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Pró-reitoria e Para José Vicente, Editora Unesp 16 reitor da Zumbi 2 lançam novos livros dos Palmares, corporações estão em dívida com negros

da coleção Cultura Acadêmica

Encontro tem participação 3 de especialistas em

computação de alta performance

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA • ANO XXXIV • NÚMERO 349 • NOVEMBRO 2018

DIÁLOGO GLOBAL PELA UNIVERSIDADE Promovido pela Unesp, evento “Diálogos sobre a Universidade Pública” reúne acadêmicos e especialistas do país e do exterior para debater temas que exigem respostas criativas e corajosas das instituições de ensino superior, como as dificuldades do financiamento público, a necessidade da reorganização administrativa e o enfrentamento das mudanças geradas pela tecnologia. páginas 8 a 12. Três rankings Congresso de Pesquisadores Em quatro apontam Iniciação Científica 5 6 expõem 15 meses, Portal 13 avanço da Unesp no inova na apresentação seus trabalhos para Alumni Unesp atinge panorama universitário internacional

oral de trabalhos

empresas no evento Inova Campinas

mais de 10 mil usuários cadastrados


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Entrevista

Ambiente corporativo está em dívida com o negro

Reitor da Zumbi dos Palmares crê que inclusão nas universidades não se reflete no mercado

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o dia 19 de novembro foi entregue em São Paulo o troféu Raça Negra 2018, evento que integra a Virada da Consciência, realizada em celebração ao Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado no dia 20. Sua primeira edição foi neste ano. Na cerimônia de entrega do troféu, que contou com a presença do professor e assessor da Pró-Reitoria de Extensão Universitária da Unesp Juarez Xavier, foram homenageados o rapper Mano Brown e a vereadora Marielle Franco, morta a tiros no Rio de Janeiro, em março. Um dos organizadores do troféu e também da Virada da Consciência, o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente, concedeu esta entrevista ao Jornal Unesp para falar sobre a situação do negro no país. A Unesp, por meio do Convênio Unesp/Santander, viabilizou, em alguns de seus câmpus, atividades comemorativas no mês da consciência negra. Jornal Unesp: Como o senhor vê o panorama atual de inserção do negro nos ambientes acadêmicos? José Vicente: Ela pode ser lida pela perspectiva do copo meio cheio ou meio vazio. Ou seja, se compararmos com o que está colocado como demanda – 130 anos de abolição sem inclusão –, as cotas são um nada em um país que pretende efetivamente reparar os malefícios produzidos para essa parte dos brasileiros por mais de 350 anos. Malefícios esses que, ao final, produziram um país de cidadãos de primeira classe e de cidadãos de segunda classe. O Brasil miscigenado e diverso de fora não participa do Brasil homogêneo e monolítico de dentro. Se nós partirmos do pressuposto que não tinha nada e, dez anos depois, temos cotas que vão desde o ensino superior até as Forças Armadas e que, minimamente, o esforço, principalmente da universidade, já se traduziu em quase 1 milhão de jovens negros prontos para o mercado de trabalho, podemos dizer que é alguma coisa e que conseguimos minimamente sair do discurso para operacionalizar uma prática que, ainda que

Roberto Rodrigues

Fábio Mazzitelli diminuta, é inspiradora, tem potência, possibilidade e pode ser um caminho que vai permitir ao Brasil, cedo ou tarde, redimirse desse terrível e equivocado erro do passado. JU: Como o senhor citou, já há um esforço de inclusão. Nesse contexto, como o senhor vê o processo de aferição da veracidade das autodeclarações de pretos e pardos que ocorre em algumas universidades, em especial na própria Unesp, que busca uma inclusão com responsabilidade? José Vicente: O que se pretendeu construir e o que sempre se fez necessário e obrigatório a fim de combater esse sistema que leva ao apartheid social era que a perspectiva da pluralidade estivesse colocada transversalmente e verticalmente nos ambientes. O que se pensou sempre é que na universidade pudesse ter negro no banco escolar e também no corpo docente, na área de pesquisa, na área de gestão… Avançamos, chegamos aos bancos escolares, mas tem todo o resto do caminho que ainda precisa ser trilhado. De um outro lado estão as dificuldades, as especificidades, os desafios e mesmo as contradições que significam operar uma estratégia dessa natureza em cima de uma resistência intensa, quase irracional, sobre a legitimidade e a legalidade de uma ação dessa natureza. O Brasil nunca se debruçou sobre a construção de planos e processos que dessem conta de cumprir pressupostos partindo da realidade de que somos um país de miscigenados. Fazer a inclusão de uma das partes dessa miscigenação, por natureza, vai gerar complexidade e questões de difícil solução, algumas delas até polêmicas. Desse modo, não teve outro caminho que conseguíssemos construir até agora, do ponto de vista das acomodações, que não fosse o caminho da autodeclaração. Agora, esta autodeclaração precisa de mecanismos para que se apresente como verdade objetiva e não possa servir para outros fins que não aqueles definidos pela lei.

Da esq. para a dir.: o assessor da Proex Juarez Xavier, a assessora da Prograd Iraíde Marques de Freitas Barreiro, o reitor da Unesp Sandro Valentini, o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares José Vicente e o vice-reitor da Unesp Sérgio Nobre JU: O senhor é a favor da diretriz do Supremo Tribunal Federal, que colocou a questão do fenótipo como critério para a verificação das autodeclarações? José Vicente: Há pelo menos esse mínimo que foi construído através de um olhar e uma compreensão do Supremo. Sou a favor dessa que está colocada pelo Supremo – não excluo e também sou a favor de quaisquer outras que também possam aprimorar, melhorar e tornar esse processo, de forma esclarecida e transparente, mais correto, mais justo e mais legítimo. JU: O senhor citou, na fala anterior, a inclusão do negro no mercado de trabalho como consequência da inclusão do negro no mundo acadêmico. Já é possível sentir os efeitos da inclusão acadêmica no mercado de trabalho? José Vicente: Temos o mercado de trabalho do chão de fábrica, no qual, em grande medida, esse público não tem tantos problemas e tantas questões. O negro com qualificação para esses cargos médios ou de início (de carreira) entra e, em grande medida, participa de uma forma, senão igualitária, bem próxima a isso. A grande questão que se coloca é dos cargos intermediários para cima. Aí é rara a presença do negro. O que se colocou sempre é que isso se dava porque não havia negros qualificados, mas agora, tendo quase 1 milhão de negros qualificados – saídos

dos bancos universitários –, os indicadores não se mexeram. Sinal de que só produzir insumo não é suficiente para mexer essa régua. Estamos vendo isso no caso das cotas, que saiu das universidades, passou pelo serviço público, pelo Ministério Público, pelo Judiciário, pelos aprendizes e estagiários e chegou às Forças Armadas. O ambiente corporativo ficou devendo até aqui, tem preferido manter-se distante, adotando um tipo de neutralidade. Mas tem um papel preponderante para desempenhar, uma responsabilidade, quase uma obrigatoriedade – frente aos indicadores que aí estão – de usar a força de agente transformador para ajudar a mudar esses dados. Depois de formar um exército de quase 1 milhão de Joaquins Barbosa, você vai ter que mandar esse negro numa Kombi para as UPPs? Isso não tem lógica ou racionalidade e não seria aceitável em qualquer lugar do mundo, muito menos na nossa República, que diz que é garantida a igualdade de oportunidades a todos os brasileiros. As empresas têm se debruçado muito em cima da responsabilidade social, da ética corporativa e da sustentabilidade para buscar certificações nacionais e internacionais e depois exibi-las. O curioso é ver uma empresa dessas não ter nenhum profissional negro do quadro médio para cima. Dentro dessa ambiguidade

e desse cinismo, das 2 mil maiores empresas que se apresentam como praticantes de responsabilidade social, só uma delas tem um negro na presidência, coincidentemente uma mulher. JU: Até pegando essa informação como gancho, qual é a sua avaliação no Brasil do curso da Década Internacional de Afrodescendentes da ONU, iniciada em 2015? José Vicente: Do ponto de vista global, é curioso ver empresas transnacionais nas suas origens, principalmente as americanas, inglesas e francesas, ter uma preocupação em ter uma intervenção objetiva na garantia desse equilíbrio e dessa participação plural em sua estrutura. Então, qualquer empresa americana tem negro em sua estrutura vertical e é sabido que, das empresas americanas, centenas delas são comandadas por homens ou mulheres negros. Quando essas empresas vêm para o Brasil, você fica atônito, porque essa política que ela pratica lá como parte indissociável da gestão corporativa, não apresenta aqui no Brasil. A Década de Afrodescendentes, que já foi prorrogada uma vez, não produziu mudança significativa nos indicadores até o momento. A ONU deve ter que prorrogar de novo a Década de Afrodescendentes porque, do ponto de vista dos indicadores, não saímos do lugar.


Informática

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Debate avançado

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Evento reúne especialistas em computação de alto desempenho de dez países Ricardo Aguiar

PESQUISAS DE PONTA Entre os pesquisadores que prestigiaram a iniciativa estava Richard Vuduc, professor do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos. Vuduc apresentou seus estudos recentes nas áreas de computação de alto desempenho, com ênfase em algoritmos e análise de performance. “Em meu grupo de pesquisa não estudamos apenas como tornar processos de computação mais rápidos, mas tentamos entender quais os limites de velocidade para realizar esses processos e como podemos atingi-los”, explicou Vuduc. Gabriel Wainer, da Universidade de Carleton, no Canadá,

TV Unesp

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Unesp participou, pela primeira vez, da organização do International Meeting on High Performance Computing for Computational Science (Vecpar). A 13a edição do evento foi realizada em São Pedro (SP) entre os dias 17 e 19 de setembro e reuniu pesquisadores internacionais renomados para discutir temas atuais relacionados a computação paralela e distribuída, simulações de larga escala, algoritmos numéricos em arquiteturas emergentes e análise de performance de sistemas de computação de alto desempenho. Ao total, participaram cerca de 40 pesquisadores provenientes de 28 instituições do Brasil e de outros nove países. O Vecpar é um evento internacional bienal criado em 1993 pela Universidade do Porto, que foi uma das organizadoras da sua 13a edição, ao lado da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade Nacional de San Luis (Argentina) e do Laboratório Nacional de Lawrence Berkeley (Estados Unidos). O encontro teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Agência Unesp de Inovação (AUIN) e foi patrocinado pela empresa chinesa de telecomunicações Huawei e pela empresa norte-americana Hewlett Packard Enterprise (HPE). “O evento foi uma excelente oportunidade para interação entre o meio acadêmico e o setor privado, o que pode alavancar desenvolvimentos em diversas áreas”, disse Hermes Senger, professor da UFSCar e membro do comitê de organização do encontro.

Apresentação durante o encontro: discussão de temas avançados e interação do meio acadêmico com a iniciativa privada também apresentou importantes resultados do seu grupo de pesquisa, voltado para simulações computacionais. A equipe estuda diferentes mecanismos para automatizar a geração de modelos executáveis e integrá-los com dados em tempo real, além de desenvolver novos métodos para integrar diferentes serviços de simulação com serviços de computação em nuvem. “Todas as apresentações mantiveram um alto nível de qualidade e mostraram avanços recentes em importantes áreas da computação”, comentou Wainer sobre o Vecpar. “Além disso foi uma ótima oportunidade para estabelecer novos contatos e colaborações internacionais.” Também estava no evento Tal Ben-Nun, pesquisador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (Suíça), que estuda as intersecções entre as áreas de computação de alto desempenho, machine learning, ciência da computação e modelos de programação paralelos e distribuídos. “Acredito que a interação entre as áreas de inteligência artificial, machine learning e computação de alto desempenho seja muito importante, mas vejo que há um gap entre os pesquisadores dessas áreas”, disse Ben-Nun. “Com meu trabalho, busco diminuir esse gap.”

