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Financeiro

ano 3 nº 29 out/2005

ACREFI - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Fundada em 1958

Tema reúne especialistas em economia, política e justiça no 26º Congresso da ACREFI

Antônio Delfim Netto Bolívar Lamounier César Maia Dora Kramer Gustavo Loyola Istvan Kaznar Joelmir Beting José Alexandre Scheinkman José Roberto Mendonça de Barros Marco Aurélio Mello Michael Klein Sérgio Darcy

Rogério Reis/Pulsar Imagens

TIRAGEM DESTA EDIÇÃO: 20.000 EXEMPLARES

Tempo de Crescer


xxvi congresso acrefi

Tempo de Crescer Fundada em 1958

Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Libero Badaró, 425 - 28º andar São Paulo - SP Tel: (11) 3107-7177 Fax: (11) 3106-6082 Funcionamento: de segunda à sexta-feira das 8:30 às 18 horas www.acrefi.org.br DIRETORIA Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Fernando Guerreiro de Lemos, Gilberto Caldart, José Arthur Lemos de Assunção, Marco Ambrógio Crespi Bonomi, Paulo Eduardo D’Ávila Isola, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Ricardo Malcon, Ronaldo Amaral de Carvalho Pinto, Tiago Canguçu de Almeida Secretário José Dante Zanaga Neto Tesoureiros Jorge Kimura e Sérgio Marra Pereira Capella Diretores Adalberto Savioli, Daniel Capelo Pinheiro, Enílson Espínola de Souza, Genival Francisco Silva, Ricardo Annes Guimarães, Rubens Bution, Sérgio Antônio Cipovicci Diretores Conselheiros Aristeu Zanuncio, Eduardo Garcia Ruiz, Guilherme Almeida de Oliveira, Hélio Lima Magalhães, Ivan Svitek, Leonel Dias de Andrade Neto, Paulo Sérgio Monteiro Castro Aguiar, Rubens Sardenberg Diretores Regionais Carlos Alberto Samogim, Félix Archanjo Bordin, Leonardo Marcondes Dadalto, Sérgio Faria Lemos da Fonseca Júnior, Aquiles Leonardo Diniz, Evanir Coutinho Ussier, Odílio Figueiredo Neto, Renato Malcon Presidente Honorário João Uchôa Borges Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Conselheiro Econômico Prof. Istvan Kasznar

Financeiro Publicação mensal da ACREFI - Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento. Jornalista Responsável: Eliana Nigro MTB 15.005 Coordenação Editorial: Tamer Comunicação Empresarial Fotografia: Flávio Roberto Guarnieri Projeto Gráfico, Editoração e Produção Gráfica: EDF (www.edf.com.br) Pré-impressão e Impressão: Fabracor Tiragem: 20.000 exemplares As opiniões emitidas nos artigos assinados não refletem necessariamente as posições da ACREFI e são de exclusiva responsabilidade dos autores. A reprodução total ou parcial do conteúdo da publicação depende de autorização por escrito.

Esta é uma edição especial da Revista Financeiro, que retrata o XXVI Congresso da Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento, realizado entre os dias 22 e 25 de setembro de 2005, no Hotel Sofitel do Rio de Janeiro. Neste número, o leitor vai encontrar informações valiosas para o seu dia-a-dia, recolhidas no mais importante evento de crédito e financiamento do País. O tema escolhido, “Tempo de Crescer”, indicou o caminho e a meta dos debates: o Brasil precisa de educação, credibilidade e bom desempenho tanto na política quanto na economia para evoluir, fazer seus cidadãos crescerem e chegar ao Primeiro Mundo. Em seis painéis de debates, grandes especialistas do setor analisaram o Brasil, sua economia, a crise política, o Judiciário e suas relações com o crédito, as perspectivas do País e o cenário internacional: • Professor José Alexandre Scheinkman, da Universidade de Princeton (EUA): “A economia mundial e seus efeitos sobre o Brasil”; • Prefeito do Rio de Janeiro, César Maia: “O quadro político atual”; • Ministro Marco Aurélio Mendes de Farias Mello, do Supremo Tribunal Federal: “Conflito de interesses: o acesso ao Judiciário”; •Diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy, e Istvan Kaznar, conselheiro econômico da Acrefi : “Tempo de Crescer”; •Professor Antônio Delfim Netto, deputado federal (PMDB-SP): “Perspectiva Econômica para 2006”; • Cientista político Bolívar Lamounier e jornalista Dora Kramer: “O cenário político e

seus reflexos no crescimento econômico”; •Empresário Michael Klein (Casas Bahia) e jornalista Joelmir Beting : “Perspectivas do mercado de crédito”; •Economistas José Roberto Mendonça de Barros (MB Associados) e Gustavo Loyola (Tendências Consultoria): “O Brasil e o cenário internacional”. O evento, capitaneado pelo presidente da Acrefi, Érico Sodré Quirino Ferreira, pelo diretor-superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho) e pelos dirigentes da entidade que coordenaram os debates (José Arthur Lemos de Assunção, Paulo Eduardo D’Ávila Isola, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Odílio Figueiredo Neto e contou com a presença de César Maia, prefeito do Rio de Janeiro, Alfredo Neves Penteado Moraes, Presidente da Andima, Élcio Aníbal de Lucca, Presidente da Serasa, João Elísio Ferraz de Campos, Presidente da Fenaseg, Márcio Arthur Laurelli Cypriano, Presidente da Febraban, Miguel José Ribeiro de Oliveira, Presidente da Anefac, Rodolfo Montosa, Presidente da Abac, Sérgio Darcy, Diretor de Normas do Banco Central, e João Uchôa Borges, presidente honorário da Acrefi, além de mais de duzentos ativos participantes. O XXVI Congresso da Acrefi foi patrocinado por Bradesco, Serasa, Fenaseg e GPS, com o apoio de ABN-AMRO Aymoré Financiamentos, ASB Financeira, Banco Cruzeiro do Sul, Banco PanAmericano, Citifinancial, Geoc, Omni Financeira, Partner Conhecimento e Siscom e realizado pela Tamer Comunicação Empresarial. Boa leitura!

Nesta edição 4

Érico Sodré Quirino Ferreira

18

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César Maia Prefeito propõe efetiva reforma dos sistemas de controle do Estado

10

Antônio Delfim Netto Perspectivas econômicas para 2006

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José Roberto Mendonça de Barros O Brasil e o cenário internacional

14 Gustavo Loyola Refl exos da economia mundial no Brasil

16

Joelmir Beting Projeções para o mercado de crédito

Michael Klein Casas Bahia, um case de sucesso

Abertura do XXVI Congresso Acrefi

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Marco Aurélio Mello Confl ito de interesses e poder Judiciário

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Dora Kramer Uma análise do cenário político

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Bolívar Lamounier Perspectivas políticas para 2006

24

José Alexandre Scheinkman A economia mundial e seus efeitos sobre o Brasil

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Sérgio Darcy e Istvan Kaznar Rumo ao crescimento

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Banco de Dados


xxvi congresso acrefi

Érico Sodré Quirino Ferreira

Luciano Zafalon

Abertura do XXVI Congresso da Acrefi “O Brasil só será um País de Primeiro Mundo quando a Educação for a nossa verdadeira prioridade”

A abertura do XXVI Congresso da Acrefi, no Rio de Janeiro, foi feita pelo presidente da Associação, Érico Sodré Quirino Ferreira, dando ênfase ao setor de crédito, como instrumento de realização dos anseios dos cidadãos, e à Educação, base do sonho de todos os brasileiros que querem ver o País ascender ao Primeiro Mundo. Leia, a seguir, a íntegra de seu discurso, que sugere o foco da educação básica no ensino do Português, da Matemática, do Inglês e, acima de tudo, do Xadrez: Companheiros da Acrefi, Autoridades presentes, Profissionais de Imprensa, Senhoras e Senhores, Boa noite. É com imenso prazer que tenho a honra de recebê-los hoje aqui, no Rio de Janeiro, na abertura do XXVI Congresso da Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento, oportunidade em que cumprimento os senhores: • César Maia, prefeito do Rio de Janeiro, • Sérgio Darcy, Diretor de Normas do Banco Central

• Alfredo Neves Penteado Moraes, Presidente da Andima • Élcio Aníbal de Lucca, Presidente da Serasa • João Elísio Ferraz de Campos, Presidente da Fenaseg • Luiz Horácio da Silva Montenegro, Presidente da Anef • Márcio Arthur Laurelli Cypriano, Presidente da Febraban • Miguel José Ribeiro de Oliveira, Presidente da Anefac • Rodolfo Montosa, Presidente da Abac • João Uchôa Borges, presidente honorário da Acrefi O tema “É Tempo de Crescer”, foi escolhido para o Congresso Acrefi deste ano, porque Crescer é desafio que está sempre presente no íntimo de cada um de nós, executivos, empresários ou cidadãos. O Brasil atravessa um momento histórico em que é tido como um dos vértices do pólo mundial de crescimento e desenvolvimento, o País das oportunidades. Mas, senhores: aqui não me cabe falar de crescimento da economia, do percentual da dívida interna sobre o produto ou do múltiplo da dívida externa sobre as exportações. Também não quero falar do custo

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da dívida, ou se é seu tamanho que faz os juros serem os mais altos do planeta; nem do saldo da balança comercial ou se a meta de 200 bilhões de dólares de comércio exterior para 2007 é realista. Muito menos vou falar aqui do valor atual do dólar, das metas de inflação ou de superávit fiscal. Assuntos políticos e macroeconômicos serão largamente debatidos por grandes especialistas durante este Congresso. São eles: • nosso convidado internacional, José Alexandre Scheinkman, e nossos palestrantes: • Antônio Delfim Netto, • Bolívar Lamounier, • Dora Kramer • Gustavo Loyola • Joelmir Beting • José Roberto Mendonça de Barros • Marco Aurélio Mendes de Farias Mello • Michael Klein • Sérgio Darcy • Istvan Kaznar A despeito de toda turbulência política que vem afetando o dia-a-dia de todos, apesar de todas as agruras do cotidiano, ninguém dúvida que o País tem um enorme potencial. E isto não é opinião de algum xenófobo. FINANCEIRO


Tanto assim, que um conhecido estudo da Goldman Sachs, que cunhou o termo BRIC, indica bem isso, ao colocar o mercado brasileiro entre os mais promissores e de maior potencial, lado a lado com Rússia, Índia e China, nações que vêm despontando no cenário internacional, mas com brilho mais intenso que o do Brasil. No entanto, não se pode negar que o País atravessa hoje uma das maiores crises de credibilidade e de moral da sua história, crise que abala sua imagem no Exterior.

Mesmo assim, a economia se mantém firme e operante, batendo, durante esta crise, diversos recordes: saldo da balança comercial, valor exportado, menor risco Brasil da década, entre outros. E, acima de tudo, continua crescendo, a despeito de tantos e tão arraigados problemas. E qual tem sido a grande alavanca do crescimento? O setor de crédito, o meio mais democrático de viabilizar a realização imediata dos sonhos da população. Não se esqueçam de que são as

Overtaking the G6: When BRICs US$ GDP Would Exceed G6 UK Germany

Japan

US

China Italy France Germany

Japan

Índia Italy

France Germany

Rússia Italy

France

Germany

Brasil G6

BRICs * Heads indicate when BRICs US$GDP exceeds US$GDP in the G6 2000

2005

2010

2015

2020

2025

2030

2035

2040

2045

2050

1 - Any decision to limit the sample of countries is to some extent arbitrary. In focusing on the G6 (rather than the G7 ora broader grouping), we decide to limit our focus to the those developed economies with GDP currently over US$ 1 trilion. This means hat Canada and some of the other larger developed economies are not included. Adding these economies to the analysis would not materially change the conclusions.

ACREFI

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instituições associadas à Acrefi que permitem às famílias menos favorecidas a melhoria da sua qualidade de vida através da aquisição de eletro-eletrônicos importantes para a sua saúde, para sua educação e, porque não dizer, para o seu lazer. Nossa função, hoje, é tão democrática que já há financiamentos de bens com prestações mensais inferiores a R$ 2,00. É importante que a sociedade brasileira saiba que são esses financiamentos que permitem a milhões e milhões de brasileiros aumentar suas possibilidades de ganho, através da aquisição, tanto de pequenas máquinas de uso profissional, quanto de modernos equipamentos, equipamentos esses que possibilitam sua inclusão na era da informática. É importante que a sociedade brasileira saiba que são as instituições de crédito, financiamento e investimento que permitem a aquisição de 75% dos automóveis, motocicletas, veículos comerciais, ônibus e caminhões, novos e usados, vendidos anualmente, veículos esses em muitos casos, usados profissionalmente, permitindo o sustento de boa parte dos cidadãos deste Brasil. Os créditos e financiamentos concedidos pelas associadas da Acrefi ajudam a mitigar as enormes desigualdades da população, mas,


xxvi congresso acrefi

Leitura e Escrita Analfabeto Absoluto Não sabe ler nem escrever. Não estudou ou estudou durante poucos anos, insuficientes para se alfabetizar.

Veja a evolução dos índices desde o primeiro ano em que alfabetismo funcional foi medido no País

Alfabetismo Nível 1

Alfabetismo Nível 2

Alfabetismo Nível 3

Rudimentar

Básico

Domínio Pleno

Lê títulos ou frases e pinça só poucas informações de um texto. Ex: Num cartaz de campanha de vacinação identifica só a idade e as datas.

Lê textos curtos e localiza informações explícitas. Chega apenas a conclusões simples. Maior parte tem entre 4 e 7 anos de estudo.

Compreende completamente os textos, consegue fazer interpretações, perceber informações sutis e chegar a conclusões.

