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ANO XXXV - Nº 1200 - MAIO E JUNHO DE 2018

ACORDO ENTRE PBH E ESTADO DE ISRAEL ABRE CAMINHO PARA AGREGAR TECNOLOGIA À SEGURANÇA DE BH KALIL AGIU RÁPIDO DIANTE DAS OPORTUNIDADES APRESENTADAS PELO EMBAIXADOR DE ISRAEL

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Na assinatura do acordo, o embaixador Yossi Shelley, o prefeito Alexandre Kalil e os presidentes da ACMinas e da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria, Lindolfo Paoliello e Marcos Brafman – este também vice-presidente da entidade

PALCO DE GRANDES MARCAS

LIÇÕES DA CRISE

EM PRIMEIRA MÃO

O Espaço Institucional ACMinas sediou a cerimônia de premiação do 23º Top of Mind, da revista Mercado Comum.

Reunião da Diretoria Executiva da ACMinas analisou a greve dos caminhoneiros.

Flávio Roscoe, novo presidente da Fiemg, anunciou na ACMinas, em primeira mão, seus planos de apoio à indústria.

EDITORIAL

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EDITORIAL

REPUTAÇÃO TRAZ DINHEIRO Lindolfo Paoliello Presidente da ACMinas

EXPEDIENTE

A revista Mercado Comum realizou, em solenidade acontecida no Espaço Institucional ACMinas, o Top of Mind 2018, premiando as marcas mais lembradas em Minas Gerais. Na categoria especial “Top do Top” foram distinguidas aquelas mais citadas na pesquisa: Café 3 Corações, Drogaria Araujo, Aymoré, Livraria Leitura, Unimed-BH, Jornal Supernotícia, Pirelli e Itambé. Cerca de 40 dirigentes de empresas receberam o prêmio pelo valor das marcas de suas organizações. Para que essa iniciativa não fique na categoria efêmera de um evento, convém torná-la oportunidade de se refletir sobre o significado e a

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importância da marca no posicionamento de uma organização no mercado ou na sociedade. Mais que representação gráfica, a marca é a própria identidade da empresa, podendo ser percebida como a “promessa” da qualidade de seus produtos e serviços. Constatada efetivamente a “promessa” e comprovada essa excelência, a marca pode tornar-se um ícone. E não só pela sua exposição reiterada pela publicidade nos meios de comunicação. Há marcas que o cinema perenizou. Vale a pena ver o charme de Audrey Hepburn em “Breakfast at Tiffany`s” diante da vitrine da Tiffany, em Nova Iorque, extasiada pela con-

templação das joias enquanto lanchava um prosaico sanduíche. Ou Marilyn Monroe observando embevecida Tony Curtis pegando uma concha (shell) na areia da praia, em “Quanto mais quente melhor”, para responder a pergunta sobre onde trabalhava. Voltando às marcas premiadas no mercado mineiro: Elas foram as mais lembradas porque são as melhores? Certamente são as mais presentes nas mesas de refeição, no vestuário, nas ruas, no tratamento de saúde, no lazer, na educação, nos shoppings. São as mais presentes por serem as mais compradas. São então os melhores produtos? Sim,

PUBLICAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E EMPRESARIAL DE MINAS Registro nº 647 no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas da Comarca de Belo Horizonte Redação: Av. Afonso Pena, 372 – Centro – BH – MG – CEP: 30130-001 Assessor de Comunicação: Antônio Rubens Ribeiro Tel.: 3048-0715 e 3048-0714 – e-mail: imprensa@acminas.com.br Editora Responsável: Gabriela Carvalho – Reg. Prof.: MG 13549 JP Presidente: Lindolfo Paoliello Presidente de Honra: José Alencar Gomes da Silva (in memoriam) Vice-Presidentes: Aguinaldo Dinis Filho, Cledorvino Belini, Fábio Guerra Lages, Hudson Lídio de Navarro, Hélcio Roberto Martins Guerra, José Mendo Mizael de Souza, Marcos Brafman, Modesto Carvalho de Araújo Neto, Paulo Eduardo Rocha Brant, Paulo Sérgio Ribeiro da Silva, Ruy Barbosa de Araújo Filho, Sérgio Bruno Zech Coelho, Wagner Furtado Veloso e Wilson Nélio Brumer

Revisão: Vera De Simoni (De Simoni Comunicação - 31 3427-1827) Projeto Gráfico e Diagramação: CMR Comunicação 31 99675-6188 Publicidade: José Carlos Cruz – 31 3048-9560 publicidade@acminas.com.br Estagiários: João Victor Morato e Izabella Bontempo Fotos: Fábio Ortolan Impressão: Gráfica Del Rey

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pela sua performance, seu design, sabor, durabilidade e pelo preço, é claro. Elas são, enfim, as marcas que atendem às reais necessidades dos consumidores e aos seus sonhos. Bons produtos! Isso é tudo? Bons produtos vêm de boas empresas. E aqui chegamos ao encontro entre marca e reputação. A marca, que faz lembrar o que a empresa diz que é e o que quer ser. A reputação, o que todos pensam e julgam sobre a empresa, com base em sua atitude e suas iniciativas. É isto: o maior ativo da empresa não está dentro dela, mas na cabeça das pessoas. Sua reputação. Um professor holandês, Cees van Riel, percebeu o alcance da reputação como geradora de valor para a empresa, creio que em meados dos anos 90, desenvolveu um método para sua implementação nas organizações e fez dele um instrumento vigoroso para a gestão das organizações. Depois do professor van Riel, a chamada Comunicação Corporativa passou a contar com o arcabouço de marketing que lhe faltava. Eu o conheci em 2014 quando, gra-

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VALE A PENA VER O CHARME DE AUDREY HEPBURN EM “BREAKFAST AT TIFFANY’s”,EXTASIADA PELA CONTEMPLAÇÃO DAS JOIAS OU MARILYN MONROE OBSERVANDO EMBEVECIDA TONY CURTIS PEGANDO UMA CONCHA (SHELL) NA AREIA DA PRAIA.

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ças ao apoio de Ana Luisa de Castro Almeida, diretora do Reputation Institute, do qual ele é cofundador, veio a nosso convite para uma visita à Fundação Dom Cabral. Constatei, em suas ideias, a visão ordenada, sistêmica, metodológica da proposta que então chamávamos de marketing institucional que, com um grupo inicialmente formado por alunos meus da PUC-MG, implantamos na área de Comunicação da Fiat

Automóveis a partir de 1976. Baseávamo-nos na crença de que a empresa deve ir além de atender às reais necessidades dos consumidores e contribuir para o atendimento dos anseios da sociedade (Fiat Automóveis SA - A ideia é ser útil). Entendíamos que a empresa atua por “concessão da sociedade”. O professor van Riel propõe que a empresa parta do conhecimento de seu contexto e, por meio do alinhamento de seus gestores, atue de forma tal junto àquele contexto que dele venha a obter a “licença para atuar”. A Revista Forbes interpretou de forma pragmática a proposta do Reputation Institute e publicou um artigo com o título de “Reputação traz dinheiro”. (Curioso, aqui diziam, no início, que não obstante os resultados nossas ideias eram “coisa de poetas”). A matéria da Forbes assinalou que a teoria da reputação passava a atrair a atenção dos fundos de capital privado, e apontou as razões: a reputação faz crescer a receita, o market share, o preço das ações e atrai para a empresa os melhores talentos.

