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ANO XXXIV - Nº 1194 - MAIO/JUNHO DE 2017

ACMINAS REÚNE GRUPO DE NOTÁVEIS PARA PRODUZIR CONHECIMENTO TRANSFORMADOR Foco da primeira reunião foi a busca de soluções para a geração de empregos

O think tank da ACMinas: ao fundo, Ozires Silva

CAFÉ PARLAMENTAR RECEBEU EMBAIXADOR DE ISRAEL

Yossi Shelley falou sobre reaproximação entre o Brasil e seu País, que possibilitará ampliar o intercâmbio comercial. PÁGINAS

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CAMELÔS CONTINUAM NO CENTRO DE BH

Em nova reunião do S.O.S. Hipercentro, secretária Maria Caldas afirmou que Plano de Reabilitação do Hipercentro será implantado, relativizando prazos. PÁGINAS

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EDITORIAL

QUEM TEM MEDO DE UM THINK TANK? Lindolfo Paoliello Presidente da ACMinas

EXPEDIENTE

Hoje o mandato do presidente da República está sendo julgado. É o ponto culminante de um emaranhado de fatos que põem em dúvida paradigmas e crenças, acompanhados da herança costumeira e trágica de situações análogas: perplexidade, desesperança e paralisação. A reconstituição desses fatos e da atitude que os precede tem me levado a pensar que estamos todos sendo julgados. É que nós somos nós e nossa circunstância. Explico a seguir esse ponto de vista: Ao criar a ideia ”Sou eu e minha circunstância”, José Ortega y Gasset acrescentou: “E se não a salvo (à circunstância), não salvo a mim”. Primeiro, há um “eu” que está nativa e permanentemente aberto à circunstância que o circunda. Um “eu” que não pensa, não age – não vive – sem considerar a circunstância em que atua. Em seguida, consideremos que

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o pano de fundo onde se opera essa conjugação entre o “eu e sua circunstância” é um país. A Espanha. Vem então o acréscimo à frase famosa, estabelecendo que “se não a salvo, não salvo a mim”. O que significa para Ortega y Gasset salvar a circunstância? Salvá-la significa compreendê-la! Compreendê-la em todas as suas nuances e conexões. Sendo tal a unidade entre eu e a circunstância que se não a salvo – querendo dizer, se não a compreendo – não salvo a mim mesmo. Não salvo a vida a que devo me ater. E só vivo, verdadeiramente, situado no meu espaço e no meu tempo. Não sou eu que estou dizendo, é um filósofo que inovou o pensamento do século XX: “Somos uma coisa só: nós, nosso espaço e nosso tempo”. Para completar, deixo-lhes o entendimento de outro pensador espanhol, Júlio Garcia Morejón, sobre

o que é, de fato, o ensinamento que Gasset y Gasset nos deixou: “Se alguém está se afogando, é na própria água em que se afoga que deverá buscar apoio para se salvar”. Adotemos agora o Brasil como pano de fundo de que somos nós e nossas circunstâncias. Não temos como nos pôr fora dessas águas. Desta vez abusando da metáfora, desculpem-me, somos nós a chuva que as alimenta com nossa atitude e nossos atos, nossos acertos – nossos muitos erros – e nossa imperdoável omissão. Recoloco-me na data de hoje. Ela me transporta ao julgamento da chapa Dilma/Temer, na verdade à decisão de afastar ou não o presidente da República, e com isso tomo de volta minha incômoda afirmação de que neste estranho quadro, em que

PUBLICAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E EMPRESARIAL DE MINAS Registro nº 647 no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas da Comarca de Belo Horizonte Redação: Av, Afonso Pena, 372 – Centro – BH – MG – CEP: 30130-001 Tel.: 3048-0715 e 3048-0714 – e-mail: imprensa@acminas.com.br Assessor de Comunicação: Antônio Rubens Ribeiro Presidente: Lindolfo Paoliello Presidente de Honra: José Alencar Gomes da Silva (in memoriam) Vice-Presidentes: Aguinaldo Dinis Filho, Fábio Guerra Lages, Hudson Lídio de Navarro, Hélcio Roberto Martins Guerra, José Mendo Mizael de Souza, Marcos Brafman, Modesto Carvalho de Araújo Neto, Paulo Eduardo Rocha Brant, Paulo Sérgio Ribeiro da Silva, Romel Erwin de Souza, Ruy Barbosa de Araújo Filho, Sérgio Bruno Zech Coelho, Wagner Furtado Veloso e Wilson Nélio Brumer

Editora Responsável: Gabriela Carvalho – Reg. Prof.: MG 13549 JP Projeto Gráfico e Diagramação: CMR Comunicação 31 99675-6188 Publicidade: José Carlos Cruz Fone: 31 3048-9560 publicidade@acminas.com.br Estagiário: João Victor Morato Fotos: Fábio Ortolan Impressão: Gráfica Del Rey

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não está claro que o que se pinta é a judicialização da política ou a politização da Justiça, estamos todos sendo julgados. Crime de responsabilidade? Somos, lá na origem, corresponsáveis. Não podemos nos esquecer: Está no artigo primeiro, parágrafo único, da Constituição: “Todo o poder emana do povo”. Será que não estamos sabendo exercê-lo, ou não queremos exercê-lo, com suas responsabilidades? Chegamos ao ponto de usar a terceira pessoa quando nos referimos a “essa gente” e “esse país”. O povo é um conjunto de indivíduos que para deter o poder tem que exercer o poder; a sociedade, por sua vez, é um meio para os indivíduos se realizarem como seres humanos, na medida em que realizam seus valores e desejos. Guimarães Rosa escreveu: “O grande sertão é a forte arma. Deus é um gatilho?” Arriscando uma analogia, eu perguntaria: A sociedade é a forte arma. A vontade individual é um gatilho? Minha primeira experiência articulada no campo da promoção da cidadania deu-se na indústria automobilística. Estávamos empenhados na construção da imagem institucional da Fiat Automóveis – no final dos anos 70 e primeira metade da década de 80 – e a estratégia proposta foi ir ao encontro dos anseios da sociedade brasileira. Essa intenção foi exposta no próprio slogan institucional da empresa: “A ideia é ser útil”. Eram nossos “produtos fuoriserie“: o Prêmio Fiat para Universitários; o projeto “O Livro até Você”, que transformava temporariamente em livrarias os showroons das concessionárias; o Programa Cultural Conjunto com a Fundação Roberto Marinho, responsável pela recuperação de importantes acervos do patrimônio histórico nacional; as Edições Fiat, com uma surpreendente

