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ESTE FOLHETO É PARTE INTEGRANTE DO ACERVO DO BEHETÇOHO EM FORMATO DIGITAL, SUA UTILIZAÇÃO É LIMITADA. DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS.


INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO O Acervo Eletrônico de Cordéis do Behetçoho é uma iniciativa que pretende dar consequências ao conceito de (com)partilhamento dos artefatos artísticos do universo da oralidade, com o qual Behetçoho e Netlli estão profundamente comprometidos.

INFORMAÇÕES SOBRE A EQUIPE A equipe de trabalho que promoveu este primeiro momento de preparação e disponibilização do Acervo foi coordenada por Bilar Gregório e Ruan Kelvin Santos, sob supervisão de Edson Martins.

COMPOSIÇÃO DA EQUIPE Isabelle S. Parente, Fernanda Lima, Poliana Leandro, Joserlândio Costa, Luís André Araújo, Ayanny P. Costa, Manoel Sebastião Filho, Darlan Andrade e Felipe Xenofonte


JOÃO LUCAS EVANGELISTA

A VIDA DE UM VAQUEIRO VALENTE (OU A VAQUEJADA NO CÉU)

JUAZEIRO DO NORTE 1979


Sou um poeta que vive da poesia somente porém gosto duma estória versada em alta patente que se vê moça bonita casar com rapaz valente Para quem gosta de luta de ver a palha voar penetre no fim do livro que daqui pra terminar se sabe como um rapaz tem estética pra brigar Dando volta na memória vou traçar em poesia um romance destacado que todo mundo aprecia a estória de um vaqueiro que passou-se na Bahia


Chama-se Lucilane o leitor bem compreenda por isso esse menino já nasceu de encomenda pra montar cavalo brabo e trabalhar em fazenda Logo desde criancinha seu pai lhe deu a um senhor a um cidadão ricaço por nome de João Salvador tinha diversas fazendas era grande agricultor Em cada fazenda ele apoiava cangaceiro apreciava na vida moça bonita e dinheiro, cavalo de campear, homem valente e vaqueiro


Quando o pai de Lucilane foi o menino entregar disse: - Seu João cuidado pois eu vou lhe avisar que meu filho é impossível de ninguém lhe aguentar O velho disse: - O garoto tem traços de valentão vou cria-lo com cuidado e quando ficar rapagão quero ver se ele presta pra pegar barbatão E começou o menino no traquejo muito cedo campeando no degredo nunca temia a visão nem de nada tinha medo


Vamos deixar Carmelita por Lucilane chorando para falar nas fazendas que o tempo está se passando e as festas de apartações já estão se aproximando Muito antes, quatro meses o fazendeiro mandava reunir os poldros brabos e o rebanho apartava e do vaqueiro mais destro primeiramente montava Lucilane tinha esgrima mais não era bem treinado Carmelita não deixava fazer serviço ariscado se não como domador não era classificado


Logo de todas fazendas começaram a chegar vaqueiro forte e disposto pra nos cavalos montar e oque fosse destro tinha o primeiro lugar Entre os animais havia um poldro grande e melado que era de Carmelita e seria premiado o vaqueiro que montasse e o deixasse esbrabejado Pois jå era a quarta vez que ele ia ao estrovo ninguÊm o domesticava e haveria vir de novo esse poldro nas fazendas era o assombro do povo


Quando os domadores viam o tal cavalo melado pensavam ser o demônio em animal transformado diziam: - Quem montar nele será logo esbagaçado Pois ele já tinha morto dois domadores estrepados três vaqueiros da fazenda tinham se esbagaçados na última veio dois homens saíram descangotados Por isso ninguém montava naquele poldro voraz Lucilane disse: - Eu juro como rasgo o seu cartaz deixarei de ser vaqueiro se ele ficar em paz


Um vaqueiro disse: - Lane você gosta de brincar pensa em domar cavalo é no mato campear derrubar garrote manso e pelo campo aboiar? No meu posto de vaqueiro não sou desmoralizado faz vergonha uma fazenda que tem faqueiro afamado e não tem uma pra deixar o poldro domesticado Carmelita nesta hora segurou a sua mão pedindo por todos os santos: - Lucilane, não vá, não pois eu não quero te ver morto, estirado no chão


Disse ele a Carmelita: - Medo pra mim é manha eu mostrarei a senhora que triunfo na campanha pois a vida é como um jogo que se perde ou se ganha Na fazenda se encontrava todo povo reunido dizendo que o rapaz estava doido varrido os vaqueiros desejavam ver Lucilane caído Um vaqueiro corpolento disse pra Lane a sorrir: - Eu aposto quatro contos como você vai cair se quiser vamos fechar para eu me divertir


