pode fazê-lo. Outra fatia de clientes que tem esse interesse é a dos que se preocupam em possuir modelos menos poluentes e que gastem menos combustível. Aí se faz necessária mais uma evolução das modalidades de crédito, pois, como os financiamentos podem

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chegar a até 80 meses, antes que esse prazo se esgote o cliente pode ter vontade de desfilar em um carro mais novo. Então, é essencial pensar em maneiras mais fáceis e práticas de trocar um empréstimo por outro. Neste momento, uma nova análise de crédito precisa ser feita que resulte em melhores condições ao tomador. Táticas de guerra

Dentre as estratégias traçadas pelas instituições financeiras para ganhar espaço no mercado, uma que se destaca é o da prestação de serviços ao cliente. Não basta mais simplesmente oferecer um instrumento de crédito, é preciso captar o interesse do consumidor antes mesmo de ele começar a sua busca pelo veículo ideal e acompanhá-lo de perto, com atenção, depois que o negócio for fechado. A internet aparece como um canal ainda mais promissor, considerando a praticidade que significa para o cliente na escolha tanto do seu veículo como do parceiro que vai financiá-lo, e está ao alcance de todo o público-alvo do banco e da montadora. “O caminho é o financiamento sob medida”, destaca Marcos Ferreira, supervisor de marketing e desenvolvimento de negócios do Banco Volkswagen. “Podemos imaginar que, no futuro, o cliente escolherá cada detalhe de como pagar o crédito que tomou.” Se os empréstimos serão realmente adaptados à realidade de cada consumidor, uma ideia interessante – e que casa perfeitamente com os desejos da nova classe média – essa seria permitir que o pagamento de uma prestação fosse fracionado durante o mês. Assim, um profissional liberal ou prestador de serviços cujo fluxo de rendimentos varia ao longo do período teria mais liberdade para combinar a quitação das parcelas com o ritmo de entradas de dinheiro no seu orçamento. Ou, então, poderia escolher pagar um valor mais alto nos primeiros meses e menor depois. Com a tendência de queda de juros no Brasil no longo prazo, também haverá condições para que uma outra faixa da população que ainda não tem acesso ao

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financiamento de automóveis consiga comprar o seu primeiro carro. Nesse panorama de competição acirrada e de uma imensa necessidade de se antecipar aos desejos do consumidor, cada frente de contato com o possível comprador é valorizada e aberta. “Os próprios concessionários nos passam muitas informações, apontando o que é importante”, diz Ferreira.

A partir de agora, a competição entre os bancos tenderá a ser mais dura, entretanto. As instituições comerciais devem demonstrar mais vontade e disposição, até porque já ocuparam os demais segmentos e precisam encontrar novos espaços para elevar a sua rentabilidade. Já as instituições especializadas contam com o trunfo da experiência. Se seguirem o caminho certo, sem dúvida, vai faltar rua. f

RAIO-X DO CRÉDITO PARA VEÍCULOS 2009* Saldo: R$ 155,9 bilhões (+12% no ano ante 2008) = 5% do PIB = 11,2% do total do crédito do Sistema Financeiro Nacional = 33,5% do crédito para a pessoa física, sendo: CDC R$ 91,8 bilhões Leasing R$ 64,1 bilhões

Modalidades de pagamento preferidas (veículos de passeio e comerciais leves) 42% à vista 24% leasing 29% financiamento 5% consórcio

Planos e prazos em 2008 Taxas médias de juros praticadas mensal 1,9%

máximo 60 meses médio 40 meses

anual 25,3%

Planos e prazos em 2009 Inadimplência acima de 90 dias 4,6% sobre o saldo da carteira total (+18,9% no ano)

máximo 80 meses médio 42 meses Fonte: Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras) * Em novembro

INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA NO BRASIL 2009 Produção 3,18 milhões de unidades (-1% ante 2008) Vendas (nacionais e importados) 3,14 milhões de unidades (+11,4% ante 2008) RECORDE HISTÓRICO Exportações 475,3 mil (-35,3% ante 2008) Fonte: Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores)

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Perspectiva maravilhosa Os estímulos para a atividade econômica do Estado do Rio de Janeiro – em especial a capital – vêm de todos os lados e trazem para as concessionárias de crédito e financeiras melhores perspectivas para 2010 Por Juliana Jadon e Obede Júnior O Rio de Janeiro é cenário propício para a concessão de crédito. Além de ser a capital carioca um polo turístico internacional, outros fatores, como a escolha do local para a Copa do Mundo, em 2014, as Olimpíadas, em 2016, e a descoberta da camada pré-sal na Bacia de Santos, impulsionam investimentos em infraestrutura e aumentam, assim, a demanda por crédito. A opinião é de especialistas e de José Arthur Lemos de Assunção, presidente do Sindicato das Financeiras do Rio de Janeiro (Secif–RJ) . Assunção acredita que 2010 será um ano mais favorável para a economia do Estado, já que no início de 2009 ainda reletia os efeitos da crise, como acontecia em todo o País. Segundo ele, as inanceiras da região aproveitam o panorama do Rio também para participar do sonho do brasileiro. “Anteriormente, com juro e inlação alta, as concessionárias de crédito só poderiam inanciar pesadelos, como pagamentos de problemas e dívidas, tanto por parte da população quanto por parte dos empresários”, avalia. Sobre essa nova situação econômica, Assunção ressalta que um dos fatores positivos foi que, no ano passado, o governo brasileiro incentivou o inanciamento de automóveis e da casa própria, com a concessão de créditos pequenos. “Agora, o crédito pessoal veio para inanciar as aspirações de pessoas físicas e do pequeno empresário 28 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

que quer expandir seu negócio. Hoje, todo o Estado do Rio de Janeiro está engajado nisso”, aponta. De acordo com o Banco Central do Brasil, o saldo total de operações de crédito no Estado do Rio de Janeiro atingiu R$ 165,413 bilhões em setembro de 2009 e é o segundo maior da região Sudeste do País. Acompanhe, a seguir, como algumas empresas que trabalham com concessão de crédito em diferentes setores optaram pelo Rio. Turismo

O Rio de Janeiro não é reconhecido só pelos feitos dos cariocas. Em dezembro do ano passado, Gilberto Caldart, presidente da MasterCard Brasil, Leonel Andrade, presidente da Credicard, e Henrique Capdeville, diretor de planejamento estratégico da Redecard, anunciam em parceria o lançamento do PayPass, um chaveiro com chip que permite o uso semelhante a um cartão de crédito. A cidade foi escolhida para ser a primeira a receber a novidade das companhias. Os executivos optaram pelo local para o início do uso da tecnologia sem contato pelo fato de atrair turistas do mundo inteiro. Além disso, o Rio é a cidade brasileira na qual os visitantes estrangeiros gastam mais. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, esses turistas con-


sumem em média US$ 395,93 por dia, superando a média do País (US$ 285,10). E, ainda, 90% dos estrangeiros que vão ao Rio dizem que pretendem voltar ao local. Em São Paulo, a taxa está abaixo, com 64%. Esses visitantes já estão acostumados a utilizar tecnologias semelhantes na Europa e em países, como o Canadá e os Estados Unidos. Somente a empresa em que Caldart dirige já possui o produto presente em 32 países, com quase 66 milhões de dispositivos emitidos. Para o uso, basta encostar o chaveiro em um aparelho e pronto, a compra é realizada sem a necessidade de digitar a senha ou assinar a autorização. O chaveiro possui um chip que permite a transação. Os executivos acham que o produto pode trazer conveniência. Uma pesquisa recente conduzida por analistas da própria MasterCard aponta que a tecnologia de pagamento sem contato pode reduzir o tempo do consumidor na fila em até 25%, ideal para turistas que pretendem permanecer menos de dez minutos nela. O produto é inicialmente usado em compras no valor de até R$ 50. A capital carioca também atraiu o olhar dos gestores devido a sua futura exposição mundial com a realização da Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. Outro fator determinante para a eleição foi o total de clientes no Rio. O uso do cartão de crédito no Estado também é um dos maiores da empresa no País, segundo Henrique Capdeville, da Redecard. São 600 mil clientes só na região. O sistema deve funcionar como piloto até fevereiro. Cerca de seis mil usuários do cartão de crédito da MasterCard já podem utilizar o PayPass no transporte público, bondinho do Pão de Açúcar, seis restaurantes do McDonald’s e na rede de cinemas UCI. Eles representam 1% dos clientes da empresa na região. Leonel Andrade, da

Credicard, aposta que nos próximos seis meses o PayPass seja utilizado por 200 mil clientes da rede, só no Rio de Janeiro. Nos primeiros seis meses do sistema, não há anuidade ou taxa para o uso do produto. O valor de crédito inicial será de R$ 200, e a MasterCard dará R$ 20 de bônus para quem testá-lo. A ideia é ampliar os serviços para outras cidades do País e da América Latina. Para Caldart, a facilidade e a conveniência fazem com que o cliente gaste mais do que se fosse pagar com dinheiro. Segundo ele, cabe ao varejista avaliar se vale a pena ou não utilizar o sistema. Os três executivos aguardam agora os

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resultados da adesão. Mas de uma coisa já sabem: se for pelo número de turistas na capital carioca, não vai faltar usuários para o PayPass. Varejo

Nas lojas a inadimplência aumentou, mas isso não fez diferença. A inadimplência no comércio lojista da cidade do Rio de Janeiro teve elevação de 0,1% em dezembro de 2009 em relação ao mesmo mês do ano anterior. No entanto, foi o menor índice do ano, de acordo com os registros do Serviço de Proteção ao Crédito do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL–Rio). Para o presidente do CDL–Rio, Aldo Gonçalves, esse aumento é pequeno e irrelevante quando se olha para outra característica dos consumidores cariocas no fim do ano. Alguns deles decidiram utilizar o 13º salário e colocar as contas em dia. Outros optaram por pagar parte delas. Assim, as dívidas quitadas cresceram 10% e as consultas (item que indica o movimento do comércio, pois são feitas pelo vendedor varejista na hora de aprovar compras parceladas) também aumentaram 1,6% em relação a dezembro de 2008. Quando comparado dezembro com o mês anterior, as consultas, a inadimplência e as dívidas quitadas aumentaram, respectivamente, 24,3%, 0,5% e 3,9%. No acumulado do último ano em comparação ao mesmo período de 2008, a inadimplência aumentou 2,2%, as dívidas quitadas 2,5% e as consultas diminuíram 5,6%. Segundo o CDL– Rio, as consultas ao LIG Cheque em dezembro de 2009 em relação ao mesmo mês de 2008, a inadimplência, as dívidas quitadas e as consultas aumentaram, respectivamente, 0,7%, 5,1% e 1,3%. O CDL possui 130 milhões de CPFs que fazem parte do banco de dados. Por mês, são 50 milhões de consultas, de lojistas e empresários, que usufruem das informações disponíveis antes de conceder crédito sobre seus produtos. Em cada município existe um CDL no qual os associados passam informações e recheiam o banco de dados. Para combater a inadimplência, Golçalves e a equipe da CDL estimulam acordos entre lojistas e seus clientes. “Se o cliente deixou de pagar sua conta, não é somente porque não quis, mas, sim porque algo aconteceu que o im30 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

pediu de quitar a dívida ou fez o dinheiro lhe faltar. Assim, estimulamos as empresas a convocarem seus devedores, com campanhas, e por meio de pactos aceitem um valor mais baixo. Dessa maneira ambas as partes, cliente e lojista, saem ganhando”, enfatiza Gonçalves. Transportes

Roberto Leonardo Moreira, diretor financeiro do banco Guanabara, entrou na instituição com 39 anos como operador de crédito. Com 19 anos de instituição e 57 de idade, o executivo presenciou no ano passado o volume de todas as operações de crédito concedidas pela corporação diminuir e o índice de inadimplência crescer 5%. Mas um segmento em especial apresentou resultados positivos: as operações de Finame. O Finame é uma linha de crédito oferecida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por meio da Finame (Agência Especial de Financiamento Industrial) para o financiamento de veículos comerciais, máquinas e equipamentos. As operações podem ser feitas por pessoa jurídica e física, com prazo mínimo de pagamento de 24 meses. Nessa operação, o próprio bem é a garantia. Em 1990, o banco de Moreira se tornou agente da Finame e passou a ser banco Guanabara.


