Page 1

Diagramação Guia O Carreteiro 2011


Diagramação Guia O Carreteiro 2011


GUIA TRANSPORTE RODOVIÁRIO 2011

O CARRETEIRO

FEDERAIS CONCESSIONÁRIA

RODOVIA

TELEFONES

Concepa Concer CRT Ecosul Nova Dutra Ponte S.A.

BR-290 e BR-116 BR-040 BR-116 BR-116, BR-293 e BR-392 BR-116 BR-101

(51) 3029-2000 0800 28 20 040 (21) 2777-8300 0800 53 10 66 0800 017 35 36 (21) 2620-9333

ESTADUAIS Bahia CLN

BA-099

0800 071 32 33

Espírito Santo Rodosol

ES-060

0800 979 00 60

Paraná Caminhos do Paraná Econorte Ecovia Rodonorte EcoCataratas Viapar

BR-277, BR-373 e PR-438 BR-369, PR-323 e PR-445 PR-407, PR-508 e BR-277 BR-376, BR-277, BR-373 e PR-151 BR-277 PR-444, PR-317, BR-369, BR-376 e BR-158

0800 42 10 10 0800 400 15 51 0800 41 02 77 0800 42 15 00 0800 45 02 77 0800 601 60 01

Rio de Janeiro Rota 116 Via Lagos

RJ-116 RJ-124

0800 28 20 116 0800 702 01 24

Rio Grande do Sul Brita Convias Coviplan Metrovias Rodosul Sta Cruz Ecosul Sulvias

RS-020, RS-235, RS-115, RS-446 BR-116, RS-122, RST 453 BR-285, BR-386, RST-153 BR-116, BR-290, RS-030, RS-040, RS-784 BR-116, BR-285 BR-471, RST-287 BR-158, BR-290, BR-287, BR-392, RST-287 BR-386, RS-128, RS-129,RS-130, RST-453

0800 51 44 22 0800 99 11 33 0800 707 31 14 0800 99 11 33 0800 510 52 86 0800 51 71 42 0800 53 10 66 0800 99 11 33

São Paulo AutoBan Autovias Centrovias Ecovias dos Imigrantes Intervias Renovias Rodovia das Colinas SPVias Tebe Triângulo do Sol Viaoeste Vianorte

SP-300, SP-330, SP-348 SP-255, SP-318, SP-330, SP-334, SP-345 SP-310, SP-225 SP-040, SP-55, SP-059, SP-150, SP-160 SP-147, SP-191, SP-215, SP-330, SP-352, SP-157/34 SP-215, SP-340, SP-342, SP-344, SP-350 SP-075, SP-127, SP-280, SP-300 SP-127, SP-255, SP-258, SP-270, SP-280 SP-323, SP-326, SP-351 SP-310, SP-326, SP-333 SP-075, SP-270, SP-280, SP-091 SP-322, SP-325, SP-328, SP-330

0800 055 55 50 0800 707 90 00 0800 17 89 98 0800 19 78 78 0800 707 14 14 0800 55 96 96 0800 703 50 80 0800 703 50 30 0800 55 11 67 0800 701 16 09 0800 701 55 55 0800 701 30 70

Rio de Janeiro Lamsa

Linha Amarela

0800 24 23 55 www.guiaocarreteiro.com.br

1


O FRETE AUTÔNOMO

N

a ânsia de pegar serviço, muitos motoristas autônomos se esquecem de analisar o próprio preço do serviço. Estes autônomos acabam por ignorar os próprios custos, levando muitas vezes prejuízo para eles próprios e para os demais, pois desta forma o preço do frete diminui cada vez mais, e o que é pior, para todos que atuam nesta área. O profissional autônomo precisa ter consciência que não é só quem oferece frete que tem o poder de ditar preços. Já é hora do fornecedor de serviço de frete equilibrar esta balança, negociando melhores preços e fazendo com que o frete recebido retome cada vez mais a sua função: viabilizar o negócio com lucro e rentabilidade.

O TRANSPORTE DE CARGA DÁ LUCRO PARA O AUTÔNOMO?

