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Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento

ANO II - Nº 15 - JULHO/2004

Márcio Cypriano, do Bradesco

“A economia brasileira tem muito potencial e por isso sempre há interessados em realizar novos investimentos”

HORA DE CRESCER 1


PALAVRA DA PRESIDÊNCIA

Divulgação

Gestão do ritmo e dos riscos Érico Sodré Quirino Ferreira

É UMA PUBLICAÇÃO DA

Uma parcela crescente da sociedade brasileira tem acompanhado com mais interesse, nos últimos anos, a evolução da política

Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento

econômica, principalmente a administração da taxa básica de juros. Semelhante aos aficionados pelas corridas da Fórmula 1, o público, cada vez mais numeroso e mais atento, torce pelo momento em

Endereço ACREFI Rua Libero Badaró, 425/28º andar São Paulo/SP - Fone (11) 3107-7177 Fax (11) 3106-6082 - www.acrefi.com.br

que o governo trocará o pedal do freio pelo acelerador. E muitos já

Jornalista Responsável José Antonio Ribeiro - MTSP 8419

se impacientam porque entendem que curva ficou para trás e não

Editoração Gráfica EDF Design Gráfico e Editoração (11) 3081-3383 - www.edf.com.br

há mais risco de capotagem da economia. A cada volta mensal, cresce a expectativa de redução da Selic

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que recuou apenas 0,25 ponto percentual, em maio, permanecendo

DIRETORIA - ACREFI

estagnada em junho em 16% e apontada como o principal freio

Presidente Omni

à retomada do crescimento. Além dos setores da sociedade tradicionalmente contrários a medidas recessivas, entre eles as entidades representativas da indústria, do comércio e dos trabalhadores, outros segmentos passaram a se manifestar de maneira mais contundente contra os juros altos e a estagnação econômica. Nessa grita geral contra os juros, acusa-se o governo de manter as diretrizes praticadas na gestão anterior, balizando-se pelos indicadores econômicos enquanto se agravam os indicadores sociais. Mas quem está no comando é quem dispõe das informações para saber se chegou a hora de mudar. A equipe econômica, liderada pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, com apoio do presidente do Banco Central, Henrique de Campos Meirelles, conduziu até agora, com muita cautela e competência, a política monetária, consciente de que qualquer derrapada, nesse período, poderia ser fatal para o processo de consolidação das bases para o crescimento sustentado. Avaliações apressadas e sem muita consistência técnica apontam o setor financeiro como o grande privilegiado pela manutenção dos juros altos. Mas é engano concluir que às instituições financeiras interessa a manutenção de uma política de juros altos, como se estas instituições fossem fabricantes de dinheiro. Somos intermediários de uma mercadoria como outra qualquer: a preço de mercado e num ambiente de forte concorrência, compramos e vendemos dinheiro, ganhando ou perdendo conforme a competência de cada um, porque corremos riscos inerentes a toda operação. A atividade do setor financeiro, como o sistema circulatório de um grande organismo vital, acelera o giro dos recursos, alimenta a atividade econômica e promove o bem estar social, facilitando o Presidente da ACREFI Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento 2

Pré-impressão e Impressão Graphbox

administrada pelo Conselho de Política Monetária do Banco Central,

acesso aos bens e serviços. Nosso desafio é melhorar cada vez

Érico Sodré Quirino Ferreira

Vice-Presidentes ASB José Arthur Lemos de Assunção Bonsucesso Paulo Henrique Pentagna Guimarães Bradesco Paulo Eduardo D’Ávila Isola Citibank Gilberto Caldart Intercap Eduardo Castro de Azevedo Itaú Marco Ambrógio Crespi Bonomi Pecúnia Ronaldo Amaral de Carvalho Pinto Safra Tiago Canguçu de Almeida Banrisul Fernando Guerreiro de Lemos Malcon Ricardo Malcon Secretários Dibens Jayme Antonio dos Santos Guilton José Dante Zanaga Neto Tesoureiros Cruzeiro do Sul Sérgio Marra Pereira Capella Exprinter Jorge Kimura Diretores Regionais Barigui (PR) Félix Archanjo Bordin BRB (DF/GO) Sérgio Faria Lemos da Fonseca Júnior Dacasa (ES) Leonardo Marcondes Dadalto Finamax (SP - Interior) Carlos Alberto Samogim Zogbi (SP - Capital) Evanir Coutinho Ussier Intermedium (BH) Aquiles Leonardo Diniz Malcon (RS) Renato Malcon Morada (RJ) Odílio Figueiredo Neto Diretores ABN Alfa BMC BMG Ficsa HSBC Máxima Panamericano Santander/Banespa Unibanco

Enílson Espínola de Souza Rubens Bution Daniel Capelo Pinheiro Ricardo Annes Guimarães Genival Francisco Silva Sérgio Antônio Cipovicci Francisco Gomes da Costa Adalberto Savioli Jerônimo Varalla Neto Valdery Frota de Albuquerque

Diretores Conselheiros Amex Hélio Lima Magalhães Banco do Brasil Edson Monteiro Bankboston Guilherme Almeida de Oliveira Cifra Eduardo Garcia Ruiz GE Ivan Svitek Lloyds Leonel Dias de Andrade Neto Nossa Caixa Rubens Sardenberg Portocred José Américo Machado Portoseg Aristeu Zanuncio Volkswagen Paulo Sérgio Monteiro Castro Aguiar

mais a eficiência e fazer com que seja cada vez mais curta a distân-

Presidente Honorário João Uchôa Borges

cia entre o poupador e o consumidor.

Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho)


RÁPIDAS

ACREFI contrata superintendente

Nova financeira O Banco Itaú iniciou em junho as operações da Taií, financeira criada para atuar especialmente com consumidores de baixa renda. Segundo o diretor de Relações com Investidores do Banco, Alfredo Setúbal, antes de optar pela criação de uma nova instituição, o Itaú analisou algumas financeiras que poderiam ser adquiridas mas não encontrou uma que se enquadrasse bem no padrão de negócios do Grupo.

Divulgação

Desconto em Folha

Antônio A. de Almeida Leite (Pancho)

A nova diretoria da ACREFI, empossada no dia 14 de abril deste ano, preencheu o cargo de diretor superintendente, contratando o executivo Antônio Augusto de Almeida Leite para exercer esta função. Pancho, como é mais conhecido no mercado, tem longa experiência em cargos diretivos do setor financeiro.

O Banco Bonsucesso assinou contrato com os Correios para concessão de empréstimos consignados em folha aos 103 mil funcionários da instituição. O limite do crédito é cinco vezes o salário líquido e a taxa varia de 2,80% a 3,40% a.m., com prazos de até 36 meses. “É a segurança da estabilidade de emprego que permite essas condições”, explica o vice-presidente do banco, Paulo Henrique Pentagna Guimarães. Além do Bonsucesso, os bancos Alfa, HSBC e BMC estão credenciados a operar essa linha de crédito para os funcionários dos Correios.

VR consignado O Grupo VR, que há seis anos oferece empréstimo com desconto em folha, assinou acordo com a CGT Confederação Geral dos Trabalhadores. A nova parceria permitirá ao VR conceder crédito consignado para mais de mil entidades sindicais filiadas à CGT. Os juros variam entre 1,75% e 3,90%, de acordo com a duração do contrato. O Grupo VR possui 1.100 empresas clientes já conveniadas e mais de 20 mil empresas potenciais.

Rede Banrisul No final de abril, o Banrisul inaugurou dois novos postos de atendimento nos municípios gaúchos de Alegria e Cruzaltense. As novas unidades são os pontos pioneiros de atendimento bancário nestas cidades. Com a inauguração dos novos postos, o Banrisul passa a ser a única instituição financeira presente em 171 municípios no Estado. O Banco atende 75% das cidades gaúchas, onde residem 94,1% da população.

Unibanco Em assembléia realizada dia 30 de abril foram aprovadas as seguintes alterações no comando do Unibanco: o ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan, que há um ano ocupava a vice-presidência do Conselho de Administração, assumiu a presidência no lugar do presidente Pedro Moreira Salles, que fica na vice-presidência do Conselho e, a partir de 1º de julho, assume a presidência executiva. Foi também criado um Comitê de Auditoria, constituído por Gabriel Jorge Ferreira, Eduardo Augusto de Almeida Guimarães e Guy Almeida Andrade.

Parceiros futuros Em mais uma iniciativa para fidelizar o público universitário, o banco ABN Amro Real fechou acordo com o Grupos.com.br, site de grupos de discussão pela Internet e que representa um ambiente propício para atrair o público universitário. O ABN Amro Real lançou o programa universitário há 18 anos, apostando no futuro cliente potencial, que representa 12% de sua base de clientes. Segundo o superintendente de programa de afinidades do banco, Antônio Barbosa, a expectativa é manter essa participação proporcional ao crescimento da instituição. 3


ESPECIAL

PULVERIZAÇÃO E QUEDA DOS JUROS

ORIGEM DO PROCESSO

O diretor do BC informou que a decisão de ampliar a abrangência do sistema bancário e creditício foi tomada ainda na gestão do presidente Armínio Fraga e teve como objetivo assegurar o acesso de uma parcela expressiva da população brasileira a esses serviços. “Na ocasião, estimávamos a existência de pelo menos 40 milhões de brasileiros sem qualquer assistência bancária e creditícia. Hoje, a existência de tantos correspondentes bancários, incluindo as empresas prestadoras de serviços ao consumo, aumentou a concorrência e beneficiou a população”, afirmou. 4

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Com a queda dos juros e a criação de novos mecanismos para tornar o sistema bancário e creditício acessível a novas faixas de clientes e consumidores, o volume de crédito ao consumidor vem se expandindo de maneira consistente. Entre esses mecanismos, destacam-se o crédito com desconto das prestações na folha de pagamentos, o microcrédito e outras modalidades mais acessíveis à população de baixa renda. “A economia brasileira vive um momento muito especial, em que a possibilidade de expansão do crédito se tornou uma realidade graças à queda dos juros e à pulverização dos mecanismos de financiamento permitida pela atuação das empresas prestadoras de serviços ao consumo”. A observação foi feita recentemente pelo diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, Sérgio Darcy, durante reunião-almoço promovida pela ANEPS - Associação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços.

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favorece a expansão do crédito

Sérgio Darcy: “Momento especial para o crédito”

Edison A. Ferreira: “Expansão depende também de serviços especializados”

Ele reconheceu, entretanto, que ainda há muito a fazer para o crescimento do sistema, que representa contribuição essencial para o crescimento econômico do País. E assegurou que “o Banco Central tem acompanhado de perto o funcionamento desse segmento do mercado, atento para que a prestação de

serviços seja cada vez melhor”. Para o presidente da ANEPS, Edison Aparecido Ferreira, “a expansão da oferta de crédito, embora esteja vinculada a uma série de fatores macroeconômicos, também depende em grande parte de uma rede adequada de prestação de serviços especializados”.

