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ESTE FOLHETO É PARTE INTEGRANTE DO ACERVO DO BEHETÇOHO EM FORMATO DIGITAL, SUA UTILIZAÇÃO É LIMITADA. DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS.


INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO O Acervo Eletrônico de Cordéis do Behetçoho é uma iniciativa que pretende dar consequências ao conceito de (com)partilhamento dos artefatos artísticos do universo da oralidade, com o qual Behetçoho e Netlli estão profundamente comprometidos.

INFORMAÇÕES SOBRE A EQUIPE A equipe de trabalho que promoveu este primeiro momento de preparação e disponibilização do Acervo foi coordenada por Bilar Gregório e Ruan Kelvin Santos, sob supervisão de Edson Martins.

COMPOSIÇÃO DA EQUIPE Isabelle S. Parente, Fernanda Lima, Poliana Leandro, Joserlândio Costa, Luís André Araújo, Ayanny P. Costa, Manoel Sebastião Filho, Darlan Andrade e Felipe Xenofonte


APOLÔNIO ALVES DOS SANTOS

O NOIVO FALSO −ENGENHEIRO−


Para os apologistas Conto um fato verdadeiro De um rapaz que iludiu A filha d’um fazendeiro Por ter chegado do Rio Dizendo ser engenheiro. No sertão da Paraiba No ano quarenta e seis Em uma localidade Habitava um camponês Pai de um filho sòmente Inteligente e cortez. Chamava-se Juarez Um rapaz de qualidade Com 15 anos apenas Achou-se em necessidade De separar-se dos pais Embora contra a vontade.


Porque o ano seguinte Veio bastante contrário Houve influência contra O sistema planetário Deixando os agricultores N’um desmantêlo precário Juarez disse meu pai Não quero lhe ser grosseiro Aqui o tempo está ruim Ninguém arranja dinheiro Portanto o senhor permita Eu ir pro Rio de Janeiro. O velho disse está certo Se achares que convém Podes ir querido filho Que poderás te dar bem Lá todo mundo se arruma Podes te arrumar também.


Juarez no outro dia Arrumou sua partida Pediu a bênção ao seu pai E a sua mãe querida E viajou para o Rio Aventurar sua vida. Juarez chegou no Rio Sem ter nenhuma instrução Saiu procurando emprêgo Sem ter nenhum pistolão Como nada conseguiu Foi parar na construção. Dormia mesmo na obra Pois não tinha onde morar Lá cozinhava e lavava Para economisar E numa escola noturna As noites ia estudar.


Porém por ser muito ativo Inteligente e ordeiro Foi cair na simpatia Do mestre e do engenheiro Até que o ensinaram A trabalhar de pedreiro. No começo Juarez A seu pai sempre escrevia Mandava sua notícia Dêle também recebia Lhe enviava dinheiro Embora pouca quantia. Mas ao passar dos anos Êle do pai esqueceu Durante todo êsse tempo O velhinho adoeceu Pela idade ou doença Um certo dia morreu.


Sua pobre mãe ficou Sòzinha na viuvez Logo mandaram uma carta De luto pra Juarez Contando que o seu pai Morreu a 13 do mês. Juarez sentiu bastante Mas estava endividado Não possuía um tostão Porque o seu ordenado Só dava para pagar O que já tinha comprado. O seu salário só dava Para pagar prestações De ternos de tropicais Relógios e anelões Camisas de pura sêda E vários sapatos bons.


Só andava bem trajado De gravata e bons aneis Relógio caro de pulso Sapatos caros nos pés Embora que no seu bolso Não tivesse cem mil reis. Passaram assim 4 anos E êle não escrevia Para sua pobre mãe E nem dela recebia Nem procurava saber Se ela ainda existia. Sua pobre mãe se vendo Em péssima situação Para não morrer de fome Foi para Jaboatão Estado de Pernambuco Pra casa dum seu irmão.


Deixo a velhinha sofrendo Falo no filho outra vez A firma que êle estava Com o percurso d’um mês Indenisou 20 homens Inclusive Juarez. Juarez com 5 anos Teve indenisação De avultada quantia Recebeu mais d’um milhão Foi quando êle lembrou-se De visitar seu torrão. O mesmo tempo fazia Que êle havia deixado A Paraiba querida O seu torrão adorado Chegou em 51 No sítio que foi criado.


