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Boletim de formação e espiritualidade do Ministério dos Acólitos Ano I – Nº04 – Dezembro de 2012 ________________________________________________________________________________________

“É verdade que Jesus não nasceu dia 25 de Dezembro?” São encontradas inúmeras especulações na intenção de responder a essa questão aparentemente tão importante para a cristandade, o que mostra que há tantas hipóteses quanto o número de pessoas opinando. Muitos estudiosos católicos afirmam que Jesus não nasceu na data fixada, e que esta é apenas simbólica, pois se trata de um período de inverno em toda Israel o que tornaria impossível a peregrinação de Maria e José a Belém e o pastoreio de rebanhos nos campos da região (Lc 2,8). O que pode ser passível de comprovação sobre o ato de celebrar o Natal pela Igreja é que a festividade a 25 de Dezembro tem origem na antiga festa do sol. A Roma pagã comemorava o “Natale Soli Invicti” (Nascimento do sol invencível), isto é, a festa solsticial consagrada ao sol, cuja luz começava a prevalecer sobre a noite. Ao decidir o combate a essa festa pagã, intensamente marcada por bebedeiras e orgias, o clero romano teria pensado no nascimento de Jesus que, conforme o Evangelho é a verdadeira luz do mundo (cf. Lc 2,32). Há controvérsias sobre o ano específico em que a Igreja regulamentou 25 de Dezembro como o natal de Jesus. Pelo que se sabe foi no pontificado de São Telésforo (anos 125-136) que se fizeram as primeiras cogitações sobre a festividade, no entanto, o Papa Júlio I (337-352) foi quem a ratificou. Sempre houve uma tendência para situar o nascimento de Cristo em outro dia: São Clemente de Alexandria sugeria novembro; alguns religiosos pregam que Ele nasceu em abril ou maio; um cronista em 243 propõe 28 de março, e assim por diante. Consagrada por Roma a data, toda a Igreja a adotou. Assim, no século IV o 25 de dezembro passou a ser festa do “Dies Natalis Domini” (Dia do nascimento do Senhor), por decreto do papa Libério (352-366). À medida, porém, que o Cristianismo alcançou terras pagãs, o papa São Gregório Magno (590-604) e a pregação dos missionários transformaram o Natal também em festa popular. Esta festa chega a 2012 repleta de símbolos oriundos de diversas tradições, porém com o sentimento comum do amor e renovação que a vinda de Cristo nos trouxe, o que indubitavelmente não deve ser comemorado apenas em Dezembro, mas em todos os meses e dias do ano. Jéssica Deógene Acólito.


Nosso Escudo: as Faixas Acima e abaixo do escudo, há duas faixas brancas, abertas, porém entrelaçadas nas pontas. Na faixa superior há expresso em vermelho o nome da agremiação em questão, em latim, “Ministera Acolythi”, traduzido como “Ministério dos Acólitos”; a faixa inferior expressa o lema do grupo particular, em latim, “Introibo Ad Altare Dei”, traduzido como “Aproximar-me-ei do Altar de Deus”. As faixas brancas aludem à pureza de corpo e alma com que os acólitos devem se aproximar do Altar da Eucaristia, purificados pelo Sacramento da Confissão,servindo a Cristo, à Igreja e ao sacerdote celebrante. (Trecho extraído da ata de Feitio e classificação do Distintivo do Ministério dos Acólitos,com data de 05 de junho de 2010) ___________________________________

Notícias da Igreja:

Bento XVI proclamou dois novos Doutores da Igreja! No último dia 07 de outubro, durante a celebração da abertura do Sínodo dos Bispos, Sua Santidade o Papa Bento XVI proclamou Doutores da Igreja os Santos João de Ávila (1500-1569) e Hildegarda de Bingen (1098-1179), subindo para 35 o número dos eleitos. Pelo título de “Doutor”, a Igreja reconhece que os ensinamentos teológicos destes santos são úteis para os católicos de todos os tempos. Ademais, Bento XVI esclareceu que as vidas e doutrinas de João e Hildegarda são atualíssimas e válidas para toda a sociedade: “Hildegarda foi uma monja beneditina no coração da Idade Média alemã, uma verdadeira mestra da Teologia e uma profunda estudiosa das ciências da natureza e da música. João de Ávila foi um sacerdote diocesano dos anos do Renascimento espanhol, participou do trabalho de renovação religiosa e cultural da Igreja e da sociedade em direção da modernidade”..


oração do Santo Rosário e a adoração ao Santíssimo Sacramento, Adílio conheceu o padre Manuel Gómez González, um sacerdote espanhol recém chegado àquelas terras e que fora por vezes hóspede da família Daronch. Adílio, logo que recebeu o sacramento da Eucaristia, pelas mãos do padre Manuel, passou a exercer os ofícios de “coroinha”; assim, acompanhava o padre às mais longínquas capelas da região, celebrando a Eucaristia, administrando sacramentos e ouvindo confissões. Acerca do jovem Adílio Daronch, poucas são as informações documentais que restaram; entretanto, o que se sabe dele, seja pelas recordações de seus parentes e amigos, e até mesmo pelas informações de seu próprio assassino, é suficiente para justificar sua “fama de santidade” e atestar sua “paixão”. Adílio foi o terceiro filho do casal Pedro Daronch e Judite Segabinazzi, tendo nascido a 25 de outubro de 1908, em Dona Francisca, estado do Rio Grande do Sul. A família possuía limitadas condições, razão pela qual mudaram de cidade diversas vezes até se instalarem permanentemente em Nonoai (também no Rio Grande do Sul), onde seu pai sustentava a família com os trabalhos de uma pequena farmácia homeopática e fazendo alguns serviços como fotógrafo.