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REUNIÃO

ACMINAS EM MOVIMENTO Reuniões Semanais da Diretoria trazem à pauta de debates as principais questões do ambiente empresarial Realizadas regularmente às terças-feiras, na sede da entidade, as reuniões plenárias semanais da ACMinas têm sido dedicadas ao ágil acesso dos diretores e associados da entidade à avaliação das grandes questões empresariais. As mais recentes abordaram as linhas de financiamento do BNDES para MPMEs, a economia criativa, as perspectivas econômicas para 2018, a avaliação do turismo no Estado e os efeitos das restrições da carga e descarga na RMBH.

LINHAS DE FINANCIAMENTO DO BNDES PARA MPMEs O superintendente da área de Investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marcelo Porteiro Cardoso, apresentou, em Semanal da entidade, as linhas de crédito específicas para empresas de micro, pequeno e médio portes, ocasião em que também detalhou a nova plataforma online de solicitação de crédito para esses segmentos empresariais. Segundo ele, as micro e as pequenas empresas são uma grande prioridade do BNDES. “Temos um extenso conjunto de linhas e programas que atendem às empresas desse porte, e o banco vem fazendo

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grande esforço para se aproximar delas por meio do uso intenso de recursos tecnológicos”, disse. Sobre a nova plataforma que possibilita solicitação de crédito online – o canal MPME –, Marcelo afirmou que esse recurso está ajudando muito em termos de tempo

de processamento da operação, substancialmente reduzido. “Isso vem trazendo vantagens tanto para o banco quanto para o empresário que busca recursos. “Há, inclusive, linhas específicas para capital de giro e financiamentos ao setor rural”, concluiu.

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A INTERNACIONALIZAÇÃO NA ECONOMIA CRIATIVA Organizada com o apoio do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da ACMinas, a Semanal sobre Economia Criativa, realizada com a participação do superintendente de Desenvolvimento Industrial da Fiemg, Marcos Mandacaru, relacionou cases de práticas referenciadas internacionalmente sobre o tema e destacou o sucesso da P7 Criativo. Agência de desenvolvimento criada para transformar Minas Gerais num grande polo da indústria criativa, a P7 Criativo é uma associação independente que tem como objetivo integrar toda a indústria criativa do Estado e fazer dela uma referência no País e no mundo. Para Marcos, “este movi-

mento de conexão internacional pelo qual Belo Horizonte está passando é condição sine qua non para o sucesso da P7. Por isto, pretendemos ampliar em muito tal cooperação. “Com uma área dedicada a essa

atividade, a Fiemg, em parceria com a ACMinas por meio do projeto Internacionaliza BH, abre, sem dúvida, as conexões internacionais como um dos principais eixos estratégicos da P7”, finalizou.

ECONOMIA: O QUE VEM POR AÍ As “Perspectivas Econômicas para 2018”, tema de plenária realizada com o apoio do Conselho Empresarial de Economia, teve apresentação de seu presidente, Mauro Sayar Ferreira, que fez uma análise apurada sobre os movimentos mais recentes da política econômica brasileira. Sayar comparou os cenários econômicos internacionais e nacional,

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detalhando a situação do Brasil em relação ao mercado exterior, e explicou a relação entre o aumento do dólar e o crescimento dos países emergentes, fator que influencia diretamente a cotação. Comentou também o atual cenário brasileiro deste ano, marcado por eleições e crise econômica, e discorreu sobre as perspectivas de o Brasil atin-

gir um superávit nas contas públicas nos próximos anos. “Nós não teremos superávit agora nem no ano que vem. E talvez a gente só voltemos a tê-lo em 2020. Isso está nas contas, vamos continuar tendo resultado primário negativo. Mas esse risco de queda está estancado. Pelo menos não piorou, mas recuperar é um pouco mais difícil”, comentou.

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Antes da apresentação de Mauro Sayar, o diretor da ACMinas Aristóteles Atheniense detalhou em manifesto sua posição pessoal em relação à aprovação, pelo STF, do foro por prerrogativa de função, o famoso “foro privilegiado”, que passou a valer para deputados federais e senadores. “Esta decisão vale para quando os crimes forem cometidos no exercí-

cio do mandato em função do cargo que ocupam”, explicou o jurista. ”Mas os crimes comuns praticados

fora do mandato serão julgados por tribunais de primeira instância.” O manifesto recebeu apoio do presidente Lindolfo Paoliello, que igualmente compartilhou sua opinião quanto à decisão do Supremo, considerando que, dessa forma, a frase “todos são iguais perante a Lei” passa a fazer mais sentido.

TURISMO E EMPREGO, UMA RELAÇÃO VIRTUOSA “Ninguém é apaixonado por turismo apenas pela diversão de ir à praia ou de visitar parques. Turismo é solução geradora de empregos e foi o que tirou Portugal, assim como a Grécia e a Espanha, da situação que estavam”. A constatação é do secretário de Estado de Turismo de Minas Gerais, Gustavo Arrais, feita durante Plenária da ACMinas na apresentação “Turismo em Minas Gerais: Realidade e Perspectivas”, realizada com o apoio do Conselho Empresarial de Turismo da entidade. Segundo o secretário, a cada cinco empregos hoje oferecidos no mundo inteiro, um está ligado ao Turismo. “Este encontro”, assinalou o secretário, “é um fórum adequado

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para que possamos conversar e tomar posturas a respeito do turismo mineiro. O que nos falta é posicionamento do produto e clareza do que você está vendendo, o que, na

minha humilde opinião, ainda não vinha se fazendo”. “Minas Gerais era muita cachoeira, natureza, gastronomia, valores certamente fortes, mas soltos. Hoje, a Secretaria apresenta um apelo diferente: ‘Minas Gerais – História’, venha conhecer esta história, você que é brasileiro e você que é estrangeiro. Se vai na praia, veja a praia, tome sua cerveja, mas depois venha conhecer a história do Brasil, porque Minas Gerais é a história do Brasil. Tem 60% do patrimônio histórico, quatro deles tombados pela Unesco”, exemplificou. Arrais considera que o caminho é longo e que o trabalho é árduo, porém estamos no sentido certo.

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LOGÍSTICA NAS REGIÕES METROPOLITANAS É FATOR DE ENCARECIMENTO DE PRODUTOS Crescimento urbano contínuo e acelerado, patamares elevados de densidade urbana, dramáticos contrastes socioeconômicos interurbanos, mobilidade das pessoas como prioridade, a importância do pequeno varejista e operações logísticas cada vez mais fragmentadas. Essas são, de acordo com o presidente do Conselho Empresarial de Mobilidade e Logística da ACMinas, professor Paulo Resende, as marcas da dinâmica de Belo Horizonte, neste aspecto, que criam um ciclo vicioso e alimentam cada vez mais o congestionamento na cidade. Segundo Resende, coordenador do Núcleo FDC de Infraestrutura, Supply Chain e Logística, os efeitos das restrições de carga e descarga para a Região

Metropolitana de BH acontecem em todas as capitais do Brasil, mas afetam igualmente as regiões próximas. Além das estratégias adotadas nas capitais, o especialista abordou a questão do conjunto de stakeholders criados por embarcadores (fabricantes, atacadistas, varejistas), residentes (consumidores, grupos de pressão), operadores (transportadores, operadores logísticos, agentes de transporte), planejadores e reguladores (União, Estados, Municípios) como fatores de criação de conflitos e competição, assim como de cooperação e coopetição, o que acaba por gerar objetivos coletivos totalmente prejudicados. Para Resende, o principal efeito dessa logística, tanto para a população

Paulo Resende fala sobre logística durante semanal

quanto para as empresas, é o encarecimento dos produtos e dos serviços. “As empresas de transporte trabalham com margens e não podem ficar assumindo resultados negativos ou custos operacionais altos numa operação de logística. Portanto, o que mais nos preocupa é o encarecimento de produtos que a população de BH e da Região Metropolitana têm de pagar. E eu acho que nós estamos pagando demais”, concluiu.