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NESTE ESTRANHO QUADRO, EM QUE NÃO ESTÁ CLARO QUE O QUE SE PINTA É A JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA OU A POLITIZAÇÃO DA JUSTIÇA, ESTAMOS TODOS SENDO JULGADOS

linha editorial baseada na busca da identidade nacional em pleno regime militar, e o Concerto na Praça, que por alguns anos encantou as noites das sextas feiras na Praça da Liberdade. Na década de 90, nosso escritório de Consultoria em Comunicação Empresarial foi responsável por um projeto que por quase 10 anos movimentou as lideranças de Belo Horizonte: “Cidade em Debate”, uma iniciativa nascida da ideia da Ágora grega que transformava o mall do Shopping Cidade em local de discussões sobre as questões relevantes da cidade. Em 2001, um programa realizado em Brasília pela AED – Agência de Educação para o Desenvolvimento, em parceria com o Instituto de Política, nos proporcionou um excelente aprendizado em Empreendedorismo Político. Destinado a desenvolver a capacidade na articulação política, base para o exercício da liderança, o objeto e metodologia do programa referem-se ao modo como as pessoas se organizam e como regulam os conflitos decorrentes do entrechoque de suas opiniões e interesses. Interessante é que, representando um movimento para criar condições favoráveis à realização de um projeto, este nunca será exatamente aquele que estava originalmente na cabeça do

empreendedor político e sim o resultado de múltiplas interações de sua ideia com os demais projetos de outros agentes. Entre 2001 e 2006, criamos um foro que se aproximou do modelo deste que acabamos de apresentar, o Clube de Ideias: o Conselho Empresarial de Política e Estratégia da ACMinas. Eliezer Batista foi seu presidente de honra e participaram dedicadamente das discussões promovidas pelo Conselho nomes como os de Mário Behring, Murillo Mendes, José Israel Vargas, Ivan Moura Campos, Raul Machado Horta, Wilson Brumer, Luis Claudio de Almeida Magalhães, Cláudio de Moura Castro, Luís Aníbal de Lima Fernandes, Marcos Sant’Anna, Paulo Gazzinelli e outros expoentes. Deste Conselho surgiram recomendações para questões relevantes como o ”apagão” energético, a nova ordem internacional, a segurança da Amazônia, o planejamento urbano da Grande BH, o desafio da inserção internacional, o trinômio águas-energia-logística como alavanca do desenvolvimento e, ao final, um projeto para o Brasil. No entanto, a proposta fundamentada e bem delineada de um think tank surgiu de um projeto que elaboramos na Fundação Dom Cabral, em 2007, por iniciativa do professor Emerson de Almeida. A grande sacada veio de um dos integrantes do Conselho Curador da FDC. Seu nome, Ozires Silva. Em uma entrevista que nos concedeu, ele alertou: “Vivemos no mundo um momento mágico de mudanças. É uma oportunidade e não podemos ficar fora dela. É o momento de levantarmos a voz da cidadania e dizer o que queremos deste país. Tenho repetido que o meu papel na empresa sempre foi o de educar a organização para o futuro. Isto vale para todas as organizações.

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Elas não podem fugir a uma responsabilidade maior, de sentido mais amplo, que é o de contribuir para que as empresas pensem o País. Não temos no Brasil uma parceria entre o setor empresarial e o Governo para solução de grandes problemas nacionais. Está em tempo de ela ser criada”. Procurando aprofundar nesse gesto de extroversão das organizações que começa por um movimento de extroversão dos indivíduos, contamos, na elaboração daquele projeto, com a contribuição preciosa de dois psicanalistas. O primeiro, professor Carlos Alberto Corrêa Salles, então representante do Instituto Jung no Brasil. Tendo salientado que a individuação é o ponto central da obra de Jung, ele registrou: “Por individuação entendese vida. Vida neste mundo. A individuação deve conduzir a uma mais intensa relação com a coletividade e não a um isolamento. Ou uma pessoa (ou uma organização, permitimo-nos acrescentar) ou uma pessoa lida com a realidade ou a realidade virá lidar com ela”. Concluindo com os fatores que se opõem à individuação, o mestre junguiano nos ensinou: “Seguir o caminho da individuação implica, muitas vezes, uma rebeldia para com os valores do meio, que podem ser os valores de uma fase da vida. Nos mitos e lendas, essa é também a fase em que o herói tem de lutar contra as forças que tentam entorpecê-lo, mantendo-

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o inconsciente”. Mas atenção, amigos. Não vamos perder de vista que a ideia de que somos nós e a circunstância é o nosso fio da meada e o Brasil é o pano de fundo nessa reflexão. Obtido o depoimento do professor Corrêa Salles, contamos com a contribuição da segunda psicanalista, Gilda Paoliello, esta voltada para a linha freudiana. Partiu da introversão como um mecanismo patológico que surge em situações de conflito que conduz à paralisação, ocorrendo um processo de retração da libido para o mundo interno, provocando a formação de sintomas e, consequentemente, produzindo sofrimento e desvio de energia. Acrescentou então, encaminhando para uma importante orientação ao nosso trabalho: “O tratamento psicanalítico, usando a associação livre através da palavra, busca decifrar o sentido do sintoma, procurando liberar essa energia, permitindo à pessoa sair da miséria neurótica, tornando-a capaz de amar e trabalhar”. Indo além, afirmou: “A estrutura é a mesma na psicologia das massas e na psicologia do sujeito. Portanto, podemos detectar um processo semelhante nas instituições. Nessa analogia do pessoal com o institucional, a ação terapêutica surge como o produto de uma conversação, através da qual se possa comparar ideias, funcionamento de instituições, propostas, estabelecendo um cálculo coletivo que encontraria um

denominador comum para as dificuldades e para os projetos. Um denominador que seria resultante não da soma mas da equivalência das demandas, quebrando edificações imaginárias e referências estáveis”. Estava apontado o caminho para a extroversão de uma organização e sua interação sadia e produtiva com o mundo. Vale a pena conhecer o final do depoimento da Dra. Gilda, no sentido de constatarmos para onde devemos ir: “Esse modus operandi chamado “cálculo coletivo”, bastante usado nos trabalhos coletivos das instituições psicanalíticas, parte do mesmo raciocínio que orienta um funcionamento institucional de constatada eficiência. Seu nome: think tank. É diferente do resultado de uma soma de opiniões: enquanto esta corresponde ao saber que se acumula, um cálculo coletivo corresponde ao saber que se produz. Que se realiza em confronto com o outro, ou os outros, levando a uma resultante nova”. Façamos dessa revelação a base do nosso Clube de Ideias. Que esta iniciativa se torne nosso legado como cidadãos. Que se concretize e produza bons resultados, conduzida com determinação inspirada nestes versos de Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce! {Pronunciamento feito no ato de apresentação do Clube de Ideias, no Espaço Institucional ACMinas, em 06/06/2017.