Foi em novembro de 1988 que foi fundada a primeira instituição financeira do Grupo Guanabara, a Ótima Financeira, que logo em seguida deu origem ao banco. O braço financeiro do Grupo Guanabara surgiu como resposta ao crescimento das operações comerciais, que há mais de 50 anos atua principalmente no setor de transportes. Quando Moreira ingressou no banco ele ligava diariamente a uma lista de clientes que lhe era passada para oferecer crédito e convencê-los de que as taxas do banco eram atrativas. Hoje, ele administra uma carteira de crédito de R$ 250 milhões. Diariamente o executivo gerencia o caixa, lê noticias sobre economia e supervisiona as aplicações financeiras, como recursos do banco. Para o executivo que está ligado em tudo, fatores como a Copa do Mundo e as Olimpíadas também devem beneficiar sua instituição. Com isso, o governo poderá investir mais no setor de transportes e essa é uma de suas apostas. Além disso, o pré-sal também deve aumentar o transporte de carga pesada e Moreira ainda verá as operações de Finame crescerem ainda mais. Óleo e gás

O banco Modal é a instituição com maior carteira de crédito no setor de óleo e gás. Cerca de 95% dessa carteira é voltada direta ou indiretamente para a Petrobras. A carteira também é composta por companhias que fornecem algo para a grande petroquímica. O Rio de Janeiro foi o local escolhido pelos sócios fundadores da instituição para que ficassem perto das empresas do setor. O banco é tão reconhecido no setor que a Petrobras, inclusive, o convidou no ano passado a fazer parte de um Fundo de Investimentos e Participações (FIP) voltado ao investimento de companhias fornecedoras. Para utilizar os recursos do fundo, de R$ 500 milhões, as empresas devem ser nacionais e ter projetos para crescer. A partir dessa etapa, podem entrar em contato com o setor de pequenas e médias empresas para uma avaliação mais profunda. Um dos responsáveis por essa concessão de sucesso é Roberto de Carvalho Azevedo. Ele entrou no banco Modal há nove anos como estagiário e hoje é um dos sócios da

instituição, além de executivo responsável pela área de corporate banking. No banco Modal, nenhum dos 19 sócios – tirando os próprios fundadores – vieram de fora. Todos fizeram carreira lá dentro e passaram por diferentes etapas e funções até chegar à direção. Na época, com 21 anos, ele aprendeu muito sobre o setor de óleo e gás, no qual está a maior participação do banco. Seu chefe acabava de fechar acordos e a criar projetos nessa área. Acreditava que o setor impulsionaria o crescimento do País. Hoje, ele atende grandes corporações brasileiras e multinacionais. Azevedo chega às 9 horas da manhã no escritório na capital carioca. Todos os dias ele procura almoçar com executivos de diferentes empresas, sempre com a premissa de fechar negócios. Ele é gestor de uma equipe com 12 pessoas. Azevedo e os executivos do banco iniciaram o ano de 2009 com cautela na concessão de crédito. Decidiram avaliar melhor o cenário devido à crise em 2008, mas no final do ano passado todas as operações da instituição voltaram ao normal e retomaram crescimento. Já para este ano, Azevedo acredita que principalmente pré-sal e infraestrutura devem aumentar a demanda por crédito no Rio de Janeiro. E ele deve pegar carona nesse cenário. f

Saldo total das operações de crédito setembro de 2009 – (em milhões) São Paulo Rio de Janeiro Minas Gerais Espírito Santo

R$ 397.844 R$ 165.413 R$ 106.050 R$ 20.155

Rio de Janeiro Saldo total das operações de crédito setembro de 2009 – (em milhões) Pessoa física Pessoa jurídica

R$ 45.827 R$ 119.586 Fonte: Banco Central do Brasil fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 31


mercadoassociado

Braço forte Por Júlia Zillig

Mesmo em tempos de crise, BMW Serviços Financeiros alcança resultado histórico de crescimento desde sua criação, em 1999. Para Eduardo Varella, presidente da empresa, o mérito está na rapidez para encarar novos rumos O atual presidente da empresa BMW Serviços Financeiros, Eduardo Varella, assumiu o comando da empresa em julho de 2008. Mal esquentou a cadeira e já se deparou com os indícios de uma forte instabilidade econômica que assolou o País até o ano passado. “Foi um desafio pegar uma crise mundial pela frente, pura emoção”, diz o executivo, que passou por um banco de investimentos e pela IBM Leasing antes de ingressar na atual companhia, em 1998. Quando começou a sentir os primeiros “cheiros” da crise, como diz Varella, o executivo colocou sua equipe para trabalhar: fez uma revisão das políticas de crédito e de liquidez da empresa, o que a ajudou a enfrentar a tempestade sem perder suas bases. Mas não saiu ilesa. O índice de inadimplência, apesar de baixo (0,5%), chegou a

32 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

3% em 2009. “Sofremos impacto como todo o mercado, pois arcamos com um custo alto de carregamento de um colchão de liquidez para não deixar de crescer”, ressalta o executivo. Ele não gosta muito de falar em valores, mas admite que a carga foi pesada. Uma das correções de rota feita pela empresa durante a crise diz respeito ao atendimento, atualmente mais focado nas necessidades do cliente. Para Varella, não existe uma melhor forma de fidelização do que um bom atendimento durante toda a vida do contrato e de relacionamento com o cliente. Ele já ligou pessoalmente para um cliente para justificar uma falha de comunicação. Tal postura resultou para a BMW Serviços Financeiros um cenário muito diferente do obtido por muitas empresas do mercado em tempos de crise: um ano


Eduardo Varella, da BMW Serviços Financeiros Executivo aposta no bom senso para comandar os negócios da empresa

de resultados expressivos. A companhia, integrante do Grupo BMW, remou contra a maré e não perdeu o leme: fechou o ano com um crescimento de 13% em volume de financiamentos e registrou aumento de 16% em sua carteira de clientes, em comparação ao mesmo período de 2008. Os números foram os mais expressivos obtidos pela empresa desde sua criação, em 1999, quando o Grupo BMW comprou a empresa CM Leasing, pertencente ao banco Chase Manhattan. Os problemas econômicos enfrentados pelo País não ajudaram muito nesses resultados, porém a BMW ascendeu suas vendas – encerrou 2009 com cerca de oito mil veículos vendidos no mercado brasileiro –, impulsionada principalmente pelo lançamento da marca Mini no Brasil. E deu o empurrão fundamental ao braço financeiro do grupo alemão. Sob as mãos de Varella, que é engenheiro civil formado pela PUC–RJ, pós-graduado em finanças e análise de investimento, e tem MBA em gestão pela Fundação Dom Cabral, a empresa passou por um forte período de revisão de sua estratégia comercial. Varella não abre o jogo, mas diz que essa postura rendeu uma maior independência da companhia em relação aos subsídios da montadora, hoje em torno de 90%. “Atingimos um volume de negócios antes impensável, sem comprometer a rentabilidade, o que serviu para reafirmar o valor de nossa unidade para o grupo”. Antenas ligadas

A BMW Serviços Financeiros tem 35 funcionários, uma equipe que cresceu 6% em relação a 2008. A estrutura é enxuta, mas Varella e os executivos tiram proveito disso com decisões rápidas e adotando mudanças sem grandes entraves. O ambiente é aberto e informal, no qual o executivo faz questão de incentivar a fluidez de diferentes idéias e pontos de vista entre seus colaboradores. A pressão por resultados convive com a descontração. Na visão do executivo, isso é fundamental para trazer o equilíbrio no ambiente corporativo. “Uma coisa é passar senso

fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 33


mercadoassociado

de urgência e cobrar resultados de forma firme, quando necessário. Outra é descarregar irritação e nervosismo em cima do time. Aqui isso é proibido”. Essa informalidade traduz a crença de Varella em relação aos valores pessoais. “Todos aqueles valores básicos que você aprende com seus pais desde a infância e que marcam sua vida pessoal determinam sua vida profissional e sua atuação como gestor. Não dá para dissociar”. Ele não se simpatiza com modelos de gestão, pois acredita no bom senso como solução. Visão sistêmica, pragmatismo, objetividade e capacidade de adaptação são aspectos mar-

Varella acredita que a queda na taxa de juros e redução do risco de crédito podem melhorar os retornos para as financeiras cantes em Varella. “Não tenho apego ao jogar fora idéias e conceitos que podem ter dado certo no passado se não fizerem mais sentido, por mais que tenha custado desenvolvê-los e implementá-los.” Potencial para crescer

A criação da BMW Serviços Financeiros veio da necessidade de suportar as vendas da BMW no País. Além de trabalhar com produtos como leasing, CDC e floorplan – financiamento de estoques para concessionários –, a empresa foca em linhas com características particulares para atender alguns perfis de clientes e concessionários da montadora no País. O BMW Select e o Mini 4U oferecem a condição de garantia de recompra do veículo. Do total das vendas de veículos novos da marca registrado no ano passado, a empresa respondeu por 25% dos financiamentos realizados. “Na verdade, o nosso maior concorrente ainda é a venda à vista”, explica Varella. Outra fatia importante do negócio da companhia é o financiamento de veículos usados, algo considerado pelo presidente um suporte importante para os concessionários da BMW. Cerca de 30% dos financiamentos é de carros usados. E, desses veículos, cerca de 80% são carros da montadora alemã.

34 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

No entanto, apesar dos bons números, o executivo não se dá por vencido em relação ao atual panorama de resultados da companhia e também do próprio mercado brasileiro de financiamento de veículos. Para ele, o cenário está muito melhor do que era há alguns anos, porém ainda muito aquém do que ainda pode ser. O executivo relaciona esse fato ao crescimento do crédito e seu potencial para alavancar a economia, algo sentido pela expansão do setor automotivo. Em relação aos principais mercados consumidores da BMW no mundo – no caso, Estados Unidos e Alemanha – a marca vive um paradoxo. Apesar de ter nesses dois países mercados mais maduros que trabalham com taxas de juros mais baixas e que têm uma relação de carro por habitante maior do que nos países desenvolvidos – no Brasil, não chega a dois carros por pessoa – enfrenta ambientes saturados e encara o desafio de continuar crescendo nessas regiões. “Algumas das capacidades estratégicas que temos de ter para vencer aqui são bem diferentes das que precisamos lá fora”, enfatiza Varella. Em solo brasileiro, os maiores entraves são as mudanças repentinas de alíquotas e regras fiscais. “Questões, como a impossibilidade de prisão do fiel depositário que simplesmente some com o veículo financiado ou arrendado, mantêm o alto nível do risco e, com isso, impedem um maior acesso ao mercado de crédito e leasing”. No entanto, a iniciativa do governo em aprovar o Cadastro Positivo pode ajudar a mudar esse panorama. Varella acredita que medidas estruturais, como a queda na taxa de juros e redução do risco de crédito podem melhorar os retornos para as financeiras. Ou seja, com a redução da Selic mais pessoas podem tomar crédito e as empresas se sentem mais seguras para investir. “Isso pode inclusive incentivar o desenvolvimento de novos produtos financeiros, focados nas necessidades de crédito e serviços de diferentes tipos de clientes”, ressalta. Para este ano, a BMW Serviços Financeiros não espera os mesmos resultados de 2009: a meta de crescimento prevista é de 5%. De qualquer forma, Varella continua buscando a expansão da empresa. Se o mercado automotivo continuar batendo recordes de vendas, talvez o executivo tenha que rever essas expectativas. Para cima. f


artigoanáliseeperspectivas

O que foi 2009, O Brasil vem apresentando expansão crescente do volume de créditos concedidos em diversas modalidades. O total de crédito ofertado pelas instituições financeiras no País, tanto Por prof. dr. Alberto Borges Matias para pessoa física como para pessoa jurídica, apresentou a maior evolução dos últimos quatro anos, como podemos observar no gráfico 1. Em 2009, pode-se observar uma expansão no volume total de crédito de 23,73%. Realizada uma análise mais detalhada, nota-se que o crédito ofertado para pessoa física e jurídica evoluiu, respectivamente, em 21,69% e 24,91%. Pessoa física

Analisando os números de concessão de crédito para pessoa física, todas as modalidades apresentaram evolução positiva no ano de 2009.

Evolução da concessão de crédito no País – crédito com recursos livres 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% -5%

essoa física Fonte: Inepad & BC

36 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

A maior expansão ocorreu no crédito destinado ao financiamento imobiliário, que no ano de 2009 cresceu aproximadamente 155% (ver gráfico 2). O crédito destinado para a aquisição de veículos também expandiu em grande volume, apresentando aumento de 119,45% em 2009. A expansão do crédito para aquisição de veículos para pessoa física em 2009 foi impulsionada principalmente pelas operações de leasing e reduções nas taxas de financiamento que, em 2009, segundo dados do Banco Central, reduziram em 26,8%. As demais modalidades, como cheque especial, crédito pessoal, outros bens e cartão de crédito, também apresentaram aumento de volume concedido em 2009, como pode ser verificado no gráfico 2. Ainda segundo dados do Banco Central brasileiro, no ano de 2009 a modalidade de crédito consignado apresentou expansão de 22,57%, acompanhado de uma redução de 11,87% na taxa de juros para essa modalidade. Pessoa jurídica

As operações de crédito para pessoa jurídica também carregam uma tendência de expansão nos últimos anos. Com a crise financeira iniciada em setembro de 2008, é importante aqui destacar a atuação do Banco Central brasileiro e dos bancos públicos, que sustentaram o sistema financeiro nacional em meio a um ambiente de escassez e encarecimento do crédito. De setembro de 2008 para dezembro de 2009, os bancos públicos e privados expandiram suas operações de crédito em, respectivamente, 48% e 9%, aproximadamente.


o que será 2010 As modalidades de crédito que mais aumentaram no ano de 2009 para pessoa jurídica foram desconto de duplicatas, capital de giro e financiamento imobiliário, apresentando evoluções de 40,53%, 79,62% e 235,28%, respectivamente. As demais modalidades, como podemos observar no gráfico 3, apresentaram evoluções condizentes com a média dos anos anteriores analisados. O aumento de volume de crédito para pessoas físicas e jurídicas indica bom andamento da atividade econômica no País, pois isso gera consumo para as pessoas e investimentos para as empresas. Mesmo com esse crescimento, há ainda muito espaço para desenvolvimento das operações de crédito no Brasil, que atualmente representam 45% do PIB total, número esse ainda abaixo das economias mais desenvolvidas do mundo. Se mantida a tendência de 2009 para o ano

de 2010, poderemos observar neste ano de 2010 um aumento das linhas de crédito de maneira geral, principalmente se mantidas as condições, tais como a liberação dos depósitos compulsórios, não aumento das taxas básicas de juros e alongamento de prazos. f Prof. dr. Alberto Borges Matias Professor Titular do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo no campus de Ribeirão Preto, e diretor do Inepad Lucas Saura, aluno da FEA–USP de Ribeirão Preto e analista financeiro do Inepad Matheus J. N. A. Costa Figo, aluno da FEA–USP de Ribeirão Preto e analista financeiro do Inepad