34% 31%

9%

8%

7%

2001

2003

2005

2001

30%

2003

37%

38%

30%

2005

2001

2003

2005

26%

25%

26%

2001

2003

2005

Fonte: IBOPE

infelizmente, isso não basta! Para que o Brasil cresça de forma sustentada e seja o País com que sonhamos para nós, para nossos filhos, para nossos netos, todas as idéias e soluções que serão propostas neste Congresso poderão ser válidas e ajudar nesse processo, mas, a meu ver, mais importante do que tudo, o que é absolutamente fundamental para o futuro é a EDUCAÇÃO. Só assim, o Brasil poderá ser a primeira entre as nações do BRIC, só assim o Brasil será um País de primeiro mundo. É Tempo de Crescer. E para crescer é preciso educar! Portanto, senhoras e senhores, antes de tudo, e acima de tudo, “É Tempo de Educar!” Sem educação, a enorme desigualdade de renda tende a continuar, já que as altas concentrações de renda têm se mostrado historicamente como o principal obstáculo para a eliminação da pobreza, que hoje no Brasil beira os 33%, mas poderia ser muito menor, na faixa dos 10%, se tivéssemos um padrão de concentração de renda semelhante ao da média mundial. Nosso objetivo para isto, deve ser elevar a renda per capita, sim, mas elevando a base da pirâmide populacional, e não, em nenhuma hipótese,

e sob nenhuma desculpa, permitir o achatamento do topo. Ou seja, a meta do Brasil deve ser o enriquecimento de todos os estratos sociais. Essa é uma tarefa árdua, ainda mais porque a redução das desigualdades depende de profundas modifi cações na distribuição dos ativos produtivos, em especial do capital humano. Ou seja, é essencial investir em pessoas, não apenas durante a vida profi ssional ativa, mas, principalmente, desde o início de sua formação escolar. Ocupamos hoje um lamentável 55º lugar no ranking mundial da alfabetização, um reflexo dos nossos 14 milhões e meio de brasileiros que, com mais de 15 anos, não sabem ler nem escrever. E a maior parte deles não está, pasmem os senhores, nos lugares mais distantes, perdida nas florestas e nos sertões, mas convive conosco, diária e miseravelmente, nos grandes centros urbanos. Na América Latina, o Brasil ocupa um longínquo 19º lugar em termos de alfabetização. Os jovens estão fora das escolas. E, dentre os privilegiados que freqüentam as instituições de ensino, só 40% estão no nível de aprendizado adequado às suas idades. Devemos notar, também, que 97% das crianças

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ingressam na escola, mas menos de 70% delas concluem o ensino fundamental. Conforme estudo publicado pelo jornal O Estado de São Paulo, esse quadro deplorável faz com que 75% da população, isso mesmo, 75% da população, seja considerada analfabeta funcional, ou seja, não compreende completamente textos, muito menos é capaz de fazer interpretações do que lê. Além disso, é triste constatar que cerca de 40% dos que terminam o ensino médio têm desempenho crítico nas habilidades matemáticas. Esse não é só um problema social, mas também econômico, já que, todos sabem, quanto mais educação, mais renda. No Brasil, só 10% da população, na faixa dos 18 aos 24 anos, está matriculada nas universidades brasileiras. Na Coréia, por exemplo, esse índice chega a 80%. Em 40 anos, a Coréia, com base principalmente na educação, fez sua renda per capita crescer 20 vezes, enquanto a do Brasil, no mesmo período, cresceu apenas quatro vezes. Educar é a chave-mestra para o crescimento. Dado que temos sabida limitação de recursos e há deficiências graves no processo educacional, é preciso que seja criada uma nova configuração escolar, FINANCEIRO


onde as estratégias de aprendizagem devem ir além do ensino das disciplinas tradicionais. Devemos promover o desenvolvimento de habilidades e competências mais de acordo com a nova ordem educacional. Para isso, nossa proposta é focar em quatro matérias: Primeira: no Português, porque dominar sua língua natal é essencial para a boa comunicação e perfeita compreensão do aprendizado. Segunda: também é necessário centrar forças no ensino da Matemática, para que se consiga desenvolver a capacidade de abstração e de raciocínio analítico dos estudantes. Terceiro: é fundamental tornar obrigatório o ensino do Inglês, a língua do mundo globalizado, desde o ingresso na escola. Felizmente, neste sentido, algo já começou a ser feito no Brasil. A pequena Piraí, no Estado do Rio de Janeiro, é um exemplo de pioneirismo: adotou o ensino bilíngüe na rede pública, patrocinada pela ONG americana. Agora, o quarto e o mais importante: tornar também obrigatório o ensino do xadrez, desde a mais tenra idade. O xadrez estimula e apura a inteligência, ainda mais nos dias de hoje em que a Internet democratizou o conhecimento e alargou os horizontes, o que impele a escola a se reestruturar para acompanhar essas mudanças. Como afirmou, há quase 2.500 anos, Sócrates, o maior filósofo que o mundo já conheceu, “Educar não é encher um vaso, e, sim, acender uma chama”.

Portanto, o alvo central das escolas deve ser formar os brasileiros para terem alfabetização de nível 3, ou seja, para que possam compreender completamente o que lêem, conseguir tanto fazer interpretações quanto perceber informações sutis e, acima de tudo, possam chegar a conclusões. Nesse aspecto, o xadrez agrega valor à educação com as características que lhe são únicas: igualdade entre os sexos, longevidade e, principalmente, precocidade. O xadrez permite aos seus praticantes o desenvolvimento do pensamento objetivo; o desenvolvimento do pensamento abstrato; a capacidade de distribuir a atenção por diversos fatores; o autocontrole; a rapidez de raciocínio; e, a concentração.

Ou seja, o xadrez é um verdadeiro projeto de construção do indivíduo, é um projeto completo de formação do Ser Humano. Dessa forma, mais do que contribuir para alavancar o crescimento do País através da democratização do acesso ao crédito, cabe à Acrefi deixar aqui, como sugestão, o foco educacional em Português, Matemática, Inglês e Xadrez, para, assim construirmos uma sociedade cada vez mais justa, uma sociedade cada vez mais preparada para lidar com as demandas de um cenário global sabidamente cada vez mais competitivo. Senhoras e senhores, o Brasil só será um País de primeiro mundo – repito, o Brasil só será um País de primeiro mundo, quando A EDUCAÇÃO FOR A NOSSA VERDADEIRA PRIORIDADE!

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xxvi congresso acrefi

Prefeito César Maia propõe efetiva reforma dos sistemas de controle do Estado “A sociedade tem de desatar os nós da insegurança e constituir um sistema de controle do Estado”

O Prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, propôs, na abertura do XXVI Congresso da Acrefi, que a sociedade desate os nós de insegurança que a permeiam e lute pela efetiva reforma dos sistemas de controle do Estado cuja falta, segundo ele, vem retardando o crescimento do País. Maia fez essas propostas, depois de uma análise da crise política, que o remeteu à infância, aos seus 13 anos, quando ia ao campo de futebol ver o Botafogo jogar – é botafoguense até hoje. Nessa época, ele ouviu do craque Didi que “ser craque é assistir o jogo em campo, como se estivesse na arquibancada”. Transpondo o ensinamento para a política, o prefeito do Rio de Janeiro afirmou que, dentro da política, no Executivo e no Legislativo, é preciso saber ler e entender o que quer e como se sente a sociedade em cada situação. Trata-se, segundo Maia, de um jogo estratégico complexo, sem regras claras, com diversos participantes em conflito entre si e consigo mesmos. Um jogo que nem sempre é limpo, em que se mente, inclusive. A política, na visão do prefeito, é

um jogo em que há adversários – de outros partidos – e inimigos – muitas vezes, no próprio partido. Essa lição, ele absorveu de uma passagem ocorrida nos anos 30, quando Churchill disse que os seus inimigos eram os que se sentavam atrás dele no Parlamento (teoricamente seus aliados) e os adversários, os que fi cavam à sua frente (os parlamentares que lhe faziam oposição). Xadrez é preparo para a política César Maia lembrou aos participantes do Congresso da Acrefi que, por isso, estratégia, raciocínio e habilidades matemáticas são essenciais para o cidadão e ainda mais para os políticos. E que, diante dessa assertiva, a proposta do presidente da entidade, Érico Sodré Quirino Ferreira, de incluir o ensino do Xadrez como matéria obrigatória desde o início do período escolar, é uma medida da maior valia, já que se trata de um jogo que depende de estratégia, embora bem diferente do jogo político, uma vez que tem apenas dois jogadores, geralmente muito centrados, e regras claras e limpas a seguir... Ou seja, uma boa base para o desenvolvimento do cidadão.

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O jogo da democracia O prefeito do Rio de Janeiro referiu-se ainda à complexidade do jogo político, lembrando os estudos do cientista Bolívar Lamounier (também palestrante do Congresso da Acrefi ), que apontam que a democracia brasileira teve origem numa transição do período ditatorial através de uma transação induzida pelos militares e, posteriormente, legitimada por sucessivos processos eleitorais. Segundo ele, esse ciclo se completou com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva, que mostrou ao mundo que a democracia brasileira é realmente ampla, geral e irrestrita, na medida em que brasileiros de qualquer camada social podem eleger-se para o mais elevado cargo da nação, através de eleições diretas e transparentes. Os nós da democracia Para César Maia, a eleição do presidente Lula também encerrou o primeiro ciclo democrático brasileiro de um modo marcadamente simbólico, uma vez que velhos e tradicionais adversários – PP e PFL – passam por profundas modificações, impelidos pela atual crise política que atingiu – democraticamente – todos os escalões do poder. FINANCEIRO


O prefeito do Rio de Janeiro lembrou que o PFL acaba de se refundar em recente congresso de seus associados, externando, assim, sua efetiva ruptura com a base do extinto PDS. O PP, de acordo com Maia, passa por uma fase de desintegração, cujo ápice foi a saída de Delfim Netto (outro palestrante do Congresso da Acrefi) do partido e sua filiação ao PMDB, atual nomenclatura do igualmente extinto MDB. Por isso, daqui em diante, continuou César Maia, nos faltam urgentes e já tardias reformas do Estado “de dentro para fora”, que impliquem a criação de um sistema eficiente de controle do próprio Estado como os do Primeiro Mundo. Para ele, hoje, ainda mantemos a sistemática da era militar, o que acaba deixando o governo sem as devidas rédeas. Os exemplos, nas palavras do prefeito, são inúmeros: o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, não sabia dos problemas recentes do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB); o ministro das Telecomunicações, Eunício Oliveira, desconhecia a problemática dos Correios; e a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, chefe do Conselho de Furnas, ignorava o que acontecia na estatal... Maia concluiu : “O problema não está neles, mas na estrutura de controle não modernizada. Se esse controle não for organizado, em cinco anos teremos uma situação terrível”.

Para César Maia, é essa falta de controle externo do Estado que o faz pensar no discurso do governo federal de que a economia – apesar da crise política – vai bem: “Na verdade, a economia não vai bem. Basta compararmos o crescimento, a taxa de juros real, os indicadores de crédito, produção sobre PIB e outros com os dos demais países da América Latina. Vamos perceber que o desempenho da economia brasileira não é assim tão bom, estamos muito aquém do que seria o ideal e possível”. Os nós do Brasil O Brasil, para crescer de forma sustentada, precisa de um melhor desempenho da economia. Mas isso depende de dar fim no que o prefeito do Rio de Janeiro chamou de “os três nós”: insegurança jurídica, insegurança econômica e insegurança administrativa. A insegurança jurídica é o nó de um país em que não se pagam precatórios, em que o governo não autoriza os exportadores a usar seus créditos fi scais acumulados, em que o Movimento Sem Terra (MST) não respeita o direito à propriedade e em que ninguém confia que as agências reguladoras setoriais trabalhem com base na técnica. Mais: Maia lembrou que se permitiu o desenvolvimento de “uma Justiça das ruas, o Direito Alternativo”, que permite que um juiz sentencie a despeito da lei vigente, o que foi reforçado na palestra do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo

Tribunal Federal, no Congresso da Acrefi. “Há magistrados que não fazem cumprir a legislação quando impedem a execução da garantia real (a casa própria) de um cidadão que tomou um empréstimo e deixou de quitá-lo. Pior: o governo federal e o estado de São Paulo não cumprem a Lei 9.717, de 27 de novembro de 1998, que dispõe sobre matéria previdenciária e prevê que os regimes próprios de Previdência Social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal sejam organizados com base em normas gerais de contabilidade e atuaria, de modo a garantir seu equilíbrio financeiro e atuarial”. Já a insegurança econômica é o nó da carga tributária nacional, que bate os 37% para que a nação possa crescer pouco mais de 4% anuais. A insegurança administrativa é o nó de um Brasil que não permite o acesso técnico ao funcionalismo público e que, por isso, até hoje não constituiu uma estrutura efetivamente profi ssional de servidores. Com esses pontos de estrangulamento em áreas tão importantes, continuou Maia, os empresários brasileiros não podem tomar decisões que não sejam defensivas. Ou seja, aquelas que antecipam tendências – de alta de preços, por exemplo –, e que são prejudiciais a ponto de empurrar a economia para reiterados desempenhos medíocres


xxvi congresso acrefi

Antônio Delfim Netto

Perspectivas econômicas para 2006 “Neste ano devemos crescer 3,5% e, em 2006, um pouco mais do que isso”

