Page 1

JORNAL

ANO XXXIV - Nº 1192 - JANEIRO/FEVEREIRO DE 2017

Quando a inclusão é um desafio

Praça Rio Branco, em frente à Estação Rodoviária: sob o monumento “Liberdade em Equilíbrio”, o retrato da degradação.

PÁGINAS

12 a 15

E ainda: BRASIL DE VOLTA AO RUMO

EFEITO TRUMP

Senador José Aníbal expõe sua visão do País.

Especialistas alertam que ele pode atingir sua empresa.

PÁGINAS

10 a 11

PÁGINAS

18 a 21


EDITORIAL

TRÊS PALAVRAS Lindolfo Paoliello Presidente da ACMinas

EXPEDIENTE

Seriam infindáveis os efeitos de três palavras na construção do Brasil que nós queremos. Elas se unem por dois aspectos: são incrivelmente complementares em seu conteúdo e é ainda mais incrível que sejam tão pouco praticadas em nosso país, onde ou não têm tradução em língua portuguesa ou, em um dos casos, sua tradução não condiz com seu real significado. A cada vez que leio ou vivencio questões críticas do nosso cotidiano, eu me lembro destas três palavras da língua inglesa: policy, compliance e accountability. E assim me convenço de que, se percebida a crucial importância de seu sentido, as entranhas do problema brasileiro se exporiam às claras. E seriam saneadas. No entanto, a tradução de policy por política deixa as coisas confusas. E acabam inapropriadas e inoperantes as políticas públicas que ao se verem alvo da política partidária (em inglês politics) costumeiramente acabam na polícia (police), que confusão! Ao passo que se exercitada a tão falada policy no sentido que lhe é dado nos dicionários de lín-

02

gua inglesa – “orientação selecionada dentre alternativas, e considerando determinadas condições, destinada a guiar decisões presentes e futuras” – abriria ação sinérgica para a boa prática das duas outras preciosas palavrinhas. A segunda das quais, compliance, entrou em definitivo grafada em inglês na nomenclatura das organizações, onde raramente é posta em prática como manda o figurino, gerando sérios problemas administrativos, legais e institucionais. Questões capazes de ser prevenidas com o exercício do sentido original da palavra, em inglês: “conformidade com as exigências oficiais”. A ideia expressa pela terceira palavra, accountability, na verdade a primeira delas a me impressionar, surgiu por pura intuição quando, ao assumir a Presidência da ACMinas, passei a observar com olhos atentos o quadro interno e externo a esta organização. Percebi então que a atitude de prestar contas orientava meu pensamento e decisões. Chamou-me a atenção a correlação dessa minha disposição com

produção e produtividade, e a constatação de que ela conduzia a comunicar resultados e que deveríamos nos esforçar para que fossem bons resultados. Essas descobertas conduziramme a conhecer mais sobre esse recurso da gestão e aprendi que é bem mais que isso: o que se deve buscar é a “cultura da accountability”. Foi quando me deparei com o estudo de Anna Maria Campos, intitulado “Accountability: quando poderemos traduzi-la para o português?”, publicado na Revista de Administração Pública de fev./abr. de 1987. Ali revela que no seu primeiro dia de aula na Universidade do Sul da Califórnia (pós-graduação em Administração Pública), apesar de seus conhecimentos avançados em língua inglesa que lhe renderam a bolsa de estudos da OEA, não conseguiu acompanhar a discussão sobre accountability, incapaz de traduzir a

PUBLICAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E EMPRESARIAL DE MINAS Registro nº 647 no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas da Comarca de Belo Horizonte Redação: Av, Afonso Pena, 372 – Centro – BH – MG – CEP: 30130-001 Assessor de Comunicação: Antônio Rubens Ribeiro Tel.: 3048-0715 e 3048-0714 – e-mail: imprensa@acminas.com.br Editora Responsável: Gabriela Carvalho – Reg. Prof.: MG 13549 JP Presidente: Lindolfo Paoliello Presidente de Honra: José Alencar Gomes da Silva (in memoriam) Vice-Presidentes: Aguinaldo Dinis Filho, Fábio Guerra Lages, Hudson Lídio de Navarro, Hélsio Roberto Martins Guerra, José Mendo Mizael de Souza, Marcos Brafman, Modesto Carvalho de Araújo Neto, Paulo Eduardo Rocha Brant, Paulo Sérgio Ribeiro da Silva, Romel Erwin de Souza, Ruy Barbosa de Araújo Filho, Sérgio Bruno Zech Coelho, Wagner Furtado Veloso e Wilson Nélio Brumer

Jovem Aprendiz: Isabella Fernanda Projeto Gráfico e Diagramação: CMR Comunicação 31 99675-6188 Publicidade: José Carlos Cruz Fone: 31 3048-9560 publicidade@acminas.com.br Estagiário: Gabriel Lima Foto da capa: Hugo Cordeiro Fotos: Fábio Ortolan Impressão: Gráfica Del Rey

JORNAL


palavra para o português. Sua perplexidade chegou ao ápice quando consultou amigos com doutorado nos EUA e eles não sabiam como traduzir. “Desisti da ideia de tradução”, ela escreveu, “e ao longo dos anos fui entendendo que faltava aos brasileiros não precisamente a palavra, ausente na linguagem comum como nos dicionários. Na verdade, o que nos falta é o próprio conceito, razão pela qual não dispomos da palavra em nosso dicionário”. Quais as consequências dessa ausência do conceito de accountability para a realidade da administração pública brasileira foi a questão à qual a autora esteve ligada por mais de 12 anos. Ela narra algumas observações entre a experiência vivida no Brasil e aquela vivida na cultura política americana: ”As primeiras observações diziam respeito ao próprio relacionamento entre a administração pública e seus ‘clientes’. Pelo lado dos funcionários públicos, um desrespeito pela ‘clientela’ (exceto os conhecidos ou recomendados) e uma completa falta de zelo pelo dinheiro público, uma atitude de aceitação quanto ao favoritismo, ao nepotismo e todo tipo de privilégios; tolerância e passividade ante a corrupção, a dupla tributação (o imposto mais a propina) e o desperdício de recursos”. Caminhando para suas conclusões, Anna Maria Campos registra: “Há uma relação de causalidade entre o desenvolvimento político e a competente vigilância do serviço público. Assim, quanto menos amadurecida a sociedade, quando menos provável que se preocupe com a accountability do serviço público. Portanto, não surpreende que, nos países menos desenvolvidos, não haja tal preocupação. Nem mesmo sente-se falta de palavra que traduza accountability. Quando a indigência política for superada e o ins-