Evolução da concessão de crédito – pessoa física

Evolução da concessão de crédito – pessoa jurídica

400% 600%

350% 300%

500%

250%

400%

200%

300%

150% 200% 100% 100%

50%

0%

0% -50% 2004

2005

2006

2007

2008

-100%

2009

cheque especial

aquisição de veículos

crédito pessoal

outros bens

financiamento imobiliário

cartão de crédito

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

hot money

capital de giro

desconto de duplicatas

conta garantida

desconto de notas promissórias

financiamento imobiliário

Fonte: Inepad & BC

2003

Fonte: Inepad & BC

2002

fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 37


artigomercado

Consistência e flexibilidade Normalmente nas viradas de ano somos convidados a realizar projeções e desenhar cenários econômicos. Com o desembarque de crises e turbulências, algumas metas tornam-se mais difíceis de serem cumpridas. Porém, mesmo em crises agudas, a consistência e a lexibilidade nos ajudaram muito. Atravessar 2009 de forma ordenada e promissora foi, talvez, a principal conquista dos mercados inanceiro e de capiPor Marcelo Giufrida tais brasileiros. Descrever uma agenda de trabalho para um determinado ano e, o mais relevante, cumpri-la ou dar sequência a ela, torna cada vez mais necessária a presença de princípios, como responsabilidade, transparência, consistência, eiciência e lexibilidade. O ano de 2010 se apresenta de forma promissora e com uma agenda desaiadora, tendo em vista o desempenho dos mercados em 2009. Nós somos a sexta maior indústria de fundos mútuos de investimentos do mundo, com quase US$ 800 bilhões de ativos sob gestão e crescimento aproximado de 20% em 2009. O volume total de emissões de dívidas e de ações no último ano superou 2008 em mais de 15%. Em 2009, observamos também uma redução do prazo médio das debêntures emitidas devido aos impactos da crise, porém a perspectiva para 2010 é de um retorno ao processo de alongamento dos prazos. Ainda no ano passado, observamos um crescimento das ofertas de renda variável de mais de 30% em relação a 2008. Diversas iniciativas serão levadas a cabo pela Anbima neste ano, como a implantação do processo do API (Análise de Peril do Investidor) nas instituições do varejo. Resultado de um longo trabalho iniciado em 2007 pela Anbima, a adoção de critérios e processos para checar a conformidade dos investimentos aos objetivos dos clientes começará com os investidores de fundos de ações, de fundos multimercados e de 38 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

fundos de renda ixa classiicados como crédito privado. Esse processo torna-se necessário em um ambiente de busca por mais alternativas de investimento que possam gerar maior retorno, porém com maior risco. Temos diversos projetos já em andamento, como o Ômega e o Best, que procuram posicionar o País como um centro de excelência nos mercados inanceiro e de capitais, dadas suas condições geopolíticas, econômicas, institucionais e regulatórias. Estreitaremos as relações com outras entidades, visando dar continuidade a iniciativas para divulgação do conhecimento e educação. Tanto a Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto) quanto a Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) já faziam parte do grupo de entidades participantes da Estratégia Nacional de Educação Financeira. Contribuir para levar informação e conhecimento ao público investidor sempre foi e continuará sendo uma das grandes preocupações da Anbima. Em conjunto com a ABVCAP, concluiremos o Código de Regulação e Melhores Práticas de Fundos de Investimento em Participações e Fundos de Investimento em Empresas Emergentes. Continuaremos nossos esforços no sentido de promover a transparência de preços e a liquidez dos ativos. O sistema Anbima de difusão de taxas dissemina as informações sobre taxas pré e pós-negócios com títulos públicos e preços indicativos de debêntures. A própria união da Andima com a Anbid para a criação da Anbima foi fruto desse processo de maturidade, eiciência e consolidação do mercado brasileiro e que certamente irá gerar novos passos rumo à modernidade. f Marcelo Giufrida é presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima)


capitalaberto

Ações certeiras Por Juliana Jadon

A Direcional Engenharia tinha tudo para crescer em outubro do ano passado, menos dinheiro. O mercado imobiliário nacional crescia com incentivos do governo, com o aumento da renda da população e com crescimento do PIB regional dos diferentes Estados. A empresa alcançou no primeiro semestre de 2009 o décimo maior Valor Geral de Venda (VGV) – importante indicador do mercado imobiliário – entre 20 empresas abertas. O ranking é baseado no relatório financeiro das companhias. Mas isso não era suficiente

40 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

para os seus controladores. Eles a querem entre as primeiras da lista. Em novembro, a companhia entrou no Novo Mercado da BM&FBovespa com o lançamento de ações no valor de R$ 10,50 e captou com a sua Oferta Pública Inicial (da sigla em inglês, IPO) cerca de R$ 274 milhões. Agora é o momento do CFO e diretor financeiro, Daniel Cordeiro Amaral, e de seus principais controladores investir e fazer a empresa prosperar ainda mais. Outra média empresa que

Fotos: Stockxpert e Divulgação

Pequenas e médias empresas aproveitam o bom momento do mercado de capitais e da seletividade dos investidores para fazer seu IPO, captar dinheiro e se desenvolver. Com o ingresso, aderem a níveis de governança corporativa e tornam seu negócio mais transparente


Prédio da Direcional Engenharia Empresa possui 500 investidores e consegue captar recursos de forma transparente

entrou no segmento no mesmo ano foi a Cetip, uma (CEF) para o financiamento de sociedade organizadora dos mercados de balcão or- obras destinadas à baixa renda. A ganizados. A associação captou mais de R$ 880 mi- mais recente foi em março de 2009, lhões com a oferta. com o lançamento do programa Para entrar nesse segmento da Bolsa, cuja adesão é “Minha Casa Minha Vida”. voluntária, uma companhia precisa ter exclusivamente A iniciativa do governo federal ações ordinárias, com direito a voto. Todos os acionis- em parceria com a CEF já é o maior tas devem ainda ter as mesmas condições obtidas pe- programa habitacional do País, com los controladores sobre a venda. E se sair do segmento R$ 34 bilhões investidos para a consprecisará comprar todas as ações em circulação por, no trução de um milhão de moradias. mínimo, seu valor de mercado. Mas o histórico da Dire- Os valores financiados vão até R$ 130 mil para pessoas cional como companhia aberta não é de agora. que ganham até dez salários mínimos. Se a renda familiar Em fevereiro de 2008, a corporação obteve o registro pela Comissão de Valores Para entrar nesse segmento da Mobiliários (CVM) e aí trouxe o conceito de Bolsa, cuja adesão é voluntária, governança para a empresa. No mês seguinte uma companhia precisa ter o fundo Tarpon Real Estate fechou participação de 25% e o controle da empresa começou exclusivamente ações ordinárias, a se dividir feito quebra-cabeça. Daniel entrou com direito a voto na companhia junto ao fundo. Ele é graduado em administração de empresas pela Fundação Getulio for menor ou igual a três salários mínimos (R$ 1.395) Vargas de São Paulo e trabalhou em lugares como Gás o valor das parcelas mensais pode ser de apenas R$ 50. Investimentos e banco Safra. Como uma das peças, quase A ação do governo incentivou o financiamento de um ano depois, ele assumiu o cargo de diretor financeiro. casas populares e fez a construtora expandir e ter cerca de quatro mil funcionários registrados. Mas a ideia de Obras Daniel vai além do maior VGV positivo, entre as consA empresa em que Daniel atua foi fundada em 1981, trutoras de capital aberto, alcançado no ano passado em Belo Horizonte, por Ricardo Valadares Gontijo. Ele com a ajuda do programa. foi reconhecido na época pelos empreendimentos populares que construiu como diretor de obras da Andrade Na direção Valladares. Foram mais de 40 mil casas distribuídas em Em setembro do ano passado os dirigentes da Di175 empreendimentos e 25 cidades brasileiras. recional, entre eles Daniel e o próprio CIO da compaEm 1992, sua companhia avançou para fora do nhia, pesquisavam empresas que entraram na Bolsa e Estado de Minas Gerais com o primeiro empreendi- conversavam sobre uma possível abertura de capital. A mento em Brasília. Ao longo de sua existência, firmou Direcional já tinha empreendimentos imobiliários nas diversas parcerias com a Caixa Econômica Federal regiões Norte e Centro-Oeste do País, com operações

fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 41


capitalaberto

no Distrito Federal e em sete Estados brasileiros, totalizando 14 cidades e quatro regiões administrativas. Os sócios queriam ir além e ter uma atuação mais forte no Nordeste onde, segundo Daniel, a concorrência é menor e existe uma boa demanda por casas pequenas. Não tinham recursos suficientes no caixa para a compra de terrenos e o lançamento de empreendimentos imobiliários por lá. Daniel entrou em contato por telefone com o pessoal da Bovespa e tirou suas dúvidas sobre uma possível entrada no Novo Mercado. Após a conversa informal, os executivos estavam decididos. Iriam entrar na BM&FBovespa. Contrataram para suportar a operação os bancos Santander e Itaú BBA. Para o IPO ser feito com sucesso deveriam aquecer o relacionamento que possuíam com possíveis investidores fora do País ou conhecer novos. Sabiam que o número de investidores estrangeiros interessados por IPOs brasileiros era maior que o de nacionais. Somente no ano passado, eles foram os responsáveis inclusive pela aquisição de 66% do montante ofertado pelos seis IPOs feitos na BM&FBovespa.

Em 2009, o volume financeiro captado por 24 empresas na BM&FBovespa somou R$ 45,9 bilhões Assim, no final de outubro, os quatro administradores – diretor presidente, diretor financeiro, diretor comercial e conselheiro – rodaram o mundo por duas semanas. Os próprios executivos das instituições contratados para a Oferta Pública Inicial passaram a eles os contatos e agendaram visitas com potenciais acionistas. Daniel foi para cerca de dez cidades em diferentes países. Ele e executivos da Direcional mostravam um mercado de construção civil brasileiro em ascensão e o trabalho da empresa. Contaram durante a viagem como a corporação, nele inserida, poderia crescer e obter lucro. Só faltava o capital para financiá-la. Durante o proces-

42 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

so viram que os investidores estavam bem informados sobre o mercado imobiliário nacional e a maioria mostrava, pelo menos, interesse em investir. Voltaram animados para o IPO. Colheita

Antes do IPO, a rotina de Daniel estava mais atrelada à prestação de contas e ao relacionamento com bancos. Depois da entrada no mercado de balcão, foi criado o que ele chama de um “cotidiano de transparência”. Agora, Daniel passa 20% do seu expediente em conversa com acionistas. Tira dúvidas que vão desde o valor das ações até onde a empresa está investindo e como vai o mercado imobiliário como um todo. Quando se trata de investidores estrangeiros (64% do total), as conversas podem demorar mais; há explicação sobre as diferenças entre o padrão de contabilidade nacional, o BRGaap, e o internacional, o IFRS, e detalhes como isso repercute em tantas divergências no balanço patrimonial da companhia, ainda divulgado no padrão brasileiro. Em 2009, o volume financeiro captado por 24 empresas com ofertas públicas de ações na BM&FBovespa somou R$ 45,9 bilhões, valor que só perde para os R$ 70 bilhões contabilizados por 76 companhias em 2007. Foram seis IPOs (Initial Public Ofering) realizados, que totalizaram mais da metade dos recursos obtidos no período, seguidos pelos institucionais com 16% e varejo (que inclui pessoas físicas e clubes de investimento), com 8%. Juntas, as ofertas públicas iniciais de Visanet, Tivit, Banco Santander Brasil, Cetip, Direcional Engenharia e Laboratórios Fleury arrecadaram R$ 23,74 bilhões. Hoje, a empresa que Daniel dirige possui 500 investidores. O IPO abriu a possibilidade de captar recursos de forma mais transparente. Agora Daniel usa os recursos em três vertentes do setor de construção civil: consumo, capacidade de execução e capital de giro. O IPO faz a Direcional crescer ainda mais. Só é preciso das ações corretas. E de ações seus controladores entendem bem. f


Sozinha Patrícia Pellini, gerente de desenvolvimento de empresas da BM&FBovespa, pesquisa companhias com potencial para entrar na Bolsa de Valores. Aquelas que precisam de dinheiro para crescer. Entra em contato e agenda reuniões para apresentar um segmento que depois de dois anos em operação só teve uma adesão: o Bovespa Mais. Solitária no segmento está a Nutriplant desde o final de 2008. A empresa é bem menor que a Direcional e possui cerca de 80 funcionários. Foi fundada em 1979 e oferece ao agricultor produtos que buscam ganho de produtividade e rentabilidade para o negócio. Além desses, a companhia também produz matérias-primas destinadas à produção de rações animais e de uso industrial. Patrícia ligou dois meses antes e conversou com Sandro Henrique Peixoto Sabóia, diretor financeiro e de relação com investidores. Sabóia já tinha interesse no mercado de capitais. Ao receber a ligação, comunicou aos donos da empresa. Patrícia enviou dois consultores para ajudá-los a entender a abertura. O IPO da Nutriplant contou com a participação de oito investidores e movimentou R$ 20,701 milhões. Nesse segmento, a companhia também adere a práticas avançadas de governança corporativa, similares às exigidas pelo novo mercado. Foram distribuídas 2.070.100 ações ordinárias a R$ 10 cada. Com atuação em todo o País, o maior market share está na região Centro-Oeste, rica em soja e milho. Sabóia investiu o dinheiro arrecadado na expansão do atendimento nas regiões Nordeste e Sul. Dois supervisores foram contratados para atuar em cada uma das regiões. Eles são responsáveis por criar um canal de vendas com representantes e um espaço físico para atender clientes. O IPO também ajudou Saboia a financiar clientes, com prazo de 120 dias para o pagamento dos produtos adquiridos. A cobrança é feita por meio de boleto bancário. Hoje a companhia possui 700 clientes que realizaram compra no último ano. Foi um incremento de 30% na carteira pósIPO. Saboia ajuda os agricultores a obterem lucro, mas ele também quer colher seus frutos.

Bovespa Mais O Bovespa Mais foi lançado pela antiga Bolsa de Valores de São Paulo em 2007. De acordo com analistas de mercado e Patrícia, o segmento não teve muita procura porque as empresas que pensavam em ingressar, como no caso da Direcional, tomaram fôlego e conseguiram ter maior liquidez (facilidade de troca dos papéis por dinheiro). Entraram assim no novo mercado em busca da captação de volumes maiores. Outro motivo seria a falta de interesse dos bancos de investimentos em assessorar ofertas de pequenas e médias empresas. O segmento é voltado para companhias que, independentemente de uma oferta pública de ações imediata, querem entrar no mercado de capitais e despertar interesse

dos investidores. Não há restrições quanto ao setor ou porte da companhia. Acompanhe abaixo os três tipos de possíveis adesões:

Captação de volumes menores Empresas que querem realizar captação de recursos em volumes inferiores aos usualmente captados por empresas que estão no mercado principal, mas que são suficientes para financiar seus projetos de crescimento.