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SEMANAIS

ACMINAS EM MOVIMENTO Realizadas regularmente às terças-feiras, às 18h30, na sede da entidade, as reuniões plenárias da ACMinas vêm se dedicando ao ágil acesso de diretores, associados e convidados da entidade à análise de grandes questões empresariais. As mais recentes debateram temas como as mulheres em cargos estratégicos e a situação da tecnologia e da inovação no Brasil.

DNA DAS MULHERES EM CARGOS ESTRATÉGICOS Organizada por iniciativa do Conselho Empresarial da Mulher Empreendedora da ACMinas, a reunião semanal da Diretoria e Associados recebeu a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos/MG - ABRH, Eliane Maria Ramos de Vasconcellos Paes, para falar sobre “O DNA das mulheres em cargos estratégicos”, tema que envolve a presença e as características da atuação feminina nas corporações. Depois de apresentada pela presidente do Conselho, Christina Fabel, ela afirmou que “esse negócio de mulher, de feminismo não tem muito a ver. Não tem esse negócio de homem, mulher, melhor, pior. Quando a gente fala de empresas e de

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um bom perfil, não tem nada disso. Eu acho que tem lugar para todo mundo, eu acho que não tem muita diferença”, disse. Eliane comentou também sobre as incertezas do mundo atual e o quanto as coisas estão mudando muito rapidamente, exigindo que tanto empresas, funcionários e principalmente as mulheres se adaptem a essa nova competição que está surgindo. “Não são as grandes corporações que engolirão as pequenas. São as empresas ágeis que deixarão as lerdas para trás”, argumentou.

Eliane Paes: “tem lugar para todo mundo”

“A pergunta é: Vocês estão preparadas? O modo de vocês verem o mundo sustenta esse ambiente? E a resposta é que não temos muita alternativa. Ou nos modelamos, ou seremos modeladas. Se precisar forçar, é porque não é do seu tamanho. E isso serve para anéis, sapatos, amizades, profissão, relacionamentos”, finalizou.

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INOVAÇÃO, TECNOLOGIA E O FUTURO Quando o assunto é inovação, é comum se deparar com um universo de empreendedores com seus vinte e poucos anos, recém-formados, que sabem tudo de tecnologia e têm um negócio milionário nas mãos. Mas, antes mesmo desses novos gênios saírem das fraldas, um mestre da tecnologia já fazia história no cenário de inovação em Minas Gerais: o professor emérito do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Nivio Ziviani, que foi o convidado de reunião plenária da ACMinas, em encontro organizado pelo Conselho Empresarial de Inovação da entidade. Descrevendo o cenário da inovação no Brasil e no mundo, Ziviani lembrou o potencial da universidade brasileira e a importância desse potencial. “Nossa produção cientifica cresceu muito nos últimos 15, 20 anos, passando de 1% da produção mundial para quase 3%. E cresceu também em qualidade, mas

apesar de toda a expansão, a produção científica não gera PIB na proporção que deveria, como ocorre em países desenvolvidos”, afirmou. “Vejamos o cenário de pesquisa em desenvolvimento em três países”, prosseguiu. “Os Estados Unidos têm perto de 1,5 milhão de pesquisadores trabalhando em desenvolvimento; Coreia do Sul, perto de 250 mil e o Brasil com menos de 50 mil. Nos Estados Unidos, 80% do trabalho têm foco na indústria, 13%

nos departamentos universitários e 7% nos institutos de pesquisa”, afirmou. “Na Coreia é quase idêntico, mas no Brasil é o oposto:. pesquisas em desenvolvimento nas universidade federais, estaduais e paulistas, por algumas PUCs e institutos de pesquisa, cerca de 20%, enquanto na indústria, elas se concentram em poucas empresas, como Embraer, Vale, Petrobras. Não há pulverização, e temos que mudar esse cenário”, concluiu.

Para Ziviani, produção científica não gera PIB na proporção que deveria

ACMINAS DEBATEU AS NOVAS REGRAS PARA BARRAGENS DE MINERAÇÃO O Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da ACMinas registrou um recorde ao realizar, quatro dias depois da publicação no Diário Oficial da União de portaria do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) que, entre outras regulamentações, criou o Cadastro Nacional de Barragens de Mineração reunião para debater as mudanças, que teve 140 participantes, entre seus membros e empresas do setor.

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Segundo o presidente do Conselho, José Mendo Mizael de Souza, o encontro serviu para esclarecer todas as alterações instituídas pela portaria, o que ficou a cargo de especialistas no assunto: o Diretor de Fiscalização da Atividade Minerária do DNPM, Walter Lins Arcoverde, e o Superintendente-Substituto do órgão em Minas Gerais, Jânio Alves Leite. Também falaram o Superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM)

em Minas Gerais, Urquiza de Hollanda, e o coordenador nacional da Diretoria de Fiscalização dos Assuntos Relativos a Barragens de Mineração do DNPM para todo o Brasil, Geólogo Luiz Paniago Neves. Ainda de acordo com Mendo, o encontro possibilitou esclarecer o grande número de dúvidas sobre um tema que, por seu alcance e pela extensão de seus efeitos, é bastante complexo.

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TRANSPORTE AÉREO

PAMPULHA CONTINUARÁ OPERANDO AERONAVES DE MENOR PORTE Presidente do BH Airport cumprimenta ACMinas pelo seu posicionamento O diretor presidente do BH Airport, Paulo Cezar de Sousa Rangel, visitou o presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello, para cumprimentar a entidade pela sua posição quanto ao anunciado retorno da operação de aeronaves com capacidade para 110 ou mais passageiros no Aeroporto da Pampulha. Logo que anunciada a proposta da ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil naquele sentido, a ACMinas firmou declaração conjunta com o coordenador da Frente Parlamentar de Apoio ao Comércio e Serviços na ALMG, deputado Antônio Carlos Arantes, na qual considerou a proposta uma expressão de falta de comprometimento com investidor externo que acreditou no projeto do Governo Federal de privatização de aeroportos.

