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Financeiro

A revista do crédito

©iStockPhoto.com/hemul75 e mgkaya/montagem EDF

ano 6 nº 50 jan-fev/2008

TIRAGEM DESTA EDIÇÃO: 20.000 EXEMPLARES

Nuvens no céu da economia em 2008

Energia

Debate

Cresce a preocupação de risco de déficit

Serviços bancários e a terceirização


editorial

Nuvens no horizonte Érico Sodré Quirino Ferreira, Presidente da ACREFI

Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento

DIRETORIA Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Aquiles Leonardo Diniz, Gilberto Caldart, José Arthur Lemos de Assunção, Marco Ambrógio Crespi Bonomi, Odílio Figueiredo Neto, Paulo Eduardo D’Ávila Isola, Paulo Henrique Pentagna Guimarães e Wilson Masao Kuzuhara Secretário José Dante Zanaga Neto Tesoureiros Aristeu Zanúncio e Sergio Marra Capella Diretores Regionais Carlos Alberto Samogim (SP-Interior), Dirceu da Assumpção Variz (SP-Capital), Elcio Antônio de Azevedo (MG), Felícitas Renner (RS), Félix Archanjo Bordin (PR), Marcos André Maia Bonel (DF e GO), Paulo R. Tabaquim (Montadoras) e Tiziana Dadalto (ES) Diretores Adalberto Savioli, Álvaro Augusto Vidigal, Enílson Espínola de Souza, Ivan Svitek, Marcos Antonio Waideman, Rubens Bution e Sergio Antônio Cipovicci Diretores Conselheiros Jerônimo Varalla Neto, Luiz Antônio Viana, Luiz Fonseca de Souza Meirelles Filho, Ricardo Annes Guimarães e Rodrigo Bacellar Conselho Consultivo Membros Natos: Alkindar de Toledo Ramos e Manoel de Oliveira Franco. Membros: Alencar Burti (ACSP), Elcio Aníbal de Lucca (SERASA), João Elísio Ferraz de Campos (FENASEG), Luiz Horácio da Silva Montenegro (ANEF), Miguel de Oliveira (ANEFAC), Jackson Schneider (ANFAVEA), Sergio Reze (FENABRAVE) e Walter Machado de Barros (IBEF SP) Conselho Fiscal Efetivos: Alberto Borges Matias, Domingos Spina e Roy Martelanc. Suplentes: Abílio Abreu Neto, Massimo Tagliavini e Matias Nazari Puga Neto Presidente Honorário João Uchôa Borges (In memoriam) Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Conselheiro Econômico Prof. Istvan Kasznar

Financeiro ISSN 1809-8843 Conselho Editorial : Érico Sodré Quirino Ferreira, Prof. Istvan Kasznar, Antônio A. A. Leite (Pancho) e Sérgio Tamer; Coordenação Editorial : Tamer Comunicação Empresarial; Jornalista Responsável: Eliana Nigro (MTB 15.005); Editoração e Produção Gráfi ca: EDF (www.edf.com.br); Pré-impressão e Impressão: Fabracor; Periodicidade: bimestral Tiragem: 20.000 exemplares Tiragem e circulação auditadas por

Este vai ser um ano diferente. Se em 2007 tínhamos um céu de brigadeiro, azul e ensolarado, agora em 2008, pelo menos neste começo de ano, o firmamento está cheio de nuvens. São incertezas econômicas como as da inflação, da energia elétrica, da crise tributária e política... A inflação, que de dragão passou a animalzinho domesticado, agora mostra as garras novamente. O avanço apontado pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), de 1,47% em dezembro, e os 7,89% acumulados no ano, faz soar um alerta no mercado. Não se espera, porém, que a intensidade de alta seja a mesma nos próximos meses. Mas isso deve ser conseqüência não de controle administrado, mas de menor pressão de demanda, de consumo. Ou seja, bom por um lado, ruim por outro. Enquanto isso, no setor energético, as dúvidas se multiplicam. Com poucas chuvas na primeira semana de janeiro, os preços da energia elétrica no mercado atacadista subiram 92% em sete dias, uma alta que reflete a menor precipitação e também a maior preocupação com o abastecimento ao longo de 2008. Os reservatórios de água do Sudeste e do Centro-Oeste estão com apenas 44% de suas capacidades de armazenamento e, já na primeira semana do ano, baixaram 1,3 ponto percentual, em pleno período de chuvas. O Operador Nacional do Sistema Elétrico tem acionado diariamente cerca de 4.500 MW de energia térmica para preservar os reservatórios. A falta de gás pode atrapalhar a intensificação dessas usinas. E já há especialistas alertando para a necessidade de

poupar energia a todo custo. Ou seja, de novo bom por um lado – o da economia – e ruim por outro, o da inibição do crescimento econômico, em especial da indústria. Além disso, temos de enfrentar as novidades tributárias. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com suas novas alíquotas majoradas, altera o mercado, contraindo a expansão do crédito, porém não com força para mudar as perspectivas de manutenção ou alta da taxa Selic em 2008. Mas é claro que sempre há risco de instituições e consumidores de crédito mudarem seus comportamentos. O crédito consignado também mudou, em especial para os aposentados, o que gera ainda mais dúvidas, dada a pouca concorrência entranhada no bojo de suas novas normas... Ainda existe uma outra nuvem, do recrudescimento da oposição ao governo Lula, que sofreu sua primeira grande derrota com a rejeição à prorrogação da CPMF. Como serão as relações no Congresso daqui em diante? Até quando continuará a tensão e de que forma ela poderá adiar decisões importantes para o bem-estar da economia? Mais e mais incertezas. Por isso tudo, a hora é de um pouco de cautela. As nuvens no horizonte devem servir para nos fazer repensar em metas e estratégias. Sejamos otimistas, a crise não chegará ao Brasil: trabalhemos mais para espantar o mau tempo.

Nesta edição 4 Evento Acrefi Crédito em Debate

8 Seminário Perspectivas do crédito para 2008

11 Tecnologia Leitura biométrica para garantia de segurança de acesso

12 Infra-estrutura Energia: preocupação se amplia

As opiniões emitidas nos artigos assinados não refletem necessariamente as posições da ACREFI e são de exclusiva responsabilidade dos autores. A reprodução total ou parcial do conteúdo da publicação depende de autorização por escrito.

Andrea Felizolla

Rua Libero Badaró, 425 - 28º andar - São Paulo - SP Tel.: (11) 3107-7177 Fax: (11) 3106-6082 - www.acrefi.org.br

15 Artigo O seguro compreensivo de automóveis e os contratos de financiamentos de veículos

16 Análise econômica Perspectivas para a política monetária em 2008

18 Mercado de crédito O investidor deve ter tanta apreensão com CCBs?

20 Debate Terceirização de serviços bancários

28 Análise setorial Pela redução do spread bancário

30 Banco de dados 38 Variedades O maior dos maiores, Château Lafite Rothschild


evento acrefi

Crédito em Debate Com crescimento de cerca de 25%, projeções apontam para a continuidade desse cenário em 2008 Fotos: Mario Miranda

Como um dos capítulos finais do ano que passou, a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi ) volta a debater o crédito no Brasil com foco em 2008. Para este debate, a associação trouxe Adalberto Savioli, diretor de administração e risco do Banco Panamericano, como moderador; Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe do CNC e ex-diretor do Banco Central; Ródnei Bernardino de Souza, diretor de políticas e modelagem de crédito ao consumo do Unibanco; e Tereza Maria Fernandez Dias da Silva, sócia da MB Associados. Adalberto Savioli iniciou os trabalhos comentando que a oferta de crédito tem crescido cerca de 25% ao ano e que a tendência para 2008 é manter esse crescimento, pois não há perspectivas negativas fortes que possam contrapor a situação atual do mercado nacional. Dentro da visão de quem já esteve dentro do governo, Carlos Thadeu de Freitas fez um apanhado macroeconômico do País. De saída, comentou que é muito mais fácil falar de crédito hoje do que há alguns anos. “Hoje, podemos falar que essa fase dificilmente irá mudar, pois o País já alcançou um ciclo sustentável da economia e, portanto, a oferta de crédito vai continuar crescendo no ano que vem e, é bem provável, também nos próximos anos”, esclarece Thadeu de Freitas.

Adalberto Savioli: não há perspectivas negativas fortes que possam contrapor a situação atual do mercado nacional

Thadeu de Freitas: o que mais influencia é a atual capacidade de endividamento do consumidor, dados o aumento da renda disponível, a massa salarial e o controle da economia

Comprovando a sua assertiva, o executivo mostrou números que mostram as atuais condições do crédito no País. Em setembro de 2007, o crédito brasileiro alcançava 33,1% do PIB, contra 22,8% em março de 2003. Essa expansão está baseada na expressiva entrada de capital estrangeiro no País e na grande liquidez existente no mercado financeiro. Porém, segundo ele, ainda são preocupantes os elevados gastos públicos e os problemas recentes no crédito imobiliário nos Estados Unidos: “Podemos ter uma queda na oferta de crédito, caso tenha-

mos uma crise internacional muito forte que retire recursos do mercado nacional. O crescimento está baseado na entrada forte de recursos internacionais.” Além desses problemas, Thadeu de Freitas acredita que pode estar havendo um descasamento entre a captação de recursos, que se dá no curto prazo, e o empréstimo a longo prazo, como vem ocorrendo no caso dos automóveis. As elevadas entradas de dinheiro no País garantem a sustentabilidade do crédito para 2008. Até setembro de 2007, foram registradas entradas

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Tereza Maria: o mercado brasileiro de autos está crescendo fortemente e a capacidade de produção está chegando ao limite

Ródnei Souza: forte crescimento da carteira de crédito para pessoa física e constante queda do spread

de US$ 16,26 bilhões, contra US$ 11,04 bilhões em 2006. Segundo o estudioso, outro fator que auxilia no crescimento do crédito é a queda gradual das taxas de juros no País, durante quase todo o ano que passou. De acordo com Freitas, porém, o que mais influencia o processo é a atual capacidade de endividamento do consumidor, dados o aumento da renda disponível, a massa salarial e o controle da economia, o que eleva a confiança do mercado. “Mesmo com as taxas de juros futuros subindo desde a crise do crédito imobiliário americano, teremos um ano bastante positivo, com crescimento de cerca de 8,9% no varejo, projetando para 2008 algo em torno de 5,7%, sendo bastante pessimista, e 7,9% em um cenário de normalidade”, acrescenta. O economista antevê uma pequena desaceleração no início do ano, porém, como uma conseqüência natural da época de pós-Natal e também do encarecimento da captação de recursos. Deve prevalecer a fraqueza na economia do curto prazo, que pode ser revertida no longo. “Teremos uma continuidade de

2007, mas não um ano tão bom. Será um princípio de ano com alguma incerteza, mas somente com uma visão mais clara a partir do final do primeiro trimestre”, finaliza Carlos Thadeu de Freitas. De janeiro de 2003 até setembro de 2007, a renda do brasileiro cresceu 10%; a População Economicamente Ativa (PEA) teve aumento de 12%; o desemprego registrou queda de 21%; e o dinheiro em circulação aumentou 27%. “Apesar desses números aparentemente pequenos, a evolução da carteira de crédito pessoa física foi da ordem de 200% no período, o que evidencia um represamento de oferta de crédito e de consumo no País”, afirma Ródnei Bernardino de Souza, do Unibanco. Segundo dados do diretor do banco, as modalidades que mais cresceram foram crédito consignado, que teve uma certa acomodação na oferta aos funcionários públicos e aos pensionistas e aposentados, mas está migrando para as empresas privadas; e financiamento de compra de veículos, principalmente em 2006 e 2007.

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Para ele, a tendência futura é de um endividamento do consumidor na faixa de 70% de sua renda, o que pode resultar em um risco maior de inadimplência, porém sem grandes preocupações por parte das instituições, uma vez que os critérios de concessão de crédito hoje estão ajustados às necessidades do mercado. “Quando se tem um crescimento significativo na carteira de crédito, é natural, no curto prazo, o indicador cair, mas a inadimplência continua nos mesmos patamares”, esclarece Ródnei Souza. Os números indicam preocupação com a inadimplência da pessoa física. No crédito pessoal, com o consignado, o índice é de 5,4%; sem o consignado, chega a 14,4%. “Com a carteira de crédito crescente, os índices já estão mudando”, alerta ele. Ainda, segundo dados do diretor, no cheque especial, a inadimplência foi de 7%, em 2003, para 9,6% hoje. No cartão de crédito, esse número subiu em torno de 30%, no mesmo período, para 23,3%. Uma das únicas modalidades de financiamento em que o indicador se mantém estável é na linha automotiva, em que a garantia do crédito é o próprio veículo. Para o futuro, Ródnei Souza acredita em forte crescimento da carteira de crédito para pessoa física, principalmente, e em uma constante queda do spread. “Desde 2003, o spread vem baixando, chegando a uma queda de 33%, comparado com aquela data. Com a queda de juros, que deverá continuar lentamente em 2008, essa diminuição será constante”, corrobora o diretor do Unibanco. Para ele, porém, existe a preocupação com relação à pressão da inadimplência e à rentabilidade. Para ambos os casos, ele recomenda algumas soluções que já são aplicadas em várias instituições. “Uma delas é a chamada ‘inteligência analítica’, em que se tem um número maior e mais


evento acrefi consistente de informações. Com o birô positivo, podemos ter melhor qualidade na concessão de crédito. Para aumentar a rentabilidade da instituição, a oferta de serviços ao cliente, atraindo-o para a carteira, e a eficiência operacional em que se tem um spread mais baixo, deve-se ter um aumento no volume”, finaliza ele. Para a maioria dos analistas e executivos de finanças, a grande “vedete” do crédito em 2007 foi a área de veículos. Para falar, especificamente desse setor, a Acrefi convidou a sócia da MB Associados Tereza Maria Fernandez Dias da Silva. “As vendas internas estão em um cenário maravilhoso e devem continuar crescendo, mas não como hoje. Isso inibe, cada vez mais o mercado externo de autos”, analisa Tereza Maria. Outros fatores que poderão inibir o crescimento desse mercado são macroeconômicos, como o crescimento mundial menor, da ordem de 4,5%, e, conseqüentemente, a aceleração brasileira contida. No setor externo, os fundamentos seguem bem, mas o saldo comercial começa a se reverter. Algum suporte no câmbio começa a aparecer; a inflação fica dentro da meta, porém maior; e os juros caem menos. Além disso, há expansão dos gastos correntes e da carga tributária. Falando especificamente do setor automobilístico, Tereza Maria mostrou que a produção em 2006 foi de 2,6 milhões de unidades e que, em 2007, deverá superar os 3 milhões, se aproximando perigosamente da capacidade instalada no País, que é de 3,5 milhões de unidades. “O mercado brasileiro de autos está crescendo fortemente, e a capacidade de produção está chegando ao limite. Isso pode ser um problema no futuro, pois os investimentos para aumento de produção, nesse setor, são elevados e de médio para longo prazo”, alerta a consultora. As vendas internas cresceram 18,5%

em 2006, com destaque para os ônibus (19,8%) e comerciais leves (33,6%). Em 2007, todos os segmentos vêm surpreendendo: a venda de automóveis e comerciais leves cresceu 28%; a de caminhões, 28%, com destaque para os pesados, com 40%; e a de motos, um incremento de 28%. As exportações tiveram, em 2006, queda de 6,1%, e seguem caindo em 2007. A expectativa é de uma desaceleração na ordem de 6,5%. As importações estão subindo rapidamente, já acumulando, até outubro, crescimento de 100%. “Um dos fatores que impulsionaram o mercado interno foi o crescimento do crédito junto com o aumento de prazo. Além disso, a ampliação nos mesmos patamares para o mercado de usados deu consistência para o mercado de novos”, salienta. Apesar do crescimento da produção nos últimos dois anos e da perspectiva de continuidade de aquecimento do mercado interno, o setor preocupa no médio prazo, principalmente em relação à sua produtividade diante de outros países. A consultora vê algumas difi culdades do setor, como o fato de o custo do trabalho no Brasil ser mais

