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Suplemento do Jornal Unesp Maio 2018

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Escrita inclusiva e feminismo Érika de Moraes

Entrevista com Nilma Renildes da Silva

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10 filmes com protagonistas mulheres Oscar D'Ambrosio

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Literatura feminina não. Literatura produzida por mulheres: uma questão de perspectiva

Daniela Alvares Beskow

123RF

FÓRUM

PENSANDO A PRESENÇA DA MULHER Este caderno volta-se para algumas reflexões de mulheres que ajudam a iluminar um mundo estruturado para assegurar a hegemonia masculina. Entre as dimensões analisadas está a cultura, que reforça os preconceitos sobre uma suposta inferioridade feminina. Isso se

manifesta, por exemplo, na educação dos meninos, que instala neles valores que no futuro podem justificar agressões contra suas parceiras. A própria língua entra em questão, por estabelecer padrões onde o masculino predomina (um homem e uma mulher juntos

são tratados como “eles”...). Da mesma forma, é debatida a noção de literatura feminina, que estaria relacionada à ideia de uma produção de menor qualidade. Enfim, a presença da mulher como protagonista no cinema é apresentada em algumas obras significativas.


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Fórum

Maio 2018

FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EXIGE MUDANÇA CULTURAL

ESCRITA INCLUSIVA E FEMINISMO 123RF

Érika de Moraes

NILMA RENILDES DA SILVA Por Oscar D’Ambrosio

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rofessora de Psicologia Social e supervisora de estágio em Psicologia Social e Comunitária da Unesp, Câmpus de Bauru, Nilma Renildes da Silva desenvolve pesquisa e extensão na área de violência doméstica contra crianças e adolescentes, violência contra as mulheres e violência nas escolas, visando à garantia de direitos humanos e à coibição do uso da violência nas relações sociais. Nesta entrevista, ela alerta que é necessário mostrar que a violência não é algo “natural” e exige uma mudança no processo educativo.

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ma recente polêmica na França mostra que nossas sociedades são mais semelhantes do que poderia parecer. Trata-se de uma proibitiva do primeiro-ministro Edouard Philippe para a oficialização da chamada escrita inclusiva, contemplando marcas como o uso de toutes et tous (todas e todos) e a “feminização” da concordância no plural. Justifica-se pelo “respeito ao formalismo próprio aos atos de natureza jurídica e administrativa” e a conformidade com as “regras gramaticais e sintáticas, notadamente por razões de inteligibilidade”. No Brasil, marcas de inclusão de gênero têm sido cada vez mais frequentes no uso “politicamente correto” da língua. A Linguística tem explicações para defender que a língua, em si, não é machista. Por exemplo, o contraste não estaria entre o feminino e o masculino, mas entre o marcado e o não marcado. Assim, em língua portuguesa, haveria palavras “não marcadas” e palavras com marcação do feminino (em geral, terminadas em “a”), simplificando o tema para fins didáticos. Porém, como a língua reflete o político (poderia mesmo dizer: língua é política), é válido perguntar: por que a forma supostamente neutra coincide com a masculina? [...] Retomando o exemplo do francês, algumas palavras trariam, oficialmente, somente a forma “neutra”, que, mais uma vez, coincide com a grafia regularmente masculina, a exemplo de auteur e docteur (uma única palavra para autor/autora e doutor/doutora). Mas o uso trouxe mudanças e as formas “feminizadas” já são incorporadas pela academia, embora alguns autointitulados guardiões da língua tentem resistir. Com muita alegria, em documentação oficial para meu estágio de pós-doutoramento na França, fui tratada como professeure docteure. Dicionários já registram doctoresse para a médica. Ou seja, os sufixos característicos do feminino – no francês, -e, -ère, -ice e outras variações – ganham força na língua viva. É digno de nota que se trata de palavras cujos sentidos se vinculam a certo prestígio, por isso, por tanto tempo associadas ao mundo masculino. Embora mudar a língua seja pouco perto do que precisamos para mudar o mundo, esses movimentos em prol da feminização da língua – si-