J

osé um motorista profissional autônomo com caminhão próprio, atuando no setor há mais de 15 anos estava desiludido com os preços dos fretes praticados pelo mercado. Fato, que levou José a tirar uns dias para pescar e esfriar a cabeça. E, com sua vara de pesca na mão, estava pensando se o negócio de transporte por caminhão que ele atua a tanto tempo, era ou não lucrativo. Com seus pensamentos acabou enumerando os prós e contra do negócio:

Contras:

Preço alto do combustível e aumentos constantes; n

32

Aumento das praças de pedágios e do preço dos mesmos; n Ficar longe da família por longos períodos; n Estradas mal conservadas e perigosas; n Aumento do número de assaltos; n Fretes baixos; n Pouquíssimas opções de financiamento para aquisição e troca de caminhões; n

Prós: Liberdade; Caminhões mais confortáveis e seguros; n Comunicação com a família mais fácil pelo celular; n Aparecimento de novas praças com oferta de frete; n Caminhões mais econômicos; n n

Além disso, tudo que ele possuía na vida advinha da sua profissão e dos caminhões que ele possuiu durante sua vida, mas mesmo assim José resolveu checar por A mais B se realmente a profissão que ele escolhera realmente lhe proporcionava lucro ou não. E começou analisando o frete que recebeu na sua última viagem. Valor recebido de R$ 1.570,00 por uma vigem Rio de Janeiro – São Paulo – Rio de Janeiro, portanto uma viagem de ida e volta do Rio para São Paulo. Quanto ao valor recebido não havia dúvida nenhuma. A coisa começou a complicar quando José foi verificar o quanto custou a viagem para ele. E ai, surgiu a primeira dúvida:


GUIA TRANSPORTE RODOVIÁRIO 2011

O CARRETEIRO

QUANTO CUSTA UMA VIAGEM DE CAMINHÃO? Para esclarecer melhor José anotou em um papel tudo que gastou na viagem: Combustível

R$ 632,35

Pedágios

R$ 95,00

Refeições

R$ 55,00

Borracharia (pneu furado)

R$ 21,00

Lubrificante (óleo de motor completado)

R$ 14,00

Nas contas de José, as despesas totalizaram pouco mais da metade do que ele recebeu pelo frete, ou seja, R$ 817,35 e, portanto um lucro de R$ 752,65. Num primeiro momento, José ficou muito contente, pois esse “lucro” era excelente. Mas ai, outra dúvida surgiu na cabeça de José:

SERIAM SOMENTE ESTES OS CUSTOS DE UM TRANSPORTE FEITO POR CAMINHÃO? Assim, José pesquisou e descobriu que estes eram apenas alguns dos custos existentes. E neste momento, José prometeu a si mesmo que chegaria a uma resposta a qualquer custo. Do empenho de José surgiu a seguinte lista de custos e despesas: n Depreciação do veículo n Licenciamento

Material de escritório (papeis, formulários, canetas, etc)

n IPVA

n

Pneus, câmaras, protetores e recapagens

n Lavagem

n

Seguro Obrigatório

n

Telefone

n

Manutenção do veículo

n

Despachante

n

Troca de óleo de motor

n

Impostos

n

Contador

n

Seguro de vida

n

Seguro do veículo

n

Carnê do INSS - autônomo

n

Era tanta coisa que José pensou em desistir de tudo e sair vendendo pipoca, mas lembrou-se da promessa feita. E resolveu prosseguir. Decidiu que o próximo passo a tomar seria separar os custos levantados em: custos ligados ao caminhão e os não ligados diretamente ao veículo. www.guiaocarreteiro.com.br

33


n

CUSTOS LIGADOS AO CAMINHÃO: Combustível

n

NÃO LIGADOS DIRETAMENTE AO VEÍCULO: Contador

n

Licenciamento

n

Telefone

n

Pneus, câmaras, protetores e recapagens

n

Seguro de vida

n

Manutenção do veículo

n

Material de escritório

n

IPVA, Seguro Obrigatório

n

Carnê do INSS - autônomo

Lubrificante (óleo de motor completado)

n

Impostos

n

Refeições

n

Estadia

n

Troca de óleo de motor Lavagem Depreciação do veículo

n

Seguro do veículo

n

Borracharia (estrada)

n

Pedágios

n

Despachante

n

n n

Mas esta divisão só não bastou, pois José percebeu que alguns custos apesar de estarem ligados ao veículo, suas ocorrências variavam. Alguns custos variavam com a quilometragem outros com o tempo. E José resolveu então, sofisticar um pouco mais a sua classificação. CUSTOS LIGADOS AO CAMINHÃO: CUSTOS FIXOS POR KM

