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Financeiro

A revista do crédito ano 4 nº 39 set/2006

TIRAGEM DESTA EDIÇÃO: 20.000 EXEMPLARES

Adalberto Saviolli

Gilberto Caldart

Alberto Matias

Marcel Solimeo

Celso Amâncio

Roberto Haidar

Paulo Isola


editorial

Cadastro positivo: impulso ao crédito

Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Libero Badaró, 425 - 28º andar - São Paulo - SP Tel.: (11) 3107-7177 Fax: (11) 3106-6082 - www.acrefi.org.br

Flávio Roberto Guarnieri

Érico Sodré Quirino Ferreira, Presidente da ACREFI

DIRETORIA Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Aquiles Leonardo Diniz, Gilberto Caldart, José Arthur Lemos de Assunção, Marco Ambrógio Crespi Bonomi, Odílio Figueiredo Neto, Paulo Eduardo D’Ávila Isola, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Ricardo Malcon, Ronaldo Amaral de Carvalho Pinto e Wilson Masao Kuzuhara Secretários Daniel Capelo Pinheiro e José Dante Zanaga Neto Tesoureiros Aristeu Zanúncio e Sergio Marra Capella Diretores Regionais Carlos Alberto Samogim (SP-Interior), Elcio Antônio de Azevedo (MG), Evanir Coutinho Ussier (SP-Capital), Félix Archanjo Bordin (PR), Leonel Dias de Andrade Neto (RJ), Paulo Aguiar (Montadoras), Renato Malcon (RS), Sergio Faria Lemos da Fonseca Junior (DF e GO) e Tiziana Dadalto (ES) Diretores Adalberto Savioli, Álvaro Augusto Vidigal, Enílson Espínola de Souza, Felícitas Renner, Ivan Svitek, João Ayres Rabelo Filho, José Antônio Rigobello, Marcos Antonio Waideman, Moisés dos Santos Jardim e Sergio Antônio Cipovicci Diretores Conselheiros Humberto Casagrande Neto, Jerônimo Varalla Neto, Luiz Antônio Viana, Luiz Fonseca de Souza Meirelles Filho, Marcio Ronconi, Prince Cardoso, Ricardo Annes Guimarães e Rodrigo Bacellar Conselho Consultivo Membros Natos: Alkindar de Toledo Ramos e Manoel de Oliveira Franco. Membros:Elcio Aníbal de Lucca (SERASA), Guilherme Afif Domingos (ACSP), João Elísio Ferraz de Campos (FENASEG), Luiz Horácio da Silva Montenegro (ANEF), Miguel de Oliveira (ANEFAC), Rogelio Golfarb (ANFAVEA), Sergio Reze (FENABRAVE) e Walter Machado de Barros (IBEF SP) Conselho Fiscal Efetivos: Alberto Borges Matias, Domingos Spina e Roy Martelanc. Suplentes: Abílio Abreu Neto, Massimo Tagliavini e Matias Nazari Puga Neto Presidente Honorário João Uchôa Borges (In memoriam) Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho)

O Banco Central e as instituições fi nanceiras, públicas e privadas, trabalham para reduzir o spread há anos. Não se trata de pôr a culpa dos juros altos em alguém, embora não se possa esquecer de que boa parte deles se deva ao peso da dívida pública. Há anos, temos visto, ouvido, colaborado e partilhado informações, incentivos e apoio a uma série de iniciativas com vista à criação de um ambiente propício à redução dos spreads, mas algumas medidas, como o projeto do cadastro positivo, acabaram emperrando no Congresso. E, agora, por medida provisória, o governo sinaliza a redução do spread! Que bom seria se o mercado e a lei da oferta e da procura fossem reguláveis por lei ou por medida provisória: todos os problemas estariam resolvidos! Das medidas anunciadas, o cadastro positivo é o melhor meio para se atingir o objetivo pretendido, já que permite que o tomador de empréstimos construa seu histórico de crédito baseado em informações positivas, de bom pagador. Isso permite que se cobrem taxas de juros de acordo com esse perfil, ao contrário do que acontece com o cadastro negativo, que aponta apenas os que tiveram dificuldades de quitar suas dívidas a termo e a tempo. O cadastro positivo de crédito, por outro lado, pode, sim, reduzir não apenas

o spread, mas também o custo do crédito. Levantamentos do Banco Mundial indicam que essa medida pode fazer cair até 43% a inadimplência, esse “bicho-papão” que assusta cem entre cem mesas de crédito. Mas, para que ela surta efeito, é preciso banir a burocracia, ou seja, acabar com a obrigatoriedade de avisar o cliente incluído na lista do pagador pontual por carta registrada, o que só faz aumentar custos. Precisa ficar claro para o Judiciário que o cadastro positivo favorece o consumidor ao incluí-lo entre os cidadãos respeitáveis: por que, então, seria preciso informá-lo? Sua inserção é um elogio e só lhe traz benefícios. Hoje em dia, mais do que em outros tempos, o cadastro positivo é um instrumento necessário. A redução da renda disponível faz com que o desenvolvimento de um sistema de informações positivas sobre os clientes seja imperativo quando se trata de pessoas físicas. Temos certeza de que, se o cadastro positivo trouxer as informações necessárias a uma boa concessão de crédito, permitindo a novos players saberem a real condição financeira do futuro cliente, estarão abertas as portas para mais um ciclo de forte expansão do crédito direto ao consumidor.

Conselheiro Econômico Prof. Istvan Kasznar

Financeiro

Nesta edição

ISSN 1809-8843 Conselho Editorial : Érico Sodré Quirino Ferreira, Prof. Istvan Kasznar, Antônio A. A. Leite (Pancho) e Sérgio Tamer; Coordenação Editorial : Tamer Comunicação Empresarial; Jornalista Responsável : Eliana Nigro (MTB 15.005); Editoração e Produção Gráfi ca: EDF (www.edf.com.br); Pré-impressão e Impressão: Fabracor; Periodicidade: mensal Tiragem: 20.000 exemplares As opiniões emitidas nos artigos assinados não refletem necessariamente as posições da ACREFI e são de exclusiva responsabilidade dos autores. A reprodução total ou parcial do conteúdo da publicação depende de autorização por escrito.

4 Seminário Maior produtividade e menor risco

10 Análise econômica Produção industrial brasileira: problema ou falso dilema?

14 Tendência Construção civil mostra crescimento

16 Artigo O novo ciclo de crédito no Brasil: limites e perspectivas

18 Artigo Mercado de trabalho: melhoras são mais conjunturais do que estruturais

22 Variedades O mundo sutil do vinho e da gastronomia na mais-valia

23 Banco de dados


seminário

Maior produtividade e menor risco Para debater o atual cenário e o futuro do mercado de crédito no Brasil, evento reúne representantes das instituições financeiras mais relevantes do País no auditório da Associação Comercial de São Paulo

“O crédito em debate: maior produtividade associada ao menor risco” foi o tema do seminário promovido pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento – Acrefi, com patrocínio da Associação Comercial de São Paulo, que reuniu representantes das instituições financeiras de maior relevância do País. A abertura foi feita pelo presidente da Acrefi, Érico Ferreira; o debate foi coordenado por Adalberto Saviolli, do Banco Panamericano, e teve como palestrantes Alberto Borges Matias, conselheiro econômico da Acrefi e presidente do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad); Celso Amâncio, diretor de crédito e risco do Carrefour; Gilberto Caldart, diretor executivo do Citibank; Marcel Solimeo, economista e superintendente institucional da Associação Comercial de São Paulo; Paulo Isola, diretor executivo do Bradesco-Finasa; além de Roberto Haidar, superintendente de marketing e serviços da Associação Comercial de São Paulo. Ao abrir os trabalhos, Érico Ferreira deu um panorama do que é a Acrefi hoje e a dimensão do seu crescimento e representatividade desde sua fundação, em 1958, quando, de fato, reunia apenas financeiras, até os dias atuais, quando a entidade já representa mais de 60 empresas, entre elas, os bancos múltiplos. O presidente da associação também comentou o que considera um equívoco bastante comum, a idéia de que taxas altas de juros são sinônimo de lucros mais gordos para as instituições financeiras: “Isso não é

verdadeiro, juros altos não interessam a ninguém. Quanto mais alta a taxa, maior a probabilidade do tomador tornar-se inadimplente. É isso que torna maiores os riscos da operação, os custos de cobrança, e explica a grande variação de taxas no crédito pessoal”, completou. Érico Ferreira destacou ainda a importância dos correspondentes

Adalberto

até os vilarejos distantes. “A partir do momento em que cada cidadão passa a ter acesso a banco, a sua conta, a sua poupança, cria-se uma melhora de renda e uma inclusão social bastante significativa, permitindo que as pessoas menos assistidas melhorem sua condição de vida, comprando bens de que não dispunham, como a primeira geladeira ou o ferro elétrico, que vão representar um ganho na qualidade de vida dessa população”, Saviolli conclui Ferreira.

Executivo do Banco Panamericano coordenou o debate entre os participantes do encontro

bancários para a população de baixa renda. Hoje, os estabelecimentos que atuam como correspondentes já atingem 45 milhões de brasileiros que não tinham acesso aos bancos, oferecendo serviços básicos, como abrir uma poupança, uma conta-corrente, pagamentos de taxas e tributos, aposentadorias, contas de luz e água. Esses correspondentes podem ser instalados em qualquer estabelecimento aberto, como farmácias, padarias e lojas, o que abre um universo brutal de oportunidades não só para as instituições financeiras, mas para esses comerciantes e, sobretudo, para a população, pois graças à capilaridade que eles proporcionam é possível chegar a regiões de difícil acesso, desde os pequenos povoados da Amazônia

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História da economia O economista e superintendente institucional da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, iniciou sua apresentação fazendo uma análise do cenário macroeconômico e da história da economia brasileira contada “através” do crédito. De acordo com ele, é possível verificar que todas as crises da economia brasileira estão refletidas nos dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), que por sua vez refletem os dados de perdas do varejo e da produção industrial brasileira. Marcel Solimeo afirma que o cenário macroeconômico nos últimos dois, três anos, mostra indicadores positivos, e as perspectivas de curto prazo, apesar das turbulências externas e do período pré-eleitoral, são de manutenção de relativa estabilidade: “Isso é importante para quem financia porque vai receber o pagamento ao longo do tempo”, afirma ele, que lembra, ainda, que 75% de toda FINANCEIRO


Participantes de debate sobre o crédito no Brasil lotaram o auditório da Associação Comercial de São Paulo

a produção industrial de bens de conde consumo duráveis. sumo é escoada por meio de financiaO crédito no mundo é extremamento. Para Solimeo, é possível concluir, analisando a forte correlaMarcel Solimeo ção de dados entre os “Mantido o vigor indicadores do IBGE e das exportações, os dados do SCPC, que haverá melhora nas a produção industrial e contratações” o crédito caminham na mesma direção e proporção. De acordo com ele, se o País não tivesse um sistema de crédito bastante eficiente, apesar de limitado em volume, não teria mente importante, um dos instrudesenvolvido sua indústria de bens mentos responsáveis pela alavancada

Consultas ao SCPC e Produção Industrial IBGE 30,00 MMSPC %AA

IBGE 12MM

25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0,00 -5,00

jan/98 abr/98 jul/98 out/98 jan/99 abr/99 jul/99 out/99 jan/00 abr/00 jul/00 out/00 jan/01 abr/01 jul/01 out/01 jan/02 abr/02 jul/02 out/02 jan/03 abr/03 jul/03 out/03 jan/04 abr/04 jul/04 out/04 jan/05 abr/05 jul/05 out/05 jan/06 abr/06 jul/06

