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ANO XXXIII - Nº 1188 - JULHO/AGOSTO DE 2016

Marco da abertura das comemorações, o Espaço Institucional ACMinas atuará como think tank

O prefeito Márcio Lacerda e o presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello, descerraram a placa alusiva à inauguração

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E ainda: INTERNACIONALIZAÇÃO

INOVAÇÃO

AVENIDA AFONSO PENA

ACMinas apresentou, em evento no Itamaraty, o projeto Internacionaliza BH e o Minas Business Guide. Ao final, o presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello, conversou com o ministro José Serra.

O tema é tratado nesta edição por três especialistas: o ex-secretário de Ciência e Tecnologia Alberto Portugal (foto), em entrevista, os professores da Fundação Dom Cabral Afonso Cozzi e Alexandre Prado, em artigo assinado, e o presidente do Conselho Empresarial de Inovação da ACMinas Paulo Renato Cabral, em reportagem.

O presidente do Conselho Empresarial do Comércio, Júlio Riccio, apresentou projeto para a revitalização comercial da principal via da Capital. A ideia é estimular o belorizontino a “voltar” para o centro da cidade.

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FEITA PARA DURAR (Pronunciamento feito na solenidade comemorativa dos 115 anos da entidade - 28/07/2016) Lindolfo Paoliello Presidente da ACMinas

EXPEDIENTE

A ACMinas atravessa o marco de seus115 anos com a sobriedade de seus momentos mais serenos e a audácia do estilo independente e analítico que caracterizam sua identidade. Em tudo, o espírito de Minas. Entidades representativas são organizações feitas para durar. Integra sua missão apoiar as empresas associadas a vencerem com sucesso os seus ciclos de vida, notadamente a implantação, desenvolvimento e perenizarão. Uma das forças capazes de impulsionar e, em especial, nortear as organizações na luta para atravessar com sucesso esses ciclos são os princípios e valores que orientam sua conduta. É esta a crença que modelou e sustenta o estilo da Associação Comercial e Empresarial de Minas e assegura seu vigor aos 115 anos. Uma contribuição para a compreensão do que é, em sua

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essência, a ACMinas é a opção que tomo para que nossos convidados a esta comemoração possam compartilhar conosco o seu real significado. Começo por lembrar o registro feito por Peter Drucker, segundo o qual “algumas organizações realizam o milagre de viver mais do que 30 anos”. E então lhes digo que esta entidade deve ao seu estilo a sua permanência. E o que é o estilo? Podemos traduzi-lo pela manifestação perceptível de uma cultura. A ACMinas comporta-se, age, expande-se, recolhe-se às vezes – mas permanece. E assim é vista, e muitas vezes admirada, pela sua cultura. Percebam, senhoras e senhores! É o espírito de uma organização de 115 anos – assim como o sinto e o vejo praticado há décadas – que lhes revelo neste momento. É desconcertante, esta entidade. Assis Chateaubriand, que a

visitou no início dos anos 50, com o objetivo de angariar recursos para uma de suas obras, comentou, surpreso, que esperava encontrar em Minas Gerais comerciantes e banqueiros, “meia dúzia de Magalhães Pintos endinheirados e pacatos”, ele disse, mas os encontrou discutindo veementemente questões do momento e cobrando dele, e deles próprios, uma posição sobre aqueles assuntos. E concluiu o então poderoso “Chateau”: “Dizem que todo inglês é um doido, até provar o contrário. Passo a sustentar que no mineiro, como no inglês, há um pouco

PUBLICAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E EMPRESARIAL DE MINAS Registro nº 647 no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas da Comarca de Belo Horizonte Redação: Av, Afonso Pena, 372 – Centro – BH – MG – CEP: 30130-001 Assessor de Comunicação: Antônio Rubens Ribeiro Tel.: 3048-0715 e 3048-0714 – e-mail: imprensa@acminas.com.br Editora Responsável: Gabriela Carvalho – Reg. Prof.: MG 13549 JP Presidente: Lindolfo Paoliello Presidente de Honra: José Alencar Gomes da Silva (in memoriam) Vice-Presidentes: Aguinaldo Dinis Filho , Cláudia Mascarenhas Mourão, Fábio Guerra Lages, Hudson Lídio de Navarro, José Epiphânio Camillo dos Santos, José Mendo Mizael de Souza, Marco Antônio Lages , Paulo Eduardo Rocha Brant , Paulo Sérgio Ribeiro da Silva, Ricardo Dias Pimenta, Ruy Barbosa de Araújo Filho, Sérgio Bruno Zech Coelho, Wagner Furtado Veloso e Wilson Nélio Brumer

Jovem Aprendiz: Isabella Fernanda Projeto Gráfico e Diagramação: CMR Comunicação 31 99675-6188 Publicidade: José Carlos Cruz Fone: 31 3048-9560 publicidade@acminas.com.br Estagiário: Gabriel Lima Fotos: Fábio Ortolan Impressão: Gráfica Del Rey

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A OBSTINAÇÃO EM EMde doido”. O “espírito da ACMinas”. O traço essencial de seu perfil do qual derivam outros constitutivos de seu estilo é a condição jurídica de sociedade civil. Dela vem a singularidade da autonomia diante do aparato governamental. Daí a bênção que é também a bênção com que são ungidas as pessoas, ao nascerem: a graça de serem livres; a independência. Esta é a impressão digital do associativismo voluntário, por meio do qual nos sentimos existir verdadeiramente como cidadãos e nos afirmamos, cotidianamente, protagonistas da vida de nossa cidade. Sendo essa a marca registrada da ACMinas, outros traços a fortalecem, adquiridos ou desenvolvidos durante o curso de sua vida e construindo sua história. É corolário da independência e da autonomia o espírito crítico, busca da verdade que dissipa as trevas da ignorância e nos previne do engodo e da servidão. A coragem é outro traço notável, entendida como o esforço que possibilita vencer o primeiro impulso, que pede o repouso ou conforto, conduz à frouxidão e pode resultar na fuga. No entendimento de Comte-Sponville, autor de “O pequeno tratado das grandes virtudes”, “coragem é a intenção do instante em instância, nosso ponto de tangência com o futuro próximo”. Complicado, não é? Mas vale a pena

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PREENDER PROJETOS E AÇÕES DA FORMA MAIS SISTÊMICA E METICULOSA VAI, DE GRÃO EM GRÃO, APRESENTANDO RESULTADOS.

refletir a respeito. Segue-se a predisposição positiva, derivada da atitude de ser útil por meio da busca de soluções para objetivos comuns. Integração e cooperação é o que se segue, inerentes ao associativismo e atinentes à obtenção da sinergia na busca de resultados. Compromisso é outro atributo, advindo do agudo senso de responsabilidade diante da autonomia e da liberdade proporcionadas pelo estilo da organização. Perseverança, atributo que chega a se aproximar da obstinação, face ao integral comprometimento com a realização dos objetivos e a escassez de recursos do associativismo voluntário. Destaca-se o equilíbrio, o cuidado para a obtenção da boa proporção e harmonia, por meio da sensatez, moderação e prudência. Ao final, para que sejam realçados, a ACMinas toma como valores, por serem crenças efetivamente exercitadas, seus princípios estatutários de defesa da demo-

cracia, da liberdade de expressão e da livre empresa. Uma trilogia expressa a ideia-força que impulsiona a gestão da entidade neste marco histórico: “ACMinas para Frente, para Fora, para o Futuro”. Uma estratégia que se traduz em um plano de cinco metas: Conhecimento, Desenvolvimento, Internacionalização, Inovação e Produtividade. Tudo isso servindo à competitividade. A obstinação em empreender projetos e ações da forma mais sistêmica e meticulosa vai, de grão em grão, apresentando resultados. É visível o avanço na capacitação da entidade para representar e liderar. Começando pela formação de uma diretoria-executiva com a face da representatividade, assim como na coordenação dos Conselhos Empresariais, confiada a autoridades em cada um dos campos de ação desses órgãos; na assinatura de acordos de cooperação com organismos que detêm conhecimento e, ainda, por meio do convívio permanente com personalidades, especialistas e líderes que levam sua contribuição às reuniões semanais da diretoria, sócios e convidados. Enfim, a atitude da ACMinas na busca do conhecimento e capacitação expressa a vivência de um ensinamento clássico: “a educação é o convívio com os que sabem”. O avanço na realização da meta “internacionaliza-

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MINAS NUNCA ESTEVE ção” já é nítido, com o incansável trabalho do projeto “Internacionaliza BH”, e ganha definitivo impulso por meio do Memorando de Cooperação com o Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério de Relações Exteriores a ser assinado na próxima semana. Nestes destaques, cabe registrar a presença da inovação como tema das comemorações dos 115 anos da ACMinas , nas quais a busca do novo e da criatividade é percebida como chave para a moldagem da entidade à transição política, econômica, social e comportamental decisiva para o Brasil. A obtenção desses resultados deve-se ao trabalho dedicado e talentoso dos Conselhos Empresariais, hoje credenciados como o foro do pensamento e ação estratégica da ACMinas. Esta entidade deve muito a eles, em especial aos seus presidentes. Simultaneamente à implementação do Plano de Metas, vimos formulando com critério o Plano de Desenvolvimento da ACMinas, cuja implantação iniciaremos ainda este ano. É com satisfação que revelo que a inauguração deste Espaço Institucional ACMinas foi planejado e se realiza como o portal para este novo tempo. Creio ser relevante acrescentar que à forma arquitetônica, expressa nessa reforma predial, vai se acrescentar

