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Vice-primeiraPesquisadores Unesp é 1.ª -ministra chinesa 7 de oito países colocada nas 16 12 faz visita ao Instituto discutem temas para Américas do Sul e Central Confúcio na Unesp

promover paz mundial

em ranking da Nature

FESTA PARA UMA HISTÓRIA SINGULAR

Em 40 anos de existência, a Unesp tornou-se um modelo de instituição multicâmpus, integrada a todas as regiões do Estado de São Paulo e respeitada no Brasil e no exterior. Esta edição traz o evento que comemorou o aniversário da Universidade, além de reflexões e depoimentos de reitores, docentes, funcionários técnico-administrativos, egressos e autoridades sobre uma trajetória marcada por desafios e avanços. páginas 2, 4, 8, 9, 10 e 11

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Estudo relaciona espécies de anfíbios nos Campos Naturais da Mata Atlântica

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Levantamento aponta expansão de patentes na Universidade nas últimas décadas

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Centro apresenta trabalhos em evento de Física de Altas Energias nos EUA

Contato com a comunidade

Candidatos a reitor e vice-reitor respondem a perguntas de docentes, funcionários e alunos

Paulo Lopes

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA • ANO XXXII • NÚMERO 325 • SETEMBRO 2016


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Setembro 2016

Artigo

Os 40 anos da Unesp

Discurso proferido na cerimônia de comemoração do aniversário da Universidade Julio Cezar Durigan Chello Fotógrafo

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Lei 952/76, de 30 de janeiro de 1976, promulgada pelo governo do Estado de São Paulo, criou a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Unesp, pela junção de 14 Institutos Isolados de Ensino Superior já existentes no Estado, desde fins da década de 1950 e meados da década de 1960, situados em diferentes regiões do interior paulista. Dessa forma, estava lançado um novo modelo de universidade pública paulista, descentralizado e multicâmpus. A sua autonomia foi estabelecida pelo governo do Estado de São Paulo a partir da promulgação do Decreto n.° 29.598, de fevereiro de 1989, juntamente com a USP e a Unicamp, e envolveu além dos aspectos didáticos, científicos e disciplinares, que já tinham, os ligados à gestão financeira e orçamentária. As ideias e seus contrapostos, características marcantes de uma universidade pública como a Unesp, foram resguardados por uma das suas maiores riquezas: a sua autonomia, ou seja, a liberdade de fazer opções e tomar decisões. Uma universidade é autônoma não quando se solta do Estado ou da sociedade, mas quando incorpora a si como questões suas as demandas, expectativas e pressões da sociedade e do Estado, sem ser tolhida por elas, mas, ao contrário, sabendo valer-se delas para se afirmar como instituição. Não se trata, portanto, nem de autossuficiência e nem de fechamento, mas de uma radical e específica forma de se abrir para o exterior. Trata-se de propor modificações benéficas para a sociedade, ao mesmo tempo em que se aceitam as suas boas influências, num salutar processo de retroalimentação constante. Face à sua característica de descentralização, a Unesp tem significativa interação com as regiões onde seus 24 câmpus estão inseridos, tanto de ordem técnica e econômica, quanto social, cultural, intelectual e política. Nesses 40 anos de profícuo trabalho de suas 34 faculdades para a formação das pessoas e a produção, articulação e difusão do conhecimento, a Unesp saiu de 49 para 183 opções de cursos de graduação, todos muito bem conceituados pelas diferentes formas de avaliação existentes no país. São mais de 60 profissões com cerca de 6 mil novos profissionais por ano. De apenas um curso de pós-graduação em 1976 para 255 programas, que constam de 124 mestrados e 112 doutorados acadêmicos, além de 19 mestrados profissionais, caracterizando-se como a segunda do país em número de programas. O número de teses de doutorado (1.125) produzidas por ano, por exemplo, iguala-se e é até superior ao de grandes universidades americanas e europeias. O número de inscritos no vestibular passou de

Unesp é uma instituição eminentemente social, cuja razão de ser é reconhecida e legitimada 9.700 para 109.713, pois o número de vagas oferecidas aumentou de 2.800 para 7.620. O número de alunos de graduação e pós-graduação aumentou de 11.035 para 53.884 nesse tempo de vida. Somam-se a eles outros 12 mil em cursos oferecidos a distância, de especialização e de línguas (mandarim – 2.000 alunos no Instituto Confúcio). A Unesp gerencia, anualmente, cerca de 1.300 projetos de extensão nas mais variadas frentes, desde cooperativas de catadores de lixo reciclável em várias regiões do Estado, até o ensino de música para crianças carentes na cidade de São Paulo, passando pela proteção de mananciais e o reaproveitamento de resíduos das construções. A Unesp possui, ainda, sete unidades complementares que pesquisam em áreas específicas, relacionadas a aquicultura, ambiente, animais peçonhentos, tecnologia de produção de culturas populares como a mandioca, meteorologia, comunicação e física. Novas frentes em novos institutos se apresentam fortes, voltadas ao petróleo (pré-sal), a estudos do mar, biotecnologia, biodiversidade e bioenergia. A área total da Unesp é de 63 milhões de m2, com construções em 950 mil m2, 2 mil laboratórios de ensino e pesquisa e 30 bibliotecas (com cerca de 3,5 milhões de livros e 40 mil títulos de periódicos), 5 fazendas de ensino e pesquisa, 3 hospitais veterinários e atendimento odontológico em 3 câmpus, um Centro de Oncologia Bucal (COB) e um Centro de Assistência Odontológica a Excepcionais (CAOE). O Centro de Estudos da Educação e da Saúde (CEES) desenvolve pesquisa, forma profissionais e atende à população nas áreas de fonoaudiologia e fisioterapia. O Centro de Aquicultura desenvolve a pesquisa em piscicultura. O Centro Jurídico Social atende à população carente em suas demandas; a área médica da FM-Botucatu responde

pela administração de quatro hospitais de grande relevância no Estado, além do existente em Botucatu. A Unesp é a grande parceira do Estado e do município de São Paulo em programas importantes para a complementação e a melhoria na formação de professores, com cursos de graduação (Univesp) e de especialização (Redefor), além do aprimoramento para o ensino de alunos com deficiências. Há vários anos, seus alunos e professores oferecem, voluntariamente, curso pré-vestibular para aproximadamente 6 mil jovens carentes, provenientes de escolas públicas de ensino médio, sem custo para o aluno e com toda infraestrutura de materiais e recursos didáticos, o que tem possibilitado o ingresso de cerca de 1.600 deles em universidades públicas e privadas de todo o país, a cada ano. No âmbito internacional, a Unesp passou de desconhecida para muito respeitada, pois é a 1ª Iberoamericana na classificação do Nature Index – Ciências Naturais, em 2016. Em algumas áreas, como as de Veterinária e Odontologia, ela aparece nas posições 46 e 25 no Índice do QS que avalia 42 áreas da ciência no mundo. No ranking Scimago base Scopus, que considera a produção científica e o reconhecimento pela comunidade, ela se situa na posição global 162 e 3ª na América Latina, num total de 1.800 principais universidades do mundo. A nossa Universidade busca sempre os caminhos para complementar a educação superior que apenas provê o país de pessoas com competências técnicas sólidas, buscando também a formação de cidadãos éticos comprometidos com a construção da paz, da defesa aos direitos humanos e aos valores da democracia plena. A Unesp é uma instituição eminentemente social, cuja razão de ser é publicamente reconhecida e legitimada, na medida em

que se reporta o tempo todo à sociedade e ao Estado, à cultura, à política e à economia. Tudo o que é humano lhe interessa e diz respeito, tudo o que há de mais típico nas épocas históricas e nas estruturas sociais reverbera em seu interior, dando a ela uma existência dinâmica e socialmente referenciada. Seus movimentos como instituição seguem as demandas e expectativas da sociedade, ainda que não se submeta passivamente a ela. Sustentada pelos princípios da autonomia do saber, da liberdade de expressão e da reflexão desinteressada, a Unesp é uma instituição que se põe, diante do mundo, como sujeito simultaneamente ativo e reativo. Absorve demandas e expectativas sociais variadas, às quais responde, mas ao mesmo tempo age para propor pautas e agendas, contribuir para a construção da autoconsciência social, alargar fronteiras culturais e submeter à crítica tanto a realidade como as estruturas sociais e as relações de dominação. Na nossa universidade, engana-se quem acha que a solução está na apresentação de fórmulas ou receitas prontas. Por outro lado, não devem achar que não tem importância a objetivação e o foco em assuntos relacionados à especificidade e adequação. Fazer ciência não pode se reduzir a uma prática puramente instrumental, pragmática, vazia de aventura, risco e fantasia. Por outro lado, não pode se resumir a sonhos e devaneios, que se esqueçam da melhoria de vida das pessoas, o que pode ser obtido pela criatividade, pela inovação e pelo esforço centrado e dirigido a algumas atividades, em todas as áreas do conhecimento. Não podemos deixar de expressar o nosso mais sincero agradecimento, nesta oportunidade, às grandes instituições de apoio como a Fapesp, o CNPq, a Capes e a Finep, que fizeram e fazem a diferença para o desenvolvimento do ensino

superior em seus diferentes níveis, e da ciência de boa qualidade nas suas mais diferentes frentes. A Unesp tem um grande orgulho da profícua interação que mantém com essas instituições. Queremos continuar a trabalhar juntos em prol da formação das pessoas e para o desenvolvimento da ciência e do conhecimento em nosso país. Queremos externar a honra que sentimos em receber os nossos reitores anteriores. Foram eles que traçaram o norte de sucesso para o trabalho da nossa instituição. Foram eles que a transformaram do bebezinho que engatinhava lépido e afoito para a menina de olhos grandes, limpos e vivos, daí para a adolescente que olhava para o horizonte com a perspectiva de profícuo desenvolvimento, e hoje se mostra uma senhora forte e bela, no auge dos seus 40 anos. Costumo dizer ainda que a nossa poderosa força está no trabalho fantástico da nossa comunidade, hoje muito bem representada pelos ilustres homenageados. Ela responde prontamente, tanto assimilando as dificuldades e as vicissitudes que se lhe apresentam, quanto aproveitando com competência as oportunidades e as possibilidades para o seu crescimento e reconhecimento frente às instituições de ensino superior nacionais e internacionais. É muito bom para a administração central ter certeza de que pode contar com a comunidade, tanto para os momentos de euforia quanto para os de dificuldades. Magníficos reitores, vice-reitores, pró-reitores e demais representantes das universidades nacionais e internacionais, dignos representantes do Legislativo e Executivo estadual e municipais. A memória, mesmo que de curto prazo como é a vida da nossa jovem universidade, é, em síntese, a responsável pela fixação do homem num tempo com conexões significativas. Sua ausência abre espaço para a alienação, para o desconhecimento e para a falta de consciência, que impedem a existência de uma consciência histórica efetiva. Hoje os senhores testemunham a memória e o trabalho arrojado desta jovem universidade. Queremos que os novos, que vêm para uma nova vida, para um novo tempo e para um novo mundo, se orgulhem do legado que para eles deixarmos. Esse é o nosso trabalho como educadores, esse é o trabalho da nossa Universidade para os próximos 40 anos. Termino a minha fala citando o grande escritor João Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas – “O real não está na saída nem na chegada, ele se dispõe pra gente é no meio da travessia”. Muito obrigado a todos. Julio Cezar Durigan é reitor da Unesp.


Entrevista

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Universidade social Especialista propõe que sociedade participe em todos os órgãos decisórios dessa instituição Shutterstock

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eitor pro-tempore da Universidade Federal do Sul da Bahia, Naomar Monteiro de Almeida Filho é um especialista em reflexões sobre a universidade e sua relação com a sociedade. Entre outros livros sobre esse tema, ele escreveu Universidade nova: textos críticos e esperançosos (Brasília: Editora UnB, 2007) e, em coautoria com Boaventura de Sousa Santos, A universidade no Século XXI: para uma universidade nova (Coimbra: Almedina, 2008). Naomar também tem diversas obras sobre epidemiologia, área em que é professor titular no Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia.