NÃO LIGADOS DIRETAMENTEAO VEÍCULO: DESPESAS ADMINISTRATIVAS

n

Depreciação do veículo

n

Contador

n

Licenciamento

n

Telefone

n

Seguro Obrigatório

n

Material de escritório

n

IPVA

n

Seguro de vida

n

Despachante

n

Carnê do INSS - autônomo

n

Seguro do veículo

CUSTOS VARIÁVEIS POR KM

IMPOSTOS

n

Manutenção do veículo

n

n

Combustível

DESPESAS DE VIAGEM

Pneus, câmaras, protetores e recapagens n

n

Troca + Remonta de óleo de motor

n

Lavagem

34

ISS

n

Borracharia (estrada)

n

Pedágios

n

Refeições


GUIA TRANSPORTE RODOVIÁRIO 2011

O CARRETEIRO

Depois de organizar as contas de forma satisfatória, faltava a José determinar quanto gastava com cada uma delas. E, assim ele foi verificando em sua caderneta de anotações os valores gastos nos últimos meses com combustível, manutenção, pneus, contador, IPVA, licenciamento, etc. Das suas anotações e recibos guardados José conseguiu levantar quase todos os custos, mas teve que tomar alguns cuidados:

CUSTOS FIXOS

O licenciamento, seguro obrigatório, IPVA, despachante e seguro do veículo são valores que são gastos a cada ano e não se alteram se o veículo roda ou não. Nestes casos, José também teve que dividir por 12 meses para transformar esses valores em parcelas mensais. ANUAL

Licenciamento Seguro Obrigatório IPVA Despachante Seguro do veículo

R$ 294,00 R$ 150,00 R$ 2.450,00 R$ 42,00 R$ 4.900,00

PARCELAS MENSAIS ÷12

R$ 24,50 R$ 12,50 R$ 204,17 R$ 3,50 R$ 408,33

÷12 ÷12 ÷12 ÷12

TOTAL de Custo Fixo Mensal

R$ 653,00

Faltou apenas a depreciação do veículo que José não conseguiu identificar na sua caderneta e também não achou nenhum recibo referente à mesma. Mas após algumas pesquisas ele descobriu que a depreciação nada mais era que a perda de valor do seu caminhão a medida que este ficava mais velho e portanto ele não “gastava nada” de depreciação. Entretanto, este não gastava nada soava meio falso para José, pois se era o quanto o caminhão desvalorizava, esta desvalorização com certeza custava alguma coisa para ele. E foi com este pensamento que José acabou descobrindo que ele realmente não pagava nada para ninguém todo mês de depreciação. Esta conta ele só teria na hora de trocar o seu caminhão por um mais novo que o seu, e ai sim, ele teria que ter o dinheiro para completar a diferença. Ou seja, é esta diferença que todo mundo chama de depreciação do veículo. José resolveu então que, para que ele tivesse esta diferença na hora de trocar o seu caminhão teria que guardar todo mês um pouco, como se fosse uma parcela de financiamento, bem mais barata é claro. E, assim ao final de cada ano ele teria o valor para a troca de seu caminhão.

MAS QUANTO JOSÉ DEVERIA GUARDAR PARA A DEPRECIAÇÃO DE SEU CAMINHÃO? Esta resposta José descobriu rapidamente, bastava verificar na tabela de veículos novos e usados da revista O Carreteiro o quanto o seu caminhão perdia a cada ano e dividir pelo número de meses correspondente, como ele havia feito com o IPVA por exemplo. www.guiaocarreteiro.com.br

35


2010

2009

2008

2007

2006 + NOVO

Caminhão mais NOVO

R$ 115.000,00

Caminhão a ser Trocado

R$ 81.200,00

Diferença em 3 anos

R$ 33.800,00

2005

2004

2003 USADO

R$ 11.266,67 por ano

Vejamos então qual foi o raciocínio de José: ele tem um caminhão 2006 e sempre que acha que está na hora de trocar de veículos ele procura substituir o seu caminhão por um 3 anos mais novo. Isto quer dizer que, se ele quisesse trocar o seu caminhão por um 3 anos mais novo hoje ele teria que dispor de R$ 33.800,00, ou seja, teria que ter guardado R$ 11.266,67 por ano ( 33.800 ÷ 3), ou R$ 938,89 por mês dividindo-se os 11.266,67 pelos 12 meses de um ano. E desta forma, somando a depreciação aos custos fixos por mês já levantados, José chegou a um total de custo fixo mensal de: TOTAL de Custo Fixo Mensal de R$ 653,00 + R$ 938,89 = R$ 1.591,89 Partindo assim para as despesas administrativas.