Além de palestras, o Vecpar contou também com um painel de especialistas em diferentes áreas relacionadas à computação de alto desempenho, que apresentaram seus trabalhos em curtas seções e ficaram à disposição para responder a perguntas da audiência. O painel foi organizado por Rogério Iope, gerente executivo do Núcleo de Computação de Científica (NCC) da Unesp e membro do comitê de organização do evento, e Edson Borin, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A seção foi mediada por Osni Marques, pesquisador do Laboratório Nacional de Lawrence Berkeley e membro do comitê de organização do Vecpar. Ela teve a presença de Pedro Mário Cruz e Silva, arquiteto de solução da empresa Nvidia, Eduardo Miqueles, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Carla Osthoff Ferreira de Barros, do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), Gerard Gorman, do Imperial College de Londres (Inglaterra), e do próprio Edson Borin, que falou sobre suas pesquisas no Centro de Estudo de Petróleo (Cepetro) da Unicamp. De forma inovadora, esse painel foi acompanhado também pelos participantes da 14a edição do Encontro de

Informática da Unesp (InfoUnesp). O evento, que reúne especialistas em informática de diferentes câmpus da Universidade, foi realizado entre os dias 18 e 20 de setembro, paralelamente ao Vecpar. COLABORAÇÕES COM EMPRESAS Para estimular a colaboração entre os setores acadêmico e privado, o Vecpar também contou com apresentações das empresas patrocinadoras, Huawei e HPE. Fábio Alves, gerente da área de Computação de Alto Desempenho da HPE no Brasil, apresentou tendências do mercado que a empresa pretende seguir, como a criação de uma nova arquitetura de hardware que tem a memória como centro, em vez do processador, como é usual na atualidade. “Precisamos pensar em soluções para lidar com a enorme quantidade de dados que é produzida atualmente”, comentou Alves. “Eventos como o Vecpar são perfeitos para unir o meio acadêmico e o setor privado, que muitas vezes andam separados.” Jason Wu, vice-presidente de produtos da filial da empresa Huawei no Estado de Washington, nos Estados Unidos, também prestigiou o encontro e ressaltou a importância de colaborações entre empresas

e universidades. “Acreditamos que seja muito importante compartilhar conhecimento entre os setores acadêmico e privado”, disse Wu. Por fim, Iope ressaltou que ele e Emílio Francesquini, pesquisador da Universidade Federal do ABC (UFABC), deverão ser os responsáveis pela organização da Escola Regional de Alto Desempenho em 2020 (ERAD2020). Eles esperam contar com a participação maciça de alunos da Unesp e da UFABC. “Também está em nossos planos incentivar a participação de estudantes brasileiros no Student Cluster Competition, evento que ocorre durante a Supercomputing Conference (SC)”, disse Iope. “A colaboração de longa data que o NCC mantém com o Caltech e outras instituições americanas durante os eventos da SC, inclusive detendo três recordes de transferência de dados entre os Hemisférios Norte e Sul durante demonstrações feitas nessas conferências, deverão ajudar a realizar mais essa iniciativa.”

Todas as palestras do Vecpar foram gravadas pela TV Unesp e podem ser assistidas online em: https://video.unesp.br/vecpar.


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Pesquisa

Panorama da pesquisa O

pró-reitor de Pesquisa da Unesp, professor Carlos Frederico de Oliveira Graeff, participou, no dia 30 de outubro, do São Paulo School of Advanced Science on Colloids, realizado na Unicamp, em promoção conjunta com a USP e a Fapesp. Na ocasião, o gestor apresentou um panorama da pesquisa e da inovação na Universidade, partindo de uma abordagem geral, especialmente no que tange a suas peculiaridades em termos de dimensão, abrangência geográfica e diversidade de áreas de ensino e pesquisa. Especificamente no âmbito da pesquisa foram destacadas áreas consideradas de excelência em âmbito nacional e internacional, tais como Veterinária, Biotecnologia, Ciência dos Materiais, Meio Ambiente, Educação, Produção e Gestão de Energia, Agronomia, Informação e Comunicação, Linguística e Literatura, entre outras. Segundo o professor Graeff, essa excelência em pesquisa se

materializa em um conjunto de publicações de alto prestígio e impacto científico, tais como as abalizadas revistas Nature e Science, o que leva a Unesp ao segundo lugar nacional em termos de produção científica. Isso, por sua vez, se coaduna com todo um conjunto de parcerias de pesquisa nacionais e internacionais que propiciam uma visibilidade científica cada vez maior à Universidade. Nesse contexto, explica o pró-reitor, vale destacar o impacto não apenas científico mas – e principalmente – social e econômico da pesquisa da Unesp em temas de ponta, como o desenvolvimento de sensores para detecção de diabetes, de vacinas de diversas ordens, de membranas cicatrizantes e de novas formas de tratamento do Alzheimer, entre outras. Com uma produção científica invejável que, conforme dados da Web of Science, duplicou em quantidade na última década, a Unesp vem

Divulgação

Pró-reitor abordou produção da Unesp na São Paulo School of Advanced Science on Colloids

Graeff destacou áreas consideradas de excelência em âmbito nacional e internacional revelando uma crescente captação de recursos em agências de fomento, segundo dados da Fapesp e do CNPq. Nesse sentido, Graeff enfatizou que a Pró-Reitoria de Pesquisa da Unesp promove esforços efetivos para dar suporte ao crescimento acadêmico da Universidade, especialmente no que se refere ao apoio a revistas científicas, a informações sobre

produção e visibilidade científica e sobre biotérios, e às questões éticas na pesquisa. Também é importante um suporte efetivo e direto ao pesquisador por meio de uma rede de escritórios de pesquisa e de um escritório central de gestão de projetos, assim como pela veiculação do sistema Pesquisa de Especialistas da Unesp (PEU), desenvolvido pela Assessoria de Informática.

Para o professor, essa trajetória de crescimento científico da Unesp vem se revelando de forma constante e intensa graças a um esforço institucional que sabe reunir ações indutoras, educativas e de apoio visando a construção de uma cultura que possa construir ciência de ponta para fazer frente a uma realidade social cada vez mais multifacetada e dinâmica.

Estudo analisa programas na formação do cientista Trabalho aborda Programa Institucional de Iniciação Científica (Pibic) de 2001 a 2013 ênfase nos avanços que o referido programa trouxe para a experiência acadêmica dos bolsistas e para a vida profissional dos egressos. Tendo por objetivo identificar em que medida o Pibic vem contribuindo para a pesquisa acadêmica na universidade e para a formação científica e profissional dos discentes, o estudo evidenciou que a experiência e o aprendizado obtidos pelos bolsistas, a partir da figura de um orientador qualificado em pesquisa, revertem em ganhos substantivos para a experiência acadêmica e para a futura vida profissional desses alunos, em diferentes áreas do conhecimento. Partindo de um panorama geral dos programas Pibic e Pibiti no Brasil, ao longo dos anos analisados, a obra destaca as experiências acumuladas pelos bolsistas, seja em sua própria

perspectiva, seja na de seus orientadores. Nesse contexto, analisa a trajetória trilhada pelos egressos tanto no campo acadêmico (pós-graduação) como no campo profissional, evidenciando a formação de bons quadros de docentes e de pesquisadores no ensino superior e em institutos de pesquisa, assim como de profissionais melhor remunerados no mercado de trabalho. Entre os levantamentos realizados para dar solidez às conclusões desse trabalho está uma pesquisa de 2013 que avaliou as experiências de bolsistas e orientadores no Pibic a partir de 32 mil formulários on-line disponibilizados para esses dois grupos. Um outro levantamento se voltou para a trajetória dos egressos do programa, envolvendo três fontes de informação: a base de dados do Pibic, acessada pela Plataforma Aquarius

MCTIC/CGEE, abrangendo os bolsistas que desenvolveram o último ano de bolsa entre 2001 e 2013; os dados de pós-graduação, conclusão do mestrado e/ou doutorado coletados pela Capes junto aos programas de pós-graduação brasileiros, no período de 2001 a 2014; e a Relação Anual de Informações Sociais Rais/MTE – Rais (2014), para colher os dados de emprego. Uma outra investigação analisou, ainda, o impacto do Pibic utilizando as informações sobre os egressos do programa entre os alunos da Unesp que haviam concluído a graduação entre 2001 e 2014. Em consonância com esse importante estudo, o pró-reitor de Pesquisa da Unesp reafirmou o seu propósito de apoiar o Pibic como uma das ações prioritárias da Prope, visando contribuir indubitavelmente para a melhoria

da qualidade de ensino e para a formação de pesquisadores no Brasil e, em especial, na Unesp. A obra, de leitura obrigatória para todos aqueles que se encontram envolvidos com a iniciação científica, encontra-se disponível em https://bit.ly/2FNaLUB. Reprodução

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os dias 22 e 23 de outubro, o pró-reitor de Pesquisa da Unesp, professor Carlos Frederico de Oliveira Graeff, participou, em Brasília, na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de um evento para avaliar o Programa Institucional de Iniciação Científica (Pibic) e para promover o lançamento de estudo sobre o tema. A obra, intitulada A formação de novos quadros para CT&I: avaliação do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), é fruto de um estudo realizado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) por demanda do CNPq. O trabalho apresenta e analisa os resultados obtidos pelo Pibic entre 2001 e 2013 (período em que revelou um crescimento da ordem de 67%, passando de 14,5 mil para 24,3 mil bolsas), com

Obra avalia período 2001-2013


Internacionalização

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Rankings destacam Unesp

Universidade aparece em posições importantes em classificações recentes do Times Higher Education, do Quacquarelli Symonds e do Center for World University Rankings

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Unesp ocupa posições de destaque nas avaliações divulgadas recentemente por três rankings universitários internacionais: Times Higher Education Ranking (THE), Quacquarelli Symonds (QS) e Center for World University Rankings (CWUR). O THE, que há quase cinco décadas vem avaliando universidades em todo o mundo, publicou recentemente os resultados de sua edição 2019, a partir de áreas temáticas específicas. Trata-se do THE Subject, no qual a Unesp figurou pela primeira vez nos rankings de Educação (301-400), Economia e Negócios (401-500), Psicologia (400+), Artes e Humanidades (400+), Ciências Clínicas, Pré-clínicas e da Saúde (501-600), Ciências Sociais (501-600) e Ciências Físicas (601-800). A avaliação se baseia em cinco critérios, com os seguintes percentuais médios (há pequenas variações de área para área): Ensino (27,5%); Pesquisa – envolvendo o volume, os investimentos e o prestígio (27,5%); Citações (35%); Perspectiva Internacional (7,5%); e Inovação (2,5%). O avanço da Unesp nesse ranking em diferentes áreas temáticas evidencia a qualidade do ensino, da pesquisa, da

extensão e da inovação desenvolvidos e confere à Universidade visibilidade acadêmica no cenário internacional. QS RANKING Em setembro, a Unesp já havia entrado na lista das 500 melhores universidades do mundo em empregabilidade, segundo o ranking de empregabilidade de egressos da consultoria britânica Quacquarelli Symonds (QS). Só seis instituições brasileiras de ensino superior estão nessa lista. No ranking latino-americano 2019 da QS, divulgado no final de outubro e contendo mais de 400 universidades da América Latina, a Unesp figura na 11ª posição. Nesse ranking foram observadas melhoras nos indicadores de Ensino (faculty student), Pesquisa (citations per paper) e Internacionalização (international network). Os bons resultados em subindicadores como “Staff with PhD” e “Papers/ staff” mostram que a Unesp continua comprometida com pesquisas de qualidade e com alta produtividade. CWUR O Center for World University Rankings (CWUR), atualmente sediado nos Emirados Árabes

Unidos, publicou também recentemente sua avaliação acerca das mil melhores universidades do mundo e listou a Unesp como a quarta melhor instituição de ensino superior do Brasil, em um conjunto restrito de 20 universidades brasileiras que figuram entre as mil do ranking. A Unesp, listada na 372ª posição no geral, ficou atrás apenas da USP (77ª no mundo), da UFRJ (298ª) e da Unicamp (360ª). Nos quesitos específicos, destaca-se o fato de a Unesp ocupar a 128ª posição em termos de produção científica. A quarta posição nacional ocupada pela Universidade se reflete na qualidade das publicações que veiculam essa produção acadêmica. Em termos de produção científica global, por exemplo, a Unesp fica na segunda posição nacional – apenas atrás da USP. A avaliação do CWUR pauta-se em sete quesitos: a) qualidade de ensino (15% da nota), que é medida pela proporção entre ex-alunos laureados com prêmios internacionais e o corpo discente atual; b) empregabilidade dos ex-alunos (15%), segundo a proporção entre ex-alunos em postos executivos em empresas de destaque e o número atual de alunos; c) qualidade do corpo docente

Imagens reprodução

ACI Unesp, com informações da Comissão de Avaliação Institucional dos Rankings

QS apontou melhoras em ensino, pesquisa e internacionalização

Para CWRU, Unesp ocupa quarta posição entre instituições do país

Universidade avançou em várias áreas temáticas do THE (15%), feita através da proporção entre professores laureados com prêmios internacionais e o corpo docente atual; d) número de pesquisas divulgadas (15% da nota), obtido a partir da produção científica publicada e divulgada; e) qualidade das publicações

(15% da nota), mensurada pelo volume de pesquisas publicadas nas revistas de quartis superiores; f) influência (15%), conceituada a partir de publicações em revistas de forte influência e g) citações recebidas pelas publicações (10%).