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da economia norte-americana, por exemplo. No Brasil, ainda representa muito pouco do Produto Interno Bruto, atualmente representa 32%, mas graças a um crescimento recente bastante vigoroso, diz o executivo da Associação Comercial, que lembra que até pouco tempo, essa proporção era de apenas 20% do PIB. Para ele, embora a perspectiva seja de queda lenta da taxa Selic, ainda há espaço para redução que, mais cedo ou mais tarde, trará reflexos para todas as taxas da economia, desde que outros fatores não acabem agindo na direção contrária, como a inadimplência, por exemplo: “Vimos que ela esteve muito alta em 2003, foi um ano de recessão. Depois caiu, acompanhando a redução da taxa de juros. Agora, notamos uma ligeira tendência de alta.” Para acompanhar as razões do atraso nos pagamentos, a Associação Comercial faz uma pesquisa semestral nos balcões do SCPC e constatou que a maior causa para o atraso no pagamento é o desemprego, seguido pelo descontrole de gastos e pelo empréstimo do nome a quem está impossibilitado de comprar. Para o superintendente da entidade, esses números podem cair, uma vez que há perspectiva de recuperação do emprego: “Nada de extraordinário, mas, mantido o vigor das exporta-


seminário

Paulo Isola “O conhecimento do perfil do cliente é que vai proporcionar redução de custos a longo prazo”

mou que o consignado dividiu o público tomador de crédito em dois grupos: os que possuem emprego formal e, portanto, com condições de contrair empréstimos, e os que não têm como comprovar renda e que podem não ter uma capacidade de pagamento tão boa. De acordo com ele, isso gera uma inadimplência maior, já que os bons pagadores respondem pelos maus. O executivo do Bradesco também concordou com o economista da Associação Comercial, que chamou a atenção para a disparidade entre o crescimento do crédito e o da massa salarial: “Entendo isso como um movimento natural em um primeiro momento. O crédito, de fato, antecipa demandas que a renda futura vai proporcionar. As pes-

soas, por uma determinada carência e estimuladas por uma perspectiva de melhora, acabam comprando e o crédito é uma ferramenta para isso”, diz Isola, que lembra que o comportamento foi muito acentuado para a aquisição de veículos e, atualmente, acontece em outros mercados. O diretor do Bradesco afirma que o maior desafio colocado para o mercado é a fidelização do cliente. Representando uma instituição financeira que opera com duas bandeiras voltadas para o crédito, que possui 16,5 milhões de contas-correntes e responde por 25% da arrecadação da CPMF do País, afirma que o conhecimento do perfil do cliente é que vai proporcionar uma redução de custos a longo prazo. Evolução do crédito O conselheiro econômico da Acrefi e presidente do Inepad, Alberto Borges Matias, analisou a evolução do mercado de crédito no Brasil, no período de 1994 (Plano Real) ao primeiro semestre de 2006, e concluiu que a experiência de dar e tomar crédito no País ainda é recente. Segundo ele, é possível notar um reaquecimento no volume de crédito a partir de 1994 e relativa estabilidade em sua oferta até 2004, quando é pos-

Insolvência Financeira Inepad e BC 12% 12% 11% 11% 10% 10% 9% 9%

Tx de Insolvência

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Mercado jovem Paulo Isola, diretor executivo do Bradesco-Finasa, diz que convivemos hoje com os efeitos naturais de um mercado ainda não maduro. Segundo ele, se for feita uma retrospectiva, até 1990 as operações de crédito praticamente inexistiam nas instituições financeiras, ficando restritas ao comércio varejista, que, por uma questão de sobrevivência, acabou se especializando em diversas ferramentas. O diretor do Bradesco lembra que, naquele período, existia um controle rígido sobre essas operações por parte do governo, em especial do Banco Central, uma vez que o País convivia com uma forte inflação de demanda, o que redundava em uma inibição nos meios de pagamento e de financiamento. Portanto, na avaliação de Paulo Isola, trata-se de um mercado bastante jovem, com apenas dez anos de existência, que ficou estagnado por um longo tempo. Foi apenas a partir de 1995 que passou a viver um período de adequação e adaptação ao mercado sem inflação. Por conseqüência, ainda não houve tempo para a maturação necessária à formação de um banco de dados, por exemplo, para a criação de uma modela-

gem de crédito compatível com os riscos advindos dessa carteira e do comportamento do consumidor. Fazendo a ligação entre as apresentações anteriores , Paulo Isola afir-

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ções, haverá melhora nas contratações”, diz ele, que lembra ainda a estreita relação entre evolução de renda, da massa salarial e do crédito. Chama atenção também para o fato de os rendimentos salariais terem crescido mais entre as camadas que possuem renda menor e coloca um novo problema, que, na opinião dele, será o grande desafio para as instituições financeiras: recentemente, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou um estudo centrado nos aspectos de emprego e renda que mostra que 51,2% da população brasileira encontra-se na informalidade. Para Solimeo, o dado indica um desafio duplo para bancos e financeiras: como conceder crédito à população de renda baixa e como atender essa parcela imensa da população que não tem como comprová-la?

Média geral

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sível notar um crescimento significa2001, elas sobem, mas ganham certa tivo nos números: há um salto de estabilidade a partir de 2001, visivelcerca de R$ 400 bilhões para mais de mente desde a introdução do câmbio R$ 600 bilhões. flutuante. A modalidade mais cara de O professor acredita que esse crédito para pessoa física ainda é o ritmo será mantido e que há espaço ainda para crescimento, uma Alberto Borges vez que, no Brasil, o Matias crédito representa fatia “A modalidade mais ainda muito pequena cara de crédito para do Produto Interno pessoa física ainda é Bruto: 32% contra mais o cheque especial” de 100% nos países emergentes e desenvolvidos. O crescimento deve-se à maior participação das pessoas físicas nesse mercado. Alberto Borges cheque especial, e as menores taxas de Matias diz que as taxas de juros são para financiamentos de veícumédias caíram para esse segmento los, explica o professor, que, no e isso é explicado pela concorrência entanto, observa a fraca participacada vez mais acirrada. De 1996 a ção das pessoas jurídicas e do mer-

Inadimplência Financeira Inepad e BC 35% 30% 25% 20% 15%

Tx de Inadimplência

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Média geral

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cado imobiliário no cenário creditício: “Isso é facilmente explicado pelos juros altíssimos para esse segmento. Em 1996, eram de 160% ao ano e, atualmente, estão em torno de 40%. Há uma queda evidente, mas o patamar ainda é bastante alto”, diz ele. Matias considera importante fazer uma distinção entre o comportamento de dois tipos de consumidores, com perfi s diferentes, mas que acabam sendo vistos da mesma maneira: o inadimplente e o insolvente. O economista define o inadimplente como um consumista: “É aquele que não concorda com a data unilateralmente fixada para o pagamento da fatura”, brinca ele, é o comprador que atrasa, mas paga. Já o insolvente é um trocador de dívida, não quita débitos, este sim é nocivo ao sistema. Feita a distinção, Matias diz que a inadimplência subiu a partir de 2004 em linha com o aumento da oferta de crédito. E a insolvência caiu entre 2003 e 2005. Embora não disponha de análise objetiva a respeito, o especialista do Inepad acredita que uma das razões para isso seja o maior controle na oferta de crédito por parte das financeiras. Para terminar, afirma que, ao contrário do que boa parte do mercado acredita, não há correlação entre volume de crédito ofertado e queda na taxa de juros. Segundo ele, para que as taxas caíam é preciso que haja uma mudança estrutural na composição da taxa Selic.

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seminário Previsão de crescimento Continuando o ciclo de palestras apresentadas no evento “Crédito em debate: maior produtividade associada ao menor risco”, Gilberto Caldart, diretor financeiro do Citibank, falou que a instituição financeira acredita que o mercado de crédito ainda deva crescer muito, neste e nos próximos anos, tanto quanto nos últimos, a uma taxa de 30% a.a. Com a consolidação do crédito consignado, que teve elevação absurda, segundo palavras de Caldart, o nível de inadimplência também foi pressionado, mas não a ponto de assustar os players, que manterão a oferta para esse tipo de crédito. A aposta do Citi na oferta de crédito é no mercado imobiliário. Caldart acredita que, com taxas de juros em patamares mais baixo e o alongamento do funding, poderá obter crescimento significativo nesse mercado, que apresentou recuo, comparado ano a ano, de 13% nos últimos anos. O executivo comentou em sua apresentação que, tradicionalmente, o crédito era oferecido nas agências bancárias, mas hoje passa por uma transformação muito acentuada com os canais alternativos de distribuição. Para o banco, ganham importância a telefonia, a internet e os correspondentes bancários. Como os demais participantes do debate, Caldart afirma que o desenvolvimento de bureaux positivo é de fundamental importância para a manutenção do crescimento positivo e sustentável. Esse fato poderá criar condições de ofertas com precificação mais adequada para cada público, com taxas de juros mais justas e a mensuração de risco mais precisa, o que leva a uma tendência de inadimplência mais baixa. Para finalizar, o diretor falou sobre dois pontos para que todo o mercado está olhando. Um deles é a educação financeira, na qual a instituição atua por meio da financeira, com revistas

gando o consumidor e perguntou à platéia como entendia isso, complementando que, no mínimo, fez todo o mercado pensar. “De que adianta um banquete, se ele pode me matar.” Com essa pergunta ele descreveu o que foi o mercado de crédito nos últimos tempos, Gilberto Caldart nos quais havia de tudo para se “far“O desenvolvimento tar” e poder tirar muita vantagem, de bureaux positivo mas quem extrapolou está pagando é fundamental para um preço alto. manter o “De frente a este mercado, o que crescimento não é permitido mais hoje em dia: sustentável” perder negócios, não se pode perder vendas com a inadimplência nos níveis atuais; perder market share; perder oportunidades – de forma alguma. disposição de pagamento e do que à Esses são os principais tópicos para incapacidade de gerir os seus fluxos que a empresa se mantenha pelo financeiros de forma adequada. menos na posição em que se situa”, O segundo ponto preocupante é comenta Amâncio. a fraude, tanto em crédito quanto no Com isso, o diretor colocou que ponto de vista transacional. Cada vez as empresas devem aprender alguma mais, a especialização da fraude, em coisa com os equívocos cometidos ao todos os instrumentos de crédito – longo dos anos, como a utilização de como internet, plástico e a própria score. Amâncio fez uma analogia – ao questão de fraude na concessão do representar a oferta maciça de crécrédito –, tem causado impacto sigdito – apresentando um cliente por nificativo nas instituições. Porém, os inteiro e logo vem uma boca e leva um instrumentos de detecção, por parte braço, em seguida, vem outra e leva o das instituições, também estão cada segundo braço e assim por diante, até vez mais especializados. que o cliente desapareça e depois vai aparecer apenas na cobrança, Celso Amâncio se o encontrarem. “Nós podemos estar Outra grande preomatando a galinha cupação dele é com o dos ovos de ouro, alongamento dos plaque é nosso cliente” nos de pagamento, em que fontes de mercado dizem existirem planos de até 48 vezes para parcelamento de compras. “Vai virar consórcio”, emendou AmânCrédito e varejo cio, completando, “nós podemos Com uma apresentação bastante estar matando a ‘galinha dos ovos de animada, Celso Amâncio, diretor de ouro’, que é nosso cliente, com tanto crédito e risco do Carrefour, começou crédito e a cobrança. Será que estafalando dos riscos que a oferta de mos fazendo a coisa certa?” crédito pode representar no varejo, Porém, ele não ficou apenas nas que, segundo ele, “é quente e gosta lamentações e apresentou, com muita de respostas rápidas”. simplicidade, as possíveis soluções Amâncio comentou as últimas para o mercado de crédito. A primanchetes publicadas na mídia em meira, e talvez a principal, é o desenque se falava do crédito fácil esmae treinamento de um público específico, para o gerenciamento de sua vida financeira. Em muitas ocasiões, as questões envolvendo o inadimplente estão menos associadas à não-

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todos com mala direta, brindes espevolvimento do Bureau Positivo, que ciais. Amâncio percebe que não há para ele é unanimidade. Agilidade fórmulas prontas nem muito novas nos ajustes das ferramentas de crépara esse tipo de ação, pois cada emdito, que, às vezes, parece muito difícil presa atua de determinada forma e de alterar qualquer tipo de procedimento, acompanhando as mudanças por que passa o cliente. Roberto Haidar Outro ponto que “Os serviços de pode auxiliar para soluinformação cionar a confusão em comercial procuram que o mercado está entender o entrando, segundo o comportamento do diretor do Carrefour, é tomador de crédito” a escolha de fornecedores externos para que a empresa não vire um trambolho e dependa cada grupo de clientes tem as suas de outras empresas. Essa postura características. engloba o envolvimento dos colaboO último palestrante do dia, o suradores. Até onde a escolha de forneperintendente de marketing e sercedores pode influenciar o envolviviços da Associação Comercial de mento dos funcionários com o sucesso São Paulo, também patrocinadora do da empresa. evento, iniciou sua apresentação mosIdentificar e manter os melhores trando o excesso de oferta de crédito clientes. Mas como fazer isso? Amâncio percebido e publicado pela mídia braafirmou que a rede conquistou 820 mil sileira, apesar de haver muita coisa a clientes em 2005 e começou a fazer um se fazer ainda. trabalho, primeiramente interno, com Roberto Haidar comentou que a os seus funcionários, em que a educaoferta de crédito existente hoje no ção econômica é a principal matéria. País pode acostumar mal o con“A nossa idéia é colocar na cabeça de sumidor, levando ao risco de o cidanossos colaboradores a importância do dão se animar com as condições e pascrédito, de seu nome, de saber lidar sar a acumular compromissos. Porém com suas economias. Depois disso, ele ele ratificou o que outros palestranvai poder explicar a todos esses novos tes comentaram quanto à relação clientes – e aos antigos também – como crédito/PIB; o crescimento futuro da utilizar as linhas de crédito que nós oferta futura poderá ser tão grande oferecemos”, argumentou. ou maior do que em outros países da Fidelizar o cliente com ações América Latina. para um determinado grupo ou para

Porém, o ponto central da palestra do superintendente da associação de classe foi mostrar como um fornecedor de informações comerciais está olhando o futuro. Haidar dividiu o tempo em dois: antes e depois de 2002. O que existia antes eram as informações de restrição para concessão de crédito, informações negativas, critérios restritos de análise, que serviam apenas para atender às demandas e o crédito era tratado como um fato isolado. Hoje, os serviços de informação comercial, juntamente com o mercado, procuram entender o comportamento do consumidor ou do tomador de crédito, com informações negativas somadas às positivas, amparadas por critérios mais amplos de análise, que irão gerar demandas para o crédito tratado como comportamento cíclico. Com a política anterior, a assertividade de concessão de crédito, baseado apenas em informações cadastrais, era de 20%. Hoje, com score de bureau, essa mesma assertividade pula para 40%. Nós utilizamos dados de mercado, antigamente eram utilizados dados cadastrais, valor do cliente e comportamentos internos. Atualmente, além dessas opções, é utilizada a combinação de modelos de scoring interno e externo. Finalizando, Haidar comentou que o grande desafio do futuro é alterar as informações de bureau negativo para positivo. Além disso, o bureau precisa da tecnologia in house, a confiança da decisão tomada para que o cliente possa ter uma significativa diminuição de custos. Fotos: Jacinto Alvarez/Gaivota

ACREFI

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análise econômica

Renato Fogal

Produção industrial brasileira: problema ou falso dilema?