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TÃO DESCONECTADA DE UMA PERSPECTIVA AMPLA, NACIONAL E GLOBAL.

importante conteúdo. A essa obra modesta virá somar-se uma grade de atividades que, esta sim, haverá de se tornar um obra de valor. Este será o espaço de atuação de um think tank. Uma atividade ininterrupta de proposições, debates, estudos e criação de contribuições para soluções empresariais, e também de formulação e correção de políticas públicas. Agora mesmo tenho o prazer de anunciar que aqui será conhecida e debatida, no próximo dia 2 de agosto, a nova política do Ministério de Relações Exteriores de abertura do Brasil para os negócios internacionais. Será, mais uma vez a ACMinas seguindo sua vocação de contribuir para o debate das grandes questões nacionais. Senhoras e senhores, Ao presidir o ato de comemoração dos 115 anos da Associação Comercial e Empresarial de Minas, não posso me furtar à responsabilidade de lhes transmitir a visão da ACMinas sobre a nossa cidade, nosso Estado e nosso país.

Nossa cidade, em primeiro lugar. Nós nos integramos àqueles que entendem ser ponto de partida estratégico para o desenvolvimento econômico e social o entendimento da cidade como protagonista de transformações sustentáveis. Recentemente essa tese ganhou eco com a manifestação de Paul Romer, economista-chefe do Banco Mundial. Ele defendeu que as mudanças operadas nas cidades alcançam impactos mais fortes e positivos do que aquelas decorrentes das grandes decisões de caráter nacional. Cita como modelos Hong Kong e Shenzhen, na China, cujas políticas de desenvolvimento proporcionaram contribuição relevante na transformação chinesa. Belo Horizonte tem se beneficiado dessa tese, aqui aplicada pelo prefeito Márcio Lacerda, e nacionalmente por ele defendida como coordenador da Frente Nacional de Prefeitos. Seguindo costume das administrações municipais da capital de Minas, e algumas vezes excedendo-o em demonstrações de atenção e confiança, Márcio Lacerda tem informado e consultado a ACMinas sobre essas iniciativas que têm proporcionado à nossa cidade sucessivas manifestações de reconhecimento internacional. O reconhecimento da Pampulha como Patrimônio Cultural da Humanidade é a mais recente e relevante dessas conquistas. É

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também gratificante testemunhar que o Rio de Janeiro, neste momento alvo da atenção mundial como sede das Olimpíadas, tem procurado conhecer e desenvolver esse mesmo modelo, por iniciativa de Paulo Protásio, presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, que nos proporciona a alegria e a honra de sua presença. Cabe agora tecer breves considerações sobre o quadro da economia mineira. É conhecida a queda de 4,9% do Produto Interno Bruto de Minas, em 2015, resultado pior do que o alcançado pelo PIB do Brasil, cuja queda foi de 3,8%. Entenda-se que esse quadro é resultante de um processo que tem ocorrido com variações há 21 anos, mas o agravante é que 2015 foi o terceiro ano consecutivo em que a contração econômica de Minas apresentou índice abaixo da média nacional. Todos os Estados sofreram as consequências da desastrosa gestão da economia nacional nos últimos anos. Há causas ditas “endógenas” que agravam o impacto das políticas macroeconômicas e da conjuntura nacional sobre o quadro mineiro. A economia de Minas é concentrada em produtos primários e semifaturados, pouca diversificação da produção e baixo valor agregado. A queda dos preços das commodities impactou fortemente Minas Gerais, assim como foi impactante a redução da demanda de produtos siderúrgicos em escala global. O reconhecimento do peso das características da estrutura produtiva de Minas sobre a quase demolição de sua economia deixa-nos à vontade para juntar, do outro lado da balança, novos pesos fora do controle do setor privado. Pode parecer repetitivo lembrar o volume e efeitos da carga tributária que segue sua trajetória no rumo de minar

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NÃO HÁ, NESTE MOMENTO, QUESTÃO MAIS IMPORTANTE PARA A REALIZAÇÃO DAS SOLUÇÕES QUE DESEJAMOS NA ECONOMIA, NO QUADRO SOCIAL E NA POLÍTICA, DO QUE A CONSUMAÇÃO DO IMPEACHMENT.

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as forças do sistema produtivo. Mas se a denúncia é velha, tem a mesma idade a prática pelo Estado de recorrer ao aumento de impostos quando a eficiência lhe falta. É atordoante constatar a mensuração registrada pelo “impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo que, neste mês de julho, superou o total de 1 trilhão de Reais em impostos arrecadados no Brasil, desde o início deste ano. O Governo de Minas deu sua contribuição nefasta, elevando, sem prévia discussão com os empresários e a sociedade, a alíquota do ICMS num momento em que já agonizavam centenas de empresas mineiras. Incabível pensar que a receita daí resultante vá sanar o embaraço do Estado de Minas Gerais em livrar-se da posição de liderança da menor capacidade de investimento em relação às receitas primárias, entre todos os Estados. Donde resulta a extrema dificuldade do Governo de Minas no pagamento das despesas obrigatórias, investimentos e despesas de custeio. Essa situação de penúria que acarreta a perplexidade e a desorientação não veio por acaso. Os conceitos de planejamento, capacitação e inovação precisam ser introduzidos na gestão

pública de Minas. É urgente que se proceda à contextualização com o mundo na formulação do planejamento. Minas nunca esteve tão desconectada de uma perspectiva ampla, nacional e global. Precisa, mais que nunca, de investimentos produtivos para reativar sua economia. Minas precisa, sobretudo, que o Governo do Estado ponha mãos à obra, anime-se, demonstre garra e transmita com clareza a vontade política de promover o desenvolvimento. Desta cobrança, a ACMinas não se afastará nunca. Permanecerá atenta a que se apresse a implantação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, com estrutura condizente com sua responsabilidade e dirigida por um titular capacitado a realizar sua missão. O Brasil vive a travessia que deve lhe proporcionar a consolidação da base de apoio político à aprovação de medidas emergenciais, a formulação e ágil implantação de uma política econômica eficiente, uma ação concertada de recuperação da credibilidade do país no plano internacional e a preservação e aprimoramento da gestão de políticas sociais que se mostrem sustentáveis. Este breve quadro de ações complexas define que três ideias devem conduzir a travessia: agilidade, articulação e governabilidade. O presidente Temer tem acenado estar no caminho certo, quando demonstra consciência de que é o “presidente do agora”, quando afirmou de pronto não ser candidato à sucessão, quando montou uma das melhores equipes econômicas de que se tem notícia e quando engole sapos para assegurar o apoio do Congresso às medidas emergenciais. Percebe-se que o complemento “em exercício” que se segue ao enunciado de seu cargo

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é um dificultador. Aí nos lembramos daquilo que o frágil retorno da autoestima nos faz esquecer: o processo de impeachment está ainda inconcluso e não devemos ignorá-lo. A Associação Comercial e Empresarial de Minas posicionou-se formal e publicamente pelo impeachment da presidente afastada e aqui e agora reiteramos nossa posição. Não há, neste momento, questão mais importante para a realização das soluções que desejamos na economia, no quadro social e na política, do que a consumação do impeachment. E nós reclamamos de Temer enquanto a solução imediata está nas nossas mãos, que são as mãos de nossos representantes. Reclamamos dos políticos e nos recusamos a fazer política. Os senadores por Minas estão compromissados com o impeachment, mas cada um de nós tem a quem recorrer em outros Estados para pressionar seus senadores. Aprendamos de uma vez: não há democracia sem política. Concluído dentro de alguns dias este processo, será sensato nos unirmos em torno da realização das medidas cruciais a serem tomadas. Se esse for o comportamento seguido, ousamos prever assim o Brasil depois de agosto: Acreditamos que o combate ao desemprego que afeta quase 12 milhões de brasileiros será a meta prioritária do esforço para reinserir o país no rumo certo e pacificar a Nação bra-

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O “MAL ESTAR COMUM” A QUE

FOI

SUBMETIDA

A

POPULAÇÃO NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS ALIMENTOU UM CALDO DE CULTURA QUE AFASTA AS VELHAS PRÁTICAS, REPELE A ESPERTEZA, REPUDIA A CORRUPÇÃO E SE ENVERGONHA DA OMISSÃO.