Foi logo na casa aonde Deixou os seus velhos pais Só encontrou a tapera Coberta por matagais Nessa hora Juarez Sentiu remorsos fatais. Na casa de um vizinho Pediu uma informação Lhe disseram sua mãe Foi para Jaboatão Estado de Pernambuco Pra casa do seu irmão. Juarez muito ancioso No mesmo dia afinal Com destino a Pernambuco Embarcou na capital A 23 de Dezembro Entre vespera de Natal.


No outro dia chegou Aonde estava a mãezinha Perto de Jaboatão Na fazenda Alagoinha E Juarez até chorou Quando abraçou a velhinha. Era véspera de natal Juarez muito decente A todo povo da casa Abraçou cordialmente Inclusive a sua mãe Que chorou alegremente. Daí distante uma légua Em um pequeno arraial Existia uma capela Que na noite de natal Todo ano ali havia O mais belo festival.


O chefe dêsse arraial Ero um grande fazendeiro Velho muito respeitado Chamado Lucas Monteiro Pois era êle o mais rico Daquele sertão inteiro. Então êsse fazendeiro Só tinha uma filhinha Chamada Maria Rita Mas lhe chamavam Ritinha E formosa igual ela Outra moça ali não tinha. Ritinha contava apenas 14 anos de idade Os seus pais lhe dedicavam A mais profunda amizade Estudava n’uma escola Da mesma localidade.


Ainda não tinha amado A rapaz dêste lugar Confiada na riqueza Só queria namorar Com moço rico elegante Que lhe podesse igualar. Os velhos admiravam A sua filha Ritinha Dizia os dois com orgulho A nossa nobre filhinha Só poderá se casar Com rapaz de alta linha. Nessa véspera de natal Ela estava se aprontando Para abrilhantar na festa Quando a noite fosse chegando O povo no arraial Ia se aglomerando


Deixo Ritinha na festa Muito decente e cortez E vamos noutra fazenda Em busca de Juarez Para assistir o festim E ver o que êle fez. Juarez cêdo trajou-se N’um terno de tropical E disse soltando graça Hoje lá no arraial Vou arranjar uma noiva Nesta noite de natal. Juarez chegou na festa Achou boa a distração Tinha gente em quantidade Era grande a multidão E uma banda de música Tocando num pavilhão.


Pra tôda classe em geral Havia 2 carroceis E um bonito corêto Para os arrasta pés A cota para dançar Era dez contos de reis. Porém êste era sòmente Para ricas bailarinas E os rapazes também Daquelas classes mais finas Inclusive os namorados Filhos de gentes grã-finas. Juarez ficou de pé De fora apreciando Viu dentro do pavilhão Uma mocinha dançando Êle ficou meia hora Sòmente lhe contemplando.


Juarez também ficou Com vontade de dançar Tinha um guarde na porta Êle foi lhe perguntar Se havia condição Que êle podesse entrar. O guarda logo o fitou O vendo muito decente Disse pois não cavalheiro Tem um ingresso sòmente Pagando 10 mil cruzeiros Pode entrar francamente. Juarez não perdeu tempo Nessa mesma ocasião Pagou os 10 mil cruzeiros E recebeu o cartão Entrou e para a moçinha Foi logo estendendo a mão.


Ritinha ficou pasmada Vendo aquele moço louro Sorrindo pro lado dele Mostrando os dentes de ouro Dançaram a primeira parte Aí travou-se o namoro. Juarez lhe perguntou O nome da senhorita? Ela sorrindo lhe disse Me chamo Maria Rita Êle disse eu nunca ví Outra moça tão bonita. E como você chama? Ela perguntou ligeiro Êle no mesmo momento Lhe disse sou engenheiro Me chamo Dr. Valdir Moro no Rio de Janeiro.


