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Joinville/SC No24. R$ 11


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AO LEITOR A ÉTICA NA BALANÇA Se o horizonte econômico já era nebuloso, as notícias recentes da cena política deixaram os brasileiros ainda mais atônitos – não por acaso, foi tanta gente às ruas das principais cidades brasileiras, em março. No epicentro desse embate poucas vezes visto na história do Brasil está a ética, princípio basilar de todos os relacionamentos humanos, que vem sendo agredido de parte a parte, diariamente. O público que assistiu à palestra do historiador e filósofo Leandro Karnal, por ocasião do 105º aniversário da ACIJ e para marcar o lançamento do código de ética da associação, foi instigado a refletir sobre várias implicações desta discussão tão produtiva acerca da ética. Como disse o especialista, não raro, as pessoas cobram atitudes retas dos políticos em Brasília mas se esquecem de adotar a mesma régua em atitudes e práticas “menores” do seu dia a dia, em ambientes como o trânsito e a empresa. “Quem é tolerante com o pequeno, é tolerante com o grande”, advertiu Karnal. Andar no acostamento,

furar fila, comprar recibos para abater do imposto de renda, pedir um jeitinho ao amigo que trabalha no órgão público para avançar com um procedimento qualquer, são exemplos de deslizes na microética que precisam ser revistos com urgência, até por coerência de quem quer um país melhor. A entrevista com o historiador e filósofo, à página 8 desta edição, discorre sobre o tema com primazia. Outro destaque da revista é a reportagem que apresenta o plano intitulado Join.Valle, que promete estimular a diversificação da matriz produtiva e de serviços relacionados, melhorando a qualidade de vida da população e estimulando a competitividade. A proposta é criar um novo paradigma de gestão do espaço urbano, dentro do conceito de Cidades Produtivas e Inteligentes, levando a população a participar dos processos de inovação, no mundo da economia criativa e dos negócios sociais, criando soluções para suas necessidades. É um caminho e tanto para se pensar na Joinville de amanhã.

NESTA EDIÇÃO 8 Leandro Karnal diz que uma vantagem da democracia é fazer a falta de ética aparecer 14 ACIJ: 105 anos de representatividade 18 Expogestão 2016 traz grandes nomes 24 Destaque para o que é feito em Joinville 28 Café para todos os gostos 30 Clubes de assinaturas de produtos conquistam consumidores 40 Join.Valle propõe uma cidade mais criativa, inteligente e humana 48 Prioridades para as indústrias catarinenses 52 Food trucks ganham lei 55 Varejo: como crescer na crise 58 Voo livre atrai quem gosta de aventura, adrenalina e belas paisagens 64 Visões sobre o marketing verde 72 Consultor garante que ser vendedor é ainda uma profissão atraente, demandada e necessária DIVULGAÇÃO

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NOSSA ORIGEM SUÍÇA

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PENINHA MACHADO

Número 24. Março e Abril de 2016 Em alusão ao novo século, pleno de desafios, a Revista 21, publicação bimestral da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), aponta, ao mesmo tempo, para o momento atual e para o futuro, para o contemporâneo e para o que está por vir. Tem por objetivo levar informação de qualidade ao leitor sobre os grandes temas de interesse da classe empresarial, sempre com visão local.

Corpo de Bombeiros de Joinville: 124 anos pelo bem da comunidade

VOLUNTÁRIOS, SIM! A equação é bem simples – mas, ao que tudo indica, em política, o que vale é mesmo o mais complicado. E caro. Os Bombeiros Voluntários de Joinville completam, em julho, 124 anos de atuação efetiva, competente e eficaz. Além de, inegavelmente, mais barata que a do Corpo de Bombeiros Militar. Daí que repercutiu na comunidade a instalação da ampla sede da corporação militar na Avenida Marcos Wehmuth – com chamativa placa sinalizando que ali funciona a Seção de Atividades Técnicas (SAT). Reivindicando a si esse serviço, prestado com toda competência e plena habilitação técnica pelos bombeiros voluntários, os militares criaram mais um desconforto com o joinvilense. A ACIJ reitera seu total apoio à corporação voluntária pioneira do país, que tem prestado o melhor serviço e o mais dedicado atendimento às necessidades de Joinville. Como disse a corporação voluntária, em nota oficial, não existe lei estadual que resguarde aos militares as atividades de vistorias técnicas em hotéis, bares, postos de combustíveis, revendas de gás ou outros estabelecimentos. Além disso, o serviço de análise técnica e vistorias, prestado pelos voluntários, é realizado por profissionais, engenheiros e técnicos em edificações, devidamente registrados pelo Crea/SC. Ao abrir a reunião do Conselho Deliberativo que discutiu o problema da segurança pública em Joinville, o presidente da ACIJ, João Martinelli, foi taxativo: “A comunidade deseja que o governador mande para Joinville mais policiais civis e militares, e não bombeiros militares, que vieram para a cidade munidos somente de blocos de notificações e multas”.

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Conselho editorial Ana Carolina Bruske (diretora financeira) Débora Palermo Melo (ACIJ) Diogo Haron (ACIJ) Carolina Winter (Winter Comunicação) Simone Gehrke (EDM Logos) Jornalista responsável Júlio Franco (reg.prof. 7352/RS) Produção/Edição Mercado de Comunicação/Guilherme Diefenthaeler/(reg. prof. 6207/RS) Reportagem Ana Ribas Diefenthaeler, Letícia Caroline, Mayara Pabst, Marcela Güther, Karoline Lopes Projeto gráfico, diagramação, ilustrações e infográficos Fábio Abreu Imagem da capa Acervo Senai Fotografia Peninha Machado, assessorias de imprensa Impressão Tipotil Indústria Gráfica (47) 3382-2238 Tiragem 3,5 mil exemplares Publicidade revista21@acij.com.br

Av. Aluisio Pires Condeixa, 2550 3461-3333 acij.com.br twitter.com/acij facebook.com/acijjoinville

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SENAI-FIESC/DIVULGAÇÃO

A FOTO DA CAPA Sinônimo de educação profissional, o Senai/SC forma trabalhadores para a indústria há mais de seis décadas. A instituição oferece oportunidades gratuitas de qualificação para jovens a partir dos 14 anos de idade, com atuação em todo o Estado, por meio de 62 unidades fixas e 23 móveis, totalizando 565 salas de aula e 923 laboratórios. A foto da capa mostra uma turma de aprendizes na oficina de marcenaria do Senai Sul de Join­ville, na década de 1950. À época, já havia cursos disponíveis em áreas como elétrica, mecânica e tornearia. O Senai exerce papel fundamental no desenvolvimento da indústria catarinense – tema de reportagem na pagina 48.

Se você tem uma imagem que retrate algum período da história de Joinville, entre em contato com a redação pelo revista21@mercadodecomunicacao.com.br. A foto poderá ser publicada na capa em uma das próximas edições.

A REVISTA EM FRASES "O lado positivo deste período democrático que vivemos, apesar de todos os problemas, é que nunca discutimos tão abertamente sobre ética" Leandro Karnal, filósofo e historiador, em palestra no lançamento do Código de Ética da ACIJ

“O Join.Valle atua como catalisador, multiplicando e acelerando sua presença no município. É um marco na transição sociocultural e econômica da cidade. O passaporte para uma Joinville forte, moderna, sustentável e com ótima qualidade de vida. E o Instituto Miguel Abuhab é um agente proativo do ecossistema da inovação” Pompeo Scola, presidente do Instituto Miguel Abuhab (IMA)

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“É fundamental que os líderes sejam desafiados, e que também desafiem seus gestores para estimular políticas de apoio a comportamentos saudáveis dentro e fora do ambiente de trabalho" Geysa Francisco Finilli, diretora da Unidade Fiesc/Sesi Regional Norte/Nordeste

“O futuro é promissor, mas o momento presente é desafiador. Por isso, temos que pensar em alternativas para atender às novas demandas e estar preparados para ter um diferencial de atrativo econômico e de desenvolvimento sustentável” Prefeito Udo Döhler, ao apresentar o projeto Join.Valle na ACIJ

"O Brasil tem dez mil voadores de parapente, mas o potencial é o triplo disso. É um mercado em crescimento” Ary Carlos Prady, proprietário da Sol Paragliders, de Jaraguá do Sul

“Infelizmente, a área ambiental ainda é vista como despesa, e não investimento, em muitos casos. É uma realidade nacional, mas Joinville pode, sim, ser pioneira na mudança desse cenário”

“Aproveite todos os pontos de contato e relacionamento para criar um vínculo emocional mais forte com os clientes e se diferenciar da concorrência"

Nelson Libardi Junior, um dos idealizadores da startup Biofractal

Raul Candeloro, consultor, palestrante e diretor da Revista Venda Mais


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ABRE ASPAS

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Reflexões sobre ética no ambiente empresarial Karoline Lopes Violência policial, delação premiada e manobras políticas são temas que vêm monopolizando as atenções dos brasileiros, dentro e fora das redes sociais. Num turbilhão de informações, a palavra “ética” surge com diferentes pesos e medidas. Mas não só em Brasília a ética é colocada em xeque. Furar filas, falsificar carteirinha de estudante e sonegar impostos são pequenos desvios que, para muitos, podem parecer comuns. Para discorrer sobre o conceito de ética e como aplicá-lo no dia a dia, o filósofo e historiador Leandro Karnal esteve na ACIJ em fevereiro. Durante a primeira reunião plenária do ano, a entidade comemorou 105 anos de história e lançou seu código de ética. Graduado em história pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e doutor pela Universidade de São Paulo, Karnal tem cinco livros publicados: “Estados Unidos: a Formação da Nação”, “Conversas com um Jovem Professor”, “História na Sala de Aula”, “Teatro da Fé – Representação Religiosa no Brasil e no México do Século XVI” e “Pecar e Perdoar: Deus e Homem na História”. Ele participou da elaboração curatorial do Museu da Língua Portuguesa. Na televisão, colaborou com os programas Jornal da Cultura e Café Filosófico. Na palestra “Valores éticos nas organizações”, Karnal falou para conselheiros, associados e comunidade. Antes do evento, conversou com jornalistas. A seguir, a entrevista do historiador.

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FOTOS: MAX SCHWOELK


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Considerando o cenário político em que vivemos, em que medida o sr. entende que é necessário estimular a reflexão sobre a ética? Esta é a grande vantagem da democracia sobre a ditadura. Na ditadura, a falta de ética vai para baixo do tapete, e na democracia ela aparece. Tanto que as pessoas cometem uma injustiça brutal: elas acham que na ditadura há mais ética. Não há nenhuma denúncia de falta de ética na Coreia do Norte, por exemplo. Não há nenhum caso envolvendo o ditador da Coreia do Norte por falta de ética, obviamente. O lado positivo desse período democrático que vivemos, apesar de todos os problemas, é que nunca discutimos tão abertamente sobre ética. Recentemente, uma pesquisa colocou ética acima da segurança, da educação e da saúde como a primeira preocupação do eleitorado. Mas o sr. concorda que essa discussão ainda é nova no país? Muito nova. Temos uma tradição de não discutir ética em nenhuma instância. Temos a tradição de aceitar desvios éticos com relativa tolerância. Existe ainda a ideia do “rouba, mas faz”, slogan associado a um político de São Paulo, Adhemar de Barros. Ele fez coisas que fariam até Paulo Maluf empalidecer. Mas quais as novidades? É a primeira vez que prendemos corruptos ativos. No passado, todos os governos investigavam escândalos do governo anterior ou prendiam membros da oposição. Pela primeira vez na história, estamos prendendo pessoas que atuam no governo. O lado negativo é a dificuldade estrutural de transmitir valores para as novas gerações. Esses valores eram transmitidos meio que por osmose familiar. E qual a diferença que sinto, dando aula há 33 anos? Sempre houve o aluno colador, sempre houve um

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não-ético nessa microfísica do poder que é a sala de aula. Só que antes eles tinham vergonha, hoje têm orgulho. Essa é a diferença, perdeu-se a noção de valor. Eu não fantasio de que tínhamos um período de grande tranquilidade ética e entramos em um conturbado. Minha avó, que era imigrante, dizia que no tempo dela não havia violência. Ela fugiu da Alemanha por causa do nazismo. Criou uma mentira na memória dela de um mundo perfeito, em que todo mundo se respeitava. Algumas pessoas dizem: “Havia menos assassinatos na década de 1960”. É verdade. Em 1800, ainda menos. Mas aí estamos falando da falta de massa crítica da população, não de um sistema ético. Temos dificuldades de transmitir valores éticos e estamos debatendo ética nacionalmente. As empresas estão aprendendo que ter seu nome associado à falta de ética diminui seu valor agregado. Ou seja, o mercado está ensinando ética. O mercado está valorizando coisas, por exemplo, como responsabilidade ecológica, sustentabilidade, compromisso ético e combate ao preconceito,

como racismo, misoginia, homofobia. O mercado está respondendo. Há empresas que passaram a valer mais na bolsa de valores, não só por sua produtividade, mas porque conseguiram agregar valor à marca com o discurso ético. O sr. comentou que a preocupação ética é uma tendência no ramo empresarial, e a ACIJ acaba de lançar seu próprio código. O que muda, com o código, na relação com colaboradores, fornecedores e parceiros? Mudam coisas muito interessantes. Quando uma associação cria seu código e mostra para os associados, ela está dizendo claramente que a responsabilidade é de cada um, e que não pode haver apenas a cobrança da ética na classe política. A associação está transmitindo um recado fabuloso: ética não começa em Brasília; em geral, ela morre lá. A ética começa aqui em Joinville, pelas nossas práticas. Atinge Florianópolis, Brasília, os grandes centros urbanos mundiais, mas começa aqui. Sempre insisto que temos falhado também na microética. A


Presença do historiador e filósofo marcou o lançamento do código de ética da ACIJ, em palestra com casa cheia

questão do trânsito, do respeito etc. Claro que roubar merenda de criança é mais grave do que andar no acostamento, mas uma linha clara une as duas coisas. É muito mais grave desviar dinheiro público do que comprar um recibo de dentista para abater do seu imposto. É muito mais grave mexer com dinheiro público porque afeta mais gente, mas é a mesma questão do desvio ético. Em geral, quem é tolerante com o pequeno é tolerante com o grande. Como isso se reflete em um âmbito maior, do ponto de vista social? Os países que ganham títulos de mais éticos ou menos corruptos não são lugares onde apenas o governo e os políticos são éticos. A sociedade também é ética, e cobra que seus representantes sejam assim. O governo não é o fim ou início da ética. É apenas a ponta de uma pirâmide que nasce na capacidade de passar por cima da ética em pequenas coisas. Em uma sociedade complexa, não existe apenas bom-senso. Existe também coerção. Os árabes dizem “confie em Alá, mas amarre bem o seu camelo”. Nenhum sistema é baseado apenas na coerção. Não adiante multiplicar as regras de ética, se não há um consenso sobre elas. E o consenso está presente em pequenos grupos. Não há regras judiciais na sua casa, há um consen-

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so do que é permitido. Quando o grupo vai ficando mais complexo, é mais difícil se basear apenas nisso. Em uma sociedade como a nossa, desigual, a ética em si serve para respeitar o espaço alheio. É o primeiro ponto da ética, que as pessoas conhecem como etiqueta, hoje confundido com normas de classe média em ascensão sobre garfo e faca. A etiqueta tem apenas um princípio: o respeito ao espaço do outro. Eu não posso escutar música sem fone, pois nem todo mundo vai gostar. Também não posso deixar de usar palavras como “por favor”, “obrigado” e “com licença”.

MUDANÇAS SOCIAIS O senhor comentou sobre a interseção da política, ética e corrupção. O cenário sempre foi assim? Devemos esperar por mudanças maiores nas próximas gerações? Na história, tudo sempre muda. Dizer que sempre foi assim não é um princípio histórico. Antes de 1932, do código eleitoral, era um consenso que mulheres não deveriam votar. A sociedade muda estruturalmente. Vou dar um exemplo desanimador. A Itália fez a maior campanha pela ética de toda a Europa. O país passou uma década prendendo políticos, advogados, banqueiros, ele-

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Karnal, com Rodrigo Coelho e Udo Döhler: conscientização gradual

mentos ligados à igreja, jornalistas e profissionais de outros meios. Algo que estamos longe de fazer, foi uma campanha nacional. Ao final desse processo, a democracia italiana elegeu o Silvio Berlusconi, famoso pelos desvios éticos e morais. O preço da liberdade é a eterna vigilância. Se imaginarmos que a falta de ética está associada a um partido ou uma pessoa, seremos ingênuos. Não estou desculpando ninguém. Mas a falta de ética não é apenas de um indivíduo ou de uma bandeira. Naturalizamos a falta de ética, e é preciso desnaturalizar. É natural encontrarmos um dentista, por exemplo, que passa uma hora reclamando do governo, dos desvios de Brasília, e ao final da consulta pergunta se você quer recibo. Ele não vê qualquer relação entre o deslize dele e o do governo. É claro que um recibo é menor que o roubo de uma grande empresa, mas é o mesmo campo semântico. É fantasia supor que um salvador virá mudar o país por completo. Espero que ele nunca venha, pois, em geral, são desastres históricos. Não confio num salvador nacional, confio no eleitorado que, lentamente, deve começar a mudar. Este é um ano de eleições, na esfera dos municípios. O sr. acredita que haverá uma maior conscientização na hora do voto, a partir desses episódios recentes? Temos um movimento quase pendular na história do Brasil, de purificação política. Quando Getúlio Vargas deu seu golpe, em 1930, ele dizia que estava derrubando uma república oligárquica. Em 1960, na campanha política, a bandeira do candidato Jânio Quadros era a ética, o combate à corrupção. “Varre, varre, vassourinha” era o tema. O resultado da vitória dele foi a renúncia e uma crise que resultou em 21 anos de ditadura. A ditadura assumiu porque a inflação estava em 80% e a corrupção era generalizada. Salvadores da pátria, sejam civis ou militares, de direita ou esquerda, são uma má estratégia. Nós, imprensa, associações, líderes comunitários, fazemos um trabalho de formiga para conscientizar as pessoas sobre ética. Acredito que isso trará mudanças, mas não vivemos um paraíso. Nunca seremos uma nação onde anjos deslizem felizes, sempre haverá problemas de desvios. Podemos fazer uma reflexão. Suponhamos que a ética seja um problema por causa da tradição política. Vamos imaginar, numa espécie de utopia, que consigamos eliminar todos os políticos brasileiros. No lu-

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gar, teríamos que colocar pessoas como eu e vocês aqui presentes, sem experiência. Em quanto tempo a situação seria a mesma? Os otimistas vão dizer que em cinco ou seis anos; os pessimistas, no mês seguinte. Ao colocar pessoas novas, elas vão com mais sede ao pote. Partilho da opinião de Rousseau, de que a democracia é o único sistema que garante a punição da falta de ética. É estrutural na espécie humana a busca do benefício para si. Só existe um caminho para constituir uma sociedade mais ética, a democracia, que deixa transparentes as decisões e obriga a discussão.

