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Financeiro

ano 4 nº 38 ago/2006

Vietnã, um novo tigre Entrevista O marketing na prática, por Francisco Gracioso

Tendência Uma avaliação do setor energético

©iStockphoto.com/Kit Sen Chin

TIRAGEM DESTA EDIÇÃO: 20.000 EXEMPLARES

EDITORIAL


editorial

Rua Libero Badaró, 425 - 28º andar - São Paulo - SP Tel.: (11) 3107-7177 Fax: (11) 3106-6082 - www.acrefi.org.br

Viêt Nam, um novo tigre Érico Sodré Quirino Ferreira, Presidente da ACREFI Flávio Roberto Guarnieri

Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento

DIRETORIA Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Aquiles Leonardo Diniz, Gilberto Caldart, José Arthur Lemos de Assunção, Marco Ambrógio Crespi Bonomi, Odílio Figueiredo Neto, Paulo Eduardo D’Ávila Isola, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Ricardo Malcon, Ronaldo Amaral de Carvalho Pinto e Wilson Masao Kuzuhara Secretários Daniel Capelo Pinheiro e José Dante Zanaga Neto Tesoureiros Aristeu Zanúncio e Sergio Marra Capella Diretores Regionais Carlos Alberto Samogim (SP-Interior), Elcio Antônio de Azevedo (MG), Evanir Coutinho Ussier (SP-Capital), Félix Archanjo Bordin (PR), Leonel Dias de Andrade Neto (RJ), Paulo Aguiar (Montadoras), Renato Malcon (RS), Sergio Faria Lemos da Fonseca Junior (DF e GO) e Tiziana Dadalto (ES) Diretores Adalberto Savioli, Álvaro Augusto Vidigal, Enílson Espínola de Souza, Felícitas Renner, Ivan Svitek, João Ayres Rabelo Filho, José Antônio Rigobello, Marcos Antonio Waideman, Moisés dos Santos Jardim e Sergio Antônio Cipovicci Diretores Conselheiros Humberto Casagrande Neto, Jerônimo Varalla Neto, Luiz Antônio Viana, Luiz Fonseca de Souza Meirelles Filho, Marcio Ronconi, Prince Cardoso, Ricardo Annes Guimarães e Rodrigo Bacellar Conselho Consultivo Membros Natos: Alkindar de Toledo Ramos e Manoel de Oliveira Franco. Membros:Elcio Aníbal de Lucca (SERASA), Guilherme Afif Domingos (ACSP), João Elísio Ferraz de Campos (FENASEG), Luiz Horácio da Silva Montenegro (ANEF), Miguel de Oliveira (ANEFAC), Rogelio Golfarb (ANFAVEA), Sergio Reze (FENABRAVE) e Walter Machado de Barros (IBEF SP) Conselho Fiscal Efetivos: Alberto Borges Matias, Domingos Spina e Roy Martelanc. Suplentes: Abílio Abreu Neto, Massimo Tagliavini e Matias Nazari Puga Neto Presidente Honorário João Uchôa Borges (In memoriam) Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho)

O Brasil tem um novo tigre asiático com que se preocupar. No Vietnã, constatei, como era de se esperar, um país de contrastes, ainda bastante atrasado em relação à nossa nação. Na área rural, não se encontram tratores; só arados puxados por búfalos, mudas plantadas uma a uma por camponesas, como nos séculos passados. E o salário mínimo? Algo em torno de US$ 30 no campo, sem quaisquer benefícios. Isso deixa claro que não é com esse aspecto a nossa preocupação, já que, apesar de 70% da população ainda viver no campo, esse tipo de agricultura aqui seria considerada de subsistência. Nas cidades (salário mínimo de US$ 50), impera o pequeno comércio. Milhares de lojinhas (especializadas) que vendem de tudo: prato cheio para surgimento de um Pão de Açúcar, de umas Casas Bahia... Como as lojas ficam na parte da frente das casas e não há regulamento para o horário de funcionamento, o expediente depende do sono do comerciante e/ou da sua vontade de vender/vencer. Porém, uma coisa é certa: às 6 horas da manhã, muitos já estão de portas abertas e assim permanecem até as 10 da noite. Entre os poucos segmentos que fogem desse padrão, destaca-se o de revendedores de motos. Só a cidade de

Ho Chi Min City, antiga Saigon, com mais de 8 milhões de habitantes, tem 3,5 milhões de motocicletas contra apenas 300 mil carros. Também, pudera: uma moto zero-quilômetro (chinesa, claro) tem preço a partir de US$ 450 e, por esse motivo, é acessível à grande parte da população. Com condição econômico-social semelhante à do final do século XIX, onde está, então, a preocupação? Trata-se de um povo acostumado a fazer enormes sacrifícios, e por longo tempo, para vencer inimigos muito mais fortes, como ocorreu durante a ocupação chinesa que durou 850 anos ou durante a guerra contra os Estados Unidos, cuja derrota está até hoje na memória de todos nós. O temor é o de que os mesmos sacrifícios sejam feitos no campo econômico, para vencer todos os competidores (inimigos) que se insurgirem contra os interesses do governo comunista, agora que, nessa área, foi adotado o capitalismo chinês. Para se ter uma idéia, 2006 será o quarto ano consecutivo em que a economia crescerá acima de 8%. As grandes multinacionais já descobriram o Viêt Nam. O Brasil vai descobrir em breve!

Conselheiro Econômico Prof. Istvan Kasznar

Financeiro ISSN 1809-8843 Conselho Editorial : Érico Sodré Quirino Ferreira, Prof. Istvan Kasznar, Antônio A. A. Leite (Pancho) e Sérgio Tamer; Coordenação Editorial : Tamer Comunicação Empresarial; Jornalista Responsável : Eliana Nigro (MTB 15.005); Editoração e Produção Gráfi ca: EDF (www.edf.com.br); Pré-impressão e Impressão: Fabracor; Periodicidade: mensal Tiragem: 20.000 exemplares As opiniões emitidas nos artigos assinados não refletem necessariamente as posições da ACREFI e são de exclusiva responsabilidade dos autores. A reprodução total ou parcial do conteúdo da publicação depende de autorização por escrito.

Nesta edição 4 Entrevista Francisco Gracioso, presidente da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)

16 Artigo A auto-educação creditícia do bom tomador: passos e definições a tomar em ambiente geral de juros altos

7 Comunicação

18 Legislação trabalhista

8 Análise econômica

20 Artigo

A TV Acrefi está no ar

Evolução das taxas de juros e a inflação no Brasil

10 Tendência Futuro incerto para o setor energético

12 Cenário empresarial

Avaliando empresas - arte ou ciência?

FGTS: um passo à frente ministro!

Arrecadação tributária e qualidade de vida

22 Artigo Uma seleção estrangeira

23 Banco de dados


entrevista

Consumidor não, cidadão sim!

Márcio Scavone

“Todo o marketing de hoje é baseado em nicho e posicionamento. Você identifica um nicho ou uma oportunidade e se posiciona para competir nele”

Toda empresa, independentemente de seu porte, tem condições de se beneficiar dos resultados de ações de marketing sem que isso signifique desembolsar recursos altíssimos ou investir em estratégias complexas. Mesmo em mercados extremamente competitivos, é possível obter resultados significativos, e a palavra-chave para isso é detectar nichos. Quem fala é o presidente da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Francisco Gracioso, que, há mais de 50 anos, dedica-se à publicidade e propaganda. Ele já passou por agências de porte, como a J. Walter Thompson e a MCann-Erickson, de onde saiu para uma carreira solo na própria empresa, a Tempo. O homem que transformou uma empresa média – assumiu a ESPM com cerca de 300 alunos – em uma gigante do setor, hoje com 10 mil alunos, deu dicas preciosas aos leitores da revista Financeiro, durante o concorrido Simpósio Internacional de Administração e Marketing, que levou à ESPM grandes empresários e os maiores nomes da publicidade

Em primeiro lugar, gostaria que o senhor explicasse os conceitos de marketing e de marketing de serviço.

Vou procurar dar a definição a partir da minha própria experiência: marketing é um conjunto de atividades que aproxima o vendedor do comprador, que permite ao vendedor desenvolver produtos ou serviços adequados às necessidades do mercado e que possam ser vendidos com lucro, com retorno financeiro para o produtor; ao mesmo tempo em que garantem a satisfação do comprador. Marketing, de certa forma, são as antenas da empresa voltadas para o mercado, que procuram definir – antes mesmo que o consumidor se dê conta disso – necessidades e anseios. E, em função dessas oportunidades, definir se a empresa pode, de fato, atendê-las, com seus recursos, criando ou melhorando produtos e serviços. E o marketing de serviços?

O marketing de serviços vende comodidades, aquilo que o consumidor utiliza, mas que é intangível. Quando ele usufrui um novo serviço de banco, por exemplo, ou de acesso ao mercado exterior, concretamente não está comprando um produto, como no caso de um tubo de pasta

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de dentes ou de um quilo de batatas. O comprador, em geral, não vê o que está levando e isso implica uma importância maior da confiança entre as duas partes. Essa é a palavra-chave em marketing de serviços: confiança. Podemos argumentar que quando a dona-de-casa compra um pacote de Omo também confia na Unilever. A diferença é que, nesse caso, é possível experimentar concretamente o produto, sentir o aroma, ver a espuma e se a roupa fica mesmo branca. No caso dos serviços, a percepção é mais lenta, mais subjetiva, intangível, portanto, exige confiança. Vamos pensar na estratégia adotada pelos grandes bancos, qualquer um que ofereça muitos serviços e serviços diferentes. É possível perceber que, acima de tudo, eles procuram comunicar duas coisas, a confiança que sua marca merece e inovação. Esses são os dois pilares básicos em que o marketing de serviços se apóia. Os grandes bancos têm uma capacidade grande de investimento. Como as instituições fi nanceiras de pequeno porte podem utilizar esse instrumento?

Da mesma forma que as pequenas empresas o fazem no marketing comum. A palavra-chave é nicho. FINANCEIRO


Imagine uma pequena financeira que queira concorrer de peito aberto com um grande banco. Será massacrada, não conseguirá oferecer taxas competitivas. Agora, se essa pequena financeira encontrar seu nicho, não diria virgem, pois isso é quase impossível, sua capacidade de competição será maior. Todo o marketing de hoje é baseado em nicho e posicionamento. Você identifica um nicho ou uma oportunidade e, a partir daí, se posiciona para competir nele. Posicionar-se para competir num nicho significa desenvolver capacidades que te permitirão atender àquele pequeno nicho melhor do que qualquer gigante faria. No mercado de um modo geral, o grande banco continuará mandando, agora, no nicho específico, você pode se preparar para atender bem àquelas necessidades. É importante também trabalhar a questão da confi ança, mesmo uma empresa pequena tem que se preocupar com sua imagem.

Imagem é a palavra-chave. Isso vale para pequenas e grandes. É por isso que os grandes bancos investem fortunas em produtos que, aparentemente, não têm relação com os produtos que eles oferecem. O pequeno empreendedor também pode pensar assim, pode desenvolver uma imagem apropriada, muito mais lentamente do que os grandes, com menos abrangência, mas naquele pequeno distrito em que atua, naquele conjunto de 20 ou 30 ruas, ele pode desenvolver, de fato, atividades que enriqueçam sua imagem. De maneira a se diferenciar e a fidelizar sua clientela?

Sim, pois isso não requer grandes verbas. E quais seriam as orientações para essas empresas, para as pequenas financeiras, por exemplo, o que poderiam fazer? Ações de relações públicas, ações sociais?

Em termos mais imediatos, falando em custo-benefício, essas pequenas empresas não podem se preocupar com ações sociais, com ações de relações públicas. Isso vem naturalmente mais tarde, mas não é isso que vai fazer ACREFI

diferença. O importante é ter uma consciência de marketing firmemente estabelecida entre os principais executivos. Da minha experiência, percebi que não se consegue introduzir o conceito total de marketing em uma empresa de serviços, simplesmente criando esse departamento. O departamento será necessário e vai preparar anúncios, folhetos para a empresa, mas o conceito de marketing só se incorpora à filosofia da empresa se for praticado pelos executivos que estão fazendo o trabalho no dia-a-dia. Eles nunca serão chamados de gerentes de marketing, serão “gerentes de relações pessoafísica”, “gerentes de relações negócios-médios” e terão que compreender, acreditar e saber utilizar as ferramentas do marketing no seu trabalho, não tem outro jeito. E eu repito: hoje, toda a estratégia de competição de marketing , principalmente no caso de pequenas empresas, se baseia em duas coisas: a capacidade de identificar oportunidades, o que estamos chamando de nichos, e a capacidade de organizar-se internamente para tornar-se mais competitivo que os demais naquele nichozinho, naquela oportunidade identificada. Não tem segredos, não tem atalhos, agora como fazer isso vai mudar para cada empresa. Falar em fidelização, em confiança e em imagem signifi ca falar para o consumidor. E estamos vivendo uma situação nova, com um forte incremento da participação dos consumidores das classes D e E no mercado. Como o senhor vê essa mudança?

