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Os pais que a mãe de Anilton escolheu para ter os seus filhos tinham sempre mais de 30 anos, mas nem por isso ficaram com ela, nem deram apoio apesar de precisar. Com 28 anos, a mãe “vem

dum bairro da Praia chamado Safinde”. Deixou de estudar no final da escola primária e “não pôde continuar a estudar, mas se pudesse ainda continuava”.

Ela “tem

dores na coluna” e diz que “não pode carregar” cargas. Mas aqui

no bairro da Achada Grande de Trás quase toda a população carrega água, do Chafariz até casa, simplesmente para sobreviver. A água é para beber, para cozinhar, para lavar o corpo, a roupa ou a loiça, entre outras coisas. A água é vida. Durante o dia, os chafarizes animam-se como se fossem colmeias; os moradores vão e vêm. É uma verdadeira procissão: há quem tenha a vida facilitada com carrinhas, mas a maior parte das pessoas carregam e transportam os seus baldes de plástico, simplesmente com a força dos braços ou em cima da cabeça. A cada um o seu jeito. Assim, regularmente, a mãe de Anilton carrega, apesar das dores, baldes de 20 litros de água. De momento, a mãe de Anilton não trabalha mas “já foi empregada doméstica”. Gosta de cozinhar e um prato que ela costuma fazer para Anilton e Emilsa é “peixe frito com arroz”.

Vozes de Nós – Díli, Maputo, Praia (2013)  

Vozes de Nós – Díli, Maputo, Praia (2013)  

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