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Financeiro

A revista do crédito

TIRAGEM DESTA EDIÇÃO: 20.000 EXEMPLARES

©iStockPhoto.com/Brandon Laufenberg

ano 5 nº 47 ago-set/2007

Em debate, os desafios do mercado de crédito em expansão Política monetária

Financeiras

Juros em queda e o crédito no Brasil

Dinheiro de plástico como opção de fidelização


editorial

Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Libero Badaró, 425 - 28º andar - São Paulo - SP Tel.: (11) 3107-7177 Fax: (11) 3106-6082 - www.acrefi.org.br

Crise de valores – a nova crise Érico Sodré Quirino Ferreira, Presidente da ACREFI

Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Aquiles Leonardo Diniz, Gilberto Caldart, José Arthur Lemos de Assunção, Marco Ambrógio Crespi Bonomi, Odílio Figueiredo Neto, Paulo Eduardo D’Ávila Isola, Paulo Henrique Pentagna Guimarães e Wilson Masao Kuzuhara Secretário José Dante Zanaga Neto Tesoureiros Aristeu Zanúncio e Sergio Marra Capella Diretores Regionais Carlos Alberto Samogim (SP-Interior), Dirceu da Assumpção Variz (SP-Capital), Elcio Antônio de Azevedo (MG), Felícitas Renner (RS), Félix Archanjo Bordin (PR), Paulo R. Tabaquim (Montadoras) e Tiziana Dadalto (ES) Diretores Adalberto Savioli, Álvaro Augusto Vidigal, Enílson Espínola de Souza, Ivan Svitek, Marcos Antonio Waideman, Rubens Bution e Sergio Antônio Cipovicci Diretores Conselheiros Jerônimo Varalla Neto, Luiz Antônio Viana, Luiz Fonseca de Souza Meirelles Filho, Ricardo Annes Guimarães e Rodrigo Bacellar Conselho Consultivo Membros Natos: Alkindar de Toledo Ramos e Manoel de Oliveira Franco. Membros: Alencar Burti (ACSP), Elcio Aníbal de Lucca (SERASA), João Elísio Ferraz de Campos (FENASEG), Luiz Horácio da Silva Montenegro (ANEF), Miguel de Oliveira (ANEFAC), Jackson Schneider (ANFAVEA), Sergio Reze (FENABRAVE) e Walter Machado de Barros (IBEF SP) Conselho Fiscal Efetivos: Alberto Borges Matias, Domingos Spina e Roy Martelanc. Suplentes: Abílio Abreu Neto, Massimo Tagliavini e Matias Nazari Puga Neto Presidente Honorário João Uchôa Borges (In memoriam) Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Conselheiro Econômico Prof. Istvan Kasznar

A economia brasileira vive uma fase excepcionalmente fértil; as reservas internacionais estão na ordem de R$ 156 bilhões. A última pesquisa publicada pelo boletim Focus, do Banco Central, feita entre os analistas de mercado, apontou uma revisão para cima do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão é de que a soma das riquezas produzidas pelo País em 2007 cresça 4,51%, contra os 3,72% apontados na aferição anterior. A captação da poupança, neste ano, já acumula o maior volume da série histórica, iniciada em 1995. Em julho, a diferença entre o total depositado e as retiradas ficou positiva em R$ 12,81 bilhões. O volume do crédito total no Brasil cresceu 75,1% no período de 2003 a 2006, e a expectativa da Acrefi é de que cresça mais de 25% em 2007. Embalada por esse aumento, a indústria automobilística bateu vários recordes de venda este ano. O crédito para aquisição de carros novos aumentou 24%. Tudo isso mostra que estamos longe, muito longe, de uma nova crise econômica. Atualmente, a crise que me preocupa é outra, é a crise de valores que me parece institucionalizada. Não se constrói um país apenas com números, ainda que positivos. Bons indicadores não garantem respeitabilidade, seriedade. E é disso que precisamos acima de tudo: resgatar valores engavetados como se fossem roupas em desuso.

4 Debate Acrefi 8 Ensaio

Governo grande e crescimento econômico

ISSN 1809-8843 Conselho Editorial : Érico Sodré Quirino Ferreira, Prof. Istvan Kasznar, Antônio A. A. Leite (Pancho) e Sérgio Tamer; Coordenação Editorial : Tamer Comunicação Empresarial; Jornalista Responsável: Eliana Nigro (MTB 15.005); Editoração e Produção Gráfi ca: EDF (www.edf.com.br); Pré-impressão e Impressão: Fabracor; Periodicidade: bimestral Tiragem: 20.000 exemplares As opiniões emitidas nos artigos assinados não refletem necessariamente as posições da ACREFI e são de exclusiva responsabilidade dos autores. A reprodução total ou parcial do conteúdo da publicação depende de autorização por escrito.

O que vemos, hoje, são cidadãos perplexos, uma sociedade amortecida. Como se mover ou em que direção seguir diante de uma “agenda” que, lamentavelmente, parece incorporada ao nosso cotidiano? Parece natural comprar as revistas no domingo e iniciar a semana com mais uma denúncia não apurada de irregularidades. Ou dividir com o colega de empresa a indignação diante da ausência de providências para problemas antigos, que já deveriam estar solucionados, mas que ainda geram prejuízos irreparáveis, e ficar por aí mesmo. Gestos inadequados, frases desastradas que, no momento em que são proferidas, denotam descaso pelo cidadão, foram admitidos na rotina do brasileiro. Talvez estejamos diante de uma das mais graves crises vividas por nós nos últimos tempos, pois valores não se constroem ou se recuperam em apenas uma geração. E aí fechamos o ciclo voltando a uma questão sobre a qual não deixarei nunca de mencionar: a falta de investimentos em educação. Repito: enquanto nosso povo não tiver EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO com letras maiúsculas, não haverá a necessária percepção quanto à perda dos valores fundamentais para se criar uma sociedade de Primeiro Mundo.

Nesta edição Desafios do Crescimento do Mercado de Crédito

Financeiro

Andrea Felizolla

DIRETORIA

12 Artigo

Crédito e educação

14 Seguro de automóvel

Proteção adicional para a instituição financeira e essencial para o financiado

15 Tecnologia

Inteligência competitiva e a web 3.0

16 Artigo

Prevenção de infrações à ordem econômica: um novo capítulo no antitruste brasileiro

18 Política monetária

A dinâmica dos juros em queda e o mercado de crédito

24 Gestão de crédito

Como se preparar para agir racionalmente em mudanças de cenário?

26 Artigo

A importância dos indicadores de desempenho na performance das entidades sem fins lucrativos

28 Análise econômica

A inflação de serviços e a apreciação cambial

30 Gestão de negócios

Parcerias e alianças no setor financeiro

32 Inovação

Plástico rumo à fidelização e expansão com as financeiras

34 Artigo

A estratégia de crescimento da Coréia: trabalhar mais eficientemente e não mais arduamente

20 Artigo

37 Análise setorial

22 Tendência

38 Banco de dados 46 Variedades

Qualidade no desenvolvimento de software O mercado de petróleo

O futuro do sistema bancário nacional

Tokay – o sonho dos deuses


debate Acrefi

Desafios do Crescimento do Mercado de Crédito Especialistas apontam novos caminhos para o segmento no atual cenário de índices positivos

Quais são os desafios em um mercado tão aquecido quanto o do crédito? Esse mercado vai crescer ainda mais e, segundo especialistas, deverá chegar a 60% do PIB brasileiro. Para destrinchar esse emaranhado, a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi ) convidou alguns desses especialistas para explicar o comportamento do mercado no seminário “Desafios do Crescimento do Mercado de Crédito”. Para esclarecer, estiveram presentes Gunnar Murilo, diretor comercial do Banco GMAC, o braço fi nanceiro da montadora de veículos GM; Alberto Borges Matias, presidente do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad) e professor titular da FEA-USP de Ribeirão Preto; Marcel Solimeo, superintendente do Instituto Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo; e Celso Cláudio Hildebrand e Grisi, diretor da Fractal, empresa de pesquisa de mercado, concentrada no sistema financeiro. Mercado otimista Para abrir os trabalhos e dar as boas-vindas aos participantes, o presidente da Acrefi, Érico Sodré Quirino Ferreira, agradeceu por não ser um dos palestrantes do dia, pois acredita que é uma tarefa ingrata falar de “desafios” em um mercado

tão otimista com todos os índices que se apresentam no momento, como controle da inflação, queda do dólar e as notícias recentes de ampliação nos prazos de financiamento, especialmente para veículos. “Em especial, vejo nesta semana a aprovação pela Câmara do Cadastro Positivo, que era um antigo pleito nosso. Certo que ainda faltam algum acerto e a aprovação final com a sanção, mas, em breve, teremos o tão esperado Cadastro Positivo”, enaltece Érico Ferreira. Assim como acredita que o cadastro positivo vai alavancar ainda mais o mercado de crédito no País, Ferreirta salienta o que o enorme crescimento de produção e vendas da indústria automotiva se deve à oferta de crédito existente. Além disso, demonstrou aos participantes que, nos balanços recentes de bancos, existe um forte crescimento da carteira de crédito que influenciou o aumento do lucro das instituições. Setor de veículos Para falar de crédito ao mercado de veículos, Gunnar Murilo iniciou demonstrando com clareza que esse mercado está em franco e constante crescimento. Para este ano, a expectativa é de 2,4 milhões de veículos vendidos, aumento de 25% com relação ao ano passado. Somente neste ano, o Banco GMAC revisou esses

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Érico Ferreira, presidente da Acrefi: destaque para o Cadastro Positivo

números várias vezes, indo de uma perspectiva de 2,1 milhões de veículos no começo de 2007 para o número atual em julho. O executivo ressalta que a grande disputa de mercado está entre as três maiores montadoras do País: Fiat, Volkswagen e GM, vindo a Ford um pouco atrás, porém todas concorrendo muito em preço. Ele alerta que as concessionárias, hoje, estão diminuindo suas margens e que, talvez, o financiamento seja a mais importante fonte de receita dessas empresas. “Nos últimos anos, as formas de compra e venda de veículos foram se alterando. Em 2000, o consórcio tinha uma participação bastante significativa, de 19% das vendas de veículo, passando para 5% no primeiro quadrimestre deste ano. Hoje, o consumidor tem outras formas mais interessantes de fi nanciamento. O leasing, por exemplo, teve participação pequena no início desta década (3% em 2001/02) e

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Alberto Borges Matias, presidente do Inepad e professor titular da FEA-USP de Ribeirão Preto

Gunnar Murilo,diretor comercial do Banco GMAC

passa a ter uma importância enorme hoje, com 21% de todas as compras de carro. Somado ao CDC, vai para 64%”, esclarece Murilo. Porém, um dos fatores que mais contribuem para o crescimento desse mercado é a queda nas taxas de juros, sendo a mais baixa de todos os financiamentos para aquisição de bens em todo o País, o que também auxilia na troca de dívidas, com juros mais altos. Mas o executivo vê desafios, principalmente nos prazos, cada vez maiores (35% dos financiamentos já são de 60 meses, contra 25% em 2006), que estão sendo oferecidos. Quanto maior o prazo, mais clientes se interessam em adquirir um veículo, porém, como será o futuro desse negócio? “Como vamos fazer esse cliente trocar seu bem por um novo no prazo histórico de três a quatro anos. Essa

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tendência é uma das grandes preocupações do negócio de automóveis. Existe a necessidade de quebrar algumas regras burocráticas, internas e de legislação. Uma das idéias é oferecer um produto com prazo curto e prestação baixa, resíduo e recompra, em que o cliente quita o financiamento anterior e inicia um novo. Esse é o chamado círculo virtuoso da indústria do crédito”, finaliza Gunnar Murilo. Para dar um panorama geral da economia, o professor Alberto Borges Matias iniciou falando que a oferta de crédito no Brasil, hoje em torno de 33% do PIB, vai dobrar em um curto espaço de tempo, com uma taxa de juros que tende a um terço do que é hoje. Para ele, hoje ainda existe um fator que poderá elevar muito o volume de crédito, que é a troca de dívida, com os insolventes e inadimplen-

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tes de outras operações se socorrendo de créditos com taxas menores. “O maior desafio é saber controlar esse movimento forte que vem pela frente. O mercado vai crescer muito. O volume de dinheiro disponível é enorme e poderá ser ainda maior se e quando vier o investment grade para a economia brasileira. Hoje, as reservas do Brasil estão na casa de US$ 160 bilhões e podem dobrar”, esclarece Matias. Para ele, assim como as taxas caem, a tendência é que as tarifas também caiam, pois será a forma de concorrência entre as instituições para poder elevar a sua participação nesse enorme mercado. Uma coisa que determina o mercado é o tamanho da prestação: com taxas mais baixas, a tendência é baixar a prestação. O mercado de varejo cresceu na base do crédito, quando temos, hoje, cerca de 90% da vendas realizadas por financiamento. Quando se fala em média 100, nos anos 90, hoje está se falando em 3 bilhões. Isso se deve, também, pela recuperação do emprego e na estabilização do desemprego, mesmo regionalizado e por categorias. “As projeções são favoráveis, com crescimento do PIB entre 4% e 4,5% ao ano, nos próximos quatro anos,

“Como vamos fazer o cliente trocar seu bem por um novo no prazo histórico de três a quatro anos. Essa tendência é uma das grandes preocupações do negócio de automóveis” (Gunnar Murilo)

“O maior desafio é saber controlar o movimento forte que vem pela frente. O mercado vai crescer muito. O volume de dinheiro disponível é enorme e poderá ser ainda maior” (Alberto Borges Matias)


debate Acrefi

Celso Cláudio Hildebrandro e Grisi, diretor da Fractal

Marcel Solimeo, superintendente do Instituto Gastão Vidigal

com a queda da taxa Selic para cerca de 8,4%, em 2011. Mas, se este país crescer nessa taxa anual, poderá virar um total desastre, principalmente e em função da infra-estrutura. Então, a situação pode se complicar no futuro”, alardeia o professor. As perspectivas para o mercado financeiro no País giram em torno de redução do spread e, conseqüentemente, um aumento significativo no volume; redução da Selic com redução dos ganhos de tesouraria; e o aumento dos ganhos em serviços, pois a oferta ainda é baixa. O superintendente do Instituto Gastão Vidigal, Marcel Solimeo, traz o dado de que o comércio deve fechar o ano corrente com um crescimento entre 6% e 7%, taxa que é maior do que a do crescimento do PIB. Ele esclarece que esse desempenho não é uniforme, haja vista o

crescimento do mercado de veículos, por exemplo. “Dos fatores que permitem esse movimento, podemos destacar as taxas de juros em queda constante, os prazos do crediário em elevação, a melhora do emprego e da massa salarial. Outro fator que interfere, pode parecer estranho, é a importação, que favorece o comércio, pois acaba contendo os preços de alguns produtos e pressionando a indústria nacional”, afirma. Para o executivo, o próximo ano será muito parecido com este, pois os fatores que favorecem o comércio têm tendência de permanência. A massa salarial deverá crescer mais pelo volume de pessoas empregadas do que pelo volume de salário propriamente dito. Os riscos e os alertas que o comércio deverá levar em conta são a expansão

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da oferta de crédito, que não deve ser isolada, mas com um aumento geral da economia, sobretudo emprego e renda. “O que verificamos hoje, e pelas tendências histórias, é que o crédito deve crescer mais do que a massa salarial, o que deve acender uma luz amarela no comércio”, esclarece. Solimeo explica que, com aumento contido da massa salarial, o comércio terá um teto com a capacidade de endividamento do consumidor. Aumento de crédito, mas não da capacidade de pagamento, acarreta um limitador e um perigo para o crescimento da inadimplência. Pelas pesquisas realizadas, o maior motivo para a inadimplência é o desemprego. Hoje, esse fator está estabilizado, com uma forte tendência à leve queda, o que pode gerar uma estabilidade nos índices de falta de pagamento. “Mas o varejo não pode deixar de estar atento a esses dois fatores, crédito e massa salarial, pois um antecipa a compra, mas é com o outro que se mantém a capacidade de pagamento, que é limitada”, lembra Marcel Solimeo. Celso Grisi lembra, com base nas pesquisas realizadas pela Fractal, que o movimento de crescimento do crédito começou há, aproximadamente, cinco anos, quando o País não tinha nenhum histórico dessa tendência. Uma das maiores e mais importantes tendências que perce-

“O que verificamos hoje, e pelas tendências históricas, é que o crédito deve crescer mais do que a massa salarial, o que deve acender uma luz amarela no comércio” (Marcel Solimeo)

“As financeiras e as indústrias perceberam a importância de incorporar um público que tinha muito pouco acesso ao crédito e, conseqüentemente, ao consumo de massa” (Celso Cláudio Hildebrandro e Grisi)

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No auditório da Acrefi, convidados assistiram às apresentações e trocaram opiniões sobre as questões levantadas

bem foi a inclusão da baixa renda no mercado consumidor. “Isso pode ser constatado nas pesquisas pelo posicionamento de produtos específicos para esse público. Com estudos, as financeiras e a indústria em geral perceberam a importância de incorporar um público que, até então, tinha muito pouco acesso ao crédito e, conseqüentemente, ao consumo de massa”, salienta Grisi. As pesquisas começaram a ampliar seus escopos com a inclusão, além dos bancos, das financeiras e de outros players que passaram a atuar fortemente no mercado, oferecendo produtos que só eram ofertados pelos bancos. O executivo percebeu que, em alguns estabelecimentos comerciais, as ofertas eram melhores do que em outras. Por exemplo, em lojas de rua (contrapondo-se com as de shoppings), as taxas eram melhores, a oferta maior, limite era o que, de fato, atraía o consumidor, e as condições de obter o financiamento eram as mais simples do mercado. Essa mudança de público-alvo se acentua mais fortemente nos últimos dois anos, atendendo um público que nunca tinha tido qualquer condição de comprar a crédito. “Algumas incoerências são verificadas nas respostas dadas pelos entrevis-

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tados. Quando pesquisamos as taxas de juros, 74% das pessoas declaram não conhecer a taxa de juros embutida nos financiamento que contrata e, ao mesmo tempo, declara que certos estabelecimentos apresentam taxa de juros melhor que outros. O que realmente ocorre é que, para esse consumidor, o que importa é o valor que cabe em seu orçamento”, explica Grisi. A pesquisa da Fractal apontou, ainda, que os produtos mais utilizados como forma de financiamento em lojas de varejo são o cartão de financiamento para alimentos e vestiário (59,5%), o CDC (50,1%) e o cartão de

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crédito de financeira (9,5%). Em lojas de rua, aparecem com maior vigor os empréstimos pessoais (73,2%), o cartão de crédito (20,9%) e os empréstimos pessoais pré-aprovados (10,8%). Os desafios para esse público, segundo o executivo, é o de produzir ofertas específicas e ajustadas a esse público, desenhando-as de maneira a permitir e estimular o uso apropriado do crédito para que esse consumidor. “O potencial de crescimento desse mercado é enorme, resta saber como atuar e aproveitar o excelente momento do mercado nacional”, finaliza ele.


ensaio

Governo grande e crescimento econômico Um resumo deste artigo foi lido na cerimônia de entrega do prêmio “Economista do Ano” ao autor, pela Ordem dos Economistas do Brasil, em 20 de agosto de 2007

CELSO L. MARTONE, PROFESSOR TITULAR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (FEA/USP) Both productive and unproductive labourers, and those who do not labour at all, are all equally maintained by the annual produce of the land and labour of the country. This produce, how great so ever, can never be infinite, but must have some limits. According, therefore, as a smaller or greater proportion of it is employed in maintaining unproductive hands, the more in the one case and the less in the other will remain for the productive, and the next year’s produce will be greater or smaller, the whole annual produce being the effect of productive labour. (Adam Smith. An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. E. Cannan Edition, The Modern Library. New York, 1937, p. 315)