Suposta neutralidade da língua pode indicar apagamento do feminino nônimo de identidade (“Minha Pátria é minha língua”) – mostram resistência à preponderância do padrão masculino. Mas é necessário ir além: ações e políticas de inclusão devem vir acompanhadas de mudanças estruturais. Conceber a língua como um lugar neutro é contraparte da crença de que mulheres (cheias de mi-mi-mis, diriam) não precisam de políticas públicas específicas, enquanto, cada vez mais, perdem direitos duramente conquistados, como o das grávidas, antes protegidas por lei, não trabalharem em funções que implicam riscos ao feto (reforma trabalhista) e a aproximação (cogitada a equivalência) do tempo para aposentadoria de homens e mulheres (reforma da previdência), embora os salários ainda sejam desiguais, como demonstram pesquisas. Entre os exemplos que revelam incompreensões de gênero, a escritora americana Susan Pinker relata (no livro O Paradoxo Sexual) que mulheres acadêmicas são cobradas por seus colegas de departamento (e isso nos Estados Unidos) por sua produção científica durante a licença maternidade, afinal, interpretam as mentes masculinas, ficaram meses “em casa”. É preciso mudar mentalidades, inclusive para não recairmos, nós mulheres, em modelos masculinos quando, porventura, viermos a ocupar funções de gestoras, o que requer cuidado com o velho círculo vicioso do oprimido que oprime. A suposta neutralidade, na língua e na política, pode significar pura e simplesmente o apagamento do feminino. No mundo ideal, falaríamos apenas de direitos humanos (sem especificar o feminismo) e valorizaríamos características como a sensibilidade independentemente do sexo. Érika de Moraes é professora da FAAC-Unesp. A íntegra deste artigo está disponível no Portal Unesp, no endereço: <https://bit.ly/2IfmfQM>.

Caderno Fórum: O que juridicamente tem sido feito para combater o feminicídio? Nilma Renildes da Silva: O feminicídio é uma tipificação diferenciada, distinta do homicídio simples. Caracteriza que as mortes ocorreram porque as vítimas eram mulheres, que em muitos casos já eram vítimas de violência doméstica. Houve um avanço legal necessário. A questão, porém, é que hoje fazer uma lei é mais fácil do que antes. O desafio é conseguir que os governantes e a sociedade sigam e implementem os mecanismos necessários para o cumprimento legal. Não seguir os mecanismos existentes de proteção à mulher é uma forma de a sociedade continuar referendando esse tipo de crime. Se não houver uma mudança cultural, não adianta apenas a lei. CF: Como os diferentes tipos de violência se relacionam? Nilma: A violência simbólica e a psicológica têm muitas nuances. É difícil a vítima e o agressor identificarem o que é uma violência porque a sociedade ainda é patriarcal e machista, guardando resquícios de muita autoridade em relação à figura do professor e da polícia sobre as demais pessoas. No caso da vida escolar e acadêmica, existe uma relação hierárquica professor/aluno e professor/aluna. A aluna não é reconhecida pela sua competência acadêmica, mas pelos seus dotes físicos e seus esforços. Nesses casos, nem a vítima nem o agressor entendem bem o que está acontecendo. A própria vítima, que está sendo prejudicada por uma violência psicológica ou simbólica, entende aquilo como elogio, piada ou gracejo, e não percebe que está sendo discriminada, vitimada e diminuída na relação. CF: Como a senhora vê o fato de o governo federal ter sancionado uma lei que criminaliza a divulgação de mensagens misóginas pela Internet? Nilma: É preciso uma fiscalização, mas só a parte punitiva não resolve, porque desde sempre os garotos são educados para ser misóginos. É preciso, portanto, mudar todo um processo educativo, sendo essencial pensar em que direção se quer mudar. Imagino que seja na direção da discussão de relação de igualdade de gênero e não da discriminação, reconhecendo a competência das habilidades das meninas e adolescentes e das mulheres para serem iguais aos homens. Essa diferença


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10 FILMES COM PROTAGONISTAS MULHERES Reprodução

