RCEA - Volume 2 - Dez. 2021

Page 1

RCEA


RCEA



Editorial Uma associação busca defender e representar os Engenheiros Ambientais e afins frente aos orgãos públicos e demais profissionais. Buscamos sempre representar e orientar da melhor forma possível todos os profissionais mostrando a importância do associativismo e da união.

E o que esperar nesta segunda edição?

E foi nesta linha que idealizamos em 2018 a primeira revista catarinense de Engenharia Ambiental com autoria da ACEAMB. A revista teve como objetivo objetivo destacar e reunir os profissionais da área ambiental em seus diferentes ramos de atuação, monstrando para a socidade as reais atuações de nossos profissionais.

Nossos agradecimentos ao CREA, nosso patrocinador, a todo o corpo editorial, presidencia e aos nossos autores, sem vocês essa revista não seria possivel.

Bem, a segunda edição não é diferente. Focamos em destacar as atuações destes profissionais em áreas como: Aproveitamento Energético, REURB, Programação, Saneamento, Resíduos, Recursos Hídricos, dentre outros.

Encerro desejando uma ótima leitura e que possamos cada vez mais divulgar a Engenharia Ambiental Catarinanse.


Palavras do Presidente E conseguimos lançar o segundo volume da revista da ACEAMB. Antes de comentar da importância da revista, é fundamental agradecer a todos que tornaram isso possível, ao CREA-SC pelo patrocínio, aos engenheiros e profissionais que submeteram seus textos e aos associados por acreditar na nossa gestão. A revista é uma ótima forma de divulgar nossos profissionais, assim como demonstrar as diferentes áreas de atuação dos engenheiros ambientais. Além da revista, também estivemos gravando o podcast da ACEAMB, com o mesmo intuito.

Acompanhe nossa revista e aprenda mais sobre aproveitamento energético de lodo de estação de tratamento, regularização de imóveis, programação, saneamento ambiental, laboratórios acreditados, compostagem doméstica e caracterização física de recursos hídricos. Aproveitando este volume, também divulgamos um pouco sobre a criação da primeira revista e do desenvolvimento do podcast, para que outras associações e entidades possam fazer uso dessas midias. Boa leitura.


08 10 13 15 21 28 31 35 41

Índice Experiência da Construção da primeira Revista da ACEAMB por Fernando Basquiroto de Souza

Aproveitamento Energético em Caldeira a partir do Lodo da Estação de Tratamento de Efluente de um Frigorífico por Gislaine Danieski

Regularização de Imóveis em Condomínio – Estremação por Cristine Camilo Dagostin Dal Toé

Por que aprender a programar na Engenharia Ambiental? por Fernando Basquiroto de Souza

O que é Saneamento e Qual a sua Importância? por Émilin de Jesus Casagrande de Souza

Qual a Importância de realizar Ensaios em Laboratórios Acreditados? por Michele Brum Hermany

Métodos de Compostagem Doméstica por Patricia Darolt de Costa

Caracterização Física de Cursos D'água em uma Microbacia por Guilherme Semprebom Meller

Dando voz à Engenharia Ambiental: O primeiro ano do Podcast da ACEAMB por Fernando Basquiroto de Souza



Experiência da Construção da primeira Revista da ACEAMB No ano de 2018, a eng. ambiental Émilin Casagrande sugeriu a criação de uma revista profissional para a divulgação dos profissionais da Engenharia Ambiental. Os membros da diretoria acataram a ideia e foi dado inicio ao desenvolvimento da revista. Primeiro, a ideia foi divulgada para que os engenheiros e engenheiras ambientais pudessem elaborar seus textos. Os textos deveriam conter um pouco da experiência profissional dos autores sobre um tema específico, visto que o campo de atuação da engenharia ambiental é bastante vasto. Dessa forma, os profissionais poderiam ser reconhecidos pelo seu trabalho e ser contactados por outros colegas para fazer parte de suas equipes, quando o trabalho estivesse relacionado à sua área de conhecimento.

Além disso, foi sugerido que os textos deveriam ter entre 1.000 e 1.500 palavras, podendo apresentar fotos, figuras, tabelas e outros elementos para complementar o trabalho. Ao final de cada texto, pediamos aos profissionais para inserir uma foto e uma breve descrição dele. Em seguida, os textos foram revisados, de forma a verificar sua consistência e enquadramento com a ideia original da revista. Após receber todos os artigos, foi dado inicio aos trabalhos de diagramação. Para este processo, foi utilizado o software livre e gratuito Scribus (versão 1.4.7). O Scribus é um software para a criação de publicações, facilitando a distribuição dos elementos como texto e figuras nas páginas, assim como já permitir ver a 'cara' da revista.


É importante comentar que o Scribus não é o único software gratuita disponível para a criação e diagramação de revistas. Outras ferramentas também podem ser usados, tais como LibreOffice Writer, Google Docs e LaTeX. Conforme montávamos a revista, adicionávamos as fotos e figuras fornecidas pelos autores, mas em algumas situações, utilizamos imagens obtidas na internet. Neste sentido, sites como Unsplash.com, Pixabay.com e PublicDomainVectors.org foram usados, visando o download de imagens sem direitos autorais. A edição das imagens normalmente era realizada no GIMP. Depois da revista pronta, começaram os trabalhos de divulgação, sendo que divulgamos a versão digital nas redes sociais e a versão impressa para órgãos públicos e associações locais.

A primeira revista da ACEAMB contou a participação de 13 profissionais, abrangendo temas como a atuação profissional dos engenheiros ambientais, emissões atmosféricas, amostragem ambiental, gestão de recursos hídricos, compostagem, ecotoxicologia, qualidade da água em reservatórios, saneamento ambiental, modelagem hidrológica, geoprocessamento, softwares de gestão ambiental e a participação profissional em comissões temáticas. Dessa forma, foi possível divulgar as diferentes áreas de atuação dos engenheiros ambientais e valorizar seus trabalhos. A divulgação dos associados também pode ser realizada, principalmente na forma de listas. Outro fator interessante é a possibilidade de patrocínios, de forma a trazer recursos financeiros em troca da exposição de serviços prestados por empresas e profissionais de diferentes ramos. Além disso, com o projeto da revista finalizado, softwares como Scribus permitem salvar o arquivo de projeto e reutilizar ele para novas edições. Em outras palavras, haverá um pouco de trabalho no inicio, toda a curva de aprendizado para usar o software e pensar na diagramação, mas após isso, é só reaproveitar o layout criado e continuar na divulgação e valoriação da engenharia ambiental. Esperamos que este todos aproveitam este relato para suas associações e para darmos maior visibilidade à engenharia ambiental com outras revistas. Sobre o Autor:

Figura 1: Capa da primeira edição da Revista Catarinense de Engenharia Ambiental da ACEAMB.

Fernando Basquiroto de Souza é engenheiro ambiental e presidente da ACEAMB (Gestão 2021-2022).


Aproveitamento Energético em Caldeira a partir do Lodo da Estação de Tratamento de Efluente de um Frigorífico A geração de resíduos em grandes indústrias é quase inevitável e inerente ao processo, fazendo parte do aspecto e impacto ambiental de suas atividades. Na indústria frigorífica não é diferente. Durante o processo são gerados vários resíduos, sendo os principais destes, o lodo da estação de tratamento de efluente, tecidos orgânicos, cinzas da caldeira, resíduos recicláveis e outros. Os resíduos orgânicos são destinados como subprodutos para produção de farinha, sendo totalmente aproveitados. Os resíduos recicláveis são comercializados para reciclagem. Outros resíduos são gerados com menores volumes, e podem ser facilmente administrados. Entretanto, o lodo da estação de tratamento de

efluente é o resíduo de maior volume e mais custoso para o descarte adequado. O estudo de caso a ser apresentado irá demonstrar algumas soluções para redução deste custo de forma sustentável e eficiente. Trata-se de um abatedouro de aves com produção de 130 mil cabeças/dia, com uma estação de tratamento de efluente de capacidade média de 180 m³/h, tipo FAD (flotação por ar-dissolvido). Possui também sistema de desidratação de lodo por centrifugação, com produção mensal 160 toneladas de lodo. Os custos para a destinação deste lodo correspondem a 70% dos custos totais de resíduos da empresa no mês.


Figura 1: Digestor de Secagem de Lodo. Diante desta problemática, vislumbrava-se uma solução mais eficiente e barata para o bolso do empreendedor. Assim, foi quando se implantou a secagem do lodo por digestor e posteriormente misturado na biomassa da caldeira para queima na fornalha, gerando aproveitamento energético e custo zero de destinação do resíduo. Para facilitar melhor entendimento, vamos retroagir e discorrer um pouco da geração deste lodo e suas etapas. A primeira fase do lodo da ETE ocorre no flotador, que após o tratamento físicoquímico, gera flocos sólidos que são arrastados por microbolhas de ar e raspado para um sistema coletor. Nesta etapa o lodo possui uma grande porcentagem de água – média de 85% de umidade - tornando necessário uma desidratação para reduzir volume e peso. O caso em questão já possuía um sistema de desidratação de lodo por centrifugação, onde separa duas fases de diferentes pesos específicos, atingindo redução da umidade do lodo entre 60 e 70%.