Na verdade, as classes D e E estão entrando no mercado não apenas a partir da relativa melhoria da renda familiar, pequena, mas real. Diria também que essa integração está acontecendo porque há instrumentos eficientes de comunicação com essa massa. Esses instrumentos estão principalmente na televisão aberta. A nossa televisão se transformou num grande veículo de massa. Hoje, criticamos muito a televisão, mas ela é feita para aquele pessoal que assiste à televisão cinco, seis, sete horas por dia. A televisão é um veículo econômico

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“Toda a estratégia de competição de marketing, principalmente no caso de pequenas empresas, se baseia em duas coisas: capacidade de identificar oportunidades e de organizar-se para tornar-se competitivo”

e eficiente de comunicação com essa gente, e o rádio está se tornando cada vez mais eficiente. Eu não vejo problemas de comunicação. Isso para os grandes. E para os pequenos? Existe uma infinidade de mídias alternativas. Vejam o que fazem as Casas Bahia, por exemplo. Quem nos dá lições de como atingir as classes populares são essas grandes lojas populares. Eu fico fascinado pelos métodos de trabalho do Magazine Luiza, das Casas Bahia, e eu diria que as financeiras e bancos deveriam observar o tipo de trabalho dessa gente para aprender com elas. Os bancos já descobriram que as grandes lojas populares são instrumentos perfeitos, ideais para atingir essa população. Aprendam com elas. Então, quais as lições dadas por essas lojas que o senhor destacaria?

Em primeiro lugar, elas conhecem esse mercado. Eles oferecem produtos para quem está na base da pirâmide e começa aquele lento processo de emergência social. Essas lojas sabem o que esse público precisa, sabem quanto pode pagar e valorizam o valor mensal da prestação. Isso faz parte da psicologia do comportamento desse consumidor que eles aprenderam a respeitar. Em segundo lugar, fizeram do crédito sua grande arma. Eu lembro de uma entrevista do Sr. Samuel Klein, das Casas Bahia. O repórter criticou a política da loja de cobrar juros muito altos para proteger-se da


entrevista inadimplência, que era muito elevada. Klein respondeu que era preciso manter essa política por ser a única forma de servir a esse público. É impossível determinar quem vai se tornar inadimplente, dentre esses consumidores: a maioria não tem emprego formal, não tem renda garantida, não é possível aplicar os critérios comuns das financeiras para determinar quem merece e quem não merece crédito. Samuel Klein decidiu correr o risco e jogar o custo desse risco nas costas do próprio comprador. Entretanto, é assim que as Casas Bahia estão servindo e integrando a sociedade, como consumidores, milhões de famílias todos os anos. E outras grandes lojas, cada vez mais, estão se voltando para esse mercado com políticas parecidas. Eu diria, aprendam com o senhor Samuel Klein e esqueçam seus modelos matemáticos para determinar quem merece e quem não merece crédito. De uma maneira geral, o consumidor está bastante exigente. Qual o perfil desse novo comprador das classes D e E?

Eles são absolutamente ingênuos e despreparados e, muitas vezes, levam gato por lebre. Trata-se, em geral, de pessoas de família da periferia, que não são recém-chegadas a São Paulo. A grande migração já terminou há uma geração, mas são descendentes desses imigrantes que ainda não se integraram nas indústrias, ainda não foram beneficiadas pelo fato de viverem em uma região como São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro. Eles, infelizmente, continuam marginalizados. E é curioso, mas é por meio do consumo que eles começam a se integrar na sociedade. Não é pela educação, porque as escolas são umas lástimas, não é pela saúde, porque os postos de saúde não atendem como deveriam e assim por diante. É por meio do consumo que eles passam a se integrar como cidadãos urbanos. Veja a importância dos mecanismos de consumo para ajudar a transformar essas multidões que vivem na periferia em cidadãos urbanos. A Acrefi tem uma preocupação muito grande com a questão da educação e acredita que o Brasil só será um país

sério, quando a educação for prioridade. O senhor citou que não é pela educação que chegaremos lá, gostaria que o senhor, como educador, falasse dessa questão. Como se equaciona essa questão? Tem saída?

Tem claro. Mas aqui no Brasil atribui-se à educação formal um papel que ela não tem no sucesso da vida de alguém. No Brasil, em outros países, há pesquisas que mostram que o fator que mais contribui para a integração social, para o avanço social, são os valores familiares e culturais. A origem familiar contribui mais do que a performance escolar. Isso é muito sério, entretanto, sequer é discutido no Brasil. Fala-se do papel mágico da educação, cometendo-se erros grosseiros. Acho que o verdadeiro problema do Brasil, se quisermos integrar, mudar a situação social, está na mudança de valores, muito mais do que na capacidade de alguém fazer uma conta ou ler um texto. Hoje, é comum falarmos muito na tragédia que significa dois terços dos brasileiros não entenderem o que lêem. Mas não devemos esquecer que há outras formas de captar idéias, entretanto, nós não falamos da perda de valores como a responsabilidade, a lealdade, o amor ao trabalho árduo, valores que os imigrantes europeus, quando vinham para cá há cem anos, traziam e que fizeram com que rapidamente evoluíssem. Isso é um fenômeno estudado no mundo inteiro. A educação é importante, quanto mais educado formalmente o indivíduo, melhor, mas o primordial são os valores que a família transmite e que a escola e sociedade podem direcionar. E o senhor acha possível resgatar esses valores?

O processo de recuperação é de cerca de 20, 25 anos a partir do momento em que o problema for percebido. E é uma tarefa dos poderes públicos, sem dúvida. Vivemos uma crise moral. A sociedade brasileira já perdeu seus valores básicos. Como homem de marketing, de que maneira o senhor analisa as relações entre empresas e consumidor atualmente?

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Melhoraram muito. Eu tenho visto as estatísticas do Procon e vejo que as empresas privadas são as que menos recebem críticas. A qualidade dos produtos melhorou muito, são de padrão internacional e a qualidade dos serviços prestados por elas, também. Eu acho curioso que o grande problema nesse particular nem sequer foi levantado: o papel dos serviços prestados pelo setor público, e em vez de consumidor deveríamos usar a palavra cidadão. Maliciosamente, os nossos governos criaram Procons, que procuram vigiar, levar para o setor privado a responsabilidade pelo mau atendimento, pela má qualidade e deixam, dessa forma, na penumbra, os serviços que o poder público deve prestar à educação, à saúde pública, à segurança e aos transportes, para não citar outros. Quando se fala em reclamações, fala-se muito em reclamações contra a Telefônica, por exemplo, contra os bancos, mas ninguém anota lá a insatisfação fenomenal que existe em relação às escolas públicas, ao serviço de saúde público, à segurança e assim por diante. E o senhor acha que isso é percebido pela população como uma relação de consumo, um serviço que ela pode cobrar?

Eu acho que em vez de consumidor, nós deveríamos falar mais em cidadão. O que é que o cidadão deveria cobrar? Hoje em dia, com toda a franqueza, já não dá para jogar a culpar no setor privado. Eu repito, os produtos de um modo geral são bons, os serviços estão melhorando cada vez mais, daqui a pouco, nem os bancos irão receber críticas mais, graças à eletrônica, à informática. E aí como é que vai ser? Quem vai receber pedrada? O setor público sabe tudo isso muito bem. Eles procuram se esconder cada vez mais. Quer dizer que o grande desafio agora é esse salto do consumidor para cidadão?

Exatamente. Essa é a próxima grande virada que deveria acontecer nesse País. Pararmos de falar tanto em consumidor e falarmos mais em cidadania. FINANCEIRO


comunicação

A TV Acrefi está no ar O site da Acrefi passou a oferecer aos internautas, no fi nal do mês de julho, mais uma atração: a TV Acrefi. Estruturada para apresentar, a cada semana, um novo programa focado no segmento de crédito e financiamento. Além de divulgar as atividades da Associação, a TV Acrefi vai brindar o grande público da Internet com entrevistas e depoimentos de especialistas em economia, finanças, administração e assuntos jurídicos relacionados com o setor. Para a Acrefi , os aspectos mais importantes da iniciativa são o fortalecimento do vínculo da entidade com suas associadas e levar à opinião pública informações sobre a obtenção e uso responsável do crédito, como meio de realizar os sonhos de consumo e de ter acesso a bens essenciais para a melhoria da qualidade de vida.

Até o seu terceiro programa, a TV Acrefi teve como convidados: Tiziana Dadalto, da Dacasa Financeira e diretora da Acrefi ; prof. Alberto Borges Matias, presidente do Inepad; Daniel Pinheiro, diretor do Banco BMC; Sergio Cipovicci, diretor do Banco HSBC; professor Roy Martelanc, da FIA e da FEA/USP; Cássio Penteado Jr., consultor jurídico da Acrefi ; e Tereza Maria Fernandez, sócia da empresa de consultoria MB Associados. A programação da TV Acrefi é produzida pela Confraria das Artes sob a direção de Amorim Júnior, que também atua como repórter. As aberturas dos programas são feitas pelo diretor-superintendente da Acrefi, Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho), e a responsabilidade pela apresentação na Internet está a cargo da EDF - Design Gráfico/Web Design.

CURSO

Governança Corporativa e Ética nos Negócios 5 de setembro de 2006, na sede da Acrefi, das 9 às 13 horas

Ministrado por Alexandre Di Miceli da Silveira e Marcelo de Aguiar Coimbra PROGRAMA 1. Conceitos fundamentais, importância e benefícios da Governança Corporativa 2. Panorama da governança corporativa no Brasil e no mundo 3. Códigos de boas práticas de governança 4. Conselho de Administração e seu papel na governança corporativa 5. Regulação jurídica da Governança Corporativa 6. Responsabilidade jurídica da empresa, do sócio e do administrador 7. Ética nos negócios: como estruturar um programa de ética Inscrições pelo Tel.: 11 3107-7177

Realização Almeida Tavares Advogados Tiziana Dadalto, diretora da Dacasa (na foto da esquerda) e Tereza Maria Fernandez, da MB Associados, em entrevista para a TV Acrefi, com o repórter Amorim Jr.

