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Joinville/SC No23. R$ 11


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AO LEITOR A RESPOSTA É A INOVAÇÃO Se há crise lá fora – se é fato que os índices de desemprego são preocupantes consequências dos desacertos na conjuntura econômica e se não dá para ser otimista com boas notícias vindas de Brasília –, uma saída é arregaçar as mangas e investir no que cada negócio tem de especial, diferenciado, ímpar. Em uma palavra, inovar. Existem recursos acessíveis para projetos nessa área, em organizações como a Finep, que, no momento, financia iniciativas que vão do aprimoramento na extração de magnésio da água do mar (da Buschle & Lepper) ao sistema de construção sustentável da construtora Rôgga, para ficar em dois exemplos locais. Mas atenção, urge ir além do convencional: “A empresa precisa convencer com um plano estratégico de inovação, e esse conceito deve fazer parte da sua essência”, sublinha um diretor da Finep, em reportagem na página 52. Inovar é a síntese das startups, modelo recente de empreendimentos que se sobressaem justamente pelo foco em “problemas reais” identificados no mercado,

que se traduzem na oferta de novas e criativas soluções. Neste mês de fevereiro, um evento em Joinville vai mostrar o enorme potencial desse filão que listou dez empresas catarinenses entre as 100 mais atrativas para investimentos por parte de grandes corporações. “Crise e recessão são ótimas oportunidades para as startups”, afirma um profissional da área. Alguns casos de sucesso estão na reportagem que começa na página 40. Em termos de inovação e vanguarda, é reconhecida a vocação de Joinville para a área de tecnologia. Entrevista com o joinvilense que dirige laboratório da Totvs em pleno Vale do Silício, à página 32, reafirma a capacidade do polo local se desenvolver enormemente no futuro, a partir de referências como as cidades de Berlim e Tel Aviv, centros de excelência nessa área. “Vamos criar a nossa Siliconville?”, provoca o especialista Vicente Goetten Junior, que endossa a importância de se pensar longe, com farto planejamento, como caminho para construir um cenário mais consistente.

NESTA EDIÇÃO 8 Presidente da TAM explica retração nas operações, mas reafirma confiança na retomada da economia 14 Acij lança código de ética 20 Apostas na criatividade e na simplicidade 28 Projetor para smartphones – e outros objetos de desejo 30 Espaço para guardar tudo 32 Especialista atesta o potencial tecnológico de Joinville 38 Metas para reduzir as perdas de água 40 Terreno fértil para boas ideias em startups 48 Relações internacionais com nossas cidades irmãs 52 Recursos que impulsionam a inovação 54 Vitórias no combate à burocracia 58 Por que o estresse deve ser levado a sério 64 Análises sobre o potencial empreendedor 66 O escritor Luiz Carlos Amorim 72 As receitas do Madero DANIEL MARTINS

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O PARAÍSO DO PADRE

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JAQUELINE NOCETTI/SECOM

Número 23. Janeiro e fevereiro de 2015 Em alusão ao novo século, pleno de desafios, a Revista 21, publicação bimestral da Associação Empresarial de Joinville (Acij), aponta, ao mesmo tempo, para o momento atual e para o futuro, para o contemporâneo e para o que está por vir. Tem por objetivo levar informação de qualidade ao leitor sobre os grandes temas de interesse da classe empresarial, sempre com visão local.

Efetivo da PM em Joinville deve ser ampliado: merecemos atenção

COMPROMISSO COM A SEGURANÇA O governador Raimundo Colombo anunciou, no final de janeiro, que serão chamados apenas em junho os mais de 1,2 mil novos servidores aprovados nos concursos da Polícia Militar, Polícia Civil e IGP. No caso dos soldados da PM, que deveriam ter iniciado treinamento em outubro do ano passado, trata-se do quarto adiamento. Na Polícia Civil, a situação é ainda mais grave, já que o concurso foi realizado em 2014. O governo tinha a intenção de chamar metade dos aprovados em março e a outra metade em novembro – mas esbarrou no novo plano de previdência do Estado e na retração financeira. As novas contratações significam um acréscimo de cerca de R$ 8 milhões em salários. Na Polícia Militar, serão convocados 658 soldados. Na Polícia Civil, 420 agentes e 66 delegados. E, no IGP, 150 auxiliares criminalísticos. Os números falam por si. A maior cidade catarinense fechou 2015 com 95 homicídios, um recorde nos últimos 10 anos – e que aponta para um índice de 16,3 mortes por 100 mil habitantes, muito acima da média ideal, que é de 4,5. Só em janeiro de 2016, foram 14 homicídios. Isso, sem contar os assaltos, furtos, roubos e demais crimes contra os cidadãos e seus patrimônios. Ao lado de todas as políticas públicas de combate à violência, há que se considerar que Joinville, com contornos de metrópole, não apenas precisa, mas merece, especial atenção. As recentes mudanças nos comandos do 8º BPM e na Delegacia Regional da Polícia Civil, associadas às expectativas de que a Secretaria de Segurança Pública do Estado intensifique as ações e iniciativas para oferecer mais segurança aos cidadãos, precisam ser não apenas indicativos, mas compromisso dos órgãos públicos com o restabelecimento da paz na maior cidade catarinense.

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Conselho editorial Ana Carolina Bruske (diretora financeira) Débora Palermo Melo (Acij) Diogo Haron (Acij) Carolina Winter (Winter Comunicação) Simone Gehrke (EDM Logos) Jornalista responsável Júlio Franco (reg.prof. 7352/RS) Produção/Edição Mercado de Comunicação/Guilherme Diefenthaeler/(reg. prof. 6207/RS) Reportagem Ana Ribas Diefenthaeler, Letícia Caroline, Mayara Pabst, Marcela Güther, Karoline Lopes Projeto gráfico, diagramação, ilustrações e infográficos Fábio Abreu Imagem da capa Arquivo pessoal de Alberto Durão Coelho Fotografia Peninha Machado, assessorias de imprensa Impressão Tipotil Indústria Gráfica (47) 3382-2238 Tiragem 3,5 mil exemplares Publicidade revista21@acij.com.br

Av. Aluisio Pires Condeixa, 2550 3461-3333 acij.com.br twitter.com/acij facebook.com/acijjoinville

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ARQUIVO PESSOAL/ALBERTO DURÃO COELHO

A FOTO DA CAPA Esta edição se abre com fotografia datada de 1907, registrando sarau na casa do político baiano Abdon Baptista, médico e jornalista de profissão que viria a ser prefeito de Joinville. Ao centro, uma das oito filhas de Abdon, Thereza Cristina, empunha um violão, instrumento que só se popularizaria muitos anos mais tarde. A história do violão em Joinville é o objeto do livro “O Pinho Toca Forte”, do jornalista Guilherme Diefenthaeler, editor da Revista 21. Com apoio do Simdec, a obra será lançada em fevereiro. Além de percorrer a evolução do “pinho” ao longo dos anos, o livro apresenta o perfil de 16 músicos atuantes na cidade.

Se você tem uma imagem que retrate algum período da história de Joinville, entre em contato com a redação pelo revista21@mercadodecomunicacao.com.br. A foto poderá ser publicada na capa em uma das próximas edições.

A REVISTA EM FRASES DIVULGAÇÃO

“De forma geral, sobretudo neste momento em que as empresas estrangeiras são favorecidas pela alta do dólar, o Brasil necessita urgentemente de reformas e de melhoria da sua infraestrutura para tornar suas empresas competitivas no cenário global” Claudia Sender Ramirez, presidente da TAM S/A

“Esta é a maior crise da história recente. A riqueza de Joinville é gerada pela indústria e, entre os meses de janeiro e outubro, 7 mil pessoas foram demitidas na cidade” Claudio Loetz, colunista de economia no jornal A Notícia

“Empreender nunca é fácil, principalmente quando se trata de startups que atuam em um ambiente de extrema incerteza, mas certamente em Santa Catarina temos algumas das melhores condições para isso no Brasil” Gilles de Paula, CEO da Treasy

“Quem quer abrir uma empresa neste ano, independentemente do ramo, vai precisar de um escudo protetor contra as dificuldades, só adquirível com um amplo conhecimento da conjuntura”

“O que conta não é o tamanho da empresa, mas sim sua estruturação em termos de gestão da inovação. As empresas que organizam esse processo tendem a lograr mais êxito na busca de recursos”

Euclides Lisboa, editor-executivo da Revista Empreendedor

Natalino Uggioni, superintendente do IEL Santa Catarina

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ABRE ASPAS

CLÁUDIA SENDER

“Acreditamos na retomada do crescimento” Guilherme Diefenthaeler A curto prazo, o atual cenário econômico provoca turbulências na rota das maiores empresas aéreas brasileiras. Presidente da TAM desde abril de 2015, Cláudia Sender Ramirez descreve o momento como “bastante desafiador e complexo”, em decorrência especialmente do aumento da inflação e do dólar nas alturas, que, segundo ela, resultaram em uma desaceleração do setor aéreo. Isso explica a decisão da companhia de reduzir suas operações no mercado doméstico em margens de 8% a 10%, a começando pelo semestre passado. Em reunião do conselho deliberativo da Acij, a executiva falou sobre sua experiência no comando da TAM, onde atua desde 2011, primeiro como vice-presidente comercial e de marketing. Nesse período, acompanhou a fusão da TAM com a chilena LAN para a criação do Grupo Latam Airlines. Engenheira química formada pela Universidade de São Paulo (USP), com MBA pela Harvard Business School, nos Estados Unidos, Cláudia trabalhou por sete anos na Whirlpool Latin America, onde foi vice-presidente de Marketing. Em entrevista à Revista 21, reafirma a expectativa de retomada do crescimento do país, frisando que a empresa mantém sua estratégia de longo prazo, que inclui a renovação da frota.

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FOTOS: DIVULGAÇÃO TAM

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A sra. veio a Joinville para anunciar, aos empresários, planos da TAM dirigidos a Santa Catarina. Que planos são esses? Fui convidada para participar da reu­ nião do Conselho Deliberativo da Associação Empresarial de Join­ville, para conhecer melhor o trabalho da organização e falar sobre nossa operação no Estado. Em relação à nossa operação em Join­ ville, em outubro último, ampliamos as nossas frequências para o aeroporto internacional de Guarulhos de uma frequência diária (exceto aos sábados) para duas, às segundas, quintas, sextas, sábados e domingos. Ao mesmo tempo, estamos também com uma frequência diária às terças e quartas-feiras. Nossos voos diretos de Joinville para Guarulhos permitem uma ótima conexão com os nossos voos internacionais para a Europa e os Estados Unidos, e também para destinos no Nordeste e Norte do país. Na operação de Joinville para o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, permanecemos com duas frequências diárias, todos os dias. Nossos horários, durante a semana, são premium, com um voo ida e volta pela manhã e outro no período da tarde/noite. Planejamos a nossa malha para atender principalmente às necessidades do mercado corporativo em Joinville. Operamos na cidade com as nossas aeronaves A319 e oferecemos boas conexões com os nossos destinos no Sudeste a partir de Congonhas. Qual a importância do Estado nos negócios da companhia? Em 2014, transportamos um total de 758.691 passageiros em voos de e para as cidades de Florianópolis, Joinville e Navegantes, em Santa Catarina. Em abril de 2015, lançamos mais um novo destino no Es-

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tado, com voos de Congonhas para Jaguaruna, na Região Sul catarinense. Considerando os valores dos primeiros nove meses de 2015, o número de passageiros transportados com origem em Santa Catarina cresceu 7%. Os dados completos de 2015 ainda não foram divulgados. O aeroporto de Joinville recebeu melhorias significativas em sua operação, desde a metade de 2014, como é o caso da instalação do ILS. Que reflexos isso trouxe para as companhias aéreas? No passado, havia muitas reclamações provocadas pelo alto número de cancelamentos de voos, tanto que frequentemente os passageiros acabavam optando por utilizar outros aeroportos. Com as melhorias recentes, esse quadro deve mudar? A implantação do sistema ILS para pouso permite uma aproximação por instrumentos extremamente precisa, especialmente em condições meteorológicas adversas, como em caso de teto baixo ou de visibilidade restrita. Esse tipo de aproximação utiliza um sistema baseado na transmissão de sinais de rádio que são recebidos, processados e apresentados nos instrumentos de bordo das aeronaves, fornecendo informações para o alinhamento com o eixo da pista e com a trajetória correta de planeio para o pouso. A instalação desse equipamento aumenta consideravelmente a disponibilidade do aeroporto, e as oportunidades de pouso são muito maiores, na comparação com as aproximações realizadas sem o instrumento. Esse procedimento tem grande impacto nas operações das empresas aéreas, pois evita desvios de voos para outros aeroportos. Qual a expectativa da TAM para

os resultados de 2015? De que maneira o setor foi afetado pelo contexto de crise econômica? E qual a reação da TAM? Estamos vivendo um momento bastante desafiador, com um cenário complexo, provocado pelo aumento da inflação e pela alta do dólar em relação ao real, resultando numa desaceleração do setor aéreo. Diante desse contexto, a TAM realizou, durante o segundo semestre de 2015, uma redução gradual de suas operações no mercado doméstico que foi, aproximadamente, de 8% a 10%. Em 2016, a TAM seguirá conservadora com a capacidade do mercado até o país retomar uma agenda de infraestrutura e de competitividade para as suas empresas. A estimativa da companhia para o mercado doméstico brasileiro em 2016 é de redução de 6% a 9%, no comparativo com 2015.

DESAFIOS O que a companhia espera de 2016? Estamos muito atentos aos desafios da demanda e da oferta no Brasil, ao câmbio e à pressão sobre os preços de passagens aéreas, influenciados pela menor demanda de passageiros corporativos e pela revisão do PIB do país. Seguimos acreditando na retomada do crescimento do Brasil, tanto que mantivemos a estratégia de longo prazo da empresa, que inclui a renovação da frota, o projeto de estudo de viabilidade do Hub Nordeste e de contínuo fortalecimento dos hubs (centro de conexões) de Brasília e São Paulo/Guarulhos. Como a empresa avalia as mudanças em curso na gestão de aeroportos brasileiros? As concessões são a


solução? O Brasil registrou avanços importantes em infraestrutura aeroportuária nos últimos anos, e o importante é prosseguir com as melhorias de eficiência, que são fundamentais para o desenvolvimento da aviação. As obras realizadas em aeroportos como Guarulhos, Brasília e São Gonçalo do Amarante (Natal) proporcionaram melhorias significativas para todo o setor aéreo. De forma geral, sobretudo neste momento em que as empresas estrangeiras são favorecidas pela alta do dólar, o Brasil necessita urgentemente de reformas e de melhoria da sua infraestrutura para tornar suas empresas competitivas no cenário global. A TAM entende que é fundamental o país investir em infraestrutura para vislumbrar um novo ciclo de crescimento, com competitividade para suas empresas e toda a indústria aérea nacional. No caso dos aeroportos, está comprovado que houve melhora nas condições e estruturas dos aeroportos concessionados, e é preciso avaliar no médio prazo essa evolução. Aeroportos

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como o de Guarulhos, por exemplo, atravessaram longos períodos sem investimento antes da concessão, enquanto o movimento de passageiros triplicou na última década. Em dezembro, a TAM anunciou o início da operação de seu novo Airbus, ampliando e modernizando a malha para rotas internacionais. Qual a proporção, atualmente, de voos internacionais sobre os negócios da companhia e de que maneira estes vêm sendo afetados pela alta do dólar? Atualmente, o câmbio impacta 60% dos nossos custos e, com a desvalorização do real, o brasileiro está viajando menos para o exterior. Por isso, temos compensado essas perdas com as nossas operações aéreas em outros países. Hoje, a TAM faz parte de um grupo que soma sete operações domésticas na América Latina, em países como Brasil, Chile, Argentina, Colômbia, Equador, Peru e Paraguai. No Brasil, graças à força e à capilaridade do Grupo Latam, só a TAM possui tamanha flexibilidade operacional

Novo Airbus da TAM, que entrou em operação no final de 2015: primeira companhia das Américas a operar o modelo, que faz parte da nova geração de aeronaves comerciais

como vantagem competitiva para redirecionar a sua malha aérea para mercados mais promissores e assegurar a rentabilidade dos voos. Além disso, seguimos empenhados em manter uma frota moderna e com baixa idade média, e o Airbus A350 é o mais novo exemplo disso. Somos a primeira companhia das Américas e a quarta no mundo a operar o modelo, que faz parte da nova geração de aeronaves comerciais, mais modernas, eficientes e confortáveis para o passageiro.

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Pleito constante

VOANDO ALTO Número de embarques e desembarques de passageiros em Joinville

493.239 423.122

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Investimentos garantem recorde de passageiros em Joinville Ampliação da sala de embarque, avaliação da resistência da pista (PCN), aquisição do Sistema ELO com finger de embarque e desembarque e instalação do sistema ILS. Esses e outros investimentos levaram o Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola a alcançar um marco inédito em 2015. No mês de dezembro, o terminal recebeu o passageiro número 500 mil, contagem representativa que configura o aumento do fluxo de atividades no aeroporto. De janeiro a novembro do ano passado, estiveram no terminal catarinense 474.205 passageiros, 5% a mais que no mesmo período em 2014, quando foram registrados 451.719 usuários. O superintendente do terminal da terceira maior cidade da Região Sul do país, Rones Rubens Heidemann, explica que a marca histórica reflete o esforço do quadro de profissionais do terminal joinvilense. “Temos uma equipe extremamente preparada e todo o nosso planejamento é elaborado com foco na melhoria dos serviços prestados, priorizando, sempre, o atendimento e o conforto dos passageiros”, relata Heidemann. Para comemorar a marca histórica, a Infraero, em parceria com a Gol Linhas Aéreas, sorteou uma passagem aérea de ida e volta para um destino nacional operado pela companhia. Inaugurado no dia 8 de março de 2004, o Aeroporto de Joinville conta com 4 mil metros quadrados, 15 posições de check-in, um sistema automatizado para informação dos voos com telas de LCD, terraço panorâmico e capacidade para 800 mil passageiros ao ano. Operam no terminal da cidade as companhias aéreas Azul, Gol e TAM. A Azul conta com voos para quatro destinos diferentes: Porto Alegre, Brasília, Viracopos e Guarulhos. A TAM opera voos para dois destinos: Congonhas e Guarulhos. E a GOL possui uma média de dois pousos e duas decolagens diárias para o Aeroporto de Congonhas. O nome do aeroporto, Lauro Carneiro de Loyola, foi dado em homenagem ao empresário e político que foi cônsul honorário da Bélgica no município e, por quatro vezes, eleito deputado federal por Santa Catarina.

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Ao longo dos anos, a Acij sempre buscou e reivindicou investimentos para a ampliação da capacidade de atendimento e para investimentos no Aeroporto de Joinville. Projetos e demandas urgentes previstas para o terminal já foram tema de reuniões na entidade, que agora comemora com orgulho os resultados favoráveis. “Os avanços foram significativos. A aquisição do ILS, por exemplo, era um sonho de longa data e foi uma das maiores conquistas para o aeroporto nos últimos anos. A Acij sempre esteve muito ligada a essa questão e todas as conquistas pleiteadas se refletem em melhorias de eficiência e atendimento", relata Moacir Thomazi, vice-presidente da Acij. Thomazi explica ainda que um dos próximos investimentos no terminal deve ser a implantação do grooving, ranhuras transversais na pista que aumentam a aderência e auxiliam a drenagem. As obras no aeroporto também preveem investimentos mais amplos, como a ampliação da sede, a construção de um condomínio industrial e a ampliação do terminal de cargas, por exemplo.