Após a desidratação, a quantidade de lodo atingia 160 ton/mês, com destinação final para compostagem em empresa especializada. A partir desta etapa, foi realizado o investimento de um digestor para secagem de lodo. O digestor de lodo realiza a secagem a partir da injeção indireta de vapor em temperaturas médias de 130°C com rotação contínua. A centrífuga alimenta o secador com lodo desidratado, o qual permanece em média de 20 a 40 minutos sob altas temperaturas, com saída contínua do material seco. O lodo seco alcança umidade entre 35% e 40%, exibindo granulometria fina, com aspecto visual similar ao “pó”. Embora que com este processo, já era possível alcançar redução significativa do volume do lodo centrifugado e proporcionalmente os custos da destinação, realizou-se o estudo para aproveitamento energético do resíduo em caldeira. Desta forma, o primeiro passo foi avaliação do poder calorifico do lodo para queima. De acordo com Felder e Azollini (2013), o cavaco de eucalipto possui Pode Calorifico Inferior de aproximadamente 4300 Kcal/kg.


O lodo seco atingiu Poder Calorifico Inferior de 5818 kcal/kg, mostrando desta forma, um resultado atraente e bom para queima. Em seguida, analisouse a classe do lodo seco em conformidade com a NBR 10004:2004, satisfazendo os valores máximos permitidos a sua classificação, tendo como resultado um resíduo não-tóxico e não-inerte tipo Classe IIA. Após os resultados e estudos preliminares em mãos, realizou a solicitação para autorização da queima

ao órgão ambiental, a qual foi concedida na licença ambiental de operação. Posteriormente, realizou a implantação de rosca transportadora do secador até o armazenamento de cavaco da caldeira, onde era feito a mistura do lodo e cavaco, e conduzido continuamente até a fornalha. Os resultados da queima foram eficientes e rápidos, com manutenção estável da pressão da caldeira nas mesmas condições de uso único do cavaco. O ponto negativo da operação foi o aumento de acúmulo de material petrificado no fundo da fornalha, aumentando a dificuldade da limpeza. Entretanto, as vantagens se sobressaíram de forma significativa, pois o projeto possibilitou a redução do consumo de um terço de cavaco, custo zero de destinação de lodo, extinção de emissões de gases de efeito estufa no transporte do lodo, menos resíduos no meio ambiente, e sobretudo uma solução energética sustentável a partir de um resíduo.

Referências Consultadas

Figura 2: Lodo seco na biomassa.

FELDER, C.; AZOLLINI, J.C. Estudo de Viabilidade de Queima de Resíduos Originários da Indústria de Laticínio. Unoesc & Ciência - ACET, Joaçaba, v. 4, n. 1, p. 71-84, 2013.

Sobre a Autora: Gislaine Danieski é engenheira ambiental com experiência em controles ambientais na área de indústria e processos. Atua há mais de 8 anos na profissão, e desempenha consultoria em tratamento de efluentes, licenciamento ambiental e gestão de resíduos.


Regularização de Imóveis em Condomínio – Estremação Muito tem sido discutido sobre regularização fundiária de imóveis urbanos, especialmente aqueles constituídos em condomínio, onde diversos são os proprietários na matrícula. No Brasil são inúmeros imóveis na situação de condomínio de fato e, muitas das vezes as pessoas não sabem como solucionar o problema e dissolver o condomínio. Uma situação extremamente comum é a de herdeiros, que recebem o imóvel em herança, registram o formal de partilha e mantêm a propriedade entre diversos filhos. Estes herdeiros vendem sua parte ideal no imóvel e a situação de condomínio no registro do imóvel perdura. Recentemente o Tribunal de Justiça de Santa Catarina regularizou o instituto da estremação. Este instituto já estava previsto no art. 571 do Código Civil,

mas que ainda não possuía regulamentação específica em nosso Estado e, portanto, não era conhecido nem aplicado. O vocábulo “estremar” significa “demarcar através de estrema”, ou seja, delimitar áreas para cada proprietário dentro de uma mesma matrícula. Poderíamos definir estremação como a forma de circunscrever, com marcos divisórios, a propriedade dos condomínios de fato (com delimitação inter partes), sem que as partes necessitem recorrer ao Poder Judiciário, podendo, para tanto, valer-se do foro extrajudicial A estremação não é a única forma de regularizar o condomínio de fato, temos também a possibilidade de divisão do condomínio por Escritura Pública de Divisão Amigável, Ação de Divisão. Contudo, a estremação é a mais fácil e eficaz.


O instituto é altamente importante na esfera jurídica e econômica, tendo em vista que os proprietários de um imóvel em condomínio encontram grandes dificuldades em relação à obtenção de crédito, transações imobiliárias em geral, bem como a impossibilidade de se desmembrar, retificar a descrição do imóvel, averbar construções etc Em Santa Catarina o assunto é tratado pelo Provimento n. 63 de 2020, que alterou o Código de Normas da Corregedoria Geral de Justiça nos artigos 712-A e seguintes e instituiu o procedimento de “estremação de imóveis em condomínios de fato”. Os principais requisitos para a estremação são: 1) Obrigatoriedade de copropriedade do imóvel registrado; 2) A parcela a ser estremada deve respeitar à fração mínima de parcelamento ou o módulo rural, nos termos do artigo 8º, caput, da Lei n. 5.868/72 e artigo 4º, da Lei n. 6.766/79; 3) Existência de ocupação localizada e consolidada por um prazo mínimo de 05 (cinco) 4) Necessidade de escritura pública de estremação. A estremação pode ser feita tanto de frações ideais registradas como nãoregistradas.

Neste último caso será necessário apresentar para registro o título aquisitivo (escritura de compra e venda) e a escritura de estremação concomitantemente. Isso significa dizer que ao mesmo tempo que será solicitada a escritura para estremação (divisão) do imóvel, e não estando o solicitante ainda presente na matrícula com fração ideal registrada, poderá encaminhar concomitante a escritura de compra e venda da fração ideal. Esse instituto se assemelha muito a regularização fundiária urbana – REURB prevista na Lei n. 13.465/2017, podendo ser chamado até de “reurb simplificada” e é muito importante para solução de diversos conflitos relacionados aos condomínios de fato. A grande diferença para a Reurb é a simplicidade de documentação exigida, bastante apenas memorial descritivo da área ser desmembrada e escritura de estremação. O procedimento da Reurb é mais complexo e depende de procedimento administrativo junto ao Município, assim como reconhecimento da existência de núcleo urbano informal consolidado. Referências Consultadas BRASIL. Código Civil. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L1 0406compilada.htm>. TJSC. Código de Normas da Corregedoria Geral de Justiça. Disponível em <https://www.tjsc.jus.br/web/corregedoria-geralda-justica/codigo-de-normas-da-cgj>.

Sobre a Autora: Cristine Camilo Dagostin Dal Toé é advogada. Mestre em Direito pela Univali e Delaware Law School. Especialista em Direito Ambiental pela UFRGS e Graduada em Direito na Universidade Federal de Santa Catarina. Professora de cursos de graduação em Direito Ambiental.


Por que aprender a programar na Engenharia Ambiental? Muitas das atividades realizadas por engenheiros e engenheiras são efetuadas em computadores. Vamos utilizar um exemplo: 1) Você planeja seu campo no escritório; 2) Você vai para campo; 3) Faz a coleta de uma miríade de dados; e 4) Retorna para o escritório para compilar os dados obtidos para serem usados no seu relatório. Embora todas as etapas possam fazer uso de algum tipo de computador (i.e. tablet e smartphone), é na etapa 1 e 4 que você utiliza seu computador (seja ele um notebook ou computador de mesa) e nessas etapas podemos utilizar programação. Estarei apresentando neste artigo os benefícios e alguns exemplos do uso da programação utilizando as linguagens de programação R e Python.

Para começarmos, é interessante colocarmos o que é programação. Ela pode ser definida como um conjunto de instruções que são passadas para serem execudadas pelo computador. Dito isso, já podemos visualizar como podemos aplicar programação na engenharia (deixo em aberto porque isso não se aplica somente à engenharia ambiental, mas a qualquer outra). Podemos automatizar atividades rotineiras que nos tomam muito tempo e geram pouco valor agregado. Embora o cliente não se importe com a tecnologia que você irá utilizar, e sim em garantir a solução do problema dele, a programação é uma ótima alternativa para que você automatize o processamento dos dados (i.e. cálculos e geração de gráficos) e foque na análise dos resultados obtidos.


Com certeza você já passou muitas horas atualizando gráficos e ajustando cálculos no Microsoft Excel para depois sobrar pouco tempo para realizar análises e pesquisas sobre os resultados. No meu caso, eu tinha meus códigos em R prontos para criar meus gráficos e as análises estatísticas do monitoramento da qualidade do solo de áreas em processo de recuperação ambiental. A cada campanha, bastava alimentar as planilhas com os novos dados e rodar os códigos, fazendo com que todos os gráficos do relatório e análises ficassem prontos. Dessa forma, eu gastava meu tempo somente na discussão dos resultados e avaliando se a área estava se recuperando adequadamente. É interessante ressaltar que a automatização não precisa parar por ai. Neste caso, eu fazia parte de uma equipe e meu texto era, posteriormente, adicionado ao relatório final. Ainda é possível automatizar o relatório inteiro. Este é o caso do engenheiro ambiental Felipe Lemes (2020). Ele vistoriava sistemas de esgotamento sanitário e elaborava um relatório para cada um deles, apresentando aspectos ambientais e um conjunto de fotografias. Lemes (2020) gastava em torno de 10 horas para elaborar seu relatório manualmente. Visando tornar o processo menos maçante, ele desenvolveu um conjunto de códigos em Python para carregar os checklists das avaliações de campo, preencher os campos em um texto preestabelecido, gerar um arquivo do Microsoft Word (usando a biblioteca DOCX) e inserir as imagens no relatório fotográfico (com auxílio da biblioteca PIL). Com isso, o tempo gasto para elaboração do relatório caiu de 10

horas para meros 35 minutos. Obviamente que para cada linguagem de programação há uma curva de aprendizado, entretanto, esse exemplo é apenas uma solução possível, imagine quantas outras podem ser implementadas? Outro exemplo no ganho de tempo é com a obtenção de coordenadas a partir de documentos legais, como matrículas e leis. Em algumas delas há uma quantidade imensa de vértices e pares de coordenadas, tornando a digitação de cada uma delas inviável. Entretanto, por meio de programação em Python, é possível criar uma rotina que busca as coordenadas e salva elas em um arquivo CSV, possibilitando sua abertura num software de SIG. Além disso, cabe ressaltar que algumas plataformas para processamento na nuvem de imagens de satélite, como o Google Earth Engine e o Planetary Computer, são acessadas por meio de linguagens de programação, logo, se você quer trabalhar com sensoriamento remoto, saber programar é fundamental.

