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EDIÇÃO

112

NOVEMBRO - DEZEMBRO

BRASIL EMBALADO PELA RETOMADA DA CONFIANÇA 13º SIAC MOSTRA QUE CLIMA DE OTIMISMO ENTRE OS BRASILEIROS DEVE SER REFORÇADO PELAS REFORMAS ESTRUTURAIS DA ECONOMIA

Valkiria Garré

Marcos Troyjo

Hilgo Gonçalves

Marcos Lisboa

Demétrio Magnoli

Deltan Dallagnol


novembro--outubro dezembro 2018 2018 2 FINANCEIRO I setembro


editorial

A retomada da CONFIANÇA

C

hegamos ao fim de 2018 em um cenário que autoriza o otimismo, desde que com os pés no chão. Vivemos no Brasil um clima de expectativa, principalmente em relação ao novo governo e ao novo Congresso eleitos em outubro, mas ao mesmo tempo temos a nosso favor a retomada da confiança, depois de um longo período de incertezas. Essa volta da confiança, tão necessária para que o Brasil retome o caminho do desenvolvimento sustentável, está estampada nos indicadores que fazem essa aferição e principalmente foi o destaque da Pesquisa ACREFI / Kantar TNS (páginas 22 a 24). O levantamento foi realizado logo depois do segundo turno das eleições presidenciais e mostrou que nada menos de 60% dos brasileiros estão otimistas com o futuro. Foi a primeira vez, desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 2015, que o otimismo deu esse salto. Os dados da pesquisa foram apresentados durante o 13º SIAC – Seminário Internacional ACREFI, em novembro, evento que foi mais uma vez um grande sucesso, conforme comprova a avaliação dos participantes. Com o lema “Brasil, um passo à frente...”, o Siac contou mais uma vez com um time de competentes palestrantes (páginas 10 a 21), que levou aos presentes análises e visões acuradas sobre o cenário político e econômico. Dessa maneira, contribuiu para o fortalecimento de um dos pilares da ACREFI, que é compartilhar conhecimento. O clima otimista ajuda a reforçar também as previsões da ACREFI para a economia em 2019. Nossa estimativa é de que o PIB feche este ano com crescimento de 1,4%, depois de ter subido 1% em 2017. Pode parecer pouco, mas é uma elevação de 40%. E para o próximo ano o salto deve ser ainda maior, com crescimento entre 2,5% e 3%. Entendemos que o contínuo foco na responsabilidade fiscal, com a busca constante da eficiência das contas públicas e a aprovação das importantes reformas que estão em avaliação, entre elas a da Previdência, contribuirão para a retomada da confiança de todos os segmentos e, logo, na geração de mais emprego, renda,

investimento e poupança no País. No âmbito das instituições financeiras, as perspectivas também são muito boas. O Crédito com Recursos Livres para Pessoa Física acumulou alta de 7,7% até outubro. Estimamos que feche este ano com variação anual positiva entre 8% e 10% contra 5,2% em 2017. Para o próximo ano projetamos que a elevação seja entre 10% e 12%. O crescimento do crédito tem se mostrado saudável nos últimos anos com estabilidade na inadimplência, fruto do uso cada mais consciente do crédito. No entanto, precisaremos nos Hilgo Gonçalves manter vigilantes para que o maior Presidente da ACREFI volume de crédito continue nesta trajetória num momento de maior crescimento e para isso torna-se muito importante o contínuo engajamento no programa de cidadania financeira do BC, que nós da ACREFI apoiamos e está entre os nossos pilares estratégicos. Acreditamos também que a aprovação do Cadastro Positivo, que está na pauta da Câmara dos Deputados a ser votado a qualquer momento e ser incluído na Agenda BC+ do Banco Central, irá aumentar consideravelmente a oferta de crédito com maior qualidade, redução da inadimplência e taxas de juros, incluindo muitos cidadãos e pequenos empresários. Para ficar num exemplo, no Chile, onde o Cadastro Positivo foi adotado há anos, o volume de crédito equivale a 100% do PIB enquanto no Brasil a fatia é de 46% – índice que mostra o grande potencial de crescimento nessa área no nosso país. Temos, enfim, muitas razões que justificam uma visão mais otimista para o Brasil em 2019, e também sobre a retomada da confiança. Porém, precisamos manter os pés no chão e ficar atentos para o legado das lições vividas dos últimos anos, assumindo o papel de protagonistas em cada área de atuação. Com isso, construiremos um país cada vez melhor para nós e para as gerações futuras. Boas Festas e um Próspero Ano Novo para todos. f novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO

3


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sumário

13 EDIÇÃO # 112

03 10

EDITORIAL

13º SIAC • HILGO GONÇALVES • MARCOS TROYJO • MARCOS LISBOA • DELTAN DALLAGNOL • DEMÉTRIO MAGNOLI • PESQUISA ACREFI/TNS • SIAC NA MÍDIA

13 Christiane Pelajo Mediadora do 13º SIAC

26

FÓRUM DE CIDADANIA FINANCEIRA

29

CURSO ACREFI/FUTURE LAW Lei de Proteção de Dados

44

PAINEL B3

31

SEMINÁRIO ACREFI/SERASA Lei de Proteção de Dados

46

ESPAÇO DO BEM • Movimento Brasil Digital • Instituto Apontar

34

PARCEIRA ACREFI/CIEE

50

PALAVRA FINAL ARTIGO DE NICOLA TINGAS Consultor Econômico da ACREFI

35

PRÊMIO B3 DE JORNALISMO

6 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018

36

ROAD SHOW

• BELO HORIZONTE • SÃO PAULO • FLORIANÓPOLIS


nossasassociadas • AGORACRED S.A. SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• CARUANA S.A. SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• AVISTA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

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• BANCO A.J. RENNER S.A.

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• BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A. • BANCO CBSS S.A. • BANCO CETELEM S.A. • BANCO CNH INDUSTRIAL CAPITAL S.A. • BANCO COOPERATIVO DO BRASIL S.A. BANCOOB • BANCO CSF S.A. • BANCO DAYCOVAL S.A. • BANCO DO BRASIL S.A. • BANCO FIDIS S.A. • BANCO GMAC S.A. • BANCO HONDA S.A. • BANCO INTER S.A. • BANCO ITAUCARD S.A.

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• UNICRED DO BRASIL – CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS CENTRAIS UNICREDS

• CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

• VIA CERTA FINANCIADORA

novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO

7


expediente

ISSN 1809-8843

Publicação da acrefi - Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Líbero Badaró, 425 - 28°andar São Paulo, SP Tel: (11) 3107.7177 www.acrefi.org.br Diretoria Biênio 2018 / 2020 Presidente Hilgo Gonçalves Vice-presidentes André de Carvalho Novaes Celso Luiz Rocha João Vitor Nazareth Menin Teixeira de Souza Leandro José Diniz Luis Eduardo da Costa Carvalho Rodnei Bernardino Wanderley Vettore Diretor Tesoureiro João dos Santos Caritá Jr. Diretores regionais Edson Tadashi Ueda Elias de Souza Giorgio Rodrigo Donini Leonardo Lima Bortolini Marcos Teixeira da Rosa Nelson Dias de Aguiar Thiago Rodrigues Urbaneja Conselho Deliberativo Álvaro Augusto Vidigal Érico Sodré Quirino Ferreira Hilgo Gonçalves José de Menezes Berenguer Neto Luiz Francisco M. de Barros Roberto Willians Silva Azevedo Rubens Bution Conselho fiscal (Efetivos) Domingos Spina José Tadeu da Silva Ricardo Albuquerque

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8 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018

Suplentes Alexandre Teixeira José Garcia Neto Ricardo Kaoru Administração/Assessorias Diretor Superintendente Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Controller Carlos Alberto Marcondes Machado Consultor Econômico Nicola Tingas Consultora Jurídica Cintia M. Ramos Falcão Consultor de Regulação e Compliance Sergio Odilon dos Anjos Auditoria Megacont Auditoria e Assessoria Contábil Contabilidade Conaupro Consultoria e Contabilidade Ltda. Assessoria de imprensa

Publisher Sergio Tamer Editores Theo Carnier Gilberto de Almeida Editor assistente Gustavo Girotto Arte Mariela Tiradentes Revisor Vicente dos Anjos

* As matérias e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.


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novembro setembro - dezembro - outubro 2018 I FINANCEIRO

9


BRASIL PREPARADO PARA OS NOVOS TEMPOS

10 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018


13oSIAC

O

Brasil vive um momento de muita expectativa e otimismo. Esse clima positivo, entremeado com uma perspectiva próspera, prevaleceu entre os palestrantes e os mais de 620 convidados que participaram da 13ª edição do SIAC, tradicional evento anual promovido pela ACREFI. O tema “Brasil, um passo à frente...” foi abordado, tanto do ponto de vista econômico como político, por nomes que são referências no mercado financeiro e na mídia. Com total liberdade, Marcos Troyjo, diretor-executivo do BRICLab da Universidade Columbia e futuro secretário especial de Comércio Exterior do governo Bolsonaro; Marcos Lisboa, presidente do Insper; Demétrio Magnoli, sociólogo

e comentarista da GloboNews, Deltan Dallagnol, procurador da República e um dos protagonistas da Operação Lava Jato; e Valkiria Garré, CEO da Kantar TNS Brasil, apresentaram um olhar diferenciado sobre o Brasil em 2019. Anfitrião do evento, Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, ressaltou no seu discurso de abertura a enorme responsabilidade que temos com as novas gerações de brasileiros. Enfatizou a necessidade de assumirmos compromissos que levem o Brasil a dar um passo à frente. Lembrou também que os desafios econômico/políticos devem ser interpretados de forma positiva para idealizarmos soluções para o futuro. A seguir, leia um resumo das palestras realizadas no 13º SIAC.