MELHORAR O ACESSO AO AEROPORTO INTERNACIONAL DE BH EXIGE SOLUÇÕES QUE VÃO ALÉM DA RODOVIA Paulo Resende dedicou em sua palestra um capítulo sobre a questão da acessibilidade ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, proposta que vem sendo trabalhada pela ACMinas. Na sua visão, se o terminal não for utilizado também por cargas, mas apenas por passageiros, será um ponto de passagem de escalas que não geram riquezas, principalmente para a Região Metropolitana e para Minas Gerais. “Para entender a dinâmica dos custos crescentes que disso decorrem”, afirmou, “deve-se começar pelo nível de congestionamento, que o gestor procura solucionar trazendo investimentos para ampliar a capacidade das vias existentes. Ele não pensa no novo, não pensa no diferente, não pensa na ferrovia como alternativa para a rodovia”. “Esqueceu-se de que a Linha Verde seria um dos grandes incentivos para levar gente para a região”, disse

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Resende, “e com isto, às seis horas da tarde, é impossível passar pelo estrangulamento que se forma quando ela se cruza com as avenidas D. Pedro I e Cristiano Machado.” “Queria-se implantar um aeroporto industrial”, prosseguiu. “Mas para transportar que cargas e para onde? A característica das cargas de um aeroporto industrial são produtos de alto valor agregado. Mas não basta desembarcá-las num caminhão, às seis da tarde, no meio daquela confusão. Só falta colocar naquele cruzamento uma placa com os dizeres ‘Aqui tem para roubar’. Qual é a solução para aquele estrangulamento?”, indagou. “Já se fala em implantar um novo Anel Rodoviário, passando atrás de Confins. Nós sabemos a confusão que hoje em dia é o Rodoanel de São Paulo. Não é a solução. Aumenta-se a distância, cria-se maior demanda do que a capacidade e começa tudo de novo. É preciso pensar em outras soluções”, concluiu.

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NOVA PARCERIA ORIENTARÁ GESTÃO DE PMEs Escola ACMinas de Negócios e ABRH-MG firmam acordo para desenvolvimento em gestão de PMEs

Primeira ação conjunta já aconteceu: o Fórum ABRH-MG 2018

A Associação Comercial e Empresarial de Minas acaba de criar um novo serviço que, direcionado para empresas de micro e pequeno portes, vai proporcionar a seus associados acesso a programas de desenvol-

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vimento em gestão. A iniciativa tornou-se possível por meio de parceria firmada entre a Escola ACMinas de Negócios e a seção de Minas Gerais da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-MG).

Um dos objetivos do acordo é criar em conjunto atividades de sensibilização de micros e pequenas empresas para o desenvolvimento em gestão e também capacitar a área de Marketing e Vendas da

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ACMinas para atuar em conjunto com os executivos de RH das empresas, de modo a conhecer e a atender as suas reais necessidades de desenvolvimento em gestão de recursos humanos. Com essa iniciativa, a Escola ACMinas de Negócios e a ABRH já começam a criar e a oferecer programas de desenvolvimento. Tanto que a primeira atividade conjunta dessa parceria já ocorreu: o Fórum “ABRH-MG 2018 – Inovar a Gestão pela Diversidade”, realizado no início de junho, com a participação de 14 conferencistas de expressão nacional.

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ESCOLA ACMINAS DE NEGÓCIOS NASCEU EM RESPOSTA A DEMANDAS CORPORATIVAS A Escola ACMinas de Negócios foi criada como uma das ações do “Ano do Associado” para melhorar a eficiência, a competitividade e a produtividade nas empresas por meio de cursos e programas de desenvolvimento nas áreas de gestão e inovação. Põe à disposição das empresas associadas um extenso programa de cursos, tanto presenciais quanto a distância, moldados ao seu perfil. A iniciativa, viabilizada por

meio de parcerias com instituições reconhecidas pela excelência – a Escola de Gestão Áquila, a Universidade FUMEC e o CTITUFMG –, oferece currículos especialmente formulados para atender a demandas específicas do setor corporativo e descontos significativos para associados da entidade. Confira os cursos disponíveis no site da ACMinas - www.acminas.com.br/produtos-e-servicos/escola-acminas-de-negocios.

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CAPA

ACORDO PODERÁ AGREGAR IDENTIFICAÇÃO FACIAL À SEGURANÇA DE BH Israel é referência mundial em tecnologia de segurança O prefeito Alexandre Kalil assinou termo de aliança estratégica entre a Prefeitura de Belo Horizonte e o governo do Estado de Israel que tem, como objetivo, possibilitar ao município utilizar a reconhecida expertise israelense no desenvolvimento de tecnologias nas áreas de agricultura, saúde e, em especial, de segurança pública. O assunto foi tratado em reunião no seu gabinete com o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, os

presidentes da ACMinas, Lindolfo Paoliello, e da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria em Minas Gerais, Marcos Brafman, além do vice-presidente da Federação Israelita do Estado de Minas Gerais, Eduardo Kuperman. Segundo o prefeito, essa aproximação leva em conta o cenário de convergência de interesses existente entre o município e o Estado de Israel, que significa uma oportunidade ímpar de envolver pesquisa e desen-

volvimento nas mais diversas áreas. Nesse âmbito incluem-se ainda ações de empreendedorismo tecnológico, criação de ambientes de inovação, formação e capacitação de recursos humanos, intercâmbio tecnológico e compartilhamento de infraestrutura. De acordo com Kalil, há intenção de fortalecer ainda mais as relações amistosas entre a representação de Israel no Brasil e a capital mineira, resultando em vantagens mútuas.

