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Financeiro

ano 4 nº 34 abr/2006

Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Fundada em 1958

TIRAGEM DESTA EDIÇÃO: 20.000 EXEMPLARES

Política econômica O papel do FMI e as relações com o Brasil Cultura Programas públicos incentivam a leitura

EDITORIAL

João Uchôa Borges Liderança e exemplo a ser seguido


editorial

João Uchôa Borges, exemplo e liderança

Fundada em 1958

Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento

www.acrefi.org.br DIRETORIA Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Fernando Guerreiro de Lemos, Gilberto Caldart, José Arthur Lemos de Assunção, Marco Ambrógio Crespi Bonomi, Paulo Eduardo D’Ávila Isola, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Ricardo Malcon, Ronaldo Amaral de Carvalho Pinto, Tiago Canguçu de Almeida Secretário José Dante Zanaga Neto Tesoureiros Jorge Kimura e Sérgio Marra Pereira Capella Diretores Adalberto Savioli, Daniel Capelo Pinheiro, Enílson Espínola de Souza, Genival Francisco Silva, Ricardo Annes Guimarães, Rubens Bution, Sérgio Antônio Cipovicci Diretores Conselheiros Aristeu Zanuncio, Eduardo Garcia Ruiz, Guilherme Almeida de Oliveira, Hélio Lima Magalhães, Ivan Svitek, Leonel Dias de Andrade Neto, Paulo Sérgio Monteiro Castro Aguiar, Rubens Sardenberg Diretores Regionais Belo Horizonte, MG: Aquiles Leonardo Diniz; Brasília, DF: Sérgio Faria Lemos da Fonseca Júnior; Curitiba, PR: Félix Archanjo Bordin; Jundiaí, SP: Carlos Alberto Samogim; Porto Alegre, RS: Renato Malcon; Rio de Janeiro, RJ: Odílio Figueiredo Neto; São Paulo, SP: Evanir Coutinho Ussier; Vitória, ES: Leonardo Marcondes Dadalto; Presidente Honorário João Uchôa Borges (In memoriam) Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Conselheiro Econômico Prof. Istvan Kasznar

Financeiro Publicação mensal da ACREFI - Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento. Jornalista Responsável: Eliana Nigro ( MTB 15.005) Conselho Editorial: Érico Sodré Quirino Ferreira, Prof. Istvan Kasznar, Antônio A. A. Leite (Pancho) e Sérgio Tamer Coordenação Editorial: Tamer Comunicação Empresarial Projeto Gráfico, Editoração e Produção Gráfica: EDF (www.edf.com.br) Pré-impressão e Impressão: Fabracor Tiragem: 20.000 exemplares As opiniões emitidas nos artigos assinados não refletem necessariamente as posições da ACREFI e são de exclusiva responsabilidade dos autores. A reprodução total ou parcial do conteúdo da publicação depende de autorização por escrito.

Érico Sodré Quirino Ferreira, Presidente da ACREFI

A Acrefi , lamentavelmente, perdeu seu presidente honorário, João Uchôa Borges, uma liderança e um exemplo a ser seguido por todos nós. Dr. João faleceu no sábado, dia 18 de março, aos 78 anos, a maior parte deles dedicada ao mercado financeiro e, em especial, à pessoa física, o tão atual crédito ao consumidor. O líder, empresário e advogado que foi, ensinou a todos nós grandes lições as quais sempre haveremos de nos recordar com muito carinho e apreço. Dr. João sempre será para todos que o conhecemos, não só nós do setor de crédito, mas todos da sociedade paulistana, uma referência pessoal e profissional, um homem que esteve sempre à frente de seu tempo, fazendo crescer todas as instituições financeiras, associações de classe e entidades benemerentes que comandou ou que participou. Sua imensa capacidade de liderança e seus múltiplos interesses, principalmente na área social e de benemerência, o levou a exercer cargos de comando não só na nossa Acrefi, na qual estava desde 1968, da qual era Presidente Honorário, e no Sindicato das C.F.I. do Estado de São Paulo, entidade que foi fundador e presidiu por 4 mandatos, mas nas seguintes instituições financeiras: Fininvest C.F.I., Santa Maria C.F.I., Finasa C.F.I., Finasa Seguradora, Banco de Crédito Comercial. O Automóvel Clube de São Paulo, a Sociedade Harmonia de Tênis, o Jockey Club de São Paulo, o Nacional Club de

Flávio Roberto Guarnieri

Rua Libero Badaró, 425 - 28º andar São Paulo - SP Tel: (11) 3107-7177 Fax: (11) 3106-6082 Funcionamento: de segunda à sexta-feira das 8:30 às 18 horas

São Paulo, o São Paulo Clube e a Associação Comercial de São Paulo são outras entidades nas quais o papel do Dr. João foi relevante. Seu tempo também foi em grande parte dedicado a projetos de alcance social, tais como: Marco Múltipla Ação Regional Comunitária, Fundação Sinhá Junqueira, Fundação Barão de Souza Queiroz e Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Esse líder que nos deixou, porém, se fará presente em cada uma das nossas decisões, em cada um dos nossos negócios, em cada uma das nossas vitórias, através do seu legado, indelevelmente marcado em nossas mentes e em nossos corações. Além disso, há que se lembrar ainda do Dr. João amigo, do Dr. João companheiro fraterno, o bonachão de todas as horas, o ombro amigo de todas as jornadas, aquele que nos ensinou como levar os negócios a sério e, ao mesmo tempo, a vida com mais leveza, solidariedade e elevação de espírito. Seu sorriso aberto, seu abraço apertado e seus profundos conhecimentos sobre o nosso meio e seu marcante companheirismo, Dr. João, deixam saudades, ensinamentos e uma lacuna irreparável na nossa Associação e no nosso setor

Nesta edição 4 Palestra Acrefi Uma era de inovação para o setor bancário

8 Artigo Reações opostas a um movimento favorável

10 Política econômica As relações recentes do Brasil com o FMI

14 Tributação As exportações e o IR sobre o rendimento dos títulos públicos

16 Balanço 2005 Avaliação do desempenho da indústria de bens de capital

18 Cultura Em São Paulo, programas do Governo Estadual estimulam o prazer pela leitura

21 Variedades Falando de vinhos...

22 Artigo Política econômica de quem?

23 Banco de Dados


palestra Acrefi

Uma era de inovação para o setor bancário

Renato Fogal

Inovação tecnológica é um tema abrangente e vai muito além do que pode significar à primeira vista. Foi em torno desse assunto que Ailtom Barberino do Nascimento, diretor de serviços para o setor financeiro da Stefanini IT Solutions e Roberto Ciccone, diretor da área de serviços financeiros da divisão de consultoria da IBM debateram, no ciclo de debates promovido pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento, a Acrefi. Barberino Nascimento, primeiro palestrante, apresentou um estudo mostrando a evolução tecnológica do setor bancário ao longo dos últimos 25 anos. Destacou os anos 80 como um marco, quando um grande banco privado instalou o primeiro caixa eletrônico do País e expandiu sua rede com bancos 24 horas. Estava lançada a pedra fundamental da era digital da economia bancária. Foi também a década na qual iniciaram-se, de forma intensa, os movimentos de fusões e aquisições, que resultaram nos grandes bancos. No entanto, as inovações tecnológicas não foram os únicos marcos dessas décadas, caracterizada também por liquidações judiciais e por altíssimos índices de inflação. A soma de todos esses fatores deu início à etapa posterior, o processo chamado de downsizing, ou a redução de quadro de pessoal e terceirização do setor, que iria marcar a década seguinte. Mas os anos noventa também passaram para a

Renato Fogal

Avanço tecnológico e mudanças de gestão marcam apresentações de especialistas em ciclo de debates promovido pela Acrefi

Ailtom Barberino do Nascimento: estudo mostra evolução dos últimos 25 anos

Roberto Ciccone: pesquisa global aponta para novas mudanças

história como os da introdução de novas tecnologias, que foram capazes de oferecer novos canais de distribuição, alavancados por dispositivos eletrônicos e, em seu final, plantou os alicerces para o processo de alavancagem dos bancos rumo à era da informática, da forma como vivemos atualmente. Essas sucessões de mudanças trouxeram como conseqüência, um consumidor mais exigente: “O acesso às portas dos bancos, às informações geradas por uma nova base digital, provocou uma fragilidade que, no início, colocou em risco informações dos clientes, a integridade de dados, e a credibilidade da imagem das instituições”, lembra o executivo da Stefanini, que, ao longo dos anos, vem se

especializando em sistemas antifraudes. Dispositivos de proteção foram criados em soluções de segurança e, no início do século 21, surgem atividades com correspondentes bancários que intensificam-se, e a cada ano estão se consolidando e abrindo novos mercados. Barberino Nascimento afirma que os avanços tecnológicos estão bem alinhados com as estratégias dos bancos e que a tecnologia é uma área bastante pró-ativa, que vem criando condições concretas para que as estratégias dos bancos sejam bem sucedidas. Fato que acontece, por fim, em 2006, quando consolidam-se os processos de gerência de risco, os CRMs, a criação de plataformas preferenciais, entre outros

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FINANCEIRO


Linha do Tempo Revisões de Processos Plataformas Gerência de Riscos Preferenciais Novas Tecnologias Canais Eletrônicos Downsizing Terceirização Bancos Eletrônicos ATM’s Redes Online

Segmentação Especialização

Internet MIS

Segurança

Grandes Projetos CRM/BI

2006

Soluções Segurança

Consolidação do CRM Corresp. Invasões Bancários

2000’s

90’s

80’s

exemplos. O diretor da Stefanini mostrou alguns números para dimensionar as mudanças nesse mercado: nos últimos três anos, por exemplo, os correspondentes bancários cresceram 26% e, atualmente, 73% dos clientes de bancos são usuários da Internet, fazem operações através da rede, o que já indica uma tendência para os próximos anos: investimentos em auto-atendimento. E para isso, afirma Nascimento, é necessário estabelecer parcerias, entre outros, no setor de telecomunicações: “Hoje, podemos ter acesso a uma linha de crédito através do celular” – lembra. E as tendências no setor vêm de encontro a alguns dos direcionadores desse processo: como vender produtos, como mudar a relação entre bancos e clientes usando todos os recursos disponíveis. Atualmente, os bancos têm necessidade

de desenvolver produtos no menor tempo possível, de torná-los disponíveis de forma rápida para o cliente, sem que isso signifique alterar os processos já existentes na empresa. De acordo com Nascimento, as novas tendências pedem processos mais colaborativos e padronizações nos processos internos. Outro direcionador forte desse mercado é a política que, supõe-se, as instituições fi nanceiras deverão ter em dez anos, tendo em vista a continuidade do processo de consolidação do sistema bancário, com os grandes bancos comprando outros, no mundo e no Brasil. O desenho que se anuncia é, por um lado, os grandes bancos e, por outro, as empresas de nicho, que podem ser especialistas da indústria e até non banking-bank, correspondentes bancários, Internet, comércio eletrônico. Os competidores estão surgindo de todos os lados, oferecen-

Nos últimos três anos, os correspondentes bancários cresceram 26% e, atualmente, 73% dos clientes de bancos são usuários da Internet do produtos e serviços bancários e o que o mercado percebe é que mesmo os grandes bancos terão que se especializar. Isso é um primeiro sinal da nova era da evolução tecnológica. Novos cenários Roberto Ciccone, associated partner da área de consultoria do setor financeiro da IBM, prosseguiu no tema, abordando “Os novos cenários de negócios”, do que vem sendo chamada de “a era da especialização”. Discutiu ainda o conceito de inovação nesse cenário.


palestra Acrefi 2/3 dos CEOs planejam grandes mudanças nos próximos 2 anos Extensão de Mudança Fundamental Necessária nos Próximos 2 anos

Histórico de Sucesso na Gestão de Mudança Fundamental

Muito bem-sucedida 15%

Mudança Moderada 22%

Nenhuma experiência de mudança 5% Nenhum ou pouco sucesso 15%

Mudança Significativa 65% Pequena ou Nenhuma 13%

Inovar em produtos ou em relacionamentos já é pressuposto. O que está realmente agregando valor e trazendo diferencial competitivo é inovar em processos e em modelo de negócios Ciccone também recorreu a uma ampla pesquisa, global, na qual foram entrevistados 765 presidentes ou CEOs de grandes corporações, do mundo inteiro sobre o tema inovação. As conclusões do estudo vieram quebrar alguns mitos e paradigmas do mercado. O primeiro mito quebrado é o de que as tendências globais só afetam algumas empresas, em especial as grandes. O que a pesquisa mostrou foi

Bem-sucedida 32%

que, tanto as pequenas quanto as grandes empresas, estão preocupadas com as tendências do mercado. A maioria dos presidentes entrevistados planeja fazer mudanças, no curto prazo, até os próximos dois anos. Ao mesmo tempo, só 15% deles declaram que foram bem sucedidos em processos de transformações e mudanças e, apenas menos da metade, obtiveram resultados satisfatórios com elas: “Foi dado o sinal amarelo. Com a globalização, todos os produtos estão mais ou menos nivelados. Há necessidade de responder de forma rápida aos clientes e a competição vem de todos os lados. Hoje, os bancos não estão competindo apenas entre si, mas com os correspondentes bancários, com as lojas de varejo, correios, internet”, afirma Ciccone. Outro paradigma quebrado é o de que a inovação é