Lucilane disse: - Aposto na certeza de ganhar e se o bicho me vencer e hoje eu não lhe amansar jogo o meu gibão no mato não quero mais campear Mais ou menos uma hora a montagem começou o poldro vendo o vaqueiro estremeceu e rinchou Lucilane deu um salto e dum pulo se montou Disse para o estribeiro: - Pode o cabresto cortar e deixe por minha conta este danado pular de cima ele não me tira ele hoje há de cansar


O cavalo se viu livre quando o estribeiro cortou o cabresto do mourão o bicho desembestou deu pulos que um redemoinho de poeira levantou Carmelita se valia de Deus e Nossa Senhora o povo todo correu ficaram olhando de fora e Lucilane montado lhe furando de espora Termino me despedindo dos meus amigos vaqueiros dos grutilhþes, chapadas dos montes, despenhadeiros deixando um aboio saudoso p’ras filhas dos fazendeiros


Quando Lane terminou todas as moças choravam e os amigos vaqueiros com os lenços acenavam e as rezes no curral pelo vaqueiro urravam E disse para Carmelita já findei minha aventura e agora vamos seguir pra nossa vida futura presente, passado é claro mas pra frente é escuro Lucilane foi artista com o seu cavalo Xexéu Carmelita sua amada também cobriu-se de véu e foi daqui que surgiu a vaquejada do céu


E aqui caros leitores meu romance terminou um beijo de Carmelita desejo pra quem comprou pra quem não comprar desejo que de noite leve um beijo dos cabras qu’ele matou – FIM Quando o vaqueiro adoece bota seus couros na cama o gado no mato urra com voz de quem lhe chama na porteira do curral berra toda bezerrama Só peço quando eu morrer que botem no meu caixão os meus trajes de vaqueiro chapéu de couro e gibão pra eu brincar com S. Pedro nas festa de apartação


Não se esqueça de botarem as esporas e o chapéu o retrato do meu cavalo que sempre chamei de Xexéu pra eu brincar com S. Pedro nas vaquejadas do céu Quero minha sepultura lá no meio do taboleiro em cima da minha cova coloquem um belo cruzeiro com alguns sinais de couro provando ser de um vaqueiro E quando o gado solteiro à noite fizer malhada lá no pé do meu cruzeiro de frente a casa caiada urra o gado em minha cova chora o povo da morada


Do vaqueiro Lucilane ninguém não lhe toma à frente Porque o cavalo é bravo e o boiadeiro é valente e da mão de Carmelita ele é o pretendente O vaqueiro lá na mata se rala em cima da sela se desviando de espinhos unhas de gato e favela fazendo verso e pensando na beleza da donzela Assim o vaqueiro aboia êh! pra lá vaca bonita! no lugar do teu chocalho um belo laço de fita és a beleza do campo o mimo de Carmelita


Na pega do barbatão um vaqueiro violento pega na cauda de touro derriba com seu talento e o fazendeiro dá-lhe Carmelita em casamento Pois eu mostrei para o mundo quanto vale um bom vaqueiro casa com moça bonita filha de um fazendeiro são as medalhas de campo que se dá pra boiadeiro Disse o velho a Lucilane: - Já que você é poeta portanto em aboio eu quero ouvir sua estória completa em vezos que regosije até a alma de um poeta


A velha disse ao povo: - Agora vamos escutar a estória do vaqueiro para nossa festa animar pois a coisa mais bonita é Lucilane aboiar Nessa hota a multidão fez um silencio profundo para ouvir Lucilane melhor vaqueiro do mundo e a vaquejado do céu ele rompeu num segundo Quando é no mês de novembro pela primeira chuvada se reúne a vaqueirama de frente a casa caiada vão olhar o campo vasto se a rama já está fechada


O vaqueiro da fazenda é quem se monta primeiro no cavalo amarelo calçado e muito ligeiro sai aboiando e pensando na filha do fazendeiro Na passagem de um grutilhão o novilho fracassou e Lane pegou na calda e o cavalo avançou foi três sopapos que deu foi três vezes que rolou E saltou com violência e foi logo mascarando dizendo: - Vamos acolá que o povo está te esperando. Botou o bicho na frente seguiu atrás aboiando


E no aboio dizia: - Sou vaqueiro violento pego na calda e o touro derribo com meu talento e amanhã com Carmelita eu me uno em casamento Às oito horas da noite todo povo no terreiro disse a moça: - Estou ouvindo o aboio do vaqueiro Disseram: - É ele apaixonado aboia com desespero Nisto o vaqueiro chegou foi novamente abraçado e mataram o barbatão para a festa do noivado para Lucilane chegava homenagem de todo lado


Depois seguiu pra vertente em busca do barbatão que era o assombro do povo de todo aquele sertão e nunca vaqueiro algum se atreveu a botar no chão E aboiando dizia: - Vida boa é de vaqueiro casar com moça bonita filha de um fazendeiro são as medalhas de campo que se dá pra boiadeiro O barbatão avistando embocou de mundo a fora mas o cavalo Xexéu avançou na mesma hora disse Lane: - Meladinho quero o bicho sem demora!