Após a reunião, o embaixador Yossi Shelley foi homenageado pela ACMinas em almoço no Automóvel Clube, por ter recebido o título de cidadão honorário de Minas. Da comemoração participaram o presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello, e da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria em Minas Gerais, Marcos Brafman, além de Eduardo Kupman, vice-presidente da Federação Israelita, e Monica Cordeiro, diretora da ACMinas e presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da entidade

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RELAÇÕES INTERNACIONAIS

NOVA LEI DE MIGRAÇÃO FOI ANALISADA PELA ÓTICA DO DESENVOLVIMENTO

Em novo debate, realizado conjuntamente pelos Conselhos Empresariais de Relações Internacionais e de Assuntos Jurídicos da ACMinas, o foco foi dirigido para uma análise aprofundada das relações trabalhistas entre migrantes e empresas, com o intuito de apresentar à classe empresarial e à comunidade acadêmica as mudanças trazidas pela nova legislação, vigente desde novembro de 2017. Uma das conclusões do encontro foi a de que a migração internacional pode contribuir para o desenvolvimento socioeconômico, quando há viabilização da entrada regu-

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lar de indivíduos que desejem trabalhar no Brasil. São oportunidades que o País, assim como Minas Gerais, precisam aproveitar para contar também com o capital humano estrangeiro qualificado. A presidente do Conselho de Relações Internacionais, Monica Cordeiro, destacou as principais diferenças entre o Estatuto do Estrangeiro vigente até o ano passado e a nova Lei de Migração. Segundo ela, as mudanças proporcionaram compatibilidade com a Constituição Federal de 1988 e com tratados internacionais de Direitos Humanos. “Foi abando-

nada tipologia ‘estrangeiro’, assim como foi mudada a percepção do migrante como ameaça”, afirmou, “e, com isso, alterou-se uma questão alusiva à segurança nacional – a mudança nos requisitos documentais e de controle para acesso ao mercado de trabalho”. Algumas estatísticas sobre a questão migratória também foram destacadas. Enquanto na média mundial os migrantes correspondem a 3% da população (nos EUA é de 12%), esse índice, no Brasil, é de apenas 0,5%, proporção que se repete em Minas Gerais. Em 2016, o Brasil

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recebeu 122.646 migrantes, sendo a maioria de origem haitiana (8,71%), assim como ocorreu em Minas Gerais – 11,3%. Dos 5.840 residentes estrangeiros no Estado, em 2014, 36,95% residiam em Belo Horizonte. Os principais fatores que motivaram a vinda desses migrantes para o país foram as oportunidades de estudo e trabalho. O número de emissão de carteiras de trabalho (CTPS) cresce com o passar dos anos, em função dos sinais de reto-

mada do crescimento econômico do país e do surgimento de oportunidades em setores produtivos, como o de Construção Civil. A reunião teve também a participação do diplomata Juliano Alves Pinto, líder do projeto “Diplomacia da Inovação”, que apresentou os benefícios da nova Lei pela perspectiva da atração de talentos. Além dele, com abordagem técnica, o diretor-adjunto do Departamento

MINAS GUIDE É CONTEÚDO-REFERÊNCIA DE NEGÓCIOS INTERNACIONAIS EM SITES PARCEIROS Por oferecer informações fundamentais sobre a economia mineira, ambiente de negócios e oportunidades de investimentos, o Minas Gerais Business Guide oficializou grandes parcerias para divulgação digital das potencialidades do Estado ao mundo, em sete idiomas. O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) inseriu o banner do Minas Guide no site do Plano Nacional da Cultura Exportadora (www.pnce.mdic.gov.br). Colaboraram com a mesma ação a Câmara de Comércio França-Brasil

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(CCI França-Brasil) e a escola de negócios francesa SKEMA Business School. O Minas Gerais Business Guide é a oportunidade para empresas mineiras que desejam ingressar no mercado internacional, contando com o apoio da ACMinas e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Sua empresa pode integrar a rede de parceiros do Minas Guide. Contate-nos pelo internacionalizabh@acminas.com.br e apresente aos clientes as vantagens de realizar negócios em Minas Gerais. Acesse também www.minasguide.com

de Migrações do Ministério da Justiça, Flávio Diniz, explicou a estrutura e o funcionamento das divisões para tratamento ao migrante, além da descentralização e desburocratização dos processos no âmbito do Ministério da Justiça. Complementando, a advogada e diretora de Relações Internacionais do Grupo Martini Saback, Rebeca Martini, abordou questões trabalhistas e comparou o estatuto do estrangeiro e a nova lei.

NOVAS DISTINÇÕES O Selo Eu Participo, projeto do Internacionaliza BH que presta reconhecimento a empresas e instituições que se notabilizam pela recepção e acolhimento de nível internacional, já tem novos homenageados. No dia 3 de julho, a distinção será entregue ao Grupo Anima, e, no dia 13 de julho, à Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Acompanhe as novidades no nosso site: acminas.com.br/agenda.

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CONJUNTURA

ACMINAS CRIA CÂMARA DE MEDIAÇÃO EMPRESARIAL Já está instalada e em funcionamento a Câmara de Mediação Empresarial ACMinas, iniciativa do Conselho Empresarial de Assuntos Jurídicos que, ao criar esse serviço, proporciona a empresas de qualquer porte, com custos diferenciados para associados da entidade, o equacionamento de pendências que, se levadas à esfera judicial, teriam tramitação bem mais demorada e, certamente, mais onerosa. A iniciativa apresentada em reunião pelo presidente do Conselho, João Henrique Café Novais, exigiu a criação de uma equipe de mediadores profissionais, independentes e imparciais, que, sob a coordenação-geral da advogada Deborah Kelly Martins de Mello, analisa as demandas e os argumentos de cada uma das partes e busca a solução negociada dos conflitos.

O diretor João Henrique Café Novaes assina termo de posse como presidente da Câmara

Segundo Novais, a criação da Câmara de Mediação dá sequência e amplia o leque de produtos e serviços de grande interesse empresarial e largo alcance social que vêm sendo desenvolvidos pela ACMinas com vistas a propulsionar novos negócios, atrair investimentos e aumentar a competitividade no ambiente corporativo de Minas Gerais.

“A mediação empresarial”, afirmou Novais, “traz muitas vantagens em relação à judicialização de conflitos, a começar pela rapidez. A sabidamente morosa e congestionada atuação do Poder Judiciário, que causa a estagnação dos negócios enquanto aguardam pelas decisões, dá lugar, com a mediação, à rápida solução dos conflitos”. Ele informou também

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2112-3956

Medicina, Engenharia de Segurança e Higiene do Trabalho Administre a saúde da sua empresa Assistência contínua em Gestão de Saúde Gestão em Saúde Gestão em Segurança do Trabalho Gestão em Medicina do Trabalho Gestão Integrada PPP

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PPRA

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que a mediação e a conciliação são regulamentadas pelo novo Código de Processo Civil e pela Lei nº 13.140/2015. “Essas alternativas”, disse, “podem não apenas proporcionar redução de custos e de tempo, como também estimular e criar um ambiente de sinergia e menores incertezas jurídicas às partes em conflito”. Segundo ele, esta iniciativa não é inédita na ACMinas, pois foi originalmente idealizada na gestão do ex-presidente Francisco Américo Mattos de Paiva, em 1996. “Por isto ele se torna patrono de nossa Câmara”, concluiu.

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AGILIDADE NAS SOLUÇÕES É SÓ UMA DAS VANTAGENS Nos últimos cinco anos, empresas brasileiras de todos os segmentos passaram a ver a mediação como um mecanismo viável e interessante para resolver os conflitos de forma rápida e a um custo significativamente mais baixo que outros métodos. Uma mediação extrajudicial, em que a matéria envolvida pode alcançar cifras milionárias, é uma oportunidade de resolver as pendências a um custo infinitamente

menor, considerando-se as taxas da Câmara e os honorários do mediador, do que a alternativa judicial. Levadas aos tribunais, elas poderiam levar anos para ser julgadas e gerariam, além dos custos, os prejuízos operacionais e institucionais que um longo litígio sempre acarreta. Além disso, um acordo obtido por meio da mediação é geralmente mais vantajoso e pode também, ser formalizado e homologado pelo Judiciário.