Filme Camile Claudel - Reprodução

Oscar D'Ambrosio

Seja simbólica ou psicológica, violência está enraizada na cultura verbal

que eles julgam ter é uma diferença que foi social e historicamente construída e vem sendo desconstruída. Dificilmente hoje se acredita que a mulher caiu da escada ou escorregou ou bateu a cabeça num acidente doméstico. Profissionais vêm sendo preparados para desconfiar. Os homens continuam acompanhando a mulher ao médico e vão desmentir se as mulheres falarem que sofreram violência, mas grande parte dos médicos já desconfia e sabe que muitas vezes queixas de dores como a fibromialgia estão ligadas à violência psicológica, que é projetada no corpo o tempo todo e somatiza no organismo. CF: O que pode ser feito para reduzir o número de vítimas? Nilma: Precisamos pensar em diversas frentes. Uma delas é esclarecer as mulheres e conversar com elas sobre tudo isso. É preciso desnaturalizar a violência. Seja simbólica ou psicológica, está enraizada na cultura verbal. E as pessoas não percebem como o que dizem pode ser violento. Uma educação que pense no gênero vem desde a escola e a família. É preciso pensar e praticar novas formas modificadas de organização social que as mulheres vêm assumindo e que os homens acompanhem.

Entrevista completa concedida para a TV Unesp em: <https://bit.ly/2IIBhyQ>.

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o lançamento do Portal Educando para Diversidade (www.unesp.br/ educandoparadiversidade), em 23 de abril, na Reitoria da Unesp, um dos temas mais tratados foi o da condição da mulher em suas mais variadas dimensões. Uma delas é a arte. Para estimular o debate sobre o assunto, apresento uma lista de filmes protagonizados por mulheres que pode ser utilizada para discutir empoderamento feminino, posição das mulheres nas artes plásticas e processo criativo de modo geral: Camille Claudel (1989) – Direção: Bruno Nuytten Nesta obra, é privilegiada a relação da escultora Camille Claudel (Isabelle Adjani) com o mestre Auguste Rodin (Gérard Depardieu). Após 15 anos de um jogo de amor/ódio, ele a afasta. Deprimida e com reações imprevisíveis, é internada pelo irmão, o poeta Paul Claudel, num hospital psiquiátrico. Ser diferente gera dores interiores terríveis. Camille Claudel, 1915 (2013) – Direção: Bruno Dumont A narrativa se passa em 1915, com a escultora, interpretada agora por Juliette Binoche, já internada. Ela deseja sair, argumentando que é mentalmente sã, mas, enquanto isso, convive com todo tipo de psicóticos, aguardando o retorno de uma carta enviada ao irmão Paul Claudel. Enfoca a espera num ambiente hostil. Carrington – Dias de Paixão (1995) – Direção: Christopher Hampton Na Inglaterra, em 1915, a pintora Dora Carrington (Emma Thompson) se apaixona pelo escritor gay Lytton Strachey (Jonathan Pryce). Durante 17 anos, é estabelecido um universo complexo, em que ela e ele mantêm amantes, mas sem deixar de manter o extremo afeto um pelo outro e carreiras bem-sucedidas. Artemisia (1997) – Direção: Agnès Merlet Artemisia Gentileschi (Valentina Cervi), filha de pintor, conviveu, no século XVII, com uma sociedade que não lhe permitia entrar na Academia. Ao passar a ter aulas com um artista, é estuprada. Move então um processo. É torturada, sai vencedora, mas o agressor nunca cumpriu a pena. A impunidade vem de longe! Frida (2003) – Direção: Julie Taymor Foca a vida da conturbada pintora Frida Kahlo (Salma Hayek). Um dos principais nomes da arte no México, é mostrada em seu casamento aberto com Diego Rivera. Tudo isso em meio às dores que a acompanharam desde um terrível acidente de trânsito. Que biografia! A pele (2005) – Direção: Steven Shainberg A fotógrafa Diane Arbus (Nicole Kidman) consagrou-se ao enfocar o bizarro, o inusitado e o