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sileira. Para tanto, o resgate das bases da economia será meta prioritária. Deverá ser adotado um conjunto de ações com a finalidade de limitar os gastos e obter rigidez nas contas públicas: reduzir a máquina administrativa; renegociar as dívidas dos entes estaduais com imposição de teto de gastos; concentrar os esforços do Estado nas funções que lhe competem, livrandoo de tarefas que podem ser desempenhadas pela iniciativa privada. Temos certeza de que, com essas providências, que contarão com o apoio da sociedade e do Parlamento, teremos sinais alentadores para a reativação dos setores produtivos estagnados e volta dos investimentos. Realizado esse cenário, que retrata uma aspiração nacional, terá sido cumpri-

da, em pouco mais de dois anos, a travessia brasileira para o futuro. O que vai acontecer após 2018 é uma outra história, não mais conduzida pela teoria econômica, mas advinda de profundas raízes da sociedade brasileira. O “mal estar comum” a que foi submetida a população nos últimos dois anos alimentou um caldo de cultura que afasta as velhas práticas, repele a esperteza, repudia a corrupção e se envergonha da omissão. A erupção dessa revolução subterrânea virá com a derrubada integral de paradigmas porque a ideia é descobrir o que for possível descobrir e, ao descobrir, erradicar o que é imprestável. Aos poucos, sem mesmo perceberem o que estão construindo, os jovens que se mostram hábeis na criação de startups e aceleradoras de empresas estão tomando consciência e montando as peças de uma admirável incubadora da qual nascerá um novo Brasil. É tão simples perceber: antes, os jovens se frustravam por viver aqui, hoje mudavam-se para outro país, amanhã estarão construindo, eles próprios, o país em que querem viver. A ACMinas, pelo seu presidente, sentese à vontade para dizer, pela sua atitude e suas ações, que aqui se pratica a afirmação profética da canção de Milton Nascimento: ”Eu já estou com o pé nesta estrada”.

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BUSCA DO NOVO CONDUZ ENTIDADE CENTENÁRIA

A música de Milton Nascimento, “Nada será como antes, amanhã”, antecedendo e, de certa forma, fundindo-se com uma exposição do professor Cláudio de Moura Castro sobre o tema surpreendeu, à primeira vista, os convidados à abertura das comemorações dos 115 anos da ACMinas, que após os pronunciamentos feitos tiveram informações de sobra para constatar que a busca do novo é que conduz a entidade centenária. Inaugurado pelo prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, o Espaço

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Institucional ACMinas já previa para uma semana depois debates em torno da abertura do Brasil para o negócio internacional, iniciando sua missão de atuar como um think tank, destinado a produzir e difundir conhecimento sobre questões estratégicas. “Teremos aqui uma atividade ininterrupta de proposições, debates, estudos e criação de contribuições para soluções empresariais, e também de formulação e correções de políticas públicas”, afirmou o presidente da ACMinas em seu dis-

curso. “Será, mais uma vez, a nossa entidade seguindo sua vocação de contribuir para o debate das grandes questões nacionais”, assinalou.

PAPEL DAS CIDADES Já o prefeito Márcio Lacerda salientou em seu pronunciamento, encerrando a solenidade, o perfil, o estilo e a importância da Associação Comercial e Empresarial de Minas aqui em Belo Horizonte, em Minas Gerais e no Brasil. “Devemos muito à ACMinas pelo papel que ela tem desem-

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penhado ao longo de décadas em defesa do desenvolvimento, da competitividade, da democracia, e eu tenho absoluta certeza que a criação deste espaço está simbolizando a sua perseverança e coragem.” “Foi falado aqui” prosseguiu Lacerda, “sobre a importância estratégica das cidades na inovação, no desenvolvimento social, econômico. Organismos internacionais, com a ONU à frente, estão cada vez mais reconhecendo a importância das cidades no desenvolvimento da humanidade como um todo. Há também um livro excelente, de um economista americano, que afirma serem as cidades a grande invenção da humanidade. Nelas se cria massa

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crítica, conhecimento interdisciplinar e interação entre projetos gerados por pequenos gênios que vão desenvolvendo inovação e competitividade.” “Belo Horizonte é uma cidade que entendeu isso”, afirmou o prefeito, “e está mostrando ser um lugar privilegiado, mudando por isso a qualidade humana e sendo admirada em todo país pelo que aqui se faz. Isso acontece porque unimos esforços de conhecimento, vontade e teimosia em relação a um projeto viável, que envolve todas as suas lideranças, todos os campos de conhecimento e de atividades num consenso quanto a objetivos comuns”, concluiu.

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A ACMinas é uma entidade que contribui há 115 anos com o desenvolvimento do Estado, das empresas e empreendedores mineiros. Apoiamos a ACMinas, pois acreditamos na sua experiência e idoneidade do trabalho realizado, com a certeza de que continuará empenhada em fomentar a competitividade e a inserção das empresas mineiras além das fronteiras do Estado.”

EUGÊNIO MATTAR, CEO DA LOCALIZA

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Cláudio de Moura Castro: A diferença está no número de computadores

NADA SERÁ COMO ANTES, AMANHÃ ESPAÇO INSTITUCIONAL ACMINAS TEM A MARCA DA MODERNIDADE Autor de vários trabalhos premiados, o arquiteto Fernando Pinho foi o responsável pelo projeto do Espaço Institucional ACMinas, que, partindo do antigo auditório da entidade, no quarto andar, transformou-o num equipamento extremamente moderno, funcional e confortável. “Virou outro”, afirma Pinho, “com um saguão amplo e agradável e um auditório dotado do que há de mais atual em termos de tecnologia e recursos multimídia, economia e eficiência energética”. De acordo com o arquiteto, houve um “choque de modernidade”. “A ideia foi criar, partindo da estrutura já existente, com mais de 40 anos, um local atraente e capaz de receber com categoria os mais diversos tipos de eventos”, assegura. “O resultado, em resumo, foi criar algo com a grandeza e a importância da ACMinas. Além de se tornar um marco da nova imagem institucional da entidade, o Espaço Institucional ACMinas abrirá novas portas de oportunidades em negócios e em eventos em benefício dos associados e da nossa comunidade empresarial.”

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“Por que? Como mudar esse quadro?” Foi com essas indagações que o professor, economista e atual presidente do Conselho Consultivo da Faculdade Pitágoras, Cláudio de Moura Castro, deu início a sua palestra no evento em comemoração aos 115 anos da ACMinas e de inauguração do Espaço Institucional ACMinas. Embasado no título da música de Milton Nascimento, “Nada será como antes, amanhã”, Castro provocou o público apresentando duas imagens: uma de um bar em Belo Horizonte e outra de um bar em Silicon Valley. Comparouas e destacou que a diferença entre elas está no número de computadores existentes na foto de Silicon Valley. Segundo Castro, estudos

consistentes dizem que não há diferenças de origem genética entre diferentes grupos étnicos. Contudo, alguns perfis aparecem mais, aqui ou acolá. “Que leis determinam uma geografia dos gênios?”, questionou. “Algumas sociedades valorizam certos traços. Se tais traços não são valorizados, ou não brotam ou brotam e fenecem pela falta de estímulo e valorização social, onde está a falha?”. Por que os Estados Unidos lideram na produção de patentes?. Por que quase todos os inventos que nos cercam foram produzidos lá? E por que aqui produzimos tantos gênios do futebol?”, indagou. Prosseguindo com este paralelo, Castro descreveu certas características – como centros de ensino poderosos,

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O NOVO INTERPRETADO EM PROSA E MÚSICA A inauguração do Espaço Institucional ACMinas contou com a participação especial do compositor, violonista, guitarrista e arranjador Juarez Moreira. Interpretando “Nada será como antes, amanha”, música tema da palestra de fundo da solenidade, proferida pelo professor Cláudio de Moura Castro. Apresentaram-se com Juarez Moreira o saxofonista Cléber Alves e o contrabaixista Elias Jorge. Autor de clássicos da MPB como “Diamantina” (gravado como “Diamond Land” no primeiro disco internacional de Toninho Horta), “Baião Barroco”, “Bom Dia” e “Valsa pra Maria”, Juarez tem participado de muitos shows, invariavelmente bem recebidos por público e crítica de países como Estados Unidos, França, Venezuela, Portugal, Itália, Suíça, Finlândia, Argentina, Venezuela e Estados Unidos, onde fez memorável apresentação em Nova Iorque, no Lincoln Center. A música entrou muito cedo na vida do artista. Mineiro de Guanhães, desde criança recebeu a influência do pai, um apaixonado por música que colecionava um grande acervo de discos. Ouvia principalmente jazz, bossa nova e a música brasileira dos anos 1950. Autodidata, começou a tocar violão aos 12 anos. Estudou Engenharia Civil, mas abandonou o curso no último ano para dedicar-se exclusivamente à música. Ainda bem: ninguém pode garantir que ele seria um grande engenheiro, mas todos concordam que é um grande músico.

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tolerância para a diversidade e vida cultural borbulhante – como fatores de atração das cidades a seres criativos. “Como fica Belo Horizonte nessa história? Quais desses atrativos a cidade oferece? Sabemos mais ou menos em que é preciso acreditar e o que fazer para vencer no mundo das atividades criativas”, comentou. E deu exemplos: “nós associamos a criatividade à geração de coisas complicadas, caras ou incompreensíveis. Mas há muito a ser criado na melhoria do que já existe”, assinalou, citando um exemplo: um clipe, que tem a mesma forma e função desde que alguém o inventou. Inovar é um estado de espírito, é olhar o mundo e encontrar coisas que podem ser melhoradas”. Para o professor, nomes como os de Ozires Silva, fundador da Embraer, do Brigadeiro Casimiro Monteiro, fundador do ITA, de Júlio de Mesquita Filho e de Armando Salles, fundadores da USP, entre outros, são o sinal de que há sim, no Brasil, produção de mentes brilhantes. No encerramento de sua apresentação, ele deixou um “para casa” coletivo: “todos temos que valorizar a inovação, incentivar, aceitar erros, apoiar boas iniciativas e brigar por educação com mais qualidade”.