Até aqui, você já notou que citei duas linguagens de programação, R e Python. Para quem não sabe por onde começar, pode estar se perguntando “Qual linguagem de programação eu devo aprender?” – Então vamos comentar um pouco sobre elas. O R é uma linguagem de programação gratuita para análises estatísicas e desenvolvimento de gráficos. Ele possibilita a manipulação e armazenamento de dados; cálculos em matrizes; diversas ferramentas para análise de dados; dispositivos para apresentar ou salvar imagens; e uma linguagem que permite condições, loops, funções, entradas e saídas.


Além disso, sua comunidade disponibiliza vários pacotes que permitem aumentar sua usabilidade (RPROJECT, 2020). Assim como o R, o Python 1 também é uma linguagem de programação gratuita e possui várias bibliotecas (i.e. pacotes) que permitem aumentar suas funções. Ele possibilita o uso para diversas áreas em função da sua flexibilidade e simplicidade (HUNT, 2019). A Figura 1 apresenta duas rotinas escritas no R e no Python para calcular o dobro de um conjunto de valores por meio de um loop do tipo for, de forma que você consiga visualizar um pouco das suas diferenças dessas linguagens.

Embora haja diferentes formas de resolver o mesmo problema, na figura 1 é apresentado um código onde é definido, inicialmente, duas variáveis (i.e. ‘variaveis’ e ‘resultado’); sendo que em seguida é criado um ciclo para que cada valor de ‘variavel’ seja multiplicado por 2 e o resultado seja armazenado em ‘resultado’. Por fim, o mesmo é impresso no console do programa. Independente da linguagem de programação que você escolher para iniciar, você já estará ganhando. Tanto o R quanto o Python têm uma comunidade online bem ativa, sendo possível encontrar vários tutoriais e vídeos para começar a programar.

Figura 1. Rotinas escritas em R (esquerda) e Python (direita).

Em seguida são apresentados várias formas de utilizar o R, desde a geração de gráficos à automatização de laudos. Dashboards são quadros que agrupam várias informações e indicadores para facilitar a tomada de decisões. No R, é possível construir dashboards interativos usando o pacote flexdashboard. Na Figura 2 é apresentado um exemplo com dados de indicadores de qualidade da água. Outro uso interessante do R é para a criação de apresentações usando o framework Reveal.js. Framework é um conjunto de bibliotecas e ferramentas

para auxiliar o desenvolvimento de um programa. Desta forma, o Reveal.js possibilita criar slides, transições e tópicos no R, tornando suas apresentações diferenciadas. A Figura 3 mostra uma possível estrutura de slides criada com ele. Para aqueles que trabalham com sensoriamento remoto, também é possível trabalhar com imagens no R. Na Figura 4 é apresentado o resultado de uma classificação nãosupervisionada. O R também permite visualizar modelos digitais do terreno em três dimensões, conforme pode ser visto na Figura 5.

1. É de suma importância mencionar que o nome da linguagem vem do grupo de comédia inglês Monty Python (HUNT, 2019).


Figura 2. Dashboard criado no R com o pacote flexdashboard para acompanhar dados de qualidade da água.

Figura 3. Estrutura de apresentação criada no R com reveal.js.

Figura 4. Classificação não-supervisionada usando método Random Forest de imagem aérea no R.


Figura 5. Relevo em três dimensões da Bacia Hidrográfica do rio Urussanga usando o pacote rayshader do R. Assim como o Python, é possível automatizar a geração de laudos e relatórios no R com o auxílio de outras linguagens de programação, como Markdown e LaTeX. A Figura 6 mostra um exemplo de laudo gerado no R, onde é possível preencher dados no meio do texto e apresentar gráficos dos dados levantados.

Figura 6. Exemplo de laudo de ensaio de infiltração usando R Markdown.

Na figura seguinte são apresentados diferentes tipos de gráficos gerados no R, sendo comum o uso da biblioteca ggplot2 para desenvolver gráficos com uma melhor aparência.

Figura 7. Exemplos de gráficos gerados no R.


Como brevemente comentado anteriormente, aprender uma linguagem de programação também possibilita usar ferramentas como o Google Earth Engine, a qual é uma plataforma de computação em nuvem para processamento de imagens aéreas em grande escala (por exemplo, imagine processar em poucos segundos uma análise de desmatamento em várias imagens Landsat entre os anos de 1985 e 2020?). Neste caso, a plataforma pode ser utilizada tanto em Python quanto em JavaScript, sendo que a Figura 7 mostra um gráfico gerado em Python da temperatura de superfície usando MODIS.

Embora muitos fiquem assustados quando expostos às linguagens de programação, estas foram desenvolvidas para nos auxiliar. Caso ainda esteja com dificuldades, pense nos códigos como instruções a serem seguidas, escreva elas como você explicaria um procedimento de laboratório. Em seguida, converta as instruções para seu equivalente na linguagem de programação. Agora, pegue aquele seu relatório de monitoramento ambiental, que todo semestre você tem que ficar atualizando gráficos e tente automatizar ele, de forma que você fique mais tempo na análise dos resultados do que na atualização dos gráficos no Excel. Faça o experimento. Referências Consultadas 2 Engenheiros. Blog 2 Engenheiros. Disponível em <http://2engenheiros.com/>. Acesso em 19 set. 2020. HUNT, John. A Beginners Guide to Python 3 Programming. Springer, 2019. 441 p.

Figura 8. Análise da temperatura de superfície usando Google Earth Engine com Python.

LEMES, Felipe. Como utilizei a programação para tornar meu trabalho como Engenheiro Ambiental 90% mais rápido. LinkedIn. 2020. Disponível em <https://www.linkedin.com/pulse/como-utilizeiprograma%25C3%25A7%25C3%25A3o-paraotimizar-meu-trabalho-engenheiro/>. Acesso em 18 set. 2020. R-PROJECT. R: What is R?. Disponível em <https://www.r-project.org/about.html>. Acesso em 19 set. 2020.

Sobre o Autor: Fernando Basquiroto de Souza é engenheiro ambiental e busca soluções com geoprocessamento e programação em estudos ambientais, com foco em hidrologia, pedologia e mineração.


O que é Saneamento Ambiental e Qual é a sua Importância? O saneamento desenvolveu-se de acordo com a evolução das diversas civilizações, ora retrocedendo com a queda das mesmas, ora renascendo com o aparecimento de outras. Em outras palavras, podemos dizer que a importância do saneamento bem como sua associação a saúde humana remonta às mais antigas culturas. No entanto, os poucos meios de comunicação do passado podem ser responsabilizados, em grande parte, pela descontinuidade na evolução dos processos de saneamento e retrocessos havidos. Fazendo com que, conquistas alcançadas em épocas remotas ficassem esquecidas durante séculos, por não fazerem parte do saber do povo em geral, uma vez que seu conhecimento era privilégio de poucos homens de maior cultura (FUNASA, 2004).

Segundo Roseu (1994), foram encontrados ruinas de uma civilização na índia que se desenvolveu (cerca de 4.000 anos), onde foram encontrados banheiros, esgotos nas construções e drenagem nas ruas. O autor destaca ainda outros relatos sendo eles: práticas sanitárias como o uso da água para limpeza, este apresentado no Velho Testamento; a fervura por meio da fervura e a filtração da água com areia ou cascalho realizadas no ano 2.000 a.C como forma de “purificar” a água evitando assim contaminação e mortes e as práticas adotadas pela civilização greco-romana como a construção de aquedutos, banhos públicos e os esgotos romanos. É importante frisar, que todas essas práticas tinham como objetivo aos controles e cuidados quanto a


higienização e o controle de doenças. Porém, com a falta de difusão desses conhecimentos e práticas fizeram com que os povos retrocedessem. Isso mesmo, com quedas nas conquistas sanitárias e consequentemente em sucessivas epidemias. Embora de lá para cá muita coisa mudou com os diversos meios de comunicação, ainda temos falta de divulgação desses conhecimentos principalmente nos meios rurais. No meio rural a população consume recursos para construção de suas casas, na maioria das vezes em áreas precárias e sem saneamento básico de qualidade. Mas afinal o que é o Saneamento Ambiental?

No Brasil, o saneamento básico é um direito assegurado pela Constituição e definido pela Lei nº. 11.445/2007 como “conjunto dos serviços, infraestrutura e Instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, controle de vetores, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais e todos eles possuem suas legislações, normas e cuidados específicos”. Em outras palavras, o saneamento básico é responsável pelo cuidado e controle de qualquer atividade que possa causar agentes patógenos capazes de comprometer a saúde humana sendo imprescindível o seu desenvolvimento e implantação em qualquer local. Observe que esses serviços podem ser prestados tanto por empresas públicas quanto por empresas privadas. Quando a população tem saneamento básico adequado, ela obtém diversos benefícios diretos e indiretos, como aumento de qualidade de vida e manutenção da saúde.

