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VISÃO ACIJ A PALAVRA DA ENTIDADE

Revista 21 Publicação bimestral da Associação Empresarial de Joinville (Acij) Conselho editorial ANDRÉ DAHER ADVOGADO (PRESIDENTE DO CONSELHO DOS NÚCLEOS) DINORÁ NASS ALLAGE CAJADINA (VICE-PRESIDENTE) DIOGO HARON ACIJ (DIRETOR EXECUTIVO) MARIA REGINA LOYOLA RODRIGUES ALVES LEPPER (VICE-PRESIDENTE DA ACIJ) SANDRA TRAPP SOCIESC (PRESIDENTE DO NÚCLEO DE ESCOLAS DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL) SIMONE GEHRKE EDM LOGOS (ASSOCIADA) Jornalista responsável JÚLIO FRANCO (REG.PROF. 7352/RS) Produção MERCADO DE COMUNICAÇÃO Editor GUILHERME DIEFENTHAELER (REG. PROF. 6207/RS) Reportagem FERNANDA LANGE LETÍCIA CAROLINE ANA RIBAS DIEFENTHAELER THIAGO SECO LAÍS MEZZARI Diagramação, ilustrações e infográficos FÁBIO ABREU Fotografia PENINHA MACHADO, BANCO DE IMAGENS E ASSESSORIAS DE IMPRENSA Impressão IMPRESSORA MAYER Tiragem 4 MIL EXEMPLARES Contato REVISTA21@MERCADODECOMUNICACAO.COM.BR

Sucesso ao prefeito Udo. E que venha 2013 A eleição de Udo Döhler para a prefeitura de Joinville é um sinal positivo da credibilidade pública alcançada por esse líder empresarial que presidiu a Acij por cinco oportunidades. Demonstra, por outro lado, a aprovação, pela maioria dos cidadãos, de uma plataforma focada na competência da gestão – e que promete reproduzir no governo municipal experiências de sucesso já adotadas na iniciativa privada. A Acij deseja sucesso ao novo prefeito e reafirma a expectativa de que Udo Döhler se mostre sensível às temáticas apresentadas em documento assinado pela entidade com as prioridades do empresariado para o futuro governo. Entrevista exclusiva com o prefeito eleito abre esta última edição de 2012 da Revista 21, a partir da página 4. Um final de ano repleto de felicidade, e um 2013 que não economize em boas notícias, é o desejo da entidade.

TAMBÉM NESTA EDIÇÃO BRIEFING

16 Novidades sobre a mesa CONJUNTURA

20 O que esperar de 2013 PERFORMANCE

30 Farmácias por todo o lado SOCIAL

34 O trabalho atrás das grades ENTRE NÓS

40 Excelência da Acij é premiada DOS NÚCLEOS

46 A ação do setor de serviços PONTO E CONTRAPONTO

50 Clima organizacional & gestão

Publicidade CÉSAR BUENO (47) 9967-2587 E 3801-4897

HAPPY-HOUR

Endereço para correspondência AV. ALUISIO PIRES CONDEIXA, 2550 SAGUAÇU, JOINVILLE/SC

3 PERGUNTAS

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53 Tudo pela adrenalina 58 Como administrar conflitos 3


ABRE ASPAS UMA BOA CONVERSA COM QUEM TEM O QUE DIZER

PENINHA MACHADO

“Vamos dar um salto qualitativo” Prefeito eleito, Udo Döhler estima que a economia de Joinville vai triplicar em 30 anos, promete desburocratizar o setor público, otimizar a arrecadação de impostos e combater a desigualdade social 4


Quarto empresário a tomar o caminho do Poder Executivo em Joinville desde a década de 1960, Udo Döhler entra para a galeria de Baltasar Buschle, Helmuth Falgatter e Wittich Freitag, a partir de 1º de janeiro, com a expectativa de provar que a competência na gestão privada também pode ser aplicada na arena pública. Ex-presidente da Acij, à frente da tradicional indústria têxtil que leva seu sobrenome, atuando há 40 anos como voluntário no comando do Hospital Helena, Udo venceu as eleições no dia de seu 70º aniversário contrariando as pesquisas e prometendo transparência absoluta no exercício do cargo. Combate à burocracia que emperra a eficiência do serviço público e, ao mesmo tempo, valorização do funcionalismo são metas que integram a plataforma de governo. Mas a prioridade absoluta, segundo o prefeito eleito, é a saúde. Nesta entrevista à Revista 21, ele reafirma o compromisso com medidas que racionalizem a pesada estrutura administrativa do município, como o enxugamento das secretarias regionais, que serão transformadas em subprefeituras. Prevê um forte incremento da economia local, em conjunto com as cidades vizinhas, defendendo um redesenho da região que tem Joinville como epicentro. O prefeito eleito também critica a demora na aprovação da nova Lei de Ordenamento Territorial (LOT), emperrada por demandas judiciais: “Por conta disso, Joinville está parada”.

A que o sr. atribui a vitória? Algumas análises indicavam que havia a expectativa do joinvilense de ter, novamente, um prefeito com perfil de gestor. O sr. concorda? Apresentei minha candidatura considerando que tinha experiência e maturidade suficientes para assumir esse compromisso. Durante oito meses, um grupo de 32 pessoas trabalhou na elaboração do Plano 15, com nossa plataforma de governo. Iniciei a campanha justamente com o viés de que não tinha aspiração política e queria apenas ajudar Joinville a se transformar em uma cidade melhor. Realizamos em torno de 600 reuniões nos bairros, ouvindo as pessoas. Colecionamos centenas de sugestões, que acabaram integrando o plano de governo. No primeiro turno, meu nome aparecia

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em uma posição discreta nas pesquisas, na quarta posição. À medida que a nossa proposta foi sendo apresentada ao eleitor, passamos a crescer, e, contrariando as previsões, tivemos uma posição bastante confortável em termos de votos. No segundo turno, novamente, as pesquisas sinalizavam que era pouco provável que viéssemos a vencer as eleições, sempre mostrando em uma escala decrescente. Enfim, atribuo esse voto de confiança do eleitor à consistência da nossa proposta de governo, que busca tornar a cidade de Joinville uma cidade mais igual. Hoje, temos duas cidades: uma no Centro e outra nos bairros. Há, em Joinville, cerca de dez assentamentos irregulares. Dez mil pessoas que não têm endereço,

não têm acesso ao crédito, a quase nada. É por aí que vamos começar a trabalhar: regularizar essas áreas para que as pessoas se insiram na comunidade. Já tivemos situações parecidas no passado, no Jardim Paraíso, no Ulysses Guimarães, mas aquelas áreas foram urbanizadas. E a demanda quintuplicou. Por tudo isso, decidimos que vamos governar dos bairros para o Centro, com a população, ouvindo as pessoas. Ficaremos o menor tempo possível no gabinete. Em que medida seu perfil de gestor e sua trajetória empresarial contribuíram para a eleição? Trabalho desde os 14 anos e aprendi que não se constrói um empreen­d imento sem a participação dos funcionários. Aprendi isso primeiramente na Döhler, hoje com 3 mil colaboradores e que, neste ano, vai crescer 5%, sempre por conta do comprometimento do seu quadro de funcionários. No município, não é diferente. Vamos conversar com o servidor para conhecer seus anseios, para oportunizar que ele construa a formação que é necessária, e oferecer um melhor ambiente de trabalho, adequadamente instrumentalizado e motivador. Vamos reconhecer o seu empenho, fazer com que ele seja o mais atraído possível pela atividade. Desse modo, o servidor não se acomodará. E o reconhecimento, naturalmente, bate na remuneração do servidor. Como o sr. vê a distinção entre o gestor e o político? Isso causou impacto na campanha? Infelizmente, a classe política está muito desgastada. Houve algum avanço nos últimos tempos, por exemplo, com o julgamento do 5


mensalão, e isso vai contribuir para a valorização do serviço público. Devo dizer que é um compromisso nosso cuidar para que não se percam recursos públicos, garantir a transparência. Criar um portal absolutamente transparente. Cada cidadão precisa ter a oportunidade de dizer “olha, aqui houve um desvio de recursos”. Não basta que a informação esteja disponível: ela tem que ser visível para o cidadão. É preciso reconectar os valores éticos e morais da classe política. As primeiras sinalizações já começam a surgir, com estes acertos nas decisões do Judiciário, mas, sobretudo, porque o jovem começa a participar da atividade política, por exemplo, por meio das redes sociais. É um processo irreversível. Nas próximas eleições, teremos uma participação ainda maior do jovem. Isso fará com que a velha raposa política mude de conduta. Afinal, há diferenças entre gestão pública e privada? Gestão é gestão, pública ou privada. Existem dificuldades de um lado e de outro. A complexidade da gestão pública tem especificidades em relação à do setor privado. E o risco na atividade privada é maior que na pública. Existem limitadores, regras complexas, detalhadas. Temos que desburocratizar o serviço público, melhorar os processos licitatórios, para buscar ganhos de escala na execução. Mas a gestão, como um todo, é uma só. Falta eficiência no serviço público? Sim, mas não é por causa do servidor. O servidor está engessado. Não tem um bom ambiente de trabalho, está diante de um processo altamente burocratizado, e fica a imagem de que é acomodado. 6

PENINHA MACHADO

“Não basta que a informação esteja disponível, ela tem que ser visível para o cidadão. É preciso reconectar os valores éticos” Vamos fazer com que o servidor público possa ser reconhecido pela população, que possa dizer com orgulho que trabalha como servidor em Joinville. Não há como executar nossas metas de governo sem o comprometimento do servidor. Vamos aproveitar a prata da casa, como fiz ao longo de toda minha vida no setor privado. Quais serão as prioridades do seu governo? O Plano 15 se divide em 15 áreas. Quatro serão priorizadas: saúde,

educação, trânsito e segurança. Além dessas, existem ações voltadas à gestão, valorização do servidor, segurança, meio ambiente, turismo, entre outras áreas. Mas começaremos mesmo pela saúde. É a necessidade mais premente. Vamos melhorar as instalações do Hospital São José, promover uma interface com os hospitais do Estado – já com sinal verde do governador –, melhorar os postos de saúde, fazer com que ali não falte o profissional médico e o remédio, o que também vale para os PAs. Outra forte demanda da população diz respeito à segurança pública. O que pode ser feito pelo município nessa área? A segurança pública é função de Estado. Mas o município pode e deve ajudar. Vamos instalar câmeras nos bairros, melhorar a iluminação. Fazendo isso, vamos ficar de olho no traficante e no bandido. A droga é um problema grave em Joinville. Precisamos fazer com que as nossas crianças possam ficar mais protegidas, combater a


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droga. Hoje, a Polícia Militar consome 85% do tempo cuidando das pequenas contravenções e apenas 15% no combate ao crime. Tem que ser o inverso. Vamos criar a guarda municipal, que vai cuidar do trânsito e do patrimônio do município, além de auxiliar a PM para as pequenas contravenções. Devemos fazer com que a população também participe. No passado, existia o chamado inspetor de quarteirão. Se cada um cuidar do seu quintal e do quintal do vizinho, vamos melhorar. Que avaliação o sr. faz das reivindicações apresentadas pela Acij, em documento encaminhado pouco antes do segundo turno? A Acij apresentou suas sugestões, como também várias outras entidades. Elas foram tabuladas e vamos incorporá-las dentro do que acharmos positivo. Cada segmento social enxerga prioridades de uma forma. As contribuições são importantes. Vamos examiná-las positivamente. A prefeitura voltará a funcionar em perío­do integral? Turno único ou integral, mais comissionados, menos comissionados – não faremos qualquer modificação nessas situações sem ouvir o servidor público. Pronunciar-se a distância é uma coisa. É preciso saber o que ocorre ali dentro. As secretarias regionais serão enxugadas? Vamos transformar as secretarias regionais em subprefeituras, porque as regionais não estão tendo um bom desempenho. O que se quer é deixar o governo mais próximo das pessoas. Hoje, para conseguir um simples licenciamento ambiental, é 8

“Joinville está parada por falta de ordenamento territorial. Sem isso, é pouco provável que uma grande empresa venha para cá”

Há muito a fazer nesta questão? Sim, o município está altamente burocratizado, a gente não localiza as informações. Para comprovar, basta entrar no site da prefeitura. As informações até estão ali, mas a pessoa não encontra o que precisa. Quantos veículos existem na prefeitura? Difícil achar essa informação. Tem que ser mais transparente. Temos que registrar qual o veículo, qual o ano de fabricação, quanto andou etc.

preciso ir várias vezes à prefeitura, vai e volta, vai e volta, como bolinha de pingue-pongue. Vamos aperfeiçoar o sistema de informatização, para que o cidadão possa buscar a solução ali na subprefeitura, perto de onde mora, ou, se possível, de casa mesmo, no computador. Hoje, o maior imposto deste país, que é o imposto de renda, é feito sem sair de casa. Não se concebe que um simples pedido de licenciamento, um simples pedido de informação, obrigue o cidadão a preencher formulários complexos e ir à prefeitura, se poderia fazer isso de casa.