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CAPA

TOP OF MIND 2018 MOSTROU AS MARCAS MINEIRAS DE MAIOR VALOR A revista Mercado Comum realizou no Espaço Institucional ACMinas, com o apoio da entidade, a cerimônia de premiação dos vencedores da 23ª edição do “Top of Mind 2018”, um reconhecimento às marcas com maior capacidade de fixação na

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mente dos consumidores de Minas Gerais. Segundo o economista Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, presidente de Mercado Comum, “a marca é um dos ativos mais valiosos das empresas e das instituições, e é sempre recomendável dela cuidar como

um relevante patrimônio”. Carlos Alberto informou, no pronunciamento com que abriu o evento, que em 2017, de acordo com o estudo Ranking Best Global Brands, da Interbrand, as 10 marcas mais valiosas do planeta somavam,

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Prêmios: Top do Top, Excelência, Liderança e Expressão foram entregues as principais marcas de Minas

em conjunto, um valor de quase US$ 800 bilhões – o equivalente a 38% de todo um PIB anual brasileiro. A destacar, segundo ele, que essa cifra se refere apenas às marcas, e não necessariamente ao valor patrimonial das empresas, ao de mercado ou juntos às Bolsas de Valores.

ECONOMIA ENGESSADA “A marca Apple, primeira colocada do ranking”, revelou, Carlos Alberto, “foi avaliada em US$ 184 bilhões, seguida pelas marcas Google,

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US$ 141 bilhões, Microsoft, US$80 bilhões, e Coca Cola, US$ 70 bilhões. Em seguida, pela ordem de classificação, vêm Amazon, Samsung, Toyota, Facebook, Mercedes-Benz e IBM. Já dentre as marcas brasileiras, a mais valiosa é a do Banco Itaú, seguida por Bradesco, Skol, Brahma, Banco do Brasil, Natura, Antarctica, Petrobras, Vivo e Cielo”. Carlos Alberto informou também que, durante os 23 anos do Top of Mind, os resultados sempre foram obtidos com base nos dados apurados num total de entrevistas domiciliares em Minas Gerais, com-

preendendo 1.351 segmentos. Até agora, foram premiadas 2.119 marcas de diversas categorias. Todas elas receberam um troféu especial e os respectivos diplomas de certificação. Concluindo sua apresentação, o presidente de Mercado Comum comentou o cenário econômico brasileiro, que, segundo disse, é praticamente o mesmo de um ano atrás. “O Brasil precisa urgentemente parar de andar para trás”, disse. “No ano passado, a economia brasileira cresceu apenas 1% – e isso após dois anos seguidos com uma retração acumulada de 7%, configurando a

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pior crise econômica que o Brasil já enfrentou, típica somente de países em condição de guerra ou em situação de alguma calamidade”. “Entre 2011 e 2017”, prosseguiu, “a economia de Minas Gerais, no acumulado desses anos, praticamente não saiu do lugar – não cresceu nem retraiu –, enquanto o PIB nacional teve expansão acumulada de apenas 3,2% no mesmo período, enquanto a economia mundial cresceu, na média, 28,3%. Só aí já estabelecemos um fosso de 25 pontos percentuais a nos separar do resto do mundo. Se compararmos o desempenho brasileiro desse período com

o da América Latina, veremos que esta cresceu 13,3%. Se a comparação for com os países considerados emergentes ou em desenvolvimento, situação da qual fazemos parte, o resultado é novamente desolador: esses países tiveram expansão econômica de 41%”. Para Carlos Alberto, a grande motivação da política brasileira não pode continuar focada na discussão de temas meramente à esquerda, à direita ou para trás. Exige-se avançar, ir em frente, assumir posturas pragmáticas, modernas e factíveis. “É preciso, antes de tudo, despolitizar e ‘desideologizar’ o debate econômi-

co, sendo imprescindível, na minha opinião, a convocação de uma Assembleia Constituinte Revisionista Exclusiva”, concluiu. Para o presidente da ACMinas, Lindolfo Paoliello, que falou em seguida, as marcas mais premiadas são mais lembradas, são as mais lembradas no cotidiano das pessoas, são as mais compradas e, por isso, são as dos melhores produtos. “São as marcas que melhor atendem às reais necessidades e aspirações dos compradores”, afirmou. “Há, porém, bem mais do que isso: elas vêm de boas empresas. Elas promoveram o encontro entre marca e reputação”, afirmou.

AS PREMIADAS O Prêmio Top of Mind – Marcas de Sucesso 2018, que chegou a sua 23ª edição, é uma promoção da revista Mercado Comum, criada com o objetivo de reconhecer e destacar as marcas de maior sucesso de Minas Gerais – aquelas que, no dizer de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, presidente da publicação, ficam gravadas na memória

dos consumidores e são sempre lembradas por eles ao fazerem suas compras. Os resultados foram apurados por meio de pesquisas, realizadas pelo Instituto Olhar em 50 dos maiores municípios do Estado, com 1.500 pessoas, das quais 400 em Belo Horizonte. Chegou-se assim às 43 marcas vencedoras nas três categorias da premiação –

Excelência, Liderança, Expressão –, além de uma quarta, especial, a Top do Top, reservada àquelas que se destacaram de maneira substancial e diferenciada. No conjunto – pois houve casos de empresas destacadas em mais de uma categoria –, as marcas premiadas nas três primeiras categorias foram as seguintes, por ordem alfabética:

- 3 Corações - Araujo - Aymoré - BH FM - BH Supermercados - BH Shopping - Brahma - Braúnas Casas Bahia - Cauê - Colgate - Coral - Danone - Del Rey (Shopping) - Fiat - Forno de Minas - Hermes Pardini - Itambé - Itatiaia (Emissora de rádio) - Leitura - Leroy Melin - Localiza - Mercedes Benz Minas Shopping - Nestlé - Orthocrin - Ortobom - Othon Palace - Ouro Minas - Pif-Paf - Pirelli - Porto Alegre (Laticínios) - Prato Fino - Rede Globo - Sadia - Santa Amália - Skol - Superinteressante - Suvinil - Unimed BH - Veja (Produtos de limpeza) - Ypê (idem)

As que receberam o Top do Top foram: 3 Corações, Araujo e Aymoré, em primeiro lugar; Itambé (leite), isolada em segundo, e Leitura, Unimed-BH, Pirelli, SuperNotícia e Itambé (iogurte) em terceiro lugar.

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CONJUNTURA

QUE LIÇÕES TIRAMOS DA CRISE? Dois especialistas – um em transportes, outro em economia – analisam a greve dos caminhoneiros A Diretoria Executiva da ACMinas reuniu-se, no auge da crise dos transportes, para analisar os novos cenários político, econômico e institucional que ela provocou. Para o vicepresidente Paulo Sérgio Ribeiro, empresário do setor de transportes, ela resultou de um processo político em que os governantes brasileiros mais recentes lotearam cargos federais e neles colocaram pessoas que não entendem das áreas que administram. “É estranho que nem o

Ministério dos Transportes nem a Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT, órgão incumbido de regular o setor, participaram do Comitê de Gestão da Crise constituído pelo Palácio do Planalto”, afirmou. “Quem estava nas reuniões eram pessoas que nada entendem de transportes e, por isso, o governo não soube conduzir as negociações. Simplesmente porque não havia gente que entendesse da matéria”.

