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EDIÇÃO

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JANEIRO - FEVEREIRO

JUROS NO CENTRO DAS DISCUSSÕES Murilo Portugal, presidente da Febraban, é um dos líderes do movimento de engajamento da sociedade e das autoridades em torno de um melhor ambiente do crédito no Brasil Pág. 9

CADASTRO POSITIVO Câmara dos Deputados aprova adesão automática Pág. 13 GESTÃO DE PESSOAS ACREFI e GPTW anunciam ranking do setor financeiro Pág. 16


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Crédito sujeito a aprovação.

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editorial

Desafios e oportunidades de 2019

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019 apresenta-se como um ano de retomada da confiança de todos os stakeholders e ao mesmo tempo um ano cheio de desafios e oportunidades. Do lado do crédito o cenário que se vislumbra é bastante favorável. O crédito tem-se mostrado pró-cíclico, ou seja, impulsiona a expansão da economia: cresceu 5,5% em 2018 (volume total no Sistema Financeiro Nacional), depois de dois anos de contração, e o PIB foi positivo em 1,1%. Para este ano, a ACREFI prevê um crescimento de 8% no crédito para uma expansão de cerca de 2% do PIB, com destaque para o crédito para pessoa física com recursos livres, na ordem de 12%. Há dados de sobra para autorizar o otimismo. A inadimplência caiu expressivamente, a inclusão financeira cresce e o uso do crédito é cada vez mais consciente. Além disso, de acordo com o Banco Central, os juros na concessão de empréstimos têm mostrado queda contínua, passando de 32,2%, ao ano, no final de 2016 para 25,6% em dezembro de 2017 e para 23,3% no fechamento do ano passado (leia a entrevista do presidente da Febraban, Murilo Portugal, nesta edição). A aprovação em fevereiro pela Câmara dos Deputados, do projeto que aprimora o Cadastro Positivo, demonstra que as perspectivas são ainda mais animadoras. A proposta está agora no Senado e será passo fundamental para a melhoria do crédito, com mais e melhores informações que permitirão aprofundar o conhecimento sobre o tomador e assim aperfeiçoar o processo de concessão dos recursos. Do lado das reformas, a da Previdência já foi encaminhada para o Congresso e com medidas práticas e de grande relevância para que o Brasil faça o tão necessário ajuste fiscal. Sabemos que outras reformas são necessárias, tais como a tributária, porém a primeira e mais importante é a da Previdência. Igualmente importante é manter o foco na

geração de emprego e renda, visando estimular a manutenção dos níveis de confiança e a formação de poupança. Outro tema que a ACREFI tem como um dos seus pilares é a Educação e nele procura fazer a sua parte atuando principalmente em relação à cidadania financeiHilgo Gonçalves ra. Nesse sentido, Presidente da ACREFI vale lembrar o acordo que nossa entidade firmou com o CIEE, conforme informado na última edição da Financeiro, que vai ajudar na formação do jovem também no que se refere a essa cidadania. Merece destaque também a busca constante que todos nós, do setor financeiro, devemos fazer para melhorar a experiência dos clientes. Para isso é necessário escutar cada vez mais os colaboradores, visando alinhar o propósito deles aos das associadas, mantendo-os sempre informados e motivados, construindo assim um círculo virtuoso: colaborador engajado atende e informa melhor o cliente; cliente mais bem-informado consome produtos e serviços de forma mais consciente, gerando resultados ainda mais sustentáveis. Vale a pena ler a reportagem desta edição sobre o acordo firmado pela ACREFI com o Great Place to Work, com a finalidade de criar um selo de reconhecimento de instituições financeiras (bancos, financeiras e cooperativas de crédito) engajadas nas melhores práticas de gestão de pessoas. Mais do que nunca, é requerida de todos nós uma atitude de protagonismo em que cada um procure fazer o melhor em sua área de atuação, para que a soma desses esforços gere um Brasil melhor para nós e para as gerações futuras. f janeiro - fevereiro 2019 I FINANCEIRO

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TRABALHAR JUNTO PARA CRESCER JUNTO.

Lado a lado com nossos clientes, buscamos soluções para viabilizar, conectar e desenvolver o mercado financeiro e de capitais. É assim que trabalhamos para potencializar cada vez mais os negócios dos nossos clientes e o Brasil. Com o mercado, para o futuro.


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sumário

EDIÇÃO # 113

03 09

EDITORIAL

ENTREVISTA MURILO PORTUGAL FEBRABAN

18 19 20 13 15 16

CADASTRO POSITIVO ADESÃO AUTOMÁTICA

ARTIGO

PATRÍCIA PECK

GESTÃO DE PESSOAS

RANKING ACREFI / GPTW

23 24

RELAÇÕES INSTITUCIONAIS PARCERIA ACREFI/ CNF

ACREFI

NOVAS ASSOCIADAS

SEMINÁRIO

DESAFIOS DO BRASIL

TECNOLOGIA POUPABRASIL EM ALTA

PAINEL B3

FINANCIAMENTO DE AUTOS

26

ARTIGO

ELAINE KELLER

27 28 30 6 FINANCEIRO I janeiro - fevereiro 2019

ARTIGO

CARLOS CRUZ

VAREJO

NRF 2019

PALAVRA FINAL

NICOLA TINGAS


nossasassociadas

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expediente

ISSN 1809-8843

Publicação da ACREFI - Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Líbero Badaró, 425 - 28°andar São Paulo, SP - Tel. (11) 3107.7177 www.acrefi.org.br Diretoria Biênio 2018 / 2020 Presidente Hilgo Gonçalves Vice-presidentes André de Carvalho Novaes Celso Luiz Rocha João Vitor Nazareth Menin Teixeira Leandro José Diniz Luis Eduardo da Costa Carvalho Rodnei Bernardino Wanderley Vettore Diretor Tesoureiro João dos Santos Caritá Jr. Diretores regionais Edson Tadashi Ueda Elias de Souza Giorgio Rodrigo Donini Leonardo Lima Bortolini Marcos Teixeira da Rosa Nelson Dias de Aguiar Thiago Rodrigues Urbaneja Conselho Deliberativo Álvaro Augusto Vidigal Érico Sodré Quirino Ferreira Hilgo Gonçalves José de Menezes Berenguer Neto Luiz Francisco M. de Barros Roberto Willians Silva Azevedo Rubens Bution Conselho fiscal (Efetivos) Domingos Spina José Tadeu da Silva Ricardo Albuquerque

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Suplentes Alexandre Teixeira José Garcia Neto Ricardo Kaoru Administração/Assessorias Relações Institucionais Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Superintendente Carlos Alberto Marcondes Machado Consultor Econômico Nicola Tingas Consultora Jurídica Cintia M. Ramos Falcão Consultor de Regulação e Compliance Sergio Odilon dos Anjos Auditoria Boucinhas, Campos & Conti Auditores Independentes Contabilidade Conaupro Consultoria e Contabilidade Ltda. Assessoria de imprensa

Publisher Sergio Tamer Editores Theo Carnier Gilberto de Almeida Editor assistente Gustavo Girotto Arte Mariela Tiradentes Revisor Vicente dos Anjos

* As matérias e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.


entrevista

Foto: Divulgação

MURILO PORTUGAL FEBRABAN

QUEREMOS ENGAJAR A SOCIEDADE, O GOVERNO E O CONGRESSO EM TORNO DE SOLUÇÕES QUE LEVEM O BRASIL A TER JUROS MAIS BAIXOS EM ENTREVISTA EXCLUSIVA À FINANCEIRO, MURILO PORTUGAL, PRESIDENTE DA FEBRABAN, FALA ABERTAMENTE SOBRE TAXA DE JUROS, CADASTRO POSITIVO, FINTECHS, ECONOMIA VERDE E GESTÃO DE PESSOAS

FINANCEIRO Os bancos, até injustamente, são apontados como vilões pelas altas taxas de juros. Com o lançamento de uma publicação sobre o tema, a Febraban espera que uma reflexão mais ampla leve a resultados efetivos? Quais são os objetivos?