JORNAL

‘ ‘ ‘ ‘

AINDA NOS FALTA O CONCEITO DE NAÇÃO.

titucional fortalecido, é provável que surja o conceito e, só então, a palavra para traduzi-lo. Por enquanto, qualquer tentativa apressada de cunhar uma palavra (em português) seria desprovida de significado, pois não faria parte da nossa sociedade”. O texto citado, embora publicado em 1990, foi produzido em 1987. Mais recentemente, em nov./dez. de 2009, a mesma Revista de Administração Pública publicou artigo de José Antônio Gomes de Pinho e Ana Rita Silva Sacramento, desta vez intitulado “Accountability: já podemos traduzi-la para o português?” Os autores afirmam: “Ao observar as alterações políticas, sociais e institucionais ocorridas no Brasil nesses 20 anos constata-se que, embora muitos passos importantes tenham sido dados em direção à accountability, com criação de novas instituições, fortalecimento institucional em geral, a caminhada promete ser longa, principalmente porque ficou caracterizado que no Brasil o surgimento de um novo valor não necessariamente implica extinção do tradicional. Parece haver uma impressionante capacidade de superação da ordem legal, muitas vezes com extrema criatividade e inventividade, para fazer valer a velha ordem. O autoritarismo tem mostrado uma enorme capacidade de se redesenhar, de se redefinir diante das mudanças institucionais e culturais a favor do aumento de accountability”. Em seguida, fazem este alerta sobre o qual se deve refletir: “Mais grave ainda do que a afirmação de

Anna Campos quanto à falta do conceito de accountability, vimos que para Ianni (Octavio Ianni, sociólogo e professor falecido em 2004) ainda nos falta o conceito de nação. Nesse sentido, o Brasil seria “uma nação em progresso” que busca “transformar-se em conceito”. E concluem: “Não querendo fugir da resposta, podemos dizer que estamos mais perto da tradução do que quando Campos se defrontou com a questão, mas ainda muito longe de construir uma verdadeira cultura de accountability. Fechando com palavras otimistas, esse conceito está em construção, assim como o de nação, e dentro dos parâmetros da democracia como valor universal, o que não é pouco para uma longa tradição de autoritarismo.” De tudo, fica dos dois estudos citados a percepção, de certa forma amarga, de que não é a tradução de policy, compliance e accountability que nos faz falta. Mas compreender e praticar com responsabilidade os seus significados originais. Assumir, por exemplo, que o conceito de accountability envolve responsabilidade (objetiva e subjetiva), controle, transparência, obrigação de prestação de contas, justificativas para as ações que foram ou deixaram de ser empreendidas e, por fim, premiação ou punição. Essa breve viagem em torno de três palavras que podem resultar em uma revolução nos procedimentos do Estado, das empresas e da sociedade nos acena para a necessidade de as entidades representativas do empresariado equilibrarem sua atuação entre o operacional (seu desenvolvimento e de seus associados) e o institucional (ser protagonista de mudanças que assegurem um mercado afluente e uma sociedade com qualidade de vida). Esta edição do Jornal da ACMinas retrata bem esse propósito.

03


EVENTOS

PAOLIELLO:

“PRECISAMOS TORNAR A ACMINAS CONTEMPORÂNEA DO FUTURO” Cenário Nacional foi destaque na abertura dos trabalhos Ao iniciar a solenidade de abertura dos trabalhos da gestão 2017/2018 da ACMinas – que foi também o palco para a esclarecedora palestra do senador José Aníbal Peres de Pontes sobre o cenário político-institucional brasileiro – o presidente Lindolfo Paoliello, reconduzido a novo mandato, afirmou que a entidade terá como próximo desafio a sua consolidação como “uma organização contemporânea do futuro”, como definiu, em seu discurso, a missão que assumia. Paoliello registrou que, com essa proposta, a diretoria reafimava o compromisso que assumira ao ser empossada para sua primeira gestão: o de implementar o plano estratégico “ACMinas para frente, para fora, para o futuro”, sustentado pelas metas do conhecimento, desenvolvimento, internacionalização, inovação e produtividade e tendo como causa final a visão de uma entidade capacitada a amoldar-se a novos contextos. “Esta capacitação”, afirmou, “é vista hoje como uma conquista carac-

04

terizada pelo fortalecimento da governança da entidade, não só pelo foco em planejamento e estratégia mas, em especial, pela agregação à sua diretoria de novos empresários e executivos reconhecidos por seu valor assim como pela nova moldagem dos Conselhos Empresariais, agora alinhados como foro, por excelência, da inteligência e estratégia da ACMinas.” Paoliello apresentou também um balanço dos resultados obtidos nos dois anos de seu primeiro mandato, destacando o significativo avanço na capacitação da ACMinas para expandir sua capacidade de articulação. “Focalizada como atividade estratégica”, afirmou, “a articulação abrange uma ação sistêmica de relação com os poderes constituídos e instituições representativas do setor produtivo que começa dentro do Estado e se estende a uma atuação nacional e internacional.” “Estabelecemos sólidos vínculos entre a ACMinas, as demais representações empresariais do Estado, alinhadas no Fórum das Entidades, e

também com as lideranças nacionais, por meio da Frente Sudeste de Associações Comerciais unindo os dirigentes de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. “São alianças que têm como motivação a percepção de interesses comuns entre estas organizações na defesa de seus associados, às quais se acrescentaram iniciativas junto ao Legislativo Estadual, como a da criação da Frente Parlamentar de Apoio ao Comércio e Serviços.” O presidente da ACMinas destacou também a atuação da entidade na área internacional: a produtiva cooperação resultante do Memorando de Entendimentos firmado com o Departamento de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores, o projeto “Internacionaliza BH” e a publicação do “Minas Gerais Business Guide”, que, a partir de sua quinta edição, do biênio 2016/2017, passou a contar com o apoio do MRE. O Guia está sendo distribuído pelas representações diplomáticas brasileiras no exterior.