Melhorias A sala de embarque passou de 259 para 382 metros quadrados. O aeroporto conta com dois conectores do Sistema ELO, para embarque e desembarque de passageiros. O sistema de pouso por instrumentos conhecido como ILS, por sua vez, completou um ano em junho de 2015, com ganho operacional de 70,6%.


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O QUE A ASSOCIAÇÃO FAZ E PENSA

CÓDIGO DE ÉTICA

Novas diretrizes

No dia 16 de fevereiro entra em vigor o Código de Ética, elaborado pela Acij para ajudar a orientar condutas de colaboradores, associados, fornecedores e parceiros, no relacionamento com a entidade. De acordo com Juliana Silva, assessora jurídica da casa, o código de ética deve consolidar diretrizes já existentes. “O documento tem a função educativa, não tem a função punitiva. Dentro de um dilema, vamos seguir a orientação prevista no código, e na sua ausência, o dilema será apreciado pelo Comitê e Conselho de Ética”, explica. Ela conta que o processo teve início em 2013, durante a gestão do presidente Mario Cezar de Aguiar: “Na época, ele nos apresentou o trabalho que o Serviço Social da Indústria (Sesi) desenvolvia para as indústrias e conseguimos junto à Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) o suporte para a parte técnica”. Com o auxílio do Sesi Joinville, foram realizadas entrevistas e workshops com associados, diretoria e colaboradores da Acij. Durante os encontros, surgiram questionamentos e temas recorrentes analisados para o material final. Para Cícero Gabriel Ferreira Filho, presidente do conselho de núcleos, o Com a mudança de gestão, em 2014, o processo de elaboração do código acabou desacelerando, também em função de uma mudança no Sesi, que encerrou as atividades da área que vinha trabalhando em parceria com a associação. “Desde então, surgiram alguns dilemas éticos em todo o Brasil, o que chamou nossa atenção para retomar o trabalho. Definimos um grupo que conduziu a construção do código, um comitê de ética, formado pela diretoria de relacionamento com associado, a presidência do conselho dos núcleos e a área jurídica. Em 2015, trabalhamos na redação”, aponta.

material deixará o processo de relacionamento mais transparente, clarificando o que é ético aos olhos da entidade: “A Acij, como instituição centenária, já discutia há algum tempo a implementação de um código de ética, pois existem várias demandas dessa ordem no dia a dia e nos relacionamentos entre os associados, núcleos e a entidade”. Com 31 páginas, o código de ética está dividido em quatro capítulos: princípios da Acij, orientadores de conduta por parte interessada, orientadores gerais de conduta e sistema do código de ética. “Destaca-se a definição dos princípios sobre associativismo, voluntariado, transparência, representatividade, responsabilidade social e observância às normas e regulamentos. Juliana Silva, assessora jurídica, e André Daher, do comitê de ética; processo de elaboração do código teve início em 2013 e ouviu vários segmentos da Acij FOTOS: PENINHA MACHADO

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MAX SCHWOELK

Filósofo Leandro Karnal no lançamento do código

João Martinelli e Mario Cezar de Aguiar: guia ético da entidade é resultado de duas gestões A partir de fevereiro, quem se associar receberá um exemplar do código”, diz Juliana. Dentre as principais mudanças, a assessora destaca a questão do fumo que, para os funcionários, passa a ser proibido em todos os ambientes, inclusive no estacionamento da associação: “O colaborador que fuma já está orientado. Nosso objetivo é promover um ambiente livre de tabaco”. Outra alteração feita que gera dilemas é a política de entrega de presentes. A partir do lançamento do código, associados, parceiros e fornecedores serão orientados a não mais enviar brindes e presentes – agendas, calendários, canetas etc – para funcionários da casa. “Dentro de um ano faremos a revisão do código e podemos alterar essa decisão. Estamos em um processo de construção e entendemos que é necessário analisar o que deu certo ou não”, comenta.

Constituído em 2015, o comitê de ética da Acij é Composto por André Chedid Daher, diretor de relacionamento com o associado, Cícero Gabriel Ferreira Filho, presidente do conselho dos núcleos e Juliana Silva, assessora jurídica. O grupo teve como papel principal buscar a visão mais próxima possível do perfil associativo da ACIJ, enfatizando o modo de conduta daqueles que pretendem participar do cotidiano empresarial da associação. “O código será de suma importância para termos uma diretriz no perfil da modalidade de associativismo que exercemos. Cabe ao comitê disseminar e ajudar a implementar a cultura da utilização do material para todos os canais, ” declara Daher.

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Para celebrar o lançamento do código de ética e os 105 anos da Acij, a entidade irá promover a palestra “Valores éticos nas organizações”, ministrada pelo filósofo e historiador Leandro Karnal. O evento será realizado durante a reunião plenária do dia 15 de fevereiro, a partir das 18h30. Graduado em história pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e doutor pela Universidade de São Paulo, Karnal tem cinco livros publicados - Estados Unidos: a formação da nação, Conversas com um jovem professor, História na sala de aula, Teatro da fé - representação religiosa no Brasil e no México do século XVI e Pecar e perdoar: Deus e homem na história – e participou da elaboração do Museu da Língua Portuguesa. Em recente palestra, o historiador falou sobre o conceito de ética e como esta se aplica no dia a dia das empresas: “A elasticidade no conceito de ética é o principal valor abalado no Brasil. A ética precisa ser ensinada. Trabalhá-la não é comprar um padrão de um especialista e dizer na reunião geral que existe um documento validando. Ética implica a responsabilidade de colocar o meu eu no processo, que temos a tendência de retirar”. DIVULGAÇÃO

Karnal afirma que a ética precisa ser ensinada: “Não basta comprar um padrão de um especialista”

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ELTON COSTA

Time de funcionários da associação, no encontro de engajamento: para estimular as melhores performances

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Hora de traçar novos caminhos Definir novas metas, analisar as expectativas para 2016 e engajar os times. Esses foram os principais objetivos da reunião de elaboração do Planejamento Estratégico da Acij. Todos os profissionais da equipe participaram do encontro, realizado no dia 25 de janeiro, no espaço colaborativo CO.W. Coworking Space. As atividades contemplaram o primeiro semestre do ano, período que coincide com o término da gestão atual. “Construir ambientes saudáveis e que estimulam as melhores performances e a geração de novas ideias não é tarefa fácil, nem baseada em ações pontuais. Conhecendo continuamente o que as pessoas, times e gestores pensam de si, da entidade e de suas relações, estratégias e decisões se tornam mais assertivas”, avalia o diretor executivo Diogo Haron. A organização foi baseada na metodologia Lego Serious Play

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(LSP). Concebida nos anos 90 pelo grupo Lego, e disponível no Brasil desde 2013, a ferramenta foi criada para explorar o potencial dos colaboradores da empresa, propondo a construção de estruturas tridimensionais para despertar a imaginação e a inovação. Os diferentes propósitos da LSP incluem a construção e análise de cenários, identificação de problemas e busca de soluções, gestão de conflitos, definição de estratégias e engajamento da equipe. Com as peças do brinquedo, os participantes conseguem se comunicar melhor, engajar-se, fazer questionamentos, ter mais confiança e comprometimento. “Assumimos os riscos de adotar esse modelo, pois queríamos algo diferente, que envolvesse a participação do mais tímido ao mais falante. Foi uma oportunidade de repensar estratégias, planejar e avaliar iniciativas e modelos de negócio. Estimulamos a criatividade dos colaboradores para ter uma visão única de futuro”, explica Haron. A metodologia LSP provoca mudanças nas pessoas e na organização envolvida, proporcionando a criação de um grande número de ideias. Do mesmo modo, amplia e clareia a consciência sobre a empresa, possibilita a definição de um plano de ação e auxilia na tomada de decisões. De acordo com o diretor, a avaliação foi positiva. Utilizando as peças de Lego, os colaboradores construíram o que é a Acij, segundo a visão de cada um: “Identificamos pontos fortes, possíveis melhorias e barreiras que nos impedem de crescer. Saímos de lá com cinco planos de ação para os principais problemas. Com esse resultado, vamos alcançar um modelo mais estruturado, potencializando o que fazemos, com qualidade nos projetos e serviços oferecidos”.


Envolver todos os participantes é importante para termos uma visão diferenciada e soluções diversificadas. A metodologia que utilizamos mexe com o lado lúdico, buscando solucionar problemas. Elaboramos todas as fases do planejamento: nominamos as ações, justificamos e apontamos como as realizaremos. Tivemos a oportunidade de sair de lá com o planejamento completo” Marlete Tamasia, coordenadora dos núcleos

O encontro foi muito importante e proveitoso para a equipe de funcionários da Acij. Todo dia, enfrentamos problemas, e a metodologia nos fez enxergar os principais. A ideia do Lego é superdinâmica, tanto que nem percebemos o tempo passar. Foi um dia produtivo para todas as áreas” André Bernardo, assessor de marketing

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JULIO FRANCO

Cláudio Loetz e Estela Benetti participaram do encontro, na Acij

GESTÃO COMPARTILHADA

Jornalistas trazem visões sobre a crise O ano de 2015 foi atípico para o cenário econômico e político brasileiro. A palavra “crise” não saiu dos noticiários e assustou o empresariado. O que vem por aí? Para preparar os associados e analisar as expectativas para 2016, o programa Gestão Compartilhada organizou um café da manhã, com a presença dos jornalistas Estela Benetti, colunista do Diário Catarinense, e Claudio Loetz, do jornal A Notícia. Cerca de 70 empresários participaram do encontro, na sede da Acij. Durante a conversa, Estela apontou a situação de Santa Catarina como a melhor dentre todos os Estados. Ela deu um exemplo positivo: “O setor do comércio começou a sentir os efeitos da crise só agora, assim como o de serviços”. Afirmou que o ponto forte da economia regional é a agroindústria e sinalizou que a tendência é melhorar. “Devido às exportações, a produção de carne suína vai continuar crescendo até 2025, ano em que o Brasil responderá por 45% da carne de frango mundial e 50% da soja”, ressaltou. Outra área de destaque é a do turismo. A jornalista listou cinco fatores

que explicariam o avanço catarinense no setor: “A crise, o dólar alto, o terrorismo – em busca de segurança e gastos menores, as pessoas estão evitando viajar para fora do país –, o zika vírus, que afasta turistas do Nordeste devido aos casos de microcefalia associados ao vírus, e a construção da Ponte de Laguna, que atrairá mais gaúchos”. Claudio Loetz foi menos otimista e classificou esta como “a maior crise da história recente”. “A riqueza de Joinville é gerada pela indústria. Entre os meses de janeiro e outubro, 7 mil pessoas foram demitidas na cidade (veja os números atualizados no gráfico abaixo). As famílias que perdem elementos de segurança oferecidos pelas empresas são as mais afetadas”, observou. Os jornalistas ressaltaram a importância do investimento em capacitação. “O problema é que nossos trabalhadores não têm alta qualificação. A questão da educação é básica para o Brasil atingir um novo patamar de produtividade. Não adianta o empresário mandar o filho estudar no exterior, sem investir na educação de seus funcionários”, concluiu Estela Benetti..

NÚMEROS DO EMPREGO EM JOINVILLE Na indústria, crise

Saldo anual geral nos anos Dilma

Nos anos Dilma (2011/15), Joinville criou 10.219 vagas de emprego. A indústria perdeu 6.937. Neste setor, as vagas criadas nos primeiros semestres sustentaram as fortes quedas dos segundos semestres. Em 2015, nem isso. No gráfico abaixo, o saldo mensal acumulado de vagas no setor (2011 a 2015). 5.376

7.512 5.895

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VISÃO ACIJ OTÁVIO PINTO

Criatividade contra o pessimismo O associativismo é uma oportunidade ímpar para o desenvolvimento de qualquer empresa, do mercado e da sociedade em que atua. Descobri nesse ambiente os valores da cooperação entre empresas em favor de objetivos em comum. E vejo que, mais do que nunca, é hora de nos unirmos. Há alguns anos, participo do Núcleo de Agências de Propaganda e Marketing da Acij, onde pude evoluir como gestor e firmar grandes parcerias. Neste ano, recebi a oportunidade de assumir a presidência. Reconheço que será um desafio lutar pelo mercado publicitário joinvilense, ainda mais em um momento como este, mas o apoio e o engajamento do grupo tornarão nossos propósitos mais possíveis de realizar. Infelizmente, no ano passado, vivemos um período muito turbulento. Talvez “nunca antes na história desse país” a política tenha atrapalhado tanto a economia. Os custos aumentaram, a inflação decolou, o dólar teve uma forte disparada e os impostos ficaram mais caros. Com o governo paralisado, a desconfiança tomou conta. Isso obrigou empresas a reduzir ou, até mesmo, cancelar investimentos. Em 2016, a conjuntura não é das mais otimistas. Não podemos esperar pelo Mas vejo uma luz no fim do túnel. Neste início de ano, governo. Precisamos debater já foi possível perceber que o empresariado terá um papel mais ativo para combater o cenário negativo. Não alternativas, agir para superar podemos esperar pelo governo. Mais do que nunca, os desafios e caminhar para o precisamos debater alternativas, agir para superar os crescimento. Se a conjuntura desafios e caminhar para o crescimento. E isso vai acontecer em nosso Núcleo de Agências de Propaganda. não é das mais otimistas, Neste momento, precisamos trabalhar mais. Vahá luz no fim do túnel. mos lançar novos projetos para trazer mais relevância ao nosso mercado. Também devemos promover novos debates. Afinal, já que todos passam pelos mesmos problemas, por que não buscar uma saída em conjunto? Por isso, vamos avançar em diversos temas, incluindo capacitação, negócios e assuntos de interesse social. É importante ressaltar os exemplos das ações criadas em outras gestões e que agora estão estabelecidas. O Guia das Agências e o Prêmio Melhores Fornecedores e Veículos são projetos vencedores que elevaram o trade local a um novo nível de qualidade. Também devemos citar o Prêmio Manchester de Propaganda: a última edição uniu o meio publicitário a partir da campanha “Doe Sangue Manchester”. Nesta nova gestão, a chave principal será o aproveitamento das especialidades de cada integrante do núcleo, composto por agências com diferentes expertises de comunicação. É um grupo heterogêneo e com enorme valor. Otávio Pinto Ali dentro estão as mentes mais criativas da cidade. E a criatividade é uma Presidente do das melhores ferramentas para combater o pessimismo. Acredito que essa Núcleo de Agências composição de talentos nos levará ao caminho de fazer o trade do Norte de Propaganda e catarinense crescer – mesmo em um ano difícil. Marketing

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MIGUEL ABUHAB

2016: o ano da simplicidade O conceito de simplicidade está geralmente ligado à ausência de complexidade. Na verdade, quanto mais complexo é um cenário, mais simples é a solução que resolve o problema – por contraditório que isso possa parecer. Importante ter em mente que simplicidade não é facilidade. Existem três tipos de comportamento diante de um cenário complexo: procrastinação, negação/fuga e enfrentamento. Qual é o mais difícil? Certamente que é o enfrentamento. Diante de uma situação complexa, a decisão mais fácil é negá-la ou ainda adiá-la, enquanto, para enfrentá-la, é necessário encontrar uma forma simples de resolver a questão. Dedicamos esforço para aperfeiçoar e divulgar a nossa proposta de retomada do desenvolvimento econômico do Brasil. A proposta é simples: alterar o método de arrecadação de tributos no país, sem alterar a legislação fiscal vigente, eliminando a necessidade da criação de novos impostos para fomentar o superávit primário. O novo método consiste em atrelar o pagamento do imposto de pessoas jurídicas à efetivação de uma transação bancária; dessa forma, o contribuinte só paga quando receber, evitando o comprometimento de caixa 2016 não será um ano fácil, para o pagamento de impostos sobre uma transação aincom um cenário de recessão da não efetivada. Do lado do pagador, para cada compra de insumo, um crédito é feito em sua conta escritural. O e muitas dificuldades, plano propõe um regime de compensação por meio do mas reafirmamos o qual o imposto retido no momento da transação bancária comprometimento com a é o saldo entre os valores lançados a débito e crédito na conta escritural de cada contribuinte. decisão de enfrentá-las com Apresentei essa proposta em diversos foros formadoserenidade e simplicidade. res de opinião e tomadores de decisão ao longo de 2015, com destaque para a Acij, onde lançamos oficialmente o Plano Abuhab. No Secovi/SP, tivemos a oportunidade de contar com o engajamento do economista Paulo Rabelo de Castro. Na Fiesc, expusemos o plano em duas oportunidades: uma em reunião da diretoria presidida pelo empresário Glauco Côrte e a outra na Câmara Setorial de Assuntos Tributários e Legislativos, presidida pelo empresário Sérgio Alves. Também tive a oportunidade de levar o plano a uma conferência de melhores práticas de TOC na África do Sul e ainda chegamos a Brasília para uma audiência solicitada pelo senador Paulo Bauer, explanando sobre o Plano Abuhab ao ministro da Fazenda e alguns expoentes da sua equipe econômica. Começamos 2016 certos de que este não será um ano fácil, com um cenário de recessão nos âmbitos micro e macroeconômicos, a clareza de que Miguel Abuhab as dificuldades serão muitas, mas reafirmando nosso comprometimento Fundador da Datasul com a decisão de enfrentá-las com serenidade e simplicidade. Não estamos e NeoGrid dizendo que será fácil, mas estamos convictos de que a solução depende principalmente de nós. Acesse www.miguelabuhab.com e faça parte deste plano para mudar o Brasil.

