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Financeiro

A revista do crédito

TIRAGEM DESTA EDIÇÃO: 20.000 EXEMPLARES

©iStockPhoto.com/Alexandr Tovstenko

ano 6 nº 51 mar-abr/2008

O que o Brasil precisa saber sobre os rumos da economia americana? William Handorf, professor da Universidade George Washington, apresenta sua avaliação, baseado nos indicadores financeiros

Tendência

Marketing

Projeções e perspectivas,

Ferramenta indispensável para o sucesso

por Istvan Kasznar


editorial

Quem diria... Rua Libero Badaró, 425 - 28º andar CEP 01009-000 - São Paulo - SP Tel.: (11) 3107-7177 Fax: (11) 3106-6082 - www.acrefi.org.br DIRETORIA Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Aquiles Leonardo Diniz, Gilberto Caldart, José Arthur Lemos de Assunção, Marco Ambrógio Crespi Bonomi, Odílio Figueiredo Neto, Paulo Eduardo D’Ávila Isola, Paulo Henrique Pentagna Guimarães e Wilson Masao Kuzuhara Secretário José Dante Zanaga Neto Tesoureiros Aristeu Zanúncio e Sergio Marra Capella Diretores Regionais Carlos Alberto Samogim (SP-Interior), Dirceu da Assumpção Variz (SP-Capital), Elcio Antônio de Azevedo (MG), Felícitas Renner (RS), Félix Archanjo Bordin (PR), Marcos André Maia Bonel (DF e GO), Paulo R. Tabaquim (Montadoras) e Tiziana Dadalto (ES) Diretores Adalberto Savioli, Álvaro Augusto Vidigal, Enílson Espínola de Souza, Ivan Svitek, Marcos Antonio Waideman, Rubens Bution e Sergio Antônio Cipovicci Diretores Conselheiros Jerônimo Varalla Neto, Luiz Antônio Viana, Ricardo Annes Guimarães e Rodrigo Bacellar Conselho Consultivo Membros Natos: Alkindar de Toledo Ramos e Manoel de Oliveira Franco. Membros: Alencar Burti (ACSP), Elcio Aníbal de Lucca (SERASA), João Elísio Ferraz de Campos (FENASEG), Luiz Horácio da Silva Montenegro (ANEF), Miguel de Oliveira (ANEFAC), Jackson Schneider (ANFAVEA), Sergio Reze (FENABRAVE) e Walter Machado de Barros (IBEF SP) Conselho Fiscal Efetivos: Alberto Borges Matias, Domingos Spina e Roy Martelanc. Suplentes: Abílio Abreu Neto, Massimo Tagliavini e Matias Nazari Puga Neto Presidente Honorário João Uchôa Borges (In memoriam) Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Conselheiro Econômico Prof. Istvan Kasznar

Financeiro ISSN 1809-8843 Conselho Editorial : Érico Sodré Quirino Ferreira, Prof. Istvan Kasznar, Antônio A. A. Leite (Pancho) e Sérgio Tamer; Coordenação Editorial : Tamer Comunicação Empresarial; Jornalista Responsável: Eliana Nigro (MTB 15.005); Editoração e Produção Gráfi ca: EDF (www.edf.com.br); Pré-impressão e Impressão: Fabracor; Periodicidade: bimestral Tiragem: 20.000 exemplares Tiragem e circulação auditadas por

O crescimento da economia brasileira vem sendo puxado, nos últimos quatro anos, pela forte expansão do crédito, traduzida por mais recursos, mais linhas de financiamento e prazos mais longos em todos os setores e segmentos. Quem diria que, em um período tão curto, o volume total de crédito no Brasil saltaria de R$ 418,3 bilhões para R$ 932,3 bilhões no fechamento de 2007. Quem diria que a participação do crédito no PIB iria de 24% para 34,7% com tendência de crescimento. O algoritmo que comanda a economia brasileira mudou. Quem diria que o Brasil seria credor internacional, que teria US$ 200 bilhões em reservas internacionais, que sua inflação estaria sob controle. Pasme quem duvidou que a economia cresceria cinco anos consecutivos em índices crescentes. Sem dúvida o País mudou! Vamos continuar crescendo e de forma sustentável, o que, embora viável, não deixa nunca de ser um grande desafio. O Brasil é hoje um dos mais importantes pólos mundiais de desenvolvimento e atração de capital, não apenas devido ao tamanho de seu mercado consumidor, à competência da indústria e comércio, mas, também, devido ao bom desempenho do mercado de crédito, que permite que a roda da economia continue a girar e ainda num ritmo mais acelerado. Crescer é, sem dúvida, muito bom, muito bom mesmo, mas, como tudo na vida, traz seus desafios. O principal é a busca do capital humano qualificado.

Onde achar o profissional qualificado? As empresas abriram a temporada de caça a bons profissionais, estão à procura de mão-de-obra mais qualificada, de executivos mais bem preparados. E não estão encontrando no mercado. Sem gente qualificada as empresas perdem competitividade e passam a buscar profissionais na concorrência, gerando um perigoso ciclo de aumento de custos. Talvez de todos os gargalos esse seja o mais angustiante. O processo educacional brasileiro que deságua nas faculdades não está dando conta de atender a essa nova demanda Quem diria que bateríamos recorde de contratações com carteira assinada... É hora de investir pesadamente em educação em todos os segmentos e níveis. Temos urgência em formar profi ssionais bem qualifi cados. A educação é a chave para nos tornarmos competitivos globalmente. Enquanto o Brasil não considerar a educação como sua primeira e mais importante prioridade, teremos que enfrentar a mais severa das limitações: o capital intelectual. O que me alegra, e muito, é ver uma criança de 8 anos ser aprovada no vestibular de uma universidade brasileira. Quem diria...

Nesta edição 4 Evento Acrefi Marketing como ferramenta de negócios abre o ano na Acrefi

8 Tendência internacional Sinais do mercado financeiro, risco de crédito e a economia dos EUA

14 Crise externa O Brasil é uma ilha

17 Artigo A comunicação de alienação do veículo financiado

As opiniões emitidas nos artigos assinados não refletem necessariamente as posições da ACREFI e são de exclusiva responsabilidade dos autores. A reprodução total ou parcial do conteúdo da publicação depende de autorização por escrito.

Andrea Felizolla

Érico Sodré Quirino Ferreira, Presidente da ACREFI

Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento

18 Projeções O crescimento brasileiro

20 Artigo A recessão americana e suas conseqüências

24 Momento econômico Projeções econômicas, visão das autoridades e perspectivas na ótica privada – independente. Porquê da pane norte-americana?

28 Análise econômica O que esperar do câmbio em 2008?

30 Artigo Fundos $oberanos: o Estado contra-ataca

32 Legislação contábil Brasil adota padrões internacionais

34 Banco de dados 42 Variedades Vinhos brancos, tintos e rosés: tem uma ocasião ótima para degustar?


evento acrefi

Marketing como ferramenta de negócios abre o ano na Acrefi Fotos: Andrea Felizolla

A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi ) iniciou a série de eventos que realiza todos os anos para seus associados e público geral. Neste ano, a instituição começou com um tema abrangente: “Marketing – Uma Ferramenta para Alavancar Negócios”. A entidade convidou dois palestrantes com aplicações diferentes para as ferramentas do marketing. José Gaspar Brandão, diretor executivo da Associação de Marketing Promocional (Ampro), demonstrou como essas ferramentas auxiliam na ampliação de negócios de marcas, produtos e empresas. Hélio Moura, gerente de prevenção à fraude do Banco Panamericano, descreveu como o marketing pode ser uma grande arma de promoção pessoal. Para iniciar a sua palestra, Gaspar Brandão apresentou a definição de marketing promocional recomendada pela Ampro. “É a atividade de marke-

A Ampro destaca o “poder” do consumidor que muda de figura devido ao deslocamento da informação. Antes, a empresa detinha toda a informação referente ao produto ou serviço. Hoje, quem detém a informação é o canal de distribuição, em que se dá a relação com o consumidor

Gaspar Brandão, diretor executivo da Associação de Marketing Promocional (Ampro): esforço direcionado para que a informação chegue ao consumidor

ting aplicada a produtos, serviços ou marcas que, por meio da interação com seu público-alvo, visa alcançar os objetivos estratégicos de construção de marcas, vendas e fidelização.” Segundo a entidade, o mercado vem sofrendo mudanças fundamentais nos últimos 30 anos. O “poder”

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do consumidor muda de figura com o passar dos tempos em função do deslocamento da informação. Antes, a informação estava com o organismo, ou seja, a empresa detinha toda a informação referente ao produto ou serviço e a impunha ao mercado. Assim, a distância entre o fabricante e o consumidor era muito grande. No mercado atual, quem detém a informação é o canal de distribuição, em que se dá a relação com o consumidor, utilizando-se a ferramenta de trade market como atividade fundamental para a indústria e empresas que trabalham com o grande varejo. Neste momento, o ponto-de-venda é o grande detentor das informações e das negociações com a indústria. “O mercado do século XXI já está completamente delineado como o poder passando para as mãos do consumidor. O esforço da indústria e do canal tem de ser todo direcionado para que a informação chegue ao consumidor e ele tome a decisão de comprar”, comenta Gaspar Brandão. Além disso, o consumidor não quer ser tratado como mais um e, por isso, as empresas estão utilizando o que é chamado de marketing de nicho, em que públicos específicos são servidos com produtos especiais. São as chamadas “tribos”. As empresas estão personalizando cada vez mais as suas ações de marketing promocional. As diretrizes simples, como sexo, idade, condição social, sozinhas já não servem mais para atuação em massa das grandes empresas. FINANCEIRO


Na prática, o marketing promocional atua na construção e gestão de marcas – com eventos, envolvendo consumidores atuais e futuros; design e embalagem, para criar identidade objetiva e subjetiva; merchandising e programas de relacionamento, para poder se destacar na paisagem do ponto-de-venda. Além disso, atua no impulso de vendas, com promoções, com a finalidade de acelerar o volume e a freqüência de compra, aumentando, assim, o valor do produto / serviço; com incentivo, obtendo o envolvimento e o empenho de funcionários e parceiros e recompensando essa dedicação; com marketing direto, vendendo diretamente ou levando ao varejo, com a intenção de fidelizar o consumidor; e com merchandising no ponto-devenda, gerando impulso de compra, prestando informações e facilitando a prestação de serviço. O mercado de marketing promocional gerou, em 2007, algo em torno de R$ 23 bilhões de investimentos em ferramentas de utilização por parte de empresas produtoras ou prestadores de serviços, com um crescimento médio de 10% ao ano, desde 2000. Em pesquisa realizada pela Ampro e Ibope Inteligência, em 2006/07, perceberam-se as ações que deverão predominar nos próximos anos: 86% dos

“O consumidor não quer ser tratado como mais um e, por isso, as empresas utilizam o chamado marketing de nicho, em que públicos específicos são servidos com produtos especiais. As empresas estão personalizando cada vez mais suas ações de marketing promocional” Gaspar Brandão ACREFI

Hélio Moura, do Banco Panamericano: é preciso se conhecer para aplicar o conceito de marketing pessoal com resultados positivos

entrevistados relataram que as atividades no ponto-de-venda ainda deverão prevalecer sobre as outras, mantendo a sua importância atual. Com forte tendência ao crescimento, 65% elegeram o marketing de incentivo como ferramenta a ser utilizada e 53% elegeram os eventos como as melhores ferramentas. “Na comparação entre as tendências e aquilo que havia sido contratado, há algumas igualdades: as atividades de ponto-de-venda e os eventos estão sendo as principais ferramentas de marketing promocional utilizadas no período. Surge uma tendência muito grande para a utilização de ferramentas digitais, como SMS, blogs e sites promocionais, o que confere um grau de

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modernidade e atualidade da atividade e dos profi ssionais da área”, finaliza Gaspar Brandão. A segunda palestra do evento tratou de um produto extremamente importante para o marketing: o ser humano. Para falar de marketing pessoal, Hélio Moura comentou que é preciso se conhecer para poder aplicar o conceito com resultados positivos. “Para que vocês possam entender, tudo aquilo que eu falar, tudo aquilo que eu realizar, todas as minhas atitudes fazem parte de meu marketing pessoal. Eu poderia ter vindo com uma roupa não adequada, mas preferi escolher bem o terno, a gravata e a camisa, pois ninguém compra um produto com embalagem ruim. Nós somos o produto”, dispara Hélio. Para o executivo, marketing tem vários conceitos, entre eles o de “mercado em ação”, que é a tradução da palavra. Isso, do lado pessoal, pode ser definido como “profissional em ação”. Segundo ele, muitas pessoas fazem confusão entre propaganda e marketing. Pode-se dizer que o marketing é como o clínico geral, que tem uma visão geral de um produto ou segmento, e a propaganda é uma especialidade do marketing. “Mas por que tudo isso? Porque, na vida pessoal, no seu marketing pessoal, a agência de publicidade é o próprio profissional em 70% do

“Tudo aquilo que eu falar, tudo aquilo que eu realizar, todas as minhas atitudes fazem parte do meu marketing pessoal. Nós somos o produto. Na vida pessoal, a agência de publicidade é o próprio profissional em 70% do tempo” Hélio Moura


evento acrefi A teoria dos quatro Ps do marketing pessoal é formada pelo produto, o próprio profissional; a propaganda, cartão ou currículo; o preço, quanto vão pagar pelo profissional; e o ponto de distribuição, a acessibilidade

tempo. O comportamento, as atitudes, as embalagens, a forma como se prepara é que geram a sua divulgação, ou seja, quando falam de você gratuitamente. Essa questão envolve muita coisa de caráter e verdade. Não adianta ter um excelente currículo se ninguém acredita em você”, esclarece ele. Dentro de toda a teoria, Hélio comentou uma das mais conhecidas: os quatros Ps, que são o produto – o próprio profissional; a propaganda – o seu cartão ou seu currículo; o preço – quanto vão pagar pelo profissional; e o ponto de distribuição – a acessibilidade ou quanto é fácil encontrar. O marketing pessoal é bem trabalhado quando o profissional utiliza os quatro pontos do conceito dos Ps. O profissional precisa estar preparado para todas as situações que possam acontecer. Esse marketing pessoal bem trabalhado gera

Associados e profissionais de diferentes áreas participaram do primeiro evento de 2008 da Acrefi

uma boa visão das pessoas em relação ao profissional e, não, um marketing negativo. O executivo salientou ainda uma outra ferramenta, a “AIDA”, que é muito parecida com a anterior e bastante utilizada em administração: atenção, interesse, desejo e ação. “Como o profi ssional deve utilizar essa ferramenta? Melhorando seu currículo, em busca de aperfeiçoamento, aprendizado vai chamar a atenção e o interesse de quem o

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recebe e criar um desejo de tê-lo trabalhando com ele. Quando chega a esse ponto, a ação é o ponto final na utilização da ferramenta”, complementa Hélio Moura. Mas ele alerta: “Seja um ‘case’ de marketing, pois é essa a função do marketing pessoal. Porém, seja um case verdadeiro, com conteúdo, em que se percebam o desenvolvimento e o investimento na carreira. É isso que vai gerar sua publicidade espontânea”, finaliza.