Ela como moça rica A surpresa foi igual Lhe respondeu o meu pai É chefe dêste arraial O seu nome é respeitado Desde o sítio a capital. Êle lhe disse o meu pai Também é conceituado É um grande fazendeiro Possui muita terra e gado Mas eu embora solteiro Vivo dêle separado Você ainda é solteiro? Perguntou ela em seguida Êle respondeu-lhe sou Pois ainda em minha vida Não consegui encontrar Minha mulher perfeita


Êle disse só você Agora é quem me conforta Lhe acho capacitada De entrar na minha porta És a flor que encontrei Para enfeitar minha horta Ela disse muito grata O mesmo também direi Já tenho 14 anos Ainda não encontrei Um rapaz do meu agrado Só de você me agradei Agora aqui acabou-se O nome de Juarez Agora é Doutor Valdir Um moço de polidez Que fez a nobre Ritinha Se apaixonar de vez


Passaram a noite dançando No maior contentamento A Doutor disse amanhã Com o seu consentimento Vou conhecer os seus pais E pedir-lhe em casamento Ritinha achando que êle Era de grande conceito Em sinal de agradecida Lhe apertou contra o peito Isto pra suas amigas Serviu de grande dispeito Uma delas perguntou-lhe Quem é este forasteiro? Ritinha lhe respondeu É um Doutor engenheiro Chama-se Dr. Valdir Veio do Rio de Janeiro


Então aquela conversa Os demais se fez ouvir Até os outros rapazes Começaram a pressentiar Pois Ritinha só queria Dançar com Dr. Valdir. Um sujeito leva e traz Correu bastante ligeiro Para levar a notícia Ao velho fazendeiro Que a sua filha estava Namorando um engenheiro Logo o pai de Ritinha Mandou para ela um recado Que ela fôsse pra casa Levando o seu namorado Pois queria conhecer Êsse moço tão ousado.


Ritinha logo saiu De braços com o rapaz Dizendo eu te amo tanto Que não te deixo jamais Chegando apresentou Dr. Valdir a seus pais. Com prazer seja benvindo O velho disse ligeiro Estimo lhe conhecer Lucas Fernandes Monteiro O moço disse da mesma Dr. Valdir engenheiro. Doutor Valdir disse o fim Que ao senhor me apresento Primeiro pra conhecer-lhe Segundo porque intento Me casar com sua filha Vim pedí-la em casamento.


O velho disse está certo O senhor não é solteiro? Êle lhe respondeu sou O meu pai é fazendeiro Mora em Belo Horizonte E eu no Rio de Janeiro. A razão porque eu vivo De meu pai distanciado Porque nos departamentos De obras, sou contratado E ando fiscalizando As obras de todo Estado Ontem saltei em Recife Mas deixei a capital No carro de um amigo Passando nêste arraial Resolvi saltar aqui Pra gozar do festival.


Aqui está um cartão Da Construtora Cordeiro Na qual eu sou contratado Lá no Rio de Janeiro No mesmo se lia o nome Dr. Valdir engenheiro. De formas que o fazendeiro Tomou logo simpatia Ao Doutor engenheiro Abraçou-o com alegria Pensou que fôsse verdade Tudo quanto êle dizia. O Doutor Valdir usava Uma pronúncia bonita Puxava em r e s Que até Maria Rita Se orgulhava de ver Êle fazer boa fita.


Aí não faltou mais nada Para o Dr. Valdir Disse o velho o senhor hoje Não precisa mais sair Eu vou armar uma rêde Para o senhor dormir. O velho armou uma rêde Lá em um quarto que tinha O qual ficava pegado Com o quarto de Ritinha Saiu e deixou a filha Com seu noivo sòzinha Ficou o Dr. Valdir Com aquela liberdade Por ser noivo de Ritinha Ali ficou a vontade Deu tempo um ao outro Tomarem grande amizade.


Passaram o resto da noite Os velhos foram dormir Mas Ritinha não queria Largar o Doutor Valdir Aquela grande paixão Não podia resistir. No outro dia o Doutor Querendo se retirar O velho lhe disse não O senhor pode ficar O prazer é todo nosso De aqui lhe hospedar. Logo lhe ofereceram Café com leite e qualhada Cuscús de milho e farofa De queijo com carne assada Mais tarde veio o almôço Uma boa panelada.


O Doutor disse a Ritinha Eu necessito voltar Pois minha roupa está suja E eu preciso trocar E talvez ainda hoje Pra qui eu torne voltar. Eu deixei lá em Recife Minha mala n’um hotel Vou buscá-la e comprarei Para você o anel Do nosso feliz noivado Provando um amor fiel. Êle pediu a medida Do anular de Ritinha No mesmo instante partiu Pra fazendo Alagoinha O que tinha se passado Não disse nada a velhinha.