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ACIJ NA MÍDIA DIÁRIO CATARINENSE, 9/12/2015

A NOTÍCIA 30/01/2016

O caso do São José “‘Se não houver apoios financeiros, teremos que fechar as portas do Hospital Municipal São José para moradores de outros municípios da região. Se não, o hospital se tornará insolvente’.” A frase é do prefeito Udo Döhler, em conversa com empresários e dezenas de servidores municipais, que lotaram o auditório durante reunião do conselho deliberativo da Acij, na segunda-feira. Udo reiterou que, em sua gestão, o grande e contínuo esforço é para moralizar o serviço público.” DIVULGAÇÃO

Udo falou sobre a situação da saúde, em reunião na Acij

Notícias de Joinville, 1/12/2015 “Na noite desta segunda-feira, o governador Raimundo Colombo esteve na Acij, para falar sobre o cenário atual e perspectivas da economia do país e de Santa Catarina. Na oportunidade, o governador assinou a autorização para início da pavimentação na Rua dos Suíços, no Bairro Vila Nova, uma parceria com a empresa Krona Tubos e Conexões. ‘O desafio está presente todos os dias. O ano foi difícil, principalmente com a queda de arrecadação muito significativa, sobretudo no segundo semestre, mas nós conseguimos tocar todas as obras e manter o pagamento dos serviços em dia. São muitos os investimentos que vão continuar, sem falar nos novos que ainda serão feitos’, destacou Colombo.” A Notícia, Jefferson Saavedra, 2/12/2015

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“O secretário César Grubba (Segurança) não entrou em detalhes, mas adiantou, na Acij, a intenção de uma ‘reengenharia’ nas delegacias de Joinville. Seria para priorizar as investigações. O delegado regional Dirceu Silveira Júnior acompanhou a visita de Grubba à Acij.” A Notícia, Toque de Letras, 16/12/2015 “A reunião do conselho deliberativo do JEC durou mais do que o previsto na noite desta quarta, na sede da Acij. Como era previsto, de maneira unânime, os conselheiros aprovaram o acordo com o futsal. A partir de 2016, a Krona irá utilizar a marca do Joinville.” G1 Santa Catarina, 18/12/2015 “O fator decisivo para Joinville passar na frente de Itajaí foi uma mudança na forma do IBGE calcular o Produto Interno

Lançamento do código de ética “A Acij lança, no dia 15 de fevereiro, seu código de ética para balizar as ações e o comportamento coletivo de seus diretores, funcionários diretos, terceirizados e demais agentes com os quais se relaciona institucional e economicamente. O documento, ainda não conhecido publicamente, é um compromisso com a postura correta de todos quantos a ela estão ligados, direta ou indiretamente. A entidade sustenta, com razão, que a ética dá força e sustentabilidade aos negócios. A Acij é a mais representativa dentre todas as associações de Joinville e Região Norte de Santa Catarina e atua na defesa dos interesses empresariais e de causas maiores da cidade.”

Bruto (PIB). Quando a nova metodologia é aplicada aos anos anteriores, Joinville sempre esteve na liderança. ‘Joinville sempre foi o maior PIB do Estado. E vai ser a que mais emprega, mais investe em tecnologia, que mais transforma, a maior população. Não há nada que indique que Joinville perca as condições de maior PIB do Estado nos próximos anos’, disse o presidente da Associação Empresarial de Joinville (Acij), João Martinelli.” Acontecendo Aqui, 8/1/2016 “O Núcleo de Agências de Propaganda e Marketing da Acij realizou, em dezembro de 2015, uma troca na sua presidência. Gabriel Krieger, diretor na agência Voük, deixa o cargo que ocupou desde junho de 2014. Em seu lugar, assume Otávio Pinto, diretor da agência Supernova.”


CURSOS & EVENTOS DIVULGAÇÃO

24 de fevereiro a 20 de abril Curso: Eneagrama – Liderança com inteligência emocional Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br 24 de fevereiro Curso: Cobrança por telefone e negociação com inadimplentes Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br Curso: Administração do tempo Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br 15 a 17 de março Curso: Líder Coach – Potencialize seu líder Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br

Evento sobre práticas de gestão é reconhecido nacionalmente

EXPOGESTÃO 2016 Entre 4 e 6 de maio, o Centro de Convenções Expoville servirá novamente como palco para a ExpoGestão. O evento é reconhecido nacionalmente como oportunidade ímpar para líderes empresariais e gestores trocarem experiências, atualizarem tendências e estreitarem relacionamentos, unindo o pensamento à prática da gestão empresarial. Além dos painéis e debates, os congressistas também podem aproveitar as oportunidades da Feira de Produtos, Serviços e Soluções Empresariais e participar das sessões de workshops gratuitos. Para mais informações: (47) 3481-8830 ou organizacao@expogestao.com.br.

Planeje sua carreira Saber qual o próximo passo e como organizar a vida profissional nem sempre é fácil. Para auxiliar os interessados em avançar profissionalmente, a Sustentare Escola de Negócios oferece, no dia 22 de fevereiro, o “Workshop de planejamento de carreira”, ministrado pela consultora em comportamento organizacional e gestão de pessoas Maria Lúcia Simas Paulino. Ela deve abordar a diferença entre carreira tradicional e moderna e as mudanças e tendências do mercado. Inscrições: (47) 3026-4950 ou sustentare@sustentare.net.

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Curso: Oratória: A arte da comunicação eficaz Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br 17 de março Palestra: ESocial (aspectos e processos) Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br 30 de março Palestra: Bloco K Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br 5 a 7 de abril Curso: Redação empresarial com o acordo ortográfico Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br 26 e 27 de abril Curso: Liderança situacional Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br 28 de abril Curso: Excel, do básico ao intermediário Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br

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POR QUE ACIJ BANCO DE IMAGENS

DNA NATURAL

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DOUAT AMBIENTES INDUSTRIAIS

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DRA VIVIAN CAMPOS

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EDERSON SPIELMANN

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EDSON ALUISIO BATISTA

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ESQUADRICENTER MÓVEIS E ESQUADRIAS EVOLUTION SPORTS

47 34371366 11 982448110

FARMÁCIA ECONÔMICA

47 34631429

FERRARI & FERRARI NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS

47 91373010

FLORENSE JOINVILLE

47 38044554

GLOBOSUL ENGENHARIA

47 30282222

GUARDE MAIS JOINVILLE

47 30256265

H&S AUDITORIA

47 30254172

HABITAR IMÓVEIS

47 38044094

HALIFAX CONSULTORIA E REPRESENTAÇÕES

47 91866866

PROGRAMA DE ENERGIA ACIJ

INTERSEPT

41 32669581

Racionalize suas contas

INTERSEPT VIGILÂNCIA E SEGURANÇA

41 32669581

ISE7E SOLUÇÕES GRÁFICAS

47 34270085

J & L CONTABILIDADE

47 34343414

J.CEOS IMAGENS

47 30855358

KIBS

47 34228667

KJM CONTABILIDADE

47 34661195

KLEIN CONTADORES ASSOCIADOS

47 34616777

LUGANO CHOCOLATES

47 30439022

MADEIRAS TORQUATO

47 34372122

MARTELINHO 3M

47 34334838

MERCADO COMPRE MAIS

47 34664832

MERCADO E PANIFICADORA PACHECO

47 30288112

MODELAÇÃO NOVA ERA

47 34372819

MOTORMEC SOLUÇÕES AUTOMOTIVAS

47 30344858

NATIPE CONSULTORES

47 32276038

OIL EXPRESS

47 99127344

ORBENK ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS

47 34614200

Você já conhece o Programa de Energia Acij? A ação tem como objetivo auxiliar as empresas joinvilenses a economizar nas contas de energia elétrica. Iniciado em 2007, o programa já colaborou com 115 empresas e visa à eficiência energética como ferramenta para a modernização do parque industrial, melhoria da gestão de energia elétrica, geração de economias sustentáveis e alívio de carga no sistema elétrico da Celesc. Entre em contato para saber mais sobre a consultoria gratuita para associados: (47) 3461-3333 ou energiainteligente@acij.com.br.

MAIS PARCEIROS EM NOVEMBRO E DEZEMBRO/2015 AEROVILLE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS

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BOUTIQUE DO FRANGO

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SLAVIERO BENEFITS

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BRANDES DISTRIBUIDORA DE PEÇAS ELÉTRICAS

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SPEAK ONE

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BRASTEMP & CONSUL AUTORIZADA

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SUPERMERCADO KOCK

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CAFÉ CARAMELLO

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CASA DO MARCENEIRO

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TULIO EUGENIO MALBURG

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CASA E CASE

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VAREJONLINE TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA

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CEBRACE CRISTAL PLANO

47 34467000

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Errata: diferente do que foi publicado na edição anterior, o telefone da Allcon Consultoria de Resultados é (47) 3461-3121

Associe-se. Entre em contato pelo 3461-3370 e conheça as vantagens de ser um associado

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FEITO EM JOINVILLE

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Franquia da marca de móveis em Joinville: Top of Mind

FLORENSE

Destaque nacional Com 63 anos de história, a Florense é referência mundial entre as fábricas de móveis e oferece um mix de produtos de alto padrão que contempla todos os ambientes residenciais e

corporativos. A excelência dos serviços prestados por sua rede franqueada complementa a qualidade dos produtos. São 72 lojas no mundo − 60 no Brasil e 12 no exterior. Em Join­ville,

Sede da agência, que oferece atendimento personalizado

UNIQUE

Aproveite a viagem Viajar é um momento especial que depende de bom planejamento. Atuando nesse campo, a Unique Travel & Tours aposta no atendimento personalizado. “Temos um ambiente familiar e atendemos com horário marcado, procurando fazer quem nos procura se sentir único”, ressalta Leonardo Cubas, um dos sócios, que fundou a agência há pouco mais de um ano, com o irmão Bruno. A empresa surgiu com o objetivo de oferecer atendimento de alta qualidade. Dentre os serviços, é possível encontrar pacotes para viagens de negócios,

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já está presente há duas décadas. No final de 2015, a marca conquistou o Prêmio Top of Mind em quatro categorias: móveis para quartos, armários planejados para quartos, cozinhas planejadas e móveis planejados para escritórios. O resultado retrata a credibilidade junto aos profissionais da arquitetura e decoração de interiores. A pesquisa foi feita pelo Instituto Datafolha para a Revista Casa e Mercado. “A premiação é o reconhecimento do nosso trabalho, que busca, em primeiro lugar, a necessidade do cliente”, afirma o franqueado de Joinville, Mateus Novelli. A variedade de padrões de acabamentos e cores (são 220) e a durabilidade são importantes diferenciais. Florense Rua Araranguá, 145. (47) 3804-4554 www.florense.com

sugestões de picos de surfe para os amantes do esporte, destinos para lua de mel e viagens em família. Segundo Leonardo, entre os três destinos mais procurados pelo joinvilense estão a Disney, o Canadá e o Nordeste brasileiro. Seja para onde for, a proposta é uma: “Planejamos a viagem completa, passagens aéreas, hospedagem, locação de veículos e auxiliamos na emissão de passaporte e seguros”. Ele afirma que é possível viajar em momentos de crise. “É preciso verificar as finanças e fazer orçamentos. Todo mundo precisa de férias, quem casa quer uma lua de mel para recordar. A crise existe para quem não tem motivação. Está difícil, mas não impossível. Agora é o momento de usar a imaginação”. Unique Travel & Tours Rua Henrique Meyer, 280, sala 609 Centro, Joinville contato@unique.tur.br/ (47) 3445-1267

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5 TOQUES

FÁBIO ABREU

LEÃO

Planejamento tributário eficaz Apontados por dez entre dez empresários como entraves ao desenvolvimento dos negócios, os tributos representam, em média, 33% do faturamento bruto, 47% do total de custos e despesas e 52% do lucro. Para auxiliar na elaboração de um projeto tributário eficiente, o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) listou cinco dicas que você pode colocar em prática em 2016.

1

Faça o diagnóstico Realizar um minucioso diagnóstico fiscal da empresa é muito importante para identificar pontos que permitam obter a maior economia de tributos possível. Fundamental contar com a participação de tributaristas no processo operacional, revisar periodicamente o plano e promover ajustes, sempre que necessário.

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2

Invista na análise A análise deve considerar os custos envolvidos, o benefício a ser gerado e os riscos inerentes, para evitar equívocos no processo que possam gerar perdas para a empresa. Do contrário, pode ser necessário analisar novamente a situação do negócio.

3

Personalize O planejamento tributário deve ser personalizado. Afinal, até as empresas que atuam no mesmo segmento ou de porte semelhante têm políticas diferentes de organização e trabalho

4

Organize-se Desorganização é extremamente prejudicial à realização de um bom planejamento tributário. Coloque a contabilidade em dia, mantenha práticas idôneas e alinhe os processos internos para garantir o máximo de aproveitamento na elaboração do plano.

5

Não confunda Não se pode confundir planejamento tributário com sonegação fiscal. O planejamento é o conjunto de medidas contábeis, administrativas ou judiciais que têm como objetivo evitar, minimizar ou adiar a ocorrência do próprio fato gerador do tributo.


CONSULTORIA

Inez Maria de Fatima Robert Consultora na Robert Consultoria

Invista em diferenciais competitivos por meio da gestão por competências e habilidades Demandas organizacionais exigem a contínua busca de diferenciais. Nesse contexto, o segredo das empresas que conseguem se sobressair se resume a uma prática há tempos discutida, mas nem sempre aplicada: foco absoluto no quadro funcional. Quando se dá foco ao capital humano, os resultados levam à eficácia, ao mesmo tempo em que a gestão por competências e habilidades fortalece a relação que deve existir para a inovação e a competitividade. A prática requer investimento inicial na focalização das competências e habilidades estratégicas indispensáveis ao negócio, considerando a visão e a essência da missão da empresa, desdobramentos funcionais e criteriosos mecanismos de gestão que permitam clareza, objetividade e justiça à identificação desses atributos no quadro funcional, desenvolvimento de dominâncias não presentes e reconhecimento de diferenciais competitivos frente aos resultados necessários.

Dez passos para implementar a gestão por competências e habilidades l Definir o escopo de cada processo de trabalho e respectivas funcionalidades. l Dimensionar com clareza as competências e habilidades necessárias, desdobrando-as por áreas funcionais. l Alinhar a visão dos profissionais à da empresa sobre o que se espera efetivamente de sua atuação, discutindo e, quando for o caso, revendo processo, funcionalidades, competências e habilidades definidas. l Sistematizar orientação, sustentada na avaliação da proficiência dos profissionais, com forte alinhamento por meio do feedback. l Personalizar e prover capacitações

necessárias e medir eficácia. l Definir e acompanhar resultados, considerando metas de crescimento pessoal e profissional. l Identificar e reconhecer desempenhos em destaque. l Prover perspectivas de crescimento e carreira, que não precisam ser verticais. l Criar um banco de dados com as competências e habilidades estocadas na empresa.

Embora simples, o processo requer determinação, clareza, proximidade dos envolvidos e um forte gerenciamento para que seus resultados sejam consolidados, para que não se torne uma rotina operacional fragmentada e, por vezes, desgastante. Mãos à obra, faça um piloto e adote a prática.

l Sistematizar atendimento de demandas considerando habilidades e competências existentes e, não obrigatoriamente, a clássica visão de cargos.

Inez Maria de Fatima Robert, formada em Psicologia com Mestrado em Administração – Ênfase em Gestão Estratégica, com 43 anos de vivência na área de Gestão de Pessoas em empresas de São Paulo e Santa Catarina. Consultora da Robert Consultoria, professora e orientadora em cursos de formação na Universidade da Região de Joinville e Faculdade Guilherme Guimbala, pósgraduação no Centro Universitário/Católica de Santa Catarina e na Univille.

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OBJETOS DE DESEJO Confira as dicas da hora para seu conforto em casa e no trabalho

CAFETEIRA PORTÁTIL A Minispresso, uma cafeteira portátil desenvolvida pela Wacaco, prepara cafés com a mesma qualidade de uma máquina tradicional. Não tem bateria nem precisa de energia elétrica: basta inserir pó e água quente e destravar uma bomba lateral.

A Minispresso tem 17,6 centímetros de altura e pesa 363 gramas, produzindo cerca de 70ml

Valor: U$ 49 www.wacaco.com

DO CELULAR PARA A PAREDE Para os que precisam fazer uma apresentação no trabalho ou desejam apenas ver um filme no Netflix, o ZenBeam EZ1 é uma solução que cabe na palma da mão. Lançado pela Asus, o projetor LED para smartphones e celulares possui bateria recarregável de 6.000 mAh, podendo ser recarregada via cabo USB. É compatível com sistemas Android e Windows. A lâmpada LED de 150 lumens projeta imagens WVGA de até 854 x 480 de resolução e com tamanhos que podem variar de 22 a 80 polegadas, dependendo da distância entre a parede e o aparelho.

RELÓGIO INTELIGENTE O Gear S2, o novo relógio inteligente da Samsung, destaca-se pelo sistema operacional intuitivo, o Tizen, que é integrado à sua coroa giratória funcional. O relógio é resistente à água e à poeira, confortável e leve, com tela de 1,2 polegadas e circular Super AMOLED com 360x360 de resolução. Oferece teclado virtual, com opção de selecionar respostas pré-prontas. O recurso de comando de voz também pode ser utilizado para escrever a fala do usuário. O sistema traz contador de passos, agenda, previsão do tempo, player de música, batimentos cardíacos e calendário, além de sensor de luz ambiente e acelerômetro. Também mostra notificações de aplicativos compatíveis, como Facebook e WhatsApp.

Produto ainda será lançado no mercado www.asus.com.br

Valor: Gear S2: R$ 1.899/Gear S2 Classic: R$ 2.099 www.samsung.com.br

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

IMAGENS MAIS VÍVIDAS Galaxy Tab S2, o novo tablet da Samsung, destaca-se pelo design fino, com 5,6 mm de espessura, e a tela com imagens mais vibrantes. Pesando apenas 272 gramas, vem com display que valoriza o preto na tela, tornando as imagens vívidas. O tablet, que pode ser adquirido em dois tamanhos (8 ou 9,7 polegadas), tem processador Exynos octa-core, Android Lollipop 5.0 e sensor de impressões digitais. Contém 3 GB de memória RAM, 32 GB de armazenamento interno (expansível com cartão microSD de até 128 GB) e câmeras de 8 megapixels e 2.1 megapixels. Valor: de R$ 2.349 a R$ 2.699 www.samsumg.com.br

O produto está disponível em três versões no Brasil: com tela de 8 polegadas e 4G, tela de 9,7 polegadas com Wi-Fi e tela de 9,7 polegadas e 4G

RAPIDEZ NO FOCO O Sony Xperia Z5 traz como novidade uma câmera traseira com 23 megapixels, com foco rápido – é possível tirar uma foto em 0,03 segundo. Com display de 5,2 polegadas e resolução Full HD, seu processador é um Qualcomm 810 com oito núcleos, a memória RAM é de 3 GB e o armazenamento interno de 32 GB, expansível com cartão microSD de até 200 GB. O sistema operacional é o Android Lollipop 5.1, com atualização garantida para a versão 6.0. Disponível no Brasil em preto, branco, verde ou dourado. Valor: R$ 4.299 www.sony.com.br

Dicas para os “Objetos de desejo” da próxima edição? Escreva para revista21@mercadodecomunicacao.com.br

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BRIEFING FOTOS: DIVULGAÇÃO

Estruturas da Park In Box e Guarde Mais, que oferecem espaço para armazenar todo o tipo de material fora de uso

Park in Box Rua Arnaldo Moreira Douat, 444 Joinville Atendimento: de segunda a sexta, das 8h às 18h (47) 3465-5055 Guarde Mais Rua Ottokar Doerffel, 1112 Joinville Atendimento: de segunda a sexta das 8h às 18h. Sábados, domingos e feriados, atendimento especial pré-agendado (47) 3025-6265

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EMPRESAS

Para guardar tudo bem Onde guardar com segurança documentos, móveis ou objetos fora de uso, em casa ou no escritório, estoque de lojas, coleções, materiais esportivos, aquelas roupas do inverno – ou de verão –, os apetrechos de piscina e os enfeites de Natal? No final de 2015, Joinville passou a contar com soluções para esse problema típico da vida moderna que é a falta de espaço, com a chegada de duas empresas de self storage, ou “guarde você mesmo”. Criada na década de 60 nos Estados Unidos com a intenção de fazer frente à dificuldade que atinge as grandes cidades, é uma modalidade de locação disseminada também na Europa e vem crescendo nas principais cidades brasileiras. A ideia é oferecer opções de armazenamento de objetos e produtos os mais distintos, tanto para famílias quanto para empresas. A iniciativa deu tão certo que já movimenta cifras relevantes: em 2014, US$ 22 bilhões nos Estados Unidos e R$ 140 milhões no Brasil. “Somos uma extensão da garagem de casa ou do escritório pelo tempo que o cliente precisa”, compara Paulo Antônio Munhoz, sócio da Park in Box. Funcionando em uma área de 2 mil metros quadrados, no prédio da antiga Metalúrgica Douat (próximo à Estação Ferroviária, no bairro Floresta), a Park in Box oferece locações de espaços a partir de 1,5 x 1,5 metro. O prazo de locação é determinado pelo cliente e o valor do serviço é cobrado mensalmente, de acordo com as dimensões contratadas. Todos os boxes têm 2,40 metros de altura e são feitos com chapas galvanizadas, além de ser arejados, evitando qualquer dano aos itens guardados. O espaço pode armazenar uma infinidade de opções, exceto produtos perecíveis, perigosos, inflamáveis, ilegais ou vivos. Os boxes são privados e com acesso exclusivo aos clientes, que devem utilizar cadeado próprio. Além do inquilino, só pessoas cadastradas por ele e


que disponham da chave do cadeado podem ter acesso ao box. Monitoramento eletrônico composto por câmeras digitais e alarmes garante a segurança do local. O cliente também pode contratar um seguro enquanto o contrato de locação estiver válido. Outra vantagem no serviço da Park in Box é a facilidade e rapidez no acesso aos boxes. Não muito longe dali, na Rua Ottokar Doerffel, bairro Anita Garibaldi, a Guarde Mais, também vinda de Curitiba – onde está instalada desde 2010 –, montou uma grande estrutura para atender, além de Join­ville, cidades vizinhas como Garuva, São Francisco do Sul e Jaraguá do Sul. A empresa disponibiliza 279 boxes, com tamanhos e finalidades variadas, para armazenar móveis, arquivos, estoques e volumes – que podem ser guardados pelo tempo necessário. “O Self Storage nasce num momento muito especial, quando a verticalização se torna irreversível e necessária, fazendo que os espaços sejam cada vez menores”, observa o diretor comercial da empresa, Francisco Pascale.