Universidade é contemplada novamente no Programa Capes/Brafagri

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elo sétimo ano consecutivo, a Unesp foi aprovada no Edital Capes/ Brafagri – programa de intercâmbio promovido pelo governo federal através da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo governo francês por intermédio do seu Ministério da Agricultura e da Alimentação. O projeto intitulado “Programa franco-brasileiro de formação em saúde pública veterinária e ensino clínico veterinário” foi o único aprovado no Brasil em medicina veterinária.

Ele contempla a mobilidade de alunos da Unesp/Botucatu, da Universidade Estadual de Londrina e da Universidade Federal Rural de Pernambuco, além de alunos das únicas quatro escolas desse curso na França: Ecole Nationale Vétérinaire Maison-Alfort, Ecole Nationale Vétérinaire de Toulouse, Oniris (Nantes) e VetAgro-Sup (Montpellier). Cada escola poderá enviar quatro alunos de graduação para um período de estudos de 6 a 10 meses. Os estudantes são selecionados por meio de

currículo, conhecimento da língua francesa e entrevista em francês. Recebem suporte financeiro total da Capes para manutenção e viagem, além do apoio institucional das universidades de origem e destino. Desde 2012, início do programa, a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) já enviou 26 de seus alunos para a França e recebeu 42 franceses. Neste ano, Letícia Zampini Faraldo, Daniela Ester Tiferes e Maria Júlia Quelhas Ronchetti, alunas do

curso de Medicina Veterinária, e Brenno Sena Alves, aluno do curso de Zootecnia, foram enviados. A FMVZ recebeu as francesas Rachel Abbas, Chloé Chielens, Léa Rousseau e Léa Saulnier. Para 2019, já está aprovada a vinda de três francesas a Botucatu, sendo duas de Alfort e uma de Toulouse. A coordenação local do programa está a cargo da professora Jane Megid, do Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública, com o apoio do Comitê Local de Internacionalização.

Divulgação

FMVZ já enviou 26 alunos para a França e recebeu 42 estudantes franceses

Alunas da Unesp na França


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Pesquisa

Debutando na ciência

Com mais de 200 alunos selecionados, trigésima edição do Congresso de Iniciação Científica da Unesp inova com apresentações orais dos trabalhos em 1 minuto Marcos Jorge

Fotos Marcos Jorge

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os dias 21 e 22 de novembro a Unesp promoveu, em São Paulo, a fase final da 30ª edição do seu Congresso de Iniciação Científica (CIC). O evento, realizado no Novotel São Paulo Jaraguá Conventions, reuniu 216 estudantes selecionados em um processo realizado em todas as 34 unidades de graduação da Universidade. No final do encontro foram anunciados os autores dos melhores trabalhos nas três grandes áreas: em Exatas foi escolhido Thiago Matheus Martins de Moraes, aluno de Engenharia Elétrica na Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá (FEG); Luy de Abreu Costa, estudante de Odontologia na Faculdade de Odontologia de Araçatuba (FOA), foi o vencedor na área de Biológicas; e, em Humanas, o prêmio coube a Beatriz Leite Antunes, aluna de Arquitetura da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC), em Bauru. (Veja quadro 1.) Cada vencedor recebeu um cheque no valor de R$ 3 mil. Além disso, graças a uma parceria entre as Pró-Reitorias de Pesquisa e de Pós-Graduação, foi oferecida uma bolsa de mestrado para os alunos com o melhor projeto e que estivessem prestes a concluir o curso de graduação. PRIMEIRO DIA O primeiro dia foi marcado por declarações dos dirigentes da Unesp sobre a importância da iniciação científica para a formação do aluno, seu desenvolvimento profissional e a pesquisa realizada na Universidade. Além disso, houve palestras da professora Roseli de Deus Lopes, representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e do professor José Ricardo Santana, que representou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) O reitor Sandro Valentini lembrou que a iniciação científica desafia o estudante a ir além do aprendizado tradicional em sala de aula. “Os alunos, cada vez mais, rejeitam esse formato de aprendizado. A iniciação científica, por sua vez, estimula o aluno a buscar outros processos

um doutorado e 2,54 vezes mais chances de conseguir um emprego em instituições da área de educação ou de pesquisa científica. “É fato que conhecer a lógica e a dinâmica da pesquisa científica faz a diferença na trajetória profissional do aluno, porque isso o prepara para a resolução de problemas”, destacou o pró-reitor.

Participantes foram escolhidos em processo realizado em todas as 34 unidades da Universidade formativos por meio da elaboração e condução de projetos de pesquisa”, afirmou. Pró-reitor de Pesquisa, o professor Carlos Graeff ressaltou que hoje tanto a sociedade quanto o mercado de trabalho exigem profissionais capazes de solucionar problemas. “O método científico que é utilizado na pesquisas ensina a resolver problemas e é esse o detalhe que pode fazer a diferença para os alunos após a conclusão do curso”, declarou. Representante da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (ProPG), a professora Telma Teresinha Berchielli apontou o fato de alunos de iniciação científica chegarem mais preparados para o desenvolvimento de projetos de mestrado e doutorado e reforçou a proposta da ProPG de premiar estudantes do CIC com bolsas de mestrado. PALESTRAS Diretor de Cooperação Institucional do CNPq, José Ricardo Santana apresentou um panorama dos programas que fomentam a iniciação científica e suas diferentes modalidades de bolsa. Entre essas modalidades, algumas têm sido os principais desafios do órgão neste momento: o estímulo à educação básica, contemplado nas bolsas Pibic Jr. e Pibic Ensino Médio, e o apoio

à inovação, contemplado principalmente no Pibit e no Programa Inovatec. “O Inovatec fomenta projetos de iniciação científica vinculados a demandas apresentadas por uma empresa. Embora isso pareça trivial, nem sempre essa articulação é fácil”, apontou. A professora Roseli Lopes, integrante da diretoria da SBPC, convocou os alunos para divulgarem seus projetos, destacando pesquisas recentes que apontam uma percepção ruim da ciência pela população. “Cerca de 6% dos brasileiros não são capazes de nomear um único cientista do país e 12% não conseguem se lembrar de uma instituição de pesquisa nacional”, lamentou. O período da tarde foi reservado para as apresentações orais dos alunos. Novidade nesta edição, a “Sessão Flash” exigiu que os participantes apresentassem o ponto principal de seu projeto em apenas um minuto. (Veja quadro 2.) SEGUNDO DIA No segundo e último dia foi prestada uma homenagem aos professores que dedicaram 30 anos de sua carreira à orientação de alunos, além de serem anunciados os melhores projetos nas três grandes áreas do conhecimento.

Ao dar início a essa cerimônia, o pró-reitor Carlos Graeff apresentou os resultados de uma pesquisa desenvolvida pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) que avaliou o impacto que a realização da iniciação científica tem na carreira do aluno da Unesp, tendo como base dados coletados na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e na Plataforma Sucupira Em linhas gerais, o estudo constata que os estudantes contemplados com a bolsa Pibic têm 2,2 vezes mais chances de concluir um mestrado, 1,5 vezes mais chances de concluir

HOMENAGENS O primeiro homenageado entre os docentes orientadores foi Helio Langoni, professor titular da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp de Botucatu. “Eu realmente não esperava receber uma homenagem como essa. Eu entendo que a orientação da iniciação científica é uma obrigação do professor”, afirmou, em tom emocionado, o docente que já orientou quase uma centena de alunos. Aparecido Augusto de Carvalho, professor de Ilha Solteira, ressaltou que os professores também aprendem com seus orientandos e lembrou a sua trajetória no Câmpus, que viu ser criado e se consolidar como a referência na produção científica nacional. Por fim, Neide Barroca Faccio acentuou o potencial transformador da universidade e da iniciação científica. “Ser contratada pela Unesp aos 22 anos, orientar tantos alunos – a maior parte com renda muito baixa – e vê-los hoje trabalhando em universidades do Brasil e do exterior me traz muita alegria”, destacou a professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp de Presidente Prudente.

Alunos também apresentaram seus trabalhos por meio de pôsteres


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EXATAS Câmpus sustentável Thiago Matheus Martins e Moraes é aluno do último ano de Engenharia Elétrica na Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá e seu projeto de iniciação científica envolve a implementação de uma central de geração de energia solar fotovoltaica, modernização do sistema de iluminação e ações voltadas para a gestão de resíduos sólidos. O FEG Sustentável, como é chamado, também promove a modernização das estruturas de iluminação, como postes e lâmpadas, além de estimular a gestão de resíduos sólidos e a educação ambiental. Thiago explica que o FEG Sustentável tem conseguido estabelecer parcerias com empresas para modernização e aquisição de equipamentos e reduziu o consumo de energia no Câmpus. “As medidas já acarretaram uma economia mensal de R$ 17.500 e a uma redução de 31 toneladas do CO2 emitido anualmente pela FEG”, celebra.

ou inflamação na gengiva. O medicamento é amplamente utilizado no tratamento de algumas osteopatias e neoplasias malignas osteotrópicas. Luy explica que a presença dessas três características (diabetes, doença periodontal e o uso do zoledronato) cria dificuldades para montar um modelo experimental eficiente – por isso essa associação é pouco pesquisada. O aluno, que elaborou seu modelo com ratas, concluiu que os pacientes diabéticos que apresentam uma doença periodontal ou gengivite e fazem uso crônico do medicamento têm risco muito maior de desenvolver osteonecrose nos maxilares associada a medicamentos. “Isso é importante para o dentista porque a osteonecrose pode prejudicar ou inviabilizar alguns procedimentos odontológicos invasivos, como remoção de dentes e instalação de implantes, comprometendo a qualidade de vida desse indivíduo”, aponta o aluno. HUMANAS

BIOLÓGICAS Odontologia e diabéticos Aluno da Faculdade de Odontologia de Araçatuba (FOA), Luy de Abreu Costa estudou os efeitos do uso do medicamento zoledronato em grupos de pacientes diabéticos e com doença periodontal

Memória no meio rural Beatriz Leite Antunes está no quinto ano do curso de Arquitetura na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação de Bauru e, em seu projeto de iniciação científica, estudou as características arquitetônicas dos casarões

rurais no município de Botucatu e as mudanças ocorridas no período do auge da produção cafeeira. “Eu nasci em Botucatu e, desde que entrei na faculdade, tinha muita vontade de pesquisar sobre a minha cidade de origem. A iniciação científica não só me proporcionou isso como me deu a possibilidade de conhecer um patrimônio que nem sabia que existia”, explica a aluna. Beatriz explica que o estilo eclético foi incorporado às edificações rurais antes inclusive das urbanas, à medida que a economia cafeeira se fortalecia. No auge da produção cafeeira, esses casarões constituíam imóveis imponentes e com programas complexos, utilizando elementos de ferro e incorporando a técnica tijoleira para produzir novas volumetrias. “Muito além de uma análise arquitetônica, após todo o levantamento e coleta de dados realizado no projeto, foi possível notar que as fazendas encontram-se abandonadas e que existe pouquíssimo material sobre elas nos órgãos públicos”, lamenta Beatriz, que se motivou a executar todas as plantas através de levantamento métrico e de outros elementos do conjunto gráfico para facilitar a proteção do patrimônio botucatuense.