Fizemos um mea culpa por que não explicamos esse tema o suficiente à sociedade. Há um desconhecimento sobre as razões de as taxas serem mais altas no Brasil; por isso, lançamos um livro com a intenção de propor uma conversa franca e objetiva, baseada em dados e evidências do Brasil e do resto do mundo. Tudo o que está no livro

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entrevista

foi discutido com o Banco Central, o Ministério da Fazenda e o Congresso. Resolvemos agora fazer uma abordagem diferente, comunicando-nos diretamente com a sociedade. Fizemos um diagnóstico dos fatores que levam o Brasil a ter juros altos e propusemos 21 medidas exemplificativas para melhorar a situação. Mas não pensamos ser donos da palavra final. Queremos ouvir sugestões e estimular um diálogo com a participação da sociedade, do novo Governo, do Congresso e do Judiciário.

FINANCEIRO Apoiado em uma forte campanha publicitária, o lançamento do livro sobre os juros está atingindo os planos previstos pela Febraban? Sim. Já aumentamos o debate e a informação sobre o tema, para ter maior engajamento da sociedade e das autoridades no esforço de melhorar o ambiente de crédito no Brasil. Temos tido repercussões importantes na imprensa e com formadores de opinião, assim como com a sociedade de um modo geral, que, por meio do nosso site e das redes sociais, deixa comentários. Há vários fatores que explicam os juros altos. Daí a importância de se estimular um debate amplo para que encontremos saídas sustentáveis para baixar os juros no Brasil.

FINANCEIRO Depois da publicação e da divulgação do livro, a Febraban prevê ações complementares? A campanha de divulgação do livro ainda está acontecendo. Depois de avaliarmos os resultados, iremos discutir com os bancos os próximos passos. Mas, certamente, daremos continuidade ao diálogo. Como disse, 10 FINANCEIRO I janeiro - fevereiro 2019

queremos engajar a sociedade, o Governo e o Congresso em torno de soluções que levem o Brasil a ter juros mais baixos para estimular a expansão da economia e do emprego. Listamos várias medidas capazes de reduzir o custo de emprestar no Brasil e estimular a entrada de novos competidores no mercado. Quanto mais avançarmos nessa agenda, melhores as condições para reduzir o custo dos empréstimos, aumentar a competição e termos juros mais baixos, como em outros países.

FINANCEIRO Em que medida, a aprovação do Cadastro Positivo automático deve contribuir para a queda da taxa de juros? A aprovação do cadastro positivo aproximará o Brasil dos países desenvolvidos, onde os cadastros de crédito cobrem toda a população economicamente ativa. Nos Estados Unidos, a introdução do cadastro positivo reduziu em 45% a inadimplência e aumentou de 40% para 75% a taxa de aprovação de crédito. A redução do risco de crédito beneficia a grande maioria dos tomadores de crédito, que poderiam contar com spreads mais baixos, já que o custo da inadimplência deles seria reduzido. O cadastro positivo beneficia especialmente os tomadores de crédito que não têm como oferecer garantias suficientes, como jovens e famílias de baixa renda. O sistema de compartilhamento de informações valoriza o histórico de pontualidade de pagamentos para quem não pode oferecer outra segurança à instituição financeira. O direito do cidadão que não quiser ter os seus dados acessados é garantido: ele será comunicado de sua inclusão no cadastro e terá um mês para solicitar sua exclusão. Mesmo depois desse prazo, poderá cancelar o cadastro com qualquer gestor do banco de dados. O uso das informações só será liberado para a formação de bancos de dados


com a única finalidade de subsidiar decisões sobre a concessão de crédito.

FINANCEIRO De que forma, a Febraban tem atuado em relação à tramitação do Cadastro Positivo no Congresso? Para o aperfeiçoamento do Cadastro Positivo é fundamental a aprovação do PLC 441/17, que muda as regras de inclusão de consumidores e a questão da responsabilidade objetiva e solidária. Estamos acompanhando as discussões no Congresso e, sempre que possível ou demandado, esclarecendo com os parlamentares a importância de a lei ser aprovada para termos um novo cenário de juros no País. O projeto demorou mais na Câmara porque prevê a adesão automática de todos os consumidores no cadastro positivo. Este ponto foi vetado na lei que criou o Cadastro Positivo pela ex-presidente Dilma Rousseff. É um daqueles casos em que, a pretexto de proteger o consumidor, adotam-se medidas que prejudicam a todos, especialmente os bons pagadores. A inclusão automática faz uma diferença operacional enorme. Todo processo que depende de o cliente autorizar demora muito mais.

FINANCEIRO Como a Febraban avalia a entrada das startups no setor financeiro? Não é verdade que os bancos não querem a concorrência das fintechs. A competição é um estímulo para aumentar a produtividade, que é o motor do progresso das empresas e dos países. As fintechs são bem-vindas. Defendemos que devem valer para todas as empresas que atuam no mercado de crédito as mesmas regras que garantem a confiabilidade do sistema bancário. A competitividade de cada um deve vir de suas vantagens intrínsecas, e não por estar submetido a uma regulação diferente dos demais. Se a atividade é a mesma, as regras devem ser as mesmas. Mas achamos que sairá frustrado quem

espera que as fintechs por si só resolvam os spreads elevados. As taxas de juros refletem custos legais e institucionais que afetam a todos os participantes do mercado; independem da competição, uma vez que decorrem de leis, regulações e condições institucionais às quais todos os participantes do mercado estão sujeitos. A Febraban propõe, no livro, o estabelecimento de parâmetros legais dentro de um arcabouço mais flexível, com regras menos rígidas e com eliminação de alguns custos e burocracias, mas que preserve a estabilidade financeira desses novos atores no mercado.