FINANCEIRO


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tendência internacional

Divulgação

Sinais do mercado financeiro, risco de crédito e a economia dos EUA

Empresas brasileiras exportadoras de bens e serviços para os Estados Unidos estão preocupadas em saber se seus importadores desfrutarão uma expansão na economia ou necessitarão conviver com uma recessão ao longo do próximo ano. Em parte, as futuras condições econômicas dependem do quão agressivamente o Banco Central dos EUA reduzirá o espectro comercial dos fundos federais (empréstimos overnight não-assegurados, de reservas interbancárias) a fim de evitar um período de mal-estar econômico. Apesar de divulgar um crescimento econômico mais lento do que muitos países em desenvolvimento, os EUA continuam sendo um importante país para os exportadores. Dependendo da medida adotada (ou seja, poder de paridade de compra da moeda ou pesos cambiais no mercado), o Produto Nacional Bruto (PNB) dos EUA abrange 25% dos resultados globais, tomando-se como base estimativas recentemente fornecidas pelo Banco Mundial (World Bank – WB). Bancos e fundos mútuos brasileiros que investiram em títulos denominados em dólar dos EUA têm demonstrado preocupação quanto à possibilidade de as obrigações previamente compradas ganharem ou perderem valor de acordo com

WILLIAM C. HANDORF, PH.D., PROFESSOR DE FINANÇAS NA ESCOLA DE NEGÓCIOS DA UNIVERSIDADE GEORGE WASHINGTON, EM WASHINGTON, DC. ALÉM DE ATUAR COMO PROFESSOR E CONFERENCISTA, ELE DÁ PALESTRAS COM FREQÜÊNCIA NO BRASIL, DIRETOR DO BANCO DE EMPRÉSTIMOS FEDERAIS DA HABITAÇÃO (FHLB – FEDERAL HOME LOAN BANK) DE ATLANTA E EX-DIRETOR DO BANCO CENTRAL DOS EUA (FED – FEDERAL RESERVE BANK) DE RICHMOND E TITULAR DA AGÊNCIA LOCALIZADA EM BALTIMORE

Apesar de divulgar crescimento mais lento do que muitos países em desenvolvimento, os EUA continuam um importante país para os exportadores

as tendências da taxa de juros norte-americana. Em parte, as taxas de juros reagem à política monetária elaborada pelo Banco Central. Estas também refletem mudanças na inflação. Os bancos brasileiros possuíam ativos externos iguais a US$ 125 bilhões e dívidas externas de quase US$ 60 bilhões em 2007, de acordo com o Banco de Compensações Internacionais (BIS – Bank for International Settlements). A República do Brasil, bancos e outras empresas privadas que tomaram emprestados fundos denominados em dólares americanos sem coberturas cambiais estão preocupados em definir se o dólar irá valorizar ou desvalorizar durante o ano. A resposta depende parcialmente da tendência da taxa de juros e da inflação. No que tange a 2007, a dívida internacional emitida pela República do Brasil e por empresas e bancos brasileiros abrange quase

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um terço do passivo internacional de toda a América Latina. Especialistas freqüentemente fazem prognósticos aplicáveis às condições econômicas de muitas regiões do mundo, prevendo taxas de juros, índices de inflação, precificação cambial externa e aumento do PIB. Evidências empíricas mostram que: • O grau de acerto desses especialistas é muito alto quando as condições financeiras ou econômicas permanecem estáveis; • Os especialistas não identifi cam o ponto de inversão de tendência de uma economia, fato crucial para um exportador, investidor ou financista; e • Os mercados financeiros e mercados futuros fornecem previsões melhores e mais confiáveis do que as fornecidas pelos especialistas.¹ O presente artigo avalia as condições econômicas e as tendências do mercado financeiro norte-americano que possam ser de interesse para os executivos e criadores de políticas monetárias no Brasil, por meio do enfoque de indicadores do mercado financeiro prontamente acessíveis. Embora os mercados possam ser comprovadamente mais confiáveis do que os especialistas, as mensurações apresentadas não são, em hipótese alguma, perfeitas. FINANCEIRO


Dados do mercado Embora a precifi cação das ações no mercado domine o noticiário, o mercado de dívidas é muito maior nos Estados Unidos. Em relação ao ano de 2007, a dívida abrangia cerca de 69% dos ativos financeiros da América, avaliados em US$ 69 trilhões. Taxas de juros aplicáveis à dívida provaram ser uma fonte especialmente útil de informações no que diz respeito ao futuro. Alguns dos sinais do mercado provêm do mercado à vista, enquanto outros provêm do mercado futuro. O mercado à vista representa transações nas quais o dinheiro é trocado por títulos, e o acordo ocorre num prazo de 30 dias. O spread entre o rendimento nominal das notas do Tesouro dos EUA e o rendimento real dos títulos do Tesouro protegidos da inflação oferece informações úteis com relação à projeção da inflação feita pelo mercado. O mercado futuro representa transações nas quais o comprador e o vendedor entram em um acordo no que se refere ao preço de um instrumento no momento atual, mas a execução do negócio não ocorrerá antes de meses ou mesmo anos. Os mercados futuros para fundos federais fornecem uma medida confiável da política monetária projetada. Diversos sinais emitidos pelo mercado podem ser identifi cados a partir do mercado monetário, enquanto outros são obtidos a partir do mercado de capitais. Um instrumento do mercado de dinheiro preserva sua maturidade durante menos de um ano, e o mercado de capitais negocia títulos que permanecem maduros por mais de um ano. O spread entre o rendimento das notas do Tesouro dos EUA de longo prazo e as letras do Tesouro dos EUA de curto prazo tem se mostrado uma boa medida da probabilidade de ocorrer uma recessão ao longo do ano seguinte. Vários sinais do mercado emanam das dívidas de papéis do Tesouro livres de default, enquanto ACREFI

Diversos sinais emitidos pelo mercado podem ser identificados a partir do mercado monetário, enquanto outros são obtidos a partir do mercado de capitais

outros provêm das dívidas corporativas de créditos de variadas qualidades. Países e empresas são avaliados e recebem um grau alto (Aaa/Aa), médio (A/Baa) ou baixo (Ba/B/Caa) de acordo com a Moody’s Investors Service, Standard and Poors e outras agências de análise de risco de crédito. A precifi cação de dívidas de alto grau de risco em relação aos títulos do Tesouro de baixo grau de risco fornece uma medida especialmente boa da disposição dos investidores de aceitar risco de crédito. Os investidores evitam dívidas de alto grau de risco ou dívidas de alto rendimento quando estão preocupados com o espectro de uma recessão e a inadimplência conseqüente. Sinais do mercado Ações do Banco Central – O Banco Central dos EUA possui diversas ferramentas na forma de políticas disponíveis para fomentar a estabilidade de preços e encorajar o crescimento sustentável. Atualmente, o Banco Central utiliza em grande escala operações de mercado aberto para garantir que os fundos federais sejam negociados dentro do corredor definido pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Federal Open Market Committee). A mesa de operações do Banco Central de Nova York compra títulos para forçar a queda das taxas de juros de curto prazo e vende títulos para permitir que as taxas de juros aumentem. O Banco Central espera que taxas de juros baixas estimulem empresas e indivíduos a tomarem mais dinheiro emprestado e investirem em fábricas, equipamen-

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tos e outros bens duráveis. O investimento de incremento desejado, feito pelas empresas e pelos indivíduos, tem como objetivo promover o crescimento. Da mesma forma, o Banco Central prevê que altas taxas de juros desencorajarão a tomada de empréstimos, retardando a taxa de crescimento da economia e diminuindo a pressão inflacionária. O Comitê Federal de Mercado Aberto realiza encontros oito vezes por ano e, normalmente, fornece um sinal no que diz respeito à política monetária na conclusão de cada encontro. Ao longo da última década, o Comitê tem publicado um comunicado para a imprensa que enfatiza qual é a percepção do Banco Central com relação à economia, indicando se os riscos de crescimento lento ou inflação alta são dominantes. Os observadores do FED destacam as mudanças utilizando palavras ou frases-chave no comunicado de uma página. A seguir estão exemplos de fraseschave dentro de comunicados selecionados para exemplificar variadas fases econômicas de um ciclo de negócios. • Economia Fraca (março de 2004): “Com a inflação muito baixa e a má utilização de recursos, o Comitê acredita que pode ser paciente na revisão de suas políticas de ajuste.” • Inflação Acelerada (junho de 2004): “O Comitê se responsabilizará pelo aviso de mudanças nas perspectivas da economia, a fim de manter a estabilidade dos preços.” • Ponto Incerto de Inversão de Tendência da Economia (dezembro de 2007): “O Comitê continuará a agir conforme o necessário, de modo a fomentar a estabilidade dos preços e o crescimento sustentável.” Esse informe para a imprensa, acompanhado de outras estatísticas e indicadores econômicos, permite que os participantes do mercado possam projetar ações monetárias futuras. O Banco Central reduziu as taxas de juros em 1% nos últimos quatro meses de 2007, de 5,25%


tendência internacional para 4,25%, a fim de sustentar o crescimento e evitar uma recessão desastrosa. Os mercados futuros captam as expectativas dos traders e reduzem a interpretação de ambigüidade do informe tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista da língua inglesa. Os contratos de fundos federais são negociados no CBOT, que é comparável à Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) no Brasil. Esses contratos são comercializados utilizando-se um algoritmo de índice de preços. O rendimento decorrente é igual à base 100, menos o índice. Recentemente, contratos que maturaram em fevereiro de 2008 foram precifi cados a 95,95 para renderem 4,05% (100 - 95,95), enquanto os contratos que irão maturar em agosto de 2008 foram precifi cados para renderem 3,51% (100 - 96,49). Claramente, os operadores de mercado acreditam que o FED continuará a reduzir o espectro comercial das taxas de juros – outros ¾ de 1% até meados de 2008. Outrossim, os analistas podem determinar a probabilidade de o Comitê Federal de Mercados Abertos mudar as taxas de juros pela seguinte fórmula: Probabilidade de uma mudança = (taxa esperada - taxa existente)/ índice de variação da taxa avaliada Nesse sentido, pergunta-se qual é a probabilidade implícita de que o Banco Central irá reduzir as taxas de 4,25% para 4,00% até fevereiro ou de 4,25% para 3,50% até agosto? A resposta pode ser dada conforme segue, a saber: • ¼% de redução até fevereiro = (4,05% - 4,25%) / -0,25% = 80,0% • ¾% de redução até agosto = (3,51% - 4,25%) / -0,75% = 98,7% O mercado obviamente acredita que o Banco Central continuará a reduzir as taxas de juros em 2008 para promover o crescimento econômico, os investimentos em negócios, os gastos pessoais e o emprego

As notas do Tesouro dos EUA dão aos investidores um retorno nominal, que inclui taxa real de retorno e inflação projetada

em vez de adiar a inflação. O Comitê Federal de Mercado Aberto leva em consideração o que o mercado acredita que irá fazer antes de tomar uma decisão monetária. Os titulares do Banco Central sinalizam suas intenções monetárias à medida que os indicadores econômicos são divulgados em pronunciamentos públicos e artigos técnicos diversos que são publicados. Cabe ao Banco Central de cada país a responsabilidade de manter a estabilidade dos preços. Expectativas inflacionárias – Indicadores econômicos, como o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ou o Índice de Preços por Atacado (IPA), oferecem evidência de preços históricos. Os mercados financeiros fornecem um método de projetar a pressão dos preços, que é de importância decisiva para os tomadores de decisão. As notas do Tesouro dos EUA dão aos investidores um retorno nominal, que inclui uma taxa real de retorno e a inflação projetada. Se existe uma projeção de aceleração dos preços de bens e serviços, os investidores vendem as notas do Tesouro, e as ações resultantes conduzem a rendimentos mais altos para compensar perTabela 1

das no poder aquisitivo. Os títulos do Tesouro dos EUA protegidos da inflação (TIPS – Treasury InflationProtected Securities) dão aos investidores um retorno real à medida que mudanças históricas nos preços ao consumidor são adicionadas ao valor ao par dos TIPS a cada seis meses. Ao subtrair o rendimento real dos TIPS do rendimento nominal das notas do Tesouro, um analista é capaz de obter uma projeção da futura mudança nos preços. A tabela 1 ilustra as projeções de inflação do mercado durante três fases recentes, distintas entre si, do ciclo de negócios. Diversos membros do Comitê Federal de Mercados Abertos preferem que a inflação varie entre 1% e 2%. Se os preços estiverem subindo a uma taxa inferior a 1% ao ano, os tomadores de decisão fi carão preocupados com o fato de que uma deflação debilitante poderá levar a um período prolongado de crescimento anêmico ou recessão, comparável ao que foi vivido pelo Japão ao longo da última década. Embora o Banco Central tenha sempre visado aos preços-núcleo, que removem os custos de energia volátil e de alimentos, determinados membros votantes passaram recentemente a direcionar mais atenção ao desajuste da inflação. Aumentos de preço persistentes e projetados de 2% ou mais ao ano são considerados inaceitáveis. Antes da recessão de 2001, o mercado projetava uma pequena inflação (por exemplo, 1,3%), devido ao alto desemprego e à signifi cativa capacidade ociosa. Em função das baixas expectativas de inflação, o Banco Central

O spread da inflação e o ciclo de negócios

(Expectativas médias e anuais de preço ao consumidor ao longo da próxima década)

Rendimento no mercado

Recessão

Retomada

Expansão

Corrente

Nota de 10 anos

4,9%

4,1%

5,2%

4,1%

TIPS de 10 anos

-3,6%

-2,5%

-2,6%

-1,8%

Inflação

1,3%

1,6%

2,6%

2,3%

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foi capaz de reduzir o espectro comercial das taxas de juros em 4,75% em 2001, de modo a fortalecer um desempenho econômico que se mostrava lento. As expectativas de inflação aumentaram antes da recuperação de 2003, pulando para uma taxa ainda aceitável de 1,6% ao ano; o Banco Central manteve as taxas de juros baixas. Por outro lado, o Banco Central elevou as taxas de juros no momento em que as pressões dos preços ultrapassaram os limites da política antes da expansão de 2005. Nesse sentido, é relevante perguntar-se: qual é a percepção atual da inflação e como ela irá impactar a economia dos EUA por meio de ações monetárias? Atualmente, a projeção do mercado é de uma inflação média anual de 2,3% ao ano para a próxima década. Trata-se de uma projeção bem mais baixa do que a recente mudança anual nos preços de 4,3%. O mercado acredita que um crescimento econômico mais lento irá moderar as pressões dos preços. Contudo, se os preços continuarem a subir numa taxa superior a 2% ao ano – especialmente preços-núcleo obtidos a partir do Índice de Gastos de Consumo Pessoal –, o Banco Central enfrentará um dilema: deverá elevar as taxas de juros sobre fundos federais para conter as expectativas inflacionárias ou continuar a reduzir as taxas para promover o crescimento? Conforme indicado pelo trecho a seguir do último Programa de Políticas Monetárias, “o Comitê continuará a atuar da forma necessária para promover a esta-

A projeção é a de que as taxas de juros baixarão nos próximos anos, enquanto a economia luta com os desajustes e as inadimplências no mercado de empréstimos habitacionais

bilidade dos preços e o crescimento sustentável”. O mercado ficará convencido de que o Banco Central reduzirá as taxas de juros para estimular o crescimento, mas é crucial continuar a avaliar as tendências de preço. Caberá ao Banco Central manter a estabilidade dos preços, e o Comitê Federal de Mercados Abertos acredita ser esta sua principal finalidade. Crescimento econômico – A curva de rendimento fornece uma relação gráfi ca entre o rendimento e o período de tempo remanescente de um título do Tesouro dos EUA. A inclinação da curva de rendimento refl ete parcialmente as expectativas das taxas de juros no futuro. Uma curva de rendimento com inclinação ascendente sugere que o mercado espera que as taxas de juros aumentem no futuro. As taxas de juros aumentariam se a demanda privada por fundos aumentasse, se a inflação disparasse e o Banco Central implementasse uma política monetária de ajuste. A curva de rendimento tem, no presente período, a forma de um disco voador. Conseqüentemente, a projeção do mercado é a de que as taxas de juros baixarão nos próximos anos