Paulo Sérgio falou também da origem da crise. “Em 2013, com a economia crescendo, o governo Dilma oferecia financiamento a juros de 2,5%, o que levou a indústria de caminhões a expandir a produção e, consequentemente, ao aumento da frota em circulação. Esta conjuntura fez com que o preço dos fretes se reduzissem a um nível que, tecnicamente, não permitia a operação sustentável do setor de transportes”.

GOVERNO DESPREPARADO “Há uma acusação de que são as empresas de transportes que exploram os autônomos”, prosseguiu Paulo Sérgio. “Mas as informações

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que a mídia utiliza provêm de gente incompetente do governo. Até mesmo a ANPP, que mesmo tendo atualizado seus dados traz informa-

ções que ainda carecem de aprimoramento. Por exemplo, a de que o transporte rodoviário no Brasil tem 117 mil transportadores, o

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que é verdade, mas a grande maioria deles são autônomos ou carreteiros, não empresas transportadoras. Os grandes contratadores de autônomos são o agronegócio e grandes embarcadores, como as indústrias siderúrgica e cimenteira.” Segundo Paulo Sérgio, chegou um determinado momento em que faltou aos gestores da Petrobras a sensibilidade para entender que não se pode, nunca, impor aos clientes uma política de preços do diesel tão danosa, uma vez que os agentes econômicos não têm como reajustar seus preços diariamente “Foi isto que fez eclodir a greve”, constatou,

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AS INFORMAÇÕES QUE CHEGAM À MÍDIA PROVÊM DE GENTE INCOMPETENTE DO GOVERNO”

“e o governo federal, pelo fato de ser tão mal-assessorado, começou a negociar com as pessoas erradas e cometeu falhas absurdas. A primeira coisa que se faz numa crise é garantir o abastecimento, e não houve isto. Tal falha e o whatsapp tornaram essa gestão única. Mais que tudo, o governo estava inteiramente despreparado.”

Paulo Sérgio Ribeiro

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FALTA DE LIDERANÇA NO GOVERNO Convidado para analisar o problema por outra perspectiva, o presidente do Conselho Empresarial de Economia da ACMinas, Mauro Sayar, afirmou que há uma compreensão de que o governo negociou bastante, talvez até adotando medidas custosas para a população. “Não faz mais sentido que este movimento continue”, avaliou na ocasião. “Entendemos a insatisfação, que não é só dos caminhoneiros, mas da população em geral. Há, porém, especificidades do setor de transportes que vêm de políticas passadas e que estão gerando dificuldades para o setor. Mas neste momento, tendo em vista que os caminhoneiros foram atendidos, não faz sentido que eles continuem o movimento”. “É preocupante, contudo, o grau de insatisfação e de inconformismo da população”, prosseguiu. “E com razão, pois há falta de liderança para lidar com uma situação de crise como esta. Ano que vem, entra um novo presidente, que terá muito trabalho pela frente, muita coisa

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OUTRAS GREVES PODEM OCORRER

Mauro Sayar

árida para fazer, muitas medidas duras e complexas num ambiente em que não se vê lideranças capazes de enfrentar situações tão difíceis como esta. Será inevitável que algum setor fique com menos recursos, vai haver alguma elevação de impostos em alguns segmentos, mesmo que se diga hoje que isto não acontecerá. Mas, com certeza, alguns setores terão que abrir mão de recursos. Se vai ser a saúde, se vai ser a educação, se serão os investimentos não se sabe. Precisaremos ver como o governo vai equilibrar as contas sem fazer os malabarismos de praxe para cumprir o que a Lei de Responsabilidade Fiscal determina: não é possível alocar recursos para um subsídio sem informar de onde se vai tirar o recurso”.

Para Sayar, a sociedade vai pagar por isso. “Vai pagar porque isso desestabiliza a economia, cria um ambiente de mais apreensão, de mais incerteza em relação ao futuro. Investimentos, que vinham em ritmo de recuperação, apesar de toda incerteza que uma eleição presidencial causa, mais uma vez serão postergados. Tudo isso foi aguçado, de alguma forma, pela greve”, avaliou. “Percebe-se que a aprovação das reformas, mais adiante, serão mais difíceis de ser implantadas pelo novo presidente, e eu acredito que isto traz desde já uma incerteza muito grande. Percebe-se, inclusive, que alguns números, os dados de juros futuros, por exemplo, se elevaram”. “Eu acredito que já ficou demonstrado que o presidente é bastante frágil, sua coalizão é frágil. Na verdade, acho que nem há mais coalizão neste momento em que estamos entrando na reta final da eleição. E creio que esta greve sinalizou que outros movimentos similares podem ocorrer. E o governo vai ter muita dificuldade para enfrentar isto, pois a chance de algum setor conseguir alguma benesse do governo fica mais elevada”, concluiu.

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FUTURO JÁ Para viver à frente do seu tempo O projeto das Reuniões Quinzenais foi criado pela ACMinas com o objetivo de mostrar a 4ª. Revolução industrial e as novas tecnologias que estão promovendo essa revolução. Com a chamada “FUTURO JÁ – PARA VIVER À FRENTE DO SEU TEMPO”, a entidade pretende demonstrar que já estamos vivendo essa nova realidade, transformando o dia a dia das pessoas, revolucionando negócios, levando empresários e executivos a repensar seus papéis, seus produtos e serviços, e a ser proativos na busca de sucesso neste novo mundo em que as oportunidades se atrelam à tecnologia.

A CERTEZA DA MUDANÇA “Internet das Coisas: um mundo conectado impactando nos negócios” foi o tema de Quinzenal que, realizada com o apoio do Conselho Empresarial de Relações Internacionais, contou com a presença do diretor de Operações da Concert Technologies S/A, Petrônio Spyer Prates. Segundo Petrônio, o impacto da internet das coisas nos negócios é revolucionário. Para ele, “ela vai mudar praticamente tudo o que a gente já viu até hoje, porque ela é impactante em todas as operações de empresas e de consumidores e também nas operações do

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próprio governo, como nas smarts cities, por exemplo”, explicou. Após resumir as principais evoluções que passamos até aqui, Petrônio exemplificou o impacto da tecnologia nas nossas vidas e mostrou como se adaptar a ela. Segundo ele, “despertar para os novos modelos de negócios que vão acontecer com a internet das coisas é tudo o que posso informar aqui, pois a única certeza é a de que tudo vai mudar e vai mudar com força. E nós temos que pensar em como mudar os nossos negócios para realmente mudar com o mundo”.