2001

2004

1995

1998

1992

1989

1986

1983

1977

10

1980

1974

1971

1965

1968

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1956

1950

% ao ano

No raciocínio do economista, “nosso de fora para dentro”. “A economia brasileira caminha na maior problema é o fato de que cresEntre 1965 e 1984, lembrou Delfim direção correta”. Foi assim que o econocíamos de forma que o PIB per capita Netto, as exportações brasileiras cresmista e deputado federal (PMDB-SP) inidobrava a cada 18 anos, ou seja, em ceram 9,2% ao ano, enquanto as do ciou sua palestra no XXVI Congresso da menos de uma geração. E, depois de mundo, apenas 5,4% anuais. De 1985 a Acrefi, lembrando aos participantes que 1994, a projeção para nossa renda é a 2004, porém, sua ampliação foi de 5,4% vivemos um momento especial no que se de dobrar a cada 87 anos, ou seja, a ao ano, contra 6,5% anuais no mundo, refere à economia e a política no Brasil. cada quatro gerações, o que nos leva a de acordo com dados do FMI elaborados Segundo ele, estamos numa época uma pergunta importante: como é que pela Idéias Consultoria. Essa quebra do de oportunidades, em particular para vamos voltar ao que era antes”? crescimento coincide com a quebra da aumentar nossas exportações, que são Em busca dessa resposta, o depuparticipação brasileira no mercado intera chave para o bom desempenho da tado afirmou: “Acho que o que ocornacional, período em que se cometeram economia brasileira. reu foi que o país murchou no que grandes equívocos na política cambial, Para embasar essa sua afirmativa, diz respeito ao seu comércio exterior. com três congelamentos que implicaDelfim Netto indicou que o problema E o comércio exterior se dá em ciclos, ram menor esforço exportador. do Brasil está bem destacado no grá“Quando o Brasil cresfico que mostra a taxa cia rápido, nossa parde crescimento do PIB Brasil: Taxa de Crescimento do PIB (1950 – 2005*) ticipação na economia entre 1950 e 2005. Para 15 mundial também aumenele, tivemos um período 14 Média= 6,5% 13 tava depressa, que é rápido de ajuste entre 12 (1950-85) 11 exatamente o que es1950 e 1984. A seguir, Média=2,3% 10 (1986-94) tamos tentando recupede 1985 a julho de 1994, 9 8 Média=2,5% rar agora, lentamente. passamos por um perío7 (1994-2005) 6 Estamos nesse processo do de interregno, que 5 de retomada nos últicomeçou com o Plano 4 3 mos três anos”, lembrou Cruzado, “um plano que 2 Delfim Netto. Para ele, só fracassou porque não 1 0 o último presidente que teve o menor apoio -1 -2 conseguiu manter o Braexterno”, passou pelo -3 sil em equilíbrio foi ItaPlano Collor e sua -4 -5 mar Franco, exceto no grande abertura ecocampo da inflação, que nômica, e, finalmente, Fonte: IBGE - Elaboração: Idéias Consultoria *Estimativa chegava a 1.700%. chegou ao Plano Real. FINANCEIRO


Índice (escala logarítimica)

ACREFI

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Divulgação Divulgação

De acordo com sua análise, Comparação: Volume Exportado preço externo da mercadoria “no governo Itamar, o País esem dólar; 6 tava preparado para crescer • quanto o mundo exporta: e só resvalava mesmo na inse o mundo cresce, o Brasil Coréia, 1965-2004 flação, um problema que foi tem condições de se ‘encaixar’ Novas Economias (21,5%) 5 Industrializadas*, resolvido brilhantemente pelo nesse crescimento sem gerar 1966-2003 Plano Real, com uma moeda muitos conflitos competitivos (13%) que se auto-corrigia, e nos com seus concorrentes; 4 trouxe a rápida queda da in• a relação entre preço brasileiIrlanda, 1987-2004 flação, produzida basicamente ro e o preço internacional de China, (14%) 1979-2003 por congelamento de câmbio”. cada bem no mercado global. (10,3%) 3 Depois desse congelamento, Todas essas variáveis têm em janeiro de 1999, a inflação muita importância, mas, segunmedida pelo IPCA flutuou trando Delfim Netto, uma das pre2 qüilamente em torno de sua ponderantes é a taxa de câmbio, média de 0,61% ao mês, até porque tem grande efeito sobre que, em julho de 2003, caiu as exportações: “O câmbio do 1985-2002 Brasil, 1 (4,2%) 2002-2004 e passou a flutuar em torno passado chega ao presente sem(14%) 1964-1984 de uma nova média, de 0,49% pre subindo um degrau a mais, (10%) 1984 mensal. Ou seja, a taxa de câmou seja, se retro-alimentando. 0 bio foi o principal instrumento Por isso, não nos devemos dei1 4 7 10 13 16 19 2 2 25 28 31 34 37 40 43 46 de redução da inflação. xar enganar, achando que o Período em número de anos depois do início Segundo o professor Delfim câmbio não vai impactar nas do "esforço exportador" Netto, também é preciso lem- *Inclui Hong Kong, Coréia, Cingapura e Taiwan (província da China) nossas exportações”. Fonte: Revista Finance & Development, December 2003 brar-se de que o efeito dos juros O volume de comércio sobre o câmbio é muito grande. exterior do Brasil não é apevotação da Medida Provisória 232. A valorização do câmbio diminui a taxa nas importante para gerar superávit, Outro fator relevante para o qual é de crescimento do IPA, o que significa mas também para a avaliação do nosso preciso atentar, de acordo com o depuque o grosso do impacto que estamos viPaís no Exterior. Uma nação com risco tado, é o de que “a expectativa de invendo deriva do câmbio. soberano em torno de 150 é bem vista, flação tem, sempre, real impacto na Outro questionamento que o ecodesde que sua carga tributária esteja realidade econômica, e essa expectanomista se propôs a responder em sua perto de 26%, e a nossa chegou a tiva é composta por Selic real (12%), palestra no XXVI Congresso da Acrefi 37,5% em julho deste ano. Para ter superávit primário (32%), meta de inpara complementar sua análise foi: “O boa avaliação, a dívida líquida do setor flação (23%), inércia inflacionária (15%) que sobrou do Real?” Para ele, no público deve estar em torno de 30% e itens não explicados (18%). governo FHC “não se fez um esforço do PIB, mas a nossa se situou na casa Diante disso, pode-se entender, fiscal importante para baixar o déficit dos 51,3% do PIB. A relação da dívida acrescentou Delfim Netto, como o Brapúblico e, quando houve algum esforço, externa líquida sobre exportações de sil voltou a crescer um pouco, com mais ele foi realizado através de um aumenbens e serviços deveria ser de 150%, superávit primário, com mais exportato de carga tributária de 3,5%, de forma porém nós tivemos 118%. E, finalmenções que, entre 2002 e 2004 aumentaque, sendo assim, o mérito não foi do te, a relação da dívida externa sobre ram 26,4%, apoiadas na expansão mungoverno, pois ele não cortou despesas exportações de bens e serviços precisadial. A evolução foi de 3,7% em 2002, nem racionalizou a administração. E isso, ria estar em 30%, mas ficou em 37%. de 21,1% em 2003 e de 32% em 2004, é claro, diminui o crescimento do País, Assim, o rating do Brasil acaba prejumas há dúvidas de que vá continuar porque tira recursos do setor privado, dicado. “Em 2003, estávamos longe do mantendo esse ritmo. que é justamente o mais produtivo, e investment grade. A partir dali, o Brasil Essa dúvida se deve ao fato de as leva esse dinheiro para a área governacomeçou a chegar mais perto dele, com exportações brasileiras dependeram de mental, que é a menos produtiva”. o ajuste produzido pelo governo Lula, fatores variáveis, tais como: Com essa argumentação, Delfim e estamos caminhando para esse nível • as próprias exportações no ano anteNetto concluiu que, hoje, não se deve desejável pela via do aumento das exporrior: se já exportamos automóveis para ter mais a menor dúvida de que a tações. Mas, para atingir essa meta, o determinados mercados em 2004, é dívida líquida do setor público não Brasil precisa que a sociedade acredite mais provável que vendamos ainda mais pode mais subir, nem há mais como que esse objetivo pode ser conseguido para eles em 2005, se aumentarmos subir impostos, porque a sociedade e, para isso, proponho o déficit nominal nosso poder de competição; não o aceitaria, como ficou claro zero, que torna tudo mais transparente”, • a taxa de câmbio em relação ao quando da pressão feita durante a finalizou Delfim Netto


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José Roberto Mendonça de Barros

O Brasil e o cenário internacional “O terceiro choque do petróleo está a caminho”

O economista José Roberto Mendonça de Barros acredita que o cenário internacional ainda é bastante positivo para o Brasil, porque o mundo vai continuar crescendo, em especial a China “que está bombando”, os Estados Unidos, e o Japão, “com mais base do que antes”. Isso implica mais comércio exterior e, por conseguinte, mais exportações para o Brasil. Mas existe uma commodity, o petróleo, que influencia muito o desempenho econômico do mundo, acrescentou o economista, na abertura de sua palestra no XXVI Congresso da Acrefi. Para Mendonça de Barros, essa commodity vem “enfrentando difi culdades e, ao mesmo tempo que é uma fonte de dúvidas, torna-se também uma fonte de oportunidades. Nós caminhamos rapidamente para a auto-suficiência em petróleo e somos o único produtor mundial de álcool combustível. O álcool é a única alternativa ao petróleo e, ainda por cima, favorável à conservação do meio-ambiente”. Em sua análise, há um novo choque de petróleo a caminho, num momento em que há questões pendentes no cenário internacional como as tensões comerciais. Neste ano, o PIB do mundo deve crescer 4,3% contra

os 5,1% de 2004, puxado pela alta de 9,5% do PIB chinês e de 4,4% do PIB norte-americano. Com um novo choque de petróleo em andamento e consumo desmedido dessa commodity pela China e pelos Estados Unidos, as dúvidas se multiplicam quanto ao futuro econômico do mundo. Para Mendonça de Barros, até 2004 foi possível atender essa demanda com a capacidade ociosa dos países da Opep, que está diminuindo a ponto de os preços estarem subindo aos altos níveis atuais. O economista explicou que não há falta de petróleo no mundo, mas de investimentos em campos, dutos e, principalmente, em refinarias de óleo. “As grandes petroleiras estão com o caixa alto e distribuindo dividendos. Isso ocorre porque os royalties e os impostos para a exploração de petróleo estão aumentando muito. A isso se soma o fato de, em muitos locais como a Rússia, por exemplo, os campos de exploração mais fácil já estarem em operação e os mais difíceis dependerem de altos investimentos para começar a produzir”. Dessa forma, continuou Mendonça de Barros, a oferta de petróleo deve crescer 20%, de 85 milhões para 101 milhões de barris por dia,

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sendo 8 milhões a mais dos países da Opep (Arábioa Saudita, Nigéria, Argélia e Líbia, já que o Iraque está em guerra) e 8 milhões provenientes de Canadá, Cazaquistão, Brasil, Azerbaijão, Angola e Rússia. Nos Estados Unidos a produção deve continuar estável, com queda em terra e alta no Golfo do México. Por outro lado, a demanda também deve elevar-se em 20%, o que deverá implicar petróleo acima de US$ 40 nos próximos cinco anos. Catástrofes como os furacões Katrina e Rita podem exercer ainda mais pressão sobre os preços do petróleo. O aumento dos preços do óleo tem quatro graves efeitos sobre a economia, advertiu José Roberto Mendonça de Barros: • a inflação aumenta por conta da alta do combustível; • há queda de preços de outros produtos; • há setores que ganham, como o dos produtores de cana-de-açúcar; • há setores que perdem (os que consomem muita energia). A alta dos preços do petróleo tem implicado deflação, por exemplo, nos Estados Unidos, com a redução das vendas da indústria automobilística. O mesmo efeito costuma FINANCEIRO


Fluxo da Poupança Líquida* (US$ Bilhões) Mudança entre 2000 - 2004

Mudança entre 1996 - 2000 Países Países dodo G6G6

-371

-137

Empresas

-730

1091

Famílias

-323

-246

Governo

681

-982

217

208

126

107

América Latina

-9

64

Oriente Médio

59

43

PaísesEmergentes Emergentes Países Ásia

Fonte: JP Morgan Research "Corporates are driving the global saving glut" 24/06/2005 (*) Poupança Bruta menos Investimento Bruto

de Barros frisou foi o fluxo da poupança líquida, como se pode ver no quadro preparado pelo J.P. Morgan, que compara o período 1996-2000 com o que se estende de 2000 a 2004. Nos países do G6, a maior poupança líquida estava com o governo (US$ 681 bilhões) e, em 2004, passou para as empresas, que saíram do vermelho e acumularam grandes resultados positivos, somando US$ 1,091 trilhão. Enquanto isso, nos países emergentes, a Ásia se mantém como o grande poupador, mas em menor escala (de US$ 126 bilhões para US$ 107 bilhões), e a América Latina deixa os US$ 9 bilhões negativos para acumular US$ 64 bilhões positivos.

ocorrer depois de furacões como o Katrina, pelo menos durante dois ou três meses. Já a partir de 2006, o efeito contrário, o inflacionário, pode predominar, adiantou Mendonça de Barros. Para ele, isso pode ocorrer, porque o governo norte-americano deve gastar mais em reconstrução pós-catástrofes. Por outro lado, se o número de postos de trabalho nos Estados Unidos continuar crescendo, a taxa de juros também deve aumentar. Os preços dos imóveis estão em alta, outro fator que se traduz em instabilidade. Outro fato relevante da economia mundial que José Roberto Mendonça

Evolução do Emprego e Rendimento Real (índice base jan/03=100 - média móvel 3 meses) Rendimento médio real Massa Real de Rendimentos Total Ocupados

117

Inflação baixa elevou o rendimento real

112

4

06 v/ no

m ar

v/ no

m ar

v/ no

/0

l/0 ju

m ar

v/ no

ar /0 m

v/ 0 no

/0 6 ju l/0 6

92 05

92 /0 5 ju l/0 5

97

04

97

4

102

03

102

3 ju l/0 3

107

2

107

Fonte: IBGE. Elaboração e projeção: MB Associados

ACREFI

13

Ocupados

112

ju l/0 2

Massa de Rendimentos

117

Com essa argumentação, Mendonça de Barros concluiu que o cenário internacional atualmente é muito favorável para o Brasil, que deve registrar alta das exportações por um lado, embora ainda possa padecer com o desequilíbrio da conta capital. Para Mendonça de Barros, no País, as perspectivas de curto prazo estão melhorando: • a reversão da trajetória da inflação abre espaço para a queda dos juros; • o desempenho das exportações é notável, com fluxo cambial sólido; • há retomada dos investimentos em máquinas e equipamentos; • a expansão do crédito continua sustentando a demanda de bens duráveis; e, • nota-se o efeito das transferências do governo para a sociedade (aposentadorias, Bolsa-família, Bolsa-escola etc). Há, também, entretanto, fatores restritivos, tais como: • a recuperação da renda média real no mercado de trabalho é lenta; • o desempenho dos investimentos em novos projetos tem sido modesto, o que pode ser agravado pelo rumo inesperado do câmbio e subida dos juros além do esperado e pelos desdobramentos da crise política. Diante desse quadro, Mendonça de Barros afirmou que, praticamente, não há risco econômico para a trajetória de recuperação do ritmo de crescimento moderado, mas há um risco elevado causado por acidentes na política. Em resumo, o economista acredita que “temos tido um empuxo favorável ao crescimento do País, mas o Real está muito valorizado, valorizado demais, o que gera uma euforia enganosa. Além disso, é um espanto que a Selic esteja tão alta, já que tudo corre bem na economia... A taxa real de juros é duas vezes maior do que a mais elevada da América Latina! Mesmo assim, o Brasil deve crescer neste ano 3,3% e, em 2006, 3,6%, o que ainda é pouco e impede que, efetivamente, se reduza a pobreza”