Alugar um box é fácil. Os contratos são firmados após apresentação de documentação simples e podem estabelecer prazos variados, a partir de 30 dias, sem necessidade de fiador ou multas contratuais. É ideal, por exemplo, para descentralizar a logística das empresas, implantando pequenos centros de distribuição sem investir no aluguel de grandes galpões. De acordo com a Associação Brasileira de Self Storage (Assbrass), essa modalidade de locação é a atividade que mais cresce no mercado imobiliário americano. No Brasil, a atividade conta, atualmente, com cerca de 100 empresas que oferecem 170 mil metros quadrados.

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TELEFONIA

Falta de comunicação na Serra Dona Francisca em debate As quatro empresas de telefonia celular que operam em Joinville estão dispostas a resolver o problema de falta de comunicação na Serra Dona Francisca. Com pontos de sombra, em que não é possível ligar nem acessar a internet, o trajeto se torna preocupante, principalmente em casos de emergência. Em novembro, representantes das operadoras estiveram na Agência de Desenvolvimento Regional de Joinville para discutir a situação. A próxima reunião deve ocorrer neste mês de fevereiro. A Claro informa que já tem quatro antenas na região da Serra Dona Francisca para cobertura do trajeto que começa na BR-101 e vai até Campo Alegre. De acordo com seus representantes, a cobertura compreende áreas rurais e de rodovia que não se enquadram no escopo de atendimento obrigatório estabelecido pela Anatel. Durante a reunião, foi informado que uma nova antena da empresa está sendo instalada próxima à Sociedade Rio da Prata e que ambas as antenas poderão ter a estrutura compartilhada com as demais operadoras.

Oi, TIM e Vivo informam que a viabilidade técnica da proposta está sendo estudada e deve ser apresentada na próxima reunião. No triênio que vai até 2017, a TIM pretende investir R$ 14 bilhões na região. Em 2015, foram efetuadas ampliações de capacidade em nove torres que atendem a cidade, além da ativação de 20 novos sites abrangendo a área urbana e parte da área rural do município. A Oi investiu cerca de R$ 96 milhões em Santa Catarina, de janeiro a setembro de 2015. A operadora está priorizando investimentos em suas redes de telecomunicações, com foco no tripé Operações, Engenharia e TI, para melhoria da qualidade do serviço aos clientes em todas as regiões. Entre janeiro e outubro de 2015, instalou 18.100 novas portas de acesso à internet banda larga no Estado. Nesse período, também foram implantados 22 novos sites de telefonia móvel 3G, dois novos sites 2G e 30 outros foram modernizados ou ampliados. SECOM/GOVERNO DO ESTADO

Pontos de sombra na rodovia prejudicam sinal

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DIVULGAÇÃO

Vicente trabalha há dois anos na operação da Totvs situada no Vale do Silício; em Joinville, especialista lançou projeto social para jovens

OBJETIVOS DO PROGRAMA

TECNOLOGIA

Que tal uma “Siliconville”? O joinvilense Vicente Goetten Junior, 33 anos, formado em Tecnologia da Informação pela Utesc e com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV), é diretor executivo da Totvs Labs, operação da brasileira Totvs baseada no Vale do Silício, o reconhecido centro global de tecnologia e inovação. “Estar aqui nos dá aquela sensação de que tudo é possível, as pessoas não têm medo de arriscar e o ambiente é muito favorável e aberto para testes”, afirma Vicente, que fechou a ExpoInovação 2015, em Joinville, com uma aplaudida palestra sobre tendências no campo da tecnologia. Nesta entrevista à Revista 21, afirma que sua cidade natal tem potencial para se fortalecer cada vez mais nesse segmento, espelhando-se em exemplos como Berlim e Tel Aviv: “Precisamos pensar a longo prazo, criar um ambiente e políticas que tornem Joinville aberta para inovações”. Também explica como funciona o projeto social intitulado KeenFuture (www.keenfuture.org), idealizado por ele e pela esposa Daniela, que vai selecionar jovens carentes para estudar no exterior.

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Para participar, a família do jovem precisa ser de baixa renda e a sua média escolar mínima, de 80%. No final, o jovem fará intercâmbio de três meses nos Estados Unidos, em uma das escolas parceiras. Acreditamos que, com isso, vamos influenciar os alunos a se esforçarem para irem além. Esperamos encontrar um número representativo de candidatos que atendam a esse requisito. E o grande objetivo será influenciar outros jovens, mostrar que é possível sonhar alto e construir um futuro melhor. Tenho certeza de que os jovens selecionados serão grandes influenciadores na comunidade em que vivem. Nosso representante em Joinville está visitando escolas municipais para identificar alunos que se enquadram no perfil da KeenFuture. Seguiremos com esse processo até o primeiro trimestre de 2016. Uma vez identificados, os jovens passarão por entrevista. Nosso objetivo é ter pelo menos cinco alunos patrocinados em 2016, mas esse número poderá subir exponencialmente. O objetivo é expandir a KeenFuture para diversas cidades, não só do Brasil mas como em outros países. Nossa expectativa é que isso se viabilize em 2017, ou antes, caso novos investidores e parceiros sejam identificados.

PERFIL PESSOAL

Apesar de vir de uma família simples, meus pais sempre fizeram esforços incríveis para me dar a melhor educação possível, e me falavam que, se eu me esforçasse, se eu lutasse, poderia fazer o que quisesse, que não haveria limites para meus sonhos. Desde


muito novo, eu assistia a filmes e lia livros em inglês. Além disso, sempre fui apaixonado por tecnologia. No início da adolescência, comecei a desenvolver websites e pequenos aplicativos. A oportunidade de vir para os EUA surgiu pela Universidade de Stanford. Um dos diretores do centro de engenharia elétrica me convidou para participar de um projeto de pesquisa em 2011, e a experiência foi transformadora. Tive contato com empreendedores, professores, alunos e investidores que estavam executando ideias com potencial de transformar o mundo. Na mesma época, eu era evangelizador de tecnologia da Totvs e o CEO, Laercio Cosentino, pediu que eu pensasse no que a Totvs poderia fazer no Vale do Silício, após o meu período em Stanford. Foi daí que surgiu a Totvs Labs.

VALE DO SILÍCIO

Estar aqui foi um fator muito importante: estar em contato com investidores, empreendedores, universidades, dá aquela sensação de que aqui tudo é possível, pois as pessoas não têm medo de arriscar, e temos um

ambiente muito favorável e aberto para testes. O que tornou o Vale do Silício o que ele é foi esta combinação incrível de talentos formados nas melhores universidades, empresas inovadoras, capital de risco e grandes empresas. O objetivo da Totvs Labs é trazer inovações para nossos clientes do mundo todo. Hoje, no Labs, temos um time de pesquisa e desenvolvimento trabalhando no em ideias e novas tecnologias e outro focado em localizar startups nas quais a gente possa investir ou estabelecer parcerias, ajudando essas empresas a entrar na América Latina.

JOINVILLE TECNOLÓGICA

Tel Aviv e Berlim, centros de referência em tecnologia, deveriam ser benchmarks para a nossa cidade. Não adianta querer nos comparar com o Vale do Silício, nem mesmo os EUA conseguiram replicar o modelo. Mas conseguiríamos nos espelhar em cidades como Berlim. Joinville é forte na formação de talentos para a tecnologia. O que falta é criar um ambiente aberto a inovações, que estimule ideias e políticas. Estabele-

MAX SCHWOELK

cer uma meta, por exemplo, como ser a primeira cidade do Brasil a ter carros autônomos, a primeira a liberar autorizações para esses carros andarem nas ruas. Criar o conceito de manufatura digital, com impressoras 3D dentro das empresas de manufatura. Por isso, enfatizo a necessidade de pensarmos longe, quem sabe criarmos a nossa “Siliconville”. Existe oportunidade de trazermos empresas de tecnologia, empreendedores e políticos para criar políticas favoráveis à inovação e ao empreendedorismo. Precisamos também de um ambiente amigável para que as pessoas testem, aprendam, melhorem suas ideias etc. Existe capital, o que falta é incentivar pessoas a criar ideias e empresas a adotá-las. Algo de diferente que Berlim e Tel Aviv fazem é ajudar os empreendedores a pensar globalmente desde o seu início. Essa deveria ser a meta de Joinville. Nossa cidade tem gente disposta a ajudar. Falta que empresas e governo criem um plano de longo prazo para nossa cidade, pois o mundo daqui a 15 ou 20 anos será completamente diferente do que é hoje.

A MENINA DO VALE

Aos 27 anos, Bel Pesce é conhecida como “A menina do Vale”. Formada em engenharia elétrica, ciências da computação, administração, economia e matemática no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), foi listada entre os 30 jovens mais promissores do Brasil pela Revista Forbes. Trabalhou na Microsoft, Google e Deutsche Bank. Após concluir os estudos, mudou-se para o Vale do Silício. Foi lá que fundou a startup Lemon Wallet e escreveu seu primeiro livro. O auditório da Expoville lotou para a palestra de Bel, intitulada “Criando Oportunidades”, promovida pela Acij.

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EDUCAÇÃO

Negócio de R$ 150 milhões muda gestão da Sociesc Uma das maiores organizações educacionais privadas de ensino superior do Brasil, a Anima Educação assumiu a operação de instituições de ensino mantidas pela Sociedade Educacional de Santa Catarina (Sociesc). Passam a fazer parte do grupo o Centro Universitário Unisociesc, em Join­ ville, e faculdades em Curitiba, Florianópolis, Blumenau, São Bento do Sul, Balneário Camboriú, além do Colégio Tupy, da Escola Técnica Tupy e da Escola Internacional de Florianópolis. A Sociesc atua no ensino médio, educação bilíngue, ensino técnico

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e profissionalizante e ensino superior, nas modalidades presencial e a distância. Com mais de 15,6 mil alunos matriculados e aproximadamente 1 mil colaboradores, destaca-se pelo relacionamento com os setores produtivos locais, sendo líder nas atividades de capacitação empresarial e apoio ao desenvolvimento de empresas, por meio de sua unidade de Gestão e Inovação Tecnológica, e mantendo convênio exclusivo com a Fundação Getulio Vargas (FGV) nas praças em que atua em Santa Catarina.

O valor total do negócio alcança R$ 150 milhões. “Assumimos a operação com o compromisso de dar continuidade ao ensino inovador alinhado aos projetos de vida de seus estudantes para caminhar em direção ao nosso propósito de transformar o país pela educação”, avalia Daniel Castanho, presidente da Anima Educação. A conclusão do processo está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) e vai elevar a base de alunos do grupo para 98 mil pessoas. O projeto marca um movimento relevante na expansão das atividades de Ensino a Distância (EaD) da Anima, que passará dos atuais 12 para um total de 33 polos de graduação, atendendo a 4 mil alunos. Além disso, a Sociesc tem protocolados no


MEC mais 26 pedidos de novos polos, o que levará potencialmente a rede para um total de 59 unidades. Segundo Castanho, a empresa pretende preservar o legado da Sociesc, respeitando a tradição e a identidade da instituição. Os principais executivos da Sociesc permanecerão à frente da gestão. Neste início de ano, está sendo produzido um diagnóstico das oportunidades

de sinergia entre as instituições, para identificar o que há de melhor em cada uma. Ficaram de fora da negociação a Escola Internacional de Joinville e os imóveis operacionais situados na cidade (campi Boa Vista e Marquês de Olinda), que terão gestão própria, estatuto, conselho e corpo de associados, realizando atividades que beneficiem a comunidade de acordo com seu objeto social.

O primeiro grande projeto da Nova Associação (o nome ainda não foi definido), que vai cuidar das operações não incluídas no negócio com a Anima, será a construção de um prédio moderno, na Rua Marquês de Olinda, para a Escola Internacional, que terá os mais avançados recursos educacionais e um complexo esportivo para despertar o interesse das crianças em esporte que terá uma área total de 9 mil metros quadrados. Revisão do projeto original – necessária para acomodar a sede da Nova Associação e novidades em termos de tecnologias educacionais – está em curso. Após aprovada essa etapa, as obras serão iniciadas.

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Uma das sedes da Sociesc, em Joinville: novos proprietários prometem dar continuidade ao legado do grupo, respeitando a tradição e a identidade

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DIVULGAÇÃO

Com 4 mil usuários, software desenvolvido pela Sys facilita trabalho de agências

TECNOLOGIA

Aposta na gestão eficiente para empresas criativas Software criativo para empresas criativas. Assim foi desenvolvido o Agência Sys, lançado em nova versão neste início de ano, trazendo conceitos de usabilidade, ergonomia, integração e facilidade na gestão das empresas. Para a reestruturação, foram 18 meses e uma equipe de 15 profissionais dedicada ao projeto. Metodologias do Design Thinking e User Experience foram utilizadas para construir o produto de acordo com as necessidades dos clientes, proporcionando um processo de trabalho mais colaborati-

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vo, que valoriza a troca de ideias e tem gestão participativa. Voltado para agências de publicidade, escritórios de design, agências digitais, produtoras de vídeo, agência de eventos, assessorias e setores de marketing, o software auxilia na coordenação dos trabalhos por meio de um sistema de estrutura modular, permitindo habilitar recursos pertinentes às necessidades de cada empresa. A usabilidade do sistema foi pensada para ser descomplicada, amigável e objetiva. As telas foram

planejadas a partir de conceitos que deixam o trabalho dos profissionais mais eficiente, melhorando a produtividade, promovendo a comunicação interna e gerando resultados positivos. Além disso, otimiza o tempo de entrega dos trabalhos, integra departamentos, aumenta o engajamento e dá uma visão completa das tarefas e dos profissionais. A Agência Sys está do mercado de sistemas de gestão desde 2008. Contabiliza 600 clientes e quase 4 mil usuários em todo o Brasil. Tem 25 profissionais trabalhando na sede em Joinville. Para conhecer o novo sistema, acesse www. agenciasys.com.br, faça o cadastro e comece a usar gratuitamente por 15 dias.


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EM NÚMEROS

Diminuindo as perdas de água Um dos maiores problemas no abastecimento de água em Joinville são as perdas devido a vazamentos ocultos e ligações clandestinas. No início de 2015, as perdas por ligação ao dia eram de 708 litros. Em outubro, caíram para 654 litros, gerando uma economia de 558.308 m3 e R$ 759.974. A Companhia Águas de Joinville estipulou metas até 2018 para medir a eficácia das suas ações. O objetivo para 2016 é diminuir as perdas em 7,7%.

Perdas por ligação, de março/2014 a outubro/2015

Metas

Abaixo, a evolução das perdas por ligação ao dia. No início de 2014, as perdas de água estavam acima de 700 litros/ ligação/dia. Durante o ano, o plano de redução de perdas foi atualizado e as ações surtiram efeito. As ações medidas até outubro/15 estavam próximas da meta estabelecida.

Evolução anual da economia

Em m³ 558.308

644.942

644.942

644.942

2016

2017

2018

Perdas por ligação em litros/dia META ESTABELECIDA RESULTADO

725

708

700

654

702

649

600

637 604

2015 573

543

Em R$

500 400

820.772

759.974

886.434

957.348

300 200 100 0 MAR A DEZ 2014

JAN A OUT 2015

2016 17 18

2015

2016

2017

2018

Como é feito o combate aos vazamentos ocultos Boa parte das perdas é registrada nesse tipo de vazamento, difícil de detectar por ocorrer no subsolo 1 Técnico caminha com o geofone eletrônico 1

2 Sensor é posicionado na superfície do solo 2

3 Ruído é captado

4 Vazamento está abaixo do ponto onde o ruído é mais intenso

5 Técnico trabalha com um ou dois auxiliares 5

3

4 FONTE: COMPANHIA ÁGUAS DE JOINVILLE

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O combate às ligações clandestinas Mapeamento das ligações irregulares desativadas em 2015. Cada ponto representa uma ligação irregular desativada)

1.215

ligações clandestinas foram desativadas pela companhia entre janeiro e outubro/2015

Ligações desativadas, por bairro Boa parte das ligações clandestinas foi encontrada no Paranaguamirim e no Jardim Paraíso

0 a 7 ligações clandestinas 8 a 19 ligações clandestinas 20 a 36 ligações clandestinas 37 a 88 ligações clandestinas 89 a 167 ligações clandestinas

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2km

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INOVAÇÃO

Por que Santa Catarina é campo fértil para startups Marcela Güther Santa Catarina se consolidou como polo de inovação e empreendedorismo nos últimos anos, desempenhando papel privilegiado no cenário do setor de tecnologia, com destaque para empresas de diferentes portes. Entre elas, as chamadas startups – negócios que alcançam sucesso por oferecer ideias baseadas em problemas reais. “Essencialmente, uma startup existe para resolver um problema (ou uma ‘dor’, como gosto de dizer) de algum cliente. Se não há um problema ou necessidade, provavelmente não há mercado para o produto que essa startup quer oferecer”, racionaliza Alexandre de Souza, gestor do Startup SC, do Sebrae Santa Catarina e um dos organizadores do Startup Weekend Joinville, que ocorre em fevereiro. Hoje, são cerca de 350 startups identificadas pelo Sebrae no Estado. Dez catarinenses (Meerkat, Dunning, Soluz Energia, Youper, Prosumir, Opifex, Litma, Dr. Cuco, Instituto Gatti e Out Class) estão presentes no ranking do movimento 100 Open Startups, que elencou as companhias brasileiras mais atraentes para as grandes corporações. Além disso, três cidades do Estado figuram no Índice de Cidades Empreendedoras de 2015, assinado pela Endeavor: Blumenau (20º lugar), Joinville (9º) e Florianópolis (2º). Joinville ficou na frente de capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. “A cidade se destacou em infraestrutura e inovação, especialmente por ter boas universidades, mais qualidade de vida e custos em geral mais baixos que os de grandes capitais. Startups como ContaAzul, Sofit, Asaas e Meus Pedidos são cases de sucesso no país, e mostram como Joinville vem se sobressaindo nesse tema”, ressalta Souza. Tiago Brandes, CEO e co-fundador da Meus Pedidos, concorda: “O sucesso se deve à boa infraestrutura, às universidades renomadas e à qualidade a um baixo custo oferecida para quem deseja viver na região”.