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tou vários impactos negativos que a medida traria, entre eles o cancelamento de linhas internacionais partindo do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, além da redução de destinos ali conectados e o aumento no preço das passagens. Adriano Gonçalves de Pinho e Paulo Rangel (ao centro, com Monica Considerou, ainda, a Cordeiro e Lindolfo Paoliello) agradeceram apoio da entidade perda de qualidade dos serviços aos passageiros, Da mesma forma, acrescentou a devido às limitações do terminal da nota, estariam sendo desrespeitados Pampulha em relação ao de Confins. os participantes da audiência públiA visita teve também o caráter de ca promovida na Assembleia Legisdespedida de Paulo Rangel, que lativa, na qual se registrou discorassumirá, em São Paulo, a presidância quase unânime quanto ao uso dência da Via Oeste, empresa do do Aeroporto da Pampulha por grupo CCR, um dos controladores aviões de grande porte. do BH Airport. E também de apreA decisão do Ministério dos sentar seu substituto, Adriano Transportes foi tomada com base em Gonçalves de Pinho, até então direparecer de sua área técnica que detector de infraestrutura da empresa.

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CAFÉ PARLAMENTAR

EMBAIXADOR ISRAELENSE QUER EXPANDIR RELAÇÕES COMERCIAIS COM MINAS GERAIS Em Café Parlamentar na ACMinas, ele abordou as relações políticas e econômicas entre seu país e o Brasil Ao fazer a saudação ao novo embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, que participava de Café Parlamentar na ACMinas, o presidente da entidade, Lindolfo Paoliello, destacou que aquele país detém posição de destaque mundial por investir maciçamente nos setores de pesquisa e de desenvolvimento. “São estes investimentos”, afirmou, “que propiciam as posições de destaque que Israel ocupa: é campeão mundial em startups, está na vanguarda mundial de TI, em tecnologias para o setor médico e recebe entre duas e três vezes mais capital de

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rial pequena, comparável à de Sergipe e constituída em quase 90% por terrenos áridos, escassez de recursos naturais e população similar à da cidade de São Paulo – demonstra uma das principais características do povo israelense: a tenacidade.” Acompanhado pelo Embaixador Shelley e Lindolfo Paoliello, presidente da ACMinas Adido para Assuntos Econômicos da Embaixada, risco que os Estados Unidos e que Daniel Kolbar, o embaixador, fazia sua todos os países da Europa.” primeira visita a Minas, especifica“Tudo isto”, destacou, “em notá- mente para participar do encontro, vel contraponto a características fran- que foi articulado pelo vice-presicamente desfavoráveis – área territo- dente da ACMinas Marcos

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Kolbar apresentou oportunidades de negócios

Brafman. Fazendo um balanço das relações de seu país com o Brasil nos campo político e diplomático, Shelley disse que “elas não andaram muito boas até pouco tempo atrás, devido às posições assumidas pelo governo brasileiro, desfavoráveis ao Estado de Israel, mas agora estão muito melhores”. Um sinal disto é a sua própria nomeação, pois a representação israelense estava há dois anos sem embaixador. “Esta política”, prosseguiu, “vinha prejudicando o potencial de negócios bilaterais. Agora, com a mudança de cenário, abrem-se perspectivas muito boas de incrementar as relações comerciais, inclusive aqui em Minas Gerais, e, já temos conversado bastante com empresários e autoridades brasileiras nesse sentido, pois isto faz parte do meu trabalho.” O diplomata, que é ex-militar e adquiriu experiência como homem de negócios como executivo em várias empresas e no setor público, concluiu sua fala com um ditado de seu País: “Falar e prometer não custa dinheiro”, citou. “Por isso não quero falar e prometer; quero é fazer negócios.”

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COMÉRCIO BILATERAL TEM ESPAÇO PARA CRESCER As perspectivas mencionadas pelo embaixador Yosser Sheley foram detalhadas pelo Adido para Assuntos Econômicos, Daniel Kolbar, que fez uma apresentação com dados sobre a economia israelense, quem vem crescendo, entre 2014 e 2016, a taxas de 4 por cento ao ano, e proporciona uma renda per capita anual de US$ 37 mil. Segundo ele, o país exportou no ano passado US$ 96,7 bilhões. No comércio bilateral com Minas Gerais, houve queda pronunciada desde 2013, quando as importações do estado foram de US$ 50,15 milhões, contra US$ 17,6 milhões em 2016. As exportações mineiras para Israel, no mesmo período, caíram de US$ 44,7 milhões para US$ 21 milhões. Na balança comercial com o Brasil, Israel exporta mais que o dobro do que importa. Há,

portanto, espaço e oportunidades para que as relações comerciais voltem a crescer”, disse. Segundo Kolbar, seu país detém a liderança mundial no setor de startups. “Nossa receita para conquistarmos esta posição”, afirmou, “baseia-se em interligação de talentos, excelência acadêmica, apoio governamental, centros de P&D e disponibilidade de capital de risco. Como resultado, Israel tem uma coleção de iniciativas inovadoras: o telefone celular, o pen drive e o tomate cereja, entre muitos outros produtos hoje difundidos por o todo o mundo, foram desenvolvidos lá.” O diplomata revelou também que há 215 empresas israelenses atuando no Brasil, principalmente nos setores de alimentos e bebidas, automação industrial, indústria química e energia.

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REFORMAS

COMPLICAÇÕES POLÍTICAS NÃO PODEM IMPEDIR A REFORMA DA PREVIDÊNCIA Quadro político, segundo Paula Paiva, alterou o avanço da reforma da Previdência, mas ela precisa acontecer Ex-ministro do Trabalho, o professor Paulo Paiva, da Fundação Dom Cabral, acredita que, diante do atual cenário político, é muito pouco provável a aprovação da reforma previdenciária no prazo que se previa, pois ela depende de dois terços dos votos da Câmara Federal, em dois turnos, e depois passar pelo Senado, ambas as Casas agora com a base aliada do governo dividida. “É difícil avaliar porque, em primeiro lugar, é preciso que haja definições quanto ao episódio da delação”, afirmou. “Ninguém pode dizer, hoje, se o presidente renuncia, se vai ser afastado pelo TSE, se será aberto processo de impeachment contra ele ou, ainda, se os obstáculos são superados e ele continua na Presidência da República. Mas o fato é que a reforma precisa ser aprovada, nem que seja parcialmente. Pelo menos, por exemplo, com o estabelecimento da idade mínima para a aposentadoria”.