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Gustavo Loyola

Reflexos da economia mundial no Brasil “Eventuais erros de política monetária não são responsáveis pelo baixo crescimento”

O economista Gustavo Loyola analisou os reflexos da economia mundial no Brasil no X XVI Congresso da Acrefi, partindo da conjuntura internacional que, segundo ele, apresenta grandes desequilíbrios estruturais como a conta-corrente e o défict fiscal dos Estados Unidos, além da instabilidade do mercado de petróleo. Isso gera receio, porque a História ensina que os desequilíbrios nunca persistem e acabam sendo corrigidos por bem ou por mal: “A maior parte dos analistas aposta na correção suave dessas instabilidades, porém é bom se precaver,

porque hoje o cenário é diferente daquele do passado do qual tiramos nossas lições”. Loyola analisou ainda a situação conjuntural internacional e lembrou que a inflação norteamericana sente pouco os efeitos do choque de commodities e do petróleo. Mas, acrescentou que as taxas de juros nos Estados Unidos continuam muito baixas, os investidores se mantêm abertos ao risco e a liquidez ainda está elevada para high yields e emergentes, o que leva à melhora generalizada dos prêmios de risco. Já as commodities em alta favo-

recem países produtores como o Brasil. Conjuntura doméstica A análise de Loyola levou em conta, ainda, a conjuntura doméstica. Segundo ele, os indicadores de solvência externa têm tido grandes melhoras nos últimos anos, mas os de solvência interna, apenas uma performance modesta, “o que gera um problema importante, a falta boa estrutura dos gastos públicos que, por sua vez, implica vinculações e ausência de reformas estruturais”. Além disso, lembrou o economista, a economia nos países emergentes

Evolução dos indicadores de solvência Brasil

2002

2003

2004

2005*

Dívida pública Líq./PIB

55,5%

57,2%

51,7%

52,6%

Déficit fiscal/PIB

10,3%

3,7%

2,5%

3,2%

Conta corrente/PIB

-1,6%

0,8%

1,9%

2,0%

Dívida externa/receitas da CC

300

261,3

175

161,2

Reservas internacionais (US$ bilhões)

37,8

49,3

52,9

54,6 *Projeção

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FINANCEIRO


Comparação de ratings entre emergentes

1999 Turquia

Escala S&P 2000 2001

2002

2003

Não-investiment grade Investment grade 2004 2005

B

B+

B-

B-

B+

BB-

BB-

Default

B-

B+

BB

BB

BB+

BBB-

Argentina

BB

BB-

Default

Default

Default

Default

B-

México

BB

BB+

BB+

BBB-

BBB-

BBB-

BBB

Índia

BB

BB

BB

BB

BB

BB

BB+

China

BBB

BBB

BBB

BBB

BBB

BBB+

A-

Brasil

B+

B+

BB-

B+

B+

BB-

BB-

Rússia

ditos relevantes tem mostrado pouco dinamismo e ambiente pouco favorável a investimentos, falta de políticas públicas que favoreçam a economia de mercado e infra-estrutura sofrível. Na prática, de acordo com Loyola, há que se considerar ainda a crise política que o País atravessa, que afeta pouco os mercados, mas adia decisões de investimentos, adia as reformas – “que só devem ocorrer em 2007” – e impedem a decolagem do crescimento. Loyola resumiu seu pensamento: “A conjuntura favorável é passa-

geira, e o Brasil de hoje está bem mais preparado para enfrentar o fim da boa fase. Os maiores problemas não estão da porteira para dentro, mas da porteira para fora. O Brasil de hoje me lembra o time do Zagallo dos bons tempos do zero a zero. Houve melhora de nossas defesas, mas nós não conseguimos marcar gol”. Ou seja, a melhora de solvência do Brasil não se reflete em seu rating. O País ainda não atingiu o investment grade : “Falta pouco. Um pouco mais de perseverança nas reformas e acabar com as incer-

tezas políticas”. A rigor, segundo Gustavo Loyola, países como a Turquia tiveram melhora mais acentuada de seus ratings que o Brasil, embora seus resultados e seu equilíbrio sejam inferior. Agora, resta trabalhar pelo investment grade, ou seja, por mais credibilidade do País no Exterior. Para isso, “o Brasil precisa corrigir a valorização cambial e reduzir a elevada taxa de juros – o Banco Central vê fantasmas onde eles não existem. É necessário adotar uma política interna competitiva e fazer o controle fiscal”


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Joelmir Beting

Projeções para o mercado de crédito “O Brasil é um caso único no mundo em que já me permito comprar meio quilo de mortadela por R$ 11,20 em cinco vezes sem juros”

O jornalista Joelmir Beting analisou as perspectivas de crédito sob o ponto de vista do bom humor, e iniciou sua palestra no XXVI Congresso da Acrefi com uma frase colhida no pára-choque de uma jamanta na Via Dutra: “Não sei o que vem pela frente. Só espero que seja pela frente”. Segundo ele, essa é a melhor definição do futuro do mercado de crédito para o ano de 2010. Beting fez o que chamou de uma “reflexão alternativa” da política monetária made in Brazil: “No mundo todo, a lei da gravidade faz uma maçã cair; no Brasil, a maçã voa. Um dos dois deve estar errado”. Isso significa, segundo o jornalista, que o Brasil se obriga a fazer uma limonada doce a partir de limões amargos. E ele nomeou esses limões: • política monetária anacrônica e equivocada; • oferta bancária de 27%; • oferta de apenas 17% do PIB de aplicação livre (10% para produção e 7% para consumo), enquanto chega a 160% na China; • altos riscos creditório, bancário e os relacionados a marcos regulatórios; • processo de “desbancarização” crescente do financiamento da economia

brasileira, processo que começou no agro-negócio, há dez anos, e já chegou ao varejo. Assim, de acordo com Joelmir Beting, a oferta bancária acaba sendo de alto risco, o que a leva a ser cara, o que, por sua vez, implica uma alta inadimplência nos contratos de pessoas físicas, conforme os dados mais recentes do Banco Central. Para o jornalista, vale a lição que lhe deu há anos o falecido fundador do Bradesco, Amador Aguiar: “Num Brasil em que não se respeitam os contratos, até o passado é imprevisível. Ou seja, o sistema não tem lastro seguro no passado, o que torna o futuro imprevisível, ainda mais lembrando que o mercado de crédito compra, vende, estoca e transfere a futuro. O juro é o valor da antecipação e o custo negociado da espera de quem poupa”. Por outro lado, Joelmir Beting pôs sabor na limonada, no doce mercado de crédito brasileiro, constituído por instituições financeiras que estão entre as mais sólidas e líquidas do mundo, com rentabilidade invejada até mesmo no Exterior e gestão das mais modernas do globo. Ainda assim, continuou Beting, a

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maçã no Brasil voa, não cai com a Lei da Gravidade que atua no resto do mundo. Ele explicou: “A alma do crédito bancário é ganhar cada vez menos por unidade de produto e cada vez mais com volume, com escala, e com uma escala que tem como limite o céu. No Brasil, porém, estamos na contramão, tentando ganhar mais sobre menos”. Na análise do jornalista, o mercado de crédito brasileiro está subordinado a uma política monetária que jamais antes foi tão questionada. E tende a sê-lo ainda mais, uma vez que “vem aí um terceiro choque da tecnologia”. Overdose de remédio é veneno Joelmir Beting lembrou aos participantes do XXVI Congresso da Acrefi que, nos anos 80, mais precisamente em 1984, vivemos a segunda onda do petróleo e o conseqüente bloqueio do estoque de liquidez no Brasil. Desde então, continuou, o País vive em overdose: • overdose de garrote monetário; • overdose de arrocho tributário; • overdose de sufoco orçamentário do setor público; e, • overdose de tumultos regulatórios. FINANCEIRO


Segundo Beting, o problema não é, portanto, o remédio que se receita, mas a sua dosagem, que pode torná-la um veneno. Assim, temos hoje, uma “imensa farra de crédito” no mundo, o que se resume em expansão sem inflação: o Brasil deve fechar este ano, nas contas do jornalista, com crescimento de 3,5% do PIB e inflação abaixo dos 5%, dentro da meta, ou seja,”com a economia no aclive e a taxa no declive”. Dizem que isso é sinal de sucesso da política econômica, mas, na verdade, é sucesso da política do garrote, do sufoco e do arrocho. Trata-se de uma dissonância cognitiva: se temos garrote, sufoco e arrocho, como a economia vem crescendo??? Para esse questionamento, Beting apresenta como resposta a explosão das tecnologias de comunicação nos últimos vinte anos. Foi isso, segundo ele, que produziu a globalização financeira e as conseqüentes revoluções corporativa, profissional e social, que acabaram resultando numa segunda onda tecnológica. A jamanta Joelmir Beting lembrou que é por todos esses fatos que é “preciso prestar atenção à jamanta a que ele se referiu no início de sua palestra: “A terceira onda da tecnologia vem aí e nem aprendemos direito como usar a que já temos, embora haja aqueles que já descobriram e, inclusive, fazem mau uso dela. Hoje, ou você é ponto.com ou é ponto-morto”. Nesse processo tecnológico, o

cliente chegou ao trono do mercado, seletivo, exigente e infiel – Beting frisou o infiel. Com isso, lembrou, acabou o repasse, e é o mercado que controla a inflação e, não, o governo. “Foi o mercado que pôs a inflação na jaula de um dígito e jogou a chave fora. Resultado: o lagarto virou uma lagartixa. E o cliente está fazendo o leilão reverso da demanda, é ele que impõe as regras de um mercado cada vez mais customizado.” A política marginal Se a política monetária perdeu seu papel e sua função tornou-se marginal, disse Beting, é o mercado que domina a inflação o responsável pela retomada do crescimento nos

últimos três anos. E o crescimento vai continuar, vaticinou. Vai continuar? Sim, com o remédio receitado na dose certa: • para o sufoco orçamentário, a sociedade e o setor financeiro estão ministrando a privatização de saúde, educação, segurança, transporte e previdência; • para o garrote tributário, temos cada vez mais informalidade (ela já bate os 40% do PIB); • para o arrocho monetário, veio a “desbancarização” Ou seja, se não fosse a política do arrocho, do sufoco e do garrote, “já estaríamos com o PIB crescendo mais de 7% ao ano e a inflação, abaixo dos 3% anuais”


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Michael Klein

Casas Bahia, um case de sucesso “A Casas Bahia, por enquanto, não vai abrir capital, porque não temos necessidade disso hoje”

Michael Klein, principal executivo da Casas Bahia, levou ao XXVI Congresso da Acrefi a história da empresa, que teve início com a chegada de seu pai, Samuel Klein, ao Brasil, com US$ 6 mil no bolso, que foram aplicados em produtos a serem vendidos de porta em porta. Com o sucesso na arte de mascatear, ele formou uma carteira de 800 clientes e, em 1953, fundou em São Caetano do Sul (SP), a Casas Bahia, que deve fechar 2005 com 18 milhões de clientes e 500 lojas (hoje são 465). A projeção é a de chegar a 2010 com mil lojas no país. Atualmente, a empresa tem filiais em São Paulo (249), Rio de Janeiro (87), Minas Gerais (41), Paraná (28), Goiás (14), Distrito Federal (11), Santa Catarina (15), Rio Grande do Sul (11) e Mato Grosso do Sul (9). A Casas Bahia emprega hoje 49,5 mil funcionários efetivos e registrados. O segredo da excelente performance, segundo Michael Klein, é o foco no cliente de baixa renda – os informais já são 60% da carteira – e o investimento em seus colaboradores, que recebem 13º e 14º salários e prêmios especiais. No ano passado foi criado, inclusive, um centro de formação, qualifi cação e reciclagem

de analistas de crédito, profi ssionais cada vez mais raros no mercado. A empresa também vem dando ênfase à concessão de crédito, com a introdução de cartão de crédito e criação da megaloja do Anhembi. A cobrança também é diferenciada, de forma a fidelizar a clientela: “Na Casas Bahia, o crédito é humano, não é uma ciência exata”, explicou Klein. Outros focos da companhia são a tecnologia de logística (para possibilitar entregas em prazo de 24 a 48 horas), entrepostos para atender demandas regionais, uma frota com 2,2 mil caminhões próprios, procedimentos de cadastro em real time, serviços completos de atendimento ao cliente. Fraudes A Casas Bahia também vem investindo pesado em prevenção às fraudes – desde 1999, a empresa controla, inclusive, o número de golpes que consegue evitar no dia-a-dia. Em 2004, obteve sucesso em mais de 10 mil casos em que pessoas físicas tentaram comprar crédito de forma fraudulenta. A empresa também está certificando os cadastros de clientes, uma medida que visa barrar ainda mais tentativas de fraudes em 2006. Assim, vários fatores do RG do