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análise econômica

Renato Fogal

Evolução das taxas de juros e inflação no Brasil

As taxas de juros correspondem a uma das mais importantes, acompanhadas e visadas variáveis macroeconômicas. Espelham o custo do capital para os tomadores de recursos, créditos e empréstimos e o retorno do capital para os credores de recursos que os aplicam. Em função de seu valor, mudam as atitudes de consumo e investimento dos agentes econômicos. E isso implica a mudança do nível e do valor da produção agregada de uma nação. Conforme a clássica expressão de Fischer, a taxa de juros compõe-se de duas variáveis principais, somadas, a saber, a taxa de inflação e a taxa de juros real. Essa simples e poderosa expressão permite que, conforme o interesse de cada analista, investidor ou tomador de créditos, se verifique o comportamento passado, presente e futuro da taxa de juros e de suas componentes. Taxas passadas de juros refletem o que sucedeu. Taxas presentes mostram o que está ocorrendo no momento atual. E taxas futuras são um exercício de previsão, na qual fazem-se apostas e assunções sobre o que se acredita que serão as taxas em alguma data lá adiante. Fundamentalmente e por bom senso, é de se esperar que as taxas de juros sejam altas o suficiente para motivar formadores de poupança a aplicar em depósitos a prazo e fundos que gerarão rendimentos futuros atraentes e que, ao mesmo tempo, essas mesmas taxas sejam baixas para custarem pouco aos investidores, encorajando-os a

PROF. ISTVAN KASZNAR, CONSELHEIRO ECONÔMICO DA ACREFI

Espera-se uma política monetária bem comportada, que assegure uma correta rota no combate à inflação

formar e manter negócios, empregos e novos projetos. Dessa forma, o empenho da autoridade monetária, em mostrar que pode acompanhar com credibilidade a evolução das taxas de juros, mantendo-as controladas em trajetórias e patamares satisfatórios tanto a favor de credores quanto de devedores, é uma função fundamental e de ordem maior. Por meio do Banco Central, espera-se que evolua uma política monetária bem comportada, séria, neutra, de preferência com pequenas e poucas intervenções, que assegure uma correta rota no combate à inflação, na manutenção de taxas de juros que aceitem potencialmente alguma taxa de juros real que seja pouco inibidora de novos investimentos e maior consumo e na evolução de taxas de variação cambial e cotação de câmbio realistas. E, no caso prático do Brasil, de

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que forma evoluem as taxas de juros? Pode-se afirmar que se está melhorando nesse sentido? Afinal de contas, levantamentos internacionais afirmam que, entre 2003 e 2005, o País praticou as mais altas taxas de juros reais do mundo. Uma situação dessas somente pode atrapalhar e prejudicar o tão desejado desenvolvimento firme e auto-sustentável de longo prazo. Um recorde mundial de taxas de juros corresponde a uma situação excepcional, provavelmente gerada por uma alta taxa de inflação, o que teve de ser combatido é a manutenção de expectativas inflacionárias e de indexação nas mentes de gerações de aplicadores e tomadores de recursos. Mas, passado um certo tempo, alguns anos, quiçá, espera-se que as taxas de juros voltem a patamares menores, palatáveis, que motivem o uso crescente de empréstimos e financiamentos para pessoas físicas e jurídicas. Efetivamente, ao se analisar o comportamento da inflação brasileira no longo prazo, fica claro que sua trajetória é de queda e descencionismo contínuos desde 1993. Claro está, existem altas e baixas inflacionárias, mas a trajetória de queda de longo prazo se afirmou e confirmou com a adoção do Plano da URV de 1993, que sacou a “moeda podre do mercado”, afetada por massacrante perda de poder aquisitivo, inserindo em seu lugar a “moeda nobre”, o real, que perdura até hoje e cuja manutenção de poder aquisitivo é altamente satisfatória. FINANCEIRO


O advento do Plano Real, em 1994, iniciou de fato um novo ciclo monetário de longo prazo no Brasil, no qual a inflação cedeu. O país viveu seis anos inflacionários fatídicos, no fim dos anos 80 e início dos anos 90. Neles, atingiu-se e superou-se o milhar, com inflações mais próximas de exercícios hiperinflacionários, medidos pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), da Fundação Getulio Vargas, a saber: 1988 – 1.037,56%; 1989 – 1.782,89%; 1990 – 1.476,71%, no fim do governo Sarney. No ano de 1991, a inflação despencou para 480,23%, como efeito do seqüestro dos ativos financeiros dos brasileiros em 1990, num intervalo curto e insignificante do governo Collor de Mello. E, então, a inflação descontrolada, movida a frouxidão monetária, repicou, para atingir 1.157,84% em 1992; um recorde triste em 1993 de 2.708,17% e 1.093,89% em 1994. No meio dessa fase complicada, a taxa de juros anual registrada pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento e Desenvolvimento (Anbid) batia recordes que denotavam a insegurança no macroambiente, na política e na gestão macroeconômica, a saber: 14.998,43% em 1989 e 3.488,45% em 1993. De 1994 em diante, a frouxidão e a indisciplina monetária e fiscal cederam lugar crescente para a disciplina monetária; a disciplina, a responsabilidade e o rigor fiscal; e momentâneas fases de realismo cambial. Essas ações mais enérgicas engrenaram e geraram uma queda clara tanto da inflação quanto das taxas de juros no longo prazo em mais de dez anos. Daí decorre que, após o repique inflacionário de 2002, no qual o IGP-DI culminou em 26,41% após sete anos de preços em queda e índices variados oscilando entre 1,70% e 19,98%, a inflação voltou a cair. E melhor ainda para níveis cada vez mais próximos aos praticados por países desenvolvidos, a saber: 7,67% em 2003; 12,14% em 2004 e 1,22% em 2005. Isso demonstra que, nesse triênio, a contenção monetária, o adiamento e a redução do investimento público – pela simples não execução de projetos –, o ACREFI

Os juros seguem seu caminho de queda, logo a atração pela demanda por capital no futuro vai subir

aperto no custeio público, a elevação da carga fiscal e uma maior disciplina nas contas do Estado surtiram o efeito de desmontar as memórias inflacionárias do passado e atrelar num patamar baixo e historicamente dignificante a inflação brasileira. Como reflexo e efeito consistente dessas ações, as taxas de juros nominais também seguiram o movimento de queda, acentuadamente, no plano geral. Acabou a era dos terríveis 1.000%. Mas essas taxas não refletiram uma diminuição de curto prazo confortável, posto que no lugar de cair, subiram, a saber: em 2003, a taxa Anbid alcançou os 16,34%; em 2004 foram 16,76%; e em 2005 18,39%. Naturalmente, atento e cioso do combate inflacionário, o Banco Central do País manteve as taxas de remuneração do capital num patamar elevado, para girar a alta dívida pública, que montou a R$ 1 trilhão em 2005; controlar o consumo privado com vista a evitar uma pressão de demanda que pudesse pressionar preços; e evitar movimentos de importação de produtos financiados. As taxas da Anbid são referenciais e, naturalmente, no mercado podem-se praticar taxas diferentes, variadas, mais baixas ou bem mais altas. Mas o que importa é que o nivelamento das taxas ocorreu entre 2003/2005, indicando que o ajuste macroeconômico lança os juros a valores próximos, assim sucedendo em dezembro de 2005 com a taxa overnight em 18,24%; a taxa CDI Over em 18,15%; e a taxa Anbid em 18,39%. Portanto, segundo as evidências

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e as tendências, dias bem melhores virão para os tomadores de recursos e para os devedores. Sinalizações múltiplas de mercado sugerem esse movimento aparente. Entre elas, vale observar que, em 10 de julho de 2006, a taxa over anual para remunerar títulos públicos federais foi de 15,22%, fornecendo uma rentabilidade diária de 0,06% ao aplicador. No mercado futuro de CDI Over, as taxas mensais revelam queda, de tal sorte que se apostava ficarem em 14,94% em agosto de 2006; 14,70% em setembro; 14,48% em outubro e 14,42% em novembro. Graduais, pequenas, escalonadas, essas diminuições nas taxas de juros são até tímidas. Muitos analistas criticam essa diminuição dos juros a conta-gotas, próximo a um método homeopático, que resulta numa severa carestia de capitais, num prolongado sofrimento por postecipação de consumo privado e num baixo Produto Interno Bruto (PIB). Por outro lado, essas taxas revelam que os juros seguem seu caminho de queda, logo a atração pela demanda por capital no futuro vai subir. Espera-se que essas quedas se façam manifestar mediante taxas de juros menores, a favor dos tomadores de crédito. Contudo, isso não é tão simples e linear, posto que a elevada carga fiscal, o ano político e de decisões eleitorais, a expectativa de definição de quem presidirá o País por quatro anos, a elevada dívida pública e as ineficiências sistêmicas, como a do desperdício que consome 8% do PIB do País, não permitem que as taxas caiam conforme os desejos do consumidor. Desses movimentos e tendências, conclui-se que, embora exista uma rigidez para baixo na conformação das taxas de juros nominais e reais e sejam estas altas em face das taxas praticadas nos principais centros financeiros do mundo, Nova York, Londres e Tóquio, onde os juros oscilam entre 4,5% e 0,25% anuais, a baixa foi certa e acertada, mas continua aquém dos interesses do consumidor final.

(ibci@ibci.com.br; istvan@fgv.br)


tendência

Flávio Roberto Guarnieri

Futuro incerto para o setor energético TEREZA MARIA FERNANDEZ DIAS DA SILVA, SÓCIA DA MB ASSOCIADOS

O risco de déficit de fornecimento será maior quanto mais demorar a expansão da geração

poder das agências, preços não competitivos nos leilões, falta de liberação das licenças ambientais, entre outros). Seria importante que o governo sinalizasse de maneira clara, via aumento de preço, a escassez da capacidade da geração de energia no País, como forma de atrair investimentos e, assim, afastar, em definitivo, o risco de racionamento. Nesse sentido, o segundo leilão de energia nova (A-3) no final de junho não afastou, em definitivo, o risco de falta de energia. O leilão negociou um volume de 1.028 MW médios contratados por hidrelétricas e 654 MW médios negociados pelas termelétricas, com início de suprimento para 2009. Para as usinas hidrelétricas, foram negociados contratos de quantidade de energia com duração de 30 anos, enquanto para as termelétricas foram negociados contratos de disponibilidade com duração de 15 anos. ©iStockphoto.com/Groelofse

O setor de energia elétrica segue sendo, na nossa avaliação, motivo de preocupação de médio prazo e, se continuar não conseguindo atrair investimentos novos para a geração de energia, poderá se tornar um fator impeditivo a um crescimento mais forte da economia brasileira. Segundo estudo do Instituto de Energia da PUC do Rio de Janeiro1, a demanda de eletricidade atingiria algo entre 59 GW a 62 GW médios em 2010, para um crescimento médio do PIB de 4,4% a 5,0% a.a. Em 2005, a capacidade de oferta era de 50 GW, 4 GW acima da demanda. Essa relativa folga pode não perdurar, visto que, segundo a Aneel, parte da expansão prevista da oferta pode não se concretizar por restrições de várias ordens. Do total de 35 GW médios de geração máxima prevista para entrar em operação até 2010, 81% apresentam algum tipo de restrição. Entre estes, 62% têm restrições graves, enquanto 38% sofrem restrições do tipo leve2. Nas termelétricas, que respondem por 11,7% da expansão prevista de GW médios, quase 90% apresentam algum tipo e restrição. Se fizermos o balanço entre o crescimento da oferta e da demanda, em ambos os cenários de crescimento da

economia brasileira para o período (4,4% ou 5,0% a.a.), concluímos que o risco de déficit no suprimento de energia entre 2009 e 2010 é alto. O risco seria praticamente nulo se a economia brasileira mantivesse ritmo de crescimento na faixa de 3% a 3,5 % a.a. O risco de déficit de fornecimento de energia será maior quanto mais demorar a retomada da expansão da geração, cuja desaceleração já é reflexo do aumento das incertezas dos investidores (ausência de uma marco regulatório confiável, diminuição do

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Política Energética para o Brasil, maio de 2006 São consideradas restrições graves: ausência da licença de instalação, descumprimento do prazo de início da obra, liminar judicial ou inviabilidade ambiental do empreendimento. São restrições leves: ausência de licença ambiental prévia, obras não iniciadas ou indefinições no contrato de suprimento de combustível. 1 2

FINANCEIRO


Foram habilitados 89 projetos, dos quais 31 foram contratados, sendo 15 hidrelétricas e 16 termelétricas. Dos 15 projetos hidrelétricos, apenas um é novo (PCH Barra Escondida), sete são “botox”3, que ainda não foram construídos, e os restantes são projetos “botox” já construídos. A Cemig, a Cesp, a Tractebel e a Baesa foram vendedoras dessa energia, totalizando 667 MW médios. Das 16 usinas de geração térmica, 11 são projetos novos, quatro são projetos já construídos botox e um projeto não construído botox. O sinal positivo do leilão foi a elevação dos preços médios, principalmente no caso da geração hidrelétrica, cuja variação foi de 11% em relação ao último leilão (os preços da energia térmica subiram 2%). A elevação dos preços é imprescindível para o aumento dos investimentos privados na geração e, conseqüentemente, para o incremento sustentado da oferta de energia.

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De 16 usinas de geração térmica, 11 são projetos novos Será importante que essa trajetória ascendente de preços seja mantida no próximo leilão (A-5), marcado para o dia 5 de setembro 4 , para que o volume de novos projetos seja mais relevante. Nesse leilão, existe a expectativa de que se consiga negociar a energia a ser gerada pelas usinas de São Salvador (241 MW) e de Estreito (1.087 MW), ambas consideradas “botox”, mas que ainda não saíram do papel porque o preço fi cou aquém do necessário para garantir a rentabilidade dos projetos. O volume de recursos para a construção dessas usinas é estimado em R$ 4 bilhões. Além do aumento dos preços, a clareza e a segurança quanto à esta-

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bilidade das regras, principalmente no que se refere ao papel da agência reguladora, é outro avanço que os agentes esperam que aconteça para consolidar a atração de investimentos nessa área. O resultado do leilão do final de junho transfere, em definitivo, o risco de déficit energético para 2009, se considerarmos o crescimento do PIB brasileiro utilizado no estudo da PUC do Rio de Janeiro. Mas, sem novos projetos, estaremos condenados a um baixo crescimento econômico por um período mais longo.