JU: E como a universidade poderia atingir esse objetivo? Naomar: Boaventura sugere

Universidade brasileira mostra-se incapaz de dar respostas às demandas sociais e aos vetores da conjuntura contemporânea uma reforma da universidade centrada em cinco áreas de ação: acesso, extensão, pesquisação, ecologia de saberes e compromisso da universidade com a escola pública. As duas primeiras, segundo ele, são mais convencionais – acesso e extensão –, mas deveriam ser profundamente revistas. A terceira, pesquisação, tem sido praticada em algumas universidades latino-americanas e africanas em períodos de maior responsabilidade social por parte dessas instituições. A quarta, a ecologia dos saberes, constitui uma decisiva inovação na construção de uma nova universidade. E a quinta é uma área de ação que tem que ser hoje totalmente reinventada. Me interessa especificamente o que o Boaventura tem a dizer sobre extensão, porque vários intelectuais têm indicado que esse é um domínio de atuação da universidade que precisa ser redefinido. Ele diz que a ecologia dos saberes é por assim dizer uma forma de extensão ao contrário: de fora para dentro da universidade. JU: Quais são os efeitos dessa inversão? Naomar: Ao trazer a sociedade para dentro da universidade, fazendo essa extensão ao contrário, o tema da governança

na sociedade precisa ser redefinido. Boaventura ressalta que a democracia externa pode ser concretizada através de conselhos sociais, social e culturalmente diversos, com participação baseada na relevância social e não nas contribuições financeiras, definida em base territorial, local, regional, setorial, classista, racial, sexual. Já a participação nos órgãos de democracia interna deverá ser assim informada pelos princípios da ação afirmativa, trazendo para os conselhos os grupos e os interesses sociais hoje mais distantes da universidade. Essa extensão ao contrário deve ser realizada, concretizada com empoderamento, e não apenas como um adorno no formato dos órgãos colegiados na instituição. JU: Como reitor pró-tempore da Universidade Federal do Sul da Bahia, o senhor busca implantar essas propostas na instituição? Naomar: Nós estamos lidando de diversas formas com esse desafio. Uma delas é a superação do conceito clássico de extensão, estudando sua origem comprometida com um certo tipo de produção econômica e com um certo tipo de construção de relações políticas. E, do ponto de vista da governança, buscamos implantar conselhos estratégicos sociais em todos

os níveis, desde o plano mais amplo da gestão universitária, no nível de reitoria, conselho universitário, até no plano das unidades universitárias, como por exemplo nos centros de formação, nos institutos e em outras instituições. Não queremos uma representação formal da comunidade em conselhos universitários ou congregações, e sim uma efetiva ocorrência de momentos, episódios e processos de fato participativos das representações de segmentos sociais e institucionais na gestão universitária. Isso deve ocorrer tanto do ponto de vista de planejamento, administração, projeção estratégica da instituição, quanto até mesmo na discussão de cursos, conteúdos, formatos, modalidades e métodos pedagógicos. Dessa forma, nós estaremos configurando uma quarta legitimidade para a instituição universitária. JU: O que são essas quatro legitimidades? Naomar: A primeira legitimidade é a legal. Por exemplo, a nossa universidade, uma universidade federal, está instituída pelo Congresso Nacional através de uma lei que foi sancionada pela presidente da República e nos colocou no regime das instituições federais de ensino superior. A segunda legitimidade

Reprodução

Jornal Unesp: Como está a relação da universidade com a sociedade no mundo atual? Naomar Monteiro de Almeida Filho: A universidade no mundo inteiro está se abrindo para uma mudança em sua história. No Brasil, isso é ainda mais claro em função do que se tornou a universidade brasileira e da sua incapacidade de dar respostas às demandas sociais, e principalmente aos vetores da conjuntura contemporânea no mundo inteiro. O Boaventura de Sousa Santos diz que, desde o seu início há quase um milênio, a universidade é uma instituição comprometida com a transformação da sociedade, mas precisa confirmar sua missão de promotora da diversidade no campo étnico e no do conhecimento. E também, nesse sentido, é uma instituição capaz de promover a ecologia dos saberes e com tudo isso formar sujeitos com perfil muito diferente do que tem sido feito até o momento. Esses novos sujeitos são o que ele chama de “rebeldes competentes”, quer dizer, cidadãos e cidadãs críticos, engajados e capazes de promover transformações no mundo. A ecologia dos saberes consiste na promoção de diálogos entre o saber científico e o humanístico. Podemos pensar esse diálogo mais como uma interação produtiva do que somente uma interlocução sem transformação desses distintos campos de saberes.

Para Naomar, instituições estão a serviço das oligarquias do país é aquela da inserção nas redes de produção de conhecimento do mundo, que em geral é realizada pelos docentes, pesquisadores e servidores. A terceira legitimidade é dada pela qualidade, pela excelência da formação que as pessoas obtêm na universidade. Há todas essas legitimidades e mais uma quarta, que é aquela de a sociedade ter meios, formas, mecanismos e processos de participação efetiva na construção do cotidiano e também do futuro da instituição universitária. Somente assim a sociedade vai passar a valorizar a instituição universidade como uma instituição pertinente a todo o tecido social e não apenas a serviço de oligarquias ou de elites econômicas, sociais e intelectuais, como infelizmente tem sido a universidade brasileira até esse momento de sua história.


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Universidade

As felicitações continuam Aniversário da Universidade motiva diversas declarações de autoridades de todo país Fotos divulgação

José de Souza Martins, professor titular aposentado do Departamento de Sociologia e professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), integrante da Academia Paulista de Letras Unesp nos honra a todos pela história de instituição de pesquisa e de ensino modelar, desempenhos e êxitos reconhecidos e aplaudidos. inzotumbansi.org

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do desenvolvimento científico, tecnológico, econômico, cultural e social. Vem-se comprometendo com os princípios democráticos, sendo claramente consciente de seu status como uma instituição governamental altamente ativa na sociedade brasileira. Atuante nos mais diversos setores da ciência, vem-se consolidando cada vez mais no ensino, na pesquisa e na extensão, estando juntamente com USP e Unicamp no patamar das mais importantes universidades brasileiras. É o modelo mais bem-sucedido de uma universidade multicâmpus no Brasil. Parabéns, Unesp!

a Unesp pelo seu quadragésimo aniversário de criação. A Universidade, apesar de sua juventude, tem se firmado como uma das principais instituições de excelência em ensino e pesquisa do Brasil e do mundo, promovendo a formação de recursos humanos altamente capacitados, extremamente necessários para o desenvolvimento econômico e social do País.

Belo Mangueira, cônsul de Angola papel pioneiro protagonizado pelo Estado brasileiro no processo do reconhecimento da soberania da República de Angola em 1975 perpassa o campo da política externa para se consolidar como a real possibilidade de uma cooperação que tem na educação uma das suas matrizes mais perenes, e a Unesp – no ápice dos seus 40 anos – é, sem dúvida, uma referência obrigatória dessa cooperação.

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Suzana Caetano da Silva Lannes, presidente da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos (SBCTA) e professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP Unesp tem trabalhado no sentido de consolidar um projeto de união

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com muita satisfação que a Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) felicita a Unesp pelos seus 40 anos. Parabenizamos todos os seus integrantes, que se dedicaram ao esforço de tornar essa instituição importante referência em várias áreas do conhecimento em nível nacional e internacional. Vida longa e próspera à Unesp e que continue oferecendo à população brasileira ensino público de qualidade!

Paulo Cardieri, presidente da Sociedade Brasileira de Telecomunicações (SBrT) Sociedade Brasileira de Telecomunicações (SBrT) vem parabenizar

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Anna Maria Marques Cintra, reitora da PUC-SP os 40 anos, a Unesp é uma instituição que em pouco tempo alcançou a maturidade acadêmica – sem perder a jovialidade. Não se trata de mero jogo de palavras. Manter-se jovem expressa a capacidade de se renovar, característica de suma importância em instituições de ensino superior, notadamente naquelas preocupadas em produzir conhecimento e em responder aos desafios do presente. Desejamos que o futuro da Unesp seja jubiloso e siga marcado por essa alegria contagiante da busca pelo saber e pela construção de uma sociedade melhor e mais justa.

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Jô Moraes , deputada federal (PCdo B) i recentemente na mídia que a Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu estava selecionando pacientes com úlcera venosa crônica para participar de estudo sobre cicatrização a partir de produto extraído de animais. Nesse pequeno exemplo de atuação podemos sintetizar a importância de uma instituição de ensino, pesquisa, extensão e prestação de serviço não só à comunidade onde suas unidades estão instaladas, mas ao país, à humanidade. Parabéns, Unesp, pelos 40 anos a serviço da promoção humana.

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Maria do Socorro Sousa Braga, secretária-adjunta da Associação Brasileira de Ciência Política

diferencial de dar aos pensadores a qualidade de vida do interior e de transformar os municípios onde se encontram seus câmpus em celeiros de saber e células de desenvolvimento econômico. E se a vida começa aos 40, que ela seja ainda mais sábia e intensa

Silvio Torres, deputado federal e secretário-geral do PSDB/SP o completar quatro décadas como uma das maiores universidades da América Latina, a Unesp consolida a força do Estado de São Paulo como locomotiva do país também na produção de conhecimento. Traz no DNA o

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Roberto Engler, deputado estadual (PSDB) Unesp, ao longo desses 40 anos, se notabilizou não só como uma instituição de ensino respeitada em todo o mundo, mas, especialmente, como parte essencial das comunidades em que está inserida. Posso falar especificamente da minha cidade de Franca e seu câmpus, que agrega desenvolvimento e avanços a toda a região. Como ex-professor unespiano, parabenizo a Universidade nesse momento importante de sua trajetória, desejando que o sucesso de até aqui se multiplique, mais e mais, nos próximos anos.

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Valdomiro Lopes da Silva Junior, prefeito de São José do Rio Preto Unesp é motivo de orgulho para todos os paulistas, particularmente para nós, rio-pretenses, que, junto ao câmpus de nossa cidade, comprovamos a excelência do ensino, a vanguarda na pesquisa e, importante, a sua integração com a comunidade, com a oferta de inúmeros serviços.

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Benedito Guimarães Aguiar Neto, reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Reitoria da Universidade Presbiteriana Mackenzie congratula-se com a Unesp por seu 40º ano de existência como Universidade. Diante de sua representativa presença em várias regiões do Estado, com altos índices de avaliação acadêmica, rogamos a Deus que abençoe ricamente à Unesp – direção, corpos discente, docente e técnico-administrativo – a fim de que continue formando cidadãos e profissionais para a glória de Deus e o bem da sociedade.

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Ciências Exatas

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Mostrando serviço Sprace apresenta oito trabalhos em conferência de Física de Altas Energias nos Estados Unidos Ricardo Aguiar

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ito pesquisadores, pós-doutores e estudantes associados ao São Paulo Research and Analysis Center (Sprace) apresentaram seus trabalhos na mais importante conferência de Física de Altas Energias do mundo, a International Conference on High Energy Physics (Ichep). O número é o maior para qualquer instituição brasileira nessa edição do evento, que aconteceu entre os dias 3 e 10 de agosto na cidade de Chicago, nos Estados Unidos. “O Sprace teve uma presença marcante na Ichep deste ano, com contribuições em análises físicas, em P&D para o upgrade de um dos detectores do Large Hadron Collider (LHC) e também com nossas atividades de divulgação científica”, afirmou Sérgio Novaes, pesquisador responsável do Sprace. “Para um grupo experimental pequeno como o nosso, a apresentação de oito trabalhos em uma conferência desse porte é bastante significativa.” BUSCA POR NOVAS PARTÍCULAS O Sprace faz parte da colaboração internacional do Compact Muon Solenoid (CMS), um dos detectores de partículas do LHC, o maior acelerador de partículas do mundo. Entre as pesquisas do grupo apresentadas na Ichep estão estudos que buscam a descoberta de uma nova partícula, ainda não descrita pelo Modelo Padrão – a teoria que classifica e descreve todas as partículas fundamentais da natureza que conhecemos até hoje. Tais pesquisas são feitas analisando dados de colisões realizadas no LHC e desenvolvendo simulações e teorias que são comparadas com os eventos observados no acelerador. A detecção de uma nova partícula tem o potencial para revolucionar a Física e abriria portas para novas teorias e modelos. Ela talvez fornecesse pistas sobre alguns dos maiores mistérios do universo atualmente – qual a natureza da matéria escura? Por que há mais matéria do que antimatéria? O Sprace também foi pioneiro na análise de boosted jets, e vem liderando a área na colaboração CMS. O termo em inglês se refere a dois jatos de partículas que têm muita energia e são impulsiona-

Colisão de partículas registrada pelo detector CMS do acelerador LHC: grupo brasileiro integra pesquisas

Divulgação

pela colaboração”, disse Tomei. O Sprace também trabalha para realizar o upgrade do detector de rastreamento (tracking) do CMS. Essa pesquisa visa selecionar, de modo on-line, colisões de interesse produzidas no LHC, já que apenas uma pequena parte dos bilhões de eventos que acontecem todos os segundos é relevante para pesquisas.