A indústria brasileira tem passado por contínuas e profundas transformações ao longo das duas últimas décadas. Fundamental para dispor-se de uma economia diversificada, complexa e competitiva, ela agrega valor aos produtos e serviços nacionais, ao gerar transformações nos insumos e nas matérias-primas. E ela vem se ressentindo aparentemente dessas mudanças, especialmente geradas por choques do petróleo; elevadas taxas de juros reais; uma carga fiscal crescente; a abertura ao exterior das relações comerciais, entre outros fatores. Entre 1930 e 1980, pontificou no País o Modelo Substitutivo de Importações. Mediante ele, visou-se reforçar a industrialização nacional, criando-se alicerces firmes e nacionalistas à produção local. Os benefícios desse modelo foram notáveis, posto que criou-se uma indústria diversificada, com fabricantes que destinaram grande parte de sua produção ao mercado local, e assim os brasileiros tiveram o que consumir e de forma variada. Com o choque das taxas de juros do setembro negro de 1982, o Brasil mergulhou na crise da moratória e encontrou difi culdades em definir um modelo alternativo de industrialização. Medidas bem mais genéricas, compartimentalizadas, passaram a ser efetivadas, sem que se encontrasse um modelo de industrialização e modernização fabril integrada, propriamente dito, dessa data em diante.

PROF. ISTVAN KASZNAR - Ph.D., CONSELHEIRO ECONÔMICO DA ACREFI

Estaria a indústria passando por uma diáspora que a reduz?

Em boa parte, é compreensível a não-instauração de um modelo industrial, pois ele pode trazer consigo as sensações da limitação, do fechamento, do cercamento ou de uma rigidez de conceitos e ações, o que deixa de ser apropriado num regime mundial de mudanças contínuas e de globalização. Nesse sentido, a tecnologia externa, dominante, aporta com vigor noutras áreas e obriga a flexibilização de conceitos, fronteiras de negócios e termos comerciais para a transação de bens e serviços. Mas estaria a indústria de fato passando por uma diáspora que a reduz e prejudica como um todo? Seria de fato tão significativo o conjunto de elementos que se abate sobre a indústria, que ela, no lugar de crescer, decresce e perde em importância na economia brasileira? É essa dupla de indagações a que visamos responder, objetiva e sinteticamente. Há várias formas de buscar-se respostas à dupla de perguntas que formulamos. Certamente, cada forma de abor-

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dagem responderá a uma parte do todo, posto que ele sintetiza uma forma de pensar, mas pode deixar em aberto, para a polêmica, áreas menos estudadas. Entre as formas de dar uma luz a esses questionamentos, escolhemos o levantamento de índices de evolução, crescimento e variação afeitos à indústria e seus principais subsetores, quando possível de 1981 em diante. E nossa análise prende-se a qüinqüênios, para sentirem-se as citadas evoluções de modo temporal mais marcante, o que se percebe mediante os cinco quadros apresentados a seguir. Diferentes setores A indústria em geral cresceu 1,44% ao ano na média entre 1981 e 2006 (*). Isto é, em 25 anos, que correspondem a um prazo longo, sufi ciente para conhecer o dinamismo de um setor, a área fabril brasileira evoluiu 42,94%, uma taxa bem mais modesta e de pequena monta. Conforme atesta o quadro 1, o índice de base fixa centrado no ano 2000 como base 100 evoluiu de 70,687 pontos para modestos 101,040. Dividida em duas partes, a indústria conta com o setor extrativo mineral e o de transformação. No primeiro, concentra-se a retirada de minérios das jazidas, num país particularmente bem dotado de recursos naturais, pela natureza. No segundo, por obra e esforço do homem, aprimora-se e altera-se a constituição das matérias-primas, gerando-se um novo produto acabado, transformado. FINANCEIRO


QUADRO 1 - EVOLUÇÃO DA INDÚSTRIA EM GERAL INDÚSTRIA GERAL

Ano

Variação (%) BASE: Acumulado em FIXA 2002=100 12 meses

1981 1990 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006

8,30 3,09 2,98

INDÚSTRIA EXTRATIVA DE MINERAL

Base fi xa 2002=100

70,687 79,091 95,824 97,336 99,996 100,470 106,410 109,300 101,040

INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO

Bens de Capital

Bens Intermediários

97,098 85,614 93,552 106,150 99,993 102,160 119,570 128,020 114,410

64,636 76,968 96,098 95,968 99,995 102,023 103,570 103,840 99,540

Bens Bens de Consumo de Consumo Duráveis Não-duráveis

Base: média 2002=100

23,184 45,978 81,276 84,058 99,995 104,520 112,430 123,120 113,520

48,305 61,124 96,050 95,475 99,995 102,962 120,620 137,570 134,810

77,990 86,593 97,278 98,883 99,995 96,136 106,370 109,120 94,210

Fonte: Fipe e Dieese (indicadores de preço). IBGE (indicadores industriais)

QUADRO 2 - INDICADORES INDUSTRIAIS - PRODUÇÃO FÍSICA POR GÊNEROS INDUSTRIAIS

Ano

Metalurgia Básica

Máquinas e Equipamentos

1995 2000 2005

85,191 95,994 110,100

87,650 93,193 121,570

Têxtil

Refino de Petróleo e Álcool

Bebidas

Celulose, Papel e Produtos de Papel

115,883 113,058 110,610

82,493 96,556 121,740

Base: média 2002=100 118,386 105,298 104,700

86,016 98,987 103,730

Fonte: IBGE

Entre 1981 e 2006, a indústria extrativa mineral cresceu 389,65% em 25 anos, ou uma média anual de 6,56%. O crescimento do setor no mundo foi de 3,14% ao ano, logo isso revela que a indústria brasileira foi bem dinâmica, ativa, participante e assumiu um papel de liderança e de ponta. Certamente, entre os minérios que geraram esse excelente desempenho, figuram o ferro; a bauxita, geradora de alumínio; a cassiterita, geradora de estanho; e o petróleo. A meta de crescer 6% ao ano, para o PIB brasileiro, foi aventada freqüentemente nas décadas de 80 e 90. Isso porque essa taxa asseguraria uma evolução firme da renda per capita e daria uma sensação de enriquecimento para a população como um todo. Desse ponto de vista específico, pode-se afirmar que a indústria extrativa mineral brasileira é muito bem-sucedida, gera produto e renda e move-se na direção de contribuir com firmeza a favor do desenvolvimento econômico. Pena é que, por suas características intrínsecas, essa indústria seja capital, intensiva e tecnologicamente concentradora de capitais, como decorrência gera ACREFI

relativamente poucos empregos. O maior cotista e participante da indústria, o setor de transformação, cresceu relativamente pouco. Conforme mostra o quadro 1, os índices dessa indústria, segundo o tipo, oscilam entre 48,305 e 134,81 pontos. Esse é o caso da indústria de bens de consumo duráveis, que evoluiu 4,19% anuais. Ou seja, ao longo desse último quarto de século, os brasileiros trataram de comprar carros, geladeiras e fogões. Articularam-se para aparelhar suas moradias e o fizeram num ritmo anual substancioso. O que foi francamente mal foi a indústria de bens de capital, que cresceu à taxa de 0,66%. E esse dado é de fato grave, pois este é o setor gerador de investimentos, o propulsor do investimento e, logo, a máquina motriz do desenvolvimento. Há vários fatores que podem explicar essa situação anêmica, de triste morbidez do setor, muito embora nenhum deles justifique a situação à qual se chegou. Entre esses fatores, podem-se aventar: a abertura ao exterior a partir de 1990 reduziu as alíquotas de importação dos equipamentos e facilitou a entrada

11

de bens de capital do exterior; os preços externos dos equipamentos, sendo menores lá fora, geraram a importação e o desaquecimento interno do setor; a competitividade e a produtividade tecnológica bem superior dos equipamentos externos levaram à sua compra e importação maciças; os mecanismos de financiamento de longo prazo e as taxas reais internas de juros abortaram a vontade empresarial de bem investir no País; e a inflação elevada dos anos 80 até 1994 gerou uma propensão natural a adiarem-se investimentos. Sintomático do não-crescimento interno e da baixa renda da população no período estudado é a mínima taxa de crescimento anual da indústria de bens de consumo não-duráveis: 0,76%. Isso revela que a capacidade interna de absorção de produtos foi pífia, redundando em baixos investimentos no setor e sem alimentar, por falta de expansão, a indústria de bens de capital. Outra forma de se verificar a efetiva dinâmica industrial pode ser oferecida pela análise da evolução dos indicadores industriais na forma de sua produção física. Isto é, analisar índices evolutivos quantum revela o aumento ou a queda nas quantidades produzidas, o que se associa com demanda e capacidade de oferta local e internacional. No quadro 2, apresenta-se por gêneros industriais a evolução do período 1995/2005. Nessa década, o melhor desempenho médio anual foi da indústria de celulose, papel e produtos de papel, ou 3,97%. O Brasil, país equatorial e tropical por excelência, conta com alta capacidade geradora de fotossíntese; possui terras amplas e relativamente baratas; dispõe de fertilizantes a custo baixo e sua mão-de-obra rural é relativamente barata. Isso permitiu que a indústria de papel se firmasse e a commodity conquistasse literalmente o mundo. Desempenho sofrível sucedeu com as indústrias têxtil, com taxa de menos 1,22% anual, e de bebidas, com menos 0,46%. Em que pese a matéria-prima barata como o algodão brasileiro, boa parte da endividada indústria de tecidos fechou suas portas e não conseguiu competir com os produtores estrangeiros,


análise econômica QUADRO 3 - EVOLUÇÃO DAS PRODUÇÕES AUTOMOBILÍSTICA E SIDERÚRGICA PRODUÇÃO SIDERÚRGICA (MIL T)

PRODUÇÃO AUTOMOBILÍSTICA

Ano

Máquinas Agrícolas Automotrizes (1.000 Unid.)

Automóveis de Passageiros (Unid.)

Auto Veículos - Total (Unid.)