A denominação “botox” refere-se a projetos que atendem ao art. 17 da Lei nº 10.848. São projetos concedidos ou autorizados até março de 2004 que entraram em operação comercial a partir de janeiro de 2000 e cuja energia estava sem contratação até aquela data. Para efeito dos leilões, a energia fornecida por esses projetos é considerada energia nova. 4 Acaba de ser anunciada nova data para esse leilão: 10 de outubro de 2006. 3


cenário empresarial

Avaliando empresas – arte ou ciência? RODRIGO PASIN, MESTRE EM FINANÇAS PELA FEA-USP, SÓCIO DA VALUE ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL (VALUE), E ROY MARTELANC, DIRETOR DA ACREFI, DIRETOR DA FIA E PROFESSOR DA FEA-USP

A expressão “avaliação de empresas” é a tradução para a língua portuguesa do termo valuation, sendo sinônimo de valoração de empresas. A recente onda de fusões e aquisições (F&A), que passou e continuará a passar por praticamente todos os setores da economia em escala mundial; a disseminação dos programas e das estratégias de gestão baseada em valor, que são caracterizadas pela busca da maximização dos lucros e da riqueza dos acionistas; e a necessidade de calcular o preço justo das ações e das empresas são as principais razões para se avaliar uma empresa. A determinação do valor das empresas é o fator-chave nas negociações de fusões e aquisições e tem como objetivo estimar uma faixa de referência que sirva como base nessas negociações. Muitas fusões e aquisições não são bem-sucedidas, principalmente quando começaram erradas, ou seja, quando se pagou caro demais pela aquisição. Eis o pecado mortal de muitas transações que deve ser evitado. É importante ressaltar que o valor de um negócio é definido pelo processo de negociação entre o comprador e o vendedor e que o “valor justo” de uma empresa, estabelecido pelos processos de avaliação, representa apenas o valor potencial de um negócio em função da expectativa de geração de resultados futuros. O valor não deve ser confundido com o preço. Na verdade, o preço é o montante com o qual o vendedor e o comprador concordam em realizar uma operação de compra e venda. Esse preço não precisa, necessariamente, coincidir com o

Nenhum modelo fornece um valor preciso e único para uma empresa, mas sim uma “estimativa de valor” valor da empresa determinado por um método de avaliação, até porque cada acionista ou comprador pode calcular o valor da organização com base em suas próprias premissas. Entretanto, se existir apenas um potencial comprador para uma empresa, o valor desta será o preço que o comprador está disposto a pagar, uma vez que não haverá concorrência no processo de aquisição, cabendo aos vendedores aceitarem a proposta ou continuarem com a organização. Cada empresa tem um preço único – aquele em que a transação foi realizada. Os métodos de avaliação servem para os avaliadores tentarem estimar o valor da transação, ou seja, o preço de aquisição da empresa. Vale observar que nenhum modelo fornece um valor preciso e único para uma empresa, mas sim uma “estimativa de valor”. Isso porque as decisões que afetam receitas, custos, despesas, capital de giro e investimentos, aliadas às mudanças ocorridas na conjuntura econômica local e global, influenciam os resultados da empresa e alteram seu valor. Em tese, pode existir uma grande quantidade de valores para a mesma empresa, dependendo do modelo que foi adotado, das premissas que

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foram utilizadas e dos cenários que foram criados. Nesse sentido, a avaliação de empresas não precisa, necessariamente, ter como objetivo a fixação de um valor exato em que a empresa pode ser negociada, mas sim o estabelecimento de uma faixa de valores. Para o comprador, o que interessa é determinar o valor máximo que pode ser pago por uma empresa, ao passo que, para o vendedor, o que interessa é determinar o valor mínimo aceitável para negociá-la. Essas duas cifras são as que se confrontam em uma negociação na qual se acerta o preço, que está geralmente em algum ponto intermediário entre elas. Os modelos de avaliação são essencialmente quantitativos, entretanto o processo de avaliação contempla muitos aspectos subjetivos, inseridos nos dados de entrada de tais modelos. Esses dados devem ser analisados cuidadosamente, pois são fundamentais para a qualidade do modelo e para a confiabilidade dos resultados. A determinação do valor das empresas também pode ser utilizada para fins internos como instrumento de gestão, ou seja, para se mensurar a criação de valor e a maximização da riqueza dos acionistas de um período para outro e assim analisar os resultados das estratégias corporativas e a eficiência dos executivos na consecução do objetivo principal das empresas: a maximização do valor. Diante disso, a avaliação de empresas é uma ferramenta para aperfeiçoar o processo decisório. Em outras palavras, uma de suas principais aplicações é avaliar o impacto das FINANCEIRO


decisões estratégicas, financeiras e operacionais das empresas – eis a importância dos programas de Gestão Baseada em Valor (GBV). Além da importância do uso da avaliação de empresas para fins de fusões e aquisições e para a gestão baseada em valor, existem outras situações em que os processos de avaliação são de vital relevância: • Compra e venda de ações e de participações minoritárias; • Management buyout 1 e leveraged buyout 2 ; • Análise de oportunidades de novos negócios e da viabilidade de novas empresas; • Liquidação judicial; • Abertura e fechamento de capital; • Processos de privatização; • Formação de parcerias e joint ventures ; • Avaliação do desempenho econômico e financeiro de unidades de negócios, departamentos e produtos, entre outros, visando à criação de valor e servindo como feedback para gestores e proprietários; • Gestão de carteiras de investimento e de fundos de private equity e venture capital; • Aquisição de carteiras de clientes e linhas de negócios.

não existe um que seja perfeito e inquestionável. As metodologias mais utilizadas para avaliar empresas são: método contábil-patrimonial, método do fluxo de caixa descontado, método dos múltiplos, também conhecido como método de avaliação relativa e método de EVA/MVA. O método contábil-patrimonial é indicado apenas para casos específi cos, por exemplo, para a liquidação de uma organização ou em situações em que os ativos possuem mais valor do que o valor presente dos rendimentos futuros da empresa. Já o método do fluxo de caixa descontado (FCD) é o mais utilizado pelas empresas de consultoria e pelos bancos de investimento, sendo amplamente difundido no mercado financeiro. É também o mais indicado para a avaliação de empresas para fins de F&A. O método dos múltiplos busca identifi car como empresas semelhantes são negociadas e utilizar os parâmetros de tais negociações (múltiplo valor/faturamento, valor/ lucro líquido, valor/Ebitda) para avaliar a empresa-alvo. Para a avaliação de desempenho

As expectativas de valor A expectativa do valor de uma empresa para seu proprietário pode ser muito diferente do valor contemplado por um potencial investidor ou por analistas e avaliadores de empresas. O primeiro costuma ter um apego emocional, projetar um crescimento alto, contínuo e sustentado e acreditar que o valor dos ativos intangíveis, da marca, dos ativos, dos projetos de investimento e das melhorias futuras deve ser considerado no valor da Leveraged Buyout - aquisição de empresas financiada por empréstimos bancários. Na maioria dos casos, os ativos da empresa-alvo servem como garantia. Os fluxos de caixa da empresa-alvo são utilizados para amortização dos empréstimos. Essa operação foi muito utilizada nos EUA na década de 80. 2 Aquisição de uma empresa por seus diretores ou gerentes. 1

©iStockphoto.com/milosluz

Os métodos de avaliação de empresas A partir da década de 60, surgiram diversas abordagens de avaliação de empresas e muitas metodologias foram criadas. Os vários modelos podem ser utilizados em conjunto ou separadamente, entretanto

O mais novo método é o de opções reais, que ainda está sendo desenvolvido

de empresas e a mensuração da criação de valor, o método de EVA/ MVA é o mais indicado. O mais novo dos métodos é o de opções reais. Ele ainda está sendo desenvolvido pelos pesquisadores de finanças e testado pelo mercado financeiro. É indicado, principalmente, para avaliar projetos de investimento de empresas exploradoras de recursos naturais, sendo de difícil utilização para avaliar empresas inteiras. Independentemente do método utilizado, as expectativas do avaliador, as premissas, os cenários considerados e o objetivo da avaliação influenciam no valor final obtido.

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cenário empresarial empresa. As sinergias de uma eventual fusão ou aquisição também devem ser consideradas quando se calcula o valor das empresas, principalmente o do comprador. Por isso, esses assuntos serão discutidos adiante. O valor da empresa para o fundador ou proprietário A empresa representa para seu proprietário, na grande maioria dos casos, sua principal fonte de riqueza e de renda. Ela também é o resultado dos esforços de toda uma vida para seu dono. A ligação do empresário com a empresa é quase uma relação familiar, com laços de apego muito fortes. Outro ponto importante: o status de diversos empresários pode derivar da situação mercadológica de sua empresa, sendo assim a manutenção desta é um fator crucial para muitos. Empresários e empreendedores tendem ainda a ser pessoas otimistas por natureza. Se fossem pessimistas, talvez a empresa nem existisse e eles não estariam onde se encontram. Além disso, a demonstração de grandes expectativas de crescimento e de melhorias para terceiros tende a induzi-los a avaliar a empresa levando em conta tais perspectivas. Por essas e outras razões, as expectativas de valor de muitos empresários costumam ser irrealistas, normalmente maiores do que sua empresa efetivamente vale. Por isso, uma avaliação independente, feita por consultores especializados, que têm por obrigação ser imparciais, costuma ser mais objetiva. Uma das principais características para esses profi ssionais é saber estabelecer premissas de crescimento embasadas na realidade da empresa e nas suas potencialidades. Não haver envolvimento emocional com a organização é outro fator que torna a avaliação mais confiável. A independência dos consultores também ajuda a definir um “valor justo” para a empresa em um processo de F&A. Se de um

Não haver envolvimento emocional com a organização é um dos fatores que tornam a avaliação mais confiável lado estão empresários otimistas, do outro pode haver investidores conservadores. A função dos assessores dessas transações deve ser avaliar a empresa sem serem otimistas ou conservadores, mas apenas realistas, pois, quando todos os envolvidos o são, as disparidades nas expectativas de valor se tornam muito menores e mais facilmente negociáveis. Não precisa ser muito atento para perceber que os níveis de realismo variam entre as pessoas, por isso muitas valorações carregadas de otimismo são apresentadas como conservadoras. Um fator externo que impacta na percepção de valor das empresas é o número de empresas que estão à venda no setor, que podem estar à venda ou estarem abertas a negociações. Se em um dado setor de atuação existem muitas empresas à venda e poucos potenciais compradores, estes podem fazer uma análise minuciosa de diversas empresas antes de decidir qual é a que mais se encaixa em seus propósitos e objetivos antes de partir para a aquisição. O valor da empresa escolhida também tenderá a se aproximar mais do valor que o comprador está disposto a pagar do que do valor que o vendedor deseja obter. Se por outro lado existem poucas empresas à venda em um dado setor e muitos potenciais interessados, estes não terão muito o que escolher: as opções de compra recaem sobre uma ou duas empresas e o valor destas tenderá para o quanto os vendedores desejam obter. É a lei da oferta e da demanda influenciando no valor das empresas.