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cliente, por exemplo, serão cruzados on line na hora do cadastramento. O dígito final, por exemplo, é característico de uma determinada época. Em cada época, um determinado diretor de Polícia Federal assina o documento. Assim, pode-se verifi car se o número ou a assinatura não foram fraudados. Além disso, cada Estado tem um número diferente de dígitos no CPF, e ele tem de bater com o apresentado pelo freguês. A data de nascimento também é verifi cada e deve ser coerente com a data de expedição do documento. O futuro Michael Klein aposta que o final deste ano vai ser muito bom para o comércio, em especial para a Casas Bahia. A empresa fechou um acordo comercial com a Finasa, que passou a ter corners dentro de suas lojas, mas teve de ceder à tradicional política de aprovação de crédito da parceira, muito mais flexível. A Casas Bahia deve fechar 2005 com faturamento de R$ 12 bilhões e planeja crescer R$ 3 milhões em volume de crédito ofertado por ano, adotando a política de prestações mínimas de R$ 10,00 FINANCEIRO


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Marco Aurélio Mello

Conflito de interesses e poder Judiciário “O juiz deve idealizar a solução mais justa, partindo do caso concreto e, nele, aplicando a lei, sem se deixar levar pelo barulho da turba que quer direcioná-lo para determinado desfecho”

O ministro Marco Aurélio Mendes de Farias Mello, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, levou aos participantes do XXVI Congresso da Acrefi sua posição sobre os inadimplentes de contratos de financiamento de toda sorte que têm sido protegidos pela Justiça à revelia da lei: “O juiz tem de analisar o caso concreto diante da lei e vale, sim, o ato jurídico perfeito e acabado”. Marco Aurélio Mello disse, ainda, que os juízes devem se aperfeiçoar constantemente no trinômio lei/sistema jurídico e Justiça. Ele lembrou, também, que o Judiciário tem como escopo maior o restabelecimento da paz momentaneamente abalada. “O Código Penal Brasileiro proíbe e apena quem faz Justiça pelas próprias mãos, ainda que para salvaguardar direitos que possam sofrer lesão”, como é o caso dos magistrados que estão decidindo a favor dos inadimplentes, contra os credores e a legislação vigente. Para o ministro, “fala-se muito hoje da Indústria de Liminares, mas é preciso compreender que elas visam defender, sempre, o acesso ao Judiciário, seja a favor do autor de uma ação, seja a favor do réu. Temos a missão de evitar que uma lesão que ainda não ocorrer ACREFI

possa acontecer: é aí que entram as liminares, para que ameaças ao direito de um não se tornem efetivas lesões no âmbito de processos. Nós precisamos desse arcabouço jurídico que implica amplo direito de defesa”. Outra referência importante do ministro Marco Aurélio Mello foi a respeito da forma de atuação do Sistema Judiciário: “Ele só atua quando é provocado. E essa provocação pode vir daquele que teve o direito lesado ou do Ministério Público, em situações difusas, conforme previsto na Constituição Federal de 1988. Por outro lado, temos o juiz, que não pode abandonar a eqüidistância”. Diante disso, o ministro analisou dois temas: os contratos revisados e a tutela antecipada. Contratos revistos Marco Aurélio Mello afirmou que “paga-se um preço pela democracia, que é o de ter de obedecer as regras legais que tenham sido estabelecidas entre as partes”. Ou seja, o contrato que é um ato jurídico perfeito e acabado vale, sim, e tem de ser respeitado, se sua forma for legal e também os dispositivos ali alocados, que implicam legitimidade.

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Tutela antecipada Segundo o ministro Marco Aurélio Mello, “na solução das controvérsias, é preciso buscar o equilíbrio: ou seja, se querem ser imparciais, podem perfeitamente pedir caução a uma das partes e contra-caução à outra, sem admitir vícios advindos de uma doença conhecida como juizite. Temos de evitar que o credor padeça com o famoso ‘ganha mas não leva’. Mais: o ministro lembrou que, no que se refere aos contratos bancários de financiamento, não há regulamentação que determine se a tutela antecipada depende ou não de ajuizamento prévio. Porém, a parte que solicita uma liminar, se for o devedor, deve demonstrar que age de boa-fé e não apenas usa o recurso como medida protelatória. Para isso, deve depositar em juízo a parte incontroversa do valor devido, como já pacificado pela jurisprudência. A revisão desse tipo de contrato já levou, inclusive, à edição, pelo Superior Tribunal de Justiça, da Súmula 286, que prevê que “a confissão da dívida não impede a discussão na Justiça de eventuais ilegalidades”. Diante do disposto, o ministro concluiu que a revisão desses contratos busca a substituição da vontade das partes


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Dora Kramer

Uma análise do cenário político “A sociedade, a economia e o Brasil evoluíram, mas a política, não, continua a mesma!”

A crise política vai terminar quando? Aonde vai dar? A jornalista Dora Kramer se propôs a encontrar as respostas para esses questionamentos em sua palestra no XXVI Congresso da Acrefi. Segundo ela, antes de mais nada, é preciso lembrar-se de que o problema não é das leis vigentes, que não adianta fazer uma boa reforma política que tudo será resolvido. “O problema é das pessoas”. Ela tem certeza disso. E afirmou que aprendeu a lição com Roberto Campos, num almoço: “Não é no Parlamento que se tem de ser forte; é a carne que não pode ser fraca”. Essa frase, continuou Dora, resume bem a situação política brasileira atual. O sistema é defeituoso, tem muitos pecados e é reflexo da formação do país, “mas que o PT não era obrigado a pecar e muito menos a tomar gosto pelo pecado, ah, isso não era, não! Ou seja, para exercer o governo com maturidade, o governo precisaria trabalhar na mesma regra que quando estava na oposição – o PT perdeu seu patrimônio eleitoral”. Para Dora Kramer, o sistema político do Brasil logo se adapta aos novos governantes, assim que eles

assumem o poder. Assim, segundo ele, o PT perdeu a oportunidade de alterar as relações entre Executivo e Legislativo, até porque contava, a princípio, com o beneplácito da oposição: “No primeiro momento, só quem berrava mesmo contra eram o Arthur Virgílio e a Heloísa Helena”. Na opinião da jornalista, o PT abriu mão dessa prerrogativa e se aliou a seus antigos opositores, rendendo-se a uma lógica em que não sabia transitar. Por isso, os erros teriam começado a ocorrer e a se suceder, com o aparelhamento do Estado e graves ingerências de governo, tais como o malfadado recadastramento de aposentados que causou enormes filas de idosos e repulsa social. Além disso, o PT teria padecido com a dificuldade de administrar a adversidade, desde a primeira, o Escândalo Valdomiro... “Nesse momento, o governo já não estava bem, porque continuava pensando assim: se o FHC conseguiu abafar a CPI, por que a gente não conseguiria? O partido nem se dava ao trabalho de examinar em que condições tinha acontecido o fato e quais eram as condições do momento. Por isso, as reações foram todas equivocadas...”

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Logo depois, em 2004, continuou Dora, “o governo achou que podia sobreviver comprando sua base, e a presidência da Câmara acabou nas mãos do Severino Cavalcanti. E continuou errando, de forma que os desacertos culminaram nessa crise em que o governo poderia ter administrado a adversidade e feito uma negociação política... Mas abriu mão disso também, adotou uma candidatura do PCdoB e ficou de vez com o fisiologismo. Depois, o PT apareceu na TV, dizendo que liberou R$ 500 milhões para emendas...” Nas projeções de Dora Kramer em sua palestra dia 24 de setembro no Congresso da Acrefi, Aldo Rebelo deveria perder a disputa pela presidência da Câmara, a não ser que houvesse um milagre, mas a derrota não seria uma catástrofe para o País, porque, sendo eleito Nonô ou Temer, a nação volta ao que era antes. A jornalista acrescentou, ainda, que não crê que a crise política vá fazer o eleitorado reagir com indiferença ou desalento, até porque haverá muitos candidatos no próximo pleito. Nas suas contas, nenhum partido deve adotar o FINANCEIRO


mesmo modus operandi – e todos terão de pôr as contas de campanha na internet. Além disso, “acabou-se o império dos marqueteiros, o eleitor vai vigiar tudo de perto e o presidente Lula não vai poder usar a máquina governamental. Será uma campanha muito mais austera, e pode mudar o perfil da demanda do eleitorado. Os partidos terão de falar muito mais sério. Nesse sentido, pode-se dizer, até, que a crise é benéfica, porque tudo vai correr em ordem”. Para Dora Kramer, “não é possível pensar em reforma da legislação eleitoral quando o Congresso não consegue nem notifi car quatro deputados dentro da Câmara para

depor lá mesmo... Não estamos falando de pequenas maquiagens da lei, mas de grandes alterações do sistema político-eleitoral. O voto facultativo seria o melhor modo de obrigar o político a cativar o eleitorado. Afinal, toda essa crise só é ruim mesmo para o PT e para o restante do espectro partidário, mas, para o Brasil, a crise é boa, porque muita coisa vai ter de mudar”. Dora Kramer disse, ainda, que não se deve sequer perguntar se Lula sabia de todos os problemas que geraram a crise: “Sim, ele sabia. Ele sabia que era o sustentáculo desse projeto de longo prazo de poder e que, para isso, houve corrupção. Ainda que não soubesse,

Palestras na ACREFI

ele tem responsabilidade, sim, porque optou pelo marketing agressivo para poder vencer”. Segundo ela, se a oposição quisesse, teria meios de enquadrar o presidente por crimes de responsabilidade, mas interessa mais que ele fique até o final do governo e se enfraqueça para as próximas eleições. No pleito de 2006, Dora Kramer não acredita que vá encontrar o nome de Fernando Henrique Cardoso entre os candidatos: “Só se ele fosse tolo e não fosse tão vaidoso quanto é. Ele ganhou duas eleições em primeiro turno. Para que vai se arriscar a perder agora? A vida dele anda ótima, sempre aplaudido pelo mundo”

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20 de outubro de 2005

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Novas Perspectivas da Economia e do Processo Político - Cenários Antonio Carlos Porto Gonçalves Diretor do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) e Professor Titular de Economia do IBRE e da Universidade Federal Fluminense Às 8h30 - No auditório da ACREFI - Com café da manhã

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xxvi congresso acrefi

Bolívar Lamounier

Perspectivas políticas para 2006 “No cenário de uma sucessão presidencial com desfecho satisfatório, o governo e a oposição podem convergir para implementar reformas”

O cientista político Bolívar Lamounier palestrou no XXVI Congresso da Acrefi sobre as perspectivas políticas do País para o próximo ano, partindo da análise da crise atual que contrasta com a tranqüilidade econômica. De acordo com Lamounier, o desfecho da crise política atual é difícil de prever, “anda numa zona nebulosa difícil de clarear, o que só deve ocorrer depois da efetiva substituição de Severino Cavalcanti e se o seu sucessor começar a trabalhar. Tudo depende também do efeito que as cassações de parlamentares envolvidos nos escândalos do Mensalão e dos Correios podem ter”. Para o cientista político, não há como negar que a crise política é grave, e que pode mudar o panorama de Brasília. Uma dessas mudanças pode ser, segundo Lamounier, a institucional, porque a crise também tem de ser vista por esse prisma. “Alguns estudiosos tendem a crer que há conspiração da elite ou dos tucanos paulistas, mas, na minha visão, a crise está dentro do PT, seja por dificuldade em formar coalizão de apoio ao governo no Congresso, seja por sua ideologia”. Lamounier também deixou clara essa sua preocupação com a intervenção da crise no institucional:

“Dependendo de como a crise evolua, ela sacrifica a instituição. E, no Brasil, partidos políticos não preponderam sobre os candidatos. Basta observar que, em dois anos e meio, 102 políticos trocaram 237 vezes de partido.” Além disso, lembrou o cientista, “o dano à imagem do presidente Lula e do PT provavelmente é irreversível, embora haja possibilidade de uma reeleição. No cenário de uma sucessão presidencial com desfecho satisfatório, o governo e oposição podem convergir para implementar reformas, com avanço econômico, o

ÃO SS E C SU

que cria boas perspectivas para o restante da década”. O desfecho da crise, acredita Lamounier, deve se dar num quadro mediano, com uma combinação entre essa análise positiva e novos detalhes da crise, que surgem aos poucos. Assim, “as eleições de 2006 podem resultar em um governo fraco, mas não a ponto de alterar bruscamente a política econômica ou de comprometer a ordem constitucional”. Na prática, continuou o cientista político, os resultados da eleição municipal de 2004 já apontavam para

06 20 E LD CIA N E ID ES PR

Lula: enfraquecido, mas não fora do baralho. PFL: César Maia, para valer ou para vice? PMDB: terá candidatura própria? Rigoto, Requião, Nelson Jobim, Garotinho? Outra? PSDB: Serra, Alckmin, Aécio, FHC? Alguma surpresa? José Alencar? Ciro? Heloísa Helena?