JORNAL


O PAÍS ESTÁ VOLTANDO AOS TRILHOS Senador José Aníbal afirmou na ACMinas que há espaço para redução da taxa de juros Convidado para a cerimônia de abertura dos trabalhos da ACMinas em sua nova gestão tratando o tema “Uma Visão de Brasil”, o senador José Aníbal Peres de Pontes, presidente do Instituto Teotônio Vilela, anunciou que o projeto de Terceirização, atualmente tramitando no Senado Federal, deve ser ter iniciada sua votação dentro de algumas semanas. “Trata-se de um inequívoco avanço”, afirmou, “mas que não será capaz de resultar naquilo que se espera, pois depende de que sejam aprovadas também as reformas trabalhista e da Previdência Social.” Em seu pronunciamento, ele reconheceu que o país atravessa uma crise, mas caminha para um desfecho positivo. “Conseguimos virar a página de um governo que, como mais dois meses, quebraria o Brasil”, disse. “A diferença maior entre este governo e o anterior é que temos um norte e estamos voltando aos trilhos. Está havendo uma evolução importante, demonstrada por uma macroeconomia

JORNAL

José Aníbal: “consertar os estragos”

com sinais nítidos de recuperação. Entretanto, as taxas de juros permanecem muito altas. Com a inflação em queda, há espaço para que ela possa ser substancialmente reduzida.” José Aníbal salientou, no entanto, que os problemas da desigualdade social continuam acentuados. “Hoje os trabalhadores que proporcionalmente são mais onerados pelos impostos são exatamente aqueles que ganham na faixa de dois salários mínimos. É preciso corrigir estas distorções, o que necessariamente exigirá uma reforma tributá-

ria.” Ele abordou também a questão do desemprego, que só se resolverá com a retomada do crescimento econômico e a consequente recuperação do setor produtivo. “A liberação das contas inativas do FGTS, que injetará na economia algo em torno de R$ 30 bilhões, terá um papel importante nesta retomada”. Para o senador, os resultados daquilo que já se fez no atual governo começam a aparecer. “Mas ainda há muito o que fazer, as reformas precisam ser extensas e profundas para consertar os estragos anteriormente feitos”, concluiu.

05


PERFIL

LÚCIO COSTA NARRA NA ACMINAS HISTÓRIA DA SUGGAR Nova unidade da empresa na Paraíba inicia operações neste semestre O empresário Lúcio Costa, fundador das empresas “Cook Cozinhas e Ambientes” e “Suggar Eletrodomésticos”, anunciou, durante reunião Plenária Semanal da Diretoria e Associados da ACMinas, na qual foi o palestrante convidado, o início das operações de uma nova fábrica, no município de Conde, na região metropolitana de João Pessoa, na Paraíba, ainda neste primeiro semestre. Segundo ele, o objetivo da Suggar,

06

ao implantar a nova unidade naquela região é reduzir os custos de operação. “Além de contarmos com os incentivos fiscais oferecidos pelo município e da mão de obra mais barata, esperamos economizar no frete”, disse. “Vamos atender o Norte e Nordeste com essa fábrica, o que vai proporcionar redução significativa dos custos com logística, pois os tanquinhos, produto que faremos ali, têm grande volume de produção e baixo custo. Com a

inauguração desta nova unidade, vamos atingir a marca dos 2 milhões de aparelhos por ano”, afirmou. Para o empresário – que se define como “uma pessoa que sempre foi vendedor e vai continuar vendedor” – determinação, ética, perseverança são características que toda empresa deve preservar. “Cometem suicídio empresarial as organizações que têm sócio rico de empresa pobre; os empreen-

JORNAL


A história do vendedor Lúcio Costa e os 35 anos da Suggar

dedores que confundem venda com lucro, que desrespeitam o capital de giro e que fazem desaforos para o dinheiro”. Há mais de 40 anos no mercado, tendo se destacado pelo pioneirismo na fabricação de exaustores para cozinhas, Costa afirma não ter do que reclamar quanto ao atual

JORNAL

momento da economia brasileira. “A palavra crise, no negócio da Suggar, não passa pelo meu vocabulário”, afirmou. “Nosso tanquinho, nome pelo qual ficaram conhecidas as lavadoras semiautomáticas que fazemos, transformou-se num produto de primeira necessidade, e hoje conquistamos uma posição privile-

giada nesse mercado, do qual somos líderes.” Costa falou também sobre sua carreira de empreendedor. “Perdi meu pai muito cedo, com 12 anos, e precisei começar a trabalhar para ajudar o sustento da família”, disse. “Minha primeira ocupação foi coletar ferro velho, que vendia a

07


INSPIRAÇÃO PARA PROSSEGUIR

Paoliello: Inspiração para prosseguir

um homem que passava diariamente em minha rua, puxando uma carrocinha, que comprava tudo que eu conseguia. Logo descobri o ferro-velho que era seu comprador e passei a vender diretamente a ele. Assim ganhava mais”, lembrou. “Depois disso, sucessivamente, vendi balas em circo, consegui empregos em lojas, vendi máquinas de escrever e geladeiras, e fui assim até fundar a Suggar. Mas sempre fui – e sou – um vendedor”.