Tabela 2

O spread da curva de rendimento e o ciclo de negócios Rendimento do mercado

Recessão

Retomada

Expansão

Corrente

Nota de 10 anos

4,9%

4,1%

4,3%

4,1%

Letra de 3 meses

-5,8%

-1,2%

-3,1%

-3,0%

Inflação

-0,9%

2,9%

1,2%

1,1%

Probabilidade de recessão

52,4%

0,3%

6,8%

7,8%

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enquanto a economia luta com os desajustes e as inadimplências crescentes no mercado de empréstimos habitacionais e com o acesso restritivo ao crédito. Nesse sentido, taxas de juros baixas em países desenvolvidos correspondem a uma economia fraca. E, como forma de antecipação de movimentos macroeconômicos, um spread da curva de rendimento pode ser usado – e efetivamente o é – para fazer uma estimativa quanto ao crescimento ou contração econômica nos Estados Unidos. O spread da curva de rendimento é definido como a diferença de rendimento entre notas do Tesouro dos EUA de dez anos e letras do Tesouro dos EUA de três meses. O spread da curva de rendimentos durante o ciclo de negócios passado obteve uma média de 1,6%. Como é mostrado na tabela 2, o spread era de -0,9% antes da recessão de 2001. Um spread negativo é consistente com expectativas de baixas taxas de juros, comuns a uma recessão. O spread aumentou para 2,9%, valor maior do que o normal, antes da recuperação de 2003 e permaneceu relativamente alto em 1,2% na expansão de 2005. Com base em pesquisas realizadas por economistas junto ao Banco Central de Nova York, os analistas podem estimar a probabilidade de uma recessão nos EUA dentro dos próximos 12 meses, fundamentando-se no spread ². A probabilidade de que uma recessão ocorra no próximo ano é igual à distribuição cumulativa normal de: -0,6045 menos 0,7374 vezes o spread. Os coeficientes foram obtidos estatisticamente para melhor prever recessões subseqüentes. Por exemplo, se o spread é de 1,6%, a probabilidade é igual a NORMSDIST (-0,6045 - 0,7374 x 1,60) ou N (-1,78). A área coberta pela curva normal a 1,78 desvio-padrão é de 46,25%; portanto, a probabilidade típica de uma recessão nos EUA é o residual à esquerda do referencial


tendência internacional ou 3,75%. A tabela 2 ilustra a probabilidade resultante de ocorrência de uma recessão no ano subseqüente para cada uma de três fases históricas do ciclo de negócios. Observe-se a alta probabilidade de uma queda anterior à recessão e a baixa probabilidade anterior a uma retomada. A tabela 2 sugere que a probabilidade atual de que ocorra uma recessão nos Estados Unidos até 2009 é menor do que 10%. A razão de essa probabilidade ser tão baixa pode ser encontrada nas ações preventivas realizadas pelo Comitê Federal de Mercados Abertos em relação a setembro de 2007, quando as taxas de juros foram cortadas na razão de ½ de 1%, valor incomumente alto, além das duas reduções subseqüentes de ¼ de 1%. O spread se igualou a -0,4% no início de 2007, quando a probabilidade implícita de uma recessão era de aproximadamente 40% já em 2008. Uma queda irá ocorrer se as empresas forem incapazes de obter crédito para financiar capital de giro e investimentos de capital e/ou se houver uma escalada de problemas no mercado de habitação que afetem desfavoravelmente outras indústrias, incluindo madeira de construção, concreto, móveis e utensílios domésticos. O mercado acredita que o Banco Central continuará a cortar o espectro comercial dos fundos federais na mesma razão de ¾ de 1% em 2008, à medida que o Banco Central inclinar-se em direção à ressuscitação da economia, em vez de prevenir uma disparada de preços. Embora o Banco Central possa alterar – e de fato altere – a política monetária em época de eleição presidencial, a projeção do mercado é de que ele efetue essas mudanças um pouco antes de novembro de 2008, quando o novo presidente dos EUA já estará eleito. Aversão ao risco de crédito – O spread do crédito reflete a diferença de rendimento entre títulos de matu-

De acordo com padrões históricos, o atual spread do crédito corporativo, equivalente a 2,8%, permanece relativamente baixo

ridade comparável, porém de qualidade de ativo diferente. O spread de obrigações corporativas de grau baixo fornece uma medida especialmente boa da percepção e tolerância do mercado com relação ao risco de crédito. O spread do crédito é definido como a diferença entre obrigações corporativas de grau baixo (ex. avaliações de crédito Ba/B/Caa) e obrigações do Tesouro dos EUA de longo prazo. O spread de obrigações corporativas de grau baixo aumenta quando os traders acreditam que a economia irá enfraquecer e os investidores procuram a segurança das obrigações default-free do Tesouro dos EUA. O spread das obrigações corporativas diminui quando os investidores buscam rendimentos mais altos e existe menor preocupação no que diz respeito à inadimplência. A tabela 3 ilustra a disposição do mercado em assumir risco de crédito ao longo de diferentes fases do ciclo de negócios. Observe que o spread do crédito se expande antes de uma recessão e permanece alto até o começo da retomada, uma vez que os investidores estão buscando segurança. Em contraste, o spread se retrai até níveis muito baixos na expansão, já que os investidores estão buscando rendi-

mentos mais altos em vez de investimentos mais seguros. Em suma, o spread do crédito pode ser usado para confirmar outros indicadores previstos. E este aumenta quando há uma projeção de maior inadimplência devido à fraqueza econômica, e diminui à medida que a confiança retorna aos mercados monetário e de capitais. O spread do crédito baixou para menos de 2,0% em 2007, no momento anterior ao encolhimento do crédito que aconteceu após revelações de crescentes perdas de empréstimos habitacionais subprime em muitas obrigações de dívidas colateralizadas. Devido a perdas volumosas de crédito assumidas subseqüentemente pelo Citibank, Merril Lynch e outras instituições mundo afora, o mercado está novamente preocupado com a qualidade do ativo. Ainda assim, de acordo com padrões históricos, o atual spread do crédito corporativo, equivalente a 2,8%, permanece relativamente baixo. Pesquisas conduzidas pelos serviços Moody’s Investors mostram que 1,3% das obrigações corporativas de qualidade “Ba” entram em default em um ano ao longo do ciclo de negócios, enquanto a taxa de default pula para 6,5% no caso das obrigações de qualidade “B”. As taxas de default são acentuadamente mais altas durante uma recessão. O pequeno spread do crédito de obrigações corporativas referente a 2008 sugere que o mercado está confiante de que o Banco Central irá elaborar uma política monetária que promova o crescimento econômico e evite uma recessão.

Tabela 3

O spread do crédito e o ciclo de negócios Rendimento do mercado

Recessão

Retomada

Expansão

Corrente

Corporativas de grau baixo

12,8%

11,1%

7,1%

7,4%

Tesouro de longo prazo

-5,7%

-4,7%

-4,6%

-4,6%

Inflação

7,1%

6,4%

2,5%

2,8%

12

FINANCEIRO


Resumo Os mercados financeiros oferecem informações úteis para que se possa fazer projeções de uma economia utilizando-se dados em tempo real. Tanto os investidores quanto os tomadores de empréstimos e exportadores estão preocupados com as tendências financeiras e econômicas de parceiros-chave de negócios. Os mercados futuros para fundos federais fornecem projeções da política monetária esperada. A projeção do mercado é a de que o Banco Central dos EUA continuará a reduzir as taxas de juros em 2008 a fim de diminuir a probabilidade de uma recessão. O mercado de capitais para as notas do Tesouro dos EUA e TIPS fornece informações quanto à inflação projetada que são primordiais para a maioria dos banqueiros centrais. A inflação média anual projetada pelo mercado é de cerca de 2,3%. A taxa de inflação decorrente é muito menor do que a observada nos EUA ao longo do ano passado, mas, ainda assim, é mais alta do que gostariam muitos membros votantes do Banco Central. Se a inflação disparar, o Banco Central terá poucas alternativas além da que consiste em abandonar a política monetária de ajuste em vigor e adotar uma política mais restritiva. O spread da curva de rendimento obtido a partir da diferença no rendimento entre notas do Tesouro de 10 anos e letras do Tesouro de três meses revelou-se uma

As mensurações de mercado fornecem aos criadores de políticas monetárias e aos executivos uma fonte barata e confiável de descoberta de preço

medida útil para a previsão da probabilidade de uma recessão nos EUA. A probabilidade de ocorrer uma recessão nos Estados Unidos nos dias que correm, a considerar março de 2008, é menor do que 10%, valor bem mais alto do que a média de 3,75% que acompanha o ciclo de negócios. A probabilidade de uma recessão chegou a quase 40% em 2007, no período anterior aos cortes de taxas agressivos conduzidos pelo Banco Central. O spread do crédito equivale à diferença de rendimento entre obrigações corporativas de grau baixo e obrigações do Tesouro defaultfree. O spread do crédito aumen-

tou signifi cativamente ao longo do último ano, mas permanece baixo pelos padrões históricos, uma vez que a projeção do mercado é a de que o Banco Central irá seguir um curso de ação que afaste a economia dos EUA de uma recessão. A disparada da inflação é o riscochave que poderia alterar as expectativas do mercado e impedir que o Banco Central fizesse novos cortes nas taxas de juros a fim de resguardar o crescimento, permitindo que os bancos oferecessem crédito a custo baixo para a pessoa jurídica e a pessoa física. O mercado incorpora novos dados instantaneamente quando estes são diferentes do que se esperavam previamente. As mensurações de mercado fornecem aos criadores de políticas monetárias e aos executivos uma fonte barata, porém confiável, de descoberta de preço, fonte esta que é útil para projetar condições fi nanceiras e econômicas.³

Tradução de Fernanda Cruz Perrone Kasznar – fernanda.cruz@terra.com.br

Referências selecionadas 1. Gosnell TF, Kolb RW. “Accuracy of International Interest Rate Forecasts” in: The Financial Review. Agosto de 1997. 2. Estrella A, Trubin MR. “The Yield Curve as a Leading Indicator: Some Practical Issues” in: Current Issues in Economics and Finance of the Federal Reserve Bank of New York. Julho /Agosto de 2006. 3. Os leitores interessados podem ler os “Indicadores Globais”, com material comparável ao apresentado neste artigo, a cada trimestre, da autoria do Professor William C. Handorf, publicados pela Escola de Negócios da Universidade George Washington. (http://www.gwu.edu /~business/news/indicators.htm).

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crise externa

Luciano Zafalon

O Brasil é uma ilha ANA CARLA ABRÃO COSTA, ECONOMISTA-CHEFE DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA INTEGRADA

A duração dessa situação favorável depende, principalmente, da capacidade de resposta do governo brasileiro. E, definitivamente, é exatamente nesse detalhe que está o Diabo. A crise externa começou a dar uma vaga idéia das suas proporções em agosto de 2007 e, agora, está definitivamente instalada. A economia americana já dá sinais claros de fraqueza, com indicadores de atividade (figura 1) e de mercado de trabalho (figura 2), mostrando os impactos da retração do crédito que, a bem da verdade, só começou. Além disso, os dados de consumo e investimento já apontam para uma economia em processo de correção. Com isso, a percepção de uma economia com recuo do produto em dois trimestres consecutivos – definição teórica de recessão – já é quase consensual. A dúvida se deslocou para a intensidade e duração do ajuste, para a destruição de riqueza que este irá gerar e, mais, para o tamanho e o impacto das perdas que as instituições financeiras ainda têm a reconhecer. Tem-se, portanto, uma crise concreta e, embora inicialmente concentrada no mercado imobiliário dos Estados Unidos, ela hoje avança as fronteiras americanas e já resvala na Europa e no Japão. Certamente, outros países entrarão em crise pelos canais financeiro e/ou comercial que

O País coleciona um amplo conjunto de reformas institucionais feitas ao longo de 20 anos

os ligam aos Estados Unidos. E o Brasil neste cenário? Acostumado a entrar em crise junto com qualquer soluço da economia internacional, houve quem decretasse o final do curto círculo virtuoso do último ano: câmbio em trajetória de apreciação, mercado de crédito ativo e em

processo de aprofundamento e abundantes fluxos financeiros – principalmente de investimento estrangeiro direto. O preço a pagar? Inflação mais alta e crescimento mais baixo, interrompendo, assim, a trajetória de convergência dos juros para patamares historicamente baixos. Não se pode culpar quem apostou nisso em agosto de 2007 – quando a crise externa começou a se delinear – nem tampouco quem revisou seu cenário no início deste ano, quando as perdas do mercado acionário pareciam nos levar para uma devolução de ganhos de anos juntamente com o resto do

ISM da indústria

Figura 1

65 60 55 50 45 40 35 30 jan 00

jul 00

jan 01

jul 01

jan 02

jul 02

jan 03

jul 03

jan 04

jul 04

jan 05

jul 05

jan 06

jul 06

jan 07

jul 07

jan 08

Fonte: Bloomberg. Elaboração: Tendências.

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FINANCEIRO


mundo. Afinal de contas, sempre foi assim na história desse país. Por que haveria de ser diferente agora? Pois bem, há motivos de sobra para que seja diferente. O Brasil de hoje é muito diferente do Brasil de outros momentos de crise. Assim como o mundo de hoje é um mundo muito diferente daquele de outros momentos de crise (como, por exemplo, nos anos 70 e na crise do petróleo ou no início dos anos 20 com a crise das empresas de tecnologia americanas). Em se tratando de Brasil, a diferenciação é clara. Hoje, o País coleciona um amplo – e importante – conjunto de reformas institucionais (feitas, deve-se esclarecer, ao longo dos últimos 20 anos). Esse conjunto tornou o País estruturalmente mais sólido. Só para dar alguns exemplos mais importantes, tivemos a adoção de uma política de superávits primários que foi fundamental para resgatar a crença na solvência doméstica, e um Banco Central independente – de fato, embora não de direito – que garantiu a austeridade na condução da política monetária e que hoje completa oito anos de um regime de metas de inflação comemorando a conquista da estabilidade de preços. Podemos citar também as taxas de inflação e a volatilidade do nível de preços, que atingiram patamares recordes de baixa (figura 3), e o câmbio flutuante, que fez emergir ineficiências e permitiu ajustes que hoje se traduzem em ganhos de produtividade e, mesmo que temporariamente, em ajuda adicional ao cenário de inflação. O resultado dessa combinação de fatores é uma trajetória cadente de juros e o conseqüente destravamento de uma economia que descobriu motores domésticos de crescimento há muito adormecidos. Junte-se a isso a queda da vulnerabilidade externa (via combinação de reservas elevadas com redução da dívida pública externa) e temos uma situação inédita. Do ponto de vista da economia mundial, também houve mudanças, embora os Estados Unidos ainda sejam, de longe, a economia mais imACREFI

portante do globo – mérito que há de se dar à China, em particular, e à Ásia, de maneira geral, quando se fala em crescimento. E, a par de um colapso chinês que, diga-se aqui, não faz parte do nosso cenário com probabilidade relevante, ainda teremos um mundo crescendo. E crescendo a taxas muito próximas à média das últimas 30 décadas de 3,8% ao ano. Neste contexto, o Brasil continuará como está hoje: uma ilha no que se refere à saúde do seu sistema fi -

nanceiro – e, portanto, de seu processo de expansão do crédito –, de seu saldo comercial, de sua taxa de câmbio e, conseqüentemente, de sua inflação e crescimento. Uma situação confortável no contexto internacional atual. Mas a duração dessa situação depende, contudo, menos da intensidade e duração da crise e mais da capacidade de resposta do governo brasileiro. E, definitivamente, é exatamente nesse detalhe que está o Diabo.

Criação de empregos e taxa de desemprego

Figura 2 300

5,1

250

5 4,9

200

4,8

150

4,7

100

4,6

50

4,5 4,4

0

4,3

- 50

4,2 4,1

- 100 jul - 06 set - 06 nov- 06 jan- 07 mar- 07 mai - 07 jul - 07 set - 07 nov - 07 jan - 08 Criação mensal de vagas

Média de doze meses

Taxa de desemprego Fonte: Bureau of Labor Statistics. Elaboração: Tendências.

Inflação acumulada e volatilidade em 12 meses 22 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 dez 96

dez 97

dez 98

dez 99

volatilidade

dez 00

dez 01

dez 02

dez 03

dez 04

dez 05

dez 06

dez 06

IPCA 12 meses Fonte: IBGE. Elaboração: Tendências.