ÉTICA NAS EMPRESAS Na sua experiência como palestrante, como vê o conceito de ética sendo trabalhado no mundo corporativo? Isso é muito animador. Ética era um termo universitário, tema de prova. Nenhum empresário chamava um filósofo ou historiador para debater um código de ética. Não era próprio da atividade empresarial o debate sobre o tema. Hoje, estamos discutindo o conceito filosófico-prático da ética em todo o país, de empresas estatais a privadas. Há pouco tempo, estive em Brasília, no subsolo do Banco Central, com todos os presidentes das estatais brasileiras discutindo ética, inclusive com integrantes da comissão de ética da Presidência da República. Apesar de ser um momento delicado para empresas como a Petrobras, as pessoas continuam acordando cedo, pegando ônibus e indo para o trabalho. A base continua trabalhando. Nós temos um erro de julgamento ao supor que o país está afundando eticamente. O que afunda é um tipo de elite podre. Para que alguns roubem, é preciso que muitos trabalhem.


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O QUE A ASSOCIAÇÃO FAZ E PENSA

Uma das principais pautas da ACIJ sempre foi a segurança pública: luta por mais policiais e câmeras de vigilâncias nas ruas de Joinville

ACIJ 105 ANOS

História de representatividade

A trajetória da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ) se tornou emblema do associativismo em Santa Catarina. Fundada no dia 16 de fevereiro de 1911, é referência no Sul do país, tendo como objetivo o fortalecimento das empresas da região. Muita gente não sabe, mas a ACIJ foi fundada por um grupo de empresários que se reuniram para protestar contra o aumento de impostos. “Com o tempo, a questão, apesar de sempre constar na pauta, migrou para outros assuntos de interesse da comunidade, e o principal centro de discussão passou para os assuntos de Joinville e suas reivindicações”, ressalta o atual presidente, João Joaquim Martinelli. Segundo ele, a atuação da entidade perante o poder público tem sido muito importante: “Essa ‘mistura’ da ACIJ com a cidade é histórica e permanente. Sempre estivemos envolvidos em tudo o

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que ocorreu em Joinville, desde o aeroporto, abertura de vias, duplicação de rodovias etc”. Com 105 anos de história, a casa coleciona bandeiras e conquistas. Entre as mais recentes, Martinelli destaca o debate sobre segurança: “Trouxemos autoridades para analisar a situação join­vilense e conseguimos as câmeras de vigilância. Deveriam ser 400, mas ainda estamos rumando às 200. Outro fator importante foi a duplicação da Avenida Santos Dumont, que está em andamento, bem como o avanço para a duplicação das vias Hans Dieter Schmidt, Edgar Nelson Meister e Dona Francisca”, pontua.


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No alto, registro da campanha “Eu Abraço o São José”. Ao centro, o plantio da muda de Jequitibá que marcou o centenário da casa. Acima, o lançamento do selo comemorativo dos 100 anos

Apesar da avaliação positiva, João Martinelli aponta algumas frustrações: “A UFSC, por exemplo. Não conseguimos avançar devido à alegada falta de recursos. Também lutamos pela construção de um novo hospital, mas só conseguimos a reforma do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt. Entendemos que precisamos de mais uma unidade na Região Norte. Nossa luta continua, espero que meu sucessor continue com essas e as demais bandeiras”, avalia.

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LINHA DO TEMPO 1911 l Fundação oficial da ACIJ 1915 l Intervenção pelo Conselho Municipal para a promoção de transações comerciais em Santa Catarina por meio de políticas de incentivo 1923 l Comissão formada por um representante de cada entidade empresarial conquista o direito do ressarcimento de valores pagos a mais em impostos 1942 l Primeira sede própria, onde depois seria construído o Edifício Manchester 1944 l ACIJ contribui para a instalação do Senac, Sesc, Senai e Sesi no município 1973 l Convênio com a Udesc para implantar cursos noturnos de engenharia mecânica e metalurgia em Joinville 1975 l ACIJ propõe ao governo do Estado a construção de um Hospital Regional em Joinville 1984 l Criação do departamento de microempresas 1994 l A Acij lidera a campanha “Vote Certo, Vote por Joinville” 2003 l ISO 9001:2000. A certificação foi inédita em SC e uma das primeiras no Brasil 2006 l Inauguração oficial da nova sede 2007 l Conquista do campus da UFSC para o Norte de Santa Catarina 2011 l Centenário da ACIJ 2013 l Lançamento da campanha “Eu Abraço o São José”, cujo objetivo foi atender às demandas emergenciais. l Lançamento da Revista 21 2016 l Implementação do código de ética

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ACIJ 105 ANOS O ALCANCE DA ENTIDADE

Com pouco mais de um século, associação exibe números que mostram sua força junto ao empresariado

1.900 associados Serviços 60% Comércio 21% Indústria 19%

21 sindicatos patronais 1 Conselho das Entidades (Consep) 25 núcleos setoriais, multissetoriais e temáticos 1 Conselho de Núcleos 4 programas do gestão compartilhada 24 funcionários 157 cargos voluntários* *ENTRE DIRETORES, CONSELHEIROS E GRUPOS ORGANIZADOS

PRINCIPAIS SERVIÇOS Boa Vista A Boa Vista Serviços administra a mais completa e tradicional base de dados do país para crédito e apoio a negócios: o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Soluções e plataformas são disponibilizadas por todos os meios eletrônicos. Certificado de origem Associados podem utilizar o documento que comprova a origem brasileira da mercadoria a ser exportada. O certificado permite a obtenção de benefícios tarifários em acordos comerciais internacionais. Certificado Digital Identidade eletrônica que carrega os dados de identificação da empresa, pessoa ou site, em que realiza a validação digital do cadastro do empresário, atribuindo segurança digital e validade jurídica em documentos assinados eletronicamente. Capacitação empresarial Empresários de Joinville e região podem participar de cursos, seminários

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e palestras nas áreas técnicas, de gestão, liderança e comportamento. Programa de Energia Consultoria gratuita aos associados. O objetivo é auxiliar as empresas a economizar energia elétrica. Iniciado em 2007, o programa já colaborou com 115 empresas. Sessão de Negócios Tem a finalidade de criar uma rede de relacionamento e propiciar novos negócios ou parcerias, por meio de um evento organizado em formato de reuniões comerciais. Util Card Cartão criado pela Facisc para facilitar a gestão de benefícios. O serviço traz benefícios para o colaborador, para a empresa e, por extensão, para o comércio local. O sistema é informatizado e on-line, facilitando o controle dos setores Financeiro e de Recursos Humanos. Beneficiários podem utilizar o cartão para comprar nos estabelecimentos credenciados, como farmácias, postos e mercados.

BANDEIRAS COMUNITÁRIAS "A ACIJ vem atuando no combate aos fatores que oneram e tiram a competitividade das empresas, produtos e serviços. A elevada carga tributária, por exemplo, já era tema dos debates quando a diretoria da entidade se reunia na casa do empresário Hermann August Lepper, seu primeiro presidente. Ao longo desses 105 anos de luta em favor do desenvolvimento social e da competitividade, a entidade empunhou inúmeras bandeiras regionais (como a do campus da UFSC) e estaduais (como a duplicação da BR 101), nesta última ao lado da Fiesc" Glauco José Côrte, presidente da Fiesc

RECONHECIMENTO

l Prêmio Facisc de Entidade Destaque pela Excelência na Gestão – Categoria Grande Porte l Iso 9001:2008 l Entidade é reconhecida de Utilidade Pública


REENGENHARIA

ACIJ promove mudanças internas 2016 é ano de mudanças na ACIJ. Em fevereiro, a casa lançou seu primeiro Código de Ética, e agora se prepara para uma reformulação interna, que consiste em três etapas: reavaliação da estrutura funcional, revisão de processos e alinhamento do quadro de funcionários. No primeiro passo, o organograma foi refeito, com a estruturação em áreas de negócio (serviços e relacionamento com o cliente e mercado), institucional (núcleos, sindicatos, gestão compartilhada e projetos especiais) e apoio (administrativo, financeiro e eventos). A reconstrução dos principais processos, principalmente nas atividades de compras, eventos e pós-vendas, foi feita na segunda etapa. Por último, a equipe está sendo alinhada de acordo com a experiência e qualificação de cada funcionário na atividade que exerce.

“Entidades são como empresas, em constante movimento, especialmente, neste momento delicado da economia. O equilíbrio em seus processos, atividades e ambientes é importantíssimo para manter a saúde do negócio e garantir não somente a sua existência, mas novos horizontes”, pondera o diretor executivo Diogo Haron. Há algum tempo, diz ele, a associação percebeu que sua missão vai além de representar os interesses das empresas, abrangendo DIVULGAÇÃO

uma atuação forte com serviços de ponta, para que os associados possam crescer e evoluir em seus negócios. “E esses resultados só se tornam possíveis quando as pessoas, os processos e a estrutura, são adequados, e seguem o mesmo direcionamento das metas estabelecidas.” As mudanças têm como objetivo aprimorar o portifólio de serviços. A expectativa é aumentar a capacidade para que a entidade possa atender até 3 mil empresas, com elevado padrão de qualidade. “Na prática, o associado terá um atendimento mais presente, mais personalizado. O funcionário vai vender aquilo em que acredita, com base em uma organização que procura atender às demandas do mercado. O brilho nos olhos de cada um vai fazer da ACIJ o melhor lugar para se trabalhar”, afiança o diretor executivo.

CAPACITAÇÃO Com a proposta de experimentar atividades ao ar livre e transformá-las em soluções personalizadas, a ACIJ realizou um treinamento vivencial com o Conselho dos Núcleos. A interação teve como objetivo promover o desenvolvimento da comunicação efetiva, da colaboração, do trabalho em equipe, de técnicas de liderança e superação de conflitos. Fabiano Dell Agnolo, presidente do Núcleo de Jovens Empreendedores, destaca a importância do alinhamento entre os grupos: “A ação possibilitou o desenvolvimento das lideranças e fortaleceu o engajamento”.

ERRATA

Diferente do que foi informado na edição 23, na reportagem “Novas diretrizes”, Julio Franco, assessor de imprensa da ACIJ, não integra o Comitê de Ética da entidade. O grupo é composto por André Chedid Daher, diretor de relacionamento com o associado, Cícero Gabriel Ferreira Filho, presidente do conselho dos núcleos, e Juliana Silva, assessora jurídica.

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OS PALESTRANTES DIA 4, quarta

Eduardo Giannetti da Fonseca

DIA 5, quinta

Claudio Luiz Lottenberg

Diógenes Lucca

Eric Acher

Romeo Busarello

Guilherme Telles

EXPOGESTÃO 2016

Evento traz ícones do mundo corporativo Tradicional no calendário do empresário catarinense, a Expogestão chega mais cedo em 2016: de 4 a 6 de maio. A 14ª edição anuncia temas como estratégia, busca de resultados, gestão de alto impacto, investimentos e novos modelos de negócios. Segundo a comissão organizadora – presidida pelo executivo Fernando Schneider, diretor operacional da Franklin Electric –, o objetivo é munir os executivos com recursos para enfrentarem os desafios diários e focarem na gestão com busca de mais resultados e produtividade, em ambientes de grande pressão. Seguindo o modelo do ano passado, as palestras de quarta e quinta-feira serão realizadas nos período sda tarde e da noite. Já na sexta-feira haverá palestras durante todo o dia. Os participantes também poderão aproveitar mais de 50 workshops gratuitos, organizados por patrocinadores, apoiadores, expositores da feira, entidades representativas e convidados. Destaca-se ainda a Feira de Negócios e Relacionamentos,

Programação de ponta Um dos nomes confirmados é o do palestrante internacional Mark Gottfredson, coautor do livro “Administração de Alto Impacto”, publicação resultante de décadas de intercâmbio com os maiores líderes em negócios do mundo. Ele fala sobre os fundamentos necessários para sobreviver e prosperar em uma economia exigente como a atual. Outro destaque é Tony Fratto, assessor de gabinete do ex-presidente americano George W. Bush, que vem comentar sobre a inserção de empresas brasileiras no exterior. Abordando o tema inovação disruptiva, o presidente

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que deve atrair 36 expositores. A expectativa é que mais de 7 mil pessoas visitem o ambiente durante os três dias. Como sempre, a ACIJ marca presença com um estande institucional, em parceria com a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc). O espaço tem como objetivo promover uma aproximação ainda maior com os empresários. Além de suporte às empresas associadas, serão oferecidos os benefícios e serviços da casa, como o Util Card e o Boa Vista SCPC. Sheila Regina Cota Caset, coordenadora de marketing e eventos, avalia a relação com a Facisc de maneira positiva: “Prestamos serviços em conjunto. É sempre uma oportunidade de alinhar nossas ações em favor da classe empresarial de Joinville e de Santa Catarina”. Para mais informações sobre a Expogestão, ligue (47) 3481-8830 ou envie e-mail para organizacao@expogestao.com.br.

do Uber Brasil, Guilherme Telles, apresenta o modelo de negócio da empresa, considerado como “unicórnio”. As startups “unicórnio” são as raras empresas que, em pouco tempo, recebem avaliação de US$ 1 bilhão. Com 10 mil motoristas parceiros no Brasil, já são mais de 800 mil usuários desde a chegada ao país, em 2015. Entre os palestrantes nacionais também está Eric Acher, co-fundador e sócio-diretor da Monashees Capital, o maior fundo de investimentos em tecnologia do Brasil, que capitalizou empresas como 99 Táxis, Conta Azul, Pet Love, Viva Real, Eduk e Meus Pedidos. Ele discorre sobre inovação sob a ótica do investidor. Falando de sua bem-sucedida experiência à frente


DIA 6, sexta

José Rizzo Hahn Filho

Valsoir Tronchin

de um dos mais respeitados hospitais do país, Claudio Luiz Lottenberg, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, aborda o tema cultura de inovação e gestão, com a palestra “Einstein e o desafio de trazer o futuro ao presente”. Mestre e doutor em oftalmologia, Lottenberg estudou na Escola Paulista de Medicina e foi secretário municipal de Saúde na gestão do prefeito José Serra. Em 2013, foi indicado como um dos líderes de melhor reputação pela Revista Exame e eleito, em 2014 e 2015, o “Executivo de Valor” na área da saúde, pelo Valor Econômico. Quem volta à Expogestão é o economista e cientista social Eduardo Giannetti da Fonseca, professor no Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa, conhecido antes como Ibmec São Paulo – Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais), para falar sobre o amanhã e o Brasil diante de um grande desafio civilizatório. Membro do Conselho Superior de Economia da Fiesp, Giannetti já recebeu o prêmio Jabuti por Vícios Privados, Benefícios Públicos? (1993) e As Partes & O Todo (1995).

Para tratar de estratégias de negociação em situações extremas, a Expogestão traz Diógenes Lucca, tenente-coronel da Reserva da Polícia Militar, um dos fundadores do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar de São Paulo).

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Mark Gottfredson

Samuel Pessôa

Cláudio Frischtak

Tony Fratto

PAINEL A agenda da Expogestão DIA 4, QUARTA-FEIRA l Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, professor e escritor TEMA: comportamento PALESTRA: “Pensando o amanhã – o Brasil diante do desafio civilizatório” l Claudio Luiz Lottenberg, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein TEMA: inovação PALESTRA: “Einstein e o desafio de trazer o futuro ao presente” l Diógenes Lucca, tenente-coronel da Reserva da PM e cofundador do GATE TEMA: negociação PALESTRA: “ Como transformar a pressão em sucesso de negociação” DIA 5, QUINTA-FEIRA l Eric Acher, sócio cofundador e CEO da Monashees Capital TEMA: investimentos & negócios PALESTRA: “Investimento em inovação – análise de risco, gestão e retorno” l Romeo Busarello, diretor de Marketing e Ambientes Digitais da Tecnisa, professor e escritor, e Guilherme Telles, presidente da Uber Brasil TEMA: inovação PALESTRA: “Inovações disruptivas” DIA 6, SEXTA-FEIRA l José Rizzo Hahn Filho, presidente da Pollux Automation, e Valsoir Tronchin, vice-presidente de Vendas e Inovação da SAP Brasil TEMA: futuro e tendências PALESTRA: “Internet industrial, a quarta revolução” l Mark Gottfredson, sócio e líder global da Bain & Company TEMA: estratégia PALESTRA: “Administração de alto impacto – a chave para resultados extraordinários” l Samuel Pessôa, chefe do Centro de Crescimento Econômico do IBRE, professor e escritor, e Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, diretor do International Growth Center TEMA: cenários econômicos, planejando o futuro PALESTRA: “Posicionamentos estratégicos e boas práticas” l Tony Fratto, sócio da Hamilton Place Strategies, colaborador da CNBC e ex-vice-secretário de imprensa da Casa Branca TEMA: competitividade PALESTRA: “O espaço das empresas brasileiras na economia mundial”

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VISÃO ACIJ GEYSA FRANCISCO FINILLI

Saúde corporativa: uma conta que não fecha O mundo corporativo sofre, cada vez mais, o impacto dos elevados custos relativos à saúde do trabalhador. Investimento em planos de saúde, visto no passado como benefício atraente e retentor de trabalhadores, deixou de ser diferencial para maioria das empresas, além de ter se tornado uma conta que cresce, em média, o dobro da inflação. Para agravar a situação, tal investimento, frequentemente, gera alto uso do plano pelos beneficiários, resultando em excesso de consultas e exames que contribuem com o descontrole e a baixa previsibilidade de custos. No extremo oposto à decisão de aderir ou manter um plano, há o serviço público de saúde e suas limitações históricas. Se, por um lado, há a vantagem de ter um serviço que se apresenta como “gratuito”, por outro, a demora no tempo de atendimento e de espera por exames causa um elevado absenteísmo e, consequentemente, perdas consideráveis de produtividade. Enquanto esse problema permanecer sem solução, causando afastamentos prolongados do trabalhador, a empresa corre o risco de ser também penalizada em seu seguro acidente de trabalho, que pode O modelo precisa ser repensado. chegar a 6% da folha de pagamento. As opções mais Vamos continuar tratando a comuns em nossas empresas, ter ou não um plano de saúde, precisam ser mais discutidas. saúde como custo ou como Fácil perceber que o modelo precisa ser repensainvestimento? Muitas empresas do. Vamos continuar tratando a saúde como custo dão sinais do caminho que ou como investimento? Muitas empresas dão sinais claros do caminho que desejam trilhar e já fazem indesejam trilhar e fazem vestimentos efetivos em programas de qualidade de investimentos em programas vida, acompanhamento de doentes crônicos e benefícios complementares, iniciativas que ajudam a frear de qualidade de vida. a escalada dos custos que afetam a cadeia produtiva e ameaçam a sustentabilidade. O Sesi atua neste cenário como promotor da saúde para os trabalhadores, apoiando a indústria no processo e oferecendo soluções em saúde e serviços, a exemplo de academias, clubes de atividades físicas, reforço muscular, atenção nutricional, controle de estresse, álcool e drogas, entre outros. A indústria catarinense tem exemplos de programas bem-sucedidos, com retorno expressivo do investimento, mas é importante ressaltar que o caminho para reduzir o impacto negativo do adoecimento na qualidade de vida dos trabalhadores e em sua produtividade está no engajamento de lideranças empresariais, acadêmicas, políticas e sociais. É fundamental que os líderes sejam desafiados, e que também desafiem seus gestores para estiGeysa Francisco mular políticas de apoio a comportamentos saudáveis dentro e fora do amFinilli biente de trabalho. Somente com bons exemplos a prevenção à saúde será Diretora da Unidade considerada como um diferencial indispensável à produtividade e ao alcance Fiesc/Sesi Regional da competitividade requeridas pela indústria no mundo globalizado. Norte/Nordeste