BANCO DO BRASIL LANÇA NOVA LINHA DE MICROCRÉDITO Com a expectativa de atingir nova faixa de consumidores e emprestar R$ 300 milhões para 4 milhões de clientes até o final do ano, o Banco do Brasil lançou em junho o “BB Crédito Pronto” linha de microcrédito destinada a clientes com renda de até R$ 1 mil. A nova linha prevê empréstimos de R$ 60,00 a R$ 100,00, com prazo de 4 a 24 meses e juros de 2% ao mês. Em agosto do ano passado, o BB entrou nesse segmento do mercado, com duas linhas de microcrédito: uma para aposentados e pensionistas com renda de até dois salários mínimos que recebem seu benefício no banco mas não são correntistas. Essa linha é limitada a dois benefícios; outra para clientes com saldo em poupança de R$ 20,00 a R$ 200,00 e limitada ao dobro do saldo. O resultado obtido até agora com esses dois produtos foi bancarizar 800 mil clientes e emprestar R$ 25 milhões a 100 mil tomadores.


BANCO DE DADOS

Juros caem e mercado cresce AS TAXAS RECUARAM EM TODOS OS SEGMENTOS E A CARTEIRA DAS INSTITUIÇÕES JÁ CRESCEU 9,13% ESTE ANO

Forte queda dos juros prefixados em todos os segmentos do Crédito Direto ao Consumidor (DCD) e conseqüente expansão das operações marcaram o comportamento do mercado em abril e consolidaram a tendência registrada nos últimos meses. No crédito pessoal a média encerrou abril em 4,79%, a mais baixa desde junho de 2001. Com quedas mensais sucessivas, a média praticada nesse segmento já recuou 4,96% este ano e 18,68% em 12 meses. Em financiamentos de veículos, os juros médios baixaram para 2,53%, recuando 4,53% no ano e 26,67% em relação aos níveis praticados em abril de 2003. Na aquisição de outros bens, os consumidores pagaram em média 4,11%, o que corresponde a uma redução 10,65% no ano e de 19,10% em 12 meses.

Volume crescente O saldo consolidado das operações prefixadas de bancos e financeiras que atuam no setor atingiu R$ 76,47 bilhões em abril, superando em 2,57% a posição alcançada no final de março. Nos quatro primeiros meses do ano o mercado evoluiu 9,13% e 22,97% em 12 meses. Estimulado pelo interesse dos consumidores na substituição de dívidas caras no cheque especial e no cartão por recursos mais acessíveis, o crédito pessoal foi o segmento que mais se expandiu nos primeiros meses deste ano: cresceu 3,91% em abril, 13,20% no ano e 29,89% em 12 meses. A carteira de veículos aumentou nesses mesmos períodos, respectivamente, 1,61%, 8,57% e 21,02%. O segmento menos aquecido foi o financiamento de outros bens, com expansão de apenas 0,47% em abril, 0,20% no ano e 22,55% em 12 meses.

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ABRIL - 2004

• Volume das operações • Taxas do crédito ao consumidor • Inadimplência 5


BANCO DE DADOS - OPERAÇÕES PRÉ-FIXADAS

Pessoas Físicas - Volume de Operações de Crédito

(R$ milhões)

AQUISIÇÃO DE BENS

Mês/Ano abr.03 mai.03 jun.03 jul.03 ago.03 set.03 out.03 nov.03 dez.03 jan.04 fev.04 mar.04 abr.04*

CRÉDITO PESSOAL 26.040,12 26.740,08 26.707,90 27.028,48 27.516,78 28.419,83 29.208,01 29.738,79 29.878,93 30.226,51 31.362,30 32.551,22 33.823,00

Variação em % 2,62% 2,69% -0,12% 1,20% 1,81% 3,28% 2,77% 1,82% 0,47% 1,16% 3,76% 3,79% 3,91%

Veículos 26.889,88 27.055,94 27.131,54 27.365,52 27.564,00 28.311,71 28.697,83 29.291,74 29.983,81 30.672,54 31.283,75 32.037,50 32.554,47

Variação em % 0,08% 0,62% 0,28% 0,86% 0,73% 2,71% 1,36% 2,07% 2,36% 2,30% 1,99% 2,41% 1,61%

Fonte: Banco Cetral do Brasil (Saldo em fim de período)

Outros 4.361,39 4.462,07 4.516,72 4.581,63 4.678,25 4.703,10 4.823,20 4.949,48 5.334,69 5.314,28 5.347,50 5.320,18 5.345,25

Variação em % -0,74% 2,31% 1,22% 1,44% 2,11% 0,53% 2,55% 2,62% 7,78% -0,38% 0,63% -0,51% 0,47%

Outras Operações 4.897,00 5.014,99 5.058,36 5.140,83 5.248,67 4.851,82 4.864,40 4.859,44 4.877,37 4.866,68 4.619,89 4.651,48 4.751,25

Variação em % 2,51% 2,41% 0,86% 1,63% 2,10% -7,56% 0,26% -0,10% 0,37% -0,22% -5,07% 0,68% 2,14%

TOTAL 62.188,39 63.273,08 63.414,52 64.116,46 65.007,70 66.286,46 67.593,44 68.839,45 70.074,80 71.080,01 72.613,44 74.560,38 76.473,97

Variação em % 1,26% 1,74% 0,22% 1,11% 1,39% 1,97% 1,97% 1,84% 1,79% 1,43% 2,16% 2,68% 2,57%

* Valores sujeitos a modificações em virtude de atualização das informações fornecidas pelo SFN