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BANCO DE IMAGENS

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De acordo com Souza, crise e recessão são ótimas oportunidades para as startups, que representam inovação e promovem soluções que aumentam a eficiência e cortam custos. Para Janderson Araújo, um dos sócios da Sizebay, o ecossistema de startups de Santa Catarina está mais conectado: “O movimento se fortaleceu, as pessoas estão acreditando nos sonhos delas. Apesar da crise, existem muitos investidores anjos e fundos investindo em ideias e novos negócios”. Gilles de Paula, CEO da Treasy, acredita que não há melhor lugar para empreender no Brasil – segundo ele, hoje são dois grandes polos de startups crescendo e se destacando, um localizado em Santa Catarina e outro, o San Pedro Valley, em Belo Horizonte (MG). “Empreender nunca é fácil, principalmente em se tratando de startups que atuam em um ambiente de extrema incerteza. Mas certamente temos algumas das melhores condições para isso no Brasil”, assegura. Gilles aponta dois programas que contribuem para o fortalecimento do ecossistema. O primeiro, já mencionado, é o projeto Startup SC, que visa desenvolver e promover empreendimentos inovadores no Estado. A ideia é fortalecer as startups digitais a partir da difusão da cultura empreendedora e da profissionalização da gestão de seus empreendimentos, com ações de capacitação, inovação e posicionamento de mercado. Das atividades que o projeto realiza, destacam-se o Startup Weekend, o Meetup StartupSC, a Missão ao Vale e o Programa de Capacitação, sendo esta última a principal. Um grupo de 20 startups é selecionado e, durante cinco meses, os empreendedores participam de uma série de work­shops, cursos, palestras e sessões de mentoria, minis-

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No alto, os fundadores da Treasy: planejamento financeiro e orçamentário; na outra foto, a equipe da Sizebay, que lançou um provador virtual

tradas por especialistas, mentores e consultores. Durante os últimos três anos, participaram da capacitação mais de 100 startups, de 23 cidades do Estado. Em 2016, as inscrições para a sexta turma podem ser realizadas neste mês de fevereiro. O segundo programa destacado por Gilles é o Sinapse da Inovação, da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (Fapesc), que auxilia ideias nascentes com subvenções econômicas. “Além disso, temos várias incubadoras, como a Softville e a Fundação Certi, que são essenciais para evitar a morte prematura de empresas em estágios iniciais”, lembra.  Uma boa novidade é que a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciou, no último trimestre de 2015, o Finep Startup, que visa aportar conhecimento e recursos financeiros via participação no capital de empresas inovadoras de base tecnológica, em estágio inicial, com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões. O investimento será por meio de contrato de opção de compra de ações e pode chegar a R$ 1 milhão, baseado no plano de negócios da startup. A previsão é lançar um edital em 2016 e dois em 2017. Cada edital terá valor de R$ 20 milhões.


Como transformar a ideia em negócio? O gestor do Startup SC/Sebrae responde a pergunta do título: a primeira etapa é validar a ideia. “Antes de começar uma startup, é necessário ver se alguém tem interesse na compra. Você deve testar seu produto no mercado, fazer um protótipo e levar para alguém. É o primeiro passo, e o mais importante, mas que muita gente pula”, anota Souza. Um exemplo é a Sizebay, criada a partir de uma necessidade do mercado: há cerca de três anos, seus fundadores perceberam a dificuldade que as pessoas (inclusive eles mesmos) tinham para comprar roupas pela internet – e que o problema com medidas ia além do e-commerce, impactando lojas físicas e fabricantes. Em setembro de 2015, a startup lançou o provador virtual para e-commerce. “Na plataforma, os consumidores podem escolher o tamanho correto de suas roupas, a indústria passa a conhecer o perfil de medidas e comportamento de seu público para planejar melhor sua produção, e o e-commerce, a atender melhor seus clientes, vendendo mais e com melhores margens e reduzindo trocas ou devoluções”, explica Janderson Araujo, responsável pela startup. O internauta consegue realizar dedução automática das medidas corporais – o sistema descobre as medidas a partir de informações que o cliente fornece, como sexo, idade, altura e peso. “Estamos implantando a solução em quatro clientes (Malwee, Kyly, Carmim e Camisarias Colombo) e em fase de negociação com mais de uma dezena”, informa Araujo. Em 2016, a startup pretende consolidar o produto e lançar seu próprio buscador.

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Equipe da Plurio: solução de colaboração na nuvem que visa aumentar o controle e baixar custos de atendimento a clientes

Joinvilenses atentos às melhores práticas O Vale do Silício, nos Estados Unidos, é reconhecido mundialmente como berço das principais empresas globais de tecnologia. Buscar inspiração e imergir nesse universo foi parte dos objetivos da missão do programa Startup SC/Sebrae à região, em setembro de 2015. Um dos destaques foi a participação dos empreendedores no TechCrunch Disrupt 2015. As join­ vilenses Treasy e Plurio – Management in E-mail foram duas das sete startups catarinenses presentes na missão. Fundada em novembro de 2013, a ideia da Treasy começou a nascer quando o CEO Gilles de Paula estava ajudando sua esposa a elaborar o planejamento e orçamento da Parece Gente, um ateliê de bonecas de pano. “O negócio começou a se expandir e sentimos dificuldade ao utilizar planilhas para o planejamento e simular possíveis cenários. Na época, chegamos a pesquisar na internet por sistemas de planejamento online

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mais simplificados. Mas só encontramos softwares caros e complexos, focados em grandes empresas”, explica. Começaram lançando um blog, para checar se havia mais pessoas com o mesmo problema e atrás de soluções. Como o blog gerou visitas e feedback de interessados, passaram a trabalhar na solução. Focada em empresas de médio porte, a Treasy desenvolveu a primeira solução de planejamento e controladoria do Brasil comercializada no modelo SaaS (software como serviço) e totalmente online. “Não é necessário envolver o setor de Tecnologia da Informação, investir em compra de servidores, instalações, backups. Esse modelo torna muito mais simples e rápida a adoção e implantação da gestão orçamentária pelas empresas, além de reduzir drasticamente os custos de Total Cost Ownership [TCO, ou custo total da posse]”, ressalta Gilles. O período de adoção varia de 8 a 16 horas, reduzindo em mais de 70% o tempo de elaboração do orçamento. Atendendo praticamente todo o Brasil, a Treasy teve aumento, em 2015, de 26% da base de clientes ao mês. Gilles afirma que o sucesso se deve à lacuna no mercado para a gestão

orçamentária para médias empresas, especificamente. Em 2016, os planos são consolidar o nicho e triplicar o número de clientes, além de aumentar o tamanho da equipe, formada por oito pessoas. Já a Plurio – Management in E-mail é uma solução de colaboração na nuvem que visa aumentar o controle e baixar os cursos de atendimento a clientes e gestão das equipes de pequenas e médias empresas. A plataforma SaaS de helpdesk e gestão de tarefas e documentos foi lançada em fevereiro de 2015 e, desde então, apresenta crescimento mensal médio de 80%. A startup oferece uma solução que unifica gestão de equipes, tarefas e atendimento a clientes no próprio e-mail da empresa. Já são oito clientes e mais de 200 pessoas utilizando a plataforma. “Em 2013, tínhamos um software para montagem e acompanhamento do planejamento estratégico. Conversando com o mercado e clientes, identificamos que a dificuldade das empresas em atingir seus objetivos estratégicos não decorria da falta de planejamento (por mais que esse fosse criado apenas no campo do pensamento, os empreendedores sempre têm visão de futuro), mas da falta de controle da execução da empresa em si. Foi quando tivemos o insight de criar uma plataforma que apoiasse o gestor na liderança da equipe, na motivação e alinhamento”, explica Anderson Fagionato, responsável pela startup. O gestor da Pluiro evidencia que, na prática do mercado, as pequenas e médias empresas utilizam apenas o e-mail como forma de comunicação – por isso, a solução foi criada na plataforma. “As empresas que adotam nossa plataforma notam uma diminuição no volume total de e-mails e, o mais importante, o tempo médio de resposta cai consideravelmente, chegando a 50% do aferido no início do uso”, expõe. Quatro pessoas atuam com vários fornecedores de tecnologia e marketing que os apoiam na operação, de maneira terceirizada. “Também contamos com mentores para definições estratégicas, o que complementa os talentos internos”, completa. O ano de 2015, de acordo com Fagionato, foi muito bom para o cenário de startups. “Tivemos êxitos significativos, além do surgimento de novas aceleradoras e iniciativas globais investindo no nosso mercado, como o Google Grind, que iniciou um capítulo em Florianópolis”, ressalta. Ainda no primeiro trimestre de 2016, a startup estreia com a operação nacional de vendas e, no segundo semestre, a ideia é expandir para mercados internacionais.

Colaboração e empreendedorismo Os movimentos da nova geração de empreendedores em Joinville estão refletidos em dois negócios instalados recentemente no Auri Plaza Garten, edifício sustentável localizado ao lado do Joinville Garten Shopping e das universidades e próximo ao Distrito Industrial. Ambos reúnem profissionais dos setores de software e serviços que demandam ambientes mais flexíveis, descontraídos e conectados.

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Uma das novidades é o CO.W Coworking Space, o primeiro de uma rede do grupo Aurinova Desenvolvimento Imobiliário. Com capacidade para 245 pessoas, trata-se de um espaço colaborativo que incentiva o conhecimento e o desenvolvimento empreendedor, de forma inteligente, simples, flexível e com custo-benefício atrativo para startups, pequenas empresas, franquias, freelancers, autônomos, empresas do terceiro setor e times remotos. O local conta com 550 metros quadrados iniciais e previsão para dobrar esse espaço, sem contar as áreas comuns do Auri Plaza, incluindo salas de eventos, estacionamento, bicicletário com vestiários e terraço verde. Os espaços de trabalho já são ambientados e mobiliados. Os coworkers têm acesso a orientações, treinamentos e a uma rede de parceiros e investidores. “Oferecemos um serviço


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Acima, o CO.W Coworking Space Joinville, situado dentro do Auri Plaza Garten; no topo, produto para representantes comerciais desenvolvido pela Meus Pedidos, também situada no edifício

de apoio ao empreendedor que é baseado na cultura colaborativa, com networking de altíssima qualidade, em um ambiente inovador e conectado”, ressalta o diretor Renato Auriemo. No início de fevereiro, o espaço promoveu o Whipped Cream, evento que promoveu palestras e bate-papos com especialistas e empreendedores do CO.W. Outro destaque recente no local é a startup Meus Pedidos, que de-

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senvolve soluções em controle de vendas para empresas de representação comercial, distribuidoras e indústrias de todo o Brasil. A startup ocupa um andar inteiro do edifício. De acordo com Tiago Brandes, CEO e co-fundador da Meus Pedidos, o lugar diferenciado tem o intuito de oferecer um ambiente descontraído e confortável aos 51 “MPlayers”, como são chamados os colaboradores da empresa, para que possam desenvolver a sua criatividade.

 riada em 2010, a Meus Pedidos tem atuação principal nos ramos de alimentos e C bebidas, cosméticos e construção civil. O objetivo inicial foi atender às necessidades do pai de um dos sócios-fundadores, que é representante comercial há mais de 20 anos. Ele precisava de uma ferramenta que otimizasse a emissão e o controle dos pedidos de vendas e não existia uma solução no mercado específica para esse nicho.

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“O representante comercial é essencial para que a conexão entre a indústria e o consumidor seja, de fato, satisfatória para todos. Por isso, trabalhamos ativamente para aproximar representantes, indústrias e distribuidoras, conectando-os por meio de uma única plataforma de vendas”, expõe Brandes. Cerca de 100 mil usuários já se beneficiaram do sistema. Pesquisa realizada pela startup, envolvendo mais de 1 mil usuários, mostrou que 75% dos entrevistados perceberam aumento médio de 29% nas vendas com um mês de uso, além da economia de 7,2 horas semanais. “Os profissionais passaram a ter mais tempo para se dedicar a demandas estratégicas, como a prospecção e a fidelização de clientes, em vez de focar em atividades operacionais”, esclarece o CEO.

A empresa se desenvolveu com capital próprio, numa prática conhecida como bootstrapping. “Recentemente, recebemos aporte financeiro de dois fundos de investimento: a Monashees Capital, venture capital líder em investimento em empresas de internet no Brasil, e a Qualcomm Incorporated, por meio do seu grupo de investimentos de capital de risco, a Qualcomm Ventures”, informa. O investimento de R$ 6 milhões será usado na expansão dos negócios da empresa, que pretende chegar a 120 colaboradores (o dobro do quadro atual) e aumentar o faturamento em 200% nos próximos 12 meses.

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No alto, equipe da startup Meus Pedidos – que desenvolve soluções para controle de vendas para empresas de representação comercial –, composta por 51 “M-Players”; na foto menor, Tiago Brandes, CEO e co-fundador


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Fórum para apontar tendências Compartilhar ideias, formar equipes e criar novas startups em 54 horas. Esses são os objetivos do Startup Weekend, que se realiza entre 26 e 28 de fevereiro, na Acij. É primeira vez que Joinville recebe o evento, que reúne empreendedores, desenvolvedores, designers e entusiastas para compartilhar ideias, formar equipes e criar novas startups. Promovida pelo programa Startup SC/Sebrae, a iniciativa tem como objetivo incentivar a criação de negócios digitais que procuram resolver questões cotidianas. O evento representa uma rede global de líderes e empreendedores cuja missão é inspirar, educar e capacitar indivíduos, equipes e comunidades. Ao todo, mais de 8 mil startups foram criadas em edições realizadas em cerca de 100 países. “Nossa missão não se limita apenas a criar startups locais, queremos apoiar principalmente o empreendedorismo na nossa cidade”, complementa Alexandre de Souza, gestor do programa Startup SC/Sebrae. Em 2016, ao menos seis cidades (Joinville, Chapecó, Blumenau, Florianópolis, Jaraguá do Sul e Tubarão) vão receber uma edição do Startup Weekend ou Meetup Startup SC – este último consiste em eventos itinerantes e informais em que se reúnem empreendedores de startups para discutir o ecossistema do segmento. Empresas de grande porte também se interessam em conhecer as so-

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Evento “Innovation Day”, promovido pela Embraco, trouxe o tema “Internet das Coisas” na primeira edição; cinco startups participaram do encontro, que discutiu tendências e proporcionou aproximação da empresa com novas soluções do mercado

luções trazidas pelas startups para o mercado. A Embraco, uma das maiores fabricantes mundiais de compressores herméticos para refrigeração, recebeu, em novembro, cinco startups para a realização do primeiro Embraco Innovation Day, a fim de discutir tendências, apresentar ideias promissoras no ramo tecnológico e identificar uma possibilidade de sinergia com a estratégia da empresa. Com foco em “Internet das Coisas”, a primeira edição contou com apresentações e debates entre diretores da companhia e empreendedores representantes das startups ATAR, UPSIM, Aquarela, GH3 Tecnologia e GTT. “Tivemos a oportunidade de conhecer novas tecnologias e modelos de negócio. As startups, além da possibilidade de um trabalho conjunto, puderam conversar com nossos diretores em uma mesa-redonda e trocar experiências de empreendedorismo, carreira e inovação”, ressalta a business developer Gabriela de Oliveira dos Santos, da área de Novos Negócios da Embraco. Com o Innovation Day, tornou-se possível conhecer um pouco mais quais startups da região poderiam se aliar a projetos da empresa. A ideia é que o evento ocorra pelo menos quatro vezes ao ano. “Estamos planejando fazer uma próxima edição no exterior, talvez na Irlanda ou nos Estados Unidos”, informa.

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Langenhagen, Alemanha Chesapeake, EUA

Spisská Nová Ves, Eslováquia Zhengzhou,China Schaffhausen, Suíça

Joinville-le-Pont, França

Huangshi,China

COOPERAÇÃO

As irmãs de Joinville Programa de intercâmbio já abrange seis parcerias em três continentes “Cidades irmãs” é como se denominam municípios que compartilham características semelhantes ou referências históricas comuns. Ambos estabelecem um acordo cooperativo que visa estreitar o relacionamento, criar projetos de interesse mútuo e intercâmbio em áreas diversas, principalmente econômicas, culturais, educacionais e organizacionais. Em Join­ville, o Programa Cidades Irmãs foi implantado em 2002, objetivando a cooperação em assuntos de relevância para as envolvidas. Visa, principalmente, ao desenvolvimento de relações de amizade entre Joinville e outras localidades fora do Brasil. “Seus grupos de trabalho são formados por representantes voluntários do poder público e privado. Cada cidade irmã tem seu próprio comitê”, informa Romy Dunzinger, presidente do Comitê Cidade Irmã de Langenhagen, município próximo a Hannover, na Alemanha. Além desta, há mais cinco cidades irmãs de Joinville. As principais trocas de informações são articuladas com o município alemão, com Schaffhausen, na Suíça, e Chesapeake, nos Estados Unidos.

A IRMÃ MAIS VELHA Langenhagen é a cidade irmã mais antiga de Joinville. Os laços de cooperação se iniciaram na década de 1970, de maneira informal, entre um maestro alemão e o empresário Hans Dieter Schmidt, filho do fundador da Fundição Tupy. O primeiro acordo foi assinado em 1979. “A presença de descendentes de imigrantes alemães e a preservação do idioma em nossa cidade foram os fatores que levaram as cidades a se tornarem irmãs”, explica Dani-

lo Conti, secretário de Integração e Desenvolvimento Econômico (Side). “Encontramos, em nossa cidade, descendentes de alguns imigrantes alemães que muito contribuíram para o crescimento de Joinville e que fundaram indústrias como Tupy, Lepper, Döhler, entre outras, além de influências na gastronomia”, detalha Romy Dunzinger. Os violonistas Raimundo Bernardes e Claudenor Fávero já representaram Joinville no Festival Internacional de Escolas de Música de Langenhagen, em 2012. Outro

Em 2015, Jalmei Duarte, que estava à frente da Side, e o secretário de Comunicação Marco Aurélio Braga estiveram em Langenhagen para convidar o prefeito a prestigiar o 33° Encontro Econômico Brasil-Alemanha. “Comitivas de Langenhagen não costumam vir com frequência, mas temos esperanças de que a situação mude com a criação de um comitê específico em Langenhagen para cuidar de assuntos relacionados às cidades irmãs”, aponta Danilo Conti. Os representantes dos municípios percorreram a cidade alemã para conhecer experiências bem-sucedidas no transporte público e na mobilidade urbana. Observaram semelhanças com Joinville, incluindo as prioridades na área de ensino, o trabalho dos bombeiros voluntários e o potencial econômico voltado para a área industrial. Além das palestras e dos contatos com empresários, a prefeitura também mostrou que está preparada para receber o turismo de negócios. Entre outros projetos em andamento, Conti afirma que há interesse, por parte dos músicos joinvilenses Raimundo Bernardes (do Quarteto Sambaqui) e Marisa Toledo (Saraus Brasileiros) de se apresentarem na cidade alemã.

