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ESTE FOLHETO É PARTE INTEGRANTE DO ACERVO DO BEHETÇOHO EM FORMATO DIGITAL, SUA UTILIZAÇÃO É LIMITADA. DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS.


INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO O Acervo Eletrônico de Cordéis do Behetçoho é uma iniciativa que pretende dar consequências ao conceito de (com)partilhamento dos artefatos artísticos do universo da oralidade, com o qual Behetçoho e Netlli estão profundamente comprometidos.

INFORMAÇÕES SOBRE A EQUIPE A equipe de trabalho que promoveu este primeiro momento de preparação e disponibilização do Acervo foi coordenada por Bilar Gregório e Ruan Kelvin Santos, sob supervisão de Edson Martins.

COMPOSIÇÃO DA EQUIPE Isabelle S. Parente, Fernanda Lima, Poliana Leandro, Joserlândio Costa, Luís André Araújo, Ayanny P. Costa, Manoel Sebastião Filho, Darlan Andrade e Felipe Xenofonte


WILLIAN BRITO

PROFISSÃO DE FÉ NO HOMEM


Peço as luzes da Trindade, Fonte da sabedoria Para cantar a verdade Nos versos dessa poesia Dedicada a criatura Mais incrível que a natureza Conseguiu fazer um dia. Ouvi de um home vencido Com ar de fatalidade: “A vida não tem sentido, Não creio na humanidade Para quem nasceu sem sorte A melhor coisa é a morte Viver é pura maldade”. Delirava o pobre incréu: “Todo homem em si é mal, Desde o ventre que ele é réu E a vida é prisão carnal O homem é bicho asqueroso, Pior que um lobo raivoso, Pior que a cobra coral”


Dizia o pobre enervado: “O homem é destruição É 100% pecado, É Hitler, é Napoleão, É Stálin, Judas, Nero, Por isso eu me desespero E não vejo salvação”. “Não há homem que mereça Viver no vale ou na serra, O homem tem na cabeça A fome, a peste e a guerra Se deus de fato existir Ele errou em poluir Com o homem o planeta Terra”. “Veja o que diz a imprensa, O rádio, a televisão A violência é imensa Do Brasil até o Japão Sequestro, estupro e assalto Cada vez fala mais alto O dinheiro e a corrução”


Do fundo da minha alma Pedi a DEUS condição Para discutir com calma Aquela situação E fiz ao homem a proposta Do direito da resposta Em face da acusação Disse, amigo um julgamento Para ser justo e perfeito Precisa que seja isento E que assegure o direito De ampla defesa ao réu, Mesmo sem ser bacharel Essa incumbência eu aceito Todo homem nasce puro Não há como contestar E o que vai ser no futuro Cada qual pode optar Porém garanto a receita Somente haverá colheita Do que o homem semear.


Quando o homem faz o bem Se sente recompensado Contudo, se fere alguem Se sente fraco, humilhado Se acha um verdadeiro lixo Se julga o pior dos bichos Porque sabe que é culpado, Se para o seu julgamento O homem tipo é Lampião Precisa discernimento Abra mais sua visão Nossa terra nordestina, Tambem deu Ibiapina O Apóstolo do Sertão. Vejo com muito pesar A triste realidade, Mas não vou despertar Pois creio na humanidade Disse o livro que não erra Que nós somos o sal da terra E eu creio nessa verdade


O homem tem a aparência Da caatinga sertaneja, Pra garantir a existência Batalha, sofre, moureja Precisa se adaptar Mas sem desesperançar Caso contrário fraqueja: A pobreza e a desgraça São como a seca tirana Que todo bem ameaça Quanto houver na alma humana Mas o amor fica latente E surge espontaneamente Pois é de Deus que ele emana Se você conhece a história Sabe que além dos tiranos, Para os quais consiste a glória Em matar seres humanos; Existem os iluminados Os profetas inspirados De um talento sobre-humano


Me orgulha muito ser gente Da espécie de um platão, Reconheço humildemente Minha modesta expressão, Mas o talento cativa Me orgulho de Patativa De Dom Hélder e Gonzagão Que outra espécie animal Deu um Buda, um Lao Tsé, Um Isaac Newton, um pascal Um São João, um São José; Um Gandhi, um Leão Tolstói Se tem gente que destrói Tem muita gente de fé. Recolha seu estilingue Pois nem todos são vilões Não esqueça Luther King Beethoven, Mozart, Camões, São Francisco de Assis Que foi um pobre feliz Vieira com seus sermões


Lembro o papel da mulher Pra não dizer heresia Tem Rute, Judite, Ester, A mãe de Jesus, Maria, Teresa de Calcutá, Dona Bárbara de Alencar E Irmã Dulce da Bahia Joana D’Arc, todos nós Aprendemos respeitar Como Rquel de Queiroz Quem lê sem se apaixonar? Tem Tarsila do amaral, Mais Gabriela Mistral Moçada espetacular. Certamente camarada Predomina a imperfeição Se a maratona é pesada Isso não nos dá razão De desistir, baquear Não se pode acovardar Se nos dizemos cristãos


Quando meu pai faleceu Tinha eu dezesseis anos O meu peito estremeceu Me bateu um desengano Mas vi que a vida é combate Que só os fracos abate E então levantei meus planos Descobri bastante cedo Os três erros capitais: Complexo de culpa e medo São os dois iniciais; Depois auto-piedade, Quanto sofre a humanidade Nas garras desses chacais. O amigo está revoltado Blasfema mas sem razão Olhe bem pro seu estado Faça uma reflexão Veja quantos condenados Aguardando angustiados A hora da execução.


Repare os deficientes Os cegos, os aleijados Dão lição a muita gente Como você meu prezado, Não desejam piedade Querem da sociedade Seus direitos respeitados. Com saúde e liberdade O mundo pra conquistar Você gasta a mocidade Somente em se lastimar Meu amigo tenha dó Nada pode ser pior Nem mais duro de aguentar Desista dessa mania De reclamar sem fazer Exerça a cidadania É hora de se mexer Comece a viver com arte Faça bem a sua parte Que dá certo pode crer


Tudo tem a sua hora Na marcha da evolução, Aquela que hoje é nora Será sogra, eis a lição Seja justo, comedido Pois você será medido Como mede o seu irmão Um cuidado especial Devemos ter com os talentos Que o plano espiritual Nos emprestou um momento Pra servir a espécie humana É uma atitude insana Não explorá-lo a contento Para que o homem existe Se não pra felicidade? Desfaça a cara de triste Assuma a fraternidade Abandone o pessimismo Se liberte do egoísmo E encontre a serenidade


Duas lágrimas rolaram Dos olhos daquele irmão As palavras me afastaram, Não segurei a emoção Dei-lhe um abraço de paz E me senti mais capaz De conseguir ser cristão. Descobri que o sumo bem Do homem é a felicidade Que repartida com alguem Ou com toda humanidade Aumenta, não diminui Nada lhe substitui Porque é dom da divindade

FIM



Profissão de fé no homem