1. A não-convergência de três décadas Nesta noite, quero fazer algumas reflexões sobre o processo de desenvolvimento brasileiro e uma proposta para assegurá-lo no futuro. Por três décadas, o Brasil tem sido um país retardatário no processo de desenvolvimento mundial. Nesse longo período, crescemos a menos da metade da taxa média de expansão dos países em desenvolvimento e a taxa ligeiramente inferior à dos países avançados. Para se ter uma idéia do que isso significa, basta dizer que a renda per capita brasileira seria hoje o dobro do que é se o País tivesse crescido à taxa média de seus congêneres. Os economistas de minha geração iniciaram a carreira profissional no final do “milagre econômico” da primeira metade dos anos 70, mas trabalharam quase toda sua vida nas três “décadas perdidas”. Ao contrário das gerações mais novas, chegamos a viver num país dinâmico, de intensa mobilidade social e confiante no futuro. Aqueles de nós que estudamos no exterior nos espantávamos com a aflição de muitos colegas estrangeiros, ao final do curso, para arrumar um emprego e não voltar a seu país de origem. Os estudantes brasileiros ansiavam por voltar, porque no Brasil as coisas aconteciam. Nas últimas três

Para compreender o fenômeno do atraso relativo do Brasil, é preciso recorrer ao conceito de trajetória dependente, que ajuda a analisar a evolução econômica no longo prazo décadas, infelizmente, elas pararam de acontecer. Como dizia enfaticamente meu professor Arnold Harberger, então na Universidade de Chicago: “Vocês tiveram o paraíso e o perderam!” O que aconteceu? Como explicar um descaminho de três décadas? Contabilmente, a constatação é simples: a partir da segunda metade dos anos 70 até o início dos anos 90, ocorreu uma queda persistente da produtividade total da economia e, já nos anos 80, uma não menos dramática queda da taxa de acumulação de capital. Associado a isso, houve um aumento contínuo do preço relativo dos bens de capital, o que significa menor acumulação de capital para o mesmo esforço de

poupança. Como economistas, sabemos que uma queda da taxa de investimento dessa magnitude decorre de uma configuração perversa de incentivos em escala macroeconômica. Sabemos ainda que a queda da produtividade total de fatores reflete, de um lado, uma alocação ineficiente de recursos e, de outro lado, o fracasso do sistema educacional em gerar o capital humano necessário para o desenvolvimento e o avanço tecnológico1. Entretanto, estas são constatações, não explicações. Para compreender o fenômeno do atraso relativo do Brasil, é preciso recorrer ao conceito de trajetória dependente, que ajuda a analisar a evolução econômica no longo prazo: decisões cruciais, tomadas num ponto do tempo, tendem a mudar a trajetória da economia de maneira irreversível, gerando uma dinâmica que tanto pode ser um círculo virtuoso quanto um círculo vicioso. Se a decisão desencadear forças inovadoras, que geram a expansão no longo prazo, a economia entrará num círculo virtuoso; no caso contrário, um círculo vicioso resultará. Pelo

1 A este respeito, vejam-se E. L. Bacha e R. Bonelli, Accounting for Brazil’s Growth Experience: 1940-2002, Texto para Discussão 1018, IPEA. Rio de Janeiro, 2004; P. C. Ferreira, R. Ellery e V. Gomes, Produtividade Agregada Brasileira (1970-2000): Declínio Robusto e Fraca Recuperação, Ensaios Econômicos 594, EPGE/FGV. Rio de Janeiro, 2005; J. R. Souza Castro Jr., Produto Potencial no Brasil, Texto para Discussão 1130, IPEA. Rio de Janeiro, 2005.

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mundo afora, temos visto muitos exemplos de cada um dos dois casos. Nunca é demais enfatizar que a probabilidade de que um círculo virtuoso se instale depende da qualidade do processo de tomada de decisões numa sociedade, o que tem a ver com a qualidade de suas instituições e organizações políticas. Se as instituições não funcionam, é difícil a uma sociedade manter-se no caminho do desenvolvimento. Quero sugerir que duas dessas decisões cruciais estão entre as causas maiores das três décadas perdidas. A primeira delas foi o protecionismo, uma característica dominante da economia desde os anos 50. O Brasil abriu tarde demais e apenas parcialmente sua economia. Por mais de três décadas até os anos 90, vivemos numa economia autárquica, protecionista e hostil ao comércio internacional. Isso cristalizou uma estrutura econômica e uma configuração de uso de recursos ineficiente, em desacordo com o processo de desenvolvimento mundial e afastado do padrão de vantagens comparativas do País. Mais ainda, esclerosou a elite empresarial brasileira, que vivia à sombra da proteção e cuja sobrevivência dependia mais do governo do que do mercado. Ao renunciar por várias décadas a participar da divisão internacional do trabalho, o Brasil não se beneficiou dos ganhos da especialização e de uma fonte de crescimento que tem sido responsável pelo sucesso econômico dos países asiáticos e de vários outros, que tomaram a decisão de integrar suas economias ao comércio internacional. A segunda decisão crucial foi a expansão do Estado brasileiro, que se iniciou nos anos 70 e, embora com características mutantes, prosseguiu vigorosamente até os dias atuais. A primeira fase de expansão foi a do estado empresário, que buscava criar um tipo de capitalismo dirigido e autárquico no País nos anos 70 e 80. O esgotamento desse modelo levou à privatização nos anos 90, mas a despeito do encolhimento de suas atividades empresariais, o setor público continuou aumentando. A segunda fase dessa expansão

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Nós, economistas, estamos vacinados contra a visão simplista que vem sendo defendida pelo governo se inicia com a Constituição de 1988, pelo aumento extravagante da federação, da burocracia e dos programas de previdência e assistência social. Com isso, o custeio e as transferências passam a ser os motores do crescimento do governo, com a concomitante contração do investimento público. Até meados dos anos 70, o setor público representava menos de 25% do PIB; hoje, representa 40%, um aumento de 15 pontos percentuais em 30 anos. Que essas duas decisões foram cruciais pode ser comprovado pelos dois principais pontos de divergência estrutural do Brasil em relação aos demais países emergentes. De um lado, o grau médio de abertura dos países emergentes é superior a 60% do PIB, enquanto o do Brasil é, hoje, de 30%, evoluindo dos 14% de apenas dez anos atrás. De outro lado, o tamanho médio do setor público, naqueles países, é de 25% do PIB, enquanto no Brasil é de 40%. Ou seja, a economia brasileira construiu uma estrutura inadaptada para o crescimento e incapaz de competir na economia mundial. Na verdade, quando vemos o problema sob essa ótica, fica claro que fenômenos como a megainflação, as crises de dívida pública e as crises de balanço de pagamentos, que foram fenômenos recorrentes nas três últimas décadas, são apenas causas próximas ou manifestações dessa profunda inadaptação, resultante dos dois erros estratégicos apontados acima. Essa situação tem gerado um desenvolvimento anêmico da economia, pela destruição dos incentivos individuais ao trabalho, à inovação e à acumulação de capital. Além disso, o sistema de transferências, que vem atingindo níveis alarmantes no atual governo federal, está criando profundas divisões na sociedade brasileira, entre 2

aqueles que pagam cada vez mais para sustentar o gasto público (o dito setor privado “formal”), aqueles que pouco pagam (o crescente setor privado “informal”), aqueles que simplesmente recebem (os beneficiários das transferências governamentais de qualquer espécie) e aqueles que transferem (a classe política e a enorme burocracia estatal). Essas divisões sociais têm bloqueado soluções cooperativas para os problemas nacionais, como se verifica pela impossibilidade política de realizar reformas e são perigosas para a democracia. Como diz North, é comum às sociedades ficarem “entaladas” numa matriz institucional perversa e incompatível com o desenvolvimento econômico, na medida em que interesses específicos ou corporativos adquirem a capacidade de bloquear mudanças que seriam benéficas à maioria2. Como um parênteses, devo dizer que nós, economistas, estamos vacinados contra a visão simplista que vem sendo defendida pelo governo, de que tudo isso pertence ao passado e que o País, a partir de agora, entrou num círculo virtuoso de crescimento sustentado. Fundamentos macroeconômicos sólidos, construídos penosamente desde 1999, seriam o passaporte para a expansão contínua e acelerada daqui em diante. É preciso entender que o ajuste macro apenas nos garante que a grande volatilidade do PIB, que prevaleceu nas décadas passadas, foi diminuída, mas não garante um aumento permanente da taxa potencial de crescimento da economia. Na verdade, quero sugerir que a expansão contínua do setor público em relação ao PIB nos coloca numa trajetória insustentável que, mais cedo ou mais tarde, abortará o atual ciclo de expansão. Para conseguir um aumento permanente do potencial de crescimento, pelo menos à taxa média dos emergentes, é preciso caminhar em duas direções: aumentar o grau de abertura e reduzir o tamanho do setor público. No caso da abertura, o processo já está a meio caminho e medidas adicionais podem ser

Veja-se D. C. North, Economic Performance Through Time, Nobel Prize Lecture, 1993.

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ensaio adotadas gradativamente3. No caso do setor público, é preciso reverter a variável de comportamento explosivo: o gasto público e o peso de seu financiamento. No período 1994-2007, a carga tributária saltou de 25% para 40% (37% do PIB novo), mais de um ponto de percentagem do PIB ao ano. Tudo indica que esse processo irá continuar nos próximos anos, a menos que uma mudança de curso seja imposta ao governo. 2. A construção da ética tributária A relação econômica fundamental entre o indivíduo e o Estado é a tributação de um lado e o provimento de bens públicos de outro lado. Da ética dessa relação recíproca depende, em grande parte, o funcionamento eficiente do sistema econômico. A seguir, alguns princípios consagrados em finanças públicas, que constituem essa relação ética entre o indivíduo e o Estado, são relembrados. Eles são importantes para justificar a proposta exposta na seção final do artigo. Existe uma classe ampla de bens, denominados “bens públicos”, que só podem ser produzidos nas quantidades socialmente ótimas por meio do governo. Esses bens se caracterizam pela dificuldade de excluir consumidores que não contribuíram para sua produção. O grau de excludibilidade varia amplamente entre os bens públicos, desde aqueles para os quais é praticamente impossível selecionar ou bloquear consumidores (segurança nacional) até aqueles em que a exclusão é simples (educação). Os bens públicos cuja excludibilidade é possível, mas não é aplicada, são bens considerados social ou economicamente desejáveis. Geralmente, tais bens são definidos em termos de requisitos mínimos (alfabetização universal, por exemplo) a que todos os membros da comunidade têm direito, independentemente de contribuição. A determinação desses requisitos mínimos é função das preferências relevadas pela comunidade em relação a padrões desejáveis de qualidade de vida de seus membros e depende, principalmente, do nível de bem-estar já alcançado.

Os tributos devem ser gerais, transparentes, previsíveis e criar o mínimo de distorções no funcionamento dos mercados A produção dos bens públicos pelo Estado, por sua vez, deve obedecer a critérios semelhantes aos que vigoram na produção de bens privados. Isso significa que o Estado deve formar organizações transparentes, que possam ser fiscalizadas, cobradas e responsabilizadas pelo cumprimento eficiente das funções que lhes foram atribuídas. Os bens públicos têm que ser financiados por contribuições compulsórias (tributos) dos membros da comunidade para evitar o fenômeno do “carona”. Assim, como enfatiza Hayek, os tributos podem ser vistos como uma espécie de troca, pela qual todos concordam em contribuir para um fundo comum, segundo princípios uniformes, na expectativa de que, no cômputo geral, o conjunto dos bens públicos fornecidos por meio do Estado valha pelo menos tanto quanto as contribuições exigidas dos cidadãos4. É a realização prática desse princípio geral que garante o que denominei de ética tributária e que permite que soluções cooperativas se tornem viáveis para os problemas da vida em sociedade. Os tributos devem ser gerais, transparentes, previsíveis e criar o mínimo de distorções no funcionamento dos mercados. O tributo é geral quando a base teórica de incidência coincide com a base efetiva, ou seja, não existe evasão (legal ou ilegal). É transparente quando sua alíquota, base de incidência e valor podem ser facilmente percebidos pelo contribuinte. É

previsível quando as regras que o definem são estáveis no tempo, permitindo o cálculo econômico e o planejamento dos agentes no longo prazo. O tributo produz o mínimo de distorções alocativas quando as decisões dos agentes econômicos são pouco afetadas pela sua incidência5. A dívida pública é o diferimento de impostos e se justifica em dois casos: (a) para “alisar” a carga tributária (em última instância, o consumo) no tempo, em situações imprevistas, que requerem aumento excepcional do gasto governamental; (b) para o financiamento do investimento público, cujos benefícios se distribuem no futuro. Em qualquer caso, vale o princípio geral de que, na média de vários períodos, o orçamento seja equilibrado, o que implica uma dívida pública estacionária no longo prazo6. Ao compararmos esses princípios gerais de finanças públicas com a realidade brasileira, ficam evidentes as graves distorções que foram se cristalizando ao longo dos anos na relação entre o indivíduo e o Estado, seja do ponto de vista do provimento dos bens públicos, seja do ponto de vista de seu financiamento. Não é necessário descrever aqui as falhas institucionais ou organizacionais do setor público brasileiro: impunidade, corrupção, arbitrariedade, insegurança, desperdício, empreguismo, clientelismo, nepotismo, ineficácia, incapacidade decisória e tantos outros problemas com que qualquer cidadão convive diariamente. Em face dessa realidade, meu argumento central é que o primeiro passo na direção do desenvolvimento econômico e social no Brasil consiste em reduzir o tamanho do Estado para, em seguida, construir

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Nos últimos anos, a política comercial brasileira não tem sido favorável à continuidade da abertura. O argumento da reciprocidade (ampliação do acesso aos mercados dos países avançados) é usado para justificar uma atitude hostil a iniciativas como a Alca e a própria Rodada Doha da OMC. 4 F. A. Hayek, Direito, Legislação e Liberdade, vol.III, A Ordem Política de um Povo Livre. Visão Editora, São Paulo, 1985, p.49. 5 As exceções a esses princípios gerais decorrem principalmente de externalidades, ou seja, de situações em que existe divergência entre o custo e/ou benefício percebido pelos agentes e o verdadeiro custo e/ou benefício para a comunidade como um todo. 6 Este é o princípio que Buchanan e Wagner chamaram de “a velha religião fiscal”. Veja-se J. A. Buchanan e R. E. Wagner, Democracy in Deficit, The Political Legacy of Lord Keynes. Orlando, Academic Press, 1977.

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FINANCEIRO


uma relação ética entre o indivíduo e o Estado. A proposta delineada a seguir estabelece este primeiro passo. 3. Estratégias de ajuste do setor público Na situação atual, o ajuste fiscal deve ser visto como um processo ao longo do tempo em que o tamanho do setor público é reduzido a um nível que permita a construção de um sistema tributário eficiente e, portanto, restabeleça os incentivos ao trabalho, à inovação e à acumulação de capital. Como importante efeito colateral, leve à redução dessa praga brasileira que é a informalidade. Esse é único critério consistente com o crescimento econômico sustentado. A estratégia de ajuste adotada no Brasil desde 1999 consiste em fixar metas para o resultado orçamentário do setor público. A meta de superávit primário (receita menos despesas nãofinanceiras) limita o crescimento da dívida pública, reduzindo o risco de insolvência, que é o critério preferido dos credores do governo. Mais recentemente, na mesma linha, surgiu a proposta do déficit nominal zero, pela qual a dívida pública nominal ficaria constante no tempo. Trata-se do mesmo remédio, só que em dose maior. O problema com as estratégias baseadas no resultado orçamentário é que não atendem ao critério de ajuste aqui definido. O controle do resultado fiscal não coloca qualquer restrição ao crescimento do tamanho do setor público, via aumento da despesa pública e da carga tributária. Ou seja, as metas de resultado supõem implicitamente que o tamanho do Estado é neutro em relação ao crescimento econômico: o tamanho do governo, por maior que seja, é irrelevante, desde que ele esteja equilibrado. Há evidências cabais em todo o mundo que isso é falso7. O segundo critério de ajuste das contas públicas, ainda não usado entre nós, mas proposto com freqüência, é a fixação de limites de despesa. No caso do Brasil, dada a rigidez das despesas de custeio e de transferências, a tentativa de controle da despesa redunda simplesmente em corte de

ACREFI

Uma proposta moderada consiste em manter constante a carga tributária real e a dívida pública real até que a primeira seja reduzida para 27% do PIB investimento. Mais do que isso, os interesses corporativos de nossos sistemas político e judiciário leva inexoravelmente a aumentos contínuos de despesa e de tributação. Portanto, medidas legislativas de redução de despesa não teriam credibilidade. Está aí a Lei de Responsabilidade Fiscal para provar esse ponto. Por essas razões, não considero viável essa alternativa. A terceira alternativa para o controle do governo e aquela que é consistente com o crescimento, porque atende ao critério para o ajuste fiscal de longo prazo, consiste na redução programada da carga tributária, ano a ano, até que ela atinja o nível desejado, digamos de 27% do PIB (uma redução de 10 pontos percentuais em relação ao nível atual). Ao longo desse processo, é também necessário controlar a expansão da dívida pública, ou seja, é preciso controlar a carga tributária presente e a futura 8. Uma proposta moderada consiste em manter constante a carga tributária real e a dívida pública real até que a primeira seja reduzida para 27% do PIB. O Congresso Nacional deveria estabelecer, em nível constitucional, um programa de desoneração tributária em que, a cada ano, as alíquotas dos impostos mais deletérios seriam reduzidas o suficiente para gerar a mesma receita em termos reais. Os candidatos mais óbvios à redução de alíquotas são as “contribuições sociais” (CPMF, Cofins, PIS e CSLL), que hoje representam cerca de 10% do PIB. Ao final do processo, esses impostos desapareceriam, abrindo espaço para uma reforma 7

capaz de construir um sistema tributário ético e previsível no País. Nesse caso, o ajuste levaria aproximadamente oito anos, ao final dos quais a carga tributária voltaria a 27% e a dívida pública convergiria para um nível confortável. Uma alternativa mais rápida consiste em manter a carga tributária nominal constante, caso em que o período de ajuste cairia para apenas quatro anos. Dado o fato de que o Brasil apresenta um retardamento de três décadas, a segunda opção é a melhor. Estou convencido de que, no caso do Brasil, o controle constitucional das fontes de financiamento público (impostos e endividamento) é a única alternativa consistente com o crescimento econômico e, mais do que isso, com o aperfeiçoamento da democracia. É preciso inverter a equação da política fiscal: em vez de primeiro definir as necessidades, para depois capturar os recursos, o critério aqui proposto primeiro define os recursos, deixando ao governo a tarefa de alocação da despesa possível entre usos alternativos, segundo uma escala de prioridades politicamente estabelecida. Essa é a única alternativa que elimina o que se chama de restrição orçamentária frouxa (soft budget constraint), substituindo-a por uma restrição orçamentária rígida. Se insistirmos em controlar o governo pelo resultado orçamentário, temo que, ao final do atual governo, estaremos ainda discutindo o ajuste fiscal de longo prazo, só que com uma carga tributária vários pontos percentuais acima da atual e uma taxa de crescimento vários pontos percentuais mais baixa. Uma ruptura dessa magnitude com o status quo, entretanto, exigirá um alto grau de consciência e mobilização da sociedade em torno de uma proposta concreta de redução da carga tributária. Espero que este artigo contribua para que essa conscientização avance e se amplie.

Veja-se R. J. Barro, Determinants of Economic Growth: A Cross-Country Empirical Study, The MIT Press. Cambridge, 1998. 8 Esta política de ajuste fiscal foi batizada pela administração Reagan, nos Estados Unidos nos anos 80, de starving the beast e partia da proposição, a meu ver correta, de que a única forma de controlar o governo é pelo controle de suas fontes de receita e financiamento. Veja-se C. L. Martone, Starving the Beast, Revista do SFI. São Paulo, 2006.