Passou o resto do dia A tarde a roupa trocou Passando pela cidade Para Ritinha comprou O anel que prometeu No mesmo dia voltou. Apesar de todo esfôrço Chegou já pela tardinha Tratou logo de entregar O lindo anel de Ritinha Quando o colocou no dêdo Ela ficou caidinha. Para os pais de Ritinha Foi grande o contentamento O velho logo chamou Dr. Valdir no momento E convidou-o pra marcarem A data do casamento.


Doutor Valdir disse eu Não tenho o que aprontar Pois até apartamentos Já possuo para morar Daqui para o mês de junho Eu volto para casar. Ritinha cada vez mais Ficava no desespêro Orgulhosa porque ia Casar com um engenheiro E além de tudo ia Morar no Rio de Janeiro. Doutor Valdir todo dia Ia para Alagoinha Pra fazenda do seu tio Tomar a bênção a velhinha Trocava a roupa e voltava Para a casa de Ritinha.


Todo dia êle voltava Com um terno diferente De tropical irlandez D’um brilho resplandescente Ritinha cada vez mais Ficava louca e contente. As moças da visinhança Ficavam só comentando Com inveja de Ritinha Viviam lhe perguntando Quando era o casamento Como que investigando. Tôda noite êle dormia Na casa de sua amada Porque palestravam até A uma da madrugada Os velhos os deixavam a sós. Sem desconfiar de nada.


A m達e as vezes chamava Ritinha venha dormir Por辿m ele n達o queria Deixar o Doutor Valdir Respondia que bobagem A senhora pode ir. Os velhos pais de Ritinha Pegavam a criticar Diziam Doutor Valdir Deixou de fiscalisar Suas obras dos Estados Com sentido em se casar. Mas no fim de 5 dias O grande Doutor Valdir Disse para a sua noiva Amanh達 quero partir Tenho um cargo e jamais O deixarei de assumir.


Ritinha ficou tristonha Começou logo a chorar E disse para êle eu não sei Como posso suportar A tua ausência querido É para me acabar. Deixe ao menos para mim A sua fotografia Para eu me consolar Vendo você todo dia Assim amenisará A minha grande agonia Êle lhe disse está certo Para você deixarei A minha fotografia E amanhã partirei Se conforme que em junho Pra nós casar voltarei.


Assim passaram a noite Aqueles apaixonados Os velhos foram dormir Os dois ficaram abraçados N’um sofá cama da sala Como já fôssem casados. No outro dia o Doutor Depois de ter almoçado Chamou os futuros sogros Mostrando-lhe muito agrado Em cada um ele deu Um grande abraço apertado. Ritinha saiu de dentro Chorando veio abraçá-lo Um beijo por despedida Ela disse ao beijá-lo Pois esta tua partida Vai me causar um abalo.


Partiu o Doutor Valdir Bastante penalisado Sentindo aquele remorso Do que tinha praticado Só Deus estava ciente Do que tinha se passado. Afinal ficou Ritinha Anciosa a esperar Que o tal Dr. Valdir Viesse pra se casar Venceu-se o prazo marcado E nada dêle voltar O velho pai de Ritinha Já vivia aborrecido Porque a filha vivia N’um pranto desensofrido Porém só ela sabia O que tinha acontecido


A sua mãe lhe pedia Pra ela se conformar Dizia você é moça Pode com outro casar Porém Ritinha notava Que estava a engordar. A visinhança dizia A filha do fazendeiro Está engordando tanto Será que o engenheiro Deixou ali um netinho Para seu Lucas Monteiro? Quando Ritinha viu mesmo Que estava em gravidez Pensou eu vou ter um filho E antes que chegue o mês Para ninguém não saber Vou desertar d’uma vez.


Foi ao cofre do pai Tirou bastante dinheiro Que disse pra viajar Para o Rio de Janeiro Sua vontade só era Ir atraz do engenheiro. A sua roupa melhor Botou numa maletinha Deixou um papel escrito Para sua mamãezinha E no escuro da noite Saiu a pobre Ritinha. Aqui eu deixo Ritinha Viajando em desespêro E vamos dar a notícia Do noivo falso engenheiro Que também tinha partido Para o Rio de Janeiro.


Êle voltou ao Rio Foi para o mesmo local Onde havia trabalhado Pois a firma era legal Fichou-o de novo por ser Um bom profissional. Volto a falar novamente Na fugida de Ritinha Quando o dia amanheceu Sua querida mãezinha Como era de costume Foi acordar a filhinha Em cima de sua cama Achou um bilhete seu Caiu num pranto alarmante O velho pra lá correu Vamos saber no bilhete O que Ritinha escreveu.