Aço Bruto

Ferro-gusa

Laminados de Aço

1995 2000 2005

28,40 35,50 53,40

1.301.140 1.365.919 1.947.921

1.636.324 1.677.985 2.461.149

25.044 27.763 31.624

25.107 27.854 34.061

16.025 18.201 22.582

Fonte: Anfavea, IBS, ANP, SNIC, ABPO e FGV/IBRE

para agir competitivamente. Eis porque seus índices de cresExpedição Produção de Produção cimento têm sido os de Petróleo de maiores e freqüenAno Embalagens Bruto Cimento temente assegura-se (Em t) (Mil barris/dia) (Mil t) que é o PIB agrícola 1995 699 28.256 1.353.805 que, participando 2000 1.252 39.559 1.756.049 2005 1.688 31.319 2.156.453 aproximadamente de Fonte: Anfavea. IBS, ANP, SNIC, ABPO e FGV/IBRE 18% do PIB brasileiro, puxa este para patamares mais elevados. QUADRO 5 - INVESTIMENTOS COM PERCENTAGEM DO Contudo, depenPIB E TAXAS DE VARIAÇÃO DO PIB REAL (EM %) dente que é dos regiEm percentagem Taxas de Variação do PIB Real (Em %) mes climáticos e pludo PIB Setorial Total viais, o setor agríAno Formação Bruta de cola é arriscado, por Indústria Serviços Agropecuária Capital Fixo isso cíclico. Conforme 1985 18,01 7,91 8,27 7,00 9,58 mostram os indica1990 20,66 -5,05 -8,73 -1,15 -2,76 dores do quadro 5, 1995 20,54 4,22 1,91 1,30 4,07 2000 19,29 4,36 4,81 3,80 2,15 a agropecuária bra2004 19,57 4,94 6,18 3,32 5,29 sileira pode apreFonte: IBGE sentar boas taxas anuais de crescimenas fibras sintéticas e as malhas oriunto, como as de 1995, de 4%, e 2004, das da Ásia, notadamente da China. de 5,29%, e outras negativas, como Muito bom desempenho é dado ocorreu no fatídico ano do malopela produção de máquinas agrícolas, grado Plano Collor, de 1990, quando que cresceu à média anual de 6,52%, a taxa foi de menos 2,76%. praticamente dobrando de tamanho A produção siderúrgica brasileira, em 11 anos. Esse é um indício vigoroso que conta com o ferro mais puro de que de fato o setor agrícola, do mundo, o que lhe confere comprimário, equipou-se, reforçou-se em petitividade natural, evoluiu a taxas tecnologia e, portanto, aparelhou-se médias anuais próximas às do Brasil

QUADRO 4 - PRODUÇÃO DE PETRÓLEO, CIMENTO E EMBALAGENS

12

na década de 1995/2005, de 2,61%, como foi o caso do aço bruto, e tangente às taxas mundiais, de 3,18%, como se manifestou nos setores de ferro-gusa, evolução de 3,1%, e laminados de aço, com 3,49%. O que realmente foi e vai bem e representa um marco excepcional da moderna indústria brasileira é o setor petrolífero. Dependente do famoso ouro negro em 1974 em 78% do consumo interno, a partir daquele ano o Brasil empreendeu um esforço significativo, que resultou em sua autonomia e auto-sustentabilidade nesse particular. Num momento no qual os Estados Unidos da América se confessam, mediante o seu presidente Bush, “viciados em petróleo” e mergulhados numa guerra inglória no grande supridor de petróleo, que é o Iraque, em que a guerra do Oriente Médio toma feições complexas e novas para Israel, que se vê face ao Hezbollah sustentado pelo Irã e em que a tendência da maioria dos países é o aumento da dependência de petróleo, o Brasil acerta-se e direciona-se a favor de uma preciosa autonomia. Isso significa que choques do petróleo externos, que elevaram o preço do barril em Roterdã e fizeram disparar a inflação no Brasil, sangrando suas reservas internacionais, são e serão nos próximos anos menos danosos à economia brasileira. Porque o petróleo de Campos, industrializado, gera um escudo que defende o País. E essa industrialização petrolífera ocorreu à firme taxa média anual de 9,22%, um autêntico recorde mundial para países emergentes.

FINANCEIRO


Saltar de 699 mil barris para 1.688 mil de 1995 a 2005 é realmente um feito a ser ressaltado e festejado. Demonstra a vitalidade bem focada dessa indústria brasileira, conforme o quadro 4 explicita. Infelizmente, a produção de cimento estancou e evoluiu à taxa de 1,03%, o que pode sinalizar sua substituição pelo cimento estrangeiro e a paralisia da vital indústria da construção civil. Crescimento confortável foi dado pela indústria de embalagens, que tudo abraça, ao gerar uma pesagem que ultrapassou em 2005 a marca de 2.156 mil toneladas. O crescimento de 4,77% mostra-se firme. Retomada seletiva Portanto, haja vista o anteriormente analisado, pode-se afirmar que a indústria está em crise e perde-se em firmeza? Os indicadores mostram que, no plano geral, a indústria está em franca retomada seletiva. Isso significa que não é de bom alvitre generalizar.

A indústria está modernizando-se e assumirá crescente importância no PIB brasileiro

Existem diferenças intra-setoriais marcantes e elas fazem parte da dinâmica mutante de economias em transformação. A demanda muda, os mercados mudam, logo a produção e seus sistemas de suprimento também se alteram. No agregado, conforme revela o quadro 5, a indústria saiu do fundo do poço de 1995, um ano de ajuste estrutural, no qual com o Plano Real em seu 2º ano consolidou-se a expulsão da inflação radical, à taxa de crescimento de 1,91%, para crescer

4,81% em 2000 e 6,18% em 2004. As evidências sugerem que a indústria está modernizando-se e assumirá crescente importância no PIB brasileiro. Sua produtividade crescerá, após um longo período, entre 1981/2003, aproximadamente, de reposicionamento e revigoramento de suas bases produtivas e tecnológicas. No plano específico, evoluem confortavelmente as indústrias extrativa mineral com louvores para a do petróleo, de bens de consumo duráveis, de papel e celulose, de máquinas agrícolas, a automobilística e de embalagens. E merecem uma revisão, com o estabelecimento de políticas específicas para seu revigoramento, as de bens de capital, bens de consumo não-duráveis, metalúrgica, têxtil, de bebidas e de cimento, mormente, entre outras. e-mails de contato: istvan@ibci.com.br e istvan@fgv.br

(*)Dados de 2006, disponíveis até o mês de fevereiro


tendência

Flávio Roberto Guarnieri

Construção civil mostra crescimento TEREZA MARIA FERNANDEZ DIAS DA SILVA, SÓCIA DA MB ASSOCIADOS

O setor da construção civil é dividido em dois grandes segmentos, com características e evoluções muitas vezes distintas: construção civil pesada e construção civil leve. O primeiro é muito dependente de investimentos na área de infra-estrutura e grandes projetos industriais e comerciais, enquanto a construção civil leve reflete o mercado imobiliário e empreendimentos de menor porte (prédios, supermercados etc.). O Brasil apresentou uma mudança importante na área da construção pesada, após o processo de privatização dos anos 90, quando a participação relativa do investimento do setor público se reduziu, em que pese o governo ainda ter um peso importante nessa área. Para a expansão do setor da construção civil, os fatores mais importantes são: uma política habitacional ativa, a disponibilidade de financiamento de longo prazo, um nível razoável de taxa de juros e boas condições do mercado de trabalho em termos de emprego e renda. No Brasil, a falta de investimentos dos últimos anos, o baixo crescimento da renda, a menor segurança de permanência no emprego e a escassez do crédito refletiram em fraco desempenho do consumo de cimento até 2004, como apontado no gráfico 1. A falta

A partir de 2005, o segmento entrou em um processo de recuperação, com crescimento de 10% do consumo de cimento de investimento fez com que a dependência do setor ficasse cada vez maior do segmento de construção civil leve. Este, por sua vez, é muito associado ao consumo popular de cimento, conhecido como “formiguinha”, que representa cerca de 80% do consumo desse produto no Brasil. A partir do ano passado, a construção civil entrou em um processo de recuperação, com crescimento de 10% do consumo de cimento1. O crescimento da massa salarial, principalmente da população de baixa renda, possibilitou essa retomada (gráfico 2) 2 . O ano eleitoral e o Pacote da Construção Civil, editado pelo governo no início de 2006, contribuem para o crescimento desse setor no presente ano. Mas a tendência já aponta menor ritmo de expansão em 2007 (gráfico 1). Na verdade, o governo vem tentando impulsionar o mercado imobiliário desde 2004, quando aumentou a obrigatoriedade de destino

14

dos recursos da caderneta de poupança para a construção civil para 65%. Em janeiro de 2005, novas medidas foram anunciadas, como o aumento do limite de financiamento para R$ 350 mil (R$ 300 mil anteriormente), tendo como teto 70% do valor a ser financiado. Finalmente, no primeiro trimestre deste ano, foi divulgado o Pacote da Construção Civil, com o anúncio de liberação de R$ 18,7 bilhões destinados a vários tipos de financiamentos habitacionais (atingindo a classe média e a de baixa renda) e a redução do IPI para materiais de construção. Essas medidas começam a impactar positivamente o setor. O primeiro indicador que confirma essa recuperação é a liberação, no primeiro semestre, de R$ 4,1 bilhões de recursos financeiros, volume 105% superior a igual período do ano passado. Em todo o ano de 2005, foram liberados R$ 4,8 bilhões. Um segundo indicador positivo apareceu em julho e foi muito comemorado pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco): as vendas de materiais de construção cresceram entre 15% e 20% em julho em relação ao mesmo período do ano anterior. A expectativa do segmento é de que o crescimento das vendas FINANCEIRO


2005 foi o melhor da década para o mercado imobiliário, com crescimento de vendas em unidades de 21,1% e 33,4% em valor negociado

Gráfico 1

Produção de cimento (crescimento acumulado em 12 meses em %) 15 10 5 0 -5 -10

out/07

abr/07

out/06

abr/06

out/05

abr/05

out/04

abr/04

out/03

abr/03

out/02

abr/02

out/01

abr/01

out/00

abr/00

-20

out/99

-15

Fonte: IBGE. Elaboração e projeção: MB Associados

Gráfico 2

Consumo de cimento (milhão de t) e massa de renda (R$ mil) (média móvel 12 meses) 20.500.000

3.200

20.000.000

3.100

19.500.000 3.000

19.000.000

2.900

18.500.000 18.000.000

2.800 Consumo de cimento Massa real de renda

2.700 2.600

17.500.000 17.000.000

mar/06

dez/05

set/05

jun/05

mar/05

dez/04

set/04

jun/04

mar/04

dez/03

set/03

jun/03

mar/03

16.500.000

Fonte: SNC/FGV,IBGE. Elaboração: MB Associados

seja de 8% no ano. No entanto, os dados em São Paulo, reportados pelo Sindicato do Comércio Varejista de Materiais de Construção de São Paulo (Simcomavi), que representa o pequeno varejo do setor, são menos animadores, apontando queda de vendas. Finalmente, o mercado imobiliário também indica desempenho positivo. Segundo os números do Sindicato Estadual da Construção Civil de São Paulo (Secovi), o ano de 2005 foi o melhor da década, com ACREFI

um crescimento de vendas em unidades de 21,1% e 33,4% em valor negociado. Esse desempenho positivo continuou no primeiro semestre de 2006, com o melhor mês de maio dos últimos oito anos. Por outro lado, a contribuição da construção pesada este ano está abaixo do esperado, aquém das expectativas e associada ao baixo nível dos investimentos públicos, à falta de regulamentação e às dificuldades de deslanchar as PPPs. Mais recentemente, o governo

15

vem trabalhando num projeto de lei, a ser encaminhado ao Congresso, provavelmente após as eleições, que permitiria a utilização de R$ 16 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) 3 na constituição de um fundo de investimentos para novos projetos de infra-estrutura, fundo este que seria fiscalizado conjuntamente pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Banco Central (BC). Está prevista para o dia 29 de agosto a avaliação da proposta pelo Conselho Curador do FGTS. O último anúncio de medidas refere-se à possível criação de um sistema de crédito consignado para a compra de imóveis, mas a regulamentação ainda está por sair. Para 2007, as expectativas seguem muito positivas para o mercado imobiliário em geral, principalmente se a regulamentação do crédito consignado for aprovada e se isso implicar uma redução significativa do patamar do custo do financiamento imobiliário. No entanto, como não se esperam grandes aumentos nas transferências governamentais para a baixa renda nem aumentos significativos de investimentos, os setores “formiguinha” e de construção civil pesada não deverão crescer de forma importante.