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do que o dobro do que na maioria dos países asiáticos, em especial na China e na Índia; a valorização do real tem tornado a tarefa de exportar cada vez mais difícil, mesmo para as empresas mais modernas; as exportações só não caíram mais porque o mercado mundial está muito aquecido; os impostos no Brasil totalizam 30% do valor do produto para os veículos 1.0, 35,6% nos veículos entre 1001 e 2000 cc e 45,1% nos demais (a Itália tem carga de 16,4%; a Espanha, de 13,8%; e EUA chegam a 6,6%). “Porém existem inúmeras possibilidades para o setor no longo prazo”, diz Tereza Maria da Silva, finalizando “a nossa diferença positiva está concentrada no nosso diferencial na engenharia e, portanto, na exportação de tecnologia de automóveis, como a tecnologia do biocombustível, desenvolvimento e adaptações de projetos para outras regiões do mundo, já desenvolvemos o chamado carro mundial (Fox, Ecosport); nossos ônibus são exportados para diversos países a partir do desenvolvimento de chassis resistentes e leves, o que também ocorre nas linhas de caminhões e tratores.” FINANCEIRO


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seminário

Perspectivas do crédito para 2008 Acrefi e Serasa promovem encontro de especialistas para discutir previsões por modalidade de crédito Fotos: Mario Miranda

Para fechar o ano com chave de ouro, a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi ), em parceria com a Serasa, convidou especialistas para o seminário “Perspectivas do Crédito para 2008 por Modalidade de Carteira”. Para compor a mesa, além dos anfitriões, Ricardo Loureiro, diretor de produtos pessoa física da Serasa; e Érico Sodré Quirino Ferreira, presidente da Acrefi, estavam presentes Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados; Osvaldo Correa Fonseca, diretor geral da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip); Rafael Cardoso, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Leasing (Abel); e Gunnar Murillo, diretor comercial do Banco GMAC. Ricardo Loureiro deu início ao evento, dizendo que “as perspectivas do ano, para a Serasa, são muito boas. Tivemos um ano com aumento significativo das carteiras e, apesar disso, não devemos nos descuidar com o crédito”. O presidente da Acrefi, Érico Ferreira, comemorou o quinto ano consecutivo de crescimento de dois dígitos no financiamento de veículos: “Ao que tudo indica, 2008 será um ano ainda melhor. Já para 2009, não podemos afirmar nada, será preciso ver como ficará a economia durante este ano.” Ele foi veemente na contestação de alguns executivos e economistas

que afirmaram que o crédito para o setor automotivo poderá tornar-se um problema parecido com o “subprime” americano, pois não há a menor condição para isso acontecer. “Não existe essa possibilidade, pois a inadimplência neste setor continua em baixa, sem contar com o tipo de bem financiado. Hoje, as empresas se permitem trabalhar com uma taxa de juros menor, ajustando o tamanho das prestações aos bolsos dos consumidores”, afirma Ferreira. “Há 20 anos, era impossível fazer uma previsão para o ano seguinte.” Dessa maneira, Sérgio Vale começou sua palestra sobre macroeconomia. Para ele, hoje isso é possível pela estabilidade dos fundamentos da economia mundial e nacional. No cenário internacional, o economista não vê muitos problemas afetando o Brasil. Ele não acredita que a desaceleração da economia americana vá pressionar a brasileira, pois o FED (banco central americano) tem espaço suficiente para atuar e baixar suas taxas de juros, ativando, assim, a economia local, apesar dos preços dos imóveis em franca queda, coisa que não acontece há cerca de 200 anos. Segundo dados do FMI, a economia americana deverá crescer 1,9% em 2008 e a brasileira, cerca de 4,5%. Um dos pontos cruciais para o cenário interno é o preço do petróleo, porém sem representar tanto problema quanto na crise da década de 1970. “O choque de agora é mais

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lento, e os preços do petróleo estão subindo há sete anos, desde 2000; portanto, o impacto é bem menor”, salienta Sérgio Vale. Para ele, as crises internas são mais preocupantes. Apesar de a balança comercial estar segura, ela vem desacelerando há algum tempo. Esse fator não causará problemas para 2008, mas, para os anos seguintes, pode ser. “O déficit das contas-correntes é alto, porém amplamente financiável pela entrada de capital de qualidade. Estamos com uma reserva de cerca de US$ 250 bilhões. A inflação está sob total controle das autoridades monetárias, devendo ficar abaixo da meta em 2008, apesar de o setor de alimentos ser um dos pontos críticos no primeiro semestre”, comenta. Com inflação controlada, preços monitorados e administrados sem causar problemas nesse ano e no seguinte, as taxas de juros deverão ceder pouco, terminando 2008 na faixa de 10,25% ao ano. Além desses pontos, Vale salienta a estabilidade do desemprego, em 9,4% em 2007, e 8,5% em 2008; a recuperação da classe média, retornando ao consumo; e a baixa inadimplência. “Com isso, podemos afirmar que o crédito contratado terá crescimento de 18% no setor de veículos, e o comércio terá crescimento em todas as regiões, sem haver disparidades. O PIB deverá crescer 4,5%; a massa real de rendimento aumenta cerca de FINANCEIRO


Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados

Osvaldo Correa Fonseca, diretor geral da ABECIP

Rafael Cardoso, presidente da Abel

Gunnar Murillo, diretor comercial do Banco GMAC

ACREFI

4,4%; e a taxa de investimento sobre o PIB deverá ser de 18,3% em 2008”, visualiza Sérgio Vale. Para Osvaldo Correa Fonseca, o crescimento do crédito imobiliário será sustentável, o que vem ocorrendo desde 2004, com grande ênfase no ano passado. Ele afirma que, de 2002 até meados de 2006, a captação da poupança foi negativa e que os financiamentos com origem nessa modalidade devem chegar, ao final de 2007, a R$ 18 bilhões, crescimento de mais de dez vezes, comparado com os números de 2002 (R$ 1,7 bilhão). “Para se ter uma idéia, a expectativa no princípio de 2007 era de que o ano fecharia em R$ 12 bilhões em financiamento, mas percebemos um crescimento de 90% com relação a 2006. Para 2008, esperamos, no mínimo, um incremento de 25%, nas modalidades poupança e FGTS”, alerta Fonseca. Segundo Fonseca, no ano passado foram financiadas 180 mil unidades, no total. Ele percebe uma possibilidade de maior crescimento nos financiamentos baseados em FGTS, pela recuperação do emprego e da renda do brasileiro e, também, em função do marco regulatório que deu mais segurança para os bancos aplicarem no setor. Em 2008, não haverá problemas de aplicação, e o volume será irrelevante, pois o retorno ficará em torno de 5% ao ano, com operações sadias. Para ele, os recursos da poupança serão suficientes para cobrir o crescimento do mercado. “Como aumentar as operações de crédito imobiliário? É preciso maior flexibilização das condições de contratação, como prazos mais adequados, juros mais baixos e maior cota de financiamento. O mercado é altamente promissor. Há três anos, o consumidor precisava de 11,79 salários mínimos para conseguir um financiamento de R$ 80 mil, em 120 meses. Hoje, são necessários 6,34 salários mínimos para um financiamento de

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Para que o crescimento se sustente, será preciso melhorar a captação de recursos no mercado secundário, o de securitização, com CRI

R$ 120 mil em um prazo de até 30 anos”, esclarece Fonseca. Porém, há vários desafios que o setor precisa encarar, como a diminuição do déficit habitacional, que está próximo de 8 milhões de unidades (para esse déficit não crescer, será preciso construir 1,7 milhão de unidades por ano e fazer crescer o volume de crédito imobiliário). Hoje, a relação de crédito-PIB é de 4%. Segundo Osvaldo Fonseca, se o estoque atual continuar crescendo, essa relação poderá chegar a 15% em 2015. “Porém, para que o crescimento se sustente, será preciso melhorar a captação de recursos no mercado secundário, o de securitização, com CRI. No mundo, não é a poupança que movimenta esse mercado e sim os CRI”, alerta. As expectativas são as mais promissoras. Para 2008, o volume de financiamento deverá chegar a R$ 22,5 bilhões, com 233 mil unidades. “Nós estamos projetando crescimento de 20% ao ano, até 2010, quando o volume deverá chegar a mais de R$ 31 bilhões e 336 mil unidades financiadas”, finaliza Fonseca. Com crescimento de 53% até setembro de 2007, com relação a dezembro de 2006, o leasing está em franca expansão, principalmente no setor de automóveis. No ano passado, até setembro, o volume total em carteira era de R$ 52,1 bilhões, com mais de 965 mil novos contratos fechados. “Para nós, esse crescimento já era esperado, pois, desde 2002, o leasing vem sendo uma das principais modalidades de financiamento, principalmente para pessoa física. Dá


seminário para perceber isso vendo os números: daquele ano até setembro de 2007, o crescimento foi de 442%, indo de R$ 9,6 bilhões para o volume atual”, comenta o presidente da Abel, Rafael Cardoso. Hoje, no Brasil, a pessoa física é a que mais utiliza essa modalidade de crédito, com 55,88%. A área de serviços tem um percentual de uso de 21%; a indústria, de 10%; e o comércio, de 9,5%, com a maior parcela das operações realizadas com custo prefixado (94,13%). A maioria das operações é realizada para aquisição de veículos e afins (83,9%), seguida de máquinas e equipamentos, com 12,19% dos contratos, e equipamentos de informática, com 1,59%. “Setores produtivos relevantes para a economia brasileira, como o automobilístico, encontram no leasing um forte aliado. A participação do arrendamento mercantil nesse mercado apresenta um substancial crescimento. No primeiro semestre de 2007, sua participação foi de 24%”, argumenta Cardoso. Algumas características do leasing o tornam atrativo e contribuem para seu forte crescimento: é flexível e ajustável às necessidades do arrendatário; é fácil e rápido na contratação (no setor de autos, há possibilidade de contratação de financiamento em até dez minutos); apresenta contratos de longo prazo; tem custo final competitivo (hoje, existe uma acirrada competição entre os operadores); tem condições tributárias adequadas, com carga menor; fomenta a inovação tecnológica, com a troca do bem ao final; e possui adequação ao fluxo de caixa. “Com a conjuntura econômica atual, o consumidor e o empresário podem planejar a longo prazo. Nesse ponto, o leasing é a forma que pode melhor auxiliar a crescer ou adquirir um bem mais atualizado”, salienta ele. Para o futuro, os sinais de que as operações de leasing continuarão com sólido crescimento vêm da junção

de vários fatores, como a continuidade de quedas das taxas de juros, o franco restabelecimento da confiança do mercado, a expectativa de crescimento do PIB, o amplo desenvolvimento da modalidade operacional, os fortes avanços na legislação do leasing e a crescente utilização pelo setor de máquinas e equipamentos. “Com tudo isso e a certeza de que os indicadores da economia nacionais ficarão estáveis, o leasing vai crescer muito acima do PIB, cerca de 25%”, finaliza Rafael Cardoso. Para falar de crédito ao mercado de veículos, Gunnar Murillo iniciou demonstrando que o mercado está em franco e constante crescimento. Para este ano, a expectativa é de 2,4 milhões de veículos vendidos no mercado interno, com produção de 3 milhões de unidades, aumento de 25% com relação ao ano passado. Somente neste ano, o Banco GMAC revisou esses números várias vezes, indo de uma perspectiva de 2,1 milhões de veículos, no começo de 2007, para o número atual. Para este ano, Murillo acredita que a indústria irá produzir 10% a mais do que no ano passado (3,3 milhões de unidades), e o mercado interno terá um crescimento menor, de cerca de 6%, chegando a 2,6 milhões de unidades. O executivo ressalta que a grande disputa de mercado está entre as três maiores montadoras do País: Fiat, Volkswagen e GM, vindo a Ford um pouco atrás, porém todas concorrendo muito em preço. Ele alerta que as concessionárias, hoje, estão diminuindo suas margens e que, talvez, o financiamento seja a mais importante fonte de receita dessas empresas. Hoje, a indústria vende o que produz, ficando alguns modelos com espera de até três meses. “Nos últimos anos, as formas de compra e venda de veículos foram se alterando. Em 2000, o consórcio tinha uma participação bastante significativa, de 19% das vendas de veículos,

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Quanto maior o prazo, mais clientes se interessam em adquirir um veículo, porém, como será o futuro desse negócio?

passando para 4% em 2007. Hoje, o consumidor tem outras formas mais interessantes de financiamento. O leasing, por exemplo, teve participação pequena no início desta década [3% em 2001/02] e passa a ter uma importância enorme hoje, com 24% de todas as compras de carro. Somado ao CDC, vai para 67%”, esclarece Murillo. Porém, um dos fatores que mais contribuíram para o crescimento desse mercado é a queda nas taxas de juros, sendo a mais baixa de todos os financiamentos para aquisição de bens em todo o País, o que também auxiliou na troca de dívidas, com juros mais altos, além do alongamento de prazos. Mas o executivo vê desafios, principalmente nos prazos, cada vez maiores, que estão sendo oferecidos, 34% dos financiamentos já são de 60 meses, contra 15% em 2006; e 11% acima de 60 meses, contra apenas 4% em 2006. Para este ano, ele acredita que mais da metade das vendas financiadas será em um prazo de 60 meses ou mais. Quanto maior o prazo, mais clientes se interessam em adquirir um veículo, porém, como será o futuro desse negócio? “Como vamos fazer esse cliente trocar seu bem, por um novo, no prazo histórico entre três e quatro anos. Essa tendência é uma das grandes preocupações do negócio de automóveis. Existe a necessidade de quebrar algumas regras burocráticas, internas e de legislação. Uma das idéias é oferecer um produto com prazo curto e prestação baixa, resíduo e recompra, para que o cliente quite o financiamento anterior e comece outro, novo. É o chamado círculo virtuoso da indústria do crédito”, finaliza Gunnar Murillo. FINANCEIRO


tecnologia

Leitura biométrica para garantia de segurança de acesso MARCO SANTIAGO, GERENTE DE PROJETOS DO CESAR

Normalmente, a segurança de acesso é garantida por algo que o indivíduo tem ou carrega consigo: uma senha, cartão magnético ou crachá. O uso da biometria vem para quebrar esse paradigma, introduzindo a “senha” baseada no que o usuário é. O termo biometria pode ser definido como o uso de padrões comportamentais e/ou físicos para identificar unicamente um indivíduo. As técnicas são classificadas em físicas e comportamentais. O reconhecimento baseado em dados biométricos físicos vem tomando corpo com o passar dos anos, a começar pela impressão digital, antiga conhecida presente em nosso RG e outros documentos, e findando com reconhecimento facial em três dimensões. Existem várias outras técnicas sendo estudadas e testadas no mercado, como: reconhecimento de retina, íris, impressão da mão, formato das veias das mãos e dedos, imagem térmica do rosto e até opções futurísticas, como reconhecimento do formato da orelha, odor, salinidade do corpo etc. As técnicas mais aceitas pelo público são as menos intrusivas, visto que o desconforto causado no momento da coleta das informações em algumas das técnicas é fator decisivo. Enquanto em algumas situações basta estender sua mão sobre algum dispositivo, sem a necessidade de nem sequer tocá-lo; em outras é ACREFI

necessário tocar o aparelho ou parar por alguns segundos numa posição específica ou, ainda, aproximar o rosto a poucos centímetros do dispositivo de captura. Por isso, quanto menos intrusiva a técnica, mais fácil a aceitação por parte do usuário. Mas e quanto à segurança e aplicabilidade das técnicas para controle de acesso? Nesse caso, vários aspectos devem ser considerados, dentre os quais os principais são: • Precisão: relação entre falsospositivos e falsos-negativos. • Abrangência: qual a população passível de teste? Existem limitantes? • Desempenho: numa base de dados grande, a velocidade de resposta é aceitável? • Longevidade: a característica biométrica muda muito com o passar do tempo? • Vulnerabilidade: quão fácil é fraudar a característica investigada? Existem vários estudos disponíveis na internet, comparando as técnicas biométricas com relação a esses e outros fatores. O mercado vem adotando algumas técnicas como suas preferências. Segundo relatório do International Biometric Group (IBG) de 2003, 52% do mercado é destinado a aplicações que usam impressão digital. Outros 11,4% ficam sob domínio de reconhecimento facial e 2,4% para assinatura. Técnicas mais novas estão aparecendo no mercado; o reconheci-