De acordo com FUNASA (2012), o saneamento possui cinco eixos que serão melhor descritos e detalhados nos tópicos abaixo. O abastecimento de água é a retirada da água de um determinado corpo hídrico para que a mesma seja fornecida à população com quantidade e qualidade e compatíveis e suficientes para o atendimento de suas necessidades. A Lei n° 11.445/2007 conceitua abastecimento de água potável como o conjunto de atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação, até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição. Segundo SANEAS (2002), até chegar às torneiras dos consumidores, a água percorre um longo caminho, iniciado na captação. Depois de tratada, a água é bombeada até reservatórios para armazenamento, de onde será retirada e distribuída ao consumidor (Figura 1). Durante todo esse processo, deve ser realizado um rígido controle de qualidade por meio de análises laboratoriais para atender aos padrões de potabilidade exigidos pela Portaria 2914 de 2011 (esta revogada para a Portaria de Consolidação nº 5 de 28 de setembro de 2017) Ministério da Saúde.

Figura 1. Etapas do Abastecimento de Água (Fonte: Alfacomp, 2019).


Entende-se por esgotamento sanitário o sistema completo constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequada dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente conforme apresentado na Figura 2 (FUNASA, 2012). Segundo Gonçalves (2019), o esgoto é uma mistura de água e matéria orgânica proveniente do banho, da lavagem de roupas, louças ou da descarga do vaso sanitário, entre outras fontes. Quando os resíduos são provenientes de residências formam o esgoto doméstico, quando resultam de fábricas recebem o nome de esgoto industrial. Vale salientar, que em cada caso ocorre formação de substâncias diferentes e gera a necessidade de sistemas específicos de tratamento. Por isso, é muito importante que passe por um processo de purificação para que volte à natureza sem poluir ou contaminá-la. Pois quando não há um sistema de esgotamento sanitário adequado, poderá ocorrer a contaminação do solo e de fontes de água bem como pode ainda comprometer as condições de saúde.

O eixo Resíduos sólidos não consiste apenas na limpeza urbana, manejo dos resíduos sólidos. Mas sim em um conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do resíduo, por exemplo. Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos a Lei no 12.305 de 2010 e regulamentada pelo Decreto nº 7.404/10, todas as prefeituras têm por obrigação elaborar o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – PMGIRS, que estabelece as diretrizes para limpeza urbana e rural, controle e regulação dos aterros sanitários, descarte de materiais industriais, hospitalares, reciclados, entre outros.

A água da chuva precisa ter meios de escoar, não é mesmo? a fim de evitar as inundações de ruas e casas. Toda a estrutura de engenharia (galerias pluviais, poços de visita, tubulações, bueiros, bocas de lobo e sarjetas) precisam ser capaz de lidar com o volume de chuvas, direcionando as águas corretamente para evitar inundações . Esses serviços de saneamentos são indispensáveis para construir uma sociedade mais saudável, sustentável e que tenha a sua cidadania e dignidade respeitada. É um direito que precisa ser garantido (IDEAL CONSULTORIA, 2020).

O quinto e último eixo o Controle de vetores, pode ser dividido principalmente em controle biológico, mecânico ou ambiental e químico.

Figura 2. Sistema de Esgotamento Sanitário (Fonte: Gonçalves, 2019).


Como já falamos anteriormente, sanear significa tornar são, sadio, saudável. Pode-se concluir, portanto, que Saneamento equivale a saúde. Entretanto, a saúde que o Saneamento proporciona difere daquela que se procura nos hospitais e nas chamadas casas de saúde. É que para esses estabelecimentos são encaminhadas as pessoas que já estão efetivamente doentes ou, no mínimo, presumem que estejam. Ao contrário, o Saneamento promove a saúde pública preventiva, reduzindo a necessidade de procura aos hospitais e postos de saúde, porque elimina a chance de contágio por diversas moléstias. Isto significa dizer que, onde há Saneamento, são maiores as possibilidades de uma vida mais saudável e os índices de mortalidade principalmente infantil - permanecem nos mais baixos patamares. Segundo Organização Saúde (1986):

Mundial

promoção da saúde pressupõe a superação dos entraves tecnológicos políticos e gerenciais que têm dificultado a extensão dos benefícios aos residentes em áreas rurais, municípios e localidades de pequeno porte. A maioria dos problemas sanitários que afetam a população mundial estão intrinsecamente relacionados com o meio ambiente. Um exemplo disso é a diarreia que, com mais de quatro bilhões de casos por ano, é uma das doenças que mais aflige a humanidade (causa de 30% das mortes de crianças com menos de um ano de idade. Por isso, investir em saneamento é a única forma de se reverter o quadro existente. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde afirmam que para cada R$1,00 investido no setor de saneamento, economiza-se R$ 4,00 na área de medicina curativa.

da

O conceito de Promoção de Saúde proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS), desde a Conferência de Ottawa, em 1986, é visto como o princípio orientador das ações de saúde em todo o mundo. Assim sendo, partese do pressuposto de que um dos mais importantes fatores determinantes da saúde são as condições ambientais. O conceito de saúde entendido como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não restringe ao problema sanitário ao âmbito das doenças. Hoje, além das ações de prevenção e assistência, considera-se cada vez mais importante atuar sobre os fatores determinantes da saúde. É este o propósito da promoção da saúde, que constitui o elemento principal das propostas da Organização Mundial de Saúde e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Desta forma, a utilização do saneamento como instrumento de

O controle do saneamento serve para preservar ou modificar as condições do meio ambiente tendo como finalidade prevenir doenças, promover a saúde, melhorar a qualidade de vida da população e a produtividade do indivíduo e consequentemente facilitar a atividade econômica. Vale salientar, que cada um desses serviços tem peculiaridades próprias e devem ser tratados com tecnologias atualizadas compatíveis com o grau de desenvolvimento do município. Desta forma, independente do estágio socioeconômico, o zelo e cuidados pela boa funcionalidade desses sistemas indicam o estágio cultural, organizacional e de desenvolvimento de seus habitantes. Segundo a Constituição Federal, todo Brasileiro tem Direito ao Saneamento Básico. No entanto, segundo dados do Instituto Trata Brasil (2019), apenas


50,3% da população no Brasil recebe serviços de saneamento. Isso quer dizer que mais de 100 milhões de cidadãos precisam buscar métodos alternativos para lidar com o descarte de dejetos. Já a falta de acesso ao abastecimento com água tratada atinge cerca de 35 milhões de brasileiros. Vale frisar, que a falta do cuidado adequado gera sérios riscos à saúde pública e ao meio ambiente.

O saneamento básico também causa impactos no meio ambiente. Por exemplo, a drenagem adequada da água da chuva evita enchentes nas grandes cidades e a consequente propagação de pragas (BATISTA, 2012). Além disso, segundo o Instituto Trata Brasil (2015) a destinação correta do lixo minimiza a emissão de gases poluentes na atmosfera, como o gás carbônico (CO²), sem falar que evita o lançamento desses resíduos sólidos em rios e a poluição do solo e das águas subterrâneas. E o sistema de esgotamento sanitário evita que milhares de litros de esgoto sejam despejados sem tratamento nos corpos hídricos. Quando o esgoto é devolvido à natureza em condições adequadas, a vida aquática e os animais e plantas que habitam os ecossistemas do entorno ficam protegidos. Mas e quanto econômico?

ao

crescimento

Podemos dizer que o Saneamento e a Economia são temas que conversam entre si. Isso mesmo! Um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil (2016), cruzou dados entre saneamento básico e diferentes aspectos da economia, chegando a conclusões bem interessantes:

• Quem não conta com saneamento básico em sua localidade ganha menos; • A falta de saneamento básico gera grandes despesas ao governo com saúde pública; • Obras de infraestrutura para saneamento básico geram muitos postos de trabalho, aquecendo a economia local; • A diferença da escolaridade média entre pessoas que residem onde há acesso integral aos serviços de saneamento básico em relação aos locais em que não têm chega a ser de 2,31 anos; e • A falta de banheiro na residência aumenta em 7,3% o atraso escolar.

As Diretrizes Nacional de Saneamento estabelecem o controle social como um de seus princípios fundamentais. A Mobilização Social ao longo da elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) cria a oportunidade de toda a sociedade conhecer a realidade do saneamento de sua cidade e de junto com o poder público discutir os problemas e buscar as soluções. Na fase preliminar ao PMBS, é preparado um Plano de Mobilização Social (PMS), que é uma ferramenta de planejamento das ações de fomento à participação popular. Nesta iniciativa o planejamento das ações de Mobilização Social está baseado em uma concepção Integrada e em Multiplataforma, ou seja, com o uso de diversas técnicas que se complementam em muitas dimensões do processo de participação social na elaboração dos PMSB.


Vale destacar que o plano deve ser elaborado pela prefeitura de todos os municípios em parceria com empresas especializadas e deve ser aprovado pelo Governo Federal, pois é a partir desta aprovação que os municípios recebem as verbas para as obras de saneamento.