Dizia assim o bilhete Mamãe me acho perdida Para não haver escândalo Resolvi fazer partida Se não encontrar Valdir Desistirei desta vida. Peço aqui a santa bênção Do meu querido papai E da querida mamãe Porque sua filha vai Pois o amor de Valdir Da minha mente não sai. Vou fazêr-los prevenidos Se alguém vir perguntar Diga que Doutor Valdir Foi quem mandou me chamar Pros senhores não safrerem Vergonha nêste lugar.


Pois eu vou ganhar um filho O pai é Doutor Valdir Porisso que atraz dêle Eu sou obrigada a ir Para evitar escândalo Antes da bomba explodir. Os pobres velhos coitados Ficaram pra não viver Não esperava que aquilo Podesse acontecer Ambos ficaram calados Para ninguém não saber. Mas as moças da escola As colegas de Ritinha Pegaram sentir a falta Da bondosa coleguinha Logo buscaram saber Qual o motivo que tinha.


Logo correu a notícia Que Ritinha tinha ido Para o Rio de Janeiro Pois havia recebido Uma carta do seu noivo Que havia adoecido. Quando Ritinha chegou Lá no Rio de Janeiro Saltou no aeroporto Tomou um táxi ligeiro Foi direta ao escritório Da Construtora Cordeiro. Tinha roubado o cartão Que o noivo falso engenheiro Entregou naquele dia Ao senhor Lucas Monteiro O dito cartão trazia O enderêço certeiro.


Com as inscrições da firma Ritinha viu conferir Logo apertou a cigarra A porta vieram abrir Ritinha disse desejo Falar com Dr. Valdir. Doutor Valdir não está Disse um funcionário Se o assunto é com êle E o caso é necessário Espere um pouco que êle Pra chegar não tem horário. Ritinha sentiu ali Findar a sua tristeza A luz da sua esperança Agora já estava acêsa Disse consigo êle agora Vai ter a maior surpresa.


Dentro de poucos minutos Entrou ali um Doutor O funcionário disse Doutor Valdir por favor Aqui está esta moça Quer falar com senhor. Quando êle disse isto Ritinha empalideceu Deseja falar comigo? O Doutor lhe respondeu Ritinha caiu num pranto Que êle se comoveu. Ritinha compreendeu Que tinha cido iludida O Doutor lhe perguntou Porque está tão sentida? Me conte qual o problema Que lhe faz tão abatida.


Ritinha lhe respondeu É grande o meu desespêro Porque viajei do Norte Aqui pro Rio de janeiro Atraz de um tal Valdir Que se dizia ser engenheiro Ai logo mostrando Aquele retrato seu O Doutor quando pegou No retrato conheceu Lhe respondeu este cara É um empregado meu É um famoso pedreiro O seu nome é Juarez Voltou do Norte arrasado Depois que passou um mês Por ser um bom elemento Admitiu-o outra vez.


O Doutor lhe respondeu Como pôde descobrir? E vir no meu escritório Como pôde conseguir? Ela entregou-lhe o cartão Inscrito Doutor Valdir. Mas Doutor Valdir sou eu Êle respondeu assim Que sujeito curioso Safado, péssimo ruim Quem rouba a firma de outro Só presta levando fim. Ritinha pediu chorando Doutor pelo amor de Deus Não faça nada com êle Peço pelos filhos seus Lembre que Jesus pediu O perdão para os judeus


O Doutor lhe respondeu Eu atendo o seu pedido Mas s não fôsse a senhora Agora aquele bandido Ia parar na cadeia Para não ser atrevido. Ainda faço um favor Se a senhora quer ir A levarei na presença Do falso Dr. Valdir Pois quero ver como êle Agora vai se sair. Ritinha entrou no seu carro E êle na direção Rumou sem perca de tempo Para a dita construção Chegando desceu do carro E foi bater no portão.


Foi encontrando o vigia Lhe disse n’um tom cortez Vá lá em cima depressa Dizer ao Juarez Que êle faça o favor Vir aqui com rapidez. Juarez muito contente Atendeu sem ter demora O Doutor disse pra êle Trouxe pra você agora Uma agradável surpreza Pode sair ali fora. Êle perguntou o que? E foi abrindo o portão Quando avistou Ritinha Ficou da côr de algodão Quase que naquela hora Morria do coração.