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mento das veias das palmas das mãos vem sendo testado em caixas eletrônicos por bancos brasileiros, e outras técnicas mais elaboradas estão em fase de testes internos. O investimento no mundo em biometria é bem grande – um estudo realizado pelo IBG em 2002 aponta que os investimentos no período de 2002 a 2007 em sistemas biométricos devem atingir o patamar de mais de US$ 12 bilhões (sem contar estudos com DNA, categorizados separadamente). O futuro aponta para o uso de técnicas biométricas mescladas que podem aumentar o desempenho e confiabilidade da solução. Imagine o cenário de um caixa eletrônico ou uma porta de segurança em que o usuário coloca a mão espalmada sobre uma estrutura acrílica, sem tocá-la e olha para um ponto de luz vermelha a sua frente. Nesse momento, podem ser combinadas técnicas de reconhecimento das veias da mão ou dedos com íris, ou retina, ou ainda rosto. São inúmeras as possibilidades de combinação entre as técnicas. Esses sistemas são chamados formalmente de Sistema de Identificação Pessoal Multibiométricos ou Multimodais. E farão parte do futuro da biometria comercial. Referência: CAVALCANTI, George Darmiton da Cunha. “Composição de Biometrias para Sistemas Multimodais de Verificação” Tese de Doutorado, Ciência da Computação, Universidade Federal de Pernambuco, 2005.


infra-estrutura

Flávio Roberto Guarnieri

Energia: preocupação se amplia TEREZA MARIA FERNANDEZ DIAS DA SILVA, SÓCIA DA MB ASSOCIADOS

Não é a primeira vez que falamos sobre a preocupação do risco de déficit de energia no Brasil, o que pode se tornar um impeditivo para o crescimento do País em percentuais superiores a 4% ao ano, entre os anos de 2008 e 2011. Os atrasos nos leilões e na construção de novas hidrelétricas empurravam o risco para o fim da década, mas problemas de abastecimento de gás anteciparam, já para o próximo ano, a possibilidade de problemas. Nas nossas estimativas anteriores, tínhamos como premissas básicas que o regime de chuvas seria normal e que a elasticidade entre o crescimento do PIB brasileiro e a demanda de energia seria de 1. Até o momento, o primeiro ponto está sendo observado. Contudo, já fica claro que a demanda de energia está crescendo acima do parâmetro esperado1. Já contávamos, nas nossas previsões, que era muito provável haver restrições na oferta do gás 2 e que, se confirmasse, os problemas poderiam começar em 2008. Na verdade, em outubro de 2007, foi confirmada a restrição de oferta de gás natural por parte da Petrobras 3 . Esse sinal foi preocupante porque implicou comprometimento de crescimento de demanda (novos investimentos), além das implicações nas empresas que

A preocupação que fica é que as empresas distribuidoras e os seus consumidores podem ser pegos de surpresa, sem o abastecimento do gás

já atuam com esse tipo de energia. A escassez do produto foi causada pela limitação da oferta da Bolívia 4 e pelos atrasos nos investimentos locais (extração e transporte) que se somaram a uma política de preços mal operada5 . A preocupação que fica, depois desse episódio, é que as empresas distribuidoras e os seus consumidores podem ser pegos de surpresa sem o abastecimento do gás. A restrição do gás torna imperativo que as chuvas ocorram

dentro da normalidade para que se mantenha a entrega de energia prevista. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reviu no final de novembro o nível da CAR 6 para o biênio 2008/2009 para o submercado Sudeste/Centro-Oeste. O nível da energia máxima armazenada nos reservatórios em 2008 é de 53% e 47% em 2009. A previsão anterior era de 65% para janeiro de 2008 e 37% para janeiro de 20097. Essa alteração feita pelo ONS ocorre logo após a emissão pública da preocupação do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de que a curva anterior iria obrigar a Petrobras a despachar gás para todas as térmicas incluídas no TC, o que, com certeza, repetiria os problemas que já ocorreram no mês de novembro. A impossibilidade de aumento de oferta em um período curto de

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Analistas do setor já estimam que a elasticidade esteja próxima a 1,15. Já em 2006, faltaria gás se fosse necessário fazer o despacho para as termelétricas. 3 A empresa limitou temporariamente a entrega do gás natural às distribuidoras do Rio e de São Paulo aos volumes contratuais para garantir a geração de energia das usinas de gás natural. 4 A produção da Bolívia atualmente é insuficiente para garantir qualquer aumento de suprimento ao Brasil. Na verdade, nos últimos meses, o país não tem cumprido o acordado de 30 milhões de m³/dia. O fornecimento médio dos últimos meses de 2007 foi de 24 milhões de m³/dia. 5 A Petrobras é monopolista no suprimento da produção doméstica e do gás importado. 6 Curva de Aversão ao Risco. 7 A nova previsão abrange os armazenamentos mínimos necessários para que, em nenhum mês do horizonte da CAR, o armazenamento equivalente do subsistema Sudeste /Centro-Oeste seja inferior ao seu nível mínimo de segurança. O ONS usou a afluência do quarto pior biênio da história para hidrologia: 1933/1934. 2

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FINANCEIRO


Gráfico I - Nível dos Reservatórios - Sudeste/Centro-Oeste

tempo 8 e o crescimento da demanda em uma velocidade superior às expectativas 9 já estão influenciando o preço da energia (Gráfico II). Na tentativa de equilibrar a oferta de gás, a Petrobras assinou contrato com a Golar LNG de afretamento de navios, com capacidade de regaseificação10 para entrega a partir do segundo semestre de 2008. As estimativas são de que o preço do gás a ser entregue esteja próximo a US$ 13/MMBTU11. Além dessa opção, o óleo combustível já vem sendo utilizado como fonte alternativa para equilibrar o sistema, mesmo sendo mais caro e mais poluente do que o gás natural. No dia 16 de outubro de 2007, foi realizado o 5º Leilão de Energia Nova12 , considerado bem-sucedido não apenas pelo volume negociado, mas também pelo retorno de investimentos hidrelétricos e do aumento da participação da iniciativa privada, que representou 70% da energia vendida. Mas alguns pontos evidenciam a restrição de oferta do gás. Do total negociado, 69% são projetos de geração térmica, que correspondem a 1,6 GW, mas nenhum deles a serem supridos por gás natural brasileiro ou boliACREFI

No cenário pessimista, o risco no Nordeste já é próximo a 10% em 2008, se agravando em 2009, em quase todas as regiões

viano. Os 22% da geração térmica referentes a Usina Santa Cruz Nova serão gerados a partir da importação de GNL, a ser contratado no mercado spot e, portanto, sem garantia de preço13 . As demais usinas irão gerar energia (térmica) a partir de carvão (58%) e do óleo combustível (20%). Com esses resultados e a confir-

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mação da escassez do gás, novas previsões de risco de racionamento foram feitas pelo ONS e pelo Instituto Acende Brasil. O ONS prevê, no seu cenário otimista (PIB = +4,0%; consumo de energia = +4,9%; e contratação da totalidade da oferta), que o risco de racionamento só começa a preocupar a partir de 2009 na Região Nordeste e em 2011 na Região Sudeste/Centro-Oeste também. No cenário pessimista (PIB = +4,8%; consumo de energia = +5,8%; e atraso de um ano no TC14 ), o risco no Nordeste já é próximo a 10% em 2008, se agravando, em 2009, em quase todas as regiões. Os números do Instituto Acende Brasil também apontam para um risco elevado. No cenário otimista (PIB = +4%; e consumo de energia = +4,7%; sendo

A Petrobras não está conseguindo disponibilizar a quantidade prevista de gás natural no seu plano estratégico, a Bolívia tem entregado volumes inferiores a 30 milhões de m³/dia e a oferta adicional de energia hídrica foi reduzida, fazendo com que aumentasse a dependência do gás. 9 Além do crescimento econômico, os hábitos de consumo da população voltaram ao patamar anterior a 2001 (período pré-racionamento). 10 São dois navios de capacidade de aproximadamente 80 milhões de m³ para despachar 14 milhões de m 3 e 7 milhões de m³ ao dia para o Rio de Janeiro e Ceará, respectivamente. 11 1 MM de BTU = 0,28m³. 12 A entrega de energia desse leilão será apenas a partir de 2012. 13 Como esse mercado é pequeno, a sua volatilidade é muito grande. 14 TC = Termo de Compromisso da Petrobras, cujo tema principal é um cronograma informado pela própria Petrobras para a restauração da capacidade de geração de cada usina termelétrica, associado a eventos específicos na área (chegada de GNL, finalização de gasodutos etc.)

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infra-estrutura Gráfico II - Preço de Energia Elétrica R$/MW/h

200 SE/CO

S

NE

N

150

100

50

0 out/05

dez/05

fev/06

abr/06

jun/06

ago/06

out/06

dez/06

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jun/07

ago/07

out/07

Fonte: CCEE. Elaboração: MB Associados.

ofertado o total da geração das térmicas previstas no TC e 100% da oferta do Proinfa), o risco severo15 tem o seu pior ano em 2009, quando atingirá 5% e vai caindo até 4% em 2011. Já no cenário pessimista (PIB = 4,8%; e demanda de energia = +5,5%; havendo um atraso de um ano na oferta do GNL e 75% da oferta considerada no Proinfa será entregue), o risco severo de decretar racionamento é de 6,0% em 2009 e cresce até 7,5% em 2011. De acordo com as expectativas da MB Associados, o PIB brasileiro deverá crescer entre 4% e 5% nos próximos anos, o que indica, pelas previsões acima descritas, um risco

Parece ser o mais provável que o atual governo adote uma política mais agressiva de aumento de preços, induzindo uma diminuição de demanda

elevado de termos problemas de déficit de energia que poderão, no limite, levar ao racionamento. Por outro lado, temos a convicção de que o presidente Luiz Inácio da Silva fará de 15 16

tudo para evitar o racionamento, pois ele sabe o que isso custou ao então presidente Fernando Henrique Cardoso. Assim, parece ser o mais provável que o atual governo adote uma política mais agressiva de aumento de preços, induzindo uma diminuição de demanda e evitando a necessidade de racionamento. As indicações são de que a indústria será a primeira a ser atingida, seguida do comércio e, somente no final, se necessário, na população de maneira geral, evitando-se ao máximo que a população de baixa renda seja atingida16.

Corte de mais do que 5% da demanda média. Este artigo foi escrito com dados disponíveis até o dia 30 de novembro de 2007.

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FINANCEIRO


artigo

Arquivo ACREFI

O seguro compreensivo de automóveis e os contratos de financiamentos de veículos

De janeiro a outubro de 2007, foram roubados ou furtados 308.019 veículos, dos quais 140.886, ou 45,7%, foram recuperados, e 99,1% deste montante, ou 139.588, devolvidos aos seus proprietários. Isso nos dá um líquido de 167.133 veículos que desapareceram de circulação, com destinos diversos, desde o desmanche para o aproveitamento de peças, provavelmente a maior parte, até o uso em áreas remotas e sem fiscalização. Uma parcela pequena foi levada para o exterior. Esses números, nada reconfortantes, agravam significativamente os negócios das seguradoras e instituições financeiras, exigindo continuamente a utilização de novas técnicas de controle e monitoramento dos veículos, o que requer novos investimentos em tecnologia e sistemas. A tabela desta página demonstra a gravidade e a localização prioritária do problema de roubos e furtos de veículos. As indenizações por roubo e furto de veículos representam hoje cerca de 50% do custo do seguro de automóveis, o que limita a ampliação da venda desse produto para os proprietários de renda inferior a dez salários mínimos. A frota registrada no Denatran é de 48,4 milhões, mas a real é estimada entre 39 milhões e 40 milhões de veículos, e os segurados são 11 milhões, ou 28%. Há um enorme espaço para crescimento, limitado, todavia, pelos fatores ACREFI

HORACIO L. N. CATA PRETA, DIRETOR EXECUTIVO DA CENTRAL DE SERVIÇOS FENASEG/CNSEG

Estado

Quantidade roubos/furtos

SP RJ RS MG PR PE DF SC BA Subtotal Demais Total

148.520 42.638 26.756 14.557 13.880 7.930 7.749 7.435 6.510 275.975 32.044 308.019

Fonte: Denatran

Quantidade recuperados 56.024 18.933 17.825 4.833 7.182 5.540 5.377 4.063 2.466 122.243 18.643 140.886

% de recuperação 37,7 44,4 66,6 33,2 51,7 69,9 69,4 54,6 37,9 44,3 58,2 45,7

Quantidade devolvidos

% de devolução

54.469 19.968 17.516 4.897 7.120 5.548 5.179 3.716 2.549 120.962 18.626 139.588

97,2 105,5 (*) 98,3 101,3 (*) 99,1 100,1 (*) 96,3 91,5 103,4 (*) 98,9 99,9 99,1

(*) Incluí veículos recuperados em ano anterior e devolvidos em 2007.

preço do seguro, fraudes, roubo e furto e custo de reparos e reposição de peças originais, sendo este último item também importante na composição do custo do seguro. A Fenaseg tem adotado importantes iniciativas para reduzir a sinistralidade da Carteira de Automóveis, como as consultas prévias às bases do Denatran; a Central de Bônus; o Projeto Fronteiras – para monitoramento e registro da movimentação de veículos nas fronteiras do País; o estímulo à implantação dos Pátios Legais para recolhimento de veículos recuperados; e convênios com entidades públicas e privadas para permitir o acesso a diversas bases de dados que possibilitem mitigar os riscos e as fraudes nesse tipo de seguro. Também as instituições financei-

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ras são afetadas pelos roubos e furtos de veículos financiados, especialmente quando não estão segurados. A perda do patrimônio do financiado torna-o um potencial inadimplente, e a execução para a retomada do bem passa a ser quase inócua. Normas recentes do Contran e Denatran passaram a exigir a colocação de placas eletrônicas ou chips (a partir de maio de 2008) e rastreadores (a partir de maio de 2009) nos veículos que permitirão efetuar um controle mais efetivo do trânsito e dos veículos com algum tipo de irregularidade. Considerando a dificuldade de implementação dessas novas tecnologias, ainda teremos de conviver alguns anos com as estatísticas em crescimento. (catapreta@fenaseg.org.br)


análise econômica

Arquivo Acrefi

Perspectivas para a política monetária em 2008 CARLOS THADEU DE FREITAS GOMES, EX-DIRETOR DO BANCO CENTRAL E ECONOMISTA-CHEFE DA CNC

Arquivo Acrefi

MARIANNE LORENA HANSON, ECONOMISTA DA CNC

Apesar do câmbio apreciado, as exportações continuaram a apresentar crescimento, devido principalmente ao efeito dos preços das commodities, que seguem elevados enquanto as perspectivas de crescimento global ainda são boas

O ano de 2007 foi bom para a economia brasileira. O cenário externo seguiu ajudando o País a obter resultados favoráveis em diversas áreas. Os destaques do ano foram o crescimento econômico robusto com estabilidade de preços e a forte entrada de capitais externos via investimento direto e em carteira. Para o início deste ano, as expectativas continuam positivas, mas, ao contrário do que vinha ocorrendo, o cenário externo passa agora a ser uma fonte de incertezas e turbulências. Nos últimos anos, as condições de liquidez elevada e queda de juros, num ambiente de estabilidade macroeconômica e crescimento da renda, proporcionou a expansão do crédito, particularmente o destinado a pessoas físicas para o financiamento do consumo. A dinâmica créditoconsumo tem impulsionado a demanda doméstica, gerando crescimento acelerado. A expectativa é de que o PIB cresça entre 4% e 5% este ano, ou seja, bem acima da média dos últimos anos. A inflação permaneceu baixa e mais uma vez o câmbio exerceu papel fundamental para manter os preços sob controle, permitindo a continuidade de uma política monetária expansionista até outubro. Apesar do câmbio apreciado, as exportações continuaram a apresentar crescimento, devido principal-