Figura 3. Audiência Pública de um Plano de Saneamento Básico. O Plano Municipal de Saneamento Básico pode ser compreendido como um conjunto de diretrizes, estudos, programas, projetos, projeções, prioridades, metas, atos que visam avaliar o estado de salubridade ambiental do município, criação de conselho municipal e a prestação de serviços públicos de saneamento. Dessa forma, define-se ações e investimentos necessários para o desenvolvimento do saneamento básico em seus cinco eixos (FUNASA, 2012). Todas essas informações tem o objetivo de promover a segurança hídrica; a prevenção de doenças; preservação do meio ambiente; redução da desigualdade social de forma a promover o desenvolvimento econômico do município. Outro detalhe importante, é que durante e antes da elaboração do plano, os profissionais responsáveis irão realizar um diagnóstico da situação do município, verificando as deficiências e as necessidades para assim planejar os objetivos e metas de curto, médio e longo prazo, servindo de ferramenta estratégica de gestão para um cenário de vinte anos, devendo ser revisado a cada quatro anos.

No entanto, para que o instrumento funcione, o mesmo deve ser debatido e apresentado aos munícipes por meio de fóruns e audiências públicas, onde o objetivo é ouvir os problemas Essas audiências, serão utilizados recursos tecnológicos de comunicação, com os quais a sociedade poderá manter-se informada, tirar suas dúvidas, interagir com os técnicos da Universidade e, principalmente, contribuir e participar na elaboração do PMSB de seu município. Em cada município estão previstos também 4 (quatro) eventos, sendo 3 (três) reuniões públicas e uma audiência pública, na qual será apresentado o PMSB consolidado e da minuta da lei municipal de saneamento básico.

O crescimento urbano sem planejamento é um problema intricado, que ocorre pela ocupação de áreas sem infraestrutura apropriada, tal como saneamento básico, para a construção de habitações. Muitos governos argumentam que os gastos com saneamento ambiental são altos, contudo é importante destacar que propiciam a diminuição dos impactos ambientais, atenuação de casos de doenças infecciosas e da taxa de mortalidade infantil, assegura a população uma maior qualidade de vida e manutenção de ambientes saudáveis e preservados.


O resultado de um saneamento ambiental falho é a incidência de doenças e mortes que poderiam ser evitadas com políticas públicas mais eficientes. Com o crescimento desordenado das cidades e o aumento da população, todas as questões relacionadas ao saneamento ambiental

prometem desafiar ainda mais os governantes, gestores da saúde pública, técnicos e ambientalistas.

Referências Consultadas

FUNASA. Fundação Nacional da Saúde. Planos Municipais de Saneamento Básico. Florianópolis. 2012.

ALFACOMP. Telemetria de água para sua idade. 2019. Disponível em:< https://alfacompbrasil.com/>. Acesso em: 15 jul de 2020. BRASIL. Lei nº. 11.445/2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico; [...]; e dá outras providências. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria 2.914/2011. Dispõe sobre os procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água para o consumo humano e seu padrão de potabilidade. Brasília: Ministério da Saúde, 2011. BRASIL, Ministério da Saúde. 8ª Conferência Nacional de Saúde. In: Anais da 8ª. Conferência Nacional de Saúde. Brasília: MS, 1986. BATISTA. B.S. Saneamento e Meio Ambiente. 2012. 50 p. _______. Decreto nº 7.404/2010. Regulamenta a Lei no 12.305 que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, [...]. FUNASA, Fundação Nacional da Saúde. Manual de Saneamento. 3o edição. Brasília. Ministério da Saúde. 2004, 20 p.

O que se espera é que o Brasil do futuro seja, também, o país do saneamento ambiental para todos.

GONÇALVES, C.R. Direito Civil Brasileiro. São Paulo: Saraiva. Ed 14. Vol. V Direito das coisas, 2019. ICFBIO. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Ministério do Meio Ambiente. 2018. INOVAR AMBIENTAL. Gerenciamento de Resíduos. 2020. Disponível em:< https://www.inovarambiental.com.br/>. Acesso em: 20 jul de 2020. ______. Lei nº 12.305, de 2 de Agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; [...]. MINISTÉRIO DAS CIDADES. Etapas do Saneamento Básico. São Paulo. 2015, 45 p. ________. Portaria de Consolidação Nº 5 – Ministério da Saúde. 2017. ROSEU. M.A. Saneamento Ambiental. São Paulo. 1994, 120 p. SANEAS. Saneamento Básico. Revista ABES. São Paulo. 2002, n.56, p 22-44. TRATA BRASIL. Ranking do Saneamento Básico 2019 – Instituto Trata Brasil. 2019. Disponível: <https://cebds.org>. Acesso em: 20 set 2020.

Sobre a Autora: Émilin de Jesus Casagrande de Souza é engenheira ambiental e possui Pós Graduação em Direito, Meio Ambiente e Sustentabilidade. Possui experiência nas áreas de saneamento ambiental e gestão ambiental e atua com licenciamento ambiental, modelagem hidrológica, e integração de relatórios técnicos. Escreve também para o Blog 2 Engenheiros.


Qual a Importância de realizar Ensaios em Laboratórios Acreditados? Ao escolher um laboratório para atendimento das suas necessidades de ensaio, o consultor ou empreendedor precisa ter a certeza de que o mesmo irá fornecer resultados precisos e confiáveis. Para que um laboratório ambiental possa exercer suas atividades, além de todos os documentos legais exigidos e necessários, é imprescindível que haja todo um sistema de gestão baseado na qualidade total que passe segurança e confiabilidade aos seus clientes e que garanta os resultados emitidos em seus relatórios de ensaios. Os documentos legais exigidos incluem o alvará de funcionamento, alvará sanitário, autorização ambiental emitida pelo órgão ambiental do estado

ou do município e para que seus relatórios possam ser protocolados no Instituto do Meio Ambiente de SC – IMA – é obrigatório ele ser acreditado pelo mesmo. A acreditação realizada pelo Instituto do Meio Ambiente é feita por auditores do IMA de Florianópolis e exigida desde o ano de 2015 conforme a Instrução Normativa n° 64 (IN-64/atualizada em maio 2016) e é renovada a cada 2 anos. Nesta auditoria são exigidos todos os requisitos semelhantes à norma ABNT NBR ISO/IEC 17025, dos quais se destacam a calibração dos equipamentos RBC (Rede Brasileira de Calibração – Inmetro); validação dos métodos; cálculo de incerteza; participação do laboratório em programas de proficiência e


interlaboratorial; gestão de não conformidades e plano de melhorias. É importante sempre que o profissiona lambiental confira se o laboratório ao qual ele confia as amostras de seus clientes é reconhecido pelo IMA, verificar o escopo de acreditação e a sua validade a fim de evitar multas e a invalidação dos relatórios de ensaios. Isto pode ser feito acessando o site do IMA na aba Licenciamento Ambiental – Laboratórios Reconhecidos. Um laboratório reconhecido pelo IMA se torna próximo a requerer sua acreditação conforme a Norma ABNT NBR ISO/IEC 17025. A acreditação conforme esta norma representa o reconhecimento formal sobre as competências técnicas dos laboratórios e utiliza critérios e procedimentos especificamente desenvolvidos para competência técnica. Esta norma foi elaborada para atender a qualidade de laboratórios de ensaio, calibração e amostragem. O monitoramento das competências técnicas com o sistema de gestão ISO/IEC 17025 é realizado periodicamente e isto faz com que se minimize os riscos, a equipe se torna

Figura 2. Análises ecotoxicológicas. capacitada e qualificada, melhora a confiança dos seus clientes, melhora a assertividade e aceitação dos serviços além da redução de custos. No Brasil, a Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro (Cgcre) é o organismo de acreditação de organismos de avaliação da conformidade reconhecido pelo governo brasileiro. A Cgcre é, portanto, dentro da estrutura organizacional do Inmetro, a unidade organizacional principal que tem total responsabilidade e autoridade sobre todos os aspectos referente à acreditação, incluindo as decisões de acreditação. A acreditação laboratorial constitui assim, um meio de avaliar a competência dos laboratórios em realizar tipos específicos de ensaios. Os diferenciais que um laboratório acreditado oferece estão muito além de relatórios de ensaios rastreáveis. Este laboratório possui, dentre toda a confiabilidade, atendimento aos seguintes requisitos: a) Utilização vigentes;

Figura 1. Realização de análises físicoquímicas.

b) Todos calibrados

das

os RBC

normas

técnicas

equipamentos são e são calculados


os seus erros máximos admissíveis (EMA) tendo-se a suas incertezas e garantindo a utilização do equipamento certo para o ensaio; c) Equipe altamente capacitada com monitoramento das competências feito periodicamente;

De forma resumida, temos que a Norma ISO/IEC 17025 buscar incorporar à gestão dos laboratórios imparcialidade; confidencialidade; desenvolvimento pessoal; equipamentos; seleção, verificação e validação de métodos; amostragem; melhoria contínua e auditoria.

d) Revisão constante dos processos com melhoria contínua; e) Tomadas de decisões mais assertivas para diminuição dos riscos; f) Procedimentos para a garantia da qualidade e manuseio de equipamentos; g) Instruções de trabalho técnicas de amostragem;

para

as

h) Métodos de ensaios validados e verificados constantemente; i) Rastreabilidade nas medições; j) Instalações de ensaio adequadas. Além disso, para conferir se o laboratório está acreditado junto ao Inmetro basta acessar o endereço http://www.inmetro.gov.br/laboratorios/ rble.