Ritinha quando viu êle A roupa suja de massa Lhe disse você é mesmo Um mentiroso de raça Roubou a firma de outro Pra fazer minha desgraça. Você é um criminoso Um ente sem coração Iludiu a boa fé Me fazendo ingratidão Fez a meus pais e a mim A mais horrendo traição. Juarez deu um suspiro E disse perdão querida Esqueça o que se passou Isto são coisas da vida Se você inda me ama Por mim será recebida.


O Doutor disse a senhora Agora vai decidir Se quer se casar ou não Com êste ‘’Doutor Valdir’’ Se não quiser diga logo Porque eu quero o punir. Ritinha disse Doutor Isto é indispensável Porque vou ganhar um filho Êle é o responsável Além disto eu tenho a êle Um amor inseparável. Doutor Valdir disse a êle Foi a sua salvação Senão você ia agora Me pagar na detenção Pois quem rouba a firma alheia É pior que um ladrão.


A sua noiva lhe ama E vai ganhar um menino Eu não posso fazer nada Pois se fizer me crimino Que ela pode abortar E eu serei assassino. Falou o Doutor Valdir Para o falso engenheiro Vá procurar outra firma Pra trabalhar de pedreiro E passe no meu escritório Pra receber seu dinheiro. Juarez logo saiu Procurando uma pensão Para hospedar Ritinha E dar-lhe alimentação Até que poder arranjar Uma outra habitação


Ritinha logo escreveu Aos pais no outro dia Que estava satisfeita Na paz da santa harmonia Feliz por ter encontrado A quem tanto ela queria. Disse que Doutor Valdir De fato estava doente Porém já estava quase Curado radicalmente Depois de casados iam Visitá-los brevemente. Os velhos com a notícia Ficaram bem conformados Porém não sabiam ainda Que tinham sido lezados Porque pelo Juarez Ficaram ludibriados.


Ritinha com poucos dias Casou-se com Juarez No católico e no civil Ainda na gravidez E enviou os retratos Aos pais no fim do mês. Os velhos pais de Ritinha Receberam carta dela Trazendo as fotografias Ela de véu e capela Provando que o Doutor Valdir se casou com ela. Juarez com o dinheiro Que tirou da Companhia Comprou um barraco velho Na Favela da Alegria Depois botou todo abaixo E fez de alvenaria.


Como não tinha mobília Arranjou um crediário Mobiliou o casebre Como era necessário E além disso passou A receber bom salário. Porque depois que saiu Da Construtora Cordeiro Arranjou grande biscaite Que lhe deu grande dinheiro Desde daí continuou Trabalhar de biscaiteiro. Depois se legalisou E no centro da cidade Instalou um escritório Arranjou sociedade E agora êle é Um construtor de verdade.


Quando Juarez estava Bastante equilibrado Ritinha disse você Agora está mais folgado Podemos dar um passeio No nosso torrão amado. Juarez achou de acôrdo De Ritinha a sugestão Foi logo n’uma agência De passagem de avião Adquiriu as passagens Voaram para o sertão. Chegando em Pernambuco Saltaram na capital Depois n’um carro rumaram Pra quele dito arraial Para os pais de Ritinha Foi alegria total.


E a formosa Ritinha Já conduzia um filhinho A que adorava tanto O fruto do seu carinho Foi um prazer dos avós Beijar aquele netinho. Porém Monteiro ainda Não tinha sido informado Que o nome de Valdir Já tinha se acabado Continuava inocente Sôbre o seu nome trocado. Acontece que o velho Não ficou bem satisfeito Quando seu genro e a filha Contaram tudo direito Só perdoou ao genro Porque não tinha mais jeito.


Disse ele precisamos Ocultar enquanto é cêdo Só vai ficar entre nós Daqui não sai êste enrêdo Para o povo de fora Ninguém revela o segrêdo. De formas que os vizinhos Amigos do fazendeiro Muitos foram visitar O sr. Lucas Monteiro E abraçar o seu genro Doutor Valdir engenheiro. Aquele falso engenheiro Adquiriu a herança Lucrou também uma espôsa Vida da sua esperança Edificou a riqueza Sem precisar de poupança.

FIM


O noivo falso −engenheiro−  
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