FICÇÃO OU REALIDADE? O abismo entre esses dois extremos da aplicação da Inteligência Artificial no comércio foi o tema abordado em nova Quinzenal por Cléber Piçarro, CEO da Nérus S/A, empresa especializada em softwares de gestão para o varejo, que iniciou sua apresentação afirmando que, com os avanços tecnológicos, a Inteligência Artificial pôde se tornar um sistema que busca sistematizar e imitar o comportamento humano. “Neste contexto”, afirmou Piçarro, “a substituição de um trabalho manual por um trabalho de máquinas conta muito na hora da otimização do tempo e na redução da ocorrência de falhas”. “Por isto”, destacou, “a utilização de IA pelo comércio é tanto ficção quanto realidade. “Hoje em dia, há muitos mitos em

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torno disto e também sobre as inúmeras aplicações que ela permite imaginar. Eu diria que se houver menos expectativa por parte do comércio e mais atenção para soluções específicas, dá para usá-la com muita facilidade”. A Inteligência Artificial, segundo Piçarro, não faz milagres, mas pode, sim, tornar-se uma aliada valiosa do comércio na hora dos problemas. “Não existe hoje uma solução perfeita, genérica”, disse, “mas, para problemas bem localizados ela é uma solução real”.

CIBERSEGURANÇA “À medida que a vida se torna cada vez mais digital, um problema muito grave, a segurança, vai se tornando cada vez maior”. A afirmação foi feita pelo advogado e perito judicial na área de Tecnologia da Informação e Propriedade Intelectual, Alexandre Atheniense, na Quinzenal que teve como tema “Cibersegurança na 4ª Revolução Industrial”. “O ponto fraco da cadeia de segurança são as pessoas”, destacou Atheniense. “Somos recordistas mun-

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diais em medidas judiciais de remoção dos conteúdos ilícitos na internet, seja por conteúdo de acesso público divulgado por terceiros, por difamação, quebra da privacidade, seja por descumprimentos de legislação eleitoral. As pessoas estão vendo o mundo se modificar rapidamente, mas não estão se capacitando para fazer frente a essas mudanças ou não sabem como reagir quando sofrem algum tipo de ameaça ou fraude pelos meios digitais”.

Para o advogado, nós somos responsáveis pelo enfrentamento dos ataques de segurança da informação. “Na verdade, quando o problema acontece, as pessoas têm uma reação tardia e desordenada”, lembrou. “Daí a importância das políticas de segurança da informação e do marco regulatório para a Internet. Estamos em um processo em que não há volta. Cada vez mais, somos expostos a riscos e danos no ciberespaço”. “Já existem procedimentos adequados para evitar danos à imagem, por exemplo, mas poucas pessoas se lembram disso”, prosseguiu. “Um exemplo típico é o de uma pessoa que tenha sido ofendida ou difamada nas redes sociais. A primeira tendência dessa pessoa é apagar tudo. Com isso, perde-se o principal instrumento para um eventual processo jurídico, que é, exatamente, o conteúdo dessas postagens. Temos que nos capacitar para saber lidar com isso”, concluiu.

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SEGUROS

MERCADO DE SEGUROS E SAÚDE NO BRASIL A reunião propiciou o intercâmbio de informações e ideias entre os conselheiros que participaram de eventos do setor de seguros, como “Mercado de Seguros Mineiros”, realizado pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e o encontro “Saúde no Brasil: Dever do Estado, Direito do cidadão”. Além disso, conforme relatou o presidente do Conselho, Omar Dantas, foram abordadas, internamente, questões como o atual cenário do mercado de seguros e as perspectivas para o futuro, com apresentação do superintendente da SUSEP, Joaquim Mendanha de Ataídes.

Ataídes falou sobre a estrutura da instituição e as dificuldades em aprovar avanços e inovações tecnológicas necessários para a modernização do Sistema Nacional de Seguros. Isso, segundo ele, é devido ao atual mo-

mento político-econômico do País. Outro tema abordado foi a questão dos custos de seguros e planos de saúde, relatado pelo coordenador do Núcleo de Saúde do Conselho, Eduardo Gabriel Diniz.

PRODUTIVIDADE

LEGADO O Conselho Empresarial de Produtividade da ACMinas trouxe para a pauta de reunião discussão sobre a intenção do conselheiro George Liu de montar uma biblioteca virtual técnica, referente a assuntos relacionados à produtividade e temas afins. Segundo o con-

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selheiro, já existe um vasto material doado. Na reunião, foram abordadas também as diretrizes que o organismo adotará na formulação de seu planejamento estratégico para 2018, como o próprio conceito de produtividade que orientará ações.

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MULHER

A MULHER NA ENGENHARIA Conselho Empresarialda Mulher Empreendedora da ACMinas realiza novos eventos O Conselho Empresarial da Mulher Empreendedora da ACMinas vem realizando frequentes eventos com foco em negócios. O mais recente foi “Mulheres na Engenharia”, com participação da engenheira civil Alaíze Gonçalves, conselheira do CREA e também diretora do Conselho, que analisou o cenário feminino nesse setor profissional. Além de dar um panorama da presença de mulheres na profissão,das áreas que estão se mostrando mais promissoras e em apresentam maior participação feminina. No debate, o destaque foram os

desafios e as oportunidades profissionais nas várias áreas da Engenharia, assim como os avanços e os retrocessos no desenvolvimento profissional. Alaíze falou também sobre as melhores alternativas para as recém-formadas iniciarem suas carreiras, as características do mercado – aquilo que se está buscando e valorizando – e também os obstáculos e as oportunidades para quem se inicia na profissão, além da perspectiva de abraçar uma carreira empreendedora. Ela apresentou ainda uma série de cases da atuação da mulher na profissão. Outro evento foi o “Jantar para

Negócios e Relacionamento”, no qual, segundo a presidente do Conselho, Alessandra Alkmim, se tratou da demanda crescente por oportunidades qualificadas mediante relacionamento entre empreendedores. “Este jantar de negócios foi um bom momento para empresários de vários setores estreitarem laços com algumas das mais atuantes líderes do mercado de Belo Horizonte. A troca de informações entre eles não apenas qualifica esses líderes, mas também os inspira para os momentos de tomada de decisões”, concluiu.

Acompanhe sempre as atividades e a agenda do Conselho no https://www.acminas.com.br/conselhos/conselho-da-mulher-empreendedora

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JOVENS

FALHAS PODEM SER ALICERCE DO SUCESSO DE EMPREENDIMENTO Executivo da Accenture acredita que o momento é propício à criação de novos empreendimentos “Ambição e disciplina são as principais qualidades para um bom empreendedor”. Foi com essa afirmação taxativa que o executivo Paulo Costa, da Accenture Brasil, definiu o perfil necessário para o sucesso em negócios na sua apresentação no jantar-palestra realizado em conjunto pelo ACMinas Jovem e pelo Conselho Empresarial de Inovação. Segundo Costa, “o momento é propício para criar negócios inovadores e impactar pessoas e mercados, mas, para isso, é preciso ambição e disciplina. Não tenho muitas histórias de sucesso para contar, mas tenho as de fracasso. Algumas vezes eu venci, mas foram minhas falhas que deram

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direção à minha carreira”. Para Costa, uma das principais lições que ele pode oferecer aos jovens empresários é a de ficarem atentos às falhas que ocorrem durante a construção de suas carreiras, pois elas podem ser o alicerce dos sucessos futuros. “Hoje em dia, somos muito apegados às histórias de sucesso. Mas pessoas bem-sucedidas certamente erraram muito até chegar lá. Na teoria, isso é tudo muito bonito, mas no dia a dia do empresário, no entanto, é difícil que ele aceite essas falhas e precise ainda tomar as decisões acertadas sobre quando é melhor continuar, insistir, ou quando é hora de mudar de rumo”.