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FINANCEIRO


O programa do PT De acordo com o cientista político, o PT nunca teve um programa consistente para o Brasil. Seu pensamento econômico sempre foi muito superficial (basta lembrar que o partido se opôs frontalmente ao plano de combate à inflação proposto pelo então ministro Fernando Henrique Cardoso em 1994 – sem oferecer nenhuma alternativa). Por isso, por não ter um programa exeqüível, os mercados se assustaram, houve forte desvalorização do Real, e, no poder, o PT ficou com margem de manobra ainda menor. Falta de projeto e apego à ortodoxia foram, portanto, duas faces de uma mesma moeda. Até mesmo as políticas sociais do PT são ruins, em geral, assistencialistas e distributivas. “Mas não se pode negar que possam ser eficazes do ponto de vista eleitoral, sobretudo no Nordeste. Em certos aspectos, como o a Reforma Universitária debatida em 2004, há um grande risco de retrocesso”. A economia Para Lamounier, a economia, apesar da crise política, atravessa uma fase muito favorável e só deve ser afetada se as investigações demonstrarem cabalmente um envolvimento pessoal do presidente Lula e, com isso, o descontrole político aumentar muito, ou seja, é uma hipótese extrema em que o recurso do impeachment seria inevitável do ponto de vista jurídico, mas dificilmente poderia ser executado, politicamente. Isso, porque nessa hipótese remota,

teríamos um Congresso quase que à deriva, o acirramento de opiniões na sociedade e a debilidade dos partidos, de modo que a incerteza sobre a política econômica pudesse chegar a um nível muito alto, alto demais. Além disso, a política econômica atual não é sustentável a longo prazo: a taxa de investimento continua muito baixa, e um juro real superior da ordem de 14% ao ano agrava o endividamento e estrangula a atividade econômica. Por outro lado, sem uma agenda vigorosa de reformas microeconômicas e institucionais, não há como sair da atual armadilha – e a crise atual inviabiliza essas reformas. No curto prazo , acaba ocorrendo um aprofundamento desse círculo vicioso, devido à incerteza política. O pós-crise Os principais partidos de oposição, PSDB e PFL, vêm se conduzido bem, mantêm o seu perfil, afirmou Lamounier. Na situação, penso que haverá um período gelatinoso, até que as coisas se definam. O PT sofreu um golpe sério; perdeu, no mínimo, o discurso da ética. Terá de abandonar a pretensão de monopolizá-lo, o que aliás será muito saudável. PTB, PP e PL foram alvejados em pleno vôo; e o PMDB continua rachado ao meio, como tem sido há vários anos. A redefinição desse quadro dependerá da solução da crise, do que vier a ser aprovado no sentido de uma reforma política e, evidentemente, das eleições gerais do próximo ano

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uma eleição potencialmente competitiva no ano que vem, ainda que o presidente Lula se mantivesse na liderança em todas as pesquisas. Com a crise política em curso, à qual o presidente não conseguiu até aqui responder de maneira consistente, o quadro eleitoral tornou-se ainda mais incerto, ou seja, competitivo. “Os principais líderes do PSDB e César Maia, pelo PFL, já despontam como candidatos fortes. O PMDB também poderá ter participação efetiva, dependendo de quem seja o seu candidato. Não acredito que Anthony Garotinho tenha chances, mas, se for mesmo candidato, pode obter boa votação. Mas, creio, será bloqueado dentro do próprio PMDB, se conseguir manter seus direitos políticos. Heloísa Helena, do PSOL, poderá ter boa votação também, já que tem tido grande exposição na mídia. Assim, me parece muito provável que vá haver segundo turno, ou seja, as chances de Lula diminuíram muito. Mesmo assim, não se deve subestimá-lo. Por maior que seja seu desgaste e o do PT, não me surpreenderia se ambos conservarem uma parcela fiel do eleitorado, perto dos 30%”. Na verdade, acrescentou Lamounier, “o presidente Lula é um líder, se o termo ‘líder’ for entendido no sentido de um condutor de massas, de alguém capaz de assegurar por muito tempo a devoção de uma grande parcela da sociedade. Mas não o vejo como um grande líder, se o termo for entendido como capacidade de conduzir a sociedade segundo um projeto consistente, moderno e atualizado”.


xxvi congresso acrefi

José Alexandre Scheinkman

A economia mundial e seus efeitos sobre o Brasil “No Brasil, precisamos rever toda a nossa estrutura social e reduzir as taxas de juros, que hoje são absurdas...”

O economista da Universidade de Princeton, José Alexandre Scheinkman, convidado internacional do XXVI Congresso da Acrefi, traçou um paralelo entre a economia mundial e seus efeitos sobre o Brasil, partindo da análise do crescimento da renda per capita no Brasil e no mundo. De acordo com o economista, o comportamento da renda per capita brasileira acompanha o desempenho da mundial, como se fossem duas curvas “que caminham juntas, ou seja, se o mundo vai bem, o Brasil também vai bem; se vai mal, aqui também se sente a má performance”. Scheinkman exemplificou sua afirmativa, lembrando que, hoje, as exportações brasileiras têm mostrado um desempenho muito positivo, justamente devido ao fato de o mundo estar em expansão, aumentando a demanda. “E parte dessa demanda está sendo atendida pelo Brasil.” A análise continuou, com o professor dizendo que, surpreendentemente, o ano de 2005 está sendo muito bom para a economia mundial. “Os indicadores de todo tipo mostram bem isso: o FMI prevê um crescimento global de 4,3%”. A maior novidade, porém, é o pequeno impacto que a alta do preço

de petróleo no mercado internacional teve até agora na economia. “Os modelos convencionais estimavam que um aumento de US$ 10 por barril reduziria o crescimento anual em 0,5%, mas o preço do petróleo subiu aproximadamente US$ 40 por barril desde 2002, e a economia mundial cresceu aproximadamente 3,3% anuais, entre 93 e 2002, quando se poderia esperar um impacto de 2% negativos. Ou seja, o resultado neste ano é realmente notável”. Sendo assim, para o Brasil, o desempenho da economia global é uma ótima notícia. Apesar de ter sido até recentemente uma economia muito fechada, o Brasil teve uma tendência a crescer mais nos anos em que a economia mundial foi melhor. A previsão do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), de que o PIB no Brasil deve crescer 3,5% neste ano, reflete em parte os bons preços para as nossas exportações que resultam da expansão mundial. A previsão do Ipea para o Brasil está abaixo daquela do FMI para o crescimento mundial em 2005, mas, mais importante do que isso, está bem abaixo das taxas de crescimento previstas pelo Fundo para as economias emergentes (6,4%), ou os emergentes da Ásia (7,8%), ou mesmo os emergentes da Ásia depois

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de excluídas Índia e China (5,4%). Para Scheinkman, é preciso lembrar que a contribuição da China no PIB mundial é, atualmente, a maior de todas, de forma que, juntamente com os Estados Unidos, o país tornou-se a grande locomotiva da economia mundial. Ou seja, “para saber para onde o mundo está caminhando, é preciso saber para onde estão indo China e EUA”. Scheinkman, como é de costume, não fez previsões, o que ele julga “difícil de fazer, um verdadeiro quebra-cabeças, muitas vezes sem lógica”. Ele se referiu não só ao fato de os modelos tradicionais apontarem, mais do que um impacto que não ocorreu da alta do petróleo, mas também uma enorme liquidez internacional: “As taxas longas nos Estados Unidos estão relativamente baixas – 3,8% para 3 meses e 4,1% para 10 anos. A poupança asiática está crescendo – em especial fora do Japão – com o objetivo de fazer frente ao pagamento de um número cada vez maior de aposentadorias futuras, já que a população está envelhecendo”. O que se deve fazer, de acordo com o economista, é analisar as locomotivas atuais, as nações que puxam o trem da economia mundial. Assim, ele traçou dois cenários para os Estados Unidos: um anterior à FINANCEIRO


Crescimento do PIB 2004-2006 (Consensus Economics 8/05)

2004

2005

2006

EUA

4,2

3,6

3,3

JAPÃO

2,7

1,6

1,5

EUROLÂNDIA

1,8

1,3

1,7

REINO UNIDO

3,2

2,0

2,2

CHINA

9,5

8,9

8,0

MUNDO

4,7

3,8

3,8

Contribuição para o crescimento em 2004 (PIB em PPC)

EUA JAPÃO EUROLÂNDIA REINO UNIDO CHINA

passagem do Furacão Katrina, outro posterior ao fenômeno climático. No primeiro quadro, esperava-se a continuidade da expansão econômica ainda que sem criação de empregos, inflação acima de 3% ao ano e aumentos mensais da taxa de juros pelo Federal Reserve. Já depois do Katrina, segundo ele, a expectativa é de redução da ordem de 0,1% do crescimento norte-americano e inflação de 0,1% a 0,2% maior. No que se refere a fazer projeções para a economia dos EUA, afirmou Scheinkman, “a dificuldade está em considerarmos os fatores de risco, que são muito subjetivos, como o terrorismo, por exemplo. Além disso, é preciso considerar o déficit fiscal – que se complica depois do Katrina –, e o déficit em conta corrente, que está batendo os 6% do PIB e vai precisar de ajuste. Esse ajuste, tradicionalmente, se dá via desvalorização da moeda com recessão, mas, em 1985, por exemplo, os Estados Unidos fizeram ajuste semelhante sem recessão, apenas com desvalorização. Existe ainda outra variável difícil de ponderar, que é a bolha imobiliária, porque esse mercado depende das taxas de juros de 10 anos do Tesouro, base dos empréstimos concedidos com hipotecas”. Já a situação chinesa é diferente, afirmou Scheinkman ao analisar o ACREFI

desempenho da economia que mais contribui para o PIB mundial e é a mais importante locomotiva desse trem. Segundo ele, todas as economias que cresceram muito depressa, como o Japão, a Coréia, Taiwan e Brasil, tiveram depois uma parada. A China está tendo um crescimento econômico muito rápido, mas uma paralisação seria muito impactante no mundo, dada a sua importância atual no globo. Não há, porém, sinais de desaceleração por enquanto. “Mais do que isso, é bom lembrar-se de que o sistema bancário chinês é frágil, embora a poupança do Estado seja grande e possa dar conta de resolver esse problema. Outro ponto a ser analisado são as mudanças no câmbio, que não têm produzido muito reflexo”. O Brasil Para Scheinkman, o Brasil ainda tem uma economia muito fechada, que está se tornando cada vez mais integrada no cenário mundial através de suas exportações. E isso reduz a sua vulnerabilidade às crises. Porém, como “a História ensina que deve haver uma desaceleração na economia mundial em algum momento do futuro não tão distante, o Brasil deve aproveitar a boa fase deste e do próximo ano, que são de franco crescimento, e mudar de patamar de crescimento”.

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Nem sempre essa é uma tarefa simples, admitiu o economista. “A performance sofrível da economia brasileira neste ano reflete também vários fatores internos. De positivo, temos as novas tradições de equilíbrio fiscal e estabilidade monetária, que elevaram a confiança dos investidores, o aumento da integração com o resto do mundo e a melhoria do ambiente de negócios que resultou das reformas microeconômicas. Do lado negativo, além da política monetária que nos premiou com o maior juro real do mundo, podemos destacar a informalidade crescente, a nossa incapacidade de gerar inovações tecnológicas no mesmo ritmo que as economias emergentes da Ásia e a baixa taxa de investimentos em infra-estrutura”. A baixa taxa de investimento em infra-estrutura é um problema grave, acrescentou Scheinkman: “Um estudo do Banco Central do Chile indica que, de 1980 a 1997, a taxa de crescimento da infra-estrutura no Brasil foi muito inferior à taxa de crescimento da infra-estrutura nos tigres asiáticos. O estudo aponta que, nesse período, no qual o Brasil cresceu muito menos do que os tigres, a falta de investimento em infra-estrutura foi responsável por mais de 1/3 dessa diferença de crescimento no PIB. As privatizações da década de 90 resultaram em aumento considerável dos investimentos em setores cruciais, como as telecomunicações, mas a combinação de incerteza regulatória com a falta de investimentos estatais ainda deprime o crescimento da nossa infra-estrutura. O debate em torno dos gastos públicos é dominado pela discussão dos juros que incidem sobre a dívida. Mas, com a exceção do superávit primário, o que é arrecadado pelos governos é gasto com transferências, consumo e pouco com investimento”. Como soluções para esse cenário brasileiro, Scheinkman apontou as medidas necessárias: além de maior investimento em infra-estrutura, mais comércio externo, mais educação, menos informalidade nos negócios e, principalmente, redução das desigualdades econômico-sociais


xxvi congresso acrefi

Sérgio Darcy e Istvan Kaznar

Rumo ao crescimento “O Tempo de Crescer está começando” Sérgio Darcy

“É necessário dar acesso ao mercado aos pequenos e médios empresários” Istvan Kaznar

O tema do XXVI Congresso da Acrefi, “Tempo de Crescer” foi comentado pelo diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy, que considerou-o “muito adequado ao evento, porque o Brasil está realmente nesse caminho, o do crescimento”.

Darcy advertiu, porém, que “para crescer é preciso, antes, debater o tamanho do Estado, combater a burocracia e estabelecer um modelo administrativo comum”. Além disso, acrecentou, “precisamos acabar com a insegurança jurídica, uma das razões pelas quais vimos incentivando o cadastro positivo, parte do projeto de adequação do spread bancário”. Já para o conselheiro econômico da Acrefi, Istavn Kaznar, o tema do XXVI Congresso da entidade “traz em si otimismo e é favorável ao mundo dos negócios, uma vez que crescimento implica acréscimo de dados e conhecimentos que permite a qualificação contínua de toda a economia, em especial, da atividade do setor de crédito e financiamento”. Kaznar acrescentou que “o processo de crescimento no Brasil tem sido muito tímido, graças a garrotes como o da carga tributária elevada e do alto déficit público. Hoje, cerca de 66% dos gastos públicos estão sendo usados para sustento da máquina do Estado; 21% para pagamento de juros e só uma parcela de 12% a 13% tem sido dirigida para o investimento, o que é muito pouco”


banco de dados por INEPAD TAXAS MÉDIAS GERAL DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05

43,9 45,1 45,6 45,7 45,0 46,8 47,5 47,8 48,4 49,4 49,0 48,8 49,1

0 1,2 0,5 0,1 -0,7 1,8 0,7 0,3 0,6 1,0 -0,4 -0,2 0,3

16,4 17,4 17,5 17,9 17,8 18,3 18,8 19,0 19,4 19,4 19,2 19,0 18,9

-0,3 1,0 0,1 0,4 -0,1 0,5 0,5 0,2 0,4 0,0 -0,2 -0,2 -0,1

27,5 27,7 28,1 27,8 27,2 28,5 28,7 28,8 29,0 30,0 29,8 29,8 30,2

0,3 0,2 0,4 -0,3 -0,6 1,3 0,2 0,1 0,2 1,0 -0,2 0,0 0,4

Variação ago-ago

5,2

2,5

2,7

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA FÍSICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05