Distribuições mais concentradas Empresas que desejam realizar, em um primeiro momento, uma distribuição de ações concentrada em um grupo de investidores com conhecimento dos setores de atuação e entendimento sobre a fase em que se encontram.

Construção de histórico Empresas que, por meio da listagem, pretendem aumentar sua exposição junto ao mercado, construindo um histórico de relacionamento para posteriormente realizar uma distribuição pública de ações. Fonte: BM&FBovespa


Fotos: Douglas Luccena

perfilvarejo

44 FINANCEIRO fevereiro/marรงo 2010


A Lupo aposta no mercado esportivo para incrementar em 30% seu faturamento. Mesmo em períodos de crise, lançou novidades sem deixar de lado a qualidade

Critérios para

crescer Por Júlia Zillig O diretor comercial da Lupo, Valquirio Cabral Júnior, mora em Araraquara e é apaixonado por esporte. Acorda às 6 horas da manhã e vai para a academia fazer exercícios em vários dias da semana. Somente quando está a trabalho em São Paulo é que a ginástica fica para depois. O envolvimento com o esporte é algo que o executivo traz desde criança. Nunca pensou em jogar futebol profissionalmente – chegou a bater bola em alguns times -, mas exerce seu lado de homem de negócios no esporte como diretor do time Ferroviária de Araraquara. Além disso, por conta dessa paixão do executivo, a Lupo marca presença no mercado esportivo patrocinando 25 times, incluindo futebol, basquete e vôlei. Em 2009, Valquirio fez um novo gol: a Lupo entrou com os dois pés no mercado esportivo, fabricando e comercializando uniformes e itens para futebol. O tiro pareceu certeiro, já que a próxima Copa do Mundo, na África do Sul, está logo aí. E a intenção da marca é incrementar em 30% o seu faturamento com esses artigos. “O mercado

esportivo brasileiro é mal explorado, mas está em crescimento”, diz. Formado em administração de empresas, aos 46 anos Valquirio carrega os louros da história de sucesso da Lupo, iniciada pelo imigrante italiano Henrique Lupo há 89 anos – quando ele desembarcou no Brasil e, junto com sua esposa, começou a confeccionar as primeiras meias da marca em máquinas de costura caseira. Quando a fabricante tinha quase 60 anos de história e Valquirio era um adolescente de 16 anos, ele entrou no departamento de crédito e cobrança. Passou por várias outras áreas e aos 30 anos já era gerente nacional de vendas. Para ele, o segredo do sucesso foi agarrar as oportunidades e não ter tido medo do sacrifício. Júnior cresceu absorvendo a cultura de gestão da Lupo. O mesmo conceito faz parte do DNA da empresa há pelo menos 70 anos. “Perseguimos a qualidade de forma obsessiva”, diz o executivo. Tanto que ao longo dos anos, a marca Lupo se tornou sinônimo de meias sociais, fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 45


algo que marcou sua trajetória. Outro aspecto reforçado pela empresa é a satisfação do consumidor. Por isso, mesmo com a crise sacudindo a economia brasileira, a empresa não parou de crescer, mantendo o ritmo de crescimento na casa dos 20% anuais atingidos nos últimos cinco anos. O faturamento chegou à casa dos R$ 400 milhões em 2009. Para 2010, a ideia é bater R$ 500 milhões e, até 2014, dobrar esse valor. Na ponta

Ao longo da existência da Lupo no mercado, um dos grandes desafios da empresa foi entrar no varejo. Tempos atrás, a empresa escoava seus produtos pelo atacado e mul46 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

timarcas, mas tinha um mix de produtos extenso. Com esse modelo, contava com mais de 25 mil clientes cadastrados, mas muitos deles não conseguiam receber seus sete mil produtos. E a Lupo criou uma sintonia com o consumidor. A primeira loja da marca, em formato de franquia, foi inaugurada em 1994, no shopping D, em São Paulo. A intenção da empresa era mostrar que a marca não fabricava somente meias sociais. E entrou no segmento varejista em um momento no qual as próprias marcas começaram a ter espaços próprios. Ao todo, a empresa tem 174 lojas espalhadas pelo Brasil e em países como Uruguai, Paraguai, Bolívia e Venezuela, que respondem por 18% do faturamento da empresa. “Não importa onde você compre o produto Lupo, ele sempre será o mesmo”. Essa foi a mensagem que Valquirio imprimiu nessa estratégia da empresa, que vende produtos para diversos públicos. “Uma mulher que entra na loja, por exemplo, sabe que vai encontrar meia-calça para todos os tipos de gostos e bolsos”, enfatiza. Das fábricas – ao todo tem cinco espalhadas no Brasil, incluindo a sede em Araraquara – saem cerca de 40 lançamentos por ano. Mesmo em momentos de crise, as máquinas não pararam de funcionar. “Não ficamos parados, o mercado varejista anda muito rápido”, diz Júnior. Mesmo assim, esse movimento rápido é feito com cuidado. A Lupo lança produtos, fideliza clientes, investe pesado em propaganda e na qualidade de seus produtos, mas sabe até onde pode ir. A crise pegou quem estava despreparado. “Passamos o tempo todo estudando os hábitos e preferências do consumidor.” Ao contrário do desempenho expressivo do mercado interno para a Lupo, o mesmo não se pode falar do mercado externo. Com o dólar baixo, as exportações da empresa para mais de 30 países, incluindo Europa, Estados Unidos e nações sul-americanas, sofreram queda. Hoje responde apenas por 5% do faturamento. “Perdemos um cliente que comprava US$ 1 milhão em produtos da Lupo”, diz o executivo. No caso da América do Sul, a queda foi menor. “Ainda existe resquício de inflação em alguns países da região que tem a política econômica muito parecida com a brasileira.”


Critério

Na empresa, quando o assunto é crédito, a Lupo mantém a mesma postura de cautela ao dar seus pulos em direção ao crescimento. Não oferece linhas para o consumidor final, mas concede algumas facilidades na hora de negociar com seus clientes, como prazos extensos e descontos em grandes quantidades, algo já praticado pela indústria em geral. Quando vai integrar um novo cliente, a Lupo analisa a empresa, quem são seus fornecedores, sua média de faturamento. No entanto, é rígida quando se refere à inadimplência. Cerca de 80% de seus 30 mil clientes são pequenos varejos, que muitas vezes chegam a fazer compras de R$ 1,5 mil, com um ticket médio considerado baixo pelo mercado. “Hoje temos menos de 1% de inadimplência. Muitas vezes, temos perdas que não chegam a R$ 50 mil”, comemora Valquirio. O resultado é fruto do forte investimento que a marca fez em seu departamento de crédito, que seleciona os clientes e acompanha de perto seu desenvolvimento. Além disso, coloca na rua mais de cem vendedores e 150 promotores, que não são funcionários diretos da empresa, mas que, de acordo com o executivo, são comprometidos com seu crescimento. “Mesmo que o representante não seja responsável diretamente pelo crédito, moralmente ele é.” Para frente

Para ficar por dentro do que anda acontecendo no mercado, Valquirio aposta em sua rede de contatos. Navega com frequência na internet, participa de simpósios, reuniões e passa dois dias por semana em São Paulo fazendo contatos com diretores de empresas fornecedoras, de clientes e em busca de pesquisas. E esse tipo de estratégia ajudou a Lupo a reagir contra a invasão dos produtos chineses no Brasil, há alguns anos. A empresa ficou em estado de atenção, mas não mudou o curso de sua história. Partiu para cima do dragão vermelho, investiu em distribuição e em mais qualidade. “Se você baixa os preços, os chineses te engolem”, diz o executivo. Na época, o livro “A Estratégia

do Oceano Azul”, de W. Chan Kim, ainda não existia no mercado, mas sem querer Júnior seguiu as lições do autor. Incentivou a empresa a aproveitar o momento e lançar novos produtos. Foi nessa época que surgiram no mercado as primeiras lingeries com elástico aparente da marca. Além disso, associou sua marca ao mundo da moda, ligada a nomes como Rosa Chá, Cavalera e Alexandre Hercovitch na parte de underwear. Na década de 90, a Lupo passou por um período de crise. Sem uma liderança definida, foi pega pelo colarinho pela neta do fundador, Liliana Aufiero, que colocou a empresa de volta nos trilhos. Seu endividamento hoje é de 3%, o faturamento subiu de R$ 43,8 milhões para R$ 377,8 milhões em alguns anos. Com a abertura das importações, a possibilidade de modernizar seu parque produtivo foi fundamental para dar novos ânimos. “Nosso parque era obsoleto e importar era muito caro”, diz Valquirio. Aos poucos, começou a trazer máquinas da Itália e Coréia. “Tudo isso ajudou a dar preço e qualidade ainda melhor aos nossos produtos”. Desses tempos, o executivo guarda lembranças. Mas do futuro, Valquirio quer mesmo é que as fábricas da marca produzam ainda muito mais meias, cuecas e lingeries. Com qualidade. f

A Lupo em números w 174 franquias espalhadas pelo Brasil e em países da América do Sul. w Lojas representam 18% do faturamento total da empresa. w Ticket médio de compra nas lojas: R$ 70. w Metas crescimento: faturamento de R$ 1 bilhão até 2014. w Carteira de 30 mil clientes, sendo 80% dela formada por varejos de pequeno porte. w Índice de inadimplência: menos de 1%. w Cinco fábricas e 2,2 mil funcionários. w Produção anual: 80 milhões de peças. w Mix de produtos: 7,5 mil itens, incluindo meias para adultos, crianças e bebês, cuecas, lingerie feminina e infantil, e meias-calças. w Faturamento no 1º semestre de 2009: alta de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. w Venda de meias-calças: 33% maior no primeiro semestre de 2009 sobre os seis primeiros meses de 2008. w 2007: investimento de R$ 17 milhões para ampliar a fábrica da marca em Araraquara.

fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 47


artigogestão

Fraude sobre rodas Os maiores responsáveis pela prevenção às fraudes em operações de empréstimos e financiamentos, especialmente em veículos, uma das carteiras dos bancos e financeiras que mais cresceram nos últimos anos, não são as áreas de gestão de fraudes, análise de riscos, cobrança, compliance ou afins. Essas unidades são importantes na detecção das fraudes que foram incorridas, identificando e dando tratamento para minimiPor Antonio Glup zar ou recuperar os recursos que já deixaram a instituição. Elas colaboram também com a prevenção, na medida em que as situações constatadas e suas experiências servem para alertar os responsáveis em ajustar os sistemas de origem e avaliação de negócios, de modo que barrem casos semelhantes aos sofridos . Quem faz efetivamente a prevenção de fraudes são os operadores e/ou promotores encarregados do relacionamento com os lojistas e concessionários, além das áreas de decisão de crédito e de formalização dos negócios. Os primeiros, quase sempre influenciados pelas metas e pelo excesso de confiança em lojistas e seus funcionários, às vezes, não são treinados adequadamente para reconhecer comportamentos, documentos adulterados e situações de perigo. As áreas de crédito são a segunda tramela que se abrem com relativa facilidade e contribuem para a entrada das fraudes. Dentre diversas situações, citarei três apenas, para que não nos estendamos muito: 3 Analistas inexperientes que não foram alertados para isso ou não ligam o “desconfiômetro”. 3 Analistas que se deixam pressionar pela área comercial (que usam as frases clássicas: “olha, me ajuda, aí!”, “é o último dia do mês e só falta esse caso para eu bater a meta.”). 3 A falta ou o uso inadequado de bases de informações atualizadas e confiáveis. Quanto à formalização, que em muitas instituições é descentralizada, seus funcionários se mostram despreparados ou negligentes na conferência dos documentos que foram exigidos na aprovação do crédito versus o 48 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

que está sendo apresentado pelo operador/promotor. Qual a instituição que não tem em seu histórico de fraudes, uma pelo menos, na qual o RG do proponente, emitido depois da Lei n° 7.116, de 29/08/1983, que instituiu alguns padrões para carteiras de identidades, contendo a frase totalmente falsa no verso “Validade em todo território nacional”, quando o correto é “Válida em todo o território nacional”? Portanto para que esses três elos fundamentais do fluxo de captura e avaliação de negócios da instituição funcionem, minimizando a ocorrência de fraudes em sua carteira, há de se investir em treinamento dos envolvidos e bases e sistemas de informações cruzadas. Os funcionários da área de crédito, antes de começarem a deliberar e a terem alguma alçada; os da formalização, antes de passarem a validar os dossiês e documentos recepcionados; e os da área comercial, antes de saírem às ruas para atenderem os lojistas e capturarem propostas, devem ser treinados por especialistas em fraudes . Todos eles têm de ser capacitados, pois vemos que as fraudes são recorrentes. Existem profissionais e empresas experientes nesse mercado oferecendo treinamento a um custo vantajoso. Os sistemas de decisão de crédito devem ser constantemente alimentados pelas situações passadas. Um simples número de telefone, obtido pelo cruzamento de bases, que foi utilizado em uma fraude antiga, pode servir para evitar uma nova e um grande prejuízo. Os birôs de informação não devem ser jamais desprezados. Aliando treinamento e sistemas adequados, as instituições se adequam aos novos tempos de taxas mais baixas e territórios muito disputados, proporcionando até uma melhor rentabilidade dessa carteira cujo mercado no qual quem ainda não entrou está estudando entrar em breve. É o caminho da ampliação dos negócios. Os congestionamentos que o digam! f Antonio Glup é gerente de prevenção a fraudes do Banco Sofisa


artigouniverso financeiro

PMEs: projetos fora do papel Há um ano, durante o período crítico da crise financeira iniciada em 2008, as pequenas e médias empresas preparavam-se para enfrentar um ano turbulento, em que o crédito seria escasso e caro. Ainda em 2009 a situação mudou, e com a consolidação da retomada do crédito no segundo semestre, os Por Carlos Maccariello bancos passaram a apostar ainda mais nas Pequenas e Médias Empresas (PMEs). O cenário favorável e a ampliação de linhas de longo prazo em 2010 favorecem agora a recuperação e o desenvolvimento de projetos de ampliação dessas empresas. O Itaú Unibanco estima que até setembro de 2009 o volume total de empréstimos para esse segmento já havia crescido 10,9%. Esse movimento pode ser observado na carteira total de crédito do mercado de pessoas jurídicas: os empréstimos com valor até R$ 100 milhões evoluíram 7,1%, de dezembro de 2008 a setembro de 2009, alcançando aproximadamente R$ 122 bilhões, com tendência de alta para 2010. A confiança do setor financeiro nesse segmento não é à toa. O Brasil encontra-se em um momento de boas expectativas de crescimento, baseado em grande parte nos números positivos de geração de emprego e crescimento da classe média. Os números do Caged, divulgados em dezembro pelo Ministério do Trabalho e Emprego, apontavam a geração de um saldo positivo de contratações no mês anterior de 246.695, e a expectativa da criação de mais de dois milhões de empregos ao longo desse ano. Mais emprego significa mais renda, ascensão de pessoas das classes D e E à classe média e elevação do consumo, ciclo que impulsiona a produção e os investimentos nos setores de indústria e comércio, incluindo aí as PMEs. 50 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