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mente ao efeito dos preços das commodities, que seguem elevados enquanto as perspectivas de crescimento global ainda são boas. Porém, a contribuição do setor externo para o PIB será negativa, pois as importações crescem de maneira acelerada. Contudo, a percepção dos investidores estrangeiros com relação ao Brasil continua favorável. Além disso, o diferencial entre a taxa de juros interna e externa ainda elevado e as perspectivas de estabilidade de preços e câmbio vêm atraindo capitais, tanto para investimentos diretos como para investimentos de curto prazo. Esses fatores fizeram do real uma das moedas mais valorizadas do mundo em 2007 e deve manter essa trajetória em 2008. Embora a inflação tenha se acelerado no segundo semestre, resultado de um aumento substantivo no preço de alimentos, os índices de preços ao consumidor, excluindo esses itens, continuam baixos, e as medidas de núcleo continuam estáveis. Os preços de serviços, que se beneficiam pouco com o câmbio baixo e são mais influenciados pelo nível de renda interna e preços de tarifas e produtos e serviços básicos, seguem em trajetória de queda, muito embora permaneçam acima dos índices cheios. Enquanto no acumulado em 12 meses, em outubro de 2007, a inflação ao FINANCEIRO


juros. O cenário mais provável é que o Banco Central venha a promover novos cortes na taxa Selic, pois, embora a conjuntura continue favorável, o ótimo desempenho de 2007 dificilmente se repetirá em 2008. No primeiro trimestre deste ano, fatores sazonais elevarão os índices de preços e, juntamente com as pressões ocorridas no segundo semestre de 2007, resultarão numa inflação alta em 12 meses. As incertezas nos mercados internacionais também permanecerão por algum tempo, até que se saiba o quanto a economia americana se desacelerará e os efeitos dessa desaceleração no crescimento global. Apesar de o crescimento interno observado hoje ser ditado pela demanda doméstica, o impacto de uma recessão americana pode atingir o País por diversos canais. Dessa forma, a pausa nos cortes da Selic deve se estender a meados de 2008, até que as incertezas internacionais se reduzam, e uma tendência de queda da inflação se confirme. O gráfico a seguir mostra o comportamento dos juros reais considerando uma Selic nominal de 10% ao ano em fim de período e um IPCA de 4,1% em 2008, com suas distribuições sazonais. Nota-se que o resultado da pausa do Banco Central é uma inversão na trajetória de queda da taxa de

consumidor de serviços foi de 4,7%; no mesmo período de comparação em 2006, havia sido de 5,7%. Em julho de 2004, logo antes de o Banco Central se preparar para voltar a subir a Selic, o IPA industrial acumulava alta de 14,4% em 12 meses. Em outubro de 2007, o mesmo índice acumulou, em 12 meses, alta de 3,6%. O crescimento acelerado da economia, acompanhado de um aumento considerável da utilização da capacidade instalada da indústria e de uma alta nos índices de preços, gerou dúvidas quanto ao comportamento da inflação e à condução da política monetária em 2008. A decisão do Banco Central pela pausa na redução da taxa de juros baseou-se no argumento de que a economia está próxima de ficar superaquecida em função do desaperto monetário já implementado. Dentro dessa perspectiva, o ritmo de crescimento superaria a estrutura econômica existente, e o nível atual de investimentos, mesmo que crescente, não seria suficiente para atender à demanda, gerando pressões inflacionárias. Entretanto, a trajetória da inflação atual e a esperada para os próximos anos estão ambas abaixo da meta, e os índices gerais de preços estão acomodados, dando espaço para o Banco Central voltar a baixar os

A pausa nos cortes da Selic deve se estender a meados de 2008, até que as incertezas internacionais se reduzam e uma tendência de queda da inflação se confirme

juros real ex-post no final de 2008, fazendo com que a política monetária se torne restritiva no cenário de cortes gradualistas da Selic. A estratégia ótima a ser perseguida seria a continuidade de quedas lentas nas taxas de juros, sem pausas, apesar dos possíveis lags de acomodação da política monetária. Contudo, sempre há riscos de o Banco Central ser preventivo demais e ter que cortar juros no futuro, ou ser generoso excessivamente e ter que compensar mais tarde. De qualquer maneira, tudo leva a crer que o ambiente macroeconômico em 2008 continuará sendo favorável à estabilidade cambial, que, por sua vez, manterá as expectativas ancoradas e os riscos inflacionários reduzidos.

Taxa de juros real ex-post – % ao ano 13,5 12,5

2005

2006

12,64

11,57

11,5 10,5

2007

9,5

2008

8,5

6,98

7,5

6,23

6,5

ACREFI

17

8

8

/0 8 ou t

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8

r/0 ab

n/ 0 ja

7

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5,5


mercado de crédito

Divulgação

O investidor deve ter tanta apreensão com CCBs?

A CCB permite a constituição de garantias atreladas ao título que podem protegê-la em caso de decretação de falência ou requerimento de recuperação judicial

GUSTAVO ALBERTO VILLELA FILHO, SÓCIO DO ESCRITÓRIO VILLELA E KRAEMER

Há muito tempo, o mercado clamava por um instrumento capaz de promover, de forma mais efetiva e segura para as partes envolvidas, a mobilização da riqueza e a circulação do crédito. Com esse alcance, foi concebida a criação de um título de crédito que pudesse tornar mais harmônicas e estáveis as relações jurídicas existentes entre o credor e o devedor: a Cédula de Crédito Bancário (CCB). A CCB é um título de crédito emitido por pessoa física ou jurídica em favor de instituição financeira ou de entidade a esta equiparada, representando promessa de pagamento em dinheiro decorrente de operação de crédito de qualquer modalidade, aplicandose a ela as normas de direito cam-

biário. Algumas vantagens podem ser apontadas: a) nas emissões primárias, propicia maior rotatividade por parte dos bancos no repasse da CCB a terceiros, dado o caráter de sua circulabilidade; b) maior confiabilidade, uma vez que são transferidas mediante endosso dentro do sistema eletrônico de negociação da Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip); c) no título, poderão ser pactuados os juros sobre a dívida, capitalizados ou não, os critérios de sua incidência, periodicidade de capitalização, correção monetária ou de variação cambial, conforme permitido em lei, mora, multa e demais penalidades; d) constituição de garantias;


e) maior segurança, especialmente se a CCB estiver em carteira de fundo de investimento, pois, no ativo representado pela CCB, deverá estar segregada a escrita contábil desse mesmo administrador, o que protege os cotistas em caso de falência do administrador. Logicamente, não existe imunidade total no tocante às fraudes que possam ser praticadas ou mesmo perdas produzidas pela má concessão do crédito. Alguns casos, como as perdas dos fundos de investimento do Banco Santos e, mais recentemente, do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), deixaram os investidores bastante apreensivos com a futura aplicação em FIFs lastreados em CCBs. A CCB, no entanto, permite a constituição de garantias atreladas ao título que podem, inclusive, protegê-la em caso de decretação de falência ou requerimento de recuperação judicial como ocorrido em alguns casos recentes. Por exemplo, no caso dos credores que sejam proprietários fiduciários dos bens dados em garantia, ficarão protegidos e livres para executar a garantia constituída, não ficando sujeitos aos efeitos da falência ou recuperação, com base na nova lei falimentar. Mesmo na recente “quebra” do Banco Santos, que administrava vários fundos cujas carteiras eram compostas em grande parte por CCBs, o Poder Judiciário tem rechaçado a linha de defesa adotada pelas empresas devedoras de que teriam

ACREFI

sido fraudadas nas suas relações com o banco. A Justiça tem dado ganho de causa aos investidores reunidos nos fundos, consagrando a tese da plena autonomia cambial e do princípio da literalidade, no sentido de que a obrigação é aquela estampada no título, e não nas relações jurídicas preexistentes entre o credor original e o devedor. Outro aspecto importante é a possibilidade da cobrança da dívida por meio de execução judicial, de forma mais ágil em função das recentes regras introduzidas na lei para as execuções judiciais, afora o fato de ser possível se proceder a penhora on-line em contas bancárias do devedor, assim como a sua inscrição em cadastro de inadimplentes (Serasa, SPC etc.). Em tempos passados, a cobrança de uma dívida com base em contrato de abertura de crédito era feita por meio de procedimento ordinário, o rito moroso, propiciando que o devedor postergasse o pagamento da dívida com discussões infindáveis sobre diversos temas. Por exemplo, a prática de anatocismo, cobrança de juros capitalizados e outros encargos, ainda que expressamente previstos em contrato, acontecendo, ainda, muitas vezes, que, ao final da demanda, o devedor já se encontra insolvente, ou seja, “ganhava, mas não levava”. Sem dúvida, a instituição da CCB propiciou uma verdadeira revolução no mercado financeiro, com a redução do spread bancário quando

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Com a criação das CCBs, ganha o mercado de crédito como um todo: as instituições financeiras, os fundos de investimento e os investidores

da concessão do crédito na origem, não só diante da diminuição dos riscos para o investidor como pela maior rotatividade no retorno da quantia emprestada. Com a criação das CCBs, ganha o mercado de crédito como um todo: as instituições financeiras, com o aumento de suas operações de crédito obrigando-as a exigir dos tomadores garantias compatíveis com o valor mutuado; os fundos de investimento, naturais destinatários do repasse desses créditos, com o crescente desenvolvimento de suas atividades; e, finalmente, os investidores, beneficiados com rentabilidades mais satisfatórias em suas aplicações. (gvillela@vk.adv.br) Autorizada a publicação na revista pelo autor. Texto originalmente publicado no Jornal Valor de 14/11/2007.


debate

Terceirização de serviços bancários WAGNER BALERA, SÓCIO DA ADVOCACIA PREVIDENCIÁRIA BALERA, GUELLER, PORTANOVA E ASSOCIADOS

O Ministério Público do Trabalho propôs a Ação Civil Pública 299/05 perante a 55ª Vara do Trabalho de São Paulo, na qual pretendeu discutir certos aspectos da terceirização de serviços realizada por instituição bancária. A discussão travada na referida ação permite um olhar sobre o fenômeno da terceirização e aponta para distorções que podem, por vezes, comprometer os avanços que se esperam dessa importante e prática atividade econômica. I - O mundo do trabalho É fora de dúvida que o mundo do trabalho se acha em fase de crescente, notável e dinâmica transformação. Desde que os operários organizaram-se em torno das corporações até a moderna sistemática das cooperativas de trabalho vai uma distância em que as variações em torno do mesmo tema são legião. É natural que assim seja. Ninguém mais imagina a criação de postos de trabalho na linha de produção de uma fábrica como proposta inicial de atividade. O fenômeno da terceirização tornou caduca tal idéia, assim como já não se cogita mais da permanência do trabalhador na mesma empresa por 20, 30 ou 40 anos. Os tempos são outros e a realidade é outra. Por detrás de tudo isso há diversos fatores cuja abordagem completa se tornaria impossível nos estreitos

A simplificação das estruturas trabalhistas, fiscais e previdenciárias nos afigura como exigência para o desenvolvimento

limites deste texto. Mas alguns são evidentes. E um dos que falam mais alto é o dos pesados encargos sociais que oneram a produção e, notadamente, o fator trabalho. Muito mais do que o trabalhador leva para casa como produto do seu trabalho, leva o Estado e sua imensa e ávida burocracia, em inversão de valores injustificável e insustentável. Evidentemente, diante de um quadro tão desalentador, os atores sociais buscam encontrar novos caminhos para oferecerem sua força de trabalho, posto que não querem ficar dependentes dos modestos programas de proteção social nem, muito menos, na cada vez maior zona de exclusão social. Aliás, já conta com mais de 40 milhões de brasileiros a zona de exclusão do mundo do trabalho, em grande parte composta por aqueles que jamais tiveram o seu “primeiro emprego”. Nenhuma reforma previdenciária – já foram realizadas três, desde 1988;

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portanto, os preceitos constitucionais estão sendo substituídos a uma velocidade média de 4,5 anos! – terá sucesso se não caminhar na direção de novos modelos de financiamento dos programas de seguridade social e de mais moderno relacionamento entre o Poder Público e os empresários e trabalhadores. O que se vê, além do multiplicar das reformas previdenciárias, sem que nada de substancial se altere em favor dos trabalhadores e de seus dependentes, é a crescente mudança de interpretação dos agentes públicos a respeito das relações de trabalho que, em conformidade com os permissivos legais, buscam conformar-se às transformações do mundo do trabalho a que fiz referência acima. Muitos são os trabalhadores que, em plena consonância com as diretrizes da legalidade previdenciária e fiscal, não serão enquadrados em atividade instrumental dentro da própria empresa. Esses serviços instrumentais que contornam a atividade nuclear, o negócio propriamente dito a que se dedica o empreendedor, serão executados, sem nenhuma perda de qualidade, por terceiros. Pode-se perceber claramente que quanto mais especializada a atividade, mais valioso é o tempo de utilização do trabalho daquele profi ssional por determinada empresa. A empresa preferirá, portanto, FINANCEIRO


que sua estrutura interna seja constituída pelo grupo de especialistas que tocarão o negócio rumo aos seus objetivos, enquanto que as tarefas instrumentais ou de suporte ficarão a cargo de terceiros para tanto habilitados. A vetusta figura do autônomo, surgida nos anos sessenta, não se ajusta mais à realidade do mundo do trabalho, onde são crescentes as exigências da burocracia fiscal para que alguém mantenha suas atividades em ordem, como querem e desejam as pessoas de bem. Hoje em dia, a simplificação das estruturas trabalhistas, fi scais e previdenciárias se nos afigura como exigência para o desenvolvimento não apenas das oportunidades de trabalho, num mundo que se transforma com a velocidade das comunicações pela Internet e por outros canais cada vez mais velozes, como igualmente para a melhor performance do aparelho fiscal. II - Origem e desenvolvimento da terceirização Decorrente do fenômeno designado pela doutrina de flexibilização, a terceirização surgiu da necessidade de as empresas concentrarem suas forças na atividade principal, acirrando a competitividade e a lucratividade. Com a 2ª Guerra Mundial, as indústrias bélicas viram-se obrigadas a delegar serviços de natureza periférica a terceiros para atender à demanda por armamentos. Deu-se, assim, início à descentralização da produção, com a inauguração de novas téc-

Decorrente do fenômeno designado pela doutrina de flexibilização, a terceirização surgiu da necessidade de as empresas concentrarem suas forças na atividade principal

nicas de administração que ficaram conhecidas mundialmente como subcontratação ou externalização. Por volta dos anos 60 e 70, com a crise do capitalismo mundial, observou-se o crescimento dos modernos métodos de gestão norte-americanos, aprimorados pelos japoneses (onde surgiu o toyotismo), decorrendo no enxugamento das empresas e na horizontalização das suas estruturas em atendimento ao novo regime de flexibilização). Com a nova técnica, verificou-se a desconcentração das etapas de produção, retirando-se da empresa várias atividades acessórias para propiciar maior agilidade. Portanto, a idéia de terceirizar se traduz na decisão da empresa em contratar serviços de terceiros, para o desenvolvimento de certas e determinadas tarefas. Disso decorre a proliferação de pequenas empresas especializadas que, atuando como satélites da empresa maior, implementam serviços que servem de suporte ao incremento do negócio central a que se dedica o empreendedor que as contratou. Trata-se de uma tendência mundial, conso-

ante assinalam MONZON e MATILLA, registrando que a empresa moderna passa a ser “algo abierto integrado al medio cuando este se há desarrollado com nuevos servicios”. A terceirização pode ser vista, resumidamente, como resultado de duas situações: a) a necessidade de redução dos custos da mão-de-obra, para adequar-se à competitividade do mercado globalizado, garantindo preços atrativos a seus produtos; e b) a concentração dos esforços do empreendedor na atividade principal da empresa, delegando para terceiros especializados a realização de atividades acessórias. Por se tratar de fenômeno relacionado à modernização dos métodos de administração, os estudiosos dessa ciência frisam que a terceirização é o que se convencionou chamar de “focalização”, ou seja, procura-se identifi car o foco de atuação da empresa e nele intensifi cam-se todos os esforços visando a reduzir os custos do produto final e aumentar a sua qualidade. A ciência da administração, por estar dissociada de qualquer ideologia, aponta como atrativos dessa nova forma de prestação de serviços a possibilidade de transformar custos fixos em variáveis, eliminar boa parte das operações não essenciais e liberar o capital para aplicação na melhoria do processo produtivo e em novas tecnologias. Para Luiz Carlos Amorim Robortella, dentre os estudiosos do assunto, aquele que deu a melhor das con-