63,1 63,2 63,2 63,4 61,5 63,4 64,0 64,0 64,5 65,7 64,7 64,5 64,4

1,1 0,1 0,0 0,2 -1,9 1,9 0,6 0,0 0,5 1,2 -1,0 -0,2 -0,1

17,4 17,5 17,3 17,8 17,6 18,2 18,6 18,7 19,1 18,9 18,4 18,2 18,2

0,7 0,1 -0,2 0,5 -0,2 0,6 0,4 0,1 0,4 -0,2 -0,5 -0,2 0,0

45,7 45,7 45,9 45,6 43,9 45,2 45,4 45,3 45,4 46,8 46,3 46,3 46,2

0,4 0,0 0,2 -0,3 -1,7 1,3 0,2 -0,1 0,1 1,4 -0,5 0,0 -0,1

Variação ago-ago

1,3

0,8

0,5

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA JURÍDICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05

28,8 30,4 31,1 30,9 31,0 32,2 32,4 32,9 33,3 33,7 33,4 33,0 33,2

-0,9 1,6 0,7 -0,2 0,1 1,2 0,2 0,5 0,4 0,4 -0,3 -0,4 0,2

15,7 17,3 17,6 18,0 18,0 18,3 18,9 19,2 19,6 19,9 19,8 19,6 19,5

-0,9 1,6 0,3 0,4 0,0 0,3 0,6 0,3 0,4 0,3 -0,1 -0,2 -0,1

13,1 13,1 13,5 12,9 13,0 13,9 13,5 13,7 13,7 13,8 13,6 13,4 13,7

0,0 0,0 0,4 -0,6 0,1 0,9 -0,4 0,2 0,0 0,1 -0,2 -0,2 0,3

Variação ago-ago

4,4

3,8

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

27

0,6


banco de dados por INEPAD JUROS E SPREAD BANCÁRIO

CRÉDITO PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL Volume

50,0 47,5 45,0 42,5 40,0 37,5 35,0 32,5 30,0 27,5 25,0 22,5 20,0 17,5 15,0

Taxa Juros

65.000

78,00

60.000

77,00 76,00

55.000

75,00

50.000

SPREAD

74,00 45.000

73,00

40.000

72,00

Aplicações

71,00

30.000

ago/05

jul/05

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abr/05

mar/05

fev/05

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dez/04

nov/04

out/04

set/04

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35.000

70,00

ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun 04 04 04 04 04 05 05 05 05 05 05

Captações

Volume

jul ago 05 05

Taxa de Juros

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - PREFIXADOS (R$ milhões) MÊS / ANO

CHEQUE ESPECIAL

VARIAÇÃO EM %

CRÉDITO PESSOAL

VARIAÇÃO EM %

FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO

VARIAÇÃO EM %

CARTÃO DE CRÉDITO

VARIAÇÃO EM %

ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05

10655 10925 10726 10963 9800 10567 11071 11502 11550 12044 11790 11647 12259

4,06% 2,53% -1,83% 2,21% -10,61% 7,82% 4,77% 3,89% 0,42% 4,28% -2,11% -1,22% 5,26%

38712 39888 41353 42439 43423 44781 47218 49965 52333 54345 55426 57270 59060

2,75% 3,04% 3,67% 2,62% 2,32% 3,13% 5,44% 5,82% 4,74% 3,84% 1,99% 3,33% 3,13%

1070 1078 1036 1071 1080 1076 1072 1057 1047 1053 1049 1028 1037

-0,16% 0,80% -3,95% 3,42% 0,86% -0,36% -0,42% -1,38% -0,97% 0,59% -0,42% -1,97% 0,83%

7554 7590 7591 8666 8207 8711 9440 9231 9942 10051 10196 10512 10347

5,37% 0,48% 0,02% 14,16% -5,29% 6,14% 8,36% -2,21% 7,70% 1,10% 1,44% 3,10% -1,56%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados/continuação (R$ milhões) AQUISIÇÃO MÊS / ANO ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05

VEÍCULOS

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

34 740 35 383 35 573 36 754 38 065 38 855 39 340 40 221 40 958 41 795 42 723 43 636 45 155

1,80% 1,85% 0,54% 3,32% 3,57% 2,07% 1,25% 2,24% 1,83% 2,04% 2,22% 2,14% 3,48%

5 925 6 179 6 639 6 840 7 225 7 375 7 313 7 394 7 578 7 992 8 351 8 824 9 425

3,05% 4,29% 7,45% 3,02% 5,62% 2,08% -0,83% 1,10% 2,48% 5,47% 4,50% 5,66% 6,82%

40 665 41 562 42 212 43 594 45 290 46 230 46 653 47 615 48 535 49 787 51 074 52 460 54 581

1,98% 2,20% 1,57% 3,27% 3,89% 2,08% 0,92% 2,06% 1,93% 2,58% 2,59% 2,71% 4,04%

5 400 5 495 5 559 5 625 5 471 5 621 5 834 6 177 6 437 6 889 7 097 7 349 7 702

1,31% 1,76% 1,17% 1,18% -2,74% 2,74% 3,78% 5,88% 4,21% 7,02% 3,02% 3,56% 4,79%

104 057 106 539 108 478 112 358 113 272 116 987 121 288 125 547 129 844 134 169 136 632 140 266 144 985

2,66% 2,39% 1,82% 3,58% 0,81% 3,28% 3,68% 3,51% 3,42% 3,33% 1,84% 2,66% 3,36%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

28

FINANCEIRO


VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - CRÉDITO CONSIGNADO (R$) MÊS / ANO

CRÉDITO PESSOAL

ago/04 38.712 set/04 39.888 out/04 41.353 nov/04 42.439 dez/04 43.423 jan/05 44.781 fev/05 47.218 mar/05 49.965 abr/05 52.333 mai/05 54.345 jun/05 55.426 jul/05 57.302 ago/05 59.060 Var. ago-ago 52,56%

CRÉDITO PESSOAL % Amostra AMOSTRA* 30.985 31.925 33.178 33.881 34.721 35.522 36.921 39.126 41.470 43.009 44.527 45.938 47.080 51,94%

80,0% 80,0% 80,2% 79,8% 80,0% 79,3% 78,2% 78,3% 79,2% 79,1% 80,3% 80,2% 79,7%

CONSIGNADO Públicos

Privados

% Consignado** Total

8.406 1.463 9.869 8.913 1.591 10.504 9.581 1.704 11.286 10.078 1.805 11.882 10.742 1.869 12.611 11.080 1.969 13.049 11.953 2.065 14.018 13.489 2.056 15.545 14.444 2.173 16.617 15.566 2.320 17.886 16.339 2.451 18.789 17.099 2.584 19.683 17.969 2.706 20.675 113,76% 85,03% 109,50%

31,8% 32,9% 34,0% 35,1% 36,3% 36,7% 38,0% 39,7% 40,1% 41,6% 42,2% 42,8% 43,9%

CONSIGNADO TOTAL Estimativa INEPAD

Consignado

Pessoal

Diferença***

12.330 13.123 14.067 14.884 15.771 16.451 17.927 19.851 20.970 22.600 23.388 24.552 25.936

38,5% 39,0% 39,2% 38,5% 39,2% 38,9% 37,4% 38,1% 37,8% 36,9% 36,8% 36,8% 36,8%

73,8% 73,9% 73,8% 73,8% 70,8% 74,5% 75,3% 74,4% 75,0% 77,2% 76,2% 76,6% 76,6%

35,3% 34,9% 34,6% 35,3% 31,6% 35,6% 37,8% 36,3% 37,2% 40,3% 39,4% 39,8% 39,8%

Taxa de Juros %aa

FONTE: INEPAD / BC * Pesquisa com treze das maiores instituições que operam com crédito pessoal. ** Total consignado sobre o total de crédito pessoal da amostra *** Taxa Crédito Pessoal de Mercado - Taxa de Consignado.

INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS CRÉDITO PESSOAL (R$ mil)

Mês/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05

32.846.771 33.605.016 34.395.189 36.330.048 36.429.717 38.174.691 39.269.395 41.398.232 43.853.143 45.958.211 47.958.159 49.107.813 50.932.454

979.871 1.269.799 1.603.160 1.071.229 1.854.350 910.690 1.081.995 1.113.012 1.263.104 1.224.836 1.364.220 1.260.105 1.180.764

2,60% 3,28% 4,02% 2,59% 4,37% 2,10% 2,42% 2,36% 2,53% 2,34% 2,51% 2,27% 2,06%

1.014.235 1.048.360 1.123.560 1.150.369 1.347.591 1.241.283 1.220.396 1.349.410 1.427.796 1.421.446 1.432.355 1.494.652 1.485.848

2,69% 2,71% 2,82% 2,78% 3,18% 2,86% 2,73% 2,86% 2,86% 2,72% 2,64% 2,70% 2,59%

2.337.093 2.333.029 2.358.439 2.444.849 2.478.395 2.490.724 2.597.523 2.649.416 2.800.103 3.078.013 2.951.453 3.013.742 3.145.514

6,20% 6,03% 5,91% 5,91% 5,84% 5,74% 5,80% 5,61% 5,60% 5,88% 5,43% 5,44% 5,49%

37.676.568 38.712.343 39.888.408 41.353.350 42.438.810 43.422.690 44.781.159 47.218.466 49.965.156 52.332.903 54.344.976 55.426.011 57.270.000

2,62% 2,75% 3,04% 3,67% 2,62% 2,32% 3,13% 5,44% 5,82% 4,74% 3,84% 1,99% 3,33%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS (R$ mil)

Mês/Ano

jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05

Saldo

Com atraso

sem atraso

de 15 a 30 dias

30.927.564 31.647.980 32.105.124 32.340.462 33.650.225 35.183.751 35.794.379 36.219.687 36.869.843 37.642.112 38.206.540 39.234.937 40.002.093

1.199.259 1.197.763 1.266.622 1.217.895 1.177.013 1.123.870 1.243.330 1.183.837 1.386.782 1.275.989 1.458.922 1.359.409 1.448.473

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

3,51% 3,45% 3,58% 3,42% 3,20% 2,95% 3,20% 3,01% 3,45% 3,12% 3,49% 3,18% 3,32%

1.039.556 1.007.462 1.136.700 1.089.188 1.100.391 954.090 1.025.747 1.156.706 1.205.748 1.278.733 1.384.923 1.391.475 1.404.040

3,05% 2,90% 3,21% 3,06% 2,99% 2,51% 2,64% 2,94% 3,00% 3,12% 3,31% 3,26% 3,22%

960.569 883.791 871.118 922.225 823.190 800.832 788.925 776.871 756.356 758.170 741.774 733.856 776.692

2,81% 2,54% 2,46% 2,59% 2,24% 2,10% 2,03% 1,97% 1,88% 1,85% 1,77% 1,72% 1,78%

34.125.996 34.740.423 35.382.584 35.572.761 36.753.547 38.065.281 38.855.103 39.339.842 40.221.467 40.957.737 41.795.094 42.722.706 43.636.074

1,59% 1,80% 1,85% 0,54% 3,32% 3,57% 2,07% 1,25% 2,24% 1,83% 2,04% 2,22% 2,14%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

29


banco de dados por INEPAD INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05

4.707.381 4.877.281 5.036.740 5.472.671 5.650.757 6.105.428 6.147.604 5.990.515 5.948.868 6.107.852 6.445.620 6.790.933 7.190.986

232.066 235.179 263.115 263.448 266.926 247.018 323.728 325.200 364.990 357.857 375.047 359.584 372.685

4,04% 3,97% 4,26% 3,97% 3,90% 3,42% 4,39% 4,45% 4,94% 4,72% 4,69% 4,31% 4,22%

237.290 234.775 261.585 272.977 287.900 246.571 275.200 354.267 417.733 418.795 414.913 416.052 406.831

4,13% 3,96% 4,23% 4,11% 4,21% 3,41% 3,73% 4,84% 5,65% 5,53% 5,19% 4,98% 4,61%

563.322 568.248 608.388 621.100 625.283 616.087 618.340 633.331 652.454 683.148 745.969 774.531 830.585

9,80% 9,59% 9,85% 9,35% 9,14% 8,53% 8,38% 8,66% 8,82% 9,02% 9,33% 9,27% 9,41%

5.749.605 5.924.969 6.179.110 6.639.404 6.840.214 7.224.939 7.374.918 7.313.439 7.393.980 7.577.546 7.991.679 8.351.397 8.824.004

2,68% 3,05% 4,29% 7,45% 3,02% 5,62% 2,08% -0,83% 1,10% 2,48% 5,47% 4,50% 5,66%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS - PREFIXADO Julho/2005 (em R$ mil)

INADIMPLÊNCIA - CRÉDITO PESSOAL - PREFIXADO Julho/2005 (em R$ mil)

20,3%

Atraso de 15 a 30 dias 1.180.764

Atraso de mais de 90 dias 776.692

54,1% 25,6%

Atraso de 15 a 30 dias 1.448.473

Atraso de 31 a 90 dias 1.485.848

23,1%

39,9%

15 a 30 dias 214.947

Atraso de 15 a 30 dias 372.685

16,4% Atraso de mais de 90 dias 716.611

51,6% 25,3%

Atraso de 31 a 90 dias 1.404.040

INADIMPLÊNCIA - OUTRAS OPERAÇÕES - PREFIXADO Julho/2005 (em R$ mil) Atraso de

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO OUTROS BENS - PREFIXADO Julho/2005 (em R$ mil)

Atraso de mais de 90 dias 830.585

21,4% 38,7%

Atraso de mais de 90 dias 3.145.514

54,6%

29,0%

Atraso de 31 a 90 dias 406.831

Atraso de 31 a 90 dias 381.234

OUTRAS OPERAÇÕES (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05

3.173.699 3.427.678 3.411.009 3.453.875 3.586.571 3.579.408 3.654.442 3.796.891 4.060.034 3.586.571 3.579.408 3.654.442 3.796.891

222.375 220.111 230.730 218.566 186.260 183.304 207.002 214.947 226.263 186.260 183.304 207.002 214.947

4,17% 4,08% 4,20% 3,93% 3,31% 3,35% 3,68% 3,68% 3,66% 2,89% 2,66% 2,92% 2,92%

354.337 319.305 384.060 383.012 348.687 338.569 356.159 381.234 417.153 348.687 338.569 356.159 381.234

6,65% 5,91% 6,99% 6,89% 6,20% 6,19% 6,34% 6,54% 6,75% 5,42% 4,91% 5,02% 5,19%

869.481 821.802 809.917 783.905 778.224 679.473 705.436 716.611 742.541 778.224 679.473 705.436 716.611

16,31% 15,22% 14,74% 14,10% 13,83% 12,42% 12,55% 12,28% 12,02% 12,09% 9,86% 9,94% 9,75%

5.330.634 5.400.460 5.495.355 5.559.467 5.625.320 5.471.407 5.621.076 5.833.611 6.176.684 6.436.891 6.888.526 7.096.557 7.349.412

-1,01% 1,31% 1,76% 1,17% 1,18% -2,74% 2,74% 3,78% 5,88% 4,21% 7,02% 3,02% 3,56%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

30

FINANCEIRO


DESEMPREGO TAXA DE DESEMPREGO (%) DATA

Brasil

Var. p.p.