Fotos: Paulo Guimarães

novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO

11


HILGO

GONÇALVES 12 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018


13oSIAC

Só teremos uma nação bem preparada para os novos tempos se tivermos cidadãos bem informados para tomar decisões mais conscientes

O

Brasil não pode descuidar da sua importante tarefa de se tornar um país melhor para as próximas gerações. Ao fazer a abertura do 13º SIAC, Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, chamou a atenção dos convidados para essa enorme responsabilidade com o futuro dos jovens brasileiros. “O legado das lições dos últimos anos nos desafia a agir como protagonistas em cada área de atuação, isso permitirá que o Brasil dê um passo a frente para as futuras gerações. Não vamos terceirizar aquilo que depende apenas de nós mesmos. Bata no peito e diga, sem medo: é comigo mesmo”, sugeriu Hilgo. Mais adiante, o presidente da ACREFI lembrou que os últimos três anos de desafios econômico/políticos devem ser interpretados de forma positiva, pois foram úteis para pensarmos e idealizarmos soluções para o futuro. “Devemos ser otimistas e sempre olhar a realidade pela metade cheia do copo. O Brasil é um país com diversos diferenciais positivos. Temos uma generosa extensão territorial, uma população trabalhadora, não sofremos com grandes catástrofes naturais, dispomos de um mercado de capitais bem estruturado e

um sistema financeiro nacional sólido”, enumerou ele. São características que credenciam o Brasil a enfrentar, em breve, outros desafios em nome da sustentabilidade do país. “Precisamos ter retidão com a responsabilidade fiscal, com as reformas da Previdência e Tributária, com a expansão do emprego e da renda, com a formação e a cultura da poupança e com o crescimento sustentável do crédito, tendo o Cadastro Positivo como um grande aliado para isso. Além disso, a ACREFI defende e tem a educação como um dos pilares da sua administração. Só teremos uma nação bem preparada para os novos tempos se tivermos cidadãos bem informados para tomar decisões mais conscientes.” Ao final do SIAC, após as apresentações dos convidados, Hilgo Gonçalves anunciou, como parte dos compromissos sociais da atual administração, a criação do Núcleo de Voluntários da ACREFI. Sua primeira missão, entre outras, será atender às demandas da parceria firmada entre a ACREFI e o CIEE, de levar conhecimento sobre cidadania financeira aos jovens. “Esse é apenas um exemplo de como podemos fazer mais pelas futuras gerações.” f novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 13


MARCOS TROYJO

14 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018


13oSIAC

A

ntes de ser indicado futuro secretário especial de Comércio Exterior do governo Jair Bolsonaro, Marcos Troyjo, diretor-executivo do BRICLab da Universidade Columbia, apresentou ao público do SIAC a necessidade de o Brasil se reinventar e intensificar o seu movimento de integração e de globalização. “Por que alguns países dão um passo à frente e outros não? Entre os que deram um passo à frente estão aqueles que souberam se reinventar, como a Alemanha, o Japão, a Espanha, a China e o nosso vizinho Chile. Por enquanto, o Brasil não está indo bem nessa corrida mundial, assim como a Argentina”, comparou Troyjo. Para darmos um passo à frente entre as economias emergentes é preciso estabelecer estratégias e implementar algumas adaptações, sair do atual ecossistema e nos tornar mais evidentes perante os outros países. “Nós sabemos quem somos, conhecemos as nossas fortalezas, temos condições de evoluir na conjuntura externa, na globalização. Podemos tomar como exemplo o Japão, que capitaneou a mudança do eixo econômico do Atlântico para o Pacífico, e foi o país que mais cresceu no século 20”, lembrou o diretor do BRICLab da Universidade Columbia. Outro ponto importante nessa nova proposta para um Brasil mais globalizado é a sua capacidade de inovar. “Estamos vivendo a era da reinvenção corporativa. A gigante IBM, por exemplo, foi capaz de sair do mundo das máquinas para ingressar no mundo do software, do big data, da computação em nuvem.

Nós sabemos quem somos, conhecemos as nossas fortalezas, temos condições de evoluir na conjuntura externa

A Kodak, por outro lado, estagnou e desapareceu”, advertiu o futuro secretário de Comércio Exterior do governo Bolsonaro. Na tentativa de se readaptar a essa nova realidade econômica, o Brasil já fez alguns movimentos importantes, principalmente na área do mercado financeiro. Mas faltou dar alguns passos essenciais, como as reformas fiscal e da previdência. “Isso significa que estamos nos locomovendo em uma velocidade mais baixa, em uma estrada sinuosa”, acrescentou ele. “No entanto, o Brasil tem potencial para buscar o seu espaço na globalização. Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, temos que buscar também mais trabalho, mais estudo e mais empregos para enfrentar as novas demandas globais”, concluiu Troyjo. f novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 15


MARCOS LISBOA

16 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018


13oSIAC

C

onhecido por seus duros e realistas diagnósticos sobre o cenário econômico, Marcos Lisboa, presidente do Insper, ao falar a respeito dos desafios do próximo governo, alertou ao público do 13º SIAC que não basta o Congresso aprovar uma Reforma da Previdência qualquer. Ela precisa ir muito além do razoável. Isso por que a situação da evolução dos gastos públicos é muito grave. Segundo Lisboa, um levantamento realizado entre 2001 e 2014, por exemplo, apontou um aumento de despesas de 9% do PIB. “Esse crescimento foi com pessoal, custeio e principalmente com previdência. O Brasil gasta 13% do PIB com a previdência, enquanto o Japão, com uma população bem mais velha, não ultrapassa os 11%”, comparou Lisboa. “Em pouco tempo, a taxa de comprometimento do PIB com a previdência aqui vai bater a casa dos 25%. Portanto, precisamos estabelecer uma idade mínima de aposentadoria compatível a uma nova realidade e acabar com aposentadorias equivalentes ao salário integral”, alertou o economista.

Outro ponto a ser enfrentado pelo novo governo é a falta da produtividade, provocada, basicamente, por instituições ineficientes e por uma política pública que dificulta o ciclo de abertura e fechamento das empresas. “As regras do jogo devem garantir o alinhamento entre interesses privados e eficiência social, visando ao maior crescimento da produtividade e da renda do País”, defende o presidente do Insper. Esse descompasso, lembrou Lisboa, levou a rede francesa Fenac a entregar sua operação brasileira à Livraria Cultura, assim como levou o Walmart a negociar 80% do seu capital no Brasil com o Bompreço. Para Marcos Lisboa, se o País quiser retomar a rota do crescimento sustentável, deverá cumprir uma agenda de compromissos econômicos. Ela passa pela simplificação e pela previsibilidade das regras tributárias, além de estímulo à competitividade, redução das distorções setoriais, a expansão da abertura comercial, maior apoio ao mercado de crédito e de capital, investimento em infraestrutura e ainda um comprometimento com a reforma do Estado. f

As regras do jogo devem garantir o alinhamento entre interesses privados e eficiência social novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 17


DELTAN

DALLAGNOL 18 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018


13oSIAC

A

o abordar no 13º SIAC a ética e a integridade no universo dos negócios, o procurador da República Deltan Dallagnol falou que o desenvolvimento econômico do País passa pela confiança do consumidor e das empresas. “A confiança é o adubo dos negócios. Os países com menores índices de corrupção têm, proporcionalmente, maior pontuação no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Só se tem um país melhor com ética e confiança”, afirmou Dallagnol, um dos protagonistas da Operação Lava Jato. Para se dar um passo à frente, as empresas devem promover e estimular a integridade. A ética do setor público e privado é uma das regras fundamentais para a internacionalização dos negócios. Dallagnol lembra que devemos estar atentos às maçãs podres. “As coisas erradas são realizadas por pessoas boas que muitas vezes sofrem pressões de superiores” apontou o procurador da República. Em busca dos resultados, muitas empresas ultrapassam os limites da ética, extrapolam as regras do mercado. De acordo com Dallagnol, antes da Lava Janto, era assim que a roda girava, com mais espaço para a sonegação de impostos, ignoravam os padrões éticos, a sociedade era levada a ignorar comportamentos imorais. “O cérebro se acostuma com o comportamento antiético. Os pequenos deslizes abrem

A confiança é o adubo dos negócios espaço para delitos maiores. O ladrão rouba o ladrão e maximiza a propina. Portanto, o compliance dentro e fora das empresas passa por uma melhor compreensão das reflexões éticas.” Mas, Dallagnol não ficou apenas nas ponderações conceituais da ética e abriu espaço para defender também a decisão do juiz Sérgio Moro em assumir o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro. “A escolha do Moro é uma causa bem maior do que a Lava Jato. É um ganho para a causa do combate à corrupção”, afirmou. Para o procurador da República, ao aceitar o desafio de conduzir o Ministério da Justiça, Moro pode gerar mudanças no combate à corrupção. “Em Curitiba, ele estava lutando contras as engrenagens e agora vai estar lá para mudar as engrenagens”, destacou Dallagnol reconheceu, porém, que “vão existir forças poderosas contrárias a esses avanços e reformas estruturais” a serem enfrentados por Moro. “A Lava Jato é um passo na direção certa, mas é insuficiente. Não basta tirar as maçãs podres do cesto, temos de mudar as condições para evitar que as maçãs apodreçam”, finalizou. f

novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 19


DEMÉTRIO MAGNOLI 20 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018


13oSIAC

A crisálida e a borboleta coexistem e dialogam a sós

E

scolhido para falar no 13º SIAC sobre a perspectiva política e social do Brasil em 2019, o sociólogo Demétrio Magnoli mostrou aos convidados do evento dois enfoques do perfil do futuro Presidente Jair Bolsonaro. “O capitão evoluiu como parlamentar de convicções nacional-estatistas e converteu-se ao manual econômico ultraliberal do seu futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes”, explica Magnoli. “Os dois Bolsonaros divergem e convergem, esboçam planos de contingência. Da crisálida surge a borboleta. A evolução e a transformação levam a crisálida e a borboleta a coexistirem e a dialogarem a sós. Desses diálogos, vazam indícios indiretos, colunas de fumaça”, ilustra ele. Se esse convívio não der certo, aparecem algumas interrogações. Até onde o governo vai com as suas reformas? Como fica a proposta de privatização das estatais? Quem vai aparar as arestas dos excessos? São questões que, por enquanto, estão nas mãos de Paulo Guedes. Mas ninguém garante sua permanência diante da personalidade contraditória de Bolsonaro.