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destaque na história da parceria foi a exposição das aquarelas da artista plástica joinvilense Asta dos Reis no hall de entrada da prefeitura de Langenhagen, em 2012. No ano seguinte, como parte das programações relativas ao Ano da Alemanha no Brasil, a Orquestra Sinfônica de Langenhagen realizou três apresentações em Joinville. A partir de 2007, aulas de alemão passaram a ser oferecidas em escolas municipais – em 2015, a disciplina foi adotada na Escola Agrícola Municipal Carlos Heins Funke para todos os alunos do sexto ao nono ano. Em 2014, aproveitando uma programação na Feira de Hannover, representantes do Núcleo de Jovens Empresários da Acij, liderados pelo então presidente Douglas Strelow, visitaram a prefeitura de Langenhagen. A comitiva foi recepcionada pelo prefeito Friedhelm Fischer e por empresários da cidade. Uma das integrantes do grupo foi Ana Luiza Wetzel, diretora do Hotel Tannenhof. “Eles estavam muito interessados em saber mais sobre Santa Catarina e Joinville. O


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prefeito nos apresentou a cidade e seu plano de crescimento, em aspectos como aeroportos e infraestrutura”, relata a diretora, que também destaca a limpeza e organização de Langenhagen. “O que se percebe é que eles são muito curiosos e interessados para saber do Brasil, da cidade irmã. São ávidos por informações, o que nos deixou felizes, pois fomos recebidos com ares de autoridade”, frisa.

SCHAFFHAUSEN (SUÍÇA)

No topo, Adriana Machado e grupo, em viagem a Chesapeake; no meio, visita da comitiva de Joinville a Langenhagen; acima, Daniele Haak, em apresentação com o grupo germânico Festmusik, em Schaffhausen

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Com Schaffhausen, na Suíça, o acordo foi firmado em 2007 e reprisado em 2012. De acordo com Romy Dunzinger, deverá ocorrer mais uma renovação em 2016. A parceria já resultou em diversos projetos, principalmente na área cultural. Houve o lançamento, em 2012, do documentário “Suíços Brasileiros: uma História Esquecida”, sobre a vinda de suíços a Joinville no século 19. Em 2013, foi a vez de um grupo de bailarinos da Escola de Teatro Bolshoi ir a Schaff­ hausen para três apresentações no teatro local e, em 2014, bailarinos da Cinevox Junior Company passaram por Joinville. Daniele Haak esteve na cidade em outubro de 2015 para se apresentar com o grupo de música germânica Festmusik, com o intuito de mostrar a cultura joinvilense aos europeus. “Fizemos uma mescla de estilos em nosso repertório que contemplou desde o cancioneiro brasileiro a peças do folclore alemão, que foram trazidas pela imigração. Foram duas apresentações simplesmente maravilhosas. Encerramos nossa turnê num lindíssimo desfile no Festival de Outono, que teve mais de 7 mil presentes. Circulamos em cima de uma charrete e contagiamos o pú-

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blico europeu com a alegria brasileira”, conta. A receptividade animou o grupo a planejar uma nova viagem, para divulgar ainda mais Joinville na região. “Assim como fomos tão bem recebidos lá, esperamos ter a oportunidade de retribuir toda a atenção e gentileza quando nossos irmãos de Schaffhausen vierem a Joinville”, aponta Daniele. Além das belezas naturais, “o jeito de ser suíço”, organizado, respeitador, correto e comprometido, chamou atenção de Daniele. Ela também observa que na Suíça, educação e cultura andam juntas: “Com certeza, isso explica por que o país funciona tão bem. Essa é uma mudança profunda que precisamos ter no Brasil, conseguir vislumbrar na educação e na cultura ferramentas de transformação social”.

CHESAPEAKE (EUA) Já a relação de Joinville com Chesapeake começou em 2002, havendo, desde então, intercâmbio de pro-

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fessores para visitas e palestras em escolas, culminando na troca de práticas pedagógicas. Em 2013, Adriana de Souza Machado, que até então lecionava na Escola Municipal Governador Pedro Ivo, foi uma das três professoras selecionadas, via edital da prefeitura, para intercâmbio na cidade norte-americana. Ficou hospedada por 15 dias na casa de Ann Myers, integrante do comitê da cidade irmã. “Visitamos escolas de ensino fundamental e médio, conversamos com professores e diretores, trocamos informações, voltamos cheias de novas ideias. Fizemos passeios culturais e gastronômicos, conhecemos a cidade histórica de Williamsburg e Washington, DC. Foi simplesmente maravilhoso”, lembra Adriana. Em suas comparações entre o sistema educacional americano e o brasileiro, aponta a diferença na quantidade de horas que os estudantes de lá permanecem na sala de aula. “Todos os alunos têm escola em tempo integral, o que possibilita a flexibilização do currículo. Lá, os alunos podem escolher

algumas disciplinas de que mais gostam de um rol de matérias eletivas. A infraestrutura é fenomenal, com recursos variados, salas ambiente, laboratórios de todos os tipos. Acredito que isso faça muita diferença”, salienta Adriana. Ela chegou a implantar a ideia da sala temática no colégio em que atuava, para a disciplina de inglês, com um bom resultado perante os estudantes. “Pequenas dicas de estratégias de ensino também foram aplicadas, sem contar a experiência que trouxe na bagagem e compartilhei com os alunos.”

 A professora Adriana Machado atua como supervisora de línguas estrangeiras na Secretaria Municipal de Educação. “Uma das minhas funções é formar e orientar os professores de inglês da rede municipal, o que me possibilita aplicar o que aprendi em Chesapeake”, observa, mencionando seus planos de conhecer Schaffhausen, cidade irmã de Joinville na Suíça.


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À esquerda, Ana Luiza Wetzel, diretora do Hotel Tannenhof, acompanhada pelo até então prefeito de Langenhagen, Friedhelm Fischer; acima, o prefeito de Joinville, Udo Döhler, recebe visita de comitiva chinesa, chefiada pelo vice-prefeito de Huangshi, Liu Sheng Hua

Futuro das irmandades Em novembro de 2015, Joinville estreitou os laços com Huangshi, outra cidade chinesa: comitiva chefiada pelo vice-prefeito Liu Sheng Hua foi recebida pelo prefeito Udo Döhler, em visita ao município. A audiência resultou na decisão de firmar um protocolo de intenções entre as duas cidades para também se tornarem irmãs. A partir desse protocolo, Joinville passará a ter, quando for assinado o termo de cooperação, a sétima cidade irmã. O vice-prefeito de Huangshi citou como principais características da cidade a população de 700 mil habitantes e a liderança no país na produção de ferro e aço especiais, metais não-ferrosos como cobre, itens dos setores mecânico, eletrônico, autopeças e farmácia. Destacou especialmente a produção de moldes para peças em plástico, máquinas e a posição como terceiro maior fabricante de quadros eletrônicos. Apontou também algumas características geográficas e de infraestrutura, como o Rio Amarelo em direção ao mar, onde está o segundo maior porto da província de Hubei, quatro autoestradas e linhas férreas. No protocolo, ficou estabelecido que, no prazo de um ano, comitivas das duas cidades farão visitas mútuas para consolidar os laços de intenções.  Mesmo diante do cenário econômico e dos reflexos da crise política e econômica, entre os planos do programa para 2016 estão a assinatura de um acordo de cidades irmãs com a cidade chinesa e a renovação do acordo com Schaffhausen (Suíça), que implicará na assinatura do Plano de Atividades 2016-2019 (Joinville e Schaffhausen). “Nossa secretaria atua fortemente no desenvolvimento de um Plano Municipal de Inovação. Nesse contexto, o Programa de Cidades Irmãs terá papel relevante de fomentar a troca de experiências e melhores práticas entre cidades importantes com Joinville. Por esse caminho, poderemos trazer mais conhecimento, modelos e exemplos de iniciativas públicas voltadas para o desenvolvimento de uma economia inovadora”, expõe o diretor executivo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Fabiano Dell Agnolo.

As parceiras chinesa, eslovaca e francesa A partir do relacionamento firmado em 2003 com a cidade chinesa de Zhengzhou até agora, 48 acadêmicos de instituições de ensino superior de Join­ville estudaram mandarim por cerca de um ano no município. De outra parte, em 2006, Joinville recebeu 30 acadêmicos chineses, com o objetivo de aprender português e aspectos da cultura brasileira na Univille. Como consequência, tanto chineses quanto brasileiros tiveram melhores oportunidades de emprego na área escolhida, em função do conhecimento de idiomas estrangeiros. Já o acordo com Spisská Nová Ves, cidade da Eslováquia onde fica uma planta da Embraco, foi firmado em 2002. Como resultado, quatro estudantes do ensino médio vieram a Joinville em duas ocasiões (2004 e 2006), para conhecer a cidade e a cultura local. Em 2004, dois joinvilenses estiveram em Spisská Nová Ves. “Entre os ganhos, houve a ampliação da oportunidade de emprego dos alunos em empresas afins, face às referências recebidas, bem

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como conhecimento de outra cultura e aprofundamento do idioma inglês”, aponta Romy. Joinville também conta com uma cidade irmã na França, Joinvillele-Pont, desde 2001, em acordo realizado pelo então prefeito Luiz Henrique da Silveira e a prefeita adjunta da cidade, Sylvie Mercier. De acordo com Romy, o programa está tentando reforçar as relações de parceria de Joinville com essas três cidades.

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FINEP

Oportunidade para quem respira inovação Fonte de investimentos em projetos chama atenção de empresas joinvilenses

De cima para baixo, Rogério Medeiros, coordenador da área de planejamento da Finep, Vilson Buss, diretor-presidente da Rôgga, e Natalino Uggioni, superintendente do IEL Santa Catarina

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Grandes empresas pensam grande na hora de inovar – e, nesse campo, Join­ville pode ser considerada um centro de referência. A maioria dos empreendedores já percebeu que inovação é o caminho certo para a permanência competitiva no mercado. A partir daí, buscam maneiras de sair da zona de conforto, não se limitando a reclamar da crise e ganhando destaque no cenário. Acertam em cheio nesse alvo as contempladas pelos recursos da Financiadora de Estudo e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia. É um prato cheio: entre 2012 e 2015, em Santa Catarina, 40 empresas foram apoiadas pela Finep, amealhando recursos para colocar em prática projetos inovadores. Nove delas estão sediadas em Joinville e já constataram que apostar na inovação é garantia de resultados expressivos. São empreendimentos de setores como metalmecânico, de energia, tecnologia da informação, saúde e químico, como a fabricante Buschle & Lepper (B&L), que nos últimos dois anos aportou mais de R$ 2 milhões em inovação, com suporte da Finep. As verbas foram destinadas ao aprimoramento do processo de extração de magnésio da água do mar, ação que deve triplicar a produção da fabricante até o final de 2018. O diretor geral Marcelo Peregrina Gomez explica que a unidade da B&L em Barra do Sul produz compostos de magnésio para indústria alimentícia, química fina, farmacêutica e setores de plástico e borracha. Para cada 800 litros de água do mar, é extraído um quilo de magnésio. A empresa atua nesse segmento desde 1970, buscando aprimorá-lo. Nos últimos cinco anos, a Buschle & Lepper se dedicou com mais afinco aos processos de inovação. No futuro próximo, viabilizará um salto tecnológico, possibilitado com investimentos obtidos junto à Finep. A B&L espera alcançar um novo patamar na extração do composto, com o auxílio de equipamentos de alta tecnologia. “A nova tecnologia empregada para a produção de magnésio tornará o processo ainda mais eficiente, garantirá o estreitamento da especificação e permitirá o desenvolvimento de novos produtos”, relata o diretor. A partir do processo inovador, a intenção é prospectar investimentos tanto no Brasil quanto junto a clientes internacionais. A empresa exporta para Estados Unidos, Alemanha, Singapura, Argentina e países da América do Sul. De acordo com Gomez, desde a concepção do projeto, a equipe responsável percebeu seu caráter inovador e vislumbrou o potencial de financiamento pela Finep. Quando a oportunidade se fez viável, a empresa reuniu esforços para adequar a proposta ao criterioso processo de seleção. “Para que seja aprovado, o projeto precisa ser genuinamente inova-


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Apostas em empresas de menor porte

Produção de compostos de magnésio na B&L deve triplicar até o final de 2018 dor, e isso precisa estar bem claro em toda a documentação enviada à Finep”, relata o diretor. Inovação é característica comum e primordial entre as empresas que buscam o financiamento. A Finep atua por meio de recursos não-reembolsáveis, financiamentos (empréstimos) e subvenções, concedidas a empresas de setores específicos, considerados prioritários nacionalmente, como energia, telecomunicações e sustentabilidade.

Rogério Medeiros, coordenador da área de planejamento da Finep, relata que, para ser contemplado com recursos, o projeto, além de bom, precisa apresentar garantias reais de execução e resultados. “A candidata também precisa convencer com um plano estratégico de inovação, e esse conceito deve fazer parte da empresa, em sua essência. Empresa que não inova, morre, por isso estimulamos a inovação”, relata Medeiros.

Empreendimentos que têm identidade com o tema da inovação abordam o assunto de forma natural e retomam o ciclo de investimentos ano a ano. Por essa razão, muitas contempladas com recursos da Finep voltam a buscar a financiadora para a aprovação de novos projetos. Em outra perspectiva, empresas de diferentes setores também têm buscado os benefícios oportunizados pelo financiamento. É a caso da joinvilense Rôgga Empreendimentos, a primeira do ramo de construção civil no Brasil a contar com um projeto de inovação amparado pela Finep. A iniciativa contemplada possibilitará à construtora a implantação do sistema Rôgga Edifícios Sustentáveis (RES). “Trata-se de um novo processo que tem como objetivo desenvolver projetos com soluções em sustentabilidade, garantindo maior qualidade, competitividade e eficiência ambiental”, explica Vilson Buss, diretorpresidente da Rôgga. Entre suas vantagens, o projeto dispensa insumos utilizados em canteiros de obras convencionais, reduzindo em até 80% os resíduos ao final da obra. Em 2016, a Rôgga implanta também o Centro de Preparação e Logística (CPL), destinado ao processo construtivo industrializado, com a finalidade de produzir edifícios de alta precisão, aliando tecnologia e inovação. Iniciativas como essas atraem a atenção da Finep, por seu caráter único.

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Para o coordenador da área de planejamento da Finep, Rogério Medeiros, quanto maior a organização, maior a capacidade de inovação e transformação de processos em função de benefícios futuros. Não significa, contudo, que empresas de pequeno e médio porte não possam ser contempladas. Medeiros explica que esses empreendimentos podem ser financiados por intermédio de agentes de fomento presentes em Santa Catarina. O encontro com a informação é o primeiro passo para a concretização dos projetos. Essa etapa é realizada no Estado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), instituição considerada ponta de lança do quesito desenvolvimento local. O IEL auxilia empresas, antes de mais nada, sensibilizando-as a buscar recursos de fomento. Aos interessados, o instituto fornece orientações, apoio e esclarecimentos acerca dos projetos de inovação. É traçado um mapeamento e, a partir dele, são realizadas capacitações, implantadas ferramentas para gestão de processos e priorização de ideias, e finalmente é elaborado um projeto para a captação de recursos. “O que conta não é o tamanho da empresa, mas sua estruturação em termos de gestão da inovação. As empresas que organizam esse processo tendem a lograr mais êxito na busca de recursos. Com o processo devidamente organizado, chegam a uma carteira de projetos a ser implantados”, explica Natalino Uggioni, superintendente do IEL Santa Catarina.

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NEGÓCIOS

Vitórias no combate à burocracia Mudanças na legislação prometem facilitar a vida de quem pensa em abrir uma empresa em Joinville Mayara Pabst. Um importante passo para diminuir a burocracia no processo de abertura de empresas foi dado em Joinville. No mês de dezembro, foram aprovadas alterações na Lei 414/2014, que regulamenta o registro de pessoas físicas e jurídicas e o processo eletrônico de concessão de alvarás. As mudanças permitirão, entre outras especificidades, a adequação das etapas de abertura de empresas ao tamanho e propósito de cada negócio, diminuindo o tempo médio desse procedimento para até 30 dias, em média. Os novos empreendimentos serão classificados com

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graus de risco 1, 2 ou 3. As atividades abrangidas pelo grau de risco 1 são serviços que não necessitam, obrigatoriamente, de local fixo para ser realizados. É o caso de advogados ou pedreiros que executam o serviço in loco, por exemplo. Por não ser mais obrigadas a manter um estabelecimento, essas atividades estarão isentas de obter o alvará de localização e permanência. Nesse caso, para comprovar o exercício da prestação de serviços e a existência uma empresa (com número de CNPJ), o trabalhador receberá uma autorização de atividade econômica.