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Acompanho com satisfação o processo de revitalização da Associação Comercial e Empresarial de Minas, conduzido com entusiasmo e competência pelo nosso caro amigo Lindolfo Paoliello. Vejo, com alegria, que a ACMinas voltou a ocupar seu papel de centro de reflexão para o desenvolvimento socioeconômico, cultural e político de Minas Gerais. Isso é muito bom. Em nome de nossa empresa, que tem a honra de ser sua associada antiga, saúdo o aniversário dessa casa de ideias e proposições, cumprimentando seus dirigentes pelo belo trabalho que vem sendo realizado.”

TADEU CARNEIRO, PRESIDENTE DA CBMM – COMPANHIA BRASILEIRA DE METALURGIA E MINERAÇÃO

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PRESENÇAS

Presidente do Conselho Empresarial de Cultura da ACMinas, Jorge Carlos Borges de Souza, presidente da Associação Comercial da Bahia, Luiz Fernando Studart, diretora da ACMinas Yêda Fernal

Diretor da ACMinas, Yvan Mulls, presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello e o Diretor da ACMinas, José Oswaldo Lasmar

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Presidente da ACB, Luiz Fernando Studart, Vice-presidente da ACSP, Roberto Mateus Ordini, Presidente da ACRIO, Paulo Protásio, economista Claudio de Moura Castro.

Fundador da Drogaria Araújo, Modesto Araujo, Presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello, publicitário, Paulo Brandão , Presidente da Fiemg, Olavo Machado

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Diretor presidente da BHTRans, Rámon Victor César, presidente do Conselho Empresarial de Política Urbana da ACMinas, Ozias Baptista, diretora da ACMinas, Mônica Cordeiro, compositor Juarez Moreira e diretor da ACMinas, José Fernandes Rennó

Editor Geral da Revista Mercado Comum, Carlos Alberto Teixeira, presidente executivo da FDC, Antônio Batista, diretor técnico do Grupo Corpo, Pedro Pederneiras, membro do Conselho Curador da FDC e vicepresidente da ACMinas, Wagner Furtado Veloso

Presidente da ACB, Luiz Fernando Studart, Lindolfo Paoliello e o membro do Conselho Curador da FDC e Wagner Furtado Veloso

Vice-presidente da ACMinas, Rui Barbosa de Araujo Filho, presidente do Conselho Empresarial de Seguros da ACMinas, Omar Otaviano Dantas e os vicepresidentes, Fábio Guerra Lages, Hudson Lídio de Navarro e Sérgio Bruno Zech

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CONSELHOS TAMBÉM COMEMORAM Além da inauguração do Espaço Institucional ACMinas, marco do início das celebrações dos 115 anos da entidade, outras atividades, a serem desenvolvidas pelo Conselhos Empresariais, darão sequência à comemorações. Em reunião realizada com os presidentes desses organismos, o presidente Lindolfo Paoliello propôs que cada um deles formulasse projetos cuja execução, ao longo do ano, seja também um marco do aniversário. MODA

“Os Conselhos Empresariais da ACMinas são os instrumentos para o conhecimento, que é uma de nossas metas estratégicas”, afirmou Paoliello. “Na medida que os Conselhos, por meio de seus projetos, geram conhecimento, a entidade o repassa ao universo corporativo. Com isto, a ACMinas desempenha um do mais relevantes papéis que a representação empresarial lhe atribui. É um presente da ACMinas, em seus 115 anos de existência, ao nossos associados”, concluiu. CULTURA

EMPODERAMENTO PRÊT-A-PORTER, do Conselho

115 MOTIVOS PARA AMAR BH, formulado pelo Conselho

Empresarial da Moda. Sua presidente, Gabriela Ladeira, coordenará um desfile da moda plus-size de diversas grifes, cujo objetivo é mostrar aos empresários do setor a tendência de expansão desse segmento específico e discutir estratégias para explorar este nicho do mercado. Previsto para se realizar ao cair da tarde do dia 5 de outubro, na pérgula da Casa do Baile.

Empresarial de Cultura. Consiste na edição de um livro destinado a documentar a história de lugares e pessoas de Belo Horizonte. De acordo com seu presidente, Jorge Carlos Borges de Souza, o que se pretende é resgatar, compartilhar e valorizar os fatores que, ao longo do tempo, contribuíram para a construção da cultura e da identidade de Belo Horizonte. O livro, cuja viabilização já está em andamento, deverá ser lançado em 12 de dezembro, aniversário da capital mineira.

ASSUNTOS JURÍDICOS CIDADANIA EMPRESARIAL, projeto do Conselho Empresarial de Assuntos Jurídicos. Segundo seu presidente, João Café Novaes, o objetivo é discutir, num cenário em que já terá sido definida a questão do impeachment, a situação institucional e política do Brasil numa perspectiva jurídica. O tema em debate será “Questões atuais sobre a corrupção que enfraquecem o desenvolvimento do Brasil e o Instituto da Delação premiada e seus reflexos para o estado democrático de direito”. A data é 6 de outubro.

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EDUCAÇÃO “CONECTA”, projeto do Conselho Empresarial de Educação, presidido pelo professor Evando Neiva, com o objetivo de se tornar um instrumento de empregabilidade para jovens do ensino médio e egressos do sistema prisional. Além dele, também foi instituído o PRÊMIO CHARLES LOTFI, em homenagem ao ex-presidente da ACMinas que inspirou a “Conspiração Mineira pela Educação”. O propósito é reconhecer e divulgar os trabalhos das escolas públicas estaduais e municipais que evidenciem melhorias nos resultados educacionais. A entrega do Prêmio acontecerá no dia 7 de novembro, no Cine Theatro Brasil Vallourec.

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INOVAÇÃO

JOVENS

CARTA DE INOVAÇÃO, formulado pelo Conselho

JANTAR-PALESTRA, previsto de ser realizado em 21

Empresarial de Inovação, será um evento destinado a formular, como resultado de debates, as proposições da ACMinas para estimular e melhorar o ambiente de inovação, com foco em negócios, em Belo Horizonte e outras cidades do Estado. Segundo seu presidente, Paulo Renato Cabral, será realizado em 30 de agosto, na sede da ACMinas. Além deste projeto, o Conselho pretende formular programas de estímulo à cultura inovadora, apoiando e facilitando a implantação, pelas empresas, de projetos com foco em negócios.

de novembro, com a participação de personalidade destacada no meio empresarial. O propósito é, além marcar o encerramento do ciclo de encontros promovido pelo Conselho de Jovens no decorrer do ano, proporcionar absorção de conhecimento e compartilhamento de experiências, promover a integração do jovem empresário ao mercado e ao meio político e facultar o posicionamento institucional dos empresários em relação a temas atuais e de grande importância. O presidente do Conselho é o empresário Bruno França Pádua.

MINERAÇÃO E SIDERURGIA SEMINÁRIO “ACMINAS 115 ANOS - A MINERAÇÃO BRASILEIRA 2016 A 2018: VISÃO E AÇÕES DOS NOVOS DIRIGENTES DO SETOR MINERAL BRASILEIRO”, com o qual o

Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia, presidido por José Mendo Mizael de Souza, objetiva difundir a Visão e as Ações dos novos Dirigentes do Setor Mineral brasileiro, com vistas à ACMinas, uma vez mais em seus 115 anos de história, vir a contribuir para a retomada de investimentos na mineração brasileira, retomada esta fundamental para o Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais e do País.

R ELAÇÕES I NTERNACIONAIS EDIÇÃO 2016-2017 DO MINAS BUSINESS GUIDE, com lan-

çamento previsto para novembro próximo, em evento a ser definido. Segundo Sherban Cretoiu, presidente do Conselho de Relações Internacionais, haverá muitas novidades em relação às edições anteriores, a começar pela publicação, além da versão impressa, também de uma eletrônica, em cinco idiomas. Terá também maior número de páginas e maior volume de informações sobre o Estado, de acordo com a diretora e vice-presidente do Conselho, Monica Cordeiro, que coordena o projeto.

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MULHER EMPREENDEDORA 20 MULHERES- NOVOS ROSTOS, criado pelo

Conselho da Mulher Empreendedora com o objetivo de potencializar as vocações de mulheres empreendedoras. Cristina Fabel, presidente do Conselho, informa que serão selecionadas 20 jovens empreendedoras, na capital mineira, que estão construindo uma história de sucesso frente à suas empresas. Elas vão revelar seus segredos de gestão em um catálogo inédito, nas versões impressa e eletrônica. O catálogo será lançado em 27 de outubro, no Espaço Institucional ACMinas.