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ANDRÉ SILVA

Para conter a onda de violência em Joinville A violência no Brasil é crescente e atinge a todos. Joinville não foge à regra de assaltos, roubos e assassinatos que fazem o cidadão refém. No município, que até 15 anos atrás era tranquilo e com poucos incidentes violentos, os assaltos a residências e ao comércio se tornaram diários e criam uma sensação generalizada de insegurança. Existem casos que, de tão absurdos, beiram a comédia de mau gosto: postos de combustíveis assaltados mais de uma vez ao mês, ou duas vezes no mesmo dia. Supermercados arrombados com veículos roubados pela “gangue da marcha à ré” e furtos em estabelecimentos feitos por meio de um buraco na parede de tijolos. Sem falar dos assassinatos decorrentes da briga entre criminosos rivais. Isso pode parecer longe do cidadão comum, mas qualquer um corre risco de ser a próxima vítima de uma bala perdida ou o alvo de um engano nessa guerra. “O que eu tenho a ver se a empresa foi assaltada ou arrombada?” Tudo. O empresário vítima dessa violência perde o ânimo de investir e ampliar, passa mais tempo preocupado com a própria segurança do que com o negócio em si. Deixa de O empresário vítima de assalto gerar empregos e renda. Os postos de combustíou roubo perde o ânimo de veis não têm mais caixas eletrônicos, pois é desencorajante oferecer esse tipo de comodidade investir. Passa mais tempo ao cliente frente aos riscos. Quase nenhum posto preocupado com a própria fica aberto após as 22h e isso se reflete em outros segurança do que com o negócio setores (supermercados, padarias, farmácias etc.). Em vez de contratar um funcionário para melhor em si. Em vez de contratar atender o cliente, o empresário contrata um seguum funcionário, contrata um rança para dar “tranquilidade” aos que trabalham. E essas são as maiores vítimas: pessoas que trabasegurança. lham na linha de frente, que são ameaçadas com facas e armas por assaltantes covardes que não respeitam nada. O trauma causado em um funcionário é, por vezes, o maior prejuízo da empresa, que perde uma pessoa qualificada. E o que podemos fazer contra isso? Em primeiríssimo lugar, devemos fazer o Boletim de Ocorrência (BO) de qualquer assalto ou roubo, por menor que seja. A segurança pública é pautada por estatísticas e essas são alimentadas pelos BOs. Se não for registrado o BO, o fato não conta nas estatísticas, e isso se reflete em menos recursos e efetivo para a região. Em segundo lugar, exigir do seu candidato (vereador, prefeito, deputados e senador) mais recursos para a segurança. Pode ser por carta, e-mail ou até André Silva nas redes sociais. Só com recursos é possível contratar mais policiais e ter Presidente do um atendimento digno nas delegacias e rápido nas ruas. Penso que é papel Núcleo de Postos da Acij levar mais longe a voz dos associados e buscar, junto ao secretário de Combustíveis de Segurança Pública e ao governador, o devido retorno dos impostos gerados aqui.

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ACIJ NA MÍDIA A NOTÍCIA, 29/02/2016

Startup Weekend Joinville “A ideia vencedora do Startup Weekend, evento de empreendedorismo que ocorreu em Joinville no fim de semana, promete resolver um problema que afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas com deficiência auditiva: a dificuldade de se comunicar ou ouvir música pelo celular. O aparelho auditivo não é capaz de vencer o desafio porque provoca interferência, gerando um ruído que impede a comunicação. Durante a fase de validação, em uma das dinâmicas do evento realizado na Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), a solução foi testada em outras três pessoas com deficiência auditiva, e todas tiveram sucesso.” MAX SCHWOELK

Integrantes da startup Listen, que compuseram o grupo vencedor do evento, realizado na ACIJ

A Notícia, Blog do Loetz, 2 de fevereiro “Só em janeiro deste ano, aconteceram dez assaltos a supermercados em bairros de diferentes regiões de Joinville. No ano passado, foram 25 ocorrências do gênero, segundo o Núcleo de Supermercados da ACIJ. O dado alarmante do começo de 2016 assusta e traz intranquilidade social. Residências de sócios de estabelecimentos também foram arrombadas. Esse clima de insegurança provocou reunião de emergência, na ACIJ, nesta segunda-feira, com presença de 28 pessoas. O encontro foi coordenado pelo núcleo e pelo sindicato patronal da categoria.” Notícias do Dia, 15 de fevereiro “Nesta terça (16) a ACIJ (Associação Empresarial de Joinville) completa 105 anos, e em comemoração ao aniversário a entidade está lançando o seu código de ética, o que, para o atual presidente, João Joaquim Martinelli, é um importante passo na consolidação da governança corporativa da associação. ‘É uma crença pessoal minha de que a ética garante a perenidade das empresas, e a empresa que não é ética pode até ir bem no curto prazo, mas não se estende por muito tempo’, afirmou Martinelli.” Fabiola Bernardes, 15 de fevereiro “A ACIJ acaba de dar mais um importante passo na consolidação de sua governança corporativa. A implantação de um sistema

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de ética e a elaboração do Código de Ética Acij, um importante instrumento para a comunicação dos princípios, valores e missão da entidade, para seus colaboradores e demais públicos com os quais se relaciona. Organizações sustentáveis estão muito conscientes de que sua reputação corporativa é fruto da comunicação e fortalecimento público de seus valores e ideais.” RICTV Joinville, 23 de fevereiro “A ACIJ tem sido firme na cobrança por mais segurança. Mesmo com toda a ação desenvolvida no final de semana, a direção da entidade chamou os comandantes das polícias civil e militar para uma conversa na sede da entidade. Os empresários querem mais investimento do governo e também mais atuação dos agentes para acabar com os crimes não só de homicídio, mas também de roubo e furto, que têm atingido diretamente os comerciantes”. Notícias do Dia, 28 de fevereiro “A ACIJ voltou a se manifestar. Em nota com o título ‘Um erro estratégico’, critica que em plena crise da segurança, no momento em que a cidade vive a maior onda de crimes de sua história, os militares implantam em Joinville uma unidade munida de um bloco de notificações e outro de multas, para fiscalizar empresas que já vem sendo fiscalizadas pelos bombeiros voluntários, em cumprimento a um convênio com o município.”


CURSOS & EVENTOS DIVULGAÇÃO

5 a 7 de abril Curso: Redação empresarial com novo acordo ortográfico ACIJ, Joinville (47) 3461-3344 capacitacao@acij.com.br 13 a 17 de abril Home Art Joinville Expoville, Joinville (47) 3029-0699 26 e 27 de abril Curso: Liderança situacional ACIJ, Joinville (47) 3461-3344 capacitacao@acij.com.br 27 de abril Palestra: Gestão consciente do tempo ACIJ, Joinville (47) 3461-3344 capacitacao@acij.com.br

Feira será no Expocentro Edmundo Doubrawa: presença de autores convidados e preços especiais

FEIRA DO LIVRO 2016

Juarez Machado será homenageado De 1o a 10 de abril, o Expocentro Edmundo Doubrawa recebe a 14ª edição da Feira do Livro de Joinville. Entre os autores confirmados estão Luciana Costa, Graciela Mayrink, Luís Pimentel, Eleonora de Medeiros e Lira Vargas. O autor homenageado será Juarez Machado. Além de títulos com preços especiais, o evento também conta com bate-papos, contação de histórias, recitais e espetáculos. Mais informações: (47) 3422-1133 ou www.feiradolivrojoinville.com.br.

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

Prêmio Ciser abre inscrições Estimular o tema da inovação no meio acadêmico e reconhecer jovens talentos são objetivos do 5o Prêmio Ciser de Inovação Tecnológica. Até 31 de maio, universitários, alunos de cursos técnicos e estudantes de mestrado e doutorado podem inscrever seus projetos, voltados a novos produtos ou melhorias em processos de produção de elementos de fixação. Prêmios em dinheiro, troféus e certificados serão entregues aos contemplados. Mais informações e regulamento no site www.premiociserdeinovacao.com.br.

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11 e 12 de maio Curso: Gestão de conflitos no trabalho ACIJ, Joinville (47) 3461-3344 capacitacao@acij.com.br 19 de maio Palestra: Foco e resultados em tempos de crise, você está preparado para este desafio? ACIJ, Joinville (47) 3461-3344 capacitacao@acij.com.br 24 de maio Curso: Departamento pessoal para iniciantes ACIJ, Joinville (47) 3461-3344 capacitacao@acij.com.br 30 de maio a 9 de junho Curso: Administração de Recursos Humanos completa ACIJ, Joinville (47) 3461-3344 capacitacao@acij.com.br

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FEITO EM JOINVILLE

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Além das comidas tradicionais, clientes podem aproveitar boa música

DI MINAS

Tempero mineiro Frango com quiabo, tropeiro, leitão à pururuca e torresmo. Apreciadores da autêntica comida mineira podem visitar o Di Minas Bar e Cozinha. O restaurante existe há pouco

mais de dois anos, fruto da primeira empreitada de Anderson Geraldo da Cruz no mundo dos negócios. “Sou de Minas Gerais e moro aqui há 13 anos. Trabalhei muito tempo

Sistema fotovoltaico instalado no Tureck Garten Hotel, em Corupá

ECOA ENERGIAS RENOVÁVEIS

Um novo negócio Presente em Joinville desde 2014, a Ecoa Energias Renováveis atua em um ramo relativamente novo no município: a empresa gera energia elétrica por meio de fontes renováveis. “Trabalhamos com dois serviços. O primeiro tem como foco a energia solar. Utilizamos placas fotovoltaicas que geram energia para toda a casa ou áreas de uma empresa. O segundo é a assessoria em eficiência energética, em que nossa equipe faz uma análise para avaliar onde é possível deixar de gastar”, explica Fábio Luciano Chaves, um

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na indústria automotiva e resolvi abrir o Di Minas por sentir falta da comida de casa”, relata. O lugar oferece serviços de buffet – livre e por quilo –, à la carte e buffet de petiscos: “São alternativas para aumentar o faturamento. Abrimos justamente no período da crise, mas estamos lutando para reverter esse quadro”. Para o proprietário, o mercado joinvilense também é instável. “Nos primeiros meses do ano, a cidade para. O fluxo é bastante sazonal, mas tentamos driblar com promoções e investimentos em mídia”, comenta. Di Minas Bar e Cozinha Rua Ottokar Doerffel, 569 Atiradores, Joinville (47) 3028-4192 www.diminasbar.com.br

dos proprietários. Parceira da Acij no programa de eficiência energética, a Ecoa tem como objetivo a redução do consumo e dos custos: “A Resolução 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica permite a micro e mini geração de energia. Esse serviço é destinado a qualquer público, o que diferencia é a quantidade das placas instaladas para compensação de energia da unidade consumidora”. Segundo Fábio, só no ano passado, a empresa vendeu mais de 100 mil watts em energia. “Acreditamos que o potencial da região é muito grande. Nossa previsão de crescimento é de 200%, em 2016. Queremos solarizar a cidade”, finaliza. Ecoa Energias Renováveis Rua Dálcio Bortoluzzi, 7 Sala 103 Vila Nova, Joinville (47) 3025-2700 www.ecoaenergias.com.br


BANCO DE IMAGENS

POR QUE ACIJ PRINTE

Proteção intelectual Você já conhece o Programa de Proteção Intelectual (Printe)? O serviço, disponível para os associados à ACIJ, foi desenvolvido para facilitar o acesso à proteção do capital intelectual das empresas. A propriedade intelectual (marcas, patentes, direito de autor, desenho industrial, domínios de internet, direitos conexos e outros) tornou-se grande fator de competitividade no atual mundo empresarial, diferenciando produtos e serviços e determinando a permanência ou não das empresas no mercado. O programa disponibiliza um corpo jurídico especializado em propriedade intelectual, preparado para atender os empresários. “Com o Printe, o associado tem consultoria e assessoria completa no âmbito das marcas, inovações e segurança da informação”, esclarece Fernando Müller, agente da propriedade industrial, advogado e diretor da Cerumar Propriedade Intelectual.

Para saber mais: (47) 3461-3370 ou comercial@acij.com.br.

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CONSULTORIA TRIBUTOS

Para não cair nas garras do leão No Brasil, cerca de 28,5 milhões de contribuintes têm que declarar o Imposto de Renda – neste ano, vale lembrar, o prazo vai até 29 de abril. A declaração funciona como um alerta aos empresários para ficarem atentos aos tributos. Até o início de 2011, a empresa que não cumpria esse compromisso e sofria ações penais podia até negociar suas dívidas sem muitos problemas, suspendendo-se o processo criminal, mesmo depois de recebida a denúncia pelo juiz. Mas o quadro mudou com a modificação introduzida pela Lei 12.382, naquele ano. Agora, no caso de a empresa não recolher determinados tributos devidos, presidente e diretores passam a responder por ações criminais tributárias, sem a possibilidade de suspender os processos. Motivos para o não pagamento de tributos na gestão de uma empresa são diversos. Entre eles, dificuldades financeiras, aplicação dos recursos em investimentos no processo produtivo, erros contábeis, planejamentos tributários malsucedidos, divergência nas interpretações da legislação tributária, fraude fiscal e até mesmo, nas palavras do advogado Evanildo Silva Lins Jr, “o intencional inadimplemento dos tributos para enriquecimento dos sócios”. O advogado detalha as penas. Para crimes contra ordem tributária, a reclusão é de seis meses a dois anos e multa, como é o caso do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) declarado e não pago, ou de dois a cinco anos e multa, como é o caso da apropriação indébita previdenciária e da fraude fiscal com o intuito de suprimir ou reduzir tributo.

“É comum que essas penas restritivas de liberdade sejam convertidas em restritivas de direitos, como a prestação de serviços à comunidade. Mas nem sempre pode ser feita a substituição, como ocorre quando o administrador da empresa já tem uma condenação pelo mesmo crime”, adverte Evanildo, que

integra o Núcleo Jurídico da Acij. Pode ocorrer que, em meses de dificuldades financeiras, o empresário não consiga recolher o ICMS. Ou que faça transações de compra e venda com recolhimento equivocado de algum tributo. “O problema maior está relacionado à continuidade do negócio e aos vários períodos em que haja sonegação fiscal ou apropriação indébita tributária. Com isso, inúmeros processos criminais podem ser distribuídos em face dos gestores e com possibilidade de condenações independentes, levando o empresário ao risco de ser preso”, reforça o advogado Richard Abecassis, também participante do Núcleo Jurídico. Segundo Abecassis, em um período de crise, esse tipo de ocorrência é mais frequente, pelas dificuldades na obtenção de recursos, na diminuição de vendas e no aumento do custo do capital. Tendo em vista as dificuldades em bancar pontualmente os seus custos e despesas, as empresas mantêm como prioridade o seu funcionamento e, para tanto, o empresário destina os recursos a salários, matérias-primas, energia elétrica e outros insumos essenciais – tributos não estão na lista. Os problemas tributários se relacionam à própria falta de “caixa” e um dos principais agravantes são as multas quando os tributos não são recolhidos.

Como evitar atrasos? Evanildo Silva Lins Jr. frisa que toda empresa que deseja reduzir sua carga tributária deve manter, no setor fiscal-contábil, profissionais qualificados, comprometidos e que conheçam a fundo a operação e o mercado no qual está inserida. “Não adianta investir fortunas em sistemas de informação e consultorias se as pessoas que fazem isso tudo funcionar não recebem a mesma atenção”, ressalta o advogado. Outra dica é, com o objetivo de analisar se há alternativas mais baratas tributariamente, rever procedimentos na produção, vendas, faturamento e compras. Existem, ainda, benefícios fiscais e regimes especiais de tributação beneficiada para determinadas atividades – é importante ter certeza de que a empresa está aproveitan-

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do todas as possibilidades. Evanildo sublinha que manter uma boa integração dos setores administrativo-financeiro, contabilidade, jurídico e produção, com a implementação de princípios de governança tributária, também pode reduzir os custos fiscais sem a necessidade de realizar novas despesas com os serviços de terceiros.


5 TOQUES

Um tributo não liquidado dentro do prazo, mesmo que o atraso seja de apenas um dia, em geral, já é adicionado de 20% de multa, além de juros Selic – daí ser mais difícil de resolver quando há atrasos, gerando uma bola de neve. “Os reflexos da inadimplência tributária também envolvem a não concessão de certidões de regularidade fiscal, apontamentos a protesto em cartório, inscrição no Cadin, perda de benefícios fiscais, impedimento à contratação com órgãos públicos, e, consequentemente, a restrição ou encarecimento do crédito”, elenca Evanildo Silva Jr. O empresário, para minimizar os riscos de ações penais, deve priorizar os tributos que geram essas demandas, como o ICMS, a contribuição previdenciária descontada do empregado e demais tributos retidos na fonte, que a empresa deveria recolher em nome de terceiros.

Uma boa consultoria jurídica pode ser útil. A partir do momento em que a Justiça Criminal atua sobre o processo, é necessário verificar a responsabilidade de todo o elo da empresa. “Em muitos casos, envolvem-se até empregados de setores em que haja poder de gestão pelos pagamentos e apurações de tributos”, informa Abecassis. Nas situações em que a ausência de recolhimento do tributo ocorreu em razão das dificuldades financeiras, é essencial que o empresário consiga demonstrar a carência de recursos e as causas que o levaram a não manter o compromisso em dia. “Também se avalia o número de processos que o empresário possui, se é devedor contumaz e se há outros processos criminais. Convém demonstrar que não foi só o tributo que o empresário não conseguiu pagar, mas que atrasou outros compromissos, como fornecedores e empregados, outros tributos, aluguéis etc”, reforça.

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FÁBIO ABREU

5 TOQUES

O caminho das franquias Abrir uma franquia é excelente opção para quem quer ter seu próprio negócio. Um dos motivos é a estrutura de suporte e treinamento oferecida, a fim de operar uma marca reconhecida no mercado. O franqueado pode contar com o apoio de quem já dispõe de plano de expansão e conhece o perfil dos clientes e de seus produtos, além de deter informações sobre o processo de produção, distribuição e venda. É importante pesquisar e buscar o máximo de informações possível antes de optar pela melhor franquia para o seu perfil. Para auxiliar a escolha, a Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios listou algumas dicas.

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Pesquise. Ao conhecer uma franquia e avaliá-la como boa oportunidade, não deixe de procurar mais informações sobre a trajetória da empresa. Pesquise sobre o histórico dos criadores da rede: eles têm experiência no franchising e no ramo de atuação de suas empresas? Se não, talvez seja melhor pensar duas vezes.

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Converse com franqueados. Fale com quem investiu na rede que está nos seus planos. Pergunte o que acham do ramo de atuação, do mercado como um todo, da quantidade de trabalho e, principalmente, se a franquia rende o que foi prometido.