Além disso, essas empresas serão beneficiadas neste ano pelo aumento na oferta de recursos de longo prazo. O pacote de medidas anunciadas pelo governo em dezembro de 2009 incluiu uma nova fonte de captação, a Letra Financeira, que permitirá às instituições privadas ter um papel mais importante nessas modalidades de empréstimo, diminuindo a atuação do BNDES como principal financiador. O crédito de longo prazo, destinado prioritariamente aos investimentos em estrutura, maquinário e ampliação da produção, será destaque na carteira em 2010. As PMEs também poderão se beneficiar de uma linha mais diversificada de crédito de curto e médio prazo como capital de giro e antecipação de recebíveis, muitas vezes com características específicas para determinados segmentos de negócio, que contribuirão fortemente com o seu fluxo de caixa. A área econômica do Itaú Unibanco acredita que os bons resultados do mercado doméstico e a previsão de baixa na inadimplência em 2010 permitem a construção de um cenário bastante favorável em relação ao mercado total de crédito para pessoa jurídica. A relação entre o crédito PJ e o PIB brasileiro pode chegar a 29,9% em dezembro de 2010, mantidas as previsões do Banco Central para crescimento do PIB em torno de 5%. Em 2009, o Itaú Unibanco incrementou sua carteira de crédito para pequenas e médias empresas em 10,7% – dados até setembro. Com as boas projeções, a expectativa é alcançar uma evolução duas vezes maior em 2010, apostando no crescimento orgânico e sustentável dessas empresas nos próximos anos. f Carlos Maccariello é superintendente de produtos empresariais do Itaú Unibanco


informe publicitário

Acrefi investe em novo planejamento estratégico A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrei), desde sua fundação, carrega em seu slogan uma mensagem bastante pontual: “Acrei: A Casa do Crédito ao Consumidor desde 1958”. Com mudanças profundas no mercado de crédito, o surgimento de modalidades avançadas no sistema inanceiro, como o cartão e o consignado, a instituição investe agora em planejamento estratégico para agregar novos associados e produtos. O objetivo desta ação é simples: estar entre as melhores opções entre as entidades representativas na área de crédito do Brasil, oferecendo serviços e produtos que auxiliem na decisão e recuperação dos créditos, focando essencialmente na melhoria das carteiras de credito dos associados. O atual presidente, Adalberto Savioli, atento às novas tecnologias e oportunidades de expansão, contratou como braço direito uma assessoria de marketing e gestão, a Connexa. “Nossa ambição é avançar, dar uma nova roupagem, sem perder como princípio fundamental a essência da Acrei”, explica Savioli. O planejamento estratégico integra a criação de uma espécie de entidade que agrega serviços para as associadas – as inanceiras – como cadastro positivo, central de prevenção a fraudes e uma área jurídica de apoio as instituições de menor porte. A Acrei hoje conta com 63 associados, mas o número de instituições inanceiras no Brasil passa de 200, incluindo todo tipo de banco. Nessa remodelação está incluída uma nova logomarca, mais moderna, e uma reformulação na gestão da entidade.“Criamos um novo conceito de modernidade que, na verdade, está alinhado com as novas demandas de mercado”, destaca Marcelo Pereira Borges, presidente da Consultoria Connexa.


mercadopersonalidade

Dados Ricardo Loureiro, novo presidente da Serasa Experian, assume o cargo com o desafio de fortalecer o Cadastro Positivo Por Juliana Jadon Aos 55 anos, o engenheiro de produção formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Ricardo Loureiro, assumiu a presidência da Serasa Experian. Desde 1º de janeiro deste ano o executivo ocupa a cadeira antes de Francisco Valim, atual Chief Executive Oicer (CEO) da Experian para a Europa, o Oriente Médio, a África e a América Latina. Quando adolescente, conversava com o tio, Roberto Loureiro, a respeito da sua atividade como engenheiro e via nele uma pessoa bemsucedida. Inspirado por ele, escolheu a faculdade. Em 1982, depois de formado, ingressou como trainee na Credicard. Trabalhou na empresa durante 14 anos passando por diversas áreas: tecnologia da informação, marketing e comercial. Em 1996, no advento das processadoras de cartões de crédito, foi desenvolver produtos para os clientes da CardSystem. Dois anos após foi chamado por Elcio Aníbal de Lucca, presidente da Serasa na época, para trabalhar na empresa como superintende de produtos. Desde a entrada na empresa atua diariamente em favor do Cadastro Positivo, um banco de dados com informações sobre os “bons pagadores”. Desenvolveu, inclusive, em parceria com a Acrei, o Acrei Positivo. Para se aperfeiçoar, Ricardo fez pós-graduação em administração de empresas na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Além do peril diferenciado, transparência, franqueza e participação são

52 FINANCEIRO fevereiro/março 2010


positivos características que o novo gestor acredita que o levaram ao cargo e que gosta de ver nas pessoas com quem lida diariamente. Acompanhe a entrevista exclusiva de Loureiro à revista Financeiro.

Positivo e em todos os produtos voltados ao crédito à pessoa física. O projeto foi desenvolvido, só que acabamos esbarrando em algumas questões de cunho legal e que atrapalharam bastante.

Financeiro Com a retomada do crédito, como você avalia que vai ficar o nível de inadimplência em 2010? Roberto Loureiro Acho que este ano será melhor. A tendência é de queda devido ao crescimento econômico forte. Falamos de redução da inadimplência, mas a do País é muito alta. Estamos falando de talvez chegar a 7,5% em junho. O pênalti que a economia paga por um processo pouco objetivo e pouco científico na gestão de riscos é grande. Não é porque os empresários gostam disso, mas falta uma infraestrutura de informação que permita as empresas trabalharem melhor o mercado no qual os riscos são mais admissíveis e se precaverem em que são menos. Financeiro Na sua opinião, qual o caminho para combater a inadimplência? Loureiro O caminho é um choque de tecnologia de gestão de risco que não depende somente da competência dos operadores de crédito. O que falta, sem dúvida, é uma infraestrutura de dados, que vem com o cadastro positivo. Essa é baseada no compartilhamento e vai permitir a esses operadores de crédito e de risco trabalharem numa situação menos difusa e nevoada.

Financeiro O que vocês fizeram quando perceberam que a lei do Cadastro Positivo demoraria para ser aprovada? Loureiro Seguimos com outros produtos e soluções, e a Serasa multiplicou, desde então, em 20 vezes o seu faturamento por conta desses. Em termos de crédito para pessoa física, tentamos do limão fazer a limonada, correndo atrás das necessidades do mercado. Trabalhamos as informações de todo o ciclo de relacionamento do nosso cliente com o cliente final dele. Isso suplantou essa situação do cadastro positivo que acabou não vindo e tentamos, de alguma maneira, mitigar o problema dos clientes sem esse subsídio. Agora estamos começando a chegar mais perto do fim, pois há conhecimento generalizado do Cadastro Positivo e em como isso pode afetar os bons negócios. Éramos muito focados em grandes bancos e financeiras, mas gradativamente fomos entendendo que as nossas ferramentas poderiam auxiliar também outros mercados, como o varejo, as empresas de telecomunicações, as empresas de TV a cabo, as seguradoras e o varejo. Isso foi feito até a vinda da Experian, com a aquisição bem-sucedida da Serasa, num processo de transição que chamo de perfeito. Demos continuidade aos valores, princípios e engajamento das pessoas.

Financeiro Fale sobre sua luta pelo Cadastro Positivo? Loureiro Eu vim para a Serasa em 1998 para desenvolver esse processo. A companhia já tinha lançado as pedras fundamentais da abordagem e a ideia era, a partir daquela iniciativa, trabalhar na sua disseminação criando uma área focada especificamente no Cadastro

Financeiro Você acha que esse reconhecimento se deu por conta do sucesso do cadastro positivo em outros países? Loureiro Em parte sim. O fato dessa solução ser bemsucedida em outros países que a adotaram criou prestígio. Mas eu acredito que o que está impelindo mais as empresas a buscarem a adoção e a trabalharem nesse

fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 53


mercadopersonalidade

fator é justamente a oportunidade que se estabelece no Brasil. É um manancial fantástico de negócios e para poder capturar o valor desses, precisamos ter uma ferramenta adequada para Cadastro Positivo para que as empresas tirem proveito do mercado. Financeiro Como é seu trabalho junto ao Cadastro Positivo? Loureiro É um trabalho que costumávamos chamar de “catequese”. Fazia parte da nossa estratégia educar o mercado em relação ao que é o Cadastro Positivo. Uma coisa é tecnicamente desenvolver a solução usando recursos de tecnologia da informação disponíveis, modelagem matemática, entre outros. Nessa parte tínhamos uma luz mais clara no final do túnel. Demorou, demandou muito reconhecimento, recursos e práticas de sucesso em outros lugares. Fomos ver como funcionava em países mais desenvolvidos, como Estados Unidos, Inglaterra e Itália. Fora isso, fazíamos apresentações quase que diárias junto a clientes, a autoridades, ao legislativo e as financeiras. O nosso dia a dia era e é basicamente o de convencer as pessoas e motivá-las, animá-las a participar desse processo de compartilhamento de informações. Financeiro Como essa ferramenta pode ajudar efetivamente as empresas e financeiras? Loureiro Tornando mais evidentes os riscos antes de serem assumidos, de maneira que possam optar pelo melhor limite de crédito oferecido ou não ao cliente. Podem conceder melhores condições, por exemplo, para aquela pessoa que possui boa reputação, com taxas e condições atrativas que a impulsionem a deixar de comprar do competidor. Essa é a vantagem. Já nas situações nas quais o risco é maior, criar situações cautelares, como aumentar garantias e diminuir a exposição e o prazo. Dá para gerenciar o risco de maneira segmentada. Hoje as taxas são quase padrão para todo mundo e quem paga com a ineficiência do processo anterior são os novos clientes. Mas a ideia é que com o conhecimento dos perfis de cada um deles, seja pessoa física ou jurídica, se possam oferecer taxas de juros não como uma média para pagar o que foi perdido no passado, mas como o risco que ele efetivamente representa.

54 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

Financeiro Hoje, quantas pessoas fazem parte desse banco de dados? Loureiro A Serasa possui um banco de dados com informações de todas as pessoas. Mas agora precisamos popularizar esse cadastro também com informações positivas. De algumas nós temos informações negativas, de outras não temos informação, pois não são inadimplentes, mas temos como localizá-las com informações a respeito de sua identidade básica. A ideia agora é criar oportunidades de inserir as informações positivas. Nosso trabalho, nesse sentido, é o de convencimento e de acompanhamento do legislativo, com a aprovação da lei, que imaginamos que irá ajudar bastante a promover. Como pertencente do Grupo Experian temos alguns birô de crédito na América Latina e o maior dos Estados Unidos. Há a oportunidade de internalizarmos essas ferramentas e isso também tem tomado parte da nossa rotina junto ao cadastro positivo. Financeiro Fale sobre o projeto Acrefi Positivo. Loureiro Trata-se basicamente de criar condições favorecidas para que as financeiras da Acrefi iniciem esse processo de compartilhamento. Algumas já estão compartilhando. São cerca de 15 financeiras que já o fazem e existe todo um processo de fomento. Damos apoio como consultoria, na implantação nas suas áreas de crédito e no acesso à informação. Financeiro Como você chegou à presidência da Serasa Experian? Loureiro Houve a movimentação prévia em setembro quando assumi a posição de Chief Operations Oicer (COO). O Valim já era requisitado para missões globais, pois ele é um executivo de muito talento, que tem uma visão fantástica a respeito de como mobilizar pessoas e atingir resultados. Acreditamos, na Serasa, que esses valores nos viabilizam e nos sustentam como empresa. O relacionamento da diretoria é amistoso e focalizado em atender efetivamente a nossa missão perante o mercado. No cargo, me senti reconhecido. Isso dá sentido a um esforço empreendido que é fruto de dedicação e de um


trabalho motivado, em que tive todos os recursos necessários. É uma conjunção de aspectos positivos em que fiquei muito satisfeito e sabia que outras possibilidades poderiam aparecer, como ocorreu de fato. O Valim acabou assumindo uma posição em definitivo no cenário global da Experian, a maior empresa em termos de soluções para informação do mundo. Foi muito bom para a Serasa Experian poder ter um dos seus no comando. Financeiro Como você define seu perfil como gestor? Loureiro Gosto das pessoas que almejam, efetivamente, ser relevantes naquilo que estão fazendo e não querem ser simplesmente mais um fazendo algo. Tento sempre buscar isso: o comprometimento. O meu viés é dar espaço para eles e ser inspirador não porque eu saiba, mas promovendo, animando e ajudando a sacar uma motivação interna. Sou muito preocupado também com o que os clientes pensam da gente. Todo dia quero saber o que falam sobre nós. Acho que só vamos para frente colocando em pauta esse tipo de padrão desafiador.