Volume de Operações de Crédito - Pessoa Física - PREFIXADO

R$ MILHÕES 90.000,00

abr/04

fev/04

mar/04

jan/04

dez/03

out/03

set/03

jul/03

ago/03

jun/03

mai/03

abr/03

fev/03

mar/03

jan/03

nov/02

dez/02

set/02

out/02

jul/02

ago/02

jun/02

mai/02

fev/02

mar/02

jan/02

dez/01

out/01

nov/01

set/01

jul/01

ago/01

mai/01

abr/01

mar/01

fev/01

dez/00

nov/00

out/00

jul/00

ago/00

10.000,00

jun/00

20.000,00

mai/00

30.000,00

set/00

40.000,00

jan/01

50.000,00

jun/01

60.000,00

abr/02

70.000,00

nov/03

80.000,00

Taxas - Pessoa Física CR É D I TO P ES S O A L

(R$ milhões) Mês/Ano Saldo Total abr.03 26.040,12 mai.03 26.740,08 jun.03 26.707,90 jul.03 27.028,48 ago.03 27.516,78 set.03 28.419,83 out.03 29.208,21 nov.03 29.738,79 dez.03 29.878,93 jan.04 30.226,51 fev.04 31.362,30 mar.04 32.551,22 abr.04* 33.823,00

A Q U IS IÇ Ã O D E B E N S - V E ÍC U LO S

TA X A S D E J U R O S 1

% a.m. 5,89 5,86 5,79 5,57 5,38 5,21 5,18 5,12 5,04 4,97 4,85 4,85 4,79

Variação % -1,34% -0,51% -1,19% -3,80% -3,41% -3,16% -0,58% -1,16% -1,56% -1,39% -2,41% 0,00% -1,24%

% a.a. 98,67 98,09 96,56 91,71 87,50 83,92 83,27 81,97 80,32 79,06 76,63 76,54 75,26

Variação % -1,95% -0,59% -1,56% -5,02% -4,59% -4,09% -0,77% -1,56% -2,01% -1,57% -3,07% -0,12% -1,67%

(R$ milhões) Saldo Total 26.889,88 27.055,94 27.131,54 27.365,52 27.564,00 28.311,71 28.697,83 29.291,74 29.983,81 30.672,54 31.283,75 32.037,50 32.554,47

TA X A S D E J U R O S 1

% a.m. 3,45 3,29 3,15 3,02 2,93 2,77 2,68 2,63 2,65 2,60 2,57 2,54 2,53

Variação % -4,96% -4,64% -4,26% -4,13% -2,98% -5,46% -3,25% -1,87% 0,76% -1,89% -1,15% -1,17% -0,39%

% a.a. 50,31 47,44 45,09 42,94 41,36 38,78 37,30 36,55 36,85 36,13 35,66 35,08 34,96

Variação % -5,89% -5,70% -4,95% -4,77% -3,68% -6,24% -3,82% -2,01% 0,82% -1,95% -1,30% -1,63% -0,34%

A Q U IS IÇ Ã O D E B E N S - O U T R OS

(R$ milhões) Saldo Total 4.361,39 4.462,07 4.516,72 4.581,63 4.678,25 4.703,10 4.823,20 4.949,48 5.334,69 5.314,28 5.347,50 5.320,18 5.345,25

TA X A S D E J U R O S 1

% a.m. 5,08 4,88 4,81 4,78 4,72 4,60 4,52 4,40 4,60 4,33 4,28 4,15 4,11

Variação % -0,78% -3,94% -1,43% -0,62% -1,26% -2,54% -1,74% -2,65% 4,55% -5,87% -1,15% -3,04% -0,96%

% a.a. 81,24 77,12 75,67 75,21 73,85 71,58 69,94 67,66 71,54 66,30 65,44 62,94 62,16

Variação % -0,94% -5,07% -1,88% -0,61% -1,81% -3,07% -2,29% -3,26% 5,73% -7,32% -1,30% -3,82% -1,24%

Fonte: Banco Central do Brasil - Tabulação ACREFI - Saldo em fim de período 1 - Taxas médias ponderadas pelo volume diário das novas concessões. *Valores sujeitos a modificações em virtude de atualização das informações fornecidas pelo SFN 6

Leia mais: dados de anos anteriores no site www.acrefi.com.br


ABRIL - 2004

Inadimplência - Crédito Pessoal Mês/Ano

Saldo sem atraso

abr.03 mai.03 jun.03 jul.03 ago.03 set.03 out.03 nov.03 dez.03 jan.04 fev.04 mar.04 abr.04*

22.107.016,00 22.884.231,00 22.788.083,00 23.143.698,00 23.632.790,00 24.560.343,00 25.268.002,00 25.830.245,00 26.078.966,00 26.041.547,00 27.032.554,00 28.273.392,00 29.604.391,00

Com atraso de 15 a 30 dias 794.749,00 748.815,00 744.372,00 755.487,00 697.745,00 788.487,00 828.040,00 746.550,00 722.143,00 826.576,00 809.097,00 924.733,00 950.947,00

% sobre Saldo da Carteira 3,05 2,80 2,79 2,80 2,54 2,77 2,83 2,51 2,42 2,73 2,58 2,84 2,81

Com atraso de 31 a 90 dias 1.044.119,00 925.929,00 1.023.134,00 912.984,00 897.740,00 894.988,00 933.008,00 964.298,00 969.966,00 990.196,00 1.077.141,00 1.091.225,00 1.085.165,00

% sobre Saldo da Carteira 4,01 3,46 3,83 3,38 3,26 3,15 3,19 3,24 3,25 3,28 3,43 3,35 3,21

Com atraso maior que 90 dias 2.094.239,00 2.181.109,00 2.152.309,00 2.216.309,00 2.288.504,00 2.176.013,00 2.178.959,00 2.197.698,00 2.107.857,00 2.368.191,00 2.443.504,00 2.261.870,00 2.182.501,00