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Para Paiva, aprovação das mudanças é essencial, mesmo que parciais

O comentário de Paiva, feito a pedido do Jornal ACMinas, complementa apresentação sobre a questão previdenciária, anterior à reviravolta do quadro político, realizada durante reunião plenária da entidade. Naquele encontro ele dizia que a reforma é um sonho possível, que há urgência para que aconteça e que havia muitos mitos em torno dela. “Um deles”, afirmou, “é o de que as mudanças não são necessárias, que previdência está bem, que não terá déficits. Outro mito, que penso estar na nossa cabeça, é o de que sem reforma imediata a recessão econômica vai se aprofundar – é o mito do mercado, que exige do país mais do que o país pode efetivamente oferecer”.

Paiva lembrou que há dois regimes de previdência no Brasil. Um deles é o regime geral de previdência social, do INSS, que é específico para o setor privado, que todos nós conhecemos. E o outro é o regime de previdência social próprio do setor público, que tem regras diferentes. O projeto de reforma tenta unificá-los na medida do possível. Na conclusão de sua apresentação, Paulo Paiva expôs um argumento definitivo para a aprovação das mudanças: o crescimento demográfico. “É uma questão seríssima, não só no Brasil mas em inúmeros países. Nós vamos mexendo daqui e dali, já mexemos no passado, continuamos mexendo mas, na verdade, estamos diante de um processo inexorável”, finalizou.

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RELAÇÕES INTERNACIONAIS

MINAS GUIDE AVANÇA PARA O TRIÂNGULO Publicação da ACMinas inicia expansão para o interior mineiro Em evento realizado em Uberlândia, foi apresentado aos empresários locais o Minas Gerais Business Guide 2017, um guia de negócios internacionais editado pela ACMinas desde 2010, agora em versões impressa (em inglês) e eletrônica (em cinco outros idiomas, que pode ser acessada no endereço www.minasguide.com). O projeto foi apresentado por Monica Cordeiro, diretora da ACMinas e publisher do Minas Guide, na Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (ACIUB), com a presença de empresários de diversos segmentos e do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico,

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Turismo e Inovação, Dilson Dalpiaz. A iniciativa de iniciar um programa de estadualização do Guia visa, segundo Monica Cordeiro, a criar, numa primeira etapa, um capítulo específico sobre a economia de Uberlândia e do Triângulo Mineiro. “Nossa expectativa é de que na sua próxima edição, prevista para circular em setembro, já estejam incluídas as oportunidades de negócios oferecidas tanto pela cidade quanto por sua região e mostre às empresas locais os caminhos para a atuação internacional. “É uma ferramenta que precisa ser enriquecida”, afirmou a diretora da ACMinas, “inclu-

Monica Cordeiro: conteúdos regionais

sive com conteúdos regionais. A opção por Uberlândia para inaugurar esta nova fase, segundo Monica, não foi por acaso – a cidade foi escolhida por localizar-se no Triângulo, um dos principais polos de desenvolvimento do Estado, pelo valor da sua economia e por seu ambiente de empreendedorismo”.

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NOVO CONSELHO VAI DESENVOLVER CULTURA DE E PARA NEGÓCIOS Aconteceu em maio reunião de estruturação do novo Conselho Empresarial de Relações Internacionais da ACMinas, sob coordenação de sua nova presidente, Monica Cordeiro, a ser empossada na Reunião Semanal de 27 de junho. Entre os diversos temas tratados, foi feito um balanço das atividades de 2016 e dos primeiros meses deste ano, período em que o projeto Internacionaliza BH se consolidou e o Minas Gerais Business Guide ampliou extraordinariamente o seu alcance ao somar à edi-

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ção impressa uma versão digital em cinco idiomas. Focou-se também o planejamento de novas ações, especialmente de projetos para ampliar o conhecimento das peculiaridades de cada povo ao tratar de negócios. “Trata-se de desenvolver uma cultura de e para negócios”, explica Monica, “o que envolve conhecer e praticar as sutilezas características das diversas culturas. A ideia é equilibrar o projeto entre atores com potencial internacional e as demandas das empresas.”

Estas iniciativas, segundo a diretora da ACMinas, serão implementadas principalmente por meio de acordos com Câmaras de Comércio. Para isto, já estão em curso as tratativas com as câmaras italiana, indiana, israelense e francesa – esta, aliás, parceira da ACMinas na realização do “Bonjour France III”, que aconteceu dia 7 de junho, em que foi abordado o tema “Transformação empresarial e cultural: como criar pontes entre as culturas de negócios Brasileiras e Francesas/Europeias?”

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GERAÇÃO DE EMPREGOS FOI A PAUTA DA PRIMEIRA REUNIÃO DO CLUBE DE IDEIAS DA ACMINAS Predomínio da tecnologia digital força mudanças no mercado de trabalho Tendo como tema para análise a geração de empregos, a primeira sessão do Clube de Ideias da ACMinas – um think-tank criado pela entidade para formular e viabilizar projetos de alto interesse da sociedade – teve como ponto de partida apresentação do professor Virgílio Almeida, titular do Departamento de Ciência da Computação da UFMG e professor visitante da Universidade de Harvard, com a qual avaliou os impactos das tecnologias digitais sobre o emprego. Em sua análise, ele mostrou um quadro preocupante quanto ao futuro de algumas profissões, como aquelas relacionadas a manufatura, comércio e administração, em que a oferta de postos de trabalho vem declinando desde o início dos anos 90, em razão dos avanços na área de automação e, também, pelas mudanças no perfil dos negócios. “Em 2001, entre as cinco maiores empresas globais, duas atuavam no setor de indústria, outras duas em

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comércio e finanças e apenas uma – a Microsoft – na área de tecnologia. Em 2016, todas a cinco maiores eram do setor tecnológico.”

de, são esses dados que recolhe a cada consulta. Informação, dados, são o petróleo dos dias de hoje”. Outros exemplos que confirmam a tendência de predomínio da tecnologia digital em todos os setores de atividade são os do Netflix, que em Mudança semelhante aconteceu sete anos ultrapassou em número de também em relação ao valor intrínusuários as emissoras de TV a cabo, o seco do produto oferecido. “O pronunciado crescimento da utilizaGoogle”, exemplificou, “dá resposção do WhatsApp – em detrimento tas antes mesmo que se formule a das mensagens de texto – e a dissepergunta, o que é possível graças à minação do uso de robôs em procesbase de dados sobre os usuários de sos produtivos. que dispõe. Seu produto, na verda“A Fox Comm”, disse, “substituiu o trabalho de 60 mil operários por robôs; a General Motors, que fez idêntica opção estratégica, aumentou em 250% a produtividade; veículos sem motoristas serão uma realidade em 10 anos, quando será um negócio de 2 a 5 trilhões de dólares, e o comércio virtual, em termos globais, já ultrapassou as lojas físicas. Até mesmo estas já recorVirgílio Almeida: indagações sobre o futuro rem à automação para,

DADOS, O PETRÓLEO DE HOJE

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Paoliello: ideias que funcionem

por exemplo, fazer a reposição das gôndolas de supermercados.” Finalizando, o professor apresentou algumas indagações quanto ao futuro: “Quais são os principais obstáculos à criação e implementação de uma estratégia de transformação digital? Quais são os pontos positivos da sociedade brasileira para buscar esta transformação? O que pode ser feito para acelerar a transformação digital a curto e longo prazo?” Para ele, o principal fator positivo é o fato de a sociedade brasileira ser aberta a novas tecnologias.