DESPESAS ADMINISTRATIVAS Para as despesas administrativas José usou o mesmo raciocínio, ou seja procurou levantar as despesas de um ano de cada um dos itens e dividiu por 12. Ele tomou este cuidado, pois se pegasse a despesas de alguns poucos meses, por exemplo, poderia haver algum gasto alto ou baixo demais, o que poderia mascarar a despesa. Já com dados de um ano, estes poucos valores atípicos são diluídos juntamente com os demais meses. Contador Telefone Material de escritório Seguro de vida Carnê do INSS – autônomo

TOTAL ANUAL

MÉDIA MENSAL

R$ 780,00 R$ 1.120,00 R$ 96,00 R$ 792,00 R$ 1.850,00

R$ 24,50 R$ 12,50 R$ 204,17 R$ 3,50 R$ 408,33

TOTAL Mensal

R$ 386,50

CUSTOS VARIÁVEIS POR QUILÔMETRO Os custos que variam com a quilometragem rodada do caminhão deram um pouco mais de trabalho ao José, pois o gasto em dinheiro está ligado ao consumo em quilômetros, ou seja, ele só gasta se o caminhão estiver rodando. 36


GUIA TRANSPORTE RODOVIÁRIO 2011

O CARRETEIRO

Manutenção José teve que apurar tudo que ele gastou com manutenção nos últimos 12 meses e verificar qual foi a quilometragem que o caminhão rodou neste período. Após o levantamento o cálculo foi fácil, ele apenas dividiu o gasto pela quilometragem rodada. gasto = com manutenção em 12 meses ou um ano km = quilometragem rodada nos 12 meses ou um ano Manutenção =

(gasto) km

6.780 100.000

R$ 0,0882 por km

Combustível Este foi muito fácil, pois era costume de José calcular a média que seu caminhão fazia. E neste caso foi só dividir o preço do litro de combustível pela média alcançada pelo seu caminhão. Combustível =

(litro $)

1,85

média

3,4

R$ 0,632 por km

Pneus Este item foi o pior de todos, e se a sorte não está ao seu lado ele não conseguiria. Fato é que onde José troca os pneus, a empresa tem o cuidado de colocar na Nota Fiscal a quilometragem da troca, e neste caso foi só o José pegar as últimas 2 notas e fazer o calculo: dividindo o preço pago, pela quilometragem que os pneus duraram. gasto = com a troca dos 10 pneus do caminhão (preço médio entre novos e recapados) km = quanto durou os pneus trocados em quilômetro Pneus =

(gasto)

9.400

km

110.000

R$ 0,085 por km

Lubrificantes (óleo de motor) Este item foi fácil, bastou pegar o manual para saber quantos litros são trocados, o recibo da última troca para saber o preço do litro e por fim o intervalo em quilômetros recomendado para as trocas. Calculou o que gastou (quantidade de litros vezes o preço do litro de óleo) e dividiu pelo intervalo entre as trocas em quilômetros. Lubrificantes =

(gasto)

18 x 6,00

km

10.000

R$ 0,014 por km

Lavagem

Para este item José teve que estimar, ou seja, pegou o intervalo médio de dias em que ele dava aquela lavada caprichada e definiu uma quilometragem média para este intervalo de dias e por fim ligou para o posto e perguntou o preço daquele tipo de lavagem. E dividiu o preço cobrado pelo posto pelos quilômetros estimados entre as lavagens. www.guiaocarreteiro.com.br

37


Lavagem =

(gasto)

80,00

km

4.000

R$ 0,020 por km

Assim José totalizou de custo variável a cada quilometro rodado: Manutenção

R$ 0,088

Combustível

R$ 0,632

Pneus

R$ 0,075

Lubrificantes

R$ 0,014

Lavagens

R$ 0,020

TOTAL

R$ 0,829 por km

Com mais este cálculo faltava a José determinar os impostos pagos e uma diária que cobrisse as despesas de viagem: café, almoço, janta e repouso. Já que os pedágios são reembolsados e o custo de borracharia entrou como custo de manutenção.