Algum sucesso 33%

monopólio de uma área específica e, por ser muito importante, é confi dencial, protegida dos concorrentes. Isso não é mais verdade. Quando se pergunta quais são as fontes das novas idéias, os parceiros e clientes aparecem com muita relevância, mais até dos que as antigas áreas de Pesquisa e Desenvolvimento que eram monopólio da inovação e, desse ponto de vista, perderam em importância. Os trabalhos nessa área não são mais internos, menos ainda confidenciais. A pesquisa compara ainda o desempenho das indústrias mais performáticas com as menos performáticas, e conclui que as que obtêm melhores resultados são as que buscam maior colaboração e, sem reinventar a roda: “o grande desafio – afirma o diretor da IBM – é como mudar a cultura e como


materializar essa colaboração em toda a cadeia: fornecedores, parceiros, clientes, funcionários”. O terceiro paradigma é ligado àquilo que se entende por inovação. A interpretação mais comum é a de que inovação é sinônimo de criar novos produtos e serviços, mas, o que a pesquisa aponta é que a grande inovação atualmente, está no modelo de negócios. É nela que os presidentes acreditam que, de seus cargos, podem interferir, contribuir, participar e agregar valor, enquanto as outras estão ligadas a áreas de produtos. Para o executivo, a compreensão é de que produtos e serviços podem ser copiados, já o modelo de negócios é um diferenciador. Aqueles que não são bons inovadores, podem ser bons copiadores. Dentro dos bancos, é possível verificar que estão todos nivelados em produtos, serviços e segmentação e o cliente não enxerga grande diferencial nestas dimensões. A conclusão desse processo é de que a inovação está na pauta dos presidentes e as transformações são iminentes e como conduzi-las é o grande diferencial. No que se refere ao setor financeiro, o executivo da IBM considera que o mercado está muito ágil, precisa cada vez mais, estar focado no cliente, ser mais rápido nas respostas e ter fluidez no negócio. O cenário muda: a primeira grande tendência é ditada pelos clientes. Há cinco anos já se falava que os clientes iriam demandar mais atenção, mais segurança, mais controle. Hoje, eles exigem isso. Fatores até demográficos, como o aumento da população bancarizada, além da informação cada vez mais onipresente, da facilidade para comparar concorrentes, reduzem brutalmente as barreiras de saída e aumentam, cada vez mais, o poder de barganha do cliente,pessoa física ou jurídica. Outro direcionador é o que os bancos devem ter daqui a dez anos, diante do forte processo de consolidação que não terminou. A tendência é termos, de um lado, grandes bancos ACREFI

e de outro, empresas de nicho especializadas. Os competidores podem emergir de todos os lados, oferecendo produtos bancários. Diante desse panorama de competitividade, os bancos terão que se especializar e já estamos falando do início de uma nova era, a era da especialização. Há ainda outra tendência forte das instituições financeiras, que é a de trabalharem com um grande número de provedores especializados, terceirizando, não mais o restaurante e a limpeza, mas o core bancário: cartão de crédito, meios de pagamentos, tecnologia da informação. Finalmente, o peso regulatório tem sido considerável, não só a lei Sarbanes-Oxley e Basiléia, mas análises de robustez dos controles internos, dos riscos e de segurança o que, na opinião do executivo da IBM, é um caminho sem volta. Encerrando sua participação na palestra, Roberto Ciccone salientou que o grande motor da inovação está no modelo de negócios: esse será, sem dúvida, o grande caminho para o crescimento. Inovar em produtos ou em relacionamentos já é pressuposto, toda empresa precisa estar atualizada com produtos e serviços, nesse mercado. O que está realmente agregando valor e trazendo diferencial competitivo é inovar em processos e em modelo de negócios. Os bancos que vão durar são os organizados em modelos de negócios de componentes especializados. Esses componentes funcionariam como pequenas empresas dentro (ou fora) da organização, prestando serviços ou executando funções específicas, especializadas de maneira a eliminar as redundâncias e custos fixos elevados que acontecem hoje. Os mais avançados neste modelo já têm atingido, hoje em dia, melhora do desempenho em comparação a seus pares no setor, e o caminho de transformação passa por um re-desenho, ou re-construção da empresa em paralelo ao movimento de parcerias estratégicas para terceirizar componente

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Fundada em 1958 Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento

Sejam bem-vindos à casa do crédito ao consumidor! A ACREFI DÁ AS BOAS-VINDAS AOS SEUS NOVOS ASSOCIADOS:

Banco Credibel S.A. Av. Paulista, 1754 - 9º andar 01310-290 - São Paulo - SP www.credibel.com.br

Herval Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento Rodovia BR 116, nº 7070 - 1º andar sala 14 - Portal da Serra 93950-000 - Dois Irmãos - RS www.herval.com.br

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artigo

Reações opostas a um movimento favorável AFFONSO CELSO PASTORE E MARIA CRISTINA PINOTTI Publicado pelo jornal Valor Econômico, edição nº 1477, de 27/03/2006

Divulgação

Aproveitando-se das excepcionais condições internacionais, que conduziram a elevados superávits nas contas correntes e a ingressos de capitais que permitiram a acumulação de reservas, praticamente eliminando os riscos associados ao balanço de pagamentos, o secretário do Tesouro iniciou um processo inteligente de alongamento da dívida pública. A isenção de impostos na compra por estrangeiros de títulos públicos, e a recompra de até US$ 20 bilhões da dívida pública externa produzem efeitos positivos. Primeiro, os estrangeiros têm elevado apetite por títulos de prazos de vencimentos mais longos, reduzindo suas taxas de juros. Segundo, estimula o ingresso de capitais, estabilizando o câmbio e contribuindo para baixar a inflação. Terceiro, a recompra da dívida pública externa reforça estas tendências, derrubando os prêmios de risco e atraindo um fluxo adicional de capitais. Foram libertadas forças importantes que permitem um alongamento ordenado da dívida pública e a redução do seu custo, sem cair na tentação, com efeitos desastrosos, do uso de expedientes heterodoxos freqüentemente propostos por setores mais à esquerda do PT, e mesmo por alguns economistas de outros partidos. Ao mesmo tempo, criaram-se condições para o florescimento do mercado de títulos privados de vencimentos mais longos, que são necessários para o desenvolvimento da construção civil e para o financiamento privado da formação bruta de capital fi xo. Paradoxalmente, enquanto o Tesouro aproveitou o momento interna-

cional positivo com a atitude correta, parte do governo Lula rema na direção contrária. O vertiginoso aumento dos gastos públicos está colocando em risco o precário “equilíbrio” fiscal conseguido a duras penas. Desde a conquista da estabilidade de preços, com o Plano Real, sabia-se que a carga tributária teria que se elevar para compensar a receita do imposto inflacionário, que flutuava em torno de 4% do PIB. Sabia-se, também, que a inflação dentro do ano corroía as despesas, cujo valor nominal era fixado ao início do ano, e que conseqüentemente o término da inflação elevaria as despesas reais. A carga tributária teria que sofrer uma elevação “única e para sempre” para compensar tanto o fim da arrecadação do “imposto inflacionário” quanto aquele crescimento das despesas em termos reais. No entanto, a despesa pública em termos reais cresceu muito mais do que o necessário para compensar o fim da sua erosão pela inflação, e o que é pior, durante o governo Lula ela vem se acelerando. Ainda que o ministro Palocci tenha reafirmado inúmeras vezes que melhoraria a qualidade da administração fiscal, mantendo os superávits “elevados o suficiente para garantir a sustentabilidade da dívida pública com o controle dos gastos, e não com a elevação das receitas”, procedeu exatamente na direção contrária, e negando as suas afirmações, a carga tributária também vem se elevando aceleradamente, sem que tenha ocorrido qualquer movimento para controlar o crescimento dos gastos.

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A ação do Tesouro no campo da dívida pública foi um avanço, mas seus efeitos positivos são contraarrestados pela baixa qualidade da política fiscal Gastos sociais são importantes em um país pobre, mas o atendimento das classes menos favorecidas não impõe, sozinha, o descontrole dos gastos públicos, e nem obriga que o governo dissipe em gastos correntes recursos que deveriam ser destinados a investimentos. No passado, o governo era um importante agente realizador de investimentos em infraestrutura, que vêm minguando continuamente. Sabe-se que o crescimento econômico requer taxas mais elevadas na formação bruta de capital fixo, e que para que os investimentos privados ocorram é fundamental que a infra-estrutura de energia e de transportes seja proporcionada direta ou indiretamente pelo governo. A história de mercados emergentes com taxas elevadas de crescimento mostra que os investimentos em infra-estrutura são fundamentais para estimular os investimentos privados. Reconhecendo a perda de capacidade de realizar esses investimentos, o governo FHC optou pela linha das privatizações, com as quais ocorreu um salto de qualidade no setor de telecomunicações. Para obter esse resultado, tinha que garantir a estabilidade de regras, que por sua vez tinha que ser garantida por instituições protegidas da influência do poder político, motivo pelo qual foram criadas as “agências reguladoras”. Como todas as instituições novas, aquelas agências tinham defeitos e precisavam de FINANCEIRO


aperfeiçoamentos, porém o governo Lula optou por extingui-las na prática, fundamentalmente por execrar o caminho das privatizações, louvando o aumento do poder do Estado, ainda que falido. Optou pelo mecanismo das PPP, que alguém pode erradamente interpretar como sendo uma forma disfarçada de realizar privatizações, mas que na realidade era uma forma disfarçada de garantir a estatização nos investimentos de infra-estrutura. O movimento nesta direção foi claro. Ainda durante a vigência do acordo com o FMI, o governo tentou mudar a definição do superávit primário, excluindo os investimentos em infraestrutura do cômputo daquele superávit. Havia neste que aparentava ser apenas um inocente procedimento contábil, o claro objetivo de abrir um canal para que recursos do Estado, através do BNDES e dos fundos de pensão, pudessem financiar os investimentos em infra-estrutura, atirando às favas a dinâmica da dívida pública. Isso não foi possível, e nenhuma PPP até aqui foi realizada, em grande parte porque a destruição do modelo das agências também destruiu os mecanismos de redução das incertezas, necessário para atrair capitais privados. A ação do Tesouro no campo da dívida pública foi um enorme passo adiante. Mas foi o único, e seus efeitos positivos são contra-arrestados pela baixa qualidade da política fiscal. Quando o Brasil quiser de fato eliminar os riscos fiscais que vêm impedindo tanto o crescimento sustentado da economia como a obtenção de “grau de investimento”, terá que controlar os gastos públicos, iniciando este processo com uma verdadeira reforma da Previdência. Terá, também, que abandonar as fórmulas mágicas para realizar investimentos de infra-estrutura. E finalmente terá de compreender que para ter sucesso na necessária reforma tributária terá de começar pelo corte de gastos públicos Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti são economistas e escrevem mensalmente às segundas-feiras no jornal Valor Econômico. ACREFI

Cursos ACREFI 2006 Abril • Matemática Financeira Dias 17 e 18, das 8h30 às 12h30 Carga horária: 16 horas J. Dutra Consultoria e Treinamento Instrutor: José Dutra Vieira Sobrinho

• Curso de Indentificação de Veículos Exclusivo para associados da Acrefi e executivos do mercado financeiro Dia 26, das 9:00h às 17h30 Carga horária: 8 horas Instrutores da Checkauto

Maio • Modelos de Scoring e Política de Crédito para Microempresa Dia 4, das 9:00h às 16:00h Carga horária: 6 horas Instrutor: Massimo Tagliavini

Em data a ser confirmada

• Análise de Crédito Instrutor: Alberto Borges Matias - FIA/INEPAD

• Indicadores de Mercado Instrutores: Alberto Borges Matias e Roy Martelanc - FIA/INEPAD

Informações e Inscrições Na secretaria da ACREFI – tel.: 11 3107-7177, com Leninha ou Márcia, ou no site da Acrefi : www.acrefi.org.br

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política econômica

Renato Flogal

As relações recentes do Brasil com o FMI

O Fundo Monetário Internacional corresponde a uma agência supranacional de apoio às nações que o compõem. Em suas origens, nos idos de 1944, o FMI foi concebido como um ente macrofinanceiro, cujo papel principal seria o de colaborar com as nações que apresentassem problemas na geração de equilíbrios em seus balanços de pagamentos e por isso sofressem problemas de liquidez financeira internacional. Saldar as contas multilaterais entre países soberanos é imprescindível e sofrer com problemas de liquidez implica em apertos de crédito, apoio dado pelos bancos privados, cujas taxas de juros podem ser maiores, ou ficar literalmente fora do virtuoso círculo de rotação de riquezas mundiais. Isto apequenaria o mundo, seu comércio e suas finanças. Portanto, o FMI recebeu uma digna, nobre e, sobretudo, grandiosa incumbência em sua origem: a de zelar pelo estabelecimento adequado da liquidez internacional, fomentando as nações que viessem a apresentar problemas de liquidez temporária. Ao liberar recursos financeiros a países que tivessem problemas em equilibrar seu balanço de pagamentos, gerando-se déficits na balança de transações correntes e, ou na conta capital, o FMI pressuporia estar agindo de forma transitória, temporária. Ao longo de um período ajustado entre a nação soberana e o FMI, o país adotaria medidas que revigorassem a capacidade de formar e aumentar, a um

PROF. ISTVAN KASZNAR PhD, CONSELHEIRO ECONÔMICO DA ACREFI

O FMI recebeu uma digna, nobre e, sobretudo, grandiosa incumbência em sua origem nível confortável, as reservas internacionais, saindo dos desconfortos gerados por eventuais momentos de iliquidez de curto prazo, moratórias, ou calotes puros e simples das dívidas. Por esta razão, em seu bojo, o FMI passou a ter mais que uma função de potencial e efetivo, regulador auxiliar temporário da tesouraria externa das nações, sob regime de solicitação de um país membro de seu fundo. Posto que a recuperação econômica das contas externas de um país implica na adoção de medidas macroeconômicas, o FMI passou a propô-las, apresentá-las, promulgá-las e negociálas por país e circunstância a enfrentar. E posto que ele é promovido e alicerçado sobre os conceitos e modelos neoliberais, capitalistas e empresariais fundamentados na disciplina monetária, cambial e fiscal dos países desenvolvidos, nos quais a conquista da estabilidade macroeconômica se verifica com rigor e atitudes sóbrias, suas propostas e medidas refletiram o rigor da política monetária ortodoxa, sobretudo em sua vertente contracionista, e do controle fiscal que redimensiona o Estado à capacidade de pagamento dos seus contribuintes. Ao longo do passar das décadas, percebeu-se que o papel do FMI era de fato o mais relevante possível. Sua