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O valor dos intangíveis e da marca No momento da apresentação do Relatório de Avaliação da empresa, muitos empresários perguntam se o valor dos ativos intangíveis (reputação da empresa, fidelidade dos clientes, qualidade do corpo gerencial e dos recursos humanos, know-how tecnológico etc.) não deveria estar incluso no valor mostrado e, principalmente, se o valor da marca não deveria ser mensurado à parte, sendo adicionado ao da empresa. Via de regra a resposta é não, pois os ativos intangíveis e a marca contribuem para a geração de lucros e fluxos de caixa futuros. Além disso, quando se avaliam empresas por métodos que usam esses atributos (método do fluxo de caixa descontado e método dos múltiplos), o valor dos intangíveis e da marca já está contemplado e incluso. Quanto aos ativos intangíveis, a reputação da empresa e de seus dirigentes contribuirá para a sustentação do crescimento da organização e a obtenção de novos clientes. A fidelidade dos clientes se traduzirá em receitas constantes e na conseqüente diminuição das oscilações de receitas e do risco do empreendimento. O valor da marca está refletido no preço dos produtos e na preferência que os clientes dão aos bens de marcas que conhecem e valorizam, gerando vendas e diminuindo as oscilações de demanda. Por exemplo: uma garrafa de CocaCola custa para o consumidor R$ 2,50, ao passo que um outro refrigerante tipo cola, semelhante a ela, pode custar R$ 1,00. O valor da marca Coca-Cola está refletido no preço maior e na preferência que os consumidores darão a esse produto, gerando vendas e receitas para a empresa. Certamente, a Coca-Cola valeria menos do que vale se sua marca não fosse tão conhecida. Além disso, seu valor de mercado seria muito menor, pois suas receitas e seus fluxos de caixa seriam menores. FINANCEIRO


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A auto-educação creditícia do bom tomador: passos e definições a tomar em ambiente geral de juros altos PROF. ISTVAN KASZNAR, CONSELHEIRO ECONÔMICO DA ACREFI

O bom tomador de empréstimos é, por natureza, um ser precavido e cauteloso. Especialmente quando ele convive com mudanças marcantes e significativas em seu país. Podem ter ocorrido muitas melhorias, bem evidentes, nos últimos anos, como a queda da inflação, o aumento das reservas internacionais e o barateamento dos artigos e produtos estrangeiros. Mas ainda há muito que fazer. E as surpresas acontecem. O desemprego ronda, está aí e é mundial. O preço do petróleo dispara e, então, a gasolina fica cara, sem falar do óleo diesel nos ônibus. As passagens sobem, e nossa capacidade de compra cai. O bom tomador se informa. Fala com muita gente, procura saber de tudo. Quanto mais, melhor. Assim, ele pode adotar os movimentos e as decisões acertadas para deixar seu caixa, seu orçamento doméstico e seu fluxo de investimentos e de responsabilidades bem equilibrados. Ele sabe que tomar créditos envolve um ato de negociação, de aproximação e de acesso ao financiador, com o qual obterá informações e dados para melhor acertar as suas decisões. Mas tomar empréstimos e financiamentos é fundamentalmente uma atitude de risco. Risco do futuro, que se desconhece. Risco das medidas de política monetária e cambial, que se tenta conhecer, não se sabe com exatidão quais serão, e é preciso acompanhar em sua definição e possibilidade de ocorrência. Risco de poder pagar ou de fi car sem meios de pagar, o que exige disciplina pessoal de si mesmo e de saber não ultrapassar certos limites.

Há patamares de segurança e eles necessitam ser contemplados. Risco de abusar, de ir além da medida e, então, não ser capaz de pagar o devido. Tomar dinheiro é recomendável para quem sabe se disciplinar, se autopoliciar e viver conforme sua capacidade. Não é para quem extrapola em seus gastos, abusa da sorte e ignora os perigos das decisões que estão fora de seu eixo de controle.

Por essas razões, o bom tomador sabe onde anda para pavimentar sua estrada rumo ao sucesso e ao consumo seguro, se valendo de um conjunto de boas atitudes que, somadas, lhe darão a alegria, o prazer e os momentos de satisfação que ele tanto quer e merece. Em seu roteiro de ações, provavelmente, o bom tomador de empréstimos e financiamentos considerará as seguintes dez medidas:

1) Conhecer a si mesmo e suas condições financeiras; 2) Conhecer as ofertas da praça, o que são, quem as oferece e quanto custam; 3) Ver o que pode acontecer no futuro, pelo prazo, e até mais, do crédito; 4) Informar-se das condições nas financeiras e nos fornecedores de produtos; 5) Atuar com financeiras e empresas idôneas, de boa reputação; 6) Solicitar e ver a consistência das planilhas de crédito que se quer negociar; 7) Combinar as datas de reembolso dos pagamentos com as que lhe dão mais conforto e segurança de pagamento; 8) Manter contato contínuo com o credor e seu representante para estar informado; 9) Ler muito bem, no detalhe, o contrato que assina para saber de tudo e evitar dúvidas; 10) Curtir o crédito, com alegria e serenidade, que ninguém é de ferro!

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FINANCEIRO


legislação trabalhista

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FGTS: um passo à frente, ministro!

O ministro Luiz Marinho acertou em sua avaliação dos efeitos do projeto que estende a obrigatoriedade de pagamento de FGTS e da multa de 40% sobre esse fundo, em caso de demissão sem justa causa, a trabalhadores domésticos. Seria extremamente positivo que fizesse o mesmo para todas as outras categorias de trabalhadores, ao propor uma reforma geral do FGTS

O ex-operário, exlíder sindical e atual ministro do Trabalho, Luiz Marinho, foi corajoso ao recomendar ao também exoperário, exlíder sindical e atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que vete o projeto de lei aprovado pelo Congresso que estende a obrigatoriedade de pagamento de FGTS e da multa de 40% sobre esse fundo em caso de demissão sem justa causa a empregadas domésticas. Segundo o ministro, a aprovação de tal projeto fatalmente levará a um aumento da informalidade e do desemprego desse grupo de trabalhadores. A avaliação do ministro está inteiramente correta. Ao contratar

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©iStockphoto.com/Sharon Meredith

JOSÉ MÁRCIO CAMARGO, SÓCIO DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA INTEGRADA

uma empregada (ou um trabalhador), a família (ou a empresa) leva em consideração o custo total dessa contratação, que corresponde à soma do salário pago, dos encargos previdenciários e trabalhistas e de outros custos como alimentação, transporte etc. Se o aumento de bemestar para a família (ou do lucro da empresa) devido ao trabalho executado pela empregada (ou pelo trabalhador) for igual ou maior do que o custo assim calculado, a contratação será realizada.

FINANCEIRO


Porém, se o aumento de bemestar (ou do lucro) for maior que o custo, a empregada (o trabalhador) poderá pedir um aumento de salário, ameaçando se demitir caso não seja atendida(o). Como o custo da empregada (do trabalhador) é menor do que o benefício por ela gerado em termos de bem-estar (ou que o lucro para a empresa), as famílias não masoquistas (as empresas eficientes) vão conceder o aumento de salário para evitar a demissão da empregada (do trabalhador) e a redução de seu bem-estar (ou de seu lucro). Em outras palavras, em geral, o custo do trabalhador é igual ao aumento de bem-estar (ou do lucro) que ele proporciona para a família (ou para a empresa). A extensão do FGTS e da multa de 40% em caso de demissão sem justa causa para as empregadas domésticas tem o efeito de aumentar o custo total. Se o custo de contratar uma empregada era igual ao aumento de bem-estar gerado por ela para a família, após a introdução desses benefícios, ele se tornará maior. A reação das famílias poderá se dar de três formas: 1) As famílias que assinam a carteira de trabalho e pagam o salário mínimo poderão continuar pagando o salário mínimo e deixarão de assinar a carteira de trabalho (para evitar pagar o FGTS), aumentando a informalidade; 2) As famílias que pagam o salário mínimo e que, por alguma razão, não querem informalizar a relação de trabalho da empregada, irão demiti-la; 3) Finalmente, as famílias que pagam mais do que o salário mínimo e assinam a carteira de trabalho da empregada passarão a dar reajustes de salários menores do que antes e,

com isso, compensar o aumento de custo devido ao FGTS. No primeiro e no terceiro caso, a reação dos empregadores é de reduzir o custo total do trabalho, de tal forma a fazer com que ele se iguale novamente ao aumento de bem-estar gerado pela empregada doméstica. No segundo caso, como é impossível reduzir o custo, a reação é demitir a empregada. Em todos os casos, a empregada perde. No primeiro, porque sua relação de trabalho se torna informal; no segundo, porque fica desempregada; e, no terceiro, porque tem uma perda de salário real. Concretamente, o que essa discussão traz à tona é que o custo do trabalho não pode ser determinado por decreto. Se pudesse, seria fácil eliminar a pobreza do mundo. A coragem do ministro está, exatamente, em reconhecer esse fato simples da vida real. Mas, ao reconhecer isso, o ministro deveria dar um passo à frente. Como vimos, as empresas se comportam de forma similar às famílias ao decidirem se contratam ou não um trabalhador. Se alguma diferença existe é no sentido de que elas são mais racionais do que as famílias. Isso significa que, para o conjunto dos trabalhadores, o efeito do FGTS e da multa por demissão é exatamente igual ao efeito para as empregadas domésticas (mais informalidade, mais desemprego e salários menores). Dar um passo à frente significa colocar em discussão o mecanismo do FGTS para reformulá-lo. O objetivo deveria ser criar um sistema alternativo de proteção à relação de trabalho e ao trabalhador desempregado que não apresente os problemas apontados pelo ministro (redução dos salários, aumento da informalidade e do desemprego).

O ministro Luiz Marinho acertou em sua avaliação dos efeitos do projeto sobre os trabalhadores domésticos. Seria positivo se fizesse o mesmo para as outras categorias

Na verdade, o atual mecanismo do FGTS tem outros efeitos perversos sobre os trabalhadores, tais como o aumento da rotatividade do trabalho (por gerar incentivo à demissão), a redução do investimento em qualificação e treinamento específico por parte das empresas para seus trabalhadores – e, portanto, dos ganhos de salário real – e o aumento da taxa de desemprego dos jovens (ao tornar cara sua demissão). O ministro Luiz Marinho, talvez por sua experiência como operário e sindicalista, acertou em sua avaliação dos efeitos desse projeto sobre os trabalhadores domésticos. Seria extremamente positivo que fizesse o mesmo para todas as outras categorias de trabalhadores, ao propor uma reforma geral do FGTS. Este poderia ser o início de uma reforma profunda da legislação trabalhista brasileira, com o objetivo de reduzir o incentivo à informalidade e ao desemprego contidos nesta legislação e, ao mesmo tempo, aumentar os incentivos para que as empresas invistam em qualificação e treinamento específico de seus trabalhadores. Esta é a única forma de promover crescimento do salário real e redução da desigualdade salarial. Um passo à frente, ministro! (josecamargo@tendencias.com.br)


artigo

Arrecadação tributária e qualidade de vida

Somos vítimas de carga tributária excessiva que o governo arrecada com o compromisso de devolver melhorando o sistema educacional, o atendimento médico e a segurança. No entanto, a classe média, além de pagar os impostos cobrados, paga escolas particulares para seus filhos, planos de saúde para proteger a família e ainda gasta fazendo seguro dos seus bens, colocando grades e alarmes nas suas residências e pagando empresas de segurança para as portarias dos prédios e ruas próximas de suas casas. Tais despesas que já deveriam ter sido contempladas nos descontos que são feitos nas folhas de pagamento impedem que muitas pessoas possam investir em qualidade de vida. Vítimas de um sistema cada vez mais competitivo e exigente as pessoas são obrigadas a buscar novas fontes de remuneração e a sacrificar

As empresas ocupam o espaço que deveria ser de responsabilidade do Estado os horários que deveriam ser destinados ao lazer e à convivência com os familiares. As pressões decorrentes das cobranças antecipam o aparecimento de doenças que, muitas vezes, afastam o indivíduo do trabalho e são responsáveis por crises nas relações sociais e conjugais. Felizmente um grande número de empresas já identificou o problema e buscou soluções para facilitar o acesso do funcionário em atividades de lazer, condicionamento físico, relaxamento e até de alimentação mais saudável. Após vários anos de redução de verbas para a melhora do bem-estar dos funcionários, as empresas estão retomando seus in-

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PROF. JOSÉ ALBERTO AGUILAR CORTEZ, PROFESSOR ASSISTENTE DO DEPARTAMENTO DE ESPORTES DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO FÍSICA E ESPORTE DA USP

vestimentos em áreas para a prática de esportes, academias de ginástica e locais para atividades culturais. Várias matérias publicadas sobre o tema destacam vários exemplos de empresas que destinam recursos para reduzir o estresse dos funcionários, aumentar a produtividade e promover a camaradagem e confirmam suas vantagens pela percepção dos resultados obtidos. Embora todos os benefícios não sejam decisivos para manter o funcionário no emprego, é mais um passo para garantir vida saudável e diminuição das ausências devido às doenças ou indisposições. Financiando integralmente ou de maneira parcial o acesso dos funcionários aos benefícios, as empresas ocupam o espaço que deveria ser de responsabilidade do Estado, que arrecada muito e devolve pouco à população, que paga impostos.

