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Boletim da

Fundação Editora Unesp M a io -J u n ho 2011 | A no 5 | Nº 26

Coletânea inédita de textos de Sérgio Buarque de Holanda Dois volumes que totalizam mais de mil páginas, com 146 artigos e ensaios nunca antes reunidos de um dos mais importantes intelectuais brasileiros, muitos deles inéditos em português. É o que leitor pode agora conhecer em Sérgio Buarque de Holanda: escritos coligidos, organizado pelo historiador Marcos da Costa e coeditado pela Editora Unesp e Fundação Editora Perseu Abramo. Os textos apresentam um cronista arguto, com uma variedade temática que compreende desde resenhas literárias até minuciosas pesquisas historiográficas, abrangendo tanto a especificidade da colonização brasileira como questões sobre a democracia mundial. Produzido dentro de um corte cronológico longo, entre 1920 e 1979, o material se constitui como uma fonte documental essencial para quem queira estudar o pensamento do autor e compreender a própria dinâmica da realidade brasileira. No primeiro livro (614 páginas, R$ 69), encontram-se textos do período de 1920 a 1949, como “Viva o imperador”, “A quimera do monroísmo” e “A bandeira nacional”, que fazem parte da fase que Francisco de Assis Barbosa chamou de “verdes anos” do historiador. Aqui, também se encontra “Corpo e alma do Brasil”, em que já se identifica a primeira versão de Raízes do Brasil, obra publicada em 1936 sobre a origem da colonização portuguesa no Brasil e que se tornou uma referência nos estudos sobre a identidade nacional. O segundo volume (483 páginas, R$ 65) refere-se ao período entre 1950 e 1979, em que se destacam textos sobre historiografia e análises profundas sobre a ditadura

militar e a política brasileira. “Se fosse preciso definir o que são estes livros, diria que são uma coletânea multifacetada de textos que deixa ver a gênese, se entrelaça e esclarece caminhos percorridos por Sérgio Buarque de Holanda em sua prodigio-

sa trajetória teórica”, comenta o organizador da obra, que se dedicou por dez anos à coleta de material e pesquisa sobre o intelectual.

MOMENTO EM FAMÍLIA: em 1974, na comemoração de seu aniversário de 72 anos, em São Paulo. Da esq. para a dir., sentados: Álvaro; Francisco; Sérgio (filho); Sérgio Buarque de Holanda; Maria do Carmo; Cecília (irmã); e Heloísa Maria (Miúcha). Em pé: Maria Cristina segurando Isabel Gilberto (Bebel); Ana Maria; e Maria Amélia.

BREVE BIOGRAFIA Sérgio Buarque de Holanda nasceu em 11 de julho de 1902, em São Paulo. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi representante do movimento modernista paulista no Rio de Janeiro na década de 1920, e correspondente dos Diários Associados em Berlim, entre 1929 e 1930. Atuou como jornalista, crítico literário, historiador e professor universitário no Brasil e no exterior. Encerrou sua carreira docente em protesto à aposentadoria compulsória imposta pelo regime militar a colegas da Universidade de São Paulo. Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em 1980. Deixou uma vasta obra publicada e recebeu vários prêmios, como o Edgar Cavalheiro, do Instituto Nacional do Livro, o Juca Pato, da União Brasileira de Escritores, e o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Permaneceu ativo até sua morte em 24 de abril de 1982, em São Paulo.


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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Burocracia e ideologia Neste texto clássico, Maurício Tragtenberg promove uma crítica sobre a Teoria Geral da Administração em seu processo de constituição histórica, esmiuçando a burocracia no universo corporativo contemporâneo dominado pela racionalização do trabalho, o messianismo administrativo, a educação permanente e a tecnoburocracia. Chega, assim, à formulação da administração de empresas como uma expressão ideológica. (288 páginas, R$ 35).

Internacionalização e desenvolvimento da indústria no Brasil A abertura comercial, a desnacionalização de empresas industriais, a integração regional, o surgimento de novas oportunidades e ameaças no exterior mudaram profundamente a indústria brasileira nos últimos anos e sua posição no mundo. Organizado por Mariano Laplane, Luciano Coutinho e Célio Hiratuka, este compêndio avalia os efeitos da internacionalização e o potencial de desenvolvimento da indústria brasileira. (349 páginas, R$ 47).