T URISMO 115 ANOS DA ACMINAS E SUA INFLUÊNCIA NO TURISMO DE MINAS GERAIS, projeto do Conselho

Empresarial de Turismo que pretende contextualizar as ações da entidade como fator de desenvolvimento do turismo no Estado. Para Fernando Dias Meira, seu presidente, serão avaliados, por meio de debates, o estágio atual e as perspectivas do setor. Será no dia 20 de outubro.

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NEGÓCIOS

INTERATIVIDADE EMPRESARIAL ACMinas Network estimula a criação de redes de contato entre empresários A Associação Comercial e Empresarial de Minas realizou nova edição do ACMinas Network, projeto que tem o objetivo de promo-

ver a realização de negócios entre os empresários e difundir conhecimento, por meio de palestras temáticas de especialistas. O evento mais

recente contou com 50 participantes, que também tiveram a oportunidade de ouvir a Diretora Executiva do Instituto Brasileiro de

Renata Lemos, especialista em Coaching, falou ao empresários

‘‘

Minha expectativa era o aprendizado, mas a palestra foi muito interes-

sante. A oportunidade de contato com pessoas de outros ramos, a troca de cartões e o bate papo mais sucinto se destacaram como pontos positivos. Tenho interesse em participar outras vezes.”

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‘‘

É difícil eleger o que foi mais positivo no evento. Mas a promoção e os contatos que realizamos, a interatividade com os empreendedores, isso é essencial.”

Mairo Gabriel

Romana Raslan

DIRETOR EXECUTIVO, AQUARIUS VIAGENS.

DIRETORA, REDE CARTÓRIO FÁCIL.

‘‘

O evento é bastante pertinente. Ficamos frente a frente com outros

empresários, o que cria uma possibilidade de trabalho, atuação profissional e parceria. O resultado do evento é prático, é para realmente ajudar.”

Claudinei Franzini DIRETOR DE COMUNICAÇÃO E EXPANSÃO, REDE BATISTA.

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ACONTECE Coaching, Renata Lemos. Renata falou sobre “Engajamento de Equipes”, e ressaltou a importância de as lideranças conhecerem bem os seus colaboradores como forma de aprimorar o clima organizacional. “Para que os funcionários se sintam comprometidos e realizados, e possam assim contribuir efetivamente para os resultados financeiros da empresa é necessário valorizá-los”, recomendou.

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NOVO CONSELHO EMPRESARIAL DE SEGUROS DA ACMINAS O novo presidente do Conselho Empresarial de Seguros da ACMinas, Omar Otaviano Dantas Meira, o diretor vice presidente do Sindicato das Seguradoras (Sindseg), Ângelo Vargas e a Superintendente Claudia Perdigão estiveram em visita ao presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello no final de julho. O objetivo dessa visita foi o convite da ACMinas para que diretores de seguradoras participem como membros do novo Conselho. O SINDSEG indicou para tanto o seu presidente Augusto Matos, como vice, e os diretores Sérgio Prates para a Cadeira Vida, Ronaldo Pinho para a Cadeira Ramos Elementares e Marcelo Miranda para a Cadeira Saúde.

Augusto Matos deverá ser o vicepresidente do Conselho Empresarial de Seguros da ACMinas

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REUNIÃO

ACMINAS EM MOVIMENTO Reuniões Semanais da Diretoria trazem à pauta de debates as principais questões do ambiente empresarial Realizadas regularmente todas as terças-feiras, às 18h30, na sede da entidade, as Reuniões Plenárias da Diretoria e Associados da ACMinas vêm sendo dedicadas, desde a posse da nova diretoria, ao debate dos grandes temas que permeiam o ambiente corporativo. Nesse contexto, foram discutidas nas reuniões mais recentes questões como medidas para a recuperação do quadro econômico, a trajetória das mulheres nas organizações, a conexão entre cultura e moda, a moda afro-brasileira, a ansiedade e um novo projeto da entidade: a revitalização comercial da avenida Afonso Pena.

RECUPERAÇÃO DO QUADRO ECONÔMICO A reunião, que teve a participação do vice-presidente Paulo Brant, foi coordenada pelo Conselho Empresarial de Economia da ACMinas, cujo presidente, Mauro Sayar, concentrou sua apresentação especificamente nas medidas fiscais, que, segundo ele, são o cerne dos problemas do país. “Existem várias medidas em tramitação que dizem respeito à política monetária, há

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algumas coisas interessantes que devem ocorrer na esfera do Banco Central”, afirmou. “Contudo, o nosso grande problema hoje se chama situação fiscal, e é para lá que vou encaminhar esta conversa". Segundo ele, estamos vendo nos últimos anos o Risco Brasil subir e a taxa de investimento cair. “Isto demonstra que, além da crise econômica, há uma crise de confiança.”

Já Paulo Brant, que é presidente da Cenibra, ressaltou que o Brasil é um politraumatizado. “Eu li um texto da Folha de São Paulo, que achei genial, sintetizando um pouco daquilo que o Mauro colocou. O título é ‘Amadurecer ou apodrecer’, e diz que nações maduras arbitram o entrechoque social nos orçamentos públicos. Países que apodrecem na infância dos povos, fazem-no com

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inflação, pedaladas, dívidas descontroladas, confiscos e guerra civil”, relatou. “Acabou a procrastinação. O Brasil terá, nos próximos anos, que optar entre amadurecer ou apodrecer”. Segundo Brant, a medida da limitação dos gastos é a coisa mais importante que já se fez nos últimos tempos, e muita gente é contra ela. “Mas se se pensa em segurar o gasto com educação, não vai não. “O Brasil tem que fazer isso porque o gasto público está crescendo 6% ao ano, em termos reais, e isto não tem jeito. Eu acho que este é um grande momento, pois a política não está sendo exercida apenas no sentido partidário.” “São a sociedade e os partidos que

Paulo Brant, Sérgio Bruno (presidindo a reunião) e Mauro Sayar

precisarão chegar a uma conclusão de como fazer para desacelerar o crescimento dos gastos e, eventualmente, até segurá-los neste nível. Acredito que o Brasil vai ter que desacelerar até estabilizar os gastos públicos, melhorando o serviço

público, melhorando a gestão. Se fizer isso, tem jeito de ganhar em produtividade, inovação, ética, eficácia na seleção dos projetos. E quem tem que cobrar isso é a nossa sociedade, senão a gente vai apodrecer,” concluiu.

MULHERES NAS ORGANIZAÇÕES Outra questão importante abordada em plenária foi “A Trajetória de Mulheres Brasileiras Profissionais”, tema cuja apresentação foi promovida pelo Conselho Empresarial da Mulher Empreendedora, presidido pela empresária Christina Fabel. A jornalista Inácia Soares, diretora do

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Conselho que conduziu o encontro, começou por questionar quais seriam os limites das mulheres no dia a dia e no ambiente corporativo. “Afinal, onde estarão esses limites? Será que bastará uma de nós se tornar a presidente do país mais poderoso do mundo? Será que

estão quando estamos amamentando o filho, apesar da dor no peito? Seria este o maior desafio?” indagou, antes de passar a palavra à convidada, a pós-doutora em administração Juliana Andrade, também com formação científica internacional em coaching.

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Juliana Andrade falou sobre uma extensa pesquisa que levantou as dificuldades de todas as mulheres em se encaixarem no meio profissional. “A teoria diz que nós todos, homens, mulheres, hoje em dia temos como estratégia o crescimento. Ou seja, que queremos avançar em termos de carreira”, revelou. “As mulheres têm que ser muito boas no que fazem e suas características pessoais têm que ser reforçadas. Então, elas veem como uma questão positiva para o

avanço de suas carreiras justamente as características pessoais que as fazem competentes, distintivas no ambiente organizacional”, ressaltou. “E o que faz com que ela fique ou que ela saia da empresa? Isso também constou na pesquisa”, lembrou, “e o que a gente pôde perceber é que a mulher quer desafios. Ela quer fazer coisas diferentes, atuar em ambientes diferentes, assumir novos desafios. E isso faz parte do nosso universo” concluiu.

MODA RELACIONADA À CULTURA “A situação da Mulher Negra” foi o tema da plenária organizada pelo Conselho Empresarial da Moda, cuja presidente, Gabriela Ladeira, apresentou a primeira debatedora, Débora do Vale, pesquisadora da UFMG e integrante do Conselho, que traçou um paralelo entre cultura e moda. “Eu me refiro de modo um pouco mais específico à questão

Makota Kizandembul

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do empoderamento feminino”, afirmou, “onde a moda assume uma expressão cultural e também de identidade das mulheres, onde o direito a consumir moda, o direito de se expressar por meio da moda são uma questão de visibilidade, uma questão de representatividade das mulheres”, afirmou. A segunda apresentação foi da

Coordenadora Nacional da Associação Nacional da Moda Afro-Brasileira – ANAMAB, Makota Kizandembul, que explicou como realizaram um Seminário Nacional de Moda e Cultura em setembro de 2011. “Segundo ela, algumas pessoas chegaram até a dizer então que a moda afro-brasileira não existe. Aí eu contestei. “Você não sabe nada de moda. Porque enquanto este país se vestia na Europa, o povo negro daqui já estava fazendo moda”. Makota assegurou que o mercado da moda afro-brasileira, para crescer aqui em Minas, precisa de pontos de distribuição e estímulo ao consumo. “Minas não perde em potencial para a Bahia. Ela precisa é de encontrar um segmento que a abrigue e, para isto, o principal é dar início a um diálogo direto, com vistas a sua inserção na indústria têxtil” concluiu.