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debate tribuições à compreensão do fenômeno, a terceirização inseriu-se defi nitivamente no processo econômico, indicando a existência de outro ator que, com competência, especialidade e qualidade, em condição de parceria, presta serviços ou produz bens para empresa contratante. Com efeito, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) há tempos reconheceu no processo de terceirização a tendência internacional que redefiniu o papel das fábricas e posteriormente expandiu-se para diversos outros setores da economia. Força reconhecer, por conseguinte, que o fenômeno forma parte do moderno cenário de organização empresarial, encontrando-se presente em suas estruturas. III - O direito brasileiro O eixo em torno do qual gravita toda a estrutura social pátria é o trabalho, erigido ao status de valor social pelo constituinte. Para qualquer avaliação do potencial de risco de uma atividade, portanto, tenho que me deter inicialmente nessa consideração situada no plano axiológico. Será tanto maior o risco de que a atividade seja considerada merecedora da melhor proteção social devida ao trabalhador – e, não nos esqueçamos, essa melhor proteção é a do estatuto jurídico do trabalhador consubstanciado na Consolidação das Leis do Trabalho – quanto mais ela se aproxime das categorias e dos conceitos fundamentais que já se consolidaram na doutrina e na jurisprudência como integrantes do conceito da relação de trabalho. A Constituição Federal consagrou, em seu artigo 170, o “livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei”. A Carta Maior assegura, ainda, a existência digna, que abarca a busca do pleno emprego (artigo 170, caput), destacando também a ordem

O expressivo número de empresas de prestação de serviços criadas nos tempos modernos exigiria a disciplina formal, em lei, dessa realidade

social, que tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bemestar e a justiça sociais (artigo 193). A busca do pleno emprego está relacionada à existência digna do trabalhador, haja vista que do salário advêm meios de garantir a própria sobrevivência. Partindo dessas premissas, ressaltamos que a terceirização não teve a atenção devida do legislador brasileiro. No plano da legislação ordinária, foram criadas duas leis que tratavam de subcontratação de empresas, demonstrando a tendência da descentralização em nosso sistema. Assim, na esfera privada, a Lei 6.019/74 tratou do trabalho temporário, enquanto que a Lei 7.102/83 disciplinou o trabalho de vigilância bancária. Com a Lei 8.863/94, a hipótese de terceirização na área de vigilância foi ampliada para toda a área de vigilância patrimonial, pública ou privada, inclusive para a pessoa física. Dessa forma, o trabalho temporário e a vigilância patrimonial são as duas hipóteses expressamente previstas em lei para a terceirização. De outra parte, a Lei 8.949/94 introduziu um parágrafo único no artigo 442 da CLT, estimulando as terceirizações por meio de cooperativas. O expressivo número de empresas de prestação de serviços criadas nos tempos modernos exigiria a disciplina formal, em lei, dessa realidade fática. Ocorreu, antes, a definição jurisprudencial de certa posição a respeito de tão momentoso tema. Tal orientação foi lançada, inicialmente, pelo Tribunal Superior do Tra-

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balho, em 1986, quando aquela Corte houve por bem emitir o Enunciado 256 de sua Súmula de Jurisprudência, que pretendeu orientar a interpretação judicial da matéria até dezembro de 1993, nos seguintes termos: Nº 256 Contrato de prestação de serviços. Legalidade. Salvo os casos de trabalho temporário e de serviço de vigilância, previstos nas Leis 6.019, de 3 de janeiro de 1974, e 7.102, de 20 de junho de 1983, é ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços. O restritivo entendimento adotado pelo TST foi severamente criticado. Como que expressando o sentir das mais expressivas vozes doutrinárias, o saudoso Otávio Bueno Magano asseverou: “... numa penada, o TST colocou na ilegalidade os contratos que habitualmente se fazem com mais de cinco milhões de trabalhadores rurais (os chamados bóiasfrias) e com cerca de um milhão de outros trabalhadores, ligados às empresas de conservação e asseio”. Percebe-se que a formulação inicial da mais alta Corte da Justiça do Trabalho vinha carregada de uma visão restritiva a respeito não apenas do fenômeno de que se cogitava como da própria dinâmica que, àquela altura, já transformara o mundo do trabalho. Revendo seu posicionamento, o Tribunal Superior do Trabalho revisou o Enunciado 256, publicando outro mais ajustado (tanto quanto possível) à realidade. Trata-se do Enunciado 331, de dezembro de 1993, cujo teor é o seguinte: Nº 331 Contrato de prestação de serviços. Legalidade. I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei 6.019, de 3 de janeiro de 1974). II - A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego FINANCEIRO


com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (artigo 37, II, da CF/1988). III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei 7.102, de 20 de junho de 1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistentes a pessoalidade e a subordinação direta. (grifamos) IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (artigo 71 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993). A hipótese prevista no inciso III é a que suscita maiores discussões por estar dirigida à atividade de terceirização, apontando o critério a ser adotado, que definirá a legitimidade dessa espécie de contratação. Temos que, para o TST, a existência da terceirização está relacionada ao preenchimento das seguintes condições: a. exercício da atividade-meio; b. serviço especializado; c. inexistência da pessoalidade; e d. inexistência de subordinação direta.

A atividade especializada pode ser entendida como a desenvolvida pelas fornecedoras de serviço de forma particularizada

Não obstante os avanços, os critérios adotados não sedimentaram a questão. A doutrina e a jurisprudência seguem debatendo sobre a dificuldade de ordem prática que consiste no estabelecimento da distinção entre atividade-fim e atividade-meio, especialmente diante dos complexos de produção de alta tecnologia, que tornam sutil a diferenciação entre elas. Ainda assim, devem ser tomadas na devida consideração as diversas condições catalogadas no citado Enunciado. De fato, a atividade especializada pode ser entendida como a desenvolvida pelas fornecedoras de serviço de forma particularizada, com especificações próprias, e não simplesmente a realização de todo e qualquer tipo de tarefa que interessa à tomadora. Por se tratar de atividade especializada, presume-se que a prestação de serviços apresente maior qualidade. Este último aspecto, evidentemente, coloca no conceito certo componente subjetivo de difícil aferição. Somente quem toma o serviço pode determinar se

este atende aos critérios ou padrões de qualidade que se lhe exigem. A atividade-meio, não menos polêmica, é aquela atividade ou serviço que não visa aos objetivos finalísticos da empresa. A doutrina especializada expressa o conceito de diversas formas. Arion Sayão Romita assevera que a questão está vinculada à atividade secundária da empresa: “A empresa tomadora celebra o contrato para a execução de suas próprias necessidades secundárias, porque afastadas da produção ou distribuição que constituem o objeto da sua atividade-fim”. Arnaldo Süssekind, por seu turno, discorrendo sobre a tal atividademeio, assim a define: “Aqueles misteres que não se enquadrem entre as atividades normais da empresa locatária e cujas condições especiais de execução justifiquem o apelo a sociedades civis comerciais para serviços especializados”. Frise-se que não obstante o Enunciado 331 tenha colacionado os critérios acima mencionados, a doutrina e a jurisprudência travam debate na tentativa de definir o que seja atividade-meio do tomador para fixar os limites da licitude da terceirização. IV - Evolução histórica e a atividade bancária O atual direito bancário constituiu-se, através do largo processo de expansão econômica e jurídica, de uma atividade limitada a estreitas balizas: a troca de moedas.


debate Deveras, com o capitalismo, verificou-se profunda alteração nas relações mercantis dando ensejo à utilização de instrumentos jurídicos, que, mesmo já conhecidos, foram desenvolvidos de sorte a garantir maior agilidade nas relações. Na Babilônia e no Egito, inaugurou-se um sistema bancário com, basicamente, a operação de duas atividades: a primeira, referente à troca de diferentes espécies de moedas; e a segunda, compreendida nos serviços de pagamento em lugares distantes, a fim de se evitarem os riscos do transporte de numerário. Na mesma época, cerca de seis séculos antes de Cristo, verificava-se, na Grécia, a realização de atividades bancárias caracterizadas por empréstimos, cujas taxas de juros oscilavam entre 12% e 18%, podendo ser majoradas em casos de riscos elevados, como nas longas viagens de navio. As conquistas romanas igualmente impulsionaram as atividades bancárias, tendo em vista o maior poderio econômico do Império. Inicialmente, havia a divisão por tipos distintos de banqueiros, uns realizando atividades de câmbio de moedas, enquanto outros operavam relações de crédito. Posteriormente, esses serviços passaram a ser feitos indistintamente por todos. Existem, ainda neste contexto histórico, dados que apontam a intervenção estatal e fi scalização por parte de funcionários públicos, bem como a necessidade de concessão para a realização da atividade. Semelhante ao formato atual, as atividades eram registradas em livros, divididos, na época, em três classes: um livro diário, que servia para contabilizar as operações segundo sua ordem cronológica; um codex accepti expensi, que corresponde a uma espécie de livro-caixa; e, por fim, um liber rationum, para registro das contas pessoais. Na Idade Média, com a queda do Império Romano, houve um forte golpe no movimento bancário, que voltou a ter alguma alta com o de-

Os bancos escoceses superaram a fase do crédito concedido com garantia real, passando à fase do crédito com garantia pessoal prestada por terceiros

senvolvimento da letra de câmbio, possibilitando, desta forma, a reclamação do pagamento de determinada quantia em local distinto de sua emissão. A partir do século 16, aparecem instituições de caráter público, quase sempre conectadas aos monopólios dos príncipes, e, na luta contra a enorme desordem monetária da época, foram criadas moedas próprias dos Bancos, com maior garantia do que a multiplicidade de espécies monetárias então em circulação. Na Idade Moderna, os ourives representaram um importantíssimo papel, tendo em vista que lhes eram confiados depósitos mediante a emissão de certificados (goldsmith notes) que circulavam com plena aceitação. Entretanto, os bancos vivenciaram falta de lastro impedindo que os depositantes recebessem importâncias que lhes foram confiadas, exigindo-se a criação de um monopólio bancário. Disso resultou a criação, em 1694, do Banco da Inglaterra, que previa operações sobre metais, adiantamento de mercadorias e a clássica negociação de letra de câmbio. Entretanto, a medida de maior destaque foi a criação do direito de emitir títulos. O Banco da Inglaterra, ainda que tivesse sido constituído como instituição privada, manteve constante relação com o governo, o que ajudou o período de dificuldades econômicas, bem como os bancos de menor porte, que se socorriam da sua emissão de títulos, tendo em vista possuir a única reserva metálica do país. Com o passar do tempo, a falta de organização sobre bases técnicas

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havia determinado o descrédito de muitos bancos privados, incapazes de fazer frente aos seus compromissos, por desconhecimento de princípios de liquidez bancária e pela confiança depositada em empréstimos do governo reiteradamente insolventes. Foram diversas as tentativas de fixação da proporção entre reserva metálica e os títulos em circulação, estabelecendo-se normas diversas sobre a obrigação de cobertura com efeitos mercantis ou títulos da dívida pública. Os bancos escoceses superaram a fase do crédito concedido com garantia real, passando à fase do crédito com garantia pessoal prestada por terceiros, o que foi seguido por outros países na Europa. A concessão dos créditos de caixa (cash credit) foi a forma inicial de abertura de crédito em conta corrente, já que o correntista estava autorizado a dispor de uma soma creditada até a importância fixada, utilizando cheques, e ao mesmo tempo reduzia sua dívida quando entregava dinheiro ao banco, fórmula que se difundiu rapidamente por suas inegáveis vantagens econômicas. A definição da atividade bancária mostra-se de suma importância para o presente trabalho, tendo em vista que, conforme tratado anteriormente, somente poderá ser caracterizado como serviço terceirizado aquele relativo às atividades-fim da empresa. Presentemente, a doutrina aponta a atividade exercida pelo banco como comercial: “cujo objetivo principal consiste na intromissão entre os que dispõem de capitais e os que precisam obtê-los, isto é, em receber e concentrar capitais para, sistematicamente, distribuí-los por meio das operações de crédito”. Sublinhe-se que os bancos “são mais do que meros intermediários. São mobilizadores comerciais do crédito, mediante recebimento de capital de terceiros e empréstimo deste capital, em seu próprio nome, aos que dele necessitarem. Em síntese, FINANCEIRO


o banco é definido como uma empresa comercial que capta poupança e a distribui sistematicamente através de operações de crédito. Mais especificamente, o banco se utiliza de recursos de terceiros, ou próprios, na atividade creditícia de tomar e dar em empréstimo. O que releva da atividade bancária, para este trabalho, é a sua natureza comercial”. De forma ampla, podemos definir como atividade da instituição financeira a captação, intermediação ou aplicação de recursos financeiros de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, ou a custódia, emissão, distribuição, negociação, intermediação ou administração de valores mobiliários. Percebe-se que, no decorrer do tempo, foi sendo identificado o fulcro da atividade bancária. Os elementos centrais do negócio bancário consistem na qualificação dessa entidade como sendo aquela de intermediação do capital monetário. Não obstante, além de aplicações de recursos financeiros, os bancos realizam diversos negócios com a finalidade de lucro. Os negócios bancários são definidos na linguagem técnicocontábil como operações, de sorte que, genericamente, constitui uma operação bancária o negócio que se realiza entre o banco e seu cliente, com atendimento à finalidade comercial da instituição financeira. Dentre as atividades-fim do banco estarão enquadradas aquelas que se relacionam diretamente com seu fluxo produtivo. Sem embargo, certos serviços que fornecem os meios materiais indispensáveis para a plena realização da atividade essencial se acham de tal modo amalgamados àquela, que dela não podem se dissociar. De fato, é possível o estabelecimento de distinção entre as operações principais e as operações acessórias que os bancos realizam. Como tais atividades não cessam de merecer freqüentes ampliações, qualquer enumeração casuística seria, de pronto, superada pela dinâmica dos fatos da vida. ACREFI

O estabelecimento de uma distinção nítida entre a atividade-meio e a atividadefim do banco não é tarefa tão simples

Também se pode cogitar da fixação de uma ordem lógica de classifi cação das atividades do banco. Dessa ordem classificatória ficarão de fora aquelas atividades instrumentais que o banco desempenha premido pelas circunstâncias de fato, destinadas estas a ceder passo diante dos incrementos dos demais ramos de negócios. Devemos, em esforço de aproximação com o tema de que nos ocupamos aqui, dizer que a atividade do banco é de ser representada por um continuum que nasce daquele núcleo essencial de operações e vai sendo ampliado na medida em que a vida social cria novas exigências que, de ordinário, não ficariam a cargo dessa instituição. O Poder Público pode “fare esiguere gratuitamente dalle Banche alcuni pubblici servizii cosi, per esemplio, il servizio di tesoreria sai in generale, sai limitato ai paagmenti del debito publico...”. Percebe-se, deste modo, que o estabelecimento de uma distinção nítida entre a atividade-meio e a atividade-fim do banco não é tarefa tão simples. Dependerá da conexão entre distintos modos de operação que decorrem ou se aproximam do fulcro do negócio bancário. V - A necessária distinção jurídica A relação jurídico-tributária dá-se com a concretização no plano fenomênico dos diversos aspectos previstos legalmente, de sorte que, verificada a realização da conduta prevista na norma, desencadear-se-á a conseqüência, ligando os sujeitos ativo e passivo desta relação.