FINANCEIRO


artigo

Luiz Carlos Casagrande

Uma seleção estrangeira

Apesar de ser um especialista em assuntos econômicos, reservo-me o direito, como qualquer outro brasileiro apaixonado, de comentar o vexame verde-amarelo na Copa do Mundo da Alemanha. Sei que somos mais de 180 milhões de técnicos e que cada um teria uma seleção para escalar na ponta da língua. Então, não quero me ater ao fato de esse ou aquele jogador merecer ou não vestir a amarelinha. Quero, sim, destacar o que muitos já destacaram: a falta de respeito de uma seleção de notáveis jogadores com o povo brasileiro, que, diga-se de passagem, fez sua parte como sempre. Mas, realmente, não quero falar de posicionamento de jogadores em campo e muito menos de escalação de time. O que faltou ao Brasil, no meu entender, foi identificação com as cores da nossa bandeira, foi comprometimento. Sim! Praticamente todos os nossos atletas jogam em times estrangeiros, afastando-se muito de sua origem. Não existe, já há algum tempo, aquela saudável briga entre rubronegros e vascaínos, palmeirenses e corintianos, e todas as demais torcidas, na hora de uma convocação. Essa é que é a paixão do futebol. São convocados os astros do Barcelona, do Real Madri, do Milan e de outros grandes times europeus. Não existiu, como em todas as

JOSÉ ARTHUR ASSUNÇÃO, VICE-PRESIDENTE DA ACREFI E DIRETOR DA ASB FINANCEIRA

O que faltou ao Brasil foi identificação com as cores da nossa bandeira outras vezes, aquele jogo de despedida da seleção em território brasileiro. Nem isso! Todos os nossos craques foram se agrupando na Europa. Somente três foram daqui do Brasil mesmo. Assim mesmo porque Edmilson se machucou e Mineiro foi convocado. Porque senão seriam somente dois dos 23. E na hora da derrota? Um show de apatia em campo e um show de falta de consideração com o nosso povo. Nossos supercraques saíram pela porta dos fundos sem dar entrevistas e voltaram para seus países de origem: Itália, Espanha etc. É evidente que somente uma seleção poderia ganhar a Copa do Mundo. Meus parabéns, portanto, à esquadra Azzurra. Mas nossa derrota foi melancólica demais. Não foi como a de 1950. Não foi como a de 1982 e nem mesmo como de 1998, tão discutível até hoje. Foi simplesmente um episódio para esquecer! Uma seleção para esquecer, como estampou tão brilhantemente a nossa imprensa. Como sugestão, apesar de um tanto utópica, eu mesmo admito, queria que, daqui em diante, fossem convocados somente jogadores

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que atuassem em território nacional. Teríamos mais intimidade com nossos craques e eles teriam mais comprometimento com a seleção. Estariam motivados a mostrar que os que aqui ficaram são tão bons ou até melhores do que os que foram. E, acima de tudo, verdadeiramente brasileiros. O Brasil é um país de dimensões continentais com mais de 180 milhões de pessoas. Em cada esquina, em cada escola, em cada clube, existe, pelo menos, um time de futebol. Diferentemente dos europeus, que têm diversas paixões esportivas, a grande paixão brasileira é o futebol. Os outros esportes ficam léguas atrás. O Brasil, por todos esses motivos, é um celeiro ininterrupto de craques. Por que temos, então, que convocar obrigatoriamente uma seleção estrangeira? Pois bem, se os grandes craques que jogam no exterior quisessem participar da Copa do Mundo vestindo a amarelinha, teriam que voltar a atuar por algum clube brasileiro pelo menos um ano antes da Copa. Fica a sugestão! Pois, se continuarmos assim, seremos sempre uma grande fábrica de jogadores para exportação, mas com uma seleção sem brilho, apática e, principalmente, sem pátria, como a que vimos na Alemanha. Jogadores tão talentosos, mas uma seleção para ser esquecida eternamente! FINANCEIRO


banco de dados por INEPAD TAXAS MÉDIAS GERAL DATA

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Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

47,3 47,2 47,4 48,1 48,2 47,1 45,9 46,1 46,2 45,7 45 43,8 43,2

-0,5 -0,1 0,2 0,7 0,1 -1,1 -1,2 0,2 0,1 -0,5 -0,7 -1,2 -0,6

19,2 19,0 18,9 18,7 18,4 17,7 17,1 16,4 16 15,5 15,2 15,3 15,2

-0,2 -0,2 -0,1 -0,2 -0,3 -0,7 -0,6 -0,7 -0,4 -0,5 -0,3 0,1 -0,1

28,1 28,2 28,5 29,4 29,8 29,4 28,8 29,7 30,2 30,2 29,8 28,5 28,0

-0,3 0,1 0,3 0,9 0,4 -0,4 -0,6 0,9 0,5 0 -0,4 -1,3 -0,5

Variação jun-jun

-4,1

-4,0

-0,1

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA FÍSICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

61,3 61,3 61,1 62,1 61,7 60,4 59,3 59,7 59,2 59,0 57,8 56,1 55,8

-1,2 0,0 -0,2 1,0 -0,4 -1,3 -1,1 0,4 -0,5 -0,2 -1,2 -1,7 -0,3

18,4 18,2 18,2 18,0 17,8 17,2 16,5 16,0 15,5 15,0 14,8 15,0 15,2

-0,5 -0,2 0,0 -0,2 -0,2 -0,6 -0,7 -0,5 -0,5 -0,5 -0,2 0,2 0,2

42,9 43,1 42,9 44,1 43,9 43,2 42,8 43,7 43,7 44,0 43,0 41,1 40,6

-0,7 0,2 -0,2 1,2 -0,2 -0,7 -0,4 0,9 0,0 0,3 -1,0 -1,9 -0,5

Variação jun-jun

-5,5

-3,2

-2,3

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA JURÍDICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

33,4 33,0 33,2 33,3 33,4 32,4 31,7 31,3 31,6 30,7 30,6 29,7 28,8

-0,3 -0,4 0,2 0,1 0,1 -1,0 -0,7 -0,4 0,3 -0,9 -0,1 -0,9 -0,9

19,8 19,6 19,5 19,2 18,9 18,2 17,7 16,8 16,5 16,0 15,6 15,7 15,2

-0,1 -0,2 -0,1 -0,3 -0,3 -0,7 -0,5 -0,9 -0,3 -0,5 -0,4 0,1 -0,5

13,6 13,4 13,7 14,1 14,5 14,2 14,0 14,5 15,1 14,7 15,0 14,0 13,6

-0,2 -0,2 0,3 0,4 0,4 -0,3 -0,2 0,5 0,6 -0,4 0,3 -1,0 -0,4

Variação jun-jun

-4,6

-4,6

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

23

0,0


banco de dados por INEPAD SPREAD FINANCEIRO

CRÉDITO PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL Volum e R$ Milhões

50,0 45,0 40,0 35,0

SPREAD FINANCEIRO

30,0 25,0 20,0

Taxa de Juros

80.000

72,00

75.000

71,00

70.000

70,00

65.000

69,00

60.000

68,00

55.000

67,00

50.000

66,00

45.000

65,00

40.000

64,00

35.000

Aplicação

63,00 62,00

30.000

jun/06

mai/06

abr/06

mar/06

fev/06

jan/06

dez/05

nov/05

out/05

set/05

ago/05

jul/05

jun/05

15,0

jun jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun 05 05 05 05 05 05 05 06 06 06 06 06 06

Captação

Volume

Taxa de Juros

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - PREFIXADOS

(R$ milhões)

MÊS / ANO

CHEQUE ESPECIAL

VARIAÇÃO EM %

CRÉDITO PESSOAL

VARIAÇÃO EM %

FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO

VARIAÇÃO EM %

CARTÃO DE CRÉDITO

VARIAÇÃO EM %

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

11 790 11 647 12 265 12 297 12 509 12 527 10 974 12 232 11 790 12 825 12 905 13 302 13 223

-2,11% -1,22% 5,31% 0,26% 1,73% 0,15% -12,40% 11,46% -3,62% 8,78% 0,62% 3,08% -0,59%

55 426 57 270 59 015 60 531 61 650 63 255 63 444 65 010 66 658 68 391 70 675 71 794 73 035

1,99% 3,33% 3,05% 2,57% 1,85% 2,60% 0,30% 2,47% 2,53% 2,60% 3,34% 1,58% 1,73%

1 049 1 028 1 037 948 947 947 956 900 842 869 886 919 955

-0,42% -1,97% 0,83% -8,53% -0,08% -0,03% 0,95% -5,91% -6,42% 3,20% 2,02% 3,67% 3,89%

10 196 10 512 10 687 11 211 11 495 11 774 11 260 11 882 12 657 12 492 12 916 13 117 12 752

1,44% 3,10% 1,67% 4,90% 2,53% 2,43% -4,37% 5,53% 6,53% -1,30% 3,39% 1,56% -2,78%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados/continuação (R$ milhões) AQUISIÇÃO MÊS / ANO jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

VEÍCULOS

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

42 723 43 636 45 044 46 218 47 406 48 935 50 685 51 938 53 154 54 306 55 248 56 441 57 346

2,22% 2,14% 3,23% 2,61% 2,57% 3,23% 3,57% 2,47% 2,34% 2,17% 1,74% 2,16% 1,60%

8 351 8 824 9 416 9 471 9 621 10 031 10 229 10 241 10 161 10 115 9 965 10 136 10 137

4,50% 5,66% 6,71% 0,58% 1,59% 4,26% 1,98% 0,12% -0,79% -0,45% -1,48% 1,71% 0,02%

51 074 52 460 54 460 55 689 57 027 58 966 60 914 62 179 63 315 64 421 65 213 66 577 67 484

2,59% 2,71% 3,81% 2,26% 2,40% 3,40% 3,30% 2,08% 1,83% 1,75% 1,23% 2,09% 1,36%

7 097 7 349 7 702 8 016 8 144 8 414 7 643 8 386 8 545 9 102 9 380 9 791 9 720

3,02% 3,56% 4,79% 4,09% 1,59% 3,32% -9,17% 9,73% 1,90% 6,52% 3,05% 4,38% -0,72%

136 632 140 266 145 166 148 692 151 773 155 884 155 190 160 589 163 806 168 100 171 976 175 500 177 170

1,84% 2,66% 3,49% 2,43% 2,07% 2,71% -0,44% 3,48% 2,00% 2,62% 2,31% 2,05% 0,95%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

24

FINANCEIRO


VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - CRÉDITO CONSIGNADO MÊS / ANO jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06 Var. jun-jun

CRÉDITO PESSOAL* 55.426 57.270 59.015 60.531 61.650 63.255 63.444 65.010 66.658 68.391 70.675 71.794 73.035 131,8%

CONSIGNADO Públicos

Privados

Total

Amostra**

22.701 24.024 25.301 26.239 26.961 27.663 28.332 29.570 30.793 31.947 33.345 34.552 35.376

3.453 3.651 3.840 4.070 4.200 4.284 3.988 4.136 4.334 4.534 4.764 4.867 5.088

26.154 27.675 29.141 30.309 31.160 31.947 32.320 33.705 35.127 36.482 38.109 39.419 40.464 154,7%

18.833 19.712 20.773 21.488 22.076 22.829 22.981 37.841 39.461 41.016 42.873 44.286 45.552 241,9%

% Consignado***

(R$ milhões)

Concentração Taxa de Juros %aa do Consignado Estimativa INEPAD Consignado Pessoal Diferença

47,2% 48,3% 49,4% 50,1% 50,5% 50,5% 50,9% 51,8% 52,7% 53,3% 53,9% 54,9% 55,4%

72,0% 71,2% 71,3% 70,9% 70,8% 71,5% 71,1% 112,3% 112,3% 112,4% 112,5% 112,3% 112,6% 156,3%

37,5% 37,4% 37,2% 37,0% 37,2% 36,8% 36,4% 37,3% 36,6% 36,9% 36,1% 36,5% 35,8%

68,6% 69,4% 69,5% 70,6% 70,3% 68,7% 67,3% 68,9% 68,6% 67,8% 65,3% 62,3% 62,2%

31,1% 31,9% 32,1% 33,4% 33,4% 31,5% 30,5% 32,5% 31,3% 31,2% 28,4% 26,2% 25,7%

FONTE: INEPAD / BC * Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito. ** Pesquisa com treze das maiores instituições que operam com crédito pessoal. *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal.

INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS CRÉDITO PESSOAL (R$ mil)

Mês/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

49.107.813 50.932.454 52.427.636 53.827.919 54.713.121 55.990.494 56.136.655 57.103.577 58.527.677 59.668.133 61.529.772 63.061.289 64.495.843

1.260.105 1.180.764 1.322.628 1.353.921 1.362.100 1.455.906 1.224.611 1.486.653 1.250.243 1.620.295 1.590.013 1.594.681 1.540.821

2,27% 2,06% 2,24% 2,24% 2,21% 2,30% 1,93% 2,29% 1,88% 2,37% 2,25% 2,22% 2,11%

1.494.652 1.485.848 1.528.370 1.558.238 1.690.157 1.748.058 1.642.233 1.748.341 1.800.971 1.895.815 1.943.599 1.856.410 1.901.105

2,70% 2,59% 2,59% 2,57% 2,74% 2,76% 2,59% 2,69% 2,70% 2,77% 2,75% 2,59% 2,60%

3.013.742 3.145.514 3.288.510 3.397.809 3.547.908 3.723.372 3.782.350 4.011.591 4.406.296 4.532.764 4.469.669 4.590.579 4.405.264

5,44% 5,49% 5,57% 5,61% 5,75% 5,89% 5,96% 6,17% 6,61% 6,63% 6,32% 6,39% 6,03%

55.426.011 57.270.000 59.015.306 60.531.439 61.650.256 63.254.734 63.443.780 65.010.067 66.657.810 68.390.518 70.675.076 71.794.140 73.034.984

1,99% 3,33% 3,05% 2,57% 1,85% 2,60% 0,30% 2,47% 2,53% 2,60% 3,34% 1,58% 1,73%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS (R$ mil)

Mês/Ano

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

Saldo

Com atraso

sem atraso

de 15 a 30 dias

39.234.937 40.002.093 41.251.555 42.259.001 42.968.220 44.340.233 46.288.603 47.100.583 48.279.998 48.878.729 49.468.271 50.432.322 51.319.626

1.359.409 1.448.473 1.544.357 1.510.645 1.733.980 1.697.635 1.613.661 1.777.919 1.638.047 1.908.730 1.896.390 2.001.947 1.951.179

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

3,18% 3,32% 3,43% 3,27% 3,66% 3,47% 3,18% 3,42% 3,08% 3,51% 3,43% 3,55% 3,40%

1.391.475 1.404.040 1.458.118 1.522.771 1.719.567 1.839.634 1.653.627 1.829.639 1.911.682 2.077.261 2.265.550 2.249.168 2.238.840

3,26% 3,22% 3,24% 3,29% 3,63% 3,76% 3,26% 3,52% 3,60% 3,83% 4,10% 3,98% 3,90%

733.856 776.692 783.591 917.115 974.016 1.046.108 1.115.317 1.214.632 1.307.080 1.421.339 1.595.453 1.729.468 1.834.034

1,72% 1,78% 1,74% 1,98% 2,05% 2,14% 2,20% 2,34% 2,46% 2,62% 2,89% 3,06% 3,20%

42.722.706 43.636.074 45.043.780 46.218.118 47.406.012 48.935.289 50.684.709 51.938.053 53.154.236 54.305.631 55.247.939 56.440.924 57.346.404

2,22% 2,14% 3,23% 2,61% 2,57% 3,23% 3,57% 2,47% 2,34% 2,17% 1,74% 2,16% 1,60%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

25


banco de dados por INEPAD INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

6.790.933 7.190.986 7.699.456 7.790.947 7.837.518 8.165.263 8.457.452 8.362.121 8.231.862 8.057.534 7.807.880 7.980.581 8.008.490

359.584 372.685 424.811 369.647 394.773 389.994 334.255 425.157 408.173 453.516 467.766 443.851 449.822

4,31% 4,22% 4,51% 3,90% 4,10% 3,89% 3,27% 4,15% 4,02% 4,48% 4,69% 4,38% 4,44%

416.052 406.831 414.857 424.936 446.640 461.045 398.093 407.308 477.311 553.878 562.063 518.331 506.564

4,98% 4,61% 4,41% 4,49% 4,64% 4,60% 3,89% 3,98% 4,70% 5,48% 5,64% 5,11% 5,00%

774.531 830.585 865.811 873.070 928.949 986.686 1.003.506 1.004.743 999.178 1.005.323 1.080.104 1.144.281 1.148.080

9,27% 9,41% 9,19% 9,22% 9,66% 9,84% 9,81% 9,81% 9,83% 9,94% 10,84% 11,29% 11,33%

8.351.397 8.824.004 9.416.143 9.470.618 9.621.180 10.030.622 10.229.173 10.241.441 10.160.748 10.115.085 9.965.038 10.135.589 10.137.421

4,50% 5,66% 6,71% 0,58% 1,59% 4,26% 1,98% 0,12% -0,79% -0,45% -1,48% 1,71% 0,02%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

INADIMPLÊNCIA - CRÉDITO PESSOAL - PREFIXADO Junho/2006 (em R$ mil) 19,6% Atraso de mais de 90 dias 4.405.264

56,1%

24,2%

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS - PREFIXADO Junho/2006 (em R$ mil)

Atraso de 15 a 30 dias 1.540.821

Atraso de 31 a 90 dias 2.238.840

Atraso de 31 a 90 dias 1.901.105

32,4%

21,4%

15 a 30 dias 374.237

Atraso de 15 a 30 dias 449.822

15,7% Atraso de mais de 90 dias 1.344.384

54,6% 24,1%

Atraso de 15 a 30 dias 1.951.179

INADIMPLÊNCIA - OUTRAS OPERAÇÕES - PREFIXADO Junho/2006 (em R$ mil) Atraso de

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO OUTROS BENS - PREFIXADO Junho/2006 (em R$ mil)

Atraso de mais de 90 dias 1.148.080

30,4%

37,2%

Atraso de mais de 90 dias 1.834.034

Atraso de 31 a 90 dias 506.564

56,3%

28,1%

Atraso de 31 a 90 dias 670.779

OUTRAS OPERAÇÕES (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

4.514.410 4.600.843 4.985.299 5.167.569 5.499.261 5.282.296 4.943.790 5.329.091 5.368.580 5.670.983 5.811.421 5.961.662 6.242.219

288.299 287.716 291.463 303.992 272.133 302.903 234.582 378.295 327.634 371.268 366.071 386.166 374.237

4,06% 3,91% 3,78% 3,79% 3,34% 3,60% 3,07% 4,51% 3,83% 4,08% 3,90% 3,94% 3,85%

650.275 842.357 522.083 510.861 484.888 570.142 470.671 528.368 602.266 654.249 662.153 636.771 670.779

9,16% 11,46% 6,78% 6,37% 5,95% 6,78% 6,16% 6,30% 7,05% 7,19% 7,06% 6,50% 6,90%

902.839 870.484 1.143.252 1.261.199 1.069.336 1.381.167 1.003.931 1.171.200 1.259.094 1.338.727 1.512.407 1.707.468 1.344.384

12,72% 11,84% 14,84% 15,73% 13,13% 16,42% 13,14% 13,97% 14,73% 14,71% 16,12% 17,44% 13,83%

7.096.557 7.349.412 7.701.548 8.016.385 8.143.922 8.413.988 7.642.768 8.386.089 8.545.025 9.102.409 9.380.074 9.791.110 9.720.426

3,02% 3,56% 4,79% 4,09% 1,59% 3,32% -9,17% 9,73% 1,90% 6,52% 3,05% 4,38% -0,72%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

26

FINANCEIRO


DESEMPREGO TAXA DE DESEMPREGO (%) DATA

Brasil

Var. p.p.

SP

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

9,40 9,40 9,40 9,60 9,60 9,60 8,30 9,20 10,10 10,40 10,40 10,20 10,40

-0,80 0,00 0,00 0,20 0,00 0,00 -1,30 0,90 0,90 0,30 0,00 -0,20 0,20

10,50 9,90 9,40 9,70 9,60 9,70 7,80 9,20 10,50 10,60 10,70 10,50 10,90

TAXA DE DESEMPREGO Taxa (%)

Var. p.p.

Variação (p.p.)

12,0

0,00 -0,60 -0,50 0,30 -0,10 0,10 -1,90 1,40 1,30 0,10 0,10 -0,20 0,40

1,00

11,5 0,50

11,0 10,5

0,00

10,0 9,5

-0,50

9,0 8,5

-1,00

8,0 7,5

-1,50

jun 05

jul 05

ago 05

set 05

Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

out 05

nov 05

dez 05

SP

jan 06

fev 06

mar 06

abr 06

mai 06

jun 06

Var. p.p. mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$) DATA

Brasil

Var. %

SP

Var. %

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

968,80 992,99 999,65 999,59 985,58 989,26 1.006,78 994,32 1.005,12 1.010,51 1.014,60 1.028,17 1.033,50

1,5% 2,5% 0,7% 0,0% -1,4% 0,4% 1,8% -1,2% 1,1% 0,5% 0,4% 1,3% 0,5%

1.104,16 1.137,51 1.134,39 1.120,89 1.090,45 1.114,56 1.141,07 1.121,89 1.158,51 1.157,19 1.174,33 1.192,97 1.193,60

1,4% 3,0% -0,3% -1,2% -2,7% 2,2% 2,4% -1,7% 3,3% -0,1% 1,5% 1,6% 0,1%

Fonte: IBGE/INEPAD

1.200

0,03

1.150

0,025

1.100

0,02

1.050

0,015

1.000

0,01

950

0,005

900

0

850

-0,005

800

-0,01

750

-0,015

700

-0,02

jun 05

jul 05

ago 05

set 05

Brasil

out 05

nov 05

dez 05

SP

jan 06

fev 06

mar 06

abr 06

mai 06

jun 06

Var. % mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

COMÉRCIO VAREJISTA VOLUME DE VENDAS

VOLUME DE VENDAS Data mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 Variação mai-mai

Índice Hipermercados e Veículos,Motos, Var. % Var. % Var. % Geral Supermercados Partes e Peças 112,29 110,11 114,61 113,75 109,29 115,46 114,98 162,59 112,02 102,68 114,72 115,74 120,51 7,32%

4,2% -1,9% 4,1% -0,8% -3,9% 5,6% -0,4% 41,4% -31,1% -8,3% 11,7% 0,9% 4,1%

104,61 102,99 110,16 108,46 106,62 112,73 109,12 144,00 110,23 103,61 114,17 119,9% 112,6% 7,67%

-0,1% -1,5% 7,0% -1,5% -1,7% 5,7% -3,2% 32,0% -23,5% -6,0% 10,2% 5,0% -6,0%

115,74 117,37 112,82 128,55 118,91 119,61 129,54 138,57 119,14 100,16 130,14 107,66 130,18

170

1,9% 1,4% -3,9% 13,9% -7,5% 0,6% 8,3% 7,0% -14,0% -15,9% 29,9% -17,3% 20,9%

160 150 140 130 120 110 100 90 80

jul 05

Índice Geral

12,48%

Fonte: IBGE/INEPAD

ACREFI

mai jun 05 05

27

ago set 05 05

out nov dez jan 05 05 05 06

Hipermercados e Supermercados

fev mar abr mai 06 06 06 06

Veículos, Motos, Partes e Peças


banco de dados por INEPAD PREVISÕES ECONÔMICAS Ano de 2006

PIB Total % a.a.

PIB Agropecuário % a.a.

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

3,50 3,63 3,62 3,62

3,69 2,87 2,73 2,66

4,15 4,38 4,36 4,37

2,79 2,95 2,95 2,97

4,10 4,30 4,27 4,26

Selic Taxa anual

IGP-DI % a.a.

IPCA % a.a.

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

15,00 14,30 14,21 14,14

4,55 3,51 3,62 3,55

4,58 3,96 3,75 3,71

2,40 2,23 2,22 2,22

38,00 40,18 40,55 40,60

Var. p.p.