Referências Consultadas - Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). NBR ISO/IEC 17025: Requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaio e calibração, Dezembro de 2017. - OLIVARES, I. R. B.; LOPES, F. A. Ciclo AQAC (Analytical Quality Assurance Cycle). Ref. Essential steps to providing reliable results using the Analytical Quality Assurance Cycle. Trends in Analytical Chemistry (Regular ed.). v.35, p.109 - 121, 2012. - OLIVARES, I.R.B. Gestão de Qualidade em Laboratórios. 4. ed. Campinas: Editora Átomo, 2019. 174p -Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – INMETRO. NIT-DICLA035, Revisão 04: Princípios Das Boas Práticas De Laboratório - BPL. Aprovada em Outubro de 2019

Sobre a Autora: Michele Brum Hermany é engenheira química formada pela Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL. Desde 2005, atua como Diretora Administrativa, Proprietária e Responsável Técnica do H2O Laboratório, onde presta serviços para indústrias de diferentes segmentos. O H2O Laboratório apresenta Sistema de Gestão de Qualidade conforme a norma ISO/IEC 17.025:2017 e esta credenciado e licenciado pelo IMA/SC, conforme certidão de reconhecimento de laboratório nº LAB/22709/CRS.


Métodos de Compostagem Doméstica A compostagem orgânica não é uma novidade dos dias atuais, apenas está ganhando popularidade na medida em que as preocupações com as condições ambientais e com a sustentabilidade do planeta vem tomando espaço consideravelmente no cotidiano das pessoas. A compostagem é considerada uma técnica milenar, na medida em que o homem aprendeu a amontoar os restos de animais e vegetais para fermentar. As técnicas eram artesanais e fundamentavam-se na formação de leiras ou montes de resíduos que ocasionalmente eram revolvidos. Após o processo de fermentação, o composto era incorporado ao solo favorecendo o crescimento dos vegetais. Na Europa, a técnica era utilizada durante os séculos XVIII e XIX pelos agricultores que transportavam seus

produtos para as cidades e em troca, voltavam às suas terras com os resíduos urbanos das cidades para utilizarem como corretivos orgânicos no solo. Na década de 70, o aumento da preocupação com a proteção ambiental ocasionou o resurgimento dos sistemas de compostagem, como um processo de tratamento para o lodo de esgoto. Nos dias de hoje, devido a necessidade de preservação do meio ambiente, a utilização de novos métodos de reciclagem do lixo, surge a compostagem dos resíduos orgânicos como uma solução para a redução do volume de lixo que é encaminhado para os aterros nas grandes cidades. Utilizando a compostagem de resíduos, obtém-se como benefício o adubo orgânico para a utilização em plantas e hortas.


A compostagem trata-se de um processo natural na qual microorganismos como fungos e bactérias, são responsáveis pela degradação da matéria orgânica, sejam eles de origem urbana, industrial, agrícola e florestal. De acordo com Pereira Neto (1987), a compostagem é definida como um processo aeróbio controlado, desenvolvido por uma população diversificada de microrganismos, efetuada em duas fases distintas: a primeira quando ocorrem as reações bioquímicas mais intensas, predominantemente termofílicas; a segunda ou fase de maturação, quando ocorre o processo de humificação.

que serve para armazenar o chorume produzido no processo. É um método prático e simples de se fazer compostagem doméstica do lixo orgânico. A figura 01 a seguir demonstra uma opção de composteira doméstica montada. Observa-se a torneira ao lado na imagem pois é um recurso opcional, sendo que o biofertilizante gerado pode ser removido por cima (virando o balde para escorrer o liquido).

A compostagem doméstica é considerada um tipo de reciclagem do “lixo” orgânico que é realizada na própria residência. A técnica pode ser tanto realizada em um espaço na rua ao ar livre, ou dentro da própria residência utilizando-se de materiais apropriados. A composteira é o local ou a estrutura própria para o depósito e a compostagem do material orgânico e pode assumir diversos formatos e tamanhos - dependendo do volume de matéria orgânica e do espaço disponível para tal finalidade. Uma boa alternativa que pode ser utilizada em casa ou apartamento é utilizando três ou mais caixas ou baldinhos empilháveis de plástico. A quantidade de caixas e sua dimensão depende da demanda familiar, sendo as duas que ficam no topo, as chamadas de caixas digestoras, com furos no fundo (é nelas em que acontece toda a "mágica" e os furos são exclusivamente voltados para a migração das minhocas quando as mesmas estão presentes na caixa e para o escoamento do líquido); há também uma caixa coletora, a base,

Figura 1. Exemplo de composteira doméstica com baldes. Quando a composteira estiver montada, como mostra na figura 01, pode-se iniciar a compostagem virando o resíduo orgânico dentro do balde superior. Toda vez que é colocado o resíduo orgânico no balde, o mesmo deve ser coberto com serragem ou folhas secas, como na figura 02. O ideal é mexer o resíduo dentro do balde uma vez por semana para realizar aeração e observar se existe muita ou pouca umidade. Ao encher o balde superior (em torno de 30 dias,


dependendo da quantidade de lixo gerado na residência), o mesmo deve ir para o meio dos dois baldes e iniciar o enchimento novamente do balde superior (agora vazio), enquanto o balde do meio (cheio) vai ficar em período de maturação por mais 30 dias. Após este período, observar se o composto do balde do meio já está pronto para uso. O composto deverá estar com cor escura (marrom café), como mostra na figura 03. O produto gerado neste processo de degradação da matéria orgânica é um material estável e rico em nutrientes minerais chamado de composto orgânico. A compostagem também gera um adubo líquido natural (biofertilizante) além do adubo sólido. O biofertilizante é gerado durante o processo de transformação do resíduo orgânico e se deposita na caixa coletora, que é a caixa localizada na base da estrutura da composteira. É considerado um ótimo material para a pulverização nas plantas. Uma outra forma de realizar a compostagem doméstica é em um espaço ao ar livre, dentro de um canteiro é o ideal. A figura 04 que segue é um exemplo de compostagem dentro do canteiro.

Figura 2. Serragem cobrindo o resíduo dentro do balde.

Figura 3. Composto após 2 meses em maturação.

Após colocar os resíduos orgânicos deve-se cobrir bem os mesmos com folhas ou grama seca (figura 05), ou ainda serragem. A quantidade que devese colocar é o dobro da quantidade de resíduos. Nesse método é indicado uma vez por semana fazer um furo na compostagem, com um galho ou qualquer vara disponível, para permitir a entrada de oxigênio dentro da compostagem. A utilização de canteiros para realizar a compostagem é interessante pois o próprio espaço já ficará pronto e poderá ser utilizado para plantar hortaliças.

Figura 4. Resíduos orgânicos dentro do canteiro.


Todo esse resíduo orgânico gerado diariamente por cada indivíduo, quando descartado em aterros e lixões, junto com materiais tóxicos como pilhas e remédios, acabam produzindo efluentes que contaminam solos, lençóis freáticos e a atmosfera, agravando a qualidade de vida. Além de ocuparem uma grande quantidade de espaços, os resíduos sem tratamento acabam produzindo gás metano, que é cerca de 25 vezes mais prejudicial para o efeito estufa do que o gás carbônico.

Figura 5. Cobertura dos resíduos orgânicos com grama seca.

Portanto, além de evitar a geração de contaminação ambiental, ao utilizar-se dessas técnicas na própria residência ao final do processo terá um adubo natural que pode ser utilizado para plantar hortaliças em casa.

Referências Consultadas PEREIRA NETO, J. T., 1987: “On the Tratment of Municipal Refuse and Sewage Sludge Using Aerated Static Pile Composting – A Low Cost Technology Aproach”. University of Leeds, Inglaterra. p. 839-845.

Sobre a Autora: Patrícia Darolt de Costa é engenheira ambiental e mestre em Ciências Ambientais. Presta serviços de consultoria e licenciamento ambiental, atuando principalmente no monitoramento da qualidade ambiental e no gerenciamento de resíduos sólidos industriais e resíduos da construção civil. Atualmente vem empreendendo e atuando em startups na área de meio ambiente.


Caracterização Física de Cursos d'água em uma Microbacia O levantamento das características de uma bacia hidrográfica é um dos primeiros e mais comuns métodos a serem feitos em análises hidrológicas ou ambientais, e tem como objetivo esclarecer questões relacionadas à dinâmica ambiental de uma bacia hidrográfica. A hierarquia fluvial, um dos principais parâmetros morfométricos, estabelece uma ordem e grau dos cursos d’água dentro de uma bacia hidrográfica, determinando uma hierarquia entre os canais fluviais existentes ou entre suas áreas de drenagem (MANOEL e ROCHA, 2014). Essa classificação visa facilitar e tornar mais objetivos os estudos morfométricos sobre as bacias hidrográficas (CHRISTOFOLETTI, 1980). Os sistemas e critérios mais utilizados para tal classificação são os de Horton (1945) e os de Strahler (1952), sendo adotado o segundo neste estudo.

Atualmente, as bacias hidrográficas subsidiam grande parte da legislação e do planejamento territorial e ambiental brasileiro (POLITANO & PISSARRA, 2003). No Brasil, os entidades utilizam diferentes sistemas de classificação e codificação de bacias hidrográficas (GALVÃO; MENESES, 2005), contudo a codificação proposta pelo eng. Otto Pfafstetter, do antigo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), destaca-se como sendo um sistema natural e hierárquico de classificação, que toma como base o tamanho e a forma da bacia hidrográfica, bem como a configuração dos canais que produzem o escoamento até o exutório (VERDIN e VERDIN, 1999). Já em Santa Catarina Lei nº 10.949/1998, planejamento, gestão dos recursos hídricos

de acordo com a para efeito do e gerenciamento catarinenses, são


caracterizadas 10 (dez) Regiões Hidrográficas (SANTA CATARINA, 1997). A morfometria da microbacia hidrográfica é ferramenta essencial de diagnóstico da suscetibilidade à degradação ambiental. Ela retrata a disposição, o tamanho e a forma do percurso de cada segmento de rio e a densidade e o modo de distribuição de toda a rede de drenagem do terreno (STRAHLER, 1957 e FRANÇA, 1968). Considerando que a morfometria de uma microbacia hidrográfica é essencial para o planejamento dos recursos hídricos, este trabalho visa a caracterização física de uma área na zona rural do município de Rio Fortuna, segundo a classificação hierárquica de Strahler (1952) para enquadramento no Enunciado 03 do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina.