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EDF


artigo

Arquivo ACREFI

A comunicação de alienação do veículo financiado

Conforme notícias divulgadas pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), mudanças serão efetuadas no Documento Único de Transferência (DUT) de veículos para reforçar a obrigatoriedade de comunicação das vendas de veículos ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e evitar que o antigo proprietário seja responsabilizado por infrações posteriores à venda. Nos atuais DUTs, o texto sugere que a venda ou transferência de propriedade “poderá” ser comunicada pelo vendedor. Entretanto, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que, em caso de venda do veículo, o antigo proprietário deverá encaminhar ao órgão de trânsito de seu Estado uma cópia autenticada do comprovante de transferência, assinado e datado. O novo documento, que deverá estar disponível a partir de julho de

HORACIO L. N. CATA PRETA, DIRETOR EXECUTIVO DA CENTRAL DE SERVIÇOS FENASEG/CNSEG

Alterações deverão provocar diversas mudanças nas rotinas operacionais dos bancos e financeiras

2008, terá um texto mais explícito quanto ao dever de comunicar a venda do veículo para que não tenha que responder por ocorrências após a transferência. Outras alterações também poderão ser feitas, como a inclusão de mais informações sobre o veículo e as condições da transferência. Ainda de acordo com o Denatran, as mudanças também têm o objetivo de evitar que vendedores e compradores de boa-fé sejam enganados e surpreendidos

por multas. O prazo de seis meses para a entrada em vigor do novo DUT é necessário para que as alterações sejam estudadas e submetidas à avaliação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). As alterações acima deverão provocar diversas mudanças nas rotinas operacionais dos bancos e financeiras que operam com leasing e financiamentos com alienação fiduciária de veículos, especialmente usados, uma vez que exigirá maior cuidado com a documentação e a rápida comunicação da transferência de propriedade ao Detran, dentro do prazo legal de 30 dias. Instruções aos financiados e um acompanhamento adequado necessitarão ser implantados para que não ocorram repercussões negativas para a instituição. (catapreta@fenaseg.org.br)

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projeções

Flávio Roberto Guarnieri

O crescimento brasileiro

TEREZA MARIA FERNANDEZ DIAS DA SILVA, SÓCIA DA MB ASSOCIADOS

A crise imobiliária americana, que abalou o seu mercado de crédito e está levando a uma forte desaceleração na sua economia, parece não estar trazendo conseqüências maiores ao Brasil. O ano de 2007 se encerrou com um crescimento do Produto Interno superior a 5%, e 2008 começou com dados de indústria (+8,5%) e comércio (+10,7%) ainda muito fortes. Na verdade, as vendas de janeiro de 2008 foram superiores às de dezembro de 2007, o que nunca tinha ocorrido no Brasil. O setor automobilístico segue muito aquecido. Nos primeiros dois meses do ano, foram comercializados perto de 400 mil automóveis e comerciais leves zero quilômetro, crescimento de 39,1% quando comparado com igual período do ano passado. Esse nível de atividade preocupou nossas autoridades monetárias, como fi cou claro na ata do Copom de março, quando explicitou alta probabilidade de elevação na taxa básica de juros (Selic) já no mês de abril. O crescimento dos países emergentes, em especial países como China e Índia, justifica, em parte, o nosso crescimento. A demanda desses países por alimentos e matérias-primas, dos quais somos fornecedores, elevou o preço dessas commodities a recordes históricos,

A estabilidade da economia e a queda da taxa de juros tornaram o crédito mais acessível às camadas de menor renda

Tabela 1

o que fez com que as empresas brasileiras desses segmentos investissem de forma acentuada. Setores como mineração, petróleo e gás, siderurgia e aqueles ligados ao agrobusiness ampliaram a sua capacidade produtiva com a implantação de novas unidades ou com ampliação das preexistentes. Esses investimentos geraram crescimento nas suas cadeias fornecedoras, ampliando a oferta de emprego e da

Balanço de transações correntes - US$ bilhões Ano

Transações Correntes Balança Comercial

2007

2008 P

3,3

-8,7

40,0

28,5

Exportações

160,6

178,5

Importações

-120,6

150,0

-40,8

-41,0

Serviços e Rendas Juros

-7,2

-5,0

Lucros e Dividendos

-21,4

-23,0

Outros

-12,2

-13,0

Transferências Unilaterais

4,1

3,8

Transações Correntes (% do PIB)

0,3

-0,6

Fonte: BACEN. (*) MB Associados 1/2/2008. As projeções de 2008 supõem taxa média de câmbio de R$ 1,75/US$ e que não haja nenhuma turbulência de natureza financeira no mercado internacional. A previsão de crescimento do volume de comércio mundial pelo FMI é de 6,7% para 2008 (IMF World Economic Outlook Oct-07).

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FINANCEIRO


PIB: pelo lado da demanda

Gráfi co 1

Consumo das famílias

Consumo do governo

FBCF

Exportações líquidas

5,0 4,0

4,0

3,3

2,8

3,0

2,4 1,7

1,6

2,0

1,2 1,0

0,6

0,6

Nos dois primeiros meses do

0,0

ano, as exportações evoluíram

-1,0

20%, enquanto as importações

-1,5

-2,0

-1,6

-1,6

2006

cresceram 50%

2008

2007

Fonte: IBGE. Elaboração e Projeções: MB Associados.

Forte crescimento das importações

Gráfi co 2 US$ milhões 6000 5300 4600 3900 3200 2500

Jan-Mar*/08 Jan-Mar*/07

1800 1100 400 -300

Exportações Importações Saldo

19,19% 51,1% -72,99%

(*) Até a 1ª semana

-1000 mar/06

jun/06

set/06

dez/06

mar/07

jun/07

set/07

dez/07

mar/08

Fonte: MDIC. Elaboração: MB Associados. (*) Dado de fevereiro referente a média diária mensalizada.

massa salarial da economia como um todo. O potencial de demanda da população brasileira foi ainda ampliado pelos recursos injetados na economia pelos programas sociais do governo. Esse aumento de massa, a estabilidade da economia, que facilitou a ampliação do prazo dos financiamentos, e a queda das taxas de juros tornaram o crédito mais acessível para as camadas de menor renda. O conjunto favorável dessas variáveis ajudou o mercado imobiliário, que, depois de duas décadas estacionado, voltou a ACREFI

crescer. O resultado está expresso nos números (gráfico 1). Por outro lado, esse crescimento implicou uma reversão significativa na nossa balança comercial (tabela 1). O fato em si não preocupa no curto prazo, porque as reservas brasileiras encontram-se em um patamar bastante elevado, projetando para o final do ano um valor próximo a US$ 200 bilhões. Mas as dúvidas sobre a continuidade desse processo e seu impacto nas nossas contas externas começam a aparecer. Nos dois primeiros

19

meses do ano, as exportações evoluíram 20%, enquanto as importações cresceram 50%, trazendo o nosso saldo comercial para um valor negativo no acumulado do ano (gráfico 2) e projetando uma redução no seu resultado para o ano de 2008 significativa. Os analistas começam a rever as suas projeções e a se preocupar com a transmissão dessa preocupação para a cotação do real, gerando um início de inquietação em relação ao círculo virtuoso que estamos vivendo. Até o momento, os recursos externos estão chegando a um volume suficiente para manter o real valorizado, pois a liquidez do sistema internacional segue bastante elevada. Contudo, uma crise de crédito mais acentuada no mercado internacional poderá implicar, no futuro, diminuição nesse fluxo que se reflita no nosso mercado cambial. Temos, portanto, que ficar atentos aos desdobramentos da crise americana e das possíveis conseqüências para o Brasil.


artigo

Divulgação

A recessão americana e suas conseqüências

Usando modelos que consideram situação de estresse, as simulações indicariam a necessidade de uma resposta mais aguda

Gráfico 1

SERGIO VALE, ECONOMISTA-CHEFE DA MB ASSOCIADOS

Os dois últimos meses foram marcados pela mudança inesperada da política monetária americana, que baixou tempestivamente os juros em 0,75 ponto percentual no dia 22 de janeiro e 0,5 p.p. na reunião do dia 30 de janeiro, o que significa fedfunds de 3%. Historicamente, a primeira decisão foi uma queda fora dos padrões, tanto pela magnitude quanto por ter sido feita uma semana antes da reunião oficial. Há embasamento teórico sugerido por um dos membros do FOMC, Frederic

Mishkin, para justificar tal queda. São modelos que incorporam situações de estresse financeiro nas simulações e pressupõem duas hipóteses básicas para justificar queda tão elevada. Primeiro, a idéia de que os últimos acontecimentos poderiam acelerar as hipóteses com as quais o mercado trabalhava. É mais do que uma profecia auto-realizável. Na verdade, é a aceleração da profecia auto-realizável que justificaria a atuação mais rápida do Banco Central. Em segundo lugar, os modelos tradicionais

EUA - yield curve (spread entre o juro de longo prazo – 10 anos – e o juro de curto

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FINANCEIRO


usam hipóteses lineares e com muita inércia, ou seja, em situações de mudança repentina do cenário esses modelos captam muito lentamente os novos parâmetros. Usando essa modelagem, o FED seria instado a baixar os juros talvez em 0,25 p.p. apenas. Mas, usando modelos que consideram situação de estresse, as simulações indicariam a necessidade de uma resposta mais aguda em situações de crise. Isso justificaria a magnitude de 0,75 p.p. de queda. Assim, teoricamente, o BC tinha embasamento suficiente 10 dias antes da decisão e da piora do mercado para decidir pelo que fez. Seguindo essa nova linha de pensamento, desde janeiro o FED tem aumentado a dose de medidas para tentar diminuir os efeitos da crise. No dia 16 de março, diminuiu a primary credit rate de 3,5% para 3,25%, tentando dar mais liquidez ao mercado e deve continuar fazendo políticas nesse sentido. A continuar a tendência de tentar resolver rapidamente a crise, devemos esperar mais quedas nos fed-funds nas próximas reuniões, podendo chegar a algo como 2% no final do ano, ou até menos do que isso.

prazo – T-bills de três meses)

ACREFI

De qualquer forma, a volatilidade deve continuar ainda neste primeiro semestre. Basicamente porque nem todos os ajustes no subprime foram feitos ainda. Grande parte das hipotecas foi feita com cláusulas de aumento de juros apenas dois anos depois do contrato. Como muitas dessas hipotecas foram feitas nos últimos dois anos, é evidente que perdas ainda terão que ser reveladas no mercado. Isso significa, basicamente, volatilidade no mercado financeiro, entendido isto como grandes alterações em ações e câmbio, pelo menos no primeiro semestre deste ano. A essa altura, as medidas tomadas não conseguiriam debelar a recessão por conta das defasagens de política monetária que, no caso americano, são de um ano em média. Ou seja, apenas no segundo semestre poderíamos ver recuperação por conta da queda de juros iniciada no segundo semestre do ano passado. O modelo da MB de previsão de recessão, que usa um modelo Probit com base no spread da taxa de juros dos títulos de 10 anos em relação às T-bills de três meses (gráfico 1), indicava, desde o ano passado, mais de 60% de chance de os EUA já estarem em recessão no primeiro trimestre

A continuar a tendência de tentar resolver rapidamente a crise, devemos esperar mais quedas nos fed-funds

Fonte: Federal Reserve. Elaboração: MB Associados. Nota: áreas marcadas em cinza são períodos de recessão.

21


artigo

Para a economia brasileira, a demanda doméstica e seus impactos inflacionários deverão ser mais importantes para o BC mudar sua política monetária

deste ano (gráfico 2). O spread conseguiu antecipar as últimas seis recessões nos EUA, com indicações variadas de probabilidade de ocorrência. O spread entre os títulos de longo prazo e de curto prazo é um bom indicador de desaceleração da economia. Quando a taxa de curto prazo está acima da de longo prazo, sinalizaria que a taxa de curto teria que tender a voltar a um equilíbrio de longo prazo, ou seja, o mercado indicaria pelos títulos longos que a taxa curta está acima do equilíbrio. A conseqüência disso é que uma possível desaceleração da economia poderia estar a caminho nos meses seguintes após a inversão do spread. Os números são cada vez menos ambíguos, indicando, de fato, a ocorrência de queda no PIB neste primeiro semestre, configurando a classificação clássica de recessão. Com isso, o PIB americano deve crescer próximo de 1% este ano, com viés de baixa. Como isso impacta no mundo? Continuamos com o cenário de decoupling, em que a Ásia e a Europa desaceleram, mas não intensamente. Isso significa que a China continua crescendo próximo de 10%, talvez 1,5 ponto percentual a menos do que 2007, e a Europa cresça em torno de 1,5%, o que não é desastroso para

Gráfico 2

os padrões europeus, já que fica próximo do crescimento potencial desse continente. As recentes projeções do Fundo Monetário Internacional vão nesse sentido, com previsão de crescimento mundial de 4,1% em 2008, abaixo dos 4,8% projetados inicialmente pelo Fundo. E o decoupling vale para o Brasil? A continuar a percepção de que a crise é importante, deve durar todo o primeiro semestre e continuar afetando os movimentos de câmbio e bolsa, o cenário para o Brasil não deve mudar no curto prazo, mas pode ter alterações no longo. Em que sentido? Crises financeiras afetam as expectativas. No caso brasileiro, os investimentos ocorridos em 2007 tiveram forte presença de investimentos estrangeiros que, num momento de incerteza, tendem a desacelerar gradualmente. Provavelmente, as decisões para 2008, na sua maioria, já devem estar dadas, mas esse cenário pode comprometer parcialmente o crescimento do PIB em 2009, num momento em que a economia mundial já deverá estar em recuperação. Entretanto, continua valendo a hipótese de que, para a economia brasileira, a demanda doméstica e seus impactos inflacionários deverão ser mais importantes para o BC mudar sua política monetária.

Probabilidade de recessão nos EUA

Fonte: MB Associados. Nota: áreas em cinza são períodos de recessão.

22

FINANCEIRO


EDF


Renato Fogal

momento econômico

Para crescerem e se desenvolverem corretamente, evitando-se erros e minorando-se desvios, os países, assim como as empresas, utilizam o planejamento como ferramenta fundamental de suas estruturas de decisão. E entre os instrumentos que são aproveitados para desenhar o futuro, esboçam-se e criam-se cenários. Os cenários do futuro são fundamentais para que se trace e imagine com lógica e coerência o que pode vir a ocorrer, a acontecer, no futuro. Afinal de contas, é no futuro que se vai viver. E os agentes econômicos desejam viver num espaço temporal futuro cada vez melhor. Para torná-lo uma realidade palpável, é preciso levantar a situação atual, projetá-la e verificar se com ou sem alterações, mudanças ou influências de decisão de teor político elas serão benéficas, neutras ou prejudiciais aos interesses em pauta. Fazer e montar cenários é uma tarefa árdua, complexa e efetivamente difícil. Há inúmeras modelagens, projeções e profecias que os ditos especialistas fazem, também com graus de acerto e erro dos mais variados. Desde tempos imemoriais, é famosa a tradição cigana da “leitura da vida por vir, através da leitura da palma da mão”. Profetas e previsões pitorescas e sobre catástrofes que impingem a humanidade são numerosas no Velho e no Novo Testamento. Nostradamus e suas pro-

Projeções econômicas, visão das autoridades e perspectivas na ótica privada – independente. Porquê da pane norte-americana? PROF. ISTVAN KASZNAR, Ph.D., CONSELHEIRO ECONÔMICO DA ACREFI

Economistas criam modelos projetivos baseados em conhecimentos econométricos, estatísticos e matematicamente dinâmicos

fecias, ainda dando margem a toda sorte de interpretações e aplicando-se ao que for possível, tornou-se famoso por suas previsões. E os economistas esmeraram-se em criar modelos projetivos baseados em conhecimentos econométricos, estatísticos e matematicamente dinâmicos. Olhando para trás, para o espelho retrovisor, lançaram futurologias projetivas com tintas de destino disponível, pela repetição em maior ou menor grau do passado, e a isso chamaram de modelos adaptativos. E quando possível, lançaram-se para frente, com a formação e geração de modelos entulhados de expectativas, muitas tituladas de racionais, com vistas a prever o futuro pelo bom comportamento dos homens. John Muth foi um predecessor desses estudos, seguido por Lucas, Phelps, Cagan e Barro entre outros. Contudo, apesar do bom esforço e do bom apelo, muitas projeções furaram e continuarão furando. Não apenas porque a economia não é