Escolha filiados à Associação Brasileira de Franchising. A ABF é uma das principais entidades do franchising, mas as redes só se filiam se quiserem. A associação só aceita franquias que obedecem a determinados parâmetros qualitativos, jurídicos e éticos. Procure quem cobra menos taxas. O investimento inicial engloba a taxa de franquia e os custos para encontrar e reformar um imóvel, ter um estoque, entre outros detalhes. No entanto, uma parte das redes isenta o empreendedor da taxa. Escolha setores promissores. Segundo a ABF, os mercados mais promissores das são os de educação (com negócios de reforço escolar, por exemplo), cuidado com idosos, serviços (como os de limpeza e reforma) e estética.

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OBJETOS DE DESEJO Nesta edição, o aroma aconchegante do café em produtos charmosos e elegantes para deixar esse hábito ainda mais prazeroso ESPRESSO À MÃO A cafeteira Handpresso é perfeita para quem não consegue ficar longe de um bom café. Faz um espresso (uma xícara de 50ml) com pressão de 16 Bar, igual a uma cafeteira espresso elétrica. A pressão é feita manualmente por uma bomba. Depois de atingir a marca de 16 Ba, é só colocar a água quente, em seguida o sachê espresso de sua preferência, travar adequadamente e soltar o botão da pressão. Compacta, a Handspresso pode ser levada em qualquer mala ou bolsa

CHARME ITALIANO Em 1933, com a invenção da Moka Express, a Bialetti revolucionou o estilo italiano de fazer café. Com toda experiência absorvida durante os anos, desenvolveu a Moka Express Glossy com materiais finos e acabamento de alto padrão. Com visual renovado e mais sofisticado, a cafeteira foi construída em alumínio polido em corpo de oito lados, com pintura de verniz de alta resistência. Não utiliza filtro de papel, é leve, prática e deve ser usada diretamente no fogão. Altura: 17,2 cm Largura: 15,8 cm Comprimento: 08,5 cm Peso: 0,40 Kg Valor: R$ 320 www.lojahotcoffee.com.br

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Dimensões do produto: (C x A x P) 355 x 115 x 145 mm Valor: R$ 390 www.cafeculturabrasil.com

A Moka Express Glossy tem cabo e puxador anatômicos, feitos em “Grilamid”, material nobre com efeito de vidro resistente ao calor


FOTOS: DIVULGAÇÃO

CAFÉ TURCO O café turco é um método de preparação utilizado na maioria dos países do Oriente Médio. Para isso, é preciso de um Ibriq (como o da foto), um recipiente de latão com cabo, dentro do qual é servido o café. Produzido pela Ceraflame, este Ibriq é 100% resistente a choques térmicos, não trinca e não risca.

A composição cerâmica pode ser submetida diretamente ao fogo, pois resiste às temperaturas mais elevadas sem sofrer quaisquer danos estruturais

Valor: R$ 79,80 www.cafedomercadocuritiba.com.br www.ceraflame.com.br

Os materiais inclusos são o suporte de metal, o fogareiro de alumínio e o sifão de vidro

VIDRO DE ALTA QUALIDADE Em japonês, Hario significa “O Rei do Vidro”. Desde a sua fundação, em 1921, esta empresa japonesa tem sido referência mundial na fabricação de vidro de alta qualidade, chamados de “cycleware”, pois podem ser resfriados e aquecidos, mantendo as características da sua composição (acidez e alcalinidade). O sifão Hario é uma modernização da tecnologia existente há mais de 50 anos.

PRÁTICO E SIMPLES Com o moinho Hario Colonial, moer os grãos de café é prático e simples: basta adicionar os grãos no copo na parte superior, ajustar o nível de moagem e girar a manivela. Capacidade: 17g Valor: R$ 289,60 www.lighthousecafe.com.br

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BRIEFING FOTOS: DIVULGAÇÃO

Kit com livros e outros mimos é a oferta da TAG Experiências Literárias

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CLUBES DE ASSINATURA

Uma surpresa por mês na caixa de correio Com o corre-corre dos dias atuais, receber uma caixa repleta de produtos selecionados na porta de casa parece cada vez mais atraente. É assim que os clubes de assinatura vêm crescendo no Brasil, oferecendo artigos para clientes que desejam conhecer mercadorias novas ou simplesmente ter acesso aos seus itens preferidos sem sair do conforto do lar. De acordo com pesquisas, já são mais de 1 mil empresas no país, que, em 2015, faturaram em torno de R$ 1 bilhão. Tomás Susin dos Santos se juntou a mais dois amigos e resolveu empreender nessa área. Foi assim que surgiu a TAG Experiências Literárias, em 2014. Todos os meses, a empresa entrega aos 4.500 associados ativos um kit com livros e outros mimos. Para se diferenciar, a curadoria do material é feita por nomes de referência no cenário intelectual e literário do país. A TAG já contabiliza associados em todos os Estados, com destaque para as regiões Sul

e Sudeste, sendo São Paulo a origem do maior número de assinantes. Para Tomás, o mercado de clubes de assinaturas é promissor, mas, ao mesmo tempo, complicado, principalmente por conta da concorrência. “A TAG tem uma boa legião de fãs, que adoram o nosso produto e o atendimento que prestamos. Isso foi conquistado com empenho para oferecer o melhor serviço aos membros do clube”, relata. De acordo com Tomás, o público é formado pelos leitores “à moda antiga”, que não é adepta dos e-books e aprecia a experiência de pegar um livro, sentir seu cheiro, virar cada página e colocá-lo em sua biblioteca. Entre as novidades de 2016, estão o lançamento de um box colecionável, para o associado guardar o livro enviado, além de um canal no Youtube para ampliar a discussão sobre os livros de cada edição.


A HealthyBox, por sua vez, lançada em 2013, pretende atrair as pessoas com hábitos saudáveis, apresentando opções práticas de alimentação. Os produtos são analisados e aprovados pela equipe de nutricionistas. Os kits vão acompanhados de informações sobre os benefícios de cada produto, além de dicas de como cuidar da saúde por meio da alimentação, com receitas saudáveis para utilizar os produtos de diferentes formas. São 400 associados espalhados por todo o país, concentrados nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. No total, já foram enviados 22 kits. “O mercado de clubes de assinaturas no Brasil vem crescendo, devido às demandas iminentes ao dia a dia e à facilidade de receber em casa produtos previamente selecionados, seja qual for o segmento”, afirma Ana Rachel Alvarenga, diretora da HealthyBox. A empresa passou a garantir frete grátis para todo o país. Junto a essa ação, está o plano de expansão e disseminação do produto. A ideia é enviar mais receitas para os assinantes e buscar novos parceiros e produtos. Já o Club da Cerveja está no mercado desde 2011 e foi o pioneiro em cerveja por assinatura no Brasil. Natasha Menéndez, uma das sócias-fundadoras, explica que a ideia surgiu dos leiteiros de antigamente. “Se existia o leiteiro, por que não poderia existir alguém que entregasse cerveja em vez de leite?”, perguntou-se. A maior parte dos associados se concentra na Região Sudeste. O Club da Cerveja já ofereceu 60 rótulos distintos aos clientes. “O clube permite que o brasileiro tenha acesso a boas cervejas de forma fácil, principalmente em cidades onde não existem lojas especializadas”, afirma Natasha.

Gabriel Ribeiro e a proposta do BistroBox, clube de assinatura de alimentos: mercado gigantesco

Potencial a ser explorado

Club da Cerveja foi o primeiro do gênero no país e já trabalhou com 60 rótulos

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Depois que lançou o BistroBox, um clube de assinatura de alimentos, Gabriel Ribeiro percebeu os desafios da gestão desse tipo de negócio e a dificuldade de muitas pessoas em entender a atuação. Foi assim que surgiu a Associação Brasileira dos Clubes de Assinatura, que conta com 30 clubes atuantes. A atuação envolve a troca de informações sobre melhores práticas por meio online e por telefone. A partir da associação, pelo menos três clubes de assinatura foram lançados. “Essa troca de informações também está sendo importante para ajudar as empresas a enfrentar a crise”, justifica. Para o presidente da associação, o setor está resistindo bem aos problemas, com consumidores leais. “O mercado de assinaturas é gigante nos Estados Unidos e acredito que no Brasil ainda tem um potencial enorme não explorado”, ressalta.

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Mais Pipoca: 550 pontos em vários Estados, deve chegar a 20 locais em Joinville

MÁQUINAS AUTOMÁTICAS

Tem até guarda-chuva e brinquedo Seja para comprar salgadinho, refrigerante ou até brinquedo para as crianças, a maioria dos brasileiros já deve ter tido contato com uma máquina de vendas automática. O mercado de vending machines no país ainda está em expansão. A Associação Brasileira de Vendas Automáticas (ABVA) calcula que existam 45 mil máquinas, gerando faturamento anual de R$ 250 milhões. Desde 2015, Joinville tem percebido esse crescimento com a instalação de equipamentos que comercializam guarda-chuvas e pacotes de pipoca em diversos pontos da cidade. O projeto de uma máquina que vendesse guarda-chuvas e capas surgiu durante disciplinas de empreendedorismo e matemática financeira da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Depois de seis meses, três sócios deram vida à Save Time V-Machine. O equipamento está instalado em três pontos, em shoppings e terminais de ônibus. No final de 2015, a equipe resolveu romper as divisas da cidade da chuva, chegando a Curitiba, nos shoppings Palladium e Mueller. “O mercado de vending machines é muito desenvolvido em países da Europa, Estados Unidos e Japão, mas no Brasil ainda é pequeno e apresenta pouca variação de produtos”, afirma Vinicius Bassani Camargo, um dos sócios da Save Time V-Machine. Para ele, o crescimento do setor, na ordem de 10% ao ano, indica uma tendência de forte expansão, com o objetivo de aliar praticidade a uma boa experiência de compra. A Almeida Technology, de Itapema, já trabalhava com máquinas automáticas para venda de bolinhas de silicone para crianças, espalhadas por todo o Brasil. Buscando um equipamento com grande aceitação no mercado e custo-benefício relativamente alto, chegou-se à Mais Pipoca, que em Joinville está presente no Terminal Central. Ruy Medeiros, gerente comercial, explica que a ideia era atender a todos os públicos e faixas etárias com um produto saudável que não estivesse relacionado ao mercado financeiro nacional e suas oscilações. “Crise não é uma palavra conhecida em nosso segmento”, ressalta.

A Mais Pipoca vende pipoca salgada e sem gordura. A máquina está espalhada em 550 pontos distribuídos pelo país, com presença em todos os Estados do Sul, Centro-Sul, Sudeste, Centro-Oes-

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ANDRÉ KOPSCH/DIVULGAÇÃO

te. Algumas cidades das regiões Nordeste e Norte ainda devem ser exploradas. Para Joinville, 20 máquinas já foram vendidas e devem ser instaladas em breve. No total, são 28 colaboradores diretos e 50 indiretos, os fornecedores. A Almeida Technology espera difundir a marca Mais Pipoca, com a implantação de 2 mil unidades. “Também pretendemos lançar uma máquina de pipoca doce, uma de bolinha repaginada e uma de batatas fritas sem gordura e fritas na hora”, anuncia Ruy.

Diversificação de produtos Além da venda, a equipe da Save Time V-Machine descobriu potencial para produção de guarda-chuvas personalizados para eventos e empresas. Uma das novidades para este ano é o lançamento do guarda-chuva do Joinville Esporte Clube (JEC). Alguns modelos serão disponibilizados na máquina e outros em uma loja virtual. A empresa conta com uma consultoria de marketing estratégico, a cargo da Lab 34. Neste ano, outra novidade foi a inauguração da sede na empresa, na incubadora Softville. “Nosso objetivo é desenvolver tecnologicamente novos modelos de máquinas, aprimorando a máquina de guarda-chuva com sistemas de monitoramento e novas formas de pagamento”, conta Vinicius Camargo. Ainda está entre os planos a implantação de mais 10 máquinas, em Joinville e Curitiba, além do início de testes em locais como São Paulo e Florianópolis. “Também estamos criando uma nova marca para a máquina de guarda-chuva para desenvolver franquias para o mercado nacional”, revela Vinicius.

Os sócios da Save Time e os guarda-chuvas

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José Rizzo, da Pollux: solução com vantagens

AUTOMAÇÃO

Empresas oferecem robôs para locação, com suporte e atualização permanente Nova modalidade de serviços e locação em robótica à disposição da indústria brasileira – que ainda precisa investir muito para chegar aos patamares do Japão, onde há 400 robôs para cada dez mil trabalhadores. No Brasil, hoje, são apenas 10. A iniciativa da Pollux e Universal Robots, apresentada na Acij em março, busca ajudar na automatização das linhas, proporcionando mais produtividade e competitividade. Presidente da Pollux, José Rizzo Hahn Filho garante que a estratégia de usar robôs alugados, com início imediato nas linhas fabris, traz resultados muito antes do esperado pelos empresários. Ele lembra que, para tentar chegar a patamares europeus ou americanos, de 250 robôs por 10 mil trabalhadores, o Brasil teria de instalar pelo menos 170 mil robôs, o que parece algo distante – em 2015 foram apenas 1.500. E a ideia do aluguel persegue, justamente, essa meta. Em vez de desembolsar R$ 400 mil para comprar um robô, a empresa paga cerca de R$ 12 mil mensais para ter o equipamento, com manutenção e suporte de atualização tecnológica permanente. E mais: terá maior velocidade de implantação e captura imediata de resultados, não precisará de equipe interna de especialistas e nem de manutenção de estoque de peças de reposição, além de reduzir custos com tributos e, ainda liberar o caixa para investimentos no core business.

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SAÚDE

Zika vírus mobiliza entidades e pode ter reflexos na economia Transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, mesmo vetor da dengue, o Zika vírus já atingiu 19 Estados brasileiros, e os números só fazem crescer, o que vem preocupando entidades empresariais. A Fiesc, por exemplo, lançou campanha estadual de combate ao mosquito, com apoio das federações de trabalhadores. A ação levou esclarecimentos sobre o tema para fábricas em todo o Estado e se integrou a um mutirão que já envolveu instituições como o Exército Brasileiro e a Vigilância Sanitária, atuando na eliminação de potenciais criadouros do Aedes Aegypti. O tal vírus foi identificado pela primeira vez em 1947, em macacos de uma floresta da Uganda. Em 1952, foi isolado pelo ser humano. “Desde então, tivemos alguns surtos na Micronésia e na Polinésia Francesa”, explicou Márcio Leyser, pediatra em desenvolvimento e comportamento da Rede Sarah, durante simpósio sobre a doença promovido pelo Hospital Dona Helena, em Joinville. Para a professora e economista Annemarie Dalchau, a falta de planejamento do setor público é tão grave quanto a crescente contaminação:

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“Faltam remédios, especialistas, vigilância mais efetiva e um plano de conscientização mais consistente. Precisamos utilizar estratégias de guerra, se necessário, atuação de polícia junto à Vigilância Sanitária”. Segundo ela, ainda é cedo para avaliar o impacto do Zika vírus nos cofres públicos. Com os Jogos Olímpicos se aproximando, outro ponto a ser considerado é a preparação para a vinda de turistas do mundo todo. “A saúde pública de cada município tem que estar preparada. Tudo isso requer dinheiro extra, que, neste momento de crise, terá que sair de algum lugar. As autoridades competentes precisam tratar a saúde como investimento, definindo como e onde as verbas serão empregadas”, finaliza


MIRANTE

ROGÉRIO D SILVA/SECOM

No dia de seu aniversário, Joinville recebeu de volta um presente. Depois de seis anos, foi liberada a visitação à estrutura do Mirante. O equipamento permite visão panorâmica de Joinville, da Baía da Babitonga e de parte da Serra do Mar, contando com trilha elevada e janela de contemplação. O Mirante tem altura de 14,5 metros e área de 70 metros quadrados. Já a janela de contemplação, com 10 metros de altura, oferece visão diferenciada do bairro América e de pontos das regiões Norte e Oeste da cidade. As pessoas que pretendem visitar o Mirante do Boa Vista podem se deslocar até o local com uma linha exclusiva de ônibus. O transporte sai diariamente do Terminal Central.

VIAGENS

Volta da tributação sobre remessas ao exterior Quem planeja embarcar para o exterior a turismo, negócios, treinamento ou missões oficiais pode até não saber, mas desde janeiro deste ano viajantes com esse perfil estão pagando mais caro para gastar fora do país. Até dezembro de 2015, as operações eram isentas do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), mas neste ano a taxa voltou. No início de março, o governo publicou medida provisória que estipulou a cobrança de 6% sobre o valor desembolsado em viagens dessa natureza. “Quando houver a remessa de dinheiro para o exterior para a cobertura de tais serviços, o banco reterá 6% de IRRF. Ou seja, ao remeter os recursos, será necessário acrescentar 6% de IRRF, que serão descontados pelo banco”, explica o advogado Gleidson Henrique Karnopp, da Lins Karnopp Advogados. Pela lei, o contribuinte do imposto de renda é aquele que aufere a renda, ou seja, quem presta os serviços. Como é difícil fiscalizar e exigir o pagamento do contribuinte, utiliza-se do artifício da retenção na fonte. Dessa forma, quem remeter o dinheiro já paga antecipadamente o imposto que seria devido pelo prestador. No final das contas, cidadão e empresas brasileiras deverão arcar com esse custo, salvo os casos de remessas feitas a empresas com sede em países com os quais o Brasil mantenha acordos para evitar a bitributação.

O cenário impacta diretamente no setor turístico nacional, na opinião da gerente de marketing da Olimpiatur, Simone Kalbusch. “Mais do que nunca,

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fica a ideia de que é mais caro consumir por aqui. Sabemos que não é bem assim, mas essa visão contribui para o desaquecimento do setor turístico como um todo. A tributação, agora, ficou equiparada à taxa do IOF. De todo modo, ainda precisamos avançar mais nessa área”. A simples movimentação de recursos, não relacionada ao pagamento de serviços, assim como os pagamentos feitos diretamente com cartões de crédito, não são tributados pelo IRRF. A pessoa física está sujeita apenas ao IOF de 6,38% sobre a operação de câmbio no cartão quando adquire esses serviços diretamente. Continuam isentas da cobrança as remessas ao exterior para fins educacionais, científicos ou culturais, bem como as destinadas ao pagamento de taxas escolares, de inscrição em congressos, seminários e de exames de proficiência. Remessas por pessoas físicas, residentes no Brasil, para despesas médico-hospitalares com tratamento de saúde no exterior, também permanecem isentas.

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EM NÚMEROS

Nem com o dólar alto Esperança para recuperar as exportações – em Joinville, superadas desde 2012 pelas importações – a alta do dólar não surtiu o efeito desejado: os 12 meses de 2015 se apresentaram favoráveis às importações. Para completar o cenário, nossas compras sofreram forte queda em relação a 2014, e 2016 não promete melhora. IMPORTAÇÕES

VALORES EM US$ MILHÕES.

VALORES EM MILHÕES DE KG.

EXPORTAÇÕES

353,9

94,1

O desempenho em 2016 Os gráficos ao lado mostram o desempenho da balança comercial em Joinville nos dois primeiros meses de 2016, em comparação com o mesmo período de 2015. Enquanto as exportações tiveram pequena baixa, Joinville comprou em 2016 quase a metade do que em 2015. Pelo peso dos produtos, compramos pouco mais e vendemos bem menos em 2016.