Magnoli lembra que o Brasil, pela segunda vez, elege um candidato sem estrutura político-partidária que sustente o governo. “O governo Bolsonaro é formado por um agrupamento que gira em torno do PSL. O baixo clero do Congresso chegou ao poder, apoiado pelos militares, pelas igrejas e por simpatizantes do MBL (Movimento Brasil Livre). Não existe uma estrutura de governo”, reforça o sociólogo. Diante desse quadro, outras perguntas surgem: como a maioria parlamentar será mantida? Como se comportará frente à Reforma da Previdência? Como fica a relação do governo Bolsonaro com o Congresso? “Os desafios são enormes. A presença de Sérgio Moro no Ministério da Justiça, cercado de grande apoio popular, gera também grande expectativa. Ele atuará contra os próprios governantes? Ele jogará a sua biografia em nome do governo?”, questiona o palestrante do SIAC. Para Magnoli, a qualidade das decisões do Congresso depende da capacidade de realização do governo Bolsonaro, do processo de reorganização do País. “Portanto, as possibilidades estão abertas”, conclui o convidado. f

novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 21


pesquisa

Otimismo cresce e atinge 60% dos brasileiros

P

esquisa ACREFI / Kantar TNS mostra também que as prioridades do próximo governo devem ficar concentradas em segurança, oferta de emprego, saúde e crescimento da economia Como já se tornou tradição no SIAC, a ACREFI e a Kantar TNS apresentam uma edição atualizada da pesquisa Perspectivas 2018: Expectativa dos Brasileiros com o Cenário Político e Social. Alguns dias após as eleições, o estudo detectou que o otimismo dos brasileiros cresceu e já atinge a maioria da população (60%) pela primeira vez desde 2015. O sentimento positivo em relação ao futuro mostra ainda que 66% dos entrevistados acreditam no crescimento do País e 52% esperam redução da taxa de juros. A percepção de melhora das famílias impulsiona 51% dos pesquisados a responder que a oferta de crédito será maior, enquanto 54% estimam que o consumo também cresça. Para Valkiria Garré, CEO da Kantar TNS Brasil, os resultados da pesquisa demonstram um claro otimismo dos brasileiros, acompanhado de uma boa dose de confiança. “São dois fatores que ajudam 22 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018

na retomada do País, gerando investimentos consistentes e maior oferta em relação a novos empregos”, identificou, ela. Quando questionados sobre qual deve ser a principal prioridade do próximo Presidente, o tema segurança ficou em primeiro lugar com 17% das indicações; seguido de oferta de emprego, saúde e crescimento da economia com 16% cada um; educação 12%; e reforma política 8%. A reforma da previdência foi lembrada por apenas 4% dos ouvidos. Em relação à expectativa para 2019, 73% disseram que pretendem economizar mais, diante de 81% que se manifestaram dessa forma na pesquisa anterior. Entre os que não pretendem alterar seus gastos, o estudo atual aponta 18%, contra 15% no levantamento de 2017. A maior evolução se deu no segmento que pretende gastar mais, que pulou de 4% para 9%. O levantamento foi feito entre os dias 29 de outubro e 5 de novembro. O estudo ouviu 1.000 pessoas em todas as regiões do Brasil, sendo 60% mulheres e 40% homens.


Para ver a pesquisa na íntegra, acesse o site: www.acrefi.com.br

Qual das seguintes palavras descreve melhor o seu sentimento m relação ao futuro?

QUAL DAS SEGUINTES MELHOR O SEU eSENTIMENTO as o futuro, com a eleição do novo presidente, PALAVRAS o otimismo dosDESCREVE brasileiros cresce consideravelmente,

inge a maioria da população primeira vez desde 2015. EM RELAÇÃO AOpela FUTURO? Com a eleição do novo Presidente, o otimismo dos brasileiros cresce consideravelmente, e atinge a maioria da população pela primeira vez desde 2015

Otimismo

17

17

5

5

23

31

Resignação

6

8 66

Preocupação

29

69

63

56

6

60

60

5 30

Pessimismo 12 9 novo presidente? 8 Qual deve ser a prioridade do 5 2015

2016 (março e 2016 (outubro) 2017 Entre os tópicos que julgam como prioritários para o novo presidente, Segurança e junho)

5

5

2018 (abril)

2018 (outubro)

Oferta de Emprego se destacam em relação aos últimos resultados

Crescimento signif icativ o frente a abril de 2018

Queda signif icativa f rente a abril de 2018

QUAL DEVE SER A PRIORIDADE DO NOVO PRESIDENTE?

Entre os tópicos que julgam como prioritários para o novo Presidente, segurança e oferta de emprego se destacam em relação aos últimos resultados 17

16

16

16 12 8

Segurança

Saúde

Crescimento da economia

Oferta de emprego

Educação

Reforma política

4

4

4

Combate a inflação

Reforma tributária

Reforma da previdência

2

1

Redução da Investimentos taxa de juros em infraestrutura

1 Moradia

2018 (outubro)

COMO VOCÊ AVALIA A SITUAÇÃO DO BRASIL HOJE? Hoje ainda prevalece um cenário de pessimismo Ótima

1 5 23

1 2 15

1 3 25

1 2 18

1 3

2 2

24

25

Boa

Ruim+ Péssima:

40

Regular

39

40

38

38

38

34

33

2017

2018 (abril)

2018 (outubro)

44

71%

Ruim Péssima

33

2015

43 27 2016 (março e junho)

2016 (outubro)

23


pesquisa VOCÊ ACHA QUE O DESEMPREGO VAI AUMENTAR NOS PRÓXIMOS MESES? Quase 70% da população acredita que o mercado de trabalho irá melhorar nos próximos meses 16

Não

19

32

32

40 69

84

Sim

81

68

68

60 31

2016 (março e junho)

2015

2016 (outubro)

2018 (abril)

2017

2018 (outubro)

PENSANDO NA SITUAÇÃO DO BRASIL COMO AVALIA ... O reflexo é positivo em praticamente todos os indicadores Oferta de crédito para população Vai melhorar Igual

11 11

14 14

24 24

21 21

22 22

Consumo das famílias 1111

24 24

1818

51 51

27 27

1313

54 54 3030

2929

42 42

4040

Piorar 65 65

7171

30 30

60 60

47 47

44 44

6767

28 28 4949

4545

34 34

3333

19 19

2015

2016 (março e junho)

2016 (outubro)

2017

2018 (abril)

2727

2020

32 32

34 34

2121

2626

18 18

2018 (outubro)

2015

2016 (março e junho)

2016 (outubro)

2017

2018 (abril)

2018 (outubro)

SE SENTE PROPENSO A FAZER UM FINANCIAMENTO EM 2019?

A propensão a realizar financiamentos cresce ainda mais, atingindo o melhor patamar da série histórica

Não

57 81

83

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83

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17

17

Sim

2015

24

2016 (março e junho)

2016 (outubro)

2017

72

28 2018 (abril)

43

2018 (outubro)


NA MÍDIA Em 2018, o evento internacional realizado pela ACREFI movimentou a mídia com 121 inserções espontâneas (jornais, revistas, agências de notícias, colunas, portais / sites, TVs e rádios), espaço que representa um retorno de mais de R$ 1,8 milhão. A cobertura presencial atraiu a atenção de 33 jornalistas credenciados, de 27 veículos.

Coordenador da Lava Jato afirma que Moro fará falta na operação novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 25


cidadaniafinanceira

POR UM BRASIL MAIS CONSCIENTE IV FÓRUM DE CIDADANIA FINANCEIRA, EVENTO REALIZADO PELO BC E PELO SEBRAE, COM APOIO DA ACREFI, DESTACOU A MOBILIZAÇÃO DO MERCADO EM TORNO DE UMA RELAÇÃO MAIS RESPONSÁVEL DO BRASILEIRO COM O DINHEIRO

C

Ilan Goldfajn

idadania financeira faz-se com inclusão, educação, proteção e participação. Esses quatro pilares sustentaram as palestras e os debates do IV Fórum de Cidadania Financeira, evento realizado pelo Banco Central e pelo Sebrae, com apoio da ACREFI, nos dias 7 e 8 de novembro, em Brasília. Em seu discurso de abertura do fórum, Ilan

Presidente do BC

26 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018

Goldfajn, presidente do BC, destacou os avanços já conquistados pelas atividades do programa Mais Cidadania Financeira, como a criação do Comitê do Cidadão, o lançamento do Portal de Dados Abertos, a aprovação da política de relacionamento do BC com o cidadão e o aplicativo BC+ Perto. "A proposta para o conceito de cidadania financeira busca organizar um arcabouço para guiar estudos e debates sobre o tema e para facilitar a identificação e a priorização de ações que efetivamente contribuam para sua promoção", afirmou Goldfajn. Maurício Moura, diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do BC, ex-