FINANCEIRO A Febraban tem investido bastante em favor da economia verde. Em que medida, o setor bancário tem feito também a sua parte? Os bancos brasileiros estão fortemente comprometidos com o desenvolvimento de ações relacionadas à responsabilidade socioambiental. Isto se deve tanto à compreensão da importância dos potenciais impactos das mudanças climáticas no gerenciamento de riscos dos empréstimos, como à identificação de novas oportunidades de negócios proporcionadas pela economia verde. Além da preocupação crescente com os riscos ambientais das companhias com as quais se relacionam, os bancos direcionam cada vez mais recursos para financiar empresas comprometidas com a economia de baixo carbono e com a mitigação dos impactos ambientais de suas atividades. Levantamento feito pela Febraban mostra que o volume de recursos emprestados pelos bancos, em 2017 (último dado que temos disponível), em companhias da chamada economia verde chegou a R$ 412,27 bilhões, um aumento de 33,4% na comparação com o ano anterior, quando foram destinados R$ 309,08 bilhões. Além do crescimento dos valores, em termos absolutos, a participação dos financiamentos para atividades da economia verde no total de empréstimos janeiro - fevereiro 2019 I FINANCEIRO 11


entrevista

dos bancos às empresas também aumentou significativamente, passando de 18,8% do total da carteira de crédito para pessoa jurídica (2016) para 27,6% (2017).

FINANCEIRO Como a Febraban tem se posicionado sobre as iniciativas das empresas do setor bancário em relação à gestão de pessoas? O setor bancário é reconhecido pelas boas práticas na gestão de pessoas. Isso está demonstrado em várias pesquisas especializadas, que destacam os bancos entre as organizações com os melhores resultados nessas avaliações. Para citar alguns exemplos, vários bancos destacaram-se nas edições de 2016, 2017 e 2018 da pesquisa “Melhores Empresas para Trabalhar”, do Great Place to Work. De forma recorrente, há bancos mencionados entre as “Empresas dos Sonhos dos Jovens”, assim como na pesquisa “Carreira dos Sonhos”, da Cia. de Talentos. Na última pesquisa “As Melhores Empresas na Gestão de Pessoas”, do Valor Econômico, conduzida pela Mercer, para avaliar as empresas que mais se destacam na gestão de pessoas, os bancos estavam entre os vencedores do prêmio. A rede social profissional LinkedIn divulgou em 2017 e 2018 sua lista anual de top companies, que mostra quais são as empresas em que os brasileiros mais sonham trabalhar, a partir de dados da rede profissional e de ações de milhões de usuários da plataforma. Entre os critérios de avaliação, está o engajamento deles com a página da empresa no LinkedIn, além da busca e do interesse de candidatos por vagas abertas pelas companhias. Novamente, vemos que

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os bancos também estão nesse ranking. Outro exemplo da qualidade das políticas de gestão de pessoas, adotadas pelos bancos, é a baixa taxa de rotatividade no setor, que foi de 3,8% em 2018, quase cinco vezes menor do que a média nacional de 18,7%, segundo dados do CAGED. Além disso, é muito comum observar que o profissional que sai de um banco vai trabalhar em outro. A longevidade dos vínculos de trabalho dentro de um mesmo banco é fruto de ambientes saudáveis e desafiadores e de políticas de gestão que valorizam a diversidade e desenvolvem o potencial das pessoas. As mudanças de emprego que acontecem de um banco para outro demonstram que os profissionais que atuam no setor reconhecem as inúmeras vantagens em trabalhar no segmento, como o modelo de gestão, as oportunidades de carreira, as condições de trabalho, a remuneração e os benefícios diferenciados em relação aos demais segmentos.

FINANCEIRO A Febraban acredita que colaboradores mais satisfeitos resultam em melhores resultados para as organizações? Sem dúvida. O sucesso das empresas passa necessariamente pelo engajamento e pela satisfação dos funcionários. Quanto mais eles reconhecem que a prosperidade do negócio também os beneficia, mais eles contribuem para fazer o negócio prosperar. A Forb es e a Fortune organizam, regularmente, rankings com companhias reconhecidas pela felicidade e pela satisfação de seus funcionários. Há diversos exemplos de bancos brasileiros que ocupam posição de destaque nessas listas. f


cadastropositivo Foto: Depositphotos

RAIO-X DO CONSUMIDOR APROVADO PELA CÂMARA DOS DEPUTADOS E ATUALMENTE EM TRAMITAÇÃO NO SENADO, O CADASTRO POSITIVO DIMINUI A ASSIMETRIA DAS INFORMAÇÕES SOBRE O CIDADÃO, REDUZ A INADIMPLÊNCIA, DIMINUI OS JUROS E FAVORECE A CONCORRÊNCIA ENTRE AS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO

O

mercado financeiro obteve uma importante conquista. Ela ainda não foi total, mas certamente, em breve, chegaremos lá. Estamos falando da aprovação pela Câmara dos Deputados, dia 20 de fevereiro, do projeto de lei que torna automática a adesão das pessoas ao Cadastro Positivo. Atualmente, essa adesão exige

autorização do consumidor. O texto agora será novamente apreciado pelo Senado para depois seguir para sanção do Presidente Jair Bolsonaro. Tema que há muito tempo faz parte dos debates promovidos pela ACREFI, a adesão automática ao Cadastro Positivo deve diminuir a assimetria da informação em favor das instituições

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cadastropositivo

que atuam com crédito, além levar a uma redução significativa da inadimplência e, no longo prazo, à queda da taxa de juros de mercado. "É uma notícia importante e esperada, que traz ganhos fundamentais ao mercado financeiro", afirma Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI. Para Vander Nagata, vice-presidente de Informações sobre o Consumidor da Serasa Experian, hoje o mercado já consegue saber se uma pessoa está ou não inadimplente, mas não vê o seu histórico de pagamentos realizados e a sua capacidade de assumir novos compromissos. Ou seja, o mercado vê uma foto do comportamento do consumidor em um momento específico, mas não enxerga o filme da sua história de crédito. “Essa situação pode ficar diferente com o Cadastro Positivo automático. Por exemplo, se um consumidor estiver inadimplente, com apenas uma parcela em atraso de um determinado financiamento, mas tiver outros pagamentos honrados e capacidade financeira para assumir novos compromissos, essas informações poderão ser consideradas em uma eventual concessão de crédito”, lembra o executivo da Serasa Experian. Segundo Rodrigo Abreu, presidente da Quod, a aprovação de mais essa etapa da Lei do Cadastro Positivo é muito saudável para a economia do País porque permitirá diminuir a assimetria de informações entre as instituições, aumentando a eficiência do sistema de crédito. Em países onde o Cadastro Positivo já existe de maneira plena, a relação crédito/PIB chega a mais de 100%, enquanto no Brasil ela ainda é inferior a 50%. “O

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Cadastro Positivo permite uma avaliação mais clara do risco de crédito, gerando novas oportunidades de negócio”, argumenta Abreu. Na visão de Dirceu Gardel, presidente da Boa Vista, a aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de lei que incluirá de forma automática consumidores e empresas no Cadastro Positivo é um marco histórico para o desenvolvimento do mercado de crédito no País. Ele contribuirá para a democratização do crédito com concessões mais justas. “Isso por que permitirá o empoderamento da população não bancarizada; estimulará a redução da inadimplência e, consecutivamente, dos juros praticados no mercado”, avalia Gardel. De acordo com o SPC Brasil, o Cadastro Positivo automático permitirá mais assertividade por parte do empresário nos processos de análise e concessão de financiamentos, empréstimos e compras a prazo. Isso tudo sem afetar a proteção de dados sensíveis e o próprio sigilo bancário, que permanecem preservados, como todas as demais exigências previstas no Código de Defesa do Consumidor. A mudança nas regras do Cadastro Positivo também deve estimular a competição na oferta de crédito entre instituições financeiras. “Hoje, as instituições financeiras de grande porte já possuem informações sobre o perfil de pagamento dos clientes com os quais mantêm relacionamento, mas essas informações não são compartilhadas com o mercado de crédito como um todo, impossibilitando que haja uma competição saudável entre diversos players”, enfatiza o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior. f