Financeiro Como a sua rotina de trabalho mudou e quais são os primeiros passos na presidência da Serasa Experian? Loureiro O estágio como COO me ajudou. Como uma empresa global, existem alguns compromissos novos que tenho de cumprir. A empresa é listada na Bolsa de Valores de Londres (EXPN), por exemplo, e compõe o índice FTSE 100, seu principal indicador do desempenho. Isso requer uma série de informações, prestações de contas com os acionistas, entre outras coisas. Mas essa é uma rotina nova a qual estou me adaptando. Meus primeiros passos são voltados em focalizar cada vez mais o nosso negócio e tirar proveito do que o mercado brasileiro oferece. Estamos falando em crescer 4, 5 ou 6% no PIB. Isso gerará muita atividade econômica e os clientes vão precisar muito de nós. Então, devo garantir que estaremos preparados para isso. Outro passo importante é fazer com que as pessoas que aqui trabalham estejam cada vez mais engajadas e felizes com o que fazem. Consegue-se isso mostrando a eles o quanto é relevante o nosso trabalho e o quanto precisamos de todos. f

fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 55


bancodedadosinepad Taxas médias: geral Data

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações

Var. p.p.

Spread% p.p.

Var. p.p.

dez/08

43,30

-0,8

12,60

-1,3

30,70

0,5

jan/09

42,40

-0,9

11,90

-0,7

30,50

-0,2

fev/09

41,30

-1,1

11,60

-0,3

29,70

-0,8

mar/09

39,20

-2,1

10,70

-0,9

28,50

-1,2

abr/09

38,60

-0,6

10,40

-0,3

28,20

-0,3

mai/09

37,90

-0,7

9,80

-0,6

28,10

-0,1

jun/09

36,60

-1,3

9,40

-0,4

27,20

-0,9

jul/09

36,00

-0,6

9,20

-0,2

26,80

-0,4

ago/09

35,40

-0,6

9,10

-0,1

26,30

-0,5

set/09

35,30

-0,1

9,30

0,2

26,00

-0,3

out/09

35,60

0,3

9,60

0,3

26,00

0,0

nov/09

34,90

-0,7

9,80

0,2

25,10

-0,9

dez/09

34,30

-0,6

10,00

0,2

24,30

-0,8

Variação dez–dez

-6,4

-2,6

-9

Fonte: BC/INEPAD

Taxas médias: pessoa física Data

Captações

Var. p.p.

Spread% p.p.

dez/08

Aplicações % a.a. 58,10

Var. p.p. -0,2

12,90

-2,2

45,20

Var. p.p. 2,0

jan/09

55,00

-3,1

11,50

-1,4

43,50

-1,7

fev/09

52,60

-2,4

11,20

-0,3

41,40

-2,1

mar/09

50,10

-2,5

10,30

-0,9

39,80

-1,6

abr/09

48,80

-1,3

10,30

0,0

38,50

-1,3

mai/09

47,30

-1,5

9,90

-0,4

37,40

-1,1

jun/09

45,60

-1,7

9,80

-0,1

35,80

-1,6

jul/09

44,90

-0,7

9,70

-0,1

35,20

-0,6

ago/09

44,10

-0,8

9,80

0,1

34,30

-0,9

set/09

43,60

-0,5

10,20

0,4

33,40

-0,9

out/09

44,20

0,6

10,70

0,5

33,50

0,1

nov/09

43,00

-1,2

10,80

0,1

32,20

-1,3

dez/09

42,70

-0,3

11,10

0,3

31,60

-0,6

Variação dez–dez

-15,4

-13,6

-1,8

Fonte: BC/INEPAD

Taxas médias: pessoa jurídica Data

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações

Var. p.p.

Spread % p.p.

dez/08

30,70

-0.7

12,30

-0.7

18,40

0.0

jan/09

31,00

0.3

12,20

-0.1

18,80

0.4

fev/09

30,90

-0.1

11,90

-0.3

19,00

0.2

mar/09

28,90

-2.0

10,90

-1.0

18,00

-1.0

abr/09

28,80

-0.1

10,50

-0.4

18,30

0.3

mai/09

28,50

-0.3

9,80

-0.7

18,70

0.4

jun/09

27,40

-1.1

9,20

-0.6

18,20

-0.5

jul/09

26,70

-0.7

8,80

-0.4

17,90

-0.3

ago/09

26,40

-0.3

8,60

-0.2

17,80

-0.1

set/09

26,30

-0.1

8,60

0.0

17,70

-0.1

out/09

26,50

0.2

8,80

0.2

17,70

0.0

nov/09

26,00

-0.5

8,90

0.1

17,10

-0.6

dez/09

25,50

-0.5

9,00

0.1

16,50

-0.6

Variação dez–dez

-5,2

Fonte: BC/INEPAD

58 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

-3,3

-1,9

Var. p.p.


Crédito pessoa física

Spread financeiro 50.00

Volume R$ milhões 180,000

45.00 40.00 35.00

160,000

30.00

140,000

25.00

taxa de juros 62.00 60.00 58.00 56.00 54.00 52.00 50.00 48.00 46.00 44.00

120,000

20.00 100,000

15.00

80,000

SPREAD FINANCEIRO

VOLUME

Captação

Volume

dez/09

nov/09

set/09

out/09

ago/09

jul/09

jun/09

abr/09

mai/09

fev/09

mar/09

dez/08

dez/09

nov/09

out/09

set/09

ago/09

60,000 jul/09

jun/09

mai/09

abr/09 Aplicação

Fonte: BC/INEPAD

PREFIXADOS –

mar/09

fev/09

jan/09

dez/08

5.00

jan/09

10.00

taxa de juros

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

RECURSOS LIVRES (R$ MILHÕES)

MÊS/ANO

CHEQUE ESPECIAL

VARIAÇÃO EM %

CRÉDItO PESSOAL

VARIAÇÃO EM %

dez/08

16.003

-3,8%

125.996

0,5%

jan/09

17.082

6,7%

127.410

1,1%

fev/09

17.445

2,1%

128.173

mar/09

18.001

3,2%

abr/09

18.020

mai/09

17.563

jun/09 jul/09

FINANCIAMENtO IMOBILIÁRIO

VARIAÇÃO EM %

CARtÃO DE CRÉDItO

VARIAÇÃO EM %

619

3,8%

22.088

-2,4%

650

4,9%

23.018

4,2%

0,6%

694

6,9%

24.336

5,7%

132.985

3,8%

732

5,4%

25.011

2,8%

0,1%

137.102

3,1%

754

2,9%

25.391

1,5%

-2,5%

141.096

2,9%

761

0,9%

25.335

-0,2%

17.840

1,6%

147.804

4,8%

777

2,1%

25.386

0,2%

17.156

-3,8%

146.452

-0,9%

799

2,9%

25.151

-0,9%

ago/09

17.475

1,9%

149.604

2,2%

821

2,8%

25.307

0,6%

set/09

17.479

0,0%

152.072

1,6%

846

3,0%

25.635

1,3%

out/09

17.335

-0,8%

155.567

2,3%

859

1,4%

25.519

-0,5%

nov/09

17.341

0,0%

157.097

1,0%

873

1,7%

26.574

4,1%

dez/09

15.748

-9,2%

157.763

0,4%

900

3,1%

26.292

-1,1%

Fonte: BC/INEPAD

VOLUME

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

PREFIXADOS/CONTINUAÇÃO –

RECURSOS LIVRES (R$ MILHÕES)

AQUISIÇÃO VARIAÇÃO EM %

tOtAL

VARIAÇÃO EM %

7.427

2,9%

266.118

-0,6%

7.490

0,8%

268.313

0,8%

-1,5%

7.532

0,6%

269.436

0,4%

91.082

-0,2%

7.849

4,2%

275.661

2,3%

-3,0%

90.591

-0,5%

7.925

1,0%

279.782

1,5%

9.157

-2,1%

90.934

0,4%

8.570

8,1%

284.258

1,6%

1,8%

9.011

-1,6%

92.231

1,4%

8.708

1,6%

292.746

3,0%

84.226

1,2%

8.977

-0,4%

93.203

-1,1%

8.642

-0,8%

291.403

-0,5%

ago/09

85.324

1,3%

8.897

0,9%

94.221

1,1%

8.752

1,3%

296.180

1,6%

set/09

87.955

3,1%

8.970

0,8%

96.924

2,9%

8.705

-0,5%

301.662

1,9%

out/09

90.136

2,5%

9.120

1,7%

99.256

2,4%

8.668

-0,4%

307.204

1,8%

nov/09

91.852

1,9%

9.145

0,3%

100.997

1,8%

8.644

-0,3%

311.527

1,4%

dez/09

93.916

2,2%

9.595

4,9%

103.511

2,5%

8.484

-1,8%

312.699

0,4%

MÊS/ANO

VEÍCULOS

VARIAÇÃO EM %

OUtROS VARIAÇÃO EM %

tOtAL

VARIAÇÃO EM %

dez/08

82.431

-1,1%

11.553

jan/09

81.625

-1,0%

11.039

-2,0%

93.984

-1,2%

-4,5%

92.664

-1,4%

fev/09

81.504

-0,1%

9.752

-11,7%

91.256

mar/09

81.439

-0,1%

9.643

-1,1%

abr/09

81.235

-0,3%

9.356

mai/09

81.777

0,7%

jun/09

83.219

jul/09

OUtROS

Fonte: BC/INEPAD

fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 59


bancodedadosinepad VOLUME

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO

CRÉDITO CONSIGNADO (R$

CONSIGNADO

MÊS/ANO

CRÉDItO PESSOAL*

PÚBLICOS

dez/08

143.687

jan/09

145.197

fev/09

% CONSIGNADO***

MILHÕES)

CONCENtRAÇÃO DO CONSIGNADO

tAXA DE JUROS % A.A.

EStIMAtIVA INEPAD CONSIGNADO

PESSOAL DIFERENÇA

PRIVADOS

tOtAL

AMOStRA**

68.201

10.689

78.890

53.758

54,9%

68,1%

30,8%

60,4%

29,6%

68.836

10.857

79.693

54.641

54,9%

68,6%

30,8%

56,5%

25,7%

147.326

70.079

10.942

81.021

55.105

55,0%

68,0%

29,3%

54,5%

25,2%

mar/09

151.076

71.495

11.239

82.734

56.226

54,8%

68,0%

28,7%

50,8%

22,1%

abr/09

155.250

74.512

11.817

86.330

60.061

55,6%

69,6%

28,9%

48,8%

19,9%

mai/09

159.360

77.121

12.174

89.295

61.687

56,0%

69,1%

28,6%

46,6%

18,0%

jun/09

161.797

79.418

12.408

91.826

63.274

56,8%

68,9%

27,9%

45,6%

17,7%

jul/09

165.023

82.596

12.750

95.346

65.104

57,8%

68,3%

28,0%

44,8%

16,8%

ago/09

168.531

85.407

12.991

98.398

66.979

58,4%

68,1%

27,6%

44,3%

16,7%

set/09

171.260

87.577

13.263

100.839

68.238

58,9%

67,7%

27,1%

44,7%

17,6%

out/09

175.182

90.023

13.597

103.620

69.782

59,2%

67,3%

27,2%

45,7%

18,5%

nov/09

176.795

90.931

14.679

105.610

71.880

59,7%

68,1%

27,0%

43,6%

16,6%

dez/09 Variação dez–dez

177.561

91.488

14.685

106.173

72.568

59,8%

68,3%

27,2%

44,4%

17,2%

23,57%

34,14%

37,39%

34,58%

34,99%

8,91%

0,30%

-11,87%

-26,49%

-41,72%

Fonte: BC/INEPAD * Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito. ** Pesquisa com 13 das maiores instituições que operam com crédito pessoal. *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal.