SP

ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05

11,40 10,90 10,50 10,60 9,60 10,20 10,60 10,80 10,80 10,20 9,40 9,40 9,40

0,20 -0,50 -0,40 0,10 -1,00 0,60 0,40 0,20 0,00 -0,60 -0,80 0,00 0,00

12,60 11,70 11,20 11,20 9,80 11,10 11,50 11,50 11,40 10,50 10,50 9,90 9,40

TAXA DE DESEMPREGO Taxa (%)

Var. p.p. 0,10 -0,90 -0,50 0,00 -1,40 1,30 0,40 0,00 -0,10 -0,90 0,00 -0,60 -0,50

Fonte: IBGE/INEPAD

Variação (p.p.)

14,0 13,5 13,0 12,5 12,0 11,5 11,0 10,5 10,0 9,5 9,0 8,5 8,0

0,80 0,60 0,40 0,20 0,00 -0,20 -0,40 -0,60 -0,80 -1,00 -1,20 ago 04

set 04

out 04

nov 04

Brasil

dez 04

jan 05

fev 05

SP

mar 05

abr 05

mai 05

jun 05

jul 05

ago 05

Var. p.p. mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$) DATA

Brasil

Var. %

SP

Var. %

jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05

953,41 939,87 955,93 944,30 945,00 927,53 947,53 956,66 961,59 944,74 930,66 945,80 967,18

0,6% -1,4% 1,7% -1,2% 0,1% -1,8% 2,2% 1,0% 0,5% -1,8% -1,5% 1,6% 2,3%

1.094,51 1.078,37 1.096,11 1.078,31 1.079,32 1.057,78 1.085,61 1.102,19 1.116,82 1.079,85 1.076,34 1.094,30 1.121,05

-0,8% -1,5% 1,6% -1,6% 0,1% -2,0% 2,6% 1,5% 1,3% -3,3% -0,3% 1,7% 2,4%

Fonte: IBGE/INEPAD

0,025 0,02 0,015 0,01 0,005 0 -0,005 -0,01 -0,015 -0,02 -0,025

1.100 1.050 1.000 950 900 850 800 750 700 jul 04

ago 04

set 04

out 04

Brasil

nov 04

SP

dez 04

jan 05

fev 05

mar 05

abr 05

mai 05

jun 05

jul 05

Var. % mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

COMÉRCIO VAREJISTA VOLUME DE VENDAS

VOLUME DE VENDAS Data

Índice Hipermercados e Veículos,Motos, Var. % Var. % Var. % Geral Supermercados Partes e Peças 160

jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 Variação jul-jul

109,69 106,50 103,74 111,32 109,58 154,93 105,15 97,10 111,36 107,75 112,29 110,11 114,63 4,50%

4,9% -2,9% -2,6% 7,3% -1,6% 41,4% -32,1% -7,7% 14,7% -3,2% 4,2% -1,9% 4,1%

107,70 104,86 103,82 112,27 107,59 142,81 106,03 96,37 111,90 104,70 104,61 102,89 110,20 2,32%

7,1% -2,6% -1,0% 8,1% -4,2% 32,7% -25,8% -9,1% 16,1% -6,4% -0,1% -1,6% 7,0%

118,40 121,95 121,56 120,31 125,95 137,60 119,03 99,38 122,56 113,56 115,74 117,35 112,84

1,4% 3,0% -0,3% -1,0% 4,7% 9,2% -13,5% -16,5% 23,3% -7,3% 1,9% 1,4% -3,9%

150 140 130 120 110 100 90 80

jul 04

Índice Geral

-4,70%

Fonte: IBGE/INEPAD

ACREFI

ago set 04 04

31

out nov dez jan 04 04 04 05

fev mar abr mai jun 05 05 05 05 05

Hipermercados e Supermercados

jul 05

Veículos, Motos, Partes e Peças


banco de dados por INEPAD PREVISÕES ECONÔMICAS Ano de 2005

PIB Total % a.a.

PIB Agropecuário % a.a.

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

3,62 3,00 3,26 3,28

3,96 2,97 3,15 3,11

4,40 3,79 4,11 4,15

2,81 2,46 2,50 2,50

4,67 4,50 4,34 4,22

Selic Taxa anual

IGP-DI % a.a.

IPCA % a.a.

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

15,91 18,00 18,00 18,00

6,51 2,54 1,54 1,51

5,75 5,26 5,21 5,21

2,95 2,48 2,43 2,40

26,46 40,00 40,50 40,50

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

Var. p.p.

DATA

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Var. %

Previsão 03/01/2005 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 23/09

Final de 2005 Previsão 03/01/2005 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 23/09 Fonte: BC-Focus/INEPAD

ATIVIDADE ECONÔMICA DATA jul/04

83,53

0,39

jul/04

108,44

0,9%

ago/04

83,85

0,33

ago/04

109,11

0,6%

set/04

83,76

-0,09

set/04

109,76

0,6%

out/04

84,00

0,24

out/04

110,05

0,3%

nov/04

83,40

-0,61

nov/04

110,08

0,0%

dez/04

81,10

-2,30

dez/04

110,57

0,4%

jan/05

81,01

-0,09

jan/05

110,93

0,3%

fev/05

80,60

-0,41

fev/05

110,69

-0,2%

mar/05

83,20

2,60

mar/05

110,55

-0,1%

abr/05

81,90

-1,30

abr/05

110,63

0,1%

mai/05

82,30

0,40

mai/05

111,70

1,0%

jun/05

82,90

0,60

jun/05

112,85

1,0%

jul/05

81,70

-1,20

jul/05

112,89

0,2%

Variação jul-jul

Variação jul-jul

-2,19

Fonte: CNI/INEPAD

4,10%

Fonte: IBGE/INEPAD

PRODUÇÃO (ÍNDICE) X CAPACIDADE (%) Capacidade (%)

Produção - Índice

102

78

100

Fonte: INEPAD

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

jul/05

79

jun/05

104

mai/05

80

abr/05

106

mar/05

81

fev/05

108

jan/05

82

dez/04

110

nov/04

83

out/04

112

set/04

84

ago/04

114

jul/04

85

Índice de Produção Física Média Móvel Trim estral

32

FINANCEIRO


INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA - AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS PRODUÇÃO

PRODUÇÃO

(em unidades) (em unidades)

Data

Produção

ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05

199.843 203.062 190.302 201.893 188.970 160.830 188.514 218.611 203.473 214.907 216.025 205.716 217.858

Média Trim. Var. Mensal Var. Mensal (%)

191.581 196.894 197.736 198.419 193.722 183.898 179.438 189.318 203.533 212.330 211.468 212.216 213.200

12.066 3.219 -12.760 11.591 -12.923 -28.140 27.684 30.097 -15.138 11.434 1.118 -10.309 12.142

Variação ago/04-ago/05

6,4% 1,6% -6,3% 6,1% -6,4% -14,9% 17,2% 16,0% -6,9% 5,6% 0,5% -4,8% 5,9%

220.000 210.000 200.000 190.000 180.000 170.000 160.000 150.000

ago 04

set 04

out 04

nov 04

dez 04

jan 05

Produção

9,0%

fev 05

mar 05

abr 05

mai 05

jun 05

jul 05

ago 05

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

(em unidades) (em unidades)

Data

Vendas

Média Trim.

Variação

Variação(%)

ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05

132.739 139.182 130.473 140.793 155.432 100.909 115.436 149.026 137.759 138.078 140.036 133.948 147.553

128.611 133.740 134.131 136.816 142.233 132.378 123.926 121.790 134.074 141.621 138.624 137.354 140.512

3.439 6.443 -8.709 10.320 14.639 -54.523 14.527 33.590 -11.267 319 1.958 -6.088 13.605

2,7% 4,9% -6,3% 7,9% 10,4% -35,1% 14,4% 29,1% -7,6% 0,2% 1,4% -4,3% 10,2%

Variação ago/04-ago/05

165.000 155.000 145.000 135.000 125.000 115.000 105.000 95.000

ago 04

set 04

out 04

nov 04

dez 04

jan 05

Vendas

11,2%

fev 05

mar 05

abr 05

mai 05

jun 05

jul 05

ago 05

jun 05

jul 05

ago 05

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

EXPORTAÇÃO TOTAL

EXPORTAÇÃO TOTAL

(em unidades) (em unidades)

Data

ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05

Exportações Média Trim.

68.434 57.406 62.856 60.579 59.049 45.582 62.015 67.502 70.234 76.055 74.521 74.143 69.465

63.816 62.467 62.899 60.280 60.828 55.070 55.549 58.366 66.584 71.264 73.603 74.906 72.710

Variação ago/04-ago/05

Variação

Variação(%)

6.872 -11.028 5.450 -2.277 -1.530 -13.467 16433 5487 2732 5821 -1534 -378 -4678

11,2% -16,1% 9,5% -3,6% -2,5% -22,8% 36,1% 8,8% 4,0% 8,3% -2,0% -0,5% -6,3%

80.000 75.000 70.000 65.000 60.000 55.000 50.000 45.000 40.000 35.000 30.000

set 04

out 04

nov 04

Exportações

20,4%

Fonte: Anfavea/INEPAD

ACREFI

ago 04

33

dez 04

jan 05

fev 05

mar 05

abr 05

mai 05

Média trimestral


banco de dados por INEPAD INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS E IMPORTADOS - AUTOMÓVEIS (em unidades) Data

Vendas

1000cc

% no Total

1000cc a 2000cc

% no total

>2000cc

% no total

ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05

109.270 113.456 106.228 116.998 129.579 82.256 95.954 125.031 115.228 114.308 115.250 111.473 123.173

59.743 61.404 60.318 65.451 72.331 44.720 51.736 70.179 63.612 63.376 63.315 62.347 71.067

54,7% 54,1% 56,8% 55,9% 55,8% 54,4% 53,9% 56,1% 55,2% 55,4% 54,9% 55,9% 57,7%

49.074 51.607 45.548 51.019 56.738 37.267 43.924 54.197 51.062 50.509 51.477 48.683 51.308

44,9% 45,5% 42,9% 43,6% 43,9% 45,3% 45,8% 43,3% 44,3% 44,2% 44,7% 43,7% 41,7%

453 445 362 528 510 269 294 655 554 423 458 443 798

0,4% 0,4% 0,3% 0,5% 0,3% 0,3% 0,3% 0,5% 0,5% 0,4% 0,4% 0,4% 0,6%

Fonte: Anfavea/INEPAD

VENDAS POR CATEGORIA - AUTOMÓVEIS

80.000 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000

ago 04

set 04

out 04

1000 cc

nov 04

dez 04

jan 05

fev 05

mar 05

abr 05

mai 05

jun 05

jul 05

ago 05

1000 cc a 2000 cc

TAXAS DE JUROS PREFIXADOS - PESSOA FÍSICA (R$ milhões) CRÉDITO PESSOAL SALDO TOTAL

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS

TAXAS DE JUROS

SALDO TOTAL

% Variação % Variação MÊS/ANO R$ milhões a.m. p.p a.a. p.p ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05

38.715 39.888 41.353 42.439 43.423 44.781 47.218 49.965 52.333 54.345 55.426 57.302 57.303

4,71 4,72 4,71 4,71 4,56 4,75 4,79 4,74 4,77 4,88 4,83 4,85 4,88

0,11 0,01 -0,01 0,00 -0,15 0,19 0,04 -0,04 0,03 0,11 -0,05 0,02 0,02

73,80 73,90 73,80 73,80 70,80 74,50 75,30 74,40 75,00 77,20 76,20 76,60 77,10

2,10 0,10 -0,10 0,00 -3,00 3,70 0,80 -0,90 0,60 2,20 -1,00 0,40 0,50

R$ milhões 34.828 35.383 35.573 36.754 38.065 38.855 39.340 40.221 40.958 41.795 42.723 43.729 43.730

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 2,61 2,58 2,57 2,57 2,57 2,63 2,61 2,64 2,66 2,68 2,65 2,60 2,58

0,01 -0,04 -0,01 0,00 0,00 0,06 -0,02 0,03 0,02 0,02 -0,03 -0,05 -0,03

SALDO TOTAL

% Variação a.a. p.p 36,30 35,70 35,60 35,60 35,60 36,50 36,20 36,70 37,00 37,40 36,90 36,10 35,70

AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS

0,20 -0,60 -0,10 0,00 0,00 0,90 -0,30 0,50 0,30 0,40 -0,50 -0,80 -0,40

R$ milhões 5.921 6.179 6.639 6.840 7.225 7.375 7.313 7.394 7.578 7.992 8.351 8.827 8.827

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 3,93 4,03 4,07 4,13 4,36 4,24 4,19 4,12 3,87 3,87 3,67 3,70 2,66

0,02 0,10 0,04 0,06 0,23 -0,13 -0,04 -0,07 -0,25 0,01 -0,21 0,03 -1,04

% a.a.

Variação p.p

58,80 60,60 61,40 62,50 66,90 64,50 63,70 62,40 57,70 57,80 54,10 54,70 37,10

0,30 1,80 0,80 1,10 4,40 -2,40 -0,80 -1,30 -4,70 0,10 -3,70 0,60 -17,60

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

34

FINANCEIRO


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Financeiro 29 - Outubro 2005  

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