Administração, poder e ideologia Em um estudo singular sobre o papel das grandes corporações no mercado, Mauricio Tragtenberg analisa a internacionalização da economia e seu impacto no campo de ação dos Estados nacionais. Investiga detalhadamente o conceito de co-gestão e as relações hierárquicas das estruturas corporativas, dissecando a teoria participativa que ainda hoje é um paradigma administrativo. (240 páginas, R$ 32).

Qualificação profissional Partindo de pesquisa realizada em empresas de autogestão, Erika Porceli Alaniz analisa como se dão as relações de trabalho e as práticas de qualificação profissional, para fundamentar um diagnóstico detalhado sobre as mutações que ocorrem nas instituições onde foram implantadas novas formas de organização do trabalho. (288 páginas, R$ 38).

As inovações e tendências globais na gestão governamental Os últimos 30 anos foram marcados por significativas transformações na maior parte dos governos nacionais e subnacionais. Novos conteúdos foram incorporados às políticas públicas, alterando profundamente os programas e procedimentos adotados pelos gestores. Os dirigentes não buscam apenas prestar serviços e reagir a crises econômicas e catástrofes nacionais. Hoje, mais do que nunca, é preciso competência para antecipar e prever problemas em um cenário de incerteza e desafios contínuos. Valores como transparência, engajamento, participação social e responsabilidade compartilhada, entre outros, passam a integrar a agenda de governantes e funcionários públicos. Em Administração pública: coletânea (649 páginas, R$ 55), os pro-

fessores B. Guy Peters, da Universidade de Pittsburg (Estados Unidos) e Jon Pierre, da Universidade de Gothenburg (Suécia) reúnem as contribuições de quase duas dezenas de pesquisadores das mais diversas partes do mundo, organizadas em 28 capítulos que abordam desde o debate conceitual da área até análises comparativas internacionais. Um guia essencial tanto para estudantes de Administração, Direito e Relações Internacionais, como para funcionários do governo.

O papel da Igreja católica nas transformações políticas de São Paulo A partir dos anos 1970, a Igreja católica assume um protagonismo político na sociedade brasileira, ao afrontar o Estado ditatorial, denunciando as violações dos direitos humanos e as injustiças sociais. Mas, na década seguinte, seja por pressão do Vaticano,

seja pela própria abertura democrática por que passa o país, há uma diminuição de seu papel como ator político. Em Transformar a metrópole Igreja católica, territórios e mobilizações sociais em São Paulo 1970-2000 (360 páginas, R$ 54), a pesquisadora francesa Catherine Iffly investiga as razões dessa mudança. Mais do que um estudo sobre os bastidores das disputas religiosas, a autora propõe uma reflexão sobre o complexo quadro político e social brasileiro do período, caracterizado pela formação de vários movimentos sociais.


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Dois séculos de livros brasileiros A multifacetada história da imprensa ao longo dos últimos duzentos anos é agora resgatada em Impresso no Brasil: dois séculos de livros brasileiros (663 páginas, R$ 59), que reúne 35 ensaios de 41 pesquisadores, organizados pelos professores Aníbal Bragança, da Universidade Federal Flumi-

nense, e Márcia Abreu, da Unicamp. O tema central é analisado por diferentes âmbitos. A primeira parte, “Uma nova história editorial brasileira”, aborda a questão da perspectiva de editores, tipógrafos e livreiros. Na segunda, “Cultura letrada no Brasil”, o mote são os autores e leitores. O conjunto constrói um retrato das peculiaridades da origem, os desafios do transcurso e o panorama que se descortina para esse elemento essencial da vida cultural do país.

O livro e a leitura em destaque A questão do livro e da leitura é o objeto de estudo e análise de diversos autores e obras, muitas delas referências obrigatórias sobre o assunto. Nesse sentido, destacam-se as obras de Roger Chartier, especialista francês em História da Leitura, como A aventura do livro: do leitor ao navegador (160 páginas, R$ 55), que reconstrói a história do livro, desde seu início na Antiguidade até a era da navegação na Internet. Já em Os desafios da escrita (144 páginas, R$ 27), Chartier reúne cinco ensaios que mostram como o mundo digital está alterando a relação do leitor com o texto impresso. E, em Leituras e leitores na França do Antigo Regime (395 páginas, R$ 46), o pesquisador analisa as práticas de leituras e as relações entre textos e comportamentos. A leitura e a escrita são também dissecadas em duas obras do linguista americano Steven Roger