Fotos Marcos Jorge

CONHEÇA UM POUCO DO TRABALHO DESENVOLVIDO PELOS ALUNOS VENCEDORES DO CIC:

Luy analisou efeitos de medicamento em pacientes diabéticos

Projeto visando uso sustentável de energia foi o tema de Thiago

Beatriz estudou arquitetura de casarões rurais em Botucatu

SE VIRA NOS 60 – APRESENTAÇÕES ORAIS DE UM MINUTO TIRAM ALUNOS DA ZONA DE CONFORTO dos Campos, uma das avaliadoras do CIC. Para a docente é importante que o aluno use esse minuto para explicar os pontos principais do projeto, se ele traz alguma inovação ou de que forma pode impactar a sociedade. “Como é a apresentação em uma grande área de Ciências Biológicas, muitos avaliadores e colegas não dominam plenamente o tema. Os alunos que conseguem mostrar os pontos principais do projeto levam vantagem”, argumentou Alessandra. Nas edições anteriores do CIC uma parte dos estudantes fazia apresentação oral e a outra em pôster. Neste ano, todos os 216 participantes fizeram apresentações-relâmpago e na forma de pôster. A ideia é que a apresentação de um minuto

sirva como uma introdução à apresentação em pôster. Aluna do último ano de Zootecnia em Jaboticabal, Jayne Costa aprovou a novidade porque, para ela, isso motiva o aluno a sair da zona de conforto e se adaptar a uma nova situação. “A mudança faz a gente comunicar a pesquisa de uma forma mais compreensível para pessoas que não são da nossa área”, afirmou. Para viabilizar a apresentação de 216 participantes foi montada uma dinâmica de apresentação: foi exigido de todos os finalistas que enviassem apenas um slide para a organização do CIC, que foi seu único material de apoio na apresentação. “O interessante é que 95% dos alunos conseguiu falar em

menos de um minuto. Tanto que a nossa sessão acabou antes do previsto”, destacou o professor César Augusto Moreira, da Unesp de Rio Claro, que coordenou uma das “Sessões Flash”, como foram chamadas as apresentações orais no novo formato. “O que chamou a atenção dos avaliadores é que os 40 alunos que assistiram à sessão tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais dos trabalhos dos colegas de outras áreas.” Aluna de licenciatura em Teatro, Ana Carolina de Medeiros ressalta que gostou de ouvir as explicações sobre a produção de outros estudantes. Ela confessa que ficou aflita quando soube da proposta de um minuto para a apresentação. “Um pouquinho mais de tempo

seria melhor porque esse um minuto deixa as pessoas muito nervosas”, comenta, Para Giorgio Romano, professor da Universidade Federal do ABC e avaliador CNPq, em um minuto é difícil avaliar uma pesquisa. “Não dá nem tempo para o avaliador saber de onde é o aluno, etc. É muito flash…” Freepik

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etapa final da 30ª edição do Congresso de Iniciação Científica da Unesp trouxe uma novidade desafiadora para os alunos. A apresentação oral dos projetos de pesquisa teve que ser realizada em apenas um minuto. A proposta da Pró-Reitoria de Pesquisa, organizadora do Congresso, foi estimular a capacidade de síntese dos estudantes e desenvolver seu potencial para comunicar a pesquisa realizada. “Passar o recado em um tempo tão curto é uma tarefa bastante difícil, mas nós vimos que a grande maioria dos alunos mostrou essa capacidade de síntese”, explicou a professora Alessandra Buhler Borges, da Unesp de São José

Ideia exige capacidade de síntese


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Reflexão sobre os desafios globais do ensino superior Durante o evento “Diálogos sobre a universidade pública”, promovido pela Unesp, debatedores analisaram questões como financiamento público, reorganização administrativa e mudanças geradas pela tecnologia André Louzas Imagens TV Unesp

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iante de um contexto de grandes mudanças, as universidades do país precisam pensar em soluções para responder aos desafios contemporâneos, renovando sua dinâmica institucional e interação com a sociedade. Organizado pela Unesp, o encontro internacional “Diálogos sobre a Universidade Pública” reuniu, no dia 22 de novembro, especialistas do país e do exterior para promover uma ampla reflexão sobre a situação do sistema universitário e também encontrar respostas criativas e corajosas para as questões que afetam a comunidade unespiana. Participaram do encontro os integrantes dos seguintes órgãos colegiados da Unesp: Conselho Universitário (CO), Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária (Cepe) e Conselho de Administração e Desenvolvimento (Cade). Realizado na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SDECTI), na capital paulista, o evento teve a presença do secretário da área, Vinícius Almeida Camarinha, que saudou a iniciativa dos “Diálogos”. “Estamos vivendo uma transformação gigantesca da nossa sociedade, sobretudo da tecnologia, com as TIs e as startpus”, argumentou o secretário. “A sociedade exige um modelo diferente do que tem se apresentado nesses últimos tempos e tenho certeza que a universidade precisa fazer essa reflexão.” Em seu pronunciamento, o reitor da Unesp, professor Sandro Valentini, destacou que o encontro visava examinar propostas de reforma em três áreas que estão intimamente relacionadas: orçamentária, administrativa e acadêmica. “Não adianta discutir uma reforma administrativa se não repensarmos a forma de ensinar dentro da Universidade, num mundo completamente diferente, induzido pelo efeito do avanço da ciência e das

Dividido em quatro diálogos, evento teve participação de integrantes dos órgãos colegiados da Universidade

tecnologias e, é claro, com um conjunto de alunos que não aceita mais o ensino baseado basicamente na memorização de conteúdos”, afirmou. Depois de enfatizar que as universidades precisam buscar outras fontes de financiamento, que reduzam a atual dependência do ICMS, Valentini destacou os problemas organizacionais da Unesp, como a presença de 37 centros administrativos. “Temos a proposta de trabalhar com 12 regionais no Estado, isso propiciaria uma forma de fazer administração muito mais versátil, dinâmica e cooperativa”, afirmou. “Temos a necessidade de reinvenção de nossa Universidade na perspectiva de manter e fortalecer nossa relação com a sociedade”, disse o reitor. Valentini destacou ainda o trabalho da equipe da Escola Unesp de Liderança e Gestão, responsável pela organização do encontro.

Nessas reformas [implantadas pela atual gestão], nós passamos por vinte desafios, sendo que um deles é o orçamentário-financeiro. Mas nós temos outros desafios. Tudo na perspectiva de fazer uma reflexão ampla sobre a universidade e sua importância para o desenvolvimento da sociedade na tentativa de, cada vez mais, reforçar sua legitimidade, uma vez que é por meio dos impostos que a universidade pública existe.

Sandro Roberto Valentini, reitor da Unesp


Imagens TV Unesp

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O financiamento da universidade é um financiamento exclusivo de repasses do ICMS; 9,57% da receita do ICMS do Estado de São Paulo vai para as universidades. Ocorre que, quando a economia vai bem, o país cresce, o ICMS cresce e a universidade passa a ter um fôlego para investimento, para reposição salarial. E o contrário é verdadeiro também: quando o Brasil entra em crise, quando nós temos recessão e perdas de receita, as universidades também passam por uma certa dificuldade. Então, precisa ser rediscutido esse modelo de financiamento.

Vinícius Camarinha, secretário de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo PRIMEIRO DIÁLOGO: EM BUSCA DA REINVENÇÃO O evento foi estruturado em quatro debates. O primeiro debate, de tema “Universidade pública: a urgência de se reinventar”, foi discutido pelo professor Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), do Rio de Janeiro, e pelo cientista político Marco Aurélio Nogueira, do câmpus

de Araraquara da Unesp. A mediação ficou a cargo do professor Milton Lahuerta, também do câmpus de Araraquara. Schwartzman apresentou dados sobre a educação universitária no Estado de São Paulo e analisou a situação de USP, Unesp e Unicamp. Ele enfatizou que as três desempenham funções múltiplas, “que podem estar em contradição ou tensão umas com as outras”. Ele assinalou que 75% das vagas no

ensino superior de graduação no Estado são oferecidas pelo setor privado – um espaço que deveria ser mais ocupado pelas universidades públicas. “Nenhuma instituição pode fazer tudo”, alertou. “É importante identificar suas prioridades ou nichos, conforme seus recursos e a existência de outras instituições atuando no mesmo contexto.” O estudioso propôs algumas estratégias centrais para as

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instituições públicas de ensino superior. Uma delas é ir além dos concursos tradicionais, adotado o que ele define como recrutamento ativo, buscando, antes de tudo, valorizar o talento dos professores para as funções de pesquisa, ensino de qualidade e inclusão. Outra é adotar a flexibilidade – inclusive salarial – nos processos de contratação docente. Também é preciso, segundo ele, superar a gestão burocrática do serviço público, buscando autonomia gerencial e patrimonial e obtenção de recursos adicionais no setor privado. Finalizando sua apresentação, Schwartzman focalizou a possibilidade de a universidade se reinventar, tendo quatro possíveis alternativas: o modelo das organizações sociais – associações privadas que prestam serviços de interesse público; a estrutura de governança mista, com participação de representantes do setor público, da comunidade universitária e de setores da sociedade; a promoção de um contrato de gestão com o governo estadual, definindo metas claras e recursos associados; e a administração profissional semelhante à do setor privado. O professor Nogueira iniciou sua intervenção dizendo que faria uma “provocação”: para ele, as universidades públicas estão hoje em uma situação passiva, sem dar respostas para questões levantadas pela revolução tecnológica. “O mundo nos desafia e não conseguimos entendê-lo”, criticou. Na sua

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opinião, o sistema universitário precisa ter uma resposta consistente diante do atual cenário: “A mudança necessária hoje depende de um projeto, não um projeto de reforma, mas uma ideia de futuro; não apenas uma reação adaptativa, mas propositiva”, assegurou. Essa iniciativa, em sua opinião, deveria ser conduzida por lideranças intelectuais. “O líder intelectual é o sujeito capaz de magnetizar uma equipe, um grupo e dar um norte a seus integrantes”, analisou. “Precisamos de lideranças em nossos órgãos colegiados.” De acordo com Nogueira, a comunidade acadêmica deve se propor a fazer vários sacrifícios. O primeiro deles seria abrir mão de “hábitos, vícios e privilégios”. “Eu tive muitos privilégios, como licença prêmio e viagens”, exemplificou. O segundo seria o de reequilibrar os interesses particulares e o interesse geral. Superar o corporativismo – tanto sindical quanto departamental – representa o terceiro sacrifício. “O corporativismo é um fechamento – os professores ficam em uma dinâmica, os funcionários em outra e os alunos em outra ainda”, afirmou. O quarto seria aprender a trabalhar com poucos recursos financeiros. “Queremos sempre mais, mas a fonte secou”, resumiu. Por fim, ele enfatizou a necessidade de ajustar meios e finalidades. “Será que precisamos do apoio de tantos funcionários para realizar pesquisa?”, perguntou o docente.