Fotos: Sebrae

dessa importante mobilização. Isso porque acreditamos que pessoas mais bem informadas tomam decisões mais conscientes, consomem melhor e fazem melhor uso do dinheiro”, enfatizou Gonçalves. Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho), diretor-superintedente da ACREFI, e Roberto Willians Silva Azevedo, presidente do Conselho DeliberaHilgo Gonçalves tivo da ACREFI, também Presidente da ACREFI acompanharam de perto a programação do IV Fórum de Cidadania Financeira. Em seu discurso de agradecimento, Silva Azevedo lembrou uma mensagem constantemente transmitida por Hilgo Gonçalves: “Precisamos ser

Foto: Divulgação

plicou que a discussão permanente do tema e o aperfeiçoamento da definição de cidadania financeira contribuem para que os brasileiros tenham uma melhor relação com o seu dinheiro. "Conceitos são úteis para unir as pessoas e as posicionar em uma mesma direção. Juntas podem superar os obstáculos. Levar a cidadania financeira a todos em um país de dimensões continentais, como o Brasil, é um grande desafio", lembrou Moura. Entusiasta há anos da temática relacionada à cidadania financeira, Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, manifestou, antes do evento, que se sentia honrado em apoiar o fórum, pois os pilares do encontro promovido pelo BC estão plenamente alinhados aos conceitos defendidos pela ACREFI. “Nos sentimos parte

novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 27


cidadaniafinanceira

Maurício Moura, diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do BC Foto: Divulgação

protagonistas, cada um em sua área de atuação. É a partir desse trabalho conjunto que vamos provocar mudanças profundas e fundamentais na sociedade”. Mais adiante, o presidente do Conselho Deliberativo da ACREFI enfatizou que o protagonismo das empresas e dos executivos é uma das principais bandeiras da ACREFI. “É por isso que julgamos ser extremamente relevante a participação nesse fórum, ainda mais ao lado do Banco Central e das entidades apoiadoras”, concluiu Silva Azevedo. f

Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho), diretor superintendente da ACREFI e Roberto Willians Azevedo, presidente do Conselho Deliberativo da ACREFI

BC LANÇA ÍNDICE DE CIDADANIA FINANCEIRA (ICF) Para avaliar os avanços da educação e da inclusão financeira no Brasil, o BC aproveitou o evento dos dias 7 e 8 de novembro, em Brasília, para lançar o Índice de Cidadania Financeira (ICF). O indicador passa a avaliar, Estado por Estado, critérios como quantidade de pontos de atendimento financeiro, dados de crédito e de endividamento, valores das taxas de juros cobradas em operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas e até mesmo o percentual da população com acesso à internet. De acordo com o primeiro levantamento, o Brasil registrou, entre 2015 e 2017, ICF 41,5 pontos – em uma escala que vai de 0 a 100. A avaliação revela ainda que todos os Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentaram índices acima da média nacional, enquanto os Estados das regiões Norte e Nordeste ficaram abaixo. 28 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018

O Distrito Federal foi a unidade da federação com melhor avaliação (ICF de 87,2); seguido por São Paulo (74,5); Rio Grande do Sul (65,0); e Santa Catarina (64,0). f


curso

AVANÇOS E CUIDADOS COM A LGPD Fotos: Divulgação

ACREFI E FUTURE LAW FECHAM PARCERIA E REALIZAM CURSO DE IMERSÃO SOBRE A LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS

A

ACREFI está sempre atrás de boas parcerias. Uma das recentes novidades nessa área é a ótima experiência compartilhada com a Future Law, uma plataforma de ensino e de conteúdo voltada às transformações digitais no segmento jurídico. O primeiro resultado desse novo “casamento” foi o curso Impacto da Lei de Dados no Mercado Financeiro, coordenado por Cíntia Falcão, consultora Jurídica da ACREFI, e Bruno Feigelson, head de Futurismo da Future Law. Pela atualidade do tema, pois a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entra em vigor em fevereiro de 2020, e pelo time de profissionais escolhidos para ministrar as aulas, a primeira iniciativa da parceria ACREFI / Future Law atraiu mais de 70 pessoas do mercado financeiro. As oito horas do curso foram divididas em cinco aulas conduzidas por Clarissa Luz, advogada especializada em Direito de Tecnologia e Propriedade Intelectual da Universidade da Califórnia; Marcel Leonardi, consultor de Proteção de Dados do Pinheiro Neto

Advogados e ex-diretor de Políticas Públicas do Google; Bruno Feigelson, sócio do Lima/Feigelson Advogados; Daniel Becker, especialista em Resolução e Disputas do Tauil & Chequer Advogados; Renato Opice Blum, advogado, economista e coordenador do curso de Direito Digital do Insper; e Viviane Maldonado, advogada do Antas da Cunha Ecija (Portugal) e ex-juíza do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. As boas-vindas aos alunos ficaram por conta de Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho), diretor-superintendente da ACREFI. Para Feigelson, a proposta desse primeiro curso sobre LGPD não foi esgotar o assunto, mas fazer uma imersão a respeito dos principais temas e responder a todas as perguntas previamente encaminhadas pelos alunos. “Daqui para a frente, realizaremos outros cursos voltados ao detalhamento de uma legislação tão importante e que já é uma realidade na Europa”, prevê Feigelson. Cíntia Falcão também comemora o êxito desse primeiro curso ACREFI / novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 29


curso

serasa50anos

brança na BV Financeira, empresa associada da ACREFI, ao final do curso, elogiou o altíssimo nível dos professores e a segurança com que as explicações foram transmitidas. “Pela complexibilidade do tema, não podem sobrar dúvidas para não comprometer os negócios”, ponderou Souza. Segundo Alexandre Zavaglia, head de Educação do Future Law, a realização do curso sobre LGPD está em linha com o proAlexandre Zavaglia, Daniel Becker, Cíntia Falcão e Bruno Feigelson jeto deles, de explorar as novas tendências e as transformações Future Law. “Os alunos elogiaram a quadigitais. “Temos que estar preparados lidade dos professores e a forma tranquila e didática como as questões e os cases para lidar com os avanços da tecnologia, foram apresentados”, destaca a consultora desenvolver novas habilidades e trabalhar com segurança e responsabilidade Jurídica da ACREFI. Do ponto de vista dos alunos, Marcelo as informações contidas nos dados”, Augusto de Souza, gerente geral de Co- sustentou Zavaglia. f

novas associadas

SEJAM BEM-VINDOS Nesta edição da Financeiro, a ACREFI tem a grata satisfação de divulgar a inclusão de três novas instituições financeiras associadas: o Bancoob, a Realize CFI, e a Via Certa Financiadora.

30 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018


seminário

NÃO VALE A PENA

CORRER RISCOS ACREFI E SERASA EXPERIAN PROMOVEM SEMINÁRIO E ESCLARECEM DETALHES DA LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS

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tualmente, a distância entre o hoje e o amanhã parece cada vez mais curta. Programada para entrar em vigor apenas em fevereiro de 2020, a nova Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais muito em breve estará batendo à porta das empresas e das instituições financeiras. Portanto, não há mais tempo a perder. Atentas a essa urgência, a ACREFI e a Serasa Experian promoveram um concorrido seminário sobre o tema, dia 25 de outubro, no Hotel Renaissance, em São Paulo. As palestrantes foram Vanessa Butalla, diretora Jurídica da Serasa Experian; e Laila Kurati, executiva de Data Strategy da Serasa Experian. As saudações iniciais e os agradecimentos ficaram por conta de Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho), diretor-superintendente da ACREFI; de Vander Nagata, vice-presidente de Credit Services da Serasa

Experian; e de Paulo Melo, consultor da Serasa Experian. Ao iniciar sua exposição, Vanessa Butalla lembrou que a nova lei dá ao consumidor mais poder e proteção sobre suas próprias informações. Ele deve estar ciente e de pleno acordo às finalidades do uso dos seus dados. Sobre esse consentimento, a diretora Jurídica da Serasa lembra que o aceite do titular dos dados pode ser revogado a qualquer momento, sem custo e de maneira simplificada. O tratamento das informações deixa de fora apenas as finalidades direcionadas ao jornalismo, às artes, aos trabalhos acadêmicos e à segurança pública. “Em pouco tempo, uma despretensiosa lista de clientes, com dados corriqueiros, como nome completo, RG e CPF, deve merecer também atenção especial das empresas”, alerta a advogada.

Vanessa Butalla Diretora Jurídica da Serasa Experian

Laila Kurati Executiva Strategy da Serasa Experian

novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 31


seminário

32 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018

dados, a especialista em Data Strategy da Serasa, destacou alguns pontos, como a criação de um catálogo de informações, que será a base de todos os processos, o estabelecimento de políticas para atendimento das necessidades, o refinamento e a finalidade da aplicação dos dados. Além disso, todas as empresas precisam ter um encarregado que se responsabilizará pelo cumprimento de todos os requisitos da lei e por eventuais solicitações da ANPD e dos demais participantes do mercado (clientes, pessoas físicas e jurídicas). “São muitas exigências, mas não vale a pena correr riscos. É preciso estar preparado e passar ao consumidor a percepção de que os seus dados estão sendo usados com segurança e de forma responsável”, sintetizou Laila Kurati. Entre os diversos pontos assinalados pelos especialistas, a nova lei permitirá ao consumidor requerer o acesso a todos os seus dados que estejam sendo tratados por qualquer pessoa ou entidade – pública ou privada. Além disso, ele poderá solicitar, a qualquer momento, que as suas informações sejam corrigidas ou atualizadas. A legislação também empodera o cidadão em relação aos dados pessoais, uma vez que as empresas terão mais responsabilidades no tratamento desses dados, especialmente no que se refere à garantia de transparência e à adoção de critérios e medidas mais rígidas de governança e segurança de dados. f