Equipe ligada à Unesp participou do encontro em Chicago dos na mesma direção, o que faz com que pareçam ser um único jato. Sua identificação permite maior eficiência na procura por novas partículas. COLISÕES DE ÍONS PESADOS As colisões de partículas no LHC geralmente são entre dois prótons, mas, às vezes, envolvem também íons de átomos de chumbo – chamados de íons pesados. A pesquisadora Sandra Padula apresentou resultados que mostram uma inesperada semelhança entre sistemas criados em colisões de íons de chumbo – chamados de sistemas grandes – e aqueles gerados por colisões entre prótons – sistemas pequenos.

UPGRADE E ALGORITMOS DE DETECTORES Outras linhas de pesquisa do Sprace são focadas em melhorias a serem implantadas no CMS. O pesquisador Thiago Tomei apresentou avanços no desenvolvimento de algoritmos de filtragem e tomada de dados específicos para calibração e alinhamento do detector. O objetivo do trabalho é permitir que dados, assim que tomados, tornem-se disponíveis para a análise de toda a colaboração internacional em questão de dias. “Com as atuais taxas de tomada de dados do experimento, essa capacidade de rápida reconstrução é fundamental para o desempenho das análises físicas realizadas

DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E OUTRAS PESQUISAS Além disso, o estudante de mestrado em Ensino Rodrigo Araújo deu uma palestra sobre o Masterclass. O evento de divulgação científica, realizado anualmente pelo Sprace, é voltado para estudantes e professores do ensino médio e tem como objetivos apresentar conceitos de Física de Altas Energias não abordados por diversas escolas de nosso país e instigar a curiosidade e o interesse dos participantes pela área. Por último, uma palestra do evento também apresentou os mais recentes avanços de um projeto que busca desenvolver uma nova versão do software Geant. Os pesquisadores Guilherme Amadio, Calebe Bianchini e Rogério Iope, da Unesp, trabalham para criar o GeantV – “V” não apenas porque esta será a nova versão, mas também porque ela incluirá funções de vetorização que a tornarão

mais rápida que as anteriores. O software é utilizado para simular a interação entre radiação e matéria, e possui aplicações em áreas médicas e de engenharia espacial. No LHC, será utilizado para comparar modelos teóricos de Física de Altas Energias com os resultados de colisões realizadas no acelerador. SOBRE A CONFERÊNCIA A Ichep é um evento tradicional que vem sendo realizado desde os anos 1950, quando ainda era chamada de Rochester Conference, e se encontra em sua 38.a edição. Nela são apresentados os mais importantes estudos na área de Física de Altas Energias – o anúncio da descoberta do bóson de Higgs, por exemplo, foi feito durante a edição de 2012 da Ichep, em Melbourne, na Austrália. Naquela edição, o Sprace já havia contribuído com quatro apresentações de trabalhos.

Mais informações sobre o Sprace podem ser encontradas em seu site de divulgação científica: <http://goo.gl/S5NJZX>. ou em sua página de Facebook: <http://goo.gl/7S91Vi>.


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Ciências Biológicas

Vida nos Campos do Sul Investigação relaciona espécies de anfíbios presentes nesse ambiente típico da Mata Atlântica Maristela Garmes

Fotos Lucas Batista Crivellari

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Mata Atlântica é o bioma que apresenta as maiores taxas de declínio de populações de anfíbios no Brasil. Diante desse panorama preocupante, uma pesquisa da Unesp catalogou as espécies que vivem nos Campos Naturais da Mata Atlântica. O trabalho avaliou as características da paisagem e dos habitats onde os anfíbios se reproduzem, e identificou de que forma eles influenciam as comunidades desses animais. A investigação integra a tese de doutorado defendida em junho por Lucas Batista Crivellari, aluno do programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da Unesp de São José do Rio Preto. “O estudo representa a primeira tentativa de fornecer uma lista abrangente das espécies de anfíbios dos Campos da Mata Atlântica no Sul do Brasil, e pode ser considerado o primeiro passo para desencadear um plano de conservação dos anfíbios nessa paisagem regional”, explica Lucas, que foi orientado pela professora Denise Cerqueira Rossa Feres. Distribuídos pela Região Sul, os Campos da Mata Atlântica caracterizam-se por vegetação rasteira, relevo suave, com altitudes

Campos: vegetação rasteira e limites com matas de araucárias

acima de 800 m e temperatura média entre 16 oC e 22 oC, sendo interrompidos por afloramentos rochosos e matas de araucárias. As amostragens utilizadas na pesquisa ocorreram entre 2013 e 2014, em oito unidades de conservação e seu entorno, nos Estados do Paraná e de Santa Catarina. O pesquisador registrou 63 espécies de 11 famílias de anfíbios, das quais sete são endêmicas da floresta com araucária, ou seja, só são encontradas nessa formação vegetal. Vinte das espécies são associadas aos campos, 19 às áreas florestais e ecótones (zonas de transição entre a floresta e os campos) e 21 espécies são generalistas.

“O registro de espécies que ocorrem exclusivamente em áreas de campos naturais e daquelas exclusivamente florestais merece destaque por serem sensíveis e vulneráveis às alterações de seus habitats específicos”, reforça. PAISAGEM E CORPOS D’ÁGUA O trabalho mostra ainda que algumas características locais dos corpos d’água, como tamanho, hidroperíodo (tempo em que a poça retém água) e vegetação também são responsáveis pelas ocorrências das espécies e dos padrões de distribuição da diversidade.

Exemplar de Phyllomedusa rustica, encontrado nesse ambiente

No tocante à paisagem, Crivellari conta que os habitats que apresentaram proporções semelhantes de campos naturais e floresta com araucária, em um raio de 1 mil metros, permitiram maior riqueza de espécies. Um menor grau de isolamento (menor distância entre corpos d’água) também contribuiu para um maior número de espécies. As alterações feitas pelos homens na paisagem geralmente tiveram um impacto negativo. Em geral, as espécies foram afetadas pela ocupação humana em áreas desmatadas para assentamento humano, estradas, pequenas vilas rurais próximas

às zonas urbanas. A pesquisa foi financiada pela Capes e Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Também teve apoio de pesquisadores da Universidade Federal de Goiás, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Universidade Federal do Paraná, além de suporte logístico do Instituto Neotropical de Pesquisa e Conservação e do Museu de História Natural do Capão da Imbuia (Paraná).

Para entrar em contato com o pesquisador: <lucasanuros@hotmail.com>.

A cor interna dos anfíbios Estudo mostra que radiação UV causa escurecimento de órgãos como o coração de animais Fotos divulgação

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á é bem conhecido da ciência o fato de peixes e anfíbios terem células pigmentares, que produzem peles coloridas, importantes para comunicação entre os indivíduos da espécie, regulação da temperatura do corpo, camuflagem e proteção contra a radiação ultravioleta (UV). Essa radiação, presente na radiação solar, pode causar vários danos à pele dos animais. No entanto, há poucos estudos sobre as células pigmentares existentes internamente, em órgãos e tecidos – e suas possíveis funções. Um trabalho sobre essas células internas em anfíbios foi o artigo de capa da edição de maio do periódico Journal of Experimental Biology. O artigo é de autoria de Lilian Franco-Belussi,

Estudo de Lilian foi capa do ‘Journal of Experimental Biology’ pós-doutoranda no Departamento de Biologia do Câmpus de São José do Rio Preto, e de seu supervisor, o professor Classius de Oliveira, além da colaboração de Helen Nilsson Sköld, pesquisadora da University of Gothenburg, da Suécia.

O grupo testou os efeitos genotóxicos – ou seja, a ação sobre o material genético – dos raios UV na pigmentação interna de uma espécie de sapo, a Physalaemus nattereri. Os estudos constataram que, após algumas poucas horas de exposição à

radiação UV, o animal apresentou escurecimento da pele e aumento da pigmentação conferida pela melanina nos testículos, na superfície do coração, no mesentério (membrana que envolve o intestino) e na região lombar. O artigo demonstrou ainda que a exposição dos anuros à baixa radiação UV, menos de 10% do que é detectado no ambiente, causa escurecimento da pele, o que pode comprometer a comunicação entre os animais e também com o ambiente, reduzindo a eficiência da camuflagem, além de efeitos no material genético e no sistema imonulógico que podem tornar os animais mais suceptíveis a infecções e à morte. “Vimos pela primeira vez

que a exposição ao UV está relacionada ao aumento da coloração interna desses animais. Os resultados desse estudo demonstraram que a radiação UV promove efeitos sistêmicos em diversos tipos celulares dos anuros. Além disso, esse estudo mostrou que fatores ambientais podem modular a coloração dos órgãos de animais ectotérmicos [cuja temperatura corporal varia de acordo com a temperatura do ambiente] e que células contendo melanina em órgãos possuem papel protetor contra exposição à radiação UV”, afirma Lilian.

O artigo está disponível em: <http://goo.gl/qGewcZ>.


Universidade

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Valores para a humanidade Fórum Internacional de Desenvolvimento Cultural debateu temas que podem promover paz mundial Oscar D’Ambrosio Fotos Chello Fotógrafo

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Instituto Confúcio na Unesp (ICUnesp) realizou o Fórum Internacional de Desenvolvimento Cultural nos dias 27 e 28 de agosto, no Hotel Golden Tulip Belas Artes, em São Paulo (SP). “Essa é quarta edição do evento, que já foi organizado na China (2013), nos Estados Unidos (2014) e na Índia (2015). O tema foi ‘Paz, Desenvolvimento e Valores Comuns da Humanidade’”, informou Luis Antonio Paulino, diretor do ICUnesp. “Participaram aproximadamente 40 pesquisadores de 8 países em busca do estabelecimento de valores comuns”, ressaltou. Na conferência de abertura, Aldo Rebelo, ex-ministro da Defesa (2016), da Ciência e Tecnologia e Inovação (2016) e do Esporte (2012-2014), apontou os riscos de uma militarização cada vez maior do mundo devido à arrogância e ao egoísmo da humanidade. Lembrou que os maiores investimentos em ciência não ocorrem em atividades de paz, mas sim de guerra. “A melhor ciência não está a serviço da paz, da cultura e da saúde. Os melhores recursos materiais e humanos estão focados em pesquisas para a construção da guerra”, ressaltou. “Em 2015, foram lembrados os 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Nossa esperança é que as causas que a motivaram tivessem cessado, mas verifica-se que elas permaneceram e até se agravaram, principalmente no que se refere à intolerância às diferenças.” Jian Chang, do Instituto de Estudos Humanísticos Avançados da Universidade de Hubei (China), enfatizou a importância da construção de valores comuns à humanidade como um caminho para a paz. Ele assinalou que o diálogo é uma necessidade permanente para

minimizar conflitos, colocando o coletivo acima do individual. “Intervenções militares e terrorismo trazem danos para as populações e para o meio ambiente. São manifestações egoístas que mostram a falta de valores comuns da humanidade em sua crise atual pela sobrevivência, demonstrando a ausência de um pensamento voltado para benefícios mútuos voltados para a paz, o desenvolvimento, a justiça social e a democracia”, comentou. Fernando Reyes Matta, ex-embaixador do Chile na China e pesquisador do Centro de Estudios Latinoamericanos sobre China (CELC), da Universidad Andrés Bello (Chile), tomou como ponto essencial de sua fala o desafio da convivência na diversidade para a construção de convergências. Matta lembrou inicialmente que o último Congresso Mundial de Filosofia ocorreu na Grécia, em 2013, e que o próximo, em 2018, será na China. “Não se trata de uma coincidência, mas da

Pesquisas ligadas à guerra obtêm mais recursos, disse Rebelo

Matta propôs diálogo entre Criação de valores comuns à pensamentos de Platão e Confúcio humanidade foi defendida por Jian

Encontro realizado na capital paulista teve participação de aproximadamente 40 pesquisadores de 8 países demonstração de como o diálogo entre os pensamentos norteadores de Platão e Confúcio é cada vez mais necessário. Num mundo de diferenças, foi aprovada, ano passado, a Agenda 2030, assinada pelos principais países do planeta, que foca o desenvolvimento sustentável, com tópicos essenciais como medicina, saúde e redução da pobreza”, mencionou. Sun Weiping, vice-diretor do Instituto de Estudos Humanísticos Avançados da Universidade de Hubei (China), concentrou sua palestra em apontar algumas diferenças entre o pensamento ocidental e oriental, enfatizando o modo como o Leste Asiático dá importância à harmonia entre o homem e a natureza. “Nessa relação entre o Universo e o homem, as forças humanas vencem as naturais, mas num processo que privilegia a harmonia como a base de toda criação. Acreditamos que o coletivo é mais importante que o individualismo”, mencionou.