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artigo

Andrea Felizolla

Crédito e educação

Um banco, uma financeira ou um varejista que financia um cliente está dando a ele um voto de confiança e, quanto melhor o conhecer, mais crédito poderá lhe dar

ÁLVARO MUSA, SÓCIO-DIRETOR DA PARTNER CONHECIMENTO

Crédito vem de credere: crer, acreditar, confiar. É claro que eu acredito mais, confio mais, nas coisas que eu conheço. Quanto melhor conheço algo, ou alguém, mais consigo confiar. Quanto mais estável e previsível é algo, ou alguém, mais confiável é. Educar vem de educere: extrair (o que de melhor existe em alguém). Quanto mais “educada”, mais uma pessoa é capaz de dar o que de melhor ela tem. Se quisermos que o crédito, elemento propulsor e alavancador de qualquer empreendimento humano, continue crescendo no Brasil de maneira saudável e sustentável e possa contribuir para o desenvolvimento social e econômico, é preciso que aumentemos significativamente o grau de confiança e previsibilidade prevalecente na atividade econômica, na atividade financeira em particular. É preciso também que as pessoas sejam “educadas” para o bom uso desse crédito; não só as pessoas-consumidores, mas também os bancários e varejistas, que concedem o crédito. Cadastro positivo Vamos por partes. O grau de confiança será significativamente aumentado quando o sistema financeiro puder conhecer melhor o comportamento de seu cliente potencial, quando houver total transparência das informações sobre o comporta-

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mento financeiro dos candidatos a tomar crédito. Ou seja, quando tivermos um birô positivo bem regulamentado, que a um só tempo proteja a privacidade de quem assim o deseje e, simultaneamente, proteja o direito à transparência das informações. Em outras palavras, nenhum consumidor deveria ser obrigado a ter seus comportamentos de crédito, bons ou ruins, tornados disponíveis para outras instituições que não aquela com quem ele decidiu ter um relacionamento. Ao mesmo tempo, nenhum banco deveria poder guardar somente para si a boa informação sobre um cliente, se este assim o desejar. Afinal de contas, para muitos consumidores, particularmente os de baixa renda, esse é o único patrimônio que podem exibir na próxima vez em que forem solicitar um empréstimo. Um banco, uma financeira ou um varejista que financia (dá crédito) um cliente está dando a ele um voto de confiança e, quanto melhor o conhecer, mais crédito poderá lhe dar. O cadastro positivo, ou birô positivo de crédito, é isso: uma maneira de o cliente se dar a conhecer em tudo aquilo que tem de positivo, uma coleção de informações que lhe permite dizer, com orgulho, “Sou uma pessoa de confiança!” As instituições de proteção aos direitos do consumidor são, em sua

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esmagadora maioria, bem intencionadas. Mas tendem a ver somente o primeiro lado da equação: a proteção da privacidade. Espero que possam rapidamente enxergar o outro lado: o valor individual e social de se compartilhar as informações. Eu gostaria de ver um intenso movimento das associações de proteção ao consumidor exigindo que os Birôs Positivos sejam rapidamente regulamentados para o bem da democratização do crédito. Os estudos do Banco Mundial mostram exaustivamente que os países onde existe compartilhamento se benefi ciam, com maior disponibilidade de crédito a todos os segmentos, e com taxas de juros gerais mais baixas (e não só para os privilegiados, como diz um mito do mercado). Os consumidores têm, no Brasil, uma das mais avançadas legislações de proteção de seus direitos. Seria um grande avanço adicional se acrescentássemos o direito de exibir todo o seu histórico de crédito... Do ponto de vista dos bancos, financeiras e demais operadores de crédito, é muito melhor que haja compartilhamento total das informações. Parece-me uma visão distorcida a que leva ao raciocínio de alguns bancos: “já tenho um grande número de clientes cujo comportamento conheço, portanto não quero compartilhar isso com quem ainda não alcançou o meu tamanho”. Os estudos que fizemos no G5, grupo de financeiras que desenvolveu um birô positivo com a Serasa, mostram claramente que sempre há outras informações, outros compromissos assumidos pelos nossos clientes com outras instituições e que enriqueceriam o nosso processo de decisão de crédito. Novamente, os estudos do Banco Mundial: é bom para os bancos e para a sociedade como um todo que haja compartilhamento amplo das informações. Nos países onde isso acontece, os volumes de crédito são maiores, a inadimplência é menor. Portanto, o resultado financeiro é melhor.

ACREFI

Educação do consumidor Durante muitos anos, o crédito no Brasil fi cou jogado às traças. As instituições financeiras renunciaram ao seu papel precípuo de intermediação financeira para exercer o papel de agentes do governo para enxugar o mercado. Os empresários não podiam nem pensar em tomar crédito bancário, pois não há negócio legal no mundo que dê rendimentos maiores do que 20% ou 30% ao ano; com isso, o capital próprio, que deveria ser o funding mais caro para o negócio, tornou-se a única fonte de recursos viável. Os consumidores, então, não tinham sequer produtos de crédito à disposição. Era impossível tomar um empréstimo a mais de três meses de prazo, pois não sabíamos quanto sobraria de nosso salário no final do mês para pagar uma prestação, ou o rotativo de um cartão de crédito. Com isso, todos desaprendemos a usar e conceder crédito. É preciso reaprender. Não falo, aqui, somente de ensinar o consumidor a fazer um orçamento doméstico antes de tomar um empréstimo para comprar uma geladeira nova. Essa é a parte fácil. Falo de torná-los conscientes de seus deveres, além de seus direitos, entre os quais o dever de pagar o que tomou emprestado, pois o dinheiro não pertence ao banco ou à financeira, mas sim às pessoas que depositaram nesse banco. Falo de conscientizá-los de que nem sempre vale a pena, mesmo que possa pagar, tomar um financiamento agora se pode esperar mais um pouco para trocar o carro ou comprar novas roupas. O crédito é uma ferramenta poderosa, mas que não pode, impunemente, ser usado sem treinamento. A falta de treinamento tem custado um bocado de fortes emoções no gerenciamento da inadimplência de crescentes carteiras de crédito nos últimos dez anos... A montanha-russa das ondas de inadimplência, provocadas por overdose de crédito, seguidas de repagamento

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O crédito é uma ferramenta poderosa, mas que não pode, impunemente, ser usado sem treinamento. A falta de treinamento tem custado um bocado de fortes emoções no gerenciamento da inadimplência

de dívidas e, logo após de outra onda, é perfeitamente evitável. O crédito ao consumo cresceu 670% nos últimos 12 anos, com sucessivas ondas de inadimplência. Com um pouquinho de cautela mútua, e um bom birô positivo, teríamos um crescimento igual ou maior, sem tantos percalços. Educação do operador de crédito No que toca a educação do consumidor, temos, no Brasil, uma atitude provavelmente pioneira no que toca as iniciativas dos bancos para isso: bancos como Itaú, Real ABNAMRO, VR, Ibi; bandeiras como Visa e Mastercard; e empresas como a Serasa, patrocinam iniciativas próprias ou por ONGs como o Instituto Akatu. Sugiro que essas empresas, aliadas à Acrefi , Febraban, ACSP, Fecomércio e outras, promovam agora uma ampla discussão do papel das instituições financeiras na sociedade e iniciativas para conscientização dos operadores de carteiras de crédito para que possam melhor ajudar nesse processo mútuo de educação para o uso dessa ferramenta poderosa chamada crédito. Claro que nada disso adianta se continuarmos “neste país” com o “apagão educacional” que nos rodeia e que Érico Ferreira, presidente da Acrefi, sempre aponta em suas palestras. Que faz com que o consumidor, antes de aprender a usar crédito, aprenda que ser corrupto não leva à punição alguma. Que faz com que alunos de faculdade mal saibam se expressar por escrito (ou verbalmente, também). Mas isso é assunto para outro dia...


seguro de automóvel

Arquivo ACREFI

Proteção adicional para a instituição financeira e essencial para o financiado

Ao risco do financiamento deveriam somar-se os riscos que podem envolver o veículo financiado, que podem ser mitigados pelo seguro compreensivo de automóveis

HORACIO L. N. CATA PRETA, DIRETOR DE PROJETOS E SERVIÇOS DA FENASEG

Estão registrados, na base nacional de gravames, cerca 14 milhões veículos com gravames, dos quais, se retirarmos as motos e os gravames anteriores à implantação dos Detrans, muitos dos quais com os contratos totalmente quitados, que foram roubados ou foram objeto de abandono por seus proprietários, teremos um saldo líquido ao redor de 12 milhões de gravames ativos, que representam os automóveis, veículos de transporte leve e outros. As motos, pelo alto índice de risco, raramente contratam seguros de colisão ou roubo e furto, embora devessem contratar o seguro de responsabilidade civil nos casos de acidentes envolvendo terceiros. As seguradoras têm, em suas carteiras de seguros de automóveis, cerca de 10,5 milhões de apólices, o que indica que há aproximadamente 1,5 milhão de veículos sem seguro, o que deixa vulnerável, simultaneamente, a instituição financeira e o financiado, em caso de sinistro de roubo /furto ou de colisão com danos de grande monta, isso sem levar em conta os danos materiais e pessoais que podem atingir terceiros, sejam eles outros veículos, seus condutores e passageiros ou pedestres. O financiamento do veículo, sem o correspondente seguro compreensivo de automóvel, que cobre os riscos de colisão, incêndio, roubo, furto e responsabilidade civil em relação a terceiros (danos materiais e pessoais), é um risco adicional para a instituição finan-

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ciadora que deve ser evitado para que não seja necessário aumentar o spread do empréstimo pelo risco de inadimplência, em caso de perda total ou roubo e furto do carro. A celebração simultânea do financiamento e do seguro de automóvel poderia se constituir numa prática salutar para a melhoria dos riscos do negócio, seja em prol da entidade financiadora, seja em benefício do financiado, uma vez que ambos estarão adequadamente protegidos e tranqüilos. Cabe mencionar que, em 2006, foram roubados ou furtados 383.554 veículos, conforme dados do Denatran (BIN – Roubo, Furto e Recuperações), dos quais 176.067 foram recuperados, cujo líquido (207.487) representou quase 18% da produção anual da indústria automobilística nacional de 2006. A realização de financiamento de determinados veículos em determinadas cidades, tais como São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba, representa um risco potencial, caso o financiado não possua seguro, o que, teoricamente, exigiria a cobrança de uma taxa de risco adicional, à semelhança do que é praticado no seguro. Assim, ao risco do financiamento deveriam somar-se os riscos que podem envolver o veículo financiado (colisão, incêndio, roubo, furto e acidentes com terceiros), que podem ser mitigados pelo seguro compreensivo de automóveis. (catapreta@fenaseg.org.br)

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tecnologia

Divulgação

Inteligência competitiva e a web 3.0

Dos bilhões de documentos que formam a internet e os hyperlinks que os entrelaçam, cientistas da computação e uma crescente quantidade de empresas startups estão tentando encontrar novas formas de minerar a inteligência humana. Primeiro a web 1.0, que era basicamente estática, nela nós entrávamos num site atualizado periodicamente, baixávamos textos e imagens, consumindo-as e ponto. Depois a internet foi se tornando mais dinâmica, com mais e mais artifícios de interação. Na web 2.0, existem os blogs, os sites de relacionamento e wikis. Uma explosão de conteúdo urge por metadados e organização. Finalmente, especulações começam a ocorrer para o próximo movimento da internet. Agora, estamos adentrando na chamada web 3.0, definida como a web semântica, que passa a dar sentido aos dados, não só apresentando-o como, principalmente, contextualizando-os. “Perfis detalhados de empresas e competidores, fornecedores, clientes, parceiros, informações externas sendo monitoradas full time, interagindo e consolidando-as em plataforma própria por meio de um portal customizado de inteligência competitiva” irão dar corpo a essa nova maneira de tratamento dos dados.

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ANTONIO TADEU LUQUEZE, DIRETOR DA ATL CONSULTORES ASSOCIADOS

A novidade está por conta de uma tecnologia que permite captar e associar informações customizadas de diversas fontes previamente determinadas, isoladas ou não, com o objetivo de gerar informações de elevado conteúdo estratégico, auxiliando, assim, no processo de tomada de decisão. Na indústria financeira, a utilização dessa tecnologia para dar tratamento ao database interno também possui valor estratégico, uma vez que informações disponíveis de clientes, devidamente correlacionadas, poderão auxiliar significativamente na identificação de oportunidades até então não identificadas. Essa tecnologia é a de Text Mining, que se diferencia do Data Mining, uma vez que o segundo não considera intrinsecamente o “processo de seleção” dos dados; estes já são previamente selecionados por categorias. No caso do Text Mining, há um sistema de pesquisa bem mais poderoso que não busca somente a palavra-chave; além de obter os dados e as informações por meio de tecnologia de monitoramento própria e específica, adicionam-se camadas de informação na internet cuja função seria não gerar catálogos, mas sim guias, provendo aplicações que possam “raciocinar de forma mais

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humana”. Surge, aqui, um dos pilares do início da web 3.0. Imaginemos uma situação na qual na internet, um ambiente de pesquisas necessite responder a seguinte questão: qual o melhor financiamento para a compra de um carro? Os motores de busca que conhecemos atualmente, apesar de utilizarem várias técnicas para apresentar e hierarquizar resultados de uma pesquisa, ainda não são capazes de interpretar frases ou perguntas introduzidas pelo usuário. Para responder a essa pergunta, os mecanismos de busca teriam que “entender” o produto oferecido pelos players do mercado e não os selecionar unicamente pela variável chave “taxa”. É nesse ambiente que o Text Mining atua, captando dados e informações-chave e interagindo-as e, com a “inteligência artificial”, poder informar ao usuário a melhor das opções apresentadas. Em suma: sistemas mais inteligentes e dados que descrevem dados, essa é a web 3.0, que vai instantaneamente se tornar mais valiosa comercialmente do que os motores de busca atuais, os quais retornam centenas ou mesmo milhões de documentos que, via de regra, não respondem às questões diretamente.


artigo

Prevenção de infrações à ordem econômica: um novo capítulo no antitruste brasileiro LEOPOLDO UBIRATAN CARREIRO PAGOTTO, ADVOGADO DE XAVIER, BERNARDES, BRAGANÇA, SOCIEDADE DE ADVOGADOS

Imagine-se o seguinte cenário: vendedores de uma empresa de um determinado setor se reúnem informalmente com vendedores de outra empresa para conversar sobre o mercado e, no fim, acertam dividir certos clientes entre si, de modo que não precisem mais abaixar o preço. Todos saem ganhando: as empresas vão lucrar mais e os vendedores vão ganhar maiores comissões. Na realidade, não é bem assim. Pelo menos, os clientes perdem ao pagar mais caro e comprar menos produtos. Além disso, a legislação de defesa da concorrência (Lei nº 8.884/94) pune severamente práticas semelhantes à descrita: a multa pode variar de 1% a 30% do faturamento bruto da empresa no ano anterior ao da infração. Mais do que isso, os participantes dessa reunião se sujeitam à pena privativa

Mudanças nos órgãos de defesa da concorrência no Brasil possibilitaram que a repressão a infrações à ordem econômica se tornasse mais efetiva

de liberdade, que pode atingir até cinco anos de prisão. Situações como essa são constantes no meio empresarial em todo o mundo, mas, no Brasil, elas apresentam incidência particularmente elevada em virtude do fato

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de a economia ter permanecido muito fechada até início dos anos 1990. O Sindipedras e a Abifarma, duas conhecidas associações de produtores, e alguns de seus associados foram punidos recentemente pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em razão de conluios semelhantes ao descrito acima. Embora infrações semelhantes sejam punidas por lei desde 1962, a ausência de efetiva repressão a tais práticas fez com que a defesa da concorrência se tornasse uma daquelas leis que não pegaram. Todavia, recentemente, importantes mudanças nos órgãos de defesa da concorrência no Brasil (novos dispositivos legais e mais recursos) possibilitaram que a repressão a infrações à ordem econômica se tornasse mais efetiva: os casos analisados se

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referem cada vez mais a empresas de médio e grande porte de importantes setores da economia – aço, gases industriais, serviços de segurança, tabaco, combustíveis, produtos farmacêuticos, cimento e comunicações são exemplos de alguns setores sob a investigação das autoridades, mas não se descarta que outros também estejam correndo sigilosamente. Para se ter uma idéia, já há relatos de reuniões, tais como as descritas acima, que foram interrompidas por ação da Polícia Federal, a qual monitorava remotamente as discussões à espera de provas de atos contrários à concorrência. Escutas telefônicas e buscas e apreensões de documentos em empresas também têm ocorrido com freqüência cada vez maior. Resultado: um número crescente de empresários tem sido preso, funcionários são demitidos e multas milionárias são aplicadas. Nesse novo contexto, as empresas podem adotar procedimentos éticos com vistas a evitar tais práticas. Muitas vezes, certas políticas comerciais adotadas, reuniões com concorrentes ou encontros em associações de produtores podem redundar em infrações à ordem econômica, mesmo que não haja essa intenção. Como diminuir essas incertezas? Nos Estados Unidos e na Europa, onde a longa tradição de repressão de infrações à ordem econômica está fortemente enraizada, as empresas desenvolveram programas internos (compliance program-

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mes), a fim de orientar diretores e empregados sobre o que não é permitido pela legislação. Como visto acima, muitas vezes a desinformação sobre a legislação é uma inimiga das empresas que sempre atuaram de uma dada maneira e jamais foram importunadas. Algumas empresas estrangeiras “importaram” esses programas para o Brasil, mas, com freqüência, eles não estão adaptados aos critérios da legislação nacional, fato este que diminui a sua eficácia. Inspirada na noção de que é melhor prevenir do que remediar, a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE-MJ) tem buscado fomentar práticas semelhantes nas empresas. Por meio da Portaria nº 14/2004, foi instituído o Programa de Prevenção das Infrações à Ordem Econômica (PPI), que visa aumentar a consciência, no meio empresarial, da necessidade de se respeitar a livre iniciativa e a livre concorrência. O PPI funciona à semelhança de uma certificação ISO. A empresa ou associação de produtores que se propõe a obter o certificado deve estabelecer métodos e procedimentos a serem obedecidos, de modo a aumentar o grau de observância às normas de defesa da concorrência. Outra vantagem do programa é que ele pode ser adaptado a empresas e associações conforme o porte e tipo de organização. Se atendidos os critérios expostos na Portaria nº 14 /2004, a

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Há relatos de reuniões que foram interrompidas por ação da Polícia Federal, a qual monitorava remotamente as discussões à espera de provas de atos contrários à concorrência

SDE/ MJ emitirá um certificado que será válido por dois anos e beneficiará o seu possuidor, caso este venha a praticar alguma infração – a SDE/ MJ recomendará ao Cade a aplicação de multa mínima. Com o certificado, a imagem institucional da empresa ou associação perante a sociedade e as autoridades melhorará, refletindo o ambiente interno da organização. A maior vantagem para a empresa ou associação não se encontra nessa relação. O objetivo do programa é evitar que tais circunstâncias desagradáveis surjam. Por isso, o programa de compliance em defesa da concorrência não precisa, necessariamente, ser registrado na SDE/MJ: a empresa ou associação de produtores pode simplesmente implementar o programa e, assim, reduzir drasticamente o risco de infração à ordem econômica.


política monetária

Para fazer crescer e desenvolver a sua economia, o Brasil precisa manter um forte vigor de teor ortodoxo em sua política fiscal, promover o comércio com o exterior e controlar a inflação sem gerar maiores emissões monetárias. Contudo, sua dívida em títulos públicos ultrapassa o trilhão de reais e implica o giro contínuo de papéis que impedem uma redução maior nas taxas de juros. Nesse quadro, a população vem assistindo à queda contínua das taxas de juros básicas do Selic, que foram de 19,75% em agosto de 2005 e chegaram a 11,50% em julho de 2007, com alguma incredulidade e bastante desconfiança. Afinal de contas, como explicar e comprovar essa queda se a taxa anual média do cheque especial para a pessoa física alcançou a taxa de 139,70% em junho e o spread diminuiu de fato, mas continua alto, caindo de 42,96% em agosto de 2005 para 36,95% em julho de 2007? De fato, o que moveu para baixo as taxas de juros foi a impetuosa e corajosa política monetária contencionista dos anos 2003, 2004 e 2005. Por causa do rigor monetário, a inflação cedeu e foi caindo de 25,31% em 2002, medidos pelo IGP-M da Fundação Getulio Vargas, para 8,71% em 2003, 1,21% em 2005 e 3,83% em 2006. Em 2007, a trajetória inflacionária mantinha-se estável e em junho a variação em 12 meses do IGP-M