De que modo a questão da ineficiência pública prejudica a vida do empresário? Sem dúvida que atrapalha. Se alguém quiser um licenciamento ambiental em Joinville, leva semanas, meses, até um ano. Se for para qualquer município vizinho, resolve em uma semana. Hoje, não temos ainda a lei de ordenamento territorial aprovada pela Câmara. Isso é um trauma. Se alguém quiser instalar uma fábrica, como ocorreu com a BMW, em Araquari, teria que mandar um projeto para o Legislativo, para transformar uma área que não tem definição e acomodar aque-


PRIORIDADES DO NOVO PREFEITO Gestão Joinville merece uma gestão planejada e crescimento organizado. Saúde Melhoria contínua da rede ambulatorial e hospitalar. Educação Ampliação da rede escolar, melhoria das escolas existentes e valorização do professor. Mobilidade urbana O caos da mobilidade será combatido com investimentos como um amplo programa de recuperação asfáltica. Servidor Sistema de meritocracia, promoção de qualificação e valorização permanentes.

PENINHA MACHADO

le empreendimento. Ninguém se sujeita a isso. Joinville está parada por falta de ordenamento territorial. Enquanto os vereadores não deliberarem sobre a matéria, estaremos aguardando para que a cidade volte a crescer. Porque a cidade parou. Isso é um desserviço. Estamos sensibilizando os vereadores para que façam a votação da lei neste ano ainda ou no começo do ano que vem. O que o empresário pode esperar de seu governo na questão tributária? A prefeitura não vai aumentar imposto. Apenas recolher de forma adequada. A arrecadação pode ser otimizada com os tributos que aí estão. Não é possível que apenas parte da população pague seus impostos e outra parte, não. Na hora que todos pagarem, acabarão pagando menos. Vamos ter o cuidado de fazer justiça fiscal, para que não se penalize uma parte importante da população. Haverá revisão de alíquotas ou alguma mudança no regime do IPTU?

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“É um momento bom para a região metropolitana. Não podemos enxergar a cidade apenas dentro dos limites do município” Vamos examinar bem plantas de valores dos imóveis, atualizar os cadastros. Existem registros que não são regulares, o que implica evasão fiscal. Vamos consertar isso, trazendo benefícios para a população. O que é possível fazer para que Joinville continue sendo um local atrativo para novos empreendimentos empresariais? Primeiro, dar segurança jurídica. Sem uma lei de ordenamento territorial, é pouco provável que uma grande empresa venha para Joinville. Vamos trabalhar fortemente para

Alagamentos Aprofundar e regularizar a calha do Rio Cachoeira, com barragens hidráulicas e o retorno da navegabilidade. Segurança Integrar a segurança em todas as suas esferas, promovendo a cooperação entre os órgãos públicos e privados. Meio Ambiente Despoluição gradativa do Cachoeira, Plano Municipal de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. Cultura A grande prioridade é recuperar os endereços culturais. Habitação Ênfase à família e à moradia digna. Assistência Social Apoio e capacitação permanente às organizações de assistência social. Desenvolvimento Econômico Simplificar e desburocratizar a abertura de novos negócios. Esporte Atenção ao desporto educacional, comunitário, de rendimento, da terceira idade, e qualificação dos equipamentos esportivos. Turismo Joinville deve voltar a ser o principal polo de turismo de eventos em Santa Catarina. Agricultura Incentivar e propor formas de mostrar a riqueza produzida pela Joinville agrícola.

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resolver essa questão e, ao mesmo tempo, oferecer estímulos para que novas empresas se instalem aqui. Que tipo de estímulos? Hoje, há estímulos que não são muito percebidos. Se olharmos a questão da infraestrutura, temos energia elétrica para os próximos 30 anos, uma densidade portuária boa, aeroporto em vias de ser ampliado e ILS instalado, o que soluciona a situação para os próximos 20 anos, suprimento de água assegurado. No momento em que se possa dizer que o investidor não terá problema de energia elétrica, disporá de uma base educacional bem instalada e com condições de acompanhar o crescimento da cidade, ele vai perceber isso como um estímulo. O município estará dando sua contribuição e isso vai ensejar que não se gere problemas lá adiante. Na questão da mobilidade urbana, vamos resolver os problemas do trânsito. Não adianta dar vantagem fiscal numa ponta e não oferecer segurança em energia elétrica na outra. Qual é o papel do prefeito, pessoalmente, neste processo? De facilitador. Por isso, estará, dentro do possível, estimulando a vinda de investimentos para cá. Só neste momento de transição, quatro empresas me procuraram querendo se instalar em Joinville. As empresas estão procurando Joinville porque sabem que temos essa infraestrutura toda. Mas temos que dar garantia jurídica, também. É possível pensar longe na gestão pública, para que não se mire apenas em projetos voltados a quatro anos de realização? Não enxergamos apenas quatro 10

“A primeira ação será na área da saúde. Em seguida, vamos conhecer o chão da prefeitura. Saber o que cada um faz, quais suas ansiedades.” anos, mas 30 anos. Joinville vai triplicar sua economia em três décadas. Já daqui a dez anos, vamos agregar à nossa matriz metalmecânica, com essa ênfase em linha branca, química, automotiva, um novo leque de oportunidades na área da saúde, dos fármacos, da nova tecnologia, da economia verde. Vamos dar um salto qualitativo. Atuaremos como facilitadores para que o Inovapark, projeto

de quatro instituições universitárias, ocupe seu espaço, e para que se consolide o parque de inovação junto à UFSC. Poderemos instalar ali condomínios industriais amigáveis com o meio ambiente. Com a inovação, lá na frente, vamos dar um salto dialético na manufatura. O que se pode antever? É um momento bom para Joinville, mas também para a região metropolitana. Não podemos enxergar a cidade apenas dentro dos limites do município. Temos que consolidar nossa região metropolitana, mudar sua geografia. Ela vai até Rio Negrinho, que fica ali no Planalto, não tem nada a ver conosco. Temos que redesenhar essa distribuição. Desejo conversar com os prefeitos vizinhos para fazer a região funcionar. Redesenhada, é a região que mais crescerá até 2025 no Brasil, conforme detectou estudo feito pelo Instituto Mackenzie. E Joinville será o núcleo dessa região. Vamos triplicar a economia e a população


O MAPA DA VITÓRIA Como Udo Döhler venceu as eleições para a prefeitura de Joinville, com 161.858 votos contra 134.295 do seu adversário no segundo turno, Kennedy Nunes A DIFERENÇA DE VOTOS POR SEÇÃO ELEITORAL Os mapas abaixo mostram os desempenhos de Udo e Kennedy em cada uma das 102 seções eleitorais da cidade. Cada círculo representa uma seção e o tamanho indica a diferença de votos entre os dois candidatos. VANTAGEM DE UDO

VANTAGEM DE KENNEDY

EMPATE

1º turno

2º turno

A cidade se divide. Udo se concentra na região central, enquanto Kennedy domina a periferia

Udo amplia vantagem no centro, diminui a força de Kennedy nos bairros da periferia e leva a eleição

PENINHA MACHADO

só crescerá 60%. Vamos agregar um valor excepcional que vai beneficiar a população. A cidade está crescendo, mas de forma desigual. Temos um pedaço da população bem acomodado e rico, outro mal acomodado e pobre. Seria um desastre chegar daqui a 30 anos com a mesma desigualdade. Triplicando a economia, a população crescendo 60%, se essa desigualdade persistir, será resultado da má aplicação dos recursos. Se aplicarmos bem o recurso, a cidade começará a ficar mais igual. O sr. fala em incremento industrial. Isso reverte tendência de crescimento do setor de serviços? Há três décadas, anunciava-se que havia se esgotado o crescimento industrial. Isso mudou nos últimos 15 anos. O setor manufatureiro cresceu junto com os serviços. Isso é saudável. Até porque não sobrevivemos sem a manufatura.

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2.000 1.000

500 100

TRANSFERÊNCIA DOS VOTOS NO 2º TURNO Foram 116.107 votos em Camasão, Carlito e Tebaldi no primeiro turno 38.131 nas seções com vitória de Udo no 1º turno

77.976 nas seções com vitória de Kennedy no 1º turno

75,8% desses votos foram para Udo no 2º turno

61,3% desses votos foram para Udo no 2º turno

A EVOLUÇÃO DOS VOTOS DO 1º PARA O 2º TURNO 1º TURNO

2º TURNO 0

Udo Kennedy

50

85.817

100

100.058

150

161.858

134.295 FONTE: TRE/SC

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JACKSON ZANCO E PENINHA MACHADO

No seu governo, qual será o papel de entidades como a Acij? A Acij vem dando contribuições importantes para a cidade. Atuou fortemente como facilitadora em questões como energia elétrica, ae­ ro­ porto, ensino superior e Corpo de Bombeiros. Sempre esteve à frente das grandes demandas de Joinville. O mesmo acontece com Ajorpeme, CDL, Acomac. O governo terá uma sinergia forte com as entidades de classe, empresariais, assistenciais, Ajos, Apae, todas as instituições sociais que aí estão. Isso passa pelos clubes de serviço, clubes sociais, associações de moradores, igreja. A igreja realiza um trabalho que, se fosse feito pela prefeitura, poderia ter custo de até dez vezes mais, porque incorpora o voluntariado. Vamos estimular a participação voluntária. E quanto ao Conselho de Desenvolvimento de Joinville (Desenville)? Vamos redesenhar o Desenville, terá uma participação mais ampla, porque o aconselhamento é essencial. Vamos estudar como formalizar isso. A comunidade será ouvida. O que o sr. fará no primeiro dia como prefeito? A primeira ação será na área da saúde. Em seguida, vamos conhecer o chão da prefeitura. Conversar com os funcionários, saber o que cada um faz, quais suas ansiedades. É com o servidor público que vamos administrar a cidade. Que balanço o sr. espera que a imprensa faça aos 100 dias de governo? Isso é apenas um rótulo. O que gostaríamos é de, em 380 dias, ter um avanço sensível na questão da saúde. 12

Durante a campanha, visitando o loteamento Juquiá e o Hospital Dona Helena. Com o vice-presidente da República Michel Temer: promessa de portas abertas no governo federal

Pelas causas sociais O prefeito eleito de Joinville, Udo Döhler, é um dos mais reconhecidos líderes empresariais de Santa Catarina, tendo presidido a Acij por cinco mandatos. Sua trajetória sempre esteve ligada a causas de impacto na comunidade, como a Associação Beneficente Evangélica de Joinville, mantenedora do Hospital Dona Helena, onde trabalha desde a década de 1960. É ele o responsável pelas mudanças que vêm apontando novos rumos à instituição e que pretendem dar ao Dona Helena um novo perfil: um hospital de ponta, que desafia e promove a qualidade e a pesquisa em medicina, em toda a região Sul do país. O empresário participou ativamente de gestões políticas que resultaram em conquistas importantes para Joinville, como o campus da UFSC, a ampliação e equipamento de ILS para o aeroporto Lauro Carneiro de Loyola, além da construção da subestação de energia que abastece o Distrito Industrial, entre outros benefícios. Em função desse perfil, foi homenageado com o título de Cidadão Benemérito de Joinville, em 2006. Afável e descontraído em seu círculo mais íntimo, preserva marcante presença no espaço familiar, dedicando atenção especial à leitura. Defensor da natureza, foi homenageado por instituições da área empresarial e ambiental: Líder Setorial Têxtil, Gazeta Mercantil/1993; Medalha do Mérito Dona Francisca, 2001; Medalha do Mérito Empresarial, CNI/2003 e Medalha do Mérito Carl Franz Albert Hoepcke, Assembleia Legislativa de Santa Catarina/2005, entre outras.