DATA

Previsão 13/01/2006 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 28/07

Início de 2006 Previsão 13/01/2006 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 28/07 Fonte: BC-Focus/INEPAD

ATIVIDADE ECONÔMICA DATA

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

mai/05

82,32

0,48

mai/05

111,52

0,9%

jun/05

82,76

0,44

jun/05

112,41

0,8%

jul/05

81,56

-1,20

jul/05

112,58

0,2%

ago/05

82,86

1,30

ago/05

112,81

0,2%

set/05

81,20

-1,66

set/05

111,69

-1,0%

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Var. %

out/05

81,53

0,33

out/05

111,44

-0,2%

nov/05

81,32

-0,21

nov/05

111,16

-0,3%

dez/05

79,62

-1,70

dez/05

112,59

1,3%

jan/06

79,53

-0,09

jan/06

113,34

0,7%

fev/06

79,87

0,34

fev/06

114,18

0,7%

mar/06

81,75

1,88

mar/06

113,99

-0,2%

abr/06

80,30

-1,45

abr/06

114,36

0,3%

mai/06

82,28

1,98

mai/06

114,89

0,5%

Variação mai-mai

-0,05%

Variação mai-mai

Fonte: CNI/INEPAD

3,02%

Fonte: IBGE/INEPAD

PRODUÇÃO (ÍNDICE) X CAPACIDADE (%) Capacidade (%)

Produção - Índice

83,5

116

83,0

115

82,5 82,0

114

81,5

113

81,0 80,5

112

80,0

111

79,5

Fonte: INEPAD

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

mai/06

abr/06

mar/06

fev/06

jan/06

dez/05

nov/05

out/05

set/05

ago/05

jul/05

jun/05

110 mai/05

79,0

Índice de Produção Física Média Móvel Trim estral

28

FINANCEIRO


INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA - AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS PRODUÇÃO

PRODUÇÃO

(em unidades) (em unidades)

Data

Produção

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

219.272 205.648 220.469 207.428 190.651 213.119 200.332 195.439 205.586 229.457 204.069 241.571 224.914

Média Trim. Var. Mensal Var. Mensal (%)

213.339 213.308 215.130 211.182 206.183 203.733 201.367 202.963 200.452 210.161 213.037 225.032 223.518

4.267 -13.624 14.821 -13.041 -16.777 22.468 -12.787 -4.893 10.147 23.871 -25.388 37.502 -16.657

Variação jun-05/jun-06

2,0% -6,2% 7,2% -5,9% -8,1% 11,8% -6,0% -2,4% 5,2% 11,6% -11,1% 18,4% -6,9%

245.000 235.000 225.000 215.000 205.000 195.000 185.000

jun 05

jul 05

ago 05

set 05

out 05

nov 05

Produção

2,6%

dez 05

jan 06

fev 06

mar 06

abr 06

mai 06

jun 06

mai 06

jun 06

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

(em unidades) (em unidades)

Data

Vendas

Média Trim.

Variação

Variação(%)

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

140.036 133.948 147.553 138.873 131.588 145.900 152.144 124.650 129.362 155.346 135.492 155.355 143.316

138.624 137.354 140.512 140.125 139.338 138.787 143.211 140.898 135.385 136.453 140.067 148.731 144.721

1.958 -6.088 13.605 -8.680 -7.285 14.312 6.244 -27.494 4.712 25.984 -19.854 19.863 -12.039

1,4% -4,3% 10,2% -5,9% -5,2% 10,9% 4,3% -18,1% 3,8% 20,1% -12,8% 14,7% -7,7%

Variação jun-05/jun-06

160.000

150.000

140.000

130.000

120.000

jun 05

jul 05

ago 05

set 05

out 05

nov 05

Vendas

2,3%

dez 05

jan 06

fev 06

mar 06

abr 06

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

EXPORTAÇÃO TOTAL

EXPORTAÇÃO TOTAL

(em unidades) (em unidades)

Data

jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

Exportações Média Trim.

77.600 74.229 71.811 74.057 61.827 66.078 68.704 57.844 70.996 72.394 71.646 77.829 71.273

75.360 76.016 74.547 73.366 69.232 67.321 65.536 64.209 65.848 67.078 71.679 73.956 73.583

Variação jun-05/jun-06

Variação

Variação(%)

1.382 -3.371 -2.418 2.246 -12230 4251 2626 -10860 13152 1398 -748 6183 -6556

1,8% -4,3% -3,3% 3,1% -16,5% 6,9% 4,0% -15,8% 22,7% 2,0% -1,0% 8,6% -8,4%

80.000 75.000 70.000 65.000 60.000 55.000

jun 05

ago 05

set 05

Exportações

-8,2%

Fonte: Anfavea/INEPAD

ACREFI

jul 05

29

out 05

nov 05

dez 05

jan 06

fev 06

mar 06

Média trimestral

abr 06

mai 06

jun 06


banco de dados por INEPAD INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA LICENCIAMENTO DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (em unidades) Data

Vendas

1000cc

% no Total

1000cc a 2000cc

% no total

>2000cc

% no total

mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06

114.220 117.455 110.007 120.586 115.297 111.001 129.274 149.113 107.085 103.485 125.092 104.340 131.326

62.997 63.907 62.061 66.726 63.759 63.584 73.190 83.361 60.215 57.587 70.405 56.043 72.534

55,2% 54,4% 56,4% 55,3% 55,3% 57,3% 56,6% 55,9% 56,2% 55,6% 56,3% 53,7% 55,2%

50.654 52.978 47.551 53.354 50.993 46.959 54.860 63.866 45.262 44.424 53.108 46.844 57.281

44,3% 45,1% 43,2% 44,2% 44,2% 42,3% 42,4% 42,8% 42,3% 42,9% 42,5% 44,9% 43,6%

569 570 395 506 545 458 1.224 1.886 1.608 1.474 1.579 1.453 1.511

0,5% 0,5% 0,4% 0,4% 0,5% 0,4% 0,9% 1,3% 1,5% 1,4% 1,3% 1,4% 1,2%

Fonte: Anfavea/INEPAD

LICENCIAMENTO POR CATEGORIA - AUTOMÓVEIS

80.000 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000

mai 05

jun 05

jul 05

1000 cc

ago 05

set 05

out 05

nov 05

dez 05

CRÉDITO PESSOAL

55.426 57.270 59.015 60.531 61.650 63.255 63.444 65.010 66.658 68.391 70.675 71.794 73.035

TAXAS DE JUROS

4,45 4,49 4,50 4,55 4,54 4,45 4,38 4,46 4,45 4,41 4,28 4,12 4,11

-0,07 0,04 0,01 0,06 -0,02 -0,08 -0,07 0,08 -0,02 -0,04 -0,13 -0,16 -0,01

68,60 69,40 69,50 70,60 70,30 68,70 67,30 68,90 68,60 67,80 65,30 62,30 62,20

mar 06

abr 06

mai 06

(R$ milhões)

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS SALDO TOTAL

% Variação % Variação MÊS/ANO R$ milhões a.m. p.p a.a. p.p jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06

fev 06

1000 cc a 2000 cc

TAXAS DE JUROS PREFIXADOS - PESSOA FÍSICA

SALDO TOTAL

jan 06

-1,30 0,80 0,10 1,10 -0,30 -1,60 -1,40 1,60 -0,30 -0,80 -2,50 -3,00 -0,10

R$ milhões 42.723 43.636 45.044 46.218 47.406 48.935 50.685 51.938 53.154 54.306 55.248 56.441 57.346

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 2,65 2,60 2,58 2,59 2,57 2,53 2,52 2,55 2,55 2,49 2,48 2,42 2,42

-0,03 -0,05 -0,03 0,01 -0,02 -0,04 -0,01 0,03 -0,01 -0,05 -0,02 -0,05 0,00

SALDO TOTAL

% Variação a.a. p.p 36,90 36,10 35,70 35,90 35,60 34,90 34,80 35,30 35,20 34,40 34,10 33,30 33,30

AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS

-0,50 -0,80 -0,40 0,20 -0,30 -0,70 -0,10 0,50 -0,10 -0,80 -0,30 -0,80 0,00

R$ milhões 8.351 8.824 9.416 9.471 9.621 10.031 10.229 10.241 10.161 10.115 9.965 10.136 10.137

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 3,67 3,70 3,65 3,99 3,95 3,80 4,27 3,92 3,69 3,82 3,96 3,89 3,86

-0,21 0,03 -0,06 0,34 -0,04 -0,15 0,47 -0,35 -0,23 0,14 0,14 -0,07 -0,03

% a.a.

Variação p.p

54,10 54,70 53,70 59,90 59,10 56,40 65,20 58,60 54,40 56,90 59,40 58,10 57,50

-3,70 0,60 -1,00 6,20 -0,80 -2,70 8,80 -6,60 -4,20 2,50 2,50 -1,30 -0,60

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

30

FINANCEIRO


MAIS!AGÊNCIA

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Garanta já o seu lugar no mais reconhecido evento do setor. Forneça o código: AN3ACF e aproveite!

SALA II

SALA III

SALA A

29

Fidelização

Novas Tecnologias

Produtos

Sala Comercial

30

• 3 dias de evento com auditório para sessões plenárias, 3 salas paralelas para discussão de temas pontuais e 2 eventos sociais • 3 andares com espaço na área de exposição para até 30 empresas patrocinadoras, Sala Comercial, Sala de Imprensa, Cyber Café e Business Lounge • Previsão de 1500 participantes, 50% em cargos de decisão e 80 palestrantes (4 deles internacionais) • Discussão de 14 temas vitais para o setor, dispostos em 10 palestras (3 internacionais), 12 painéis, 2 apresentações de pesquisas inéditas e 4 estudos de casos • Cobertura jornalística dos principais veículos de comunicação

SALA I

Varejo & Private Label

Gestão de Risco

Acquiring & Outsourcing

Sala Comercial

31

Centro Fecomercio de Eventos – SP Em 2006 vamos repetir o sucesso do C4 do ano passado!

Crédito ao Consumidor

E-commerce

Contact Centers

Sala Comercial

Grandes Temas:

Realização:

• O Cenário Político-Econômico às Vésperas da Eleição • Pesquisa: “Hábitos de Utilização dos Meios de Pagamento” • A Responsabilidade Social do Setor

Patrocínio Platinum:

Patrocínio Master:

Patrocínio:

Apoio:

Ligue: (11) 3186 4405 – congressoc4@congressoc4.com.br – www.congressoc4.com.br

Grade preliminar sujeita a alterações.

Veja os assuntos que serão destaque na edição 2006 do C4.

De 29 a 31 de agosto


V IN A S G C A R S E L VA IM I T SE A J D Á A S

4 de setembro de 2006, no auditório do BankBoston

Com a realização do 1º Seminário Internacional Crescimento Sustentável, a ACREFI abre um espaço privilegiado para a discussão desse tema, reunindo especialistas que muito poderão contribuir para que tenhamos uma visão mais clara do futuro. Você e sua empresa não podem perder!

Inscrições através do site do evento: http://seminario.acrefi .org.br

Arquivo ACREFI

O Mundo e o Brasil: Perspectivas para os Próximos Anos

Brasil: Conquistas e Desafios do Crescimento Max Alberto Alier Representante Residente do Fundo Monetário Internacional (FMI)

O Crescimento Econômico e o Poder Judiciário: Uma Análise Crítica

Divulgação

Patrocínio

Apoio institucional

Raul Velloso Consultor especializado em Análise Macroeconômica e Finanças Públicas. Ph.D. em Economia, é professor de Finanças Públicas da Escola Nacional de Administração Pública (Enap)

Reforma do Judiciário: Balanço e Perspectivas Sérgio Renault Subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, desde agosto de 2005 Divulgação

ACREFI - Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento

Pierpaolo Bottini Secretário de Reforma do Judiciário, é mestre e doutorando em Direito Penal pela Universidade de São Paulo e professor em Direito Constitucional e Penal

Ajuste Fiscal e Retomada do Crescimento

Associados da ACREFI: R$ 490,00 Não-Associados: R$ 590,00

Realização

Albert Fishlow Professor da Universidade de Columbia e Diretor do Center for Brazilian Studies da mesma universidade, em Nova York, EUA

Divulgação

No caso do Brasil, vivemos um momento decisivo, que pode defi nir nossa posição no cenário mundial: ou conseguimos obter o passaporte para o mundo das nações desenvolvidas ou fi caremos por muito tempo derrapando na esfera dos países pobres. Quais são nossas possibilidades concretas? Quais são os nossos desafi os?

Temas e palestrantes

Arquivo ACREFI

O crescimento sustentável é o desafio deste século. É a grande questão das economias em desenvolvimento.

Apoio

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Financeiro 38 - Agosto 2006  

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