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uma ciência exata, ou porque projeções de política econômica envolvem variáveis sutis, abstratas e freqüentemente novas, mas porque a sociedade não é lógica, nem bemcomportada e menos ainda racional no sentido clássico. Os indivíduos possuem uma prioridade principal, eles mesmos. Pode haver e há tendências favoráveis ao espírito coletivista, à ação humanitária e à formação e construção do benefício social. Todavia, o que move os homens são interesses, freqüentemente curto-prazistas, imediatistas, em que a ganância impera e o bem se faz como fração distributiva de bens a doar e presentear após o sucesso alcançado e almejado. Desse modo, há boas razões para que projeções dos modelistas racionais, voltados a uma ou mais mudanças em macro e microvariáveis, tenham dado resultados irracionais, ilógicos ou não esperados. O mundo habituou-se em seu curso vitoriano do século XIX a agir de forma pudica e beneficente do bom-mocismo ao estilo dandy nas projeções macroeconômicas e empresariais. Os exércitos britânicos ceifavam vidas mundo afora para consolidar, sobre o sangue das suas colônias, seu império ultramarino. No século XX, a evolução conceptual do convívio em sociedade aprimorou-se, com a geração de estudos que mostravam o que é e como paFINANCEIRO


rece ser a realidade. Mas as projeções ainda incorporavam um formato medieval, onde céu, purgatório e inferno poderiam ser o futuro final de cada um. E isso incutiu uma noção de ameaça, de culpa e de responsabilidade que desemboca em possíveis punições, que fizeram não aparecer, não surgir, o lado irracional, mau, inadequado, fora da lei, logo transgressor, da humanidade. E essa desconsideração, que é muito usual em estudos de economia, política e sociologia, que nem sempre se atrevem a debater o desagradável, o desonesto, o desabonador, o fetichista e algo parecido, pode criar distorções e com estas, erros de projeção e interpretação de fatos passados, presentes e futuros. Naturalmente, os cientistas precisam entender que, por abordarem um assunto complicado e delicado do ponto de vista ético e comportamental, isso não significa que eles o estejam praticando. Gary Becker, o ilustre professor octogenário da Universidade de Chicago, entendeu esse ponto muito bem e tem feito pesquisas bem variadas em campos outrora pouco analisados, como os do crime e da violência, do narcotráfico ou da produção de bens transgênicos. No Brasil, contudo, perdura nesse particular um certo provincianismo associado a prejulgamentos indesejáveis e é comum ouvir-se, por exemplo, que um estudo sobre o mercado paralelo de divisas torna uma pessoa especialista em mercado paralelo, logo isso ocorre porque trabalha nele, o que pode ser uma conclusão apressada e errada. Emerge um sentido pejorativo. Surge um ambiente de reprovação. O véu da dúvida e da condenação se alinha sobre quem se atreve a estudar temas mais bem legalmente puníveis. E isso inibe a pesquisa, os acadêmicos e, dessa forma, reduz o grau de precisão geral de modelos, ferramentas e processos decisórios públicos e privados. Gunnar Murillo, diretor comercial E do parece que a sociedade atual, Banco GMAC em que vivemos, ainda tem dificuldaACREFI

O véu da dúvida e da condenação se alinha sobre quem se atreve a estudar temas mais bem legalmente puníveis

des em desaprender, para ver e enxergar às claras que uma parte da sociedade pode agir com pureza, bondade e inocência. Mas outra, regida pelas leis informais do banditismo, da especulação gananciosa sem culpas nem traumas, da usura ao extremo, do fascismo, da tirania, do ato mafioso, da matança e da eliminação dos inimigos, da produção de bens e serviços proibidos porque nocivos à saúde humana – tal como o narcotráfico –, pensa e age diferente. E, ao agir, se manifesta, muda o rumo presumido das variáveis macros e microeconômicas e altera projeções. Some-se a isso um outro caldo de cultura, o da declaração formal de projeções, idéias, tendências e políticas, divulgadas por quem está e exerce o poder. Do ponto de vista macroeconômico, o que se deseja é, antes de tudo, macroestabilidade combinadas no curto, no médio e no longo prazo. Isto é, que exista crescimento positivo e forte do Produto Interno Bruto (PIB), auto-sustentável; que haja um bom e crescente superávit no Balanço de Pagamentos, o qual venha a gerar altas reservas internacionais; e que a inflação seja baixa, mínima e evolua sem artifícios. E que, no tempo, os investimentos cresçam e se multipliquem, para gerar mais renda, empregos e impostos, estes para sustentar o Estado e as políticas públicas necessárias para assegurar o desenvolvimento com bemestar crescente. Ora, o investimento é um sacrifício que renderá – se render mesmo algo – frutos no futuro. E para

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obtê-lo, assim como para criar a rota de estabilidade macro, é preciso confiar no futuro, acreditar que o futuro será bom, promissor, gerador de bonança, enriquecedor, enfim, alvissareiro. Como decorrência, a autoridade, por mais séria e contida, ortodoxa e honesta que seja, tende a minorar notícias ruins ou desabonadoras de uma economia e propugna a altos brados suas variáveis macro que tendem à melhoria e ao reforço de resultados. Isto é, a autoridade é capaz de viesar a informação ou de acobertar, dentro de certas faixas, certos dados e informações, para manter, elevar e otimizar o clima empresarial, institucional, organizacional, administrativo, político, econômico e sociológico, com vistas a obter um clima propício aos seus propósitos e interesses, de desenvolvimento socioeconômico, combinados a um assentamento e a um status quo de intra-estabilidade de elevado grau de segurança. Assim, se houver um “probleminha emergente”, a autoridade de público terá a provável tendência de minimizá-lo e ignorá-lo olimpicamente. Se o problema tomar vulto, passará a tomar medidas e atacará as possíveis “fontes externas” do distúrbio, para não assumir a paternidade da ocorrência, o que implica responsabilidade, potencial julgamento público e algum tipo de punição e julgamento, com elevação do grau de punibilidade. E, enquanto se dirigir ao púbico com serenidade, pondo panos quentes sobre o assunto, por trás dos corredores estará – espera-se – acionando para valer medidas que demovam, reduzam e eliminem o problema. Esse conjunto de elementos explica em boa medida por que as autoridades tendem a projetar altas e boas taxas de crescimento do PIB ou, pelo menos, taxas maiores do que aquelas que se verificam posteriormente. Também por essa via justifica-se por que as autoridades prometem um permanente combate à


momento econômico inflação e apontam sua baixa e queda, com menores pressões, a futuro. E também sustenta a percepção de por que recordes superavitários externos são apresentados como vitórias e troféus macroeconômicos. Na adição, mostrar investimentos públicos crescentes, grandes, parrudos, numericamente impressionantes, como os do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), é o mesmo que comprovar a capacidade de pagamento e de articulação político-econômico-empresarial presente, com importantes efeitos positivos sobre o futuro. E, no processo associativo dos investimentos, esse investimento público haveria de ser, então, uma alavanca promotora do investimento privado. Este viria, no Brasil, como sinal de confiança da sinalização propiciada pelo setor público. E no âmbito internacional, mundial, esses pensamentos se aplicam? Eles são aderentes? Certamente que sim. O comportamento humano é universalmente similar. As culturas e os processos atitudinais é que podem apresentar diferenças. E na medida em que o comércio, os serviços, a tecnologia e as comunicações integram a humanidade, cada vez mais é possível perceber que os vasos comunicantes das ações integradas mundiais aumentaram e que o formato de atuação de pessoas, como indivíduos e de agentes econômicos, como os anteriores e as empresas mais o Estado, tendem a convergir para um corredor de atitudes comportamentais semelhantes. Não necessariamente iguais, mas algo parecidas. As normas, as portarias, as legislações, os acordos internacionais e as constituições das nações soberanas e democráticas tendem a convergir em pontos principais e notórios. E da mesma forma, a base intrínseca do comportamento humano, do espírito bom que se modifica no tempo no sentido de Jean Jacques Rousseau, tende a ser similar. Dessa forma, é compreensível que a tendência a uma longa e

A modernização industrial, promovida na era Reagan, gerou frutos colhidos na áurea era Clinton e ainda no governo Bush

mais profunda recessão nos Estados Unidos preocupe os investidores e cidadãos do mundo. Maior economia mundial, os EUA responderam por aproximadamente 26% do PIB mundial em 2007. E seus movimentos se sentem no comércio, logo nas exportações de bens e serviços, mundialmente. A modernização industrial promovida na era Reagan gerou frutos que se colheram na áurea era Clinton e ainda em nossos dias benefi ciam o governo Bush filho. A produtividade norte-americana aumentou e melhorou as relações comerciais com o mundo. O setor de serviços evoluiu primorosamente, criando pontas de tecnologia yankee em computação, processamento de dados, tecnologia da informação, no domínio espacial e afins, que não possuem nem sombra de comparação às outras nações. Como decorrência, em seu afã de manter a ponta-líder do desenvolvimento e a abundância do consumo afluente para seus concidadãos, a América afrouxou as taxas de juros de longo prazo, historicamente situadas nos 2,6% anuais, para, entre 2001 e 2007, mantê-las perto de 1% a 1,5% ao ano, o que era motivador de consumo, independentemente de classe de renda e capacidade de pagamento. Entre outros, cresceu o crédito de segunda classe, de risco bem elevado, dado a quem em circunstâncias normais não teria condições de receber crédito, especialmente o imobiliário como o do subprime. Com o seu montante sendo guardado

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como dado estatístico e operacional a sete chaves, não divulgado, e agora conhecido para dezembro de 2007, no montante de US$ 587 bilhões, com um índice de inadimplência de 37% crescente, na medida em que as taxas de juros dos T-Bonds e dos T-Bills, sobretudo, voltam a ficar acima dos 2,7% anuais, é natural que o mundo se preocupe. E as autoridades norte-americanas não se apressaram em divulgar a má notícia. Esta é a da existência de inadimplência, em créditos que promovem a compra e o financiamento imobiliário. E imóveis são componentes da indústria da construção civil, que promove o crescimento econômico, a geração de mais empregos e, com isso, um efeito generalizado na função agregada de investimentos da nação. Outra notícia que nos EUA veio desde sua inicial divulgação truncada e disforme é a dos gastos públicos e do seu envolvimento na guerra antiterror após o ataque terrorista bemsucedido ao Pentágono em 2001 e às torres gêmeas; assim como o envolvimento crescente nas guerras do Afeganistão e, sobretudo, do rico petróleo no Iraque. Além de prometer-se uma guerra vitoriosa, acenou-se com uma pacifi cação no Iraque que nem atualmente se verificou, nem com a claque ocidental lá instalada se verificará numa década que seja. Ao colocarem as farpas problemáticas de guerra embaixo do tapete, acobertando verdades que se revelam facilmente no mundo cibernético da internet com filmes no YouTube, que de tudo mostram a todo cidadão do mundo, os norte-americanos perceberam que o déficit público veio para ficar e que quem paga as contas do descalabro belicista público são eles mesmos. Esse elemento também retraiu os investimentos locais, induzindo a um maior ritmo de desaceleração econômica, logo na direção de uma recessão. Portanto, o que explica a pane americana é em parte o fato de que FINANCEIRO


as autoridades agiram tardiamente tanto à necessidade de se elevar a taxa de juros real, que gera a estabilidade histórica e de longo prazo da economia, quanto à adoção de políticas que suavizassem o gasto público de impreciso retorno empatado na promoção da guerra do Iraque e na operação-limpeza de talebãs e terroristas no Afeganistão. Sedentos por petróleo, do qual dependem para movimentar seus automóveis, caminhões, tratores e indústrias, os EUA decidiram invadir o Iraque à custa de vidas militares e aos benefícios da comunidade acostumada a consumir maciçamente e a pagar pensionistas e feridos de guerra desde a Guerra de Secessão (1861-1865). Portanto, as informações não divulgadas, mal apresentadas e acobertadas, das autoridades e dos agentes envolvidos nesses dois episódios, explicam por que se formou no mundo um clima de prudência, de temor e de precaução maior. O que se deseja é manter o consumo e o crescimento, com a correção de rotas políticas e macroeconômicas, assim como setoriais, para que o capitalismo volte a mostrar o seu matiz salutar. E isso obriga as autoridades a tomarem medidas algo ortodoxas, que punem o consumo nos EUA, logo antipáticas, como a continuidade da elevação – embora mais módica em 2008 – das taxas reais de juros. Naturalmente, de dizer ao público que o consumo privado será freado; que as taxas de juros poderão aumentar; que poderá perdurar a recessão e, com esta, aumentará o desemprego, as autoridades econômicas não gostam. Complicado é, neste momento e nestas circunstâncias, o papel do presidente do FED, o Banco Central dos EUA, Bernanke. E a situação se torna especialmente complicada, difícil de interpretar e difusa na leitura de um painel mundial em plena ebulição e transformação, quando se lê o banco de dados da China Continental. ACREFI

Reforçar a posição empresarial no Brasil e permanecer vigilante na cobrança de uma política interna séria e voltada aos interesses nacionais faz pleno sentido

O mundo olha atônito, espantado, de olhos esbugalhados, uma ditadura comunista assumir uma roupagem econômica capitalista liberal em vários setores significativos e crescer, faz uma década, a taxas médias anuais próximas a 12%. As autoridades chinesas proclamam sucessos ímpares aos quatro ventos, num quadro histórico no qual de fato se notabilizavam na segunda metade do século XX como bem vetustos, econômicos, poupadores, controlados e com enorme aversão ao uso de empréstimos e capitais de terceiros, que implicam pagamento de juros. Esta seria uma execração capitalista. Guiados pela injeção de capital e de demanda comercial pelos seus bens de uma América rica e próspera nos anos 90, que de vez reduziu seus gastos de sustentação das economias alemã e japonesa do pósSegunda Guerra Mundial, dispondo como conseqüência de recursos para penetrar na fechada economia e sociedade chinesa, os chineses podem tributar grande parte de seu sucesso ao desenvolvimentismo cosmopolita norte-americano. Ora, agora que os EUA e o Tio Sam manifestam difi culdades internas na gestão das contas públicas por conta das guerras e consumos privados elevados movidos a juros baixos sem capacidade de ressarcimento – o que é sagrado – à banca, é bem possível que a recessão americana afronte e influencie o bemestar da China. E limpar, purgar e selecionar para a competitividade uma carteira de títulos subprime de

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US$ 585 bilhões demora bem de dois a três anos. Seguindo-se essa lógica e como decorrência, é bem possível que as autoridades chinesas continuem afirmando que sua economia e sociedade navegam com segurança e sem turbulências. As autoridades, como demonstrado, gostam de ser assertivas na divulgação de boas notícias e são mais reticentes e lentas, entrópicas, na divulgação de ocorrências e tendências prejudiciais, negativas ou danosas aos seus interesses e do público em geral. Contudo, é de bom alvitre afirmar que, a perdurarem a crise e a recessão norte-americana, que o presidente Bush quer também resolver com a redução dos impostos ao contribuinte e injetar, dessa forma, renda para consumo presente equivalente a 1,7% aproximadamente do PIB de 2007, a demanda por bens externos, logo a importar entre outros da China, vai cair, e isso desacelerará a economia chinesa. E, desse modo, por efeito dominó, é possível que se verifique uma contaminação mundial na contaminação e na dinâmica dos negócios. Um slowdown é bem capaz de suceder. E o mundo perceberá uma bolha de valoração artificial nos ativos e nos bens intangíveis da China. Isso implicará a necessidade de se fazer um ajuste seqüencial. Primeiro EUA, a seguir China, então Japão e o Mercado Comum Europeu, então América Latina, nesta pontificando o Brasil. Afinal de contas, o mundo e as nações que o constituem estão cada vez mais interligados. Como decorrência final desses elementos e eventos previsíveis, reforçar a posição empresarial no Brasil e permanecer vigilante na cobrança de uma política interna, doméstica, brasileira, séria e bem voltada aos interesses nacionais, faz pleno sentido no biênio 2007-2008.

(istvan@acrefi.org.br)


análise econômica

Arquivo Acrefi

O que esperar do câmbio em 2008? CARLOS THADEU DE FREITAS GOMES, ECONOMISTA-CHEFE DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO

Arquivo Acrefi

MARIANNE LORENA HANSON, ECONOMISTA DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO

O dólar fraco tem impulsionado as exportações americanas e, em menor grau, reduzido suas importações

As turbulências externas iniciadas em agosto de 2007 se estenderam para o início deste ano, gerando um ambiente de grandes incertezas para a economia internacional e seus reflexos na economia brasileira. O longo ciclo de bonança parece ter atingindo seu ápice e, com o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos e a subseqüente crise no mercado financeiro, está prevista uma desaceleração da atividade econômica naquele país ou uma recessão, que ameaça pôr fim ao cenário externo altamente favorável com o qual temos convivido nos últimos anos. Contudo, grande parte das economias emergentes tem se mostrado resistente à crise externa, enquanto o cenário para economias avançadas, leia-se Japão, União Européia e os próprios Estados Unidos, se deteriorou rapidamente. Esse fato inédito na história recente fez surgir uma teoria conhecida como “decoupling”, que julga haver um descasamento entre as economias centrais e emergentes, uma vez que esse último grupo é o responsável pela presente dinâmica de crescimento da economia mundial, notadamente pelo crescimento acelerado da China. Além disso, a situação favorável das contas externas desses países, com superávit em transações correntes e nível substancial de reservas, reduziu a vulnerabilidade externa de suas economias.