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CURSOS & EVENTOS

4 DE DEZEMBRO

Painel industrial Fiesc Fiesc, Florianópolis www.fiesc.com.br

5 DE DEZEMBRO

Apresentação dos resultados do Índice de Confiança Empresarial Sustentare Sustentare, Joinville www.sustentare.net

7 DE DEZEMBRO O CURITIBANO Pablo Mayer, QUE PARTICIPA PELA SEGUNDA VEZ DA REVISTA 21. É ILUSTRADOR E QUADRINISTA, COM TRABALHOS PUBLICADOS NA FOLHA DE S. PAULO, MUNDO ESTRANHO, VEJA RIO, REDE GLOBO, GRUPO RBS, ENTRE OUTROS VEÍCULOS. SEU SITE É O BRABOSCOMICS.COM

Parabéns pela qualidade da Revista 21. Muito bem elaborada e com uma capa linda. Sucesso no trabalho. Giane Bracelo SOCIESC, JOINVILLE

A reportagem intitulada “A plataforma do empresariado”, publicada na edição 3 da Revista 21, reflete com precisão o pensamento da Acij sobre as questões prioritárias para Joinville. Parabéns. Ernesto Heinzelmann

profissional dos empresários. Marcelo Hack PERVILLE, JOINVILLE

Parabéns à Acij pelo Prêmio Programa Facisc de Excelência. Percebemos no dia a dia o comprometimento desta centenária instituição, para que os serviços prestados aos associados sejam sempre realizados da melhor maneira possível. Fabrício Roberto Pereira DOUGLAS IMÓVEIS, JOINVILLE

VICE-PRESIDENTE DA ACIJ

Parabéns à gestão executiva da Acij pela conquista do Prêmio Facisc de Excelência. É sempre “dez” receber uma premiação como essa. João de Andrade EMPRESÁRIO, PELO FACEBOOK

A revista se destaca pela qualidade informativa, gráfica e jornalística, abordando temas atuais do contexto corporativo, focadas na experiência 14

Parabéns à Acij por sua atuação transparente e harmoniosa, buscando convergir as necessidades de nossa região com as empresas que aqui desejam se instalar, promovendo o crescimento sustentável. Somos uma seguradora autorizada pela Susep para atuar em todo o território nacional e estamos chegando a Joinville. Luís Carlos Fernandes DIRETOR-PRESIDENTE CRÉDITO Y CAUCIÓN SEGURADORA DE CRÉDITO À EXPORTAÇÃO

Assembleia geral Cejesc Facisc, Florianópolis www.facisc.com.br

8 DE DEZEMBRO

Curso “Técnicas de chefia e liderança” Sociesc, Joinville www.sociesc.org.br

11 DE DEZEMBRO

Curso “Negociações Internacionais” Sociesc, Florianópolis www.fiescnet.com.br

12 DE DEZEMBRO

Curso “Cobrança por Telefone e Negociação com Inadimplentes” Acij, Joinville www.acij.com.br

12 DE DEZEMBRO

Curso “Logística de Transporte Internacional” Fiesc, Florianópolis www.fiescnet.com.br

14 E 15 DE DEZEMBRO Curso “Formação do Preço de Venda na Indústria” Sociesc, Joinville www.sociesc.org.br


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BRIEFING DE TUDO UM POUCO

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ALIMENTOS

Qualificação que vai à mesa Com o incremento do setor de eventos em Joinville, ganham força os serviços especializados de bufê e produção de bolos e salgados, acompanhando tendência nacional. De acordo com a Revista Exame, alimentos e bebidas são os produtos com os quais os brasileiros devem gastar mais na próxima década. A chefe do departamento de gastronomia da Univille, Mariana Duprat, percebe uma “enorme mudança” no mercado, na oferta de produtos e serviços diferenciados, e observa que os consumidores estão mais exigentes. “Ainda há muito a evoluir, principalmente no que se refere à profissionalização e à capacitação de mão de obra”, analisa. Para ela, a procura crescente pelo curso superior mantido pela universidade é um sinal da valorização do setor. Mesmo assim, enfatiza que, para crescer com qualidade, é preciso investir nos jovens talentos, mostrando que o mercado oferece oportunidades de ascensão e sucesso profissional.

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“Não dá para falhar no atendimento” Há cinco anos no mercado, a Bokitos, que produz doces e salgados, investe em publicidade e promoções para se destacar. Mantém 60 funcionários em atividade nas 24 horas. Neste ano, apostou no aprimoramento dos processos de gestão, treinamento e padronização total das receitas, para profissionalizar o negócio. Um dos pontos altos é um kit de café colonial entregue ao cliente pronto para ser consumido. “Se falhar no atendimento, não adianta ter um bom produto e preço competitivo”, analisa Janara Ziliotto, gerente de vendas. Na foto, os proprietários, Cleverson Marcílio e Noemi Ziliotto. Bokitos Doces e Salgados Rua Iririú, 1060 – Saguaçu Tel.: (47) 3435-4023


NEVITON DUARTE

“A exigência tem aumentado” A Bragança Gastronomia nasceu em 1998 e é uma das responsáveis pelo processo de qualificação do setor. “A exigência no ramo de alimentação tem aumentado muito, seja nos produtos oferecidos, seja na tecnologia aplicada”, argumenta o proprietário Zeca Caputo. Ele entende que a revitalização da Expoville é um dos passos para consolidar a cidade como roteiro de lazer e turismo de negócios e, consequentemente, aumentar a demanda para serviços de alimentação. Na foto acima, a Casa Suíça, espaço para eventos que a Bragança administra no Perini Business Park. Bragança Gastronomia Tel.: (48) 3222-1931/3261-5435 (47) 3422-4201 DIVULGAÇÃO

Caminhões-cozinha Responsável pelos restaurantes da Sociedade Harmonia-Lyra e do Clube Sargentos, a D’Marcos atua no mercado desde 1992 e, além dos eventos locais, oferece serviço de catering, com caminhões-cozinha equipados para atender em todo o Sul do país. O proprietário Marcos Fritzke (foto) só lamenta a existência de locais públicos mal conservados. D’Marcos Buffet para eventos Tel.: (47) 3433-0118/3422-2129/ 3433-1937/9968-6316

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FOTOS DIVULGAÇÃO

Inauguração da Brunswick Boat, instalada no Perini Business Park: planos ousados para o mercado brasileiro DE VENTO EM POPA

Gigante australiana traz segmento inédito a Joinville O maior condomínio multissetorial do Brasil, o Perini Business Park, pela via de sua construtora, a Perville, entregou com dois meses de antecedência a fábrica da Brunswick Boat, a líder mundial na fabricação de embarcações de lazer, inaugurada em novembro. Joinville ganha, assim, além dos naturais benefícios com a abertura de novas vagas para seus cidadãos – que hoje já representam mais de 70% da equipe contratada – e do consequente desenvolvimento em seu entorno, um status diferenciado como importan-

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te polo da indústria náutica. A gigante chega com força, apostando alto no mercado brasileiro e, depois, no latino-americano, considerando, principalmente, o arrefecimento na economia europeia e a lenta recuperação dos Estados Unidos. A planta brasileira, com capacidade instalada de 400 unidades, deve estar a pleno vapor já em 2013, e em cinco anos quer faturar 10% do total da divisão de barcos do grupo. Andy Gaves, presidente mundial da divisão, elogia a qualidade da mão de obra

local, outro importante fator na escolha de Joinville para acolher o empreen­dimento, e aposta na customização das embarcações, que devem ter “a cara” do cliente. No caso local, o jeitinho brasileiro vai estar principalmente na instalação de espaços gourmets nas embarcações. Com importantes incentivos fiscais proporcionados pelo governo catarinense Pró-Emprego e Super-Prodec, além do Pró-Náutica (isenção de ICMS), a Brunswick Boat atraca em Joinville, literalmente, de vento em popa.


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Nomes que se projetam O cinema se torna atraente na estratégia de marketing cultural das empresas porque, pela Lei Rouanet, o valor destinado ao patrocínio é descontado do imposto de renda e os produtores têm o compromisso de exibir esses filmes em festivais por todo o Brasil, dando visibilidade à marca do apoiador. Entre os joinvilenses que alcançaram reconhecimento nesse setor, despontam nomes como Rodrigo Brum, Ebner Gonçalves, os irmãos Fabrício e Fábio Porto, além de Alceu Bett, que lançará o curta-metragem “As Mortes de Lucana”, durante o 4º Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, em Lisboa. Trata-se do primeiro filme da região com co-produção internacional.

Por uma escola de cinema na Fundamas

Cena e bastidores do filme “As Mortes de Lucana”, de Alceu Bett (à esq.) CINEMA JOINVILENSE

Importante, mas esquecido O cinema feito em Joinville tem se destacado em circuitos regionais, nacionais e até internacionais. No entanto, para os realizadores, a atenção ao setor ainda é tímida. Em média, são dez produções cinematográficas por ano na região – destas, quatro patrocinadas pelo Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec), com aporte de R$ 40 mil para cada uma. Para a cidade,

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além de divulgar a cultura local, a produção é importante por movimentar a economia, já que um curta-metragem gera cerca de 60 empregos indiretos. “Ainda não surgiram longas joinvilenses, em parte porque há pouco esclarecimento das empresas a respeito da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura”, pondera Alceu Bett, presidente da Associação de Cinema de Joinville e Região (Acinej).

O Simdec vem alavancando a produção de cinema na região. Somente no edital de 2012, foram inscritos 11 projetos de roteiro e 30 de produção audiovisual. Além dessa modalidade de financiamento, Alceu Bett e Ebner Gonçalves concordam que é necessário incrementar a formação de profissionais. “O cinema é uma fábrica, precisamos de muita gente qualificada. Ainda estamos atrasados comparando com outras cidades catarinenses”, desabafa Gonçalves, que, depois de três documentários, prepara seu primeiro filme de ficção, intitulado “A Noiva de Tarantino”. Para resolver esse gargalo e a falta de condições técnicas, a Acinej pretende estimular a criação de uma escola de cinema na Fundação Municipal Albano Schmidt (Fundamas). 19


CONJUNTURA

ILUSTRAÇÕES: FÁBIO ABREU

TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS SOB O OLHAR JOINVILENSE

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RETROSPECTIVA

As principais notícias da economia regional em 2012

Hora de olhar

para frente

23 DE FEVEREIRO

Infraero retoma edital para ampliação do aeroporto 6 DE MARÇO

Tupy anuncia R$ 250 mi em investimentos para 2012 11 DE JUNHO

Mesmo com incertezas no plano mundial e previsão de queda no PIB, expectativa para 2013 é de um crescimento ancorado em novos investimentos Foi pródigo em manchetes econômicas este 2012. Seja em âmbito federal, seja na esfera estadual ou fechando o foco no Norte cata­ rinense, o ano que está por se encerrar produziu um volume sig­ ni­ficativo de fatos com impacto potencial sobre a vida dos cidadãos e sobre o mundo dos negócios. No caso da região de Joinville, talvez o carro-chefe tenham sido as notícias ligadas ao setor automotivo, com ênfase para o sim da BMW – que já está até selecionando profissionais para trabalhar em Araquari –, o início da produção local da GM, mesmo com o cancelamento do projeto de uma segunda unidade, e os investimentos de peso da Tupy, que abriu nova planta em junho.

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Expogestão chega à 10ª edição É pela via dos investimentos que, dizem especialistas ouvidos pela Revista 21, a economia deve fundamentar sua ascensão no próximo ano, em particular como consequên­ cia do caso BMW. O desembarque da grife alemã, sinônimo de alto luxo em carros, vai “revolucionar” o cenário empresarial do Norte do Estado, com a estruturação de um polo automotivo ao qual se somam as indústrias já existentes em itens como motores e cabeçotes, prevê o colunista Cláudio Loetz, do jornal A Notícia. Nessa perspectiva, estima, a conjuntura para 2013 é promissora: “Os negócios no país devem deslanchar, especialmente os alinhados à infraestrutura, e o mercado continuará comprador, com o aumento de renda da população, a permanência do pleno emprego e juros que devem estacionar nos níveis atuais, com o dólar por volta ou acima dos R$ 2 ajudando as exportadoras”. Colega de Loetz no Diário Catarinense, a jornalista Estela Benetti aposta que a expansão dos investimentos “deve ser a âncora do crescimento” no próximo ano, lembrando que, regionalmente, outros

2 DE JULHO

Assinado contrato de terceirização da Expoville 12 DE JULHO

GM suspende investimento de R$ 700 mi para Joinville 15 DE AGOSTO

Pacote de investimentos para rodovias e ferrovias beneficia SC 24 DE SETEMBRO

Lançado edital para obras de duplicação da BR-280 27 DE SETEMBRO

Decretada falência da Busscar 22 DE OUTUBRO

BMW confirma: fábrica será em Araquari 28 DE OUTUBRO

Udo Döhler é eleito prefeito de Joinville 30 DE OUTUBRO

Whirlpool anuncia 850 empregos para Joinville 21


grandes projetos estão sendo esperados a partir do impulso da BMW, além do fator Copa do Mundo, em nível nacional, e da previsão de juros baixos e câmbio amigável aos exportadores. Como nem tudo são flores, Estela observa que a conjuntura estadual deve ser influenciada negativamente pela chamada Resolução 13, que estabelece alíquota única de 4% de ICMS para importados. O prognóstico da jornalista: “Como as indústrias estão trazendo mais insumos e o comércio, mais itens prontos, deve haver aumento de preços de importados e impacto na inflação”. No balanço de 2012, outro aspecto citado diz respeito ao avanço tímido do PIB, que deve tombar de uma projeção de 4% para algo em torno de 1,5% – inferior até às expectativas mais pessimistas. Para o presidente da Tigre, Evaldo Dreher, é inevitável que variáveis externas, como a reeleição de Barack Obama nos Estados Unidos, a crise europeia e o redirecionamento econômico chi­nês, batam forte por aqui. “Naturalmente sensível ao que acontece no mundo, porém, nossa economia deve se manter sólida”, antevê Dreher. Já o consultor Ricardo Della Santina, professor da Sustentare, preocupa-se com os rumos das políticas monetárias norte-americana e brasileira, de um lado com o dólar em baixa e de outro com a cotação do real forçada para cima: “O dólar fraco encarecerá o petróleo e as commodities cotadas nesta moeda no exterior, enquanto o Brasil deve enfraquecer sua moeda e seu poder de compra, trazendo inflação”. Não que Joinville fique alheia a tais influências, pelo contrário. Mas, de novo, é o incremento do polo empresarial que pode amenizar os efeitos. “Estamos assistindo a uma expansão extraordinária 22

AGÊNCIA BRASIL E DIVULGAÇÃO

Dilma, com o presidente da BMW e o governador Raimundo Colombo, no encontro que confirmou a vinda da fábrica para a região de Joinville; acima, a produção da GM e a nova planta da Tupy: reafirmação do segmento de autopeças

da economia regional”, festeja o professor de economia Ademir Demétrio, da Univille. “Com base nos investimentos já executados ou em andamento, a atividade econômica vêm se mostrando ascendente, gerando produção, emprego e renda, dinamizando o consumo e melhorando a qualidade de vida das pessoas”. Subproduto dessa

movimentação já é sentido até no mercado imobiliário e de serviços – os quais, como lembra o executivo Gustavo Hiendlmayer, do Núcleo de Jovens Empresários, são estimulados pela chegada de multinacionais. Em síntese, se não dá para soltar foguetes, o empresariado termina o ano com um misto de otimismo e cautela. “A chegada de tantos empreendimentos novos e a ampliação de empresas consolidadas permitem uma expectativa bastante positiva para o próximo ano”, avalia o presidente da Acij, Mário Cezar de Aguiar, certo de que a região vive “um momento muito especial”. Que não seja só um momento.