PROF. ISTVAN KASZNAR, Ph.D., CONSELHEIRO ECONÔMICO DA ACREFI

O que moveu para baixo as taxas de juros foi a impetuosa e corajosa política monetária contencionista dos anos 2003, 2004 e 2005 alcançava os 3,89%. Dessa forma, a redução da inflação se fez notar nas taxas de juros, especialmente na Selic. Essa taxa básica, que é uma referência para as demais, caiu 35,21% desde agosto de 2005, de tal forma que, em 26 de julho, estava em 11,5% ao ano. E isso significa que os juros pagos pelo setor público no giro da dívida caíram tanto na taxa quanto no valor, dando mais espaço aos gastos de custeio e de investimento do setor público, no último triênio. Aproveitando regras que dirigem e forçam a poupança privada a mover-se à aplicação em fundos de renda fixa, em que a estrela maior é o título do governo, este sorveu o recurso da população e das empresas para girar a dívida a custo menor. Contudo, se o governo conseguiu essa vantagem e fez bom uso dela para si e para a estruturação de dívidas em títulos públicos, é bem verdade que não criou ainda mecanismos definitivos que reduzam de fato

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as taxas de juros ao tomador final. Esse tomador, que é composto sobretudo pelas empresas do setor privado e pelas pessoas físicas, ainda está por ver as taxas caírem de verdade, para valer e de forma indiscutível. Há várias razões para que esse fenômeno de engessamento da taxa de juros com sensação de custo alto para o tomador aconteça, merecendo destaque entre outros os seguintes motivos: a) A taxa que incide sobre as reservas compulsórias que se calculam sobre os depósitos à vista do sistema bancário é de 53%. Logo, as reservas livres, que estão de fato disponíveis para emprestar e gerar crédito, são menos da metade da massa monetária (M1) registrada contabilmente, até porque uma fração pequena que seja também se guarda nos bancos para operações de compensação e há as também mínimas, mas necessárias, reservas voluntárias depositadas no Banco Central, para acertarem-se as compensações interbancárias e entre tesourarias do sistema financeiro; b) A carga tributária é ascendente e excessivamente elevada. A taxa de juros inclui, quando denominada taxa bruta, a taxa real líquida, a taxa de inflação e a carga fiscal. No Brasil, esta foi de 39,6% sobre o Produto Interno Bruto (PIB) em 2006 e possui tendência ascensionista inequívoca. Logo, o custo do capital financeiro sobe na razão direta em que o governo aprova EDF

Renato Fogal

A dinâmica dos juros em queda e o mercado de crédito

FINANCEIRO


crescentes alíquotas fiscais sobre os lucros das empresas, financeiras e bancos, a circulação de moeda e afins; c) A queda da taxa de inflação aumentou o poder aquisitivo da moeda e da população em geral. Em especial, a classe de renda mais baixa foi positivamente beneficiada e passou a ter renda, logo capacidade de pagar no presente e no futuro, para tomar créditos junto às financeiras e aos bancos. Nessa nova situação, entre 2004 e 2007, aportaram, pela primeira vez no mercado de crédito, 6,3 milhões de novos tomadores. Dessa forma, as instituições financeiras aumentaram, e muito, a sua carteira de crédito, lidando com clientes sem histórico, sem referenciais de crédito anterior e, logo, que correspondiam a um novo e ainda elevado risco; d) Em função do item anterior, as financeiras e os bancos se desdobraram em atender uma onda maciça de novos clientes que se inseriram na economia brasileira, vendo-se, contudo, obrigados a fazer provisionamentos por conta de quebras, inadimplências e calotes de toda sorte. Isso implicou criar uma “taxa de gordura” no spread para evitarem-se perdas financeiras. Merece atenção que, em junho de 2007, a inadimplência respondia por 17,2% do spread bancário; a carga tributária, por 36,5%; e os custos administrativos, por 6,52% aproximadamente. Dessa forma, é o comportamento integrado e combinado desses fatores, sobretudo, que explica e influencia as taxas cobradas da pessoa física no varejo. De fato, de 2004 em diante, o Brasil passou a incrementar o mercado de crédito com a inserção da população de renda verdadeiramente baixa, aquela que aufere entre dois e seis salários-mínimos mensais. Com as prestações permitindo o alongamento de dívidas para prazos de 12, 24, 36 meses e bem mais, tout en dépendant do tipo de crédito negociado, o que, no passado, representava um fardo e um empecilho para a tomada de crédito, subitamente sumiu, e apareceram condições dignificantes para via-

ACREFI

bilizar o crédito de varejo miúdo, que faz o bem-estar e a felicidade sincera dos brasileiros pobres. O sistema bancário assumiu e bancou literalmente os riscos de passagem de um sistema mais elitizado, vigente até meados de 2005, para um sistema mais democrático, que incluiu, no processo de crédito, brasileiros que nunca antes sequer sonhavam com a possibilidade de comprar a prazo o que quer que fosse. E o risco empresarial é menor do que o risco gerado pela pessoa física. Logo, cobra-se dos indivíduos um prêmio maior do que aquele que é cobrado das organizações que possuem movimento financeiro maior e transparência contábil mais ajustada aos padrões analíticos bancários. Isso explica por que, em meados de julho de 2007, o spread (diferencial entre as taxas de aplicação e de captação) no sistema bancário e financeiro era de 12,6% para as empresas e de 37,7% para as pessoas físicas. Nesse caminho bancário, no qual rege uma nova curva de contrato social, as perspectivas do setor financeiro são ótimas. Três fatores justificam bem esse otimismo moderado, a saber: 1º) O volume de crédito no Brasil foi de R$ 799,24 bilhões, que correspondem a 32,31% do PIB nacional, um valor baixo quando comparado a países cuja economia é estável, como a cada dia tende a ser cada vez mais a brasileira. Isso significa que, na faixa do crédito livre, há espaço para crescer ainda próximo dos 12,69% do PIB, até surgir um movimento de acomodação; 2º) As modalidades de financiamento por meio dos mercados de capitais e do crédito concedido por financeiras e bancos são complementares. Assim, as empresas podem ascender às bolsas e lançar ações, com o que, ao diversificar a sua carteira de títulos e passivos, aumentam a concorrência entre os bancos, qualificam o mercado com papéis mais diversos e abrem caminho à demanda promovida pelas pessoas físicas, dado o efeito de substituição entre papéis,

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que fazem com seu conhecimento e poder de barganha; e 3º) Existem evidências de que o grau de inadimplência da pessoa física se estabilizou de meados de 2006 em diante, de tal forma que o mercado tem bem desenvolvida e domina a contento a tecnologia de recuperação de créditos antigos e possui conhecimento de como gerir melhor as novas concessões que liberará nos próximos anos. O conhecimento do perfil do novo cliente está se tornando uma realidade, e isso fornece maior estabilidade ao sistema de crédito. Dessa forma, certamente que o mercado de crédito está apto a contribuir a favor do desenvolvimento nacional. E logo se perceberá que, quanto mais rápida e claramente caírem as taxas de juros para um patamar ao redor do corredor de 9% a 10% anuais, tanto mais cedo será comprovado que não são as taxas de juros as que estrangulam e proíbem o País de crescer de modo sadio e maciço. É a burocracia do Estado, a indecisão das autoridades, a má alocação de recursos públicos, a impunidade e a estrutura inadequada para balancear corretamente a produção da iniciativa privada com a do setor público que entre outros engargalam e fazem fenecer o desenvolvimento. As forças políticas necessitarão estimular reformas para executar uma série de novos procedimentos estruturais e operacionais, com vistas a obter-se a efetiva macroestabilidade econômica, social e de geração de renda a favor de toda a população brasileira. É necessário e primordial que se incentivem e fomentem ciclos de transformação e produção empresarial que sejam virtuosos, nos quais aumente deveras a participação popular, valorizando-se e conhecendo-se os verdadeiros estágios e momentos pelos quais passam as pessoas individualmente, as comunidades às quais elas pertencem, os Estados federativos em que se encontram e o país que tripulam, para alcançar o desenvolvimento realmente sólido. (istvan@acrefi.org.br)


artigo

Divulgação

Qualidade no desenvolvimento de software

Qualidade e produtividade! Cada dia mais, o equilíbrio perfeito desses dois relevantes aspectos tem sido almejado por organizações dos mais diversos segmentos de negócio, devido às arrojadas exigências do mercado. Por um lado, clientes que apresentam expectativas cada vez mais sofisticadas, demandando produtos de alto valor agregado a custos baixos e com entrega em prazos curtos. Por outro lado, fornecedores que buscam estratégias milagrosas para garantir um lugar de destaque nesse mercado altamente competitivo. Muito se ouve e se lê sobre qualidade. Fornecedores querem garantir qualidade de processo, qualidade de serviços. Consumidores, por sua vez, exigem qualidade nos produtos adquiridos. É fato que “qualidade” é um dos conceitos mais comentados no setor produtivo. Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que define normas brasileiras sobre o assunto, qualidade pode ser entendida como a totalidade das características de uma entidade que lhe confere a capacidade de satisfazer às necessidades explícitas e implícitas. Em linguagem simples e direta, a qualidade de um produto está diretamente ligada ao grau de atendimento aos

TERESA MARIA DE MEDEIROS MACIEL, ASSESSORA EXECUTIVA DE QUALIDADE NO CESAR E NA PITANG S/A

Os meios de obter altos graus de qualidade em seus produtos têm representado uma fonte de estresse dos produtores seus requisitos. Se o entendimento do termo “qualidade” pode ser facilmente assimilado, os meios de se obter altos graus de qualidade em seus produtos, no entanto, têm representado uma fonte de estresse dos produtores. Um ponto fundamental no cenário atual das empresas de tecnologia da informação é que, para se vencer no mercado, a presença da qualidade no produto não é o bastante. A velocidade da entrega, o custo operacional e o atendimento a prazos são fatores extremamente críticos para qualquer fornecedor. Particularmente, no setor de software, esse cenário tem demandado nas organizações um forte e crescente interesse em tecnologias, modelos, metodologias e outras abordagens propostas, no intuito de obterem retornos de investimentos muitas vezes milagrosos. Qualidade no processo garante a qualidade no

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produto? Apesar do crescente investimento em documentação e melhoria de processos, esta não é uma pergunta trivial. A resposta talvez esteja no fato de que muitas são as variáveis que interferem na qualidade do produto, incluindo as expectativas de prazo e custo que se relacionam a este. Um processo adequado deve promover a qualidade, no sentido de prevenir alguns problemas que possam surgir, mas representa apenas uma das variáveis ao lado de outros fortes parceiros, como a infra-estrutura tecnológica e, especialmente, a qualificação do capital humano envolvido. Nesse contexto, atividades relacionadas à garantia da qualidade ou ao controle da qualidade, como muitos autores categorizam, podem e devem ser adotadas conjuntamente. O contexto da garantia da qualidade está relacionado, em geral, a atividades de prevenção de problemas e defeitos, incluindo a definição de processos, padrões, treinamento e outras estratégias para reduzir riscos ao longo do desenvolvimento do produto. As atividades de controle da qualidade, por outro lado, preocupam-se em detectar defeitos ou falhas em produtos antes de estes serem entregues ao cliente final, incluindo atividades de teste, inspeção e outras verifica-

FINANCEIRO


ções. O uso integrado e equilibrado dessas duas abordagens pode trazer benefícios substanciais em termos de qualidade e de produtividade. Adicionalmente, as exigências do mercado consumidor demandam também a necessidade de não apenas se garantir a qualidade do software produzido, mas de se ter a qualidade reconhecida pelo mercado. Nesse contexto, se inserem as certifi cações internacionais. A busca crescente pela implementação de modelos e normas como meio de promover a competitividade da organização tem sido substancial. A aderência a modelos e normas como CMMI, ISO9001, MPS BR entre outros tem sido alvo de muitas organizações de software. Essa aderência pode trazer, em alguns casos, grandes benefícios à organização e, em outros, motivar substanciais quedas de produtividade e conseqüente aumento do custo operacional. Essas gritantes diferenças em termos de resultados estão relacionadas, em geral, às estratégias de seleção, customização e institucionalização desses modelos. A busca unicamente pela certifi cação em si muitas vezes “atropela” análises críticas e customizações cuidadosas e efetivas que representam o fator crítico de sucesso em um programa desse tipo. Modelos e normas internacionais são definidos em linguagem abstrata, de forma a poderem ser aplicados a uma fatia muito abrangente de empresas, incluindo grandes e pequenas orga-

ACREFI

Uma certeza deve-se ter em mente: vontade e determinação para a melhoria é essencial, não apenas para sobreviver no mercado, mas para vencê-lo

nizações, de diversos segmentos de negócios e cultura organizacional divergente. A inefi ciência em lidar com esse cenário tem promovido o interesse por abordagens ágeis de desenvolvimento, as quais vêm ganhando força a cada dia. Agilidade não é um conceito usado unicamente no desenvolvimento de software. Possivelmente, ele surgiu na literatura de negócio em 1991, quando um grupo de pesquisadores do Iacocca Institute, na Universidade de Lehigh, introduziu o termo agile manufacturing. No contexto do desenvolvimento de software, as abordagens ágeis foram formalmente introduzidas pela formação da Agile Alliance em 2001 e a publicação do Agile Manifesto, intensifi cando o surgimento de propostas como XP, SCRUM, CRYSTAL entre outras. Enquanto as metodologias ágeis prometem alto grau de satisfação do cliente, baixas taxas de defeitos e rápido desenvolvimento, as abordagens chamadas plan-driven (como métodos baseados em CMM) prometem estabilidade e alta

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segurança. Em meio a esse impasse, o grande desafio para as organizações de software resume-se em contar com processos produtivos que promovam soluções ágeis e flexíveis e alinhadas a padrões mundiais de qualidade. Identifi car e implementar soluções que atendam a esses objetivos, no entanto, não representa uma tarefa trivial. Certamente requer conhecimento, tempo e esforço, fatores quase sempre não disponíveis nas organizações. É importante se ter o entendimento de que, independentemente da estratégia adotada, a qualidade é um aspecto dependente de diversos fatores. Processos adequados, atividades de garantia e controle da qualidade, tecnologia e, especialmente, competências. Nenhum modelo ou tecnologia, por si só, poderá trazer resultados em termos de qualidade e produtividade sem a participação efetiva de pessoas habilitadas e motivadas. Uma premissa para se garantir o comprometimento é a existência do entendimento pleno dos benefícios que a qualidade pode trazer para a organização e para o próprio profissional. E uma certeza deve-se ter em mente: vontade e determinação para a melhoria é essencial, não apenas para sobreviver no mercado, mas para vencê-lo. E a estratégia a ser seguida, fundamentada em qualidade tecnológica e humana, pode impor o diferencial de uma organização no mercado global.


tendência

Flávio Roberto Guarnieri

O mercado de petróleo

TEREZA MARIA FERNANDEZ DIAS DA SILVA, SÓCIA DA MB ASSOCIADOS

A discussão ambiental, principalmente em relação à ampliação de emissão de gases poluentes, somada ao caráter finito do petróleo, tem aumentado a preocupação com o fornecimento dessa matériaprima e induzido o aumento dos investimentos na busca de energias alternativas renováveis. Permanece válida, ainda assim, a avaliação de que o petróleo continuará sendo a fonte de energia dominante no mundo até pelo menos 20251 de acordo com avaliações das agências de energia e de analistas independentes do setor. As expectativas em relação ao equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos anos seguem, portanto, comandando a formação de preço dessa commodity, cuja tendência é alavancada pela atuação dos fundos de investimentos, normalmente em momentos nos quais os fundamentos sugerem mudanças importantes de preço. Nesse sentido, desde o início do ano já havia indicações de que o preço do petróleo deveria fi car, em média, próximo a US$ 60/barril e não abaixo desse patamar, como sugeriam alguns analistas. O cenário de crescimento econômico mundial apontava para o aumento do consumo em um momento em que as regiões produtoras atravessavam

O Brasil se destaca com uma estimativa de ampliar a produção de 1,9 milhão de barris em 2007 para 2,15 milhões de barris diários já no próximo ano

problemas políticos que poderiam afetar o abastecimento, sinalizando preços pressionados 2 . Além disso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) seguiu ajustando sua produção, com uma meta de 25,8 milhões de barris/dia3 , estabelecida em fevereiro de 2006 pelo grupo Opep-10. Pequenos aumentos de produção de países como Angola, Irã, Nigéria e Emirados Árabes Unidos estavam sendo compensados pela diminuição na produção do Iraque, da Indonésia e da Venezuela. Para completar o quadro de incertezas, a redução do refino no mercado norte-americano e o balanço de estoques de petróleo bruto e gasolina influenciaram em vários momentos o preço desse produto, além da indicação de investimentos insufi cientes em prospecção, extração e refino que já apontava para a redução das margens excedentes a

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patamares muito baixos 4 , gerando dúvidas em relação ao equilíbrio entre oferta e demanda, dúvidas estas que se projetam para os próximos anos, principalmente se o mundo continuar crescendo na velocidade atual. Finalmente, a divulgação do Relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), no mês de julho, apontando para uma redução das projeções de oferta de petróleo para os próximos anos, ajudou no forte aumento de preços que ocorreu a partir de então, ampliado pelo movimento de compra dos fundos de investimentos. Segundo a AIE, a redução, a níveis mínimos, da capacidade de produção não utilizada da Opep pelo aumento da demanda global entre 2007 e 20125 deixará o mercado de petróleo tenso depois de 2010. Segundo cálculos da agência, a Opep terá que produzir 36,18 milhões de barris /dia em 2012 (a produção do mês de junho de 2007 foi de 30,22 milhões) para atender à demanda global, porque a produção dos países que não pertencem à Opep vai crescer apenas 1% ao ano 6 , no mesmo período, ao mesmo tempo em que Irã, Iraque e Venezuela não terão uma expansão líquida de capacidade. A maior contribuição do aumento de pro-

FINANCEIRO


Gráfico 1

Evolução do preço do petróleo Brent (Spot) - US$/barril 26/07/07 75,8

85 80 75

Os recentes acontecimentos no mercado subprime americano precipitou a queda dos preços alavancada pela diminuição das carteiras dos fundos

70 65 60 55

26/07/2007

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26/07/2006

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26/10/2005

26/08/2005

26/07/2005

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Fonte: Bloomberg. Elaboração: MB Associados.

Gráfico 2

Evolução dos estoques de petróleo nos EUA (em milhões de barris) (MMbbl) 370 350 330 310 290 270 250 20-jul 1996

20-jul 1997

20-jul 1998

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19-jul 2000

19-jul 2001

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18-jul 2004

18-jul 2005

18-jul 2006

18-jul 2007

Fonte: EIA. Elaboração: MB Associados. Até 20/07/07. * Strategic Petroleum Reserve.

dução da Opep (70%) virá da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e da Angola. Mesmo prevendo o aumento na produção de biocombustíveis e a entrada em operação de vários projetos novos de exploração nos próximos anos, a capacidade ociosa deve permanecer em níveis baixos. Para a AIE, os países não membros da Opep que irão apresentar o maior crescimento de produção nos próximos cinco anos serão Brasil, Rússia, Canadá, Cazaquistão e

ACREFI

Azerbajão. O Brasil se destaca com uma estimativa de ampliar a produção de 1,9 milhão de barris em 2007 para 2,15 milhões de barris diários já no próximo ano. 1. Com esse quadro, o preço do petróleo apresentou forte aumento nos mercados, causando preocupações em relação a possíveis impactos inflacionários nas várias economias e a volatilidade se espalhou para mercados de outros ativos. Na direção de pressão altista de preço, o vencimento do con-

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trato futuro do petróleo tipo Brent, negociado em Londres, obrigou a compras técnicas no mercado e ajudou a alavancar o movimento de alta, trazendo os preços para próximo do recorde de agosto de 2006 de US$ 78,65 o barril, no dia 13/7 (gráfico 1). Não acreditamos que esse patamar de preço se sustente. A avaliação divulgada pela AIE aponta para um espaço estreito entre oferta e demanda (já esperado anteriormente), que, porém, sugere mais a manutenção do preço em um patamar próximo aos US$ 60 /barril, em média, do que uma elevação para os níveis de US$ 80 /barril. Os recentes acontecimentos no mercado subprime americano, que colocaram dúvidas sobre a manutenção do crescimento mundial, precipitou a queda dos preços alavancada pela diminuição das carteiras dos fundos.