1

Observar que o nível a partir do qual se dá a retomada é muito baixo. 2 Enquanto o consumo de cimento apresentava crescimento de 10%, o indicador do IBGE de Insumos Típicos da Construção Civil (ITCC) apresentava um crescimento de apenas 1,5%. 3 Podendo atingir R$ 50 bilhões (equivalente a 30% do saldo do FGTS).


artigo

O novo ciclo de crédito no Brasil: limites e perspectivas CARLOS THADEU DE FREITAS GOMES, ECONOMISTA CHEFE DA CNC E EX-DIRETOR DO BANCO CENTRAL, E MARIANNE LORENA HANSON, ASSESSORA ECONÔMICA DA CNC Um dos problemas mais freqüentemente apontados como inibidores do dinamismo da economia brasileira é o baixo volume do financiamento à atividade privada. A partir de 2003, as operações creditícias voltaram a crescer, dando início a um novo ciclo de crédito na economia brasileira, que se intensificou em 2004 e 2005 e segue com fôlego ainda este ano. Segundo o Banco Central, as operações de crédito, que representavam cerca de 26,2% do PIB no final de 2003, atingiram 32,4% no primeiro semestre de 2006. Apesar de haver uma tendência de alta em diversas modalidades, esse novo ciclo baseia-se especialmente na expansão das operações de crédito às pessoas físicas e, principalmente, no financiamento do consumo de bens duráveis. A regulamentação de novas modalidades de crédito pelo governo, notadamente o crédito consignado, a melhora no mercado de trabalho e na renda real dos trabalhadores e a demanda reprimida formada nos anos anteriores são os principais fatores por trás dessa expansão. O crédito consignado tem lugar de destaque, pois aumentou as garantias para credores, reduzindo os juros e ampliando o acesso de trabalhadores celetistas ao financiamento, além de aposentados e pensionistas do INSS. O aumento do crédito à pessoa física impulsionou a expansão das vendas do varejo, liderada por bens de consumo duráveis, categoria bastante sensível positivamente a variações do crédito e, negativamente, aos juros ao consumidor. Enquanto no período

O aumento do crédito à pessoa física impulsionou a expansão das vendas do varejo

de 2001 a 2003 as vendas varejistas diminuíram 5,94%, de 2004 a 2006 a expansão acumulada projetada para o índice da Pesquisa Mensal do Comércio (IBGE) é de 19,75%. As vendas de bens duráveis, excluindo automóveis, durante esse período de crescimento foram bastante elevadas, correspondentes a 52,23%. Os automóveis também apresentaram crescimento expressivo: 19,22%, determinado principalmente pelo ótimo desempenho de 2004. Já na categoria dos bens não-duráveis, os itens mais importantes, alimentos e vestuários, apresentaram crescimento mais modesto de, respectivamente, 18,31% e 10,36%. Entretanto, existem fatores estruturais, que afetam no longo prazo, e

conjunturais, no curto prazo, os quais colocam em dúvida a trajetória futura do crédito e a durabilidade desse ciclo. Os fatores estruturais mais importantes são aqueles que geram taxas de juros e spreads bancários elevados e um acesso limitado aos canais de financiamento. Entre eles: elevada carga tributária, distorções causadas pela grande necessidade de financiamento da dívida pública, baixa alavancagem dos bancos, baixo nível de renda da população, baixo crescimento do produto interno nas últimas duas décadas e ambiente de incertezas. Este último, também denominado risco de mercado, tem sido minimizado pelos avanços recentes no quadro macroeconômico. A retomada do crescimento econômico, somada ao alinhamento das expectativas para a inflação com a trajetória das metas, proporciona um ambiente de maior segurança entre os agentes econômicos, favorecendo a tomada de decisões em horizontes mais amplos e permitindo a contratação de dívidas a prazos mais longos. Apesar dos problemas estruturais,

Projeção para o crédito livre* (var. % a.a.) PIB

2006 - 2010

3,0 3,5 4,0 4,5 5,0

12,0 14,0 16,0 18,0 20,0

16

FINANCEIRO


que proporcionam uma combinação de taxas de juros e spreads bancários elevados, a tendência de crescimento do nível de crédito ao setor produtivo deve continuar, embora com menos intensidade, ainda como reflexo das quedas promovidas na taxa Selic que, além de promoverem um barateamento do crédito, induzem as instituições financeiras a reverem suas carteira de ativos, disponibilizando uma parcela maior de recursos para o financiamento do setor privado. Essa realocação de portfólio ganha mais força dentro de uma atmosfera de crescimento sustentável e compromisso com o regime de metas. O crescimento da atividade econômica, aliás, está intimamente ligado com o desenvolvimento da atividade creditícia. Ao mesmo tempo em que o crédito promove uma maior expansão do PIB, o oposto também ocorre. O maior incremento do PIB levará a um aumento do crédito. Num ambiente em que existem várias restrições para que o mercado de crédito funcione plenamente, o crescimento do PIB se torna uma variável muito importante para evolução do crédito. Dado o baixo nível do crédito persistente no Brasil, sua elasticidade em relação ao PIB é ainda alta, hoje correspondente a cerca de 4%. Logo, considerando as expectativas de mercado para o crescimento do PIB, da ordem de 3,5%,

Ao mesmo tempo em que o crédito promove uma maior expansão do PIB, o oposto também ocorre o crescimento esperado para as operações de crédito livre acumulado entre 2006 e 2010 poderá atingir cerca de 14%, como mostram as simulações da tabela I. Apesar do crédito continuar a ajudar o varejo para os resultados deste ano, espera-se uma continuidade da desaceleração das vendas dos bens duráveis, como ilustra a tabela II. As causas principais que explicam esse desaquecimento são os fatores conjunturais de curto prazo. O primeiro deles consiste na resistência na ponta dos juros ao consumidor, que não acompanhou a queda da taxa básica de juros na mesma proporção. Além disso, houve uma surpresa inflacionária positiva que produziu uma queda expressiva da inflação e, conseqüentemente, taxas de juros reais bastante elevadas. As baixas expectativas para inflação também estão causando aumentos nas taxas de juros reais ex-ante, aumentando o ônus dos empréstimos. Em segundo lugar, está a inadim-

plência, que vem se tornando mais preocupante, pois as facilidades das novas modalidades de crédito (o consignado em particular) podem afetar a capacidade de pagamento ao reduzir a renda futura dos tomadores mais endividados. Como o crescimento do crédito à pessoa física tem superado a expansão da renda, mesmo que esta tenha sido robusta, espera-se um esgotamento da capacidade de endividamento, se não houver uma recuperação mais forte da atividade econômica com repercussões positivas no mercado de trabalho. Com base em previsão otimista, ao extrapolar a performance do varejo no primeiro semestre, espera-se que o comércio ainda seja bastante beneficiado pelo crédito em 2006. Contudo, a tendência para o próximo ano é a de que os bens não-duráveis seja a categoria do comércio de maior dinamismo, pois, devido a sua menor sensibilidade aos ciclos econômicos, serão mais resistentes ao aumento do endividamento do consumidor. Hoje, o principal limite para o ciclo atual do crédito e seu desenvolvimento a médio e longo prazo é a própria sustentabilidade do crescimento econômico, que depende de que sejam criadas saídas para a redução da carga tributária e da dívida pública, e de que a evolução da economia internacional continue favorecendo o País.

Vendas Reais do Comércio Varejista - Variação Ano 2001 2002 2003 2004 2005 2006* 2001-2003 2004-2006*

Comércio Varejista -1,57% -0,70% -3,67% 9,25% 4,84% 5,65% -5,94% 19,75%

Duráveis Ex Auto

-1,28% -0,60% -0,87% 26,41% 16,02% 9,72% -2,75% 52,23%

-3,58% -17,00% -7,20% 17,80% 1,56% -0,15% -27,76% 19,22%

*Projetado/Fonte IBGE e elaboração própria

ACREFI

Semi e Não-Duráveis Auto

17

Alimentos

Vestuário

0,37% -1,79% -4,86% 7,21% 3,08% 8,01% -6,28% 18,31%

1,59% -1,26% -3,08% 4,71% 5,86% -0,22% -2,74% 10,36%


artigo

Mercado de trabalho: melhoras são mais conjunturais do que estruturais GUILHERME MAIA E CLÁUDIA OSHIRO, DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA INTEGRADA Houve melhoras no mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos, mas elas decorreram dos ganhos obtidos com a estabilização da economia, e não de mudanças estruturais. Os números atuais que sinalizam uma possível “precarização” do trabalho devem se reverter, e a perspectiva é de gradual aumento do poder de compra. Por outro lado, consideramos pouco provável grandes melhoras em termos de taxa de desemprego e formalização do trabalho Persistem dúvidas sobre se a melhora substancial no mercado de trabalho observada a partir de 2003 – com destaque para a queda da taxa de desemprego, o aumento da formalização e o crescimento da renda – representou uma mudança estrutural positiva ou apenas uma oscilação conjuntural. As implicações de um diagnóstico de mudança estrutural são importantes: a tendência de aumento da formalização seria contínua; o ritmo de aumento do emprego seria maior do que o padrão histórico, consistente com um maior potencial de crescimento da economia; a taxa natural de desemprego seria menor

prego. Entretanto, alguns aspectos positivos do mercado de trabalho nos últimos anos devem ser vistos como conquistas permanentes. Vejamos os principais fatos estilizados, por meio dos dados da pesquisa mensal de emprego (PME) do IBGE. Todas as séries históricas receberam tratamento estatístico para compatibilizar a antiga PME com a nova PME, a partir do segundo trimestre de 2002. Com os dados da PME até junho, é possível observar duas tendências claras: diminuição do ritmo de crescimento da ocupação e aumento do ritmo de crescimento da desocupação (figura 1). Os motivos para essas tendências

do que a observada historicamente e, finalmente, o atual ritmo de crescimento da renda seria compatível com uma maior produtividade do fator trabalho e, portanto, poderia perdurar para os próximos anos. Embora a estabilidade macroeconômica e a menor volatilidade do produto e da inflação devam trazer ganhos de produtividade e aumento do potencial de crescimento, acreditamos que os efeitos sobre o mercado de trabalho serão moderados. O fato é que os estímulos ao aumento do potencial de crescimento são restritos, assim como o potencial de queda estrutural da taxa natural de desem-

15

6

10

5

5

4

0

3

-5 Ocupados Desocupados

2

-10

2008 - I

2007 - IV

2007 - III

2007 - II

2007 - I

2006 - IV

2006 - III

2006 - II

2006 - I

2005 - IV

2005 - III

2005 - II

2005 - I

2004 - IV

2004 - III

2004 - II

2004 - I

2003 - IV

2003 - III

2003 - II

2003 - I

-20 2002 - IV

0 2002 - III

-15

2002 - II

1

Desocupados (%)

7

2002 - I

Ocupados (%)

Figura 1. Número de pessoas ocupadas e desocupadas (taxa de crescimento em 12 meses)

Fonte: IBGE (elaboração Tendências)

18

FINANCEIRO


Figura 2. Taxa de desemprego (média trimestral, com ajuste sazonal) (%) 14 13 12 11 10 9

Taxa de desemprego (dessaz.)

Média histórica

2006 - I

2005 - II

2004 - III

2003 - IV

2003 - I

2002 - II

2001 - III

2000 - IV

2000 - I

1999 - II

1998 - III

1997 - IV

1997 - I

1996 - II

1995 - III

1994 - IV

1994 - I

1993 - II

1992 - III

1991 - IV

1991 - I

8

Fonte: IBGE (elaboração Tendências)

gerais são, provavelmente, uma correção para o overshooting da taxa de criação de vagas ocorrida nos anos anteriores, lembrando que o crescimento médio da economia de 2001 a 2003 foi de apenas 1,3%. Essa correção ocorre principalmente porque, após o crescimento acelerado de 2004, a conjunção de uma política monetária mais gradualista e apreciação forte da taxa de câmbio tornaram o crescimento não somente mais moderado como também mais intensivo em capital a partir do segundo semestre de 2005. As nossas projeções indicam um undershooting nos próximos trimestres, com a taxa de crescimento da ocupação convergindo para a média histórica de

O nível de taxa de desemprego alcançado no terceiro trimestre de 2005 é baixo para padrões históricos 2,0%, que coincide com a da PEA. Ao mesmo tempo, o ambiente de crescimento consistente do consumo e da renda fez aumentar o otimismo e a procura por trabalho, levando a um aumento na taxa de crescimento de pessoas que não encontram emprego, tendência que deve continuar nos próximos trimestres, já que não se vislumbra nenhum boom de crescimento e de investimentos que possa impulsionar a taxa de criação de vagas.