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O ano na balança

Empresários e executivos avaliam os fatos econômicos de 2012

“Esperamos uma economia pujante” Carlos Grendene, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Joinville

A vinda da BMW e a inauguração das empresas Yudo e Brunswick foram, em meu entendimento, os fatos mais relevantes na economia regional ao longo deste ano. Esperamos que, em 2013, o consumo interno seja retomado, e que possamos ter uma econo24

mia pujante, que não se restrinja a setores sazonais, mas como um todo. Acredito que essa engrenagem deve abranger a todos, e não se restringir apenas a alguns segmentos. Defendemos que todos os setores estejam contemplados, inclusive com benefícios do

governo. Um exemplo é que nós, pequenos empresários lojistas, pagamos hoje o imposto sobre a folha de pagamento – o que é um absurdo. Quando o governo baixa a folha de pagamento da indústria, nós apoiamos. Queremos o mesmo tratamento para o comércio.


“Investimentos em infraestrutura e logística” Valdicir Kortmann, diretor comercial e de marketing da Krona Tubos e Conexões

A região recebeu uma grande quantidade de empresas e anúncios da instalação de multinacionais que são líderes de mercado. Dessa forma, visualizamos um grande benefício para o município quanto à me-

lhoria de infraestrutura e logística e na formação de profissionais. Com a vinda de novas indústrias, o Norte de SC deverá receber ainda mais investimentos nessas questões, agregando significativamente ao desen-

volvimento econômico da região. Visualizamos um cenário favorável para 2013. Dessa forma, nossa expectativa é a melhor para o crescimento socioeconômico da região e das empresas instaladas.

“Novas empresas serão atraídas” Eduardo José Domingues, presidente do Núcleo de Comércio Exterior da Acij

O fato econômico que mais marcou 2012 foi o anúncio da vinda da BMW para Araquari. Depois de tanto suspense, a confirmação da instalação da montadora reforça a capacidade industrial, logística e de mão de obra da nossa região.

Esse tipo de investimento exerce enorme atração para outras empresas em expansão (e não só do setor metalmecânico), que tendem a considerar a região Norte do Estado de Santa Catarina em seus portifólios. Acredito que, em 2013,

as classes B, C e D continuarão movimentando a economia interna, mantendo o padrão de consumo, e veremos os investimentos para a Copa do Mundo e Olimpíadas se intensificarem, ajudando a alargar o crescimento do PIB.

“Meu olhar é dos mais otimistas” César Döhler, gerente financeiro da Döhler

Os grandes fatos econômicos para a região de Joinville passam pela modernização do aeroporto, com a instalação do ILS, o que vai aumentar a segurança e a frequência dos voos, e, sem dúvida, pela evolução no projeto da GM, ao lado da confirmação da vinda da BMW.

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Em ambos os casos, tratam-se de novas oportunidades para Join­ ville crescer e inovar em seu perfil empresarial. Destaco, ainda, a expansão notável do Perini Business Park, hoje com mais de 100 empresas instaladas e que traz uma contribuição relevante para a econo-

mia joinvilense, além da evolução de instituições de ensino superior, que dão o aporte necessário para a formação de talentos. Por tudo isso é que o meu olhar para 2013 não poderia deixar de ser otimista. As pílulas do crescimento estão à nossa disposição.

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“Enfrentamos fatores adversos” Luiz Tarquinio Sardinha Ferro, presidente da Tupy

Ao lado da internacionalização da Tupy, destaco três fatos socioeconômicos relevantes: os anúncios de investimentos na região, como o da BMW, as dificuldades enfrentadas por determinados segmentos industriais, por conta da desaceleração da economia, e as primeiras iniciativas do governo federal para propiciar melhores condições para a indústria brasileira recuperar a competitividade. Enxergo uma melhora discreta para 2013, até porque tivemos fatores adversos neste

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ano, que esperamos não estejam presentes no próximo. Caso da queda nas vendas de veículos comerciais no Brasil, devido à mudança no padrão internacional de emissões, o que fez com que os motores novos viessem com preços mais altos. Em virtude disso, os frotistas compraram um volume maior de novos caminhões do padrão antigo em 2011. Outro fator foram as secas no Sul e em São Paulo, que empurraram para baixo a demanda por fretes e, em conse­ quência, por caminhões. Menciono ainda o crescimento modesto no Brasil e aspectos externos, com um primeiro semestre favorável na América do Norte seguido por indicações de desaceleração e a atual retração econômica na Europa.

“Problemas que podem gerar oportunidades” Patrício Junior, superintendente do Porto Itapoá

A aprovação da Resolução do Senado Nº 13/2012 foi um dos fatos marcantes de 2012. A resolução, que prevê o fim da “Guerra dos Portos”, deve afetar toda uma cadeia industrial, favorecendo os Estados que não ofereciam incentivos fiscais à movimentação de cargas em terminais portuários. Embora só entre em vigor em 2013, alguns reflexos já surgiram, como a mudança de empresas para outros Estados. O trabalho que deve ser feito está em novas


formas de compensação para atrair empresas, criando diferenciais em tecnologia, eficiência e agilidade. Outro fator relevante foi o anúncio da BMW. O padrão BMW é minucioso, com alto impacto socioeconômico. Servirá de modelo para todos os investimentos que devem vir com a empresa alemã. Um item importante a considerar para os próximos anos é a questão econômica mundial. Nossas indústrias ainda são muito dependentes do mercado internacional. Isso pode gerar um problema se já não estivermos preparados. Contudo, o problema pode se transformar em oportunidade, levando em consideração as várias experiências semelhantes pelas quais já passamos.

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“O viés da esperança é positivo” Christian Dihlmann, diretor da BRTooling

O ano de 2012 se iniciou cheio de dúvidas para o cidadão e empresário brasileiro. Tínhamos a tiracolo uma crise mundial com desenrolar incerto, ocorreria novamente uma eleição com as já costumeiras “gastanças” desenfreadas e tendenciosas, o mensalão indicava acabar em “pizza”, a China iria enterrar de vez as indústrias nacionais ampliando a desindustrialização... Enfim, um cenário desolador. Agora caminhamos para o final de um ano que foi “sui generis”.

Enfrentamos os desafios de frente, como não poderia deixar de ser. E fizemos boa parte da lição de casa. O governo federal tem adotado mais posturas técnicas do que as tradicionalmente políticas e danosas. Trunfo que tem resultado em um melhor nível de produção e competitividade. Há muito por fazer. E, para que isso ocorra, há necessidade de articulação e comprometimento de toda a classe empresarial, laboral e entidades governamentais. Novos gestores estão postos nos governos municipais, com uma renovação histórica. O trabalho honesto e arrojado trará bons frutos para a economia brasileira nos próximos anos. O viés da esperança mudou para positivo.

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“Desconforto de quem não recebeu benefícios” Dinorá Allage, vice-presidente da Cajadan Têxtil

O fato de termos vivido um ano eleitoral sempre deixa a economia em compasso de espera. De outra parte, o incentivo ao consumo de alguns tipos de produtos pelo governo fomentou ainda mais o endividamento da população. Com isso, aqueles que não tiveram benefícios acabaram em segundo plano, e isso gerou uma sensação de desconforto nos empresários que não foram priorizados de alguma forma. Daí, os investimentos caem e a economia fica estagnada. Os

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solavancos sofridos pela economia mundial, com uma desaceleração significativa na Europa, baixo crescimento dos Estados Unidos e da China, também proporcionam uma insegurança geral, brecando o desenvolvimento de vários setores. O que nos motiva, em todo esse cenário, é o fato de estarmos instalados em uma das regiões mais prósperas do país, onde várias empresas estrangeiras investem, acreditando num futuro promissor. Com certeza, o contexto mundial não sofrerá grandes mudanças de um ano para o outro, o caminho é muito mais longo do que isso. Mas, com trabalho, esforço e dedicação, teremos um novo ano de sucesso e grandes conquistas.

“Ações concretas pela desburocratização” Alcides Bertoli, diretor geral da Gidion

O início de operação da fábrica de motores da GM e a vinda da BMW consolidam a região Nordeste como de alta tecnologia e de mão de obra qualificada. Mesmo após toda a polêmica das políticas de custos com os portos, no início de 2012, a região se mostrou, no aspecto logístico, favorável a novos investimentos e tem comprovado que a infraestrutura, ainda que precária, é um fator relevante para atrair investimentos, além das políticas dos governos es-


taduais. Para nós, que acreditamos desde muito tempo no potencial da cidade e permanentemente estamos cuidando da evolução da mão de obra, com fatos como a chegada da UFSC, e da infraestrutura, com a subestação de energia, a chegada das duas fábricas traz também a bandeira do desenvolvimento regional, e não mais de uma única cidade. Sinaliza para melhoria e para a homogeneização do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) desta que se caracteriza como região metropolitana. Para 2013, o que esperamos são ações concretas do poder público, nas diversas esferas, objetivando a desburocratização e da tão esperada e necessária reforma fiscal.

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“Empresas continuarão a investir e a crescer” João Martinelli, presidente da Martinelli Advocacia Empresarial

O continuado crescimento econômico da região, a vinda de novas empresas, investimentos e ampliação dos empregos, dominaram o cenário da grande Joinville. Serviços de primeira linha aliados a um dos parques industriais mais desenvolvidos do país foram facilitadores na decisão da vinda da BMW, que agitou a cidade. Mais uma vez, Joinville foi alçada ao cenário mundial como uma região rica e promissora. Os investimentos previstos são vultosos e o ganho tecnológico,

inestimável. Outro fator de grande relevância social foi a reviravolta política. Num feito que, para alguns, parecia impossível, um empresário assume o comando da cidade, mostrando o caráter trabalhador de seu povo, sua confiança no setor privado e lucidez na escolha. Como sempre, os inícios de cada ano são marcados por incertezas conhecidas. Impossível dizer, por exemplo, qual será o efeito do agravamento da crise europeia nos negócios em 2013. Seu recrudescimento poderá interferir nas questões cambiais, afetando importadores ou exportadores e a própria inflação. Apesar das dificuldades, é de se prever que, a exemplo deste ano, as empresas continuarão a investir e a crescer.