Para Marco Aurélio, universidade está passiva diante da crise

No mundo todo você tem um processo em que a educação superior cresce muito, tem muitas pessoas que buscam a educação superior e as instituições de educação superior têm que desempenhar funções muito diferentes. Elas não são instituições que respondem a um modelo único, que é o modelo tradicional da universidade da pesquisa. Você tem uma boa parte da educação superior que se dedica ao ensino, você tem uma parte de formação de professores, você tem uma parte de desenvolvimento de atividades de relação com a comunidade, de pesquisa aplicada. Então, ela tem que se posicionar. Lahuerta: especialização afeta ação de lideranças intelectuais

Simon Schwartzman, sociólogo


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O moderador desse diálogo, Milton Lahuerta, fez dois questionamentos para os debatedores. O docente apresentou sua dúvida sobre a proposta de Schwartzman de a Unesp investir mais na formação docente, dando menos ênfase à pesquisa. “Só a Unesp teria de encontrar o seu lugar no sistema público paulista?”, indagou. Schwartzman respondeu que não se trataria de uma divisão estrita de funções, mas advertiu que as universidades têm que investir nas áreas em que demonstrem mais potencial. “A Unicamp tem desenvolvido muita pesquisa aplicada e poderia maximizar isso”, apontou. Em relação às propostas de Nogueira, Lahuerta questionou como seria possível garantir a consolidação de lideranças intelectuais quando o sistema universitário obedece a uma lógica de especialização, que limita uma influência mais ampla dos possíveis líderes. Nogueira reconheceu que a resolução desse problema não seria fácil: “Uma solução seria talvez inserir professores de diferentes formações em diferentes áreas”, sugeriu.

SEGUNDO DIÁLOGO: SINTONIA COM A TRANSFORMAÇÃO No segundo diálogo, intitulado “A missão da Universidade em um mundo em transformação”, teve como participantes Conrado Schlochauer, embaixador da Singularity University, Carolina Fouad Kamhawy, gerente do Núcleo de Carreiras e do Programa Resolução Eficaz de Problemas do Insper, e Silvio Bitencourt da Silva, da Unisinos. A mediação foi feita pela professora Gladis Massini-Cagliari, pró-reitora de graduação da Unesp. A pró-reitora acentuou que a universidade não pode ficar alheia às transformações da sociedade na qual está inseida. “Ela tem como missão formar cidadãos globalmente engajados, com visão sobre os grandes problemas mundiais – profissionais bem preparados, com capacidade para solucionar problemas complexos de uma sociedade em constante transformação de maneira flexível e inovadora”, argumentou. “Obviamente essas transformações impactam o ensino e os recursos de formação possíveis para os nossos alunos e, por outro lado, também, os alunos que recebemos hoje na universidade não são iguais aos que recebíamos há vinte anos.” Segundo Schlochauer, a aprendizagem é a explicitação

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do conhecimento por meio de uma performance melhorada. “Eu demonstro aprendizado quando eu explicito fazendo algo melhor: pode ser pesquisa, pode ser crochê, pode ser um risoto”, definiu. Na sua opinião, a aprendizagem exige a figura do professor e não pode ser confundida com a simples aquisição de conteúdo, que pode ser feita na rede por qualquer usuário de internet, por exemplo. Para o pesquisador, a aprendizagem deve ser um processo realizado durante toda a vida. “Cometemos um erro quando consideramos que a aprendizagem apenas ocorre até os 25 anos de idade.” Ele citou um exemplo de ensino superior on-line oferecido nos Estados Unidos com foco no mercado de trabalho, em que o programa é montado em conjunto com executivos, que participam desde a definição dos temas até as discussões com os alunos. “É um processo totalmente on-line nas aulas e totalmente presencial nas discussões”, explicou. O pesquisador citou também o exemplo norte-americano do chamado tech higher, em que a sociedade, as empresas e as universidades se unem para analisar questões de emprego e elaborar programas nas universidades. Ele comentou ainda a respeito da questão da falta de recursos: “Dinheiro é uma parte dos recursos, mas tem outros recursos além do dinheiro que talvez sejam mais relevantes, que são o tempo dos senhores, que são o tempo dos alunos dos senhores, que são o interesse dos senhores e o desejo dos senhores e senhoras de fazer pesquisa, de estar com o aluno”, assinalou. Carolina explicou o funcionamento de sua área nessa instituição, que estimula uma interação intensa com as empresas. “O meu foco no Insper é fazer a gestão de todo o relacionamento com o mercado de trabalho, dando ênfase para a inserção de nossos alunos no mercado”, informou. Ela ressalta a preocupação de seu setor em buscar entender o que o mercado de trabalho está exigindo dos jovens para atender a suas necessidades. “Temos projetos como o ‘Resolução eficaz de problemas’, em que os alunos resolvem problemas complexos dentro das organizações”, assinalou, acrescentando que esse trabalho é realizado com material fornecido pelas empresas. “Eles passam por essa experiência no sexto semestre. Então eles ficam imersos no

mercado de trabalho, atuando em problemas reais das organizações.” Além de projetos como esse, Carolina revela que há iniciativas em que as empresas podem participar, como as chamadas atividades complementares, nas quais profissionais do mercado promovem, junto aos alunos, o aprendizado de conteúdos que os jovens não têm na sala de aula. Ela explica que há, ainda, iniciativas como feiras de ciências, mentorias – em que as organizações levam profissionais para monitorar projetos dos estudantes –, rodas de conversas e mesas redondas. Segundo a gestora, o Insper realiza uma constante pesquisa entre os próprios alunos para avaliar o curso e apresentar suas expectativas em relação a sua carreira e ao mercado. Professor da Unisinos e gestor de seus institutos tecnológicos, Silva argumentou que o ensino superior mundial vive hoje uma “tempestade perfeita”. Isso ocorre, segundo ele, por três motivos. O primeiro deles seria a crise da universidade como organização. “Nós carecemos, nas universidades, de reflexão sobre nossos propósitos: para que serve a universidade, quais os papéis, a que fim ela se destina?”, afirmou. O segundo estaria nas perspectivas futuras de emprego dos formados, diante da dinâmica do mercado. “Seguindo a legislação existente, eu elaboro um projeto de curso este ano para promoção do conselho no ano que vem, lanço o vestibular em setembro ou outubro, o aluno começa a cursar em 2020 e se forma em 2025. Se eu seguir todo o

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Empenho docente importa mais que recursos, segundo Schlochauer

Ensino superior vive ‘tempestade perfeita’, na opinião de Silva

Gladis: universidade não pode ficar alheia a problemas sociais

O aluno pede para conhecer as organizações. Ele fica sedento de saber como vai ser a sua empregabilidade, como o mercado vai aceitar a formação que ele está tendo no Insper. Ele se preocupa também com os gaps que vai ter para não enfrentar uma realidade tão chocante que ele se frustre e não consiga atingir os objetivos que o mercado tem determinado.

Carolina Fouad, gerente do Núcleo de Carreiras e do Programa Resolução Eficaz de Problemas do Insper


conceito de exponencialidade, estarei formando um excelente desempregado”, alertou. O terceiro seria o surgimento de novas tecnologias digitais de formação e comunicação, que afetam os modos tradicionais de investigar e educar. Silva também argumentou que, além da realização de ensino e pesquisa, alguns autores defendem a existência de uma terceira missão da universidade, que seria o envolvimento com a sociedade. Para ele, haveria ainda uma quarta missão, voltada para a produção de respostas a desafios sociais complexos que envolvem tanto o viés tecnológico quanto o humanista. “Como a universidade equilibra esses dois elementos dando respostas a desafios sociais complexos?”, questionou. Ele defendeu uma revisão do tradicional conceito de “tripla hélice”, formado pela interação do sistema universitário com as entidades estatais e a iniciativa privada. Para Silva, existe ainda uma quarta “hélice”: a sociedade civil, que precisa integrar o processo de inovação e desenvolvimento tecnológico. Com esse objetivo, o professor acentuou que é necessário identificar ou criar oportunidades, prestar serviços aos mercados, melhorar processos e operações, criar novos mercados, repensar os serviços e atender às necessidades sociais.

TERCEIRO DIÁLOGO: O DESAFIO DO FINANCIAMENTO O professor Carlos Antonio Luque, da FEA-USP, e a diretora-presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), Paula Maria de Jancso Fabiani, foram os responsáveis pelo terceiro diálogo, que teve como tema “Financiamento da universidade pública”. As exposições foram mediadas pelo professor Marcos Macari, reitor da Unesp entre 2005

e 2009, que iniciou os trabalhos fazendo algumas observações, baseadas em sua experiência como dirigente universitário. “Quem dá os recursos dá as regras”, assinalou ele, recordando que, como reitor, jamais recebeu de um secretário ou governador do Estado qualquer informação ou orientação sobre quais deveriam ser as prioridades do ensino superior em São Paulo. Para ele, os gestores universitários devem ter educação financeira, evitando gastar além do limite recomendado. O reitor também defendeu a formação de uma reserva financeira, a ser usada principalmente nos momentos mais difíceis. “Economize pelo menos 20% do que você recebe”, aconselhou aos presentes. E, finalmente, sugeriu uma discussão racional sobre a destinação de recursos para as universidades públicas paulistas. “Em casa que falta o pão, todos falam e ninguém tem razão”, comentou, citando o ditado popular. Apoiado em sua experiência como secretário-adjunto da Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado de São Paulo entre 1995 e 2001, Luque discorreu sobre as dificuldades enfrentadas em relação ao financiamento do ensino superior público. “As universidades públicas dependem de orçamentos públicos, que são estressados por gastos que normalmente não se consegue cortar e que levam a uma disputa entre a educação e todos os outros setores”, esclareceu. Como consequência dessa disputa, de acordo com o docente, surgiu a vinculação dos recursos para educação, de 30%. Devido à atual crise econômica, ele advertiu que existe o risco de se acabar com as vinculações – o que retiraria a garantia dos recursos para o setor educacional. Além da disputa com outras áreas, segundo Luque, a educação apresenta uma concorrência interna, porque o ensino superior “briga” com os ensinos fundamental e médio. Ele acentuou que, em 2017, a Secretaria da Educação

Para Luque, universidades e governo estadual não dialogam

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Vejo este evento como muito oportuno porque propiciará a todos, especialmente aos nossos conselheiros – que pertencem aos três colegiados centrais da Universidade; que têm o poder decisório nas mãos –, discutir o momento dentro desses temas que serão abordados. E, obviamente, aproveitando isso para criar uma maturação dentro do conhecimento e dos aspectos relativos às necessidades de mudança da nossa Unesp. Crises são interessantes desde que você consiga aproveitá-las para repensar e tomar medidas que sejam necessárias para que a instituição seja preservada e, obviamente, para que ela avance.