No encerramento, além da assinatura de uma declaração sobre o estabelecimento de valores humanos comuns a todas as nações para a promoção da paz mundial, houve falas de Dai Maotang, reitor da Universidade de Hubei, e de Tullo Vigevani, do INCT-INEU, Brasil e da Unesp de Marília. O primeiro destacou os temas de grande relevância discutidos no evento, principalmente a busca da identificação de valores internacionais. “Os especialistas aqui reunidos trabalham no sentido de atingir o desenvolvimento pacífico do planeta como um todo, num esforço permanente pela paz mundial”, declarou. Vigevani ressaltou a necessidade de reforçar o diálogo entre as nações, principalmente entre a China e a América Latina. “É preciso viabilizar situações em que ocorra um amplo debate entre posições diferentes, superando, por exemplo, as barreiras linguísticas”, disse. “Outra questão essencial na qual precisamos avançar é a discussão

sobre a ideia de direitos humanos, pois ela é vista de distintas maneiras e por diferentes concepções em cada cultura”, concluiu. A organização do encontro foi de Unesp, Universidade de Hubei (China), Instituto de Estudos Humanísticos da Universidade de Hubei (IAHS, China), Centro de Estudos Humanísticos Avançados da Universidade de Hubei, Instituto Confúcio na Unesp, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU, Brasil), Centro de Inovação para o Desenvolvimento da Cultura Chinesa e Escola de Filosofia da Universidade Zhongnan de Direito e Economia (China), Universidade Dom Bosco de Assan (Índia) e Grupo de Estudos dos BRICS (Unesp/CNPq).

Desenvolvimento pacífico do planeta é o objetivo, segundo Dai

Para Vigevani, é preciso debate mundial sobre diferentes posições

Leia a declaração sobre a promoção de valores comuns a todas as nações em: <http://goo.gl/VU9UTN>.


8 CELEBRAÇÃO DE QUATRO DÉCADAS Setembro 2016

Reportagem de capa

Evento para comemorar o aniversário de 40 anos da Unesp reúne mais de 800 pessoas e tem homenagem a reitores, docentes, servidores técnico-administrativos e egressos escolhidos pelas unidades universitárias Oscar D’Ambrosio e Renato Coelho Fotos Chello Fotógrafo e Paulo Lopes

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celebração de uma história vitoriosa no panorama do ensino superior brasileiro e internacional. Assim pode ser definida a realização da Sessão Solene do Conselho Universitário e da Festa Comemorativa dos 40 anos da Unesp, que aconteceram no dia 22 de agosto, a partir das 19 horas, na Sala São Paulo, na capital paulista. O evento, que reuniu mais de 800 pessoas, foi transmitido ao vivo pela TV Unesp e teve homenagem a professores que ocuparam o cargo de reitor da instituição, a servidores docentes e técnico-administrativos e a egressos escolhidos pelas unidades universitárias. Além disso, houve a apresentação da Orquestra Acadêmica da Unesp, regida pelo maestro Lutero Rodrigues, professor do Instituto de Artes (IA) da Unesp, e do Coro Jovem Sinfônico de São José dos Campos, que tem como regente o maestro Sergio Wernec, egresso do IA, que interpretaram o Hino Nacional, o Hino da Unesp e três trechos do Glória, do compositor italiano Antonio Vivaldi (1678-1741). O Hino da Unesp foi composto para as comemorações do Jubileu de Prata da Universidade, em 2001. Edmundo Villani-Côrtes, hoje professor aposentado de Composição do IA, compôs a música, e, a convite dele, o então aluno de graduação no curso de Bacharelado em Música Julio Bellodi escreveu a letra. Dentro das ações de celebração dos seus 40 anos, a Unesp reconheceu essa composição como seu hino oficial. Na Sala São Paulo, ela foi ouvida pela primeira vez nessa condição. José Renato Nalini, secretário de Educação do Estado, que representou o governador Geraldo Alckmin na cerimônia, lembrou que São Paulo tem o privilégio de contar com três universidades públicas estaduais de excelente qualidade. “A Unesp é uma universidade que ao completar 40 anos está plenamente consolidada. Produz uma pesquisa científica qualificada e apresenta excelência nas suas unidades no interior, contribuindo para que os jovens alcancem uma elevada formação intelectual e estejam

Evento na Sala São Paulo foi transmitido ao vivo pela TV Unesp

(Da esq. para a dir.) Crósta, Durigan, Nalini, Zago e Andrade

qualificados para o mercado de trabalho”, disse. “Congratulo essa jovem universidade, que já adquiriu uma respeitabilidade que constitui efetivamente um motivo permanente de orgulho da população paulista.” O reitor da Unesp, Julio Cezar Durigan, apontou que estavam sendo comemorados os 40 anos de vida de uma universidade que, nesse período, tinha feito o que muitas universidades tradicionais pelo mundo não haviam realizado em 400 anos. “A Unesp, hoje reconhecida nacional e internacionalmente, tornou-se um modelo de sucesso de universidade descentralizada e multicâmpus” afirmou. “Temos muito a comemorar não só porque somos respeitados nos rankings internacionais, mas também porque sabemos que todos os prefeitos, deputados e vereadores gostariam de ter uma unidade nossa em seus municípios.” Jailson Bittencourt de Andrade, secretário de Políticas e Pro-

desenvolvimento do Estado. Parabéns a todos os que participaram e participam de uma história de conquistas no cenário nacional e internacional”, disse. Reitor da USP, Marco Antonio Zago ressaltou que USP, Unesp e Unicamp constituem uma classe especial de universidades no Brasil, sendo, em grande parte, responsáveis pelo desenvolvimento social e econômico do Estado. “A Unesp se caracteriza por uma cobertura muito ampla no Estado de São Paulo, representando a possibilidade de a população ter uma universidade de qualidade próxima de sua casa”, comentou. “Nossa comunidade faz a diferença, pois sabe aceitar e trabalhar nas dificuldades e aproveita muito bem as oportunidades. Quando as oportunidades maiores são aproveitadas, os melhores projetos são feitos. Isso tem diferenciado muito nossa Universidade no Brasil e no exterior”, finalizou Durigan.

gramas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência e Tecnologia, destacou que a Unesp tem formado quadros praticamente para o Brasil inteiro, fazendo ciência e proporcionando uma educação de altíssimo nível para seus estudantes. “O principal desafio futuro é manter seus trabalhos de pesquisa altamente qualificada na saúde, engenharia, ciências exatas e humanas”, afirmou. Álvaro Penteado Crósta, coordenador geral da Unicamp, representando o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), professor José Tadeu Jorge, destacou a atuação da Unesp entre as grandes instituições do país. “A Unesp apresenta em sua história um sistema acadêmico rigoroso e dinâmico e uma ação vigorosa no ensino, na pesquisa e na extensão universitária. É admirável o que ela já atingiu em quatro décadas. Sua presença em todo o Estado contribui para o

Servidores técnico-administrativos foram homenageados

Na ocasião, houve ainda a entrega do livro comemorativo Unesp 40 anos (Veja vídeo em <http://goo.gl/IAyubd>.) e do material focado nos exames vestibulares Como e por que estudar na Unesp.

Conheça os homenageados das unidades universitárias: Servidores docentes: <http://goo.gl/GuJcOE>. Servidores técnico-administrativos: <http://goo.gl/lOMtr3>. Egressos: <http://goo.gl/Q9D5Kg>. Veja reportagem da TV Unesp: <http://goo.gl/5Ssr46>. Mande sua mensagem para a Unesp: <http://goo.gl/rhOrHJ>.

Professores que receberam medalhas: escolhidos pelos câmpus


Reportagem de capa SOBRE A UNESP A Unesp, pública, com excelente qualidade e gratuita, está distribuída em todo Estado de São Paulo. Presente em 24 municípios, com 34 unidades, soma 950.533,39 metros quadrados de área construída. São 51.311 alunos matriculados, sendo 37.770 na graduação e 13.541 na pós-graduação (mestrado e doutorado). Há ainda cerca de 10 mil alunos em cursos adicionais de línguas, especializações e a distância. São oferecidos 155 cursos de graduação nas áreas de Ciências Biológicas, Ciências Exatas e Humanidades e 146 programas de pós-graduação, que oferecem 112 doutorados

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REITORES DA UNESP e 124 mestrados acadêmicos, além de 19 mestrados profissionais. Reconhecida nacionalmente, a Unesp é a primeira instituição de pesquisa nas Américas do Sul e Central e a 81.ª no mundo no Nature Index 2016 Rising Stars. Além disso, no conceituado Ranking de Universidades da América Latina da THE – Times Higher Education, está na 11.ª posição na região, sendo a 6.ª instituição brasileira. A Unesp está muito focada na manutenção dos alunos dentro da instituição. Para isso, tem um Programa de Permanência Estudantil que atua para que os estudantes financeiramente

carentes não apenas entrem na universidade, mas nela se mantenham durante todo o curso. Para isso, são oferecidas bolsas por meio das diferentes Pró-reitorias, de Graduação, de Pesquisa e de Extensão. Também existem as bolsas oferecidas em parceria com órgãos externos de fomento, como a Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – e o CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Há também as bolsas de mobilidade estudantil, que facilitam a ida e a manutenção dos estudantes no exterior.

Prof. Dr. Luiz Ferreira Martins reitor no período de 1976-1980

Prof. Dr. Antonio Manuel dos Santos Silva reitor no período 1997-2001

Prof. Dr. Armando Octávio Ramos reitor no período 1980-1984

Prof. Dr. José Carlos Souza Trindade reitor no período 2001-2005

Prof. Dr. Jorge Nagle reitor nos períodos 1984-1985 como pró-tempore e 1985-1989

Prof. Dr. Marcos Macari reitor no período 2005-2009

Prof. Dr. Paulo Milton Barbosa Landim reitor no período 1989-1993 Prof. Dr. Arthur Roquete de Macedo reitor no período 1993-1997

Prof. Dr. Herman Jacobus Cornelis Voorwald reitor no período 2009-2013, afastou-se para ocupar, a partir de 1/1/2011, o cargo de Secretário de Estado de Educação de São Paulo

Fotos Chello Fotógrafo e Paulo Lopes

HINO DA UNESP Edmundo Villani-Côrtes e Julio Bellodi Tens como tradição a clareza do teu dever De realizar a missão de transmitir o saber Repousam em tuas mãos tantos sonhos do amanhã Formando as gerações de que és guardiã Lapidar o futuro, o tempo Enobrecer sempre o país Não importa se dificuldades virão Mesmo sob um vendaval O teu sol é vocação Teu conhecimento se fará legar Por todos os campos que houver Renovando a vida, construindo o novo Grande é o teu lugar De São Paulo para a nação Mesmo sob um vendaval O teu sol é vocação Do orgulho paulista és razão O maestro Lutero Rodrigues regeu a Orquestra Acadêmica da Unesp

O QUE ACONTECIA NO MUNDO E NO BRASIL EM 1976 Em 1976, ano em que a lei de criação da Unesp foi promulgada, a 30 de janeiro, sob o número 952, alguns episódios importantes aconteceram no mundo nas mais diversas dimensões da experiência humana: — No distante espaço sideral, cápsulas lançadas das sondas Viking-1 e 2 aterraram com sucesso na superfície de Marte; Os reitores Voorwald, Trindade, Landim, Macedo e Silva

— Nos céus, os primeiros aviões supersônicos de passageiros Concorde levantaram voo simultaneamente do aeroporto de Heathrow-Londres e de Orly-Paris; — Em uma expedição oceanográfica franco-americana, Robert Baillard descobriu, no fundo do mar, a 3.800 metros de profundidade, destroços do Titanic, após 70 anos da tragédia do seu naufrágio; — Em 1976, foram realizados os Jogos Olímpicos de Montreal, Canadá, competição em que João Carlos de Oliveira, o célebre João do Pulo, obteve a medalha de bronze no salto triplo;

Egressos também receberam homenagem durante o evento

— No plano dos avanços técnicos, foi em 1976 que surgiu o, então revolucionário, videocassete; — No plano cultural, em 1976 foi criada, na Irlanda, a banda musical U2, enquanto no Brasil, entre as músicas mais tocadas, estavam Juventude transviada, de Luiz Melodia, e Meu mundo e nada mais, de Guilherme Arantes. Naquele mesmo ano, Raul Seixas lançava o álbum Há 10 mil anos atrás; — No cinema, o filme Dona Flor e seus dois maridos, com Sonia Braga, foi visto por 10 milhões de pessoas e, entre as produções norte-americanas, Taxi driver e Rocky, um lutador foram os destaques; — Na televisão, foram exibidas novelas que marcaram época: A escrava Isaura, Estúpido Cupido, O casarão e Saramandaia. Nesse contexto, surgia a Universidade, estabelecida como uma autarquia de regime especial.