Fischer. Em História da leitura (340 paginas, R$ 50), narra e reflete sobre esta prática que inspira e capacita o mundo: a leitura. Já em História da escrita (293 páginas, R$ 45), discute as dinâmicas sociais que envolvem a escrita, das primeiras inscrições até os meios eletrônicos. Em um clássico sobre produção editorial, Emanuel Araújo apresenta em A construção do livro (640 paginas, R$ 96) todas as fases da edição de obras literárias, desde a preparação de originais até a impressão final. A formação do leitor, o contexto da leitura e a produção literária para crianças e jovens no Brasil são as questões centrais da coletânea organizada por Maria Zaira Turchi e Vera Maria Tietzmann Silva, em Leitor formado, leitor em formação – leitura literária em questão (256 páginas, R$ 34). E, na coletânea Territórios da leitura – da literatura aos leitores (272 paginas, R$ 37), organizada por Vera Teixeira Aguiar e Alice Áurea Penteado Martha, são analisados os caminhos percorridos pela criação literária, considerando os aspectos da produção, circulação e recepção.

L I T E R AT U R A Poética do romantismo

Com autores como Novalis, Tieck e os irmãos Schlegel, entre outros, a primeira fase do romantismo alemão gerou conceitos que marcaram profundamente o pensamento crítico e teórico da literatura moderna. A partir da análise desse período, Márcio Scheel estabelece uma discussão sobre a mudança de paradigmas da experiência estética e sua ruptura com padrões clássicos de análise e julgamento da obra de arte. (167 páginas, R$ 28).

História de quinze dias, história de trinta dias

Ao reunir as crônicas publicadas por Machado de Assis, sob o pseudônimo Manassés, na seção “História de quinze dias”, posteriormente rebatizada “História de trinta dias”, da revista Ilustração Brasileira, Silvia Maria Azevedo traz ao público uma amostra vivenciada de um Império tropical obcecado pelos padrões culturais e intelectuais europeus. A genialidade do Machado de Assis cronista constrói um retrato poderoso desse país peculiar, oscilante entre os esforços modernizadores e a incipiência cultural e econômica. (214 páginas, R$ 42).

Rimas de ouro e sândalo

De um lado, Victor Hugo, um dos autores mais importantes da França do século XIX. De outro, Machado de Assis, a maior figura da literatura brasileira. E, no centro desse embate, a pesquisa detalhada de Daniela Mantarro Callipo, cujo objetivo é demonstrar a importância da presença do poeta francês nas crônicas de Machado de Assis escritas entre 1859 e 1897. Além de acompanhar as reflexões machadianas, a autora expõe os contextos históricos, políticos e literários em que cada crônica está inserida. (262 páginas, R$ 37).

Tagarelice espirituosa

A partir da apreciação de mais de oitocentas cartas de Guy de Maupassant, escritas ao longo de quase trinta anos (1862 e 1891), Brigitte Hervot identifica no escritor um pensamento crítico e dinâmico de literatura, em que as missivas privadas são usadas como um espaço para pensar e refletir sobre a criação artística, bem como para explicitar sua concepção estética de literatura. Uma contribuição ímpar para o ainda carente campo da epistolografia. (274 páginas, R$ 39).


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HUMANIDADES A Cinemateca Brasileira: das luzes aos anos de chumbo O historiador Fausto Douglas Correa Júnior discute o conceito de cinemateca desde o surgimento das primeiras coleções de filmes até os dias atuais, para compreender as especificidades da experiência brasileira, sobretudo o projeto da instituição para o campo da educação e de políticas culturais no Brasil no período entre 1952 e 1973. (292 páginas, R$ 46).

A formação dos patrimônios religiosos no processo de expansão urbana paulista Nas últimas três décadas do século XIX, São Paulo viveu uma verdadeira “corrida para o oeste”. Com o avanço das lavouras de café, tocadas por imigrantes, surgiram no interior do estado os patrimônios religiosos – povoados cujas origens vieram de terras aforadas pela Igreja católica. Nilson Ghirardello analisa o processo transformação desses povoados em cidades. (264 páginas, R$ 50).