A área em estudo situa-se na localidade de Rio Otília, ficando a uma distância de 3,2 km do centro de Rio Fortuna, na margem direita do rio Braço do Norte. Está enquadrada na microbacia do rio Fortuna e bacia hidrográfica do rio Tubarão e Complexo Lagunar pertencente à Região Hidrográfica RH-9 - Sul Catarinense e enquadrada no sistema de vertente atlântica, formada por um conjunto de bacias isoladas (SANTA CATARINA, 1997). A área estudada compreende oito (08) canais de 1ª ordem que deságuam suas águas em condições de perenidade, intermitência ou efemeridade em dois tributários de 2ª ordem, que por sua vez drenam para um tributário sem denominação de 3ª ordem, na qual descarrega diretamente no rio Braço do Norte (4ª ordem), findando o ciclo ao desaguar no rio Tubarão (5ª ordem). A figura 1 demonstra a hierarquia dos canais de 1ª, 2ª e 3ª ordem na área de estudo.

Desta forma, plotou-se a restituição hidrográfica da SDE (2011) junto com o mapa planialtimétrico georreferenciado do imóvel visando-se identificar e sinalizar a existência de talvegues na área em estudo, resultando-se em oito drenagens que interceptam a área a ser parcelada. Além disso, para se entender o funcionamento de uma microbacia hidrográfica Lima (1996) assinala que torna-se necessário expressar quantitativamente as manifestações de forma (a área da bacia, sua forma geométrica, etc.), de processos (escoamento superficial, deflúvio, etc.) e suas inter-relações. O primeiro passo para determinar a descarga de uma micro bacia consiste em calcular a fração da precipitação que se transforma em escoamento superficial. A aplicação de métodos empíricos na predição do escoamento superficial, resultante de uma precipitação, pode ser considerada como uma primeira aproximação que deve ser corrigida posteriormente, com base na avaliação do sistema em operação (BELTRAN et al., 1988). Nesta abordagem, visando calcular a fração da precipitação que se transforma em escoamento superficial utilizou-se o Método Racional proposto por William Thomas Mulvany e usado nos Estados Unidos por Emil Kuichling em 1889, sendo estabelecido uma relação entre a chuva e o escoamento superficial (deflúvio). A determinação do coeficiente de escoamento superficial foi realizada usando os valores recomendados pelo SCS-USDA (1986), obtendo-se um valor adimensional de 0,60. Para o cálculo da intensidade máxima média de precipitação, utilizou-se o software HidroChuSC da EPAGRI (2013).


Figura 1. Classificação hierárquica fluvial conforme sistema de Strahler (1952). Neste sentido, utilizou-se a estação pluviométrica de Braço do Norte, por ser a mais próxima da área em estudos e com mesma condições climatológicas, estando ainda a mesma homologada na ANA sob código n° 02849030, com disponibilização dos dados dos anos de 1987 a 2011, resultando em um período de 25 anos de monitoramento, considerável muito confiável para este nível de estudo, obtendo-se uma chuva máxima diária média de 181,52mm. A intensidade média máxima da chuva em mm/h por meio da equação de chuvas intensas (IDF) obtido pelo HidroChuSC para um período de retorno de 10 anos foi de 162,35mm/h. Ainda, para a determinação da área da bacia de drenagem, utilizou-se a restituição hidrográfica SDE (2011), da qual empregou o método de codificação de bacias hidrográficas desenvolvido por Otto Pfafstetter, instituído oficialmente para codificação das bacias brasileiras pela Resolução nº 30/2002 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH, resultandose em uma área de 501,70 hectares. De posse dos valores obtidos, aplicouse os mesmos na equação do Método

Racional, obtendo-se uma vazão máxima de escoamento superficial igual à 124,43 m³/s. Com base na determinação da vazão máxima de escoamento superficial da área da bacia em estudos, efetuou-se o monitoramento semanal do fluxo de água nos talvegues (Figura 2) por três meses corridos (28/04/2020 29/07/2020), conforme recomendação do Enunciado 03 do IMA, visando-se identificar a ocorrência ou não de escoamento superficial nos talvegues. Além do monitoramento do deflúvio superficial, também foram registrados a precipitação acumulada nas últimas 24 horas, a partir da estação meteorológica automática do INMET de Morro da Igreja (Bom Jardim da Serra) (OMM n° 86968). Por meio do monitoramento, pode-se observar em um primeiro momento que o escoamento superficial oriundo dos talvegues são provenientes em grande parte da precipitação direta, ou da água que se move lateralmente nos corredores. Observou-se esta característica nitidamente nos pontos monitorados PT 01; PT 02; PT 04; PT 05 e PT 06, que geram as drenagens 01;


Figura 1. Indicação dos pontos utilizados para monitoramento. 02; 04; 05 e 06 (respectivamente). Nestes pontos a taxa e a velocidade do movimento lateral vão influenciar diretamente a taxa e a velocidade do fluxo do seu tributário principal, sendo estes canais classificados como efêmeros pela metodologia proposta por Christofoletti (1974), na qual afirma que só há fluxo durante chuvas ou períodos chuvosos, situação análoga à em estudo. Já nos pontos PT 03; PT 07 e PT 08, que geram as drenagens 03; 07 e 08 observou-se que ocorria escoamento superficial mesmo sem períodos chuvosos ou de estiagem. Nestes canais o deflúvio apresentou intermitência durante os três meses monitorados, classificando-se os mesmos como intermitentes pela metodologia proposta por Christofoletti (1974), já que de modo geral, só há fluxo durante a estação chuvosa (50% do período ou menos). Com relação ao acumulado de chuvas, foi observada uma chuva mais regular da primeira semana de junho até o dia 20 de julho. Já na maior parte do período, foram poucos dias com acumulados acima de 1 mm, ficando mais de 10 dias sob tempo seco nos

últimos dias de maio até a primeira semana de junho. Este resultado indica que além de mal distribuída espacialmente, a chuva foi bastante irregular, tanto que o Governo do Estado de Santa Catarina declarou estiagem hidrológica no mês de maio/2020 por meio do Boletim Hidrometeorológico Integrado n° 04, publicado em 15/05/2020. As informações do Boletim Hidrometeorológico corroboram com levantamento de campo, já que o acumulado de chuvas (precipitação direta) é o responsável pela ocorrência de escoamento superficial efêmero nas drenagens 01; 02; 04; 05 e 06. Além deste monitoramento, realizou-se sondagens geotécnicas nos pontos, visando-se determinar o nível do lençol freático, seguindo-se a metodologia da norma ABNT NBR n° 9.603/1986, que trata de Sondagens a Trado, bem como ao Manual de Sondagens da Associação Brasileira de Geologia de Engenharia – ABGE, edição n° 03, elaborado em 1999.

observa-se que as análises granulométricas indicaram que a área em estudos possui solos granulares


(areia média a grossa) variando para solos siltosos e argilosos com plasticidade média a alta, resultantes de alterações de sedimentos, caracterizados por cores acastanhadas/amarronzadas, por vezes cinza a creme amarronzados, que gradam para intervalos compostos de materiais argilosos, bastante plásticos, antes de atingir a rocha sã. Já a ocorrência do lençol freático aflorante foi encontrada nos furos FS06 (1,50m), FS-07 (0,70m) e FS-08 (1,10m), que foram alocados estrategicamente próximos da Drenagem 03, visando-se caracterizar seu deflúvio. Estas informações corroboraram com os dados levantados em campo, onde apontou escoamento superficial intermitente neste canal. Com relação as drenagens 07 e 08 as mesmas não foram registradas em todas as vistorias pois a classificação hierárquica fluvial da micro bacia com base na metodologia proposta por Strahler (1952) demonstrou que as Drenagens 07 e 08 são tributários de 2ª ordem quando adentram na área a ser loteada, que por sua vez drenam para um tributário sem denominação de 3ª ordem e assim sucessivamente. Neste sentido, como justificativa, Justi (2015) relata que canais de 1ª ordem tendem a ocorrer em bacias de menores dimensões, com menor capacidade de produção de água, inferindo assim a efemeridade de canais, enquanto que em canais de ordem superior, a superfície da bacia hidrográfica tende a ser maior; consequentemente, será maior a produção de água, permitindo inferir a perenidade ou intermitência do canal. Outro aspecto considerado é que haviam mais de um canal na sua montante, aumentando assim a contribuição de água, seja ela fluvial ou pluvial, nos segmentos posteriores.

Figura 3. Drenagem 03 no dia 29/07/2020.

Figura 4. Perfil do solo na drenagem 04, sem indícios de umidade no furo de sondagem.

Figura 5. Drenagem 07 e 08.


Com base na classificação hierárquica fluvial de Strahler (1952), temos que as drenagens 01, 02, 04 e 05 podem ser classificadas como canais efêmeros; e as drenagens 03, 07 e 08 podem ser classificadas como canais intermitentes ou perenes, já que observou-se que ocorria escoamento superficial mesmo sem períodos chuvosos ou de estiagem.