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Reportagem de capa

A palavra da comunidade Depoimentos de professores, servidores e um ex-aluno ajudam a revelar a trajetória da Unesp

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s lembranças e opiniões de pessoas que fazem parte da trajetória da Unesp – seja como professores, funcionários técnico-administrativos ou alunos – testemunham a transformação da Universidade ao longo de quatro décadas. Os depoimentos revelam, a partir de visões particulares, como se consolidou uma instituição respeitada e também uma comunidade orgulhosa de sua formação e de suas atividades. Professora aposentada, Carminda da Cruz Landim confessa o carinho que sente pelo Câmpus de Rio Claro, onde começou a trabalhar em 1959, até se afastar em definitivo, em 2013. Ela iniciou sua carreira na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, um dos Institutos de Ensino que integraram a Universidade em sua criação, em 1976. “Eu estive ligada à Unesp durante 54 anos”, diz Carminda, que chegou a ser diretora do Instituto de Biociências de Rio Claro. Ela recorda que mesmo aposentada colaborava, como docente voluntária, para que seus alunos publicassem trabalhos acadêmicos. “Continuei tendo a minha sala e a possibilidade de usar tudo o que a instituição oferecia”, ressalta. Ainda na ativa, o professor aposentado Marco Eustáquio de Sá, de Ilha Solteira, informa

que ingressou como docente nesse câmpus em 1978, logo após ter-se formado na Faculdade de Agronomia de Jaboticabal – que também se incorporou à Unesp. “Em 1976, eu participei, junto com outros alunos, da reunião em São Paulo que levou à criação da Universidade”, afirma. Ele enfatiza que, inicialmente, a unidade de Ilha Solteira ofereceu dois cursos tecnológicos, encerrados em 1981 para dar lugar ao curso de graduação em Agronomia. “No começo, como éramos poucos professores, dei aulas de várias disciplinas”, explica Sá, que ao longo da carreira orientou os trabalhos de 150 alunos de graduação, 30 de mestrado e 15 de doutorado, além de ter sido diretor da Faculdade de Engenharia. “Fiz toda minha carreira na Unesp e, por isso, continuo aqui dando a minha contribuição”, declara. MUDANÇAS Roberto Miguel ingressou como aluno em 1981na Unesp de Araraquara, onde atualmente é docente. Ele acentua que na sua vida universitária participou de eventos importantes. “Nós nos envolvemos com a Campanha pelas Diretas Já e, no nível da universidade, nas mobilizações para escolha dos reitores por meio de eleições”, conta. Miguel também aponta as mudan-

ças que ocorreram nas unidades de Araraquara. “O câmpus passou por um processo de evolução, tanto em termos de estrutura física quanto no número de docentes”, explica. “Consequentemente, houve a ampliação de alguns cursos ou, no mínimo, a duplicação de turmas em diurno e noturno, por exemplo.” Servidor técnico-administrativo em Bauru, Jorge Guilherme Cerigatto também vivenciou diversas tranformações. Em 1981, ele foi contratado para a área administrativa da Fundação Educacional de Bauru, que em 1986 se transformou na Universidade de Bauru, encampada pela Unesp em 1988. Cerigatto enfatiza os avanços decorrentes da encampação: “As melhorias não beneficiaram apenas professores e servidores”, adverte. “Houve também um ganho muito grande para os alunos, com o crescimento do número e da infraestrutura dos laboratórios e com a qualificação dos servidores e especialmente dos docentes, que puderam se tornar mestres e doutores.” O testemunho de um momento mais recente é dado por Marcelo Ribeiro Duarte. No Câmpus de Registro, em funcionamento desde 2003, ele foi diretor administrativo, supervisor técnico-administrativo e, atualmente, exerce a presidência da Comissão

Assessora da Fazenda. De acordo com Duarte, o Câmpus no começo reunia uma quantidade restrita de servidores e docentes, além de instalações limitadas. “Com os esforços das gestões anteriores e da atual no Câmpus, e com apoio da Reitoria, a unidade conquistou o espaço físico, o preenchimento do quadro de funcionários e professores, adquiriu equipamentos e máquinas agrícolas e aumentou o número de laboratórios, sem contar ainda com um curso novo de graduação”, enumera. FORMAÇÃO Conceição Aparecida Dutra considera-se uma pessoa de sorte por ter tido seu primeiro emprego no Câmpus de Guaratinguetá, onde foi contratada como auxiliar acadêmico, em 1988. Ela destaca os avanços conquistados em sua carreira, com a formação que obteve na pós-graduação da unidade. “Além de funcionária, fui aluna do curso de especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho e também fiz o mestrado e o doutorado na área de Corrosão”, esclarece. Conceição destaca o leque de atividades que exerce. “Eu tenho a oportunidade de trabalhar com o ensino, no preparo das aulas experimentais de Química, com a pesquisa, no Fotos divulgação

Conceição destaca formação que recebeu em Guaratinguetá

Aposentado, Eustáquio de Sá ainda colabora em Ilha Solteira

Universidade está madura para enfrentar desafios, diz Fagliari

De aluno a professor, Miguel participou de eventos importantes

Comunidade mostra sentimento de união, segundo Faverani

Mihailov elogia formação na Medicina Veterinária de Botucatu

Duarte acompanhou melhorias ocorridas no Câmpus de Registro

Por 54 anos Carminda esteve ligada ao Câmpus de Rio Claro

desenvolvimento de artigos para congressos e revistas nacionais e internacionais, e também com a extensão, onde preparamos cursos de Química para docentes do ensino médio”, informa. A qualidade da formação fornecida pelos cursos da Unesp é assinalada por Stefan Mihailov, que se formou médico veterinário no Câmpus de Botucatu em 1991. “Botucatu era minha preferência número 1”, afirma o egresso. “E para mim ficou claro que a escolha feita foi correta, pois a formação durante os quatro anos do curso e no quinto ano do estágio obrigatório foi fundamental para o início e o desenvolvimento de minha carreira.” FUTURO Leonardo Perez Faverani, professor no Câmpus de Araçatuba, parabeniza a Universidade pelos progressos no ensino, na pesquisa e na extensão. Ele reconhece as dificuldades geradas pela atual crise do país, mas argumenta que uma solução é ampliar a prestação de serviços à população. “Precisamos promover mais investimentos na área de extensão e elaborar cada vez mais os seus princípios, para aproximar a sociedade da Universidade”, resume. Faverani ressalta ainda o sentimento de união que existe na comunidade unespiana. “Em qualquer unidade que nós vamos, nós sentimos receptividade, que é uma característica muito forte da Unesp e que nos dá muito orgulho”, declara. O professor aposentado José Jurandir Fagliari aponta o prazer que sempre sentiu ao trabalhar em seu câmpus, o de Jaboticabal. “Além da parte física, da infraestrutura, tenho vários colegas que considero uma grande família”, declara. Ele reconhece que a atual situação nacional apresenta desafios. “Mas a Unesp está no caminho certo”, assegura. “É uma questão de acertar a gestão em função das crises que vão aparecendo; mas ela já está amadurecida, já passou da adolescência, já está madura para enfrentar tudo isso.” Os depoimentos usados neste texto e muitos outros prestados por integrantes da comunidade da Unesp sobre os 40 anos estão disponíveis no Podcast Unesp, no endereço: <http://podcast.unesp.br>.


Reportagem de capa

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Universidade social Anna Maria Martinez Corrêa destaca alguns dos grandes momentos da trajetória da Unesp Oscar D’Ambrosio

Fotos Arquivo do Cedem

Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá surgiu como Instituto Isolado, nos anos 1960

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ocente aposentada do Câmpus de Assis, a historiadora Anna Maria Martinez Corrêa é cofundadora do Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Universidade, onde atualmente presta trabalho voluntário. Nesta entrevista, ela avalia alguns dos momentos mais relevantes vividos pela Unesp em sua trajetória de quatro décadas. Jornal Unesp: Como historiadora especialista na história da Universidade, é possível avaliar que a maneira como a instituição foi formada pode ser considerada essencial no modo como ela se articulou ao longo do tempo? Anna Maria Martinez Corrêa: Peço desculpas, mas não sou especialista na história da Unesp. Apenas colaborei, juntamente com outros pesquisadores, no desencadeamento de um projeto, “A Memória da Universidade”, sediado no Cedem com o objetivo de colecionar registros sobre a experiência vivida na Universidade por seus integrantes. É um projeto que procura identificar a Unesp por meio da narrativa de professores, funcionários e estudantes. Projeto aberto, em constante atualização, que pode ser consultado no Cedem. JU: Há, na sua avaliação, alguns momentos cruciais desses 40 anos de trajetória? Quais seriam eles e por quê?

Anna Maria: A Unesp tem uma pré-história, responsável pelo seu formato inicial. Suas raízes devem ser buscadas nos antigos Institutos Isolados de Ensino Superior do Estado de São Paulo, faculdades criadas, muitas vezes de forma aleatória, ao sabor das articulações dos políticos locais. Apesar disso, no entanto, eram instituições muito esperadas. Havia, em fins da década de 1950, uma expectativa de atendimento das aspirações da juventude do interior paulista na busca de uma formação de nível superior. Num primeiro momento, foram criadas as unidades de Araraquara, Assis, Marília, Rio Claro, São José do Rio Preto e Presidente Prudente. Posteriormente, surgiram outras unidades universitárias. No entanto, os Institutos Isolados eram bastante criticados pelos órgãos envolvidos com a educação. Assim, sua manutenção era difícil sem o respaldo de uma universidade, embora houvesse uma vaga expectativa de incorporação à USP, pouco provável em face das manifestações em sentido contrário. De início, houve uma calorosa acolhida dessas escolas por parte das sociedades locais, fazendo gerar uma certa responsabilidade por parte das autoridades municipais. Essas relações marcaram a qualificação dessas escolas, pela sua localização no interior paulista, e elas passaram a ser consideradas patrimônio local. Uma vez criadas e em funcionamento, passou a haver um convite à aproximação entre elas como condição para o seu

Faculdade de Odontologia de São José dos Campos é hoje o Instituto de Ciência e Tecnologia

fortalecimento, como também o reconhecimento da existência de espaços vazios, não contemplados na sua criação, fazendo surgir uma expectativa de ocupação, de expansão. Daí o apelo a novas formas de gestão, como uma federação de escolas ou, numa visão mais ampla, a proposta de uma universidade. A criação da Unesp, em 1976, foi a solução encontrada para aquele momento. Esse ato constituiu-se num momento crucial para os Institutos Isolados. Foi evento bastante polêmico, uma vez que veio desarticular uma situação já estabelecida, o que gerou protestos. Esses protestos eram representativos da comunidade acadêmica que tinha sido alijada do processo de formação da Universidade. Surgiu assim a Associação dos Professores da Unesp, a Adunesp, que passou a atuar como representante dos docentes. Ela pôde contar com a solidariedade de estudantes e, posteriormente, de funcionários, representando assim uma resistência aos padrões então estabelecidos. Nesse quadro estabeleceu-se a elaboração do primeiro Estatuto da Universidade. Uma questão que deve ser lembrada foi o golpe de 1964, que afetou a vida universitária durante o período de 1964/1985. Recentemente, a Comissão da Verdade da Unesp fez um estudo detalhado dos percalços então sofridos pela Universidade, registrado num relatório que pode ser consultado no Cedem. Outro momento crucial para

a Unesp foi o início dos anos 1980. Desde que se iniciou a campanha pelas eleições diretas para presidente da República, professores, estudantes e funcionários da Unesp também se envolveram pela modificação do Estatuto de 1977, pelas eleições diretas para reitor, por uma participação mais ampla da comunidade acadêmica nos órgãos gestores da Universidade. Também ocorre uma grande ampliação da Unesp, com a incorporação da Universidade de Bauru e do Imespp, de Presidente Prudente. Outro acontecimento que atingiu a Universidade foi a decretação da autonomia universitária. A partir daí, foram criadas outras unidades universitárias que contribuíram para ampliar a presença da Unesp no Estado. JU: Os desafios futuros da Unesp, como, por exemplo, a questão de seu financiamento, passam por uma melhor compreensão da história da universidade? Anna Maria: Eu acredito que a Unesp tenha uma particularidade em razão de suas origens, pela sua identificação com o interior do Estado. Sua ação extrapola os muros de suas escolas e atinge a comunidade na qual ela se encontra e em certos casos até mesmo além dela. Tem assim uma ação ampla com atributos que a tornam responsável por uma ação cultural e social de grande alcance. Por isso mesmo ela mereceria maiores atenções do poder público.