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Em nosso ordenamento jurídico não há previsão legal apta a criar relações jurídico-tributárias entre a empresa que contrata prestação de serviços mediante terceirização e o INSS. Não obstante, a fim de analisarmos integralmente as implicações previdenciárias decorrentes da terceirização, faz-se mister diferenciá-la da cessão de mão-de-obra, figura prevista no artigo 31 da Lei 8.212/91, que impõe o dever de retenção do percentual de 11% do valor bruto da nota de prestação de serviços, nos seguintes termos: Artigo 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no parágrafo 5o do artigo 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) O conceito da cessão de mão-deobra vem destacado no parágrafo 3º do referido artigo, que dispõe: Parágrafo 3º. Para os fins desta lei, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Inicialmente, pela definição trazida pela Lei 8.212/91, poderia o leitor tomar o conceito esposado como terceirização, confundindo, desta forma, figuras jurídicas com naturezas distintas. Com efeito, duas distinções podem ser destacadas do artigo em comento, que nos permitem diferenciar a cessão de mão-de-obra da terceirização. A primeira, presente mais expli-


debate citamente no texto, diz respeito à possibilidade de a cessão de mãode-obra dar-se em serviços relacionados com a atividade-fim da empresa, o que não se verifica no caso de terceirização. Outra distinção, talvez menos evidente, refere-se à expressão “à disposição do contratante”, utilizada no texto legal. Verifica-se, pois, que, ao contrário da terceirização, ocorre subordinação dos trabalhadores ao tomador de serviços. De tal sorte que, se os segurados forem subordinados ao cedente, haverá prestação de serviços (gênero), mas não cessão de mão-de-obra (espécie). Essa distinção, estabelecida no campo tributário, todo ele demarcado pela tipicidade fechada, no qual o tipo legal específico cria os contornos claros do campo de incidência, nos autoriza a afirmar que a prestação de serviços caracterizada pela terceirização, relação regida pelo direito civil firmado entre duas pessoas jurídicas, não dá ensejo ao nascimento de relação jurídico-tributária entre a empresa contratante e o Poder Público, qualificado pela lei como credor das contribuições sociais de seguridade social. Como se sabe, vigora no direito do trabalho o princípio da primazia da realidade, de maneira que, verifi cados no contexto factual os requisitos caracterizadores da relação de trabalho, em especial a subordinação jurídica, restaria desconfigurada a terceirização. Como conseqüência, estaria instaurada a relação tributária nos moldes previstos nos artigos 22 e 30 da Lei 8.212/91. VI - Centrais de atendimento No caso em exame foram implementadas inúmeras atividades por intermédio de empresas de telefonia ou de telemarketing que operam centrais ou de aparelhos telefônicos ou de teleatendimento. Tais atividades são expressões modernas da terceirização. Mas podem sujeitar-se ao risco de se

As empresas elaboraram um bem lançado Código de Ética do Programa de AutoRegulamentação do Setor de Relacionamento com Clientes e Consumidores

verem caracterizadas como relações de trabalho entre trabalhadores terceirizados e o tomador dos serviços da empresa que opera as centrais. Para aferir se, de fato, tais funções estariam abrangidas no conceito genérico das operações bancárias, a que já fiz referência em tópico anterior deste trabalho, é necessário que conservemos em retentiva a distinção entre as atividades que constituem o fulcro dos negócios do banco e aquelas que lhe servem de suporte. Consoante a terminologia imprópria, mas corriqueira, a distinção entre as chamadas atividadesmeio e atividades-fim. As empresas que atuam no setor elaboraram, nos anos de 2005 e 2006, um bem lançado Código de Ética do Programa de Auto-Regulamentação do Setor de Relacionamento com Clientes e Consumidores, no qual se encontram especificados, a título enunciativo, os serviços que são prestados por elas. São eles: - Atendimento e relacionamento com o Consumidor (pessoas físicas e jurídicas) - marketing de relacionamento; - Consultas de pré-vendas e pósvendas; - Suporte técnico; - Pesquisa; - Recuperação de consumidores; - Serviço de Atendimento ao Consumidor (sugestões, reclamações, acionamento e agendamento de serviços, pedidos, informações); - Processamento de transações (pagamentos, transferências, desbloqueio de cheques, abertura e ativação de contas);

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- Avaliação da percepção do consumidor sobre produtos e serviços; - Ouvidoria. Percebe-se que os termos signifi cantes das diversas atividades que as centrais de atendimento desempenham foram utilizados em sentido genérico. As operações praticadas pelas centrais de atendimento devem, tanto quanto possível, observar as linhas gerais das atividades identifi cadas pelo código. Se confrontarmos as disposições do código (atentemos bem: o código apresenta, apenas e tão-somente, um exemplário armado ao propósito que se revela útil para o deslinde do assunto!) com o fulcro do negócio que um banco exerce, ressalta, à evidência, que se uma central qualquer praticasse a atividade de (sic): processamento de transações (pagamentos, transferências, desbloqueio de cheques, abertura e ativação de contas); na prática a Central de Atendimento funcionaria como se fosse uma longa manus da Casa Bancária. Seria quase impossível distinguir tal conjunto de operações daquela que qualquer agência do banco pratica no seu dia-adia. Daí a serem considerados os trabalhadores que atuam na Central de Atendimento como bancários vai um passo que as pernas de alguém de estatura mediana seria capaz de dar sem nenhuma dificuldade. O bom senso e a técnica elementar bastariam para fazer notar que outra atividade dentre as descritas no Código poderia ser desempenhada por terceiros porque não se atém às operações inerentes ao negócio bancário. Trata-se daquela assim descrita: avaliação da percepção do consumidor sobre produtos e serviços. Ora, na presente atividade, o que se pretende não é a prática de uma operação bancária, mas, apenas e tão-somente, a verificação do grau de satisfação do cliente, por um lado, e por outro, o nível de entendimento deste a respeito dos produtos e serviços que lhe estão sendo ou lhe FINANCEIRO


serão oferecidos a seu tempo. Em nova colocação do assunto, se, a partir dos dados coletados pela pesquisa efetuada nos moldes há pouco referidos, outro operador de telemarketing entrasse em campo para propor a substituição de certa modalidade de serviço mal avaliado por outro, que obteve melhor desempenho, e já se dispusesse a encaminhar ao cliente os instrumentos contratuais atinentes ao novo negócio bancário, estaria adentrando no fulcro da atividade que cumpre exclusivamente ao banco desempenhar, colocando-se, por conseguinte, na mira de eventuais questionamentos por parte da autoridade pública. Tomo na devida conta o entendimento jurisprudencial que ampliou sobremodo o conceito de atividadefim para abarcar operações imprescindíveis à fruição do serviço ou produto vendido pelo banco e que servem, portanto, de suporte material direto e indispensável para a realização das operações de crédito. É muito difícil sustentar, com chances de êxito, que a atividade bancária manteve fidelidade aos seus conceitos primitivos e que, sob certo enfoque, se relaciona às operações de crédito, como intermediação ou aplicação de recursos financeiros. Essa é apenas uma das múltiplas facetas do sempre crescente e complexo negócio bancário. A similitude entre a atividade bancária e a linha de produtos oferecidos pelo serviço de telemarketing não deixa muita margem a dúvidas. Em ambas, posto de parte certo tecnicismo que consiste na agregação de algo ao produto já adquirido pelo cliente, a atividade bancária é acrescida de componente que permite incremento do desempenho da instituição na busca do seu melhor resultado. Assim, exempli gratia, quando executam “operações tipicamente bancárias como pagamento de contas, transferências, aplicações, movimentação de contas...”, como descreve o julgado em comento, os terceiros se entranham de tal modo à ACREFI

A abordagem ao consumidor, operada por intermédio da Central de Atendimento, não significa automática caracterização da relação de trabalho

estrutura do estabelecimento bancário que não há como deixar de confundi-los com os empregados que, de ordinário, praticaram antes e podem praticar concomitantemente idênticas tarefas. Como assinalei acima: deixemos de lado os tecnicismos, porque aqui não é lugar para a especificação ou o detalhamento do extenso negócio bancário no seu todo considerado. É fato que, quem promove a “abertura e programação de investimentos” age revestido das qualidades inerentes ao negócio bancário, todo ele voltado para incrementar o volume de transações que permitam maior circulação do dinheiro. A abordagem ao consumidor, operada por intermédio da Central de Atendimento, ainda quando efetuada em nome do contratante dos serviços de terceiros, não significa automática caracterização da relação de trabalho. Pode sim haver tarefas pertinentes de terceirização no Serviço de Atendimento ao Cliente, que, como se sabe, opera como instância destinada a ouvir queixas e reclamações do tomador dos serviços da instituição que cria o serviço. Ao despachar os assuntos que chegam ao seu conhecimento, o SAC atua como intermediário apto a providenciar a regularização dos serviços por quem o contratou, inclusive dando final resposta ao interessado. Mera atividade instrumental cuja função precípua consiste no aperfeiçoamento do negócio no seu todo considerado. O atendimento ao consumidor sobre a qualidade e extensão dos serviços prestados é meio para a integral

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fruição do serviço colocado no mercado. De fato, é de responsabilidade do fornecedor e caracteriza-se como direito do consumidor o acesso a informações adequadas e claras sobre os diferentes produtos e serviços. O fornecimento constante de orientações e especificações dos diversos produtos é de interesse do consumidor e inerente ao serviço colocado à sua disposição. De tal sorte, a ausência deste atendimento poderia prejudicar a própria relação jurídica existente entre as partes envolvidas no negócio bancário. A análise do julgado em comento mereceria o estudo de certas questões processuais que, no entanto, foram bem examinadas pelo magistrado que proferiu a decisão. Deixou assentado, com razão, que o Ministério Público do Trabalho se acha revestido de legitimidade para propor ação civil pública cujo escopo consista no exame da correta fruição dos direitos sociais indisponíveis que lhe cabe tutelar. Igualmente restou definida a competência funcional, em primeira instância, como sendo a do foro do local onde ocorreu o suposto dano ao direito do trabalhador. Percebe-se, portanto, que o julgado em comento vai firmando os fundamentos para futuras ações desse tipo, que, decerto, trarão para a discussão diversos temas de interesse coletivo. Advirta-se, por fim, que o fenômeno da terceirização é irreversível e sua melhor disciplina será capaz de assegurar postos de trabalho para a sempre crescente demanda do mercado brasileiro.

Artigo publicado originalmente no site Última Instância Revista Jurídica (www. ultimainstancia. uol.com.br), no link http:// ultimainstancia.uol .com.br/ensaios/ ler_noticia.php?idNoticia= 38 754&kw= terceiriza%E7%E3o, em 11 de junho de 2007.


análise setorial

Mario Miranda/Agência Foto

Pela redução do spread bancário PROF. DR. ALBERTO BORGES MATIAS, PRESIDENTE DO INEPAD

A

discussão acerca do spread bancário, taxas de juros e crédito no Brasil vem sendo amplamente abordada ao longo dos últimos anos. As altas taxas de juros, o elevado depósito compulsório e a baixa relação crédito/PIB, que implica uma baixa escala operacional para os bancos brasileiros, são fatores de grande relevância na determinação do spread praticado no País. Ainda considerado o maior spread do mundo, o spread brasileiro vem apresentando trajetória de declínio ao longo dos últimos meses. A seguir, faremos uma breve análise acerca do spread bancário brasileiro no contexto internacional, utilizando como base estudo elaborado pelo Inepad com seis grandes bancos brasileiros e quatro bancos norte-americanos , com dados do segundo semestre de 2007. Na atual conjuntura econômica brasileira, temos uma trajetória de queda da taxa básica de juros desde setembro de 2005. Acompanhando esse movimento, as taxas médias de juros para pessoas físicas e jurídicas apresentaram diminuição de 16 p.p. e 10 p.p., respectivamente, de setembro de 2005 a outubro de 2007. Como conseqüência da queda das taxas, a rentabilidade do crédito dos seis bancos brasileiros analisados sofreu queda de 7,7 p.p. do primeiro semestre de 2006 para o pri-

Na atual conjuntura econômica, temos uma trajetória de queda da taxa básica de juros desde setembro de 2005

meiro semestre de 2007, e a rentabilidade da tesouraria caiu 5,6 p.p. no mesmo período. Dentro desse contexto, a taxa média de aplicação para os seis bancos da amostra apresentou queda de 3 p.p. de 2006 para 2007, sendo de 12,7% em 2007, junto com uma taxa média de captação de 5,2%, o que resulta em um spread financeiro de 7,5%. Incluindo-se a taxa de serviços no cálculo, de 3,2% em 2007, obtém-se um spread total de 10,7%, taxa 1,5 p.p. abaixo de 2006. Dos 10,7% da margem total do spread no primeiro semestre de 2007, 4,43 p.p. são referentes a despesas estruturais, e 2,59 p.p. são referentes ao resultado dos bancos. As provisões para perdas com crédito representam 1,87 p.p., e os impostos representam 1,82 p.p.

No cenário internacional, os números são discrepantes. No primeiro semestre de 2007, o spread financeiro dos bancos norte-americanos foi de 2,4%. Somando-se a taxa de serviços de 2,2%, obtemos o spread total de 4,5%, o que é menor do que a metade do spread brasileiro. Como formadores, temos as despesas estruturais com 2,4 p.p., os resultados com 1,1 p.p., e os impostos e as provisões com 0,54 p.p. e 0,45 p.p, respectivamente. Esse movimento de expansão traz para os tomadores de empréstimos uma condição a que, muitas vezes, não estão acostumados, de necessidade de administração de suas dívidas de forma responsável, programando-se para os pagamentos. O maior desafio para as instituições fi nanceiras é o de educar seus clientes, atentando-os para os conceitos de finanças pessoais e planejamento financeiro, de forma a manter sob controle seus níveis de risco simultaneamente à oferta de taxas menores e prazos maiores, possibilitando a efetiva consolidação do setor de crédito ao consumo. Dessa forma, observa-se que o elevado spread no Brasil está atrelado às elevadas despesas estrutu-

A amostra dos bancos utilizada no Brasil e nos EUA representa mais de 50% do total de ativos do sistema financeiro de cada país.

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FINANCEIRO


Spread: EUA x Brasil (p.p. – 2007) Inepad

rais, decorrentes do baixo volume de crédito na economia brasileira, atualmente em 34% do PIB, ao passo que, na economia internacional, esse número é, na média, superior a 100%. O custo estrutural dos bancos, calculado dividindo-se as despesas estruturais (com pessoal e administrativas) pelo ativo operacional, vem sofrendo redução nos últimos anos, caindo de 19,7% em 2001 para 10% em 2007, sendo, porém, ainda elevado quando comparado com o cenário internacional. Nos Estados Unidos, esse custo ficou próximo de 1% no primeiro semestre de 2007, graças, principalmente, ao

O caminho para a redução do spread bancário passa pela redução do depósito compulsório, pela redução das taxas de juros e pelo aumento da oferta de crédito

ganho de escala dos bancos decorrente do alto volume de crédito naquele país. O caminho para a redução do spread bancário passa pela redução do depósito compulsório, pela

redução das taxas de juros e pelo aumento da oferta de crédito no País. As taxas de juros vêm apresentando trajetória de queda, porém estão ainda entre as mais elevadas do mundo. A continuidade da queda, aliada à redução do depósito compulsório, é um fator que contribuirá para a expansão do total de crédito concedido no Brasil e, dessa forma, permitirá a redução sustentada do spread bancário, aproximando o País do cenário econômico internacional. Colaborou a analista financeira Ariadne Arnosti

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11 3081-3383 www.edf.com.br


banco de dados por INEPAD TAXAS MÉDIAS GERAL DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

41,4 41,0 39,8 39,9 39,3 38,5 38,1 37,4 36,7 35,9 35,7 35,5 35,4

-0,1 -0,4 -1,2 0,1 -0,6 -0,8 -0,4 -0,7 -0,7 -0,8 -0,2 -0,2 -0,1

13,4 13,1 12,6 12,5 12,1 12,0 11,7 11,2 10,9 10,8 11,0 10,9 11,0

-0,3 -0,3 -0,5 -0,1 -0,4 -0,1 -0,3 -0,5 -0,3 -0,1 0,2 -0,1 0,1

28,0 27,9 27,2 27,4 27,2 26,5 26,4 26,2 25,8 25,1 24,7 24,6 24,4

0,2 -0,1 -0,7 0,2 -0,2 -0,7 -0,1 -0,2 -0,4 -0,7 -0,4 -0,1 -0,2

Variação out-out

-6,0

-2,4

-3,6

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA FÍSICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