COMO DEFINIR UMA DIÁRIA DE VIAGEM? José estabeleceu os seguintes valores para compor a diária: Café da manhã

R$ 5,00

Almoço

R$ 12,00

Janta

R$ 12,00

Pernoite

R$ 20,00

TOTAL

R$ 49,00

Ou seja, para cada dia de viagem José deveria cobrar R$ 49,00 para cobrir estas despesas.

IMPOSTOS José considerou apenas o ISS de 5% sobre o que ele cobrasse como imposto. Com tudo isto calculado, José pode montar a seguinte tabela: CUSTOS DO VEÍCULO

Fixo mensal Variável por km

DESPESAS ADMINISTRATIVAS IMPOSTOS SOBRE O PREÇO COBRADO DIÁRIA (VIAGEM)

R$ 1.591,89 R$ 0,829 R$ 386,00 5% R$ 49,00

E AGORA, COMO COMPOR O FRETE? E agora José o que fazer com todos estes valores? E foi com esta pergunta na cabeça que José teve uma grande idéia. Pensando na diária que ele calculou, ele 38


GUIA TRANSPORTE RODOVIÁRIO 2011

O CARRETEIRO

resolveu transformar os custos mensais em diárias também, pois assim ele só teria que trabalhar com 2 valores: um preço a ser cobrado por cada dia de viagem e um preço por quilômetro rodado. Neste momento, surgiu uma nova dúvida: Será que se deve dividir os custos mensais por 30 dias? E raciocinando melhor ele chegou a conclusão que não. Ele deveria descontar pelo menos os dias que ele não tinha serviço, os dias que ele passava com a família e os dias em que o veículo ficava parado em manutenção. Que em média, José chegou a conclusão que eram 8 dias por mês, ou seja, seu caminhão trabalhava efetivamente 22 dias por mês e este foi o valor que José resolveu utilizar na divisão dos custos mensais. Para o cálculo desta nova diária ele separou: MÊS

Custo Fixo mensal do veículo Despesas Administrativas mensais Diária (viagem)

R$ 1.591,89 R$ 386,50

TOTAL Mensal

DIA ÷22

R$ 72,36 R$ 17,57 R$ 49,00

÷22

R$ 138,93

E assim José conseguiu o que queria: os dois valores para o cálculo do frete. Mas mesmo assim não ficou satisfeito, pois teria que incluir ainda os impostos. E resolveu perguntar para seu contador se não existia alguma maneira de embutir os impostos juntamente com os custos. Como resposta seu contador lhe forneceu um número, chamado de MARK UP para multiplicar a sua diária e o valor do quilômetro rodado, incluindo assim os impostos. E, forneceu também um valor de mark up já com uma margem de lucro de 15%, caso José resolvesse incluir o seu lucro também. MARK UP

=

1,0526 (só impostos)

MARK UP

=

1,25 (impostos + 15% lucro)

E assim ficaram seus preços: SÓ COM IMPOSTOS: Diária (frete) Km

R$ 138,93 x 1,0526 R$ 0,829 x 1,0526

R$ 146,24 R$ 0,873

Estes são valores utilizados para a comparação de fretes oferecidos, sendo que neste caso o lucro será a diferença entre o frete oferecido e o calculado por estes valores. Veja o exemplo mais a abaixo. COM MAIS 15% DE LUCRO: Diária (frete) Km

R$ 138,93 x 1,0526 R$ 0,829 x 1,0526

R$ 146,24 R$ 0,873 www.guiaocarreteiro.com.br

39


Neste segundo caso, os valores são utilizados quando se dá o preço do frete a alguém ou se utiliza para mondar uma tabela de frete. Neste caso o lucro será o do percentual embutido que no caso é de 15 %. E com uma cara de satisfação José concluiu que não era tão difícil assim calcular um frete.