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utilidade tornou-se lendária e notória. Os países problemáticos passaram a acorrer aos seus tetos, solicitando ajuda, orientação e, sobretudo dinheiro. E a qualquer choque internacional, ocasião na qual um país quebrado inicialmente, poderia deslanchar por efeito dominó uma avalanche de perdas seqüenciais na formação das reservas dos países vizinhos ou do mesmo agrupamento no processo de desenvolvimento, o FMI cumpria o seu papel de guardião das finanças internacionais, das nações soberanas, o que desanuviava a banca privada de operações e engenharias financeiras complexas e de riscos multilaterais complexos. Foi assim com o esforço de recuperação das nações européias no póssegunda guerra mundial, quando a Alemanha, a França, a Itália e a Inglaterra precisaram de bem duas décadas para recuperar suas economias combalidas e com o Japão, que sofreu pesados bombardeios norte-americanos, que incineraram a sua economia produtiva industrial. Também assim foi quando no regime do governo norteamericano de Ronald Reagan, insatisfeito em perceber que os mecanismos de controle da moeda não funcionavam, posto que com o esforço de recuperação da economia mundial no pós-guerra, o Plano Marshall e o ímpeto dos empresários, remeteu-se dólar pelo mundo e 66,65% da massa monetária em dólares estava em 1980 fora dos EUA. Naquela ocasião, verificara-se que as taxas médias FINANCEIRO


Taxas de Variação em doze meses Moeda e Crédito 1 e 2 Base Monetária 3 M2 - Oferta Monetária 4 Crédito ao Setor Público Crédito ao Setor Privado

2000

2001

2002

ANO 2003

2004

2005

-1.5 5.6 8.1 16.6

11.7 7.1 21.8 6.1

37.7 27.7 22.3 13.7

-0.1 0.7 20.5 12.4

21.2 14.7 10.2 14.9

10.6 14.7 7.7 23.3

2006

N° de anos TENDÊNCIA APARENTE 2A

Possível significado macroeconômico

4A 3A

contração necessária circulante curto descendente, cortado ascendente, sadio

Em Bilhões de dólares, a menos que indicado de outra forma. Balanço de Pagamentos Conta Corrente Saldo da Transação de Bens Exportações Importações Serviços e Transferências Líquidas Conta Capital Investimento Direto Investimento Financeiro Outras Contas de Capital Erros e Omissões Variação nas reservas Internacionais Líquidas Conta Corrente sobre o PIB Dívida externa sobre o PIB Serviço da Dívida sobre Exportações de Bens e Serviços Reservas Internacionais Brutas sobre a Dívida Externa de curto prazo em %

-24.2 -0.7 55.1 -55.8

-23.2 2.7 58.2 -55.6

-7.6 13.1 60.4 -47.2

4.2 24.8 73.1 -48.3

11.7 33.7 96.5 -62.8

13.0 42.0 117.5 -75.5

9.8 40.7 125.9 -85.1

3A 5A 7A 5A

melhoria saudável melhoria fenomenal melhoria fenomenal evolução correta

-23.5

-25.9

-20.8

-20.6

-21.9

-29.9

-31.0

3A

leve deterioração

19.3 32.8 6.7 -20.2 2.6

27.0 22.5 -0.5 5.1 -0.5

8.0 16.6 -4.3 -4.3 -0.1

5.1 10.1 4.9 -9.9 -0.8

-7.4 18.2 -5.2 -20.3 -2.1

0.2 16.3 1.1 -17.2 -0.7

-3.3 16.7 -2.9 -17.2 0.0

7.7

-3.7

-13.6

3.1

8.0

21.1

13.5

4A

-4.0 36.1

-4.5 40.9

-1.6 44.9

0.8 42.1

1.9 33.3

1.6 22.8

1.1 18.9

3A 5A

136.5

120.4

107.5

91.1

66.7

52.2

47.9

7A

52.0

55.9

59.1

83.7

85.8

120.0

112.5

6A 1A

3A

saldo diminuto queda preocupante sai mais que entra situação deficitária insignificante melhoria contínua louvável em leve queda melhoria excelente melhoria excelente ainda com espaço para redução da exposição consolidação crescente de situação confortável melhoria excelente

Fontes utilizadas: Banco Central do Brasil; Ministrério da Fazenda; Estimativas do FMI. 1) Inclui o governo central, o banco central e sistema de seguridade social. 2) Dados de 2005 conforme o documento do FMI em Agosto de 2005. 3) Fim de Período Circulante emitido mais reservas compulsórias e livres sobre depósitos. 4) Fim de período. Moeda circulante mais demanda, depósitos a prazo e poupança. 5) As duas colunas finais, de tendência aparente e de significado macro, foram adicionadas pelo Professor Istvan Kasznar, para comentários analíticos no seminário da ACREFI. Vide o video - CD.

da prime-rate nos anos 1960 alcançavam os 5,4% anuais e nos anos 1970 chegavam a 6,3%, gerando ampla liquidez e bom conforto à expansão econômica mundial. Mas a ameaça de perder o controle sobre o dólar fez o governo dos EUA puxar as taxas para níveis estratosféricos, nos anos de 1980/1982, a patamares de 22% a 23% anuais, que num arrastão ímpar e tenebroso levaram à moratória a Polônia, o Brasil, o México e mais 19 países. E lá estava o FMI, acudindo os países inadimplentes, para “recolocálos na economia de mercado”. Da mesma forma, sucederam-se outras crises mundiais, freqüentemente apelidadas pelo país ou continente que as deslanchou. Assim, foram sucedendo-se nas décadas de 1980 e 1990 as crises do México, da Argentina, dos Tigres da Ásia, e da Rússia, entre as mais notáveis. E no meio deste ambiente, no qual interesses, poderes, vaidades e ACREFI

Países tomadores passaram a estrilar sobre as ingerências indevidas do FMI dinheiros poderosos fazem o caldo de cultura a ser administrado, os países tomadores, geralmente do bloco dos subdesenvolvidos e em desenvolvimento, passaram a estrilar sobre as “ingerências indevidas, drásticas e pesadas do FMI” em suas políticas internas macroeconômicas. Adicionalmente, alertavam que as medidas e condicionalidades propostas equivaliam a uma forma de intromissão em assuntos e questões estritamente nacionais, logo a uma ordem externa que se dissociaria da realidade local e dos interesses nacionais, a serem mais bem compreendidos e apoiados. Isto valeu ao FMI o rótulo infeliz e que é complicado de retirar, posto que uma imagem adquirida dificilmente se

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dissipa em curto e médio prazo, restando uma memória, de “insensível às demandas e realidades dos países em estado de iliquidez”, especialmente pela ausência de mecanismos nestes, que pudessem reduzir e aliviar os intensos efeitos provocados pelas políticas e medidas sanitizantes sobre as nações. Afinal de contas, a contração monetária pode, entre outros, elevar a taxa de juros, contrair o consumo, reduzir o investimento, aumentar o desemprego, expandir a ociosidade entre os jovens, lançar na miséria mais miseráveis em países sem fundos previdenciários e de apoio ao trabalhador desempregado e quebrar empresas em ambiente empresarial frágil e rarefeito. Da mesma forma, a proposta comum do FMI, de corte de gastos de Estado, correta para equilibrar as contas públicas, em sua frieza contábil acerta na geração da disciplina fiscal, mas não considera nem se sensibiliza com a demissão de pessoal em locais


política econômica Indicadores Econômicos Selecionados do Brasil ITEM PIB Real Demanda Doméstica Consumo Privado Gasto Público Investimento Bruto Formação Bruta de Capital Fixo Saldo da Balança de Transações Correntes Exportações

2000

2001

2002

ANO 2003

2004

2005

Projeção 2006

N° de anos TENDÊNCIA APARENTE

4.4 4.4 3.8 1.3 9.6

1.3 0.5 0.5 1.0 -0.2

1.9 0.1 -0.4 1.4 0.5

0.5 -0.5 -1.5 1.3 0.8

4.9 4.0 4.1 0.1 8.4

2.3 2.5 3.2 3.9 0.8

3.5 3.5 2.9 3.6 5.6

Indefinido Indefinido 3A 2A Volátil

4.5

1.1

-4.2

-5.1

10.9

1.3

6.7

Volátil

-0.1

0.9

1.8

1.0

0.9

0.4

0.0

0.9

1.0

0.7

0.9

1.9

1.2

0.9

Indefinido

7.1 6.0 8.4 3.0

6.8 7.7 7.4 -0.3

8.4 12.5 10.2 -1.4

14.8 9.3 15.0 -1.4

6.6 7.6 8.2 0.5

6.7 5.1 6.6 1.5

4.6 4.5 4.5 -2.2

4A 5A 4A Indefinido

4A

Preços IPCA - Média do Período IPCA - Fim do Período Deflator do PIB Termos de Troca Finanças Públicas Governo Federal Receitas Totais Despesas Totais Juros Balanço Primário Resultado Primário Consolidado do Setor Público Resultado Final Dívida Líquida do Setor Público

Como Percentual do PIB 21.5 23.7 4.1 1.9

22.7 24.8 3.9 1.8

23.9 24.7 3.1 2.4

23.1 27.1 6.5 2.5

24.0 25.5 4.5 3.0

24.7 28.2 6.3 2.8

24.5 27.1 5.1 2.5

7A 7A 4A 6A Melhoria

3.5

3.6

3.9

4.3

4.6

4.7

4.3

6A Melhoria

-3.6

-3.6

-4.6

-5.1

-2.7

-3.3

-2.7

7A Melhoria

51.1

55.1

65.5

58.7

54.2

52.2

51.6

4A Melhoria

em que o Estado pode ser o único empregador relevante, ou a necessidade de gerar políticas públicas sociais que amadurecem em longo prazo e afins. Esta sensação de intervenção criou inúmeros conflitos entre a prestigiosa agência e as nações. No Brasil, isto não foi diferente. Pelo contrário, ainda remanescem os rufares dos tambores anti-FMI, nos anos 1980, 1990 e neste início de milênio, capitaneados com grande alarde pelas ruas pelo PT - Partido dos Trabalhadores, ora no poder, bradando a plenos pulmões o inesquecível refrão: “Fora daqui, o FMI!”. Aos olhos do grande público, o FMI foi diabolizado pelas esquerdas. E nas horas eleitorais, ele foi utilizado como um bode expiatório, um mal, um flagelo, um ente que explicaria numerosas mazelas da nação. Isto é especialmente verdadeiro na visão dos nacionalistas e socialistas mais exacerbados, cuja visão entrópica carece de perspectivas que valorizam a obtenção de

Aos olhos do grande público, o FMI foi diabolizado pelas esquerdas sinergia com a ampliação das múltiplas relações internacionais. Como se o FMI fosse responsável por políticas internas mal concebidas, modelos econômicos e administrativos frágeis e limitados, equipes de lideranças assumindo cargos públicos sendo destituídas de preparo, séculos de descaso com a política social integrada de grande alcance, um Estado paquidérmico e indolente sob vários aspectos, a ausência de controles e cobranças rigorosas e completas sobre o gasto público, a posse por castas egoístas do Estado em proveito próprio, entre outros problemas crepitantes que afligem o Brasil. Na verdade, com ou sem maior diplomacia, o FMI propôs medidas corretivas, que por mexerem com os

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interesses estabelecidos e logo com o poder, podiam sensibilizar e suscetibilizar as lideranças e elites estabelecidas, assim como serem usadas como eixo de discussão para a adoção ou não de políticas macro e públicas, de interesse da nação pelos partidos opositores. O FMI cumpriu o seu papel, tant bien que mal. Em que pese complexas críticas aventadas sobre o FMI, em meados dos anos 1990, pelas autoridades estabelecidas no Brasil, afirmando que ele era defasado, estava ultrapassado para a dimensão dos problemas internacionais e não tinha capacidade de regularizar os fluxos internacionais de capitais porque as cotas de contribuição ao fundo eram baixas, o órgão manteve-se firme em seu papel de promotor da liquidez financeira internacional. E mais recentemente, na virada do século, deu sinais claros e indeléveis de modernidade, revisando diversos padrões comportamentais e atitudinais, afeitos às necessidades nacionais e que FINANCEIRO


permitiram o uso de seus recursos em grande monta, mais uma vez, quando o Brasil enroscou-se na crise cambial de 1998/1999 e, sobretudo ao perder suas reservas internacionais por acumular déficits no Balanço de Pagamentos que estouraram o seu caixa em 2002. Naquele ano, as autoridades estabelecidas fecharam um acordo para receber US$ 30 bilhões do FMI, para reequilibrar as contas externas. Em fim de governo, negociaram com as novas autoridades, estas advindas das hostes trabalhistas do PT, a manutenção e o cumprimento de um novo acordo. Assim, ainda sem governar, o PT aceitou um crédito que não quereria negociar noutras condições, de seu detrator político. Suprema ironia do destino. Todavia, dotado de nobreza, altivez e perseverança no trato político, o novo governo mostrou maturidade ao aceitar resolver um problema nacional de até certo ponto curto prazo, e entender que seus propósitos poderiam ser alcançados do médio prazo em diante. Efetivamente, segundo a própria visão do FMI, de 2003 em diante, “a adesão firme do governo a políticas macroeconômicas prudentes firmou as bases a favor de uma recuperação sustentável no crescimento e no emprego, na redução firme da inflação, e um bom progresso na redução da pobreza e da desigualdade”, na visão do managing director Rodrigo de Rato, em janeiro de 2006. O governo operário viu as medidas de otimização do comércio internacional, plantada em 1999 pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso, maturarem em 2003. Ademais, aproveitou bem