62,8 50,2 189,9 157,3

150,0

JAN/FEV

JAN/FEV

JAN/FEV

JAN/FEV

2015

2016

2015

2016

Os 20 maiores: de quem Joinville comprou nos dois primeiros meses de 2016. China se mantém no topo, mas apresentou queda de 53,4% em relação ao mesmo período de 2015 VALORES EM US$ MILHÕES.

China Estados Unidos Alemanha Chile Colômbia Taiwan (Formosa) México Itália Coreia do Sul Peru Africa do Sul Reino Unido Argentina França Cingapura Índia Japão Malásia Espanha Bélgica

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73.342.858 16.409.986 15.385.472 15.371.815 9.482.153 7.079.375 6.078.296 5.471.603 5.453.844 3.761.490 3.627.061 3.266.240 3.002.524 2.825.666 1.874.442 1.664.380 1.540.989 1.523.876 1.402.737 914.645

54,4

Onde fica


Favorável às importações

808,4 563,3

Saldo da balança comercial em 2014 e 2015

Queda já em 2015

2014

A partir de 2012, as importações ultrapassaram as exportações em Joinville.

VALORES EM US$ MILHÕES. 2.500

A partir daí, o cenário se tornou mais agudo, com queda contínua das exportações e crescimento consistente das importações. Em 2015, nem a alta do dólar serviu de estímulo: a queda nas exportações se manteve, e já preocupava a desaceleração das importações, com queda de 27,9% em relação a 2014. Esse recuo colocava as importações joinvilenses nos níveis de 2011.

2015

2.080,0 2.000

1.626,2 1.500

1.272,0 1.062,9

1.000

600,3 500

156,7 0 2000

2005

2010 2011 2012 2013 2014 2015

Os 20 maiores: para quem Joinville vendeu nos dois primeiros meses de 2016 EUA e México responderam por 40,8% das vendas da cidade VALORES EM US$ MILHÕES.

Estados Unidos México Argentina Alemanha Reino Unido Itália Paraguai Japão Colômbia China África do Sul Tailândia Turquia Bolívia Egito França Chile Bélgica Equador Uruguai

35.359.629 25.969.874 10.971.050 10.290.628 6.625.019 6.265.684 4.957.455 3.969.511 3.915.516 3.724.211 3.561.008 3.465.452 3.141.031 2.742.611 1.974.409 1.843.475 1.763.865 1.520.669 1.507.462 1.481.523

Onde fica

FONTE: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO - SECRETARIA DO COMÉRCIO EXTERIOR

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PROJETO JOIN.VALLE

Uma cidade mais criativa, inteligente e humana Na véspera da apresentação do projeto batizado de Join.Valle, Joinville sediava, pela primeira vez, o Startup Weekend. Iniciativa do projeto Startup SC, do Sebrae em Santa Catarina, o evento transcorreu entre 26 e 28 de fevereiro, na Acij. Três projetos inovadores foram premiados. O campeão foi o Listen, uma solução de correção auditiva para smartphones. Em segundo lugar, ficou o Colete.me, plataforma para coleta e destinação de lixo reciclável, e em terceiro, o Voluntei, plataforma para ajudar médias e grandes empresas a resolver a necessidade de responsabilidade social. Ao todo, o Startup Weekend reuniu 120 empreendedores que formularam 14 startups. Os resultados sinalizam que Joinville tem grande potencial para desenvolver um ecossistema criativo, pela via do estímulo ao empreendedorismo, fomento à capacitação e inovação tecnológica. E esse é justamente um dos objetivos do Join. Valle, que pretende estimular a diversificação da matriz produtiva e de serviços relacionados, melhorando a qualidade de vida da população e reforçando a competitividade. Concebido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Join­ville (Side), propõe um novo paradigma de gestão do espaço urbano dentro do princípio de Cidades Inteligentes e Humanas (Human Smart Cities). O conceito surgiu na Europa e virou tendência mundial relativa ao emprego de práticas de sustentabilidade, ao uso da Internet das Coisas e à aplicação de soluções intensivas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs) como instrumentos para tornar cidades mais inteligentes, otimizando os aspectos da vida urbana. “O futuro é promissor, mas o momento presente é desafiador. Por isso, precisamos pensar em alternativas para atender às novas demandas e estar preparados para ter um diferencial de atrativo econômico e de desenvolvimento sustentável”, disse o prefeito Udo Döhler, em apresentação do projeto na Acij.

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BANCO DE IMAGENS

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De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Danilo Conti, dois caminhos acabaram convergindo para que o projeto nascesse. O prefeito apresentou a proposta da implantação do Parque Tecnológico do Norte Catarinense, que ficará localizado numa área de 1,2 milhão de metros quadrados, anexa ao futuro campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), às margens da BR 101, na Zona Sul de Joinville. O secretário sugeriu que se criasse, primeiro, um ecossistema de inovação, com a elaboração de um programa municipal. Consequentemente, o parque teria maior aderência. “O segundo fator foi a aproximação da prefeitura com a Rede Brasileira de Cidades Humanas e Inteligentes. O prefeito esteve em um seminário internacional, em Portugal, e observou que poderia ser aplicado esse conceito em Joinville. Cidades Humanas e Inteligentes são o futuro da gestão pública municipal, onde todos – população, setor público e privado – trabalham e participam juntos para o desenvolvimento de soluções”, ressalta Conti. No Join.Valle, a população participaria diretamente no processo de inovação, no mundo da economia criativa e dos negócios sociais, criando novas soluções para suas necessidades – o que transformaria as pessoas em cocriadoras com o poder público, setores empresariais e acadêmicos. As soluções seriam voltadas a todos os aspectos da vida urbana de qualidade: economia, educação, energia, meio ambiente, recreação, segurança, resíduos sólidos, saúde, emergências. A fórmula para apoiar a transformação se baseia nos seguintes princípios: infraestrutura tecnológica, democratização do acesso à internet e criação de um ecossistema criativo. Essas metas seriam atingidas por

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meio da promoção do desenvolvimento econômico sustentável do município, o fomento ao empreendedorismo criativo, o incentivo a atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I) de novos produtos, processos e modelos de negócio, atração de empresas de base criativa e geração de emprego e renda de alto valor agregado, a fim de ampliar a competitividade da matriz econômica atual. O Join.Valle propõe um diálogo profundo entre poder público, iniciativa privada e universidades, visando estabelecer um entendimento amplo da população sobre o movimento para garantir apoio e aderência. A Secretaria de Integração e Desenvolvimento Econômico (Side) vai mobilizar entidades de classe para que participem das plataformas que serão difundidas nesse programa e contribuam com ideias e ações para colocar em prática ações de desenvolvimento voltados à economia criativa, principalmente via startups. Essas bases demandam a criação de laboratórios e parques tecnológicos, como também o investimento em processos de gestão e na educação. “Em Joinville, existem grupos informais, que trabalham isoladamente. Muitas vezes, não têm força para mudança. A ideia é convidá-los para as reuniões de nossa agenda de trabalho, tornando o espaço forte e intenso”, explica Conti.


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Pompeo Scola, presidente do Instituto Miguel Abuhab (IMA), aponta que Joinville tem tamanho e complexidade para viabilizar o projeto. “Novas cadeias relacionadas à economia criativa crescem e o Join.Valle atua como catalisador, multiplicando e acelerando sua presença no município. Representa um marco na transição sociocultural e econômica. É o passaporte para uma Joinville forte, moderna, sustentável e com ótima qualidade de vida”, ressalta. De acordo com Scola, há uma via de duas mãos: o instituto é parceiro valioso do projeto, enquanto articulador, mentor e curador, ao mesmo tempo em que o sucesso do Join.Valle potencializará os objetivos da entidade. “O IMA é agente proativo do ecossistema da inovação em Join­ ville. Atua articulando e conectando os demais atores desse ecossistema, como fundos, anjos, mentores, aceleradoras, poder público, academia, entre outros. Nossos conhecimentos, experiência, visibilidade nessa área e networking serão úteis para o projeto”, justifica. O Join.Valle traz uma política de desenvolvimento pautada em quatro linhas de atuação: o Join.Valle.Money, com a criação do ISS Criativo para estimular iniciativas que participam dos setores estratégicos do programa, fomentando o empreendedorismo criativo; o Join.Valle.Lab, um “Hub

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À esq., o Instituto Miguel Abuhab, parceiro do Join.Valle; no alto, a apresentação do projeto na Acij; acima, o Startup Weekend Joinville

de Inovação Aberta” destinado a co-criar uma cidade ou uma empresa em seus diferentes espaços a partir de inovações por eles acelerados; o Join.Valle.Digital, plataforma de promoção e atração de investimentos e de valorização do potencial da inovação e da economia criativa no município; e finalmente o Join.Valle.Free, plataforma de apoio às iniciativas que ofereçam um ambiente adequado e relevante aos setores incentivados.

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A Linx, com filial em Joinville, fornece softwares de gestão para varejo, incluindo moda e acessórios

Tecnologia da informação e comunicação: uma nova cultura O Join.Valle visa à melhor utilização de dados e informações gerados – o Big Data – para promover a melhoria na vida das pessoas, aumentando a oportunidade econômica daqueles ainda não conectados à internet. A ideia é oferecer infraestrutura tecnológica para a democratização do acesso e o uso de plataforma de código aberto na nuvem, de maneira a permitir que dados possam ser disponibilizados abertamente para toda a população, por meio de APIs (Interfaces de Programação de Aplicações) públicas para construção de aplicativos inteligentes. Selecionou-se a plataforma FIWARE, criada pela União Europeia, a fim de construir um ecossistema sustentável, aberto ao público, com normas de plataforma de software orientada à implementação livre de royalties. Em teoria, tudo estará disponível ao público para que vários prestadores de serviço, alunos, pesquisadores e outros possam emergir mais rapidamente com suas soluções na Cidade Inteligente e Humana, com proposição de baixo custo.

 ionei Domingos, presidente do Núcleo de Desenvolvedores de Software da Acij, espera D que o Join.Valle seja um divisor de águas para o mercado de TI em Joinville. “O projeto é sustentado por software: as integrações dos diversos agentes se darão via software, e o modelo proposto de co-criação permitirá às nossas empresas participar com propostas de demandas e soluções. Outro ponto é que diversas informações (coletadas até em fornecedores de serviços públicos) serão acessíveis a um número muito maior de empreendedores, o que tende a incentivar o surgimento de startups”, esclarece. “Para o mercado de software em Joinville, esperamos que o projeto consiga alavancar novos negócios que também alterem o perfil atual, hoje bastante concentrado em softwares de gestão”, analisa o profissional.

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Dionei Domingos ressalta a importância do segmento para a economia de Joinville, seja pelos impostos arrecadados (direta e indiretamente), seja pelos postos de trabalho qualificados, como também pelas soluções distribuídas por todo o Brasil e exterior. “Excluindo as que comercializam hardware e de serviços técnicos, Joinville tem registro de mais de 700 empresas, que na sua esmagadora maioria são de pequeno porte”, evidencia, justificando que um dos fatores determinantes para esse cenário é a qualidade e disponibilidade de mão de obra. Berço da maior desenvolvedora de software de gestão do Brasil, a Totvs, o mercado de software no município, segundo Domingos, passa pela consolidação e fortalecimento de pequenas e médias empresas, aliada ao surgimento de prósperas startups, que deixam suas marcas. “Além disso, há uma movimentação extremamente saudável de várias entidades – além da Acij, com seu núcleo de empresas de software, temos diversos agentes locais prio-


rizando suas ações com vistas à TI, a incubadoras, sindicatos, entidades patronais, associações de empresas, universidades, prefeitura etc”, lembra o presidente do núcleo. Uma das empresas de ponta no setor é a Linx, líder no fornecimento de softwares de gestão desenvolvidos especificamente para o varejo. Com 39 mil clientes, está há cerca de 30 anos no mercado e soma 2.800 funcionários – distribuídos na matriz em São Paulo e em filiais, como a de Joinville, além de representantes e franquias de outros Estados. “Joinville sempre foi polo de desenvolvimento de tecnologia e está representada por várias empresas de ponta. Precisamos pensar no futuro: onde estaremos nos próximos 20 ou 30 anos? As hipóteses se multiplicam: biotecnologia, Internet das Coisas, mobilidade. E temos diferenciais na região, universidades formando mão de obra cada vez mais qualificada e empresas ávidas por tornar esse futuro o mais próximo possível”, reflete William Santos, diretor comercial da Linx para a Região Sul.

A Linx trabalha com software de gestão para o varejo, em ramos como moda e acessórios, postos e lojas de conveniência, farmácias, estética e saúde, perfumaria e cosméticos. As soluções vão da gestão empresarial à automação comercial completa, integradas com meios de pagamento, e-commerce, mobilidade, entre outros. “O varejo tem alta rentabilidade, capilaridade e um potencial de crescimento grande. O JoinValley virá ajudar com o conhecimento, acelerando processos e mostrando ao mundo nosso diferencial competitivo no desenvolvimento de tecnologias, atraindo um número maior de profissionais e investimentos ainda maiores para a região”, avalia.

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Localizada no Inovaparq, a startup Biofractal é voltada para engenharia e biotecnologia ambiental, com foco em tratamento de efluentes

Impulso para a biotecnologia Além de promover a ampliação da competitividade dos setores tradicionais da região de Joinville – metalmecânico, plástico, eletroeletrônico, têxtil, confecção, químico, automobilístico, serviço e comércio –, o projeto Join. Valle visa inovar em setores estratégicos como a Economia Criativa, Economia Verde, Life Sciences (saúde, fármacos, biotecnologia), Logística (mobilidade), Materiais e TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação). “Os setores foram mapeados a partir de um estudo que a Fundação Certi fez dentro do Parque de Tecnologia do Norte Catarinense. São os chamados ‘setores portadores de futuro’”, explica o secretário Danilo Conti. A área de biotecnologia, por exemplo, ainda é pouco desenvolvida em Joinville. Mas o problema é nacional – o setor ainda é caracterizado por empresas estrangeiras que dominam o mercado mundial. “A biotecnologia, principalmente na área ambiental, precisa popularizar suas aplicações para que seu escopo se amplie. De nada adianta desenvolver um produto muito bom com um preço de venda elevado, ninguém vai pagar por isso. Infelizmente, a área ambiental ainda é vista como despesa, e não investimento, em muitos casos. É uma realidade na-

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cional, mas Joinville pode, sim, ser pioneira na mudança desse cenário”, analisa Nelson Libardi Junior, engenheiro ambiental, mestre em Engenharia de Processos e um dos idealizadores da Biofractal, startup operacional de engenharia e biotecnologia ambiental, que atua no desenvolvimento produtos, processos e serviços para aplicações ambientais, com foco em tratamento de efluentes. Contemplada com a primeira colocação na categoria Micro Empresa no 3° Prêmio Joinville de Inovação, em 2015, a Biofractal tem por objetivo auxiliar seus clientes a reduzir seus impactos ambientais, lançando efluentes dentro do padrão exigido pela legislação. A startup propõe uma mudança de conceito que busca alterar o status dos processos de tratamento de efluentes de obrigação legal para interesse econômico. “Lançar o efluente tratado é uma consequência secundária de um processo por meio do qual é possível fabricar produtos. Pesquisas estão em desenvolvimento, como a produção de biopolímeros em uma Estação de Tratamento de Esgoto. Ou seja, num futuro próximo será possível viabilizar a produção de bioplásticos a partir de esgoto”, conta Nelson. Os principais clientes da startup são indústrias, municípios, construtoras e administradoras de condomínios. “Nosso trabalho também envolve parcerias com universidades e centros de pesquisa. O objetivo é envolver a região e contribuir com o meio ambiente local.” O negócio nasceu em 2014, em uma sociedade entre Libardi e Fabiano Pontes Mendonça, engenheiro ambiental, pós-graduado em Engenharia Sanitária e Ambiental, técnico em Eletrônica e professor da Universidade da Região de Join-

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Os idealizadores da Biofractal, startup que se destacou no 3º Prêmio Joinville de Inovação

ville (Univille). A equipe da Biofractal conta com especialistas, mestres e doutorandos nas áreas de química, engenharia ambiental e biotecnologia. Mantém parceria com a Univille, que proporciona compartilhamento de laboratórios e estrutura. Os bolsistas envolvidos nos projetos são alunos ou egressos do curso de engenharia ambiental. A empresa se encontra alocada no Parque de Inovação Tecnológica de Joinville e Região (Inovaparq), espaço situado no Perini Business Park que visa apoiar empresas na tomada de decisões e antecipar tendências para negócios com estudos realizados por professores e alunos. “O Inovaparq pemite que estejamos estrategicamente próximos à universidade, que é o local onde há formação de pessoal que vem sendo absorvido pela empresa e favorece nossas parcerias estabelecidas”, frisa Nelson.

Em 2016, a Biofractal objetiva o desenvolvimento de novos produtos e processos e expansão do número de clientes. “O investimento em P&D tente a aumentar cada vez mais. A Biofractal quer se consolidar como referência na área de biotecnologia ambiental da região”, expõe o engenheiro ambiental. Para ele, o investimento neste setor se torna interessante quando o benefício retorna para a sociedade. “Investir em saneamento tem retorno direto para a sociedade, em aspectos como a saúde da população. Investir em biotecnologia para saneamento é investir em soluções avançadas e eficientes. Há necessidade de investimento nos pequenos, e não simplesmente o tradicional apoio a multinacionais. O Join.Valle deve estar ao lado dos pequenos empreendedores que nascem na cidade.”


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FERNANDO WILLADINO/DIVULGAÇÃO FIESC

CONJUNTURA

Pilares da indústria

Documento foi entregue em mãos ao vice-presidente da República: bases para o horizonte necessário ao aprimoramento do setor

Fiesc aponta prioridades para o desenvolvimento das empresas catarinenses, com ênfase em infraestrutura “Condições para trabalhar, investir e gerar empregos” – é, em síntese, o que a indústria pleiteia ao governo, na expectativa de vislumbrar o horizonte necessário ao crescimento sustentado da economia. O recado foi dado pelo presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte, ao entregar, em mãos, ao vice-presidente da República Michel Temer, o documento batizado de “15 Ações Prioritárias para a Indústria Catarinense”. Em três páginas, o material aponta as demandas mais significativas para o desenvolvimento do setor, na perspectiva do empresariado. Entre outros aspectos, defende “a transferência de ativos, concessões e parcerias” para a iniciativa privada, sublinha que políticas públicas devem ter foco no aumento da produtividade e da competitividade, e prega a modernização das relações de trabalho. Na abertura, Glauco Côrte lembra que Santa Catarina é a sexta maior economia do país, o quarto Estado em número de indústrias e o quinto em trabalhadores, argumentando para a necessidade premente de se criar um ambiente econômico estimulante, a partir da cooperação entre setor público e privado. O presidente da Fiesc detalhou a importância desse documento em entrevista à Revista 21.