1 Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o petróleo reduzirá sua participação de 40% para 38% do total de energia utilizada no mundo em 2025. 2 Problemas de produção na Nigéria, ameaça do Irã em relação ao Programa Nuclear etc. 3 Os países da Opep estão ajustando sua produção aos estoques, buscando o equilíbrio de preço. Quando aparece algum desequilíbrio, a volatilidade aparece com força. 4 Essas margens são inferiores a 2 milhões de barris/ dia, ou seja, 2,5% da produção mundial. 5 Segundo a AIE, o crescimento da demanda de produtos petrolíferos será de 2,2% ao ano entre 2007 e 2012, impulsionado pela demanda de países da Ásia e do Oriente Médio, levando o consumo para o patamar de 95,8 milhões de barris/dia ante os 86,1 milhões esperados para este ano. Essa previsão está baseada no crescimento econômico mundial de 3,2% ao ano entre os anos de 2008-2012. 6 Na realidade, a produção vai cair na Noruega e na Inglaterra.


gestão de crédito

Divulgação

Como se preparar para agir racionalmente em mudanças de cenário?

A busca de inteligência em gestão de risco massifi cado (GRM) é um dos pontos emergentes do mercado financeiro atualmente. Com o crescimento de crédito anual próximo de 20% e novos produtos entrando em pauta, as empresas se encontram em um momento único de profi ssionalização de sua atividade. Apesar de precisarmos buscar números do mercado, eles ainda são escassos e genéricos, e percebemos que o que realmente precisamos é nos estruturar para melhorar a qualidade de nossas decisões cotidianas. Para isso, é imperioso buscar conhecer mais o assunto e o negócio de risco massivo, fi cando evidente a importância de o mercado financeiro e varejista melhorar seus processos e inteligências em gerenciamento do risco dos produtos de crédito e cobrança. Em função dessa necessidade, existe hoje uma grande oferta de informações e serviços nesse mercado. São incontáveis seminários, encontros, publicações, matérias, publicidades e filmes a respeito da “coqueluche” do momento: crédito no consumo, um grande propulsor de receitas para as empresas. Ao mesmo tempo, a gestão da inadimplência associada a esse negócio é chave, bem como a produtividade e efi ciência operacional. Mas, quando chegamos “em casa” e tentamos

FERNANDO MANFIO, SÓCIO-FUNDADOR DA WITRISK

Modelos apenas classificam, não decidem. Quem decide é o gestor, em suas análises periódicas, testadas na prática, e medidos os seus resultados

organizar nossas prioridades e investimentos, podemos nos deparar com a falta de um planejamento adequado ou mesmo de uma estratégia clara e objetiva para a gestão de nossos produtos de risco. Pode ser que tenhamos sido alertados sobre uma mudança da tendência de mercado, o risco do aumento da inadimplência ou mesmo uma oportunidade apresentada por algum efeito econômico. É quando nos perguntamos: como agir rapidamente? Como me “proteger” desse risco ou “aproveitar” essa oportunidade? Voltamos para o nosso mundo com perguntas sem respostas, principalmente porque, muitas vezes, os alertas são genéricos e não específicos quanto aos nossos produtos e mercado. Podemos até agir meio sem

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saber qual a intensidade ou mesmo o segmento exato, e ficar com uma sensação de incerteza e dúvida a respeito do que fazer e do efeito dessas ações. Como planejar esses momentos para que não nos sintamos frustrados e impotentes? Uma coisa é certa: a velocidade desse mercado e a volatilidade das nossas estratégias serão uma constante! Buscar conhecer as ferramentas e tecnologias disponíveis para esse mercado é fundamental. Aprender com experiências de quem já experimentou é um meio de projetarmos nosso futuro e buscar um plano de ação rumo a esse nosso estágio em gestão de riscos já assumidos ou a assumir. O ponto de partida é: qual o nosso estágio atual? Quais as nossas forças e fraquezas? O que realmente importa e traz resultados para o nosso negócio? Como aproveitar todo esse conhecimento geral e aplicá-lo à nossa situação de forma que nos permita buscar as melhores soluções para cada caso? Vale a pena, então, olhar para dentro, entender nossos produtos, processos, sistema, informações e ferramentas de decisão. Onde estamos e aonde queremos chegar? Quais as possibilidades de ação em cada estágio? O que fazer com as ferramentas que estão hoje disponíveis? O que esperar dessas possibilidades a cada estágio evolutivo

FINANCEIRO


da “capacidade de gestão dos riscos do negócio”? Não podemos esperar para decidir só quando estivermos prontos e preocupados nem nos permitir continuar agindo somente a curto prazo, sem as ferramentas adequadas! As ações em gestão de risco começam na concessão, passam pela manutenção e terminam na cobrança. O risco de um cliente/conta é influenciado pelas ações nesses três momentos. Agir de forma integrada em todas as etapas do ciclo de crédito representado pela figura abaixo, inserida dentro do ciclo do negócio, é a chave para a proatividade na gestão de pessoas.

cionais. Se eles não nos permitem agir, a estratégia será somente um sonho ou desejo frustrado. Por fim, se sabemos onde e como agir, o que vai ser feito dependerá de nossa inteligência no processo decisório, ou seja, de saber interpretar situações e medidas adequadas a testar ou tomar o que, por sua vez, vai depender muito da qualidade e proficiência de quem toma as decisões! Para lhes dar suporte, ferramentas /modelos de decisão tornam-se cada vez mais importantes e as maiores alavancas para o crescimento controlado e estruturado do negócio por meio de prognósticos e direcionamen-

+3

Uma visão geral e integrada das funções

Perdas de Crédito

Cobrança

Planejamento do Produto

M.I.S. Gerenciamento do Risco

-3

ACREFI

Iniciação ao Crédito

Manutenção de Contas

O centro de tudo é o sistema de informações que nos alerta para a ação! Com um adequado sistema de MIS (sistema de informações gerenciais), um painel de controle, podemos direcionar e decidir a intensidade das ações: quanto maiores a profundidade e a segmentação do sistema de informações, maior nossa lente de aumento. Quando sabemos para onde ir, o que fazer vai depender dos processos e sistemas operacionais disponíveis. Na prática, o que transforma uma estratégia em ação são os processos e sistemas opera-

Os Behaviour Scores são modelos estatísticos baseados em dados comportamentais dos clientes (internos e externos), utilizados predominantemente nas decisões relacionadas à manutenção ou renovação de linhas e produtos para já clientes. Os Collection Scores, por sua vez, são modelos estatísticos baseados em dados comportamentais de clientes inadimplentes – em cobrança (incluindo resultados de ações de cobrança), utilizados predominantemente nas decisões relacionadas a estratégias de cobrança. Hoje, aprofunda-se um movimento no Brasil de olhar a cobrança como um negócio, e os modelos de Collection Score ganham espaço em seminários e discussões de cobrança. A integração dessas ferramentas no negócio de cobrança é inevitável, como foi a integração dos Credit e Behavior Scores na gestão do crédito. A sincronização dessas ferramentas no workflow de cobrança pode trazer resultados avassaladores, seja em termos de produtividade operacional (custos), seja na efi ciência (porcentual de recuperação), hoje ainda mais poderosos quando combinados com os modelos de birô de mercado. Vale lembrar, porém, que modelos apenas classifi cam, não decidem. Quem decide é o gestor, em suas análises periódicas, testadas na prática, e medidos os seus resultados. Não existe mágica: não bastam os remédios, embora eles sejam vitais, sempre precisaremos dos médicos! A interpretação dos sinais/ indicadores dos resultados e a avaliação clínica dos gestores vão direcionar as ações a serem tomadas ou mesmo o encaminhamento da questão a um especialista no assunto. A evolução nesse caminho de profi ssionalização da gestão de riscos é o que nos permitirá agir com maior rapidez e precisão no dia-adia do nosso negócio!

tos cada dia mais precisos. O maior exemplo dessas ferramentas são os modelos de decisão /scoring. Trata-se de modelos estatísticos para previsão de resultados que possibilitam às empresas a segmentação de suas estratégias de crédito e /ou cobrança, otimizando a gestão de risco. Os Credit Scores são modelos estatísticos baseados em dados cadastrais dos clientes (ou da operação, conforme o produto), utilizados predominantemente nas decisões relacionadas à aceitação de novos proponentes ao crédito.

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fernandomanfi o@witrisk.com.br


artigo

Divulgação

A importância dos indicadores de desempenho na performance das entidades sem fins lucrativos

Normalmente, os indicadores de desempenho em atividades empresariais que objetivam apuração e distribuição de lucros – conhecidas como o segundo setor – são facilmente encontrados em diversas literaturas específicas, que discorrem sobre as várias formas e métodos de se apurar indicadores de desempenho no âmbito dessas organizações. Esses indicadores fornecem informações importantes, que possibilitam aos gestores identificar as causas que impactam a sua gestão, permitindo, quando necessário, tomar decisões em tempo hábil. Temos, portanto, como ponto de partida para a preparação e apresentação desses indicadores, as demonstrações contábeis, que traduzem a atual posição patrimonial e fi nanceira de uma entidade, por meio da leitura minuciosa dos valores contidos no balanço patrimonial. Já as operações de um período passado estão na composição dos valores apresentados na demonstração do resultado – entidades do terceiro setor apresentam demonstração do déficit ou superávit do exercício. Cabe salientar que a análise das demonstrações contábeis é útil e ajuda a antecipar condições futuras. E o mais importante é que serve como um ponto de partida para planejar a tomada de medidas que estão sendo

ELÓI DE SIQUEIRA, DIRETOR DE BOUCINHAS & CAMPOS + SOTECONTI – AUDITORES INDEPENDENTES

indicadas nos resultados apurados nos cálculos dos índices de desempenho. Todavia, é difícil concluir se determinado índice é bom ou ruim. Por exemplo, um alto índice de liquidez corrente representa que a saúde financeira da entidade é muito boa. No entanto, quando olhamos isoladamente para as disponibilidades, podemos verificar que o saldo é muito alto, o que é ruim, pois recursos parados não geram receitas. Por isso, deve-se ter muito cuidado com as interpretações precipitadas dos indicadores apurados. No entanto, quando são analisados com cuidado e no conjunto com outros indicadores, os de desempenho proporcionam informações importantes, ajudando os administradores a corrigir eventuais desvios nos rumos da gestão. Para que os indicadores de desempenho tenham consistências e sejam confiáveis, se faz necessário que os registros contábeis sejam preparados com lisura, sem vícios e, na medida do possível, as contas devem ser auditadas, pois esse processo dá mais credibilidade e consistência aos números apresentados nos demonstrativos financeiros. Outro ponto importante a destacar refere-se à “análise das tendências”. Essa análise nos indica a postura da situação, ou seja, ela pode melhorar ou piorar. Isso posto, para obter a curva da tendência, basta calcular os

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índices apurados ao longo do tempo, baseados em séries históricas, e projetá-los para os próximos anos. Essas projeções servem como medida de cautela para a tomada de decisão. Voltando para o ponto do questionamento principal, que é a discussão sobre a importância da apuração de indicadores de desempenho em atividades não-lucrativas, entendemos que os mesmos cuidados que foram comentados anteriormente devem ser seguidos pelos gestores das entidades em questão, principalmente para justificar onde e como os recursos estão sendo aplicados e se estão bem geridos, conforme planejado. Portanto, para enriquecer o debate proposto, apresentamos um estudo preparado em 2003 pelo Conselho Federal de Contabilidade, em que foram sugeridos alguns indicadores de avaliação de desempenho para entidades do terceiro setor. Como forma de contribuição, indicamos no mesmo quadro nossas sugestões de apuração de alguns indicadores. Esse material tem o propósito de apresentar aos gestores e usuários em geral a importância da preparação de relatórios gerenciais, por meio de apuração de indicadores de desempenho, possibilitando avaliar a performance da gestão e procurar corrigir, em tempo hábil, eventuais erros na estratégia da entidade.

FINANCEIRO


Indicadores econômicos e financeiros Fórmula

Finalidade

Objetivos

AC/PC

Liquidez corrente

Ativos circulantes disponíveis para liquidar passivos circulantes de curto prazo

Disponível/Saldo de Projetos

Liquidez específica

Representa o montante de cumprir as atividades do projeto

Patrimônio Social/Imobilizado x 100

Grau de imobilização do patrimônio social

Representa o percentual de imobilização do patrimônio social

Patrimônio Social/Ativo total

Equilíbrio patrimonial

Representa o percentual do ativo total do patrimônio social

Despesa Realizada/ Receita Recebida x 100

Relação das despesas dos projetos e receitas recebidas

Representa o percentual das despesas efetivamente realizadas em relação às receitas recebidas no período

Gratuidade/Despesa total x 100

Relação de gratuidade e despesas totais

Representa o percentual de gratuidades concedidas no período em relação às despesas totais

Gratuidade/Receita total x 100

Relação de gratuidade e receitas totais

Representa o percentual de gratuidades recebidas no período em relação às receitas totais

Despesas por Atividades/Despesa total x 100

Participação de cada atividade nas despesas totais

Representa o nível de cada atividade nas despesas totais

Receita por Atividade/Receita Total x 100

Participação de cada atividade nas receitas totais

Representa o nível das receitas auferidas em relação à receita total

Receitas Próprias/Receitas Total x 100

Esforço de captação própria

Representa a capacidade de gerar renda própria em receitas totais

Fórmula

Finalidade

Objetivos

Despesas realizadas/nº de beneficiários

Eficiência na aplicação de recursos

Avaliar o valor unitário gasto por beneficiário

Despesas realizadas/Área demarcada

Eficiência na aplicação dos recursos

Avaliar o valor unitário gasto por área demarcada*

Custo orçado/Custo realizado x 100

Eficiência no controle dos recursos

Avaliar a capacidade de previsão e planejamento, por projeto

Área construída em m2/beneficiários

Eficiência da estrutura física

Avaliar a acomodação dos beneficiários por metro quadrado

Ativos/Beneficiários

Eficiência na distribuição de ativos diversos

Avaliar os resultados alcançados na aplicação de ativos: medicamentos vacinas, cestas básicas, materiais etc.

Quantidades de funcionários/ Quantidades de beneficiários

Eficiência no atendimento aos beneficiários

Avaliar a capacidade de atendimento da entidade

Desempenho operacional

*desenvolvido para projetos específi cos quando existe área demarcada, por exemplo, “projeto indígena”.

ACREFI

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análise econômica

Arquivo Acrefi

A inflação de serviços e a apreciação cambial

É provável que o Banco Central tenha como hipótese básica um novo regime de inflação para alcançar o nível de equilíbrio de longo prazo

CARLOS THADEU DE FREITAS GOMES, ECONOMISTA CHEFE DA CNC E EX-DIRETOR DO BANCO CENTRAL

A inflação no Brasil encontra-se em um nível muito próximo do verificado nos países de Primeiro Mundo. A apreciação cambial exerceu um papel importante em reduzir os preços dos bens (especialmente os comercializáveis). Essa redução no preço dos bens foi observada em diversos países, uma vez que a desvalorização do dólar é uma tendência global. Além disso, somam-se os efeitos deflacionários das importações da China, país com menor custo de produção unitário. Desde a implementação do regime de metas no Brasil, a inflação vem convergindo apesar de toda oscilação de curto prazo. O grande mérito do regime de metas é o ganho de credibilidade refletido na redução da volatilidade da inflação na presença de choques de oferta. O conceito, por trás do conservado-

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rismo do Banco Central, presente nos últimos anos nas decisões de política monetária, é que uma convergência rápida é menos dolorosa do que uma trajetória gradualista. Uma abordagem superficial no comportamento da inflação brasileira dos últimos anos nos tornaria céticos em relação à consistência de uma redução permanente do nível de preços – dependente demasiadamente da taxa de câmbio e das oscilações das cotações de commodities. É provável que o Banco Central tenha como hipótese básica um novo regime de inflação para alcançar o nível de equilíbrio de longo prazo. Esse argumento é uma alternativa a fim de tornar válido o forte aperto monetário presenciado ao longo dos últimos anos. Contudo, se a inflação alcançar seu valor de longo prazo, mas ainda

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exibir as características de sua série histórica, esse nível provavelmente não se sustentará. O principal argumento, nesse caso, é a comparação, com outros países, dos principais indicadores determinantes ou dos que têm elevada influência sobre a inflação. Alimentos e transportes, mais sensíveis a choques de oferta, têm um peso maior no Brasil (41,3% no IPCA) do que nos demais países (com exceção do Peru, com 60%). A evidência empírica em diversos países demonstra que à medida que a economia cresce cai a participação de alimentos na cesta de bens representativa, que é utilizada na ponderação da inflação ao consumidor (México tinha 42% em 1963, contra 23,2% registrado em 2000). Essa redução, em conjunto com outros fatores, permite um menor repasse do câmbio para a inflação ao consumidor. No geral, a queda do consumo de alimentos costuma ser substituída por um aumento na participação de serviços. Esse setor tem maior rigidez, exibe maior grau de inércia e apresenta maior dificuldade de mensuração. De modo geral, acredita-se que a apreciação cambial tende, em um primeiro momento, a reduzir a inflação geral tanto de bens transacionáveis quanto dos não-transacionáveis. Esta última se desacelera devido a um nível geral menor de preços (além da maior influên-

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cia do IGP nos administrados). No entanto, numa segunda etapa, os bens não-transacionáveis tendem a subir devido ao aumento do seu custo relativo. A apreciação cambial na economia brasileira impactou, num primeiro momento, o nível de preços como um todo (mesmo que com maior intensidade o setor de bens comercializáveis) – o IPCA foi reduzido até o patamar de 3% acumulado em 12 meses no início de 2007. Entretanto, devido ao maior crescimento interno (impulsionando a massa de salários) e a uma possível recomposição de margens do setor de serviços (para cobrir maiores custos relativos), pode estar ocorrendo uma mudança na tendência. A inflação de serviços está acelerando e, ao mesmo tempo, os preços de bens são menos influenciados pela taxa de câmbio (na margem). Vale mencionar que os preços das commodities internacionais mantêm a trajetória de alta, e isso termina por reduzir os efeitos da apreciação cambial. As duas últimas atas do Banco Central se referem ao aumento das importações como uma oportunidade de flexibilizar com maior intensidade a política monetária. Na prática, o Banco Central entendeu que o movimento de apreciação cambial tem um elevado componente permanente e, portanto, a queda de preços dos bens transacionáveis permite que a inflação permaneça na meta mesmo com um estímulo

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Acredita-se que a apreciação cambial tende, em um primeiro momento, a reduzir a inflação geral tanto de bens transacionáveis quanto dos não-transacionáveis

maior à atividade econômica. Uma das conclusões é que o Banco Central não deve contar indiscriminadamente com a apreciação cambial como amortecedor inflacionário. (i) O repasse tem sido decrescente nos últimos anos (21% em 2004; 16% em 2005; e 6% em 2006 – vide Desagregação da Inflação nos relatórios trimestrais do Banco Central. (ii) Os preços das commodities internacionais sobem a uma taxa maior do que a apreciação nominal do câmbio. (iii) Há um esgotamento da influência positiva do câmbio sobre os preços dos serviços. A inflação desse setor deverá começar a acelerar pela questão dos custos relativos e o crescimento da massa salarial.


gestão de negócios

Parcerias e alianças no setor financeiro ROSILÉIA MILAGRES, PROFESSORA E PESQUISADORA DO NÚCLEO SERASA DE INOVAÇÃO EM SERVIÇOS E PROFESSORA DA FUNDAÇÃO DOM CABRAL HÉRICA MORAIS RIGHI, PESQUISADORA DO NÚCLEO SERASA DE INOVAÇÃO EM SERVIÇOS DA FUNDAÇÃO DOM CABRAL