Fotos: Marcos Fiore

Na visão de Vanessa, para que a nova lei estabeleça um canal de comunicação mais estreito com o cidadão e com as empresas, o governo deve criar uma Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). “Ela será um órgão importante, só não foi criado ainda por uma pendência constitucional, mas deve ser implantada, em breve, por meio de uma medida provisória”, prevê a executiva. Vanessa destacou ainda que a ANPD será responsável, entre outras coisas, por estabelecer a adequação progressiva de bancos de dados constituídos até a data de entrada em vigor da lei. Antes de finalizar a sua palestra, ela chamou a atenção também para as multas previstas na nova lei, que podem alcançar 2% do faturamento da empresa, limitadas a R$ 50 milhões por infração. Na sequência, Laila Kurati reforçou que não teremos muito tempo para assimilar todas as novidades geradas pela nova lei. Algumas coisas serão aprendidas já com o avião em pleno voo. Enquanto a aeronave não decola, a executiva de Data Strategy da Serasa recomenda dedicação especial a três pilares da nova legislação: governança dos dados, segurança da informação e atendimentos dos titulares. “Não se pode fazer multiuso da base de dados. Não é Bombril. Informações geradas e tratadas pela área de cobrança não podem ser usadas pelo marketing para prospectar negócios. Para isso, é necessário atualizar os termos de uso”, adverte Laila. Na área da governança de

Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Diretor-superintendente da ACREFI

Vander Nagata Vice-presidente de Credit Services da Serasa Experian

Paulo Melo Consultor da Serasa Experian


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parceria

ACREFI E CIEE FAZEM PARCERIA PARA COMPARTILHAR CONHECIMENTO COM JOVENS APRENDIZES

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uas instituições com mais de cinquenta anos de tradição, a ACREFI e o CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) formalizaram dia 1º de novembro uma importante parceria para compartilhar conhecimento voltado à cidadania financeira. O termo de cooperação foi assinado por Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, e por Ricardo Melantonio, superintendente Jurídico, Compliance e Comunicação do CIEE. De acordo com Hilgo Gonçalves, a iniciativa visa estimular a cidadania financeira (inclusão, proteção e educação financeira) entre os jovens. Para isso, um grupo de voluntários executivos associados está sendo criado para ministrar palestras e promover bate-papos com os aprendizes recrutados pelo CIEE. “Existem diversos temas relacionados à educação financeira que podem ser explorados, como o direito do consumidor, a importância da poupança, dos investimentos, do crédito, etc. O nosso objetivo é fomentar conhecimento para construção de uma sociedade mais consciente em relação ao uso do dinheiro. Estamos honrados com a parceria. A ACREFI estará à disposição do CIEE”, enfatizou Gonçalves. Ele lembrou ainda que “pessoas mais bem

34 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018

Da esq. para a dir.: Pancho, Luiz Gustavo Coppola, Ricardo Melantonio, Hilgo Gonçalves e Marcelo Gallo

informadas tomam decisões mais conscientes, consomem melhor e constroem um futuro mais sustentável". Para Ricardo Melantonio, a ACREFI é uma grande referência tanto no mercado financeiro como no cenário nacional. “Essa parceria vai proporcionar a oportunidade de os nossos jovens conhecerem mais a respeito do ambiente financeiro e da área de crédito, orientados por profissionais que vivenciam o dia a dia das finanças”, ressaltou Melantonio. “Nossos jovens terão a oportunidade de conhecer mais de perto esse lado do mercado e do crédito financeiro. Será uma experiência muito importante para o futuro deles”, acrescentou o superintendente do CIEE. Hoje, o CIEE possui aproximadamente 220 mil estagiários, divididos por alguns segmentos do ensino: curso superior (77%); ensino médio (17,7%); curso técnico (4,8%); e educação especial (0,5%). Dentro do programa de estágio, o Jovem Aprendiz conta hoje com aproximadamente 83 mil participantes, sendo 61,3% formados no ensino médio; 32,6% cursando o ensino médio; 4,5% cursando o ensino fundamental; e 1,4% cursando o nível técnico. f

Foto: CIEE

SINTONIA FINA


NÚCLEO DE VOLUNTÁRIOS DA ACREFI

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riado para atender, primeiramente, às demandas da parceria com o CIEE, o novo Núcleo de Voluntários da ACREFI é coordenado pela advogada Cíntia Falcão, consultora Jurídica da ACREFI. “As nossas ações, impulsionadas inicialmente pelo CIEE, são o ponto de partida para atrairmos diversos profissionais interessados em doar parte do seu tempo pela causa da cidadania financeira”, explica Cíntia. “Estamos realmente empenhados em participar também de outras iniciativas de voluntariado promovidas por entidades, associações e organizações sociais. O Núcleo de Voluntários da ACREFI será uma referência para pessoas engajadas em compartilhar conhecimento relacionado à inclusão social, à educação financeira e ao uso mais consciente do dinheiro”, acrescenta Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI. Para fazer parte do Núcleo de Voluntários da ACREFI, acesse o link www.acrefi.org.br/voluntariado/ e preencha o nosso formulário para que possamos entrar em contato quando tivermos alguma ação programada. Em caso de dúvida, enviei um e-mail para acrefi@acrefi.org.br. Esperamos por você. f

imprensa

30º PRÊMIO B3 DE JORNALISMO

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odos os anos a B3 convida uma comissão julgadora, formada por representantes do mercado financeiro, para avaliar as melhores reportagens inscritas no Prêmio B3 de Jornalismo. O grupo este ano foi composto por Daniela Zolko, coordenadora de Comunicação da AMEC; Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI; José Alexandre Vasco, superintendente da CVM; Prof. Nelson Carvalho, vice-presidente do Conselho de Administração da B3; Paulo Nassar, presidente da ABERJE; e Fabio Zenaro, diretor de Produtos de Balcão e Commodities e Novos Negócios, da B3. f

CONHEÇA AS VENCEDORAS EM CADA CATEGORIA Categoria: Jornais (RJ, SP e DF) Jornalista: Adriana Cotias Veículo: Valor Econômico Categoria: On-Line Jornalista: Fernanda Guimarães Veículo: Agência Estado Categoria: Revistas Nacionais Jornalista: Letícia Paiva Veículo: Revista Capital Aberto Categoria: Governança Corporativa Jornalista: Natalia Viri Veículo: Brazil Journal

Gilson Finkelsztain, presidente da B3, com as vencedoras do prêmio: Adriana Cotias, Fernanda Guimarães, Letícia Paiva, Natalia Viri e Roberta Mello de Oliveira

Categoria: Jornais Demais Regiões Jornalista: Roberta Mello de Oliveira Veículo: Jornal do Comércio/RS


acreficonhecimento

ROAD BELO HORIZONTE

SHOW MUITO ALÉM DA INFORMAÇÃO 36 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018


ROAD SHOW DA ACREFI EM BH DISCUTE OS PRINCIPAIS DIFERENCIAIS EM TORNO DA EXPANSÃO DA OFERTA DE CRÉDITO NOS PRÓXIMOS MESES

C

om duas edições em apenas um mês, a ACREFI realizou mais uma apresentação do seu Road Show no dia 28 de novembro, em Belo Horizonte, no Bourbon BH Business Hotel, mediado por Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho), diretor superintendente da ACREFI. Ao saudar os convidados, Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, enfatizou que o Brasil vive um momento de retomada da economia, em que decisões devem ser mais conscientes e responsáveis. “A recente pesquisa Perspectivas 2018, divulgada pela ACREFI durante o 13º SIAC, revela que cerca de 60% dos brasileiros recuperaram o otimismo. É a primeira vez que isso acontece desde 2015. Isso mostra que os próximos passos devem ser dados com mais segurança”, frisou. Segundo Hilgo, o atual momento do País requer protagonismo de cada cidadão e a união nacional em prol do crescimento. "Os números da economia já se mostram alentadores. O crédito com recursos livres para pessoas físicas, por exemplo, acumulou no primeiro semestre expansão de 4,7% e deve fechar 2018 em 7%. Para o próximo ano, a ACREFI projeta que esse índice fique entre 9 a 12%”, destacou. O presidente da ACREFI lembrou também aos convidados do Road Show BH a importância do programa de Cidadania Financeira do Banco Central. “São ações como essa que têm levado as pessoas a buscarem crédito de forma mais consciente, contribuindo com a redução do endividamento das famílias e com a estabilidade da inadimplência”, argumentou Hilgo. Ele disse ainda que essa nova pos-

tura do consumidor contribui para uma oferta maior do crédito por parte das instituições financeiras. De acordo com Hilgo, o PIB do Brasil em 2018 deve ser da ordem de 1,4% e a projeção para o próximo ano entre 2,5% a 3%. “Já para os juros, temos uma previsão em torno de 6,5%, com a inflação em 4,4%. É por isso que precisamos acreditar na parte cheia do copo.” Outro ponto favorável é a esperada aprovação pelo Congresso do Cadastro Positivo, incluída entre as prioridades da Agenda BC+, do Banco Central, que poderá estimular consideravelmente a oferta de crédito no mercado. “No Chile, onde o Cadastro Positivo foi adotado há anos, o volume de crédito equivale a 100% do PIB. No Brasil, essa fatia não ultrapassa os 46%, revelando que existe muito potencial para avançar”, acrescentou o presidente da ACREFI. Após a exposição de Hilgo, André Massaro, professor da B3 Educação, apontou a importância dos investimentos, com ênfase no mercado de capitais, que tende a prosperar em cenário futuro. "Economias desenvolvidas têm mercado de capitais mais avançados. Dessa forma, o Brasil caminha com solidez para uma posição de protagonismo no mercado de caAndré Massaro pitais", ressaltou Professor da B3 Educação Massaro. "O mernovembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 37


acreficonhecimento Fotos: Divulgação

Mauro Melo: CEO da Credilink

Marcelo Pereira: Coordenador de Produtos da CIP

cado financeiro faz intermediação entre agentes econômicos superavitários, que gastam menos do que ganham. Portanto, podem poupar. E agentes econômicos deficitários, que gastam mais do que ganham. Logo, precisam pedir emprestado para continuar sobrevivendo. Essa é lógica. Ou seja, por enquanto, temos pessoas físicas de um lado e empresas do outro", diagnosticou Massaro. Na sequência, Mauro Melo, CEO da Credilink, apresentou casos de fraudes e como a tecnologia de última geração pode evitá-los. "Informações, como a data de nascimento, muitas vezes não são observados com a devida atenção na hora da concessão de crédito. Eles são imprescindíveis na prevenção às fraudes. A Credlink faz um forte trabalho preventivo, com base em informações e ferramentas de última geração. Dessa forma, auxiliamos empresas em suas decisões no momento da liberação da concessão de crédito, garantindo grande segurança no processo e na análise dos dados", enfatizou. Marcelo Pereira, coordenador da área de Produtos da CIP, traçou um panorama sobre a evolução da cobrança. "Nas décadas de 1970 e 1980 tínhamos 266 milhões de cobranças interbancárias. Em novembro de 2018, saltamos para 3,9 bilhões. É um cenário que requerer forte capacidade analítica. Na plataforma centralizada de recebimentos, os indica-