(R$ mil) % sobre Saldo da Carteira 8,04 8,16 8,06 8,20 8,32 7,66 7,46 7,39 7,05 7,83 7,79 6,95 6,45

Saldo Total da Carteira Brasil 26.040.123,00 26.740.084,00 26.707.898,00 27.028.478,00 27.516.779,00 28.419.831,00 29.208.009,00 29.738.791,00 29.878.932,00 30.226.510,00 31.362.296,00 32.551.220,00 33.823.004,00

Variação em % 2,62% 2,69% -0,12% 1,20% 1,81% 3,28% 2,77% 1,82% 0,47% 1,16% 3,76% 3,79% 3,91%

Fonte: Banco Central do Brasil (Saldo em fim de período) - Tabulação ACREFI *Valores sujeitos a modificações em virtude de atualização das informações fornecidas pelo SFN

INADIMPLÊNCIA

Abril 2004

Crédito Pessoal

Abril 2004

Aquisição de Veículos

PREFIXADO

100

PREFIXADO

100

23% 80

60

INADIMPLÊNCIA

26%

Atraso de 15 a 30 dias 950.947,00

80

Atraso de 31 a 90 dias 1.085.165,00

36%

Atraso de 15 a 30 dias 1.207.696,00

35%

Atraso de 31 a 90 dias 1.195.627,00

29%

Atraso maior que 90 dias 981.999,00

60

40

40

51% 20

Atraso maior que 90 dias 2.182.501,00

20

0

0

Inadimplência - Aquisição de Veículos Mês/Ano

Saldo sem atraso

abr.03 mai.03 jun.03 jul.03 ago.03 set.03 out.03 nov.03 dez.03 jan.04 fev.04 mar.04 abr.04*

23.582.349,00 23.815.113,00 23.814.259,00 24.113.638,00 24.372.294,00 25.048.116,00 25.479.017,00 26.127.147,00 26.817.560,00 27.492.275,00 27.911.471,00 28.619.263,00 29.169.151,00

Com atraso de 15 a 30 dias 1.188.212,00 1.180.441,00 1.187.361,00 1.201.865,00 1.151.198,00 1.185.769,00 1.214.854,00 1.122.215,00 1.141.662,00 1.127.391,00 1.165.222,00 1.261.847,00 1.207.696,00

% sobre Saldo da Carteira 4,42 4,36 4,38 4,39 4,18 4,19 4,23 3,83 3,81 3,68 3,72 3,94 3,71

Com atraso de 31 a 90 dias 1.224.476,00 1.112.994,00 1.168.650,00 1.088.307,00 1.079.722,00 1.110.998,00 1.097.075,00 1.126.190,00 1.065.710,00 1.073.654,00 1.212.205,00 1.159.900,00 1.195.627,00

% sobre Saldo da Carteira 4,55 4,11 4,31 3,98 3,92 3,92 3,82 3,84 3,55 3,50 3,87 3,62 3,67

Com atraso maior que 90 dias 894.843,00 947.396,00 961.267,00 961.711,00 960.784,00 966.831,00 906.880,00 916.192,00 958.876,00 979.223,00 994.851,00 996.492,00 981.999,00

% sobre Saldo da Carteira 3,33 3,50 3,54 3,51 3,49 3,41 3,16 3,13 3,20 3,19 3,18 3,11 3,02

(R$ mil) Saldo Total da Carteira Brasil 26.889.880,00 27.055.944,00 27.131.537,00 27.365.521,00 27.563.998,00 28.311.714,00 28.697.826,00 29.291.744,00 29.983.808,00 30.672.543,00 31.283.749,00 32.037.502,00 32.554.473,00

Variação em % 0,08% 0,62% 0,28% 0,86% 0,73% 2,71% 1,36% 2,07% 2,36% 2,30% 1,99% 2,41% 1,61%

Fonte: Banco Central do Brasil (Saldo em fim de período) - Tabulação ACREFI *Valores sujeitos a modificações em virtude de atualização das informações fornecidas pelo SFN

Leia mais: dados de anos anteriores no site www.acrefi.com.br

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BANCO DE DADOS - OPERAÇÕES PRÉ-FIXADAS

Inadimplência - Aquisição de Outros Bens Mês/Ano

Saldo sem atraso

abr.03 mai.03 jun.03 jul.03 ago.03 set.03 out.03 nov.03 dez.03 jan.04 fev.04 mar.04 abr.04*

3.361.368,00 3.447.358,00 3.499.030,00 3.566.882,00 3.685.817,00 3.755.345,00 3.861.604,00 3.984.383,00 4.438.812,00 4.387.349,00 4.371.062,00 4.317.315,00 4.332.523,00

Com atraso de 15 a 30 dias 193.452,00 187.054,00 188.859,00 201.062,00 175.700,00 174.326,00 189.308,00 188.715,00 176.950,00 210.631,00 213.621,00 227.992,00 230.765,00

% sobre Saldo da Carteira 4,44 4,19 4,18 4,39 3,76 3,71 3,92 3,81 3,32 3,96 3,99 4,29 4,32

Com atraso de 31 a 90 dias 275.431,00 247.498,00 239.818,00 219.592,00 212.928,00 209.460,00 203.308,00 209.054,00 188.470,00 198.670,00 249.885,00 277.173,00 268.438,00

% sobre Saldo da Carteira 6,32 5,55 5,31 4,79 4,55 4,45 4,22 4,22 3,53 3,74 4,67 5,21 5,02

Com atraso maior que 90 dias 531.141,00 580.160,00 589.017,00 594.091,00 603.808,00 563.967,00 568.984,00 567.324,00 530.453,00 517.630,00 512.932,00 497.702,00 513.522,00