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“MAL DO SÉCULO” A Ansiedade também foi tema de uma plenária. A palestrante, Milene Costa, filósofa, teóloga e professora na Fundação Dom Cabral, falou sobre a questão, que tem sido considerada como “o mal dos tempos atuais”. Milene explicou como o corpo humano dá sinais e reage diante de situações inesperadas: “a ansiedade, por mais que seja definida hoje em dia como um mal-

estar, como o mal do século, nem sempre foi assim. A humanidade só chegou ao estágio em que se encontra por causa da ansiedade”. Falou também como ela surgiu como tema

acadêmico. “Foi a partir de um workshop desenvolvido para algumas empresas, o ‘Ansiedade, nada de pânico’, que ela foi percebida como algo que não é apenas negativo”, lembrou. “Também traz avanços e proporciona desenvolvimento. Grandes cientistas, estudiosos, sofrem de ansiedade e ela lhes proporciona bons resultados”, concluiu.

HOMENAGEM A ELIANA LANZA A última reunião de julho contou e Empresarial de Minas porque essa do carinho, da relação humana, da também com um momento de Casa, como todo organismo, tem um confiança, deste sentimento que te homenagens à funcionária que, há 40 cérebro mas tem também um coração. uniu a todos nós ex-presidentes, que anos, secretariou os presidentes dessa E a Eliana é a representação pronta e certamente continuará nos unindo ao entidade. Eliana Lanza foi homena- acabada do coração da Associação longo do tempo”, relatou. O ex-presidente Roberto Luciano geada com a entrega de uma placa em Comercial e Empresarial de Minas. Ela reconhecimento ao trabalho, dedica- é o equilíbrio e a harmonia. Então ela Fortes Fagundes concordou com ção, paciência, perseverança e entre- se vai, mas o carinho, respeito e admi- Eduardo Bernis. Dirigindo-se a Eliana, afirmou que “Eduardo disse, ração permanecerão”, destacou. ga que ela dedicou a ACMinas. Outro que não deixou de regis- muito bem, que talvez nenhum de A condução da homenagem ficou por conta do ex-presidente e presi- trar seu carinho a Eliana foi o ex- nós teria condições de levar avante dente do Conselho Superior da presidente da ACMinas e secretário essa responsabilidade que nós temos ACMinas, José Romualdo Cançado Municipal de Desenvolvimento aqui na Casa se não contássemos com Bahia, que destacou o privilégio que Eduardo Bernis. “É uma perda sim, sua ajuda, se não contássemos com poucos empresários e poucos presi- irreparável para a Associação Comer- você junto conosco, se não contássedentes da Associação Comercial tive- cial. Não do ponto de vista da capaci- mos com a sua ansiedade positiva”, ram na sua vida, a felicidade do apoio dade, da competência de quem certa- destacou. E o ex-presidente Charles Lotfi de uma pessoa como Eliana Lanza. mente irá te substituir, mas do amor, encerrou as homenagens “Ela está se despedindo e destacando a gratidão da todos nós estamos tristes e entidade a Eliana. “Ela faz jus alegres. Alegres porque ela em todos os sentidos à gratimerece, e tristes porque a dão do presidente, ex-presiausência dela sem dúvida dentes, diretores e associados nenhuma já está pesando.” que tiveram com ela o priviEm seguida foi a vez do légio da convivência no presidente da ACMinas, âmbito da grande missão da Lindolfo Paoliello, dedicar entidade junto ao empresaalgumas palavras a Eliana. “Esta Nas extremidades, da esquerda para direita os ex-presidentes Roberto riado de Belo Horizonte e do é uma noite muito importan- Fagundes, José Romualdo Cançado Bahia, Eduardo Bernis e Charles Estado de Minas Gerais”. te para a Associação Comercial Lotfi. Ao centro Eliana Lanza e o presidente Lindolfo

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ENERGIA DISTRIBUÍDA Uma das mais versáteis fontes energéticas renováveis, a energia solar fotovoltaica, representa, atual-

mente, apenas 0,02% da geração energética do País, embora tenha uma expectativa de crescer cerca de 200 vezes até 2024, chegando aos 4%. Neste contexto, Minas Gerais encontra-se em uma posição privilegiada e de referência nacional, sendo o Estado com a melhor irradiação solar da região Sudeste, com

destaque para o norte de Minas. As informações foram repassadas pelo diretor da Associação Brasileira de Geração Distribuída – ABGD, Gabriel Guimarães Ferreira, que participou de reunião semanal da diretoria e associados da ACMinas. De acordo com ele, este potencial energético tem sido aproveitado pelo Estado, que já se firmou como o segundo do país em número de projetos de energia solar fotovoltaica.

UMA NOVA AFONSO PENA Empossado durante Reunião Plenária, o Conselho Empresarial do Comércio da ACMinas já começou apresentando seu primeiro projeto: a requalificação comercial da Avenida Afonso Pena. A proposta, segundo o presidente do Conselho, Júlio Riccio, nasceu de reivindicações dos próprios comerciantes da área central de Belo Horizonte, preocupados com a crescente degradação urbanística da via, que se estende desde a Estação Rodoviária até o Mangabeiras, passando pelos bairros Funcionários e Serra, com milhares de pontos comerciais em sua extensão. O projeto, de acordo com Riccio,

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será dividido em três fases. Na primeira, o foco será o trecho entre a rua dos Caetés e a Praça Sete. A segunda abrangerá da Praça Sete à rua da Bahia, e a terceira irá até a avenida Carandaí. “A ideia é começarmos a requalificação na parte da avenida em que se concentra o maior volume do comércio”, explicou Riccio. “Em seguida, atuaremos nos trechos seguintes, onde também há grande número de estabelecimentos comerciais mas, também, órgãos e instituições de grande importância, como a prefeitura,

o Automóvel Clube e o Palácio das Artes, entre outros”. Ainda segundo Riccio, o projeto pretende se integrar com a prefeitura, buscando financiamento e execução das obras necessárias. “Queremos um projeto ordenado, não isolado. É uma das mais importantes vias da cidade e, em termos comerciais, é a principal. Precisamos olhar por ela”, concluiu.

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ACMINAS PARA FORA

INTERNACIONALIZA BH RECEBE APOIO DO ITAMARATY A ACMinas apresentou o projeto e o Minas Gerais Business Guide a empresários e diplomatas estrangeiros em evento no Ministério das Relações Exteriores

O presidente da ACMinas falou sobre as iniciativas da entidade em favor da internacionalização

“Um novo patamar foi alcançado pelo projeto”. Com esta frase, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas, Lindolfo Paoliello, definiu os resultados do evento realizado pela entidade, no Palácio do Itamaraty, para divulgar as ações que a entidade vem implementando com foco na internacio-

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nalização de Belo Horizonte e na captação de investimentos para Minas Gerais – o projeto Internacionaliza BH e a edição do Minas Business Guide. O encontro, que teve o apoio do ministro Rodrigo de Azevedo Santos, Diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do MRE, teve a participação de

empresários e de diplomatas de diversas representações estrangeiras da capital federal. “O ministro Rodrigo de Azevedo Santos e membros de sua equipe inclusive pediram informações mais aprofundadas sobre nossas iniciativas, principalmente quanto à metodologia utilizada”.

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Logo após o final do evento, Paoliello foi convidado para uma conversa pelo ministro das Relações Exteriores, José Serra, o que não estava previsto no programa. Acompanhado da coordenadora do projeto Internacionaliza BH, Monica Cordeiro, do ex-governador Eduardo Azeredo, do embaixador Paulo Miranda, representante do MRE em Minas, e do presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da entidade, Sherban Cretoiu, ele relatou detalhes das ações que a ACMinas vem implementando na área internacional.

‘ ‘

SURPRESA

PAOLIELLO FOI CONVIDADO PARA UMA CONVERSA PELO MINISTRO

DAS

RELAÇÕES

EXTERIORES, JOSÉ SERRA, O QUE NÃO ESTAVA PREVISTO NO PROGRAMA”.

“Assessores do chanceler que participaram da apresentação levaram a Serra informações sobre o que acontecera e o convite para ir ao gabinete do ministro surgiu daí. Foi uma grande e proveitosa surpresa”, disse Paoliello. “Isto nos possibilitou destacar a posição favorável de nossa entidade quanto à política externa

agora adotada pelo Brasil e, especialmente, quanto à política de promoção comercial.” Para a diretora Monica Cordeiro, cordenadora do Internacionaliza BH e vice-presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da ACMinas, é importante destacar que essa acolhida do MRE apoia a nossa crença em uma cidadania global e já cria uma agenda de próximos encontros entre estrangeiros e a comunidade de negócios mineira. “Representantes de países de todos os continentes estavam presentes”, relatou, “e se mostraram muito interessados nessa nova matriz de relacionamento

REPERCUSSÃO CHEGOU AO PLANALTO O encontro no Itamaraty foi realmente além do esperado. Dias depois de sua realização, o presidente Michel Temer enviou seus cumprimentos ao presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello. Confira.