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ORIGEM DO DOCUMENTO O que é apresentado no documento é fruto de intensos debates internos e externos, contando com a participação dos diversos agentes ligados aos temas, inclusive o governo e as universidades. O Programa de Desenvolvimento da Indústria Catarinense (PDIC 2022) é a grande fonte de informações, por fomentar e resultar de debates setoriais importantes sobre a realidade industrial do Estado, assim como estudos recentes sobre custos de logística, produtividade, entre outros. A Fiesc é o grande fórum de defesa dos interesses da indústria. Nesse contex-


to, as prioridades foram levantadas em pesquisa de opinião junto aos industriais, realizada para produção da Carta da Indústria Catarinense, nas últimas eleições. Esse trabalho é atualizado nas reuniões de diretoria, das câmaras setoriais e dos fóruns estratégicos e consolidado pelos especialistas que compõem o corpo técnico da Federação.

DEMANDAS ESSENCIAIS A principal intenção da Fiesc é apresentar formalmente ao governo e autoridades as demandas essenciais para que o potencial pleno da indústria seja alcançado. A indústria reconhece a necessidade de evoluir como setor produtivo. A lógica competitiva moderna exige esforços contínuos de inovação, agregação de valor, adequações dos produtos às demandas. Mas só isso não basta, pois grande parte das questões ligadas à competitividade está fora das fábricas. Assim, explicitar as necessidades da indústria é um passo fundamental para articular as forças promotoras das mudanças necessárias ao aumento da sua competitividade.

MOMENTO DESAFIADOR O momento econômico atual é desafiador e exige ações diferentes das anteriores, tanto do setor público quanto do privado. De maneira inédita, temos uma crise econômica, política, social, de governança e, sobretudo, ética, o que a torna peculiar e complexa. O setor público precisa encaminhar reformas que favoreçam a produtividade do setor privado, além de se alinhar à lógica da competitividade. Muitos dos objetivos amplamente preconizados pelo setor público,

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sendo o desenvolvimento social o principal deles, apenas ocorrerão com a existência de um setor privado produtivo e competitivo. Por outro lado, o setor privado não pode se aliar ao setor público para práticas ilegais. Deve, sim, esperar e depender menos do governo e enfrentar os desafios da crise para se fortalecer. Do setor público, deve exigir, sim, essa é a palavra certa, menos governo e mais governança. Os entraves visíveis escondem as oportunidades que direcionarão a economia, novamente, para uma rota de crescimento.

AGENDA CONVERGENTE Muitas das prioridades apresentadas são de caráter sistêmico e englobam a realidade nacional. O PDIC 2022 contribui na articulação e conjugação de uma agenda convergente e coloca a indústria como centro da estratégia de desenvolvimento. No tocante ao ambiente institucional, Estado e governança, ajuste fiscal, política monetária e industrial e relações trabalhistas, a grande maioria das ações deve ser realizada em âmbito nacional, fomentando assim desdobramentos estaduais. Em relação ao sistema tributário, Santa Catarina pode ser exemplo, principalmente, na simplificação das obrigações acessórias e implementação de plataformas de e-governo. O Estado já conta com alguma estrutura nesse sentido, porém, ainda há muito a ser implementado. Tratando-se da inserção externa da indústria, Santa Catarina conta com indústria robusta e produtos reconhecidos por sua qualidade. A atual reversão cambial tem favorecido a exportação, o que traz estímulos em direção a uma melhor inserção externa. Em âmbito nacional, é necessário avançar

na abertura comercial, por meio da formalização de acordos bilaterais de comércio exterior.

TRANSPORTE, LOGÍSTICA E PORTOS Santa Catarina tem quatro dos dez melhores portos do Brasil, mas apresenta carências na interconexão de sua estrutura produtiva. O Oeste sofre devido aos custos de transporte para abastecimento e escoamento da produção, o que seria resolvido com o investimento na melhoria das rodovias e implantação de sonhada ferrovia. As BRs do Estado estão em precária condição e com sua utilização próxima da sua capacidade ou saturadas, o que aponta a necessidade de ampliação. Os portos precisam de modernização para suprir a demanda existente, que advém, inclusive, dos outros Estados brasileiros. Os dois últimos temas dessa agenda, energia e meio ambiente, são importantes para o Brasil e para Santa Catarina. A simplificação da legislação ambiental deve ser executada para dar celeridade aos processos industriais. Energia é o insumo básico da indústria e Santa Catarina apresenta condição superior à média do Brasil, mas precisa fazer com que esse diferencial se reflita no custo da energia que recebe e na qualidade. A política para o carvão mineral deve representar não só uma estratégia na geração de energia, como também fomento deste setor no Estado. O aumento do suprimento de gás natural tem que ser solucionado.

VALORIZAR A INICIATIVA PRIVADA O principal resultado desejado pela

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indústria é o desenvolvimento socioeconômico, com maior geração de emprego e renda e melhor qualidade de vida para as famílias. Para isso, é necessário valorizar a iniciativa privada. A indústria tem muito a oferecer para a sociedade. O fomento de um setor produtivo robusto eleva as condições de qualidade de vida e desenvolvimento humano, mas isso depende do suporte e cooperação dos diversos agentes. É preciso colocar a indústria no centro da estratégia nacional. O desenvolvimento passa por maior competitividade industrial. Ser mais competitivo significa inovar, agregar valor, ampliar a capacidade de encaminhar as diversas dinâmicas setoriais, e é assim que a indústria precisa estar posicionada daqui para a frente. Sem indústria, não teremos desenvolvimento.

Portos são qualificados, mas há carências na conexão da estrutura produtiva

MÁRIO CÉZAR AGUIAR

A infraestrutura jogando a favor Quinto Estado brasileiro com maior produção industrial, Santa Catarina sofre há décadas com infraestrutura precária e defasada. Faltam ferrovias e hidrovias, nossas rodovias e aeroportos operam muito além de suas capacidades e a demanda por gás natural já é superior à oferta. Infelizmente, as perspectivas não são das mais animadoras. A quase totalidade de obras públicas no Estado sofre com problemas como demora no licenciamento, contingenciamento de verbas, desapropriações lentas e descumprimento de prazos. Para impulsionar uma mudança nesse cenário, a Fiesc, com base em estudos e debates, elaborou o documento que foi entregue ao vice-presidente Michel Temer no começo deste ano, contendo demandas do setor produtivo de Santa Catarina.

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Algumas das ações propostas focam na resolução dos principais gargalos de infraestrutura, que inibem o crescimento econômico do nosso Estado. Está ali exposta a necessidade de construção de ferrovias para atender diversas regiões do Estado, facilitando a ligação de nossos eficientes portos com a malha ferroviária nacional e reduzindo os custos logísticos e a sobrecarga das rodovias. No modal rodoviário, que concentra 62% da matriz de transportes, foram cobradas a adequação da capacidade de trafego e o aumento da segurança das estradas que atravessam o Estado, como as BRs 101, 116, 163, 280, 282 e 470, entre outras. Na questão energética, destacam-se a ampliação do gasoduto Bolívia-Brasil, que hoje não conse-

gue atender a toda a demanda, a expansão da malha de transporte dutoviário do governo federal e o incentivo à construção de usinas termelétricas movidas a carvão mineral, que é abundante na Região Sul. Essas e outras questões apresentadas no documento formam um desafio aos orçamentos e à gestão dos poderes públicos: apenas em infraestrutura, são necessários R$ 14,9 bilhões. Em razão da escassez de recursos públicos, faz-se imperativa a participação da iniciativa privada, seja por intermédio de concessão ou parcerias público-privadas, as PPPs. A participação do setor privado requer, no entanto, um ambiente jurídico estável e uma taxa de retorno atrativa, buscando o equilíbrio entre os interesses dos usuários e dos investidores. Assim, os


AÇÕES PRIORITÁRIAS

Proposições levantadas pela Fiesc vão da política monetária à energia e ao meio ambiente POLÍTICA MONETÁRIA Iniciar o processo de redução da taxa básica de juros, melhorando as condições de retomada dos financiamentos e empréstimos pela indústria. POLÍTICA INDUSTRIAL Aumentar o prazo de carência para os empréstimos contratados pela indústria junto ao sistema financeiro nacional e, em face da crise, autorizar a renegociação da postergação de sua amortização, utilizando como garantia os depósitos compulsórios. FERNANDO WILLADINO/DIVULGAÇÃO FIESC

SISTEMA TRIBUTÁRIO Simplificar o sistema tributário e as exigências das obrigações acessórias.

projetos terão continuidade e o usuário terá a nítida sensação de que o beneficio obtido com a maior eficiência e segurança supera o seu dispêndio. É preciso, ainda, ir além dos investimentos pontuais. Deve ser adotada uma visão sistêmica, que inclua a intermodalidade. Isso permitirá a diversificação da matriz de transporte e levará a uma melhoria da logística, contribuindo definitivamente para o aumento da competitividade dos produtos catarinenses. Mário Cézar Aguiar Primeiro vicepresidente da Fiesc

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INSERÇÃO EXTERNA DA INDÚSTRIA Ampliar a inserção da indústria brasileira no comércio internacional, com maior abertura comercial e busca de acordos bilaterais de comércio em todas as economias relevantes – Estados Unidos, União Europeia e Ásia.

DIVULGAÇÃO

163 e 116, investir na adequação da BR 101 no sentido norte, manter e restaurar a BR 153, 158 e finalizar as obras do trecho da BR 285. PORTOS Adequar e manter as bacias de evolução e canais de acesso compatíveis para navios com 366 metros de comprimento, 52 metros de boca e 15,5 metros de calado operacional, em qualquer condição de tempo e maré.

RELAÇÕES TRABALHISTAS Promover a modernização e adequação das relações de trabalho à nova realidade produtiva e às exigências da competitividade, fortalecendo a negociação coletiva entre os sindicatos dos trabalhadores e dos empregadores.

ENERGIA Ampliar o Gasoduto Bolívia-Brasil e construir novos gasodutos de transporte: inclusão no Plano Decenal de Expansão da Malha de Transporte Dutoviário do Governo Federal (Pemat). Implantar política para o carvão mineral, visando incentivar a construção de usinas termelétricas movidas com este energético na Região Sul.

TRANSPORTE E LOGÍSTICA Implementar os eixos ferroviários: Corredor Ferroviário Catarinense (Leste-Oeste), Ferrovia Norte/Sul e Ferrovia Litorânea. Ampliar a capacidade das BRs 280, 282, 470,

MEIO AMBIENTE Conferir maior racionalidade à legislação ambiental, que atualmente conta com mais de 27 mil normas federais e estaduais de meio ambiente.

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Hermanos Street Food, que oferece sanduíches especiais, comemorou publicamente a aprovação da lei

AGORA É LEI

Food trucks regulamentados O que muda com o novo modelo de negócio em Joinville Marcela Güther. Cozinha móvel, de dimensões pequenas, sobre rodas, que transporta e vende alimentos de forma itinerante. O termo e a ideia dos chamados food trucks remontam ao Texas, nos Estados Unidos, em meados do século 19. Charles Goodnight adaptou um caminhão militar para transportar alimentos e refeições aos que viajavam milhas para manejar gado. Com o tempo, surgiram alternativas

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e complementações ao modelo de negócio, mas a maioria oferecia alimentos prontos ou de fácil finalização. Depois da crise econômica de 2008, muitos chefs norte-americanos investiram na ideia para salvar seus restaurantes, sofisticando a velha tradição. A tendência, que tomou fôlego mundial, está sendo regulamentada em Joinville, onde a modalidade se popularizou a partir de eventos realizados em finais de semana na Expoville. Como qualquer outro negócio, o empreendimento de um food truck requer planejamento, conhecimento do mercado, análise de demanda, concorrência e vários outros fatores. Em outubro de 2015, a prefeitura sancionou lei municipal, normatizando a atividade. A Lei Complementar 443, de autoria do vereador Fábio Dalonso, tem o objetivo de regulamentar o comércio de alimentos em vias e espaços públicos e particulares nos food trucks. A Associação Joinvilense de Food Trucks aguarda a efetiva regulamentação, que visa à sadia exploração do setor e proporciona ganhos compatíveis, atraentes e permanentes, sem prejudicar outros estabelecimentos fixos ou ambulantes, de forma a manter o equilíbrio no mercado e viabilizar o incremento da atividade econômica. “Na regulamentação, constará a maneira de distribuição dos pon-


tos controlados pela administração municipal e os valores que os carros deverão pagar mensalmente”, aponta Rogério Dioti, vice-presidente da associação, sócio proprietário do Food Truck La Pasta Nostra e empresário no ramo de eventos. Entre as deliberações que a lei prevê, está o tamanho dos food trucks (permitido, no máximo, 6,3 metros de comprimento e 2,20 metros de largura, fechado). Os que atuarem em locais públicos devem ser, obrigatoriamente, itinerantes. Já os que ficarem em áreas privadas podem ser estacionários, desde que tenham a autorização dos órgãos competentes, como todo o comércio regular, cumprindo a legislação. Os itinerantes devem ter cozinhas fixas. A lei ainda determina alvarás, como de funcionamento, localização e sanitário. Cada veículo deve trabalhar com um segmento alimentício – o tipo mais comum são as hamburguerias – e as franquias podem ter, no máximo, duas unidades em espaços públicos. No processo de regulamentação, também estão sendo solicitadas as vistorias de órgãos como Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, Vigilância Sanitária, Secretaria do Meio Ambiente de Joinville (para a licença ambiental) e da Polícia Civil (para licença de venda de bebidas alcoólicas).

O Comitê Permanente de Desburocratização de Joinville auxiliou o projeto, sugerindo regras específicas. Milena Zimmermann de Freitas, suplente do comitê e analista de atendimento do Sebrae/Norte, lembra que várias capitais e cidades de grande porte, como Florianópolis, já dispõem de legislação específica para os food trucks. “A princípio, não se poderia montar um food truck na cidade, os empreendedores não sabiam como proceder. A legislação foi importante para orientá-los. Regula a questão de uma franquia ter mais de um local de atuação, os que só atuavam em eventos e tinham interesse de colocar mais uma unidade agora sabem o que fazer. Ajudou muito.”

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Nova lei regula o comércio de alimentos em vias e espaços públicos e privados pelos food trucks

Eventos gastronômicos incentivaram empreendedores Odair Figueiredo, empresário e organizador de eventos gastronômicos de food trucks, principalmente na Expoville e Joinville Square Garden, ressalta que essas promoções foram sucesso de público, atraindo de 20 a 30 mil pessoas. Ele participou da organização do Sabor Joinville, em comemoração ao 165° aniversário da cidade, nos dias 8 e 9 de março. A primeira edição contou com trucks e barracas de Joinville e região e ofereceu espaços gastronômicos para os chefs joinvilenses – além da presença de seis cervejarias artesanais. “Joinville é carente desse tipo de evento, sempre lota. Antes, o food truck era novidade, muitos vinham experimentar e conhecer o negócio. Agora, deixa de ser a atração principal dos eventos, então temos que investir em outras atividades no mesmo local”, aponta. O empresário participou da articulação da lei dos food trucks. Ele observa que a regulamentação tende a ocorrer após os primeiros eventos, já que muitos empreendem no ramo ao conhecer a nova modalidade. “É uma onda, que também passou por cidades como São Paulo e Curitiba. Depois do segundo evento em Joinville, foi criada a Associação Joinvilense de Food Trucks, levando a regulamentação a ser discutida com outras entidades”, explica. “Com a lei, a prefeitura determina os locais públicos onde os food trucks podem ficar. Esse é o grande ganho. Em Joinville, existem muitas praças abandonadas – com um food truck, pode-se atrair mais público para esses lugares”, aponta.

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Muita gente pensou que os tais caminhões seriam um fenômeno passageiro. “Mas nos surpreendemos, o público joinvilense comprou a ideia, o pessoal gosta de comida de rua”, diz Renato Stoklosa, sócio do irmão Rodrigo no Hermanos Street Food, um food trailer especializado em sanduíches. O Hermanos começou a participar de eventos em Joinville e região e hoje circula por outras cidades. O food trailer, diferentemente do truck, é puxado por outro veículo. “Nosso food trailer é diferenciado, temos uma tenda ao redor, com churrascaria a carvão. É inspirado nos Barbecue Smokers, dos Estados Unidos”, ressalta. Por enquanto, o Hermanos só participa de festivais. “Estamos avaliando a abertura de franquias em Chapecó, Blumenau e Jaraguá do Sul. Em Joinville, pretendemos criar outro food trailer, extensão de nossa matriz, para fazer um teste de mercado”, expõe. Segundo Renato, a lei dos food trucks tirou o negócio da informalidade. “Com a regularização, passamos a

Sanduíche de Costela 30 Horas, o mais famoso do Hermanos

ter um CNPJ, podemos regularizar os impostos, deixar tudo em dia. Isso fortaleceu a categoria.”

 Apesar do novo cenário, Rogério Dioti afirma que há muitos obstáculos para a consolidação dos food trucks em Joinville, com dificuldades que vão da situação econômica à falta de planejamento para os carros. “Muita gente concebeu seus veículos pensando nos eventos específicos de food truck. Porém, a tendência é de que esses eventos diminuam em número e público, pois apenas os adeptos passarão a frequentá-los”, avalia o vice-presidente da associação. Ele ressalta que é preciso tempo de maturação para que empreeendedores e clientes tenham a oportunidade de aperfeiçoar suas relações com a atividade.

Quer orientação? Vá ao Sebrae O Sebrae Norte fornece orientação para quem quer pilotar um negócio do gênero e garantir seu êxito. “Ajudamos a fazer um plano de negócios para saber se é um bom investimento e se é viável. Procuramos esclarecer tudo que é necessário sobre o local, o caminhão, as exigências legais. Podemos fazer planejamentos e pesquisas”, frisa a consultora Milena Zimmermann. O food truck segue as normas de microempresa – empresas que faturam anualmente valor menor ou igual a

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Milena, analista do Sebrae/Norte, dá suporte para abertura do negócio R$ 360 mil – e empresa de pequeno porte, com faturamento anual na faixa de R$ 360 mil a R$ 3,6 milhões. Para microempresas, o Sebrae dispõe do Sebraetec, que promove o acesso à inovação e a serviços tecnológicos. Com o pacote, é possível reduzir custos, otimizar processos e aumentar vendas. Já o Na Medida, focado nas necessidades do microempresário, prepara o empreendedor para agarrar oportunidades e lidar com situações difíceis.


PENINHA MACHADO

Empreendimento da Rede Condor, em construção, visa atender à demanda de clientes da Região Sul de Joinville

VAREJO

O bolso aperta, mas o setor se expande Em um cenário de instabilidade, o consumidor não compra como antigamente. Mesmo assim, o varejo joinvilense prevê investimentos crescentes, que ultrapassam os R$ 130 milhões, apenas em três projetos já confirmados A crise econômica pegou pesado com o varejo. Na região central de Joinville e em alguns bairros, é cena comum ver endereços comerciais cerrando as portas. Há poucas semanas, a imprensa divulgou um dado eloquente: o total de lojas funcionando em Santa Catarina caiu 13,8% de 2014 para 2015. “A queda na renda da população e a restrição ao crédito contribuíram para que o varejo tivesse, em 2015, o pior desempenho dos últimos 15 anos no Estado”, escreveu o colunista Cláudio Loetz, do jornal A Notícia. “O resultado fraco das vendas e o fechamento de lojas são reflexo de uma série de fatores que provocaram a desaceleração no consumo das famílias, interrompendo um ciclo de crescimento do mercado”, disse, na imprensa, o presidente da Federação do Comércio de Santa Catarina (Fecomércio/SC), Bruno Breithaupt. O balanço não parece assustar os players do setor em Joinville, que

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anunciaram recentemente planos de investimento superiores à casa dos R$ 130 milhões, considerando apenas projetos já confirmados. O primeiro destes marca a chegada a Santa Catarina da rede de supermercados Condor, a sétima no ranking nacional, com faturamento de R$ 3,6 bilhões em 2014, 10 mil funcionários e 41 lojas no Paraná, onde foi fundada em 1971. A filial joinvilense, no bairro Itaum, Zona Sul da cidade, exigiu aporte de R$ 50 milhões e vai oferecer um mix do 40 mil itens, viabilizando 700 empregos diretos, com 35 lojas anexas e praça de alimentação.