Nesse contexto, é evidente que as forças se tornaram contrárias à queda da taxa de desemprego, que, inclusive, já apresenta tendência de alta (figura 2). É importante observar que o nível de taxa de desemprego alcançado no terceiro trimestre de 2005 é baixo para padrões históricos, e a percepção é de que a taxa está operando próxima de um patamar natural, quiçá abaixo dele. Um outro aspecto importante e positivo do mercado de trabalho nos últimos anos é a tendência de aumento da formalização, sobretudo de 2004 para 2005 (quadro 1). Até que ponto isso é uma recuperação da “desformalização” anterior é difícil dizer, mas

Quadro 1. Posição das pessoas empregadas

Total

Com carteira assinada

Sem carteira assinada

Conta própria

Empregadoras

Variação média anual 2003

4,6%

1,5%

7,7%

2004 2005 2006*

7,5%

14,3%

3,3%

1,9%

2,9%

5,9%

6,1%

4,9%

-1,3%

2,1%

-1,7%

0,8%

1,6%

4,3%

-1,9%

0,0%

-1,2%

49,7%

23,2%

20,8%

5,5%

Participação (%) na ocupação total junho/06

*média de janeiro a junho de 2006/média de janeiro a junho de 2005

ACREFI

19

Fonte: IBGE (elaboração Tendências)


artigo essa conquista deve ser permanente, ou seja, não deve se reverter nos próximos anos. Com a perspectiva de um ambiente econômico mais previsível e a continuidade do crescimento da economia, a expectativa é de que possa haver aumentos adicionais da formalização, porém, mais modestos. Isso porque não houve mudanças significativas nas leis trabalhistas que pudessem tornar o mercado de trabalho mais flexível e estimular a continuidade do atual ritmo de aumento da formalização. Tem ganhado destaque também, recentemente, a idéia de que, neste contexto de crescente dificuldade em encontrar emprego, esteja ocorrendo uma precarização preocupante nas novas vagas criadas, no sentido de mão-de-obra menos qualificada e menores salários. Há dois indicadores que corroboram essa visão. O primeiro é o crescimento de emprego para pessoas menos instruídas (figura 3). O segundo é o crescimento da proporção de pessoas que ganham menos de um salário mínimo (quadro 2). Entretanto, esse não parece ser o caso de um aumento preocupante da precarização do emprego. Basta levar em conta que o crescimento da ocupação ainda é bem maior para pessoas mais instruídas (quadro 3) – segue, portanto, a tendência de aumento da qualidade do trabalho – e, ainda, que a taxa de crescimento

Figura 3. Variação no contra-ano dos empregados com menos de um ano de instrução (%) 10 5 0 -5 -10 -15

jun/06

mar/06

dez/05

set/05

jun/05

mar/05

dez/04

set/04

jun/04

mar/04

dez/03

set/03

jun/03

mar/03

-20

Fonte: IBGE (elaboração Tendências)

Quadro 2. Pessoas empregadas que ganha menos de um salário-mínimo (sm) Ocupados com menos de 1 sm (variação anual média)

Participação no total de ocupados

2003

30,2%

11,9%

2004

19,4%

13,8%

2005

8,1%

14,5%

18,2%

16,6%

2006*

*média de janeiro a junho de 2006/média de janeiro a junho de 2005 Fonte: IBGE (elaboração Tendências)

Quadro 3. Anos de estudo das pessoas empregadas Total

Sem instrução e menos de 1 ano

1 a 3 anos

4 a 7 anos 8 a 10 anos

11 anos ou mais

Variação média anual 2003

4,4%

1,4%

-0,5%

3,7%

2,4%

6,6%

2004

3,1%

-5,9%

-4,4%

0,4%

0,8%

7,1%

2005

3,0%

-8,8%

-2,5%

-1,2%

1,9%

6,9%

2006*

1,8%

-1,3%

-2,0%

-3,9%

1,0%

5,3%

2,5%

5,4%

22,0%

18,0%

52,0%

Participação (%) na ocupação total jun/06

*média de janeiro a junho de 2006/média de janeiro a junho de 2005

20

Fonte: IBGE (elaboração Tendências) FINANCEIRO


Figura 4. Renda real média e produtividade marginal do trabalho (crescimento ante o mesmo trimestre do ano anterior) (%) 15 Produtividade trab.

10

Renda real

5 0 -5 -10

2006 - I

2005 - III

2005 - I

2004 - III

2004 - I

2003 - III

2003 - I

2002 - III

2002 - I

2001 - III

2001 - I

2000 - III

2000 - I

1999 - III

1999 - I

-15

Fonte: IBGE (elaboração Tendências)

da ocupação total deve estar em um undershooting, como já foi ressaltado. O problema de maior crescimento de vagas de menor qualidade, em detrimento das outras, nos parece conjuntural, respondendo à dinâmica de um mercado de trabalho mais apertado e ao ajuste para cima na taxa de desemprego, em torno de um patamar de equilíbrio. Por fim, um outro aspecto positivo do mercado de trabalho é que, com a estabilização da economia, a dinâmica da renda deve ficar mais próxima à dinâmica da produtividade marginal do trabalho, esta última obtida por meio de uma abordagem de função de produção (figura 4). No período recente, observamos, inclusive, uma tendência de crescimento da renda acima da produtividade do trabalho.

Consideramos pouco provável grandes melhoras em termos de taxa de desemprego Entretanto, a atual folga na utilização de capacidade da indústria e os indícios de leve melhora na produtividade total da economia têm segurado o aumento do custo unitário do trabalho, de forma que o atual crescimento da renda não seja visto como inflacionário. Além disso, o próprio movimento conjuntural de “precarização” já citado deve impor limites a aumentos de salário que possam exceder a produtividade do trabalho. Dessa forma, é possível concluir que houve melhoras no mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos, mas

elas decorreram dos ganhos obtidos com a estabilização da economia, e não de mudanças estruturais. Nesse sentido, os números atuais que sinalizam uma possível “precarização” do trabalho devem se reverter à medida que o aumento da ocupação volte para taxas de equilíbrio, e a perspectiva é de gradual aumento do poder de compra, embora menos intenso do que o atual ritmo e mais estreitamente ligado à dinâmica da produtividade marginal do trabalho. Por outro lado, consideramos pouco provável grandes melhoras em termos de taxa de desemprego e formalização do trabalho, já que não houve uma reforma trabalhista que pudesse levar a uma melhora estrutural do mercado de trabalho. (gmaia@tendencias.com.br)


variedades

O mundo sutil do vinho e da gastronomia na mais-valia RENATO FRASCINO, CONSULTOR, PROFESSOR DE GASTRONOMIA, VINHOS E DESTILADOS. SINCE 1977. Quando entramos no campo do vinho e da gastronomia, devemos transformar nossos pensamentos. Visto que, quando degustamos um bom vinho, harmonizado com bons pratos num local especial com pessoas equilibradas, podemos afirmar que estamos em uma sinfonia dos sentidos. Recursos financeiros, qualquer pessoa com bons conhecimentos e relacionamento pode adquirir com o seu trabalho. O mundo das compatibilizações das bebidas e seus pratos como cultura necessita de sabedoria que transforma os momentos, criando qualidade em nossas vidas. Quebram os preconceitos e despertam os cinco sentidos sensoriais: visão, olfato, paladar, tato, audição; e mais a intuição e imaginação. Assim sendo, depois de 30 anos estudando vinhos e ter degustado mais de 25 mil tipos de vinhos dos cinco continentes, recomendo que se formem grupos afins de no máximo 12 confrades e iniciem como enófilos, “amigos do vinho”, esta longa caminhada. Para recomeçar, dividiria o planejamento em países do novo mundo, velho mundo e países da Europa (Áustria, Hungria). Novo mundo. Não podemos deixar de provar os vinhos:

FÓRUM CEBEFI PROMOVE SEMINÁRIO SOBRE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA Dia 19 de outubro das 14h às 17h30 Objetivo Levar aos participantes todos os aspectos que envolvem esse tipo de garantia, instrumento moderno que agiliza a execução.

Programa • Introdução; Inadimplência e o Processo Especial de Execução; Alienação de Coisa Fungível; de Título de Crédito, de Cessão de Direitos, de Ações e Cotas de Sociedades. Apresentador: LESLIE AMENDOLARA, conceituado advogado, especialista em Direito Empresarial. Membro do Instituto dos Advogados São Paulo; professor em diversos cursos de sua especialidade. Autor de várias obras dentre as quais Técnicas de Elaboração de Contratos (3ª Edição). • Alienação Fiduciária em Garantia de Imóveis. Apresentador: NELSON KOIRANSKY, advogado especializado em Direito Imobiliário, ex-presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo.

Material Austrália Shiraz tintos Semillon brancos Nova Zelândia Sauvignon blanc, branco Pinot Noir, tinto

Chile Cabernet Sauvignon, tinto Merlot, tinto Sauvignon Blanc, branco Chardonnay, branco

África do Sul Pinotage, tinto

Uruguai Tannat, tinto Sauvignon blanc, branco

Argentina Malbec, tinto Tempranillo, tinto Viognier, branco Torrontes, branco

Brasil Merlot, tinto Ancelota, tinto Espumantes finos Premium

Califórnia Zinfandel, tinto Cabernet Sauvignon, tinto Chardonnay, branco Oregon Pinot Noir, tinto

Os participantes receberão toda a matéria exposta pelo palestrante.

Local do evento Auditório da ACREFI - Rua Líbero Badaró, 425 28º andar - São Paulo - SP

Investimento Associados da ACREFI: R$ 300,00 Demais interessados: R$ 350,00

Inscrições e informações FÓRUM CEBEFI Fone/Fax: (11) 3266-4995/3266-4994/ 3262-1402. E-mail: eventos@forumcebefi.com.br Site: www.forumcebefi.com.br

Apoio institucional: ACREFI Devemos incluir os vinhos portugueses do Alentejo; trincadeira e aragones, tintos e arinto, branco. Na Itália, os Sangioveses da Toscana, os Negroamaro e Nero D´avola tintos. Espanha, novas regiões do Priorato, Castel de Segre, Samontano, Ribero Del Douro, Navarra. França, não só Bordeaux, Borgonha, Vale do Loire, Cote du Rhone, Languedoc... Alemanha, Áustria, Alsace com vinhos campeões para preconceituosos. Depois de ter degustado, estudado e harmonizados todos os vinhos, vamos para nossa realidade de dizer que realmente somos um grande enófilo, que em alguns momentos esquecemos o mundo da mais-valia e sentimos o prazer de viver sem beber, mas sim degustando, saboreando o néctar dos néctares no mundo da enogastronomia, transformando tudo em uma poesia líquida.

22

TV ACREFI Um novo programa a cada semana.

www. acrefi.org.br FINANCEIRO


banco de dados por INEPAD TAXAS MÉDIAS GERAL DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

47,2 47,4 48,1 48,2 47,1 45,9 46,1 46,2 45,7 45 43,8 43,2 42,2

-0,1 0,2 0,7 0,1 -1,1 -1,2 0,2 0,1 -0,5 -0,7 -1,2 -0,6 -1,0

19,0 18,9 18,7 18,4 17,7 17,1 16,4 16,0 15,5 15,3 15,3 15,2 14,7

-0,2 -0,1 -0,2 -0,3 -0,7 -0,6 -0,7 -0,4 -0,5 -0,2 0,0 -0,1 -0,5

28,2 28,5 29,4 29,8 29,4 28,8 29,7 30,2 30,2 29,7 28,5 28 27,5

0,1 0,3 0,9 0,4 -0,4 -0,6 0,9 0,5 0,0 -0,5 -1,2 -0,5 -0,5

Variação jul-jul

-5,0

-4,3

-0,7

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA FÍSICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

61,3 61,1 62,1 61,7 60,4 59,3 59,7 59,2 59,0 57,8 56,1 55,8 54,3

0,0 -0,2 1,0 -0,4 -1,3 -1,1 0,4 -0,5 -0,2 -1,2 -1,7 -0,3 -1,5

18,2 18,2 18,0 17,8 17,2 16,5 16,0 15,5 15,0 14,9 15,0 15,2 14,6

-0,2 0,0 -0,2 -0,2 -0,6 -0,7 -0,5 -0,5 -0,5 -0,1 0,1 0,2 -0,6

43,1 42,9 44,1 43,9 43,2 42,8 43,7 43,7 44,0 42,9 41,1 40,6 39,7

0,2 -0,2 1,2 -0,2 -0,7 -0,4 0,9 0,0 0,3 -1,1 -1,8 -0,5 -0,9

Variação jul-jul

-7,0

-3,6

-3,4

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA JURÍDICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

33,0 33,2 33,3 33,4 32,4 31,7 31,3 31,6 30,7 30,6 29,7 28,8 28,3

-0,4 0,2 0,1 0,1 -1,0 -0,7 -0,4 0,3 -0,9 -0,1 -0,9 -0,9 -0,5

19,6 19,5 19,2 18,9 18,2 17,7 16,8 16,5 16,0 15,8 15,7 15,2 14,9

-0,2 -0,1 -0,3 -0,3 -0,7 -0,5 -0,9 -0,3 -0,5 -0,2 -0,1 -0,5 -0,3

13,4 13,7 14,1 14,5 14,2 14,0 14,5 15,1 14,7 14,8 14,0 13,6 13,4

-0,2 0,3 0,4 0,4 -0,3 -0,2 0,5 0,6 -0,4 0,1 -0,8 -0,4 -0,2

Variação jul-jul

-4,7

-4,7

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

23

0,0


banco de dados por INEPAD SPREAD FINANCEIRO

CRÉDITO PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL Volum e R$ Milhões

53,0

Taxa de Juros

80.000

48,0

75.000

43,0

70.000

73,00 71,00 69,00

65.000

38,0

60.000

SPREAD FINANCEIRO

33,0

67,00

55.000

28,0

Aplicação

61,00

30.000

jul/06

jun/06

mai/06

abr/06

mar/06

dez/05

jan/06

fev/06

35.000 nov/05

13,0 out/05

40.000

set/05

63,00

18,0

ago/05

65,00

45.000

jul/05

50.000

23,0

59,00

jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul 05 05 05 05 05 05 06 06 06 06 06 06 06

Captação

Volume

Taxa de Juros

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - PREFIXADOS

(R$ milhões)