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PERFOMANCE O DESEMPENHO DOS PRINCIPAIS SETORES DA ECONOMIA

Em cada esquina, uma farmácia Expansão ocorre em todo o país, mas se evidencia em Joinville, que recebeu grandes redes nos últimos anos Entre 2008 e 2012, a despesa das famílias brasileiras com remédios pulou de 44,99% para 48,6%. A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que o gasto mensal com medicamentos fica em torno de R$ 74,74, sendo o mais alto na relação de dispêndios com

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saúde. Para os que gostam de fazer suas compras perto de casa ou do trabalho, a demanda tem feito com que surjam cada vez mais farmácias por todo lado. Em Joinville, o fenômeno se reflete em cada esquina onde aparece uma loja nova, seja da conhecida Drogaria Catarinense, seja das recém-chegadas Nissei, Panvel e Droga Raia, entre outras bandeiras menores e algumas com foco popular. Nascida na cidade, pertencente à Companhia Latino-Americana de Medicamentos (Clamed), a Drogaria Catarinense mantém 42 lojas em Joinville, focada na proposta de oferecer acesso facilitado, com pontos de venda estrategicamente situados nas

vizinhanças de onde moram os clientes. Aos 93 anos de atuação, uma das conquistas do grupo foi ter disponibilizado o primeiro atendimento 24 horas em Santa Catarina. “Está ocorrendo um grande movimento de incorporações no ramo farmacêutico em todo o Brasil. O mercado catarinense, em comparação com outras partes do país, ainda é pequeno, e cada região tem peculiaridades a ser exploradas”, avalia o superintendente comercial da Clamed, Marcelo Augusto Voss. Para o grupo, a concorrência é saudável e inspira a inovação constante. Além de Santa Catarina, por meio da marca Preço Popular, a companhia está presente


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no Paraná, no Rio Grande do Sul e, em breve, abrirá lojas no Mato Grosso do Sul. Marcelo explica que a tradição contribui para a fidelização dos clientes, que se reflete nas distinções alcançadas pela marca, ganhadora de todas as premiações estaduais do Top of Mind, como a mais lembrada na categoria farmácia. Nos últimos quatro anos consecutivos, a Drogaria Catarinense também recebeu o primeiro lugar no prêmio “Aconselhamento na farmácia”, que avalia o atendimento e aconselhamento das principais redes de farmácias brasileiras. “O resultado demonstra que nosso trabalho, baseado na ética e no respeito à prescrição médica, são

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Drogaria Catarinense e Nissei multiplicaram unidades; Patrícia Maeoka explica que a expansão das redes acompanha o crescimento da cidade

diferenciais esperados por todos os nossos clientes”, enfatiza o superintendente. A rede Nissei aportou por aqui em 2011, com a inauguração de cinco lojas. A escolha se deu pela proximidade com a central de

distribuição, em Curitiba, e pelo crescimento notável da cidade. “O PIB per capita e o potencial de consumo de Joinville mais que dobraram nos últimos dez anos e, com a aceitação da comunidade joinvilense, a Nissei está acompanhando esse crescimento”, argumenta Patrícia Maeoka, diretora da rede, que emprega 75 pessoas em Joinville e estima ter feito um investimento de R$ 5 milhões por aqui, entre 2011 e 2012. De agora em diante, diz Patrícia, a empresa pretende conhecer melhor os clientes para cativá-los. Para isso, as estratégias são focadas em preço justo, mix completo de produtos, lojas amplas e com boa localização e programas de fideli-

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Produtos de marca própria da Panvel: cresce a presença de itens de higiene e beleza em farmácias

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dade, que oferecem descontos, passeios e ações sociais. A executiva da Nissei aponta que 2012 foi um ano movimentado para o mercado de farmácias, com fusões, aquisições e expansão de marcas. “As redes cresceram em média 17%, conquistando novos mercados, e as farmácias independentes, que focaram no relacionamento, também estão apresentando bons resultados”, analisa. Para ela, em Santa Catarina, a principal oportunidade está em mudar o hábito de consumo, estimulando a venda de itens de higiene e beleza. Nesse embalo, a Panvel resolveu ultrapassar as fronteiras do Rio Grande do Sul, onde nasceu, para disputar espaço com as redes regionais em terras catarinen-

ses, lá em 1985, quando montou a primeira loja em Florianópolis – mas a vinda para Joinville só ocorreu em 2008. Hoje, é considerada a maior rede do Sul do país, com 290 lojas espalhadas pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Entre os diferenciais, os produtos com marca própria, que chegam a 500 itens, agrupados em 15 submarcas, com mais de oito milhões de unidades vendidas ao ano. A rede mantém cinco lojas em Joinville e o mapa da expansão envolve Curitiba, onde até o final deste ano terão sido instaladas 30 filiais. Além de informações sobre PIB local e quantidade de habitantes, a Panvel se vale de pesquisa em relação ao consumo de medicamentos, já que essa vertente representa 70% das


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Gasto com medicamentos é o principal item na lista de despesas familiares com saúde, e redes vão aonde o consumidor está

vendas do grupo. Está aí um dos motivos para Florianópolis contar com mais endereços do que Join­ ville, mesmo tendo PIB inferior. Já a Droga Raia estreou na cidade em 2011, ano em que se uniu à Drogasil, formando a Raia Drogasil, maior rede de farmácias do país, dona de 10,9% do mercado. Duas unidades foram instaladas na região central, uma na rua Otto Boehm e outra na Max Colin. Criada em Araraquara, São Paulo, a rede entrou em Santa Catarina por Joinville e Balneário Camboriú. Hoje, também está em Blumenau e Brusque. Para enfrentar a concorrência, aposta em uma estratégia agressiva e conta com a estruturação das lojas em pontos centrais, onde há grande fluxo de consumidores, e sucessivas promoções, com descontos em medicamentos tarjados e genéricos.

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SOCIAL

Punir, vigiar,

resgatar Em Joinville, 17 empresas mantêm atividades laborais nas unidades de segurança. Veja quais são e confira visões sobre o modelo “Hoje, o preso está contido. Amanhã, ele estará contigo.” O professor Alvino de Sá, autoridade em criminologia, faz questão de disseminar a frase por onde passa. No entanto, a possibilidade de retorno desse indivíduo, que rompeu com o contrato social e em breve voltará a usufruir do convívio além muros, é

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algo pouco refletido pela sociedade. Ainda que a privação da liberdade seja percebida pela maioria como a punição exemplar – que deveria vir embebida por um sistema repressivo violador de direitos –, o dado positivo é que a visão parece evoluir. “Joinville está vivendo um momento atípico, dando um salto ético”, revelou João Marcos Buch, juiz de direito da Vara de Execuções Penais de Joinville, no 5º Seminário de Gestão Prisional, Segurança Pública e Cidadania, realizado em agosto de 2012. Segundo ele, o próprio contato com a população tem demonstrado essa transformação na opinião pública. “O preso jamais perderá sua condição humana, é filho de nossa sociedade”, frisou o juiz.

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PROJETOS E INICIATIVAS PARA ESTÍMULO À CIDADANIA

Trabalho é fundamental para a recuperação social dos apenados e auxilia os participantes a tomar consciência de seu próprio valor


E é pensando nessa projeção de retorno, a partir do cumprimento da Lei de Execuções Penais (LEP), que unidades de segurança e empresas têm se unido para implantar sistemas de trabalho conduzidos pelos apenados. Em Joinville, 17 empresas mantêm linhas de produção dentro das duas unidades localizadas na zona sul da cidade: o Presídio Regional e a Penitenciá­ria Industrial. No presídio, fundado em 1988, são quatro empresas atuantes e a experiência é mais recente. A Interativa Comércio de Reciclados instalou em maio de 2011 um galpão para separação, seleção e limpeza de peças plásticas. Em setembro do mesmo ano, a então Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville (Conurb), hoje Ittran, e a Hard Comércio de Fixadores e Resinas iniciaram as atividades. A primeira, oportunizando trabalho externo em áreas públicas na esfera da construção civil (calçadas, meios fios, jardinagem e outros serviços), e a segunda, na montagem de pequenas peças de parafusos. Neste ano, a Nutribem Soluções em Alimentação, já presente na penitenciá­ria industrial, firmou parceria com o presídio, na organização e distribuição das refeições na unidade.

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HÁ VAGAS Relação entre vagas disponíveis, população carcerária e apenados que trabalham para as empresas (nov/12) VAGAS APENADOS APENADOS OCUPADOS

1.090

667

492

PRESÍDIO

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PENITENCIÁRIA FONTE: IPEN

De acordo com o setor laboral do presídio, 69 reeducandos estão envolvidos nas atividades remuneradas, com avaliação prévia de profissionais das áreas jurídica, de segurança e psicologia, tendo como prioridade os que já passaram para o regime semiaberto. “O sistema não atende a todos, mas a experiência tem dado certo, podendo

melhorar com a abertura de novas frentes e a oferta de cursos profissionalizantes, sobre os quais já estamos em contato com órgãos públicos”, afirma Jonathan Rocha Vieira, responsável pelo setor. Ele explica que o convênio é firmado entre as empresas e o Estado, por intermédio da penitenciária. “Pelo trabalho, o ser humano toma consciência de si e de seu valor”, reflete. Para uma política de ressocialização eficiente, defende-se a aliança do Judiciário, empresas e comunidade. “Vemos o trabalho do preso como possibilidade de reintegração ao convívio social sem que haja discriminação, buscando a redução da violência, principalmente nos casos de reincidência”, declara Cristiano Teixeira da Silva, diretor do presídio. Ele acredita que, além de gerar mão de obra produtiva, em contraposição ao “peso” que simbolizam para a sociedade, o trabalho vai de encontro à ociosidade, que pode gerar ideias de fugas, suicídios e a prática de novos crimes. “Podemos melhorar com mais empresas parceiras, pois temos um número pequeno de presos remunerados em uma população carcerária de quase mil pessoas”, sublinha.

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JOÃO DE OLIVEIRA

Richard, diretor da Penitenciária Industrial, fala em queda da reincidência de quem trabalha

EMPRESAS QUE ATUAM NA PENITENCIÁRIA INDUSTRIAL JUCEMAR CESCONETTO Eram 520 apenados em outubro/2012

312 trabalhavam para as 17 empresas que atuavam na penitenciária naquele mês Ciser 76 Tigre 40 Nutribem 30 Microjuntas 21 Tenerac 21 Ittran 20 Nycolplast 17 Montesinos 16 Artefatos Gabriel 14 Sintex 12 First line 9 Ribeiro 9 Artbor 8 Plasnor 5 Schulz 5 SDN 5 Maycon 4

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“Estamos dando uma oportunidade de reintegração aos apenados” Vizinha do presídio, a Penitenciária Industrial Jucemar Cesconetto, inaugurada em 2005, mantém convênio com 17 empresas (Ittran e Nutribem estão presentes nas duas unidades). Em outubro, o registro era de 312 reeducandos atuando nos “canteiros de trabalho” em linhas de produção para grandes empresas (veja a lista ao lado). Schulz e Nutribem foram as primeiras a firmar convênio, desde o segundo ano de funcionamento da unidade, que se mantém via parceria público-privada com a terceirizada Montesinos. O gerente de logística da Schulz, Sandro Barcelos Vieira, responsável pelo projeto, informa que a experiên­ cia começou em 2006 e destaca que o principal objetivo é socioeconômico: ressocializar os detentos e auxiliar nas melhorias e

na infraestrutura da penitenciária. Hoje, as linhas ali existentes fabricam 60 itens que representam uma produção de cerca de 30 mil peças/ mês. “O serviço prestado atende os padrões de fornecimento exigidos pela Schulz aos seus fornecedores, e temos a expectativa de ampliar a utilização deste serviço, por entendermos que o objetivo está sendo atendido plenamente”, garante Vieira. “Estamos reeducando, ou seja, dando uma oportunidade para os apenados terem a condição de retornar ao convívio social com uma profissão.” Richard Harrison Chagas dos Santos, diretor do complexo desde 2007 e antes responsável pelo setor laboral, destaca a importância da interação da comunidade empresarial com os apenados. “Temos barreiras e paradigmas a ser quebrados pe-


rante a população carcerária e altos índices de reincidência em nosso país. O apenado precisa ter o entendimento de que a comunidade funciona através do trabalho”, lembra, destacando o papel da Acij neste processo, ao “abrir portas” das empresas para a proposta. Reflexo do resultado positivo das parcerias é o registro de reincidência: 12% contra uma média nacional de 70%. “As pessoas que aqui estão não vieram de outro planeta, são indiví­duos da comunidade e vão sair muito antes do prazo determinado pela justiça, então buscamos fazer o melhor”, complementa. Tanto no presídio quanto na penitenciária, os serviços remunerados garantem ao apenado um salário mínimo, com 25% do total destinado ao Fundo Rotativo Penitenciário, aplicado em melhorias na estrutura de cada unidade, e o restante depositado na conta do reeducando, podendo beneficiar os familiares. O trabalho permite a remissão de um dia da pena a cada três dias de atividade. A equipe técnica da Nutribem, formada por nutricionistas e cozinheiros, lidera um grupo operacional de cerca de 40 custodiados, que participam do processo de elaboração e distribuição de alimentação destinada às duas unidades. “Eles são treinados e orientados constantemente sobre higienização e manipulação de alimentos conforme as normas da Vigilância Sanitária”, explica Séfora Kniphoff, supervisora de atendimento da empresa. Segundo ela, a Nutribem tem um projeto de parceria com a Vigilância Sanitária do município, para promoção de treinamentos e obtenção de Diploma de Manipulador de Alimentos, com o objetivo de qualificar o custodiado a trabalhar na área de alimentação, após a conclusão da pena. “Temos nos empenhado para manter uma equipe comprometida e um ambiente mais humanizado.