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PROTAGONISMO NO DESENVOLVIMENTO Ao abrir o encontro do Clube de Ideias, o presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello, afirmou sua crença de que “cada indivíduo deve atuar como agente de transformações, protagonista do desenvolvimento, sem dependência em relação ao Governo.” E completou: “Composto por cidadãos que pensam dessa forma, o Clube de Ideias tem como missão criar e viabilizar a implantação de ideias que funcionem e contribuam para a solução de problemas que retardem ou impeçam o desenvolvimento”.

IMPERATIVO DO CRESCIMENTO ECONÔMICO Nesta primeira reunião, e não por acaso, o tema analisado foi a geração de empregos diante de um cenário em que existem no Brasil de hoje 14 milhões de desempregados. A questão foi abordada, em seguida, pelo ex-ministro do Trabalho e hoje professor da Fundação Dom Cabral Paulo Paiva. Segundo ele, não se deve esperar que a reforma trabalhista que está em tramitação no Congresso será a solução para o problema, pois seu fim é a modernização das relações de trabalho. “A criação de empregos”, afirmou, “resulta é do crescimento econômico.”

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“É PRECISO MASSIFICAR O DEBATE” Inspirador da iniciativa, quem encerrou as apresentações foi o engenheiro Ozires Silva, fundador da Embraer, exministro de Infra-estrutura e das Comunicações e reitor da Anima-Unimonte, com a palestra “Por que nos metermos onde não somos chamados?” Depois de fazer um retrospecto de páginas da história do Brasil que registram movimentos libertários, como o foi a Inconfidência Mineira, Ozires Silva afirmou que um dos sinais mais básicos de uma democracia é a participação dos cidadãos no governo. “Para os cidadãos, a democracia coloca-se como não sendo somente um direito, mas um dever”, disse. “Temos que transformar o governo em uma instituição eficiente, e para isso, temos de mudar a mentalidade da população. As atribuições do governo e suas responsabilidades, principalmente a fiscal, precisam ser vistas sob padrões de responsabilidade e eficiência. O que temos de benefícios públicos como resultado da arrecadação?"

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UM TIME AFINADO

Ozires Silva: “é preciso que o povo diga ao governo o que fazer”

Finalizando, Ozires, disse que o Brasil está colecionando décadas perdidas. “Desde a proclamação da República”, lembrou, “o Brasil teve seis Constituições Federais, nove moedas, seis golpes de Estado, um plebiscito ignorado, 13 presidentes que não concluíram o mandato, 31 presidentes que não foram eleitos diretamente, 31 revoltas e guerrilhas. É preciso massificar o debate sobre todas estas questões, buscar soluções e lembrar que cada cidadão tem sua responsabilidade. É preciso que o povo diga ao governo o que fazer, e não permitir que o governo nos diga o que devemos fazer”, concluiu.

O grupo permanente do Clube de Ideias é composto por lideranças empresariais e personalidades de destaque em diversas áreas do conhecimento: Arnaldo Bueno da Silva, consultor em gestão – Cláudio de Moura Castro, presidente do Conselho Consultivo da Fundação Pitágoras – Emerson de Almeida, presidente estatutário da Fundação Dom Cabral – João Batista Pacheco, diretor jurídico da Anima Educação – Lindolfo Paoliello, presidente da ACMinas e coordenador do Grupo – Monica Cordeiro, diretora da ACMinas – Ozires Silva, presidente do Conselho Estratégico e reitor da Anima Educação - Unimonte – Paulo Brant, vice-presidente da ACMinas – Paulo Paiva, professor da Fundação Dom Cabral –Wilson Nélio Brumer, presidente da B&P Investimentos e Participações. O sociólogo Otávio Soares Dulci, professor da PUC Minas, foi convidado especial da primeira reunião.

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APOSENTADORIA

PREVIDÊNCIA PRIVADA EM ALTA Mudanças previstas na aposentadoria pelo INSS estão atraindo segurados para a previdência complementar “Momento da Previdência: como programar seu futuro”. Este foi o tema de reunião organizada na sede da ACMinas pelo Conselho Empresarial de Seguros da entidade, com apoio do Clube de Seguros de Pessoas de Minas Gerais (CSP-MG). Na abertura do encontro, o presidente do Conselho, Omar Meira, destacou que a conjuntura é propícia a esta discussão, já que continuam tramitando no Congresso Nacional propostas que alteram as regras da previdência pública. “As mudanças sugeridas também são importantes para que a previdência complementar seja inserida como uma necessidade na vida dos brasileiros”, afirmou. Para debater o assunto, foram convidados como palestrantes o diretor regional da Icatu Seguros em Minas Gerais, economista Sérgio Prates Nogueira Filho, e o administrador e corretor de seguros João Paulo Moreira de Mello, que presi-

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de o CSP-MG. “A previdência brasileira é um dos melhores sistemas de proteção social e distribuição de renda do mundo, tanto pela sua abrangência quanto pelos benefícios oferecidos. Mas do jeito que está, o regime não se sustenta a longo prazo”, salientou Sérgio Prates. Dados da FenaPrevi, apresentados pelo diretor da Icatu, apontam crescimento de 34% do mercado de previdência privada em Minas Gerais,

entre janeiro e março de 2017, na comparação com igual período do ano passado. “Os planos de previdência complementar estão atraindo cada vez mais a atenção das pessoas”, deduziu. “Tudo leva a crer que caminhamos para um cenário em que a previdência pública só conseguirá garantir uma proteção mínima ao cidadão, já que o benefício médio do INSS só vem caindo ao longo dos anos”, concluiu.