INADIMPLÊNCIA – MÊS/ANO

OPERAÇÕES PREFIXADAS

COM AtRASO

% SOBRE

COM AtRASO

SALDO SEM AtRASO

DE 15 A 30 DIAS

dez/08

113.492.571

2.546.415

2,02%

2.964.630

jan/09

113.980.932

2.845.703

2,23%

3.291.165

fev/09

114.514.696

2.804.329

2,19%

mar/09

118.844.045

2.883.772

abr/09

122.767.978

mai/09

SALDO DA CARtEIRA DE 31 A 90 DIAS

CRÉDITO PESSOAL (R$ % SOBRE

COM AtRASO

MILHÕES)

% SOBRE

SALDO tOtAL

VARIAÇÃO EM %

MAIOR 90 DIAS SALDO DA CARtEIRA

CARtEIRA-BRASIL

2,35%

6,992,548

5,55%

125.996.164

0,49%

2,58%

7,291,955

5,72%

127.409.755

1,12%

3.366.302

2,63%

7,487,655

5,84%

128.172.982

0,60%

2,17%

3.529.017

2,65%

7,728,398

5,81%

132.985.232

3,75%

2.934.840

2,14%

3.521.226

2,57%

7,877,464

5,75%

137.101.508

3,10%

127.277.492

2.707.879

1,92%

3.245.280

2,30%

7,865,100

5,57%

141.095.751

2,91%

jun/09

133.753.147

2.924.807

1,98%

3.320.169

2,25%

7,806,373

5,28%

147.804.496

4,75%

jul/09

132.712.667

2.803.291

1,91%

3.065.117

2,09%

7,871,132

5,37%

146.452.207

-0,91%

ago/09

135.469.746

3.001.242

2,01%

3.111.469

2,08%

8,021,523

5,36%

149.603.980

2,15%

set/09

137.893.252

2.888.166

1,90%

3.285.453

2,16%

8,005,536

5,26%

152.072.408

1,65%

out/09

141.066.139

2.934.272

1,89%

3.340.514

2,15%

8,226,112

5,29%

155.567.037

2,30%

nov/09

142.821.930

2.802.029

1,78%

3.235.617

2,06%

8,237,832

5,24%

157.097.408

0,98%

dez/09

144.189.909

2.556.501

1,62%

2.987.982

1,89%

8,028,402

5,09%

157.762.794

0,42%

SALDO DA CARtEIRA

Fonte: BC/INEPAD

INADIMPLÊNCIA – MÊS/ANO

SALDO SEM AtRASO

OPERAÇÕES PREFIXADAS COM AtRASO DE 15 A 30 DIAS

% SOBRE

AQUISIÇÃO DE BENS

COM AtRASO

SALDO DA CARtEIRA DE 31 A 90 DIAS

% SOBRE SALDO DA CARtEIRA

COM AtRASO

VEÍCULOS (R$ % SOBRE

MILHÕES)

SALDO tOtAL

MAIOR 90 DIAS SALDO DA CARtEIRA

CARtEIRA-BRASIL

VARIAÇÃO EM %

dez/08

71.844.127

3.240.330

3,93%

3.771.195

4,57%

3.575.603

4,34%

82.431.255

-1,11%

jan/09

70.833.551

3.173.943

3,89%

3.891.905

4,77%

3.725.811

4,56%

81.625.210

-0,98%

fev/09

70.069.059

3.180.127

3,90%

4.262.646

5,23%

3.992.345

4,90%

81.504.177

-0,15%

mar/09

69.590.442

3.413.835

4,19%

4.385.126

5,38%

4.050.003

4,97%

81.439.406

-0,08%

abr/09

69.541.452

3.085.189

3,80%

4.374.409

5,38%

4.234.217

5,21%

81.235.267

-0,25%

mai/09

70.173.312

3.137.999

3,84%

4.109.245

5,02%

4.356.029

5,33%

81.776.585

0,67%

jun/09

71.445.480

3.135.584

3,77%

4.106.318

4,93%

4.531.946

5,45%

83.219.328

1,76%

jul/09

72.764.044

3.109.076

3,69%

3.856.605

4,58%

4.496.687

5,34%

84.226.412

1,21%

ago/09

73.882.023

3.149.781

3,69%

3.911.192

4,58%

4.381.271

5,13%

85.324.267

1,30%

set/09

76.776.879

3.060.911

3,48%

3.805.709

4,33%

4.311.278

4,90%

87.954.777

3,08%

out/09

78.832.640

3.270.284

3,63%

3.777.116

4,19%

4.255.461

4,72%

90.135.501

2,48%

nov/09

80.588.964

3.158.438

3,44%

3.864.630

4,21%

4.239.705

4,62%

91.851.737

1,90%

dez/09

83.014.671

3.130.897

3,33%

3.637.146

3,87%

4.133.704

4,40%

93.916.418

2,25%

Fonte: BC/INEPAD

60 FINANCEIRO fevereiro/março 2010


INADIMPLÊNCIA – MÊS/ANO

OPERAÇÕES PREFIXADAS

AQUISIÇÃO DE BENS

SALDO SEM AtRASO

COM AtRASO

% SOBRE

DE 15 A 30 DIAS

SALDO DA CARtEIRA

dez/08

8.855.844

502.912

4,35%

583.417

5,05%

1.610.860

jan/09

8.389.707

518.212

4,69%

601.655

5,45%

1.529.065

fev/09

7.410.243

420.737

4,31%

540.321

5,54%

mar/09

7.278.836

430.175

4,46%

564.806

abr/09

7.053.429

405.174

4,33%

530.799

mai/09

6.911.637

352.811

3,85%

jun/09

6.862.981

333.656

jul/09

6.887.234

ago/09

COM AtRASO

COM AtRASO

% SOBRE

OUTROS (R$ % SOBRE

MILHÕES)

SALDO tOtAL CARtEIRA-BRASIL

VARIAÇÃO EM %

13,94%

11.553.033

-1,97%

13,85%

11.038.639

-4,45%

1.380.641

14,16%

9.751.942

-11,66%

5,86%

1.368.748

14,19%

9.642.565

-1,12%

5,67%

1.366.409

14,60%

9.355.811

-2,97%

444.446

4,85%

1.448.411

15,82%

9.157.305

-2,12%

3,70%

410.819

4,56%

1.403.866

15,58%

9.011.322

-1,59%

321.999

3,59%

401.997

4,48%

1.365.508

15,21%

8.976.738

-0,38%

6.893.004

308.495

3,47%

374.510

4,21%

1.321.058

14,85%

8.897.067

-0,89%

set/09

6.981.632

295.626

3,30%

372.910

4,16%

1.319.554

14,71%

8.969.722

0,82%

out/09

7.163.042

310.964

3,41%

362.269

3,97%

1.284.034

14,08%

9.120.309

1,68%

nov/09

7.270.337

291.618

3,19%

370.785

4,05%

1.212.677

13,26%

9.145.417

0,28%

dez/09

7.814.322

277.329

2,89%

343.283

3,58%

1.159.871

12,09%

9.594.806

4,91%

DE 31 A 90 DIAS SALDO DA CARtEIRA

MAIOR 90 DIAS SALDO DA CARtEIRA

Fonte: BC/INEPAD

INADIMPLÊNCIA AQUISIÇÃO DE OUTROS PREFIXADO – DEZ/09 – (EM R$ MILHÕES)

BENS

16% ATRASO DE MAIS DE 90 DIAS: 1.159.871

INADIMPLÊNCIA AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS – PREFIXADO – DEZ/09 – (EM R$ MILHÕES)

ATRASO DE 15 A 30 DIAS: 277.329

20% 64%

ATRASO DE MAIS DE 90 DIAS: 4.133.704

ATRASO DE 31 A 90 DIAS: 343.283

29 % 38%

33%

INADIMPLÊNCIA CRÉDITO PESSOAL – PREFIXADO – DEZ/09 – (EM R$ MILHÕES)

ATRASO DE 15 A 30 DIAS: 3.130.897

ATRASO DE 31 A 90 DIAS: 3.637.146

INADIMPLÊNCIA OUTRAS OPERAÇÕES – PREFIXADO – DEZ/09 – (EM R$ MILHÕES)

19%

ATRASO DE 15 A 30 D AS: 2.556.501

11%

ATRASO DE 15 A 30 DIAS: 376.951

18% ATRASO DE MAIS DE 90 DIAS: 8.028.402

INADIMPLÊNCIA – MÊS/ANO

59%

22%

OPERAÇÕES PREFIXADAS COM AtRASO

% SOBRE

71%

ATRASO DE MAIS DE 90 D AS: 2.383.221

ATRASO DE 31 A 90 DIAS: 2.987.982

OUTRAS OPERAÇÕES (R$

COM AtRASO

% SOBRE

COM AtRASO

SALDO SEM AtRASO

DE 15 A 30 DIAS

dez/08

5.082.673

296,416

3,99%

509.355

6,86%

1.538.170

jan/09

5.055.098

307,374

4,10%

538.182

7,19%

1.588.855

fev/09

4.946.070

405,729

5,39%

542.362

7,20%

mar/09

5.205.220

352,408

4,49%

634.925

abr/09

5.174.972

351,158

4,43%

mai/09

5.356.094

368,320

jun/09

5.448.306

jul/09

ATRASO DE 31 A 90 DIAS: 608.761

MILHÕES)

% SOBRE

SALDO tOtAL CARtEIRA-BRASIL

VARIAÇÃO EM %

20,71%

7.426.614

2,91%

21,21%

7.489.509

0,85%

1.638.018

21,75%

7.532.179

0,57%

8,09%

1.656.724

21,11%

7.849.277

4,21%

691.380

8,72%

1.707.916

21,55%

7.925.426

0,97%

4,30%

739.968

8,63%

2.105.726

24,57%

8.570.108

8,13%

319,255

3,67%

787.612

9,04%

2.152.740

24,72%

8.707.913

1,61%

5.334.315

367,894

4,26%

740.735

8,57%

2.198.661

25,44%

8.641.605

-0,76%

ago/09

5.313.499

367,467

4,20%

707.826

8,09%

2.362.881

27,00%

8.751.673

1,27%

set/09

5.279.740

631,761

7,26%

630.299

7,24%

2.163.296

24,85%

8.705.096

-0,53%

out/09

5.132.995

378,123

4,36%

760.105

8,77%

2.396.709

27,65%

8.667.932

-0,43%

nov/09

5.240.475

304,235

3,52%

703.707

8,14%

2.395.790

27,72%

8.644.207

-0,27%

dez/09

5.115.534

376,951

4,44%

608.761

7,18%

2.383.221

28,09%

8.484.467

-1,85%

SALDO DA CARtEIRA DE 31 A 90 DIAS

SALDO DA CARtEIRA

MAIOR 90 DIAS SALDO DA CARtEIRA

Fonte: BC/INEPAD

fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 61


bancodedadosinepad TAXA

DE DESEMPREGO

DAtA

BRASIL

VAR. % - BRASIL

SP

VAR. %

nov/08

7,6

0,1

8,2

0,5

11,0

1,50

dez/08

6,8

-0,8

7,1

-1,1

10,5

1,20

jan/09

8,2

1,4

9,4

2,3

10,0

0,90

fev/09

8,5

0,3

10,0

0,6

9,5

0,60

9,0

0,30

9,0

0,5

10,5

0,5

abr/09

8,9

-0,1

10,2

-0,3

mai/09

8,8

-0,1

10,2

0,0

jun/09

8,1

-0,7

9,0

-1,2

jul/09

8,0

-0,1

8,9

ago/09

8,1

0,1

set/09

7,7

ou/09 nov/09

6,5

-1,20

9,1

-0,2

6,0

-1,50

-0,4

8,7

0,4

7,5

-0,2

8,6

-0,1

7,4

-0,1

8,1

-0,5

nov/09

set/09

jul/09

jun/09

dez/08

abr/09

São Paulo

Brasil

out/09

-0,90

-0,1

ago/09

-0,60

7,0

mai/09

7,5

mar/09

-0,30

fev/09

0,00

8,0

jan/09

8,5

nov/08

mar/09

Var. p.p. – Brasil

Fonte: BC/INEPAD

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)

1.481,43

2,3%

jan/09

1.360,68

2,2%

1.563,46

1,1%

fev/09

1.358,76

-0,1%

1.538,05

5,5%

mar/09

1.356,24

-0,2%

1.522,12

-1,6%

abr/09

1.346,40

-0,7%

1.491,86

-1,0%

mai/09

1.331,87

-1,1%

1.481,86

-2,0%

jun/09

1.327,40

-0,3%

1.475,74

-0,7%

jul/09

1.334,40

0,5%

1.447,71

-0,4%

ago/09

1.347,05

0,9%

1.466,27

-1,9%

set/09

1.354,95

0,6%

1.481,96

1,3%

out/09

1.354,74

0,0%

1.493,72

1,1%

nov/09

1.353,60

-0,1%

1.508,20

0,8%

2,0% 02% 1,5% 02% 1,0% 01% 0,5% 0% -0,5% 01% -101% 0% -1,5% 02%

Brasil

São Paulo

nov/09 v/09

0,5%

out/09

1.331,57

2,5% 0

set/09

dez/08

1.600 1.550 1.500 1.450 1.400 1.350 1.300 1.250 1.200 1.150 1.100 1.050 1.000 950 900 850 800 750 700 ago/09 o/09

-2,1%

jul/09

1.464,75

jun/09

0,9%

mai/09

1.324,67

abr/09

nov/08

mar/09

VAR. %

fev/09 v/09

SP

jan/0 jan/09

VAR. % – BRASIL

dez/08 z/08

BRASIL

nov/08 v/08

DAtA

Var. Var % – Brasil

Fonte: BC/INEPAD

VOLUME DE VENDAS NO COMÉRCIO VAREJISTA

128,34

-4,4%

156,44

-4,7%

mar/09

143,93

9,6%

137,03

6,8%

206,91

32,3%

abr/09

145,02

0,8%

143,06

4,4%

165,53

-20,0%

mai/09

152,42

5,1%

140,94

-1,5%

187,10

13,0%

jun/09

145,69

-4,4%

133,26

-5,4%

228,65

22,2%

jul/09

150,95

3,6%

140,81

5,7%

190,22

-16,8%

ago/09

153,45

1,7%

145,27

3,2%

199,75

5,0%

set/09

149,52

-2,6%

139,77

-3,8%

240,48

20,4%

out/09

161,55

8,0%

152,01

8,8%

203,78

-15,3%

nov/09

158,00

-2,2%

145,42

-4,3%

193,86

-4,9%

Variação nov–nov

8,7%

Fonte: BC/INEPAD

62 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

7,9%

37,1%

Índice geral

Hipermercados e supermercados

nov/09 v/09

-8,8%

set/09

1,0%

131,28

fev/09

out/09

164,10

ago/09 o/09

-20,7%

143,94

jul/09

134,20

jan/09

jun/09

14,8%

-26,3%

34,2%

mai/09

-16,8%

162,41

-2,3%

195,20

abr/09

141,45

25,6%

145,42

mar/09

-0,7%

169,19

dez/08

250.00 240.00 230.00 220.00 210.00 200.00 190.00 180.00 170.00 160.00 150.00 140.00 130.00 120.00 110.00 100.00 90.00 80.00 fev/09 v/09

134,75

nov/08

HIPERMERCADOS E SUPERMERCADOS

jan/09

VAR. %

VAR. %

nov/08 v/08

VEÍCULOS, MOtOS, PARtES E PEÇAS

ÍNDICE GERAL

dez/08 z/08

VAR. %

DAtA

Veículos, motos, partes e peças


PREVISÕES

ECONÔMICAS

ANO DE 2010

PIB AGROPECUÁRIO % AA

PIB tOtAL % AA

PIB INDÚStRIA % AA

PIB SERVIÇO % AA

PRODUÇÃO INDUStRIAL % AA

Previsão 04/01/2010

5,14

4,19

5,90

4,33

7,62

2 semanas antes 08/01

5,19

4,37

6,02

4,33

7,61

1 semana antes 15/01

5,26

4,28

6,09

4,41

7,83

Previsão 22/01/2010

5,30

4,37

6,43

4,52

8,19

SELIC tAXA ANUAL

IGP–DI % AA

tAXA DE CÃMBIO R$/US$

SALDO COMERCIAL US$ BILHÕES

ANO DE 2010

IPCA % AA

Previsão 04/01/2010

10,92

4,47

4,48

1,76

10,69

2 semanas antes 08/01

11,02

4,38

4,50

1,76

10,39

1 semana antes 15/01

11,08

4,49

4,54

1,78

9,60

Previsão 22/01/2010

11,08

4,61

4,66

1,77

8,09

Fonte: BC/INEPAD

ATIVIDADE

ECONÔMICA tAXA DA UtILIZAÇÃO DA CAPACIDADE INStALADA

VAR. P.P.