Notícias sobre parcerias e alianças entre empresas do setor bancário são cada vez mais freqüentes nos principais jornais do País. Esses acordos vêm se revelando uma importante ferramenta na gestão de negócios. Recente pesquisa sobre tendências no setor financeiro mundial feita pela IBM Consulting Service revelou que os bancos alcançam melhor desempenho quando administram internamente apenas o mais estratégico para seus negócios centrais e formam parcerias nas atividades cuja gestão direta não representa uma vantagem competitiva. Buscando entender melhor a dinâmica interna do setor financeiro brasileiro, o Núcleo Serasa de Inovação em Serviços, da Fundação Dom Cabral, desenvolveu uma pesquisa sobre os acordos de cooperação realizados no setor. Três aspectos se destacaram nas entrevistas feitas com executivos do setor: busca da complementaridade; importância da confiança e reputação dos parceiros; e gestão das redes. Busca de complementaridade As parcerias e alianças acontecem, sobretudo, para complementar as competências exigidas nos processos de gestão e inovação. Nesse contexto, elas tornam-se importan-

O sucesso da gestão da parceria depende de fatores como definição de objetivos comuns, transparência e desprendimento

tes na transferência de conhecimento, aprendizado e, conseqüentemente, promovem o dinamismo no setor. Como as empresas possuem competências distintas, não são boas em fazer tudo, a interação e troca entre elas são indispensáveis na busca de vantagens competitivas. Por isso, as estratégias cooperativas se tornam mais atraentes. Portanto, competências distintas de atores diversos, como empresas concorrentes e/ou fornecedores, representam um dos critérios para a decisão de parcerias e alianças. Confiança e reputação dos parceiros Confiança e reputação das empresas envolvidas foram elementos citados como pré-condição para a formação de parcerias. Acordos cooperativos são processos que envolvem riscos elevados, devido às incertezas do ambiente de negócios

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Rosiléia Milagres e Hérica Morais Righi

e do comportamento dos parceiros, que podem agir de maneira oportunista, limitar propositalmente suas contribuições ou apresentar baixo nível de competência no exercício da cooperação. As informações sobre os parceiros podem diminuir custos e minimizar riscos. As organizações firmam acordos de parceria com base em laços de confiança e um fluxo consistente de troca de informações. Acredita-se que as relações estabelecidas em parcerias e alianças anteriores criam condições para o fortalecimento da confiança entre os parceiros, reduzindo posturas indesejáveis no futuro. Confiança, aqui, pode ser entendida como uma perspectiva que diminui o medo de o parceiro ser oportunista. Gestão das redes Os executivos do setor apontaram a importância da gestão para a continuidade das parcerias. A gestão é fator crítico tanto na etapa inicial quanto no desenvolvimento

FINANCEIRO


Divulgação

da parceria, devido ao dinamismo do processo. O sucesso da gestão da parceria depende de fatores como definição de objetivos comuns; transparência, desprendimento e capacidade de se relacionar, aprender e transmitir conhecimento. O domínio dessas condições por parte dos bancos resulta em alguns benefícios, como redução dos problemas e custos, melhoria do processo de troca e do fluxo do conhecimento. Nesse sentido, é preciso desenvolver know-how de colaboração, o

que só acontece a partir das experiências. As empresas adquirem habilidade na escolha dos parceiros, no processo de negociação, na transferência de conhecimento, na gestão, no acompanhamento dos acordos cooperativos e até na forma de encerrar a parceria. As experiências colaborativas envolvem, ainda, aspectos como freqüência, intensidade, longevidade e tipos de colaboração e capacidade de transformá-las em vantagem competitiva estrutural, por meio da absorção das lições apreendidas ao longo do processo. O sucesso das parcerias depende do entendimento, por parte de seus gestores, dos objetivos estratégicos. É fundamental que os gerentes desenvolvam estruturas de gestão separadas, pois a necessidade de aprender com o parceiro pode tornar inadequadas as estruturas tradicionais da empresa. Além disso, precisam analisar valores, comprometimento e capacidade dos potenciais parceiros, entendendo os riscos envolvidos. Na verdade, a gestão da parceria envolve aprendizado, pois a capacidade organizacional é desenvolvida com base em um novo conhecimento ou na sua recombinação e /ou integração. As parcerias evoluem e emergem a partir de um processo de aprendizado interativo e dinâmico, se configurando em um ativo difícil de ser copiado, uma vez que possui trajetórias diferenciadas.

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inovação

Plástico rumo à fidelização e expansão com as financeiras WANDERVAL ALENCAR, DIRETOR EXECUTIVO DA CSU CARDSYSTEM S.A.

Estudo elaborado recentemente pela TNS Interscience revela que os clientes brasileiros são os menos fiéis aos bancos em comparação a outros povos. Segundo apontou a pesquisa, em média 63% apresentam perfil comprometido com as instituições fi nanceiras, enquanto 78% do público europeu se destaca pela fidelidade. O relatório revela ainda que, entre os comprometidos com as entidades, 22% são descritos como apreciadores dos bancos, enquanto 41% são vistos como envolvidos, 27% estão parcialmente comprometidos e 10% apresentam riscos consideráveis de troca de instituição. Já de acordo com relatório elaborado pela Gallup Organization em abril deste ano, 83% dos brasileiros “bancarizados” mostram-se propensos a migrar para outra instituição caso recebam proposta mais atraente.

Mais do que apenas uma ferramenta prática e segura para a realização de transações no varejo, o cartão de crédito se apresenta às instituições financeiras como uma opção viável de fidelização, oferecendo aos emissores a possibilidade de proporcionar, a seus clientes, oportunidades que vão além da compra de bens de consumo e linhas de empréstimos. Diferentemente do cartão convencional, no qual a fidelidade por parte do consumidor/portador do plástico está atrelada diretamente ao lojista, a emissão de cartões por parte das instituições financeiras estreita sua relação com o consumidor, complementando, dessa forma, o ciclo de fidelidade, ao agregar valor ao negócio do cartão. O Banco Itaú analisou os hábitos de quem utiliza cartão de cré-

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dito e revelou, em pesquisa realizada este ano, que a indústria emissora de cartões ampliou em cerca de 30 milhões de pessoas o públicoalvo para a venda de seus produtos e serviços. O relatório apontou que as companhias buscam atrair pessoas com renda mensal a partir de R$ 151, bem como os idosos, com idade entre 57 e 75 anos. Até então, o limite de renda era de R$ 300 mensais e, para a idade, 57 anos. Com a ampliação, o segmento, que até então calculava 65% da população – ou 120 milhões de habitantes – como potenciais clientes, destaca que o índice subiu para 80%, ou 150 milhões de brasileiros. O dado é uma afirmação inequívoca da tendência atual de oferecer aos portadores de cartões muito mais do que facilidades na hora de efetuar compras. E, em contrapartida,

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o plástico surge como oportunidade eficaz na ampliação dos negócios e fidelização. Esse é o mercado em que as financeiras podem entrar sem concorrer ou descontinuar os produtos típicos das financeiras, ou seja, CDC, crédito pessoal ou financiamento de bens e serviços. Por meio da emissão de cartão, as financeiras estão diante da oportunidade de colocar no mercado modelo de produtos via cartão de crédito, possível de ser oferecido apenas pelo setor financeiro. O plástico pode fornecer transferências de linhas de financiamento entre cartão de crédito e financiamento. Tal serviço não encontra parâmetro em serviços adicionais disponibilizados pelas operadoras de cartão de crédito. Produtos como linha rápida de empréstimo ao cliente e transferência de financiamento de fatura de cartão para crédito parcelado também estão à disposição para serem

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ofertados. E, ao tornar viável o cartão híbrido – que une a funcionalidade do crédito ao private label – atende a uma demanda latente do setor varejista, que busca incessantemente instrumentos de fidelização de clientes e ampliação da receita. Nesse caso, as financeiras podem incrementar o relacionamento já existente com o varejista. No leque de possibilidades que se abre aos emissores de cartão no trabalho de apresentar diferenciais a seus correntistas e, por conseqüência, incrementar rendimento, estão a incorporação de serviços, como seguros massificados. Distribuídos a preços competitivos, coberturas como proteção financeira, seguro contra acidentes pessoais e tantos outros atuam como variável segura de rentabilidade. O plástico dá ainda à financeira a possibilidade de fortalecimento da imagem, ao estar conectada a instituições

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Por meio da emissão de cartão, as financeiras estão diante da oportunidade de colocar no mercado modelo de produtos via cartão de crédito, possível de ser oferecido apenas pelo setor financeiro

como Visa e Mastercard, ampliando visibilidade e penetração junto ao segmento varejista e ao público consumidor. A carteira de financiamento da instituição está à disposição da financeira; ela tem a primazia de apresentar o plástico a seus clientes, com todas as ferramentas para torná-lo estreitamente comprometido com a instituição, gerando, simultaneamente, modalidades diferenciadas de expansão na rentabilidade do negócio.


artigo

A estratégia de crescimento da Coréia: trabalhar mais eficientemente e não mais arduamente Este artigo é publicado com autorização do autor e foi traduzido da edição de 13 de julho de 2007 do jornal The Korea Herald.

Uma visão da Coréia Este ano marca o 20º aniversário do levante civil de 10 de junho de 1987 e o 10º aniversário da crise financeira asiática de 1997. Preparamos uma série de contribuições de proeminentes estudiosos internacionais para analisar as mudanças significativas que a Coréia sofreu nas duas últimas décadas. Esperamos que nossos leitores possam formar uma visão do futuro do País a partir desses artigos. Por David C. Kang, professor de governo no Dartmouth College e professor adjunto de administração de empresas na Tuck School of Business; autor de China Rising: Peace, Power and Order in East Asia (A Emergência da China: Paz, Poder e Ordem na Ásia Oriental, Columbia University Press, 2007), Crony Capitalism: Corruption and Development in South Korea and the Philippines ( Capitalismo Amigo: Corrupção e Desenvolvimento na Coréia do Sul e nas Filipinas , Cambridge University Press, 2002) e Nuclear North Korea: A Debate on Engagement Strategies, escrito juntamente com Victor Cha (A Coréia do Norte Nuclear: Um Debate sobre Estratégias de Engajamento, Columbia University Press, 2003). Publicou diversos artigos em jornais especializados, como International Organization e International Security, bem como textos de opinião no New York Times, The Financial Times, The Washington Post , Los Angeles Times e em vários jornais chineses e coreanos. E-mail: DavidCKang@Dartmouth.edu.

A economia da Coréia: acumulação, não produtividade Depois da crise do FMI, um empresário coreano me disse, em 1998, “estouramos o champanhe muito cedo – achamos que tínhamos alcançado os países desenvolvidos, mas a realidade é que ainda temos um longo caminho pela frente”. Dez anos mais tarde, a Coréia deu grandes passos como resposta à crise e reestruturou sua economia em áreas como governo corporativo dos maiores conglomerados familiares, política macroeconômica e reduziu a corrupção. De fato, os dias sombrios da era FMI são agora parte da história, e a tarefa da Coréia no futuro é decidir como assegurar o desenvolvimento econômico sustentável no longo prazo. Primeiro, as boas novas: o PIB coreano de 2006 de US$ 1,1 trilhão coloca o país entre as 12 maiores economias do mundo, semelhante ao da França (US$ 1,8 trilhão) e da Espanha (US$ 1,1 trilhão). A renda per capita em termos de paridade de poder de compra de USD 24.500 é semelhante à da

Apesar de as taxas de crescimento da Coréia terem declinado, elas ainda são maiores do que as de muitos países desenvolvidos

Itália (USD 30.200) e muito maior do que a da Rússia (USD 12.200) e a do México (USD 10.700). Durante os oito anos anteriores à crise do FMI, a taxa de crescimento real anual da Coréia foi de 7,4% e, mesmo nos oito anos seguintes à crise, o país teve uma média real de crescimento anual de 5,4%. E apesar de as taxas de crescimento da Coréia terem declinado, elas ainda são maiores do que as de muitos países desenvolvidos (por exemplo, a média de crescimento dos EUA tem sido 3,3% desde 1997). A Coréia também tem uma taxa maior de assinantes de banda larga do que os EUA, a Alemanha ou o Japão, e o investimento com relação ao PIB continua maior do que nos outros países da Ásia Oriental, com uma média de

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30% na Coréia contra 22% nos outros países da região, nos últimos oito anos. Agora, as más notícias. A maior parte do sucesso econômico da Coréia foi resultado de trabalho árduo, em vez de trabalho eficiente e inovador. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD, sigla em inglês) estima que o resultado por hora trabalhada na Coréia foi de 41% comparado ao dos Estados Unidos, o que coloca a Coréia no nível de eficiência da República Checa (45%), da Polônia (37%) e da Turquia (28%). Os trabalhadores japoneses são 71% eficientes em relação aos Estados Unidos; a Alemanha, 91%; e o Reino Unido, 83% com relação aos Estados Unidos. Em resumo, para cada hora trabalhada, a Coréia apresenta um resultado de menos da metade do que os países desenvolvidos. Entretanto, os trabalhadores coreanos produzem 52% em relação aos trabalhadores americanos. Como isso é possível? Os trabalhadores coreanos adicionam quase 15 semanas extras de trabalho, compara-

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dos com os EUA. Assim, em 2005, os coreanos trabalharam 2.300 horas por ano, contra 1.700 horas nos Estados Unidos e no Japão. Falando claramente, a riqueza e a prosperidade coreanas resultam de muito suor. Então, como interpretar esses números? Há tanto lições positivas como negativas. A lição positiva é que a capacidade coreana para o trabalho árduo é fenomenal, além de ser um dos principais recursos de sua economia. Apenas em uma economia de grande oportunidade, em que os trabalhadores podem perceber que seus esforços resultarão em maior pagamento e melhores perspectivas, eles irão trabalhar de maneira realmente árdua. Devemos tomar cuidado para não pôr de lado levianamente essa capacidade de trabalho duro, pois é um testamento das oportunidades e transformações da Coréia nos últimos 50 anos. As lições negativas, infelizmente, são igualmente profundas. Primeira e mais importante, o trabalho duro por si só pode levar o país até onde já levou. Claramente, para a Coréia fazer genuinamente parte do escalão das economias mais avançadas do mundo, o próximo passo é começar a combinar essa capacidade de trabalho duro com instituições, leis e empresas que tornem o trabalho eficiente – isto é, produtivo – possível. Isso porque o crescimento econômico pode vir apenas de duas fontes: aumento do input (aumentando o número de trabalhadores ou de máquinas, ou – no caso da Coréia – trabalhando-se mais horas) e aumento da “produtividade” (cada trabalhador produzindo mais resultado por meio de inovações ou de conhecimento). A economia coreana é baseada principalmente em inputs que a fazem crescer por meio de acúmulo e trabalho e não a faz crescer em termos de produtividade e eficiência. Reformas Como a Coréia está atrás dos outros países industrializados, o que deve ser feito? As melhorias na produtividade

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A Coréia terá de ir além da simples acumulação de ativos e focar mais em criar as condições que permitam a melhoria da produtividade em todos os setores da economia

advêm tanto do aumento do capital físico como de investimentos “intangíveis” – inovação e conhecimento sobre o trabalho, avanços na ciência e na tecnologia, e melhoria na qualidade da força de trabalho. A Coréia terá de ir além da simples acumulação de ativos e focar mais em criar as condições que permitam a melhoria da produtividade em todos os setores da economia. Na “ponta de frente” da economia coreana, algumas empresas do país são internacionalmente competitivas – tornaram-se inovadoras – e os centros de pesquisa e universidades coreanos são cada vez mais referências de padrões mundiais. Um indicativo é que, em 2003, a Coréia do Sul passou à frente da França e do Reino Unido e se tornou o quarto país que mais recebeu patentes americanas. Assim, uns poucos conglomerados familiares foram além da imitação ou da adaptação e já são produtivos, estando à frente em termos tecnológicos. No entanto, apesar de os principais conglomerados coreanos serem inovadores em nível mundial, os verdadeiros ganhos de produtividade na economia coreana como um todo não virão apenas dessas poucas empresas, mas resultarão de reformas no resto da economia. Ou seja, o resto da economia coreana está precisando demais de maior eficiência, e o aumento de produtividade no setor de serviços (serviços financeiros, varejo e imóveis, por exemplo) e nos setores mais tradicionais, como agricultura, construção e processamento de alimentos, implicará melhores resultados para a economia coreana como um todo. Isso acontece porque a grande maioria da força de trabalho coreana e sua economia não estão empregadas na produção

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de semicondutores e de telas planas para computadores, mas sim nos setores mais tradicionais. Esses outros setores estão prontos para uma reforma, e reformas prudentes liberariam capital e trabalho para serem empregados de maneira mais produtiva e em indústrias de maior valor agregado. Como um exemplo dos rumos que a Coréia deve tomar, o país continua a ser esmagadoramente uma economia manufatureira tradicional: 40% do PIB da Coréia vem de manufatura, enquanto os serviços compreendem pouco mais de 56% de sua economia. Isso contrasta com o Japão e os Estados Unidos, onde 75% da sua economia são gerados pelo setor de serviços. Com o objetivo de transformar o crescimento da Coréia, há três áreas principais nas quais o país pode trabalhar a fim de aumentar sua produtividade: finanças, trabalhista e pequenas empresas. Primeiro, o setor financeiro ainda precisa de maior liberalização para ser combinado com maior institucionalização. A simples liberação de mercados não tende a gerar ganhos de produtividade – o que se faz necessário é uma estrutura política e legal clara para a atividade empresarial, como investimento estrangeiro, contabilidade, mercado de ações e até mesmo falência. O recente Ato de Consolidação do Mercado de Capitais é um passo bem-vindo na direção certa. A nova lei irá consolidar e simplificar os regulamentos que governam seguranças, gerenciamento de ativos e setores de seguros, que permitirá mais fusões e aquisições. A redução de regulamentações e a criação de produtos financeiros mais sofisticados e diversificados como derivativos irão expandir as oportunidades dos investidores domésticos. Quanto mais eficiente o setor financeiro, mais capital pode ser destinado às empresas e setores em que se faz mais necessário. Para esse fim, o governo deve expedir a privatização de instituições financeiras que são atualmente controladas pelo governo, de forma a nivelar o campo onde o jogo se realiza para todos os participantes da indústria financeira.


artigo Segundo, a reforma trabalhista continuada ainda se faz necessária, o que significa tanto reforma trabalhista com reforma da previdência social. São duas metades de um mesmo todo. O objetivo é conseguir tanto flexibilidade no mercado de trabalho de maneira que os trabalhadores possam ser utilizados no seu melhor potencial como possam ser redirecionados (isto é, despedidos) das áreas nas quais não são produtivos. A chave será encontrar o equilíbrio entre uma grande rede de benefícios e uma pequena rede de segurança. Uma rede previdenciária com proteção aos empregados grande demais, segurodesemprego e benefícios irão reduzir os incentivos para os trabalhadores se tornarem produtivos e dificultará às indústrias improdutivas que despeçam empregados, enquanto uma rede de proteção pequena demais aumentará o conflito e reduzirá a flexibilidade, uma vez que conexões políticas e corrupção serão usadas para proteger a empresa, não importa o quanto ela seja ineficiente. Por exemplo, os empregados das grandes empresas familiares que pertencem a grandes sindicatos são extremamente bem protegidos – e como resultado, muitas empresas empregam trabalhadores temporários ou por meio período, os quais não têm proteção quase alguma. Assim, pouco mais de 20% dos trabalhadores desempregados recebem auxíliodesemprego. Estender esses benefícios aos desempregados ajudaria a tornar o trabalho mais móvel e permitiria à economia como um todo recolocar trabalhadores nos setores mais eficientes das indústrias em crescimento. Terceiro, a maior parte dos ganhos de eficiência são sentidos no nível da indústria, e não no nível da economia nacional. As empresas médias e pequenas coreanas respondem por quase 85% dos empregos e 50% da produção manufatureira. Elas também estão mais endividadas do que os grandes conglomerados familiares e são menos lucrativas. Essas são as empresas que devem, uma de cada vez, produzir pequenos e crescentes ganhos de produtividade por meio de inovações, desenvolvi-