% sobre Saldo da Carteira 12,18 13,00 13,04 12,97 12,91 11,99 11,80 11,46 9,94 9,74 9,59 9,35 9,61

(R$ mil) Saldo Total da Carteira Brasil 4.361.392,00 4.462.070,00 4.516.724,00 4.581.627,00 4.678.253,00 4.703.098,00 4.823.204,00 4.949.476,00 5.334.685,00 5.314.280,00 5.347.500,00 5.320.182,00 5.345.248,00

Variação em % -0,74% 2,31% 1,22% 1,44% 2,11% 0,53% 2,55% 2,62% 7,78% -0,38% 0,63% -0,51% 0,47%

Fonte: Banco Central do Brasil (Saldo em fim de período) - Tabulação ACREFI *Valores sujeitos a modificações em virtude de atualização das informações fornecidas pelo SFN

INADIMPLÊNCIA

Abril 2004

Aquisição de Outros Bens

Abril 2004

Outras Operações

PREFIXADO

100

100

23% 80

60

INADIMPLÊNCIA

27%

Atraso de 15 a 30 dias 230.765,00

16%

Atraso de 15 a 30 dias 226.568,00

25%

Atraso de 31 a 90 dias 358.828,00

59%

Atraso maior que 90 dias 835.539,00

80

Atraso de 31 a 90 dias 268.438,00

60

40

40

49% 20

PREFIXADO

Atraso maior que 90 dias 513.522,00

20

0

0

Inadimplência - Outras Operações Mês/Ano

Saldo sem atraso

abr.03 mai.03 jun.03 jul.03 ago.03 set.03 out.03 nov.03 dez.03 jan.04 fev.04 mar.04 abr.04*

3.400.471,00 3.489.634,00 3.542.482,00 3.610.080,00 3.770.770,00 3.376.321,00 3.335.778,00 3.340.326,00 3.385.140,00 3.363.776,00 3.173.699,00 3.199.687,00 3.330.317,00

Com atraso de 15 a 30 dias 261.963,00 252.837,00 241.510,00 236.197,00 233.161,00 229.688,00 240.986,00 228.642,00 220.443,00 228.751,00 222.375,00 244.510,00 226.568,00

% sobre Saldo da Carteira 5,35 5,04 4,77 4,59 4,44 4,73 4,95 4,71 4,52 4,70 4,81 5,26 4,77

Com atraso de 31 a 90 dias 414.242,00 405.162,00 409.326,00 402.950,00 387.474,00 358.704,00 397.932,00 394.633,00 359.338,00 375.918,00 354.337,00 352.912,00 358.828,00

% sobre Saldo da Carteira 8,46 8,08 8,09 7,84 7,38 7,39 8,18 8,12 7,37 7,72 7,67 7,59 7,55

Com atraso maior que 90 dias 820.323,00 867.356,00 865.040,00 891.601,00 857.264,00 887.104,00 889.708,00 895.836,00 912.447,00 898.238,00 869.481,00 854.372,00 835.539,00

(R$ mil) % sobre Saldo da Carteira 16,75 17,30 17,10 17,34 16,33 18,28 18,29 18,43 18,71 18,46 18,82 18,37 17,59

Saldo Total da Carteira Brasil 4.896.999,00 5.014.989,00 5.058.358,00 5.140.828,00 5.248.669,00 4.851.817,00 4.864.404,00 4.859.437,00 4.877.368,00 4.866.683,00 4.619.892,00 4.651.481,00 4.751.252,00

Variação em % 2,51% 2,41% 0,86% 1,63% 2,10% -7,56% 0,26% -0,10% 0,37% -0,22% -5,07% 0,68% 2,14%

Fonte: Banco Central do Brasil (Saldo em fim de período) - Tabulação ACREFI *Valores sujeitos a modificações em virtude de atualização das informações fornecidas pelo SFN 8

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NOTÍCIAS

MERCADO DE VEÍCULOS AQUECE FINANCIAMENTO

Pesados investimentos feitos pelo setor financeiro em tecnologia estão transformando os hábitos dos clientes e a estrutura da rede de atendimento, cada vez mais virtual. Segundo a Febraban - Federação Brasileira das Associações de Bancos, o número de clientes pessoa física que utilizam a internet banking cresceu 3,6% de 2002 para 2003, passando de 8,3 para 8,6 milhões. Na esteira da evolução no sistema de comunicação entre instituições financeiras e clientes, diversifica-se também o perfil da rede de atendimento, com redução do número de agências e postos tradicionais, e expansão de postos eletrônicos e correspondentes bancários. NOVOS INVESTIMENTOS A Febraban, que no início de junho promoveu o XIV Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (Ciab 2004), estima que os bancos investirão este ano aproximadamente R$ 11,5 bilhões em tecnologia. Esses recursos representam 4% da receita bruta das instituições financeiras prevista para este ano. Os investimentos são necessários para atender ao crescimento do uso de ferramentas online pelos clientes e serão aplicados na ampliação de instrumentos e serviços, em auto-atendimento e em mecanismos de combate a fraudes no sistema. Entre seus projetos tecnológicos, os bancos estão dispostos a investir também no desenvolvimento de um padrão único de assinatura digital, tornando mais ágil e mais segura as transações.