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“Nenhum programa destinado a enfrentar os problemas referentes ao delito, ao delinquente e à pena se completaria sem o indispensável e contínuo apoio comunitário” Exposição de Motivos, item 24 de LEP

Também estamos inician­ do trabalhos com estagiários, em parceria com o Bom Jesus/Ielusc, para avaliação nutricional e educação nutricional dos colaboradores e custodiados”, revela. Análises distintas permeiam o

discurso sobre a manutenção de um modelo de privação de liberdade que atravessa os séculos sem grandes transformações e sobre os direitos e deveres daqueles que habitam o sistema carcerário. Na visão da convergência em força bruta para o trabalho, despontam questões sobre a economia das empresas com os custos de mão de obra, os benefícios com a minimização da ocorrência de faltas e a carência de maiores qualificações na natureza dos trabalhos. De outro lado, enfatiza-se o indubitável fator positivo da possibilidade de os reeducandos auxiliarem a família, custearem fração de suas próprias despesas no sistema prisional e assumirem responsabilidades, contornando a direção do ócio com uma dinâmica disciplinar. Será esta uma iniciativa que pode trazer para a sociedade

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perspectivas de verdadeira ressocialização do preso? “Aquele que perdeu a liberdade não pode perder a saúde, o trabalho, a educação, a higiene, a cultura, o afeto, a condição humana, enfim, sob o risco de reagir com maior violência do que aquela que o colocou na prisão”, lembra João Marcos Buch no artigo “Um muro – dois mundos – uma só humanidade”. Na visão do magistrado, frente à precariedade do sistema prisional catarinense, o trabalho na penitenciária industrial é salutar. “Os detentos exercem atividade diária, obtém qualificação, recebem salário mensal, enfim, obtêm úteis resultados individuais e coletivos. Porém, o trabalho é mais uma forma de resgate da dignidade do ser humano preso e o objetivo meramente econômico, utilitarista, seja pela empresa seja pelo Estado, não pode ser a base do investimento.” Para Buch, unicamente o trabalho, sem um amparo educacional e cultural, entre outros, levaria a uma mera “fábrica do cárcere” – citando conceito de Michel Foucault na obra “Vigiar e Punir”. Nasser Haidar Barbosa, presidente do Conselho Carcerário de Joinville, concorda que o trabalho pelo trabalho não deve ser a finalida-

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JOÃO DE OLIVEIRA

Para especialistas, a iniciativa deve ir além do “trabalho pelo trabalho”, priorizando seu aspecto educativo e ressocializador

de no sistema prisional, e sim o seu aspecto educativo e ressocializador, de inclusão no mercado formal e externo também. “Acerca do modelo, temos algumas críticas quanto ao que é feito no país inteiro. Primeiro porque geralmente o trabalho é utilizado em uma lógica mais de castigo do que de direito: por exemplo, quando algum agente tem um problema com o apenado, ele acaba não fazendo a escolta de sua cela para a oficina de forma a prejudicá-lo no andamento de sua atividade e registro funcional”, protesta Barbosa. Segundo ele, também existem

lugares onde não há uma Comissão Técnica de Classificação (CTC) conforme preconiza a Lei (LEP), para a seleção e organização dos apenados para o trabalho. “Disso resulta que muitas vezes a escolha de quem trabalha ou não acontece por meio de favorecimentos”, destaca. Segundo ele, urge a necessidade de uma discussão sobre a implantação de programas mais amplos que envolvam aspectos educacionais e de inclusão social ampliados, entendendo o crime a partir de um olhar mais profundo de corresponsabilidade social.


FEITO EM JOINVILLE EMPRESAS QUE CRESCEM E APARECEM

Espaço para o talento empresarial Uma das mais tradicionais empresas do varejo joinvilense, uma chocolateria, uma transportadora e uma imobiliária são os casos de sucesso apresentados nesta edição pelo “Feito em Joinville”. Interessado em apresentar também o seu negócio? Escreva para revista21@mercadodecomunicacao.com.br

BRANDT CHOCOLATERIA

CASA SOFIA

Inaugurada em Corupá entre as décadas de 1940 e 1950, iniciou com o comércio de armarinhos e tecidos trazidos de São Paulo pelo fundador, o alemão Hermann Günther. Em 1968, Joinville recebeu uma filial na Rua do Príncipe, oferecendo peças de vestuário, cama, mesa, banho e cortinas. Em 1999, foi inaugurada a Nova Casa Sofia e, em 2012, a empresa completou 70 anos, abrindo loja na Rua Blumenau.

Empresa familiar, a Chocolates Brandt iniciou as atividades com a fábrica em Joinville em 1995. Especializada em drageados – confeitos envolvidos em chocolate ao leite –, inaugurou a “Café Gourmet” em 2011. A empresa também trabalha com opções para presente, zelando pela excelência na qualidade dos produtos, atendimento personalizado e com requinte.

Matriz: Rua do Príncipe, 536, Centro. Tel.: 30280300/www.casasofia.com.br

Rua Braço do Norte, 682 – bairro Atiradores. Tel.: 34326817/www.chocolatesbrandt.com.br

SOL A SOL TRANSPORTES

IMOBILIÁRIA VISÃO

Fundada em 1996, surgiu para atender a região de São Paulo, com foco na qualidade do atendimento ao cliente. Hoje, conta com filial em Guarulhos (SP). São mais de 80 funcionários que trabalham com frota própria. É especializada em transporte rodoviário de cargas e armazenagem, atuando no transporte de cargas fracionadas para região Norte de Santa Catarina, São Paulo e grande São Paulo e cargas fechadas para todo o Brasil.

Para atender a demanda por imóveis já na década de 1970, Raymundo Welter fundou a Imobiliária Visão. Trabalha em todos os segmentos do ramo imobiliário: condomínios, loteamentos, construtoras, incorporadoras, venda e locação de imóveis de terceiros. Zela por relações de confiança, investindo no aperfeiçoamento e atualização tecnológica da equipe, que se dedica ao bom atendimento e relacionamento com o mercado.

Rodovia BR 101, km 42, bairro São Marcos. Tel.: 34552002/www.solasoltransp.com.br

Rua Dona Francisca, 340, Centro. Tel.: 3433-2600/ www.imoveisvisao.com.br

ASSOCIADOS DE OUTUBRO A NOVEMBRO OSCAR RICARDO HROMATKA FILHO COLZANI ELETROMECÂNICA PATRÍCIA ZIMERMANN COZINHA FÁCIL AMORIM ADVOGADOS ASSOCIADOS LETÍCIA SANDRI NEMO TURISMO MÓVEIS FABRIM ARSIÉ ASSESSORIA E GESTÃO EMPRESARIAL STYROSUL INDUSTRIAL

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(47) 3027-2009 (47) 3027-7040 (48) 3243-8369 (47) 9114-5602 (47) 9192-8787 (47) 3043-9207 (47) 3436-1647 (47) 3028-3267

INSTITUTO ENEAGRAMA LITORAL NORTE DOCA PADARIA E MERCADO UNO INTERNATIONAL KORPORAL ACADEMIA MERCADO SAN MARCOS SÃO PAULO CONSULTORIA E ASSESSORIA LTDA SOCIEDADE EDUCACIONAL SANTO ANTÔNIO ELEVA CONSULTORIA TANDEM GLOBAL LOGISTICS FARMÁCIA SANTA TEREZINHA

(47) 3436-4979 (47) 3436-0912 (47) 3028-2960 (47) 3026-3155 (47) 3429-8332 (11) 3443-6228 (47) 3145-5000 (47) 3433-8755 (47) 3444-2161 (47) 3448-3275

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ENTRE NÓS PENINHA MACHADO

O QUE É NOTÍCIA NA ACIJ

Equipe recebeu premiação durante 16º Encontro Estadual do Empreender, realizado em Joinville, no final de outubro

PREMIAÇÃO

Facisc, Sebrae e MCE reconhecem excelência em gestão na ACIJ A Acij foi a grande vencedora do Programa Facisc de Excelência em 2012. A escolha foi feita por banca de juízes do Movimento Catarinense para Excelência, após seis etapas de avaliação. A entrega da premiação aconteceu durante o 16º Encontro do Empreender. O evento reuniu cerca de 400 pessoas e também abrigou na sua programação a entrega do reconhecimento às associações empresariais que participaram do Programa Facisc de Excelência. “A gestão executiva marcou um avanço no que se refere a resultado, transparência, profissionalismo e qualidade. O prêmio reafirma o nosso compromisso em buscarmos

sempre o melhor para a entidade e seus associados. Estamos atuan­ do fortemente na ampliação do portifólio de serviços às empresas e desenvolvendo uma campanha institucional para o próximo ano”, adianta o diretor executivo da Acij, Diogo Haron. O programa tem o objetivo de melhorar a gestão das associações empresariais do Sistema Facisc pela adoção do Modelo de Excelência da Gestão (MEG). Quinze associações empresariais foram reconhecidas pela participação em todas as etapas do programa. Três conquistaram o patamar de destaque. No final de agosto, foi realizada a etapa de visitas técnicas em que os examinado-

res do Movimento Catarinense para Excelência (MCE) e os consultores regionais da Facisc/Sebrae visitaram as associações para validar o que foi descrito na autoavaliação. A sétima etapa foi o reconhecimento das associações que se destacaram. Participaram da edição associações das regionais Alto Vale, Extremo Oeste, Grande Florianópolis, Meio-oeste, Norte, Oeste, Planalto Norte e Sul. As premiadas ACI de pequeno porte Associação Empresarial de Fraiburgo ACI de médio porte Associação Empresarial de São Bento ACI de grande porte Associação Empresarial de Joinville

AUDITORIA INTERNA

Sistema da Qualidade é reavaliado Em novembro, a Acij passou por auditoria interna, de reavaliação dos seus processos e procedimentos previstos no Sistema de Qualidade. A casa recebeu a recertificação da ISO 9001:2008 no final de abril. 40

“Acredito que a recertificação pelo Bureau Veritas Certification contribuiu para o nosso prêmio de excelência em gestão e continua a demonstrar nosso compromisso com a satisfação do associado”, destaca

Rubem Landman, responsável pela Gestão da Qualidade na Acij. Em maio de 2013, a Acij completará 10 anos de certificação do seu sistema de qualidade, pioneiro entre entidades empresariais.


CONSULTORIA COLETIVA

Setor atende núcleos e grupos de gestão O ano de 2012 marca a consolidação do setor de Consultoria Coletiva, que concentra as atividades relativas aos núcleos e, a partir deste ano, também as ações do Programa Gestão Compartilhada. Dessa forma, os profissionais que atuam no setor atendem o Conselho dos Núcleos, os 23 núcleos da casa e o Gestão Compartilhada, nas regiões do Sul, Norte, Leste e Vila Nova. Além de revigorar alguns núcleos, com novos projetos, metas e objetivos, ainda foram criados quatro novos grupos de trabalho: Sistema de Gestão da Qualidade, Reparação Automotiva, Núcleo de Educação Superior e Indústria Plástica.

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“Já fizemos cinco reuniões e estamos trabalhando no Planejamento Estratégico. Temos empresas de pequeno e grande porte no núcleo e, por isso, nosso grande desafio tem sido de definir objetivos e metas comuns para estas empresas”, conta o presidente, Oscar Ganzenmüller Jr. Para o presidente do Núcleo de Educação Superior, Paulo Ivo Koehntopp, a história desse grupo vinha sendo construída há quase dez anos, mas faltava uma instituição que o organizasse. “É um passo importante para nossas instituições de ensino superior e mesmo para a cidade. Estamos tratando de te-

Núcleo de Postos de Combustíveis realiza campanha de Natal

mas importantes, como a evasão e a inadimplência, e também sobre o distanciamento que existe em alguns cursos, entre o currículo e a indústria”, exemplifica.

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DIVULGAÇÃO

AGENDE-SE

Palestra com César Souza Está marcada para 26 de março de 2013, às 19 horas, no Hotel Bourbon a palestra “Sonhos e Pesadelos dos Líderes Empresariais Brasileiros”, com o presidente da empresa de consultoria Empreenda, César Souza. O palestrante destaca que “temos que nos livrar de uma série de pensamentos e dogmas que deram certo no passado, mas que agora não dão mais. As empresas devem mudar a forma de pensar e de olhar os clientes, os parceiros, os negócios. Elas precisam se reinventar para ganhar competitividade e ficar imunes à crise”.

INVESTIMENTO

Ingresso pago com Util Card* Associados e estudantes Outros participantes

R$ 80 R$ 85 R$ 100

*PARCELÁVEL EM 4 VEZES

TELEFONE

EMAIL

(47) 3461-3344

capacitacao@acij.com.br

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Um dos grandes palestrantes do país, Cézar Souza defende que as empresas devem se livrar de dogmas do passado


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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

Gestão eficiente A redução em 19% na folha de pagamentos neste ano mostra a determinação da diretoria e da equipe operacional da Acij em readequar seus custos, visando a uma gestão mais eficiente, racional e enxuta. A casa faz monitoramento online do consumo de energia, além de acompanhamento das ligações telefônicas por ramal e campanhas de uso racional de água e materiais de expediente. “Ganhamos duas vezes: na redução das despesas e também na conservação do meio ambiente”, destaca Angela Todt, coordenadora administrativa. A gestão mais eficiente, e com uma estrutura operacional mais enxuta, tem por objetivo dar suporte à diretriz da diretoria, de ampliar a prestação de serviços para as associadas, oferecendo às empresas mais suporte, capacitação, convênios e produtos que contribuam para ampliar sua competitividade.