E emburacaram os três na rama de caatingueira quem longe passava ouvia o estalar da madeira a terra estava molhada mas levantava poeira Subiram numa chapada cavalo, boi e vaqueiro descambaram na quebrada por monte e despenhadeiro o moço lhe caqueava mais o bicho era ligeiro Disse o velho a Lucilane: - Meu genro pode ficar, com velha, fazenda e tudo com a moça pode casar dou até a minha mãe pra você não me matar


Disse a velha: - Tenha calma Lucilane é bom rapaz. E abraçou-se com ele beijando e dando cartaz minha filha tem um marido parente de Ferrabaz Disse Lane: - Mande ver logo o padre e muita gente que antes das quatro horas quero voltar novamente vou pegar o barbatão da fazenda da vertente - Será que tu inda aguenta? perguntou o velho então disse Lane: - O senhor pensa que sou algum moleirão? disse o velho: - Eu não estou mais dizendo nada, não


E disse: - Mande depressa trazer pra mim um chapéu e mande água e banho no meu cavalo Xexéu que agora eu vou cantar a vaquejada do céu Lucilane vendo a moça ficou mais enfebreado e quando acertava um tiro beijava ela abraçado dizia: - Se nos matarem morro contigo amarrado Os outros disseram – O diabo e quem fica assim esperando quem já matou mais de vinte quem está se acomodando a gente tão apertado ele acolá se beijando


Vendo o major, Lucilane a Carmelita beijar cresceu a ira deveras só faltou estoporar mas só via seus capangas no mato abrir e fechar O velho ficando só Lucilane da trincheira sorrindo lhe perguntou: quedê sua cabroeira? porque o senhor também não emborcou a madeira? O velho vendo ele vir em direção apontou mas quando fitou o moço um tremilique atacou faltando a disposição a arma no chão soltou


Carmelita já sabia oque estava acontecendo saiu em busca da sala neste momento foi vendo o seu pai como uma fera voltou pra dentro correndo A velha correu pra dentro disse: - Daqui não me mexo danou a venta na porta com o cachimbo no queixo que a cabeça e o canudo atolou até o eixo Vendo os cabras entrincheirados Lucilane desmontou no pátio da casa grande da cartucheira botou seis balas no cano longo da casa se aproximou


Surgindo o primeiro tiro entrincheirou-se ligeiro numa pedra grande que havia mesmo no meio do terreiro cada tiro que ele dava desgraçava um cangaceiro Carmelita vendo a hora seu querido se acabar com o revólver na mão penetrou até chegar onde estava Lucilane e disse: - Eu vim te ajudar Do cavalo ele pulou em cima do Chico Preto ficou matando-o de arroxo deixando só o esqueleto o patrão tenha cuidado que a volta dele é esperto!


E a raiva dele é mais porque furei seu chapéu dum tiro que lhe mandei vem pior que um tetéu e não tarda a chegar no seu cavalo Xexéu Parece que ali vem ele por dentro dos taboleiro e o senhor se aguente ai com seus cangaceiros que nós três vamos gramar por dentro dos marmeleiros O major disse: - Danou-se!... para o terreiro saiu e entrou de casa a dentro o chinelo escapuliu e o cinturão se quebrou e a calça também caiu


O major disse aos cabras: - Eu me confio em vocês pois quero que matem o cabra em paga do que ele fez quando ele encostar no pátio façam fogo de uma vez Ele também atirada porém faltou munição dos cabras também faltou se denaram em direção da fazenda e Lane disse: - Eu vou pegá-los de mão Os outros se adiantaram um pobre só se atrazou e Lucilane encostando na sela ele se equilibrou de um cavalo pra outros na carreira ele pulou


Na frente 1 gritou aos outros: - Olhem aquela arrumação o pobre do Chico Preto nunca mais come baião disseram: - Vamos embora que aquilo só sendo o cão! E chegaram na fazenda de cabelos arrepiados dizendo: - Acuda, patrão que negócio encalacrado nunca fui a um casamento de um noivo tão desastrado É doido quem quer negócio com aquela infernal serpente já arrasou 15 homens quase acaba com a gente pega boi, monta a cavalo depois o peste é valente!