Destaca-se ainda que existe uma grande possibilidade dos aludidos canais se classificarem como perenes, mas como o período de monitoramento ficou restrito a três meses, não pode-se afirmar com exatidão, já que as drenagens perenes são aquelas em que há fluxo superficial o ano todo, ou pelo menos em 90% do ano, em canal bem definido.

Referências Consultadas BACK, Á. J. Chuvas intensas e chuva para dimensionamento de estruturas de drenagem para o Estado de Santa Catarina (Com programa HidroChuSC para cálculos. Florianópolis, Epagri, 2013. 193p. BELTRAN, J. M. Drenaje agricola. Madri: Instituto Nacional de Reforma y Desarrollo Agrario, 1988. 239p. CHRISTOFOLETTI, A. Geomorfologia. São Paulo: Edgard Blucher Ltda, 2ª ed. 188p. 1980. GALVÃO, W. S; MENESES, P. R. Avaliação dos sistemas de classificação e codificação das bacias hidrográficas brasileiras para fins de planejamento de redes hidrométricas. Anais XII SBSR, Goiânia, abril 2005, INPE. JUSTI JUNIOR, J.; ANDREOLI, C. V.. Uso de Dados Climáticos e Hidrológicos como Subsídio na Determinação do Regime de Fluxo de Canais de Drenagem. Rev. Br. de Geomorf., Paraná, v. 16, n. 1, p. 1-13, 31 mar. 2015. LIMA, W. P., Análise física da bacia hidrográfica. In: Manejo de Bacias Hidrográficas. São Paulo: ESALQ. 1996. POLITANO, W.; PISSARRA, T. C. T. Relações entre características morfométricas quant. e estimativa da vazão em função da área em microbacias hidrográficas de 2ª ordem [...]. Engenharia Agrícola, v.23, p. 179-186,2003. SANTA CATARINA. Governo do Estado. Secretaria do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDE). Levantamento Aerofotogramétrico do Estado de Santa Catarina: Rio Fortuna. 2011. SCS. Urban hydrology for small watersheds. TR 55. U.S. Dep. of Agricul., Soil Conservation Service (SCS), 1986. STRAHLER, A.N. Quantitative analysis of watershed geomorphology. New Halen: Transactions: American Geophysical Union, 1957. v.38. p. 913-920. STRAHLER, A. N. Dynamic basis of geomorphology. Bulletin Geological Society America, v.63, p.923-38, 1952. VERDIN, K. L.; VERDIN, J. P. A topological system for delineation and codification of the earth’s river basins. Journal of Hydrology, v.218, 1999. p.1-12.

Sobre o Autor: Guilherme Semprebom Meller é Engenheiro Ambiental e de Segurança do Trabalho com especialização em Engenharia Geotécnica. Atua como Diretor Técnico na MS Engenharia, prestando serviços na área de engenharia consultiva, com ênfase em empreendimentos mineiros e de projetos de infraestrutura urbana.


Dando voz à Engenharia Ambiental: O primeiro ano do Podcast da ACEAMB Quando fomos eleitos para gerir a ACEAMB nos anos de 2021 e 2022, uma de nossas propostas era a realização de um Podcast para a divulgação das diferentes áreas de atuação dos engenheiros ambientais. Para quem não esta familiarizado com o termo, Podcast nada mais é do que um 'programa de rádio' gravado e disponibilizado online para que os ouvintes ouçam quando for conveniente para eles. Desta forma, levantamos algumas áreas de atuação dos engenheiros e engenheiras ambientais e buscamos profissionais destas áreas. No ano de 2021, gravamos 4 episódios com os seguintes temas: Perícia Ambiental, Auditoria Ambiental, Programação na Engenharia Ambiental e Modelagem Hidrológica.

Em virtude das restrições da pandêmia (tal como isolamento social), a gravação dos episódios foi realizada de forma online, por meio do Skype. O Skype possibilita a gravação das chamadas, disponibilizando elas por 30 dias. Outros softwares ou métodos também podem ser usados, tais como gravadores de chamada de celulares e Whats App. Após o download da gravação, o audio era extraído no VSDC Video Editor e o audio tratado no Audacity. Trilhas e efeitos sonoros foram obtidos no site pixabay.com. Com a versão final do audio, este foi enviado para a conta da ACEAMB no anchor.fm, site que armazena e distribui o podcast para várias plataformas, tais como Spotify, Google Podcasts e Apple Podcasts (iTunes).


Além da produção de audio, também foram criados vídeos com as gravações, possibilitando também a disponibilização dos episódios no canal do Blog 2 Engenheiros no YouTube. O podcast também contou com a produção de imagens para serem usadas como capa, sendo estas criadas no canva.com. Assim como a revista de uma associação, o podcast também possibilita a busca de patrocinadores, tal como ocorreu nos episódios sobre programação (episódio 3) e modelagem hidrológica (episódio 4). O terceiro episódio contou com a participação do eng. ambiental Luiz Henrique Rosa da Silva, onde o profissional comentou um pouco da sua trajetória profissional na mineração, até a fundação da Azteca Software, mantenedora do software de gestão de licenças ambientais e-licencie. Luiz Henrique comentou como a programação auxiliava ele nas atividades rotineiras e como ela possibilitou o lançamento do software e-licencie.

Já no quarto episódio, conversamos com o eng. ambiental Victor Luis Padilha sobre sua iniciação científica ainda na graduação e posterior aprofundamento com o mestrado. Victor comentou sobre a importância do geoprocessamento e programação na hidrologia, sendo ferramentas fundamentais para atuar na área, e como atua hoje por meio da HRA Engenharia e Meio Ambiente em projetos ambientais e estudos hidrológicos.

Figura 2. Capa do episódio sobre modelagem hidrológica. Com o encerramento do ano de 2021, pretendemos dar continuidade aos podcasts em 2022, porém, com um objetivo diferente, trazer diferentes profissionais para agregar conhecimento aos engenheiros e engenheiras ambientais ouvintes.

Sobre o Autor:

Figura 1. Capa do episódio sobre programação na engenharia.

Fernando Basquiroto de Souza é engenheiro ambiental e presidente da ACEAMB (Gestão 2021-2022).


Precisa de um(a) profissional da Engenharia Ambiental? Milene Artioli de Moraes é engenheira ambiental e de segurança do trabalho e também é perita ambiental. Tem mais de 10 anos de experiência em estudos ambientais de contaminação de solo e água subterrânea, remediação de áreas degradadas, licenciamento e análise de riscos de áreas contaminadas. Contato: (48) 99115-3195 - artioliconsultoriaambiental@gmail.com Eunice Fidelis é acadêmica de Engenharia Ambiental e Sanitária desde 2017. Tem dois anos de expêriencia em gerenciamento de resíduos sólidos; monitoramento de efluentes sanitários, de impactos em obras, emissões atmosféricas e ruídos; Educação Ambiental; e Elaboração de Relatórios para o IBAMA e IMA. Contato: (47) 99951-9352 - nice.start@hotmail.com Thomas Jeferson Vieira é mestre em engenharia ambiental. Possui experiência em análise, controle e modelagem de emissões atmosféricas, qualidade do ar e emissões sonoras. Também atua com licenciamento ambiental e outorga de uso de recursos hídricos. Contato: (44) 99970-8817 - engthomasvieira@gmail.com

Gislaine Danieski é engenheira ambiental com experiência em controles ambientais na área de indústria e processos. Atua há mais de 8 anos na profissão, e desempenha consultoria em tratamento de efluentes, licenciamento ambiental e gestão de resíduos. Contato: (48) 99979-4326 - gisa_danieski@hotmail.com

Juliano Mondardo Dal Molin é especialista em Gestão de Projetos, Engenheiro Ambiental e Civil (CREA/SC -132.584-5). Principais áreas de atuação: Licenciamento ambiental, gestão de resíduos sólidos, mineração, parcelamento do solo (loteamento/desmembramento) e serviços de saneamento (redes de água, esgoto, drenagem). Contato: (48) 99836-6925 - julianomondardo@hotmail.com William Paulo Ribeiro é engenheiro ambiental e sanitarista, assessor de comunicação da Associação Baiana de Engenharia Ambiental, assessor de comunicação da Associação Catarinense de Engenharia Ambiental, assessor de comunicação da Federação Nacional das Associações de Engenharia Ambiental e Sanitária. Contato: (71) 99290-6320 - williampaulors@gmail.com


Associações e Entidades A Associação Catarinense de Engenharia Ambiental – ACEAMB foi fundada em 21 de Outubro de 2006 e como Entidade de Classe, tem por finalidade a defesa dos interesses profissionais e a interação de esforços em busca de objetivos comuns, estreitando as relações de boa convivência entre seus associados, o intercâmbio cultural e profissional com associações congêneres, nacionais ou estrangeiras, promovendo o progresso e desenvolvimento na sua jurisdição.

A ACESA - Associação Catarinense de Engenheiros Sanitaristas surgiu em novembro de 1998 com o objetivo de ser um canal permanente de interação entre os profissionais de Engenharia Sanitária e a comunidade.

Associação dos Engenheiros Ambientais do Norte Nordeste e Vale do Itajaí de Santa Catarina - AEANVI foi criada em 10 de agosto de 2009 para apoiar e fortalecer os profissinais de Engenharia Ambiental do Norte Nordeste e Vale do Itajai de Santa Catarina.

A Federação Nacional das Associações de Engenharia Ambiental – FNEAS, com foro em Curitiba-PR, congrega as entidades representativas constituídas exclusivamentes de engenheiros ambientais e engenheiros ambientais e sanitaristas.


RCEA