Lista pode ser usada para discussão do empoderamento feminimo diferente. O filme trata da série realizada com um portador de tricotomia, uma disfunção caracterizada pelo excesso de pelos em todo o corpo. O filme revela a possibilidade de desenvolver um trabalho belo, autoral e delicado. Grandes olhos (2015) – Direção: Tim Burton É a história da pintora Margaret Keane (Amy Adams), um sucesso nos anos 1950, pelos retratos de crianças com olhos grandes. Teve que lutar contra o próprio marido no tribunal, já que o também pintor Walter Keane (Christoph Waltz) afirmava ser o verdadeiro autor de suas obras. É uma aula de autoconhecimento como artista e mulher. Maudie (2016) – Direção: Aisling Walsh A canadense Maud Lewis (Sally Hawkins) sofre com artrite reumatoide, que causa deformações, inflamações e dores insuportáveis. Ela trabalha como empregada doméstica e, em paralelo, pinta, tornando-se conceituada em seu estilo naif. A mescla de rebeldia, resignação e humanidade comove. La danseuse (2016) – Direção: Stéphanie Di Giusto Conta a história de Loïe Fuller (1862-1928), artista norte-americana radicada na França. Interpretada por Soko, foi uma das pioneiras da dança moderna. Criou uma forma de apresentação revolucionária, com extremo esforço físico, trajes elaborados e recursos de iluminação nunca antes vistos. Manifesto (2016) – Direção: Julian Rosefeldt Com figurinos, cenários e sotaques diferentes, a atriz Cate Blanchett vive 13 personagens, interpretando trechos de movimentos artísticos, que vão do Manifesto comunista (1848), de Marx e Engels, às Regras de ouro para filmar (2002), de Jim Jarmusch. Faça a sua lista e mande para <unesp.imprensa@ reitoria.unesp.br>. Será ótimo fomentar esse debate sobre o papel da mulher na arte, na cultura e na sociedade. Oscar D'Ambrosio é doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp. É assessor-chefe de Comunicação e Imprensa da Unesp.


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LITERATURA FEMININA NÃO. LITERATURA PRODUZIDA POR MULHERES: UMA QUESTÃO DE PERSPECTIVA Daniela Alvares Beskow A escritora Hilda Hilst – Divulgação

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iteratura feminina, literatura produzida por mulheres ou simplesmente literatura? Antes de falar sobre o termo “literatura feminina”, é importante refletir sobre o conceito de “feminilidade” – pensado a partir das referências ocidentais e como elas vêm se difundindo pelo mundo – e como ele origina várias práticas e regras associadas ao comportamento das mulheres. 1 – O conceito de feminilidade existe a partir de um binário, o feminino e o masculino, onde há uma relação de hierarquia. Nela, o masculino predomina e domina, violenta o feminino. 2 – A feminilidade é uma construção social, porém, ela é associada de forma necessária à mulher, ou seja, ela é naturalizada, tida como essência. O masculino também é tido como parte inerente do homem. Dessa forma, não apenas os comportamentos de gênero, mas também as hierarquias entre eles e, logo, entre homens e mulheres, são justificadas através do argumento de que são naturais e, logo, não são passíveis de transformação, cabendo às pessoas aceitá-las. 3 – Enquanto construção social, as práticas relacionadas à feminilidade existem e vêm se transformando nos últimos séculos nas sociedades ocidentais e suas ramificações territoriais através da difusão desses valores, seja atualmente via mídias globais (cinema, marcas internacionais, etc.), seja nos séculos anteriores via os processos de invasão de territórios durante o período chamado de “colonizações” e “navegações”, principalmente nos continentes da América e africano. 4 – Algumas características associadas ao conceito e às práticas da feminilidade: delicadeza, contenção, sutileza, objetificação sexual, acolhimento, hesitação, emoção, falta de pensamento lógico-analítico, fragilidade, nudez, entre outras. São vários elementos que, de forma geral, remetem à passividade e associam corpo com manifestação de erotismo e falta de capacidade para pensar, elaborar sobre a realidade, solucionar problemas e propor soluções para o coletivo. Nesse sentido e a partir de uma perspectiva feminista crítica e com bases materialistas, que critica os postulados acima, utilizar o termo “feminino” ou “feminilidade” para se falar da realidade das mulheres seria reforçar a realidade de opressão e violência existente contra as mulheres atualmente. Nesse sentido, coloca-se o termo “literatura de mulheres”, ou “literatura produzida por mulheres”. Por que é importante demarcar o sujeito de fala, no caso, a “mulher que produz literatura”? Pois, no patriarcado, as mulheres não são consideradas sujeitos do discurso, suas falas não são consideradas relevantes e dignas de reconhecimento, ao passo que com os homens é o oposto. Essa diferenciação em relação à validação dos discursos gera um contexto onde homens produzem teoria, literatura, ciência, religião, sendo essas produções de conhecimento as aceitas e difundidas ao longo da história. Mulheres vêm sendo historicamente impedidas ou desestimuladas a produzir conhecimento e, quando o fazem, além dos vários obstáculos e retaliações existentes, não há a devida vazão dessa produção para o coletivo, pois as estruturas de difusão ou destroem esse conhecimento ou simplesmente não o difundem. Ao mesmo tempo, muitas mulheres que escrevem consideram desnecessário ressaltar publicamente o sujeito que fala, no caso a mulher escritora, pois se colocam como uma mulher que produz literatura, e não literatura de mulheres – até porque o termo “literatura de mulheres” pode implicar que existam temáticas específicas para as mulheres lerem, o que