Marcos Macari, reitor da Unesp entre 2005 e 2009 recebeu R$ 26,9 bilhões e as três universidades públicas paulistas obtiveram R$ 8,2 bilhões, acrescentando que a rede pública tem 4 milhões de alunos, e as públicas têm cerca de 200 mil. “É difícil dizer que a educação superior é mais importante que a educação básica”, acrescentou. Luque assinalou que falta diálogo entre o trio USP, Unesp e Unicamp e o governo estadual, advertindo para o risco da ampliação de vagas pelas universidades sem a garantia de recursos que compensem esse processo. O ex-secretário levantou a possibilidade de cobrar mensalidade dos alunos mais privilegiados das três universidades. “Eu não defendo o ensino pago, porque no dia que houver cobrança de mensalidades dos alunos das três universidades, imediatamente o governo reduzirá o equivalente no financiamento que hoje ele fornece”, advertiu. Em sua intervenção, Paula Maria enfocou o funcionamento dos chamados fundos patrimoniais. Segundo a dirigente, esses fundos funcionam muito bem em países como os Estados Unidos, garantindo boa parte das atividades de universidades como Harvard. De acordo com ela, tais fundos são formados por recursos financeiros vindos, por exemplo, de doações, heranças e legados, colaborações de sócios mantenedores e patrocinadores de programas e eventos, entre outras fontes. Os valores são aplicados no mercado de

Paula Maria explicou como funcionam os fundos patrimona capitais e seu rendimento é destinado ao financiamento de instituições. Ela ressaltou que, no Brasil, há poucos fundos patrimoniais em instituições de ensino – uma exceção sendo a Escola Politécnica da USP. “A situação, porém, tende a mudar se pudermos aprovar iniciativas como a Medida Provisória 851, em discussão no Congresso Nacional”, comentou. Se entrar em vigor, a MP 851 deverá regulamentar essa área e dará segurança jurídica aos possíveis doadores. Segundo Paula Maria, as entidades da área, no país, já apresentaram sugestões como o estabelecimento de regras simples de gestão e governança dos fundos patrimoniais para os congressistas. Também foi proposto que a constituição dos fundos permita uma amplitude de campos de atuação, assim como uma amplitude de incentivos fiscais: “É importante que o incentivo

fiscal para doação seja válido para todas as causas, não só a cultura”, advertiu. “Além do incentivo fiscal, a exoneração da tributação das aplicações financeiras também se mostra recomendável para atrair recursos privados e garantir adesão à lei.”

QUARTO DIÁLOGO: ÊNFASE NA GESTÃO INOVADORA A quarta e última sessão de diálogos focalizou o tema “Modelos inovadores de gestão da universidade pública”, contando com a participação de Maria Alexandra Rios de Castro Sousa Martins, da Universidade do Porto, em Portugal, e do professor João Eduardo Ferreira, superintendente de tecnologia da informação da USP. Eles foram mediados por Alvaro Martim Guedes, assessor da Pró-Reitoria de


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Planejamento Estratégico e Gestão da Unesp. Maria Alexandra enfatizou as semelhanças entre a Unesp e a Universidade do Porto, também criada a partir da reunião de polos de ensino isolados. Ela abordou as dificuldades de funcionamento de sua universidade, geradas por essa fragmentação inicial, como a existência de áreas de recursos humanos, manutenção, apoio jurídico e informática, que funcionavam isoladamente nas várias unidades. “Havia tantos serviços na Universidade do Porto quanto escolas. Trabalhávamos todos muito sozinhos”, analisou. A situação começou a mudar com a adoção dos chamados serviços partilhados, inaugurados em 2013. Entre outras medidas, os gestores da universidade definiram os responsáveis pelas áreas que estavam dispersas. As mudanças visando a unificação dos serviços começaram pela área de recursos humanos. “Fomos conversar com todas as pessoas da universidade para trabalhar nessas áreas”, explicou. “Eu era responsável, naquela data, na área de recursos humanos, por 108 pessoas. Hoje, nesta equipe, somos 44”, detalhou Maria Alexandra, acrescentando que hoje os serviços partilhados envolvem, em seu conjunto, 177 pessoas. Ela esclareceu que o grupo foi às escolas conversar com os funcionários e compreender como faziam determinados serviços. Quando havia problemas, as duas partes buscavam decidir em conjunto as soluções a serem tomadas. A adoção desse novo modelo levou a uma

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unificação dos processos e a uma redução de pessoal em diversas atividades. Superintendente de tecnologia da informação (TI) da USP, Ferreira liderou a implementação de um novo sistema de gestão e governança na universidade, que buscava superar o que ele definiu como “fragmentite”, ou seja, uma cultura relacionada à ampla fragmentação na organização. Ele relatou que a primeira medida adotada foi estabelecer uma estrutura na qual “alguém responde por aquilo que precisa ser feito”. Segundo Ferreira, não basta transformar digitalmente uma organização. É preciso mudá-la também racionalmente. “Isso implica o uso sustentável de recursos computacionais, clareza do que precisa ser feito e, principalmente, um cronograma de atividades observado pelos diretores, pelos agentes e pelas pessoas que dividem as prioridades”, explicou. Do ponto de vista prático, ele recordou que foi necessário esclarecer dúvidas, como definir se, com a transformação digital, a folha de pagamento seria feita com o próprio pessoal da universidade ou seria adquirida fora. A resposta, segundo Ferreira, está na escala, ou seja, em verificar qual é a opção mais econômica e eficaz. Ele informou que no início do processo de mudança havia cerca de 400 colaboradores. Hoje são 240, devido à saída dos que não tinham perfil adequado às atividades necessárias. De acordo com o superintendente, o novo sistema enfrenta ainda hoje problemas como a não adaptação de

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Me pareceu um evento muito importante. É incrível conseguir por dentro de uma sala todos aqueles que são os decisores de uma universidade e conversar sobre a universidade pública e o futuro da universidade. Achei uma oportunidade incrível para poderem partilhar as ideias, para poderem tirar suas dúvidas, para poderem harmonizar a forma como pensam e evoluir mais rapidamente. Acho que foi um evento de uma coragem enorme, arrojado, mas que, com certeza, vai pertencer ao desenvolvimento da universidade.

Maria Alexandra Rios de Castro Sousa Martins, diretora de serviço de recursos humanos dos serviços partilhados da Universidade do Porto, em Portugal

muitos setores aos processos digitais, repetindo as práticas tradicionais, como a impressão desnecessária de documentos. “Na inovação da gestão em TI, precisamos nos livrar da ‘fragmentite’, dessa replicação, dessa dificuldade de visualização do processo e de acompanhamento deste. E precisamos ter clareza do problema”, destacou. “O que é difícil é fazer isso ser incorporado no dia a dia de uma superintendência de tecnologia da informação.”

Ferreira abordou implantação da tecnologia da informação na USP

Entre as autoridades presentes nos “Diálogos sobre a universidade pública” estavam Isabel Marian Hartmann de Quadros, pró-reitora de graduação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); professor José Antonio Rocha Gontijo, chefe de Gabinete da Unicamp, representando o reitor Marcelo Knobel; e Cecília de Azevedo Castro César, presidente da Comissão de Currículos e chefe do Departamento de Sistemas de Computação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Os debates tiveram transmissão direta TV Unesp e muitos internautas enviaram suas perguntas aos debatedores.

Diálogo sobre modelos inovadores de gestão da universidade pública foi mediado pelo professor Álvaro Martim Guedes (centro)


Gente

Professor emérito e ex-diretor do Ibilce recebem homenagem

Docente é eleito para comitê do CNPq Jorge Marinho

fisiologia, além do reconhecimento pessoal, indubitavelmente, coloca nossa instituição em destaque, haja visto que pela primeira vez teremos um representante docente pesquisador da Unesp nesse comitê do CNPq”, afirma Colombari. O professor é formado em Odontologia pela Unesp de Araraquara (1990), tem doutorado em Ciências (Fisiologia Geral) pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (1995), e doutorado sanduíche na University of Iowa (1995), nos EUA. Em 2011 tornou-se professor titular da Unesp. De 1994 a 2011, foi professor da Unifesp/EPM, além de professor visitante da Universidade de Bristol, Inglaterra, entre 2007 e 2009.

Colombari também é coordenador e pesquisador principal de projetos temáticos Fapesp e CNPq. Este ano, foi eleito presidente da Sociedade Brasileira de Fisiologia (SBFis) para o período 2019-2020. Jorge Marinho

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professor Eduardo Colombari, do Departamento de Fisiologia e Patologia da Faculdade de Odontologia da Unesp, câmpus de Araraquara, foi escolhido por pesquisadores de todo o país para integrar o Comitê de Assessoramento de Biofísica, Bioquímica, Farmacologia, Fisiologia e Neurociências (CA-BF) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele terá um mandato de três anos, prestando assessoria na formulação de políticas e na avaliação de projetos e programas, além de analisando solicitações de bolsas e auxílios. “Essa indicação para o comitê assessor de bioquímica, biofísica, farmacologia e

condição de eternos aprendizes”, disse a aluna Vera Rezende, ex-orientanda do professor. A professora Lúcia Granja, do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários, ressaltou os esforços de Antônio Manuel para consolidar os cursos de graduação de seu departamento e da pós-graduação em Letras. “O senhor representa, para nós, um pesquisador incansável, perspicaz, um professor generoso, incentivador e um colega gentil”, expressou a docente. Em seu discurso de agradecimento, o professor Antônio Manuel relembrou sua trajetória de vida até chegar na Unesp, citando suas conquistas pessoais e profissionais. O segundo homenageado, o professor Ruggiero, destacou em seu discurso sua gratidão pela oportunidade de administrar o Instituto de 2011 a 2015. “Gostaria de agradecer à professora Tercília, ao professor Geraldo, a todos que compareceram neste ato e aos colegas do Instituto, que acompanharam a minha história aqui”, disse. A diretora do Instituto citou, ainda, diversas atividades implantadas pelo professor Ruggiero em sua gestão, durante a qual foi vice-diretora. “Posso afirmar que aprendi muito com o professor Ruggiero e ressaltar, com firmeza, que esses quatro anos de atuação na vice-direção foram intensos e me trouxeram uma grande experiência pessoal e profissional”, declarou Maria Tercília. O professor Ruggiero foi convidado pelo atual reitor da Unesp, professor Sandro Valentini, para compor a equipe da Reitoria, na qual trabalha como chefe da Assessoria de Planejamento Estratégico e Gestão.

Segundo Colombari, indicação também coloca Unesp em destaque

Portal Alumni Unesp alcança mais de 10 mil usuários cadastrados

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Nathalia Gonfinete Da esq. para a dir: Geraldo Nunes Silva, vice-diretor do Ibilce, Maria Tercília, diretora, Antônio Manoel e Ruggiero

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m pouco mais de quatro meses de funcionamento, o Portal Alumni Unesp já registrava, no final de novembro, cerca de 10.500 ex-alunos cadastrados, localizados em cinco continentes. A plataforma, lançada em 23 de julho, foi desenvolvida exclusivamente para atender às demandas dos ex-alunos da Unesp – tanto da graduação como da pós-graduação. Ainda no final de novembro, foi concluída a integração da plataforma com o SisPG, o banco de dados dos alunos de pós-graduação da Unesp. Isso permitiu o disparo de 67 mil e-mails para esses egressos, o que tornará possível a construção de um mapa sobre sua inserção social e facilitará o trabalho dos coordenadores da área no preenchimento de dados na Plataforma Sucupira, da Capes. Um dos diferenciais do Portal Alumni Unesp é a “Reconexão”, ferramenta que conecta os ex-alunos da Universidade entre si. O recurso funciona como uma “rede social” dentro do Portal, na qual se pode reencontrar colegas de turma e criar novos laços com os ex-unespianos. Outra preocupação do Alumni Unesp foi a divulgação

de vagas de emprego. A aba “Oportunidade” busca atender a duas possíveis demandas dessa rede: a contratação de profissionais formados pela Unesp e a facilitação da busca de trabalho. Com essa ferramenta, os ex-alunos que possuem um negócio próprio ou são das áreas de recursos humanos podem divulgar vagas de empresas através do preenchimento de um formulário da página. Empresas e demais interessados também podem oferecer oportunidades de

trabalho para os ex-alunos da Universidade. Outras vantagens do Portal Alumni Unesp são o acesso à biblioteca on-line da instituição, a solicitação de documentos on-line e a oportunidade de conhecer as principais notícias da Unesp para os egressos.