Costa é responsável pelos programas de inovação aberta para a América Latina da Accenture, empresa global de consultoria. Depois de falar um pouco de sua inusitada trajetória profissional, o executivo explicou o seu papel na área em que atua e apresentou exemplos do impacto gerado por pequenas empresas dentro do negócio das corporações maiores. Seu trabalho atual consiste em descobrir como startups podem se relacionar com as grandes companhias. “Fiz o caminho inverso da maioria dos profissionais. Comecei como empreendedor para depois me tornar um executivo de multinacional. Talvez por isso tenha acabado por desenvolver essa competência para identificar novas pequenas empresas que podem tomar parte em projetos que a Accenture entrega a fim de resolver problemas concretos das grandes corporações”, explicou. Segundo ele, disciplina e capacidade do empresário para a execução é o ponto mais importante na hora de avaliar e selecionar as startups com maior potencial de integração com grandes empresas.

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GESTÃO

NOVO PRESIDENTE DA FIEMG ANUNCIA SEUS PLANOS NA ACMINAS Flávio Roscoe destaca diálogo, entendimento e aproximação como bandeira da sua gestão "A indústria é o primeiro setor a sofrer o impacto de todos os problemas vividos pela sociedade, da qual faz parte, e é preciso assumir o papel de defensores de suas demandas". A afirmação é do novo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe, enunciada em reunião semanal da ACMinas na sua primeira exposição pública depois de eleito. Os desafios a vencer, segundo Roscoe, são inúmeros. “Para ele, o setor industrial enfrenta um ambiente de negócios hostil no Brasil, que afeta a produtividade e a competitividade de nossas empresas. “Por isso”, disse, “nosso papel prioritário à frente da Fiemg será reduzir essas

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dificuldades e fazer com que o ambiente para investir no Brasil seja um ambiente melhor, em que as empresas possam prosperar, gerar resultados sem serem penalizadas no seu cotidiano, o que hoje a gente tem

constatado”. Segundo Roscoe, há um trabalho muito grande a ser feito junto aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Ministério Público, para mostrar a impor-

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tância da indústria no desenvolvimento econômico. “Será bandeira prioritária da nossa gestão a busca incessante do diálogo, do entendimento e da aproximação entre o empresário e a sociedade”, adiantou. “Vamos otimizar a aplicação dos nossos recursos. E vamos trabalhar para fazer com que Minas Gerais cresça e volte a ocupar o lugar que lhe é de direito no Brasil.” Roscoe foi eleito com o discurso de inovação, prometendo agregar a indústria, trabalhar com transparência e dar voz aos industriais durante seu mandato, que vai até 2021. Empresário, ele está à frente do Grupo Colortextil, companhia que,

com mais de 30 anos de mercado, consolidou-se como um dos principais fornecedores de malhas do país. É dirigente da Fiemg há 16 anos e ocupa o cargo de presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas no Estado de Minas Gerais (Sindimalhas), função que acumulará com a da presidência da Fiemg. O próximo presidente do Sebrae Minas, Teodomiro Diniz, diretor da Fiemg, também participou do encontro e apresentou algumas de suas ideias. Disse, por exemplo, que sua gestão será no rumo das mudanças. “O encaminhamento que sempre foi dado na nossa caminhada na Federação das Indústrias foi no sen-

tido de trazer mudanças que possam agregar valor e que possam trazer valor para a sociedade. E a minha gestão no Sebrae será para dar sequência a essas ideias”, disse. “Entendo que essa instituição tem um grande papel no desenvolvimento regional e que ela não estimula apenas empresas, mas também sistemas. Como qualquer um que está chegando, eu quero dar ideias, quero fazer propostas. Tenho várias que estão já em fase de estruturação para aplicar no Sebrae, que tem um corpo funcional muito bom, mas que, como qualquer organismo, também tem de evoluir”, finalizou.

JANTAR HOMENAGEM Após a reunião plenária, os novos presidentes da Fiemg, Flávio Roscoe, e do Sebrae-MG, Teodomiro Diniz, foram homenageados pela Diretoria Executiva da ACMinas e por ex-presidentes da entidade com um jantar no Automóvel Clube.

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CULTURA ORGANIZACIONAL MUDA OU NÃO MUDA Clube de Ideias debate como a mudança cultural influencia o mercado de trabalho

“Cultura organizacional muda ou não muda?”. Com essa indagação, a professora e consultora Betania Tanure, que, juntamente com o empresário e vice-presidente da ACMinas Paulo Brant conduziu o novo encontro do Clube de Ideias, propôs uma dinâmica aos participantes do II Fórum Empresário Empreendedor. Para ela, somente três situações geram mudanças na cultura nas organizações. “A primeira”, afirmou, “é a

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fusão ou aquisição que, no entanto, não resulta necessariamente em mudança cultural. A segunda é a troca do presidente da empresa, que novamente não implica automaticamente em mudança. E, por último, situações de crise econômica e/ou financeira, momentos em que as organizações ou mudam ou morrem. Os empreendedores têm de enxergar a crise ou senti-la antes que ela se instale. Algumas organizações desaparecem exatamente por

não conseguirem uma nova forma de ser e de fazer”. Tanure, que, dentre outros títulos, detém os de doutora pela Brunel University, da Inglaterra, e de professora de cursos de mestrado e doutorado na PUC Minas, refletiu também sobre o conceito de cultura organizacional. “É o jeito de ser e de fazer de uma empresa, com o apoio e a influência de dois pilares: os dirigentes e a cultura do país onde a empresa está inserida”, infor-

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mou. “Na cultura brasileira, temos três fortes traços: somos flexíveis e relacionais, e a forma como lidamos com o poder influencia a cultura”. Prosseguindo, a professora levantou outra questão: “O que diferencia uma organização de outra? As pessoas? Não. A inteligência competitiva? Também não. O que as diferencia mesmo é a cultura, pois esta não há como copiar”, disse. “A Ambev, por exemplo, passou anos sendo uma empresa que tinha consistência na sua cultura, era referência. E, hoje, seu problema é exatamente a cultura. Ela não evoluiu o suficiente para

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acompanhar o movimento das relações sociais”. Em um segundo momento, Betania Tanure provocou um debate com Paulo Brant sobre a sua visão de empresário: “Estamos vivendo a quarta Revolução Industrial”, afirmou Brant. “Ela traz a maior mudança tecnológica na história da humanidade, com uma fusão de tecnologias em que os mundos digital, físico e biológico estão vendo suas fronteiras ser derrubadas. É uma transformação profunda e ampla”. “O grande dilema das empresas está em que, de um lado temos uma

perspectiva de mudança tecnológica fantástica e, de outro, um mindset das pessoas ainda muito preso ao velho mundo”, prosseguiu. “E não é fácil que a mudança aconteça de uma hora para outra. Há de se ter cuidado e perseverança para que se consiga reduzir o gap entre o mundo da tecnologia e o mundo cultural”, pontuou. Para encerrar, Betania Tanure deu um conselho: “Precisamos ser protagonistas da nossa carreira. Não esperem que o governo ou seu chefe desenvolva as suas competências e o seu futuro. Seja o protagonista da sua vida profissional”.

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Jornal ACMinas - Mai/Jun 2018  
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