08

Hoje, sua empresa tem cerca de 18 mil pontos de vendas, 840 postos de assistência técnica, 68 representantes que levam a marca Suggar de norte a sul do Brasil, às principais lojas de eletrodomésticos. Emprega mais de 800 colaboradores que trabalham em um parque industrial de 40.000m². Segundo Lúcio Costa, “são profissionais altamente qualificados, capazes de criar, produzir e vender 3 mil unidades por dia.”

Em sua fala de saudação a Lúcio Costa, o presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello, lembrou que, nesta nova gestão, dará sequência a sua linha diretiva, baseada na trilogia “Para Frente, para Fora e para o Futuro. “Já avançamos no ‘para fora’ – e a cerimônia de abertura dos trabalhos dos próximos dois anos, acontecida na semana passada, foi uma clara demonstração desse avanço na área institucional”, disse. “Agora vamos tratar do ‘ACMinas para frente’, criando iniciativas inovadoras em favor de nossos associados, o que passa necessariamente pela consolidação da nossa organização e estrutura para levá-la ao Futuro Contemporâneo. Esse esforço”, revelou, “passa hoje a ter um símbolo. É um homem de Belo Horizonte, empreendedor audacioso, empresário nato e, como ele próprio faz questão de afirmar, acima de tudo um vendedor: Lúcio Costa. Lúcio e o que ele representa será a inspiração para prosseguirmos nessa missão”, concluiu.

JORNAL


ACONTECE

NOVOS DIRETORES DA ACMINAS TERÃO PATRONOS A gestão 2017/2018 da ACMinas trouxe, além da renovação da diretoria, uma outra novidade: a criação da figura dos patronos, vice-presidentes que, com sua experiência e conheci-

‘‘

mento, assumem o papel de facilitadores da atuação dos novos diretores que, por eles indicados, integraram a chapa eleita em dezembro do ano passado. Aos patronos cabe proporcionar

Já nos reunimos e discutimos algumas alternativas de pro-

jetos, como o de estimular atividades de educação corporativa no âmbito da entidade e o de implantar, em

‘‘

o rápido alinhamento desses dirigentes com os objetivos da entidade e lhes propor missões a serem empreendidas durante os dois anos de seus mandatos..

Os meus afilhados são novatos na ACMinas e se sentiram

bem acolhidos. Nos nossos encontros eu os estimulei a propor projetos em suas áreas de competência e iniciativas

parceria com o Conselho Empresarial de

que contribuam para uma cidade e uma socie-

Assuntos Jurídicos, um setor de acompanha-

dade melhores.”

mento de mudanças legislativas de interesse do

Vice-presidente Wagner Veloso

empresariado mineiro.”

Vice-presidente Hudson Lídio de Navarro

‘‘

‘‘

Conversei individualmente com os novos diretores propiciando

a eles a oportunidade de me apre-

Estamos em contato constante e já desenvolvendo

sentarem suas expectativas e visões sobre o setor mineral. Em um segundo

ações e projetos que fomentem

momento vamos nos reunir para, em conjunto, con-

a comercialização de energia

solidarmos uma visão do grupo e apresentar proje-

alternativa”.

tos e sugestões de ações para ACMinas.”

Vice-presidente Ruy Araújo

JORNAL

Vice-presidente José Mendo Mizael de Souza

09


INTERNACIONALIZA BH

INTERNACIONALIZA BH AVANÇA EM 2017 RUMO À EXTROVERSÃO DE MINAS O convívio intercultural é a chave do projeto O Projeto Internacionaliza BH inicia seu terceiro ano de atividades com a promessa de avançar cada vez mais em sua proposta de fazer do convívio, da troca de experiências e da interação cultural não apenas uma contribuição efetiva para a absorção de práticas e comportamentos cosmopolitas – que são a essência do projeto – mas, igualmente, para a inserção de Minas Gerais no contexto global. Trata-se, segundo a coordenadora do projeto e diretora da ACMinas Monica Cordeiro, de um processo que resultará numa “extroversão” de Minas Gerais. “Nesta projeção”. afirma Monica, “vislumbramos a superação daquilo que é percebido como uma característica dos mineiros, a introversão, para uma situação em que o Estado se torne aberto para o ambiente externo, para expandir contatos e adquirir a noção de seu papel no mundo.”

10

Projeto Internacionaliza BH entregou o selo para o Guaja Casa, o primeiro café-coworking do Brasil

Visando a esta extroversão, o Internacionaliza BH vai direcionar boa parte de suas ações em 2017 para a realização de encontros empresariais envolvendo Alemanha, Holanda, Bélgica, Suíça, Argentina, Israel, EUA, Itália, França, Reino Unido, Japão e China, países selecionados na agenda de validação do projeto para este ano. Estes eventos abrirão espaço especial para a troca

de experiências entre nossas culturas e identificação de oportunidades de negócios. Com isso, o projeto ampliará suas ações a um novo patamar.

BALANÇO DE 2016 O projeto Internacionaliza BH encerrou 2016 com mais de 20 selos “Eu Participo” conferidos, estruturando uma rede de restaurantes, bares, empresas e iniciativas de destaque por sua atua-

JORNAL


ção internacional ou de convívio com comunidades estrangeiras. O registro da “Memória da BH do Mundo” passou a contar em seu acervo, divulgado nas redes sociais do Projeto, com as histórias de personalidades como Catarina Chen, Professor José Israel Vargas, Embaixador Rubens Barbosa, Professor Radamés Teixeira, Tiago Alves e membros do Comitê Olímpico Britânico, entre outros.

Também foram realizados Encontros Empresariais de destaque, avançando no conhecimento sobre práticas e culturas de países como França, Itália, Reino Unido, China, Espanha e países nórdicos, em momentos chamados “Díálogos Internacionais”.