Já as atividades que se enquadram nos graus de risco 2 e 3 não poderão ser dispensadas do alvará, em função de executarem o trabalho em lugares predeterminados. A principal mudança que beneficiará essas empresas está vinculada ao fato de que conseguirão a liberação do CNPJ para fins tributários antes mesmo de ser emitido o documento final que regulamenta a atividade exercida. O empresário dará entrada ao processo da abertura e será encaminhado para as vistorias necessárias, realizadas pela Vigilância Sanitária, Vigilância Ambiental e Corpo de Bombeiros. Nesse meio tempo, o CNPJ já estará criado e será liberado para ações como contratação de funcionários, aluguel de imóveis e compra de produtos. O processo evita que trâmites tri-


BANCO DE IMAGENS

butários desse tipo sejam executados em nome de uma pessoa física. Depois de finalizadas as vistorias, o estabelecimento receberá o alvará de localização e permanência definitivo, ou ainda um alvará provisório, para os casos nos quais ainda há parte da obra do estabelecimento a ser regularizada. As atividades classificadas com grau de risco 3, por sua vez, não terão a opção do alvará provisório, por se tratarem de atividades que envolvem a segurança da empresa e de seu entorno, como postos de combustíveis. Nesse caso, a empresa passa pelos processos já citados, mas precisa ter em mãos o alvará definitivo para começar a operar formalmente. A partir dessas alterações, a previsão é de que o tempo de abertura

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“Transformamos a abertura de empresas, adequando esse processo às necessidades dos empreendedores. Com o novo modelo, possibilitamos que o cidadão tome caminhos que o levarão a executar a abertura de empresas corretamente e de forma mais prática”, explica o secretário de Integração e Desenvolvimento Econômico, Danilo Conti.

de empresas grau de risco 1 caia de 30 para 10 dias. Há outros ganhos paralelos. Como as atividades específicas não passarão mais por vistorias, diminuirá o volume de visitas dos órgãos fiscalizadores, permitindo maior fluxo de atendimento aos negócios de grau 2 e 3. No caso das

empresas que apresentam maior risco, o tempo de abertura deve se reduzir de 90 para 30 dias, salvo a instalação de empresas de grande porte (multinacionais, por exemplo) que exigem maiores demandas em fiscalização. A adequação dos procedimentos foi viabilizada nas reuniões do Comitê Permanente de Desburocratização (CPD), que conta com a participação da iniciativa privada, representantes da prefeitura, Sebrae e demais órgãos envolvidos no processo de abertura de empresas. A intenção do comitê é mobilizar esforços para articular e colocar em prática as determinações que possibilitarão a desburocratização. Também presente nesse grupo, a Acij vem atuando fortemente em defesa de questões relacionadas ao

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PREFEITURA/SECOM

combate do excesso de burocracia e simplificação de rotinas. “A mudança já é considerada referência no Estado, no aspecto da desburocratização e da simplificação. Sua implementação integral vai demandar um tempo relativo, planejamento dos órgãos envolvidos, treinamento e regulamentação de procedimentos internos. Ou seja, ainda há muito trabalho a se realizar, contudo, é um momento ímpar na cidade, e será um avanço considerável para o ambiente de negócios”, relata Jaime Haverroth, presidente do Núcleo de Empresas Contábeis da Acij. Mesmo antes da criação do comitê, já desde 2011, a Acij enfrenta as questões burocráticas e busca avanços nesse campo. Entre as conquistas, podem ser citadas a implantação do protocolo online, que permite a abertura de processos envolvendo a solicitação de inscrições e alterações de alvarás de forma virtual, e a aprovação da Lei 414/2014. De acordo com Rudimar Back Defreyn, integrante do Núcleo de Empresas Contábeis da Acij e do CPD, a nova legislação não traz vantagens somente para os empresários, mas para a cidade de modo geral. “Com a otimização de processos, será gerada uma economia de tempo nos órgãos da administração pública. Tempo que poderá ser dedicado a outras atividades em benefício dos cidadãos”, exemplifica. O secretário de Integração e Desenvolvimento Econômico, Danilo Conti, ressalva que, para que todos esses procedimentos sejam colocados em prática, ainda será preciso toda uma mudança de cultura interna e a legitimação de determinados documentos, como a autorização de atividade econômica. Por essa razão, a previsão é de que o processo todo seja regulamentado até o final deste ano.

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Caminho para a desburocratização da abertura de empresas foi concebido a partir de um processo colaborativo, criativo e expositivo

Design Thinking na resolução de problemas Para a criação do novo modelo de abertura de empresas, o Comitê Permanente de Desburocratização passou a aplicar os conceitos e ferramentas do Design Thinking. A abordagem é utilizada para a resolução de problemas complexos de forma criativa, por meio de um processo expositivo e colaborativo. A partir de um período de consultoria, o conceito foi aplicado internamente em alguns processos da prefeitura de Joinville. Atualmente, as ferramentas já são utilizadas em vários órgãos públicos, como na Vigilância Sanitária, na Secretaria de Assistência Social, na Secretaria de Administração e Planejamento e também na formulação de legislações, como a Lei de Eventos. O Design Thinking apresenta metodologias para o entendimento de problemas, geração de alternativas, prototipagem e implantação de soluções, caracterizando-se pelo uso intensivo de ferramentas visuais. Novidade aplicada à administração pública, o conceito possibilitou analisar mais de perto a percepção do contribuinte junto à prefeitura, buscando, dessa maneira, as melhores soluções ao seu principal cliente: o cidadão joinvilense.


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BEM-ESTAR

Quando o estresse não é brincadeira Brasil é o segundo país mais acometido pelo problema, atrás somente do Japão

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Letícia Caroline. Esquecimento de datas importantes, falta de concentração no trabalho, irritabilidade, nervosismo. Listadas assim parecem características comuns do dia a dia agitado que vivemos. Mas seu prolongamento e aparecimento em momentos de adaptação pode sugerir um quadro de estresse – outra palavra inerente ao século 21. Doutora em psicologia clínica e comunicação verbal, Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association (Isma/Brasil), explica que o estresse é definido como qualquer reação às adaptações vivenciadas, não sendo caracterizado, primeiramente, como positivo ou negativo. “A pessoa vai transformar em positivo ou negativo, pois depende de como ela lidará com a situação”, justifica. De acordo com pesquisa da Isma/Brasil, envolvendo profissionais de São Paulo e Porto Alegre, ativos no mercado de trabalho, 83% apontaram tensão muscular, incluindo dor de cabeça, como uma das principais reclamações, seguida de distúrbios do sono (37%) e problemas gastrointestinais (23%).

A diferenciação se dá pela intensidade, duração e frequência dos sintomas. Para a professora Marisa* (nome fictício, identidade preservada), de 46 anos, os sinais apareceram de mansinho, primeiro com um quadro de

Ana Maria e Silca Malutta: equilíbrio das emoções para combate ao estresse esquecimento em coisas menos relevantes, passando para falhas em compromissos importantes, como reuniões e consultas médicas. “Parecia que meu cérebro simplesmente deletava esses eventos. A seguir, apresentei queda de rendimento no trabalho, causado pela diminuição da concentração e do raciocínio”, conta. O quadro se completou com a dificuldade de relacionamento no ambiente profissional, a impaciência e a irritabilidade na vida pessoal. “Tinha um sentimento de impotência e dificuldade em contornar as situações. A ansiedade e a frustração faziam o problema parecer uma bola de neve”, relembra. Nesse ponto, a professora procurou ajuda médica e, com exames di-

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versos, percebeu que o lado físico estava bem. Então, foi em busca de psiquiatra e psicólogo. “A terapia me auxiliou a me conhecer, entender o que me angustiava e identificar as causas do meu estresse”, avalia. Depois, encontrou uma alternativa que trouxe respostas mais rápidas, a parapsicologia. “Ela me fez enxergar mais rapidamente aspectos importantes da formação da minha personalidade relacionadas ao histórico familiar e pessoal. Pude viver novamente, de forma diferente, alguns momentos e emoções passadas e ressignificá-las”, afirma. Para a parapsicóloga Silca Malutta, o estresse já se inicia na hora do parto. Se o momento for estressante, toda emoção passará para a criança, por isso que a hipnose seria uma forma de tratar esses problemas já na origem. Durante as sessões de hipnose, é possível identificar os gatilhos que disparam o estresse no paciente, desprogramando a mente e desvinculando emoções passadas. Ana Maria Rossi, da Isma, explica que a maioria das pessoas quer uma fórmula mágica para melhorar rápido, pois ficar saudável é um grande desafio. “É preciso decidir ser saudável e ter persistência, definindo sua resistência ao estresse, conhecendo os gatilhos da doença e os limites físicos e mentais”, ressalta. Além das terapias, o cuidado passa por questões básicas que, muitas vezes, são negligenciadas como sono reparador, prática de atividade física três dias por semana, cuidados com a alimentação. “Mantenha alguém com quem conversar, planeje um momento do dia para recarregar as baterias, faça pausas na respiração, tenha um hobby e reserve tempo para o lazer”, indica. Com as crises de estresse, Marisa se deu conta de que ter uma

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CHICO MAURENTE/DIVULGAÇÃO

vida saudável é ter corpo, mente e emoções equilibrados. “Alimentação equilibrada, atividade física, acompanhamento com terapias são ferramentas disponíveis ao alcance de nossas mãos e que trazem resultados mensuráveis e extremamente positivos”, afirma. Em longo prazo, o estresse pode desencadear outras doenças. O sistema imunológico passa a ser afetado, contribuindo para o surgimento de outras patologias ou o agravamento de doenças já existentes. Com isso, aparecem dificuldades tanto para os profissionais quanto para as empresas. Ana Maria Rossi salienta que momentos de crise, como a vivenciada no Brasil, agravem ainda mais a situação. Nessas fases, benefícios são cortados e ocorrem demissões, gerando clima tenso e pressão. “É preciso respeitar os limites dos funcionários. Saber que eles não podem executar as ações sem os recursos necessários. É preciso valorizar a equipe para que todos se sintam bem e não adoeçam”, explica.

Previna-se. Instituições de saúde costumam oferecer serviços de check-up e o início do ano é um bom momento para isso. É sempre importante saber a quantas anda a saúde e, principalmente, o nível de estresse – isso ajuda a estabelecer estratégias para minimizar o problema. Um desses serviços é disponibilizado pelo Hospital Dona Helena. O Check-Up Executivo proporciona todas as avaliações médicas e laboratoriais em um único dia: o paciente chega às 7 da manhã, faz seus exames e avaliações, integralmente, e sai, no final da tarde, com todos os resultados nas mãos. * A identidade da fonte foi preservada

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Na rua, grupo teatral provocou pedestres sobre o tempo

Arte como válvula de escape A inquietação com a falta de tempo e o estresse levou os integrantes do Coletivo Impar de Teatro às ruas para mostrar o problema em forma de peça teatral. Durante sete meses, os artistas pesquisaram, fizeram entrevistas, debateram o tema e chegaram à montagem “Breve curso prático de administração do tempo”, apresentada em dezembro. “Em nossos laboratórios, percebemos lugares que demonstravam nossas angústias: o cruzamento e o sinaleiro, a faixa de pedestre, símbolos do estresse urbano, em que, mesmo não querendo, as pessoas precisam parar”, conta Iraci Seefeldt, integrante do grupo. A peça foi exibida no cruzamento das ruas João Colin e 15 de Novembro, Centro de Joinville, com os integrantes se revezando nos quatro cantos e interagindo com os passantes. “Estamos com muita pressa, não conseguimos esperar o tempo do sinal, temos que chegar a algum lugar, estamos sempre indo”, enfatiza o ator Robson Benta. A trupe descobriu já ser comprovado cientificamente que estamos mais acelerados. Na

pesquisa “A Ressonância Schumann”, explica-se que a Terra tem um campo eletromagnético que emite 7,83 pulsações por segundo. Na década de 90, essa frequência passou para 13 hertz. “Isso está tão posto que, se não seguirmos o fluxo, somos considerados alienados. As crianças precisam ter todas as horas preenchidas por atividades. Estamos sempre conectados e temos a sensação de não parar”, afirma Iraci. A arte também teria característica terapêutica, contribuindo para o desligamento das pessoas. Daí a ideia do grupo de levar a peça para a rua, para uma pausa dos pedestres, para despertar outros olhares. As intervenções produziram diversas reações, desde os que se negavam a interagir, mesmo parados no sinal, até os que aceitavam as propostas. Iraci se lembra de uma pessoa que, a princípio, estava angustiada e com pressa, seguindo para uma visita hospitalar, mas que resolveu parar e entrar na brincadeira. “Ela brincou, conversou e nos disse: ‘muito obrigada, agora vou bem mais leve para a visita’”, conta.


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DIÁRIO DE VIAGEM

Buraco do Padre

O local foi chamado de Buraco do Padre pelos índios da região: homenagem aos padres que avistavam meditando no local

Imagine trabalhar descobrindo novos lugares pelo mundo. Para muitos, um sonho. Mas para Daniel Martins é a mais pura realidade. Ele apresenta o programa “Bora Lá”, na Rádio Itapema FM, e, a pedido da Revista 21, fez um relato especial sobre um dos mais belos e desconhecidos destinos brasileiros: o Buraco do Padre. Situado no Parque Nacional dos Campos Gerais, no distrito de Itaiacoca, próximo a Ponta Grossa, o local é uma furna que abriga uma cascata de 43 metros de altura, formada pelo Rio Quebra Perna.

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FOTOS: DANIEL MARTINS

Hoje, o Buraco do Padre recebe visitantes de todo o Brasil. Segundo Daniel, uma dica para aproveitar a viagem é conhecer as galerias subterrâneas, observar a cascata e ouvir o barulho da água. O local também é ideal para quem gosta de fotografar

Ponta Grossa, Paraná

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CONTRAPONTO FÁBIO ABREU

O impulso ao empreendedorismo em Joinville MILENA DE FREITAS

Atenção aos nossos pontos fortes Joinville tem empreendedorismo no DNA. Desde a fundação do município, há relatos de empreendedores que iniciaram suas ações em nossa cidade, como os pioneiros da Döhler, Minâncora, Tupy, Consul, Tigre e muitas outras. Essas empresas não começaram grandes, mas com empreendedores que acreditaram em suas oportunidades e trabalharam muito para alcançar o sucesso. Sabemos que ainda existem inúmeros obstáculos que dificultam a atitude de empreender, como a alta carga tributária, exigências federais, estaduais e municipais para abertura de empresas e o próprio ambiente social, econômico e político que, com altos e baixos, permeia as relações em nosso mercado.

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Como ponto positivo, temos a ação do Comitê Permanente de Desburocratização (CPD), que é formado por técnicos dos órgãos municipais ligados à abertura de empresas, contabilistas e iniciativa privada que, em parceria com o Legislativo e o Executivo, têm trabalhado voluntariamente para rever e simplificar os processos de vistorias e licenças de funcionamento em Joinville. Esse trabalho dá especial atenção às atividades de baixo grau de risco, em consonância com a ação do governo federal que está implantando um sistema online para simplificar a abertura de empresas, tendo seu projeto-piloto em andamento em Brasília. Outra questão que propicia a atitude de empreender em Joinville é o

ambiente socioeconômico, que conta com associativismo, representado por grandes entidades empresariais, boas instituições de ensino, com cadeiras sobre empreendedorismo, incubadoras tecnológicas, ações de incentivo à inovação, espaços para feiras e eventos nacionais. Outros aspectos são a proximidade com dois dos maiores portos do Brasil e acesso fácil e rápido às rodovias, além das empresas de grande porte instaladas na região, que propiciam os arranjos produtivos locais e cadeias produtivas, fomentando a abertura de novos negócios para suprir as necessidades das grandes organizações. Milena de Freitas Analista técnica de atendimento do Sebrae Joinville


FERNANDA SANT'ANA FURTADO

Crescimento e inovação Mesmo em uma das dez cidades mais empreendedoras do Brasil, é difícil manter uma empresa de qualquer porte no cenário onde só se fala em “crise”. Mais difícil ainda é fazê-la crescer ouvindo todos a seu redor falar em diminuir a produção e os cortar custos. O mercado pet, em que atuo, é um dos que vêm crescendo muito e, consequentemente, a concorrência é grande. Afinal, o número de animais por habitante é maior que o número de crianças, e esse cenário atrai a atenção de inúmeros empreendedores. Nossa ideia inicial era trazer produtos diferenciados e criar uma linha personalizada para os amantes de animais. Em 2014, o plano era abrir uma loja física. Porém, es-

tudando e analisando as oportunidades, observei que, como a oferta era grande, seria difícil manter a estrutura de uma loja em meio a um cenário de retenção de custos. Surgiu então a ideia de criar uma loja virtual, aumentando o leque de clientes e diminuindo os valores de manutenção. Deu certo, mas até hoje a grande dificuldade é a mão de obra especializada. Ainda é difícil encontrar parceiros quando se trata de um trabalho diferenciado. Acredito que disseminar o empreendedorismo é a melhor forma de incentivá-lo. Cursos profissionalizantes, com cadastros e até avaliações de desempenho dos participantes que queiram entrar no mercado, ajudariam a suprir a demanda, pelo

EUCLIDES LISBOA

A proteção do conhecimento Se Joinville quiser se manter na proa das melhores cidades do Brasil para empreender, precisa fica atenta para um fato. A locomotiva dos negócios da cidade está sustentada na indústria e, nesse ponto, o quadro é ruim. O setor vem sendo massacrado pelo governo federal com medidas que aumentam o custo de produção com impostos e juros elevados, além de informações oficiais inverídicas que mais confundem que ajudam. A dependência da produção industrial colocou Joinville num dilema: ser uma das melhores cidades do país para empreender, mas entre as que mais vêm demitindo trabalhadores. Isso não significa a perda de um reinado conquistado a boas iniciativas de negócios, mas o acen-

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dimento de uma luz amarela. Aquelas dicas de “como crescer na crise”, que povoam a internet, viraram lugar-comum. Quem quer abrir uma empresa neste ano, independente do ramo, vai precisar de um escudo protetor contra as dificuldades, só adquirível com um amplo conhecimento da conjuntura. Em princípio, a crise econômica vai continuar ativa em 2016, com um recuo na produção previsto em 3,5%, e vai debilitar mais economia brasileira. A questão central é saber qual será o tamanho da crise e de que forma ela irá impactar os diversos setores da economia. Há outros aspectos pela frente: um aumento ainda maior do dólar, fixando-se em R$ 4,50, e ainda a resistência da inflação. Previsões indicam

menos no setor pet. Também faz falta o estímulo ao jovem empreendedor, talvez por meio de programas em escolas, feiras e eventos, para que despertem essa vocação já nos primeiros passos da vida profissional, pois com certeza outras empresas buscam parceiros inovadores. A vantagem de Joinville é que se pode contar com entidades como a Acij e o Sebrae, que dão suporte e importância ao empreendedor, e que ajudam a colocar as ideias em prática. Assim, o empresário tem apoio para conquistar seu espaço e seguir os passos certos para consolidar o seu negócio. Fernanda Sant'Ana Furtado Proprietária da Turma da Pulga

que os preços vão continuar subindo além da meta nos próximos 12 meses, o que pode determinar novos aumento de taxas de juros. Assim, os bancos deverão reduzir suas linhas de crédito. O resultado será um cenário ainda mais difícil para se obter financiamento nas instituições privadas, já que, para elas, é mais seguro aplicar o caixa em títulos federais. Portanto, não basta conhecer todas as dicas de como vencer na crise, se não houver um bom conhecimento da conjuntura econômica. Caso contrário, mesmo os negócios mais criativos e demandados pelo mercado podem nascer comprometidos. Euclides Lisboa Editor-executivo da Revista Empreendedor

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CABECEIRA DIVULGAÇÃO

LUIZ CARLOS AMORIM

“Faltam políticas públicas para a leitura e literatura no Brasil” Autor de mais de 30 livros, da crônica ao infanto-juvenil, catarinense de Corupá mantém atividade constante na vida cultural da região Luiz Carlos Amorim nasceu em Corupá, mas passou boa parte da vida em Join­ville, onde se formou na então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. É fundador e presidente do Grupo Literário A Ilha, cuja editora publica as revistas Suplemento Literário A Ilha e Mirandum (Confraria de Quintana). Autor de mais de 30 livros de crônicas, contos, poemas e infanto-juvenil, cronista e articulista de vários jornais, tem obras editadas em inglês, espanhol, italiano e francês. Eleito a “personalidade literária do ano”, em 2011, pela Academia Catarinense de Letras, é editor de conteúdo do portal Prosa, Poesia & Cia. O Grupo Literário A ILHA nasceu em São Francisco do Sul, hoje tem sede em

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Florianópolis, mas participou da vida cultural do Norte catarinense – em Joinville, levou a poesia para a rua, para as praças, para todos os lugares. Os chamados “poetas da praça” eram presença marcante na Feira de Arte, que ocorria no centro da cidade. Nesta entrevista, as ideias de Amorim sobre cultura e literatura.