Consciência e má-fé no jovem Sartre: a trajetória dos conceitos Renomado filósofo francês, escritor e crítico, JeanPaul Sartre é conhecido como o representante do existencialismo, que inseriu a filosofia na vida de pessoas comuns. Na busca de ampliar essa contribuição, Malcom Guimarães Rodrigues discute os conceitos de consciência e má-fé, alguns dos mais difíceis de serem compreendidos no contexto do pensamento sartriano. (243 páginas, R$ 30).

A rebeldia e as tramas da desobediência Aparentemente, os jovens e adolescentes de hoje estão por toda parte, em tribos, turmas e gangues, e, ao mesmo tempo, não estão em parte alguma, recolhidos na solidão eletrônica das comunidades virtuais. Quando questionados sobre sua condição, parecem cada vez mais segmentados. A psicóloga Maria Lúcia de Oliveira dedica-se a decifrar esse paradoxo. (143 páginas, R$ 15).

Coletânea de Thomas Kuhn ganha versão em português Às vésperas de completar 35 anos de sua publicação original, o público brasileiro tem agora acesso a um conjunto de ensaios selecionados por Thomas Kuhn sobre tradição e mudança científica, reunidos em A tensão essencial (404 páginas, R$ 58), obra em que propõe uma mudança no método da História da Ciência, bem como uma nova historiografia da Filosofia da Ciência.

Consagrado como um dos maiores historiadores e filósofos da ciência do século XX, Kuhn realça alguns traços fundamentais da atividade científica: a inovação e a revolução teóricas, o significado e o alcance da medição, o fenômeno da rejeição e da recepção do conhecimento novo e a natureza da “ciência normal”. Segundo Peter Medawar, Prêmio Nobel de Medicina em 1960, “estes estudos reunidos lançaram bastante luz sobre a evolução original e as posteriores reformulações do provocativo A estrutura das revoluções científicas. Lidos em conjunto, revelam uma mente profunda e sutil, batalhando para articular e resolver tensões entre diferentes tipos de conhecimentos e experiências”.

Fundação Editora Unesp comemora 15 anos Quando foi inaugurada em 1987, a Editora da Unesp tinha o objetivo maior de ser um referencial na divulgação da produção acadêmica da Universidade, para que esta pudesse se destacar ainda mais entre outras grandes instituições nacionais e internacionais. Foi então que, em 1996, a Editora ganhou caráter de Fundação, por decisão do Conselho Universitário, se firmando definitivamente como uma difusora de conhecimento, abarcando outras áreas não exploradas anteriormente. Agora, em 2011, a Fundação comemora 15 anos, apresentando um notável

crescimento em sua atuação no mercado editorial. Ao longo desses anos, a Fundação Editora Unesp se tornou reconhecida, sendo suas publicações agraciadas em mais de uma ocasião com o Prêmio Jabuti e com condecorações da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Através de sua ocupação de destaque na Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU) e na Associação de Editoras Universitárias da América Latina e do Caribe (EULAC), a Fundação Editora Unesp comemora mais um aniversário representando grandes autores.

Este boletim é uma publicação da Fundação Editora da Unesp Praça da Sé, 108 | 01001-900 | São Paulo (SP) | Fone (11) 3242-7171 feu@editora.unesp.br | vendas@editora.unesp.br | www.editoraunesp.com.br www.livrariaunesp.com.br | www.culturaacademica.com.br Presidente do Conselho Curador: Herman Jacobus Cornelis Voorwald Diretor-Presidente: José Castilho Marques Neto Editor-Executivo: Jézio Hernani Bomfim Gutierre Superintendente Administrativo: William de Souza Agostinho Conselho Editorial Acadêmico: Alberto Tsuyoshi Ikeda, Célia Aparecida Ferreira Tolentino, Eda Maria Góes, Elisabeth Criscuolo Urbinati, Ildeberto Muniz de Almeida, Luiz Gonzaga Marchezan, Nilson Ghirardello, Paulo César Corrêa Borges, Sérgio Vicente Motta, Vicente Pleitez.

Produção editorial e gráfica: Pluricom Comunicação Integrada www.pluricom.com.br | 11 3774-6463 Jornalista responsável: Katia Saisi (MTb 15.918) Editores: Carlos Sandano e Heloisa Pereira Redação: Bianka Saccoman e Juliana Monteiro Edição de arte: Antonio Carlos Prado Permitida a reprodução desde que citada a fonte.


Boletim FEU  

26 ediçoes de Newsletter da Fundaçao Editora da Unesp, produzido para a Pluricom Comunicaçao Integrada

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