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ESTE FOLHETO É PARTE INTEGRANTE DO ACERVO DO BEHETÇOHO EM FORMATO DIGITAL, SUA UTILIZAÇÃO É LIMITADA. DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS.


INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO O Acervo Eletrônico de Cordéis do Behetçoho é uma iniciativa que pretende dar consequências ao conceito de (com)partilhamento dos artefatos artísticos do universo da oralidade, com o qual Behetçoho e Netlli estão profundamente comprometidos.

INFORMAÇÕES SOBRE A EQUIPE A equipe de trabalho que promoveu este primeiro momento de preparação e disponibilização do Acervo foi coordenada por Bilar Gregório e Ruan Kelvin Santos, sob supervisão de Edson Martins.

COMPOSIÇÃO DA EQUIPE Isabelle S. Parente, Fernanda Lima, Poliana Leandro, Joserlândio Costa, Luís André Araújo, Ayanny P. Costa, Manoel Sebastião Filho, Darlan Andrade e Felipe Xenofonte


JOテグ BANDEIRA DA CALDAS

SUSPENDA A Mテグ, Nテグ DEVASTE A FLORESTA

1979


Eu como poeta nato Defensô da natureza Ao pé da serra do Crato Vou fazê uma defesa Pedi quero a essa gente Devastadora imprudente Que suspenda sua equipe Tenha dó e compaixão Suspenda a devastação Da floresta do Araripe Pois você não tá oiando Não faça uma coisa desta Não vê que tá devastando Com nossa única floresta A única do Cariri Pois lá tem munto piqui Que é o mió tempêro Alem dessa grande magua Termina fartando agua No Crato e no Juazeiro


Lhe digo de testa a testa Que você não sabe bem Se acabando a floresta As fonte seca tombem Diz os ambientalista Que a gente brocando a crista E em cima metendo o facho Faz mudá até o crima Queimando as prantas de cima Tombem seca as fonte em baxo Sei que você todo dia Sai carregado de lenha Em cerâmica e padaria Qué consumi nossas brenha Tenha dó da natureza Não faça essa avareza Quêde sua força quêde Pruque se a pranta padece As fonte desaparece E mata nós tudo de sede


Mande essas fabrica caçá Outras fonte de energia Mas não querê acabá Com a floresta sadia Pruquê acabando as pranta A serra seca a garganta Não fica mais como era Vem a sêde e nos escalda Ligeiro se acaba o Calda O Lameiro e o Taitera Desaparece o verdão Que tem na aba da serra Fica só o pretidão Como um vestijo de guerra Não faça por caridade Seja uma otoridade Em defesa dela tombem Apois você não precebe Que a água que a gente bebe De baixo da serra vem?


É rim tombem pra Barbaia Se essas fonte secá Pois brevemente elas fáia Se você não se aquetá De cortá tanta madeira Quem tá no pé da Ladeira Prestando bem atenção Escutando a voz das água Elas diz cheia de mágua: Não corte as pranta mais não! Seja um amigo da serra Proteja a ecologia Pois você não vê que erra Praticando essa anarquia Se continuá a teima Tombem vai entrá no queima As abeia de cupira Os cortiço de uruçú Jati, mandaçaia, enxu, E o restio de jandaíra


As pranta mediciná Desaparece tombem Se você continuá Queimá o que a serra tem Aquilo é uma farmaça De verdadeira eficaça Pois toda doença cura E até o restim de caça Tombem sobe na fumaça Isso é uma grande lucura! Pois você não tem juízo Seja mais pessoa honesta Será grande o prejuizo Se acabá a floresta Apois queimando a fulora Os Passarim vai embora As ave não canta mais Se é esse o seu prazê Deixe primeiro fazê O açude dos Carás

FIM


Suspenda a mão, não devaste a floresta  
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