Uma vez paga a dívida com o FMI, o Brasil deixou de ser tomador a partir de dezembro de 2005 um ambiente econômico mundial favorável para a expansão comercial e reduziu seu coeficiente de exposição externa ao pagar dívidas e minimizar a divida externa. Isto gerou uma crescente confiança do mercado de capitais na saúde macroeconômica do Brasil. Uma vez paga a dívida com o FMI, o Brasil deixou de ser tomador a partir de dezembro de 2005. Isto é auspicioso e digno de comemoração, porque mostra que o País tem uma política macro consistente, séria, e coerente no plano geral. Muito embora, naturalmente, haja muito dever de casa por fazer e polêmicas não faltem. Otimizar já o desenvolvimento, acelerar políticas integracionistas, incentivar e motivar a geração imediata de investimentos, implantar a reforma das estruturas de Estado, realizar acertos microeconômicos, obstinadamente priorizar a luta contra a pobreza e a alienação, assegurar a melhoria do clima e dos métodos de assentamento empresarial, entre outros, permanecem sendo tópicos urgentes da agenda-Brasil. Em vez de pagar em 2007 a dívida com o FMI, o Brasil pagou-a plenamente e bem antes do esperado. Isto dá moral à nação, reforça a sua imagem positiva frente aos credores e investidores internacionais e prova que de modo diferente do esperado, o “Fora daqui, o FMI”, ocorreu. Na paz, com elegância e da forma mais inteligente, pagou-se o devido e o credor deixou

de ter interesses pecuniários com o Brasil, com o que eventuais e supostas ingerências não teriam sequer remotas chances de ocorrer. Num grau de gentileza e alinhamentos técnicos mutuamente elogiosos entre o governo local e o FMI, dos quais não se tem notícia nas últimas décadas, os acordos assinados sob o regime de Stand-by Agreement em Setembro de 2002, e com montante de US$ 15,46 bilhão utilizados foram devolvidos por inteiro. Certamente, contribuíram para tanto os dados econômicos brasileiros, que mostram sob a ótica do FMI uma melhoria inequívoca do Brasil, conforme mostrado nos quadros 1 e 2. Esta melhoria não é de hoje, acontecendo desde 1993/1994, quando o Plano Real deu um golpe certeiro sobre a insidiosa inflação brasileira. De 2003 em diante, a adoção de políticas bem monetaristas, ortodoxas e disciplinadas contribuíram para achatar ainda mais a inflação. E finalmente, mesmo que ás custas de baixos investimentos, o resultado líquido de caixa do Tesouro tornou-se superavitário (istvan@ibci.com.br, ibci@ibci.com.br e istvan@fgv.br) Bibliografia IMF Executive Board Concludes 2005 Post Program Monitoring Discussions with Brazil Public Information Notice (PIN) N° 05 / 166. Brazil and Argentina Repay IMF loans early IMF’s website www.imf.org, January 9, 2006. Assal Razin & Efraim Sadka - A Brazilian - Type Debt Crisis: Analytics - Tel-Aviv University NBER, IMF Stall Papers, Vol. 51, N° 1, 2004. Datos Financieros del FMI - Indicadores, pg 334 Boletim del FMI, volumen 34, N° 21, 21 de Noviembre de 2005.


tributação

MAILSON DA NÓBREGA, SÓCIO DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA INTEGRADA

Divulgação

As exportações e o IR sobre o rendimento dos títulos públicos Além de ser justificada pela mesma lógica que preside a desoneração da incidência de impostos indiretos nas exportações, a isenção do IR para investidores estrangeiros veio em hora apropriada e pode gerar várias externalidades positivas

A desoneração de impostos indiretos nas exportações e a recente isenção do Imposto de Renda nas aplicações em títulos públicos efetuadas por estrangeiros têm exatamente a mesma lógica. Ambos visam evitar a bitributação, isto é, a dupla cobrança de impostos sobre o consumo (no país de origem e no do destino da mercadoria ou do serviço) e a dupla incidência do IR sobre os rendimentos das aplicações (no país emitente do título e naquele em que reside ou está domiciliado o investidor). Erram, assim, os que condenam a isenção do IR para os estrangeiros alegando que os nacionais não têm o benefício. Nas exportações é o mesmo. Nas vendas para o exterior não incide o imposto sobre o consumo, mas este é cobrado nas vendas para o mercado interno. O tratamento tributário das exportações impede que a bitributação reduza a competitividade dos bens e serviços exportáveis, enquanto o dos títulos públicos acarreta uma série de benefícios para o mercado nacional de capitais, como se verá no final deste artigo. A desoneração das exportações obedece ao princípio universal de

Se o exportador não for desonerado no Brasil, seu produto pagará impostos aqui e lá fora

que as mercadorias e serviços devem ser tributados onde são consumidos. Tome-se o exemplo de um calçado exportado pelo Brasil para os EUA. Nas lojas, o produto será comercializado ao lado de outros de terceiros países e produzidos internamente. O lojista cobrará o imposto independentemente da origem do produto. Não há como isentar o calçado com base na sua origem. Se o exportador não for desonerado no Brasil, seu produto pagará impostos aqui e lá fora. O mesmo se dirá dos rendimentos dos títulos públicos. Se tributado aqui e lá fora, dificilmente um investidor estrangeiro se animaria a adquiri-los. A isenção do IR é mais do que justificável, mas a lógica pode ser alterada se houver acordo de bitributação e dependendo do tipo de contribuinte.

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Com efeito, se o beneficiário for um investidor individual, o fato de não pagar o imposto no Brasil o levará a arcar com esse ônus em seu próprio país. Seria uma mera transferência da arrecadação para o exterior. Acontece que essas aplicações são feitas normalmente por fundos de investimento, cujos participantes pagam IR sobre a valorização das cotas, não sendo possível utilizar o crédito do imposto recolhido no Brasil, que é pago pelo fundo. A isenção contribuirá para valorização adicional das cotas, mas o IR será uma fração do rendimento, gerando um ganho líquido importante e um atrativo para a compra do papel. A lógica também será alterada se o investidor estiver domiciliado em um paraíso fiscal, pois o rendimento não será tributado. Desaparece o argumento da bitributação. A isenção incentivará investidores brasileiros que já compram papéis públicos a transferir recursos para aqueles países com o objetivo único de beneficiar-se da isenção. Haveria mera perda da arrecadação. No caso de investidor em renda variável, o deslocamento geraria perda de arrecadação, mas melhoraria o perfil da dívida pública e reduziria o seu custo. FINANCEIRO


Acontece que a medida provisória da isenção excluiu do benefício os investidores residentes em países que não tributam os respectivos rendimentos ou que o façam a alíquota inferior a 20%. E mesmo que não houvesse a restrição, seria praticamente inexistente o estímulo para a manobra, pois o investidor teria que, em algum momento, oferecer o rendimento à tributação no Brasil (a menos que fossem recursos não declarados à Secretaria da Receita Federal). Assim, carecem de fundamentos as críticas de políticos e tributaristas à isenção do IR para investidores estrangeiros. Poder-se-ia questionar por que essa medida não havia sido adotada antes. Na verdade, não basta a concessão de benefícios fi scais para induzir investidores a um desejado comportamento. Antes, a isenção do IR não funcionaria porque havia dois sérios riscos para os investidores estrangeiros que investissem em papéis públicos: (1) o risco jurisdicional, isto é, o de ruptura unilateral do contrato sem chances de recurso ao Judiciário para fazer valer direitos. (2) o risco de fronteira, isto é, o de o governo suspender as remessas de divisas por causa de uma grave crise cambial. Esses dois riscos foram dramaticamente reduzidos nos últimos anos, diante dos avanços institucionais que inibiram o exercício do arbítrio pelo governo, da estabilidade macroeconômica, da adoção do regime de câmbio flutuante e da redução da

Carecem de fundamentos as críticas à isenção do IR para investidores estrangeiros

vulnerabilidade externa. Era apenas uma questão de tempo e oportunidade para que o Brasil seguisse o padrão de isenção do IR sobre títulos públicos, muito comum no exterior. Não seria demais repisar as vantagens da medida, já assinaladas pelo governo, pela Tendências e pelos estudos da Andima, que serviram de base para a medida, a saber: a) atração, para o mercado de capitais brasileiro, de um investidor acostumado a adquirir papéis de longo prazo, o que contribuirá para o alongamento do perfil da dívida interna. A presença desse investidor pode mudar a cultura do investidor brasileiro, que por razões históricas tem elevada preferência pelo curto prazo; b) aprofundamento financeiro (financial deepening). A presença do estrangeiro elevará a liquidez dos papéis públicos, ampliando o seu mercado secundário. Cairá o risco de investir em volumes maiores de papéis públicos prefi xados. Se maior número de investidores freqüentar esse mercado, reduz-se o risco de liquidez e assim, sucessivamente, em um círculo virtuoso;

c) nova restrição ao populismo e ao arbítrio dos governantes. Aumenta o risco percebido de alterações na política econômica, pois a fuga de capitais investidos em papéis públicos teria efeito devastador tanto para os detentores dos papéis quanto para a estabilidade macroeconômica. Eleva-se o poder da disciplina de mercado para monitorar o voluntarismo inconseqüente; d) formação de uma curva a termo longa de juros de papéis públicos, o que contribuirá para criar um mercado de dívida privada de longo prazo, com reflexos positivos para o crescimento do PIB potencial; e) efeito fiscal líquido positivo. Como é fácil demonstrar, a redução dos custos da dívida é superior à renúncia fiscal derivada da isenção. Além do mais, a perda efetiva de arrecadação é inferior àquela que tem sido mencionada. É que cerca de 57% da receita são obrigatoriamente gastos via mecanismos de partilha e vinculação dos recursos (44% para Estados e municípios, 3% para fundos regionais de desenvolvimento e quase 10% – 18% do saldo – para dispêndios em educação). Em resumo, além de ser justifi cada pela mesma lógica que preside a desoneração da incidência de impostos indiretos nas exportações, a isenção do IR para investidores estrangeiros veio em hora apropriada e pode gerar várias externalidades positivas (mnobrega@tendencias.com.br)


balanço 2005

Flávio Roberto Guarnieri

Avaliação do desempenho da indústria de bens de capital TEREZA MARIA FERNANDEZ DIAS DA SILVA, SÓCIA DA MB ASSOCIADOS

O crescimento da economia brasileira em 2005 ficou abaixo das expectativas, com o PIB apresentando uma evolução de apenas 2,3%. Quando analisado pelo lado da oferta, a indústria foi a que mais contribuiu para que o desempenho não fosse pior, com um crescimento de 2,5%, puxada pelo setor extrativo mineral (10,9%). A indústria de transformação, entretanto, cresceu somente 1,3%, bem abaixo dos 7,7% de 2005 Nesse contexto, o desempenho da indústria de bens de capital foi até positivo em 2005, mesmo apresentando níveis de crescimento inferiores aos de 2004. O faturamento nominal cresceu 18,3% em 2005 (R$ 55,9 bilhões), enquanto em 2004 tinha evoluído 34,5%. Tampouco houve alteração substancial na utilização da capacidade instalada, medida pelo número de semanas necessárias para atender os pedidos em carteira, que caiu apenas 0,8% passando de 81,75% para 81,10%. Também foram positivos os dados de emprego. A indústria encerrou o ano com 212,5 mil empregados, crescimento de 6,5% em relação a 2004. O consumo aparente, em termos de faturamento, apresentou evolução de 17,8% contra um crescimento de 24,8% no ano anterior. A participação das exportações no faturamento total passou de 42,3% em dezembro de 2004 para 37,3% em dezembro de 2005. O desempenho por segmento, no entanto, mostra fotografias dife-

Gráfico II.1. - Crescimento do faturamento do setor de bens de capital mecânico por segmento 2005/2004 (em %)

Válvulas Industriais Máquinas e Equipamentos para Madeira

15,2 -16,3

Máquinas Gráficas

13,3

Máquinas para Artigos Plásticos

9,0

Hidráulica e Pneumática

2,5

Mecânica Pesada

99,5

Bombas e Motobombas

9,2

Máquinas e Implementos para a Agricultura -37,3 Máquina-Ferramenta

0,5

Máquinas e Acessórios Têxteis

11,1

Máquinas e Equipamentos

18,3

-60,0 -40,0 -20,0 0,0

Fonte: Abimaq. Elaboração: MB Associados

20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 120,0

Gráfico II.2. - Produção industrial de bens de capital crescimento acumulado em 12 meses (em %) 50 40

Bens de capital para fins industriais Bens de capital para o setor de energia elétrica Bens de capital de uso misto

Bens de capital para construção Bens de capital equipamentos de transporte

30 20 10 0 -10 jan/04 mar/04

mai/04 jul/04

set/04

nov/04 jan/05 mar/05 mai/05

jul/05

set/05

nov/05

jan/06

Fonte: IBGE. Elaboração: MB Associados

renciadas. Enquanto o segmento de mecânica pesada, cujos equipamentos são aplicados na siderurgia, petróleo,