MINAS GUIDE No final do ano passado o Conselho Empresarial de Relações Internacionais

FESTIVAL DO JAPÃO A mais recente entrega do selo “Eu Participo” pelo projeto Internacionaliza BH – ao Festival do Japão em Minas – aconteceu durante a prestigiada cerimônia de abertura do evento, no Expominas. Desde 2012, Belo Horizonte é palco do Festival do Japão em Minas, o maior evento sobre a cultura japonesa do Estado. A iniciativa tem como objetivo a propagação da cultura e o intercâmbio social, cultural e econômico entre Minas e Japão. Somando-se ao Momento Japão em Belo Horizonte, o Internacionaliza BH também realizou – na ACMinas – evento de capacitação em etiqueta empresarial japonesa, ministrado pela consultora Lumi Toyoda, que proporcionou aos participantes uma verdadeira viagem pelas cores e características do Japão, além de uma reflexão sobre a essência e o modo de ser do japonês. O treinamento, gratuito para associados da ACMinas, foi bastante elogiado e valorizado pelos participantes – que também realizaram uma visita ao Festival do Japão – com a orientação da consultora.

da ACMinas, em parceria com o Internacionaliza BH, lançou a nova edição do Minas Gerais Business Guide 2016/2017, com versão online disponível em cinco idiomas – inglês, espanhol, francês, árabe e mandarim. A publicação já se consolidou como uma vitrine para as empresas que querem se conectar com o mundo e acessar novos mercados. Acesse www.minasguide.compara conhecê-lo.

PATROCINADORES 2016

A REDE EU PARTICIPO Restaurante Dona Lucinha, Restaurante Maharaj, Rede Savassi Hotel, Festival BH Beatle Week, Guaja Co-working, Festival Internacional de Cerveja e Cultura, Hotel San Diego Mid, Restaurante Vallo Di Nera, Hotel Mercure Belo Horizonte Lourdes, Restaurante Sargas, Aliança Francesa, Festival Día de Los Muertos, BH Boutique Hostel, Instituto Cervantes, Restaurante Macau, Kuttner do Brasil, R.S Indústria e Comércio de Cosméticos LTDA, Tecnoclean, Infinito Indústria e Comércio de Bijuterias, Hiper Focco, Seu Ninico, Grupo Serpa e Localiza.

Acompanhe nossas redes sociais para saber de tudo que acontece no projeto. internacionalizabh internacionalizabh.com.br facebook.com/internacionalizabh/ linkedin.com/company/internacionaliza-bh

JORNAL

11


CAPA

ACMINAS REÚNE LIDERANÇAS EM FAVOR DO HIPERCENTRO Realização de ações para reverter a situação degradante da região passa a ser alvo de Movimento com participação de entidades, especialistas e gestores públicos Formulada para debater e buscar soluções para o alto grau de degradação e abandono da região central de Belo Horizonte, a mesa-redonda S.O.S. Hipercentro, realizada em Reunião Plenária semanal da entidade, teve como um dos efeitos mais expressivos a disposição unânime dos participantes, especialistas nas diversas áreas de atuação que o trato da questão requer, em dar sequência à iniciativa por meio de um plano conjunto de ações para atacar as origens do problema. Com isso, segundo o presidente da entidade, Lindolfo Paoliello, o debate assumiu o caráter de início de um processo sistêmico. “Vamos começar pela região da avenida Afonso Pena, entre a Estação Rodoviária e a Praça Sete”, afirmou. “E, depois, estendê-lo para toda a região central. Temos que agir para não regredirmos à situação de 10, 12 anos atrás, então resolvida eficazmente, mas que agora está de volta”. A secretária municipal de Serviços Urbanos, Maria Fernandes Caldas, após minuciosa avaliação do quadro, disse que o problema tem recebido a atenção do poder público, mas sua complexidade requer mais que isto: é preciso que a sociedade participe. “As soluções”, disse, “devem decorrer de uma ação con-

12

JORNAL


Da esquerda para direira: Presidente da Associação dos Comerciantes do Hipercentro, Flávio Fróes; vice-presidente da Fiemg, Teodomiro Diniz; Secretária Municipal de Serviços Urbanos, Maria Fernandes Caldas; presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello; arquiteto Gustavo Penna; Comandante do 1º BPM- MG, Tenente-Colonel Eduardo Felisberto; diretor da ACMinas, José Aparecido Ribeiro

junta de todos os segmentos da sociedade civil”. Para ela, a mesa-redonda foi extremamente oportuna na medida em que reuniu representantes de vários segmentos da sociedade civil. O consultor em assuntos urbanos José Aparecido Ribeiro, diretor da ACMinas, enfatizou a necessidade de intervenções: “Desde o Plano de Reabilitação do Hipercentro de Belo Horizonte, em 2007”, lembrou, “pouca coisa se realizou na região, que foi se degradando em função do grande fluxo de pessoas. Todos os dias passam pela Praça Sete cerca de 330 mil pessoas”.

JORNAL

NASCE UM MOVIMENTO Uma rápida caminhada, por não mais que um pequeno trecho da avenida Afonso Pena – entre a Estação Rodoviária e a Praça Sete de Setembro, no qual se localiza a sede da ACMinas – foi suficiente para que o repórter fotográfico Hugo Cordeiro, a pedido da entidade, constatasse e registrasse com sua câmara a que ponto chegou o grau de deterioração urbana no local.

As cenas capturadas, que na verdade se repetem por todo o hipercentro de Belo Horizonte, também foram suficientes para que a Associação Comercial e Empresarial de Minas decidisse colocar o assunto em debate. Impactantes, as fotografias, projetadas imediatamente antes do início da Mesa-Redonda, mostraram ao vivo e a cores o porque da iniciativa da ACMinas.