JU: O que a Universidade pode e deve fazer para recuperar melhor a sua história, para que seja guardada de maneira adequada como documento e material de reflexão para as próximas gerações? Anna Maria: É aprimorar o que já vem sendo feito, mantendo os cuidados com a documentação produzida e recebida pela Universidade, incentivando a realização de projetos como os que vêm sendo feitos no Cedem, no Cedap [Centro de Documentação e Apoio à Pesquisa, de Assis], no Cedhum [Centro de Documentação Histórica e Universitária de Marília] e em várias localidades do interior que têm seus centros de documentação, como as ações que vêm sendo desenvolvidas em bibliotecas e arquivos, com os cuidados com a preservação de acervos. Da mesma forma, como a própria ACI [Assessoria de Comunicação e Imprensa], com seus cuidados pelos registros de eventos e efemérides da Universidade. Um melhor conhecimento da Universidade pode servir de incentivo para valorizar sua ação cultural e, em detrimento de proposições mercadológicas, concentrar atenções no maior bem que a Universidade pode proporcionar à sociedade, a cultura, em busca de caminhos que possam conduzir para um futuro de bem-estar social, aperfeiçoando suas relações com a natureza e com os homens entre si, numa atmosfera de congraçamento e de paz social.


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Geral

Estrela em ascensão Unesp ocupa 1ª posição nas Américas do Sul e Central no ranking Nature Index 2016 Rising Stars Reprodução

A

Unesp ocupa o primeiro lugar entre as instituições de pesquisa das Américas do Sul e Central e a 81ª posição no mundo, segundo o Nature Index 2016 Rising Stars. O ranking lista as “estrelas ascendentes” da pesquisa mundial com base no Nature Index, que acompanha a produção científica feita em mais de 8 mil instituições. Segundo a Nature, o índice Rising Stars reúne organizações que “ainda não estão no topo de seus campos, mas que claramente têm o potencial de brilhar mais forte do que as demais”. “Essas instituições e seus países têm melhorado suas performances frequentemente sem a longevidade, a reputação e os recursos de muitas instituições bem estabelecidas que lideram os rankings acadêmicos, como as Universidades Harvard e de

Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet), da Argentina, que vem em segundo no ranking para as Américas do Sul e Central, teve um aumento de 23,92%. A Universidade Nacional Autónoma do México está em 3º, seguida pela Universidade de São Paulo. A Fapesp ocupa a 16ª posição. A China domina o Nature Index mundial, com nove das dez primeiras posições.

Mais informações sobre o Nature Index Rising Stars em: <http://goo.gl/qFu3eB>.

Índice acompanha produção científica de mais de 8 mil instituições de todo o mundo Cambrige”, destaca a publicação. As instituições que integram o índice tiveram notável aumento em sua contribuição

para importantes revistas científicas, conforme o indicador WFC (de “weighted fractional count” – “contagem fracional

ponderada”). A Unesp obteve um crescimento no WFC de 109,87% entre 2012 e 2015. O Conselho

Ouça Podcast com Maysa Furlan, pró-reitora interina de Pesquisa da Unesp, que analisa o ranking Nature Index 2016 Rising Stars em <http://goo.gl/wcBeic>.

O crescimento das patentes Pesquisa que avaliou pedidos na Universidade aponta aumento expressivo entre 1980 e 2012 Maristela Garmes

Eliana Assumpção

O

número de depósitos de patentes na Unesp apresenta um avanço significativo nas últimas décadas. Entre os anos 1990 e os anos 2000, houve um aumento de 600% nos registros. E, nos anos 2010, o volume de depósitos deverá ser maior do que na década anterior. Essas são algumas das conclusões de um estudo coordenado por Rondinelli Donizetti Herculano, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp de Araraquara, que avaliou o período de 1980 a 2012. Os principais fatores apontados por Herculano para essa expansão foram a criação da Agência Unesp de Inovação (AUIN), a promulgação de leis que estimulam a proteção à propriedade intelectual e, ainda, a cobrança da Capes pela excelência nos programas de pós-graduação, que gera uma busca por aumento dos conceitos (notas) e, consequentemente, a procura dos pesquisadores por depósitos de patentes. “Hoje em dia, o docente tem mais claro o que seria uma patente e o quanto a propriedade intelectual pode ser benéfica para uma pesquisa inovadora”, diz. Os dados do estudo foram obtidos na AUIN e

Câmpus de Araraquara é responsável por 37,7% das patentes conferidos na Plataforma Lattes. O trabalho gerou um artigo na revista Ponto de acesso, publicado por Herculano e pelo egresso do curso de Engenharia Biotecnológica da Faculdade de Ciências e Letras (FCL) da Unesp de Assis Heitor Murbach. De acordo com o levantamento, as maiores concentrações no número de patentes estão em Araraquara (37,7%); Botucatu (15,4%); Rio Claro (9,2%); Guaratinguetá (7,7%); e Ilha Solteira (6,1%). Já em unidades como Assis, São Paulo ou Ourinhos o depósito de patentes é mais baixo: 1,5%; 0,7% e 0,7%, respectivamente. Do total das 130 patentes registradas ao longo dos 32 anos,

os maiores números são, respectivamente, do Instituto de Química, com 25,4%, e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, com 10% da produção da universidade – ambas as unidades são de Araraquara. Em terceiro lugar está a Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, representando 8,4%; e, em quarto, o Instituto de Biociências de Botucatu, com 6,9% de patenteamento de toda a Unesp. Segundo o pesquisador, a patente ainda é uma questão obscura na Universidade. “Na área de Humanas quase não temos patentes depositadas. Isto não ocorre só na Unesp, mas é uma tendência nacional”, conta.

O professor diagnosticou que a produção se concentra mais em locais onde há uma grande presença de empresas. “Somando Araraquara e Botucatu, são mais de 50% das patentes. Araraquara, sozinha, tem aproximadamente 40% de toda a Universidade, isso porque eles desenvolvem produtos que favorecem o patenteamento. É um dado excelente para o câmpus, mas, pensando na Universidade como um todo, o alerta tem que ficar ligado”, ressalta. As áreas que mais solicitam patentes são as de química (25,3%), saúde (22,3%), instrumentação (18,5%) e agricultura (5,4%). Há áreas que pedem patentes mas registram números baixos, como bioquímica (0,77%), transporte (0,77%), vestuário (0,77%), desenho industrial (1,54%) e alimentos (1,54%). “Temos áreas que nem aparecem, como ciências sociais e humanas”, comenta Herculano. O pedido de sigilo, quando não se especifica a área, atinge 11,5% do total de registros. Herculano enfatiza que a área de agricultura deveria ter um volume alto de patentes, uma vez que a Universidade tem cursos de excelência nesse setor, mas não está entre as

principais responsáveis por pedidos. “Muitas vezes o professor dessa área resolve problemas relevantes avaliando os prós e contras de cada alternativa de ação, publicando esses achados, e acaba não tendo interesse no patenteamento”, diz. De qualquer modo, na avaliação do docente, houve uma grande evolução na Unesp. Ele menciona que, na década de 1980, foram pedidas apenas cinco patentes; na década de 1990, foram 14 registros; de 2000 a 2010, foram 84. E, de 2010 a 2012, os pedidos contabilizados já chegaram a 27. Para Herculano, a maior questão não é o número de patentes depositadas pela Universidade, mas, sim, quantas patentes entrarão no mercado via empresas. “Muitas vezes um pesquisador deposita vários pedidos de patentes, mas nenhuma empresa tem interesse em adquirir a patente. Ou seja, o pedido não se torna um produto”, explica o professor. Leia o artigo completo em: <http://goo.gl/faya1t>. Para entrar em contato com o professor Herculano: <rond@fcfar.unesp.br>.


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Contra o abandono de cães e gatos em Portugal

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Pesquisador é escolhido “Embaixador da Paz” Assessoria de Comunicação e Imprensa do Instituto de Biociências

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Divulgação

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pesquisador Antonio Francisco Godinho, do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox), unidade auxiliar do Instituto de Biociências (IB) da Unesp, Câmpus de Botucatu, recebeu, no dia 21 de junho, o título de Embaixador pela Paz. A honraria é concedida pela Universal Peace Federation United States of America, organização não governamental ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). A entrega do título ocorreu na Prefeitura de Botucatu. A distinção é destinada a pessoas indicadas pelas atividades que realizam junto às comunidades em que atuam e que contribuem para a disseminação e implementação da paz entre todos os indivíduos. “Receber esse título representa uma satisfação muito grande”, afirma Godinho. “Ao mesmo tempo serve como um enorme estímulo para que eu me doe muito mais

Modolo recebeu carta de agradecimento da Câmara de Évora a Redução Populacional e Abandono (ARPA); treino canino, para que o cão possa viver em família e em harmonia com a sociedade, ao mesmo tempo em que se reforça o vínculo com o seu dono; e campanha contra dejetos na via pública, com a sensibilização dos munícipes por meio de ações em conjunto com as Juntas de Freguesia. O projeto tem como público-alvo todos os moradores de Évora, com exceção das campanhas de esterilização, dirigidas exclusivamente à população carente. Pela sua atuação, o docente da FMVZ recebeu da Câmara Municipal de Évora uma carta de agradecimento público, assinada pela médica veterinária Margarida Câmara. Manuela Vilhena, professora da Universidade de Évora, destaca que o professor Modolo “desenvolveu um trabalho muito rico e proveitoso em praticamente todas as áreas a que se tinha proposto”.

ainda, no sentido de ajudar o próximo a lutar por algo que muitos seres humanos têm dificuldade para conquistar, a paz, seja em seus corações, seja na sua família, seja no ambiente de trabalho – enfim, na sua vida.” Além da atuação como pesquisador, Godinho está envolvido em atividades com terapias complementares, como a cura reconectiva e reiki. “Por meio desses tratamentos, tenho ajudado muitas pessoas, inclusive aqui do Câmpus da Unesp”, explica o especialista, que também realiza palestras sobre esses temas. No Ceatox, Godinho trabalha na área de toxicologia, investigando substâncias que poluem o ambiente, como agrotóxicos e metais pesados. “Eu estudo o efeito desses produtos sobre o comportamento dos animais, como coordenação motora e agressividade”, esclarece. Andreia Seullner

osé Rafael Modolo, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, Câmpus de Botucatu, retornou de um período de seis meses em Portugal. Lá, ele vivenciou uma troca de experiência profissional e intercâmbio científico com a Disciplina de Saúde Pública do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade de Évora, Portugal, com bolsa Capes. O docente participou do projeto Évoracãovida – Évora em Harmonia com Animais de Companhia. Essa iniciativa, desenvolvida pelo Serviço Veterinário Municipal da cidade portuguesa, em parceria com a universidade, busca diminuir a população de cães e gatos abandonados, sensibilizar os proprietários para recolhimento das fezes dos animais em espaços públicos e fortalecer o vínculo dono-animal. A motivação do projeto está na constatação de que a relação entre homem e animal sem vínculo afetivo faz com que as pessoas acabem por abandonar ou descuidar dos cuidados a seus animais. “A urgência de difundir o conceito de posse responsável, bem como a necessidade de medidas eficazes para solucionar problemas relacionados com o grande número de cães errantes, justifica a necessidade de trabalhos que objetivem esse fim”, explica Modolo, que já recebeu cinco Votos de Louvor da Congregação da FMVZ por suas atividades extensionistas de saúde pública veterinária. O Plano de Ação Básico do projeto inclui campanhas de esterilização de cães e gatos, no Hospital Veterinário da Universidade de Évora, com envolvimento dos alunos de Medicina Veterinária e em conjunto com a Associação para