As empresas médias e pequenas coreanas respondem por quase 85% dos empregos e 50% da produção manufatureira. Elas estão mais endividadas do que os grandes conglomerados familiares e são menos lucrativas

mento de produto, melhor uso do trabalho e redirecionamento do seu capital. No momento, muitas dessas empresas menos eficientes e menos lucrativas continuam seu negócio por meio de crédito subsidiado, que as ajuda a sobreviver, mas que reduz a competitividade do mercado como um todo. Encontrar maneiras para reestruturar as pequenas e médias empresas aumentará a produtividade e a competitividade. Entretanto, as pequenas e médias empresas também são firmas que estão entrando no mercado, e a entrada de empresas no mercado, bem como a saída das firmas ineficientes, é necessária. Da mesma forma como as empresas ineficientes são selecionadas para sair do mercado, a fácil entrada no mercado de novas empresas aumenta a concorrência e a produtividade. Dessa forma, o investimento de capital e outros capitais privados devem estar disponíveis com maior prontidão aos empreendedores que têm boas idéias para transformar o mundo. Muitas empresas pequenas usam, atualmente, os negócios imobiliários como forma de conseguir fundos necessários para alavancar seus negócios. Se as firmas novatas pudessem emprestar capital baseado em tecnologia com mais facilidade, ou aguardar o fluxo de caixa futuro, esse setor como um todo se tornaria mais competitivo e eficiente. No momento, o sistema de falência da Coréia torna difícil para as empresas jovens arriscarem, pois as leis de falência tendem a “criminalizá-las”. Hoje, há quase cem cláusulas que discriminam pessoas falidas. A tarefa, uma vez mais, é encontrar um equilíbrio entre promover o empreendedor e os riscos assumidos,

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ao mesmo tempo em que se protegem os investidores e se permite que as firmas ineficientes fracassem. A política da reforma econômica Um reforma econômica é, em última instância, um ato político, e garantir o crescimento futuro da Coréia irá requerer vontade política de todos os lados do espectro político. Embora os ganhos de produtividade beneficiem a todos os coreanos, o processo real de implementar muitas dessas reformas irá criar vencedores e perdedores no curto prazo, e isso irá criar conflito político. Isso acontece porque uma economia mais eficiente e produtiva também é uma economia mais competitiva: empresas emergirão e cairão, e os trabalhadores ganharão e perderão empregos, dependendo de seus talentos no mercado. Dessa maneira, os coreanos deverão decidir que tipo de custo-benefício (tradeoff ) desejam, o quanto a mais querem pagar de impostos por um seguro social; quanta flexibilidade e oportunidade almejam e quanta imprevisibilidade nos seus empregos e salários aceitarão. Quanta inovação e risco irão tolerar? Quanta possibilidade financeira? Ao longo das décadas, os americanos forjaram um consenso pelo maior crescimento e menor proteção social, enquanto o consenso europeu geral tem sido pelo crescimento um pouco mais lento e maior proteção social. Os coreanos terão de decidir por si mesmos quanto risco irão tolerar e o quão competitivos querem que suas empresas e empregados sejam. O fracasso em chegar a termos com essas mudanças e reformas necessárias para se lidar com elas implicará a Coréia continuar um país de renda média, rico o bastante para ter conforto, mas sempre seguindo os líderes globais. Alternativamente, se reformas que aumentem a produtividade puderem ser implementadas e combinadas com a capacidade coreana de trabalho árduo, podemos esperar que a economia da Coréia se torne globalmente competitiva e que o país venha a ter um futuro brilhante.

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PROF. DR. ALBERTO BORGES MATIAS, PRESIDENTE DO INEPAD – INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO

Outro fator que explica o aumento do volume de crédito é a redução da margem das instituições financeiras. O spread financeiro do setor bancário mostrou redução de 7% nos últimos 12 meses, o que junto com a redução do custo de captação potencializa a redução das taxas ao consumidor final. Por sua vez, a queda nas taxas dos empréstimos e financiamentos colabora para elevar a base potencial de clientes, uma vez que reduz o custo do crédito. É relevante salientar que a redução do spread acontece apesar do processo de concentração do setor financeiro, efeito contrário ao que se esperava. Portanto, caso o custo de captação continue caindo é de se esperar que a margem também caia. O movimento de redução da taxa básica de juros fez com que os bancos nacionais deixassem a segurança dos títulos públicos e passassem a

A queda das taxas dos empréstimos e financiamentos colabora para elevar a base potencial de clientes, uma vez que reduz o custo do crédito

trabalhar para expandir suas carteiras de crédito. Dessa forma, as instituições financeiras precisarão aprimorar sua gestão de risco para elevar o volume das operações de concessão de crédito, mantendo os níveis de inadimplência e insolvência controlados. Para favorecer a expansão do crédito, os bancos iniciaram, ainda que timidamente, uma redução no spread financeiro visando elevar a demanda e ganhar com a escala de operações. Colaborou o analista financeiro Vinicius Martins Castilho

Modalidades de Crédito Inepad & BC 80.000.000 60.000.000 40.000.000 20.000.000 0 ai 01 Se t0 1 Ja n 02 M ai 02 Se t0 2 Ja n 03 M ai 03 Se t0 3 Ja n 04 M ai 04 Se t0 4 Ja n 05 M ai 05 Se t0 5 Ja n 06 M ai 06 Se t0 6 Ja n 07 M ai 07

A

forte evolução na oferta de crédito no mercado nacional é decorrente de dois fatores: a redução da taxa Selic e a estabilidade inflacionária. A primeira possibilita empréstimos a taxas mais adequadas à realidade nacional, uma vez que reduz o custo de captação dos bancos. A segunda reduz o risco intrínseco das operações à taxa variável e possibilita empréstimos com prazos maiores. Essa conjuntura sustentou o crescimento até aqui e possivelmente, a julgar pela baixa relação crédito/PIB, sustentará o crescimento por mais tempo. Como conseqüência, várias linhas de crédito tornaram-se mais atrativas ao consumidor. No mercado de pessoas jurídicas, as instituições financeiras têm aumentado seus esforços para aumentar sua carteira de crédito na modalidade Capital de Giro, sendo que esta cresceu mais de 85% nos últimos três anos. Em relação à pessoa física, foram três as principais modalidades que aumentaram o volume em carteira: o crédito consignado, que, em três anos e meio de existência, cresceu mais de 500%; o crédito habitacional, que apresenta uma ótima perspectiva de crescimento, visto que o Brasil tem um alto déficit habitacional; e o crédito para aquisição de veículos, uma modalidade que tem contribuído significativamente ao aumento das vendas de automóveis em 2007.

O futuro do sistema bancário nacional

M

Mario Miranda/Agência Foto

análise setorial

Capital de giro

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Veículos

Consignado

Habitacional


banco de dados por INEPAD TAXAS MÉDIAS GERAL DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07

42,2 41,9 41,5 41,4 41,0 39,8 39,9 39,3 38,5 38,1 37,4 36,7 35,9

-1,0 -0,3 -0,4 -0,1 -0,4 -1,2 0,1 -0,6 -0,8 -0,4 -0,7 -0,7 -0,8

14,7 14,4 13,7 13,4 13,1 12,6 12,5 12,1 12,0 11,7 11,2 10,9 10,8

-0,5 -0,3 -0,7 -0,3 -0,3 -0,5 -0,1 -0,4 -0,1 -0,3 -0,5 -0,3 -0,1

27,5 27,5 27,8 28,0 27,9 27,2 27,4 27,2 26,5 26,4 26,2 25,8 25,1

-0,5 0,0 0,3 0,2 -0,1 -0,7 0,2 -0,2 -0,7 -0,1 -0,2 -0,4 -0,7

Variação jul-jul

-6,3

-3,9

-2,4

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA FÍSICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07

54,3 53,9 53,8 53,5 53,6 52,1 52,3 50,8 49,9 49,1 48,6 47,8 47,0

-1,5 -0,4 -0,1 -0,3 0,1 -1,5 0,2 -1,5 -0,9 -0,8 -0,5 -0,8 -0,8

14,6 14,3 13,7 13,2 12,9 12,5 12,3 12,1 11,9 11,5 10,9 10,7 10,7

-0,6 -0,3 -0,6 -0,5 -0,3 -0,4 -0,2 -0,2 -0,2 -0,4 -0,6 -0,2 0,0

39,7 39,6 40,1 40,3 40,7 39,6 40,0 38,7 38,0 37,6 37,7 37,1 36,3

-0,9 -0,1 0,5 0,2 0,4 -1,1 0,4 -1,3 -0,7 -0,4 0,1 -0,6 -0,8

Variação jul-jul

-7,3

-3,9

-3,4

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA JURÍDICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07

28,3 27,9 27,3 27,4 26,6 26,2 26,2 26,0 25,4 25,3 24,3 23,7 23,0

-0,5 -0,4 -0,6 0,1 -0,8 -0,4 0,0 -0,2 -0,6 -0,1 -1,0 -0,6 -0,7

14,9 14,5 13,8 13,6 13,2 12,8 12,6 12,2 12,0 12,0 11,5 11,1 10,9

-0,4 -0,4 -0,7 -0,2 -0,4 -0,4 -0,2 -0,4 -0,2 0,0 -0,5 -0,4 -0,2

13,4 13,4 13,5 13,8 13,4 13,4 13,6 13,8 13,4 13,3 12,8 12,6 12,1

-0,1 0,0 0,1 0,3 -0,4 0,0 0,2 0,2 -0,4 -0,1 -0,5 -0,2 -0,5

Variação jul-jul

-5,3

-4,0

-1,3

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

38

FINANCEIRO


SPREAD FINANCEIRO

CRÉDITO PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL Volum e R$ Milhões

Taxa de Juros

45,0

95.000

80,00

40,0

90.000

75,00

35,0

85.000

30,0

SPREAD FINANCEIRO

70,00

80.000 65,00

25,0

75.000

20,0

60,00

70.000

15,0

55,00

65.000

Aplicação

60.000

jul/07

jun/07

mai/07

abr/07

mar/07

fev/07

jan/07

dez/06

nov/06

out/06

set/06

ago/06

jul/06

10,0

50,00

jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul 06 06 06 06 06 06 07 07 07 07 07 07 07

Captação

Volume

Taxa de Juros

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados - Recursos Livres (R$ milhões) MÊS / ANO

CHEQUE ESPECIAL

VARIAÇÃO EM %

CRÉDITO PESSOAL

VARIAÇÃO EM %

FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO

VARIAÇÃO EM %

CARTÃO DE CRÉDITO

VARIAÇÃO EM %

jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07

12.908 13.080 12.768 13.348 13.194 11.738 13.287 13.794 13.771 14.218 14.195 13.906 14.155

-2,2% 1,3% -2,4% 4,5% -1,2% -11,0% 13,2% 3,8% -0,2% 3,3% -0,2% -2,0% 1,8%

73.979 75.432 76.513 77.693 79.148 78.950 80.464 82.408 84.783 86.625 89.398 90.516 93.095

2,3% 2,0% 1,4% 1,5% 1,9% -0,3% 1,9% 2,4% 2,9% 2,2% 3,2% 1,3% 2,8%

214 219 221 227 233 236 237 244 223 39 262 277 260

3,8% 2,2% 0,9% 3,0% 2,3% 1,3% 0,6% 3,2% -8,7% -82,6% 576,9% 5,5% -5,9%

12.839 13.274 13.293 13.511 13.838 13.418 14.135 14.973 14.974 15.627 15.677 15.873 16.140

-1,9% 3,4% 0,1% 1,6% 2,4% -3,0% 5,3% 5,9% 0,0% 4,4% 0,3% 1,2% 1,7%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados/continuação Recursos Livres (R$ milhões) AQUISIÇÃO MÊS / ANO jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07

VEÍCULOS

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

58.975 60.241 61.384 61.519 62.726 63.472 64.463 65.291 66.977 68.283 69.853 71.052 72.195

2,9% 2,1% 1,9% 0,2% 2,0% 1,2% 1,6% 1,3% 2,6% 2,0% 2,3% 1,7% 1,6%

10.115 10.089 9.956 10.133 10.231 10.752 10.864 10.705 10.648 10.620 10.934 10.994 11.373

0,4% -0,3% -1,3% 1,8% 1,0% 5,1% 1,0% -1,5% -0,5% -0,3% 3,0% 0,6% 3,4%

69.090 70.331 71.340 71.652 72.957 74.225 75.327 75.996 77.624 78.903 80.786 82.045 83.569

2,5% 1,8% 1,4% 0,4% 1,8% 1,7% 1,5% 0,9% 2,1% 1,6% 2,4% 1,6% 1,9%

8.887 9.261 9.813 9.766 9.624 9.646 9.835 9.931 9.893 10.432 11.113 11.121 11.456

3,0% 4,2% 6,0% -0,5% -1,4% 0,2% 2,0% 1,0% -0,4% 5,4% 6,5% 0,1% 3,0%

177.919 181.597 183.947 186.197 188.993 188.213 193.285 197.346 201.269 205.844 211.432 213.737 218.675

1,8% 2,1% 1,3% 1,2% 1,5% -0,4% 2,7% 2,1% 2,0% 2,3% 2,7% 1,1% 2,3%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

39


banco de dados por INEPAD VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - CRÉDITO CONSIGNADO MÊS / ANO jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 Var. jul-jul

CRÉDITO PESSOAL* 82.700 84.247 85.446 86.707 88.383 88.709 90.417 92.665 95.204 97.339 100.829 101.876 104.268 25,78%

CONSIGNADO Públicos

Privados

Total

Amostra**

36.834 38.103 39.119 40.304 41.406 42.069 43.595 44.923 46.206 47.625 49.274 49.970 51.258

5.192 5.355 5.542 5.730 5.889 6.016 5.982 6.283 6.638 6.869 7.145 7.331 7.453

42.026 43.458 44.660 46.034 47.295 48.086 49.578 51.206 52.845 54.494 56.419 57.301 58.712 42,89%

28.501 29.671 30.442 31.171 31.727 32.318 33.216 34.106 35.186 36.316 37.495 38.248 39.482 38,73%

% Consignado***

(R$ milhões)

Concentração Taxa de Juros %aa do Consignado Estimativa INEPAD Consignado Pessoal Diferença

50,8% 51,6% 52,3% 53,1% 53,5% 54,2% 54,8% 55,3% 55,5% 56,0% 56,0% 56,2% 56,3%

67,8% 68,3% 68,2% 67,7% 67,1% 67,2% 67,0% 66,6% 66,6% 66,6% 66,5% 66,7% 67,2% -2,91%

35,1% 34,9% 34,7% 34,4% 33,5% 33,3% 33,0% 32,4% 32,3% 32,2% 32,1% 31,5% 31,0%

59,8% 59,1% 58,9% 58,6% 58,6% 57,2% 74,5% 70,7% 68,1% 67,5% 65,2% 64,7% 65,1%

24,7% 24,2% 24,2% 24,2% 25,1% 23,9% 41,6% 38,4% 35,8% 35,3% 33,1% 33,1% 34,1%

FONTE: INEPAD / BC * Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito. ** Pesquisa com treze das maiores instituições que operam com crédito pessoal. *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal.

INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS CRÉDITO PESSOAL (R$ mil)

Mês/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07

65.812.042 67.054.399 68.197.101 69.000.361 70.336.983 70.448.643 71.854.490 73.570.737 75.724.397 77.477.719 80.753.893 81.617.798 83.998.607

1.688.134 1.648.722 1.728.112 1.905.877 1.880.683 1.555.472 1.924.553 1.947.444 1.965.245 2.104.310 1.799.396 1.753.380 2.069.028

2,28% 2,19% 2,26% 2,45% 2,38% 1,97% 2,39% 2,36% 2,32% 2,43% 2,01% 1,94% 2,22%

1.902.490 2.036.725 1.854.593 2.074.095 2.105.536 1.997.449 2.025.346 2.178.932 2.224.387 2.349.275 2.057.019 2.134.484 2.088.671

2,57% 2,70% 2,42% 2,67% 2,66% 2,53% 2,52% 2,64% 2,62% 2,71% 2,30% 2,36% 2,24%

4.576.685 4.692.313 4.732.732 4.712.214 4.824.837 4.948.546 4.659.338 4.711.130 4.869.072 4.693.467 4.787.649 5.009.886 4.938.496

6,19% 6,22% 6,19% 6,07% 6,10% 6,27% 5,79% 5,72% 5,74% 5,42% 5,36% 5,53% 5,30%

73.979.351 75.432.159 76.512.538 77.692.547 79.148.039 78.950.110 80.463.727 82.408.243 84.783.100 86.624.771 89.397.957 90.515.548 93.094.802

2,30% 1,96% 1,43% 1,54% 1,87% -0,25% 1,92% 2,42% 2,88% 2,17% 3,20% 1,25% 2,85%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS (R$ mil)

Mês/Ano

jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07

Saldo

Com atraso

sem atraso

de 15 a 30 dias

52.249.884 53.553.141 54.649.627 54.889.283 56.153.133 57.051.982 57.821.270 58.321.834 59.775.228 60.950.697 62.462.921 63.765.089 64.702.492

2.231.678 2.248.030 2.127.183 2.187.755 2.084.382 2.083.888 2.155.433 2.186.406 2.411.754 2.297.945 2.389.587 2.283.022 2.467.511

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

3,78% 3,73% 3,47% 3,56% 3,32% 3,28% 3,34% 3,35% 3,60% 3,37% 3,42% 3,21% 3,42%

2.440.866 2.387.357 2.468.754 2.413.166 2.436.630 2.257.921 2.397.753 2.638.787 2.586.281 2.818.775 2.680.328 2.705.644 2.701.213

4,14% 3,96% 4,02% 3,92% 3,88% 3,56% 3,72% 4,04% 3,86% 4,13% 3,84% 3,81% 3,74%

2.052.774 2.052.942 2.138.638 2.029.110 2.051.880 2.078.322 2.088.318 2.143.955 2.203.488 2.215.581 2.319.711 2.297.783 2.324.273

3,48% 3,41% 3,48% 3,30% 3,27% 3,27% 3,24% 3,28% 3,29% 3,24% 3,32% 3,23% 3,22%

58.975.202 60.241.470 61.384.202 61.519.314 62.726.025 63.472.113 64.462.774 65.290.982 66.976.751 68.282.998 69.852.547 71.051.538 72.195.489

2,90% 2,15% 1,90% 0,22% 1,96% 1,19% 1,56% 1,28% 2,58% 1,95% 2,30% 1,72% 1,61%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

40

FINANCEIRO


INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07

8.012.491 8.003.197 7.951.506 8.026.888 8.059.766 8.687.035 8.694.031 8.397.077 8.235.034 8.143.789 8.460.771 8.507.756 8.783.362

442.746 429.802 393.093 433.439 439.183 403.893 489.754 510.540 548.495 529.358 511.452 501.282 520.217

4,38% 4,26% 3,95% 4,28% 4,29% 3,76% 4,51% 4,77% 5,15% 4,98% 4,68% 4,56% 4,57%

481.681 460.141 435.990 465.070 485.090 447.832 480.312 606.859 665.478 663.180 604.950 603.150 602.139

4,76% 4,56% 4,38% 4,59% 4,74% 4,16% 4,42% 5,67% 6,25% 6,24% 5,53% 5,49% 5,29%

1.178.248 1.196.300 1.175.506 1.207.138 1.246.811 1.213.636 1.199.728 1.190.552 1.198.493 1.284.037 1.356.536 1.381.682 1.467.298

11,65% 11,86% 11,81% 11,91% 12,19% 11,29% 11,04% 11,12% 11,26% 12,09% 12,41% 12,57% 12,90%

10.115.166 10.089.440 9.956.095 10.132.535 10.230.850 10.752.396 10.863.825 10.705.028 10.647.500 10.620.364 10.933.709 10.993.870 11.373.016

0,38% -0,25% -1,32% 1,77% 0,97% 5,10% 1,04% -1,46% -0,54% -0,25% 2,95% 0,55% 3,45%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

INADIMPLÊNCIA - CRÉDITO PESSOAL - PREFIXADO Julho/2007 (em R$ mil) 23% Atraso de mais de 90 dias 4.938.496

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS - PREFIXADO Julho/2007 (em R$ mil)

Atraso de 15 a 30 dias 2.069.028

Atraso de 31 a 90 dias 2.701.213

54% 23%

Atraso de 31 a 90 dias 2.088.671

20% 57%

23%

31%

33%

Atraso de 15 a 30 dias 2.467.511

INADIMPLÊNCIA - OUTRAS OPERAÇÕES - PREFIXADO Julho/2007 (em R$ mil) Atraso de

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO OUTROS BENS - PREFIXADO Julho/2007 (em R$ mil)

Atraso de mais de 90 dias 1.467.298

36%

Atraso de mais de 90 dias 2.324.273

15 a 30 dias 437.103

Atraso de 15 a 30 dias 520.217

14% Atraso de mais de 90 dias 1.817.103

60%

26%

Atraso de 31 a 90 dias 602.139

Atraso de 31 a 90 dias 778.089

OUTRAS OPERAÇÕES (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07

6.414.071 6.601.054 6.802.995 6.870.515 6.709.696 6.942.319 7.011.923 7.056.329 7.295.110 7.623.602 8.067.248 8.246.036 8.423.342

366.966 402.593 408.868 436.865 336.144 343.725 413.678 389.162 393.142 403.470 420.605 428.272 437.103

4,13% 4,35% 4,17% 4,47% 3,49% 3,56% 4,21% 3,92% 3,97% 3,87% 3,78% 3,85% 3,82%

689.085 674.757 761.583 737.893 727.844 719.019 687.315 698.976 743.079 750.283 740.604 773.675 778.089

7,75% 7,29% 7,76% 7,56% 7,56% 7,45% 6,99% 7,04% 7,51% 7,19% 6,66% 6,96% 6,79%

1.416.895 1.582.312 1.839.889 1.720.506 1.850.678 1.640.746 1.722.427 1.786.746 1.462.019 1.654.375 1.884.705 1.672.696 1.817.103

15,94% 17,09% 18,75% 17,62% 19,23% 17,01% 17,51% 17,99% 14,78% 15,86% 16,96% 15,04% 15,86%

8.887.017 9.260.716 9.813.335 9.765.779 9.624.362 9.645.809 9.835.343 9.931.213 9.893.350 10.431.730 11.113.162 11.120.679 11.455.638

2,97% 4,20% 5,97% -0,48% -1,45% 0,22% 1,96% 0,97% -0,38% 5,44% 6,53% 0,07% 3,01%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

41


banco de dados por INEPAD DESEMPREGO TAXA DE DESEMPREGO (%) DATA

Brasil

Var. p.p.