MUDANÇAS NA LEI DE PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS IMPACTAM O SETOR FINANCEIRO

A

s várias possibilidades de se utilizar a análise dos dados a favor da gestão e otimização dos serviços estão renovando as maneiras de fazer negócios no segmento financeiro. Mas, além de técnicas e estratégias para melhor aproveitar essas inovações, as empresas precisam estar atualizadas com as novas regras de proteção de dados pessoais, que passam a vigorar em agosto de 2020. Para atingir níveis satisfatórios e adequados com as normas, é necessário cumprir uma jornada do compliance em privacidade e proteção de dados e desde já investir em três pilares: soluções tecnológicas; revisão de contratos e procedimentos; e capacitação da equipe. As financeiras precisam desenhar e aplicar essas adequações, indispensáveis no planejamento de 2019, com medidas técnicas e administrativas de cibersegurança. Isso inclui pontuar objetivos em relação à segurança digital, identificar e priorizar as oportunidades de melhoria e prática dos processos, além de garantir meios de comunicação internos e externos acerca do risco da tecnologia da informação digital. Para começar, existem dois pontos fundamentais a serem observados pelas ins-

tituições: transparência e consentimento. O primeiro ponto refere-se à clareza de informações sobre todo tratamento que será aplicado aos dados coletados e consentimento que trata da autorização do uso desses dados. É mapear os fluxos e identificar a tomada de consentimento nas interações com clientes. E verificar se a autorização por parte do usuário foi realizada de acordo com as novas normativas. O impacto para o mercado financeiro também está ligado com a consulta à base de terceiros, e transparência dos critérios de formação de score de crédito. O comprometimento desses recursos pode significar não apenas perdas para o banco envolvido, mas também para todo o mercado, por causa do risco sistêmico que um incidente pode causar. Logo, investir na segurança cibernética deixou de ser opção para empresas, sendo quesito indispensável para a própria sobrevivência da corporação, já que os ataques cibernéticos geram diversas perdas financeiras e envolvem diminuição de receita e prejuízos à marca e à reputação. Há um custo social elevado a ser pago, que é o da reconstrução da confiança dos clientes. f

(*) Patricia Peck Pinheiro é especialista em Direito Digital e sócia do escritório Patricia Peck Pinheiros Advogados. Artigo enviado em 30.1.2019

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Foto: Divulgação

artigo Patrícia Peck*


gestãodepessoas

BEM-ESTAR TAMBÉM GERA LUCRATIVIDADE

União de forças: equipes ACREFI e GPTW

ACREFI E GPTW ASSINAM ACORDO PARA A CRIAÇÃO DO RANKING DAS MELHORES EMPRESAS PARA TRABALHAR DO SETOR FINANCEIRO

E

m pouco tempo, ter um ambiente de trabalho bem-avaliado pelos colaboradores, o chamado Índice de Confiança, será tão importante no mundo dos negócios como outras informações já consagradas: faturamento, lucratividade, investimentos, rentabilidade e produtividade. De olho nesse futuro próximo, a ACREFI assinou, dia 12 de fevereiro, um importante acordo com o GPTW (Great Place to Work) para estimular as instituições financeiras (bancos, financeiras e cooperativas de crédito) a participarem da 16 FINANCEIRO I janeiro - fevereiro 2019

pesquisa que estabelecerá o Ranking das Melhores Empresas para Trabalhar do setor. A divulgação dessa nova lista já está programada para o dia 8 de outubro, no Renaissance São Paulo Hotel, com apoio da B3, da CNF e da Febraban. Para Ruy Shiozawa, CEO do GPTW Brasil, o objetivo da pesquisa é fazer uma fotografia do lado de dentro das empresas. O levantamento é baseado na opinião dos colaboradores e nas boas práticas na gestão de pessoas. “O nosso objetivo é identificar como as instituições inspiram


Fotos: Divulgação

seus colaboradores em torno de um propósito, como o trabalho das pessoas é reconhecido, qual é o grau de engajamento dos funcionários em diferentes escalas do organograma”, explica Shiozawa. Essas informações são tão importantes que a B3 estuda lançar em breve um novo indicador, baseado no cruzamento dos dados do Ibovespa com os índices de confiança do GPTW. Embaixador do GPTW no Brasil, o presidente da ACREFI, Hilgo Gonçalves, disse, durante o evento de assinatura de acordo com o GPTW, que a intenção da criação do novo ranking é melhorar o clima interno nas instituições financeiras, aumentando a satisfação dos colaboradores e favorecendo o relacionamento com os clientes. “Colaboradores bem tratados se sentem valorizados e, consequentemente, tratam melhor os clientes, contribuem com o aumento dos resultados e ainda geram melhor retorno para os acionistas”, avalia Hilgo. Segundo Lilian Carina, presidente da Comissão de Pessoas da ACREFI e gerente de RH da Omni Financeira, proporcionar um bom ambiente de trabalho e estimular o empoderamento profissional é um caminho sem volta. “O mercado financeiro tem como herança um ambiente formal. Mas, estamos

Hilgo Gonçalves e Ruy Shiozawa: acordo para criação de ranking do setor financeiro

diante de um novo mercado, em que as novas conexões geram processos de transformação”, garante Lilian. Em 2016, quando a Omni estabeleceu sua parceria com o GPTW, seu Índice de Confiança foi de modestos 53%. Já em 2017, com a implantação de ações para aproveitar melhor o potencial das pessoas e estimular o engajamento dos colaboradores, esse índice subiu para 74%. No ano passado, novas conquistas e um resultado ainda melhor: 80%. São números que confirmam o poder transformador do Índice de Confiança do GPTW. f

CERTIFICAÇÃO E PESQUISA GPTW Para participar do novo Ranking das Melhores Empresas para Trabalhar do Setor Financeiro, as instituições interessadas têm até o dia 30 de junho para concluir, primeiramente, o processo de certificação. No entanto, entre ingressar no programa (site www.gptw.com.br) e finalizar essa primeira fase do andamento são necessários 15 dias. Ou seja, aqueles que deixam tudo para a última hora devem considerar como data limite 15 de junho. Passada essa etapa, seguida da escolha do plano adequado à sua empresa, o responsável pela área de RH tem 30 dias para lançar no sistema diversas informações que irão configurar o questionário da pesquisa GPTW. Feito isso, os funcionário têm mais 15 dias para responder as perguntas. No dia 13 de setembro, o GPTW entrega às empresas certificadas um relatório com um plano de ação voltado para a melhoria do clima organizacional. Além disso, o relatório servirá de base para o Ranking das Melhores Empresas para Trabalhar do Setor Financeiro, que será divulgado dia 8 de outubro. Contamos com a participação da sua empresa. janeiro - fevereiro 2019 I FINANCEIRO 17


relaçõesinstitucionais Fotos: Divulgação

JUNTOS, SOMOS MAIS FORTES Trabalho integrado: equipes da ACREFI e da CNF

ACREFI E CNF INTENSIFICAM PARCERIA E TRAÇAM ESTRATÉGIAS PARA LEVAR ADIANTE TEMAS DO INTERESSE DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS

A

ACREFI e a CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras) são parceiras há anos. Mas, em algum momento, os propósitos dessa união devem ser renovados. Foi exatamente isso o que aconteceu dia 28 de janeiro, em São Paulo, quando as duas entidades analisaram planos em comum, discutiram estratégias conjuntas, estabeleceram uma integração maior entre seus colaboradores e traçaram planos para novas ações. Impossibilitado de estar em São Paulo naquele dia, Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, participou do encontro via

18 FINANCEIRO I janeiro - fevereiro 2019

internet. E destacou o importante trabalho executado pela CNF em favor do bom funcionamento do País. “A nossa proposta hoje é atualizarmos pauta para atuar ainda unidos em torno de temas, como Cadastro Positivo, educação financeira e emissão de CDB Financeiro”, destacou Hilgo. Ao apresentar a sua equipe, José Ricardo da Costa Aguiar Alves, diretor-presidente da CNF, mostrou a estrutura da entidade para acompanhar de perto o andamento dos assuntos de interesse das instituições financeiras nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. “Estamos


aqui à disposição de vocês, por que tenho certeza de que, juntos, seremos mais fortes”, enfatizou José Ricardo. Responsável pelas relações institucionais da ACREFI, Antonio Augusto de Almeida Leite (o Pancho) lembrou a longa sinergia entre as duas entidades. “A nossa casa está sempre aberta para somar esforços e compartilhar ideias sobre assuntos em comum com os parceiros”, reforçou ele. José Ricardo aproveitou a deixa levantada por Pancho para lembrar que a CNF prepara um curso voltado para pessoas interessadas em aprofundar seus conhecimentos sobre o dia a dia no Senado e na Câmara dos Deputados. “Com a renovação nos quadros do Poder Legislativo, muito parlamentares desconhecem os assuntos em pauta (como o Cadastro Positivo), e temos a oportunidade de informá-los de forma adequada”, explicou o diretor-presidente da CNF. f

Hilgo Gonçalves Presidente da ACREFI

José Ricardo da Costa Aguiar Alves Diretor-presidente da CNF

novas associadas

SEJAM BEM-VINDAS Nesta edição da Financeiro, a ACREFI tem a grata satisfação de divulgar a inclusão de duas novas instituições financeiras associadas: o Banco John Deere S.A. e o Banco De Lage Landen Brasil S.A.

janeiro fevereiro - fevereiro - março 2019 I FINANCEIRO 19


seminário

Fotos: Divulgação

CAMINHO DAS CONQUISTAS EVENTO DA ACREFI MOSTRA QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS DESAFIOS BRASILEIROS E COMO PODEMOS DEIXAR UM LEGADO POSITIVO PARA AS PRÓXIMAS GERAÇÕES

F

irme em seu propósito de compartilhar conhecimento de qualidade, a ACREFI realizou dia 21 de fevereiro seu primeiro seminário deste ano: Desafios do Brasil em 2019. Dividido em três temas fundamentais (educação, inovação e economia), o evento contou com a participação dos palestrantes: Marcelo Gallo, superintendente nacional de Operações do CIEE (Centro de Integração Empresa20 FINANCEIRO I janeiro - fevereiro 2019

-Escola); Marcelo Clara, diretor de TI e de Operações do Banco Votorantim; e Nicola Tingas, consultor econômico da ACREFI. Todos levaram seu diagnóstico sobre a realidade nacional e apontaram caminhos para que o País conquiste um amanhã melhor. Conduzido pela jornalista Christiane Pelajo, o encontro foi patrocinado por B3, CNseg, Credilink e Serasa Experian. Ao saudar os convidados, Antonio


Augusto de Almeida Leite (Pancho), executivo da área de Relações Institucionais da ACREFI, destacou o empenho da entidade, ao longo dos seus 60 anos de atuação, em torno da discussão de ideais e da troca de conhecimento, sempre atenta à formação das futuras gerações. “É em busca desse passo à frente que estabelecemos uma parceria com o CIEE para difundirmos a cultura da cidadania financeira e, mais recentemente, com o GPTW (Great Place to Work) para criarmos o Ranking das Melhores Empresas para Trabalhar do Setor Financeiro”, lembrou Pancho. Vigilante ao comprometimento do CIEE com a empregabilidade dos jovens e com a transformação social por meio de uma educação de qualidade, Marcelo Gallo fez questão de destacar alguns números alarmantes sobre o ensino e a empregabilidade no Brasil. A taxa de desalento, pessoas que desistiram de procurar emprego, por exemplo, já é de 5,0% entre jovens de 14 a 24 anos. “Em momentos de crise, são os jovens que sofrem mais para conquistar um espaço no mercado de trabalho. Marcelo Gallo Isso por terem pouca Superintendente nacional experiência profissiode Operações do CIEE nal e gerarem menor custo na hora do desligamento”, explica o executivo do CIEE. O superintendente de Operações do CIEE ressaltou também que o principal problema da educação no Brasil não é a falta de investimento, mas a má Marcelo Clara gestão dos recurDiretor de TI e de Operações sos. “Esse dinheiro do Banco Votorantim

deve ser direcionado à tecnologia, por meio, por exemplo, de videoaulas e de plataformas de educação a distância. Além disso, aumentando a oferta de cursos técnicos, remunerando melhor e capacitando profesHilgo Gonçalves sores e incentivando a Presidente da ACREFI educação por meio do trabalho”, afirma Gallo. À frente do programa de inovação do Banco Votorantim, Marcelo Clara mostrou que investimentos em cultura e em tecnologia realmente geram resultados Nicola Tingas transformadores. Consultor econômico da ACREFI A ponto de os colaboradores do BV colocarem o banco entre as empresas mais amadas do Brasil, segundo o ranking Love Mondays, plataforma em que os funcionários avaliam as organizações em que trabalham. Sentimento que também foi identificado em uma pesquisa de clima, em que 79% dos colaboradores disseram que pretendem permanecer mais cinco anos na corporação. O segredo para isso? Segundo Marcelo Clara, o BV teve a habilidade de entender e se adaptar aos novos tempos, gerando valor de fora para dentro da empresa. Isso significa, entre outras coisas, flexibilizar a jornada de trabalho, abrir mão do dress code, oferecer um espaço de trabalho mais descontraído, além de diversos investimentos em tecnologia e qualidade de vida. Ao analisar a perspectiva de sucesso da economia, Nicola Tingas, da ACREFI, considera que isso dependerá da habilidade do governo Bolsonaro implantar mudanças janeiro - fevereiro 2019 I FINANCEIRO 21


seminário

significativas no País. Essas prioridades são resgatar e fortalecer as finanças públicas, reduzir as despesas, trocar os excessos do Estado pela gestão privada, ampliar a poupança interna e os investimentos, além de levar adiante as reformas e a governança. “É importante mostrar para o investidor que ele terá retorno do futuro, por meio de crescimento sustentável no médio e no longo prazo”, avalia Tingas. O consultor econômico da ACREFI acredita que uma das prioridades agora é educar a sociedade para promover a inserção social, investindo em conhecimento e em tecnologia. Isso levará o País ao aumento da produtividade e ao crescimento da renda. Tingas também vê como positiva a nova proposta de Reforma da Previdência enviada à Câmara Deputados. “A proposta é coerente, bem-estruturada e traz ainda um viés de sustentabilidade popular e política. Acredito que tem boa probabilidade de ser aprovada pelo Legislativo”, aposta Tingas. Também bastante otimista com o novo momento vivido pelo Brasil, Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, destacou na mensagem que levou aos convidados do seminário a importância da aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de lei que torna automática a adesão das pessoas ao Cadastro Positivo e não