38 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018

Luis Mansur: Chefe do Departamento de Cidadania Financeira do BC

dores, de julho de 2017 a novembro de 2018, dispõem de 83 participantes, com 12,8 bilhões de transações, gerando 60% de fraudes, 70% de inconsistências e R$ 2,5 bilhões de saques para pagamentos de boletos vencidos", relatou Pereira. O executivo defendeu ainda "o aperfeiçoamento da legislação com a aprovação do Cadastro Positivo, como maneira de fomentar a segurança na concessão de crédito ao consumidor". Para concluir uma manhã de muita informação, Luis Gustavo Mansur, chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do Banco Central do Brasil, apresentou um panorama do que está sendo realizado na sua área. "Nesse primeiro relatório do Programa de Cidadania Financeira apresentamos, inicialmente, um diagnóstico da situação. O objetivo é trazer também indicadores que nos ajudem a ter uma visão mais clara das condições da cidadania financeira. Eles nos permitiram tomar decisões a partir de uma base mais sólida, avaliou Mansur. No setor privado, o executivo do BC acredita que o conhecimento do Sistema Financeiro sobre os clientes tende a aumentar. "São informações que não contribuem apenas para identificar oportunidades de mercado, mas também para aprimorar os processos internos e a identificar a responsabilidades sociais. Sem dados, você é apenas uma pessoa com uma opinião. Mas, sem opinião, você é apenas outra pessoa com dados", resumiu Mansur. f


ROAD SÃO PAULO

SHOW JORNADA DE CONHECIMENTO ACREFI REÚNE PARCEIROS PARA TROCA DE INFORMAÇÕES EM ROAD SHOW EM SÃO PAULO

novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 39


acreficonhecimento

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ompartilhar novidades do mercado com as instituições associadas é um dos principais objetivos dos road shows realizados pela ACREFI. No evento organizado em São Paulo, dia 9 de novembro, no Renaissance Hotel, as inovações foram apresentadas por Rodrigo Amancio, superintendente de Serviços Analytics da B3; Cristiane Rodrigues, gerente de Negócios da Cassiopae; Daniel Gomes, gerente de Desenvolvimento de Produtos da Cassiopae; Mauro Melo, CEO da Credilink; Marcelo Bassalobre, coordenador de Negócios da CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos); e Marcelo Pereira, coordenador da área de Produtos da CIP. A mediação do encontro foi da jornalista Christiane Pelajo. Antes de passar a palavra aos palestrantes, Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) saudou os convidados e reforçou as mensagens da ACREFI, entidade que não mede esforços para disseminar conhecimento por meio de seus eventos gratuitos. Ele lembrou também a dedicação da organização em torno dos programas de cidadania financeira. “A educação financeira é fundamental para ampliarmos a inclusão social e para que as pessoas façam um uso mais consciente do dinheiro”, destacou Pancho. Rodrigo Amancio, da B3, foi o primeiro palestrante da manhã e apresentou uma área implantada há seis meses na empresa, o B3 Plug, serviço dedicado ao tratamento e à análise de dados do mercado financeiro. “Algumas instituições têm dificuldade para entender e identificar o real valor de todas as informações disponíveis. Nós não só fazemos isso como entregamos os dados de forma organizada e conjunta”, explicou Amancio. Ao criar esse ecossistema de dados, a B3 também está empenhada em gerar negócios por meio de uma plataforma colaborativa ou da cocriação de produtor com os clientes. “Estamos estruturados para resolver problemas e entregar soluções ágeis, desde a análise dos dados até a entrega dos projetos”, resumiu o executivo da B3. Para falar sobre segurança na hora da con-

Rodrigo Amancio Superintendente Analytics da B3

Cristiane Rodrigues Gerente de Negócios da Cassiopae

Daniel Gomes Gerente de Produtos da Cassiopae

Mauro Melo

40 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018

CEO da Credilink


cessão de crédito, Cristiane Rodrigues e Daniel Gomes, ambos da Cassiopae, apresentaram os diferenciais de um software que gerencia desde a captação dos dados, passando pela cotação, avaliação do risco, assinatura e gerenciamento do contrato. “Além disso, a nossa plataforma, por ser modular e flexível, pode ser usada por diferentes segmentos de negócios”, afirmou Cristiane. Já Gomes, aproveitou o Road Show da ACREFI para apresentar o case do BNP Paribas, que usou o software da Cassiopae para obter mais segurança nas suas operações de crédito, seguindo as recomendações do BC e do acordo de Basileia.” “Oferecemos uma solução global que faz a gestão e o controle de garantias, reduzindo os riscos operacionais, sem deixar de lado o compliance e as demandas legais”, garantiu o gerente de Produtos da Cassiopae. Ainda dentro da temática da segurança e da qualidade dos dados, Mauro Mello, da Credilink, falou sobre a sua experiência de mais 35 anos nesse segmento, quando começou a registar informações exclusivas sobre o histórico financeiro do tomador de crédito. São subsídios que continuam até hoje na sua base de dados, mas tudo de acordo com a Lei de Proteção de Dados. A título de curiosidade, apresentou o caso real de uma mulher que, por ocasião do pedido de financiamento, nenhuma informação negativa constava no seu CPF. Ao

fazer uma investigação na lista de óbitos, a Credilink descobriu que o documento foi gerado alguns dias depois de a titular falecer. “A fraude pode se esconder nos detalhes. Por isso, informação é poder. Tome decisões baseadas em resultados, transforme informação em conhecimento”, aconselhou o CEO da Credilink. Na sequência, Marcelo Bassalobre apresentou a plataforma da CIP para portabilidade de salário, serviço que surgiu a partir de norma do Banco Central, publicada em maio deste ano, que permite ao trabalhador fazer essa solicitação diretamente no seu banco. “É uma mudança que deve ser efetivada até dez dias. Felizmente, o sistema assimilou rapidamente a mudança e tudo tem transcorrido de forma bastante tranquila”, informou Bassalobre. Para completar a manhã de muitas novidades e de troca de informações, Marcelo Pereira, também da CIP, trouxe um avanço recém-implantado nos pagamentos por boleto. Agora, por meio da Plataforma Centralizada de Recebíveis, as instituições registram seus boletos e os documentos podem ser pagos em qualquer banco, mesmo após o vencimento, entre outras vantagens. “Essa é uma mudança importante, pois deve reduzir em 60% as fraudes por adulteração dos boletos”, prevê Pereira. “Além disso, deve gerar maior segurança e comodidade para toda a sociedade”, completou o executivo. f

Marcelo Bassalobre

Marcelo Pereira

Coordenador de Negócios da CIP

novembro - dezembro da 2018 I FINANCEIRO Coordenador da área de Produtos da CIP Superintendente ACREFI

Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho)

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acreficonhecimento

ROAD FLORIANÓPOLIS

SHOW INOVAÇÃO IMPULSIONA OS NEGÓCIOS ORGANIZADO EM PARCERIA COM A ASSOCIAÇÃO CATARINENSE DE EMPRESAS DE TECNOLOGIA, ROAD SHOW DE FLORIPA MOSTRA COMO OS AVANÇOS DIGITAIS PODEM AUMENTAR A EFICIÊNCIA DO MERCADO FINANCEIRO

L

ocalizado no Centro de Florianópolis (SC), capital brasileira conhecida também como Vale do Silício da América do Sul, o CIA Downtown − novo espaço da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE) − recebeu, dia 6 de dezembro, a última edição de 2018 do Road Show ACREFI. O evento foi mediado por Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho), diretor superintendente da ACREFI. A parceria das duas entidades surgiu como forma de estimular a sinergia entre o mercado financeiro tradicional e as fintechs. Para isso, as startups Parmais, Vali42 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018

ty, Getmore, Transfeera, Intexfy, OMD, Bom e Cognisigns tiveram a oportunidade de divulgar seus projetos aos convidados do evento. Em sua saudação aos participantes do road show, Silvio Kotujansky, vice-presidente de Mercado da ACATE, destacou a importância da parceria e a relevância do evento. “É um orgulho para nós recebermos um encontro dessa magnitude. A ACATE é uma entidade formada por empresários que buscam oportunidades no mercado. Temos 1.400 empresas associadas, amparadas por uma forte rede de intercâmbio.