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mineração, automobilística, energia elétrica e construção, faturou 99,5% a mais que em 2004, o segmento de FINANCEIRO


máquinas e implementos para a agricultura teve uma retração de 37,3% no ano. Estas diferenças estão apontadas no gráfico II.1. Investimentos nas áreas de petróleo e gás, siderurgia, mineração e papel e celulose, somados a um bom desempenho em exportações de motores, máquinas rodoviárias e com alguma participação de máquinas ferramenta, contribuíram para o resultado positivo. Os dados de produção física do IBGE corroboram as estatísticas da Abimaq quando apontam forte crescimento nos segmentos de construção e energia (classificados dentro de mecânica pesada na Abimaq) (gráfico II.2.). Grande parte deste crescimento direcionou-se, domesticamente, à indústria extrativa mineral, cujo setor cresceu bastante no País. Vale notar que o quantum das exportações desses dois setores foi o que mais se expandiu em 2005, também (cerca de 24% comparado com os 18% da expansão do quantum de bens de capital como um todo), o que é explicado pelo crescimento do setor de construção nos EUA, maior comprador de máquinas relacionadas ao setor, e pela demanda chinesa por máquinas geradoras e transformadoras de energia (a China passou os EUA em 2005 como maior comprador desses produtos). Comparando dezembro de 2005 com dezembro de 2004, a exportação desses setores ainda cresce fortemente (35,7%) e é reflexo da forte demanda desses países específicos por esses produtos. O desempenho geral do setor de bens de capital ainda em 2005, entretanto, esconde problemas que deverão ser enfrentados em um futuro não muito distante. A valorização do câmbio, tirando competitividade de alguns segmentos mais rapidamente que de outros, já começa a se manifestar. O gráfico II.3. indica claramente a desaceleração das exportações e a recuperação das importações, com a produção desacelerando a partir do último quadrimestre do ano passado. À valorização do câmbio soma-se a competitividade chinesa, principalmente no fornecimento de equipaACREFI

Gráfico II.3. - Produção, exportação e importação de bens de capital crescimento acumulado em 12 meses (em %)

80 60

Exportação Importação Produção

40 20 0 -20 -40 jan/02 abr/02 jul/02 out/02 jan/03 abr/03 jul/03 out/03 jan/04 abr/04 jul/04 out/04 jan/05 abr/05 jul/05 out/05 jan/06 Fonte: Funcex, IBGE. Elaboração: MB Associados

mentos para as áreas de siderurgia, mineração e cimento, máquinas injetoras para o setor de plásticos e máquinas ferramentas seriadas como prensas, por exemplo. Os chineses são imbatíveis na fabricação de máquinas para o setor gráfico e têxtil, segmentos que estão praticamente desaparecendo no Brasil. Em geral, os preços chineses são, em média, 50% abaixo dos nacionais. A manutenção do poder de compra da moeda chinesa, o Yuan, somado ao custo unitário da mão de obra e a sua escala de produção, tornam os produtos chineses imbatíveis, até porque os seus produtos são de qualidade, principalmente aqueles dirigidos à área siderúrgica. Outro segmento que deve começar a importar máquinas e equipamentos da China é o petroquímico, na parte de caldeiraria, torres, bombas, válvulas, compressores, entre outros. No Brasil o fabricante se adapta ao cliente, na China o cliente está se adaptando ao fornecedor. Na parte de projetos com fabricação de máquinas especiais, são fracos e não conseguem avançar. Na área de bens de capital, outro movimento importante que está acontecendo no mercado internacional é a mudança do pólo de fabricação europeu, na tentativa de se adaptar à concorrência chinesa. As indústrias estão transferindo sua produção para países do Leste Europeu, onde a competitividade se assemelha a do país asiático, ou estão se mudando para a própria China. Esse movimento poderá afetar

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as nossas exportações para a Europa. Para o exercício de 2006, as expectativas já não são tão promissoras. Estimativas da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) projetam faturamento inferior ao do ano passado (queda de 5% a 10%). Este ano, o segmento de mecânica pesada deixará de contribuir ao crescimento da indústria, como em 2005, devido à continuidade do aumento das importações, especialmente as chinesas, cujo crescimento o ano passado já foi de 102%, tendo atingido US$ 275 milhões. Somente a aquisição de um alto forno e de uma coqueria pelo Grupo Gerdau no início desse ano significou importações de US$ 252 milhões. Com a manutenção do câmbio nos patamares atuais, os investimentos da Companhia Siderúrgica do Atlântico, projeto em implantação no Rio de Janeiro, devem levar à importação da maior parte dos seus equipamentos. Outro movimento que começa a aparecer é a substituição de exportação de bens finais por partes e peças, a exemplo do que foi anunciado pela Cummins do Brasil, maior produtora de motores diesel do mundo, que começa a montar o produto em novos mercados, como, por exemplo, a China. Em relação ao mercado interno, os segmentos de petróleo e gás, açúcar e álcool, infra-estrutura e celulose deverão impedir que a queda do faturamento do setor não seja maior ainda


cultura

JOSÉ LUIZ GOLDFARB, COORDENADOR DOS PROGRAMAS UM ESTADO DE LEITORES E ESCRITORES E SEUS LEITORES DA SECRETARIA ESTADUAL DE CULTURA Todos sabemos que os indíces de leitura per capita em nosso País são dos mais baixos do planeta. Este fato é evidenciado por diversos estudos e estatísticas que permanentemente são publicados por organismos nacionais e internacionais destacando (melhor seria dizer, lamentando) o Brasil nos últimos lugares, quando a questão é capacidade de retenção e interpretação de informações através da leitura. Também já sabemos, através do estudo de especialistas na questão, que o principal fator determinante desta realidade consiste no fato de não termos o hábito da leitura por prazer. Seja na classe A ou na classe E, seja o empresário, o professor, o estudante, não há o gosto pela leitura em nosso País! Alterar um hábito cultural é tarefa difi cílima de ser alcançada. Não há um agente isolado na sociedade que pode tomar a si este desafio: não é tarefa isolada para a escola, a família, a mídia, o governo em qualquer nível, o setor privado, o tercerio setor. São situações em que a solução dependerá da mobilização de todos os agentes numa ação coordenada e conjunta. Dentro deste entendimento, no dia 23 de abril de 2003, dia Mundial do Livro, Geraldo Alckmin, Governador do Estado de São Paulo, sancionou o Decreto no. 47.783, de 23 de abril de 2003, instituindo o programa estadual de leitura denominado “SÃO PAULO: UM ESTADO DE LEITORES”.

Seja na classe A ou na classe E; seja o empresário, o professor ou o estudante, não há o gosto pela leitura em nosso País

Num primeiro momento, preocupou-se em saber em que medida o livro estava ou não ao alcance de toda a população do Estado, por meio de bibliotecas públicas municipais; afinal cientes das condições de renda média familiar de grande parte da população, de nada adiantaria promovermos o hábito da leitura sem a possibilidade do acesso aos livros via biblioteca pública. Após apurar, em levantamento realizado, que oitenta e quatro cidades do Estado sequer dispunham da oferta pública de um acervo básico de livros, o objetivo de curto prazo fixado foi a inauguração de 84 bibliotecas, de modo a zerar o número de municípios sem este equipamento cultural, o que aconteceu até meados do ano de 2005. Esta tarefa foi realizada apoiada no tripé: estado, prefeitura e setor privado. À Prefeitura coube disponibilizar o espaço físico e um funcionário para operar a biblioteca municipal; o parceiro privado (na verdade pessoas

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Divulgação

Em São Paulo, programas do Governo Estadual estimulam o prazer pela leitura

físicas, Ongs e empresas públicas ou privadas que passamos a denominar de Padrinhos das Bibliotecas) responsabilizou-se pelo fornecimento direto de um acervo básico de livros (mil títulos indicados por especialistas contatados pela Secretaria) e um computador com configuração mínima. Os padrinhos receberam em contrapartida uma placa referência na biblioteca adotada com sua logomarca. Também tiveram direito à divulgação da inauguração através da assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura (sites, agendas culturais etc), além de divulgar a adoção livremente em seus websites e demais veículos de comunicação de seu interesse. Numa verdadeira maratona, de quase dois anos percorremos milhares de quilômetros, conhecendo cada fronteira de nosso Estado, inaugurando oitenta e quatro novas bibliotecas. Cada inauguração significou uma grande festa no município contemplado com o novo equipamento cultural. Presença massiva da população (todas as faixas etárias), apresentações artísticas (pudemos conhecer profundamente a rica cultura popular de nosso Estado), autoridades religiosas, militares, professores e alunos das escolas municipais e estaduais, representantes do comércio local, vereadores locais e de municípios vizinhos, prefeitos... Foram 84 celebrações do livro e da leitura. Atingida a primeira meta de zerar o número de municípios sem biblioteca, espontaneamente foi plantada a semente da continuidade do programa, FINANCEIRO


a revitalização de bibliotecas públicas já existentes. Replicando o efeito sinérgico, que conferiu ao programa em 2004 o reconhecimento estadual do seu valor como gestão pública modernizada, está sendo utilizada a mesma estratégia. A Secretaria de Estado da Cultura continua atuando como articuladora de esforços das mais variadas esferas do setor público (tanto no sentido vertical como horizontal), da iniciativa privada, de organizações sociais, de pessoas físicas e de todos que estiverem dispostos a se engajar na tarefa de responsabilidade social em prol da leitura. Os prefeitos dos municípios vizinhos vendo as bibliotecas recém inauguradas procuram-nos buscando o apoio para que sua biblioteca municipal seja revitalizada, recebendo o novo acervo e o computador. Evidentemente, encontramos realidades distintas em nossas andanças. Muitas vezes percebemos que municípios com a mesma renda tem resultados díspares em suas administrações. Aprendemos que a questão financeira é um problema mas não é em hipótese alguma o único problema! Outra meta foi a identificação dos mais variados espaços públicos de concentração ou passagem de pessoas, seja em situações de espera, circulação, moradia ou mesmo internação e confinamento para neles se criar uma rede localizada de Salas de Leitura, de modo a levar o livro ao alcance de um maior número de pessoas, entre as quais aquelas que não tenham esta facilidade, como regiões periféricas de municípios. Para tanto, optou-se pela realização de parcerias com as mais diversas instituições que dispunham desses locais. Por outro lado, aqui também mostrou-se necessário o investindo na capacitação dos responsáveis pelas Salas de Leitura, situadas em regiões distantes do centro metropolitano desta megalópole, para que esses espaços, mais do que dispor de livros para empréstimo, sejam dinâmicos e tenham se potencial utilizado, transformando-se assim em polos descentralizados de difusão ACREFI

Mostrou-se necessário o investimento na capacitação dos responsáveis pelas Salas de Leitura situadas em regiões distantes do centro metropolitano

de conhecimento. Aqui pudemos em alguns casos contar com padrinhos mas na maioria das Salas de Leitura implantadas utilizamos livros doados ao programa. Na verdade, desde o lançamento do trabalho criamos um verdadeiro Banco de Livros no prédio da Sala São Paulo; com constantes doações treinamos uma equipe para formar kits de 600 a 1000 livros para a implantação de Salas de Leituras. Para se ter uma idéia dos resultados da mobilização espontânea da população somada a ações coordenadas por empresas, ong’s, clubes, em 2004 redistribuímos 2004 livros, em 2005, 180.000 e temos a meta para 2006 de 250.000 livros. Hoje já contabilizamos mais de 100 unidades inauguradas em conjuntos habitacionais (acordo de cooperação com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano CDHU - Secretaria Estadual de Habitação), Centros de Integração da Cidadania - CICs (acordo com a Secretaria Estadual de Justiça e Defesa da Cidadania), hospitais (acordo de cooperação com a Secretaria Estadual de Saúde), penitenciárias (acordo de cooperação com a Fundação “Dr. Manoel Pedro Pimentel” de Amparo ao Preso - FUNAP, ligada à Secretaria de Estado da Administração Penitenciária), em centros desportivos (acordo com a Secretaria Estadual da Juventude Esporte e Lazer - SEJEL), em escolas de samba (em parceria interna com o Projeto Barracão do Departamento

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de Formação Cultural desta Secretaria). Fruto de parceria com instituições diversas, foram inauguradas salas de leitura no Centro de Convivência do Parque Novo Mundo (da Secretaria de Assistência de Desenvolvimento Social), no Espaço Cultural Comunitário Heliópolis (95º Distrito Policial da Secretaria de Segurança Pública) e outras. O portal de apoio www.leialivro. sp.gov.br foi criado logo em 2003 no início de nossas atividades com o objetivo de formar uma comunidade virtual de leitores que ajude a difundir e exercitar a prática da leitura. Funciona como um blog coletivo, aberto à colaboração de quem quiser compartilhar seus textos, idéias sobre livros e temas relacionados à literatura. Os usuários podem enviar trocar sugestões de leituras e compartilhar links de artigos ou resenhas publicadas na internet. Adicionalmente, a partir de uma parceria com as Rádios Cultura FM (103,3 MHz) e Cultura AM (1200), as melhores sugestões de resenha inseridas no site são editadas em formato radiofônico e se tornam boletins de um minuto, que são transmitidos ao longo da programação da Cultura, em horários diversos. Cada dia vai ao ar uma resenha nova dando ao autor do texto o crédito e também um livro de sua escolha, entre a lista de lançamentos doados por editoras parceiras. Por último, vem sendo empreendido um grande esforço no sentido de divulgação da leitura, seja com a criação de campanhas de propaganda, seja com a produção de eventos ou quaisquer outras ações relacionadas que tenham potencial de disseminar a atividade que permite à população desenvolver-se em direção ao assim chamado letramento em leitura. (Conforme relatório disponível no site http://www.pisa.oecd.org , letramento em leitura é “a compreensão, o uso e a reflexão sobre textos escritos para alcançar objetivos pessoais, desenvolver o conhecimento e potencial individuais e participar plenamente na vida em sociedade”).