22 FINANCEIRO I janeiro - fevereiro 2019

voluntária, como é atualmente. Agora, o texto segue para votação no Senado e, depois, irá para sanção do Presidente Jair Bolsonaro. “O Cadastro Positivo vai melhorar a vida do cidadão e dos emAntonio Augusto de presários”, enfatiza Almeida Leite (Pancho), Hilgo. “Estudos Relações Institucionais mostram que o nída ACREFI vel de inadimplência deve cair mais 40% e o percentual de propostas de crédito aprovadas pode dobrar com a adoção do Cadastro Positivo”, acrescenta ele. Antes de concluir suas ponderações sobre o futuro do País, o presidente da ACREFI relacionou outros desafios a serem enfrentados com urgência e dedicação: a responsabilidade fiscal, as reformas da Previdência e Tributária, o compromisso perene com a educação, o empenho em torno da cidadania financeira e a formação de poupança. “Somos protagonistas da nossa própria história e para vencer esses desafios é preciso começar pela atitude pessoal de cada brasileiro”, incentiva Hilgo. f


tecnologia

RUMO Foto: Depositphotos

CERTO POUPABRASIL CONQUISTA RECONHECIMENTO, TANTO DOS INVESTIDORES COMO DE IMPORTANTE CANAL DE TECNOLOGIA DIGITAL

O

PoupaBrasil Investimentos, que zadas por meio do buscador de investimentem a ACREFI como seu associado tos, com 41 milhões de registros em 2018, fundador institucional, começou contra 20 milhões no ano anterior. Como o 2019 com dois importanvolume de buscas foi maior entíssimos reconhecimentos tre os dois períodos levados em do mercado financeiro. O conta pelo estudo, as variações Yubb, site especializado percentuais de ascensão ou de em busca de investimentos declínio foram calculadas de forpara pessoas físicas, coloma relativa para não prejudicar o cou a plataforma on-line equilíbrio estatístico. PoupaBrasil em primeiro luOutra boa notícia veio do gar no ranking das fintechs, Gizmodo, um dos blogs de tecpor sua alta performance e nologia mais acessados do munCláudio Ferro, rentabilidade em aplicações do, que avaliou o PoupaBrasil CEO do PoupaBrasil de renda fixa, como LCs e como um dos melhores aplicaRDBs. “Quando os próprios tivos para quem quer começar a clientes reconhecem o valor da nossa pro- investir. Segundo o blog, o serviço on-line posta, isso resulta em maior confiabilidade” reúne diversas instituições financeiras e agiavalia Cláudio Ferro, CEO do PoupaBrasil. liza o processo de investimento. “É possível “Esse é um indicador de que estamos no ca- acompanhar os investimentos em tempo minho certo. Ou seja, os nossos investidores real, baixar comprovantes das aplicações e estão recebendo um serviço de qualidade e ainda gerar demonstrativo de IR”, destaca vivenciando uma boa experiência dentro da o post do Gizmodo. Essas duas boas novinossa plataforma”, acrescenta o executivo. dades revelam que o PoupaBrasil continua O estudo do Yubb, divulgado pela revista no caminho certo, atraindo clientes e ofeExame, levou em conta as pesquisas reali- recendo o melhor da tecnologia digital. f

janeiro - fevereiro 2019 I FINANCEIRO 23


painelb3

Financiamentos de autos leves novos crescem 13,4% em 2018 Financiamentos de autos leves usados, que haviam sido destaque em 2017, têm ritmo menor e sobem 3,7% no ano passado

E

m 2018, as vendas financiadas de veículos somaram 5,5 milhões de unidades, entre novas e usadas, incluindo autos leves, motos e pesados. Esse número representa um aumento de 7,5% em relação ao ano anterior e engloba veículos novos e usados em todo o País. Desse total, 2 milhões representam veículos novos – 13,9% a mais do que em 2017 – e 3,4 milhões, de usados, alta de 3,9% sobre o ano anterior. Os números de 2018 apontam uma inversão no comportamento dos financiamentos em 2017, quando os veículos usados lideraram

1

a alta. Em 2017, os financiamentos de veículos novos apresentaram crescimento de 3,5% em relação a 2016. Já os financiamentos de usados cresceram 13,4%, no mesmo período. Com o resultado, 2018 registra o segundo ano consecutivo em que o mercado de crédito de veículos tem crescimento anual. Os números são da B3, que opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG), a maior base privada do País, que reúne o cadastro das restrições financeiras de veículos dados como garantia em operações de crédito em todo o Brasil. f

VOLUME DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS (acumulado 2018)

5.486.375

1.801.357

3.304.370

acumulado 2017

unidades Novos: 2.052.605

5.105.727 unidades

VARIAÇÕES

Usados: 3.433.770

Novos + usados 2018 x 2017 = 7,5 %

Novos 2018 x 2017 = 13,9 %

Usados 2018 x 2017 = 3,9 %

Entre os automóveis leves, as vendas a crédito de zero quilômetro atingiram 1,29 milhão no ano passado, alta de 13,4% sobre 2017; já as vendas de leves usados registraram crescimento de 3,7% na mesma base de comparação e somaram 3,15 milhões.

2

VOLUME DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS POR CATEGORIA (ACUMULADO 2018) Novos

Usados

MOTOS

AUTOS LEVES

2018 acumulado 1.291.228

3.149.789

2018 acumulado 653.448 145.102

PESADOS

2018 acumulado 99.917

129.546

Novos + usados ­­— 4.441.017

Novos + usados ­­— 798.550

Novos + usados ­­— 229.463

2017 acumulado

2017 acumulado

2017 acumulado

1.138.153 3.037.226 Novos + usados — 4.175.379

593.733 138.763 Novos + usados — 732.496

VARIAÇÕES

VARIAÇÕES

63.853

118.614

Novos + usados — 182.467

VARIAÇÕES

Novos 2018 x 2017 = 13,4%

Novos 2018 x 2017 = 10,1%

Novos 2018 x 2017 = 56,5%

Usados 2018 x 2017 = 3,7%

Usados 2018 x 2017 = 4,6%

Usados 2018 x 2017 = 9,2%

Novos + Usados 2018 x 2017 = 6,4%

Novos + Usados 2018 x 2017 = 9,0%

Novos + Usados 2018 x 2017 = 25,8%

24 FINANCEIRO I janeiro - fevereiro 2019


3

VOLUME DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS EM DEZEMBRO/18

470.940 unidades

484.044 unidades

489.543 unidades

VARIAÇÕES Novos + usados Dez/18 x Dez/17 = 4,0% Dez/18 x Nov/18 = 1,1%

300.003

184.230

179.597

170.937

dez/17

Novos Dez/18 x Dez/17 = 7,8 % Dez/18 x Nov/17 = 2,6 %

305.313

304.447

Usados Dez/18 x Dez/17 = 1,8% Dez/18 x Nov/17 = 0,3%

dez/18

nov/18

A quantidade de veículos financiados – incluindo novos e usados leves, motos e pesados – em dezembro de 2018 foi de 489.543 mil unidades, apontando um crescimento de 4,0% em comparação com dezembro de 2017. Em dezembro de 2018, foram comercializados 398,9 mil autos leves, sendo 118,5 mil novos (alta de 6,3% sobre dezembro do ano anterior) e 280,4 mil autos usados (1,5% superior).