contribuir com o aculturamento da B3 em relação à inovação, à identificação de novas oportunidades atreladas a novos negócios e produtos e ao desenvolvimento do mercado empreendedor e financeiro do Brasil", enfatizou Pereira. Principal palestrante do Road Show ACREFI em Floripa, Otávio Damaso, diretor de Regulação do Banco Central, ressaltou como a inovação está sendo trabalhada pela instituição. Ele mostrou que os mesmos avanços e facilidades gerados, por exemplo, pelos aplicativos de locomoção atingiram o sistema financeiro. “Apoiamos essa evolução, pois ela melhora a competição e a eficiência. A sociedade quer mais praticidade e o mobile, mais do que a internet, mudou tudo.” afirmou Damaso. “O BC apoia todo o processo de inovação. O nosso papel é acompanhar, monitorar e dialogar com quem está inovando." O diretor de Regulação do BC falou que a instituição observa as experiências internacionais e avalia que cada país opta por um modelo para preencher os seus “gaps” específicos. Na China, o open banking tem sido um instrumento importante de inclusão financeira. Já em Hong Kong, o foco é o aumento da eficiência. "Eu diria que o Brasil está entre Hong Kong e China, no meio termo, mas com uma grande avenida a explorar", comparou. Sobre as operações das fintechs, lembrou que o Conselho Monetário Nacional aprovou importantes regulamentações. "Com as novas regras, elas poderão eliminar um intermediário da cadeia e, assim, reduzir custos. Com isso, a expectativa é que as fintechs possam aumentar a competição na oferta de crédito, o que abriria a possibilidade de redução das taxas de juros", ponderou Damaso. f

Fotos: Jose Somensi

Acreditamos que é por meio do trabalho e do empenho das pessoas e das entidades que atingiremos um mundo mais inovador", afirmou Kotujansky. Na sequência, o presidente da ACREFI, Hilgo Gonçalves, reforçou os propósitos da ACREFI direcionados à troca de ideias, o estímulo à reflexão dos jovens e sua capacidade de lidar e se adaptar às mudanças. “É importante compartilharmos ações inovadoras, colocando as pessoas no centro das decisões e conectadas a experiências boas e eficientes", ressaltou Hilgo. Ele reforçou também o alcance atingido pelo programa Cidadania Financeira, do Banco Central, na difusão da cultura da educação financeira. “Os consumidores têm buscado crédito de forma mais consciente, contribuindo, dessa forma, para a redução do endividamento das famílias e para a estabilidade da inadimplência”, explicou o presidente da ACREFI. Com o objetivo de esclarecer sobre o novo posicionamento da B3, Marcos Vanderlei, diretor da Unidade de Financiamentos da empresa, falou a respeito da fusão da BM&FBovespa com a CETIP e do seu funcionamento há um ano e meio. “Hoje o valor do market cap da B3 é de R$ 50 bilhões, estando entre as cinco maiores bolsas do mundo. Levamos o nome do Brasil ao exterior porque acreditamos no país, dentro de um processo de reconectar os mercados", exemplificou. Em seguida, Rodrigo Pereira, superintendente do Foresee, programa da B3 criado para impulsionar ideias, valorizar talentos e estimular a criatividade, falou sobre os objetivos da nova área. "O Foresee foi idealizado com três finalidades:

Silvio Kotujansky Vice-presidente de Mercado da ACATE

Marcos Vanderlei Diretor de Financiamentos da B3

Rodrigo Pereira Superintendente do Foresee B3

Otávio Damaso Diretor de Regulação do BC

novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 43


Financiamentos de autos leves 0km avançam 13,9% em outubro na comparação com o ano passado No mesmo período, financiamentos de usados leves crescem 4,5%; considerando o total de veículos novos e usados – incluindo autos leves, motos e pesados – alta foi de 10% na mesma base de comparação

O

s financiamentos de veículos novos e usados cresceram em outubro de 2018, com alta de 10% na comparação com o mesmo mês do ano passado, encerrando o período com um total de 495.458 unidades financiadas, entre autos leves, motos e pesados. Desse total, foram vendidos a crédito 190.391 veículos novos, alta de 19,2% em relação ao mesmo período de 2017. Já os usados atingiram 305.067 vendas a crédito em outubro deste ano, alta de 5%

1

na mesma base de comparação. O levantamento é da B3, empresa resultante da combinação de atividades da BM&FBOVESPA, uma das maiores bolsas do mundo em valor de mercado, e a Cetip, maior depositária de títulos privados da América Latina. A B3 opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG), base integrada de informações que reúne o cadastro de veículos dados como garantia em operações de crédito em todo Brasil. f

VOLUME DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS (outubro de 2018)

450.237 unidades

495.458

159.754

163.339

ago/17

unidades Novos: 190.391

290.483

424.584 unidades

Novos + usados Out/18 x Out/17 = 10% Out/18 x Set/18 = 16,7%

Usados: 305.067

261.245

jul/17 VARIAÇÕES

Novos Out/18 x Out/17 = 19,2% Out/18 x Set/18 = 16,6%

Usados Out/18 x Out/17 = 5% Out/18 x Set/18 = 16,8%

Entre os automóveis leves, as unidades novas avançaram 19,2% em outubro de 2018, em relação ao mesmo período de 2017, ao somarem 190.391 carros financiados. Já os autos leves usados também tiveram alta de 5% no volume de financiamentos, na mesma base de comparação, e totalizaram 305.067 unidades financiadas em outubro deste ano contra 290.483 em outubro do ano passado.

2

VOLUME DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS POR CATEGORIA Novos

Usados

AUTOS LEVES Outubro/18

120.485

MOTOS Outubro/18

279.564

59.345

PESADOS Outubro/18

13.173

9.773

11.562

Novos + usados ­­— 400.049

Novos + usados ­­— 72.518

Novos + usados ­­— 21.335

Outubro/17

Outubro/17

Outubro/17

105.774

267.578

46.879

11.977

6.459

10.211

Novos + usados — 373.352

Novos + usados — 58.856

Novos + usados — 16.670

Setembro/18

Setembro/18

Setembro/18

103.578

239.174

Novos + usados — 342.752

VARIAÇÕES

50.692

11.172

Novos + usados — 61.864

VARIAÇÕES

8.497

10.260

Novos + usados — 18.757

VARIAÇÕES

Novos Out/18 x Out/17 = 13,9% Out/18 x Set/18 = 16,3%

Novos Out/18 x Out/17 = 26,6% Out/18 x Set/18 = 17,1%

Novos Out/18 x Out/17 = 51,3% Out/18 x Set/18 = 15,0%

Usados Out/18 x Out/17 = 4,5% Out/18 x Set/18 = 16,9%

Usados Out/18 x Out/17 = 10,0% Out/18 x Set/18 = 17,9%

Usados Out/18 x Out/17 = 13,2% Out/18 x Set/18 = 12,7%

Novos + Usados Out/18 x Out/17 = 7,2% Out/18 x Set/18 = 16,7%

Novos + Usados Out/18 x Out/17 = 23,2% Out/18 x Set/18 = 17,2%

Novos + Usados Out/18 x Out/17 = 28,0% Out/18 x Set/18 = 13,7%

44 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018


3

VOLUME DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS ACUMULADO NO ANO

4.185.661 unidades Novos

4.512.788 unidades

Usados

2.824.010

2.711.010 1.688.778

1.474.651

Acumulado 2017

4

Novos + usados Acumulado/18 x Acumulado/17 = 7,8%

Acumulado 2018

VARIAÇÕES

Novos Acumulado/18 x Acumulado/17 = 14,5%

Usados Acumulado/18 x Acumulado/17 = 4,2%

VOLUME DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS POR CATEGORIA NO ANO Novos

Usados

AUTOS LEVES

MOTOS

Acumulado/18 1.058.208

PESADOS

Acumulado/18 2.589.694

543.963

Acumulado/18 119.187

79.684

107.420

Novos + usados ­­— 3.647.902

Novos + usados ­­— 663.150

Novos + usados ­­— 187.104

Acumulado/17

Acumulado/17

Acumulado/17

922.360

2.490.933

497.602

Novos + usados — 3.413.353

114.601

49.918

Novos + usados — 612.203

VARIAÇÕES

5

A quantidade de veículos financiados de janeiro até outubro de 2018 foi de 4,5 milhões, apontando um crescimento 7,8% em comparação com o acumulado do ano de 2017. O crescimento de veículos novos do acumulado de 2018 apresenta uma evolução de 14,5% contra o acumulado do ano de 2017 abrangendo autos leves, motos e pesados.