cultura Acreditar na leitura como instrumento de inclusão social é um dos princípios básicos em que se apóia a ação pró-letramento de nosso programa. Citamos algumas das principais ações empreendidas até o momento pelo programa em prol da difusão do hábito da leitura por prazer: 1. Instituição do selo “Iniciativa amiga da leitura” - Para garantir o reconhecimento estadual do valor de entidades – públicas e privadas – que tenham ação comprovada em direção ao mesmo objetivo do programa. 2. Instituição do prêmio “Prefeito amigo da leitura” - Patrocinado pelo setor privado ofereceu aos 10 municípios que se destacaram na área um microcomputador com scanner e impressora, para dinamizar o trabalho da biblioteca municipal. 3. Campanha publicitária - Protagonizada por artista de destaque na mídia, Wanessa Camargo, que cedeu sua imagem pro bono para a realização de clips na televisão, outdoors e cartazes de divulgação, e participação nas inaugurações de Bibliotecas e Salas de Leitura. 4. Corredor Literário na Paulista evento com que, em 2005, a Secretaria de Estado da Cultura, em parceria com a Associação Paulista Viva, marcou presença no ano Ibero-Americano da Leitura. A ser repetido neste ano de 2006 (2 a 8 de outubro próximo), inseri-se no calendário cultural da cidade. Esse esforço coletivo presenteou a cidade com 400 atividades gratuitas distribuídas ao longo de 30 espaços localizados na avenida, aclamada como cartão

O novo programa “Escritores e seus leitores” tem o objetivo de desencadear a promoção de debates literários

postal de São Paulo. Meta paralela foi a criação de 3 salas de leitura, com o produto de doações de livros da editora participantes. Importante ressaltar que o “Corredor Literário na Paulista” aconteceu praticamente sem custo para esta pasta, graças ao empenho das empresas parceiras que cederam locais e atividades. Finalizamos com o novo programa “Escritores e seus leitores”, uma iniciativa especial do Secretário Estadual da Cultura João Batista de Andrade com o objetivo de desencadear nas bibliotecas municipais e salas de leitura a promoção de debates literários e o contato com o pensamento brasileiro contemporâneo, que se dá com a visitação de escritores, editores, críticos e livreiros numa caravana literária. Enquanto ações anteriores concentraram-se na ampliação de leitores, este novo programa (colocado em ação em 2006) quer ampliar o conceito, mantendo o apoio às bibliotecas municipais, mas

trazendo também a mobilização de outros agentes relacionados à produção literária, especialmente o escritor. O Programa tem recebido grande apoio da mídia na difusão de suas ações e realizações e recebeu alguns prêmios: Prêmio Gestão SP (oferecido pelo Governo do Estado) na categoria “modernização de gestão pública” em 2004, pela capacidade de atrair e realizar parcerias, Prêmio Gestão SP (oferecido pelo Governo do Estado) na categoria “uso das tecnologias de informação e comunicação” em 2004, pelo desenvolvimento do portal LeiaLivro, homenagem da DINAP S/A (Distribuidora Nacional de Publicações) e editora ABRIL à Secretaria de Estado da Cultura pela Campanha do Desarmamento Infantil em 2005, a participação da Secretaria aconteceu por meio de todas as bibliotecas recém inauguradas, que se transformaram em locais de troca de armas de brinquedo por revistas oferecidas pela editora Abril. No final do ano, houve uma cerimônia coletiva de destruição das armas no evento “Corredor Literário na Paulista”. Assim caminha nossa mobilização em pról da leitura. Creio que transformamos o decreto do governador em uma verdadeira mobilização. Estamos em busca de novos parcerios. Todos são mais do que bem vindos! Mais de 500 já se passaram... é hora de fazermos São Paulo um Estado de Leitores! (jlgoldfarb@sp.gov.br)


variedades

Falando de Vinhos...

Três em um

OPIMIANO, ENOCULTOR/PHD - PROMOTOR DE HOMÉRICAS DEGUSTAÇÕES

Novo site da Acrefi abre ao usuário a possibilidade de escolher o visual que mais lhe agrade.

Um dos maiores prazeres da vida está na arte de degustar, saborear e beber um bom vinho. Quando ele chega na boca, aromático, cheiroso e misterioso, abre em nossas almas o lirismo e a poesia, levando-nos a um bom humor quase imediato. Tudo começa na hora da escolha. E para fazer a escolha certa, não faltam desafios. Afinal de contas, o que queremos beber? Qual será o acompanhamento do bom vinho? Aonde comprá-lo a um preço acessível, que não fira nossos bolsos? Será que o nosso gosto agradará os outros comensais ou a namorada? Onde comprá-lo, afinal de contas há vinhos nas prateleiras dos supermercados, dos bares e restaurantes, das casas de delicadezas e até nas farmácias? Aqui vai uma regra de bolso: para comidas leves, vinhos suaves; e para pratos fortes e apimentados, vinhos mais poderosos, marcantes, de sabor pronunciado. Primeiro, oferecer os mais leves, depois, os mais concentrados. Os mais novos antes e os mais velhinhos depois. E são tantos os vinhos! Há brancos, rosés e tintos, se classificados pela cor. Há secos e doces, se analisados pelo teor de açúcar. Há leves e líquidos e tantos outros encorpados e licorosos. Há novos e outros velhos. Há os que se bebem verdes, rapidamente, porque senão estragam logo, e os vinhos de guarda, que são capazes de evoluir e pronunciar aromas incríveis após 30, 40 ou mais anos numa adega, num sótão. Não bastasse, o mundo todo produz vinho. A bebida tem aproximadamente 7.500 anos, segundo os estudiosos. Ela começou a ser feita das uvas vitíferas persas, na Ásia, e servia-se em ACREFI

festas e cerimônias que todos os reis e rainhas promoviam com alegria. Os vinhos franceses são considerados os melhores e os mais famosos do mundo. Mas não se pense que lá só tem vinho bom. Há muita produção intragável. Por isto, vale a pena variar, buscar os vinhos do Napa Valley na Califórnia; os chilenos, que são produzidos em rochas de vulcões, alguns ainda atuantes e que recebem a leve brisa do Pacífi co; os neozelandeses, que cheiram a mel e cera de abelhas; os sul-africanos, que trazem consigo o sabor herbáceo das pradarias e savanas; e de tantos outros lugares com que se queira sonhar. O Brasil também está produzindo bons vinhos, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, em Minas Gerais e no árido Nordeste, em Pernambuco e na Bahia. Seus espumantes estão ficando a cada dia mais deliciosos, bem borbulhantes, cheios de picardia, prontos para a festa. Se antes as variedades americanas labrusca imperavam na lavoura vinícola, agora, com profissionalismo, as vinícolas estão plantando as melhores vinhas do mundo no Brasil. Saímos devagar da Isabel e da Bordô, para as fantásticas Cabernet Sauvignon, Syrah, Pinot Noir e Chardonnay, que darão cada vez mais o que falar. Por isto, seja qual for a sua capacidade de comprar, de beber e de arregimentar a família e os amigos para um bom momento de vinhos, carnes, peixes, salgadinhos, queijos ou doces, tenha vários tipos de vinhos, de origens variadas. A sua adega vai tomar uma forma internacional e suas opções facilitarão a escolha do vinho certo na hora certa

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Entrou em operação, no fim da primeira quinzena de março, o novo site da Acrefi. Desenvolvido pela EDF Design Gráfico/ Web Design, o projeto teve como objetivo ampliar a interatividade, tornar a navegação mais amigável e atrair maior número de visitas. Além do novo visual, quem visitar www.acrefi.org.br vai encontrar outras novidades. A primeira delas, é a possibilidade de escolher entre as três versões disponíveis – azul, prata e vermelho –, a que mais lhe agrade. Feita a escolha, através de um dos botões numerados existentes no cabeçalho de todas as páginas, sempre que o usuário voltar, essa será a versão em que o site abrirá. A mudança de versão pode ser feita sempre que o usuário desejar. Outra novidade, foi estender a todas as páginas a programação de palestras e cursos oferecidos pela Acrefi, para que o visitante tenha sempre a informação disponível a um clique. Também a estrutura de navegação foi alterada, tornando mais fácil e rápido o acesso aos vários itens do conteúdo. O site da Acrefi agora tem um livro de visitas, no qual o internauta pode deixar suas impressões e encaminhar sugestões. O primeiro registro foi feito por José Luiz Goldfarb, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, que escreveu: “Está realmente excelente. Parabéns a toda a equipe envolvida na produção.”


artigo

Política econômica de quem? Luiz Carlos Casagrande

Eu estou convencido de que a política econômica adotada por esse governo e que teve seu início no governo anterior não pertence mais nem a esse nem àquele e muito menos a um conjunto de pessoas ou mesmo a uma pessoa só. As conquistas de nossa sociedade no campo econômico não serão jogadas fora por nenhum governante que venha alçar o posto de presidente da República. Conquista é conquista. Ninguém tira! Há uns meses eu escrevi um artigo em que mostrava a importância de Antônio Palocci na condução da política econômica e, defendi que, sem ele, correríamos grandes riscos. Pois bem, mais uma vez eu vejo o hoje ministro Palocci enrascado. Torço para que realmente ele esteja falando a verdade, afinal sempre se mostrou um homem de caráter em suas palavras firmes e de muita competência em seus atos. Mas já não apostaria todas as minhas fichas na permanência no ministério da Fazenda. Nem mesmo sei se quando esse artigo for publicado ele ainda será ministro. De qualquer forma, o mais importante para mim, nesse momento, já não é a permanência de Palocci na Fazenda. Preciso ressaltar um sentimento que venho tendo nos últimos meses e que, creio, seja de grande parte do povo brasileiro: mude ou não o ministro,

JOSÉ ARTHUR ASSUNÇÃO, VICE-PRESIDENTE DA ACREFI E DIRETOR DA ASB FINANCEIRA

Não creio mais que a certeza da continuidade da política econômica esteja depositada numa só pessoa

mude ou não o presidente, a economia brasileira seguirá, em passos firmes, para a sua consolidação. Ninguém poderá mais brincar na condução da política econômica. Não se podem aceitar irresponsabilidades do tipo: por que não uma taxa de inflação um pouquinho maior em prol do crescimento do país? Esse filme já foi visto várias vezes. Um país só cresce verdadeiramente construindo bases e instituições sólidas. O governo de Fernando Henrique criou as bases dessa política econômica, corrigindo alguns desvios de percurso ao longo do caminho, como no caso do câmbio. O governo Lula elevou o superávit primário e vem promovendo uma revolução no comércio exterior. Mesmo com o dólar tão baixo, nossa balança comercial continua bastante superavitária. Mas não quero enaltecer nem

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Fernando Henrique nem Lula. Quero enaltecer sim a luta por uma sociedade mais justa, que propiciou a estabilização monetária do Brasil, depois de tantos planos fracassados, e a construção de um ambiente econômico favorável ao investimento. Evidentemente muitos percalços ainda existem pelo caminho. Caberá ao novo presidente ou a um próximo mandato de Lula diminuir os gastos correntes para que se invista mais no País. Caberá também uma diminuição da carga tributária, que só aumenta ano a ano. Não vejo espaço para retrocesso. Não creio mais que a certeza da continuidade da política econômica esteja depositada numa só pessoa. Seja o ministro da Fazenda que for, seja o presidente que for, a economia brasileira vai continuar avançando e resolvendo seus problemas estruturais para que, num futuro muito próximo, sejamos um modelo de desenvolvimento para o mundo. Uma visão que muitos diriam ser ufanista, mas que eu não abro mão por conhecer a potencialidade desse país e principalmente desse povo. Admiro Antônio Palocci, sobretudo sua competência. Mas já não consigo julgá-lo imprescindível. Esteja ele ministro ou não, os avanços econômicos serão preservados e inexoravelmente o Brasil vai seguir avançando no seu trajeto rumo ao Primeiro Mundo FINANCEIRO


banco de dados por INEPAD TAXAS MÉDIAS GERAL DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

46,4 46,7 47,1 47,8 47,3 47,2 47,4 48,1 48,2 47,1 45,9 46,1 46,2

0,2 0,3 0,4 0,7 -0,5 -0,1 0,2 0,7 0,1 -1,1 -1,2 0,2 0,1

18,8 19,0 19,4 19,4 19,2 19,0 18,9 18,7 18,4 17,7 17,1 16,4 16

0,5 0,2 0,4 0,0 -0,2 -0,2 -0,1 -0,2 -0,3 -0,7 -0,6 -0,7 -0,4

27,6 27,7 27,7 28,4 28,1 28,2 28,5 29,4 29,8 29,4 28,8 29,7 30,2

-0,3 0,1 0,0 0,7 -0,3 0,1 0,3 0,9 0,4 -0,4 -0,6 0,9 0,5

Variação fev-fev

-0,2

-2,8

2,6

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA FÍSICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

61,8 61,6 61,7 62,5 61,3 61,3 61,1 62,1 61,7 60,4 59,3 59,7 59,2

-0,2 -0,2 0,1 0,8 -1,2 0,0 -0,2 1,0 -0,4 -1,3 -1,1 0,4 -0,5

18,6 18,7 19,1 18,9 18,4 18,2 18,2 18,0 17,8 17,2 16,5 16,0 15,5

0,4 0,1 0,4 -0,2 -0,5 -0,2 0,0 -0,2 -0,2 -0,6 -0,7 -0,5 -0,5

45,4 45,3 45,4 43,6 42,9 43,1 42,9 44,1 43,9 43,2 42,8 43,7 43,7

0,2 -0,1 0,1 -1,8 -0,7 0,2 -0,2 1,2 -0,2 -0,7 -0,4 0,9 0,0

Variação fev-fev

-2,6

-3,1

-1,7

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA JURÍDICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

