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SESSÃO PLENÁRIA DA ACADEMIA DE MEDICINA DE BRASÍLIA – AMeB

PALESTRA: A PRÁTICA MÉDICA ATUAL: CONTROVÉRSIAS DO EMPREGO DA TECNOLOGIA E A MEDICINA CLÍNICA.10 PALESTRANTE: Acadêmica Janice Magalhães Lamas (Academia de Medicina de Brasília).

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Acadêmica Janice Magalhães Lamas deu início à sua palestra citando o Padre Antonio Vieira, quanto à di-

ficuldade de se discutir o controverso. Afirmando que o uso da tecnologia em excesso devia-se ao grande número de especialidades, citou os avanços da Medicina, passando pelas invenções do estetoscópio, do termômetro, do microscópio, até à descoberta do raio-X, no final do século XIX, por Roentgen. Passou, então, a explicar o avanço dos meios de diagnóstico por imagem, enumerando cronologicamente o surgimento da fluoroscopia, radiografia, mamografia, tomografia computadorizada, ultrassonografia, ressonância magnética, tomografia computadorizada associada à emissão de pósitrons, ressonância magnética convencional e funcional, comparando-os e analisando suas vantagens e desvantagens. Palestra realizada em 13/9/2011 no Auditório Tito Figuerôa – SindMédico, situado no SGAS 607, Edifício Metrópolis, Cobertura 1, Brasília-DF, sede da AMeB.

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Comentou, a seguir, a complexa relação entre o médico e a indústria e a influência do modelo norte-americano de alta tecnologia nos hospitais brasileiros, acrescentando que o aumento de gastos com tecnologia nem sempre correspondia a um aumento da expectativa de vida e que nem sempre uma nova tecnologia substituía completamente a anterior. Concluiu sua exposição mostrando as principais indicações para cada exame, sugerindo que o principal problema que o médico enfrentava em seu consultório seria determinar qual tecnologia seria a mais indicada ao seu paciente. O Presidente da AMeB, Acadêmico José Leite Saraiva, passou em seguida a palavra ao plenário, que assim se manifestou: “O médico deve saber ser abrangente, pede muito e pouco sabe; precisa ter honestidade de propósitos” (Acadêmico Sérgio Camões); “Muitas vezes, o médico pede exames desnecessários porque possui o equipamento que os realiza, aumentando, assim, a sua renda” (Acadêmico Renato Maia); “Todo e qualquer exame é, por definição, complementar, mas hoje em dia é feito antes mesmo de o médico ver o paciente” (Acadêmico Mauricio Gomes Pereira). “Apenas 1/3 dos leitos hospitalares no Brasil é do SUS, que também precisa ter acesso à alta tecnologia e não tem” (Doutora Mariângela Delgado Cavalcante); “A rede SARAH tem a mais alta tecnologia hospitalar de Brasília e atende a todos, indiscriminadamente, embora somente 30% de suas verbas venham diretamente do governo” (Acadêmico João Eugênio); “Tanto a tecnologia quanto os exames clínicos são necessários; o grande problema reside na indicação deles” (Acadêmico Edno Magalhães); “A Escola Superior de Ciências da Saúde, do Governo do Distrito Federal, tem tentado nos seus dez anos de existência, seguir um modelo que ensine o estudante de Medicina a pensar mais no doente que na doença” 76


Anais • Ano I • Volume II

(Acadêmico Procópio Miguel dos Santos); “O problema não é e nunca foi a tecnologia e, sim, a maneira como é aplicada e os médicos são coniventes com este status quo” (Doutor Nelson Marins); “O paciente se considera conhecedor do saber médico por consultar a Internet e exige o uso da tecnologia” (Acadêmica Maria Mouranilda Tavares Schleicher). A Acadêmica Janice Lamas concordou com as ponderações colocadas pelo plenário, acrescentando que o médico mais jovem nem sempre sabia indicar o exame correto, uma vez que por só conhecer a tecnologia atual e não lidar com pacientes durante sua formação, não poderia ter daqueles uma visão crítica daqueles exames.

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Palestra:A PRÁTICA MÉDICA ATUAL: CONTROVÉRSIAS DO EMPREGO DATECNOLOGIA E A MEDICINA CLÍNICA