4

VOLUME DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS POR CATEGORIA (DEZEMBRO/18) Novos

2018

Usados

AUTOS LEVES

2018

Dezembro

2018

Dezembro

118.467 280.399

55.078

Dezembro

10.234

13.166

10.902

Novos + usados ­­— 398.866

Novos + usados ­­— 68.244

Novos + usados ­­— 21.136

Novembro

Novembro

Novembro

114.553 279.696

54.407

9.999

12.749

11.224

Novos + usados — 394.249

Novos + usados — 67.156

Novos + usados — 21.223

2017

2017

2017

Dezembro

111.402

Dezembro

276.261

51.642

Novos + usados — 387.663

Dezembro

12.346

7.325

Novos + usados — 63.988

10.317

Novos + usados — 17.642

VARIAÇÕES

VARIAÇÕES

5

PESADOS

MOTOS

VARIAÇÕES

Novos Dez/18 x Dez/17 = 6,3% Dez/18 x Nov/18 = 3,4%

Novos Dez/18 x Dez/17 = 6,7% Dez/18 x Nov/18 = 1,2%

Novos Dez/18 x Dez/17 = 39,7% Dez/18 x Nov/18 = 2,4%

Usados Dez/18 x Dez/17 = 1,5% Dez/18 x Nov/18 = 0,3%

Usados Dez/18 x Dez/17 = 6,6% Dez/18 x Nov/18 = 3,3%

Usados Dez/18 x Dez/17 = 5,7% Dez/18 x Nov/18 = 2,9%

Novos + Usados Dez/18 x Dez/17 = 2,9% Dez/18 x Nov/18 = 1,2%

Novos + Usados Dez/18 x Dez/17 = 6,7% Dez/18 x Nov/18 = 1,6%

Novos + Usados Dez/18 x Dez/17 = 19,8% Dez/18 x Nov/18 = 0,4 %

MODALIDADES DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS (2018)

13,2

0,6 1,0

CDC

Período

CDC

Consórcio

Leasing

Outros

Total

Acumulado 2018

4.674.235

721.601

35.282

55.257

5.486.375

Acumulado 2017

4.265.766

728.066

47.803

64.092

5.105.727

Dezembro 2018

426.338

54.995

3.545

4.665

489.543

Novembro 2018

420.652

56.586

2.421

4.385

484.044

Dezembro 2017

399.123

60.522

6.011

5.284

470.940

*Os dados referem-se a todas as categorias de veículos (autos leves, motos e pesados)

CONSÓRCIO LEASING

85,2

OUTROS

VARIAÇÕES

CDC Consórcio Leasing 2018 X 2017 = 9,6% 2018 X 2017 = -0,9% 2018X 2017 = -26,2% Dez/18 X Nov/18 = 1,4% Dez/18 X Nov/18 = -2,8% Dez/18 X Nov/18 = 46,4% Dez/18 X Dez/17 = 6,8% Dez/18 X Dez/17 = -9,1% Dez/18 X Dez/17 = -41,0%

O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) segue como a principal modalidade de crédito para financiar veículos no Brasil, representando no ano passado 85,2% das operações, um avanço de 9,6% em relação ao ano anterior – 4,7 milhões de unidades foram comercializadas por meio do CDC. As cotas contempladas, mas não quitadas, de consórcio representaram 13,2% das transações.

janeiro - fevereiro 2019 I FINANCEIRO 25


artigo Elaine Keller*

Foto: Divulgação

OS AVANÇOS NA TEMÁTICA DE COMPLIANCE

A

Operação Lava Jato – que teve início em 2014, tornando-se emblemática por ser a maior operação na história do País contra a corrupção e os desvios de dinheiro público, em conjunto com os eventos Copa do Mundo e Olimpíadas, ambos com elevado volume de investimentos em obras públicas –, pressionou a criação de uma legislação que regulasse o mercado dentro das práticas de ética compatíveis com as adotadas internacionalmente. Sem dúvida, houve uma mudança nas relações entre os entes públicos e as empresas privadas com mais rigor no tratamento e na condução dos processos de contratação e comercialização entre eles. O Brasil vem avançando nesses últimos cinco anos nessa temática, com iniciativas do setor público, do setor privado e da sociedade civil. As áreas de compliance das empresas privadas passam a ter um papel preponderante na regulamentação de procedimentos e normas que ganharam grande impulso com a Lei 12.846/13, que também entrou em vigor em 2014. Na esfera pública, não foi diferente. Além da criação de leis aplicadas ao tema, como a já citada Lei Anticorrupção, expedição do Decreto 8.420/15 e a Lei das Estatais (13.303/2016), observa-se um forte movimento na busca por inovação em tecnolo-

gias que viabilizem maior transparência e integração dos processos, segurança dos dados e prevenção a fraudes. Surgem iniciativas, como a do Estado do Rio de Janeiro e a do Distrito Federal, que passaram a obrigar das empresas que queiram contratar com as suas esferas de administração um Programa de Integridade (programa de compliance). Algumas ações ainda precisam ser melhor exploradas. Passada essa fase de amadurecimento e conscientização da coisa pública, precisamos olhar para questões como a criação de uma metodologia única para planejamento estratégico e ordenado de compras, definições realistas de prazos e custos de projetos, proteção para os denunciantes de boa-fé e ampliação do programa de certificação das empresas comprometidas com a ética e a transparência – selo Pró-Ética, da Controladoria Geral da União. Aliado a tudo isso, é fundamental que as empresas privadas estabeleçam parcerias com o setor público, baseadas no diálogo de melhores práticas e apoio na capacitação e transferência contínua de conhecimento e inovação. A democracia não deve ser exercida apenas no voto, mas, sobretudo na participação efetiva de todos em fazer do Estado o principal agente de melhoria da nossa sociedade. f

(*) Elaine Keller é economista e diretora de Relações Governamentais da Wipro Tecnologia. Artigo enviado em 31.1.2019