32,4 32,9 33,3 33,7 33,4 33,0 33,2 33,3 33,4 32,4 31,7 31,3 31,6

0,2 0,5 0,4 0,4 -0,3 -0,4 0,2 0,1 0,1 -1,0 -0,7 -0,4 0,3

18,9 19,2 19,6 19,9 19,8 19,6 19,5 19,2 18,9 18,2 17,7 16,8 16,5

0,6 0,3 0,4 0,3 -0,1 -0,2 -0,1 -0,3 -0,3 -0,7 -0,5 -0,9 -0,3

13,5 13,7 13,7 13,8 13,6 13,4 13,7 14,1 14,5 14,2 14,0 14,5 15,1

-0,4 0,2 0,0 0,1 -0,2 -0,2 0,3 0,4 0,4 -0,3 -0,2 0,5 0,6

Variação fev-fev

-0,8

-2,4

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

23

1,6


banco de dados por INEPAD SPREAD FINANCEIRO

CRÉDITO PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL Volume

50,0 45,0 40,0 35,0

SPREAD FINANCEIRO

30,0 25,0 20,0

Aplicação

71,00

65.000

70,50

60.000

70,00

55.000

69,50

50.000

69,00

45.000

68,50

40.000

68,00

35.000

67,50

30.000

fev/06

jan/06

dez/05

nov/05

out/05

set/05

ago/05

jul/05

jun/05

mai/05

abr/05

mar/05

fev/05

15,0

Taxa Juros

70.000

67,00

fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez jan fev 05 05 05 05 05 05 05 05 05 05 05 06 06

Captação

Volume

Taxa de Juros

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - PREFIXADOS (R$ milhões) MÊS / ANO

CHEQUE ESPECIAL

VARIAÇÃO EM %

CRÉDITO PESSOAL

VARIAÇÃO EM %

FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO

VARIAÇÃO EM %

CARTÃO DE CRÉDITO

VARIAÇÃO EM %

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

11 071 11 502 11 550 12 044 11 790 11 647 12 265 12 297 12 509 12 527 10 974 12 224 11 781

4,77% 3,89% 0,42% 4,28% -2,11% -1,22% 5,31% 0,26% 1,73% 0,15% -12,40% 11,39% -3,62%

47 218 49 965 52 333 54 345 55 426 57 270 59 015 60 531 61 650 63 255 63 444 64 987 66 583

5,44% 5,82% 4,74% 3,84% 1,99% 3,33% 3,05% 2,57% 1,85% 2,60% 0,30% 2,43% 2,46%

1 072 1 057 1 047 1 053 1 049 1 028 1 037 948 947 947 956 909 847

-0,42% -1,38% -0,97% 0,59% -0,42% -1,97% 0,83% -8,53% -0,08% -0,03% 0,95% -4,93% -6,77%

9 440 9 231 9 942 10 051 10 196 10 512 10 687 11 211 11 495 11 774 11 260 11 472 12 208

8,36% -2,21% 7,70% 1,10% 1,44% 3,10% 1,67% 4,90% 2,53% 2,43% -4,37% 1,89% 6,41%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados/continuação (R$ milhões) AQUISIÇÃO MÊS / ANO fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

VEÍCULOS

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

39 340 40 221 40 958 41 795 42 723 43 636 45 044 46 218 47 406 48 935 50 685 52 057 53 289

1,25% 2,24% 1,83% 2,04% 2,22% 2,14% 3,23% 2,61% 2,57% 3,23% 3,57% 2,71% 2,37%

7 313 7 394 7 578 7 992 8 351 8 824 9 416 9 471 9 621 10 031 10 229 10 191 10 161

-0,83% 1,10% 2,48% 5,47% 4,50% 5,66% 6,71% 0,58% 1,59% 4,26% 1,98% -0,38% -0,29%

46 653 47 615 48 535 49 787 51 074 52 460 54 460 55 689 57 027 58 966 60 914 62 247 63 450

0,92% 2,06% 1,93% 2,58% 2,59% 2,71% 3,81% 2,26% 2,40% 3,40% 3,30% 2,19% 1,93%

5 834 6 177 6 437 6 889 7 097 7 349 7 702 8 016 8 144 8 414 7 643 8 387 8 552

3,78% 5,88% 4,21% 7,02% 3,02% 3,56% 4,79% 4,09% 1,59% 3,32% -9,17% 9,73% 1,97%

121 288 125 547 129 844 134 169 136 632 140 266 145 166 148 692 151 773 155 884 155 190 160 226 163 421

3,68% 3,51% 3,42% 3,33% 1,84% 2,66% 3,49% 2,43% 2,07% 2,71% -0,44% 3,24% 1,99%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

24

FINANCEIRO


VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - CRÉDITO CONSIGNADO (R$) MÊS / ANO fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 Var. fev-fev

CRÉDITO PESSOAL* 47.218 49.965 52.333 54.345 55.426 57.270 59.015 60.531 61.650 63.255 63.444 64.987 66.583 141,0%

CONSIGNADO Públicos

Privados

Total

Amostra**

17.557 19.159 20.594 22.008 22.701 24.024 25.301 26.239 26.961 27.658 28.325 29.550 30.017

2.786 2.920 3.109 3.297 3.453 3.651 3.840 4.070 4.200 4.283 3.987 4.112 4.217

20.343 22.080 23.703 25.305 26.154 27.675 29.141 30.309 31.160 31.941 32.312 33.662 34.235 168,3%

14.038 15.545 16.625 17.897 18.833 19.712 20.773 21.488 22.076 22.829 22.981 23.828 24.325 173,3%

% Consignado***

Concentração Taxa de Juros %aa do Consignado Estimativa INEPAD Consignado Pessoal Diferença

43,1% 44,2% 45,3% 46,6% 47,2% 48,3% 49,4% 50,1% 50,5% 50,5% 50,9% 51,8% 51,4%

69,0% 70,4% 70,1% 70,7% 72,0% 71,2% 71,3% 70,9% 70,8% 71,5% 71,1% 70,8% 71,1% 103,0%

38,9% 38,6% 38,4% 37,5% 37,5% 37,4% 37,2% 37,0% 37,2% 36,5% 36,1% 37,0% 36,1%

70,0% 68,7% 68,7% 69,9% 68,6% 69,4% 69,5% 70,6% 70,3% 68,7% 67,3% 68,9% 68,6%

30,9% 29,8% 30,1% 31,5% 31,1% 31,9% 32,1% 33,4% 33,4% 31,5% 30,8% 32,8% 31,6%

FONTE: INEPAD / BC * Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito. ** Pesquisa com treze das maiores instituições que operam com crédito pessoal. *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal

INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS CRÉDITO PESSOAL (R$ mil)

Mês/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

41.398.232 43.853.143 45.958.211 47.958.159 49.107.813 50.932.454 52.427.636 53.827.919 54.713.121 55.990.494 56.136.655 57.042.030 58.321.338

1.113.012 1.263.104 1.224.836 1.364.220 1.260.105 1.180.764 1.322.628 1.353.921 1.362.100 1.455.906 1.224.611 1.486.211 1.246.582

2,36% 2,53% 2,34% 2,51% 2,27% 2,06% 2,24% 2,24% 2,21% 2,30% 1,93% 2,29% 1,87%

1.349.410 1.427.796 1.421.446 1.432.355 1.494.652 1.485.848 1.528.370 1.558.238 1.690.157 1.748.058 1.642.233 1.749.070 1.784.257

2,86% 2,86% 2,72% 2,64% 2,70% 2,59% 2,59% 2,57% 2,74% 2,76% 2,59% 2,69% 2,68%

2.649.416 2.800.103 3.078.013 2.951.453 3.013.742 3.145.514 3.288.510 3.397.809 3.547.908 3.723.372 3.782.350 4.011.398 4.343.144

5,61% 5,60% 5,88% 5,43% 5,44% 5,49% 5,57% 5,61% 5,75% 5,89% 5,96% 6,17% 6,52%

47.218.466 49.965.156 52.332.903 54.344.976 55.426.011 57.270.000 59.015.306 60.531.439 61.650.256 63.254.734 63.443.780 64.986.849 66.582.982

5,44% 5,82% 4,74% 3,84% 1,99% 3,33% 3,05% 2,57% 1,85% 2,60% 0,30% 2,43% 2,46%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS (R$ mil)

Mês/Ano

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

Saldo

Com atraso

sem atraso

de 15 a 30 dias

36.219.687 36.869.843 37.642.112 38.206.540 39.234.937 40.002.093 41.251.555 42.259.001 42.968.220 44.340.233 46.288.603 47.223.936 48.235.357

1.183.837 1.386.782 1.275.989 1.458.922 1.359.409 1.448.473 1.544.357 1.510.645 1.733.980 1.697.635 1.613.661 1.780.885 1.628.580

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

3,01% 3,45% 3,12% 3,49% 3,18% 3,32% 3,43% 3,27% 3,66% 3,47% 3,18% 3,42% 3,06%

1.156.706 1.205.748 1.278.733 1.384.923 1.391.475 1.404.040 1.458.118 1.522.771 1.719.567 1.839.634 1.653.627 1.832.465 1.902.362

2,94% 3,00% 3,12% 3,31% 3,26% 3,22% 3,24% 3,29% 3,63% 3,76% 3,26% 3,52% 3,57%

776.871 756.356 758.170 741.774 733.856 776.692 783.591 917.115 974.016 1.046.108 1.115.317 1.216.214 1.302.049

1,97% 1,88% 1,85% 1,77% 1,72% 1,78% 1,74% 1,98% 2,05% 2,14% 2,20% 2,34% 2,44%

39.339.842 40.221.467 40.957.737 41.795.094 42.722.706 43.636.074 45.043.780 46.218.118 47.406.012 48.935.289 50.684.709 52.056.515 53.289.166

1,25% 2,24% 1,83% 2,04% 2,22% 2,14% 3,23% 2,61% 2,57% 3,23% 3,57% 2,71% 2,37%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

25


banco de dados por INEPAD INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

5.990.515 5.948.868 6.107.852 6.445.620 6.790.933 7.190.986 7.699.456 7.790.947 7.837.518 8.165.263 8.457.452 8.582.675 8.179.088

325.200 364.990 357.857 375.047 359.584 372.685 424.811 369.647 394.773 389.994 334.255 420.236 408.345

4,45% 4,94% 4,72% 4,69% 4,31% 4,22% 4,51% 3,90% 4,10% 3,89% 3,27% 4,12% 4,02%

354.267 417.733 418.795 414.913 416.052 406.831 414.857 424.936 446.640 461.045 398.093 422.074 472.486

4,84% 5,65% 5,53% 5,19% 4,98% 4,61% 4,41% 4,49% 4,64% 4,60% 3,89% 4,14% 4,65%

633.331 652.454 683.148 745.969 774.531 830.585 865.811 873.070 928.949 986.686 1.003.506 1.043.799 983.426

8,66% 8,82% 9,02% 9,33% 9,27% 9,41% 9,19% 9,22% 9,66% 9,84% 9,81% 10,24% 9,68%

7.313.439 7.393.980 7.577.546 7.991.679 8.351.397 8.824.004 9.416.143 9.470.618 9.621.180 10.030.622 10.229.173 10.190.601 10.160.569

-0,83% 1,10% 2,48% 5,47% 4,50% 5,66% 6,71% 0,58% 1,59% 4,26% 1,98% -0,38% -0,29%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS - PREFIXADO Fevereiro/2006 (em R$ mil)

INADIMPLÊNCIA - CRÉDITO PESSOAL - PREFIXADO Fevereiro/2006 (em R$ mil) 16,9% Atraso de mais de 90 dias 4.343.144

58,9%

24,2%

Atraso de 15 a 30 dias 1.246.582

Atraso de 31 a 90 dias 1.902.362

21,9%

Atraso de 15 a 30 dias 1.628.580

33,7%

INADIMPLÊNCIA - OUTRAS OPERAÇÕES - PREFIXADO Fevereiro/2006 (em R$ mil) Atraso de 15 a 30 dias 303.992

Atraso de 15 a 30 dias 408.345

14,6% Atraso de mais de 90 dias 1.261.199

52,8% 25,3%

39,4%

Atraso de 31 a 90 dias 1.784.257

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO OUTROS BENS - PREFIXADO Fevereiro/2006 (em R$ mil)

Atraso de mais de 90 dias 983.426

26,9%

Atraso de mais de 90 dias 1.302.049

60,7%

24,6%

Atraso de 31 a 90 dias 472.486

Atraso de 31 a 90 dias 510.861

OUTRAS OPERAÇÕES (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

3.411.009 3.453.875 3.586.571 3.579.408 3.654.442 3.796.891 4.060.034 4.212.346 4.477.039 4.514.410 4.600.843 4.985.299 5.167.569

230.730 218.566 186.260 183.304 207.002 214.947 226.263 243.579 302.742 288.299 287.716 291.463 303.992

3,96% 3,54% 2,89% 2,66% 2,92% 2,92% 2,94% 3,04% 3,72% 3,43% 3,76% 3,48% 3,55%

384.060 383.012 348.687 338.569 356.159 381.234 417.153 446.176 501.179 650.275 842.357 522.083 510.861

6,58% 6,20% 5,42% 4,91% 5,02% 5,19% 5,42% 5,57% 6,15% 7,73% 11,02% 6,23% 5,97%

809.917 783.905 778.224 679.473 705.436 716.611 742.541 791.179 890.238 902.839 870.484 1.143.252 1.261.199

13,88% 12,69% 12,09% 9,86% 9,94% 9,75% 9,64% 9,87% 10,93% 10,73% 11,39% 13,63% 14,75%

5.833.611 6.176.684 6.436.891 6.888.526 7.096.557 7.349.412 7.701.548 8.016.385 8.143.922 8.413.988 7.642.768 8.386.525 8.552.067

3,78% 5,88% 4,21% 7,02% 3,02% 3,56% 4,79% 4,09% 1,59% 3,32% -9,17% 9,73% 1,97%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

26

FINANCEIRO


DESEMPREGO TAXA DE DESEMPREGO (%) DATA

Brasil

Var. p.p.