Os cangaceiros atiravam no moço pra derribar mais era dificio a bala por perto dele passar os poucos que Lane dava via os miolos voar Porém um cabra mandou um besouro meio zangado cochetou numa pedra como quem vinha asilado pegou no chapéu de couro deixou um rombo danado Vendo seu chapéu furado o rapaz ficou com pena aí fez no revólver pior do que a grangena com dez minutos e dez homens levaram a gora serena


E cinco cobras correram deixando só o rapaz disseram: - Este só sendo parente de Ferrabraz ou então veio do inferno mandado por satanas Ali avançou seu cavalo como quem ia voando mais ou menos dois quilômetros foi nos bandidos encostando e os cabras para trás de vez em quando atirando Nesta voz ele saltou nas bitacas de um bandido pra começo destampou-lhe o braça no pé do ouvido saindo sangue da venta caiu no chão estendido


Os outros partiram em cima ele da faca puxou dando no buxo de outro que o fato derribou feijão com bofe e lombriga tudo estuído ficou Partiu um sujeito feio cara cheia de chuvisco a faca entrou na sangria mais podre do que um cisco o sangue que derramou-se dava pra fazer chouriço Partiram quatro de frente e mais dois de cada lado disse Lane: - Eu vou mostrar que sou um bicho estrompado ou pensavam que eu era só para derribar gado?


Deu um salto ali de costas os cabras se destacaram bateu de mão ao revólver os cabras também puxaram e os besouros sem assas nessa hora se assanharam Isto no mês de novembro pela primeira chuvada reuniu-se a vaqueirama de frente a casa caiada dizendo: - Vamos olhar se a rama já está fechada Lucilane não sabia que era uma emboscado saiu com a voz bonita aboiando uma boiada e Carmelita ficando mais a mais apaixonada


No ponto determinado um bandido foi dizendo: - Então moço, Lucilane o sr. está querendo se casar com Carmelita? Nós já estamos sabendo Lucilane disse: - Ora quem manda ela ser boa? linda, cheirosa, atraente uma decente pessoa brevemente Carmelita há de ser minha patroa Disse o bandido: - Então pode cuidar de se preparar que depois da confissão nós vamos lhe comungar o patrão mandou a ordem que nós podia os casar


A tempo eu desconfiava já desta barbaridade porém fechava os meus olhos pensava em ser amizade de irmão de criação consentia a liberdade Porém de amanhã em diante ele vai se endireitar vou reunir meu capangas pra aquele cabra pegar e fazer seu casamento na fazenda Quebra-Mar Escolheu ali 10 cabras de lavente a mais valente e explicou-lhes dizendo: - Botem o vaqueiro na frente e digam que é pra pegarem o touro lá da vertente


Quando vocês se apearem na fazenda Quebra-Mar botem nele pra valer se ele se revoltar corte a venta e as orelhas querendo podem matar E Lucilane inocente viu falar no barbatão disse: - Hoje eu vou botar mais um garrote no chão; sem saber que ia ser vítima de uma horrenda traição Carmelita nessa hora se abraçou com o rapaz sem saber que um bandido vinha chegando por trás se abraçaram e se beijaram sem dar fé do capataz


O cangaceiro correu com o seu gênio de pantera sabendo que o major ficava doido de veras sabendo duma coisa dessas passava da besta-fera E disse:- Major, acorde que o senhor está enrascado pois eu peguei Lucilane com carmelita abraçado juntinho que não passava nem um mosquito despeuado Com está voz do bandido quase derriba o major que levantou-se dizendo: - Aqui esteve melhor!... e saiu para o terreiro sentindo um frio suor


Tanto que eu confiava naquele vaqueiro nobre mas na raiva que me fez o seu cartaz se encobre pois não caso Carmelita nem com rico, nem com pobre - Lucilane, não me negues e deixe de caçoada eu sou tua Carmelita que chora desesperada não pretendendo mais viver se por ti não for amada Pelas razões de ser pobre é cousa que não encaro um homem como senhor na Bahia é muito raro na vida de boiadeiro és o vaqueiro mais caro


O perigo é só meu pai pois é muito violento Deus me livre dele ouvir eu falar em casamento e eu por ser filha única ele é muito ciumento - Carmelita, se me amas eu também te quero bem e creio que não nasci pra ter medo de ninguém da forma que eu sou vaqueiro serei brigador também Nas festas de apartação vou te pedir certamente e já sei que esta cousa vai ser muito diferente pois de o major não der vai se acabar muita gente


Carmelita respondia : - Beleza não me convém, eu ter tanta boniteza e tu não me querer bem e esta minha tristeza é por ti e mais ninguém Lucilane nesta hora sentiu no peito tocar as centelhas do amor sem poder acreditar o que ela lhe dizia então tornou a falar Minha jovem Carmelita não deves dizer assim eu sendo um pobre vaqueiro se atreve a zombar de mim quem sou eu pra possuir esta rosa em meu jardim?


Ela disse: - É impossível você querer me aceitar pois é querido por todas as moças deste lugar embora desde criança eu comecei lhe amar - Carmelita, eu penso que tu estás me chateando será que estou dormindo com a senhora sonhando? Ou do contrário doente com febre tresvariando?

FIM


A vida de um vaqueiro valente  
A vida de um vaqueiro valente  
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