53,5 53,6 52,1 52,3 50,8 49,9 49,1 48,6 47,8 47,0 46,6 46,3 45,8

-0,3 0,1 -1,5 0,2 -1,5 -0,9 -0,8 -0,5 -0,8 -0,8 -0,4 -0,3 -0,5

13,2 12,9 12,5 12,3 12,1 11,9 11,5 10,9 10,7 10,7 11,3 11,3 11,3

-0,5 -0,3 -0,4 -0,2 -0,2 -0,2 -0,4 -0,6 -0,2 0,0 0,6 0,0 0,0

40,3 40,7 39,6 40,0 38,7 38,0 37,6 37,7 37,1 36,3 35,3 35,0 34,5

0,2 0,4 -1,1 0,4 -1,3 -0,7 -0,4 0,1 -0,6 -0,8 -1,0 -0,3 -0,5

Variação out-out

-7,7

-1,9

-5,8

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA JURÍDICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

27,4 26,6 26,2 26,2 26,0 25,4 25,3 24,3 23,7 23,0 23,1 23,1 23,4

0,1 -0,8 -0,4 0,0 -0,2 -0,6 -0,1 -1,0 -0,6 -0,7 0,1 0,0 0,3

13,6 13,2 12,8 12,6 12,2 12,0 12,0 11,5 11,1 10,9 10,7 10,5 10,7

-0,2 -0,4 -0,4 -0,2 -0,4 -0,2 0,0 -0,5 -0,4 -0,2 -0,2 -0,2 0,2

13,8 13,4 13,4 13,6 13,8 13,4 13,3 12,8 12,6 12,1 12,4 12,6 12,7

0,3 -0,4 0,0 0,2 0,2 -0,4 -0,1 -0,5 -0,2 -0,5 0,3 0,2 0,1

Variação out-out

-4,0

-2,9

-1,1

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

30

FINANCEIRO


SPREAD FINANCEIRO

CRÉDITO PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL Volum e R$ Milhões

45,0

Taxa de Juros

100.000

40,0

60,00

95.000

58,00

35,0

90.000 30,0

SPREAD FINANCEIRO

56,00

85.000

25,0

80.000

20,0

75.000

54,00 52,00

70.000

15,0

50,00

65.000

Aplicação

60.000

out/07

set/07

ago/07

jul/07

jun/07

mai/07

abr/07

mar/07

fev/07

jan/07

dez/06

nov/06

out/06

10,0

48,00

out nov dez jan fev mar abr mai jun jul ago set out 06 06 06 07 07 07 07 07 07 07 07 07 07

Captação

Volume

Taxa de Juros

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados - Recursos Livres (R$ milhões) MÊS / ANO

CHEQUE ESPECIAL

VARIAÇÃO EM %

CRÉDITO PESSOAL

VARIAÇÃO EM %

FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO

VARIAÇÃO EM %

CARTÃO DE CRÉDITO

VARIAÇÃO EM %

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

13.348 13.194 11.738 13.287 13.794 13.771 14.218 14.195 13.906 14.155 13.834 13.963 14.580

4,5% -1,2% -11,0% 13,2% 3,8% -0,2% 3,3% -0,2% -2,0% 1,8% -2,3% 0,9% 4,4%

77.693 79.148 78.950 80.464 82.408 84.783 86.625 89.398 90.516 93.095 94.219 95.506 97.683

1,5% 1,9% -0,3% 1,9% 2,4% 2,9% 2,2% 3,2% 1,3% 2,8% 1,2% 1,4% 2,3%

227 233 236 237 244 223 39 262 277 260 279 294 315

3,0% 2,3% 1,3% 0,6% 3,2% -8,7% -82,6% 576,9% 5,5% -5,9% 7,1% 5,4% 7,3%

13.511 13.838 13.418 14.135 14.973 14.974 15.627 15.677 15.873 16.140 16.448 16.674 17.016

1,6% 2,4% -3,0% 5,3% 5,9% 0,0% 4,4% 0,3% 1,2% 1,7% 1,9% 1,4% 2,0%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados/continuação Recursos Livres (R$ milhões) AQUISIÇÃO MÊS / ANO set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

VEÍCULOS

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

61.519 62.726 63.472 64.463 65.291 66.977 68.283 69.853 71.052 72.195 74.186 76.125 78.017

0,2% 2,0% 1,2% 1,6% 1,3% 2,6% 2,0% 2,3% 1,7% 1,6% 2,8% 2,6% 2,5%

10.133 10.231 10.752 10.864 10.705 10.648 10.620 10.934 10.994 11.185 11.383 11.434 11.755

1,8% 1,0% 5,1% 1,0% -1,5% -0,5% -0,3% 3,0% 0,6% 1,7% 1,8% 0,4% 2,8%

71.652 72.957 74.225 75.327 75.996 77.624 78.903 80.786 82.045 83.381 85.569 87.559 89.772

0,4% 1,8% 1,7% 1,5% 0,9% 2,1% 1,6% 2,4% 1,6% 1,6% 2,6% 2,3% 2,5%

9.766 9.624 9.646 9.835 9.931 9.893 10.432 11.113 11.121 11.456 11.691 11.459 11.600

-0,5% -1,4% 0,2% 2,0% 1,0% -0,4% 5,4% 6,5% 0,1% 3,0% 2,1% -2,0% 1,2%

186.197 188.993 188.213 193.285 197.346 201.269 205.844 211.432 213.737 218.487 222.039 225.455 230.966

1,2% 1,5% -0,4% 2,7% 2,1% 2,0% 2,3% 2,7% 1,1% 2,2% 1,6% 1,5% 2,4%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

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banco de dados por INEPAD VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - CRÉDITO CONSIGNADO CRÉDITO PESSOAL*

MÊS / ANO out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07 Var. out-out

86.707 88.383 88.709 90.417 92.665 95.204 97.339 100.829 101.876 104.311 106.155 107.541 109.750 26,58%

CONSIGNADO Públicos

Privados

Total

Amostra**

40.304 41.406 42.069 43.595 44.923 46.206 47.629 48.964 49.730 51.058 52.139 52.908 54.016

5.730 5.889 6.016 5.982 6.283 6.638 6.869 7.100 7.300 7.498 7.779 7.926 8.103

46.034 47.295 48.086 49.578 51.206 52.845 54.498 56.064 57.030 58.556 59.917 60.834 62.119 34,94%

31.171 31.727 32.318 33.216 34.106 35.186 36.316 37.495 38.248 39.184 40.693 41.005 41.950 34,58%

% Consignado***

(R$ milhões)

Concentração Taxa de Juros %aa do Consignado Estimativa INEPAD Consignado Pessoal Diferença

53,1% 53,5% 54,2% 54,8% 55,3% 55,5% 56,0% 55,6% 56,0% 56,1% 56,4% 56,6% 56,6%

67,7% 67,1% 67,2% 67,0% 66,6% 66,6% 66,6% 66,9% 67,1% 66,9% 67,9% 67,4% 67,5% -0,27%

34,4% 33,5% 33,3% 33,0% 32,4% 32,3% 32,2% 32,1% 31,5% 30,9% 30,9% 30,6% 30,5%

58,6% 58,6% 57,2% 57,2% 54,5% 53,4% 52,5% 51,7% 51,1% 50,6% 49,9% 49,4% 48,9%

24,2% 25,1% 23,9% 24,2% 22,1% 21,1% 20,3% 19,6% 19,6% 19,7% 19,0% 18,8% 18,4%

FONTE: INEPAD / BC * Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito. ** Pesquisa com treze das maiores instituições que operam com crédito pessoal. *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal.

INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS CRÉDITO PESSOAL (R$ mil)

Mês/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

69.000.361 70.336.983 70.448.643 71.854.490 73.570.737 75.724.397 77.477.719 80.753.893 81.617.798 83.998.607 85.025.566 86.121.220 87.993.378

1.905.877 1.880.683 1.555.472 1.924.553 1.947.444 1.965.245 2.104.310 1.799.396 1.753.380 2.069.028 2.085.416 2.025.750 2.277.815

2,45% 2,38% 1,97% 2,39% 2,36% 2,32% 2,43% 2,01% 1,94% 2,22% 2,21% 2,12% 2,33%

2.074.095 2.105.536 1.997.449 2.025.346 2.178.932 2.224.387 2.349.275 2.057.019 2.134.484 2.088.671 2.055.724 2.161.980 2.278.629

2,67% 2,66% 2,53% 2,52% 2,64% 2,62% 2,71% 2,30% 2,36% 2,24% 2,18% 2,26% 2,33%

4.712.214 4.824.837 4.948.546 4.659.338 4.711.130 4.869.072 4.693.467 4.787.649 5.009.886 4.938.496 5.052.267 5.197.355 5.133.187

6,07% 6,10% 6,27% 5,79% 5,72% 5,74% 5,42% 5,36% 5,53% 5,30% 5,36% 5,44% 5,25%

77.692.547 79.148.039 78.950.110 80.463.727 82.408.243 84.783.100 86.624.771 89.397.957 90.515.548 93.094.802 94.218.973 95.506.305 97.683.010

1,54% 1,87% -0,25% 1,92% 2,42% 2,88% 2,17% 3,20% 1,25% 2,85% 1,21% 1,37% 2,28%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS (R$ mil)

Mês/Ano

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

Saldo

Com atraso

sem atraso

de 15 a 30 dias

54.889.283 56.153.133 57.051.982 57.821.270 58.321.834 59.775.228 60.950.697 62.462.921 63.765.089 64.702.492 66.872.373 68.580.587 70.239.978

2.187.755 2.084.382 2.083.888 2.155.433 2.186.406 2.411.754 2.297.945 2.389.587 2.283.022 2.467.511 2.398.659 2.373.528 2.574.977

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

3,56% 3,32% 3,28% 3,34% 3,35% 3,60% 3,37% 3,42% 3,21% 3,42% 3,23% 3,12% 3,30%

2.413.166 2.436.630 2.257.921 2.397.753 2.638.787 2.586.281 2.818.775 2.680.328 2.705.644 2.701.213 2.563.719 2.690.668 2.804.139

3,92% 3,88% 3,56% 3,72% 4,04% 3,86% 4,13% 3,84% 3,81% 3,74% 3,46% 3,53% 3,59%

2.029.110 2.051.880 2.078.322 2.088.318 2.143.955 2.203.488 2.215.581 2.319.711 2.297.783 2.324.273 2.350.787 2.479.760 2.398.008

3,30% 3,27% 3,27% 3,24% 3,28% 3,29% 3,24% 3,32% 3,23% 3,22% 3,17% 3,26% 3,07%

61.519.314 62.726.025 63.472.113 64.462.774 65.290.982 66.976.751 68.282.998 69.852.547 71.051.538 72.195.489 74.185.538 76.124.543 78.017.103

0,22% 1,96% 1,19% 1,56% 1,28% 2,58% 1,95% 2,30% 1,72% 1,61% 2,76% 2,61% 2,49%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

32

FINANCEIRO


INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

8.026.888 8.059.766 8.687.035 8.694.031 8.397.077 8.235.034 8.143.789 8.460.771 8.507.756 8.638.250 8.835.707 8.871.453 9.094.110

433.439 439.183 403.893 489.754 510.540 548.495 529.358 511.452 501.282 511.622 509.350 513.139 533.562

4,28% 4,29% 3,76% 4,51% 4,77% 5,15% 4,98% 4,68% 4,56% 4,57% 4,47% 4,49% 4,54%

465.070 485.090 447.832 480.312 606.859 665.478 663.180 604.950 603.150 592.191 576.446 599.807 624.465

4,59% 4,74% 4,16% 4,42% 5,67% 6,25% 6,24% 5,53% 5,49% 5,29% 5,06% 5,25% 5,31%

1.207.138 1.246.811 1.213.636 1.199.728 1.190.552 1.198.493 1.284.037 1.356.536 1.381.682 1.443.056 1.461.461 1.449.584 1.503.121

11,91% 12,19% 11,29% 11,04% 11,12% 11,26% 12,09% 12,41% 12,57% 12,90% 12,84% 12,68% 12,79%

10.132.535 10.230.850 10.752.396 10.863.825 10.705.028 10.647.500 10.620.364 10.933.709 10.993.870 11.185.119 11.382.964 11.433.983 11.755.258

1,77% 0,97% 5,10% 1,04% -1,46% -0,54% -0,25% 2,95% 0,55% 1,74% 1,77% 0,45% 2,81%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

INADIMPLÊNCIA - CRÉDITO PESSOAL - PREFIXADO Setembro/2007 (em R$ mil)

24% Atraso de mais de 90 dias 5.133.187

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS - PREFIXADO Setembro/2007 (em R$ mil)

Atraso de 15 a 30 dias 2.277.815

Atraso de 31 a 90 dias 2.804.139

52% 24%

Atraso de 31 a 90 dias 2.278.629

20% 57%

23%

31%

33%

Atraso de 15 a 30 dias 2.574.977

INADIMPLÊNCIA - OUTRAS OPERAÇÕES - PREFIXADO Setembro/2007 (em R$ mil) Atraso de

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO OUTROS BENS - PREFIXADO Setembro/2007 (em R$ mil)

Atraso de mais de 90 dias 1.503.120

36%

Atraso de mais de 90 dias 2.398.008

15 a 30 dias 436.742

Atraso de 15 a 30 dias 533.561

14% Atraso de mais de 90 dias 1.884.057

62%

24%

Atraso de 31 a 90 dias 624.464

Atraso de 31 a 90 dias 744.063

OUTRAS OPERAÇÕES (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

6.870.515 6.709.696 6.942.319 7.011.923 7.056.329 7.295.110 7.623.602 8.067.248 8.246.036 8.423.342 8.527.240 8.421.625 8.534.947

436.865 336.144 343.725 413.678 389.162 393.142 403.470 420.605 428.272 437.103 419.638 406.144 436.742

4,47% 3,49% 3,56% 4,21% 3,92% 3,97% 3,87% 3,78% 3,85% 3,82% 3,59% 3,54% 3,77%

737.893 727.844 719.019 687.315 698.976 743.079 750.283 740.604 773.675 778.089 769.093 773.997 744.063

7,56% 7,56% 7,45% 6,99% 7,04% 7,51% 7,19% 6,66% 6,96% 6,79% 6,58% 6,75% 6,41%

1.720.506 1.850.678 1.640.746 1.722.427 1.786.746 1.462.019 1.654.375 1.884.705 1.672.696 1.817.103 1.975.135 1.857.110 1.884.057

17,62% 19,23% 17,01% 17,51% 17,99% 14,78% 15,86% 16,96% 15,04% 15,86% 16,89% 16,21% 16,24%

9.765.779 9.624.362 9.645.809 9.835.343 9.931.213 9.893.350 10.431.730 11.113.162 11.120.679 11.455.638 11.691.106 11.458.876 11.599.810

-0,48% -1,45% 0,22% 1,96% 0,97% -0,38% 5,44% 6,53% 0,07% 3,01% 2,06% -1,99% 1,23%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

33


banco de dados por INEPAD DESEMPREGO TAXA DE DESEMPREGO (%) DATA

Brasil

Var. p.p.