26 FINANCEIRO I janeiro - fevereiro 2019


A IMPORTÂNCIA DO TREINAMENTO DA EQUIPE DE ATENDIMENTO PARA O MERCADO FINANCEIRO

C

om produtos e serviços cada vez mais parecidos, as empresas têm buscado facilitar a vida dos clientes, empregando processos e tecnologias que tornem as contratações de serviços ou aquisições de produtos menos burocráticas e mais rápidas, para facilitar as decisões de compra com acesso a informação para o cliente, a qualquer momento, na palma da mão. Foi-se o tempo em que bastava um profissional para informar e intermediar uma relação comercial entre o cliente e a instituição financeira a fim de viabilizar as transações, as quais hoje são muitas vezes substituídas por processos automatizados com tecnologia. É importante que os profissionais da área financeira entendam que quanto mais consultivos forem, identificando as necessidades dos clientes, mais certeiros poderão ser nas soluções apresentadas, aumentando a conversão para conquistar bons resultados, já que poderão sugerir uma linha de crédito adequada ao perfil de cada cliente. O que os clientes compram não é apenas um CDC (Crédito Direto ao Consumidor), mas a possibilidade de ter suas necessidades atendidas. Por exemplo, a aquisição de um bem que irá gerar mais conforto para a família ou a compra de uma máquina para melhorar a produtividade de uma empresa,

tornando-a mais competitiva. Entender essa dinâmica no atendimento é essencial para conquistar clientes e torná-los promotores. O treinamento é importante para desenvolver nos profissionais a capacidade de influenciar no processo de tomada de decisão, identificando o momento de vida de uma pessoa física e os desafios das empresas que atendem. Como algumas empresas buscam resultados diferentes para conquistar metas desafiadoras, é essencial ter profissionais focados em melhorar a qualidade da sua atuação, conquistando melhores conversões de vendas. Com maior competividade, as empresas precisam não só ter produtos competitivos, mas também profissionais preparados para buscar e conquistar negócios. Para aplicar um treinamento efetivo, é preciso identificar quais competências e habilidades estão faltando no profissional ou na equipe. Eles estão com dificuldade em prospectar, identificar oportunidades, no fechamento ou no processo de negociação? Identificando os gaps cria-se um plano para preparar os profissionais de vendas desde a prospecção, passando por abordagem, investigação, argumentação, apresentação de uma solução, fechamento e, assim, fazer um pós-venda para conquistar clientes promotores. f

(*) Carlos Cruz é diretor do Instituto Brasileiro de Vendas (IBVendas). Artigo enviado em 18.1.2019 janeiro - fevereiro 2019 I FINANCEIRO 27

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artigo Carlos Cruz*


varejo Foto: Divulgação

O CLIENTE NO CENTRO DAS DECISÕES MAIOR EVENTO DE VAREJO DO MUNDO, A NRF 2019 APONTA A NECESSIDADE DE AS EMPRESAS SE VOLTAREM CADA VEZ MAIS PARA OS CONSUMIDORES

T

rês temas têm mobilizado as atenções da ACREFI: inovação, crédito e consumidor. Esses assuntos permearam os debates entre os dias 13 e 15 de janeiro, durante a Retail’s Big Show 2019, maior conferência e exposição de varejo do mundo, mais conhecida apenas como NRF. O evento reuniu em Nova York (Estados Unidos) cerca de 40 mil participantes, de 99 países, e mais de 700 empresas, que tiveram a chance de apresentar produtos e soluções para melhorar a experiência de compra dos consumidores. Ao participar da NRF 2019, Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, teve a oportunidade de falar para integrantes da delegação da BTR e da Varese Retail, no Harvard Club, sobre os pontos de atenção da associação e das previsões da entidade para o Brasil este ano: crescimento do PIB entre 2% e 3% ― dependendo, é claro, da plena aprovação da Reforma da Previdência e também do Cadastro Positivo ―, inflação de 4,0% e taxa Selic em 6,5%. Ele destacou que a entidade estima também um crescimento nominal para 2019 de 12% a 15% nos recursos livres para pessoa física “Isso vai impactar todo o mercado e em especial os negócios do varejo. Mais importante que os números é identificar que a retomada do crédito está aconte28 FINANCEIRO I janeiro - fevereiro 2019

cendo de maneira progressiva e eficiente”, afirmou o presidente da ACREFI. Para o consultor Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail, boutique de estratégia de varejo, a NRF 2019 foi um evento bastante rico, que revelou diversos insights e percepções sobre o varejo no mundo e que deve gerar impacto na realidade brasileira. Ele destacou a necessidade de as empresas se voltarem ainda mais para os consumidores, visando melhorar sua jornada de compra, tratar seus dados de maneira eficiente e mudar processos internos para que todas as decisões favoreçam os clientes. “Desde definição de localização de loja, passando por sortimento, precificação, comunicação e relacionamento. Tudo isso reporta à tecnologia um papel estratégico para viabilizar essas mudanças por meio da estrutura mais ágeis e flexíveis”, explicou Serrentino. O consultor destacou também que a loja física continua a ser um elemento estratégico do varejo, só que agora com um papel ampliado: um ponto de conquista do cliente, de captura de dados, de logística e distribuição, de serviço pós-venda e de relacionamento. “As empresas que estão transformando as suas lojas em unidades integradas de operação estão se direcionando para as necessidades dos novos tempos”, resumiu o fundador da Varese Retail. f


palavrafinal Nicola Tingas*

SEU RITMO DEPENDE DO SUCESSO DO GOVERNO

O

crescimento econômico em 2018 foi fraco, entre 1% a 1,4%. Contudo, marcou o fim da recessão. Mesmo que em ritmo menor que o desejado, a economia está em trajetória de recuperação cíclica: inflação baixa, juros menores em relação ao padrão histórico, início de geração de emprego com carteira assinada, expectativa positiva com as reformas e ações do novo governo. Esse contexto ampliou a confiança dos agentes econômicos domésticos (empresários e consumidores), impulsionando o ciclo econômico de consumo e produção. Nesse contexto, para 2019 há expectativa de maior crescimento do PIB (entre 2,0%

e 3,0%). Contudo, apesar do otimismo, há cautela sobre a capacidade de o governo aprovar de maneira "suficiente" a reforma da Previdência no Congresso Nacional e do sucesso da "agenda liberal" do ministro Paulo Guedes. Portanto, o ritmo de crescimento do crédito, dado seu caráter pró-cíclico, está ligado ao desempenho do Governo e por consequência ao ritmo de crescimento do PIB. O Crédito Total no SFN (que é composto por Crédito Livre e Crédito Direcionado tanto de pessoa física como de pessoa jurídica) tem acompanhado o nascente impulso de expansão na economia. O Crédito Total no SFN (nominal) cresceu 5,5% em 2018 após dois anos de contração (2017: -0,5% e 2016: -3,5%). Para 2019, caso o governo seja bem-sucedido, estimamos crescimento de 10% do Crédito Total SFN. O Cré dito Livre Pessoa Física cresceu 11,3 % em 2018, bem acima dos 5,2% em 2017. Para 2019, estimamos que o Crédito Livre Pessoa Física terá crescimento de 15%. Portanto, havendo a reversão do quadro fiscal e melhora na atração de investimentos, o crédito terá papel importante no impulso da recuperação econômica. f

(*) Nicola Tingas é consultor econômico da ACREFI. Artigo enviado em 11.2.2019 janeiro - fevereiro 2019 I FINANCEIRO 29

Foto: Divulgação

O CRÉDITO ESTÁ CRESCENDO.


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Financeiro 113 - Janeiro/Fevereiro 2019  

A revista do crédito

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