13


AÇÃO CONJUNTA É FUNDAMENTAL Também foi um ponto de consenso a necessidade de a iniciativa privada apoiar o Movimento, notadamente as empresas que atuam no centro e são afetadas diretamente pelo problema. A questão foi levantada e endossada pelo entendimento de que o cenário é extremamente prejudicial, especialmente para o comércio, embora a ocupação do centro da cidade por camelôs e moradores de rua afete a todos. Quem mora, trabalha ou transita no local queixa-se de políticas sociais pouco efetivas, uma opinião que é compartilhada pelo arquiteto Gustavo Penna, um dos debatedores, que assinalou a necessidade da requalificação. “Contudo”, disse, “é preciso que, nesse cenário conflituoso, a

14

melhoria física seja acompanhada de ações no campo social. A inclusão dos moradores de rua é essencial.” Posição semelhante foi defendida pelo comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar de Minas Gerais, Tenente-Coronel Eduardo Felisberto, responsável pela área central de Belo

Horizonte. Segundo ele, é necessária a criação de alternativas para abrigar os moradores de rua. “Isto exigirá o engajamento de moradores, comerciantes, poder público e demais agentes sociais. É fundamental uma ação conjunta,” disse. Ele destacou também que a PM atua osten-

JORNAL


sivamente na região e tem feito inúmeras apreensões de mercadorias vendidas pelos camelôs, quase sempre contrabandeadas. “Pouquíssimo tempo depois eles estão de volta, com novos sortimentos, o que nos dá a certeza de que por trás dos ambulantes atuam quadrilhas organizadas”, afirmou. Outra abordagem da questão foi exposta pelo empresário Teodomiro Diniz, vicepresidente da Fiemg: a situação de quem mora no centro. Segundo, ele, é preciso urgência no planejamento da reocupação do hipercentro, novamente esvaziado ao longo dos últimos anos. “Temos que manter a ordem e não deixar que a área se deteriore ainda mais, acabando por desqualificar-se em definitivo em termos de habitabilidade”, disse. “A partir do momento que a região se tornar segura, organizada, limpa, com pessoas trabalhando licitamente, tudo tende a melhorar”, ressaltou. Flávio Fróes, presidente da Associação dos Comerciantes do Hipercentro, admite que a crise econômica que o País atravessa é um dos fatores do atual estado de degradação. “Mas a crise não pode ser desculpa para a desorganização. Ninguém se sente bem num lugar abandonado, feio. Todo mundo quer um Centro vivo, seguro, com calçadas bonitas, equilibrado do ponto de vista social”, assinalou.

JORNAL

POLÍTICA PÚBLICA EXCLUDENTE O diretor da ACMinas Luciano Medrado sugeriu, ao comentar as propostas dos debatedores, que a questão do hipercentro de Belo Horizonte seja tratada de forma sistemática. “Quando se fala em incluir – seja o camelô, seja o morador de rua – o setor produtivo, apesar de ser o gerador do emprego e da renda, é excluído da formulação de políticas públicas”. Medrado citou como exemplo disto as obras feitas há pouco tempo nas avenidas Paraná e Santos Dumont, que geraram prejuízos, desemprego e queda de renda, já que foram feitas sem nenhum respeito, sem nenhuma compensação, sem qual-

quer planejamento em conjunto com o setor produtivo. “Quando se fala em mobilidade urbana só se leva em consideração problemas de trânsito e de transporte de passageiros. Mas o abastecimento das cidades antecede a movimentação das pessoas”, disse. “Você dá um alvará para a Drogaria Araújo e depois não consegue abastecer a loja. A minha sugestão é que estejamos muito atentos a esses debates, pois todas as decisões se tornam restritivas por causa de seu caráter excludente. Não se pode fazer planejamento e política pública de mobilidade urbana sem que se busque inclusão”, finalizou.

15


ARTICULAÇÃO

BR-040 ÀS ESCURAS ACMinas e Federaminas cobram solução

O apagão da BR040, em parte do trecho entre a Avenida do Contorno e Alphaville-Lagoa dos Ingleses vai continuar. A constatação é resultante da reunião ocorrida na ACMinas com o gerente de Relações Institucionais da Concessionaria Via 040, Frederico Souza. Oriunda de solicitação de informações feita formalmente à empresa pelos presidentes da ACMinas, Lindolfo Paoliello e da Federaminas, Emílio Parolini, o documento des-

16

Reunião: O gerente de Relações institucionais da VIA 040, Frederico Souza, o Superintendente da ACMinas, Luís Paulo Costa e o superintendente da Federaminas, Fernando Abreu

tacava o caráter de conquista que a implantação do sistema proporcionou a moradores e empreendimentos da região, bem como aos motoristas que por ela trafegam, notada-

mente naquilo que se refere à segurança. Ocorre que, hoje, os efeitos positivos trazidos pela iluminação já não mais se fazem sentir, dado o abandono a que o sistema foi

JORNAL


relegado. Boa parte do trecho está às escuras por falta de manutenção. No encontro, Frederico Souza explicou que a Via 040 “herdou” todos os ativos do DNIT com a

Nova Lima propondo a doação dos ativos de iluminação do município para a União – que precisaria aceitá-la – e há um projeto de lei aprovado nesse sentido. “Não teve,

anos. A empresa informou também que aguarda a votação da MP752 (nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado) para reavaliar o contrato firmado. Esta

concessão, mas a iluminação não fazia parte desses ativos, mas sim das Prefeituras de Nova Lima e Brumadinho, entre outros municípios. “Por este motivo”, explicou Souza, “não cabe à VIA 040 a realização de melhorias ou manutenção no sistema.” Mesmo assim, a empresa procurou a Prefeitura de

contudo, qualquer efeito prático.” Ainda de acordo com o representante da VIA 040 a empresa tem prazo de quatro anos a partir da data da Licença de Instalação (LI) para iniciar e concluir as obras. Esta licença até o momento não foi expedida pelo IBAMA e já está com atraso de mais de dois

medida provisória destina-se a possibilitar a prorrogação e relicitação de contratos de concessão aplicáveis exclusivamente aos setores rodoviário e ferroviário. Dependendo do resultado das negociações, a VIA 040 pode abrir mão do contrato de concessão firmado.