97.623

Novos + usados — 147.541

VARIAÇÕES

VARIAÇÕES

Novos Acumulado/18 x Acumudado/17 = 14,7%

Novos Acumulado/18 x Acumudado/17 = 9,3%

Novos Acumulado/18 x Acumudado/17 = 59,6%

Usados Acumulado/18 x Acumudado/17 = 4,0%

Usados Acumulado/18 x Acumudado/17 = 4,0%

Usados Acumulado/18 x Acumudado/17 = 10,0%

Novos + Usados Acumulado/18 x Acumudado/17 = 6,9%

Novos + Usados Acumulado/18 x Acumudado/17 = 8,3%

Novos + Usados Acumulado/18 x Acumudado/17 = 26,8%

MODALIDADES DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS (Outubro/18) 12,7

1

0,8

Período

CDC

Consórcio

Leasing

Outros

Total

Outubro/2018

423.628

62.991

4.118

4.721

495.458

Outubro/2017

383.364

58.045

4.009

4.819

450.237

Setembro/2018

363.742

53.249

3.382

4.211

424.584

CDC CONSÓRCIO LEASING

85,5

OUTROS

CDC Out/18 x Out/17 = 10,5% Out/18 x Set/18 = 16,5%

VARIAÇÕES

Consórcio Out/18 x Out/17 = 8,5% Out/18 x Set/18 = 18,3%

Leasing Out/18 x Out/17 = 2,7% Out/18 x Set/18 = 21,8%

*Os dados referem-se a todas as categorias de veículos (autos leves, motos e pesados)

O CDC continua sendo a categoria mais utilizada pelos consumidores, com 85,5% de participação. O Consórcio teve variação positiva de 8,5% na preferência dos consumidores em outubro, na comparação com o mesmo mês de 2017. A participação dos Consórcios no universo de financiamentos representou em outubro 12,7% do total.

novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 45


espaçodobem

UM PAÍS MAIS INOVADOR E INCLUSIVO FORMADO POR 30 CEOS VOLUNTÁRIOS, O MOVIMENTO BRASIL DIGITAL APOSTA NA REQUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL COMO FORMA DE ATENUAR AS TRANSFORMAÇÕES GERADAS PELA QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL


que o Brasil perdeu duas posições, caindo da 55ª para a 57ª colocação, em relação à avaliação do ano anterior, entre 63 países analisados. Entre os grandes emergentes, os chamados BRICs, o melhor colocado é a China, que aparece apenas na 30ª posição, seguido da Rússia (40ª), Índia (48ª), África do Sul (49ª). Entre os países latino-americanos, o único destaque é o Chile, que fica no 37º lugar. Ruy Shiozawa Além desse imCEO do Great Place to Work Brasil portante documento internacional, os CEOs brasileiros contam com a valiosa contribuição da Fundação Dom Cabral, que analisou as políticas públicas de digitalização em oito países – Alemanha, Austrália, Canadá, Espanha, Índia, México, Reino Unido e Suécia –, além de dados brasileiros sobre o tema. Essa avaliação resultou em dois workshops, com lideranças empresariais, da academia e da administração pública, para discutir propostas para o país a partir das quatro dimensões estabelecidas pelo movimento: educação, infraestrutura, empreendedorismo e políticas governamentais. Para Ruy Shiozawa, ainda estamos nos estágios iniciais de uma longa jornada, mas se quisermos, em futuro muito próximo, ter um Brasil mais inovador e inclusivo, preparados para enfrentar o legado deixado pela quarta revolução industrial, precisamos agir agora. Tornando a tecnologia uma das aliadas do desenvolvimento humano, profissional e social. f

QUEM FAZ PARTE DO MOVIMENTO BRASIL DIGITAL Além de Ruy Shiozawa, estão também à frente da iniciativa como voluntários: Adelson de Sousa (IT Mídia), Silvio Genesini, Paula Bellizia (Microsoft), Rodrigo Galvão (Oracle), Casimiro Perez e Tatiane Shirazawa (Great Place to Work Brasil), Lídia Abdalla (Laboratório Sabin), Flavio Pripas (Cubo Itaú), Leonardo Framil (Accenture Brasil), Laércio Albuquerque (Cisco Brasil), Miguel Setas (EDP Brasil), Luiz Sergio Vieira, Luciano Albertini e Cristiane Amaral (EY), Jorge Maluf (Korn Ferry), Fabio Rua (IBM), entre outros.

Foto: Divulgação

A

revolução digital está alterando de maneira radical o modo de trabalho e os empregos. Um estudo realizado pela consultoria McKinsey & Company, com dados de 46 países, revela que, até 2030, de 400 milhões a 800 milhões de trabalhadores no mundo poderão perder o emprego e passar a ver suas atividades exercidas por robôs ou máquinas. Para tentar buscar soluções e tornar o Brasil um país mais inovador e inclusivo, um grupo de 30 CEOs se mobiliza há um ano em torno do Movimento Brasil Digital. Um dos protagonistas dessa iniciativa, Ruy Shiozawa, CEO do Great Place to Work Brasil, conta que o movimento trabalha em quatro frentes: educação; infraestrutura; empreendedorismo; e políticas governamentais. “Em um primeiro momento, a ideia é reunir todos os dados disponíveis nessas frentes para que os possamos multiplicar e aplicar em propostas inovadoras”, conta Shiozawa. Segundo o CEO do Great Place to Work é preciso preparar as pessoas para as novas profissões por meio de uma requalificação em massa. Novas oportunidades devem ser geradas no futuro. “Com o corte de vários postos de trabalho, a frente do empreendedorismo será fundamental para a sobrevivência das pessoas”, argumenta ele. A meta pessoal de Shiozawa é que em 2022 já tenhamos 1 milhão de profissionais requalificados e prontos a enfrentar os novos desafios. Sem preparo, enfrentaremos, em breve, problemas de consumo e dificuldades sociais provocados pela questão digital. As preocupações de Shiozawa e dos demais impulsionadores do Movimento Brasil Digital estão bem fundamentadas. O relatório 2018 do World Digital Competitiveness Ranking, elaborado pela escola de negócios suíça IMD, revela


espaçodobem

Fotos: Divulgação

JUNTOS PODEMOS FAZER MAIS INSTITUTO LECCA E ASSOCIAÇÃO DE ASSISTÊNCIA AO ADOLESCENTE UNEM-SE PARA CRIAR O INSTITUTO APONTAR

O

que é bom pode ficar ainda melhor. É com esse propósito que o Instituto Lecca e a Associação de Assistência ao Adolescente (AAA) uniram suas experiências na área educacional para criar o Instituto Apontar. Segundo Luis Eduardo da Costa C a r v a l h o , diretor-voluntário do Instituto Apontar e fundador do Instituto Lecca, a proposta dessa nova iniciativa conjunta é ampliar esforços em torno da transformação social por meio da educação. O investimento do Instituto Apontar é direcionado à educação e à assistência social. Com 48 FINANCEIRO I novembro - dezembro 2018

o objetivo de gerar oportunidades para crianças e adolescentes de famílias de baixa renda, o projeto está organizado em três frentes: formação acadêmica de qualidade; acesso à cultura; e respeito aos princípios éticos. “Os jovens terão a chance de ampliar seus horizontes por meio do conhecimento e de novas experiências. No futuro, se tornarão cidadãos mais conscientes, com autonomia, segurança e uma visão de mundo ainda mais ampla", destaca Luis Eduardo. f


PROGRAMAS DO INSTITUTO APONTAR ESTRELA DALVA É destinado a crianças e adolescentes com altas habilidades acadêmicas que cursam o Ensino Fundamental em escolas municipais do Rio de Janeiro.

ALEXANDRIA Proporciona apoio acadêmico e cultural aos alunos oriundos do Programa Estrela Dalva e bolsistas de escolas particulares parceiras.

MAIS Oferece oportunidades para crianças e adolescentes de baixa renda, moradores da área rural do município de Rio Claro (RJ), com o objetivo de enriquecê-los culturalmente, contribuindo para o seu desenvolvimento.

Para sustentar essa estrutura, o Instituto Apontar conta com o investimento da Brookfield, da Lecca Investimentos, do Sesc, da UEVOM – Vila Olímpica da Maré, do Grupo Total, da Inwave Technologies e do Phi. Além disso, mantém parceria com o Instituto de Matemática da UFRJ, o Instituto de Física da UFRJ, a Secretaria Municipal de Educação do RJ, a Prefeitura de Rio Claro (RJ), a PUC-Rio, a Cultura Inglesa, o Museu do Amanhã, a Orquestra Petrobras Sinfônica e a Comunidade Empodera. f Saiba mais: www.institutoapontar.org.br

novembro - dezembro 2018 I FINANCEIRO 49


palavrafinal Nicola Tingas*

GOVERNO BOLSONARO:

O

novo Presidente Jair Bolsonaro manifestou sua direção de governo: ressaltou seu compromisso com a verdade; a intenção de cumprir as metas de governo da campanha eleitoral; confirmou seu alinhamento aos valores e princípios da democracia brasileira; acenou que irá governar para todos os brasileiros. O discurso do recém-eleito indicou um governo que se propõe a cumprir metas ousadas. Quanto será viável cumprir? Saberemos ao longo do tempo. A proposição "ousada" de romper com a barganha inescrupulosa do "presidencialismo de cooptação" será efetivamente testada no Congresso Nacional, que toma posse a partir de fevereiro de 2019. O sinalizado novo "modus operandi" na política ou, alternativamente, a busca de depender menos dela; talvez seja o maior desafio do governo eleito, e não somente, a grave crise fiscal que assola Federação, Estados e municípios brasileiros. Por outro lado, as escolhas ministeriais, salvo poucas exceções (ministérios da Edu-

cação e de Relações Exteriores), foram bem acolhidas pela população. Têm sido bem recebidas as indicações de Sergio Moro para o Ministério da Justiça; Paulo Guedes no "superministério" da Economia, juntamente com seu grupo denominado "Chicago Oldies"; além de diversos ministros "militares reformados" que irão atuar em temas operacionais e na esfera política. Diversos "indicadores de confiança" confirmam avanço nas expectativas e maior confiança no próximo mandato presidencial. Entre eles, a pesquisa Perspectiva 2018 (publicada na pág. 22) realizada logo após as eleições de outubro, que constatou o maior índice histórico de otimismo (60%), em relação à situação do País e às pessoas, desde 2015. Esse ambiente está indicando um cenário entre "moderado a virtuoso" para o crescimento do PIB em 2019. O quadro abaixo indica três cenários e a respectiva expectativa de crescimento do PIB, uma "proxi" para capacidade de recuperação da economia. f

CENÁRIO

PROBABILIDADE

INTERVALO DE CRESCIMENTO DO PIB

Virtuoso

25%

Moderado

60%

Frustração

15%

3,5% a 4,0% 2,5 a 3,0% 1,5% a 2,0%

(*) Nicola Tingas é consultor econômico da ACREFI.

Artigo enviado: 29.11.2018

Foto: Divulgação

METAS OUSADAS, RISCO POLÍTICO E CONFIANÇA POPULAR


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Edição 112 - Novembro/Dezembro 2018  

A revista do crédito

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