ÍNDICE DE PRODUÇÃO FÍSICA MÉDIA MÓVEL tRIMEStRAL

VAR. %

nov/08

82,30

-2,30

dez/08

77,80

-4,50

nov/08

126,63

-2,36%

dez/08

117,88

jan/09

76,20

-6,91%

-1,60

jan/09

110,12

fev/09

-6,58%

76,50

0,30

fev/09

106,99

-2,84%

mar/09

78,40

1,90

mar/09

109,25

2,11%

abr/09

78,90

0,50

abr/09

110,87

1,48%

mai/09

80,00

1,10

mai/09

112,19

1,19%

jun/09

79,70

-0,30

jun/09

113,27

0,96%

jul/09

80,50

0,80

jul/09

114,75

1,31%

ago/09

81,10

0,60

ago/09

116,53

1,55%

set/09

81,40

0,30

set/09

119,01

2,13%

out/09

82,70

1,30

out/09

121,10

1,76%

nov/09

82,70

0,00

nov/09

122,61

1,25%

Variação set–set

0,49%

Variação ago–ago

-3,17%

DAtA

DAtA

Fonte: BC/INEPAD

Fonte: BC/INEPAD

PRODUÇÃO 85,0

(ÍNDICE) X CAPACIDADE (%)

Capacidade %

Produção (índice) 133

84,0 129

83,0 82,0

125

81,0

121

80,0 79,0

117

78,0

113

77,0 109

76,0

105

taxa da utilização da capacidade instalada

nov/09

out/09

set/09

ago/09

jul/09

jun/09

mai/09

abr/09

mar/09

fev/09

jan/09

dez/08

nov/08

75,0

Índice da produção física média móvel trimestral

fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 63


bancodedadosinepad PRODUÇÃO – AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS (EM UNIDADES)

mar/09

274.900

221.433

70.500

34,5%

abr/09

253.700

244.333

-21.200

-7,7%

mai/09

268.900

265.833

15.200

6,0%

jun/09

284.400

269.000

15.500

5,8%

jul/09

282.000

278.433

-2.400

-0,8%

ago/09

294.400

286.933

12.400

4,4%

set/09

273.000

283.133

-21.400

-7,3%

out/09

317.150

294.850

44.150

16,2%

nov/09

291.100

293.750

-26.050

-8,2%

dez/09

251.500

286.583

-39.600

-13,6%

330.000 310.000 290.000 270.000 250.000 230.000 210.000 190.000 170.000 150.000 130.000 110.000 90.000

Produção

dez/09

10,5%

nov/09

19.400

set/09

161.995

out/09

204.400

ago/09

91,5%

fev/09

jul/09

88.414

jun/09

158.792

mai/09

185.000

abr/09

-50,4%

jan/09

fev/09

-98.203

mar/09

VAR. MENSAL (%)

196.082

jan/09

VAR. MENSAL

96.586

PRODUÇÃO

dez/08

MÉDIA tRIM.

dez/08

DAtA

Média trimestral

160,4%

Variação dez–dez Fonte: BC/INEPAD

VENDAS

INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS – AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS,

VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS (EM UNIDADES)

300.000

fev/09

208.354

182.741

19.171

10,1%

280.000

mar/09

281.292

226.276

72.938

35,0%

260.000

abr/09

243.804

244.483

-37.488

-13,3%

240.000

mai/09

261.396

262.164

17.592

7,2%

220.000

jun/09

299.666

268.289

38.270

14,6%

200.000

jul/09

277.648

279.570

-22.018

-7,3%

180.000

ago/09

288.630

288.648

10.982

4,0%

160.000

set/09

305.678

290.652

17.048

5,9%

140.000

out/09

309.995

301.434

4.317

1,4%

nov/09

278.976

298.216

-31.019

-10,0%

dez/09

261.059

283.343

-17.917

-6,4%

Vendas

dez/09

25,5%

nov/09

38497

out/09

163.365

set/09

189.183

ago/09

0,3%

jan/09

jul/09

VAR. (%)

jun/09

459

mai/09

178.111

fev/09

MÉDIA tRIM.

150.686

abr/09

VARIAÇÃO

VENDAS

dez/08

mar/09

DAtA

Média trimestral

73,25%

Variação dez–dez Fonte: BC/INEPAD

EXPORTAÇÃO

TOTAL -

AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS,

MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS (EM UNIDADES)

EXPORtAÇÕES

MÉDIA tRIM.

VARIAÇÃO

VAR. (%)

dez/08

43.580

52.908

-5.576

-11,3%

65.000

jan/09

21.820

38.185

-21.760

-49,9%

60.000

fev/09

30.500

31.967

8.680

39,8%

55.000

mar/09

34.800

29.040

4.300

14,1%

50.000

abr/09

35.012

33.437

212

0,6%

45.000

mai/09

39.200

36.337

4.188

12,0%

40.000

jun/09

39.400

37.871

200

0,5%

35.000

jul/09

37.200

38.600

-2.200

-5,6%

30.000

ago/09

45.800

40.800

8.600

23,1%

25.000

set/09

40.400

41.133

-5.400

-11,8%

20.000

out/09

48.600

44.933

8.200

20,3%

nov/09

49.800

46.267

1.200

2,5%

dez/09

52.700

50.367

2.900

Variação dez–dez Fonte: BC/INEPAD

64 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

5,8% 20,9%

Exportações

Média trimestral

dez/09

nov/09

out/09

set/09

jul/09

ago/09

jun/09

mai/09

abr/09

mar/09

fev/09

jan/09

70.000

dez/08

DAtA


LICENCIAMENTO DAtA

DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (EM 1000CC

tOtAL

% NO tOtAL

+1000CC A 2000CC

UNIDADES)

% NO tOtAL

+2000CC

% NO tOtAL

dez/08

150.401

71.711

47,7%

76.200

50,7%

2.490

1,7%

jan/09

158.154

77.641

49,1%

77.844

49,2%

2.669

1,7%

fev/09

155.365

80.904

52,1%

71.674

46,1%

2.787

1,8%

mar/09

214.833

111.154

51,7%

99.771

46,4%

3.908

1,8%

abr/09

183.853

97.315

52,9%

84.033

45,7%

2.505

1,4%

mai/09

195.532

104.231

53,3%

88.878

45,5%

2.423

1,2%

jun/09

242.922

129.145

53,2%

111.164

45,8%

2.613

1,1%

jul/09

226.275

124.746

55,1%

98.838

43,7%

2.691

1,2%

ago/09

204.291

113.612

55,6%

87.988

43,1%

2.691

1,3%

set/09

249.120

133.648

53,6%

112.810

45,3%

2.662

1,1%

out/09

230.526

120.137

52,1%

107.777

46,8%

2.612

1,1%

nov/09

192.138

99.431

51,7%

90.522

47,1%

2.185

1,1%

dez/09

222.649

111.025

49,9%

108.383

48,7%

3.241

1,5%

Fonte: BC/INEPAD

LICENCIAMENTO

POR CATEGORIA

AUTOMÓVEIS

110.000

90.000

70.000

50.000

1.000cc

TAXA

DE JUROS PREFIXADOS

PESSOA FÍSICA (R$

CRÉDItO PESSOAL SALDO tOtAL R$ MILHÕES

dez/08

125.996

4,02

0,03

jan/09

127.410

3,80

-0,21

fev/09

128.173

3,69

mar/09

132.985

3,48

abr/09

137.102

mai/09

% VARIAÇÃO A.M. P.P

% A.A.

dez/09

nov/09

out/09

set/09

+1.000cc a 2.000cc

MILHÕES)

AQUISIÇÃO DE BENS – VEÍCULOS

AQUISIÇÃO DE BENS – OUtROS tAXA DE JUROS

tAXA DE JUROS

tAXA DE JUROS MÊS/ ANO

ago/09

jul/09

jun/09

mai/09

abr/09

mar/09

fev/09

jan/09

dez/08

30.000

% VARIAÇÃO A.M. P.P

% VARIAÇÃO A.A. P.P

% VARIAÇÃO A.M. P.P

% VARIAÇÃO A.A. P.P

VARIAÇÃO P.P

SALDO tOtAL R$ MILHÕES

60,40

0,50

82.431

2,63

-0,07

36,51

-1,20

11.553

4,71

0,33

73,79

6,53

56,50

-3,90

81.625

2,51

-0,12

34,66

-1,85

11.039

4,32

-0,39

66,14

-7,65

-0,11

54,50

-2,00

81.504

2,32

-0,19

31,75

-2,91

9.752

4,21

-0,11

63,96

-2,18

-0,21

50,80

-3,70

81.439

2,19

-0,14

29,67

-2,08

9.643

4,20

-0,01

63,81

-0,15

3,37

-0,12

48,80

-2,00

81.235

2,20

0,01

29,88

0,21

9.356

4,02

-0,18

60,41

-3,40

141.096

3,24

-0,13

46,60

-2,20

81.777

2,15

-0,05

29,15

-0,73

9.157

3,77

-0,25

55,84

-4,57

jun/09

147.804

3,18

-0,06

45,60

-1,00

83.219

2,00

-0,15

26,85

-2,30

9.011

3,73

-0,03

55,25

-0,59

jul/09

146.452

3,13

-0,05

44,80

-0,80

84.226

2,01

0,00

26,92

0,07

8.977

3,66

-0,08

53,85

-1,40

ago/09

149.604

3,10

-0,03

44,30

-0,50

85.324

1,96

-0,05

26,21

-0,71

8.897

3,69

0,03

54,42

0,57

set/09

152.072

3,13

0,02

44,70

0,40

87.955

1,87

-0,09

24,94

-1,27

8.970

3,52

-0,17

51,41

-3,01

out/09

155.567

3,19

0,06

45,70

1,00

90.136

1,91

0,04

25,56

0,62

9.120

3,44

-0,08

50,01

-1,40

nov/09

157.097

3,06

-0,12

43,60

-2,10

91.852

1,90

-0,02

25,30

-0,26

9.145

3,54

0,10

51,78

1,77

dez/09

157.763

3,11

0,05

44,40

0,80

93.916

1,90

0,00

25,37

0,07

9.595

3,71

0,17

54,83

3,05

SALDO tOtAL R$ MILHÕES

Fonte: BC/INEPAD

fevereiro/março 2010 FINANCEIRO 65


artigoúltima palavra

As reais aspirações do cliente A forte expansão do mercado nacional de financeiras nos últimos cinco anos, com novos players disputando clientes com tradicionais instituições de crédito, resultou em um cenário que requer uma reflexão apurada. O fechamento de lojas e a saída de algumas empresas do mercado Por Leonel Andrade substituíram a euforia inicial pela frustração. A questão que fica no ar é a seguinte: quais as reais aspirações do cliente das financeiras? A análise do mercado nos mostra que tanto a empolgação de alguns anos atrás quanto a frustração recente podem decorrer da falta de entendimento do que esse cliente busca e quer – algo essencial para imprimir coerência aos investimentos e à capacidade de gerenciar resultados. Quais as particularidades de um cliente de financeira? Para começar, não há como negar que o consumidor que adquire empréstimo pessoal tem um único sonho: deixar de ser cliente! Como transformar então, positivamente, a relação cliente– financeira? O ponto de partida é aprimorar o atendimento, levando em consideração três premissas. A primeira é admitir que todos os clientes querem preservar a privacidade, pois associam a tomada de crédito a uma situação desfavorável. Esse aspecto pode explicar a razão pela qual praticamente todos os projetos de balcões de rua deram errado. A segunda premissa é a agilidade – diretamente ligada à preservação da privacidade e à falta de tempo, contexto em que os processos devem funcionar como um relógio suíço e a excelência operacional resultar no menor tempo possível na prestação do serviço. A terceira vértice do atendimento é a empa-

66 FINANCEIRO fevereiro/março 2010

tia. Sabemos que o cliente não tem orgulho de estar ali e que grande parte desses prospects não consegue se tornar efetivamente cliente por questões creditícias, mas que precisa solucionar um problema. O treinamento e a qualidade do atendimento dos profissionais que têm a missão de interagir com esse cliente é o diferencial competitivo. Outro fator a considerar é a distribuição. De um modo geral, nenhum cliente em potencial irá se aventurar a longas distâncias se puder contar com opções próximas à residência ou local de trabalho. Irá se deslocar, no entanto, se souber que poderá contar com um atendimento discreto, rápido e eficiente. Em síntese, o ponto nevrálgico está na fórmula do atendimento adequado. O mercado investiu, no passado, na otimização de acesso ao cliente das financeiras, apostando na expansão massiva de programas de relacionamento. A estratégia não se sustentou por um motivo muito simples, aqui já abordado: o cliente da financeira quer deixar de ser cliente. As estatísticas mostram que clientes de financeiras em geral recorrem novamente aos serviços oferecidos. A decisão de retornar à instituição que o atendeu anteriormente está relacionada ao atendimento dispensado. Contratar e treinar adequadamente os profissionais que compõem a linha de frente no atendimento é fundamental e confere à instituição um status diferenciado que não está associado a bancos – até porque, financeira não é banco. f Leonel Andrade é presidente da Credicard


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Financeiro 62 - Fevereiro 2010  

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