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que está germinando em Belo Horizonte”. Outro item da reunião que despertou muito interesse foi o “Minas Gerais Business Guide”, publicação da ACMinas direcionada para investidores estrangeiros, agora em sua

Ministro José Serra e Lindolfo Pauliello

quinta edição, que foi apresentado pelo presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais, Sherban Cretoiu. “Esperamos, com esta iniciativa, mostrar que Minas Gerais é um Estado com enorme potencial para investimentos nos mais diversos setores” disse Sherban, “e, assim, contribuir para os esforços pela internacionalização do Estado por meio da ampliação do leque de investimentos internacionais”. Editado em inglês, o Minas Gerais Business Guide circula em embaixadas e consulados estrangeiros, junto a missões diplomáticas e empresariais, empresas multinacionais exportadoras e importadoras, centros de negócios da Apex Brasil no exterior, Câmaras Bilaterais de Comércio e demais instituições que trabalham com comércio exterior.

MRE FORMALIZOU APOIO Para a diretora da ACMinas Monica Cordeiro, o apoio do Itamaraty, por meio do diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos, deixou clara a disposição do Ministério em continuar a apoiar ações de internacionalização da entidade. Este apoio foi formalizado no dia 2 de agosto, durante Café Parlamentar com o ministro Rodrigo de Azevedo Santos, realizado na ACMinas, por meio da assinatura de um acordo de cooperação entre a entidade e o organismo do MRE.

ACONTECE

SECRETÁRIO ALTAMIR RÔSO VISITA A ACMINAS O presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello, recebeu a visita do secretário Estadual de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso, que agradeceu o posicionamento da entidade contra a extinção da sua pasta. O secretário alertou também sobre o esvaziamento do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (INDI), com as perdas

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tanto de dotações orçamentárias quanto de estrutura. Rôso ressaltou também a redução do orçamento da Sede, que caiu de R$ 134,3 milhões em 2014 para R$ 24 milhões em 2015 e para apenas R$ 3 milhões este ano. As gestões da ACMinas em defesa da permanência da Sede, juntamente com as das demais entidades

representativas dos diversos segmentos empresariais, surtiram efeito: o governador encaminhou à Assembleia Legislativa substitutivo para o Projeto de Reforma Administrativa, então em tramitação, suprimindo a extinção e agregando a Secretaria de Desenvolvimento com a de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

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ACMINAS PARA FORA

AGENDA INTENSA Internacionaliza BH realiza novas ações Desde o início do ano o projeto de internacionalização da capital mineira vem expandindo significativamente as ações que promove ou das quais

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Internacionaliza BH entrega o selo “Eu Participo” ao BH Beatle Week

participa. Segundo a coordenadora da iniciativa, Monica Cordeiro, foi realizado o II Bonjour Technologie, em parceria com a Câmara de Comércio

Brasil-França, repetindo o sucesso da primeira edição do evento, realizado em maio do ano passado. “Desta vez”, informa Monica, “houve uma novidade, os Diálogos Internacionais – França. São encontros descontraídos, que criam oportunidades para melhor conhecer um país e suas principais características”. Outros eventos recentes foram a Festa Portuguesa, que acontece anualmente na Praça Marília de Dirceu. Ali, a equipe do projeto fez entrevistas em vídeo com portugueses e outros estrangeiros que participavam da festa para o acervo do “Memória do Mundo em BH”, projeto que visa a recolher percepções e impressões sobre a capital e o Estado de pessoas quem vêm de fora. As entregas do selo “Eu Participo” também tiveram continuidade. Quem recebeu a distinção, desta vez, foi o maior evento beatlemaníaco da América Latina, o BH Beatle Week, em cerimônia realizada no Hotel Ouro Minas. Também recebeu o selo o Guaja Casa, em encontro que teve a presença de dois palestrantes, a Embaixadora Independente de Anfitriões Airbnb em BH, Renata Alamy, e a designer Ana Brum, do Centro Brasil Design (CBD).

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ENTREVISTA: ALBERTO PORTUGAL

TRANSFORMAR IDEIAS NOVAS EM RESULTADOS Para Alberto Portugal, Inovação é um dos principais caminhos para o desenvolvimento Inovação é hoje o tema que mais mobiliza o ambien-

que o maior desafio do Brasil é a definição de políticas públi-

te corporativo no Brasil e no mundo. A perspectiva é ino-

cas em inovação. “Pode-se dizer que a inovação é a forma

var ou ficar fora do mercado. Simples assim. Mas segun-

social e econômica da esperança de um futuro melhor. Para

do o professor da Fundação Dom Cabral, consultor do

a inovação acontecer, ciência e tecnologia são importantes,

Parque Científico e Tecnológico da UFJF, ex-ministro da

mas não representam o maior desafio. O maior desafio em

Agricultura, Pecuária e Abastecimento e ex-secretário

países emergentes, como o Brasil, é a definição de políticas

de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas

públicas de Estado que tenham continuidade, acopladas a

Gerais, Alberto Portugal, vale lembrar que inovação é

um arcabouço legal adequado, de modo a estimular a cria-

uma prática antiga que sofre influências da cultura, dos

ção de uma cultura inovadora que permeie toda a sociedade

valores e do ambiente das empresas.

e não só os empresários e investidores, de forma que todos

Nesta entrevista ao Jornal ACMinas, Portugal destacou Como está o Brasil nos campos da inovação, tecnologia e ciência? Ciência, tecnologia e inovação formam um sistema. Sem ciência, não há tecnologia nem inovação; e, sem inovação, ciência e tecnologia são rique-

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percebam a inovação como um projeto estratégico de nação.”

zas potenciais, mas não beneficiam a sociedade ou as empresas. São como um diamante bruto, que só tem valor quando trabalhado e lapidado e transformado num objeto que tem valor agregado para a sociedade. Ciência e

tecnologia vão relativamente bem. O Brasil avançou muito nas últimas décadas, com o crescimento da pós-graduação e o aumento dos investimentos em pesquisa, e é líder na América Latina na produção científica,

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com certa representatividade mundial. Há muitos desafios, e eu destacaria o isolamento da pesquisa brasileira pelo fato de nossos cursos de pós-graduação não utilizarem a língua inglesa, dificultando o intercâmbio. Na inovação vamos mal. Diferentemente da ciência e tecnologia, que são desenvolvidas em ambientes de laboratório, a inovação ocorre no mercado, nas empresas e nas organizações. E neste ambiente, tecnologia é somente um dos componentes. Há influência da cultura, dos valores e do ambiente da empresa, do sistema de avaliação e premiação, das pressões do mercado em termos de preço e prazo etc. Mas já há empresas que são referência em inovação. Em pleno século 21, ainda é difícil convencer empresas sobre a importância da inovação? Inovar tornou-se um imperativo para quem quer se manter competitivo no mercado. E a necessidade é a primeira grande indutora da inovação. Inovação sempre foi importante e decisiva, a percepção maior de sua atual importância se deve à velocidade das mudanças. Esta percepção vem ganhando força em toda a sociedade, especialmente no meio empresarial. O maior desafio é dar a todos uma

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INOVAR TORNOU-SE UM IMPERATIVO PARA QUEM QUER SE MANTER COMPETITIVO NO MERCADO. E A NECESSIDADE É A PRIMEIRA GRANDE INDUTORA DA INOVAÇÃO”.

clara definição do que é inovação. A inovação não é só tecnológica, na forma de produtos e processos, ela pode ser organizacional, na forma como a empresa se organiza e opera e pode ser também, na área de marketing, na forma de se relacionar com mercado. Inovar é introduzir na vida das pessoas, na empresa ou na organização um produto ou uma forma de fazer as coisas (processos, modelos, por exemplo) que agregue valor ao cotidiano, aos negócios, seja em termos monetários, produtivos, qualitativos ou de bem estar. Inovação é algo complicado e restrito a empresas que têm muito dinheiro para investir? Não. Há inovações radicais, que geram grandes mudanças e normalmente são complexas e dependem de mais investimentos. Mas elas não ocorrem a toda hora. Quando são

imprescindíveis, podem ser feitas também por pequenas empresas. A maioria das inovações são incrementais, são pequenas mudanças ou melhorias que vão agregando valor ao negócio. E estas são normalmente simples e têm custo muito baixo. Seja qual for o tamanho da empresa e o tipo de inovação, o importante é: (a) a incorporação da inovação na cultura, nos valores e no modelo de gestão; (b) o comprometimento da direção da empresa e (c) o engajamento das equipes, entendendo e participando das mudanças. As empresas mais inovadoras são as mais tecnológicas? Há uma certa correlação entre tecnologia e inovação, visto que há um grande dinamismo no mundo tecnológico. E a empresa que investe em novas tecnologias normalmente está acompanhando as mudanças e avanços e tende a perceber os desafios e oportunidades mais rapidamente. Mas não há necessariamente uma correlação direta. Por exemplo, uma empresa artesanal pode ser inovadora na sua organização, na forma de criar, de se relacionar com fornecedores e clientes. Uma escola pode ser inovadora no seu modelo de ensino ou uma organização pode inovar na

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forma de prestar serviços a seus associados, sem necessariamente investir em tecnologia, caracterizada como produtos e processos. Quais as maiores barreiras para se inovar no Brasil? Inovação é o único caminho para o desenvolvimento. Pode-se dizer que a inovação é a forma social e econômica da esperança de um futuro melhor. Para a inovação acontecer, ciência e tecnologia são importantes, mas não representam o maior desafio. O maior desafio em países emergentes, como o Brasil, é a definição de políticas públicas de Estado que tenham continuidade, acopladas a um arcabouço legal adequado e capaz de estimular a criação de uma

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Alberto Portugal

cultura inovadora que permeie toda a sociedade e não só os empresários e investidores, de forma que todos percebam a inovação como um projeto estratégico de nação. Esta cultura deve estar lastreada em valores, atitudes e modelos de gestão, difundidos desde a escola, que criem um ambiente de confiança e estímulo capaz de atrair investimentos privados em inovação.