A escolha do endereço foi precedida de um estudo de mercado que apontou o potencial da região. “O nome do jogo é sobreviver às dificuldades e perenizar”, analisa Cláudio Loetz, comentando o panorama do setor. Segundo ele, isso vale tanto para grandes empreendimentos comerciais quanto para lojas de rua.

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Garten Shopping investe R$ 70 mi em expansão Apesar do cenário econômico pouco amigável, o Joinville Garten Shopping apresentou crescimento em 2015, comparando com o ano anterior. E ao longo de 2016 planeja continuar avançando. O Grupo Almeida Junior anunciou planos de expansão do shopping, que prevê ampliação de 8 mil metros quadrados e investimentos de R$ 70 milhões. Além disso, o empreendimento aposta em novas operações e na ampliação do mix de serviços, atividades e eventos voltados à família. “Temos um time comercial prospectando e apresentando oportunidades. O shopping está completando seis anos de fundação, com uma obra de expansão prevista e novos negócios chegando para ampliar o mix de opções de compra nos setores de gastronomia, moda e calçados. Com certeza, este ano é o melhor momento para as operações investirem e crescerem junto com o shopping”, relata Rafael Boettner, que assumiu em fevereiro a superintendência do Garten Shopping. Um dos empreendimentos de destaque que vai chegar à unidade é o Supermercado Belem, loja com conceito de empório e produtos do segmento premium, que também promete apresentar itens do dia a dia a preço competitivo. Segundo Boettner, hoje o consumidor procura mais que bom produto e bom preço: quer uma experiência diferenciada que o motive a retornar àquele local, e se a premissa vale para estabelecimentos SÉRGIO TORMES/DIVULGAÇÃO

Garten Shopping vai ampliar área em 8 mil metros quadrados

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consolidados é mais imprescindível ainda para novos negócios, instalados dentro ou fora de centros comerciais. Já o Shopping Mueller ampliou sua abrangência com 11 novas operações, além de estabelecimentos que passaram por expansão e renovação. “Temos compromisso e obrigação com esta expectativa. Para isso, trabalhamos com planejamento estratégico alinhado com nossos lojistas empreendedores e com novos visionários, que aproveitam momentos de crise para desenvolver negócios inovadores aproveitando as oportunidades deste cenário”, relata a superintendente Áurea Raquel Pirmann. Para este ano, o Mueller espera crescer 10% e prevê prospecções de novos empreendimentos em segmentos como tecnologia, serviços, moda e gastronomia. O investimento deve ficar em torno de R$ 11,5 milhões, para atualização e reforma de uma das importantes âncoras do shopping, projetos de sustentabilidade, incluindo a eficiência energética e meio ambiente e projetos especiais, como segurança, informações e serviços aos clientes.

Em um cenário de retração, é anda mais importante que o cliente seja compreendido e tratado de maneira particular, para que tenha contempladas suas expectativas e necessidades. A superintendente do Mueller reitera que, nesse contexto, as experiências com as marcas passarão a ser ainda mais relevantes, já que o ato de compra está se tornando mais utilitário e menos impulsivo: “A venda deverá mais inteligente, estratégica e sedutora. Ou seja, cada detalhe vai contar para a conquista da venda, em um processo que precisa fazer sentido para o consumidor”.


ANDRÉ KOPSCH/DIVULGAÇÃO

Supermercado, shopping e nova loja da Havan estariam nos planos Outras notícias recentes falam em possíveis investimentos do varejo mirando no longo prazo, para quando se espera maior estabilidade na economia. Um dos projetos envolveria o Grupo Carrefour, que, segundo a imprensa, estaria à espera de licença ambiental para iniciar os procedimentos de compra de um terreno na Avenida Santa Catarina, Zona Sul do município. No ano passado, o grupo inaugurou 12 novas lojas no país. Além da instalação de grupos supermercadistas, estaria sendo estudada a instalação de uma terceira unidade da Havan em Joinville e a prospecção para a vinda de um shopping-center na Zona Sul. A informação é de que se trata de um empreendimento com 200 lojas, além de âncoras, para atender às necessidades da população da região e de cidades próximas, como Barra do Sul e São Francisco do Sul. Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Joinville e Região (Sindilojas), Raulino Esbiteskoski, os empreendimentos citados terão sua parcela significativa no cenário do varejo joinvilense, cada qual com sua peculiaridade. Um dos fatores importantes, para ele, é a geração de empregos, peça que move o comércio em todos os sentidos. Contudo, o clima ainda é de cautela, principalmente para pequenos varejistas. Esbiteskoski observa que houve, sim, uma queda de operações no município, com a retração do consumo, e foram poucos os lojistas que fecharam suas metas. “Os consumidores estão receosos, não há dúvidas. As datas festivas e horários diferenciados do comércio, assim como um bem elaborado plano

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Shopping Mueller espera crescer 10% e investe R$ 11,5 mi

de marketing, auxiliam nas vendas, mas muitos clientes estão na defensiva e mudaram seu comportamento de consumo, reduzindo gastos”. Uma dica valiosa para lojistas é se reinventar, modernizar e criar alternativas para o cliente. E uma ferramenta pode estar nas redes sociais, com público amplo e mídia a baixo custo. Essa é uma das estratégias do empresário José Manoel Ramos, proprietário da Victhoria Magazine, em Joinville. Para ele, a fórmula faz diferença na hora do atendimento rápido e eficiente. “Percebemos que o consumidor se informa muito mais antes de comprar qualquer produto. Muitas vezes, antes de vir à loja, já viu o produto e conversou com nossa equipe de casa mesmo”. Para chamar a freguesia, também é preciso caprichar nas vitrines, em campanhas publicitárias eficientes, além de investir em formação e motivação. “Não podemos fugir da responsabilidade de apresentar novidades ao consumidor. Muitas empresas estão equacionando suas operações para esta nova realidade econômica. É diante da crise que se cria oportunidades, e a chegada de novas empresas com grandes investimentos proporcionará a geração de mais empregos, o que aquece a economia e não deixa a cidade parar. É preciso ser criativo e se reinventar para aumentar as vendas e cativar ainda mais os clientes”, resume Esbiteskoski, do Sindilojas.

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HAPPY-HOUR

Para quem gosta de viver nas alturas Voo livre atrai praticantes oferecendo aventura, adrenalina e belas paisagens

Letícia Caroline. Ser levado pelo vento, a mais de 2 mil metros de atitude, com a oportunidade de contemplar a natureza intocada, as construções da área urbana e toda beleza que só quem voa bem alto pode enxergar. A experiência pode causar medo em muita gente, mas em uma parcela que cresce cada vez mais a prática de voo livre, seja por meio de parapente ou paramotor, provoca as melhores sensações, trazendo adrenalina, empolgação e relaxamento. São pessoas como Cristian Dalçóquio, sócio da Cordaville em Joinville, que sempre praticou esportes e chegou ao voo livre há quase um ano. Ele procurou a escola NoAr para se capacitar e tirar sua licença. “Depois de um dia intenso de reuniões, só de vir à escola e abrir o parapente, já fico feliz. É um ponto de escape para o estresse diário”, afirma. Seu primeiro voo, em parceria com o instrutor, foi na Praia Vermelha, em Penha. Da experiência, ficou a sensação de unir duas paixões: o voo e o mar — Cristian também já foi velejador de oceano.  Há 10 anos em Joinville, a escola NoAr vê o interesse dos alunos aumentar a cada ano. Diangelo Stolfi assumiu o empreendimento em 2015 e tem trabalhado para integrar as turmas, fazendo com que o vínculo rompa os limites das aulas, de maneira que todos possam continuar praticando voo livre juntos. Na escola, é possível se capacitar para piloto de paramotor, voo livre e voo duplo.

A Sol Paragliders, de Jaraguá do Sul, tem uma das mais completas linhas de produtos para voo livre no mundo 58 ACIJ


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As turmas da NoAr são formadas por 15 alunos, que se reúnem às quartas-feiras para as aulas teóricas e aos sábados e domingos para encontros práticos. São 30 horas de curso, em que o candidato se prepara para voar de maneira segura, com instrutores homologados, que repassam informações sobre navegação, clima e relevo. Para voar sozinho, em qualquer lugar do Brasil, é preciso tirar uma licença de piloto nível 1. Diangelo afirma que a prática é muito importante. Só assim o aluno pode sentir o equipamento e aprender, de fato, a decolar, voar e pilotar. No voo livre, a pessoa precisa inclinar o corpo para ganhar velocidade. No paramotor, é preciso empurrar, mas sem um desnível, para a decolagem, já que o equipamento tem motor. “A acessibilidade do voo livre é muito grande. Só quem sofre de labirintite não deve praticar, mas é indicado para pessoas com deficiências e até idosos”, garante.

Trabalhando com idosos e praticando voo livre desde 2006, Edson Roberg sonha em levar as pessoas da terceira idade para aproveitar as belezas nas alturas. Edson foi um dos primeiros alunos da NoAr e hoje já faz voo duplo com a esposa e os amigos. “É uma sensação indescritível, de total liberdade”, conta. Seus voos preferidos são em Gaspar e na praia, já que é possível aproveitar duas paisagens diferentes: o interior e o litoral. Também já fez várias expedições para voar. Essas viagens são conhecidas pelo pessoal do meio como “barcas”. Uma expedição para Minas Gerais, por exemplo, é realizada todos os anos. “Temos público bom em Joinville e nosso objetivo é formar uma equipe interessante, sempre com novas pessoas, dispostas a formar um contato forte de amizade”, afirma Diangelo.

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Demanda reprimida Presidente da Associação Joinvilense de Voo Livre (AJVL), Félix Dias começou a voar em 2007 e já se interessou em organizar a área para crescer cada vez mais. A AJVL tem 85 inscritos e seu objetivo maior é promover o esporte na cidade e região. Para o presidente, um dos principais problemas é a estrutura. A associação aguarda a liberação para a construção de uma rampa no Paranaguamirim. Enquanto isso não se concretiza, eles praticam em Pirabeiraba, na Praia Vermelha e em Jaraguá do Sul, locais com condições mais acessíveis para quem está aprendendo. “Desde 2014, vemos que o desenvolvimento da área vem aumentando. Isso porque investimos mais em divulgação. Acreditamos que há uma demanda reprimida, que vai aparecer quando a rampa sair do papel”, destaca.


Na página anterior, ao centro, Cristian Daçoquio, sócio da Cordaville; em seguida, Edson Roberg, praticante do esporte; mais abaixo, Ary Carlos Prady, da Sol Paragliders. Ao lado, registros da decolagem de parapente em Jaraguá do Sul: voo livre é um mercado em franco crescimento

Cadeia de negócios O voo livre movimenta toda uma cadeia de negócios, incluindo o turismo, já que existem 28 rampas espalhadas pelo Estado. Em 1988, o empresário Ary Carlos Prady resolveu juntar a paixão pelo voo ao empreendedorismo e montou a Sol Paragliders, em Jaraguá do Sul. “Meu primeiro contato com o voo livre se deu em 1979, com a asa delta. Depois, conheci o parapente, por meio dos primos Walter e Wer-

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ner Weege. Então, decidi ir para a Alemanha estudar e aproveitar que Jaraguá já era um polo têxtil para começar a produção”, conta. A Sol Paragliders tem uma das mais completas linhas de produtos para voo livre no mundo, fabricando todos os equipamentos utilizados no esporte, exceto os eletrônicos. Atualmente, 90% dos modelos de parapente utilizados no mundo são fabricados pela empresa ca-

tarinense, que emprega 130 funcionários diretos e por volta de 30 indiretos. A Sol Paragliders exporta seus produtos desde 1993. São 72 países atendidos, representando mais de 35% da produção. “O Brasil tem dez mil voadores de parapente, mas o potencial é, no mínimo, o triplo disso. As atividades ao ar livre estão em plena disseminação e o voo livre é um mercado em crescimento”, afirma. Para Ary, o Brasil é um paraíso mundial para o voo livre, com ambiente propício aos voos competitivos e de lazer. Além disso, garante que Santa Catarina é um Estado privilegiado, com lugares fáceis e acessíveis para voar, sem contar as paisagens que envolvem praias, serras, campos e cânions.

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DIÁRIO DE VIAGEM

A região que ajudou a fazer Joinville Nesta edição, a proposta não é visitar apenas um lugar – mas, também, um outro tempo. Vamos a Siblingen, a localidade suíça que faz fronteira com a Alemanha e de onde vieram 75 dos 125 passageiros da Barca Colon, a pioneira a chegar à Colônia Dona Francisca, em março de 1851. Hoje, com pouco mais de 800 habitantes – ou exatos 834, em 2014 –, a cidade segue tendo na agricultura a sua principal atividade. À época das imigrações, a Suíça, como toda a Europa, passava por dificuldades econômicas – e atravessar o Atlântico em busca de novas oportunidades foi uma alternativa para muitos agricultores e profissionais de várias outras áreas. Entre 1850 e 1856, exatos 739 suíços vieram para Joinville. Integrante do Estado – ou cantão – de Schaffhausen, no Extremo Norte, a área total de Siblingen não chega a 10 quilômetros quadrados. Cerca de 90% é formada por áreas de agricultura e florestas. A cidade tem, hoje, dois restaurantes e um hotel e sua culinária, típica do interior, é muito prestigiada.

Imagem de 1896 mostra a terra que os colonos deixaram, para morar no Brasil

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Três imagens de um paraíso. Um lugar se mantém pequeno e agrícola, está na origem e no coração de parte expressiva dos suíços que vieram para Joinville


FOTOS: DIVULGAÇÃO

Perto de 90% da área total da cidade é formada por agricultura e florestas. Sem grandes tradições turísticas, tem apenas um hotel e dois restaurantes, mas a culinária típica do interior é muito prestigiada

Desde aquele tempo do final do século 19, até hoje, Siblingen se mantém um encanto de cidade do interior

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Siblingen, Suíça

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CONTRAPONTO FÁBIO ABREU

Para além do marketing verde ALBANO SCHMIDT

Compromisso, diretriz e estratégia Ser referência em sustentabilidade é um dos objetivos estratégicos da Termotécnica, inserido em todos os negócios e processos da empresa. Basta dizer que a Termotécnica é responsável por aproximadamente 30% de todo o EPS reciclado no Brasil. Com investimentos em tecnologia e inovação, a empresa desenvolve soluções que atendem às necessidades de clientes e do mercado. Nossas soluções conferem benefícios únicos aos clientes, seja nas edificações, para conservação de energia, entre outras vantagens econômicas e ambientais, ou nas embalagens que garantem a integridade dos produtos em toda a cadeia de consumo, com a vantagem adicional de que o material pode ser reciclado, possibilitando novos usos.

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Essas ações envolvem todo o ciclo de vida do produto, desde a produção de matéria-prima, processos de transformação, disponibilização no mercado, e, por meio da logística reversa e da reciclagem, retornando como novas soluções e aplicações. Para ampliar e conscientizar a sociedade sobre a viabilidade econômica, social e ambiental da reciclagem desse material, há quase duas décadas, a Termotécnica desenvolve o Programa Reciclar EPS e lidera o Desenvolvimento da Cadeia de Logística Reversa que tem, atualmente, participação de mais de 710 agentes. São varejistas, cooperativas, gerenciadores de resíduos, indústrias e importadores em todo o país, além de mais de 100 colaboradores da Termo-

técnica, envolvidos diretamente no recolhimento do EPS pós-consumo, contando ainda com cerca de 1.200 pontos de coleta. E, por meio do site www.reciclareps.com.br, qualquer pessoa, em todo o Brasil, pode saber onde há um ponto de coleta ou reciclagem mais próximo. A constância, consistência e relevância vêm sendo reconhecidas pelo mercado com inúmeros prêmios ao longo dos anos, culminando em 2015 com a nossa presença no Guia Exame de Sustentabilidade como a empresa mais sustentável do setor químico do país e destaque nacional em gestão de resíduos. Albano Schmidt Presidente da Termotécnica e expresidente da ACIJ


RODRIGO COUTINHO

Transparência e ética O conceito do marketing verde ganhou força no Brasil nos anos 90, após a Rio Eco 92, quando as empresas passaram a dar mais atenção à importância da preservação ambiental, não só pelo fato de colaborar com a natureza, mas pela necessidade de associar sua marca ao conceito da sustentabilidade, fortalecendo a confiança do consumidor, que despertou de vez para as questões ambientais após o grave cenário de mudanças climáticas. Com o aumento dos consumidores conscientes, cresce a desconfiança sobre a transparência das empresas com relação ao serviço ou “produto verde” que está sendo oferecido ao mercado. O marketing ambiental precisa ser trabalhado de

forma transparente, caso contrário a marca corre sérios riscos de ter a credibilidade comprometida. Primeiro, é necessário fazer o dever de casa, que é ter uma sólida gestão ambiental voltada para o desenvolvimento sustentável. Depois, identificar quais ações ambientais podem ser potencializadas pelo setor de marketing, para elaboração de uma identidade que agregue valor à marca e confiança nas informações apresentadas. Uma das categorias do Prêmio Expressão de Ecologia, maior premiação ambiental do Sul com reconhecimento do Ministério do Meio Ambiente, é chamada de “Marketing Ecológico”, e tem registrado diminuição de projetos nas últimas edições. Apesar de várias empresas utilizarem

THEREZINHA DE OLIVEIRA

Não é história da carochinha Em uma época de descrédito em pessoas e instituições conhecidas como a que estamos vivendo, falar em “marketing verde” pode parecer história da carochinha. Mas, a partir do entendimento de que o conceito de marketing está fortemente relacionado com a responsabilidade que uma empresa possui diante da sociedade, o “marketing verde” traria para os clientes informações sobre como se dá a sua responsabilidade ambiental ou a sua gestão para a sustentabilidade, tanto relacionada ao processo produtivo quanto ao produto. A forma como as empresas atuam frente às questões ambientais é uma informação importante para uma parte crescente da população, que vem manifestando suas

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preocupações com a sustentabilidade do planeta, especialmente, no momento do consumo. Na era da comunicação e das redes sociais, em que a velocidade da informação é imensa, mostrar um produto ou processo e falar bem dele pode parecer tarefa fácil. No entanto, não se pode negar que qualquer problema nesse produto ou processo também virá à tona de forma fácil e rápida. Assim, é grande o risco para as empresas que promovem campanhas de marketing calcadas nas questões ambientais e de sustentabilidade sem agir, verdadeiramente, de forma responsável com o meio ambiente, podendo gerar perda irreparável de confiança por parte de seus clientes.

o marketing em sua gestão ambiental, poucas ressaltam sua importância em um projeto. Pioneiro na neutralização de carbono na comunicação brasileira, o Grupo RIC SC conquistou a premiação nessa categoria. Iniciado em 2011, com o plantio de 8 mil mudas de espécies nativas, o projeto conquistou a certificação carbononeutro®, mediante a compra de créditos de carbono para neutralizar um volume de 858 tCO2e. O case demonstra que até as empresas de comunicação podem executar projetos visando à gestão ambiental e ao controle da poluição, além de promover ações ecoeficientes. Rodrigo Coutinho Coordenador executivo da Editora Expressão e do Prêmio Expressão de Ecologia

A palavra sustentabilidade tem se tornado comum nas campanhas de marketing de muitas empresas que, às vezes, sequer entendem seu significado e não se posicionam nem em questões básicas como reciclagem e reaproveitamento de resíduos, reuso de água e consumo sustentável, quanto mais em uso de tecnologias limpas, química verde, análise de ciclo de vida de produtos, ecoeficiência etc. Se todas se colocam como sustentáveis, as que, de verdade, são ambientalmente responsáveis devem lançar mão do “marketing verde” para se diferenciar por meio de informações claras e consistentes. Therezinha de Oliveira Coordenadora da PósGraduação em Saúde e Meio Ambiente da Univille

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CABECEIRA ANDRÉ KOPSCH

DESTAQUE

Empreendedorismo em meio à fantasia Autor do livro “A Batalha do Apocalipse” e da trilogia “Filhos do Éden”, Eduardo Spohr, compartilha sua experiência junto à literatura de entretenimento Quando criança, Eduardo Spohr, filho de um piloto de aviões e de uma comissária de bordo, viajava o mundo conhecendo diferentes culturas e países. Talvez tenha partido daí o interesse de levar milhares de pessoas a uma viagem única, a partir das histórias retratadas em suas obras literárias. Nascido no Rio de Janeiro, desde pequeno, o escritor produzia contos. A partir de 2002, resolveu se dedicar a escrever seu primeiro livro. Também professor, blogueiro e podcaster, Spohr estudou comunicação social, dedicando-se, primeiro, à publicidade, mas voltando-se mais tarde ao jornalismo. No ano de 2010, o autor lançou sua primeira obra. De lá para cá, vem cativando cada vez mais fãs no mercado literário. Mergulhando o leitor no

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universo fantasioso de suas obras, Spohr acaba de lançar o terceiro livro da saga “Filhos do Éden”, intitulado “Paraíso Perdido”, que veio divulgar em Joinville, quando conversou com a Revista 21 sobre sua trajetória empreendedora no ambiente literário da fantasia.