Prates, da Icatu: previdência privada em expansão

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EDUCAÇÃO

ACMINAS SEDIOU LANÇAMENTO DO PACTO UNIVERSITÁRIO Conselho Empresarial de Educação da entidade foi o articulador da iniciativa no Estado Com um plenário lotado, a ACMinas sediou a formalização, em Minas, do Pacto Universitário, iniciativa dos Ministérios da Educação e dos Direitos Humanos que tem como objetivo superar a violência, o preconceito e a discriminação no ambiente das universidades. O compromisso foi firmado pela ACMinas, por iniciativa de seu Conselho Empresarial de Educação, como mais uma ação da Conspiração Mineira pela Educação. Também assinaram o pacto instituições de ensino superior, além de representantes daqueles ministérios. A proposta visa também à realização de atividades educativas de promoção e defesa dos direitos humanos no ambiente universitário. O professor Evando Neiva, presidente do Conselho Empresarial de

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Educação da ACMinas e da Fundação Pitágoras, falou sobre sua alegria e gratidão pela oportunidade de trabalhar junto aos ministérios nessa iniciativa, que classificou como integradora. “É com muita alegria que estamos juntos, reunidos para apresentar a iniciativa e formalizarmos nosso apoio”, afirmou. “E a ACMinas, igualmente, se orgulha por ser a anfitriã desse evento e por apoiar este maravilhoso projeto”. Para a professora Helena Neiva, vice-presidente da Fundação Pitágoras, que atuou como mestre de cerimônias da reunião, não haveria um local mais propício para lançarmos o Pacto em nosso Estado. “Primeiro porque a ACMinas nasceu praticamente junto com Belo Horizonte, em 1901 – portanto há mais de 116 anos

–, reunindo empresas de diferentes portes e atividades econômicas. E o segundo motivo é que também nasceu aqui na ACMinas, há 11 anos, a Conspiração Mineira pela Educação, com a missão de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino público em nosso Estado que vem realizando ações transformadoras junto a milhares de crianças e jovens de Minas Gerais. Representando o Ministério da Educação, o diretor de Políticas de Educação e Direitos Humanos e Cidadania, Daniel Ximenes, ressaltou a importância da presença, no evento, das instituições de ensino. “Em todo o Brasil, mais de 200 dessas instituições integram o Pacto Universitário pela Promoção do Respeito à Diversidade, da

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Evando Neiva, presidente do Conselho Empresarial de Educação da ACMinas, formalizou apoio da entidade ao projeto

Cultura da Paz e dos Direitos Humanos.” Ele ressaltou que a adesão ao Pacto Universitário é livre e pode ser feita por qualquer instituição de educação superior, pública ou privada. Para isso, basta acessar www.educacaoemdireitoshumanos.mec.gov.br”, informou. Para o presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello, a reunião foi uma celebração da civilização. “Este pacto que nós acabamos de assinar nada mais é do que um movimento em direção à civilização da cultura e do respeito. O res-

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peito ao ambiente, o respeito à paz e o respeito às pessoas, salientou. Por isto a ACMinas se orgulha por estar aqui”. Por que uma entidade representativa de empresas trata deste assunto? Porque temos entre nossos ideários o ideário do conhecimento. A ACMinas segue, nesta gestão, uma trilogia de ideias: ACMinas Para Frente, Para Fora e Para o Futuro. O ACMinas Para Frente se dá, principalmente, por meio do conhecimento. É ele que vai nos levar Para Fora, que vai nos levar por um Futuro,” concluiu.

CONSPIRAÇÃO VITORIOSA A Conspiração Mineira pela Educação nasceu como um desdobramento, em 2006, do então criado Conselho Empresarial de Educação da ACMinas, que, composto por um grupo de notáveis e liderado pelo então vice-presidente Charles Lotfi (que depois viria a presidir a entidade), formulou um plano de mudanças para o ensino fundamental. Adotado inicialmente por escolas de áreas consideradas de risco da capital mineira, o projeto logo se multiplicaria, atingindo várias regiões do Estado. A Conspiração, vem investindo, agora, na capacitação de diretores e professores de escolas públicas.

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S.O.S. HIPERCENTRO

PRAZOS AVANÇAM E CAMELÔS PERMANECEM Passado em 28 de maio o prazo de 60 dias de tolerância zero à presença de camelôs no Hipercentro de BH, proposto pela Prefeitura, e em seguida ampliado para 90 dias por decisão do Ministério Público, o quadro permanece inalterado: camelôs, moradores de rua e tráfico de drogas estão presentes na avenida Afonso Pena. Fato novo é a maior presença da PM e da Guarda Municipal.

Convidada pelas instituições integrantes do Movimento S.O.S.Hipercentro a esclarecer o andamento das ações propostas, a secretária Municipal de Políticas Urbanas, Maria Fernandes Caldas, reafirmou a determinação da PBH de obter os resultados previstos pelo Plano de Reabilitação do Hipercentro de BH. No entanto, relativizou os prazos, arguindo o fato de se estar lidando com pessoas. Falou também das dificuldades encontradas. Segundo ela, “um dos fatores que interferiram foi a divulgação de que a Prefeitura estava fazendo o cadastramento de camelôs para, cumprindo exigência do Ministério Público, pro-

curar sua recolocação no mercado de trabalho formal antes de sua retirada”. E acrescentou: “Com isso, o número de ambulantes nas ruas aumentou de cerca de 700 para mais de mil, pois muitos perceberam na nossa iniciativa a possibilidade de, sendo incluídos no cadastro, conseguirem emprego”. A Secretária manifestou-se surpresa com o as perguntas constantes da pauta da reunião, as quais entendeu como cobrança, tendo o presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello, esclarecido que não se tratava de cobrança, mas de expectativa compreensível por serem os participantes da reunião empresários cujas lojas e escritórios estão localizados na região e sentem-se intimidados pelo quadro hostil.