Rede alternativa em alta INSTITUIÇÕES INVESTEM EM EXPANSÃO VIA CORRESPONDENTES 2000

2001

2002

2003

Variação 2003/02

Nº de agências

16.396

16.841

17.049

16.829

-1,3

Postos de serviços

9.495

10.241

10.140

10.045

-0,9

Postos eletrônicos

14.453

16.748

22.428

24.367

8,6

Correspondentes

5.976

8.638

13.950

15.874

13,8

Total de dependências

46.320

52.468

63.567

67.115

5,6

Fonte: BC/Febraban

Divulgação

TECNOLOGIA MUDA HÁBITO DOS CLIENTES E TRANSFORMA ESTRUTURA DE ATENDIMENTO

As vendas de veículos novos no mercado interno cresceram 6,6% em maio, com 123,1 mil unidades vendidas. Os dados foram divulgados no dia 4 deste mês pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Golfarb: (Anfavea). No acumulado Setor está sintonizado com a do ano, foram comercialieconomia zados até maio 592,4 mil veículos, superando em 7,9% as 548,8 unidades vendidas no mesmo período de 2003. O setor produziu 177,3 mil veículos em maio, com expansão de 4,3% em relação à abril e 12,0% nos cinco primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2003. O presidente da Anfavea, Rogelio Golfarb, atribui o bom desempenho do setor principalmente à reação da economia. O crescimento das vendas de veículos novos no mercado interno normalmente aquece o segmento de usados. Como grande parte da comercialização de novos e usados é financiada, a demanda de crédito operada por bancos e financeiras para esse segmento deve continuar aquecida. Em abril, a carteira consolidada de veículos cresceu 1,61%, com 8,57% acumulados nos quatro primeiros meses do ano.

ESTE MICROCRÉDITO NÃO TEME A INADIMPLÊNCIA O SP Confia, modalidade de microcrédito lançado de forma piloto em julho de 2003 pela Prefeitura de São Paulo, em conjunto com o Banco Santander e cinco centrais sindicais, já realizou cerca de 20.000 contratos e liberou aproximadamente R$ 15 milhões, inclusive para pessoas com restrições. Mesmo assim, a inadimplência está em apenas 0,7%, contra 3,5% na média do microcrédito tradicional. O segredo é que o SP Confia opera com Grupos Solidários (GS) de pessoas que se avalizam reciprocamente. Cada membro do grupo é, ao mesmo tempo, tomador e avalista: recebe sua parcela de crédito e é solidárío no pagamento, mesmo que um dos membros não tenha condições de honrar sua parte. 9


ENTREVISTA

A Selic cairá mais e a reação por José Antônio Ribeiro

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“Os problemas estruturais e conjunturais que influem no juro estão sendo atacados e resolvidos. Há, portanto, espaço para (a Selic) continuar em trajetória de queda”

Divulgação

Nesta entrevista exclusiva ao Financeiro, o presidente do Bradesco, Márcio Artur Laurelli Cypriano, analisa a tendência dos juros, o esforço para reduzir o spread bruto e o processo de inclusão bancária. A administração dos juros básicos (Selic) no primeiro semestre, segundo ele, foi “cautelosa, conservadora, como todo Banco Central deve ser”. Essa trajetória deverá ser mantida no segundo semestre e já se manifestam os primeiros sinais de reativação da economia. A redução do spread bruto do crédito, segundo Cypriano, é um desafio que exige ação conjunta do setor financeiro e do governo. “O interesse dos bancos é criar um ambiente onde a intermediação financeira seja feita sem interferência de compulsórios, direcionamentos e excessos de tributos. Isso interessa à sociedade de um modo geral, pois aumenta a eficiência da intermediação”, esclarece o presidente do Bradesco, retomando o apelo que fez recentemente ao assumir a presidência da Febraban-Federação Brasileira das Associações de Bancos.

Como o Sr. avalia a administração dos juros básicos (Selic) neste primeiro semestre do ano? A tendência de queda foi mantida, a inflação permaneceu dentro da meta e a atividade econômica está em recuperação. A gestão foi positiva. Foi uma administração cautelosa, conservadora, como todo Banco Central deve ser. Nossa expectativa é de continuidade dessa trajetória até o final do ano, pois os fundamentos da economia continuam firmes. Acho que a questão do juro (Selic) deve perder um pouco desse clima de torcida daqui para a frente. Os primeiros sinais de reativação da atividade estão aí e o emprego está se recuperando. O FMI alerta para a possibilidade de uma nova alta dos juros nos EUA. Caso isso ocorra, quais seriam os reflexos para o mercado financeiro nacional? O que se comenta é que o juro (básico) americano vai voltar a subir, mas de forma gradativa, degrau por degrau. É como acontece no Brasil,

onde o juro cai gradativamente, com segurança. Portanto, não há porque temer grandes choques, como uma fuga em massa de capitais aplicados no País. Além disso, nossa situação está muito melhor. Os juros mantêm a tendência de baixa iniciada no segundo trimestre de 2003. O Sr. acredita que ainda há espaço para redução? Os problemas estruturais e conjunturais que influem no juro estão sendo atacados e resolvidos. Há, portanto, espaço para o juro continuar em trajetória de queda. Para o mercado financeiro o que pode significar a viagem que o presidente Lula fez recentemente à China? A viagem representou uma espécie de abertura oficial para um novo e imenso mercado. Para os bancos, significa um filão de oportunidades em termos de apoio às empresas brasileiras em busca de crescimento e expansão de fronteiras.


ENTREVISTA

econômica deve se fortalecer

Para os clientes e consumidores, quais os reflexos da concentração bancária ocorrida no mercado nacional? A sociedade ganhou um sistema bancário mais forte, sólido e eficiente. O Brasil foi um dos poucos países a sofrer ajustes cambiais sem crise financeira, o que foi fundamental para superar os problemas. Isso foi possível pela solidez dos bancos brasileiros. Esse é um fator de redução do Risco Brasil. Nos últimos anos, muitos bancos estrangeiros se instalaram no Brasil. Ainda há espaço para novos concorrentes? A economia brasileira tem muito potencial e por isso sempre há interessados em realizar novos investimentos. Seja no ramo industrial, de serviços ou sistema financeiro. Os espaços existem para todos. Para bancos estrangeiros também. Mas acho que a liderança do mercado vai continuar com os brasileiros.