Acesse o Portal em https://alumni.unesp.br/

Freepik

F

oi realizada, no dia 29 de outubro, no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), Câmpus da Unesp de São José do Rio Preto, a abertura das fotografias do professor emérito Antônio Manoel dos Santos Silva, com título concedido no dia 7 de dezembro de 2017, e do professor José Roberto Ruggiero, diretor do Ibilce de 2011 a 2015. O ato, presidido pela diretora do Instituto, Maria Tercília Vilela de Azeredo Oliveira, contou com a presença de docentes, servidores técnico-administrativos e acadêmicos, além de amigos e familiares dos homenageados. A professora Maria Celeste Tommasello Ramos, do Departamento de Letras Modernas do Ibilce, ressaltou o árduo trabalho de Antônio Manoel. “O título que ele recebeu foi um reconhecimento público da inestimável contribuição legada à nossa instituição no campo da pesquisa, do ensino e da gestão, desde 1967, que foi o ano de seu ingresso nesta Universidade”, disse. O professor Peter James Harris, chefe do Departamento de Letras Modernas, por sua vez, relembrou a criação do Centro de Línguas, idealizado pelo professor emérito e que vem se tornando realidade em diversos câmpus da Unesp. “Além da colocação de sua fotografia aqui na sala da Congregação, o Departamento de Letras Modernas gostaria de deixar registrada a sua gratidão pelo acolhimento e apoio que o professor deu a todos nós”, expressou Harris. “Antônio Manuel é o tipo de professor diante do qual a gente se coloca prazerosamente na

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Plataforma também estimula ex-alunos a se conectarem entre si


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Alunos

Evento sul-americano destaca alunos da Unesp Preto da Unesp, premiado na área de química com o pôster apresentando o trabalho “Monitoramento do consumo de oxigênio mitocondrial: sensor quimioresistor para oxigênio dissolvido baseado em nanocompósito de azo polímero-grafeno”. Já Natália Noronha Ferreira, doutoranda da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) de Araraquara foi destacada na categoria Saúde Humana, com a apresentação oral do trabalho “Estratégias associadas como uma nova perspectiva no combate a células tumorais”. Mestranda do Instituto de Artes, Paloma Sofia Bazán Aparício venceu na categoria História, Regiões e Fronteiras com a apresentação oral do trabalho “O método paleo-semiótico no estudo da escultura e cerâmica dos índios Kadiwéu”.

Completaram a delegação da Unesp os alunos Aressa Joel Muniz ( Jornalismo, Bauru), Beatriz Lívero Carvalho (Engenharia Agronômica, Dracena), Edson Luis Rezende Junior (Educação, Presidente Prudente), Gilmar da Silveira Sousa Junior (Agronomia, Jaboticabal), Igor Bastos (Engenharia Mecânica, Bauru), João Bloch, (Turismo, Rosana), Luiz Gustavo Santana Campos (Relações Internacionais, Franca), Rodrigo Barbosa de Paulo (Ciência da Informação, Marília) e Yasmim Silva Viana (Zootecnia, Botucatu). Dois professores também participaram como avaliadores de trabalhos apresentados: Agnelo Cassula, da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, e Carlos Grandini, da Faculdade de Ciências de Bauru.

Equipe integra simulação de reunião da ONU a delegação da Coreia do Sul. “Eles puderam discutir a posição da Coreia do Sul dentro desses impasses de populações nativas, de questões de gênero, de transexualidade – esses novos movimentos de direitos humanos que têm sido alvo de conflitos entre os Estados”, enfatiza Romero. Lívia assinala a importância de simular uma reunião da ONU discutindo direitos humanos e seus defensores com alunos de RI e de direito de todo o país. “A simulação contou com a presença de ativistas indígenas

Graduanda conquista prêmio de Paleontologia

e trans, uma participação real: eles estavam realmente contando como era a experiência deles e defendendo seus interesses, e isso foi algo foi muito impactante pra gente”, destaca. Uma série de podcasts foi produzida sobre o assunto, com entrevistas com o professor e os est,udantes: https://bit.ly/2E3V8FV https://bit.ly/2QxYfMZ https://bit.ly/2BSgzIj https://bit.ly/2StaFTy Divulgação

U

ma equipe de quatro alunos do curso de graduação em Relações Internacionais da Unesp em Franca participou da III Simulação do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, promovida pela ONU Brasil no dia 19 de outubro, na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/ OMS), em Brasília. A temática do evento foi “A violação dos direitos humanos contra os seus defensores”. A atividade comemorou os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Formado por Izabela Baitelo, Vinicíus Belloto, Lívia Baesso de Almeida e Lucas Otanari, o grupo teve a orientação do professor Thiago Romero, do curso de RI de Franca, e foi um dos 15 selecionados pela ONU, entre candidatos de diversas universidades do país. A seleção envolveu a avaliação de dossiês elaborados pelas equipes sobre a questão da violência contra os defensores dos direitos humanos. Na simulação, por meio de sorteio, os alunos da Unesp ficaram responsáveis por representar

O grupo debateu violações contra defensores de direitos

Universidade teve 12 alunos selecionados para evento em Mendoza

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studante do curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências, câmpus da Unesp de Bauru, Yasmin de Souza Oliveira, conquistou o prêmio Paleolesma no IV Simpósio Brasileiro de Paleoinvertebrados, ocorrido entre os dias 8 e 10 de outubro na cidade do Rio de Janeiro. Yasmin foi contemplada na categoria de melhor apresentação de aluno de graduação, com o trabalho “Classificação de discinídeos (Devoniano médio), da bacia do Parnaíba no estado de Tocantins”, realizado em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná. O trabalho integra a pesquisa de iniciação científica da estudante, que é orientada pelo professor Renato Pirani Ghilardi, paleontólogo. Nesse estudo, Yasmin promoveu a análise taxonômica de um grupo de discinídeos – moluscos braquiópodes inarticulados que vivem no solo marinho – que viveu no período Devoniano médio, há cerca de 380 milhões e 390 milhões de anos. “O prêmio foi muito gratificante, porque os discinídeos representam uma

área de estudo ainda pouco explorada e a classificação desse grupo de animais exigiu um trabalho árduo”, explica a estudante. O prêmio Paleolesma é dado àqueles alunos que notoriamente contribuem e têm possibilidades reais de, no futuro, contribuir de forma efetiva para a paleontologia nacional. Em sua pesquisa, a aluna trabalhou com fósseis coletados pelo professor Ghilardi no estado de Tocantins. No final de novembro, Yasmin apresentou uma versão mais aprofundada de seu trabalho no evento Paleo SP 2018, ocorrido na Unicamp. Divulgação

A

Unesp teve 12 alunos selecionados para a 26ª edição da Jornadas Jovenes Investigadores, organizada pela Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM) entre os dias 17 e 19 de outubro, na Argentina. O grupo reúne 36 universidades de Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. Entre os trabalhos apresentados, três foram premiados. O encontro foi realizado na Universidad Nacional de Cuyo, na cidade de Mendoza, na Argentina. Ao todo, mais de 600 trabalhos foram apresentados nas áreas de Ciências da Vida, Ciências Exatas e Humanidades. Um dos três vencedores foi André Olean Oliveira, mestrando do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), do câmpus São José do Rio

Divulgação

Três trabalhos são premiados em encontro promovido na Argentina pela Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM)

Yasmin e seu pôster no simpósio


Geral

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Evento promove encontro de pesquisadores da Unesp e empresas Marcos Jorge e Roberto Rodrigues

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ais acostumados ao cotidiano na bancada dos laboratórios, pesquisadores da Unesp viveram nos dias 24 e 25 de outubro uma experiência diferente: a de apresentar o produto de seus projetos de pesquisa para análise de empresas de diferentes setores. A rodada de negócios, como é conhecida essa dinâmica de encontros entre pesquisadores e empresas, aconteceu durante o Inova Campinas. O evento foi articulado pela Agência Unesp de Inovação (AUIN). Rita Costoya, gerente de transferência de tecnologia da AUIN, explica que, para o evento, a agência selecionou 15 tecnologias nas áreas agro, saúde, alimentícia, entre outras. Ela ressalta que a equipe da AUIN orientou os professores a dar uma explicação de cunho mais comercial do que técnico para os empresários e também a tentar fortalecer o contato com a empresa: “A ideia é que após a rodada de negócios a gente consiga fazer um follow up com a empresa, entender o perfil

dela, se essa tecnologia faz sentido para essa organização – e se não fizer sentido, a gente poder trazer outras oportunidades para a empresa e iniciar uma relação com ela”, detalha. Rafael Turra Alarcon, que é doutorando do Programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Materiais (POSMAT) e atua no Laboratório de Análise Térmica e Polímeros da Unesp de Bauru, desenvolveu duas tecnologias: um impermeabilizante antifúngico de alto brilho e secagem rápida e um adesivo acrílico dupla face. Presente pela primeira vez em um evento com esse perfil, ele comenta que o pesquisador costuma ficar preso apenas a questões técnicas, como o andamento da pesquisa no laboratório. “Mas a gente não tem essa visão sobre a indústria, como aplicar isso nela, quais são os fatores necessários.” TINDER TECNOLÓGICO O Inova Campinas é o maior evento de empreendedorismo e inovação do interior. Segundo Newton Frateschi, diretor-executivo do evento, a rodada

GOVERNADOR: Márcio França SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO SECRETÁRIO: Jânio Francisco Benith

de negócios é resultado de uma coleta de dados sobre 1.500 tecnologias de universidades promovida pela Rede Inova São Paulo. “A rodada de negócios faz um casamento a partir de um sistema de machine learning, que eu chamo de ‘Tinder tecnológico’, dessas 1.500 tecnologias com 500 empresas, e nós selecionamos as 200 que deram melhor casamento e que fazem essa rodada de negócios aqui”, esclarece. Pós-doutorando em Microbiologia Aplicada no Departamento de Tecnologia da Unesp de Jaboticabal, Silas Fernandes Eto desenvolveu um mecanismo para detectar múltiplas doenças ou moléculas biológicas e não biológicas de forma rápida e com baixo custo. “Nossa tecnologia abrange a questão da saúde animal e tivemos empresas da área de saúde humana que tiveram interesse na questão de aplicação dessa tecnologia para a área humana”, destaca. “Então, foi um retorno interessante, foi uma abertura interessante.”

REITOR: Sandro Roberto Valentini VICE-REITOR: Sergio Roberto Nobre PRÓ-REITOR DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E GESTÃO: Leonardo

Theodoro Büll PRÓ-REITORA DE GRADUAÇÃO: Gladis Massini-Cagliari PRÓ-REITOR DE PÓS-GRADUAÇÃO: João Lima Sant’Anna Neto PRÓ-REITORA DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA:

Cleopatra da Silva Planeta PRÓ-REITOR DE PESQUISA: Carlos Frederico de Oliveira Graeff SECRETÁRIO-GERAL: Arnaldo Cortina CHEFE DE GABINETE: Carlos Eduardo Vergani ASSESSOR-CHEFE DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO E IMPRENSA : Fabio Mazzitelli de Almeida ASSESSOR-CHEFE DA ASSESSORIA DE INFORMÁTICA :

Ney Lemke ASSESSOR-CHEFE DA ASSESSORIA JURÍDICA :

Edson César dos Santos Cabral ASSESSOR-CHEFE DE PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO:

José Roberto Ruggiero ASSESSOR-CHEFE DE RELAÇÕES EXTERNAS:

José Celso Freire Júnior ASSESSOR ESPECIAL DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO:

Rogério Luiz Buccelli DIRETORES/COORDENADORES-EXECUTIVOS DAS UNIDADES UNIVERSITÁRIAS:

Wilson Roberto Poi (FO-Araçatuba), Iveraldo dos Santos Dutra (FMV-Araçatuba), Luis Vitor Silva do Sacramento (FCF-Araraquara), Elaine Maria Sgavioli Massucato (FOAraraquara), Cláudio César de Paiva (FCL-Araraquara), Eduardo Maffud Cilli (IQ-Araraquara), Andréa Lúcia Dorini de Oliveira (FCL-Assis), Marcelo Carbone Carneiro (FAAC-Bauru), Jair Lopes Junior (FC-Bauru), Luttgardes de Oliveira Neto (FE-Bauru), Carlos Frederico Wilcken (FCA-Botucatu), Pasqual Barretti (FM-Botucatu), Maria Dalva Cesario (IB-Botucatu), José Paes de Almeida Nogueira Pinto (FMVZ-Botucatu), Paulo Alexandre Monteiro de Figueiredo (FCAT-Dracena), Murilo Gaspardo (FCHS-Franca), Mauro Hugo Mathias (FE-Guaratinguetá), Enes Furlani Junior (FE-Ilha Solteira), Antonio Francisco Savi (Itapeva), Pedro Luís da Costa Aguiar Alves (FCAV-Jaboticabal), Marcelo Tavella Navega (FFC-Marília), Edson Luís Piroli (Ourinhos), Rogério Eduardo Garcia (FCT-Presidente Prudente), Patrícia Gleydes Morgante (Registro), Cláudio José Von Zuben (IB-Rio Claro), José Alexandre de Jesus Perinotto (IGCE-Rio Claro), Guilherme Henrique Barris de Souza (Rosana), Maria Tercília Vilela de Azeredo Oliveira (Ibilce-São José do Rio Preto), Estevão Tomomitsu Kimpara (ICT-São José dos Campos), Valerie Ann Albright (IA-São Paulo), Marcelo Takeshi Yamashita (IFT-São Paulo), Marcos Antonio de Oliveira (IB/CLP-São Vicente), Eduardo Paciência Godoy (ICT-Sorocaba) e Danilo Fiorentino Pereira (FCE-Tupã).