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Essa teoria ambiciosa ainda tem que ser testada, pois o efeito de uma provável recessão nos Estados Unidos já está produzindo grande volatilidade nos mercados. Uma piora nas expectativas quanto ao cenário americano deve agravar essa volatilidade. Além disso, o grande peso da demanda agregada daquele país se traduz em grande volume de importações. Canadá, México, Japão e China são seus principais parceiros comerciais. Como a provável recessão terá suas bases na desaceleração do consumo, devido às recentes perdas no poder de compra do consumidor americano, o volume de importações deve apresentar queda. A trajetória do dólar e os recentes resultados da balança comercial americana confirmam esse cenário. Aliás, o grande déficit comercial que os Estado Unidos vinham mantendo já era, há muito tempo, considerado insustentável. O dólar fraco tem impulsionado as exportações americanas e, em menor grau, reduzido suas importações. Por outro lado, o financiamento desse déficit pelo acúmulo de reservas dos países exportadores de petróleo, da China e por outros países superavitários, tem se tornado mais difícil. Os impactos diretos e indiretos desses fatores para o Brasil são diversos e difíceis de analisar. O câmbio, FINANCEIRO


desde 2005, tem sido a variável-chave para a economia brasileira. Sua apreciação manteve os preços sob controle e possibilitou um maior afrouxamento monetário. Como mencionado anteriormente, o país aproveitou o período de abundância de liquidez externa para aumentar o nível de reservas. Na verdade, foi criada uma superproteção cambial, nos tornando credores em divisa estrangeira, o que, apesar de ter gerado um custo fiscal elevado, diminui (mas não elimina) a vulnerabilidade a oscilações do câmbio. Antes da crise, a apreciação cambial estava condicionada a um superávit primário expressivo e um fluxo de entrada de capitais persistente no curto e longo prazo. A percepção de risco era baixa e a liquidez externa, abundante. As operações de conhecidas como carry trade, que aproveitam o diferencial de juros interno e externo num ambiente de perspectiva de valorização do real, se intensificaram e passaram a ter peso importante no mercado cambial. As perspectivas de um crescimento acelerado determinado por um ciclo duradouro do crédito também haviam influenciado positivamente as expectativas. Adicionalmente, a queda do dólar diante de outras moedas também reforçou a tendência diante do real. O gráfico a seguir ilustra uma forte entrada de capitais via investimento em renda fixa em 2006 e sua intensificação em 2007. Após a crise, algumas dessas variá-

veis mudaram. Em primeiro lugar, o crescimento rápido das importações, acompanhado por uma desaceleração das exportações, reduzirá o superávit comercial e certamente resultará em déficit nas transações correntes este ano. Com a permanência dos preços elevados para as commodities, a entrada de recursos gerada pela balança comercial continuará elevada em 2008. Contudo, o comportamento recente do câmbio mostra que este tem sido mais influenciado pela dinâmica da conta de investimentos de curto prazo e por operações no mercado de derivativos interno. Essas operações são diretamente influenciadas pelas expectativas e pela percepção de risco. Outra grande mudança foi em relação às políticas monetárias no Brasil e no exterior, com destaque para os Estados Unidos. O corte de juros agressivo promovido pela autoridade monetária norte-americana, numa tentativa de diminuir os efeitos da crise na atividade econômica, e a pausa no afrouxamento monetário aqui no Brasil aumentaram o diferencial entre os juros internos e externos, tornando os ativos brasileiros mais atrativos. A constatação dessa atratividade, como se observa no gráfico, é o forte fluxo de capitais para renda fixa em janeiro deste ano. A crise financeira dos Estados Unidos, desencadeada pelas hipotecas subprime, afetou o mercado de títulos corporativos americanos, ocasionando

Investimento de não-residentes em renda fixa (líquido) Em US$ bilhões 20,48

20,0 15,0 11,04

10,0 5,0

(0,22)

(2,93)

0,27

0,10

0,69

2003

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2005

1,68 0,19

0,0 (1,38)

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ACREFI

1997

1998

1999

(0,20) (0,27) 2000

2001

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A trajetória das políticas monetárias do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve terá papel de destaque no comportamento da moeda brasileira em 2008/2009

perdas substanciais aos seus detentores. Logo, o ciclo de baixas taxas de juros praticados pela autoridade monetária norte-americana continuará predominando por algum tempo, até que a recuperação econômica volte a ser precificada. Até lá, a globalização financeira fará com que os mercados de capitais pelo mundo todo apresentem alta volatilidade. Apesar de a percepção de risco especificamente com relação ao Brasil não ter se deteriorado expressivamente e a trajetória do câmbio ainda indicar alguma valorização do real, os mercados de moedas têm apresentado, desde o início da crise, ampla volatilidade, principalmente aqueles vistos como de maior risco. À medida que essas incertezas diminuírem e o cenário externo se tornar mais favorável, essa volatilidade tende a diminuir e, com o diferencial de juros elevado, o real deve retornar à sua trajetória de apreciação. A trajetória das políticas monetárias do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve terá papel de destaque no comportamento da moeda brasileira em 2008/2009. Quanto maior o período de taxas baixas nos EUA, maior será a recuperação dos preços unitários dos títulos securitizáveis, principalmente dos mais longos. Conseqüentemente, mais valorizado estará o real e, portanto, menores os benefícios para a dívida interna brasileira da superproteção cambial por meio de swaps cambiais reversos e acúmulo substantivo de reservas.


artigo

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Fundos $oberanos: o Estado contra-ataca

A dimensão, a rapidez de crescimento e a nacionalidade desses fundos têm causado preocupações a alguns países desenvolvidos

EDUARDO FELIPE P. MATIAS, DOUTOR EM DIREITO INTERNACIONAL PELA USP, COORDENADOR-GERAL DO CURSO DE DIREITO DA UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI, SÓCIO DE L. O. BAPTISTA ADVOGADOS, AUTOR DO LIVRO A HUMANIDADE E SUAS FRONTEIRAS – DO ESTADO SOBERANO À SOCIEDADE GLOBAL, GANHADOR DO PRÊMIO JABUTI

Os fundos soberanos – veículos de investimento criados pelos Estados para aplicar parte de suas reservas internacionais – têm chamado a atenção da comunidade internacional. Entre as discussões que provocam, uma das mais polêmicas refere-se à possibilidade de eles terem efeitos sobre as regras do jogo das relações econômicas internacionais. Esses fundos não são uma novidade. O do Kuwait, por exemplo, data de 1953. Apesar disso, como quase tudo que se relaciona à globalização, o que importa não é tanto a novidade desses fundos, mas a dimensão que eles alcançaram e a velocidade de seu crescimento. Hoje eles detêm por volta de US$ 2,5 trilhões – mais, por exemplo, do que os fundos de hedge, com US$ 1,5 trilhão. Só o Abu Dhabi Investment Authority, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, tem cerca de US$ 900 bilhões. Com ritmo de crescimento anual de 1,2 trilhão, a perspectiva é que esses fundos atinjam US$ 12 trilhões até 2015. Outro fator relevante é a nacionalidade desses fundos. Os que têm crescido mais pertencem a alguns países emergentes que, seja por sua riqueza em commodities com preços em alta – como petróleo e gás natural –, seja por seus superávits comerciais – caso de

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grandes exportadores como a China ou Cingapura –, acumulam mais reservas do que o necessário para estabilizar sua economia em caso de crise. Esse excedente é que compõe os fundos soberanos, que são aplicados em ativos de maior risco e menor liquidez, com rentabilidade potencialmente maior. (O Brasil, com reservas em torno de US$ 200 bilhões, cogita criar seu próprio fundo soberano, discussão que parece precoce para um país que ainda apresenta déficits em suas contas públicas.) A dimensão, a rapidez de crescimento e a nacionalidade desses fundos têm causado preocupações a alguns países desenvolvidos. Se outros fundos de investimento visam apenas ao lucro, existe o temor de que os fundos soberanos possam ter uma agenda oculta. Nesse sentido, nem todos os fundos são iguais. O da Noruega, por exemplo, é visto como modelo de transparência, além de ter como política adquirir apenas pequenas participações nas empresas em que investe. Outros fundos, no entanto, não têm essas características. E são esses que preocupam, por não revelarem seus critérios de investimento e por nada impedir que venham a adquirir partes significativas de empresas de outros países. Essa possibilidade está fazendo com FINANCEIRO


regras do jogo a seu favor e, curiosamente, são eles que mais têm se destacado na área dos fundos soberanos. O uso geopolítico desses recursos – que ainda não foi constatado na prática – poderia vir a representar uma nova forma de se exercer o poder no campo internacional. Fustigados nos últimos anos pela globalização, que lhes tira autonomia e poder, alguns Estados, finalmente, contra-atacam. Levados ao extremo, os investimentos governamentais em empresas privadas de outros países podem ser vistos como uma nova forma de nacionalização, dessa vez transfronteiras. Muitos analistas vêem na ascensão dos fundos soberanos a volta do “capitalismo de Estado”, após a onda de privatizações que varreu o planeta. Talvez não seja isso. Talvez os Estados simplesmente estejam aprendendo que, afinal de contas, no mundo atual, a soberania é com “$”.

Tradicionais defensores da liberdade de investimentos, como os Estados Unidos e a Europa, agora têm de rezar contra a própria cartilha

Macroeconomia e Economia de Empresas De 5 de maio a 16 de junho de 2008 Depois de um ciclo de crescimento vigoroso da economia global, puxado principalmente pelos Estados Unidos e pela China, a crise do mercado imobiliário americano insinua que o mundo pode ter entrado em um período de ajustamento. Nesta conjuntura de grande turbulência, torna-se essencial o entendimento do ambiente econômico e de sua relação com a rotina profissional. Dentro deste contexto, a Tendências Consultoria Integrada inova ao oferecer um curso com o objetivo de explicitar as grandes relações econômicas e a influência destas no dia-a-dia dos negócios das empresas. O curso inicia-se com uma discussão sobre as estruturas de uma empresa e as relações econômicas dentro de um ambiente corporativo. Serão tratadas as interações entre consumidor, empresa, ambiente de mercado e governo. O segundo módulo abrangerá o ambiente macroeconômico e as relações entre as grandes variáveis, como PIB, juros, câmbio, dentre outras. Cada aula terá uma introdução com embasamento teórico, seguida da inserção e aplicação destes conhecimentos na conjuntura atual, tanto macroeconômica como das relações dentro da empresa.

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que tradicionais defensores da liberdade de investimentos, como os Estados Unidos e a Europa, agora se vejam na posição de ter de rezar contra a sua própria cartilha. Passam a pregar a conveniência de se controlar esse tipo de investimento estrangeiro direto, preocupados com que setores estratégicos de suas economias, como os de defesa, tecnologia, energia ou telecomunicações, possam vir a ser controlados por fundos de países abertamente hostis ou não tão amigos, como os do Oriente Médio, a China e a Rússia. O feitiço virou contra os feiticeiros. Um dos aspectos marcantes da globalização é que boa parte das regras do jogo vem dos países desenvolvidos. Além disso, um de seus efeitos mais significativos é a perda da autonomia dos Estados, que afeta principalmente os países emergentes. Pois bem, parece que alguns desses países passaram a utilizar as


legislação contábil

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Brasil adota padrões internacionais

A nova legislação produzirá maior transparência das demonstrações financeiras, inclusive em relação às chamadas sociedades de grande porte

GABRIEL JORGE FERREIRA, DIRETOR PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS (CNF)

Após sete longos anos de tramitação no Congresso Nacional, finalmente o Brasil adotou os padrões internacionais de contabilidade, condição fundamental para o País obter o tão almejado status de grau de investimento. Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei nº 11.638/07 atualiza uma legislação contábil de mais de três décadas de existência, contribuindo expressivamente para facilitar o acesso das empresas nacionais aos mercados externos, além de aumentar a atração de capitais estrangeiros para o País. A convergência das normas contábeis nacionais para o padrão internacional de demonstrações financeiras (International Financial Report Standards) possibilitará aos investidores estrangeiros, sobretudo os investidores institucionais, avaliar corretamente e comparar os balan-

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ços das empresas de qualquer parte do mundo. Assim, ao viabilizar essa convergência internacional, a Lei nº 11.638 /07 possibilitará o benefício do acesso das empresas brasileiras a capitais externos a uma taxa de risco menor e, logo, a um custo também menor. Além disso, a nova legislação contábil produzirá maior transparência das demonstrações financeiras em geral, inclusive em relação às chamadas sociedades de grande porte não constituídas sob a forma de sociedade por ações. O novo regime contábil abre um novo ciclo: agora, cabe às empresas, aos diversos organismos e profi ssionais de contabilidade, finanças e auditoria – e, certamente, à própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – empenhar-se no processo de regulação, disseminação, orientação e aprendizado das modi-

FINANCEIRO


fi cações produzidas pela nova lei e das matérias dela decorrentes que necessitarão ser normatizadas. Mas, em vez disso, o que tem chamado a atenção e que se tem propalado são conjecturas sobre supostos efeitos tributários, limitadas a determinados aspectos da legislação e certas operações, como lançamento de debêntures com prêmios entre outras especifi cidades. Parece, pois, estar havendo um debate equivocado com conclusões precipitadas, sem uma análise mais cuidadosa dos objetivos da legislação, lançando incerteza e confusão no mercado. Fato semelhante ocorreu à época da edição da Lei nº 6404 /76, pois, além das inovações de caráter societário e das relações entre empresas e acionistas, também foi instituído um regime contábil muito mais bem estruturado, segundo a moderna técnica contábil, o que exigiu posteriormente a adaptação da legislação do imposto de renda à nova lei societária e que resultou na edição do DL 1598 /77, cuja ementa diz: “O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso das atribuições que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, e tendo em vista a necessidade de adaptar a legislação do imposto sobre a renda às inovações da lei de sociedades por ações” (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976). DECRETA Assim, é muito provável que o governo, na esteira da nova legislação,

ACREFI

venha a propor alterações estabelecendo regras e parâmetros de ajuste da legislação fi scal à 11.638/07. Mas, enquanto isso não acontece, é preciso interpretar a lei dentro de seus objetivos estritamente societários e não fi scais. Na essência, o objetivo da 11.638 foi o de estabelecer critérios e parâmetros que assegurem maior transparência, eficiência e confiabilidade na avaliação dos elementos patrimoniais no balanço, em nome da qualidade da informação para o público e investidores. Tanto que a lei criou nova rubrica no patrimônio líquido para registrar os ajustes de avaliação patrimonial, em que serão debitadas ou creditadas as variações positivas ou negativas resultantes da aplicação dos critérios de avaliação dos elementos patrimoniais (art. 178, “d” e § 3º do art. 182, da Lei de S.A., com a nova redação). Para entender essa discussão, atente-se para as modificações feitas no art. 177 da Lei das S.A. sobre a forma de compatibilização dos critérios de contabilização requeridos pela legislação societária com os previstos para fins fiscais. Nesse dispositivo, que define o regime jurídico e contábil a ser observado pelas companhias na escrituração mercantil, verifica-se a preocupação do legislador em preservar os princípios assecuratórios da elaboração das demonstrações contábeis de acordo com as regras estabelecidas na legislação, sem deixar de

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Parece estar havendo um debate equivocado com conclusões precipitadas, sem uma análise mais cuidadosa dos objetivos da legislação, lançando incerteza e confusão no mercado

atender aos propósitos da legislação fiscal ou do ramo de atividade, deixando implícito que a preocupação de caráter fiscal não está nos objetivos da lei A inclusão do § 7º deixa isso bem claro: “§ 7º Os lançamentos de ajuste efetuados exclusivamente para harmonização de normas contábeis, nos termos do § 2º deste artigo, e as demonstrações e apurações com eles elaboradas não poderão ser base de incidência de impostos e contribuições nem ter quaisquer outros efeitos tributários.” Parece evidente, portanto, que a legislação não acarretou nenhuma mudança nas obrigações tributárias das empresas sujeitas à 11.638 / 07, mas é certo que alguma manifestação da Receita deverá ocorrer a respeito, a fim de que as novas regras sobre apuração do lucro contábil e lucro tributável possam conviver harmonicamente, sem conflitos.


banco de dados por INEPAD TAXAS MÉDIAS GERAL DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

39,8 39,9 39,3 38,5 38,1 37,4 36,7 35,9 35,7 35,5 35,4 34,7 33,8

-1,2 0,1 -0,6 -0,8 -0,4 -0,7 -0,7 -0,8 -0,2 -0,2 -0,1 -0,7 -0,9

12,6 12,5 12,1 12,0 11,7 11,2 10,9 10,8 11,0 10,9 11,0 11,2 11,5

-0,5 -0,1 -0,4 -0,1 -0,3 -0,5 -0,3 -0,1 0,2 -0,1 0,1 0,2 0,3

27,2 27,4 27,2 26,5 26,4 26,2 25,8 25,1 24,7 24,6 24,4 23,5 22,3

-0,7 0,2 -0,2 -0,7 -0,1 -0,2 -0,4 -0,7 -0,4 -0,1 -0,2 -0,9 -1,2

Variação dez-dez

-6,0

-1,1

-4,9

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA FÍSICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