“Aos bancos, interessa poder emprestar grandes volumes de recursos para o maior número de pessoas”.

Divulgação

Crescem o consumo e a produção em vários segmentos industriais. Por que o desemprego aumenta? Acho que existe um certo atraso entre a reação do emprego e os primeiros sinais de retomada da produção e consumo. O empresariado, de modo geral, é conservador. Espera ter certeza para voltar a contratar. Daqui a pouco, teremos novos números que vão apontar crescimento do emprego, pois o cenário é favorável. O segundo semestre tem eleições municipais, novas quedas de juro e uma economia mais ativa. Estou otimista.

O Bradesco e outras instituições abriram postos avançados por todo o País. Como o senhor avalia os efeitos da chamada bancarização? Este é um processo que chamamos, no Bradesco, de inclusão bancária. Temos 61 anos de tradição de ser um banco de portas abertas. Quando o Bradesco começou, nossas agências foram as primeiras a abrirem acesso ao cidadão comum. Trabalhadores e pequenos comerciantes passaram a ter direito a uma conta bancária pelo Bradesco. O mesmo processo se repete, agora, com o Banco Postal. Em dois anos de atividade, já estamos com quase 2 milhões de clientes. Os primeiros efeitos são o de melhorar o nível de cidadania das pessoas. Aposentados, que tinham de gastar tempo e dinheiro para buscar seu benefício na cidade mais próxima, agora não precisam caminhar mais que alguns metros, pois haverá, sempre, uma agência do Banco Postal por perto.

Em seu discurso de posse na presidência da Febraban, o senhor fez um apelo ao governo para que contribua para a redução do spread bruto do crédito. Como está esse desafio? O desafio continua e confio que vamos conseguir avançar nesse processo. O interesse dos bancos é criar um ambiente onde a intermediação financeira seja feita sem interferência de compulsórios, direcionamentos e excessos de tributos. Isso interessa à sociedade de um modo geral, pois aumenta a eficiência da intermediação. Vamos chegar lá. Aos bancos, interessa poder emprestar grandes volumes de recursos para o maior número de pessoas. O que o governo precisa ainda fazer para cumprir sua parte na redução dos spreads? O governo está atento ao problema e está trabalhando com afinco para encontrar, junto com os bancos, uma solução para o aumento dos volumes de crédito da economia. 11


ARTIGO

Crédito e recuperação da economia

Divulgação

por Guilherme Afif Domingos

Guilherme Afif Domingos é presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Após o resultado decepcionante da economia em 2003 criou-se a expectativa de que em 2004 poderemos ter um crescimento do PIB da ordem de 3,0% a 3,5%, tendo em vista a melhora verificada em diversos indicadores no final do ano passado. Os dados relativos ao desempenho da economia no primeiro quadrimestre vêm mostrando uma recuperação do movimento do varejo, explicado, em grande parte, pela baixa base de comparação, mas, também, pela venda a crédito, beneficiada por taxas de juros menores e prazos de pagamentos mais longos. Com isso, os bens de maior valor, como os eletroeletrônicos e móveis, são os produtos que estão apresentando crescimento das vendas, enquanto aqueles artigos que dependem mais da renda, como os não duráveis e alimentos, ainda não apresentam resultado positivo, tendo em vista a forte queda da massa salarial ocorrida nos últimos dois anos. Na medida em que a recuperação do poder de compra dos consumidores vem se fazendo de forma bastante lenta, o desempenho do comércio vai continuar dependendo, ainda que por algum tempo, essencialmente do crédito, mas com redução das taxas de juros que permitam ampliar a massa dos consumidores. Como o espaço para a queda da taxa Selic vem se estreitando, é preciso que se adotem medidas capazes de permitir a redução do “spread” bancário, que apresenta uma ampla margem para atuação, não apenas das autoridades monetárias, como dos bancos e financeiras e, também, de outros segmentos ligados à concessão do crédito. Da parte do governo existe espaço para a diminuição da enorme carga tribu-

tária que atinge as operações financeiras, enquanto o Banco Central precisa reduzir o depósito compulsório dos bancos, aumentando a oferta de crédito, e induzindo a uma maior competição entre as instituições financeiras. Um dos componentes importantes do “spread”, o risco da inadimplência, decorre, em grande parte, da instabilidade e baixo crescimento da economia brasileira, mas é possível atuar-se para reduzi-lo através do aprimoramento da legislação e dos mecanismos de avaliação do crédito. Nesse sentido, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), junto com outras entidades e com a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, vem trabalhando na elaboração de projetos que podem contribuir para a redução do risco de crédito. Um deles é o que permite a implantação do “cadastro positivo” que, além de diminuir o risco das operações de financiamento permite que se possa trabalhar com taxas diferenciadas, premiando os bons pagadores. Outra proposta é a de reformulação da legislação de arrendamento mercantil, com o objetivo de propiciar a redução de seus custos operacionais, com a agilização da retomada do bem, e o terceiro busca dar mais rapidez à execução das garantias. É evidente que a expansão do crédito não poderá sustentar indefinidamente as vendas do varejo porque, no final, as prestações tem que ser pagas com a renda. A expectativa é a de que, com o crescimento das exportações e o aumento da produção da indústria de bens duráveis, o emprego e o rendimento dos trabalhadores, gradativamente, possam crescer, recuperando a massa salarial, e permitindo que a reativação da economia seja sustentável.

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Financeiro 15 - Julho 2004  

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