MÊS / ANO

CHEQUE ESPECIAL

VARIAÇÃO EM %

CRÉDITO PESSOAL

VARIAÇÃO EM %

FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO

VARIAÇÃO EM %

CARTÃO DE CRÉDITO

VARIAÇÃO EM %

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

11 647 12 265 12 297 12 509 12 527 10 974 12 232 11 790 12 825 12 905 13 302 13 223 12 934

-1,22% 5,31% 0,26% 1,73% 0,15% -12,40% 11,46% -3,62% 8,78% 0,62% 3,08% -0,59% -2,19%

57 270 59 015 60 531 61 650 63 255 63 444 65 010 66 658 68 391 70 675 71 794 73 035 74 501

3,33% 3,05% 2,57% 1,85% 2,60% 0,30% 2,47% 2,53% 2,60% 3,34% 1,58% 1,73% 2,01%

1 028 1 037 948 947 947 956 900 842 869 886 919 955 994

-1,97% 0,83% -8,53% -0,08% -0,03% 0,95% -5,91% -6,42% 3,20% 2,02% 3,67% 3,89% 4,13%

10 512 10 687 11 211 11 495 11 774 11 260 11 882 12 657 12 492 12 916 13 117 12 752 12 828

3,10% 1,67% 4,90% 2,53% 2,43% -4,37% 5,53% 6,53% -1,30% 3,39% 1,56% -2,78% 0,59%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados/continuação (R$ milhões) AQUISIÇÃO MÊS / ANO jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

VEÍCULOS

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

43 636 45 044 46 218 47 406 48 935 50 685 51 938 53 154 54 306 55 248 56 441 57 346 58 381

2,14% 3,23% 2,61% 2,57% 3,23% 3,57% 2,47% 2,34% 2,17% 1,74% 2,16% 1,60% 1,80%

8 824 9 416 9 471 9 621 10 031 10 229 10 241 10 161 10 115 9 965 10 136 10 137 10 136

5,66% 6,71% 0,58% 1,59% 4,26% 1,98% 0,12% -0,79% -0,45% -1,48% 1,71% 0,02% -0,01%

52 460 54 460 55 689 57 027 58 966 60 914 62 179 63 315 64 421 65 213 66 577 67 484 68 517

2,71% 3,81% 2,26% 2,40% 3,40% 3,30% 2,08% 1,83% 1,75% 1,23% 2,09% 1,36% 1,53%

7 349 7 702 8 016 8 144 8 414 7 643 8 386 8 545 9 102 9 380 9 791 9 720 10 004

3,56% 4,79% 4,09% 1,59% 3,32% -9,17% 9,73% 1,90% 6,52% 3,05% 4,38% -0,72% 2,92%

140 266 145 166 148 692 151 773 155 884 155 190 160 589 163 806 168 100 171 976 175 500 177 170 179 779

2,66% 3,49% 2,43% 2,07% 2,71% -0,44% 3,48% 2,00% 2,62% 2,31% 2,05% 0,95% 1,47%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

24

FINANCEIRO


VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - CRÉDITO CONSIGNADO MÊS / ANO jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06 Var. jul-jul

CRÉDITO PESSOAL* 57.270 59.015 60.531 61.650 63.255 63.444 65.010 66.658 68.391 70.675 71.794 73.035 74.501 30,1%

CONSIGNADO Públicos

Privados

Total

Amostra**

24.024 25.301 26.239 26.961 27.663 28.332 29.570 30.793 31.931 33.315 34.542 35.725 36.752

3.651 3.840 4.070 4.200 4.284 3.988 4.136 4.334 4.532 4.760 4.866 5.234 5.438

27.675 29.141 30.309 31.160 31.947 32.320 33.705 35.127 36.463 38.075 39.408 40.959 42.190 52,4%

19.712 20.773 21.488 22.076 22.829 22.981 23.916 24.381 25.236 26.524 27.647 28.483 29.467 49,5%

% Consignado***

(R$ milhões)

Concentração Taxa de Juros %aa do Consignado Estimativa INEPAD Consignado Pessoal Diferença

48,3% 49,4% 50,1% 50,5% 50,5% 50,9% 51,8% 52,7% 53,3% 53,9% 54,9% 56,1% 56,6%

71,2% 71,3% 70,9% 70,8% 71,5% 71,1% 71,0% 69,4% 69,2% 69,7% 70,2% 69,5% 69,8% -1,9%

37,4% 37,2% 37,0% 37,2% 36,8% 36,4% 37,3% 36,6% 36,9% 36,1% 36,5% 35,7% 35,1%

69,4% 69,5% 70,6% 70,3% 68,7% 67,3% 68,9% 68,6% 67,8% 65,3% 62,3% 62,2% 59,8%

31,9% 32,1% 33,4% 33,4% 31,5% 30,5% 32,5% 31,3% 31,2% 28,4% 26,2% 25,7% 24,1%

FONTE: INEPAD / BC * Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito. ** Pesquisa com treze das maiores instituições que operam com crédito pessoal. *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal.

INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS CRÉDITO PESSOAL (R$ mil)

Mês/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

50.932.454 52.427.636 53.827.919 54.713.121 55.990.494 56.136.655 57.103.577 58.527.677 59.668.133 61.529.772 63.061.289 64.510.862 65.720.644

1.180.764 1.322.628 1.353.921 1.362.100 1.455.906 1.224.611 1.486.653 1.250.243 1.620.295 1.590.013 1.594.681 1.541.533 1.680.688

2,06% 2,24% 2,24% 2,21% 2,30% 1,93% 2,29% 1,88% 2,37% 2,25% 2,22% 2,11% 2,26%

1.485.848 1.528.370 1.558.238 1.690.157 1.748.058 1.642.233 1.748.341 1.800.971 1.895.815 1.943.599 1.856.410 1.914.669 1.895.621

2,59% 2,59% 2,57% 2,74% 2,76% 2,59% 2,69% 2,70% 2,77% 2,75% 2,59% 2,62% 2,54%

3.145.514 3.288.510 3.397.809 3.547.908 3.723.372 3.782.350 4.011.591 4.406.296 4.532.764 4.469.669 4.590.579 4.411.113 4.575.376

5,49% 5,57% 5,61% 5,75% 5,89% 5,96% 6,17% 6,61% 6,63% 6,32% 6,39% 6,04% 6,14%

57.270.000 59.015.306 60.531.439 61.650.256 63.254.734 63.443.780 65.010.067 66.657.810 68.390.518 70.675.076 71.794.140 73.034.984 74.501.480

3,33% 3,05% 2,57% 1,85% 2,60% 0,30% 2,47% 2,53% 2,60% 3,34% 1,58% 1,73% 2,01%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS (R$ mil)

Mês/Ano

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

Saldo

Com atraso

sem atraso

de 15 a 30 dias

40.002.093 41.251.555 42.259.001 42.968.220 44.340.233 46.288.603 47.100.583 48.279.998 48.878.729 49.468.271 50.432.322 51.319.626 52.231.556

1.448.473 1.544.357 1.510.645 1.733.980 1.697.635 1.613.661 1.777.919 1.638.047 1.908.730 1.896.390 2.001.947 1.951.179 2.039.077

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

3,32% 3,43% 3,27% 3,66% 3,47% 3,18% 3,42% 3,08% 3,51% 3,43% 3,55% 3,40% 3,49%

1.404.040 1.458.118 1.522.771 1.719.567 1.839.634 1.653.627 1.829.639 1.911.682 2.077.261 2.265.550 2.249.168 2.238.840 2.202.191

3,22% 3,24% 3,29% 3,63% 3,76% 3,26% 3,52% 3,60% 3,83% 4,10% 3,98% 3,90% 3,77%

776.692 783.591 917.115 974.016 1.046.108 1.115.317 1.214.632 1.307.080 1.421.339 1.595.453 1.729.468 1.834.034 1.905.262

1,78% 1,74% 1,98% 2,05% 2,14% 2,20% 2,34% 2,46% 2,62% 2,89% 3,06% 3,20% 3,26%

43.636.074 45.043.780 46.218.118 47.406.012 48.935.289 50.684.709 51.938.053 53.154.236 54.305.631 55.247.939 56.440.924 57.346.404 58.380.732

2,14% 3,23% 2,61% 2,57% 3,23% 3,57% 2,47% 2,34% 2,17% 1,74% 2,16% 1,60% 1,80%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

25


banco de dados por INEPAD INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

7.190.986 7.699.456 7.790.947 7.837.518 8.165.263 8.457.452 8.362.121 8.231.862 8.057.534 7.807.880 7.980.581 8.008.490 8.011.846

372.685 424.811 369.647 394.773 389.994 334.255 425.157 408.173 453.516 467.766 443.851 449.822 442.822

4,22% 4,51% 3,90% 4,10% 3,89% 3,27% 4,15% 4,02% 4,48% 4,69% 4,38% 4,44% 4,37%

406.831 414.857 424.936 446.640 461.045 398.093 407.308 477.311 553.878 562.063 518.331 506.564 482.802

4,61% 4,41% 4,49% 4,64% 4,60% 3,89% 3,98% 4,70% 5,48% 5,64% 5,11% 5,00% 4,76%

830.585 865.811 873.070 928.949 986.686 1.003.506 1.004.743 999.178 1.005.323 1.080.104 1.144.281 1.148.080 1.174.495

9,41% 9,19% 9,22% 9,66% 9,84% 9,81% 9,81% 9,83% 9,94% 10,84% 11,29% 11,33% 11,59%

8.824.004 9.416.143 9.470.618 9.621.180 10.030.622 10.229.173 10.241.441 10.160.748 10.115.085 9.965.038 10.135.589 10.137.421 10.136.115

5,66% 6,71% 0,58% 1,59% 4,26% 1,98% 0,12% -0,79% -0,45% -1,48% 1,71% 0,02% -0,01%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

INADIMPLÊNCIA - CRÉDITO PESSOAL - PREFIXADO Julho/2006 (em R$ mil) 20,6% Atraso de mais de 90 dias 4.575.376

56,1%

23,3%

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS - PREFIXADO Julho/2006 (em R$ mil)

Atraso de 15 a 30 dias 1.680.688

Atraso de 31 a 90 dias 2.202.191

Atraso de 31 a 90 dias 1.895.621

33,2%

21,1%

15 a 30 dias 366.797

Atraso de 15 a 30 dias 442.822

14,8% Atraso de mais de 90 dias 1.416.122

55,9% 23,0%

Atraso de 15 a 30 dias 2.039.077

INADIMPLÊNCIA - OUTRAS OPERAÇÕES - PREFIXADO Julho/2006 (em R$ mil) Atraso de

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO OUTROS BENS - PREFIXADO Julho/2006 (em R$ mil)

Atraso de mais de 90 dias 1.174.495

31,0%

35,8%

Atraso de mais de 90 dias 1.905.262

57,3%

27,9%

Atraso de 31 a 90 dias 482.802

Atraso de 31 a 90 dias 688.691

OUTRAS OPERAÇÕES (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

4.600.843 4.985.299 5.167.569 5.499.261 5.282.296 4.943.790 5.329.091 5.368.580 5.670.983 5.811.421 5.961.662 6.242.219 6.416.399

287.716 291.463 303.992 272.133 302.903 234.582 378.295 327.634 371.268 366.071 386.166 374.237 366.797

3,91% 3,78% 3,79% 3,34% 3,60% 3,07% 4,51% 3,83% 4,08% 3,90% 3,94% 3,85% 3,67%

842.357 522.083 510.861 484.888 570.142 470.671 528.368 602.266 654.249 662.153 636.771 670.779 688.691

11,46% 6,78% 6,37% 5,95% 6,78% 6,16% 6,30% 7,05% 7,19% 7,06% 6,50% 6,90% 6,88%

870.484 1.143.252 1.261.199 1.069.336 1.381.167 1.003.931 1.171.200 1.259.094 1.338.727 1.512.407 1.707.468 1.344.384 1.416.122

11,84% 14,84% 15,73% 13,13% 16,42% 13,14% 13,97% 14,73% 14,71% 16,12% 17,44% 13,83% 14,16%

7.349.412 7.701.548 8.016.385 8.143.922 8.413.988 7.642.768 8.386.089 8.545.025 9.102.409 9.380.074 9.791.110 9.720.426 10.003.876

3,56% 4,79% 4,09% 1,59% 3,32% -9,17% 9,73% 1,90% 6,52% 3,05% 4,38% -0,72% 2,92%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

26

FINANCEIRO


DESEMPREGO TAXA DE DESEMPREGO (%) DATA

Brasil

Var. p.p.