JORNAL

17


NEGÓCIOS INTERNACIONAIS

TRUMP: AMEAÇA OU OPORTUNIDADE PARA O BRASIL? Nestes menos de três meses de mandato, o novo pre-

E Minas Gerais? Para responder a esta e outras pergun-

sidente norte-americano, Donald Trump, conseguiu criar

tas o Jornal ACMinas ouviu três especialistas. Na área

uma enorme confusão nas relações diplomáticas e comer-

de mercado internacional, o presidente do Conselho

ciais do mundo inteiro. Defensor de uma política externa

Empresarial de Relações Internacionais da ACMinas,

isolacionista, ele não apenas decidiu realmente construir

Sherban Cretoiu, que abordou as possíveis mudanças nas

um muro separando os Estados Unidos do México – algo

relações diplomáticas e comerciais brasileiras nesse

que parecia não mais que promessa de campanha –, como

novo cenário. As perspectivas do setor minerário foram

também abandonou o Acordo Transpacífico, TPSEP, cuja

analisadas pelo vice-presidente José Mendo Mizael de

criação mal completou seu primeiro ano.

Souza, que também lidera o Conselho Empresarial de

Em suma, a nova política externa americana vai

Mineração da entidade, e as expectativas do agronegó-

certamente afetar as direções do tráfego nos negócios

cio foram avaliadas pelo ex-ministro da Agricultura

internacionais. E o Brasil, como fica neste novo desenho?

Alysson Paulinelli.

PARA SHERBAN CRETOIU, O TEMPO DIRÁ O QUE É OU NÃO BRAVATA Qual a expectativa das exportações brasileiras neste novo cenário? O cenário é de relativa estabilidade, podendo haver algum cresci-

18

mento no valor total exportado em função de alta localizada nos preços de algumas commodities que compõem a pauta de exportações. Mas

segue a preocupação com o pouco dinamismo das exportações brasileiras e mineiras com as pautas dominadas por itens de baixo

JORNAL


valor agregado e os manufaturados com baixa competitividade nos mercados internacionais. Qual é, em sua opinião, o impacto que a gestão Trump pode ter para as exportações mineiras? O governo de Donald Trump ainda não definiu diretrizes suficientes para que esta análise seja feita. De concreto, apenas retirou os EUA da Parceria TransPacifico, o que impacta outras economias latino-americanas e a capacidade de os EUA competirem com a China na Ásia e na América Latina. Não creio que adotará medidas extremamente protecionistas e que imporá restrições ao comércio com China e México, pois o impacto destas medidas na própria economia dos Estados Unidos seria catastrófico: traria consequências inflacionárias e perda de competitividade de diversas empresas dos próprios EUA instaladas naqueles países. O tempo dirá o que ficará como bravata de campanha eleitoral e o que será implantado como tentativa de

JORNAL

retornar a um passado industrial que não mais voltará, pois o eixo da produção mundial em alta escala já se transferiu para a Ásia. O cenário internacional com o novo governo americano é oportuno para o Brasil? Por quê? O Brasil, por toda sua potencialidade e estrutura produtiva tem, em tese, condições de prosperar em qualquer conjuntura internacional em que predomine a paz e os fluxos de comércio e investimentos sejam mantidos. O problema é que nosso país é um desperdiçador contumaz

de oportunidades e do seu próprio potencial. Ainda não testemunhei um governo sequer que tenha claramente definido um projeto de inserção competitiva brasileira nas cadeias globais de valor ou que tenha priorizado, nas relações internacionais, uma estratégia de liderança política e econômica pragmática e condizente com o porte da nossa economia, dos nossos recursos e do nosso talento. Uma administração Trump com eventual viés isolacionista ofereceria ao Brasil a oportunidade de ocupar espaços políticos e econômicos interessantes, em função da diversidade e potencialidade dos nossos setores agrícolas e industriais. Mas caberia também ao empresariado se mobilizar para transformar oportunidades em negócios. Aqui temos outro problema, o pouco interesse pelo mercado internacional e mindset global que caracterizam nosso empresariado. Resumindo, as oportunidades são muitas, mas falta ao Brasil e a Minas Gerais fazer o dever de casa para competir globalmente.

19


JOSÉ MENDO: CENÁRIO POTENCIALMENTE FAVORÁVEL poderá significar um estímulo à demanda por produtos minerais e de produtos industrializados de base mineral, mas ainda é cedo para se ter uma visão clara a respeito.

Qual a expectativa do segmento de mineração para esse ano? O setor mineral brasileiro está bastante esperançoso com as ações que têm sido empreendidas pelo Ministério de Minas e Energia e pela Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, com vistas a estimular a retomada de investimentos na mineração brasileira, em especial a retirada do Projeto de Lei relativo ao Novo Marco Regulatório da Mineração, ação que, uma vez concretizada, desanuviará o ambiente do setor. No que respeita ao minério de ferro, o mais importante bem mineral produzido no País, as expectativas são de manutenção das condições de mercado do final do ano passado e início de 2017, que têm se mostrado bastante favoráveis. Quanto aos não metálicos, a grande esperança reside na retomada da economia do nosso país, e. em especial, no sucesso das parcerias para investimentos em infraestrutura do Brasil.

cretizar suas promessas de campanha, em especial a retomada da indústria americana, tal fato poderá representar um estímulo à demanda de bens minerais produzidos no Brasil e, também, de produtos da indústria de transformação mineral, em ambos os casos, estimulando o crescimento da mineração brasileira, que está atenta às ações do governo americano a respeito, para melhor se valer de um esperado crescimento da demanda.

