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edição de 23 a 29 de agosto de 2013 – número 467

MARCUS COLTRO

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Marcus Coltro shells@femorale.com

Balada, uêba! Depois de dois relacionamentos longos, fica difícil "voltar ao mercado". Já não sou tão novo e o pique não é o mesmo (tá, tá... nunca tive muito pique mesmo). Mas não deixo de me esforçar e sair com os amigos solteiros – que já estão escasseando também. Invejo aquelas pessoas que conseguem sair no meio da semana, voltar de madrugada e ainda ir trabalhar ou estudar cedo no dia seguinte. Quando me ligam para tomar umas cervejas, tem que ser de sexta ou sábado, assim posso dormir até tarde no dia seguinte. Já desisti essa de ir para baladas com música ou bares "do momento". Somado ao fato de eu nunca ter gostado de muvuca, também nunca entendi qual é a de algumas pessoas de frequentar esses lugares barulhentos onde sequer conseguem ouvir o que pensam. Se eu vou para um lugar para conversar ou paquerar, quero poder ouvir o que os outros falam, né? Antes de meu último namoro, juntava uma turma do Orkut (ancestral do Facebook) para sair

à noite, e em uma dessas saídas fomos a um bar meio estranho na Rua Augusta. O lugar parecia a casa de férias do Conde Drácula: uma entrada estreita, escura, subindo para vários quartos e salas com paredes pintadas de preto ou vermelho, com decoração de casa funerária brega. Em alguns ambientes tocavam músicas estranhas, em outros tocavam músicas esquisitas (me fiz

entender, né?). E os frequentadores... bem, acho que o Zé do Caixão ficaria à vontade lá. Por mim eu nem teria entrado, mas uma parte da turma já estava lá dentro. Depois de não termos conseguido um lugar para sentar, nos encostamos em uma parede livre e pedimos umas cervejas. Tentei conversar, mas a música era alta demais. Somado ao

Marcus Coltro é empresário no ramo de pesquisa marinha, fotógrafo, mergulhador e pai de uma pré-adolescente. Publica artigos em revistas científicas, tem fotos em livros, calendários e sites de várias instituições.Visitou mais de 50 países em busca de material de pesquisa e para convenções.

barulho, à escuridão, e à fumaça (ainda se podia fumar dentro de bares) estava uma sujeira incrível no chão. Tipo Copacabana depois da passagem do Papa. E o banheiro? Posso jurar que vi uma mosca sair voando de lá vomitando. Depois de duas horas ouvindo aquela zoeira e me sentindo defumado, cheguei para as meninas e perguntei se alguma delas queria carona para ir embora (sempre fui muito prestativo, entende?). A mais bonitinha delas estava chapada, com cara de que ia vomitar – provavelmente foi embora carregada e no meu carro que não ia fazer meleca mesmo. As outras não me conheciam bem e ficaram com receio da minha carona (aqueles linguarudos invejosos do Orkut!). Bom, fui embora sozinho e fiz questão de pegar um cartão do lugar para não esquecer e ir de novo. Hoje está mais difícil ainda para eu sair de casa com todas as barreiras magnéticas. Explico: saio do escritório tarde, cansado. Aí eu chego em casa e tenho que tomar um banho para me

arrumar antes de sair. O chuveiro é a primeira barreira. Sabe aquele banho quentinho, relaxante no fim do dia? Já demoro bem mais que os 3 minutos do banho matinal, e aquela sensação de relaxamento após o banho leva à segunda barreira: a cama. Ao sentar para colocar o sapato fica muito difícil não dar uma "deitadinha" só para esticar as costas. Aí vem a barreira número 3: a televisão. Afinal, ver TV por cinco minutinhos antes de sair não mata ninguém, né? Aliás, tenho certeza que as programadoras de TV a cabo fazem um complô para que eu não arrume namorada – já viram quantos filmes legais passam às sextas-feiras? E continuo achando que meu edredom é feito de velcro, é impossível sair da cama nessas horas. Quando percebo, já Elvis. Aí mando um torpedo para meus amigos dizendo que... digo que deu preguiça mesmo, passei do tempo de ter que inventar desculpas esfarrapadas – eles me conhecem e não se ofendem. Então bora para o próximo fim de semana!

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