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Kê Kuá! | Quinta-feira 28 de Abril de 2011 | 17

Grande reportagem Especial

Fundação Novo Futuro futuro novo

Fundação Novo Futuro São Tomé e Príncipe Ao serviço de crianças e adolescentes carenciados No lar há ainda alguns jovens que já ingressaram no mercado de trabalho. A idade não permite que continuem a estudar no curso diurno, por isso, frequentam aulas nocturnas e durante o dia trabalham para ter um futuro garantido. « São os meninos que estamos a preparar para o 'desmame', estou a ajuda-los a economizar para prepara-los para a vida independente. Vão constituir família, trabalhar e é necessário encaminhá-los e estou a crer que dentro de dois anitos isso irá acontecer.»

Ectilsa Basto

Sonhar é preciso. É através do sonho que as obras nascem. A médica Dulce Gomes, exministra da Saúde, criou a Fundação Novo Futuro para acolher e proteger meninos e adolescentes carenciados. O lar, sito no BudoBudo, dá afecto, carinho, amor e alimentação a crianças privadas de afectos dos pais , do lar e da família. Dá-lhes educação de forma a garantir a sua autonomia e plena integração na sociedade. A ideia da criação da fundação foi inspirada pela mãe de Dulce Gomes, já falecida. “Aqui somos uma família” «Ela sempre trouxe crianças para este espaço, ela alimentava-os e educava-os. Ela sempre dizia que , com fome, as crianças não aprendem. Quando ela morreu, eu não quis que o seu ideal fosse abandonado, então resolvi fazer um centro, foi uma forma também de preservar o espaço» A estrutura foi inaugurada a 1 de Junho de 2002.Um dos objectivos da Fundação Novo Futuro é apoiar e proteger crianças e adolescentes vulneráveis, pro porcionando-lhes actividades em tempos livres. A associação tem

vindo a alargar o seu trabalho à ilha do Príncipe, apostando principalmente no acesso à educação. As crianças e adolescentes que vivem no lar têm todo o afecto e atenção. «Foi muito fácil encontrar os meninos que mais precisavam, porque quando ia para o terreno atender os doentes, eu já seleccionava as comunidades e as crianças desfavorecidas. E quando abri o lar, foi tudo mais fácil, fui ao encontro dessas crianças e ainda lá estavam naquela situação. No lar eles têm todo o amor e carinho que não tinham, por isso gostam de estar

aqui e não querem mais sair. Aqui, nós somos uma família.» O dia-a-dia dos meninos no lar é semelhante ao de qualquer criança ou adolescente, dividido entre escola e a casa. «Nós temos duas senhoras que ficam com eles, trabalhamos por planificação mensal das tarefas que cada um sabe que tem que fazer, além dos deveres da escola. Eles são bons alunos graças a Deus, três vezes por semana recebem explicações. Todos os anos eu selecciono o melhor aluno e se for oportuno, coloco-o no IDF, pois o ensino lá é outro, terá um melhor nível.»

Diz Dulce Gomes que no período de férias há sempre actividades no lar. As meninas e meninos desdobram-se em pinturas, confecção de peças de artesanato com coco e outros materiais, bem ainda como corte e costura e treino musical. São também organizados ateliês de formação em algumas comunidades. O lar começou com crianças dos 4 aos dez anos e o número daqueles que querem ajuda vai aumentando. Ao todo, a Fundação Novo Futuro abriga neste momento dezasseis crianças e adolescentes. O mais novo tem dez anos e o mais velho dezanove. Idosos são a próxima meta A ambição de Dulce Gomes, médica de profissão é abrir um centro de acolhimento para os idosos. Mas para já a atenção central continua nas suas criancinhas » enquanto houver meninos e meninas carenciados, que tenham problemas de atenção nós vamos dar

apoio. Gostaríamos que o nosso apoio fosse também algo que facilitasse a integração deles na sociedade, para que no futuro possam ser melhor. Ajudar é tudo, basta querer, muitas pessoas dizem que não têm condições , mas quando se quer, move-se montanha » defendeu Dulce Gomes Este ano, os meninos da Fundação Novo Futuro participaram num projceto que culminou com o recente lançamento do álbum Vozes de Nós, uma compilação de ilustrações e de histórias de vida de meninos e meninas do Huambo, São Tomé e Bissau, contadas de forma simples com base em testemunhos directos. São vozes de meninos e meninas em risco. São histórias chocantes que mostram que é necessário coragem, atenção e vontade de agir para se ajudar o próximo, principalmente as crianças. Aqui em São Tomé, os meninos e adolescentes da Fundação Novo Futuro participaram no projecto, com as suas ilustrações e as suas histórias.

Kê Kuá! - STP  

Artigo sobre o projecto Meninos de Rua na revista santomense Kê Kuá!

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