Qual é, na sua opinião, o impacto que a gestão Trump pode ter para a produção mineral? Se o Governo Trump vier a con-

O cenário internacional com o novo governo americano é oportuno para o Brasil? Por que? Potencialmente sim, porque

20

Como fica Minas Gerais neste cenário? Sendo ainda líder da produção mineral brasileira, Minas Gerais, se estiver atento à detecção das oportunidades, sem dúvida poderá torná-las realidade. A expectativa é de que o governo estadual, especialmente por meio do BDMG, da Codemig e do INDI, entre outros, exibam uma interação forte com a iniciativa privada mineira. Para isto, a ACMinas pode atuar como um parceiro natural e de comprovada eficácia. Como podemos nos beneficiar dessas políticas externas? Mediante uma permanente e eficaz interação governo estadual/setor empresarial/entidades corporativas, de modo que, detectadas as oportunidades, cada um desses atores, em seu respectivo campo de atuação, venha a contribuir para a concretização das citadas oportunidades.

JORNAL


ALLYSSON PAULINELLI: TRUMP ADMINISTRA “EM PÍLULAS” Qual a expectativa do setor do agronegócio para este ano? No Brasil, positiva, exceto em uma pequena região de Minas Gerais, um pedaço da Bahia, Goiás e Espírito Santo, onde ainda há ocorrência de secas. Mas é com os preços que nós estamos preocupados. Alguns já caíram e outros ainda estão nas alturas. A safra de milho brasileira é absolutamente recorde, devemos nos aproximar de 90 milhões de toneladas. Os outros produtos estão razoáveis, o açúcar e a laranja estão subindo de preço. Já o café está estável. E esse cenário se reflete também em Minas? Minas é mais café e leite. O leite estava com um preço muito ruim, mas agora está começando a reagir. Sabíamos que viria a escassez e, assim, o preço deve se recuperar. Acho que não vai ficar muito diferente do ano passado; se houver uma diferença para menor, será pequena. Na sua opinião, qual será o impacto do governo Trump para o segmento? Ainda é muito prematuro e arriscado falar a respeito, porque ele está administrando em pílulas. Ele ainda não definiu quem será o ministro da agricultura. Nós ficamos na dúvida

JORNAL

porque ele está brigando muito na área da política interna. Conversando com os agricultores americanos, vêse que eles também estão preocupados, principalmente se realmente fizer o que prometeu em campanha, aquela política de os EUA voltarem a ser o que eram na década de 1950. Aí fica bem perigoso para nós. Se for ainda fazer uma análise, vejamos, por exemplo, a loucura dele com o México. O México é grande importador de milho, de açúcar, de etanol, e já está tentando se aproximar do Brasil. Mas isto é um caso esporádico, ele vai dar marretadas do jeito que está fazendo: cada hora para um lado. E como Minas pode se beneficiar das mudanças na política externa americana? Nós precisamos criar um mercado, estamos com seis pontos no mer-

cado agrícola mundial de alimentos. Precisamos elevar isso pelo menos para 10 pontos. O Brasil é hoje o terceiro maior produtor de alimentos do mundo, só perde para os Estados Unidos e para a China, mas precisamos crescer. O atual ministro da Agricultura está fazendo uma política intensiva de abrir novos mercados, e é isto que é preciso. Temos que administrar melhor esse negócio. Hoje o café é comercializado como commoditie, mas não pode ser commoditie, tem que estar na categoria de bebidas. A França, há 200 anos, importava vinho. No dia em que descobriu que vinho era uma bebida para o consumidor que pode gastar, fez isto, e hoje os vinicultores mais ricos são os franceses. Nós temos que aprender isso. Temos que criar, exportar mais produtos, mais produtos acabados, com maior valor agregado, economicamente mais valioso. Aqui em Minas estamos começando a exportar frango e suínos, entre outros produtos, mas não estamos investindo, por exemplo, no café, no leite. É pouquíssimo o leite que exportamos como produto nobre. Este é o trabalho que tem que ser feito. A chamada padronização e classificação do produto, uma exigência do mercado internacional, é fundamental. Minas tem que entender isso.

21


FDC CRESCE NO RIO Paisagem inspiradora

Da sala de aula, participantes veem o Pão de Açúcar

Correspondendo à crescente demanda das empresas do Rio de Janeiro, a Fundação Dom Cabral transferiu seu campus do Rio, do Leblon para a Praia de Botafogo. Falaram no ato de inauguração o presidente executivo da FDC, Antônio

Batista da Silva Junior e seu co-fundador e presidente da diretoria Executiva, professor Emerson de Almeida, que na ocasião lançou seu novo livro “A sucessão como ela é”. O ato contou com o apoio institucional das Associações Comerciais de Minas e do Rio.

Centro de Integração Empresa-Escola de Minas Gerais Sede Administrativa: Rua Célio de Castro, 79 Floresta - BH/MG - CEP: 31.110.000 Fone: (31) 3429-8100 - E-mail: cieemg@cieemg.org.br

22

JORNAL


ACONTECE

ACMINAS APOIA I COMPETIÇÃO DE ARBITRAGEM E MEDIAÇÃO DA NEWTON PAIVA No período de 2 a 5 de maio a

este meio alternativo de soluções de

Além de painéis de competição

Escola de Direito do Centro Univer-

conflitos na área empresarial, por

– etapas classificatórias e elimina-

sitário Newton Paiva, numa parce-

meio da capacitando de docentes e

tórias – serão realizados durante o

ria com a ACMinas, por meio do

discentes para a prática de Arbitra-

evento workshops. oficinas e

Conselho Empresarial de Assuntos

gem e Mediação e disponibilizando

palestras. O cronograma da com-

Jurídicos da entidade, realizará a I

para o mercado de trabalho profis-

petição já teve início, com a publi-

Competição Institucional de Ar-

sionais mais bem capacitados e

cação do edital para a inscrição das

bitragem e Mediação Empresarial.

aptos ao atendimento desta cres-

equipes e divulgação do caso-

O objetivo da iniciativa é difundir

cente demanda.

objeto.

JORNAL

23


24

JORNAL

Jan fev 2017  
Jan fev 2017  
Advertisement