GRANDES PALESTRAS/2012 Samir Keedi, com a palestra “Economia e Comércio Exterior Brasileiro e Mundial – Verdades e Mitos”, em 21 de agosto na Acij, foi ouvido por 220 pessoas

UTIL CARD

240 empresas já são beneficiadas A área de Relacionamento comemora a ampliação das atividades neste ano, especialmente com o crescimento da utilização do cartão Util Card, hoje presente em 240 empresas, entre credenciadas e conveniadas. Até novembro, foram emitidos 1.382 cartões, que contribuem para fomentar os negócios, com receita que é reinvestida no município, estimulando o empreendedorismo e o desenvolvimento local.

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EXPORTAÇÃO E CRÉDITO

Certificados de origem

TODAS AS SEGUNDAS Reuniões atraem público qualificado para o debate de questões de interesse do empresariado e da comunidade

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A emissão de certificados de origem atendeu neste ano a 98 empresas de Joinville e região. Foram 5.500 documentos emitidos e cinco palestras de esclarecimento. O setor ofereceu 1.145 consultas. Certificado de Origem é um documento legal que comprova ao país comprador a procedência do produto adquirido com fins de redução ou isenção do imposto de importação. O importador tem o imposto reduzido ou até eliminado, o que resulta na diminuição de custo e aumento da credibilidade. Para o exportador, a vantagem é ofertar produtos a preços mais competitivos, facilitando a conquista de mercados.


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CAPACITAÇÃO EMPRESARIAL

Confira a programação Em 2013 os cursos pagos com o Útil Card passam a contar com 5% de desconto e serão parceláveis em quatro vezes. l Serviço de Teleatendimento a Clientes 28 a 31 de janeiro, das 19h às 22h l NR35 Trabalho em Altura 19 de fevereiro, das 8h às 17h30 l Liderança e Delegação mobilizando forças na organização 26 e 27 de fevereiro, das 8h30 às 12h l Oratória: Arte da Comunicação Eficaz 5, 6 e 7 de fevereiro, 18h30 às 22h30 l Programa de Excelência no Atendimento ao Cliente 5, 6 e 7 de março, das 18h30 às 22h

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GRANDES PALESTRAS/2012 A palestra “Marketing de Atitude”, de Julio Ribeiro, que teve lugar no Hotel Bourbon, contou com a presença de 480 pessoas

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DOS NÚCLEOS EM DESTAQUE, A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

BALANÇO DE ATIVIDADES

Alguns destaques de 2012 Cerca de 60% das empresas associadas à Acij são prestadoras de serviços. Muitas delas se reúnem nos núcleos setoriais e trabalham para aprimorar atividades e “produtos” que entregam para seus clientes. Acompanhe as principais atividades dos Núcleos de Agências de Propaganda e Marketing, Empresas Contábeis, Imobiliárias, Gestão Empresarial e Jurídico. NÚCLEO DE AGÊNCIAS DE PROPAGANDA E MARKETING

Neste ano, apoiou o meio acadêmico, em especial o curso de Publicidade e Propaganda da Univille, em diversos eventos. Em parceria com o Sinapro, trouxe Antonio Lino Pinto, sócio diretor financeiro de uma das maiores agências do país, a Talent. No primeiro semestre de 2013, realiza o Prêmio Manchester Catarinense de Propaganda. Organiza também o Prêmio Melhores, que irá para sua quarta edição. O núcleo é formado por 14 agências, representando 80% do segmento legal atuante em Joinville e região. “O objetivo é a valorização do nosso negócio. Para isso, tratamos temas como normas-padrão, precificação e tabela referência, código de ética e capacitação, entre outros”, afirma Darthanhan de Oliveira, presidente do núcleo.

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NÚCLEO DE IMOBILIÁRIAS

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Ações como a Campanha “Orientação Imobiliária” no Shopping Mueller, palestra educacional e doação de livros na escola Luiz Gomes, e o 3º Simpósio Catarinense do Mercado Imobiliário foram alguns dos destaques deste ano. Em 2013, o núcleo quer dar continuidade aos projetos realizados, principalmente na área de capacitação, tanto para os gestores quanto para os corretores, além do estímulo a realização de negócios entre associados. “Foi um ano muito produtivo para o nosso núcleo, pois atingimos os objetivos propostos. Queremos continuar promovendo a união entre as empresas associadas e a melhoria contínua do setor imobiliário através da capacitação. Queremos também a valorização das marcas das empresas nucleadas, a parceria com as instituições e o setor público e a redução da burocracia”, afirma Rubia Welter, presidente do núcleo.

NÚCLEO DE EMPRESAS CONTÁBEIS

O Treinamento Vivencial, o 2º Seminário Catarinense do Mercado Contábil e Mesa Redonda com a Jucesc e o CRC-SC, foram algumas das ações do núcleo ao longo deste ano. Entre as propostas para 2013, a expectativa é pelo Projeto Empreender Competitivo, no qual constam ações de capacitação, mar­ keting e ações social e cultural, visando o desenvolvimento das empresas e do setor contábil. O presidente Douglas Steffen analisa que “o Núcleo de Empresas Contábeis entendeu seu papel associativista dentro da Acij, colaborando com palestras, cursos e treinamentos e repassando às empresas associadas informações relevantes sobre as mudanças contábeis que estão ocorrendo atualmente, valorizando ainda mais a nossa profissão”.

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NÚCLEO JURÍDICO

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NÚCLEO DE GESTÃO EMPRESARIAL

Em 2012, o núcleo destaca os almoços mensais para troca de ideias e as palestras realizadas sobre temas diversos, como marketing de serviços, inteligência competitiva, mídias digitais e empreendedorismo. Para o próximo ano, os principais projetos são o 2º Painel de Cases de Gestão, em abril, com o tema sucessão familiar. “A proposta dessa gestão tem como pauta estimular a troca de conhecimento em temas relacionados à Gestão, viabilizando, fortalecendo e expandindo os pequenos e médios empreendedores. Sempre pautado nos princípios do associativismo”, garante Lenir Nunes Amorim, presidente do núcleo.

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Neste ano, o núcleo apoiou o projeto Mutirão da Conciliação e promoveu o 4º Seminário Jurídico e a missão empresarial à Associação dos Advogados de São Paulo e dois grandes escritórios paulistas. Em 2013, todos os eventos e iniciativas deverão ter o foco de buscar o aprimoramento da gestão dos escritórios de advocacia. “O Núcleo Jurídico foi fundado em 2008 com a finalidade de melhorar a gestão dos escritórios de advocacia, situação pouco explorada pelas academias de direito. Temos trabalhado firmemente com esse propósito”, disse André Chedid Daher, presidente do núcleo.


ARTIGO

Você sabe quanto vale seu imóvel? Carla Mercke CARLA MERKLE, VICE-PRESIDENTE DO NÚCLEO DE JOVENS EMPRESÁRIOS E DO GESTÃO COMPARTILHADA VILA NOVA

Certamente você já se perguntou: quanto vale a minha casa, o meu apartamento ou o meu terreno? Essa dúvida geralmente surge quando se resolve investir ou vender um imóvel, quando ocorre uma separação de bens ou até mesmo quando um inventário deva ser feito. Como um imóvel é diferente do outro, a determinação do seu preço não deve ser feita sem a utilização da norma 14.653 da ABNT, que visa fundamentar e determinar fatores que deverão ser analisados durante

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a avaliação. É necessário também que o profissional seja especialista no assunto e possua conhecimentos do mercado imobiliário. Quando a avaliação é emitida por um corretor de imóveis, ela recebe o nome de PTAM (Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica). A importância está justamente em precisar o quanto se deve cobrar, repartir ou pagar pelo imóvel. No entanto, o processo de avaliação demora certo tempo, visto que são vários fatores analisados. Também se deve desconfiar dos anúncios de avaliações gratuitas de imóveis, que têm como objetivo captar o bem em questão para uma

futura venda. Quando essa avaliação é realizada por um profissional despreparado, pode haver consequên­ cias como a supervalorização ou a subvalorização do imóvel, dificultando a sua comercialização, prejuízos monetários e também prejuízos gerais como em ações revisionais de locação. Mas, afinal, por que se deve contratar uma empresa especializada em avaliação de imóveis? Ela trará maior segurança e garantia de informações, bem como amenizará riscos e custos. E somente uma empresa com boas referências quanto a competência e a ética pode trazer isso.

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PONTO E CONTRAPONTO UM TEMA, DUAS PERSPECTIVAS

Duas das “Melhores empresas para se trabalhar”refletem sobre clima organizacional e gestão

Para a alegria geral

Luiz Selbach DIRETOR PRESIDENTE DA SELBETTI GESTÃO DE DOCUMENTOS, DE JOINVILLE

Nada mais apropriado do que se resumir que o resultado de uma organização empresarial, seja de que ramo ou porte ela for, depende do “clima”. Para nós, na Selbetti, essa verdade vem se consolidando ao longo dos 35 anos de nossa trajetória. Pode soar estranho, já que os tradicionais alagamentos de Joinville nos afetam apenas moderadamente, e não somos, nem de longe, empresa do agronegócio. Mas, claro, não falamos de condições meteorológicas, e sim de “outro” clima. É fato que, nas organizações, também há imprevisibilidade advinda dos desmandos governamentais, planos econômicos, aumento 50

e complexidade da carga tributária – isso quando a Europa não cambaleia e a China deixa de rugir. Clima tem a ver com vários aspectos da vida. Para namorar, para se vestir, para se alimentar, para programar férias e especialmente para trabalhar, nos apoiamos no “environment”. Quando há duvidas sobre a oportunidade de alguma decisão, de uma comunicação extrema, positiva ou negativa, o questionamento indelével é: há clima para isso? Na Selbetti, evidentemente que, para ter sucesso, alçarmos voos mais altos e mantermos o clima em céu de brigadeiro, praticamos o usual, constante em qualquer manual de RH up to date: benefícios individualizados (faculdade, MBA), programas sociais, plano de saúde e odontológico, constantes questionários de avaliação de desempenho e de críticas/sugestões, ginástica laboral, “porta aberta” (sem formalismo para diálogo entre todos níveis hierárquicos) Se tantas empresas no Brasil também adotam essa política de

reconhecimento, quiçá mais profunda, o que terá feito a Selbetti ser uma das 150 melhores para se trabalhar no Brasil, entre milhares? O indício mais evidente é da análise acurada do diagnóstico feito, em que a Exame-Você S/A destacou o prazer e a alegria do funcionários estarem e quererem permanecer conosco. Não é preponderantemente carreira, salário, segurança. E sim, de novo, o clima. É verdade, temos ar condicionado em todos os ambientes, até em carros de entrega, fornecemos uniforme adequado para cada estação e até kits contra enchentes possuímos; distribuímos guarda-chuvas para a molhada Joinville e guarda-sol para não se tostarem no verão... Mas a nossa liberalidade, a autodeterminação dos profissionais, nossa bagunça organizada, só tem uma excludente: o atendimento sério ao mercado para manter o clima, e principalmente conservar os clientes satisfeitos, além de expandir enxutos o nosso negócio. Se possível, para a alegria geral...