52,1 52,3 50,8 49,9 49,1 48,6 47,8 47,0 46,6 46,3 45,8 44,8 43,9

-1,5 0,2 -1,5 -0,9 -0,8 -0,5 -0,8 -0,8 -0,4 -0,3 -0,5 -1,0 -0,9

12,5 12,9 12,5 12,3 12,1 11,9 11,5 10,9 10,7 10,7 11,3 11,3 11,3

-0,4 -0,2 -0,2 -0,2 -0,4 -0,6 -0,2 0,0 0,6 0,0 0,0 0,2 0,5

39,6 40,7 39,6 40,0 38,7 38,0 37,6 37,7 37,1 36,3 35,3 35,0 34,5

-1,1 0,4 -1,3 -0,7 -0,4 0,1 -0,6 -0,8 -1,0 -0,3 -0,5 -1,2 -1,4

Variação dez-dez

-8,2

-1,2

-5,1

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA JURÍDICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

26,2 26,2 26,0 25,4 25,3 24,3 23,7 23,0 23,1 23,1 23,4 23,3 22,9

-1,5 0,2 -1,5 -0,9 -0,8 -0,5 -0,8 -0,8 -0,4 -0,3 -0,5 -1,0 -0,9

12,8 12,6 12,2 12,0 12,0 11,5 11,1 10,9 10,7 10,5 10,7 11,0 11,0

-0,4 -0,2 -0,4 -0,2 0,0 -0,5 -0,4 -0,2 -0,2 -0,2 0,2 0,3 0,0

13,4 13,6 13,8 13,4 13,3 12,8 12,6 12,1 12,4 12,6 12,7 12,3 11,9

0,0 0,2 0,2 -0,4 -0,1 -0,5 -0,2 -0,5 0,3 0,2 0,1 -0,4 -0,4

Variação dez-dez

-3,3

-1,8

-1,5

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

34

FINANCEIRO


SPREAD FINANCEIRO

CRÉDITO PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL

45,0

Volum e R$ Milhões

40,0

105.000

Taxa de Juros 58,00

100.000

35,0

56,00

95.000 30,0 25,0

54,00

90.000

SPREAD FINANCEIRO

20,0

85.000

52,00

80.000

50,00

75.000

Aplicação

48,00 46,00

60.000

dez/07

nov/07

out/07

set/07

ago/07

jul/07

jun/07

mai/07

abr/07

mar/07

fev/07

10,0

65.000 jan/07

70.000

dez/06

15,0

44,00

dez jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez 06 07 07 07 07 07 07 07 07 07 07 07 07

Captação

Volum e

Taxa de Juros

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados - Recursos Livres (R$ milhões) MÊS / ANO

CHEQUE ESPECIAL

VARIAÇÃO EM %

CRÉDITO PESSOAL

VARIAÇÃO EM %

FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO

VARIAÇÃO EM %

CARTÃO DE CRÉDITO

VARIAÇÃO EM %

dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

11.738 13.287 13.794 13.771 14.218 14.195 13.906 14.155 13.834 13.963 14.580 14.405 12.940

-11,0% 13,2% 3,8% -0,2% 3,3% -0,2% -2,0% 1,8% -2,3% 0,9% 4,4% -1,2% -10,2%

78.950 80.464 82.408 84.783 86.625 89.398 90.516 93.095 94.219 95.506 97.667 99.739 100.004

-0,3% 1,9% 2,4% 2,9% 2,2% 3,2% 1,3% 2,8% 1,2% 1,4% 2,3% 2,1% 0,3%

236 237 244 223 39 262 277 260 279 294 315 330 349

1,3% 0,6% 3,2% -8,7% -82,6% 576,9% 5,5% -5,9% 7,1% 5,4% 7,3% 4,8% 5,6%

13.418 14.135 14.973 14.974 15.627 15.677 15.873 16.140 16.448 16.674 17.016 17.610 17.203

-3,0% 5,3% 5,9% 0,0% 4,4% 0,3% 1,2% 1,7% 1,9% 1,4% 2,0% 3,5% -2,3%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados/continuação Recursos Livres (R$ milhões) AQUISIÇÃO MÊS / ANO dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

VEÍCULOS

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

63.472 64.463 65.291 66.977 68.283 69.853 71.052 72.195 74.186 76.125 78.017 79.541 81.606

1,2% 1,6% 1,3% 2,6% 2,0% 2,3% 1,7% 1,6% 2,8% 2,6% 2,5% 2,0% 2,6%

10.752 10.864 10.705 10.648 10.620 10.934 10.994 11.185 11.383 11.434 11.688 11.945 12.520

5,1% 1,0% -1,5% -0,5% -0,3% 3,0% 0,6% 1,7% 1,8% 0,4% 2,2% 2,2% 4,8%

74.225 75.327 75.996 77.624 78.903 80.786 82.045 83.381 85.569 87.559 89.705 91.485 94.126

1,7% 1,5% 0,9% 2,1% 1,6% 2,4% 1,6% 1,6% 2,6% 2,3% 2,5% 2,0% 2,9%

9.646 9.835 9.931 9.893 10.432 11.113 11.121 11.456 11.691 11.459 11.600 11.979 11.936

0,2% 2,0% 1,0% -0,4% 5,4% 6,5% 0,1% 3,0% 2,1% -2,0% 1,2% 3,3% -0,4%

188.213 193.285 197.346 201.269 205.844 211.432 213.737 218.487 222.039 225.455 230.882 235.550 236.558

-0,4% 2,7% 2,1% 2,0% 2,3% 2,7% 1,1% 2,2% 1,6% 1,5% 2,4% 2,0% 0,4%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

35


banco de dados por INEPAD VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - CRÉDITO CONSIGNADO CRÉDITO PESSOAL*

MÊS / ANO dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07 Var. dez-dez

88.709 90.417 92.665 95.204 97.339 100.829 101.876 104.311 106.154 107.540 109.847 112.181 112.398 26,70%

CONSIGNADO Públicos

Privados

Total

Amostra**

42.069 43.595 44.923 46.206 47.629 48.964 49.730 51.080 52.144 52.967 54.522 55.826 56.081

6.016 5.982 6.283 6.638 6.869 7.100 7.300 7.501 7.779 7.868 8.106 8.233 8.357

48.086 49.578 51.206 52.845 54.498 56.064 57.030 58.581 59.924 60.835 62.628 64.059 64.438 34,01%

32.318 33.216 34.106 35.186 36.316 37.495 38.248 39.184 40.693 41.305 42.370 43.435 43.655 35,08%

% Consignado***

(R$ milhões)

Concentração Taxa de Juros %aa do Consignado Estimativa INEPAD Consignado Pessoal Diferença

54,2% 54,8% 55,3% 55,5% 56,0% 55,6% 56,0% 56,2% 56,5% 56,6% 57,0% 57,1% 57,3%

67,2% 67,0% 66,6% 66,6% 66,6% 66,9% 67,1% 66,9% 67,9% 67,9% 67,7% 67,8% 67,7% 0,80%

33,3% 33,0% 32,4% 32,3% 32,2% 32,1% 31,5% 30,9% 30,9% 30,6% 30,2% 29,0% 28,4%

57,2% 57,2% 54,5% 53,4% 52,5% 51,7% 51,1% 50,6% 49,9% 49,4% 48,9% 46,8% 45,8%

23,9% 24,2% 22,1% 21,1% 20,3% 19,6% 19,6% 19,7% 19,0% 18,8% 18,7% 17,8% 17,4%

FONTE: INEPAD / BC * Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito. ** Pesquisa com treze das maiores instituições que operam com crédito pessoal. *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal.

INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS CRÉDITO PESSOAL (R$ mil)

Mês/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

70.448.643 71.854.490 73.570.737 75.724.397 77.477.719 80.753.893 81.617.798 83.998.607 85.025.566 86.121.220 87.990.401 89.883.995 90.818.716

1.555.472 1.924.553 1.947.444 1.965.245 2.104.310 1.799.396 1.753.380 2.069.028 2.085.416 2.025.750 2.282.817 2.177.904 1.652.692

1,97% 2,39% 2,36% 2,32% 2,43% 2,01% 1,94% 2,22% 2,21% 2,12% 2,34% 2,18% 1,65%

1.997.449 2.025.346 2.178.932 2.224.387 2.349.275 2.057.019 2.134.484 2.088.671 2.055.724 2.161.980 2.274.612 2.392.134 2.242.362

2,53% 2,52% 2,64% 2,62% 2,71% 2,30% 2,36% 2,24% 2,18% 2,26% 2,33% 2,40% 2,24%

4.948.546 4.659.338 4.711.130 4.869.072 4.693.467 4.787.649 5.009.886 4.938.496 5.052.267 5.197.355 5.118.794 5.285.358 5.290.132

6,27% 5,79% 5,72% 5,74% 5,42% 5,36% 5,53% 5,30% 5,36% 5,44% 5,24% 5,30% 5,29%

78.950.110 80.463.727 82.408.243 84.783.100 86.624.771 89.397.957 90.515.548 93.094.802 94.218.973 95.506.305 97.666.624 99.739.391 100.003.902

-0,25% 1,92% 2,42% 2,88% 2,17% 3,20% 1,25% 2,85% 1,21% 1,37% 2,26% 2,12% 0,27%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS (R$ mil)

Mês/Ano

dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

Saldo

Com atraso

sem atraso

de 15 a 30 dias

57.051.982 57.821.270 58.321.834 59.775.228 60.950.697 62.462.921 63.765.089 64.702.492 66.872.373 68.580.587 70.253.132 71.794.658 73.655.237

2.083.888 2.155.433 2.186.406 2.411.754 2.297.945 2.389.587 2.283.022 2.467.511 2.398.659 2.373.528 2.571.251 2.422.298 2.642.962

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

3,28% 3,34% 3,35% 3,60% 3,37% 3,42% 3,21% 3,42% 3,23% 3,12% 3,30% 3,05% 3,24%

2.257.921 2.397.753 2.638.787 2.586.281 2.818.775 2.680.328 2.705.644 2.701.213 2.563.719 2.690.668 2.804.002 2.881.636 2.851.126

3,56% 3,72% 4,04% 3,86% 4,13% 3,84% 3,81% 3,74% 3,46% 3,53% 3,59% 3,62% 3,49%

2.078.322 2.088.318 2.143.955 2.203.488 2.215.581 2.319.711 2.297.783 2.324.273 2.350.787 2.479.760 2.388.452 2.442.005 2.456.872

3,27% 3,24% 3,28% 3,29% 3,24% 3,32% 3,23% 3,22% 3,17% 3,26% 3,06% 3,07% 3,01%

63.472.113 64.462.774 65.290.982 66.976.751 68.282.998 69.852.547 71.051.538 72.195.489 74.185.538 76.124.543 78.016.837 79.540.597 81.606.197

1,19% 1,56% 1,28% 2,58% 1,95% 2,30% 1,72% 1,61% 2,76% 2,61% 2,49% 1,95% 2,60%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

36

FINANCEIRO


INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

8.687.035 8.694.031 8.397.077 8.235.034 8.143.789 8.460.771 8.507.756 8.638.250 8.835.707 8.871.453 9.041.106 9.320.039 9.896.245

403.893 489.754 510.540 548.495 529.358 511.452 501.282 511.622 509.350 513.139 530.363 547.612 511.429

3,76% 4,51% 4,77% 5,15% 4,98% 4,68% 4,56% 4,57% 4,47% 4,49% 4,54% 4,58% 4,09%

447.832 480.312 606.859 665.478 663.180 604.950 603.150 592.191 576.446 599.807 620.679 608.934 566.059

4,16% 4,42% 5,67% 6,25% 6,24% 5,53% 5,49% 5,29% 5,06% 5,25% 5,31% 5,10% 4,52%

1.213.636 1.199.728 1.190.552 1.198.493 1.284.037 1.356.536 1.381.682 1.443.056 1.461.461 1.449.584 1.495.576 1.468.106 1.545.908

11,29% 11,04% 11,12% 11,26% 12,09% 12,41% 12,57% 12,90% 12,84% 12,68% 12,80% 12,29% 12,35%

10.752.396 10.863.825 10.705.028 10.647.500 10.620.364 10.933.709 10.993.870 11.185.119 11.382.964 11.433.983 11.687.724 11.944.691 12.519.641

5,10% 1,04% -1,46% -0,54% -0,25% 2,95% 0,55% 1,74% 1,77% 0,45% 2,22% 2,20% 4,81%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

INADIMPLÊNCIA - CRÉDITO PESSOAL - PREFIXADO Dezembro/2007 (em R$ mil) 18% Atraso de mais de 90 dias 5.290.132

58%

24%

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS - PREFIXADO Dezembro/2007 (em R$ mil)

Atraso de 15 a 30 dias 1.652.692

Atraso de 31 a 90 dias 2.851.126

Atraso de 31 a 90 dias 2.242.362

19% 59%

22%

31%

33%

Atraso de 15 a 30 dias 2.642.962

INADIMPLÊNCIA - OUTRAS OPERAÇÕES - PREFIXADO Dezembro/2007 (em R$ mil) Atraso de

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO OUTROS BENS - PREFIXADO Dezembro/2007 (em R$ mil)

Atraso de mais de 90 dias 1.545.908

36%

Atraso de mais de 90 dias 2.456.872

15 a 30 dias 352.465

Atraso de 15 a 30 dias 511.429

13% Atraso de mais de 90 dias 1.703.543

60%

27%

Atraso de 31 a 90 dias 566.059

Atraso de 31 a 90 dias 745.427

OUTRAS OPERAÇÕES (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

6.942.319 7.011.923 7.056.329 7.295.110 7.623.602 8.067.248 8.246.036 8.423.342 8.527.240 8.421.625 8.535.033 8.793.582 9.134.113

343.725 413.678 389.162 393.142 403.470 420.605 428.272 437.103 419.638 406.144 436.743 391.648 352.465

3,56% 4,21% 3,92% 3,97% 3,87% 3,78% 3,85% 3,82% 3,59% 3,54% 3,77% 3,27% 2,95%

719.019 687.315 698.976 743.079 750.283 740.604 773.675 778.089 769.093 773.997 744.062 766.712 745.427

7,45% 6,99% 7,04% 7,51% 7,19% 6,66% 6,96% 6,79% 6,58% 6,75% 6,41% 6,40% 6,25%

1.640.746 1.722.427 1.786.746 1.462.019 1.654.375 1.884.705 1.672.696 1.817.103 1.975.135 1.857.110 1.884.056 2.027.204 1.703.543

17,01% 17,51% 17,99% 14,78% 15,86% 16,96% 15,04% 15,86% 16,89% 16,21% 16,24% 16,92% 14,27%

9.645.809 9.835.343 9.931.213 9.893.350 10.431.730 11.113.162 11.120.679 11.455.638 11.691.106 11.458.876 11.599.894 11.979.146 11.935.549

0,22% 1,96% 0,97% -0,38% 5,44% 6,53% 0,07% 3,01% 2,06% -1,99% 1,23% 3,27% -0,36%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

37


banco de dados por INEPAD DESEMPREGO TAXA DE DESEMPREGO (%) DATA

Brasil

Var. p.p.