Paoliello vê comerciantes intimidados pelo quadro hostil

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EXPERIÊNCIA DE SÃO PAULO PODE SER REFERÊNCIA PARA AÇÕES EM BH A empresária Anram a causa”, disse gela Alvarenga, presiAngela, “e a etapa dente do Conselho da seguinte foi atrair os Rede Cidadã, ONG que moradores de rua atua em 11 Estados e, para estes albergues e entre outras ações, traali implantar um balha pela reintegração programa de atividasocial de moradores de des, do qual elas parrua, apresentou trabaticipam voluntarialho realizado pela mente, em grupos de organização na capital 10 e durante 10 dias. paulista. Segundo ela, Por meio de diverlogo em seguida a uma Para Angela Alvarenga, trabalho que sos instrumentos de reunião com o prefei- está sendo realizado na capital paulista apoio, elas são incenbusca reinserção de moradores de rua to João Dória, a entidaao mercado de trabalho tivadas a retornar ao de apresentou um plamercado de trabano de trabalho que começava pela lho”, explicou. recuperação dos albergues existen“Depois desse período, os partites, cujo mau estado era motivo de cipantes passam a ser o que chamaresistência dos desabrigados. mos de formados, e nessa situação “A sociedade civil logo aderiu ao ficam aguardando os empregos que, projeto com a doação de roupas de paralelamente, a Rede localiza no cama e material para as reformas, meio empresarial. Em julho deveree várias empresas também abraça- mos ter nove mil pessoas nessa situa-

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ção”, acrescentou. “Depois que conseguem o emprego, eles passam a morar em locais que denominamos repúblicas, onde podem ficar até três meses gratuitamente e, após esse período, começam a pagar pela hospedagem.” Os resultados, segundo Angela, têm sido animadores. “Muitas empresas, como o McDonald’s, vêm contratando estas pessoas e têm se mostrado satisfeitas com o trabalho delas. Segundo relatos dos empresários, elas trabalham com afinco e o índice de demissões e abandonos é baixíssimo, cerca de cinco por cento”. A empresária frisou ainda que a Rede atua como facilitadora da recolocação dessas pessoas no mercado de trabalho. “Não fazemos qualquer tipo de treinamento profissional”, esclareceu. “Isto fica por conta das empresas que as contratam”.

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OPINIÃO

SACHA CALMON ANALISA AS INTERFERÊNCIAS RECÍPROCAS ENTRE A POLÍTICA E JUSTIÇA Para o jurista, o presidencialismo brasileiro está em crise Convidado pelo presidente do Conselho de Assuntos Jurídicos da ACMinas, João Café, para expor sua visão sobre o momento político-institucional por que passa o Brasil em reunião semanal da entidade, o advogado Sacha Calmon Navarro Coelho falou sobre judicialização da política e politização da justiça – efeito, segundo ele, de interferências indevidas e recíprocas entre os três poderes. Jurista de reputação nacional, Calmon teceu comentários sobre a atual crise, que afeta indiscriminadamente toda a esfera social, e afirmou que uma das causas desses desacertos é a excessiva judicialização da política. “Hoje recorre-se frequentemente ao Judiciário, especialmente às instâncias superiores, para resolver problemas que antigamente eram resolvidos na própria esfera política. Antigamente”, lembrou, “os políticos resolviam suas próprias questões, mas hoje, sinceramente, não vejo no parlamento grandes nomes. Sinto

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“É um regime que não nos convém”, asseverou. “Se verificarmos quantos de nossos presidentes da República concluíram seus mandatos, ficaremos surpresos. Pre sidencialismo só deu certo nos Estados Unidos, mas hoje, ao que parece, este país está chegando a sua própria crise com as Sacha Calmon: presidencialismo é gerador de crises reações à eleição de falta, dos sérios e hábeis políticos Donald Trump. O presidencialismo mineiros. E Minas é o equilíbrio. é criador de crises”. Quanto à politização da Justiça, a “Mas não estou aqui para defenvisão de Sacha Calmon é de que o juiz der o parlamentarismo no Brasil”, é, por definição, imparcial – não só esclareceu, “porque não estamos preem relação ao equacionamento de parados para ele. Não temos partidos conflitos de qualquer ordem mas, políticos, não temos correntes de também, quanto a si próprio. Hoje há opinião, o povo não os entende. partidarismos até mesmo entre Atravessamos uma crise de represenministros do Supremo Tribunal tação – na forma, no conteúdo, na Federal, seja por conta de vínculos sua inserção na sociedade – com mais relativos à nomeação, quando ficam de trinta partidos políticos, dos quais carimbados pelo presidente que os não conheço as diferenças prograindicou, seja por conta de exercício máticas, as suas bandeiras. E”, conanterior da advocacia. cluiu, “o povo brasileiro, em sua A conclusão a que o jurista che- grande maioria não sabe nada do que gou, diante de tudo isso, é que o está acontecendo, está completanosso presidencialismo está em crise. mente alienado”.

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POSICIONAMENTO

ACMINAS MANIFESTOU, DE IMEDIATO, SUA POSIÇÃO DIANTE DA CRISE ATUAL Na manhã seguinte à crise deflagrada na noite do dia 17 de maio, a diretoria executiva da ACMinas - Associação Comercial e Empresarial de Minas – reuniu-se, sob a coordenação de seu presidente Lindolfo Paoliello e, após analisar os acontecimentos da véspera, aprovou o seguinte posicionamento da entidade face ao agravamento do quadro político-institucional: O Brasil está hoje crucialmente nas mãos de suas instituições. Nas mãos do Congresso Nacional que até ontem conduziam com celeridade as reformas, atos que só por estarem em processo já concorreram para reativar a economia. Assim como o País está crucialmente voltado para o fiel da balança da Justiça. Nós nos colocamos todos em última instância. Firma-se a percepção de que nosso futuro e nossas esperanças caminham para as mãos do Supremo. Mãos de juízes que aplicam as leis mas, sendo magistrados, antes devem interpretá-las à luz do contexto e da sabedoria fazendo-se, desse encontro, justiça. Os fatos nos põem nas mãos das instituições, mas a elas, como cidadãos livres, deve-

mos saber nos impor. Não podemos, nesta hora, voltar a cair na desorientação e no desânimo. Como cidadãos cabe-nos agir como protagonistas desta reconstrução em marcha que pela vontade nacional, posta nas ruas no início de 2016, vem sendo conquistada. Pensando desta forma, fiel a seus valores e a sua história, a ACMinas –Associação Comercial e Empresarial de Minas conclama empresários e povo mineiro – diante de fatos adversos que mais uma vez nos atingem – a não admitirem entregar-se ao desânimo que paralisa e à irresponsabilidade que destrói. Não seremos partícipes de novo desmonte da economia. Não admitiremos que seja reinstalado um quadro de reagravamento do desemprego. Ao final, conclamamos nossas instituições e nossos representantes políticos a agirem em pleno respeito à democracia e à Constituição, identificando entre seus instrumentos aqueles que preservem a reconstrução nacional, a retomada da economia – com a aprovação das reformas – e a justiça social.

Mai jun 2017  
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