LANÇAMENTO E MERCADO EDITORIAL

Meu livro mais recente é “Portugal, Minha Saudade”, um projeto já de algum tempo, onde reúno crônicas escritas quando das minhas visitas à terrinha. É claro que não são só crônicas sobre Portugal. Aproveitei para colocar nesse livro, também, crônicas sobre a minha terra, Corupá, para ficar claro que meu amor pela terra lusitana não invalida o amor pelo lugar em que nasci. São crônicas pessoais, diferentes dos artigos sobre arte, cultura, literatura e cotidiano que publico em jornais brasileiros e de países de língua portuguesa. Então selecionei entre tudo que publiquei nos anos mais recentes, escrevi algumas de última hora e mandei para o crítico José Fernandes avaliar e fazer um prefácio. E aí está o livro. Mas vejo que o mercado editorial em Santa Catarina está meio tímido, talvez por causa da crise econômica. O público leitor tem um pouquinho de culpa, pois não valoriza muito os escritores da terra e vai direto aos best-sellers da hora. Sem contar que o escritor também deveria trabalhar mais para conseguir visibilidade e para ser lido, indo às escolas, por exemplo, onde estão os leitores e a formação.

DE LEITURA E LITERATURA

As políticas públicas para a leitura e literatura quase não existem neste nosso país. Primeiro, a educação está sucateada, mas não é pelos professores, não, pelo contrário. É o próprio governo, que deveria usar o dinheiro público para melhorar o ensino, que o tem desconstruído, fazendo modificações desastrosas no conteúdo programático do primeiro e segundo graus, não pagando bem os professores, não equipando as escolas para que os professores possam trabalhar, não cuidando da qualificação dos professores e não fazendo

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DO ESCREVER LÁ FORA

Minha experiência com literatura no exterior começou com uma amiga brasileira que mora nos Estados Unidos, há várias décadas. Ela é professora e presidente da Associação Internacional de Escritores e Artistas (IWA) e começamos um intercâmbio lá pelos anos 1980. Então ela publicou trabalhos meus em antologias de lá, que eram distribuídas para todo o mundo, depois publicou um livro meu em português por lá e mais tarde, lá pelos anos 90, foi publicado “A Cor do Sol”, em inglês, parceria da IWA com as Edições A ILHA. Mais tarde, “A Cor do Sol” teve também versões para o espanhol, para o francês e para o italiano, e surgiu a edição do livro em cinco idiomas, que levo para salões internacionais do livro da Suíça, da Suécia, Londres etc. É muito gratificante, particularmente, você chegar em lugares distantes como a Suíça, e ser acolhido e aceito por leitores de língua portuguesa, que os há por todo o mundo, mas parece que mais naquele país, onde há muitos portugueses, caboverdianos, brasileiros, moçambicanos etc. Decidi oferecer minha poesia em outros idiomas, pois os leitores de outras línguas têm interesse em conhecer novas obras de outros autores, além dos já conhecidos lá fora, como Jorge Amado, Drummond etc.

a manutenção das escolas públicas. Com tudo isso, como esperar que o brasileiro leia mais? Acho que ainda lê pouco, e o advento dos aparelhos eletrônicos de comunicação, em vez de ajudar, parece que está distanciando as pessoas da leitura e da boa escrita. Infelizmente – por que a internet disponibiliza muitas opções de boa leitura, de graça.

ção”, estou falando também de ensino, de cultura, pois isso faz parte do significado daquela palavra, conforme o Aurélio. Precisamos exigir o resgate da educação, do respeito e da valorização dos nossos professores, para que tenhamos gerações melhores no futuro. O que me deixa indignado é a corrupção e a impunidade neste país.

O QUE INSPIRA E O QUE ABORRECE

DE PREDILEÇÕES E CABECEIRA

Aprendo muito, sempre, com as crianças, com os animais, com tudo que a Mãe Natureza nos dá. Olhe para uma encosta, para uma mata, e veja as manchas vermelhas do jacatirão nativo vicejando. Existe coisa mais grandiosa? Existe, sim, diria eu: o ipê vestido de luz, o jacarandá vestido de céu. Procure por manchas azuis no meio do verde, o flamboyant encarnado, a paineira... O que mais me aborrece é a falta de atenção do governo brasileiro à educação do cidadão. E quando falo “educa-

Gosto muito de Mario Quintana, Fernando Pessoa, Cora Coralina, Urda Alice Klueger, Júlio de Queiroz, Zola, Tchecov, Miguel Torga e muitos outros. Eu poderia recomendar “A Quinta Essência de Quintana” e todos os outros do Poeta Passarinho; todos de Fernando Pessoa; todos de Coralina; “Verde Vale” e “Cruzeiros do Sul“, de Urda; “Germinal” de Zola, atual ainda hoje; “Encontros de Abismos”, “Em Companhia da Solidão”, "Sementes do Tempo”, “Amor e Morte”, de Júlio de Queiroz.

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VIDA PESSOAL

Sobre papéis e comportamentos Fabiana Sanchez Tavares Hematologista do Centro de Hematologia e Oncologia

Jornalista Adriano Silva discorre sobre ansiedade corporativa

LANÇAMENTO

Nada a perder Enfrentar inseguranças, acreditar no próprio potencial, buscar soluções. São desafios encarados pela maioria dos trabalhadores abordados no livro do jornalista Adriano Silva. A obra, em primeira pessoa, incita o debate sobre assuntos como ansiedade, depressão, tristeza, angústia. O autor reconta a própria história. Dos empregos mal pagos do início de carreira à primeira passagem por um cargo de chefia, demonstra que o trabalho se faz de vida e sentimentos e retrata a coragem necessária para galgar etapas profissionais. Ex-Editora Abril e TV Globo, Silva é sócio das empresas de comunicação Damnwoks e The Factory. Se perguntado sobre um conselho para o sucesso, ele diria que “sair da inércia e aproveitar o tempo devem ser prioridades sempre. Comece hoje! Não há nada a perder” Ansiedade Corporativa – Confissões sobre Estresse e Depressão no Trabalho e na Vida Adriano Silva Editora Rocco

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Em uma livraria de aeroporto, escolhi aleatoriamente este livro de Francisco Bosco, ensaísta, doutor em Teoria da Literatura, formado pela Universidade do Rio de Janeiro. “Orfeu de Bicicleta” fala das experiências felizes, e algumas vezes difíceis, da paternidade predominantemente, porém da constituição de uma família. Apesar de seu ponto de vista de que a primazia do papel materno nunca foi questionada, como mãe de dois meninos – de 5 e 8 anos –, consegui me identificar em vários momentos e encontrei inúmeros pontos interessantes no livro, tanto no olhar histórico quanto filosófico do comportamento dos filhos e dos pais, bem como na realidade de uma família atual. Em um primeiro momento, o autor descreve o papel do pai moderno mais participativo, envolvido e também referência para um filho. Assumir o protagonismo da referência corporal ao filho, segundo Françoise Dolto, está diretamente ligado ao narcisismo, devido à imaturidade do “eu” de uma criança pequena. Francisco descreve a capacidade incondicional dos pais se contentarem com o prazer dos filhos. Segundo a psiquiatria, por imaturidade do “eu” de uma criança pequena, as suas alegrias e conquistas são parte do “eu” dos pais. A mudança progressiva na valorização e respeito às crianças na sociedade atual, segundo ele, segue a tese de Áries de que decorreu de dois fatores determinantes: a escolarização e o surgimento da vida privada, cujo símbolo é a unidade social da família burguesa, isso já no século 19. Quando somos mãe e pai, inúmeras situações são marcantes e nos trazem um prazer imenso: o andar, o falar, as conquistas na escola. A intensidade se relaciona com o grau de intimidade com a criança, mais do que com o papel familiar exercido. A descrição do autor da chegada do segundo filho é brilhante, e talvez sentida por todos que passam por essa experiência. A cumplicidade do pai com o primeiro filho, devido à atenção da mãe muito voltada ao recém-nascido; e o sentimento do pai de querer também ter seu tempo para com o recém-chegado na família. As alterações na estrutura prévia, a nova rotina de sonos interrompidos, a reestrutura física e muitas vezes financeira, enfim, a adaptação sofrível em alguns aspectos, porém um amor incrivelmente difícil de mensurar. Fica a dica: um livro de leitura envolvente, devido à sua realidade sem fantasias, porém com um sentimento profundo de um pai por seus filhos. Seja para pais ou mães, vale a pena. Orfeu de Bicicleta Francisco Bosco Editora Foz Impressos e Digitais


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PARA QUEM BUSCA CONHECIMENTO IMOBILIÁRIO A empresária Carla Merkle, perita avaliadora de imóveis, lançou no mês de janeiro uma “coletânea de artigos do mercado imobiliário”. O livro compila textos escritos entre 2011 e 2015 e aborda questões como ética e o setor imobiliário, aquisição de imóveis e documentação, normas de prevenção, incorporação imobiliária, os riscos de se comprar um imóvel por impulso, o papel do corretor de imóveis, valorização e desvalorização imobiliária e o Código de Defesa do Consumidor. “Esse livro é voltado para corretores, mas também para o público em geral e para quem está pensando em comprar uma casa ou apartamento. Foi escrito com o objetivo de ampliar o conhecimento da população sobre o setor”, relata a empresária. Carla Merkle é graduada em administração e comércio exterior, tem MBA em gestão empresarial e pós-graduação em engenharia civil, com ênfase em tecnologia da construção. O livro está à venda no site Clube de Autores.

VIDA CORPORATIVA

Acertar a mira no planejamento tributário Edson Delfino Executivo de Contas da Quirius

Brasileiros enfrentam constantes mudanças na legislação fiscal, uma altíssima carga tributária e muita burocracia. Divulgada recentemente, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destaca que praticamente metade das empresas brasileiras fecha as portas após quatro anos. Além de deixar o empreendedor receoso, esse quadro é agravado quando não se enxergam ações concretas por parte do governo. Mas, para quem imagina que a situação é irreversível e inviabiliza qualquer ação empreendedora, recomendo a leitura da obra de Francisco Chaves. O livro é excelente. Com propriedade, registra o reflexo da execução de um bom

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planejamento tributário, que permeia desde os níveis mais estratégicos até as áreas operacionais das organizações. O autor destaca que a implementação do planejamento tributário não se refere apenas às grandes organizações, mas a empresas de todos os portes, segmentos e regimes tributários. Acrescenta que o planejamento tributário é uma ferramenta de gestão que chega a evitar o fechamento de uma empresa e pode torná-la mais lucrativa, atuando dentro da legislação vigente. O livro chama atenção pela linguagem clara, prática e por disponibilizar uma série de exemplos. É facilmente compreendido até mesmo por aqueles que não são envolvidos com as rotinas fiscais. Orienta como fazer o planejamen-

to tributário, explicitando que, além de direito garantido na Constituição Federal, trata-se de um dever legal. Outros temas abordados no livro merecem destaque, como: o melhor regime de tributação, os efeitos da lei 11.638/07, operações de leasing back, crédito presumido de IPI, reorganização societária, prejuízos fiscais e a tratativa dada ao pagamento dos juros sobre o capital próprio em detrimento ao pró-labore, para quem adota o regime de tributação pelo lucro real.

Planejamento Tributário na Prática Francisco Coutinho Chaves Editora Atlas

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3 LIVROS

A melodia da educação

É notória a influência da música nos mais diversos campos da vida humana, inspirando e despertando a sensibilidade pessoal. Mirtes Strapazzon, diretora pedagógica do Conservatório Belas Artes, selecionou três livros para compreender melhor a importância da música como fonte para a educação.

Os primeiros conceitos

Música clássica para crianças

Fluir na vida de cada um

De maneira simples e lúdica, explica o que é a música. Inicia-se a abordagem com o conceito de som: o que é, o que compõe e qual a leitura deve ser feita do som numa música. Também explora a importância de ler uma partitura. Quanto mais cedo e de forma correta a criança aprender, melhor. O autor cita a realidade de sons parecidos, sons mais livres, sons de improviso, mostrando que a música pode ser produzida pelo ser humano ao imprimir os sentimentos.

A historia da música clássica, voltada ao entendimento da criança. O autor chama atenção para a grandiosidade de uma orquestra: muitos instrumentos, diversos músicos e, na condução, uma pessoa que lidera o fluir da música. Também cita a evolução musical, iniciada pelo barroco, passando pelo clássico, romântico e o moderno. Cada instrumento é apresentado explorando sua função na orquestra, além de seu funcionamento e características.

O livro busca ampliar o horizonte, enfocando que a música não é só uma melodia, um ritmo, um som ou uma composição. Trata da música antiga, passando pela clássica, até a moderna, e enfatiza a importância na vida das pessoas, mas em especial na vida das crianças. Cabe a nós dar espaço e incentivar para que a música flua em nossas vidas, pois ela reúne credos, raças, adversidades, apazigua corações e cria sons a partir de recursos inimagináveis.

Música – Entre no Ritmo Dan Green Editora Girassol

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Orquestra – Uma Introdução para Crianças Roberto Levine Editora Panda Books

Música para Crianças Dorling Kindersley Editora Publifolhinha


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DICA 21

O fim de uma era Quando assumiu o posto de 007, em 2006, Daniel Craig ouviu críticas por ser o primeiro James Bond loiro e baixinho. Quatro filmes depois, até o fã mais chato reconhece que o inglês é um dos melhores intérpretes do agente mais famoso do cinema. Porém, a parceria chegou ao fim com “007 Contra Spectre”, disponível em DVD e Blu-ray. Diferente dos outros títulos, Spectre apresenta o passado de Bond, suas relações familiares e seus inimigos mais antigos.

Sam Mendes, diretor dos últimos dois filmes da franquia – “Spectre” e “Skyfall” –, venceu o Oscar de “Melhor Diretor”, em 1999, por “Beleza Americana”.

CIDADES CRIATIVAS

Protagonistas, não apenas espectadores Helga Tytlik Tucunaré Desenvolvimento Criativo

Assunto oportuno com as Olimpíadas batendo à porta. Urge repensar os grandes eventos realizados no Brasil, aproveitando-os também após sua realização. É necessário estabelecer integração, conexões e ações para que o povo não seja apenas espectador, mas protagonista, alavancando as características criativas tão brasileiras como vetor de desenvolvimento no seu aspecto mais amplo. Nesta publicação, são abordadas cinco experiências compartilhadas em todos os aspectos que as envolvem e que, considerando como premissa a construção de cidade criativa para Join­ ville, trazem análises consistentes,

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podendo servir de parâmetro para um novo olhar para a nossa cidade, com o objetivo de desenvolvê-la econômica, social e culturalmente. Composto por artigos de diversos autores, o conteúdo tem organização de Ana Carla Fonseca Reis. Relato da experiência dos Jogos Olímpicos de Barcelona, de 1992, enfoca desde a sua contextualização, passando pela proposta, processo e conclusão com análise de impacto, mostrando o incremento da competitividade de Barcelona como cidade para negócios e investimentos, passando pela economia criativa. Com a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, a análise tem o objetivo de inspirar o Brasil no desenho da Copa do Mundo e das

Olimpíadas, abarcando, além dos impactos do turismo, dos negócios e da promoção ou marketing, um estudo mais profundo dos processos adotados e iniciativas para fomentar campos cultural, social, econômico e turístico. Outros textos tratam das Olímpiadas e Paraolimpíadas de Londres, também do Museu Guggenheim Bilbao, que revolucionou a cidade espanhola, e das bibliotecas como emblemas de Medellín e Bogotá. Cidades Criativas, Soluções Inventivas Ana Carla Fonseca Reis – Editora Sesi

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3 PERGUNTAS GERSON LIMA/DIVULGAÇÃO

ótimo, quando o mercado está em queda. Não perdemos vendas. E conseguimos superar a inflação. Abrimos 19 restaurantes, o maior crescimento em um ano até agora. Estamos tendo vantagens na crise, se olharmos o lado bom do prisma. Um exemplo são as ofertas em shopping-centers – ninguém quer expandir e nós queremos, daí as condições favoráveis de aluguéis. Os shoppings sabem que o que faz a diferença, na concorrência, é entretenimento – cinema e restaurantes. Outro fator é a oferta de mão de obra, principalmente não qualificada: contratamos todo mundo sem experiência e treinamos. Esse pessoal está sobrando no mercado; vem da indústria, da agricultura, da construção civil, para os restaurantes. E também mão de obra qualificada, administrativo, contabilidade e outras posições. Há unidades administradas por sócios-gestores, com participação nos lucros. Alguns são contratados para essa função e alguns promovidos internamente. Na crise, não temos pressão de contratação do nosso pessoal em outras redes. O turnover era baixo, em torno de 5%, para uma média de 30%, e hoje estamos em 2%.

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JUNIOR DURSKI

Fundador e diretor da rede Madero de restaurantes

O faturamento em 2015 foi de R$ 290 milhões, com investimento de R$ 80 milhões, 35% disso em uma nova fábrica. Parecem números de indústria, mas são da rede de restaurantes Madero, que nasceu em Curitiba há dez anos e já passou de 50 unidades. No ano passado, a marca do “melhor hamburguer do mundo”, como garante sua propaganda, chegou a cidades como Brasília, Cuiabá e Campo Grande. Em Santa Catarina, são 14 endereços, dois em Joinville, um em Araquari e um em Barra Velha. Neste ano, estão previstas entre 20 e 40 aberturas, revela o chef Junior Durski, criador da rede.

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O ano que passou foi de retração geral na economia brasileira. Nesse contexto, como fica a gastronomia? Não tomamos conhecimento da crise. Nos primeiros três trimestres de 2015, crescemos 9,5% – considerando as mesmas bases, restaurante por restaurante. Isso é

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As pessoas não pararam de comer fora? Ficam mais seletivas: saem uma vez por semana, e não duas. E migram do restaurante mais caro para o mais barato. Daí que fizemos um esforço ainda maior, tentamos melhorar nossa qualidade, tanto na comida quanto no atendimento, para sermos escolhidos: acreditamos que o cliente virá porque não quer errar na escolha. E isso aconteceu. Na questão preço, nossa base é Curitiba. Nosso preço é mais baixo que os concorrentes em SP e até do que outros restaurantes do gênero em Joinville. A gente tem um mix muito bom, e com isso consegue atender um público maior.

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Qual o conceito chave do Madero? Chamamos de casual-dinning – não é alta gastronomia nem é simples. Nos posicionamos como uma rede de restaurantes que quer servir comida e serviços muito bons, em um ambiente diferenciado, a preço justo. Também temos uma preocupação grande com o lado saudável: nosso cheese tem 15% de gordura enquanto o do mercado tem 30%. Não usa conservante, usa só óleo de girassol. Não vemos concorrentes no Brasil seguindo nesse caminho. E tudo que servimos é produzido em nossa fábrica. Desse modo, podemos controlar a qualidade. A proposta foi verticalizar. Até os caminhões que fazem a distribuição pelos restaurantes, em vários Estados, são nossos, o que me garante que a cadeia de frios é feita da forma correta. Temos um centro de treinamento em Curitiba, oferecemos alojamento para os funcionários, outra particularidade nossa.


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Revista 21 - Edição 23 - Jan/Fev 16  
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