SP

jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07

10,70 10,60 10,00 9,80 9,50 8,40 9,30 9,90 10,10 10,10 10,10 9,70 9,50

0,30 -0,10 -0,60 -0,20 -0,30 -1,10 0,90 0,60 0,20 0,00 0,00 -0,40 -0,20

11,30 11,60 11,10 10,50 10,30 9,00 10,10 10,60 11,50 11,60 11,20 10,20 10,30

TAXA DE DESEMPREGO Taxa (%)

Var. p.p.

Variação (p.p.) 1

12,0

0,40 0,30 -0,50 -0,60 -0,20 -1,30 1,10 0,50 0,90 0,10 -0,40 -1,00 0,10

11,5 0,5

11,0 10,5

0

10,0 9,5

-0,5

9,0 8,5

-1

8,0 -1,5

7,5

jul 06

ago 06

set 06

out 06

Brasil

nov 06

dez 06

jan 07

SP

fev 07

mar 07

abr 07

mai 07

jun 07

jul 07

Var. p.p. mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

Fonte: IBGE/INEPAD

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$) DATA

Brasil

Var. %

SP

Var. %

jun/06 jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07

1.081,42 1.069,76 1.078,90 1.068,45 1.087,35 1.089,21 1.100,66 1.088,95 1.109,87 1.109,50 1.117,01 1.121,72 1.108,30

0,7% -1,1% 0,9% -1,0% 1,8% 0,2% 1,1% -1,1% 1,9% 0,0% 0,7% 0,4% -1,2%

1.247,52 1.215,59 1.220,63 1.194,96 1.212,65 1.239,04 1.254,79 1.227,97 1.280,30 1.262,20 1.260,47 1.246,15 1.218,70

0,7% -2,6% 0,4% -2,1% 1,5% 2,2% 1,3% -2,1% 4,3% -1,4% -0,1% -1,1% -2,2%

Fonte: IBGE/INEPAD

2,5%

1.350 1.300 1.250 1.200 1.150 1.100 1.050 1.000 950 900 850 800 750 700

2,0% 1,5% 1,0% 0,5% 0,0% -0,5% -1,0% -1,5%

jun 06

jul 06

ago 06

set 06

Brasil

out 06

nov 06

dez 06

SP

jan 07

fev 07

mar 07

abr 07

mai 07

jun 07

Var. % mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

COMÉRCIO VAREJISTA VOLUME DE VENDAS

VOLUME DE VENDAS Data

Hipermercados e Veículos,Motos, Índice Var. % Var. % Var. % Geral Supermercados Partes e Peças 180,00

jun/06 jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 Variação jun-jun

114,49 117,19 120,91 120,20 123,48 125,29 171,78 121,49 112,29 127,93 124,62 133,33 128,02 11,8%

-5,1% 2,4% 3,2% -0,6% 2,7% 1,5% 37,1% -29,3% -7,6% 13,9% -2,6% 7,0% -4,0%

112,33 116,42 117,07 118,79 120,22 119,69 154,43 115,91 112,46 127,14 125,21 122,27 122,07 8,7%

-0,3% 3,6% 0,6% 1,5% 1,2% -0,4% 29,0% -24,9% -3,0% 13,1% -1,5% -2,3% -0,2%

112,83 130,53 141,61 130,76 141,17 145,42 149,82 135,15 119,95 153,96 144,42 156,83 148,71

-13,4% 15,7% 8,5% -7,7% 8,0% 3,0% 3,0% -9,8% -11,2% 28,4% -6,2% 8,6% -5,2%

170,00 160,00 150,00 140,00 130,00 120,00 110,00 100,00 90,00 80,00

jun 06

jul 06

ago 06

Índice Geral

31,8%

set 06

out nov dez 06 06 06

jan 07

Hipermercados e Supermercados

fev mar abr mai 07 07 07 07

jun 07

Veículos, Motos, Partes e Peças

Fonte: IBGE/INEPAD

42

FINANCEIRO


PREVISÕES ECONÔMICAS Ano de 2007

PIB Total % a.a.

PIB Agropecuário % a.a.

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

3,44 4,56 4,72 4,73

3,52 4,70 4,79 4,86

4,09 4,32 4,50 4,48

3,09 4,29 4,39 4,42

4,18 4,75 5,11 5,09

Selic Taxa anual

IGP-DI % a.a.

IPCA % a.a.

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

11,72 11,82 11,87 11,87

4,18 3,56 4,13 4,81

4,02 3,74 3,92 4,03

2,23 1,98 1,97 1,97

38,16 43,55 42,70 42,65

Previsão 02/01/2007 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 07/09/2007

Ano de 2007 Previsão 13/01/2006 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 07/09/2007 Fonte: BC-Focus/INEPAD

ATIVIDADE ECONÔMICA DATA

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

Var. p.p.

DATA

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Var. %

jun/06

82,41

-0,38

jun/06

114,34

-0,15%

jul/06

81,85

-0,56

jul/06

114,64

0,26%

ago/06

82,88

1,03

ago/06

114,77

0,11%

set/06

82,55

-0,33

set/06

115,27

0,44%

out/06

82,75

0,20

out/06

115,51

0,21%

nov/06

82,68

-0,07

nov/06

115,77

0,23%

dez/06

80,08

-2,60

dez/06

116,46

0,60%

jan/07

79,90

-0,18

jan/07

116,86

0,34% 0,32%

fev/07

80,30

0,40

fev/07

117,23

mar/07

82,30

2,00

mar/07

118,02

0,67%

abr/07

81,60

-0,70

abr/07

118,79

0,65%

mai/07

83,3

1,70

mai/07

119,79

0,84%

jun/07

82,50

-0,80

jun/07

120,75

0,80%

Variação jun-jun

0,11%

Variação jun-jun

Fonte: CNI/INEPAD

5,61%

Fonte: IBGE/INEPAD

PRODUÇÃO (ÍNDICE) X CAPACIDADE (%) Capacidade (%)

Produção - Índice

84,0 83,5 83,0

122

82,5

118

120

82,0 81,5 81,0 80,5

116

80,0

112

79,5 79,0

110

Fonte: INEPAD

ACREFI

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

jun/07

mai/07

abr/07

mar/07

fev/07

jan/07

dez/06

nov/06

out/06

set/06

ago/06

jul/06

jun/06

114

Índice de Produção Física Média Móvel Trim estral

43


banco de dados por INEPAD INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA - AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS PRODUÇÃO

PRODUÇÃO

(em unidades)

Data

Produção

ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07

243.737 204.104 227.351 222.001 185.330 203.703 203.450 246.475 223.304 258.911 246.404 266.044 279.730

Média Trim. Var. Mensal Var. Mensal (%)

230.512 223.589 225.064 217.819 211.561 203.678 197.494 217.876 224.410 242.897 242.873 257.120 264.059

20.812 -39.633 23.247 -5.350 -36.671 18.373 -253 43.025 -23.171 35.607 -12.507 19.640 13.686

Variação ago-06/ago-07

9,3% -16,3% 11,4% -2,4% -16,5% 9,9% -0,1% 21,1% -9,4% 15,9% -4,8% 8,0% 5,1%

(em unidades)

300.000 280.000 260.000 240.000 220.000 200.000 180.000

ago 06

set 06

out 06

nov 06

dez 06

jan 07

Produção

14,8%

fev 07

mar 07

abr 07

mai 07

jun 07

jul 07

ago 07

mai 07

jun 07

jul 07

jun 07

jul 07

ago 07

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

(em unidades)

Data

Vendas

Média Trim.

Variação

Variação(%)

jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07

161.206 175.060 163.449 170.911 180.800 176.202 149.348 150.636 200.475 186.647 208.663 202.288 214.303

161.181 163.853 166.572 169.807 171.720 175.971 168.783 158.729 166.820 179.253 198.595 199.199 208.418

5.912 13.854 -11.611 7.462 9.889 -4.598 -26.854 1.288 49.839 -13.828 22.016 -6.375 12.015

3,8% 8,6% -6,6% 4,6% 5,8% -2,5% -15,2% 0,9% 33,1% -6,9% 11,8% -3,1% 5,9%

Variação ago-06/ago-07

(em unidades)

225.000 215.000 205.000 195.000 185.000 175.000 165.000 155.000 145.000

jul 06

ago 06

set 06

out 06

nov 06

dez 06

Vendas

32,9%

jan 07

fev 07

mar 07

abr 07

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

EXPORTAÇÃO TOTAL

EXPORTAÇÃO TOTAL

(em unidades) (em unidades)

Data

ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07

Exportações Média Trim.

73.134 71.929 72.497 61.294 66.159 47.751 64.233 68.239 59.128 70.979 63.740 83.161 67.980

74.247 74.416 72.520 68.573 66.650 58.401 59.381 60.074 63.867 66.115 64.616 72.627 71.627

Variação ago-06/ago-07

Variação

Variação(%)

-5.050 -1.205 568 -11.203 4.865 -18.408 16.482 4.006 -9.111 11.851 -7.239 19.421 -15.181

-6,5% -1,6% 0,8% -15,5% 7,9% -27,8% 34,5% 6,2% -13,4% 20,0% -10,2% 30,5% -18,3%

85.000 80.000 75.000 70.000 65.000 60.000 55.000 50.000 45.000

ago 06

set 06

out 06

nov 06

Exportações

-7,0%

dez 06

jan 07

fev 07

mar 07

abr 07

mai 07

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

44

FINANCEIRO


INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA LICENCIAMENTO DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (em unidades) Data

Vendas

1000cc

% no Total

1000cc a 2000cc

% no total

>2000cc

% no total

ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07

144.167 128.637 141.497 148.613 168.431 123.269 118.693 155.536 143.987 171.096 161.076 175.349 187.803

81.785 74.003 79.788 82.096 92.838 70.208 66.981 86.989 80.228 95.241 88.985 98.055 102.133

56,7% 57,5% 56,4% 55,2% 55,1% 57,0% 56,4% 55,9% 55,7% 55,7% 55,2% 55,9% 54,4%

60.018 53.061 59.849 64.341 73.335 51.103 50.145 66.340 61.459 73.373 69.776 75.162 83.617

41,6% 41,2% 42,3% 43,3% 43,5% 41,5% 42,2% 42,7% 42,7% 42,9% 43,3% 42,9% 44,5%

2.364 1.573 1.860 2.176 2.258 1.958 1.567 2.207 2.300 2.482 2.315 2.132 2.053

1,6% 1,2% 1,3% 1,5% 1,3% 1,6% 1,3% 1,4% 1,6% 1,5% 1,4% 1,2% 1,1%

Fonte: Anfavea/INEPAD

LICENCIAMENTO POR CATEGORIA - AUTOMÓVEIS

90.000 80.000 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000 ago 06

set 06

out 06

nov 06

dez 06

jan 07

fev 07

1000 cc

mar 07

SALDO TOTAL

TAXAS DE JUROS

SALDO TOTAL

73.979 75.432 76.513 77.693 79.148 78.950 80.464 82.408 84.783 86.625 89.398 90.516 93.095

3,98 3,95 3,93 3,92 3,92 3,84 4,75 4,56 4,42 4,39 4,27 4,24 4,27

-0,13 -0,04 -0,01 -0,02 0,00 -0,08 0,91 -0,19 -0,14 -0,03 -0,12 -0,03 0,02

59,80 59,10 58,90 58,60 58,60 57,20 74,54 70,75 68,06 67,53 65,20 64,66 65,11

-2,40 -0,70 -0,20 -0,30 0,00 -1,40 17,34 -3,79 -2,69 -0,53 -2,33 -0,54 0,45

R$ milhões 58.975 60.241 61.384 61.519 62.726 63.472 64.463 65.291 66.977 68.283 69.853 71.052 72.195

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 2,38 2,40 2,40 2,40 2,41 2,36 2,39 2,34 2,29 2,24 2,20 2,17 2,12

-0,04 0,02 0,01 0,00 0,01 -0,05 0,03 -0,05 -0,05 -0,05 -0,05 -0,03 -0,05

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

jun 07

jul 07

ago 07

(R$ milhões)

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS

% Variação % Variação MÊS/ANO R$ milhões a.m. p.p a.a. p.p jul/06 ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07

mai 07

1000 cc a 2000 cc

TAXAS DE JUROS PREFIXADOS - PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL

abr 07

45

SALDO TOTAL

% Variação a.a. p.p 32,60 32,90 33,00 33,00 33,10 32,30 32,70 32,00 31,20 30,50 29,80 29,40 28,70

AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS

-0,70 0,30 0,10 0,00 0,10 -0,80 0,40 -0,70 -0,80 -0,70 -0,70 -0,40 -0,70

R$ milhões 10.115 10.089 9.956 10.133 10.231 10.752 10.864 10.705 10.648 10.620 10.934 10.994 11.373

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 3,97 3,96 4,05 3,94 3,94 4,05 3,96 3,88 3,74 3,76 3,76 3,74 3,70

0,11 -0,01 0,09 -0,11 0,00 0,11 -0,09 -0,07 -0,14 0,02 -0,01 -0,02 -0,03

% a.a.

Variação p.p

59,60 59,40 61,00 59,00 59,00 61,00 59,30 57,94 55,40 55,80 55,64 55,30 54,70

2,10 -0,20 1,60 -2,00 0,00 2,00 -1,70 -1,36 -2,54 0,40 -0,16 -0,34 -0,60


variedades

Tokay

o sonho dos deuses

OPIMIANO – PhD – PROMOTOR DE HOMÉRICAS DEGUSTAÇÕES

Na França, famosa por seus vinhos, o Rei Sol, Luis XIV, gostava de declarar alto e bom som: “O Tokay da Hungria é o vinho dos reis e o rei dos vinhos.” Refestelado sobre um longo divã, o rei passava horas degustando seus mais preciosos Tokays e escolhia a dedo os comensais que seriam honrados com tão consagrado néctar. Pedro O Grande, corajoso conquistador de terras turcas e organizador da Rússia, modernizando-a, dizia em suas festas: “Para me dar felicidade, ponham mais Tokay no meu copo e encham meus porões do vinho divino.” Ele mantinha um comprador e provador nas planícies de Tokay, para definir a data de remessa dos vinhos por meio de charretes movidas a boi, escoltadas por granadeiros armados até os dentes para assegurarem a chegada do bendito vinho a São Petersburgo. Os poloneses contavam e numeravam os Tokays que compravam para festas oficiais, tal e qual fossem jóias da coroa, orgulhando-se, em 1938, de disporem “nas adegas do Estado 328 garrafas de aszú, de 1.656 e 7.486 Tokays mais recentes”.

E pretendem, mediante um provérbio que “poloneses e magyars são irmãos, pela espada e pelo copo”. Mas, como explicar essa devoção pelo Tokay? O que faz dele um vinho tão especial? É aromático e saboroso, puxa para o damasco, pêssego, framboesa, chocolate e baunilha. É denso, mais espesso, possui corpo. Sente-se nele história. É legendário. Produzido na Hungria, um pequeno país da Europa Central, cuja fala magyar é complicada e não possui raízes européias, mas sim urálicas, é feito com esmero e paciência. De fato, ele é delicioso, superior, único, raro e difícil de produzir e obter. Isso lhe fornece uma aura particular, que se consolidou com o passar dos séculos. É inimitável. Em 1650, a guerra acampava na Hungria. O intendente Sepsi mandou atrasar a vindima em 50 dias numa das colinas de Tokay. Os camponeses chiaram, mas obedeceram, achando que perderiam 100% da colheita, mas salvariam suas vidas. O que sobrou parecia passa mole, e eles decidiram espremer no meio do inverno gélido e nevado. O que emergiu foi mistu-

46

rado às uvas mais frescas do EperjesTokaj-Hegyaljai, ou o pé da montanha. O resultado apareceu em 1654 e deixou todos maravilhados. Rolou pauleira por um copo. Há vários tipos de Tokay, sendo o eszencia o mais venerado. Ele provém da fermentação de um mosto grosso, gerado gota a gota, sob o peso das uvas. Contém uma proporção de açúcar elevadíssima, de 40% a 60%, e sua fermentação dura anos, para gerar um grau alcoólico de 7% a 8%. Sim, é isso mesmo: a fermentação é de anos e não de uma ou duas semanas, como acontece com os vinhos normais e comuns. O vinho se forma de uma massa de uvas espremidas que contém o fungo botritis, e é tanto melhor quanto maior é o número de puttonyos (baldes de madeira de 25 litros) d’aszú (bagas secas de uva) colocado em cada göncz, que possuem de 120 a 160 litros. Os vinhos Tokays melhoram em contato com o ar. Uma vez engarrafados, podem ser conservados por séculos. Apenas troca-se a rolha, de dez em dez anos ou algo parecido. O mais comum dos Tokays é o szamarodni. Ele advém da mistura de uvas aszú, com bagas sem botritis. Chega a ter 13º de álcool. Assim, uma boa escolha é imprescindível. E não faltarão candidatos a especialista para darem uma dica, em troca de uns traguinhos. Se dê de presente um Tokay, você merece e sentirá a diferença. E, como se diz na Hungria, “egészségedre, kedves barátom!” – à sua saúde, meu caro amigo!

Os vinhos Tokays melhoram em contato com o ar. Uma vez engarrafados, podem ser conservados por séculos

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Financeiro 47 - Agosto 2007  

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