SP

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

10,60 10,80 10,80 10,20 9,40 9,40 9,40 9,60 9,60 9,60 8,30 9,20 10,10

0,40 0,20 0,00 -0,60 -0,80 0,00 0,00 0,20 0,00 0,00 -1,30 0,90 0,90

11,50 11,50 11,40 10,50 10,50 9,90 9,40 9,70 9,60 9,70 7,80 9,20 10,50

TAXA DE DESEMPREGO Taxa (%)

Var. p.p. 0,40 0,00 -0,10 -0,90 0,00 -0,60 -0,50 0,30 -0,10 0,10 -1,90 1,40 1,30

Fonte: IBGE/INEPAD

Variação (p.p.) 1,00

12,0 11,5

0,50

11,0 10,5

0,00

10,0 9,5

-0,50

9,0 8,5

-1,00

8,0 -1,50

7,5

fev 05

mar 05

abr 05

mai 05

Brasil

jun 05

jul 05

ago 05

set 05

SP

out 05

nov 05

dez 05

jan 06

fev 06

Var. p.p. mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$) DATA

Brasil

Var. %

SP

Var. %

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

975,87 980,89 963,71 949,34 963,67 987,74 994,36 994,30 980,37 984,02 1.001,45 989,06 999,80

1,0% 0,5% -1,8% -1,5% 1,5% 2,5% 0,7% 0,0% -1,4% 0,4% 1,8% -1,2% 1,1%

1.112,35 1.127,11 1.089,81 1.086,26 1.101,30 1.134,56 1.131,45 1.117,98 1.087,62 1.111,67 1.138,11 1.118,98 1.155,50

1,5% 1,3% -3,3% -0,3% 1,4% 3,0% -0,3% -1,2% -2,7% 2,2% 2,4% -1,7% 3,3%

Fonte: IBGE/INEPAD

1.200

0,03

1.150

0,025

1.100

0,02

1.050

0,015

1.000

0,01

950

0,005

900

0

850

-0,005

800

-0,01

750

-0,015 -0,02

700

fev 05

mar 05

abr 05

Brasil

mai 05

jun 05

jul 05

ago 05

set 05

SP

out 05

nov 05

dez 05

jan 06

fev 06

Var. % mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

COMÉRCIO VAREJISTA VOLUME DE VENDAS

VOLUME DE VENDAS Data

Índice Hipermercados e Veículos,Motos, Var. % Var. % Var. % Geral Supermercados Partes e Peças 170

jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 Variação jan-jan

105,15 97,10 111,36 107,75 112,29 110,11 114,61 113,75 109,29 115,46 114,98 162,59 112,02 6,53%

-32,1% -7,7% 14,7% -3,2% 4,2% -1,9% 4,1% -0,8% -3,9% 5,6% -0,4% 41,4% -31,1%

106,03 96,37 111,90 104,70 104,61 102,99 110,16 108,46 106,62 112,73 109,12 14400,0% 11023,0% 3,96%

-25,8% -9,1% 16,1% -6,4% -0,1% -1,5% 7,0% -1,5% -1,7% 5,7% -3,2% 32,0% -23,5%

119,03 99,38 122,56 113,56 115,74 117,37 112,82 128,55 118,91 119,61 129,54 138,57 119,14

-13,5% -16,5% 23,3% -7,3% 1,9% 1,4% -3,9% 13,9% -7,5% 0,6% 8,3% 7,0% -14,0%

160 150 140 130 120 110 100 90 80

fev mar abr mai jun 05 05 05 05 05

Índice Geral

0,09%

Fonte: IBGE/INEPAD

ACREFI

jan 05

27

jul 05

ago set 05 05

Hipermercados e Supermercados

out nov dez jan 05 05 05 06

Veículos, Motos, Partes e Peças


banco de dados por INEPAD PREVISÕES ECONÔMICAS Ano de 2006

PIB Total % a.a.

PIB Agropecuário % a.a.

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

3,50 3,48 3,46 3,45

3,69 3,54 3,48 3,55

4,15 4,16 4,12 4,06

2,79 2,77 2,86 2,82

4,10 4,17 4,08 4,12

Selic Taxa anual

IGP-DI % a.a.

IPCA % a.a.

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

15,00 14,64 14,30 14,20

4,55 4,27 3,83 3,73

4,58 4,58 4,55 4,56

2,40 2,25 2,22 2,22

38,00 39,93 39,98 40,04

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

Var. p.p.

DATA

Previsão 13/01/2006 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 24/03

Início de 2006 Previsão 13/01/2006 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 24/03 Fonte: BC-Focus/INEPAD

ATIVIDADE ECONÔMICA DATA

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Var. %

jan/05

81,17

-0,44

jan/05

111,03

-0,1%

fev/05

81,29

0,13

fev/05

110,52

-0,5%

mar/05

82,98

1,69

mar/05

110,47

0,0%

abr/05

81,80

-1,18

abr/05

110,47

0,9%

mai/05

82,28

0,48

mai/05

111,48

1,0%

jun/05

82,75

0,46

jun/05

112,56

0,3%

jul/05

81,54

-1,20

jul/05

112,87

0,1%

ago/05

82,83

1,29

ago/05

113,03

-1,1%

set/05

81,17

-1,66

set/05

111,80

-0,3%

out/05

81,49

0,32

out/05

111,46

-0,3%

nov/05

81,26

-0,23

nov/05

111,07

1,2%

dez/05

79,76

-1,50

dez/05

112,39

0,6%

jan/06

79,10

-0,66

jan/06

113,07

-100,0%

Variação jan-jan

Variação jan-jan

-2,54%

Fonte: CNI/INEPAD

1,84%

Fonte: IBGE/INEPAD

PRODUÇÃO (ÍNDICE) X CAPACIDADE (%) Capacidade (%)

Produção - Índice

114

83,5 83,0

113

82,5

113

82,0 81,5

112

81,0

112

80,5

111

80,0

111

79,5

Fonte: INEPAD

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

jan/06

dez/05

nov/05

out/05

set/05

ago/05

jul/05

jun/05

mai/05

abr/05

mar/05

fev/05

110 jan/05

79,0

Índice de Produção Física Média Móvel Trim estral

28

FINANCEIRO


INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA - AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS PRODUÇÃO

PRODUÇÃO

(em unidades) (em unidades)

Data

Produção

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

188.514 220.722 205.739 215.005 219.272 205.648 220.469 207.428 190.651 213.119 200.332 195.399 205.534

Média Trim. Var. Mensal Var. Mensal (%)

179.414 189.991 204.992 213.822 213.339 213.308 215.130 211.182 206.183 203.733 201.367 202.950 200.422

27.777 32.208 -14.983 9.266 4.267 -13.624 14.821 -13.041 -16.777 22.468 -12.787 -4.933 10.135

Variação fev-05/fev-06

17,3% 17,1% -6,8% 4,5% 2,0% -6,2% 7,2% -5,9% -8,1% 11,8% -6,0% -2,5% 5,2%

230.000 220.000 210.000 200.000 190.000 180.000 170.000 160.000 150.000 fev 05

mar 05

abr 05

mai 05

jun 05

jul 05

Produção

9,0%

ago 05

set 05

out 05

nov 05

jan 06

fev 06

dez 05

jan 06

fev 06

dez 05

jan 06

fev 06

dez 05

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

(em unidades) (em unidades)

Data

Vendas

Média Trim.

Variação

Variação(%)

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

115.436 149.026 137.759 138.078 140.036 133.948 147.553 138.873 131.588 145.900 152.144 124.650 129.362

123.926 121.790 134.074 141.621 138.624 137.354 140.512 140.125 139.338 138.787 143.211 140.898 135.385

14.527 33.590 -11.267 319 1.958 -6.088 13.605 -8.680 -7.285 14.312 6.244 -27.494 4.712

14,4% 29,1% -7,6% 0,2% 1,4% -4,3% 10,2% -5,9% -5,2% 10,9% 4,3% -18,1% 3,8%

Variação fev-05/fev-06

165.000 155.000 145.000 135.000 125.000 115.000 105.000 95.000

fev 05

mar 05

abr 05

mai 05

jun 05

jul 05

Vendas

12,1%

ago 05

set 05

out 05

nov 05

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

EXPORTAÇÃO TOTAL

EXPORTAÇÃO TOTAL

(em unidades) (em unidades)

Data

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

Exportações Média Trim.

62.015 69.618 72.261 76.218 77.600 74.229 71.811 74.057 61.827 66.078 68.704 57.844 70.749

55.517 59.040 67.965 72.699 75.360 76.016 74.547 73.366 69.232 67.321 65.536 64.209 65.766

Variação fev-05/fev-06

Variação

Variação(%)

16.528 7.603 2.643 3.957 1382 -3371 -2418 2246 -12230 4251 2626 -10860 12905

36,3% 12,3% 3,8% 5,5% 1,8% -4,3% -3,3% 3,1% -16,5% 6,9% 4,0% -15,8% 22,3%

80.000 75.000 70.000 65.000 60.000 55.000 50.000 45.000

mar 05

abr 05

mai 05

Exportações

14,1%

Fonte: Anfavea/INEPAD

ACREFI

fev 05

29

jun 05

jul 05

ago 05

set 05

out 05

nov 05

Média trimestral


banco de dados por INEPAD INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA LICENCIAMENTO DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (em unidades) Data

Vendas

1000cc

% no Total

1000cc a 2000cc

% no total

>2000cc

% no total

fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

90.791 118.654 109.276 114.220 117.455 110.007 120.586 115.297 111.001 129.274 149.113 107.085 103.485

48.776 63.602 59.904 62.997 63.907 62.061 66.726 63.759 63.584 73.190 83.361 60.215 57.587

53,7% 53,6% 54,8% 55,2% 54,4% 56,4% 55,3% 55,3% 57,3% 56,6% 55,9% 56,2% 55,6%

41.677 54.631 48.753 50.654 52.978 47.551 53.354 50.993 46.959 54.860 63.866 45.262 44.424

45,9% 46,0% 44,6% 44,3% 45,1% 43,2% 44,2% 44,2% 42,3% 42,4% 42,8% 42,3% 42,9%

338 421 619 569 570 395 506 545 458 1.224 1.886 1.608 1.474

0,4% 0,4% 0,6% 0,5% 0,5% 0,4% 0,4% 0,5% 0,4% 0,9% 1,3% 1,5% 1,4%

Fonte: Anfavea/INEPAD

LICENCIAMENTO POR CATEGORIA - AUTOMÓVEIS

90.000 80.000 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000

fev 05

mar 05

abr 05

1000 cc

mai 05

jun 05

jul 05

ago 05

set 05

out 05

nov 05

dez 05

jan 06

fev 06

1000 cc a 2000 cc

TAXAS DE JUROS PREFIXADOS - PESSOA FÍSICA (R$ milhões) CRÉDITO PESSOAL SALDO TOTAL

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS

TAXAS DE JUROS

SALDO TOTAL

% Variação % Variação MÊS/ANO R$ milhões a.m. p.p a.a. p.p fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06

47.218 49.965 52.333 54.345 55.426 57.270 59.015 60.531 61.650 63.255 63.444 64.987 66.583

4,52 4,45 4,45 4,52 4,45 4,49 4,50 4,55 4,54 4,45 4,38 4,46 4,45

-0,06 -0,07 0,00 0,06 -0,07 0,04 0,01 0,06 -0,02 -0,08 -0,07 0,08 -0,02

70,00 68,70 68,70 69,90 68,60 69,40 69,50 70,60 70,30 68,70 67,30 68,90 68,60

-1,20 -1,30 0,00 1,20 -1,30 0,80 0,10 1,10 -0,30 -1,60 -1,40 1,60 -0,30

R$ milhões 39.340 40.221 40.958 41.795 42.723 43.636 45.044 46.218 47.406 48.935 50.685 52.057 53.289

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 2,61 2,64 2,66 2,68 2,65 2,60 2,58 2,59 2,57 2,53 2,52 2,55 2,55

-0,02 0,03 0,02 0,02 -0,03 -0,05 -0,03 0,01 -0,02 -0,04 -0,01 0,03 -0,01

SALDO TOTAL

% Variação a.a. p.p 36,20 36,70 37,00 37,40 36,90 36,10 35,70 35,90 35,60 34,90 34,80 35,30 35,20

AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS

-0,30 0,50 0,30 0,40 -0,50 -0,80 -0,40 0,20 -0,30 -0,70 -0,10 0,50 -0,10

R$ milhões 7.313 7.394 7.578 7.992 8.351 8.824 9.416 9.471 9.621 10.031 10.229 10.191 10.161

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 4,19 4,12 3,87 3,87 3,67 3,70 3,65 3,99 3,95 3,80 4,27 3,92 3,69

-0,04 -0,07 -0,25 0,01 -0,21 0,03 -0,06 0,34 -0,04 -0,15 0,47 -0,35 -0,23

% a.a.

Variação p.p

63,70 62,40 57,70 57,80 54,10 54,70 53,70 59,90 59,10 56,40 65,20 58,60 54,40

-0,80 -1,30 -4,70 0,10 -3,70 0,60 -1,00 6,20 -0,80 -2,70 8,80 -6,60 -4,20

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

30

FINANCEIRO


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Financeiro 34 - Abril 2006  

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