Papos de Física e Ciência em Diálogo dão adeus a 2018 e se preparam para 2019 Malena Stariolo Realizado graças à parceria entre o Instituto Moreira Salles e o ICTP-SAIFR, o Ciência em Diálogo promove o encontro entre um físico e um não físico para colocar suas ideias em contraste, junto com o público e com a moderação de Rogerio Rosenfeld (ICTP-SAIFR/IFT-Unesp). Em seu primeiro ano, foram realizados oito encontros, com os temas Música e Som, Fotografia Espacial, Ficção Científica, Noção de Beleza, Gênese, Tempo e Luz e Matéria. O campo da física foi representado por nomes como

Nathan Berkovits, Luis Raul Abramo, Aline Ramires, Pedro Vieira e Rodrigo Nemmen. Já a esfera das artes teve como representantes Flo Menezes, Betty Mindlin, Laerte Ramos, Cristina Bonfiglioli, Antônio Xerxenesky, Sônia Salzstein e John Boudler. A temporada de apresentações desses dois projetos acabou, mas os arranjos para sua retomada, em março de 2019, já estão sendo feitos. Você pode se manter atualizado sobre os próximos programas por meio do site http://outreach.ictp-saifr.org/.

EDITOR: André Louzas REDAÇÃO: Fabio Mazzitelli, Marcos Jorge e Jorge Marinho REVISÃO: André Dallacorte e Gilvandro M. Monteiro | Tikinet

COLABORARAM NESTA EDIÇÃO: : Malena Stariolo e Ricardo Aguiar (texto); Nathalia Gonfinete e Roberto Rodrigues (foto) DIAGRAMAÇÃO: Natalia Bae | Tikinet APOIO ADMINISTRATIVO: Thiago Henrique Lúcio Este jornal, órgão da Reitoria da Unesp, é elaborado mensalmente pela Assessoria de Comunicação e Imprensa (ACI). A reprodução de artigos, reportagens ou notícias é permitida, desde que citada a fonte.

Divulgação

No mês de novembro foram realizadas as últimas edições de 2018 do Papos de Física e do Ciência em Diálogo: Física e Arte. Organizados pelo ICTP-SAIFR, centro associado ao IFT-Unesp, os eventos buscam aproximar a física do público através de diferentes abordagens. O primeiro tem como palco a descontração e o cenário retrô do bar Tubaína, enquanto o segundo conta com o ambiente sossegado e instigante do Instituto Moreira Salles – ambos na capital paulista. Desde março houve oito apresentações do Papos de Física, que exploraram os mais diversos assuntos e suscitaram calorosas discussões na primeira noite de quinta-feira de cada mês. Foi possível descobrir um pouco mais sobre os paradoxos da teoria quântica, matéria escura, videogames, simetrias e escalas, o bojo da nossa galáxia e água. Além disso, o Papos de Física também foi presença confirmada no evento Pint of Science durante o mês de maio: três dias de debates com duas palestras por dia.

Nathan Berkovits (centro), numa apresentação do Papos de Física

ENDEREÇO: Rua Quirino de Andrade, 215, 4.º andar, Centro, CEP 01049-010, São Paulo, SP. Telefone: (11) 5627-0323. HOME PAGE: http://www.unesp.br/jornal E-MAIL: jornalunesp@reitoria.unesp.br

VEÍCULOS Unesp Agência de Notícias: <http://unan.unesp.br/>. Rádio Unesp: <http://www.radio.unesp.br/>. TV Unesp: <http://www.tv.unesp.br/>.


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Editoração

Programa de Edição de Textos de Docentes divulga aprovados Projeto da Editora Unesp com Pró-Reitoria de Pós-Graduação lançará 10 títulos em 2019 Editora Unesp

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é feita pelos Conselhos de Programas de Pós-Graduação da Unesp, neste programa o processo de seleção segue os mesmos trâmites dos livros publicados regularmente pela Editora Unesp. Os originais são enviados para um ou mais pareceristas, que encaminham sua avaliação para o Conselho Editorial Acadêmico da Editora Unesp para classificação final. Desde 2012 as obras são oferecidas somente em formato digital. Os downloads são gratuitos e feitos pelo endereço http:// www.editora.unesp.br. Os livros também poderão ser impressos, mas apenas sob demanda. Freepik

Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PROPG) e a Fundação Editora da Unesp (FEU) anunciaram os dez títulos aprovados no Programa de Edição de Textos de Docentes da Unesp em 2018 que serão lançados em 2019. Com várias obras publicadas, das quais duas já receberam o Prêmio Jabuti, o programa divulga textos de professores de humanas, biológicas e exatas. Diferentemente dos títulos publicados pelo selo Cultura Acadêmica, cuja seleção dos trabalhos de docentes, pós-graduandos e pós-graduados

VEJA OS CONTEMPLADOS NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO EDITAL: CIÊNCIAS AGRÁRIAS • Expansão e mudanças tecnológicas no agronegócio canavieiro: impactos na estrutura fundiária e na ocupação agropecuária no Estado de São Paulo José Giacomo Baccarin | FCAV – Jaboticabal FARMÁCIA • Promoção da cultura de notificação de incidentes em saúde Patricia de Carvalho Mastroianni; Fabiana Rossi Varallo; Celsa Raquel Villaverde Melgarejo | FCF – Araraquara EDUCAÇÃO • Biopolítica, deficiência e educação: outros olhares sobre a inclusão escolar Pedro Angelo Pagni | FFC – Marília

GEOGRAFIA • Geografia e anarquismo: a importância do pensamento de Piotr Kropotkin para a ciência Amir El Hakim de Paula | Câmpus Experimental de Ourinhos DIREITO PÚBLICO • Dar à luz na sombra: condições atuais e possibilidades futuras para o exercício da maternidade Ana Gabriela M. Braga; Bruna S. Angotti Batista de Andrade | FCHS – Franca COMUNICAÇÃO SOCIAL • Aplicativos de notícias, destacamento e efeitos de sentido: representações internacionais sobre o Brasil Érika de Moraes | FAAC – Bauru

DIDÁTICA • Alfabetização escolar no Brasil: uma história concisa Maria do Rosário Longo Mortatti | FFC – Marília MATEMÁTICA • Teoria básica de análise complexa Suzete Maria Silva Afonso; Marcos Afonso da Silva | IGCE – Rio Claro LITERATURA • A literatura juvenil na escola Benedito Antunes | FCL – Assis LETRAS MODERNAS Leituras e releituras românticas: José de Espronceda e Álvares de Azevedo Maira Angélica Pandolfi | FCL – Assis

Unesp lança novos livros da coleção Cultura Acadêmica

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o dia 13 de novembro, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unesp e a Fundação Editora da Unesp (FEU) lançaram 14 livros digitais nas áreas de Ciências Humanas, Ciências Sociais e Aplicadas e Linguística, Letras e Artes, com acesso totalmente gratuito. O Programa de Publicações Digitais foi criado em 2009 com trabalhos de docentes, pós-graduandos e pós-graduados selecionados pelos Conselhos de Programas de Pós-Graduação da Unesp. As obras escolhidas são editadas pelo selo Cultura Acadêmica da Fundação Editora da Unesp. Os novos 14 títulos já estão disponíveis na internet no formato Creative Commons no site www.culturaacademica. com.br. O Programa de Publicações Digitais da Unesp é o maior projeto de difusão de publicações de uma universidade brasileira e único no sentido de conceber a publicação original de obras em formato digital. Com os novos livros, a coleção totaliza mais de 300 títulos e mais de 20 milhões de downloads.

Freepik

Parceria com Editora Unesp oferece mais de 300 obras em formato digital CONFIRMA A RELAÇÃO DE LANÇAMENTOS: ARQUITETURA E DIREITO URBANISMO • Trocando em miúdos: narra• Os bens ferroviários nos tombativas brasileiras em torno da mentos do Estado de São Paulo criminologia (1969-1984) Paula Pereira Gonçalves Ewerton Henrique de Moraes | Alves | FCHS – Franca FAAC – Bauru ARTES • Um encontro com a mediação cultural: 40 museus em 40 semanas Priscila Leonel de Medeiros Pereira | IA – São Paulo

EDUCAÇÃO • Sutilezas da naturalização/ reconhecimento da violência - violências na família, violências em espaço escolar Marilda da Silva e Adriele Gonçalves da Silva | IB – Rio Claro

CIÊNCIAS SOCIAIS • Competência informacional e o uso ético na produção científica • Dança e desenvolvimento de crianças com síndrome de Ana Paula Meneses Alves | Down: uma experiência de FFC – Marília inclusão  • Sociedade do risco, novas Ariana Aparecida Nascimento formas de violência e os dilemas dos Santos e Irineu Aliprando da cidadania: uma comparação Tuim Viotto Filho | FCT – entre Brasil e Estados Unidos Presidente Prudente Ana Paula Silva | FCL – Araraquara • Violações de direitos e violência intrafamiliar em três • Questão socioambiental e suas inter-relações com o Serviço gerações: estudo de caso  Social Maria Cleonice Pereira e Tatiane Pereira da Silva | Márcia Cristina Argenti Perez | FCHS – Franca FC – Marília

EDUCAÇÃO FÍSICA • A perspectiva de cicloativistas da cidade de São Paulo Leandro Dri Manfiolete e Rodolfo Franco Puttini | IB – Rio Claro LETRAS • A história segundo Xenofonte: historiografia e usos do passado Emerson Cerdas | FCL – Araraquara • Inter-relações de estilo, gênero, modalidade e norma na variação da posição de clíticos pronominais Caroline Carnielli Biazolli | FCL – Araraquara LITERATURA • Seres performáticos na civilização do espetáculo: uma leitura de Rubem Fonseca, Sérgio Sant’Anna, Luiz Vilela e Marcelino Freire Vânia Lúcia Bettazza | FCL – Assis RELAÇÕES INTERNACIONAIS • A política brasileira de exportação de armas (2003-2014) David Almstadter Mattar de Magalhães | RI – São Paulo

SOBRE O CULTURA ACADÊMICA O selo Cultura Acadêmica é o segundo criado pela Fundação Editora Unesp e atende a múltiplas demandas editoriais da Unesp. Com a ampliação do número de títulos editados pelo selo, a Fundação Editora da Unesp abre novas oportunidades de publicação num momento em que a pesquisa acadêmica e sua divulgação são cada vez mais necessárias.

Profile for Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp ACI

Jornal Unesp - Número 349 - novembro 2018  

Jornal produzido pela Assessoria de Comunicação e Imprensa da Universidade Estadual Paulista - "Júlio de Mesquita Filho"

Jornal Unesp - Número 349 - novembro 2018  

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