SP

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

9,80 9,50 8,40 9,30 9,90 10,10 10,10 10,10 9,70 9,50 9,50 9,00 8,70

-0,20 -0,30 -1,10 0,90 0,60 0,20 0,00 0,00 -0,40 -0,20 0,00 -0,50 -0,30

10,50 10,30 9,00 10,10 10,60 11,50 11,60 11,20 10,20 10,30 10,10 9,40 9,50

TAXA DE DESEMPREGO Taxa (%)

Var. p.p. -0,60 -0,20 -1,30 1,10 0,50 0,90 0,10 -0,40 -1,00 0,10 -0,20 -0,70 0,10

Fonte: IBGE/INEPAD

Variação (p.p.) 1,00

12,0 11,5

0,50

11,0 10,5

0,00

10,0 9,5

-0,50

9,0 8,5

-1,00

8,0 -1,50

7,5

out 06

nov 06

dez 06

jan 07

Brasil

fev 07

mar 07

abr 07

SP

mai 07

jun 07

jul 07

ago 07

set 07

out 07

Var. p.p. mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$) DATA

Brasil

Var. %

SP

Var. %

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

1.109,89 1.111,78 1.123,48 1.111,52 1.132,88 1.132,50 1.135,44 1.138,78 1.133,23 1.119,67 1.114,42 1.117,54 1.123,60

1,8% 0,2% 1,1% -1,1% 1,9% 0,0% 0,3% 0,3% -0,5% -1,2% -0,5% 0,3% 0,5%

1.234,50 1.261,37 1.277,41 1.250,10 1.303,37 1.284,95 1.276,54 1.280,42 1.257,90 1.230,19 1.231,98 1.232,97 1.250,70

1,5% 2,2% 1,3% -2,1% 4,3% -1,4% -0,7% 0,3% -1,8% -2,2% 0,1% 0,1% 1,4%

Fonte: IBGE/INEPAD

2,5%

1.350 1.300 1.250 1.200 1.150 1.100 1.050 1.000 950 900 850 800 750 700

2,0% 1,5% 1,0% 0,5% 0,0% -0,5% -1,0% -1,5%

out 06

nov 06

dez 06

jan 07

Brasil

fev 07

mar 07

abr 07

SP

mai 07

jun 07

jul 07

ago 07

set 07

out 07

Var. % mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

COMÉRCIO VAREJISTA VOLUME DE VENDAS

VOLUME DE VENDAS Data set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 Variação set-set

Hipermercados e Veículos,Motos, Índice Var. % Var. % Var. % Geral Supermercados Partes e Peças 120,20 123,48 125,29 171,78 121,49 112,06 127,93 124,62 133,33 127,48 128,08 133,30 130,40 8,5%

-0,6% 2,7% 1,5% 37,1% -29,3% -7,8% 14,2% -2,6% 7,0% -4,4% 0,5% 4,1% -2,2%

118,79 120,22 119,69 154,43 115,91 112,46 127,14 125,21 122,27 121,80 121,92 124,64 126,35 6,4%

1,5% 1,2% -0,4% 29,0% -24,9% -3,0% 13,1% -1,5% -2,3% -0,4% 0,1% 2,2% 1,4%

130,76 141,17 145,42 149,82 135,15 119,95 153,96 144,42 156,83 149,63 160,25 178,38 156,60

190,00

-7,7% 8,0% 3,0% 3,0% -9,8% -11,2% 28,4% -6,2% 8,6% -4,6% 7,1% 11,3% -12,2%

180,00 170,00 160,00 150,00 140,00 130,00 120,00 110,00 100,00 90,00 80,00

set 06

out nov dez 06 06 06

Índice Geral

19,8%

jan 07

fev mar abr mai jun 07 07 07 07 07

Hipermercados e Supermercados

jul 07

ago 07

set 07

Veículos, Motos, Partes e Peças

Fonte: IBGE/INEPAD

34

FINANCEIRO


PREVISÕES ECONÔMICAS Ano de 2007

PIB Total % a.a.

PIB Agropecuário % a.a.

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

3,44 4,74 4,75 4,75

3,52 3,67 3,81 3,74

4,09 4,75 4,82 4,85

3,09 4,47 4,51 4,48

4,18 5,16 5,22 5,30

Selic Taxa anual

IGP-DI % a.a.

IPCA % a.a.

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

11,72 11,15 11,24 11,24

4,18 5,83 6,19 6,31

4,02 3,85 3,95 3,96

2,23 1,80 1,75 1,76

38,16 41,42 41,19 41,18

DATA

Previsão 02/01/2007 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 30/11/2007

Ano de 2007 Previsão 02/01/2007 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 30/11/2007 Fonte: BC-Focus/INEPAD

ATIVIDADE ECONÔMICA DATA

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

Var. p.p.

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Var. %

set/06

82,55

-0,33

set/06

115,17

0,27%

out/06

82,75

0,20

out/06

115,27

0,09%

nov/06

82,68

-0,07

nov/06

115,60

0,29%

dez/06

80,08

-2,60

dez/06

116,36

0,66%

jan/07

79,90

-0,18

jan/07

116,79

0,37%

fev/07

80,30

0,40

fev/07

117,18

0,33%

mar/07

82,30

2,00

mar/07

117,99

0,69%

abr/07

81,60

-0,70

abr/07

118,82

0,70%

mai/07

83,30

1,70

mai/07

119,90

0,91%

jun/07

82,5

-0,80

jun/07

121,95

1,71%

jul/07

82,40

-0,10

jul/07

121,82

-0,11%

ago/07

83,40

1,00

ago/07

122,65

0,68%

set/07

83,10

-0,30

set/07

122,83

0,15%

Variação set-set

0,67%

Variação set-set

Fonte: CNI/INEPAD

6,65%

Fonte: IBGE/INEPAD

PRODUÇÃO (ÍNDICE) X CAPACIDADE (%) Capacidade (%)

Produção - Índice

84,0

124

83,5 83,0

122

82,5 82,0 81,5

120

81,0

116

80,5

114

118

80,0

112

79,5 79,0

Fonte: INEPAD

ACREFI

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

set/07

ago/07

jul/07

jun/07

mai/07

abr/07

mar/07

fev/07

jan/07

dez/06

nov/06

out/06

set/06

110

Índice de Produção Física Média Móvel Trim estral

35


banco de dados por INEPAD INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA - AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS PRODUÇÃO

PRODUÇÃO

(em unidades)

Data

Produção

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

227.351 222.001 185.330 203.703 203.450 246.475 223.304 258.911 246.404 266.044 279.008 252.911 299.251

Média Trim. Var. Mensal Var. Mensal (%)

225.064 217.819 211.561 203.678 197.494 217.876 224.410 242.897 242.873 257.120 263.819 265.988 277.057

23.247 -5.350 -36.671 18.373 -253 43.025 -23.171 35.607 -12.507 19.640 12.964 -26.097 46.340

Variação out-out

11,4% -2,4% -16,5% 9,9% -0,1% 21,1% -9,4% 15,9% -4,8% 8,0% 4,9% -9,4% 18,3%

(em unidades)

320.000 300.000 280.000 260.000 240.000 220.000 200.000 180.000

out 06

nov 06

dez 06

jan 07

fev 07

mar 07

Produção

31,6%

abr 07

mai 07

jun 07

jul 07

ago 07

set 07

out 07

ago 07

set 07

out 07

ago 07

set 07

out 07

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

(em unidades)

Data

Vendas

Média Trim.

Variação

Variação(%)

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

170.911 180.800 176.202 149.348 150.636 200.475 186.647 208.663 207.635 217.377 239.564 222.906 252.790

169.807 171.720 175.971 168.783 158.729 166.820 179.253 198.595 200.982 211.225 221.525 226.616 238.420

7.462 9.889 -4.598 -26.854 1.288 49.839 -13.828 22.016 -1.028 9.742 22.187 -16.658 29.884

4,6% 5,8% -2,5% -15,2% 0,9% 33,1% -6,9% 11,8% -0,5% 4,7% 10,2% -7,0% 13,4%

Variação out-out

(em unidades)

260.000 245.000 230.000 215.000 200.000 185.000 170.000 155.000 140.000

out 06

nov 06

dez 06

jan 07

fev 07

mar 07

Vendas

47,9%

abr 07

mai 07

jun 07

jul 07

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

EXPORTAÇÃO TOTAL

EXPORTAÇÃO TOTAL

(em unidades) (em unidades)

Data

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

Exportações Média Trim.

72.497 61.294 66.159 47.751 64.233 68.239 59.128 70.979 63.740 83.161 67.911 64.575 78.993

Variação out-out

72.520 68.573 66.650 58.401 59.381 60.074 63.867 66.115 64.616 72.627 71.604 71.882 70.493

Variação

Variação(%)

568 -11.203 4.865 -18.408 16.482 4.006 -9.111 11.851 -7.239 19.421 -15.250 -3.336 14.418

0,8% -15,5% 7,9% -27,8% 34,5% 6,2% -13,4% 20,0% -10,2% 30,5% -18,3% -4,9% 22,3%

85.000 80.000 75.000 70.000 65.000 60.000 55.000 50.000 45.000

out 06

nov 06

dez 06

jan 07

Exportações

9,0%

fev 07

mar 07

abr 07

mai 07

jun 07

jul 07

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

36

FINANCEIRO


INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA LICENCIAMENTO DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (em unidades) Data

Vendas

1000cc

% no Total

1000cc a 2000cc

% no total

>2000cc

% no total

out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

141.497 148.613 168.431 123.269 118.693 155.536 143.987 171.096 161.076 175.349 187.803 180.301 194.585

79.788 82.096 92.838 70.208 66.981 86.989 80.228 95.241 88.985 98.055 102.133 84.823 97.879

56,4% 55,2% 55,1% 57,0% 56,4% 55,9% 55,7% 55,7% 55,2% 55,9% 54,4% 47,0% 50,3%

59.849 64.341 73.335 51.103 50.145 66.340 61.459 73.373 69.776 75.162 83.617 93.689 93.690

42,3% 43,3% 43,5% 41,5% 42,2% 42,7% 42,7% 42,9% 43,3% 42,9% 44,5% 52,0% 48,1%

1.860 2.176 2.258 1.958 1.567 2.207 2.300 2.482 2.315 2.132 2.053 1.789 3.016

1,3% 1,5% 1,3% 1,6% 1,3% 1,4% 1,6% 1,5% 1,4% 1,2% 1,1% 1,0% 1,5%

Fonte: Anfavea/INEPAD

LICENCIAMENTO POR CATEGORIA - AUTOMÓVEIS

100.000 90.000 80.000 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000 out 06

nov 06

dez 06

jan 07

fev 07

mar 07

abr 07

1000 cc

mai 07

SALDO TOTAL

TAXAS DE JUROS

SALDO TOTAL

77.693 79.148 78.950 80.464 82.408 84.783 86.625 89.398 90.516 93.095 94.219 95.506 97.683

3,92 3,92 3,84 3,84 3,69 3,63 3,58 3,53 3,50 3,47 3,43 3,40 3,37

-0,02 0,00 -0,08 0,00 -0,15 -0,06 -0,05 -0,05 -0,03 -0,03 -0,04 -0,03 -0,03

58,60 58,60 57,20 57,20 54,50 53,40 52,50 51,70 51,10 50,60 49,90 49,40 48,90

-0,30 0,00 -1,40 0,00 -2,70 -1,10 -0,90 -0,80 -0,60 -0,50 -0,70 -0,50 -0,50

R$ milhões 61.519 62.726 63.472 64.463 65.291 66.977 68.283 69.853 71.052 72.195 74.186 76.125 78.017

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 2,40 2,41 2,36 2,39 2,34 2,29 2,24 2,20 2,17 2,12 2,12 2,12 2,11

0,00 0,01 -0,05 0,03 -0,05 -0,05 -0,05 -0,05 -0,03 -0,05 0,00 -0,01 -0,01

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

ago 07

set 07

out 07

(R$ milhões)

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS

% Variação % Variação MÊS/ANO R$ milhões a.m. p.p a.a. p.p out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 out/07

jul 07

1000 cc a 2000 cc

TAXAS DE JUROS PREFIXADOS - PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL

jun 07

37

SALDO TOTAL

% Variação a.a. p.p 33,00 33,10 32,30 32,70 32,00 31,20 30,50 29,80 29,40 28,70 28,70 28,60 28,40

AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS

0,00 0,10 -0,80 0,40 -0,70 -0,80 -0,70 -0,70 -0,40 -0,70 0,00 -0,10 -0,20

R$ milhões 10.133 10.231 10.752 10.864 10.705 10.648 10.620 10.934 10.994 11.185 11.383 11.434 11.755

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 3,94 3,94 4,05 3,96 3,88 3,74 3,76 3,76 3,74 3,70 3,73 3,73 3,70

-0,11 0,00 0,11 -0,09 -0,07 -0,14 0,02 -0,01 -0,02 -0,03 0,03 0,00 -0,03

% a.a.

Variação p.p

59,00 59,00 61,00 59,30 57,94 55,40 55,80 55,64 55,30 54,70 55,20 55,20 54,70

-2,00 0,00 2,00 -1,70 -1,36 -2,54 0,40 -0,16 -0,34 -0,60 0,50 0,00 -0,50


variedades

O maior dos maiores, Château Lafite Rothschild OPIMIANO - PROMOTOR DE HOMÉRICAS DEGUSTAÇÕES - OPIMIANO@ACREFI.ORG.BR

Renomado, refinado e, sobretudo, extraordinário. Assim é o Bordeaux Château Lafite Rothschild. Quem o degusta uma vez quer repetir a experiência e relembra os goles e tragos, contados que são, de tão raros. Numa tarde de 2005, meu amigo Rogério me chamou para sua chácara paulista e me disse: “Tenho uns tesouros que vou abrir contigo e nossas mulheres, para homenagear nossa amizade e a dos nossos pais e avôs, que este ano faz 100 anos. Precisamos ser poucos, e o assunto é confidencial. São das safras de 1959, data do meu nascimento; 1999, um ano saboroso; e 2000 que consegui lá, direto na fonte, após jurar de pés juntos que não era para especulação e revenda. Topas?” Claro está, aceitei essa tarefa degustativa e enológica num piscar de olhos, com alegria e chocado com tamanho convite. Abri a agenda e liberei tempos, movimentos e a alma. Minha boca tremia, só de pensar que chegaria o momento sublime de ser abençoado por três maravilhas da enologia. Uma vez na chácara, me vieram momentos inesquecíveis e senti a festa dos gostos passar pelas três deliciosas garrafas, que sorvemos até a última gota. É bom dizer que a fama do Lafi te Rothschild é tamanha, que, nos idos do século 18, ele era chamado de premier des premiers. Sua fama já era internacional, quando, em 1868, o Château foi comprado pelos ricos banqueiros da ala francesa dos Rothschild, que investiram uma fábula nas instalações e vinhedos, para criar o vinho “que até no paraíso será disputado”.

Nos Estados Unidos, milionários se esforçam em aumentar suas Rothschild collections. Uma garrafa alcança somas com mais de cinco casas

As ótimas safras, a excelente vinificação em ambientes frios e secos e o zelo em selecionar vinhos de qualidade fazem mais de 300 anos, ajudaram a criar o mito. Dessa forma, a marca é notória pela excelência. E cada garrafa é venerável, única e disputada a tapa como peça de coleção em leilões internacionais. Há vinhos Moulin dês Carruades que perfazem um segundo grupo para separar, na vinícola, o joio do trigo. Nos Estados Unidos, milionários se esforçam em aumentar suas Rothschild collections. E, não raro, uma garrafa alcança somas com mais de cinco casas. Ou seja, US$ 10 mil; US$ 20 mil ou US$ 60 mil por uma garrafa são bem possíveis e comuns de acontecer. O bendito vinho vale e valoriza mais do que muitas ações, nas boas safras. Imagine, por isso, cada gole vale US$ 100, US$ 200 ou US$ 500! O badalado Forge Restaurant, em Miami, gabava-se, nos anos 80, de ter uma coleção de mais de 220 garrafas, de safras entre 1825

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e 1899. E propalava que nem todas as safras eram iguais e, por isso, o Lafite tinha que se cuidar, para fazer cada vez melhor. Quando um Lafite Rothschild é bem-sucedido, combina um conjunto de gostos finos e delicados de clarete iluminado, sedoso e suavemente frutado. Ele é muito complexo e harmonioso, sem ser pesado ou untuoso. Acaricia-te os lábios, a língua, os dentes, a garganta, e aquele calor cheio de aromas enche todos os cantos da boca. Os Lafite Rothschild que o Rogério abriu como se assinasse o Tratado de Tordesilhas deram essas sensações, e muito mais. O milésimo de 1959 revelou na sedosidade notas fortes de carvalho, pele de caça e couro – uma combinação divina. O milésimo de 1999 lembrou-nos cerejas maduras e black-berries. A 16º celsius, seus aromas alcançaram o Pico do Everest. Um abuso. E o milésimo de 2000, de tão novo, revelava a fruta, o álcool forte, o perfume do carvalho, com umas cores rubras, rubis, lindíssimas. Demais. À saúde! FINANCEIRO


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Financeiro 50 Janeiro 2008  

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