Numa das visitas rotineiras, passando pela localidade chamada Feijão Miúdo (hoje município de Três Passos), Adílio e padre Manuel caíram numa cilada que lhes armaram alguns revolucionários; eles foram atados a uma árvore – como o Cristo atado à coluna em sua paixão – e foram brutalmente fuzilados. Era o dia 21 de maio de 1924, e Adílio tinha apenas 16 anos de idade. Antes de fuzilarem o “coroinha”, os assassinos ofereceram-lhe a chance de se salvar, desde que fosse embora e não contasse a ninguém o que vira. Mas o rapaz mostrou-se impassível, preferindo a cruz que renunciar à coroa do martírio; preferia morrer por uma única certeza que viver por diversas incertezas; ademais, não queria deixar só, nas mãos dos cruéis assassinos, o sacerdote que tanto lhe ensinara. Assim, permanece fiel até o fim.

Apesar de modesta, a família gozava de enorme prestígio dos vizinhos, seja pela honestidade nos seus negócios, seja pela extrema bondade e caridade com que a todos atendiam. Foi num lar assim que o pequeno Adílio Daronch foi educado e instruído na fé.

Adílio e padre Manuel foram beatificados em 21 de outubro de 2007, e propostos como modelos de fé aos brasileiros, e especialmente aos acólitos, que devem enxergar no jovem beato um incentivo à prática devota e fiel da religião e dos sagrados ofícios litúrgicos.

Adílio era um rapaz bastante reservado, gostava de passar algumas tardes jogando futebol com os companheiros, que viam nele um líder nato e sempre o elegiam o capitão do time. Incentivado desde pequeno à prática das devoções, como a

O Beato Adílio assemelha-se ao Cristo que opta por entregar a própria vida para testemunhar, por meio do sacrifício, a vontade do Pai, que é amor e fidelidade... Beatos Adílio e Manuel, rogai por nós!


As mulheres podem ser “acólitas”? – (Parte II) –

Como visto no mês de novembro, a instrução “Redemptionis Sacramentum”, de 1994, abre a possibilidade de se admitir as mulheres no ministério dos acólitos, tratando-se, aí, de um “ministério extraordinário”, quer dizer, diante de uma necessidade particular e sem vínculo com o sacramento da ordem ou com os chamados “ministérios instituídos” (reservados apenas aos homens). Além deste documento, também outros (como o Código de Direito Canônico e Documento de Puebla) possibilitam ou incentivam a presença feminina no presbitério. Vimos também que a determinação da Redemptionis Sacramentum (número 47) estabelece que a condição para que o ofício dos acólitos possa ser desenvolvido também por mulheres depende do parecer do Bispo diocesano e a correta observação às normas que reservam aos acólitos instituídos algumas funções. Em virtude de uma “nobre tradição” a Igreja sempre solicitou que se conservasse a presença masculina no desempenho dos ofícios do acólito. É sabido que o Concílio Vaticano II, ao criar uma nova liturgia, abriu os ministérios da Igreja – exceto os ordenados – a todos os leigos idôneos das comunidades, inclusive recomendando que sua admissão seja feita diante da comunidade, por “simples designação ou bênção litúrgica” própria (Instrução do Missal Romano, n.107). Os que desaprovam as “acólitas” acusam essa abertura do Vaticano II de levar à confusão o sacramento da ordem, segundo os quais está intimamente ligado ao acolitato. Entretanto, como já vimos, este concílio desvinculou este ministério da ordenação, transformando-o de “ordem menor” a “ministério instituído”. É nestas condições que homens e mulheres leigos podem ser admitidos no acolitato

extraordinário. Quiçá, um dia o possam ser também instituídos! Assim, não restam dúvidas de que, ainda que o Vaticano II suscite ou estabeleça algumas confusões, outras estão sendo às suas agregadas. Cuidemos para não incorrermos também nós nisso! A própria Redemptionis Sacramentum reconhece a importância da participação de homens no acolitato extraordinário, pois, ao longo dos séculos, muitas foram as vocações sacerdotais que aí foram despertadas. Obviamente não se pode negar que, mesmo antes do Vaticano II, a grande maioria de vocações religiosas consagradas sempre foi de mulheres; mas não se pode ignorar também a contribuição no despertar da vocação religiosa feminina pelo exercício do acolitato. Se isto não pode ser usado como regra de ouro em todos os lugares, ao menos nossa paróquia pode dar um bom exemplo, uma vez que, só do grupo de acólitos da comunidade São José, quatro moças se tornaram freiras, uma, inclusive, monja de clausura, em Uberaba. Além do mais, É preciso sempre deixar claro que a Igreja não tem a faculdade de ordenar mulheres (João Paulo II assim o definiu na Carta Apostólica “Ordinatio Sacerdotalis”, de 1994). Em todos os outros casos, cabe a obediência à Igreja e ao seu Magistério, que se conforma à obediência ao próprio Deus... (Catecismo da Igreja Católica, nn. 2088-2089). Fernando Martins, coordenador e acólito.

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Acolytathus  

Boletim de formação para Acólitos.