Espaço da fala de homem branco, heterossexual, já é reconhecido geralmente é associado com romances “água com açúcar”, porém, cabe ressaltar que o argumento defendido aqui não fala de temáticas, mas sim, de perspectivas. Ademais, é necessário entender que o termo “literatura”, assim como “ciência”, “política”, não é termo neutro e, sim, é constituído a partir da produção, majoritariamente, de homens. É a velha questão, o patriarcado coloca o homem como a referência e a mulher como o outro, o específico. De acordo com essa referência, sendo a mulher o específico, não haveria como produzir conhecimento para o “todo”, que é considerado o “neutro”. Porém, o neutro nada mais é do que o específico masculino. Nesse sentido, ao se falar de “literatura de mulheres”, ou “produzida por mulheres” corre-se o risco de se estar defendendo a mulher como específico. Por outro lado, é possível propor o termo “literatura produzida por mulheres”, não como o “específico”, nem mesmo como um ramo da literatura, mas, como uma perspectiva. É a perspectiva de quem não tem, historicamente, o espaço da fala. O homem branco, heterossexual, já tem espaço de fala reconhecido, ele não precisa ressaltar seu contexto. [...] Ressaltar o sujeito que fala torna-se então uma ação política, de transformação da realidade e de evidência do contexto de produção de conhecimento. Nenhum conhecimento é neutro. [...]

Nesse sentido, é de máxima importância o incentivo para que as mulheres produzam literatura, e também ciência, teoria, conhecimento jurídico, teologias, epistemologias, e assim por diante, e que, ao produzir conhecimento, se coloquem enquanto mulheres. Essa colocação gera visibilidade para outras mulheres, fomentando consciência de gênero, ou a consciência da mulher enquanto grupo, enquanto classe – inclusive gerando consciência das diferenças entre mulheres, que falam a partir de classes e raças/etnias diferentes, e sobre os privilégios existentes nos grupos dominantes de que mulheres também fazem parte – servindo também como um incentivo às outras mulheres para escreverem. Nesse sentido se faz importante também que todos os sujeitos historicamente violentados e alijados dos espaços de reconhecimento e tomada de decisão se coloquem, evidenciando esses contextos. [...] [...] Assim, espero que em um tempo não muito distante não existam mais hierarquias entre homens e mulheres, brancos e negros, e todas as outras, e os campos de produção de conhecimento, como a literatura, a ciência, a política e toda produção de conhecimento socialmente reconhecida, sejam campos de fato ocupados por ambos, mulheres e homens. Algumas das autoras que contribuíram para essa reflexão: Heleieth Safioti, Ivone Gerbara, Alessandra Tanesini, Kimberle Crenshaw, Maria Lygia Quartim de Moraes, Gerda Lerner, Barbara Mehrhof, Sheila Jefreys, entre outras.

Daniela Alvares Beskow é mestranda em Artes Cênicas pelo Instituto de Artes da Unesp, em São Paulo, SP.. A íntegra deste artigo está disponível no “Debate acadêmico” do Portal Unesp, no endereço: <https://bit.ly/2rqa6OA>.

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'Suplemento do Jornal Unesp - Maio 2018

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