Quais as dicas para empreendedores que querem inovar mas não sabem como começar? Consciente ou inconscientemente, os empresários inovam como forma de se manter no mercado. O importante é adotar um conjunto de decisões estratégicas, já mencionadas, para forjar uma empresa inovadora, percebida pelos empregados e principalmente pelo mercado. Há muitas organizações públicas e empresas de consultoria capazes de prestar a orientação. Na área pública, há o SENAI e SEBRAE, os NIT’s (Núcleos de Inovação Tecnológica) das Universidades e instituições de pesquisa, assim como o SIMI – Sistema Mineiro de Inovação, coordenado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais.

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INOVAÇÃO

TECNOLOGIA É FERRAMENTA PARA A INOVAÇÃO Para o presidente do Conselho Empresarial de Inovação da ACMinas, Paulo Renato Cabral, a atual recessão econômica do País comprometeu todas as empresas, todos os negócios em todos os segmentos. Mas não é por isto que a inovação deve ser relegada. Ela é, exatamente, um elemento capaz de mudar essa realidade. É a alternativa para prosperar nesta situação. Presidente do Grupo Inovação, empresa com mais de 10 anos de atuação na área, Paulo Renato cita, como exemplo, o Nubank, instituição financeira que, graças a um modelo inovador, está crescendo de forma consistente no mundo inteiro. “Enquanto as grandes operadoras de cartão de crédito estão perdendo receita e usuários”, afirmou, o Nubank tem hoje cerca de 300 mil pessoas na fila para obter o cartão de crédito de sua bandeira.” Segundo Paulo Renato, o Nubank não tem taxa disso, taxa daquilo, milhagem etc.,tem apenas a opção crédito e fornece um aplicativo para o controle de compras, possibilitando usar o cartão de forma racional e não irracionalmente, como o modelo hoje existente estimula. “Esta empresa tem incomodado fortemente a concorrência com sua estratégia inovadora – e não necessariamente baseada na tecnologia. “Um outro exemplo, mais visível,

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é o Netflix”, relata o presidente do Conselho de Inovação. “Enquanto as empresas de assinatura de TV vêm perdendo clientes de forma abrupta, inclusive por causa da crise, ele registra um crescimento vertiginoso. Isto acontece porque o modelo de negócio é muito mais focado e muito mais aderente ao cliente dos tempos atuais. Quando você assina um pacote de TV a cabo, ele é padronizado. Por mais que não se queira um canal específico, não há o direito de escolha, o que é oferecido pelo Netflix. Resultado: você tem empresas de telecomunicações passando por dificuldades e tem empresas como o Netflix, atuando e chegando a mais de 140 países e faturando mais de 1 bilhão de dólares. Houve, evidentemente, uso intensivo de tecnologia que, no entanto, não foi o fim em si mesma. Ela serviu para criar um modelo de negócio inovador.” “Inovação,” reitera Paulo Renato, “é questão de cultura, de estabelecer processos para praticá-la. Quando se fala de cultura de inovação, fala-se de uma cultura favorável à experimentação, ao testar e errar, à não-hierarquia, quando, por mais que se seja o dono ou o chefe, discute-se abertamente, no mesmo nível. É uma cultura que não favorece o medo ou o erro, ou a punição do erro. O erro, ao contrário, é visto como um aprendizado. A inova-

Paulo Renato: Inovação é questão de cultura empresarial

ção é uma cultura que favorece aqueles que realmente estão se desenvolvendo mais e contribuindo com mais ideias, que favorece a geração de ideias e não o boicote, como costuma acontecer nas organizações.” Um outro ponto que o especialista aborda é o fato de as pessoas confundirem inovação com tecnologia. “A tecnologia é uma ferramenta, um suporte capaz de melhorar qualquer negócio. Mas o que realmente traz melhorias é uma cultura aberta ao novo. Depois que se adquirir essa cultura é que se começa a estabelecer projetos, a saber como colocar um projeto na empresa, como criar uma nova área focada na inovação. Começa-se assim a criar rotinas internas para que aquilo possa acontecer, e por fim, de repente, entra-se com a tecnologia, com outros elementos. Mas a primeira questão é uma estabelecer a cultura inovadora, uma abertura para novo, um olhar amplo sobre o que está acontecendo no mundo e o que está acontecendo no mercado”, conclui.

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ARTIGO

DAVID E GOLIAS EM COOPERAÇÃO PARA INOVAR

Afonso Cozzi e Alexander Prado

Professores associados da Fundação Dom Cabral e diretores da Pi-Academy – gestora de aceleradoras corporativas.

O empreendedorismo não é novo, e não é um modismo. Nova é a percepção da sua importância. Especialista no tema, Fernando Dolabela nos lembra disso e acrescenta que o empreendedor não sugere que se faça melhor o que está sendo feito, mas propõe que se faça algo diferente, enfatizando a inovação. A toda hora ouvimos e constatamos que o empreendedor é protagonista e arquiteto de sua vida, e, por isso, define e redefine o seu negócio. O empreendedor de sucesso aprende no dia-a-dia da criação e gestão de uma empresa nascente, de uma startup, que sua paixão deve ser pelo mercado, e não pelas próprias ideias. E que as principais perguntas a responder estão fora da empresa: quem é seu cliente, como identificar a necessidade (ou “dor”) desse cliente, qual modelo de negócio é mais apropriado para chegar ao mercado, quais tecnologias são mais adequadas, como operacionalizar a venda, entre tantas outras. Aprende também que a principal fonte de recursos financeiros para financiar seu negócio deve vir do mercado, de suas vendas. E que precisa inovar sempre, para ganhar participação no mercado, ser competitivo e superar ou criar barreiras de entrada. Pergunta-se: Isso também vale para as empresas maduras, para as corporações? De uma forma geral, empresas

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maduras têm muitas dificuldades para inovar e frequentemente são taxadas de lentas, burocráticas, inibidoras da criatividade, do risco e da experimentação. As dificuldades nesse campo são resultados do maior comprometimento das organizações com os produtos e tecnologias existentes, com a melhoria da eficiência operacional e com a geração de lucro a partir dos seus atuais ativos, clientes e canais de distribuição. Ou seja, grandes corporações inovam menos do que poderiam simplesmente porque não foram moldadas para fazêlo, mas para fazer bem, e cada vez melhor, aquilo que já estão fazendo. Outra pergunta frequente: Como criar mecanismos de cooperação entre as startups e as corporações, em um jogo ganha-ganha, para explorar e maximizar os pontos fortes de cada uma? Para as startups que buscam um crescimento mais orgânico, as aceleradoras corporativas já são oportuni-

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PARA AS STARTUPS QUE BUSCAM UM CRESCIMENTO MAIS ORGÂNICO, AS ACELERADORAS CORPORATIVAS JÁ SÃO OPORTUNIDADES CONHECIDAS E DIFUNDIDAS EM TODO O MUNDO.”

dades conhecidas e difundidas em todo o mundo. Essa modalidade de aceleração vem se intensificando, pois os benefícios vão além do apoio financeiro que as empresas maiores fornecem às empresas nascentes. A relação é simbiótica, beneficiando a corporação e a startup. Para a organização já consolidada, a convivência cria uma oportunidade de rever conceitos enraizados em uma cultura mais burocrática e menos flexível, e possibilita insights sobre tecnologias emergentes e processos produtivos mais enxutos. Esse contexto é interessante para as corporações, tendo em vista que o crescimento e o amadurecimento costuma trazer uma “acomodação” natural nos negócios. Os projetos apoiados pelas aceleradoras corporativas geralmente são vistos como complementares ao portfólio de soluções das corporações, ou com potencial de acessar um segmento novo de mercado. Por outro lado, as startups ganham na medida em que passam a ter acesso a escala, infraestrutura, conhecimento e relações de mercado já estabelecidas. Ou seja, as condições garantem um começo mais estável, com uma promessa mais segura de sucesso. A necessidade de investimento inicial e a dificuldade para entrada no mercado se tornam um problema menor para as startups. A contrapartida é oferecer soluções que agreguem valor e inovação ao mercado atendido pela corporação.

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Jul ago 2016  
Jul ago 2016  
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