Godinho (esq.) também aplica terapias como o reiki

SEMPRE UNESP

Egressa conquista prêmio no exterior Divulgação

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m julho, Rosa Virgínia Dutra de Oliveira foi agraciada com o Young Investigator Award no Montana Science & Technology Biofilm Meeting, promovido pelo Centro de Engenharia de Biofilme da Universidade Estadual de Montana, nos Estados Unidos. A premiação mostrou o acerto das decisões que a pesquisadora tomou na carreira. Depois de concluir o curso de Odontologia na Universidade Federal da Paraíba, em 2004, Rosa trabalhou como dentista no serviço público e no setor privado. Seu desejo, porém, era seguir a carreira

acadêmica e, em 2010, iniciou o mestrado na instituição onde havia feito sua graduação. Em 2012, ingressou no doutorado na Faculdade de Odontologia, Câmpus da Unesp de Araraquara, sob a orientação da professora Fernanda Lourenção Rosa (esq.) foi orientada por Brighenti. Ela recorda que Fernanda, que elogia seu empenho utilizou não somente a infraestrutura de Araraquara, mas também a dos Câmpus de Araçatuba e São José dos aspectos o desenvolvimento da Campos. “A proximidade entre minha pesquisa”, assinala. O trabalho premiado inteas unidades proporcionou o esgrou o projeto de pesquisa do tabelecimento de vínculos com diferentes docentes e discentes, doutorado, que analisou a interação de bactérias causadoras além de facilitar em muitos

de cáries. Desenvolvido durante o estágio de pesquisa no exterior, o estudo foi realizado na Universidade Estadual de Montana, em colaboração com o professor Garth James e com auxílio financeiro da Fapesp. A professora Fernanda destaca o crescimento profissional de Rosa no doutorado. “Ela precisou desenvolver a padronização das metodologias de estudo das bactérias”, esclarece. “O prêmio foi merecido, por sua dedicação durante todos esse anos.” Rosa enfatiza que a bagagem adquirida na Unesp permitiu

que ela realizasse experimentos mais complexos em Montana. “Como resultado, nosso trabalho foi selecionado para receber o Young Investigator Award”, conclui. Atualmente, ela é professora assistente no Centro Universitário de João Pessoa, na Paraíba, onde pretende realizar pesquisas em parceria com os professores e instituições com os quais já trabalhou. “Assim, poderei aliar ensino e pesquisa, auxiliando na construção de um currículo competitivo para o futuro ingresso em uma instituição pública de ensino superior”, declara.


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Alunos

Bauru participa do Rondon Equipe da Faculdade de Ciências integra operação em município do Rio Grande do Norte João Moretti Junior – FC/Bauru

Fotos divulgação

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antendo uma tradição de vários anos, a Faculdade de Ciências (FC) do Câmpus da Unesp de Bauru participou do Projeto Rondon 2016. A unidade integrou a Operação Forte dos Reis Magos, no município de Santana do Matos, no Rio Grande do Norte, sob a responsabilidade do professor Dinael Correa de Campos, do Departamento de Psicologia. A FC ficou em quarto lugar entre os 10 melhores projetos de um programa didático para a região. O estudante Luan Henrique Roncada, do curso de Educação Física, classifica como “fantástica” a recepção das pessoas do município à equipe da Unesp, composta por 10 integrantes. “Passei muitos exercícios de recreação e eles abraçavam intensamente, cativados”, afirma. “Notamos a importância

População foi receptiva às orientações

do profissional de Educação Física e realizamos mudanças na vida deles. Me realizei.” Maria Eduarda Castro, do curso de Pedagogia, ministrou oficinas de contar histórias e trabalhou com psicomotricidade em bebês. Em sua atividade, ela ajudou a melhorar o relacionamento entre pais e filhos. “Uma mãe veio com uma criança de dois anos que ainda

justiça e saúde. As oficinas realizadas pelos estudantes tiveram o objetivo de capacitar agentes multiplicadores para desenvolver atividades que valorizem a cultura local e promovam o intercâmbio de informações, além de capacitar gestores municipais, conselheiros e lideranças comunitárias em gestão de políticas públicas. Além de Campos, Luan e Maria Eduarda, o grupo da Unesp foi formado pelo professor Rubens Venditti Junior e pelos alunos Andreza Ambonati Santos (Educação Física), Camila da Silva Colognesi (Física), Guilherme Schonmann Finardi (Psicologia), Isis Cristiane Barbosa Rossi (Matemática), Jaqueline Carolina do Prado Alves (Psicologia) e Rodrigo Chechi Marineli (Pedagogia).

Dez alunos integraram grupo da Unesp

não falava nada, perguntei se ela conversava em casa com o bebê e a resposta foi negativa”, recorda. “Como a criança vai aprender a falar? Fiquei chocada, mas orientei cuidadosamente.” Segundo o professor Campos, participar do Projeto Rondon é uma oportunidade única de realizar extensão universitária. “Iniciamos com o levantamento de necessida-

des da cidade para a qual faremos o projeto; depois realizamos a seleção dos alunos e, por fim, o contato com a população”, explica. A operação do Rondon atendeu a 10 municípios e envolveu 200 rondonistas voluntários e 20 Instituições de Ensino Superior. A FC foi responsável pelas atividades referentes a cultura, educação, direitos humanos e

Encontro mundial da diplomacia jovem Biologia com criatividade Divulgação

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Fernanda chefiou delegação do Brasil no evento ocorrido na China

A pesquisadora ressalta que o objetivo do encontro foi refletir sobre cinco temas e propor soluções para enfrentá-los: combate à pobreza; empreendedorismo e pensamento criativo; igualdade de oportunidade e justiça social; parcerias e governança; e sustentabilidade. Cada um dos membros da delegação nacional ficou encarregado da discussão de um dos temas propostos. Ela informa que, antes do encontro, o grupo organizou uma campanha para consultar a sociedade brasileira sobre quais deveriam ser as prioridades em cada uma das áreas temáticas. “Assim, elaboramos um ‘Pers-

pective Report’ que delineava, para as demais delegações, nossos interesses e estratégias negociais”, esclarece. De acordo com Fernanda, os brasileiros foram bastante ativos nos debates. “No meu caso, em particular, foi muito interessante ter conseguido incluir no documento final de ‘Governança Global’ assuntos como paradiplomacia e o aumento da participação de agentes sociais nos mecanismos e instâncias multilaterais”, afirma. “Como chefe da delegação brasileira, também estive diretamente envolvida na redação do communiqué final, que será encaminhado ao G20.”

divulgação científica pode utilizar os meios mais diversos – o importante é ter criatividade. Aluno do curso de graduação em Ciências Biológicas no Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, Iago Bueno da Silva criou em junho a página virtual Apis & Mellifera: aprendendo Biologia de forma descontraída. Nesse espaço, o estudante recorre a tirinhas bem-humoradas para apresentar temas relacionados às Ciências Biológicas. O projeto veio da paixão pelo desenho e pela ciência, o que motivou Iago a produzir diferentes postagens sobre questões ligadas a essa área do conhecimento. O estudante diz estar muito satisfeito com os resultados que vem obtendo. “Consegui atingir diferentes públicos, inclusive

de fora da área de Biológicas, o que era meu objetivo principal”, revela. “A página está em expansão e procuro postar novas tirinhas todas as semanas, abordando diferentes assuntos da Biologia.” Iago esclarece que tem parceria com algumas páginas e sites, onde escreve posts sobre assuntos de Biologia e relaciona esses conteúdos com os quadrinhos que desenha. “Estou animado para propostas de projetos que possam surgir, uma vez que a divulgação científica é essencial e demanda muitas pessoas trabalhando nisso” garante. Endereço da página do projeto no Facebook: <http://goo.gl/9R98X5>. Para entrar em contato com Iago: <iagobs@rc.unesp.br>.

Reprodução Divulgação

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ntre os dias 24 e 30 de julho, aconteceu nas cidades chinesas de Pequim e Xangai o Youth 20 (Y20), maior evento de diplomacia jovem do mundo. Participaram do evento mais de 100 jovens dos países membros do G20, o grupo formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo, mais a União Europeia. A delegação brasileira teve cinco integrantes, sob a chefia de Fernanda Magnotta, mestre e doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp/Unicamp/PUC-SP) e pesquisadora do Núcleo de Estudos e Análises Internacionais (NEAI) da Unesp. Fernanda, que é professora e coordenadora do curso de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), escreveu o livro As ideias importam: o excepcionalismo norte-americano no alvorecer da superpotência, lançado em 2016 pela editora Appris. A equipe nacional incluiu ainda o arquiteto Ariel Macena, o publicitário Pedro Oliveira e os engenheiros Petrina Santos e Thomaz Talarico. “O Y20 foi uma oportunidade única no sentido de debater ideias e conhecer pessoas”, enfatiza Fernanda.

Tirinhas são o recurso usado por Iago para divulgar ciência


Geral

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AGÊNCIA UNESP DE INOVAÇÃO

Kit transforma cadeira de rodas em triciclo motorizado

GOVERNADOR: Geraldo Alckmin SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA SECRETÁRIO: Márcio França

Rebeca Terra/AUIN

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x-aluno da Faculdade de Engenharia da Unesp de Guaratinguetá, Júlio Oliveto Alves desenvolveu um sistema automotor de tração de baixo custo, o Kit Livre. A solução inovadora transforma a cadeira de rodas em um triciclo motorizado elétrico diferenciado, que permite a cadeirantes superar trechos de subida de até 40% de inclinação a uma velocidade de 5 km/h e pode chegar a até 20 km/h em terreno plano. De fácil instalação, o Kit Livre adapta-se a qualquer cadeira de rodas convencio-

nal. Compacto, dobrável, leve, estiloso, com alta durabilidade, resistente a impactos, proporciona ao cadeirante maior liberdade de deslocamento, sem desgaste físico. Pode ser utilizado em diferentes tipos de terrenos, como terra, areia, grama, asfalto e paralelepípedo. A tecnologia, que envolve uma terceira roda dianteira com baterias, fez parte da dissertação de mestrado de Alves e foi desenvolvida em parceria com o professor Victor Orlando Gamarra-Rosado. Chamado de “Radical”, o sistema custa até 60% menos que produtos similares importados.

Criado em 2011, o Radical permite uma autonomia de 2h30 de uso, ou cerca de 25 km de deslocamento. O produto é equiparado a uma bicicleta convencional, sem a necessidade de o condutor ter carteira de habilitação. O projeto obteve o Prêmio Acelera Startup da Fiesp em 2015. Este ano, Alves procurou avançar na abertura de um negócio especializado no projeto e no desenvolvimento e construção de novas alternativas no transporte individualizado de pessoas com deficiência.

