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Rojtenberg charlesrojtenberg@gmail.com CHARLES Charles

edição de 23 a 29 de agosto de 2013 – número 467

Charles Rojtenberg é formado em psicologia clínica pela UGF e foi premiado com a Medalha Albert Sabin pela Sociedade Cívica Brasileira em 1996 pelos méritos no campo da educação sexual no Brasil. Ele também já foi consultor de várias revistas, programas de rádio e TV no Brasil.

Infidelidade. Culpa dos hormônios? Vários são os fatores que influenciam o comportamento nos seres humanos. Em se tratando de atração e motivação para práticas sexuais os hormônios ganham suma importância. Por natureza, numa visão ampla e simplista, somos programados para ser basicamente infiel e buscar vários parceiros(as) sexuais. Na biologia, uma em cada quatro pessoas possui o gene DRD4, mais conhecido como gene da infidelidade. Quem tem este gene possui mais facilidade para traições. A motivação parece vir da forma como o cérebro processa a dopamina. Os neurotransmissores ligados ao sistema de recompensas faz com que estas pessoas busquem frequentemente cada vez mais a repetição de sexo e prazer. Numa visão educacional, a sociedade incentiva o homem a possuir o máximo de aventuras sexuais quanto possível, desde cedo. Devem ser verdadeiros conquistadores, garanhões. São os valores que a sociedade reforça o tempo todo. A mulher já deve ser o oposto. Devem ser mais sensíveis e se preservar. Manter as relações duradouras. É um verdadeiro conflito de interesses. Na biologia, o estereótipo do homem ideal é o que possui o corpo em formato de triângulo invertido (ombros largos

e cintura mais fina, um porte atlético), com pouca gordura. Passam a imagem de saudáveis, não "preguiçoso”. É a biologia influenciando a atração visual. Na mulher, o conceito de corpo ideal seria o “triângulo” tradicional. Cintura mais largas que os ombros e com um pouco mais de gordura na região. Passam a imagem de uma mulher saudável e boa para a procriação. A química também deixa sua marca, e como deixa. Qual a mulher que não foi tomada por impulsos diferentes por conta de uma TPM? Um ciclo simples que traz consigo uma série de mudanças comportamentais. Sabemos que a mulher se sente atraída por diferentes tipos de homens antes e depois da menstruação. Antes de menstruar ela se sente atraída por imagens de homens mais rústicos, com traços mais grossos, mais agressivos Depois de menstruar, ela já busca traços mais finos e menos agressivos e mais calmos. É a química influenciando nossas escolhas. E, por falar em hormônios, não podemos deixar de mencionar a famosa testosterona. Um hormônio super importante para homens e mulheres. Responsável pela agressividade, pela força muscular, impulso sexual, masculinidade, infidelidade e até mesmo é o hormônio

responsável pelos orgasmos na mulher. Retire a testosterona da mulher e acabe de vez com sua condição de ter orgasmos. A ocitocina, mais popularmente conhecido como hormônio do amor tem a capacidade de tornar homens e mulheres mais fieis, mais família. Quando influenciado por este hormônio as tendências à traição ficam bem menores. A ocitocina é o hormônio que traz aquela sensação de prazer quando a mãe tem o seu bebê e também quando o pai segura o seu filho nos braços. Também presente quando você está abraçado ao outro(a) à noite na cama. Então muita gente pode pensar: Bom, então os homens têm mais testosterona e mulheres menos, por isso eles são mais infiéis e não tem jeito? Errado! Mulheres também produzem a testosterona e podem ter outros hormônios em menor escala, com isso podem ser tão infiéis quanto os homens. Os hormônios do prazer (as seratoninas e endorfinas) podem fazer com que homens e mulheres aumentem ou reduzam suas taxas hormonais, desejos, prazeres e desprazeres ao longo do mês. Somado a fatores ambientais, como stress, bem estar, satisfação, segurança, monotonias que podem desencadear diversos comportamentos, em qualquer tipo de pessoa.

Uma pessoa sob influência de suas satisfações, insatisfações sociais e sexuais, podem se transformar no mais perverso predador sexual ou até mesmo direcionar a pessoa para uma assexualidade. As influências dos hormônios no comportamento são diversas. Quando se trata de ser humano tudo pode acontecer para ambos os lados e ambos os sexos. Dependendo da situação, podemos apresentar desinteresses sexuais na relação desgastada e ficar completamente compulsivo e apaixonado por uma nova pessoa que chegou no trabalho, na academia, no prédio que você mora. É a biologia humana se manifestando na interação social. Somos seres biológicos, psicológicos e sociais. Reduzir o ser humano a um simples fator é determinar todo o comportamento humano de forma simplista demais. Mas em se tratando de sexualidade somos muito mais do que simplesmente resultado de uma relação com nossos pais e mães, como muitos afirmam por aí. Envie suas dúvidas e questionamentos para charlesrojtenberg@gmail.com ou acesse www. charlesrojtenberg.com. As perguntas dos leitores serão publicadas nesse jornal. Os nomes dos leitores serão trocados para garantir a sua privacidade.

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