SP

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

9,40 9,40 9,60 9,60 9,60 8,30 9,20 10,10 10,40 10,40 10,20 10,40 10,70

9,90 9,40 9,70 9,60 9,70 7,80 9,20 10,50 10,60 10,70 10,50 10,90 11,30

0,00 0,00 0,20 0,00 0,00 (1,30) 0,90 0,90 0,30 0,00 (0,20) 0,20 0,30

TAXA DE DESEMPREGO Taxa (%)

Var. p.p. -0,60 -0,50 0,30 -0,10 0,10 -1,90 1,40 1,30 0,10 0,10 -0,20 0,40 0,40

Fonte: IBGE/INEPAD

Variação (p.p.) 1,00

12,0 11,5

0,50

11,0 10,5

0,00

10,0 9,5

-0,50

9,0 8,5

-1,00

8,0 -1,50

7,5

jul 05

ago 05

set 05

out 05

Brasil

nov 05

dez 05

jan 06

SP

fev 06

mar 06

abr 06

mai 06

jun 06

jul 06

Var. p.p. mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$) DATA

Brasil

Var. %

SP

Var. %

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

992,99 999,65 999,59 985,58 989,26 1.006,78 994,32 1.005,12 1.010,51 1.014,60 1.030,24 1.035,58 1.028,50

2,5% 0,7% 0,0% -1,4% 0,4% 1,8% -1,2% 1,1% 0,5% 0,4% 1,5% 0,5% -0,7%

1.137,51 1.134,39 1.120,89 1.090,45 1.114,56 1.141,07 1.121,89 1.158,51 1.157,19 1.174,33 1.194,40 1.195,03 1.170,90

3,0% -0,3% -1,2% -2,7% 2,2% 2,4% -1,7% 3,3% -0,1% 1,5% 1,7% 0,1% -2,0%

Fonte: IBGE/INEPAD

1.200

0,03

1.150

0,025

1.100

0,02

1.050

0,015

1.000

0,01

950

0,005

900

0

850

-0,005

800

-0,01

750

-0,015

700

-0,02

jul 05

ago 05

set 05

out 05

Brasil

nov 05

dez 05

SP

jan 06

fev 06

mar 06

abr 06

mai 06

jun 06

jul 06

Var. % mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

COMÉRCIO VAREJISTA VOLUME DE VENDAS

VOLUME DE VENDAS Data

Hipermercados e Veículos,Motos, Índice Var. % Var. % Var. % Geral Supermercados Partes e Peças 170

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 Variação jun-jun

110,11 114,61 113,75 109,29 115,46 114,98 162,59 112,02 102,68 114,67 115,79 120,59 114,61 4,09%

-1,9% 4,1% -0,8% -3,9% 5,6% -0,4% 41,4% -31,1% -8,3% 11,7% 1,0% 4,1% -5,0%

102,99 110,16 108,46 106,62 112,73 109,12 144,00 110,23 103,61 114,24 119,93 11263,0% 11225,0% 8,99%

-1,5% 7,0% -1,5% -1,7% 5,7% -3,2% 32,0% -23,5% -6,0% 10,3% 5,0% -6,1% -0,3%

117,37 112,82 128,55 118,91 119,61 129,54 138,57 119,14 100,16 130,11 107,65 130,31 112,98

1,4% -3,9% 13,9% -7,5% 0,6% 8,3% 7,0% -14,0% -15,9% 29,9% -17,3% 21,0% -13,3%

160 150 140 130 120 110 100 90 80

jun 05

ago set 05 05

Índice Geral

-3,74%

Fonte: IBGE/INEPAD

ACREFI

jul 05

27

out nov dez jan 05 05 05 06

Hipermercados e Supermercados

fev mar abr mai jun 06 06 06 06 06

Veículos, Motos, Partes e Peças


banco de dados por INEPAD PREVISÕES ECONÔMICAS Ano de 2006

PIB Total % a.a.

PIB Agropecuário % a.a.

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

3,50 3,60 3,56 3,51

3,69 2,60 2,73 2,72

4,15 4,39 4,29 4,23

2,79 2,97 2,96 2,95

4,10 4,06 3,99 3,92

Selic Taxa anual

IGP-DI % a.a.

IPCA % a.a.

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

15,00 14,15 14,09 14,07

4,55 3,54 3,47 3,46

4,58 3,70 3,72 3,65

2,40 2,21 2,19 2,19

38,00 40,88 41,40 41,65

Var. p.p.

DATA

Previsão 13/01/2006 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 28/07

Início de 2006 Previsão 13/01/2006 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 28/08 Fonte: BC-Focus/INEPAD

ATIVIDADE ECONÔMICA DATA

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

jun/05

82,47

-0,24

jul/05

81,56

-0,91

ago/05

82,20

set/05

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Var. %

jun/05

112,41

0,8%

jul/05

112,58

0,2%

0,64

ago/05

112,81

0,2%

81,50

-0,70

set/05

111,69

-1,0%

out/05

81,97

0,47

out/05

111,44

-0,2%

nov/05

82,14

0,17

nov/05

111,16

-0,3%

dez/05

80,28

-1,86

dez/05

112,59

1,3%

jan/06

80,15

-0,13

jan/06

113,31

0,6%

fev/06

80,65

0,50

fev/06

114,09

0,7%

mar/06

82,13

1,48

mar/06

113,80

-0,3%

abr/06

80,32

-1,81

abr/06

114,01

0,2%

mai/06

82,79

2,47

mai/06

114,42

0,4%

jun/06

82,75

-0,04

jun/06

114,34

-0,1%

Variação jun-jun

0,34%

Variação jun-jun

Fonte: CNI/INEPAD

1,72%

Fonte: IBGE/INEPAD

PRODUÇÃO (ÍNDICE) X CAPACIDADE (%) Capacidade (%)

Produção - Índice

83,0

115 115

82,5

114

82,0

114 113

81,5 81,0

113 112

80,5

112

80,0

111 111 110

79,5

Fonte: INEPAD

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

jun/06

mai/06

abr/06

mar/06

fev/06

jan/06

dez/05

nov/05

out/05

set/05

ago/05

jul/05

jun/05

79,0

Índice de Produção Física Média Móvel Trim estral

28

FINANCEIRO


INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA - AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS PRODUÇÃO

PRODUÇÃO

(em unidades) (em unidades)

Data

Produção

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

205.648 220.469 207.428 190.651 213.119 200.332 195.439 205.586 229.457 204.069 241.565 224.873 222.804

Média Trim. Var. Mensal Var. Mensal (%)

213.308 215.130 211.182 206.183 203.733 201.367 202.963 200.452 210.161 213.037 225.030 223.502 229.747

-13.624 14.821 -13.041 -16.777 22.468 -12.787 -4.893 10.147 23.871 -25.388 37.496 -16.692 -2.069

Variação jul-05/jul-06

-6,2% 7,2% -5,9% -8,1% 11,8% -6,0% -2,4% 5,2% 11,6% -11,1% 18,4% -6,9% -0,9%

245.000 235.000 225.000 215.000 205.000 195.000 185.000

jul 05

ago 05

set 05

out 05

nov 05

dez 05

Produção

8,3%

jan 06

fev 06

mar 06

abr 06

mai 06

jun 06

jul 06

jun 06

jul 06

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

(em unidades)

Data

Vendas

Média Trim.

Variação

Variação(%)

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

133.948 147.553 138.873 131.588 145.900 152.111 129.215 134.822 166.141 145.706 167.042 155.294 161.206

137.354 140.512 140.125 139.338 138.787 143.200 142.409 138.716 143.393 148.890 159.630 156.014 161.181

-6.088 13.605 -8.680 -7.285 14.312 6.211 -22.896 5.607 31.319 -20.435 21.336 -11.748 5.912

-4,3% 10,2% -5,9% -5,2% 10,9% 4,3% -15,1% 4,3% 23,2% -12,3% 14,6% -7,0% 3,8%

Variação jul-05/jul-06

(em unidades)

175.000 165.000 155.000 145.000 135.000 125.000

jul 05

ago 05

set 05

out 05

nov 05

dez 05

Vendas

20,3%

jan 06

fev 06

mar 06

abr 06

mai 06

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

EXPORTAÇÃO TOTAL

EXPORTAÇÃO TOTAL

(em unidades) (em unidades)

Data

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

Exportações Média Trim.

74.229 71.811 74.057 61.827 66.078 68.704 57.844 70.996 72.397 71.446 77.376 71.424 76.820

76.016 74.547 73.366 69.232 67.321 65.536 64.209 65.848 67.079 71.613 73.740 73.415 75.207

Variação jul-05/jul-06

Variação

Variação(%)

-3.371 -2.418 2.246 -12.230 4251 2626 -10860 13152 1401 -951 5930 -5952 5396

-4,3% -3,3% 3,1% -16,5% 6,9% 4,0% -15,8% 22,7% 2,0% -1,3% 8,3% -7,7% 7,6%

80.000 75.000 70.000 65.000 60.000 55.000

jul 05

set 05

out 05

Exportações

3,5%

Fonte: Anfavea/INEPAD

ACREFI

ago 05

29

nov 05

dez 05

jan 06

fev 06

mar 06

abr 06

Média trimestral

mai 06

jun 06

jul 06


banco de dados por INEPAD INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA LICENCIAMENTO DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (em unidades) Data

Vendas

1000cc

% no Total

1000cc a 2000cc

% no total

>2000cc

% no total

jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

110.007 120.586 115.297 111.001 129.274 149.113 107.085 103.485 125.092 104.340 131.326 118.815 134.732

62.061 66.726 63.759 63.584 73.190 83.361 60.215 57.587 70.405 56.043 72.534 68.001 79.212

56,4% 55,3% 55,3% 57,3% 56,6% 55,9% 56,2% 55,6% 56,3% 53,7% 55,2% 57,2% 58,8%

47.551 53.354 50.993 46.959 54.860 63.866 45.262 44.424 53.108 46.844 57.281 49.163 53.136

43,2% 44,2% 44,2% 42,3% 42,4% 42,8% 42,3% 42,9% 42,5% 44,9% 43,6% 41,4% 39,4%

395 506 545 458 1.224 1.886 1.608 1.474 1.579 1.453 1.511 1.651 2.384

0,4% 0,4% 0,5% 0,4% 0,9% 1,3% 1,5% 1,4% 1,3% 1,4% 1,2% 1,4% 1,8%

Fonte: Anfavea/INEPAD

LICENCIAMENTO POR CATEGORIA - AUTOMÓVEIS

80.000 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000

jul 05

ago 05

set 05

1000 cc

out 05

nov 05

dez 05

jan 06

fev 06

CRÉDITO PESSOAL

57.270 59.015 60.531 61.650 63.255 63.444 65.010 66.658 68.391 70.675 71.794 73.035 74.501

TAXAS DE JUROS

4,49 4,50 4,55 4,54 4,45 4,38 4,46 4,45 4,41 4,28 4,12 4,11 3,98

0,04 0,01 0,06 -0,02 -0,08 -0,07 0,08 -0,02 -0,04 -0,13 -0,16 -0,01 -0,13

69,40 69,50 70,60 70,30 68,70 67,30 68,90 68,60 67,80 65,30 62,30 62,20 59,80

mai 06

jun 06

jul 06

(R$ milhões)

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS SALDO TOTAL

% Variação % Variação MÊS/ANO R$ milhões a.m. p.p a.a. p.p jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 jul/06

abr 06

1000 cc a 2000 cc

TAXAS DE JUROS PREFIXADOS - PESSOA FÍSICA

SALDO TOTAL

mar 06

0,80 0,10 1,10 -0,30 -1,60 -1,40 1,60 -0,30 -0,80 -2,50 -3,00 -0,10 -2,40

R$ milhões 43.636 45.044 46.218 47.406 48.935 50.685 51.938 53.154 54.306 55.248 56.441 57.346 58.381

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 2,60 2,58 2,59 2,57 2,53 2,52 2,55 2,55 2,49 2,48 2,42 2,42 2,38

-0,05 -0,03 0,01 -0,02 -0,04 -0,01 0,03 -0,01 -0,05 -0,02 -0,05 0,00 -0,04

SALDO TOTAL

% Variação a.a. p.p 36,10 35,70 35,90 35,60 34,90 34,80 35,30 35,20 34,40 34,10 33,30 33,30 32,60

AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS

-0,80 -0,40 0,20 -0,30 -0,70 -0,10 0,50 -0,10 -0,80 -0,30 -0,80 0,00 -0,70

R$ milhões 8.824 9.416 9.471 9.621 10.031 10.229 10.241 10.161 10.115 9.965 10.136 10.137 10.136

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 3,70 3,65 3,99 3,95 3,80 4,27 3,92 3,69 3,82 3,96 3,89 3,86 3,97

0,03 -0,06 0,34 -0,04 -0,15 0,47 -0,35 -0,23 0,14 0,14 -0,07 -0,03 0,11

% a.a.

Variação p.p

54,70 53,70 59,90 59,10 56,40 65,20 58,60 54,40 56,90 59,40 58,10 57,50 59,60

0,60 -1,00 6,20 -0,80 -2,70 8,80 -6,60 -4,20 2,50 2,50 -1,30 -0,60 2,10

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

30

FINANCEIRO


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Financeiro 39 - Setembro 2006  

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