FÁBIO ABREU

Comprometimento estratégico

Ursula Angeli VICE-PRESIDENTE DE RH, COMUNICAÇÃO E SUSTENTABILIDADE EMBRACO

A Embraco acredita na tecnologia que cria produtos e serviços inteligentes para um mundo globalizado. Mas, além disso, estamos comprometidos com pessoas. Somos nós que criamos e participamos de todas as etapas dos processos de gestão e desenvolvimento dos negócios. Somos fundamentais para o sucesso. Com o talento e a paixão por um mundo mais sustentável, as chances de conquista são inúmeras. Cremos que atuar em time constitui o nosso maior desafio corporativo. Por isso, como inspirar nossos funcionários para, juntos, trabalharmos em prol dos negócios da empresa? A resposta está no

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comprometimento que cultivamos entre eles. Nesse movimento colaborativo, trabalhamos para aprimorar o respeito pela individualidade e a motivação para atuar em prol da diversidade de opiniões e formas de agir. O que é comum a todos é o espírito de vitória, a integridade de nossos valores, o respeito que cultivamos sobre o próximo e a consciência de despertar a inteligência pelo trabalho colaborativo. Nesse universo multicultural, o papel da Embraco está no compromisso de motivar e incentivar o clima organizacional positivo. Para que essa inspiração seja possível, cremos que todas as empresas devem ouvir seus funcionários e chamá-los a participar dos processos organizacionais. Essa é uma das mais importantes inovações em gestão de pessoas. Motivamos o diálogo em todos os níveis hierárquicos – durante a rotina de trabalho, no aprimoramento das políticas e práticas corporativas. Assim, estão na rotina da empresa reuniões constantes e o uso de ferramentas

de comunicação inovadoras para apoiar nossos colaboradores. Trabalhamos constantemente nossas estruturas internas para promover mais agilidade nos processos de tomada de decisões e para reforçar o alinhamento estratégico no dia a dia. É assim que nos preparamos para novos desafios do mercado globalizado. Além disso, todas as áreas da organização participam, em maior ou menor grau, da vida da empresa com o objetivo de criarmos um clima inspirador de cooperação e participação real. Para dar um passo além da rotina diária e valorizar a cultura organizacional e o desejo da liderança no futuro, apoiamos iniciativas que envolvam a gestão de talentos e de desempenho e estimulamos a criação de um ambiente de trabalho confiante e comprometido. Esse movimento rumo ao futuro está presente nos nossos valores, missão e visão Embraco, que têm muito claro que as pessoas são a base para a realização de metas de crescimento global. 51


HAPPY HOUR CULTURA, GASTRONOMIA E COMPORTAMENTO

Daniel Casas, dono da escola Salamandra, ensina escalada hรก 11 anos: aulas trabalham a mente e o corpo, simultaneamente

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Superar limites e manter contato com a natureza são atrativos dos “esportes radicais”, usados até em treinamentos corporativos

Em busca de

adrenalina Com o interesse crescente pelos chamados esportes radicais em Joinville e região, pode-se afirmar que houve um boom em relação a essas práticas – especialmente quando se trata de lazer, mas até como ferramenta de recursos humanos. De uns tempos para cá, grandes empresas e instituições, como Docol e Senai, vêm investindo em treinamentos que aliem o conhecimento corporativo a atividades ligadas à natureza. O termo “esporte de aventura”, ou “esporte radical”, surgiu no final dos anos 1990, para classificar aqueles esportes voltados ao público adulto, quando modalidades como surfe, alpinismo, montanhismo e trekking, antes restritas a um número pequeno de pessoas, passaram a ganhar adeptos em todos os lugares. Mesmo com o alto grau de risco físico, as condições extremas de altura e velocidade funcionam como atrativos. Um dos motivos consiste na profissionalização do segmento, envolvendo lojas especializadas e profissionais capacitados para instruir da melhor maneira os iniciantes. Geograficamente, Joinville se situa em uma área rica para o desenvolvimento do esporte, de acordo com Alan Jacob da Rosa, dono da Comandos Brasil, especializada em venda de equipamentos para montanhismo, escalada, aventura e vestimentas para regiões frias. Dentre as modalidades com maior ibope, segundo ele, destacam-se montanhismo, trekking, escalada e travessias entre montanhas. Os mais jovens optam pela escalada, até como forma de desafio pessoal. Os mais velhos, em contrapartida, preferem apreciar a natureza ao atravessar uma montanha. A maior parte dos clientes da Comandos Brasil é formada por simpatizantes do estilo ou aqueles que costumam viajar para regiões mais geladas. O público técnico responde por uma pequena parcela. Há 11 anos em Joinville, a ideia inicial era comercializar artigos militares e de camping. Com o incremento dos esportes radicais na região, a loja migrou de vez

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para o segmento. Além dos produtos, a Comandos Brasil, em parceria com a Academia One Fitness e Sports, oferece curso de escalada. Outro caso interessante é o da Salamandra, escola de montanhismo especializada em cursos e eventos ligados ao alpinismo e montanhismo. Em paralelo aos cursos, a escola conta com o serviço de guia de montanha e muro de escalada para eventos. Daniel Casas, responsável pela empresa e único guia e instrutor certificado da região, é montanhista desde 1988, mas abriu a empresa em 2001. Jovens universitários e pes­ soas maduras, com estabilidade profissional, são os que mais batem na porta de Casas. Um dos fatores para o crescimento do interesse por esse tipo de atividade em Joinville, conforme o proprietário, diz respeito ao fato de a região ser considerada ideal para o esporte, justamente por sua localização privilegiada. “Em um raio de poucos quilômetros, pode-se praticar várias modalidades. Temos praias de um lado e montanhas do outro, além de quatro estações do ano bem definidas”, enumera Casas.

Todos os guias são profissionais certificados pela Associação de Guias, reconhecida pela Confederação Brasileira de Montanhismo. Das pessoas que procuram a escola, o principal motivo está na ideia da auto-superação. Mas Casas não se limita a ensinar o ofício. Há também a preo­cupação com o meio ambiente. “Utilizamos em todas as nossas idas à montanha as ‘Práticas de Mínimo Impacto em Ambientes Naturais’”, diz. A Salamandra tem uma equipe de três guias e cinco monitores. O curso para iniciantes em montanhismo, com aulas teóricas e práticas, custa R$ 600. Casas garante que a pessoa sai sabendo tudo o que precisa para escalar com segurança. “Depois é só se especializar em outras técnicas e modalidades mais complexas”, recomenda. Apesar de ser uma atividade em que há desgaste físico acima da média, segundo o montanhista, não é necessário nada além de força de vontade. “A escalada trabalha a mente e o corpo, simultaneamente, então os dois devem estar sadios. Entretanto, o preparo físico vem com a prática da atividade.”

DIVULGAÇÃO

Construindo o aprendizado a partir da vivência Uma forma de estimular as equipes de trabalho de uma empresa é o chamado “treinamento vivencial”, que representa situações análogas ao ambiente profissional, mas com o aspecto lúdico como ponto forte. Especializado nesse tipo de atividade, o psicólogo Matheus Vilon, praticante de esportes radicais, entende que a vantagem dos treinamentos vivenciais é de que são mais experienciais do que expo54

sitivos. Os eventos acontecem de duas maneiras: com atividades de aventura, ou mais voltados aos esportes radicais, geralmente usando a estrutura do local onde o treinamento será realizado. Dentre as principais modalidades desenvolvidas, Vilon cita arvorismo, rapel, rafting e trilha como as mais comuns. A Docol é uma das empresas joinvilenses que já realizaram esse tipo de atividade. O gerente de Re-

cursos Humanos, Vanderlei Schadeck, explica que o treinamento normalmente engloba a busca por resultados e trabalho em equipe. Por esse motivo, a prática é bastante realizada na área comercial. Os últimos eventos foram no formato de gincana em área de floresta e de pastos no interior de Joinville e também na Barra do Sul, com a utilização de barcos e atividades em terra como arborismo e paintball.


Aventureiro na medida certa

No alto, Rodrigo Alves, da Anagê, “em atividade”: superação, saúde e bem-estar; acima, o psicólogo Matheus e Alan, da Comandos Brasil

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Trekking, rafting e mountain bike, mensalmente. Já experimentou skydive – no qual se salta de um avião a quase quatro mil metros de altura e se chega a 200 quilômetros por hora em queda livre –, bungee jump, canyon swing, canyoning, rapel, mergulho autônomo de dia e de noite, e exploração em caverna. Pode parecer um profissional dos esportes de aventura, mas o dono do currículo de fazer inveja aos ávidos por emoção à flor da pele é o empresário e diretor da Anagê Imóveis, Rodrigo Alves da Silva. Mesmo durante a semana de trabalho, Rodrigo consegue fazer as atividades de uma a três vezes por mês, além de jogar squash e fazer treinamento funcional semanalmente. Praticante há dez anos, desde o perío­do em que cursava a universidade, os esportes radicais fazem a diferença no cotidiano de Rodrigo. Graças a eles, recarrega as energias. “Afasto-me do estresse e dos problemas do dia a dia. Sinto falta quando não consigo praticar por um período longo”, conta. Os locais em que costuma fugir ficam próximos a Joinville ou na região. Nas montanhas, frequenta o Monte Crista, Castelo dos Bugres e a Cachoeira do Rio da Prata. Na água, opta pelo Rio Cubatão, na descida da Serra Dona Francisca; e também as estradas do Piraí e da Ilha. Das cidades em que há uma vastidão natural, Rodrigo destaca Urubici, Cambará do Sul, Corupá, São Bento do Sul, Ibirama, Santo Amaro da Imperatriz, Bombinhas e Florianópolis. Apesar de motivar os outros para que pratiquem esportes radicais, o empresário ainda vê muita relutância. “Incentivo bastante, 55


mas muitas vezes é difícil encontrar alguém com espírito de aventura.” A adrenalina atrai muita gente também dentro da água. Seguindo os passos do irmão mais velho e alguns amigos, Ricardo Graça, sócio da empresa Evolution Fitness Shop Brasil, pratica surfe há 20 anos. “Para mim, é mais que um esporte, faz parte do meu estilo de vida”, esclarece. Dele e do sócio, Adilson Floriano. “É o DNA de nossa empresa”, brinca Ricardo, que procura ter um ambiente de trabalho positivo para que toda a equipe possa dar “seu 100%” e executar funções e tarefas em alto desempenho. Nos fins de semana, costuma frequentar as praias de Barra Velha, Barra do Sul e São Francisco do Sul. Mas, nos feriados, o Farol de Santa Marta, em Laguna, é destino certo. Ricardo faz questão de levar outras pessoas, sempre que pode, para o mundo do surfe. “Assim como qualquer esporte junto à natureza, reduz o estresse e faz você aumentar o nível de qualidade de vida.” Para o empresário, um final de semana de boas ondas é capaz de mudar a semana. Com humor elevado, o surfe interfere positivamente no dia a dia, e dá um “gás” no ímpeto empresarial.

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Natureza privilegiada da região de Joinville convida para a prática de esportes de aventura

Mais espaço na mídia Com a proposta de suprir a carência na divulgação de esportes radicais em Joinville, e aproveitando o crescimento do mercado nesse setor, o jornalista Dudu Martins criou o programa “Soltos”. Há quase dois anos, vai ao ar todas as quintas-feiras, às 16h15, pela Rádio Cultura, e, além de ajudar na divulgação dos esportes radicais em Joinville e região, traz convidados que são referência na modalidade. Para Dudu, que também é praticante de surfe, a tendência é que os esportes cresçam cada vez mais. “As pessoas estão dando mais valor ao bem-estar”, comenta. Às segundas-feiras também é possível acompanhar a coluna “Soltos” no caderno de esportes do jornal Notícias do Dia.

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3 PERGUNTAS UM PAPO RÁPIDO E DIRETO AO PONTO ANDRÉ KOPSCH

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De modo geral, os conflitos são vistos como negativos pela sociedade. O que diferencia um conflito enriquecedor de um negativo? Por que nem sempre a melhor opção é evitá-los? O conflito é visto como algo que se deve evitar. Porém, sabe-se que isso não é possível, já que naturalmente cada ser humano tem sua própria maneira de encarar as diversas situações que a vida apresenta. A diferença está na forma com a qual lidamos com ele. Evitá-lo pode nos levar à passividade e ao conformismo, não agregando valor à vida nem aprendizagem para fortalecer as relações.

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Quem quer ter um comportamento mais assertivo deve compreender que terá que se dedicar ao próprio aprendizado. Ser assertivo é respeitar os próprios direitos sem negar os dos outros, ou seja, tenho o direito de expressar o que sinto sobre determinado comportamento de outra pessoa e ela tem o direito de ser tratada com respeito. Se quero expressar o que penso, devo saber fazer isso com educação. Sugiro como prática inicial se apropriar do conhecimento dos próprios direitos e deveres para com cada relacionamento.

Márcia Tiergarten Pedagoga por formação, Márcia Tiergarten descobriu que era apaixonada por educação, seja em uma sala de aula, em um salão para centenas de pessoas ou no acompanhamento de um líder. Especializou-se em comportamento humano, gestão de pessoas, liderança profissional e pedagogia empresarial e atua com treinamentos nessas áreas há mais de 12 anos, um deles sobre administração de conflitos e assertividade, que foi ministrado na Acij em novembro. É sócia diretora da Praxes Empresarial Consultoria e Coaching e afirma que o desenvolvimento do seu próprio comportamento assertivo a ajudou a se libertar de algumas “amarras psicológicas” comuns, como querer agradar a todos. Ela lembra, porém, que ninguém é assertivo 100% das vezes, mas é possível tornar o gerenciamento de conflitos intra ou interpessoais mais “leve”. 58

Assertividade é a postura segura e comedida diante das situações. Que práticas podem ser feitas para atingir este posicionamento com facilidade?

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Qual o papel do líder na resolução de conflitos entre a sua equipe e com seus clientes? Ele é o “mediador oficial” diante de um conflito. Se não souber se posicionar assertivamente, poderá contribuir para que aumente ou que gere novos conflitos desnecessariamente. Os conflitos, em sua maioria, são oportunidades de crescimento e aumento de performance quando encarados de forma habilidosa. Para isso, um líder precisa se capacitar em temas comportamentais também, já que somente assim poderá construir equipes de alta performance.


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Revista 21 - nº 4 dez/jan13