E FINALMENTE O FRETE... Bom, José pensou, agora basta eu saber quantos dias vai levar a viagem e quantos quilômetros têm, que eu calculo o frete em 2 minutos. E fez o seguinte teste com aquele frete de R$ 1.570,00 que recebeu da sua última viagem. FRETE RECEBIDO Dias de viagem Km rodado Desconto dos pedágios

R$ 1.465,00 3 dias x R$ 146,24 1.000 km x R$ 0,873

Custo Total Lucro de ( 1.570,00 – 1.406,54 )

R$ 438,72 R$ 872,82 R$ 95,00 R$ 1.406,54 R$ 163,46 ou +/- 10,0%

Este cálculo permitiu que José tirasse algumas conclusões importantes com relação ao frete recebido.

ANÁLISE DO FRETE Vejamos quais as principais conclusões que se pode tirar desta análise: Que mesmo sobrando R$ 752,65, que ele pensava ter ganho a princípio, o seu lucro real foi de R$ 163,46, e a diferença era de custos já pagos (Ex. IPVA) ou a pagar (Ex. depreciação). n Que se ele recebesse menos de R$ 1.406,54 de frete nesta viagem ele teria prejuízo. n Que existem custos e despesas em transporte que não são imediatas ou visíveis, mas que existem e são altas, como por exemplo: a depreciação, os gastos com pneus, a própria manutenção do veículo, e etc. n Há despesas que são pagas adiantadas e precisam ser recuperadas ao longo do tempo, como é o caso do licenciamento, IPVA, seguro obrigatório, etc. n Que existem vários tipos de custos: os ligados ao veículo, os administrativos, os que vaiam com a quilometragem rodada, os que variam com o tempo, etc. Mas será que o transporte de carga por caminhão é um bom negócio? Ou seja: Será que este lucro é bom? Para saber se um negócio é bom, é preciso compara-lo a outros. Uma forma simples de se verificar é comparar o dinheiro investido no caminhão com o rendimento da poupança, por exemplo. Entretanto não podemos esquecer que só porque o negócio hoje não está bom que ele nunca o foi ou não poderá melhorar. Alem disso, muito do sucesso de um negócio está ligado a forma de administra-lo, ou seja, está nas mãos do próprio proprietário. E este deve gerir o negócio caminhão de forma racional: n

40


GUIA TRANSPORTE RODOVIÁRIO 2011

O CARRETEIRO n Ter sempre em mente a economia, seja dirigindo o caminhão, seja no momento de comprar: peças, combustível, caminhão e etc. n Produzir cada vez mais, ou seja, aproveitar ao máximo a capacidade de seu caminhão ao longo do tempo. n Negociar sempre: procurando os melhores fretes e analisando sempre o frete oferecido. Enfim, faça como José, questione o que lhe é oferecido, pois desta forma você poderá se certificar se este é realmente o melhor negócio e descobrir o que se pode fazer para melhora-lo. Para ajudá-los nesta empreitada a sua revista O Carreteiro estará em sua próximas edições, detalhando melhor cada um dos itens tratados aqui e apresentando formas administrativas que lhe ajudarão a melhorar o seu negócio cada vez mais.

QUADROS RESUMOS

FIXO MENSAL

CUSTOS LIGADOS AO CAMINHÃO Licenciamento Seguro Obrigatório IPVA Despachante Seguro do veículo DEPRECIAÇÃO

R$ 24,50 R$ 12,50 R$ 204,17 R$ 3,50 R$ 408,33 R$ 938,89

Total - custo fixo mensal

R$ 1.591,89

Manutenção Combustível Pneus VARIÁVEL POR KM Lubrificantes Lavagens Total - custo variável por km NÃO LIGADOS DIRETAMENTE AO VEÍCULO Contador Telefone Material de escritório DESPESAS ADMINISTRATIVAS Seguro de vida Carnê do INSS – autônomo Total - custo administrativo mensal IMPOSTOS SOBRE O FRETE DE 5 % Café da manhã Almoço DIÁRIA (DESPESAS Janta DE VIAGEM) Pernoite Total – despesas de viagem

R$ 0,088 R$ 0,632 R$ 0,075 R$ 0,014 R$ 0,020 R$ 0,829 R$ 65,00 R$ 93,33 R$ 8,00 R$ 66,00 R$ 154,00 R$ 386,50 R$ 5,00 R$ 12,00 R$ 12,00 R$ 20,00 R$ 49,00

www.guiaocarreteiro.com.br

41

Guia O Carreteiro 2011  

Diagramação Guia Transporte Rodoviário O Carreteiro 2011