SP

dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

8,40 9,30 9,90 10,10 10,10 10,10 9,70 9,50 9,50 9,00 8,70 8,20 7,40

-1,10 0,90 0,60 0,20 0,00 0,00 -0,40 -0,20 0,00 -0,50 -0,30 -0,50 -0,80

9,00 10,10 10,60 11,50 11,60 11,20 10,20 10,30 10,10 9,40 9,50 8,80 8,00

TAXA DE DESEMPREGO Taxa (%)

Var. p.p. -1,30 1,10 0,50 0,90 0,10 -0,40 -1,00 0,10 -0,20 -0,70 0,10 -0,70 -0,80

Fonte: IBGE/INEPAD

Variação (p.p.) 1,00

12,0 11,5

0,50

11,0 10,5

0,00

10,0 9,5

-0,50

9,0 8,5

-1,00

8,0 7,5

-1,50

7,0

dez 06

jan 07

fev 07

mar 07

abr 07

Brasil

mai 07

jun 07

SP

jul 07

ago 07

set 07

out 07

nov 07

dez 07

Var. p.p. mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$) DATA

Brasil

Var. %

SP

Var. %

dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

1.138,19 1.126,08 1.147,72 1.147,33 1.150,31 1.153,70 1.148,07 1.134,34 1.129,01 1.132,17 1.138,32 1.153,67 1.164,00

1,1% -1,1% 1,9% 0,0% 0,3% 0,3% -0,5% -1,2% -0,5% 0,3% 0,5% 1,3% 0,9%

1.291,62 1.264,01 1.317,88 1.299,24 1.290,74 1.294,67 1.271,90 1.243,88 1.245,69 1.246,69 1.264,62 1.277,16 1.314,10

1,3% -2,1% 4,3% -1,4% -0,7% 0,3% -1,8% -2,2% 0,1% 0,1% 1,4% 1,0% 2,9%

Fonte: IBGE/INEPAD

2,5%

1.350 1.300 1.250 1.200 1.150 1.100 1.050 1.000 950 900 850 800 750 700

2,0% 1,5% 1,0% 0,5% 0,0% -0,5% -1,0% -1,5%

dez 06

jan 07

fev 07

mar 07

abr 07

Brasil

SP

mai 07

jun 07

jul 07

ago 07

set 07

out 07

nov 07

dez 07

Var. % mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

COMÉRCIO VAREJISTA VOLUME DE VENDAS

VOLUME DE VENDAS Data dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07 Variação dez-dez

Hipermercados e Veículos,Motos, Índice Var. % Var. % Var. % Geral Supermercados Partes e Peças 171,78 121,49 112,06 127,93 124,62 133,33 127,48 128,08 133,30 130,40 135,47 138,31 187,17 9,0%

37,1% -29,3% -7,8% 14,2% -2,6% 7,0% -4,4% 0,5% 4,1% -2,2% 3,9% 2,1% 35,3%

154,43 115,91 112,46 127,14 125,21 122,27 121,80 121,92 124,64 126,35 126,79 127,35 162,97 5,5%

29,0% -24,9% -3,0% 13,1% -1,5% -2,3% -0,4% 0,1% 2,2% 1,4% 0,3% 0,4% 28,0%

149,82 135,15 119,95 153,96 144,42 156,83 149,63 160,25 178,38 156,60 183,46 177,36 170,06

200,00

3,0% -9,8% -11,2% 28,4% -6,2% 8,6% -4,6% 7,1% 11,3% -12,2% 17,2% -3,3% -4,1%

190,00 180,00 170,00 160,00 150,00 140,00 130,00 120,00 110,00 100,00 90,00 80,00

dez 06

jan 07

fev mar abr mai jun 07 07 07 07 07

Índice Geral

13,5%

jul 07

Hipermercados e Supermercados

ago 07

set 07

out nov dez 07 07 07

Veículos, Motos, Partes e Peças

Fonte: IBGE/INEPAD

38

FINANCEIRO


PREVISÕES ECONÔMICAS Ano de 2008

PIB Total % a.a.

PIB Agropecuário % a.a.

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

4,50 4,51 4,51 4,48

4,85 4,88 4,83 4,82

4,64 4,62 4,62 4,60

4,29 4,27 4,20 4,22

5,82 5,86 5,89 -

Selic Taxa anual

IGP-DI % a.a.

IPCA % a.a.

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

11,10 11,17 11,38 11,38

4,51 4,82 4,94 5,12

4,28 4,30 4,45 4,38

1,80 1,79 1,78 1,78

31,89 31,44 29,79 29,32

Previsão 02/01/2008 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 15/02/2008

Ano de 2008 Previsão 02/01/2008 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 15/02/2008 Fonte: BC-Focus/INEPAD

ATIVIDADE ECONÔMICA DATA

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

Var. p.p.

DATA

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

dez/06

80,08

-2,60

dez/06

116,36

0,66%

jan/07

79,90

-0,18

jan/07

116,89

0,46%

fev/07

80,30

0,40

fev/07

117,35

0,39%

mar/07

82,30

2,00

mar/07

118,06

0,61%

abr/07

81,60

-0,70

abr/07

118,88

0,69%

mai/07

83,30

1,70

mai/07

119,98

0,93%

jun/07

82,50

-0,80

jun/07

120,89

0,76%

jul/07

82,40

-0,10

jul/07

121,79

0,74%

ago/07

83,40

1,00

ago/07

122,64

0,70% 0,26%

Var. %

set/07

83,1

-0,30

set/07

122,96

out/07

84,30

1,20

out/07

124,65

1,37%

nov/07

84,30

0,00

nov/07

124,96

0,25%

dez/07

81,30

-3,00

dez/07

125,25

0,23%

Variação dez-dez

1,52%

Variação dez-dez

Fonte: CNI/INEPAD

7,64%

Fonte: IBGE/INEPAD

PRODUÇÃO (ÍNDICE) X CAPACIDADE (%) Capacidade (%)

Produção - Índice

85,0

124

84,0

122 120

83,0

118 82,0 116 81,0

114

Fonte: INEPAD

ACREFI

Taxa da Ut ilização da Capac idade Inst alada

Índice de P ro dução Físic a M édia M óvel Trimest ral

39

dez/07

nov/07

out/07

set/07

ago/07

jul/07

jun/07

mai/07

abr/07

mar/07

110 fev/07

79,0 jan/07

112

dez/06

80,0


banco de dados por INEPAD INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA - AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS PRODUÇÃO

PRODUÇÃO

(em unidades)

Data

Produção

jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07 jan/08

203.703 203.450 246.475 223.304 258.911 246.404 266.044 279.008 252.911 299.251 271.201 220.772 254.913

Média Trim. Var. Mensal Var. Mensal (%)

203.678 197.494 217.876 224.410 242.897 242.873 257.120 263.819 265.988 277.057 274.454 263.741 248.962

18.373 -253 43.025 -23.171 35.607 -12.507 19.640 12.964 -26.097 46.340 -28.050 -50.429 34.141

Variação jan-jan

9,9% -0,1% 21,1% -9,4% 15,9% -4,8% 8,0% 4,9% -9,4% 18,3% -9,4% -18,6% 15,5%

(em unidades)

320.000 300.000 280.000 260.000 240.000 220.000 200.000 180.000

jan 07

fev 07

mar 07

abr 07

mai 07

jun 07

Produção

25,1%

jul 07

ago 07

set 07

out 07

nov 07

dez 07

jan 08

out 07

nov 07

dez 07

nov 07

dez 07

jan 08

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

(em unidades)

Data

Vendas

Média Trim.

Variação

Variação(%)

dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

176.202 149.362 150.640 200.478 186.643 208.710 207.636 217.405 239.648 222.868 252.823 242.612 207.322

175.971 168.788 158.735 166.827 179.254 198.610 200.996 211.250 221.563 226.640 238.446 239.434 234.252

-4.598 -26.840 1.278 49.838 -13.835 22.067 -1.074 9.769 22.243 -16.780 29.955 -10.211 -35.290

-2,5% -15,2% 0,9% 33,1% -6,9% 11,8% -0,5% 4,7% 10,2% -7,0% 13,4% -4,0% -14,5%

Variação dez-dez

(em unidades)

260.000 245.000 230.000 215.000 200.000 185.000 170.000 155.000 140.000

dez 06

jan 07

fev 07

mar 07

abr 07

mai 07

Vendas

17,7%

jun 07

jul 07

ago 07

set 07

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

EXPORTAÇÃO TOTAL

EXPORTAÇÃO TOTAL

(em unidades) (em unidades)

Data

jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07 jan/08

Exportações Média Trim.

47.751 64.233 68.239 59.128 70.979 63.740 83.161 67.911 64.575 78.993 59.586 56.005 53.054

Variação jan-jan

58.401 59.381 60.074 63.867 66.115 64.616 72.627 71.604 71.882 70.493 67.718 64.861 56.215

Variação

Variação(%)

-18.408 16.482 4.006 -9.111 11.851 -7.239 19.421 -15.250 -3.336 14.418 -19.407 -3.581 -2.951

-27,8% 34,5% 6,2% -13,4% 20,0% -10,2% 30,5% -18,3% -4,9% 22,3% -24,6% -6,0% -5,3%

85.000 80.000 75.000 70.000 65.000 60.000 55.000 50.000 45.000

jan 07

fev 07

mar 07

abr 07

Exportações

11,1%

mai 07

jun 07

jul 07

ago 07

set 07

out 07

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

40

FINANCEIRO


INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA LICENCIAMENTO DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (em unidades) Data

Vendas

1000cc

% no Total

1000cc a 2000cc

% no total

>2000cc

% no total

jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07 jan/08

123.269 118.693 155.536 143.987 171.096 161.076 175.349 187.803 180.301 194.585 188.575 192.436 169.530

70.208 66.981 86.989 80.228 95.241 88.985 98.055 102.133 84.823 97.879 96.074 98.920 86.754

57,0% 56,4% 55,9% 55,7% 55,7% 55,2% 55,9% 54,4% 47,0% 50,3% 50,9% 51,4% 51,2%

51.103 50.145 66.340 61.459 73.373 69.776 75.162 83.617 93.689 93.690 89.677 90.728 80.554

41,5% 42,2% 42,7% 42,7% 42,9% 43,3% 42,9% 44,5% 52,0% 48,1% 47,6% 47,1% 47,5%

1.958 1.567 2.207 2.300 2.482 2.315 2.132 2.053 1.789 3.016 2.824 2.788 2.222

1,6% 1,3% 1,4% 1,6% 1,5% 1,4% 1,2% 1,1% 1,0% 1,5% 1,5% 1,4% 1,3%

Fonte: Anfavea/INEPAD

LICENCIAMENTO POR CATEGORIA - AUTOMÓVEIS

100.000 90.000 80.000 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000 jan 07

fev 07

mar 07

abr 07

mai 07

jun 07

jul 07

1000 cc

ago 07

SALDO TOTAL

TAXAS DE JUROS

SALDO TOTAL

78.950 80.464 82.408 84.783 86.625 89.398 90.516 93.095 94.219 95.506 97.667 99.739 100.004

3,84 3,84 3,69 3,63 3,58 3,53 3,50 3,47 3,43 3,40 3,37 3,25 3,19

-0,08 0,00 -0,15 -0,06 -0,05 -0,05 -0,03 -0,03 -0,04 -0,03 -0,03 -0,12 -0,06

57,20 57,20 54,50 53,40 52,50 51,70 51,10 50,60 49,90 49,40 48,90 46,80 45,80

-1,40 0,00 -2,70 -1,10 -0,90 -0,80 -0,60 -0,50 -0,70 -0,50 -0,50 -2,10 -1,00

R$ milhões 63.472 64.463 65.291 66.977 68.283 69.853 71.052 72.195 74.186 76.125 78.017 79.541 81.606

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 2,36 2,39 2,34 2,29 2,24 2,20 2,17 2,12 2,12 2,12 2,11 2,11 2,13

-0,05 0,03 -0,05 -0,05 -0,05 -0,05 -0,03 -0,05 0,00 -0,01 -0,01 0,01 0,02

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

nov 07

dez 07

jan 08

(R$ milhões)

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS

% Variação % Variação MÊS/ANO R$ milhões a.m. p.p a.a. p.p dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 nov/07 dez/07

out 07

1000 cc a 2000 cc

TAXAS DE JUROS PREFIXADOS - PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL

set 07

41

SALDO TOTAL

% Variação a.a. p.p 32,30 32,70 32,00 31,20 30,50 29,80 29,40 28,70 28,70 28,60 28,40 28,50 28,80

AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS

-0,80 0,40 -0,70 -0,80 -0,70 -0,70 -0,40 -0,70 0,00 -0,10 -0,20 0,10 0,30

R$ milhões 10.752 10.864 10.705 10.648 10.620 10.934 10.994 11.185 11.383 11.434 11.688 11.945 12.520

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 4,05 3,96 3,88 3,74 3,76 3,76 3,74 3,70 3,73 3,73 3,70 3,69 3,80

0,11 -0,09 -0,07 -0,14 0,02 -0,01 -0,02 -0,03 0,03 0,00 -0,03 -0,01 0,11

% a.a.

Variação p.p

61,00 59,30 57,94 55,40 55,80 55,64 55,30 54,70 55,20 55,20 54,70 54,50 56,50

2,00 -1,70 -1,36 -2,54 0,40 -0,16 -0,34 -0,60 0,50 0,00 -0,50 -0,20 2,00


variedades

Vinhos brancos, tintos e rosés: tem uma ocasião ótima para degustar? OPIMIANO - PH.D. - PROMOTOR DE HOMÉRICAS DEGUSTAÇÕES

Há algum lugar ou momento ideal no qual se deva experimentar e beber este ou aquele vinho?

método de vinifi cação e filtragem. Os tintos caem bem na estreita faixa de temperatura dos 12 aos 19 graus. Tem quem goste um pouco mais para os 21 ou 22 graus, pois o calor da boca estimula o aparecimento de outros aromas. Em festas de empresas, em casamentos, em bodas de prata e ouro e em atividades formais, os tintos têm o seu lugar, pois são distintos. Verter num copo bolhudo, grande, do tipo bordeaux ou Borgonha, um Cabernet Sauvignon, um Syrah, uma Ancelotta, um Merlot ou o complicado e exigente, mas aveludado, Pinot Noir,

©iStockPhoto.com/Chiya Li

Vai e volta, me perguntam se há algum lugar ou momento ideal no qual se deva experimentar e beber este ou aquele vinho. A resposta é: não tem regra fixa, sinta-se à vontade e, sobretudo, beba com moderação. Os vinhos brancos são leves, mas bem ácidos e devem ser preferencialmente sorvidos quando jovens, bem novos. Então, escolha alimentos que combinam bem com eles. Pense num coquetel, um branco cai bem com uns acepipes e umas boquinhas bem saborosas, à base de pão de forma com ovos cozidos; atum pintado com um pimentão vermelho fatiado; sardinha ao vinagrete com cebolinha e, quem sabe, um patê de truta defumada. Se houver um jantar, o vinho branco abrirá o apetite dos convivas acompanhando carnes brancas. Ele é formidável com frango, peixe, rã sauté e lula a doré. E leva jeitos diferentes, como o vinho verde português, que é frisante, borbulhante e salpica a língua de borbulinhas que coçam e provocam a gente por dentro. Ui! Vinhos brancos chardonnay, sauvignon blanc, riesling itálico, chenin blanc, prosecco e champagnes – espumantes em geral são uma boa pedida na praia. Faça o seu cantinho, ponha a sua barraquinha e chame o moço das ostras frescas e dos camarões fritos, para bebericar e comiscar, ao mesmo tempo em que fala com os amigos, é uma delícia. Quando o assunto é vinhos tintos, a situação muda. Eles podem ser mais encorpados, mais alcoólicos, e seu gosto varia segundo o tipo de videira, o ano da safra e o

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é um apelo à excitação. Como ele precisa de acompanhamento, num coquetel vai esplendidamente num sanduichinho de rosbife. Mas a lista é infinita, combine com tiras finas de queijo parmesão, um brie, um camembert e que tal um provolone? E tintos convidam a carnes, portanto um delicioso churrasco é opção clássica e certa; filé mignon com batatinhas salpicadas por pimenta do reino aceboladas; caldeirada de músculo com batatas baroas e samambaias da vovó, com sabor de chuchu da serra; ou carne assada, com cogumelos e arroz à piemontesa, são tantas as opções. Tem quem goste de, após mais um extenuante dia de trabalho, que levou a adrenalina a mil, chegar em casa, desatar o nó da gravata, botar aquela camisa larga e uma calça confortável, surrada, e ficar namorando um belo tinto. A namorada vai ficar com ciúme. Aí, põe os pés sobre a mesa, sobre uma almofada bem gorda, melhorando a circulação sanguínea do corpo e de copo na mão, se permite dar golinhos em seu tinto, cor rubi, ao som de uma musiquinha calmante. Traguinhos lentos, com amêndoas salgadas, nozes macadâmias ou amendoins japoneses de casca dura. Depois, um chocolate amargo. Céus! Os rosés ou claretes são deliciosos quando frios e acompanhando pratos leves. O português Mateus Rosé é um primor, e combina com paellas espanholas; zarzuelas, que são peixadas catalãs; patos e marrecos no forno a lenha e um frango assado de padaria. Faça a sua cabeça, faça o seu bom momento e saúde e alegria! FINANCEIRO


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Financeiro 51 - Março 2008  

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