INTERESSE PELA LITERATURA Parece que o interesse pela literatura esteve sempre comigo. Desde criança, sempre escrevi. Quando fiquei desempregado, em 2002,


resolvi que iria tirar um tempo para a produção de um livro, que era uma vontade antiga. Já havia escrito alguns relatos, mas nada muito sério, no caderno mesmo, até como contos. Aí peguei a história que tinha em mente, escrevi o livro e tentei publicá-lo por intermédio de editoras. Após algumas recusas, resolvi fazer uma produção independente da obra. Por meio de uma iniciativa no Rio de Janeiro, consegui fazer 30 livros. Participei de um concurso, no qual ganhei 100 livros, e logo vendi esses exemplares. Adiante, vendi mais 500, e cada vez mais pessoas procuravam a edição. Em 2009, consegui uma nova tiragem, com 4 mil exemplares, e depois de todo esse processo finalmente veio a proposta para contrato com uma editora. Penso que a editora é uma empresa que busca o lucro, não há nada de errado nisso. Errado é quando você é paralisado pelas recusas. O pulo do empreendedorismo é você não desistir, tentar por conta própria, aos poucos, no começo. Vale para o lançamento de livros ou qualquer outro cenário no qual se planeja investir.

PUBLICAÇÕES DE FANTASIA NACIONAL E INTERNACIONAL Acho que, atualmente, para o leitor, não existe muito mais essa diferenciação. Claro que a livraria precisa categorizar o material e criar os gêneros literários, mas acredito que para os leitores não há muita percepção dessa diferença. O leitor não tem preconceitos referentes à literatura nacional ou internacional, independentemente do tema. Acho que a literatura brasileira está crescendo em qualquer área, seja partindo de temas relacionados à fantasia ou não.

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Trilogia do autor, nascido no Rio de Janeiro e jornalista de profissão

PÚBLICO-ALVO

GANHANDO O MUNDO

Nunca escrevi pensando no público infantojuvenil, apesar de essa faixa etária representar grande parcela de meus leitores. Sempre pensei na leitura ser classificada como adulta, até porque trato de temas pesados ou polêmicos em minhas obras, como holocausto, escravidão, além dos trechos de batalhas e violência. Escrevo, na verdade, sem me ater muito a essa questão, buscando cativar os leitores de maneira geral.

Já foram lançados exemplares de meus livros na Alemanha, Portugal, Turquia e Holanda. Agora, estou tentando ir para esses lugares, fazer eventos, porque valorizo muito o contato mais próximo com os leitores. Gostaria muito de fazer e lançar também exemplares em outros lugares, traduzir para o inglês e expandir.

ESTÍMULO À LEITURA A literatura que pega a formação de leitores (conheço pessoas que começaram a gostar de ler com 35 anos) acontece com livros de entretenimento, livros que você lê para se divertir. Citando gêneros, a literatura policial apresenta obras que propõem um jogo ao leitor, para que ele tente descobrir o que se passa em meio à trama. Vejo a literatura de entretenimento como grande responsável pela formação de leitores em todo o mundo.

PARA QUEM PENSA EM ESCREVER O PRÓPRIO LIVRO Tenho duas dicas rápidas: uma delas é criativa. Escreva seu livro! Parece bobo, mas muitas pessoas falam que querem lançar uma obra literária, mas não têm o esboço da história e não vão adiante. Ter a disciplina de escrever e terminar é muito importante. Já na hora de lançar a obra, cada um precisa encontrar o seu caminho. Não existem duas trajetórias iguais, assim como não há escritores iguais. Não há uma fórmula mágica, você precisa batalhar muito até que encontre um caminho confortável para seguir adiante.

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CAMPANHA

Livros para todos Espalhar conhecimento e cultura por intermédio da leitura. Duas iniciativas em Joinville têm esse objetivo em comum. São elas o projeto JoinvilLê, da Fundação Cultural de Joinville (FCJ), e o “Ler é viajar sem sair do lugar”, organizado pela professora Mariza Schiochet. O JoinvilLê, lançado em 2013, consiste em uma biblioteca móvel acoplada a uma bicicleta, que fica no Terminal Central. Nas prateleiras, são disponibilizados livros para empréstimo gratuito, sem prazo para devolução. Doações para a campanha de arrecadação de livros podem ser feitas nas unidades da FCJ, como museus e Casa da Cultura Fausto Rocha Junior. Há também caixas para depósito de livros na Udes, Univille e Unisociesc do Boa Vista e da Marquês de Olinda. Já o segundo projeto consiste na distribuição de “Caixas de Leitura” em 11 pontos da cidade, como escolas, instituições sociais e comunidades carentes. A professora Mariza procura, com ajuda de parceiros, desenvolver momentos de socialização nos locais, tais como contação de histórias e apresentações teatrais e musicais. Os livros são doados por escritores, amigos, alunos, familiares e vêm até mesmo da própria coleção da professora. A agência Mercado de Comunicação, voltada para assessoria de imprensa e publicações corporativas, é parceira do projeto. Quem se interessar em mandar doações, pode entrar em contato pelo telefone (47) 3025-5999 ou encaminhar os materiais para o endereço da agência: Rua Uruguai, 253, bairro Itaum.

LANÇAMENTO

Efeitos da escassez sobre as pessoas Restrições limitam as pessoas – em sua capacidade cognitiva, principalmente. Seja pela fome, falta de dinheiro ou de tempo, dois pesquisadores criam polêmica ao afirmar que privações prolongadas afetam a produtividade, o autocontrole e a criatividade. Mas propõem formas de lidar melhor com a inexistência de recursos. Escrito por Sendhil Mullainathan, professor da Faculdade de Economia de Harvard, e Eldar Shafir, professor de psicologia de Princeton, o livro aponta uma lógica comum a

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todos os tipos de “Escassez”, o tema que dá nome à obra. Seus autores são os fundadores da Ideas42, empresa sem fins lucrativos que busca soluções para problemas sociais por meio de estratégias baseadas em comportamento. Na obra, eles criam um conceito novo, que chamam de “largura de banda” – ou a capacidade de tomar decisões mantendo o foco e resistindo às tentações. Quando chega a escassez, a largura de banda se reduz bastante, quase como quando se entra em um túnel e se perde a visão periférica. E ilustram isso com o exemplo da eficácia no tratamento do diabetes – a negligência dos pacientes que, premidos pelos demais compromissos diários, esquecem da medicação, ainda provoca mortes por uma doen-

ça que seria bem mais administrável. Para ajudar nisso, uma empresa criou o GlowCap, frasco de comprimidos que brilha se deixa de ser aberto o número correto de vezes por dia – e envia mensagem de texto ao usuário. Ao citar esse exemplo, os pesquisadores explicam que a intenção é mostrar que é possível usar a tecnologia barata, discreta e eficiente para tratar dos problemas de largura de banda. E utilizam outros exemplos emblemáticos, como a crise econômica de 2008, como referencial. Escassez Sendhill Mullainathan e Eldar Shafir 384 páginas R$ 44,90 Editora Best Business/ Grupo Editorial Record


ROGÉRIO DA SILVA/SECOM

Campanha “JoinvilLê”, da Fundação Cultural: biblioteca móvel no terminal de ônibus, com acesso gratuito

NEGÓCIOS

Sustentabilidade é palavra de ordem Anemarie Dalchau, economista e professora da Univille

Quero destacar que o livro, escrito há 17 anos, em tempos em que o assunto sustentabilidade e meio ambiente permeia toda a economia, mantém-se atual. É apresentado como uma obra para executivos que queiram “reinventar”, ou “fazer a diferença”, numa economia cada vez mais competitiva. Sustentabilidade é palavra de ordem nesta obra de 15 capítulos. Os autores já

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começam falando sobre a próxima Revolução Industrial que deve levar em conta a valorização do capital natural e uma mudança de atitude, relacionada a quatro estratégias desse modelo de capitalismo. Na sequência, discorrem sobre a eficiência e eficácia de alguns setores econômicos, como o automobilístico e do refrigerante Coca-Cola. O desperdício é a tônica de toda a obra, levando ao questionamento sobre “crescimento versus progresso”, entre outros, numa fabricação mais eficiente no uso de energia e água. Destacam sua preocupação com os custos marginais, relacionando-os ao melhor aproveitamento dos benefícios de uso sustentável dos recursos disponíveis e eliminando desperdícios. Os ganhos de capital têm des-

taque, numa visão de que o tributo deve ser sobre o desperdício e não sobre o trabalho, onde o meio ambiente é a fonte de qualidade principal no processo produtivo. Assim, definem Capital Natural não como um conceito em si, mas como “a soma total dos sistemas ecológicos que sustentam a vida”. Finalizam com uma reflexão sobre nosso planeta e a necessidade urgente de revermos nossas ações sobre ele. Todo o capital tem valor. Inclusive e, principalmente, o natural. Capitalismo Natural Paul Hawken, Amory Lovins, Hunter Lovins 362 páginas R$ 57,50 Editora Cultrix, 199

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3 LIVROS

Decifrando o mercado econômico A seleção desta edição apresenta um trio de títulos para quem quer entender o atual cenário econômico. As indicações são de Marcel Junkes, assessor de investimentos da Manchester Investimentos. Marcel é graduado em engenharia mecânica pela UFSC e tem MBA em gestão empresarial.

Crescemos menos Política social, do que podemos mas com receita Os autores tentam explicar os motivos pelos quais o Brasil cresce abaixo de seu potencial. Em 15 capítulos com títulos pouco usuais, como “O Elefante na Sala” e “A Tia Doida”, Giambiagi e Schwartsman enumeram problemas que hoje atrapalham a economia. Entre eles, o aumento dos gastos públicos, o baixo avanço da produtividade e a falta de reformas.

Complacência – Entenda Por que o Brasil Cresce Menos do que Pode Fabio Giambiagi e Alexandre Schwartsman Editora Elsevier – Campus

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A obra faz uma análise detalhada dos riscos da profusão desenfreada de direitos aos cidadãos sem a devida previsão de receita para cobrir esses investimentos sociais. O “governo grátis” se caracteriza por ser um fenômeno político que promete distribuir vantagens e ganhos para todos, sem custos para ninguém. Ou pelo menos sem discriminar claramente quem paga a conta e de que forma.

O Mito do Governo Grátis Paulo Rabello de Castro Editora Edições de Janeiro

Combinação perversa Mendes utiliza seu conhecimento teórico e sua experiência no setor público para explicar ao leitor o motivo do baixo crescimento econômico ser uma escolha nossa, uma decisão que se traduz na perversa combinação de altos gastos públicos, elevada carga tributária, baixo investimento público, baixa qualidade dos serviços de educação, insegurança jurídica e baixa poupança do setor público.

Por que o Brasil Cresce Pouco? Marcos Mendes Elsevier –Campus


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Ana Paula, em atuação na peça teatral “Árida Coragem”: artista polivalente e produtiva, completa duas décadas de carreira neste ano

DICA 21

A raiz forte da música joinvilense

Raiz Forte, novo CD de Ana Paula, será distribuído pela Tratore no Brasil e vai estar nas plataformas de música pela internet

Uma das mais ativas expressões da música joinvilense, compositora, intérprete e produtora, Ana Paula da Silva completa 20 anos de estrada em 2016 – e tira do forno seu sexto CD. “Raiz Forte” tem show de lançamento marcado para 17 de junho, no Teatro Juarez Machado. Um gostinho do novo trabalho foi compartilhado com o público em encontros musicais no modelo voz-e-violão, ao longo do mês de março, em espaços como o Museu da Imigração e a Biblioteca Pública, dentro de projeto bancado pelo Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec). “Mais senhora do ouro de sua arte do que nunca, Ana Paula fez um disco conciso, preciso, personalíssimo”, conceitua o pesquisador musical Osmar Günther, no texto de apresentação do álbum. No CD, que sai cinco anos após o trabalho anterior, composições da artista, com algumas parcerias e duas faixas do compositor e violonista Chico Saraiva, ao lado de Juliano Holanda e Kiko Dinucci, além de uma releitura da chilena Violeta Parra, na música “Casamiento de Negros”. O caprichado encarte é ilustrado pelo artista plástico Humberto Soares. O disco conta com o piano de Davi Sartori, Willian Goe na bateria e percussão, Robertinho Silva também na percussão, mais a participação vocal da filha de Ana, Clara, e de um coro de cantoras de Itajaí. Ana Paula da Silva não para quieta. Escolhida melhor cantora do ano, em 2015, pelo 3º Prêmio da Música Catarinense, ao longo de poucos meses, participou de um circuito de shows pelo interior do Paraná, promoção do Sesc, esteve no elenco da peça teatral “Árida Coragem” e produziu dois espetáculos distintos, além de assinar a realização do festival “Aldeia de Todos os Cantos”, que chegou à terceira edição.

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3 PERGUNTAS ELTON COSTA/DIVULGAÇÃO

tamento de oportunidades (treinamento + indicadores de performance + incentivos). Aumente o número de contato com clientes (marketing de conteúdo e educativo) para fortalecer relacionamentos (não apenas para vender). Aprimore processos internos (diminua erros, retrabalho, torne-se mais ágil e eficiente). Vire referência para os seus clientes – quando eles lembrarem de algo na sua área ou setor, precisam necessariamente pensar em você como número 1. Eduque seus clientes para comprarem melhor e a reconhecerem qualidade e diferenciais. Enfim, atitude positiva e iniciativa. Não fique parado, teste muita coisa e aprenda: o que funciona, faça mais. O que não funciona, aprimore ou descarte.

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RAUL CANDELORO

Consultor, palestrante e diretor da revista VendaMais

Reconhecido especialista nas áreas de vendas e gestão, formado em administração, com MBA pela Babson College (EUA), Raul Candeloro esteve em Santa Catarina para falar a corretores de imóveis, em evento da construtora Rôgga. Conversou com a Revista 21 sobre como garantir a eficiência de uma equipe de vendas em um contexto de crise econômica.

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Ser vendedor ainda é uma profissão atraente, nestes tempos em que o consumidor segura os gastos o quanto pode? Sim, ser vendedor continua sendo atraente, demandado e necessário. Pergunte para qualquer empresário se ele tem vaga para um excelente vendedor ou vendedora. Todos dirão “sim, com certeza”. Um bom vendedor é um investimento, e quanto mais gente competente na área comercial, mais oportunidades de superar desafios e crescer a empresa tem. E como vender em um contexto de crise econômica? Algumas recomendações: foco na fidelização de clientes, peça indicações e estimule as recomendações e o marketing boca a boca, teste novas formas de prospecção (primeiro, lembre-se de definir bem seu público-alvo). Aproveite todos os pontos de contato e relacionamento para criar um vínculo emocional mais forte com os clientes e se diferenciar da concorrência. Melhore a eficiência da equipe comercial no aprovei-

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O varejo tem reclamado sobre queda brusca nas vendas, até mesmo em datas especiais como Natal e Dia das Mães. Em que isso se reflete na motivação das equipes? Como a maior parte dos vendedores é comissionada, é natural que uma queda nas vendas se reflita em desmotivação, já que os ganhos caem e os vendedores ficam com tempo livre. O segredo é canalizar essa frustração de maneira produtiva, para ações que tragam resultados. Especificamente, recomendo três áreas para fazer isso: atração de clientes, percentual de aproveitamento de oportunidades (de cada 100 contatos/clientes, quantos fecham uma compra?) e valor médio de compra ou ticket médio: quanto cada cliente que compra está gastando em média? E como podemos melhorar esse número?

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O que é mais difícil vender hoje, bens de valor mais expressivo, como imóveis e carros, ou objetos de consumo diário? Alguns setores da economia sofrem menos no começo das recessões. Artigos de luxo, por exemplo. Pessoas de alta renda geralmente têm mais flexibilidade e “sobra” no orçamento mensal. Já produtos de consumo diário, sem grandes diferenciais, sofrem mais e precisam de atenção extra. O segredo aqui é encontrar um posicionamento que trabalhe algum dos motivadores psicológicos de compra do cliente: busca do ganho, lucro ou benefício; medo da perda ou do prejuízo; evitar incômodo ou desconforto; status, reconhecimento, destaque social; realização pessoal. Um posicionamento que reforce um desses motivadores têm muito mais chance de sucesso do que um produto/serviço genérico qualquer, que o cliente encare como commodity. Onde não existe diferenciação, o cliente define preço como fator preponderante de decisão. Então precisamos entender quais dos pontos psicológicos podemos trabalhar, via posicionamento, para não sermos “mais um”.


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Revista 21 - Edição 24 - Mar/Abr 16  
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