REITOR: Julio Cezar Durigan VICE-REITOR: Eduardo Kokubun PRÓ-REITOR DE ADMINISTRAÇÃO: Carlos Antonio Gamero PRÓ-REITOR DE GRADUAÇÃO: Laurence Duarte Colvara PRÓ-REITORA DE PÓS-GRADUAÇÃO: Lourdes Aparecida Martins

dos Santos-Pinto PRÓ-REITORA DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA:

Mariângela Spotti Lopes Fujita PRÓ-REITORA DE PESQUISA: Maysa Furlan (interina) SECRETÁRIA-GERAL: Maria Dalva Silva Pagotto CHEFE DE GABINETE: Lauro Henrique Mello Chueiri (interino) ASSESSOR-CHEFE DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO E IMPRENSA : Oscar D’Ambrosio ASSESSOR-CHEFE DA ASSESSORIA DE INFORMÁTICA :

Edson Luiz França Senne ASSESSOR-CHEFE DA ASSESSORIA JURÍDICA :

Edson César dos Santos Cabral ASSESSOR-CHEFE DE PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO:

Mario de Beni Arrigone ASSESSOR-CHEFE DE RELAÇÕES EXTERNAS:

José Celso Freire Júnior ASSESSOR ESPECIAL DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO:

Rogério Luiz Buccelli DIRETORES/COORDENADORES-EXECUTIVOS DAS UNIDADES UNIVERSITÁRIAS:

Evento ajuda aluno a definir futuro Marcos Jorge Marcos Jorge

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ecidir o futuro profissional não é uma decisão fácil para jovens que estão nos últimos anos da universidade. Para orientar esse processo, os alunos da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá organizaram nos dias 25 e 26 de agosto a 5ª edição do Workshop de Oportunidades da Unesp. A ideia dos organizadores era ir além de uma feira de recrutamento para conectar estudantes e empresas e promover um evento que de fato orientasse os universitários para suas escolhas profissionais, de acordo com o perfil de cada um. O encontro foi organizado pela ENG Jr., empresa júnior de consultoria do Câmpus de Guará, e pelo Grupo PET (Programa Especial de Treinamento), e divulgado em todos os câmpus da Unesp e nas faculdades da região do Vale do Paraíba. Além de um espaço para exposição das empresas, os alunos também puderam acompanhar uma programação de palestras. “A gente se esforçou por escolher um conteúdo que ampliasse a visão de mundo e desse aos alunos mais criticidade. A ideia é que eles busquem suas escolhas mais conscientemente”, destaca Gabriel Ragasine Galvão, aluno do 3º ano de Engenharia Mecânica e responsável pelo conteúdo da programação. A proposta do evento de promover uma espécie de autoconhecimento profissional ficou evidente já no período de inscrição: os

Max José de Araújo Faria Júnior (FMV-Araçatuba), Wilson Roberto Poi (FO-Araçatuba), Cleopatra da Silva Planeta (FCF-Araraquara), Elaine Maria Sgavioli Massucato (FO-Araraquara), Arnaldo Cortina (FCL-Araraquara), Leonardo Pezza (IQ-Araraquara), Andréa Lúcia Dorini de Oliveira (FCL-Assis), Nilson Ghirardello (FAAC-Bauru), Dagmar Aparecida Cynthia França Hunger (FC-Bauru), Edson Antonio Capello Sousa (FE-Bauru), João Carlos Cury Saad (FCA-Botucatu), Pasqual Barretti (FM-Botucatu), Maria Dalva Cesario (IB-Botucatu), José Paes de Almeida Nogueira Pinto (FMVZ-Botucatu), Paulo Alexandre Monteiro (FCAT-Dracena), Célia Maria David (FCHS-Franca), Mauro Hugo Mathias (FE-Guaratinguetá), Rogério de Oliveira Rodrigues (FE-Ilha Solteira), Ricardo Marques Barreiros (Itapeva), Pedro Luís da Costa Aguiar Alves (FCAV-Jaboticabal), José Carlos Miguel (FFC-Marília), Andréa Aparecida Zacharias (Ourinhos), Marcelo Messias (FCT-Presidente Prudente), Reginaldo Barboza da Silva (Registro), Cláudio José Von Zuben (IB-Rio Claro), José Alexandre de Jesus Perinotto (interino) (IGCE-Rio Claro), Renata Maria Ribeiro (Rosana), Maria Tercília Vilela de Azeredo Oliveira (Ibilce-São José do Rio Preto), Estevão Tomomitsu Kimpara (ICT-São José dos Campos), Mario Fernando Bolognesi (IA-São Paulo), Rogério Rosenfeld (IFT-São Paulo), Marcos Antonio de Oliveira (IB/CLP-São Vicente), André Henrique Rosa (ICT-Sorocaba) e Danilo Fiorentino Pereira (FCE-Tupã).

EDITOR: André Louzas REDAÇÃO: Marcos Jorge e Maristela Garmes COLABORARAM NESTA EDIÇÃO: João Moretti Jr., Rebeca Terra,

Workshop teve palestras e espaço para exposição de empresas

alunos foram convidados a responder a uma série de perguntas sobre si mesmos e suas preferências, o que serviria para o mapeamento do seu perfil. Ao longo dos dois dias de evento, esse material podia ser usado em uma consultoria de elaboração de currículo que estava disponível aos estudantes. “A gente tentou orientar o estudante sobre como decidir fazer uma carreira que seja de impacto e que faça sentido com quem ele é. Não é prestar um processo seletivo apenas porque todos prestam, mas porque ele se conecta com essa futura empresa por algum motivo. A gente espera que essa escolha faça dele um profissional mais motivado no mercado de trabalho”, aponta Amanda Rodrigues, outra organizadora do workshop.

O evento também teve a presença do reitor da Unesp Julio Cezar Durigan, que destacou a importância da aproximação entre a Universidade e as empresas e ressaltou a necessidade de rever a carga horária da graduação, que em cursos como Engenharia alcança de 30 a 40 horas por semana. Marcelo Gradella, egresso do curso de Engenharia Mecânica da FEG, também fez parte da programação das palestras. Sua fala foi mais voltada para a experiência pessoal no mercado de trabalho, em especial para a forma como o conhecimento internacional que adquiriu no intercâmbio e sua flexibilidade dentro da empresa, a Ghüring Brasil, colaboraram para seu crescimento profissional.

Renato Coelho e Ricardo Aguiar (texto); Andréia Seullner, Chello Fotógrafo, Eliana Assumpção e Paulo Lopes (fotos). EDIÇÃO DE ARTE E DIAGRAMAÇÃO: Phábrica de Produções (diretores de arte: Alecsander Coelho e Paulo Ciola) (diagramadores: Cícero Moura, Icaro Bockmann, Marcel Casagrande, Marcelo Macedo e Rodrigo Alves) REVISÃO: Maria Luiza Simões PRODUÇÃO: Mara Regina Marcato ASSISTENTE DE INTERNET: Marcelo Carneiro APOIO ADMINISTRATIVO: Thiago Henrique Lúcio TIRAGEM: 6 mil exemplares Este jornal, órgão da Reitoria da Unesp, é elaborado mensalmente pela Assessoria de Comunicação e Imprensa (ACI). A reprodução de artigos, reportagens ou notícias é permitida, desde que citada a fonte. ENDEREÇO: Rua Quirino de Andrade, 215, 4.º andar, Centro, CEP 01049-010, São Paulo, SP. Telefone: (11) 5627-0323. HOME PAGE: http://www.unesp.br/jornal E-MAIL: jornalunesp@reitoria.unesp.br IMPRESSÃO: 46 Indústria Gráfica

VEÍCULOS Unesp Agência de Notícias: <http://unan.unesp.br/>. Rádio Unesp: <http://www.radio.unesp.br/>. TV Unesp: <http://www.tv.unesp.br/>.


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Cultura

BRASIL E CHINA MAIS PRÓXIMOS

Vice-primeira-ministra chinesa visita Instituto Confúcio na Unesp e propõe desenvolvimento de relações bilaterais

Oscar D’Ambrosio Fotos Chello Fotógrafo

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Instituto Confúcio na Unesp, localizado no bairro do Ipiranga, em São Paulo (SP), recebeu, dia 3 de agosto, a visita da vice-primeira-ministra da República Popular da China, Liu Yandong, com o intuito de ampliar as relações educacionais e culturais entre o país asiático e o Brasil. No evento, houve apresentações musicais, de dança, de kung-fu e de coral infantil por alunos do Instituto, além de demonstrações de cerimônia do chá e caligrafia. A visita se concretizou a partir de uma ação do Instituto Confúcio na Unesp de estimular os seus alunos a escreverem, em mandarim, cartas para as principais autoridades políticas chinesas. Sensibilizado com essa ação, o governo do país oriental decidiu que, muito melhor que responder às correspondências uma a uma, era realizar uma fala de sua vice-primeira-ministra para autoridades da Universidade e alunos do Instituto. No Instituto, a fala de Liu Yandong, que representou o governo de seu país na abertura dos Jogos Olímpicos, em 5 de agosto, no Rio de Janeiro (RJ), foi a única oficial em sua visita ao Brasil. A vice-primeira ministra apontou que o Brasil é o país na América Latina que estabeleceu mais institutos Confúcio e salas de aula Confúcio, esperando que essas instituições possam promover os intercâmbios culturais entre a China e o Brasil e o melhor desenvolvimento das relações bilaterais. Julio Cezar Durigan, reitor da Unesp, lembrou que o Instituto Confúcio na Unesp chegou a São Paulo em 2008, como resultado de um convênio entre a Unesp e o governo da República Popular da China, em parceria com a Universidade de Hubei. “A missão é o ensino da língua chinesa, a divulgação da cultura e da história da China e o fortalecimento do intercâmbio cultural e acadêmico

Liu Yandong recebeu do professor Durigan uma aquarela de Norberto Stori, numa cerimônia com alunos do Instituto Confúcio na Unesp

Evento teve apresentação de danças do Brasil e de kung-fu, além de demonstrações da cerimônia do chá e de caligrafia entre o Brasil e a China”, ressaltou. “O Instituto Confúcio na Unesp foi o primeiro a ser instalado no Brasil e recebeu duas vezes o prêmio de melhor do ano na China”, ressaltou Luis Paulino, diretor do Instituto. Na ocasião, houve troca de presentes, tendo a Unesp entregue à vice-primeira-ministra uma aquarela de Norberto Stori, professor do Instituto de Artes da Unesp, em São Paulo. O Instituto atende alunos da Unesp, estudantes do ensino básico das escolas públicas e membros da comunidade em 13 cidades do Estado de São Paulo: a capital e 12 das cidades do interior onde a Unesp mantém unidades de ensino (Araraquara, Assis, Bauru, Botucatu, Franca, Ilha Solteira, Jaboticabal, Marília,

Presidente Prudente, São José do Rio Preto, São José dos Campos e São Vicente). Além desses locais, o Instituto possui uma sede em Jacareí. Também mantém convênios com outras universidades, com prefeituras e com instituições do Estado de São Paulo. Todos os profissionais que lecionam são chineses e aprovados pela matriz do Instituto Confúcio na China. O Instituto também oferece laboratório de línguas e plantão de dúvidas, com agendamento individual. Dispõe de sala de leitura com variado acervo de livros, revistas, DV Ds e material multimídia para consulta. Oferece ainda cursos em português sobre a história da arte da China e sobre o ambiente de negócios, para empresas interessadas.

Saiba mais sobre o Instituto Confúcio na Unesp BOLSAS DE ESTUDO NA CHINA O Instituto oferece bolsas para estudantes do curso de aperfeiçoamento em língua chinesa na Universidade de Hubei. São bolsas com duração de 6 meses, um ano e 2 anos para mestrado em Ensino de Língua Chinesa como Língua Estrangeira. EXAME DE PROFICIÊNCIA DE LÍNGUA CHINESA O Instituto é o único órgão autorizado a aplicar o Exame Oficial de Proficiência de Língua Chinesa Escrito (HSK) e o Exame de Proficiência Oral (HSKK). O HSK é a certificação reconhecida pelo governo da China e por todos os órgãos ligados à educação daquele país.

CURSOS DE VERÃO O Instituto organiza anualmente cursos de verão na China, com bolsas de estudo para alunos de todas as unidades no Estado de São Paulo. Os participantes ficam alojados no próprio câmpus da Universidade de Hubei e têm aulas de língua e de cultura chinesa. ATIVIDADES CULTURAIS O Instituto realiza, ao longo do ano, atividades culturais que colaboram para o aprendizado da língua e colocam os alunos e a comunidade em contato com a cultura chinesa. Sede do Instituto: Rua Dom Luis Lasanha, 400 - Ipiranga - São Paulo - SP: <http://goo.gl/QEDNF1>.

Jornal Unesp - Número 325 - Setembro 2016  

Jornal produzido pela Assessoria de Comunicação e Imprensa da Universidade Estadual Paulista - "Júlio de Mesquita Filho"

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